Crazy Little Thing Called Love

Última atualização: 28/05/2019

Capítulo 1

O barulho do salto agulha indo de encontro ao piso laminado atrairia certa atenção, se todos presentes no escritório não estivessem completamente focados e ocupados em suas devidas tarefas.
Com um copo de café na mão e a bolsa Prada na outra, a executiva atravessou o enorme corredor da firma em direção a última sala, também conhecida como os seus aposentos. Não havia quem olhasse para e não a invejasse, com apenas vinte e sete anos a mulher se encontrava no auge da sua carreira, era diretora de redação no New York Daily News, um dos melhores jornais não somente dos Estados Unidos mas do mundo, e se isso não fosse o suficiente podemos comentar também o fato de ser uma jovem muito atraente.
tinha os cabelos castanhos caindo poucos centímetros abaixo dos ombros, grandes olhos da mesma coloração dos fios, e mesmo não possuindo o corpo perfeito ainda sim tinha suas curvas, o que formava um conjunto invejável. Mas essa imagem de mulher com a vida perfeita que não pode reclamar sobre nada estava errada em muitos pontos.
Seus lindos cabelos estavam caindo excessivamente por conta do estresse que andava sofrendo por graças ao trabalho, os grandes olhos castanhos possuíam enormes olheiras que tiravam horas do dia da garota que não descansava enquanto não as cobrisse e, por estar se desdobrando no trabalho para tentar entregar ao chefe o projeto pedido há mais de um mês, a menina havia abandonado a academia e seu corpo já se encontrava sentindo falta dos tão amados exercícios.
virou à esquerda encontrando a porta de seu escritório já aberta pela secretaria, que lhe esperava pronta para obedecer às ordens da diretora.
A morena desejou um baixo e mal-humorado bom dia para as pessoas que estavam a sua volta e entrou na sala com Ginny ao seu encalço, a secretária esperou que a chefe colocasse a bolsa em cima da grande mesa de vidro e se acomodasse na cadeira de rodinhas para começar a falar.
-Bom dia, Srta. .
-Bom dia, Ginny. - respondeu respirando fundo e se virando para o computador que já estava ligado. - Eu preciso que chame Úrsula e peça para ela trazer a matéria sobre o jogo de ontem, ligue também para Bryan e pergunte se ele conseguiu as informações que pedi, ele vai saber sobre o que estou falando - adicionou rapidamente quando viu que a secretária iria lhe interromper - E eu preciso que cancele o almoço com Logan essa tarde, não terei tempo de sair.
-Na verdade - A pequena e tímida garota se pronunciou - Walters pediu para que a senhorita fosse até o seu escritório assim que chegasse, é de devida importância - comunicou e assistiu a chefe abaixar a cabeça enquanto passava as mãos pelo cabelo e respirava fundo.
-Está bem, já estou indo - respondeu e observou a secretária sair da sala – Merda! - resmungou enquanto se levantava e jogava o copo de café no lixo, havia perdido o apetite.
Caminhou pela empresa sentindo o peso do mundo em suas costas, não se lembrava da última vez que ficara tão nervosa ao ir na sala do chefe, mas isso não importava no momento. sabia que andava cometendo diversos erros ultimamente e que estava mais do que atrasada com o projeto, sem falar que havia escutado alguns boatos por meio de cochichos entre as funcionárias enquanto estava no banheiro, ela já esperava o que estava por vir, só torcia para que estivesse errada.
Esperou o secretário do chefe avisar sua chegada para poder entrar na sala do homem de sessenta e sete anos.
-Bom dia, Sr.Walters - cumprimentou o chefe que estava sentado em sua grande cadeira e não havia se preocupado em mexer-se para dar um aperto de mãos ou simplesmente responder a garota. - Ginny me disse que o senhor queria me ver com urgência.
-Sim, acredito que a senhorita já saiba sobre o que se trata - a jovem sentiu o estômago embrulhar. - Terminou o projeto que lhe encaminhamos?
-Bom, sobre isso... - começou a falar, mas foi interrompida pelo chefe que bufou com a enrolação da menina.
-Imagino que precise de mais um mês para terminar - debochou e a jovem respirou fundo.
-Eu já estou acabando, só acho que poderíamos rever o conceito dele. Se chegarmos a publicar algo do tipo o jornal será severamente atacado, acredito que o senhor não deseja isso.
-Sabe o que eu desejo? Que a minha diretora de redação termine o projeto que lhe foi dado a mais de um mês, que não me entregue reportagens com erros de principiantes e principalmente que não me faça perder parcerias importantes. - retrucou perdendo a paciência, apoiando o corpo em cima da mesa e aumentando o tom de voz.
Desse jeito vai morrer do coração, pensou, mas permaneceu calada.
-Eu tentei protelar essa decisão o máximo possível pois acreditava no seu potencial, mas temo que não tenha nada mais que eu possa fazer.
-Senhor Walters, eu...
-Peço, por favor, para que volte para sua sala, junte todos os seus pertences e saia. Deixe toda a papelada e a chave do escritório com sua secretária, não se preocupe em voltar amanhã.
sentiu como se tivesse levado um soco e seu corpo se encontrasse atravessando o chão da sala até a superfície subterrânea exatamente igual a cena do filme de super-heróis que assistiu meses atrás. A tontura que sentira logo quando acordou voltou e ela sabia que se não se controlasse, vomitaria ali mesmo.
-Já pode se retirar - o chefe, ou melhor, ex-chefe avisou e em silêncio a mulher se retirou da sala.
Caminhou por todo o trajeto de volta ao seu escritório como se a cada passo se visse caída no meio de todas aquelas pessoas por suas pernas não terem aguentado. Passou pela secretária em silêncio e trancou a porta do escritório aproveitando a pouca privacidade que ele lhe oferecia.
Caiu no chão sem se importar se estava se saia ou quando havia sido a última vez que alguém tinha passado uma simples vassoura por ali, estava destruída. Sabia que estava falhando nos últimos meses, mas estava dando o máximo de si, perdeu as contas de quantas vezes dormiu somente duas horas ou até mesmo passou a noite em claro e foi trabalhar no dia seguinte, estava dando duro para manter o trabalho, porém com o acúmulo de tarefas não efetuadas no mês em que decidiu viajar com o ex-namorado, se tornou algo quase impossível entrega-las em dia.
Estava exausta de todas as maneiras possíveis, seu corpo pedia por um descanso, implorava por boas horas de sono, mas mesmo depois de considerar deitar no chão do escritório e tirar um cochilo ali mesmo, ela se levantou e começou a recolher os seus pertences.
Duas horas depois ela havia finalmente terminado de guardar tudo em uma caixa que encontrara no fundo de um de seus armários, separado toda a papelada pedida por Walters, que agora ela não se sentia nem um pouco culpada em chamar de velho chifrudo, e terminava de mandar alguns e-mails quando seu celular tocou. Era Logan, seu ex-namorado.
O rapaz de trinta anos havia passado a última semana lotando com mensagens de texto e ligações pedindo para os dois se encontrarem, mas a garota sempre achava boas desculpas até noite passada ter finamente cedido, ela culpava o cansaço muscular e mental, e como havia pedido para Ginny cancelar o almoço, tinha certeza de que o moreno estava ligando para reclamar, mas no momento, se encontrava sem estômago para almoçar ou encontrar o ex, por isso apenas cancelou a ligação e desligou o aparelho.
