Finalizada em: 20/05/2019

Prólogo

Cada curva dela era como um precipício, minhas mãos desenhavam as linhas que compunham sua pele como um artista indômito em busca da mais bela inspiração. Sentir os leves tremores involuntários que ela dava enquanto minhas mãos se perdiam em apertar, puxar e marcar aquela pele deliciosamente marcada por versões dela mesma, faziam o meu corpo responder com entusiasmo, Mariana era uma poesia inteira, como eu costumava lhe dizer enquanto a via perdida em papéis por noites a fio dando vida a personagens que faziam o imaginário das pessoas. Ela era uma peça completa, cheia de trejeitos, olhares, desejos, ruídos, arfadas e gemidos que me faziam ser o homem mais feliz do mundo por poder provocar tudo aquilo nela.
Seu maior defeito, ou talvez, um deles, era essa mania de me irritar quando não havia motivo, ela se estressa por suas próprias ideias mirabolantes, me faz ciúmes pelo simples desejo de fazer, me provoca com olhares, palavras, roupas e atitudes que deixariam qualquer homem com o menor dos juízos em frangalhos. Ela tinha uma mania absurda de andar pela casa com uma das minhas camisetas e usando nada mais do que uma calcinha pequena por baixo quando estávamos brigados, enquanto faz café ou varre a casa ela dança músicas com letras cheias de dualidade e faz questão de dançar cada uma delas tendo a plena consciência de que eu estou vendo, seja encostado no batente da porta ou apoiado no balcão da ilha da cozinha, esteja onde estiver ela sabe que meu corpo está reagindo ao dela. Todas as vezes é a mesma coisa, ela espera, se certifica que estou por perto, solta a música, começa a dançar, eu fico duro como uma rocha e não consigo resistir ao impulso de ceder e fazer exatamente o que ela quer.
Mas dessa vez, diferente das demais, eu vou me vingar. E não pense que sou ruim ou algo do tipo, Mary faz de mim o que quer, mas hoje ela ultrapassou os limites do bom senso, e eu precisava fazer algo quanto a isso. A péssima notícia é que eu iria castigá-la da forma mais cruel e deliciosa possível, a boa notícia é que no final ela iria adorar.

Um

Caça briga à toa
E adora passar raiva
Nunca vi


Él


Fazia uma semana que ela estava fora, sua visita ao Brasil era por uma boa causa, mas as saudades que deixava não era exatamente uma boa companhia. estava eufórica com as compras de direitos que um canal de TV havia fechado com ela, a duologia sobre criaturas sobrenaturais e um romance proibido entre caçadores e súcubos seria sua primeira obra na televisão, o canal havia fechado com duas temporadas e esse era o motivo de sua viagem, contar a minha sogra a novidade e matar as saudades.
Eu estava numa rotina intensa de treinos, jogos e entrevistas, não consegui acompanha-la, mas havia prometido que nas férias faríamos um tour por seu país antes de seguirmos para Colômbia onde poderia, enfim, passar mais tempo com minha filha. Olhei no relógio pela quinta vez e senti alguém me cutucar, olhei para o lado e encontrei Lewandovski com cara de quem sabia demais, ao seu lado Rafa ria.
- Se continuar olhando pro relógio assim ele fura. – Alfinetou o brasileiro, ri amarelo e Lewa me abraçou pelos ombros.
- Logo ela estará em casa. – O alemão disse convicto. – Você vai poder enfim matar as saudades. – As sobrancelhas balançando sugestivamente me fez empurrá-lo enquanto ria. Se estivesse ali estaria xingando-o de todos os nomes que conhecia. Ele sentia um prazer imenso em irritá-la, dizia que ela parecia uma criança com as bochechas vermelhas e mãos na cintura.
- Fale isso para ela na festa. – Sugeri dando-lhe as costas para pegar a mochila que havia no armário do vestiário.
- Ela vai? – Rafa indagou, voltei minha atenção para ele curioso. – Minha mulher tá doida pra conversar com a . – Deu de ombros após a explicação.
- Você já viu perder uma festa com música brasileira? – Os dois concordaram ainda rindo, fechei o zíper da bolsa e deixei o vestiário. Fomos liberados um pouco mais cedo graças a insistência de Matts e o fato do treinador estar de bom humor. Segui para o estacionamento e destravei a Land Rover para jogar meus pertences no banco de traseiro. Ocupei o lugar atrás do volante, fechei os vidros, liguei o ar e o som antes de deixar o clube para trás.
Minha esposa chegaria hoje, só não havia dito a hora de seu voo, segundo ela era para causar impacto em sua chegada, o que não me convenceu, a verdade é que insistia que eu não deveria deixar o treino para ir busca-la, já que Niko estava testando novos métodos e posicionamento dos jogadores em campo.
Estacionei o carro na garagem e entrei pelo subsolo mesmo, alcancei a ponta do corredor em poucos segundos e ao subir os dois degraus que me separavam da sala notei que a luz da cozinha estava acesa, franzi o cenho antes de lembrar que hoje era dia da diarista estar na casa.
Me encaminhei para o quarto com a intenção de não a atrapalhar, larguei a mochila ao lado da porta e só então percebi que o chuveiro estava ligado. Me aproximei da porta no exato momento em que a ducha foi desligada, girei a maçaneta e me deparei com enrolada numa toalha branca torcendo os cabelos para tirar o excesso de água. Seus olhos focalizaram minha silhueta embaçada pelo espelho antes de se voltarem para mim.
- Ah é você. - Um sorriso pequeno começou a despontar seus lábios.
- Claro que sim, estava esperando outra pessoa? - Me aproximei dela e a vi rir abertamente de meu comentário, os olhos se estreitando e os lábios se partindo para mostrar uma fileira de dentes alinhados que me levavam a loucura quando mordia o lábio inferior.
- Não sei, talvez meu marido. - Ela se enlaçou meu pescoço e o massageou com as pontas dos dedos, fechei os olhos devo ter ronronado, pois ao reabri-los encontrei um sorriso malicioso nos lábios de minha esposa.
- Espero que ele demore bastante, então. - Retruquei de brincadeira e sorri ao vê-la balançar a cabeça antes de se colocar nas pontas dos pés e chocar sua boca com a minha, a sensação de formigamento era como uma anestesia, entorpecendo meu corpo com a mesma velocidade em que atiçava meus instintos. Deixei que minha mão esquerda a mantivesse presa em meu corpo enquanto usava a direita para enrolar os fios molhados de seus cabelos e puxa-los um pouco arrancando o som que me fizera falta durante toda a semana. Um gemido baixo e sôfrego. Suas mãos apertaram meus ombros enquanto ela se entregava naquele beijo com gosto de saudades e morango, chupei sua língua e ela mordeu meu lábio puxando-o entre os seus dentes e tornou a mergulhar em minha boca com força.
O ar estava escasso, mas o gosto de seus lábios era bom demais, todavia ela se afastou me deixando completamente desamparado sem seu toque. Os olhos castanhos estavam baixos, seu rosto corado e a boca inchada, completamente molhada e com nada mais do que uma toalha envolvendo seu corpo, era a cena do paraíso.
- Senti sua falta cariño. - Murmurei encostando meu nariz ao dela.
- Também senti. - Confessou num sussurro não mais alto que o meu. Nos mantivemos assim por alguns instantes antes dela me beijar rapidamente e se afastar. - Preciso me vestir e terminar o lanche. - Seus dedos voaram para o nó da toalha que ela apertou um pouco mais, apenas para fugir do meu olhar. - Você pode se juntar a mim depois do banho, estou faminta.
Balancei a cabeça e rodeei seu corpo até estar atrás dela. Abracei sua cintura e a encarei pelo espelho que agora estava úmido pelo vapor que escorrera.
- Estou faminto também. - Minha voz saiu mais rouca do que eu pretendia, mas o efeito que causou me deixou satisfeito o bastante, ela mordeu o lábio e me fitou pelo reflexo, seus olhos escureceram um pouco mais, meu corpo já dava sinais de que não queria deixá-la sair dali tão cedo e era óbvio que ela havia sentido, pois instintivamente seu quadril se projetou para encostar no meu.
- Eu... Preciso ir. - Nenhuma firmeza na voz.
- Tem certeza? - Pressionei um pouco mais meu corpo ao dela e seus olhos fecharam momentaneamente.
- Sim. - Suspirou antes de abrir os olhos e virar o rosto para me fitar de lado. - Mais tarde. - Foi essa promessa que me permitiu solta-la, ainda que com relutância.

Ella

Na cozinha deixei os copos sobre a mesa junto com a jarra de suco que Sam havia feito mais cedo. No forno os sanduíches já estavam dourados, então desliguei o fogão e com o auxílio de um pano tirei a forma de lá. Com um amparador sobre a pia depositei o objeto e me encaminhei para geladeira, ele havia comprado morangos, realmente sabia que eu chegaria hoje. Peguei a fruta e mordi uma enquanto cortava os demais e misturava com chantilly caseiro que, com certeza, era obra de nossa diarista também.
- Que cheiro bom. - Sua voz me tomou de assalto, virei-me a tempo de vê-lo adentrar o cômodo com a toalha em volta da cintura, estreitei os olhos para aquela provocação, estava testando meus limites que não eram lá dos melhores.
- Você vai mesmo fazer isso? - Perguntei com a sobrancelha arqueada, o jogador me olhou com a cara mais inocente do mundo e eu atirei o pano de prato em sua direção.
- Não fiz nada. - Declarou já se sentando e servindo os dois copos com suco; com um bufo sentei de frente para ele e bebi metade do líquido em um único gole. riu e se levantou para pegar os sanduíches que acabei esquecendo sobre a pia, fingi não perceber quando esbarrou em mim ou quando sorriu ao ocupar seu lugar novamente. - Me conte, como está dona ?
- Ótima, ela pirou quando falei da série e contou pra todo mundo, mesmo. - Dei ênfase ao mesmo e ele assentiu rindo, com certeza imaginando a cena. - Mandou beijo pra você, me fez prometer te levar lá nas férias e... - Levantei e caminhei para sala onde havia deixado o presente que ela mandara. - Mandou todos os ingredientes daquele bolo de coco que você gosta, eu tive que pagar diferença por eles, então sim, agradeça a ela. - Apontei para ele fingindo irritação, riu e concordou pegando a caixa de minhas mãos.
Comemos enquanto eu falava sobre minha família, amigos e os lugares que havia visitado. Ele me falou sobre os treinos, as piadas de Lewandovski, a escalação que havia participado e as vezes em que ficou chateado por ter ficado no banco quando podia ter feito algo pelo time. Contou-me da entrevista que havia dado a uma revista importante e que a entrevistadora havia surgido com perguntas que ele achara desnecessárias, mas que respondeu tudo e logo deveria estar nas bancas. No fim tivemos uma tarde agradável e divertida, assistimos a um filme depois de eu convencê-lo a se vestir, já que precisávamos descansar antes de qualquer coisa.
ocupou o sofá e me puxou para deitar ao seu lado, deixando-me apenas quando Salomé ligou.
- Ela disse que está com saudades, mas Daniele estava de saída. - Explicou ao retornar e se encaixar ao meu lado. Sorri.
- Sinto falta dela também, espero que Dani consiga trazê-la semana que vem. - Comentei bocejando em seguida, ele sorriu e me abraçou.
O filme já passava da metade e eu estava quase dormindo quando senti um beijo em meu ombro, apertei sua mão que espalmava minha barriga e suspirei. Seus beijos progrediram para meu pescoço e orelha; virei-me e capturei sua boca novamente, mas, dessa vez sem a intenção de soltar tão cedo.

