Contrato de Realeza

Última atualização: 12/04/2018

Prólogo


“Uma mentira pode salvar seu presente, mas condena seu futuro”.

— Como é? — Harry teve que se conter para que não gritasse após tamanho absurdo que seu pai havia dito. Charles, no entanto, parecia inabalável com a reação do filho e ainda confiante na ideia que tivera.
— É o que precisamos nesse momento para salvar a família. — respondeu sem pestanejar, encarando o mais novo sentado na poltrona a sua frente.
— Por que não pedir a William e Kate que façam algo? Afinal, ele é o herdeiro da coroa. — rebateu, ainda não entendendo porque estava tendo aquela discussão. Aquela ideia lhe parecia tão absurda que ele ainda não acreditava que seu pai pudesse cogitá-la como algo bom para ele e para a família.
— Eles fazem o trabalho deles, Harry. Seu irmão é muito protetor de Kate e George para que possamos pedir alguma coisa a ele. — Charles suspirou. Não era como se ele estivesse gostando de obrigar o filho a fazer alguma coisa daquele tipo. Ele sabia muito bem que um casamento arranjado não poderia dar certo e, apesar de ter dois bons presentes do seu casamento, sabia o quão ruim poderia ser.
— E você acha que as pessoas vão prestar tanta atenção no meu casamento quanto prestaram no deles? — Harry riu sarcástico. Os casamentos reais eram como eventos para grande parte da população inglesa e do mundo, ele lembrava bem da animação para o casamento do irmão e da cunhada, mas não conseguia imaginar tudo o que aconteceu naquela época para o casamento dele. Poderia ser um tiro muito falho e ele estaria preso por um bom tempo na farsa.
— O público gosta de casamentos reais e nada melhor do que um relacionamento bem estruturado nesse momento para atrair os olhares de todos para nossa família e elevar nossos índices de aprovação, meu filho.
— Você falou com a vovó sobre isso?
— Sim. Sua avó aprovou a ideia. — Harry suspirou. Era sua última tentativa para acabar com aquela ideia: a rainha. Mas se ela apoiava tudo aquilo, ele estava perdido e sem ter para onde fugir. — Nós todos fazemos sacrifícios por essa família, Henry. Esse é o seu momento.
— Você me deixou sem escolhas. — murmurou, antes de se levantar para deixar o escritório. Não precisava dar a sua resposta porque aquilo era mais um comunicado de que ele iria se casar do que uma proposta para ajudar os índices da família.
— Esteja na minha casa na quinta—feira para conhecer a moça. Seu secretário irá passar os detalhes do jantar. — concordou com a cabeça, saindo da sala e soltou um longo suspiro.
Não tinha mais o que fazer para acabar com aquela ideia.
Ele iria se casar. Viver a vida ao lado de uma mulher que ele sequer conhecia.


one.


“As pequenas mentiras fazem o grande mentiroso.”

O caminho para a Clarence House parecia mais rápido que o habitual. Nem as histórias que Dave, meu Oficial de Proteção, contava sobre seus filhos eram capaz de me distrair do que iria acontecer. Nada parecia mudar o fato de que eu iria conhecer minha futura esposa e que meu casamento já estava, praticamente, selado.
A semana tinha sido de preparação para aquele jantar. Meu secretário, Edward, tinha aparecido em meu apartamento com seu inseparável iPad branco em mãos para mostrar as informações que eu deveria saber sobre a moça, além de mostrar todo o calendário que já havia sido programado.
A moça era diferente de minhas ex-namoradas, físicamente. Os cabelos eram cacheados, escuros e volumosos, diferentes de Cressida, minha até então namorada, que tinha cabelos loiros longos e lisos. Mas não era isso que mais me assustava. O que deixava me totalmente — mais — nervoso era o fato dela ser dez anos mais nova do que eu.
Meu pai havia garantido que a idade não era problema, afinal, quando se casou com a minha mãe, os dois tinham treze anos de diferença. Eu pensei em fazer um comentário sobre como o casamento dos dois terminou, mas preferi guardar para si e não gerar mais drama naquela história toda.
— Harry! — meu pai exclamou animado assim que me viu entrar na sala principal do palácio. — Estava discutindo com Jacob mais alguns detalhes sobre o seu calendário.
— Já temos datas certas para que tudo aconteça. Sairá tudo dentro dos planos do seu pai, Alteza. — Jacob, o secretário dele, disse enquanto terminava de fazer algumas anotações em seu caderno preto. — Gostaria de checar?
— Passe para o Edward e ele me dirá tudo que for necessário. — respondi, sem medo de ser grosso, e sentei em uma das poltronas espalhadas pela sala. Não queria saber como minha vida seria programada dali para frente. Preferia que Edward me dissesse o que teria que fazer no dia que estivesse programado.
— Pense na sua família, Harry. Nós precisamos de você nesse momento para que possamos ter um futuro brilhante e com muita aprovação. — meu pai sorriu, dando um gole no chá que tinha em mãos e eu suspirei.
— Não é como se vocês tivessem me dado outra opção. — ri sarcástico e saquei o celular do bolso do paletó para me distrair daquele assunto que o incomodava. Tinha algumas mensagens de amigos e de Cressida para responder. Mal consegui pensar em como iria terminar com ela, por isso, estava postergando esse momento. Gosto tanto de Cress que me sinto mal por imaginar que iria deixá-la triste.
— Harry, querido! Como vai? — a voz de Camila tirou minha atenção da mensagem que digitava e eu me levantei para abraçar a madrastra.
— Bem, obrigado. E você?
— Muito bem, obrigada. — ela sorriu e parou próxima ao marido — Informaram que a família Thompson já passou dos portões. Em minutos devem estar aqui.
— Ótimo! Jacob, passe essa agenda para o secretário de Harry para que ele faça as alterações necessárias e pode ir. — o secretário concordou com a cabeça, deixando a sala logo depois eu soltei o ar pesadamente.
Tinha passado a semana toda tentando esquecer aquele jantar. Mesmo com as reuniões na parte da manhã e tarde, à noite eu aproveitava para rever meus amigos, visitar Cress e ir aos meus pubs favoritos em Londres. Tentei ao máximo esquecer a ideia de casamento forçado e salvar o futuro da família. Aquela história toda mal tinha começado e eu já me sentia exausto.
Meu pai não pode conter a alegria ao ver Nancy e seu marido entrarem na sala, seguidos pela moça de cabelos castanhos. Nancy tinha a mesma alegria evidente que o Príncipe de Gales com toda aquela história e de estar de volta a Clarence.
— Quanto tempo, GKH¹! — Nancy sorriu na minha direção e eu balancei a cabeça, tentando entender o que a minha ex-babá estava fazendo ali. Nancy era mãe de , então? Me aproximei para abraçar a senhora que me aguardava de braços abertos.
— Tem anos que não me chamam assim. — ri do apelido de infância dado por minha mãe e me afastei do abraço para cumprimentar o marido dela.
Nancy trabalhou para meus pais quando William e eu éramos pequenos, mas saiu do emprego quando engravidou do primeiro filho e foi viver nos Estados Unidos. Apesar de ter sido uma das melhores babás que tivemos, após alguns anos a família real perdeu o contato com ela.
— Essa é , minha filha. — Nancy apontou para a menina atrás de si e a moça sorriu envergonhada na minha direção.
— É um prazer conhecê-la. — eu sorriu, estendendo a mão na direção dela que apenas acenou com a cabeça em resposta.

Eu podia sentir que Charles estava ao ponto de ter um colapso. Fazia quase uma hora que estavámos reunidos na sala e até aquele momento, eu não tive êxito nas tentativas de conversa com . Camila estava feliz demais por descobrir que a moça estudava Literatura Inglesa e não parava com as perguntas sobre o assunto.
— Nós temos uma biblioteca repleta de obras deste assunto. — Charles interrompeu o assunto entre as mulheres para comentar com segundas intenções e eu mordi o lábio para conter uma leve risada. Meu pai sabia não ser sútil quando queria. — Por que não acompanha a senhorita Thompson até lá, Henry?
Touché, Príncipe de Gales.
— E-eu não quero incomodar. — balançou a cabeça, parecendo bastante tímida.
— Não será incomodo algum. — dei meu melhor sorriso galanteador e me levantei, dando o braço para que a moça enlaçasse nele.
Tímidamente, o fez e nós seguimos rumo à biblioteca pelos corredores da Clarence House.
— Eu me perderia facilmente sozinha nestes corredores. — ela comentou, dando uma leve risada.
— Quando eles se mudaram para cá, eu costumava me perder. — confessei, rindo. — Mas quando eu era criança, era divertido se esconder nas passagens do Buckingham.
— Eu já ouvi suas histórias de se esconder por horas e quase matar todos do coração. — ela sorriu fraco, parecendo saber bastante das coisas que eu aprontava quando era mais novo.
— Nos Natais era mais divertido. Zara e William ficavam furiosos porque Genie e eu estavámos escondidos e atrasava toda a cerimônia dos presentes. — riu — Sua mãe deve ter ótimas histórias sobre nós.
— A maioria é sobre você. Seu irmão parecia ser mais calmo, porque ela não tem muitas sobre ele.
— A infância do Will foi bem voltada para ele ser o futuro rei, então eu era o responsável pela diversão. — ri fraco — Acho que sou até hoje.
Paramos em frente a uma grande porta e abri, dando passagem para que a ela entrasse primeiro. sorriu agradecida e entrou na biblioteca, parecendo bastante surpresa com a quantidade de estantes repletas de livros que tinham naquele ambiente.
— Meu pai e Camila passam horas aqui. — comentei, me sentando em uma das poltronas da biblioteca e observando a moça que checava alguns livros atentamente.
— Se eu tivesse uma biblioteca assim, eu também iria ficar muitas horas nela. — ela riu e pegou um dos livros em mãos para ler um pouco. Ela o manuseava com tanto cuidado que chegava a ser engraçado ver aquela cena.
— Pode levá-lo para casa, se quiser. — ri ao ver os olhos arregalados e animados dela em minha direção, totalmente surpresa com a ideia.
— Seu pai não vai se importar? — questionou, mordendo o lábio inferior.
— Eu aposto que ele não vai nem perceber que está faltando um livro por aqui. — apontei para as enormes estantes ao redor, tentando mostrar meu ponto e ela concordou com a cabeça. — É só você prometer que irá cuidar bem dele.
— Então, eu prometo. — ela abraçou o livro contra seu peito e eu sorri, concordando com a cabeça.

xxx

Suspirei antes de tocar a campainha do apartamento a minha frente. Dave estava atrás de mim e podia sentir, com certeza, todo o meu nervosismo. Mesmo assim, quando Cress apareceu na minha frente, eu não pude deixar de sorrir.
— Que surpresa! — a loira sorriu, depositando um beijo na minha bochecha Dave passava por nós para fazer uma rápida ronda pelo local. Eu ainda acreditava que aquilo era uma bobagem, quando se tratava da casa de pessoas que eu conhecia há muito tempo, mas era o protocolo e eu não queria despejar minhas raivas em meu oficial que só estava fazendo o trabalho dele.
— Me desculpe não ter avisado, mas eu precisava falar de um assunto sério com você, Cress. — suspirei, fechando a porta do apartamento depois que Dave saiu de sua ronda e percebi que Cress me encarava apreensiva. — Eu acho que é a hora de colocarmos um ponto final no nosso namoro.
— O quê?! Por que? Aconteceu alguma coisa?
— De forma alguma, Cress... É só que nós temos visões diferentes agora e eu não quero prejudicar o seu sonho de ser atriz, pedindo para que você abandone para seguir comigo.
— Harry... — ela suspirou — Eu abandonaria minha carreira pelo nosso casamento, se fosse necessário. Eu amo você.
— Eu sei disso, Cress. Mas eu não estaria sendo justo com você se pedisse isso. — me aproximei, colocando as mãos nos ombros dela — Eu também amo você e por isso espero que você me entenda. Busque seu sonho e seja feliz.
Prendi a respiração e me senti um grande babaca ao vê-la sentar no sofá vermelho da sala de estar do apartamento, ainda em choque com as palavras. Caminhei até ela para depositar um beijo de despedida na testa dela e deixei o apartamento em silêncio.
Cressida sempre fora uma boa companhia. Tínhamos tantos amigos em comum que foi fácil incluí-la no meu ciclo de amizade e de conviver com ela. Nós nunca falamos abertamente sobre casamento, apesar de quase três anos juntos, porque ela era muito focada na carreira e eu não queria tirá-la do sonho. Suspirei, pensando que meu pai tinha razão e talvez o casamento, ainda que de mentira, fosse bom para minha imagem.

— O que você faz na minha casa às três da tarde? — Jake exclamou surpreso após abrir a porta para Dave e eu. Dave entrou no apartamento para fazer sua ronda habitual e eu nem esperei que ele voltasse para adentrar o apartamento também.
— Cuidado, Alteza. Nós podemos estar planejando o ataque ainda! — Thomas zombou, dando pausa no video game e ouvindo protestos vindo de Zoe.
— Com tudo que está acontecendo na minha vida, seria um prazer que me atacassem. — ri anasalado e me joguei no sofá do apartamento de Jake. Era tão comum as reuniões no apartamento de Jake que todos já se sentiam em casa quando estavam por lá.
— Que melancólico. — Lara ergueu uma sobrancelha, me observando com preocupação. — Aconteceu algo?
— Cress e eu terminamos. — murmurei, pegando uma das cervejas abertas sobre a mesa e dando um longo gole. Pude ver a surpresa presente nas expressões dos quatro ao seu redor.
— Quando isso aconteceu? — Jake questionou curioso, sentando-se ao meu lado.
— Agora pouco... — dei os ombros — Não estava dando certo. — menti.
— Que pena! Vocês eram um casal lindo. — Zoe era a mais nova do grupo. Ela e Jake estavam juntos há menos de oito meses e já planejavam o casamento para Dezembro. Mas, apesar de ainda ser nova no grupo, eu sabia que podia confiar nela assim como confiava nos outros amigos.
— Então, você termina o namoro e vem chorar as mágoas na minha casa? — Jake fingiu estar chateado e deu um soco leve no meu ombro.
— Não é mais o Harry de sempre, ao que parece. — Thomas adentrou a gozação.
— Bom, eu não tinha lugar melhor para ir e...
— E nós somos a segunda opção?! — Zoe riu da careta que fiz em resposta — Mas, se prepara porque você vai acompanhar seu amigo Thomas Inskipp perder muito feio neste jogo.
— Nos seus sonhos, loira. — Thomas riu também, retirando o jogo da pausa para poder tentar vencer a partida.
Sorri, observando meus amigos. Queria contar a todos sobre o que estava acontecendo e poder diminuir um pouco da surpresa de todos quando soubessem da notícia do meu casamento, mas não seria possível. Eu conseguia imaginar a síncope que meu pai teria se eu falasse para alguém e aquela história fosse descoberta.
xxx

— É um grande prazer ser patrono dessa instituição. Espero que possamos fazer grandes trabalhos e cuidar de muitas crianças. Obrigado. — sorri, finalizando meu discurso e desci do palco em direção à mesa que tinha sido reservada.
Mais algumas pessoas falaram depois de mim e eu cumprimentei mais algumas crianças, que sorriam quando olhavam para mim. Eu gostava da sensação de estar próximo delas e de conseguir fazer algum bem para elas.
— Alguma novidade em relação a senhorita Thompson? — Edward questionou enquanto seguíamos de volta para o Kensington e eu neguei com a cabeça. — Talvez o senhor devesse visitá-la.
— Edward... Não devemos apressar as coisas.
— Eu entendo sua postura, mas seu pai tem um cronograma que deve ser seguido e ele espera que esse namoro esteja na primeira página do The Sun em, pelo menos, dois meses. — tive que controlar a vontade de rir de toda aquela história de cronograma. Eu não posso crer que agora todos os passos da minha vida estão sendo programados por outra pessoa.
— Ele acha que dois meses é o suficiente para acreditarem em um namoro de verdade? — o meu secretário deu os ombros e eu balancei a cabeça de maneira negativa. — E onde ela vive, Edward?
— Em Stratford.
— Ok... — murmurei. — Vamos para o meu apartamento e depois eu vou à casa dela, satisfeito?
— Seu pai ficará e muito ao saber disso. — Edward riu, pegando o celular e digitando alguma coisa que eu nem me importei em saber. Deveria ser uma mensagem para Jacob para anunciar que eu iria visitar , para que o senhor Charles pudesse ficar um pouco feliz e mais relaxado com toda a história. Com certeza, ele ainda pensava que eu poderia dar para trás — não que eu não quisesse, mas seria um tiro no próprio pé.

