Desculpa Se Te Chamo de Amor - 2

Última atualização: 30/10/2020

Capítulo 1

Nunca foi fácil. Nada na vida dela havia sido fácil. Entretanto, as pessoas viviam dizendo-lhe que tivera muita sorte. Que uma mulher tão jovem quanto ela era, só podia ter sorte.
Não foi sua inteligência, sua audácia e sua força de vontade que a levaram até onde estava.
Fora apenas sorte.
Ah claro. Ninguém sabia das noites mal dormidas, do cansaço físico e mental para sempre seguir o melhor caminho nos negócios. Das varias portas fechadas. Da sua vida pessoal desmoronando a sua volta. Dos erros que havia cometido até ali.
Havia errado, querendo tanto que os outros a vissem como uma mulher de poder, que deixara de lado o mais importante.
O amor.
Depois de ter seu coração machucado da maneira mais cruel, ela simplesmente desistira.
focou na sua carreira assim que chegou em Bruxelas e como todo mundo dizia, ela tivera muita sorte. Se sorte fosse sinônimo de garra, podia concordar.
Mas o que valia a pena abrir mão, em troca de todo o status que queria? não sabia. Até porque, nada daquilo importava. Não mais. O grande amor da sua vida estava morrendo.
Todo mundo passa por um momento decisivo na vida. E depois de cinco anos longe de casa, ela precisava voltar.
Sophie havia sido diagnosticada com câncer na garganta, há pouco mais de um ano. O mundo abaixo dos pés dela simplesmente caíra. Sua mãe fizera tratamento na Inglaterra e nenhuma vez – ela morria um pouquinho, toda vez que pensava nisso – fora visitá-la. Estava ocupada demais, com o maior evento da sua vida. E logo depois do tratamento sua mãe parecia estar bem.
Porém, havia recebido uma ligação do pai há algumas semanas.
O câncer havia voltado e dessa vez mais forte. Benedict dissera que a esposa estava cansada e fraca demais, devido ao primeiro tratamento. Então optara por não seguir com aquilo dessa vez. Assim, esperava ter mais um tempo de vida. Eles não sabiam ao certo quanto.
Foi quando tudo a volta de desabou de novo.
E então ela se perguntou; onde estava a sorte que todos diziam que tinha?
O caminho havia sido cansativo e quando chegara na rua da sua antiga casa, sentira uma sensação estranha. Já tinha apagado todas as lembranças daquele lugar. Todas as que a deixaram magoada. Não era mais uma garota boba e seu coração estava protegido por centenas de barreiras.
– Como você está? – quis saber , descendo do carro.
Ela encarou os olhos verdes do amigo e sorriu.
– Com medo.
Ele assentiu em silêncio.
havia se tornado seu melhor amigo no primeiro dia de aula de fotografia. Por mais que odiasse os homens, ele era o seu preferido e valia dizer, o único. Bem, para falar a verdade, ele se tornara seu consolo e um algo a mais – ela estava com o coração partido e frágil, logo que chegara em Bruxelas. Fora quando, percebera o erro. Estava depositando toda sua carência no rapaz, sem sentir nada por ele, além de amizade. Depois de alguns meses de relacionamento, ela abrira o jogo. E fora a melhor decisão. se tornara seu melhor amigo, porque diferente de qualquer outro homem, ele a compreendera muito bem e estendeu sua mão. E no fim, não parecera se importar muito. era o cara mais namorador que ela já conhecera.
Agora ambos trabalhavam em sociedade na Zoet, desde então. Uma agência de eventos renomada no país e região.
Mal sabia ela que assim que chegasse na casa dos avós, sua vida mudaria completamente. Havia conseguido emprego em uma empresa de eventos, – graças a – cuidava de um pequeno setor e às vezes ajudava os garçons em algumas festas. Depois de cinco meses, sua chefe a contratara como assistente e fora onde tudo começou. Ela adorava cuidar de tudo e sempre fora atrás do que o contratante pedia, e se o cliente a deixasse, ia além. Porém, nunca fora valorizada. Mia, a dona da empresa, sempre falava para todo mundo, que havia sido feito dela. nunca recebera um elogio ou agradecimento. Fora então, que Serena, uma mulher de quase quarenta anos, que trabalhava na administração da empresa, lhe dera um conselho, falando que todo mundo sabia que a agência estava crescendo, por conta de . Que ela deveria seguir sozinha e se precisasse, teria ajuda.
e Serena foram às pessoas que mais a incentivaram. Com o dinheiro de , a sabedoria de Serena para administrar a empresa e a audácia de para construir o resto. Eles formaram a Zoet. E depois de tanto sofrimento e decepções, sua vida seguirá um belo rumo.
A Zoet – seu nome em holandês – havia começado com produções de festas e eventos, tinha grandes contratos assinados em boa parte do país. Não era apenas em Bruxelas – onde ela morava e tudo começara – que seu nome era conhecido por agentes de shows e casas de festas; tinha uma grande área da parte Norte e Sul que a chamavam em várias ocasiões.
Seu último triunfo e o qual fez sua ficha cair, que tinha conquistado tudo o que ela um dia sonhara, fora um contrato de um ano e meio, com Ed Sheeran.
A Zoet, tinha sido escolhida pelo artista para construir sua turnê mundial. E fora quando ela decidira, juntamente de , em mudar a empresa, cobrindo apenas eventos como aquele.
E então, depois de muita luta ao lado do seu melhor amigo, havia conquistado seu pequeno lugar no mundo.
E lá estava ela, cinco anos depois, ao lado do seu fiel confidente. Ele era o único que conseguia amolecer um pouco do seu coração. Mas só um pouco.
– Não consigo ver isso aqui – disse ela em frente à casa. – E acreditar que há ultima vez que saí de casa, nunca mais voltei.
– Então – disse , dando um passo a frente dela, parando um instante. – Bem vinda, de volta ao lar.
engoliu em seco e apertou um sorriso.
Meu Deus, era inacreditável estar ali depois de tanto tempo.
Quando a segurou pelo braço e a puxou até a porta, por um instante, quis correr para longe e fugir. Mas precisava desesperadamente ver a mãe. Por mais que não dissesse isso a ninguém, queria o colo dela de novo. Queria ter o poder nas mãos, para tê-la, eternamente do seu lado. Havia errado uma vez, não faria essa besteira de novo.
Não tivera tempo de apertar a campainha, seu pai abrira a porta, com um sorriso enorme e braços abertos.
– Ah, minha princesa! – ele a abraçou com força. – Sophie, ela chegou! Ah , não acredito que está aqui, minha filha!
Podia jurar que havia lágrimas nos olhos dele.
– Oi pai, que saudade.
Não ia chorar. Não ia chorar.
– E acho que esse é o , certo? – indagou o Sr. , não largando da filha, para cumprimentá-lo.
– Olá senhor Benedict, um prazer conhecê-lo.
– Igualmente meu rapaz – respondeu, o cumprimentando com um abraço de lado. – Vem, vamos ver Sophie, ela está animada hoje.
assentiu, segurando a mão do pai com força.
Não ia chorar.
A casa estava exatamente da maneira como se lembrava. Havia pouca coisa fora de lugar ou nova, mas até o perfume dizia que ali era onde tinha nascido. Tinha também fotos dela espalhadas pela sala inteira. Fotos de quando era jovem, dela no Rio de Janeiro e algumas que enviava aos pais, dela na Bélgica.
Seu pai caminhou pelo corredor, para onde ficava a pequena biblioteca deles. Sophie estava acomodada lá. Era melhor mudar o quarto deles para o andar de baixo, assim ela não precisava fazer muito esforço.
Quando chegaram em frente a porta da antiga biblioteca, sentira um nó na garganta. Benedict, dera um passo para o lado, deixando a filha passar.
Seu coração batia com violência contra o peito. Não ia chorar.
– Ai meu Deus, minha filhinha está em casa! – comemorou Sophie, com os braços estendidos.
Não ia chorar.
Sua mãe estava totalmente diferente do que fora um dia. Devia estar uns vinte quilos mais magra, o cabelo estava curtinho e seus olhos pareciam fundos. Mas o sorriso, ah... como sentira falta daquele sorriso. O mesmo sorriso doce da sua amada mãe.
Meu Deus, não podia chorar.
– Oi mãe! – falou, com a voz trêmula.
– Vem aqui querida.
Ela deu alguns passos, se aproximando da cama, sendo acolhida pelos braços de Sophie . Por um instante, lembrara de quando era criança e corria para o colo dela.
Por um instante, nada havia mudado.
– Como você está linda, meu amor.
– Você também mãe – disse, passando a mão no rosto de Sophie.
Sua mãe lhe dera um beijo, saudoso e depois se afastara um pouco, olhando por cima dos ombros de .
– Ah esse é o garoto? – disparou ela, olhando na porta.
– Sophie... – ralhou Benedict.
– Querido, você é mais lindo pessoalmente. Venha até aqui, quero ver vocês dois de perto.
– Mãe!
Sua mãe sempre implicava, falando que e ela eram um casal.
– O que foi? Vai me dizer que vocês são só amigos? – cutucou ela. – Você pode enganar sua avó, mas a mim, não!
se abaixou, perto da cama, pegando a mão de Sophie e a beijando em seguida, como um legítimo cavalheiro.
– Um prazer finalmente conhecê-la, Sra. – ele olhou de canto e depois sorrira de lado. – Ficamos bem juntos?
– Os filhos de vocês, serão lindos.
– Confesso que também acho – cochichou ele.
– Cala a boca, – disse ela, balançando a cabeça. – Como você está mãe?
Sophie sorriu para e depois para ela.
– Muito feliz de ter vocês aqui.
– E de saúde, mãe – disse impaciente.
Estava com medo. Para falar a verdade, estava apavorada. Fora por isso que decidira voltar para a Inglaterra. Ela queria que a mãe tirasse da cabeça aquela ideia estúpida de não fazer tratamento.
– Filha – começou Benedict. – Acho melhor conversarmos disso outra hora, vocês acabaram de chegar.
– Não querido, está tudo bem – respondeu a esposa. – , meu anjo, estou bem.
– Mas você não quer fazer o tratamento.
– Será melhor assim.
Não ia chorar.
– Eu não consigo entender – se levantou, se afastando da mãe. – Você... você prefere morrer, do que tentar viver.
! – esbravejou seu pai. – Sua mãe está doente, por favor.
– Sim, é exatamente isso que eu estou falando. Vocês são dois egoístas. Ela é a minha mãe!
– Nós que somos egoístas?
– Querido.
– Não Sophie, eu não aceito isso – Benedict nunca perdera a paciência com sua filha. – Você não estava aqui quando ela descobriu o câncer, não estava aqui quando o cabelo dela começou a cair, não estava aqui para segurar a mão da sua mãe. Onde você estava? Me fala, onde você estava ? Não abra a boca, para decidir alguma coisa nessa casa. Você não tem mais esse direito!
– Benedict! – vociferou Sophie.
que ficara paralisado durante a discussão, puxou para fora do quarto.
Havia chego há cinco minutos e já causara uma briga. Ela estava despedaçada e assustada. Seu pai nunca falara daquele jeito com ninguém, muito menos com ela. Era como se Benedict fosse outra pessoa.
– O que acha de tomar um ar lá fora? – perguntou .
Ela apenas assentiu. Se dissesse qualquer palavra, quebraria em pedaços. Não existia nenhuma expressão ou sentimento que definisse o que estava sentindo naquele momento. Ver a mãe sorridente era maravilhoso e reconfortante. Mas não era o que queria.
Queria Sophie viva. Não conseguia entender porque o pai, concordava com aquela ideia. E porque havia agido de tal maneira.
a levou até o carro novamente, saindo dali o mais rápido possível.
Queria ter agido de outro modo, queria abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem. Não queria soar agressiva nas palavras. Não deveria ter questionado sua mãe tão rápido. Deveria ter dado tempo ao tempo, mas estava tão apavorada que não sabia o que sentir. Queria que Sophie tentasse o tratamento, pelo menos por um tempo. Ela podia se curar. Era o que mais desejava no mundo.
Essa era sua única chance de mudar o que havia feito. De colocar o amor acima de tudo.
Onde ela estava quando tudo aquilo aconteceu? Queria responder, mas não tinha coragem.
O amor da sua mãe. Era o que ela mais queria. Uma segunda chance.
Bem, agora seu pai parecia odiá-la também. Inferno.
Ela olhou, sem de fato ver, a silhueta de sentado do seu lado.
Ele a envolvera em seus braços sem dizer nada.
E então, ela chorou.

DSTCDA -


Meredith tinha grandes problemas com álcool e antidepressivos. Era por esse fato que Aurora só podia visitá-la nos finais de semana; e não em todos. Apenas dois por mês e ela escolhia quando gostaria de ir. Quase sempre chorava para não ficar com a mãe. Mas a lei não permitia que não deixasse Meredith ver a filha. Então ele tinha que praticamente implorar a criança que fosse a casa dá mãe com a promessa que logo estaria lá para buscá-la.
Era segunda-feira já tinha arrumado todo o material da menina para levá-la a escola, mas Meredith sequer tinha a vestido adequadamente.
Ele não culpava as empregadas, elas não eram pagas para cuidar da filha, o que o fazia cogitar a possibilidade de contratar uma babá apenas para quando ela fosse para a casa dá mãe.
– Eu tenho umas roupas no carro – disse ele vendo a filha com pijama ainda.
não entrava na casa de Meredith, caso contrário, poderia vestir a pequena com as coisas que tinha no apartamento, mas por sorte sempre carregava algumas peças de roupas para Aurora. Ela tinha quase quatro anos e se sujava o tempo inteiro.
– Vem amor, nós não podemos perder aula hoje.
Aurora correra vendo o pai parado na porta. Os dois tinham uma ligação muito forte. Até mesmo Luna já havia dito que nunca tinha visto algo como aquilo.
Sua pequena menina era um anjo. Ele não cansava de falar isso. Ela era loirinha – como a mãe – dos olhos claros. Mas era exatamente como o pai. Diziam que a criança ia escurecer os cabelos a maneira que ia crescendo, mas seu pai gostava de ver sua cabeça branca cheia de cachinhos.
tirou o paletó colocando sobre a filha para saírem do prédio. Não estava muito frio, mas tinha medo que pegasse vento e à noite com certeza ela começaria a tossir.
– Como foi a visita com a mamãe? – indagou ele.
Meredith não era uma boa pessoa, mas graças a Deus, era uma boa mãe.
– Mamãe fez doce e papá.
– Você comeu muitos doces então?
Aurora assentiu sorrindo sapeca.
– Comeu!
riu, beijando a bochecha da pequena.
– Comi. Você fala comi, amor.
– Comi.
– Isso aí, gênio.
Eles desceram conversando sobre muitos assuntos interessantes e intelectuais.
Aurora – que significava os primeiros raios de sol – tinha mudado a vida de dá água para o vinho. A verdade era que a vida tinha o pregado uma rasteira e tanto.
Ele jamais poderá imaginar tudo que ia ter que passar nos últimos anos.
É, Deus estava querendo que ele provasse alguma coisa e até agora sentia que estava indo muito bem. Exceto por . Essa página do livro dá sua vida estava inacabada.
– Pronto, vamos por algo em você – colocara a garota no banco e abriu sua mala.
Pelo tempo que estava lá fora, ia esquentar mais tarde, então colocou uma calça jeans do tamanho do antebraço dele e uma camiseta da sua marca.

Eles estavam adiantados. Por sorte Aus não era como Sebastian que odiava ir para a escola. Lá era o lugar que ela mais gostava no mundo, segundo suas conversas com o pai.
– O que acha de depois dá aula ir comigo ao escritório? – Aus estava quase dormindo no seu bebê conforto, mas quando ouviu a palavra escritório abriu os olhos com um sorrisinho sapeca.
Ela adorava tocar o terror no escritório do pai.
Deus do céu, tinha que ter um fôlego daqueles.
– Escritólio! – disse a pequena comemorando.
olhara por um instante para trás rindo. Ela ainda estava começando a falar certo, mas tinha muita preguiça e agia como um bebê. Ele sabia que era errado dar corda a filha, mas não conseguia não rir quando ela falava algo errado.
– Escritório. Fale certo.
– Eeeesscritólio.
Balançara a cabeça, acelerando um pouco. O trânsito estava uma merda. Ele bufou quando teve que parar por um idiota que se atravessara na frente e não o deixara passar antes que o sinal fechasse.
Era um saco mesmo.
– Escritólio, papai? – provocou Aurora, rindo.
Ele sorriu. Ela era tão inteligente e tinha um poder sobrenatural sobre .
– Você sabe falar certo, meu amor – disse observando a rua.
E em um piscar de olhos. Ele a viu passar.
Em uma caminhonete na frente do seu carro com as janelas abertas e os olhos focados no trânsito.

DSTCDA -


– Está melhor?
– Um pouco – respondeu.
Os dois caminhavam pelo Hyde Park, estava frio, mas ela não queria voltar pra casa. O vento gelado era mais reconfortante do que qualquer outra coisa. Eles já haviam conversado por horas e sua mãe até tinha lhe enviado uma mensagem, pedindo para voltarem, mas estava se sentindo péssima. tinha a feito entender seu erro na discussão. Não deveria ter falado com a mãe tão ríspida, afinal, ela estava doente e seu pai frágil. Devia ter sido um momento inesquecível. Agora se sentia envergonhada, para não dizer péssima. A pior pessoa do mundo. Era isso que ela era.
– O que quer fazer agora? – indagou ele.
Ela deu de ombros.
– Não sei se vejo um hotel pra gente ou...
– Não me venha com essa agora – cortou . – Aquela é a sua casa, sua família. Se alguém tem que ficar em hotel, seria eu. Mas como sua mãe disse que teremos filhos lindos, imagino que ela não me queira em hotel também e sim, dividindo a cama com você.
Ela sorriu de lado, balançando a cabeça.
– Você nunca mais vai conseguir transar comigo, .
– Ah, qual é! Quanto tempo você não transa?
o encarou, erguendo a sobrancelha.
– Eu tenho outros problemas para resolver, não podemos mudar de assunto, por favor?
Ele abriu a boca.
– Não me diga que o último foi o Kevin.
, não se meta na minha vida pessoal.
– Como não vou me meter? Você precisa transar.
Ela revirou os olhos.
– Pode falar baixo, por favor? Estamos no meio do Hyde Park.
– Caramba. Faz dois anos que o Kevin casou – fez uma pausa. – Ele não pode ser o último.
– Escute aqui – disse, dando de dedo na cara do amigo. – Eu sou muito bem resolvida com quem eu transo ou deixo de transar, . Esse não é o tipo de conversa que quero ter, depois de ter brigado com meus pais. A minha mãe está morrendo. E eu me sinto a pior pessoa do mundo, porque optei por ficar longe da minha família, por causa de um merda de um cara que partiu meu coração, quando eu era só uma menina. Eu fiz coisas erradas, eu andei pelo pior caminho, mas eu consegui o que eu queria. Porém, o que isso me trouxe? Nada. Então, por favor, , eu não quero falar de sexo com você hoje, e eu não... Eu não transo há mais de dois anos e não me importo com isso, se é o que quer saber. Agora chega.
Esperava qualquer reação do amigo, exceto por aquela. Um sorriso, de orelha a orelha.
– Era isso que eu queria – disse ele.
– O que? – perguntou confusa.
– Que você despejasse tudo pra fora – a abraçou por cima dos ombros, beijando sua bochecha com força. – Não esta se sentindo mais leve?
Ela parou por um instante e depois sorriu, colocando a cabeça na curva do pescoço de .
– Você é um imbecil.
– Queria que você relaxasse. Está muito tensa. Não se cobre tanto.
– É que eu não achei que fosse ser tão difícil, aceitar essa escolha – confessou, com a voz abafada. – Ela optou por me deixar. E eu tenho certeza, que a culpa é só minha.
Ele beijou a testa dela.
– Shhh... Fica calma. Vai ser difícil. Vai ser a coisa mais difícil que você ira passar nessa vida – ele suspirou fundo, olhando aquelas árvores gigantes e velhas, imaginando quantas pessoas estiveram ali, tendo aquele tipo de conversa. – Mas não adianta eu mentir pra você e falar que vai estar tudo bem, porque por um bom tempo, será doloroso e triste. Entretanto, desde o dia que te conheci, eu me apaixonei pela pessoa que você é e pela sua capacidade de tornar as coisas difíceis em superação. E eu sei que você vai superar. E por mais que eu te queira na minha cama toda manhã, eu quero que você seja feliz, com a pessoa que desejar.
Ela se afastou por um instante.
– Não estávamos falando da minha mãe?
Ele sorriu malandro.
– Eu não podia perder a chance – respondeu.
Ela revirou os olhos, sorrindo.
– Amo você, seu imprestável.
– Também amo você. Pronta para ir para casa?
Ela assentiu, concordando.
Seria difícil. Mas se estivesse pessoas como , – bem, só o tinha e, talvez, Serena – tudo ficaria um pouco menos doloroso. Era o que ela esperava.


Capítulo 2

Não gostava de deixar Aurora para fazer negócios, muito menos quando se tratava de uma viagem longa. Ele se abaixou beijando o topo da cabeça da filha.
Ela era seu bem mais precioso e com certeza, deixá-la por quase um mês, era muito dolorido.
– Você promete se comportar?
Aus balançou a cabeça com firmeza.
– Eu vou sentir falta papai – respondeu manhosa.
– A vovó e o vovô vão ligar todos os dias para nós conversamos, filha.
Depois de tudo o que tinha acontecido em sua vida, seus pais o apoiavam fielmente e Aurora havia os aproximado de tal maneira, que ele jamais pudera imaginar. Aus era tudo na vida da família .
– Por que não posso ir junto?
Ele engoliu em seco. Odiava deixá-la, mas precisava fechar negócio na Alemanha e dessa vez não tinha como levar a pequena garota junto. Seus pais cuidariam durante as semanas e uma vez ou outra ela iria para a casa da madrinha, Luna Aniballe.
Ah, se não fosse por Luna, ele teria ficado quase louco. Ela e , haviam o ajudado desde o começo, quando tudo viera à tona. Aniballe, tinha se tornado a irmã que nunca tivera e ela era o espelho preferido de Aurora.
– Porque nós vamos ver a princesa no teatro – interveio Luna, com delicadeza. – Depois nós contamos tudo ao papai, o que acha?
Aurora entortou a boca e depois acenou com a cabeça, sorrindo.
– Está bem.
Ela saiu correndo atrás de Sebastian, o primeiro filho do casal . Deus, quando Luna descobriu que estava grávida, entrara em um estado que jamais vira. Seu melhor amigo, vivia para Luna e a criança. Ele ficara em uma espécie de êxtase e nada na vida importava mais do que os dois. Claro, ele sabia exatamente o que era aquela sensação. Inebriante, era pouco para descrever o sentimento de pegar um filho nos braços. Ver a barriga de Meredith crescendo, fora o que lhe dera forças para caminhar nos dias difíceis. Aurora e Sebastian tinham poucos meses de diferença e eles não se largavam um minuto. Era algo, incrível. Muitas vezes ficava com ciúmes da atenção que o garoto tinha da filha.
– Pode ir tranquilo – disse .
Ele assentiu. Sabia que sua filha estava em segurança com os dois.
se levantou, suspirando fundo.
– Ahm... – começou, um pouco sem graça. – Acho que vi hoje.
Aniballe, – ele ainda não se acostumara em chamar Luna de Senhora – curvou o cenho o encarando.
– Jura?
– Juro. Era muito parecida com ela, pena que passou muito rápido, então não sei – respondeu, dando de ombros.
Tinha quase certeza que havia visto . E era a coisa mais louca, porque a última vez que a vira, fora há cinco anos, na frente da casa dela. Ah, nunca tinha esquecido daquele fatídico dia. Ela estava tão linda.
Infelizmente muita coisa havia mudado, algumas estavam melhores, outras permaneciam incertas. Sua vida amorosa era uma delas. Parecia que desde o dia que se despedira de pela última vez, nunca mais fora tomado por um sentimento tão puro e verdadeiro como o qual sentia pela garota.
Ah Deus, agora ela era uma mulher e ele tinha certeza que era uma mulher incrível e extremamente linda.
Nunca mais tinha a visto. Nunca.
Meu Deus, uma jovem havia construído algo em seu coração que mesmo depois de tantos anos, aquela sensação de só falar o nome dela, não mudara. tinha o marcado para sempre.
– Nunca mais a vi – disse Luna, chateada. – Nós acabamos perdendo o contato.
– A última vez foi naquele café, em Bruxelas – completou .
– Quanto tempo tem isso? – indagou a Sra. .
– Acho que uns quatro anos. Ela estava... diferente.
Luna assentiu.
– Diferente como? – quis saber ele.
Ela deu de ombros.
– Ela definitivamente não era mais uma garota – Luna olhara para ele, com nostalgia. – Sinto falta dela, às vezes.
Ele concordou em silêncio. Também sentia.
Mas não era às vezes.

DSTCDA – .


