Última atualização: 06/12/2017

Capítulo 1

– Terra chamando – Rony estalou os dedos na minha frente de uma maneira irritante para me chamar de volta para a conversa animada que acontecia no vagão do trem – Estamos esperando uma resposta sua.
– Oi? – Disse meio distante ainda. Meus pensamentos tinham me levado muito longe de onde estávamos, eu nem percebi que Rony e Hermione tinham voltado da cabine dos monitores e agora ocupavam o espaço vazio que sobrava em nossa cabine minutos atrás, tornando a cabine exageradamente cheia onde já tinha eu, Harry, Neville e a Di-lua.
– Estávamos discutindo sobre os N.I.E.M.s e as notas que tiramos nos N.O.M.s – Hermione disse presunçosa, provavelmente porque ela tirou a maior nota em todas as matérias, menos em defesa contra as artes das trevas.
– E perguntamos quanto você tirou em defesa contra as artes das trevas – Completou Harry – Em que planeta você estava? – Ele me olhou como quem sabia que tinha algo de errado comigo, e eu não duvidava nada que ele já tivesse percebido.
– Só estou com sono, acho que estava cochilando de olhos abertos – Dei um sorriso sem graça, e me concentrei para entrar no assunto – Eu tirei um “O” em defesa contra as artes das trevas, foi uma das matérias mais fáceis.
– Eu discordo – Hermione disse meio vermelha – Foi a matéria que eu tive mais dificuldade, assim como o resto da sala também teve. Afinal, já tivemos cinco professores diferentes em cinco anos – Ela disse um pouco exaltada – Você não teve dificuldade porque seu pai e sua mãe te ajudam bastante com essa matéria, e Harry porque enfrentou todo tipo de trevas nos últimos anos.
– Deve ser por causa disso mesmo – Harry disse se divertindo com uma Hermione irritada por ter uma nota abaixo do máximo esperado – Ficou sabendo quem vai ser nosso novo professor, ? – Ele me olhou com um meio sorriso no rosto, sugerindo que ele já sabia a resposta.
– Não, vocês sabem? – Me encostei confortavelmente no meu travesseiro que ficava entre mim e a lateral da cabine com a janela.
– Slughorn, Horácio Slughorn – Rony cortou Harry antes que o mesmo conseguisse responder – Harry ajudou o Dumbledore a tirar ele da aposentadoria.
– Até eu sairia da aposentadoria para dar aula para “O Escolhido” – Fiz aspas com a mão ao mencionar um apelido que eu sei que ele odeia. Harry me olhou com uma certa irritação nos olhos, mas de uma maneira divertida, pois ele sabia que eu estava só brincando.
– Me ame menos, senhorita Carrow – Jogou o próprio travesseiro em mim brincalhão. Eu só mostrei a língua em resposta e ele sorriu com um brilho diferente nos olhos.
– Como foi a reunião com os monitores? – Perguntei ao jogar meus pés no colo de Harry e ele segurou os mesmos. Agíamos assim desde o nosso segundo ano, quando nos conhecemos.
Harry era uma pessoa muito especial para mim desde sempre, apesar de meus pais não quererem saber disso, pois eles desaprovavam Harry de uma maneira estranha, e infelizmente só nesse último verão eu fui entender o porquê de tudo isso.
– O de sempre – Disse Rony indiferente – A não ser pelo fato de que Malfoy não está fazendo seu trabalho como monitor. Ele está sentado na sua cabine com os outros sonserinos, nós o vimos quando passamos.
Ao se sentar mais rígido na poltrona, Harry deixou escapar minhas pernas de seu colo. Ele estava fissurado com essa coisa do Malfoy ser um comensal da morte, e eu dava razão para ele, pois eu sabia da verdade.
– O que ele fez quando viu vocês? – Perguntou já ansioso pela resposta.
– Fez o que sempre faz – Rony respondeu fazendo um gesto rude com as mãos – Nada inteligente, não é? – Ele fez novamente um gesto com as mãos – Mas por que ele parou de intimidar os primeiro-anistas?
– Não sei – Disse Harry, mas eu via que sua mente estava girando muito rápido em torno das possibilidades.
– Talvez ele prefira o Esquadrão Inquisidor – Disse Hermione – Talvez ser um monitor pareça-lhe muito pouco depois daquilo.
– Eu não acho que seja isso – Harry me olhou buscando um sinal meu de que eu concordava – Eu acho que ele está...
Mas antes que ele pudesse dar sua opinião, a porta da cabine foi aberta novamente e uma garota ofegante do terceiro ano caminhou para dentro. A cara pálida dela me dizia que era mais do que somente um aviso de que o carrinho de comida estava chegando.
– Eu devo entregar isso para Neville Longbottom e Harry P–Potter – Ela gaguejou, quando seus olhos encontraram os do Harry e ela corou. A menina estava segurando dois pedaços de pergaminho amarrados com fita violeta. Foi então que me lembrei que Neville e Luna estavam ali desde o início da viagem, só que quietos demais para serem notados. Perplexos, Harry e Neville pegaram o pergaminho endereçado a cada um e a garota saiu tropeçando da cabine.
– Bom, isso foi estranho – Disse Luna ao abaixar a revista que ela estava lendo desde o momento em que entrou nesse vagão junto comigo, Neville e Harry. Mas a doida logo em seguida voltou a atenção para as figuras esquisitas do exemplar que estava de cabeça para baixo.
– O que está escrito? – Perguntou Hermione ao se colocar do lado esquerdo de Neville para conseguir ler a carta.
– É um convite do professor Slughorn. Para nos juntarmos a ele em seu vagão – Harry terminou de ler e me passou a carta para que eu conseguisse examina-la.
– Continua sendo estranho – Comentou Rony com uma careta no rosto.
– Sim, continua. Por que só vocês dois? – Hermione franziu a testa e se afundou no sofá meio preguiçosa. Ela odiava ser deixada de lado nas coisas que envolviam professores, afinal, era a brilhante Hermione e todos os professores gostavam dela, com exceção do Snape, claro.
– Não sei – Harry admitiu e se levantou – Para descobrir temos que ir lá e ver – Ele ficou de frente comigo e focou sua visão em seu malão para pegar alguma coisa que estava lá.
– Qual é a da capa? – Sussurrei ao vê-lo guardar a capa rapidamente tentando não ser notado por Rony e Hermione que estavam atrás das costas dele.
– Nunca se sabe – Ele me lançou o sorriso torto mais fofo do mundo e seguiu Neville cabine a fora.
Depois disso o carrinho de comida finalmente chegou até a nossa cabine, e essa é uma das desvantagens de viajar na última cabine, o carrinho já estava quase vazio, então pegamos praticamente o que sobrou. Rony devorava as tortas de abóbora como se a vida dele dependesse daquilo, eu e Hermione só trocávamos olhares divertido por causa da situação. Quase não comi nada, essa viagem de Londres para Hogwarts sempre me deixava enjoada e sonolenta. Observei por uns minutos as montanhas passando pela janela e logo percebi que minha visão foi ficando mais e mais embaçada, quando dei por mim já estava cochilando encolhida em um canto. Um pesadelo logo entrou em ação me fazendo duvidar se estava dormindo mesmo, ou se eu tinha sido teletransportada para um lugar totalmente diferente do trem em que estava.
Caminhava perdida em meio a pedregulhos, o local era úmido, escuro e silencioso, a não ser por um barulho distante de ondas se chocando com algumas pedras. Minha varinha apontada a frente não conseguia iluminar muita coisa a não ser uns três palmos a minha frente, o suficiente para eu não tropeçar nas pedras. Rodei naquela caverna por um tempo considerável até começar a me cansar de andar. Prestes a desistir de explorar aquele lugar esquisito e somente me sentar e esperar o sonho acabar, eu me deparo com dois pontos vermelhos no horizonte que me fizeram arrepiar até os pelos da minha nuca. Ele foi se aproximando, pois eu estava impossibilitada de fazer isso por causa do medo da figura pálida que foi surgindo aos poucos no escuro.
Era ele!
– Demorou muito criança, estava quase desistindo de lhe esperar – Disse com uma voz tediosa.
– Me desculpe Milorde – Fiz uma reverência, ainda tremendo de medo sem muita coragem de olhar ele nos olhos – Estava mantendo meu disfarce com os três.
– Eles estão desconfiados? – Seus olhos vermelhos penetraram nos meus buscando alguma coisa que indicasse mentira enquanto eu respondia.
– Nem um pouco – Demonstrei total segurança ao responder e ele ficou satisfeito.
– Ótimo, ótimo! Em breve solicitarei seus serviços, mas por enquanto mantenha a aparência e não deixe com que nem Harry e nem Dumbledore desconfiem. Aquele velho não pode saber o que eu estou planejando para ele – Se virou de costas para mim com suas vestes pretas raspando o chão rochoso e molhado – Pode ir criança, o trem já deve estar chegando – A voz dele me soava com triunfo e me fez arrepiar novamente.
Acordei subitamente com meu corpo um pouco trêmulo pelo encontro que acabara de ter com o Lorde das Trevas. Sim, isso foi parte sonho e parte realidade, ele tem esse poder de entrar na minha mente, mais uma das desvantagens de se ter essa tatuagem ridícula marcada a fogo que eu tenho no meu antebraço esquerdo.
– Você está bem, ? – Hermione me olhou preocupada, pois provavelmente minha cara era de dor, muita dor.
– Estou sim, só tive um pesadelo bem ruim – Forcei uma sugestão de sorriso que não deu muito certo. Meu antebraço esquerdo queimava com a cobra se mexendo nele e eu não poderia demonstrar isso para eles. Mas eu não tinha me acostumado com a dor ainda, uma lágrima escapou solitária, mas eu logo a sequei para ninguém perceber.
– Bem, é melhor você se apressar, já estamos chegando – Rony me olhava também preocupado. A única que não falava nada era Luna e... Neville...
– Cadê o Harry? – Perguntei percebendo a ausência dele.
– Falou que precisava ver alguma coisa e me deixou sem entender nada – Neville disse meio culpado. Eu conhecia Harry bem o suficiente para saber o que ele tinha feito e onde ele estava nesse momento. Mesmo não suportando a dor no meu braço eu me levantei e peguei minhas vestes da Grifinória no malão.
– Onde será que Harry se meteu? Chegamos e nenhum sinal de vida dele – Olhei para fora do vagão preocupada, meus olhos percorreram o mar de alunos nos corredores e nada daquele cabelo preto bagunçado.
Esperamos um tempo considerável, até a última carruagem estar quase partindo. Tonks veio em nossa direção para nos acompanhar até a carruagem, mas de longe ela viu que tinha algo errado com o quarteto que no momento só tinha três. Ela resmungou um "entrem na carruagem, eu cuido disso" e sumiu dentro do trem.
Tivemos que obedecer porque não queríamos causar problema. Estava preocupada com Harry, claro que estava, mas os olhos vermelhos não deixavam minha mente em paz, eu precisava ser mais discreta esse ano, não posso chamar muita atenção para mim com confusões como acontece todos os anos.
Chegamos no castelo e eu respirei fundo, era o cheiro de casa... lar doce lar.
Fomos direto para o salão principal para nosso banquete de boas-vindas, quase tropecei em três primeiro-anistas, eles estavam tão baixinhos esse ano e eu tenho certeza que não é só impressão minha.
Sentamos eu e Hermione de um lado e Rony com um espaço vazio para Harry do outro lado, e minha preocupação crescia à medida que o tempo passava. O chapéu seletor fez um discurso bonito sobre uma guerra que se aproxima, que devemos estar preparados para o que vai acontecer breve, o clima no salão ficou pesado e meu estômago deu uma volta olímpica enquanto ele falava isso, porque eu sei o que vai acontecer mais ou menos, não sei detalhes, mas o básico foi passado para mim.
A seleção de casas foi animadora, vários garotinhos fofinhos foram selecionados para a Grifinória, quando o chapéu anunciava a casa nós fazíamos muito barulho, e a criança corria até a mesa com os olhos brilhando de expectativa e um sorriso de ponta a ponta. Me lembrava muito pouco meu primeiro ano, quando eu fui selecionada para essa casa todos ficaram em silêncio, eu fui a primeira de muitas gerações da minha família a não ir para Sonserina, até Dumbledore ficou de boca aberta.

Flashback*
– Então só precisamos experimentar o chapéu! – Ouvi o garoto ruivo cochichar para o amigo dele e dei uma risada baixa com o desespero deles – Vou matar o Fred, ele não parou de falar numa luta contra um trasgo.
Eu já tinha em mente a casa que participaria aqui no castelo, meus pais e toda a minha antiga geração fizeram parte da Sonserina. Durante toda a minha vida eu ouvi o quanto essa casa é sensacional, ouvi que eu iria me dar muito bem com todos nela, ouvi que um Sonserino sempre é e sempre será superior a qualquer um. Já tinha me acostumado com o pensamento de vestir o verde e estava animada para conhecer novos amigos.
A Profa. Minerva então se adiantou segurando um longo rolo de pergaminho.
– Quando eu chamar seus nomes, vocês colocarão o chapéu e se sentarão no banquinho para a seleção. Ana Abbott!
Uma garota de rosto rosado e marias–chiquinhas louras saiu aos tropeços da fila, pôs o chapéu, que lhe afundou direto até os olhos, e se sentou. Uma pausa momentânea...
– LUFA–LUFA! – Anunciou o chapéu.
A mesa à direita deu vivas e bateu palmas quando Ana foi se sentar à mesa da Lufa–Lufa. Eu vi o fantasma do frei Gorducho acenar alegremente para ela com um sorriso enorme de recepção.
– Susana Bones!
– LUFA–LUFA! – Anunciou o chapéu outra vez, e Susana saiu depressa e foi se sentar ao lado de Ana.
– Terêncio Boot!
– CORVINAL!
Desta vez foi a segunda mesa à esquerda que aplaudiu; vários alunos da Corvinal se levantaram para apertar a mão de Terêncio quando o menino se reuniu a eles.
Mádi Brocklehurst foi para a Corvinal também, mas Lilá Brown foi a primeira a ser escolhida para a Grifinória e a mesa na extrema esquerda explodiu em vivas.
Mila Bulstrode se tornou uma Sonserina e eu vi a recepção barulhenta que estava prestes a receber também. Respirei fundo com o coração acelerado e me preparei mentalmente para ter as atenções voltadas para mim.
Carrow!
O salão começou com alguns sussurros de conversas paralelas e com meu sorriso vacilante eu dei um passo na direção da professora. Encarei a mesa dos professores e recebi um aceno positivo de Dumbledore que me deu confiança.
Sentei–me no banquinho e então mergulhei na escuridão de dentro do chapéu velho.
– Olha só mais uma da linhagem Carrow – Ouvi uma voz que deveria ser do chapéu e apertei minhas mãos na beirada do banco com o coração disparado – Uma personalidade tão forte merece uma análise mais detalhada do que simplesmente os precedentes familiares... Hum, muito interessante. É a primeira vez que vejo tanta lealdade em uma Carrow, e tem talento, muito talento, será capaz de grandes coisas no seu futuro. Estou divido aqui, mas acho que a resposta certa é... GRIFINÓRIA! – A última palavra foi anunciada para todo o salão e eu senti o meu rosto ficar quente.
O salão ficou num silêncio absoluto e eu caminhei para a mesa vermelha e dourada com minhas pernas bambas. Só ouvi o som dos meus passos e logo em seguida a voz da professora chamando o próximo aluno para a seleção. Não recebi nenhum aplauso e muito menos os gritos animados. Cruzei o salão inteiro indo diretamente para o último banco da mesa e lá eu me sentei com a cabeça abaixada de vergonha até o final da seleção, que voltou a transcorrer normalmente com a festa de cada casa ao receber um novato.
Flashback*


O banquete apareceu depois de alguma frase animadora de Dumbledore que eu não escutei muito bem por conta da fome que eu sentia. Rony a minha frente parecia que não comia por semanas, pegou de tudo um pouco e se escondeu atrás da montanha que fez em seu prato. Eu também peguei uma quantidade considerável de comida, assim como Hermione. Todo os anos aquela comida continuava ficando cada vez melhor, dava até vontade de dar uns abraços naqueles elfos fofos.
A porta do salão abriu meia hora depois e vimos um Harry machucado (novidade) quase correr em nossa direção. Todos olharam a entrada dele, mas logo depois a conversa se restabeleceu no salão. Harry sentou ao lado de Rony e nos olhou totalmente envergonhado.
– Onde você... Nossa, o que houve com o seu rosto? – Disse Rony, olhando para ele como todos os outros.
– Por quê? O que há de errado com ele? – Disse Harry, pegando uma colher e olhando o seu reflexo distorcido.
– Você está todo sujo de sangue Harry! – Puxei o rosto dele com minha mão por cima da mesa, tirei minha varinha do bolso das vestes e murmurei o feitiço "tergeo" para limpar todo aquele sangue seco.
– Obrigado – Ele me olhou agradecido e eu não pude conter minhas bochechas de ficarem vermelhas – Como está meu nariz?
– Normal – Disse Hermione ansiosa – Por quê? Não deveria? – Ela nem deixou ele responder e já emendou – Harry, o que aconteceu? Nós estávamos aterrorizados!
– Digo para vocês depois – Ele disse rápido e voltou a atenção para a comida.
Hermione foi discordar, mas eu segurei a mão dela mostrando que era melhor não falar mais disso, quando ficássemos sozinhos eu sei que ele ia contar sem maiores problemas. É só que no momento todos a nossa volta prestavam atenção.
Logo quando Harry pegou a comida a mesma desapareceu dando lugar para vários pudins e alguns outros doces. Fiquei com dó dele pois deveria estar faminto, ficou a tarde inteira junto com o professor, e duvido que tenha comido bem.
– Você perdeu o sorteio – Eu disse e Rony concordou com um pedaço gigante de bomba de chocolate na boca.
– Foi dito algo de interessante? – Harry pegou um pedaço de torta e eu ataquei um chessecake de morango que olhava para mim com uma suplica de "me coma".
– Só o normal – Hermione deu de ombros entediada – Avisando a todos nós das faces do inimigo, sabe...
– Dumbledore mencionou Voldemort? – Harry disse sem medo nenhum e meu braço esquerdo começou a incomodar de uma maneira estranha. Fiz de tudo para parecer normal, mas não consegui muito bem, Harry me conhecia bem demais para deixar passar a minha pequena careta de dor.
– Ainda não, mas ele sempre guarda o discurso em si para o final – Hermione olhou direto para Harry, por isso não percebeu minha careta de dor.
– O que foi ? – Ele disse preocupado já pegando minha mão por cima da mesa. Olhei para o lado e vi Gina com uma careta mal–humorada no rosto, rapidamente tirei minha mão da de Harry e sorri sem graça.
– Nada, acho que dormi de mal jeito no trem e agora meu corpo começou a doer – Inventei a primeira desculpa que me apareceu a tempo de ninguém questionar nada, pois Dumbledore se colocou de pé na mesa dos funcionários e as conversas começaram a se acalmar a ponto do salão ficar em silencio.
– A melhor noite para vocês! – Ele sorriu amplamente e abriu os braços como se quisesse abraçar o salão repleto de alunos de quatro casas.
– O que aconteceu com a mão dele? – Hermione sussurrou para nós três.
A mão do nosso diretor estava enegrecida com um aspecto de morta, e nós não fomos os únicos que percebemos, o salão inteiro começou a sussurrar a respeito, e Dumbledore entendeu o que estava acontecendo, ele só sorriu e puxou a capa roxa e dourada para junto da mão danificada.
– Nada para se preocuparem – Ele disse bem rápido e já mudou o assunto dando boas-vindas a todos os alunos o que eu não prestei atenção, pois mergulhei na conversa que acontecia perto de mim.
– A mão dele estava assim quando eu o vi no verão – Harry murmurou para nós – Eu achei que estaria curada por agora... Ou madame Pomfrey poderia ter dado um jeito.
– Parece que está morta – Disse Hermione com a voz enojada – Mas há alguns machucados que você não pode curar... Velhas magias... E há venenos sem antídoto...
Eles pararam de falar quando um sétimo-anista fez sinal para ficarmos quietos. Dumbledore continuou o discurso animado.
– Nós estamos dando as boas vindas também ao novo membro da escola nesse ano, professor Slughorn – Slughorn levantou–se, sua cabeça calva refletindo as luzes das velas, sua grande barriga fazendo cintura na mesa – é um grande colega meu que concordou em assumir o posto de mestre de poções.
– Poções? – Eu disse surpresa mais alto do que eu gostaria, seguida de muitos outros, o que desencadeou um falatório em todos no salão.
– Poções? – Hermione e Rony disseram juntos e olharam para Harry confusos – Você disse que ele iria lecionar Defesa contra as artes das trevas...
– Professor Snape, enquanto isso – Disse Dumbledore aumentando a voz para ser ouvido no meio no burburinho – Irá dar aula de defesa contra as artes das trevas – Morri, não é possível...
– Não – Harry quase berrou no meio do salão com o desespero tomando conta da sua voz, Rony teve que fazer ele sentar pois todos começaram a olhar para ele desacreditando que Harry tinha mesmo gritado.
– Harry achei que era Slughorn que iria... – Comecei, mas ele me cortou desesperado.
– Eu achei que ele ia! – Harry me olhou decepcionado e eu tive vontade de ir ao lado dele e abraça–lo.
Olhei para a mesa dos professores e Snape tinha a mesma expressão de sempre, acho que ele nasceu assim não é possível. Só consegui diferenciar algo diferente nos olhos, brilhavam com superioridade, triunfo e certa arrogância.
Harry deu um ataque de arrogância também na mesa, falava que esperava pelo fim do ano, pois Snape não escaparia da maldição de ser professor de DCAT, todos sofreram algum tipo de injuria, e Harry esperava que Snape morresse.
– Agora, como todos nesse salão sabem, Lord Voldemort e seus companheiros estão cada vez mais alargando e ganhando terreno.
Foi o que bastou para meu braço voltar a incomodar, e aí que eu me toquei que ao falar o nome dele ou escutar isso iria acontecer. Mas dessa vez consegui disfarçar bem, trinquei os dentes discretamente e cravei as unhas na palma da minha mão ao fecha-la.
Dumbledore continuou seu discurso e eu fiquei grata por ele não mencionar mais o nome de você-sabe-quem. Minha mente passeou rápido sem que eu percebesse, e quando voltei a prestar atenção já tinha sido encerrado o discurso e todos estavam indo para suas respectivas camas.
Segui o fluxo de grifinórios sem me importar de deixar Harry e Rony para trás, e Hermione começou a guiar os novatos para nossa sala comunal.
Tinha tanta coisa voando na minha cabeça que eu não conseguia focar em uma só. Como já perceberam sou uma aluna da Grifinória que tem laços com o herdeiro da Sonserina. Sim, o Lorde das Trevas tem uma história que chega até ser fiel com minha família, meu pai e minha mãe foram comensais da morte durante a primeira guerra de bruxos. Depois da queda de Você-Sabe-Quem eles foram presos e absolvidos pelo ministério pouco tempo depois, pois alegaram estar sob efeitos da maldição imperius. Quando eu ainda era criança eles começaram a fazer parte do ministério da magia com um cargo de pouca importância, não me pergunte como, só sei que até hoje eles estão lá e recentemente voltaram a ser comensais da morte.
Eu infelizmente fui arrastada para isso contra a minha vontade. Esse último verão o próprio Lorde das Trevas solicitou que eu me apresentasse diante dele, ele me deu essa maldita marca negra no meu braço que queima a todo instante, e disse que se eu não o ajudasse poderia dar adeus a vida da minha família e até a minha própria vida.
Só obedeço as ordens dele mesmo pois eu dou valor a minha vida, porque meus pais poderiam sumir dessa terra e eu ainda agradeceria.
– Hey, vai devagar Carrow – Ouvi a voz irritante do aluno mais insuportável dessa escola me tirando dos meus pensamentos e o amaldiçoei mentalmente.
Me certifiquei que todos estavam muito longe nas escadas para perceber ou tentar ouvir minha conversa, entrei em um corredor no quarto andar sendo seguida pelo irritante e me virei para ele para ver o que queria comigo.
– Está perdido? Sua sala comunal fica bem longe daqui Malfoy – Revirei os olhos bastante irritada.
– Eu sei, só vim perguntar como você está indo – O tom arrogante quase nem apareceu em sua voz, isso é muito raro de acontecer. Mas continuei com minha postura firme.
– Eu só devo explicações para Você–Sabe–Quem – Sussurrei olhando ele fundo nos olhos, e pude ouvir uma risada fraca vindo dele, o que me deixou ainda mais irritada.
– Descobriu o efeito que existe na sua marca quando mencionam o nome dele, não é? – Draco apontou levemente para meu braço esquerdo com um sorriso brincando em seus lábios – Como vai aguentar conversar com seu querido amigo Potter sem que ele perceba a irritação que ele causa quando cita o nome do Lorde? – Cruzou os braços no peito se divertindo comigo.
– Isso é um problema que "eu" – Frisei a palavra tentando ao máximo ser grossa com ele – Vou resolver sozinha e do meu jeito – Suspirei cansada – Agora se me dá licença, preciso ir dormir, se não vão começar a desconfiar que eu sumi e acho melhor você sair daqui também, vai levantar muitas suspeitas se for visto comigo aqui – Passei por ele fazendo questão de trombar em seu ombro direito – Boa noite Malfoy.
Não esperei por uma resposta dele, subi as escadas acompanhando o ritmo que elas mudavam e consegui chegar no quadro da mulher gorda sem maiores problemas. A fila ainda estava para fora do buraco, acredito que Hermione esteja mostrando a sala comunal a todos os novatos e ela fez todos esperarem aqui fora enquanto isso.
Esperei no final da fila até finalmente conseguir passar pelo buraco, não parei na sala para falar com ninguém, corri direto para as escadas do dormitório e subi com pressa de chegar na minha cama. A gaiola da minha coruja e meu malão estavam no lugar de sempre.
Me preparei para dormir e fui me deitar na minha cama macia e quente. Meus olhos pesavam de sono e minha barriga estava cheia, eu deveria estar feliz, mas aquela marca que sobressaia na minha pele não deixava com que um pensamento de felicidade chegasse perto de mim. A marca pinicava minha pele a todo o momento, tornando–se impossível de ser esquecida.
Com o quarto vazio e conversas distantes eu adormeci, pensamentos martelavam minha mente de uma maneira perturbadora. Harry e o Lorde das Trevas estavam na maioria deles.


Capítulo 2

No dia seguinte eu só tive tempo de me arrumar rapidamente com minhas tradicionais (a partir de agora) vestes longas, peguei minhas coisas e corri para não perder o café da manhã.
Cheguei ao salão e fui direto para o mesmo lugar que eu sento desde meu segundo ano. Hermione, Rony e Harry ainda estavam na mesa conversando animadamente e comendo algumas coisas, eu não tinha tanta disposição assim logo de manhã, sou uma pessoa que não se dá bem com ninguém quando acorda cedo, eles me conheciam, mas mesmo assim tentaram me envolver na conversa como se eu estivesse com o mesmo animo que eles.
– Hey bom dia, antes tarde do que nunca – Disse Rony tentando brincar comigo.
– Acordei minhas férias inteira sempre mais de meio dia. Tive sorte de conseguir acordar hoje e ainda ter café da manhã – Me servi com um suco de laranja e um pedaço de torta de maça.
, você vai fazer N.I.E.M de trato das criaturas mágicas? – Harry perguntou um pouco preocupado.
– Não acho que vai ser necessário para minha carreira de auror, sem contar que dá para aproveitar o tempo livre para estudar e terminar as lições que eu tenho certeza que não serão poucas – Percebi eles se entreolharem com expressões preocupadas – Por que?
– É que Hagrid acha que nós quatro vamos fazer. Não tivemos coragem para contar a ele o contrário – Respondeu Hermione com o mesmo tom preocupado. Realmente, Hagrid vai ficar arrasado sem nós quatro em sua aula, sempre fomos os únicos alunos que mostrava algum interesse nela.
– Vamos contar para ele depois do almoço, pode ser? – Sugeri com um sorriso e recebi sorrisos de resposta.
Terminamos nosso café e fomos atrás da professora McGonagall para pegarmos nossos horários que nesse ano estaria um pouco mais complicado do que o normal. Esse ano só vamos fazer as matérias que quisermos e que tivemos uma nota que o professor aceite para continuarmos. No meu caso selecionei só aquelas necessárias para ser auror já que tinha tirado nota boa em todas elas, já Harry e Rony ficaram para trás na matéria de poções, eles tiraram um excede expectativas, e eu tirei um ótimo.
Hermione foi a primeira a pegar os horários, e já correu para a primeira aula de runas antigas. Logo em seguida a professora se virou para mim simpática como sempre.
– Vamos lá senhorita Carrow – Ela pegou nas mãos minhas anotações e meus resultados do N.O.M.s, olhava para os papéis com os óculos na ponta do nariz, o que era um pouco engraçado – Herbologia, feitiços, poções, defesa contra as artes das trevas, ótimas notas minha jovem, e sua nota O em transfiguração me deixou muito orgulhosa e nem um pouco surpresa, bom saber que você quer continuar – Me entregou meu horário pronto com um sorriso enorme nos lábios – Ainda está com o desejo de se tornar auror?
– Sempre foi meu sonho. Espero conseguir notas boas nesses últimos anos que restam – Peguei o horário da mão dela bem satisfeita.
– Continue se esforçando e com certeza irá conseguir – Piscou para mim.
– Valeu professora. Vejo vocês na sala comunal, meninos – Após bater o olho no meu horário e ver que eu tinha uma aula vaga no primeiro período e acenei para eles, peguei minhas coisas e rumei para as escadas.
Só de saber que a primeira aula do ano seria com o Snape me dava vontade de me suicidar, aquele cara não para de pegar no meu pé e no pé do Harry desde o nosso primeiro ano, parecia que a vida dele era infernizar a nossa e isso estava nos cansando, sorte a minha que eu sempre me dei bem com a matéria que ele lecionava.
Peguei meu exemplar de um romance bruxo e me aconcheguei no sofá da sala comunal que se encontrava vazia no momento. Estava aproveitando meus últimos momentos livre de lição de casa, porque eu sei que ao final do dia eu vou ter uma pilha deles.
– Adivinha só – Harry e Rony cruzaram o buraco da mulher gorda super animados, e vieram na minha direção.
– Não faço mais adivinhação – Sorri brincando com eles, Rony mostrou a língua e Harry veio deitar a cabeça no meu colo.
– Muito piadista você – Rony sentou–se na poltrona ao meu lado.
– Obrigada, é um dom raro – Pisquei para ele e voltei minha atenção para meu livro, mas logo em seguida Harry fechou–o e pegou da minha mão – Hey...
– Vamos fazer poções esse ano – Sorriu torto e escondeu meu livro, um sinal de que queria a minha atenção.
– Como conseguiram esse feito? – Alisei os cabelos negros dele que sempre estavam meio bagunçados e olhei firme naquelas pérolas verdes que conseguiam ver até a minha alma.
– Slughorn aceita “excede expectativas” para continuarmos em sua matéria. Snape que era chato – Harry continuou sorrindo de uma maneira que fez meu coração parar por meio segundo e acelerar a batida logo em seguida.
– Snape “era” chato? – Retribui o sorriso e eu pude ver em seus olhos alguma coisa diferente.
– Snape não é só chato – Rony se levantou e pegou um frisbee dentado na bolsa – Ele é irritante, malvado, provocador e meio idiota na maioria das vezes – Disse ao jogar o brinquedo, que girou na sala rugindo e tentando morder a tapeçaria.
– Eu acho que ele só é mal amado – Alisava o cabelo do Harry e ele estava gostando da situação, era estranho o poder que aquele garoto tem em mim ultimamente.
Ficamos ali de bobeira por uma hora, não consegui ler meu livro porque Harry me distraia demais para eu conseguir focar em alguma coisa que não fosse aquela voz e aqueles olhos, e Rony acabou destruindo um vaso com seu frisbee.
Já entrando em depressão típica de primeira aula do ano, pegamos nossas coisas e descemos uns quatro andares para chegarmos a sala de Defesa Contra as Artes das Trevas. Hermione já estava lá, carregava uma pilha de livros antigos, a cara de cansada não negava que a primeira aula fora mais difícil do que ela esperava.
– Quer ajuda Mione? – Perguntei solidaria, e ela agradeceu quando eu peguei dois livros para mim – Tudo isso é dever de casa?
– Sim, e espere só, aposto que Snape vai dar o dobro disso.
– Vira essa boca para lá... – Rony resmungou e no mesmo segundo uma figura preta com o rosto amarelado abriu a porta calando todos os alunos. Os cabelos escorridos caiam em cortinas pelo rosto dele encontraram um pouco de luz solar que cruzavam algumas brechas. Snape resmungou um “entrem” com sua voz tediosa e nós obedecemos sem hesitar.
A sala estava com estilo totalmente Snape, aposto que ele sonhou com esse dia por sua vida inteira. O ambiente mais escuro que o normal estava abafado devido as velas que iluminavam parte da sala, tornando mais difícil a tarefa de se sentir bem. Para completar tudo, as imagens nos quadros foram trocadas, agora estava muito pior, partes do corpo torcidas, pessoas sofrendo, horríveis ferimentos pareciam querer assombrar todos os alunos. Um morcego grande e velho que eu carinhosamente chamo de professor Snape cruzou a sala, sua veste preta esvoaçante me fazia ter vontade de rir todas as aulas.
– Eu não lhes pedi para pegarem seus livros – Disse Snape já atrás de sua mesa, fuzilava a mesa que Hermione estava sentada. Ela permaneceu quieta e escorregou seu exemplar de “Enfrentando o Sem–Rosto” de volta para dentro da mochila e guardou tudo debaixo de sua carteira – Eu quero falar com vocês e quero toda sua atenção – Seus olhos negros percorreram a sala inteira, claro que sempre demorando mais ao cruzar os meus e mais ainda ao cruzar os do Harry que estava sentado ao meu lado – Vocês tiveram cinco professores nessa matéria até agora, eu acredito.
– Naturalmente, esses professores todos tiveram seus próprios métodos e prioridades. Dada a confusão, estou surpreso que tantos de vocês conseguiram um N.O.M. nessa matéria. Estarei ainda mais surpreso se todos conseguirem fazer os trabalhos de N.I.E.M., que serão bem mais avançados – Snape andou pelo canto do quarto, falando agora numa voz mais baixa; a classe inteira esticou seus pescoços para mantê–lo em vista – A Arte das Trevas, são muitas, variadas, sempre mudando e eternas – Depois disso meu cérebro entrou em modo descanso, nunca consigo prestar atenção nesses discursos de boas–vindas, ainda mais quando ele é feito pela voz tediosa e baixa do Snape.
Ele andava pela sala exaltando as artes das trevas o que me dava nojo, olhei para um lado e vi Hermione prestando total atenção no que o professor falava, olhei para o outro e vi Harry assim como ela também prestando atenção, era só eu que não ligava para nada que esse homem falava?
– Muito bem, senhorita Granger? – Disse Snape desconfortável.
– Seu adversário não terá nenhum aviso sobre que tipo de magia você irá utilizar – Disse Hermione – O que lhe dará uma vantagem de uma fração de segundo.
– Uma resposta copiada quase palavra por palavra do Livro de Feitiços, Série 6 – Snape zombou da Hermione, e eu consegui ouvir uma risada irritante do outro lado da sala do Malfoy – Mas correta na essência. Sim, aqueles que progridem em usar mágica sem falar os encantamentos ganham um elemento de surpresa ao fazer feitiços. Nem todo bruxo pode fazê–lo, claro; é uma questão de concentração e poder mental que alguns – olhou profundamente para Harry mais uma vez – Não possuem – Vi meu melhor amigo ficar vermelho de raiva depois desse comentário, mas ele se recusava a desviar o olhar dos olhos de Snape, acredito eu que por questão de dignidade.
– Vocês irão se dividir em pares – Snape continuou – Um irá tentar azarar o outro sem falar. E o outro irá tentar repelir a azaração no mesmo silêncio. Comecem – Ordenou e nós obedecemos formando pares.
Como de costume eu fiz par com Hermione e Harry fez par com o Rony. Conseguia ouvir uma considerável parte da classe murmurar algumas azarações e outra parte murmurar um feitiço de proteção. Hermione tinha os lábios em uma linha reta e fina pressionando um no outro para impedir de que alguma palavra escapasse e eu a imitei. Tentamos o nosso máximo, alguns minutos depois eu consegui lançar uma azaração dos braços moles e Hermione repeliu sem nenhum problema. Snape só ignorou esse feito por puro orgulho e continuou andando pela sala parecendo um morcego.
Eu já tinha treinado isso antes, mas ainda era difícil, meu pai e minha mãe como conhecedores de artes para batalha sempre me ajudavam bastante nessa matéria que se tornou uma das minhas preferidas.
Desviei minha atenção tentando descansar um pouco e vi Rony ficando num tom de roxo, era bem provável que ele ficasse ali até amanhã sem conseguir soltar uma mísera azaração.
– Patético, Weasley – Disse Snape, depois de algum tempo observando a dupla – Aqui, deixe eu te mostrar – Ele virou sua varinha para Harry tão rapidamente que Harry agiu instintivamente. Esqueceu todo pensamento de um encantamento não-verbal e gritou “Protergo” em alto e bom tom. Seu Feitiço de Escudo foi tão forte que Snape perdeu o equilíbrio e bateu numa mesa, caindo logo em seguida junto com uma cadeira. A sala toda olhou e agora observava Snape se levantar, irritado, muito irritado.
– Você se lembra de que nós estamos praticando feitiços não–verbais, Potter?
– Sim – Disse Harry, rígido.
– Sim, senhor.
– Não precisa me chamar de senhor, Professor. – Harry respondeu antes mesmo de perceber a gravidade dos problemas que suas palavras poderiam lhe custar. Alguns garotos da Grifinória (inclusive Rony) começaram a rir, o que foi um erro maior ainda.
– Detenção, sábado à noite, no meu escritório – Disse Snape – Eu não aceito insulto de ninguém, Potter... nem mesmo do Escolhido – Harry fechou as mãos controlando sua raiva e só assentiu.
Após o ocorrido Snape passou a lição de casa mais enorme que alguém já viu na aula de retorno das férias, o sinal bateu anunciando o final dessa tortura que chamam de aula, eu peguei minhas coisas e ajudei Hermione com as dela.
– Boa reposta Harry, pena que lhe rendeu uma detenção já no primeiro dia – Eu disse trocando o nosso toque de mão.
– Valeu – Ele sorriu de lado meio desanimado.
– Oi? Só eu aqui achei que foi muito errado responder o professor desse jeito? – Hermione parecia um pouco nervosa.
– Acho que sim – Disse Rony zombando dela – Harry fez o que todos daquela sala queriam fazer, inclusive você.
– Mas não justifica – Hermione não se daria por vencida e nós resolvemos aceitar isso.
– Harry! Ei, Harry! – Jack Sloper, um dos batedores do Time de Quadribol da Grifinória do ano anterior, veio correndo em nossa direção segurando um rolo de pergaminho na mão e o material escolar na outra.
– Isso é para você – Disse Sloper – Escuta, eu ouvi dizer que você é o novo capitão. Quando é que ocorrerão os testes?
– Ainda não tenho certeza – Disse Harry sem ligar muito para o garoto a nossa frente – Eu te aviso quando decidir – Harry desenrolou o pergaminho e começou a ler deixando Sloper falando sozinho.
Espiei o pedaço de pergaminho que ele lia e vi a inconfundível letra fina e obliqua do nosso querido diretor. Continuamos andando juntos pelo corredor sem prestar muita atenção no que acontecia ao nosso redor.
– Ele gosta de Acid pops? – Disse Rony confuso e um pouco perplexo.
– É a senha para passar pela gárgula que fica do lado de fora do escritório – Harry sussurrou para que só nós escutássemos.
– Hey, acho que Snape não vai gostar nada disso – Apontei o horário que Dumbledore queria ver Harry no sábado.
– Verdade, não poderei comparecer a detenção – Harry sorriu abertamente.
Ficamos no salão principal durante todo intervalo imaginando o que Dumbledore queria ensinar Harry, e eu sabia que teria que repassar essa informação ao Lorde, preciso a todo custo provar minha lealdade a ele para que não desconfie de nada.
O intervalo passou rápido, obrigada Hermione ir para a aula de Aritmancia e me deixando com os dois patetas na sala comunal da Grifinória fazendo o dever de casa do Snape.
Se eu não estivesse ali eles iriam demorar mais do que demoraram, quando fomos para o almoço já estávamos com quase metade do dever pronto. Hermione ajudou a gente no período livre depois do almoço e fomos para a aula dupla de poções com o dever de DCAT pronto.
O sono me fez de vítima depois do almoço e continuou comigo na aula de poções, então assim que eu me sentei entre meus amigos fiz questão de deitar minha cabeça no ombro do Harry e fechar meus olhos. Tinha um caldeirão a nossa frente que emitia uma fumaça meio dourada que não tinha cheiro nenhum, o único cheiro que eu sentia vinha do ombro em que eu estava deitada, enchia meus pulmões e me deixava bem alegre com isso.
– Me avisa quando o professor chegar – Falei com a voz meio mole.
– Não acha melhor acordar logo de vez, é bom sempre causar uma impressão legal com o professor novo – Ele pegou minha mão na dele e começou a fazer carinho na mesma.
– Mas eu estou com tanto sono Harry – Resmunguei e no mesmo momento ouvi a porta se fechar, o que fez com que eu me endireitasse na cadeira no mesmo instante.
Slughorn entrou na sala animadamente, sorriu sugestivamente para Harry o que deu a entender que ele vira a cena de eu deitada no ombro dele e achou que tinha algo a mais entre nós.
– Agora – Disse Slughorn, cujas linhas massivas estavam tremendo atrás dos vapores das poções – Balanças para fora, todo mundo, e seus kits de poções, e não se esqueçam de suas cópias do Livro Avançado de Poções...
– Senhor? – Chamou Harry, levantando a mão.
– Sim, Harry...
– Eu não tenho um livro, nem balanças, nem nada, nem Rony tem, nós não sabíamos que poderíamos fazer o N.I.E.M., entende?
– Ahh, sim, a Professora McGonagall mencionou... não se preocupe, meu garoto, não tem por que se preocupar. Você pode usar os ingredientes do armário da sala por hoje, e eu tenho certeza de que podemos lhes emprestar umas balanças, e tenho uma caixa de livros velhos aqui, que servirão até vocês escreverem para Floreios e Borrões...
Slughorn ajudou Harry a pegar os materiais para iniciar a aula, e eu consegui ver uma careta de reprovação vindo da mesa onde sentavam quatro sonserinos, inclusive Malfoy.
– Agora, vocês já devem ter percebido que eu preparei algumas poções para vocês darem uma olhada, só por curiosidade – Ele sorriu e respirou fundo inflando ainda mais a barriga que já tinha expulsado pelo menos um botão da camisa que vestia – São os tipos de poções que vocês devem estar aptos a fazer quando terminarem seus N.I.E.M.s. Claro que já devem ter ouvido falar em pelo menos uma, mesmo nunca as tendo preparado... Alguém pode me dizer o que é essa...
Ele indicou o caldeirão perto da mesa da Sonserina. Eu e o resto dos alunos nos inclinamos para ver o que era, e parecia somente água fervendo num caldeirão, cheguei até a achar que era uma pegadinha, mas a mão da Hermione levantada me provou o contrário.
– É Veritaserum, uma incolor e inodora poção muito poderosa, que força a quem tomá-la falar a verdade – Disse Hermione convicta e orgulhosa.
– Muito bem, muito bem – Replicou Slughorn feliz com a resposta – Agora – Continuou, apontando para o caldeirão perto da mesa da Corvinal – Essa é bem conhecida... Tem aparecido nos folhetos do Ministério ultimamente... Quem poderia...?
Dessa vez foi minha mão que atravessou o ar antes da mão da Hermione. Ele sorriu satisfeito para nossa mesa e apontou para mim.
– É a poção Polissuco, senhor – Disse ao avistar a substância lentamente borbulhante, parecida com lama no segundo caldeirão, que nós quatro preparamos em nosso segundo ano no colégio. O professor ficou ainda mais satisfeito.
– Excelente, excelente! Agora essa aqui... sim querida? – Ficou surpreso com a rapidez de Hermione.
– É Amortentia!
– Realmente, é. Parece quase uma tolice perguntar – Disse Slughorn, que parecia muito interessado – Mas eu acredito que você saiba o que ela faz?
– É a mais poderosa poção do amor no mundo! – Disse Hermione.
– Certo! Você a reconheceu, eu suponho, por seu distinto brilho de pérola?
– E pela fumaça subindo em suas espirais características – Confirmou Hermione, entusiasmada – E ela deve cheirar diferentemente para cada um, dependendo do que nos atrai, e eu posso sentir grama recentemente cortada, pergaminho novo e... – Mas ela ficou levemente rosada e não completou a frase.
E eu tentei realmente sentir o cheiro da poção, mas a única coisa que eu conseguia cheirar era o perfume de Harry sentado ao meu lado.
– Posso perguntar seu nome, minha querida? – Perguntou Slughorn, ignorando a vergonha de Hermione.
– Hermione Granger, senhor.
– Granger? Granger? Por acaso você tem algum parentesco com Hector Dagworth Granger, que fundou a Extraordinária Sociedade dos Fazedores de Poções?
– Não. Eu acredito que não, senhor. Eu nasci trouxa, você sabe... – Ela disse ainda com mais vergonha do que já estava.
Eu vi Malfoy se aproximar de Nott e sussurrar algo; ambos riram, mas Slughorn não se importou; ao contrário, abriu um sorriso e olhou de Hermione para Harry para mim com um sorriso no rosto que chegava até a ser exagerado.
– Há! Duas amigas, uma é nascida trouxa, e ela é a melhor do nosso ano, a outra é tão brilhante quanto! Acredito que estas são as amigas das quais você me contou, Harry?
– Sim, senhor – Confirmou Harry orgulhoso.
– E qual o seu nome, querida? – Slughorn apontou para mim, e foi minha vez de ficar com as bochechas coradas.
Carrow, senhor – Observei ele ficar um pouco espantado, creio por que ele deve ter conhecido meus pais, e essa primeira impressão nunca é uma boa.
– Filha de Amico e Alicia Carrow? – Pude perceber certo medo na voz dele, era assim sempre, já tinha até me acostumado.
– Sim, professor.
– Conheci seus pais no passado – A careta dele só piorou – Espero que eles estejam bem – Sorriu sem graça e tornou sua atenção para a classe – Como primeira tarefa do curso, eu quero que vocês...
– Senhor, você não nos disse o que tem nesse – Disse Ernie Macmillian, apontando para um pequeno caldeirão preto em cima da mesa de Slughorn. A poção dentro estava pulando e caindo; era da cor de ouro derretido, e grandes gotas estavam pulando como peixes dourados sobre a superfície, mas nenhuma gota caiu.
– Há – Ele indagou satisfeito, eu tinha certeza que Slughorn não tinha esquecido dessa poção, mas estava esperando para ser perguntado sobre ela para ter um efeito mais dramático – Sim. Aquilo. Bem, aquela, senhores e senhoras, é uma interessante poção chamada Felix Felicis. Eu acredito – Ele se virou para nossa mesa – Que vocês saibam o que Felix Felicis faz, Senhorita Granger, Senhorita Carrow?
– É sorte líquida – Eu respondi me lembrando de quando meu pai me mostrou essa poção no meu primeiro ano, ele já desconfiava que eu poderia cair na Grifinória, e me deu a poção com esperanças que eu fosse para Sonserina. Claro que a minha sorte foi cair na casa que estou hoje com os amigos que tenho – Te deixa sortudo.
– Correto, pegue outros dez pontos para a Grifinória. Sim, é uma poção interessante, a Felix Felicis. Incrivelmente traiçoeira de se fazer, e desastrosa se errar. Porém, se feita corretamente, como essa aqui, você vai descobrir que todas suas ações vão tender ao sucesso... pelo menos até o efeito acabar. E ela será a recompensa da nossa primeira lição de hoje. O sortudo que conseguir executar, não perfeitamente, mas o mais fiel possível a poção Morto Vivo irá ganhar um frasco com a Felicis que lhe dará sorte por doze horas. As instruções estão na página dez de seus livros, podem começar.
Abri meu livro e comecei a tarefa. Selecionei todos os ingredientes apontados como necessários e os coloquei em cima da mesa para finalmente pôr a mão na massa e começar a preparar a poção. Todos na sala estavam concentrados, só se escutava as balanças medindo a quantidade de ingredientes e os caldeirões fervendo.
O professor andava pelas mesas observando nosso trabalho, o que era uma maneira intimidadora de fazer com que a gente errasse no preparo.
Com a aula quase no final, eu estava na metade da poção, ela tinha uma cor preta, o que o livro indicava como normal.
– Hey, olha aqui no meu livro. Tem algumas anotações que tornam impossível de seguir as instruções corretamente – Harry disse me mostrando o livro de poções – Só que essas anotações são ótimas, olha minha poção – Ele mostrou a poção quase finalizada, estava clara como o livro descrevia – Deveria ser de um aluno bom nessa matéria...
– Ou deveria ser um idiota tentando pregar uma peça com o livro – Hermione já tinha o cabelo totalmente levantado por conta da fumaça que tomava conta da sala. Ela odiava trapaça, ainda mais quando isso poderia favorecer alguém tornando a pessoa melhor do que ela.
– Eu acho que são dicas mesmo. Ai está falando para mexer sete vezes no sentido anti–horário e uma vez no sentido horário – Tentei fazer conforme o livro pedia e o sucesso foi imediato, minha poção ficou com uma cor mais clara, parecendo bem mais com a de Harry do que com a do resto da sala – Funciona mesmo – Eu disse espantada – E você achando que iria se dar bem sozinho – Brinquei com Harry e ganhei um sorriso sincero dele.
Todos tinham uma poção escura no caldeirão, menos eu e Harry, o que deixou Hermione furiosa por nós estarmos seguindo outra coisa a não ser o livro, e Rony decepcionado por não compartilharmos nossas dicas com ele a tempo de ele conseguir corrigir a poção azul escura dele.
– E o tempo acabou, parem de mexer! Por favor – Slughorn anunciou colocando–se à frente da sala – Vamos ver o que vocês conseguiram.
Slughorn foi de mesa em mesa observando as poções, na maioria das vezes torcendo o nariz e franzindo a testa em desaprovação para aquilo que os alunos produziram. Ele mexia e cheirava as poções só para não falarem que ele não avaliou corretamente.
Quando se aproximou de nossa mesa veio um sorriso de satisfação e animação na hora.
– O que temos aqui? – Ele mexeu na poção da Hermione um pouco decepcionado com o resultado – Está boa, mas dava para fazer melhor...
– Sim, o resultado não foi como eu esperava – Ela sorriu sem graça também desapontada.
– E você senhor Weasley? – Ele tampou o nariz ao se aproximar do caldeirão de Rony que tinha um liquido viscoso e azul escuro – Sugiro um pouco mais de treino para ficar aceitável.
– Tudo bem professor – Rony abaixou a cabeça também bastante decepcionado com o desempenho dele.
– Mas sem dúvidas essa mesa está bem à frente das outras, se daqui sair o vencedor, serei obrigado a dar mais trinta pontos para a Grifinória – O Professor anunciou fazendo com que as outras mesas ficassem morrendo de inveja – Senhorita Carrow, isso é uma obra de arte – Ele deu o maior sorriso ao mexer na minha poção – Arriscaria dizer que se tomasse essa poção ficaria adormecido por mais de horas. Um ótimo trabalho – Ele quase pulava de animação, olhou para o lado e sorriu mais ainda – Só vai perder infelizmente para a poção do nosso querido Harry, um trabalho de um verdadeiro mestre em poções, puxou muito de sua mãe, ela era a minha melhor aluna.
– Obrigado professor – Harry sorriu orgulhoso ao ser comparado com a própria mãe.
– Então tempos um vencedor – Horácio pegou o pequeno frasco da poção da sorte e entregou a Harry – Muito bem meu rapaz!
Harry guardou o pequeno frasco a tempo de bater o sinal encerrando a aula dupla que tivemos. Guardei minhas coisas e segui para fora da classe o mais rápido possível. Minha marca estava incomodando bastante agora, o que significava que alguém estava querendo falar com o Lorde das Trevas, me afastei o máximo possível dos meus três melhores amigos para ninguém notar o que estava acontecendo comigo. Até acostumar com tudo aquilo iria demorar um pouco para mim.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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