Contagious

Última atualização: 30/12/2018

Capítulo 1

MELBEX

É engraçado como a vida pode mudar tão rápido. Uma hora você pode estar atrasada para algo e, em outro o mundo, pode ter acabado. Pode até parecer que não há sentido algum, mas logo tudo se revelará.
Eu olhava no relógio do quarto de Carly pela vigésima vez. Estávamos atrasadas 30 minutos e minha querida amiga não se arrumava logo, além de não parar de tagarelar um segundo:
ㅡ Lizi, o que você acha? ㅡ Disse ela mostrando uma sétima troca de roupas. ㅡ Tenho que ficar incrível! Vai ter centenas de pessoas lá. E o Adam... ㅡ ela suspirou como uma garotinha ㅡ ele também vai estar lá e você poderá conhece-lo, amiga. Papai já deve estar chegando e eu ainda não estou maravilhosa do jeito que eu quero.
Vocês devem pensar: "por que se arrumar tanto para um evento? É só um evento!"
Realmente é somente um evento, mas Carly é a filha do homem que está promovendo tudo isso. O pai dela, Sr. Colt Jefferson, é o dono da maior empresa atualmente, a mundialmente conhecida Melbex e, como forma de publicidade, Sr. Jefferson está promovendo esta feira, onde terá desfiles de aviões. A empresa produz desde peças para aviões, até produtos agrotóxicos e eletrônicos a preços acessíveis, por isso a grande fama.
Carly ia se trocar novamente quando seu pai e seus seguranças gigantes chegaram:
ㅡ Bom dia, meninas. Estão prontas? ㅡ Nós duas confirmamos com um aceno. ㅡ Então vamos.
Carly correu como uma coelhinha alegre até o helicóptero que nos levaria até lá. Ao entrarmos na aeronave, Sr.Jefferson ligou uma pequena TV que estava exibindo ao vivo a exposição. Algumas das atrações já estavam acontecendo, o lugar estava lotado e todos aguardavam a chegada do pai de Carly. Após vinte minutos de voo, Carly e eu, grudadas na janelinha, avistamos o centro onde tudo estava acontecendo. Foi tudo muito rápido. Em um minuto, víamos pessoas andando, rindo e se divertindo e, no outro, tudo desapareceu em meio a uma névoa vermelho vivo que se espalhou no ar. Logo depois, o helicóptero balançou e começou a apitar e, na pequena TV, a repórter desesperada falava:
ㅡ AI, MEU DEUS! UMA DAS BOMBAS DE TESTE DA EXPOSIÇÃO ACABOU DE EXPLODIR! TODOS ESTÃO DESESPERADOS E, PELAS INFORMAÇÕES, ESTA NÉVOA PODE SER TÓXICA.
A moça, que antes falava, desapareceu no meio da cortina vermelha. O câmera caiu levando a câmera de transmissão junto com ele, então a tela ficou azul.
ㅡ Roger, vá até lá. ㅡ Disse Sr.jefferson com a voz grossa. ㅡ Meninas, fiquem aqui dentro! Não saiam em hipótese alguma!
Quando o helicóptero pousou, dois homens abriram a porta. Eles usavam máscaras e entregaram algumas iguais as deles para todos ali dentro, dizendo:
ㅡ Não respirem dessa névoa, ela é um de um agrotóxico perigoso. ㅡ Carly parecia que iria desmaiar ali mesmo. Ela estava pálida e eu suava frio. Meu coração parecia que iria sair pela boca a qualquer momento, mas, mesmo assim, eu estava tentando manter a calma.
Todos saíram, deixando somente Carly e eu junto com o piloto.Tive um sobressalto quando vi Carly passando por cima de mim e saindo dali:
ㅡ CARLY, AONDE VOCÊ VAI? SEU PAI MANDOU FICARMOS AQUI!
ㅡ EU VOU ATRÁS DO ADAM! SE QUISER, VENHA COMIGO. SE NÃO, FIQUE AÍ.
Eu não poderia deixá-la sozinha. Saí atrás dela deixando o piloto, que gritava atrás de nós para que voltássemos. Em meio à correria, podia-se ouvir choro, gritos, pedidos de socorro... Até então, não parecia tão sério. Foi quando tropecei em algo que fez meu coração congelar: Em minha frente, havia um homem caído, aparentemente morto. Ao levantar a cabeça, vi que não era somente ele, havia várias pessoas caídas, mortas. Eu estava em estado de choque, mas fui tirada desse estado quando me vi sendo arrastada por minha amiga, que revezava entre olhar no celular e ver para onde estava indo. Depois do que pareceu uma eternidade, nós entramos em um stand que parecia ser de armamentos e, lá atrás, com uma máscara igual a nossa, estava um rapaz que deveria ter 1,80 de altura. Ele correu até Carly e a abraçou. Presumi que aquele era Adam, mas não tivemos tempo para conversa, pois os seguranças do pai de Carly surgiram do nada e nos levaram de volta para o helicóptero, onde seu pai já nos esperava. Entramos todos lá e, ao levantar voo, pude ouvir senhor Jefferson derrotado:
ㅡ Aqui está tudo acabado. Veremos o que iremos falar e fazer amanhã.
E foi assim que eu, Elizabeth Wicup, universitária, fui de uma adolescente quase terminando a faculdade para uma garota que faria de tudo para sobreviver.


