Contagious

Última atualização: 15/10/2018

Capítulo 1

MELBEX

É engraçado como a vida pode mudar tão rápido. Uma hora você pode estar atrasada para algo e, em outro o mundo, pode ter acabado. Pode até parecer que não há sentido algum, mas logo tudo se revelará.
Eu olhava no relógio do quarto de Carly pela vigésima vez. Estávamos atrasadas 30 minutos e minha querida amiga não se arrumava logo, além de não parar de tagarelar um segundo:
ㅡ Lizi, o que você acha? ㅡ Disse ela mostrando uma sétima troca de roupas. ㅡ Tenho que ficar incrível! Vai ter centenas de pessoas lá. E o Adam... ㅡ ela suspirou como uma garotinha ㅡ ele também vai estar lá e você poderá conhece-lo, amiga. Papai já deve estar chegando e eu ainda não estou maravilhosa do jeito que eu quero.
Vocês devem pensar: "por que se arrumar tanto para um evento? É só um evento!"
Realmente é somente um evento, mas Carly é a filha do homem que está promovendo tudo isso. O pai dela, Sr. Colt Jefferson, é o dono da maior empresa atualmente, a mundialmente conhecida Melbex e, como forma de publicidade, Sr. Jefferson está promovendo esta feira, onde terá desfiles de aviões. A empresa produz desde peças para aviões, até produtos agrotóxicos e eletrônicos a preços acessíveis, por isso a grande fama.
Carly ia se trocar novamente quando seu pai e seus seguranças gigantes chegaram:
ㅡ Bom dia, meninas. Estão prontas? ㅡ Nós duas confirmamos com um aceno. ㅡ Então vamos.
Carly correu como uma coelhinha alegre até o helicóptero que nos levaria até lá. Ao entrarmos na aeronave, Sr.Jefferson ligou uma pequena TV que estava exibindo ao vivo a exposição. Algumas das atrações já estavam acontecendo, o lugar estava lotado e todos aguardavam a chegada do pai de Carly. Após vinte minutos de voo, Carly e eu, grudadas na janelinha, avistamos o centro onde tudo estava acontecendo. Foi tudo muito rápido. Em um minuto, víamos pessoas andando, rindo e se divertindo e, no outro, tudo desapareceu em meio a uma névoa vermelho vivo que se espalhou no ar. Logo depois, o helicóptero balançou e começou a apitar e, na pequena TV, a repórter desesperada falava:
ㅡ AI, MEU DEUS! UMA DAS BOMBAS DE TESTE DA EXPOSIÇÃO ACABOU DE EXPLODIR! TODOS ESTÃO DESESPERADOS E, PELAS INFORMAÇÕES, ESTA NÉVOA PODE SER TÓXICA.
A moça, que antes falava, desapareceu no meio da cortina vermelha. O câmera caiu levando a câmera de transmissão junto com ele, então a tela ficou azul.
ㅡ Roger, vá até lá. ㅡ Disse Sr.jefferson com a voz grossa. ㅡ Meninas, fiquem aqui dentro! Não saiam em hipótese alguma!
Quando o helicóptero pousou, dois homens abriram a porta. Eles usavam máscaras e entregaram algumas iguais as deles para todos ali dentro, dizendo:
ㅡ Não respirem dessa névoa, ela é um de um agrotóxico perigoso. ㅡ Carly parecia que iria desmaiar ali mesmo. Ela estava pálida e eu suava frio. Meu coração parecia que iria sair pela boca a qualquer momento, mas, mesmo assim, eu estava tentando manter a calma.
Todos saíram, deixando somente Carly e eu junto com o piloto.Tive um sobressalto quando vi Carly passando por cima de mim e saindo dali:
ㅡ CARLY, AONDE VOCÊ VAI? SEU PAI MANDOU FICARMOS AQUI!
ㅡ EU VOU ATRÁS DO ADAM! SE QUISER, VENHA COMIGO. SE NÃO, FIQUE AÍ.
Eu não poderia deixá-la sozinha. Saí atrás dela deixando o piloto, que gritava atrás de nós para que voltássemos. Em meio à correria, podia-se ouvir choro, gritos, pedidos de socorro... Até então, não parecia tão sério. Foi quando tropecei em algo que fez meu coração congelar: Em minha frente, havia um homem caído, aparentemente morto. Ao levantar a cabeça, vi que não era somente ele, havia várias pessoas caídas, mortas. Eu estava em estado de choque, mas fui tirada desse estado quando me vi sendo arrastada por minha amiga, que revezava entre olhar no celular e ver para onde estava indo. Depois do que pareceu uma eternidade, nós entramos em um stand que parecia ser de armamentos e, lá atrás, com uma máscara igual a nossa, estava um rapaz que deveria ter 1,80 de altura. Ele correu até Carly e a abraçou. Presumi que aquele era Adam, mas não tivemos tempo para conversa, pois os seguranças do pai de Carly surgiram do nada e nos levaram de volta para o helicóptero, onde seu pai já nos esperava. Entramos todos lá e, ao levantar voo, pude ouvir senhor Jefferson derrotado:
ㅡ Aqui está tudo acabado. Veremos o que iremos falar e fazer amanhã.
E foi assim que eu, Elizabeth Wicup, universitária, fui de uma adolescente quase terminando a faculdade para uma garota que faria de tudo para sobreviver.


Capítulo 2

BRAÇO DIREITO


8 ANOS DEPOIS...

SEDE DA COLONIA MELBEX

Para ser um atirador, você deve ter calma, respirar lentamente e ter foco. Eu sempre fiz isso, mas, hoje, eu estava sem paciência. Descarreguei minha arma umas trinta e sete vezes na última hora. Eu queria paz, queria minha vida de volta e, acima de tudo, queria que todos aqueles malditos monstros mortos – tiro, tiro, tiro – e através dos tiros eu ouvi uma voz:
— Quem te estressou, Lizi?
Descarreguei o resto de minhas balas e troquei de pente.
— Ninguém, Adam. Dá o fora daqui.
— Por que eu faria isso?
— Porque se não fizer, eu vou descarregar minha arma em você.
— Ei! Calma, Elizabeth — ele caminhou até mim, tirando a arma das minhas mãos. — O que aconteceu?
Olhando nos olhos dele, eu disse:
— Nada, Adam. Devolva minha arma, saia daqui e volte logo para ao lado da princesinha Carly.
Adam riu como se tivesse intendido e mistério do século:
— Foi a Carly, claro. Vocês discutiram. Qual foi o motivo dessa vez?
— Ela... Ela não entende. A contenção um precisa ser reparada com urgência. Droga! Cinco de nós já morreram lá e ela não faz nada. O poder subiu à cabeça dela, Adam. Carly enlouqueceu.
— Ei! Respira — ele colocou as mãos em meu rosto. — Carly está perdida. Ela perdeu o pai e está sendo obrigada a ser responsável rápido demais.
— Faz oito meses, droga! Ela me colocou como braço direito dela, mas não me escuta. Eu...

"Senhorita Elizabeth Wicup, senhorita Jefferson a está convocando na sala de reuniões."

A voz nos alto-falantes me fez ter um sobressalto, retirando as mãos de Adam do meu rosto.
— Senhorita cabeça oca está me chamando. Tenho que ir.
Disse saindo dali.
— Lizi, espera — ele agarrou meu braço e me puxou para um beijo casto. — Tenho que aguentá-la também, e essa é a única forma.
Fiquei paralisada por alguns segundos, então corri para meu quarto/casa me arrumar. Havia se passado oito anos desde a explosão na exposição. De alguma forma, o gás liberado naquele dia transformou as pessoas em comedores de carne sem consciência e a Melbex criou essa instalação para ajudar e proteger os sobreviventes, além de criar laboratórios para buscar uma cura para o que eles estavam chamando de zumbi. A colônia é dividida em quatro setores: Setor Um, onde mora a população salva, onde eles têm uma vida razoável e são alienados a comprar coisas que a empresa ainda vende; Setor Dois, onde ficam os satélites que mapeiam as terras fora da colônia e vigiam comunidades que ainda resistem; Setor Três, onde fica os laboratórios de pesquisa e desenvolvimento da cura; e o Setor Quatro, onde fica a empresa onde treinamos e moramos cientistas e atiradores de elite. Esse prédio tem seis andares e, no último andar, é a casa de Carly. Quarto e quinto andar são, respectivamente, escritório e sala de reuniões, onde grande parte das decisões são tomadas. É para onde eu estava indo naquele momento.
— Bom dia, senhorita Wicup — disse Lindsei de sua mesa. — Senhorita Jefferson está a sua espera.
— Bom dia, já vou entrar.
Ao entrar na sala de Carly, fui recebida por ela correndo até mim.


Capítulo 3


TORRE 6


— Lizi, me desculpa.
— Desculpa?
— É, pela discussão. Não podemos brigar assim.
— Ata — respondi, desconfiada. — Tudo bem, está desculpada.
—Sério? Tudo bem, então. Agora, vamos para sala de reuniões, estão nos esperando.
— Ok.
Chegando na sala de reuniões, tomamos nossos assentos e a reunião começou. Foram tratados vários assuntos que eu não fazia questão de entender, e foi assim até que Doutores Roger e Bruce mudaram para o assunto das pesquisas. Doutor Roger tinha uns 40 anos e seus olhos eram marcados por olheiras. Doutor Bruce tinha a mesma idade que Carly e eu, era bonito e tinha um sorriso cativante, mas, ao mesmo tempo, sério.
— Então, como estava dizendo, a pesquisa sobre a cura está avançando. A clonagem das células sanguíneas dos indivíduos que fugiram está dando certo e, dentro de oito meses, poderemos distribuir as vacinas de proteção.
— Ótimo! Logo poderemos começar o marketing para venda — disse Carly, empolgada. — Ok, rapazes. Terminamos a reunião aqui. Me atualizem sempre que possível.
— Com certeza, senhoria Jefferson.
Com a reunião terminada, todos se retiraram da sala, sobrando somente Carly e eu. Fiquei encarando-a, torcendo para que a loira não abrisse a boca, mas não foi isso que aconteceu:
— O que foi, Lizi?
— Você quer vender a vacina que vai salvar vidas.
— Sério isso? Claro que vou. Precisamos de dinheiro.
Eu explodi:
— PRECISAMOS DE DINHEIRO?! VOCÊ ESTÁ LOUCA? SÓ EXISTE ESSA GRANDE COLÔNIA. VOCÊ NÃO VÊ QUE AS PESSOAS VÃO MORRER? NÃO PRECISAMOS DE DINHEIRO, VOCÊ PRECISA DE DINHEIRO SÓ PARA SEU BEL PRAZER.
— Você não pode falar assim comigo.
Disse Carly, ainda controlada.
— Posso e vou. Você não pode fazer isso. Eles não têm dinheiro para comprar. Vai ser a mesma coisa de vender a vida deles, Carly.
Eu disse em tom mais baixo.
— ACOSTUME-SE. SE NÃO TIVER DINHEIRO, NÃO TEM DIREITO DE VIVER. ACEITE! E OUTRA COISA: EU MANDO AQUI, E QUANDO DIGO QUE VOU VENDER, EU VOU. E SE DIGO QUE NÃO VOU CONCERTAR A PORCARIA DE UMA TORRE, EU NÃO VOU! ACEITE! AGORA, SAIA DA MINHA SALA E CHAME O ADAM AQUI.
Eu saí da sala, pois se ficasse mais um segunda lá, eu bateria nela. Quando saí, Adam percebeu e, antes que ele falasse algo, eu falei:
— Não diga nada. Só entra lá, antes que eu volte e enfie juízo nela a força.
Eu saí pisando duro e fui para meu quarto trocar de roupas e pegar minhas armas. Eu precisava ir para os muros trabalhar. Eu era comandante, juntamente com Adam, dos atiradores que ficavam nos muros que rodeavam a colônia. Quando foi construída, a colônia foi cercada por um grande muro, onde ficavam doze torres de vigia, que foi chamada de contenção um. Logo após, foi construído o segundo muro, a cem metros do outro, que foi chamado de contenção dois. E o espaço entre os muros tem armadilhas que matam os comedores que passam pela contenção um. Eu estava indo para o portão da contenção um, onde era feita a divisão dos postos de serviço.
— Boa noite, pessoal.
Alguns responderam e outros sequer deram atenção. Mas, ignorando esses silenciosos, caminhei até o quadro de divisões que, aparentemente, estava completo, portanto, não tinha serviço. Porém, para minha sorte ou não, Britney chegou, dizendo:
— Hey, Lizi! Tenho novidades. A torre seis está vazia e ninguém quer ir para lá.
— E isso é bom? — Falei, incrédula.
— Claro! Pelo menos para mim é. Falaram para você assumir lá hoje à noite. Aquele lugar está caindo aos pedaços e precisa ser vigiado, então ninguém melhor que você para fazer isso.
— Tudo bem. Pode ir descansar, eu assumo a torre seis.
— Sério? Obrigada.
— De nada.
Eu carreguei e arrumei minhas armas nas costas e fui até meu posto. Realmente aquele lugar era muito perigoso. A torre seis foi a primeira a ser construída e nunca tinha recebido manutenção. Ela estava toda rachada e suja, além de parte da sustentação já ter desmoronado. Não havia vidros igual às outras, e cada passo que era dado lá dentro, pedras caiam. Todas as torres tinham uma armação blindada dentro das paredes, mas, devido ao tempo, essa armação estava exposta e enferrujada. Entrei com cuidado, fui até a parte da parede que tinha caído, me sentei e coloquei minha arma ao meu lado. A noite estava calma, mas um barulho me chamou a atenção. Começou baixo e foi aumentando. Quando me dei conta do que era, já era tarde demais.

Pov Adam

Eu estava exausto de escutar Carly reclamar, então, sair da sala e ir para os muros era o paraíso. Pelo menos nos comedores eu podia atirar. Eu caminhava até o prédio da contenção um quando percebi algo diferente. Os poucos vigilantes que estavam por lá não paravam de falar nos rádios e outros corriam. Curioso, liguei meu rádio e escutei: “todos os vigilantes para área da torre seis. Todos para área da torre seis. A cabine de vigilância desmoronou e alguns comedores entraram. Repetindo, alguns comedores entraram". Corri para a entrada. Todos estavam espertos e alguns já estavam no entremeio, como era chamado o espaço entre os muros. Fui até Britney, que estava aflita, andando de um lado para o outro:
— Ei, Bri. O que foi? Aquela torre iria cair de qualquer forma. Aconteceu o inevitável.
— Eu sei disso — ela me olhou histérica. — Acontece que eu mandei a Lizi para lá a poucos minutos.
— O QUÊ? — Não fiquei tempo suficiente para ouvir uma resposta. Abri o portão que ia para o entremeio, saquei minha arma e comecei a atirar, matando todos os comedores que via.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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