FFOBS - Criptografia Simétrica, por Nom de Plume.

Última atualização: 23/01/2018

Prefácio


Quero deixar claro, meu bem, que sou forasteiro, mas no fundo, desejo tornar-me aldeão, idílico... Só com uma presença a me afagar todos os dias. Na rua da solidão, encontrei a paz de um sorriso gringo, de um sorriso atraente, de um sotaque estranho, de uma escrita desconhecida. Na mesma rua da minha aflição, esbarrei em suas costas finas, em seus peitos arredondados, no seu rebolar espanhol, na sua graça sem emoção. Na mesma rua do meu entusiasmo, eu a vi esbarrando por amores descomunais, por tristezas sem curas, pelo medo de ser só num mundo tão grande. Obrigado por ser a rua que cruza o meu desespero e o meu riso. A realidade às vezes é dura. Maltrata teu emocional. Eu já não aguento mais olhar tantas tristezas andarem por estas ruas sem vida.
Ao som de Marylin Manson, podia-se ler nas paredes o mantra de sua mãe, que continuaria ressoando.
Conversamos e é como se as palavras doessem por saber que existe sempre uma possibilidade de perda. A incerteza perturba a paz do amor em cada palavra sem afeto extremo. Em que momento tornamos-nos assim, tão dependentes do afago do outro?
Eu procuro uma palavra que não seja amor, mas é. E você, você sabe.
Sente muito, mas não transborda; meu rádio não capta as tuas frequências. Eloquência?
Ah, meu bem, te digo com veemência, quem não sabe lutar, não merece vencer. E você nunca soube perder; nunca procurou entender, que toda perda, por mais que seja subtração, também envolve uma adição. Sinto muito se eu sinto tão pouco. Agora ficou tudo oco. Ouço o teu eco ficando louco ...ouço ...oco ...oco.
Você se lembra daquele dia que me disse que o céu era da cor do infinito e que as estrelas eram apenas pedaços fragmentados de um coração? Eu me lembro do seu vestido florido se impregnando em minhas retinas enquanto tentava imaginar se as rosas, margaridas e crisântemos podiam fazer parte da via láctea. Eu me lembro daquele dia como se cada memória minha já não existisse mais e me lembro que, no escuro, seus olhos brilhavam como neon enquanto meus lábios tremiam tentando segurar o choro. Você me tornou especial aquele dia, me mostrando que pedaços de vida caem em cima de mim todos os dias, em forma de poeira cósmica. E eu chorei e berrei, e solucei, e abracei a mim mesmo como se eu fosse a única pessoa no mundo todo. Estou moído e carrego em meu peito aquele seu olhar de neon juntamente com seu sorriso feito puramente de estrelas. E eu louvo aos ventos e ao tempo que me fizeram deixar em meu âmago frio e calado a cantiga mais bela que poderia ouvir: “Se não fosse Deus bancando o escritor. Se não fosse o Mickey, e as terças feiras, e os ursos-panda, e o andar de cima da primeira casa em que eu morei.” E eu me lembro de cada palavra, de cada cheiro e de cada toque, porque eram todos cheios de amor e cheios de verdades. E eu ainda consigo te ver naquela cama com as mãos entre as pernas me esperando, não importa se 7 horas de vôo ou 45 minutos de carro. E eu ainda a espero… E esse abismo... (teus olhos) e o que me resta, meu bem, é pular. E pulei neste teu abismo...
Meu peito é ponto de partida e tem pontos pela sua partida.
Te amo não esperando reciprocidade. Isso já não faz parte. Não é uma exigência. Amar é um pássaro em pleno vôo. E, se ainda amo e te verso, é porque se a vida nos pôr, por acaso ou poesia, em zonas cósmicas diferentes, o fato do amar, com toda certeza, faz o viver valer a pena. Mas eu cobiço a existência.
Eu sou o rascunho do mundo! Eu sou poesia mal escrita, dor em prosa e alegria em verso. Sou palavras cuspidas num papel de qualquer jeito, um dia bem organizado e outro sem métrica alguma. Sou a vergonha dos grandes escritores, os clichês dos poemas de amores, sou a biografia dos anônimos, da escória poética, sou os mal amados, sujos, safados, tarados e doentes. Sou a psicose humana transcrita na prancheta de um analista.

- .
(Alguns poemas pertencem a 946 Poesia).


Capítulo 1 - Desejos


"A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces."