Él

A tarde virara noite e quando dei por mim já estava de madrugada, acabamos dormindo ali mesmo.
Acordei com o barulho irritante de um celular tocando, com receio da luminosidade que vinha das janelas abri os olhos, me arrependendo de fazer isso em seguida. Meu celular vibrava e tocava alto demais, abriu os olhos e se afastou de mim para alcançar o aparelho sobre a mesinha de centro, entregando-me em seguida.
- Alô. – Saudei sem ver de quem se tratava, vi minha mulher se acomodar novamente e me abraçar, relaxei o corpo por míseros segundos antes do grito de Robert quase me fazer voar.
- , onde você tá? O Niko vai te matar, estamos te esperando para entrevista! – Franzi o cenho e olhei para o visor do celular, marcava 10h40, eu deveria estar lá as 9h30. Pulei do sofá e quase derrubei no percurso.
- O quê...
- Avise que tive um imprevisto e estou chegando. – Ele disse algo que não compreendi e desliguei o aparelho. Corri para o quarto e me enfiei debaixo da ducha ainda fria, a voz de foi a primeira coisa o que ouvi quando ela entrou no banheiro e abriu a porta do box, o rosto amassado e os olhos inchados. – Cariño eu...
- Deixei o uniforme separado, as roupas estão na bolsa, tem uma fruta lá também. – Ela me cortou. – Anda logo que dá tempo de comer alguma coisa antes de ir.
- O que eu faria sem você? – Perguntei e a vi sorrir e deixar o banheiro.
Me arrumei o mais rápido que pude, e assim como ela havia dito, tudo estava organizado. Deixei o quarto e encontrei com um sanduíche e uma garrafa térmica com o que parecia ser café. Agradeci e a beijei rapidamente antes de deixar a casa, pulei os degraus que me separavam da garagem e adentrei o carro já abrindo o portão automático. Saí praticamente cantando pneu e só desacelerei quando me vi na via principal.

🔥

A entrevista era para falar sobre o desempenho do time e as expectativas para o próximo jogo, Rafinha e Lewa estavam respondendo as perguntas quando cheguei, o olhar que Niko me direcionou dizia que eu teria pelo menos mais cinco voltas em torno do campo para compensar o atraso e um bronca daquelas.
Matts estava perto de Thomas e Javi, acomodei-me ao lado deles esperando o fim das perguntas.
- Teremos mais uma entrevista depois do treino. – Javi comentou vagamente vendo nosso treinador agradecer e se levantar junto dos outros jogadores. Concordei, estava mais preocupado com a punição que levaria. Seguimos todos para o vestiário do CT.
- Seguiremos com o treino normalmente e a uma teremos mais uma entrevistam dessa vez para ESPN, quero e Thomas prontos para responder perguntas, entendidos? – Niko falava apressadamente enquanto esperava que nos equipássemos. – Ótimo vão para o campo aquecer, preciso falar com você. – Concordei e esperei que meus companheiros deixassem o local para voltar minha atenção ao senhor Kovač, que com uma prancheta na mão e cara de poucos amigos parecia mais um pai do que um treinador. Mantive-me quieto enquanto esperava sua fala.
- Você chegou mais de uma hora atrasado hoje, . Isso não é do sei feitio, imagino que o motivo tenha sido realmente importante. – Sua fala era tranquila, distante de sua expressão. – Espero que não torne a acontecer, quero que responda aquelas perguntas. – A forma como Niko disse "aquelas" me fez ter vontade de chegar mais cedo do que todo mundo, pois isso significava que as perguntas mais provocativas dos repórteres seriam de minha responsabilidade, mas quando lembrei que havia deixado em casa com um sorriso no rosto me fez assentir sem pestanejar, ela valia qualquer sacrifício.
- Tudo bem professor. – Foi tudo o que disse antes de ser dispensado e seguir para o treino, dei de cara com Robert, Rafinha e Matts bebendo água, me aproximei e recebi olhares nada inocentes.
- Você vai ter que pular de paraquedas na entrevista? – Hummels indagou e me fez rir, negando.
- Responderei aquelas perguntas. – Eles fizeram careta.
- Mas afinal, porque chegou tão tarde? – Rafael perguntou jogando a garrafa que tinha em mãos, num canto próximo.
- Um nome. . – Lewandovski disse com ar espertinho e as caras que fizeram para mim só não me deixou sem graça porque Neuer atirou uma bola em nossa direção e gritou para irmos jogar. Balancei a cabeça e ri ao ouvir Robert dizer que teria munição bastante para sacanear na festa do dia seguinte.

Ella

Depois da saída relâmpago de fui tomar banho e arrumar a bagunça que fizéramos na sala, as almofadas no chão e a televisão ligada na tela azul me fizeram rir, todas as vezes que começávamos a ver um filme sem graça acabávamos daquele jeito. Ajeitei os cabelos e fui comer alguma coisa, precisava encontrar os produtores que tornariam meu livro em série, meu celular tocou anunciando uma mensagem, estranhei já que havia marcado dali uma hora com John e Anthony, me aproximei do aparelho e vi que era de .

Estou na cidade, onde te encontro?

Ela era direta como uma flecha, se estava na cidade só podia ser outra de suas conferências de fisioterapia, ela era diretora de uma clínica que prestava serviços para clubes importantes de futebol.

Amanhã tem uma festa no Rafinha, as oito e meia o que acha?

Enviei e terminei de beber o café, o celular apitou mais uma vez.

Música brasileira? Claro. Estarei na sua casa as oito. Beijos

Ri de seu entusiasmo, ela morava na Espanha com o namorado, sempre que ia jogar lá eu o acompanhava e a visitava, e ela fazia o mesmo quando vinha para Alemanha, era uma de minhas melhores amigas desde a adolescência, havia sido minha madrinha de casamento há dois anos quando disse sim a na praia de Jericoacoara no Ceará, a segunda cerimônia que fizemos para termos todos os parentes que não puderam ir na primeira em Medellín.
Liguei o som e deixei que uma música qualquer fizesse fundo enquanto eu revisava os papeis que precisaria levar na reunião, aparentemente tudo estava certo, então fui terminar de me arrumar para sair.

🔥

A reunião com os produtores havia sido incrível, levamos cerca de meia hora para nos entendermos, uma hora selecionando fotos dos possíveis protagonistas e duas horas rindo com as ideias mirabolantes deles para encaixar as cenas e os personagens. Eu fiquei encarregada de escrever uma nota de divulgação para o jornal de uma forma diferente, que atraísse os possíveis espectadores da série. Segui para fora do prédio com a mente fervilhando de ideias, olhei de relance para banca de jornais próxima a faixa de pedestre e vi uma revista com o rosto de meu marido estampado e o título ‘Desvendando o novo galã do Bayern de Munique", ri do título e me aproximei, cumprimentei o vendedor e comprei um exemplar, ele havia mencionado a entrevista, mas não dera detalhes, então seria legal ler e comentar com ele mais tarde. Atravessei a rua e destravei o carro, precisava ir para casa o quanto antes.
Guiei o Bentley pelas ruas de Munique, o rádio tocava alguma música desconhecida e eu me limitei a cantarolar junto com a cantora, batuquei no volante ao entrar na parte com maior trânsito, graças a Deus era perto de casa e não demorei a estacionar na garagem, o carro de ainda não estava ali; entrei na casa e me atirei no sofá, estava cansada e faminta. Fui para cozinha em busca de algo para comer, quando ele chegasse decidíamos o que fazer, talvez ele cozinhasse hoje.... Sorri com o pensamento e mordi uma maçã que encontrei na fruteira sobre o armário.
Retornei para sala e tirei os sapatos, liguei o ar e deixei o clima ameno, estava frio lá fora. Peguei a revista e folheei até achar a tal entrevista, ainda bem que o jornaleiro vendia a versão em inglês da Focus, ou eu teria muito problema para traduzir no Google.
No começo não havia nada demais, fizeram perguntas sobre a mudança de time, o clima e as expectativas de para a nova temporada que estava por vir, sua sutileza ao responder as perguntas era genuína, até ali tive certeza que não haviam alterado sua fala; então começou a parte sobre sua vida pessoal, perguntaram de sua filha, sua mãe e de mim, ele foi discreto e enfático ao falar sobre o que sentia por nós. Mas é claro que algo não sairia bem dali.