Terminou de fechar o e-mail se assegurando de que havia fechado sua conta e se levantou guardando o celular na bolsa. Pegou a caixa com cuidado, trocou os óculos de grau pelos escuros e saiu da sala parando somente na mesa da secretária para deixar a chave, como havia sido pedido.
-As papeladas estão na mesa - avisou e se retirou sem esperar resposta.
Ao contrário do que havia acontecido naquela mesma manhã quando entrou na empresa, agora todos observavam a morena andar pelos corredores, com a caixa em mãos, seguindo até o elevador que resolveu colaborar e não demorou a chegar.
Assim que entrou em seu apartamento a garota se deparou com a conta do aluguel, como se não bastasse ter sido demitida o choque de realidade logo a atingiu quando percebeu que se não arranjasse um emprego rapidamente não seria capaz de pagar as contas do condomínio. Sentiu como se sua cabeça fosse explodir a qualquer instante e decidiu tomar um longo banho quente para relaxar.
Deixou que a água caísse em sua cabeça molhando os fios castanhos e fechou os olhos sentindo o corpo se aquecer, finalmente um momento de paz naquela manhã.
Esqueceu das palavras ditas pelo seu, agora, ex-chefe, dos olhares de todas as pessoas na empresa observando-a se retirar com todos os seus pertences e das mil ligações não atendidas do ex-namorado. Não queria vê-lo, o culpava por tudo que havia acontecido. Tudo bem que ela aceitou ir viajar com o rapaz, e que foi escolha dela deixar o trabalho por uns dias para descansar ao lado do amado, mas ainda sim culpava ele, por ter sido um babaca que ao invés de pedi-la em casamento na viagem como a mesma imaginava, esperou para que chegassem às lindas praias do caribe para lhe dar um pé na bunda e passar o resto dos sete dias se atracando com cada garota solteira que havia se hospedado no hotel em que estavam.
No entanto, foi ela quem criou toda essa ideia de que seria pedida em casamento, foi ela quem implorou ao chefe por uns dias de folga para que pudesse viajar, quem também implorou ao patrão por um prazo maior para que entregasse o projeto que lhe fora dado alegando estar doente quando, na verdade, estava em casa chorando e se empanturrando de comidas calóricas enquanto assistia a todos os filmes de romance que conhecia. Mas, como sua tia costumava dizer, a culpa era dela e por isso tinha o direito de colocá-la em qualquer um.
Acabou por comer qualquer besteira que encontrara no armário da cozinha e passou a tarde enviando o currículo para os melhores jornais da cidade, era imediatista, não podia perder tempo e correr o risco de se acomodar a vida de uma desempregada.
Terminou de procurar empregos e soluções lá pelas oito horas da noite quando decidiu que merecia uma longa noite de sono embaixo de suas grandes cobertas que a protegiam do inverno de Nova York.
O som do despertador nunca foi o seu preferido, desde criança quando o aparelho tocava avisando que era hora de se levantar para ir estudar, sempre teve vontade de taca-lo longe, mas sabia que não iria resolver porque em alguns minutos sua mãe estaria em seu quarto mandando-a acordar.
Quando decidiu sair da linda e ensolarada cidade de São Francisco e tentar a sorte na fria e assustadora cidade de Nova York sabia que não poderia mais se dar tal privilégio e que estava agora por conta própria, por isso passou a ter um sono leve e acordava com um simples barulho, mas naquele dia não havia sido necessário.
não havia pregado os olhos a noite, passou a madrugada em claro, encarando a tela do MacBook e atualizando a página de e-mail a cada cinco minutos na esperança de algum deles ter sido respondido, o que ela sabia que era quase impossível já que não deveria existir ninguém acordado trabalhando na redação do New York Times ou do The Wall Street Jornal, que estaria respondendo a e-mails daquele tipo as quatro horas da manhã.
O barulho do despertador soou avisando que eram sete horas e em milésimos de segundos já havia desligado o aparelho. Pegou a caneca de café que havia sido reabastecida três vezes durante a noite e percebeu que a mesma já se encontrava vazia novamente. Se levantou preguiçosamente e rumou até a cozinha preparando o café mais uma vez.
Enquanto a cafeteira fazia o trabalho, se apoiou no batente da pia e fechou os olhos por alguns instantes, estava exausta e se tivesse ficado naquela posição por mais alguns minutos tinha certeza de que dormiria em pé, mas o apito da máquina avisando que a bebida estava pronta a chamou de volta a realidade e com a caneca cheia voltou para frente do computador.
Os olhos piscaram ao ver que possuía um novo e-mail, sua mensagem para o New York Post havia sido respondida e sem perder tempo a morena abriu o documento. Rolou os olhos pela página o mais rápido que conseguia e sentiu o corpo murchar ao terminar de ler a resposta, havia sido rejeitava, embora lhe oferecessem uma vaga em um cargo severamente inferior ao seu. Afundou na cadeira de rodinhas do seu escritório e sentiu toda a animação que havia invadido seu corpo segundos atrás se dissipar.
Cerca de quarenta minutos depois recebeu outras duas respostas, dessa vez eram do The New York Times e do The Village Voice. Sua animação voltou rapidamente, tinha esperança de finalmente realizar o sonho e conseguir um emprego no TNYT, mas assim como no primeiro e-mail e no seguinte, havia recebido propostas que ao seu ver, eram para principiantes.
não entendia como ninguém queria aceita-la, sempre foi muito profissional, era uma das melhores em seu ramo e trabalhou durante três anos no quinto melhor jornal de publicação diária dos Estado Unidos. Tudo bem que havia sido demitida por sua extrema falta de profissionalismo nos últimos meses, mas não era possível que todos os jornais já soubessem disso, era? Se bem que as notícias se espalhavam rápido na cidade que nunca dorme.
Frustrada e cansada demais para permanecer na frente daquela pequena tela, a jovem se levantou, seguiu para o seu quarto se jogando na cama king size e finamente descansou.
Quando acordou a primeira coisa que fez foi checar o horário no celular se assustando ao ver que eram dez horas da noite, havia dormido por treze horas seguidas, mas sabia que estava necessitando de maneira urgente essas horas de sono.
Se levantou e bocejando caminhou até o escritório. Sentou na grande cadeira de rodinhas e abriu o MacBook branco, esperou a tela acender e começou a abrir os e-mails que haviam chegado. A cada "Sinto muito" ou 'Infelizmente" que lia ela sentia as lágrimas aumentarem, não era possível ter sido rejeitada por todos os jornais os quais mandara o currículo. Se desesperou mais ainda ao levantar a cabeça e encontrar os envelopes com as contas que precisava pagar em cima da mesa de vidro, mesmo que conseguisse um emprego em um jornal qualquer ou aceitasse as vagas oferecidas, não seria capaz de bancar a vida que levava atualmente, os únicos jornais que lhe proporcionavam essa oportunidade haviam acabado de recusá-la.