– E a moça? – indagou Benedict, sorrindo.
Todos estavam leves e sorridentes em volta da mesa. Ed Sheeran havia acabado de fazer uma ligação para , querendo conhecer a Sra. , que por sua vez, estava se achando mais importante do que a própria Rainha. estava contando pela milésima vez, como ele e haviam conseguido que Sheeran descobrisse a existência da Zoet.
– Ela não quis mais ele.
– Ela me deu um fora, porque morávamos do outro lado do mundo – comentou .
sorriu, balançando a cabeça.
Por coincidência, havia conhecido a prima de Cherry, esposa de Ed Sheeran. Ela era uma jovem animada e simpática e não demorara muito para se interessar em , assim que os apresentou. Eles haviam se conhecido em uma festa em Nova York, quando e faziam um curso nos Estados Unidos. Kourtney, prima de Cherry, convidara e sua sócia para um jantar, algumas semanas depois, na casa dela. Fora então que o encontro acontecera.
travou, sem saber o que falar. Ele havia sido seu maior ídolo na adolescência. Havia passado noites em claro, chorando, enquanto ouvia a voz de Ed Sheeran ao fundo. E de repente, estava na mesma sala que ele.
Fora surreal e quando se dera conta, estava compartilhando ideias sobre sua nova turnê, como se fossem melhores amigos de infância. Aquela noite, havia sido a mais mágica em toda sua existência na Terra.
Bem, havia outra. Uma noite em Paris. Mas ela tinha apagado aquela parte da sua vida, completamente.
E então, uma semana depois, ainda um pouco aérea, recebera uma ligação, do próprio Ed. Ele havia a adorado e gostaria de saber, se era possível, trabalharem juntos.
Tudo parecia um sonho irreal, mas acontecera. Eles já estavam há um ano, em parceria. Entretanto, jamais esperava que sua mãe ficasse doente novamente. A primeira vez, cometera o erro de deixá-la de lado.
Não faria mais isso, nunca mais.
Ela era seu bem mais precioso e ficaria na Inglaterra o quanto fosse preciso.
– Você devia ir atrás dessa mulher – comentou Benedict.
– Por quê?
Ele deu de ombros, sorrindo.
– Agradecer ela, por esse encontro de vocês com o cantor.
– Verdade, . Ela foi nossa madrinha – comentou .
Ele assentiu, sorrindo de lado.
– Quem sabe, mas acho que foi o poder da atração. Nós queríamos tanto algo grandioso e pensamos tanto em crescer, que fomos presenteados com Sheeran.
– Eu pensava nele, boa parte da minha adolescência.
– Tem coisas que nunca vamos compreender – comentou Sophie. – Mas foi uma benção, tudo o que aconteceu.
– Foi mesmo.
Todos na mesa, ficaram em silêncio. Ela não conseguia explicar para as pessoas, o que havia acontecido. Bem, era normal, sempre existirá alguém trabalhando para os famosos, mas era surreal, quando isso acontecia com uma pessoa tão próxima, ou até mesmo com você.
Não tinha explicação, simplesmente acontecera. E ela saíra de uma pequena empresa de festas infantis, para uma empresa gigante, promotora de shows internacionais.
Caramba, isso era um máximo.
– Eu lavo a louça hoje – disse de repente, erguendo a mão.
– Oba!
Estava em casa há um mês e seus pais já consideravam como um filho, ele os ajudavam em todas as tarefas. Ainda era complicado ver a mãe com dificuldade para tudo. Sophie tentava esconder, mas ela sabia que a situação não era boa.
– Não precisa querido, Benedict faz isso – disse a senhora .
– Mãe, imagina, pode se deitar, nós cuidamos de tudo.
– Vem querida – falou seu pai.
– Boa noite pra vocês – se despediu Sophie.
– Durma bem, mãe.
– Boa noite.
Ele abraçou a esposa por baixo dos braços e a levou lentamente para o quarto adaptado.
Observou os dois, com os olhos inundados de lágrimas. Chorava o tempo todo.
– Quer fazer alguma coisa hoje? – indagou , chamando a atenção dela.
Eles ainda não haviam saído, permaneciam praticamente o dia inteiro em casa e durante a noite, dava um descanso para o pai e tomava conta da mãe, às vezes lhe fazia companhia.
– À essa hora?
– Nós precisamos sair um pouco – respondeu, recolhendo os pratos da mesa.
– No que está pensando?
– Um café, talvez. Preciso tomar um pouco de ar.
Ele estendeu o braço, a abraçando por cima dos ombros. encostou a cabeça na curva do seu pescoço.
– Está tudo bem? – indagou ela.
Ele suspirou fundo.
– Às vezes me sinto tão bem aqui, que fico culpado.
– Por quê?
– Porque tenho inveja de você – confessou ele, se afastando. – Queria que meus pais fossem assim.
Ela pegou o resto das coisas que estavam na mesa, levando até a cozinha.
– Eles são do jeitinho deles – disse, se referindo aos pais de . – Mas amam você.
– Não tenho tanta certeza.
não era tão próximo da família. Ele não aceitava as traições do pai e a falta de atitude da mãe. também não conseguia entender, mas sempre dava suporte ao amigo, quando ele voltava da casa dos pais. Toda vez, era a mesma cena. discutia com seu pai, sua mãe o defendia e ele acabava irritado.
A verdade era, que depois de tantos anos, um tinha o outro e nada mais.
– Hey, pare com isso – disse, enquanto ele limpava tudo. – Você não é assim, , por favor.
– Acho que preciso de um beijo, para melhorar – respondeu sorrindo de lado.
Ela revirou os olhos. E lá estava ele de novo. O ladino que ela conhecia muito bem.
– Ah, claro. Encontramos alguém pra você no café, sem problemas – sugeriu, sabendo o que vinha a seguir.
– Deixa eu ser mais especifico...
– Eu não vou te beijar, .
Ele cruzou os braços.
– Por que não? Estou triste, deprimido, jogado as traças.
– Não se faça de vítima – retrucou ela.
deu de ombros.
– Uma chance.
– Não.
– É sério – ele a segurou pelos ombros, a encarando com um sorriso torto. – Estamos os dois aqui, vai dizer que nunca pensou?
Ela o observou. Estavam próximos – um pouco demais, até diria –, mas adorava ficar perto dele. E era apenas isso. Ele era seu melhor amigo e mais nada. Claro, não podia negar e dizer que ele não era um dos homens mais lindos que já tivera o prazer de beijar e abraçar toda vez que precisava de alguém, mas só. não fazia seu coração bater mais forte.
Não como... ele. Não como .
Ah, odiava lembrar daquele homem, mas raramente conseguia esquecê-lo. Fora por isso que se mantinha ocupada, trabalhando o tempo todo. Assim, fora mais fácil no começo e agora, já era algo habitual para ela.
lançou um olhar esperançoso.
– Ahm...
– Eu sabia! – disse se afastando, com um sorriso.
– Não, não, não.
– Não o que?
– Você está carente, é isso. Nós vamos sair, vamos espairecer um pouco – esclareceu ela.
Ele curvou o cenho e depois balançou a cabeça, ainda sorrindo.
– Okay, você está certa, falei bobagem. Mas, – ele deu um passo, chegando bem próximo dela de novo. – Quando você quiser...
Ela beijou a têmpora dele, apertando seu braço.
– O que acha de conhecer o Monmounth Café?
a encarou por um instante.
– Onde você encontrou o amor da sua vida?
Ela revirou os olhos.
– Não encontrei o amor da minha vida, mas sim lá onde você está imaginando.
– Ah claro – ironizou ele. – Vou me arrumar e te encontro em dez minutos.
Ela assentiu. Também ia se arrumar, mas antes passaria dar um beijo em sua mãe.

No começo pensara inúmeras vezes, talvez nos dois primeiros anos, fora algo que quase não saia da sua cabeça.
Como ele estava. O que ele estava fazendo. Como as pessoas estavam seguindo com suas vidas longe dela. Se ele já tinha alguém. Se ele era feliz... Fora só quando começou seu próprio negócio que deixou tudo para trás. Tudo mesmo.
E agora, sentada naquela cadeira, no café que tinha visto entrar pela primeira vez, não conseguia parar de pensar. A AEDAS, era logo ali. Passar na frente da empresa fizera com que muitas memórias voltassem.
Às vezes sentia falta deles.
Minha nossa. Há uns quatro anos não conversava com Luna. No começo a amizade das duas, ficara ainda mais forte, quando fora embora. Entretanto, com tantos compromissos de ambas as partes, elas foram se afastando. sabia que ela estava casada com e tinham um filho, mas nunca mais a vira. Não vira nenhum deles.
– O que foi? – quis saber .
– Estou lembrando de quando vinha aqui.
? – indagou uma voz rouca, atrás da mulher.
Ela se virou, piscando algumas vezes. Conhecia aquele rosto. Estava diferente. Com barba, vestido com terno e gravata e café nas mãos.
– Brooklin?
Ele sorriu, se abaixando para abraçá-la.
– Você não mudou nada! – disse animado – Está a mesma.
balançou a cabeça sorrindo.
– Não exagera, estou velha! É você que está o mesmo. Exceto pela barba.
Ele passara a mão livre no rosto.
– Se você está velha, imagina eu! – brincou ele. – Está ainda mais linda – ela sorriu ficando com as bochechas coradas. – Mas me conta. O que faz por aqui? Nunca mais a vi.
– Minha mãe não está muito bem, então voltei por algum tempo.
– Nossa, sinto muito.
– Imagina – disse dando de ombros, sentindo o coração apertar. – E você? O que faz agora?
– Adivinha – ele deu um passo para trás. – Me formei em arquitetura. Trabalho na AEDAS ainda.
– Uau, isso é muito bom! Fico feliz por você.
– Eu nunca pude te agradecer. Soube que foi você quem falou de mim para o Sr. – ela ouviu uma risadinha vindo de . – Muito obrigado. Ele me ajudou demais.
abrira a boca sem saber o que dizer. Era nostálgico conversar com alguém daquela época e ainda constrangedor – mesmo que Brooklin não soubesse de nada – falar com alguém sobre . Era uma sensação estranha.
– Imagina. O mérito de onde chegou é só seu – disse ela.
– Obrigado – respondera ele, com orgulho. – Preciso voltar agora, estamos em um projeto que precisa ser entregue essa semana, por isso a hora, mas apareça na empresa qualquer dia, todo mundo sente sua falta.
Ela engoliu em seco, se perguntando se todo mundo, incluía até seu chefe.
– Claro, antes de voltar para Bruxelas, dou uma passada lá.
– Foi bom te ver, não suma de novo – Brook a abraçou se despedindo, deixando uma mulher atordoada com a cabeça no passado.
– Foi bom ver você também! – murmurou , que sequer fora cumprimentado por Brooklin.
Ela riu baixinho.
– Ele estava empolgado por me ver, de um desconto.
revirou os olhos.
– Certamente esse não é britânico.
Ela tomou um gole do café, rindo.
– Termine isso logo, antes que nós encontremos mais alguém.
– Alguém em especifico, você quer dizer.
– Tanto faz – disse dando de ombros.
Mentiu. Queria não dar importância, mas dava. Ah odiava isso. Odiava esse sentimento. Não podia dar importância até hoje. Não era certo. Mas nossa, era tão difícil voltar depois de tanto tempo e ver alguém do passado, sem deixar de sentir nada.

DSTCDA – .


Ele tinha acabado de chegar da Alemanha e precisara começar a trabalhar em alguns projetos novos na AEDAS. Estava acabado, mas passara ver a filha na casa dos pais e a levara mais tarde na casa da madrinha, seguindo depois para a empresa. Quando chegara, estava brigando com alguém no telefone.
Ele desconfiava que fosse com Sebastian.
– Você vai pedir desculpas sim – bufou. – Não perguntei quem bateu em quem! Ah meu Deus, chame sua mãe.
sentou em frente do amigo rindo. era um ótimo pai, mas não sabia dar sermão como Luna. A relação de Aurora e o pequeno , era literalmente de amor e ódio. É claro que jamais deixaria sua pequena perto do pivete se Aniballe não estivesse por lá.
Apesar de, muitas vezes, um cuidar do outro.
– O papai não está brigando. Se Aurora quer brincar com seus carrinhos, você tem que deixar.
balançou a cabeça imaginando a filha sapeca. Ela era um terror quando queria.
desligou o telefone bufando e rindo ao mesmo tempo.
– Essas crianças vão me matar qualquer dia.
Ele riu junto.
– O que esses pestes fizeram hoje?
– Luna me ligou, falando que Sebastian queria conversar comigo, daquele tamanho já está reclamando das mulheres, falando que Aus tinha batido nele.
– Aurora é um doce, mas tem gênio forte. Ainda bem que Luna chama a atenção dela.
deu de ombros.
– É uma relação de irmãos, os dois logo estarão brincando juntos. – se esticou na cadeira, colocando as mãos atrás da cabeça – E você, nos deixou mais ricos?
riu, olhando para o relógio caríssimo no pulso.
– Daqui há algumas horas, os milhões caíram na conta. Por enquanto ainda somos aqueles caras humildes de sempre – falou irônico, com um sorrisinho presunçoso nos lábios.
– Ah, é claro.
Eles ouviram uma batida na porta antes que pudesse responder. Era Brooklin.
– Desculpe interromper – disse ele entrando na sala com cafés em mãos. – Não sabia que estava aqui, !
se levantara para cumprimentá-lo. Ele e o garoto tinham criado laços fortes durante os últimos anos. sabia da vida difícil que Brooklin tinha e pagara toda a universidade do garoto. Agora Brook era um dos melhores arquitetos dá empresa. E tinha chamado para ser seu padrinho quando se tornara cristão. Algo que levara como um dos maiores elogios em toda sua vida.
– Cheguei agora.
– Fechou contrato?
Ele assentiu. Vendo o rapaz sorrir contente por sua conquista.
– Vamos ver como vai ser. Estou animado.
Brook deu um café para que sorriu agradecendo e olhando para o melhor amigo como se dissesse “ viu quem ainda é o chefe aqui ” e depois bebera.
– Ah com certeza vai ser um sucesso – disse Brook, inclinando para . – Sr. , a sua esposa ainda é amiga de ? – indagou ele despreocupado.
piscou algumas vezes olhando diretamente para , que estava petrificado ao ouvir o nome dela.
– Ah… Elas não se falam mais, por quê?
Por Deus, ele não podia estar tendo aquela conversa. O que Brooklin estava querendo com aquilo. Por que tinha falado de ? O que queria saber sobre ela? Nossa, que merda, ele sequer conseguia disfarçar a cara. Seu coração estava batendo forte. Por impulso colocara uma mão sobre a outra para esconder o tremor. Que inferno, ele era um sádico idiota.
– Ela sabe que está em Londres?
olhara para com o coração batendo forte contra o peito. estava em Londres realmente? Como ninguém tinha falado aquilo para ele? sentira um vazio no estômago.
Ele jurava que havia a visto antes de viajar, mas aquilo fazia quase um mês. Ela ainda estava em Londres depois de cinco malditos anos, fazendo o que? Será que era por causa de sua mãe?
Ele precisava de ar. Queria segurar os ombros de Brooklin e sacudi-lo para dizer tudo o que sabia sobre ela.
– Ahm... acho que não – disse seu melhor amigo com cautela.
– Como você sabe? – indagou meio ríspido.
– Sei o que?
– Como soube que ela estava em Londres? Você fala com ela ainda?
Não podia crer que Brooklin mantinha contato com todos esses anos. Ia matar o rapaz.
– Não, a gente não se falava desde que ela tinha ido embora. Mas a encontrei ali no Monmouth agora.
Ele não esperou nenhum segundo a mais. Ia atrás dela. Não sabia o que ia dizer e se queria falar com ele. Mas precisava vê-la.
! – o chamou, mas era em vão.
Sequer olhara para trás.
Quando a deixou, achou que estivesse fazendo a coisa certa e parte dele sabia que tinha feito, mas a outra parte estava morta, desde que a deixara em frente a sua casa depois do baile. nunca mais tinha provado o gosto da felicidade. A não ser quando Aurora nascera.
Mas ainda sim, eram amores completamente diferentes um do outro. Aurora era o seu bem mais precioso e o motivo pelo qual acordava todos os dias. E era... ela. Dois amores intensos que tinham acontecido em momentos distintos. Ele era grato a por ter Aus em sua vida, mesmo ela não sabendo dá existência da sua pequena luz. Se não fosse por , ele jamais teria enchido a cara naquele bar e conhecido a mãe de Aurora, o amor dá sua vida tinha lhe dado o grande presente de Deus. E nossa, como ele queria que ela fosse a mãe da sua garotinha, mas agora depois de tantos anos entendera a avó e suas crenças. Era pra ser assim.

Ele atravessou a rua com as mãos suando. Sentira no bolso dá jaqueta o celular vibrar, na tela estava o nome de . não ia atender. Não ia fazer o amigo deixar com que mudasse de ideia. Bem, ele não sabia o que ia dizer a ela ou se aproximaria de , mas queria vê-la. Precisava disso. Entrou no café com o coração desesperado e os olhos percorrendo por todo o local. Não tinha muita gente. Uma loira sentada no final do balcão chamara sua atenção, mas quando deu dois passos vira que não era ela. Inferno, não estava mais ali.
– O Senhor precisa de ajuda? – indagou a garçonete atrás do balcão.
Ele sorriu magoado. Por um momento. Só por um momento, ele a perdeu de novo.
– Não, obrigado.
saiu do Monmouth Café de cabeça baixa, olhando para as botas de couro. Ele ia para casa, pegar a felicidade que aquecia seu coração no colo e brincar de super herói, para tirar dá cabeça. Sabia que era piada, já que não tirará ela sequer do coração. Mas não custava tentar.


Capítulo 3



DSTCDA – C.


– Não há muito que possamos fazer – disse , enquanto eles caminhavam de volta para o carro.
Serena havia mandado uma mensagem de trabalho, um agente queria ter uma reunião com e somente ela. Ele não havia dito sobre o que era, mas Serena falara que era um homem importante da indústria. Porém, não tinha o que ela fazer. Não deixaria a mãe.
Havia saído para um café à noite com o amigo, porque precisava de ar, mas já estava voltando.
Ela não deixaria Sophie, não mais. Nem por um dia. Tinha muito medo.
– Se ele ao menos falasse com você – disse ela.
entortou a boca.
– Ai meu Deus, !
Ela olhou para o lado, assustada. Ah não. Já não bastara encontrar Brooklin, agora Mellanie.
Ela sorriu amarelo. A mulher continuava a mesma.
– Oi Mellanie, que surpresa!
A mais velha correu abraçá-la como se fossem melhores amigas. não tinha nada contra a ruiva, porém... ela não sabia dizer. Mellanie não fora uma amiga para ela. Não fora nada.
– Surpresa nada, menina! Brooklin me disse que estava aqu. – disse, encarando de cima a baixo.
– Jura? – indagou ela, sem graça.
– Uau está à mesma! Um pouquinho bochechuda, mas não mudou quase nada.
– Você também está à mesma – respondeu cerrando os lábios.
– Prazer, Mellanie – falou ela, se insinuando para .
Ele deu um dos seus sorrisos mais lindos. Um que fazia toda mulher da face da Terra, se apaixonar pelo cretino.
, ao seu dispor – respondeu, cordialmente.
revirou os olhos, puxando o braço do amigo que segurava a mão de Mellanie, com delicadeza, para bem longe dela.
– E o que anda fazendo da vida? – quis saber, fazendo uma pausa para se deleitar com o sorriso do homem. – Nunca mais a vi.
– Ahm, eu tenho uma empresa na Bélgica.
– Uau, ficou rica?
ergueu uma sobrancelha a encarando, esperando que Mellanie soltasse uma risada alegando ser brincadeira, mas não, ela não era assim. Ela continuava a mesma mulher superficial de sempre. Talvez até mais, já que não se lembrava da colega de trabalho ser tão inconveniente daquela maneira.
– Não sei, talvez – disse em um tom debochado, apertando o braço do amigo. – Mellanie, desculpa sair assim correndo, mas tenho um compromisso agora, estou atrasada.
– Compromisso? – indagou .
Ela ia estapeá-lo até a morte.
– Ah claro, não se preocupe. Você é importante agora – respondera ela, com ateísmo.
franziu a testa.
– Foi bom ver você.
– Digo o mesmo. Apareça quando tiver um tempo.
– Um pouco difícil, tenho várias reuniões, mas posso tentar... – disse curvando os cantos dos lábios.
– Você também – falou encarando, . – Desculpa a pergunta, mas... – ela apontou para os dois, em uma tentativa explicita de perguntar se estavam juntos.
Ah Diabos, como Mellanie podia ser tão insuportável.
– Ele é meu namorado.
sentiu os músculos do corpo se contraírem.
a abraçou por cima dos ombros, puxando seu corpo para mais perto. Ele não perderia a chance.
– Foi bom te conhecer...
– Mellanie.
– Isso, Mellanie – disse ele, sorrindo. – Mas precisamos ir pra casa, temos reunião ainda hoje.
– Claro, claro.
– Até mais Mellanie, se cuide. – se despediu e saiu sem olhar pra trás. Ficaria longe da AEDAS o máximo possível. Nem sabia o que ainda estava fazendo ali, de todos os cafés que existiam em Londres, podiam muito bem ter deixado o Monmounth como última opção.
Era uma idiota mesmo.
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DSTCDA – Z.


Ele era um idiota. Um completo e perfeito idiota.
– Você tem merda na cabeça.
– Ah é mesmo? – indagou , com certa ironia.
– Como me deixa aqui com Brooklin e corre atrás da garota como um babaca? O que ia dizer a ela?
Ele estava andando de um lado para o outro. Não sabia bem porque havia feito aquilo, ainda mais na frente de Brook, mas queria vê-la.
– Sei que fiz errado. Mas queria dizer que sinto muito, por... pelas... coisas.
bufou.
– Você deveria dizer que sente muito, anos atrás, agora não adianta.
parou o encarando com os olhos flamejantes de raiva.
– Você sabe por que eu fiz toda aquela cena – respondeu com a voz rouca. – Você melhor que ninguém sabe.
hesitou, encostando-se à mesa da sua sala. Ele e o melhor amigo tinham tantas coisas pra fazer, uma empresa pra guiar e desde que chegará da Alemanha, tudo se girava em torno de – claro que não fizera uma hora que havia colocado os pés na AEDAS, mas ainda sim.
suspirou fundo, passando a mão na cabeça. Tinha que trabalhar, não podia ficar ali, ainda mais pensando nela.
Uma batida inesperada na porta fez com que ambos se olhassem, dizendo um ao outro que aquela conversa havia acabado.
Mellanie, a secretária de – Hannah havia se aposentado há dois anos – enfiara a cabeça na abertura da porta.
– Com licença, Senhor – disse ela, entrando de fininho. – Senhor , que bom que voltou.
– Obrigado – agradeceu, acenando com a cabeça.
– Vim trazer sua agenda e dizer que já estou indo para casa.
– Ah sim, obrigado. Amanhã vou precisar daqueles formulários e as estatísticas desse mês.
– Sim senhor – ela hesitou umedecendo os lábios.
não queria ficar olhando. Mellanie não era o tipo de pessoa que ele gostava de ter por perto, ela lembrava muito de Amber, a mesma personalidade superficial e além de tudo, acabara extrapolando a relação entre eles. Não que se arrependera, havia sido uma noite agradável, porém só. O que foi difícil a mulher entender no começo.
– Senhor , o senhor não vai acreditar quem eu acabei de ver.
Ah não!
o encarou de esguelha. Ambos sabiam exatamente o que ela ia dizer a seguir.
– Aquela secretária loirinha da sua esposa. Como era mesmo o nome dela?
? – indagou , chamando a atenção de Mellanie para ele.
Ela levantara o queixo o encarando.
– Essa mesma! Nossa, está acabada coitadinha, com umas bochechas enormes. Parece bem mais velha do que realmente é, engordou alguns bons quilos.
Que ótimo. Todos haviam a visto, exceto ele. semicerrou os olhos, curvando um sorriso de lado.
– Será que ela ainda está por aqui? Queria vê-la, marcar alguma coisa com Luna.
Mellanie esbugalhou os olhos. Era óbvio que ela esperava que nenhum dos dois chefes fosse lembrar da existência de uma simples secretária que passara pela empresa por poucos meses.
Porém o que Mellanie não sabia, era que havia deixado sua marca em cada um deles.
– Ela já foi. Disse mesmo que tinha um compromisso e estava atrasada – respondera rapidamente.
– Tudo bem então. Mas alguma coisa para nos contar? – quis saber com um tom debochado.
Sua secretária sorriu sem graça, alegando que não e se retirou da sala.
– Você realmente queria vê-la, ou fez isso só pra me provocar?
o encarou como se estivesse entediado daquele assunto.
– Ah Deus, faça esse cara calar a boca – ele suspirou fundo. – Queria vê-la sim. Ela e minha mulher foram melhores amigas por um bom tempo.
balançou a cabeça.
– Vou pra casa, já esta tarde. Acho melhor você fazer o mesmo.
– Daqui há pouco. Vá e descanse.
Ele assentiu apenas.
– E , – disse , o chamando. – não pense mais nela.
Ah claro, pensou ele. Como se fosse fácil.
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**


