Última atualização: 03/05/2019

ATO I

Wanda se ajoelhou no chão, espalhando a assustadora fumaça escarlate - digna do próprio codinome - por todo o ambiente ao seu redor, destruindo sem pena alguma vários dos robôs que tentavam atacá-la. Ela sentiu a dor no coração e a sensação de perda dentro de seu corpo quando a falta de Pietro passou a existir no mundo; desde sempre, andaram juntos. Desde sempre, irmãos unidos, a única família que ela tinha agora havia sido destruída. Qualquer um que estivesse a um raio por perto ouviria o grito incessantemente desesperador que soltou, do fundo de seus pulmões, enquanto as lágrimas desciam quase que automaticamente. Era uma exigência de seu corpo, assim como a vingança que rapidamente surgia em sua mente agora enfraquecida e fragilizada. A sensação de tristeza e perda não foi o suficiente para aplacar a grande vontade de ver Ultron morto que, agora, ela sentia. Mercúrio estava morto, e com ele, uma parte dela também.


1. A Ordem FURY

" ,
Me encontre no topo da Torre Stark às 16h em ponto. Não se atrase,"

ajeitou o cabelo, jogando os longos cachos e ondulações negras para trás e então para o lado direito. Respirou fundo fechando a tela de seu computador, após ler o recado. Ela sabia que sua vida não seria sempre simples como agora era. Com grandes poderes, grandes responsabilidades vinham, e ela nunca havia sido uma criança normal.
A começar pela coloração anormal de seus olhos - violetas, desde o nascimento. Era uma condição rara porém existente. Aos dois anos de idade, movia o móbile com os olhos. Aos três, conseguia mover com incerteza alguns de seus brinquedos e tocava o xilofone sem nem sequer encostar nas baquetas, mas, sua real natureza só foi descoberta quando era uma criança crescida.
Seu pai, Nico Lambert, era um importante guarda suíço em um dos bancos de sua cidade. Ele morreu antes mesmo de poder conhecer o rosto de sua filha, em um tiroteio realizado durante um roubo ao banco onde trabalhava. Elena passou os próximos oito anos de sua vida sozinha dedicando-se completamente a criação de , ensinando-lhe valores e passando conhecimentos dos quais a mesma jamais se esqueceria. gostava de pensar que a solidão e a falta de companhia fizeram de Elena uma mulher amarga com o tempo, quando ela resolveu dar fim a falta que Nico fazia casando-se com um homem a quem conhecera em uma viagem que fizeram ao Arizona.
O casamento da mãe não agradou aos sentidos da pequena , de sete anos, que ainda era pequena demais para compreender a falta de um pai e, ao mesmo tempo, crescida o suficiente para enxergar algo de ruim em Leo, seu padrasto. Totalmente afundada em marguras e lágrimas, Elena tornou-se cega para com a relação péssima que Kevin desenvolvia com sua filha. Ela tornou-se protetora do novo marido, recusando-se a enxergar e compreender o lado da filha, pois esta lhe lembrava demais o pai e lhe trazia sentimentos ruins ao invés dos bons que Kevin conseguia proporcionar vez ou outra. A depressão destruiu o relacionamento da mãe e da filha, e fez com que a vida da criança se tornasse cada vez mais escura e solitária. Os reflexos da vida pessoal eram observados em qualquer outro ponto de sua vida, tornando-se introvertida e extremamente desesperançosa,
Quando Kevin ousou tocar sua mãe pela primeira vez após uma briga, manifestou os seus poderes na frente de outras pessoas também pela primeira vez. A mão dele foi bruscamente afastada da mulher, assustando-a e também a Leo. Ele se afastou, abismado e enfurecido, ao mesmo tempo, amedrontado pelo que não compreendia. Ele tentou avançar então sob a garota, mas ela o jogou na parede determinada a defender-se e a defender a mãe.
Aquilo, apesar de absurdo, pareceu abrir os olhos da mãe. Ela contatou seu velho amigo, Anthony, e antes de desistir por completo do fiasco que se tornara sua vida, pediu a ele um favor que definiria o rumo da vida de . Após o acontecido, os relacionamentos se apaziguaram pois Kevin parecia ter medo da menininha e ao mesmo tempo nojo da mãe. Elena não suportava a ideia de que sua filha era anormal, e todos os dias culpava a si mesma por tê-la destruído por completo. , por outro lado, era uma garota boa com um coração incrivelmente grande, apesar de toda a destruição e solidão na qual se envolveu. Ela tentou trazer a mãe de volta de seu sonho infinito inúmeras vezes, mas como apenas uma criança, foi incapaz.
Elena tirou sua própria vida, enforcando-se no aro da cortina de seu banheiro. tinha apenas 12 anos. A garota apagou partes daquela memória de sua cabeça em sua síndrome pós traumática, mas os flashes logo voltaram refrescando sua cabeça e as visões eram mais realistas do que a própria vida.
Ela limpou os sentimentos de sua mente, ouvindo a voz de Pepper no corredor. Madame Simons parecia ter, mais uma vez, revelado mais do que devia em uma conversa com a moça - a quem considerava uma tia. Ela ouviu a porta se abrir e identificou o rosto de Pepper aparecendo para dentro com um sorriso amarelo e curioso que ela conhecia. Assim que ouviu seu consentimento, a mulher entrou e fechou a porta atrás de si.
- Eu juro que te xingaria. Juro! Mas pra sua sorte, eu sei perfeitamente quem foi que causou tudo isso, então...
- Não devia culpá-lo - riu. - você fica desesperada sempre que ouve falar nisso.
Potts suspirou olhando para a garota a sua frente com preocupação e amor, o olhar que sempre havia tido quando se tratava dela.
- Eu me preocupo com você.
se levantou, indo na direção da loira e abraçando-a. Potts pedia pelo amor de tudo o que existia que Stark não decidisse envolver em um de seus programas de formação, ou que resolvesse envolvê-la em seus próprios problemas ou nos vingadores. tinha quinze anos, era apenas uma criança e não sabia controlar perfeitamente os seus poderes. Pepper sabia disso porque era profissional nas brechas dos arquivos Stark, e conseguira certa vez adquirir parte do arquivo de quando lhe pareceu curioso que Madame Simons não pudesse revelar fato algum sobre a vida da garotinha.
Quando finalmente separada do padrasto pela justiça, foi entregue à guarda de Tony Stark - ou Anthony, o antigo vizinho e melhor amigo de sua mãe. O único pedido de Abigail em seu testamento que não devia, em hipótese alguma ser descumprido, era que quando sua morte fosse decretada, sua filha não ficasse sob os cuidados de Leo. Apesar de ser bem explícita ao dizer que o guardião legal dela era Anthony, o padrasto de lutou na justiça por um ano meio - tempo o suficiente para Tony perder a paciência e entrar pessoalmente na batalha. Ele adquiriu sem mais delongas a guarda de e a trouxe inicialmente a Mansão Stark, onde conheceu Pepper e Madame Simons - a mulher que tomaria conta dela pelos próximos anos.
Apesar da vontade de cuidar dela pessoalmente e do gosto que nutriu por ela durante sua infância, além é claro do interesse pelos seus ascendentes poderes, Tony era um homem extremamente ocupado e sabia que seria um péssimo pai. A mansão Stark também era um local tecnicamente perigoso para uma jovem mutante em ascensão, então ele contratou sua antiga governanta, Ellen Simons, a grande e famosa Madame Simons. Sabendo que ela era de confiança, pediu que ela tomasse conta de pelo tempo em que não pudesse estar presente graças ao seu evidente recrutamento aos vingadores. Pepper se afeiçoou a de tal forma que fazia visitas regulares a sua casa, se tornando uma de suas maiores imagens fraternas e amorosas. Era como sua irmã.
Ela sabia que Tony almejava treiná-la da forma com que pudesse, e tentava há meses entrar com brechas na justiça que lhe permitissem tal ato. Pretendia colocá-la em programas para mutantes ou conseguir um professor particular que pudesse ensiná-la acerca de seus poderes e treiná-la melhor, para que quando atingisse a maioridade, agisse para o lado do bem - ou melhor dizendo, para os vingadores. Ele queria torná-la uma vingadora, sim. Além disso, já o havia ouvido dizendo que seria uma ótima companhia para Wanda, visto que a garota acabara de adentrar a equipe e se sentia deslocada. Ele tentava fazer com que Wanda mantesse seus poderes em segredo ou que no mínimo os controlasse, e para tanto, tentava protegê-la da atenção pública. Pepper sabia que para a adolescente, isso era um tipo de prisão sob o disfarce de "proteção", e sabia inclusive que não duraria muito.
- Ele não quer o meu mal, Pepper - ela disse como se aquilo fosse necessário.
- Eu sei que não quer o seu mal. Mas acredite ou não, ele é incrivelmente bom em causar mal àqueles que não deseja.
- Eu juro que te contaria o que tá acontecendo, você sabe bem. Mas eu também não faço ideia de quem é ou o que quer.
- Não tô aqui por isso, . - Pepper a olhou surpresa. - você precisa de ajuda para entrar na Torre Stark, não precisa?

-

usava uma calça jeans preta comum, um moletom cinza e usava sua bolsa do tipo carteiro de lado. Levava por onde quer que fosse. Ela usava seus cabelos presos em um rabo de cavalo, a pedido de Pepper. Era tecnicamente mais disfarçado do que o usual. Elas entraram pelos fundos, na área de serviços da Torre; Pepper usou seu cartão de gerente para conseguir todos os melhores caminhos possíveis, pegando elevadores de serviço e evitando os olhos das pessoas até chegar no último andar: a sala de Tony. Ele não estava lá no momento. Estava, na verdade, bem longe dali e extremamente ocupado.
- Eu preciso ir. - Pepper disse olhando seu relógio de pulso. - não posso esperar com você ou não virão. assentiu e a moça lhe deu um beijo na bochecha antes de sair pela porta da frente da sala, passando seu cartão no leitor e trancando tudo atrás de si. Mil coisas se passavam pela cabeça da jovem enquanto observava o grande painel com vários itens holográficos pairando no ar - falavam sobre o primeiro incidente dos vingadores quando a invasão aconteceu no centro e destruiu a torre Stark por completo. Ela notara que algumas pequenas partes ainda pareciam estar sob manutenção no caminho. O arquivo falava especialmente do Capitão América e seu desempenho durante aquela missão. Ao que ela via, o arquivo parecia ter sido editado especialmente por Tony e sua má vontade para com Steve, que era diminuído e tinha contra si várias dúvidas acerca da lealdade.
tentou mover o painel para o próximo arquivo, mas assim que tocou o leitor tudo se apagou e fechou. Suspirou, imaginando ser algum artifício de Tony para que pessoas não autorizadas não pudessem ler suas confidencialidades. Apesar de saber que sua curiosidade era grande e o que fez era errado, ela não se lembrava de ter ouvido Pepper pedir para não mexer em nada, o que lhe dava um argumento.
Assim que foi até o bar pretendendo ligar a máquina de café e fazer um capuccino de chocolate, ouviu alguém pigarrear e se virou para trás. Um homem alto e negro usava roupas totalmente pretas; ele tinha uma capa, um tapa-olho e carregava uma mala consigo. Ele a olhou de cima a baixo e deu um sorriso amarelo do qual ela retribuiu; andou até ele quando o mesmo esticou sua mão, oferecendo um aperto de mãos do qual ela aceitou meio receosa.
- Não se assuste. O meu nome é Nick Fury. Prazer conhecê-la, srta...?
- O prazer é todo meu, agente Fury. . .
Ele abriu espaço para ela como se conhecesse o lugar como a palma de suas mãos, pedindo para que ela se sentasse. se sentou na poltrona a sua frente enquanto Fury se sentou no sofá, logo na frente da mesinha de centro que o separava da poltrona dela. Ele deitou sua maleta em cima da mesa e olhou para trás por um segundo.
- O painel estava ligado.
- É, eu sei. - ela disse coçando a cabeça, recebendo uma risada de volta.
- Não se preocupe, srta. . - deu um sorriso. - não causarei problemas.
- , por favor.
- . Não se preocupe, . Eu não estou aqui para isso. Na verdade, estou aqui graças ao seu... - ele parecia procurar a palavra certa. - graças à Tony.
- Sei disso. Aliás, isso me rendeu uma grande conversa. - ela deu ênfase ao "grande", fazendo-o rir novamente. Nick abriu sua mala retirando de lá um dispositivo córneo. Uma pequena esfera de vidro que possuía alguns circuitos por dentro.
- Você deve e provavelmente sabe algo sobre os vingadores, certo, ? Uma organização tecnicamente pública de heróis escalados para proteger você e todos ao seu redor durante as intervenções das forças externas no nosso planeta. Uma força tarefa.
Ele recebeu uma positiva de e então prosseguiu.
- Sou o responsável pela formação dessa força tarefa que, às vezes, enche de orgulho e às vezes decepciona a todos e sobretudo a mim e aos meus superiores. - ele disse colocando a esfera sob a mesa e apertando um botão que ligou uma projeção a partir da esfera no ar; um holograma, como o que havia visto mais cedo. Ele mostrava alguns ataques. Várias telas se sobrepunham, mostrando desde assaltos até o que parecia se tratar de um alienígena destruindo metade de uma sala de espera de aeroporto.
- O que é isso?
- São crimes, srta. . A maioria deles não foi causado por humanos, como pode perceber. Sabe, , que os vingadores são uma equipe de última reação, não sabe?
- Não sei o que isso significa, agente Fury.
- Significa que não costumamos solicitar a intervenção de nossos maiores heróis em um evento simples, por mais que teha sido causado por um soldado Kree descontrolado.
assentiu, observando o homem no vídeo revelar sua forma real para a câmera.
- Por que a própria polícia não intervém em casos como esse?
- Porque casos como esse não podem ser reportados a polícia. - ele disse, apontando para o símbolo da SHIELD que se instalava no canto inferior do vídeo. - esse vídeo é confidencial e nunca foi liberado para um não-agente da SHIELD.
notava na voz de Nick sua clara intenção de tentar fazê-la se sentir especial. Se lembrava de uma aula sobre esse tipo de psicologia e, apesar de saber que receberia uma proposta da qual se sentiria inclinada a recusar, ele conseguia convencê-la de que era uma parte importante de sua missão.
- E por que estou assistindo a ele, então?
- Eu tenho uma proposta, . - ele disse, sorrindo.
- Do que se trata?
- Recentemente venho recrutando jovens. Jovens como você. Que possuem características peculiares e desejam agir para o bem; jovens que, como você, não desejam se sentir mais normais e viverem como seres humanos. Ouvi Stark dizer que não aprecia seus poderes, estou certo?
- Não gosto de considerá-los uma maldição, agente Fury, mas viver com eles não é a melhor experiência que eu já tive.
- Já é algo melhor do que negá-los. - ele disse parecendo satisfeito. - com esses jovens recrutados e treinados em turmas, um exame foi feito no fim de cada turma e selecionou o melhor. Este melhor era enviado a uma área complexa enquanto que, quanto aos outros alunos, infelizmente precisaram ter suas memórias apagadas.
- Imagino que o sr deseje que eu participe de uma dessas turmas.
- É um pouco diferente, na verdade. Não tenho tempo para esperar que se gradue junto a outros, então se aceitar o que tenho a propor, está automaticamente escalada para a equipe.
- O que tem a propor?
- Se junte ao Experimento DDA ou, como costumam chamar os membros, equipe Fury. Você se tornará uma heroína, . Anônima, é claro, entretanto uma heroína.
- Meu objetivo não é ser reconhecida, eu não ligo para o anonimato. Na verdade, prefiro assim. Mas sr. Fury, não tenho total controle dos meus poderes. Eu na verdade nem sei lutar!
- Você aprenderá. É aí que entra a parte complicada.
- A famosa...
- É claro - ele riu - bem, você sabe que eu tive durante esse tempo várias e várias equipes, não sabe? Bom, desperdicei alunos com determinadas tarefas que eu realmente gostaria de ter mantido. Mas não pude.
Nick pegou uma ficha de dentro de sua maleta e entregou nas mãos de . Se tratava de um rapaz, aparentemente um de seus pupilos.
- Uau, ele pode mesmo entrar na mente de quem quiser?
- Não só entrar como armazenar qualquer coisa que estiver lá dentro em outro recipiente físico, como um pendrive ou um disco rígido. O importante aqui é: Drake salvou diversas memórias importantes dos melhores alunos que tive, a meu pedido. O plano é integrar as memórias sintéticas às suas, tornando-a melhor naquilo onde lhe houverem falhas.
- Isso não é nem um pouco perigoso?
- Muito pelo contrário. É extramemente perigoso, não posso mentir para você; bem que gostaria, mas não faz parte do contrato emitir essa parte; ainda é um processo extremamente perigoso, mas foi realizado em duzentos cobaias. Não falhou em nenhum. Tudo o que vi foram efeitos colaterais temporários.
- Certo... O que exatamente acontece?
- Encaixamos um tubo intravenoso milimétrico em seu pulso, e vai ser como um acesso comum: sentirá o líquido entrar, mas não sentirá dores. Ele sairá pela sua corrente sanguínea e será processado no hipocampo em um período de uma hora. Enquanto isso, assistirá a um vídeo e ouvirá a um áudio quase inaudível. Os impactos serão positivos quando se derem os resultados. Depois de uma hora, irá cair no sono por algumas horas e voltará com as memórias novas como se fossem suas.
- Só por curiosidade, onde o Drake entrou nisso tudo?
- Ele providenciou as informações necessárias para integrarmos sinteticamente o líquido. Ele também ajudou na formatação do vídeo e do áudio.
- Não seria suficiente apenas a sessão de lavagem cerebral? Sei lá, até onde eu li, essas coisas podem deixar alguém completamente... diferente, eu diria.
- Não é seguro ou totalmente eficaz. Em sessões de lavagem cerebral, o sujeito pode também controlar a mente de outro sujeito. Não há como se ter total controle sobre isso, se vier a conhecimento de algum inimigo, pode retirar informações capazes de controlá-la. Nós já precisamos lidar com um caso de lavagem cerebral que deu meio... errado. - ele pigarreou. - mas o soldado não estava sob o nosso controle, e eu posso garantir que ficará bem, .
- Isso parece mais perigoso do que possível, se me permite dizer. Stark nunca permitiria que me colocasse em risco..
- Essa é a parte que ele não precisa ficar sabendo. Pedi que Stark me concedesse a permissão para treiná-la, e ele aceitou de bom grado. Não lhe disse para quê, e não espero que a srta. diga.
- Bem, até agora, não me deu um motivo sequer para aceitar. - ela disseo coçando a cabeça meio confusa. Exceto pela parte onde realmente serviria como ajuda à milhares de pessoas, não gostava da ideia de colocar sua própria vida em risco.
- Não me parece o tipo de garota incentivada pelo dinheiro, srta. , então serei bem breve. Você é perfeita para adequar essa equipe, e, sendo sincero, é uma escolha totalmente sua. Mas quero que saiba, , que reuni os vingadores e juntos salvamos o mundo de sua total ruína. Vocês serão algo parecido. O mundo precisa de mais heróis, alguns que possamos controlar, então peço que reconsidere.
- Eu nunca disse que recusaria.
- É um cargo com muita responsabilidade. Muitos pensaram que responsabilidade demais para alguém tão jovem quanto você. Recebi muitos olhares por ter feito essa escolha, , mas o que você carrega consigo não é passível de ser inutilizado em tempos como estes.
- Você já sabia desde a hora em que pisou nessa sala que minha resposta seria "sim", então, por que toda a conversa e enrolação?
- Sabia também desde o início que toda a conversa e enrolação seriam o gatilho para você dizer sim. - ele riu, entregando a ela o que parecia ser um pager. - fez a escolha certa, .
- É , Nick. !
- Reuniremos o grupo hoje a noite, em Nova York. Receberá instruções no seu pager, então fique atenta. Conhecerá seus colegas de equipe e receberá os arquivos necessários, além de conhecer o resto da instalação e função de vocês. Conhecerá os seus superiores também. Eu te vejo mais tarde.
- Até mais tarde, chefe. - ela disse em um tom leviano e ele sorriu antes de sair pela porta dos fundos. continuou sentada no sofá; ela espalhou as mãos pelos cantos, aproveitando o ar condicionado e pensando seriamente no que acabara de fazer. Não se lembrava de ter ouvido Nick falando qualquer coisa sobre confidencialidade, mas sentia que aquele não era o tipo de assunto a ser conversado com Pepper ou até mesmo com Tony. Aquilo, talvez, o irritasse. Agora, tinha um segredo; guardou o pager no bolso de seu moletom e tirou o celular de outro, discando o número de Pepper.
- ?
- Você pode vir abrir a porta para mim? Não tenho nenhum crachá.

-

- Que compromisso é esse? - perguntou Sarah olhando para com certa curiosidade. A garota olhou para ela por dois segundos e então se voltou a bolsa onde colocava suas chaves e uma sombrinha.
- Não é nada, tia. Eu só vou na casa da Lye ver algumas amigas e é isso.
- E vai sozinha? - a mulher respondeu colocando as mãos na cintura. suspirou revirando os olhos e assentindo com a cabeça enquanto tirava seu celular do bolso, - quem vai te levar?
- Eu vou de táxi, tia! Por favor, não me faz tantas perguntas!
- Eu vou te levar, - ela disse, determinada.
- Não, não! Não mesmo. Sou uma menina independente, você repete isso todo santo dia, não é agora que vai ser diferente. Repete comigo: você é uma menina independente!
- Você não é nada independente, , você é no máximo muito introvertida pra querer sair de casa alguma vez! Nunca vi você ir na casa de amiga nenhuma, eu nunca tive esse tipo de problema com você!
- Por favor, isso não é um problema, é uma solução! Viu só, eu finalmente estou fazendo amigos! - ela disse tombando o rosto como quem implorava. - e mais: eu e minhas amigas estamos fazendo o projeto científico juntas. Precisarei ir vê-las muito mais do que imagina. Por favorzinho!
- Tá bom, garota, tá. - ela suspirou. - você convence qualquer um de qualquer coisa, credo! Tony não vai gostar disso, mas eu deixo.
- Não conte a ele então. - piscou para a velha com um olho e saiu do quarto, respirando fundo. Usava a mesma calça que mais cedo, trocou seus sapatos para uma bota de cano curto e colocou um suéter estampado que guardava para dias mais frios como aquele. Deixou seu cabelo solto dessa vez, por mais que bagunçado. Ela até preferia assim.
Correu para o carro que a esperava na porta, evitando que Sarah fosse conferir se de fato ia de táxi.
- Moço, desculpa, mas tem como você correr para arrancar essa coisa? Falei pra minha tia que eu ia de táxi e ela provavelmente vai me matar se vir isso, então...
O motorista assentiu enquanto arrancava imediatamente o carro. Era um carro comum, de um modelo que não conhecia, mas era preto e só isso desmentia a história do táxi. Quando virou a esquina, o homem recebeu um chamado pelo rádio e respondeu com "já estou com a garota". Se não soubesse que era um agente da SHIELD, teria medo de ter sido sequestrada.
Não era o tipo mais extrovertido de pessoas; ela tinha uma amiga, Lye, mas apenas. Não eram tão próximas, era só alguém com quem compartilhava os trabalhos e algumas noções escolares. Não havia ninguém com quem de fato conversasse. Achava que muito disso se dava ao seu passado bizarro e como as histórias repercutiam; ninguém era interessado em desenvolver amizade alguma com ela, embora fosse uma linda garota - acima do padrão de sua escola - que tinha resposta pra todo tipo de assunto. Ela esperava conhecer pessoas legais no novo grupo, e não outros bullies como os de sua escola.
A instalação era um prédio moderno que apontava "Edifício Logan" na frente. Passava-se por um prédio de contabilidade; o recepcionista a esperava na porta. Um homem alto e magro, extremamente esquisito que usava um fone no ouvido esquerdo e óculos fundo de garrafa.
- Seja bem vinda, srta. .
- , por favor.
Ele apontou o elevador e a levou até lá. Apertou o número sete e aguardou com ela até que chegou ao andar correto. Um corredor levava eles à cobertura. O homem abriu a porta e viu todos os seus novos colegas ali: uma garota negra, os cabelos cortados no estilo black power, usava uma saia de vinil rosa claro com um cropped preto e cinza que tinha mangas compridas. Ela calçava saltos que a deixavam infinitas vezes maior do que a própria . Sentia-se diminuída pela beleza da colega, mas ao mesmo tempo, maravilhada. Ela mascava um chiclete e fazia constantes bolas enquanto conversava com um rapaz. Esse, por sua vez, tinha um irmão gêmeo, e era Drake: reconheceu pela foto. Eram doiz rapazes altos, cabelos claros e olhos seguiam o padrão. Drake tinha o cabelo curto e seu irmão, comprido. O garoto usava uma blusa lisa azul marinho com uma bermuda bege e allstars azuis, e estava sozinho sentado usando o celular enquanto bebia o que parecia ser suco em um copo com um canudinho. O outro, por sua vez, calça jeans e uma blusa xadrez de mangas compridas, bebia um martini encostado no bar enquanto falava com a garota.
Havia um rapaz com um moletom cinza e uma touca no canto da sala; era igualmente alto, tinha os cabelos pretos e curtos e conversava com um outro garoto. O último, cabelos castanhos e curtos, olhos castanhos, usava uma blusa vermelha e uma calça jeans comum. Allstars e um rosto inocente. Ele parecia tão perdido quanto ela e era bem maior do que ela, embora talvez fosse um pouco menor do que o cara ao seu lado. tremeu vendo que todos pareciam ambientados exceto por ela e a vontade de ir embora era grande; não era boa em se enturmar, bem pelo contrário. Queria chorar, e não conseguia controlar suas mãos trêmulas até que Nick salvou sua vida entrando atrás dela.
- Vejo que já estão todos aqui.
E então todos os olhos se voltaram para os dela, que por sua vez, não soube muito bem o que fazer. Apesar da personalidade forte, a timidez era um grande defeito de , que fazia com que todos os seus itens e aspectos fortes não se demonstrassem a primeira vista.
- Cara, seus olhos são mesmo dessa cor? - a garota disse sem sair do lugar, parecendo maravilhada.
- São sim. - ela disse, sorrindo.
- Eles são legais demais! - disse. - Meu nome é Kimberly, mas se também tiver um apelido, pode chamar de Kim.
- . É , mas , por favor.
- Drake, e eu não tenho apelido nenhum. Pode ser Drake mesmo.
- Eu sou Sebastian. - O gêmeo de Drake se aproximou cumprimentando-a com um aperto de mão. O garoto de cabelos castanhos afastados se aproximou também.
- Você tá tão perdida quanto eu? - ele disse sussurrando. - Meu nome é Peter.
- Eu tô mais perdida que você, eu acho. - ela disse sussurrando de volta.
O último rapaz apenas observava, antes de encher seu rosto com um sorriso extremamente sarcástico; ela sabia que dali vinha problema.
- Bem vinda ao inferno, gatinha, o meu nome é Mikael. - ele disse piscando com um olho só.
- Talvez o inferno seja mais quente do que isso, cabeça de vento. - Kimberly disse revirando os olhos. Ele revirou os seus, também. Peter ficou do lado de enquanto Fury entrava dando um fim à "festa".

-

- Vocês são, agora, agentes. O dever de vocês é combater o crime, como já é proposto; se houverem perguntas, as façam agora, porque depois dessa conversa será raro me verem. Ou receberão congratulações, ou esporro. Do contrário, sempre se tratarão a agente Hill, superior de vocês. Os pagers servem para notificações. Vocês podem sob a supervisão dele - apontou para Peter - e os comandos da equipe superior combater o crime comum em cidades normais que precisam de fiscalização ou da ajuda de vocês, mas nunca jamais têm o direito de intervir em crimes sem permissão e presença de oficiais. Para isso, os pagers. Quando for necessária a intervenção, a agente Hill enviará o arquivo e reunirá vocês se for preciso. Existe uma região onde vocês cobrem, e tudo isso está no manual que acaba de chegar no pager. Alguma dúvida?
- Por que ele? - disse Kimberly claramente inconformada. - nós estamos aqui há muito mais tempo do que esse guri.
- Porque ele já é apto para o cargo. Acredito que seus colegas de equipe possam saber sua identidade secreta, certo, sr. Parker? Foi previsto pelas regras iniciais que se revelasse.
- Sou o homem aranha. - ele disse tirando o fôlego de alguns dos presentes ali; Mikael parecia difícil de se surpreender, e estava realmente impressionada, mas tinha uma forma diferente e imparcial de manifestar.
- Como anteriormente dito, Peter é o líder da D.A. a partir de hoje. Ele é mais experiente do que vocês e pode orientá-los melhor, mas lembrem-se, apenas a agente Hill pode dar ordens por aqui. Além é claro dos superiores dela.
- E se precisarmos reportar algo? - falou pela primeira vez.
- Podem reportar à Maria, e se não se sentirem confortáveis, o número do meu pager está salvo no de vocês.
Ela e Peter, aparentemente os únicos novatos, assentiram juntos e pareciam concordar com tudo o que ouviam.
- E se nos metermos em encrenca? - Peter perguntou uma última vez.
- Bem, livramos a pele de vocês até onde pudermos. Mas aí entrarão em encrenca muito maior. Comigo.
Eles assentiram.
- Vocês têm treinamento três vezes por semana quando não estiverem em missão; esse treinamento, quando completo, caso já possuam a maioridade, irá legitimá-los a se tornarem verdadeiros agentes da SHIELD.
Kimberly, Sebastian, Drake e Mikael pareciam extremamente entediados. As regras estavam sendo repassadas para Peter e e eles já sabiam sobre absolutamente tudo daquilo. Já haviam realizado missões juntos, já haviam salvado pessoas.
- Certo jovens, sejam bonzinhos e façam o dever de vocês. Leiam as regras e discutam com os colegas. Sejam sociáveis, sejam amigos, enfim... sejam vingadores. A primeira reunião oficial é quinta-feira, iremos repassar tudo isso aos novatos e iniciaremos os treinamentos. , posso falar com você um minuto?
- É claro.
Ele a puxou para a porta, onde fechou. Do lado de fora, a confraternização continuava enquanto Fury conversava com .
- Só preciso pedir que não diga nada disso ao Stark.
- Ele não é o problema. Pepper não aprovaria.
- O que Pepper não aprova Tony nem sonha em fazer. - ele disse com honestidade. - então, por favor, diga a ele que estou treinando-a particularmente por puro interesse no seu desenvolvimento. Duvido que teremos a confiança dele, mas pelo menos não perguntará tanto sobre.
- Ele vai descobrir hora ou outra, você sabe.
- Eu sei. Com sorte, quando descobrir, resolverá nos acobertar. Por ora, só esconda de todos.
assentiu. Conhecendo como conhecia Tony, Pepper e Sarah, sabia que aquela tarefa não seria fácil; Tony era um stalker, gostava de ter controle sobre tudo e todos. Não duvidava que ele instalasse às escondidas um GPS em sua roupa. Pepper era preocupada e tinha instinto materno quando se tratava de , desaprovaria a ideia de início ao saber que sua vida corria risco. Sarah era o mesmo, e quando soubesse, ela com certeza revelaria a Tony e Pepper, o que complicaria toda a situação. E para piorar, ela ainda era a mais difícil de convencer - a velha sabia o que dizia, o que pensava e conseguia ler como ninguém sabia.
Ela sentiu a obrigação de voltar para a cobertura, onde agora todos conversavam em um grupinho onde somente ela estava de fora. Kimberly olhou para a porta vendo-a aparecer novamente e foi até ela.
- Você não parece ser tímida como está sendo agora.
- Eu não diria tímida. - ela disse rindo de leve. - talvez sociofóbica, eu não sei... Não sou muito boa com pessoas, apesar de gostar bastante delas.
- Sei. - assentiu - não seja tímida aqui, então. Todos querem saber mais sobre vocês dois.
Ela supôs que se tratassem dela e Peter, já que eram os novatos. Se aproximou do grupinho sob os empurrões de Kimberly, que parecia mais animada do que nunca. não sentia tanta vergonha de seus colegas novos, mas ela sentia medo. Sua dificuldade ao confiar em pessoas novas era totalmente compreensível; nenhum deles havia visto as coisas que ela viu.
- Então, - disse Drake envolvendo-a com o braço em seus ombros. Ele tinha um cheiro forte, que de imediato incomodou as narinas de . - nos conte um pouco mais sobre esses estranhos olhos.
- Na verdade, não tem nenhuma história legal sobre eles. É uma condição um pouco rara mas já existiram outros casos.
- E por "pouco rara" ela se refere a menos de 2% da população. - disse Peter.
- Elizabeth Taylor tinha os olhos violetas. E daí? - Mikael disse com uma expressão de tédio. deu de ombros como quem concordava com ele; seus olhos tinham uma tonalidade azul que beirava o roxo. Era quase imperceptível quando não estava na luz, ou quando não usava maquiagens escuras; por ser tão claro, era fácil enxergar quando a luz estava contra seu rosto. Quando no escuro, parecia um azul simples. Kimberly olhou para ele com certo deboche.
- Tá mais salgado do que o usual hoje, Mika.
- Não gosto de gente, e o número de "gentes" aqui aumentou em dois.
- Ei, ei, não se reprima - disse Peter arrancando risadas de alguns. - eu sou uma aranha, tecnicamente. Pode considerar só a minha parte aranha se quiser.
- E por falar nisso, conhecemos bem a você - disse Sebastian apontando para Peter - mas nunca ouvi falar sobre você. - ele apontou com os olhos para .
Ela respirou fundo.
- Ahn... bem, nunca atuei como uma heroína, na verdade.
- Tá, mas o que é que você faz?
- Eu não sei bem como explicar. - ela disse. ergueu uma mão, que liberou o que parecia ser algum tipo de energia, quase branco; aquele pó fez com que um copo vermelho viesse até a mão dela. Então, ela pegou o jarro de suco, dessa vez sem energia alguma e trouxe até sua mão esquerda, que usou para encher o copo.
- Então você atrai objetos?
- Não é bem isso. - ela disse, coçando a cabeça. - ok, pra mostrar o próximo passo eu preciso de um cobaia.
- Eu, pode ser. - Mikael disse parecendo curioso. Ele se posicionou na frente dela. olhou para ele, parecendo concentrada, e ainda sem levantar as mãos fez com que ele se movesse um pouco para trás. - ok, mas o que há de demais nisso?
Ela o jogou na parede com força o suficiente para doer. Kimberly deu um grito surdo de felicidade e animação, e todos pareciam igualmente impressionados.
- Isso é legal demais! - ela disse, rindo. - então, o que é isso?
- Ainda tem mais uma coisa. - ela disse, ajudando Mikael a se levantar. - eu posso explodir botijões, e algumas outras coisas também.
- Pressão - disse Peter, parecendo analisar tudo com seus grandes olhos castanhos - você pode manipulá-la! É genial!
- O que? - todos olharam para ele curiosos, o que fez com que ele recuasse e corasse um pouco em resposta.
- Ela controla a pressão - repetiu. - pode mover as coisas porque o ar... Bem, é basicamente pressão. É algo tipo... cósmico, sabe? Você poderia implodir o universo com isso, sabia?
- Ok, isso não vai acontecer. - Kimberly disse estourando a bola de seu chiclete. concordou com ela.
- Tá bem, não vai, mas poderia.
- Pensei que era algo ligado ao ar...
- Não. - ele disse interrompendo-a. - o ar é ligado a pressão, e não a pressão ao ar. Eles coexistem, sim, mas o ar é dependente da pressão. O seu poder é muito maior do que simplesmente ar.
- Não pode ser nada tão bom quanto ser uma aranha. Você escala coisas!
- Você pode voar, ! - ele disse, se envergonhando um pouco. - . Perdão.
- !
- ! - ele repetiu, rindo. Peter parecia empolgado; Mikael se aproximou novamente.
- O que é que vocês fazem? - perguntou. Como eles se entreolharam, era como se entregassem a Drake o dever de falar sobre isso.
- Bem, Kimberly aqui pode criar portais. Sebastian pode... bem, é estranho, mas ele pode alterar a velocidade de qualquer objeto. Ele é um velócitamo, é como chamamos eu, como já sabe, sou um colhedor de memórias. Posso fuçá-las, alterá-las, fazer o que bem entender com elas. Já Mikael...
- Sou um possessor. - ele disse, como se todos temessem a palavra. Peter ficou curioso acerca disso.
- Como isso funciona?
- Bem, é um poder psíquico. Minha mente estabelece conexão com a sua, e meu cérebro é prioridade acima do seu. Então, você obedece aos meus comandos, e não aos próprios; você não enxergará e nem se lembrará de nada, pois seus olhos se tornam o meu caso seja a necessidade.
- Isso parece perigoso. - comentou.
- É. Não posso estabelecer conexões muito duradouras, até onde sei. Mas espero um dia encontrar alguém em quem possa testar. - ele riu. Kimberly olhou para ele como se dissesse para demonstrar em alguém. - qual é, Kim, não vou fazer isso com os novatos.
- Faça comigo. - Sebastian disse como se já tivesse sido possuído antes e achasse incrivelmente interessante. Mikael suspirou,
- Não, já chega. Não podemos fazer isso.
- Para de ser tão chato só porque eles tão aqui!
- Isso não tem nada a ver com vocês, tá? - ele disse olhando para os dois, que assentiram de prontidão. - mas já tá dando a hora de vocês irem.
olhou para o relógio de seu celular e viu que já eram onze horas. Para ela, não fazia muita diferença, já que dissera a Sarah que talvez precisasse dormir na casa de Lye, mas para os outros parecia fazer.
- Vocês ficam aqui? - Peter perguntou curioso.
- Bem, nós moramos aqui. - Drake disse. - somos um bando de sem-tetos, então eles nos arrumaram uns quartos aqui.
- Todos vocês?
- Não. Kimberly tem uma família.
- Eu sinto muito. - disse em respeito aos outros. Mikael deu um tapinha na cabeça dela. Dali, era a menor, e ele o maior.
- Não se preocupe, , nós vivemos bem aqui. Pra esses dois aí, é melhor do que seria na hydra. E pra mim... nunca tive outro tipo de vida que fosse melhor.
Ela assentiu. Peter olhou para ela como quem suplicava que decidisse ir embora logo, e se identificando com o desespero dele, ela o chamou e saiu fechando finalmente a porta atrás de si. Kimberly disse que passaria a noite ali já que disse que passaria a noite na casa de sua amiga; pensou que talvez ficar lhe causasse menos confusão em casa, mas ela definitivamente só queria ir para o seu quarto, deitar em sua cama e assimilar tudo o que acabara de acontecer.
Peter, por outro lado, estava exaltado. Sua tia May era uma boa pessoa e uma boa mãe, também: ela não implicava com ele pela sua ausência, mas se preocupava muito e sempre ligava. Ele sabia que logo logo receberia uma ligação dela caso não chegasse em casa. Ao mesmo tempo, se sentia exultante por finalmente ter sido notado pelo grande Fury - o homem que formara os vingadores, seus ídolos desde sempre. Ele queria chorar de felicidade.
- Obrigado.
- Não se preocupe, eu também não queria ficar lá por mais muito tempo.
- Por que é que você não parece feliz?
- Eu tô! - ela riu - eu só tô meio cansada e... sei lá, parece estranho.
- Certo... Tem um carro esperando a gente, né isso?
- É sim.
O silêncio reinou enquanto eles andavam pelo corredor e entravam no elevador, discando o número do primeiro andar.
- Onde você mora?
- Na rua 5, sabe onde é? Perto da ponte de Winston.
- Sei. - ele disse, fazendo os cálculos em sua mente e mentindo, sabendo que no fundo não fazia ideia de onde se tratava. - mora sozinha?
- Não! Eu moro com a minha... ahn, governanta? - ela disse sem saber muito bem o que dizer. - eu nunca tive essa conversa com ninguém. - riu.
- Tá bem! Eu moro com a minha tia. Ela é legal, mas é complicada as vezes. Parece que ela se preocupa mais do que devia, mas não sei se é isso ou se sou eu quem corro mais riscos do que devia. - ele disse em seguida sem respirar. - desculpa, tô nervoso.
- Cara, somos tipo vingadores. Quem não estaria?
- Eu nunca tinha revelado a minha identidade antes disso - ele respirou fundo olhando-a com certo pesar. - me desculpa por tar falando tudo isso com alguém que eu nem conheço direito, mas... é estranho. Parece tão errado, mas ao mesmo tempo tão certo...
- É estranho - ela concordou com a cabeça. - parece divertido demais. Acho que ainda vamos nos decepcionar. Na verdade, você deve saber melhor sobre isso, já que já tá no ramo...
- É divertido, mas não pros outros. Eu tenho essa mentalidade, mas quando o caldo engrossa não é nada divertido - ele suspirou - pense em si mesma tendo que escolher entre duas pessoas completamente inocente. Escolher qual delas você salvaria e qual teria de deixar morrer.
- Não sei se conseguiria.
O elevador parou no primeiro andar, onde eles finalmente saíram e se ajeitaram. Dois carros aguardavam na saída; se voltou para Peter mais uma vez e então para o motorista que vira pela primeira vez no início daquela reunião e pareceu um pouco confusa. Era como se a situação fosse óbvia e ela procurasse uma forma de se despedir.
- Bem, eu te vejo depois, ? - ele disse dando de ombros com uma expressão engraçada.
- É claro. - parecia uma resposta óbvia, já que agora eram parceiros e se encontrariam frequentemente, mas mesmo assim pareciam tentar forçar certa naturalidade ali. Peter odiava o clima formal que aquilo tudo tinha, principalmente ter um motorista e precisar ir para casa em um carro seguro da SHIELD. Ele bufou e andou ao lado da menor até seu carro, e então eles se separaram e trilharam cada um o próprio caminho.
viu as mensagens de Pepper em seu telefone enquanto estava à caminho. Não levava mais de quinze minutos da sede da mais nova "Ordem FURY" até Manhattan, onde a sua casa ficava, mas ainda assim a madrinha se preocupava com ela; Sarah não havia dito nada, confiava na palavra da garota, ou ao menos assim ela esperava.
Chegando em casa ela entrou pelos fundos, onde não faria barulho nenhum. Ia a passos leves e curtos até a porta, que abriu usando sua digital - as vantagens de se ser afilhada de Tony Stark eram cada vez mais evidentes - e abriu a porta sem dificuldades ou barulhos, vendo que a casa estava apagada e Sarah provavelmente dormia. Antes que pudesse fechar a porta ouviu um som estridente sair das latas de lixo que ficavam ali atrás, então enfiou sua cabeça na greta da porta desesperada procurando pela fonte do som. O miado revelou sua gata, Noodle, que aparentemente fugira de casa.
- Sua danadinha... - ela sussurrou pegando a gata no colo e trancando a porta. Foi até a cozinha pegar um copo de chá frio e então subiu as escadas ainda cuidadosamente com seus passos, degrau por degrau e se enfiou em seu quarto. Quando fechou a porta ela finalmente pôde respirar. Deixou a gata em sua cama e fechou a porta da varanda, aparentemente por onde Noodle fugira. Às vezes Sarah era esquecida.
Ela jogou suas chaves em cima de sua mesa e se jogou no pufe que ficava ao lado da cama, olhando para o teto branco iluminado pela luminária em seu criado-mudo. Fechou os olhos jogando o braço por cima deles, parecendo extremamente confusa. Tudo aquilo era tão novo, tão estranho e tão... fora do normal.
Ela achava que seria uma reunião extremamente profissional, imagem que imediatamente foi desmontada pelo visual tão jovem e adolescente de seus colegas, que eram metade descolados e incrivelmente interessante e metade fracassados socialmente assim como ela. Achava que seria duro trabalhar com eles, já que era péssima com outros jovens, mas ela acabou gostando de todo e cada um, e imaginou ser mais fácil do que parecia; aquele trabalho era incrível e acrescentaria muito a ela e ao mundo, mas aquilo era realmente uma boa ideia?
era realmente boa o suficiente para o cargo? Ela pensava nisso o tempo inteiro. Nunca havia usado seus poderes com tanta propriedade antes, não tivera a chance de fazê-lo, e não sabia se o processo de Fury para transferir as memórias dentre ela e Drake seria eficaz. Como aquilo poderia funcionar?
Ela tentou acalmar sua mente por alguns instantes, ou sabia que as lágrimas indesejadas e a saudade de casa bateria. Às vezes pensava na sua vida antiga como algo que ela amava e que nunca iria voltar. Pensava em sua mãe e como era importante pra ela tê-la ao seu lado. Pensava no que a mãe diria se soubesse que agora suas condições eram aquelas. Ela gostava de sua vida atual. Tony era a melhor imagem paterna que alguém poderia ter, embora fosse taxado como o maluco egocêntrico, ele se mostrava incrivelmente interessado pelo desenvolvimento de e também se esforçava para mostrar a ela como o mundo era melhor e revolucionário aos olhos dele. Se empenhava em ensiná-la tudo o que sabia, e desejava que ela pudesse lutar ao seu lado se possível em algum momento de suas vidas.
Pepper odiava a ideia de ter sua pequena criança envolvida em uma briga com os Vingadores, ela odiava a ideia de que Tony pensava em apurar os poderes da garota e transformá-la em uma deles, mas ela dava liberdade o suficiente para que a garota escolhesse. Era como uma irmã mais velha, que cuidava dela o tempo inteiro e sempre estava preocupada, dando as dicas e tentando ajudar no que poderia ser útil.
Sarah era sua mãe agora. Ela era a mulher que lhe acompanhava diariamente, contratada para ser nada além de sua governanta e guardiã, mas cuidava dela com tanto afeto e se afeiçoou pela garota em pouquíssimo tempo. A doçura de era incontestável: era uma garota amável, cuidadosa e muito forte. Conseguia seguir em frente sem pensar no seu passado e Sarah admirava aquilo nela.
Tudo era bom pra ela, mas a falta de sua mãe era o que mais lhe afetava e tornava a trazê-la pra baixo quando os piores dias vinham. Ela tinha remédios, mas preferia viver sem eles.
Usava o sono ao seu favor, e foi o que decidiu naquele breve momento: dar descanso à sua tão movimentada cabeça, e tentar apurar toda e qualquer informação nova que existia ali. E existiam muitas, muitas delas.


2. O Hardysk

acordou tarde para o que era seu horário usual. Era domingo e Sarah gostava de acordar tarde aos domingos, o que lhe rendia algumas horas a menos de sermão, interrogatório e muita falação. Ela foi direto para o banheiro, sabendo que precisaria de uma desculpa duradoura para os treinos, e ainda não havia pensado direito naquilo; tomou um banho rápido mas aconchegante, vestiu uma roupa qualquer e foi direto para a cozinha, com fome. Fez seu café da manhã e se sentou no sofá da sala, sem ligar a televisão. Queria pensar.
Talvez pudesse inventar um acampamento, ou um clube na escola. A segunda opção era melhor; um tipo de curso, algo passível. Funcionaria: se a governanta decidisse solicitar confirmações, ela poderia pedir a Kimberly que lhe falasse como se fosse professora ou líder. A garota facilmente se passaria por alguém mais velha, já que tinha uma aparência e uma voz acima de sua idade, e talvez pudesse ajudá-la com a hipnose que alegou ter.
Riu consigo ao pensar que já estava tomando aquele tipo de liberdade; pelo pouco que conhecia de Kimberly, achava que a garota não se negaria, mas ela não tinha como ter certeza. Aquela era a parte engraçada: a confiança que repentinamente depositou em alguém que ela mal conhecia. Aquilo era estranho para ela, principalmente para ela dentre todos os outros.
Pensou em seus colegas e as impressões que cada um deles lhe deixara; Drake e Sebastian pareciam incrivelmente engraçados e eram extrovertidos, possivelmente lhe renderiam várias gargalhadas e a ajudariam nos momentos tristes. Eles eram ótimos juntos e combinavam perfeitamente, sendo os gêmeos que eram. Kimberly parecia uma ótima amiga, alguém em quem com certeza depositaria sua confiança se provado o merecimento. Mikael era imprevisível, um rapaz que ela não gostou tanto de conhecer e tampouco imaginou ser alguém tão interessante; ele era misterioso, inegavelmente, mas era rude e tinha um olhar arrogante que por algum motivo não caía no paladar da garota. Peter, por último mas não menos importante, parecia ser um garoto legal e introvertido apesar de ter um carisma fora do comum. Conseguiu se enturmar com ela logo no primeiro dia, e de cara adquiriu o interesse da garota; parecia ser um grande amigo, e ela precisava mesmo de amigos.
Deixou seu prato de lado e lambeu os dedos, se ajeitando rapidamente quando viu seu pager piscar. A tão esperada reunião; o motorista estaria ali em menos de uma hora para buscá-la. Seus olhos se arregalaram: não sabia como reagir, não podia simplesmente sair sem avisar ninguém: Sarah ligaria para Pepper, que obrigaria Tony a encontrá-la. Ela respirou fundo, com certeza podia resolver aquela situação. Andou a passos leves até o andar de cima onde a governanta dormia e invadiu seu quarto sorrateiramente se arrastando até a cama, onde ela até roncava.
- Sarah? - ela fez uma cara engraçada quando a mulher abriu os olhos calmamente e puxou um último ronco antes de acordar completamente.
- Você já está acordada? - ela se sentou, esfregando os olhos e puxando os cabelos levemente grisalhos para trás, ajeitando um rabo de cavalo.
- Estou... Hoje eu tenho reunião, não se lembra?
era ótima com aquele tipo de psicologia. Não surpreendentemente, quem lhe ensinara fora o próprio Tony. Às vezes era necessário.
- Não me lembro do quê? - a moça olhou para ela com os olhos cerrados e uma suspeita inigualável. Com certeza não estaria pensando em um grupo de jovens mutantes recrutados por um sistema de espionagem internacional, estaria?
- Ah, Sarah, por que você nunca se lembra?! Tá mesmo ficando velha. - provocou, fazendo a mulher a sua frente colocar seus óculos imediatamente e estalar a língua, olhando-a de cima a baixo. Analisou as roupas da garota.
- Fala logo, menina.
- Hoje tem encontro do clube da luta! - ela disse impulsivamente, já que aquele havia sido o último filme que assistira. Então, levou a mão a boca, forçando a piada e fazendo Sarah rir. Àquele ponto, já havia conquistado metade da confiança necessária da mulher.
- Você supostamente não devia falar sobre isso. - ela riu - você não me disse nada sobre clube algum, .
- Eu e alguns amigos da escola elaboramos o clube, você não se lembra? A sra. Naomi se disponibilizou a nos ensinar karatê. Aulas, Sarah, aulas!
- No fim de semana? - ela arregalou os olhos de tal forma que todo o progresso conquistando-a parecia ter ido por água abaixo.
- Sim, é que não podemos perder a prática.
- Você tá mentindo. - a mulher se levantou tossindo levemente e encaixando as pantufas nos pés. bufou, olhando-a sair sem lhe dar uma segunda chance para se explicar; talvez pudesse arranjar outra desculpa, mas não havia tempo o suficiente. A mulher descia as escadas em direção à cozinha, ignorando-a. Ela desceu atrás, correndo como pôde, e falava enquanto tentava alcançá-la:
- Sarah, é sério! Não pode me proibir de ir em um clube escolar, qual é, só vamos aprender karatê! - ela parecia revoltada e pendia os braços no ar.
- Não, , não vão aprender karatê. Não sei nem se existe mesmo uma professora Naomi sei lá das quantas; você está mentindo, e sabe que eu não tolero mentiras, então... você fica em casa, comigo e quietinha. E sabe que se me desobedecer eu sou obrigada a...
- A ligar pro Tony - ela revirou os olhos e recebeu um olhar desaprovador da mulher. Incansavelmente tentou convencê-la, mas ao ver que não conseguiria, ela conseguiu enviar de volta uma mensagem para Nick: "estou tendo problemas". Talvez ele entendesse, talvez não; só sabia que precisaria ser incrivelmente rápida quando aquele carro chegasse.
Sarah se sentou na frente da televisão e viu olhar sentada na janela. Observava o céu incrivelmente cinzento naquele dia. Provavelmente choveria. A garota abraçou os joelhos enquanto observava o pouco movimento da rua e pensava na grande possibilidade de lhe removerem do programa por causa daquele tipo de coisa. Ela não queria ser removida, queria aprender a usar seus poderes, a usá-los a favor dos outros; queria poder ajudar.
O carro preto estacionou na frente da casa. Ela bufou, vendo-o chegar e com certa raiva por Nick não ter desistido da ideia de buscá-la ao ler sua mensagem, mas assim que o carro parou duas enormes silhuetas saíram de dentro: uma delas era sem sombra de dúvidas o próprio agente Fury, e a outra parecia ser Kimberly. Eles bateram a campainha, e então Sarah lançou o olhar mais suspeito de sua vida a quase que obrigando-a mentalmente a ficar onde estava e se esgueirou até a porta, abrindo-a confusa. Não houve tempo: uma onda celestial parecia exalar da cabeça de Kimberly, ela se conectava com a cabeça de Sarah que logo foi envolvida; prestou muita atenção nos olhos de Kim, que tombava lentamente a cabeça. Sarah repetia os movimentos dela, como se fosse um espelho. Nick abriu a porta para que ela saísse e sem pensar duas vezes, ela saiu, mas parou na porta.
- Vocês não vão machucar ela, vão?
- É claro que não. - ele disse, apontando um dispositivo parecido com uma caneta para o meio da testa de Sarah. Kimberly soltou a ligação entre elas e então a caneta começou a apitar e um flash soltou da ponta; o homem se prontificou a segurar a mulher que caía parecendo desmaiada e então ele a colocou no sofá, ligou a televisão e ajeitou a xícara de café na mão dela.
- O que...?
- Ela não vai se lembrar de nada disso. Quando quiser acordá-la, só bata umas três palmas, sim?
- Quando eu... quiser?!
- Tem que ser assim. - ele a olhou fazendo com que ela se tornasse imediatamente convencida. - não vai ser assim sempre, não se preocupe. Já pensamos em algo para você. Tony vai nos apoiar nessa.
- Ele sabe? - ela disse entrando no carro enquanto Kimberly entrava ao seu lado, no banco de trás, e Nick se sentava no banco do passageiro na frente. O motorista arrancou rapidamente e o homem de tapa-olhou passou então a digitar freneticamente no que parecia ser um minicomputador. Pequeno porém potente. O computador processava algumas informações. Ele parecia tão concentrado que até esqueceu da pergunta que a garota acabara de fazer; ela resolveu deixar pra lá, e apoiou a cabeça na janela observando as casas rapidamente se passarem. Logo prédios, avenidas, e sem quase tempo algum eles chegaram.
O prédio enorme parecia mais bonito agora que iluminado. Ela abriu a porta e saiu, contemplando a arquitetura maravilhosa das grandes janelas espelhadas e a recepção tão acolhedora e moderna; Fury desligou o computador e o carregou pelo suporte ao lado, como uma maleta, chamando-as para irem logo atrás de si. Eles pegaram o elevador ainda em silêncio.
- Não se preocupe - Kimberly segurou a mão de , sorrindo para ela - só vai doer um pouco.
- O que?!

- x -

Para a surpresa da garota, todos já estavam reunidos ali. Peter estava sentado em um largo sofá de couro, apoiava os cotovelos nos joelhos e a cabeça nas mãos. Uma pose pensativa. Mikael estava do lado de fora, no que parecia ser uma varanda; pôde ver a fumaça. Sebastian e Drake estavam juntos como o usual, mas Drake parecia mais sério e concentrado em tudo aquilo do que o irmão. Ele sorriu e foi direto ao encontro dela ao vê-la; abriu os braços para abraçá-la e a puxou quando viu a garota hesitar. Aquilo a assustou um pouco, mas ela assumiu que não havia problema algum já que era um bom amigo. Peter se ajeitou no sofá sorrindo para ela e acenando lentamente, aceno e sorriso que ela prontamente devolveu.
- Já que estamos todos aqui, podemos passar para a próxima etapa. - Nick disse, colocando os braços atrás das costas. - me acompanhem.
Todos os jovens andaram juntos até uma sala enorme. Era uma sala vazia, tudo nela era branco; dava a impressão de infinidade, exceto pela mesa altamente digitalizada - cheia de hologramas e outras tecnologias até mesmo desconhecidas. Havia uma cadeira no centro, com um visor holográfico na frente e alguns tubos de gás aos lados. A cadeira era enorme e carregava um motor incrivelmente grande também. Ali havia uma centrífuga e um frigobar que apontava -30 graus celsius. Nick entregou a Drake e a Kimberly um jaleco e para Drake, luvas. Ele se sentou na mesa gerenciando o grande computador.
- , vamos adicionar as antigas memórias do nosso estudante prodígio na sua mente. - Drake resumiu - não se preocupe. É um processo um pouco doloroso, mas a nossa Kim aqui vai te ajudar a não sentir quase dor alguma, tudo bem?
- Tá. - ela disse se sentando calmamente na cadeira, guiada por ele. Todos os outros estavam escorados na parede perto da porta, observando-a como se fosse algum tipo de rato de laboratório. Ela se sentia tensa e o medo possuía o corpo dela naquele instante, mas não podia voltar atrás. Fechou os olhos relaxando cada parte de seu corpo tenso.
- Isso não é meio perigoso? - sugeriu Mikael. - e se a garota estoura a sala inteira com a gente dentro?
- Não vai acontecer, Mika, eu tô aqui pra isso - Kimberly disse olhando para ela com uma expressão gentil. - não se preocupe. Se começar a se sentir descontrolada, iremos intervir sem machucá-la.
Drake tirou uma pequena cápsula de dentro do pequeno freezer; um líquido amarelo pairava ali dentro, sem encostar nos entornos. Incrivelmente, o líquido não estava congelado, como se era suposto.
- Permita-me apresentar o primeiro dos nossos mutantes, srta. ; Drake, por favor...
O garoto assentiu e abriu o frasco. Um cheiro estranho porém não necessariamente desagradável tomou conta do recinto, e então ele jogou todo o líquido sobre sua mão; por incrível que parecesse, a pele dele por um instante absorveu aquele líquido e não deixou rastro nenhum. Ele respirou fundo enquanto seu corpo inteiro parecia emanar uma pequena porção de luz amarelada, e então seus olhos se abriram. As mãos dele agora possuíam extensões amarelas, algum tipo de "garra", mas não parecia ofensivo. Ele se aproximou dela puxando o braço da garota para o braço da cadeira.
- , este é o Hardysk.

- x -

fechou os olhos enquanto ele inseriu a garra do meio dentro da pele dela. Sentiu uma dor aguda, mas não insuportável; Kimberly tinha as mãos apoiadas no topo da cabeça da garota, que tremia acompanhando o movimento corporal que ela fazia. Nick controlava através do computador os níveis de pressurização do ambiente; ele se tranquilizou ao ver que nada se alterava, observando-a calmamente receber cada pequena parte do líquido que existia em Drake - ou Hardysk, como lhe chamavam. Era um trocadilho engraçado para aqueles que compreendiam.
À medida que o líquido passava do corpo dele para o dela, cada uma de suas garras desaparecia. Kimberly a fez abrir os olhos e então ele focou suas pupilas enormes e dilatadas nas dela; jurava que podia ver ali dentro cada um dos passos e dos golpes que aprendia. Ela podia ver cada um deles sendo realizado, era como se os olhos de Drake refletissem as ações, as memórias; era como se ele fosse uma memória humana, como se fosse um disco rígido personificado.
Ela sorriu por um instante maravilhada e então voltou a concentração normal quando ele segurou o outro braço dela com uma garra esquerda. Ela respirou fundo; à medida que sua cabeça processava as informações, ela sentia uma dor pesada começar a consumi-la. Era como se seu corpo queimasse, como se ela estivesse exausta sem sequer saber porquê. Ouvia uma voz desconhecida no fundo de sua cabeça, conseguia compreender algumas frases com clareza, mas outras nem sequer chegava a escutar. A dor começava a subir, e à medida que isso acontecia, Kimberly tentava controlá-la usando sua hipnose; ela não podia tirar a consciência de , mas podia tentar aliviá-la da sensação horrível. Nenhum deles sabia como era estar no lugar dela.
Nick pareceu alarmado ao ver que a pressão ambiente começava a decair. Ele olhou para Kimberly, pedindo que ela se esforçasse mais e pediu que Drake acelerasse o processo. O rapaz fazia o que podia o mais rápido possível, e Kimberly passou a dar tudo de si para inibir as sensações de por alguns segundos que fosse; por pouco, ganhariam tempo.
A pressão começava a descer a níveis absurdos, parecia exponencialmente definida: descia cada vez mais rapidamente. O ar parecia ficar cada vez mais rarefeito e os rapazes experienciavam acessos de tosse.
- Nick, precisa parar isso! - Mikael disse segurando a própria garganta e tentando puxar algum ar. O homem assentiu observando-a; ele não podia liberá-los agora, não podia tirá-la de sua concentração natural.
- Nick, ela está sentindo muita dor... - Sebastian suspirou olhando a garota sofrer enquanto Kimberly gemia tentando concentrá-la. O homem observou atentamente as últimas garras desaparecerem. Quando por fim Drake se afastou dela, o sangue passou a escorrer pelo braço da garota; Kimberly perdeu a atenção por um momento escorregadio e então levou as mãos desesperadamente à cabeça, sentindo uma dor absurda. As pontadas eram cada vez maiores e ela não parecia conseguir aguentar tantas vozes falando; a garota gritava e tentava responder a todas elas, mas era incapaz. A pressão normalizou por alguns segundos e voltou a se desestabilizar. Os passos eram difíceis, a célula começava a se contrair ali dentro: estava aumentando. Era como se algo exercesse uma força invisível sobre eles, como se tentasse derrubá-los; segurava forte a cabeça e o sangue deixava o lugar imundo enquanto Nick, calmo, como se tivesse previsto aquilo, se esforçou para pegar as faixas em cima da mesa e gritou:
- Kimberly, desmaie-a!
A garota ignorou o sangue que escorria do próprio nariz e agarrou com dificuldade a cabeça de e de repente o ambiente voltou ao normal. Todos os que estavam desequilibrados caíram ao chão, enquanto retomavam suas respirações; Sebastian segurou Kimberly, que estava fraca e precisava descansar. O homem enfaixou os braços de e ordenou que abrissem as portas.
- Isso é tão... - Mikael começou.
- Isso é normal. - Nick completou. - é como fizemos todas as vezes, e tem de ser assim. Ela reagiu de acordo com o esperado, agora, por favor, dêem licença. É melhor - ele disse pedindo que todos se retirassem. Peter olhou para desmaiada uma última vez.
Algo naquela garota não se encaixava ainda. Talvez algo naquele processo que parecia exclusivamente estranho e perigoso, ou talvez algo na natureza dela que lhe incomodasse os sentidos aracnídeos; ele ainda não sabia dizer o que, mas sabia que havia muito naquelas memórias. Talvez fosse algo descontrolado, algo que Drake pensava conhecer, mas desconhecia.
Todos eles saíram de lá, só restaram o próprio Nick, Drake e . Kimberly conseguiu acordá-la parcialmente antes de sair e então fechou a porta pressurizada atrás de si.
Ao abrir os olhos, a garota sentada olhou um pouco assustada. Ainda não estava acostumada a acordar em um lugar totalmente desconhecido, rodeada por pessoas que não eram em nada próximas dela; ela se ajeitou na cadeira. Seus olhos estavam um pouco vermelhos, mas nada que parecesse fora do comum. Sua cabeça ainda doía um pouco e ela não sentia nenhum tipo de diferença em si mesma. Ela olhou para os dois que a observavam e depois para o pequeno caderno que Drake tinha em mãos, continuamente escrevendo, e então Nick finalmente se pronunciou.
- Tudo ocorreu como o esperado. - ele disse, simplesmente. - Drake vai terminar o processo.
- Essa parte não vai doer. - ele explicou, olhando para a garota que implorava visualmente para não ter que passar por tudo aquilo de novo; deu um sorriso gentil e então se aproximou dela, abaixando o visor na frente da cadeira para a altura de seus olhos. Todo o branco da sala, as paredes, o chão era na verdade um amontoado de telas. Todas elas se acenderam ao mesmo tempo. Drake ajustou pelo computador holográfico alguma coisa ee fixou os olhos de diretamente para a tela, usando um suporte que fazia com que seu rosto ficasse paralizado. Ele e Nick saíram da sala e fecharam a porta atrás de si.
estava com medo, mas ela não sentia que podia fazer qualquer reclamação. Ela concordara com tudo àquilo, e não acreditava que Nick Fury pudesse fazer algo que não fosse bom para ela; seu padrinho o mataria sem sombra de dúvidas. O homem, além disso, era incrivelmente experiente e o melhor diretor que a SHIELD já teve. Era o que muitos diziam. Ela preferia acreditar nisso do que imaginar que não fazia ideia do que estava fazendo agora, e que sua vida corria risco constante.
Ela sentiu um pavor repentino ao notar-se sozinha dentro da sala, e seu coração palpitava. Ela respirou fundo; não podia fechar seus olhos, não podia fazer quase movimento algum, era impossível sair da cadeira e o barulho começava a ficar alto perto dela. Aquilo lhe remetia a algo. Ela não sabia o quê.
Foi repentino e assustador quando sua mente caiu em transe profundo, seus olhos vazios fixamente encaravam o visor que mudava rapidamente as imagens, impossibilitando que seu consciente identificasse o que era cada uma daquelas. Seu subconsciente trabalhava agora enquanto ela estava "desmaiada" dentro de si; sentia uma brisa fria em suas bochechas, sentia seus olhos arderem pela falta de lubrificação natural e então o colírio começou a descer por todo o seu globo ocular. Ela não tinha, então, noção alguma de seu corpo mais. Tudo ficou incrivelmente escuro e ela ouviu um barulho absurdamente baixo começar a lentamente ficar mais alto; era uma sirene, como se uma ambulância se aproximasse. Ela sentia a maca andar, a movimentação fazia com que seu corpo balançasse junto. Ouvia os sons dos médicos falando algo que ela quase não conseguia ouvir. Abriu seus olhos com certa dificuldade e viu as luzes rapidamente passarem pelo teto; corriam em um corredor imenso, ela estava entubada e haviam muitos acessos pelo seu corpo.
Viu o médico andar ao lado da maca enquanto os enfermeiros a levavam. Ele tinha certa tranquilidade em seu olhar, mas ao mesmo tempo parecia extremamente preocupado com a situação. Não tirava os olhos dela por um segundo sequer, parecia ter medo da reação.
- Fechem o tampão. - ele disse, ordenando que seus enfermeiros puxassem um grande equipamento por trás da cabeça dela tapando seus olhos. Eles estabilizaram a maca e agora ouvia várias máquinas "biparem"; o barulho era alto e incomodava seus ouvidos, tudo aquilo parecia bizarro.
- Qual a situação dela? - ouviu uma voz diferente e o barulho da porta se fechando. Por mais que quisesse, ela não conseguia emitir um som sequer; não conseguia falar ou se mover, parecia totalmente paralisada.
- Não é boa. - o médico disse pigarreando. - quase lhe tiram a cabeça.
- É claro - o agente bufou parecendo furioso. não sabia porquê, mas sentia certa familiaridade com aquelas vozes, principalmente a do agente. - e quanto à outra?
- Morta. - o médico disse sem hesitar. - não havia nada a ser feito, senhor, eu sinto muito.
- Eu sei.. - o homem andava pela extensão da sala enquanto alguém tentava inserir mais um catéter em . Ela mal sentia dor, somente a pressão da agulha entrando em seu pele; ela sentiu uma grande dor se apossar de seu corpo e tentou grunhir, mas foi incapaz. Sentiu todo o seu corpo ser acometido por uma descarga elétrica e começou a tremer, sentia todos os espamos automáticos e espontâneos se tornando lentamente uma convulsão. Ela não tinha controle sobe nada, e então algum medicamento foi lançado em sua corrente sanguínea e acalmou todo o seu corpo.
Ouviu o monitor de sinais vitais normalizar e sentiu certo alívio por perceber que controlara sua situação. O médico analisava algo em seu pulso enquanto ela tentava respirar e se acalmar.
- E então?
- Ela vai sobreviver. - ele concluiu causando o alívio de todos na sala. - mas, o que faremos quanto a todo o resto, agente Coulson?
ouviu aquele nome e abriu seus olhos. Estava em um tipo de quarto; a cama era de hospital, mas todo o resto parecia pertencer a um quarto normal. Havia uma simples cômoda branca e uma televisão em cima, o controle estava do seu lado; ela estava cercada por travesseiros e haviam alguns medicamentos ao lado, no criado-mudo. A janela enorme e espelhada indicava que ainda estava no prédio da Sede e as cortinas fechadas davam um ar sombrio à tudo aquilo. Logo ela viu um grupo de pessoas passando e observando pelo vidro da porta, e então Peter entrou fechando-a atrás de si. Ele aparentemente não devia estar ali, pelo comportamento engraçado que tinha.
- Você tá bem agora? - ele puxou uma cadeira se sentando, tentando se misturar em meio aos itens da sala e não chamar a atenção dos agentes que passavam do lado de fora.
- Eu acho... – ela suspirou. – agora sei dar porrada, acho que isso é bem legal, não? – ela riu de leve levando a mão à cabeça ainda com dores fortes.
- Isso é bem legal – ele concordou rindo. – mas, hm... você realmente tá legal? Acho que ainda tem umas dorezinhas chatas aí..
- Bom, acho que a gente não podia esperar menos. O processo era bem estressante. – ela suspirou. – agora eu só preciso descansar, acho que eventualmente tudo vai voltar ao normal na medida do possível.
- Agora você tem as memórias de outra pessoa dentro de você – ele disse olhando para ela com uma expressão curiosa e fofa. – não sei o que você considera voltar ao normal, mas acho que não é isso...
- Definitivamente não! – riu.
- .. – ele disse unindo suas duas mãos e observando-as. se virou para o lado dele, observando que ele parecia pensativo.
- .
- É, ... Ahn... – ele suspirou. – acha que isso foi mesmo normal? Digo... A SHIELD perder o controle de algo, sei lá...
- Tony teve alguns problemas pra conseguir reparar uns problemas que eu tinha em controlar os poderes. – deu de ombros. – sei lá, acho que é normal. Seria o mesmo padrão pra qualquer jovem mutante que não conhece a própria origem direito.
- Acho que o padrão é outro por aqui. – ele coçou a cabeça com a voz um pouco trêmula. – talvez o lugar certo não fosse a SHIELD, talvez o Instituto Xavier...
- Instituto Xavier? – ela tombou a cabeça.
- É um tipo de escola, uma academia. Realmente nunca ouviu falar sobre eles? – ele ergueu a sobrancelha. Quando abria a boca para dizer mais algo, a porta se abriu e a imagem das vestes escuras de Nick Fury invadiu a sala com os braços cruzados, observando-o com as sobrancelhas levantadas.
- Não acha que já falou demais, garoto? – ele suspirou. – anda, deixa eu falar com a mocinha. Vai pra perto dos outros, eles já tão doidos atrás de você.
Peter engoliu em seco assentindo e correndo para sair da sala. riu de leve vendo que ele claramente era tão ansioso quanto ela, e é claro, estava tão confuso quanto. A ideia do instituto Xavier passou pela sua cabeça por alguns minutos enquanto Nick se sentava na poltrona ao seu lado, segurando um tablet de última geração com o símbolo da SHIELD.
- O que é o instituto Xavier? – se adiantou a perguntar. Nick ergueu uma sobrancelha.
- Você tem certeza de que não tem nenhum parentesco com o Stark? – riu de leve. – não é nada com o que precise se preocupar, . Peter é um adolescente e adolescentes se preocupam com coisas que não devem se preocupar. Não dizem sempre que a ansiedade é o mal do século?
- Mas eles têm razão. – ela riu. – por que tenho a impressão de que o que quer me dizer não é tão bom quanto eu imagino?
- Acho que talvez se decepcione comigo, . Eu sou mais previsível do que pareço. Na verdade, seus resultados foram ótimos. As memórias foram transferidas com sucesso, acho que absolutamente nada ficou pra trás; digo, você não vai necessariamente se lembrar de tudo o que ela se lembrava, mas sua memória muscular tá perfeita. Consegue lutar agora, eu suponho. Saberemos em breve.
- O que quer dizer?
- Precisamos treinar, é claro, mas num geral... você parece ótima. Mas , preciso que entenda o que preciso te dizer. É importante que você saiba.
Ela levantou os olhos até os dele, curiosa.
- Todos vocês são jovens mutantes. São adolescentes com pesos adultos nas costas. Eu nunca seria capaz de libertar seis loucos nas ruas contra crimes de verdade sem ter certeza absoluta da capacidade de vocês, mas ao mesmo tempo espero que entendam que sou seu superior, e que não podem desobedecer nada do que digo.
- Por que tá me dando esse sermão gratuito?
- Porque o seu padrinho me causa problemas desde que ele inventou uma armadura e virou o homem de ferro, e espero o contrário de você! Espero que resolva meus problemas, .
A garota sorriu afirmando quando Nick sorriu de volta, apertando a mão dela em um sinal de apoio.
- Eu estou aqui sempre que precisar de mim. Se não conseguirem me localizar, chame pela Maria. Você precisa se recuperar por mais um tempinho, mas não se preocupe. Assim que sua cabeça doer menos, vamos ver quanto estrago você faz presa em uma sala com o Mikael.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Outras Fanfics:
Daughter of Evil (Harry Potter - Em Andamento)
Eclipse (Harry Potter - Em Andamento)


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