Afundou na cadeira abraçando os joelhos e chorando, estava brava comigo mesma, decepcionada pela irresponsabilidade que cometeu e que agora lhe causava um grande estrago. Riu de desgosto ao perceber o quanto sua vida havia mudado nos últimos tempos.
Cinco meses atrás tinha um lindo e atencioso namorado com qual planejava se casar em um futuro próximo, uma carreira maravilhosa que só crescia e um lindo e luxuoso apartamento. Agora se encontrava solteira depois de ter levado um pé na bunda do jeito que jamais imaginara acontecer, havia sido demitida do seu trabalho, recusada por todos os outros jornais dos quais havia recebido propostas diversas vezes no decorrer dos últimos anos e se preparando mentalmente para ter que abandonar o conforto da sua cobertura.
Sentindo-se mais patética do que nunca a morena se levantou e trocou o pijama que vestia por uma calça preta, uma blusa da mesma cor da calça, colocou um quentíssimo sobretudo e calçou suas botas de salto. Pegou a bolsa que se encontrava na entrada do apartamento, pôs as luvas e soltou o cabelo deixando que o mesmo esquentasse seu pescoço e rosto.
Saiu pelas ruas de Nova York sem rumo, sabia que precisava andar, botar os pensamentos em dia ou simplesmente encher a cara, não havia planejado muito bem, mas a última ideia soara incrivelmente convidativa. Poderia ter ligado para algum amigo evitando passar a noite sozinha, porém era exatamente isso que ela precisava, uma noite só, em um bar qualquer com uma garrafa de cerveja bem gelada.
Seguiu pelas ruas de Manhattan, em direção a uma das avenidas onde tinha certeza de que encontraria um bom barzinho.
Após alguns minutos de caminhada se deparou com uma porta de madeira marrom com algumas luzes de natal em volta e sem pensar duas vezes entrou no local.
O bar era pequeno e simples, não estava lotado, mas tinha um número considerável de pessoas por ali. Observou uma mesa vazia e encarou o balcão em seguida, optou por deixar a mesa disponível para um grupo maior de pessoas que pudesse chegar e se sentou em um dos bancos em volta do balcão que se encontrava vazio.
Enquanto esperava que alguma alma viva a atendesse, aproveitou para observar o ambiente a sua volta. Era um bar simples, porém aconchegante, tinha bancos estofados nas pontas, mesas maiores ao centro e as pequenas reservadas para casais mais ao fundo, a iluminação era pouca e a maior parte dela era devida as luzes de natal que enfeitavam o lugar e pelas outras poucas amarelas que se encontravam no teto. Uma música antiga tocava baixinho, não para ser notada logo de início, mas para ser apreciada depois de um tempo ou simplesmente preencher o local enquanto as pessoas conversavam.
O balcão a sua frente era preenchido pelas mais diversas bebidas, das mais caras para aquelas que custavam um mísero dólar, podia se dizer que o bar estava pronto para atender e satisfazer qualquer tipo de cliente. Um cheiro invadiu suas narinas e fez com que seu estômago roncasse a lembrando que o único alimento ingerido naquele dia havia sido as inúmeras xícaras de café, torceu para que o sabor da comida fosse tão bom quanto o aroma e decidiu que antes de encher a cara e esquecer de todos os problemas precisaria pedir ao menos um x-burguer.
Se esticou no banco para pegar um dos cardápios guardados na parte inferior do balcão e passou os olhos rapidamente pelas páginas tentando decidir o que pedir. Quando um homem de meia idade, enfim, notou sua presença, ela pediu por uma porção de batatas fritas como acompanhamento de seu hamburguer que não levou mais de vinte minutos para chegar. Devorou a comida em uma rapidez absurda e notou a risada de alguém por perto.
Levantou a cabeça encontrando um homem que aparentava ser ou da sua idade ou apenas alguns anos mais velho rindo da garota enquanto secava um copo do outro lado do balcão. O rapaz era lindo, tinha ombros largos, que a fizeram imaginar o corpo atlético que ele provavelmente teria, cabelos negros bem cortados, mas bagunçados lhe dando um charme, mesmo que ela tinha se questionasse quanto tempo ele havia levado para deixar assim, olhos castanhos e uma barba rala, era lindo e isso só fez com quem se sentisse mais envergonhada ainda.
-Uau, você está quase tão vermelha quanto o molho de pimenta que está comendo - o garoto comentou rindo e finalmente voltou para a realidade. Pigarreou limpando a garganta e terminou de engolir o último pedaço de x-burguer antes de responde-lo.
-Fico feliz de ter entretido ao menos alguém essa noite - respondeu mal-humorada. O homem poderia ser lindo, mas isso não iria mudar ou faze-la esquecer o quão desastroso estava sendo o seu dia.
-Uau, noite difícil? - perguntou enquanto continuava a secar os copos recém lavados.
-Tá mais pra dia difícil ou semana, como preferir - respondeu pegando mais uma de suas batatas, passando no molho de pimenta e levando a boca em seguida.
Viu o garoto rir e balançar a cabeça enquanto guardava os copos secos, colocou o pano de prato no ombro e apoiou as duas mãos no balcão encarando a morena.
-Deixa eu adivinhar, brigou com o namorado? - perguntou e revirou os olhos.
-É muito machista da parte dos homens achar que todos os problemas femininos giram em torno deles - respondeu irritada, mesmo sabendo que de certa parte ele estava certo, a briga com o ex-namorado também era um de seus motivos para estar tão mal-humorada.
-Uau, acho que cutuquei uma onça - retrucou rindo e se desencostando do balcão.
-Você usa a expressão "uau" excessivamente, é meio chato - comentou empurrando a bandeja vazia de batatas para frente e fazendo o homem gargalhar, a morena não pode deixar de notar o quão branco eram seus dentes, era a sua vez de dizer "uau".
-E você está me secando descaradamente, é meio chato, sabe? - a provocou e viu a menina revirar os olhos.
-Cadê o outro carinha que me atendeu antes? O baixinho, meio velho e barrigudo. Ele era mais legal - lamentou.
-Billie foi embora, teve uma emergência familiar – explicou, retirando a bandeja da menina e jogando os restos no lixo.
-Fico feliz em saber que não sou a única com problemas no momento - Comentou com a cabeça apoiada em uma das mãos e mexendo nos canudos que estavam ao redor.
-Isso foi meio maldoso, mas tudo bem - moreno respondeu lavando alguns pratos - afinal, o que tanto te perturba?
-Ah tá, como se eu fosse contar todos os meus problemas para você - debochou parando de mexer nos canudos e encarando o rapaz.
-Não é por isso que está aqui? Não é isso que a maioria das pessoas sozinhas em bares estão fazendo? Procurando um estranho para poder desabafar e bebida para encher a cara? - perguntou arqueando a sobrancelha e viu a menina suspirar.
-Até que você está certo - respondeu e ouviu ele sussurrar que sempre estava, mas preferiu ignorar - Bom, se estou prestes a contar as desgraças da minha vida para você devo ao menos saber o seu nome.
O moreno continuou lavando os pratos e apenas levantou o olhar para a mulher quando foi responder.
- - respondeu simplesmente.
-Então, ... Pra começar temos que voltar cinco meses atrás quando eu larguei meu trabalho por alguns dias para poder viajar com o meu namorado...