Há coisas que nunca parecem ser como realmente são. Esse é um grande fato. é uma americana comum, como qualquer outro americano. Tem uma mãe descendente judaica e um pai polonês. Uma garota mestiça.
Seus pais moravam anteriormente em uma cidadezinha na Albânia e, alguns meses antes do nascimento de , rumaram a Long Island, onde Marie deu a luz à menina e se separou, quatro anos depois, do marido.
Oton largou a família momentos após se apaixonar por uma britânica, o que possibilitou a saída de Marie da cidade com suas duas filhas para ir a Santa Ana, onde sua mãe residia com seu pai doente.
visitava Oton duas vezes ao mês. Tinha pouca ligação com o pai, o vínculo era ínfimo e, para não se esvair completamente, se encontravam nos domingos na fazenda de Eno, pai da esposa de Oton. Marie mantinha distancia do novo casal.
Oton se casou novamente quando fez nove anos, depois de descobrir que seria pai de um garoto. Oskar.
Quando completou seus dezessete anos e meio, com permissão da mãe, decidiu se juntar a irmã em Cambridge, no intuito de conseguir uma bolsa de estudos de três anos na Universidade de Harvard.
Marie e sua família materna não eram de classe alta - algo que nunca importunou -, tinham boas condições de vida, apesar de tudo. Oton e toda sua família polonesa eram o completo oposto. nunca soube exatamente como conseguiram tanto dinheiro.
Ele mandava em torno de trezentos dólares mensais para a filha, o que dava para sustentá-la por, pelo menos, quatro semanas.
De dois a três meses atrás, teve que excluir sua vida social, alterar seus gostos, comportamento e se dedicar cem por cento às notas escolares. Não que tivesse muitos grupos pessoais na escola. Ela tinha somente três amigos, Dalle Nogare, descendente italiana, Terence Osbourne e Ozzy Agnoletto, gêmeos. O que é de se imaginar só pelos nomes e sobrenomes de ambos. Conheceram-se juntamente em Long Island e se encontravam com frequência em Santa Ana, ou quando a garota visitava o pai e avós na cidade natal.
, , Terence e Ozzy adquiriam o mesmo desejo: se formar em Harvard. Com o objetivo de mudarem-se para Cambridge, mais especificamente, para um dos union dorms¹ da instituição, quando completassem a maior idade.
Todos os quinze anos de se resumiram em, basicamente, esforços e dias de reclusão total.
Deixar seus amigos durante o ano foi difícil, mudar seu estilo de vida (de maneira geral) foi difícil, se comportar devidamente 24/7² foi difícil. Tudo se generalizou em uma grande batalha.
tinha duas semanas até fazer os exames médicos e uma consulta num psicólogo qualquer. Para ser aceito em Harvard não se pode ter nenhuma doença crônica ou anomalia psicológica.
Seus amigos iriam para sua casa uma semana antes para viajarem à Massachusetts juntos, passariam dois meses no apartamento de Susan, irmã de , em Boston, e logo depois se mudariam para a universidade. Até o tempo ser preenchido, decidir-se-iam para onde ir após o término da graduação. Nova York e Boston eram as mais prováveis opções.
Em duas semanas precisaria de dinheiro o suficiente para passar os sessenta dias com Susan, e então tentaria arrumar um emprego na cidade durante o período de aulas. Não precisaria adorar o local, mas não queria odiá-lo.
cursaria, muito provavelmente, algo voltado à educação. Durante boa parte da vida foi ligada à língua e história em si, visto que sempre buscou por mais conhecimento, porém sentia sede em compreender a mente do ser humano. Ainda não estava certa e, como Harvard não viabiliza a possibilidade de escolher previamente em qual área se formar, precisaria de algum tempo ponderando o assunto.
Terence e Ozzy fariam estágio em uma Engenharia Civil e cursariam Política de Saúde Pública, se tudo ocorresse como o planejado. decidiu cursar Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda.
Nesse momento, conversava com os primos na sala de estar enquanto jantavam e assistiam algo na televisão. Os primos, de sua idade, não se preocupavam tanto com todas aquelas coisas, sempre tiveram muita personalidade e maturidade, assim como , contudo, nesse período da vida apenas curtiam o que o tempo trazia... Do bom, e do nem tão aproveitável assim.
- A era do éon Fanerozóico. – contemplou, levando uma garfada de macarrão mexicano à boca logo depois. – Eu acho que entre 251 milhões e 65,5 milhões de anos atrás.
- No continente... Como se chama? Pangeia? – Lucius estreitou os olhos, inclinando sua cabeça.
- Não entendo grandes coisas sobre a idade medieval da vida, Grinch³. – Mohammed interveio.
Grinch era só o fetiche que seus parentescos adquiriram a ela, por, em certa época de sua pré-adolescência, detestar o Natal.
Não que desgostasse do significado do dia em si, mas denominou a data como algo irritante. Várias pessoas se reunindo hipocritamente apenas para comer e ganhar presentes. Não mude essa teoria, ela está certa. Tio Adelpho nunca era visto, um dos parentes mais próximos poderia morrer em sua cidade e ele, sequer, comparecia ao enterro. Contudo, sempre ia nas festas natalinas concedidas por Marie. A falsidade naquele dia era fluente, como tia Anise, odiava metade da família e se fingia de amorosa nas comemorações de fim de ano. Era só mais um feriado em que tinha folga na escola e, no outro dia, começaria tudo novamente. Apenas outro dia normal, tirando o fato de toda a cidade estar infestada por diversos pinheiros e luzes cintilantes.
- Não gosto que me chamem de Grinch, Mohammed. – se manifestou enquanto encarava o primo.
- Je sais. – Mohammed tinha a mania desnecessária de treinar seu francês em uma conversa não formal.
- Mamãe disse que você vai morar em Cambridge por um tempo... – Lucius abocanhou a comida. – Quando?
- Na próxima semana. Amanhã Eustáquio vai trazer os garotos para cá, vamos buscar no aeroporto terça-feira. – concluiu e a conversa se findou ali. Por um tempo, pelo menos.
Poucos minutos depois se dirigiram a cozinha, deixaram os pratos e talheres sob a pia e Carlota se prontificou a lavá-los. Carlota era a empregada da casa, além de ser uma grande amiga de toda a família.
Não sabia ao certo quando seus primos e tia voltaram à estrada, mas, assim que terminou de fazer sala, correu para seu quarto a fim de conversar com os amigos.
"Atendam... porcos."
Foi o que digitou em "Envie uma mensagem" no Skype para os dois. Não demoraram a atender. sorriu.
- Fala logo o que quer, ainda não arrumei as malas. – o primeiro a se pronunciar foi Ozzy. Ele dividia o notebook com Terence naquela noite.
- Eu estou esperando vocês em casa, deveriam ser mais gratos. – fez uma careta e arrancou alguns risos de , que checava algo em sua mochila.
- Eu estava pensando... – Ozzy se pronunciou novamente. – Poderíamos ter férias de Verão e Outono, não acham?
- Teríamos férias em todas as estações do ano. – mudou sua feição para algo como "isso é quase ridículo."
- Vocês são estranhos. – Terence apareceu com o rosto em frente a webcam. Usava uma touca beanie cinza, seus famosos óculos de grau e tinha a barba por fazer. Terence era ruivo, encantador.
- Para quando você marcou nossa consulta medicinal, ? – inquiriu e os outros dois começaram a prestar mais atenção na conversa agora.
- Vamos consultar o psicólogo às duas, na quinta, e na sexta o Dr. Isaac às quatro. – forçou minimamente sua mente a lembrar das datas e horários marcados para as consultas. – E se tivermos algum tipo de doença? Já pensaram nisso? Tudo acaba. Tudo.
- Se vocês tiverem e eu não, se conformem, porque eu entro na Universidade. – Ozzy continuou amassando suas roupas dentro de uma mala grande e marrom clara.
- Você é um merda, Ozzy. – virou a cabeça para a webcam somente para dizer aquilo. Estava com o rosto e quadril reclinados para o lado em sua escrivaninha, enquanto arrumava algo na mochila.
- E sua mãe, . Como está? – Terence parou por um segundo para mirar a feição da garota.
fixou os olhos em um ponto qualquer do quarto, involuntariamente. Arfou e apoiou o queixo na palma da mão direita.
- Na mesma. – crispou os lábios e deu de ombros.
- Sabem, caras, encontraremos em Cambridge. – recordou e fez com que a expressão de se transmudasse para um misto de confusão e curiosidade.
- ? – franziu o cenho.
- Não se lembra do , ? – Ozzy perguntou, quase declarando o fato como óbvio.
- Não...
- O filho dos . – e a parte do cérebro de que parecia não funcionar anteriormente voltou a maquinar de uma só vez, sua mente poderia entrar em colapso.
- ! – ela vozeou. Sorriu. – Pensei que tivesse voltado para Windsor. Ele está em Cambridge?
- Desde o ano passado. É um ano mais velho... Conseguiu uma vaga integral sem o mínimo de esforços. O pai dele é um ... – esganiçou a voz ao lembrar que o garoto era filho de um dos filiados da maior empresa na Alemanha. O que não fazia sentido em relação à sua entrada na universidade, já que dinheiro não é, nem de longe, a premissa para conseguir uma vaga, mas não quis perguntar nada a respeito.
- A Feira de Frankfurt... – começou. – Nunca entendi muito bem sobre isso.
- É uma das maiores da Alemanha. – Terence explicou, enquanto teclava algo no notebook. – Não tem uma definição ao certo... Mas Dexter é um dos filiados.
- Ouvi dizer que ficou tão arrogante quanto o pai. – Ozzy cochichou.
- Deve ser. Não existe um sequer que não seja medíocre. – comentou. – Me disseram que Dexter já deu um golpe na Feira...
- Ele superfaturou alguns contratos... Acho que fornecedores que davam dinheiro por fora. – Terence concluiu. Duvidoso. Nenhum deles sabia se aquilo era realmente verdade.
- Ele aceitou dinheiro extra para fechar contratos? – inquiriu incrédula. – Que filho da mãe!
- Ouvi nosso pai comentar que ele quase perdeu a guarda de – Ozzy falou mais baixo, para que ninguém além de seus amigos o ouvisse. – quando o encontraram usando drogas pela primeira vez.
- já usou drogas? berrou, logo levando uma das mãos a boca, tanto por descrença quanto para calar seus gritos histéricos.
- Fico feliz por ficar informada e se encarregar de informar a Deus e ao mundo também. – jogou a mochila sobre a cama e se escorou na escrivaninha.
- , nós chegaremos aí pela manhã, precisamos descansar. Papai mandou apagarmos as luzes. Boa noite, filles. – Terence e Ozzy se despediram acenando e agora somente e se viam pela webcam.
- Estão com a mania de Mohammed. – enviesou os olhos e riu baixinho. – Preciso dormir. Boa noite.
- Boa noite... – sorriu com escárnio. – Fille.

