CAPÍTULOS: [Prólogo] [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11] [12] [13 - Parte I] [13 - Parte II]









Prólogo


A luz baixa da sala principal de reuniões da Hidra anunciava o clima tenso que se prolongava há meses.
Os membros da facção andavam apreensivos pelo ambiente; pensando, procurando pistas, um furo. Qualquer um. Algo que os levasse a encontrar o mandante e o real motivo da série de sequestros que aconteciam à sua volta, sempre ligados a eles de alguma forma.
Um maldito Contador de história que deixara pistas incandescentes. Imprecisas. Extremamente vagas.
A parede central estava coberta por imagens das vítimas; homens, mulheres. Adultos, adolescentes.
Pistas inúteis, que não os levavam para qualquer lugar a não ser o fundo de poço. A Hidra estava sendo derrotada, e suas mãos estavam atadas.
Havia lhes cortado uma cabeça... E outra não renascera no lugar.
ergueu os olhos na direção das imagens coladas sem precisão na parede e se demorou em duas fotos especificamente. Um sorriso triste preencheu seus lábios e ela inspirou fundo.
Não fazia o mínimo sentido. Não havia uma lacuna, uma ponta solta, uma pequena brecha. O maldito Contador havia lhes dito que daria as peças para que eles formassem o quebra-cabeça, mas não havia sequer uma pista. Qual era a história? Por que queriam contá-la? Por que ela tinha que estar envolvida daquela forma?
A Hidra deveria ser o seu ponto de fuga, seu escape, sua diversão. A aventura de sua vida.
E literalmente estava sendo... Ela só não esperava que fosse daquela forma.
- ? – a chamou enquanto analisava alguns papéis no centro da mesa que se iluminava por uma lâmpada baixa. A mulher caminhou em sua direção. Só havia os dois na sala – O Contador nos disse entrelinhas que deveríamos unir as histórias das vítimas, descobri-las. – ela estreitou os olhos, correndo-os para os relatórios.
Encontrou uma foto em especial e passou os dedos pela imagem. Um suspiro derrotado escapou por sua garganta.
Contudo, quando ela baixou os olhos, observou as fichas das vítimas. Não estavam completas da última vez que o vira.
Entreabriu os lábios, e, após engolir a seco, pegou os papéis entre as mãos, lendo-os depressa. franziu o cenho, observando sua reação.
- ?
A mulher travou os lábios e trincou o maxilar, ao mesmo tempo em que jogava os papéis sobre a mesa. Ela segurou com força a quina de madeira e fechou os olhos, apertando-os.
Não podia ser.
Aquilo não podia estar acontecendo.
Não de novo. Não com ela. Era a pessoa errada, com a personalidade errada e a identidade errada.


Capítulo 1 - "2 em 1"


Meses antes.

O verde esmeralda do vestido bem moldurado em suas curvas acentuava os tons intensos de seus olhos, acendendo-os contra a luz de sua penteadeira camarim. passou os dedos sob o tecido leve, quase como se o acariciasse; girou os calcanhares – sem deixar de observar seu reflexo – e sorriu satisfeita com a própria imagem. Após uma ultima olhada no espelho, ela caminhou até o banheiro de sua suíte, encontrou o spray de cabelos e não se demorou a borrifá-lo contra os fios, perfumando-os e alinhando-os; o coque feito anteriormente com tanto esmero pendia no topo de sua cabeça. observou os braços e as pernas devidamente bronzeados e seu sorriso se alargou, recordando-se das horas que passara na praia durante a semana para que aquilo fosse possível.
Não que ir aquilo fosse algum tipo de sacrifício, afinal.
- Querida, estamos atrasadas! O motorista já está nos esperando.
terminou de abotoar a sandália e se levantou, colocando as mãos na cintura e girando o corpo para que a mãe a observasse. A risada de Brianna ecoou pelo cômodo, enquanto ela se aproximava da filha.
- Você está fabulosa, . Mas quando é que não está?
- Obrigada, mamãe. – sorriu, passando os dedos pelas maçãs do rosto da mais velha. – Muito blush. – avisou, entortando os lábios levemente, recriminando o erro rotineiro da mãe.
- Oh. – murmurou, caminhando até a penteadeira da filha e buscando o pincel para esfumar a marca rosada. – Você irá conosco no jantar dos Smith, depois do coquetel?
- Provavelmente não. Estou com alguns trabalhos atrasados, possivelmente vou a Stanford resolver o que está pendente. Algum problema?
- Nenhum, querida. Seu irmão também não poderá ir. – observou-se no espelho novamente, confirmando que a marca da maquiagem já havia sido suavizada. – Vamos? Você sabe como os Collins são, odeiam atrasos.
rolou os olhos, passando algumas gotas de seu perfume em pontos estratégicos.
- Eles têm que entender. São necessárias horas intermináveis diante ao espelho se querem nos ver apresentáveis. Ou esperam que eu apareça como a filha deles?
- ...
A moça riu pela repreensão, buscando sua bolsa em cima da cama.
- Estou brincando! – continuou rindo, enquanto checava seu celular. Ela bufou ao ler uma das mensagens. – Não acredito!
- O que houve, filha?
- A Hannah vai se atrasar. Parece que a mãe dela ainda não chegou do shopping, e ela precisa esperar pelo motorista.
- E é por isso que meu cabelereiro vem me atender em casa. Esses salões de beleza em shoppings são sempre muito cheios!
deu os ombros displicentemente, caminhando ao lado da mãe até a porta de sua casa. Ela acenou para que a mais velha passasse a sua frente, recebendo um sorriso gentil em troca. A moça passou logo em seguida, sendo recebida pelo motorista – que já as esperava com a porta traseira do carro entreaberta. As mulheres entraram no veículo luxuoso e logo se encaminharam para o coquetel da família Collins.

**

- Ah, finalmente! – disse, avistando a melhor amiga se aproximar. – Eu achei que fosse ter que passar por essa aprovação sozinha!
Hannah riu, balançando a cabeça em negação. Ela a abraçou em cumprimento, antes de se sentar ao seu lado.
- Tão ruim assim?
- Pior.
- Oh! – Hannah fez uma careta, enquanto pegava uma das bebidas que o garçom servia. – Tem álcool? – o homem assentiu, e ela sorriu gentil. – Não vai querer, ?
- Ah, não... Eu não bebo, você sabe.
O garçom se retirou. Hannah deu um gole em sua bebida, sentindo o liquido azulado queimar sua garganta suavemente.
- Ah, é sim. Mas bem me lembro do seu porre numa das festas da fraternidade, quando namorava o Caleb! Foi uma das melhores cenas já vistas. – sorriu divertida, recordando-se. – Você estava leve!
- Eu tinha dezoito anos... Foi só uma fase. Já sou uma mulher, Hannah.
A loira deu de ombros, terminando sua bebida.
- Ah, é claro. Com vinte e três anos você já entra para a classe da meia idade. – ironizou, fazendo-a rir. – Você é que faz bem, de qualquer forma. Álcool engorda. - Eu sei! – sorriu com obviedade, passando o olhar pelo jardim dos Collins, observando as mesas bem decoradas e recheadas de famílias tão ricas quanto a sua. – Foi um dos motivos pelo qual eu...
As palavras morreram em seus lábios assim que seus olhos avistaram uma personalidade conhecida. Ela suspirou inconscientemente e um leve sorriso repuxou sua boca assim que seus olhares se cruzaram. Kurt.
Seu primeiro namorado.
Seu primeiro amor.
Ela ainda se sentia com treze anos quando o via, e se havia algo no mundo capaz de fazê-la mudar o modo com se sentia; ainda não o conhecera.
O homem, de sua mesma idade, ergueu o copo de whisky em sua direção em saudação e ela acenou.
- E tudo foi estragado por uma líder de torcida vaca...
Ouviu a voz de Hannah soar ao seu lado e a olhou, só então compreendendo o teor de suas palavras. sorriu, voltando a si.
- Vaca. – enfatizou. – Que culpa eu tinha em ser a melhor? Não foi a toa que me escolheram como capitã...
- Ele também foi um filho da mãe.
- Foi. – sorriu sem humor, olhando-o novamente. Ele conversava com a mãe. – Será que veio a família toda?
- Do Kurt? – assentiu, passeando os olhos pelas redondezas. – Eu não sei. Por quê?
- Você sabe que não me dou muito bem com eles. – disse, desconfortavelmente. Ela fechou os olhos brevemente e inspirou fundo, sentindo o corpo se arrepiar com a brisa da noite que começava a se aproximar. – Preciso ir a Stanford.
- Caso tenha se esquecido, hoje é sábado, senhorita-advogada-orgulho-da-família-.
- É sábado, mas eu sou o orgulho da família , como a senhorita-psicóloga-já-formada disse.
- Você também já se formou em psicologia, ! – acusou, recebendo uma risada alta da amiga. – Precisamos ir ao shopping urgentemente, aliás. Arrume uma vaga na sua agenda concorrida de Stanford, por favor. É uma emergência... Nível cinco.
arregalou os olhos, assimilando a informação. Um sorriso aberto tomou seus lábios imediatamente.
- Um encontro?! – Hannah assentiu freneticamente. – Sua vaca! Por que não me contou antes? Quem é o felizardo?
- Ele só convidou hoje! Você não o conhece. Seu nome é John, fez curso de francês comigo. Acho que já comentei sobre ele...
- Não acredito que ainda esteja falando com ele depois desse tempo todo!
- Ele que me chamou, em minha defesa. Mas, bom, você acha que pode me ajudar nessa missão?
- Não é óbvio?! – arqueou as sobrancelhas, gesticulando com as mãos. Hannah sorriu animadamente. – Desde quando recuso uma tarde de compras no shopping?
A outra rolou os olhos com sua convicção, e gargalhou. Estava somente brincando.
- ... Junto com a minha melhor amiga?! – completou, vendo-a sorrir finalmente. – Vamos deixar John com as bolas roxas só em te ver com o vestido maravilhoso que escolheremos!
Hannah arregalou os olhos, e também, assim que escutou a própria frase.
Oh, não. Ainda não era hora dela.
A mulher riu, sentindo as bochechas corarem. Hannah a imitou, rindo com certa desconfiança.
- Vi essa frase num filme e tive que dizê-la. Desculpe! E, por favor... Nós somos grandes o bastante para dizer coisas assim.
- Somos. Mas não devemos, você sabe... Não é apropriado. E estamos num coquetel com as famílias...
- Eu sei, Hannah. – a interrompeu, levantando-se – Ninguém ouviu. – sussurrou, sorrindo para a amiga. – Vamos encontrar um vestido que te deixe... Deslumbrante.
– corrigiu, sentindo um par de mãos sob seus ombros. Ela sobressaltou e virou-se rapidamente, encontrando um rosto conhecido: – Papai.
- O que essas meninas lindas estão fazendo no canto do coquetel? Deviam ter toda a atenção dele. Para o centro comigo, vamos?
e Hannah sorriram cúmplices.
- Já estou indo para Stanford, senhor . Mas quem deve explicações aqui é você, papai: por que só chegou agora? – fingiu estar realmente exaltada, e ouviu o homem rir, balançando a cabeça. Ela colocou o braço na lateral de seus ombros e beijou seu rosto.
- Clientes ostensivos com os nossos funcionários, querida. É o seu futuro, afinal. Nascer sendo um é a mesma coisa que assinalar Direito com a impressão digital dos pés, ainda bebê. Você aprende a falar e, juntamente, a decorar leis. Estou errado?
A mulher negou, sorrindo.
- Corretíssimo. – estalou os lábios contra a bochecha do pai, novamente. – Agora, se me dão licença, preciso correr para Stanford. Creio que ainda falta um pouco para ser uma boa o bastante.
- Você já é, querida.
- Calúnia. Seis meses a dois anos de detenção ou multa, senhor . Mentir é crime.
- Oh... – ele fez uma careta fingindo desanimação, e Hannah gargalhou, levantando-se também. – Tenho direito a autodefesa?
- Autodefesa? Jamais. Você nunca perderia.
** A bala do batom vermelho intenso deslizou por seus lábios carnudos, complementando a maquiagem carregada que havia feito. O vestido preto extremamente colado ao corpo e pelo menos dois palmos acima do joelho modelou suas curvas bem distribuídas. O Louboutin de 13cm em seus pés a deixavam mais esguia, de modo que a mulher precisava dobrar os joelhos para terminar os retoques de seus cabelos – que tinham cachos feitos pelo modelador sem muita ordem, e caíam sobre seus ombros, até os meios das costas.
Ela olhou seu reflexo no espelho novamente e sorriu maliciosa, jogando a lateral do cabelo para o lado oposto, encontrando o melhor ângulo.
- Bem-vinda de volta, . – sussurrou, mordendo o canto do lábio. endireitou a postura e caminhou até o fundo falso de seu guarda-roupa, encontrando a bolsa preta repleta de spikes que usava para situações como aquela. – Cigarro, chicletes, celular, comprimidos, soco-inglês... Oh, preservativos. – listou, conferindo os objetos em sua bolsa. Quando estava satisfeita, deslizou o zíper e a abotoou. – Hora da diversão.

O táxi – pego anteriormente duas quadras depois de seu condomínio – parou em frente à boate que estava acostumada a ir. Ela sorriu ladina enquanto estendia a quantia de dinheiro premeditada para o homem; que não conseguia deixar de encará-la como um cão faminto. Homens... Sempre tão previsíveis. Após recusar o troco, deixando-o ainda mais surpreso e possivelmente excitado, ela deixou o carro, observando sua segunda casa.
As paredes cobertas por tijolinhos marrons se transpassavam entre os vidros gigantescos do local. As filas alongavam-se às esquinas; jovens dos mais variados tipos ansiosos para a noite inesquecível que teriam. sabia bem o que era aquele sentimento. Desde que entrara naquela boate pela primeira vez, ao enlace de Caleb, seu ex-namorado; jamais havia sido a mesma. Ela tomou cuidado ao pisar no asfalto úmido e ganhou a atenção de dois rapazes, que vieram segurar suas mãos, apoiando-a. Ela sorriu de lado para ambos, enquanto agradecia num aceno mudo.
Talvez mais tarde pudesse conhecer um deles melhor. Ou os dois, ao mesmo tempo... Quem sabe.
Um dos seguranças a avistou e sussurrou para a promoter da festa no mesmo momento. A loira de cabelos curtos a reconheceu imediatamente e sorriu abertamente, com sinal para que ela entrasse. agradeceu com um sorriso do mesmo teor da promoter.
Havia sido uma boa noite. Talvez repetissem a dose algum dia qualquer.
Sem mais se prolongar, a mulher finalmente entrou na boate e sentiu o peito se aquecer à medida que as vibrações da música eletrônica ensurdecedora se era ouvida. Sua caixa torácica tremeu descontroladamente e ela riu; os olhos brilhavam enquanto encarava o layout do ambiente. Os globos de espelhos distribuídos em variadas formas e tamanhos pelo teto, caindo sob a pista. As cordas neon nos cantos das paredes. O piscar incansável das luzes, de acordo com a batida ditada pelo DJ.
segurou o lábio inferior entre os dentes, admirando – mesmo que sob a parcial escuridão – os rostos de suas futuras presas naquela noite. Sua visão se tornou turva por alguns segundos e ela chacoalhou a cabeça; direcionando-se para o bar rapidamente. Precisava de álcool correndo por suas veias urgentemente. O cansaço do dia e do maldito coquetel dos Collins começava a aparecer, e ela não podia considerar a possibilidade de dormir antes das sete da manhã.
Ken, um dos barmen, sorriu maroto ao vê-la se aproximar do balcão. correspondeu o sorriso com uma pitada a mais de malícia. Já havia saído com o homem pelo menos quatro vezes, mas não se importava com uma quinta. Ele despejou vodka pura num amontoado de morangos amassados no copo que buscou para a mulher. Seis vezes, talvez.
- Comanda ilimitada, ?
A mulher deu um gole generoso em seu copo e fingiu pensar. Ele entendeu sua resposta muda e riu, contabilizando a comanda ilimitada. O barman lhe entregou a pulseira neon.
- Desde quando eu tenho limites, Ken? Desse jeito você me decepciona!
Uma risada sonora do homem e assentiu numa despedida por hora, pegando seu copo e levando junto de si para a pista.
Uma batida latina soou e ela comemorou internamente, caminhando ao centro da boate. O local começava a lotar, e com isso, o espaço para que dançasse mais apertado. Ela não se importava, contudo. Mais pessoas... Mais calor humano. Quanto mais perto melhor.
Seu quadril se remexia no ritmo da música, assim como seus braços – que estavam erguidos. A bebida em seu copo já havia sido completamente tomada, e ela entregou o utensílio para um homem que dançava ao seu lado; deu-lhe um estalo rápido nos lábios em agradecimento.
Alguns homens que expeliam testosterona começaram a se aproximar, e ela gentilmente ia se afastando de cada um. Um sorriso gentil, um passo para o lado, um leve aceno, uma virada de costas sem ofensas. Um dos barmen lhe trouxe um shot de tequila e ela deu alguns pulinhos em comemoração; o lado bom de ser cliente frequente daquela boate.
Mais algumas músicas depois, algumas rodadas de tequila e alguns copos de vodka, já se sentia ainda mais solta. Seus cabelos grudavam no decote de suas costas, causa de sua pele ligeiramente transpirada. Os olhos estavam fechados, sentindo o torpor do álcool e do ritmo em seu corpo, juntamente dos olhares atentos de homens sedentos direcionados a si. Um par de mãos fortes abraçou sua cintura, tomando-a para si em questão de segundo, e ela abriu os olhos, avaliando a criatura que o havia feito.
Era bonito.
Sorte dele.
- Não te ensinaram que é errado puxar uma mulher assim?
- Não te ensinaram que é errado deixar um homem duro por você e não fazer nada a respeito? – disse contra seus lábios. Ela o beijaria... E talvez até o levasse para um dos banheiros da boate...
Se não fosse o seu discurso machista. Óbvio.
- Na verdade. – se desfez de seu abraço, tirando as mãos de sua cintura. – Eu não posso fazer nada a respeito. Não tenho culpa se você fica excitado por qualquer coisa. Não curto muito ejaculação precoce, também. Então, boa caçada, bonitão.
O homem a olhou incredulamente, provavelmente não era muito do tipo dispensado em boates... Ou em qualquer lugar. não se importava.
Ele tentou segurá-la pela cintura novamente, e apesar da leve sensação de estar embriagada, a mulher ainda era capaz de cuidar-se muito bem. Sem esforço, buscou a mão dele e a girou com a força do corpo, o rapaz gritou de dor e ela sorriu, saindo de perto do brutamonte. Ele se lembraria dela por um bom punhado de dias.
Ela o esqueceria no próximo minuto.

O relógio de seu celular já marcava 3h18 da madrugada quando ela finalmente colocou algo que não fosse alcoólico em seu corpo. A transpiração excessiva de seus poros, contudo, a obrigara a buscar aquela garrafa de água no balcão.
- Você é boa em artes maciais.
Uma voz feminina soou logo atrás de si e virou-se para encará-la. Ela tinha os cabelos castanhos, era branca como cristal, olhos tentadores e um sorriso encantador. Suas curvas eram invejáveis. A mulher sorriu extrovertida e a outra correspondeu.
- Sei lidar bem com babacas.
- Não o culpo, afinal. Estou te observando à noite inteira... Você é provavelmente uma das mulheres mais lindas que já vi. – instigou, e logo a mulher foi capaz de entender suas reais intenções.
segurou o lábio inferior entre os dentes, intensificando seu olhar para a mulher a sua frente, aproximando-se.
- E se eu for hétero?
- Você é? – passou os dedos pelo pescoço descoberto dela; que riu, aproximando seus rostos.
- Sou. Mas também sou a favor do meu prazer, e se ele pode ser proporcionado por uma mulher... – diversificou os olhares entre seus olhos e boca. A outra umedeceu os lábios. – Gosto de sexo, independente de como seja, com quem seja. Se tiver algo a mais para usar, perfeito; se não, tudo bem. Acredito no potencial feminino.
A morena riu audivelmente e no próximo momento grudou seus lábios nos dela. passou uma das mãos por sua cintura e a outra para sua nuca, embrenhando os dedos em seus cabelos escuros, intensificando o beijo. A outra a prensou contra o balcão, enquanto acariciava sua língua com a própria, sentindo seu sabor, saciando o desejo que sentira desde o início da noite, quando a avistara. mordeu seu lábio com fervor, puxando-o para si antes de afastar seu rosto, depositando um selinho demorado em sua boca macia.
A outra cerrou os olhos, olhando-a por baixo das pálpebras caídas. sorriu, dando outro gole em sua garrafa de água.
- Brooke! Meu nome é Brooke, qual o seu?
- .
- Eu sou hétero também. – a morena disse, arrancando uma risada da outra; enquanto tomava o último gole de água. – Mas você é muito bonita! E, como você disse, sou a favor do que me fará bem naquele momento.
- É isso, garota! – sorriu sinceramente, estendendo a palma da mão. Brooke a retribuiu com um hi-five. – E você também é muito bonita. E beija muito bem, diga-se de passagem.
- Recíproco, .
continuou sorrindo, desvencilhando-se do enlace da morena; puxando-a pela mão de volta para a pista. O calor voltava a tomar seus corpos, assim como as batidas fortes que ecoavam em seus ouvidos. Metade das pessoas já estava em estado de decomposição à sua volta; suando como porcos no abate, beijando-se como se não houvesse amanhã e, nos cantos do ambiente, transando como se lugar algum fosse mais confortável do que aquele.
sentiu certo desconforto em seu ventre e lembrou-se que precisava ir ao banheiro há horas; havia ingerido grande quantidade de liquido, principalmente álcool, e necessitava expulsá-la de seu corpo o quanto antes. A mulher riu, avisando para Brooke – que beijava um homem qualquer – que ia ao banheiro.
O banheiro estava deplorável. Uma poça de vômito no canto oposto, que fez com que a mulher tossisse veemente. Duas garotas estavam sentadas no chão, ao lado das pias; uma chorava ao lado da amiga, sentada no vaso sanitário; outra, sozinha, teclava assiduamente em seu celular, e pela feição que tinha, provavelmente não estava tendo uma sexting. riu da aparência das mulheres – tão podres quanto ela – e finalmente entrou na cabine, sanando seu desconforto. Após a descarga, ela retirou o maço de cigarros da bolsa e não se demorou a acender um. A nicotina entrou em seus pulmões assim que tragou, acalmando-a da agitação da boate.
- Estou passando mal! – A menina que antes estava sentada no canto, com o rosto entre as mãos, disse. rolou os olhos e brincou com a fumaça entre os lábios. - Sinto muito, não sou médica. – ironizou, abrindo a torneira.
- Fume na área para isso! – tossiu, abanando o ar. soltou uma risadinha, com o cigarro entre os dentes. – Está me ouvindo?!
- Também não sou surda.
- E continua sendo mal educada desse jeito? Minha amiga mal consegue andar! – apontou para a garota ao seu lado, que tinha os olhos fechados, enquanto apoiava a cabeça contra os azulejos negros do banheiro.
- Espero que não seja ela a motorista da noite, então.
A garota, visivelmente exaltada, se levantou com dificuldade e buscou a mão da amiga e a ergueu consigo, colocando seu braço em seu ombro, apoiando-a.
- Sorte sua eu não estar com o meu segurança, imbecil.
gargalhou, apagando seu cigarro contra o mármore da pia. Ela olhou para a menina, que saía com a amiga em seu enlace.
- Ou azar. Ele é gostoso? – provocou, recebendo um xingamento juntamente do estirar do dedo do meio da desconhecida. balançou a cabeça, rindo e voltando a encarar o espelho. Brooke entrou no local, rindo tanto quanto a garota.
- Isso tudo foi para você?!
- Sempre. Eu não suporto esse tipo de mulher que pensa ter algum direito a mais só por ter dinheiro.
- E a cada minuto eu gosto mais de você, ! – sorriu, sentando-se no balcão da pia. A mulher sorriu em agradecimento e abriu a bolsa novamente, buscando o batom vermelho que usara no inicio da noite. Já não lhe restava mais nada nos lábios.
- Cuida da minha bolsa, Michelle!
Uma mulher disse, da última cabine do banheiro, enquanto a tal Michelle assentia, escorada aos tijolos. Michelle estava pior do que qualquer outra pessoa naquele banheiro.
mordeu o lábio involuntariamente, terminando de deslizar o batom por seus lábios. A bolsa estava ao seu lado. Seria fácil como tirar doce de criança. Sem controlar o impulso, abriu com cuidado o zíper e vasculhou-a, colocando o corpo na frente da visão de Michelle.
- ? – Ouviu Brooke a chamar e simplesmente olhou para a morena, com um sorriso cheio de malícia nos lábios. – Você...
- Não estou com a mínima vontade de voltar de táxi para a minha casa hoje. – sussurrou, erguendo a chave que havia tirado da bolsa da moça. Brooke segurou o riso entre os lábios travados. – Vai me denunciar, Brooke?
- Só se você não me deixar dar uma volta, também.
gargalhou, impulsionando a cabeça para trás. Sua risada se dissipou por alguns segundos ao ouvir a descarga, e olhou para a porta; Brooke a compreendeu imediatamente e a seguiu. Era hora de ir embora.
Não demorou mais do que dez minutos para que e Brooke encontrassem o carro. Ele estava estacionado logo ao lado da boate; provavelmente para que as solas de seu sapato de marca não se desgastassem. pensaria daquela forma, ao menos.
ligou o motor e o som do veículo, pisando fundo no acelerador. Brooke sorriu ao seu lado, remexendo-se no banco do passageiro no ritmo da música.
- O que vai fazer com esse carro depois?
- Largar ele em qualquer lugar. A polícia não vai demorar a encontrar. – deu os ombros, displicente. Brooke apoiou a cabeça no encosto do banco e a olhou. – Só não queria voltar de táxi. Onde está a emoção?
Ambas riram.
- Sabe... Na semana que vem meus amigos darão uma festa. E, segundo boatos, são as melhores festas que você pode vivenciar na vida.
assentiu em surpresa e a olhou de soslaio, sorrindo animadamente.
- Acho difícil não ter a conhecido ainda. Onde fica?
- Lugar secreto. – riu, cada vez considerando mais a ideia. – Acho que você faz o nosso tipo.
- E há um tipo para entrar nessa festa? Qual é?
- O tipo que rouba carros. – disse, e gargalhou imediatamente. Brooke somente sorriu. – Pessoas bonitas, bebida à vontade...
- Pessoas bonitas, é? Homens que a façam esquecer seu próprio nome enquanto te fodem?
Brooke gargalhou dessa vez, erguendo os polegares em convicção.
- Exatamente isso! A Hidra, por si, já te faz esquecer o próprio nome. – Quase literalmente; completou em pensamento.
- Hidra. – repetiu, analisando a palavra em sua língua. – Gosto de como soa. Nós vamos nos divertir?
- Como nunca. – prometeu, e a encarou, quando o semáforo fechou. – E... Algo me diz que você não vai mais querer sair de lá.


Capítulo 2 | Conhecendo o Pecado.




Passar pela segurança foi mais fácil do que esperávamos. Aquela havia sido a segunda mansão que garimpávamos naquela semana, e fora mais simples do que ganhar de Matt em uma corrida clandestina. A porta de madeira maciça se materializou a frente, enquanto alguns de nós continuavam algemando a parte dos seguranças que estavam acordados. Brooke colocou sua luva e girou a maçaneta banhada a ouro; seu sorriso ligeiramente visto através tecido de sua máscara de proteção me fez trancar os lábios, acenando para que ela continuasse.
Brooke era fã de peças como aquela. Peças de ouro, para ser sincero. E não me restavam dúvidas de que aquela maçaneta seria a sua favorita para levar à sede da Hidra, e guarda-la em seu armário de utensílios dourados; como a própria denominava.
Hunter foi o primeiro a entrar na mansão, trazendo minha atenção novamente à nossa missão. Deixei a arma em punho e dobrei os joelhos, acompanhando-o. Brooke veio logo atrás de mim, me dando cobertura pelas costas. A sala estava vazia. Os Kingsley aparentemente haviam sentido que era melhor deixar a casa livre para a Hidra naquela noite.
Corri em silêncio sob as escadas e ouvi quando o sobressalto de uma das empregadas arruinaria tudo, caso Brooke não a tivesse encurralado e a empurrado de volta para a cozinha. Pobre empregada. Brooke aparentemente não estava num dia bom.
Continuei subindo os degraus, indo em direção aos quartos. Vozes numa discussão calorosa chamaram minha atenção e eu franzi a testa, tentando apurar meus ouvidos. O senhor Kingsley estava fodido, provavelmente. Sua esposa berrava sobre uma conversa lida em seu celular, e eu simplesmente quis rir pela ironia daquilo. Não se preocupe, senhora Kingsley, saberemos vingar com louvor a traição de seu infiel marido.
Contudo, dei um passo no degrau debaixo da escada, revirando os olhos. Não seria tão fácil assim, imbecil.
Puta que o pariu, eu havia me esquecido.
O maldito vinha de uma família de militares. Eu viraria uma peneira se fosse sozinho. Filho de uma puta.
Desci os degraus com pressa, encontrando Mason, Hunter, Jackson e Matthew. Gesticulei, enquanto apontava para cima; eles entenderam o recado, finalmente, e se juntaram a mim, tirando suas armas do coldre e colocando-as em punho, carregando-as. Assenti e acenei, mirando o topo da escada. Olhei ao meu redor, o extenso corredor, e vi pela fresta da porta a filha única do casal dançando em frente ao espelho, com o fone nos ouvidos. Virei-me para os outros e apontei para o quarto.
- Cuida dela.
Mason disse e eu assenti, caminhando em passos leves até a porta do quarto. Num gesto rápido, fechei a porta atrás de mim com força, trancando-a. A herdeira Kingsley virou-se depressa em minha direção, com os olhos arregalados e a feição amedrontada.
Eu não podia amar mais qualquer reação do que uma como aquela. O pânico das pessoas ao colocarem os olhos em mim, finalmente. A menina, que não aparentava ter mais do que dezessete anos, entreabriu os olhos e ofegou imediatamente, enquanto caminhava para trás, encontrando a parede rosada atrás de si. Eu deixei a arma sob o criado-mudo ao meu lado, retirando as luvas que antes me pinicavam. A menina continuava com a respiração entrecortada; assustada demais para ter outra reação a não ser me encarar como se eu fosse um fantasma. Dei os ombros e retirei a máscara, colocando-a ao lado da arma.
- Você não vai ser burra o bastante para fazer um retrato falado, não é? – Ela negou veemente, engolindo a seco. – Vamos ficar os dois aqui, quietinhos... Está me entendendo? – A garota assentiu, me olhando com certa desconfiança.
- V-você vai me matar?
- Se você se comportar, não. Do contrário...
- Eu vou! – Fez questão de responder depressa. Eu quase ri de sua inocência. – Isso é um... Assalto?
Dessa vez fui obrigado a rir.
- O papai está jogando dinheiro fora com um ensino tão obscenamente caro, não está? Vamos lá, você consegue pensar... Homem com arma, máscara, luvas... Confio no seu potencial, pequena Kingsley.
Seus olhos se encheram de lágrima e eu suspirei impacientemente, encostando-me a parede atrás de mim.
- Há mais de você na casa? – consenti. – Vocês matarão os meus pais?
- Se eles não se matarem primeiro... – Eu ri, me lembrando da discussão anterior. A menina fechou os olhos e abaixou a cabeça. Rolei os olhos. Eu podia ter ficado com a parte interessante: podia ter ido ao cofre, e retirado cada centavo dali. Podia ter tornado os Kingsley reféns, aposto que seria muito mais divertido. Mas não, eu tinha que ficar com a filha mimada e birrenta deles. Se ela soubesse o quanto eu adorava aquela espécie de gente, ficaria calada. – Se o seu pai não tentar qualquer gracinha, vão sair vivos. Um pouco menos milionários, mas vivos.
- Ele batalhou por tudo o que tem!
- Ah, menina... Cale a boca antes que eu a cale por você.
Minha ameaça surtiu efeito, pois sua recente rebeldia se cessou prontamente. Ouvi os gritos do velho Kingsley e me virei para a porta, destravando-a. Aquilo ia dar merda. Para ele, óbvio.
Ouvi passos duros e rápidos atrás de mim e me virei a tempo de segurar a mão da menina, antes que ela buscasse a arma no criado-mudo. Burro, !
Ela arregalou os olhos e entreabriu os lábios assim que eu segurei seu braço, jogando-a na cama, para que conseguisse conter sua fúria. Os olhos marejados de anteriormente já haviam se esvaziado: todas as grossas lágrimas rolavam por sua bochecha.
- Você vai... Abusar de mim? – sussurrou, amedrontada.
- O quê? – uni as sobrancelhas. – Ah, que merda. Não! Isso não faz o meu tipo. Prefiro quando é consensual. – pisquei, vendo-a suspirar aliviada. Me levantei com cuidado, ainda com seus pulsos entre minhas mãos. Ela fez uma careta, provavelmente de dor. A chance que eu me importasse com aquilo era completamente nula. – Mas se você tentar algo de novo, vai precisar de um cirurgião plástico, bonitinha. – avisei, e antes que ela pudesse reagir de alguma forma, ouvimos um barulho retumbante vindo do outro lado do corredor.
Um tiro.
A menina voltou a arregalar os olhos e seu corpo se tornou trêmulo. A soltei, enquanto buscava a arma, luva e máscara.
- Ah, meu Deus! Ah, meu Deus! Ah, meu Deus!
Ela gritava como num mantra, desesperada, sentada no centro da cama, enquanto as lágrimas desciam de seus olhos e seu corpo estava pronto para entrar em convulsão. Engoli a seco, destrancando a porta e avistando os outros correndo do quarto do milionário.
- Corre, ! A maldita chamou a polícia!
Escancarei a porta e coloquei a máscara em meu rosto, correndo logo atrás de Matthew. Pulamos alguns degraus da escada, encontrando Brooke e Audrey buscando o máximo de objetos de valor que conseguiam. Inspirei fundo, tentando colocar meus pensamentos em ordem. Virei-me para os cantos da sala, avistando as câmeras de segurança. Freddie não havia as desligado.
Burro.
Ergui a arma e atirei nas três que estavam à vista; o curto circuito foi imediato e eu não deixei de sorrir orgulhoso por um segundo.
Mason já havia saído da mansão, e, não se demorou a ouvir a buzina do carro que nos trouxera. Corremos até a porta e sem demora entramos no veículo. Mason acelerou, nos levando para bem longe dali; eu olhei para trás, avistando os portões da mansão Kingsley se tornar pequenos aos olhos, e retirei a máscara.
- Placa trocada? – questionei a Mason, que assentiu. Era o mínimo que meu tio podia fazer, já que não havia sido de muita utilidade hoje.
Com a placa do veículo trocada, as câmeras de segurança jamais encontrariam o nosso carro. Suspirei, ligando o som, e encarando a feição fechada de Brooke pelo retrovisor.
- O que foi?
- Minha maçaneta, . Eu não a peguei! – murmurou, assim como uma criança birrenta.
Eu gargalhei, escolhendo uma das estações de rádio. Eram em momentos como esses que eu lembrava porque não éramos mais namorados: ser amigo de Brooke era uma das únicas coisas no mundo que me fazia feliz.
Talvez, àquela altura, fosse à única.