-Eu disse que tinha um namorado na história - interrompeu feliz por estar correto - E você me julgou quando eu falei que o motivo era uma briga com o namorado.
-Mas esse não é o motivo, não o principal, já que nem namoramos mais - bufou irritada - o canalha me fez implorar por dias de folga no trabalho, me levou até o caribe e assim que chegamos na praia, ele terminou tudo. Depois disso alugou um quarto só para si e transou com quase todas as garotas solteiras do hotel.
-Uau - comentou surpreso, mas se recompôs depois de receber um olhar de censura da mulher - se serve de consolo, ele é um babaca.
-Disso eu já sei e não serve de consolo - respondeu e viu dar de ombros -continuando...
-Espera aí, eu tenho que te contar o meu nome, mas você não me diz o seu?
-Exatamente - respondeu vendo o homem a encarar incrédulo.
-Tão injusto - resmungou e a morena riu.
voltou a contar sobre sua vida ao estranho garçom que havia esquecido das outras mesas do bar, arranjado um banco e sentado de frente para a morena ouvindo atentamente e comentando durante algumas brechas de silêncio que a mesma fazia para respirar ou tomar um gole da cerveja que havia pedido pouco tempo depois de resolver desabafar com .
-E é basicamente isso. - Suspirou desanimada - Eu sou uma solteirona de vinte e sete anos que só causa decepção para a mãe que já esperava que eu estivesse casada e com filhos, desempregada e em alguns dias desabrigada.
-Primeiro, você não tem que dar ouvidos a sua mãe - respondeu pausando para beber um gole da garrafinha long neck que a menina segurava recebendo um resmungo em reclamação que foi totalmente ignorado - você só tem vinte e sete anos, pelo amor de Deus, você tem a vida inteira para se preocupar em casar e ter filhos, faça isso quando tiver, sei lá, quarenta anos.
- Eu entendo que esteja querendo me animar, mas pelo amor de Deus, digo eu, quero estar casada antes dos quarenta. - o interrompeu e recebeu um "Shh" em resposta.
-Sobre seu emprego, é claro que você foi irresponsável e imatura nos últimos meses, mas você era editora chefe de um dos melhores jornais dos Estados Unidos, espere um tempo que um ótimo emprego vai aparecer.
-Eu não tenho muito tempo, , é impossível bancar a vida que levo hoje sem trabalhar - ela o interrompeu novamente e viu o rapaz revirar os olhos.
-Que mania chata de interromper os outros - resmungou - Então mude de apartamento, venda suas roupas e móveis. Já que tudo na sua vida parece estar sendo encerrado, feche esse ciclo, comece do zero, de um restart na sua vida, sempre faz bem.
-Me diz, você é psicólogo no seu tempo livre? - perguntou e gargalhou.
-Não, odeio ficar ouvindo os problemas dos outros, já tenho os meus para me preocupar.
-Mas você passou a noite ouvindo meus problemas - retrucou.
-Só porque eu achei sua situação engraçada, estava comendo aquele hamburguer como se fosse a única coisa boa que restou no mundo - respondeu e a menina riu.
- De qualquer jeito, eu agradeço, estava precisando botar tudo isso pra fora e o seu conselho de começar do zero me parece interessante, arriscado, mas para quem atravessou o país e veio tentar a sorte sozinha nessa cidade não deve ser tão assustador assim.
-Atravessou o país, de onde você é? - perguntou curioso.
-São Francisco, Califórnia.
-Nunca estive na Califórnia, na verdade, acho que nunca sai do Estado de Nova York. - contou - Nasci em West Seneca e me mudei pra cá quando fiz vinte e dois anos.
-E quantos anos tem agora? - perguntou curiosa.
-Não vou te falar, não sei seu nome até agora - respondeu.
-Mas eu te contei minha vida inteira - retrucou.
-Você só me contou os seus problemas.
-Você sabe a história do meu último relacionamento, o porquê fui demitida, onde eu trabalhava, como é o meu apartamento, a minha idade e de onde eu vim, na verdade, você sabe mais de mim do que eu de você.
-Está bem, tenho trinta anos - respondeu.
-Doeu? - perguntou e ele retirou os olhos murmurando um "engraçadinha" cheio de sarcasmo. - E por que veio para Nova York, digo, a cidade?
-Imagino que nunca tenha visitado West Seneca - deduziu e viu assentir - É uma cidade legal, mas não tem muitas opções de trabalho ou muito espaço no mercado. Nunca me contentei com a vida simples que a cidade me oferecia e por isso vim pra Nova York, estudar, trabalhar, arriscar.
-Acho que esse é o motivo da vinda da maioria das pessoas para esse lugar.
-A cidade que nunca dorme é repleta de oportunidades e sonhos destruídos - riu de desgosto e sentiu que existia uma história por trás disso, mas foi interrompida pelo celular que vibrou avisando que a bateria estava prestes a acabar. Se assustou ao ver que eram três horas da manhã e que estava conversado com há quase quatro horas.
-Acho que você vai ser demitido - comentou guardando o celular na bolsa.
-Bom, se isso acontecer, eu bato na sua porta pedindo esmola - respondeu e ela revirou os olhos vendo que o garoto ria - Não se preocupe, Billie me deve umas - piscou e ela riu inconformada com o jeito do menino.
-Agradeceria se você visse o quanto eu tenho que pagar, assim eu posso ir embora - disse se levantando e vendo fazer o mesmo ao ir para a parte interna do balcão e somar alguns números na calculadora. Disse o que a garota deveria pagar e logo lhe entregou o cartão. - Muito obrigada por servir de psicólogo esta noite - agradeceu terminando de mexer em algo no celular e vendo que seu taxi já estava chegando.
-Obrigado você por preencher minha noite com essas ótimas histórias, é bom ouvir os problemas dos outros e ver que você não está tão na merda assim - respondeu e a menina bateu com a bolsa de leve em seu braço, repreendendo-o.
-Meu táxi chegou, boa noite, - se despediu seguindo até a porta do bar.
-Vê se aparece mais vezes, quero saber o que mais vai acontecer na vida de - respondeu e a menina virou surpresa para ele. -Não sei se você lembra, mas seu nome vem escrito no cartão - piscou e a menina riu saindo do bar sem responder.
Certamente voltaria para aquele lugar, talvez levasse até Emeraude e Alberto, seus melhores amigos, não tinha dúvidas de que eles gostariam do bar.


Capítulo 2

Semanas haviam passado desde que havia visitado o pequeno bar e, diferente do que havia planejado naquela noite, a garota passou todos os dias enfiada dentro de casa, assistindo milhões de séries e comendo somente macarrão enlatado ou pipoca de microondas. já podia sentir seu corpo cobrando uma simples caminhada ou até mesmo a volta à academia.
Ouviu a campainha tocar e estranhou não ter recebido uma chamada pelo interfone do porteiro, esse era um dos motivos pelos quais detestava Joshua. O barulho se repetiu, mas a morena não se moveu, apenas aumentou o volume da televisão e voltou a prestar atenção no episódio que assistia.