Edward passou o endereço de e em pouco menos de uma hora, eu estava em frente ao prédio onde ela morava. Ajeitei o boné dos Yankees na cabeça antes de pressionar o botão do interfone do prédio, com Dave parado, fielmente, ao meu lado.
Pois não? — a voz feminina surgiu do outro lado.
? É o Harry.
O Príncipe?! — ela exclamou surpresa e eu pude ouvir a risada contida do meu oficial.
— Da última vez que eu chequei, eu ainda era um. — ela riu e logo ouvi o barulho do portão sendo destravado. Agradeci, dizendo que estava subindo e segui para dentro do prédio, sendo seguido por Dave.
O prédio era pequeno. Tinha apenas cinco andares e um elevador que parecia ser bem velho, e estava precisando de reparos, mas imaginei que fosse um local para apenas os estudantes da Universidade de East London poderem viver, já que ficava a poucos minutos de lá.
Quando cheguei ao terceiro andar, toquei a campainha e esperei alguns segundos até que a figura de apareceu na minha frente. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo volumoso e ela usava óculos de leitura, parecendo um pouco mais velha do que era.
— Oi. — ela sorriu tímida e um pouco confusa com Dave atrás de mim.
— Como vai? — sorri — Tem algum problema se o meu amigo aqui — apontei para Dave atrás de mim — Puder dar uma olhada no seu apartamento? Nada demais... É só rotina.
— T-tudo bem. — ela deu os ombros e Dave agradeceu antes de passar por nós para entrar no apartamento dela. — Isso acontece sempre?
— É o protocolo. Ele tem que vistoriar os lugares que eu vou entrar para não colocar a minha segurança em risco. — dei os ombros e ela balançou a cabeça.
— E ele olha o quê? Tipo, gavetas, armários? — dei uma leve risada, antes de balançar a cabeça de um lado para o outro.
— Ele olha quartos para ver se não tem ninguém escondido. Ele não mexe nas coisas de ninguém, a não ser que ache perigoso.
— E você espera do lado de fora?
— Na maioria das vezes, sim. Quando eu fico de saco cheio, eu entro e nem me importo.
— Não é perigoso? — neguei com a cabeça, mais uma vez.
— Só faço isso na casa das pessoas que eu conheço. — Dave passou por nós mais uma vez e fez um sinal com a mão de que estava tudo certo. Acenei com a cabeça e entrei no apartamento de , sendo seguida por ela. — Até que foi rápido.
— Como descobriu onde eu moro? — ela perguntou apontando para o sofá e eu me sentei, pensando em uma boa mentira para aquela pergunta. Eu não poderia simplesmente dizer que os secretários da minha família tinham pesquisado a vida dela toda, poderia?
— Camilla. — menti. — Pedi a ela que perguntasse à sua mãe.
— Ela não disse nada quando nos falamos pelo telefone. — ela murmurou, sentando-se no sofá também.
— Pedi que ela guardasse segredo. — dei uma leve piscada na direção dela e pude ver a confusão aparecer no rosto de . — Eu sei que conversamos pouco no jantar naquela noite, mas eu realmente gostei da sua companhia e pensei que pudessemos nos ver de novo. Gostaria de conhecer você melhor, .
. — ela sorriu fraco e eu balancei a cabeça — Se vamos nos conhecer melhor, você pode me chamar de .
— Claro... . — sorri, pensando em como meu pai iria bater palmas se visse esse momento. O Príncipe de Gales ficaria realmente muito orgulhoso. — Você vive sozinha aqui?
— Não. Eu moro com a minha amiga, , mas ela está na faculdade agora e ela só deve chegar à noite. — concordei com a cabeça — E tem também o Cooper, mas ele só aparece aqui nos fins de semana.
— Apartamento movimentado. — ri fraco.
— Eu te vi na televisão mais cedo. — ela sorriu — Belo discurso. Você que o escreveu?
— Algumas partes sim, mas a maioria foi meu secretário. Às vezes eu não tenho tempo para escrever todos os discursos.
— São muitos eventos?
— Pode-se dizer que sim. E nem todos são mostrados ao público. — ela concordou com a cabeça, parecendo bastante interessada em saber mais sobre essa parte de ser um membro da família real ativo e eu comecei a contar um pouco mais sobre os eventos.
parecia ser uma boa companhia. Apesar de, na maioria das vezes, sempre questionar muito, ela gostava de conversar e deixava o assunto fluir como se fosse algo bem natural.
No início, era tímida, mas quando a conversa era algo que gostava, ela falava demais. Quando eu questionei sobre seu curso, ela praticamente não parou de falar sobre literatura e alguns escritores ingleses, e eu estava fazendo o melhor que podia para parecer tão animado quanto ela com aquela conversa.
Parecia que a convivência poderia ser boa.

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1. GKH : Good King Harry (Bom Rei Harry) apelido que a Lady Diana deu ao filho quando ele era criança.


two.


“Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira”

— Já estamos programando a viagem para o Canadá, Harry. — Edward avisou, digitando algumas coisas em seu iPad e eu concordei com a cabeça, chegando alguns papéis que ele tinha deixado sobre a mesa do escritório. — O Primeiro Ministro e a esposa convidaram você para ficar na residência oficial.
— Parece uma boa ideia. — respondi, checando quais seriam as programações para a viagem que começaria dentro de três semanas e já tinha todas as rotas traçadas. Além de participar de algumas reuniões com o Primeiro Ministro do Canadá, visitar algumas instituições e conhecer alguns lugares. Parecia que seria bem legal.
— Ainda faltam alguns detalhes, mas eu resolvo isso mais próximo da viagem. Serão duas semanas lá e a Rainha decidiu que você substituirá o Duque e a Duquesa na viagem à Austrália.
— Quase um mês longe? — murmurei, erguendo as sobrancelhas e Edward afirmou com a cabeça.
— E por isso, seu pai pediu que você agilizasse um pouco as coisas com a senhorita Thompson.
— Como assim?
— Ele quer que, nessas duas semanas, você seja visto com ela para que quando esteja viajando, o caos esteja instalado nos jornais para saber quem é a moça.
— Parece que alguém está com muita pressa para ferrar a minha vida. — ri fraco, observando Edward fazer algumas anotações em seu inseparável iPad.
— A Rainha deu prazo de um ano para que aconteça o casamento. — dei os ombros, não muito afim de continuar aquela conversa sobre casamento, e peguei o celular para enviar uma mensagem à .
“Podemos nos ver hoje?”
Edward ainda contava alguns detalhes das viagens e colocava sobre a minha mesa mais alguns papéis referente as visitas, instituições que eu iria conhecer e todo o roteiro que havia sido programado, quando meu celular apitou.
“Sim. Estou livre às 8.”
Troquei mais algumas mensagens com para a leve irritação do meu secretário, que me fez rir. Acabamos combinando de jantar próximo ao apartamento dela, já que sua amiga estava em Birmingham para visitar a família.
Voltei a focar nos assuntos da viagem, para a alegria de Edward, e chequei alguns planos da visita. Visitaria, pelo menos, oito instituições, além de alguns pontos turísticos do Canadá e teria um encontro com o Primeiro Ministro, tudo em nove dias antes de embarcar para a Austrália, que ainda não tinha um plano finalizado e precisaria de uma outra reunião para que Edward pudesse me mostrar tudo da segunda parte da minha turnê.
Saí do escritório, após a reunião, e segui o caminho de casa na esperança de que pudesse dormir pelo resto da tarde, mas quando vi minha prima parada na porta do apartamento ao lado de William e George, tive a certeza que isso não seria possível.
— O que fazem aqui? — questionei, antes de pegar George no colo e fazer cócegas na barriga do loiro que se contorceu no meu colo dando altas risadas.
Olá para você também, irmão. Parece que a educação foi só para mim. — Will riu acompanhado por Eugenie e eu rolei os olhos para os dois.
— Claro, você é o futuro rei. — sorri, retirando a chave do meu bolso para destrancar a porta do meu apartamento e entrei sendo seguido pelos dois — Mas, vocês ainda não me responderam o que fazem aqui.
— Eu estava andando com George quando encontrei a Genie e viemos aqui ver você. — Will respondeu, sentando-se no sofá e eu coloquei George no chão para que ele pudesse brincar com os carrinhos que tinha nas mãos.
— Certamente não porque estavam com saudades. — murmurei, jogando-me no sofá e encarei Eugenie que ainda se mantinha calada.
— Eu vim perguntar ao Will se ele sabia o motivo de você ter terminado com a Cress...
— Você falou com ela? — perguntei, curioso e minha prima afirmou com maneio de cabeça — Como ela está?
— Não está bem, Harry. Ela gostava de você de verdade. — Genie murmurou com um pouco de raiva, tomando as dores da amiga, e eu apenas concordei com a cabeça. — Por que terminou com ela?
— Não estava dando certo, Genie. — dei os ombros, ainda sobre o olhar dela — E eu não preciso te dar informações da minha vida.
— Precisa quando fui eu quem te apresentei a ela! — Genie bufou — Se você estiver saindo com outra, Harry...
— Veio aqui só para isso? — mudei o assunto, encarando William que se divertia com a conversa. — E você?
— Kate está com Pipa discutindo coisas do casamento dela, então eu fui expulso. — Will deu os ombros, nos fazendo rir.
— Eu tive um encontro com a vovó para marcar de apresentar o Jack.
Uh...Alguém está em busca da aprovação. — murmurei divertido, arracando risadas do meu irmão e Genie rolou os olhos.
E ao invés de dormir, eu passei a tarde com os dois até Kate avisar que Pipa havia ido embora e Genie desistir de tentar saber se eu estava saindo com alguém para ter terminado com Cress.
Suspirei, agradecido, quando ela deixou meu apartamento porque a vontade de contar sobre o que estava acontecendo bateu algumas vezes naquela tarde. William poderia conversar com nosso pai e talvez fosse possível que ele o fizesse mudar de ideia. Se ainda tivesse tempo de conseguir fazê-lo mudar de ideia, é claro.

Entrei no apartamento de , sem nem esperar que Dave voltasse de sua ronda e ela deu uma risada, antes de me cumprimentar com um abraço. Senti que ela ainda ficava um pouco nervosa com a presença do meu segurança e só se atrevia a falar quando ele saía de seu apartamento.
— Então, você viaja em duas semanas? — perguntou, curiosa depois que eu respondi o que havia feito nos dias anteriores.
— Sim. Canadá e depois Austrália. — sorri — Tente sobreviver sem mim.
— Diga ao Justin Trudeau que ele é o máximo! — ela sorriu e eu rolei os olhos, deixando minha taça vazia sobre a mesa de jantar.
— Ah, qual é, ele não é tão legal. Ser um príncipe é melhor do que ser um Primeiro Ministro. — murmurei, tentando parecer ofendido com a frase dela e riu da minha cara.
— Talvez, mas não acho que você use meias tão divertidas. — ela piscou, ainda rindo.
— Então, usar meias divertidas é o necessário para ganhar o seu coração? — indaguei, erguendo uma das sobrancelhas e observei as bochechas de ganharem tons mais rosados que o normal. Ela tossiu de leve e me encarou, parecendo pensar numa resposta, então eu continuei: — Porque, se for, eu estou comprando meias divertidas assim que sair deste apartamento.
— Quer mais suco? — perguntou, levantando-se da cadeira e mudando de assunto, me fazendo dar risada. Retiramos a mesa e depois que arrumamos tudo, nos sentamos no sofá.
— Já namorou? — perguntei. Estavámos sentados no tapete felpudo da sala do apartamento dela e vez ou outra um fazia uma pergunta sobre o outro. Eu respondi as suas curiosidades sobre a minha mãe e sobre o tempo que Nancy foi minha babá e de William.
— Sim, mas foi por pouco tempo. — ela respondeu, sem dar maiores informações e eu concordei com a cabeça.
era muito tímida. Pelo jeito que ela havia coroado e fugido da minha pergunta mais cedo, me fez pensar no fato de que ela nunca tinha namorado. O que, para mim, tornaria aquela história toda que eu estava participando ainda mais absurda. Era óbvio que além de ser dez anos mais nova, ela era inexperiente e não tinha a menor noção do que estava acontecendo.
Segurei um suspiro, passando a mão pelo meu cabelo. Já tinha pensado várias vezes em como meu pai havia chegado até ela, se o contato da minha família com Nancy tinha acabado quando ela deixou de trabalhar conosco. E também me perguntava o porquê de ter sido a escolhida.
— E você? — a voz dela, me despertou dos pensamentos e eu a encarei, confuso. — Já namorou?
— Sim. Namoros sérios foram dois. — ela concordou com a cabeça.
— Elas são suas amigas?
— Chelsy, sim. Ela foi muito especial e nós ficamos juntos por um bom tempo, nós meio que crescemos juntos. — sorri fraco. Tinha vivido bons anos junto com Chelsy e ainda era comum que trocássemos mensagens ou que nos encontrássemos em festas dos meus amigos. — E a Cress, faz pouco tempo que terminamos. Acredito que ainda não é uma boa hora para nos reaproximarmos como amigos. — dei os ombros e ela só me encarava, como se absorvesse as informações.
Continuamos conversando e eu fiquei surpreso em saber várias coisas sobre a vida de . Diferente do que eu pensava, ela não era inglesa. Seu pai recebeu uma proposta para trabalhar nos Estados Unidos, uns anos depois do irmão mais velho dela nascer e a família se mudou para lá, por isso que Nancy havia deixado de ser a minha babá. Ela nasceu e viveu lá até os quinze anos, quando eles decidiram voltar para a Inglaterra, mas o irmão dela, Brandon, decidiu continuar vivendo nos EUA.
comentou um pouco sobre o irmão, falando da relação dos dois e da incrível proteção que o mais velho tinha com ela, questionando sobre minha amizade e relação com Will.
Contei sobre George e sobre como eu gostava de brincar com toda as crianças que eu conhecia e ela sorriu, dizendo que também adorava crianças.
Estava sendo uma noite agradável. Aos poucos, com muita conversa, ia perdendo a timidez que tomava conta dela e se deixava compartilhar um pouco sobre a sua vida. Eu também contei alguns momentos da minha, em troca, e ela parecia satisfeita em saber que eu era tão humano quanto ela, apesar do título.
— Bom, tenho que ir. — murmurei, me levantando do tapete junto dela — Amanhã tenho um evento bem cedo.
— Ah, tudo bem. — ela sorriu, caminhando até a porta. — Bom evento. Assistirei pela televisão.
— Obrigado pela noite divertida. — sorri, depositando um beijo na bochecha dela. abriu a porta do apartamento e Dave me encarou, antes de caminhar em direção ao elevador. Sorri mais uma vez para e comecei a seguir o meu segurança.
— Harry. — me virei assim que ela me chamou e pareceu considerar por alguns segundos se continuava ou não a falar. Observei-a passar uma mão na outra, de forma rápida, e logo um sorriso leve apareceu em seus lábios. — Você não precisa de meias divertidas... Já está ganhando o meu coração. — sorri em sua direção, acenando com a cabeça quando o elevador anunciou que tinha chegado ao andar e segui Dave para dentro do cubículo de metal.
Encostei-me na parede do elevador, olhando para o teto e soltei um longo suspiro. Dave com todo o seu treinamento em nenhum momento questionou se eu estava bem, mas não me importei. Algo dentro de mim começava a me lembrar que o que estavámos fazendo não era certo.
Aprendi com a minha mãe que enganar alguém não era certo, ainda mais quando isso envolviam sentimentos. Ela não estaria nem um pouco contente com tudo que estou fazendo.
Aquela história mal tinha começado e a culpa já tinha começado a me consumir.
xxx

— Então, como vão as coisas? — meu pai indagou, curioso enquanto eu me sentava na cadeira de seu escritório. Aquele escritório, recentemente, não me trazia boas lembranças, afinal foi ali que ele propôs todo esse pesadelo. — Me diga uma notícia boa, Harry.
— Estou a conhecendo ainda, pai. Não é tão fácil quanto parece. — murmurei, incomodado com a pressão dele, mas Charles balançou a cabeça.
— Conhecendo para quê? Tudo que precisa saber sobre ela estão naquelas apostilas. — bebericou seu chá e eu rolei os olhos com a tamanha facilidade que ele tratava do assunto.
— Eu não posso aparecer na vida da garota e simplesmente saber tudo sobre a vida dela, não acha? Ela vai pensar que eu sou um louco. — ele deu os ombros — Aliás, o que você iria fazer caso ela não queira casar comigo?
A reação dele a minha pergunta me pegou totalmente de surpresa: Charles começou a dar risadas bem na minha cara, ainda dando leves tapas na mesa como sempre fazia quando algo o divertia demais. Rolei os olhos, esperando que aquele ataque cessasse e esperei sua resposta.
— Qual jovem mulher diria não para um príncipe que aparecesse disposto a se casar com ela, meu filho? Creio que a senhorita Thompson não seria tão burra e nem que Nancy a deixaria cometer tal absurdo. — ele riu fraco e eu balancei a cabeça. Nancy fazia parte do plano dele? Era impossível.
— Por que escolheu a ? — fiz a pergunta que já estava na minha cabeça há alguns dias e meu pai me encarou com um leve sorriso.
? Já está a chamando pelo apelido... Ora, ora, parece que alguém está fazendo seu trabalho direito... — rolei os olhos com o sarcasmo de seu comentário e ainda esperando pela resposta. — Ela é jovem, pode trazer novos ares para nossa família e podemos moldá—la da forma certa para o público gostar dela.
Moldá-la? — repeti para ter certeza que tinha escutado certo.
— Moldá-la, influênciá-la... Controlá-la. — ele deu os ombros, parecendo fazer pouco caso de sua resposta, mas eu me levantei para deixar a sala.
Pude ouvir meu pai dizer que queria ficar sabendo do que aconteceria depois, mas nem me importei em respondê-lo. Ele queria que eu me casasse com para que fosse mais fácil controlar ela e, provavelmente, todo o casamento. Toda minha vida passaria a ser um jogo contrlado pelo Príncipe de Gales. Maravilha.
Edward se aproximou para falar alguma coisa, mas eu apenas ergui a mão, como se dissesse para deixar para depois e ele se afastou, voltando para o escritório. Segui caminho para fora daquele prédio e Dave me encarou surpreso porque eu estava saindo cedo, mas também não me importei. Só queria entrar no carro e parar no primeiro pub que estivesse aberto.
Mandei uma mensagem para Guy, perguntando se o Helt já estava aberto e ele confirmou, me fazendo quase dar pulos de alegria. Avisei para ele que passaria por lá e pedi para que Dave fosse para o meu lugar favorito.

— Dia ruim? — Guy deu uma leve risada, ao me ver sentado em um dos bancos em frente ao bar do Helt. Concordei com a cabeça, dando um longo gole na cerveja que o barman tinha acabado de me entregar e o meu amigo sentou-se no banco vazio ao meu lado. — Lizzie me disse que você e Cress terminaram...
— Como Lizzie ficou sabendo disso? — questionei, curioso.
— Parece que Kate contou. — rolei os olhos, pensando no quanto William era fofoqueiro e dei mais um gole na cerveja. — Por isso o dia está ruim?
— Não estou sofrendo pela Cress, Guy. — respondi, num tom sério e ele afirmou com a cabeça, parecendo estar surpreso com a informação. — Não ia dar certo, de qualquer maneira.
— Uma pena. Cress era bem legal. — Guy murmurou e eu dei os ombros.
Não queria falar sobre Cress ou sobre qualquer outro assunto, mas é claro que não disse isso para o meu amigo, então, continuei respondendo as perguntas feitas por Guy quase que robóticamente.
Enquanto Guy contava algo sobre seu casamento com Lizzie, eu pensava no que estava a caminho se o plano do meu pai seguisse dando certo. O primeiro passo, que era fazer se apaixonar por mim, parecia estar dando certo. O que significava que tudo estava no caminho certo e eu não tinha mais para onde fugir.
xxx

Desci do carro, assim que Dave o parou em frente ao prédio de , e caminhei para o portão. Ela saiu do elevador e quando levantou o olhar, sorriu ao me encarar já a esperando.
— Você está... linda. — sorri, dando um beijo em sua bochecha e vi suas bochechas ficarem rosadas. vestia com uma blusa rosa, calça preta e botas de salto, ficando um pouco mais alta que o normal. Sorri, vendo que ela tinha anotado minha dica e trazia consigo uma touca.
— Obrigada. Você também não está nada mal. — ela riu divertida, apontando para minha camisa social e eu dei os ombros, levando-a para o carro. Dave seguiu o caminho que eu tinha dito para ele mais cedo e parecia ansiosa ao meu lado.
— Ansiosa? — perguntei, vendo ela negar com a cabeça e parar de mexer na barra da blusa.
— Estamos indo para Londres?
— Sim, tem um restaurante muito bom por lá e que pode nos dar mais privacidade. — ela concordou com a cabeça e eu sorri, perguntando como havia sido a semana dela para nos destrair da pequena viagem até Londres.

O jantar tinha sido divertido. havia me confessado que não era muito fã de bebidas alcoólicas porque ela ficava alta muito rápido e após a terceira taça de vinho dela, eu pude confirmar que era verdade.
— Chega de vinho para você. — murmurei, retirando a taça de perto dela e recebi em resposta um muxoxo da parte dela.
— Ok, Wales. — ela riu, levemente alterada, e se virou na minha direção — Nós já estamos indo?
— Estamos esperando Dave voltar para dizer se está tranquilo. — murmurei, vendo-a concordar com a cabeça.
Eu sabia que não estava nada tranquilo do lado de fora do restaurante. Edward tinha deixado alguns fotógrafos do The Sun a par de que eu teria um encontro amoroso naquele restaurante, do jeito que meu pai havia planejado e que eu odiava saber que iria acontecer.
Para mim, a diferença desse “relacionamento” estar ou não na capa dos jornais não iria fazer diferença alguma porque eu já estava acostumado com toda imprensa sabendo dos meus passos, mas eu me preocupava com e em como ela iria lidar com toda aquela história. Não era nem um pouco justo com ela aquilo tudo.
— Alteza. — Dave entrou na sala privada que nós estavámos e me encarou com uma cara não muito boa, que eu já sabia o que significava — Tem uma série de fotógrafos na porta do restaurante e até na porta de trás.
se mexeu desconfortável na cadeira ao meu lado e virou o rosto para poder me encarar. Pude perceber que ela parecia estar totalmente nervosa após as palavras do meu oficial.
... — a encarei, respirando fundo para seguir com toda a história — Nós vamos sair e você precisa ficar o tempo todo olhando para o chão, tudo bem? Não olhe para as câmeras, nem responda a eles. — ela pareceu absorver o que eu tinha dito.
— Mas... E-e se eles fizerem alguma coisa? Ou falarem algo e eu...
— Eles não vão falar e nem fazer nada com você. — sorri para poder passar confiança para ela. — Dave e o Maik estarão ao nosso lado para nos levar até o carro. Eu só preciso que você não olhe e nem responda nenhuma das perguntas que eles fizerem.
— E se eu tropeçar no caminho até o carro? — ela questionou, com uma feição de preocupação e sorri fraco.
— Eu estarei de mãos dadas com você para te segurar, pode ser? — entralecei minha mão a dela e ergui as duas mãos na frente de seu rosto para mostrar toda a segurança. concordou com a cabeça, dando um sorriso e eu me virei para Dave, que com todo seu treinamento estava ainda estava presente na sala, mas fingia não ouvir e nem saber o que estava acontecendo a sua frente. — Podemos ir, Dave.
Me levantei e ajudei a se levantar para que pudéssemos sair do restaurante. Ela aparentava estar totalmente insegura e ao ver todos os flashes das câmeras pelo vidro do restaurante, eu senti parar de andar e me puxar.
— Ei, está tudo bem. — sorri, passando confiança e ela suspirou, concordando com a cabeça. Acenei positivamente para Dave e ele abriu a porta do restaurante, saindo antes de nós.
O caos parecia que tinha se instalado do lado de fora do restaurante.
Segui de cabeça erguida, ignorando todas as perguntas que eram feitas para mim e . Ela segurava na minha mão com tanta força que eu tinha certeza que a marca de seus dedos ficariam ali por algum tempo.
Ajudei a entrar no banco de de trás do carro e entrei depois dela, fechando a porta rapidamente. Soltei todo o ar, esfregando as mãos na minha calça jeans e me virei para a morena ao meu lado.
— Você está bem? — suspirou, concordando com a cabeça.
— Isso... Meu Deus, Harry. — ela riu, incrédula com o tanto de flashes e gritos que vinham do lado de fora do carro. Dave entrou rapidamente no carro e me encarou para saber se estava tudo bem e eu concordei com a cabeça. — Você acha que eles conseguiram ver meu rosto?
— Acho que não. — sorri fraco para tentar dar positividade ao que eu acabara de dizer e ela concordou.
— Como eles sabiam que estavámos lá? — meu pai contou para a imprensa, pensei.
— Alguém que trabalha no restaurante deve ter quebrado o acordo de sigilo... — murmurei, dando os ombros — Mas, não se preocupe. Edward irá lidar com isso depois.
Ele até lidaria se fosse uma situação real, mas como era tudo que meu pai queria nenhuma ação seria tomada pelo meu secretário ou qualquer pessoa da família. Era aquele circo todo que eles queriam e esperavam que desse certo para que nossos índices fossem salvos.

Dave estacionou o carro em frente ao prédio de e eu desci do carro junto com ela para poder levá-la até a entrada do prédio. Ela ainda parecia estar um pouco assustada com toda aquela presença na porta do restaurante e eu não poderia culpá-la.
— Obrigada pela noite, Harry. — ela sorriu tímida e eu acenei com a cabeça — Tenha uma boa viagem.
— Tente sobreviver sem mim. — pisquei, divertido e ela deu uma risada fraca.
— Compre as meias coloridas. — foi a vez dela piscar na minha direção. deu um passo mais perto de mim e depositou um leve beijo nos meus lábios por alguns segundos, afastando-se rapidamente e seguindo para dentro de seu prédio.
Acenei com a mão em sua direção e caminhei de volta para o carro. Eu me sentia estranho — não pelo rápido beijo dela, mas por aquela história.
Ela estava realmente se envolvendo por mim, eu estava entrando em buraco sem saída e a culpa já estava começando a me consumir.

xxx


’s Pov.
— Bom dia. — disse a , assim que coloquei os pés da sala e fui até a cafeteira para me servir com aquela bebida que sempre fazia meu dia começar bem e com certeza seria boa para acabar com minha dor de cabeça. Por que eu ainda não me
Minha melhor amiga estava bastante entretida no jornal para me responder e eu ignorei, me sentando na cadeira vazia próxima a mesa para tomar meu café da manhã.
... — começou enquanto eu comia uma torrada e eu levantei meu olhar para encará-la — Eu te conheço desde sempre, não é?
— Sim... Mas por quê isso agora, ? — questionei, curiosa e tentando entender aonde ela queria chegar. — Eu quero chegar... — ela suspirou, pegando o jornal que estava lendo para colocar sobre a mesa bem na minha frente — O porquê de você não ter me contado que estava namorando com o Príncipe Harry!
Senti meu corpo resetar por inteiro e tirei meus olhos de para encarar o The Sun que ela acabara de colocar na minha frente. Soltei ao ar ao ver duas fotos de Harry e eu na saída do restaurante: na primeira, não era possível ver o meu rosto porque eu estava de cabeça baixa enquanto seguíamos para o carro, mas na segunda, nós dois já estavámos dentro do carro. Era o momento que ele me perguntava se eu estava bem. Eles tinham conseguido uma foto do meu rosto e, aparentemente, a minha ficha completa.
Eu estava na primeira página do The Sun.
Eu estava na primeira página do The Sun ao lado do Príncipe Harry.



three.

“A mentira não irá curar.”


’s POV.
Alguns gritos me fizeram abrir os olhos assustada. Encarei as coisas ao meu redor, ainda me familiarizando com a claridade do quarto, e me sentei na cama para tentar entender o que estava acontecendo.
Depois de ter tentado convencer que eu não estava namorando com Harry e de sofrer por alguns minutos por lembrar que eu tinha me jogado nos braços dele bêbada, acabei pensando que não ir à aula seria a melhor coisa a se fazer. Não queria ter que lidar com mais gente pensando que eu estava namorando o Príncipe e nem com os olhares de todas aquelas pessoas.
Me levantei da cama, ainda me questionando de onde vinham todas aquelas vozes se eu estava sozinha em casa, e fui para a janela da sala para ver o que estava acontecendo do lado de fora do meu prédio. Abri a cortina para poder checar e senti todo minhas duas pernas fraquejarem.
Centenas de fotógrafos estavam parados na porta do meu prédio com suas enormes câmeras. Eram deles as vozes que eu estava ouvindo.
Suspirei antes de voltar ao quarto para pegar meu celular e discar os números de . Sentei-me no sofá, puxando as pernas para próxima do meu corpo e esperei que minha amiga atendesse o telefone.
— Obrigada! O senhor Hemmings estava em uma daqueles monólogos chatos. — ela murmurou animada do outro lado da linha e eu soltei uma risada.
— Ok, agora eu preciso da sua ajuda. — falei — Tem centenas de fotógrafos do lado de fora do nosso prédio, . O que eu faço?
Você está perguntando para mim?! — ela riu — Eu não tenho a menor ideia, . Não sou eu quem estou namorando alguém da família real...
— Eu não estou namorando ele.
Ainda. — ela riu mais uma vez e eu rolei os olhos. Não adiantaria discutir com ela o status da minha relação com Harry, se é que eu poderia chamar o que nós tínhamos de relação. Afinal, ele só tinha dito que gostava de mim e eu, após algumas taças de vinho, já tinha me jogado nos braços dele.
Ai Deus. Ele deve estar pensando coisas absurdas de mim, com certeza.
Por que não liga para ele para saber o que fazer? — a voz de me despertou — Ele tem muito mais experiência nisso do que você e vai te dizer como lidar com tudo.
— É uma ótima ideia, . — murmurei, agradecendo e desliguei o telefone pronta para ligar para Harry. Esperei alguns segundos até ouvir sua voz e pude sentir leves arrepios em meu corpo... Céus.
. Oi.
— ele falou baixo e eu senti que estava o atrapalhando.
— Estou atrapalhando? — murmurei, mordendo meu lábio inferior.
Ahn... Não. Eu estava discutindo algumas coisas de um evento de hoje, mas pode falar. Não acredito que já esteja sentindo minha falta. — ele riu do outro lado da linha.
— Harry... Tem um monte de fotógrafos na porta do meu prédio... Para quê? — perguntei e tudo que tive em resposta foi o silêncio. Tirei o celular do ouvido para checar se ele ainda estava do outro lado da linha e balancei a cabeça, chamando seu nome para saber o que tinha acontecido.
Desculpe, . — ele murmurou em resposta em um tom triste. — Essa é a parte ruim de estar comigo: qualquer passo nosso poderá aparecer para o mundo todo e irá fazer com que todos os olhos do país se voltem para você.
— Eles vão ficar aqui para sempre? — questionei, preocupada e ele riu fraco.
— Não. Talvez até você sair de casa, o que eu não recomendo fazer porque isso pode causar muito mais loucura.
— Eu preciso ir as aulas, Harry. — falei, soando óbvia. Eu teria que faltar a universidade por conta de fotógrafos na porta da minha casa só porque eu sou amiga do Príncipe? Ou eu teria que passar a ir disfarçada para as aulas?
— Eu sei... — ele suspirou — Olha, ... Não há nada que eu possa fazer sobre isso, a não ser te alertar que quando você sair, as coisas vão piorar ainda mais. Eu diria para que você esperasse alguns dias para ir a aula, eu não sei... Talvez a capa de amanhã do The Sun seja mais marcante.
— Você não pode fazer nada mesmo? — me agarrei em um fio de esperança. — Sei lá, um comunicado pedindo que eles saiam da minha porta ou qualquer coisa. Meus vizinhos não vão gostar disso... Eu não gosto disso, Harry.
Antes que ele pudesse responder meu desabafo, uma voz o chamou e ele pediu licença para discutir alguns assuntos que eu não prestei atenção.
A porta da minha casa estava um verdadeiro caos, o grande causador disso tudo não poderia fazer nada a respeito e seu melhor conselho era que eu me trancasse em casa por alguns dias.
, sinto muito, mas eu preciso ir. — ele suspirou mais uma vez e eu passei a mão pelo meu cabelo. — Eu vou ver se consigo com meu secretário um dos meus Oficiais para ficar por aí quando você precisar sair, mas não posso te garantir que eles vão ser liberados.
— Tudo bem...
— O mais importante é que, se você for sair, e eles perguntarem alguma coisa, você não deve responder. Nenhum tipo de pergunta, . Apenas abaixe a cabeça e vá aonde você tem que ir. Finja que eles não estão a sua volta.
— Como se isso fosse fácil. — murmurei baixinho, mas ele escutou.
— Eu sei que não é, eu faço isso minha vida toda. — ele fez uma pausa e eu ia me desculpar pelo meu comentário, porém ele foi mais rápido ao dizer que precisava ir para um evento.
— Ok, tenha um bom evento.
— Te ligo para dar uma resposta sobre o OP. — concordei — E me desculpe, mais uma vez. Eu não queria te fazer passar por isso.
Coloquei o celular ao meu lado no sofá e abaixei a cabeça, encostando a testa nos meus joelhos. Soltei um longo suspiro, sentindo a vontade de chorar começar a me consumir.
Eu não imaginava que ser próxima de Harry poderia trazer aquilo para a minha vida, afinal não tínhamos nenhum tipo de relacionamento... Por que eles estavam atrás de mim? Harry não iria aparecer por aqui, e eles deveriam saber muito bem da agenda de compromissos que ele tinha agendado no Canadá.
Qual era a graça de saber da minha vida? Ou melhor, de atrapalhar a minha vida porque era isso que todo aquele pessoal na minha porta estava fazendo.
Passei a mão pelo meu rosto, secando algumas lágrimas e me levantei para ir de volta para o meu quarto. Me manter bem longe das janelas do apartamento seria o melhor para mim naquele momento. Pelo menos, até Harry resolver me ajudar de alguma forma.

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— Você sabe quando ele volta de viagem? — perguntou, depois de olhar pela fresta da cortina e ver que ainda tinha um pequeno número de fotógrafos em nossa porta.
Já era o terceiro dia que eu tinha seguido o conselho de Harry e ficado em casa, pegando matéria das aulas com a minha melhor amiga que, prestativamente, saía todos os dias de manhã e era bombardeada com perguntas e câmeras em seu rosto. Parecia que de, alguma forma, eles sabiam que morava comigo.
— Ele ia ficar pouco mais de três semanas viajando. — murmurei, prestando atenção na matéria que copiava e pude ouvir minha amiga suspirar em desgosto — O que foi?
— Você vai ficar um mês sem ir a aula por causa dos fotógrafos? Ele não pode mesmo fazer nada para te ajudar?
— Ele disse que precisaria falar com o pai dele para poder colocar um dos seguranças comigo, . E eu sei que eu não posso perder tantas aulas assim, por isso, amanhã eu vou com você.
, você entende o que esse namoro está trazendo para você não é? — ela ergueu a sobrancelha.
Não é um namoro. Príncipe Harry não namoraria uma garota como eu, nunca. Quantas vezes eu vou ter que repetir isso até você entender? — falei, um tanto quanto cansada com aquela brincadeira da parte dela e rolou os olhos.
— Fala sério! — rolou os olhos, sentando-se ao meu lado no sofá. — , você é linda. É óbvio que ele namoraria uma garota como você, tanto que você está na capa de um jornal do país de mãos dadas com ele e dentro do carro dele sorrindo como um casal. Se isso não é namoro...
— Ele só falou que gosta da minha companhia... — suspirei — E eu o beijei antes dele viajar.
— Você o quê? arregalou os olhos, totalmente surpresa com o que eu havia falado.
— Eu estava bêbada e...
— Você gosta dele, não é? — me interrompeu, olhando nos meus olhos e eu suspirei.
Eu não sabia se deveria responder ou não aquela pergunta, muito menos como responder. Eu gostava de estar com Harry e de como era divertido conversar com ele, além do que ele sempre parecia que gostar de conversar comigo. Harry era uma boa companhia. Eu poderia estar confundindo as coisas porque não seria algo normal um homem dez anos mais velho gostar de uma moça tão tímida quanto eu.
— Eu gosto de estar com ele. — respondi, sincera e concordou com a cabeça.
— Só... Toma cuidado, tudo bem? — concordei com a cabeça, vendo o sorriso amigável de na minha direção.

xxx

Harry’s POV.
— Não tem nenhuma forma de resolver isso? — indaguei, encarando o tempo nublado no Canadá pela janela do quarto em que eu estava, enquanto esperava uma resposta do meu pai. Não queria ter que ligar para ele para conseguir alguma ajuda para , mas Edward não achava certo que eu cedesse um dos meus oficiais.
Harry... — ele começou — O dinheiro que ganhamos vem do povo e deve ser usado por nós para nós. Se quando usamos dessa maneira, alguns deles já reclamam, imagine pagando segurança para uma moça que nem da família é. — bufei — E outra, isso é um teste para ela. Que ela possa aprender a lidar com a imprensa para saber como será depois que entrar para nossa família.
— Nós nunca lidamos com a imprensa dessa forma, por isso que temos os nossos oficiais. — rebati, de uma maneira infantil, mas porque não fazia sentido a explicação dele. — Além do que, William não pagou seguranças para Kate?
E você se lembra das críticas sobre isso? Harry, o seu casamento é para um único propósito: elevar nossos índices de aprovação. Nós temos que seguir tudo o que o povo quer. Se eles querem ver o rosto da sua namorada estampado no The Sun, Daily Mail ou qualquer outro jornal, nós temos que dar isso a eles. Não podemos fazer igual William e protegê-la demais porque nós queremos o contrário disso: queremos todos de olho em vocês.
— Isso me parece loucura. — ri desacreditado. A cada conversa que eu tinha com meu pai sobre e o casamento eu me sentia ainda mais um fantoche. Ele já tinha todas as ideias pré-ordenadas sobre o assunto e como nossos passos seriam monitorados a todo o momento. Era absurdo e tudo, devidamente, pensado.
Vamos aguardar um pouco mais para confirmar o namoro de vocês, mas quando isso acontecer podemos liberar um comunicado repudiando isso, mas nada de oficiais a protegendo, filho.
— Tudo bem. — suspirei, dando-me por vencido e vi meu secretário entrar no quarto, fazendo um sinal de que estava na hora de ir para mais um evento. Me despedi de Charles, finalizando a ligação e guardei o celular no bolso do paletó, antes de seguir Edward para fora do quarto.

xxx

Encarei William com uma sobrancelha arqueada e ele riu na minha direção. Tinha quatro horas que eu estava em casa e ele já havia feito questão de me visitar para “colocar o papo em dia”. Se eu não conhecesse meu irmão tão bem, acreditaria naquela desculpa de que ele só queria conversar do que tinha acontecido enquanto eu estava fora e não querendo saber mais sobre o meu relacionamento.
— Vamos, Will... Diz logo porque está aqui. — ri. Se ele esperava que eu dissesse algo por contra própria, estava enganado. Era melhor fazê-lo dizer que queria saber da fofoca.
— Você sai para a turnê e deixa os jornais por aqui morrendo de curiosidade. Não acha que tem algo para me contar? — ele riu fraco e eu dei os ombros, fingindo que ainda não tinha entendido onde ele queria chegar — Você está namorando?
— Prefiro usar o termo: estamos nos conhecendo.
— Você não sai na primeira capa do The Sun com uma mulher que está “conhecendo”, Harry. — William rebateu, óbvio e eu acabei concordando com a cabeça. Eu sempre me mantive muito privado em relação a tornar meus namoros público. — Como a conheceu?
Prendi a respiração por alguns segundos.
Não tinha pensado naquela parte ainda. Deveria contar como eu realmente conheci ou contar alguma mentira? Droga.
— Ela é filha de uns amigos do nosso pai. — respondi, finalmente. Acho que de mentiras minha vida já estava cheia naquele momento.
Will me encarou por alguns segundos parecendo estar totalmente surpreso com a informação e eu concordava totalmente. A verdade parecia mais uma mentira, afinal, nunca tinha encontrado uma namorada tão próxima.
— Surpreendente. — ri fraco da expressão que ele tinha no rosto — E como ela está lidando com tudo? Se precisar de ajuda, pode falar comigo ou com Catherine...
— Agradeço. — sorri, espontaneamente para o meu irmão que apenas deu os ombros. Nós dois sabíamos o quanto era difícil entrar para a nossa família e como Kate tinha ido bem em todo seu processo. Ela seria, sem dúvidas, de grande ajuda para . — Ela está lidando bem até. É assustador no início, mas creio que ela irá se acostumar.
— O importante é não ler o que é escrito sobre você. — William murmurou e eu concordei mais uma vez. Os jornalistas sabiam ser duros o suficiente com as nossas namoradas enquanto elas não entravam — e mesmo depois — para nossa família. — Me fale mais sobre ela.
— Deixa de ser curioso! — respondi, rindo.
— Catherine pediu que eu viesse descobrir o máximo. Convide ela para jantar conosco.
— Acho que ela ainda é tímida demais para isso, mas em breve, Will. — ele abaixou os ombros com a informação e eu dei risada da animação do meu irmão. Sem dúvidas, mais animado que eu para toda aquela história. — O que mais você quer saber?
— Você acha que é ela? — indagou, erguendo as sobrancelhas e eu soube exatamente o que ele queria dizer.
Mais uma vez, eu não sabia se a resposta era a verdade ou a mentira. Porque, para mim, não era ela, mas para o Príncipe Charles e para a Rainha era ela, sem sombra de dúvidas.
Talvez seja. — respondi, forçando um sorriso natural e William pareceu contente demais com a minha resposta.
Parece que a mentira já começava a agradar as pessoas. Só restava saber se ela iria agradar ao público.

“Está em casa?”, apertei enviar e voltei meu olhar para a cidade que passava como um borrado pela janela do carro. Já tinha avisado a Dave para seguir caminho para o apartamento de , antes mesmo de saber se ela estava em casa, mas eu precisava saber como ela realmente estava com toda a loucura dos fotógrafos na porta da casa dela.
A possibilidade dela achar aquilo tudo uma loucura (e realmente era) e querer se afastar de mim, acabando, mesmo sem querer, com toda a história que meu pai havia criado me animava de uma forma surreal. Já que eu não podia desistir, eu poderia, ao menos, torcer para que ela não aguentasse toda aquela pressão. Porque se para mim que nasci nesse meio ainda é estranho ter toda essa atenção, para ela poderia ser cem vezes pior.
Meu celular vibrou em minha mão e eu o peguei para checar as mensagens que haviam chegado. Skippy e Jake estavam me perturbando desde a hora que eu tinha chegado e haviam cismado com a ideia de fazer uma reunião para comemorar que eu estava de volta.
“Estou saindo da faculdade agora. Por que?”, foi a resposta de . Respondi que estava a caminho da casa dela e enviei uma outra mensagem para meus amigos confirmado uma comemoração na boate de Guy. Nem me apressei em mandar uma mensagem para ele porque sabia que Skippy faria isso para garantir que a noite fosse um sucesso.

— Você diz que mora com alguém, mas sempre está sozinha no apartamento. — eu murmurei quando Dave saiu e eu pude entrar no apartamento de , que riu com a minha colocação.
Fechei a porta e parei em frente a ela, que sorriu tímida na minha direção antes de jogar os braços ao redor do meu pescoço e colar o corpo no meu num abraço.
— Isso tudo é saudade? — ri fraco, quando ela se afastou de mim, com as bochechas levemente coroadas.
— Foram semanas terríveis sem você aqui. — ela soltou o ar pesadamente, caminhando até a janela para ver como estavam as coisas na porta do prédio — Eles não te encheram não?
— O trabalho do meu oficial é não deixar que isso aconteça... — murmurei, dando os ombros — Me desculpe por te fazer passar por isso, . Essa é a parte ruim de estar comigo: eles vão fazer de tudo para saber mais sobre você e vão tentar te ganhar no cansaço.
— Mas, isso nunca melhora? — ela questionou, mordendo o lábio inferior com uma expressão de dúvida no rosto.
— Não melhora, mas eles mudam as artimanhas deles. — ela seguiu com a expressão de dúvida e eu me sentei no sofá, mesmo sem ser convidado — Quando seguir a Kate não dava em nada, eles iam atrás da família dela ou dos amigos que dela. Quando eu estava com a Chelsy, eles chegaram a hackear o celular dela para tentar encontrar alguma coisa. Sem contar as histórias que eles inventam, quando não conseguem nada.
— Isso é horrível. — ela balbuciou, surpresa com a informação e eu dei os ombros. Já estava acostumado com tudo aquilo, apesar de não ser o correto, me parecia um ciclo natural demais da minha vida.
— O que eu quero que você saiba é... — suspirei, encarando a menina de cabelos escuros volumosos a minha frente — Está tudo bem se você quiser se afastar de mim e dar um ponto final a isso que nós estamos começando agora. Eu imagino que tenha sido horrível essas semanas em que eles estiveram na sua porta e eu, infelizmente, não posso colocar um dos meus oficiais à sua disposição. Por isso, se você quiser, terminamos aqui o que quer que esteja começando entre nós e eu libero um comunicado afirmando isso.
me encarou com seus olhos castanhos marcantes por alguns longos segundos. Parecia que sua mente buscava ainda a melhor resposta para a minha fala.
Em parte eu me sentia culpado. Era culpa da minha família ter colocado naquela posição e ela entraria num caminho sem rumo se aceitasse. Entraria em um relacionamento que seria verdadeiro só por um lado e abriria mão do seu futuro para seguir um que não seria traçado por nenhum de nós.
E se ela não aceitasse, o que eu torcia para que acontecesse, eu estaria entregue. Charles ficaria chateado com tudo e a aprovação da família seguiria em baixa, mas eu tenho certeza de que ainda haveria um outro caminho melhor do que diminuir as minhas chances de ser feliz.
— A decisão é sua. afirmei para , tentando não colocar ainda mais pressão nela, mas com a ansiedade no pé com aquela espera por uma resposta.


four.

“Assim como a gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida.”


Um mês.
Parece que quando sua vida já está traçada as coisas passam mais depressa e era assim que eu me sentia. Como se aqueles meus momentos sozinhos no meu apartamento em Kensington e com os meus amigos fossem os últimos da minha genuína felicidade.
tinha me afirmado, há um mês, que estava ali porque queria, porque gosta de mim e que se aquele fosse o preço para estar comigo, ela estava disposta a aceitá-lo. Mas apenas um verbo não saía da minha mente acerca de um mês e me fazia sentir ainda mal: gostar. Ela havia afirmado que estava nutrindo sentimentos por mim enquanto eu estava apenas do lado dela para salvar a minha família. Dois sentimentos totalmente diferentes.
Claro, sua companhia me agradava, ainda mais agora que ela não era tão tímida perto de mim, mas ainda sim era difícil não pensar que só estava com ela porque era o que Charles e a Rainha tinham me preparado. Era estranho. Eu me sentia estranho.
— Como vai, Henry, meu filho? — meu pai sorriu animado ao entrar no meu escritório com Edward e seu secretário o seguindo como os Corgis seguiam a minha avó pelo Palácio.
— Bem. — respondi, monossilábico.
— Sua animação me contagia! — Charles disse sarcástico e eu me segurei para não rolar os olhos em resposta, observando-o sentar-se na poltrona em frente a minha mesa. — Estamos aqui para discutir os novos rumos do seu relacionamento com a senhorita Thompson. Vocês já estão a quase três meses saindo, não é?
— Por aí. — dei os ombros. Odiava que ele discutisse comigo quais eram os próximos passos. Preferia que ele apenas dissesse para Edward e que chegasse até mim quando eu estive me preparando para sair com . Dessa forma, parecia menos surreal toda a ideia.
— Pois bem. Já houve o pedido formal de namoro, eu espero... — meu pai indagou e eu balancei a cabeça de maneira negativa, recebendo olhares de surpresa dele e de nossos secretários. — Henry!
— Não achei que precisasse disso.
— Você não pode simplesmente chegar um dia e pedir a moça em casamento, meu filho. Precisa seguir etapas, ainda mais que Nancy me disse que esse é o primeiro relacionamento dela. Você precisa ser um Príncipe Encantado! — ele riu sarcástico.
— Tudo bem, falarei com ela no fim de semana. — dei os ombros.
— Farei reserva em algum restaurante, Alteza. — Edward murmurou, digitando no iPad e eu apenas afirmei com a cabeça. Pouco me importava.
— Depois disso, eu gostaria que você enturmasse a moça com seus amigos. A imprensa vêm falando que isso ainda não aconteceu e seria uma boa ideia...
— Tem o casamento dos Pelly. — o secretário do meu pai, Jacob, murmurou após checar algumas informações e eu concordei com a cabeça. Ainda faltavam algumas semanas para o casamento de Guy e Lizzie, mas seria uma boa ocasião para que e eu fossemos vistos juntos, se era isso que eles queriam.
— Então, creio que já temos programado o básico para o seu relacionamento para o próximo mês. O resto é com você, filho. — sorri sem mostrar os dentes e esperei que os três estivessem fora da minha sala para poder bater com a mão fechada na minha mesa de madeira.

— Estou falando com você há mais de cinco minutos! — Jake chamou minha atenção depois de dar um tapa no meu ombro e eu balancei a cabeça, na tentativa de tirar qualquer pensamento sobre , casamento e meu pai da minha cabeça.
— Foi mal, cara. — dei os ombros — O que estavam falando?
— Despedida de solteiro para o Guy. — Skippy falou alto, erguendo sua garrafa de cerveja e eu dei risada ao ver Guy erguer os braços em comemoração.
— E nós planejamos a despedida dele com ele no local? Não deveria ser surpresa? — indaguei, curioso.
Nah. Lizzie não liberou fazer nada muito pesado porque disse que se o noivo dela não aparecer no voo para os EUA na quinta-feira, ela nos mata. — Skippy rolou os olhos após tentar imitar a voz da noiva de Guy e todos nós demos risadas.
— Tem que ser algo leve. — o noivo disse com um sorriso no rosto — Podemos fazer algo no Helt. — todos sorriram animados quando ele mencionou a boate que era dono.
— Parece uma ótima ideia, mas eu não vou pensar em nada com uma garrafa vazia em mãos. — Jake murmurou, erguendo a garrafa que tinha em mãos e Guy rolou os olhos antes de anunciar que iria buscar mais uma rodada para nós.
— Vou aproveitar e ligar para Lara. — Skippy riu fraco, pegando o celular no bolso da calça e saindo da sala de estar para a varanda.
Suspirei, dando um último gole na minha cerveja e depositei a garrafa vazia sobre a mesa de centro. Jake encarava todos os meus movimentos, como se analisasse e estivesse aguardando o momento certo para me questionar.
— Está tudo bem com você, Harry? — finalmente perguntou, mostrando-se preocupado e eu concordei com a cabeça. — De verdade, eu quero dizer.
— São só preocupações e muita pressão, Jake. Nada demais. — dei os ombros.
— Se quiser conversar sobre qualquer coisa, pode contar comigo. — concordei com a cabeça, dando um tapinha de leve no ombro dele e logo, Guy voltou a sala com mais algumas garrafas de cerveja em mãos.
Por alguns segundos, eu pensei que poderia contar para Jake o que estava acontecendo. Diferente de Guy e Thomas, que me encheram de perguntas sobre , ele ficou apenas observando e parecia saber que havia algo de estranho comigo, apesar de não dizer abertamente.
Eu confiava no meu amigo e também precisava dividir aquela história toda com alguém para que, talvez, pudesse me sentir menos culpado por estar fazendo parte daquilo tudo e por ter um destino traçado por terceiros.

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— Você já tem alguma ideia de como vai ocorrer o pedido de namoro? — Edward me questionou enquanto estávamos no caminho para fazer uma visita a uma instituição em Manchester.
— Um jantar... Algo desse tipo, Edward. — dei os ombros, respondendo sem tirar minha atenção do meu celular e meu secretário não disse nada por alguns segundos, o que me fez tirar a atenção do aparelho para encará-lo. — O que?
— Não deveria tentar algo mais... — ele fez uma pausa, parecendo pesquisar a palavra que usaria naquele momento — Romântico?
— Edward, você sabe mais do que eu a razão deste circo todo. Por que eu deveria sequer pensar em algo mais romântico? — tranquei a tela do celular, guardando-o no bolso do meu paletó e voltei a encará-lo, aguardando sua resposta.
— Eu sei que não é correto eu falar, mas eu trabalho com você há mais de quatro anos, Harry, e sinto que eu deveria dizer isso. — assenti com a cabeça, o incentivando a continuar a falar e Edward suspirou. — Ok... Eu sei que para você é tudo para salvar os índices, eu entendo. Mas, ela não sabe. Eu acho que você deveria, ao menos, fazer uma situação aparentemente verdadeira para ela. Então, algo romântico me parece o mais correto. — meu secretário sorriu sem graça ao final — Me desculpe por me intrometer na sua vida.
Dei uma leve risada vendo Edward voltar a sua pose original quando Dave anunciou que tínhamos chegado a instituição. Desci do carro, acenando para o público que estava do lado de fora e comemorou a minha chegada. Antes de entrar para conhecer mais sobre a instituição, me dirigi a eles para cumprimentá-los um pouco e agradecê-los por ficarem tanto tempo me aguardando.
Após cerca de trinta ou quarenta minutos, caminhei em direção à entrada da instituição. Dessa vez, era uma que dava suporte a famílias que haviam perdido maridos na guerra e soldados que precisavam de trabalho psicológico. Pude conhecer vários soldados britânicos e algumas famílias de outros países que tinham buscado o tratamento da instituição, além de conhecer todo o ambiente do local e as pessoas que trabalhavam por lá. Minha visita, com certeza, iria trazer mais fundos para eles e também uma boa visão para o Invictus Games que ocorreria em poucos meses.
Tentei evitar ao máximo pensar no que meu secretário havia dito durante o caminho e todas as conversas com ex-soldados e familiares me ajudaram bastante nesse quesito. Pelo menos, por algumas horas, o meu pensamento ficou longe de e de toda a história que estava acontecendo.
Pena que durou até acabar a visita. Quando estávamos no caminho de volta para Londres, minha mente vagava pelo leve sermão de Edward. Era verdade, eu o considerava como um amigo porque trabalhávamos desde que eu havia saído do exército e ele tinha resolvido algumas das grandes merdas que eu já tinha feito... Vegas, fantasia nazista... Fechei os olhos, tirando essas lembranças da minha mente e foquei meu pensamento em duas coisas: namoro e .
Quando eu namorava Chelsy, havia feito o pedido de forma romântica, é claro. Sem dúvidas, ela tinha sido a namorada que eu mais amei. Me lembro de ter a levado para a África e após um final de semana divertido observando as estrelas e os animais, fiz o pedido.
Com Cress também havia ocorrido de uma maneira romântica, nem tanto como a de Chelsy, mas fora romântico. Estávamos no restaurante que Genie tinha comemorado seu aniversário um ano antes, também conhecido como o lugar que eu tinha sido apresentado à Cress.
Talvez merecesse algo tão romântico quanto minhas antigas namoradas... Soltei o ar, passando a mão pelo cabelo e a voz do meu secretário pareceu ecoar na minha cabeça.
“Eu acho que você deveria, ao menos, fazer uma situação aparentemente verdadeira para ela.”
Essa história toda tinha que parecer verdadeira para ela. Eu não poderia, simplesmente, bancar um qualquer no pedido de namoro — deveria ser um exemplo do que aconteceria no pedido de noivado.
Suspirei e encarei Edward, que digitava no iPad enquanto escutava músicas. Toquei seu ombro, o vendo tirar o fone para me encarar confuso.
— Qual sua ideia para esse pedido de namoro?

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’s POV.
“Prepare-se para um dos melhores finais de semana da sua vida. Pego você sexta às 20h.” — terminei de ler a mensagem que Harry havia me enviado em voz alta e levantei meu olhar, vendo me encarar com um sorriso no rosto.
— Para onde ele vai te levar? — questionou curiosa e eu dei os ombros, bloqueando a tela do celular e me sentando no sofá.
— Ele não disse. Apenas perguntou se eu estava livre e me respondeu isso. — mordi o lábio inferior, me sentindo um tanto quanto insegura com aquela mensagem de Harry. Não podia negar que um final de semana inteiro em sua companhia era ótimo, mas aquilo me deixa tão insegura e ansiosa que eu poderia estragar tudo a qualquer momento.
— Você precisa de uma lingerie. — ponderou após alguns segundos em silêncio e eu arregalei os olhos, surpresa com a ideia dela. — O quê?! Você acha que vocês vão passar o fim de semana fazendo o quê? Jogando cartas?
! — exclamei, sentindo meu rosto queimar enquanto minha amiga dava altas risadas da minha cara. — Eu não vou comprar uma lingerie!
— Tudo bem, eu compro para você. — ela deu os ombros — Você sabe qual é a cor preferida dele? — ela riu — Acho que vou comprar vermelha para combinar com o cabelo dele e a cor da sua cara quando você vesti-la.
— Meu Deus... — murmurei, balançando a cabeça, ainda chocada com as ideias da minha amiga.
, você fala como se fosse uma freira! Tudo bem que o Ethan deveria ser um horror na cama, mas você já transou, amiga. Relaxa.
— Eu com certeza estarei relaxada sabendo que em todos meus dezenove anos de vida eu tive apenas um parceiro enquanto o Harry, que é mais velho que eu, deve ter tido o mais de cem vezes esse número. — rolou os olhos com a minha frase.
— Eu vou repetir de novo porque parece que você não aprendeu ainda... Você é linda. Tem que aprender a confiar mais em você, . Se ele está com você é porque ele não se importa com o número de caras que você foi para a cama, seja um ou mais de trinta. E você também não deve se importar com o número de mulheres que já passaram na cama dele... A propósito, devem ser um número bem superior que cem.
Cala a boca. — rolei os olhos — Podemos mudar de assunto, por favor?
— Só se você me prometer que eu posso comprar uma lingerie. — ela sorriu vitoriosa e eu balancei a cabeça. — Pode ser que não aconteça nada porque se você não estiver se sentindo segura, você tem que dizer, mas se acontecer e, olha, amiga, eu já estou rezando para que isso aconteça, você vai estar preparada para parecer uma mulher para ele.
— Eu não vou conseguir tirar essa ideia da sua cabeça, vou? — ergui uma sobrancelha e ela balançou a cabeça, contendo um sorriso. Dei os ombros, afirmando com a cabeça de que ela poderia sim comprar a lingerie e se jogou para cima de mim, comemorando, me fazendo dar risadas.

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A sexta-feira tinha chegado mais rápido do que eu esperava.
Era possível que minha melhor amiga estivesse mais ansiosa que eu para o final de semana porque a minha insegurança não estava me deixando ficar tão ansiosa quanto eu gostaria.
havia comprado a maldita lingerie. Não só comprou uma, mas duas e uma camisola de seda, me obrigando a enfiar tudo dentro da minha pequena mala. Tive que perguntar Harry como estaria o clima do lugar e ele me deu a pista de que não iriamos para tão longe e que deveria estar ameno igual o de Londres, já que o verão havia começado. Fiquei feliz com a dica e coloquei algumas roupas mais tranquilas para a viagem que eu ainda não tinha a menor ideia para onde seria.
— Ele vem te buscar? — questionou, tirando os olhos de Harvey Specter para me encarar.
— Ele falou que chegaria às 20h. — respondi, também prestando atenção na série. Nós estávamos tão concentradas que ambas sobressaltamos quando o interfone tocou. deu risada da minha cara enquanto eu ia atender e Harry dizia que fazia questão de subir para poder me ajudar com a mala, embora eu tivesse dito que não estava tão pesada. Era só um fim de semana, não precisava de tantas roupas, não é?
— Ai, não acredito que eu vou conhecer o Príncipe! — exclamou animada quando eu voltei para sala e eu rolei os olhos — Príncipe e namorado da minha amiga. Que emoção!
— Ele não é meu namorado. — falei, mas antes que ela pudesse responder a campainha tocou e eu caminhei até a porta para abrir. Sorri ao ver Harry parado do lado de fora com seu segurança a alguns passos dele, como sempre. — Oi.
— Boa noite, senhorita. — ele riu, depositando um beijo na minha bochecha — Pronta para o fim de semana?
— Ansiosa para descobrir para onde você vai me levar. — ri fraco — Só preciso pegar a minha mala. — respondi, voltando para o apartamento e ele entrou junto comigo. continuava parada no mesmo lugar, apenas observando a cena, como se esperasse o momento oportuno para falar. — Ah, essa é , minha amiga que mora comigo. , esse é o Harry.
— É um prazer conhecê-la. Escutei muito sobre você. — Harry riu, estendendo a mão na direção dela e sorriu sem graça.
— É uma honra conhecer você... — ela respondeu antes de olhar de Harry para mim — Eu deveria me curvar?!
— Não. — ele respondeu antes de dar uma risada pela pergunta dela — Só se curve em frente a minha avó.
— Sua avó que no caso é a Rainha. — minha amiga pontuou e ele concordou com a cabeça, como se aquilo fosse óbvio.
— Mas, antes de ser a Rainha, ela é minha avó. — ele deu os ombros, como se não fosse grande coisa o título que a avó dele carregava e eu tive vontade de dar risada daquilo. — Enfim, podemos ir?
— Claro, claro. — sorri, puxando minha mala de rodinha e ele a tomou da minha mão caminhando em direção a porta para entregá-la a Dave. Dei um abraço em , que me desejou boa sorte baixo no meu ouvido e eu sorri antes de caminhar para a porta também.
— Tchau, . — Harry acenou e eu fechei a porta atrás de nós, colocando a chave do apartamento dentro da minha bolsa. — Sua amiga é engraçada. — ele comentou quando entramos no elevador e eu dei risada.
— Ela é uma figura! Nos conhecemos desde que éramos pequenas. — Harry concordou com a cabeça, parecendo interessado em saber mais sobre minha amizade com . Contei um pouco enquanto caminhávamos até o carro, mas eu estava mais interessada em saber para onde iríamos. — Você não vai mesmo me dizer para onde estamos indo? A minha ansiedade agradece. — reclamei, recebendo uma risada em resposta.
— Por enquanto, posso te dizer que estamos à caminho do aeroporto de Birmingham, mas esse não é nosso destino final. — rolei os olhos com a resposta dele.
— Nós vamos sair da Inglaterra? — questionei, mas tudo que recebi em resposta foram os ombros dele se movimentando para baixo e para cima, como se não soubesse. Resmunguei, o fazendo dar risadas.
— Fique tranquila. Esse fim de semana tem tudo para ser incrível. — Harry piscou na minha direção e eu senti todos os pelos do meu corpo se arrepiarem naquele momento.
Prendi a respiração por alguns segundos, agradecendo pelas compras que minha amiga tinha feito para mim e sentindo toda a insegurança tomar conta de mim por conta daquele final de semana.
E olha, que o fim de semana nem tinha começado ainda.


five.

“Quando maior a mentira, maior é a chance de ela ser acreditada.”


O carro passou pelos portões de ferro e os campos verdes da Escócia entraram no meu campo de visão, mostrando que já tínhamos chegado ao nosso destino. Ao meu lado, dormia com a cabeça no meu ombro desde que havíamos entrado no carro quando saímos do aeroporto, com uma respiração calma.
... – chamei-a, calmamente, para não a assustar e aos poucos ela abriu os olhos, parecendo se acostumar novamente com o lugar onde estávamos.
— Já chegamos? – ela levantou a cabeça do meu ombro, voltando a se sentar corretamente no banco e passou as mãos pelo rosto, na tentativa de espantar o resto do sono. Não precisei responder sua pergunta porque ela voltou sua atenção para a janela do carro, certificando-se logo de onde nós estávamos. – Balmoral? – indagou, com um sorriso e uma expressão de surpresa no rosto.
— Balmoral para o fim de semana. – respondi, sorrindo de volta e Dave abriu a porta do
carro para que eu pudesse sair. Virei-me para ajudar a sair do carro também e assim que virei meu olhar para a escada que dava na entrada do Palácio, pude ver Larry caminhando em nossa direção.
— Alteza. – Larry se curvou na minha direção antes de estender sua mão para que eu pudesse apertá-la. Ele era um dos funcionários mais antigos do castelo e era o responsável por cuidar de tudo. – Como está? Faz muito tempo que o senhor não aparece por aqui.
— Estou bem, Larry. É verdade, tem muito tempo mesmo. – ri sem graça. – Essa é , que veio passar o fim de semana aqui comigo. , esse é Larry, o melhor e mais antigo funcionário do Palácio.
— É um prazer conhece-la, senhorita. Espero que goste de sua estadia por aqui. – Larry cumprimentou com um aperto de mãos.
— Tem um visual lindo. – ela respondeu, encarando os gramados verdes ao redor do palácio e eu concordei com a cabeça. Balmoral era realmente muito bonito.
Larry anunciou que nos levaria até nosso quarto e pegou nossas malas, andando em nossa frente. Passamos pelos corredores e olhava para todos os detalhes, como se tentasse perceber tudo que tinha no Balmoral de uma vez só.
— Sua avó não vem para cá no verão? – ela questionou em um sussurro e eu concordei com a cabeça.
— Ela só chega na próxima semana. – respondi, dando os ombros e nós paramos em frente a uma porta branca. Larry abriu a mesma para que nós pudéssemos entrar e eu dei passagem para que entrasse antes de mim.
O quarto era dividido em duas partes: uma antessala com duas poltronas e uma pequena mesa; e a outra parte onde ficava a suíte. No todo, fazia a mescla do passado com o presente, já que apesar das paredes e quadros antigos, tinha os móveis mais recentes.
— Edward avisou tudo? – questionei, num tom mais baixo, a Larry enquanto levava sua mala para dentro do quarto. O velho senhor a minha frente sorriu e confirmou com a cabeça.
— Sim. Às 19 horas estará tudo pronto para vocês. – sorri, apertando a mão de Larry mais uma vez e ele abaixou a cabeça, antes de começar o caminho de volta pelo corredor. Fechei a porta e puxei minha mala em direção ao quarto também, encontrando em frente a uma das janelas do quarto, encarando a vista.
— Tem problema para você se nós ficarmos no mesmo quarto? – perguntei, deixando minha mala próxima ao armário e ela virou o rosto para me encarar, negando com a cabeça.
— Sem problema. – sorriu, olhando para a janela mais uma vez. – A vista daqui é linda!
— É mesmo. – concordei, me sentando na cama para tirar meus sapatos. – Depois do jantar, podemos caminhar lá embaixo. Tem um jardim todo trabalhado pelo meu pai quando ele vem para cá.
— Me parece uma boa ideia. – ela sorriu, concordando com a cabeça. – Você costuma vir aqui com frequência?
— Quando eu era criança, eu vinha mais. – confessei, vendo os olhos castanhos de me encararem, esperando que eu continuasse a falar. – Minha mãe gostava de vir para cá no verão e era bem legal. Will e eu podíamos andar a cavalo, tínhamos um espaço maior para correr e brincar. – observei sorrir, parecendo um pouco maravilhada e surpresa, na minha direção.
— Você quase nunca fala dela. – ela sorriu fraco. – Como ela era?
— Minha mãe? – perguntei, de forma óbvia, e vi concordar com a cabeça. Suspirei, me arrumando melhor na cama e me encostando na cabeceira. – Ela era uma mulher incrível. – resumi, sorrindo de forma involuntária. – Ela tinha uma luz e sempre foi uma ótima mãe para nós dois. Ela era a parte que nos fazia colocar os pés no chão e nos trazia segurança quando as pessoas ao redor de nós esqueciam que nós éramos crianças. Sem contar o trabalho e a gentileza que ela tinha com as pessoas que ela conhecia nos eventos ou nas viagens que fazia.
— Sempre ouvi coisas boas dela. – sorriu. – Ela sempre me pareceu um bom exemplo de mãe e de mulher.
— Ela era. – passei minhas mãos pelo rosto para esconder as lágrimas que queriam escorrer.
Falar sobre minha mãe sempre foi um assunto delicado para mim, mas com o passar do tempo, eu aprendi como lidar não só com a falta dela, como a falar de forma mais aberta sobre ela. Com quase 31 anos, era muito mais fácil e um pouco menos doloroso falar dela do que quando eu tinha 20 anos e queria apenas fazer burradas na minha vida.
— Podemos descansar um pouco da viagem? – perguntei, já me deitando na cama e soltou uma leve risada, caminhando até sua mala. – Temos um jantar hoje e eu acho que ele será especial.
— Especial? – ela ergueu as sobrancelhas, se mostrando confusa e eu concordei com a cabeça com um pequeno sorriso no rosto. – Tem algum motivo?
— Descanso primeiro, senhora Thompson. Diferente de alguém aqui, eu não dormi a viagem inteira. – murmurei, vendo-a coroar antes de me acompanhar na risada.
— Tudo bem. Eu vou trocar de roupa. – anunciou, entrando no banheiro do quarto já com uma muda de roupas em suas mãos e eu concordei, me ajeitando melhor na cama para que houvesse espaço suficiente para ela se sentir confortável também.


— Está pronta? – questionei, ajeitando o meu paletó e esperando uma resposta de .
— Só mais alguns minutos. – ela respondeu e eu soltei um suspiro, tirando o celular do bolso e abrindo um aplicativo de jogo qualquer para me distrair.
Era tanto tempo sem uma namorada, que eu havia me esquecido quanto tempo as mulheres demoravam para se arrumar. Ri comigo mesmo, me sentando na poltrona de couro da antessala do quarto para aguarda-la enquanto torcia para que ela não demorasse tanto ou meu estômago reclamaria logo pela demora.
— Pronta! – a voz de me despertou do jogo bobinho que tinha minha atenção, fazendo com que eu levantasse meu olhar. Passei os olhos por , sorrindo um pouco surpreso por vê-la usando um vestido e estar com os cabelos presos em um coque, mas com alguns fios caídos pelo rosto.
Prendi um suspiro em minha garganta, me levantando e guardando meu celular de volta no bolso do meu paletó, enquanto ainda a analisava. Ela não usava muita maquiagem ou, aparentemente, não usava nenhuma, mas eu não soube definir no momento. Só sabia que ela estava linda.
— Você está linda. – sorri, depositando um leve beijo em sua bochecha e coroou levemente antes de sorrir para mim.
Abri a porta do quarto para que ela pudesse sair e fechei a mesma atrás de mim quando eu saí de dentro do quarto, caminhando pelo corredor com ao meu lado.
— Nós vamos jantar primeiro ou ir primeiro ao jardim? – ela perguntou enquanto descíamos a escada e eu dei os ombros, virando-me para encará-la.
— O que acha melhor?
— Gostaria que fossemos ao jardim primeiro. – concordei com a cabeça. – Sempre ouvi coisas boas sobre os jardins que seu pai cultiva.
— Ele é apaixonado pelas flores. – ri fraco. – Se um dia viermos aqui e ele estiver também, finja que eu não te levei para conhecer o jardim e ele vai te dar um passeio de mais de uma hora falando sobre as flores daqui.
Chegamos ao grande salão onde ficava a mesa de jantar e Larry já nos esperava, pronto para nos guiar para onde Edward havia pedido para que colocassem a mesa. O bom de ter um secretário para cuidar de todo esse relacionamento, era que eu não precisava me preocupar com quase nada além de fazer se apaixonar. Os detalhes mínimos eram por conta de Edward e Jacob.
— Larry. – o chamei. – Vou levar para uma volta no jardim e depois nós voltamos para o jantar.
— Ok, senhor. Tenham um bom passeio. – acenei com a cabeça, oferecendo meu braço para que o segurasse e segui caminho para fora do Palácio. Do lado de fora, ao lado esquerdo começava o pequeno grande jardim que meu pai cuidava todas as vezes que vinha à Balmoral.
se separou de mim para observar algumas flores e eu fiquei parado um pouco mais afastado. O jardim era, realmente, muito bonito, mas vê-lo desde pequeno conseguia o tornar um pouco monótono.
— Você tem alguma flor preferida? – questionei, vendo-a se abaixar para tentar sentir o aroma de algumas e ela se virou na minha direção.
— Eu gosto muito de Tulipas. – confessou, apontando para algumas coloridas que haviam perto dela e eu sorri. – Você pode dar parabéns ao seu pai. – ela comentou, voltando para próxima de mim. – É um belo jardim.
— Não tão belo quanto você. – respondi a primeira frase de efeito que apareceu na minha cabeça e quando vi curvar a cabeça para o lado de maneira mais tímida, tive certeza que estava no caminho certo.
— Você só está sendo gentil... – ela murmurou, dando os ombros e eu neguei com a cabeça.
— Na verdade, não. – suspirei, pensando por alguns segundos se eu deveria mesmo fazer aquilo. Me sentia mal não só por estar engando outra pessoa, mas por tentar enganar a mim mesmo. – ... Já estamos saindo juntos há quase três meses e, eu não sei você, mas eu já não tenho mais dúvidas do que eu quero. – sorri, tentando passar veracidade para ela. – Eu quero namorar com você. E quero saber se você se você quer namorar comigo?
piscou algumas vezes antes de levar as duas mãos para cobrir um sorriso que surgiu em seus lábios. Continuei a encarando, esperando uma resposta, mas ela parecia tão absorta no pedido que ainda não havia me respondido.
— Sim! Oh, Harry. – ela sorriu, se aproximando ainda mais de mim e eu selei nossos lábios em um beijo calmo.
Em outras circunstâncias, todo o ambiente que eu havia criado para aquele momento teria me deixado feliz, mas naquele momento eu só conseguia me sentir sujo por estar usando ela. Embora fosse linda e, pelo que eu estava conhecendo, uma jovem mulher incrível, aquele não era o jeito que eu queria estar fazendo as coisas.
Eu não podia negar que ela era muito bonita e que, de certa forma, eu me sentia um pouco encantado por estar ajudando a crescer. Mas ainda, conseguia me sentir horrível por estar fazendo tudo aquilo.
Parti o beijo, deixando nossas testas próximas e abri meus olhos, vendo-a com um sorriso nos lábios e os olhos fechados.
— Obrigada, Harry. – ela murmurou e eu balancei a cabeça, um pouco confuso pelo agradecimento. – Pelo fim de semana.
— O fim de semana mal começou. – ri fraco.
— Mas eu tenho certeza que a surpresa principal você já me adiantou. – ela riu, me dando um selinho e eu concordei com a cabeça. Era verdade, aquela era a surpresa de todo o fim de semana.
Sorri em resposta, entrelaçando nossos dedos e caminhando de volta para dentro do Palácio. Minha barriga já dava altos indícios de fome e eu só conseguia pensar em comida naquele momento.
— A propósito, daqui a duas semanas, um amigo meu, Guy, vai se casar nos Estados Unidos. Você aceita ir comigo? – perguntei, enquanto um funcionário nos servia e vi arregalar os olhos em surpresa.
— Casamento dos seus amigos?
— É. O Guy vai se casar com a Lizzie. Mais alguns amigos meus vão estar lá também, além do Will e da Kate, mas nada demais. Não precisa se preocupar. – sorri, tentando passar confiança para ela.
— Tudo bem. Eu só preciso encontrar um vestido. Acho que não tenho um vestido para uma ocasião dessas. – ela murmurou, como se falasse a segunda parte mais para si do que para mim.
— Não é um casamento real, . – respondi, a tranquilizando. – Tenho certeza que você deve ter algo guardado no armário.
— Não sou muito convidada para festas. – ela confessou num tom mais baixo.
— Sério? Eu não acredito. Então, você não ia a festas da faculdade? – ela negou com a cabeça, terminando de mastigar a comida que havia colocado na boca para me responder.
— Só as que me obriga a ir, mas eu sempre consigo fugir no meio delas. – ela riu fraco – Prefiro ficar em casa, mais sossegada.
— Eu gosto de ficar em casa, mas festejar é muito bom. – ri, me lembrando rapidamente de algumas das festas que ia e não me senti errado por sentir falta disso.
— As melhores festas iam parar no The Sun, não é? – fingi estar chocado com o comentário dela e ergueu os braços, em sinal de rendição. – Desculpe.
— Tem umas que foram melhores do que essas e nem foram para a capa. – fingi uma cara triste, arrancando mais risadas dela.
Passamos o resto do jantar conhecendo mais um do outro. Eu fazia mais perguntas porque tinha colocado na minha cabeça que se eu estava para me casar com alguém que eu não estava apaixonado de verdade, eu deveria, pelo menos, fazer de tudo para me tornar o melhor amigo dela.
Portanto, eu prometi a mim mesmo que iria ouvir e saber o máximo possível sobre . Se eu não conseguisse nutrir um sentimento de amor verdadeiro por ela, eu teria o de amizade e aquilo poderia ser o suficiente para alguns anos de casado. E era tudo o que eu precisava.

Me deitei na cama, sentindo meu corpo relaxar por toda tensão da viagem e do primeiro passo que eu tinha dado com . Eu ainda tentava buscar algum lado bom na história toda, mas nada aparecia ainda para mim.
Inspirei e expirei, soltando o ar todo de uma vez, e peguei meu celular para checar as novas mensagens. Tinha ficado tão concentrado no fim de semana com , que nem tinha checado o aparelho ou sequer sabia do que estava acontecendo em Londres.
Haviam algumas mensagens de Edward sobre minha próxima turnê, mensagens do meu irmão com alguma nova gracinha que meu sobrinho havia aprendido e uma mensagem de Thomas sobre a despedida de solteiro de Guy. A última eu respondi rapidamente, confirmando presença no Helt. Um pouco de cerveja com meus amigos era mais do que necessário.
O barulho da porta do banheiro sendo aberta, me fez tirar os olhos da resposta qualquer que meu amigo me enviava para ver uma timidamente linda sair de dentro do banheiro.
— A... Algo de errado? – ela me encarou, passando a mão pelo rosto, como se tentasse descobrir o que eu encarava e eu soltei uma risada fraca, balançando a cabeça.
— Não... – sorri. – Eu só estava admirando.
Para evitar que eu visse os tons avermelhados de seu rosto, ela se apressou para colocar o vestido que usava antes na mala e pegou o celular em cima da escrivaninha do quarto – provavelmente, para responder algumas mensagens também.
Bloqueei a tela do meu celular, o deixando sobre minha barriga e deixei meus olhos seguirem para a direção dela. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, mas estava conseguindo se superar nesse fim de semana.
Não que ela não fosse bonita. era uma moça bonita e, apesar da timidez, deveria ter homens correndo atrás dela a qualquer custo. Mas, ela também me parecia pura e tímida demais. Não era comum que eu visse usando vestidos e muito menos se mostrando mais segura de si como nesta viagem.
— Harry? – a voz dela me chamou e eu balancei a cabeça, tirando os olhos de suas pernas para encará-la mais uma vez. – Tem certeza de que está tudo bem? Você está me encarando.
— Está... Está sim. – sorri, passando segurança e ela caminhou para o outro lado da cama, deixando o celular sobre o criado-mudo e sentando-se ao meu lado. – Desculpe. É só que você me parece diferente.
— Diferente? – ela ergueu a sobrancelha, um pouco surpresa ao me ver concordar com a cabeça. – Isso é ruim?
— De jeito algum. É um diferente bom. – balancei a cabeça de maneira positiva, me aproximando dela para selar nossos lábios.
Eu pude sentir minha cabeça rodar por alguns minutos enquanto os lábios dela tocavam os meus e não era de uma forma negativa.
Levei uma das minhas mãos para a cintura de , a trazendo para mais perto de mim e acelerando um pouco mais o beijo. Meu corpo me fazia questão de lembrar que eu ainda precisava respirar, mas eu não me importei muito com isso.
Era estranho, mas parecia que eu precisava daquele momento.
Oh, Deus. Não pode ser.
Atendendo ao beijo do meu corpo, desci meus lábios para o maxilar da morena a minha frente, distribuindo beijo pelo queixo e pescoço dela. Pude ouvir o som de sua respiração mais falhada, demonstrando que ela também estava curtindo aquele nosso primeiro momento e sorri internamente.
— Harry... – a voz sôfrega de me trouxe a realidade mais uma vez. Me afastei um pouco de sua pele para poder encará-la e ela sorriu parecendo envergonhada por ter parado o momento. – Podemos ficar por aqui?
Estava aí uma coisa que eu não estava acostumado a ouvir. Afirmei com a cabeça, passando a mão pelo meu rosto e dei um selinho mais demorado.
— Quando você estiver pronta, . – sorri, passando segurança e me recostei na cama, deitando a cabeça no travesseiro, vendo-a fazer o mesmo de frente para mim com um leve sorriso no rosto.
A última coisa que eu lembro é que ela havia murmurou um obrigado na minha direção e eu sorri de volta.

xxx

— O que vocês fazem quando vêm para cá? – perguntou enquanto terminávamos de almoçar.
Pela manhã, seguimos o roteiro que Edward havia planejado e fizemos um passeio de carro pelas redondezas de Balmoral, além de ir até o centro. Não foi nada de tirar fôlego e admito que ver a paisagem toda apenas de carro me pareceu um pouco chato, mas e eu conseguimos nos divertir um pouco com tudo.
Agora estávamos terminando o almoço e procurando alguma coisa para fazer pela tarde, já que o voo de volta para Londres seria somente a noite para que nós pudéssemos curtir os dois dias inteiros em Balmoral.
— Você já andou a cavalo? – questionei, vendo-a negar com a cabeça com os olhos arregalados. – Nós costumamos fazer isso, além de caçar. Porém, a caça é algo mais para o meu avô, então deixe para que um dia ele te mostre.
— O Duque de Edimburgo gosta de caçar? – riu, como se não acreditasse e eu concordei com a cabeça.
— Ele gosta de caçar e de ser um pouco rude, mas com essa segunda parte nós todos estamos mais acostumados. – ri fraco. – E há uma pequena tradição na família. Se você vier para cá quando o restante de nós estivermos, você terá que participar da caça com ele.
— Ai meu Deus. – ela riu, tampando o rosto com uma de suas mãos. – E o que o seu avô gosta de caçar?
— Pássaros. – arregalou os olhos, totalmente chocada e eu dei os ombros. — Mas não precisa se preocupar com isso agora. Se preocupe com isso quando vier para cá um dia que toda a família estiver.
— Eu realmente não consigo imaginar Catherine, a Duquesa de Cambridge, caçando.
— Ela participou uma vez. – eu dei risada, me lembrando da primeira vez que Will e Kate se juntaram ao restante da família para alguns dias em Balmoral e de como o vovô conseguiu fazer com que Kate participasse da caça junto com meu pai, tio Andrew e William. – Ela deu alguns tiros para o alto porque ela se recusava a matar algum pássaro. Acho que não preciso te dizer como o Duque de Edimburgo reagiu.
— Me parece uma boa tática. Quando eu precisar, irei fazer isso também. – sorriu, balançando a cabeça. – Mas voltando ao assunto principal, nós vamos andar a cavalo?
— Ah, sim. Eu pedi para que Larry preparasse dois para que a gente pudesse ir até o lado oeste num rápido passeio. Tem uma bela vista do pôr do sol.
— Boa ideia. – ela sorriu, deixando seus talheres sobre o prato e me encarou. – Já podemos ir?
Fomos em direção ao estábulo para que pudéssemos pegar os cavalos que haviam sido preparados para o nosso passeio e eu ia dando algumas dicas para como comandar o cavalo, já que ela nunca havia feito aquele passeio antes.
— Promete que eu não vou cair? – ela pediu sem graça e eu dei os ombros, depositando um rápido beijo em sua bochecha.
— Você não vai cair. – falei, ajudando-a a montar e a segurar as rédeas como eu havia dito. Fui em direção ao meu cavalo e subi também, apertando a rédea para que ele começasse a se movimentar. Sorri ao ver conseguir fazer o mesmo com o seu e em poucos minutos nós já estávamos cavalgando em um ritmo devagar.
Cavalgamos por alguns minutos e eu procurei sempre me certificar se estava tudo bem com ela, mas parecia bastante tranquila para quem estava fazendo aquilo pela primeira vez e parecia estar realmente gostando.
Quando chegamos ao local certo, desci do cavalo e ajudei-a a fazer o mesmo. Encarei meu relógio, que indicava que faltava alguns minutos para o fim do dia. Enlacei meus braços na cintura de , sorrindo em sua direção.
— Gostou do fim de semana? – questionei, vendo seus olhos brilharem na minha direção.
— Está brincando?! – ela riu, desacreditada. – Foi o melhor que eu já tive. Obrigada, namorado.
— Nós merecemos. – sorri, sentindo ela se aproximar de mim para um beijo. Coloquei minhas mãos em seu rosto, segurando-o carinhosamente e aprofundei um pouco mais o nosso beijo.
E na minha cabeça, eu jurei para mim mesmo que isso tudo era apenas minha carência e tensão sexual por estar há quase quatro meses por causa daquela ideia de casamento.
Nada demais, Harry, repeti mais uma vez o novo mantra que eu havia criado em minha cabeça.


six.


“A mentira é muitas vezes tão involuntária como a respiração.”


.

Tinha chegado tão tarde no domingo que escolhi não colocar o despertador para tocar para a primeira aula. Me dei o direito de dormir por mais algumas horas e ir para apenas para a segunda aula e passei toda manhã com uma amiga curiosa no meu pé para saber de todos os acontecimentos do fim de semana.
— Quando a gente estiver em casa, Hail, por favor. – murmurei, não querendo falar sobre o Príncipe Harry no meio do campus da universidade e nem ver minha amiga surtando pelo o que eu contava na frente de todos.
Impaciente e contrariada, minha amiga acabou concordando e eu me dei por aliviada por ainda ter mais algum tempo com aquela sensação de ser namorada de Harry. Eu confesso que ainda era estranho me chamar – ou chama-lo – dessa forma, mas eu podia me acostumar com isso.
O fim de semana havia sido incrível. Harry havia se aberto comigo sobre sua mãe, eu tinha contado sobre a minha infância e nós tínhamos compartilhados mais algumas histórias de nossas infâncias – é claro que as dele era foi um pouco mais rígida do que a minha, mas ainda foi legal saber mais da infância dele por ele. Eu só sabia o que a minha mãe me contava no tempo que trabalhou para a família.
Ele também havia sido gentil todo o fim de semana. Não que eu não imaginasse que ele fosse, mas o fato dele ter me deixado segura e não ter forçado nada, era algo que me deixou mais aliviada. Ele era, sem dúvidas, um Príncipe.

, estamos quase chegando em casa. Por que não começa a contar logo? – murmurou pela milésima vez no caminho da universidade até em casa e eu rolei os olhos para a curiosidade da minha amiga, mas eu entendia. Se fosse ao contrário, eu provavelmente estaria da mesma forma para saber o que tinha acontecido.
— Por isso mesmo. Se já quase estamos em casa, podemos esperar. – pisquei em sua direção, entrando no elevador e apertando o botão para o nosso andar e escutando a loirar reclamar atrás de mim.
— Não é como você falasse o nome dele em público e todo o país ficasse sabendo que você passou um fim de semana com o Príncipe. – ela reclamou baixo e eu rolei os olhos mais uma vez. – Existem vários Harry famosos nesta nação.
— Me diga um que não seja o Príncipe e o Harry Styles. – pedi, cruzando os braços e esperando uma resposta dela.
— Harry Judd! – exclamou com um sorriso vitorioso no rosto e eu dei risada, me dando por vencida quando o elevador indicou que havia chegado ao nosso andar.
— Acho que você tem razão, mas o nosso apartamento é o nosso lugar de... – minha frase morreu assim que saímos do elevador e nos deparamos com Cooper parado na porta de nosso apartamento.
Pisquei algumas vezes apenas para ter certeza que eu estava vendo certo e que era realmente meu melhor amigo que estava na minha frente, mas o grito que deu ao meu lado me fez ter certeza que era ele sim. Cooper estava de volta?
— Ai meu Deus! – a loira ao meu lado disse no maior estilo Janice de Friends e eu contive uma risada, enquanto nós duas corríamos para abraçar nosso amigo.
— Você chegou hoje?
— Por que não nos avisou?
— Cadê o Lincoln?
— Voltou para ficar?
e eu disparamos as perguntas e Cooper alternava o olhar de uma para outra, um pouco confuso com a nossa animação. Ri, tirando a chave do apartamento do meu bolso para abrir a porta para que nós três pudéssemos entrar para conversar.
— Cooper, você pode começar nos contando como e porquê está de volta. – Hail disse, largando a bolsa em um canto qualquer e se sentando no sofá enquanto nosso amigo se acomodava no tapete felpudo da sala.
— Assim parece que você não está feliz por ver, Hail. – ele murmurou, colocando a mão sobre o peito e fingindo esta magoado com ela. Aparentemente, o drama ainda fazia parte dele.
— Claro que eu estou feliz. É só que nos falamos há dois dias e você não mencionou nada sobre voltar. – ela deu os ombros e eu me sentei ao seu lado no sofá.
— É, eu também estou curiosa. – sorri fraco, esperando a resposta dele.
— Não era o que eu esperava. – Conor riu fraco. – No começo até que foi bem legal, viver em um país diferente com o meu namorado e tudo mais. Só que Lincoln não era quem eu pensava, ou o amor que eu tinha por ele não me deixou perceber isso antes, eu não sei. Terminamos e algumas semanas depois eu fiquei sem emprego. Querida, se isso não é um sinal de que eu deveria voltar para o meu país e pedir desculpa para os meus pais, eu não sei o que mais poderia ser.
— Você voltou para a casa dos seus pais? – perguntei, um tanto quanto surpresa quando vi Cooper concordar com a cabeça.
Há quase um ano, Cooper havia conhecido Lincoln em uma festa da universidade. Os dois tinham se apaixonado absurdamente rápido e, em menos de dois meses, nosso amigo já estava fazendo as malas para se mudar para os Estados Unidos junto com ele.
Era surpreendente ele estar de volta, já que desde o início os dois viviam jurando amor um pelo outro.
— Enfim. – ele deu os ombros, alternando o olhar de mim para . – Quais são as novidades por aqui?
— Só fato da nossa amiga aqui – apontou para mim com o polegar. – ter passado um fim de semana inteiro com o Príncipe Harry e não ter me contado nada até agora.
O quê? – Cooper se apoiou no chão para me encarar com um sorriso escárnio nos lábios. – Você está namorando o Príncipe?
— Agora estou! – exclamei, animada, vendo os dois me encararem surpresos e felizes ao mesmo tempo. me abraçou de lado, me fazendo da risada de sua alegria por mim. – Foi tudo tão romântico! Nós fomos para Balmoral e ele me levou para conhecer o jardim que o Príncipe Charles...
Seu sogro. me corrigiu e eu dei risada, continuando o resumo da história.
— Ele me levou para conhecer o jardim que o Príncipe Charles cuida no Palácio e lá ele fez o pedido. Meu Deus, eu nem sabia o que dizer!
— Espere só o pedido de casamento. – Cooper disse num tom mais alto, fazendo comemorar ao meu lado e me fazendo sonhar um pouco mais alto.
Contive um sorriso ao me imaginar casando com Harry e me tornando sua esposa.

xxx

Harry.

— Esteve sumido. – Guy disse, me encarando por alguns instantes como se me examinasse. – Estava com a nova pretendente?
— Quando vamos conhece-la? – Zoe, a namorada de Jake, questionou me encarando.
Eu tinha o dia de folga, então fui para o apartamento de Jake para gastar algumas horas jogando Fifa e conversando sobre a semana, já que tinha alguns dias que eu não via os meus amigos.
— Queremos conhece-la, Wales. – Jake riu da careta que eu fiz.
— Eu a convidei para ir no casamento do Guy. Lá vocês poderão conhece-la e fazer a minha caveira para ela. – ri fraco, encarando Zoe. – Satisfeita?
— Estou pronta para contar seus podres. – ela piscou na minha direção, dando um gole na cerveja que segurava.
— Os podres do Harry foram parar nos jornais. Não tem graça! – Guy protestou, arrancando risada de nós três. – Então, é oficial? Ela deixou de ser pretendente e passou para o cargo de namorada?
— É, é. – dei os ombros. Por que eu estava me sentindo com vergonha de falar sobre isso com meus amigos?
— E como foi? – Zoe me encarou com seus olhos azuis cheio de esperança para que eu contasse, mas Jake cortou a alegria dela.
— Ah, não, Zoe. Nem pensar. Não quero saber os detalhes sórdidos da relação do Harry. – ele resmungou e eu lhe mostrei o dedo do meio.
— Nem deve ter sido romântico. – Guy desdenhou, me fazendo rir.
— Eu a levei a Balmoral para o fim de semana e tivemos um jantar especial pelo chef. Ah, e eu a levei para conhecer o Palácio, andar a cavalo e essas coisas... Simples.
— Brega. – Guy disse, bebendo sua cerveja.
— Ultrapassado. Você não fez isso com a Chelsy? Está sem ideias, Alteza? – Jake implicou, me fazendo dar risada.
— Eu achei fofo. – Zoe me salvou, mas escutou protestos dos outros dois homens da sala. – Quero conhece-la. Ela deve ser uma moça muito legal.
— Ela é. – sorri ao pensar em . Zoe tinha um estilo meio doido, mas eu tinha certeza de que as duas poderiam se dar bem quando se conhecessem. – No casamento do Guy, você vai conhece-la e ajudá-la a se enturmar.
— Claro que vou! Lara e eu vamos fazer de tudo para que ela se sinta segura entre nós. – ela sorriu e eu me senti agradecido pelas meninas pensarem em recebe-la bem. Saiba que Jake, Guy e Thomas também iriam trata-la bem, mas com todas as brincadeiras e piadas de duplo sentido, seria mais do que esperado que apenas coroasse na frente deles.
Com Zoe e Lara ela poderia se enturmar mais e arranjar alguns contatos no centro de amizade dele, já que sua prima e melhor amiga – por mais bobo que fosse para um homem de quase 31 anos ainda usar este termo – ainda torcia pela ex dele.
xxx


— Bom dia. – falei para Daisy assim que entrei na cozinha do meu apartamento para tomar meu café da manhã antes de ir para algum evento com Will e Kate. A empregada que aparecia uma vez por semana para cuidar da limpeza da minha casa, sorriu na minha direção.
— Bom dia, senhor. – ela abaixou a cabeça. – O senhor Fox-Lane está no escritório.
Encarei Daisy um pouco confuso por alguns minutos e peguei minha xícara de café em mão, seguindo em direção ao pequeno escritório do apartamento. Abri a porta dando de cara com Edward sentado em uma das confortáveis poltronas de couro, me aguardando com uma pasta e algo que parecia ser um jornal em mãos.
— Bom dia? – questionei um pouco inseguro e meu secretário não sorriu como de costume. Não me diga que em plena terça-feira já era possível ter alguma merda escrita sobre mim nos jornais?
— Você já checou a internet? – Edward nem se preocupou em ser educado e eu neguei a cabeça para sua pergunta, dando um gole na xícara que segurava.
— Acordei e fui me arrumar. Tenho um evento agora de manhã com Will e Kate... Você deveria saber disso, não é? – tentei quebrar o clima sério que estava instaurado no escritório, mas não pareceu funcionar muito.
Edward depositou o jornal em cima da mesa para que eu olhasse e eu deixei minha xícara sobre a mesa, não acreditando no que eu estava vendo.
Mais uma vez, e eu éramos o assunto principal do Daily Mail. E não era só isso, como pude notar ao ler o que estava escrito embaixo de uma grande foto nossa deixando o restaurante há algumas semanas. Tinha também a frase: “informações de uma fonte exclusiva” que me deixou sério.
— Cheque as informações que eles escreveram e me diga se são verdade. – Edward falou enquanto eu me sentava para poder folhear o jornal melhor. – Porque, se elas foram verdadeiras, Harry, nós temos um grave problema.
Suspirei, indo até a página 10 como mandava a capa para ler o que tinha sido escrito sobre e eu. Haviam encontrado algumas fotos dela que eu nunca tinha visto, além de mais uma foto nossa saindo do restaurante.
Procurei as informações que haviam sido dadas a publicação e senti todo o sangue do meu corpo ferver mais a cada frase que eu lia.

“Eles estãocada vez mais sérios.”
“O pedido de namoro foi bem romântico. Eles viajaram para Balmoral em segredo.”
“Imagine como será o pedido de casamento.”
“Foi um jantar para os dois, especialmente preparado pelo chefe do Palácio que serve apenas à Rainha. Eles visitaram várias áreas do Palácio.”
“Eles irão juntos ao casamento dos amigos de Harry, Guy Pelly e Elizabeth Donaldson na próxima semana. Podem esperar para ver ele apresentando a namorada para os amigos.”
“Ela sentiu-se nas nuvens com o pedido. Se eu fosse os adoradores da família real, já me preparava para ir as ruas para ver o casamento deles.”

— Então? – meu secretário indagou, me encarando. Joguei o jornal de qualquer jeito sobre a mesa, encarando Edward com raiva. Como eles poderiam ter descoberto tudo aquilo? Não era possível! Nem um dos meus amigos seria capaz de contar para o Daily Mail o que eu havia falado.
Eles são leais a mim.
— São verdade, Edward. – murmurei, contrariado e com raiva. – Como conseguiram publicar isso? Quando falam sobre nós, um primeiro exemplar não deve ser enviado para que a gente veja?
— A maioria das vezes, eles não fazem isso. – Edward deu os ombros e ao ver o meu olhar de completa raiva, decidiu continuar. – Quando sua foto em Las Vegas surgiu, eles não se preocuparam em publicá-la sem nos avisar. – ele suspirou, colocando as mãos sobre as têmporas. – Mas agora, precisamos focar em como eles descobriram sobre isso. Quem sabia que vocês iam viajar?
— Apenas a colega de apartamento de .
— Você acha que ela pode ter contado? – ele questionou e eu ponderei por alguns minutos. Não conhecia muito bem, mas ela deveria saber das minhas saídas com muito antes de estar estampado no jornal. Ela poderia ter contado antes sobre nosso relacionamento.
— Acho que não. Elas vivem juntas, acho que ela teria dado mais informações sobre as minhas visitas noturnas. – dei os ombros.
— Quando você voltou, Harry, com quem você falou?
— Meu pai, Will, Jake, Guy e só.
— Seu pai e William temos certeza que não foram. – Edward sorriu, concluindo o óbvio e eu rolei os olhos. – Confia no senhor Warren e no Pelly?
— Eu conheço o Jake desde que eu era criança. – respondi, sério. Minha mãe era amiga da senhora Warren desde antes de Jake e eu nascermos. Nós crescemos juntos e ele sabia de muita coisa sobre mim. – E Guy também é amigo do Will. Não acho que foram eles.
Edward suspirou, parecendo já um pouco cansado de bancar o detetive da história toda. Ele encarou a mesa e um leve sorriso, parecendo que ele havia chegado a tão esperada solução.
— Isso só nos leva a...
. – falamos juntos.
Ela não iria contar tudo sobre o nosso encontro para os jornais, iria?

Eu estava puto.
Tinha dobrado o jornal que Edward havia me levado de manhã em pedaços e colocado no carro para questionar sobre a reportagem que havia sido publicada ali.
Uma parte de mim não queria acreditar que ela era a responsável por aquilo, mas outra parecia querer suspirar de alivio caso ela fosse. Meu pai não iria deixar o relacionamento seguir em frente, se a cada passo que déssemos ela colocasse tudo na primeira capa do Daily Mail.
Eu ainda tinha uma chance de escapar.
— Está tudo bem? – Kate cochichou para mim entre uma brincadeira e outra com crianças com síndrome de down em uma das escolas especiais de Liverpool.
Eu respondi apenas acenando com a cabeça para minha cunhada, me esforçando o suficiente para focar naquela manhã divertida que estávamos tendo e não em como eu queria descobrir quem havia contado tudo para o jornal.
Assim que o evento terminou, eu nem me despedi de meu irmão e minha cunhada. Eu segui caminho para o meu carro, solicitando que Dave seguisse caminho para o apartamento de .
Eu precisava tirar essa história a limpo e era isso que eu iria fazer.
Talvez eu precisasse controlar um pouco a minha raiva.

Dave foi fazer sua ronda e se aproximou de mim, depositando um rápido beijo nos meus lábios. Nem esperei que meu oficial voltasse e entrei no apartamento, quase soltando fumaça.
— Aconteceu alguma coisa? – ela questionou, um pouco preocupada e eu esperei que Dave fizesse o caminho de saída do apartamento para poder finalmente falar o que estava guardado na minha garganta a manhã inteira.
Joguei a folha do jornal que estava em minhas mãos na direção de e ela me encarou confusa, antes de tentar ler o que estava escrito. Sua feição de surpresa me mostrou que talvez não tivesse sido que ela que tinha contado tudo para os abutres.
— Como eles sabem de tudo isso? – perguntei, pausadamente, tentando não explodir de uma vez e ela deu os ombros.
— Você está perguntando para mim?! – ela riu sarcástica. – Você que é o experiente de capas de jornais nessa relação. Você que deveria me dizer como eles sabem de tudo isso.
— Quem me garante que não foi você mesma quem contou? – ela riu incrédula e devolveu o jornal para mim.
— A troco de que eu faria isso agora? Eu poderia ter feito isso no momento que eu fui na Clarence House! – ela cruzou os braços na altura do peito, sustentando seu olhar raivoso na minha direção, mas eu não me deixei abater.
Só podia ter sido alguém do meio dela. Não era possível que fosse um dos meus.
— Se não foi você, então só pode ter sido aquela sua amiga. – rebati, apontando para qualquer canto da casa, mas a morena a minha frente rolou os olhos com o meu comentário.
— Por que teria sido a minha amiga e não um dos seus amigos?! – questionou e foi a minha vez de dar uma longa risada da pergunta dela. Não era possível que eu estava escutando aquilo.
— Só se eu fosse louco para desconfiar das pessoas que eu conheço há quase uma vida! – ri sarcástico. – Isso pode muito bem ser coisa da sua amiga. Aposto que você conta para ela tudo que se passa entre nós!
nunca faria uma coisa dessas. – ela falou num tom mais baixo, parecendo que estava tentando se acalmar e eu rolei os olhos. – Eu ponho minha mão no fogo por ela.
— Cuidado para não se queimar. – falei com a voz carregada de ironia e caminhei em direção ao apartamento.
— Veio aqui só para acusar a mim e a minha amiga? Se eu fosse você, eu olharia para os mais próximos de mim.
Não respondi. Saí do apartamento e coloquei toda a minha raiva na porta, batendo a mesma com força.
Dave, com todo seu treinamento, não estava perto da porta como de costume. Ele provavelmente havia escutado os gritos e tinha se afastado para o meio do corredor, na tentativa de não escutar nossa discussão.
Bufei de raiva, entrando no elevador e dei um soco na parede de metal do cubículo. Eu precisava descontar a minha raiva de alguma maneira e eu já sabia exatamente como seria.
Obrigado, Deus por hoje ser a despedida do Guy.
Cerveja e Helt era tudo o que eu precisava para livrar minha mente de toda raiva que me consumia naquele momento.




Continua...



Nota da autora: Gente, e esse Príncipe será que vai deixar de ser durão? Espero que vocês estejam gostando e não deixem de comentar aqui embaixo, eles me inspiram! Para novidades sobre essa e outras fanfics que eu escrevo, eu criei um grupo no Facebook! <3


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail. Para saber quando a fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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