E:. Soubemos que sua esposa está envolvida em um novo projeto com a Netflix, isso é verdade?
J.R:. É sim, está muito animada com a ideia de ter seus livros virando série... Ops, acho que falei demais (risos), mas é tudo o que posso dizer, ela contará mais em breve.
E:. Isso é realmente incrível. Fotos dela em paisagens paradisíacas estão circulando na internet. Onde ela está?
J.R:. Sim, ela foi ao Brasil contar a novidade para os familiares.
E:. Está me dizendo que não sente nenhum pouco de ciúmes de vê-la naquelas fotos?

Franzi o cenho ao ler aquelas perguntas completamente tendenciosas.

J.R:. Não, eu não sou ciumento.
E:. Então você não é o ciumento da relação?
J.R:. Definitivamente não sou eu.

Eu estava perplexa, para dizer o mínimo. Em que parte da história eu dormi a ponto de descobrir que meu marido não sentia sequer o mínimo ciúmes de mim, e que de esposa tranquila eu havia me tornado a doida ciumenta? Está certo, eu prezava minha liberdade e respeitava a dele, era um acordo estabelecido desde o começo de nosso namoro, mas dizer que não tínhamos, ao menos, um pouco de ciúmes um do outro era uma mentira clara.
Bufei, aquela revista estava de brincadeira ou estava, e seria ótimo que ele me dissesse o que havia acontecido ali, já que minha mente simplesmente entrou em parafuso. Eu poderia culpar a TPM se não tivesse passado por ela no período em que estive no Brasil, talvez fosse só cansaço, mas eu realmente queria uma explicação e uma retratação daquilo. Tudo o que eu não precisava era da minha imagem manchada de alguma forma na véspera de um momento tão importante de minha carreira.

Dois.

Él

Eu queria te entender, na boa
Faz o que quer
E o que não quer de mim


Cheguei em casa as oito da noite, depois do treino gravamos a entrevista ao ESPN e surgiu uma coletiva de última hora, para acabar com tudo uma chuva absurda caiu de repente nos prendendo no CT até aquele horário.
não havia me ligado e eu estranhei, já que pelo horário algum sinal de vida ela já teria dado.
Passei pela porta com pressa, estava um pouco molhado e preocupado. A cozinha estava com a luz apagada e a sala com o abajur ligado, assim como o ar. Então ela estava em casa, me restava saber onde. Fui para nosso quarto e não a encontrei, passei pelos quartos de hóspedes e também não a achei, na varanda ela não estava e só restava um cômodo para verificar. Desci as escadas e abri a porta ao lado desta encontrando minha esposa de frente para o computador compenetrada em escrever algo, tanto que sequer notara minha chegada. Sorri ao vê-la ajeitar os óculos e só então perceber minha presença.
- Ah oi, chegou faz tempo? – Perguntou enquanto digitava, franzi o cenho.
- Acabei de chegar na verdade, fiquei preso por causa da chuva. – Me aproximei de onde ela estava e vi que escrevia algo em o que parecia ser um blog, abaixei-me e beijei seu pescoço vendo sua pele arrepiar. – Como foi seu dia?
Ouvi um suspiro antes da resposta.
- Bem. Me encontrei com os produtores e acertamos tudo para começar o teste de elenco e em breve as gravações. – Vi tirar os óculos e esfregar os olhos, finalmente virando a cadeira para me olhar melhor. Com um sorriso de lábios fechados ela levantou. – Podemos pedir comida ou você cozinha? Estou um caco.
- Somos dois, vamos pedir comida. – Puxei-a em minha direção e a prendi em meus braços, beijei sua bochecha e mordi quando sua covinha apareceu. – Cozinho pra gente no fim de semana. – Afirmei, ela assentiu. Deixei o escritório e disquei para o restaurante italiano mais próximo, ela amava a culinária italiana, não haveria erros. Quando concluí o pedido fui tomar banho.

...

Jantamos na sala mesmo, ela estava estranhamente quieta, e eu ficando preocupado. Quando terminamos juntei a louça para lavar enquanto ela subia para o quarto, disse que precisava de um banho; olhei ao redor e vi sua bolsa sobre algo que parecia ser uma revista, o que automaticamente me fez lembrar da entrevista que dera. Müller havia me avisado sobre a publicação que já estava nas bancas, eu havia aproveitado o temporal para puxar na internet, fiquei indignado com o conteúdo sensacionalista que havia sido publicado, muitas das minhas respostas estavam alteradas. Robert me aconselhou a falar com antes dela ler o que havia ali, afinal, muita coisa estava mal explicada. Assegurei que o faria, só não sabia como.
Não tive tempo de descobrir se aquilo era mesmo a tal revista, pois ouvi seus passos descendo as escadas.
- Quer ver uma série? – Perguntei, queria sondar e descobrir se ela já sabia de algo.
- Só se for um episódio, preciso concluir a nota para o jornal. –Ela se aproximou do sofá e jogou os objetos no outro canto perto da mesinha de centro, ligou a televisão e acessou o catálogo. – Quer ver o que?
Ponderei, eu precisava falar com ela, mas não queria irritá-la ou tirar sua atenção do trabalho, aparentemente não conseguiria arrancar nada sobre o assunto.
- Gotham? – Sugeri, ela sorriu e colocou na série. Me acomodei de forma que ela pudesse se encaixar ao meu lado, com a cabeça sobre meu peito a vi ajustar o áudio para o espanhol e suspirar em seguida.
Acabamos por assistir três episódios e o sono já começava a pesar, anunciei que iria dormir e a chamei, ela negou dizendo que terminaria o texto para poder ir a festa do Rafinha tranquila no dia seguinte.
- Cariño. – Chamou-me antes que eu terminasse de subir a escada, virei-me para olhá-la. – Você não tem nada para me dizer? Nenhuma novidade, algo que queira comentar? – Seu tom era afável, como se estivesse falando que a noite está fria. Neguei, não soube exatamente o que dizer, minha ideia inicial era conversar com ela tranquilamente, saber sua opinião e não ser pego desprevenido daquele jeito, por fim optei por gesticular que não. – Está bem. - Terminei de subir os degraus em direção ao quarto e não tive tempo de pensar em muita coisa.

🔥

Acordei com o despertador tocando, a primeira coisa que notei é que não estava na cama, não havia sinal dela no quarto. Levantei e fui me arrumar; não tardei em ficar pronto e me direcionar para o andar inferior, a sala estava semelhante à noite passada, se não fosse um exemplar da Focus sobre a mesa de vidro com meu rosto na capa, arregalei os olhos e senti um frio na espinha. Ela havia lido, não havia a menor chance de não tê-lo feito e isso significava que eu estava enrascado. Me aproximei da cozinha com passos silenciosos, e a via, de costas para mim com uma de minhas camisetas lhe servindo de vestido, não cobrindo mais do que um terço de suas coxas. Ela parecia entretida, mas no momento em que o som, que estivera ligado baixinho todo esse tempo sem que eu notasse, começou a tocar uma música em português soube que ela tinha plena consciência de minha presença ali. Seus quadris moviam-se de forma quase sutil nas primeiras batidas antes de rebolar no refrão, ela não parava de se mexer e também não largava o que parecia ser uma faca enquanto mexia com as frutas que estava sobre a pia.
O ritmo era agitado e quem não a conhecesse diria que ela estava entretida com o som e apenas isso, cruzei os braços sobre o tórax e me apoiei na soleira, eu estava lutando com todas as minhas forças para não ir até lá e me livrar daquela camiseta que nunca pareceu tão incômoda como naquele momento, eu sentia meu corpo começar a reagir e não precisei olhar para saber que estava duro e louco para tê-la ali mesmo sobre a pia como já fizéramos outras vezes, mas aquela visão não era algo que poderia passar despercebido.
- Oh bom dia. – Sua voz me trouxe de volta a realidade, em sua mão havia uma taça grande de vidro cheia de frutas e iogurte, ela tinha um ar tranquilo, mas tudo não passava de um disfarce, eu sabia que deveria falar com ela sobre a revista e explicar que havia mais manipulação do que minhas respostas ali, porém no fundo eu achava tudo uma besteira, talvez ela esquecesse aquilo e não fosse tão importante. Ao menos, isso era o que eu queria acreditar. Tentando ignorar meu estado físico me aproximei do armário.
- Bom dia, acordou cedo. – Comentei pegando as xícaras para servir o café que passava na cafeteira.
- Pois é, muitas coisas para resolver. – Deu de ombros mordendo um pedaço de torrada, entreguei-lhe uma xícara com café. – está na cidade, vamos sair hoje. – Informou, assenti.
- Que bom, ela vai para festa do Rafael? – Questionei, de pronto a vi assentir.
- Ela viria apenas a noite, mas achei uma boa ideia sairmos um pouco.
- Eu devo sair mais cedo hoje, se quiser alguma coisa...
- Não, está tudo certo. – Cortou-me rapidamente se colocando de pé. – Preciso me vestir, tenha um bom dia. – Disse antes de sumir pela porta em direção a sala.
Está certo, talvez nós precisássemos mesmo conversar.

Ella

Até em assunto nada a ver
Você quer me provocar
Quer me fazer ciúmes de graça


Eu não deveria provocá-lo como havia feito, mas fora mais forte do que eu, não precisava ser nenhum gênio para saber como devia estar se sentindo e saber que eu havia causado aquilo me deixava arrependida e orgulhosa, já que não voltaria lá para terminar o trabalho.
Tomei o banho mais rápido da história e coloquei uma roupa simples, jeans e camiseta, um coringa de todas as horas. Desci a escadas as pressas e peguei a bolsa seguindo para garagem em seguida, havia ligado para e a feito desmarcar um café com sei lá quem, depois de muitos xingamentos e a promessa de um almoço descente ela cedeu. Eu a encontraria no hotel em que estava hospedada, que ficava há uma hora de minha casa, e de lá iríamos passear, quem sabe comprar algo para festa de hoje.