E quando já agradecia pelo ser humano que a incomodava ter partido, ouviu barulho de chaves e segundos depois uma mulher alta de longos cabelos pretos, quase negros, olhos castanhos e pele morena adentrou sua casa seguida por um rapaz de pele extremamente branca, cabelos castanhos penteados em um topete e olhos da mesma cor.
-Está vendo, eu disse que ela estava nos evitando! - Emeraude gritou irritada se virando para o garoto que a acompanhava.
-Não precisa ficar ofendida, não estou evitando exclusivamente vocês, é uma coisa geral - retrucou pausando o episódio e se virando para os amigos.
-O que aconteceu com essa casa? - Eme perguntou olhando o apartamento com nojo.
Roupas estavam largadas por todos os móveis, edredons sujos se encontravam no chão, restos de comida estavam espalhados pela mesa de centro e tinha certeza de que o odor não era o dos melhores.
-Acho que a pergunta correta é: O que aconteceu com ela? - Alberto corrigiu Eme observando a amiga jogada no sofá com os cabelos sujos e bagunçados e a blusa branca do pijama manchada por algum resquício de comida amarela.
-Estou apenas curtindo minhas férias. - respondeu virando a latinha de cerveja e jogando no chão em seguida.
Emeraude observou a amiga incrédula e não perdeu tempo em se aproximar dela para arrancar o edredom que a cobria. Pulou os potes de macarrão industrializado que estavam no chão e abriu as enormes cortinas da sala deixando a luminosidade adentrar a cobertura.
- Aí, queima! - resmungou tapando os olhos, Alberto riu.
-Não me venha com gracinhas. - revirou os olhos - Há quanto tempo você não toma um banho? Nossa senhora! Ande, já para o banheiro - a latina empurrava a amiga para fora do sofá.
-Pare, Emeraude! Não quero tomar banho, não quero sair do sofá, me deixe em paz - resmungou e acabou caindo no chão depois de ter sido empurrada pela amiga.
-O que aconteceu com você?
-Já disse, só estou aproveitando as férias - resmungou se levantando do chão e voltando para o sofá.
-Férias? Você chama isso de férias? , eu não queria ser a pessoa a fazer isso, mas alguém precisa lhe trazer de volta a realidade. Céus! Você foi demitida, entendeu? Está desempregada. Pretende ficar presa em casa pelo resto da vida sem trabalhar e vivendo a base de comidas enlatadas? Seu apartamento está um lixo, uma bagunça total. Afinal, como pretende continuar enfiada em casa por toda a eternidade se não terá nem dinheiro para se bancar? - A latina explodiu e se jogou na poltrona depois de desabafar.
-Você acha que eu não sei? Acha que eu esqueci que perdi o melhor emprego que já tive e que fui recusada por todas as outras dúzias de empresa as quais eu mandei meu currículo? Não, Emeraude, eu não esqueci, nem por um segundo sequer. Mas, meu Deus, eu estou desesperada! Não sei como arranjar um emprego que me faça continuar a ter essa vida "luxuosa" que levo, não preciso que você venha até minha casa para me lembrar disso.
-Então levante, esqueça tudo, comece do zero! Você não era rica em São Francisco, não é como se fosse morrer se deixasse de morar em uma cobertura, ou se vendesse algumas das suas milhões de bolsas de marca ou seus sapatos caríssimos.
-Verdade, e se não quiser comprar algum apartamento no momento pode ir morar comigo e com a Eme, não vivemos em uma cobertura luxuosa no Upper East Side, mas temos espaço o suficiente pra te acomodar. - Alberto, que havia arranjado um pequeno espaço em uma das cadeiras que ficavam em volta da enorme mesa de jantar, se pronunciou.
Ele e a amiga estrangeira moravam juntos há cerca de dois anos, época em que a latina chegou nos Estados Unidos. Emeraude, que havia sido transferida do antigo trabalho para o país americano chegou sem ter lugar para ficar, conheceu Alberto por causa do serviço, já que os dois trabalhavam na mesma empresa e sabendo da situação da morena o garoto, que possui um coração gigante, a chamou para morar com ele no apartamento que havia acabado de comprar no SoHo, ele já estava pensando em procurar por um colega de quarto para poder dividir as contas então seria a solução de ambos problemas.
-Eu não sei...
-Vamos, vai ser divertido, nós três morando juntos! Sem falar que o dinheiro que você vai gastar para dividir as despesas com a gente não vai lhe fazer falta nenhuma depois de vender algumas de suas coisas e ainda vai poder procurar por um emprego ou algo diferente com calma, sem se preocupar em ter dinheiro para pagar esse aluguel que eu imagino ser um absurdo - Eme respondeu e observou a amiga respirar fundo jogando a cabeça para trás.
viu os dois amigos a encararem animados e riu fraco.
-Está bem - respondeu e Emeraude gritou comemorando.
-Certo, podemos anunciar os seus móveis pela internet e suas roupas podemos fazer o mesmo ou levar em alguns brechós, soube que eles pagam uma boa quantia em roupas como as suas - a latina disparou animada e encarou Alberto assustada.
-Temos que fazer isso agora? Eu estava assistindo How I Met Your Mother - choramingou e em questão de segundos Lewis já estava ao seu lado no sofá.
-Tá em que temporada? - perguntou animado.
-Terceira - a morena respondeu.
-Ainda? A melhor é a...
-Ah não, vocês não vão começar nesse papo de séries de novo, não é? Temos muito o que fazer - Emeraude brigou e tirou o controle das mãos do amigo desligando a televisão e guardando o controle no sutiã. - pronto, agora ninguém vai pegar.
-Sabe que eu também tenho seios, não é? Não vejo problema algum em ter que pegar o controle aí - respondeu e Eme revirou os olhos.
-Vamos logo! - resmungou e seguiu até o quarto da amiga.
Os três amigos passaram dois dias fotografando os móveis da casa de e anunciando-os online, separando os sapatos e roupas das quais ela não precisaria e guardando-os em uma caixa para colocar à venda no dia seguinte, deixando a morena sozinha apenas quando tinham que ir trabalhar, mas voltando assim que saíam do serviço. Terminaram na terça-feira por volta das nove horas da noite e acabaram dormindo na sala de estar em meio a caixas e roupas.
No dia seguinte, todos acordaram cedo. Emeraude havia saído para trabalhar prometendo encontra-los após o almoço, já que havia conseguido milagrosamente ser dispensada mais cedo. Alberto conseguira uma folga agora que havia sido promovido e por isso estava no apartamento, esperando que as pessoas que compraram os móveis da amiga fossem busca-los. aproveitou o carro do amigo e saiu com todas as caixas passando por vários brechós vendendo seus pertences.
Quando o sol já sumia da cidade e o frio aumentava, encontrou Emeraude a caminho de seu apartamento e resolveram parar para tomar um café enviando uma mensagem para Alberto mandando-o encontra-las na cafeteria da esquina.
-Seu ex-namorado ligou umas vinte vezes essa tarde - Lewis disse entregando o celular para que havia esquecido em casa.
-Quem sabe eu não atendendo mais vinte ele, finalmente, entende que nós não temos nada para conversar - respondeu irritada guardando o celular na bolsa.