*Dormitórios.
*"Vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana", expressão habitualmente utilizada no exterior.
*Personagem conhecido internacionalmente através do filme How the Grinch Stole Christmas.

Capítulo 2 - Passado?


(Cena 1)

Eu não estou interessado em nenhuma teoria, nem nessas coisas do oriente, romances astrais... A minha alucinação é suportar o dia-a-dia, e meu delírio é a experiência com coisas reais.


Parecia estar pisando sobre placas tectônicas em movimento. A Terra se desloca ligeiramente sobre seu eixo.
Havia perdido há poucos dois minutos de vista e não se dispusera a ficar procurando-a.
- Bloody Mary, por favor. – pediu. Volta-se e se vê sentada em um tamborete com os cotovelos apoiados ao balcão. Olhando com atenção, viu o garoto do outro lado se mexer e parar mais perto. Tinha os cabelos bagunçados, embora não tivesse certeza se propositalmente, e usava um Doc. Martens de cor verde.
Deixou os olhos enviesarem automaticamente. Tony. Como não percebera antes?
- Vai pegar pesado então?! – e deixou um sorriso sardônico correr por sua face. enviesou os olhos pela segunda vez, colérica. – Talvez eu precise da sua identidade.
Foi a vez da garota sorrir sarcasticamente.
- Te mostro minha identidade assim que você me mostrar seu alvará pra vender bebida alcoólica. – arqueou as sobrancelhas. Pode perceber o antagonismo nos olhos de Tony quando se distanciou para buscar a bebida que pedira.
Pestanejou duas vezes ao averiguar o canto esquerdo do galpão, onde seus olhos puderam alcançar. estava parada, arrebatada com alguém, e ele dava vários chupões em seu pescoço, enquanto a tenaz garota sorria inigualavelmente para o teto.
Seus pensamentos vagam ao banheiro que adentrou pouco depois de chegar, recordando-se do cartaz atrás da porta que enaltecia as virtudes do sexo seguro.
Pretendeu manter o sorriso impassível enquanto encarava os dois num parecer debate acalorado.
Ouviu um golpe seco e desviou os olhos, agora mirando a sua frente um Tony de semblante ilegível segurando dois copos sobre o balcão.
- Sei que é fraca em relação à bebida. – ele poderia não se lembrar de algo que beirasse a ela preocupação. – Então dá uma maneirada. – seu tom era ditatorial.
apenas manejou a cabeça, assentindo veemente a contragosto.
Não contestou.
Agarrou um dos copos vendo Tony afastar o outro para o lado adverso, entregando a um senhor, que aparentava seus 60. Ela averiguou o recipiente, logo a bebida em seu tom rosado no interior. Soltou um suspiro. Subiu o olhar e deixou com que atravessasse Tony, o mesmo a analisou com prudência a procura de um ato em controvérsia, mas julgando pelo seu desinteresse súbito, provavelmente não encontrara nada. Progrediu-se ao atender aos anseios dos seguintes fregueses deixando-a de lado por um momento. prendeu os dedos com mais força ao redor, levando o copo a boca seguidamente. Seu estado temulento, de maneira vaga e indeterminada, podia ser-se notado no segundo gole.
- Tony. – chamou, vendo o garoto acenar, anotar algo em um pequeno bloco de papel, desligar o telefone e andar até ela. Sorriu para ele. – Como é trabalhar aqui? – inquiriu um tanto curiosa. Tony deu de ombros, indiferente.
- Irritante. – concluiu, com a expressão mais cálida.
Concordando com um assentir de cabeça, desistiu de tentar algum assunto com ele. Tony era um congênito e inerente roqueiro, com suas calças num quadriculado preto e branco, as camisas de banda, os mesmos coturnos constantemente, o cabelo num perfeito moicano. o achava bastante parecido com Brendon Urie às vezes. Somente os traços de seu rosto. Afinal, o vocalista de Panic! At the Disco nunca aderira muito o estilo punk.
O último gole fora dado.
- Outro, por favor. – rogou alto o suficiente para que Tony a escutasse através da batida alta e explosiva da musica e os gritos de bêbados universitários recém-formados.
- Vai com calma, . – alertou. Pegando a garrafa com o mesmo conteúdo cor-de-rosa posta cuidadosamente sob um suporte de madeira a parede. Voltou a passos anteparados até a garota e derramou uma dose menor no copo. – Depois desse você vai dançar. Pode ser?
ponderou por um mero segundo. Balançando a cabeça em contradição momentaneamente.
- Não. – esbravejou mais séria do que anteriormente, aumentando duas casas seu tom de voz ao arquear as costas em direção à bancada. – Quantas são as vezes que eu saio de Santa Ana só para beber? – Tony abriria a boca para retorquir sua inquirição, mas a interrupção chegou a ele antes que pudesse cometer tal ato. – Poucas. Muito poucas. Me deixa um pouco, cara! Colé! O Submundo Musical é um estabelecimento licenciado. Vocês vendem bebidas alcoólicas. Hoje elas vêm de graça. – acrescentou em um tom ligeiramente hostil.
Tony entrecerrou as pálpebras, balançando a cabeça em descrença duas, três vezes, soltou um pesado suspiro, deixando um sonoro “hunf!” escapulir ao final, demonstrando toda a sua indignação. Pegou a garrafa com mais força, levando-a para o mesmo suporte de antes, voltando-se para frente. Apenas um olhar fugaz transpõe seu rosto.
restringiu os olhos e deu um gole na bebida contida em seu copo. Os músculos de sua barriga deram um aperto deleitável enquanto olhava para a multidão cativada e eloquente. Girou no tamborete, apoiando-se outra vez no balcão. Sentiu uma mera movimentação. Há um desafio intrínseco. , distinguindo-se extraordinariamente autoconsciente e deslocada, olha de esguelha para a sua direita. As placas tectônicas resvalam para uma nova posição. A atmosfera de repente é ártica. Sua cabeça se rebela tanto que seu corpo morre.
Terence, sempre como de costume: sério, calado, um pouco distante, bonito até perder o sentido outra vez.
- Osbourne! – a garota pode ouvir, em um ofegar afogado, Tony do outro lado. Goleou sua bebida novamente.
- Walsh. – sua voz áspera e imaterial fez com que, inconsequentemente, um arrepio percorresse a coluna vertebral de .
Com um afiar de cabeça, ele assentiu. Pouco depois um copo de vodka estava apoiado no balcão, em frente a ele.
Dando a última bebericada, notou-se temporariamente tonta. sempre fora relativamente fraca para com bebidas, e o fato fora alegado pouco antes.
- Tony. – chamou, batendo o copo no balcão duas vezes, para chamar-lhe a atenção. O chocar do copo de vidro com o granito era estridente.
O garoto, tornando o rosto para ela, arfou alto, pegando a garrafa com a mesma bebida das vezes anteriores.
- . – as palavras saíram tortas por Tony falar replicando entre dentes. – Último copo, e então você vai procurar a . – pediu, enchendo-o outra vez.
- Não fode, Tony. – respondeu, com a máxima brevidade, pois seus nervos a oprimiam.
Ingeriu a bebida em duas grandes goladas. Maneou a cabeça a fim de enxergar o palco, onde uma banda qualquer tocava Plain White T's.
Seu subconsciente sumiu. Ficou mudo, ou simplesmente morreu. sorriu. Esgueirou o corpo, se pondo em pé. Ao lado de Osbourne deixou que sua mão percorresse o braço esquerdo do garoto, dando dois leves tapas por cima da jaqueta no local. Terence, voltando-se a ela, arqueou as sobrancelhas com olhos escrutinadores.
sentiu-se sobressaltada.
“Vamos! Onde fora parar sua coragem? Você consegue!”
Logrou seu subconsciente, vozeando repentinamente. Onde mesmo estava ele?
- ?! – seu tom era fustigante. Peculiar. Constantemente, Terence era ofensivo. não conseguira discernir palavras congruentes e permanecera ruminando o raciocínio até notar que, agora, seus olhos estavam perspicazes, exigentes.
A garota observara Terence há pouco mais de três meses, ao longe. Já ele, não parecia tê-la notado. Talvez por falta de atenção, como ela queria acreditar que sim. Grunhiu. Olhou para o lado esquerdo, para o direito em seguida. Crispou os lábios, sugestiva, instigante.
Se teu âmago evidenciasse a avidez latente, os raios radiosos e caloríficos, a implosão veemente que se retraia num segundo e expunha seu ser no outro, Terence habilmente pularia numa profundidade insondável inexistente, se afogaria no picante agridoce mar inextricável de seu conceito retido, coçaria a barba, suspiraria e diria: “Vamos!”. Não se moveria, e expiraria o elixir de seu colo pela eternidade. Cativaria, amaria, deitaria em seu peito, a devoraria. E ele parou, olhou, sorriu, lhe deu um beijo e foi embora.
deu as costas, embaraçada, lutando contra seu estado ébrio e confuso. Via as luzes estroboscópicas coloridas girarem continuamente para todo lado, fazendo sua mente ficar cada vez mais túrbida. A cada segundo mais aturdida, andava para frente, alterando os passos para os lados, juntamente com o rosto. Como o provérbio ilustre narra: Muito ajuda o que (quem) não atrapalha. E pareceu rodopiar em círculos. Tropeçara ao tentar contornar os corpos dançantes a sua frente, ao seu lado e atrás de si. Por todos os arredores. Tonta, completamente perturbada, não sabia ao certo por que chamou Terence naquele momento de êxtase. Alienou-se? Se chamaria desvairo? Insânia? Bebida? Agora, no palco, quem geria os brados da multidão era uma banda de rock local um tanto conhecida pelos frequentadores do pub. July’s Fire efetuava um ótimo cover de Oh Love, do Green Day. As únicas quatro garçonetes que serviam as bebidas pareciam se vestir com roupas mais inadequadas que o esperado. desviou o olhar para um lado qualquer, visualizando uma figura conhecida passar por ali com um enorme sorriso estampado no rosto, possível ser-se visto inclusive de costas.