🔥

- Me explica melhor isso, você deixou seu marido, aquele homem belíssimo, e Marco que me perdoe, completamente na mão por causa de uma entrevista ridícula de uma revista? – A incredulidade na voz dela era palpável, assenti me retraindo na cadeira. Era hora do esporro.
- , eu perguntei se ele tinha algo para dizer, ele negou. Hoje ele viu a revista, tenho certeza disso, e ainda assim não quis falar sobre o assunto. – Dei um gole em meu suco para retomar o assunto. – Eu sei que pode não ser nada demais, mas me senti ofendida em ser declarada como a ciumenta maluca da relação e pior ainda em descobrir que ele não sente nada disso por mim.
- Mas você mesma disse que podem ter alterado as respostas dele. – Ela rebateu, eu assenti.
- Sim, mas me diga, como você se sentiria se Marco desse uma entrevista dizendo que não sente o mínimo ciúmes de você e que na verdade o sentimento é unilateral. – Ela se calou e bebeu um pouco do próprio suco. – A-há. – Apontei acusadoramente em sua direção. – Eu não quero que ele seja ciumento, essa não é a intenção, gosto da nossa liberdade e do respeito que temos um com o outro, mas saber que seu marido não sente nenhum incômodo em te ver com outro ou mesmo longe dele dá a impressão de que não sente nada por você, entende?
- Entendo..., mas que porcaria hein? – Seu comentário aleatório me fez rir e atrair atenção de algumas pessoas próximas, estávamos num restaurante nos arredores do shopping, havíamos andado a manhã toda, ela aproveitara para remarcar reuniões quando John me ligou pedindo que eu o encontrasse num café para me mostrar as duas opções de protagonistas que tinham, faltava apenas meu voto para isso.
adorou palpitar e se divertiu com o produtor, que era uma real figura.
- Os teste começam na semana que vem; a filmagem oficial em um mês, você precisa reservar ao menos quatro dias para ver como vai funcionar tudo e a gravação do piloto, depois podemos fazer a adaptação do roteiro por e-mail. – Explicou ele antes de nos despedirmos. Eu ficaria quatro dias em Nova York onde o primeiro episódio seria gravado, conheceria a todos e ajudaria a compor alguns detalhes que precisassem.
- Sabe de uma coisa? – A fala de me trouxe a realidade. – Essa briguinha – barra- provocação de vocês vai ser bom, sabe, para apimentar a relação. – Vi suas sobrancelhas subirem e descerem rapidamente e atirei o guardanapo nela.
- Nossa relação está apimentada o bastante, confie em mim. – Assegurei me levantando, deixamos o dinheiro dentro da pastinha preta e saímos do restaurante em direção ao centro de comércio. Segundo minha amiga, estar na Alemanha e não levar ao menos um sapato deveria ser considerado um crime hediondo.
Eu não discordei, precisava mesmo comprar lingeries novas, quem sabe ela estivesse certa sobre apimentar a relação, porém, definitivamente nós conversaríamos antes.

Él

É, eu não sou de retrucar
Mas eu vou descontar
Naquilo que você mais gosta


Atrasada seria uma boa forma de definir a situação que estava, já passava das oito e nem sinal dela, já havia ligado e mandado diversas mensagens, mas não conseguira retorno. Eu já estava pronto, como a festa seria esporte chique me preocupei apenas em vestir uma camisa social branca e calças pretas, fazia mais de meia hora que eu estava arrumado esperando por ela.
Ouvi o barulho da porta e a figura de minha esposa passar com quatro sacolas de papel, ela correu em direção as escadas.
- O que aconteceu, ? – Questionei chamando sua atenção, seus passos pararam no meio da escada quando ela se virou para me fitar. – Te liguei mais de dez vezes, onde estava?
- Desculpe, o celular descarregou e pegamos um engarrafamento na volta, deixei a no hotel para se arrumar, ela vai nos encontrar lá. – A afobação fizera suas bochechas corarem, os olhos bem abertos e a respiração descompassada demonstrava que ela havia corrido. – Vou me arrumar, desço em quinze minutos. – Anunciou terminando o trajeto, esfreguei a mão na testa em sinal de frustração. Decidi ir até o quarto, talvez pudesse conversar com ela e resolver isso o quanto antes, assim que entrei no cômodo notei as sacolas sobre o colchão, me aproximei e de longe vi que eram lingeries, todas elas. A porta do banheiro se abriu revelando minha mulher trajando um vestido vermelho um palmo acima dos joelhos, com um decote generoso, o tecido descia justo do busto à cintura, então se abria em uma saia leve e fluída. Pelo decote os topos de seus seios apareciam, redondos e convidativos o bastante para me fazer lembrar o que ela me fizera pela manhã. Ainda havia esse detalhe.
Seus cabelos estavam soltos, ela apenas os penteou e correu em direção ao closet do seu lado da cama levando consigo as sacolas; voltou cinco minutos depois com sapatos em mãos e uma bolsa minúscula na outra, nos lábios trazia um batom vermelho escuro, havia se limitado ao básico da maquiagem, em meu pouco entendimento. Apoiando-se no colchão calçou os sapatos e se virou para mim.
- Estou pronta, vamos. – Não me dera chances de responder, apenas abriu a porta e saiu me deixando atônito com a visão de seu corpo naquela roupa que lhe caíra tão bem.

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A casa estava parcialmente cheia, a música tocava alta e o bar que Rafinha lutara por meses para conseguir realmente fazia uma diferença grande no ambiente, sua sala de estar se transformara numa boate, se não fosse a vista para piscina que as portas de vidro permitiam, ou as cortinas que as cobria precariamente, ali seria um belo clube de dança. Os sofás estavam nos cantos, o meio livre para dançar, o DJ comandava o som do canto direito perto da parede de vidro e a televisão ligada com o karaokê deixavam o ambiente mais do que badalado, quando chegamos estava conversando com a esposa de Rafinha em um canto, que soltou um grito alto ao ver . Ela arregalou os olhos ao ser abraçada pela mulher, que parecia entusiasmada demais para quem havia bebido pouco.
- Eu vou... – mal conseguiu terminar de falar e logo foi levada para longe pela esposa do anfitrião, Rafael surgiu alguns minutos depois com um sorriso de desculpas e me cumprimentou.
- Falei que ela estava empolgada com a vinda da . – Deu de ombros.
- Percebi. – Concordei, rindo da cara que fez. Logo Robert surgiu com Manuel e Matts.
- Aparentemente as mulheres formaram o clube da Luluzinha e nós sobramos. – O loiro disse como quem não quer nada e acabou arrancando risadas de todos, vire-me para o bar e pedi um drink sem álcool, enquanto aguardava Robert se aproximou.
- Você falou com ela?
- O quê? – Voltei minha atenção para ele. – Não, ainda não consegui falar com ela.
- Mas você sabe que...
- Sei; ela leu, vi a revista em cima da mesa da sala hoje de manhã. – Omiti os outros detalhes que comprovavam o quão brava estava, ele arregalou os olhos e eu assenti, bebendo o drink assim que o recebi.
Logo um assunto completamente aleatório surgiu, me vi preso pelos comentários sem noção deles, que pareciam estar numa disputa de quem sabia menos sobre o universo feminino. Rimos das caretas que Thomas, que chegara a pouco acompanhado da esposa, fazia. As músicas brasileiras logo surgiram, entre elas estava a que dançara hoje de manhã, automaticamente meus olhos procuraram por ela, que ria de algo dito por Carolina, a esposa de Rafinha. Balancei a cabeça e tentei me concentrar no que diziam ao meu redor, mas aparentemente as garotas tiveram a ideia de aprender os passos das músicas, e é óbvio que quem ensinaria seria ninguém menos que minha esposa e sua melhor amiga.
Todos os olhos voltaram-se para o grupo formado por quatro mulheres que tentavam dançar como as duas que despontavam o pequeno conjunto.
- Ah essa é boa, vamos lá . – gritou animada, uma batida animada inundou a sala, as duas começaram a fazer movimentos iguais com os quadris e os braços. Assistimos o momento em que Carolina saiu da formação e veio puxar o marido para dançar também, é claro que todas as outras seguiram o exemplo, vi minha esposa morder o lábio inferior, indecisa se me puxaria ou não. Por fim a vi se encaminhar em minha direção e logo eu estava no meio da galera dançando e rindo, porque Rafinha insistia em repetir que mataria quem colocou Pablo Vittar na playlist. Para minha surpresa um ritmo que eu conhecia bem substituiu a música anterior, a voz de Prince Royce passou pelas caixas de som, estreitou os olhos na direção de , que sorriu sapeca e deixou a pista para atender o celular.
me olhou rapidamente antes de abaixar a cabeça e dar um passo para trás, ela iria se afastar, todavia fui mais rápido e a puxei em minha direção, seu corpo se chocou com o meu e pude jurar que o ar lhe faltara, vi de canto de olho Javi dançando com a esposa e sorri, era um ritmo tipicamente latino a bachata, e melhor do que ninguém eu sabia que adorava dança-lo. Encaixei minha perna entre as suas e mexi o quadril de forma que ela involuntariamente fez o mesmo, seus seios roçavam meu peito por baixo do tecido, sua boca parecia ainda mais convidativa vista tão de perto, movimentei-me em passos curtos de um lado para o outro e a separei apenas para girar seu corpo e trazê-la de volta; por vontade própria ela começou a guiar os passos de forma que de fora as pessoas achariam que eu realmente sei dançar, seu tronco se afastou e fez um semicírculo perfeito antes de suas mãos soltarem-se da minha e ela virar de costas e dançar se esfregando-se em mim.
Meu corpo estava quente e minha mente imaginava mil e uma situações com aquela mulher que acabara de retomar a posição a anterior e me forçar a dar passos curtos para frente e para trás, uma rebolada de leve e tudo outra vez. Minha esposa era uma exímia dançarina, sua segunda maior paixão depois da escrita.
A música chegou ao fim, e com ela nosso contato. A vi caminhar por entre as pessoas para se chegar ao bar. Tentei me aproximar mais uma vez, mas os caras ocuparam seus lugares de volta perto do balcão. Robert já estava implicando quando cheguei.
- Fala a verdade , você atrasou o ontem. – O alemão a acusou, os olhos da garota arregalaram-se e suas bochechas ficara tingidas de vermelho. – Olha lá, eu disse.
- Cuida da sua vida Robert, eu não fiz nada, ele só dormiu demais. – Fingiu desinteresse no assunto enquanto bebia praticamente o liquido todo.
- Ah ta, e aquela marca que vimos no ombro dele, hum? – Thomas resolveu entrar na conversa e dessa vez ela engasgou com a bebida.
- Marca? – A pergunta saiu esganiçada.
- Deixem-na em paz. – Intervi vendo os olhos de marejados pelo engasgo me agradecerem.
- Vou nem xingar vocês que não tá valendo a pena. – Apontou para eles e saiu, seguindo para perto das meninas. Fiz cara de reprovação para os presentes e logo o assunto mudou, tornando Javi o alvo das piadinhas.