-Pois é, já fazem mais de cinco meses, ele namorou duas garotas nesse meio tempo, será que é tão difícil te deixar em paz? - Eme perguntou irritada e riu da amiga - Sabe o que você devia fazer? - a latina perguntou depois de tomar um gole do chá que havia pedido e encarou como se tivesse tido a melhor ideia do mundo - Arranjar um namorado.
-Claro, essa será a solução de todos os meus problemas - revirou os olhos impaciente.
-De todos não, mas pelo menos de dois deles.
-Dois? - Alberto perguntou confuso.
-A perseguição chata do Logan e a seca que nossa querida amiga se encontra - Eme respondeu com um sorriso sapeca no rosto e Alberto gargalhou.
-Ei, eu não estou na seca! - resmungou se defendendo.
-Ah, não? Querida, tem teia de aranha por todo o seu corpo - Emeraude respondeu.
-Você também não namora há séculos.
-Não preciso namorar para me satisfazer - a morena piscou para a amiga e a encarou incrédula.
-E o que te diz que eu preciso? Na verdade, quem te disse que eu não saí com ninguém desde o meu término com Logan? - perguntou e Emeraude a encarou rindo.
-Está brincando, não é? Eu sou sua melhor amiga, mesmo que você não me contasse, o que é algo quase impossível, eu saberia dizer. - tomou um gole do chá achando graça no comentário da amiga - E outra, a diferença entre nós duas é que eu não gosto de namorar. Em vinte e seis anos, eu só tive um namorado, mas você gosta disso, de sair toda noite com o mesmo cara, de ficar em casa vendo filme agarradinho, é por isso que você precisa de um namorado pra se satisfazer e eu não.
-Isso não é verdade! Vamos, Alb, me defende! - pediu para o amigo que sorriu sem jeito.
-Sinto muito, mas dessa vez eu estou com a Eme. Não é como se fosse um defeito, é apenas o seu jeito, você prefere namorar ao invés de sair e conhecer gente diferente.
encarou os amigos irritada e ficou em silêncio, pensando em algum argumento que provasse aos dois que eles estavam errados quando se lembrou da noite que teve algumas semanas atrás.
-Eu conheci um cara mês passado - respondeu sorrindo e bebendo um gole do chocolate quente que havia pedido.
-Ah, é? Onde?
-Em um bar, aqui perto, na verdade - respondeu a amiga que arqueou a sobrancelha.
-Você não foi em nenhum bar, sei bem porque não saímos muito naquele mês - A latina respondeu.
-Eu não chamei vocês, foi no dia após eu ter sido demitida, não estava a fim de ver ninguém, então não liguei - se explicou, feliz por ter deixado os amigos sem palavras.
-Em que bar você foi? - Alberto perguntou ainda sem acreditar na amiga.
-Não me lembro o nome, acho que era Joey alguma coisa. É um bar novo e pequeno, mas muito aconchegante.
-E como conheceu o cara?
-Ele trabalha lá, eu estava no balcão comendo um hambúrguer com fritas quando ele riu da minha cara e puxou assunto, ficamos conversando até às três da manhã. Ele perguntou o porquê de eu estar tão brava e eu contei sobre minha demissão, Logan, e tudo mais.
-Então você foi em um bar novo, conheceu um carinha e contou a sua vida inteira para um desconhecido?
-Ele não era bem um desconhecido, eu sei seu nome e onde ele trabalha. Ah, e ele me contou que é de West Seneca - respondeu vendo o amigo fazer uma careta ao ouvir o nome da cidade.
-E qual o nome dele? - Emeraude que ainda desconfiava perguntou.
-.
-Certo, você contou sua vida inteira para o e depois...
-Eu fui embora - respondeu a contragosto e viu Eme sorrir.
-Agora eu acredito - a morena riu e revirou os olhos.
-Mas vocês se viram depois? Ele pegou seu número? - Alberto perguntou tentando melhorar a situação da amiga.
-Não.
viu Emeraude gargalhar e fechou a cara. Sabia que a amiga estava certa quanto ao fato de ela só gostar de namorar, não via isso como um problema e seus amigos também não, mas a latina também estava certa ao fato de estar na seca há meses.
Céus! não se lembrava da última vez em que esteve com alguém sem ser Logan. Sentia saudade de ter alguém pra conversar, sair ou simplesmente passar uma noite juntos. Acreditava até que havia virado virgem novamente.
-Então está combinado - ouviu Alberto falar e chacoalhou a cabeça voltando a prestar atenção na conversa.
-O que está combinado? - perguntou confusa e viu a amiga revirar os olhos.
-Eu disse que ela não estava prestando atenção - resmungou para o rapaz - Vamos até aquele bar assim que você se mudar para o nosso apartamento...Falando nisso, quando você vai se mudar?
-Eu não sei, todos os meus móveis foram vendidos? - perguntou para Alb, desanimada ao ver o amigo assentir - Minhas roupas já foram vendidas e eu já comuniquei o dono do apartamento que vou sair de lá, então acho que posso me mudar qualquer dia - deu de ombros.
-Ótimo! Que tal amanhã? - Eme perguntou animada em ter a amiga morando com eles, adorava viver com Alberto, mas sentia falta de uma presença feminina na casa.
não estava tão animada assim, amava os amigos e tinha certeza de que iria se divertir morando com eles, mas também amava a cobertura e o conforto que ela lhe providenciava. Lembrou de todos os dias que chegou em casa exausta depois de longas horas no trabalho e correu para tomar um banho na enorme banheira que tinha. Ou dos dias em que fazia calor em Nova York e ela dormia na enorme cama King Size com o ar condicionado ligado. Sentiria falta de morar em um lugar que, além de ser extremamente confortável, tinha uma localização incrível.
Ah, o Upper East Side! Ele era exatamente igual ao que os filmes e séries relatam, se não melhor. Todo o luxo, as festas incríveis, as pessoas...
Mas também não podia se esquecer de que veio de uma família que não tinha todo esse luxo. Não era pobre, nunca foi, era uma pessoa de classe-média e não teria problema nenhum em voltar a ser, mas depois de provar da magnificência de um dos bairros mais luxuosos de Manhattan era difícil se animar em sair de lá.
Depois de terminar a bebida e combinar com os amigos de levar seus pertences para o apartamento deles no dia seguinte, se despediu e caminhou de volta a casa.
Chegou na cobertura encontrando os cômodos vazios. A grande mesa de jantar, o aconchegante sofá, a mesa de centro e mais outros de seus queridos móveis haviam ido embora. Havia decidido ficar com os aparelhos tecnológicos, um terço de suas roupas e acessórios, o que ainda era muito, a cama King Size, que agora dividiria com a amiga, e coisas necessárias para se ter em casa como toalhas, cobertores, travesseiros, etc.
Colocou uma lasanha que havia acabado de descongelar no forno e seguiu para tomar um último banho de banheira. Esperou que ficasse cheia, jogou alguns de seus sais de banho, apagou as luzes deixando apenas algumas velas iluminando o banheiro e entrou na água quente. Sentiu o corpo relaxar e descansou a cabeça na almofada que havia de encosto.