- Ei, ! – chamou. A colega continuou guiando-se para um lugar qualquer. – ! – outra vez. estava entretida com a canção e não parecia ouvir nada além da letra proveniente das caixas de som em cima do palco. – Nogare! – tentou novamente, optando pelo sobrenome incluso em sua gritaria frequente. – Ei! – Ozzy, o alguém desconhecido - que agora era um tanto familiar -, virou o rosto para trás e procurou com os olhos por quem o chamava, com o cenho franzido em confusão e o semblante alterado. – Aqui! Ozzy! – gritou novamente, dando breves pulos no ar e balançando as mãos, fazendo com que o pescoço dele se esgueirasse para o lado. Os olhos negros do rapaz sustentaram os da garota. Apenas apontou para a frente e Ozzy compreendeu. Assentiu e cutucou a cintura de , essa riu e se contorceu com o ato cometido, seguindo com os olhos o dedo indicador do garoto, que apontava para a outra dimensão do bar. – Vêm! – gesticulou
. se soltou do garoto, dando um rápido beijo no canto dos lábios do rapaz, voltando a andar, dessa vez para outro rumo.
arfou com alívio e satisfação por cumprir seu pequeno e cansativo esforço, e esperou com as mãos postas abrasadoramente na fina cintura. Continuava tonta. Bêbada. E sua cabeça começara a doer em referência ao som ecoando intensamente pelas caixas junto às batidas e aos brados que eclodiam por todo o pub.
- Não quer ir embora agora, não é? – era , azucrinante, berrando nos ouvidos da amiga para que pudesse ser ouvida. – Vou trazer uma bebida pra você.
E, sem esperar alguma resposta, voltou a andar em direção ao bar, deixando para trás com os braços cruzados, sem saber o que fazer.
Não tivera a oportunidade de falar. não parecia estar bêbada.
Levemente alterada. Apenas isso.
“Grande merda ter chamado.” Enervou seu subconsciente, deixando-a ainda mais irritadiça. Talvez realmente chamara a garota no intuito de comunicar que queria ir para casa, não sabia se intercorreria a isso. Diria, então, que estava fora dos padrões de consciência e que precisava descansar. Se estabilizar. E todos os afins. Deixou-se sentir alegre com o pensamento.
O sorriso feito sal, mas se estragando depressa. Depois a queda e a dor infinita nas nádegas e costelas. As roupas empapadas e a condição frequente de intensidade variável e características distintas que se acumularam. O audível barulho metálico. Levou as mãos às têmporas.
Por que levara as mãos às têmporas?
Imagina-se que tenha algo a ver com o instinto, como quando sacolejam um morto na esperança de que ele acorde. Para estancar o fluxo da verdade.
Acha que perdeu a linha do raciocínio?
desejou imensamente entrar no estado de inércia no momento em que se chocou contra as costas de alguém, que passava rápido a sua frente quando resolveu se mover.
- Foi mal, cara. – clamando por compreensão, o forte homem tatuado, de bandana, lhe estendeu uma das mãos. a segurou sem hesitar por um segundo.
- Obrigada – arrumou a jaqueta no corpo e tragou o ar. –, cara!
Deixando o tumulto avultado atrás de si com o sorriso satírico ainda corroendo seus lábios, andejou até o bar, com as roupas embebidas e os cabelos grudentos. Cortou o pequeno espaço que lhe separava de Ozzy, tal parecia menos embriagado do que, pelo menos, 3% do povaréu, e lhe puxou pelo braço livre. Viu uma carranca se formar nas feições do garoto e suas bochechas arderam.
- Que porra é essa? – inquiriu risonho ao analisar as roupas de , e o estado deplorável no qual se encontrava.
- Estou indo embora. – anunciou, girando nos calcanhares. Antes de continuar, olhou para trás. – Eu me viro. não precisa se preocupar.
Cruzou a porta e andou por um corredor longo e tétrico, onde a luminância provinha de uma única lâmpada fluorescente tremeluzindo a todo momento.
Agradecera, por um lado, mentalmente, aos óbices há pouco, por tê-los como desculpa para poder se livrar de e ir para casa. Algumas pessoas se encontravam sentadas no canto e o odor do tabaco era estonteante, até chegar ao elevador industrial no fim, deu com o pé involuntariamente em algum obstáculo; dois caras tão bêbados quanto si rindo como estultos. O metal range quando a porta finalmente se fecha. Subiu no elevador barulhento para o solo, poucos metros acima, apenas um andar, mas o ascensor chacoalha tanto que poderia sentir que ele se partiria. A batida alta ficara para trás a cada centímetro que subia, junto aos gritos esquizofrênicos que reverberavam no subsolo. Com um estrondo, o elevador para e um homem extremamente forte e grande abre a porta pantográfica para que possa sair, ela o conhecia, fora o mesmo que cobrara trinta paus para que os três pudessem adentrar o galpão. Deixando por completo as entranhas do Submundo Musical, vislumbrou a sua frente a rua semifantasma ocupada somente por um carro. De modo a manter o Submundo secreto tinham de estacionar em outros bairros, assim não dariam bandeira para quem visse de fora.
Voltara a andar, seguindo em frente, sem realmente saber ou se importar para onde iria.
Estabelecendo a verdade de um fato; estava longe de Santa Ana e demoraria, no mínimo, 25 horas para chegar a pé até lá. Sentiu suas vísceras tremerem, as imagens fragmentadas das ruas, casas a sobrelojas faziam-na querer agarrar as eloquências sagradas. E que a perdoem os críticos e amantes da métrica poética, isso não tem nada a ver com poesia. A primeira parte do tubo digestivo, que ia da faringe ao estômago, cujas paredes anterior e posterior, normalmente acomodadas uma à outra, só se separam por ocasião da passagem do bolo alimentar, temiam se afastar e toda a água de seu corpo contraditório parecia chegar a seus pulmões. Se inundando na própria mente. O sangue de seu rosto foi drenado. Sua medula oblonga recorda o propósito, com fios interligados faiscantes em contato com o cosmo. Todas as esperanças inarticuladas da garota foram pisoteadas. Ela realmente iria vomitar.
Dando curtos três passos, sentiu seu ombro estalar, tamanha força com que esbarraram nele. E aquilo foi o suficiente. Expelindo com esforço pela boca o que estava no estômago, lançando violentamente para fora de si tudo o que ingerira mais cedo. Seu subconsciente faz um mal recebido retorno urente. Vomita sempre que bebe. Os sapatos e barra da calça de quem quer que trombara em si agora eram encharcados por vômito. Em qualquer outro âmbito, uma deliciosa eletricidade estática invadiria o espaço.
- Cacete! – ouviu, em sua voz rouca, de garganta inflamada, a sonora imoralidade.
Seus cabelos foram agarrados e puxados para cima e, cujo homem, ficara meio convexo sobre suas costas. Vomitar, sempre que prolixo, é exaustivo.
A garota soltou um gemido involuntário e sustentou o peso de seu corpo apoiando as mãos nas coxas. Sentiu-se, por um momento, humilhada. Estava vomitando na frente de um estranho qualquer que usava jeans surrados e, também, um Doc Martens!
Seria bom se Tony arrumasse um amigo.
Permitiu-se rir de si mesma, sentindo os cabelos sendo soltos num instante e caindo ao lado de seu rosto como cascatas, cobrindo parte de sua visão.
- Você está bêbada! – soou com menosprezo. se deslocou, arrumando a coluna para uma melhor posição. Ouviu um arfar com repulsa e ajeitou os cabelos atrás da orelha, para enfim, fitar o pseudoinepto a sua frente.
- É. – disse, de forma contrita. O ar preenchera-se de maneira breve com gargalhadas carregadas de depreciação. Sentiu-se sobrecarregada vendo adiante o gaiato esbanjando jubilidade. Se afogou num arfar e contraiu-se espasmodicamente, em consequência da irritação nos nervos. – Do que está rindo?
O silêncio sepulcral, quartas depois, era indubitavelmente maçante, como um inimigo ardiloso. Sua quietude ecoou pelo quarteirão. , com o semblante confuso, analisava-o de maneira minuciosa na tentativa de entender ou descobrir o que o desviara da primitiva ação. Subitamente perdeu o empenho.
- Qual sua teoria? – o cenho se franziu ainda mais enquanto o rapaz sorriu incitante. Após mexer no cabelo, viu-o enfiar as mãos nos bolsos com o mesmo sorriso carimbado no rosto. – Sua melhor resposta seria “É”? – arqueou uma sobrancelha. – Te perdoo por isso – apontou para a barra das calças fazendo-a o acompanhar com os olhos. ruborizou se lembrando do fático acaso há pouco. –, já que provavelmente está bêbada demais para pensar em qualquer coisa pelo evento que você, com certeza, precedeu.
O sentimento violento demonstrado diante a situação revoltante a fez, maquinalmente, conjecturar, desejando um dejavú, e ver a si mesma apertando com as próprias mãos o que liga a cabeça ao tronco do rapaz defronte.
- Você, de certa forma, é adepto a isso? Não estou completamente consciente, agora, você! Bem, está sóbrio e é um perfeito babaca. – argumentou com hostilidade. Mordeu a bochecha direita zangada por perceber que o sorriso, de maneira desleal e ilícita, brincava continuamente nos lábios do garoto.
- Eu nunca disse que estava são. – seus braços se abriram estrategicamente, cantando a gloriosa vitória por más respostas.
deixou uma gargalhada carregada de escárnio escapar, acompanhada por um arquear de coluna e o apoiar de suas mãos nos joelhos. Subiu o olhar ainda rindo e o encarou, alinhavando o dorso para a primeira posição, gemendo baixinho em satisfação por se confortar novamente.
- Ótimo! Agora temos um empate. – soltou, curta e depressa, com o resquício de um sorriso no canto dos lábios.
Viu o sorriso de malfazejo transmudar para um disposto e paciente. Separando em curtos passos o espaço, antes quase inalcançável, como se separado por placas impermeáveis que procedem dos espaços intersiderais, seu corpo e o de . Próximo ao ouvido da garota se permitiu sussurrar.
- Empate! Sempre detestei essa palavra.