Capítulo 2

BRAÇO DIREITO


8 ANOS DEPOIS...

SEDE DA COLONIA MELBEX

Para ser um atirador, você deve ter calma, respirar lentamente e ter foco. Eu sempre fiz isso, mas, hoje, eu estava sem paciência. Descarreguei minha arma umas trinta e sete vezes na última hora. Eu queria paz, queria minha vida de volta e, acima de tudo, queria que todos aqueles malditos monstros mortos – tiro, tiro, tiro – e através dos tiros eu ouvi uma voz:
— Quem te estressou, Lizi?
Descarreguei o resto de minhas balas e troquei de pente.
— Ninguém, Adam. Dá o fora daqui.
— Por que eu faria isso?
— Porque se não fizer, eu vou descarregar minha arma em você.
— Ei! Calma, Elizabeth — ele caminhou até mim, tirando a arma das minhas mãos. — O que aconteceu?
Olhando nos olhos dele, eu disse:
— Nada, Adam. Devolva minha arma, saia daqui e volte logo para ao lado da princesinha Carly.
Adam riu como se tivesse intendido e mistério do século:
— Foi a Carly, claro. Vocês discutiram. Qual foi o motivo dessa vez?
— Ela... Ela não entende. A contenção um precisa ser reparada com urgência. Droga! Cinco de nós já morreram lá e ela não faz nada. O poder subiu à cabeça dela, Adam. Carly enlouqueceu.
— Ei! Respira — ele colocou as mãos em meu rosto. — Carly está perdida. Ela perdeu o pai e está sendo obrigada a ser responsável rápido demais.
— Faz oito meses, droga! Ela me colocou como braço direito dela, mas não me escuta. Eu...

"Senhorita Elizabeth Wicup, senhorita Jefferson a está convocando na sala de reuniões."

A voz nos alto-falantes me fez ter um sobressalto, retirando as mãos de Adam do meu rosto.
— Senhorita cabeça oca está me chamando. Tenho que ir.
Disse saindo dali.
— Lizi, espera — ele agarrou meu braço e me puxou para um beijo casto. — Tenho que aguentá-la também, e essa é a única forma.
Fiquei paralisada por alguns segundos, então corri para meu quarto/casa me arrumar. Havia se passado oito anos desde a explosão na exposição. De alguma forma, o gás liberado naquele dia transformou as pessoas em comedores de carne sem consciência e a Melbex criou essa instalação para ajudar e proteger os sobreviventes, além de criar laboratórios para buscar uma cura para o que eles estavam chamando de zumbi. A colônia é dividida em quatro setores: Setor Um, onde mora a população salva, onde eles têm uma vida razoável e são alienados a comprar coisas que a empresa ainda vende; Setor Dois, onde ficam os satélites que mapeiam as terras fora da colônia e vigiam comunidades que ainda resistem; Setor Três, onde fica os laboratórios de pesquisa e desenvolvimento da cura; e o Setor Quatro, onde fica a empresa onde treinamos e moramos cientistas e atiradores de elite. Esse prédio tem seis andares e, no último andar, é a casa de Carly. Quarto e quinto andar são, respectivamente, escritório e sala de reuniões, onde grande parte das decisões são tomadas. É para onde eu estava indo naquele momento.
— Bom dia, senhorita Wicup — disse Lindsei de sua mesa. — Senhorita Jefferson está a sua espera.
— Bom dia, já vou entrar.
Ao entrar na sala de Carly, fui recebida por ela correndo até mim.