Em sua cabeça, reviveu as cenas das últimas semanas, se viu entrando no escritório pela última vez, depois jogada no chão chorando, desligando as milhões de ligações de Logan, levando as roupas para vender, comendo porcaria sentada no sofá e por último a conversa na cafeteria.
era uma pessoa carente de afeto, seus pais se separaram quando ainda era uma bebê. No começo, visitava o pai todo fim de semana, mas conforme os anos foram passando os encontros passaram a ocorrer de duas em duas semanas, depois uma vez no mês, duas vezes no ano até que ela nunca mais viu o pai. A última vez que o encontrara tinha vinte anos e havia ido se despedir antes de seguir rumo NY.
Sua mãe, bem, ela tinha que trabalhar para poder criar os dois filhos, e por isso mal passava o tempo em casa e quando estava presente se encontrava sempre estressada e sobrecarregada o que levava a inúmeras brigas tanto com como com Scott, seu filho mais velho e a única visão paterna que já teve.
Ela e Scott eram inseparáveis, ele como irmão mais velho se viu na obrigação de educar e cuidar da garota. Levava para escola quando ela tinha apenas doze anos de idade e depois a levava a boates quando finalmente fez dezoito anos e podia entrar em uma legalmente, ainda não tinha idade o suficiente para beber mas mesmo assim o garoto comprava algumas bebidas e entregava a irmã. Juntos eram a dupla perfeita, mas assim que Scott saiu de casa para se casar, não viu mais motivos para permanecer ali e resolveu seguir seu sonho e tentar a sorte na Big Apple.

~*~


A manhã do dia seguinte foi uma bagunça. O caminhão contratado por Emeraude para ajudar na mudança chegou uma hora e meia atrasado, o dono do apartamento com quem combinou de se encontrar para poder entregar a chave do local ficou preso no trânsito e, pra melhorar, um dos vasos favoritos da garota havia quebrado enquanto um dos brutamontes contratados retirava as caixas e subia com elas para o apartamento dos amigos.
Eram mais de sete horas da noite quando eles finalmente terminaram de organizar tudo, os móveis e objetos de estavam em seus devidos lugares, e agora ela dividia o quarto com a amiga.
Após sair do banho, extremamente cansada, encontrou os dois amigos arrumados na sala a sua espera.
-Onde vão? - perguntou indo de encontro aos amigos ainda com a toalha no corpo.
-Onde vamos, você quis dizer - Emeraude a corrigiu e se preparou para o que estava por vir - Vamos até o bar que você nos contou.
-Não podemos fazer isso outro dia? Estou exausta. - perguntou se apoiando no batente do corredor.
-Deixe de agir como uma velha, menina! Hoje é sexta-feira e nós moramos em Nova York, ficar em casa é como quebrar uma lei - a latina respondeu e Alberto assentiu concordando com a amiga fazendo rir.
-Eu me acostumei a ficar em casa às sextas, assistir um bom filme e dormir em um horário razoável para finalmente poder descansar - comentou.
-Está com o seu documento aí? - Alberto perguntou e assentiu confusa - Deixa eu checar a sua data de nascimento, por favor. Acho que você nos enganou e já é uma quarentona.
Emeraude riu e bateu na mão do amigo em um cumprimento.
-Não ajo como uma velha, mas sim como uma jovem trabalhadora que dá duro o dia todo durante a semana e gosta de aproveitar um pouco de paz e conforto quando possível.
-É, mas agora você não trabalha mais e pode fazer isso qualquer dia da semana. - Eme respondeu - Não sei nem porque estamos perdendo tempo discutindo sobre isso, você sabe que não vai conseguir escapar.
encarou os amigos e revirou os olhos saindo do corredor e indo até o quarto que agora era seu também.
Demorou o máximo que pôde para se arrumar na esperança de que isso fizesse os dois se desanimarem e mudarem de ideia. Colocou uma jeans escura, uma blusa preta com estampa branca, suas inseparáveis botas e um sobretudo. Não fez nenhum penteado, diferente de Emeraude que tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo e alguns fios soltos na frente, e também não exagerou na maquiagem passando somente o necessário para que não parecesse um zumbi. Pegou a bolsa bege no guarda-roupa e checou as horas no celular, eram quase nove, realmente havia demorado.
Seguiu até a sala pronta para encontrar os amigos jogados no sofá quase dormindo e se desapontou ao vê-los apoiados na pequena ilha da cozinha fazendo shots de tequila.
-Finalmente! Achamos que você tinha morrido lá dentro - Alberto resmungou depois de fazer careta ao virar o copo de bebida alcoólica. - Vamos logo - colocou a garrafa fechada ao lado da pia e tirou as chaves do bolso abrindo a porta.
respirou fundo, sem mais esperanças de uma mudança de planos, e saiu de casa se lamentando por estar perdendo a maratona da série que assistia e que estava passando em um canal há alguns minutos.
Optaram por ir de metrô, já que pegar um táxi e enfrentar o trânsito maluco de Nova York naquele horário não era uma opção que os agradava.
Cerca de quase meia hora depois, se deparou com a mesma porta marrom de algumas semanas atrás, atravessou a rua sendo seguida pelos amigos e entrou no bar que, naquela noite, estava mais cheio do que quando a morena esteve lá.
Dessa vez sentaram-se em uma mesa no canto esquerdo do lugar e esperaram que alguém fosse atendê-los, o que não aconteceu durante os primeiros dez minutos.
-O que uma garota tem que fazer para conseguir uma simples garrafa de cerveja por aqui? - Emeraude perguntou irritada e riu da situação da amiga.
-E aí, cadê o cara que você conheceu? - Alberto perguntou e se fez de desentendida.
-Que cara?
-Ah, corta essa! Você sabe que cara - ele respondeu revirando os olhos e, mesmo que tentasse provar o contrário, ela sabia de quem ele estava falando e estava procurando por ele há algum tempo.
-Não faço a mínima ideia - deu de ombros olhando em volta e não encontrando o moreno - Vou até o balcão pedir as nossas cervejas, querem algo mais? - se levantou ao ver os amigos negarem e caminhou até o balcão onde o homem de meia idade que havia atendido-a na última vez se encontrava.
se lembrou de ter se referido a ele como Billie e assim que se aproximou o chamou pelo nome e fez o pedido. Billie voltou com as três cervejas pedidas segundos depois e perguntou se a garota queria mais alguma coisa
- Onde está ? - perguntou e tentou consertar depois de ver a cara risonha do garçom - Ele me atendeu da última vez e foi muito simpático - percebeu que não havia melhorado sua situação quando Billie desistiu de tentar disfarçar e riu da menina.
-... ... - ele balançou a cabeça negativamente - Deixa eu adivinhar, ele dormiu com você e não ligou no dia seguinte?
-O que? - o encarou confusa - Não, nós...
-Olha, querida, não se sinta mal, você é uma garota linda, com certeza irá encontrar alguém que te mereça. Mas não é do tipo de relacionamentos, sinto muito pelo que ele fez com você - Billie passou a consolá-la deixando mais confusa ainda.
-Nós não dormimos juntos! - o cortou e viu a sobrancelha do homem arquear, levemente surpreso. - Ele realmente foi simpático da última vez em que nos vimos, mas foi só isso, perguntei por curiosidade.
-Oh, sinto muito pela confusão. - riu de leve e o encarou ainda confusa - Mas de qualquer jeito, não está aqui hoje, é seu dia de folga. – respondeu. pegou as bebidas e se retirou em silêncio ainda inconformada.