*A música do capítulo, intitulada como Alucinação, pertence ao nosso grande Belchior, e é uma ótima música.


Capítulo 3 - Alguns contratempos


You wanna find peace of mind, looking for the answer.

A luz do sol atravessava as janelas em nesgas de raios rasgados que atingiam o rosto de em um furta-cor digno de uma pintura. Sentia-se mais animada e feliz do que o costumeiro ao acordar às seis e quarenta da manhã, como constava seu celular sobre o criado-mudo. Abriu os olhos e vislumbrou de forma distorcida uma figura a sua frente, assustando-se.
O corpo de se esgueirou imediatamente para o lado e sentiu o estômago embrulhar e as nádegas doerem no instante em que deu com elas no chão aos pés da cama.
- Que merda, ! – reclamou. Não esperava se abalar emocionalmente dentro de tão pouco tempo e quis bater com a face da amiga na quina da estante pelo espanto em vê-la parada à sua frente com os cabelos desgrenhados e de pijamas logo cedo.
- Eu não consigo dormir! – reclamou esta de forma birrenta e irritadiça.
- E onde eu entro nisso? – se levantou calmamente do chão, amaciando a bunda com as mãos.
- Você é minha amiga step, oras. – disse casualmente, mas com certo tom de obviedade.
permitiu-se rir e balançar a cabeça contraditoriamente.
Amiga step?
- Amiga step? – externou seus pensamentos, esboçando um sorriso cínico enquanto se ajeitava mais uma vez no estofado da cama tentando achar uma posição suficientemente confortável para se acomodar.
- Sim, ajuda nas horas necessárias. Isso é óbvio, . – estava paranoica, ao menos ao ver de .
- Vai, , nós precisamos esperar os meninos.

(Cena 2)
Abadia de Westminster, Londres, Reino Unido. (5 anos atrás.)