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Hoje, cê vai sentir na pele o que é que é passar raiva
Vou dar o meu melhor na cama, de pirraça
Quando cê for virar o olho, eu vou parar
Só pra castigar


Estávamos há pouco mais de duas horas na festa e eu queria ir para casa, o cansaço misturado a ansiedade começava a pesar. Alguns petiscos já haviam passado, os parabéns de Carolina já havia sido cantado e as garotas pareciam cada vez mais animadas com as músicas, ria dos comentários ácidos da melhor amiga e vez ou outra me olhava de soslaio, eu só queria ir para casa e resolver aquilo o quanto antes, mas aparentemente as coisas não estavam a meu favor.
Um assunto sobre danças e ciúmes surgiu no exato momento em que minha mulher se aproximou do grupo para pedir um suco, ela não gostava de beber e eu não podia, então passáramos a noite sem álcool ou atitude.
- Ah para, é impossível não ficar puto quando toca uma daquelas músicas. – Tom comentou gesticulando em direção a mesa do DJ.
Como se ouvisse nossa conversa o som de violinos ressoou anunciando o que viria.
- O que acha disso, ? – Neuer quis saber.
- Não acho que seja motivo para tanto. – Tentei soar o mais tranquilo possível quando a risada dela explodiu ao meu lado.
- Essa pergunta é muito desnecessária, Manuel. – Com a voz ácida ela apontou para o alemão. – Meu marido não tem ciúmes. – Toda a raiva que ela guardara desde o momento em que leu a notícia estava contida naquela frase, senti o ar pesar ao meu redor quando aquela figura pequena e cheia de atitude me olhou rapidamente antes de se afastar para juntar-se as demais mulheres.
Algumas coisas precisam ficar claras sobre a situação; primeiro: Eu sabia que ela estava brava e ainda que eu achasse uma besteira, sabia que precisaríamos conversar sobre o assunto. Segundo: Quando um homem diz que não sente ciúmes de uma mulher, acredite em mim, é mentira. Ainda que seja um pouco, ele vai sentir. Terceiro e último ponto: Essa mulher conhecia bem demais cada ponto fraco que havia em mim, e é óbvio que utilizaria eles para me provocar, o único problema é que ninguém jamais poderia me culpar pelas reações que ela me fazia ter, fosse voluntária ou involuntariamente.
Seu quadril mexia sinuosamente ao som de perro fiel na voz de Shakira e Nick , fazia questão de dançar de costas para mim. Seus braços erguiam-se apenas para descer lentamente pelo corpo, que mais uma vez preciso ressaltar, estava um pecado naquele vestido vermelho.

Quiero un tipo atento y cariñoso
(Eu quero um cara atencioso e dedicado)
Pero que no sea muy celoso
(Mas que não seja muito ciumento)
Que en la calle sea un príncipe
(que na rua seja um príncipe)
Pero que en mi cama sea salvaje y peligroso
(Mas que em minha cama seja selvagem e perigoso)

Três.

E exatamente nessa parte ela fez questão de olhar para mim por sobre o ombro, com o lábio inferior preso entre os dentes piscou antes de rebolar como se não houvesse ninguém olhando. Eu tinha certeza de que meu sangue estava todo concentrado em um único lugar, já que meus instintos primitivos gritavam para que eu a levasse para longe de todos e me enterrasse tão fundo em seu corpo que jamais poderiam saber onde um começava para o outro terminar. Sabia que os rapazes estavam conversando ainda pelo ruído ao fundo, todavia minha atenção estava presa naquela figura sedutora que dançava especialmente para mim, bebi o restante do suco que ela deixara no copo e disse qualquer coisa para Rafael, não ouvi sua resposta, no entanto. Encaminhei-me até parar atrás dela e aproximei minha boca de seu ouvido.
- Acho que está na hora de irmos. – Aquilo não era uma sugestão e sabia disso.
- Já cansou? – A pergunta foi tão baixa quanto a minha, ela estava jogando comigo mais uma vez. Inferno de mulher ardilosa, passei um braço por sua barriga prendendo-a junto a mim como quando dançamos.
- Em casa te mostro se estou cansado.
Para minha surpresa não houve resposta, a mulher se afastou de mim e foi em direção as amigas, disse algo para algumas delas e deu um abraço em que acenou para mim e gesticulou um sinal positivo com o polegar, ela já deveria saber do ocorrido a essa altura, e era uma das maiores apoiadoras de meu relacionamento com desde o começo, por isso não fiquei surpreso com o gesto, mas ri de seu entusiasmo.
Deixamos a festa em silêncio, adentramos o Mercedes rapidamente e logo eu já seguia para nossa casa. O silêncio no carro era incômodo, o som estava desligado e aparentemente a vontade de falar que sempre estava com ela, também.

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Hoje, não sobra cabelo arrumado na cabeça
No rumo do seu quarto, hoje ranco a telha
Quando cê for virar o olho, eu vou parar
Só pra castigar