-E então, onde está o moreno gostoso que você nos contou? - Emeraude perguntou assim que a amiga voltou para a mesa em que estavam.
-Eu não disse que ele era gostoso.
-Ah é, isso foi só como eu imaginei que ele seria - a latina se lembrou e Alberto riu observando-a - Tanto faz, onde ele está?
-Não trabalha hoje, é seu dia de folga - respondeu mal humorada.
-E por isso você está com essa cara? Relaxa, podemos voltar aqui mais uma vez e quem sabe aí não rola algo...
-Estou grata de que nada rolou - cortou a amiga que a encarou confusa - Pelo jeito a fama dele não é a das melhores - contou sobre o que Billie havia lhe dito.
-Não é bem uma surpresa - Emeraude comentou - os caras solteiros na cidade são assim.
-Ei! Eu não sou assim - Alberto se defendeu e sorriu.
-Você, meu querido amigo, é uma exceção raríssima - Rosende lhe respondeu vendo o amigo sorrir de novo.
Passaram o resto da noite rindo, conversando e bebendo; saíram do bar por volta das duas da manhã e decidiram voltar para casa de táxi para não correrem o risco de fazer alguma idiotice, o que era bem provável considerando o estado em que se encontravam.

~*~


não se lembrava como havia parado ali, mas acordou deitada no tapete da sala do novo apartamento.
Se sentou tomando cuidado para não bater na mesa de centro e pôs a mão na cabeça ao senti-la doer; levantou cambaleando, foi até a cozinha abrindo a geladeira e tomando um gole d'água o que fez seu estômago revirar.
Ah, a ressaca! Há quanto tempo não enchia tanto a cara a ponto de acordar naquele estado.
Procurou por algum remédio nas gavetas do banheiro e se irritou ao não encontrar nenhum.
“Que tipo de pessoa não tem um simples remédio pra dor de cabeça em casa?” se perguntou ao fechar a gaveta.
Entrou em silêncio no quarto de Alberto na intenção de procurar algum remédio no banheiro do garoto e riu ao encontra-lo com metade do corpo para fora da cama enquanto babava em cima do travesseiro. Novamente sua busca foi em vão e, sem ter mais o que fazer, tomou um banho gelado tentando se manter acordada, colocou a primeira roupa quente que viu e saiu do apartamento, seguindo até a rua em que ela achara ter visto uma farmácia enquanto vinha da antiga cobertura para a nova casa.
Andou por dez minutos amaldiçoando o sol por ter dado as caras e as pessoas apressadas que insistiam em buzinar sem razão alguma.
“Enfiar a mão na buzina não vai fazer o semáforo abrir, imbecil!” quis gritar, mas o simples fato de abrir a boca para bocejar já fazia sua cabeça apertar.
Encontrou a farmácia há três esquinas do apartamento e foi direto para o corredor de remédios do cotidiano. Comprou o que mais precisava e aproveitou para pegar outros por precaução, já que se dependesse dos amigos teria que correr para a farmácia até se estivesse com dor de barriga.
Estava se pendurando para pegar uma caixa de comprimidos quando alguém colocou as mãos em seu ombro e, por instinto, se virou acertando um tapa na cara do indivíduo que se afastou com a mão no rosto.
-Meu Deus!
-? - perguntou confusa ao ver o rapaz a sua frente assentir - Que tipo de brincadeira foi essa?
-Eu queria te dar um pequeno susto, mas não achei que fosse reagir desse jeito. - respondeu se recompondo.
-Estamos em Nova York, quando alguém coloca a mão nos seus ombros quando se está de costas você já espera o pior - retrucou inconformada - O que está fazendo aqui?
-Vim comprar umas coisas pra minha casa - respondeu confuso - E você? Achei que morasse no Upper East Side, o que faz aqui?
-Eu morava, mas segui seu conselho e saí de lá. - respondeu abaixando o tom de voz ao sentir mais uma pontada na cabeça - Estou passando um tempo na casa de uns amigos.
-Fico feliz que tenha seguido meu conselho, mas você não parece estar.
-Como?
-Sua cara, não parece que está feliz - explicou.
-Ah, isso é só o resultado de uma noite e várias cervejas - respondeu rindo fraco - fomos até o seu trabalho ontem.
-Sério? Puxa! Se eu soubesse, não teria tirado o dia de folga - disse e percebeu que ele estava tentando flertar com ela, o que fez com que se lembrasse das palavras ditas por Billie na noite passada.
-Pois é - deu de ombros e se virou andando até o caixa que estava livre.
-Por que não me passa o seu número? Aí é só você me ligar quando estiver indo pra lá - perguntou quando foi para o caixa ao lado do dela, mas permaneceu em silêncio. Entregou o dinheiro para a mulher que lhe atendeu e pegou sua sacola - Hein?
-O que? - se fez de desentendida.
-Seu número, você poderia me passar - pediu de novo e riu fraco.
-Acho que não, mas a gente se vê por aí - Se despediu e voltou pelo caminho feito minutos antes.
sentia falta de ter relações com alguém, mas era completamente o oposto dos caras com quem ela já havia saído. Na maior parte eles eram super cavalheiros, tinham ótimos empregos e não saiam por ai ficando com uma garota diferente toda noite, exceto por Logan, mas isso foi depois. era o oposto desses caras e não tinha a menor intenção de se envolver com ele.
Chegando perto de casa se lembrou do que Emeraude havia lhe dito sobre ela nunca fazer uma loucura e somente namorar, se estava afim de começar a vida de um jeito diferente tanto profissionalmente como pessoalmente, por que não mudar isso? Balançou a cabeça espantando esse tipo de pensamento e entrou no elevador do prédio.
-Você não é esse tipo de pessoa e não tem problema algum nisso - resmungava para si mesma enquanto entrava em casa e se assustou ao encontrar Alberto e uma garota loira aos beijos no sofá, bem, eles estavam fazendo muito mais do que se beijar, mas era melhor poupar os detalhes daquele momento traumatizante. - Puta que pariu! - gritou ao deixar a sacola cair vendo Alberto pular do sofá e a menina cair no chão. Viu que ele usava uma cueca e agradeceu por não ter chegado minutos depois e ter visto mais do que um par de seios desconhecidos.
-! Onde você estava? - o amigo perguntou nervoso e ela se virou indo até a geladeira e enchendo um copo com água, pegou a sacola do chão e caminhou de costas até o corredor.
-Fui até a farmácia, mas já estou indo para o meu quarto, não se preocupem - respondeu abrindo a porta do quarto - podem mandar a ver - disse e entrou no quarto fechando a porta.
"Podem mandar a ver? Que tipo de pessoa fala isso?" brigou consigo mesma pelas palavras ditas e novamente balançou a cabeça tentando afastar as imagens que vinham.
Tomou o comprimido que comprara e se deitou na cama ao lado da amiga que roncava.
-Céus, Emeraude! Parece um porco - resmungou empurrando a amiga para o lado e fechando os olhos na esperança de que a dor passasse.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Outras Fanfics:
The Safety - Harry Potter/Finalizadas
Live On Tour - Harry Styles/Andamento.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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