Capítulo 3


TORRE 6


— Lizi, me desculpa.
— Desculpa?
— É, pela discussão. Não podemos brigar assim.
— Ata — respondi, desconfiada. — Tudo bem, está desculpada.
—Sério? Tudo bem, então. Agora, vamos para sala de reuniões, estão nos esperando.
— Ok.
Chegando na sala de reuniões, tomamos nossos assentos e a reunião começou. Foram tratados vários assuntos que eu não fazia questão de entender, e foi assim até que Doutores Roger e Bruce mudaram para o assunto das pesquisas. Doutor Roger tinha uns 40 anos e seus olhos eram marcados por olheiras. Doutor Bruce tinha a mesma idade que Carly e eu, era bonito e tinha um sorriso cativante, mas, ao mesmo tempo, sério.
— Então, como estava dizendo, a pesquisa sobre a cura está avançando. A clonagem das células sanguíneas dos indivíduos que fugiram está dando certo e, dentro de oito meses, poderemos distribuir as vacinas de proteção.
— Ótimo! Logo poderemos começar o marketing para venda — disse Carly, empolgada. — Ok, rapazes. Terminamos a reunião aqui. Me atualizem sempre que possível.
— Com certeza, senhoria Jefferson.
Com a reunião terminada, todos se retiraram da sala, sobrando somente Carly e eu. Fiquei encarando-a, torcendo para que a loira não abrisse a boca, mas não foi isso que aconteceu:
— O que foi, Lizi?
— Você quer vender a vacina que vai salvar vidas.
— Sério isso? Claro que vou. Precisamos de dinheiro.
Eu explodi:
— PRECISAMOS DE DINHEIRO?! VOCÊ ESTÁ LOUCA? SÓ EXISTE ESSA GRANDE COLÔNIA. VOCÊ NÃO VÊ QUE AS PESSOAS VÃO MORRER? NÃO PRECISAMOS DE DINHEIRO, VOCÊ PRECISA DE DINHEIRO SÓ PARA SEU BEL PRAZER.
— Você não pode falar assim comigo.
Disse Carly, ainda controlada.
— Posso e vou. Você não pode fazer isso. Eles não têm dinheiro para comprar. Vai ser a mesma coisa de vender a vida deles, Carly.
Eu disse em tom mais baixo.
— ACOSTUME-SE. SE NÃO TIVER DINHEIRO, NÃO TEM DIREITO DE VIVER. ACEITE! E OUTRA COISA: EU MANDO AQUI, E QUANDO DIGO QUE VOU VENDER, EU VOU. E SE DIGO QUE NÃO VOU CONCERTAR A PORCARIA DE UMA TORRE, EU NÃO VOU! ACEITE! AGORA, SAIA DA MINHA SALA E CHAME O ADAM AQUI.
Eu saí da sala, pois se ficasse mais um segunda lá, eu bateria nela. Quando saí, Adam percebeu e, antes que ele falasse algo, eu falei:
— Não diga nada. Só entra lá, antes que eu volte e enfie juízo nela a força.
Eu saí pisando duro e fui para meu quarto trocar de roupas e pegar minhas armas. Eu precisava ir para os muros trabalhar. Eu era comandante, juntamente com Adam, dos atiradores que ficavam nos muros que rodeavam a colônia. Quando foi construída, a colônia foi cercada por um grande muro, onde ficavam doze torres de vigia, que foi chamada de contenção um. Logo após, foi construído o segundo muro, a cem metros do outro, que foi chamado de contenção dois. E o espaço entre os muros tem armadilhas que matam os comedores que passam pela contenção um. Eu estava indo para o portão da contenção um, onde era feita a divisão dos postos de serviço.
— Boa noite, pessoal.
Alguns responderam e outros sequer deram atenção. Mas, ignorando esses silenciosos, caminhei até o quadro de divisões que, aparentemente, estava completo, portanto, não tinha serviço. Porém, para minha sorte ou não, Britney chegou, dizendo:
— Hey, Lizi! Tenho novidades. A torre seis está vazia e ninguém quer ir para lá.
— E isso é bom? — Falei, incrédula.
— Claro! Pelo menos para mim é. Falaram para você assumir lá hoje à noite. Aquele lugar está caindo aos pedaços e precisa ser vigiado, então ninguém melhor que você para fazer isso.
— Tudo bem. Pode ir descansar, eu assumo a torre seis.
— Sério? Obrigada.
— De nada.
Eu carreguei e arrumei minhas armas nas costas e fui até meu posto. Realmente aquele lugar era muito perigoso. A torre seis foi a primeira a ser construída e nunca tinha recebido manutenção. Ela estava toda rachada e suja, além de parte da sustentação já ter desmoronado. Não havia vidros igual às outras, e cada passo que era dado lá dentro, pedras caiam. Todas as torres tinham uma armação blindada dentro das paredes, mas, devido ao tempo, essa armação estava exposta e enferrujada. Entrei com cuidado, fui até a parte da parede que tinha caído, me sentei e coloquei minha arma ao meu lado. A noite estava calma, mas um barulho me chamou a atenção. Começou baixo e foi aumentando. Quando me dei conta do que era, já era tarde demais.