Tranquei a porta assim que passei pela mesma, havia entrado tão calada quanto estivera no carro, meu sangue já gelara nas veias com a ideia de vê-la magoada. Suspirei quando assisti minha esposa voltar da cozinha bebendo água, seus olhos miravam qualquer lugar que não fosse a mim, esperei que ela dissesse algo, mas tudo o que vi foi o copo sendo deixado sobre a mesa de centro quando a mulher pegou a pequena bolsa e rumou para as escadas como se eu não estivesse presente na sala. Do lugar em que estava ela seria obrigada a passar ao meu lado, não que isso fosse fazê-la mudar de ideia, mas me daria chance de reagir.
- . – Chamei e fui prontamente ignorado, ela continuou subindo as escadas e eu corri para alcança-la, puxei-a pelo braço e finalmente sua atenção era minha. – Desistiu? – Perguntei apenas para saber se teria alguma reação, tudo o que obtive foi um dar de ombros. – Vai mesmo me ignorar? – Sua ausência de resposta já me dava a afirmativa, bufei. – Você sabe que é casada, certo? E essa não é a melhor forma de resolver as coisas. – Seus olhos estreitaram antes de uma sobrancelha arquear, debochada.
- Sei, é meio impossível esquecer quando olho para o meu anelar esquerdo. – Respondeu friamente. – Mas realmente não sei o que quer, estávamos ótimos na festa, você conversando e curtindo com os meninos e eu dançando como bem quisesse, afinal, não preciso me preocupar com seus ciúmes, já que isso você não possui, certo? – E lá estava a ironia, arma que ela sabia usar como ninguém. Suspirei pesadamente e fechei os olhos momentaneamente, se aproveitou para soltar-se de minha mão e subir mais alguns degraus antes de eu prendê-la entre o corrimão e meu corpo, não lhe dando chance de fuga.
- Para de correr de mim. – Pedi vendo-a fazer um biquinho irritantemente charmoso. – , eu não falei sobre a entrevista porque pensei que era besteira, não imaginei que fosse deixa-la chateada. – Fui honesto, ela continuou calada, apenas me olhando como se eu estivesse falando em um idioma que ela desconhecia. – Mencionei que algumas perguntas foram estranhas...
-E por isso é totalmente compreensível que eu seja uma maluca ciumenta? – Sua pergunta me fez franzir o cenho, não havia pensado nisso. – Isso é ridículo. – Balançou a cabeça e sorriu com desprezo, aquilo significava que ela estava muito brava e eu, encrencado.
- Amor, eu não disse que você era ciumenta, só...
- Só deu a entender que o ciúme é unilateral, o que com certeza torna tudo melhor, é claro. – Agora o sorriso havia aumentado, mas seus olhos estavam começando a marejar, meu coração apertou. – Sabe, é ainda mais incrível saber que seu marido não tem o menor ciúmes de você, que o único sentimento desse tipo parte apenas da esposa maluca, que ainda pode ser prejudicada em um momento crucial da carreira.
Esplêndido. – Acusou, só então me fazendo entender o quanto aquilo a havia afetado e como soava cruel sendo visto daquela forma. Maldita revista.
- Eu achei que não ter ciúmes era importante, nós sempre prezamos nossas liberdades e nunca fomos de cobrar coisas desnecessárias. – Falei, numa falha tentativa de amenizar as coisas, a primeira lágrima caiu, seguida de algumas outras que me forçaram a erguer a mão para limpar, ela desviou o rosto para evitar contato.
- Não estou querendo mudar nada disso, confiamos um no outro e isso não é motivo de dúvidas. – Sua voz estava começando a embargar e eu já me sentia a pior pessoa do mundo. – Mas ter ciúmes, um pouco que seja, é preciso num relacionamento, mas aparentemente estou sozinha nessa. – Balançou a cabeça como se negasse algo e eu respirei fundo, sentindo meu coração arder e o sangue ferver em minhas veias.
- É sério? – A pergunta a fez me encarar confusa, com a cabeça tombada de lado para compreender o que eu queria dizer. – você é impossível. – Notei que ela havia começado a interpretar as coisas de forma errada e me apressei. – É claro que eu sinto ciúmes, - assegurei – você é carismática, engraçada, chama atenção por onde passa, não exclui ninguém de uma conversa e passa tanto tempo longe de casa quanto eu, é óbvio que não percebe, mas o modo como sorri e anda rebolando por aí chama mais atenção do que eu gostaria. Por Deus, quantas vezes eu quis xingar alguns caras que olhavam pra você com péssimas intenções? Mas você não percebe, todo mundo ao seu redor parece igual aos seus olhos. – As palavras pareciam água jorrando, não havia freio, toda verdade a atingia e isso era óbvio em sua expressão.
- Mas...
- Aquela revista é uma mentira, eu senti sua falta todos esses dias em que esteve fora, toda noite eu torcia para que ao acordar você estivesse aqui. – Sem perceber minhas mãos apertavam sua cintura, ela permanecia estática. – Sinto de verdade que aquelas perguntas idiotas e manipuladas tenham te magoado, não imaginei que seriam capazes de algo assim. – Aproximei meu corpo ainda mais do seu e ela prendeu o ar. – Mas isso não te dá o direito de me ignorar, muito menos de me provocar como fez hoje. – Deixei que minha boca tocasse a pele embaixo de sua orelha e o arrepio que tomou seu corpo respondeu no meu. – Sabe que terei de fazer algo sobre isso, não sabe? – Não houve resposta, parecia estar entorpecida e me vi sorrindo com isso. – Vamos, diga que vai me testar mais uma vez. – Voltei a ficar em sua frente, uma névoa tomava seu olhar, a boca aberta arfava baixinho e o desejo estampado em seu rosto me dizia que tinha carta branca para fazer o que quisesse, e acredite, eu estava ansioso por isso. Tomei seus lábios rapidamente invadindo sua boca com força, ela gemeu e me agarrou pelos cabelos forçando-me contra seu corpo ainda mais, todavia, para seu total desapontamento eu me afastei, a confusão invadiu seu rosto e notei que estava prestes a perguntar o que estava acontecendo quando a calei pousando meu indicador sobre seus lábios.
- Essa noite eu vou devolver cada provocação que me fez durante o dia de hoje. – Ela piscou lentamente, os olhos ainda brilhantes e úmidos de momentos antes a deixavam com um ar quase inocente. – Vou responder cada uma das suas dúvidas, e quando eu acabar com você juro que vai ter adorado cada segundo, e nunca mais vai duvidar de mim, estamos entendidos? – Um aceno de cabeça foi a resposta, terminamos de subir as escadas e a puxei em direção ao quarto, esta noite, diferente da outra, eu teria todo tempo do mundo.
Avancei sobre seu corpo ao cruzarmos a porta, prensei-a contra parede e reivindiquei sua boca com voracidade, a forma como parecia derreter em meus braços dizia que nada daquilo soava como uma punição, mordi seu lábio inferior com força e a ouvi gemer em protesto, sua língua provocativa acariciava a minha insinuando muito mais do que um beijo. Afastei-me quando percebi que estava prestes a perder o controle e ceder aos seus caprichos uma vez mais, sorri involuntariamente ao vê-la com os lábios inchados e totalmente perdida.
- Vire-se. – A ordem foi simples e direta, levou alguns segundos para entender eu estava falando sério, e quando enfim obedeceu pude levantar seus cabelos e beijar sua nuca que se provou ser um dos tantos pontos fracos de seu corpo no momento em que suas mãos, antes espalmadas na parede, arranharam a pintura e um suspiro trêmula abandonou seus lábios. Minha boca seguiu caminho para sua orelha, onde prendi o lóbulo e fiz questão de puxar lentamente vendo-a perder o controle sobre o próprio peso e as pernas tremerem, forcei meu corpo contra o dela para garantir que se mantivesse de pé, segui calmamente para seu pescoço e puxei seus cabelos o bastante para que tombasse a cabeça, deixando total acesso à região. Mordi sobre a jugular e deixei minha língua deslizar no ritmo de sua pulsação, sua reação foi levar uma das mãos que buscava apoio até minha perna, não creio que tenha sido premeditado, mas o aperto que deu em minha coxa, perto demais da virilha, me fez impulsionar o quadril contra o dela, não deixei que aquilo me distraísse tempo demais, precisava conter todos os meus instintos para dar àquela mulher a melhor noite de sua vida.
Aproveitei seu torpor para abrir o zíper lateral do tentador vestido que me provocara desde o momento em que a vi sair do banheiro vestindo-o, minhas mãos deslizaram junto do tecido, levando a pequena calcinha que ela trajava por baixo.
sentiu o exato momento em que o tecido começava a abandonar seu corpo para tocar o chão formando uma poça aos seus pés, o quarto estava parcialmente escuro, já que não me preocupara em ascender as luzes, a Lua estava tão cheia e alta que cumpria o papel de clarear parcialmente o cômodo, e foi graças a ela que vi minha esposa mordendo o lábio com afinco quando tomei seus seios em minhas mãos e sua cabeça pousou em meu ombro direito, os olhos fechados e a feição de prazer era um verdadeiro pornô particular e eu estava amando cada parte dele.
A pele macia, os mamilos intumescidos e levemente amarronzados aumentavam de tamanho enquanto eu me permitia brincar com eles; apertei-os e sua resposta foi um ronronar, puxei levemente os bicos entre os dedos e ela se contorceu, mas não dera nenhuma das respostas que eu esperava, só então me lembrei, era inteira de sentidos, ela adorava me ver interagindo com seu corpo, fazia questão de me fazer falar, era como um estimulante ainda maior para o seu prazer quando eu me perdia no meu e misturava as palavras em idiomas diferentes enquanto minha mente declinava em delírios que só aumentavam o desejo enquanto ela se contorcia e pedia por mais, seu nariz enterrado em meu pescoço aspirava lentamente meu perfume que ela jurava ser o melhor do mundo, ainda que eu tivesse apenas acabado de sair do banho. era tão intensa em tudo o que fazia, que com certeza não seria diferente na cama, todavia, daquela vez estava sendo diferente, ela parecia sedenta, como se tivesse esperado por isso há tempo demais.
Seu coração batia tão forte que era possível sentir o pulsar responder em meu peito, eu precisava de mais, então a conduzi até a cama e a fiz deitar-se, deslizei minhas mãos com avidez pelas curvas de seu quadril enquanto ela esticava os braços para segurar nos travesseiros, toquei a parte interna de sua coxa e o calor que emanava era deliciosamente tentador, abaixei a cabeça para beijar desde seu tornozelo até onde minhas mãos estavam, ela tinha cócegas próximo ao joelho, mas o soluço que ouvi com certeza não era um princípio de risada, minha mulher estava entregue demais para sentir algo além de prazer naquele momento, deixei apenas a ponta de minha língua deslizar de suas coxas para vagina o que a fez tencionar as pernas, fiz o mesmo movimento outra vez apenas para saber se ela estava tão desesperada quanto parecia, uma arfada alta se fez ouvir. Mordi o lábio para prender o sorriso, ela esperava que eu fosse diretamente para onde ela queria, porém, não dessa vez.
- Coloque outro travesseiro embaixo da cabeça. - Pedi, ela demorou um pouco para compreender e eu mordi na marca da calcinha para puni-la.
- ...
- O travesseiro mi amor. - Insisti, relutante a vi encaixar uma das almofadas embaixo de sua cabeça, assim que tornou a se apoiar e percebeu que agora tinha uma visão perfeita do que eu poderia fazer com ela seus olhos fecharam e sua cabeça tocou a fronha, sorri.
Abri mais suas pernas e não contive o gemido ao vê-la tão úmida que escorria seu líquido natural, passei mais uma vez a ponta da língua ali e senti seu gosto ainda mais forte em minha boca, ela parecia um doce incrível e raro que eu jamais recusaria ou cansaria de provar; flexionei seus joelhos e abri os grandes lábios, os gemidos que ouvia mostrava a quão excitada ela estava. Beijei sua entrada como se beijasse sua boca, mordiscando, chupando e lambendo rapidamente enquanto a ouvia emitir sons desconexos, seu quadril já ganhara vida própria e se mexia de forma involuntária contra minha boca, apoiei uma mão em sua barriga para fazê-la parar, com o indicador e o médio da mão livre a penetrei e ouvi um gemido alto, entrei e sai algumas vezes vendo-a lubrificar cada vez mais, os sons que deixavam seus lábios indicavam que precisava de mais.
- ... - Ouvi-la me chamar fracamente depois de um suspiro. - Por favor, eu... - A frase morreu num grunhido quando meus dedos se curvaram dentro dela atingindo um ponto que a fazia perder o sentido, seus joelhos dobraram-se ainda mais, nossos olhares se encontraram e para minha felicidade suas pupilas estavam dilatadas e escuras como a noite, eu sabia bem o que aquilo significava, o desejo já havia tomado cada célula de seu corpo e isso ficava óbvio enquanto eu a penetrava e a via rebolar cada vez mais rápido em minha mão, quando seus olhos ameaçavam se fechar eu tornava a curvar os dedos, ela os reabria para me ver e gemia com a visão.
- Está bom assim mi amor? - Ouvi seus dentes trincarem e suas mãos agarrarem os lençóis com força o bastante para rasgar o tecido.
- Não faz... ah minha nossa... não faz isso. - Suas palavras se perdiam enquanto seu corpo agia por conta própria.
- O quê? - Introduzi um terceiro dedo e o flexionei, seus olhos giraram nas órbitas e sua cabeça despencou no travesseiro. - Isso? - Ela não respondeu, a vi morder o lábio com força. - Não vou facilitar pra você, querida. Mas vai valer a pena, eu prometo. - Retirei minha mão e voltei a chupá-la com força, ela engasgou com o próprio gemido e finalmente suas mãos tocaram meus cabelos, mas não por muito tempo, seus movimentos eram inquietos, mantive suas pernas separadas com o auxílio das mãos e escorreguei minha língua para seu interior, repeti isso vezes o bastante para que seus barulhos não pudessem ser contidos, só então me afastei e admito, a visão que tive quase me fez gozar. Ela mantinha os seios juntos, espremidos entre as mãos e tocava os bicos sem delicadeza alguma, a boca entreaberta estava vermelha e inchada, o busto rosado e arfante com a respiração irregular, o lençol estava úmido com a lubrificação que escorria, aquela imagem ficaria em minha mente para sempre.
resmungava e gemia em protesto por meu afastamento, mas foi quando uma de suas mãos escorregou pela barriga e alcançou o clitóris que eu acordei, hoje não a deixaria se tocar, apesar de ser uma cena e tanto, eu a queria sofrendo por mim, gemendo meu nome por minha causa e não por seus próprios métodos.
- Hoje não corazón. - Falei enquanto a afastava gentilmente. – Eu disse que era a minha vez. – Pisquei e me ergui até prendê-la entre minhas pernas, tomei sua boca num beijo sedento, suas mãos voaram para camisa social que ainda estava em meu corpo, com uma rapidez espantosa minha esposa abriu os botões e me fez tirá-la para jogar o tecido o mais longe possível, enquanto eu me permitia apertar sua cintura com força o bastante para marca-la a vi abrir o cinto e a calça que me incomodava. Fui obrigado a me afastar de seu corpo para tirar aquela maldita peça, o zíper já machucava e parecia a ponto de estourar, chutei os sapatos junto para longe e retomei à posição em que estava, rapidamente tomou meu membro e o apertou me fazendo fechar os olhos, cerrei os dentes para não xingar e me afastei o bastante para fita-la, seu rosto estava mais corado do que antes, os cabelos já grudavam ao redor do rosto devido ao suor e ela parecia a criatura mais linda vista assim. Puxei seu lábio entre os dentes e a senti massagear meu pênis mais uma vez, quando arqueei a sobrancelha em sua direção ela sorriu sapeca e me fez balançar a cabeça descrente.