Num borough da Grande Londres, e visitavam a Igreja do Colegiado de São Pedro, em Westminster, mais conhecida como Westminster Abbey. Rente aos grandes portões residia a figura pálida e esguia de Oton, chefe dos dois companheiros de trabalho.
- Por que nos trouxe aqui, patrão? – indagou curioso. era a pessoa mais dedicada e afoita que conheceu durante toda sua vida.
- Por que não me acompanham um instante?! – propôs Oton. Sem contestar, o seguiu, deixando para trás.
O garoto, com destreza, admirou a Catedral a sua frente por pouco tempo.
- Venha, ! Não temos tempo a perder. – resmungou Oton.
rapidamente os seguiu.

*

Quase oito da manhã e Marie não havia se arrumado para esperar por Eustáquio, Terence e Ozzy. chegara no dia anterior e a casa estava uma completa bagunça, talvez pelos hóspedes que também chegaram na madrugada da noite anterior.
Marie se mudou para uma casa grande e com espaço o suficiente após o término com Oton, depois que as mudanças foram feitas, montou uma floricultura própria, mas aquilo não parecia o bastante.
Algum tempo depois, Marie se uniu a uma ONG que ajuda crianças órfãs e passou a ter autorização para abrigá-las em sua casa. Além disso, fazia do lar uma pensão, alojando alguns turistas no local em que morou quase a vida toda. Era estranho conviver com pessoas desconhecidas sob o mesmo teto em que você, mas Marie ganhava a vida dessa forma e, nos tempos vagos, trabalhava em sua floricultura, então não havia contexto em que parasse de acolher alguém em sua casa. Talvez esse seja o motivo pelo qual a mãe cerca a casa com flores. E, com sinceridade, ninguém nunca se importara.
resolveu voltar a dormir após a cena no quarto da amiga.
, que se aprontara horas antes do habitual, calçava coturnos pretos, uma camisa simples abotoada até pouco abaixo do pescoço, branca com costuras em preto, e calça skinny preta de cós alto.
Esperou alguns minutos, mas a ansiedade comandava seu subconsciente, fazendo com que a garota abrisse o alçapão do sótão e descesse as pequenas escadas para a sala de estar, que era grande e aconchegante.
Encontrou Marie procurando por seus sapatos nos arredores do cômodo enquanto Summer e Autunm, sentadas com potinhos de iogurte no carpete marrom e felpudo, assistiam a um desenho qualquer.
Foram abandonadas na sala de parto, Marie escolheu seus nomes. passou por elas e ganhou uma colherada de iogurte nos sapatos.
- Está mais bonita assim. – Summer comentou.
Ou será Autunm?
- Deveriam me agradecer por impedir que mamãe as batizasse de Apple. – cochichou e mirou os sapatos sujos.
Pode parecer que não, mas já em 1910 pensavam em como seria a vida nos anos 2000. Eram outros tempos e a demência na sociedade era muito menos acentuada. Na altura pouco dependente das novas tecnologias, onde ser-se moderno era concentrar o pensamento no futuro e na evolução. Hoje em dia a vida ocorre como deve-se ocorrer normalmente. Tecnologias se avançando, meio de transportes... Toda a dementia em si.
Dementia, como significado, é imaginar o futuro e o que ocorrerá nele. Como os trabalhos impressionantes de Villemard realizados em 1910 que estão na Biblioteca Nacional da França, no qual ele imaginava como seria a vida no ano 2000.
Bem, 2000 fora um ano ótimo.
Era 14 de dezembro de 2015.
O ano estava acabando e em poucas semanas , , Terence e Ozzy estariam em Boston, na casa de Susan, esperando que o ano letivo começasse. Estudar em Harvard pode ser o sonho de qualquer um, é claro. Uma das faculdades privadas membro da Ivy League mais prestigiadas do mundo. A mais antiga instituição de ensino superior dos Estados Unidos. Lar da quarta maior coleção de livros de todo o orbe.
É demais para uma só pessoa assimilar tão rapidamente.
Deixando os pensamentos de lado, ouviu Marie chamar seu nome e tornou a cabeça para o lado.
- Venha, . Rápido! – murmurou baixo, talvez para não acordar os hóspedes no andar superior.
assentiu com a cabeça e passou por Autunm e Summer, bagunçando os loiros cabelos das duas irmãs.
Marie vestia jeans largos e claros, uma camiseta branca e sandálias. Pegou sua bolsa marrom, passando-a pelo pescoço, deixou os cabelos castanhos e extremamente compridos caídos sobre os ombros.
Assim que abriu a porta de entrada se deparou com um homem alto, cabelos ralos, porém escuros, roupas sociais muito bem cuidadas e, provavelmente, de marca. Óculos de sol.
O confundiria com um guarda-costas se não o conhecesse.
Era Eustáquio.
- Bom dia, Senhora. Vier.
Se pronunciou e seus olhos caíram sobre os sapatos de logo em seguida. A garota deu menos importância do que deveria para o ato cometido, se esquivou da figura a sua frente, ficando na ponta dos pés a fim de enxergar Terence e Ozzy. Eles vinham logo atrás, acompanhados de seu motorista Dantas, que trazia duas malas pequenas em cada um dos braços.
A família Agnoletto era de classe alta. Os pais, rabugentos demais para negar a oportunidade de ter os gêmeos formados em Harvard. Ricos que costumam negar a presença de pessoas de classe média sob o mesmo teto.
Como diria , com cifrões no lugar de cérebro. Gostavam de qualquer um que tivesse uma taxa alta acumulada nos bancos.
Tudo o que os filhos nunca pediram. Pais que não seguem e são contra o libertarismo de esquerda. Extremamente narcisistas. Ególatras.
- Merda, Dantas! – Ozzy alterou o tom de voz, um pouco atrás, enquanto ajeitava devidamente a touca na cabeça.
Não fora ensinado a falar coisas “importunas” e agora estava perto de seu pai, o que fez com que se calasse logo em seguida.
levou uma das mãos a boca e fechou os olhos, movimento controlado por seu corpo involuntariamente, assim que viu Ozzy levar um tapa no rosto. Não forte o bastante para fazê-lo desequilibrar, mas o bastante para ferir seu ego.
- Ozzy! – Eustáquio vozeou. – Por que eu tive um filho tão ridículo? Será que um dia você aprenderá a ter algum modo e se comportar bem?
E por que diabos Eustáquio tinha de ser tão nojento? Por que tinha de ser tão comercial? Tão baixo?
- Entrem! Pagarei a estadia de vocês e voltarei a Long Island o mais rápido possível. – completou. Marie o mirava com olhos estreitos e segurava a respiração para não lhe mandar embora. Sua língua coçava para não dizer o quão patético estava sendo. – Mal sabem vocês que tive de adiar zilhões de trabalhos na empresa.
Terence arfou pesadamente e pegou suas malas das mãos de Dantas.
- Nós já decoramos. – e assim, passou pelo pai rente a porta e Marie parada na soleira, adentrando o local e sumindo de vista assim que subiu as escadas do corredor na sala de estar, açodadamente. Fora acompanhado por e Ozzy logo em seguida, já com suas malas em mãos.
- Ozzy... – deu um forte abraço no garoto, que ainda mantinha a mão colada ao rosto, dentro do aposento.
Não se sabia mais se o vermelho ali era efeito do tapa ou por Ozzy ficar esfregando a mão no local.
- Sai, ! – a empurrou com um dos braços e seguiu para o andar superior, a procura do irmão e de seu novo quarto.
ficou parada por um tempo, repensando se Ozzy reagira por vergonha ou raiva.
Provavelmente raiva, sabia o quão rude era Eustáquio com os filhos, batia em qualquer um deles por motivos estúpidos.
- Sai daí! – piscou e sua visão, antes focada nas escadas, voltara a encarar o ponto a sua frente, quando entornou a cabeça para o lado, levando o potinho de iogurte no rosto que, por sorte, já estava vazio.
- Vocês poderiam crescer logo. – bufou de lado e subiu as escadas também. Mal pudera conversar com Terence e precisava esclarecer algumas coisas com o garoto.

*A música do capítulo se chama Cigarette Daydreams, da banda de rock norte-americana Cage The Elephant.


Capítulo 4


A seleção para a universidade de Harvard, como uma das mais criteriosas do mundo, deixava os quatro amigos em apreensão extrema, principalmente por não possibilitar a escolha de quais roommates¹ ficar. No entanto, para a felicidade coletiva dos calouros, foram avisados em qual dos freshmen dorms² iriam morar.
, , Terence e Ozzy ficariam no Wigglesworth Hall³, no Old Yard⁴ de Harvard e, só por saberem que estariam todos no mesmo prédio, comemoraram alegremente comendo porcarias e ouvindo músicas aleatórias na rádio, o que gerou, diga-se de passagem, um leve conflito entre Ozzy e , já que quase nunca concordavam sobre as letras.
A semana passara em um piscar de olhos e tudo o que faziam era prepararem-se para quando fossem pegar o avião até Boston. Estavam nervosos em excesso e não pensavam em nada se não o primeiro dia na universidade.

*

Quando chegaram à cidade, Susan os buscou no aeroporto - com plaquinhas cheias de adereços -, deixando-os ainda mais animados.
Na mesma semana, antes que o ano acadêmico começasse, tiveram de preencher um formulário extenso sobre seus hábitos, preferências, com quantas pessoas gostariam de morar e quais características preferiam que seus colegas de quarto tivessem.
Suas esperanças cresceram ao descobrir que a partir do segundo ano o sistema fica um pouco diferente, permitindo aos alunos que montem um grupo para morar na mesma house, que é o dormitório do segundo, terceiro e quarto ano, mas não podem escolher para qual delas irão, o que não importunou nenhum dos quatro, já que a satisfação de morarem juntos era maior que a incerteza de onde iriam ficar.
decidiu não se arriscar e pediu de dois a três roommates, assim como . Ozzy e Terence disseram que morar com mais pessoas acarretaria maior experiência, então optaram por 3 a 5.
Um mês antes do início das aulas informariam os alunos sobre quantos roommates teriam e quem seriam eles.
Durante o primeiro mês de estadia no apartamento de Susan tentaram ocupar suas mentes com coisas banais. Passearam pela cidade, comeram em restaurantes diferentes, compraram algumas roupas para o ano letivo e estudaram um pouco mais. Em Harvard, em particular, não há necessidade de decidir previamente em que área irá se formar, a universidade oferece dois tipos de bacharelado, que é chamado de “undergraduate program”, em Artes e em Ciências. Durante os três primeiros semestres os alunos não precisam escolher em que campo querem se especializar, o programa lhes dá a chance de se auto conhecer, descobrir o que gostam ao longo do curso.
No mês posterior foram noticiados a respeito de quem seriam seus colegas de quarto. e , por sorte exorbitante, caíram no mesmo, junto a mais duas garotas, Anny e Clare.
Terence e Ozzy também tiveram o sucesso de ficar no mesmo quarto, fazendo com que comemorassem a tentativa predeterminada certeira de colocar as características uns dos outros no formulário. Dividiriam o local com outros quatro garotos - que não fizeram questão de decorar os respectivos nomes, apenas examinaram as fichas, verificando as peculiaridades como nacionalidade, cidade natal, idade, etc.
Duas semanas antes de começarem as aulas todos transferiram seus pertences para os quartos específicos com a ajuda de Susan e seu marido, cunhado de .
Para chegarem não houveram grandes empecilhos, como Harvard está localizada em Cambridge, que faz parte da grande Boston, mas do outro lado do rio Charles, separando as duas cidades, usaram o sistema de transporte público, conhecido como o famoso T, que é a rede de metrô e trens.
Ao saírem da estação pararam em uma espécie de quiosque, o centro de informações turísticas, pegaram um mapa do campus e da região central de Cambridge, que custou poucos centavos, e agradeceram aos céus mentalmente por isso.
Andaram todos em direção ao Old Yard. Ao se depararem com a imponente estátua de John Harvard teve uma crise de histeria (e de realidade) e tirou inúmeras fotos ao lado da imagem.
Após guardarem todos os bens em seus dormitórios, se despedirem de Susan e Frederic, cunhado de , e decidiram encontrar-se para almoçar em um dos barzinhos perto da estação de metrô.
- Por que será que nenhuma das garotas está aqui? – perguntou, averiguando a "suíte" que dividiriam, que era como um corredor exclusivo, com um quarto de solteiro, um triplo, um banheiro e uma sala. Vestia uma legging azul, botas de salto alto até acima do joelho, camisa branca e um blazer, também de cor branca. Seus cabelos castanhos, quase pretos (Ali e seus tons monocromáticos), estavam soltos e escorriam lisos por suas costas, caindo abaixo dos seios.
- Devem ter saído. As coisas delas estão aqui. – apareceu com a cabeça para fora do quarto com as três camas, na qual duas já estavam ocupadas. – Vai querer dormir com elas ou prefere o quarto de solteiro? – analisou mais uma vez o cômodo antes de sair de lá. As malas ainda estavam feitas, porém ocupavam as camas ao invés do chão.
Os cabelos loiro escuros de estavam presos em um rabo de cavalo, alguns fios escapavam, moldando seu rosto. Trajava um sweater laranja, calça preta e justa de cós alto usava chunky boots, também pretos, e um casaco de couro se suspendia em seu antebraço, para o possível frio que viria.
- Eu decido depois de ver a cara delas. – Ali foi sincera, dando de ombros.
assentiu com a cabeça e pegou sua bolsa a tiracolo, na qual estava o mapa e todo o dinheiro que guardara para os custos à parte da faculdade.
Deixaram suas bagagens encostadas rente à parede da sala, ao lado da porta de entrada. As amigas sorriram uma para a outra alegremente antes de saírem do quarto e fecharem a porta atrás de si.
Existem alguns lugares para comer bem e gastar pouco em Cambridge, os preços são consideravelmente mais baixos que em Boston e só isso já era uma grande conquista. Mais cedo, assim que desceram do metrô, avistaram um barzinho interessante chamado Tory Row e decidiram imediatamente almoçar juntos ali depois de se ajeitarem nos dorms.
Como moravam todos no mesmo prédio, a facilidade de se encontrar era maior. e Ali desceram algumas escadas e toparam com Terence e Ozzy as esperando do lado de fora da porta principal do edifício.
- Já conheceram as roommates de vocês? – foi a primeira coisa que Ozzy perguntou ao se deparar com as amigas. Estava de cara amarrada e tentava nulamente dobrar o mapa que comprara para ele, amassando mais do que qualquer coisa.
- Ainda não. – respondeu, tirando o dela da bolsa. Antes que pudesse inquirir se eles já haviam conhecido os colegas de quarto deles ouviu a voz de ressoar alta.
- Que cara é essa? – olhou para cima e ela tinha a feição irritadiça, com certeza pela cara de Ozzy, que mal chegara e já estava emburrado.
Deixou um leve suspiro espaçar inaudível e continuou a tentativa de se localizar através do papel que tinha em mãos.
- Ele não gostou dos nossos colegas. – Terence retorquiu pelo irmão, acrescentando um "Não liga" logo depois.
deu alguns passos à frente e foi seguida pelos amigos. Terence estava ao seu lado, tentando ajudá-la com o mapa. e Ozzy conversavam baixo logo atrás. Pararam de discutir a respeito dos alunos que teriam de dividir o quarto e iniciaram um assunto sobre o que poderiam fazer depois de comer no restaurante. Os dois seguiam um caminho aleatório para o outro lado, se distanciando de e Terence.
- Gente, ele fica quase em frente à estação de metrô, não é por aí. – bateu um pé no chão ao perceber que caminhavam para outra direção. – Prestem atenção, tá vendo isso – apontou com o dedo para o mapa, na localização da frota de trens. –, fica para lá, para lá!
E começou a indicar para o lado oposto ao que estavam indo. Terence riu baixinho e continuou andando junto a ela, se dando conta de que a amiga estava certa, mesmo a acompanhando alienadamente enquanto averiguava o campus ao redor.
- Será que demora muito? – perguntou, olhando em volta. Seu sorriso cresceu ao mirar o barzinho logo à frente, bateu palmas algumas vezes e começou a andar mais rápido.
, Ozzy e Terence seguiram-na de perto, rindo da euforia que emanava.
Ao adentrarem o espaço perceberam que a maioria dos frequentadores eram estudantes e ficaram felizes quando se deram conta de que em breve também seriam oficialmente alunos de Harvard.
Escolheram uma mesa quase centralizada e fizeram os pedidos.
abusou e preferiu um Grilled Marinated Chicken Sandwich, não se arriscou e optou por um Cheeseburger de Bacon, Ozzy escolheu um House Smoked Bacon Flatbread e Terence um Roasted Sweet Potato Flatbread.
- Não vejo a hora de provar esse sanduíche. Já ouvi muitos dizerem que é ótimo, não entendo por que você escolheu um cheeseburger tão comum. – comentou, sentada em frente à , enquanto maneava a cabeça.
- Porque prefiro não gastar tanto e porque nunca provei. Pode ser bom pra alguns e não ser pra mim. – deu de ombros, se importando muito pouco com os comentários da amiga.
enviesou os olhos e deu língua para ela.
Ozzy e Terence riam das duas, sentados um em frente ao outro, Ozzy ao lado de e Terence de .
Trocaram assuntos triviais enquanto os pedidos não chegavam e decidiram dividir um refrigerante comum, já que a questão monetária era um problema sério para quase todos na mesa. Comentavam sobre uma visita à Wildener Library⁵ e, se dispusessem de tempo, iriam à Pudsey Library⁶ também. A felicidade no peito de cada um crescia e se enraizava, quando olhavam ao redor e se lembravam que viveriam uma nova vida, quando se davam conta de que se tornariam pessoas maiores e, com sorte, melhores, quando recebiam acenos de discentes nunca vistos e agradeciam pelo passo estratosférico que deram ao ingressar numa universidade tão prestigiada. Se deram conta de que nunca foram vistos por uma pessoa sequer daquele lugar e poderiam, inclusive, se tornar sujeitos diferentes, se quisessem, claro. Poderiam criar novas personalidades, ou ser quem sempre quiseram ser, com seus estilos, gostos, maneiras de se comportar e de agir e adoravam todas essas possibilidades.
E então o silêncio se instalou, gritante, silenciosamente barulhento, pairando sobre eles.
e Terence arregalaram os olhos para um ponto atrás de e Ozzy, mais especificamente, a porta principal do restaurante, interrompendo abruptamente o papo sobre as bibliotecas e a sorte que tinham, como se um mantra ressoasse pelo ar: "Dizer-se feliz é provocar o azar".
Antes que e Ozzy pudessem questionar o que estava havendo, o motivo por trás da abrupta recusa em falar de e Terence, gargalhadas altas ecoaram pelo local.
Ozzy girou o pescoço para trás com tanta rapidez que suas cartilagens estalaram audivelmente.
Exprimiu um "puta que pariu!" baixo e tornou o olhar para os dois a sua frente. - Eu posso olhar para trás ou fica muito chato? – sussurrou, inclinando levemente o corpo para que os amigos a escutassem, no mesmo instante.
- Esqueci que ele estuda aqui. – Ozzy ignorou completamente sua pergunta e também inclinou o corpo, colocando uma das mãos no queixo indignadamente.
- Dá pra olhar para trás ou não? – ela repetiu, um pouco mais irritada. – Me falem quem chegou.
Sua curiosidade gritava, mas não queria ser inconveniente como os amigos, principalmente por saber que a pessoa que chegara deveria ter notado que todos olharam para ela.
Estava desnorteada e interessada em saber quem seria o indivíduo logo atrás de si, principalmente pela reação inesperada dos três, que fora exagerada e bastante suspeita. Os olhos se esbugalharam e as bocas formavam perfeitos "O's".
Ao deduzir que continuariam se entreolhando e o estado de choque não passageiro impedia que dissessem algo, decidiu virar-se para tentar identificar quem estava ali.
Encurvou a cabeça para trás levemente, tentando não ser tão notória, arrependendo-se logo em seguida.
Ele não era somente lindo; ele era estonteante, deslumbrante, parecia ter sido moldado, desenhado, não havia palavras que pudessem descrevê-lo.
sentiu o ar faltar, como quando encontra alguém de beleza excessiva numa ida ao mercado, num ônibus público ou nas ruas de uma cidade que visitou a passeio e sente que acabou de dar de cara com seu verdadeiro amor. Um flash rápido com planos vindouros de uma vida feliz passa por sua cabeça em segundos e num click você acorda. Tinha algo a mais nele, algo que fazia o olhar de permanecer estático sobre seu rosto, esquecendo completamente o resto. Queria que ele a notasse de alguma forma. Por um instante pediu para ter atributos físicos descentes e que fossem o bastante para ser vista, pediu para ser interessante o bastante.
Até que seus olhos encontraram os dela e ele sorriu brevemente. Sorriu para ela. Compreendeu que a falta de ar repentina era por ter trancado a respiração.
Foi aí que percebeu.
- Meu Deus! – seu pescoço também estalou quando se virou para . – Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus!
Repetiu mais algumas vezes até ter certeza de que sua incredulidade teria a notoriedade necessária.
- Ele está vindo para cá! – a expressão de era um cisco comparado ao que sentiu ao perceber que ele estava mesmo andando até a mesa.

*Roommates – colegas de quarto.
*Freshman dorms são os dormitórios em que os calouros residem.
*Wigglesworth Hall é um dos union dorms, que faz parte dos freshman dorms no Harvard Yard.
*Old Yard. Bom, Harvard é constituída pelo Old e o New Yard, no Old Yard estão alguns dorms, e está localizado ao longo da borda sul do Yard.
*Wildener Library é a maior biblioteca de Harvard. Atrás da Wildener Library fica a *Pudsey Library, que se localiza no subsolo, mas pode ser vista do alto, pois o jardim é quadrado e ao ar livre e, pasmem, tem uma árvore cor de rosa linda.


Continua...



Nota da autora: Meu twitter é sirblythe, os avisos a respeito da fanfic acontecem lá. Beijos.





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, somente na página de controle


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