Pov Adam

Eu estava exausto de escutar Carly reclamar, então, sair da sala e ir para os muros era o paraíso. Pelo menos nos comedores eu podia atirar. Eu caminhava até o prédio da contenção um quando percebi algo diferente. Os poucos vigilantes que estavam por lá não paravam de falar nos rádios e outros corriam. Curioso, liguei meu rádio e escutei: “todos os vigilantes para área da torre seis. Todos para área da torre seis. A cabine de vigilância desmoronou e alguns comedores entraram. Repetindo, alguns comedores entraram". Corri para a entrada. Todos estavam espertos e alguns já estavam no entremeio, como era chamado o espaço entre os muros. Fui até Britney, que estava aflita, andando de um lado para o outro:
— Ei, Bri. O que foi? Aquela torre iria cair de qualquer forma. Aconteceu o inevitável.
— Eu sei disso — ela me olhou histérica. — Acontece que eu mandei a Lizi para lá a poucos minutos.
— O QUÊ? — Não fiquei tempo suficiente para ouvir uma resposta. Abri o portão que ia para o entremeio, saquei minha arma e comecei a atirar, matando todos os comedores que via.


Capítulo 4

DOR

Dor? O que é dor? Há uma linha muito tênue entre dor e prazer. E apesar de apreciar dor nesse momento, o que eu sentia era horrível. Abri os olhos sentindo uma dor terrível na lateral do meu corpo. Ao olhar, vi uma das barras da blindagem atravessada entre as minhas costelas.
— Ah, droga! — Tentei me mover, mas a dor foi tão aguda que perdi o fôlego. — Bosta! — Deitei a cabeça sobre os destroços e esperei, até que ouvi um barulho de tiro distante e, então, passos rápidos. Logo soube o que eram esses mesmos passos, que diminuíram e, então, pude ouvir o ranger de dentes que se aproximava cada vez mais. Com dificuldade, consegui alcançar a arma presa na minha perna, mas, ao me mover, fiz com que algumas pedrinhas caíssem.
No exato momento em que o comedor caiu em cima de mim, atirei o matando. Mas o barulho do tiro chamou a atenção dos outros. E o que eram passos longe, se aproximaram rapidamente. Atirei em todos ao meu alcance, já que eu estava em baixo de uma parte oval da estrutura. Mas, no último comedor, minha pistola falhou e ele caiu em cima de mim. Com dificuldade, tentava impedi-lo, desviando de suas mordidas e, cada vez que ele se forçava contra meu corpo, eu sentia minha pele se rasgando enquanto o ferro se aprofundava. A dor era tanta que comecei a ver pontos pretos em meus olhos.
E quando minha força estava acabando e eu via minha vida indo embora, escutei um tiro seguido de vários outros, que não se cessavam. O comedor que eu segurava agora estava realmente morto. O soltei, sem forças. Meus olhos se embaçaram e a última coisa que vi foi Adam falando algo que não compreendi.