Só pra castigar

Desci um pouco mais o corpo e me afastei de seu toque, encaixei-me entre suas pernas e as prendi ao meu redor tocando involuntariamente seu clitóris. O som que ela emitiu me fez repetir o gesto apenas para poder ouvi-la novamente, eu sabia que estimulá-la ali, levando em consideração seu estado, era questão de minutos para chegada de seu orgasmo, mas eu tinha outros planos; ela gozaria, sim, mas comigo dentro dela.
Direcionei meu pau para sua entrada e penetrei apenas um pouco, foi o suficiente para fazê-la perder o resto da razão, se é que ainda havia alguma em seu corpo, vi seu quadril descer mais para poder me prender dentro dela, então tornei a me afastar.
- Não, não mi amor. – Seus olhos abriram-se como se eu tivesse acabado de xingá-la, prendi a vontade de rir, em vez disso preferi tortura-la um pouco mais, tornei a repetir o movimento, dessa vez girando devagar para que ela pudesse sentir ainda mais, suas unhas cravaram-se no colchão enquanto eu me torturava nessa dança de entrar apenas a pontinha, mexer, sair e retornar.
- Isso... não... – A frase estava completamente desconexa, ela parecia perdida demais para formar um pedido coerente. – ... Oh isso não... não se faz. – Seus olhos estavam fechados, uma pequena ruguinha já habitava o meio de sua testa e todo esforço do mundo parecia estar contido naquelas palavras.
- Isso é por ter dançado daquele jeito de manhã. – Tirei de dentro dela e toquei rapidamente seu clitóris com a ponta do dedão. Ela gritou. – Isso, é por ter dançado daquela forma na festa. – Friccionei nossos corpos sem entrar nela, seus lábios foram mordidos. – Ah, esse é por dizer que não sinto ciúmes de você. – Abaixei a cabeça apenas o suficiente para soprar onde há pouco nos conectávamos e ouvi-la choramingar com o contraste de temperatura. – E esse é por ter me deixado duro de manhã e não ter voltado para resolver o problema. – Sussurrei como um segredo antes de penetrar um pouco mais do que a ponta apenas para sair rapidamente, foi quando ouvi um soluço irromper o silencio do quarto e ergui a cabeça para saber o que acontecia que percebi o tamanho da agonia que a tomava, seus olhos estavam fechados e lágrimas grossas escorriam por suas bochechas, há anos eu não via isso acontecer, na verdade a última vez que acontecera algo tão intenso foi na volta de nossa Lua de Mel quando resolvemos fazer um joguinho e nos privamos de sexo por três dias, no fim do segundo estávamos loucos demais para ligarmos para aposta.
Deitei-me sobre ela e depositei um beijo abaixo de suas pálpebras, outro em seu maxilar e aproximei meus lábios de seu ouvido.
- Shh... Está doendo, não está? – A pergunta era praticamente retórica, já que cada célula do meu corpo implorava para que eu a possuísse ou acabaria tendo sérios problemas depois, mas a sensação de satisfação que tomou meu corpo ao vê-la assentir em silêncio era deliciosa. – Vamos resolver isso. – Assegurei, ergui sua perna direita e segurei firme ao finalmente entrar completamente em seu corpo, a onda de prazer inundou meu sistema nervoso tão forte quanto uma droga, gemidos altos e roucos se misturaram impossibilitando saber sua origem, senti se agarrar a meu corpo fincando as unhas em minhas costas, afastei-me e tornei a arremeter, dessa vez com mais força.
Ela grunhia e murmurava palavras desconexas enquanto o som de nossos corpos se encaixando preenchia o quarto, nada mais importava no mundo do que o calor daquela mulher envolvendo meu membro, e suas mãos e boca marcando meu corpo enquanto eu chupava seu pescoço, ombro, orelha, colo e qualquer lugar que minha boca fosse capaz de alcançar. A senti se contrair e me prender dentro de si, urrei com a sensação que aquilo causava, cada investida ela tornava a fazer isso com um intervalo menor, isso significava que seu orgasmo estava perto e se continuasse a fazer aquilo o meu também estaria.
- ... Ah porra... – Senti sua língua deslizar sobre a veia de meu pescoço no exato momento em que ela me prendeu com força, trinquei os dentes. – Se continuar... assim, eu não vou... – Não consegui terminar a frase, pois nesse exato momento ela rebolou e me fez ficar sem ar. - Tan caliente... tan húmeda… – Descontei em seu ombro e cintura, apertando e mordendo enquanto ela repetia a rebolada fantástica que dera antes. – Vem. – Não lhe dei tempo de resposta, me ergui da cama com ela nos braços, havia uma coisa que eu estava com vontade de fazer desde sua chegada, abri a porta do banheiro e a coloquei de pé em frente ao espelho da pia, saí de seu corpo apenas para erguer uma de suas pernas e usei o mármore de apoio ao investir de uma única vez em seu corpo, suas mãos se perdiam entre me apertar ou tentar se apoiar no balcão que a amparava. Sua agonia parecia crescer a medida em os segundos passavam, mas eu sabia que o orgasmo que viria seria muito maior do que se eu simplesmente tocasse seu grelo. Afastei meu tronco do seu e olhei para baixo, o ponto exato onde nossos corpos se tornavam um, aquela visão era deliciosamente sacana e eu fui obrigado a morder o lábio para reprimir o gozo e o palavrão que surgiu em minha mente.
- Olhe para baixo, mi amor. – Seus olhos obedeceram com avidez e, assim como eu, o efeito daquela imagem foi o bastante para fazê-la me apertar internamente, me sugando um pouco mais para dentro de si. – Tan hermosa... vamos, deixe vir mi vida. – Beijei sua boca rapidamente estimulando-a a liberar as sensações que haviam dentro dela, ergui um pouco mais sua perna e acabei por atingir um ponto desconhecido que a fez gritar, girei o quadril e seus olhos giraram nas órbitas mais uma vez, repeti o gesto e a senti tencionar todos os músculo enquanto lágrimas grossas tornavam a deixar seu olhos, não parei de me mover, sabia que se continuasse a sensação de seu prazer seria ainda maior, então levei uma mão para perto de onde estávamos unidos e encontrei seu clitóris, massageei aquele ponto já inchado e ouvi seus gemidos roucos se transformarem em gritos, súplicas, murmúrios e por fim não passava de sussurros, não consegui mais me conter e gemi seu nome alto enquanto uma sensação quente tomava meu corpo inteiro e eu explodia em êxtase dentro de minha esposa.
Perdi as forças momentaneamente e me vi obrigado a prensar o corpo dela ainda mais na pia para conseguir sustentar nosso peso, sua cabeça estava em meu peito e meu queixo apoiado em sua cabeça. Demoramos alguns minutos naquela posição tentando recuperar o fôlego, quando por fim me afastei pude vê-la realmente, os cabelos bagunçados, boca vermelha e olhos parcialmente inchados.
- Precisamos de um banho. – Sua voz estava baixa, ela ainda parecia um pouco aérea. Concordei e a conduzi até o box, liguei a ducha morna e posicionei a nós dois sob o jato d'água.

Ella

ensaboou as mãos e as deslizou por meu corpo, a sensação da água morna acalmando cada terminação nervosa que havia em mim era deliciosa, seu toque era sutil e carinhoso, quando se deu por satisfeito voltou meu corpo para ducha mais uma vez. Com toda paciência do mundo o vi lavar meus cabelos, e feliz, fiz o mesmo com ele. A sintonia que nos unia era maravilhosa, no momento em que desligou o fluxo de água e puxou a toalha para envolver meu corpo seus olhos sorriram junto com seus lábios ao me fitar.
- Te quiero, cariño. – Retribuí o sorriso e beijei seus lábios calmamente, seus braços me rodearam num abraço singelo. Deixamos o banheiro e tudo o que fizemos foi nos vestir e cair sobre a cama, já desarrumada, abandonando todas as fofocas e falsas notícias lá fora.
Meu marido passou um braço sobre minha cintura e aconchegou seu corpo ao meu, um suspiro impensado deixou minha boca e tudo o que me recordo é de sentir seus dedos entrelaçarem-se com os meus.