/

girava a caneta entre os dedos, enquanto suspirava profundamente, tentando encontrar a concentração no professor de Direito Penal, e principalmente, no que ele dizia. Era impossível, contudo. Seu estômago revirava contra seu abdômen, resultado do porre que havia tido no final de semana.
Ou a intoxicação alimentar; como havia contado aos pais. Restaurantes mexicanos ao redor de Stanford não eram confiáveis.
Seu celular apitou assiduamente no canto de sua mesa e ela vislumbrou o visor. Brooke. Sua mais nova amiga. Ela sorriu de lado, desbloqueando o celular e lendo a mensagem.

“Sexta-feira! Espero que não tenha se esquecido. No lugar combinado, ok? Te encontro lá e levo para o local da festa.”

suspirou inconscientemente e ergueu o olhar por alguns segundos, observando sua própria figura através da tela apagada de seu notebook. . Era difícil ser vestida daquela forma, naquela aula de Direito, e ao redor de todos os seus colegas de curso.
De repente, se sentiu insegura. Havia conhecido a mulher numa boate. Haviam fugido com um carro roubado, ido a uma montanha e ficado chapadas até o nascer-do-sol. Ela havia dito que os seus amigos eram do tipo de .
não era confiável.
fechou os olhos por alguns segundos, tendo certeza de que não conseguiria prestar atenção em mais uma só palavra daquela aula. Um frio na barriga percorreu seu ventre e ela voltou a abrir os olhos. Que se foda.

“Devo levar spray de pimenta?”

“Uma arma seria mais viável”

Ela riu baixo ao ler a mensagem, não querendo chamar a atenção dos outros alunos.
“Combinado! Até lá, B. xx”.

**

- Isso é... Uma fábrica?
A semana havia passado depressa. Quando se dera conta, já estava em frente ao espelho de seu quarto – aproveitando o jantar de negócios de seus pais –, decidindo se a saia de couro e o cropped do mesmo tecido seriam bons o bastante. O batom cor de vinho, junto de seu delineado marcado, complementava o visual. O cabelo, num coque mal feito, caía em fios pela sua mandíbula, espalhando-se pelo inicio de seus ombros. Por fim, buscou sua bolsa fiel e pediu um táxi, sendo acobertada por uma das empregadas de sua casa, assim como de costume.
O caminho fora longo, e, quando finalmente chegou ao local combinado com Brooke, ela a colocou num carro e as guiou até o verdadeiro endereço da festa.
E agora lá estava , com a cabeça pendida para o lado esquerdo, analisando a imensidão da fábrica a qual Brooke a havia levado. Uma risada sutil escapou por seus lábios e a mulher virou-se para a amiga, num pedido mudo de explicações.
- ... Abandonada. – Brooke sorriu, completando seu raciocínio.
- Se queria me matar, devia ter escolhido um local com mais fácil acesso. Gostaria de um enterro digno.
A morena riu, assim com ela.
- Deixa de ser boba! Preparada para a festa da sua vida?
fingiu pensar, levando uma das mãos ao queixo. A batida alucinante da fábrica abandonada que servia de boate já se era ouvida de onde estavam, e novamente a sensação de confiança tomou seus membros.
Contudo, a brisa da madrugada arrepiou sua pele; seu coração se acelerou ferozmente diante a adrenalina e a endorfina de seu corpo foi liberada imediatamente.
A sensação... A simples e tão significativa sensação de ser .
- Só por perguntar já me ofende, B.
Brooke sorriu satisfeita e segurou sua mão, levando-a em direção à entrada da fábrica. Não havia uma.
Ao menos, não uma aparente.
A morena retirou um quadrado de grama artificial da frente do local, revelando uma entrada subterrânea. a olhou com admiração e riu, vendo-a subir a pequena plataforma, dando passagem a uma pequena escada. A música se intensificou no mesmo momento, e sentiu a sensação de completude novamente.
Com cuidado com os saltos altos, ambas desceram os degraus sem rapidez, até que finalmente chegasse ao corredor.
Escuro, úmido, e assustador; não pôde deixar de ressaltar internamente.
Brooke foi à sua frente, caminhando pelo corredor iluminado somente por uma lâmpada no centro do ambiente. A mulher chacoalhou a cabeça e após um suspiro encorajador, passou a seguir a recente amiga.
E então tudo ficou bem no exato momento que cruzaram o corredor.
O lugar era inacreditável.
As luzes incessantes, o ambiente peculiar, as pessoas no centro da fábrica, e as em cima de espécies de palcos ao redor. Algumas tochas de fogo estavam acesas nas laterais, e foi só então que conseguiu enxergar algumas strippers com lingeries minúsculas dançando logo ao lado das tochas, em cima de mesas de vidro.
A música num rock pesado era o que mais chamava sua atenção, no entanto. Ela conhecia. Conhecia muito bem, pois conseguia lembrar-se de todas as tardes em seu quarto que havia escutado aquela melodia, enquanto escrevia em seu falecido diário.
M. Shadows tinha o incrível poder de fazê-la se arrepiar até o último fio do cabelo. E não havia melodia no mundo que a excitasse mais do que scream.
- Trouxe uma amiga, Brooke?
Um homem disse ao seu lado, ganhando sua atenção. sorriu abertamente em sua direção, recebendo o mesmo sorriso em troca.
- , esse é Hunter. Hunter; .
Hunter lhe estendeu a mão e aceitou prontamente, sendo surpreendida por um beijo nas costas da mesma. Ela riu, piscando para o rapaz.
- É um prazer, . Eu só preciso que você passe ali com o meu amigo para ser revistada, tudo bem?
- Ela está comigo, Hunter. – Brooke insistiu, incrédula. franziu o cenho por alguns segundos. Talvez não houvesse levado a sério o suficiente os avisos de Brooke.
Ela quis rir imediatamente. Aquilo era loucura.
E era insana.
- Não me importo, B! – riu, dando os ombros. – Onde devo ir, Hunter?
O rapaz acenou, num pedido calado para que ela lhe seguisse. A mulher olhou sugestivamente para Brooke, que acabou rindo derrotada.
Sem demora, Hunter a deixou no canto de uma parede. Brooke estava claramente sem graça, e a outra apenas balançou a cabeça em entendimento, com um sorriso divertido no rosto. Ela estava pouco se fodendo para aquilo.
- Quem é a criminosa aqui?
virou o rosto na direção de onde a voz soou e foi impossível conter um sorriso malicioso em seus lábios no mesmo segundo em que seus olhos captaram a criatura divina à sua frente.
O homem usava uma calça jeans escura, camiseta preta e jaqueta de couro. Definição de perdição.
Sexo com pernas.
Testosterona ambulante.
O pecado personificado em forma humana.
E com um sorriso que a fazia querer ajoelhar-se no chão e contemplá-lo... Do modo como ele desejasse.
Perigo estava cravado em seu olhar, e mocinhas indefesas deviam cair aos seus pés, pedindo-lhe para que as desviasse de seus caminhos certos. não era uma mocinha indefesa, já havia desviado do caminho certo há muito tempo. Contudo, uma das coisas que mais idolatrava no mundo, era perigo. E tudo o que conseguia enxergar naqueles olhos, era isso.
Perigo. E sexo.
O que poderia ser melhor?
já havia se relacionado com diversos homens daquele tipo, e tinha somente uma certeza: sexo era bom. Mas sexo com caras maus... Faltavam-lhes palavras para definir.
E então, simples assim, decidiu que aquele seria o escolhido da noite.
Um olhar curioso, um sorriso lascivo, scream tocando ao fundo, e pronto. Decidida.
- Ela está comigo, . O Hunter faz parte da Hidra e quer seguir procedimentos padrões! Qual é a coerência?
- É , não é? – Ignorou o pequeno monólogo de Brooke e continuou olhando para a mulher; que carregava o mesmo sorriso cheio de intenções que ele. – Você está com algo que possa me machucar aí?
Brooke rolou os olhos, avisando que ia buscar uma bebida. riu da reação da amiga.
- Limpa. – estendeu as palmas das mãos, em inocência. Ele entortou os lábios, em desconfiança. A mulher riu, abrindo os braços. – Mas você pode confirmar, se quiser.
O rapaz voltou a sorrir, dessa vez soando ainda mais cafajeste, enquanto puxava seu quadril para si. sentiu suas mãos fortes pela lateral de seu corpo e mordeu o lábio inconscientemente.
- Nem um jantar antes? Flores? O nome?
Ele riu, voltando a olhar para seu rosto.
- .
o mediu de cima abaixo, analisando tudo o que sua visão precariamente conseguia enxergar. Por fim, voltou a sorrir, assentindo em compreensão.
O desconhecido – agora conhecido – se abaixou a sua frente, passando as mãos por trás de suas panturrilhas, joelhos, e coxas. Ao chegar à curva de sua bunda, ele propositalmente desviou as mãos, arrancando uma risada de ; que já sentia o conhecido ardor em sua intimidade. subiu uma das mãos pelo centro de seu abdômen, chegando ao vale entre seus seios, checando se havia algum utensílio perigoso ali.
tinha certeza de que sua procura cheia de esmero já não se tratava mais de uma revista. Ou, pelo menos, não sobre armas, facas, ou sabe-se lá mais o quê. O homem dedilhou as laterais de seus seios, e ela se arrependeu irredutivelmente por ter optado pelo sutiã de bojo naquela noite, ansiava sentir o toque dos dedos dele sob sua pele, sem que a espuma da peça impedisse.
riu baixo ao perceber a feição concentrada da mulher, e estendeu as palmas das mãos, fingindo inocência.
Tudo o que ela menos queria àquele momento era inocência, contudo.
- Ainda, ?
Brooke disse, se aproximando novamente. a odiou por um breve momento.
- Acho que terminamos. – piscou para a garota, dando um passo para trás.
- Mas nós nem começamos ainda... – disse sugestiva. riu, e ela somente sorriu. Brooke balançou a cabeça em negativa. Conhecia muito bem o poder de persuasão (principalmente sexual) de , mas imaginou erroneamente que fosse blindada a este.
- Posso ver a sua bolsa? – Ele disse, apontando para a peça, assentiu e lhe entregou. vasculhou a bolsa, erguendo alguns utensílios. – Vou ter que barrar o soco-inglês, linda. – deu os ombros, derrotada. – . – murmurou, checando o documento de identidade. A mulher fechou o sorriso prontamente, retirando o documento de suas mãos. Ele ergueu o olhar, fitando-a.
- Só .
- Pseudônimo. Entendi. – sorriu, voltando a olhar sua bolsa. mordeu a parte interna da bochecha e inspirou fundo, voltando a se concentrar; o sorriso voltou a habitar seus lábios. – Uma mulher prevenida vale por duas. – mostrou-lhe o pacote de preservativos guardados na bolsa, arrancando uma risada contida dela.
- Uma mulher prevenida vale por duas. Eu valho por cinco, . – piscou, retomando sua bolsa. Ele assentiu, olhando em seus olhos intensamente. – Liberada?
- Por hora, sim, senhorita. Espero que se divirta. Bem-vinda a Hidra.

Calor.

Calor à sua volta, calor irradiando de seu corpo, calor... Era tudo o que sentia, entorpecida pela sensação do álcool correndo por suas veias. Estava lucida, contudo. Conseguia observar os olhos curiosos sob sua dança que transbordava sensualidade, enquanto ela tentava se equilibrar num dos palquinhos ao redor da fábrica. Já passava das três horas da manhã quando ela se obrigou a ir ao bar para pedir uma garrafa de água; e, com isso, encontrar um dos membros – e responsáveis, segundo Brooke – da Hidra. Ele lhe sorriu amigavelmente num primeiro momento, como se quisesse conversar, e ela o incentivou, com um aceno de cabeça. O mais velho riu, como se culpasse a si mesmo pela demora no diálogo.
- , não é?
- A própria. E você é Mason, pelo que soube.
Mason confirmou, sorrindo. olhou de soslaio para a pista novamente, não queria flertar com ele. Não que ele não fosse atraente; provavelmente não tinha mais do que cinquenta anos, devia ter pelo menos 1.80 de altura, esguio, e aparentemente tinha os músculos esculpidos de bom grado, por baixo da camisa social preta.
Mas ela não o queria. Ao menos naquela noite. Não depois de ter conhecido .
- Brooke não costuma trazer amigos às nossas festas. Ela deve confiar em você.
riu. - Não é como se eu fosse espalhar por aí que fui a uma festa de criminosos. Acho que a minha mãe não ficaria muito orgulhosa, não é?
Dessa vez foi Mason quem riu, enquanto jogava a cabeça para trás, ressaltando seu pomo-de-Adão. Um dos barmen colocou uma taça de champagne a sua frente, e ele não se demorou a dar um gole no liquido borbulhante.
- E você não se importa? Criminosos... Não tem medo?
- Do que eu teria medo? Que eu saiba, criminosos não são vampiros, bruxos, ou qualquer outra entidade supernatural. E acredito que numa festa não estão dispostos a fazer uma chacina com seus convidados, ou estou errada? Vocês só querem se divertir... E, bem, eu também.
- Você não podia estar mais certa. Aprecio e concordo com a sua opinião, . – mediu-a de cima a baixo, observando-a. Ela apoiou um dos cotovelos no balcão do bar, questionando mentalmente suas verdadeiras intenções. Seu olhar não parecia desejoso como da maioria dos homens ali. – Brooke disse que você é uma ótima lutadora.
- Eu?! – gargalhou, buscando a taça do outro e dando um gole pequeno na mesma. – Brooke me superestimou. Mas sim, eu luto. Boxe e muay-thai... Defesa pessoal, você sabe. – deu os ombros, vendo-o continuar em sua analise. – Vou precisar usar meus conhecimentos hoje?
- É claro que não! – riu. – Amigos de nossos amigos, são amigos também. E eu duvido que do modo como estão a olhando, queiram se atracar com você, se não for para beijá-la. reparou em seu tom, e teve certeza de que suas intenções não eram de conquista. Ela apreciou isso, e sorriu sinceramente, olhando brevemente para a pista.
- Obrigada, Mason.
- Não há pelo quê. Vá se divertir, . Considere-se em casa.

A melodia sensual inebriava seus ouvidos, fazendo-a sorrir para Brooke, que dançava colada a um dos rapazes que estavam ao seu lado. Ela riu ao notar a amiga beijá-lo finalmente e balançou a cabeça, voltando a se concentrar em sua dança. fechou os olhos e passou as mãos pelo corpo, rebolando-o no ritmo da música. As batidas de seu coração aceleravam-se à medida que a caixa de som expelia a vibração das notas, fazendo com que o chão do palco sob seus pés tremesse levemente, assim como seu tórax, envolvido pela melodia.
Ao sentir uma leve pressão sob seus pés, no entanto, ela pôde assistir quando subiu no palco, pondo-se à sua frente. Um sorriso imediato surgiu em seus lábios. Ela havia se esquecido do rapaz.
- Bela tatuagem. Yin-Yang?
ia questioná-lo sobre como havia visto seu desenho, mas assim que o sentiu colocar os dedos – indicador e médio – sob a parte de trás de sua coxa, logo abaixo de seu bumbum, bem no local da tatuagem, ela riu, balançando a cabeça em negação. Estava de saia, e em cima de um palco. Era óbvio que ele veria.
- Obrigada. E sim, é o símbolo yin-yang. Dois em um, opostos sendo impostos, branco e preto, frio e calor, antônimos. Prazer, . – sorriu, vendo-o fazer o mesmo, enquanto encarava sua boca. Ela mordeu o lábio inferior involuntariamente.
- Eu gosto disso. Gosto de não ter que ser a mesma pessoa todo o tempo... Ter um escape. – dedilhou sua tatuagem por baixo da saia, ao mesmo tempo em que dava um passo em sua direção, colando seus corpos. assentiu diante às palavras e levou uma das mãos a sua mandíbula, examinando seu maxilar. Ele o travou, buscando seu olhar. – Nada de para essa mulher que estou encarando?
engoliu a seco, erguendo o olhar para o dele. subiu a mão livre para sua cintura, acariciando-a.
- não existe para . Assim como não existe para .
assentiu, colando seus rostos e roçando seus narizes. inspirou fundo, sentindo seu perfume amadeirado próximo a si. Ela desceu uma de suas mãos pelo seu tórax, parando-a em seus oblíquos. O rapaz sorriu ladino ao compreender suas intenções e no próximo segundo grudou seus lábios.
sorriu de imediato ao sentir seu sabor e entrelaçou os dedos em seus cabelos curtos, embrenhando-os. empurrou o quadril em sua direção, fazendo-a chocar as costas contra a parede. O estalo de seus ossos contra a os tijolos rústicos da fábrica a fez gemer minimamente, fazendo com que ele puxasse seu lábio dentre os dentes. Ambos cerraram os olhos por um mínimo momento, encarando-se com malícia. O homem voltou a subir a direção da mão e, ao chegar à curva de sua bunda, a apertou entre os dedos com possessão. desgrudou suas bocas por alguns segundos, na vã tentativa de recuperar o fôlego perdido. Ela apoiou a cabeça na parede atrás de si, e, aproveitando sua breve distração, levou os lábios ao seu pescoço, distribuindo beijos molhados em sua pele. A mulher sorriu satisfeita e desabotoou o botão de sua calça jeans, não se demorando a colocar a mão por dentro de sua cueca. O rapaz arfou contra sua carne, fazendo-a arrepiar-se precocemente.
- Não é educado olhar por baixo da saia de uma mulher. – disse em tom provocante, lembrando-se como ele encontrou a tatuagem. já estava duro em sua mão, enquanto a moça distribuía um carinho tortuoso por sua extensão.
- Eu não sou educado, linda. – sussurrou em sua orelha, mordendo o lóbulo em seguida. Ele desceu a mão que antes segurava sua cintura para o centro de seu corpo, encontrando o tecido de sua calcinha ligeiramente úmido. – Não é educado colocar a mão dentro da cueca de um homem... – A mulher riu entorpecida, aumentando a velocidade e pressão de sua mão contra o membro dele.
- Eu não sou educada, lindo. Nem um pouco.
apertou os olhos e afastou a peça intima da mulher, finalmente encontrando sua pele desejosa. segurou o lábio entre os dentes e voltou a beijá-lo.
O homem sabia o quê fazer. Como, e onde fazer. já havia estado com inúmeros parceiros, e podia jurar que entraria para o nível um de preferências. Toda a impressão que tivera ao vê-lo pela primeira vez, havia sido confirmada e com louvor. Ele não tinha pressa, e talvez fosse essa a sua carta na manga. A tocava como se analisasse cada detalhe de suas necessidades, estudando sobre o que a deixaria mais extasiada e desejosa. E era exatamente o que estava acontecendo.
o sentiu parar o movimento de seus dedos por alguns instantes e abriu os olhos para se certificar do quão absurdo aquilo era. Encontrou Hunter – ela reconheceu – dizendo algo para , que rolou os olhos exageradamente. franziu o cenho, tentando ouvir o que o homem falava. Não conseguiu, contudo. Ela retirou a mão da cueca de e bufou em silêncio. O rapaz assentiu para o amigo e voltou a encará-la.
- Vou precisar ir embora, .
A mulher voltou a apoiar a cabeça na parede e suspirou pesadamente, demonstrando sua frustração. Ele riu de sua birra e, com certa dificuldade, abotoou a própria calça com a mão livre.
- Vão roubar carros? – questionou, sorrindo sarcástica.
riu mais alto dessa vez, retirando os dedos dela e levando-os a boca, sugando-os sem pressa. esfregou as coxas uma na outra diante seu gesto, tentando satisfazer-se minimamente. Era impossível.
- Deliciosa. – estalou os lábios, sorrindo satisfatoriamente. – E bonitinha sua inocência, linda. – piscou, beijando-a rapidamente. – Foi um prazer te conhecer.
E saiu.
Saiu, deixando-a boquiaberta, excitada, e frustrada. Extremamente frustrada.
abriu os lábios algumas vezes, tentando expor sua confusão e raiva, mas não conseguiu proferir qualquer palavra. Ela arrumou a postura e passou os dedos nos cabelos, tentando arrumá-los.
Ninguém jamais havia a deixado daquele jeito. Não . Não a mulher que deixava os homens com as bolas roxas e depois saía, fingindo não ter a mínima culpa. Não a que os abandonava na cama e ia embora, no meio da noite.
Ela balançou a cabeça e deu os ombros, por fim. Não importava mais... Não o fora inconsciente de , ao menos; havia uma dúvida maior a ser sanada naquele momento. virou-se na direção de Brooke e a encontrou dançando sozinha.
- Brooke – chamou, não ganhando resposta em troca. A música estava absurdamente alta, e sabia que, acima daquilo, se quisesse ter aquela conversa com a amiga, não poderia ser ali. – Brooke! – puxou em seu braço, ganhando sua atenção. Ela a olhou confusa e apontou para o corredor o qual haviam entrado. A morena a compreendeu finalmente e assentiu, guiando o caminho.
Assim que chegaram ao ar livre, o céu já estava num azul mais claro, figurando o novo dia que começava a amanhecer. A brisa fria da madrugada fez com que as garotas se arrepiassem imediatamente, e, com isso, Brooke as levou na direção de seu carro. Ambas entraram no veículo depressa.
- O que houve? Isso tudo é o efeito ?
hesitou por alguns instantes, balançando a cabeça em negativa assim que assimilou o teor de sua pergunta.
- Não seja ridícula, Broo... Espera. – interrompeu-se. – Você parece ter conhecimento de causa. Já transaram?
- Mais vezes do que posso contar. Namoramos por quase dois anos, .
A mulher entreabriu os lábios, surpresa. Isso não era bom.
- Oh... Eu devo me desculpar?
Brooke riu divertidamente, trazendo o alívio que desejava.
A sua recente amizade com a morena teria problemas caso ela ainda se importasse. Definitivamente.
- Não seja ridícula você, . É claro que não. é um cachorro, e, acredite, ser amiga dele é bem menos estressante. Só sinto falta do sexo... Porque, bem, como você deve ter tido uma pequena amostra... – sorriu sugestiva e a correspondeu, lembrando-se dos poucos e tão intensos momentos que tivera com o rapaz minutos atrás.
- Bom... É. Mas não é essa a questão. – deu os ombros, voltando a se lembrar do motivo pelo qual queria começar aquela conversa. – Te chamei porque quero que me conte, B. Quero que me explique o que é... A Hidra.

***


Capítulo 3 | A proposta.


Brooke analisou a intenção de seu questionamento e inspirou fundo, fazendo uma breve análise da mulher a sua frente.
A conhecia há não mais do que uma semana.
Sabia que a Hidra era a parte mais importante de sua vida, e abri-la daquela forma para alguém poderia trazer consequências.
arrumou-se no banco, sentando-se sobre os joelhos, esperando pela resposta. Brooke mordeu o lábio, em dúvida, e chacoalhou a cabeça enfim.
- Não roubamos carros. – começou, arrancando uma risada de – Ou, pelo menos, não quando não é necessário para fuga. Ou corridas clandestinas.
- Fuga?
Brooke respirou pesadamente, levando as mãos ao pescoço e desatando o fecho de seu colar. Ela o colocou nas mãos de , que analisou o pingente de bronze esculpido na forma de cobra com duas cabeças.
- Se cortarem uma cabeça, duas nascem em seu lugar. Mais forte, maior, e melhor. Hidra! – recitou o provável lema com falsa animação. sorriu interessada. – Síndrome de Robin Hood... Um pouco corruptos. Tiramos dos ricos para dar aos pobres. E a nós, claro. Assaltamos mansões, roubamos bancos, traficamos...
assentiu, prestando atenção em tudo que lhe era falado. Ricos. Ricos se fodendo. Empresários malditos comendo o pão que o diabo amassou. Famílias ricas que não enxergam nada mais do que querem enxergar. Milionários com preocupações que não passam de assuntos fúteis e...
O motivo por ela ter se tornado quem era.
- Você já matou alguém?
- Já. Às vezes é necessário. Não medimos esforços para conseguir o que queremos, .
- Alguns de vocês já morreram?
Brooke riu sem humor da pergunta praticamente retrógrada. A resposta deveria ser óbvia.
- Cortem uma cabeça, duas nascem no lugar. É a Hidra, . Somos leais uns aos outros; uma família... Você pôde ver hoje. Nos respeitamos, brigamos às vezes... Mas qual família não é assim?
- Você gosta daqui?
- Está brincando?! Isso é a minha vida, . Eu respiro a Hidra. É a única família que tenho, e não poderia amá-los mais.
sorriu, olhando para a fábrica por alguns instantes.
- Vocês não têm medo de serem descobertos?
- O medo nos enfraquece, e não nos leva a nada. Não sentimos medo, simplesmente. – deu os ombros. – E, além do mais, você não é a única a usar pseudônimo. – piscou. sorriu abertamente. – Noventa por cento da Hidra não usa seu nome de certidão. Eu também não.
- E como é o seu nome? – se interessou.
- Isso não funcionaria se eu contasse.
suspirou derrotada, rindo baixo.
- Vocês se divertem?
- Acho que você pôde ter uma pequena amostra. – repetiu a frase dita há minutos, em meio a risadas. a imitou. – Sem preocupações, sem regras, sem medo. Somos livres para sermos quem quisermos, sem arrependimentos. Aparentemente, nós nos divertimos, sim.

**

- Nós só a vimos uma vez, Mason. Ela é gostosa, e parece ser... Legal. Mas é só isso. Não podemos confiar nosso segredo a alguém que mal conhecemos.
- Se estão falando da , ela já sabe sobre a Hidra. – Brooke disse enquanto passava pela porta, chamando a atenção de e Mason, que estavam no centro da sala tática da fábrica da Hidra. Eles a olharam atônitos, e a morena deu os ombros displicentemente, tomando alguns goles da garrafa de água que trouxera nas mãos.
- Brooke! – recriminaram, uníssonos.
- não irá contar para ninguém, a garota tem mais rabo preso do que todos nós juntos. É confiável. Você conversou com ela, não foi, Mason?
- Bom, é verdade. Ela parece ser uma mulher bastante curiosa... Confiável. E tem boas habilidades, pelo que notei.
- Também notei que ela tinha habilidades, mas nem por isso quero trazê-la. E olha que eram habilidades realmente invejáveis.
Brooke rolou os olhos exageradamente, sentando-se ao seu lado. Não era obrigada a ter de ouvir detalhes sórdidos sobre o breve momento íntimo que a recente amiga e o ex-namorado tiveram juntos. Não que ela sentisse ciúmes; conhecia muito bem para saber que continuar gostando do homem mesmo depois do fim do relacionamento seria masoquismo. Quase um suicídio.
- Não estou me referindo a se ela sabe ou não bater uma para você, . Ela luta, e não me parece ser cheia de frescuras. É bonita, também... Acredito que isso seja de bom uso para distração de nossas futuras vítimas. Estamos desfalcados, e talvez fosse uma boa opção. Você pode nos falar mais sobre ela, Brooke?
- é divertida. Sabe se divertir, pelo menos. Não tem receios e muito menos um lado boa menina. Ela me perguntou se eu já matei alguém, e, ao ouvir a afirmação, ao menos se chocou. tem sangue frio, não se preocupa com os outros e, em minha opinião, tem o perfil da Hidra.
- ? – Mason chamou. O rapaz o olhou, enquanto soltava a nicotina presa em seus pulmões. Ele retirou o cigarro dos lábios. – Você pode fazer um relatório apurado sobre a vida dela?
- Ela perguntou sobre mim, Brooke? – esticou o corpo na cadeira, encarando a morena, que estava de pé naquele momento. Mason franziu o cenho, confuso pela sua mudança brusca de assunto.
- Nem uma só palavra depois de sábado. Estou falando, a garota é diferente. a deixou na mão, literalmente, e ela nem chegou a me questionar sobre. Qual é a mulher que fica com esse desgraçado e não cai aos seus pés, depois?
Todos os três riram, e balançou a cabeça, tragando o cigarro mais uma vez.
- Tudo bem, é um ponto. Vou fazer isso, Mason. – assentiu, derrotado. – Vou descobrir quem é ... E .
apoiou o cotovelo no joelho, enquanto se arrumava em uma cadeira em frente ao balcão de sua cozinha, onde vislumbrava a tela do site de buscas no notebook. Ele virou um gole de vodka que trazia num copo de shot e fez uma careta ao sentir o álcool queimar sua garganta. A sensação que precisava. O torpor que adotava todas as noites, aliviando suas tensões. estalou o pescoço e digitou o nome que havia visto no documento de identidade de , há dias.
.
Uma boa quantidade de imagens apareceu à sua frente, e ele franziu o cenho de imediato.
Conhecia aquela mulher.
Mas não daquele jeito.
O rapaz desceu a perna que apoiava na cadeira, sentando-se mais confortavelmente. A pessoa que via nas imagens era completamente diferente da que conheceu no sábado. Era sofisticada, contida, doce.
Ele sorriu sarcasticamente, enquanto ligeiramente balançava a cabeça em negativa. Já devia imaginar. A mulher carregava um ar cheio de mistério, não suportava ser chamada pelo nome real, e... Ela era boa demais para ser somente uma mulher estragada como ele.
As notícias sobre a conceituada família de advogados piscou como um outdoor em sua frente e ele deixou o corpo deslizar por sua cadeira, lendo parcialmente a matéria.
. Vinte e três anos; formada em Psicologia pela UCLA. Atualmente, cursava Direito em Stanford, seguindo os passos da família. Um irmão mais novo, chamado Jacob. Sempre fora a filha exemplar que todos desejavam. Havia namorado duas vezes; na primeira, dos treze aos dezesseis anos de idade. Com o outro, dos dezessete aos dezoito.
clicou em suas redes-sociais, e, ao se conectar a rede de fotos, encontrou-a ainda mais distinta. Numa das fotos, ela estava na praia acompanhada de mais algumas amigas. Seus cabelos estavam soltos, lisos. Ela usava óculos espelhado colorido, e carregava um sorriso suave no rosto; o biquíni cavado da Victoria Secrets deixava seu corpo ainda mais cheio de curvas, e o rapaz ergueu as sobrancelhas por um mínimo segundo, apreciando a visão.
Ele suspirou, olhando para o relógio do notebook. 2H37 AM. Estava exausto. E sentia que se continuasse com as buscas pela patricinha aventureira por mais tempo, ficaria indisposto, também.
O homem desceu a barra de rolagem do mouse, passando os olhos brevemente pelas fotos. Viagens internacionais, selfies, piquenique no gramado de Stanford com as amigas. rolou os olhos com a tamanha futilidade esbanjada nas fotos, e, ao encontrar uma das imagens, foi obrigado a clicar na mesma. era uma mulher linda, e isso era inegável. Na foto, ela estava em frente ao espelho, segurando seu celular de última geração, registrando seu provável novo vestido. O rapaz havia visto uma imagem daquela mesma noite ao digitar seu nome no site de buscas, mas vê-la por aquele ângulo era impressionantemente melhor. O vestido vermelho descia até seus sapatos de marca, tendo uma fenda generosa na perna esquerda, o modelo era de um só ombro, e colado ao corpo. O cabelo estava preso num coque, e os lábios vermelhos assim como no dia que a conheceu. O rapaz se aproximou da tela e a analisou friamente. Ela parecia ser capaz de adequar a Hidra.
Principalmente quando precisariam de uma mulher bonita para entreter algum empresário, enquanto sacavam sua mansão.
Outra imagem se materializou em sua frente: o Natal passado, provavelmente. segurava o celular em frente a uma bola de enfeite natalino, seu irmão estava ao seu lado, e eles faziam uma careta para o reflexo na bolinha. Eles tinham gorros temáticos e era uma ótima foto.
decidiu que era o suficiente, e abaixou a tela do computador. Apoiou o queixo sob as mãos cruzadas, logo acima da mesa. Ela tinha a vida perfeita, desejada por qualquer outra mulher no mundo.
E ainda assim, parecia orgulhosa em ser outro alguém. O oposto de si, como a própria havia se referido, no episódio da tatuagem. A tal marca em sua pele realmente fazia sentido.
estalou os lábios e recostou as costas sob a cadeira, novamente, erguendo o olhar para o teto. Uma risada cheia de ironia escapou por seus lábios inevitavelmente quando ele se deu conta que representava.
O exemplo de pessoa que mais lhe enojava. O exemplo de pessoa que ele adoraria apertar o gatilho contra sua roupa de marca. O exemplo de pessoa que o fez desistir de seu sonho ao cursar faculdade de fotografia, há alguns anos.
O exemplo de pessoa que ele jurou ser o diabo de seus infernos pessoais.
era uma patricinha que gostaria de ter aventuras para contar aos netos. Gostaria de visitar o lado contrário a sua vida perfeita, para se vangloriar às amigas tão podres quanto à própria.
entraria para a Hidra.
E acabara de sair, mesmo que tão precocemente, da vida de .

**

sentou-se na cadeira estufada em frente à mesa do pequeno escritório qual Brooke havia lhe levado, alegando ter um assunto formal para tratar. A garota tentou hesitar. Não queria assuntos formais, reuniões, ou o quê mais Brooke estivesse disposta a falar.
Aqueles assuntos eram para . Não para .
Ela deslizou o corpo na poltrona e buscou uma mecha de cabelo para frente do rosto, fazendo uma trança bagunçada nos fios, enquanto mascava um chiclete rudemente. Brooke se afastou por alguns minutos para – segundo ela – chamar Mason, e passeou o olhar pelo local. Era um escritório simples, como qualquer outro, numa rua comercial do centro da Califórnia. Um sorriso distraído tomou seus lábios quando se lembrou dos assuntos provavelmente discutidos naquele convencional espaço.
- Nossa querida e aclamada !
Mason disse, ao entrar na sala no enlace de Brooke. sorriu em comprimento, largando a mecha de cabelo que antes lhe ajudara a esperar pelo momento em que finalmente o homem fosse ao seu encontro. Ela ajustou a saia rodada em suas pernas, cruzando-as para que ficasse mais confortável.
- Brooke me disse que você tinha um assunto importante para falar comigo.
- Eu tenho. – sorriu abertamente – Ela me disse que já te contou sobre a Hidra... – assentiu, apoiando a lateral do rosto numa das mãos. – Gostaria de saber a sua opinião sobre.
- Sobre a Hidra? - Exatamente.
- Não tenho uma. – riu displicente, dando os ombros – É indiferente, Mason. Cada um faz de sua vida o que quiser fazer... É o nosso corpo, são as nossas regras e rédeas, temos livre arbítrio. Decidimos como queremos vivê-la. E para que você esteja tendo essa conversa comigo... Tenho certeza de que já sabe tudo sobre mim... Ela. Sobre .
O homem entreabriu os lábios e ergueu as sobrancelhas brevemente, surpreso com sua reação inesperada. Em seguida, um sorriso sincero passou por seus lábios. Ela era mais esperta do que imaginara.
- Tem razão, eu sei. – ela suspirou desconfortável. – Mas meu assunto é com a pessoa que está na minha frente agora. Será que a ... Você – corrigiu, vendo-a erguer o olhar para encarar seu rosto novamente, com um brilho distinto em suas íris – estaria interessada em fazer parte da Hidra?


Capítulo 4 - Welcome to the Game.


As luzes dos singelos refletores no centro da fábrica abandonada incomodaram a visão de assim que a iluminação a refletiu, fazendo-a ser o centro das atenções.
Como sempre era.
Fosse como ... Ou como .
A mulher subiu os degraus que a separavam do palco, e, quando finalmente chegou ao centro, sorriu abertamente, encarando os membros da Hidra a aplaudindo e gritando palavras de incentivo. O sentimento de segurança que se esvaíra poucos minutos antes, voltou ao seu ser e ela deu um passo à frente, colocando as mãos atrás do corpo, analisando cada um dos rostos de seus novos companheiros.
Seria uma boa empreitada. Uma nova aventura. E algo lhe dizia que talvez fosse a aventura de sua vida.
- Esta é ! – Mason, um dos líderes, disse, com um sorriso cheio de orgulho figurando seu rosto. – E é com prazer que tenho o dever de anunciar que ela é o mais novo membro da Hidra!
O uníssono de saudações calorosas aumentou, e duas tochas foram acesas nas laterais do palco. Os olhos de brilharam contra as labaredas.
Uma das membras se aproximou da mulher, carregando um colar de bronze entre os dedos. piscou afetivamente para a garota e ela passou as mãos ao redor de seu pescoço, ajustando a peça sob sua pele. A moça abaixou o rosto e levou uma das mãos ao cordão, observando a cobra de duas cabeças bem esculpida no bronze. Anteriormente, avistara cada um dos membros com uma daquela; fosse como colar, ou pulseira.
O sentimento de confiança voltou a invadi-la e ela olhou para Mason, esperando pelo próximo passo; que não demorou a vir:
- Se cortarem uma cabeça, duas nascem em seu lugar. Mais forte, maior, e melhor. – recitou o já conhecido lema, e, antes de continuá-lo, virou-se novamente para a pequena plateia. Todos tomaram fôlego e ergueram o punho direito, cerrado; juntando-se a Mason: – Hidra!
As palmas explodiram pelo ambiente da sede do bando, e não teve outra reação a não ser rir animadamente, segurando o cordão entre os dedos.
Definitivamente.
A aventura de sua vida.
- Ainda não acredito que está aqui! – Brooke a abraçou pela milésima vez naquela tarde, e já estava começando a ter alergia àquela continuidade irritante de contato físico. Não só da parte da amiga, como de todos os outros membros da Hidra que a parabenizavam por sua entrada. – Você é uma de nós agora.
- Eu sou. – sorriu, soando com mais sinceridade do que as tentativas anteriores com desconhecidos. A mulher segurou o colar da Hidra entre os dedos e o olhou de sorrateio. Aquela peça realmente tinha muito mais peso do que as mínimas gramas de bronze que seus olhos podiam checar. – E estou ansiosa para quando começaremos a fazer algo realmente emocionante.
Brooke riu, lhe oferecendo uma dose de tequila que trazia entre as mãos. a aceitou prontamente e a virou.
- Quando menos esperar. Você vai respirar adrenalina, , confie em mim.
- Eu confio, docinho. – piscou, e logo em seguida passeou os olhos pela fábrica, encontrando inconscientemente um rosto que conscientemente havia procurado desde que chegara naquele local.
estava apoiado em uma das pilastras, enquanto conversava com dois membros da Hidra. Ele trazia nas mãos uma dose de vodka – reconheceu –, e um sorriso não tão amigável no rosto. A mulher lembrou-se imediatamente do último sábado, quando o viu pela primeira e única vez. Ela continuava o achando estupidamente atraente, e aquela áurea misteriosa só servia para aguçar seus sentidos e curiosidades sobre o que ele escondia.
Os homens que conversavam com se afastaram e assentiu brevemente para Brooke, andando na direção do rapaz, que, a esta altura, tinha uma carranca abusiva em suas feições.
- Não recebo nem um “parabéns”? – sorriu, chegando finalmente a sua frente, ganhando sua completa atenção. O homem se assustou ligeiramente, não estava esperando-a ali. Ela riu de sua reação.
- Ah, é claro. Parabéns – sorriu também, mas ela reconheceu sarcasmo. – Por acabar de foder a sua vida. – fechou o sorriso e brindou o ar, terminando de tomar o álcool de seu copo.
A mulher fechou alguns centímetros do sorriso, analisando suas palavras e reação. Ah, não. Ele não pensava que ela era como uma daquelas mulheres frágeis que se machucariam naquele lugar, não era? Inevitavelmente, uma risada escapou de sua boca e ela abaixou o rosto, balançando-o devagar.
- Que grosso. – brincou, fingindo estar séria. – Estou surpresa. Achei que só fosse grosso embaixo. – um sorriso malicioso repuxou a lateral de seus lábios e ergueu as sobrancelhas, deixando um sorriso torto sobressair sobre sua carranca. Ele apoiou o pé na parede atrás de si, ganhando equilíbrio. o encarou, observando sua postura corporal. voltou a fechar o sorriso. – Por que tão sério? – sussurrou com intensidade, aproximando o rosto do dele e soando como um personagem dos quadrinhos. reconheceu a referência e voltou a sorrir, mas agora somente com os lábios.
- Escuta, ... Vamos deixar algumas coisas claras aqui. – ela assentiu, colocando o corpo para trás e cruzando os braços. O sorriso continuava em seu rosto, no entanto. – Você sabe que é linda, e mais gostosa do que boa parte das mulheres que já transei. Mas... É só. Foi bom. Estamos no mesmo time agora. Embora eu não acredite que você seja a melhor opção para a Hidra... – deu os ombros, e a ouviu rir, como se estivesse ouvindo o melhor Stand Up já feito.
- Duvidando das minhas habilidades?
ergueu as palmas das mãos e deu os ombros, fingindo inocência. Seu ar estava divertido, e isso só incentivou as reações de , que continuavam tão divertidas quanto.
- Não é como se eu as conhecesse.
- Ah, mas vai. – seu sorriso se repuxou mais alguns centímetros. – E, quanto a não querer seguir em frente com isso... Por favor, desse jeito você me ofende. – levou os dedos à gola da camisa do outro, arrumando-a num carinho sutil. – Eu não quero nada com você, lindo. – repetiu o apelido que havia sido chamada por ele, há uma semana. – No máximo, com o seu pau. – arregalou os olhos, vendo-o fazer o mesmo. Ela riu, se afastando. O rapaz se recompôs prontamente. – E se quer saber, ... Espero que possamos nos conhecer melhor nos próximos meses. Porque, definitivamente, você ainda não me conhece. Se conhecesse, saberia que quando quer alguma coisa, ela o tem. Simples assim. – O homem sorriu, erguendo uma sobrancelha em desafio quando ela estava prestes a dar as costas a ele. – Na verdade, estou meio confusa. – levou as mãos à cintura, parecendo pensativa. Ele cruzou os braços, fingindo interesse. – Não sei se você é realmente bom o bastante para mim. E também não sei se você é interessante o suficiente... Talvez você não me tenha. – riu, olhando brevemente para os lados. – Vou pensar e quando tirar minhas próprias conclusões eu te digo. Ou mostro.
- Vou esperar ansiosamente para saber se serei seu novo objeto de anseio, senhorita . – ironizou.
A feição segura de titubeou pela primeira vez naquela conversa, e ela engoliu a seco, dando um passo em sua direção, deixando seus rostos próximos.
- , . Não tente me testar. Para você, e qualquer um aqui dentro, é .
- Minha opinião sobre você só se concretiza. Acha que pode conseguir o que quer, é? Acha que tem direito de me dizer o quê fazer, falar, ou ouvir? Sei que não deve estar muito acostumada com isso, – enfatizou –, mas eu vou te contar uma coisa, que talvez você nunca tenha ouvido, também: A decisão não é sua. Você não manda em porra nenhuma. – abriu os braços, gesticulando-os. O sorriso em seu rosto cresceu. O dela diminuiu, sendo trocado por uma carranca, demonstrando sua extrema irritação. – Eu não sou um vestido de grife o qual você entra no shopping e compra com o cartão ilimitado do papai. Você não pode me ter se quiser, . – sussurrou, provocando-a. entortou os lábios e trincou o maxilar.
O silêncio excruciante durou aproximadamente um minuto antes que fechasse os olhos por alguns segundos, recompondo-se. Ela inspirou profundamente e, ao voltar a encará-lo, o sorriso de minutos atrás tomou seus lábios novamente. Sua postura se arrumou, e ela passou as mãos pelos cabelos, rodeando os dedos nas pontas onduladas.
- Decidi. – disse de repente. Ele umedeceu os lábios, franzindo o cenho. – Não quero você.
riu com gosto, guardando as mãos nos bolsos.
- Desistindo assim tão rápido? Jurei que você fosse mais persistente... Faz o seu tipo.
o imitou dessa vez, dando uma risada alta.
- Desistir? De você? – exagerou, medindo-o. – Eu nem sequer cheguei a tentar, meu amor. Não vale o meu tempo, nem esforço. E... Nem o meu tipo.
- Ah, não?
- Não. Vai se foder. – sorriu sarcástica e girou os calcanhares, dando as costas a ele. Ao dar o primeiro passo, pôde ouvi-lo:
- Parabéns, . Bem vinda a Hidra.
Ela parou de andar por alguns segundos e fechou o sorriso, analisando sua frase. A maldita frase que quisera que ele lhe falasse quando o reconheceu naquele dia. engoliu a seco, inspirou fundo, o olhou de soslaio e acenou gentilmente para o homem, como se nada houvesse acontecido momentos antes. A mulher voltou a andar em direção a Brooke, que conversava animadamente numa roda de amigas, e umedeceu os lábios, tentando se assimilar a realidade novamente. Ela suspirou profundamente, engolindo a seco. Sentia-se como .
Exposta, insegura, aberta.
Não se tratava do fora que havia levado de . Ele que se fodesse. Era por ela.
Ela estava preocupada com como pôde ser analisada tão friamente por alguém que acabara de conhecer. Como sua parede de personalidade havia sido derrubada cruelmente por alguém que havia visto somente uma vez.
Havia sido ele quem pesquisou sobre a sua vida, disso ela não tinha duvidas. Mas o que aquilo poderia dizer tanto?
Ela não era mimada. Só conseguia o que queria.
havia descrito , e não . Aquela não era ela. Não era ela desde os quatorze anos e o maldito segredo que carregava consigo, e o levaria para o caixão.
mudou a direção de seus passos e caminhou até o bar, pedindo duas doses de tequila. O barman fez uma brincadeira sobre seu primeiro dia e ela riu, virando a bebida sem pestanejar. Sua garganta queimou fervorosamente pela boa quantidade que havia ingerido, e em seguida chacoalhou a cabeça. Virou-se para as pessoas no centro da fábrica, e a sensação de adrenalina voltou a tomá-la possessivamente.
havia voltado. Ela sempre voltava.
E ela sempre ficaria por cima. Em todos os aspectos possíveis.
A mulher sorriu maliciosamente e passou a andar por entre as pessoas, caminhando de seu modo peculiar. Um par olhos curiosos se postou sobre si e ela o correspondeu. Ele era alto. Olhos castanhos intensos, cabelo semi-raspado, tinha músculos na medida certa e um sorriso cheio de intenções que apreciou de imediato. Ela diminuiu a velocidade das passadas e ao se aproximar dele, parou de andar.
- Bem-vinda a Hidra.
- Obrigada. Três perguntas! – o interrompeu. Ele sorriu divertido. – Primeira: estado civil?
- Solteiro.
sorriu.
- Você pode me divertir? – ergueu uma das sobrancelhas, enquanto dava um passo em sua direção. O sorriso do desconhecido se alargou mais um pouco.
- O quanto quiser.
- Você quer transar?
O homem sobressaltou levemente com a pergunta sem rodeios, mas em seguida voltou a sorrir, dessa vez com o dobro de malícia. Ele pôs fim à distância que os separava e colocou sua cintura fina entre as mãos, segurando-a com possessão. levou os braços aos seus ombros e os apoiou ali, rodeando seu pescoço. Ela roçou seus lábios, conhecendo seu toque, desfrutando de seu sabor.
- Deveria ser proibido me questionar sobre isso, . Você já sabe a resposta.
Ela riu marota, lhe dando um beijo rápido.
- Na sua casa?
- Se preferir. – deu os ombros, e ela assentiu, dando um passo a frente e caminhando satisfeita até a saída fábrica.
Definitivamente, ela precisava de sexo. Precisava de alguém que a fizesse esquecer-se de seu nome – ambos. Que a fizesse se divertir. Que a lembrasse de cimentar ainda mais a parede que a dividia entre e .
No fim, sexo era tudo o que ela precisava. E tê-lo com o desconhecido, seria a saída para a confusão que aquele dia lhe pusera.
Novamente, não era pelo o que havia lhe dito, mas por ter se deixado levar. Que se foda o que ele pensasse sobre si, ela não se lembraria nem no próximo dia, mas... Estar exposta num local onde só frequentaria. Entrar para uma máfia onde sabia todos os riscos que corria.
Ela não o temia, contudo.
não temia nada.
E era quem estava no comando. E era ela quem sempre estaria.

**

- Perdeu a garota, ?
Brooke disse, chegando ao seu lado. riu verdadeiramente, encarando a mulher. Havia visto sair com Cole há poucos segundos, mas sequer dera atenção à situação.
- E quem disse que eu quis ganhá-la? – sorriu, apoiando o braço em seus ombros. Brooke sorriu na mesma intensidade, lhe dando uma cotovelada leve nas costelas.
- Quem não quer ganhá-la?! Acredite, eu já a beijei e sei o quanto você pode ficar excitado com a língua daquela mulher.
gargalhou, começando a andar ainda no enlace da amiga.
- Ela é linda, Brooke. Não tenho como negar. Mas acho que posso viver sem cair aos pés da Barbie. – piscou.
- Diga a verdade, : você não consegue me esquecer. – brincou, e ele riu ainda mais, apertando o braço em seu redor, colando seus corpos. – É complicado, eu sei. Você supera, amor.
Ele a abraçou com força, e mordeu seu pescoço. Brooke gargalhou, dando um tapa em seu braço. Sabia que aquela mordida a deixaria marcada por bons dias.
- Quanto tempo para a advogada do papai nos levar ao caos absoluto? Até ter que apertar o primeiro gatilho para acabar com alguém?
Brooke fingiu pensar, achando de graça de sua teoria conspiratória. Não duvidava dela, no entanto.
- não é altruísta. Aposto dois meses, até que ela seja colocada em perigo e caia fora.
abriu um sorriso orgulhoso por ver que apesar da recente e tão intensa amizade que havia formado com , Brooke ainda fazia parte de seu time, e o apoiava irredutivelmente.
- Você é pior do que eu, Brooke.
- Ei, não. Eu gosto mesmo da , mas... Você sabe. Nós sabemos. A Hidra é muito escura para a sua áurea clara.

**

se despediu brevemente de seu motorista e pôde ouvir os resmungos irritadiços de seu pai, logo inicialmente. Ela suspirou, retirando os sapatos de salto e cumprimentando uma das empregadas que passou por seu lado.
Como se não bastasse passar por um dia exaustivo de estudos em Stanford; a noite mal dormida (mas muito bem aproveitada) que havia tido, ainda teria de suportar os gritos repreendedores que seu pai rotineiramente passava para Jacob, seu irmão.
Ele só era um adolescente de quinze anos... Que queria absurdamente conhecer o mundo por trás das redes de proteção dos .
conhecia bem aquele sentimento.
A mulher respirou fundo ao ouvir a voz do irmão enfrentando seu pai. Ela parou por alguns segundos, umedecendo os lábios. Queria absurdamente voltar para Stanford e fugir por hora daquela confusão que estava acostumada.
A voz de sua mãe se sobressaiu dentre a discussão e tomou coragem finalmente para enfrentar a briga de titãs que a esperava.
- Que saco!
- Diversifique seu dicionário, Jacob! Você não pode passar o resto da vida falando como um pré-adolescente!
segurou o lábio entre os dentes e passou pelo corredor, chegando à sala de jantar, onde a discussão calorosa acontecia. Brianna, sua mãe, segurava uma folha de papel, enquanto tinha a testa apoiada em uma das mãos. Anthony, seu pai, estava em pé, gesticulando arduamente com as mãos; as mangas da camisa social dobradas até os cotovelos e a feição amarga. Jacob, seu irmão, estava sentado despojadamente na cadeira, encarando o teto. E por sua expressão corporal, ele não poderia estar mais entediado e irritado com o momento. quis rir por um segundo, mas se conteve ao observar que havia sido notada.
- Aí está! A irmã qual você deveria se espelhar, Jacob. Está vendo? nos orgulha, diferentemente de você.
- Pai. – recriminou, aproximando-se do irmão. Ela beijou sua bochecha rapidamente e apoiou as mãos em seus ombros. – O que você aprontou dessa vez, Jake?
- Eu existo. – exagerou, bufando. sorriu.
- Seu irmão foi suspenso novamente, filha. – Brianna disse, com os olhos atentos ao papel que carregava nas mãos. – Como se não bastassem as notas inadmissíveis... Esse garoto quer fazer seu pai gastar com plásticas para mim mais do que o necessário. E com tintura de cabelo também.
rolou os olhos, balançando a cabeça e caminhando até seu pai. Não precisava do drama barato da mãe naquele momento.
- Tudo bem, ele foi suspenso. Gritar adiantará alguma coisa? O moleque vai tirar “A” no próximo semestre?
- Ele não pode sair ileso, .
- Isso não é um julgamento, pai. – sorriu docemente. Sabia que conseguiria tudo com aquele sorriso. – É só o seu filho malcriado.
- ! – Jacob resmungou com incredulidade.
A mulher riu, olhando-o.
- O que você fez?
- Bati em um cara.
- Por quê?
- Porque ele estava enchendo a porra do meu saco! – se exaltou. apontou, medindo suas atitudes. Ele bufou novamente, cruzando os braços como um menino mimado.
- Esse menino precisa de um dicionário com urgência. – Anthony balançou a cabeça, sentando-se. – Quando é que você vai aprender a ser como a sua irmã, Jacob?
- Quando eu criar uma vagina!
Depois da frase malcriada e cheia de deboche, Jacob se levantou e caminhou em passos apressados e pesados para o andar de cima da casa, deixando os adultos apreensivos por seu comportamento. Os pais se encararam entre si e se comunicaram somente com o olhar. sabia muito bem o que eles estavam pensando... Internato na Suíça.
Aquela era a solução que todos os pais de seu meio davam aos seus filhos rebeldes, desde que se entendera por gente. O internato era sempre a melhor saída. Seus filhos sairiam de lá com maturidade, e extremamente inteligentes. Quase como uma lavagem cerebral. Uma lobotomia. havia perdido as contas de quantas vezes havia escutado a conversa dos adultos, em reuniões aos finais de semana, alegando que enviaram seus filhos para tais lugares. Quantos colegas de classe haviam sido recolocados daquela forma, por somente uma consequência da adolescência?
Castigarem seus filhos do modo convencional não parecia digno o suficiente daquelas famílias. A mulher sabia que tivera sorte em nascer sendo uma , que, apesar das severas e tradicionais ordens, jamais sequer a ameaçara de enviá-la para a Suíça.
No entanto, não conseguia descobrir por quanto tempo a paciência frágil de seus pais durariam com Jacob.
Ela inspirou fundo, umedeceu os lábios e passou a andar na direção que o irmão saíra, deixando mais uma vez seus pais em absoluto silêncio, perdidos em seus próprios pensamentos.
- Vai encher o meu saco também? – Jacob disse ácido ao ver a irmã entrar em seu quarto. Ela entreabriu os lábios, fingindo indignação.
- Me respeita, garoto. Ou, além de encher, eu decapo.
O rapaz riu finalmente, vencendo seu próprio orgulho. sorriu, sentando-se na ponta de sua cama. Ele deixou o celular na cômoda ao seu lado e virou-se para a mais velha.
- Estou cansado de ouvir que preciso ser como você, . – seu sorriso diminuiu alguns centímetros, e o dela por completo.
- Você é melhor do que eu, Jake. Muito melhor.
O garoto abaixou o rosto e voltou a rir, mas dessa vez o lado psicólogo de a certificou de que não havia qualquer resquício de humor.
- O que um cara de quinze anos tem de melhor que uma mulher linda, inteligente e educada de vinte e três? Você é o orgulho da família. Eu sou a ovelha negra, já estabelecemos isso.
A mulher quis rir amargurada, mas hesitou. Se ao menos ele soubesse que seus problemas de juventude não podiam sequer se comparar com os de .
- Eu sei que sou linda. Para. – brincou, sorrindo divertida, ele a imitou. – Quem foi o babaca que mereceu uma surra?
- Ashton Stone, está no terceiro ano. Comeu a minha garota com os olhos.
riu, com os olhos arregalados. Ouvir seu irmão mais novo dizer aquelas palavras era um sentimento agridoce.
- Sua garota, é?
- Não namoramos, mas ela é minha.
A mais velha lhe lançou um olhar repreendedor.
- Ela não seria sua nem se vocês fossem casados, Jake. Ninguém pertence a outro alguém.
Ele rolou os olhos exaustivamente.
- Podemos parar com o discurso feminista?
- Não, não podemos. Jacob, nós já conversamos sobre isso. Ela não é sua porque vocês se beijaram, ou, sei lá... Fizeram sexo? – arriscou, e ele deu os ombros. sorriu de lado. Ainda não haviam o feito. – Ela não é uma propriedade, algo material, o qual você pode ter só para você. Fidelidade é uma coisa, e possessão é outra completamente distinta. Ela ficará com você até quando quiser, e quando não... Pronto, acabou. A garota vai ficar com outro garoto e você não poderá fazer nada contra isso. É o direito dela, corpo e vida, dela.
Jacob deslizou pela cabeceira da cama e bufou baixo, anunciando a sua falta de atenção. Algo nas palavras de a fizeram pensar brevemente sobre o comportamento de , há dois dias, ao reivindicar seus direitos dedicados a . Mas aquilo não se comparava. Ela deu os ombros, punindo-se mentalmente por lembrar-se do homem o qual havia se esquecido completamente nas últimas quarenta e oito horas.
- Ele a estava desrespeitando?
- Sim. Estava olhando pra ela como se fosse um pedaço de carne exposto na vitrine do açougue e... Você sabe, fingindo meter nela por trás, enquanto ela estava de costas.
A mulher mordeu o canto do lábio inferior e deixou um sorriso orgulhoso escapar.
- Ela não precisava de um defensor de sua honra, estamos acertados? – ele assentiu impacientemente, buscando seu celular na cômoda. – Mas isso foi muito gentil, Jake. Ela merecia respeito, e, mesmo que do modo errado, você o buscou. Não só por ciúmes, acredito eu. – sorriu abertamente, e ele a olhou, com um sorriso de lado. – Estou orgulhosa. – sussurrou, aproximando-se do garoto. Ela beijou sua bochecha carinhosamente, passando os dedos pela lateral de seus cabelos curtos.
- Você é a melhor pior irmã que eu poderia ter.
- Ah, eu sei, bobo.
Antes que completasse seu raciocínio, ouviu o celular apitar em seu bolso. Ela sorriu para o irmão e o buscou, digitando a senha e, finalmente, lendo a mensagem.
- Problemas no paraíso? – Jacob disse ao perceber a tensão de seu rosto. riu, voltando a olhar para o irmão e balançou a cabeça negativamente.
- Preciso voltar a Stanford. Esqueci de pegar um livro importante na biblioteca. – rolou os olhos, como se punisse a si mesma. Ela se levantou. – Você vai ficar bem, não vai? – Jake assentiu com obviedade. – Sem discussões calorosas enquanto eu estiver fora?
- Não posso prometer... – disse brincalhão. A mulher riu, beijando sua bochecha novamente. – Vai dormir em casa ou nos dormitórios?
parou antes de atravessar a porta ao ouvir sua pergunta. Era aquela desculpa que a garota usava quando passava as noites fora de casa.
Inevitavelmente um sorriso ladino surgiu em seus lábios e ela deu os ombros, virando-se brevemente para encará-lo.
- Provavelmente. Não me espere acordado, bonitão. – piscou, usando um tom falsamente sensual. Jacob gargalhou, erguendo o dedo indicador em compreensão.
- Bons estudos... Enquanto eu fico assistindo pornô. – colocou os antebraços atrás da cabeça, deitando-se confortavelmente na cama. arregalou a boca diante a confissão, e logo em seguida caiu na gargalhada, assim como ele.
A mulher saiu de seu quarto em meio a risos, que cessavam à medida que ela caminhava para o seu próprio quarto.
Jacob ficaria assistindo a pornôs, enquanto, muito provavelmente, ela participaria de um. Uma risada ansiosa escapou de sua garganta e a mulher fechou a porta de seu quarto, relendo a mensagem que recebera:

“Pronta para sua primeira missão? Use algo provocante, sensual. Nos mostre do que é capaz.”


Capítulo 5 - Primeira Missão.


- Não me diga que está colocando a nossa missão mais rentável do ano nas mãos de uma mimada que acabou de entrar!
passou pela porta da fábrica e inevitavelmente ouviu a frase dita por . Ela sorriu satisfeita e umedeceu os lábios devagar, sentindo o torpor delicioso por saber o incomodo que causava no rapaz. A mulher ao menos se lembrava dele, enquanto o próprio resmungava como uma criança mimada. Aparentemente, os papéis estavam invertidos.
- Me sinto honrada. – Ela disse, alarmando todos os presentes com sua chegada. Eles a encararam sobressaltados, enquanto revirava os olhos e caminhava até o oposto do local, buscando seu maço de cigarros no bolso da calça jeans. – Mais rentável? Quantos dígitos?
- Sete. – Mason respondeu, cruzando os braços. – 70% para nós, 30% para a caridade. – sorriu orgulhoso de si e riu sarcástica, assentindo. Síndrome de Robin Hood... Corruptos.
- Que caridosos. – piscou, ouvindo a risada de todos. Brooke se aproximou e beijou sua bochecha, cumprimentando-a. – Mas me expliquem: do que o lindo estava falando quando eu cheguei?
- Nossos sete dígitos estão em suas mãos, . Ou, melhor... Na fenda que tem entre as pernas. – Brooke disse, sorrindo amigável, apoiando o cotovelo no ombro da outra, que uniu as sobrancelhas, contendo uma risada.
- Seja mais específica.
- Seduza o político imbecil que está com as encomendas. – Hunter explicou. – Ele está cuidando da justiça federal, então teremos o campo livre. Só precisamos que você o leve para a suíte presidencial do Hotel que ele está hospedado.
- Ah. – murmurou, em tom de desconfiança. – E por que eu devo levá-lo?
riu cheio de ironia, enquanto tragava seu cigarro.
- Porque estamos mandando.
- Nem um: “por favor”? – estirou o lábio inferior, num bico forçado. Ela riu em seguida. – Por que eu devo levá-lo para lá? É a minha linda cabeça que está em jogo, preciso saber de todos os detalhes. – cessou sua risada, trocando-a por uma feição centrada.
- Mike O’Donnel é um senador corrupto ligado ao tráfico. Tivemos um pequeno desentendimento no ano passado, e quero cortar nosso vínculo definitivamente. E o que é melhor do que deixá-lo com as calças borradas nessa situação? – Mason sorriu cruel. – Além, é claro, de lucrarmos sete dígitos ao desviar a encomenda para outros parceiros. Você só precisa seduzi-lo no bar do Hotel, levá-lo para o quarto e lá estarão Brooke, e Hunter, prontos para torturá-lo psicologicamente. Talvez fisicamente também, não é?
sorriu misterioso, dando alguns passos na direção do tio. Ele ergueu uma das sobrancelhas, como se o respondesse mentalmente.
- Ele nos cortou uma cabeça... Vamos ver com quantas ele é capaz de lidar. É isso que a Hidra é.
analisou suas palavras e sorriu por fim, dando os ombros.
- E onde está a minha arma? – questionou com naturalidade, deixando todos atônitos. Ela suspirou entediada, apoiando o peso do corpo em uma das pernas.
- O quê? Vocês não vão dar uma arma para ela!
- Está com medo que eu estoure seus miolos, ? – retrucou, dando alguns passos em sua direção. Brooke simulou se aproximar, mas estendeu a mão, impedindo-a com uma barreira invisível. – Não vou. Você é bonito demais para morrer. Sorte sua.
O rapaz ia respondê-la com implicância, mas foi interrompido por Mason:
- Você terá uma.
sentiu os lábios repuxarem-se num sorriso prepotente e sentiu uma alegria quase infantil tomar conta de seu peito. murmurou em completa contrariedade ao seu lado e ela rolou os olhos.
tinha muita paciência.
Mas esta também tinha limites.
- O quê?! Ela não deve saber nem como manusear uma arma!
E o seu havia chegado.
A mulher deu o passo que os separava, e, sem qualquer espécie de sorriso no rosto, retirou a arma de coldre da calça de , apontando-a para sua cabeça. Ela inclinou ligeiramente o cano e apertou o gatilho sem medir consequências. O barulho intenso do tiro fez com que todos arregalassem os olhos, e, logo em seguida, o silêncio excruciante tomou conta do ambiente, deixando que somente as respirações entrecortadas dos membros da Hidra fossem ouvidas.
abriu os olhos – anteriormente fechados com pressão – e engoliu a seco. Olhou para trás e viu que o tiro que a mulher dera havia acertado em cheio a pilastra da fábrica, onde havia uma pequena mancha de carvão.
A maldita mira perfeita.
- Acho que um pau não é a única coisa que eu sei manusear, . – sussurrou, vendo-o encará-la com fúria.
- Sua maluca! – empurrou seus ombros, fazendo-a cambalear. As pessoas ao redor pareceram acordar de seus transes e se aproximaram. Mas não precisava de ajuda. – Você enlouqueceu?! Queria me matar?!
- Talvez. Você me irritou. – deu os ombros, retirando as balas da arma e jogando-as, uma por uma, em seus pés. – Vou ficar com essa. – balançou a arma no ar, virando o corpo para Mason, que ainda a encarava atônito.
, definitivamente, tinha a alma da Hidra.
- Ela tentou atirar na minha cabeça, Mason! – disse, incrédulo.
- Não, , não tentei. Se quisesse, teria o feito. – virou-se novamente para o rapaz, que continuava com a feição que se aproximava a ira. – Minha intenção foi acertar a mancha. Agradeça ao meu pai e aos finais de semana de caça na nossa fazenda. Tenho uma mira invejável, eu sei lindo.
- ? – Brooke a chamou, e ainda carregava a expressão de extremo pavor no rosto. rolou os olhos.
- Vocês vão ficar me olhando assim por muito tempo? Porque se forem, me avisem, meu pulmão está gritando por nicotina.
- Desgraçada, você podia ter me matado!
rolou os olhos mais dramaticamente dessa vez e voltou a se aproximar de , que deu um passo para trás por reflexo.
- Preciso de você vivo para atender minhas futuras necessidades.
riu sarcástico, balançando a cabeça e levando as mãos aos quadris. Ele precisava de muita paciência para lidar com aquela mulher. E paciência não estava entre uma de suas qualidades.
- Cala a boca, vadia. – girou o corpo, caminhando ao oposto dela. sorriu divertida, achando graça da raiva compreensível do outro. - E então? Já posso colocar a minha melhor roupa de vadia – estalou a palavra em seus lábios, olhando na direção de –, ou vamos esperar mais tempo para ir ao bendito Hotel? Estou ansiosa, Hidra. Me mostrem do que são capazes.
Mason sorriu torto ao ouvi-la repetir a ultima frase da mensagem que havia enviado a ela, há uma hora. Ele assentiu, apontando para o vestiário, e ela assoprou o cano da arma simbolicamente, se retirando com sua pose de mulher invencível.
Sem dúvida, ninguém mais ali presente duvidaria desse titulo.

estava apoiado na lateral de seu carro, checando suas redes-sociais através do celular, enquanto esperava o outro carro com Brooke e . Hunter, seu amigo, já havia ido à recepção do hotel para fazer o check-in. Mas, como sempre, ele teria de esperar. Esperar a boa vontade de antecedência de Brooke, e, agora, de . O rapaz bufou impaciente, colocando o celular no bolso de sua calça e cruzando os braços, encarando os carros luxuosos ao seu redor. Um mínimo sorriso satisfeito se repuxou em seus lábios quando o rapaz pensou em levar um daqueles para casa. Mas o movimento suspeito da câmera de segurança ao seu redor o fez cair em si novamente. Roubar um daqueles carros seria letal para sua liberdade. Ele deu os ombros e levou uma das mãos ao bolso traseiro de sua calça, encontrando o maço de cigarros que tanto ansiava. O homem não se demorou a acender um dos cigarros e tragá-lo com prazer. Seus olhos se fecharam instantaneamente e soltou a fumaça por seus lábios, fazendo círculos com a neblina.
Uma buzina soou alta direcionada a si e quando o rapaz olhou, pôde ver o carro de Brooke estacionar três vagas depois da sua. Ele comemorou sarcasticamente e passou a caminhar em direção ao veículo. No entanto, antes que continuasse, pôde observar sair dali, e, ao dar a volta no carro, ele foi obrigado a sorrir com os lábios travados. A mulher era linda como o inferno.
O vestido azul escuro extremamente colado ao corpo ia até metade de suas coxas, num modelo frente única e um generoso decote nas costas. Os cabelos estavam soltos e caíam em ondas encorpadas até o meio de suas costas. A maquiagem leve somente ressaltava seus pontos fortes, com ênfase nos lábios canudos preenchidos por um batom vermelho intenso, que só fazia com que os olhos de funcionassem como imãs até aquele pedaço de carne tão atrativo. O rapaz suspirou frustrado e cruzou os braços, murmurando em objeção.
- Você é irritantemente linda. – bufou, não soando como um elogio. riu de sua feição emburrada e franziu o cenho, em dúvida. Suas palavras pareciam gentis, mas sua postura corporal lhe dizia o oposto: que ele estava verdadeiramente irritado por aquilo. A mulher girou os calcanhares, apoiando uma das mãos na cintura e a outra livre ao lado de seu corpo, dando uma volta para que o outro pudesse vislumbrar seu visual por completo. rolou os olhos diante seu narcisismo, ao mesmo tempo em que controlou um sorriso torto nos lábios. A maldita o enlouquecia de forma que nem o próprio conseguia medir. – O’Connel vai ficar de quatro por você. Satisfeita?
olhou de soslaio para Brooke, que preparava uma maleta com papéis, câmeras, e objetos de leve tortura, dentro do carro. Ela aproveitou a breve distração da amiga e voltou a encarar ; deu um passo em sua direção, ao mesmo tempo em que umedeceu os lábios com uma tranquilidade invejável. O homem observou o gesto com atenção e ergueu o olhar para os olhos dela, encontrando pura e insana malícia.
- Na verdade, não. Estaria mais satisfeita se fosse você... – disse baixo, quase como um sussurro rouco. estava pronto para rir sarcástico, mas ela ainda não tinha terminado: - Mas, é claro, não seria você quem estaria de quatro. – piscou, vendo sua provocação surgir ao menos um mínimo efeito no homem. Já era um progresso, devia admitir. Seus olhos tomaram um brilho distinto e ele voltou a olhar seus lábios com atenção, aproximando seu rosto do dela.
- Não vai funcionar, linda. – sussurrou extremamente próximo aos seus lábios, de modo que ela conseguia sentir perfeitamente o hálito quente dele sobre sua boca. piscou, imitando-a, e se afastou bruscamente, como se nada houvesse acontecido. – Brooke, estamos atrasados. – passou ao seu lado, indo em direção ao carro onde a loira estava.
bufou frustrada novamente e virou-se na direção dos dois, enquanto tentava arrumar os cabelos, encontrando uma boa distração para seus pensamentos traiçoeiros. Ela não conseguia entender aquela reação de . Não conseguia encontrar o ponto que o afastou daquela forma. Haviam se conhecido, tido um breve momento juntos, e... Duas caóticas conversas que terminaram com na cama de um completo desconhecido, e um tiro numa pilastra da sede da Hidra, respectivamente. A mulher deu os ombros por fim, não ia se preocupar com aquilo. O cara era gostoso, exalava perigo e devia ser um deus do sexo, mas como aquele, havia muitos. E no próximo final de semana conseguiria um ainda melhor do que ele. Que se foda e seu mal humor descomunal.
Brooke saiu do carro finalmente, e entregou a pequena mala a , que sorriu em agradecimento. revirou os olhos, entediada, e saiu à frente dos dois, fazendo questão de usar seu melhor andar-rebolado.
Ela ficaria frustrada.
Mas ele ficaria mais.

**


- É aquele, . – Hunter apontou discretamente para um dos homens que estavam sentados próximos ao balcão do bar. analisou a figura de terno, cabelos grisalhos, pele bronzeada, e deu os ombros displicentemente. – Você sabe tudo o que tem que fazer?
- Seduzir o velho, levá-lo para o quarto e vocês dão um jeito nele.
- Na verdade... – começou, sugestivamente. franziu o cenho, olhando-o. – Nós queríamos algo mais. Precisamos de provas contra o O’Connel. Ele tem uma família conservadora ao extremo e... Bom, fotos na cama com outra mulher seria um escândalo fenomenal. – sorriu abertamente. – Será outra prova ao nosso favor.
- Eu não vou transar com ele, .
- Você não precisa transar. Só o deixe achar que vão... Seja criativa, nos dê bons ângulos.
o mediu de cima abaixo e travou os lábios antes que fizesse algum trocadilho sobre como a queria ver sem roupa. Mas estava irritada demais para aquilo, ainda não havia se esquecido do episódio do estacionamento. Ela assentiu, enfim, virando-se para Brooke.
- Onde estão os seguranças dele? Por que terei que levá-lo à suíte presidencial?
- Ele está hospedado no 14º andar, todos os seguranças estão no corredor, com exceção daquele que está com ele. – olhou brevemente para o politico, que continuava no bar. – O’Connel ficará sozinho conosco no quarto... Quer algo mais fácil do que isso? Parte da Hidra está nesse momento no ponto de descarregamento da encomenda, e eles darão conta dos homens do Senador, mas... Tente não demorar muito. – sorriu amigavelmente e retribuiu, assentindo.
- Ótimo. , você vigia a enquanto eu e Brooke preparamos o quarto.
- Vigia? – questionou, soando quase incrédula.
- Eu? Por quê? Nós vimos hoje o quanto ela é capaz de se virar sozinha. – se referiu à mira perfeita do tiro que ela havia dado na sede da Hidra. não pôde controlar um sorriso prepotente.
- Não contra dois homens, . Ele está com o segurança e ambos sabemos o quão esperto O’Connel é. O velho vai desconfiar de uma gostosa dando em cima dele.
- Hunter. – disse em agradecimento, sorrindo um tanto maliciosa.
- . – repetiu, rindo. – Ok, podemos?
- Eu vou ter que ser a babá mesmo? Por que a Brooke não fica?
- Vai. Porque ela é mulher e você é homem. – disse com obviedade. riu sarcástico, cruzando os braços.
- Achei que você fosse do tipo feminista.
- E sou, e não é um tipo. – retrucou – É exatamente por isso que sou inteligente o suficiente para saber que homens, geralmente, têm mais força física que uma mulher. Infelizmente. E diante essa situação... Acho que posso afirmar que estou certa. – olhou brevemente para seus braços, os músculos delineados por baixo da camiseta preta. Ela suspirou e voltou a encará-lo. assentiu, mesmo a contra gosto. – Ok. Subam. Fique aí, babá. E aprenda. – piscou para o homem, que soltou um riso sarcástico, obviamente sem humor.
Brooke e Hunter não se demoraram a subir para a suíte presidencial, enquanto se encaminhou para uma mesa no canto do bar do hotel, tendo o ângulo perfeito para assistir . E, caso o plano falhasse, a deixa perfeita para salvar a vida da mulher.
Que ameaçou tirar a sua, horas atrás. Irônico, no mínimo.
retirou o celular do bolso e fingiu prestar atenção no visor do aparelho, na tentativa de se camuflar no meio de todos os presentes. se aproximou do balcão onde O’Connel estava e o rapaz tentou apurar os ouvidos, não obtendo sucesso.

esbarrou propositalmente no ombro do Senador, fazendo-o olhar imediatamente na direção da mulher, que sorriu, fingindo surpresa.
- Oh, eu sinto muito!
- Não tem problema. Machuquei você? – Mike disse, com um sorriso acolhedor. notou as intenções do homem e sentiu o sentimento de vitória percorrer todo o interior de seu corpo. Ela arrumou a postura, ganhando mais confiança, e olhou discretamente para os largos ombros do senhor. Ah, é claro. O Senador acreditava ter músculos o suficiente para machucá-la. decidiu seguir sua linha de raciocínio.
- Quase. – soprou, desviando o olhar de seus ombros para seus olhos. – Estava distraída e esses saltos estão acabando comigo... Acabei me desequilibrando. – lamentou, usando seu melhor tom de garotinha indefesa. inevitavelmente agradeceu ter cursado psicologia naquele momento; podia identificar exatamente a personalidade machista e dominadora do homem. – Um uísque, por favor. – disse, virando-se brevemente para o barman, desviando totalmente sua atenção do político.
- Você está hospedada no hotel ou está esperando por algum amigo? – questionou, interessado. colocou o canto do lábio inferior entre os dentes, segurando-o. Virou o rosto ligeiramente, encarando o mais velho. – Espero não estar sendo indiscreto.
- Não está. – sorriu, buscando a dose de uísque o barman colocara a sua frente. A mulher deu um gole na bebida, sentindo o álcool queimar sua garganta. – Estou hospedada a negócios.
- Uma mulher de negócios, então? – ela assentiu. O homem sorriu abertamente, aproximando-se ligeiramente. comemorou internamente. Fragilidade e poder. Definitivamente, o exemplo de mulher que o Senador se interessava. Só lhe faltava o toque final, a cartada de mestre. – Bonita, inteligente, doce... Qual é o nome da dama?
Dama.
trancou os lábios para não gargalhar, e, após um bom gole em sua dose de uísque, virou-se completamente para ele.
- . – estendeu a mão, sendo amparada rapidamente pela do homem. Ele beijou as costas de sua pele e ela riu.
- Somente ? – a mulher assentiu. – Mike O’Connel.
- É um prazer, senhor O’Connel. O Senador arregalou os olhos brevemente, deixando um sorriso imensamente satisfeito escapar dentre seus lábios. Submissão.
- Somente Mike, por favor. – ela assentiu novamente, sem deixar de quebrar o contato visual. – Eu poderia convidá-la a subir à minha suíte?
ergueu as sobrancelhas, surpresa com seu convite repentino. Havia sido fácil demais. E foi exatamente isso que a motivou a responder-lhe de imediato:
- Não, senhor O’Connel.
O sobressalto de houvera sido tão grande, que a própria pôde notar. Mike O’Connel ameaçou virar-se na direção, mas ela tocou em seu braço, ganhando novamente sua atenção.
- Estou prestes a me casar. – o Senador murchou imediatamente. – Entretanto... Bom, eu vou ser sincera: não me vejo fazendo sexo com o mesmo homem para o resto da vida. – riu baixo, vendo-o arquear uma das sobrancelhas. – O que faria se estivesse no meu lugar? Há dias de seu casamento e... Absolutamente atraída pela possibilidade de se aventurar por uma noite com um desconhecido?
Infidelidade.
- Acredito que tenhamos que fazer o que nos satisfaça, independente de qualquer outro ponto.
- Eu... – interrompeu-se, levando uma das mãos ao seu ombro. Seus olhares se conectaram automaticamente. – Você acha que eu deveria?
Insegurança.
- Não podemos perder as chances que a vida nos dá, ... – se aproximou minimamente, colocando a mão em seu joelho.
observou a mão possessiva do homem sob sua perna e somente concluiu a breve analise sob sua personalidade. Respirou fundo, aguardando alguns segundos, e quando julgou ser tempo o suficiente para sua pausa dramática, ela se levantou, olhando de soslaio para que subisse. O rapaz entendeu sua deixa e se levantou depressa, passando por entre as pessoas no bar. sorriu finalmente, demonstrando o nível desenfreado de malícia que necessitaria.
- Suíte presidencial. Vem comigo?
Poder.
Xeque-mate.

Mike O’Connel segurava seu corpo com possessão, como se pudesse tomá-la para si o poder de suas mãos. Pobre homem. Pobre esposa do homem. se demorou alguns segundos para abrir a porta, na intenção de ganhar mais tempo para que os três membros da Hidra dentro do quarto tivessem tempo o suficiente para se aprontarem. Aproveitando sua distração com o cartão-chave, o Senador distribuía beijos molhados por toda a extensão da pele de sua nuca. Quando satisfeita com o tempo estipulado, abriu a porta e sem demora sentiu seu corpo ser alavancado pelos braços dele, jogando-a sob o colchão. A mulher engatinhou até a cabeceira da cama e o viu olhá-la faminto. Como um animal encara sua presa... Ela engoliu a seco, lembrando-se do que estava acontecendo, realmente, e aquilo a acalmou. , , . Repetia a si mesma, como num mantra.
O’Connel retirou o casaco do terno, jogando-o num canto do quarto, e logo desfrouxou o nó de sua gravata. voltou à realidade e se ajoelhou na cama, abaixando o próprio zíper do vestido, revelando a calcinha rendada, vermelha. O político segurou o lábio entre os dentes, observando seu colo nu, coberto somente por adesivos nos seios. Ele a olhou em confusão e ela riu, dando os ombros em falsa inocência. Não se daria ao trabalho explicando que um vestido com decote nas costas dispensaria uso de sutiã. Duvidava que o homem estivesse realmente interessado, no entanto. Mike terminou de desabotoar a camisa social e, após dar a ela o mesmo destino de seu casaco, ele se encaminhou até a cama. o puxou para si sem pensar duas vezes, e sentou-se sob seu quadril, desafivelando seu cinto.
- Rápida. Do jeito que eu gosto... – disse baixo, tentando soar sensual, enquanto passava os dedos frios por toda a extensão da pele de sua coxa. arqueou uma das sobrancelhas, jogando o cabelo para a lateral de seu rosto. Ela abaixou o tronco e distribuiu beijos demorados sob seu pescoço, fazendo-o ficar ainda mais vulnerável. – Que delícia, gostosa. – sussurrou, entrelaçando os dedos em seu cabelo e puxando o rosto dela na direção do seu. – Você é perfeita. – sorriu cheio de malícia, levando a mão esquerda ao seu seio praticamente desnudo. Ela fechou os olhos, tentando normalizar a respiração e, eventualmente, a paciência. Sentia a imensa vontade de espancar o maldito, mas precisava manter-se tranquila, ou ele acabaria desconfiando e todo o plano iria por água abaixo. o notou começar a morder seu colo, e assim a garota pôde ganhar mais tempo para pensar. Seus olhos passearam pelo cômodo e de pronto avistaram a gravata azul do Senador, que estava próxima ao pé da cama. Um sorriso contente surgiu em seus lábios, ao mesmo tempo em que ela se esticou sob o corpo do mais velho, conseguindo buscar o tecido de seda.
- Você gosta de brincar na cama?
Mike O’Connel sorriu abobalhado e somente assentiu, compreendendo suas reais intenções. Ele esticou os pulsos e sem delongas amarrou a gravata com dois nós cegos em sua carne, fazendo-o gemer desagradavelmente.
- Devagar, gostosa. Assim não consigo me soltar depois. – piscou, passando a língua nos lábios. riu, erguendo os braços dele à cabeceira da cama, amarrando-o sob uma das grades.
- Ah, você vai. – ajoelhou-se sob seu quadril, passando as mãos na lateral de seu corpo e bolsos. O Senador franziu o cenho, olhando a direção de suas mãos, ansioso. – Quando eu disser. – ergueu o olhar, trazendo toda a malícia que impunha. Não havia nenhuma arma; constatou. – Sabe, Senador... Vo...
- Senador? – sua feição se transformou. Seus olhos se arregalaram e ele tentou puxar os braços do nó que os prendia, sem sucesso. O tecido logo cederia, sabia, mas não conseguia evitar o sorriso controlador que alargava-se em seu rosto. – Quem é você?!
- A terceira cabeça. – disse, misteriosa. Mike a encarou como se estivesse analisando um extraterrestre, tamanha a confusão em seus olhos. Ela se levantou, colocando as mãos na cintura. – Você é esperto, tenho certeza que consegue juntar um mais um. Ou... Uma Hidra. Corte uma cabeça e duas nascem no lugar. O político trincou o maxilar e fechou os olhos, apertando-os. Ele alavancou o corpo novamente, e, pela segunda vez, não conseguira se livrar do tecido.
- Vadia. – murmurou, entre os dentes.
- Esse é o meu sobrenome, O’Connel. – riu, com obviedade – Espero que tenha conseguido bons ângulos, . – disse mais alto, virando o rosto ligeiramente para a porta do banheiro da suíte.
No próximo segundo, tudo o que conseguiu ver foi saindo do banheiro com um sorriso extremamente debochado no rosto, enquanto carregava nas mãos o celular, observando as fotos tiradas anteriormente. Brooke vinha logo atrás dele, segurando uma arma apontada diretamente ao Senador. Hunter saiu através do guarda-roupa, surpreendendo até mesmo , que riu do esconderijo inusitado.
- Não esperou que fosse nos ver tão cedo, não é, O’Connel? Sentimos sua falta. – sibilou irônico, ainda encarando a tela do celular, se aproximou do homem, na intenção de ver as fotos retratadas. O rapaz a olhou de soslaio e engoliu a seco, entregando o celular para a mesma.
Ter aquele nível de proximidade literal com quando a única coisa que a cobria era uma mínima calcinha de renda definitivamente não era uma opção a seguir.
- O que vocês querem? Me matar? – questionou, com desprezo.
- Seria um bom modo, não seria? seminua é definitivamente uma das últimas imagens que eu gostaria de ver, antes da minha morte. – Hunter sorriu para a garota, que piscou em sua direção. – Mas não, Mike. Ainda não. Ou acha que tiraríamos fotos dignas de sites pornôs renomados para jogá-las no lixo?
- Mason te avisou há tanto tempo, O’Connel... Você deve mesmo ser muito superestimado, não é? Acreditar sair impune depois de ter mexido com a Hidra... – riu sarcástico, passando os olhos pelo quarto, encontrando as câmeras que haviam instalado por precaução. Acabou encontrando uma olhando-o com atenção, mas sem malícia especificada em seu olhar... Naquela hora, não fora necessário, contudo. A mulher estava com os braços cruzados logo abaixo dos seios cobertos por um mínimo adesivo; o abdômen liso que implorava por seus beijos e, mais abaixo, a calcinha rendada vermelha que quase lhe dava visão de sua intimidade. Ele se desconcentrou por alguns minutos, e, ao notar sua concentração em si, abriu um sorriso perverso.
- Esteja agradecido porque estou acompanhada hoje, Senador de merda, foi você quem eliminou Danna... E se dependesse de mim... Bom. – foi sugestiva, olhando diretamente para o cano da arma.
- Ok. Meu nível de paciência diário esgotou. – voltou a si, balançando a cabeça em negação e caminhando depressa à lateral da cama, entrelaçando os dedos nos cabelos curtos do Senador e levantando-o sem medir esforços. O homem gemeu, fechando os olhos. – Agora somos nós dois que teremos uma conversa, O’Connel. Que talvez envolva mais palavras com minha esquerda do que com a minha boca. – sorriu sarcástico, vendo-o trincar o maxilar, furioso.
- Vão me bater e o quê? Eu posso acabar com vocês em um dia, desgraçados. – desafiou. soltou sua cabeça e riu irônico, olhando por alguns segundos para Brooke, Hunter e (se demorando um pouco mais ali). Ele apontou para o homem, ainda rindo, como se houvesse acabado de escutar uma piada. Contudo, em um segundo sua risada cessou e ele virou-se depressa, dando um soco no nariz do Senador, que grunhiu imediatamente, sentindo o sangue escorrer por sua boca.
- E nós acabamos com você em um minuto, Senador O’Connel. – murmurou, entre os dentes, olhando fixamente em seus olhos. – Uma família tradicional, um escândalo sexual... A traição à população. Me parece uma boa matéria, você não acha, Brooke?
- Primeira página. – sorriu.
- . – chamou e a mulher voltou à realidade, dando passos em sua direção. – Pode nos mostrar as fotos memoráveis que temos do Senador?
desbloqueou o celular e as fotos se materializaram à sua frente. A mulher esticou o tronco e levou o aparelho na altura dos olhos do político, fazendo-o ter a visão completa das imagens.
O que ela não esperava, contudo, era que aquele movimento a fosse deixar extremamente próxima de , que ergueu o rosto, encarando-a. observou sua feição compenetrada por alguns segundos, e inevitavelmente voltou a sorrir cruel. O rapaz a imitou, arqueando a sobrancelha em desafio.
- Vocês pretendem me chantagear? – O’Connel questionou à contragosto, retomando as atenções. rolou os olhos, crucificando a si mesmo.
- Vai colocar uma roupa, . – ordenou, ignorando o Senador e quebrando o contato visual da mulher. Brooke riu baixo, e Hunter pigarreou divertido. sentiu os lábios repuxarem-se ainda mais, num sorriso extremamente satisfeito.
- Estou te desconcentrando, ?
O rapaz voltou a encará-la e quase riu de desgosto. Aquilo nem ao menos deveria ser uma pergunta.
- Está. – respondeu, sem rodeios. – Tchau. – acenou na direção do banheiro, vendo-a rir, enquanto saía com o vestido entre as mãos. Ele voltou a encarar Mike, sentindo o sorriso cruel voltar a repuxar seus lábios: – E agora... Onde foi que paramos?

**


“Vocês fazem uma ótima dupla. Eu e Hunter voltamos para a Hidra e você a leva para casa, . Será bom para... Todos.”

Uma simples frase. Uma frase inocente e sem intenções. É claro. Brooke realmente imaginava que sua sútil forma de aproximá-los funcionaria. sorriu imediatamente ao ouvir a ideia da amiga, mas sua alegria não demorou a cessar. entrou no carro, logo após a sessão de tortura com o Senador, e não disse uma só palavra desde então. Indiferença. Uma das coisas que mais odiava na vida. Ela olhou de soslaio para o homem – que dirigia numa concentração invejável – e suspirou pesadamente, o que soara quase como uma birra. Queria transar. Queria transar com . Queria sentir seu toque em si novamente, como no dia que se conheceram. virou o rosto para encarar a paisagem por trás da janela, novamente, e cruzou os braços, derrotada. Sua mudança brusca de humor ao tratá-la; sua reluta... Nunca havia acontecido. Nem mesmo com .
Era, definitivamente, deprimente.
A mulher cruzou as pernas, inquieta, e fechou os olhos. Gostaria de poder controlar o olfato, também. exalava testosterona por cada poro de seu corpo, e aquilo, misturado à abstinência forçada que fora a obrigada a enfrentar, estava a enlouquecendo. Sentia cada centímetro de seu corpo pedir pelo dele. Fosse pelo que fosse; por sua beleza, sua áurea de perigo, ou somente pelo desafio informal que impuseram um ao outro. Uma batalha onde ambos ganhariam, se consensuais.
- Você me surpreendeu hoje.
A voz de soou de repente ao seu lado, fazendo-a abrir os olhos de súbito, na tentativa de compreender suas intenções. Não encontrou sarcasmo, ironia, ou qualquer outro contexto semelhante.
- Ah... Ele fala. – sorriu debochada, inclinando o rosto em sua direção, olhando-o. riu, olhando para baixo por alguns segundos, o que julgou a oitava maravilha do mundo. Ele ergueu o olhar novamente, encarando-a quando o semáforo se fechou. – Eu sempre surpreendo, lindo. Uma pena você não.
- Tudo o que você fala tem que ter uma conotação sexual, ? – interrompeu-a. franziu o cenho, desconfortável.
- Por que você não responde mais às minhas conotações sexuais, ? – rebateu.
balançou a cabeça e riu novamente, voltando a encarar a estrada escura à sua frente. A mulher era impossível.
- Não costumo me envolver com as mulheres que fico, eu já te disse.
- Ah, , por favor. Nós nem transamos! – gesticulou com as mãos, incrédula. – Já estabelecemos isso. Não quero casar com você, quero foder com você.
O rapaz gargalhou ao seu lado, ligeiramente surpreso com sua escolha de palavras.
- Com certeza, : você sempre surpreende. Não me restam dúvidas. – ela sorriu divertida, analisando o perfil de seu rosto. – Inclusive quando atirou em mim hoje.
riu, achando graça de seu ego ferido, e arrumou-se no banco, aproximando-se do rapaz, que a olhou de soslaio. A mulher levou uma das mãos ao seu pescoço, dedilhando-o com um cuidado quase cirúrgico. Ela viu seus poros arrepiarem-se de imediato e um sorriso descarado tomou seu rosto.
- Você não me parece do tipo que rejeita sexo... – sussurrou, delineando seu maxilar. Ele suspirou profundamente ao ouvir desatar o cinto de segurança. Ela se esticou no banco e levou os lábios ao seu pescoço, beijando toda a extensão dele. fechou os olhos por alguns segundos, totalmente entregue. Seus lábios quentes raspando em sua pele fria, a língua suavemente exercendo seu trabalho perfeitamente.
- Acredite, é muito difícil. – sorriu malicioso, vendo-a subir a mão que anteriormente acariciava sua coxa. sentiu-se endurecer por debaixo das calças e mordeu o lábio com força, ainda sentindo os beijos nada inocentes que distribuía em seu pescoço.
- Então por que você resiste?
observou o carro estacionar e quase pôde ouvir o coro de “aleluia”. Ele estava cedendo? Ele estava cedendo! Um sorriso aberto repuxou seus lábios, principalmente quando ela viu o rapaz desatar o próprio cinto de segurança e virar-se em sua direção, com um olhar cafajeste plantado no rosto. Nona maravilha do mundo, constatou. se aproximou, quebrando a mínima distância que os separava, embrenhou os dedos entre seus cabelos e a puxou para si com possessão; tomando seus lábios, finalmente. O encaixe, a química. Brooke não poderia estar mais certa quando disse que eles formavam uma boa dupla. o sentiu massagear sua língua com uma precisão descomunal, só comprovando o quão maravilhosa era a conexão de ambos. Exatamente como se lembrava. Melhor do que se lembrava, se fosse sincera consigo mesma. O rapaz sugou seu lábio inferior com força, ao mesmo tempo em que puxou seus cabelos na direção oposta, causando um atrito dolorosamente prazeroso.
- Brooke é recepcionista num restaurante, quando não está na Hidra... – começou, sussurrando contra seus lábios. se afastou superficialmente, unindo as sobrancelhas em confusão. – Mason dá aulas numa faculdade. Hunter trabalha na empresa do pai. Eu... Existo por aí. Sou somente o da Hidra. Não tenho uma vida dupla como eles e muito menos como você. – riu sarcástico, olhando de soslaio para a mansão a sua frente. acompanhou seu olhar e só então notou que estavam em frente ao seu condomínio. – Você sairá das missões e voltará para sua casa confortável, seu cartão de crédito ilimitado e para a sua vida de filha de um dos advogados mais renomados da Califórnia. – A garota trincou o maxilar, prestes a retrucar, mas ele a interrompeu: - Isso é só uma brincadeira para você, . Uma aventura...
- Olha pra mim! – puxou seu rosto de volta na sua direção, olhando fixamente em seus olhos. Ela segurou seu queixo. – Quem está nesse carro com você é a . Eu sou a . Qual é o seu problema?!
riu irônico, retirando a mão dela de seu rosto.
- O problema é que quando você sair desse carro voltará a ser . – virou-se novamente para o volante, sentando-se desleixado. – E eu odeio s. Odeio o elas que representam.
mordeu o lábio e assentiu em silêncio, buscou sua bolsa no banco de trás do carro e saiu do veículo, não se esquecendo de bater a porta com força. fechou os olhos ao ouvir o estrondo e riu baixo, sarcástico. Não satisfeita, antes de se afastar completamente, a mulher não deixou de chutar a calota do carro, fazendo abrir os olhos subitamente e olhar em sua direção. acenou debochada e saiu, entrando em seu condomínio, indo para sua casa confortável, seu cartão de crédito ilimitado e para a sua vida de filha de um dos advogados mais renomados da Califórnia.


Capítulo 6 - Prazerosa Visita em Stanford.


Sra. Robinson, a professora de Direito Constitucional, explicava os tópicos expostos durante os minutos anteriores em frente à lousa digital, no extremo da sala de aula. tinha o rosto apoiado na mão, enquanto batucava as unhas sob a própria perna, tentando prestar atenção em ao menos um dos parágrafos que a professora ensinava. Fora impossível, no entanto. A mulher ergueu o olhar para o relógio redondo acima da lousa, comprovando que o final da aula estava próximo, e comemorar internamente foi inevitável.
- ?
A voz feminina conhecida reverberou às suas costas, chamando sua atenção. virou o rosto, encontrando Skye, uma de suas melhores amigas desde a infância.
- O que houve?
- Hannah está perguntando se pode nos encontrar no shopping hoje, às 15h. Tudo bem por você? – balançou o celular entre as mãos.
sorriu de imediato; já fazia semanas que não a via.
- É claro que está. Soube que a Channel está com uma nova coleção!
- Ótimo.
Antes que Skye pudesse concluir sua frase, entretanto, a professora anunciou o fim de sua aula. Ambas se levantaram e caminharam juntas à saída da sala, conversando sobre a futura ida ao shopping naquela tarde. sentia falta daquilo. Sentia falta de uma tarde das garotas, fazendo compras e conversando sobre os assuntos mais fúteis existentes. Suas últimas semanas foram tomadas por compromissos com Stanford e por assuntos de .
O que ela achava terminantemente errado; seus dois mundos não poderiam interferir de algum modo entre si.
E foi justamente por esse motivo que, às 12h38 daquele mesmo dia, entrou em estado de petrificação no meio de um dos corredores mais movimentados de Stanford. Seus olhos arregalaram-se e ela parou de andar bruscamente, encarando a figura que caminhava tranquilamente em sua direção.
Tentador como o inferno.
Um sorriso cafajeste brincava entre seus lábios, as mãos estavam guardadas dentro do jeans surrado, os músculos perfeitamente esculpidos comportavam perfeitamente a camiseta preta. Uma jaqueta de couro completava o visual, deixando-o com um ar de garoto mau.
Assim como no dia que o conhecera. Definição de perdição.
Sexo com pernas.
Testosterona ambulante.
. . em Stanford... Em frente à .
A mulher engoliu a seco, observando-o se aproximar. Fazer uma analise mental de como a própria estava foi inconsciente. Cabelos lisos; vestido florido de alças grossas, cinturado, rodado na saia. Uma jaqueta jeans curta. A clássica bonequinha de Stanford.
- ? O que aconteceu?
Ela virou-se na direção de Skye, que a chamara, e franziu o cenho, aérea à realidade.
- E-eu...
- ! – disse animado, como se reencontrasse uma amiga que não via há muito tempo.
Não deixara de ser um pouco de verdade, contudo. Já faziam duas semanas desde o episódio do carro, e, apesar de terem se visto mais algumas vezes depois daquilo, não haviam exatamente conversado. Se provocações não contassem, ao menos. resolvera erguer a bandeira branca; o monólogo de havia a tirado do sério, definitivamente. O que não era uma tarefa fácil. Ponto para o maldito.
- . – respondeu entre dentes, tentando soar natural. Falhando memoravelmente.
tinha os lábios extremamente repuxados num sorriso completamente satisfeito; o qual a mulher jamais havia visto antes. A alegria do filho da mãe chegava a ser quase contagiosa.
- Finalmente, ! É um prazer inimaginável.
A loira rolou os olhos, exausta de sua ironia barata.
- Oi ! É , não é? Meu nome é Skye, sou amiga da . – Skye disse ao seu lado, quebrando o silêncio catatônico que havia tomado conta da bolha desconfortável. estendeu a mão em cumprimento, e a mulher a aceitou, com um sorriso simpático. – Vocês se conhecem de onde? Não me lembro de tê-lo visto em Stanford antes... – o mediu de cima a baixo, e levou as mãos à cintura.
- Temos uma amiga em comum. – não demorou a responder, interrompendo .
- Ah, é? Que amiga? – Skye questionou, interessada.
- Você não conhece. – sorriu nervosa, virando-se para a amiga. – Skye, nos encontramos no shopping, ok?
- Mas...
- No shopping, Abelhinha. – piscou, apressada. No próximo segundo, já segurava o braço de e o puxava em direção ao refeitório, deixando a amiga atônita, e, provavelmente, elaborando as milhares de perguntas que faria quando a visse, horas mais tarde.
- Abelhinha? – riu finalmente, quando já estavam numa distância considerável de Skye. Ele retirou a mão da mulher de seu braço e a viu ofegar, olhando em volta, como se fosse uma foragida da justiça.
- Não interessa. O que você está fazendo aqui?!
suspirou cansado e apoiou as costas na parede de tijolos atrás de si, cruzando os braços.
- Não interessa. – sorriu, sarcástico.
revirou os olhos novamente.
- Skye se vestiu de abelha numa apresentação da terceira série. O que você está fazendo aqui? – repetiu, exasperada.
- Negócios particulares. Nada que envolva a Hidra. – deu os ombros, desinteressado. – Você se fantasiou de abelha também? – sorriu divertido.
- Como você está bem-humorado. Parece que desfez a abstinência. adoraria interagir com você, mas eu... Não. Então, se você me der licença... – girou os calcanhares na direção oposta, mas o rapaz segurou seu cotovelo, impedindo-a de continuar.
- Não quer me apresentar Stanford? Estamos numa das maiores Universidades do mundo e você me dispensa?
resmungou em silêncio, punindo-se. Ela fechou os olhos e suspirou pesadamente.
- , por favor...
- Você é bem mais domável assim... – sussurrou, com um sorriso ladino brincando nos lábios. cruzou os braços, incrédula. – Sem conotações sexuais, provocações, respostas ácidas...
- Achei que você não gostasse delas.
- Já expliquei meus motivos...
sorriu.
- Sim, você odeia a patricinha maldita que há em mim. E está com ela agora, enquanto tento arduamente me livrar da sua presença. Qual é a lógica?
estalou os lábios, notando que não era a única a deixá-lo sem palavras. havia conseguido com louvor, também.
- Eu não tenho lógica. – respondeu displicente, por fim. riu sem humor. – Acho que...
deixou de ouvi-lo no exato momento em que viu uma conhecida figura masculina cruzar o corredor do refeitório. Seus olhos guiaram-se imediatamente na direção do rapaz e um leve sorriso se repuxou em seus lábios.
Kurt sorria animadamente com os amigos à sua volta.
Kurt sorrindo. Kurt usando jeans e camisa social. Kurt... Somente Kurt.
olhou na direção que a atenção de havia sido tomada, e franziu o cenho de imediato, confuso. Antes que pudesse perguntar o motivo de sua distração, no entanto, observou um rapaz caminhar na direção de ambos. Ou de .
- Kurt. – ela disse, com um sorriso delicado no rosto, o qual jamais havia visto.
- ! – o rapaz sorriu do mesmo modo, enquanto guardava as mãos dentro dos bolsos da calça jeans. – E... Você. – virou-se na direção de , que assentiu num cumprimento masculino. Kurt voltou a olhar para e seu sorriso se aumentou ao vê-la colocar uma mecha de cabelo atrás da orelha. não demorou a identificar o que se tratava, e rolar os olhos comedidamente foi um gesto involuntário. – Você está linda. – confessou.
A mulher riu audivelmente e colocou as mãos na cintura, girando os calcanhares e rodando o corpo para que o homem pudesse apreciar de todo ele.
- Nada como algumas horas na praia e um bronzeado de Angel. A Victoria Secrets insiste em me convidar, mas você sabe, as agendas não coincidem... – brincou, sorrindo divertida. Kurt riu. coçou a nuca, suspirando entediado.
- Eles sabem o que estão perdendo. – piscou, e a outra corou levemente. – Sexta-feira vou dar uma festa na minha casa... E você será mais do que bem-vinda lá. E seu amigo também, caso queira ir. – olhou-o de soslaio.
- Ah, eu v...
- Nós não podemos, . – a interrompeu. virou depressa para encará-lo, incrédula. – Temos... O aniversário da Brooke.
- Essa Brooke é mais importante do que eu? – Kurt disse, fingindo estar ofendido. Ela sorriu doce, balançando a cabeça em negação. travou os lábios, contendo uma risada debochada. – Então eu vou esperá-la por lá.
consentiu, e, após um beijo estalado em sua bochecha, Kurt se foi, acenando brevemente para ...
Que não esperou mais de um minuto até que tivesse uma crise de riso patética. bufou indignada e se direcionou a ele.
- O que há de errado com você?!
- Comigo? Tudo, para ser sincero. Eu sou todo errado, linda. – deu de ombros, sorrindo sarcástico.
permaneceu calada, observando ao longe Kurt se juntar de seus amigos novamente e caminhar para os jardins de Stanford. sorriu alto ao seu lado e ela o encarou:
- O que foi?
- Nada... Confesso que eu tinha duvidas sobre aquilo de e , mas, parabéns, você é duas. v A feição da mulher, no entanto, se alterou completamente no próximo segundo. Quase como se uma máscara caísse e sua verdadeira identidade tomasse conta de seu rosto. Sua sobrancelha arqueou, um sorriso torto repleto de malícia ocupou seus lábios, sua linguagem corporal se transformou e ela cruzou os braços embaixo dos seios, enquanto se aproximava perigosamente do homem à sua frente.
- Está sentindo falta da ? É isso mesmo?
balançou a cabeça em negação e riu, desacreditado. A mulher era um X-men.
- Está falando sério?
- Sobre? – brincou com a gola de sua jaqueta de couro.
O rapaz franziu o cenho, ainda rindo. Ela fechou o sorriso devagar e passou a encará-lo nos olhos, com intensidade. A intensidade que era desperta sempre que o vislumbrava àquela proximidade. A maldita química.
- Se transformou? Nenhum truque de bruxaria, mágica? É só piscar e... Pronto? ?
A mulher gargalhou inconscientemente de sua ironia malfeita e de sua curiosidade barata. Ela deu um passo para trás e pendeu a cabeça para o lado, analisando-o.
- Bonitinha a sua inocência, lindo. – retrucou, em referência ao dia em que se conheceram e o ouviu dizer a mesma frase. revirou os olhos em insatisfação, mas não foi capaz de conter um sorriso torto que repuxou sua boca. – Que sorriso é esse? Está pretendendo abusar de mim numa das salas da renomada Stanford, ?
Ela sorriu.
- Sabe... é absolutamente mais divertida. – admitiu, e o sorriso da outra só aumentou.
- Essa é a intenção. – deu um passo em sua direção, e levou uma das mãos para acariciar seu pescoço exposto, o qual ela já havia reparado que era um de seus pontos fracos. E como ela queria pontos fracos. – Estou cansada de vê-lo no controle. – uniu as sobrancelhas, incerto. – Deixa o desejo sucumbir... – sussurrou, observando-o cerrar as pálpebras e encará-la por baixo dos cílios. Ela sorriu, próxima o suficiente para senti-lo resfolegar. – Ei lindo? – silêncio. – Vem comigo. – deslizou a mão por seu braço, chegando à dele, entrelaçando seus dedos e puxando-o na direção oposta do corredor.
E ele se deixou levar. Deixou o desejo sucumbir.

A porta de uma das salas de limpeza de Stanford se materializou a frente de , que não demorou a abri-la sem hesitação. estava logo atrás de si, com o cenho franzido e um ponto de interrogação plantado no rosto; não podia mentir e dizer que não estava curioso o suficiente para saber qual seria o próximo passo da maluca gostosa que segurava sua mão com tanta cautela. Ele olhou seus dedos entrelaçados por alguns segundos e resmungou, contrariado a si mesmo. Aquilo ia contra seus valores, sua perspectiva de vida.
Aquilo ia contra tudo o que ele prezava.
Quando estava prestes a se desfazer do contato íntimo, ele ergueu o olhar e encontrou o dela, numa inocência que não lhe era peculiar, se aproximou cautelosa, e foi incapaz de se afastar; seus olhos funcionavam quase como um imã. Seu corpo o clamava para si, sem chances para protestar. O rapaz ouviu a tranca da porta travar atrás de si e só então se deu conta que a mulher havia se aproximado o suficiente para colocar a mão no vão entre seu braço e corpo, e trancar a porta sem que ele fosse capaz de captar seus movimentos. Uma risada incrédula saiu por seus lábios e o sorriso de se curvou em malícia. Ela fechou os olhos e levou a ponta do nariz à bochecha do outro, sentindo seu perfume, prendendo-o em sua atmosfera.
- O que está pensando em fazer?
riu baixo, logo ao lado de sua boca, fazendo-o virar o rosto levemente, a ponto de seus lábios tocarem-se.
- Boas intenções eu não tenho, . – lhe deu um selinho. sorriu, roçando seus narizes e embrenhando os dedos em seus cabelos, reivindicando-a sem medir consequências. Ela mordeu o lábio inconscientemente e empurrou o corpo dele, fazendo-o colar as costas na porta. A mulher levou a mão que antes estava em seu braço para seu abdômen, e a desceu sem pressa, chegando ao cós de sua calça. apoiou a cabeça na parede e a observou, com um sorriso cafajeste plantado nos lábios. – Disso eu posso te certificar... – sussurrou, provocativa.
sentiu os dedos hábeis da mulher rumarem para o caminho contrário e subirem pelo seu abdômen, erguendo sua camiseta sem pressa, massageando sua pele, acariciando cada centímetro de seus músculos alinhados, torturando-o exageradamente. Ele segurou o lábio entre os dentes, suspirando com certa dificuldade, mas ainda sem perder o contato visual que mantinham. cerrou as pálpebras e alongou o pescoço, roçando os lábios nos dele, sentindo seu sabor, sua essência que havia se perdido diante a diferença de dias que tinham acometido o mesmo ato. a incentivou, movendo a cabeça devagar de um lado para o outro, mantendo o atrito entre suas bocas ainda mais profundo, intenso, mas nunca lhe dando um beijo de verdade. Ela não avançara, também.
- Uma das futuras renomadas advogadas da Califórnia querendo quebrar as regras de Stanford... – ele disse em voz baixa, mas audível o suficiente para que ela ouvisse. riu, afastando seus rostos ligeiramente para que pudesse retirar a jaqueta de couro dele, que caiu por seus ombros alguns segundos mais tarde. A camiseta veio em seguida. – Leis... Não soa familiar?
Ela reclinou o rosto, observando seu tronco nu. Um sorriso delicado apareceu em seus lábios, indo contra o que seus olhos expressavam.
- Eu as estudo, . E sabe o que é pior do que decorá-las? Obedecê-las. Aliás, eu não creio que haja outra razão para que leis existam, senão fossem para serem corrompidas. Você vê?
sorriu ladino, tomando conhecimento de suas palavras e de seu olhar travesso destinado ao seu tronco. Ele observou o rosto levemente corado – não por timidez, e sim por excitação – de e não teve outra reação a não ser inverter as posições de dominação; segurando sua cintura com força e a levando para a parede oposta, fazendo-a esbarrar o quadril contra a espécie de mesa que a dispensa tinha. entreabriu os lábios para provocá-lo, mas novamente o rapaz inverteu o jogo e a beijou, calando-a, perdendo sua língua na boca dela, acariciando sua maciez, sentindo seu sabor entorpecente. O espaço da pequena sala de limpeza cada vez mais quente, mais apertado. Ele subiu as mãos para seus seios e os apertou sem delicadeza por cima do tecido suave do vestido que usava. Suas mãos ergueram-se até seus ombros, e após acariciarem a pele com zelo, retiraram a jaqueta jeans que a mulher usava.
afastou seus rostos por instantes, vislumbrando o brilho intenso dos olhos escurecidos do outro, provavelmente pelo teor de domínio que achava estar tendo. Foi impossível conter um sorriso orgulhoso. Ela segurou o lábio entre os dentes e passeou a visão pelo rosto do outro, encarando sua boca ligeiramente vermelha e inchada, as bochechas rosadas e os olhos semicerrados, encarando-a com fome, assim como um animal observa sua presa antes de devorá-la. E, por Deus, como ela ansiava que ele a devorasse, de todos os modos permitidos e legais.
A mulher voltou a entreabrir os lábios, mas novamente foi impossibilitada de dizer algo; dessa vez pelo dedo polegar de , que delineou seus lábios úmidos, enquanto o rapaz observava o desenho imaginário sob a carne vermelha da boca dela. sorriu maliciosamente e colocou a ponta da língua para fora, tocando seu dedo, sugando-o com delicadeza. trincou o maxilar, sorriu cafajeste e balançou a cabeça em negação, como se num diálogo interno.
No próximo segundo, contudo, sua própria boca já se guiava para outra parte do corpo de : seu pescoço. passou a depositar beijos molhados sob sua pele, cobrindo-a por vezes com sua boca, em sugadas nada gentis. Ele lhe sussurrava palavras desconexas, e ela não era capaz de compreender nada enquanto tinha o dedo dele entre os lábios, e seu pescoço sendo tomado pela sua boca. A mulher girou os olhos em órbita ao começar a sentir o volume de mesmo através da calça jeans contra seu ventre, e fatalmente mordeu seu dedo, fazendo-o gemer em desconforto e levar a mão para sua cintura, prensando seu corpo ainda mais contra o dela.
- ... – gemeu, ao senti-lo sugar com força a carne de seu pescoço. O homem soltou um riso carregado de segundas intenções, o que só a fez se arrepiar ainda mais.
- Shh... – sussurrou contra sua orelha, mordendo o lóbulo em seguida.
E aquele foi o limite para .
Ela precisava estar no controle; precisava tocá-lo como ansiava, precisava beijá-lo como desejava, precisava tê-lo em si como necessitava.
alongou o pescoço para trás, ganhando um olhar confuso e repreensivo de em troca. Seu mistério não durou muito, contudo. A mulher apoiou as mãos nos ombros dele, e, após encará-lo com todo o teor de desejo que tinha em si, ela dobrou os joelhos ligeiramente, passando a beijar toda a extensão do tronco de ; que colocou as mãos em volta dela, segurando as laterais da mesa às suas costas.
Clavícula, tórax, abdômen, oblíquos: nenhum só pedaço de pele escapou dos lábios, língua e dentes de . Seus músculos firmes quase se moldavam à sua boca, e ela sentia que podia chegar ao seu máximo somente lhe dando prazer, apreciando seu sabor, sua pele, seu toque. O prazer de tê-lo para si sem hesitações. O puro e simples prazer de tê-lo entregue.
Os planos de , entretanto, pareciam ser contrários aos seus.
estava prestes a desabotoar sua calça quando ele embrenhou os dedos em seus fios de cabelo e a puxou para cima, deixando-a com a mesma expressão a qual havia ficado minutos atrás.
- O que foi agora? – ela questionou, entregando sua extrema frustração em seu tom.
sorriu sem mostrar os dentes e aproximou o rosto do dela, ainda com seus cabelos embrenhados em seus dedos. Ele roçou seus lábios, enquanto continuava olhando-a pecaminosamente.
- Eu tenho uma péssima memória, mas, ao que me lembre... Você é deliciosa. – sugou seu lábio inferior, mordendo-o antes de soltá-lo. Sua mão esquerda guiou-se para entre as pernas dela, chegando ao centro de seu corpo, encontrando sua calcinha ligeiramente úmida, começando a massagear sua intimidade com uma delicadeza torturante. resfolegou contra seus lábios, fechando os olhos. – E eu vou confirmar isso agora. – explicou, descendo seus beijos para a linha de sua mandíbula. se entregou e deixou o corpo frágil o suficiente para ser amparado pelo dele, que a sentou contra a mesa firme. Estar fora do controle nunca havia sido mais prazeroso. – Ok, linda?
não foi capaz de responder. Não com palavras, ao menos. A mulher se privou a assentir freneticamente, enquanto mantinha os olhos fechados e a cabeça ligeiramente arqueada para trás.
se afastou somente o suficiente para desabotoar a calça que lhe machucava pelo aumento significativo de seu membro àquela altura, e, sem mais esperar, levou os lábios à curva dos seios de , mordendo sua carne, deixando marcas vermelhas por toda a parte. Sua mão voltara ao centro do corpo dela, massageando seu intimo, sentindo o tecido de renda ficar ainda mais úmido sob seus dedos.
- Você. É. Um. Filho. Da. Puta. – resmungou manhosa, rebolando contra sua mão, por falta de maior atrito. Ele riu sacana contra seu seio, deixando sua situação ainda mais deplorável.
O rapaz ergueu o rosto em seguida, fitando seus olhos, agora ainda mais desejosos. Ele não estava diferente.
- Você só notou isso agora, linda? – debochou, roubando um selinho molhado de sua boca. Ela sorriu de lado, levando o dedo indicador ao seu queixo e puxando seu rosto para si.
- Desde o dia em que coloquei os olhos em você. – murmurou, provocativa. Ela estirou a ponta da língua, o suficiente para passar pelos lábios do outro, deixando-o ainda mais sedento. – Talvez esse seja o motivo do meu interesse...
riu, balançando a cabeça negativamente. Aquela mulher o levaria à loucura, fosse qual fosse o motivo.
Antes que sua insanidade se esvaísse de vez, ele decidiu que não podia mais continuar com provocações.
A mulher era absurdamente gostosa. Era bem-resolvida, dominante, tinha uma boa dose de loucura e uma áurea que atraía até o último ser humano da terra; ele não duvidava.
Ela tinha alguns defeitos, um em especial, que jamais passaria despercebido.
Mas não podia negar o quanto se sentia atraído pela deusa que agora a encarava ansiosamente, controlando o peso do corpo entre as pernas e trocando-as entre si, na falha tentativa de se aliviar. Que se foda o maldito defeito naquele momento.
Mais tarde, depois de tê-la completamente entregue ao prazer contra sua boca e dedos, ele pensaria naquilo. Agora, ele só desejava levá-la à loucura, assim como ela fazia consigo, a cada mínimo gesto.
E ele não mediria esforços para tal.
Não que chupá-la exigisse esforço... Pelo contrário. Chupar seria um prêmio louvável.
se ajoelhou à sua frente, sem quebrar o contato visual. entreabriu os lábios involuntariamente, permitindo-se resfolegar o quanto fosse necessário. Em seguida, o homem passou as mãos pelas laterais de sua perna, e, ao chegar à altura da barra do vestido, o ergueu sem pestanejar. A mulher entendeu seu pedido silencioso e segurou o tecido com uma das mãos, amarrando-o de qualquer jeito logo acima do umbigo. assentiu e abaixou o olhar, encontrando a calcinha rendada azul claro que a mulher usava. Ele passou as mãos pela parte de trás das pernas dela, chegando ao quadril finalmente, e apertou seu bumbum com força, o que a fez suspirar sofridamente. Um sorriso safado foi dado e ele se aproximou de sua pele novamente, mordendo sua virilha. Seus dedos guiaram-se para sua intimidade e voltaram a acaricia-la, sentindo o quão molhada estava. Um gemido satisfeito escapou por seus lábios e ele fechou os olhos, decidido a terminar com aquela tortura para ambas as partes.
No próximo segundo, as tiras finas da calcinha já deslizavam por suas pernas, descobrindo-a por inteiro, levando, mais uma vez, à loucura. Ele franziu o cenho em angustia, sentindo a calça apertá-lo dolorosamente. A mulher era perfeita.
Fisicamente perfeita, pelo menos.
- ...? – gemeu ansiosa, tirando-o de sua bolha particular. voltou à realidade e após engolir em seco, ergueu o rosto novamente, encontrando a imensidão negra que encontrava nos olhos da outra. Ansiosos, dolorosos, excitados, desejosos.
Assim como ele.
Que, definitivamente, não seria mais capaz de passar um só segundo que fosse sem tê-la em sua boca. E, motivado a este fato, ele finalmente levou os lábios à sua intimidade, provando-a de uma extremidade à outra, passando a língua por toda sua extensão, estudando-a, conhecendo-a. declinou o tronco para trás, enquanto jogava a cabeça na mesma direção, tornando-se uma máquina de suspiros descontrolados e gemidos desenfreados.
puxou seu quadril ainda mais em direção ao seu rosto, e soltando-a com uma das mãos, levou para acompanhar a motivação de lábios, língua e dentes sob o centro de corpo da mulher. Seu dedo indicador retomou os estímulos sob seu clitóris, enquanto sua entrada era preenchida por sua língua, misturando seus sabores, intensificando as investidas, trazendo prazer mutuo.
- Cacete! – resfolegou, abrindo os olhos ao senti-lo suga-la por completo. sorriu sob sua intimidade, erguendo o olhar para o seu, deixando-a ainda mais excitada. – Tão... Bom! – gemeu, revirando os olhos. O homem buscou por sua perna e a puxou para suas costas, equilibrando-a em seu corpo. levou a mão aos seus cabelos, afagando-os num carinho incentivador.
lhe penetrou dois dedos, e voltou a sugar seu clitóris, ouvindo os gemidos dela só crescerem em expectativa. O homem aumentou a velocidade de seus dedos e a pressão de dos lábios contra sua carne, e, ao dobrar os dedos que estavam em si, uma sugada mais precisa, se derreteu em sua boca.
Suas pernas perderam a força e ela se sentou sob o balcão o qual estava apoiada, com a ajuda de , que continuava a beijá-la intimamente. Um sorriso absolutamente satisfeito ocupava seu rosto, e ela sentia os músculos relaxados como não há muito tempo.
Ele era o maior filho da puta de todos.
Mas tinha um dom para aquilo, não havia dúvidas. deveria ser premiado como o melhor sexo oral dos Estados Unidos.
Talvez do mundo.
Língua de ouro.
Uma felicidade repentina tomou seu peito; ela poderia até dizer uma palavra de carinho no momento, se não estivesse tão exausta para tal.
- Você é a filha da puta mais deliciosa que eu já provei. – ouviu resmungar, enquanto beijava a lateral de seu umbigo. Ela riu, ofegante, vendo-o subir sua calcinha por suas pernas. Trabalho completo; ponto. – Satisfeita?
- Eu posso te mostrar o quanto... – sorriu maliciosa, puxando o cós de sua calça em sua direção. Ele franziu o cenho, parecendo relutar. – Sou uma pessoa educada, , sei retribuir favores. Prazer, então, é a minha forma favorita de retribuição.
- Não foi isso o que perguntei, . Você está satisfeita?
Ela soltou o cós de sua calça, entreabriu os lábios e vislumbrou sua feição centrada. Ficar na defensiva era a melhor saída.
- Seja mais claro.
- Era isso o que você queria? Satisfez a sua mais nova obsessão, o seu desejo?
estreitou os olhos, fitando seu rosto decidido. Ela colocou um sorriso no rosto, enquanto arrumava o vestido, desamassando-o.
- Oh, essa doeu. – ironizou, falsamente abalada. – Se eu fosse uma garota com sentimentos românticos, você teria me machucado. Sorte sua que estou satisfeita demais para chutar o seu pau. Por hora. – piscou, buscando sua jaqueta no chão. sorria na mesma intensidade que ela. – Então eu só vou agradecer pelo orgasmo maravilhoso que me proporcionou. – assentiu, passando ao seu lado e acenando brevemente. – Tchau, lindo.
A porta bateu com força, contestando o ar inabalável o qual havia deixado a sala. encarou a porta fechada e seu sorriso se cessou, sendo substituído por uma carranca mal-humorada. Ele caminhou até onde sua camisa estava no chão e a buscou, colocando-a depressa. O rapaz se abaixou novamente e pegou a jaqueta de couro que usava. Abotoou a calça com mais facilidade e antes de sair do pequeno cubículo, olhou para a mesa onde minutos atrás havia quase caído no conto de . . Tanto fazia. mordeu a boca, sentindo o lábio deslizar pelos dentes devagar; o sabor da maldita continuava ali, e ele só sentia vontade de voltar a minutos para tê-la novamente. Seu corpo implorava pelo dela.
Seus gemidos pareciam melodiosos aos seus ouvidos. Seu toque inevitavelmente viciante.
O homem balançou a cabeça freneticamente, tentando afastar os malditos pensamentos da cabeça. Ele precisava resistir. Independente do que aparentava fisicamente, ela era como todas as outras internamente. E se envolver, mesmo que somente de modo físico, como uma mulher como ela, seria como voltar oito anos atrás.
Ela era como Lindsay.
Ela era absolutamente igual a mulher que o fez descobrir um coração em si, para estilhaçá-lo meses depois.


Capítulo 7 - Lindsay.


17, Abril, 2008 – 17H49 PM. CHICAGO.

Um dos jardins da Universidade de Columbia era o cenário das fotografias de . O sol começava a se pôr àquela hora da tarde, trazendo ainda mais leveza às imagens. O rapaz sorriu ao checar a tela da câmera, observando a beleza da paisagem ao horizonte. Ele arrumou a alça da máquina sob o pescoço e voltou a fotografar tudo o que lhe parecia bonito o suficiente para ser registrado.
O time de calouros deslumbrados com cada mínimo detalhe da arquitetura da Universidade.
O grupo velado de meninas do curso de Artes estudando textos em suas pastas próprias.
E, finalmente, as garotas de Moda. riu baixo e direcionou a lente da câmera à elas, focalizando numa em especial. Ela sorria divertida, usava um vestido que acentuava suas curvas e ia até abaixo dos joelhos, num modelo atual. A estampa colorida fazia seus olhos azuis destacarem-se, deixando seu rosto ainda mais iluminado, angelical. Os cabelos loiros ondulados caíam sob os ombros e refletiam os últimos raios de sol daquele dia.
Definitivamente, ela era bonita o suficiente para ser registrada.
A garota sorriu de lado ao notar ser o foco da câmera e assentiu em cumprimento, recebendo um sorriso e aceno de em troca. Ela voltou a conversar com as amigas, e, mesmo por cima dos ombros, olhava-o certas vezes. não estava diferente. Suas lentes voltavam-se para outros ângulos, mas seus olhos continuavam fiéis a garota desconhecida que havia agraciado não apenas o trabalho que entregaria aos professores, mas sim, a ele também.

19, abril, 2008. – 16H22 PM.

carregava entre os dedos uma das fotos que havia revelado para seu trabalho; a foto da tal garota que havia lhe deixado ligeiramente fora de órbita, fazendo-o passar toda uma tarde observando sua foto impressa, logo depois de assistir a 10 Coisas Que Odeio Em Você, por culpa de seu companheiro de quarto e sua respectiva namorada.
A garota misteriosa era, muito provavelmente, uma das alunas mais ricas da Universidade de Columbia; vivia num mundo totalmente distinto ao de , mas, ao encarar aquela foto pela quinta vez no dia, ele não se importara.
Ele precisava conhecê-la. Ouvir a sua voz. Olhar em seus olhos azuis tão atrativos e se perder por horas.
Saber o nome da menina que parecia irradiar luz, incompatibilizando-a a áurea escura de .
- Ahn... Oi?
O garoto se aproximou, chamando a atenção de todas as meninas do grupo do curso de Moda –, principalmente da garota desconhecida. Ela franziu o cenho, parecendo não reconhecê-lo. a olhou divertido, erguendo a foto da menina, num gesto autoexplicativo.
Suas amigas continuavam a encarando curiosamente, dos pés à cabeça, de modo quase que discriminador. Ele se arrependeu imediatamente por estar usando seu jeans surrado e sua camisa preta desbotada.
Acontecia que, desde que havia escolhido cursar seu sonho de Fotografia à ajudar seu tio Mason com seus negócios – mais conhecidos como Hidra –, ele havia sido automaticamente excluído dos ganhos do local.
Sua única fonte de renda, desde então, havia sido fotografar casamentos, festas, e o que mais lhe sustentasse pelo resto do último ano e meio que lhe restava na faculdade.
- Então... Você me fotografou!? – A garota disse incerta, em tom brincalhão.
sorriu abertamente, dando de ombros.
- É o que parece... – As amigas da garota se despediram brevemente, e após um último olhar recriminador destinado à , se foram. Ele rolou os olhos comedidamente. – Meu trabalho era fotografar coisas que fossem bonitas para mim, de algum modo. E, bem... Minhas lentes gostaram de você.
Ela riu, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Encantadora.
- Obrigada, então, senhor...?
- . . E o seu, senhorita...? – a imitou, sorrindo.
- Lindsay Stanfield. – assentiu, levando a foto aos olhos novamente, observando-a. – Sem uso de photoshop, ? Nem nesses fios desconectados do meu cabelo? – inspecionou, ganhando uma risada descontraída do rapaz, que se aproximou, checando a foto. O perfume da garota se fez sentir e ele mordeu o lábio inconscientemente, olhando-a de soslaio.
Era como estar num jardim na primavera.
- Você não precisa de retoques, senhorita Lindsay.
- Você é um galanteador nato, senhor ! – brincou, virando-se para ele, olhando em seus olhos. – Gentil, educado, cavalheiro... É meio contraditório com o modo como se veste e se porta. – franziu o cenho. – Você anda pelo campus como se não estivesse nem aí... Desleixado, me desculpe. – arregalou os olhos, balançando as mãos. riu alto de sua infundada timidez, guardando as mãos nos bolsos da calça. – Não quero te ofender! Nós mal nos conhecemos... Isso é efeito do curso de Moda. Ele me deixa sem filtro. Desculpe, mais uma vez.
- Perdoada! – levou as palmas das mãos à frente do corpo, enquanto continuava sorrindo como um bobo. – Eu só... Não acho que roupas julgam caráter. E não estou falando isso para ser grosseiro. – avisou. Ela assentiu de imediato, sorrindo condescendente. – E talvez eu goste desse estilo desleixado. Combina comigo. – deu de ombros. – Mas... Você diz como se já me conhecesse... – incentivou. Lindsay desviou seus olhares por alguns segundos.
- Você é o cara que me fotografou, dois dias atrás. É um dos fotógrafos das nossas festas. E já te vi algumas vezes chapado com alguns estudantes... O que me deixou com cheiro de maconha no cabelo por dias. – desabafou, fazendo rir ainda mais.
- Sou eu quem me desculpo dessa vez, então.
- Quites! – avisou. – E espero que não tenha ficado ofendido com a minha colocação. Na verdade... É algo legal. É como o badboy. – brincou, sorrindo. Ele fez pose. – Eu é que sou uma princesinha chata e acostumada a marcas caras e garotos metidinhos.
- Na verdade... É algo legal. É como a princesinha. – repetiu a frase dela, vendo-a corar levemente. – Ouvi dizer que a sorveteria do campus está ótima depois da reforma. Quer ir tomar um sorvete comigo, princesa?

23, julho, 2008. – 09H10 AM.

Luz.
Luz era tudo o que ele conseguia ver.
A luz que clareava seu caminho, impedindo-o de se cruzar ao de sua escuridão peculiar.
As frestas de sol entravam tímidas pelas frestas da janela de seu dormitório, iluminando o quarto. A luz figurativa que se irradiava do corpo de Lindsay, deitada em seus braços, iluminando a sua vida.
A mulher que o fez ver a vida com outros olhos. O fez reconhecer que o amor, de fato, existia. Que descobriu existir outro sentimento além de perda, dor, ou maldade em seu coração... O qual não lembrava há muito tempo da existência.
A mão que o puxou de um poço que ao menos sabia que estava caindo.
O rapaz afagou os cabelos da namorada, num carinho tranquilo. Ela se moveu sob a cama, subindo a cabeça para seu ombro, arrumando-se. sorriu, beijando sua testa. Lindy murmurou algo sob seus lábios, e, alguns segundos depois abriu os olhos levemente, acostumando-se à claridade.
- Bom dia, princesa. – sorriu, retirando alguns fios de cabelo de seu rosto.
- Bom dia, amor. – disse manhosa, lhe dando um selinho rápido. – Que horas são?
- Nove e meia...?
Lindsay arregalou os olhos e pulou da cama, praticamente. Ela se acostumou à tontura matinal rapidamente e caminhou até o banheiro do dormitório depressa.
- Eu vou te matar, ! Por que não me acordou? Eu tenho matéria agora! – reclamou apoiada ao batente da porta do banheiro, enquanto colocava o vestido.
- Lindsay, não exagera. É só uma aula...
A menina o encarou, incrédula.
- Você fala isso porque é um irresponsável! – Ele franziu o cenho, sentando-se na cama. – Desculpa. – bufou irritada consigo mesma. – Desculpa, desculpa amor. – balançou a cabeça negativamente, aproximando-se da cama. assentiu fraco, levantando-se, indo na direção contrária. – Você sabe o quanto demoro a me arrumar, não posso ir de qualquer jeito para a aula.
- Assim como eu vou. – completou irônico.
Ela voltou a se aproximar dele e beijou sua nuca, abraçando-o por trás.
- , por favor. Você sabe que eu não quis dizer isso. Às vezes posso contestar o seu... Estilo. Mas estou com você, não estou?
Ele segurou as mãos dela, observando-as.
- Está? – questionou, virando-se em sua direção. – Porque quando estamos perto dos seus amigos... Você ao menos se refere a mim.
- Não fale assim. – resmungou. – Só são costumes diferentes, você é diferente. Não estão acostumados a lidar com diferenças.
- E você está?
- Eu estou com você! – aumentou o tom de voz, segurando seu rosto. – Você é o meu badboy do sonho adolescente, . O perigo que eu ansiava mesmo sem saber. Eu amo você. – sussurrou contra seus lábios, roçando-os nos dele. fechou os olhos, sentindo seu toque.
- Eu também amo você, Lindy.
A garota sorriu, afastando-se levemente para encarar seus olhos com maior intensidade, medindo duas reações.
- Bem, eu já perdi o primeiro horário... Minha próxima aula é daqui uma hora. E a sua?
- Duas horas.
Lindsay riu baixo, aproximando seus rostos novamente, acariciando sua bochecha com a ponta do nariz.
- E o que você me diz... – sussurrou, dando um beijo estalado em seu maxilar. – De tomarmos um banho... Juntos... – beijou o canto de sua boca, enquanto afagava seus fios de cabelo ligeiramente cumpridos, bagunçados. – Sexo de reconciliação? – sorriu maliciosa, vendo-o o fazer o mesmo. Ele enlaçou sua cintura, puxando-a para si sem medir forças; completamente entregue. – Dar carinho, receber carinho... – delineou linhas imaginárias por suas bochechas. sorriu, assentindo e passando a distribuir beijos rápidos em sua boca. Lindsay riu, sentindo cócegas. – Você pode até usar aquela camiseta feia de banda que tem no guarda-roupa!
- Ah, eu posso? – ironizou, encarando-a com os olhos semicerrados. – Você deve estar muito boazinha para deixar que eu a use, mesmo.
Ela fez careta, lhe mostrando a língua. estreitou os olhos, apertando ainda mais os braços em sua volta.
- Está perdendo tempo, senhor . Já poderíamos estar ambos nus agora, embaixo do chuveiro.
- Você tem razão, senhorita Lindsay. – afrouxou o abraço, arqueando uma das sobrancelhas. – As damas, primeiro... – reverenciou, abrindo espaço para que ela passasse. Lindy sorriu em agradecimento e deu alguns passos em direção ao banheiro. – Aconselho a senhorita a caminhar mais rápido, pois no segundo em que sair daqui, esse seu vestido, seja qual for a marca - acredite, eu não me importo com ela -, estará rasgado no chão de carpete deste quarto.
E, no próximo segundo, sem que ao menos pudesse rir depois de seu pequeno monólogo, Lindsay já corria aos risos para o banheiro, tirando si própria o vestido que provavelmente valia mais do que seis meses de aluguel daquele dormitório. O rapaz sorriu divertido, acompanhando-a com o olhar, e no próximo momento já estava a seguindo. Pronto para fazê-la sua por alguns instantes, pronto para sua injeção de energia diária, pronto para sua Lindy.

12, novembro, 2008. – 21H47 PM.

A toalha branca rendada cobria toda a extensão da mesa retangular, sendo destacada pelos pratos de porcelana que a compunham. Algumas velas estavam acesas logo no centro, trazendo um ar ainda mais romântico e aconchegante ao jantar que Lindsay havia preparado para .
A campainha de seu dormitório tocou e a garota se levantou, arrumando o vestido Versace que envolvia seu corpo. Ela caminhou até a porta e, com um sorriso, a abriu, revelando um ... Igual à todos os dias. Seu sorriso se fechou alguns centímetros, encarando o garoto que usava jeans velho e uma camiseta informal. Ele trazia nas mãos uma rosa vermelha, e Lindy quase foi capaz de sorrir com mais sinceridade.
- Você está linda. – admirou, passando os olhos por seu corpo. Ela riu fraco, colocando as mãos na cintura, fazendo pose. – Ah, o que foi? – questionou, vendo-a dar os ombros, sem ânimo. – É a minha roupa de novo? A rosa? Não posso te dar orquídeas, Lindsay.
A menina assentiu, derrotada.
- Camisa e calça social também estão fora de cogitação? Até para um jantar romântico com a sua namorada? – girou os calcanhares, caminhando de volta a mesa, sentando-se numa das cadeiras.
suspirou, rolou os olhos comedidamente, e caminhou para sua cadeira.
- Estamos juntos há meses e você continua se preocupando com como me visto. – colocou o guardanapo de pano sob o colo. – Eu sei que aparência é importante para você, Lindy, mas quando aceitou ficar comigo, estava ciente de como eu sou. Desleixado. – sorriu sarcástico, buscando a garrafa de vinho que estava sobre a mesa e derramando o liquido escuro em sua taça. Ele deu um gole generoso na bebida e, em seguida, serviu a namorada.
- Só acho que você poderia, não sei, tentar... Se moldar um pouco? Por mim. – insistiu, bebericando seu vinho. – E eu não falo somente pelo modo como se veste, mas como age, como se porta diante outras pessoas. Tivemos uma criação completamente distinta, , mas isso não impede que você possa progredir. Se eu falo, é pelo seu bem, amor.
riu sem humor, colocando as mãos sob a mesa e observando-as. Encarar Lindsay naquele momento não lhe parecia uma boa opção.
- Eu não posso mudar quem sou, Lindy. Eu amo você mais do que qualquer outra coisa no mundo, você é a luz da minha vida, quase que literalmente, mas eu sou assim. – deu de ombros, voltando a olhá-la. Ela suspirou, consentindo. – Eu gosto de ser assim. Gosto de me vestir dessa forma; gosto de ir ao bar mais podre da faculdade às vezes; gosto de usar meu all star manchado; gosto de não agir como seus amigos. – enfatizou, vendo-a rolar os olhos, dessa vez. – Gosto de ser o . Você não gosta?
- É claro que sim, . Você é o meu namorado. Eu só... Deixe para lá. Esqueça o que eu disse. Vamos jantar! – gesticulou com as mãos, e num gesto malfeito, acabou derrubando a taça sob suas pernas. O vestido encharcado de vinho.
- Lindsay!? – disse, segurando o riso com os lábios trincados. A cena houvera sido hilária. Não para Lindsay, contudo. A mulher havia se levantado, e, incrédula, xingava deliberadamente. – Ei, calma. – sorriu levemente, levantando-se e caminhando até ela. Lindy estendeu a palma da mão, pedindo que ele não se aproximasse. – É só um vestido.
- É um Versace! – grunhiu, observando a mancha vermelha no tecido branco.
- Você pode comprar outro...
- Eu posso comprar todos os vestidos do mundo, , mas não posso comprar esse vestido. Ele foi feito sob-medida por um estilista que não está mais nem em nossa dimensão! – exagerou, com os punhos cerrados e o maxilar trincado. Os olhos vermelhos, demonstrando sua aflição.
- Ok, se acalma. Lindy, está tudo bem, você pode mandar...
- , volta pro seu dormitório. Eu não vou ser uma boa companhia hoje. Definitivamente, não vou. Minha noite está um lixo e... Que ódio!
- Você tem certeza? Eu te ajudo a arrumar toda essa bagunça.
- Eu tenho uma empregada para fazer isso, você sabe, amor. Por favor, pode ir embora? – suspirou irritada, com o último pingo de paciência que tinha em si.
somente assentiu em silêncio, olhando-a uma última vez, e assim se foi, levando a rosa entre os dedos e uma estranha sensação no peito.
Aparentemente, o interruptor havia sofrido um leve curto circuito na vida de .

10, janeiro, 2009. – 16H25 PM.

A chuva caía tranquila em fracos pingos ao redor da parte coberta da Universidade de Columbia.
O tempo estava nublado, cinza, triste.
Coincidentemente, assim como . Lindsay falava monólogos intermináveis a sua frente, alegando ter amadurecido o suficiente para deixar de viver o sonho adolescente do proibido; do garoto mau que desviava sua conduta, que a mostrava distintos modos de encarar a vida e sair de sua zona de conforto.
Mas agora ela precisava de mais.
Precisava de estabilidade, de um homem de verdade. riu sem qualquer resquício de humor ao ouvi-la dizer aquilo, e olhá-la com incredulidade foi imprescindível.
- Eu não sou homem de verdade porque não te levo a jantares obscenamente caros, porque não posso te dar o melhor, materialmente falando? Porque não tenho um cartão de crédito ilimitado? É isso?
- Não, . Pelo amor de Deus, não seja dramático! – exagerou, levantando o tom de voz, chamando a atenção de algumas pessoas à sua volta. – Nós estamos em conexões diferentes agora. Em um ano muita coisa muda, eu estou diferente da garota que conheceu. Tenho novos objetivos, novas vontades, e, principalmente, novas prioridades.
- E eu não sou uma delas.
- Não mais. – confessou, impacientemente. sorriu triste, como se não pudesse acreditar no que estava ouvindo. – Eu amadureci... Não temos nada em comum. Nem mesmo a vontade de seguir adiante com isso... Seja sincero. Nosso relacionamento está uma merda.
Ele franziu o cenho, incrédulo.
- Lindsay, eu amo você! Nós nunca tivemos algo em comum e sempre fomos felizes. Qual é o problema agora?
- Noites carnais não bastam, ! Por favor! Eu preciso de mais. Preciso crescer; conhecer alguém que terá um futuro brilhante, me casar, formar uma família...
trincou o maxilar, encarando os olhos azuis da menina que antes lhe traziam pura e inteira paz, hoje só mostravam um tsunami devastador.
- Você não pode estar falando sério.
- Estou. – se levantou, após inspirar fundo. Ele ergueu o olhar, observando seu rosto. – Você precisa vislumbrar um futuro, . Tirar fotos pode ser divertido, mas não lhe trará a menor estabilidade. – engoliu a seco, sentindo os olhos embaçarem. A dor em seu peito chegava a ser real. Queimava, ardia. Ouvir aquelas palavras da única razão que tinha para ser feliz, era insuportavelmente dolorido. – Você não pode viver o resto da vida vestindo camiseta de banda, jeans e all star. Não pode continuar sendo esse garoto fracassado que não consegue visualizar o dia de amanhã. Tenha planos, tenha motivações, cresça!
- Lindy...
- Não me chame assim! Nós não estamos mais juntos. Nós não temos nenhum assunto em comum. Eu preciso estar no meio de pessoas que tenham a acrescentar para mim, e não... Me puxar para o caminho contrário. Você pode entender isso? Se me ama como diz, me deixa em paz! – gesticulou fortemente com as mãos, enquanto dava passos na direção oposta. se levantou desnorteado, correndo atrás dela.
Todos à volta encaravam a cena sem que disfarçassem. Alguns até seguravam as câmeras fotográficas entre as mãos, provavelmente filmando a humilhação pública do estudante fracassado de Fotografia.
- Lindsay, por favor! Eu preciso de você. Pelo amor de Deus, você não... Você não pode me deixar por motivos tão fúteis assim! – tocou em seu braço, vendo-a virar para encará-lo. Não tinha qualquer vestígio de tristeza no rosto da loira, apenas superioridade. – Lindy, você é a única que pode me salvar de mim mesmo...
- Eu sinto muito, então. – deu de ombros, suspirando profundamente.
mordeu o lábio, apoiando as mãos nos quadris e desviando seus olhares, controlando o choro que se acumulava em sua garganta.
Ele voltou a encará-la e assentiu devagar, travando os lábios. Lindsay não o ajudaria.
Lindsay não lhe estenderia a mão para puxá-lo do poço profundo que o esperava.
A luz que iluminava seu caminho havia se apagado.
E ele não tinha sequer uma lanterna.
- Você tem certeza, não é?
- Sim. Siga a sua vida e eu viverei a minha. Tenha um bom dia.
Ele quase riu ao vê-la partir.
Um bom dia.
Ele jamais teria um bom dia novamente.
fechou os olhos brevemente e passou as costas das mãos pelo rosto, secando-o de qualquer lágrima indesejada. O rapaz inspirou fundo e olhou para os lados, vendo ser a atração da faculdade naquela tarde. Ele guardou as mãos nos bolsos da calça jeans, abaixou a cabeça, e passou por entre as pessoas – que o encaravam divertidamente – e caminhou depressa em direção ao seu dormitório.
Buscar suas malas.
Ir embora da Universidade de Columbia. De Chicago.
Ele não passaria mais um só minuto naquele lugar. voltaria para onde jamais deveria ter saído; Califórnia. Sede da Hidra.
Uma hora mais tarde, acabava de fechar o zíper da única mala que levava. Antes de sair de seu dormitório, ele encarou seu reflexo no espelho, vislumbrando o quão baixo poderia ir. Seus olhos estavam inchados, o nariz e rosto vermelhos, as veias do pescoço e testa saltadas, o olhar cheio de amargura, e, surpreendendo a si mesmo; um leve repuxar de lábios, num sorriso torto, que pingava sarcasmo. pendeu a cabeça ligeiramente para o lado e após suspirar profundamente, jurou que nunca mais voltaria a ser daquele jeito. Nunca mais se afundaria, enfraqueceria.
Ele abriu um dos bolsos da mochila que carregava nas costas e encontrou a pulseira de bronze; uma cobra de duas cabeças desenhada sob o pingente. O símbolo da Hidra.
Ao contrário do que Lindsay dissera, ele poderia, sim, ter um futuro estável. Talvez não da forma correta... Estava em seu sangue, afinal.
Uma mãe que havia sido dependente química, prostituta; que morrera antes que o menino completasse dez anos.
O pai, um psicopata, traficante de drogas, que havia sido preso um dia antes do filho completar doze anos.
E um tio... O parente que o criara. Um dos grandes homens da Hidra, uma facção insana.
Amor, definitivamente, não fazia parte de si.
Jamais havia recebido carinho, afeto, ou sequer se sentido realmente amado... Até conhecê-la.
Tudo o que aprendera sobre o amor havia sido através de Lindsay. E ela não havia sido uma boa professora.
Lindy havia o deturpado por inteiro.
E, da mesma forma rápida que havia lhe mostrado como era amar, ser amado, havia o mostrado como era estar quebrado.
A mulher que o fez descobrir um coração em si, para quebrá-lo meses depois.


Capítulo 8 - Prêmio.


- A Skye é maluca! Eu nem o conheço direito. Nós só temos uma amiga em comum.
Hannah estreitou os olhos, analisando suas feições. Ela sorriu, tomando um gole de vinho de sua taça, degustando-o com uma calma impressionantemente tortuosa. sabia muito bem o que aquele sorriso significava. Conhecia a melhor amiga há longos vinte anos, e podia decifrar cada uma de suas facetas.
Havia conseguido escapar daquele assunto há alguns dias, quando, acompanhada de Skye e Hannah, foi ao shopping logo depois de encontrar em Stanford.
Aquele maldito dia que não saíra de sua cabeça um só momento sequer. O maldito efeito que havia a consumido, célula por célula.
deitou-se ao lado da amiga, arrumando o pijama de seda ao corpo, enquanto encarava o teto, apreciando-o como se aquela fosse uma coisa inimaginavelmente interessante.
- Tanto faz. – deu de ombros, virando o rosto para olhá-la.
- Ela disse que ele era bem atraente.
- Skye tem um gosto duvidoso. – apontou, sentando-se novamente. – Você se lembra do último namorado dela? Tudo bem que ambos tinham quinze anos, mas... Bem.
- Ele é feio então?
- Ahn... Não.
Hannah sorriu abertamente e se arrependeu imediatamente por não conseguir mentir sobre a aparência de .
- Sete minutos no paraíso com ele: o que faria?
gargalhou, jogando a cabeça para trás e batendo palmas. Definitivamente, ter aquela noite das garotas com a melhor amiga fora a melhor decisão que tomara há... Um considerável tempo.
- Hannah, por favor!?
- Vamos lá, ! – riu também. – Sua boca já deve estar criando teias de aranha. Qual foi a última vez que beijou?
- Já faz um tempo. – ponderou, esticando-se pelo colchão para buscar sua taça que estava pelo chão. – Alguns meses, eu acho. Mas não importa, Hannah. Ele não faz o meu tipo... – deu um generoso gole em seu vinho tinto, encarando o liquido escuro para desviar o olhar da amiga. Não sabia até que ponto seria boa o suficiente para mentir.
Não sendo , ao menos.
- Ele é homem. – enumerou, erguendo o dedo indicador. – Tem um ar de estranho no ninho, segundo Skye. – dedo médio. – Usa jaqueta de couro. – dedo anelar. – Ele é o tipo de todas nós! – fechou a mão, olhando-a com obviedade.
- Não. – contestou, colocando a taça de vinho sob o móvel. Já havia bebido demais para alguém que não consumia álcool. Por sorte, Hannah não havia reparado. – Meu tipo é Chris Hemsworth. Ou Chris Evans. Adoro os Chris no geral, inclusive. – elas riram. – Falando no meu tipo: você viu o filho daquele deputado, na festa dos Fliths? Aquele sim, sete minutos no paraíso. Dez, quem sabe...
Hannah rolou os olhos, tomando outro gole de vinho.
- Você é muito broxante! Deveria se aventurar mais, . Em todos os aspectos da sua vida.
- Ora, ora... Para quem dois meses atrás se chocou ao ouvir "bolas roxas" a senhorita está muito saidinha, dona Hannah. Quem diria, uh? Aparentemente John tem operado mudanças na sua vida! – debochou sorrindo, apoiando as costas na cabeceira da cama, inclinando a cabeça ligeiramente para o lado.
- Sim. Está sendo maravilhoso, mas não mude de assunto! Você precisa... Sabe, se libertar. Se soltar mais. Confesso que não usar o secador às vezes pode ser renovador. Esquecer o batom claro e usar um vermelho sensual... Trocar um Loubotin por um sapato de departamento... Ok, isso não. – ambas riram. – Mas você consegue me entender?
mordeu o canto do lábio inferior, enquanto sorria sinceramente, observando além de Hannah. Por um breve segundo, sentiu vontade de jogar tudo para o alto e contar para a amiga sobre... Tudo. Sobre ser duas, sobre o peso figurativo que carregava nas costas há inimagináveis dez anos.
Ela não diria, obviamente. Mas descobrir que Hannah pensava daquela forma, já era um grande triunfo. Inevitavelmente um pequeno gancho de orgulho tomou seu peito.
- Você acha isso, Hannah? Acha que é certo?
- Ser isso nos deixar mais feliz? – sorriu. – É um dever. Não existe certo ou errado no que se trata de felicidade, .
- Está me surpreendendo, Hannah. Vinte anos de convivência e... Você consegue me surpreender positivamente. Acho que deveríamos nos casar.
Elas riram. Hannah a abraçou de lado, beijando sua bochecha. O álcool já começara a fazer efeito; notou.
- Só vamos tentar nos manter dentro da lei, ok? Sem ficha suja na polícia, senhorita ! – brincou, mas o sorriso de cessou um pouco.
- Você é quem manda, Hannah Montana. – sorriu divertida, debochando de seu antigo apelido. – Ok, acho que depois dessa conversa eu realmente preciso me sentir mais selvagem. O que sugere?
- I Love Rock 'n' Roll versão Britney Spears?
- Você leu meus pensamentos!

Uma hora mais tarde, Britney, com seu uniforme azul e carrinho de aeromoça passeava pelo avião, em Toxic, enquanto Hannah dormia tranquilamente ao seu lado. cantarolava baixo, incluindo suas notas melodiosas conhecidas. No ápice da música, em meio à uma Britney Spears de cabelos vermelhos, roupa inteiramente preta, buscando o veneno letal, sentiu o celular vibrar ao seu lado, no colchão.
O nome de Brooke na tela de bloqueio apareceu de imediato, fazendo-a cerrar as pálpebras pela claridade desnecessária. desbloqueou o celular, e, assim que leu a mensagem, um sorriso ladino tomou seus lábios.

[01:31] Pronta p/ erguer a bandeira?
[01:31] Não, ñ é branca. Ñ queremos paz. Queremos velocidade e adrenalina, !
[01:32] Estamos t esperando com os motores ligados. Endereço na prox msg."

*


O ranger ensurdecedor dos motores se equiparavam ao som alto das caixas traseiras dos carros que emitiam TNT de AC/CD, no meio da estrada, prontos para se enfrentarem, correrem o máximo de velocidade que os modelos dos veículos impunham.
No final, tudo se tratava somente de uma coisa: poder.
Poder pelo melhor corredor, pelo mais corajoso, pelo que tinha a maior dose de adrenalina.
sorriu imediatamente ao observar o cenário caótico, rodeado por pessoas que transbordavam excitação e adoração àquele tipo de corrida. Corridas clandestinas. A mulher apertou o sobretudo de couro sobre o corpo, cobrindo-se brevemente do vento gélido que tomou sua pele, arrepiando seus poros.
Talvez não fosse somente o frio que havia feito seus pelos eriçarem... Ela não podia evitar. Adrenalina, velocidade e sensação de poder; uma junção de fatores que faziam querer gritar aos quatro ventos o quanto amava aquele mundo. O mundo proibido; o qual jamais descobriria trancafiada no quarto de Hannah, enquanto assistia ao DVD da Britney Spears.
Highway To Hell se iniciou nas caixas de som, e seu sangue se esquentou prontamente. cantarolou ao mesmo tempo em que voltou a caminhar em direção ao centro da estrada, batendo os saltos finos contra o asfalto novo. Seu sobretudo se afrouxou ao corpo e ela o despiu através dos ombros, revelando o top frente única preto, saia jeans justa e cinta-liga. Passar numa loja de departamentos nunca havia sido tão proveitoso.
Os olhares voltaram-se para si e ela sorriu de lado, sentindo-se o foco das atenções. Não havia melhor forma de chegar num lugar, senão daquele modo; definitivamente.
- , , ... – a voz masculina soou às suas costas e ela se virou para reconhecer. Hunter. Um sorriso torto tomou seus lábios quando ele esticou o braço, na intenção de guardar seu sobretudo. sorriu agradecida. – Parece que até quando nos divertimos, temos que estar fora da lei.
- Você sabe outro modo de se divertir, senão esse? – retrucou, arqueando a sobrancelha. Hunter riu, balançando a cabeça em negação. – Quem serão os corredores da noite?
- Jackson e . – apontou.
olhou na direção e encontrou Jackson numa Lamborghini, rodeado por uma fumaça negra e mulheres caindo aos seus pés. Ela riu.
Ao lado, numa Ferrari, estava . Um prepotente, sarcástico, e cheio de si. Duas mulheres envoltas em seu abraço, enquanto ele segurava uma garrafa de energético. inclinou a cabeça, prestando atenção em seu ar incrivelmente perverso.
Foi inevitável morder o lábio com fome ao observá-lo com tal cautela. Não lembrar-se da cena de dias atrás, numa das salas de dispensa de Stanford, foi impossível. Uma leve tensão subiu em seu ventre e, sem que prestasse atenção, se viu sendo notada por ele.
O rapaz assentiu em cumprimento, arqueando uma das sobrancelhas. ergueu a mão e acenou, balançando os dedos devagar. voltou a virar-se para as garotas que abraçara, sorrindo maliciosamente.
Bem... Eram garotas sortudas.
Dizer que não queria estar entre uma delas, seria mentira. estreitou os olhos e voltou a encarar Hunter, que lhe encarava curiosamente. Ela sorriu.
- Você é mesmo muito diferente de todas as outras, . – frisou. A mulher franziu o cenho. – Esse seu jeito desapegado... Único. É bom ter você com a gente.
sorriu sinceramente.
- Por desapegado, você diz não estar com alterada por ver prestes a comer aquelas duas? – riu. – E é bom estar com vocês!
- Boa parte das mulheres estaria...
Ela concordou, vendo-o entrar na Ferrari vermelha.
- Se eu ao menos fosse capaz de nutrir algum sentimento romântico, Hunter...
- Vocês são mais parecidos do que pensei. – enfatizou, fazendo virar-se para encará-lo.
- Por que diz isso...
- Aí está você!
interrompeu-se ao sentir as mãos gélidas e femininas em seu ombro e reconheceu de imediato a voz de Brooke. Ela sorriu divertida, observando a animação da amiga, que carregava uma bandeira quadriculada.
- Quer ter às honras?! – ergueu a bandeira em sua direção. aceitou de bom grado, com um sorriso cheio de intenções. – A propósito, você está incrível nessa roupa! Eu te beijaria de novo, caso não estivesse acompanhada. – olhou de soslaio para um homem que estava à sua direita. o observou e riu, balançando a cabeça em negação. Ele era lindo.
- Bom gosto você tem. – admitiu, rindo para Hunter, que digitava atento no celular, ao mesmo tempo em que prestava atenção na conversa das duas. Os motores dos veículos roncaram ao longe e a mulher ficou em alerta. – É agora?
- Isso! Você sabe como funciona, certo? – Brooke questionou, acenando para Hunter, que caminhava para a pequena plateia que se formava nos arredores da estrada. assentiu, balançando a bandeira entre os dedos. – Me orgulhe, .

não precisou responder com palavras.
Ela assentiu para amiga e bateu falsa continência, enquanto ouvia o estalar dos saltos finos contra o asfalto liso, caminhando na direção correta. Os carros já estavam apostos, e os corredores com as mãos apertadas contra os volantes. Os sorrisos de Jackson e iam do perverso ao competitivo. ficou entre os carros, o silêncio se instalou pelo ambiente. Iria começar.
A mulher encarou alguns rostos dentre as pessoas presentes, todos claramente ansiosos pelo que viria a seguir. Um arrepio tomou seu corpo e ela voltou a encarar os motoristas, prontos para acelerarem. Seus olhos se demoraram alguns segundos a mais em , que sorriu torto para ela, com o maxilar trincado.
Filho da puta gostoso.
A mulher desviou seus olhares e voltou a se concentrar. Ela ergueu a bandeira quadriculada, alertando-os. O olhar de se tornou mais centrado, focado.
A sirene se fez ouvir e então a bandeira caiu. curvou os joelhos, sentindo os carros passarem ao seu redor como num vulto. Seus cabelos voaram bagunçados, seu corpo se arrepiou e a sensação de adrenalina a consumiu por inteiro.
Ela girou os calcanhares a tempo de ver distantes os carros pequenos aos olhos. encarou o vermelho forte da Ferrari que dirigia e, numa torcida muda, sorriu na direção em que o carro sumiu, segundos depois.

A Ferrari vencedora chegou vinte minutos mais tarde.
Todos recepcionaram com bebidas e cumprimentos calorosos. As mulheres, principalmente.
sorriu ligeiramente embriagada, segurando uma garrafa de vodka, a qual havia tomado quase que inteira durante os minutos anteriores, na companhia de um grupo de mulheres que havia conhecido.
Ela cambaleou, em meio a risos. A noite estava definitivamente mais alegre naquele momento.
Mais excitante também...
Há quanto tempo não fazia sexo? estreitou os olhos, na vã tentativa de se lembrar da última vez que houvera tido um orgasmo satisfatório. Provavelmente havia sido há semanas, na sala de dispensa de Stanford.
E ao menos havia usado o pau. Filho da puta.
- , ... Você quase me desconcentrou.
Ele deveria agradecer pela vida que teria daqui em diante. Certamente, não morreria pelos próximos anos. Fora só pensar no maldito, que sua voz torturantemente rouca soou ao pé de seu ouvido, talvez próxima demais para sua própria sanidade. A mulher mordeu o lábio, enquanto sorria maliciosamente, e virou-se para encará-lo. Ela arqueou uma das sobrancelhas, observando os olhos do outro. Tão drasticamente tentadores.
- O quê, lindo? – questionou. Estava distraída demais para prestar atenção no que ele havia dito anteriormente.
sorriu, provavelmente notando a falta de sobriedade da outra.
- Cinta-liga, couro... Eu quase me esqueci de acelerar. – confessou.
- Oh... Eu sinto muito? – fingiu se importar, colocando as mãos nos bolsos traseiros da saia que vestia. – Eu gostaria de te dar uma resposta agora que te deixaria tão duro que doeria, mas acho que a vodka não me deixa pensar muito bem... – riu, com o olhar semicerrado. As fortes luzes dos postes deixavam seus olhos sensíveis.
- Você não precisa falar nada para me deixar assim, .
A mulher entreabriu os lábios, minimamente surpresa com a resposta. Aparentemente, ele estava mais sociável que o normal. Talvez fosse reflexo da recente vitória.
- Quer transar?
O rapaz riu, balançando a cabeça e olhando para baixo por alguns segundos. era incomparável.
Mas bêbada era superior.
- Não tente seduzir alguém quando está assim.
riu, levando a mão à testa.
- Eu sei! Foi péssimo! Sem sexo para bêbada. Vou ter que me satisfazer sozinha... – disse baixo, fingindo inocência, enquanto delineava os próprios lábios com os dedos indicador e médio.
seguiu a direção de seus gestos com os olhos, prestando atenção em cada mínimo detalhe; hipnotizado. O sorriso de se curvou, tornando-se extremamente malicioso, e então ele se deu conta.
Filha da puta.
A mulher passou a rir com gosto, enquanto ele balançava a cabeça negativamente, rindo descrente do que havia acabado de acontecer.
- Você é uma...
- Vadia. Eu sei. – completou, orgulhosa, ainda rindo. – Eu nasci para isso, querido. Não existe álcool no mundo que impeça minha capacidade de deixar um cara dolorosamente duro.
- Parabéns, você tem um dom. – abriu os braços, derrotado. sorriu satisfeita, vislumbrando o corpo do outro, demorando o olhar um pouco mais sob o volume da calça dele.
- Obrigada.
- Meu campeão!
encarou a garota que chegara de repente, agarrando o pescoço de . Ela riu, parte pela imprudência da mulher, parte pelo susto que levara. sorriu para a morena, que lhe roubou um beijo rápido. inclinou a cabeça, tendo sua atenção toda voltada pra a cena. Voyer sempre fora um de seus fetiches...
Não quando ela estava bêbada, contudo.
Não quando estava há meses tentando transar com .
Não com a falta de educação da garota que mal havia saído das fraldas.
Ela era , e ninguém no mundo retiraria o doce de sua boca enquanto ela o chupava.
Ou tentava fazer isso... Com todo o duplo sentido possível.
- E você é...? – disse, a voz ligeiramente embriagada. virou mais um gole do liquido transparente.
- Jessie. – a olhou de soslaio, enquanto afagava os cabelos do homem. – Acho que já pode receber o seu prêmio, .
sorriu fingindo inocência, encarando o brilho excitado dos olhos do homem. Era óbvio que ele sabia o que estava acontecendo.
era o maior filho da puta da história da humanidade. Ser disputado por duas mulheres da Hidra deveria chegar próximo ao prazer sexual.
Ela não lhe daria esse gosto, no entanto.
Ou, ao menos, não até Jessie levar os lábios à orelha dele, mordendo o lóbulo de modo lento, fazendo-o fechar os olhos. estava prestes a virar-se para a garota, mas foi mais rápida e puxou a mão dele para si. Ambos pareceram despertar do transe pessoal e a olharam com incompreensão.
- O seu prêmio, . – ironizou, usando a mesma frase da outra. levou a mão que segurava para seu quadril e destruiu a distância que os separava. Chocou os lábios contra o do rapaz com força, surpreendendo-o de imediato. O sobressalto ofendido da morena ao lado se fez ouvir, enquanto a garota pisava firme na direção contrariada, se afastando. involuntariamente sorriu contra os lábios do outro – que já estava totalmente entregue ao seu beijo. Ela já podia se separar do homem, sabia que sim, mas seu corpo simplesmente não conseguia.
O maldito imã que os ligava quando estavam juntos; a química inexplicável, a junção que fazia seu coração acelerar precariamente e a pele arrepiar-se por completo. A língua do rapaz massageou a sua com força, rapidez, quase como se quisesse fundir seu corpo ao dela através daquele ínfimo gesto. embrenhou os dedos em seus cabelos e puxou seu rosto ainda mais para si, sentindo o volume de arranhar sua barriga descoberta, mesmo que por cima de sua calça jeans grossa. Ela arranhou sua nuca sem medir forças e sugou seu lábio, mordendo-o em seguida. apertou a carne de sua cintura, provavelmente descontando a tensão e o tesão acumulado. O homem roçou seus narizes, e após um sorriso que pingava a perversidade, sugou o lábio inferior dela com avidez.
- Isso foi ciúme? Sério, ? Você? – debochou, ainda com os lábios colados no dela.
riu baixo, quase no mesmo tom que ele.
- Isso foi vitória, . – corrigiu, lhe dando um selinho demorado. – Quer comer todas as mulheres que estão na estrada? Ótimo, bom para você. Compartilhe algumas comigo depois. – afastou seus rostos. Ele a encarava confuso, porém com um ar divertido. – Mas não deixe que nem um desses projetos extremamente mal feitos de me provoquem dessa forma. Não estou numa competição com outras mulheres, e muito menos por você. Mas, acho que se estivesse... Já sabemos o resultado. Espero que elas saibam a partir de hoje, também. – avisou. – Boa noite, campeão. – sorriu sarcástica, girando os calcanhares e virando-se na direção oposta. A mulher caminhou em passos lentos para o pequeno grupo de mulheres que houvera conhecido há pouco, não deixando se abalar. Seus quadris rebolavam a medida que os saltos estalavam contra o asfalto, enquanto tentava se equilibrar mesmo sob o efeito do álcool.
Uma noite da caça, outra do caçador.
E naquela noite, era a caçadora.
A fumaça densa e acinzentada escapava pelos lábios de , enquanto ela tragava o terceiro cigarro da noite. Mason estava à frente na sala, explicando os detalhes da próxima missão da Hidra. Um assalto à mansão de um dos mais renomados juízes da Califórnia. já havia ouvido falar sobre ele... Talvez um dos amigos de Anthony. Ela deu de ombros, desinteressada. Puxou a cadeira para sentar-se enquanto o mais velho terminava o discurso.
Tão maçante... Monótono. Tedioso. Fastidioso. Cansativo; podia especificar todos os sinônimos para a palavra “chato”. Adorava a ação... Odiava a teoria.
Preferia estar enfurnada em uma das salas de Stanford àquela altura.
Ou em algum cômodo apertado, fundindo-se a qualquer um.
Seu olhar cruzou a sala, encontrando de perfil, observando o próprio celular, compenetrado. Inevitavelmente, um pequeno sorriso surgiu em seus lábios e ela jogou o cigarro contra o chão, apagando-o com a sola do sapato. merecia toda a sua atenção.
Mesmo sendo um filho da puta.
Era um filho da puta extremamente gostoso.
E poderia até ser um cara divertido às vezes... Mas ela não se importava com isso. Queria seu corpo e apenas isso; assim como sabia que ele a desejava. desviou o olhar do dele e olhou para Brooke, que batucava os dedos impacientemente contra a perna cruzada. A mulher sentiu o olhar da outra sobre si e virou-se, sorrindo divertida. riu, balançando a cabeça.
Mason finalizou – finalmente – a pequena reunião e se retirou, avisando-lhes que traria uma boa garrafa de uísque para comemorar o pré-crime. comemorou audivelmente, mandando beijos no ar para o homem.
Seu celular vibrou contra o decote pela terceira vez e ela revirou os olhos. Era Jacob. fez uma careta e suspirou cansada, não queria falar com o menino naquele momento.
Não estando naquele ambiente; não sendo quem era.
O celular apitou novamente, e, dessa vez ela soube que era uma mensagem de texto. Buscou o aparelho guardado entre os seios e franziu o cenho imediatamente ao ler:

“Onde você tá? Porra, , eu to desesperado. Bati o carro. To no hospital”

As palavras fizeram sentido em seu cérebro somente alguns segundos depois. E quando isso aconteceu, foi como se o chão houvesse sumido por seus pés. Seus olhos arregalaram-se e seu coração se acelerou de imediato; a mulher ofegou, levantando-se sem se importar com o barulho em que havia feito quando a cadeira caiu sobre o chão. Todos a encararam, em alerta.
- ? O que aconteceu? – Brooke disse.
- Meu irmão... – engoliu a seco, desnorteada. Olhou ao redor, procurando sua bolsa. – Ele está no Hospital! – arregalou os olhos novamente. – Um acidente, eu não sei... Puta que o pariu. Esse menino não tem nem dezesseis anos!
- Como ele está? , calma! – pediu, vendo-a andar de um lado para o outro na sala, procurando sua bolsa, enquanto resmungava atônita.
- É o meu irmão, Brooke! – se exaltou, ao mesmo tempo em que encontrou finalmente a bolsa.
- Você vai sair assim? – ouviu dizer, enquanto ela destrancava a porta.
sorriu sarcástica.
- Ainda não posso me teletransportar. – O rapaz revirou os olhos diante sua grosseria, mas se levantou, buscando a carteira que estava sob o móvel. Ela franziu o cenho. – O que está fazendo?
- Indo ao supermercado. Não é óbvio? – ironizou, caminhando em sua direção. cruzou os braços, desaprovando suas palavras. conseguiu enxergar um brilho distinto nos olhos da mulher e cessou a o sarcasmo de suas feições, substituindo-o por um semblante sério. – Já tivemos um acidente de transito hoje, não precisamos de outro.
Ele estava com pena? Ela não precisava de pena. Não precisava daquele tipo de afeto.
- Não preciso de você. – sussurrou, os lábios travados. Todos na sala haviam voltado com suas tarefas; exceto Brooke, que os observava ligeiramente.
- Não estou pedindo a sua permissão. Estou avisando que irei, quer você queira, quer não. – colocou o braço na lateral de seu corpo, girando a maçaneta. – Está perdendo tempo. – meneou com a cabeça.
trincou o maxilar e o mediu por milésimos de segundos, mas por fim acabou aceitando a sua ajuda. Virou-se depressa a caminho da saída e saiu a passos longos e rápidos.
Precisava estar o quanto antes com Jacob.
Precisava ver o irmão mais do que tudo àquela hora.


Capítulo 9 | Detalhes Subentendidos.


Jacob tinha hematomas arroxeados distribuídos por todos os seus membros; o braço estava engessado e o rapaz olhava para o celular com o cenho franzido e a preocupação evidente em seus traços.
Aquilo foi tudo o que encontrou ao abrir a porta do quarto do Hospital onde o irmão estava. Apesar do nervoso, por sorte, havia conseguido colocar um sobretudo social que guardava em seu carro por cima da roupa distinta de seu estilo convencional. Jacob ergueu o olhar, encontrando-a aflita. O menino suspirou pesadamente, preparando-se para o sermão... Que demorou mais do que o normal a vir. caminhou até ele e, engolindo a seco, respirou aliviada ao comprovar que não havia sido tão sério quanto pensara, há minutos.
estava em seu enlace, mas se mantinha em silêncio. Jacob o olhou de soslaio, mas não questionou.
- Eu juro por Deus, Jacob , – finalmente disse. – se você não estivesse todo quebrado, eu te quebraria inteiro.
- ...
- Não quero falar com você agora, estou nervosa demais para isso. Vou conversar com o médico e saber como está. – ele suspirou, arrumando-se nos lençóis brancos. – , você fica com ele? – o homem assentiu, apoiando-se sob a parede e cruzando os braços. – Obrigada. Qualquer coisa não hesite em me chamar.
A mulher abriu a porta e se foi, pisando duro e bufando como um touro bravo. sorriu distante, olhando para os pés.
- Odeio quando ela age assim. Parece a mamãe... Ou o papai. – Jacob disse; mais para si mesmo, do que para o outro. ergueu o olhar, encarando-o. O menino o mediu dos pés a cabeça, observando suas roupas - provavelmente distintas das que estava acostumado a ver. – Quem é você? Não me leva a mal... Mas não faz o tipo dos amigos dela.
riu, sentando-se na poltrona no canto oposto à cama.
- Nós temos uma amiga em comum.
- têm amigas como você?
- Mm?! – repreendeu, divertido. Jacob riu. – Por incrível que pareça, ela tem.
- Eu preciso conhecer essa amiga, então. Ela deve ser divertida. Bem melhor do que as bonecas Barbie Califórnia que vão lá em casa. – sorriu, imaginando o que o garoto devia passar. – está muito brava?
- Está preocupada, é diferente. – Jacob suspirou fraco, passando a encarar o teto. – Você deu um bom susto nela.
- Eu sei. Isso é um saco. – resmungou. sorriu novamente. Há quanto tempo não conversava com um adolescente? Ele mal conseguia se lembrar. – Eu não quero nem ver quando chegarmos em casa. Você viu a reação da ? Meu pai reagirá mil vezes pior. Se eu já era a ovelha negra da família, não quero nem imaginar agora que bati o carro e me quebrei todo...
travou os lábios ao perceber que riria alto no próximo segundo. Ouvir que o garoto pensava ser a “ovelha negra da família” chegava a ser hilário. Se soubessem sobre ... Os problemas de adolescência de Jacob não seriam nem a ponta do iceberg.
- Todo adolescente faz algo assim, faz parte dessa fase maldita. Acredite: a adolescência é um saco. – o imitou, fazendo-o rir. Ele voltou a fitá-lo. – Só aprendemos com os erros, Jacob. E esse é só mais um deles. - Você diz isso porque não tem como irmã... – Deus o livrasse; ele pensou. – Ela é perfeita em tudo o que faz. – sorriu torto, concordando veemente com a afirmação do menino. Ah, ela definitivamente é. – É difícil ser um adolescente normal quando sua irmã é a filha exemplo. O sonho de todos os pais.
- Ela deve ser entediante. – pensou alto. Jacob riu ainda mais.
- Ela é. Às vezes. – deu de ombros. – O que mais me deixa chateado é que, além da filha perfeita, ela é capaz de ser a irmã perfeita também. É claro que me irrita às vezes. É careta, discute comigo por tudo, me protege até demais... Mas acho que é normal, não é? – assentiu, sorrindo fraco. – Mas você já deve saber de tudo isso, se é amigo de...
A porta se abriu de repente, interrompendo-o. estava séria, mas parecia menos furiosa do que há minutos.
- Você já pode ir embora, assinei os documentos. Escoriações leves e um braço quebrado para o saldo do dia.
- ...? – O menino chamou. A mulher inspirou fundo, com os olhos fechados. sorriu divertido, era no mínimo engraçado ver a inabalável em um momento como aquele. – Você pode falar comigo?! Que merda.
- Isso poderia ter sido pior, Jacob! Você teve a sorte da sua vida! Ao menos tem noção? Eu não quero nem falar o que estou pensando.
riu baixo, no canto da sala. tendo responsabilidade com alguém! Que lhe emprestassem uma câmera: ele precisava registrar aquele momento.
- Eu poderia ter morrido...
- Sim! E acabaria me levanto junto, seu demônio juvenil. – sentiu a voz falhar, embargada.
fechou o sorriso prontamente.
- ... Eu sei dirigir.
- Se soubesse não teria batido o carro!
O menino bufou impacientemente, evidenciando sua idade.
- O papai vai me matar se souber...
- E eu o ajudarei. – o interrompeu. Jacob resmungou, olhando-a com descrença.
- Ele vai me mandar pra Suíça! Por favor, não fala pra ele. Por favor. – implorou, tentando unir as palmas das mãos, em clemência; o gesso o impedira, no entanto. o viu engolir em seco e suspirou, balançando a cabeça em negação e se aproximando do garoto.
- Você não vai para a Suíça, Jacob...
- Não vai contar? – questionou, esperançoso. Ela sorriu fraco.
- Não. Saí hoje mais cedo com o Audi para te levar ao colégio e me fecharam no trânsito, acabei amassando. Você se machucou... – ela caminhou até um móvel do quarto e, após fechar os olhos com força e segurar o lábio inferior entre os dentes, bateu o braço contra a quina da madeira. e Jacob uniram as sobrancelhas, confusos. Ela xingou baixo. – Isso irá ficar roxo. Bem roxo, se for o equivalente à dor maldita que estou sentindo... – murmurou, os lábios travados, enquanto acariciava o local. sorriu, observando a cena. – Fica mais verídico. Satisfeito?
O irmão sorriu divertido, quase achando graça do machucado da outra.
- Isso vai me custar quanto?
- Seus dentes. – apontou. – Assim que estiver bom, vou arrancar todos. Um por um, e me certificarei que doerá o bastante. – ameaçou. Todos riram, inclusive ela. – Vamos logo, Michael Schumacher.

A viagem até o condomínio dos foi rápida, de certa forma, em meio a risos e conversas aleatórias. e Jacob aparentemente haviam criado certo vínculo, já que não os assuntos não pareciam se esgotar. Videogames, filmes, futebol, UFC... A conversa fluía de tal modo que fez rir muitas vezes, surpresa ao ouvir as revelações de sobre os temas. Nunca havia tido uma longa conversa com o rapaz, quanto mais sobre tópicos como aqueles.
A mulher concluiu o óbvio: ele era mais interessante do que demonstrava por seu jeito grosseiro e fechado. E isso a incomodou, de certo modo. se pegou encarando a paisagem ao seu lado, na janela, ao ouvi-lo rir sobre como tal esportista havia sido derrotado numa das lutas do final de semana. Ela sorriu fraco, dispersa.
Era aproximação demais. Seus dois mundos vinculados invasivamente. Inadmissível, no mínimo.
Os portões prateados de seu condomínio se materializaram a poucos metros de distância e foi impossível não respirar aliviada por isso. olhou na direção do braço que havia batido propositalmente antes e observou a mancha esverdeada que começava a aparecer.
- Estão entregues. – avisou. desafivelou o cinto. – Faremos o que combinamos? Vou para casa com o seu carro e você o busca amanhã? – Ela assentiu, sorrindo, sem olhá-lo diretamente nos olhos. Estar com enquanto era ainda fazia seu estômago embrulhar e o nervosismo consumi-la.
- Passa qualquer dia aqui em casa, , vamos jogar uma partida! – Jacob disse, entusiasmado.
riu, apoiando o rosto entre a mão. o olhou através do retrovisor e sorriu, assentindo. Aquilo nunca aconteceria; mas ele não precisava saber.
- Pode ir à frente, Jake. Eu já vou.
- Ah não... – o menino resmungou, fazendo-a olhá-lo, confusa. – Essa não é uma daquelas fases, não é? Onde você fica com um cara totalmente diferente do que está acostumada só para irritar o papai? Aquilo que acontece nos filmes que você gosta...
se arrumou no banco, parcialmente desconfortável. Aquela história típica não lhe trazia boas lembranças. gargalhou alto ao seu lado, e com isso foi inevitável controlar uma risada comedida que escapou de sua garganta também.
- Tchau, Vin Diesel em Velozes e Furiosos.
- Você já pode começar a parar com esses apelidos... – resmungou, destravando a porta ao seu lado.
- Nunca, Senna. – acenou, vendo-o revirar os olhos e sair do carro. Ela riu, observando-o entrar no condomínio.
Um silêncio excruciante tomou conta do pequeno espaço do veículo. ainda sorria, mas não tanto quanto antes. segurava o volante entre os dedos e, após ter certeza de que Jacob não ouviria mais nada, questionou:
- E essa, foi quem? ou ?
A pergunta a pegou de surpresa, mas não a abalou. sorriu sinceramente e virou o rosto para encará-lo.
- Acho que só... A irmã mais velha do Jacob.
- Ela é quase tão divertida quanto a . – brincou, rindo. Ela riu também.
- Tchau, . Obrigada pela carona. – se aproximou, dando um beijo rápido em seu rosto.
se foi, mas ele não notou.
A porta do carro bateu, mas ele não percebeu.
O dia caía sob seus olhos, mas ele não se importou naquele momento.
A mulher não havia feito sequer uma conotação sexual. Não havia o encarado daquele modo que o enlouquecia. Não havia o tocado de um modo invasivo ou tentado fazê-lo.
Mas o havia desconcertado.
Ele franziu o cenho, ligando o motor do carro novamente. Observá-la sem a máscara de ou a parede que havia notado na que vira em Stanford há alguns dias, fora mais complicado do que pensara.
E confuso também.
O homem balançou a cabeça negativamente, colocando os pensamentos no lugar, e, após uma ultima olhada para o condomínio luxuoso a sua frente, acelerou na direção oposta; pronto para ir para sua casa.

*


mantinha sua arma em punho, enquanto avistava Hunter, Jackson e renderem dos seguranças da mansão dos Laurent. Brooke, Mason e Jordan cuidavam das câmeras de segurança.
A mulher inspirou fundo, segurando o lábio entre os dentes enquanto um sorriso perverso tomava sua boca. Um frio distinto percorria seu ventre, a sensação de adrenalina sendo emitida por cada poro de seu corpo.
Ah, sim. Ela amava aquilo.
Amava o perigo. A maldita adrenalina. A serotonina, a endorfina que corria em suas veias, lhe trazendo o prazer comparado ao sexual. Era aquilo que a movia. A pilha de suas energias, o carregador portátil que lhe trazia tudo o que necessitava.
Brooke acenou, chamando sua atenção, avisando-lhe que estava pronto. Câmeras de segurança desligadas, seguranças rendidos.
A luxuosa mansão estava pronta para a Hidra.

piscou algumas vezes seguidas, tentando acostumar os olhos com escuridão, a luz da lanterna iluminando o caminho necessário para que eles seguissem até seus destinos.
- O Sr. Laurent está em algum dos quartos, assim como as filhas. – Jackson lembrou, a voz sussurrada e os passos calmos. – e Brooke, vocês resolvem isso?
- Pode apostar. – a morena ironizou. – Um oficial da lei e duas Barbies são meus exemplos de pessoas favoritas.
- Precisam de ajuda? – soltou, um riso escondido entre as palavras enquanto encarava por cima dos ombros.
A mulher revirou os olhos e apressou o passo, emparelhando seus ombros antes de responder, com um sorriso cheio de intenções figurando seus lábios:
- Só se for para garantir que eles sairão inteiros.
A mansão voltou a mergulhar no silêncio e os ladrões mantinham seus olhos firmes no caminho. viu pela visão periférica quando Hunter acenou para eles, sinalizando que ele e Jackson seguiriam na direção contrária, mas sua atenção foi inteiramente sugada pelo leve click que pensou ouvir, como se alguém tivesse fechado uma porta.
Ela queria acreditar que estava errada, mas seu extinto puxava seu corpo naquela direção, um leve formigamento tomou suas mãos quando a mulher as guiou até o metal frio da arma, erguendo o objeto na direção do recinto.
- ... – a voz quase de saiu quase inexistente e a mulher olhou na direção dele, o indicador pressionado contra os lábios num pedido de silêncio.
A loira levou a mão até a maçaneta, girando devagar até que a tranca estivesse liberada, então empurrou de uma vez só, escancarando-a para que pudesse visualizar o interior completo do lugar.
O facho de luz que vinha da lanterna iluminou o corpo curvado do juiz, interrompendo bruscamente sua procura por algo dentro da gaveta, arrancando um grito de sua garganta.
- Eu odeio ter que te dizer, senhor juiz, mas... mãos para cima. – ameaçou, a arma em riste. – Ah, que merda. Eu sempre quis falar isso!
- O que vocês pensam que estão fazendo? – o homem soltou em um rosnado, os olhos mirando o rosto de com fúria. – Se acham que poderão sair daqui com algo, estão muito enganados!
Brooke revirou os olhos e resmungou, procurando o interruptor na parede, a luz forte causando um incômodo passageiro.
- Ei, lindo – disse para . –, que tal usar o nosso brinquedinho com ele? – a voz cantarolada de soou, causando um efeito atônito no juiz.
O leve soar de metal soou quando o homem pegou as algemas, caminhando na direção do seu refém de forma tranquila.
- Estão cometendo um erro grave, depois não digam que eu não avisei. – o velho continuou resmungando quando puxou seus braços para trás, os envolvendo com o objeto de metal, impulsionando o corpo dele para cima e jogando sobre a cama.
- Olha só o que nosso oficial estava procurando... – Brooke soltou, erguendo a arma guardada na gaveta, um riso escapando por seus lábios. – Aliás, é a única coisa útil nesse quarto. Que tal nos contar onde guarda seus milhões, senhor Laurent?
- Vão para o inferno!
- Adivinhe só? Nós já estamos nele. É o meu lugar favorito, inclusive. – piscou, atrevida. – Deixem ele comigo. Vamos ver o quanto o Sr. Laurent é bravo na mira da minha arma. – continuou a falar, uma das sobrancelhas erguidas na direção do homem.
Odiava aquele tipo.
Brooke assentiu na direção da companheira, empurrando a última gaveta que revistara antes de rumar para fora do quarto.
- Divirta-se, . – soprou na direção da mulher, um sorriso largo tomando seus traços quando deixou o local, os passos precisos na direção dos amigos.
Ele havia mapeado toda aquela casa mentalmente, decorando seus cômodos e locais de interesse, de forma que foi fácil encontrar o cofre onde a dupla de criminosos estava.
Jackson mantinha a atenção nos fios, os olhos focados na ponta da lâmina que portava.
- Como estamos? – o recém-chegado perguntou.
- Quase lá. – Hunter respondeu. – O sistema de segurança é ligado direto na delegacia. Foi formulado para os invasores serem pegos antes de abandonarem a casa.
- Os amadores, você quer dizer. – Jackson disse, soltando um riso que soou sobre o click que anunciou a abertura do cofre. – Pronto!
A imagem que se formou fez o estômago dos ladrões revirarem em expectativa, a excitação percorrendo seus corpos com rapidez.
As várias notas de dólares estavam perfeitamente empilhadas no fundo do cofre, metade delas eram ocultadas pelas caixas de veludo azul.
Somente pensar no valor que as joias guardadas ali possuíam fazia esquecer todo o trabalho que tivera.
- Eles ainda não possuem um sistema Anti-Hidra. – disse, se aproximando do tesouro recém-conquistado com um sorriso que parecia não querer largá-lo, desviando o olhar na direção dos amigos apenas para voltar a falar, a ironia marcada em suas palavras. – Devemos deixar um bilhete?

*


Brooke empurrou a última porta do corredor com descuido, quase pulando quando a voz estridente e alta da menina soou assustada.
Já havia visto uma foto da filha do juiz, mas visualizar a menina pessoalmente causava uma impressão mais... forte.
Definitivamente, era pior do que a morena estava esperando.
A garota levou as mãos até a boca, encarando a ladra com pavor nos olhos, enquanto se encolhia no canto do quarto.
- Quem é você? Por favor, não me machuque! – disparou, algumas poucas lágrimas escapando dos olhos.
Brooke revirou os olhos, caminhando em passos firmes na direção da filha do juiz, guardando a arma que tinha em mãos.
- Onde está o meu pai? O que você fez com ele?
- Não me surpreende que ele tenha citado o roubo e não o sequestro da filha. – a morena disse, as palavras saindo quase como uma reflexão feita para si mesma, o desdém bem representado em cada sílaba proferida.
- O quê?
A mulher não se preocupou em responder, apenas puxou a adolescente, ignorando seus resmungos quando girou seu corpo, prendendo os pulsos dentro das algemas que portava.
- Vocês vão nos matar? – questionou, aflita, enquanto sentia a outra empurrá-la em direção à cama.
- Se colaborarem, não.
- Isso é tão injusto! Por que não buscam vocês mesmos por dinheiro próprio? Trabalham?
Brooke riu sarcástica, minimamente surpresa pela audácia da adolescente.
- Bonequinha, quantos anos você tem?
- Quatorze, por quê?
A outra sorriu, assentindo e caminhando pelo cômodo em busca de algo de valor. Ouro, principalmente, para sua adorada coleção.
- Então me explique você, grande garota de quatorze anos: você trabalha? Você busca pelo dinheiro que tem; pelo cartão ilimitado do papai, pelas roupas de marca ou por todo o luxo que tem? Não canse a minha paciência que já está esgotada. – A menina continuou calada. Seus cabelos loiros estavam bagunçados e os olhos marejados, amedrontados. Brooke não havia soltado a arma por um só minuto. – Parece que nos entendemos, finalmente. Onde estão os seus Loubotin? Os meus estão um pouco gastos. Espero que calcemos o mesmo número, ou então terei de ir ao quarto da Barbie mais velha. Ela não está em casa, certo? – Ela negou. – Ótimo. Mas não quero correr o risco. Me diga que calça 37, por favor.

*


- Vocês não sairão impunes... Estão lidando com um dos juízes mais renomados dos Estados Unidos da América. Porcos nojentos!
revirou os olhos pela décima vez somente naquela hora. O maldito juiz não parara um segundo sequer de distribuir lixo através de sua boca, e aquilo a estava esgotando.
Podia enumerar uma extensa lista sobre lugares e pessoas que gostaria de estar àquela hora; nenhuma delas envolvia o maldito herdeiro Laurent, tampouco seu quarto.
O metal frio do revolver que segurava entre os dedos a distraía ligeiramente. Haviam tido algumas vezes que fora difícil controlar a vontade irredutível de apertar o gatilho na direção do homem, mas ela não gostaria de lidar com sangue àquele momento. Os lençóis brancos, muito provavelmente exclusivos e tão atraentes seriam perdidos, e aquilo seria um crime ao bom gosto.
- Criminosos de merda! – cuspiu, furioso.
gargalhou com gosto, apoiando a arma sob a cômoda que estava ao seu lado para que tivesse as mãos livres. Ela o aplaudiu sarcasticamente, enquanto ria.
- Vamos por tópicos, tudo bem? Estou realmente exausta desse teatro todo. Minha cabeça está muito próxima a começar a doer, e, acredite em mim, você não irá gostar de me ver com dor de cabeça. Eu viro uma pessoa horrível. – avisou. Seu sorriso contrastando ao olhar. – Primeiro: não precisa usar o plural, meu bem. Não vejo mais ninguém aqui conosco, infelizmente, então só... Criminosa. – piscou. – Segundo: há controvérsias, Sr. Laurent. Um dos juízes mais conhecidos da América? Diria que seu ego está um pouco inflado. – o homem bufou, e ouviu o barulho metálico das algemas movimentarem-se. Ela buscou o revolver novamente. – Terceiro: quanta hipocrisia, por favor! Que coisa mais feia. Nós não somos os únicos criminosos aqui. Nenhum juiz ético ou integro teria metade da fortuna que têm, Laurent. Olhe só para esse quarto... Assim você me ofende. Duvidando da minha capacidade intelectual! Oh, isso dói. – dramatizou, vendo o outro trincar o maxilar. Os olhos furiosos prontos para pularem através das orbitas.
- Vadia.
- Blábláblá. – rolou os olhos, cansada. – Me ofende quando duvida da minha inteligência, não quando me chama de vadia.
- Você se orgulha por isso, então? Por roubar? Por ser uma vadia? – sorriu cruel. Ela não se abalou. – Tudo bem. Fiquem com o dinheiro, eu posso conseguir mais depois...
- Ótimo. Direi aos meus amigos que façamos visitas frequentes, então. Obrigada pela dica.
O homem riu, surpreendendo-a.
- É só o que pode ter, não é? Roubar para saciar a vontade esdruxula de dinheiro, de se envaidecer... De ocupar um espaço que não pode ser ocupado por qualquer outra coisa. Um vazio que jamais será sanado.
- Ah, então estou numa seção psicológica? – ponderou sarcástica, inclinando a cabeça. – Se quiser, posso me sentar no divã enquanto me analisa mais friamente.
- Eu sinto pena de vocês. De você, principalmente. Uma mulher vazia, que nunca conseguirá nada.
- Você está definitivamente esgotando a minha paciência, e isso não é uma tarefa fácil. Devo parabeniza-lo? – seu sorriso diminuíra.
- Lido com pessoas como você todos os dias no meu tribunal. Pessoas que jamais terão um futuro, pessoas que-
- Mais uma só palavra e eu juro que a vida se esvairá do seu corpo em um milésimo de segundo.
- Ah... A pequena criminosa não gosta de ouvir a verdade? – continuou, desbravado. fechou o sorriso e, com a arma em punho, começou a caminhar em sua direção. – Acredito que queira me ouvir, então, quando sentenciar sua prisão, em um tempo?
sentiu os lábios repuxarem-se levemente, num sorriso ardiloso. Seus olhos observando o rosto do juiz com precisão.
- Acredito que queira me ouvir, então, sentenciar a sua vida, em um segundo? – o imitou, erguendo o revolver em sua direção, próxima o suficiente. O juiz olhou para o cano da arma. – Você não me conhece, Sr. Laurent. – sibilou, o sorriso pintando seus lábios. O homem estava prestes a dizer algo, mas foi impedido pela forte pancada que tomou sua cabeça. o atingiu com uma coronhada na têmpora, fazendo-o apagar no mesmo segundo. Um pequeno rastro de sangue desceu pela lateral de seu rosto, fazendo-a entortar os lábios. – Até porque se conhecesse, saberia que eu jamais mancharia esses lençóis com o seu sangue podre. – sorriu com os lábios fechados, travando o gatilho. – Algumas gotas de sangue serão bem mais fáceis de limpar, acredite em mim.
A porta se abriu com força atrás de si, revelando . Ela se virou na direção, sorrindo. O rapaz estreitou os olhos na direção do juiz desmaiado e travou os lábios, contendo uma risada.
- Parece que você se divertiu, então.
- Sempre, lindo! – riu. – Conseguiram?
Ele assentiu, um sorriso cheio de prepotência exibido nos lábios.
- , , não me decepcione duvidando da nossa capacidade. Principalmente da minha. – piscou, encostado ao batente da porta. apoiou as mãos na cintura, arqueando uma das sobrancelhas. – Jackson, Hunter e Mason estão carregando.
- Ótimo. Não aguentava mais ficar aqui, é um tédio. – resmungou, rolando os olhos e caminhando até ele.
- Da próxima vez peço para ficarmos no mesmo ambiente. Acho que nossos reféns gostariam de assistir um show particular, não? – maliciou, surpreendendo-a. entreabriu os lábios, contendo suas palavras por alguns segundos. Ela mordeu o lábio.
- , ... Não prometa o que não irá cumprir. É muito feio iludir uma menina inoc... Indecente.
riu alto, balançando a cabeça negativamente.
- Vamos embora.

*


Naquela mesma noite, quando o sol estava quase a nascer e todos os membros da Hidra comemoravam a recém-empreitada milionária que haviam concretizado, Mason abriu a porta da sala de comemorações, e, com uma garrafa de seu melhor vinho, chamou a atenção de todos.
- Vocês acreditam que um raio pode cair no mesmo lugar duas vezes? Na mesma noite?
Todos franziram o cenho, confusos. Do que ele estava falando?
- Seja mais claro, Mason. – Hunter pediu.
- Os Laurent não tiveram de lidar somente com nós hoje – fez pressão contra a boca da garrafa, abrindo-a por fim. – Agatha Laurent, a herdeira mais nova, foi sequestrada horas depois de irmos embora.
- Isso é sério? – questionou, um ar divertido em suas palavras. A situação chegava a ser bizarra.
Mason assentiu, despejando o liquido avermelhado numa das taças. se aproximou.
- Acho que eles precisam cuidar melhor da segurança, então. – deu os ombros, buscando uma das taças.
- A menina deve ter enlouquecido. – Brooke sorriu, minimamente afetada. O pensamento longe, horas atrás, quando estava junto a ela. – Enfim, o Laurent pai deve estar mais preocupado com os milhões furtados ao sequestro da filha. Sinto muito, mas aquele homem me dava calafrios.
Todos concordaram, e, após alguns comentários, mudaram de assunto. Aquele era uma noite de comemorações, e, se fossem sinceros, ninguém queria se prolongar naquele assunto. Havia sido absurdo. Uma coincidência maluca e definitivamente bizarra.
Mas somente uma coincidência.
Por hora.


Capítulo 10 | Halloween.


terminou de enrolar a última mecha numa das laterais divididas de seu cabelo, o lado pintado com spray colorido rosa. Hannah fazia os últimos reparos em seu vestido de Alice no País das Maravilhas.
- Acha que está bom? – questionou, borrando mais a lateral do batom vermelho que pintava seus lábios. Ela estreitou os olhos, afastando-se ligeiramente para uma ampla visão, e coçou uma das pálpebras, manchando-a ainda mais de azul. – Eu realmente deveria ter optado por Mulher-Gato.
- Pare . Você está adorável... – sorriu, ganhando um olhar de desdém da amiga. Hannah riu, balançando a cabeça. – Tudo bem. Adorável na medida do possível! Você é a Arlequina, não pode ser uma boneca cuidada. Será legal! Diferente dos anos anteriores onde você usou todas as possibilidades de princesas da Disney e derivados. Será um halloween em Stanford diferente, monstrinho do papai! – gesticulou, referindo-se à estampa de sua camiseta. riu, parcialmente compreensiva.
- Você está incrível.
- Ah, eu sei. – deu os ombros, presunçosa. Ambas riram. – Suas pernas estão maravilhosas nessa meia-calça rasgada! E você deveria aderir o azul e o rosa para seu cabelo, ressaltou seus olhos.
- Você é ridícula. – apoiou as mãos na cintura, analisando o sarcasmo da outra, que continuara a rir. – Nem acredito que hoje é a minha festa favorita do ano!
- O dia em que você se permite beber e se divertir sem medo de represarias! Ah, essa é definitivamente a minha festa favorita do ano também.
sorriu abertamente, enquanto aplicava um pouco mais de spray azul na outra lateral dos cabelos.
- Eu preciso conhecer esse John e saber como ele está fazendo essas mudanças milagrosas na sua vida, juro. – Hannah rolou os olhos. – Gosto delas, chapeleira maluca.
- É Alice! Alice, .
A outra gargalhou, e Hannah quase conseguiu enxergar a própria Arlequina à sua frente.
- Estou brincando! – sorriu. – Ok. Com taco de beisebol ou sem? – buscou o bastão que havia conseguido com seu irmão. Hannah analisou o objeto com atenção, e o mirou em sua direção, fingindo atirar; assim como na cena icônica do filme.
- Tudo bem, sem bastão. Mesmo. Não queremos ver ninguém machucado, certo? – estendeu as palmas das mãos, fazendo-a rir.
- Certo. Preparada para animar Stanford?