Pov Adam

— Elizabeth? Lizi, fala comigo — a peguei com cuidado. Foi quando vi que parte da blindagem havia atravessado seu corpo. — Me desculpe por isso, Lizi — a puxei do ferro. Segurando-a no colo, voltei para o portão enquanto o resto do grupo continuava atirando para matar os comedores que entraram. Corri com ela para ala médica. Lizi ia e voltava em meus braços. Ela estava perdendo muito sangue e eu estava tentando manter a calma. A chegar no elevador que ia para o andar médico, meu rádio não parava. Todos queriam saber como ela estava, se estava viva, morta ou se havia sido mordida. Devido a essa loucura toda, doutor Roger já nos esperava quando as portas se abriram. Ele e sua equipe médica estavam com a maca a postos.
— O que houve? Ela foi mordida? — Uma das enfermeiras perguntou.
— Não, ela não foi. Uma parte da blindagem... Ela caiu em cima de uma das barras — respondi ofegante, indo junto com eles até a entrada da sala de cirurgia. — Ela perdeu muito sangue? — Meu coração estava acelerado. O pânico estava começando a se instalar em mim.
— Sim, perdeu. Qual é o seu tipo sanguíneo? — Dr Bruce falou rápido.
— O positivo.
— Ele está apto — disse Bruce para a enfermeira. — Arregasse as mangas, Burn. Vamos levar a senhorita Wicup para cirurgia e ela precisará do seu sangue.


Capítulo 5

ESCURIDÃO


Pov Adam

A cirurgia pareceu durar séculos, mas agora Lizi estava dormindo tranquilamente.
— Adam? — Chamou doutor Bruce.
— Sim?
— Pode vir até aqui fora? Preciso falar sobre a senhoria Wicup.
— Claro!
Ao sairmos para conversar, doutor Roger entrou para monitorá-la.
— A senhorita Wicup vai precisar ficar em total repouso por algumas semanas. Para a sorte dela, nenhum órgão vital foi afetado e...
Nós dois viramos ao mesmo tempo ao escutar gritos e coisas quebrando, que estava vindo do quarto de Lizi.
— Adam, Bruce. Venham até aqui — gritou doutor Roger.
Corremos até o quarto. Lizi estava se debatendo e gritando na cama enquanto o pobre doutor Roger tentava contê-la.
— Se mexam e segurem-na. Ela já arrancou o soro e os pontos estão sangrando!
Bruce e eu fomos até ela. Agarrei seus braços e Bruce segurou as pernas de Lizi, enquanto doutor Roger preparava a seringa com tranquilizante e a mesma gritava:
— ME SOLTEM, SEUS MONSTROS! — Ela cravou as unhas em meus braços. — VOCÊS NÃO IRÃO ME MATAR! NÃO VOU SER ALGO MORTO COMO VOCÊS. ME SOLTEM, COMEDORES DO INFERNO! — Eu podia sentir as unhas de Elizabeth perfurando minha pele. — ME SOLTEM!
Dr. Roger se aproximou e aplicou o remédio. Alguns minutos depois, Lizi começou a apagar novamente e, então, eu aproveitei para falar:
— Lizi, eles não vão te pegar.
E agora, em murmúrios, ela disse:
— Adam, atira em mim. Não deixe que eu me torne um deles.
Foi as últimas palavras que ela disse antes de apagar totalmente. Quando a soltei, olhei para meus braços e vi que havia cinco arranhões profundos sangrando.

