Depend on it.

Fic postada em: 03/09/2018

Capítulo Único


“Why you’re looking at me with angry eyes? How we ever gonna make it out alive?”

– Esqueci a jaqueta no sofá! – esbraveja ao fechar a porta do carro. revira os olhos e respira fundo, impaciente.
– Como sempre! – disse enquanto ele abre a porta do carro novamente com o cenho franzido, irritado com a impaciência dela.
Ela coloca o cinto e cruza os braços na frente do corpo, respirando pesado enquanto o espera voltar. Não consegue evitar pensar em como ele sempre esquece alguma coisa e está cansada de sempre perguntar se ele não esqueceu o celular, a carteira, a jaqueta, as chaves do carro e de casa. Ainda que hoje ele não demorou a dar falta da jaqueta, o pior é quando ele lembra horas depois e sobra para ela entrar em contato com a pessoa e buscar, já que geralmente ele tem viagens ou compromissos que o impedem de buscar.
Ele está com a cabeça fervendo, está cansado disso. Não consegue entender o motivo de toda raiva e irritação de , na verdade, ela vem agindo assim há uns dois meses e ele não sabe mais o que fazer. Essa é a quarta vez em que se encontram, porque ele está em turnê pela América do Norte há três meses e as duas últimas vezes foram verdadeiros pesadelos, ele ficou um dia na cidade e, nas vinte horas que tiveram juntos, ficaram em paz nas três primeiras horas, dormiram por nove horas e brigaram nas oito horas restantes.
– Pronto! – ele disse, jogando a jaqueta no colo dela ao sentar no banco. – Qual seu problema? – fecha a porta e liga o carro enquanto ela o encara com os olhos arregalados e a boca semiaberta. repassa em sua mente tudo que tem para falar, uma lista que decorou há algumas semanas. – ?! – ele tira os olhos da rua rapidamente para ter certeza de que ela está prestando atenção nele. – Fala comigo, porra! – bate com força com a mão direita no volante, frustrado por essa situação se arrastar há tanto tempo, só quer passar um dia sem brigar com ela. Não consegue se lembrar como é passar dias sem brigas por motivos idiotas.
– Não. – ela fala baixo e nega com a cabeça. – Não vou fazer isso com você dirigindo. – desvia o olhar para as casas passando ao seu lado, enquanto repensa a lista de motivos até chegarem em casa.
Ela sai rapidamente do carro assim que para na frente da casa deles, destranca a porta e é recebida pelo grande dogue alemão preto.
– Oi, menino! – ela passa a mão pelo animal, numa tentativa de fazê-lo parar de pular e segura-o até que feche a porta.
– Watson, fora! – ele fala irritado e o animal, muito bem treinado, obedece. segue até a porta para o quintal e fecha a mesma enquanto senta no sofá e respira fundo, se preparando para uma conversa que já teve milhões de vezes, porém, mentalmente. E sozinha. – Então? – disse, impaciente, enquanto senta no sofá paralelo, de frente para ela, que engole seco, sentindo suas forças e coragem esvaírem a cada segundo.
Ela fecha a mão em punho, precisa fazer isso e não pode, de maneira alguma, chorar!
– Amor. – ele fala em tom baixo e carinhoso, e isso faz o coração dela vacilar uma batida, denunciando o quanto é loucamente apaixonada por ele. – Por favor, fala comigo. – ele apoia os cotovelos nos joelhos, jogando o corpo para frente. – Assim a gente pode resolver isso que está te incomodando tanto. Diz para mim o que está te incomodando. – ela franze o cenho e desvia o olhar do dele enquanto dá uma risada sarcástica. Ele, por sua vez, estreita os olhos, nada feliz com a reação dela.
– Sério, mesmo? Você não sabe? Não tem a mínima ideia? – ele nega com a cabeça, apesar de ter alguns motivos em mente. Ela ri novamente. – Eu sei que você sabe, você não é tão burro assim, mas tudo bem. – ela respira fundo e endireita a coluna. – Por favor, me responde com sinceridade. – respira fundo, novamente, com medo da resposta. – Você voltou a usar drogas? – ele arregala os olhos.
– O quê? – solta em seguida, transtornado com a pergunta dela. – Não! – ela solta o ar com alívio, pois quase tem ataque cardíaco a cada notícia que lê ou ouve sobre pessoas que morrem de overdose, após misturar drogas e bebidas alcoólicas. Ela sabe que tem bom senso e ele mesmo disse que, alguns anos antes, quando percebeu que estava abusando das drogas, decidiu parar e, por esse motivo, ela deixou que ele contasse quando estivesse pronto, caso ele realmente estivesse usando novamente. – De onde você tirou isso?
, você voltou a fumar! – ele fica paralisado, pois poderia jurar que estava escondendo bem, já que ela, a pessoa que mais odeia cigarros, não comentou nada. – Se você acha que não senti o cheiro no seu cabelo e na sua pele, sem contar o gosto na sua boca, você é muito idiota! – ela torce o nariz, ele pode beber litros de álcool puro depois de fumar e, ainda sim, ela vai sentir o gosto. Ele pode tomar banho com água sanitária, mas ela vai sentir o cheiro na pele. – Por que você não me falou sobre isso e sobre a bebida? – mais uma vez, ele arregala os olhos e ela revira os dela. – Da última vez que você estava fumando e abusando na bebida, começou com as drogas. Não foi? – ele mesmo contou isso à ela logo que começaram o relacionamento, já que não estavam juntos quando aconteceu.
Eles se conheceram em Santorini, na virada de ano de 2015 para 2016, e não se desgrudaram mais. Ela acabara de se formar na faculdade de arquitetura e estava em busca de sua primeira oportunidade de trabalho na área, isso a permitiu viajar com Liam para todos os lados para composição e gravação de suas primeiras músicas solo. Quatro meses após se conhecerem, começaram a morar juntos no apartamento dele e poucos meses depois, ela arrumou um emprego que a impediu de viajar com ele como antes, mas, ainda sim, estavam sempre juntos. Ela até chegou a viajar por doze horas de ida e mais doze de volta, para ficar pouco mais de dez horas com ele, afinal, todo esforço sempre valeu a pena. Estar nos braços dele sempre compensou toda saudade e distância.
– Foi, mas.. – ele balança a cabeça para os lados, tentando organizar os pensamentos e se pergunta como ela chegou a essas conclusões. – De onde você tirou isso? – pergunta novamente. Ela apenas nega com a cabeça, dando de ombros em seguida.
Ela o conhece.
Melhor do que qualquer pessoa, melhor do que ele mesmo. Ela, na maioria das vezes, sabe o que quer ou o que está pensando só de olhá-lo. Ela diz que ele é muito expressivo, tanto facial quanto corporal, mas em todos seus anos de vida, ninguém percebeu isso nele.
– Ok. – ele fala baixo, aceitando o fato de que nunca vai conseguir esconder nada dela. – Só para deixar claro, não estou usando drogas! – ela concorda com a cabeça, esperando ele continuar. – Estou, sim, bebendo mais do que deveria. – ele meneia a cabeça para os lados e ela se segura para não franzir o cenho. – E voltei com o cigarro. Calma! – ele levanta o indicador na direção dela assim que ela abre a boca para falar. – Sim, fumei maconha algumas vezes. – levanta as duas mãos na frente do corpo e ela respira fundo, tentando se controlar pois não quer gritar, quer ter uma conversa civilizada.
Ela é filha única e foi a única criança em sua família até seus treze anos, as coisas sempre foram do jeito dela, sempre foi a princesa da família. Suas notas sempre foram as melhores, sabe cozinhar, tocar bateria e piano, faz crochê e tricô, ama documentários sobre formigas, jacarés e dinossauros e adora futebol. Faz um pouco do que cada parente seu ama e, por isso, é a preferida de todos. Não gosta muito de beber, mas, de vez em quando, aprecia um drink ao final de um dia cansativo. Sempre teve pavor de cigarros, seus pais sempre colocaram tanto medo nela que, até hoje, tem uma certa aversão, mas está bem melhor do que antes, que não conseguia nem sentir o cheiro porque passava mal. Ela quase namorou com um cara que fumava e isso a fez aprender a tolerar. Já usou drogas na faculdade, mas foi para experimentar e nunca mais, detestou a experiência e disse a si mesma que drogas só quando tiver filhos, isso se, for realmente necessário. Ela pode ser bem mimada, inflexível e dona da razão, mas detesta não saber a verdade. Já teve experiências desagradáveis com mentiras em relacionamentos anteriores e deixou claro para , desde o começo, que o que mais odeia são mentiras e que detestaria descobrir coisas pelas redes sociais.
– Por que você não me contou? – ela pergunta, sentindo o coração apertar. Ele encara o chão e nega com a cabeça, sem saber o que responder. – Por que você mentiu inúmeras vezes que não ia sair?
– Inúmeras? – ele revira os olhos e fez careta. – Foram algumas vezes, não exagera, amor! – ela sente o sangue ferver com o desdém dele.
– Não exagera? – repete em tom firme e, em seguida, grita: – Você acha que eu estou brincando ou o quê? Qual é o seu problema? – ele fica em silêncio, ainda encarando o chão. – Eu pergunto se você vai sair, você responde que não! Que vai jantar e dormir, porque o dia foi cansativo! Quando acordo no outro dia de manhã, vejo que fui marcada em várias fotos suas por aí e pior, com a ! – a voz dela fica mais aguda ao falar o nome da mulher. – Por que você fez isso?
– Eu.. – ele nega com a cabeça, novamente, sem saber o que responder. Dá de ombros, derrotado. – Eu não tinha intenção de sair, mas acabava sendo convidado. – ele sente o coração apertar. Sabe que deveria tê-la avisado, mas como ela não falou nada na primeira vez, achou que estava tudo bem.
– E você ia perder quantos segundos da vida me mandando uma mensagem? Qual a dificuldade em fazer isso? – fala alto. – Você sabe que não me importo em você sair, nem com a ! – ela revira os olhos, se contradizendo. Ele estreita os olhos, analisando a expressão dela e encosta no sofá, cruzando os braços na frente do corpo.
– O problema é ela? – bufa alto, negando com a cabeça e revirando os olhos. – Achei que já tínhamos passado por isso.
– Tínhamos, ! – solta entredentes. – Achei que estávamos de acordo que ela é uma vadia e iríamos ficar bem longe dela, mas pelo jeito, não.
– Foram só duas vezes!
– Três! – ela grita, o interrompendo.
– Tudo bem, três. Três vezes, mas eu já tinha dito que não outras vezes! – ele aumenta um pouco a voz, tentando se justificar.
– Continuasse dizendo não! – ele arregala os olhos e levanta as mãos em sinal de rendição.
– Você queria que eu fizesse exatamente o quê?
– ME AVISASSE, PORRA! – o rosto dela fica vermelho de raiva e ele engole seco, pois ela continua gritando: – Eu não faço isso com você! – disse, batendo as mãos nas pernas. – Lembra do Jim? Meu melhor amigo, o que você odiava? Você me vê falando com ele ou falando dele? Não! Porque eu preferi manter a paz na nossa relação a manter uma das minhas poucas amizades verdadeiras! – ele sente um misto de culpa, raiva e um pouco do ciúmes extremamente infantil que sentiu no começo da relação deles.
– Você quer voltar a falar com ele? Fique à vontade! – ele fala alto e ela solta um grunhido, fechando as mãos em punho.
– É impossível você ser tão burro assim! – ele vê os olhos dela queimando de raiva enquanto ela se coloca de pé.
– Você queria que eu te avisasse, mas você está tão distante que, se dependesse de você, passaríamos dias sem nos falar! – ela para no pé da escada e o olha, soltando uma risada nasalada. Rindo para não chorar, literalmente.
– Você que está distante, eu só estou na minha para tentar evitar mais brigas e mais desgaste! – diz apontando o dedo para ele. – Você está tão distante, que antes de ontem te falei que minha irmã decidiu não começar faculdade assim que terminar a escola e o que você falou hoje para a Lana? Que minha irmã quer fazer artes cênicas! – ela revira os olhos, gesticulando exageradamente com as mãos enquanto fala. – Desde quando? Minha irmã nunca cogitou artes cênicas!
respira fundo e pondera se termina de falar ou se sobe para o quarto, ficou observando-a enquanto pondera se faz uma pergunta à ela, uma que, de certa forma, tem receio da resposta.
– Você ia me contar sobre o aborto? – ele pergunta e vê o corpo dela travar. Ela sente seu corpo inteiro congelar ao lembrar da semana anterior, quando foi ao hospital com uma forte dor no abdômen, para descobrir que havia perdido um bebê que nem sabia que estava carregando há pouco mais de três semanas. Ela foi obrigada a contar para a irmã de , pois ia encontrá-la naquela tarde para fazerem algumas compras juntas e sabe que ela não fez por mal ao contar para .
– Não sei. – responde com honestidade. Ela sabe que deveria ter contado a ele no mesmo dia, mas também sabe que ele ficaria louco e seria capaz de cancelar shows da turnê para voltar e ficar alguns dias com ela. Ela queria estar completamente recuperada antes de contar, porque sabia que ele ia ficar perdido com a notícia e ela precisaria ser forte pelos dois, afirmá-lo de que está tudo bem, de que ela está bem.
Ela aprendeu, nesses anos que estão juntos, que precisa mascarar algumas verdades, por exemplo, sobre doenças. A primeira vez que ela teve uma virose que a deixou de cama por quatro dias, ele simplesmente largou a gravação do cd, em Paris, para ficar com ela, em Londres. A partir daí, entendeu que não pode dizer coisas que irão afetá-lo a ponto de largar tudo. Ela até fala, mas sempre ameniza os fatos ou finge não dar importância para que ele não fique inquieto seja lá aonde estiver.
Na verdade, ela está bem. No entanto, ainda se pega pensando em como seria caso não tivesse perdido o bebê e o pensamento de que foi melhor assim a deixa com remorso, não queria pensar isso de uma vida gerada pelos dois, mas as atuais condições do relacionamento deles não seria, mesmo, o melhor momento para uma gravidez. Ela sobe as escadas correndo, antes que as primeiras lágrimas escorram pelo seu rosto, se permitindo chorar ao fechar a porta do quarto.
permance sentado no sofá da sala, sentindo que seu coração pode explodir a qualquer segundo. Ele está ciente de que errou muito com , que deveria ter dito que está extremamente estressado e frustrado com vários assuntos de sua carreira que não estão acontecendo conforme havia planejado. Ele é muito perfeccionista. A ponto de perder noites de sono quando as coisas saem fora de seu controle, buscando maneiras de corrigir e remediar, enquanto ela é mais prática, se não saiu conforme o plano, tudo bem, contanto que esteja progredindo. Por inúmeras vezes ele desejou ser prático assim, mas a ansiedade para que tudo dê certo o fez voltar a fumar, como uma válvula de escape, e as noites em claro, buscando alternativas para que os planos voltem ao cronograma, o levaram a beber mais do que deveria. Ele também sabe que o que mais detesta são mentiras e, apesar de conhecê-lo bem, acreditou nas vezes que ele disse estar tudo sob controle por achar que ele estava fazendo um bom progresso com o perfeccionismo e ansiedade quando, na verdade, seu mundo estava de ponta cabeça, só que ele é orgulhoso demais para admitir que não consegue lidar com isso sozinho, que precisa da ajuda dela. Ele queria conseguir sozinho para fazê-la sentir orgulho dele, quando ela ficaria mais do que feliz em ajudá-lo. Claro que ela ficaria muito orgulhosa se ele o fizesse sozinho, mas eles sempre foram assim, o apoio um do outro, desde o primeiro dia.
Ele se recordou do dia que se conheceram e de como ficou encantado por ela nos primeiros minutos de conversa, não demorando muito a beijá-la. Ficaram mais algumas horas na festa pois estava de babá de uma amiga que terminara um namoro alguns dias antes e nessas horas não pararam de conversar. Eles nunca haviam sentido uma certeza e familiaridade tão forte sobre alguém, porém, naquela noite souberam que encontraram, não o amor de suas vidas, porque não poderiam afirmar algo do tipo tão rápido, mas alguém que seria importante. Por que quais as chances dela também morar em Londres e se encontrarem em Santorini, quatro horas de avião distante de onde moram? É para ser algum tipo de sinal, certo?
luta, em vão, contra as lágrimas que não param de escorrer pelos seus olhos. Ela só queria que fosse honesto, pois perdeu a conta de quantas vezes perguntava se estava tudo bem, e ele assentia e desconversava rapidamente. Ambos odeiam confronto e, por isso, estão nessa situação. Ele sempre empurra os problemas para debaixo do tapete pois sabe que com o tempo vira amenidade e logo esquecem, enquanto ela vai guardando a raiva, stress, nervosismo, ansiedade e medo, até que uma hora explode e vira a pessoa mais insuportável, que ela mesma não suporta, tudo a incomoda e a deixa irritada. Como, por exemplo, antes de saírem para o almoço na casa de um amigo, ela viu que usou seu creme e deixou a embalagem aberta, normalmente ela iria fechar e não falar nada, mas ela gritou por ele, dizendo que ele “Tem que fechar a porra do creme!” e iniciando uma série de reclamações.

Flashback - Janeiro/2018

Estão deitados em uma rede sob o oceano nas Ilhas Maldivas, observando o céu ridiculamente azul se misturando com o azul-esverdeado do oceano. Passaram a virada do ano com amigos, em Dubai, e logo embarcam para Maldivas para celebrarem dois anos juntos.
– Acho que teremos que colocar essa foto em Los Angeles. – ela fala olhando para o celular, analisando a foto que tiraram da imensidão azul. Ela está deitada de barriga para baixo e ele de barriga para cima, ambos lado a lado.
– Por quê? – ele pergunta sem abrir os olhos.
– Faz mais sentido. – ela dá de ombros – Qual a graça em colocar um quadro lindo, ensolarado e azul em uma casa localizada em uma cidade cinza e chuvosa? É deprimente. – ele ri e concorda, olhando-a em seguida. Ela está com os cabelos bagunçados e molhados de nadarem, o óculos de sol está na ponta do nariz para enxergar melhor as cores vibrantes das fotos e tem um pequeno sorriso no rosto. Ele sente o coração pular uma batida, pois sabe quão sortudo é por tê-la em sua vida e, mesmo depois de dois anos, ainda não entende porque ela se apaixonou por ele, mas se sente grato por isso todos os dias.
– Na verdade, é deprimente colocar essa foto em qualquer lugar, porque sempre vai te dar vontade de voltar. – ela pondera o que acabou de ouvir e sorri.
– Então você tem colocar no seu plano de fundo do celular, assim você tira mais férias e voltamos para cá mais vezes – ele dá uma gargalhada e ela observa a forma como os lábios dele formam um singelo sorriso, mesmo quando está com a boca aberta, gargalhando, e o canto dos olhos dele formam umas rugas que ela ama tanto! Sem contar a risada dele que, para ela, é a melhor do mundo. Ela se pergunta se é possível se apaixonar ainda mais por ele.
– Só para refrescar sua memória... – ele levanta as duas sobrancelhas e aponta para ela com o indicador.
– Hm? – ela arruma o óculos no rosto e apoia a cabeça nas mãos.
– Foi você que quase nos fez voltar para casa dois dias antes, porque precisava voltar ao trabalho! – ela solta uma risada sarcástica.
– O trabalho de uma assistente não acaba nunca, eles não sabem viver sem uma escrava. – ela solta um suspiro e ele entorta a boca.
– Tem certeza que não quer sair dessa empresa? – ela faz careta.
– Claro que quero, mas não me sinto segura, ainda. Sem contar que vou abrir minha empresa e não tenho nenhum cliente, ninguém me conhece! – ela nega com a cabeça – Tenho medo. – ele estala a língua no céu da boca e a puxa para si.
– Amor, você consegue! É só olhar para nossa casa! – ela sente uma pequena corrente de orgulho percorrer seu corpo ao pensar no projeto da mansão que moram. Não que tenham feito muitas alterações, porque o imóvel estava em ótimo estado, mas não deixa de ser uma mansão e foi o primeiro projeto que fez sozinha, até então havia ajudado com alguns projetos na empresa que trabalha.
– Será? – ela morde o lábio inferior e ele sorri.
– Claro! Todos que vão em casa te elogiam. – ele não acha que ela deve continuar sendo assistente, já está há mais de um ano fazendo isso e ele tem certeza de que ela é capaz de ter sua própria empresa. Ela consegue comandar projetos e é a vez dela de ter assistentes – Vamos estudar a ideia, que tal? Eu vou ficar duas semanas sem fazer nada em casa e vou te ajudar nisso! – ela sorri ao perceber o quanto ele acredita no potencial dela.
– O que eu fiz para te merecer? – ela dá um selinho nele – Eu te amo! – diz antes de beijá-lo.

Fim do flashback.


Eles são tão semelhantes e tão diferentes ao mesmo tempo, compartilham das mesmas opiniões sobre assuntos de mais relevância e que geralmente causam discórdia entre as pessoas, como política, religião, pena de morte, armas, guerras, entre outros, mas têm personalidades completamente opostas, ele é paciente e meticuloso enquanto ela é prática, porém ele não consegue focar em uma coisa só, ela fica horas focada em algo que goste, como crochê. Ela prefere pratos salgados e ele doces, ela detesta filmes de suspense e terror para a infelicidade dele, ele acorda de mau humor e demora para levantar enquanto ela acorda enérgica e pula da cama assim que desliga o despertador, eles amam todos os estilos de música, gostam de correr e fazer yoga juntos, filmes de ação são seus preferidos, assistem todas as séries de investigação possíveis e sempre apostam quem é o criminoso e como aconteceu o crime. Uma das coisas que mais gostam de fazer juntos é cozinhar, ele faz uma receita de lasanha que pegou da avó e fez algumas alterações – e diz que é a melhor do mundo – enquanto ela faz bolo mousse, cookies e brownies, os preferidos dele e esse é um dos poucos momentos que ele foca em uma coisa só, ela acredita que é esse o motivo do resultado final ser tão bom.
Ele olha para o quadro na parede a frente, uma foto da Golden Gate Bridge, que tiraram na primeira vez que foram a São Francisco juntos, olha para esquerda e tem um quadro com uma foto do Monte Fuji, tiraram há quase um ano. Em todos os cantos tem um pouco deles, não tem um espaço da casa que as pessoas olham e pensam “Isso é a cara do e aquilo é da .”, todos olham e pensam “É muito eles!”. Com um ano de relacionamento, compraram esta casa, fizeram algumas alterações e dois meses depois, se mudaram e ele não consegue se imaginar sozinho na casa, pois estaria sem todos os detalhes que o fazem se sentir em casa, que dão conforto e, principalmente, estaria vazia, sem ela. Sente frio na espinha ao pensar no quão determinada ela é, quando coloca uma ideia na cabeça, é quase impossível fazê-la desistir, ela faz desvios, toma atalhos e até pode parar para descansar, mas nunca volta atrás ou desiste. Ele se levanta do sofá e limpa algumas lágrimas nos cantos dos olhos enquanto sobe as escadas, pensando que faria tudo por essa mulher e que não tem a menor possibilidade de se imaginar sem ela. Não consegue lembrar de como era sua vida antes de conhecê-la, sente como se estivessem juntos a vida toda e sabe que ainda não é o fim deles, eles ainda têm muitos anos pela frente juntos, quem sabe até o fim de seus dias.
Ela respira fundo ao finalmente conseguir parar de chorar e seu olhar para no quadro da foto da Times Square em preto e branco de frente para a cama deles. Ela sempre teve o sonho de tirar fotos de vários pontos turísticos pelo mundo para transformá-los em quadros e colocar em sua casa. Ela sabe que tem vários desses para vender por aí, mas ela gosta da ideia dela tirar a foto de ângulos diferentes e poder editar as mesmas da forma que quiser, sua coleção de fotos ainda seria bem pequena se não estivesse com , já que, nos primeiros meses enquanto estava procurando por emprego, viajaram para muitos lugares e criaram muitas memórias. Suspira ao sentir uma pontada no peito, nunca amou uma pessoa tanto assim, não sabia que seria capaz de nutrir tantos sentimentos por uma pessoa. Uma mistura de amor, carinho, cuidado, proteção, alegria, felicidade e, claro, um pouco de raiva e stress de vez em quando. Até conhecer , ela pensava que só sentiria um amor maior quando tivesse filhos, aquele amor incondicional que tanto falam, mas ele elevou o significado de amor em níveis estratosféricos. É um amor que chega a doer. Ela o observa dormindo e se sente sem forças, mas, ao mesmo tempo, sente que poderia lutar contra qualquer coisa no mundo que ouse tirar o sorriso do rosto dele.
Ela sabe o que precisa fazer, sabe que já deveria ter feito há um bom tempo, levanta da cama e lava o rosto no banheiro. Abre a porta do quarto e sente as pernas bambas ao ver no meio do corredor, ele para de andar e ela prende o ar ao ver os olhos marejados dele, nesses anos de relacionamento o viu chorar uma única vez, quando o pai dele teve princípio de infarto e estavam em Los Angeles. não chora, e saber que chorou por ela a deixa sem chão.
– Me desculpa. – fala.




Fim.



Nota da autora: Minha primeira short no site! Estava ouvindo “Depend on It” do, amor da minha vida, Liam Payne, e tive a inspiração para essa short. Espero que tenham gostado! Até a próxima. x.



Outras Fanfics:
Long fic: 2004

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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