De Volta a Lisdrâmia - Queda ao Traidor

Contador: Última atualização: 18/09/2020

Capítulo I

Tylsr, capital da Lisdrâmia.

encheu os pulmões de ar e esvaziou-os gradativamente, os olhos escondidos por trás de lentes escuras. Observou o saguão do movimentado aeroporto de seu país natal e sentiu parte das suas preocupações irem embora. Os dias em Saimpton, capital de Mustanth, foram recheados de muita tensão, além do risco de serem descobertos, existia o fato de estarem em solo estrangeiro, isolados das leis de seu país. Um deslize e tudo iria por água abaixo. A missão de roubo de informações sobre um possível ataque aéreo do país contra Lisdrâmia, foi um sucesso. E os dados encontrados revelaram todo o esquema, entretanto, descobriu de forma amarga que alguém estava tentando eliminá-la juntamente com o seu parceiro, . E o traidor usou o fato de estarem longe de casa para tentar derrubá-los. Foi um verdadeiro golpe de sorte não ter matado o parceiro ou ter sido morta por ele.
E agora, eles retornaram.
Vivos e com sangue nos olhos, preparados para descobrir e eliminar o traidor.
- Está sentindo? - O seu parceiro falou ao seu lado, chamando sua atenção.
A mulher desviou o olhar, escondido pelos óculos escuros, da multidão e encarou-o.
estava vestindo uma mistura de preto, jeans e couro. Os cabelos estavam bagunçados e usava óculos escuros, assim como ela. Era um acessório muito útil, além de esconder as olheiras, impedia as pessoas de verem a direção do olhar e também, se estava dormindo ou acordado.
- O quê? - A expressão fechada enquanto voltava a atenção para cada canto do lugar.
- O alvo pendurado nas nossas costas. - Abriu um sorriso debochado de canto e lançou a bolsa de viagem por cima do ombro. - Adoro essa sensação. - Ironizou e deu de ombros, a postura relaxada enquanto começava a andar em direção à saída.
Ela revirou os olhos por trás das lentes e seguiu-o, puxando a mala de rodinhas.



A dupla caminhou pelo estacionamento subterrâneo do aeroporto, onde guardam os veículos por vários dias até o retorno dos viajantes. O clima de tensão e alerta estava no ar e encenar a postura relaxada estava custando muito, entretanto, tinham que permanecer no papel ou as coisas poderiam fugir do controle. Observavam ao redor, disfarçadamente, mesmo que além deles, houvesse o vigia que estava na guarita e poucos carros. Seguiam cada vez mais a dentro do lugar, o barulho dos passos no concreto eram o único som.
- Por que tinha que escolher a vaga mais distante? - O parceiro perguntou num tom de irritação.
O questionamento a fez revirar os olhos.
Jamais admitiria que estava arrependida da decisão, mas as circunstâncias eram diferentes no dia e nunca passou por sua cabeça que poderia não retornar ou voltar com uma espada apontada para suas costas e, também, o fato de que um traidor iria armar para matá-los. Não gostava de deixar a sua elevada autoconfiança tomar conta de suas escolhas, mas não tinha culpa de ter uma taxa alta de sucesso nas missões e se fosse para cogitar a morte, nem que seja por um segundo, sentiria medo e abalaria suas emoções. O seu maior erro foi acreditar que todos eram como ela, patriotas e tinham princípios.
Como não poderia explicar claramente, tentou se comunicar nas entrelinhas.
Por isso, falou: - O risco a segurança do meu bebê era o mais provável. - Esforçou-se para soar despreocupada, até mesmo, sorriu.
Mas queria dizer: Ei, seu idiota! Não me diga que você sabia de um traidor entre nós e que armaria para nos matar nessa missão?.
Lançou um rápido olhar por trás das lentes para conferir a expressão do homem e teve que morder a língua para não xingá-lo. Ele estava com uma das sobrancelhas erguidas, um pequeno sorriso no rosto evidenciando o ar de deboche.
- E você temeu arranharem o seu bebê, mas não a sua morte? - Perguntou incrédulo.
Ela apressou o passo ao aproximar-se do Mustang e soltou a bagagem aos seus pés. Ignorou o comentário e seguiu até o lado do motorista, tocou o teto verde musgo e sorriu boba. Pela primeira vez, depois dos dias tensos, sentiu-se feliz e acolhida ao estar unida a uma das coisas mais importantes para si.
- Mamãe sentiu saudades. - Fez uma voz que reservava apenas para os animais, crianças e seu carro.
Acariciou a lataria e começou a forçar a visão para verificar cada centímetro do veículo. Nada escapou. Testou as maçanetas para ter certeza que não houve arrombamento, deitou no chão e olhou para a parte de baixo do carro. Nada errado. Ergueu-se e abriu o capô, tudo parecia perfeitamente no lugar. Esfregou as palmas das mãos no jeans e pegou novamente suas coisas. Abriu a porta e arremessou no banco de trás.
- Está esperando um convite ou o quê? - Ela perguntou enquanto acomodava-se no lado do motorista, colocava a chave na ignição e ligava o motor. Pisou no acelerador algumas vezes para ouvir o som tão familiar.
Bufou impaciente, esticou-se e abriu a porta do passageiro, aumentou a voz para vencer o barulho do motor.
- Você vem?
O parceiro descansou a mão no topo da porta aberta e confirmou com um gesto distraído. Deu uma última olhada ao redor, a expressão fechada e lançou a própria bagagem para o banco traseiro, depois entrou e bateu a porta. Colocou o cinto, abriu os vidros enquanto começavam a se dirigir para fora do lugar.
Assim que pegaram a rodovia principal, ambos dividiam as atenções ao redor através dos espelhos retrovisores. Era perceptível a tensão, bastava uma olhadela e veria a postura rígida dos agentes. Queriam debater sobre o que aconteceu durante a missão e as descobertas, como agiriam para prenderem o traidor, mas não poderiam arriscar estar com algum tipo de escuta no veículo ou até em si mesmos, afinal, o governo quando queria espiar, sabia fazer muito bem. Por isso, esticou a mão e ligou o rádio, substituindo uma conversa por uma batida muito agradável. Forçou o corpo a relaxar no banco, mas a sua atenção continuava no retrovisor do seu lado, os dedos batucavam na janela aberta, os ventos bagunçando seus cabelos.
Franziu a testa ao ouvir os versos da música que tocava.

Red, red desert, heal our blues (Vermelho, deserto vermelho, cure nossas tristezas)
I'd dive deeper for you (Eu mergulharia mais fundo por você) What a blessing to feel your love (Que benção sentir seu amor)

Engoliu em seco com o rumo que seus pensamentos estavam querendo tomar ou melhor, em quem estavam querendo focar. A sua parceira de trabalho era a única que conseguia fazê-lo perder a compostura, até mesmo se distrair durante uma missão e aquela não era uma boa hora para se deixar levar pelos sentimentos que nutria ou pelas lembranças da noite que tiveram antes de quase matarem um ao outro.
Inconscientemente, sua cabeça virou para a esquerda e viu-se encarando-a ao volante, a maldita música tornando o momento ainda mais sufocante. Não gostava de avaliar os próprios sentimentos, preferia ser racional, pé no chão, uma pessoa prática e as emoções não eram de grande importância para o seu trabalho, podendo até mesmo, significar a morte. Eles traziam fraqueza e detestava fraquejar.

Tell me, would you pack up all your bags, stay true to north? (Diga-me, você arrumaria todas as suas malas, continuaria fiel ao norte?)
You’re the only one I’d do this for (Você é a única para quem eu faria isso)

Mesmo detestando a sensação, o leve frio na barriga que surgiu ao vê-la tão bonita, continuou a admirá-la. Claramente, ela estava focada na direção e tensa, a postura rígida, as mãos apertando firmemente o volante. Poderia tirar uma foto daquele momento, o vento bagunçando o cabelo que chicoteava seu rosto, os óculos escuros escondendo os olhos que tinham o hábito de revirar com frequência, a boca com os lábios rosados e para completar o cenário, o céu azul sem qualquer nuvem que aparecia pela janela aberta. Sabia que sentia bem mais do que deveria e aí morava o perigo, o amor cegava as pessoas.
E temia estar cego.
- Disse alguma coisa?
- Hum? - Ele perguntou despertando de seus pensamentos. Agradeceu aos céus pelas lentes escuras ocultar o seu olhar que provavelmente, devia estar revelando a sua cara de idiota apaixonado.
- Você está me encarando como se quisesse dizer alguma coisa. - Viu arquear uma das sobrancelhas e voltar a atenção para a pista, trocando a marcha do veículo.
- Ah… - tentou pensar em algo. - Estou achando tudo estranhamente… Normal. - Deu de ombros e forçou-se a virar o rosto para o lado contrário. Observou o movimento dos carros ao seu lado.
- Merda.
Ouviu-a xingar e voltou a encará-la, a testa franzida em confusão.
- O que foi?
- Você e sua boca de pântano. - Ela falou num tom irritado e deu um soco no volante.
- Posso te garantir que minha boca está perfeitamente escovada. - Abriu um sorriso provocador.
Ela bufou e tinha certeza que por trás das lentes, revirou os belos olhinhos.
- Não, gênio. - O tom irônico enquanto parecia avaliar algo. - O carro está com algum problema.
- Merda. - Ele xingou tenso, abandonando qualquer expressão de deboche.
- Exatamente.
- O que está errado? - Perguntou atentamente enquanto inclinava o corpo em direção à mulher e forçou a visão para o painel do carro. Os ponteiros pareciam normais, sem qualquer tipo de anomalia.
- O freio está agarrando, talvez seja melhor encostar o carro para dar uma verificada.
Recebeu um aceno positivo.
- Merda.
- O que foi agora? - Ele perguntou tenso.
Viu-a inclinar o corpo para o lado, as mãos firmes no volante, mas a atenção desviada para as próprias pernas. Ela mexeu uma das pernas vezes seguidas, o som do pedal sendo movimentado, mas o carro não teve qualquer reação em diminuir a velocidade.
sentiu as palmas das mãos suarem de nervosismo e se amaldiçoou mentalmente por ter sido tão descuidada. Havia verificado o chão em busca de qualquer vazamento de óleo e realmente, não tinha nada. Chegou a testar os pedais, o motor, antes de saírem do estacionamento, mas não passou por sua cabeça que poderiam ter feito um corte leve para se romper conforme usasse os freios durante o percurso. Agora, forçava o pé e o pedal movia-se sem qualquer pressão, o carro não demonstrava qualquer reação e continuavam em alta velocidade, seguindo o obrigatório para trafegar na rodovia. Não queria sucumbir aos nervos ou não sobreviveriam para matar o traidor. Eles não seriam eliminados, nem por cima do próprio cadáver. Preferiu focar no ódio, raiva e, por isso, voltou a atenção para o parceiro que a encarava, a expressão séria e sem demonstrar qualquer traço de medo, mesmo que não conseguisse ver seus olhos. Sempre invejou o autocontrole do agente, coisa que ela mesma levou anos para aprimorar e mesmo assim, ainda tinha algumas rachaduras.
- O freio não está funcionando. - Soltou num tom de voz tão calmo que parecia estar apontando o clima ao invés de expor o fato de que morreriam.
Observou o homem soltar o ar dos pulmões e xingar baixinho.
- Alguma ideia? - A voz assemelhando-se a dela.
- Freio de mão ou pular. - Deu de ombros e voltou a controlar a direção, o pé forçando o freio, mas bufou irritada ao continuar sem resposta.
- Se pularmos, podemos quebrar alguns ossos e ainda, seremos atropelados.
Encarou-o e ele estava olhando para a frente, os dedos batucando na janela. Parecia uma estátua, o rosto congelado numa expressão pensativa tão familiar. Apostava que estava submersa em suas análises.
- E o freio vai nos fazer perder o controle, rodopiar na pista e podemos atingir alguma coisa. - Ela soltou enquanto observava ao redor da rodovia, os veículos que estavam próximos, tentando avaliar se seria a melhor escolha.
- Essa coisa tem airbags?
Ela riu divertida e olhou-o.
- O que você acha? - Soltou debochada.
- Vamos pular.
Ela morreria - pior que estava prestes a realmente acontecer -, mas não admitiria que sentiu medo. Temeu com todas as forças por sua vida. Queria destruir o traidor, viver muitos e muitos anos, quem sabe construir uma família e claro, rever a sua própria. Por que escolheu aquela carreira? Não poderia ter sido como sua irmã? Escolhido ser uma bibliotecária onde o único risco era se cortar com papel, mas não.
- Qual a graça? - Ouviu-o perguntar indignado.
Ela virou o rosto e abriu um sorriso bem debochado.
- Nós não vamos morrer.
- E como você sabe? Virou vidente?
- Porque ainda não é a nossa hora. - Mostrou a língua tentando soar descontraída, mas à beira da morte não teria como se sentir assim. O rosto pareceu mais uma careta esquisita.
Voltou a atenção para a direção. Tentou mais uma vez - o fiapo de esperança prestes a se romper- pisar no freio e nada. Soltou o ar dos pulmões e manteve as mãos firmes no volante.
- .
Revezou a atenção entre o parceiro e a direção. Franziu a testa ao reparar na expressão incomum que tinha no rosto e só reparou que teve o desprazer em vê-la, quando estavam prestes a assassinar um ao outro. Ele soltou o cinto de segurança e encostou uma das mãos no painel a frente.
- Eu te amo.
O carro deu uma guinada para a esquerda, mas ela conseguiu retomar para o trajeto. Tinha certeza que seus olhos deviam estar do tamanho de pratos.
- PENSEI QUE VOCÊ FOSSE VIR COM UM PLANO E VEM COM UMA DESSAS? - Ela berrou, a voz estridente pela indignação e a adrenalina correndo por suas veias.
- Se estou dizendo é porque há chances… - Rebateu magoado, mas foi interrompido.
- NÃO QUERO SABER DAS CHANCES! - Sacudiu as mãos perdendo o controle e agarrou novamente o volante. Soltou o ar e normalizou a voz. - Estamos prestes a pegar a descida para o viaduto que liga o centro da cidade. Ou pulamos e jogamos o carro para o acostamento ou inocentes vão morrer. - Sinalizou a pista a frente que começava uma pequena inclinação e que faria o carro seguir ainda mais rápido, sem controle.
Ele apenas desviou o olhar para frente e confirmou com um gesto de cabeça.
- Temos dois minutos. - Ela informou.
Sabia que precisava recuperar o autocontrole, as mãos estavam escorregadias no couro e o coração batia com vontade em seu peito.
- Sobe no banco e mantém a direção, assim que eu pular você guia para a esquerda e pula. - Falou com a voz firme, olhou-a com intensidade e deu um leve aperto em uma de suas mãos, um evidente sinal de despedida.
Ela engoliu em seco e confirmou com um gesto de cabeça.
abriu a porta que escancarou com a força do vento e segurou-se no topo, os cabelos balançavam-se revoltados.
- UM MINUTO! - Ela gritou para incentivá-lo na pressão.
O parceiro cruzou os braços na frente do rosto e caiu no asfalto, rolando. Ouviu buzinas, freadas e pelo retrovisor viu-o caído, um carro parado em frente.
Agora, sabia que era com ela.
Começou a ver o início da inclinação que faria o veículo descer sem destino. Respirou várias vezes seguidas de forma curta, jogou a perna para o lado do passageiro, o vento invadindo fortemente a cabine, a porta batendo num movimento para frente e para trás, o som de metal e várias buzinas de motoristas que não compreendiam a cena. Manteve a mão na direção, contorceu-se para conseguir ficar com metade do corpo no lado que o parceiro ocupava anteriormente. Sentiu o ferro do freio de mão machucar a coxa.
Contou até três e virou a direção para a esquerda, assim que o carro começou a seguir em direção ao concreto do acostamento, ela largou e virou o corpo para a porta aberta, protegeu o rosto e atirou-se, pois não tinha mais tempo. Fechou os olhos e gritou de dor ao sentir o impacto do corpo de encontro ao asfalto. Quebrou algum osso do braço no processo de proteger a cabeça enquanto rolava pelo asfalto. Em meio a cegueira do sofrimento que irradiava por todo braço, mais forte na região do ombro, não conseguiu manter fortemente em frente ao rosto e, por isso, uma das bochechas ralou e bateu no chão. Ouviu freadas bruscas e uma explosão. Girou mais duas vezes e parou de barriga para cima, forçou os olhos a se abrirem e enxergou o céu, notou algo quente escorrer por suas bochechas e não soube identificar se eram lágrimas ou sangue, provavelmente ambos. Uma agonia dilacerante percorreu o seu corpo e deu um grito angustiante, a visão começou a escurecer e até que se apagou de vez.



A escuridão acompanhava o vazio. Não havia dor ou pensamentos, apenas um descanso, o abandono de sua existência e consciência. E repentinamente, como o estalar de dedos, toda a bagagem retornou, atingindo-a feito uma bola de demolição.
Os olhos abriram, a mente recobrou as lembranças, os sentimentos e as últimas sensações frente à morte. Sentiu o desespero infiltrar em suas veias, rastejar até o coração e acelerar os batimentos, tornando o bipe da máquina mais agitado e com isso, sua cabeça começou a latejar insuportavelmente, parecia prestes a explodir os seus miolos. Os pulmões pareciam ter sido comprimidos, sufocando-a enquanto respirava rápida e superficialmente. As lágrimas embaçando a visão, o quarto branco desfocado. Estava mergulhada no efeito rebote causado pela experiência de quase morte. Instintivamente, tentou erguer as mãos até cobrir o rosto, mas uma dor alastrou-se por toda a extensão do braço esquerdo e percebeu o peso do gesso.
- Calma! Está tudo bem! - Reconheceu a voz feminina e como a última gota do copo cheio d’água, as emoções que estavam dentro de si, romperam-se e o choro escapou por sua garganta.
Diana estendeu uma das mãos e acariciou os cabelos da mais velha.
- Respire fundo, devagar. - Aconselhou. - Isso… - Conferiu a tela da máquina ao lado da cama e continuou o gesto reconfortante.
não ousou desviar a atenção, mesmo que estivesse chorando como nunca havia feito na vida.
Ela estava viva. - Pensou em meio à turbulência que a atingia em cheio.
Fechou os olhos e respirou fundo, diversas vezes, o aperto no peito e o sufocamento abandonando-a conforme absorvia aquele pensamento.
- Mais calma? - A caçula sussurrou ao secar cuidadosamente o rosto da outra com um lenço de papel.
A agente confirmou com um gesto de cabeça e soluçou algumas vezes, até alcançar a calma. Passou a língua seca pelos lábios e ardeu. Deveria estar uma bagunça de cortes e roxos, inclusive estava com o braço quebrado.
- Se sente melhor?
- Sim… Obrigada. - Respondeu com um pouco de dificuldade, a garganta seca.
Agora que as lágrimas se foram, podia ver com clareza as feições da irmã e reconheceu os traços que eram tão parecidos com os seus. Além disso, percebeu o olhar que demonstrava uma familiar dureza e um claro sinal, de que deveria preparar os ouvidos.
- Um dia, você ainda vai me matar. - Soltou num tom que teve a intenção de ser duro, mas a voz saiu magoada e o rosto da mais jovem, demonstrou a preocupação e pesar. Cruzou os braços e deixou o ar escapar dos pulmões.
- Não se eu morrer antes. - Rebateu num tom ácido que não foi proposital, mas não estava sabendo lidar com a situação que havia enfrentado.
A sua mente ficava programada para a morte apenas durante as missões. Quando estava numa situação comum da sua vida, longe do seu papel de agente, a morte parecia uma possibilidade tão distante. O que enfrentou, girou uma chave que a fez compreender que a morte vivia fungando em seu cangote e tudo era questão de tempo, até que a sua hora chegasse. E tomar consciência sobre isso, transformou-se em algo assustador e que a deixou fora de controle das suas próprias emoções.
- Eu não estou brincando, .
- E eu pareço estar? - Perguntou com a voz fria, encarando-a diretamente, a expressão dura.
A outra suspirou derrotada e passou as mãos pelo rosto, jogou uma mecha de cabelo para trás e voltou a mirá-la.
- Até quando terei medo de atender o meu próprio telefone? - Ergueu-se da cadeira e deu as costas, andando de um lado para o outro do quarto. Virou-se em sua direção novamente, apoiou as mãos na cintura. - Todas as vezes que ele toca, temo por receber uma notícia sobre a sua morte. - Finalizou com a voz embargada. Escondeu o rosto com as mãos e abafou o choro.
O coração de parecia prestes a se partir, pois sabia que a culpa era totalmente dela. A mão livre do gesso, agarrou com força a coberta e desviou o olhar para o teto, a visão tornando-se novamente embaçada.
- Eu sinto muito, Didi. - Confessou num fiapo de voz, usando o apelido de infância da caçula.
Desviou a atenção do teto ao sentir o toque quente da mão de Diana na sua, fazendo-a afrouxar o aperto e mirá-la.
- Sempre admirei a sua coragem, mas tenho muito medo de perdê-la… - Segurou a mão dela com ambas, fungou e voltou a encará-la. - Sinto vergonha por ser tão egoísta, mas não quero perder a minha irmã mais velha. - Abriu um sorriso emocionado e fungou novamente, passando o antebraço no rosto para evitar soltar a mão da agente.
- Eu também não iria querer ter apenas o Doug como irmão. - Ela riu e gemeu de dor com o movimento do corpo.
A outra riu meio chorosa.
Rezou que a caçula tivesse mantido segredo sobre o seu estado de saúde.
- Alguém mais sabe?
Viu-a negar com um gesto de cabeça antes de dar um último aperto reconfortante e ocupar novamente a cadeira ao lado da cama.
- Há quanto tempo estou aqui? - Perguntou num murmúrio rouco.
- Dois dias.
A boca abriu levemente de surpresa. Encarou o próprio braço engessado e com a outra mão, esticou tentando checar a extensão de suas feridas e fez uma careta de dor ao tocar a maçã do rosto.
- Me sinto péssima. - Confessou.
Descansou contra os travesseiros e gemeu baixinho ao sentir todo o corpo reclamar. Tudo doía, nenhum centímetro saiu ileso, mas saber que estava viva era reconfortante.
Fechou os olhos e agradeceu aos céus por sair com vida.
- Vai ser bom evitar espelhos por um tempo. - A caçula provocou e forçou um sorriso divertido, recostou-se na cadeira e soltou um bocejo.
tentou sorrir, mas desistiu quando sentiu doer.
- Obrigada.
Recebeu um leve aceno de cabeça em resposta e viu os olhos de Diana encherem-se de lágrimas.
Percebeu um movimento no vidro da porta do quarto e desviou o olhar do rosto da irmã. Reconheceu quem estava do outro lado e fez um sinal discreto com a cabeça, vendo-o desaparecer em seguida. Aconteceu em poucos segundos, por isso a outra nem percebeu.
- Você deveria ir para casa e descansar. - Sugeriu e forçou um sorriso, mesmo que doesse o repuxar dos lábios.
- Eu vou ficar bem. - Reforçou.
Ouviu-a suspirar derrotada e bocejar novamente, cobriu a boca com uma das mãos e riu.
- Tem certeza? - Perguntou incerta enquanto erguia-se da cadeira e esticava o corpo.
- Qualquer problema eu te ligo. - Forçou o melhor sorriso enquanto doía o rosto.
- Promete? - Encarou-a diretamente como se pudesse identificar o menor sinal de que a irmã estivesse mentindo.
- Prometo, Didi.
Ela soltou o ar dos pulmões parecendo aliviada pelo o que encontrou nos olhos da mais velha e deixou a postura relaxar. Pegou a bolsa que estava pendurada no encosto da cadeira e colocou no ombro, agarrou a alça com ambas as mãos e aproximou-se da cama, depositou um beijo na testa da agente e sorriu.
- Daqui algumas horas, eu volto. - Avisou num tom sério.
- Tudo bem. - Confirmou com um gesto de cabeça e sorriu divertida, mesmo que não alcançasse o olhar. - E eu estarei no mesmo lugar.
- Até mais, irmãzinha. - Despediu-se e seguiu até a porta, abrindo-a e virou-se após passar pelo batente, parando no corredor. Olhou novamente para dentro do quarto e sorriu, lançando um beijo. Fechou a porta e partiu.
aguardou alguns segundos para ter certeza que Diana havia partido e soltou o ar dos pulmões, ajeitou o corpo nos travesseiros e fazendo careta, inclinou-se melhor, preparando-se para a conversa que teria.
Pelo mesmo lugar que a irmã havia ido, Joshua entrou silenciosamente e fechou as persianas para impedir que as pessoas que circulassem pelo corredor tivessem uma visão do quarto.
Observou o chefe direto dela e de , disfarçando as suspeitas que enchiam a sua cabeça. O homem vestia roupas casuais, aparentemente com a intenção de passar despercebido pelo hospital. Quando, finalmente, seguiu até a cadeira e sentou-se, tinha uma expressão de alívio em seu rosto marcado pela idade. Cruzou o tornozelo em um dos joelhos e os braços também, descansou o corpo no encosto da cadeira e olhou-a diretamente. Pareceu avaliá-la por longos minutos e finalmente, sorriu parecendo satisfeito com o que viu.
- Eu ainda não morri. - Comentou acidamente e amaldiçoou mentalmente por deixar a dor transparecer em seu rosto ao movimentar o braço engessado.
- E fico extremamente aliviado por isso. - Sorriu parecendo sincero.
E torceu para que realmente fosse verdade, pois sempre gostou do homem e havia ensinado muita coisa para ela. Não poderia descartá-lo como traidor, mas ao mesmo tempo, não conseguia manchar a imagem dele em sua mente. Deveria apenas etiquetá-lo com essa possibilidade sem deixar que seus sentimentos de consideração, tornassem-na cega para os detalhes.
Se a tentativa de matá-la tivesse sido orquestrada por ele… Aí sim, ele desejaria jamais ter cruzado o seu caminho.
- E o meu coração está saltitante e banhado em alegria ao saber disso. - Ironizou, revirando os olhos.
Viu-o abrir um sorriso divertido, mas que durou pouco tempo e deu lugar a uma expressão séria, determinada.
Por um segundo, ela acreditou no que enxergava em seu rosto.
- Nós vamos pegá-los. - Falou confiante.
- E como sabe que são vários? - Perguntou com uma expressão desconfiada, mas se arrependeu e forçou a raiva para transparecer em seu rosto numa tentativa de disfarçar suas desconfianças.
Ele franziu a testa e deu de ombros.
- Não acredito que tenha sido apenas uma pessoa.
Ela fingiu pensar pelo mesmo caminho, mas notou o olhar avaliativo em sua direção.
- E o ? - Perguntou num tom preocupado.
- Se te tranquiliza, ele não está melhor que você. - Provocou. - Mas fraturou algumas costelas, quebrou uma perna e teve uma leve concussão. - Enumerou com uma das mãos e deu de ombros no final. - Está hospedado no final do corredor e tentou fugir duas vezes para vir te ver.
Ela ficou mais aliviada ao saber que o parceiro estava bem e vivo, precisou lutar para manter a expressão neutra enquanto apenas dava de ombros com a informação, pois Joshua mirava-a muito atentamente, o que a incomodou.
- O que está acontecendo entre vocês? - Soltou sem rodeios.
Ela franziu a testa surpresa, lutando para não se abalar. Sabia que ele costumava ser o tipo de pessoa direta, sem qualquer delicadeza ao questionar sobre alguma coisa e naquele momento, parecia ter grandes suspeitas ou saber sobre o que realmente aconteceu entre seus agentes.
- Apenas duas almas vingativas que estão unidas por desejo de sangue. - Respondeu com o tom mais doce e deu de ombros para finalizar.
Ele bufou achando graça.
- Você já foi uma mentirosa muito melhor.
Ela encarou-o ofendida.
- Nunca vi o tão desesperado para te ver e olha que vocês estiveram muitas vezes em uma cama de hospital. - O olhar parecia atento a cada detalhe na linguagem corporal da mulher e isso, tornou-a nervosa.
- Deve ter batido muito forte com a cabeça. - Deu de ombros, fazendo pouco caso.
E o comentário doeu em seu coração.
Avaliou-a por mais uns minutos, ambos em silêncio, até que deu um leve tapinha em uma das pernas da agente e ergueu-se da cadeira. O rosto parecendo satisfeito com o encontro.
- O seu carro já era e talvez, seja melhor acionar o seu seguro. - Descansou as mãos na cintura. - Amanhã, ambos vão receber alta e devem se manter longe do trabalho até estarem cem por cento recuperados. - Estendeu uma das mãos em um gesto para se calar. - Estamos investigando o rastro de vocês e qualquer novidade serão informados.
- Mas…
- Não, agente .
- Mas…
- Nada de “mas”… - O tom autoritário. - É uma ordem. - Finalizou e seguiu até a porta. Abriu e virou-se para a mulher. - Talvez, seja melhor evitar espelhos por um tempo. - Aconselhou achando graça e partiu, fechando a porta atrás de si.





estava inquieto e com dor, além do desejo incansável de ver com os próprios olhos e que arrancava de si qualquer raciocínio. Há dois dias esperava notícias dela e inclusive, tentou fugir mesmo que fosse uma merda com a perna engessada. Depois que teve que se atirar do carro, apenas ouviu uma explosão e mais nada, despertou no hospital enquanto recebia atendimento. Poderia ter se preocupado em sobreviver, mas não se importou com isso e foi algo assustador, pois sua mente e todo seu ser, queria apenas que a parceira estivesse bem e respirando.
Quando soube que o carro havia explodido e ninguém abriu o bico sobre a mulher, surtou totalmente e tentou fugir do quarto, mas falhou miseravelmente. E quando achou que estava prestes a surtar ao ponto de tentar assassinar o vigia em sua porta com uma faca de plástico, Diana apareceu como um anjo salvador e contou o estado de saúde da irmã mais velha. Ela havia acordado e estava bem, mas com o braço engessado, costelas fraturadas e muitos cortes.
O alívio com a notícia não foi cem por cento, pois estava necessitado em vê-la com os próprios olhos, tocá-la com as mãos e os lábios.
Xingou baixinho com o rumo dos próprios pensamentos.
Foda-se, foda-se tudo e muito mais.
Estava mergulhado de cabeça naquela merda e não tinha mais como enganar a si mesmo. E além disso, havia se declarado para a mulher antes de se atirar para a morte.
E o que recebeu em troca?
Ela soube ser a mulher por quem havia se apaixonado, - sorriu com o pensamento, mas fez uma careta de dor com o gesto. - gritou com ele e não respondeu nada.
Será que compartilhava de seus sentimentos? O que experimentaram em Saimpton deixou marcas incuráveis em seu coração e não tinha mais forma de apagá-las, eram como tatuagens e que marcariam as camadas de seu peito por toda a eternidade. Entretanto, o medo de não ter alcançado o mesmo trajeto que os sentimentos dele, fazia-o temer pelo futuro.
E se a agente não o amasse da mesma forma?
Ela confessaria, né?
E ele desistiria de tudo? Como reagiria?
Xingou novamente e cobriu o rosto com as mãos, uma dorzinha bem leve persistindo dentro do seu peito.
Detestava lidar com as emoções e sempre foi bom em gerenciá-las, mas quando se tratava da parceira, o seu autocontrole ia para o espaço numa nave e só retornava quando estava bem longe do Sol que ela era para si mesmo. Se fosse aprofundar em tudo que pensava ou gostava na mulher, escreveria uma enciclopédia acompanhada de muitos poemas sobre a cor dos olhos que o deixavam fora de órbita toda vez que estavam em sua direção.
Emoções eram ruins, quando colocadas em primeiro plano em momentos errados. Tudo tinha sua hora e lugar e aquela não era a hora certa. Ambos tinham outras prioridades.
Começou a listá-la em sua mente para acalmar a si mesmo e assumir a pele do agente que tinha anos de treinamento e excelência em seus casos.
1. Encontrar e verificar as extensões de seus ferimentos.
Xingou mentalmente.
Lá estava a sua paixão e as emoções agindo, colocando-a no topo de sua lista de prioridades.
2. Conversarem sobre Joshua e suas suspeitas.
Droga, sabia que estava se esquecendo do próprio chefe. E analisando de forma fria, assumindo os seus instintos investigativos, desconfiava do homem, não tinha como e algo dentro de si, era como um apito irritante toda vez que estava à frente do superior.
Pressentia que tinha alguma coisa muito errada acontecendo e é algo, muito, muito grande.
O homem visitou-o mais cedo enquanto esperava a agente despertar e estava assumindo uma postura mais civil, sem que chamasse atenção no hospital. Questionou o relacionamento com sua parceira e não pareceu totalmente contente com a resposta. Foi inocente o suficiente para acreditar que receberia uma resposta sincera sobre o assunto, além do mais, chutaria o balde, a carreira pela mulher, caso fosse necessário.
Droga! Realmente estava apaixonado e isso não poderia ser gritado aos céus ou seria perigoso demais. O inimigo, quem quer que fosse, poderia explorar essa fraqueza e acabar com ambos numa tacada só.
3. Formular um plano para descobrir os traidores.
4. E não serem descobertos.
Esse último item era muito importante, pois poderiam estar sendo vigiados a todo instante.
Prendeu a respiração, apoiou uma das mãos no lado do tórax que havia fraturado as costelas e foi descendo a perna boa da cama, bem devagar e soltando alguns gemidos de dor durante o processo. Quando o pé bom tocou o chão, respirou fundo novamente para criar coragem e voltou a atenção para a perna engessada que continuava na cama. Ficou tão absorvido pela dor e o processo lento de se libertar daquela cama que tomou um susto, quando a porta se abriu e levantou o olhar, preparando-se para lutar com quem quer que fosse.
- Aonde pensa que vai, fujão?
Lá estava ela.
E ao vê-la, o seu coração bateu agitado ao ponto de doer em suas costelas.
Deveria dizer alguma coisa inteligente para rebate-la, mas…
- Você está péssima.
Ela revirou os olhos e xingou baixinho, parecia irritada.
- Digo o mesmo sobre você. - Sorriu debochada, mas fez uma careta de dor em seguida. - Parece que teve a mesma ideia que eu, mas como sempre, fui mais rápida. - Apontou para o agente e continuou provocando-o.
Ele revirou os olhos com falsa irritação, pois estava era feliz em vê-la, mas sentiu-se uma merda por não ter sido capaz de alcançá-la primeiro.
- Vou te ajudar. - Ela anunciou num tom calmo, livre de qualquer ironia e seguiu até o lado da cama.
- Não… - A mão por reflexo foi para a barra da camisola do hospital para cobrir o meio de suas pernas enquanto a parceira agachava-se e agarrava com cuidado a canela masculina.
Como em câmera lenta, o toque dela aqueceu todo o seu corpo e aumentou o desejo em tocá-la, mas apertou com força o tecido no lugar para evitar demonstrar além do que devia. Ergueu a perna e colocou-a com cuidado no colchão, afastou a mão e ficou parada ao lado da cama.
Por mais que não tocasse mais sua pele, ainda poderia jurar que o calor continuava no local.
Olhou-a mais de perto e viu com mais atenção a extensão dos machucados no rosto da mulher. Havia levado pontos num corte na testa, uma das bochechas estava raladas e com cortes rasos, a maçã do rosto esquerda estava com um roxo e parecia ter sido nocauteada, os lábios inchados e rachados. Além disso, o braço esquerdo estava engessado e apoiado por uma tipoia. Os cabelos estavam soltos e bagunçados, vestia a mesma camisola de hospital que o parceiro e calçava chinelos. Engoliu em seco, quando o corpo começou a esquentar com a compreensão que a mulher estava coberta apenas com aquele tecido fino no tom de azul escuro.
Desviou o olhar do rosto dela e encarou o teto, tentando acalmar as emoções ou a situação se transformaria em constrangimento.
- Estamos vivos. - A voz emocionada chamou sua atenção e voltou a mirá-la, a testa franzida em surpresa com o tom.
A agente estava ocupando uma cadeira ao lado da cama, o corpo relaxado, a mão boa tocando levemente o gesso ferido.
- Sim. - Ele deixou o corpo descansar cuidadosamente contra os travesseiros e soltou um suspiro aliviado.
- Joshua passou por aqui?
Voltou a encará-la e compreendeu o olhar que lançou em sua direção.
Deveriam manter as aparências, pois poderiam estar sendo vigiados.
- Sim e estamos afastados do serviço.
- E isso é uma merda. - Soltou indignada.
- Diana me visitou mais cedo. - Falou despreocupado, mas o olhar atento ao rosto da mulher.
- Um anjo. - Ela ironizou.
Ele riu.
- O que você não é. - Provocou. - Como podem ser tão parecidas, mas tão diferentes? - Perguntou pensativo ao lembrar da primeira vez que as viu juntas, depois de concluírem uma missão, anos antes.
- Genética? - Supôs divertida.
Riram mais uma vez e ambos desviaram os olhares para qualquer canto do quarto. Queriam dizer muito mais do que demonstravam, mas estarem na presença um do outro, sobreviventes mais uma vez, conseguiu transmitir muito mais do que as palavras poderiam. Arriscam as próprias vidas pelo bem do país, pela segurança das milhares de vidas, principalmente, de suas famílias, confiando apenas um no outro para completar cada missão sem arriscar a segurança nacional. Há quanto tempo viviam assim? Parecia uma eternidade. Foi um golpe de sorte ter sido alocado com uma parceira tão talentosa e lembrar que quase executaram um ao outro, era doloroso.
Eles tinham que vencer o traidor e iriam.




Continua...



Nota da autora: ELES ESTÃO DE VOLTA!!! Essa dupla que mostrou que sua história poderia ir além de apenas um ficstape. Estou muito feliz em retornar com esses agentes e ansiosa para derrubarem o traidor. Esta fic é a continuação do ficstape 08. crushcrushcrush.




Outras Fanfics:
  • 08. crushcrushcrush
  • Café com Pattinson [Atores - Robert Pattinson/Em Andamento]
  • Dark Angels [Restritas – Originais – Em Andamento]

    Nota da beta: Já estou mais animada em quando esse casal vai assumir que se ama do que para descobrir quem é o traidor! Hahaha
    Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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