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Uma semana havia se passado desde o incidente sobre a revista, toda a minha raiva fora devolvida com amor e tesão naquela noite deliciosamente quente de castigos que eu não poderia imaginar que fosse capaz de fazer. A pré-produção da série havia começado, minha viagem para NY já tinha data marcada e tudo o que eu conseguia pensar era em como contar a meu marido que em vez de quatro dias, precisaria passar dez dias longe. Salomé estava conosco esta semana e eu não queria deixá-los, mas atrasar dois dias na viagem me faria mais do que dobrar o tempo em que ficaria fora de casa. havia retornado para Espanha, mas graças a divulgação da marca em que ela trabalhava nos encontraríamos nos Estados Unidos.
Abri a porta de casa e o cheiro de biscoito amanteigado me tomou de assalto, sorri involuntariamente. Deixei as chaves no aparador e a bolsa sobre o sofá, aproximei-me da porta da cozinha e tive uma das visões mais bonitas que poderia ter naquele dia, o calor preencheu meu coração ao ver com um avental cor de rosa cheio de corações segurando uma forma enquanto Salomé, que usava um traje parecido com o do pai, explicava que o forno deveria estar entre 180° e 200° graus, ele parecia completamente perdido pela forma como a garotinha falava e coçou a nuca com a mão desocupada. Minha falha tentativa de prender o riso denunciou minha presença, as atenções voltaram-se para mim enquanto dava-me por vencida e entrava no cômodo. Tirei a bandeja da mão de meu marido e coloquei no forno já ligado, ajustei a temperatura e sorri para ambos.
- Olá crianças. – Saudei sendo abraçada de imediato por Salo, que gritou um "Oi tia", mais do que animada.
- Oi amor. – Seus braços me rodearam apenas para depositar um beijo rápido em minha testa. – Estamos fazendo biscoito amanteigado. – Disse, parecendo sem jeito. Assenti, rindo de sua carinha completamente perdida.
- Percebi. – Afirmei. – Os que já estavam no forno devem estar quase prontos, vou trocar de roupa e já venho ajuda-los. – Afastei-me em direção as escadas e as subi rapidamente, adentrei o quarto em busca de uma roupa confortável. Tomei um banho apressado e vesti o conjunto de moletom de que achara perdido dias antes, era enorme, mas aconchegante o bastante para me fazer roubá-lo, ou melhor, pegar emprestado sem previsão de devolver.
Meu retorno ao andar de baixo rendeu boas piadas de e muitas risadas de Salomé, que insistia em dizer que eu parecia um Ursinho Carinhoso vestindo aquilo.
- Ah é? – Perguntei como quem não quer nada e aproximei-me de onde ela estava sentada no sofá, quando percebeu que eu estava perto demais não pode fugir, pois sentei-me na ponta do sofá e comecei uma sessão de cócegas rápidas enquanto a chantageava para dizer que eu era uma tia incrível. – Vamos Salo, diga que eu sou a tia mais legal. – Apertei gentilmente suas costelas e a ouvi gargalhar, ria da reação da filha. – Não estou lhe ouvindo dizer, você está ? – Ele negou com um gesto de cabeça e a pequena arregalou os olhos pela resposta do pai, o que nos fez rir mais. Alguns segundos depois sua voz saiu abafada.
- Você é a melhor tia do mundo. – Entre arfadas e risos ela disse, soltei-a para que pudesse se recompor. A garota correu para cozinha em busca de água e eu senti meu corpo ser puxado para o sofá, os lábios de capturaram os meus rapidamente e logo deslizaram para meu pescoço.
- Poderíamos jantar fora hoje, o que acha? – Propôs com um sorriso ao me ver arrepiada.
- Não dá, tenho que verificar um roteiro. – Fiz bico, ele mordeu. – Posso fazer algo para nós, acho que Salo adoraria ajudar. – Pisquei, ele concordou. No momento seguinte um cheiro de queimado tomou conta da sala e a figura de Salomé surgiu com os olhos arregalados pela soleira.
- Tia, acho que os biscoitos estão pegando fogo. – Coloquei-me de pé num salto e corri para cozinha, desliguei o fogão e com o auxílio de um pano de prato tirei as bandejas de dentro do forno. O que deveria ser o nosso lanche parecia mais com pedaços de carvão, joguei tudo dentro da pia e liguei a torneira. Não havia salvação ali.
- Não acredito que esqueceram de desligar o forno. – Comentei abrindo as janelas para deixar a fumaça e o cheiro saírem. Os dois se entreolharam e seus rostos coraram na mesma medida, me fazendo rir. – Acho que vou ter que fazer um bolo e ensiná-los a usar o timer?

🔥

Él

Salomé iria embora na manhã seguinte, eu a levaria até o aeroporto e Daniele nos encontraria lá. Só de pensar em passar mais alguns meses sem tê-la perto meu coração já apertava, Salo era uma luz em minha vida, não tinha como ficar triste perto dela e todos que a conheciam poderiam facilmente concordar comigo. O treino havia sido puxado, e o jogo que teríamos no dia seguinte também seria. Um amistoso contra o Borussia sempre era motivo de preparação; depois de tomar banho e esquentar o jantar juntei-me a minha filha na sala para assistirmos algo na televisão, esperaríamos por para poder jantar.
- Eu não quero saber Romeo, não vou prolongar a viagem mais do que o necessário. – A voz de minha esposa despertou nossa atenção quando a mesma passou pela porta equilibrando o celular entre o ombro e a orelha, e na outra mão trazia algumas sacolas e a bolsa de costume. – Nem ouse dizer algo assim, é claro que eu vou cumprir o que falei. – Uma pausa em sua fala indicava que Romeo, o agente literário dela, falava. Ela suspirou alto e chutou os sapatos perto do tapete de entrada. – Tudo bem, diga para ele que se for para entregar o roteiro em dois dias não vou ficar dez em Nova York. – Arregalei os olhos, ela não havia falado que seriam apenas quatro? – Sim, pode falar. Avise que amanhã os arquivos estarão em seu e-mail e partirei para ver a produção o mais breve possível, e não, meus dias lá não são negociáveis. – A essa altura a atenção de Salomé e minha já haviam abandonado a TV, pareceu se tocar de que estávamos ali e voltou os olhos para nós. – Preciso desligar, minha família está me esperando. – Vi um sorriso imenso surgir no rosto de Salomé ao ouvi-la dizer aquilo, isso foi o bastante para acalmar um pouco meu coração. – Até.
Quando o celular parou no aparador junto com as chaves ela sorriu acolhedora para nós.
- Família, cheguei. – Brincou vindo para perto de nós, abraçou Salo e se abaixou para depositar um beijo em meu rosto. Essa sutileza não passou despercebida e me fez sorrir, era típico de não se expor ou me beijar na frente dela. Essa era uma das qualidades que eu mais admirava nela, minha esposa conseguia ser doce e meiga na mesma medida em que era durona quando precisava, e isso se aplicava a tudo em sua vida. Desde o trabalho até a forma como cuidava de minha filha, sempre preocupada em manter Salomé bem e confortável conosco. – Trouxe presentinhos. – Entregou uma das bolsas para criança, que sorriu abertamente ao puxar uma blusa com a imagem de uma coroa e a frase "A princess" escrita. – Tem uma para sua mãe também, assim vocês podem combinar. – O abraço que recebeu mostrou o quanto Salo havia adorado o presente.
- Eu não ganho nada? – Perguntei apenas para implicar com as duas, que riram da minha indignação fingida. Recebi uma sacola um pouco maior, franzi a tez e puxei o conteúdo; uma camisa social preta com um detalhe sutil em dourado no bolso junto de uma gravata vermelho escuro.
- O evento da semana que vem. – Piscou esperta, teríamos uma espécie de palestra proporcionada por uma multinacional árabe, que estava fazendo negócios com um dos patrocinadores do clube. Agradeci e a vi arquear a sobrancelha e apontar para dentro da sacola mais uma vez, olhei-a confuso e ela revirou os olhos. Abri um pouco mais a sacola e achei um conjunto de lingerie da mesma cor que a gravata, ergui os olhos e a encontrei com um sorriso sutil e inocente, balancei a cabeça e guardei a camisa novamente. Deixei Salomé entretida com o filme que começara e segui para o quarto onde poderia deixar os presentes, ouvi seus passos atrás de mim no momento que passei pela porta. – Espero que tenha gostado. – Comentou de forma quase inocente, quem não a conhecesse diria que ela estava mesmo se referindo a gravata e a blusa social.
- Sabe que adorei. – Voltei a ficar de frente para , que tinha um sorriso brincando nos lábios.
- Romeo queria que eu passasse dez dias nos Estados Unidos acompanhando a gravação e corrigindo os roteiros. – Sua fala me pegou de surpresa dada a rapidez como a frase foi dita. – Mas como você viu, eu consegui renegociar. – Ri diante do comentário, negociar não seria a palavra que eu usaria. – Vou ficar seis dias por lá, então pensei que amanhã, depois que você voltar do aeroporto eu já tiver entregado os textos no e-mail da produção poderíamos ver se esse conjunto vai ficar realmente bom. – A essa altura eu já estava perto o bastante para envolve-la em meus braços, suas mãos pousaram em minha nuca e massagearam o local com a sutileza que só ela tinha. – O que acha?
- Acho uma ótima ideia. – Murmurei à milímetros de seus lábios. – Sabe o que mais é ótimo? – Perguntei retoricamente vendo-a virar a cabeça de lado em um questionamento mudo. – As ideias que consigo ter envolvendo você, um lingerie e alguns castigos. – Mordi seu lábio inferior o puxei entre os dentes deixando minhas mãos escorregarem para apertar sua bunda e coxas fazendo-a arfar. O sorriso malicioso que recebi indicava que ela aprovava a ideia, talvez até pensasse em algo mais.
Um novo e doce castigo, talvez.


FIM.


Nota da autora: Olá leitoras, depois de meses sem postar nada, eis-me aqui novamente. Espero de coração que tenham gostado e comentem, votem e divirtam-se com essa história. Deixo meu agradecimento a Louise Blanco que leu alguns trechos e depois de muito incentivo (ameaça) me convenceu a terminar e postar a fanfic. Fica minha gratidão por cada leitura, comentário e pelo script da Nick lindíssima. Se quiserem ler mais histórias minhas entrem no grupo do facebook https://www.facebook.com/groups/376303229173435/ é lá que eu deixo spoiler, novidades e a lista com as postagens.

Xx Donna Sheridan.





Outras Fanfics:
01. Thriller
02. Lady Marmalade - (Spin Off de A Nice Surprise)
03. Billie Jean
03. I Miss You – Homem de Ferro
04. Catch Fire
04. Take You – Capitão América
06. Segura a onda
15. Cara de pau
16. É pra ficar
About Love and Other Things
A Nice Surprise – Especial dia do músico McFLY
Armações Marotas
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Seventeen
Seventeen revelations
The Webs of a Crime




Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
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