– Como ela está?
– Vomitando desde que acordou. Eu não queria incomodar o senhor, mas os pais dela não atendem o telefone.
– Não se preocupe Joseane, eu vou ligar para o Dr. Moccia e logo estou ai.
– Obrigada Senhor .
Ele encostou o carro, mudando a rota; ligando para o médico e em seguida para Luna, para que ela ficasse um pouco mais com Aurora. Meredith precisava dele.
Se tornar pai havia sido a grande dádiva da sua vida. Entretanto, lidar com Meredith não era fácil. Ambos haviam combinado há quase cinco anos atrás que teriam um filho juntos e apenas isso. Meredith tinha cumprido com sua palavra assim como ele, porém nada fora tão fácil como imaginara. Os planos não foram tão bem sucedidos como planejara.
Aurora era o bebê mais lindo do universo e durante os primeiros meses de vida, e Meredith moraram juntos para que ele pudesse ajudá-la com o processo e tudo mais. O que não esperava era que a mãe da sua pequena filha fosse entrar em uma depressão profunda.
Meredith Hampton era uma mulher e tanto. Mas estava morrendo. Bem, a verdade é que estava se matando. Depois do primeiro ano praticamente na cama, quando ele pensara que ela finalmente estivesse bem, as bebedeiras, noitadas e drogas começaram.
Ele sempre se perguntara como uma mãe podia ver a filha crescer longe e não se importar com isso. O que mais o machucava era o fato de que Aurora parecia não se importar, já que amava a mãe mais que tudo. Não que Meredith não a amasse. Sabia que a mulher daria a vida pela filha, mas Hampton não se importara sequer de permanecer sóbria para passar um tempo – uma semana que fosse – ao lado de Aus.
Minha nossa, ele não conseguia imaginar um dia longe dela e Mere passava semanas. Isso o magoava e o irritava. Porque sabia que sua filha merecia mais. Merecia o mundo.
Ele inspirou fundo várias vezes. Nunca negara ajuda a Mere. Mas ela estava em um estado que jamais virá. O quarto inteiro fechado, ela jogada na cama e um cheiro insuportável.
Seu cabelo estava grudando e os olhos vermelhos em contraste com a pele pálida.
Ela era uma das mulheres mais lindas que conhecera; uma modelo que muita menina se inspirava e agora estava parecendo uma moribunda.
– Vamos aplicar glicose, logo ela estará melhor – comunicou o médico.
– Vou tentar dar um banho nela antes, se o Doutor não se importar – respondera, um pouco sem graça.
Moccia havia sido o médico que acompanhará ambos desde antes da gravidez de Meredith.
– Não, imagina. Vou esperar lá fora.
assentiu, puxando a mulher quase desmaiada para o banheiro. Ele fazia o máximo para que Aurora não visse a mãe dessa maneira. Quando a filha passava o final de semana com Hampton, as empregadas ficavam em cima para que ela não deslizasse. Todo mundo queria o bem de Meredith e se por algum momento ela bebesse ou se drogasse na presença de Aurora, não pensaria duas vezes antes de tirar Aus sob a guarda dela para sempre. Mere sabia disso e tentava ao máximo ser a melhor mãe naqueles dois dias.
Depois que a vestira adequadamente, e as empregadas trocaram as roupas de cama, o médico espetara Meredith com uma agulha e inseriu glicose, direto em sua veia.
Aquilo não era o que havia imaginado que aconteceria em sua vida, quando a conhecera em um bar, depois de um desfile em Nova York. Mere era uma das mulheres mais linda que tivera o prazer de conhecer e vê-la nesse estado caótico, partia seu coração. Sem contar que era mãe da sua filha.
Inferno, era a mãe da sua pequena luz. Claro que não a abandonaria, mas às vezes, ah, às vezes queria sumir no mundo com Aurora. Apenas os dois contra todos. A vida seria plenamente bela. Porque não existia felicidade maior que o sorriso de Aus.
, vim o mais rápido que pude! – disse Chiara, mãe de Meredith, entrando como um furacão no quarto. – Como ela está?
– Agora está tudo bem, mas exagerou nas bebidas. Não estamos em uma boa situação.
Chiara deixou uma lágrima escorrer dos olhos. Ela era uma daquelas mães da alta sociedade que só percebiam o que haviam feito com o filho, quando um estranho chamara sua atenção.
Nesse caso, o estranho havia sido .
– E Aurora? Onde está?
– Deixei com a senhora .
– Ah, que vergonha, não queria que ninguém soubesse que Mere está passando por essa crise.
– Chiara, isso não é uma crise – respondera irritado. – Meredith se tornou uma viciada depressiva.
– Pelo amor de Deus, os empregados vão ouvir – exasperou a avó da sua filha.
Ele bufou, pegando as chaves que havia deixado ao lado da cama de Hampton.
– A partir do momento que a senhora aceitar que sua filha não está bem, as coisas vão mudar, enquanto isso, não trago mais Aurora para vê-la. Isso não é um ambiente adequado pra minha filha.
Chiara segurou seu braço com certa força.
– Não esqueça que ela é minha neta.
– Eu não esqueço. Mas antes de qualquer coisa, a senhora precisa se lembrar que tem uma filha – disse irônico. – E precisa saber que ela estava imunda com o próprio vomito e praticamente em coma. Então, por favor, não vamos dificultar mais as coisas.
– Aonde você vai? – quis saber ela.
A senhora Hampton, não queria perder para ele. Era sempre ela, quem saia por cima e dava a voz final.
– Ver minha filha.

DSTCDA – C.


– Quieto!
– Foi você quem disse.
Ela caminhou pelo corredor, até chegar a porta do seu quarto. havia colocado na cabeça que tinha ficado com ciúmes de Mellanie, ou não teria dito que ele era seu namorado.
Bem, em sua defesa, não, ela não havia ficado com ciúmes, mas... mas era Mellanie, por Deus.
A mulher mais inconveniente da face da Terra.
– Francamente, .
– Está bem, está bem – disse por fim, parando para olhá-la por um instante.
se encostou na porta do quarto dela.
– Acho melhor irmos dormir.
– Certo – ele se aproximou dela com cautela, até chegar com os lábios próximos a orelha. – O que acha de ficarmos juntos hoje? – sussurrou. – Foi muito bom ouvir você falando que eu era seu namorado.
sorriu inevitavelmente.
– Nós não podemos.
– Faz uns três anos já. Estamos sozinhos, sem ninguém e carentes.
– Fale por você.
– Não seja assim. Não seja dura com você mesma.
Ela deu um passo para trás se afastando. Ele estava vestido com uma samba canção azul e uma camiseta simples, cinza. Adorava ela. Ele ficava ainda mais lindo, droga. Não podia se deixar levar.
Claro que fora maravilhoso às vezes em que ficaram juntos, mas agora eram sócios e melhores amigos. Como ia deixá-lo deitar em sua cama de novo, sem ficar estranho depois?
– Eu sei o que você está pensando – disse ele. – Amanhã é outro dia, não vamos nos prender a isso.
– Como se fosse fácil.
Ele sorriu.
– É fácil.
– Não – ela o empurrou para fora do quarto. – Amanhã você vai encontrar alguém pra matar essa carência.
– E você? – indagou ele. – Também precisa.
– Meu foco é minha mãe e o trabalho – ela deu um tapinha na cintura dele. – Agora vai, vá dormir.
abriu a boca, mas não dissera nada. Ele a encarou por alguns instantes e simplesmente a beijou.
não teve reação. Ele a pegou pela cintura, a apertando contra seu corpo.
... – murmurou se afastando, mas não o suficiente.
– Eu sei, você quer me matar, mas as vezes precisamos tomar alguma atitude e se não quiser é só falar, mas se quiser, não precisa dizer nada.
– O que?
– Não precisa ter vergonha de sentir desejos, eu também sinto. Só se deixe levar, okay?
Ele colocou as mãos no rosto dela, encarando seus olhos com profundidade. Sabia que podia confiar nele. E bem, parte de si, uma grande parte inclusive, queria muito beijá-lo.
– Okay – murmurou baixinho.
Ele sorriu. Um sorriso bobo e talvez aliviado.
a levou até seu quarto de hóspedes, não desgrudando seus lábios nenhum segundo.
Ela não conseguia acreditar que depois de tantos anos, eles estavam ali, novamente.
Tudo bem, era muito bom ficar com ele, talvez precisasse disso. Talvez quisesse sentir o toque de alguém. E era ele. A pessoa em que mais confiava. Seu melhor amigo.
Nada de mal, podia acontecer.
Se virou na cama um pouco preguiçosa e quando abriu os olhos, encontrou a curva do pescoço de . Ah Deus do céu, por mais que quisesse negar, era muito bom ficar com ele.
tinha alguma coisa que era inexplicável. Talvez fosse o charme ou ele realmente sabia o que estava fazendo, não sabia ao certo, mas era inegável a atração que sentia por ele.
– Dormiu bem? – indagou ele, com a voz rouca.
– Até que sim.
– Até?
Ela deu de ombros, fazendo-o sorrir.
– Vou correr pro meu quarto, antes que alguém veja que passei a noite aqui – disse ela se levantando.
– E se eles vissem?
– Eles não entenderiam nossa situação.
se sentou na cama a encarando com curiosidade.
– E qual a nossa situação? – quis saber ele.
Ela vestiu sua camisola, dando de ombros.
– Creio que dou o que você precisa e você me dá o que eu quero.
– Isso foi horrível – disse ele, com calma. – Mas acho que é verdade.
Ela se aproximou da cama, se apoiando nos travesseiros e sorriu, dando um beijo na bochecha de , – como se não o beijasse a noite inteira, em lugares que ela sequer imaginou que poderia.
– Vou descer. Que horas é a reunião?
– Daqui há pouco – respondeu, bocejando.
tinha uma conferência com Serena e mais alguns funcionários da empresa. Ela por outro lado, estava em Londres para cuidar da mãe e era isso que faria aquele dia inteiro. Seu pai teria um pouco de descanso, enquanto ela e a Sra. , teriam um momento de mãe e filha. Como nos velhos tempos. Era assim que esperava.

**


Não foi fácil ouvir da mãe que ela estava doente. Não foi fácil, escolher o trabalho do que estender a mão a quem mais lhe amou na vida. Não foi fácil optar pelo caminho mais escuro.
Não foi fácil escutar pela segunda vez que ela estava à beira da morte. Não foi nenhum pouco fácil saber que Sophie não faria mais os tratamentos. Foi extremamente doloroso e duro de suportar. Mais difícil ainda, compreende-la. Até hoje era.
Ela não aceitava. Nunca aceitaria.
Durante aquele um mês e meio que estava na casa dos pais, quase todos os dias, pediu para a mãe começar os tratamentos. Mas sempre fora em vão.
– Você está com uma aparência boa. A ouvi cantando hoje cedo – disse sua mãe, enquanto elas assistiam algo na TV. – Está acontecendo alguma coisa?
Que sua mãe sempre soubera de tudo, não podia negar. Sophie jamais fora conhecida por sua descrição.
– Não, não está acontecendo nada – respondeu, apenas.
– Você tem passado muito tempo com o – observou ela.
– Mãe, não...
– Seu pai viu você saindo do quarto dele.
engoliu em seco, tentando parecer impassível.
– Não aconteceu nada.
– Filha, não me importo. Eu quero mais que qualquer pessoa nessa Terra, que você seja imensamente feliz – disparou ela. – E se for o garoto, eu vou agradecer a Deus por sua sorte.
– Nós não temos nada.
– Mas você precisa... – Sophie tossiu. Sua garganta secava às vezes e ela passava longos minutos tentando retomar a conversa.
pegou um copo de água que ficava ao lado da cama dela e ajudou a mãe a tomar, para melhorar.
– Você precisa ir ao médico mãe. Não pode ficar assim.
A sra. assentiu, tomando um pouco de ar, antes de falar algo.
– Eu posso ir desde que você retome sua vida.
– Do que está falando? – quis saber ela.
– Vá visitar sua amiga, volte a conhecer pessoas, admita gostar de , não sei. Só haja como uma mulher de vinte e três anos! – disse, exasperada. – Você é meu maior orgulho, mas não pode ficar focada no trabalho. A vida é mais que isso, meu anjo.
– Eu não sou focada só no trabalho – resmungou.
– Não me responda. Faça o que pedi que eu irei fazer também.
olhou para sua mãe, ela respirava com dificuldade, devido ao longo sermão e provavelmente por conta da doença, que a limitava.
– Visitar uma amiga?
– Sim. É bem simples – respondeu irônica.
– Que amiga mãe? Eu não tinha amigas, você sabe.
– E a senhorita Luna? Ela foi te visitar em Bruxelas, te levou para o Brasil – sua mãe revirou os olhos. – Se ela não foi sua amiga, então ninguém mais foi.
– Mãe!
– Vá visitá-la querida – falou serena. – Vá visitar Luna.


Capítulo 4



DSTCDA – C.


Ela encarou o hall de entrada do prédio. Não era uma boa ideia, de fato. Mas se não fizesse, não teria outra saída a não ser aceitar que sua mãe, não começaria o tratamento. E não estava disposta a abrir mão. Ela suspirou fundo. Já estava lá, há quase meia hora, criando coragem do além. Nem parecia a mesma garota que enfrentava tudo tão facilmente.
Bem, ela não era mais uma garota. Tinha tantos problemas na empresa para resolver e agora Sophie. Tudo estava diferente e voltar parecia que havia desencadeado um sentimento novo.
Não sabia explicar, mas tinha algo no ar que sempre a puxava para frente daquele prédio e era por isso que estava lá. O passado, a perseguia.
Ela desceu do carro decidida. Havia se vestido como a empresária que era. E quando seus saltos finos tocaram o chão daquele lugar, sentiu todos a olharem por cima dos ombros. Não ficaria mais com medo de encontrá-lo. Se precisasse, podia até sorrir com falsidade.
Não era mais uma menina apaixonada. Não era mais a Caramella.
Ela era .
– Pois não, posso ajudá-la? – indagou a moça que ficava atrás do balcão, em frente ao hall.
Ela sorriu amigavelmente.
– Quero falar com .
– Ahm... – ela olhou algo no computador. – Seu nome, por gentileza.
– Srta. .
– Desculpe srta, mas não consta nada aqui – informou ela, sem graça.
– Ah não, ele não está me esperando, mas é muito importante.
– Infelizmente não posso liberá-la.
Ela torceu a boca, olhando para o elevador. Parte de si queria muito desistir e falar para a mãe que tinha dado certo, mas a outra parte, sabia que seria errado mentir. Sophie merecia que ela tentasse.
– Você não consegue falar para ele que estou aqui?
Ela negou com a cabeça.
– Não tenho permissão.
– Ah, por favor, sou eu! – disse apontando para si. – Não se preocupe, não vai ter problemas, eu prometo.
A moça sorriu nervosa a encarando, provavelmente se perguntando quem ela era, sem sequer insinuar que ia se esforçar para levá-la até o treze.
Inferno mesmo.
– Okay, por acaso Luna está aqui hoje?
– Não posso dar esse tipo de informação.
revirou os olhos.
– Pois não? – indagou uma voz feminina atrás dela.
se virou para encarar quem quer que fosse.
– Posso ajudá-la? – quis saber a morena, com um tom de voz hostil.
– Quero falar com .
A mesma a encarou de cima a baixo.
– E você é...?
– Uma amiga – resolveu simplificar.
– Infelizmente, não podemos liberar amigas – respondeu irônica.
Ah Deus, olhou bem para o rosto da mulher, para não esquecer mais tarde. Ela era muito bonita e tinha o perfil de alguém apaixonada pelo chefe. Era nítida a diferença dela com a outra moça que tinha a tratado um pouco melhor.
– Olha, estou com pressa, é só você ou qualquer pessoa competente avisar que quero falar com ele, que evitamos dor de cabeça.
– O senhor não se encontra – disse a recepcionista por fim.
– Ótimo, porque não falou isso antes?
– Porque – respondeu a intrometida novamente. – É nossa obrigação barrar pessoas indesejadas.
– Ela não é indesejada por mim – ouviu alguém falar.
Meu Deus, seu coração bateu tão forte contra o peito que sentiu medo que alguém ouvisse seu desespero interno. Quando olhou por cima dos ombros, encontrara nada mais que . Então sorriu aliviada.
– Oi – disse sem graça.
Eles nunca foram tão íntimos, mas devido às proporções, seria a melhor pessoa a se pedir um favor.
– Que bom vê-la por aqui – disse ele com sinceridade e com a educação que nunca lhe faltou. – Quer subir?
Seria bom, só para se sentir vitoriosa, depois de ser barrada, mas a melhor opção era conversar com ele o quanto antes e ir embora.
– Não, não. Eu vim até aqui, porque queria pedir um favor para você.
– Ah claro – ele deu alguns passos se afastando do balcão, para que só os dois pudessem conversar em particular. – O que posso fazer, pela senhorita?
Ela suspirou fundo.
– Gostaria de fazer uma visita a Luna. Mas perdi o contato de vocês – esclareceu. – Então achei mais fácil vir aqui, pedir pra você falar com ela, ou se ela estiver aqui...
assentiu.
– Ela está em casa, mas vai adorar receber sua visita, com toda certeza.
– Não quero atrapalhar.
Ele balançou a cabeça.
, ela vai amar ver você – disse ele com afeição. – Luna sente muito sua falta.
Ela engoliu em seco, se sentindo um pouco envergonhada.
– Eu também sinto, mas tudo está tão corrido ultimamente, vim para Inglaterra, porque minha mãe não está muito bem. Queria dar um oi, antes de voltar para casa.
– Claro, eu entendo – assentiu ele. – Você abriu uma empresa não abriu?
– Abri – respondeu sorrindo. – Inicialmente era uma empresa de eventos pequenos, mas acabei fazendo alguns contatos e agora cuido de alguns shows maiores.
– Eu soube alguma coisa. Fico tão feliz por você, sabia que tinha futuro – apertou o braço dela com carinho e pelo canto dos olhos, viu todos do hall os encarando. – Lembro do dia que fomos viajar para o Brasil e você estava toda nervosa, era só uma garota e agora está tão...
– Adulta?
– É... madura. Já é uma mulher e tanto. Luna com certeza vai pirar quando você ligar pra ela. E vai ficar muito orgulhosa dos seus feitos.
sorriu, não imaginaria em nenhum dos seus sonhos que a trataria daquela maneira. Mas agradeceu internamente, por isso.
– Foi bom vê-lo – ela deu o celular para que anotasse o número de Luna. – Vou ligar para ela assim que terminar alguns assuntos do trabalho. Será que sua esposa está disponível hoje?
Ele assentiu.
– Ela está redecorando um dos quartos, por puro deleite. Com certeza, vai amar ter você lá, para mostrar cada cantinho que decorou daquela casa.
– Obrigada – disse pegando o aparelho novamente. – Estou animada. Até mais , obrigada pela ajudinha.
a abraçou por cima dos ombros.
– Até mais . Não suma de novo.
– Pode deixar. Ah, já ia me esquecendo, tem um curso na minha empresa de como os funcionários devem tratar as pessoas, se quiser seria interessante, introduzi-lo na AEDAS.
Ele balançou a cabeça sorrindo e depois piscou.
Ela se afastou, dando alguns passos e depois soltou o ar. Não esperava que fosse tão fácil e rápido. Tudo bem, que não contou a verdade e só estava ali atrás de Luna, porque sua mãe havia pedido. Caso contrário, não faria isso. Mal sabia, como tinha conseguido ter um diálogo com sem passar mal. Seu estômago, estava se revirando dentro dela. Sentia-se nervosa.
O que ia dizer a Aniballe? Fora ela, quem parou de responder as mensagens de Luna. Fora ela, quem tinha escolhido se afastar.
Deus do céu. Esperava que a única amiga que tinha em Londres e toda a Inglaterra, a recebesse da maneira como havia dito. Feliz e entusiasmada, porque ela estava completamente sem graça.

DSTCDA – Z.


Os dias eram tranquilos, quando se estava na companhia de Aurora. Era seu ponto de paz e nada no mundo parecia ser mais certo do que ela o chamando de papai a todo instante.
– Papai, nós já chegamos? – indagou entusiasmada para chegar à escola.
– Sim, mas precisamos parar o carro e só depois você tira o cinto.
Ela odiava por cinto e ficar na cadeirinha. Vivia dizendo que já tinha tamanho para sentar na frente, seus pés quase tocavam o chão. Tudo bem que Aurora havia crescido rápido demais, às vezes olhava para ela e ficava bobo, lembrando de quando era apenas um bebê, que tirava o fôlego de todo mundo, com tanta perfeição. Quando a via dormindo, ou nos seus momentos de carinho com o pai, precisava dizer centenas de vezes para si mesmo, que ela era dele. Seu bem mais precioso no mundo.
Era surreal. A obra mais perfeita que criou.
– Seu celular está tocando, posso atender?
pegou o aparelho na mão, era Emilia.
Tinha a conhecido depois de uma festa no País de Gales. Meredith fora quem os apresentara. A mãe de Aus vivia falando – antes de decair – que ele merecia alguém. E em uma noite qualquer, ela surgira com Emilia ao seu lado.
Eles estavam juntos há quase um ano, mas nada sério; cada um ainda vivia sua vida separada e às vezes acabavam dormindo juntos. Ainda sim sabia o que ela sentia e também sentia algo, porém o coração de , estava longe.
– Agora não filha – respondeu, vendo a garotinha fazer bico. – Oi querida.
– Oi senhor . Como foi de viagem? – perguntou ela, com uma voz sexy e ao mesmo tempo doce.
– Cansativo. Vou deixar Aurora na escola, o que vai fazer agora?
– Estava pensando em te fazer uma visita – respondeu dando uma risadinha ao fundo.
Ele sorriu.
– Já chego.
– Vem que estou com saudade.
sorriu mais ainda. Sabia o que aquilo significava.
– Até daqui há pouco – se despediu, parando o carro para deixar a filha, que não parecia estar nenhum pouco feliz com ele. – Vamos, pequena?
– U-hum.
Aurora não conhecia Emilia muito bem, mas toda vez que ela estivera presente, sua filha se sentia enciumada, era por isso que não deixara Aus, atender a ligação, até porque, não queria misturar seu relacionamento com a família. Aurora não entenderia e podia ficar confusa com as curtas aparições de Emilia.
saiu do carro, abrindo a porta do passageiro, ajudando a filha a descer.
– Papai, tá caindo – falou ela, com doçura, segurando o laço no cabelo.
Ele se abaixou para ficar da altura dela, arrumando seu cabelo loiro igual ao da mãe, deixando do jeito que Aurora gostava. Apenas uma mecha puxada para trás, com um laço enorme segurando. Não era porque ela era sua filha, mas Aus era a menina mais linda do universo.
– Romeo! – exclamou ela.
virou-se encarando o amiguinho da sala dela, ao lado da mãe.
– Tchau papai!
– Hey, espera aí. Cadê meu abraço?
Aus o abraçou e logo se soltou, ansiosa para falar com o tal Romeo.
– Quer ir com seu amiguinho?
Ela passou a mão no cabelo, sorrindo e dando tchau para o pequeno garoto.
– Papai – disse ela impaciente. – Ele é o meu namorado.
Sabia que um dia teria que lidar com essa situação, mas não esperava que Aurora tivesse quatro anos. Seu coração quase parou por uns instantes e sentiu náuseas devida a mudança de humor repentina.
– Seu o que?
Deus do céu, ele queria gritar.
– Meu namorado, papai.
Estava incrédulo. Virou-se novamente, encarando o tal Romeo. A criança carregava uma chupeta na mão.
Meu Deus, Aurora não podia estar falando sério.

DSTCDA – C.


Assim que entrou no carro, fez algumas ligações que precisava, respondeu e-mails e por último com as mãos trêmulas e quase sem coragem, ligou para Luna.
Era muito estranho voltar a falar com alguém que há anos, não trocava sequer uma palavra.
Não sabia se ela realmente aceitaria vê-la, ou faria aquilo por obrigação e educação. Luna era um doce de pessoa e de certa forma, havia ajudado a criar parte da personalidade de . A mulher que se inspirou em se tornar, nada mais era do que Aniballe.
Minha nossa, elas tinham passado por tanta coisa em tão pouco tempo. Fora por culpa de – mesmo que indiretamente – que Luna havia descoberto que , fora seu namorado, antes do acidente. Caramba, era fora da realidade à história dos . Se alguém contasse há ela, nunca acreditaria. Bem, também havia passado por poucas e boas.
Quando contou a sobre Douglas e todos os acontecimentos que tivera ao lado dele, seu amigo empalideceu e quase não acreditou, fora só quando mostrou os documentos dos advogados de , que ele percebera que não era brincadeira. Não o culpava. Tinha dias, que ela também não acreditava que havia sido agredida tão brutalmente e ainda estava de pé. Como se nada tivesse acontecido. Mas quem a conhecia, sabia muito bem, todas as dores que já tivera que carregar no peito. E Aniballe, consequentemente era uma delas e quando Luna ouvira sua voz do outro lado da linha, fora como anos atrás. E uma parte do seu coração, que muitas vezes parecia estar congelada, esquentou um pouquinho.
Fora exatamente como lhe dissera, ela surtou. E no mesmo instante fez questão da visita de , nada de deixar para depois, ou marcar para outro dia. Luna queria vê-la agora. E por sorte, já tinha tudo planejado, também não queria deixar para depois, já havia colocado ela de lado há muito tempo.
Luna e não moravam mais no Hyde Park, então ela teria que ir até um condomínio fechado, o que seria bom, já que lá não corria o risco de encontrar ninguém indesejado.
Quando desceu do carro em frente à mansão dos , sentiu as pernas bambas.
– Achei que me daria bolo! – exclamou Luna, esperando na porta, praticamente gritando.
Nossa, ela estava ainda mais linda, do que quando a viu pela última vez. Luna, tinha um brilho no sorriso e na maneira de olhar, que só pertencia há ela.
– Eu tive probleminhas com o GPS, mas cá estou! – respondera animada, porém nervosa.
A família morava, em um condomínio realmente de outro mundo. nunca vira nada como aquilo.
– Até parece que não nasceu em Londres – brincou Luna a abraçando. – Ah, como é bom ver você! Está tão linda, ! me disse que a Mellanie falou para ele, que você estava bochechuda, mas óbvio que não acreditei, você está simplesmente, incrível. Estou sem palavras! Vem, Leonardo está cozinhando algo especialmente para você.
sorriu. No primeiro dia, quem não parava de falar era ela, mas agora...
Ah Deus, não percebera, mas sentiu tanta falta de Luna, que podia chorar ali mesmo.
– Leonardo?
– Nosso cozinheiro.
– Ah, é claro – eles eram podres de ricos.
Luna sorriu, balançando a cabeça.
– E Sebastian?
– Está na escola. Vem, entre.
seguiu a dona da casa até a cozinha, sentando em uma cadeira e encostando-se à ilha de mármore. O lugar era incrivelmente lindo. Fora da realidade. Como aquelas casas que ela via em revistas.
– Leonardo, essa é minha amiga que falei – disse Luna, os apresentando – Estou em débito com ela em uma viagem nossa para o Rio de Janeiro, que a fiz vir para casa antes da hora, por isso, teremos comida brasileira hoje.
sorriu, balançando a cabeça.
– Prazer em conhecê-lo Leonardo.
– Igualmente, senhorita.
– Ele é brasileiro. Faz maravilhas. Meus pais estão até querendo roubá-lo de nós – comentou Aniballe, rindo.
Seus pais eram italianos, e um deles, ela não lembrara qual, tinha um restaurante renomado na cidade e o outro era cirurgião plástico.
não contou que eu fui atrás de você na empresa?
– Não! Certamente quis fazer surpresa, ou esqueceu, ele vive ocupado – disse, revirando os olhos.
– E como é ter um terço da maior empresa de arquitetura do país?
Aniballe pegou duas taças e enchera uma com vinho branco e outra com água, sentando ao lado de .
– Um pouco estressante, mas vale à pena – ela deu a taça com vinho a . – É o que eu amo fazer. E trabalhar com meu marido não é a pior coisa do mundo.
– Eu imagino que não.
– Tem dias que quero enforcá-lo com minhas próprias mãos, mas depois nos beijamos e está tudo bem – Luna sorriu, lembrando de algo. – Depois que foi atrás de mim em Nova York o perdoei e casamos, então veio a lua de mel e todo aquele amor reprimido. E disso tudo, Sebastian.
– Fico feliz que ele tenha te contado toda a verdade. A história de vocês merecia um filme, porque foi algo que jamais acreditaria se não estivesse bem no meio dela.
Luna sorriu nostálgica.
– É, você sabe de tudo. Foi um ano assustador. Mas valeu a pena viver aquilo.
engoliu em seco. Será que para ela, havia valido a pena? Surpreendentemente a resposta era sim. Nada na sua vida teria acontecido se não fosse pelo o que havia vivido naquele ano assustador, como Luna tinha dito. Ela não teria encontrado sua melhor amiga, não conheceria pessoas incríveis, talvez nunca tivesse a chance de viajar para tão longe, como fora para o Brasil. Sem contar é claro, que jamais descobriria o que era amor de verdade se não tivesse dado seu coração a . E depois, tudo.
Sua vida em Bruxelas, seu trabalho, os amigos verdadeiros que havia feito lá. Simplesmente tudo.
– E então – começou Luna. – Me conta tudo. Quero saber tudo o que perdi na sua vida.
sorriu sem graça.
– Bem, não sei se tem muita coisa.
– Como não? Você abriu a Zoet, não abriu?
Ela assentiu em resposta.
– É, tem isso.
– Pelo amor de Deus, é uma grande coisa.
– Ahm... tem algo que queria que você soubesse, que acho que até agora foi meu maior triunfo da vida.
– Você está grávida?
– O que? Não!
– Então fala logo!
– Luna, você era a mais contida de nós – disse rindo. – Meu Deus, o que houve?
– Não sei, devem ser os hormônios, me desculpe – respondeu, dando de ombros e tomando um pouco de água em seguida. – Se não está grávida, o que é tão grandioso?
– Você conhece Ed Sheeran?
– Claro, todo mundo o conhece.
Ela não conseguiu deixar de sorrir, era bom demais contar a alguém do seu passado, sua maior vitória. Principalmente, quando esse alguém, era Luna, sua maior incentivadora.
– Então, agora eu trabalho com ele.
Leonardo, o cozinheiro da família , deixara algumas panelas caírem em cima da pia, se virando desesperadamente, para encará-la, enquanto Luna, a observava com o queixo no chão.
– Sério? – indagou a amiga.
– Uhum – respondeu, sendo bombardeada em seguida, por inúmeras perguntas do cheff da cozinha de Luna, que era um fã descontroladamente apaixonado por Sheeran.
Fora incrivelmente icônico.

DSTCDA – Z.


– Sinceramente, acho que você deveria colocá-la em uma clínica de reabilitação.
Ele bufou exausto, depois que Emilia fora embora da breve visita, fora desabafar no escritório do amigo, como sempre.
– Também acho, mas Meredith estava melhor esse mês. Não sei o que houve.
– Ela tem depressão, às vezes está bem, às vezes mal.
assentiu com a cabeça.
– E o aniversário de Aus?
O amigo lhe ofereceu um copo de whisky, parecia o ideal para uma conversa como aquela.
– Meredith e Chiara estavam tomando a frente de tudo. Mas acho que teremos que cancelar se ela continuar desse modo. Como vou falar com as pessoas e as crianças se ela não estiver lá? Você sabe que eles são uns demônios.
concordou rindo.
– Daremos um jeito – o amigo tomou um gole da sua bebida e depois o encarou por um instante, pensando em como começaria a frase. – Recebi uma visita meio inesperada hoje.
– Quem?
– sussurrou.
Nenhuma reação. Ele permaneceu imóvel, encarando .
– Isso é sério?
– Incrivelmente sério.
segurou a respiração no peito. O que diabos estava fazendo na AEDAS? Será que ela queria provocá-lo?
– O que ela estava fazendo aqui?
– Veio conversar comigo. Queria o contato de Luna. Ela foi vê-la.
Tomou todo o líquido do copo, tentando pensar com clareza.
– Ela não perguntou de mim? Ou, ou disse algo?
balançou a cabeça negativamente.
– Sinto muito cara.
– E como ela está?
– A mesma. Um pouco mais contida, mais adulta, mas a aparência é da mesma menina que vivia aqui.
Ótimo, então ela continuava linda.
estivera na AEDAS e ninguém, nenhuma alma viva, tivera a decência ou a compaixão de avisá-lo. Tinha ótimos empregados, devia aumentar o salário de todos, pensou irônico e cheio de raiva.
pigarreou.
– Não fique pensando nela, já disse.
– Como se fosse fácil – disse ele, com a voz cansada.
– Eu só contei, porque somos amigos, mas se for pra ficar assim, toda vez que ouvir o nome dela, não te conto mais nada.
– Só não consigo acreditar que todo mundo já a viu e eu ainda estou aqui – disse aflito.
– Então vá falar com ela, simples.
Ele parou por um instante. Não seria nada mal. Mas como faria isso? Era evidente que o odiava. Nunca mais ela havia dado sinal de vida, até semanas atrás.
O que ele poderia fazer? Não podia simplesmente ir atrás dela. O que diria?
Eles nunca voltariam a ser o que eram antes.
Inferno, ela fora até a Bélgica apenas para se afastar dele. Era claro como a água que não queria vê-lo. Mas ah, ele por outro lado.
Talvez se conversasse com alguém... talvez se pedisse ajuda a pessoa certa. Tinha que esclarecer algumas coisas e nada melhor do que agora que ela estava no país. Provavelmente não teria outra chance. voltaria para Bruxelas de novo e quem sabe tivesse algum namorado ou noivo lá. Não, não queria pensar isso.
Precisava agir o quanto antes e pensando bem, já sabia como.
– Será que ela está na sua casa? – quis saber.
– Imagino que sim. Luna me mandou uma mensagem agora há pouco.
– Ótimo – disse se levantando com pressa.
– Hey, hey, o que vai fazer?
– Nada de ruim. Te conto as novidades mais tarde.

DSTCDA – C.


Elas estavam sentadas no quarto que Luna estava decorando, depois de horas se atualizando sobre quase tudo o que acontecerá nos últimos cinco anos, e lembrando o passado, dando risada da vez que se vestira como Julia Roberts para ir em uma festa.
Deus do céu, que vergonha.
– Eu preciso que você me ajude a fazer uma coisa.
– Certamente, não é ajuda para se vestir, é?
– Não, não! – respondeu ainda rindo. – É algo mais sério.
curvou o cenho a encarando. A sra. levantou, indo até o closet do quarto em silêncio, voltando com uma pequena sacola de papel nas mãos.
– Eu estava receosa quanto a isso, porque não é à hora, mas já que você está aqui, talvez me ajude...
– Luna, o que foi?
Ela sorriu, pegando uma caixinha de dentro da sacola.
– É um teste de gravidez.
deixou o queixo cair.
– Você...
– Ainda não sei.
– Ai meu Deus. sabe?
– Não. Eu não queria. Deus me perdoe, mas não queria agora – ela suspirou fundo. – Sebastian tomou meu tempo durante esses anos, agora queria voltar para o trabalho e... não me ache a pior pessoa do mundo, mas não quero ficar gorda de novo.
– Luna! – vociferou ela.
– Tem uma mulher. Uma arquiteta nova. Ela é mais jovem que eu e é simplesmente linda! Ganhou o concurso mais disputado. Ganhou de mim. E a chamou para trabalhar conosco – explicou ela. – Desde então, não sei... Me sinto insegura com ele. Nós... ele só fica naquela empresa com ela.
ficou sem reação. Jamais esperava ouvir aquilo de Luna Aniballe. A mulher mais linda que já conhecera. Não era possível, que teria coragem de fazer algo para magoá-la.
– Mas e se você estiver...
– Ele pode me trocar. Eu sei que é horrível, mas já vi tantos casos de maridos que traíram quando as esposas engravidam.
– Ele não faria isso com você.
Ela deu de ombros.
– Faça o exame. Eu vejo pra você, não fique com medo.
Aniballe assentiu, se levantando e caminhando com passos firmes até o banheiro. Era estranho e bom ao mesmo tempo, estar ao lado dela nessa situação. Talvez, Luna estivesse mesmo com medo do resultado e precisasse de uma amiga para partilhar daquela emoção.
Ela já tinha uma criança, sabia como era, mas essa insegurança que estava dizendo sentir a deixava para baixo. E com razão.
Era totalmente compreensível. Mas não ia deixá-la. Ficaria ali, para dar uma boa notícia. Seja qual for. Até porque para , um bebê a caminho, sempre seria a melhor notícia.
– E então? – indagou ela, vendo a amiga voltar do banheiro.
– Agora é só esperar alguns segundos. Se aparecer dois riscos, estou grávida – explicou Luna, entregando o exame para , que assentiu ansiosa.
– Quem diria que depois de tanto tempo, estaríamos fazendo isso – comentou, erguendo o exame na mão.
Luna riu nervosa.
– Se você não estivesse aqui, eu não teria coragem.
– Claro que teria. Você sempre foi mais corajosa que eu.
– O que? Claro que não! Só fiquei com o , porque você quis ficar com o , me senti na obrigação.– disse ela rindo.
balançou a cabeça.
– Mentirosa!
– Ai meu Deus – murmurou Luna.
– O que foi?
– O exame. Eu estou vendo certo?
encarou o exame na sua mão.
Ai. Meu. Deus.
Estava entusiasmada. Tinha ficado com medo de como seria ver Luna novamente, mas nossa, fora melhor do que tinha imaginado.
Ela desceu do carro arrumando a roupa e correu para casa, queria contar tudo para Sophie. Talvez a mãe gostasse de saber como fora seu reencontro. E da grande novidade. A sra. com certeza daria ótimos conselhos para essa nova fase da vida de Aniballe. E agora sua mãe começaria o tratamento. Ela se sentia por fim, muito aliviada.
abriu a porta e por segundos, seu coração parou de bater, devido ao choque. Tinha uma pequena garota, loira de pele clara e olhos azuis, como ela quando criança, correndo pela sala. estava com os joelhos curvados, fingindo estar ferido, enquanto seus pais estavam sentados no sofá, rindo da encenação.
E de pé, encarando aquela cena com um sorriso leve e bonito nos lábios, nada mais do que ele.
.


Capítulo 5

Depois de anos, percebeu que nunca foi um homem que agira de maneira sensata. Muito pelo contrário, sempre foi motivado pela emoção. E claro que dessa vez não seria diferente.
Quando se deu conta do que estava fazendo, não podia mais voltar atrás. Já havia contado a Aurora que eles iriam visitar uma antiga amiga do papai.
Ah, era crueldade demais mencionar apenas como uma amiga. Ela era mais que isso. Não conseguia mais explicar para si mesmo o que havia acontecido no passado, mas toda vez que lembrava do sorriso doce da garota e daqueles olhos cor do mar, sentia o coração apertar.
Assim que parou com o carro em frente à casa dela, fora como vivenciar o passado de novo. Como se voltasse no tempo e estivesse indo buscá-la para levar até sua casa e comer kebab até tarde da noite. Foram meses incríveis. Mas todo seu momento nostálgico se foi, assim que avistou um rapaz caminhando no jardim com sacos de lixo nas mãos.
– Pois não? – disse ele, com um sotaque carregado.
pegou Aus no colo, ela ficava retraída perto de estranhos.
– A família mora aqui ainda? – indagou um pouco confuso.
– Sim. Sophie e Benedict estão lá dentro, quer que os chame?
Ele olhou para a filha. precisava saber sobre o que aconteceu com ele. Era errado esconder dela, entretanto, seria muito mais fácil, pedir para o rapaz mandar apenas lembranças e ir embora.
– Você é algo da família? – quis saber.
– Não, não, sou apenas sócio da filha deles.
– Ela está ai?
– Não. Você é...
– Ah, perdão, me chamo – respondeu ele, estendendo a mão para cumprimentar o rapaz, sentindo um alívio no peito, pela resposta dele. Por um breve momento, imaginou que diria outra coisa. – Essa é minha filha Aurora.
?
– Sim.
O rapaz deixou os sacos de lixo caírem no chão e colocou a mão na boca, dando uma risada debochada.
– Caramba.
– Você é?
– Me chamo .
– Muito bem. Eu posso falar com o senhor e a senhora , se ela estiver em condições?
sorriu. Ele lhe parecia uma boa pessoa, mas não tinha certeza se aquela risada era favorável ou muito pelo contrário. Era óbvio que ele sabia de algo que não. E provavelmente, pela maneira como perguntara seu nome pela segunda vez, fora para ter certeza se era aquele cara , que ouvira falar.
Isso era outra coisa que o deixava nervoso.
falou sobre ele em algum momento nos últimos cinco anos? Será que algum dia, ela pensou nele? Não podia mais desistir. Teria de enfrentá-la.
– Ah, ela está ótima hoje. Você quer que eu fale com eles? – indagou ele, receptivo.
assentiu, colocando Aurora no chão e segurando a mão da garotinha, que ainda estava envergonhada.
– Seria ótimo.
O rapaz correu para dentro da casa, enquanto ele preferiu ficar no jardim em frente, observando a filha admirar cada pedaço daquela vizinhança. Eles nunca haviam passado pela redondeza. Em cinco anos, evitou aquele caminho. Era melhor assim.
– Papai, quero ir pra casa – disse Aus, manhosa.
– Calma filha. Daqui a pouco nós vamos, está bem?
Ela balançou a cabeça e depois girou, vendo o pequeno vestido esvoaçar em torno dela.
Tudo bem se não o perdoasse. A razão pela qual ainda era feliz, estava bem na sua frente, rodopiando como uma bailarina, perfeita.
Assim que retornou, ao seu lado estava Benedict . Eles nunca foram muito próximos enquanto estava com , mas o Sr. sempre o respeitou, assim como para com ele e toda sua família.
– Ah, meu rapaz, que bom ver você aqui! – exclamou, com os braços abertos e uma afeição visivelmente leve e alegre. – Quanto tempo! Como está?
Benedict o abraçou como um pai abraçaria um filho, podia sentir isso, todas as vezes que o fazia.
– Estou bem, obrigado. E o senhor?
– Está mesmo? Que bom, rapaz! Estou ótimo. Confesso que Sophie e eu, ficamos surpresos quando disse que estava aqui.
encarou pelo canto dos olhos. Ele estava curvado na altura de Aurora, conversando algo inaudível, porém que fizera sua filha sorrir encabulada.
– Queria saber... – pigarreou antes de continuar. – Bom, queria saber se posso conversar com , agora que ela está aqui.
– Muito bem – disse Benedict em concordância. – Essa é sua pequena?
– É sim!
– Sabe filho – começou Benedict, puxando delicadamente, pelo braço, para dentro da sua casa. – Depois que temos nossas crianças, somos capazes de tudo, para vê-los felizes e realizados em suas vidas. Você fez nossa criança muito feliz enquanto estava aqui e por muito tempo ficamos irritados com tudo o que aconteceu, por vê-la magoada. Já conversamos sobre isso. E eu e Sophie sabemos melhor do que ninguém, o quão bom você é. Seria muito bom se ela soubesse também. De qualquer forma, ela está diferente agora. Não podemos prever se ira gostar ou não de te ver aqui.
– Imagino que ela ficará assustada – comentou .
– Certamente – concordou Benedict. – Mas se ela souber de tudo, talvez compreenda você.
Ele assentiu. Estava apavorado. Não podia voltar atrás agora.
– O que houve? – quis saber . – Se é que me permitem saber.– completou, sem jeito.
Benedict respirou fundo e o encarou, como se pedisse permissão para contar. Ele apenas assentiu levemente. Todo mundo ia saber de qualquer jeito.
– Há quase um ano e meio, fui ao hospital com Sophie e encontramos esse rapaz...
Ele assentiu e a cada palavra que Benedict ia proferindo, o sócio de parecia perplexo.
Quando parava para pensar nas coincidências que ocorreram naqueles últimos tempos, também ficara assim. Não haviam sido anos fáceis, mas, contudo, ainda estava ali.
E por mais estranho que parecia ser, sua vida tinha cruzado indiretamente, com a de .
De novo.

DSTCDA – C.

Ela permaneceu imóvel, olhando para um ponto bem longe dos olhos dele. Todo seu corpo começou a tremer. Precisava dizer algo, mas não sabia o que.
Já fazia tanto tempo.
Meu Deus. Ia vomitar com a ansiedade e o nervosismo que estava sentindo. , estava bem ali. Bem na sua frente. Perto demais para sua saúde mental. Não conseguia raciocinar, ou balbuciar alguma coisa. Estava completamente em choque. Seu corpo inteiro formigava e o coração batia forte contra o peito, ia ter uma síncope.
Meu Deus. Não estava acreditando, simplesmente não estava.
– Filha, venha aqui – disse sua mãe.
encarou os olhos dela e depois do amigo. Ele parecia um pouco temeroso, assim como ela. Mas o que diabos estava acontecendo ali? Se sentia tonta, com náuseas e não bastasse a tremedeira insistente, seu corpo parecia que ia queimar em breve.
Não conseguia raciocinar. Mas o que era aquela criança? De onde aqueles dois seres haviam saído? Bem, só podia ter voltado do inferno para atormentá-la.
Mas aquela menininha... Porque estava ali?
?
– Ahm... Oi – disse, porque algo precisava ser dito.
– Venha aqui querida – chamou sua mãe novamente.
Ela deu alguns passos até se sentar ao lado da mãe. E assim que se acomodou, a pequena garota, que mais parecia uma boneca, correu para abraçá-la, como se já a conhecesse. Não pode deixar de sorrir e sentir certo alívio com aquele abraço sincero.
– Oi princesa, que abraço gostoso – disse apertando-a contra seu peito. – Como se chama?
Ela se afastou sorrindo.
– Aurora Hampton – respondeu com ênfase.
Foi rápido, não deveria ter olhado diretamente para ele. Mas não conseguia entender. Durante um bom tempo, ficou apenas observando parado no canto da sua sala. Ele sorriu de volta e ela curvou o cenho. Deus do céu, havia se passado cinco anos. Cinco malditos anos e ele – não queria admitir – conseguiu ficar ainda mais lindo. Queria matá-lo. Queria enforcá-lo com suas próprias mãos. Mas ao mesmo tempo queria entender, porque estava ali. E porque aquela linda menina carregava o nome dele. Ele tinha irmãos? Ou... não. Não podia ser.
– Deixa eu apresentá-las – começou , se aproximando e se abaixando ao lado de Aurora, de frente para ela. – Essa é , que o papai falou.
Papai?
Meu. Deus.
, essa é minha filha. Aurora.
Ela sorriu. Mas por dentro, queria desmaiar.
– Você é muito linda Aurora.
– Como você está? – indagou , baixinho.
– Bem.
– Certo.
– Vamos brincar ? – quis saber a pequena.
Ela não conseguia pensar ou agir.
– Papai vai conversar com ela, filha – disse com cautela. – Depois nós brincamos – ele a olhou com cuidado antes de continuar. – Pode ser?
Droga, o que ia dizer? Todos a sua volta, estavam a encarando, ansiosos por algo. Porque sempre era a última a saber de tudo? Será que fora assim que Luna se sentira quando descobriu sobre ? Era a pior sensação de todas, se sentir traída. Até parecia saber mais do que ela. Deus, era estranho demais ver ele e no mesmo lugar. Pior ainda, ver brincando com a filha de . Minha nossa. Ele tinha uma filha.
Como isso fora possível?
Ah, não.
Ele tinha uma esposa. Mas que audácia. O que diabos ele estava fazendo ali? Se Amber surgisse de algum cômodo da sua casa, ela surtaria.
– Querem ir até o jardim? – indagou sua mãe, sem dar a chance dela responder. – Lá é melhor.
Ela curvou o cenho, encarando Sophie.
– Vai filha – disse, dando um tapinha em seu ombro.
sorriu, mas não deixara de notar que dera um sorriso triste. Por um instante ela achou que acordaria de um pesadelo e sentiria o alívio de perceber que aquela cena não passava de uma mentira, mas não. Quando se levantou e a acompanhou pelo corredor que ia para o jardim, atrás de sua casa, sentira a verdade daquele pesadelo em cada passo dado.
Não fazia ideia do que estava fazendo e porque, mas teria todas suas respostas.
Ele deixou escapar um suspiro pesado, enquanto ela se virava para encará-lo.
– O que veio fazer aqui? – perguntou, ríspida, quando chegaram ao jardim.
– Eu... – ele pigarreou. – Eu queria conversar.
– Conversar?
– Quando soube que estava em Londres, achei que seria bom explicar algumas coisas que ficaram entreabertas.
– Não seria melhor ter mandado uma mensagem há cinco anos? Ou sei lá, ter feito uma ligação?
– Olha ...
– Não... – ela suspirou fundo. – Desculpa, eu não queria... é que estou surpresa com sua visita.
Por um instante o viu sorrindo e um segundo depois ele a encarou com os olhos fundos e sérios. Não sabia o que estava por vir, mas parte de si queria dar a chance dele se explicar. Não que precisasse esclarecer algo a ela. Já havia passado tanto tempo. Fora apenas um fim de relacionamento, como qualquer outro. O que levava a crer que tinha algo muito mais sério por trás da sua visita.
– Eu sei que não fiz o certo. Hoje eu vejo que deveria ter agido de outra forma, mas agora já se passaram cinco anos, não posso voltar atrás.
– Tudo bem – disse ela, um pouco mais calma. – Mas o que está fazendo aqui?
Ele suspirou fundo e a encarou com seriedade nos olhos.

DSTCDA – Z.

Não tinha ideia de como contaria a ela algo que havia mexido com toda a sua vida. Não fora fácil encarar a notícia, mas por sorte, destino ou Deus, imaginava que Ele tivera bondade sua, estava ali, encarando a garota, – agora mulher... e que mulher, pensou – dos olhos cor do mar.
Como contaria a o que tinha acontecido há anos atrás? Parte de si, olhando para ela, naquele momento, sentia raiva. Raiva de não ter contado tudo, quando teve a chance. De ter perdido todo esse tempo longe da garota mais linda do mundo. Mas por outro lado, se não tivesse se afastado, nunca teria Aurora e ele não conseguia mais imaginar sua vida sem aquele pequeno ser de luz.
? – indagou ela curiosa.
Nossa, ouvir seu nome saindo de sua boca novamente. Deus, ele estava no paraíso.
Quando a viu entrar pela porta da sala, sentiu o corpo inteiro estremecer e depois de tanto tempo, seu coração voltará a bater violentamente contra o peito, como se as famosas borboletas invadissem todo seu estômago, o deixando inteiramente nervoso. Ela estava absurdamente linda. Cada traço era exatamente como lembrava, seus cabelos estavam um pouco mais claros, sua boca parecia ainda mais carnuda e a pequena e quase imperceptível cicatriz, que só quem a conhecia, sabia que tinha, estava lá, no canto dos seus lábios, um pequeno detalhe que trazia muitas lembranças. Memórias que nunca conseguiu esquecer.
permanecia exuberante e ele estava perdido por ela novamente. Talvez mil vezes mais.
Com certeza estava. Ela seria sua ruína. E não se importava com isso. Faria o possível e provavelmente o impossível, para ter mais uma chance. Não erraria dessa vez.
– Bem, por onde devo começar?
– Talvez possa me contar, como veio parar aqui.
Ele assentiu nervoso e pigarreou antes de continuar.
– Sinto muito pela sua mãe – era verdade, sabia como era doloroso para Sophie o que estava passando e claro, para Benedict e também. – Optar pelo o que parece mais difícil não é uma decisão tranquila, mas às vezes para nós, necessária.
Ela curvou o cenho o encarando, mas ainda em silêncio.
– Estava, há um ano, conhecendo uma ala nova no hospital que faço doações, quando a vi com seu pai. Uma das enfermeiras nos apresentou novamente, sem saber que nos conhecíamos, e começamos a conversar sobre a doença da sua mãe e eu disse a eles que também tive câncer e se Sophie precisasse, eu daria a ela todo o apoio que precisava.
– Isso é algum tipo de brincadeira sem graça? – indagou ela, irritada.
– Estou falando sério. Nós... nós ainda estávamos juntos quando comecei a sentir dores fortes na cabeça, mas achei que era só stress. Em uma discussão com , ele acabou me dando um soco e eu simplesmente, desmaiei, só acordei no hospital, o médico pediu uma tomografia e estava lá.
Ela o olhava completamente perdida.
– Não consigo acreditar em você – murmurou.
– Fiz todos os exames que precisava, durante aquela semana que ficamos sem nos falar. Quando contei a minha mãe, ela imediatamente ligou para o médico da família e ele pediu que fossemos para os Estados Unidos, fiz meu tratamento inteiro lá. Foi tudo muito rápido e intenso. Eu me isolei do mundo por um bom tempo. Claro, antes disso conheci Meredith...
– E Amber?
– Nós entramos em um consenso assim que descobri a doença. Hoje em dia ela é casada com um milionário, dono de vários cassinos, até onde sei, vivia em Manhathan.
– Nossa. E quem é Meredith? Sua esposa?
Ele sorriu. Desejava imensamente, que ela sentisse um pouco ciúmes, mas permanecia imóvel e sem expressão nenhuma.
– Não, não. Ela é mãe da minha filha. Meredith e eu nos conhecemos em um bar. Eu tinha acabado de sair da terapia e me sentia muito vazio, acabamos conversando e uma coisa levou a outra. Nós combinamos que teríamos Aurora, mas apenas isso. Ninguém queria se envolver em um romance, então antes de começar com a quimioterapia, quis deixar um pedaço meu no mundo.
– Você está bem agora? – indagou ela, com a voz serena.
– Sim. Cem por cento.
cruzou os braços sobre o peito e encarou o chão, ficando em silêncio por alguns segundos.
– E porque nunca me contou? – quis saber ela, tentando falar com a voz calma.
– Achei que estava fazendo a coisa certa.
Ela riu de escárnio, balançando a cabeça.
– E se você morresse? – disse, tentando disfarçar a mágoa, mas ele a conhecia. – Eu fui tão insignificante pra você?
– Claro que não – respondeu imediatamente.
– Então devia ter me contado – retrucou ela, erguendo o tom de voz. – Você não sabe o quão horrível foi dormir todas as noites, sem saber por que exatamente, tinha terminado comigo. Você simplesmente despejou que não queria e todo esse tempo, eu achei que a culpa foi minha.
– Me desculpa, eu não queria que você ficasse presa a mim, tudo podia ter sido diferente..
– E se você morresse? – repetiu ela, praticamente gritando. – Eu não tinha o direito de me despedir?
– Teria sido mais difícil com você ali.
– Você tem uma filha, pelo amor de Deus... não parece que foi tão difícil.
– Mas foi. Aurora foi um presente, você não sabe nada sobre ela. Achei que ia morrer. Você não sabe o que é isso. Eu tinha tudo na minha vida, do bom e do melhor, eu era jovem, eu sequer tinha construído uma família, e eu tinha certeza que ia morrer. Vivemos nesse mundo como se não houvesse amanhã, mas o amanhã vem e a única certeza que temos é que um dia, todos nós vamos morrer. Como eu te deixaria aqui? Eu não queria morrer tendo você comigo. O amor que eu sinto pela minha filha é maior do que qualquer outro, mas o que eu senti por você também foi muito forte e eu simplesmente, preferi te deixar naquele dia, do que me despedir de outra forma e para sempre.
Ela o encarou por um segundo.
Deus, ele estava com o coração desesperado. Queria abraçá-la, apertar seu corpo, sentir seu perfume, tocar seus lábios, sua pele suave e fazê-la sua novamente.
Não imaginava que sentiria tudo de novo e tão profundo. Seu terapeuta sempre falara que o que eles haviam vivido não tivera um ponto final, por isso permanecia em sua cabeça e claro, em seu coração. E por mais que tivesse passado outras mulheres em sua vida, ele era inteiramente dela.
virou o rosto para outro lado, permanecendo em silêncio por um tempo. Seu corpo foi invadido por uma terrível sensação de perda. Sabia que ela não agiria de acordo como imaginara, mas não tinha pensado que estaria tão distante dele.
Bem, quem estava enganando. Cinco anos havia se passado, óbvio que ela estaria distante, bem distante inclusive. Talvez parte de si, aquela parte que ele precisava trabalhar mais, tinha o enganado outra vez. Ah, seu impulso e sua insensatez o levariam ao desastre.
– Eu não quero saber – murmurou ela, por fim. – Vá embora, desaparece da minha vida.
– Me falaram que estava diferente, mas não imaginei que a encontraria tão...
– Tão o que? – o encarou com os olhos marejados. – É fácil pra vocês, todo mundo prefere mentir pra mim. O que acha que senti quando descobri que minha mãe estava com câncer? Que ela fez tudo pelas minhas costas, achando que eu não aguentaria? O que acha que pensei, quando descobri que ela prefere morrer a fazer o tratamento? Aí vem você aqui, como se nada tivesse acontecido entre nós e simplesmente despeja tudo isso. Eu amei você por muito tempo. E quando me dei conta, que não adiantaria chorar todos os dias por alguém que sequer teve a decência de terminar comigo por um motivo lógico, mudei. E não me arrependo nenhum pouco. Eu sinto muito por você ter ficado doente, mas já foi. Não vou perdoar você por tudo o que fez. Não vou ser gentil com alguém que não foi gentil comigo. Não quero você aqui. Não quero que seja amigo dos meus pais. Obrigada por tê-la ajudado, mas agora estou aqui e não precisamos mais de você. Então pegue sua filha, que é linda com toda certeza, e suma da minha vida.
, eu não tive escolha.
– Nós sempre temos escolhas, , e você escolheu me deixar.
Ela balançou a cabeça e saiu. Ele sentiu um nó na garganta.
Seu coração estava de novo, fragmentado.

DSTCDA – C.

Não ficaria ali. Não queria conversar com ele. Estava destruída e com raiva. Muita raiva. Todo esse tempo pensara que não fora suficiente para , mas não.
Ele quase morreu. Deus do céu. Ele quase morreu e ninguém tivera a coragem de dizer a verdade. Era decepcionante. Teria ficado ao lado dele. Teria dado apoio. Mas quem quis esconder tudo, fora ele.
Passou pela sala com passos firmes, ouvira seu pai a chamando, mas subiu para seu quarto as pressas. Queria chorar e não queria que nenhum deles visse sua fraqueza. Se tivesse morrido... não conseguia nem imaginar. Ela não teria passado seus últimos dias de vida ao lado dele. Porque ele não quis. Ele.
A culpa de tudo é dele, pensou.
Ela entrou no quarto, e fora direto para seu closet. Estava ali em algum lugar. Subiu em uma banqueta para alcançar o fundo do armário, até seus dedos sentirem a textura da caixa pequena de veludo. Devagar e com cuidado ela abriu. Ainda estava lá, do jeito que havia deixado há cinco anos.
Uma corrente escrita Caramella e uma pequena carta escrita a mão, por ele. Ela olhou mais no fundo do closet pegando uma caixa maior. Não sabia bem o porquê ele havia dado aquilo a ela, mas agora tudo se encaixava.
Desceu da banqueta e deitou na cama, para ler a carta de novo.

"Minha Caramella, confesso que nunca escrevi uma carta antes em minha vida. A não ser aquelas que escrevemos aos nossos pais, quando somos crianças. É engraçado parar para pensar em como tudo muda tão rápido. Um dia estamos lá com eles e no outro, já somos adultos e vivemos conforme nós desejamos. Hoje você se torna uma mulher adulta. E logo andará com suas próprias pernas. Ah , tenho certeza que fará coisas incríveis em sua vida.
Por favor, não fique presa aqui ou em Bruxelas – não sei onde você estará – mas não se limite a apenas isso. A vida é curta demais.
Se eu puder te pedir uma única coisa antes de nos separarmos para sempre, é que você seja feliz. Que você continue sendo assim, tão doce e encantadora. Que conquiste vários corações, mas que sempre guarde um pedacinho só pra mim. Eu sei que deve me odiar agora, mas tudo fará sentido um dia. Aproveite sua vida. Vá de novo para Paris, para o Brasil. Conheça novas pessoas. Seja quem você quiser ser. Não tenha medo de sonhar e arriscar. Você merece o mundo e eu sei que conquistará tudo o que desejar.
Crie novos amigos, conheça novos amores, vá para Islândia, eu sempre quis ir até lá. Não se arrependa de nada, não crie barreiras. Você é maravilhosa, lembre-se sempre disso. Tire muitas fotos, eternize memórias. Você é incrível.
Obrigado por ter passado pela minha vida. Nada, jamais me fará esquecer desses meses que passei ao seu lado.
Você é e sempre será, minha doce Caramella.
Se divirta na sua jornada.
Com amor, ."


Respirou fundo e deixou algumas lágrimas caírem. O peso daquela carta era outro e fizera seu coração se apertar. Minha nossa, ele podia ter morrido. Não conseguia imaginar.
Por mais que odiasse admitir, não sabia o que faria da sua vida se não existisse mais.
Era doloroso demais, imaginar um mundo sem .
Ela abriu a outra caixa, ainda derrubando algumas lágrimas. Sabia exatamente o que tinha lá, mas agora era diferente. O sentimento era outro.
Ele havia dado a ela uma câmera fotográfica de última geração, com duas lentes caríssimas, – que estava em Bruxelas. E um guia de viagens, onde ele destacou os lugares que ela devia conhecer. O primeiro deles, era a Islândia, como tinha dito na carta. No fundo da caixa, tinha também um Voucher e um bilhete.

"Espero que vá em todos os lugares possíveis, emoldure suas lindas fotos, seja forte, creia em você e acima de tudo, seja feliz. "

Ela fechou os olhos e levou aquele pequeno bilhete aos lábios, lembrando de tudo. Estava tão confusa agora. Completamente perdida. Não havia ido a nenhum dos lugares que pedira.
Não fotografou lindas fotos, só fingia ser forte e pela primeira vez depois de muito tempo, perguntou a si mesma, se era feliz.
Não sabia a resposta.


Capítulo 6

Experimentou uma taça de vinho. Nada mau. Não gostava tanto. Seu negócio era Whisky, mas naquela noite, decidiu mudar, afinal havia sido um presente de Emilia.
Ah Emilia, ainda estava deitada no seu peito, descansando. Tinha o feito se sentir vivo durante a última semana. Não se orgulhava em dizer que toda sua frustração mediante a tudo o que houve com , fora descontada na pobre mulher. Mas ela sabia que ele não estava bem. E em sua defesa, tinha se submetido a fazer seus caprichos, porque também saia satisfeita daquela relação estranha.
Mudar as vezes era preciso. Tirou – por breves momentos – da cabeça e seguiu em frente.
Havia conversado com e Luna. Eles sabiam de toda a história. Dar um tempo para ela era a melhor saída. Luna tinha o aconselhado a se afastar, agora ela tinha outra vida e independente do que acontecesse, se fosse para dar certo, daria.
Seu coração doía constantemente, quando lembrava de , saindo do jardim e o deixando sozinho. Mas se sentia tão aliviado, por finalmente ter contatado toda a verdade.
Nunca imaginara, que cinco anos atrás, se apaixonaria por aquela menina, de tal modo que depois de tudo, ainda não conseguia esquece-la.
Quando ficou doente, não pensou em mais nada a não ser ela. Perdê-la fora a dor mais atroz até hoje. Não desejava para ninguém ter de tomar aquele tipo de decisão.
Tinha mexido tanto com seu psicológico que se não fosse por , tinha ido atrás dela de novo. Não porque estava desesperado, mas sim, porque viu a morte lhe abraçando e não existe na terra algo tão pavoroso quanto isso.
Saber que a hipótese de perder tudo é algo totalmente desesperador. E quando a ficha cai, você começa a não se importar tanto com coisas pequenas e sim, ficar ao lado de quem ama.
não tinha certeza se a amava. Mas nunca a tirou do coração. Talvez aquilo fosse amor.

– No que está pensando? – indagou Emilia, de repente.
– Na comemoração de cinquenta anos da AEDAS – mentiu.
– Nossa, cinquenta anos? Caramba! deve estar animado.
– Um pouco. Ele está em crise com Luna.

Era uma conversa totalmente sem graça, mas não tinha coragem de dizer realmente no que estava pesando. Afinal, Emilia sempre soube da história com e soubera da boca dele, que ela estava de volta. A única pergunta que ela fez, foi se também estava de volta em sua vida ou não. Ele apenas negou em silêncio.

– Não acredito. Mas eles vão se divorciar?
– Não! – meu Deus, aquilo nunca aconteceria. – está obcecado pelo trabalho. Ele quer bater metas, contratou uma arquiteta nova, passa muito tempo com ela e Luna não está gostando muito.
– Nossa, e a gente acha que rico não tem problema.

Ele riu.

– Tem mais do que você imagina.
– Você tem? – perguntou ela com inocência na voz. – Estava aborrecido essa semana.
– Os de sempre.
– Meredith?

Ele acenou com a cabeça.
Enquanto colocava sua filha para dormir, dava banho, dava de comer, escovava seu cabelo e ensinava ela a segurar a xícara como uma princesa, a mãe da garota ainda permanecia internada em uma clínica de reabilitação. E isso o matava por dentro, porque por mais que fizesse de tudo por Aurora, ela sentia falta da mãe.

– E ?

Ela se afastou um pouco, para encará-lo. Diabos, por essa não esperava.

– O que tem ela?
– Desde quando me disse que ela voltou, está um pouco diferente.
– Estou normal.
– ela o encarou curiosa. – Você está tudo, menos normal. Está me tratando com tanta amabilidade e...
– Isso não é bom?
– Bem, é sim..
– Então pare de loucura – disse, a puxando contra seu corpo. – O que acha de ficar a manhã toda na cama?

Ela riu baixinho, com brilho nos olhos.

– Preciso trabalhar – respondeu manhosa.
– Vou comprar aquele escritório, aí você tem o tempo todo livre pra mim.
– Ah, claro, você seria meu chefe?

Ele sorriu de canto.

– Com todo prazer.
– É proibido envolvimento de patrão e funcionária – brincou ela.

Engoliu em seco, se afastando. Já havia visto aquela cena. Merda. Ele dava voltas e mais voltas e acabava caindo no mesmo lugar e – mil vezes inferno – lembrava da mesma pessoa.

– O que foi? – indagou Emilia, confusa.
– Nada – disse ele, tentando sorrir.
– Ah, já entendi.

Ele sentiu um frio na barriga. Tentou sorrir de volta. Mas ela sabia.

– Acho melhor ir logo pro trabalho.

desceu os olhos, se achava um idiota por deixar tão a mostra seus sentimentos. Ele não era assim, mas depois de tudo o que passou, mentir não era algo recorrente em sua vida. Na verdade, a última coisa que queria fazer para Emilia, era mentir. Ela não merecia nada daquilo.
Era uma ótima mulher. Sempre o fazia rir e adorava sua filha. Sem contar a conexão forte que tinham na cama. Por um bom tempo, pensou em fazer dar certo com ela. Mas não queria se aprofundar em nenhum relacionamento, estava bom daquele jeito, um compromisso não era o que estava procurando, entretanto, não gostava de imaginar que estava brincando com ela.
Por isso, sempre disse a verdade.
a encarou pensativo e soltou um suspiro.

– Espero que não me entenda mal.
– Está tudo bem – respondeu ela, levantando da cama. – Eu só quero que seja feliz e se você quiser ir atrás dela, está tudo bem.

Os olhos dela estavam tristes.

– Eu já fui.

Emilia entreabriu os lábios surpresa.

– Não me pergunte como ocorreu, mas queria que soubesse que não houve nada.

Ela balançou a cabeça.

– Então é por isso.
– Isso o que?
– Por isso estou aqui. Por isso você me ligou do nada, falando que estava com saudade. – ela riu com ironia. – Porque não te quis. Ai meu Deus, eu sou muito idiota!
– Emilia, não é isso.
– Claro que é . Eu e qualquer mulher dessa terra, sempre será segunda opção, enquanto existir .
– Você não sabe o que está falando.
– Olha, espero que tenha razão. Espero que esteja errada – ela suspirou fundo e o encarou com sinceridade nos olhos. – Adoro tudo o que temos, adoro você, mas não quero viver pra sempre assim.
– O que você quer que eu faça?

Ela o fitou por alguns instantes antes de dizer algo.

– Não sei. Mas quando decidir algo, por gentileza, quero ser a primeira a saber.

Ele assentiu. não tinha certeza exatamente do que havia acabado de acontecer. Em um instante eles estavam bem e de repente... bem, não podia culpar Emilia. Ela era a mais inocente daquela história.

– Você vai ficar bem? – perguntou.
– Claro, desde que me conte a verdade – pediu ela.
– Eu vou – e ele ia.

Emilia sorriu. E por um instante ele soube, que aquela seria a última vez.

DSTCDA – C.

Ela soltou uma risada alta, encostando a cabeça no ombro de . Eles estavam brincando de mímica e seus pais estavam tentando – sem sucesso algum – imitar a cena de dirty dance. Um caos completo que levara todos ao riso incessável.
Depois de um mês conturbado e cheio de surpresas, ela estava enfim rindo e ver sua mãe alegre, preenchia sua alma. Meu Deus, como amava Sophie.
A sra. não estava recuperada, e havia feito duas sessões de quimioterapia, o que tinha a deixado fraca, fazendo repensar no que sua mãe tinha pedido.
Sophie queria viver da melhor maneira seus últimos momentos e não passar o resto da sua vida, deitada em uma maca, esperando a morte.
Nossa, era a pior dor do mundo, imaginar que isso iria acontecer. Então, com muito sofrimento, aceitou. Não fora fácil. Mas era um desejo da mãe, que precisou aceitar. E que fizera aqueles dias, mais leves e alegres.
Não sabia quando, nem como teria que se despedir de sua mãe, e todos os dias chorava um pouco. Mas guardaria eternamente, os dias que passaria ao seu lado.

– Seu celular está tocando – disse sorrindo.

Ela o encarou. Quando sorria, algo se transformava dentro dela. Não sabia explicar o que, mas a cada dia que passava ao seu lado, sentia-se apaixonada. Bem, ele era seu melhor amigo e às vezes se deixava levar para baixo dos lençóis, mas claro, ele sabia que a visita inesperada de tinha mexido com ela de tal maneira, que todos os dias, pensava nele, então se mantinha com pés no chão.
Já fazia um pouco mais de um mês, que descobriu toda a verdade. Pensou inúmeras vezes em falar com ele. Em dar uma chance de se explicar melhor e conversar como dois adultos que eram. Porém, se afastou de tudo. Criou uma bolha onde só existia, ela, Sophie, Benedict, e Luna, com quem conversava todos os dias e dissera que era bom ela tomar aquele tempo para a família, o bem mais precioso que tínhamos em vida. Depois, com a cabeça livre de problemas maiores, eles se resolviam. E era isso que estava fazendo.
tinha se afastado do trabalho, e todos apoiaram sua decisão, assim dava o melhor para Sophie e aproveitava o colo da mãe o máximo que podia.
Ela olhou para a tela, era Luna.
Ela estava grávida de dois meses e ainda não tinha contado ao seu marido.
pegou o aparelho e foi até o corredor para conversar melhor, já que ninguém conseguia parar de rir na sala.

– Olá mamãe do ano!
– Eu podia estar no autofalante.
– Boa noite pra você também – brincou ela.
– Desculpa, meus hormônios estão uma loucura.

Ela riu.

– Está tudo bem?

Luna suspirou fundo.

– Acho que vou surtar a qualquer momento.
– O que houve?

A voz de Aniballe se tornou melancólica.

– Eu e brigamos de novo.

já tinha se acostumado com aquele tipo de ligação. Sinceramente não sabia mais o que dizer a amiga. Eles brigavam por tudo. porque estava estranhando o comportamento da esposa e Luna, porque não confiava nele. Eles haviam caído em uma rotina estranha e ambos, estavam sobrecarregados, vivendo de uma maneira que se não tomassem uma decisão – isso incluía principalmente, Luna contar a verdade sobre a gravidez –, menos hora, algo muito ruim, podia acontecer.

– O que houve?
– Ele disse que eu mudei. Que não sou mais a mesma.
– E você?
– Falei que era impressão dele – ouviu Luna começar a chorar. – Então, enquanto discutíamos o celular dele tocou, estava em cima da bancada da cozinha – ela suspirou fundo. – , eu vi o nome dela. Perguntei por que ela estava ligando pra ele, disse que devia ser algo do trabalho, eu falei na ironia que sabia que o trabalho deles devia ser um encontro no Nothing Hill... , você acredita que ele me encarou, olhou nos meus olhos e disse que não era um encontro no Nothing Hill e sim uma bebida com uma amiga no Beaufort.

deixou o queixo cair. Droga, aquilo realmente estava indo de mal a pior. Teria que entrar em cena e precisaria de ajuda e por mais que odiasse admitir, colocaria na equação, alguém que os conhecia tão bem quanto ela. Alguém que socaria a cara de se fizesse um mal a Luna. Alguém que só em pensar, a fez sentir uma queimação dentro do peito.

– Onde você está? – perguntou.
– Deitada, cheirando uma camisa dele, com uma puta raiva.
– Pegue Sebastian e venha aqui em casa, fala pra ele que depois vocês conversam. Vai ser humilhante ele entrar no quarto e ver você cheirando a camisa.
– Mas e se ele não vir pra casa...
– O que? Luna, não me diga que saiu mesmo com a tal...?
– SAIU!

Mas que diabos estava acontecendo com seu casal favorito?

– Por favor, pegue Sebastian logo e venha dormir aqui hoje. Deixe um bilhete apenas informando que não retornará e amanhã vocês conversam.
– Eu sabia que isso ia acontecer.
– Luna, por Deus, ele não vai ser capaz disso.

Minha nossa, ela jamais esperou que fosse magoar ou trair Luna de forma tão ordinária. Não, ele não era assim. Daria um jeito naquilo o quanto antes. Ajudaria a amiga, como ela sempre fizera por .

– Chego aí em alguns minutos.
– Okay – disse, desligando o celular.

suspirou fundo. Estava com saudade dos problemas da empresa. Ficava noites sem dormir, gritava com algumas pessoas e no fim tudo tinha solução.
Os problemas que enfrentava agora, eram bem complicados. Temia que saísse da linha. Não conseguia nem imaginar o que ele faria, quando soubesse que Luna estava grávida.
Bem, talvez fosse melhor tentar convence-la a contar logo que estava carregando mais um herdeiro. Tudo seria mais fácil, se as pessoas aprendessem a não esconder certas realidades.

– O que houve?
– Luna vai passar a noite aqui, brigou com .
– De novo?

Concordou silenciosamente.
sabia de tudo. Ele e Luna haviam se tornado bons amigos. A senhora tinha até uma paixão por . Sempre que dava as costas, ela falava que ele era lindo demais para alguém tão legal, que tinha muita sorte em tê-lo e era boba por não fisgá-lo de uma vez. O que Luna não sabia, era que eles estavam... não, não estavam juntos, mas existia um carinho e não passaria disso.
Era o que ela achava.

– Vou arrumar meu quarto para recebe-los.
– Mas e você? Vai dormir onde?

Ela deu de ombros.

– Isso é o de menos, vou dormir no sofá.

Ele negou com a cabeça, curvando levemente os lábios para cima.

– Você pode dormir comigo.

DSTCDA – Z.

– Aurora, eu não acredito! – gritou ele, furioso. – Venha aqui agora, mocinha!

Ela olhou para o pai com medo. Ele colocou as mãos na cabeça, olhando todo o estrago feito nas suas roupas. Por Deus, havia tirado os olhos de cima dela por cinco minutos.

– O que foi que você fez filha?
– Eu... Eu...

Se abaixou, pegando os retalhos de uma das suas camisas favoritas. Ia chorar. Meu Deus.

– Porque fez isso, Aus?
– Eu tava brincando, papai. Você não gostou? – perguntou ela, com a voz de choro.

Ah, sequer podia dar uma bronca na sua menininha. Era só ela o olhar com aqueles olhos fundos da cor do mar, que seu coração inteiro se enchia de carinho de novo. Ela o conquistava a cada dia.

– Eu adorei filha. Só não pega mais essa tesoura, você pode se machucar, meu amor.
– Tá.
– Você ajuda o papai escolher uma roupa? Temos visita hoje.
– Vovô e vovó?
– Não. Uma amiga muito especial.
– Emilia?

Ele balançou a cabeça negativamente.

– Surpresa. Daqui a pouco ela chega.
– Oba! Eu adoro surpresas!

Ele sorriu. Não era difícil agradar Aurora. Adorava o fato da sua filha não ser uma criança mimada, ou mesquinha. Aus era inteligente, engraçada e simples. Qualquer coisa a fazia feliz e ela amava, quando eles iam passear em hospitais que fazia doações.

– O que acha que o papai tem que vestir?

Ela correu até o closet, ficando na ponta dos pés, para abrir a gaveta de camisetas dele.

– Eu gosto dessas! – disse Aus, tirando várias camisetas surradas. Algumas sequer lembrava que existia.
– O que acha de eu vestir a verde? – perguntou ele.
– Está bem, papai. Você fica bonito com qualquer roupa.

Ele gargalhou.

– O que você disse, princesa? – ele se abaixou, perto dela. – O papai fica bonito com qualquer roupa?

Ela sorriu sapeca, concordando com a cabeça.

– Onde ouviu isso?

Aurora deu de ombros. E sentiu o celular vibrar no bolso da calça. Era . se levantou, se afastando da filha, mas não muito, ainda podia vê-la.

– Fala, meu rei! – disse atendendo a ligação.
– Porque você fala como se tivéssemos vinte anos, ainda?

curvou o cenho.

– Porque você está de mau humor? – respondeu com outra pergunta.
– Luna. Brigamos feio.
– Como assim?
– Tem algo acontecendo entre nós. Não estou sabendo o que é ainda, mas está estranho – explicou ele. – Vim tomar um drink com Marnie e ela surtou.
– Como assim? – repetiu. – Você ficou louco?
– Cara, ela é só uma amiga.
– Isso não está certo. Eu sou teu amigo. Você devia ter ficado em casa e acertado as coisas com ela, não saído com outra mulher. Meu Deus, !

bufou.

– Você não acha que eu mereço relaxar um pouco?
– Com sua esposa e seu filho – respondeu, irritado.

Desde quando se tornara tão idiota?

, você não sabe como é ser casado, às vezes...
, não fala merda!
– Papai!
– Desculpa filha – ele suspirou fundo. – Quer se divertir? Tudo bem. Mas não venha aqui chorar, me dizer que está arrependido. Porque se fizer alguma coisa que machuque Luna, eu juro que te arrebento e vou ser o primeiro a falar pra ela te largar e ficar com alguém que a mereça!
– Eu não faria isso – disse , irritado.
– Você já está fazendo.

Ouviu o interfone tocar. Era a surpresa de Aurora, provavelmente. Ele bufou, passando a mão no cabelo.

– Preciso desligar.
– Você só vê um lado.
– Vá pro inferno, . Me ligue quando for falar algo de útil.
– Ah, quer ouvir algo útil? – vociferou . – Você é um babaca, !

Se limitou a dizer algo. Desligou o celular, colocou correndo umas das camisetas que a filha escolheu e pegou Aurora no colo. Estava puto, queria arrancar as entranhas de e servir em um prato para qualquer idiota.

– Acho que sua surpresa chegou – falou tentando esquecer aquela história.

Não pensaria agora na merda que estava fazendo. Ligaria para Luna mais tarde, na esperança que estivesse tudo bem com ela. Agora, a única coisa que importava, era ele e Aurora. Ela ficaria extasiada, quando visse quem os esperava no hall.
Sua filha era doce e razoavelmente calma. Mas assim que seus olhos pousaram na figura que a encarava com um sorriso e uma feição ótima, ela fizera a maior histeria.
Aurora amava a mãe e estava longe dela há meses, devido sua internação, por drogas. Graças a Deus, Meredith estava reagindo bem aos tratamentos e a clínica a liberou para ver a filha, um dia na semana. Sempre com a presença de .
A pequena garota sorriu e gritou, pulando do colo dele e correu para os braços de Hampton.

– Mamãe! Papai, a mamãe!
– Viu só, meu amor – ele se aproximou das duas. – Gostou da surpresa?
– Sim! – gritou ela.
– Como você está? – quis saber ele, a cumprimentando com um beijo no rosto.
– Muito bem e você?
– Feliz que esteja aqui – respondeu sincero.
– Emilia está aqui?
– Não, nós meio que terminamos. Não que tivéssemos namorando – tentou se explicar.
– Por quê? Ela era tão legal.

Ele deu de ombros. Adorava ela. Meredith também. Havia sido ela quem os apresentou, afinal de contas. Sentia sua falta, mas já havia se passado um mês e não deixou de pensar em nenhum dia. Só que infelizmente, não conseguia ir atrás dela de novo, o receio de rejeitá-lo era maior. Babaca, era um babaca, realmente tinha razão.

– Longa história, mas resumindo, voltou, fui atrás dela e ela não curtiu muito.

Meredith o encarou assustada.
Ela conhecia tudo o que pode falar sobre . Hampton o ajudou por um bom período da sua vida e entre seus conselhos, o qual ela sempre falara, era para contar a verdade a garota. Ele é claro, como todo mundo sabia, não deu ouvidos.

– Meu Deus. Porque ela não curtiu?
– Ficou chateada por ter escondido a verdade.

Mere olhou para . Aurora olhou para os dois.

– Filha, quando a mamãe pedir para fazer algo, faça.

riu e balançou a cabeça.

– Por Deus, princesa, não faça – pegou a mão da filha e beijou. – Vem, vou preparar um kebab, enquanto Aurora conta as novidades pra mamãe.
– Oba!
– É a comida preferida dela – comunicou ele.

Meredith sorriu com leveza, assentindo em silêncio. Havia muita coisa que ela não sabia sobre Aus. E mesmo que ele odiasse isso, contaria com prazer, porque não tinha nada mais lindo no mundo, do que ver o sorriso da sua filha, no colo da mãe.

– Eu não acredito!

Perdera a conta de quantas vezes, ouviu a mesma frase de Meredith. Ela estava em um misto de negação com riso. Depois de passar um dia incrível com a filha, eles a colocaram para dormir, enquanto tomavam um suco – ela não podia ingerir nada de álcool e jamais tomaria algo na sua frente – e falavam sobre o que havia ocorrido com . Mere estava indignada também, por e Luna. Ela conhecia ambos muito bem e assim como ele, jamais tinha imaginado que seria tão imundo. Palavras que Hampton usou para defini-lo muito bem.

– Você precisa ir atrás dela de novo.
– Seria humilhação.
– Foi você que deixou ela no dia do aniversário e da formatura – disse enfatizando as últimas palavras. – Patético.
– Você sabe que não tive escolha.
– Teve sim. Mas isso não importa. Vá atrás dela, não perca a chance de ser feliz.
– O que vou dizer? Vamos conversar de novo, pra você ficar irritada ainda mais?

Meredith o fulminou com o olhar.

– Não seja idiota.
– Estou sendo realista.
– Vá atrás dela.
– Não vou.
– Vá! Faça isso por você. Faça isso por nossa filha, ela merece que o pai seja feliz.
– Eu sou feliz – e ele era.
– Mas tem uma parte aí dentro que está incompleta – Mere recostou-se no sofá, com o mesmo sorriso de Aurora. – Se ela não quiser nada, vai saber que pelo menos tentou e conseguira seguir em frente.

Ele suspirou fundo.

– Não acho que valha a pena.
– Ai meu Deus, não seja idiota ! Quando se trata de amor, sempre valerá a pena.
– E você? – quis saber ele. – Por que está sozinha? Também precisa de alguém.

Ela estreitou os olhos em direção a ele e disse:

– Não ouse mudar de assunto.

a olhou impaciente. tinha deixado bem claro. Não queria nada com ele. Nem a família havia se posicionado, porque pediu que ninguém tocasse no assunto.
Estava evidente. Seria depreciativo demais. Não, não faria isso. Meredith não o convenceria.

– Esquece.

Ela revirou os olhos.

– Se ela passar dessa pra melhor, ou você, seja daqui há cem anos, ou amanhã, vai se arrepender eternamente.

já havia se acostumado com esse tipo de chantagem de Mere. Ele não brincava com algo sério. Ah droga, estava com medo. Não queria ser ignorado de novo. Mas a mãe da sua filha, estava certa.
Algo podia acontecer, e se sentiria péssimo em perder , sem uma nova conversa, dessa vez mais calma e nada de acasos e surpresas. Não a pegaria despreparada novamente. Ah droga.
Seria a última vez.

DSTCDA – C.

Olhou Sebastian de mãos dadas com a mãe, caminhando com os olhos curiosos, admirando seu quarto. Bast já havia ido em sua casa, mas o quarto era um novo mundo. Ele estava adorando a ideia de uma festa do pijama na casa da tia .

– Meu Deus, a barriga está enorme! Como você... ?
– Acho que você percebe porque sabe, já que ninguém mais notou essa diferença – disse Luna.
– Como está?

Ela deu de ombros. Seus olhos estavam fundos de tanto chorar.

– E , deu alguma notícia?

Ela suspirou fundo.

– Acho que é o fim.
– O que?
– Não quero falar isso na frente... – ela sussurrou.– Dele.
deixou o queixo arrastando no chão. Como assim?

– Ele não veio atrás de você ainda? – quis saber ela.
– Não. E imagino que não virá.
– Pensei que depois de toda a situação na sua casa, ele acabaria caindo em si.

Ela negou com a cabeça, visivelmente magoada.

– Ai , homens são tão complicados – disse vendo Sebastian entretido com cada detalhe do quarto. – Você vai entender quando se casar.
– Deus me livre!

Luna soltou uma risada.

– Ah, claro, vai dizer que você e ...
– Você enlouqueceu, .

Sua amiga a encarou erguendo a sobrancelha.

, por favor, não me diga que nunca reparou a maneira que olha pra você!
– O que? Não. Somos só amigos
– Eu queria um amigo como . Está na cara que ele é apaixonado por você.

abriu a boca.

– Você acha que ele é apaixonado por mim?
– E não é?

Ela mordeu o lábio inferior.

– Meu Deus, não! Ele é meu melhor amigo!

Eles só trocavam alguns beijos e dormiam juntos, mas às vezes. Não era nada... Não.

– Você nunca o viu com outros olhos? Porque ele é lindo, seria aceitável isso acontecer.
– Não, claro que não! – ela estava sentindo seu rosto pegar fogo. – Nós já ficamos, mas acabou.
– Bom, então não se importaria, se eu desse em cima dele?
– Porque faria isso?
– Eu não disse ainda que pretendo ficar solteira? – respondeu irônica.
– Isso é sério?
– Você está brava?
– O que? Não! Eu... Luna, você ficou louca, é a única explicação. Você é casada!
– Não sei até quando – murmurou, com a voz falha novamente. – Quando Bast dormir, te conto tudo.

sempre soubera que todos a viam como uma menina lunática e fora dos eixos, que adorava contos de fadas e príncipes encantados, mas depois de alguns tropeços, caíra em si, percebendo que a vida era muito além. Ela sabia que um casamento era algo extremamente sério e compartilhar o resto da sua vida com alguém, devia ser muito bem pensado, assim como se divorciar. Luna e , não estavam sendo sensatos. Deus, ela estava grávida. E não tinha nada haver com , mas... não, não, não. Ela ficar com ele era algo inimaginável. Por quê? Bem, não sabia ao certo. Quer dizer, era pecado, se ela fizesse algo, não era?
Ah, inferno, todos estavam enlouquecendo.

– Onde você vai dormir? – quis saber Aniballe.

Minha nossa, queria morrer de tanta vergonha. Mais cedo havia tratado com de dormirem juntos. Mas meu Deus, não sabia que contar isso a amiga seria terrivelmente constrangedor.

– Com . Não fala nada! – disse, tentando não ficar constrangida com o olhar de Luna.
– Ai meu Deus, ! é um gato. Não sei por que não fica com ele de verdade, já que não quis saber do .
– Somos só amigos. – explicou de novo – Nós vamos ficar falando disso, mesmo? Eu não disse que não quero o , só não quero me envolver com alguém que tem problemas que não posso resolver, porque abdiquei de tudo, por Sophie.
– Eu não quis dizer isso, não precisa ficar irritada.

Suspirou fundo, passando a mão no cabelo.

– Me desculpe, senhora .

Luna revirou os olhos.

– Me chame de Aniballe, de agora em diante.

riu baixinho. Que confusão.
Seria uma aventura novamente.

Mais tarde, depois de muita conversa antes de Bast dormir, e muito mais depois que a criança descansou de toda a agitação, deixou seu quarto para os dois convidados.
Aniballe chorou como nunca viu antes. E contou que nada ia bem há um bom tempo. Ela estava temendo que fizesse algo que a magoasse ainda mais. Porém não faria nada. Não ia se humilhar ou algo do tipo. Simplesmente, pediria divorcio aquela manhã. Já havia ligado para o advogado e no dia seguinte, ele teria a surpresa. O que Luna temia, ser um alivio para ele. fora para o quarto de , rezando para que não. Para que pensasse bem no que estava ocorrendo. Ele seria o maior canalha do mundo, se estivesse traindo Luna.

– Hey, está acordado? – perguntou, parada na porta do quarto, já de pijama.
– Ele é muito lindo, meu Deus! – cochichou Luna.
– Meu Deus, quer me matar do coração?

Ela riu.

– Vim trazer seu celular, que esqueceu.
– Obrigada.
– Você e ele vão...?

Ela não precisava sequer terminar a frase.

– Claro que não.
– Se eu me divorciar de verdade, vou atacar esse menino.
– Você precisa dormir e por o juízo no lugar.

Luna colocou a mão na boca, espiando , que estava deitado na cama, sem camiseta e o peito de fora. Minha nossa, ele era lindo mesmo.

– Muito gato.
– Pra cama já, sua sem vergonha!
– Sem vergonha – falou Luna, apontando para a amiga. – É você que vai dormir com ele.

balançou a cabeça.

– Boa noite. Amanhã temos um dia longo pela frente – disse, se referindo a e o tal divórcio sem cabimento.
– Boa noite. Amanhã quero saber todos os detalhes desse amasso – respondeu Luna.

deu as costas. A amiga estava impossível. Deviam ser os hormônios. Todo mundo falava que as mulheres tinham uma fase na gravidez, que ficavam loucas.
Quando entrou no quarto por fim, observou o amigo que tinha uma feição tranquila. Ele estava leve, podia ver em seu semblante. Ela sentiu o coração apertar.
sempre estivera ao seu lado durante os últimos cinco anos, mas nunca vira nada demais, além de uma amizade verdadeira com algumas noites mal dormidas. Só de lembrar de certas cenas, sentia-se envergonhada.
Mas nunca passou disso.
Será? Será possível ser tão cega assim? Não, não podia ser.
Ele abriu os olhos devagar e a olhou com seu sorriso meigo e gentil. Ela sentira um tremor estranho no coração. tinha uma boca maravilhosa.
estava ao seu lado em todos os momentos. E isso incluía tudo, literalmente.
Às vezes se posicionava, mas nunca de modo que demonstrasse algum sentimento vindo dele. Era sempre um cuidado, uma provocação, mas como amigo.
Era isso, não era?

– Como foi? – indagou, com a voz rouca de sono.

Ela suspirou fundo, deitando ao seu lado.

– Luna pediu divórcio. Amanhã chega os documentos para .
– Não acredito – ele se inclinou para fora da cama, pegando algo no chão. – Então acho que vamos precisar disso.

Era uma garrafa de vinho com duas taças.

– Eu ia levar no quarto onde vocês estavam, mas lembrei que ela não pode – falou, dando de ombros. – Vai, me conta tudo.
– Você não existe! – disse sorrindo, aceitando uma taça. – Ele é um babaca, . Não consigo acreditar que saiu com outra mulher e acha que é normal.
– Mas e se ele realmente estiver precisando conversar? Talvez ambos precisam mudar algo neles. Casais tendem a ter recaídas, afinal são anos juntos. Acaba caindo na rotina.

Concordou, mas sua cabeça estava em outro plano. Não conseguia parar de olhar para .
Ele era tão bonito. Quando deitou ao seu lado, sentiu-se nervosa.

– Não sei como ele tem coragem...
– Luna me disse algo – interrompeu, de repente.

a encarou, enchendo as taças.

– O que?
– Acha que pode ser apaixonado por mim.

Não sabia bem o porquê havia dito aquilo, mas disse.
Ele fez careta. Ela tomou metade do líquido que tinha na taça.
Ambos estavam sentados na cama, se encarando. Ah, ele era tão bonito. Não seria nada mal, alguém como ser apaixonado por ela. Isso até aumentaria seu ego. Que convenhamos, pensou ela, sequer existia.

– Porque está dizendo isso? – quis saber ele, soltando uma risadinha baixa.
– Porque seria ridiculamente perfeito.


Capítulo 7

Não fazia muito tempo que tinha deitado para dormir. Aurora estava extasiada com a visita da mãe e quando Meredith a acordou para se despedir, ouve birra e lamentações da filha. Ele demorou um pouco para acalmá-la e tivera que por RuPaul para mimá-la. não sabia como Aurora, tão pequena, havia encontrado aquele reality, mas ela adorava a ideia das fantasias e lantejoulas e depois de um tempo, os dois não perdiam um capítulo.
Fora quando finalmente, sua pequena garota, descansou, que o ligou desesperado. Luna tinha saído de casa. Deus, as coisas estavam piores do que imaginava.

– Ela te avisou onde está? – indagou ele, baixinho, enquanto saia do quarto.
– Deixou um bilhete.
– O que ela disse?
– Cara...
, o que ela disse?
– “Não se procure. Estou bem.”
– Só isso? – meu Deus, seu amigo era um bosta.

Luna devia estar arrasada.

– Cara, ela está puta comigo – disse , apreensivo. – O que acha que devo fazer?

Ele riu.

– Primeiro devia ter ficado em casa, eu te avisei.
– Nossa, estou me sentindo melhor agora.
– Ótimo, era exatamente assim que eu queria que se sentisse.
– Olha, se não vai ajudar...
– Não é isso! Mas você precisa cair em si que errou.
– Eu sei que fui idiota, mas parece que ninguém me entende – pigarreou. – Será que acabou?

Ele suspirou fundo.

– Luna te ama e você? Ainda ama ela?
– É claro que sim! – respondeu, sem hesitar.
– Bem, então pare de agir como um jovem babaca e vá atrás dela. Vocês precisam conversar e é isso que não está ocorrendo. Não é com gritos e saidinhas com funcionárias que vai fazer com que tudo se resolva. É diálogo.
– Mas ela pediu para eu não procura-la.
– Cara você é muito babaca – ele também era, pensou. – Ela pediu para você não ir, todas pedem. Mas lá no fundo, Luna deve estar desejando mais que tudo, que você vá.
– Eu não faço ideia de onde esteja.
– Deve estar nos pais.
– Não. Ela não gosta que eles fiquem sabendo das nossas brigas.
, por Deus, é sua esposa, você deve ter uma ideia.

estava indignado com a falta de tato do amigo. Talvez agora por ter uma filha, era mais sensível, e conseguia entender um por cento do dever que ele como homem, tinha com elas. Mas era um brutamontes. Sinceramente.
Ele estava cometendo o erro de vários homens. Durante o namoro, tudo era mil maravilhas. Levava Luna para jantar, viajar, a convidava para analisar seus projetos, dava flores, cartões – e um apartamento, de presente de formatura. Agora como um homem burro que era, – a maioria deles, incluindo a si – havia deixado tudo de lado, porque claro, já havia a conquistado.
Definitivamente, sua raça não era tão favorecida de inteligência, quando o assunto era o coração.

– Eu consigo rastreá-la.
– Não vou me atrever a perguntar como.

bufou.

– Ela foi com a Mercedes.
– Então faz isso – respondeu mais aliviado. – Vá atrás dela e traga-a de volta pra você.
– Ok, me dê alguns minutos e qualquer coisa retorno.
– Ótimo!
– Reze por mim.
– Eu vou.

E ele rezou. era um ótimo homem, disso não tinha dúvidas. Dava tudo para Luna e Sebastian, mas entendia o que estava acontecendo. Nem sempre viver ao lado de alguém era fácil. E então pediu, silenciosamente que acontecesse o melhor para os dois. Não lembrava de ser uma pessoa tão espiritual, antes da sua doença. Foi só quando percebeu que sua vida podia acabar em um piscar de olhos, que começou a dar valor para cada detalhe ao seu redor.
Amava música, mas sempre deixara apenas um cômodo reservado para ela. Agora era diferente. Seu piano ficava na sala, existiam discos do Elvis espalhados pelas paredes, assim como pinturas de grandes artistas, como pequenos, que vendiam seus trabalhos na rua. Havia até um desenho de Aurora, no meio do corredor. De todos, seu preferido.
Foi até o quarto observá-la. Não tinha como descrever, mas toda vez que via Aurora, seu coração ficava aquecido. Um sentimento fora do normal. Algo que nunca sentiu. Era exatamente como seus pais diziam, ele só entenderia, quando seu filho nascesse. E seu coração quase parou quando viu sua garotinha pela primeira vez, tão pequena e indefesa.
Ele prometera a ela seu mundo. E era nisso que pensava todas as manhãs, ao acordar.
Por mais que estivesse chateado e magoado por conta da conversa que tivera com , acordava todos os dias feliz e grato por ter sua pequena. Ela o dava forças. Sempre.
Não demorou muito para retornar a ligação.
Deus, Luna e separados era algo que não fazia sentido.

– Você não vai acreditar.
– Onde ela está?
– Eu encontrei o endereço e não descobri na hora – explicou. – Então procurei por imagem e reconheci a casa da senhorita .
– Bem, então ela está segura – afirmou ele, sentindo um pequeno aperto no peito.
– Amanhã cedo, vou até lá.
– Isso.
– Acha que devo levar flores?
– Ahm... acho que levaria algo para Sebastian, na verdade.
– É, vou fazer isso. Obrigado cara. Pode deixar que mando lembranças para .
– Não precisa.

Precisava sim. Sentia como se tivesse esquecido dele. Bem, não a julgava por isso. Havia sido o maior idiota com ela e por mais que Meredith dissesse que ele tinha que tentar de novo, estava com medo. Na verdade apavorado.
E se ela simplesmente o ignorasse? Ela tinha todo o direito e razão para ignorá-lo e odiá-lo.
Mil vezes merda. Era um covarde.
Sabia que precisava falar com ela de novo. Explicar com clareza tudo o que houve durante os últimos anos. Porque tinha ido até sua escola e depois sua casa. Porque tinha a levado para o baile, sabendo que no fim, cada um seguiria seu próprio caminho. Ela tinha que entender.
Ele rezava para que finalmente o compreendesse, ao invés de ataca-lo. Ou tudo bem ficar com raiva, ele bem que merecia, mas depois queria muito que o entendesse.
deitou na cama ao lado da filha, que rolou e pegou sua mão, ainda dormindo.
Independentemente do que ocorresse, o que mais importava era que tinha sua pequena luz ao seu lado. E nada no mundo, era mais precioso que isso.
Mas seria muito bom, muito bom mesmo, tê-la.

DSTCDA – C.

De todos os dias em que abriu os olhos, nunca se sentiu tão confusa e com tanta dor de cabeça. Merda, depois de desconversar sobre seus sentimentos, eles começaram a fofocar sobre a situação de Luna e . Não se orgulhava disso, mas era simplesmente inacreditável. Depois de algumas taças, eles focaram no quão agradável era aquele sabor e que deveriam realmente viajar para Dublin, em uma trilha que ouvira falar, sobre vários pontos onde as pessoas paravam para experimentar vinho. Até esse ponto ela lembrava perfeitamente. Por fim, eles que já estavam sem sono, decidiram beber um pouco mais.
desceu para a cozinha, seu pai sempre guardara Gin em baixo do armário. Não fora sua melhor escolha. Sua cabeça estava explodindo e ela – com muito embaraço – lembrava vagamente do que fizera com .
Ai meu Deus.
Ele estava deitado atrás dela, com o braço em sua cintura. Ela encarou sua mão tatuada e se perguntou silenciosamente, se tinha fetiche por homens tatuados. Sorriu sozinha.
Sabia que era errado. Sabia que Luna ia entrar em combustão quando descobrisse o que os dois haviam feito naquele quarto, mas em sua defesa, fora culpa do álcool. Claro que não havia desculpa mais descabida que aquela, entretanto, o que mais poderia dizer? Adorava passar tempo com , amava quando eles simplesmente entravam em assuntos aleatórios sobre a vida e como ele fazia ela esquecer dos problemas e da dor que era ver Sophie partir. Quando se deu conta, estava no colo dele, acariciando seu rosto e depois não existia mais nada que a impedisse de beijá-lo, então o fez. E Deus tivesse misericórdia da sua alma, mas era muito bom beijá-lo e nossa, o toque de era profano.

– Pare de pensar demais – murmurou ele com a voz grave.

Não seria nada mal acordar com todas as manhãs, com aquela voz. Não, não, não. Estava louca, fora do juízo.

– Não pense – repetiu ele.

Ela sorriu, se virando para encará-lo. Minha nossa, ele era a personificação de... Não , chamou sua atenção silenciosamente. Não estava certo. Seu coração pertencia a uma pessoa e por mais que negasse e ele estivesse fora da sua vida, não era certo com . Ela nunca poderia amá-lo, como amou . Antes de se permitir amar alguém de verdade, precisava apagar tudo o que viveu com , para sempre.

– Não estou pensando – respondeu. – Só estou com a cabeça explodindo.
– Você está com os olhos inchados.
– Que romântico!
– Desculpa, você quer que eu seja romântico? – indagou ele, sorrindo.

Ela revirou os olhos, ficando envergonhada.

– Bem, depois do que fizemos ontem, no mínimo um pouco de simpatia.

Ele riu alto, a puxando para um beijo inesperado e rápido ao mesmo tempo que alguém bateu à porta.

? Acorda!

Era Luna.
levantou rápido, procurando suas roupas que estavam espalhadas pelo quarto. Minha nossa, ficou sem reação quando viu abaixo no seu seio uma marca roxa.

– Você disse que adorava marcas – explicou sussurrando.

Ela disse o que?

– Depois nós conversamos.

saiu do quarto com o rosto quente e encarou a amiga que estava o seu oposto.

– O que houve?
está aqui.
– O que? Como?
– Ele me ligou, disse que está aqui na frente, queria conversar – respondeu, toda nervosa. – Mandei esperar.
– Será que o advogado já falou sobre o divórcio? E como ele sabia que estava aqui? Você contou?
– Ah, com certeza – respondeu irônica. – Claro que não! Não faço ideia. Mas quero que vá comigo até lá.

a olhou seriamente, esperando que a amiga falasse que era ironia ou mentira, mas não, ela de fato queria sua presença em uma conversa que só referia a vida do casal. Ia negar. Realmente não estava nenhum pouco afim de presenciar o que um tinha para falar ao outro, mas vendo o pavor de Luna, ela não pode. Segurou a mão da amiga e assentiu, puxando-a para fora.
Suas pernas amoleceram quando viu Sr. saindo impecável de um ranger rover preto. Luna tropeçou nos próprios pés. Ela estava com os olhos marejados, mas parecia certa do que iria fazer, independente do que fosse.

– Bom dia – disse ele cordial, ao se aproximar delas. – Bom dia amor.

se inclinou para beijar Luna nos lábios, mas ela virou o rosto delicadamente. encarou o chão. Não tinha nada mais constrangedor que aquilo.

– Podemos conversar? – quis saber ele.
– Claro. O que quer? Me conta da sua noite, aproveitou?

suspirou fundo, ainda olhando para o mesmo ponto.

– Poderíamos conversar sozinhos?

Sim, ela adoraria.

– Não.
– Mas que diabos...
, sinceramente, você me magoou demais – disse ela por fim. – Você não tem noção do quão doloroso foi imaginar você com outra mulher. Se coloca no meu lugar.
– Me perdoe. Olha, trouxe isso para Sebastian, vamos pra casa, aí conversamos melhor.

encarou o pequeno embrulho nas mãos dele. Patético.

veio comigo para ser testemunha de que não foi você e sim eu, quem pediu o divórcio. Então antes de sair por aí, se achando o melhor homem do mundo e mais disputado, como tenho certeza de que sente, lembre-se de quem não te quis fui eu. Luna Aniballe, quem chutou .

encarou Luna boquiaberta. Sua amiga estava louca.

– Qual é teu problema? – vociferou . – Pelo amor de Deus, Luna, se eu saí conversar com alguém, talvez seja porque eu preciso! Porque minha esposa sempre está cansada.
– Você é ridículo! – rugiu Luna, com lágrimas nos olhos. – Estou cansada porque enquanto você passa dias e noites na empresa, fazendo sabe Deus o que, eu cuido do seu filho vinte e quatro horas por dia, porque dispensei nossa cozinheira, para fazer comida pra você, porque gosto de cuidar da nossa casa, gosto de cuidar de Sebastian e gostava de cuidar de você – a cada palavra Luna aumentava o tom de voz. – Mas é claro que meu marido é igual a todos os outros que acha que mulher nunca cansa e é uma máquina de fazer sexo, que é obrigada a dar prazer para o esposo, sendo que ela não sente nada há muito tempo!

Meu Deus.
Quando Luna despejou as últimas palavras, havia dado uns passos para trás, mas ainda conseguiu ver o rosto de se contorcer de raiva. Não discordava da amiga. Luna não tinha contado que estava tão cansada assim, mas de qualquer forma, precisava saber do bebê, então ela também tinha sua porcentagem de culpa. Muito pequena, com certeza. Jamais ficaria ao lado de . O adorava, mas sair jantar com outra mulher, fora o cúmulo do absurdo.

– Ok, quer o divórcio então? Tudo bem – respondeu seco.
– Você é um imbecil! – retrucou Luna, visivelmente magoada.

O coração de estava apertado. Minha nossa, aquilo era mentira.

– Fale o que quiser, mas não pense que só você é vítima nisso tudo! E quer saber de uma coisa? Eu odeio ir para casa. Por isso fico na AEDAS todo tempo. Porque quando chego e vejo você mal humorada, fico tentando lembrar dos motivos por termos nos casado. E parece que agora eles não fazem mais sentido.

viu tudo em câmera lenta, havia se afastado dos dois o máximo que pode, para dar privacidade, mas ao que parecia, nenhum estava mais se importando se a vizinhança inteira estava os ouvindo e nossa... tinha destruído com Luna, sabia disso, assim que viu a mão dela contra seu rosto. fechou os olhos e deu dois passos para trás.

– Sebastian vai comigo – disse com a voz carregada de ódio.
– O que? Não vai, não.
– Ele é meu filho.
– Não, ele não vai! – repetiu Luna.
– Ele vai – disse seco. – Não estou pedindo permissão.
– Gente, calma – interrompeu , tinha que fazer alguma coisa. – Luna, deixa Bast sair com , depois vamos buscá-lo. Pode ser? – indagou, olhando para .
– Por mim tudo bem – respondeu ele, grosseiro.

Luna que não havia contido as lágrimas, assentiu em silêncio, se virando para .

– Vou pegá-lo. Posso ficar aqui hoje? – quis saber ela, com a voz baixa e fraca.
– É claro.

apertou a mão dela e sorriu. Sabia que Luna estava arrasada. Que por mais que tivesse pedido o divórcio, não era isso que queria. Mas levando em conta as atrocidades que havia dito, ela precisava se afastar dele, por um tempo.

– Se Bast não quiser, não vai obrigá-lo a ficar naquela casa. E se deixa-lo com alguma empregada ao invés de ficar com você, vou buscá-lo imediatamente.
– Nós vamos para empresa – respondeu simplesmente.

Aniballe se afastou, entrando na casa para pegar Sebastian que provavelmente ainda estava dormindo. Ela encarou , que mantinha o semblante sério. Ele a observou por alguns segundos e depois suspirou fundo.

mandou lembranças – disse ríspido e caminhou até o carro, sem trocar mais nenhuma palavra.

Ela piscou algumas vezes analisando aquela frase e tudo o que tinha acabado de acontecer. De repente, havia voltado no tempo. De repente lá estavam os quatros ligados novamente, de uma maneira muito esquisita.
Na noite anterior tinha cogitado a ideia de ligar para e pedir sua ajuda, ele melhor que ninguém podia aconselhá-los e ajudar a iluminar os pensamentos e melhorar as atitudes de , assim como ela tentaria fazer com Luna.
Claro que só de pensar sentia-se um pouco ansiosa, não seria fácil ligar e conversar com , mas levaria aquilo com a maior maturidade possível. O assunto seria apenas sobre e Luna. Não podia deixa-los acabar com o casamento. Eles se amavam, sabia disso, só estavam perdidos. E ela e agora, teriam uma missão.

DSTCDA. – Z.

Já havia deixado Aurora na casa dos avós, ela tinha optado por sandálias coloridas, seu amigo, dizia adorá-las. se segurava para não revirar os olhos e repreender sua menininha. Infelizmente, aquilo era o que a deixava feliz no momento e ele como um bom pai que pretendia ser, concordava com a ideia de que ela estava tendo seu primeiro amor. Ah Deus, aquilo era dolorido de mais, só de imaginar.
Quando chegou à empresa durante a tarde, só havia algumas pessoas, sábado eles podiam trabalhar nos seus projetos pessoais, então o prédio ficava mais tranquilo, sem aquela quantidade de pessoas falando e andando pelos corredores. A única coisa que estranhou foi ver Sebastian sentado entre as mesas do treze, com uma mamadeira na mão e carrinhos espalhados pelo chão. Logo atrás, estava seu melhor amigo escorado em uma mesa, encarando o filho e pensando em algo realmente sério.
Sabia que a situação entre e Luna não andava nada bem. Mas esperava que tivessem se resolvido, porque nunca seria capaz de imaginar um mundo sem a família Aniballe . Eles já tinham passado por tantas coisas, seria injusto acabar assim, por um erro bobo.

– Que bons ventos o trazem, senhor – disse o cumprimentando de longe.

sorriu, se abaixando para dar um beijo em Bast. O garotinho era como seu filho também.

– Temos que conversar sobre o que faremos para a comemoração de cinquenta anos da empresa – respondeu se aproximando do amigo.
– Faça o que quiser – disse , desanimado.
– Vocês não se acertaram? – indagou, já sabendo a resposta.

Ele negou com a cabeça.

– Eu a magoei – suspirou fundo. – Sequer pedi desculpas. Mas ela também me magoou... disse coisas. Acho que é o fim mesmo. Ela pediu o divórcio.

o encarou sem acreditar. Sabia que eles estavam tendo problemas, mas chegar aquele ponto? Algo estava errado e ele não tinha notado que era tão grave.

– Mas por quê? Vocês estavam bem até tempos atrás.
– Sinto que ela está diferente. Não namoramos mais, Luna não deixa eu me aproximar, sempre está cansada e mal humorada, tem dias que durmo aqui, porque não quero vê-la.

ficou em silêncio por alguns instantes. Como aquilo estava acontecendo e ele não tinha notado? Claro que tinha seus problemas, mas caramba, era seu melhor amigo há mais de uma década. Quando descobriram sua doença, ele fora a primeira pessoa a saber, a primeira que deu todo o apoio, que o ajudou em todo o tratamento, que o incentivou a ter um filho com Meredith, porque nas palavras dele, se algo de ruim acontecesse, ele queria um pedaço de só pra ele. E Deus, Luna era como sua irmã também. Se ela estava sobrecarregada por causa da casa e de Bast, ele devia ter dado uma ajuda. Não devia ter deixado Aurora ir a casa deles com tanta frequência e sim pegado Sebastian e levado para a sua, para ela descansar e talvez se entender com . Porque sabia que infelizmente seu amigo, não entendia tão bem como ele, o papel de uma mãe. Afinal, eles eram um casal e cada um tinha que desenvolver seu papel, porém, como ouvia de algumas mães na escola de Aus, que se chocavam com o fato de criar sua filha sozinho, as crianças sempre, eram da mãe. Um pai não tira a temperatura todo o tempo, quando seu filho está doente, um pai não corre na farmácia comprar fraldas, um pai não vai a papelaria escolher os melhores materiais para seus filhos começarem a estudar, um pai brinca às vezes, limpa às vezes, cuida às vezes. Mas sempre, porque a mãe precisa tomar um banho, por roupa para lavar, até mesmo comer. Entendia muito bem Luna. Não era uma comparação nenhum pouco justa. Mas entendia o lado do amigo também.
Era complicado, mas se afastar, não resolveria nada.

– Não imaginei que estava tão grave assim. E ontem? Você ficou com a moça? Me conte a verdade.

contorceu o rosto.

– Eu quis, por um momento. Mas nunca faria isso com Luna.
– Mas se vocês se amam, porque estão fazendo isso?
– Foi na hora da raiva. Eu precisava por pra fora tudo que estava preso aqui dentro.

Era evidente que seu amigo estava machucado. E tinha que agir para ajudar os dois.

– Vamos esfriar a cabeça hoje. Vá pra casa e fique com Bast, eu resolvo tudo por aqui.

se inclinou para pegar o filho. Ele tinha os olhos dela e isso destroçava o coração de , toda vez que Bast o encarava. Não queria ter magoado sua esposa, mas queria que ela entendesse que ele também estava triste.

– Fale com Georgina, ela é responsável por todo o evento. Se puder cuidar disso pra mim.
– Pode deixar. Cuide do papai – disse a Seb, que sorriu travesso.

Ele estava encarando a mesa das principais reuniões. Tinha algumas ideias espalhadas, de várias empresas, organizadoras de eventos. Havia gostado de algumas, mas não conseguia parar de pensar que do outro lado daquela cidade, existia uma jovem, aliás, uma mulher encantadora, que já havia trabalhado na aedas, que tinha uma ligação com a empresa e que ninguém ali, chegaria aos pés dela. Seria uma besteira, eles não a contatarem.
Seria algo totalmente profissional da parte dele, se ele a contratasse.

– Todas as ideias são interessantes, Georgina, mas conheço alguém melhor – disse, com educação e seriedade.

Não queria que alguém pensasse que estava beneficiando , apenas por seu passado, sabia que ela era realmente boa e outra, a aprovaria com certeza.

– Quer que eu entre em contato com a empresa? Precisamos resolver isso o quanto antes.
– Temos dois meses.
– Podem deixar comigo, eu mesmo falo com ela. Por hoje deixamos definido o espaço e a lista de convidados. Se precisarem de algo, podem me ligar.

Ele deixou a sala com um silêncio estranho no peito, tinha pensado muito, estava com os pés no chão e trataria como uma empresária que era. Não traria problemas pessoais e estava tudo bem se ela negasse seu pedido. Ele estava calmo. Estranhamente calmo.
Ainda tinha o número dela salvo. Não sabia se era o mesmo, mas tentaria. Quando entrou no carro, ligou e colocou no viva-voz, estava parado no primeiro semáforo, um que trazia muitas lembranças.
Chamou uma vez, duas, três e então alguém atendeu. E por mais que estivesse tranquilo, segurou o ar quando ouviu:

?

DSTCDA ¬ ¬¬– C.

Sabia que relacionamentos eram complicados, mas o que estava acontecendo com e Luna era difícil de compreender. Ela nunca fora casada e desde que terminara seu romance com , nunca mais vivenciou algo com alguém. Bem, exceto pelas últimas escapadas ao quarto de , mas isso ela resolveria em outra hora, o que estava passando com a família era muito mais complicado. Ver sua melhor amiga chorando como um bebê em seu colo, nunca fora algo imaginável. Quando Aniballe descobriu toda a mentira de , enquanto elas viajavam pelo Brasil, Luna ficou devastada, mas nada comparado com agora. Luna tinha passado a manhã toda chorando e mesmo tentando acalmá-la, nada parecia aliviar sua dor. Então sua última saída fora dar um remédio para a amiga dormir um pouco. Foi só depois de algumas horas que tomou um calmante, que ela conseguiu descansar.

– Não sei o que fazer – disse suspirando. – Você tinha que ouvir as coisas horríveis que um disse ao outro.
– Eu ouvi. Sua mãe e seu pai também. E acho que seus vizinhos – comentou , dando uma risadinha no fim.

Ela também riu, mas aquilo não tinha nada de engraçado. Ela riu dele. Ah Deus, não conseguia acreditar na noite que tiveram. Não queria pensar nisso agora, o problema era outro.

– O que acha que vai acontecer? – indagou .

Ela balançou a cabeça.

– Não faço ideia, mas não quero que eles se separem. Os dois são lindos juntos.
– Você era próxima deles?
– Muito. Estou feliz de estar aqui, de novo. Me sinto uma idiota por tê-la deixado e perdido o contato. Tenho sorte de ainda estar aqui por mim também.
– Você tem um coração enorme. Claro que ela estaria aqui por você.

Os dois estavam sentados no sofá do quarto dela. apertou sua mão e se aproximou sem medo ou receio, a beijando lentamente em seguida. Levara um susto no primeiro instante, mas se deixou levar. Era muito bom beijá-lo e depois do que haviam feito na noite passada, um beijo, não significava muita coisa. Ou... ela parou por um instante, se afastando.
a encarou desconfiado.

– Você ainda quer que eu seja romântico? – questionou ele, com um tom de voz debochado.

Ela sorriu. Queria isso? Bem, queria sim. Mas podia pedir isso há ele?

– Ahm... só se quiser.
– Sabe que eu quero – respondeu, com a voz baixa. – Gosto de você . Gosto mesmo.

Ela sorriu com os lábios fechados. Tinha consciência do que estava falando. Talvez sua amiga tivesse razão. O gostar de era diferente. Eles haviam deixado de ser apenas amigos, de repente, aquelas idas e vindas do quarto de visitas, estava os levando para outro lugar. Um lugar que não sabia como agir.
Amava com todo seu coração. Mas estar na Inglaterra de novo, ter aquela conversa com , saber que ele não tinha terminado com ela, por um simples fato, nossa... era difícil admitir, mas óbvio que isso apertava seu coração.

– Também gosto de você ... – disse com um aperto no peito.
– Mas? – concluiu ele.

Ela umedeceu os lábios. Não sabia o que dizer.
De repente, sentiu seu celular vibrar no bolso da calça. Quando encarou a tela, curvou o cenho.
Mas que diabos?
Se afastou de vendo seus olhos verdes a observar com dúvida. Ela suspirou fundo. Talvez fosse importante. Muito provavelmente, fosse sobre e Luna. Ou talvez fosse um sinal.
Não. Não. Tinha que tirar essas coisas da cabeça.
Precisava atender com calma.

– Desculpa – sussurrou antes de responder.

Ah Deus, seria tão constrangedor.

?

Pelo canto dos olhos, viu se remexer no sofá. Sabia que ele ficaria desconfortável. Mas o que podia fazer?

– Hey, ?
– Sim... – respondeu pausadamente. – Como... o que você...
– Sei que parece estranho – ouviu ele dar uma risada abafada do outro lado. – Mas estava em reunião agora e preciso de alguém que entenda sobre eventos e então, pensei em você.

Ela curvou o cenho.

– Jurava que você queria conversar sobre a briga dos – comentou sincera.

Do outro lado da linha e da cidade, em meio ao trânsito e caos de Londres, deu um tapa no volante do carro.

– É um dos assuntos da nossa reunião.

sorriu.

– Como está Luna? – quis saber ele.
– Está dormindo agora. Mas muito magoada. Não sei o que tem na cabeça.
– Ele também está magoado.

encarou , por alguns segundos esquecera que ele estava ali. Seus olhos pareciam tristes e com razão. Naquela equação, existia muita gente magoada.
Ela suspirou fundo. Não ficaria conversando com como se nada estivesse acontecendo, com .

– Bem, não estou trabalhando agora. Você sabe que minha mãe está doente, mas agradeço a oferta e obrigada por pensar em mim.

Ah, ele sempre pensava. Sempre.

– Tudo bem, entendo sua situação – respondeu . – Mas acho que seria interessante estarmos por trás desse evento. É cinquenta anos da AEDAS, você faz parte dessa história. E poderíamos tentar unir e Luna novamente.
– Estou saindo – disse , se levantando rapidamente.

o segurou pelo braço.

– Espera.
– Não vou ficar aqui, ouvindo você confabular com esse idiota!
!
Afastou o celular e com a outra mão, puxou o braço do – até então, melhor amigo, com mais força.

, eu acabei de falar que gosto de você. Não vou ficar aqui competindo com um cara que é evidente que sempre vai estar rondando tua vida – disse, com um olhar furioso e depois saiu batendo a porta.

Ah, que merda! O que poderia fazer? Não queria desligar o telefone e sair correndo atrás de , mas era isso que o código de melhores amigos, mandava fazer. Porém, como deixaria a chance de dar a volta por cima, escapar entre seus dedos? Por mais que não estivesse trabalhando agora, aquela era uma oportunidade. Seu ego queria muito, muito mesmo, dar a volta por cima.
Suspirou fundo pela centésima vez e voltou a falar:

, está ai?
– Uhum – respondeu ele, de maneira afável.
– Podemos nos encontrar amanhã, para uma reunião?

Ambos ficaram em silêncio por alguns segundos.

– Claro – disse ele, por fim. – Te espero pela manhã. Pode ser?
– Ótimo. Até amanhã.
– Até .

Ela desligou o celular e soltou o ar. Estava com o coração acelerado e por mais que quisesse gritar ao mundo que havia ligado para ela. Que os dois tinham uma reunião na manhã seguinte, só conseguia pensar no olhar magoado e depois furioso de .
Saiu do seu quarto procurando pelo amigo. Por mais que odiasse admitir, sentia a culpa pesar em seus ombros e principalmente no seu peito.
O procurou em todos os cômodos da casa, até que o encontrou na cozinha, encostado na bancada de mármore, com uma xícara de porcelana nas mãos. A qual mais adorava.
Era claro como a água, que ele estava magoado.

– Acabaram as declarações? – perguntou, rispidamente.
– Não fale assim.
– Não tem mais porque eu estar aqui.
– Claro que tem – disse ela, ficando de frente para ele. – Nós temos um novo projeto.

riu de escárnio.

, sinceramente...
– Olhe pra mim – pediu ela, quase se arrependendo em seguida. – Infelizmente você sabe toda minha história, conheceu e vivenciou toda minha dor. Mas isso é passado. Vou fazer esse projeto com sim e não sei o que irá acontecer, mas me perdoe, eu nunca prometi nada a você.

fez uma cara de dor. Ela havia atingido seu coração em cheio.

– Eu sei.

Ela inspirou o ar.

– Quero que fique comigo. Hoje. Agora – assentiu silenciosamente, soltando um pequeno sorriso desconfiado e ainda triste. – Nós temos algo especial e é muito importante, ter você aqui.
– Desculpa ter dito aquilo. Sei que não temos nada. É que...
– Eu entendo. E eu amo você, principalmente por ser sincero comigo. E sempre serei sincera com você, okay?

assentiu, deixando a xícara de lado, a puxando carinhosamente pela cintura, para aproximar seus corpos. Ele a segurou com um braço e deslizou a mão, pelo seu ombro, clavícula e pescoço, fazendo ela se arrepiar. Depois com delicadeza, depositou um beijo em seus lábios. Estava encrencada. Se fosse embora agora, ficaria com o coração em pedaços, mas não podia negar que só de imaginar, encontrar de novo, sentia-se extremamente nervosa.

– Aaaah, eu sabia! – ouviu a voz da melhor amiga, vindo da porta, enquanto eles se beijavam.

Ah meu Deus!


Capítulo 8

Se olhou no espelho conferindo tudo. Seu coração estava acelerado, suas pupilas dilatadas e as mãos soando. Respirou fundo, tentando manter a calma. Há muito tempo não entrava naquele elevador e caminhava por aqueles corredores. Estava muito nervosa, não podia negar.
Quase cancelou tudo. Se não fosse por Luna. Ah Luna, por mais que estivesse arrasada, sua amiga estava a apoiando, como sempre. Faria isso por ela também. Por mais que estivesse magoando alguém que ela amava, aquele era seu momento.
Sempre quis crescer, se tornar alguém importante, alguém em quem as pessoas se inspiravam, e acima de tudo, alguém que fizesse perceber o que tinha perdido. Por mais que hoje visse as coisas de outro modo e não encarasse mais aquilo com a importância que dava – hoje em dia, seu pensamento era outro e suas prioridades também –, a sensação era muito boa.
Quando as portas do elevador se abriram, seu coração bateu com força contra o peito.
Meu Deus.
Não conseguia explicar a sensação. Era um misto de nostalgia, nervosismo e um toque de paixão. Uma paixão bem escondida. não podia sonhar que ainda mexia com seus sentimentos. Mas uau, estava tendo um ataque de nervos, principalmente, quando o viu parado, encostado em uma das mesas, com as mãos nos bolsos, vestido formalmente, inteiro de preto, como ele sempre fazia em suas reuniões.
Ah, não poderia ter ficado gordo, feio e careca? Inferno, estava ainda mais lindo.
E era domingo. Não tinha uma alma viva no treze e duvidava que existisse alguém além dos dois e do segurança, no prédio.
Meu Deus.

– Por um momento, achei que não viesse – disse ele, pausadamente e com a voz rouca.

Não . Não ia cair nessa.

– Me atrasei um pouco, fui com Luna até seu antigo apartamento e depois ela me trouxe – respondeu, caminhando até onde ele estava.

O perfume. Meu Deus, quanto tempo não sentia aquele aroma.

– Como ela está? – ele arrumou sua postura, se aproximando dela.
– Arrasada.

colocou a mão em sua cintura, para cumprimentá-la com um beijou no rosto.

– E você? Não está desconfortável, por estar aqui? – indagou ele, ainda a segurando pela cintura.

Muito próximo. Tão perto que sentiu medo que ele sentisse as batidas fortes e desesperadas do seu coração.

– Ahm... – estava constrangida sim, mas não se sentia desconfortável, afinal, o conhecia perfeitamente, para saber que ele faria de tudo para que ela ficasse bem. – Foi uma ligação inesperada.

Se afastou, dando um passo para trás. Ele a encarava com os olhos cheios de sentimento.
Só não sabia quais eram.

– Eu imagino – ele sorriu, com os lábios semicerrados. – Queria pedir desculpas por isso. E por ter ido a sua casa sem avisar e despejar todas aquelas informações tão abruptamente.

piscou algumas vezes a abriu a boca para falar. A única coisa que não sabia, era o que responder. Tinha pensando em tanta coisa, se ele tocasse nesse assunto. Mas a realidade era bem diferente, quando se está na frente da pessoa.
Ah, caramba. Foi muito doloroso saber de tudo e um tanto quanto chocante. Porém, agora, lhe faltavam palavras. Era tão mais fácil deixar de lado e focar naquilo que tinha vindo fazer.
Mas era óbvio que não estava disposto a isso.



Bem, se ele queria resolver e esclarecer tudo, ela encararia de frente. Só precisava manter a postura e não sair correndo como uma idiota, como havia feito da última vez.

– Onde vamos fazer a reunião? Aqui mesmo?

Ele sorriu, balançando a cabeça.

– Na minha sala – respondeu, fazendo sinal para ela passar a sua frente. – Lembra onde fica, não é?

Ela revirou os olhos, sentindo as bochechas corarem.

– Como está sua filha? – perguntou, para mudar de assunto.
– Bem. Ficou com meus pais hoje.
– Deve ser uma loucura ser pai de menina.
– No começo achei que seria mais difícil, mas hoje não me imagino tendo um menino.
– Não quer ter mais filhos?

Ele a encarou por um instante e depois sorriu de lado, abrindo a porta do seu escritório, para ela entrar primeiro.

– Se eu encontrar a pessoa certa, quem sabe.

assentiu. Não sabia se fora uma indireta ou estava imaginando coisas. Sua única certeza, era que jamais sentira aquele frio na barriga. Ouve outras vezes claro, mas não daquela maneira.

– Claro. Isso é bom. Digo. De encontrar a pessoa certa.
– Uhum – resmungou ele, com um sorriso cínico nos lábios.

puxou a cadeira para ela sentar. colocou sua agenda e seu tablet em cima da mesa. Queria começar logo, antes que tudo aquilo se tornasse estranho demais.

– E então, quais são os planos? Tem algo em mente? O que já te mostraram?
– Queria algo diferente. Tudo o que vi, foram festas de gala e nada além disso. Muito do mesmo, você entende?
– Entendo sim. Sem nenhum tema específico?
– Exatamente. Acho que é isso que está faltando.
– Não tive muito tempo de planejamento para mostrar tudo o que pensei, mas acho que vai gostar disso – ela ligou o aparelho, mostrando algumas fotos. – Esse é o Hotel Mandarin Oriental, que fica no Hyde Park.
– Ele é esplendoroso, já fui lá algumas vezes.
– Então sabe que não precisa de muito na decoração, certo? – assentiu. – Como não temos muito tempo, acho que é a melhor escolha. Seria um baile de gala, mas voltado ao circense, com acrobatas bem vestidas, fogo...
– Fogo? – indagou ele, soltando uma risada.
– Sim fogo! Seria maravilhoso! Uma luz baixa, velas espalhadas por todo o salão e uma tenda na entrada– explicou ela, mostrando fotos, estava empolgada com a ideia. – E a cereja no bolo, seriam as máscaras. Um baile de máscaras circense. O que acha?
– Acho que você está na profissão certa – respondeu com calma, a encarando. – Acho que estou orgulhoso da mulher que se tornou.

sorriu abertamente, com um alívio no peito e feliz demais. Amava seu trabalho, amava cuidar de cada detalhe e amava quando seus contratantes concordavam com suas ideias malucas, principalmente, quando esse alguém fora o amor da sua vida. Ah nossa, a sensação era boa demais.
Claro, haviam muitos detalhes, mas essa era a ideia principal. E estava orgulhosa de si. Seria um evento gigantesco e faria o seu melhor.

– Obrigada – respondeu, realmente feliz e sentindo-se mais leve. – Nós poderíamos separar alguns quartos do hotel para as pessoas importantes e para você e a família , se eles ainda forem uma família até lá.
– Você acha...
– Não sei. Nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer com eles.
– Confesso que também não. foi muito babaca com Luna.
– Sabe se... ele ficou com a moça que saiu?
– Não, não ficou. Ele não é tão louco a esse ponto.
– Espero que esteja certo. Luna vai precisar muito dele. precisa se comprometer como marido e pai dos filhos...filho, quis dizer, filho deles.

Ah merda, quase.

– É isso que pensei. Quando você for mãe irá entender Luna ainda melhor, mas está certa. Ele precisa ajudá-la, não é fácil cuidar de criança.
– Você cuida de Aurora sozinho?
– Na maior parte do tempo sim. E é muito cansativo. Principalmente quando voltamos para casa, depois da escola. Ela adora brincar, correr pela casa, apronta muito.

Ela sorriu com amabilidade. Nunca tinha imaginado sendo pai solteiro. Nos seus sonhos ele era pai, mas pai dos seus filhos. Aquilo era tão... cômico. Como a vida dava voltas e nos surpreendia de tantas maneiras, pensou ela.

– Nunca imaginei que veria esse teu lado.
– Pai? – ela assentiu. – Eu também não. Mas é único, é um amor inexplicável. Você vai sentir um dia.
– Queria que fosse antes de minha mãe partir – respondeu olhando-o nos olhos.
– Você sabe que precisaria engravidar meio logo, não sabe? – disse ele, com receio.

Concordou silenciosamente. Era doloroso demais, quando parava para pensar que há qualquer momento, sua mãe poderia partir. Ela estava bem durante as últimas semanas, mas sua doença não tinha mais cura. A realidade era bem desgostosa.

– Sophie iria adorar te ver grávida. Se precisar de um pai, estou disponível – falou ele, erguendo a mão enquanto soltava um sorriso sincero e Deus, lindo demais.

Ela sorriu, balançando a cabeça, quase morrendo do coração por dentro.

– Teve uma época da minha vida que eu amaria que você fosse pai dos meus filhos – disse, com gentileza. – Teria feito qualquer coisa por você.
– Porque sinto que tem um “mas” nessa frase.

Ela sorriu olhando para baixo. Mas você acabou comigo. Fora uma das coisas que queria dizer. Mas, você mentiu, fora orgulhoso, insensível, idiota e tantas outras coisas que podia enumerar, mas acima de tudo fora egoísta. havia sido egoísta quando a levou para a formatura, sabendo que aquilo seria o fim, a iludindo sem consideração nenhuma por seus sentimentos. Só pensara em si mesmo. Mas, se tivesse sido sincero com ela, tudo seria diferente. Poderiam não estar juntos, mas não teria sido enganada.

– Porque existe – respondeu. – E não sei se deve saber, talvez não queira mais trabalhar comigo depois disso.

Ele curvou o cenho.

– Eu a magoei tanto assim?

umedeceu os lábios, olhando para outro lado da sala. Não conseguia encarar seus olhos.

– Quando fui embora, rezei todos os dias para que você fosse atrás de mim – ela riu sozinha, lembrando do quão boba e ingênua foi um dia. – Quando me dei conta que você jamais iria voltar, eu o matava todas as noites nos meus sonhos, para que de alguma forma, você morresse no meu coração também.
– E você conseguiu?

Ela virou para encará-lo.

– Não.

a observou em silêncio, desconfiado, se havia a escutado com clareza.
Bem, ela também estava aturdia, mas fora sincera em cada sílaba. Não tinha como matar os sentimentos por ele, depois de tudo o que haviam passado.
Claro que não era mais a mesma coisa, mas nunca o esqueceu. Ele sempre seria o amor da sua vida. Quando lembrava das suas conversas. Da noite em Paris. Seu peito apertava. Não seria insensível com seu próprio coração.

– E mesmo assim, você não quer que eu seja o pai dos seus filhos? – indagou ele, com um sorriso triste nos lábios.

Ela esticou um braço sobre a mesa, pegando a mão de com carinho. Minha nossa, aquilo era tão estranho e angustiante. Por muito tempo imaginou como seria vê-lo de novo. A primeira vez fora um desastre, não podia negar, mas agora, tinha a sensação de estar fazendo a coisa certa, entretanto, não sentia-se totalmente feliz.

– Teria sido perfeito ter você como pai dos meus filhos, mas isso, há cinco anos atrás.
– Juro que não te entendo mais – respondeu ele, apertando a mão dela. – Antes era mais fácil.
– Antes eu era uma garota.
– Pra mim, você sempre será a Caramella.

Ela riu.

– Ninguém me chama assim mais.

Ele ergueu a mão dela até seus lábios, depositando um beijo molhado.

– Eu chamo.

Ah, porque ele fazia isso com ela? Meu Deus, por que era tão encantador? Não era justo.

– Posso te perguntar uma coisa? – indagou ela, pigarreando, em uma tentativa falha de disfarçar a voz de apaixonada.
– O que você quiser.

Seu coração estava acelerado. Por mais que imaginasse que eles conversariam sobre seu passado, não pensou que seria tão intenso. A forma como a olhava, o jeito como ele havia beijado sua mão, o carinho em suas palavras, todo seu cuidado, ah Deus, claro que ele mexia com ela e amava tudo em . Não estava sendo nada fácil negá-lo, mas tinha que fazê-lo, ou podia imaginar que sempre estaria ali disposta a ser dele e responder aos seus desejos. Antes de nutrir qualquer sentimento por ele. Se amava. Queria o melhor para si mesma, não sofreria novamente.

– Você sentiu algo por mim? – quis saber ela. – De verdade?

Ele deixou escapar um suspiro, soltando sua mão. levantou em silêncio e caminhou até o pequeno bar que ficava em sua sala.

– Quer alguma coisa para beber?

Ela negou com a cabeça. E fora por isso que agradeceu mentalmente, por não ter exposto seus sentimentos de maneira tão evidente. Ele havia mudado de assunto descaradamente. Ah, como era idiota.
encheu um copo de whisky e gelo e sentou-se no braço do sofá de couro, longe dela. Provavelmente procurando uma maneira menos dolorosa de machucá-la. E isso ele sabia fazer muito bem.

– Nunca senti...
não – interrompeu ela. – Eu não quero saber.
– continuou ele, de forma contida. – Depois que terminei com Amber, só queria diversão – disse sorrindo, sem sentimento algum, ignorando o pedido dela. – Não estava em meus planos conhecer alguém. Mas então Luna falou de uma garota que sempre estava no meu caminho, mas nunca a vi de fato, e finalmente quando coloquei os olhos em você, não quis nada além de uma noite – ele se levantou, caminhando até onde ela estava. – Mas tanta coisa aconteceu e nós acabamos nos aproximando. Eu adorei você. Adorava o fato de tê-la tagarelando o tempo todo do meu lado.

deixou uma lágrima escorrer lentamente. Ah, droga. Odiava ser tão sentimental.
se abaixou, limpando o molhado da sua bochecha.

– Eu sei que errei. Sei que devia ter sido verdadeiro com você desde nossa viagem ao Brasil. Mas quando penso em todos esses erros, também penso nos nossos dias comendo kebab enquanto olhávamos as faculdades que você queria seguir, quando a via perambulando pelos corredores do treze, encantando todo mundo e principalmente a mim. , eu fui completamente apaixonado por você e acho que ainda posso ser.

DSTCDA – Z.

Pronto. Depois de tantos rodeios, de tantas idas e vindas, encontros e desencontros, medos e incertezas, ansiedade e angústia, havia dito com clareza e veracidade. Tinha errado feio com , e ele reconhecia cada um deles. Ter ficado com outra mulher na viagem ao Brasil talvez fosse um dos seus primeiros erros. Estava na dúvida sobre o segredo do primeiro beijo também, mas achava a viagem mais grave. Já que havia envolvido e Luna também. Se arrependia amargamente desse dia. Fora fraco e covarde. Errou também quando escondeu o segredo de , poderia muito bem, ter evitado toda confusão que veio posteriormente. E claro, errou quando não contou sobre a doença, as ameaças de Amber, a polícia em sua casa, e o baile.
Quando lembrava da imagem de entrando em casa arrasada por ele ter sido um completo babaca com ela, sentia um aperto no coração e muito constrangimento.
Um homem de verdade não teria feito aquilo. Ela merecia muito mais. Fora um covarde e saber que até hoje, ela se sentia magoada por isso, o constrangia ainda mais. Mas também o motivava, para melhorar. Porque de algum jeito, ele queria conquista-la novamente.
Não sabia como, não estava tão disposta a isso, mas daria um jeito. Para que pelo menos, eles ainda mantivessem o carinho e o respeito, um pelo outro.
A adorava, sem sombra de dúvidas, e desejava tê-la por perto para sempre. Tivera muita sorte de conhecer alguém com o coração tão bom e a alma transparente. Não a perderia de novo.

– Posso te contar uma coisa, que sempre pensei em manter segredo? – indagou ele, vendo-a um pouco confusa e com a defensiva baixa.

estava se entregando aos poucos. Esse era o momento de contar toda a verdade. Para não ter mais segredos e algo que o atrapalhasse no futuro. Contaria tudo há ela.

– Claro – disse, com a voz fraca.

Ele suspirou fundo e ergueu os olhos para encará-la.

– Você soube o porquê decidi ir embora, mas tem algumas coisas que estão faltando e queria te explicar – ela assentiu. – No Brasil, fiquei com aquela mulher, por ciúmes. Queria deixa-la enciumada, queria descontar minhas frustrações e foi esse o modo que encontrei. Não me orgulho disso. E aquele dia, depois que você dormiu no meu apartamento bêbada...
– Não me lembre disso – disse ela, colocando as mãos no rosto, envergonhada.

Ele sorriu.

– Bem, no outro dia, tive que prestar esclarecimento na delegacia, por uma denúncia de Amber.
– O que?
– Relaxa, foi uma passagem rápida. Dolorosa, constrangedora, mas rápida.
– Porque não me contou? Ou me ligou? Eu teria ido até lá!
– Não queria envolver você nisso – disse, se levantando. – Nós havíamos acabado de passar pela situação com Booth. Não queria mais um problema pra você.

se levantou, andando de um lado para o outro no escritório.

essa é a questão. Querer me esconder de algo que seria muito mais fácil dizer a verdade. Eu passei por Booth, encarei o problema e por mais que ele tenha me deixado cicatrizes profundas, superei. Você me vê como alguém fraca. E a última coisa que sou é fraca. Posso chorar muito, posso expor meus sentimentos, mas aprendi a encarar tudo de frente.
– É por isso que não quero esconder nada de você – afirmou. – Eu escondi certas coisas, achando que assim, estava te protegendo.
– Você me magoou.
– Eu sei, eu sei, eu sei – disse exasperado, se aproximando dela e segurando seus ombros. – Vai conseguir me perdoar um dia?

se afastou, passando a mão na cabeça. Sabia que ela devia estar confusa. Sentia-se assim também. Era um misto de sentimento. Mas apesar de tudo, era evidente que ela considerava algo. Bom ou ruim, confuso ou não. De outra maneira, não estaria ali anda.

– Nós podemos conversar sobre isso depois? – indagou ela.
– Não. Não estou pedindo para ficar com você. Estou pedindo desculpas pelos meus erros. É tão difícil me perdoar?
– Não, não é! – exclamou . – Mas você precisa entender que para meu ego ferido é diferente. Ele quer que você sofra e seria muito... fácil, perdoar simplesmente.

balançou a cabeça, soltando uma risada sem sentimento algum.

– E quem disse pra você, que não sofri? Você está o tempo todo se colocando como vítima, mas acha que foi fácil pra mim também? Sinto lhe informar , não foi.

Ah inferno!
Tinha que se controlar, mas estava no seu limite, extravasando tudo o que permanecia escondido.
Ela o fitou em silêncio. A pior parte era não saber nada sobre o que passava em sua cabeça. Ele estava entregue a aquela conversa, mas ela... não tinha certeza.
A que ele conhecia, não era nenhum pouco contida e falava tudo o que sentia. Por mais que visse nos olhos de sua sinceridade, a sensação ao ouvir suas palavras era outra.
Não sabia explicar, mas eles ainda não haviam se encontrado, estavam trilhando em caminhos paralelos, mas ansiava que fosse o mesmo.

– Você quer que eu diga mais o que? – questionou ele, impaciente. – Me perdoe por ter mentido, por pedir para você não contar a ninguém sobre nós, me desculpa por tê-la deixado no dia do seu aniversário e sinto muito por desistir de nós, por não expor meus sentimentos, sabendo que você sofreria por isso. Não quero te forçar a nada, não quero começar um novo relacionamento, mas quero viver em paz, sabendo que dessa vez fiz a coisa certa. Começar do zero, ter sua amizade pelo menos.

Ele suspirou fundo e deu um passo para frente, segurando sua mão. não conseguia olhar em seus olhos. Entendia que era difícil. Ambos haviam sofrido.

– Preciso de uma resposta – pediu.

Ela engoliu em seco, derrubando algumas lágrimas.

– Eu te... perdoo – murmurou baixinho.

sorriu aliviado, mais um pouco, derramaria lágrimas também, mas preferiu puxá-la para um abraço.

– Não significa que ainda não esteja magoada.
– Eu sei – respondeu, sentindo o corpo dela contra o seu.

Ah Deus, como sonhou com isso. Ter ela novamente, envolvida em seus braços. Já havia imaginado vários reencontros e depois do primeiro desastroso e nenhum pouco amigável da parte dela, – ele entendia muito bem sua postura defensiva – jamais imaginou que pudesse abraçar novamente.
Eles estavam ali. Onde tudo começou anos atrás. Apenas os dois, tão sinceros e entregues em seus sentimentos. Era uma loucura imaginar. Mas nossa, vivenciar estava sendo mais doido ainda.

– Ahm, o que acha de sairmos para comer kebab? – indagou ele, fazendo-a soltar uma risada contra seu peito.
– Melhor não – respondeu, se afastando um pouco, mas ainda abraçada nele. – Precisamos terminar essa reunião e tenho que voltar para o apartamento de Luna.
– Mas o que ela está fazendo lá?

deu um passo para trás, se encostando na mesa. Ah não, lamentou, estava tão bom ficar perto dela.

– Tentando deixar aquilo habitável para ela e Sebastian.
– Aniballe quer seguir adiante com o divórcio? – indagou ele, surpreso.
– Não acho que ela queria se divorciar de fato, mas entendo querer se afastar. precisa aprender uma lição. O que fez foi muito grave. Foi uma traição.
– Ele não ficou com a moça.
– Mas saiu com outra mulher. Há quanto tempo ele não a chama pra sair? Eles precisam lembrar que são um casal.
– Os dois.
– Sim. Os dois.
– Nós sabemos como relacionamentos são complicados.
– Sabemos – concordou , olhando para ele, fazendo uma careta em seguida.

Ah, como a adorava.

– Você prefere terminar isso hoje, ou durante a semana? – quis saber, apontando para a agenda dela em cima da mesa. – Acho que não tenho mais cabeça pra organizar uma festa.

Ela sorriu. Deus, tão linda. Não conseguia parar de olhá-la.

– Podemos marcar outro dia, mas o quanto antes, precisamos enviar os convites logo.
– Claro, vou reservar um dia essa semana.

Todos os dias, podia ser?
pegou suas coisas em cima da mesa e virou para ele, falando:

– Tudo certo então?
– Entre nós ou sobre a festa?
– A festa. Mas pode ser os dois.
– Se você está feliz, também estou.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos e depois assentiu.

– Acho que estou... aliviada.
– Estamos.

Eles se observaram por instantes. Despedidas com ela, nunca eram constrangedoras, mas agora, depois de tantas verdades despejadas, existia um certo clima.

– Bem, até mais .

Ele a fitou com ansiedade. Não queria se despedir. Não queria um até logo simples e sem vida. Entenderia se ela quisesse, mas ele não. Não diria nada, é claro.
Mas... deu um passo em direção a ela e a abraçou com força, pegando de surpresa. Fora súbito, mas era sua Caramella e ela era a mulher mais doce que ele tivera a sorte de conhecer, então, riu contra sua pele, tentando deixar o momento menos constrangedor.

– Não lembro de você ser tão...
– Sentimental? – indagou ele, se afastando envergonhado. – Em minha defesa, quase morri uma vez e posso dizer que convivo com uma garotinha encantadora. Todos os dias ela me deixa mais bobo e idiota desse jeito.

riu alto, da maneira como costumava fazer. Isso era bom.

– Fico feliz por você. Espero que ela esteja te dando muito trabalho!
– Todo dia uma novidade diferente.
– Você parece ser um pai incrível.
– Faço o possível para vê-la feliz.

Eles ficaram alguns segundos em silêncio. Era o fim. Não tinham mais o que conversar e com certeza não a abraçaria novamente. Vexame. Como podia ter perdido seu charme assim? Por Deus.

– Bom, está na minha hora. Obrigada por isso. – disse ela, gesticulando com os braços.
– Obrigado por ter me perdoado.

Ela assentiu com um sorriso meigo nos lábios.

– Até mais .

o beijou na bochecha e saiu do escritório sem olhar para trás.

DSTCDA – C.

Se mantivera firme. Mas assim que saiu do escritório de , soube que seu coração ainda era dele. Não sabia como depois de tanto tempo, a respiração falhava, o peito se comprimia, como se fosse ter um ataque cardíaco. Era inexplicável. Talvez fosse amor.
Talvez fora essas pessoas que realmente sabem quando encontram o amor.
E bem, aparentemente, havia o encontrado com dezessete anos.
Caramba, olhando para trás, tanta coisa havia acontecido. Mas o que a deixava boba e apaixonada, fora o fato de que se apaixonara por ela também.
Fora recíproco e verdadeiro. Nada no mundo a deixava mais feliz.
Amar alguém era complicado. Amou Booth. Da sua maneira, mas o amou. Tivera muitas batalhas ao seu lado e no fim, tudo o que sentiu acabou se perdendo nos problemas que ele trazia consigo. Douglas a machucou profundamente, causando eternas cicatrizes. E depois veio .
Ah, . O amor mais colorido e genuíno que sentiu. E ao que tudo indica, ele sentia o mesmo. Jamais imaginara ao entrar na AEDAS, que teriam uma conversa tão verdadeira e cheia de afeto.
Quando chegou em frente as portas do elevador, parou por um instante. Não queria simplesmente ir embora. Depois de tudo, parecia um pouco vago deixá-lo.E outra, como conseguiria chegar até o apartamento de Luna, sendo que a única coisa que queria fazer, era deitar em sua cama como uma menina boba e apaixonada, rolando de um lado para o outro?
Quem sabe faria isso mais tarde. Mas agora... não queria despedidas tão cedo.
Deu meia volta, suspirou fundo e enquanto caminhava de volta para o escritório dele, o viu, com a cabeça baixa, escrevendo algo no celular.

? – indagou, sentindo um frio na barriga.
! – falou , confuso pela aparição dela. – Esqueceu alguma coisa?
– Na verdade não. Eu estava pensando – vamos, não devia ser tão constrangedor. – Você gostaria de ir comigo? Ver Luna, claro.

Ele sorriu abertamente, fazendo com que ela sentisse borboletas no estômago.

– Estava te mandando uma mensagem – disse ele, mostrando o aparelho. – Se gostaria de uma carona até lá.
– Seria bom.

Ah. Meu. Deus.
Será? Não queria se iludir de novo. Precisava ir com calma.
Eles desceram até o carro conversando sobre Luna e a situação da família . Não ficaram em nenhum tipo de clima constrangedor, como fora, quando se despediram pela primeira vez.
falava alto, com leveza e alegria e claro que quando chegaram no carro, ele tivera que mudar a música infantil que tocara no rádio, por uma do seu gosto. Seu carro era outra coisa que havia mudado. Havia malas cor de rosa, ursinhos e uma cadeirinha de bebê. Minha nossa, a realidade dele estava totalmente diferente. Era fofo e engraçado.
Durante o percurso, quis passar em um restaurante que serviam kebab. Ela revirou os olhos para ele, mas por dentro, seu coração soltava fogos de artifícios.
Assim que chegaram no apartamento de Aniballe, ela os aguardava na calçada. Havia mandando uma mensagem para a amiga e sabia que Luna, devia estar surtando com a ideia de ver os dois juntos novamente. Não podia culpá-la. Estava surtando também.

– Ela sequer disfarça – comentou , soltando uma risada. – Avisou que veríamos juntos?
– Achei necessário, para não pegar Luna de surpresa.
– Claro.

limitou-se a sorrir, mas queria mesmo soltar uma exclamação e abraçar a amiga.

– Nunca imaginei que veria essa cena de novo! – disse a futura ex senhora .
– Nem eu – comentou , fazendo Luna curvar o cenho.
– Ele é quem está... deixe-me ver... ahm...
– Impulsivo?
– Pode ser. Impulsivo é uma boa definição.
– Quem diria ein, – Luna a abraçou, murmurando em seguida, enquanto o CEO, pegava a comida. – Estou feliz por vocês, seja lá o que for isso.
– Vamos chamar de um recomeço da nossa amizade.
– Amigos então?
– É. Amigos.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Outras Fanfics:
Desculpa Se Te Chamo de Amor

Nota de beta: Ai gente, eu amo cenas de reconciliação com emoções à flor da pele. E eu simplesmente adorei que eles são amigos agora (por enquanto me contento com isso, já é um bom avanço, rsrs). Ansiosa pra saber como eles vão lidar com esse novo relacionamento daqui pra frente. E torcendo muito pra Luna e o Liam se acertarem.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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