• • •


Pov Lizi

Escuridão. Tão calma, silenciosa e aconchegante. Mas eu não podia desfrutar dessa calmaria, tinha que levantar. Abri meus olhos, piscando até me acostumar com a luz. Ao tentar me mexer, percebi que minhas mãos estavam presas e Adam dormia com a cabeça encostada na beirada da cama. Quando ele percebeu que eu havia acordado, despertou rápido.
— Lizi, oi. Você está bem? Quer algo?
— Ei! Se acalma — disse com a voz meio rouca. — Eu estou bem, só queria um pouco de água.
Ele saiu e voltou com um copo de água. Beber aquela água foi extremamente gostoso.
— Por que estava presa — levantei minha outra mão, que ainda estava amarrada.
— Vocês teve delírios no pós operatório e tivemos que fazer isso — ele soltou meu outro pulso.
— Eu fiz isso com você? — Disse passando os dedos pelas marcas recentes no braço de Adam. — Me desculpe.
— Tudo bem, não era você — ele se abaixou e me beijou. No começo, era doce, mas acabou se aprofundando e logo foi separado por mim, quando meus pontos protestaram:
— Você me deu um belo susto, Lizi. Achei que tinha perdido você, achei que tinha virado um deles.
— Você não vai se livrar de mim tão fácil assim, Adam Burn.
— Que você esteja certa, Elizabeth Wicup.


Capítulo 6

VENTILADOR DE TETO


3 MESES DEPOIS

Porque só um lado do ventilador faz vento para baixo?
Era o meu pensamento pela 52° vez naquele dia. Eu não podia trabalhar, não podia ir a reuniões. Eu tinha de ficar deitada e ser uma menina boazinha. Tudo isso por causa da louca da Carly.

FLASHBACK

O "pi" da máquina de monitoramento estava me irritando a ponto de querer quebrar a máquina a murros. Foi quando Carly entrou porta a dentro, desesperada:
— Lizi, meu amor — ela estava chorando. — Me desculpe, amiga! Eu fui terrível, eu não te escutei — ela me abraçou muito forte e meus pontos protestaram. — Eu quase perdi você. Se eu tivesse te escutado da primeira vez, você não estaria aqui. Eu não fazia... Eu... Ai, amiga. Me desculpe, eu sou uma pessoa terrível.
— Não, não é. Se acalma — ela ainda me apertava entre seus braços. — Solta um pouco, Carly. Meus pontos.
— Ai, meu Deus! Desculpa, desculpa — ela me soltou. — Já sei! — Disse do nada. — Férias! Você precisa de férias. Você não vai voltar a trabalhar até estar boa de verdade.
Carly só calou a boca quando Adam entrou no quarto:
— Oi, amorzinho — ela correu até ele e lhe deu vários beijos, sendo correspondida. — Adam, tive uma ideia incrível.
— Qual? Oi, Lizi — ele abraçou Carly pela cintura e descansou a cabeça no ombro dela.
— Elizabeth tirar férias até ficar realmente boa. Sem reuniões, sem vigias, apenas descansar.
— Ótima ideia! E para que você não fique sem saber de nada, Lizi, eu ou Carly podemos ir passar boletins informativos para você todos os dias.
— Verdade, amor — ela pulou no pescoço dele e deu outro beijo. — Vai ser assim.

FLASHBACK

E aqui estou eu, esperando Adam vir trazer meu boletim da noite. Já estava achando que ele não viria mais quando ouvi o barulho do scanner do cartão e a porta se abrindo.
— Boa noite, Elizabeth. Trouxe um lanche — ele mostrou um belo sanduíche — e notícias.
— Legal. Comece a falar e me dê esse sanduíche — o chamei até o sofá onde estava sentada.
Ele sentou, me entregou o lanche e começou a falar:
— A reconstrução da torre 6 está adiantada. Ninguém foi mordido e nem morreu. As novas armadilhas estão sendo instaladas e, de acordo com Robert, você poderá voltar em 3 dias.
Suspirei aliviada:
— Até que enfim. Não aguento mais ficar presa aqui.
— Temos que começar a comemorar — Adam se aproximou e me beijou profundamente. — Que tal começarmos agora?
— O que você tem em mente?— Retribui o beijo.
— Acho que isso — ele me deitou no sofá e deitou sobre mim.




Continua...



Nota da autora:
Okay... Olá, amorinhas, nossa primeira parte hot ficará para o próximo capítulo, que será somente hot. Espero que gostem 😊😘 e nos vemos nos próximos capítulos 😘❤️

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus