FFOBS - Contrato de Realeza, por Carolina Devlin

Última atualização: 04/11/2018

Prólogo


“Uma mentira pode salvar seu presente, mas condena seu futuro”.

— Como é? — Harry teve que se conter para que não gritasse após tamanho absurdo que seu pai havia dito. Charles, no entanto, parecia inabalável com a reação do filho e ainda confiante na ideia que tivera.
— É o que precisamos nesse momento para salvar a família. — respondeu sem pestanejar, encarando o mais novo sentado na poltrona a sua frente.
— Por que não pedir a William e Kate que façam algo? Afinal, ele é o herdeiro da coroa. — rebateu, ainda não entendendo porque estava tendo aquela discussão. Aquela ideia lhe parecia tão absurda que ele ainda não acreditava que seu pai pudesse cogitá-la como algo bom para ele e para a família.
— Eles fazem o trabalho deles, Harry. Seu irmão é muito protetor de Kate e George para que possamos pedir alguma coisa a ele. — Charles suspirou. Não era como se ele estivesse gostando de obrigar o filho a fazer alguma coisa daquele tipo. Ele sabia muito bem que um casamento arranjado não poderia dar certo e, apesar de ter dois bons presentes do seu casamento, sabia o quão ruim poderia ser.
— E você acha que as pessoas vão prestar tanta atenção no meu casamento quanto prestaram no deles? — Harry riu sarcástico. Os casamentos reais eram como eventos para grande parte da população inglesa e do mundo, ele lembrava bem da animação para o casamento do irmão e da cunhada, mas não conseguia imaginar tudo o que aconteceu naquela época para o casamento dele. Poderia ser um tiro muito falho e ele estaria preso por um bom tempo na farsa.
— O público gosta de casamentos reais e nada melhor do que um relacionamento bem estruturado nesse momento para atrair os olhares de todos para nossa família e elevar nossos índices de aprovação, meu filho.
— Você falou com a vovó sobre isso?
— Sim. Sua avó aprovou a ideia. — Harry suspirou. Era sua última tentativa para acabar com aquela ideia: a rainha. Mas se ela apoiava tudo aquilo, ele estava perdido e sem ter para onde fugir. — Nós todos fazemos sacrifícios por essa família, Henry. Esse é o seu momento.
— Você me deixou sem escolhas. — murmurou, antes de se levantar para deixar o escritório. Não precisava dar a sua resposta porque aquilo era mais um comunicado de que ele iria se casar do que uma proposta para ajudar os índices da família.
— Esteja na minha casa na quinta—feira para conhecer a moça. Seu secretário irá passar os detalhes do jantar. — concordou com a cabeça, saindo da sala e soltou um longo suspiro.
Não tinha mais o que fazer para acabar com aquela ideia.
Ele iria se casar. Viver a vida ao lado de uma mulher que ele sequer conhecia.


one.


“As pequenas mentiras fazem o grande mentiroso.”

O caminho para a Clarence House parecia mais rápido que o habitual. Nem as histórias que Dave, meu Oficial de Proteção, contava sobre seus filhos eram capaz de me distrair do que iria acontecer. Nada parecia mudar o fato de que eu iria conhecer minha futura esposa e que meu casamento já estava, praticamente, selado.
A semana tinha sido de preparação para aquele jantar. Meu secretário, Edward, tinha aparecido em meu apartamento com seu inseparável iPad branco em mãos para mostrar as informações que eu deveria saber sobre a moça, além de mostrar todo o calendário que já havia sido programado.
A moça era diferente de minhas ex-namoradas, físicamente. Os cabelos eram cacheados, escuros e volumosos, diferentes de Cressida, minha até então namorada, que tinha cabelos loiros longos e lisos. Mas não era isso que mais me assustava. O que deixava me totalmente — mais — nervoso era o fato dela ser dez anos mais nova do que eu.
Meu pai havia garantido que a idade não era problema, afinal, quando se casou com a minha mãe, os dois tinham treze anos de diferença. Eu pensei em fazer um comentário sobre como o casamento dos dois terminou, mas preferi guardar para si e não gerar mais drama naquela história toda.
— Harry! — meu pai exclamou animado assim que me viu entrar na sala principal do palácio. — Estava discutindo com Jacob mais alguns detalhes sobre o seu calendário.
— Já temos datas certas para que tudo aconteça. Sairá tudo dentro dos planos do seu pai, Alteza. — Jacob, o secretário dele, disse enquanto terminava de fazer algumas anotações em seu caderno preto. — Gostaria de checar?
— Passe para o Edward e ele me dirá tudo que for necessário. — respondi, sem medo de ser grosso, e sentei em uma das poltronas espalhadas pela sala. Não queria saber como minha vida seria programada dali para frente. Preferia que Edward me dissesse o que teria que fazer no dia que estivesse programado.
— Pense na sua família, Harry. Nós precisamos de você nesse momento para que possamos ter um futuro brilhante e com muita aprovação. — meu pai sorriu, dando um gole no chá que tinha em mãos e eu suspirei.
— Não é como se vocês tivessem me dado outra opção. — ri sarcástico e saquei o celular do bolso do paletó para me distrair daquele assunto que o incomodava. Tinha algumas mensagens de amigos e de Cressida para responder. Mal consegui pensar em como iria terminar com ela, por isso, estava postergando esse momento. Gosto tanto de Cress que me sinto mal por imaginar que iria deixá-la triste.
— Harry, querido! Como vai? — a voz de Camila tirou minha atenção da mensagem que digitava e eu me levantei para abraçar a madrastra.
— Bem, obrigado. E você?
— Muito bem, obrigada. — ela sorriu e parou próxima ao marido — Informaram que a família Thompson já passou dos portões. Em minutos devem estar aqui.
— Ótimo! Jacob, passe essa agenda para o secretário de Harry para que ele faça as alterações necessárias e pode ir. — o secretário concordou com a cabeça, deixando a sala logo depois eu soltei o ar pesadamente.
Tinha passado a semana toda tentando esquecer aquele jantar. Mesmo com as reuniões na parte da manhã e tarde, à noite eu aproveitava para rever meus amigos, visitar Cress e ir aos meus pubs favoritos em Londres. Tentei ao máximo esquecer a ideia de casamento forçado e salvar o futuro da família. Aquela história toda mal tinha começado e eu já me sentia exausto.
Meu pai não pode conter a alegria ao ver Nancy e seu marido entrarem na sala, seguidos pela moça de cabelos castanhos. Nancy tinha a mesma alegria evidente que o Príncipe de Gales com toda aquela história e de estar de volta a Clarence.
— Quanto tempo, GKH¹! — Nancy sorriu na minha direção e eu balancei a cabeça, tentando entender o que a minha ex-babá estava fazendo ali. Nancy era mãe de , então? Me aproximei para abraçar a senhora que me aguardava de braços abertos.
— Tem anos que não me chamam assim. — ri do apelido de infância dado por minha mãe e me afastei do abraço para cumprimentar o marido dela.
Nancy trabalhou para meus pais quando William e eu éramos pequenos, mas saiu do emprego quando engravidou do primeiro filho e foi viver nos Estados Unidos. Apesar de ter sido uma das melhores babás que tivemos, após alguns anos a família real perdeu o contato com ela.
— Essa é , minha filha. — Nancy apontou para a menina atrás de si e a moça sorriu envergonhada na minha direção.
— É um prazer conhecê-la. — eu sorriu, estendendo a mão na direção dela que apenas acenou com a cabeça em resposta.

Eu podia sentir que Charles estava ao ponto de ter um colapso. Fazia quase uma hora que estavámos reunidos na sala e até aquele momento, eu não tive êxito nas tentativas de conversa com . Camila estava feliz demais por descobrir que a moça estudava Literatura Inglesa e não parava com as perguntas sobre o assunto.
— Nós temos uma biblioteca repleta de obras deste assunto. — Charles interrompeu o assunto entre as mulheres para comentar com segundas intenções e eu mordi o lábio para conter uma leve risada. Meu pai sabia não ser sútil quando queria. — Por que não acompanha a senhorita Thompson até lá, Henry?
Touché, Príncipe de Gales.
— E-eu não quero incomodar. — balançou a cabeça, parecendo bastante tímida.
— Não será incomodo algum. — dei meu melhor sorriso galanteador e me levantei, dando o braço para que a moça enlaçasse nele.
Tímidamente, o fez e nós seguimos rumo à biblioteca pelos corredores da Clarence House.
— Eu me perderia facilmente sozinha nestes corredores. — ela comentou, dando uma leve risada.
— Quando eles se mudaram para cá, eu costumava me perder. — confessei, rindo. — Mas quando eu era criança, era divertido se esconder nas passagens do Buckingham.
— Eu já ouvi suas histórias de se esconder por horas e quase matar todos do coração. — ela sorriu fraco, parecendo saber bastante das coisas que eu aprontava quando era mais novo.
— Nos Natais era mais divertido. Zara e William ficavam furiosos porque Genie e eu estavámos escondidos e atrasava toda a cerimônia dos presentes. — riu — Sua mãe deve ter ótimas histórias sobre nós.
— A maioria é sobre você. Seu irmão parecia ser mais calmo, porque ela não tem muitas sobre ele.
— A infância do Will foi bem voltada para ele ser o futuro rei, então eu era o responsável pela diversão. — ri fraco — Acho que sou até hoje.
Paramos em frente a uma grande porta e abri, dando passagem para que a ela entrasse primeiro. sorriu agradecida e entrou na biblioteca, parecendo bastante surpresa com a quantidade de estantes repletas de livros que tinham naquele ambiente.
— Meu pai e Camila passam horas aqui. — comentei, me sentando em uma das poltronas da biblioteca e observando a moça que checava alguns livros atentamente.
— Se eu tivesse uma biblioteca assim, eu também iria ficar muitas horas nela. — ela riu e pegou um dos livros em mãos para ler um pouco. Ela o manuseava com tanto cuidado que chegava a ser engraçado ver aquela cena.
— Pode levá-lo para casa, se quiser. — ri ao ver os olhos arregalados e animados dela em minha direção, totalmente surpresa com a ideia.
— Seu pai não vai se importar? — questionou, mordendo o lábio inferior.
— Eu aposto que ele não vai nem perceber que está faltando um livro por aqui. — apontei para as enormes estantes ao redor, tentando mostrar meu ponto e ela concordou com a cabeça. — É só você prometer que irá cuidar bem dele.
— Então, eu prometo. — ela abraçou o livro contra seu peito e eu sorri, concordando com a cabeça.

xxx

Suspirei antes de tocar a campainha do apartamento a minha frente. Dave estava atrás de mim e podia sentir, com certeza, todo o meu nervosismo. Mesmo assim, quando Cress apareceu na minha frente, eu não pude deixar de sorrir.
— Que surpresa! — a loira sorriu, depositando um beijo na minha bochecha Dave passava por nós para fazer uma rápida ronda pelo local. Eu ainda acreditava que aquilo era uma bobagem, quando se tratava da casa de pessoas que eu conhecia há muito tempo, mas era o protocolo e eu não queria despejar minhas raivas em meu oficial que só estava fazendo o trabalho dele.
— Me desculpe não ter avisado, mas eu precisava falar de um assunto sério com você, Cress. — suspirei, fechando a porta do apartamento depois que Dave saiu de sua ronda e percebi que Cress me encarava apreensiva. — Eu acho que é a hora de colocarmos um ponto final no nosso namoro.
— O quê?! Por que? Aconteceu alguma coisa?
— De forma alguma, Cress... É só que nós temos visões diferentes agora e eu não quero prejudicar o seu sonho de ser atriz, pedindo para que você abandone para seguir comigo.
— Harry... — ela suspirou — Eu abandonaria minha carreira pelo nosso casamento, se fosse necessário. Eu amo você.
— Eu sei disso, Cress. Mas eu não estaria sendo justo com você se pedisse isso. — me aproximei, colocando as mãos nos ombros dela — Eu também amo você e por isso espero que você me entenda. Busque seu sonho e seja feliz.
Prendi a respiração e me senti um grande babaca ao vê-la sentar no sofá vermelho da sala de estar do apartamento, ainda em choque com as palavras. Caminhei até ela para depositar um beijo de despedida na testa dela e deixei o apartamento em silêncio.
Cressida sempre fora uma boa companhia. Tínhamos tantos amigos em comum que foi fácil incluí-la no meu ciclo de amizade e de conviver com ela. Nós nunca falamos abertamente sobre casamento, apesar de quase três anos juntos, porque ela era muito focada na carreira e eu não queria tirá-la do sonho. Suspirei, pensando que meu pai tinha razão e talvez o casamento, ainda que de mentira, fosse bom para minha imagem.

— O que você faz na minha casa às três da tarde? — Jake exclamou surpreso após abrir a porta para Dave e eu. Dave entrou no apartamento para fazer sua ronda habitual e eu nem esperei que ele voltasse para adentrar o apartamento também.
— Cuidado, Alteza. Nós podemos estar planejando o ataque ainda! — Thomas zombou, dando pausa no video game e ouvindo protestos vindo de Zoe.
— Com tudo que está acontecendo na minha vida, seria um prazer que me atacassem. — ri anasalado e me joguei no sofá do apartamento de Jake. Era tão comum as reuniões no apartamento de Jake que todos já se sentiam em casa quando estavam por lá.
— Que melancólico. — Lara ergueu uma sobrancelha, me observando com preocupação. — Aconteceu algo?
— Cress e eu terminamos. — murmurei, pegando uma das cervejas abertas sobre a mesa e dando um longo gole. Pude ver a surpresa presente nas expressões dos quatro ao seu redor.
— Quando isso aconteceu? — Jake questionou curioso, sentando-se ao meu lado.
— Agora pouco... — dei os ombros — Não estava dando certo. — menti.
— Que pena! Vocês eram um casal lindo. — Zoe era a mais nova do grupo. Ela e Jake estavam juntos há menos de oito meses e já planejavam o casamento para Dezembro. Mas, apesar de ainda ser nova no grupo, eu sabia que podia confiar nela assim como confiava nos outros amigos.
— Então, você termina o namoro e vem chorar as mágoas na minha casa? — Jake fingiu estar chateado e deu um soco leve no meu ombro.
— Não é mais o Harry de sempre, ao que parece. — Thomas adentrou a gozação.
— Bom, eu não tinha lugar melhor para ir e...
— E nós somos a segunda opção?! — Zoe riu da careta que fiz em resposta — Mas, se prepara porque você vai acompanhar seu amigo Thomas Inskipp perder muito feio neste jogo.
— Nos seus sonhos, loira. — Thomas riu também, retirando o jogo da pausa para poder tentar vencer a partida.
Sorri, observando meus amigos. Queria contar a todos sobre o que estava acontecendo e poder diminuir um pouco da surpresa de todos quando soubessem da notícia do meu casamento, mas não seria possível. Eu conseguia imaginar a síncope que meu pai teria se eu falasse para alguém e aquela história fosse descoberta.
xxx

— É um grande prazer ser patrono dessa instituição. Espero que possamos fazer grandes trabalhos e cuidar de muitas crianças. Obrigado. — sorri, finalizando meu discurso e desci do palco em direção à mesa que tinha sido reservada.
Mais algumas pessoas falaram depois de mim e eu cumprimentei mais algumas crianças, que sorriam quando olhavam para mim. Eu gostava da sensação de estar próximo delas e de conseguir fazer algum bem para elas.
— Alguma novidade em relação a senhorita Thompson? — Edward questionou enquanto seguíamos de volta para o Kensington e eu neguei com a cabeça. — Talvez o senhor devesse visitá-la.
— Edward... Não devemos apressar as coisas.
— Eu entendo sua postura, mas seu pai tem um cronograma que deve ser seguido e ele espera que esse namoro esteja na primeira página do The Sun em, pelo menos, dois meses. — tive que controlar a vontade de rir de toda aquela história de cronograma. Eu não posso crer que agora todos os passos da minha vida estão sendo programados por outra pessoa.
— Ele acha que dois meses é o suficiente para acreditarem em um namoro de verdade? — o meu secretário deu os ombros e eu balancei a cabeça de maneira negativa. — E onde ela vive, Edward?
— Em Stratford.
— Ok... — murmurei. — Vamos para o meu apartamento e depois eu vou à casa dela, satisfeito?
— Seu pai ficará e muito ao saber disso. — Edward riu, pegando o celular e digitando alguma coisa que eu nem me importei em saber. Deveria ser uma mensagem para Jacob para anunciar que eu iria visitar , para que o senhor Charles pudesse ficar um pouco feliz e mais relaxado com toda a história. Com certeza, ele ainda pensava que eu poderia dar para trás — não que eu não quisesse, mas seria um tiro no próprio pé.

Edward passou o endereço de e em pouco menos de uma hora, eu estava em frente ao prédio onde ela morava. Ajeitei o boné dos Yankees na cabeça antes de pressionar o botão do interfone do prédio, com Dave parado, fielmente, ao meu lado.
Pois não? — a voz feminina surgiu do outro lado.
? É o Harry.
O Príncipe?! — ela exclamou surpresa e eu pude ouvir a risada contida do meu oficial.
— Da última vez que eu chequei, eu ainda era um. — ela riu e logo ouvi o barulho do portão sendo destravado. Agradeci, dizendo que estava subindo e segui para dentro do prédio, sendo seguido por Dave.
O prédio era pequeno. Tinha apenas cinco andares e um elevador que parecia ser bem velho, e estava precisando de reparos, mas imaginei que fosse um local para apenas os estudantes da Universidade de East London poderem viver, já que ficava a poucos minutos de lá.
Quando cheguei ao terceiro andar, toquei a campainha e esperei alguns segundos até que a figura de apareceu na minha frente. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo volumoso e ela usava óculos de leitura, parecendo um pouco mais velha do que era.
— Oi. — ela sorriu tímida e um pouco confusa com Dave atrás de mim.
— Como vai? — sorri — Tem algum problema se o meu amigo aqui — apontei para Dave atrás de mim — Puder dar uma olhada no seu apartamento? Nada demais... É só rotina.
— T-tudo bem. — ela deu os ombros e Dave agradeceu antes de passar por nós para entrar no apartamento dela. — Isso acontece sempre?
— É o protocolo. Ele tem que vistoriar os lugares que eu vou entrar para não colocar a minha segurança em risco. — dei os ombros e ela balançou a cabeça.
— E ele olha o quê? Tipo, gavetas, armários? — dei uma leve risada, antes de balançar a cabeça de um lado para o outro.
— Ele olha quartos para ver se não tem ninguém escondido. Ele não mexe nas coisas de ninguém, a não ser que ache perigoso.
— E você espera do lado de fora?
— Na maioria das vezes, sim. Quando eu fico de saco cheio, eu entro e nem me importo.
— Não é perigoso? — neguei com a cabeça, mais uma vez.
— Só faço isso na casa das pessoas que eu conheço. — Dave passou por nós mais uma vez e fez um sinal com a mão de que estava tudo certo. Acenei com a cabeça e entrei no apartamento de , sendo seguida por ela. — Até que foi rápido.
— Como descobriu onde eu moro? — ela perguntou apontando para o sofá e eu me sentei, pensando em uma boa mentira para aquela pergunta. Eu não poderia simplesmente dizer que os secretários da minha família tinham pesquisado a vida dela toda, poderia?
— Camilla. — menti. — Pedi a ela que perguntasse à sua mãe.
— Ela não disse nada quando nos falamos pelo telefone. — ela murmurou, sentando-se no sofá também.
— Pedi que ela guardasse segredo. — dei uma leve piscada na direção dela e pude ver a confusão aparecer no rosto de . — Eu sei que conversamos pouco no jantar naquela noite, mas eu realmente gostei da sua companhia e pensei que pudessemos nos ver de novo. Gostaria de conhecer você melhor, .
. — ela sorriu fraco e eu balancei a cabeça — Se vamos nos conhecer melhor, você pode me chamar de .
— Claro... . — sorri, pensando em como meu pai iria bater palmas se visse esse momento. O Príncipe de Gales ficaria realmente muito orgulhoso. — Você vive sozinha aqui?
— Não. Eu moro com a minha amiga, , mas ela está na faculdade agora e ela só deve chegar à noite. — concordei com a cabeça — E tem também o Cooper, mas ele só aparece aqui nos fins de semana.
— Apartamento movimentado. — ri fraco.
— Eu te vi na televisão mais cedo. — ela sorriu — Belo discurso. Você que o escreveu?
— Algumas partes sim, mas a maioria foi meu secretário. Às vezes eu não tenho tempo para escrever todos os discursos.
— São muitos eventos?
— Pode-se dizer que sim. E nem todos são mostrados ao público. — ela concordou com a cabeça, parecendo bastante interessada em saber mais sobre essa parte de ser um membro da família real ativo e eu comecei a contar um pouco mais sobre os eventos.
parecia ser uma boa companhia. Apesar de, na maioria das vezes, sempre questionar muito, ela gostava de conversar e deixava o assunto fluir como se fosse algo bem natural.
No início, era tímida, mas quando a conversa era algo que gostava, ela falava demais. Quando eu questionei sobre seu curso, ela praticamente não parou de falar sobre literatura e alguns escritores ingleses, e eu estava fazendo o melhor que podia para parecer tão animado quanto ela com aquela conversa.
Parecia que a convivência poderia ser boa.

________
1. GKH : Good King Harry (Bom Rei Harry) apelido que a Lady Diana deu ao filho quando ele era criança.


two.


“Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira”

— Já estamos programando a viagem para o Canadá, Harry. — Edward avisou, digitando algumas coisas em seu iPad e eu concordei com a cabeça, chegando alguns papéis que ele tinha deixado sobre a mesa do escritório. — O Primeiro Ministro e a esposa convidaram você para ficar na residência oficial.
— Parece uma boa ideia. — respondi, checando quais seriam as programações para a viagem que começaria dentro de três semanas e já tinha todas as rotas traçadas. Além de participar de algumas reuniões com o Primeiro Ministro do Canadá, visitar algumas instituições e conhecer alguns lugares. Parecia que seria bem legal.
— Ainda faltam alguns detalhes, mas eu resolvo isso mais próximo da viagem. Serão duas semanas lá e a Rainha decidiu que você substituirá o Duque e a Duquesa na viagem à Austrália.
— Quase um mês longe? — murmurei, erguendo as sobrancelhas e Edward afirmou com a cabeça.
— E por isso, seu pai pediu que você agilizasse um pouco as coisas com a senhorita Thompson.
— Como assim?
— Ele quer que, nessas duas semanas, você seja visto com ela para que quando esteja viajando, o caos esteja instalado nos jornais para saber quem é a moça.
— Parece que alguém está com muita pressa para ferrar a minha vida. — ri fraco, observando Edward fazer algumas anotações em seu inseparável iPad.
— A Rainha deu prazo de um ano para que aconteça o casamento. — dei os ombros, não muito afim de continuar aquela conversa sobre casamento, e peguei o celular para enviar uma mensagem à .
“Podemos nos ver hoje?”
Edward ainda contava alguns detalhes das viagens e colocava sobre a minha mesa mais alguns papéis referente as visitas, instituições que eu iria conhecer e todo o roteiro que havia sido programado, quando meu celular apitou.
“Sim. Estou livre às 8.”
Troquei mais algumas mensagens com para a leve irritação do meu secretário, que me fez rir. Acabamos combinando de jantar próximo ao apartamento dela, já que sua amiga estava em Birmingham para visitar a família.
Voltei a focar nos assuntos da viagem, para a alegria de Edward, e chequei alguns planos da visita. Visitaria, pelo menos, oito instituições, além de alguns pontos turísticos do Canadá e teria um encontro com o Primeiro Ministro, tudo em nove dias antes de embarcar para a Austrália, que ainda não tinha um plano finalizado e precisaria de uma outra reunião para que Edward pudesse me mostrar tudo da segunda parte da minha turnê.
Saí do escritório, após a reunião, e segui o caminho de casa na esperança de que pudesse dormir pelo resto da tarde, mas quando vi minha prima parada na porta do apartamento ao lado de William e George, tive a certeza que isso não seria possível.
— O que fazem aqui? — questionei, antes de pegar George no colo e fazer cócegas na barriga do loiro que se contorceu no meu colo dando altas risadas.
Olá para você também, irmão. Parece que a educação foi só para mim. — Will riu acompanhado por Eugenie e eu rolei os olhos para os dois.
— Claro, você é o futuro rei. — sorri, retirando a chave do meu bolso para destrancar a porta do meu apartamento e entrei sendo seguido pelos dois — Mas, vocês ainda não me responderam o que fazem aqui.
— Eu estava andando com George quando encontrei a Genie e viemos aqui ver você. — Will respondeu, sentando-se no sofá e eu coloquei George no chão para que ele pudesse brincar com os carrinhos que tinha nas mãos.
— Certamente não porque estavam com saudades. — murmurei, jogando-me no sofá e encarei Eugenie que ainda se mantinha calada.
— Eu vim perguntar ao Will se ele sabia o motivo de você ter terminado com a Cress...
— Você falou com ela? — perguntei, curioso e minha prima afirmou com maneio de cabeça — Como ela está?
— Não está bem, Harry. Ela gostava de você de verdade. — Genie murmurou com um pouco de raiva, tomando as dores da amiga, e eu apenas concordei com a cabeça. — Por que terminou com ela?
— Não estava dando certo, Genie. — dei os ombros, ainda sobre o olhar dela — E eu não preciso te dar informações da minha vida.
— Precisa quando fui eu quem te apresentei a ela! — Genie bufou — Se você estiver saindo com outra, Harry...
— Veio aqui só para isso? — mudei o assunto, encarando William que se divertia com a conversa. — E você?
— Kate está com Pipa discutindo coisas do casamento dela, então eu fui expulso. — Will deu os ombros, nos fazendo rir.
— Eu tive um encontro com a vovó para marcar de apresentar o Jack.
Uh...Alguém está em busca da aprovação. — murmurei divertido, arracando risadas do meu irmão e Genie rolou os olhos.
E ao invés de dormir, eu passei a tarde com os dois até Kate avisar que Pipa havia ido embora e Genie desistir de tentar saber se eu estava saindo com alguém para ter terminado com Cress.
Suspirei, agradecido, quando ela deixou meu apartamento porque a vontade de contar sobre o que estava acontecendo bateu algumas vezes naquela tarde. William poderia conversar com nosso pai e talvez fosse possível que ele o fizesse mudar de ideia. Se ainda tivesse tempo de conseguir fazê-lo mudar de ideia, é claro.

Entrei no apartamento de , sem nem esperar que Dave voltasse de sua ronda e ela deu uma risada, antes de me cumprimentar com um abraço. Senti que ela ainda ficava um pouco nervosa com a presença do meu segurança e só se atrevia a falar quando ele saía de seu apartamento.
— Então, você viaja em duas semanas? — perguntou, curiosa depois que eu respondi o que havia feito nos dias anteriores.
— Sim. Canadá e depois Austrália. — sorri — Tente sobreviver sem mim.
— Diga ao Justin Trudeau que ele é o máximo! — ela sorriu e eu rolei os olhos, deixando minha taça vazia sobre a mesa de jantar.
— Ah, qual é, ele não é tão legal. Ser um príncipe é melhor do que ser um Primeiro Ministro. — murmurei, tentando parecer ofendido com a frase dela e riu da minha cara.
— Talvez, mas não acho que você use meias tão divertidas. — ela piscou, ainda rindo.
— Então, usar meias divertidas é o necessário para ganhar o seu coração? — indaguei, erguendo uma das sobrancelhas e observei as bochechas de ganharem tons mais rosados que o normal. Ela tossiu de leve e me encarou, parecendo pensar numa resposta, então eu continuei: — Porque, se for, eu estou comprando meias divertidas assim que sair deste apartamento.
— Quer mais suco? — perguntou, levantando-se da cadeira e mudando de assunto, me fazendo dar risada. Retiramos a mesa e depois que arrumamos tudo, nos sentamos no sofá.
— Já namorou? — perguntei. Estavámos sentados no tapete felpudo da sala do apartamento dela e vez ou outra um fazia uma pergunta sobre o outro. Eu respondi as suas curiosidades sobre a minha mãe e sobre o tempo que Nancy foi minha babá e de William.
— Sim, mas foi por pouco tempo. — ela respondeu, sem dar maiores informações e eu concordei com a cabeça.
era muito tímida. Pelo jeito que ela havia coroado e fugido da minha pergunta mais cedo, me fez pensar no fato de que ela nunca tinha namorado. O que, para mim, tornaria aquela história toda que eu estava participando ainda mais absurda. Era óbvio que além de ser dez anos mais nova, ela era inexperiente e não tinha a menor noção do que estava acontecendo.
Segurei um suspiro, passando a mão pelo meu cabelo. Já tinha pensado várias vezes em como meu pai havia chegado até ela, se o contato da minha família com Nancy tinha acabado quando ela deixou de trabalhar conosco. E também me perguntava o porquê de ter sido a escolhida.
— E você? — a voz dela, me despertou dos pensamentos e eu a encarei, confuso. — Já namorou?
— Sim. Namoros sérios foram dois. — ela concordou com a cabeça.
— Elas são suas amigas?
— Chelsy, sim. Ela foi muito especial e nós ficamos juntos por um bom tempo, nós meio que crescemos juntos. — sorri fraco. Tinha vivido bons anos junto com Chelsy e ainda era comum que trocássemos mensagens ou que nos encontrássemos em festas dos meus amigos. — E a Cress, faz pouco tempo que terminamos. Acredito que ainda não é uma boa hora para nos reaproximarmos como amigos. — dei os ombros e ela só me encarava, como se absorvesse as informações.
Continuamos conversando e eu fiquei surpreso em saber várias coisas sobre a vida de . Diferente do que eu pensava, ela não era inglesa. Seu pai recebeu uma proposta para trabalhar nos Estados Unidos, uns anos depois do irmão mais velho dela nascer e a família se mudou para lá, por isso que Nancy havia deixado de ser a minha babá. Ela nasceu e viveu lá até os quinze anos, quando eles decidiram voltar para a Inglaterra, mas o irmão dela, Brandon, decidiu continuar vivendo nos EUA.
comentou um pouco sobre o irmão, falando da relação dos dois e da incrível proteção que o mais velho tinha com ela, questionando sobre minha amizade e relação com Will.
Contei sobre George e sobre como eu gostava de brincar com toda as crianças que eu conhecia e ela sorriu, dizendo que também adorava crianças.
Estava sendo uma noite agradável. Aos poucos, com muita conversa, ia perdendo a timidez que tomava conta dela e se deixava compartilhar um pouco sobre a sua vida. Eu também contei alguns momentos da minha, em troca, e ela parecia satisfeita em saber que eu era tão humano quanto ela, apesar do título.
— Bom, tenho que ir. — murmurei, me levantando do tapete junto dela — Amanhã tenho um evento bem cedo.
— Ah, tudo bem. — ela sorriu, caminhando até a porta. — Bom evento. Assistirei pela televisão.
— Obrigado pela noite divertida. — sorri, depositando um beijo na bochecha dela. abriu a porta do apartamento e Dave me encarou, antes de caminhar em direção ao elevador. Sorri mais uma vez para e comecei a seguir o meu segurança.
— Harry. — me virei assim que ela me chamou e pareceu considerar por alguns segundos se continuava ou não a falar. Observei-a passar uma mão na outra, de forma rápida, e logo um sorriso leve apareceu em seus lábios. — Você não precisa de meias divertidas... Já está ganhando o meu coração. — sorri em sua direção, acenando com a cabeça quando o elevador anunciou que tinha chegado ao andar e segui Dave para dentro do cubículo de metal.
Encostei-me na parede do elevador, olhando para o teto e soltei um longo suspiro. Dave com todo o seu treinamento em nenhum momento questionou se eu estava bem, mas não me importei. Algo dentro de mim começava a me lembrar que o que estavámos fazendo não era certo.
Aprendi com a minha mãe que enganar alguém não era certo, ainda mais quando isso envolviam sentimentos. Ela não estaria nem um pouco contente com tudo que estou fazendo.
Aquela história mal tinha começado e a culpa já tinha começado a me consumir.
xxx

— Então, como vão as coisas? — meu pai indagou, curioso enquanto eu me sentava na cadeira de seu escritório. Aquele escritório, recentemente, não me trazia boas lembranças, afinal foi ali que ele propôs todo esse pesadelo. — Me diga uma notícia boa, Harry.
— Estou a conhecendo ainda, pai. Não é tão fácil quanto parece. — murmurei, incomodado com a pressão dele, mas Charles balançou a cabeça.
— Conhecendo para quê? Tudo que precisa saber sobre ela estão naquelas apostilas. — bebericou seu chá e eu rolei os olhos com a tamanha facilidade que ele tratava do assunto.
— Eu não posso aparecer na vida da garota e simplesmente saber tudo sobre a vida dela, não acha? Ela vai pensar que eu sou um louco. — ele deu os ombros — Aliás, o que você iria fazer caso ela não queira casar comigo?
A reação dele a minha pergunta me pegou totalmente de surpresa: Charles começou a dar risadas bem na minha cara, ainda dando leves tapas na mesa como sempre fazia quando algo o divertia demais. Rolei os olhos, esperando que aquele ataque cessasse e esperei sua resposta.
— Qual jovem mulher diria não para um príncipe que aparecesse disposto a se casar com ela, meu filho? Creio que a senhorita Thompson não seria tão burra e nem que Nancy a deixaria cometer tal absurdo. — ele riu fraco e eu balancei a cabeça. Nancy fazia parte do plano dele? Era impossível.
— Por que escolheu a ? — fiz a pergunta que já estava na minha cabeça há alguns dias e meu pai me encarou com um leve sorriso.
? Já está a chamando pelo apelido... Ora, ora, parece que alguém está fazendo seu trabalho direito... — rolei os olhos com o sarcasmo de seu comentário e ainda esperando pela resposta. — Ela é jovem, pode trazer novos ares para nossa família e podemos moldá—la da forma certa para o público gostar dela.
Moldá-la? — repeti para ter certeza que tinha escutado certo.
— Moldá-la, influênciá-la... Controlá-la. — ele deu os ombros, parecendo fazer pouco caso de sua resposta, mas eu me levantei para deixar a sala.
Pude ouvir meu pai dizer que queria ficar sabendo do que aconteceria depois, mas nem me importei em respondê-lo. Ele queria que eu me casasse com para que fosse mais fácil controlar ela e, provavelmente, todo o casamento. Toda minha vida passaria a ser um jogo contrlado pelo Príncipe de Gales. Maravilha.
Edward se aproximou para falar alguma coisa, mas eu apenas ergui a mão, como se dissesse para deixar para depois e ele se afastou, voltando para o escritório. Segui caminho para fora daquele prédio e Dave me encarou surpreso porque eu estava saindo cedo, mas também não me importei. Só queria entrar no carro e parar no primeiro pub que estivesse aberto.
Mandei uma mensagem para Guy, perguntando se o Helt já estava aberto e ele confirmou, me fazendo quase dar pulos de alegria. Avisei para ele que passaria por lá e pedi para que Dave fosse para o meu lugar favorito.

— Dia ruim? — Guy deu uma leve risada, ao me ver sentado em um dos bancos em frente ao bar do Helt. Concordei com a cabeça, dando um longo gole na cerveja que o barman tinha acabado de me entregar e o meu amigo sentou-se no banco vazio ao meu lado. — Lizzie me disse que você e Cress terminaram...
— Como Lizzie ficou sabendo disso? — questionei, curioso.
— Parece que Kate contou. — rolei os olhos, pensando no quanto William era fofoqueiro e dei mais um gole na cerveja. — Por isso o dia está ruim?
— Não estou sofrendo pela Cress, Guy. — respondi, num tom sério e ele afirmou com a cabeça, parecendo estar surpreso com a informação. — Não ia dar certo, de qualquer maneira.
— Uma pena. Cress era bem legal. — Guy murmurou e eu dei os ombros.
Não queria falar sobre Cress ou sobre qualquer outro assunto, mas é claro que não disse isso para o meu amigo, então, continuei respondendo as perguntas feitas por Guy quase que robóticamente.
Enquanto Guy contava algo sobre seu casamento com Lizzie, eu pensava no que estava a caminho se o plano do meu pai seguisse dando certo. O primeiro passo, que era fazer se apaixonar por mim, parecia estar dando certo. O que significava que tudo estava no caminho certo e eu não tinha mais para onde fugir.
xxx

Desci do carro, assim que Dave o parou em frente ao prédio de , e caminhei para o portão. Ela saiu do elevador e quando levantou o olhar, sorriu ao me encarar já a esperando.
— Você está... linda. — sorri, dando um beijo em sua bochecha e vi suas bochechas ficarem rosadas. vestia com uma blusa rosa, calça preta e botas de salto, ficando um pouco mais alta que o normal. Sorri, vendo que ela tinha anotado minha dica e trazia consigo uma touca.
— Obrigada. Você também não está nada mal. — ela riu divertida, apontando para minha camisa social e eu dei os ombros, levando-a para o carro. Dave seguiu o caminho que eu tinha dito para ele mais cedo e parecia ansiosa ao meu lado.
— Ansiosa? — perguntei, vendo ela negar com a cabeça e parar de mexer na barra da blusa.
— Estamos indo para Londres?
— Sim, tem um restaurante muito bom por lá e que pode nos dar mais privacidade. — ela concordou com a cabeça e eu sorri, perguntando como havia sido a semana dela para nos destrair da pequena viagem até Londres.

O jantar tinha sido divertido. havia me confessado que não era muito fã de bebidas alcoólicas porque ela ficava alta muito rápido e após a terceira taça de vinho dela, eu pude confirmar que era verdade.
— Chega de vinho para você. — murmurei, retirando a taça de perto dela e recebi em resposta um muxoxo da parte dela.
— Ok, Wales. — ela riu, levemente alterada, e se virou na minha direção — Nós já estamos indo?
— Estamos esperando Dave voltar para dizer se está tranquilo. — murmurei, vendo-a concordar com a cabeça.
Eu sabia que não estava nada tranquilo do lado de fora do restaurante. Edward tinha deixado alguns fotógrafos do The Sun a par de que eu teria um encontro amoroso naquele restaurante, do jeito que meu pai havia planejado e que eu odiava saber que iria acontecer.
Para mim, a diferença desse “relacionamento” estar ou não na capa dos jornais não iria fazer diferença alguma porque eu já estava acostumado com toda imprensa sabendo dos meus passos, mas eu me preocupava com e em como ela iria lidar com toda aquela história. Não era nem um pouco justo com ela aquilo tudo.
— Alteza. — Dave entrou na sala privada que nós estavámos e me encarou com uma cara não muito boa, que eu já sabia o que significava — Tem uma série de fotógrafos na porta do restaurante e até na porta de trás.
se mexeu desconfortável na cadeira ao meu lado e virou o rosto para poder me encarar. Pude perceber que ela parecia estar totalmente nervosa após as palavras do meu oficial.
... — a encarei, respirando fundo para seguir com toda a história — Nós vamos sair e você precisa ficar o tempo todo olhando para o chão, tudo bem? Não olhe para as câmeras, nem responda a eles. — ela pareceu absorver o que eu tinha dito.
— Mas... E-e se eles fizerem alguma coisa? Ou falarem algo e eu...
— Eles não vão falar e nem fazer nada com você. — sorri para poder passar confiança para ela. — Dave e o Maik estarão ao nosso lado para nos levar até o carro. Eu só preciso que você não olhe e nem responda nenhuma das perguntas que eles fizerem.
— E se eu tropeçar no caminho até o carro? — ela questionou, com uma feição de preocupação e sorri fraco.
— Eu estarei de mãos dadas com você para te segurar, pode ser? — entralecei minha mão a dela e ergui as duas mãos na frente de seu rosto para mostrar toda a segurança. concordou com a cabeça, dando um sorriso e eu me virei para Dave, que com todo seu treinamento estava ainda estava presente na sala, mas fingia não ouvir e nem saber o que estava acontecendo a sua frente. — Podemos ir, Dave.
Me levantei e ajudei a se levantar para que pudéssemos sair do restaurante. Ela aparentava estar totalmente insegura e ao ver todos os flashes das câmeras pelo vidro do restaurante, eu senti parar de andar e me puxar.
— Ei, está tudo bem. — sorri, passando confiança e ela suspirou, concordando com a cabeça. Acenei positivamente para Dave e ele abriu a porta do restaurante, saindo antes de nós.
O caos parecia que tinha se instalado do lado de fora do restaurante.
Segui de cabeça erguida, ignorando todas as perguntas que eram feitas para mim e . Ela segurava na minha mão com tanta força que eu tinha certeza que a marca de seus dedos ficariam ali por algum tempo.
Ajudei a entrar no banco de de trás do carro e entrei depois dela, fechando a porta rapidamente. Soltei todo o ar, esfregando as mãos na minha calça jeans e me virei para a morena ao meu lado.
— Você está bem? — suspirou, concordando com a cabeça.
— Isso... Meu Deus, Harry. — ela riu, incrédula com o tanto de flashes e gritos que vinham do lado de fora do carro. Dave entrou rapidamente no carro e me encarou para saber se estava tudo bem e eu concordei com a cabeça. — Você acha que eles conseguiram ver meu rosto?
— Acho que não. — sorri fraco para tentar dar positividade ao que eu acabara de dizer e ela concordou.
— Como eles sabiam que estavámos lá? — meu pai contou para a imprensa, pensei.
— Alguém que trabalha no restaurante deve ter quebrado o acordo de sigilo... — murmurei, dando os ombros — Mas, não se preocupe. Edward irá lidar com isso depois.
Ele até lidaria se fosse uma situação real, mas como era tudo que meu pai queria nenhuma ação seria tomada pelo meu secretário ou qualquer pessoa da família. Era aquele circo todo que eles queriam e esperavam que desse certo para que nossos índices fossem salvos.

Dave estacionou o carro em frente ao prédio de e eu desci do carro junto com ela para poder levá-la até a entrada do prédio. Ela ainda parecia estar um pouco assustada com toda aquela presença na porta do restaurante e eu não poderia culpá-la.
— Obrigada pela noite, Harry. — ela sorriu tímida e eu acenei com a cabeça — Tenha uma boa viagem.
— Tente sobreviver sem mim. — pisquei, divertido e ela deu uma risada fraca.
— Compre as meias coloridas. — foi a vez dela piscar na minha direção. deu um passo mais perto de mim e depositou um leve beijo nos meus lábios por alguns segundos, afastando-se rapidamente e seguindo para dentro de seu prédio.
Acenei com a mão em sua direção e caminhei de volta para o carro. Eu me sentia estranho — não pelo rápido beijo dela, mas por aquela história.
Ela estava realmente se envolvendo por mim, eu estava entrando em buraco sem saída e a culpa já estava começando a me consumir.

xxx


’s Pov.
— Bom dia. — disse a , assim que coloquei os pés da sala e fui até a cafeteira para me servir com aquela bebida que sempre fazia meu dia começar bem e com certeza seria boa para acabar com minha dor de cabeça. Por que eu ainda não me
Minha melhor amiga estava bastante entretida no jornal para me responder e eu ignorei, me sentando na cadeira vazia próxima a mesa para tomar meu café da manhã.
... — começou enquanto eu comia uma torrada e eu levantei meu olhar para encará-la — Eu te conheço desde sempre, não é?
— Sim... Mas por quê isso agora, ? — questionei, curiosa e tentando entender aonde ela queria chegar. — Eu quero chegar... — ela suspirou, pegando o jornal que estava lendo para colocar sobre a mesa bem na minha frente — O porquê de você não ter me contado que estava namorando com o Príncipe Harry!
Senti meu corpo resetar por inteiro e tirei meus olhos de para encarar o The Sun que ela acabara de colocar na minha frente. Soltei ao ar ao ver duas fotos de Harry e eu na saída do restaurante: na primeira, não era possível ver o meu rosto porque eu estava de cabeça baixa enquanto seguíamos para o carro, mas na segunda, nós dois já estavámos dentro do carro. Era o momento que ele me perguntava se eu estava bem. Eles tinham conseguido uma foto do meu rosto e, aparentemente, a minha ficha completa.
Eu estava na primeira página do The Sun.
Eu estava na primeira página do The Sun ao lado do Príncipe Harry.



three.

“A mentira não irá curar.”


’s POV.
Alguns gritos me fizeram abrir os olhos assustada. Encarei as coisas ao meu redor, ainda me familiarizando com a claridade do quarto, e me sentei na cama para tentar entender o que estava acontecendo.
Depois de ter tentado convencer que eu não estava namorando com Harry e de sofrer por alguns minutos por lembrar que eu tinha me jogado nos braços dele bêbada, acabei pensando que não ir à aula seria a melhor coisa a se fazer. Não queria ter que lidar com mais gente pensando que eu estava namorando o Príncipe e nem com os olhares de todas aquelas pessoas.
Me levantei da cama, ainda me questionando de onde vinham todas aquelas vozes se eu estava sozinha em casa, e fui para a janela da sala para ver o que estava acontecendo do lado de fora do meu prédio. Abri a cortina para poder checar e senti todo minhas duas pernas fraquejarem.
Centenas de fotógrafos estavam parados na porta do meu prédio com suas enormes câmeras. Eram deles as vozes que eu estava ouvindo.
Suspirei antes de voltar ao quarto para pegar meu celular e discar os números de . Sentei-me no sofá, puxando as pernas para próxima do meu corpo e esperei que minha amiga atendesse o telefone.
— Obrigada! O senhor Hemmings estava em uma daqueles monólogos chatos. — ela murmurou animada do outro lado da linha e eu soltei uma risada.
— Ok, agora eu preciso da sua ajuda. — falei — Tem centenas de fotógrafos do lado de fora do nosso prédio, . O que eu faço?
Você está perguntando para mim?! — ela riu — Eu não tenho a menor ideia, . Não sou eu quem estou namorando alguém da família real...
— Eu não estou namorando ele.
Ainda. — ela riu mais uma vez e eu rolei os olhos. Não adiantaria discutir com ela o status da minha relação com Harry, se é que eu poderia chamar o que nós tínhamos de relação. Afinal, ele só tinha dito que gostava de mim e eu, após algumas taças de vinho, já tinha me jogado nos braços dele.
Ai Deus. Ele deve estar pensando coisas absurdas de mim, com certeza.
Por que não liga para ele para saber o que fazer? — a voz de me despertou — Ele tem muito mais experiência nisso do que você e vai te dizer como lidar com tudo.
— É uma ótima ideia, . — murmurei, agradecendo e desliguei o telefone pronta para ligar para Harry. Esperei alguns segundos até ouvir sua voz e pude sentir leves arrepios em meu corpo... Céus.
. Oi.
— ele falou baixo e eu senti que estava o atrapalhando.
— Estou atrapalhando? — murmurei, mordendo meu lábio inferior.
Ahn... Não. Eu estava discutindo algumas coisas de um evento de hoje, mas pode falar. Não acredito que já esteja sentindo minha falta. — ele riu do outro lado da linha.
— Harry... Tem um monte de fotógrafos na porta do meu prédio... Para quê? — perguntei e tudo que tive em resposta foi o silêncio. Tirei o celular do ouvido para checar se ele ainda estava do outro lado da linha e balancei a cabeça, chamando seu nome para saber o que tinha acontecido.
Desculpe, . — ele murmurou em resposta em um tom triste. — Essa é a parte ruim de estar comigo: qualquer passo nosso poderá aparecer para o mundo todo e irá fazer com que todos os olhos do país se voltem para você.
— Eles vão ficar aqui para sempre? — questionei, preocupada e ele riu fraco.
— Não. Talvez até você sair de casa, o que eu não recomendo fazer porque isso pode causar muito mais loucura.
— Eu preciso ir as aulas, Harry. — falei, soando óbvia. Eu teria que faltar a universidade por conta de fotógrafos na porta da minha casa só porque eu sou amiga do Príncipe? Ou eu teria que passar a ir disfarçada para as aulas?
— Eu sei... — ele suspirou — Olha, ... Não há nada que eu possa fazer sobre isso, a não ser te alertar que quando você sair, as coisas vão piorar ainda mais. Eu diria para que você esperasse alguns dias para ir a aula, eu não sei... Talvez a capa de amanhã do The Sun seja mais marcante.
— Você não pode fazer nada mesmo? — me agarrei em um fio de esperança. — Sei lá, um comunicado pedindo que eles saiam da minha porta ou qualquer coisa. Meus vizinhos não vão gostar disso... Eu não gosto disso, Harry.
Antes que ele pudesse responder meu desabafo, uma voz o chamou e ele pediu licença para discutir alguns assuntos que eu não prestei atenção.
A porta da minha casa estava um verdadeiro caos, o grande causador disso tudo não poderia fazer nada a respeito e seu melhor conselho era que eu me trancasse em casa por alguns dias.
, sinto muito, mas eu preciso ir. — ele suspirou mais uma vez e eu passei a mão pelo meu cabelo. — Eu vou ver se consigo com meu secretário um dos meus Oficiais para ficar por aí quando você precisar sair, mas não posso te garantir que eles vão ser liberados.
— Tudo bem...
— O mais importante é que, se você for sair, e eles perguntarem alguma coisa, você não deve responder. Nenhum tipo de pergunta, . Apenas abaixe a cabeça e vá aonde você tem que ir. Finja que eles não estão a sua volta.
— Como se isso fosse fácil. — murmurei baixinho, mas ele escutou.
— Eu sei que não é, eu faço isso minha vida toda. — ele fez uma pausa e eu ia me desculpar pelo meu comentário, porém ele foi mais rápido ao dizer que precisava ir para um evento.
— Ok, tenha um bom evento.
— Te ligo para dar uma resposta sobre o OP. — concordei — E me desculpe, mais uma vez. Eu não queria te fazer passar por isso.
Coloquei o celular ao meu lado no sofá e abaixei a cabeça, encostando a testa nos meus joelhos. Soltei um longo suspiro, sentindo a vontade de chorar começar a me consumir.
Eu não imaginava que ser próxima de Harry poderia trazer aquilo para a minha vida, afinal não tínhamos nenhum tipo de relacionamento... Por que eles estavam atrás de mim? Harry não iria aparecer por aqui, e eles deveriam saber muito bem da agenda de compromissos que ele tinha agendado no Canadá.
Qual era a graça de saber da minha vida? Ou melhor, de atrapalhar a minha vida porque era isso que todo aquele pessoal na minha porta estava fazendo.
Passei a mão pelo meu rosto, secando algumas lágrimas e me levantei para ir de volta para o meu quarto. Me manter bem longe das janelas do apartamento seria o melhor para mim naquele momento. Pelo menos, até Harry resolver me ajudar de alguma forma.

xxx

— Você sabe quando ele volta de viagem? — perguntou, depois de olhar pela fresta da cortina e ver que ainda tinha um pequeno número de fotógrafos em nossa porta.
Já era o terceiro dia que eu tinha seguido o conselho de Harry e ficado em casa, pegando matéria das aulas com a minha melhor amiga que, prestativamente, saía todos os dias de manhã e era bombardeada com perguntas e câmeras em seu rosto. Parecia que de, alguma forma, eles sabiam que morava comigo.
— Ele ia ficar pouco mais de três semanas viajando. — murmurei, prestando atenção na matéria que copiava e pude ouvir minha amiga suspirar em desgosto — O que foi?
— Você vai ficar um mês sem ir a aula por causa dos fotógrafos? Ele não pode mesmo fazer nada para te ajudar?
— Ele disse que precisaria falar com o pai dele para poder colocar um dos seguranças comigo, . E eu sei que eu não posso perder tantas aulas assim, por isso, amanhã eu vou com você.
, você entende o que esse namoro está trazendo para você não é? — ela ergueu a sobrancelha.
Não é um namoro. Príncipe Harry não namoraria uma garota como eu, nunca. Quantas vezes eu vou ter que repetir isso até você entender? — falei, um tanto quanto cansada com aquela brincadeira da parte dela e rolou os olhos.
— Fala sério! — rolou os olhos, sentando-se ao meu lado no sofá. — , você é linda. É óbvio que ele namoraria uma garota como você, tanto que você está na capa de um jornal do país de mãos dadas com ele e dentro do carro dele sorrindo como um casal. Se isso não é namoro...
— Ele só falou que gosta da minha companhia... — suspirei — E eu o beijei antes dele viajar.
— Você o quê? arregalou os olhos, totalmente surpresa com o que eu havia falado.
— Eu estava bêbada e...
— Você gosta dele, não é? — me interrompeu, olhando nos meus olhos e eu suspirei.
Eu não sabia se deveria responder ou não aquela pergunta, muito menos como responder. Eu gostava de estar com Harry e de como era divertido conversar com ele, além do que ele sempre parecia que gostar de conversar comigo. Harry era uma boa companhia. Eu poderia estar confundindo as coisas porque não seria algo normal um homem dez anos mais velho gostar de uma moça tão tímida quanto eu.
— Eu gosto de estar com ele. — respondi, sincera e concordou com a cabeça.
— Só... Toma cuidado, tudo bem? — concordei com a cabeça, vendo o sorriso amigável de na minha direção.

xxx

Harry’s POV.
— Não tem nenhuma forma de resolver isso? — indaguei, encarando o tempo nublado no Canadá pela janela do quarto em que eu estava, enquanto esperava uma resposta do meu pai. Não queria ter que ligar para ele para conseguir alguma ajuda para , mas Edward não achava certo que eu cedesse um dos meus oficiais.
Harry... — ele começou — O dinheiro que ganhamos vem do povo e deve ser usado por nós para nós. Se quando usamos dessa maneira, alguns deles já reclamam, imagine pagando segurança para uma moça que nem da família é. — bufei — E outra, isso é um teste para ela. Que ela possa aprender a lidar com a imprensa para saber como será depois que entrar para nossa família.
— Nós nunca lidamos com a imprensa dessa forma, por isso que temos os nossos oficiais. — rebati, de uma maneira infantil, mas porque não fazia sentido a explicação dele. — Além do que, William não pagou seguranças para Kate?
E você se lembra das críticas sobre isso? Harry, o seu casamento é para um único propósito: elevar nossos índices de aprovação. Nós temos que seguir tudo o que o povo quer. Se eles querem ver o rosto da sua namorada estampado no The Sun, Daily Mail ou qualquer outro jornal, nós temos que dar isso a eles. Não podemos fazer igual William e protegê-la demais porque nós queremos o contrário disso: queremos todos de olho em vocês.
— Isso me parece loucura. — ri desacreditado. A cada conversa que eu tinha com meu pai sobre e o casamento eu me sentia ainda mais um fantoche. Ele já tinha todas as ideias pré-ordenadas sobre o assunto e como nossos passos seriam monitorados a todo o momento. Era absurdo e tudo, devidamente, pensado.
Vamos aguardar um pouco mais para confirmar o namoro de vocês, mas quando isso acontecer podemos liberar um comunicado repudiando isso, mas nada de oficiais a protegendo, filho.
— Tudo bem. — suspirei, dando-me por vencido e vi meu secretário entrar no quarto, fazendo um sinal de que estava na hora de ir para mais um evento. Me despedi de Charles, finalizando a ligação e guardei o celular no bolso do paletó, antes de seguir Edward para fora do quarto.

xxx

Encarei William com uma sobrancelha arqueada e ele riu na minha direção. Tinha quatro horas que eu estava em casa e ele já havia feito questão de me visitar para “colocar o papo em dia”. Se eu não conhecesse meu irmão tão bem, acreditaria naquela desculpa de que ele só queria conversar do que tinha acontecido enquanto eu estava fora e não querendo saber mais sobre o meu relacionamento.
— Vamos, Will... Diz logo porque está aqui. — ri. Se ele esperava que eu dissesse algo por contra própria, estava enganado. Era melhor fazê-lo dizer que queria saber da fofoca.
— Você sai para a turnê e deixa os jornais por aqui morrendo de curiosidade. Não acha que tem algo para me contar? — ele riu fraco e eu dei os ombros, fingindo que ainda não tinha entendido onde ele queria chegar — Você está namorando?
— Prefiro usar o termo: estamos nos conhecendo.
— Você não sai na primeira capa do The Sun com uma mulher que está “conhecendo”, Harry. — William rebateu, óbvio e eu acabei concordando com a cabeça. Eu sempre me mantive muito privado em relação a tornar meus namoros público. — Como a conheceu?
Prendi a respiração por alguns segundos.
Não tinha pensado naquela parte ainda. Deveria contar como eu realmente conheci ou contar alguma mentira? Droga.
— Ela é filha de uns amigos do nosso pai. — respondi, finalmente. Acho que de mentiras minha vida já estava cheia naquele momento.
Will me encarou por alguns segundos parecendo estar totalmente surpreso com a informação e eu concordava totalmente. A verdade parecia mais uma mentira, afinal, nunca tinha encontrado uma namorada tão próxima.
— Surpreendente. — ri fraco da expressão que ele tinha no rosto — E como ela está lidando com tudo? Se precisar de ajuda, pode falar comigo ou com Catherine...
— Agradeço. — sorri, espontaneamente para o meu irmão que apenas deu os ombros. Nós dois sabíamos o quanto era difícil entrar para a nossa família e como Kate tinha ido bem em todo seu processo. Ela seria, sem dúvidas, de grande ajuda para . — Ela está lidando bem até. É assustador no início, mas creio que ela irá se acostumar.
— O importante é não ler o que é escrito sobre você. — William murmurou e eu concordei mais uma vez. Os jornalistas sabiam ser duros o suficiente com as nossas namoradas enquanto elas não entravam — e mesmo depois — para nossa família. — Me fale mais sobre ela.
— Deixa de ser curioso! — respondi, rindo.
— Catherine pediu que eu viesse descobrir o máximo. Convide ela para jantar conosco.
— Acho que ela ainda é tímida demais para isso, mas em breve, Will. — ele abaixou os ombros com a informação e eu dei risada da animação do meu irmão. Sem dúvidas, mais animado que eu para toda aquela história. — O que mais você quer saber?
— Você acha que é ela? — indagou, erguendo as sobrancelhas e eu soube exatamente o que ele queria dizer.
Mais uma vez, eu não sabia se a resposta era a verdade ou a mentira. Porque, para mim, não era ela, mas para o Príncipe Charles e para a Rainha era ela, sem sombra de dúvidas.
Talvez seja. — respondi, forçando um sorriso natural e William pareceu contente demais com a minha resposta.
Parece que a mentira já começava a agradar as pessoas. Só restava saber se ela iria agradar ao público.

“Está em casa?”, apertei enviar e voltei meu olhar para a cidade que passava como um borrado pela janela do carro. Já tinha avisado a Dave para seguir caminho para o apartamento de , antes mesmo de saber se ela estava em casa, mas eu precisava saber como ela realmente estava com toda a loucura dos fotógrafos na porta da casa dela.
A possibilidade dela achar aquilo tudo uma loucura (e realmente era) e querer se afastar de mim, acabando, mesmo sem querer, com toda a história que meu pai havia criado me animava de uma forma surreal. Já que eu não podia desistir, eu poderia, ao menos, torcer para que ela não aguentasse toda aquela pressão. Porque se para mim que nasci nesse meio ainda é estranho ter toda essa atenção, para ela poderia ser cem vezes pior.
Meu celular vibrou em minha mão e eu o peguei para checar as mensagens que haviam chegado. Skippy e Jake estavam me perturbando desde a hora que eu tinha chegado e haviam cismado com a ideia de fazer uma reunião para comemorar que eu estava de volta.
“Estou saindo da faculdade agora. Por que?”, foi a resposta de . Respondi que estava a caminho da casa dela e enviei uma outra mensagem para meus amigos confirmado uma comemoração na boate de Guy. Nem me apressei em mandar uma mensagem para ele porque sabia que Skippy faria isso para garantir que a noite fosse um sucesso.

— Você diz que mora com alguém, mas sempre está sozinha no apartamento. — eu murmurei quando Dave saiu e eu pude entrar no apartamento de , que riu com a minha colocação.
Fechei a porta e parei em frente a ela, que sorriu tímida na minha direção antes de jogar os braços ao redor do meu pescoço e colar o corpo no meu num abraço.
— Isso tudo é saudade? — ri fraco, quando ela se afastou de mim, com as bochechas levemente coroadas.
— Foram semanas terríveis sem você aqui. — ela soltou o ar pesadamente, caminhando até a janela para ver como estavam as coisas na porta do prédio — Eles não te encheram não?
— O trabalho do meu oficial é não deixar que isso aconteça... — murmurei, dando os ombros — Me desculpe por te fazer passar por isso, . Essa é a parte ruim de estar comigo: eles vão fazer de tudo para saber mais sobre você e vão tentar te ganhar no cansaço.
— Mas, isso nunca melhora? — ela questionou, mordendo o lábio inferior com uma expressão de dúvida no rosto.
— Não melhora, mas eles mudam as artimanhas deles. — ela seguiu com a expressão de dúvida e eu me sentei no sofá, mesmo sem ser convidado — Quando seguir a Kate não dava em nada, eles iam atrás da família dela ou dos amigos que dela. Quando eu estava com a Chelsy, eles chegaram a hackear o celular dela para tentar encontrar alguma coisa. Sem contar as histórias que eles inventam, quando não conseguem nada.
— Isso é horrível. — ela balbuciou, surpresa com a informação e eu dei os ombros. Já estava acostumado com tudo aquilo, apesar de não ser o correto, me parecia um ciclo natural demais da minha vida.
— O que eu quero que você saiba é... — suspirei, encarando a menina de cabelos escuros volumosos a minha frente — Está tudo bem se você quiser se afastar de mim e dar um ponto final a isso que nós estamos começando agora. Eu imagino que tenha sido horrível essas semanas em que eles estiveram na sua porta e eu, infelizmente, não posso colocar um dos meus oficiais à sua disposição. Por isso, se você quiser, terminamos aqui o que quer que esteja começando entre nós e eu libero um comunicado afirmando isso.
me encarou com seus olhos castanhos marcantes por alguns longos segundos. Parecia que sua mente buscava ainda a melhor resposta para a minha fala.
Em parte eu me sentia culpado. Era culpa da minha família ter colocado naquela posição e ela entraria num caminho sem rumo se aceitasse. Entraria em um relacionamento que seria verdadeiro só por um lado e abriria mão do seu futuro para seguir um que não seria traçado por nenhum de nós.
E se ela não aceitasse, o que eu torcia para que acontecesse, eu estaria entregue. Charles ficaria chateado com tudo e a aprovação da família seguiria em baixa, mas eu tenho certeza de que ainda haveria um outro caminho melhor do que diminuir as minhas chances de ser feliz.
— A decisão é sua. afirmei para , tentando não colocar ainda mais pressão nela, mas com a ansiedade no pé com aquela espera por uma resposta.


four.

“Assim como a gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida.”


Um mês.
Parece que quando sua vida já está traçada as coisas passam mais depressa e era assim que eu me sentia. Como se aqueles meus momentos sozinhos no meu apartamento em Kensington e com os meus amigos fossem os últimos da minha genuína felicidade.
tinha me afirmado, há um mês, que estava ali porque queria, porque gosta de mim e que se aquele fosse o preço para estar comigo, ela estava disposta a aceitá-lo. Mas apenas um verbo não saía da minha mente acerca de um mês e me fazia sentir ainda mal: gostar. Ela havia afirmado que estava nutrindo sentimentos por mim enquanto eu estava apenas do lado dela para salvar a minha família. Dois sentimentos totalmente diferentes.
Claro, sua companhia me agradava, ainda mais agora que ela não era tão tímida perto de mim, mas ainda sim era difícil não pensar que só estava com ela porque era o que Charles e a Rainha tinham me preparado. Era estranho. Eu me sentia estranho.
— Como vai, Henry, meu filho? — meu pai sorriu animado ao entrar no meu escritório com Edward e seu secretário o seguindo como os Corgis seguiam a minha avó pelo Palácio.
— Bem. — respondi, monossilábico.
— Sua animação me contagia! — Charles disse sarcástico e eu me segurei para não rolar os olhos em resposta, observando-o sentar-se na poltrona em frente a minha mesa. — Estamos aqui para discutir os novos rumos do seu relacionamento com a senhorita Thompson. Vocês já estão a quase três meses saindo, não é?
— Por aí. — dei os ombros. Odiava que ele discutisse comigo quais eram os próximos passos. Preferia que ele apenas dissesse para Edward e que chegasse até mim quando eu estive me preparando para sair com . Dessa forma, parecia menos surreal toda a ideia.
— Pois bem. Já houve o pedido formal de namoro, eu espero... — meu pai indagou e eu balancei a cabeça de maneira negativa, recebendo olhares de surpresa dele e de nossos secretários. — Henry!
— Não achei que precisasse disso.
— Você não pode simplesmente chegar um dia e pedir a moça em casamento, meu filho. Precisa seguir etapas, ainda mais que Nancy me disse que esse é o primeiro relacionamento dela. Você precisa ser um Príncipe Encantado! — ele riu sarcástico.
— Tudo bem, falarei com ela no fim de semana. — dei os ombros.
— Farei reserva em algum restaurante, Alteza. — Edward murmurou, digitando no iPad e eu apenas afirmei com a cabeça. Pouco me importava.
— Depois disso, eu gostaria que você enturmasse a moça com seus amigos. A imprensa vêm falando que isso ainda não aconteceu e seria uma boa ideia...
— Tem o casamento dos Pelly. — o secretário do meu pai, Jacob, murmurou após checar algumas informações e eu concordei com a cabeça. Ainda faltavam algumas semanas para o casamento de Guy e Lizzie, mas seria uma boa ocasião para que e eu fossemos vistos juntos, se era isso que eles queriam.
— Então, creio que já temos programado o básico para o seu relacionamento para o próximo mês. O resto é com você, filho. — sorri sem mostrar os dentes e esperei que os três estivessem fora da minha sala para poder bater com a mão fechada na minha mesa de madeira.

— Estou falando com você há mais de cinco minutos! — Jake chamou minha atenção depois de dar um tapa no meu ombro e eu balancei a cabeça, na tentativa de tirar qualquer pensamento sobre , casamento e meu pai da minha cabeça.
— Foi mal, cara. — dei os ombros — O que estavam falando?
— Despedida de solteiro para o Guy. — Skippy falou alto, erguendo sua garrafa de cerveja e eu dei risada ao ver Guy erguer os braços em comemoração.
— E nós planejamos a despedida dele com ele no local? Não deveria ser surpresa? — indaguei, curioso.
Nah. Lizzie não liberou fazer nada muito pesado porque disse que se o noivo dela não aparecer no voo para os EUA na quinta-feira, ela nos mata. — Skippy rolou os olhos após tentar imitar a voz da noiva de Guy e todos nós demos risadas.
— Tem que ser algo leve. — o noivo disse com um sorriso no rosto — Podemos fazer algo no Helt. — todos sorriram animados quando ele mencionou a boate que era dono.
— Parece uma ótima ideia, mas eu não vou pensar em nada com uma garrafa vazia em mãos. — Jake murmurou, erguendo a garrafa que tinha em mãos e Guy rolou os olhos antes de anunciar que iria buscar mais uma rodada para nós.
— Vou aproveitar e ligar para Lara. — Skippy riu fraco, pegando o celular no bolso da calça e saindo da sala de estar para a varanda.
Suspirei, dando um último gole na minha cerveja e depositei a garrafa vazia sobre a mesa de centro. Jake encarava todos os meus movimentos, como se analisasse e estivesse aguardando o momento certo para me questionar.
— Está tudo bem com você, Harry? — finalmente perguntou, mostrando-se preocupado e eu concordei com a cabeça. — De verdade, eu quero dizer.
— São só preocupações e muita pressão, Jake. Nada demais. — dei os ombros.
— Se quiser conversar sobre qualquer coisa, pode contar comigo. — concordei com a cabeça, dando um tapinha de leve no ombro dele e logo, Guy voltou a sala com mais algumas garrafas de cerveja em mãos.
Por alguns segundos, eu pensei que poderia contar para Jake o que estava acontecendo. Diferente de Guy e Thomas, que me encheram de perguntas sobre , ele ficou apenas observando e parecia saber que havia algo de estranho comigo, apesar de não dizer abertamente.
Eu confiava no meu amigo e também precisava dividir aquela história toda com alguém para que, talvez, pudesse me sentir menos culpado por estar fazendo parte daquilo tudo e por ter um destino traçado por terceiros.

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— Você já tem alguma ideia de como vai ocorrer o pedido de namoro? — Edward me questionou enquanto estávamos no caminho para fazer uma visita a uma instituição em Manchester.
— Um jantar... Algo desse tipo, Edward. — dei os ombros, respondendo sem tirar minha atenção do meu celular e meu secretário não disse nada por alguns segundos, o que me fez tirar a atenção do aparelho para encará-lo. — O que?
— Não deveria tentar algo mais... — ele fez uma pausa, parecendo pesquisar a palavra que usaria naquele momento — Romântico?
— Edward, você sabe mais do que eu a razão deste circo todo. Por que eu deveria sequer pensar em algo mais romântico? — tranquei a tela do celular, guardando-o no bolso do meu paletó e voltei a encará-lo, aguardando sua resposta.
— Eu sei que não é correto eu falar, mas eu trabalho com você há mais de quatro anos, Harry, e sinto que eu deveria dizer isso. — assenti com a cabeça, o incentivando a continuar a falar e Edward suspirou. — Ok... Eu sei que para você é tudo para salvar os índices, eu entendo. Mas, ela não sabe. Eu acho que você deveria, ao menos, fazer uma situação aparentemente verdadeira para ela. Então, algo romântico me parece o mais correto. — meu secretário sorriu sem graça ao final — Me desculpe por me intrometer na sua vida.
Dei uma leve risada vendo Edward voltar a sua pose original quando Dave anunciou que tínhamos chegado a instituição. Desci do carro, acenando para o público que estava do lado de fora e comemorou a minha chegada. Antes de entrar para conhecer mais sobre a instituição, me dirigi a eles para cumprimentá-los um pouco e agradecê-los por ficarem tanto tempo me aguardando.
Após cerca de trinta ou quarenta minutos, caminhei em direção à entrada da instituição. Dessa vez, era uma que dava suporte a famílias que haviam perdido maridos na guerra e soldados que precisavam de trabalho psicológico. Pude conhecer vários soldados britânicos e algumas famílias de outros países que tinham buscado o tratamento da instituição, além de conhecer todo o ambiente do local e as pessoas que trabalhavam por lá. Minha visita, com certeza, iria trazer mais fundos para eles e também uma boa visão para o Invictus Games que ocorreria em poucos meses.
Tentei evitar ao máximo pensar no que meu secretário havia dito durante o caminho e todas as conversas com ex-soldados e familiares me ajudaram bastante nesse quesito. Pelo menos, por algumas horas, o meu pensamento ficou longe de e de toda a história que estava acontecendo.
Pena que durou até acabar a visita. Quando estávamos no caminho de volta para Londres, minha mente vagava pelo leve sermão de Edward. Era verdade, eu o considerava como um amigo porque trabalhávamos desde que eu havia saído do exército e ele tinha resolvido algumas das grandes merdas que eu já tinha feito... Vegas, fantasia nazista... Fechei os olhos, tirando essas lembranças da minha mente e foquei meu pensamento em duas coisas: namoro e .
Quando eu namorava Chelsy, havia feito o pedido de forma romântica, é claro. Sem dúvidas, ela tinha sido a namorada que eu mais amei. Me lembro de ter a levado para a África e após um final de semana divertido observando as estrelas e os animais, fiz o pedido.
Com Cress também havia ocorrido de uma maneira romântica, nem tanto como a de Chelsy, mas fora romântico. Estávamos no restaurante que Genie tinha comemorado seu aniversário um ano antes, também conhecido como o lugar que eu tinha sido apresentado à Cress.
Talvez merecesse algo tão romântico quanto minhas antigas namoradas... Soltei o ar, passando a mão pelo cabelo e a voz do meu secretário pareceu ecoar na minha cabeça.
“Eu acho que você deveria, ao menos, fazer uma situação aparentemente verdadeira para ela.”
Essa história toda tinha que parecer verdadeira para ela. Eu não poderia, simplesmente, bancar um qualquer no pedido de namoro — deveria ser um exemplo do que aconteceria no pedido de noivado.
Suspirei e encarei Edward, que digitava no iPad enquanto escutava músicas. Toquei seu ombro, o vendo tirar o fone para me encarar confuso.
— Qual sua ideia para esse pedido de namoro?

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’s POV.
“Prepare-se para um dos melhores finais de semana da sua vida. Pego você sexta às 20h.” — terminei de ler a mensagem que Harry havia me enviado em voz alta e levantei meu olhar, vendo me encarar com um sorriso no rosto.
— Para onde ele vai te levar? — questionou curiosa e eu dei os ombros, bloqueando a tela do celular e me sentando no sofá.
— Ele não disse. Apenas perguntou se eu estava livre e me respondeu isso. — mordi o lábio inferior, me sentindo um tanto quanto insegura com aquela mensagem de Harry. Não podia negar que um final de semana inteiro em sua companhia era ótimo, mas aquilo me deixa tão insegura e ansiosa que eu poderia estragar tudo a qualquer momento.
— Você precisa de uma lingerie. — ponderou após alguns segundos em silêncio e eu arregalei os olhos, surpresa com a ideia dela. — O quê?! Você acha que vocês vão passar o fim de semana fazendo o quê? Jogando cartas?
! — exclamei, sentindo meu rosto queimar enquanto minha amiga dava altas risadas da minha cara. — Eu não vou comprar uma lingerie!
— Tudo bem, eu compro para você. — ela deu os ombros — Você sabe qual é a cor preferida dele? — ela riu — Acho que vou comprar vermelha para combinar com o cabelo dele e a cor da sua cara quando você vesti-la.
— Meu Deus... — murmurei, balançando a cabeça, ainda chocada com as ideias da minha amiga.
, você fala como se fosse uma freira! Tudo bem que o Ethan deveria ser um horror na cama, mas você já transou, amiga. Relaxa.
— Eu com certeza estarei relaxada sabendo que em todos meus dezenove anos de vida eu tive apenas um parceiro enquanto o Harry, que é mais velho que eu, deve ter tido o mais de cem vezes esse número. — rolou os olhos com a minha frase.
— Eu vou repetir de novo porque parece que você não aprendeu ainda... Você é linda. Tem que aprender a confiar mais em você, . Se ele está com você é porque ele não se importa com o número de caras que você foi para a cama, seja um ou mais de trinta. E você também não deve se importar com o número de mulheres que já passaram na cama dele... A propósito, devem ser um número bem superior que cem.
Cala a boca. — rolei os olhos — Podemos mudar de assunto, por favor?
— Só se você me prometer que eu posso comprar uma lingerie. — ela sorriu vitoriosa e eu balancei a cabeça. — Pode ser que não aconteça nada porque se você não estiver se sentindo segura, você tem que dizer, mas se acontecer e, olha, amiga, eu já estou rezando para que isso aconteça, você vai estar preparada para parecer uma mulher para ele.
— Eu não vou conseguir tirar essa ideia da sua cabeça, vou? — ergui uma sobrancelha e ela balançou a cabeça, contendo um sorriso. Dei os ombros, afirmando com a cabeça de que ela poderia sim comprar a lingerie e se jogou para cima de mim, comemorando, me fazendo dar risadas.

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A sexta-feira tinha chegado mais rápido do que eu esperava.
Era possível que minha melhor amiga estivesse mais ansiosa que eu para o final de semana porque a minha insegurança não estava me deixando ficar tão ansiosa quanto eu gostaria.
havia comprado a maldita lingerie. Não só comprou uma, mas duas e uma camisola de seda, me obrigando a enfiar tudo dentro da minha pequena mala. Tive que perguntar Harry como estaria o clima do lugar e ele me deu a pista de que não iriamos para tão longe e que deveria estar ameno igual o de Londres, já que o verão havia começado. Fiquei feliz com a dica e coloquei algumas roupas mais tranquilas para a viagem que eu ainda não tinha a menor ideia para onde seria.
— Ele vem te buscar? — questionou, tirando os olhos de Harvey Specter para me encarar.
— Ele falou que chegaria às 20h. — respondi, também prestando atenção na série. Nós estávamos tão concentradas que ambas sobressaltamos quando o interfone tocou. deu risada da minha cara enquanto eu ia atender e Harry dizia que fazia questão de subir para poder me ajudar com a mala, embora eu tivesse dito que não estava tão pesada. Era só um fim de semana, não precisava de tantas roupas, não é?
— Ai, não acredito que eu vou conhecer o Príncipe! — exclamou animada quando eu voltei para sala e eu rolei os olhos — Príncipe e namorado da minha amiga. Que emoção!
— Ele não é meu namorado. — falei, mas antes que ela pudesse responder a campainha tocou e eu caminhei até a porta para abrir. Sorri ao ver Harry parado do lado de fora com seu segurança a alguns passos dele, como sempre. — Oi.
— Boa noite, senhorita. — ele riu, depositando um beijo na minha bochecha — Pronta para o fim de semana?
— Ansiosa para descobrir para onde você vai me levar. — ri fraco — Só preciso pegar a minha mala. — respondi, voltando para o apartamento e ele entrou junto comigo. continuava parada no mesmo lugar, apenas observando a cena, como se esperasse o momento oportuno para falar. — Ah, essa é , minha amiga que mora comigo. , esse é o Harry.
— É um prazer conhecê-la. Escutei muito sobre você. — Harry riu, estendendo a mão na direção dela e sorriu sem graça.
— É uma honra conhecer você... — ela respondeu antes de olhar de Harry para mim — Eu deveria me curvar?!
— Não. — ele respondeu antes de dar uma risada pela pergunta dela — Só se curve em frente a minha avó.
— Sua avó que no caso é a Rainha. — minha amiga pontuou e ele concordou com a cabeça, como se aquilo fosse óbvio.
— Mas, antes de ser a Rainha, ela é minha avó. — ele deu os ombros, como se não fosse grande coisa o título que a avó dele carregava e eu tive vontade de dar risada daquilo. — Enfim, podemos ir?
— Claro, claro. — sorri, puxando minha mala de rodinha e ele a tomou da minha mão caminhando em direção a porta para entregá-la a Dave. Dei um abraço em , que me desejou boa sorte baixo no meu ouvido e eu sorri antes de caminhar para a porta também.
— Tchau, . — Harry acenou e eu fechei a porta atrás de nós, colocando a chave do apartamento dentro da minha bolsa. — Sua amiga é engraçada. — ele comentou quando entramos no elevador e eu dei risada.
— Ela é uma figura! Nos conhecemos desde que éramos pequenas. — Harry concordou com a cabeça, parecendo interessado em saber mais sobre minha amizade com . Contei um pouco enquanto caminhávamos até o carro, mas eu estava mais interessada em saber para onde iríamos. — Você não vai mesmo me dizer para onde estamos indo? A minha ansiedade agradece. — reclamei, recebendo uma risada em resposta.
— Por enquanto, posso te dizer que estamos à caminho do aeroporto de Birmingham, mas esse não é nosso destino final. — rolei os olhos com a resposta dele.
— Nós vamos sair da Inglaterra? — questionei, mas tudo que recebi em resposta foram os ombros dele se movimentando para baixo e para cima, como se não soubesse. Resmunguei, o fazendo dar risadas.
— Fique tranquila. Esse fim de semana tem tudo para ser incrível. — Harry piscou na minha direção e eu senti todos os pelos do meu corpo se arrepiarem naquele momento.
Prendi a respiração por alguns segundos, agradecendo pelas compras que minha amiga tinha feito para mim e sentindo toda a insegurança tomar conta de mim por conta daquele final de semana.
E olha, que o fim de semana nem tinha começado ainda.


five.

“Quando maior a mentira, maior é a chance de ela ser acreditada.”


O carro passou pelos portões de ferro e os campos verdes da Escócia entraram no meu campo de visão, mostrando que já tínhamos chegado ao nosso destino. Ao meu lado, dormia com a cabeça no meu ombro desde que havíamos entrado no carro quando saímos do aeroporto, com uma respiração calma.
... – chamei-a, calmamente, para não a assustar e aos poucos ela abriu os olhos, parecendo se acostumar novamente com o lugar onde estávamos.
— Já chegamos? – ela levantou a cabeça do meu ombro, voltando a se sentar corretamente no banco e passou as mãos pelo rosto, na tentativa de espantar o resto do sono. Não precisei responder sua pergunta porque ela voltou sua atenção para a janela do carro, certificando-se logo de onde nós estávamos. – Balmoral? – indagou, com um sorriso e uma expressão de surpresa no rosto.
— Balmoral para o fim de semana. – respondi, sorrindo de volta e Dave abriu a porta do
carro para que eu pudesse sair. Virei-me para ajudar a sair do carro também e assim que virei meu olhar para a escada que dava na entrada do Palácio, pude ver Larry caminhando em nossa direção.
— Alteza. – Larry se curvou na minha direção antes de estender sua mão para que eu pudesse apertá-la. Ele era um dos funcionários mais antigos do castelo e era o responsável por cuidar de tudo. – Como está? Faz muito tempo que o senhor não aparece por aqui.
— Estou bem, Larry. É verdade, tem muito tempo mesmo. – ri sem graça. – Essa é , que veio passar o fim de semana aqui comigo. , esse é Larry, o melhor e mais antigo funcionário do Palácio.
— É um prazer conhece-la, senhorita. Espero que goste de sua estadia por aqui. – Larry cumprimentou com um aperto de mãos.
— Tem um visual lindo. – ela respondeu, encarando os gramados verdes ao redor do palácio e eu concordei com a cabeça. Balmoral era realmente muito bonito.
Larry anunciou que nos levaria até nosso quarto e pegou nossas malas, andando em nossa frente. Passamos pelos corredores e olhava para todos os detalhes, como se tentasse perceber tudo que tinha no Balmoral de uma vez só.
— Sua avó não vem para cá no verão? – ela questionou em um sussurro e eu concordei com a cabeça.
— Ela só chega na próxima semana. – respondi, dando os ombros e nós paramos em frente a uma porta branca. Larry abriu a mesma para que nós pudéssemos entrar e eu dei passagem para que entrasse antes de mim.
O quarto era dividido em duas partes: uma antessala com duas poltronas e uma pequena mesa; e a outra parte onde ficava a suíte. No todo, fazia a mescla do passado com o presente, já que apesar das paredes e quadros antigos, tinha os móveis mais recentes.
— Edward avisou tudo? – questionei, num tom mais baixo, a Larry enquanto levava sua mala para dentro do quarto. O velho senhor a minha frente sorriu e confirmou com a cabeça.
— Sim. Às 19 horas estará tudo pronto para vocês. – sorri, apertando a mão de Larry mais uma vez e ele abaixou a cabeça, antes de começar o caminho de volta pelo corredor. Fechei a porta e puxei minha mala em direção ao quarto também, encontrando em frente a uma das janelas do quarto, encarando a vista.
— Tem problema para você se nós ficarmos no mesmo quarto? – perguntei, deixando minha mala próxima ao armário e ela virou o rosto para me encarar, negando com a cabeça.
— Sem problema. – sorriu, olhando para a janela mais uma vez. – A vista daqui é linda!
— É mesmo. – concordei, me sentando na cama para tirar meus sapatos. – Depois do jantar, podemos caminhar lá embaixo. Tem um jardim todo trabalhado pelo meu pai quando ele vem para cá.
— Me parece uma boa ideia. – ela sorriu, concordando com a cabeça. – Você costuma vir aqui com frequência?
— Quando eu era criança, eu vinha mais. – confessei, vendo os olhos castanhos de me encararem, esperando que eu continuasse a falar. – Minha mãe gostava de vir para cá no verão e era bem legal. Will e eu podíamos andar a cavalo, tínhamos um espaço maior para correr e brincar. – observei sorrir, parecendo um pouco maravilhada e surpresa, na minha direção.
— Você quase nunca fala dela. – ela sorriu fraco. – Como ela era?
— Minha mãe? – perguntei, de forma óbvia, e vi concordar com a cabeça. Suspirei, me arrumando melhor na cama e me encostando na cabeceira. – Ela era uma mulher incrível. – resumi, sorrindo de forma involuntária. – Ela tinha uma luz e sempre foi uma ótima mãe para nós dois. Ela era a parte que nos fazia colocar os pés no chão e nos trazia segurança quando as pessoas ao redor de nós esqueciam que nós éramos crianças. Sem contar o trabalho e a gentileza que ela tinha com as pessoas que ela conhecia nos eventos ou nas viagens que fazia.
— Sempre ouvi coisas boas dela. – sorriu. – Ela sempre me pareceu um bom exemplo de mãe e de mulher.
— Ela era. – passei minhas mãos pelo rosto para esconder as lágrimas que queriam escorrer.
Falar sobre minha mãe sempre foi um assunto delicado para mim, mas com o passar do tempo, eu aprendi como lidar não só com a falta dela, como a falar de forma mais aberta sobre ela. Com quase 31 anos, era muito mais fácil e um pouco menos doloroso falar dela do que quando eu tinha 20 anos e queria apenas fazer burradas na minha vida.
— Podemos descansar um pouco da viagem? – perguntei, já me deitando na cama e soltou uma leve risada, caminhando até sua mala. – Temos um jantar hoje e eu acho que ele será especial.
— Especial? – ela ergueu as sobrancelhas, se mostrando confusa e eu concordei com a cabeça com um pequeno sorriso no rosto. – Tem algum motivo?
— Descanso primeiro, senhora Thompson. Diferente de alguém aqui, eu não dormi a viagem inteira. – murmurei, vendo-a coroar antes de me acompanhar na risada.
— Tudo bem. Eu vou trocar de roupa. – anunciou, entrando no banheiro do quarto já com uma muda de roupas em suas mãos e eu concordei, me ajeitando melhor na cama para que houvesse espaço suficiente para ela se sentir confortável também.


— Está pronta? – questionei, ajeitando o meu paletó e esperando uma resposta de .
— Só mais alguns minutos. – ela respondeu e eu soltei um suspiro, tirando o celular do bolso e abrindo um aplicativo de jogo qualquer para me distrair.
Era tanto tempo sem uma namorada, que eu havia me esquecido quanto tempo as mulheres demoravam para se arrumar. Ri comigo mesmo, me sentando na poltrona de couro da antessala do quarto para aguarda-la enquanto torcia para que ela não demorasse tanto ou meu estômago reclamaria logo pela demora.
— Pronta! – a voz de me despertou do jogo bobinho que tinha minha atenção, fazendo com que eu levantasse meu olhar. Passei os olhos por , sorrindo um pouco surpreso por vê-la usando um vestido e estar com os cabelos presos em um coque, mas com alguns fios caídos pelo rosto.
Prendi um suspiro em minha garganta, me levantando e guardando meu celular de volta no bolso do meu paletó, enquanto ainda a analisava. Ela não usava muita maquiagem ou, aparentemente, não usava nenhuma, mas eu não soube definir no momento. Só sabia que ela estava linda.
— Você está linda. – sorri, depositando um leve beijo em sua bochecha e coroou levemente antes de sorrir para mim.
Abri a porta do quarto para que ela pudesse sair e fechei a mesma atrás de mim quando eu saí de dentro do quarto, caminhando pelo corredor com ao meu lado.
— Nós vamos jantar primeiro ou ir primeiro ao jardim? – ela perguntou enquanto descíamos a escada e eu dei os ombros, virando-me para encará-la.
— O que acha melhor?
— Gostaria que fossemos ao jardim primeiro. – concordei com a cabeça. – Sempre ouvi coisas boas sobre os jardins que seu pai cultiva.
— Ele é apaixonado pelas flores. – ri fraco. – Se um dia viermos aqui e ele estiver também, finja que eu não te levei para conhecer o jardim e ele vai te dar um passeio de mais de uma hora falando sobre as flores daqui.
Chegamos ao grande salão onde ficava a mesa de jantar e Larry já nos esperava, pronto para nos guiar para onde Edward havia pedido para que colocassem a mesa. O bom de ter um secretário para cuidar de todo esse relacionamento, era que eu não precisava me preocupar com quase nada além de fazer se apaixonar. Os detalhes mínimos eram por conta de Edward e Jacob.
— Larry. – o chamei. – Vou levar para uma volta no jardim e depois nós voltamos para o jantar.
— Ok, senhor. Tenham um bom passeio. – acenei com a cabeça, oferecendo meu braço para que o segurasse e segui caminho para fora do Palácio. Do lado de fora, ao lado esquerdo começava o pequeno grande jardim que meu pai cuidava todas as vezes que vinha à Balmoral.
se separou de mim para observar algumas flores e eu fiquei parado um pouco mais afastado. O jardim era, realmente, muito bonito, mas vê-lo desde pequeno conseguia o tornar um pouco monótono.
— Você tem alguma flor preferida? – questionei, vendo-a se abaixar para tentar sentir o aroma de algumas e ela se virou na minha direção.
— Eu gosto muito de Tulipas. – confessou, apontando para algumas coloridas que haviam perto dela e eu sorri. – Você pode dar parabéns ao seu pai. – ela comentou, voltando para próxima de mim. – É um belo jardim.
— Não tão belo quanto você. – respondi a primeira frase de efeito que apareceu na minha cabeça e quando vi curvar a cabeça para o lado de maneira mais tímida, tive certeza que estava no caminho certo.
— Você só está sendo gentil... – ela murmurou, dando os ombros e eu neguei com a cabeça.
— Na verdade, não. – suspirei, pensando por alguns segundos se eu deveria mesmo fazer aquilo. Me sentia mal não só por estar engando outra pessoa, mas por tentar enganar a mim mesmo. – ... Já estamos saindo juntos há quase três meses e, eu não sei você, mas eu já não tenho mais dúvidas do que eu quero. – sorri, tentando passar veracidade para ela. – Eu quero namorar com você. E quero saber se você se você quer namorar comigo?
piscou algumas vezes antes de levar as duas mãos para cobrir um sorriso que surgiu em seus lábios. Continuei a encarando, esperando uma resposta, mas ela parecia tão absorta no pedido que ainda não havia me respondido.
— Sim! Oh, Harry. – ela sorriu, se aproximando ainda mais de mim e eu selei nossos lábios em um beijo calmo.
Em outras circunstâncias, todo o ambiente que eu havia criado para aquele momento teria me deixado feliz, mas naquele momento eu só conseguia me sentir sujo por estar usando ela. Embora fosse linda e, pelo que eu estava conhecendo, uma jovem mulher incrível, aquele não era o jeito que eu queria estar fazendo as coisas.
Eu não podia negar que ela era muito bonita e que, de certa forma, eu me sentia um pouco encantado por estar ajudando a crescer. Mas ainda, conseguia me sentir horrível por estar fazendo tudo aquilo.
Parti o beijo, deixando nossas testas próximas e abri meus olhos, vendo-a com um sorriso nos lábios e os olhos fechados.
— Obrigada, Harry. – ela murmurou e eu balancei a cabeça, um pouco confuso pelo agradecimento. – Pelo fim de semana.
— O fim de semana mal começou. – ri fraco.
— Mas eu tenho certeza que a surpresa principal você já me adiantou. – ela riu, me dando um selinho e eu concordei com a cabeça. Era verdade, aquela era a surpresa de todo o fim de semana.
Sorri em resposta, entrelaçando nossos dedos e caminhando de volta para dentro do Palácio. Minha barriga já dava altos indícios de fome e eu só conseguia pensar em comida naquele momento.
— A propósito, daqui a duas semanas, um amigo meu, Guy, vai se casar nos Estados Unidos. Você aceita ir comigo? – perguntei, enquanto um funcionário nos servia e vi arregalar os olhos em surpresa.
— Casamento dos seus amigos?
— É. O Guy vai se casar com a Lizzie. Mais alguns amigos meus vão estar lá também, além do Will e da Kate, mas nada demais. Não precisa se preocupar. – sorri, tentando passar confiança para ela.
— Tudo bem. Eu só preciso encontrar um vestido. Acho que não tenho um vestido para uma ocasião dessas. – ela murmurou, como se falasse a segunda parte mais para si do que para mim.
— Não é um casamento real, . – respondi, a tranquilizando. – Tenho certeza que você deve ter algo guardado no armário.
— Não sou muito convidada para festas. – ela confessou num tom mais baixo.
— Sério? Eu não acredito. Então, você não ia a festas da faculdade? – ela negou com a cabeça, terminando de mastigar a comida que havia colocado na boca para me responder.
— Só as que me obriga a ir, mas eu sempre consigo fugir no meio delas. – ela riu fraco – Prefiro ficar em casa, mais sossegada.
— Eu gosto de ficar em casa, mas festejar é muito bom. – ri, me lembrando rapidamente de algumas das festas que ia e não me senti errado por sentir falta disso.
— As melhores festas iam parar no The Sun, não é? – fingi estar chocado com o comentário dela e ergueu os braços, em sinal de rendição. – Desculpe.
— Tem umas que foram melhores do que essas e nem foram para a capa. – fingi uma cara triste, arrancando mais risadas dela.
Passamos o resto do jantar conhecendo mais um do outro. Eu fazia mais perguntas porque tinha colocado na minha cabeça que se eu estava para me casar com alguém que eu não estava apaixonado de verdade, eu deveria, pelo menos, fazer de tudo para me tornar o melhor amigo dela.
Portanto, eu prometi a mim mesmo que iria ouvir e saber o máximo possível sobre . Se eu não conseguisse nutrir um sentimento de amor verdadeiro por ela, eu teria o de amizade e aquilo poderia ser o suficiente para alguns anos de casado. E era tudo o que eu precisava.

Me deitei na cama, sentindo meu corpo relaxar por toda tensão da viagem e do primeiro passo que eu tinha dado com . Eu ainda tentava buscar algum lado bom na história toda, mas nada aparecia ainda para mim.
Inspirei e expirei, soltando o ar todo de uma vez, e peguei meu celular para checar as novas mensagens. Tinha ficado tão concentrado no fim de semana com , que nem tinha checado o aparelho ou sequer sabia do que estava acontecendo em Londres.
Haviam algumas mensagens de Edward sobre minha próxima turnê, mensagens do meu irmão com alguma nova gracinha que meu sobrinho havia aprendido e uma mensagem de Thomas sobre a despedida de solteiro de Guy. A última eu respondi rapidamente, confirmando presença no Helt. Um pouco de cerveja com meus amigos era mais do que necessário.
O barulho da porta do banheiro sendo aberta, me fez tirar os olhos da resposta qualquer que meu amigo me enviava para ver uma timidamente linda sair de dentro do banheiro.
— A... Algo de errado? – ela me encarou, passando a mão pelo rosto, como se tentasse descobrir o que eu encarava e eu soltei uma risada fraca, balançando a cabeça.
— Não... – sorri. – Eu só estava admirando.
Para evitar que eu visse os tons avermelhados de seu rosto, ela se apressou para colocar o vestido que usava antes na mala e pegou o celular em cima da escrivaninha do quarto – provavelmente, para responder algumas mensagens também.
Bloqueei a tela do meu celular, o deixando sobre minha barriga e deixei meus olhos seguirem para a direção dela. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, mas estava conseguindo se superar nesse fim de semana.
Não que ela não fosse bonita. era uma moça bonita e, apesar da timidez, deveria ter homens correndo atrás dela a qualquer custo. Mas, ela também me parecia pura e tímida demais. Não era comum que eu visse usando vestidos e muito menos se mostrando mais segura de si como nesta viagem.
— Harry? – a voz dela me chamou e eu balancei a cabeça, tirando os olhos de suas pernas para encará-la mais uma vez. – Tem certeza de que está tudo bem? Você está me encarando.
— Está... Está sim. – sorri, passando segurança e ela caminhou para o outro lado da cama, deixando o celular sobre o criado-mudo e sentando-se ao meu lado. – Desculpe. É só que você me parece diferente.
— Diferente? – ela ergueu a sobrancelha, um pouco surpresa ao me ver concordar com a cabeça. – Isso é ruim?
— De jeito algum. É um diferente bom. – balancei a cabeça de maneira positiva, me aproximando dela para selar nossos lábios.
Eu pude sentir minha cabeça rodar por alguns minutos enquanto os lábios dela tocavam os meus e não era de uma forma negativa.
Levei uma das minhas mãos para a cintura de , a trazendo para mais perto de mim e acelerando um pouco mais o beijo. Meu corpo me fazia questão de lembrar que eu ainda precisava respirar, mas eu não me importei muito com isso.
Era estranho, mas parecia que eu precisava daquele momento.
Oh, Deus. Não pode ser.
Atendendo ao beijo do meu corpo, desci meus lábios para o maxilar da morena a minha frente, distribuindo beijo pelo queixo e pescoço dela. Pude ouvir o som de sua respiração mais falhada, demonstrando que ela também estava curtindo aquele nosso primeiro momento e sorri internamente.
— Harry... – a voz sôfrega de me trouxe a realidade mais uma vez. Me afastei um pouco de sua pele para poder encará-la e ela sorriu parecendo envergonhada por ter parado o momento. – Podemos ficar por aqui?
Estava aí uma coisa que eu não estava acostumado a ouvir. Afirmei com a cabeça, passando a mão pelo meu rosto e dei um selinho mais demorado.
— Quando você estiver pronta, . – sorri, passando segurança e me recostei na cama, deitando a cabeça no travesseiro, vendo-a fazer o mesmo de frente para mim com um leve sorriso no rosto.
A última coisa que eu lembro é que ela havia murmurou um obrigado na minha direção e eu sorri de volta.

xxx

— O que vocês fazem quando vêm para cá? – perguntou enquanto terminávamos de almoçar.
Pela manhã, seguimos o roteiro que Edward havia planejado e fizemos um passeio de carro pelas redondezas de Balmoral, além de ir até o centro. Não foi nada de tirar fôlego e admito que ver a paisagem toda apenas de carro me pareceu um pouco chato, mas e eu conseguimos nos divertir um pouco com tudo.
Agora estávamos terminando o almoço e procurando alguma coisa para fazer pela tarde, já que o voo de volta para Londres seria somente a noite para que nós pudéssemos curtir os dois dias inteiros em Balmoral.
— Você já andou a cavalo? – questionei, vendo-a negar com a cabeça com os olhos arregalados. – Nós costumamos fazer isso, além de caçar. Porém, a caça é algo mais para o meu avô, então deixe para que um dia ele te mostre.
— O Duque de Edimburgo gosta de caçar? – riu, como se não acreditasse e eu concordei com a cabeça.
— Ele gosta de caçar e de ser um pouco rude, mas com essa segunda parte nós todos estamos mais acostumados. – ri fraco. – E há uma pequena tradição na família. Se você vier para cá quando o restante de nós estivermos, você terá que participar da caça com ele.
— Ai meu Deus. – ela riu, tampando o rosto com uma de suas mãos. – E o que o seu avô gosta de caçar?
— Pássaros. – arregalou os olhos, totalmente chocada e eu dei os ombros. — Mas não precisa se preocupar com isso agora. Se preocupe com isso quando vier para cá um dia que toda a família estiver.
— Eu realmente não consigo imaginar Catherine, a Duquesa de Cambridge, caçando.
— Ela participou uma vez. – eu dei risada, me lembrando da primeira vez que Will e Kate se juntaram ao restante da família para alguns dias em Balmoral e de como o vovô conseguiu fazer com que Kate participasse da caça junto com meu pai, tio Andrew e William. – Ela deu alguns tiros para o alto porque ela se recusava a matar algum pássaro. Acho que não preciso te dizer como o Duque de Edimburgo reagiu.
— Me parece uma boa tática. Quando eu precisar, irei fazer isso também. – sorriu, balançando a cabeça. – Mas voltando ao assunto principal, nós vamos andar a cavalo?
— Ah, sim. Eu pedi para que Larry preparasse dois para que a gente pudesse ir até o lado oeste num rápido passeio. Tem uma bela vista do pôr do sol.
— Boa ideia. – ela sorriu, deixando seus talheres sobre o prato e me encarou. – Já podemos ir?
Fomos em direção ao estábulo para que pudéssemos pegar os cavalos que haviam sido preparados para o nosso passeio e eu ia dando algumas dicas para como comandar o cavalo, já que ela nunca havia feito aquele passeio antes.
— Promete que eu não vou cair? – ela pediu sem graça e eu dei os ombros, depositando um rápido beijo em sua bochecha.
— Você não vai cair. – falei, ajudando-a a montar e a segurar as rédeas como eu havia dito. Fui em direção ao meu cavalo e subi também, apertando a rédea para que ele começasse a se movimentar. Sorri ao ver conseguir fazer o mesmo com o seu e em poucos minutos nós já estávamos cavalgando em um ritmo devagar.
Cavalgamos por alguns minutos e eu procurei sempre me certificar se estava tudo bem com ela, mas parecia bastante tranquila para quem estava fazendo aquilo pela primeira vez e parecia estar realmente gostando.
Quando chegamos ao local certo, desci do cavalo e ajudei-a a fazer o mesmo. Encarei meu relógio, que indicava que faltava alguns minutos para o fim do dia. Enlacei meus braços na cintura de , sorrindo em sua direção.
— Gostou do fim de semana? – questionei, vendo seus olhos brilharem na minha direção.
— Está brincando?! – ela riu, desacreditada. – Foi o melhor que eu já tive. Obrigada, namorado.
— Nós merecemos. – sorri, sentindo ela se aproximar de mim para um beijo. Coloquei minhas mãos em seu rosto, segurando-o carinhosamente e aprofundei um pouco mais o nosso beijo.
E na minha cabeça, eu jurei para mim mesmo que isso tudo era apenas minha carência e tensão sexual por estar há quase quatro meses por causa daquela ideia de casamento.
Nada demais, Harry, repeti mais uma vez o novo mantra que eu havia criado em minha cabeça.


six.


“A mentira é muitas vezes tão involuntária como a respiração.”


.

Tinha chegado tão tarde no domingo que escolhi não colocar o despertador para tocar para a primeira aula. Me dei o direito de dormir por mais algumas horas e ir para apenas para a segunda aula e passei toda manhã com uma amiga curiosa no meu pé para saber de todos os acontecimentos do fim de semana.
— Quando a gente estiver em casa, Hail, por favor. – murmurei, não querendo falar sobre o Príncipe Harry no meio do campus da universidade e nem ver minha amiga surtando pelo o que eu contava na frente de todos.
Impaciente e contrariada, minha amiga acabou concordando e eu me dei por aliviada por ainda ter mais algum tempo com aquela sensação de ser namorada de Harry. Eu confesso que ainda era estranho me chamar – ou chama-lo – dessa forma, mas eu podia me acostumar com isso.
O fim de semana havia sido incrível. Harry havia se aberto comigo sobre sua mãe, eu tinha contado sobre a minha infância e nós tínhamos compartilhados mais algumas histórias de nossas infâncias – é claro que as dele era foi um pouco mais rígida do que a minha, mas ainda foi legal saber mais da infância dele por ele. Eu só sabia o que a minha mãe me contava no tempo que trabalhou para a família.
Ele também havia sido gentil todo o fim de semana. Não que eu não imaginasse que ele fosse, mas o fato dele ter me deixado segura e não ter forçado nada, era algo que me deixou mais aliviada. Ele era, sem dúvidas, um Príncipe.

, estamos quase chegando em casa. Por que não começa a contar logo? – murmurou pela milésima vez no caminho da universidade até em casa e eu rolei os olhos para a curiosidade da minha amiga, mas eu entendia. Se fosse ao contrário, eu provavelmente estaria da mesma forma para saber o que tinha acontecido.
— Por isso mesmo. Se já quase estamos em casa, podemos esperar. – pisquei em sua direção, entrando no elevador e apertando o botão para o nosso andar e escutando a loirar reclamar atrás de mim.
— Não é como você falasse o nome dele em público e todo o país ficasse sabendo que você passou um fim de semana com o Príncipe. – ela reclamou baixo e eu rolei os olhos mais uma vez. – Existem vários Harry famosos nesta nação.
— Me diga um que não seja o Príncipe e o Harry Styles. – pedi, cruzando os braços e esperando uma resposta dela.
— Harry Judd! – exclamou com um sorriso vitorioso no rosto e eu dei risada, me dando por vencida quando o elevador indicou que havia chegado ao nosso andar.
— Acho que você tem razão, mas o nosso apartamento é o nosso lugar de... – minha frase morreu assim que saímos do elevador e nos deparamos com Cooper parado na porta de nosso apartamento.
Pisquei algumas vezes apenas para ter certeza que eu estava vendo certo e que era realmente meu melhor amigo que estava na minha frente, mas o grito que deu ao meu lado me fez ter certeza que era ele sim. Cooper estava de volta?
— Ai meu Deus! – a loira ao meu lado disse no maior estilo Janice de Friends e eu contive uma risada, enquanto nós duas corríamos para abraçar nosso amigo.
— Você chegou hoje?
— Por que não nos avisou?
— Cadê o Lincoln?
— Voltou para ficar?
e eu disparamos as perguntas e Cooper alternava o olhar de uma para outra, um pouco confuso com a nossa animação. Ri, tirando a chave do apartamento do meu bolso para abrir a porta para que nós três pudéssemos entrar para conversar.
— Cooper, você pode começar nos contando como e porquê está de volta. – Hail disse, largando a bolsa em um canto qualquer e se sentando no sofá enquanto nosso amigo se acomodava no tapete felpudo da sala.
— Assim parece que você não está feliz por ver, Hail. – ele murmurou, colocando a mão sobre o peito e fingindo esta magoado com ela. Aparentemente, o drama ainda fazia parte dele.
— Claro que eu estou feliz. É só que nos falamos há dois dias e você não mencionou nada sobre voltar. – ela deu os ombros e eu me sentei ao seu lado no sofá.
— É, eu também estou curiosa. – sorri fraco, esperando a resposta dele.
— Não era o que eu esperava. – Conor riu fraco. – No começo até que foi bem legal, viver em um país diferente com o meu namorado e tudo mais. Só que Lincoln não era quem eu pensava, ou o amor que eu tinha por ele não me deixou perceber isso antes, eu não sei. Terminamos e algumas semanas depois eu fiquei sem emprego. Querida, se isso não é um sinal de que eu deveria voltar para o meu país e pedir desculpa para os meus pais, eu não sei o que mais poderia ser.
— Você voltou para a casa dos seus pais? – perguntei, um tanto quanto surpresa quando vi Cooper concordar com a cabeça.
Há quase um ano, Cooper havia conhecido Lincoln em uma festa da universidade. Os dois tinham se apaixonado absurdamente rápido e, em menos de dois meses, nosso amigo já estava fazendo as malas para se mudar para os Estados Unidos junto com ele.
Era surpreendente ele estar de volta, já que desde o início os dois viviam jurando amor um pelo outro.
— Enfim. – ele deu os ombros, alternando o olhar de mim para . – Quais são as novidades por aqui?
— Só fato da nossa amiga aqui – apontou para mim com o polegar. – ter passado um fim de semana inteiro com o Príncipe Harry e não ter me contado nada até agora.
O quê? – Cooper se apoiou no chão para me encarar com um sorriso escárnio nos lábios. – Você está namorando o Príncipe?
— Agora estou! – exclamei, animada, vendo os dois me encararem surpresos e felizes ao mesmo tempo. me abraçou de lado, me fazendo da risada de sua alegria por mim. – Foi tudo tão romântico! Nós fomos para Balmoral e ele me levou para conhecer o jardim que o Príncipe Charles...
Seu sogro. me corrigiu e eu dei risada, continuando o resumo da história.
— Ele me levou para conhecer o jardim que o Príncipe Charles cuida no Palácio e lá ele fez o pedido. Meu Deus, eu nem sabia o que dizer!
— Espere só o pedido de casamento. – Cooper disse num tom mais alto, fazendo comemorar ao meu lado e me fazendo sonhar um pouco mais alto.
Contive um sorriso ao me imaginar casando com Harry e me tornando sua esposa.

xxx

Harry.

— Esteve sumido. – Guy disse, me encarando por alguns instantes como se me examinasse. – Estava com a nova pretendente?
— Quando vamos conhece-la? – Zoe, a namorada de Jake, questionou me encarando.
Eu tinha o dia de folga, então fui para o apartamento de Jake para gastar algumas horas jogando Fifa e conversando sobre a semana, já que tinha alguns dias que eu não via os meus amigos.
— Queremos conhece-la, Wales. – Jake riu da careta que eu fiz.
— Eu a convidei para ir no casamento do Guy. Lá vocês poderão conhece-la e fazer a minha caveira para ela. – ri fraco, encarando Zoe. – Satisfeita?
— Estou pronta para contar seus podres. – ela piscou na minha direção, dando um gole na cerveja que segurava.
— Os podres do Harry foram parar nos jornais. Não tem graça! – Guy protestou, arrancando risada de nós três. – Então, é oficial? Ela deixou de ser pretendente e passou para o cargo de namorada?
— É, é. – dei os ombros. Por que eu estava me sentindo com vergonha de falar sobre isso com meus amigos?
— E como foi? – Zoe me encarou com seus olhos azuis cheio de esperança para que eu contasse, mas Jake cortou a alegria dela.
— Ah, não, Zoe. Nem pensar. Não quero saber os detalhes sórdidos da relação do Harry. – ele resmungou e eu lhe mostrei o dedo do meio.
— Nem deve ter sido romântico. – Guy desdenhou, me fazendo rir.
— Eu a levei a Balmoral para o fim de semana e tivemos um jantar especial pelo chef. Ah, e eu a levei para conhecer o Palácio, andar a cavalo e essas coisas... Simples.
— Brega. – Guy disse, bebendo sua cerveja.
— Ultrapassado. Você não fez isso com a Chelsy? Está sem ideias, Alteza? – Jake implicou, me fazendo dar risada.
— Eu achei fofo. – Zoe me salvou, mas escutou protestos dos outros dois homens da sala. – Quero conhece-la. Ela deve ser uma moça muito legal.
— Ela é. – sorri ao pensar em . Zoe tinha um estilo meio doido, mas eu tinha certeza de que as duas poderiam se dar bem quando se conhecessem. – No casamento do Guy, você vai conhece-la e ajudá-la a se enturmar.
— Claro que vou! Lara e eu vamos fazer de tudo para que ela se sinta segura entre nós. – ela sorriu e eu me senti agradecido pelas meninas pensarem em recebe-la bem. Saiba que Jake, Guy e Thomas também iriam trata-la bem, mas com todas as brincadeiras e piadas de duplo sentido, seria mais do que esperado que apenas coroasse na frente deles.
Com Zoe e Lara ela poderia se enturmar mais e arranjar alguns contatos no centro de amizade dele, já que sua prima e melhor amiga – por mais bobo que fosse para um homem de quase 31 anos ainda usar este termo – ainda torcia pela ex dele.
xxx


— Bom dia. – falei para Daisy assim que entrei na cozinha do meu apartamento para tomar meu café da manhã antes de ir para algum evento com Will e Kate. A empregada que aparecia uma vez por semana para cuidar da limpeza da minha casa, sorriu na minha direção.
— Bom dia, senhor. – ela abaixou a cabeça. – O senhor Fox-Lane está no escritório.
Encarei Daisy um pouco confuso por alguns minutos e peguei minha xícara de café em mão, seguindo em direção ao pequeno escritório do apartamento. Abri a porta dando de cara com Edward sentado em uma das confortáveis poltronas de couro, me aguardando com uma pasta e algo que parecia ser um jornal em mãos.
— Bom dia? – questionei um pouco inseguro e meu secretário não sorriu como de costume. Não me diga que em plena terça-feira já era possível ter alguma merda escrita sobre mim nos jornais?
— Você já checou a internet? – Edward nem se preocupou em ser educado e eu neguei a cabeça para sua pergunta, dando um gole na xícara que segurava.
— Acordei e fui me arrumar. Tenho um evento agora de manhã com Will e Kate... Você deveria saber disso, não é? – tentei quebrar o clima sério que estava instaurado no escritório, mas não pareceu funcionar muito.
Edward depositou o jornal em cima da mesa para que eu olhasse e eu deixei minha xícara sobre a mesa, não acreditando no que eu estava vendo.
Mais uma vez, e eu éramos o assunto principal do Daily Mail. E não era só isso, como pude notar ao ler o que estava escrito embaixo de uma grande foto nossa deixando o restaurante há algumas semanas. Tinha também a frase: “informações de uma fonte exclusiva” que me deixou sério.
— Cheque as informações que eles escreveram e me diga se são verdade. – Edward falou enquanto eu me sentava para poder folhear o jornal melhor. – Porque, se elas foram verdadeiras, Harry, nós temos um grave problema.
Suspirei, indo até a página 10 como mandava a capa para ler o que tinha sido escrito sobre e eu. Haviam encontrado algumas fotos dela que eu nunca tinha visto, além de mais uma foto nossa saindo do restaurante.
Procurei as informações que haviam sido dadas a publicação e senti todo o sangue do meu corpo ferver mais a cada frase que eu lia.

“Eles estãocada vez mais sérios.”
“O pedido de namoro foi bem romântico. Eles viajaram para Balmoral em segredo.”
“Imagine como será o pedido de casamento.”
“Foi um jantar para os dois, especialmente preparado pelo chefe do Palácio que serve apenas à Rainha. Eles visitaram várias áreas do Palácio.”
“Eles irão juntos ao casamento dos amigos de Harry, Guy Pelly e Elizabeth Donaldson na próxima semana. Podem esperar para ver ele apresentando a namorada para os amigos.”
“Ela sentiu-se nas nuvens com o pedido. Se eu fosse os adoradores da família real, já me preparava para ir as ruas para ver o casamento deles.”

— Então? – meu secretário indagou, me encarando. Joguei o jornal de qualquer jeito sobre a mesa, encarando Edward com raiva. Como eles poderiam ter descoberto tudo aquilo? Não era possível! Nem um dos meus amigos seria capaz de contar para o Daily Mail o que eu havia falado.
Eles são leais a mim.
— São verdade, Edward. – murmurei, contrariado e com raiva. – Como conseguiram publicar isso? Quando falam sobre nós, um primeiro exemplar não deve ser enviado para que a gente veja?
— A maioria das vezes, eles não fazem isso. – Edward deu os ombros e ao ver o meu olhar de completa raiva, decidiu continuar. – Quando sua foto em Las Vegas surgiu, eles não se preocuparam em publicá-la sem nos avisar. – ele suspirou, colocando as mãos sobre as têmporas. – Mas agora, precisamos focar em como eles descobriram sobre isso. Quem sabia que vocês iam viajar?
— Apenas a colega de apartamento de .
— Você acha que ela pode ter contado? – ele questionou e eu ponderei por alguns minutos. Não conhecia muito bem, mas ela deveria saber das minhas saídas com muito antes de estar estampado no jornal. Ela poderia ter contado antes sobre nosso relacionamento.
— Acho que não. Elas vivem juntas, acho que ela teria dado mais informações sobre as minhas visitas noturnas. – dei os ombros.
— Quando você voltou, Harry, com quem você falou?
— Meu pai, Will, Jake, Guy e só.
— Seu pai e William temos certeza que não foram. – Edward sorriu, concluindo o óbvio e eu rolei os olhos. – Confia no senhor Warren e no Pelly?
— Eu conheço o Jake desde que eu era criança. – respondi, sério. Minha mãe era amiga da senhora Warren desde antes de Jake e eu nascermos. Nós crescemos juntos e ele sabia de muita coisa sobre mim. – E Guy também é amigo do Will. Não acho que foram eles.
Edward suspirou, parecendo já um pouco cansado de bancar o detetive da história toda. Ele encarou a mesa e um leve sorriso, parecendo que ele havia chegado a tão esperada solução.
— Isso só nos leva a...
. – falamos juntos.
Ela não iria contar tudo sobre o nosso encontro para os jornais, iria?

Eu estava puto.
Tinha dobrado o jornal que Edward havia me levado de manhã em pedaços e colocado no carro para questionar sobre a reportagem que havia sido publicada ali.
Uma parte de mim não queria acreditar que ela era a responsável por aquilo, mas outra parecia querer suspirar de alivio caso ela fosse. Meu pai não iria deixar o relacionamento seguir em frente, se a cada passo que déssemos ela colocasse tudo na primeira capa do Daily Mail.
Eu ainda tinha uma chance de escapar.
— Está tudo bem? – Kate cochichou para mim entre uma brincadeira e outra com crianças com síndrome de down em uma das escolas especiais de Liverpool.
Eu respondi apenas acenando com a cabeça para minha cunhada, me esforçando o suficiente para focar naquela manhã divertida que estávamos tendo e não em como eu queria descobrir quem havia contado tudo para o jornal.
Assim que o evento terminou, eu nem me despedi de meu irmão e minha cunhada. Eu segui caminho para o meu carro, solicitando que Dave seguisse caminho para o apartamento de .
Eu precisava tirar essa história a limpo e era isso que eu iria fazer.
Talvez eu precisasse controlar um pouco a minha raiva.

Dave foi fazer sua ronda e se aproximou de mim, depositando um rápido beijo nos meus lábios. Nem esperei que meu oficial voltasse e entrei no apartamento, quase soltando fumaça.
— Aconteceu alguma coisa? – ela questionou, um pouco preocupada e eu esperei que Dave fizesse o caminho de saída do apartamento para poder finalmente falar o que estava guardado na minha garganta a manhã inteira.
Joguei a folha do jornal que estava em minhas mãos na direção de e ela me encarou confusa, antes de tentar ler o que estava escrito. Sua feição de surpresa me mostrou que talvez não tivesse sido que ela que tinha contado tudo para os abutres.
— Como eles sabem de tudo isso? – perguntei, pausadamente, tentando não explodir de uma vez e ela deu os ombros.
— Você está perguntando para mim?! – ela riu sarcástica. – Você que é o experiente de capas de jornais nessa relação. Você que deveria me dizer como eles sabem de tudo isso.
— Quem me garante que não foi você mesma quem contou? – ela riu incrédula e devolveu o jornal para mim.
— A troco de que eu faria isso agora? Eu poderia ter feito isso no momento que eu fui na Clarence House! – ela cruzou os braços na altura do peito, sustentando seu olhar raivoso na minha direção, mas eu não me deixei abater.
Só podia ter sido alguém do meio dela. Não era possível que fosse um dos meus.
— Se não foi você, então só pode ter sido aquela sua amiga. – rebati, apontando para qualquer canto da casa, mas a morena a minha frente rolou os olhos com o meu comentário.
— Por que teria sido a minha amiga e não um dos seus amigos?! – questionou e foi a minha vez de dar uma longa risada da pergunta dela. Não era possível que eu estava escutando aquilo.
— Só se eu fosse louco para desconfiar das pessoas que eu conheço há quase uma vida! – ri sarcástico. – Isso pode muito bem ser coisa da sua amiga. Aposto que você conta para ela tudo que se passa entre nós!
nunca faria uma coisa dessas. – ela falou num tom mais baixo, parecendo que estava tentando se acalmar e eu rolei os olhos. – Eu ponho minha mão no fogo por ela.
— Cuidado para não se queimar. – falei com a voz carregada de ironia e caminhei em direção ao apartamento.
— Veio aqui só para acusar a mim e a minha amiga? Se eu fosse você, eu olharia para os mais próximos de mim.
Não respondi. Saí do apartamento e coloquei toda a minha raiva na porta, batendo a mesma com força.
Dave, com todo seu treinamento, não estava perto da porta como de costume. Ele provavelmente havia escutado os gritos e tinha se afastado para o meio do corredor, na tentativa de não escutar nossa discussão.
Bufei de raiva, entrando no elevador e dei um soco na parede de metal do cubículo. Eu precisava descontar a minha raiva de alguma maneira e eu já sabia exatamente como seria.
Obrigado, Deus por hoje ser a despedida do Guy.
Cerveja e Helt era tudo o que eu precisava para livrar minha mente de toda raiva que me consumia naquele momento.


seven.


"Uma gota de mentira é o suficiente para provocar o caos no oceano".

- Ei, cara... — Jake tirou a garrafa de cerveja que o barman havia acabado de colocar em cima do balcão do meu alcance, fazendo com que eu o encarasse um tanto quanto surpreso com a atitude dele. Desde quando meu amigo era um estraga prazer? - Você está indo rápido demais, não acha?
- Jake, meu amigo, eu só estou aproveitando a despedida do Guy. — respondi, me esticando para pegar a garrafa da mão dele e quando consegui, sorri vitorioso antes de dar um longo gole. - Relaxa, Warren. Eu sei o que estou fazendo.
- Aconteceu alguma coisa? Tem tempo que você não bebe assim... - ele questionou com um semblante um pouco preocupado e sentou-se no banco vazio ao meu lado.
- Tem muita merda acontecendo, cara. - suspirei, colocando a garrafa sobre o balcão mais uma vez. - Mas nada que eu possa te contar. Eu vou ter que aprender a conviver com isso me corroendo e a lidar com a culpa. É a minha vida agora.
- Do que você está falando, Harry? - Jake arregalou os olhos, parecendo surpreso e chocado ao mesmo tempo. Suspirei mais uma vez, balançando a cabeça de forma negativa. - Pode me contar, cara. Sabe que não vai sair daqui...
- Não posso, Warren. Isso eu não posso contar para ninguém.
- É algo com a sua namorada? É sobre a Cressy? - rolei os olhos com a insistência de Jake, embora entendesse que ele estava preocupado comigo. Queria poder contar para ele o que estava acontecendo e pedir alguma luz sobre os últimos acontecimentos, mas eu sabia que não era possível. Eu tinha que lidar com isso sozinho.
- Warren, não. - falei num tom mais sério e autoritário para que meu amigo entendesse que eu realmente não podia falar sobre o assunto. Jake ergueu as mãos, como se dissesse que se rendia ao meu pedido, e eu quase suspirei pela terceira vez, mas por puro alívio.
- Você que sabe, cara. - ele deu os ombros, dando-se por vencido. - Se precisar...
- Eu agradeço. - peguei minha garrafa, erguendo-a um pouco para que nós brindássemos. - Aliás, cara... Eu preciso fazer uma pergunta, mas não quero que você pense que eu estou desconfiando de você ou de um dos nossos amigos...
- O que aconteceu?
- Saiu uma matéria no Daily Mail sobre o meu fim de semana em Balmoral com a .
Contei rapidamente para Jake sobre o que havia saído no jornal com o leve receio de meu amigo pensar que eu estava achando que algum deles seria o responsável por dar aquelas revelações. Confiava em Jake, Guy e Thomas demais e sabia que eles não seriam capazes de fazer algo desse nível, não depois de tantos anos de amizade.
- Cara... - Jake riu, parecendo desacreditado com o que eu tinha acabado de contar. - Posso garantir que não foi nenhum de nós, mas acho que você não está desconfiando, certo?
- Eu conheço vocês há uma vida! Não tem como pensar que vocês fariam uma merda dessas, ainda mais depois de tanta coisa que já passamos. Eu só consigo pensar que foi alguém do meio dela, se não ela mesma. - soltei o ar, passando a mão pelo cabelo.
- Eu não a conheço, Harry, mas eu imagino que ela não iria contar apenas agora. Se tivesse sido ela, iria ter informação desde o início sobre vocês dois. Sei lá, contando alguma coisa mais íntima, entende? - balancei a cabeça - Não culpe a garota. Só pede para ela tomar mais cuidado com os amigos dela.
- Talvez eu já tenha a culpado, mas valeu, Warren. - sorri, concordando com a cabeça e um Guy Pelly levemente alterado se aproximou de nós com um sorriso largo no rosto.
- Não acredito que vocês vão ficar de papinho na minha última noite de solteiro, caras!
- Foi mal, Guy! Já terminamos a conversa e agora vamos voltar a festejar. - Jake falou num tom tão animado quanto o do futuro noivo e se virou para o barman para pedir mais uma rodada de cerveja para nós enquanto ele comemorava nossa animação.
Brindamos quando recebemos novas garrafas cervejas e saímos de perto do bar para a mesa onde todos os amigos estavam.
xxx

Se tinha uma coisa que eu gostava de fazer era poder dirigir. Não era muito comum, já que Dave era responsável por me levar para os eventos e fazer minha segurança, mas sempre que eu tinha a chance, eu entrava no meu querido Audi para um passeio. Claro que com Dave e Jason na Rover atrás de mim por precaução.
No momento, eu me encontrava a caminho de Stradfort, mais precisamente para a universidade de .
Eu não sabia se era uma boa ideia aparecer na porta da universidade dela e nem se ela gostaria de me ver depois de como eu havia a acusado, mas torcia para que ela quisesse me escutar, pelo menos.
A maior parte de mim sabia, a parte que estava se permitindo conhecer melhor e aproveitar a companhia de , conseguia acreditar que ela não seria a responsável por aquilo. A outra parte que, embora fosse menor, ficava na minha cabeça como um bichinho negativo, ainda teimava em discutir mesmo após minha conversa com Jake. Porém, eu estava na forte tentativa de silenciar essa parte.
Fato é que se tivesse sido ela, ela teria muito mais para dizer além do fim de semana em Balmoral. Afinal, eu estava começando a me abrir de verdade com ela; estava sendo eu mesmo e isso podia ser um prato cheio para os jornais caso ela quisesse. Mas, ela não queria isso. Eu dizia a mim mesmo que não.
Cheguei a universidade e não precisou de muito para que eu conseguisse uma vaga no grande estacionamento da faculdade. Dave cuidou dessa parte, provavelmente alertando o funcionário que um membro da família real estava presente no local. Se não tivesse alardes, eu pouco me importaria.
Só uma coisa me importava naquele momento.
- O prédio dela é o segundo, Alteza. - Dave disse, parando ao lado do meu carro estacionado enquanto eu ajeitava um boné na cabeça e um óculos escuros para poder descer do carro. - O rapaz disse que as aulas terminam em cinco minutos.
- Obrigado, Dave. - balancei a cabeça e continuei no carro por mais alguns minutos, esperando até que as pessoas saíssem dos prédios.
Assim que as vozes altas surgiram, tomando conta do local que separava os prédios da universidade, eu saí do carro para procurar . Confesso que foi um pouco difícil encontrá-la em meio à multidão de pessoas que caminhavam pelo extenso gramado, mas logo Dave me mostrou onde ela estava.
- Fiquem aqui. - murmurei para Dave e Jason, pronto para caminhar na direção de , mas recebi um olhar receoso dos dois que me fez rolar os olhos. - Não são nem dez metros. Eu estou seguro. - afirmei, antes de começar a andar na direção de .
Ela conversava alegremente com , que foi a primeira a notar a minha presença. Poucos segundos depois, se virou na minha direção e me encarou com um olhar surpreso pela minha presença.
- Oi, . Oi, . - cumprimentei as duas e retirei meus óculos escuros para encarar melhor. - A gente pode conversar?
- Eu tenho que passar na biblioteca! - anunciou, se despedindo da amiga com um abraço e me dando um aceno antes de voltar para dentro de um dos prédios.
- O que você quer? - cruzou os braços e cerrou os olhos na minha direção, esperando que eu falasse o que eu estava fazendo lá.
- Podemos conversar num lugar mais... tranquilo? - perguntei e ela soltou um suspiro antes de concordar com a cabeça.
- Ok. Vamos para o meu apartamento, já que a vai ficar um tempo na biblioteca.
- Vamos para o meu carro. - falei, apontando para o carro estacionado a alguns metros de distância de nós. concordou com a cabeça e me seguiu até o local onde meu Audi estava parado. Ela cumprimentou Dave com um aceno e eu caminhei para abrir a porta do carona para que ela entrasse.
- Eles deixam você dirigir? - ela perguntou, um pouco surpresa após colocar o cinto e eu concordei com a cabeça, soltando uma leve risada. - Pensei que você andasse com o Dave a todo momento.
- Eu gosto muito de dirigir e, de vez em quando, eles me deixam fazer isso um pouco. - falei, dando os ombros.

- Pronto. - se sentou no sofá de seu apartamento, sustentando o olhar na minha direção. Esperei que Dave saísse e fechasse a porta do apartamento para que eu pudesse começar a formular meu pedido de desculpas.
Depois da conversa com Jake, eu tinha percebido que não era possível que fosse a responsável pela história dos jornais. Além de não parecer ser algo que ela faria, ela teria mais para revelar do que nossa noite em Balmoral.
Eu tinha agido como babaca, mas só tinha descoberto após conversar com o meu amigo. Eu não podia descontar em a frustração por ver coisas da minha vida indo parar no jornal - ainda mais quando ela não era aparentemente a culpada de tudo.
- Eu quero me desculpar. - falei, sentindo o olhar de em cada pequeno movimento meu. - Eu sei que fui um idiota com você, te acusando e acusando sua amiga, mas eu estava de cabeça quente. - suspirei - Não é fácil para mim ver a minha vida aparecendo no jornal e não saber quem foi o responsável por isso. E, depois de pensar com calma, eu soube que não poderia ter sido você porque não me parece nada com o que você tem me mostrado nos últimos meses. - pude ver sorrir fraco na minha direção. - Eu não vou te prometer não errar mais, mas eu te prometo sempre escutar você e não chegar aqui com pedras na mão, antes de ouvir a sua versão.
- É bom ouvir isso. - balançou a cabeça na minha direção. - Não foi nada bom ser acusada de algo que eu não cometi ou tampouco, minha amiga cometeu.
- Eu sei. - balancei a cabeça, me sentando ao lado dela no sofá. - Desculpado?
Rapidamente, se aproximou de mim no sofá, colando os lábios nos meus em um beijo que se iniciou mais lento. Era um simples beijo de carinho, para demonstrar que eu estava sendo desculpado.
Levei minhas mãos para a nuca dela, puxando-a para mais perto e aprofundando um pouco mais o beijo. Ela sorriu fraco entre o beijo, partindo-o por um instante para que nós dois pudessémos respirar.
O barulho da porta do apartamento se abrindo fez com que se afastasse de mim para encarar o local. Me virei também, encontrando uma - aparentando estar sem graça - entrando no apartamento com um Dave com sua feição fechada, olhando para dentro do apartamento.
- Atrapalhei? - questionou e respondeu com um aceno negativo de cabeça, me fazendo prender uma risada enquanto ela se levantava do sofá.
- A gente estava só conversando. - deu os ombros, sorrindo na minha direção e eu concordei com a cabeça. - E já estamos de bem. - ela informou a amiga, que sorriu antes de se virar para fechar a porta do apartamento.
- Isso é ótimo. Não é bom ser acusado de algo que você não fez. - deu os ombros, passando pela sala em direção ao corredor que levava aos quartos.
- Eu fiquei de cabeça quente, . - falei, chamando a atenção para mim. - Me desculpe também por ter acusado você. Eu sei que vocês não iam fazer uma coisa dessas. - suspirei. - É só que eu fui pelo óbvio, não é?
- Nem sempre o óbvio é o caminho correto, mas tudo bem. Você está desculpado e está tudo certo. Só trate bem a minha amiga. - ela sorriu fraco, seguindo pelo corredor e eu concordei com a cabeça, encarando mais uma vez.
Passei o restante da tarde no apartamento de . Eu estava me sentindo um pouco mais leve por ter conseguido fazer as pazes com ela. Eu ainda não conseguia distinguir muito bem os sentimentos que estavam dentro de mim, mas eu sabia que ter ao meu lado me fazia um bem que eu ainda não entendia.
xxx

- Mais alguma coisa por hoje, Edward? - perguntei para o meu secretário que estava sentado à minha frente. Ele, como sempre, digitava algumas coisas em seu iPad e levantou o olhar para me encarar.
- Só alguns detalhes sobre o Invictus Games aqui em Londres. Você já tem alguma ideia de quem vai chamar para ser o show de encerramento? - ele questionou.
O Invictus são jogos que eu havia criado e que contariam com participação de ex-soldados combatentes feridos ou doentes de vários países competindo em dez esportes. Era algo que eu realmente me orgulhava de ter criado e estava realmente animado para que ocorresse logo o primeiro evento.
- Pensei em convidar o Foo Fighters, mas ainda não decidi sobre isso. - falei, checando o horário no meu celular.
- Ok. Você pode convidá-los pessoalmente, creio que seria um convite melhor e mais fácil. Vou dar uma checada se eles farão algum show aqui no próximo mês. - concordei com a cabeça, sem tirar os olhos da tela do celular para saber se tinha alguma mensagem nova. - Está tudo bem, Harry?
- Sim, tudo certo. - suspirei, deixando o celular sobre a mesa e voltando a olhar para o meu secretário. - É só que tenho um encontro com a e já está quase em cima da hora.
- Encontro com a senhorita Thompson? Mas não havíamos marcado nenhum no calendário essa semana. - Edward murmuou, pegando novamente seu iPad para, provavelmente, checar minha agenda.
- Não, Edward. Não foi marcado por vocês, mas por mim mesmo. - falei, dando os ombros.
- Entendi. - Edward riu fraco, tentando esconder sua surpresa. - O senhor vai a Stratford hoje, então?
- Não. vem para cá porque tem o casamento do Pelly no domingo.
- Ah, correto. Havia me esquecido da viagem. - Edward balançou a cabeça. - Não quero soar invasivo, mas o senhor está gostando da companhia da senhorita Thompson, não está?
- Confesso que ela é mais agradável que eu pensei, mas também é necessário que eu goste da companhia dela. Não quero passar minha vida ao lado de uma pessoa que eu não suporto. Essa história tem que valer a pena. - dei os ombros, não querendo entrar muito em detalhes sobre meus sentimentos por . Esse ainda era um quesito muito escuro para mim. Eu não tenho ainda a distinção se eu estou me deixando levar por estar sem outra companhia feminina há quase cinco meses ou se eu realmente estou nutrindo sentimentos por ela. E nem quero me apressar para descobrir.
- Compreendo sua posição. - Edward sorriu amigável, entendendo que eu não queria me prolongar no assunto. - Terminamos aqui, então. Podemos continuar na terça-feira.
- Obrigado. - sorri, empurrando a cadeira para trás para poder me levantar e sair do escritório. Peguei meu celular, digitando uma mensagem para para saber onde ela estava e segui o caminho para o meu apartamento.

- Ok, cansei de assistir essa série. - murmurou, levantando-se do sofá do meu apartamento e caminhando em direção a cozinha. Ergui o controle, dando pausa no quinto episódio que assistíamos e a segui.
- O que foi? - perguntei, me encostando no balcão da cozinha e cruzando os braços. Desde que ela havia chegado no meu apartamento naquela noite, eu pude reparar que ela parecia um pouco nervosa. Primeiro pensei que fosse por minha causa, mas ela já estava bem mais habituada à minha presença do que antes.
- Não é nada demais. - ela deu os ombros e eu ergui a sobrancelha em uma pergunta silenciosa que a fez rolar os olhos. - Eu só estou nervosa, ok?!
- Com o quê? - perguntei mais uma vez, sem entender qual seria o motivo daquele nervosismo dela.
- Com o casamento dos seus amigos, Harry! Com o que mais seria? - ela rolou os olhos e soltou um suspiro, antes de continuar. - Além de não saber nada sobre eles, eu acho que eles não vão gostar de mim... Nós somos muito diferentes! E eu sou tímida.
- Não vai ter nada demais, . - falei, me sentando em uma das cadeiras da mesa de jantar e sentindo o olhar nervoso dela sobre a minha tranquilidade. - O que você quer saber sobre os meus amigos?
- Eu... Eu não sei. - ela suspirou mais uma vez. - Quem vai estar lá? Me fala deles.
- Jake e Thomas vão estar lá. Eu conheço o Jake desde que eu era pequeno porque nossas mães eram muito amigas e minha mãe tentou arranjar a mãe do Jake para o meu tio Andrew, mas não deu muito certo. - dei os ombros, me lembrando que quando meu tio me contou essa história. - E o Thomas, a gente chama ele de Skippy, eu conheço desde que estudei no Eton.
- De onde você conhece o Guy? - ela perguntou, parecendo ficar mais tranquila com o quanto eu ia me abrindo para ela.
- O meu irmão que me apresentou, na verdade. William e o Guy se conheceram no Eton também e são amigos desde aquela época.
- O Duque de Cambridge vai ao casamento, então?
- Ele vai, mas como William e não como o Duque de Cambridge. - prendi a risada quando vi o olhar que recebi. - , vou dizer mais uma vez, não há motivos para ficar nervosa. São só alguns amigos, meu irmão e minhas primas. É até uma boa oportunidade para você conhecer pessoas do meu meio de vida.
- É só que eu tenho medo de não me sair bem... Não sei. - ela deu os ombros mais uma vez.
- Se preocupar não vai adiantar nada. Aliás, eu já falei com a Lara e a Zoe, que são as namoradas do Jake e Thomas, elas vão te ajudar a se incluir, caso você precise. Mas, fica tranquila que ninguém vai te arrancar pedaço. - me levantei da cadeira e caminhei em sua direção para depositar um beijo em sua testa. - Vai dar tudo certo, ok?
- Ok. Obrigada. - ela sorriu e foi a minha vez de dar os ombros.
- Podemos voltar para a série? - antes que me respondesse o som da campainha ecoou pelo apartamento me fazendo rolar os olhos antes de seguir caminho para a sala para poder abrir a porta.
Com uma curiosa ao meu encalço, abri a porta da frente do apartamento e me deparei com um William sorridente.
- Will? - perguntei, confuso e sem me lembrar se havia marcado alguma coisa com ele.
- Eu tenho uma novidade para contar! - William exclamou animado, passando por mim rapidamente e, antes que desembestasse a falar, notou a presença feminina no meu apartamento. - Oh, desculpe. Não sabia que estava acompanhado! Eu estou atrapalhando?
- Não, de forma alguma. - respondeu por mim, negando com a cabeça apenas para afirmar mais uma vez e meu irmão sorriu na minha direção. - Se quiser, eu posso deixar vocês a sós e...
- Não precisa, . - murmurei prontamente, impedindo que ela saísse. - William, essa é , minha namorada. , esse é o William, meu irmão.
- Finalmente, estou a conhecendo. Já escutei falar de você. - meu irmão falou animado, cumprimento com um aperto de mãos e ela corou levemente com o comentário dele.
- Também já escutei falar de você, principalmente pela minha mãe. - sorriu e William alternou o olhar entre nós dois, se mostrando confuso com o comentário dela.
- Ela é filha da Nancy, nossa ex-babá. Não se lembra dela?
- Minha nossa! Nancy foi a babá mais divertida que nós tivemos. Mande minhas lembranças para ela. - ele sorriu saudosista e concordou com a cabeça.
- Agora, pode nos contar o motivo de sua alegria? - perguntei, curioso.
- Ah, sim... Quase me esqueci. - ele riu fraco. - Ainda deveria ser segredo, mas estou tão ansioso que pensei em vir logo contar... Catherine está grávida de novo!
Abri meus braços, abraçando William com um pouco mais de força e dei alguns tapinhas em suas costas afim de parabenizá-lo pela notícia.
- Parabéns, William. É uma bela notícia. - falou depois que o cumprimentou.
- Está tudo bem com Kate? - perguntei.
- Essa semana ela teve enjoos péssimos, mas nada comparado aos da gravidez de George. Mas, amanhã ela não vai poder viajar para o casamento porque o médico não liberou. Pensei em não ir, mas ela achou melhor que eu fosse mesmo assim para celebrar com Guy e Lizzie. - concordei com a cabeça. - Eu vim só te dar essa notícia. Não o vi a semana toda e não queria contar na viagem... - Will deus os ombros. - Mas é segredo. Vocês podem guardar isso por algumas semanas, não podem?
Afirmei em sinal de positivo com a cabeça e me aproximei para abraçar meu irmão mais uma vez. Ele e Kate não faziam segredos de que queriam uma família grande e eu ficava animado pelos dois.
Por alguns segundos, enquanto nos despedíamos de William, eu pensei em tudo que eu estava vivendo e na incerteza se eu seria capaz de formar uma família feliz como ele estava conseguindo.
William amava Catherine e ninguém podia negar. Eles construíam o que sempre buscavam para eles desde o tempo do namoro.
E a mim, restava a dúvida se eu conseguiria ter um futuro tão feliz ou se eu amaria , pelo menos, o suficiente para conseguir conviver com ela. A companhia era incrível, mas amar ainda era uma palavra muito forte e que eu não conseguia me ver usando para ela.


eight.


"A principal mentira é a que contamos a nós mesmos."

- Achei que estaria lotado... - murmurou ao meu lado depois que saímos do aeroporto de Boston e entramos na Rover que nos esperava do lado de fora para nos levar para o hotel onde ficaríamos hospedados.
- Eu te disse que não era um casamento de um chefe de Estado. - comentei, retirando meu óculos escuros e meu boné, deixando meus utensílios de disfarce jogados de qualquer maneira sobre o banco. - E os americanos não se importam tanto com a gente.
- Ou eles não sabem que vocês estão vindo para um casamento aqui. - ela disse como se a sua opção fosse a mais correta e eu acabei concordando com a cabeça.
Nossa presença no casamento de amigos particulares talvez não fosse tão importante para a imprensa - ainda mais sendo em outro país - e talvez nós pudessémos passar o fim de semana em uma paz longe dos abutres.
- É, talvez você esteja certa. - dei os ombros. - Tomara que eles continuem sem saber que estamos por aqui.
- Não acho que seja possível esconder por muito tempo a presença do Duque de Cambridge e do Príncipe de Wales em um casamento em Boston...
- Tecnicamente, esse Príncipe de Wales é o título do meu pai. - corrigi, vendo-a rolar os olhos e continuei. - E você pode chamar o meu irmão de William. Não precisa usar o título dele toda vez que for falar dele.
- Desculpe. - ela sorriu, mostrando-se um pouco envergonhada e eu dei os ombros, como se não fosse nada importante. - É meio estranho isso tudo para mim ainda.
- Nem me fale. - murmurei baixo, voltando meu olhar para a cidade de Boston que passava pela janela traseira da Rover como um borrão.
- Aliás, por que nós viemos em um voo separado dele e dos seus amigos? - a voz de me chamou e eu me virei para encará-la mais uma vez.
- Jake, Skippy, as meninas e minhas primas vieram ontem, na verdade. Eu tinha alguns detalhes do Invictus Games para resolver e ficaria difícil viajar ontem. - ele deu os ombros - E viemos separados do William para que ele não te enchesse de perguntas.
- Não fale assim. - ela balançou a cabeça para esconder o pequeno sorriso. - Seu irmão parece ser legal e ontem vocês pareceram ter uma ligação muito bacana. Meu irmão e eu não temos isso.
- Nunca diga ao William que acha ele legal, por favor. - falei, fingindo estar chocado com aquela informação. Eu já podia prever meu irmão completamente animado porque ela o achava legal. - E sim, nós temos uma boa relação. A morte da nossa mãe nos deixou mais próximos e fortaleceu o nosso elo. Só nós sabemos o que passamos sem ela e como precisamos um do outro em vários momentos, sabe? - ela concordou com a cabeça. - Quando conversamos, você me disse que Brandon é muito protetor...
- Ele é. - ela sorriu. - Mas nós não somos mais tão próximos e faz alguns anos que eu não o vejo.
- Podemos aproveitar os dias aqui para visitá-lo... - dei os ombros. - Acho que ninguém vai perceber se voltarmos para uns dois dias depois do esperado.
- Me parece uma boa ideia. - ela sorriu e nós sentimos o carro parando. Olhei pela janela, identificando o Belmond Hotel, nosso recinto pelos próximos três dias.
- Podemos falar sobre isso na segunda-feira. - falei e ela concordou com a cabeça.
A porta do banco de trás foi aberta e eu saí, sendo seguido de . Dave retirou nossas bagagens do porta-malas e nós seguimos para dentro do hotel para que pudessémos fazer o check-in.
- Os futuro senhor e senhora Pelly pediram para que entregássemos aos seus convidados o papel com os eventos até a cerimônia. - a loira da recepção sorriu para e eu, estendendo um papel plastificado em nossa direção. Peguei o papel para que pudesse dar uma olhada no que estava planejado. - Começa hoje às 19 horas com um jantar no restaurante lateral do hotel. Teremos funcionários para levá-los até o local, podem ficar tranquilos. - ela apontou no papel que eu segurava e eu concordei com a cabeça. - Desejamos uma boa celebração e estadia em nosso hotel. Qualquer coisa que precisarem é só telefonar para a recepção que estaremos prontos para atendê-los. - ela finalizou seu breve discurso, entregando a chave de nossos quartos.
- Obrigado, Tiffany. - sorri, pegando a chave dos quartos e me virando para entregar a de Dave e Maik. - Vamos? - falei para , que concordou com a cabeça e nós saímos da recepção em direção ao elevador.

Saí do quarto sem fazer barulho para que não acordasse. Depois de quase oito horas de voo e com a insegurança dela para o jantar, era mais do que necessário que ela tivesse algumas - muitas - horas de descanso.
Tinha mandado uma mensagem para Jake assim que fomos para o quarto descansar e havíamos marcado de nos encontrar - junto com Thomas - no lobby do hotel para conversarmos.
Apertei o botão para chamar o elevador e tirei meu celular do bolso do casaco para checar o horário. O apito do elevador e as portas metálicas se abrindo, chamaram minha atenção e assim que eu levantei meu olhar, vi Eugenie e seu namorado, Jack, do lado de dentro.
Sorri, entrando no cubículo metálico, sendo recebido com um abraço da parte da minha prima e de Jack.
- Pensamos que você chegaria ontem! Como está? - Jack perguntou com seu bom humor inegável.
- Tive que resolver algumas coisas em Londres e não pude vir ontem. - sorri fraco. - Estou bem e vocês? Como foi a viagem?
- Foi tranquila. - Genie deu os ombros e Jack concordou com a cabeça. - Onde está sua namorada? Encontrei com o Will hoje de manhã e ele disse que ela seria a sua companhia para o casamento.
- está descansando, mais tarde vocês irão conhecê-la. - tentei ignorar o tom de voz meio sarcástico da minha prima.
- Estamos animados para isso. - Genie piscou na minha direção e o elevador anunciou que havíamos chegado no térreo. Sorri para ela, concordando com a cabeça mais uma vez.
- Nos vemos mais tarde, então. - acenei um breve tchau e me virei, seguindo em direção ao lobby do hotel para encontrar Jake ou Thomas. Encontrei o segundo, acenando na minha direção e dei risada, indo na direção dos dois com Zoe sentada próxima ao namorado.
- Onde está sua namorada? - Zoe questionou assim que eu me aproximei dos três e eu fingi uma indignação.
- As pessoas só querem saber da minha namorada, agora. Eu estou bem, obrigado por perguntar. - ri fraco, abanando a mão no ar. - Ela está descansando por causa da viagem, mais tarde vocês todos poderão conhecê-la. Fiquem tranquilos!
- Ah, pensei que ela tivesse te dado um bolo. - Skippy murmurou divertido e eu rolei os olhos.

Passei o restante da tarde entretido com Jake, Thomas e Zoe, conversando sobre nossas vidas e sobre nossas expectativas para o casamento de Guy. Skippy já estava até fazendo previsões de qual de nós três se casaria primeiro, tendo como resultado Jake e Zoe.
Ri comigo mesmo, imaginando como eles provavelmente estavam errados com aquele palpite. Era mais do que certo que o próximo casamento do nosso grupo de amizades seria o meu com .
Não que eu quisesse que fosse, mas àquela altura, isso não importava mais. Eu tinha que me acostumar com o fato de que eu iria me casar em breve. Quando eu recebesse o ultimato do meu pai, mais precisamente.
Despedi-me dos meus amigos quando o elevador parou no meu andar. Os pais de Lizzie eram donos da rede de hoteis, então todos os convidados puderam ficar hospedados naquele da cidade, mas meus amigos e eu estavámos em andares diferentes.
Coloquei o cartão magnético no leitor posicionado na porta e a abri após o clique, entrando no quarto e fechando a mesma atrás de mim. Ainda faltavam duas horas para o jantar e por isso, encontrei sentada na cama, encarando a enorme televisão do quarto.
- Você sumiu a tarde toda. - ela murmurou, tirando os olhos da televisão para me encarar e eu dei os ombros, retirando os sapatos para me deitar na cama um pouco.
- Fui conversar com Jake e Skippy no lobby. Você estava dormindo e eu não quis acordá-la. - sorri, me esticando para que eu alcançasse sua bochecha para depositar um leve beijo. - Dormiu bem?
- Posso dizer que sim. Já está quase na hora do jantar. - ela riu, depois de confirmar no celular em cima do criado mudo o horário e eu concordei com a cabeça. - Seus amigos perguntaram de mim?
- Eles estão tão ansiosos quanto você. - falei, verdadeiro, e arregalou os olhos antes de morder o lábio. - Não precisa ficar nervosa! Daqui a pouco você vai conhecê-los e adorá-los. - me levantei da cama, anunciando que iria tomar banho para começar a me arrumar para o jantar e ela concordou com a cabeça, ainda parecendo um pouco nervosa com a situação que a esperava em poucas horas.

Saí do banheiro, já vestindo minha calça jeans escura e secando meu cabelo com uma toalha. corou levemente ao me ver sem camisa e eu não pude evitar uma leve risada pelo desconforto dela antes de ir para o banho.
Deixei a toalha sobre a cama, pegando a camisa social azul que eu havia deixado separada e a coloquei, deixando os dois últimos botões abertos como eu gostava de usar. Me sentei na cama para que pudesse calçar meus sapatos e peguei o celular para esperar que ficasse pronta para que pudéssemos ir.
Estranhei o fato de ter uma nova mensagem não lida de Skippy. Tinha menos de uma hora que eu havia estado com ele, o que teria acontecido naquele meio tempo para que ele me mandasse alguma mensagem?
"Harry... Você não sabe o que sua prima está aprontando!"

Pisquei algumas vezes, tentando entender o significado da mensagem do meu amigo. Beatrice ou Eugenie estavam aprontado alguma coisa? Elas não teriam motivos nenhum para causar no casamento de Guy e Lizzie, sempre gostaram dos dois. Skippy só podia estar tirando onda com a minha cara com aquela mensagem.
Toquei em responder e quando estava pronto para digitar uma mensagem, querendo saber qual das primas ele se referia e o que ela estaria aprontando, a voz de me fez parar estático.
- Está simples demais? - ouvi sua voz, mas não pude responder no primeiro momento.
Ela estava linda. Não porque estava produzida, afinal, conseguia ser bonita mesmo com pouca maquiagem, mas às vezes ela se superava.
O vestido vinho com mangas na altura dos cotovelos ia até quatro dedos acima dos joelhos. Seus cabelos estavam soltos e com cachos volumosos, do mesmo jeito de sempre. No rosto, havia pouca maquiagem, apenas um batom mais forte, mas a pele parecia impecável.
- Você está linda. - sorri, deixando o celular de qualquer jeito sobre a cama. - Eu acho que vai até ofuscar a noiva.
- Não seja bobo! - ela abanou a mão no ar e soltou uma risada fraca, não levando a sério o meu comentário, embora fosse verdade. Seria muito fácil de ninguém reparar em Lizzie por tão linda que estava.
Eu não repararia tanto na noiva, por exemplo.
Sorri em sua direção, afirmando com a cabeça e deu os ombros, indo para a frente do espelho. Me levantei, pegando meu paletó azul escuro e o vestindo. Fui ao banheiro para me ver no espelho e ajeitar rapidamente meu cabelo. Estava pronto.
- Pronta? - perguntei para quando voltei para o quarto e a encontrei mexendo no celular. Ela olhou na minha direção, sorrindo e concordou com a cabeça, guardando o celular na bolsa.
- Pronta. - balancei a cabeça, guardando o celular no bolso do paletó e indo para a porta do quarto. Abri a porta, dando passagem para que saísse primeiro e tranquei a porta do quarto quando saí depois dela.
Entrelaçamos nossas mãos e seguimos pelo corredor em direção ao elevador para que pudéssemos ir para o jantar. Entramos no elevador e eu apertei o botão do primeiro andar enquanto checava mais uma vez sua figura no espelho.
Mesmo com todas minhas tentativas de acalmá-la, ela ainda estava nervosa em não só conhecer meus amigos, mas também passar uma boa imagem para todos que fossem conhecê-la e eu conseguia entender. Querendo ou não, todos iriam notar que ela era muito mais jovem e isso a deixava mais insegura do que nunca.
As portas do elevador se abriram no décimo terceiro andar e a imagem de Jake e Zoe surgiram, prontos para entrar. Sorri na direção do meu amigo e os olhos do casal foram diretamente para , que se virava para cumprimentar o casal.
- , estes são Jake e Zoe. Casal, esta é , minha namorada. - falei, apresentando os três e Zoe foi a primeira a cumprimentá-la com abraço e alguns beijos na bochecha.
- É um prazer finalmente conhecê-la, . Já tínhamos escutado muita coisa sobre você. - Zoe afirmou, mostrando-se realmente animada por estar conhecendo e eu sorri, me sentindo tanto aliviado quanto grato por ela estar fazendo o que havia dito que faria.
- Harry também me falou bastante sobre vocês. - sorriu, ainda um pouco tímida para Zoe e cumprimentou Jake. - E podem me chamar de , por favor.
- Ok, . Está animada para conhecer o restante do pessoal? - Jake perguntou.
- Oh, sim. Será bom me enturmar um pouco com o pessoal do Harry. - dei uma risada fraca com a resposta dela e Zoe tratou de começar uma conversa sobre a vida de .
- Não são tão ruins, não é? - sussurrei para enquanto saíamos do elevador e seguíamos atrás de Jake e Zoe em direção ao restaurante dos pais de Lizzie que ficava próximo ao hotel.
- Zoe me pareceu muito divertida. - ela afirmou com a cabeça e eu sorri, concordando.

Eu me sentia feliz e aliviado.
estava sentada ao meu lado, mas conversava animadamente com Zoe, Lara e minha prima, Beatrice. Depois que chegamos ao restaurante, Zoe fez questão de apresentá-la a Lara e eu a apresentei a Bea, não demorou muito que aquela moça insegura se transformasse em uma sorridente e comunicativa com as três mulheres perto de nós.
Todos meus amigos haviam a recebido da melhor maneira. Thomas, mesmo com seu jeito desengonçado, não havia feito nenhuma piada para deixa desconfortável; Guy e Lizzie ficaram surpresos em conhecê-la, mas também conversaram com ela por breves minutos.
- Vou ao banheiro. - falei próximo ao ouvido de , recebendo um aceno de cabeça e um sorriso como resposta. Pedi licença da conversa que me encontrava com Jake, Thomas e meu irmão sobre o campeonato inglês para me levantar e seguir o caminho para o banheiro do restaurante.
O restaurante do hotel era bem bonito. Como o tempo estava bom, Guy e Lizzie haviam escolhido por fazer o jantar na parte de trás do restaurante, que era bem mais ampla e a céu aberto. Eles haviam decorado todo o local com algumas flores e colocado uma mesa longa com lugares para os amigos e familiares.
Lavei as mãos, saindo do banheiro e chequei meu celular. A imprensa americana já havia descoberto que estávamos no país e na porta do hotel já haviam alguns fotógrafos posicionados em busca de alguns cliques.
Suspirei, guardando o celular de volta no bolso do paletó, começando a seguir o caminho de volta para a parte de trás do restaurante onde todos estavam.
- Ei, Harry! - escutei uma voz me chamar, antes que eu alcançasse a saída para a parte de trás, e me virei, encontrando Jack acenando na minha direção.
- Cara, pensei que vocês não iam chegar nunca! - falei, cumprimentando o namorado de Eugenie com um rápido abraço. - Cadê a Genie?
- Ela está vindo ali. - Jack apontou para a porta de entrada do restaurante e eu ergui meu olhar até o local, vendo minha prima conversando com algumas pessoas e uma em especial eu conhecia muito bem.
Não era possível, falei mentalmente enquanto observava Eugenie caminhando em nossa direção acompanhada por Cressida. Por um breve momento me lembrei da mensagem de Skippy enquanto eu me arrumava e suspirei, encarando Jack em busca de uma resposta para a pergunta que estava na minha mente.
- O que ela faz aqui?!


nine.

"A admiração acaba quando a mentira entra em cena."


- Primo! Espero que não tenhamos nos atrasado muito... - Eugenie me abraçou e comentou com um sorriso nos lábios, enquanto tentava olhar para a porta que dava na parte de trás do restaurante apenas para confirmar que não havia se atrasado muito.
Meus olhos estavam presos em Cressida. A loira estava a alguns passos da minha prima e também mantinha um sorriso no rosto, mostrando-se feliz por me ver. Dei o primeiro passo para cumprimentá-la com um rápido - e um pouco estranho - abraço.
- Olá, Harry. Como vai?
- Bem e você? Não sabia que viria para o casamento. - comentei, tentando não olhar para minha prima e não pensar na mensagem de Skippy mais cedo.
- Mudei de ideia no último minuto com a ajuda da Genie. - ela apontou para a minha prima que concordou com a cabeça - Além do mais, Lizzie é minha amiga e seria triste perder um momento importante da vida dela.
- Realmente seria terrível. - murmurei, concordando com a cabeça.
- Acho que devemos nos juntar com o pessoal, então? - Jack atraiu nossa atenção, apontando para sua frente e nós concordamos com a cabeça.
Quando voltei para a parte onde estavam todos os convidados, tive certeza que meus amigos conseguiram reparar que algo havia mudado apenas com a minha feição. Suspirei, me aproximando de Jake e Thomas, rodando o local para procurar por .
- O que houve? - Skippy perguntou.
- Cressida está aqui. - respondi, soltando o ar mais uma vez. - Onde está a ?
- Foi com a Zoe até o lobby do hotel. - Jake respondeu. - Cress não faria nada ruim, faria?
- Não sei, Jake. Não a vejo desde o dia que terminamos e nem me tornei melhor amigo dela depois do nosso término. - balancei a cabeça de um lado para o outro sob os olhares atentos dos meus amigos.
- Se quiser, posso falar com ela... - Skippy propôs, mas eu neguei com a cabeça.
- Eu vou procurar a . - falei, caminhando para dentro do restaurante mais uma vez.
Precisava falar com . Ela estava totalmente tranquila e mais habituada com os meus amigos naquele momento, mas a presença da minha ex-namorada com minha prima poderia trazer toda a insegurança de volta.
Entrei no lobby do hotel, encontrando sentada em um dos sofás de couro ao lado de Zoe e Lara. As três conversavam animadamente sobre algo que a loira mostrava no celular e eu sorri fraco. Zoe estava cumprindo sua promessa de fazer com que ela se sentisse bem ao redor das duas.
- Atrapalho? - perguntei, quando as três mulheres pararam de conversar para me encarar assim que eu me aproximei.
- Não, Harry. Estávamos apenas mostrando alguns planos do meu casamento para . - Zoe respondeu e eu concordei com a cabeça.
- Entendi. Desculpem, mas eu senti falta da minha namorada. - menti, depositando um beijo no topo da cabeça de .
- Ok, entendemos. - Lara murmurou, erguendo as mãos em sinal de rendição. - Já vamos voltar para o restaurante.
- Não demorem, casal. - Zoe alertou tentando parecer séria, mas fraquejou ao dar um sorriso no final da frase. As duas se levantaram do sofá e nos deixaram no lobby.
Me sentei ao lado de e sorri em sua direção antes de unir nossos lábios em um leve beijo.
- Parece que você está se dando bem com as meninas. - comentei e ela deu uma risada fraca em resposta.
- Zoe é muito divertida e a Lara se parece um pouco comigo na timidez. As duas são incríveis! Parecem que me conhecem há anos. - ela respondeu com um sorriso no final da frase.
- Fico feliz que esteja se dando bem com elas. - respondi, me encostando totalmente no sofá e brincando com os dedos de . Minha mente ainda pensava em como contar que minha ex-namorada estava no restaurante e como seria a reação dela, já que estava se sentindo tão bem entre os meus amigos.
- Aconteceu algo? Você parece tenso... - já me conhecia. Já estávamos entrando em nosso quinto mês juntos e ela já conseguia me ler claramente em alguns momentos.
- Não quero que você fique nervosa como no começo da noite. - comecei, vendo suas írises castanhas me acompanharem atentamente. - Cressida está aqui.
- Aqui em Boston? - ela questionou com os olhos arregalados em surpresa.
- Aqui no restaurante. - tirou sua mão da minha e manteve seu olhar em minha direção, como se questionasse o motivo de Cress estar presente. - Genie a trouxe para cá.
- Você sabia que ela viria?
- Não. - respondi, prontamente e suspirei ao sentir o olhar dela pesando sobre mim. - Eu não tinha a certeza que ela viria, mas eu deveria ter suspeitado. , no meu círculo de amizades, praticamente todos se conhecem. Eu namorei com mulheres que eram amigas de amigas minhas e por isso, mesmo depois do término, elas continuam no círculo de amizade, entende? Lizzie é amiga dela e era óbvio que a Cress não faltaria o casamento da amiga.
- Cress? - riu por eu ter usado o apelido e se levantou. - Tem mais algum apelido carinhoso que você queira chamá-la na minha frente?
Suspirei, olhando ao redor, vendo que haviam algumas pessoas presentes no lobby e na recepção do hotel. Encarei , em um pedido silencioso que ela voltasse a se sentar ao meu lado.
- Certo, vamos conversar sobre isso em nossa suíte. - anunciei, me levantando e indicando o elevador com a cabeça. bufou como uma criança, mas caminhou em direção ao elevador e eu a segui o mais rápido possível.
O caminho até o quarto foi em completo silêncio. Dave acenou em nossa direção, assim que viu que estávamos no andar. Como o hotel estava praticamente fechado para o casamento de Guy e Lizzie, todos os outros convidados sabiam da minha presença e de William, além de ter os seguranças do local, não era tão necessário que meu OP me seguisse em todos os momentos.
- Você me trouxe para fazer ciúmes na sua ex? - cruzou os braços, parando no meio do quarto e eu suspirei, fechando a porta atrás de mim.
- O quê?! - ri, surpreso com a pergunta dela. - Não, . Não. - repeti, soando mais firme que a primeira vez e soltei o ar. - Eu trouxe você aqui porque você é a minha namorada.
Observei suspirar e desistir de manter seu olhar em mim. Passei a mão pelo meu cabelo, um tanto quanto nervoso esperando por algum comentário ou alguma resposta que fosse da parte dela.
- Cressida não tem nada a ver com isso, . - falei, colocando as mãos nos bolsos da minha calça e ainda com o olhar fixo a cada movimento dela.
- Mas, você está... mexido com a presença dela aqui? - ela perguntou, após seus longos minutos em silêncio e eu me controlei para não soltar um suspiro.
Eu não sabia.
Cressida havia sido importante na minha vida. Foi um relacionamento com algumas idas e vindas, mas que me fez bem. Ela é uma mulher incrível e eu a amei. Ter terminado com ela para, de certa forma, me entregar ao o que quer que seja que eu estava vivendo com não foi fácil. Eu não queria magoá-la.
- ... - comecei, pensando se era melhor dizer a verdade ou simplesmente acrescentar mais uma mentira ao monte que eu estava acumulando com ela. - Eu não via a Cress desde quando eu terminei com ela.
- Então, você ficou mexido. - afirmou e eu neguei com a cabeça.
- Não. - me apressei em dizer, vendo-a me encarar com as sobrancelhas arqueadas e aguardar para que eu completasse a minha resposta. - Se mexido para você é ficar surpreso, eu fiquei. Não esperava que ela viesse e muito menos que pudesse ser trazida pela minha prima. - soltei o ar. - Mas a Cressida não me importa nesse momento. O que me importa é você, . Você.
- Ok. - ela suspirou. - Ok. - repetiu, parecendo mais que falava para si mesma do que comigo.
- Cressida faz parte do meu passado.
- Um passado que ainda tem resquícios no seu presente. Afinal de contas, ela está aqui. - deu os ombros com seu comentário e eu concordei com a cabeça.
- Mas nós não vamos ficar mal por isso, certo? Podemos voltar para o jantar? Eles já devem estar perguntando onde nós estamos... - apontei para a porta, pronto para caminhar para sair do quarto, mas a voz dela me impediu de me movimentar.
- Eu não sei se eu quero voltar. - murmurou e eu a encarei. - Sua prima trouxe sua ex-namorada para cá, Harry. Você realmente acredita que eu vou conseguir me sentir bem nesse resto de jantar?
- Eu estarei ao seu lado, . - sorri, tentando passar confiança para ela, mas pareceu não adiantar. - Além do que, você fez amizade com as meninas. Não há com o que se preocupar.
- Eu não sei, Harry. - ela suspirou, sentando-se na cama. - Mas você não precisa ficar. Eu entendo que o Guy é seu amigo e que você precisa voltar para o restaurante. Pode ir.
- ... - tentei argumentar, mas ela negou com a cabeça.
- Eu estou bem. Eu só não quero ter que enfrentar sua ex-namorada e uma prima que claramente já não gosta de mim. - ela riu sem humor e eu soltei o ar.
- Tem certeza? - afirmou com a cabeça e eu suspirei, concordando com a decisão dela. Caminhei até a cama e me curvei, depositando um leve beijo em sua testa antes de sair do quarto.
Bati a porta atrás de mim fechei os olhos, soltando todo o ar e me questionando se era realmente o certo deixar sozinha no quarto para voltar para o restaurante. Guy com certeza entenderia se eu inventasse alguma desculpa para dizer o porquê de não ter voltado, mas os outros iriam perceber que era uma clara mentira. Além do que, iria dar a Genie o gosto de ter conseguido arruinar a noite.
Balancei a cabeça e segui meu caminho em direção ao elevador. tinha dito que ficaria bem sozinha no quarto e retirado esse peso de mim, então eu poderia voltar para o restaurante, pelo menos, por mais algumas horas.
- Harry! Estava procurando você. - William foi a primeira pessoa que me viu voltar para o restaurante. - Está tudo bem? Onde está a ?
- Ela não se sentiu bem e resolveu ficar no quarto, mas está tudo bem. - respondi, dando os ombros e meu irmão arqueou uma sobrancelha na minha direção, se mostrando um pouco surpreso com a informação.
- E isso não tem nada a ver com a presença da Cressida por aqui, não é? - ele olhou rapidamente para os lados para ter certeza que não havia ninguém muito próximo de nós. - Você sabia que ela viria?
- Não, eu não sabia. - suspirei. - Skippy tinha me mandado uma mensagem meio que me alertando para alguma coisa que a Genie estava aprontando, mas eu não imaginei que seria trazer a Cressida.
- Você precisa conversar com a Genie então, Harry. Falar para ela que tudo bem que ela seja amiga da Cressida, mas que não é para ela criar esse clima negativo. Nós dois sabemos como a nossa prima pode ser um pouco mimada às vezes.
- Eu vou conversar com ela, mas não agora. Não quero arruinar ainda mais o clima para o casamento do Guy.
- Talvez seja melhor. - Will concordou com a cabeça. - E volte para ficar com a sua namorada, Harry. - ele recomendou, se afastando de mim e indo conversar com outras pessoas.
Suspirei, caminhando na direção dos meus amigos e os olhares se voltaram na minha direção. As meninas pareciam me perguntar com os olhos onde estava.
- Ela preferiu ficar no quarto. - respondi, mesmo que ninguém tivesse feito a pergunta em voz alta e me sentei no lugar vazio próximo a Lara e Thomas.
- Isso explica o sorriso no rosto da Genie e da Cress. - Zoe comentou, apontando para algum lugar atrás de mim, mas eu não me importei em me virar para confirmar o que ela havia dito.
- Não seria melhor ter ficado com ela? - Lara soou um tanto quanto insegura em fazer aquela pergunta e os quatro me encararam.
- Ela achou melhor que eu descesse e continuasse por aqui. - dei os ombros.
Aos poucos, o fato de ter ficado no quarto foi deixado de lado e nossa atenção se voltou para o jantar. O pai de Lizzie fez um belo discurso sobre o casamento da filha, pedindo a Guy para que a fizesse ainda mais feliz e propôs um brinde ao casal. Meu amigo se restringiu apenas a dizer que a amava e comentar o quanto já estava emocionado por estar se casando.
Eu sorria quase de orelha a orelha e não podia deixar de pensar quando chegasse a minha vez. Era estranho saber que eu estava fadado a me casar, mas ainda não sabia quando eu seria avisado que era o momento certo para fazer o pedido de casamento.

- Isso não te deixa com vontade de casar? - coloquei minha taça sobre a mesa e olhei para o lado a tempo de ver Eugenie sentando-se na cadeira desocupada com um sorriso nos lábios. - Essa vibe romântica de pré casamento e cerimônia me deixam tão emocionada. Quer dizer, quando eu sinto que o casal se ama, eu fico emocionada quando os vejo juntos.
- O que você está querendo dizer, Genie? - indaguei, cruzando os braços e fixando meu olhar na minha prima que deu os ombros num primeiro momento.
- Me responda, primo. Você está feliz? - quase suspirei por ter sido respondido com mais uma pergunta e não com o a resposta que eu queria.
- Estou mais feliz do que antes. - tive certeza que ela conseguiu assimilar que o antes que eu me referia era a amiga dela porque recebi um olhar atravessado como resposta. - Por que você trouxe a Cressida?
- Eu não a trouxe. - ela balançou a cabeça. - Ela queria vir, mas estava um pouco insegura quanto a sua presença por aqui, ainda mais com sua querida namorada... Aliás, onde ela está? Não fomos apresentadas ainda.
- não estava se sentindo muito bem e preferiu ficar no quarto. - murmurei, vendo-a concordar com a cabeça.
- Algumas pessoas não sabem como se comportar no nosso meio, não é mesmo? - Genie riu de seu próprio comentário e eu respirei fundo para não dar uma resposta cortada para ela. - Me parece estranho que ela se sinta mal com a presença da Cress aqui. Não é esse o motivo do mal-estar dela, é?
- Genie... - fechei os olhos, respirando fundo mais uma vez para não acabar perdendo a paciência com a minha prima. - Pare com isso. Nós já somos adultos o suficiente para saber que relacionamentos terminam e que as pessoas podem seguir em frente com outras pessoas. Cress e eu fomos felizes juntos, mas você sabe que não iria dar certo. Ela não ia abrir mão da carreira para se casar comigo, nem se daria bem com todas as nossas obrigações e nossa vida.
- Você não sente mais nada pela Cressida, então? Porque ela ainda ama você e vai lutar por você, Harry.
- Não sabia que você agora era agente de sentimentos. - falei e percebendo o semblante confuso de Eugenie, continuei. - Não precisa ficar me dando recados se a Cress gosta ou vai lutar por mim. Não era o correto investir num relacionamento que já estava fadado a terminar porque nenhum de nós iria poder ceder o suficiente.
- E você acha que o seu namoro não está fadado a terminar? - Genie riu fraco. - Por Deus, Harry, sua namorada te deixou sozinho no jantar dos seus amigos. Imagine como ela vai lidar com a nossa família.
- Se você a tratar tão bem quanto a Beatrice a tratou, você pode ter certeza que ela vai se sentir muito bem recebida. - dei os ombros. - E chega desse assunto. Espero que você se conforme.
Caminhei apressado para longe da minha prima e fui até Guy para cumprimentá-lo e me despedir. Era melhor seguir o conselho de William e ficar no quarto ao lado de do que me estressando ainda mais com os comentários de Eugenie.
Eu estava em uma posição estranha porque eu sabia que era muito difícil que o meu relacionamento com Cressida se tornasse algo maior. Ela tinha o sonho de se tornar atriz e era isso que ela buscava para sua vida. Falar em casamento e a possibilidade dela ter que abandonar a carreira para fazer parte da minha família, além de ser um pedido difícil, era algo que eu sabia que ela não tinha tanta certeza se queria fazer. Eu não podia pressioná-la.
Com era diferente. Embora eu também me preocupasse com o fato de ser uma responsabilidade difícil para ela, eu sentia que eu poderia ajudá-la bastante quando ela passasse a fazer parte oficialmente do meu meio.
De alguma forma, eu me preocupava mais em cinco meses de relacionamento com do que em um ano que fiquei com a Cressida. E eu ainda não sabia como explicar isso para mim mesmo.

xxx


- Como estão as coisas? - Jake questionou, colocando seu copo de suco sobre o banco ao lado das espreguiçadeiras que nós estávamos sentados à beira da piscina do hotel.
Dei os ombros num primeiro momento, sabendo que ele perguntava sobre Genie ter trazido Cressida e o fato de não ter retornado para o restante do evento. Deixei meu celular de lado e soltei um suspiro, ouvindo uma risada vindo do meu amigo.
- Mais tranquilas do que ontem. - afirmei com a cabeça. - Zoe e Lara passaram no quarto de manhã para levá-la para dar uma volta. se sente tranquila perto delas.
- Zoe gostou muito da , devo confessar. - Jake riu. - Estão quase melhores amigas.
- O que é muito bom porque com a Genie tomando o lado da Cressida, podia ter pensado que as meninas fossem fazer o mesmo. - murmurei e Jake balançou a cabeça.
- Nós dois sabemos que a minha namorada nunca foi tanto com a cara da Cressida... - soltei uma risada com o comentário de Jake, mas era a mais pura verdade. Zoe nunca tinha ido muito com a cara de Cressida, apesar de saber fingir bem quando ela estava por perto quando era minha namorada. - Você chegou a falar com a Cressida ontem?
- Não. Tive um breve embate com a minha prima e subi para a suíte antes que me estressasse ainda mais conversando com a Cressida. - dei os ombros, pegando meu celular novamente e enviando uma mensagem para para saber se estava tudo bem no passeio com as meninas. Eu tinha pedido que Dave as acompanhasse apenas por precaução, mas ainda sim me preocupava com ela.
As coisas estavam mais calmas que na noite anterior. parecia não estar mais tão abalada com a presença de Cressida e o café da manhã no restaurante do hotel foi mais tranquilo - especialmente porque Genie e Cressida não deram as caras no local, apenas Jack com seu bom humor de sempre. Era quase impossível ver o namorado da minha prima sem um sorriso no rosto.
- As meninas chegaram. - Jake anunciou, apontando para a saída do hotel que dava na piscina e eu ergui meu olhar até o local. Thomas e Lara caminhavam de mãos dadas na frente e, ao fundo, era possível ver e Zoe caminhando em nossa direção.
- Como foi o passeio? - perguntei, cumprimentando com um selinho e dando espaço para que ela sentasse ao meu lado na espreguiçadeira.
- Divertido. Lara e Zoe são duas figuras e tanto. - ela comentou dando uma leve risada e apontando para as meninas que sorriram de volta.
- Zoe está totalmente na vibe de casamentos. É melhor tomar cuidado, Jake... - Lara comentou, arrancando risadas de todos os presentes.
O resto da tarde se passou tranquilo com nós seis conversando na beira da piscina. Depois as meninas começaram a comentar sobre suas roupas para o casamento, contando com a presença da minha prima Beatrice, que diferente da irmã estava fazendo o suficiente para se enturmar com e me deixando bem contente.


ten.


"É triste quando uma só mentira destrói mil verdades e um sentimento.."

's.
O casamento de Guy e Lizzie tinha sido emocionante e muito romântico. Desde a decoração da igreja até os olhares trocados pelo casal durante a cerimônia dava para notar e sentir todo o amor que emanava pelo local. Tinha sido uma manhã muito bonita.
- Foi uma bela cerimônia. - comentei, enquanto seguíamos em direção aos carros que nos levariam de volta para o hotel, onde ocorreria a festa. Estava de braço dado com Harry e a alguns passos de distância de Lara e Thomas; Zoe e Jake.
- Verdade. Dava para sentir o amor da Lizzie e do Guy até da lua. - Lara comentou.
- E o capítulo que o William leu também fez muito sentido. - Zoe completou e nós concordamos com a cabeça.
- Achei que fosse me desidratar de tanto chorar. - ri fraco, vendo Harry confirmar com a cabeça.
- Não pensei que uma pessoa pudesse se emocionar tanto com um casamento. - ele sorriu na minha direção e eu abanei a mão no ar. Eu era uma verdadeira manteiga derretida quando se tratava de amor. Não conseguia assistir casamentos sem chorar.
- Não vou nem falar o quanto chorei assistindo ao casamento do seu irmão. - murmurei baixo, vendo os cinco darem risadas do meu comentário.
- Imagine quando for o casamento de vocês. - Jake comentou com um sorriso no rosto e eu voltei meu olhar para o ruivo ao meu lado, sentindo-o um pouco mais tenso com o que seu amigo havia dito.
Optei por responder a Jake com uma risada e nos despedimos dos outros casais assim que chegamos no carro que nos levaria de volta para o hotel. Harry e eu entramos no banco de trás, mas ainda faltava William para que pudéssemos seguir caminho.
- Harry... - o chamei, já que ele olhava pela janela do carro à espera do irmão. Ele respondeu estalando a língua, mas com o olhar ainda para fora do carro. - Você me pareceu um pouco diferente com o comentário do Jake... - murmurei, tentando afastar os pensamentos negativos que surgiram sobre aquele assunto. Harry pareceu levar alguns segundos para se lembrar do comentário a qual eu falava e se virou na minha direção.
- Sobre o nosso casamento? - questionou e eu afirmei com a cabeça. - Você quer saber se eu penso num casamento nosso, é isso? - ele riu fraco.
- Eu não...
- Eu penso, . - ele sorriu na minha direção, afirmando com um maneio de cabeça e por alguns segundos eu pude sentir o meu corpo desfalecer com a resposta dele. - Eu penso bastante sobre casamento, o nosso futuro... Mas eu sei que esse ainda não é o momento certo para ter qualquer conversa sobre esse tema. Nós ainda estamos juntos há um tempo relativamente curto, ainda não conhecemos a família um do outro, você ainda não terminou a faculdade. Eu acho que nós ainda temos muitos passos para dar antes de dar o grande passo. - ele entrelaçou nossos dedos e fez um carinho na minha mão com seu polegar. Sorri, concordando com a cabeça e me aproximei dele para depositar um leve beijo em seus lábios. - Tudo bem para você?
- Tudo ótimo para mim. - pisquei na direção dele, recebendo uma risada em resposta. Logo, nossa atenção foi tomada por William que abriu a porta de trás para voltar conosco para o hotel.
Ele sorriu na nossa direção e o assunto principal do caminho voltou a ser o casamento de Lizzie e Guy, mas por dentro eu podia sentir o meu coração dando saltos de felicidade e amor.

Encarei a minha imagem no espelho do banheiro e respirei fundo antes de apertar o a torneira para que pudesse lavar minhas mãos. As meninas estavam tão animadas com as músicas que a banda contratada pelos pais dos noivos tocava que preferiram não me acompanhar ao banheiro.
Zoe e Lara eram muito divertidas e eu estava gostando de ficar amiga delas. As duas me lembravam um pouco a e me faziam ter a certeza que se um dia as três se encontrassem, iria ser um grande sucesso.
- Oh, olá. - a porta do banheiro foi aberta e eu me virei, encarando a figura loira que mais parecia que tinha caído de um editorial de moda adentrar o espaço. Cressida sorriu na minha direção e eu retribuí, pegando uma folha para secar minhas mãos. - Você deve ser a namorada do Harry, certo? - fingi não perceber o tom depreciativo que usou ao citar o adjetivo.
- Eu mesma. - sorri, amassando a folha que eu tinha em mãos e dando o meu melhor sorriso antes de soltar um pouco de veneno na direção dela. - E você é a ex-namorada, certo? - ergui a sobrancelha e como não obtive uma resposta rápida, pensei que ela não esperava por aquilo. Dei os ombros, me virando para encontrar a lata de lixo e jogar o papel lá dentro.
- Eu pensei um pouco antes de vir até aqui, mas eu precisava ficar frente a frente com você para te dizer que eu ainda amo o Harry e estou disposta a esperar o tempo necessário para ele perceber que esse namoro de vocês não vai para frente. - ela sorriu sarcástica.
- Eu espero que você esteja preparada para esperar a vida toda para que isso aconteça. - sorri, dando os ombros e recebi um rolar de olhos em resposta.
- Você acha que é a primeira vez que ele dá um tempo comigo e começa a sair com outra? Não é, querida. Mas, logo, ele percebe que é apenas uma aventura e sabe para onde ele volta? - Cressida abriu os braços e piscou na minha direção. - É só uma questão de tempo para ele perceber que você não vai se dar bem no nosso meio e na família dele. Quando isso acontecer, ele termina com você e volta para os meus braços. É assim que funciona.
Ri desacreditada e mantive meu olhar fixo na loira a minha frente. Apesar da minha vontade de esganá-la naquele momento, eu sabia que não podia me deixar levar e tampouco deixá-la acreditar que ela poderia me vencer - embora, não existisse nenhuma competição.
- Olha, Cressida, eu não gosto dessa ideia de competição entre duas mulheres, mas eu não tenho medo algum de você. Harry seguiu em frente. Talvez você devesse aceitar isso e fazer o mesmo. Ter um pouquinho de amor próprio é muito bom às vezes. - sorri, tentando esconder o meu nervosismo. - Tenha um bom restante de festa.
Saí do banheiro e soltei todo o ar de meus pulmões assim que me encontrei de volta ao salão do hotel. Apesar de ter parecido forte, por dentro eu me perguntava se eu realmente havia tido um embate com Cressida e tinha me saído bem. Sorri, respirando fundo mais uma vez e comecei a seguir caminho de volta para a mesa onde Harry e eu estávamos sentados com os amigos dele e William.
- O que aconteceu? - ele perguntou no meu ouvido, causando-me leves arrepios. Era inevitável aquela sensação toda vez que ele se aproximava para falar alguma coisa. - Você demorou e voltou toda sorridente.
- Encontrei sua ex no banheiro. - respondi, dando os ombros ao ver a expressão de surpresa no rosto do meu namorado.
- E como foi? Ela te disse alguma coisa? - Harry pareceu um pouco mais alarmado e eu dei os ombros mais uma vez.
- Ela disse coisas, eu disse coisas, mas está tudo bem. Cressida não me assusta com tanto que você queira estar comigo.
- E eu quero. - sorri, aproximando meu rosto do dele para unir nossos lábios em um beijo repleto de carinho.
A cada dia que passava eu tinha apenas uma certeza: eu me apaixonava ainda mais por Harry. Ele estava sendo sempre gentil e carinhoso comigo, fazendo questão de não me deixar nervosa... O verdadeiro príncipe.

xxx


- Onde está seu irmão? - perguntei para Harry enquanto nós seguíamos pelo corredor do hotel. Havíamos nos despedido dos nossos casais de amigos após o café da manhã e meu namorado havia dito que iríamos voltar para Londres na parte da tarde acompanhados de William e Beatrice.
- William está no quarto dele, mas nós não vamos embora agora. - ele sorriu, me guiando para a saída do hotel onde a Rover e Dave já nos esperavam.
- E para onde nós vamos? - questionei, quando ele abriu a porta para que eu entrasse no banco de trás de carro, sendo seguida por ele.
- É uma surpresa. - ele piscou e logo Dave deu partida no carro. Suspirei, encarando o ruivo ao meu lado após colocar meu cinto de segurança.
- A última vez que você me surpreendeu nós passamos o fim de semana em no castelo de Balmoral. - falei, fazendo uma pausa como se estivesse pensando e vi Harry me encarar, esperando que eu continuasse. - Sua avó não tem um castelo aqui em Boston, não é?
- Muito divertida, senhorita Thompson. - ele forçou uma risada e apertou meu nariz. - Nós vamos dar um passeio pela cidade. Se acalme que logo você vai descobrir para onde estamos indo.
Concordei com a cabeça, me dando por vencida em relação ao tentar descobrir qual seria o rumo do nosso passeio e foquei minha atenção na estrada que passava como um borrão pelo vidro do carro.
Eu me lembrava um pouco de quando minha família morou nos Estados Unidos e poucas vezes tínhamos visitado meu irmão por aqui. O costume era sempre ele ir para Londres para passar as festas de fim de ano conosco desde a morte dos meus avós, mas fazia alguns anos que eu não via Brandon

- Harry... - o chamei quando a rua que o carro entrou me pareceu totalmente familiar. - Você me trouxe para visitar o meu irmão? - ele afirmou com a cabeça, tirando atenção da rua e virando-se para me encarar.
- Eu liguei para Camila e pedi para que ela pegasse o endereço com a sua mãe. - ele sorriu na minha direção, fazendo um leve carinho com o polegar nas costas da minha mão. - Ter um irmão significa ter uma família para o resto da vida. E me pareceu uma boa ideia começar a conhecer sua família, o que acha?
- Obrigada, Harry. - sorri sincera na direção dele que acenou com a cabeça antes de segurar meu rosto com uma de suas mãos. Fechei os olhos ao sentir o carinho feito por seu polegar na minha bochecha e sorri de maneira inevitável.
Ele me fazia tão bem que eu não conseguia explicar. Aquela surpresa dele era uma coisa tão especial que eu não sabia como retribuí-lo ou como agradecê-lo. Eu estava, sem dúvidas, com um príncipe encantado.
Assim que Dave estacionou o carro em frente a casa verde tipicamente americana, nós saímos do carro. Harry me ajudou a descer do carro porque eu sentia como se minhas pernas estivessem como gelatinas e ele pareceu perceber.
Respirei fundo umas vinte vezes no caminho do carro até a porta da frente da antiga casa dos meus avós. Apertei a campainha e soltei o ar, esperando os minutos que pareciam uma eternidade.
Parecia que a porta estava sendo aberta lentamente. Eu procurei a mão de Harry, que estava parado ao meu lado, entrelaçando nossas mãos em busca de algum conforto.
- ? - Brandon pareceu surpreso com a minha presença, mas logo um sorriso tomou conta do rosto dele e a porta foi aberta completamente. Sorri, me afastando de Harry e indo em direção ao meu irmão para abraçá-lo. - Meu Deus! Como você está? O que está fazendo aqui?
- Estou bem, Brad. - sorri, me afastando dele novamente para observá-lo. - Nós estávamos em um casamento de um amigo por aqui e Harry resolveu me surpreender, me trazendo aqui para revê-lo. - Brandon concordou com a cabeça. - A propósito, esse é o Harry, meu namorado.
- Desde quando você namora um membro da realeza? - Brandon riu, surpreso e estendeu a mão para cumprimentar o ruivo. - É uma honra conhecê-lo. Não sabia que estavam namorando!
- Estou honrado em conhecê-lo também, Brandon. - Harry sorriu, acenando com a cabeça. - Nós estamos juntos há quase cinco meses. Sua irmã é incrível.
- Tem um tempo que eu não a vejo, mas eu sei que ela é uma pessoa incrível. - Brad sorriu na minha direção, confirmando com a cabeça o comentário de Harry e eu senti minhas bochechas queimarem. - Mas, por favor, entrem. Vamos conversar aqui dentro.
- Sobre isso... - Harry chamou nossa atenção depois que eu passei da porta e me virei para encará-lo. - Tem algum problema se o meu amigo aqui entrar antes para dar uma olhada?
Brandon me encarou um pouco confuso e eu dei uma risada fraca, antes me apressar em explicar sobre o oficial de proteção de Harry. Era sempre assim na primeira vez que ele pedia para Dave poder entrar para dar uma ronda.
- Dave é o segurança do Harry. Ele meio que precisa olhar o local antes dele entrar se for um "território estranho". - fiz aspas com as mãos, arrancando risadas de Harry.
- Tudo bem por mim. - Brandon apontou para dentro da casa e Dave agradeceu brevemente antes de entrar na casa também.
Depois de alguns minutos, Dave retornou de sua ronda e deu permissão para que Harry entrasse na casa. Ele ficou de prontidão do lado de fora acompanhado do outro oficial de proteção enquanto nós sentávamos no sofá para que meu irmão pudéssemos colocar a conversa em dia e Harry pudesse conhecer melhor seu cunhado.
- ... E agora, eu moro em Stratford para cursar a universidade. São apenas dois anos, então já estou quase no fim do meu curso. - finalizei o meu update sobre a minha vida na Inglaterra e meu irmão ouvia atentamente com um sorriso no rosto.
- E como vocês se conheceram? - ele apontou para Harry e eu.
- Mamãe foi babá do Harry e do irmão dele, você se lembra dessa história, não é? - perguntei, recebendo um aceno com a cabeça em resposta. - Então, ela continua próxima da família do Harry e nós fomos convidados para um jantar na casa do Príncipe Charles. Harry e eu nos conhecemos lá.
- Amor à primeira vista então? - Brandon questionou, encarando Harry que apenas observava a nossa conversa.
- Sem dúvidas. - meu namorado sorriu após sua resposta e olhou na minha direção, fazendo com que eu risse, sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas.
Era sempre assim quando ele fazia comentários fofos. Parecia que eu não ia conseguir me acostumar.
- E você? Como está sua vida? - perguntei, me recostando no sofá e aguardando meu irmão responder a minha pergunta.
- Está tudo indo bem. Lembra-se da Melanie? Eu falei dela com você no último natal que nos encontramos... - concordei com a cabeça, me lembrando da morena que morava a algumas ruas de distância da nossa casa quando todos morávamos por aqui. - Estamos cada vez mais sérios e eu estava pensando em a pedir em casamento, mas me chamaram para uma missão. Acho que vai ficar para daqui a alguns meses.
- Missão? Você não trabalha na empresa do vovô? - balancei a cabeça, encarando meu irmão com uma sobrancelha arqueada.
- Eu trabalhava, mas eu entrei para o exército americano, . - Brandon me respondeu. - Pensei que a mamãe tivesse contado para você. Ela sempre foi muito contra a minha decisão.
- Eu não sabia disso. Para onde é a sua próxima missão?
Passamos a manhã inteira conversando com Brandon. Quando ele revelou que fazia parte do exército americano, Harry se interessou um pouco mais na conversa e os dois entraram em um bate papo animado sobre as vidas no exército.
Eu me sentia muito feliz. Não só pela surpresa que Harry havia me feito, mas também por ele ter se dado bem com Brandon. Harry realmente se importava comigo e não hesitava em me surpreender.
Eu estava, a cada dia que passava, me encantando ainda mais pelo homem que eu tinha ao meu lado.


eleven.

"Grandes ou pequenas, mentiras são mentiras."


– Quando você falou sobre esse casamento forçado, não me disse nada sobre as reuniões mensais para entregar relatórios sobre como estão as coisas... - murmurei com um pouco de raiva enquanto caminhava pelo escritório de meu pai. Ele já estava sentado em sua poltrona de frente para porta e Jacob, seu secretário, estava em um dos sofás da sala.
– Oh, Henry, meu filho. Como vai? - meu pai perguntou, ignorando meu comentário e dando um leve sorriso na minha direção. - Um pai não pode mais convidar seu filho para uma conversa?
– Até pode, mas você não faria isso por nada, Charles. Eu te conheço há bastante tempo. - falei, puxando a cadeira a sua frente para que eu pudesse me sentar. Meu secretário sentou-se ao lado de Jacob já prontos para reverem as agendas do mês.
– Eu fiquei sabendo que o casamento dos Pelly foi muito bem, correto? Há algumas fotos de vocês nos sites americanos e ingleses. Ótimo trabalho, meu filho! - meu pai sorriu abertamente e eu dei os ombros. - Agora creio que já podemos dar mais um passo nesta relação, não acha?
– Outro passo? Não estamos correndo muito com essa história toda? - cruzei meus braços na altura do peito, mas recebi um aceno negativo de cabeça em resposta.
– Nós temos um ano apenas, meu filho. Até dezembro precisamos ter seu noivado anunciado para todo o mundo. - suspirei, vendo meu pai encarar os dois secretários sentados no sofá próximo a mesa onde nós nos encontrávamos. – O que temos para os próximos meses?
– Como estamos entrando no verão, sua Alteza terá uma partida beneficente de polo para participar e o Wimbledon chegando. - Edward respondeu após checar em seu iPad. – Depois, ele entrará numa rápida turnê pela Tunísia.
– Polo e Wimbledon. Me parecem bons eventos para um casal comparecer... O que acha, Henry? - meu pai se virou para me encarar e parecia esperar uma resposta positiva minha.
– Eu nunca assisti ao Wimbledon. Não é um evento para William e Kate?
- Catherine ainda não está muito bem para ir ao Wimbledon. Você pode ir no lugar deles para acompanhar. É um ótimo evento para um jovem casal aparecer estando muito apaixonado. - rolei os olhos com o comentário. - Jacob e Edward, façam os ajustes necessários para que Harry e sua namorada possam comparecer nestes eventos. - os dois concordaram com a cabeça. - Agora, podem nos dar licença? Eu preciso falar com meu filho em particular.
Os dois secretários se retiraram da sala prontamente e nos deixaram a sós. Meu pai se levantou, caminhando em direção a pequena mesa de canto situada próxima aos sofás e preencheu dois copos com um de seus Scotches.
- Duplo, por favor. - pedi, sendo encarado por alguns segundos antes que ele seguisse o meu pedido. Se ele iria tratar sobre o assunto do meu casamento, era necessário que eu estivesse com um pouco de álcool correndo pelo meu sangue.
- Aqui. - meu pai entregou o meu copo e voltou a se sentar em sua poltrona, dando um gole em sua bebida.
– O que quer conversar? - perguntei, não querendo que ele fizesse rodeios e fosse direto ao ponto de uma vez.
– Temos que pensar em seu noivado. - ele sorriu. – Eu sei que parece longe, mas em breve ele se tornará realidade. Precisamos estar preparados para quando o momento chegar.
- Ahn... Certo. - concordei, finalizando meu whisky de uma vez só. – E o que você quer dizer com isso?
– Nós precisamos fazer o anel de noivado, Harry. - ele disse como se fosse óbvio e eu balancei a cabeça, entendendo do que ele falava e me perguntando o que ele tinha em mente que precisava ser um segredo de nossos secretários. – Eu pensei que como Will usou o anel de noivado que eu dei para sua mãe, seria uma boa ideia se você usasse uma das joias que ganhou na herança dela também. Poderíamos usar alguma pedra e criar um anel ou você pode escolher um anel da coleção dela mesmo. Tenho certeza que pode pedir ao seu tio Spencer para usar um dos anéis, ele não vai se importar.
– Não. - falei, prontamente e meu pai arregalou o olhar na minha direção, mostrando-se surpreso. – Eu não vou envolver o nome da minha mãe nessa ideia absurda que vocês tiveram e estão empurrando sobre mim.
– Henry, tente entender que...
– Não, papa. - repeti, mais seguro ainda. – Eu me recuso a fazer isso.
Depositei meu copo sobre a mesa de madeira e me levantei, seguindo para fora do escritório dele sem sequer olhar para trás. Era uma ideia absurda que ele estava tendo para aumentar ainda mais o grande circo que ele havia criado para a minha vida amorosa e, dessa vez, eu podia dizer não.
Eu não ia colocar minha mãe no meio dessa história – nem mesmo através de um anel que significasse ela. Se Diana estivesse aqui, eu tinha certeza que ela não seria nada condicente com essa ideia e tampouco permitiria que eu me fizesse uma mulher de boba dessa maneira.
William amava Kate e era por isso que ele tinha escolhido presentear a amada dele com o anel que mamãe havia deixado. Com eles, era outra história. Era amor de verdade. O que não acontecia comigo naquele momento.
Não. Eu não ia fazer isso.

Desci do carro, caminhando pelo gramado de Kensington e observando um pouco da movimentação do público ao redor do palácio. Ajeitei meu boné dos Yankees na minha cabeça e segui o caminho para o apartamento de William.
Eu não poderia conversar com ele diretamente sobre o assunto, mas seria bom poder ouvir algumas palavras do meu irmão mais velho sobre relacionamentos. Além do fato de William gostar de saber um pouco mais sobre minha vida amorosa, eu gostava de ter a chance de conversar com ele.
Apertei a campainha, esperando que William aparecesse para me receber, mas me deparei com Catherine sorrindo amigavelmente na minha direção assim que a porta foi aberta.
– Harry, querido! Como está? - Kate me cumprimentou animada, dando espaço para que eu entrasse em sua casa.
– Estou bem, Kate, e você? Como está o bebê? - sorri na direção dela.
– Estou bem. O bebê está saudável. Will e eu ainda estamos decidindo se queremos ou não saber o sexo.
– Falando no meu irmão, ele está? - perguntei, olhando para a sala do apartamento e vendo apenas George sentado no chão da sala com alguns brinquedos a sua volta.
– Ele saiu para um evento e ainda não chegou, mas deve estar chegando logo. - George ouviu nossas vozes e levantou a cabeça, percebendo a minha presença na sala. O pequeno garoto se levantou e correu na minha direção, mesmo com os protestos de Kate para que ele não corresse.
– Ei, garotão, como está? - me abaixei a sua altura, pegando-o no colo e fazendo algumas cócegas em sua barriga, causando risadas. – Tem problema se eu esperar meu irmão chegar?
– Claro que não. - Kate sorriu, apontando para os sofás e eu concordei. – Aconteceu alguma coisa, Harry?
– Nada demais. - dei os ombros, ajeitando George na minha perna para que ele pudesse brincar com a minha gravata enquanto eu respondia a minha cunhada. – Só dúvidas e incertezas.
– Sobre seu relacionamento?
– É. - dei os ombros, concordando levemente com a cabeça e Kate manteve seu olhar inquisitivo na minha direção aguardando que eu continuasse com a frase. – É um pouco complicado, Kate. - tentei desconversar. Apesar de adorar minha cunhada, eu não tinha tanta certeza como tratar do assunto com ela. Com William seria muito mais fácil, embora ele fosse bastante fofoqueiro.
– Alguns relacionamentos podem ser assim... - ela deu os ombros. – Mas, você gosta dela?
– Podemos dizer que sim. - balancei a cabeça para confirmar a minha resposta. Eu tinha aprendido a gostar de nos últimos meses. Não só sua companhia era boa, mas sua presença perto de mim tinha começado a se tornar necessária. Em alguns momentos sozinhos e, até em eventos, eu me pegava pensando nela, mesmo que eu negasse para mim mesmo. – Só que o lugar onde nós estamos inseridos é difícil, Kate. Não tenho certeza se se encaixaria bem aqui. Ela é jovem e insegura, pode ser um prato cheio para eles.
– Eu posso dizer que não é fácil, Harry, mas creio que você sabe como ajudá-la. Will me ajudou muito durante o nosso namoro e eu tive uma preparação para fazer parte do meio. Aos poucos, ela vai se acostumando com tudo e, se ela precisar, eu posso ajudar também. - concordei com a cabeça. – É só dar tempo ao tempo.
– Tempo é uma coisa que eu não tenho. - murmurei, dando os ombros e Kate ergueu uma sobrancelha na minha direção, questionando em silêncio o que eu tinha acabado de dizer. – Acho que eu já vou indo, Kate. Eu volto outra hora para falar com meu irmão. - sorri na direção da minha cunhada. – Ei, George, depois o tio volta para brincar com você, tudo bem? - depositei um beijo na testa do menino e o coloquei de volta no chão para que ele pudesse continuar brincando.
– Harry. – Kate me chamou, antes que eu levantasse. – O que você acha de convidar sua namorada para jantar conosco na quinta-feira?
– Eu não sei, Kate... - balancei a cabeça, meio incerto em respondê-la porque precisava saber se iria querer participar do jantar, mas o olhar animado da minha cunhada fez com que eu confirmasse logo nossa presença. – Vou falar com a , mas acho que podemos sim.
– Tudo bem. Esperamos vocês. - a morena sorriu na minha direção e eu acenei para ela antes de caminhar em direção a saída do apartamento.
Soltei o ar assim que fechei a porta da casa de Will e Kate e segui o caminho em direção ao meu apartamento, vendo um pouco do movimento dos turistas no Palácio.

Um jantar?! - ouvi a voz de exclamar e soltei uma leve risada.
– Vai ser tranquilo. Você já conheceu o meu irmão e a Kate está muito animada para te conhecer. - falei para tranquilizá-la e ela suspirou do outro lado.
Huh... Tudo bem. - sorri sozinho por ela ter aceitado a ideia. – Quando vai ser?
– Você está livre na quinta-feira? Eu posso pedir para Dave te buscar e você passa o fim de semana aqui em Londres.
Ok. Zoe está me mandando mensagens desde que voltamos para saber quando eu irei visitá-la. - ela riu do próprio comentário.
– Nos vemos na quinta-feira, então?

Xxx

– Eu fico muito feliz de poder conhecer o hospital, senhora Weston. Meu secretário irá marcar uma visita oficial e então, eu voltarei aqui e tenho certeza que vamos conseguir arrecadar fundos para ajudar na reconstrução. - sorri para a senhora a minha frente.
– Nós que agradecemos a sua visita, Alteza. Tenho certeza que vamos conseguir o necessário para a nossa reconstrução.
– Nós entraremos em contato, senhora Weston, para discutir a melhor data para uma visita oficial. - Edward disse, checando algumas coisas no iPad que tinha em mãos e nos despedimos da senhora Weston.
– Providencia uma data próxima, Edward. - falei enquanto entravámos na Rover que nos levaria de volta para o Palácio e meu secretário concordou com a cabeça.
– Estava pensando nisso, senhor. Eles devem receber a visita oficial o mais rápido para que consigam o dinheiro necessário para as obras de reestruturação.
- Sim. A senhora Weston precisa voltar a cuidar das pessoas logo. - sorri, me lembrando da adorável senhora que havia nos recebido e nos mostrado todo o hospital. – Terminamos com os eventos essa semana?
– No domingo tem o Tropping the Colour¹, senhor.
– Correto. Obrigado por lembrar, Edward. - acenei com a cabeça, pegando o celular no bolso do meu paletó para poder digitar uma mensagem para .

– Maik, pode tirar o restante da tarde de folga. Eu não vou precisar de você hoje. - falei para o meu segurança antes de descer do carro e seguir caminho em direção ao meu apartamento.
Abri a porta, entrando em casa e soltando o ar. Fechei a porta e me encostei na mesma, desfrouxando a minha gravata para que eu pudesse respirar direito já que ela estava quase me enforcando a manhã toda.
– Cansado? - quase pulei de susto quando ouvi uma voz se pronunciar no meu apartamento. Abri os olhos, assustado, olhando ao meu redor e procurando a dona da voz.
Ri fraco quando encontrei parada próxima a porta que dava na cozinha, encostada no batente e com um sorriso sacana nos lábios.
– O que... Como você entrou aqui? - questionei, acalmando meu coração do pequeno susto que eu tinha levado enquanto ela ainda ria.
– Seu OP me buscou e a governanta estava terminando de limpar o apartamento, então, ela me deixou entrar e ficar aqui esperando você. - ela deu os ombros – Eu juro que não mexi em nada. - ri com o comentário e comecei a caminhar na direção dela.
– Só não precisava ter quase me matado de susto. - ri, me aproximando para beijar seus lábios.
– Senti sua falta essa semana. - sorriu, me dando mais um selinho.
– Esse início de junho é um pouco corrido. No domingo tem o aniversário da minha avó e tem os jogos de polo... me desculpe se estive ausente. - ela deu os ombros, segurando meu rosto com sua mão e fazendo um carinho no meu rosto com o polegar.
– Está tudo bem... Eu estive ocupada com a universidade essa semana.
– Muitas provas? - perguntei, puxando-a pela mão em direção ao sofá da sala.
– Sim, mas já terminaram. - ela deu os ombros mais uma vez – Agora, me diga o que eu devo esperar desse jantar hoje. - ri com o comentário dela.
– Kate que convidou, na verdade, quando eu fui na casa deles no começo da semana. Ela é uma pessoa muito legal e vai ser bom para você ter uma relação com ela.
– Ela parece lidar com tudo de maneira impecável. - sorriu e eu concordei com a cabeça. – Estou ansiosa para conhecê-la.
– Será um jantar tranquilo para que você possa conhecer um pouco mais do meu irmão e da minha cunhada. Pode ficar tranquila. - depositei um beijo em sua bochecha – Agora, eu vou tomar um banho e tirar essas roupas. Fica bem aqui sozinha?
– Eu fiquei a tarde toda, Harry. - ela riu da minha pergunta e foi a minha vez de dar os ombros pela resposta. Me levantei do sofá e segui em direção a escada para poder ir para o meu quarto tomar um banho e colocar roupas mais casuais.

segurou minha mão com um pouco mais de força enquanto eu tocava a campainha da casa de Will e Kate. Ela não estava tão nervosa, mas parecia um pouco ansiosa para conhecer minha cunhada e eu, confesso, que achava um pouco divertido ela ter todo um lado fã em relação a Kate.
– Ah, olá, casal! - William sorriu em nossa direção assim que abriu a porta e me cumprimentou com um abraço antes de cumprimentar ao meu lado. – Vamos, entrem!
– Onde está George? - perguntei, assim que encontrei a sala apenas com os brinquedos do menino.
– Ele foi passar a tarde com Carole, mas ela deve trazê-lo daqui a pouco. Kate não se sentiu bem hoje. - Will deu os ombros, apontando para o sofá e nos sentamos.
– Os enjoos ainda são um problema? - perguntou e meu irmão concordou com a cabeça.
– Não são tão ruins quanto os que ela teve na gravidez de George, mas, ainda sim, são ruins. - ele suspirou – Um minuto, que eu vou chamá-la na cozinha.
– Tomara que a senhora Middleton traga ele logo. Você vai adorar conhecer o meu sobrinho. - murmurei para que sorriu na minha direção.
– Você é o tio que estraga a criança, eu aposto. - ela me cutucou com o dedo, me fazendo dar risada antes de concordar com a cabeça.
– Ele já sabe que eu sou o tio da diversão e o tio James, irmão da Kate, é o tio chato. - dei os ombros, vendo balançar a cabeça de um lado para o outro enquanto eu sorria.
– William, não ofereceu nada para eles beberem? - a voz de Kate nos tirou de nossos cochichos e eu encarei minha cunhada entrando na sala enquanto meu irmão me encarava. – Eu quero um suco, por favor, querido.
– Eu quero o mesmo que você, Will. - respondi, prontamente.
– Eu vou acompanhar a Kate no suco. - sorriu para a morena antes de se levantar para cumprimentá-la. Fiquei observando as duas por alguns segundos, surpreso por estar bem mais segura e por ter tomado a iniciativa de cumprimentar Kate. Quando ela conhecia alguém, sempre esperava que eu apresentasse.
– É um prazer conhecê-la, . Eu tenho escutado muito sobre você. - Kate comentou, me olhando com o canto do olho e eu sorri um pouco envergonhado quando se voltou na minha direção como se questionasse o que eu havia falado dela para minha cunhada.
Deus, o que estava acontecendo? Eu estava envergonhado por ?
– Espero que ele tenha dito coisas boas. - piscou na minha direção – É um grande prazer conhecer vocês. Não só por serem a família do meu namorado, mas pelas pessoas que vocês são.
– Ah, muito obrigada. - Kate sorriu amigável na direção de . – Nós queremos que você se sinta à vontade perto de nós, por favor. Nós somos pessoas normais, não é, Harry?
– Acho que aos poucos ela vai se acostumado, Kate. - ri, vendo concordar com a cabeça ao meu lado.
William voltou para sala com nossas bebidas e nós quatro começamos a conversar. Kate engatou uma conversa sobre a faculdade de e o curso de História da Arte. William me encarou com um sorriso nos lábios, apontando discretamente para as duas que pareciam alheias a nossa conversa.
Mais uma vez, eu me sentia feliz. Era importante para mim saber que estava sendo recebida pela minha família, as pessoas mais importantes para mim, como a minha namorada. Pelo menos, algum sentimento verdadeiro existia nessa história toda.

– Deve ser a Carole. - William se levantou assim que a campainha tocou. Assim como eu, a família contava com uma empregada para fazer os serviços domésticos e ainda tinham a ajuda da Maria para cuidar de George.
Poucos minutos depois, ele retornou à sala com George em seu colo, sendo seguido por Carole e Michael, os pais de Kate. Minha cunhada se levantou e caminhou na direção de William para depositar um beijo na bochecha redonda de George antes de ir cumprimentar seus pais.
– Boa noite, Michael e Carole. Como estão as coisas? - me levantei do sofá, cumprimentando os dois com sorrisos e acenos.
– Olá, Harry. Estamos bem e você? - Carole sorriu, simpática como sempre, na minha direção.
– Bem, bem. Essa é , minha namorada. - apontei para a morena ao meu lado, que sorriu na direção do casal enquanto os cumprimentava. – , esses são Michael e Carole Middleton, os pais da Kate.
– É um prazer conhecê-los. - sorriu.
– É uma bela dama, Harry. Formam um belo casal. - Michael disse, sorrindo em nossa direção e eu agradeci com um aceno positivo de cabeça, sentindo-me um pouco estranho com o comentário.
Um belo casal. Nós não somos um casal. Pelo menos, não um de verdade. Mas se Michael disse que somos, significa que eu estou interpretando bem? Só poderia ser.
Conversamos com Carole e Michael por mais alguns minutos. Carole e Catherine convidaram para participar de um chá que seria feito para a segunda gravidez dela.
O restante da noite correu de forma tranquila. Os Middletons foram embora depois de cerca de trinta minutos de conversa e nós quatro jantamos. e Kate pareciam amigas há anos e ela também tinha se dado bem com William. Os dois conseguiram deixá-la relaxada e a receberam muito melhor do que eu imaginava.
se divertiu com George. O pequeno fez alguns desenhos em uma folha de papel e entregou para ela, que ficou toda derretida com o pequeno mimo que havia ganho do meu sobrinho.
– Se minha opinião vale de alguma coisa – Kate começou com um sorriso de canto nos lábios assim que se levantou para ir ao banheiro. – Essa é a certa, Harry. – ela piscou na minha direção e se virou para poder encarar meu irmão. – Vocês trocam olhares apaixonantes.
Quase cuspi gole de whisky que eu estava bebendo com o comentário da minha cunhada, mas fiz o possível para manter a postura e não parecer tão chocado com o que ela tinha falado.
Eu estava trocando olhares apaixonados com ? Não, não podia ser. se tornou uma amiga nesse caminho. Eu não tinha olhares apaixonados para ela. Talvez eu tivesse uma confusão de sentimentos por conta da tensão sexual dos últimos meses, mas eu não estava apaixonado. Eu fingia estar apaixonado.
E, pelo visto, eu estava fingindo tão bem que Catherine estava acreditando que eu estava realmente apaixonado. Eu só podia rir e me sentir ainda mais mal com toda a história.
Eu apaixonado? Claro que não.

¹Tropping the Colour: é realizado no segundo sábado de junho e marca o aniversário da Rainha com a presença dos militares britânicos e de toda família real na bancada do Palácio de Buckingham.


twelve.

"Quando a gente descobre algumas verdades, parece que todo o resto foi de mentira."


Eleaneor's POV.
– Eu não acredito que você nunca visitou Kensington ou o Buckingham! – Harry exclamou, surpreso com a minha confissão durante o café da manhã. – Que coisa mais anti-inglesa.
Teoricamente, eu não sou inglesa. - ergui o dedo, protestando pelo comentário e ele deu os ombros.
– Seus pais são e você veio adolescente para cá. Não acredito que a escola nunca te trouxe para uma visita ou algo do tipo. - dei risada pela insistência dele. – Não se faz mais escolas como antigamente nesta terra.
– Sorte a minha eu ter um namorado que vive aqui... – comecei a falar num tom mais baixo, vendo Harry me olhar com uma das sobrancelhas arqueadas como se esperasse eu concluir minha frase. – Assim, ele pode me levar para conhecer todos os locais.
– Então, esse era seu plano? Me usar para conhecer os Palácios?! - ele colocou uma das mãos no peito, fingindo estar ofendido e eu rolei os olhos.
– Claro, Alteza. Quero apenas saber das passagens secretas da residência da Rainha. Como você nunca pensou nisso?
– Tem tantas passagens secretas naquele lugar que as vezes você se perde. - Harry riu de seu próprio comentário e olhou para seu relógio. – Se não me engano, os visitantes só podem entrar às dez horas. Se a gente correr, posso te mostrar um pouco de lá...
– É sério?! – perguntei, soltando uma risada pela ideia dele, mas notei que era sério assim que o vi se levantando da mesa e deixando seu café pela metade. – Harry!
– O que? – ele riu, como se não fosse nada demais. – Vou pegar um boné!
Suspirei, vendo ele correr em direção à escada e me levantei da mesa, deixando meu café para trás. Não demorou nem cinco minutos para que ele estivesse de volta e nós saíssemos de seu apartamento que ficava na parte de trás do Palácio de Kensington.
Harry avisou para os seus oficiais de proteção sobre o nosso passeio e prontamente os dois começaram a caminhar junto conosco em direção a parte de visitas do Palácio. Eu tinha vontade de rir a cada passo que eu dava porque achava aquela ideia um tanto quanto absurda, mas Harry parecia contente em me explicar cada detalhe do local.
– Will e Kate moram no apartamento que nossa tia-avó, Margaret, morou. – ele apontou, enquanto passávamos pelo local e eu concordei com a cabeça.
– Alguém mora no apartamento que seus pais moraram?
– Não. Está vazio desde que ele se casou com Camila e se mudou para Clarence House, mas eu posso me mudar para lá futuramente. – concordei com a cabeça, não entendendo muito bem, mas não querendo fazer muitas perguntas.
Nosso passeio durou cerca de uma hora porque o Palácio seria aberto para os visitantes, mas eu tinha conhecido alguma das áreas comuns e visitado áreas como a sala de jantar e a galeria da Rainha.
Havia sido uma manhã divertida e eu tinha adorado conhecer um pouco mais da história, ainda que de forma muito rápida. Pensei em procurar na internet ingressos para uma visita oficial e arrastar junto comigo. Tinha certeza que o guia do local faria um trabalho melhor que Harry inventando histórias sobre as coisas.
Depois do passeio, voltamos para o apartamento e resolvemos ficar por lá. Daisy, a senhora que cuidava do apartamento de Harry, passou o recado do secretário dele sobre uma reunião que ele precisaria comparecer e eu murchei com o pensamento de passar a tarde longe do meu namorado.
– Tem certeza que vai ficar bem sozinha a tarde toda? - Harry perguntou enquanto terminava de dar o nó em sua gravata. – Eu posso pedir para a Kate vir aqui para conversar com você ou até mesmo pedir para a Beatrice passar a tarde com você...
– Harry, fique tranquilo. - segurei a risada pela preocupação excessiva dele. – Eu vou sobreviver a essas horas sem você.
– Estou me preocupando à toa? - ele parou de fazer o nó na gravata para me encarar e eu concordei com a cabeça, mordendo o lábio.
– Pensei em fazer um jantar. Posso me aventurar na cozinha?
– Claro. Eu quero que você se sinta à vontade, ! - sorri, me sentando na cama e observando-o terminar de se arrumar. – Está ótimo, Harry.
– Obrigado. Te vejo mais tarde? - ele se abaixou para juntar os lábios aos meus.
– Prometo que eu não vou fugir. - pisquei, acenando para ele que saía do quarto.
Voltei a me deitar na cama e fechei os olhos por alguns segundos, soltando um longo suspiro. Toda vez que eu estava com Harry eu podia sentir o meu coração batendo mais rápido que o normal, o que só comprovava que eu estava cada vez mais apaixonada por ele.
Se fosse um sonho o que eu estou vivendo agora, eu realmente não gostaria de ser acordada nunca. Queria permanecer nele o máximo que eu conseguisse.

Encarei meu reflexo no espelho e sorri. Estava pronta para esperar Harry chegar no apartamento para que nós pudéssemos ter o nosso jantar. Eu havia passado a tarde inteira preparando uma receita que tinha pego na internet há alguns dais e estava ansiosa para fazer. Cozinhar não era muito meu forte, mas era uma coisa que eu sempre gostei de fazer para passar o tempo.
Kate tinha passado para checar como eu estava, depois de uma insistência de Harry, e nós havíamos conversado por algumas horas. Eu ainda achava um pouco estranho estar tão próxima de uma pessoa que eu via quase em um pedestal, mas ela se mostrava uma mulher incrível e era uma ótima companhia.
Peguei meu celular sobre a cama para checar se Harry havia enviado alguma mensagem e mordi o lábio inferior quando percebi que a barra de notificações do celular estava vazia.
Saí do quarto, descendo as escadas devagar e decidi esperar pelo meu namorado sentada no sofá, assistindo a um programa qualquer na televisão. Já eram quase oito da noite e ele, certamente, estaria chegando para o nosso jantar.
Suspirei, encarando o teto da sala e pensando em Harry. Às vezes eu ainda considerava a ideia de me beliscar para saber se eu estava vivendo um sonho ou se eu realmente estava namorando aquele homem. No início, ele sempre parecia um pouco distante, mas depois de um tempo eu comecei a senti-lo mais perto de mim, querendo mais a minha presença. Talvez fosse a minha timidez inicial que o afastasse tanto, afinal, meu último namoro havia sido um desastre.
Com Harry era diferente. Ele teve paciência, aceitou levar as coisas no meu tempo e, embora seu mundo fosse diferente do meu, eu estava aprendendo a viver nele e parecia que ele me queria ainda mais presente. Por Deus, ele tinha falado que pensava em nosso casamento há duas semanas e eu só pensava em como não desfalecer após aquela revelação.
Eu não tinha dúvidas de que ele era o homem certo e que ele me fazia feliz. Eu estava amando Harry.
O barulho de carro me despertou dos meus pensamentos e eu senti meu coração dando alguns pulos. Me levantei do sofá e caminhei até a janela do apartamento, abrindo uma fresta da cortina para checar se era mesmo Harry ou se eu estava enganada.
Sorri ao ver meu ruivo favorito descendo da Rover e parando para conversar com seus OPs. Demorou alguns minutos para que ele se despedisse dos dois e caminhasse em direção ao apartamento.
? - a voz de Harry ecoou pela sala e eu saí de perto da cortina, vendo ele me procurar pela sala e soltar uma risada ao me ver.
– Presente. - acenei, caminhando na direção dele e unindo nossos lábios em um beijo rápido. – Como foi a reunião?
– Cansativa, mas conseguimos resolver algumas coisas. Já temos um local para a abertura, um show de abertura e várias equipes confirmaram participação. Acho que vai ser um bom projeto.
– Conseguiu o Foo Fighters?! - perguntei me contendo para não gritar e ele riu antes de confirmar com a cabeça.
– Sim! Edward tinha entrado em contato com eles e hoje eu conversei com o Dave. Ele aceitou muito rápido!
– Meu Deus, Harry! Esses jogos vão ser incríveis, eu tenho certeza disso. - sorri, abraçando-o pelo pescoço e ele depositou um beijo na minha têmpora.
– Obrigado, . Eu quero você presente lá, por favor.
– Claro que eu estarei lá com você! - sorri – É só me dizer o dia que eu estarei lá.
– Obrigado. - ele sorriu – Agora, você conseguiu fazer o jantar ou queimou a cozinha do apartamento?
– Consegui e não queimei sua cozinha! Por favor, eu sou quase uma chef profissional. - ri, abanando o ar com a mão e Harry deu risada. – Kate provou quando ela veio aqui e garantiu que estava muito bom.
– Bom, eu confio na Catherine... - ele deu os ombros – Posso tomar um banho antes da gente jantar? - concordei com a cabeça e ele me deu um selinho antes de subir as escada para o quarto dele.

, isso estava dos deuses. - Harry limpou o canto da boca com o guardanapo e sorriu na minha direção.
– Eu te disse que não ia atear fogo na sua cozinha. - mostrei a língua na direção dele e me levantei para colocar minhas louças na lavadora.
– Você sabe que eu só queria te irritar. - ele deu os ombros, levantando-se e fazendo o mesmo caminho que eu. Me encostei na pia da cozinha do apartamento, observando o ruivo colocar suas louças na lavadora. – Você é boa em tudo que faz.
– Nem tanto. Cozinhar é só um hobbie. - falei, não querendo me gabar porque sabia que não cozinhava tão bem quanto ele estava falando e Harry riu.
– Um hobbie que você faz com maestria. Eu não sei fazer quase nada quando o assunto é cozinha.
– Na próxima vez, eu vou esperar você chegar para nós cozinharmos juntos. - ri da careta que ele fez. – Li uma vez na internet que cozinhar é um bom passatempo para casais.
– Prometa que não vai rir de mim quando eu queimar até a água. - Harry segurou na minha mão, erguendo-a até seus lábios e depositou um beijo no torso da mesma, me fazendo sorrir pelo carinho.
– Aposto que você está escondendo o grande chef que você é. - falei, soltando minha mão da dele e colocando meus braços ao redor de seu pescoço, ficando mais próxima. Harry riu, balançando a cabeça e voltou a me encarar.
– Talvez. Eu sou bom no pôquer, sabia? Posso estar blefando e você não percebeu ainda. - ele piscou na minha direção, me fazendo soltar uma risada por seu comentário.
– O que mais você pode estar escondendo de mim? - perguntei divertida pronta para saber mais alguns detalhes da vida dele, mas o ruivo pareceu resetar por alguns segundos. Sua feição mudou para um misto de confusão e surpresa, me fazendo balançar a cabeça para tentar entender o que estava acontecendo. – Harry?
Ele fechou os olhos e soltou uma risada fraca antes de abrir as írises azuis para focar em mim novamente. Dessa vez, sua expressão havia suavizado e ele parecia estar de volta a momentos antes.
– Desculpe... Eu não escondo nada de você, . - ele falou num tom ainda sério e eu concordei com a cabeça.
– Eu sei, Harry. - sorri, fazendo um carinho em sua nuca com uma de minhas mãos e recebi um sorriso fraco em resposta. – É só que isso tudo que estamos vivendo ainda parece um sonho para mim. Você me parece ser um sonho!
– Eu posso provar que eu estou aqui e sou bem real. - ele sorriu, levando uma de suas mãos para a minha nuca para quebrar toda distância entre nós.
Nossas bocas se chocaram e foi impossível não sentir a corrente que percorreu meu corpo naquele momento. Cada pelo da minha pele se arrepiava com o toque dele.
Minhas mãos se dividiam entre seus cabelos, bagunçando-os enquanto uma das mãos dele se mantinha fixa em minha cintura. Harry deu um passo para frente, me forçando a dar um para trás e logo eu senti a pia da cozinha atrás de mim.
Ele se afastou de mim e, por alguns segundos, eu pude observar sua boca vermelha assim como a minha deveria estar naquele momento. O ruivo deu um beijo na região embaixo do meu ouvido, me causando uma leve cócega e me fazendo soltar uma risada, consequentemente puxando seus cabelos com um pouco de força.
Aos poucos, os beijos foram se intensificando e descendo para o meu pescoço. Soltei um suspiro sôfrego quando senti as mãos de Harry deslizando pelas minhas pernas e parando na altura dos meus joelhos. Ele me puxou e me ergueu com uma certa facilidade que me fez sorrir e logo eu estava sentada sobre a bancada da cozinha.
Uma das mãos de Harry entrou pela barra da blusa fina que eu usava, causando um pequeno choque e um breve susto em mim, mas seus beijos molhados em meu pescoço fizeram questão de acalmar.
Deus, como aquela cozinha tinha ficado tão quente?
Não contive um suspiro quando ele apertou minha cintura e fechei os olhos, dando um leve puxão em seus cabelos e ouvi a risada dele contra a minha pele. Seus lábios voltaram a procurar os meus parecendo totalmente sedentos por aquele contato. Eu, pelo menos, sabia que eu estava.
Harry se afastou mais uma vez e eu soltei um suspiro em descontentamento, o que causou uma breve risada do meu namorado e um selinho em resposta. Tentei aprofundar o beijo, mas ele se afastou mais uma vez.
... – ele quase soprou meu nome – Se nós continuarmos...
– Está tudo bem. – sorri, colocando minha mão esquerda na lateral de seu rosto e fazendo um carinho em sua bochecha com o polegar. – Eu quero.
Ele pareceu um pouco surpreso, mas um sorriso tomou conta do seu rosto e seus lábios se aproximaram do meu, para a minha completa felicidade. Meu corpo já começava a chamar por ele e tudo que eu desejava naquele momento era ser dele.


thirteen.

"Toda mentira fere um coração de verdade."


Respirei fundo com a resposta de e voltei a beijá-la como eu nunca havia feito antes. Suas mãos pequenas passeavam pela minha nuca e ombros, enquanto as minhas estavam pousadas em sua cintura e coxas, apertando-as em alguns momentos – e causando alguns gemidos tímidos da parte dela.
Tentei ignorar a voz que me lembrava que eu estava agindo de uma maneira terrível e me deixei curtir o momento, puxando as pernas de para o redor de minha cintura. Sussurrei para que ela se segurasse em mim e assim que ela o fez, comecei a caminhar em direção a sala.
Se eu fosse continuar com aquele momento, eu faria o suficiente para que ele fosse totalmente especial para .
Subi a escada devagar, já que não tinha como olhar os degraus e sorri com a inciativa de em começar a beijar o meu pescoço. Quando cheguei ao segundo andar da casa, quase corri pelo corredor para dentro do meu quarto com em meu colo, mas consegui manter a calma durante todo aquele momento.
Em poucos minutos, as roupas já não faziam mais parte do nosso corpo. Os suspiros, as carícias e os gemidos tomavam conta do meu quarto que parecia ficar a cada minuto mais parecido com uma sauna.
Ter nos meus braços naquele momento era especial. Ela não me parecia mais a menina que eu tinha conhecido há quase seis meses, mas uma mulher que crescia diante dos meus olhos.
Éramos apenas e eu prestes a viver um momento especial e anos tornar um. Só nós dois, sem nenhuma daquela história ferrada por trás, e por alguns segundos, eu tive a certeza de que aquilo poderia dar certo.
Senti aquela sensação boa percorrer pelo corpo a cada movimento que eu fazia. As unhas de marcavam as minhas costas e eu sorri, atingindo o meu ápice e deixando o meu corpo cair sobre o dela por alguns segundos antes de rolar de barriga para cima na cama.
Me levantei da cama para ir ao banheiro e retornei, me deitando na cama novamente. Virei o rosto para , vendo um sorriso bobo em seu rosto e eu sabia que eu também estava com o mesmo sorriso no rosto.
– Eu amo você.
Senti meu corpo resetar naquele instante e encarei o teto, respirando fundo antes de voltar a encarar . Eu não queria enganá-la, não queria mentir ainda mais e muito menos mentir sobre os sentimentos que eu tinha por ela.
– Eu também. - respondi de maneira vazia para não a deixar sem resposta.
Voltei a encarar e ela já se encontrava com os olhos fechados, mas com um leve sorriso no rosto. Soltei o ar, puxando-a devagar para mais perto de mim e coloquei uma das minhas mãos sobre o meu rosto. Minha cabeça estava a um milhão e eu nem preciso mencionar como estava o meu coração naquele momento.

Praticamente não dormi. Acordei uma hora mais cedo que o marcado e fui para o banheiro do corredor para tomar um banho. Não que eu estivesse fugindo de , mas talvez eu estivesse fugindo mesmo de ter que responder alguma coisa para ela.
Dizer eu te amo é algo importante e gerava uma resposta da outra parte. Só que eu não sabia se poderia – ou deveria – respondê-la da mesma maneira. Eu precisava de um tempo para entender tudo que estava dentro de mim, entender meus sentimentos.
– Bom dia, Maik e Dave. - cumprimentei meus dois oficiais, colocando meus óculos escuros e entrando no banco de trás da Rover para que seguíssemos para o Palácio de Buckingham. – Will e Kate já foram?
– Ainda não, senhor. Mas, eles não irão conosco porque irão levar George. - concordei com a cabeça, retirando meu celular do bolso para checar o que tinha acontecido no mundo nas últimas horas e como estavam os preparativos para o Trooping the Colour.
Como todos os anos, os uniformes dos homens eram levados para o Palácio e nós precisávamos chegar uma hora antes do horário para que pudéssemos nos trocar enquanto as mulheres já iam arrumadas de suas residências. Edward já tinha enviado o meu uniforme militar para o Palácio e tudo que eu precisava fazer era chegar antes para poder vesti-lo.
O caminho durou cerca de quinze minutos e, logo, o carro ultrapassou os portões do Palácio. Me despedi de meus oficiais, descendo do carro e seguindo o caminho para dentro do local.
– Bom dia. - cumprimentei Jacob que estava acompanhado de Larry. – Meu pai já chegou?
– Sim, Alteza. - Jacob me respondeu após se curvar rapidamente na minha direção. – Ele está conversando com Sua Majestade.
– Ahn... Tudo bem. - dei os ombros, seguindo o caminho pelo corredor em direção a uma das salas para que eu pudesse me vestir.
Troquei minha roupa normal pelo meu traje militar e agora tinha ficado um pouco mais difícil me sentar. A roupa cheia de dobraduras não ajudava nem um pouco na questão de conforto, mas o bom era que faltavam poucas horas para que todos fossemos para o balcão.
A maioria da família já estava reunida e eu cumprimentei a todos enquanto esperávamos o momento para sair do Palácio. Iríamos pela The Mall de carruagem até o Horse Guards Parade para assistir à cerimônia e depois retornaríamos ao Buckingham para assistir a uma demonstração da Força Aérea.
Havia cumprimentado Eugenie de longe, apenas conversando com Beatrice e meus tios Andrew e Edward. Ainda estava um pouco chateado por tudo que havia acontecido no casamento dos Pelly e não tinha certeza se ela havia entendido o meu recado. O que era uma pena porque Eugenie e eu temos uma identificação muito forte e, desde pequenos, sempre fomos muito próximos um ao outro.
– Harry, meu filho! - meu pai exclamou, se aproximando de nós com um sorriso no rosto e me abraçando. – Como estão as coisas?
– Tudo calmo, papa. - sorri, usando o apelido que o chamava desde pequeno e ele concordou com a cabeça. – Sua avó quer conversar com você mais tarde, tudo bem?
Uh-oh.
Contive a vontade de fazer uma careta e concordei com a cabeça para o recado que ele tinha dado. Era certo que o assunto seria meu casamento e eu não estava nem um pouco pronto para falar disso, mas não se nega um convite de sua avó. Muito menos quando ela é a Rainha.
– Buscando aprovação, Harry? - tio Edward me encarou, parecendo um pouco surpreso com a informação e eu concordei com a cabeça.
– Todos precisamos dela, não é? - ri fraco, vendo os mais velhos concordarem com a cabeça.
– Beatrice me disse que é uma excelente moça. Devo dizer que estou ansioso para conhecê-la! - tio Andrew disse, completando com uma piscada na minha direção e eu sorri.
Não tive tempo para responder porque os secretários nos chamaram para que nos posicionássemos nas carruagens. Acenei para meu pai e meus tios, seguindo caminho para a minha carruagem.
– Olhe nós aqui de novo. - Camila sorriu assim que eu a ajudei a subir na carruagem. Como nos anos anteriores, ela e Catherine estavam lado a lado e eu me encontrava de frente para as duas.
– Talvez seja o nosso último ano assim. Quem sabe ano que vem, Harry não tenha uma nova companhia? - Kate brincou, arrancando uma risada contida da minha madrasta.
– As coisas estão firme com a senhorita Thompson, então? - concordei com a cabeça, querendo de qualquer forma fugir daquele assunto. Por que, de repente, todos estavam querendo saber do meu "relacionamento" dessa maneira? – Seu pai vai ficar feliz em saber.
"Ele já sabe de tudo, Camila", era o que eu queria responder, mas eu sabia que não podia. Então, sorri e rezei para que aquela carruagem começasse a se movimentar logo para que os gritos dos espectadores fossem mais altos que as perguntas de Kate e Camila sobre .

Seria mentira dizer que eu não estava nervoso porque, naquele momento, eu sentia cada célula de nervosismo tomando conta do meu corpo. Tentei não deixar isso transparecer enquanto eu aguardava Larry me anunciar para entrar na sala, mas eu podia sentir minhas mãos suando.
– Pode entrar, Alteza. - agradeci com um aceno e entrei na sala, vendo minha avó sentada no sofá no canto esquerdo. Sorri, curvando a cabeça rapidamente e me aproximei para cumprimentá-la.
– Meu querido! Como você está? - perguntou de maneira atenciosa, enquanto eu me sentava de frente para ela no outro sofá da sala.
– Estou bem e a senhora?
– Estou fantástica. - ela sorriu na minha direção. – Charles me disse que as coisas estão indo bem, mas eu prefiro ouvir de você. Como você está lidando com tudo?
– Acho que agora estou lidando melhor do que antes. Eu tento entender que é um sacrifício que alguns de nós precisam fazer para ajudar a instituição que representamos, mas ainda é difícil saber que todo o meu futuro, minhas decisões estão sendo traçadas e não é por mim.
– A vida é feita de sacrifícios e escolhas. Nem todas são as que nós queremos, mas as que nós precisamos tomar. E assim é feita a vida, Henry. - concordei com a cabeça.
– Mas eu tenho certeza que a senhora não me chamou aqui apenas para saber sobre isso. Meu pai com certeza tem passado toda a evolução do relacionamento e os prazos que eu tenho que cumprir...
– Tem razão. - ela balançou a cabeça. – O chamei porque quero convidar você e a senhorita Thompson para um chá comigo e seu avô na próxima semana antes da nossa ida para Balmoral.
– A senhora quer conhecê-la? - perguntei apenas para ter a certeza e vi minha avó concordar com a cabeça. – Por quê? Por acaso, eu vou precisar de aprovação para o casamento sendo que vocês estão propondo essa história toda?
– Para nós não, mas para a imprensa, eu precisarei mostrar que concedi minha aprovação para esse casamento. No entanto, quero conhecê-la para saber se é a moça certa para a situação. Tudo bem, Harry?
– Se a senhora acha que é necessário, tudo bem. - dei os ombros.
– Certo. Vou pedir ao meu secretário para que arrume um horário na próxima semana e ele entrará em contato. - ela sorriu fraco, mostrando-se satisfeita e eu concordei com a cabeça.

Retornei ao meu apartamento por volta da uma da tarde. Tinha almoçado em Buckingham e tudo que eu precisava era de algumas horas de repouso naquele restante de dia.
? - a chamei, tirando meus sapatos e começando a desabotoar minha camisa social. Precisava de um banho e de boas horas de sono.
Franzi o cenho ao não receber nenhuma resposta e me perguntei se ela teria ido embora sem avisar. Tudo bem que eu tinha feito quase o mesmo de manhã, mas ela sabia que eu teria o evento.
Balancei a cabeça ao ouvir risadas e girei meus calcanhares em direção a cozinha do meu apartamento. Encontrei sentada em uma das cadeiras com o celular no ouvido e, obviamente, ela era a dona das risadas.
Me encostei na bancada da cozinha, observando-a falar ao celular de maneira despretensiosa. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo e ela usava uma camisa mais comprida. Sorri de forma involuntária, reparando-a por completo e sentindo alguns comichões dentro de mim.
Parecendo saber que estava sendo observada e escutada, se mexeu e seus olhos passearam pela cozinha até chegarem em mim. Ela sorriu na minha direção e eu retribuí, erguendo uma sobrancelha como se perguntasse, em silêncio quem era ao telefone.
– Ahn... Mãe, só um momento, o Harry chegou. Por que não fala diretamente com ele? - arregalei os olhos, surpreso e não entendendo o que ela queria dizer. se levantou da cadeira, com o celular em mãos e o colocou em cima da bancada, próximo de mim, pressionando o dedo sobre o símbolo do viva-voz.
- GKH? - Nancy pronunciou meu apelido de maneira saudosa e eu sorri.
– Oi, Nancy. Como está?
Bem, querido, e você? Estava muito bonito no Trooping de manhã. Parecia radiante!
– Estou bem, obrigado. É sempre bom comemorar o aniversário da vovó. - falei, encarando , tentando entender para onde aquele assunto estava indo.
Bom, eu estava conversando com e ela me disse que já chegou a conhecer seu irmão e sua cunhada. Fiquei feliz de saber, mas isso me deixou curiosa para saber quando você virá nos fazer uma visita? Estamos ansiosos.
Prendi o ar, olhando para a mulher a minha frente que ergueu as duas mãos como se mostrasse que também não sabia.
– É só marcar, Nancy. Será um prazer revê-los.
Que tal na segunda?
Acabamos marcando um almoço e teve que cortar a mãe um pouco porque ela parecia extremamente animada ao telefone, sempre emendado um assunto no outro. Por alguns minutos, eu pensei que aquela ligação nunca fosse acabar.
– Me desculpe pela minha mãe. Às vezes, ela fala demais. - rolou os olhos, após finalizar a ligação e eu dei risada.
– Como se eu não a conhecesse. - dei os ombros. – Então, teremos dois eventos familiares na próxima semana!
– Dois? - ela questionou, balançando a cabeça na minha direção. – Qual é o outro?
– Minha avó nos convidou para um chá com ela e meu avô.
Observei ficar pálida e, prontamente, segurei em seu braço. Ela balançou a cabeça mais uma vez, me encarando com os olhos arregalados.
– Sua avó, no caso, a Rainha da Inglaterra?
– É. E ela estará apenas como minha avó no chá. Não é nada demais.
– Claramente, é demais, Harry. Pode não parecer para você que convive com esse título desde que nasceu, mas para mim, é demais. - ela suspirou. – Eu nem sei se estou pronta para isso! Ai meu Deus. Não podemos cancelar?
– Aqui eu devo lembrar que estamos falando sobre a Rainha desta nação. Não podemos cancelar. - ela negou com a cabeça. – Você deveria se preocupar mais com o meu avô do que com a minha avó, na verdade. Philip vai fazer questão de brincar com esse seu sotaque dos Estados Unidos.
– Por favor, Harry, não me deixe ainda mais nervosa. - ela ergueu uma mão na minha direção e eu dei risada, me afastando da bancada e me aproximando dela. Coloquei minhas mãos em sua cintura, puxando-a para perto de mim e depositei um beijo em sua têmpora.
– Não fica assim, amor. Não há nada que vá fazer eles não gostarem de você.
E realmente não haveria. Tenho certeza que o encontro seria apenas para minha avó saber se meu pai havia escolhido a menina certa, como ela sabia que ele tinha feito.

xxx


– Eu ainda não acredito que acordei cedo para assistir um jogo que eu nem sei como funciona. - murmurou ao meu lado, enquanto eu entrava com o carro no campo de estacionamento.
– Você está aqui para ser minha torcedora número um e me ver acabar com o time do Will. - falei, colocando a marcha em S e apertando o botão para desligar meu carro. Pelo retrovisor, pude ver Dave e Maik saindo da Rover logo atrás e me virei para . – Além do mais, Kate e mais alguns primos estarão aqui. Vai ser divertido!
– Catherine sabe sobre polo? Talvez ela possa me ensinar um pouco.
– A única coisa que importa é que eu vença, amor. - fiz um carinho no queixo dela e sorriu na minha direção. – O que?
– Você me chamou de amor. Acho fofo. - ela se esticou um pouco para frente, colando os lábios no meu em um rápido selinho e eu pisquei algumas vezes. Nem havia me dado conta que o apelido tinha escapulido pela minha boca, mas dei os ombros.
Nada demais, Harry. Só um apelido.
Saímos do carro e eu abri o porta malas para pegar a bolsa com as roupas que eu usaria para jogar. Entrelacei minha mão a de , ignorando o fato da lateral oposta a nossa estar com alguns fotógrafos e segui caminho em direção a tenda onde estariam os outros membros da minha família.
Avistei Zara, Philip, Autumn e Kate com as crianças próximas a tenda. George estava na grama brincando com Savannah e Isla enquanto os adultos conversavam.
– Olha o casal vindo aí! - Catherine sorriu na nossa direção e cumprimentou com um abraço e alguns beijos no rosto. Sorri, abraçando minha cunhada e me virei para meus primos.
– Zara, Philip e Autumn, essa é , minha namorada. , esses são meus primos Zara e Phillip; e Autumn, esposa do Philip. - apresentei os quatro e foi logo abraçada pelos três.
– É um prazer finalmente conhecer você, ! Você tem sido o assunto da família... - Autumun comentou, encarando a cunhada que confirmou com a cabeça e me encarou antes de soltar uma risada.
– Espero que sejam coisas boas...
– Ah, são ótimas. Principalmente sobre como é raro para conhecer alguma namorada do Harry... Ela precisa ser realmente especial. - Zara respondeu, piscando na minha direção. – Nós só conhecemos uma, para você ter noção...
– Ok, chega do assunto "namoradas do Harry". - murmurei, me sentindo um pouco desconfortável com a situação e todos riram. – Onde estão William e Mike?
– Ele encontrou alguns amigos do rugby e estão conversando ali próximo do restaurante. - Zara respondeu sobre o marido e eu concordei com a cabeça, encarando Kate para saber onde estava meu irmão.
– William já foi trocar de roupa. - ela apontou para dentro da tenda.
– Vou trocar de roupa, então. - me virei para , depositando um beijo em sua têmpora e me virei para minhas primas. – Não a deixem com vergonha e nem contem nada constrangedor.
Segui caminho em direção a tenda para poder trocar minha roupa e encontrei alguns amigos do meu time. Como era acontecia anualmente o jogo de polo, a maioria dos times eram rostos conhecidos e o jogo era mais amistoso do que competitivo – não muito para meu irmão e eu.
– Pronto para perder? - encarei Will que terminava de calçar as botas e ele riu.
– Acho que se esqueceu que somos de times diferentes, irmão... Quem vai perder é o seu time. - Will rebateu, sorrindo na minha direção e eu dei os ombros, focando em me arrumar para não me atrasar para o jogo.

O jogo terminou com uma vitória do meu time. Impliquei mais um pouco com William depois da vitória, principalmente quando fomos para o pequeno palco montado para que Kate entregasse um troféu ao time vencedor.
Depois de posar para algumas fotos junto com meu time e me despedir dos meus companheiros, segui com William para onde nossa família estava sentada. estava na grama com Isla em seu colo e conversava com Autumn.
– Elas estão se tornando melhores amigas! - Philip, meu primo, comentou ao perceber que eu encarava sua esposa conversando com a minha namorada. Ri, concordando com a cabeça e chamando a atenção das duas.
– Estou passando algumas dicas para ela. - Autumn disse e concordou com a cabeça, mostrando que estava totalmente à vontade na conversa. Era bom saber que de toda minha família, apenas Eugenie era receosa quanto a ela.
teria um bom apoio para aprender a lidar com a nossa vida e seria bem recebida na minha família. Parecia que agora, tudo era apenas uma questão de tempo.

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O fim de semana tinha passado mais rápido que eu esperava. foi para sua casa no sábado à noite porque não quis me acompanhar no jogo de polo do domingo. Disse que precisava descansar das emoções do final de semana e das que ainda estavam por vir – ela ainda estava nervosa sobre conhecer minha avó e eu conseguia achar isso um pouco fofo.
Na parte da manhã, arrumei algumas coisas sobre o Invictus junto com Edward e alguns organizadores. Os times estavam montados e estávamos na fase de enviar convites para algumas pessoas importantes do nosso meio, grandes nomes dos esportes e representantes de países para comparecerem a cerimônia de abertura.
Por volta das sete da noite, segui caminho para a casa dos Thompson. ia direto de sua casa para lá e eu decidi ir dirigindo de Kensington porque fazia algum tempo que eu não dirigia o meu amado Audi. Maik e Dave me seguiam na Rover logo atrás.
– Boa noite, senhorita. - sorri para assim que ela abriu a porta da casa e ela se inclinou para me dar um beijo de boas-vindas.
– Oi. - ela sorriu tímida ao perceber os dois oficiais atrás de mim e eu contive uma risada.
– Dave e Maik podem passar para ver se o local está seguro?
– Claro, mas eles não vão prender a minha mãe, não é? Ela está mais animada que no telefone, Harry. - ela tampou o rosto, dando risadas me fazendo rir junto. Dave e Maik entraram na casa para fazer sua ronda e eu entrei também.
– Ah, vamos lá. Nancy não pode ser tão ruim assim!
– Você fala isso porque só se lembra dela na sua infância. Não quero nem ver quando ela começar a contar histórias constrangedoras...
– Acho que esse é um dom dos pais. Charles também tem histórias muito constrangedoras sobre mim. - ri fraco e deixei que ela me guiasse até a sala da casa dos Thompson.
– Harry, querido! Como está? - fui recebido por Nancy assim que e eu entramos na sala de estar. A cumprimentei, vendo o senhor Thompson sentado no sofá, ainda observando a cena.
– É um prazer revê-lo, senhor Thompson. - sorri, esticando minha mão e ele a segurou em um aperto de mãos firme.
– Seja bem-vindo e, por favor, me chame de Robert. - concordei com a cabeça.
– Por que não nos sentamos? Ainda faltam alguns minutos para o jantar ficar pronto. - Nancy propôs e nós concordamos com a cabeça, nos ajeitando nos dois sofás da sala de estar.
– Quer beber alguma coisa, Harry? Eu tenho alguns bons vinhos... - o senhor Thompson sorriu na minha direção e eu concordei com a cabeça. – Tem algum preferido?
– Vou seguir o mesmo que o senhor.
– Ótimo. - ele se levantou da sofá e encarou , sentada ao meu lado. – Florzinha, você se importa de me ajudar? - balançou a cabeça, levantando-se do sofá para acompanhar o pai até a cozinha.
– Oh, Harry. - Nancy sorriu para mim assim que ficamos sozinhos na sala e eu a encarei, aguardando que ela falasse. – Eu faço tanto gosto pelo seu relacionamento com a minha filha, você não faz ideia, querido.
– Obrigado... Eu acho. - murmurei, não entendendo muito aonde ela queria chegar. Eu não tinha muitas lembranças de Nancy na minha infância, mas ela sempre foi uma babá divertida e uma grande amiga para minha mãe.
– Quando seu pai propôs essa ideia, eu confesso que não estava colocando muita fé, mas você realmente parece apaixonado. Formam um casal e tanto! Eu tenho certeza que o público vai amar muito vocês dois.
Precisei piscar algumas vezes para que minha mente absorvesse que Nancy sabia de toda a história. Ela estava compactuando com tudo e ainda estava feliz por isso?
– Vocês sabem?
Antes que ela pudesse me responder, e Robert retornaram da cozinha com taças de vinho e copos de suco. Sorri fraco, pegando uma das taças da mão de e dei um longo gole, parecendo um tanto quanto afobado pela bebida alcoólica.
– Está tudo bem, Harry? Você me parece um pouco pálido... - passou a mão pelo meu ombro, me observando de maneira zelosa.
– Está. Tudo tranquilo. - sorri, tentando parecer que eu estava realmente bem, mas da minha mente não saía o fato que Nancy, a mãe de , sabia de toda a história. Ela estava sendo capaz de apoiar alguém a enganar a própria filha à troco de quê?


fourteen.

"Nenhuma mentira chega a envelhecer no tempo."


Passei o restante do jantar com os pais de me sentindo um tanto quanto enjoado. Pensar que Nancy sabia que eu estava engando sua filha junto com meu pai e que concordava com a história toda sem sentir culpa, me fazia pensar em que tipo de mãe seria capaz daquilo.
era uma moça boa. Sempre falou da família com muito carinho e tem uma boa relação com os dois. Não consegui entender como Nancy estava fazendo parte desse circo todo com meu pai. Fica cada dia pior saber que estou enganando .
– Harry, tem certeza que está tudo bem? - questionou depois que me despedi de seus pais.
– Está tudo ótimo, . - sorri, na tentativa de reforçar que eu estava bem, mas parecia não adiantar muito pela feição que ela ainda possuía.
– Foi um ótimo jantar. Tudo correu bem, eu só estou preocupado com outras coisas, mas não se preocupe com isso. É coisa minha. - dei os ombros, colocando a mão no rosto dela e fazendo um carinho em sua bochecha com o polegar.
– Tudo bem... Se tivesse algo de errado, você me falaria, não é?
– Claro que sim, . - sorri. – Agora, preciso ir. A semana vai ser corrida, mas nos vemos antes do chá com a minha avó.
– Ah, nem me lembre disso... - ela riu, balançando a cabeça. – Preciso encontrar uma roupa e me concentrar para não morrer de ansiedade.
– Você se sairá muito bem, pode ficar tranquila. - sorri, me aproximando para beijá-la em despedida.
Me despedi de e esperei ela entrar de volta na casa dos pais para que eu caminhasse em direção ao meu carro.
Suspirei, encostando a cabeça no vidro e observando a cidade passando rapidamente. Eu sabia que a cada dia se tornava mais difícil lutar contra os sentimentos, então eu passei a tentar decifrá-los. Não era carência, não era falta, talvez eu estivesse só relutando para aceitar o que estava acontecendo porque era dar o braço a torcer. E eu sabia que eu não iria ceder tão fácil.

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A semana havia sido corrida o suficiente para me fazer esquecer sobre o chá com a minha avó. Participei do Well The Child, viajei para Notthingham para a inauguração do museu da justiça e mais alguns outros eventos de menor importância, mas que foram importantes para manter a minha mente ocupada.
havia me mandado mensagens a semana inteira. Não tínhamos nos visto porque ela estava finalizando a semana de provas, mas ela já tinha me mostrado o vestido que Ashley havia ajudado a comprar. Até mesmo pelas mensagens, eu podia sentir o nervosismo dela. E confesso que eu estava um tanto quanto ansioso.
– Nervosa? - questionei, que concordou com a cabeça. Suas mãos brincavam com meus dedos e o silêncio reinava no caminho até o Buckingham. Chegava a ser divertido.
– Acho que você nem precisa perguntar... - ela riu fraco, soltando meus dedos e eu sorri. – Não adianta vir com suas frases feitas para me acalmar...
– Eu nem ia tentar. - dei os ombros.
– Você acha que eu estou bem?
– Você está linda, . Vai sair tudo bem. - a assegurei, fazendo um carinho em sua mão com o polegar. – Minha avó não é nenhum bicho de sete cabeças.
– É fácil para você falar. - deu os ombros e a Rover ultrapassou os portões do Palácio.
Maik estacionou o carro e as portas foram abertas pelos seguranças. Desci do carro, dando a volta por trás do mesmo e me encontrando com do outro lado. Estiquei minha mão para entrelaçar nossos dedos e fomos cumprimentados por Jerry, o responsável pelo Palácio.
– Alteza. - Jerry curvou a cabeça e sorriu na nossa direção quando voltou a nos encarar. – Sua Majestade os aguarda no salão principal.
Oh Deus. - sussurrou baixo e Jerry começou a nos guiar pelos corredores de Buckingham. Ri fraco pelo comentário dela e dei o primeiro passo para seguir o funcionário, impedindo que minha namorada corresse do palácio.
Jerry abriu a porta do salão principal, anunciando que e eu estávamos ali e nos entramos. Curvei minha cabeça rapidamente, em sinal de respeito, e, ao meu lado, fez uma reverência.
– Henry, querido como tem passado? - minha avó foi a primeira a se pronunciar na sala e eu caminhei em sua direção para cumprimentá-la com um abraço.
– Bem e vocês, como estão?
– Estamos bem, filho. - meu avó respondeu. – Não vai nos apresentar à moça? Afinal, é para isso que estamos aqui. - ri fraco quando vi o olhar da minha avó o repreendendo pelo comentário, mas já estava acostumado com o Príncipe Philip e suas grosserias de vez em quando.
– Claro, vovô. - sorri, estendendo minha mão para que se aproximasse. – Essa é Thompson, minha namorada.
– É uma honra conhecê-los. - sorriu, sendo cumprimentada pelos dois e nós nos sentamos no sofá.
– Percebo um sotaque, minha jovem. Certamente não é inglesa. - meu avô comentou, erguendo uma sobrancelha e eu contive uma risada com sua leve implicância nada pessoal com .
– Nasci nos Estados Unidos, mas me mudei para Londres quando ainda era pequena. Acho que não peguei o sotaque inglês. - riu, tentando esconder seu nervosismo.
– Ela é filha da senhora Thompson, minha ex-babá. Vocês se lembram dela?
– Charles nos disse isso. Eu me lembro um pouco dela sim. Sua mãe e a senhora Thompson eram boas amigas. - minha avó comentou e eu concordei com a cabeça.
O restante da tarde foi bastante agradável. Minha avó estava muito curiosa a respeito de , mas a todo instante parecia estar julgando cada movimento dela e cada resposta que ela dava. E se eu tinha notado, era certo que também havia sentido e certamente estaria se sentindo mal com isso.
Tentei relevar, ficando na conversa que nós estávamos tendo e nas piadas que meu avô fazia. Ele já havia até corrigido em algumas palavras que ela não dizia com o nosso sotaque.
Perto das quatro da tarde, vovó anunciou que os dois precisavam ir e nós concordamos. Nos despedimos dos dois e minha avó sorriu na minha direção.
– Harry, podemos falar em particular? - concordei com a cabeça, me virando para que sorriu na minha direção. Saí da sala, seguindo meus avós e nós paramos no corredor.
– Seu pai tem razão, Harry. Ela é o que precisamos! Não poderíamos ter escolhido melhor. Será um casamento de sucesso.
– Obrigado... Eu acho?
– Não seja bobo, querido. E se prepare porque seu casamento o está mais perto do que antes.
Minha avó sorriu e me abraçou antes de seguir caminho pelo corredor acompanhada pelo meu avô. Me virei, abrindo a porta e vendo sentada no sofá, me esperando.
, vamos?
– Acho que fiquei mais nervosa nesses últimos minutos do que durante toda a tarde. - ela murmurou, pegando sua bolsa e se levantando do sofá. – O que ela disse? Pode me contar ou é segredo de estado?
– Ela só disse que meu pai tinha falado bem de você e que ela percebeu que ele tinha razão. - sorri, dando os ombros e sorriu largamente antes de me abraçar. – Não foi tão ruim, não é?
– Talvez eu tenha exagerado só um pouco, mas pode colocar a culpa na minha ansiedade. - ela deu os ombros e eu depositei um beijo em seus lábios. – Estou me sentindo quase da família.
– Ainda bem porque você já é parte da família.

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– Você está sumido! - Jake comentou enquanto entrava no carro, sorrindo em minha direção.
– Eu sei que vocês sentiram a minha falta, mas tive algumas semanas muito ocupadas. - falei, esperando que Jake e Thomas entrassem no carro. Nós íamos assistir a uma partida de rugby e aproveitar para colocar o papo em dia, já que fazia algumas boas semanas que eu não me encontrava com meus amigos.
– Quais as novidades? Já se casou? - Skippy perguntou do banco de trás, me fazendo dar risada.
– Ainda não me casei, mas pretendo. - anunciei, não podendo ver a cara dos meus amigos com a minha resposta, mas eu imaginava que eles estavam surpresos.
– E você conta a novidade, assim?! - Skippy riu.
– Já a pediu em casamento? A que passo estão?
– Passo nenhum ainda, Jake. Mas é só uma questão de tempo. - dei os ombros. – Acho que até o final do ano nós estaremos noivos.
– Eu estou aqui se precisar de um padrinho. - Warren sorriu, colocando a mão no meu ombro e Skippy protestou do banco de trás.
– Ei, todos sabemos que o padrinho deve ser aquele que faz as melhores festas! No caso, eu. - ele fez uma pausa. – Então, desculpe, Warren, mas é uma escolha óbvia.
– É uma escolha óbvia, mas vocês serão, no máximo, meus ajudantes. - falei, chamando a atenção e cortando uma possível discussão sobre o assunto entre os dois. – É mais do que certo que meu padrinho será Will.
– Uma pena! - Skippy riu. – Mas nós ainda podemos pensar em sua despedida de solteiro, certo?
– Primeiro vem a do Jake. Não se esqueça que ele se casa em dezembro. - falei.
– É verdade! Já estava quase me esquecendo deste casamento. - Skippy falou animado.
– Podemos ver com o Guy e ir para o Helt. - propus, olhando pelo retrovisor e vendo meu amigo concordar.
– E contratar algumas surpresas para Jake. Já tenho boas ideias!
– Nada de primeira capa de jornais, Inskip. - Jake murmurou, tentando parecer o mais centrado de nós três e eu dei risada pelo pedido dele.
– Essa parte podemos deixar para a despedida do Harry.
– Acho que esses tempos ficaram no passado, Thomas. - falei meio saudoso e dei uma leve risada me lembrando das broncas que eu costumava levar por conta das minhas extrepolias.
Estava perto de completar trinta e anos e prestes a ficar noivo. De longe, poderia parecer tudo que eu sonhei, mas eu ainda tinha muitas dúvidas.
A minha cabeça alertava o coração de que era o momento para ser racional sobre aquele casamento, mas eu pensava em tudo que tinha acontecido nos últimos meses. O que era uma obrigação parecia cada vez menos que era uma. E eu me enfiava cada vez mais num lugar ainda incerto para mim.


– Cara... - Jake me chamou quando Skippy se afastou de nós para cumprimentar alguns conhecidos dele. Estávamos nas arquibancadas do estádio, acompanhando a final do torneio de rugby - não era um evento real, mas era um esporte que eu gostava de acompanhar. – Você está feliz?
– Não entendi muito bem sua pergunta, Jake, mas estou. - dei os ombros.
– No início, quando você falava da , você sempre parecia falar com um pouco de descaso, sabe? Era como se você estivesse sendo controlado. Eu tive a certeza disso quando nós conversamos na despedida do Guy e você disse que não poderia me contar. Pensei que você estava sendo, sei lá, chantageado. - ele riu do próprio comentário e continuou. – Eu achei que era só uma maneira de esquecer a Cress e ceder a ideia de que você deveria se casar logo. Talvez, no início, tenha sido, não é? Mas agora, me parece diferente. Quando você viu a Cress no casamento dos Pelly e você viu como a ficou, você estava diferente... E agora com esse assunto de hoje! - ele arregalou os olhos, não querendo citar a palavra casamento em público. – Eu nunca vi você falar disso desde a Chelsy! Eu não sei porque você estava estranho no início, mas agora você está de volta, campeão.
– Eu gostaria de poder explicar desde o começo essa história, mas você sabe que eu não posso. Não seria justo. - ele concordou com a cabeça e eu suspirei. – Mas, obrigado, cara. É estranho para mim também, mas acho que agora eu estou me encontrando de novo. Eu só preciso aceitar algumas coisas, mas é comigo mesmo.
– Todos nós temos segredos, não é? - Jake riu e eu concordei com a cabeça.
– Alguns pequenos e outros gigantes. - comentei, dando os ombros e o assunto acabou morrendo quando Skippy retornou com os irmãos Van Straubenzee.
Eu só precisava ter certeza de uma coisa e eu sabia que era uma questão de tempo para mim.

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– Bom dia, Edward! Quais são as novidades? - falei, entrando no meu escritório e encontrando meu secretário sentado em uma das poltronas, me aguardando para a reunião.
– Bom dia, Alteza. Estamos a duas semanas do Invictus e as coisas estão indo muito bem. Precisamos gravar algumas mensagens suas para mandarmos para as equipes. Entrei em contato com a equipe do senhor Obama e poderemos gravar algumas mensagens a respeito dos jogos.
– Me parece uma boa ideia. Podemos falar com o Primeiro Ministro do Canadá também. Ele gostou muito da ideia dos jogos quando eu estive por lá. - meu secretário anotou a ideia em seu iPad e sorriu.
– O Príncipe da Dinamarca confirmou presença na abertura do Invictus, Alteza. - Edward me comunicou depois de checar alguns e-mails e eu concordei com a cabeça. Não conhecia muito bem o Príncipe, mas sabia que ele era ligado aos esportes e, por isso, teria confirmado a presença dele. – Ele deve ficar para assistir algumas partidas, mas não me deram muitos detalhes.
– Certo. A abertura será no Elizabeth Park?
– A abertura e o encerramento acontecerão por lá, mas o encerramento será um pouco menos formal e teremos o Foo Fighters. - concordei com a cabeça. – Pode ficar calmo que o Invictus será perfeito.
– Fico feliz em saber, Edward. Tenho me dedicado bastante a este projeto. É algo bem próximo ao meu coração. - meu secretário concordou com a cabeça, ciente de como eu gostava de trabalhar com ex-combatentes.
– Não sei se o seu pai conversou com o senhor, mas ele já deixou explicito que deseja a presença da senhorita Thompson como sua acompanhante em alguns dos jogos. - balancei a cabeça em sinal de afirmação, mas acabei por dar os ombros.
– Eu já tinha convidado para me acompanhar de qualquer forma. - Edward pareceu um pouco surpreso com a informação, mas eu decidi relevar. Se era minha namorada – mesmo que de mentira, eu deveria sempre incluí-la em meus planos públicos.
– Era só isso que tínhamos a discutir, senhor. O senhor terá essas duas semanas livres de eventos reais, precisando cuidar só dos últimos detalhes.
– Certo. Vou preparar o meu discurso da abertura e qualquer problema que tiver, pode me procurar.
Edward concordou com a cabeça e se levantou do sofá, caminhando em direção a saída do meu escritório. Suspirei, ligando meu computador e abrindo o World para começar a escrever algo para que eu pudesse falar no Invictus.
Algumas vezes, eu pedia que meu secretário fizesse essa parte do serviço para mim, mas como era uma causa que eu realmente estava trabalhando duro para tornar realidade, eu tinha decidido escrever o meu próprio discurso. Soaria mais convincente.
O barulho da porta sendo aberta, me fez tirar a atenção do que eu escrevia para encarar o local. Meu pai adentrava o meu escritório com um sorriso que parecia prestes a pular de seu rosto.
– Bom dia, Harry, meu filho! - me levantei para cumprimentá-lo com um rápido abraço.
– A que devo a honra da visita? - questionei, voltando a me sentar em minha cadeira e ele sentou-se na poltrona que Edward ocupava há poucos minutos.
– Acabei de sair de uma reunião com a sua avó. Ela me disse que o chá com você e a senhorita Thompson foi fabuloso! - meu pai sorriu na minha direção e eu podia sentir que não viria notícias boas por aí. – Ela gostou da garota e nós já temos uma data.
– Para o casamento?
– Para anunciarmos seu noivado. - engoli seco, arregalando um pouco os olhos e o sorriso dos lábios de Charles parecia que ia saltar de seu rosto, tamanho sua felicidade por aquele momento. – Após os Invictus, meu filho, em outubro, nós vamos anunciar o seu noivado com a senhorita Thompson. E o casamento será em maio do próximo ano. Não é perfeito?


fifteene.

"Cuidado com a mentira, pois basta que uma seja descoberta para que toda a confiança fique abalada."


O dia havia sido tão corrido que eu só me lembrava que era meu aniversário quando as pessoas paravam para me dar parabéns. Acho que é isso que acontece quando você começa a ficar mais velho: o aniversário passa a ser mais só um dia.
– Você parece cansado cara... - Guy comentou enquanto eu colocava mais uma garrafa de cerveja vazia sobre o balcão do Helt.
Esse ano eu tinha decidido que não queria festa para comemorar meu aniversário porque estava focado no Invictus e o dia seria cheio de reuniões. Por isso, marquei com meus amigos apenas um jantar no sábado em um dos meus restaurantes favoritos. Nada demais, apenas porque me disse por mensagem que eu não deveria deixar a data passar em branco. Não que eu concordasse, mas queria só encerrar o assunto.
– Os últimos detalhes do Invictus estão acabando comigo. - ri, balançando a cabeça e olhando para o meu celular em cima do balcão para checar o horário. – Acho que vou para casa, Guy.
– Pode me dar uma carona? Preciso pegar alguns documentos com William.
– Tudo bem. - dei os ombros, me levantando do banco e Guy fez o mesmo. Meus oficiais estavam próximos e assim que eu levantei, os dois foram abrindo caminho para que eu saísse do Helt - que não estava tão cheio por conta do horário.
Seguimos caminho para o Kensington e Guy ia contando as novidades sobre a vida de casal - a que eu iria conhecer em pouco tempo, mas eu ainda não preferia pensar muito nela.
Não demorou mais do que trinta minutos para chegarmos ao destino. Maik havia estacionado em frente ao meu apartamento, então, Guy precisaria caminhar um pouco para chegar ao apartamento de William.
– Nos falamos depois, Harry! - ele acenou e eu segui o curto caminho até a porta de entrada do meu apartamento. Retirei a chave do bolso do meu paletó, destrancando a porta e abrindo-a para entrar no meu lugar seguro.
Bati a porta atrás de mim, me virando para trancá-la e senti meu coração vir quase à boca quando as luzes foram acesas e os gritos tomaram conta da minha sala de estar.
– SURPRESA!
Virei-me, mais uma vez, passando os olhos pela minha sala repleta de rostos conhecidos até encontrar um que eu sabia que era o responsável por tudo aquilo: . Ela sorria, com as mãos entrelaçadas próxima ao rosto, parada ao lado de Catherine e Beatrice.
– Cara... Vocês me enganaram direitinho! - falei alto, arrancando risadas de todos os presentes na sala e apontei para . – Principalmente, você.
– Eu? - ela riu, fingindo estar surpresa. – Não tive nada a ver com isso!
– Eu imagino. - rolei os olhos, cumprimentando todos meus amigos presentes até chegar nos meus primos e depois em , que assistia a tudo, conversando com minha cunhada. – Como você conseguiu juntar todo mundo? Até Genie está aqui! - ri, abraçando-a pela cintura e depositando um beijo em sua têmpora.
– Digamos que eu tive duas ajudantes. - ela deu os ombros, apontando para as duas mulheres atrás dela e eu concordei com a cabeça. – Catherine ligou para sua família e Beatrice me ajudou a arrumar tudo. - ela sorriu. – Você gostou? Ficou surpreso?
– Está brincando? Quase coloquei meu coração para fora quando vocês gritaram! - eles deram risada da minha cara.
– Precisamos agradecer ao Guy também. Aposto que não foi fácil te prender no Helt. - Bea comentou e eu balancei a cabeça. Não tinha nem percebido que era estranho Guy ter vindo comigo para pegar alguma coisa com William. O que ele precisaria pegar com meu irmão?
– Ele me deu a desculpa esfarrapada de que precisava pegar algo com William e eu nem percebi que algo estava estranho! - protestei, causando mais risadas no grupo.
– Harry, meu irmão, você já foi mais esperto. – William ralhou, arrancando risadas de todos que estavam perto de nós. Rolei os olhos como resposta e pedi licença para procurar alguma coisa para beber.
– Sabe, Harry... - abri a cerveja, dando um longo gole e nem percebi quando Eugenie se aproximou de mim. Abaixei a garrafa, me virando para encará-la. – Você não me parece muito confortável em alguns momentos.
– Quais momentos, Genie? - perguntei, mas no fundo não queria entrar muito em uma conversa com ela.
– Alguns momentos com a sua namorada. - ela parou por alguns instantes como se pensasse. – Alguns momentos não me parecem genuíno, nem verdadeiro. Na verdade, acredito que você não tenha superado a Cress ainda.
– Genie... - suspirei, passando a mão vazia pelo rosto. – Nós já conversamos sobre isso no casamento dos Pelly e eu peço que você não insista. Cressida e eu terminamos. Acabou. Está ficando até chato o tanto que você está insistindo com isso.
– Você sabe que é como um irmão para mim, Harry. Eu só quero o melhor para você e eu realmente não acredito que o melhor seja ela.
– Não cabe a você decidir isso, Eugenie. Cabe a mim. - bebi mais um pouco da minha cerveja e encarei minha prima mais uma vez. – E se você parasse com essa birra contra ela, você poderia conhecer a pessoa que ela é. Fique feliz por mim, assim como eu ficarei se a Cress arrumar um novo namoro.
– Ela não superou você, Harry.
– Eu lamento. - sorri fraco. – Agora, se me der licença, eu vou aproveitar o meu aniversário.
– Há algo de estranho nesse namoro de vocês, Harry. Eu sinto isso. - dei os ombros, mostrando que eu não ligava para o que ela dizia e dei meia volta em direção aos meus amigos.
Eugenie era uma boa pessoa e, desde pequena, sempre foi a minha melhor amiga. Eu costumava dizer que ela e Beatrice eram as irmãs que William e eu não tivemos, e a minha relação com ela era bem mais próxima que a minha com Bea.
Mas, eu não aguentava mais sua insistência sobre Cressida. Eu realmente tinha gostado de Cressida. Ela era uma boa companhia, uma boa pessoa, mas eu sabia que seria difícil que nosso relacionamento fosse para frente. Eu sabia que ela ficaria em dúvida entre desistir do sonho de ser atriz e se casar comigo – e saber que eu tinha tirado o sonho dela, seria horrível para mim.
Prendi minha vontade de suspirar e nem prestei muita atenção no que meus amigos falavam porque uma coisa havia chamado a minha atenção. Eu tinha terminado com Cressida quando meu pai anunciou que eu precisaria me casar com e, desde então, eu pouco tinha pensado na minha ex-namorada. havia se tornado o meu principal pensamento e não eram mais apenas meus pedidos silenciosos para que ela terminasse comigo. Eu fazia planos com ela, eu marcava encontros.... Eu quase não seguia mais o roteiro que meu pai instruía, eu fazia as coisas normalmente como um cara apaixonado.
– HARRY! - pisquei algumas vezes quando a voz grossa de Mike me chamou atenção. Balancei a cabeça, percebendo que todos na minha sala de estar me encaravam e sorri sem graça. – A idade já chegou, cara?
– Não cheguei na sua idade ainda, Mike. - rebati, arrancando risada dos presentes.
– Ok, sem insultos, rapazes. Eu quero comer bolo. - Zara disse, impedindo o marido de fazer outro comentário e acariciando sua barriga de cinco meses.
Ri, concordando com ela e segui em direção a mesa onde estava o bolo. Ao meu lado eu tinha , então, durante os parabéns eu coloquei meus braços ao redor de sua cintura e deixei que as brincadeiras fossem feitas.
De alguma maneira, eu não me sentia mais estranho quando eu estava perto dela e eu não sabia explicar. Eu só sabia que era uma questão de tempo.

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O dia tinha chegado. Mais cedo, eu tinha feito o discurso de abertura para todos os times, para alguns representantes de Estado e para alguns membros da minha família que tinham ido até o Elizabeth Park. Eu podia sentir minhas pernas tremerem durante todo o discurso – mais do que elas já tinham tremido em qualquer batalha nos meus tempos de exército.
Assim que a cerimônia terminou, cumprimentei algumas pessoas, conversei com o Príncipe Herdeiro da Dinamarca que havia chegado para presenciar alguns dos jogos e recebi elogios de meu pai e William que haviam ido também.
– Senhor, agora temos uma entrevista com a BBC para falar sobre o Invictus. - Edward me avisou e eu concordei com a cabeça.
– Nos vemos depois, irmão. E parabéns pelos jogos. - abracei William e meu pai, seguindo junto com Edward para onde a equipe da BBC estava posicionada para falar comigo.
– Já passei com eles as perguntas e disse que o senhor não responderá a nenhuma pergunta de cunho pessoal. Apenas sobre o Invictus.
– Obrigado, Edward. - agradeci, vendo a repórter loira da BBC curvar rapidamente a cabeça quando eu me aproximei.
– Alteza, é um prazer poder entrevistá-lo. Sou Emily Richards. - ela sorriu, estendendo a mão na minha direção e eu sorri, segurando-a prontamente.
– O prazer é poder falar sobre o Invictus.
– Podemos começar, então? - Emily encarou o câmera e depois se virou para mim. – Estamos aqui direto do Elizabeth Park, onde aconteceu a cerimônia de abertura do Invictus Games. Os jogos foram criados pela Sua Alteza Príncipe Harry e a cerimônia de hoje contou com a presença de alguns membros da família real e alguns chefes de Estado. Estamos aqui com o Príncipe Harry. - Emily se virou na minha direção. – Alteza, hoje começam os jogos e queremos saber quais são as suas expectativas para eles?
– As expectativas são muito boas. Eu acompanhei de perto treinamentos de algumas equipes e elas estão muito focadas para os jogos. Então, estamos todos muito animados para ver o que vai acontecer.
– Certo, e qual foi o motivo especial que o fez criar esses jogos? Sabemos que o exército é algo próximo ao seu coração, mas teve algum motivo mais especial?
– Você tem razão. O exército é algo próximo ao meu coração e eu conheci muitos ex-combatentes graças ao meu trabalho. E como eu disse no meu discurso agora pouco, esses homens e mulheres serviram o nosso país e se doaram por cada um de nós. Esses jogos são uma maneira de colocá-los, mais uma vez, para defender as cores do país que tanto amam. E também uma forma de mostrar que eles ainda podem ser importantes para nós.
Mais algumas perguntas foram feitas sobre o Invictus, o apoio da minha família durante o processo de preparação dos jogos e algumas perguntas referentes as equipes.
– Obrigada, Alteza. E boa sorte para o time da Grã-Bretanha. - acenei com a cabeça e segui com Edward em direção a Rover que já me esperava com Maik e Dave preparados.
– Pausa para o almoço e na parte da tarde teremos o vôlei sentado. - Edward anunciou, checando seu iPad e eu confirmei com a cabeça, retirando meu celular do bolso do paletó.
"Ótimo discurso e uma ótima cerimônia de abertura. Tenho certeza que os jogos serão um sucesso e o trabalho vai valer à pena! Parabéns.", sorri com a mensagem de e respondi, agradecendo pelo apoio dela e convidando-a para ir ao meu apartamento à noite.

O jogo de abertura havia sido um vôlei sentado entre Estados Unidos e Canadá e eu tinha recebido a presença de Zara, Mike, Autumn e Philip. Nós cinco assistimos ao jogo das arquibancadas e comemorávamos os pontos das duas equipes.
Depois que o jogo terminou, eu fui até o centro da quadra para cumprimentar os dois times. Mike e eu aproveitamos para brincar com alguns dos jogadores.
Na hora de voltar para casa, eu repassei com Edward a agenda de jogo do dia seguinte, mas eu sentia meus olhos e minha cabeça pesarem devido a tamanho estresse e nervosismo durante o dia. Eu só precisava de um banho e da minha cama, mas assim que entrei em casa e Daisy me avisou que meu pai estava no escritório, eu sabia que não iria dormir tão cedo.
– Boa noite, filho. É bom revê-lo. - Charles sorriu na minha direção.
– Boa noite. Segunda vez que vejo você hoje, huh? A que devo a honra da visita na calada da noite? - brinquei, colocando as mãos nos bolsos da minha calça social.
– Prometo que serei breve. - ele riu. – Eu pedi para você pegar uma das joias que sua mãe deixou para fazer o anel de noivado com a senhorita Thompson, mas como você decidiu por não fazer, eu tomei a liberdade de pedir a uma joalheria que fizesse. - ele retirou do bolso de seu paletó uma caixinha vermelha e a abriu, antes de estendê-la na minha direção. – É a mesma pedra, mas um modelo diferente, mais delicado. O que acha?
– É uma bela joia. - era tudo que eu conseguia expressar no momento e meu pai riu.
– Pode ficar com ela, então. - ele balançou a caixa e eu a peguei, fechando-a e caminhei até a mesa do meu escritório. Abri a segunda gaveta e a deixei por lá, trancando a gaveta logo em seguida. – Acha que sua noiva vai gostar?
– É uma bela joia. Acho que não tem como não gostar.
– Ótimo. Se ela perguntar, pode dizer que foi inspirado no anel da sua mãe, mas que você quis fazer algo mais delicado e por isso não usou o anel original. - eu concordei com a cabeça. – Meu secretário entrou em contato com o senhor Thompson. Em seu nome, o convidou para uma conversa com você... Todas as formalidades de pedir em casamento, você deve imaginar...
– Certo. - dei os ombros, concordando com a cabeça mais uma vez.
Algumas batidas na porta ecoaram no local e eu falei que poderia entrar. Daisy abriu um pouco a porta do escritório e sorriu sem graça em nossa direção, como se pedisse desculpas por nos interromper.
– A senhorita Thompson está aqui, Alteza.
– Diga que já vou, Daisy. Obrigado. - encarei meu pai que tinha um sorriso de orelha a orelha presente no rosto.
– Você já tem a data e o anel. O restante é com você, Harry. Não me decepcione.
– Não irei, papa. - afirmei com a cabeça, antes de seguir meu pai para fora do escritório. estava na sala, observando os jardins do Palácio pela janela, mas nos encarou quando percebeu que estávamos entrando na sala.
, querida, como tem passado? - meu pai sorriu, se aproximando para cumprimentá-la.
– Bem e o senhor, Alteza?
– Ora, podemos cortar as formalidades. Já somos quase uma família! - ele abanou uma das mãos no ar, pedindo para que ela não o chamasse de alteza e sorriu, sem graça. – Estou bem. Vim resolver algumas coisas com meu filho, mas já estou de saída. Tenham uma boa noite.
– Para você também, papa. - sorri fraco.
– Mande lembranças a Camila por mim. - acenou e ele concordou com a cabeça, seguindo em direção a porta do meu apartamento.
Joguei a cabeça para trás assim que a porta bateu e soltei um longo suspiro. Senti duas mãos sendo postas ao redor da minha cintura e uma leve pressão contra o meu peito, que me fez sorrir.
– Cansado? - questionou, dando um leve beijo em meu queixo.
– Muito. Minha cabeça parece que vai explodir. Só preciso da minha cama.
– Posso te fazer uma massagem.
– Aceitarei de bom grado. - falei, me afastando dela e a puxando para que fôssemos para o segundo andar do apartamento para aproveitar o restante da noite.

– Simples demais? - apareceu na minha frente usando uma blusa social branca de mangas compridas, calça jeans clara e sapatilhas pretas. Ela girou em seus calcanhares para que eu pudesse olhar toda sua roupa.
– Está linda. - respondi fazendo com que ela bufasse como uma criança. – O que foi?
– Você disse isso para a outra roupa que eu vesti!
– Bom, porque você estava linda com aquela roupa também. - ri, mas ela não sorriu como eu esperava. Era mais um dia de nervosismo para ela. – , está tudo bem. Eu gosto mais dessa roupa do que da outra.
Obrigada. - ela sorriu, pegando sua bolsa. – Acho que estou pronta, então. Estamos atrasados?
– O que mostra se eu estou atrasado ou não, é meu secretário me gritando. - fiz uma pausa e ela me encarou em expectativa. – Se ele não está fazendo isso, é porque estamos no horário certo.
riu do meu comentário e nós saímos do quarto para que pudéssemos tomar café da manhã antes de sair para assistir uma partida de tênis do Invictus. Seria um evento público assim como meu pai queria que acontecesse.
– Bom dia, senhor. - Edward já nos aguardava no andar de baixo e conversava com Daisy.
– Bom dia! , este é Edward Fox-Lane, meu secretário, e aquele em suas mãos é seu fiel escudeiro, seu iPad. Ele é o responsável por marcar meus eventos, me lembrar de algumas coisas, não deixar que eu me atrase, lidar com a imprensa...
– Basicamente, eu mantenho o senhor na linha. - Edward riu. – É um prazer finalmente conhecê-la, senhorita Thompson.
– Digo o mesmo, Edward. E.… uhn, pode me chamar de . Sem formalidades. - ele acenou com a cabeça, mas eu sabia que seria impossível que ele a tratasse pelo primeiro nome. Nos sentamos a mesa para tomar um café da manhã e Edward repassou brevemente algumas manchetes de jornais sobre a abertura dos jogos. O feedback parecia ter sido totalmente positivo e eu estava feliz.
– Nervosa? - perguntei para quando seguíamos caminho para a Rover, mas ela negou com a cabeça.
– Estou dizendo para mim mesma que é só ir assistir um jogo com o meu namorado. - ela sorriu e eu dei risada, concordando com a cabeça, afinal era um pouco de verdade. Tirando o fato que uma boa parte da imprensa ficaria louca quando nos visse chegando juntos.

Assim que a Rover estacionou no Elizabeth Park, Dave e Maik desceram dos bancos da frente para abrir as portas para que e eu saíssemos. Dei a volta no veículo, colocando meus óculos escuros e esticando o braço para que ela pegasse minha mão.
– Tudo certo? - perguntei, apenas para me certificar e ela concordou com a cabeça, dando um sorriso na minha direção.
Acenei positivamente para os meus oficiais e nós começamos a caminhar em direção ao local do jogo. Tentei não prestar atenção nos barulhos das câmeras voltadas para nós dois enquanto nós seguíamos o caminho em direção aos nossos assentos marcados na arquibancada.
Cumprimentei algumas pessoas que estavam sentadas na primeira cadeira e sorri ao notar Juliet Armstrong sentada ao lado do meu lugar. Juliet era casada com Anthony, jogador do time da Grã-Bretanha, que tinha participado há alguns anos de uma corrida junto comigo e havia se tornado um bom amigo.
– Olá, Juliet. Como vai? - sorri, a cumprimentando e fazendo um carinho na pequena Amy que estava em seu colo com um balde de pipoca em mãos.
– Estou bem, Alteza. E o senhor?
– Bem. - sorri, me sentando. – Essa é , minha namorada. , essas são Juliet Armstrong, esposa do Anthony, e Amy.
– É um prazer conhecê-la, senhorita. - Juliet sorriu, esticando o braço para apertar a mão de .
– Digo o mesmo, Juliet. E, olá, Amy. Animada para assistir o papai jogando? - perguntou e eu estiquei minha mão mais uma vez, prendendo um dos cachos loiros de Amy nos meus dedos para chamar a atenção dela.
– Diga olá para o Harry e a , Amy. - Juliet fez cócegas na barriga da menina, que retirou sua atenção do balde de pipoca para nos encarar e sorrir timidamente.
– Oi, Harry e . - comemorou a resposta da menina e nós demos risadas. Amy virou se voltou para a quadra quando a torcida começou a fazer barulho e foi possível ver os dois tenistas entrando em campo. – PAPAI!
Sorri com a animação dela porque se eu pudesse também estaria gritando e pulando de tanta animação e orgulho em ver o Invictus indo tão bem. Ajeitei-me na cadeira para poder ter uma visão melhor da quadra e logo o jogo começou.
e eu ficamos a maior parte do jogo de mãos dadas e em alguns momentos, ela cochichava algo sobre o jogo. Eu sabia que aquele dia estava sendo um prato cheio para os jornais do meu país e seria, principalmente, o motivo de felicidade do meu pai na manhã seguinte, mas procurei não me importar. Eu precisava curtir aquele momento.

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– Senhor Thompson, desculpe atrapalhar o seu dia. - me levantei da minha cadeira para cumprimentar o pai de . – Como vai?
– Estou bem, Harry. - ele apertou a minha mão. – Eu deveria chamá-lo de Alteza?
– Oh, não. Por favor, sem cerimônias comigo. Nós seremos família. - abanei a mão no ar e ele riu. Apontei para as duas poltronas do meu escritório e ele sentou em uma delas. – Whisky?
– Uma água estaria bom. Não costumo beber de dia e ainda tenho que voltar para o meu trabalho. - concordei com a cabeça, me servindo de whisky e colocando água em um outro copo.
– Posso perguntar por que me convidou para vir aqui, hoje? - entreguei-lhe o copo e me sentei na outra poltrona, soltando um suspiro antes de sorrir.
– Acho que o senhor já tem uma ideia... - arqueei uma sobrancelha.
– Acredito que há um único motivo para um jovem rapaz querer conversar com o pai de sua namorada. - ele riu e eu concordei com a cabeça.
– Eu gostaria de pedir a sua permissão para que eu possa me casar com a . - falei, a frase que eu tinha ensaiado no espelho do banheiro na parte da manhã e senti o olhar do senhor Thompson sobre mim. Por alguns longos minutos, ele pareceu me analisar enquanto bebia sua água e eu me questionei o que ele tanto pensava.
– Harry. - ele sorriu fraco na minha direção. – É muito notável a diferença que o início do namoro fez com a minha filha e a felicidade dela desde então. Se você me prometer que irá seguir a fazendo muito feliz e cuidando dela nesse meio que ela entrará se esse noivado se concretizar...
– Claro que eu prometo, senhor Thompson. Eu, mais do que ninguém, quero o bem da sua filha e prometo que irei protegê-la. E farei de tudo que estiver ao meu alcance para que ela seja ainda mais feliz. - sorri.
– Então, filho, eu concedo a minha permissão. E torço para que vocês sejam muito felizes. - me levantei da poltrona e o senhor Thompson fez o mesmo. Ele abriu os braços e me recebeu em um abraço fraternal que me deixou feliz.
Na minha mente a possibilidade de descobrir como o nosso relacionamento tinha começado não havia como se tornar realidade. Eu não sei se eu seria capaz de contar para ela algum dia que era tudo uma mentira... Talvez fingir fosse a minha melhor opção.


– Obrigado por ir hoje, William.
– De nada, cara. Esses jogos estão sendo muito bacanas de assistir. Parabéns. - sorri, abraçando meu irmão e ele acenou antes de seguir o curto caminho para o seu apartamento, acompanhado por um de seus oficiais.
A primeira semana de Invictus havia sido um sucesso. O feedback na mídia estava sendo importante, as equipes estavam promovendo jogos de alto nível e o público estava sendo bem grande.
No dia seguinte a minha ida com ao jogo de tênis, os principais jornais tinham estampado fotos nossas chegando ao parque e outras de nós dois brincando com Amy. Meu pai havia me ligado para contar sua alegria ao se deparar com as fotos e como ele estava orgulhoso de mim por ser capaz de parecer apaixonado.
Suspirei assim que entrei no meu apartamento e fechei a porta, encontrando sentada no sofá, com o celular em seu ouvido. Ela sorriu na minha direção ao ver que eu tinha chegado.
Por conta da minha semana ocupada com o Invictus e por ela ter terminado suas provas, eu havia pedido que ela passasse mais um fim de semana no meu apartamento. Isso também se devia ao fato que eu precisava encontrar um momento perfeito para pedi-la em casamento.
– Ahn, , depois continuamos a falar sobre isso, pode ser? - retirei meu paletó e segui em direção ao sofá, desfrouxando a minha gravata. se despediu de sua amiga e colocou o celular sobre o braço do celular. Sorri, me abaixando para lhe dar um selinho. – Como foi o dia? Pela televisão, parecia bem animado.
– E foi. O basquete foi bem legal e o Will foi assistir ao jogo de vôlei. - falei, me ajeitando no sofá. – Que cara de felicidade é essa?
– Eu estou, oficialmente, formada! - ela bateu palmas em sinal de felicidade e eu dei risada, me aproximando para abraçá-la.
– Parabéns, ! Fico muito feliz por você.
– Estava falando com a justamente de irmos atrás dos nossos vestidos de formatura.
– Boa sorte na busca. - sorri, depositando um beijo em sua bochecha. – Vou tomar um banho e podemos comemorar com um vinho, o que acha?
– Me parece uma ótima ideia. - ela sorriu. – Eu estou preparando um frango.
– Meu estômago fica feliz por saber disso. - falei, me levantando do sofá e seguindo em direção as escadas.

Eu não tinha mais para onde correr. Tudo que havia acontecido nos últimos meses me guiava para esse momento e era o que, nesse momento, esperavam que eu fizesse. Eu não sabia se era o momento certo, mas se dependesse de mim não teria momento certo para fazer o pedido. Eu não devia seguir a minha voz que ecoava na minha mente me questionando sobre os meus sentimentos, mas sim a decisão do meu pai.
Eu só tinha uma coisa a fazer.
Tomei um banho relaxante e coloquei roupas um pouco mais leves. Desci as escadas em direção ao meu escritório, sentindo o meu coração prestes a pular e atravessar o meu peito.
– Se acalme, Harry. - murmurei para mim mesmo enquanto me abaixava para destrancar a gaveta da mesa do meu escritório. Peguei a caixinha em mãos, abrindo-a e encarando aquele belo anel. Soltei um suspiro encarando a peça e fechei os olhos, pedindo aos céus que eu estivesse seguindo o caminho certo.
havia se tornado uma pessoa importante na minha vida. A pessoa que eu sempre quis ter ao meu lado, uma que me apoiasse, estive ali nos meus momentos bons ou ruins, que fosse companheira. Ela, sem dúvidas, era tudo isso e me amava. Ela mesma tinha dito.
Mas eu me questionava, ainda que de uma maneira bem menor que antes, se eu me sentia da mesma forma que ela ou se era apenas uma questão de conformismo, comodidade. Eu ainda não conseguia afirmar - ou apenas não deixava uma parte de mim querer vencer essa batalha interna.
Eu precisava fazer o que todos esperavam de mim.
Fechei a caixinha e a guardei no bolso da minha calça, indo para a cozinha. estava encostada no balcão que dividia a cozinha e tinha o celular em mãos, parecia ocupada demais lendo alguma coisa.
Chamei a atenção dela quando peguei a garrafa de vinho que tinha guardada e a coloquei sobre a bancada para abri-la.
– Nem vi você entrando... - riu fraco, deixando o celular de lado. – Onde ficam as taças?
– Terceira porta do armário. - ela concordou com a cabeça, indo até o armário para pegar as duas taças. Servi-nos de vinho e nós dois demos o primeiro gole juntos.
– Deixa eu checar como está o frango. - se virou para o fogão e eu sentia minhas pernas quase bambeando de tanto que eu tremia naquele momento.
... - a chamei, fazendo com que ela se virasse na minha direção. – Nós já conversamos sobre esse assunto algumas vezes, mas recentemente, eu senti que o momento se aproximava. Hoje, mais do que antes, eu me vejo vivendo com você e tendo um futuro ao seu lado. - sorri, vendo os olhos castanhos da mulher a minha frente brilharem. – Por isso, e por estarmos nesse momento tão nosso, eu te pergunto... – retirei a caixinha do meu bolso e abri, colocando-a na frente de . – Você aceita se casar comigo?
– Oh, Harry! - levou as mãos a boca, tampando-a e em seus olhos o brilho se misturava a surpresa e a emoção. – É tudo que eu mais quero! - ela retirou as mãos da boca, sorrindo na minha direção. – Sim, sim! Ai meu Deus, sim! Eu aceito!




Continua...



Nota da autora: Levando para rever o irmão dela, falando em casamento... Mais alguém acreditando que esse príncipe está cedendo aos sentimentos? Aguardem os próximos capítulos e não se esqueçam de deixar um comentário aqui embaixo! Eles me motivam e me deixam mega felizes! <3



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail. Para saber quando a fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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