**


O som estrondeante da luxuosa mansão de um dos alunos de Stanford se podia ser ouvido há metros de distância, logo no inicio do campus. e Hannah sorriram cúmplices, e, ao pisarem no jardim do local, puderam observar a decoração típica de halloween. Algumas teias de aranhas sintéticas pendiam do teto, encontrando-se aos cantos das paredes; abóboras assustadoras decoravam o jardim, iluminando-o precariamente. Havia sangue falso espalhado pelas paredes claras, trazendo um ar ainda mais mórbido a casa; os esqueletos de plástico estavam pendurados pelo jardim e parte da sala, alguns espantalhos completavam o visual; caveiras sangrentas juntavam-se às bebidas alcóolicas e aos costumeiros copos vermelhos nas mesas; uma trilha regada à iluminação macabra às guiava em direção à piscina, que, para a surpresa de todos, tinha sua água inteiramente vermelha.
- Eles capricharam dessa vez! – Hannah disse surpresa, ao seu lado. – Eu sabia que devia ter vestido algo mais... Assustador.
- Espero que isso não seja uma indireta para mim, horrorosa. – avisou, fingindo ameaça-la.
A outra riu, dando de ombros e puxando-a para dentro da mansão.
A batida forte da música eletrônica se intensificou e inevitavelmente sorriu, passando a mexer o corpo no ritmo. Ela passou os olhos pelas pessoas e reconheceu vários rostos; alguns já embriagados; notou. Casais se beijavam freneticamente no meio da pista, outros aproveitavam dos confortáveis sofás espalhados pelo grande espaço.
podia jurar que outra pessoa gostaria muito de estar ali àquela hora. O ar sensual e estarrecedor sobre o cômodo lhe traziam uma lembrança indevida, e ela teve de inspirar fundo para se dar conta de que aquele não era o local e nem o publico de .
A mulher sentiu Hannah segurar sua mão, como se a avisasse sobre algo. franziu o cenho, procurando pelo que poderia ter acontecido, e, em questão de segundos, seus olhos encontraram um rosto conhecido. Um sorriso leve transformou seus lábios, e ela sentiu o coração se aquecer um pouco; colocando sua cabeça e corpo no eixo correto, assim como deveria ser. Trazendo-a novamente para , a mulher centrada que não deveria sequer pensar na possibilidade de... Se tornar algo desnecessário para o momento.
Kurt.
Os olhos do rapaz – que já parecia levemente alcoolizado – encontraram os seus, e ela inconscientemente sorriu, acenando em cumprimento. Ele ergueu o braço, finalmente reconhecendo-a, e abriu um daqueles sorrisos que a deixavam novamente como a adolescente que era quando o conheceu.
E, como se para desconcertá-la completamente, ele estava exatamente como era naquela época.
- Matando as saudades de ser o capitão do time? – disse alto, aproximando-se. Kurt riu, apreciando sua própria fantasia, que remetia ao uniforme de basquete que usava no ensino médio.
- Estava com esperanças de que você viesse de líder de torcida, na verdade. – retrucou, observando-a. – Mas Arlequina superou minhas expectativas, admito!
riu, erguendo os braços fazendo pose, brincando com a situação.
- Meu casal favorito de todos os tempos!
A voz extremamente alcoolizada surgiu de repente, assustando-os por um breve momento. O rapaz, amigo de Kurt, passou um dos braços pelo ombro dele, apoiando-se.
Por Deus, só era uma e meia da manhã. rolou os olhos, controlando a risada. Kurt riu.
- Uma dose de glicose cairia muito bem agora, Duke. Siga o meu conselho!
- Tchau, tchau, Duke. A senhorita está bonita demais para lidar com você. Comigo também, tendo em vista às tequilas que tomei há alguns minutos... – Kurt disse, parecendo perdido. riu com gosto, movendo-se no ritmo da música que os embalava. Duke se retirou logo depois de beijar seu rosto; fazendo-o estreitar os olhos, numa careta.
- Parece que toda a diversão já começou e eu não estava aqui. – murmurou em pirraça, num tom cômico.
- A diversão nem começou ainda, ! Nós só... Bebemos um pouco? – riu, aéreo. – E acabo de me lembrar de que você não foi a ultima festa que dei...
- Ops...!
- Sim, você fez de novo. E não, isso não é uma música da Britney Spears.
riu ainda mais alto, enquanto jogava a cabeça para trás.
- Repito o que disse para o Duke: uma dose de glicose cairia muito bem, Kurt! – o rapaz riu, balançando a cabeça em negação; tentando normalizar o equilíbrio e os pensamentos. – Vou dançar com a Hannah, ok? Comporte-se, Robinson.
Um remix de Seven Nation Army agitava a pista, enquanto erguia os braços e os balançava da mesma forma que movia o corpo; no ritmo da música. Sem dúvida, um pouco mais casta do que gostaria, mas àquela altura não importava. Hannah tomava o seu quarto drink da noite, enquanto ela continuava no primeiro, sentindo a vodka queimar sua garganta durante todas as vezes que provava o drink azulado.
Uma pequena movimentação de garotas conversando entre si chamou a atenção de Hannah, que olhou na direção – imediatamente franzindo o cenho e repuxando a lateral dos lábios, num sorriso satisfeito. focou os olhos na amiga e, ao ver sua tamanha atenção em determinado ponto às suas costas, virou-se para sanar sua recente curiosidade.
Um cowboy estava de ponta cabeça, enquanto tomava cerveja através da mangueira de um dos tradicionais barris. estreitou os olhos e o viu terminar com a provável quantidade apostada. Levantou-se logo em seguida com um pulo, enquanto colocava de volta o chapéu sob a cabeça.
Puta que o pariu.
A mulher engoliu a seco no mesmo segundo em que seus olhos enviaram ao cérebro a resposta sobre o rosto conhecido. Um legítimo cowboy, que fugia totalmente do homem que estava acostumada a ver praticamente todos os dias. Ele não usava preto, não vestia couro, e não tinha sequer algo que lhe remetesse a quem era de verdade; no lugar dos cabelos bagunçados e desarrumados, um chapéu de rodeio escondia seus fios rebeldes, lhe trazendo um ar de bom menino.
Ah... Se ela não o conhecesse.
.
O lobo que – àquele momento – usava pele de cordeiro, pronto para caçar suas presas inocentes.
olhou ao redor do rapaz, sem parar de dançar por um só segundo, tentando despistar sua visão periférica ao homem. Ela ainda reconheceu Brooke, que, vestida de Anjo, recolhia o dinheiro das apostas em , certamente.
- Quê cowboy!
Hannah disse às suas costas, e ela revirou os olhos inconscientemente. Ele nem estava... Tão atraente. Não, não estava. A não ser pelos botões abertos no inicio de sua camisa, o olhar perverso que direcionava às mulheres que o observavam, a pose de presunção que mantinha e o sorriso escondido em seus lábios; o qual estava extremamente acostumada a assistir.
Parecendo notar o olhar penetrante sobre si, virou-se em sua direção e, ao reconhecê-la, levou uma das mãos ao chapéu, abaixando minimamente a parte frontal da peça, num cumprimento nada convencional. O sorriso malicioso alargara-se alguns centímetros a mais, e o olhar perverso ganhou mais intensidade. arregalou os olhos e, após um sorriso petrificado no rosto, virou-se abruptamente para Hannah.
Ela soltou um suspiro aliviado ao ver que no momento em que havia sido notada pelo cowboy misterioso, Hannah não estava prestando atenção, já que voltava somente agora com duas doses de tequila; que não se demorou a aceitar uma delas, virando-a sem hesitar.
- Oh! – Hannah riu, surpresa com sua reação. sorriu, mas tinha certeza de que continuara parecendo uma múmia estupefata. A amiga virou-se novamente para observar o que vira anteriormente, e a outra suspirou pesadamente, rolando os olhos novamente. – As rédeas da minha vida são suas se quiser, meu bem! O meu coração você já laçou.
- Por favor, Hannah. – revirou os olhos. – E ah! Lembre-se que é quase uma moça comprometida.
Hannah deu os ombros e virou o shot de tequila, fazendo uma careta assim que sentiu a bebida travar sua garganta.
- Que se dane. Ele é maravilhoso, meus olhos agradecem o colírio! Se você me disser que não o achou bonito... ... – enfatizou, em tom reprovador. Talvez até ameaçador.
- Prefiro, ahn, – olhou em volta – olha só aquele de policial ali? – Hannah fitou brevemente o policial, e, em seguida virou-se novamente para a amiga, olhando-a num misto de desdém e incredulidade. – O quê?! Eu nem reparei no cowboy, Hannah Montana. Estava ocupada demais olhando pro bombei... Policial.
- Você tem um gosto duvidoso.
- Ok. – deu os ombros, sorrindo satisfeita por finalmente puderem mudar de assunto. – Por falar em gosto duvidoso, você sabe por que a Skye não veio hoje?
- A Skye está viajando com os pais dela, . Onde está a sua cabeça? Foi você mesma quem me falou!
levou uma das mãos à testa, martirizando-se por não conseguir se concentrar naquele momento. Uma risada nervosa escapou por seus lábios e ela suspirou, gesticulando derrotada. Hannah riu de suas ações, e, após um balançar de cabeça, voltou a dançar. O ritmo contagiante de Calvin Harris em How Deep Is Your Love embalava a pista, e ao reconhecer as primeiras notas, comemorou enquanto batia palmas animadas, logo em seguida puxando a amiga para o centro da pista novamente.
Ela precisava de uma distração.
Uma distração maior do que a que estava a poucos metros de distância.
Talvez a música lhe ajudasse.
Talvez.


Não muito longe dali, no ambiente do jardim, estava e Brooke; a mulher guardava o dinheiro que acabara de receber com a aposta do barril de cerveja, enquanto observava a alguns metros de distância dançar entusiasmada junto de sua amiga.
- É estranho, não é? O modo como ela age... São realmente duas pessoas num mesmo corpo. Bizarro, no mínimo.
riu ao seu lado, colocando as mãos nos bolsos.
- Isso porque você não a viu com um cara, outro dia. É assustador. A fisionomia, a postura, o modo como ela fala...Tudo muda.
- Você está reparando muito nela, então... – Brooke provocou, rindo. O outro revirou os olhos, retirando um cigarro de seu maço guardado. – Temos de concordar que é absurdamente mais divertida. deve ser o quê? Entediante, para falar o óbvio?
- s, Lindsays... São a mesma coisa, você sabe. – deu os ombros, enquanto tragava o máximo de nicotina que conseguira, soltando a fumaça em lufadas pequenas.
Brooke o olhou, virando o corpo em sua direção. Ela cruzou os braços.
- Você deveria deixar esse trauma no passado. Não estou falando que eu também não deteste esse tipo, mas... Sabe? Talvez existam exceções?
- Não, não existem. – sorriu, olhando em seus olhos. A morena riu, lhe dando um beijo no rosto. – Mas podemos admitir: seja , ... – olhou em sua direção, inclinando a cabeça para que tivesse uma melhor visão. Ela dançava quase tão deliciosamente quando . A mulher se movia exatamente no ritmo da música, enquanto sorria alegre, com os olhos fechados. – Ela é desgraçadamente linda. Filha de uma puta!
- Pare. Eu sou mais. – brincou, recebendo uma risada gostosa do amigo, que apoiou o braço em seu ombro. – Imagine as duas personalidades transando? – Ele franziu o cenho, olhando-a com curiosidade, enquanto os lábios travados seguravam uma risada. – Elas devem ser algo como... “Oh, por favor, por favor!”. – gemeu manhosa. gargalhou. – Essa foi a . A deve ser mais... “Ah, sim, sim. Que gostoso! Fode com força, que delícia. Oh, oh.” – ofegou alto, chamando a atenção de algumas pessoas que estavam à sua volta. O rapaz tapou sua boca por alguns segundos, a risada alta ecoando à sua volta.
- Controle-se Brooke, ou vamos relembrar os velhos tempos no banheiro daqui a pouco. – avisou, em meio à risadas. Ela lhe estendeu o dedo do meio, também rindo. – E ela não faz assim. O rosto de Brooke se transformou, fazendo o rapaz rir ainda mais alto; primeiro ela arregalou os olhos, entreabriu os lábios, em seguida sorriu maliciosamente e depois uma feição quase ofendida.
- Vocês transaram!
- Não, ainda não transamos.
- Então...?
- Não seja intrometida.
- ! Eu quero saber! Até eu quero transar com a , e se ainda não aconteceu... Bem, está perdendo tempo.
O rapaz não lhe respondeu. Um leve balançar de cabeça e um sorriso disseram por si, ao mesmo tempo em que ele buscou sua bebida que estava ao lado e o levou aos lábios, rindo ladino contra a borda do plástico, enquanto focava novamente os olhos na figura ardilosa de há uma curta distância.
Brooke compreendeu sua resposta muda e o empurrou levemente com o ombro; ambos riram, e, alguns segundos depois, a morena se retirou, a procura de uma diversão que sabia – não encontraria ali, grudada em seu ex-namorado.

Uma hora mais tarde, a festa houvera cessado os ânimos ligeiramente. Alguns haviam pulado na piscina, outros continuavam dançando animadamente na pista – assim como e Hannah, e o resto somente conversava enquanto bebiam nos cantos da sala ou jardim.
Uma música mais lenta do que o convencional tomou conta das caixas de som ao redor da pista – Kiss It Better da Rihanna –, fazendo boa parte dos jovens murmurarem em reclamação. somente riu, mas sua risada se dissipou no exato momento em que viu Kurt se aproximar. Hannah lhe lançou um olhar cheio de intenções e se afastou, deixando-a com as bochechas coradas e uma apreensão constante sob os ombros.
- Você vai dançar comigo! – o loiro anunciou, e antes que ela pudesse fazer alguma observação, a puxou de encontro ao seu corpo, levando uma das mãos dela ao seu ombro e enlaçando sua cintura, segundos após. riu de sua atitude inusitada, inevitavelmente notando a presença do álcool em suas ações. As bochechas rosadas e o olhar aéreo só lhe comprovavam tal fato.
- Não tenho muita escolha, não é? – riu, vendo-o balançar a cabeça negativamente. – E nem poder de voto, já que aparentemente não seguiu meu conselho...
- Sobre?
- A glicose e toda aquela coisa de bebida. – deu os ombros, sentindo-o aproximá-la ainda mais de seu corpo, envolvendo sua cintura. – Opa, opa, vamos com calma, senhor Kurt Robinson.
- Mas eu não fiz nada... Não posso evitar, na verdade. Você está linda hoje e suas pernas nessas meias... Nossa. – exclamou com o olhar levemente baixo. riu alto, enlaçando os braços em seu pescoço e apoiando o queixo em seu ombro para que não precisasse encará-lo nos olhos.
- Acho que podemos conversar sobre isso depois, quando estiver sóbrio.
- Você foi a melhor-primeira-namorada de todas. – resmungou, próximo à sua orelha. sorriu, afagando sua nuca. – A melhor-primeira-vez também.
A mulher gargalhou, afastando seu rosto por alguns instantes para que pudesse encará-lo nos olhos.
- Kurt?!
- Ok. Muita tequila. Desculpa. – assumiu, dando os ombros. Ela sorriu divertida, voltando à posição de segundos antes.
- Vou lembrar Duke de deixar alguns comprimidos na cabeceira da sua cama no dormitório. Nem consigo imaginar a dor de cabeç...
As palavras morreram em sua boca antes que pudesse completar sua frase. Ao passar os olhos ao redor do salão, encontrou próximo à mesa de bebidas duas pessoas que não lhes era nem um pouco estranhas. Eles conversavam animadamente, e ela não pôde evitar franzir o cenho e trincar o maxilar em resposta.
O que, diabos, queria com Hannah?

*


- Não me lembro de ter te visto nas festas de Stanford antes.
A voz feminina disse logo atrás de si. – que terminava de derramar o liquido alcóolico em seu copo – a fitou, e ao se deparar a mais uma das princesas daquela faculdade, bufou discretamente. Seu tipo favorito de pessoa.
- Ah, eu não estudo aqui.
- Não? Bem, eu também não estudo aqui. – riu. – Minha melhor amiga faz Direito e me traz em todas as festas, no Halloween em especial.
Ao ouvir sobre o curso que a amiga da tal amiga fazia, estreitou os olhos, prestando atenção na loira. Observou-a discretamente, e após notar a sua fantasia de Alice, lembrou-se imediatamente de ver dançar ao lado dela, anteriormente. Um sorriso pretencioso surgiu em seus lábios, fazendo-o estender horizontalmente a palma da mão na direção da outra:
- Quer dançar?
A mulher sorriu com os lábios fechados e aceitou de pronto sua intenção. O homem a levou para o centro da pista, e apoiou as mãos em sua cintura, enquanto a sentia passar as mãos por seu pescoço, mantendo uma distância segura.
- Qual é o seu nome?
- . – assentiu. – E o seu?
- Hannah!
- Então... Você disse que sua amiga faz Direito em Stanford?
- Sim. Ela está logo a... – apontou na direção. não precisou olhar.
- . – interrompeu. – A sua amiga é a , presumo? Vi vocês juntas antes...
A loira arregalou os olhos levemente, exibindo sua surpresa.
- Isso! Você a conhece, cowboy bonitão?
Ele riu, girando-a durante a dança. Sentiu os olhos atentos de sobre o casal, e involuntariamente sorriu de lado, olhando-a por mínimos segundos – não o suficiente para que Hannah notasse, no entanto.
- Conheço, sim. Temos uma amiga em comum.
- Amiga em comum... Oh! Você disse que o seu nome era ! – exclamou, e foi a vez de franzir o cenho, em confusão. – Você é o ! Sem couro e com chapéu de cowboy, o que não diminui o charme. – riu.
Ele a acompanhou, receoso.
- Couro? E... Espera. De onde você me conhece?
- Você é o cara que encontrou a em Stanford noutro dia, não? Uma amiga me contou, e, bem, você deve imaginar: garotas conversam. Bastante, inclusive. Sobre homens, também!
riu, parcialmente interessado.
- Não nos conhecemos muito bem. Não o suficiente. – Não como ele gostaria àquele momento, ao menos... – Ela não teria muito o quê falar de mim... Não é?
- Bem... Nada que o interesse. Conversas de duas amigas devem ficar sobre quatro paredes e é só.
O rapaz murchou, pronto para replicar, mas a música agitada que voltou a tocar no recinto o impediu. Todos se separaram, e sem que pudesse se dar conta, viu entrar a sua frente, como um raio, estarrecida, buscar pela amiga. Ele sorriu divertido, arrumando o chapéu na cabeça.
- !
Os dois disseram uníssonos, mas em diferentes intensidades. Hannah soou repreendedora, quase como se ofendida. divertiu-se, encarando-a.
- Hannah, ! – exclamou, sarcástica. – Ótimo, estão apresentados. Vamos voltar a dançar, Hannah? Eu adoro essa música!
- Por que não me disse que conhecia o cowboy?
- Por que não disse, ?! – Ele cruzou os braços, fingindo incredulidade.
riu, balançando a cabeça. Por que ele tinha que estar ali? E, pior: por que tinha que estar definitivamente tão tentador daquela forma? Surreal.
- Porque eu não reparei nele, Hannah Montana. Eu te falei! Estava mais interessada no policial.
riu alto, e após notar sua feição tornar-se irritada, observou-a por inteiro. Sem descrição, moderação ou recato. Desejo e mais nada em seu olhar.
Filho da puta. Ele parecia querer fodê-la com os olhos, e ela não duvidava que pela intensidade de suas íris, aquilo seria impossível. E isso a fez engolir seco, enquanto desviou seus olhares, na vã tentativa de afastar o calor que tomou seus membros.
- Por que tão séria...?
- Estou de Arlequina, não de Coringa. – sorriu irônica. Ele estendeu as palmas das mãos, ainda parecendo se divertir muito de sua aflição. – Hannah, podemos ir? É Crazy in Love!
Hannah assentiu finalmente, e depois de despedir-se com um aceno de , andou a frente de , que não se foi antes de fingir dar um rápido abraço de despedida no rapaz e sussurrar em seu ouvido, provocante:
- Você me paga, . Com juros.
Antes de vê-la partir, tudo o que ele conseguiu enxergar foi o seu habitual sorriso malicioso.
.
Ah, ele sentira sua falta.

*


Estava um caos.
O relógio de seu celular marcava quase quatro horas da manhã, e tudo o que conseguia notar era certa agitação de pessoas ao seu redor. Aquele definitivamente não era o cenário que estava acostumada... Mas seria como estar em casa para .
Desconhecidos se atracavam nos sofás, outros nas pistas. Casais movimentavam as escadas, revezando-se entre si pelos quartos. Se não fosse pela música extremamente alta, ela tinha certeza de que conseguiria ouvir os gemidos e o movimentar das pessoas em seus momentos íntimos. Outros, talvez um pouco menos bêbados – ainda –, jogavam beer pong. Em outro ambiente, os body shots.
E foi exatamente lá que seus olhos demoraram-se bem mais que o necessário.
Agradeceu aos céus por Kurt já ter ido para seu dormitório, bêbado demais para sequer despedir-se. Hannah havia ido ao banheiro, muito provavelmente já sentindo os contras do álcool que ingerira em demasiado naquela noite. E tinha quase certeza de que vira Brooke subir para um dos quartos, acompanhada de um casal.
Ela estava livre para olhar o quanto quisesse. E para invejar o quanto pudesse.
não usava mais o chapéu de cowboy, tinha todos os botões da camisa abertos e os olhos tampados por uma venda negra. Ele segurava uma garrafa de tequila, enquanto procurava aleatoriamente pelo corpo da mulher que estava à sua frente onde poderia (queria) fazer um belo body shot na sortuda, também vendada.
franziu o cenho assim que o viu finalmente encontrar um lugar que o agradasse, e, após sorrir do modo mais cafajeste que conseguira, despejou uma pequena quantidade do liquido no vão entre os seios da morena, e, enquanto tomava a bebida de seu corpo, não deixou um sequer minuto de apalpar um de seus seios com a mão livre.
O lábio da desconhecida estava preso entre os dentes, enquanto um sorriso malicioso repuxava as laterais de sua boca. Ela jogou a cabeça para trás, rindo, e assim se afastou, entregando a garrafa em suas mãos.
- ?
engoliu a seco e, com os olhos arregalados, se sobressaltou antes de virar-se para encarar a amiga às suas costas.
- O quê?!
Hannah riu fraco ao observar a feição assustada da outra, mas sua risada foi cessada rapidamente assim que a mulher levou uma das mãos à testa, enfrentando outra crise de tontura.
- Eu odeio tequila. Me lembre de nunca mais tomar essa bebida maldita, por favor. – murmurou, com os olhos fechados. – Você quer ir embora ou eu peço um táxi? Essa festa sinceramente já deu o que tinha que dar... E nenhuma de nós demos nada.
gargalhou, balançando a cabeça.
- A tequila definitivamente ainda está em você. Vou chamar um táxi, ok? Preciso... Resolver algumas coisas no meu dormitório, já faz um tempo que não fico aí.
- Quer que eu te espere?
- Não será necessário. Vá descansar, eu ficarei bem.
- Tem certeza? – torceu o nariz, olhando à sua volta. riu novamente, assentindo. – Tudo bem, então...
- Me manda uma mensagem quando chegar em casa! – disse, antes de vê-la cruzar a porta do jardim em direção à saída. Hannah acenou afirmativamente e em segundos sumiu de seus olhos.
Seus ombros caíram imediatamente e um sorriso distinto apareceu em seus lábios, ao mesmo tempo em que ela inspirou aliviada, olhando à sua volta novamente. Livre, definitivamente.
Alguns minutos depois, logo após buscar sua bolsa e maço de cigarros, caminhou despreocupadamente pelo jardim e sentou-se próxima a piscina. Alguns universitários pulavam na água avermelhada, embriagados demais para esquecerem-se da baixa temperatura que fazia àquela hora. Outros dormiam – desmaiados – ao seu lado. Ela se limitou a dar os ombros e acender um dos cigarros; seu corpo começava a pesar e tudo o que precisava naquele momento era de nicotina em seus pulmões.
Ao tragar pela primeira vez, contudo, antes de sentir o conhecido torpor do cigarro em seu corpo, o efeito foi abruptamente encerrado. Ela sentiu a presença de alguém sentar ao seu lado de súbito, e ao observar a sombra do chapéu de cowboy sob o piso, um mínimo sorriso tomou seus lábios.
- .
virou o rosto ligeiramente em sua direção e o observou: os botões de sua camisa estavam incompetentemente fechados, um sorriso leve pintava seu rosto de um modo distinto, e o chapéu torto lhe dava um ar divertido. Talvez jamais o vira tão... despretensioso quanto naquele momento.
Provavelmente acabara de transar.
- Ah... . – sussurrou, afirmativamente, checando o cigarro entre seus dedos. Ele olhou em volta, analisando a situação precária dos universitários e logo em seguida voltou a encará-la. O sorriso, magicamente, se tornara sagaz. – Enfim... Sós.
Bem... Talvez ele ainda não houvesse.
Entretanto, no que dependesse dela, iria.



Capítulo 11 - O Sabor da Vitória.


- Sós. – afirmou ela. – Pronta para ser entregue ao cowboy mau.
riu, buscando o maço de cigarros da mulher e retirando um para si. o ajudou a acender, e ambos tragaram juntos; a fumaça misturando-se à neblina da madrugada.
- Está permitido falar com o cowboy mau agora, então? Onde está a Alice no Paraíso?
- É Alice no País das Maravilhas, por Deus! Qual é o seu problema com fantasias? Você ao menos sabe que está vestido de cowboy?!
- Você tem uma ótima habilidade em mudar de assunto, Coringa. – provocou, em meio a risos. também riu, dando os ombros.
- É um dom. E não foi a intenção mudar de assunto, mas você me irritou. Enfim... Sim, ela já foi embora, assim como .
- Ah, é, porque ela é outra pessoa... – ironizou, e a outra o olhou com desdém. – Ainda bem, não é? é um pé no saco.
- E eu diria que sou uma boca no saco, mas... Por que você acha isso? Faça sua análise. Você nem a conhece... – sorriu abertamente, interessada.
- Já conheci muitas s, acho que isso é o suficiente.
- Oh, um passado complicado... – presumiu. assentiu – E então você cerrou o tronco da árvore inteira por causa de uma maçã podre?
- Está defendendo a ? – sorriu de lado, surpreso. Ela revirou os olhos, balançando a cabeça em negação. – Não é uma maçã podre. A floresta inteira é. – olhou ao redor, os estudantes em volta, como se figurasse suas palavras.
- Sua razão. – sorriu, apagando o cigarro sob a grama. – Você a conheceu na escola?
franziu o cenho, sem compreender, mas quando notou os lábios de entreabrirem-se prontos para explicar, ele entendeu. A maçã podre.
- Faculdade.
- Você fez faculdade?!
Ele riu, consentindo.
- Fotografia. Pouco mais de dois anos.
estreitou os olhos e, antes que questionasse o motivo pelo qual o curso não havia sido completado, se interrompeu. Provavelmente tinha a ver sobre a tal maçã podre, e ele não gostaria de entrar em detalhes. Com certeza, não.
- Fotografia, é? – sorriu, apoiando-se sob os cotovelos, olhando-o por baixo das pálpebras. – O que acha de um... Ensaio sensual? Nu, talvez?
O homem gargalhou, virando-se para ela e apoiando-se somente sob um dos cotovelos.
- Você existe, ?
- Se precisar de uma prova mais concreta, posso dar, sem problemas. Literalmente. – piscou, brincalhona. Ele sorriu, em silêncio. – Paisagens, moda, pessoas, arte...? Por que Fotografia?
- Pessoas. – disse, sem pestanejar – Encontrar a essência de cada pessoa pelas minhas lentes, mostrar algo que nem as próprias são capazes de enxergar. – sorriu fraco, notando o amor com que suas palavras eram proferidas. Ele amava aquilo, definitivamente. – O sentimento delas, sabe? Na época da faculdade eu fotografava casamentos para ajudar nas despesas e... Era bom. Transmitir a alegria e o carinho que aquelas pessoas sentiam, somente através da minha câmera. O olhar, o modo como se tocavam... Ou, não sei, como as pessoas observavam às vezes uma paisagem que fosse. O jeito como agem quando encaram algo que gostam.
- Amor? Você acredita?
- Como não acreditar no que já se viu pessoalmente, ?
- Os olhos podem mentir. Você já sentiu?
engoliu a seco e desviou seu olhar, pensando num passado distante. De repente, a situação se tornou desconfortável.
- Talvez.
- Foi tão ruim assim? – arriscou, um sorriso minimamente sincero nos lábios.
- Pior. – sorriu sarcástico. – E você? Ou ...? Esse coração perverso já amou?
riu de suas palavras, sentando-se sob o quadril novamente.
- O amor não é para uma maluca como eu, . Para ... Talvez. – deu os ombros.
- Aquele cara? – meneou com a cabeça, e ela uniu as sobrancelhas em confusão. – Que encontramos em Stanford... Você estava dançando com ele hoje, e parecia bem apaixonada. Quase consegui enxergar seus olhos brilhando e alguns corações em volta da sua cabeça. Tenho certeza de que com um raio-x poderia ver as borboletas no seu estômago.
riu, dando um tapa em sua coxa. Ele reclamou divertido, rindo.
- Você é patético, .
- Amor platônico adolescente? – insistiu.
- O primeiro-assustador-macabro-amor. – lamentou ao seu lado e ela assentiu em concordância. – Pois é. O primeiro namorado, o primeiro sexo... Todo aquele tudo. - É isso que voc... A – corrigiu-se depressa – vê nele? - se sente a adolescente que era de novo. – admitiu. – Sem preocupações, problemas... Mas é só uma paixão adolescente. E ela já é uma mulher. Eu sou uma mulher.
- Ela se sente , você quer dizer. – arriscou, em brincadeira. sorriu, olhando-o.
- Talvez com um muito mais de romance e uma dose bem menor de perversidade.
- Por falar em perversão... Suas pernas estão uma delícia hoje, Coringa.
- Você não é o primeiro que me diz isso. – olhou-o por cima dos ombros; ambos sorriam maliciosamente. – Você está uma delícia hoje, cowboy.
- Você não é a primeira...
- Mas nenhuma delas disse com tanta convicção quanto eu, acredite. – o interrompeu – Eu diria para montar em mim, lindo, mas acredito que o oposto seria mais aproveitável.
O sorriso de se cessou, sendo substituído por uma feição pesada, intensa. Ele pigarreou, entretanto, parecendo abandonar os pensamentos que tivera há pouco.
- Você deveria ir para uma clinica de viciados em seduzir ou seja lá o que está fazendo. É sério.
riu, mordendo o canto do lábio inferior.
- Não gosta de dirty talk, lindo? - Quando não estou com meu pau enterrado em você, não. – admitiu, e ainda não havia sorriso em seus lábios. Seu olhar, contudo, era capaz de fazer com que arrepios de vários exemplos passassem pelos membros de , que suspirou pesadamente. – O quê? Não é só você que sabe jogar sujo, linda.
Ela sorriu, parcialmente orgulhosa.
- Estou com calor. – disse, levantando-se enquanto batias as mãos contra o tecido de seu short. franziu o cenho, confuso – Preciso tomar alguma coisa. – esticou o braço, estendendo sua mão, o rapaz a aceitou e com apoio se levantou depressa, ainda receoso de sua mudança brusca de assunto.
Ele já deveria prever, no entanto.
Em um segundo, encarava com certa desconfiança no olhar, observando o sorriso maroto que a mulher lhe transmitia. Em outro, sentiu seu peito ser empurrado com força em direção à piscina. No terceiro, constatou a água gelada envolvê-lo sem piedade.
Filha da puta.
- Desgraçada!
gargalhava à beira da piscina, apoiada sob os calcanhares, enquanto o observava bufar em meio à agua congelante.
- Você estava muito safado! Precisava de um banho de água gelada.
- Ah, sério? Eu estava safado? – ironizou, vendo-a rir ainda mais alto – Não reclame quando eu não responder às suas conotações, então. – murmurou, abaixando-se novamente sob a água, tentando igualar às temperaturas. Sair dali naquele momento seria pedir para ter uma hipotermia.
- O problema não é esse, lindo. É dizer, e não fazer.
- Ok, . Perdoada. Me dá a mão?
, ainda rindo, ergueu ligeiramente o corpo para estender sua mão. No entanto, no mesmo momento que o fez, se arrependeu imediatamente. O truque mais antigo do mundo.
puxou seu braço com força, de modo que a mulher caísse na piscina também. A água insuportavelmente gelada envolveu seus membros, e ao subir à beira novamente, sentiu a tinta colorida de seus cabelos escorrerem pelos seus ombros.
- Eu vou te matar, acredite em mim. Da próxima vez que tiver uma arma nas mãos, vou... – suas palavras morreram em seus lábios assim que o sentiu aproximar-se perigosamente, passando os braços pelas laterais de seu corpo, apoiando-os na borda da piscina. Ele sorriu de lado, com a sobrancelha arqueada maliciosamente. Cheio de intenções. – Bem, talvez eu deixe o assassinato para depois. – sorriu satisfeita, passando as mãos pelas duas partes do cabelo, desamarrando-os. Já quase não havia spray colorido em seus fios claros.
- Como está?
- Molhada. – sussurrou em duplo sentido, observando seus lábios. Ele sorriu devasso, aproximando ainda mais seus corpos. mordeu o lábio, sentindo a firmeza de seus músculos tão grudados à sua pele – E com frio.
Ele riu baixo, levando a boca ao seu pescoço. A mulher fechou os olhos inconscientemente.
- Acho que posso dar um jeito no seu segundo problema... Quanto ao primeiro – mordeu sua pele, levando uma das mãos às suas costas, trazendo seu corpo – acho que não. Talvez ele piore.
- Sem problemas. – murmurou, afagando seus cabelos.
No instante seguinte, não haviam mais palavras, somente ações. passeou os lábios pela pele de seu pescoço, deixando rastros quentes sob sua pele molhada e arrepiada. inclinou a cabeça para trás, apoiando-a na lateral da piscina, e umedeceu os lábios, fechando os olhos. O homem desceu as mãos ao seu quadril e, sem aviso prévio, o trouxe para si, fazendo-a cruzar as pernas a sua volta. Após um suspiro entrecortado, a mulher o sentiu morder sua carne; o que só piorou seu estado. colocou as mãos por dentro de sua camisa, e o contato de suas mãos frias com sua pele desejosa a fez revirar os olhos – ainda fechados.
- Eu juro... – disse, voltando a encará-lo. Suas íris estavam escurecidas, nebulosas, assim como às dela; previu. – ... Que um dia vou fazer você sofrer assim como faz comigo. – resmungou, sentindo-o subir ainda mais os dedos, chegando a tocar em seu sutiã (o qual ela se amaldiçoou por estar usando). riu abafado, encostando seus rostos, roçando seus narizes e, eventualmente, seus lábios.
- Você é muito vingativa... – mordeu seu lábio, puxando-o em seguida. sorriu, assentindo e levando as mãos também para baixo de sua camisa, acariciando seus músculos tão incisivamente tentadores. – Sou bom em disfarçar, . – sussurrou, lhe dando um selinho. A mulher abaixou a direção dos dedos, desabotoando sua calça jeans com certa dificuldade por baixo d’agua; o outro arqueou uma das sobrancelhas, interessado.
Sem esperar por mais um segundo sequer, ela tomou a iniciativa e o beijou finalmente. Oh, sim. Aquele beijo. Sua língua, seus lábios, o modo como se moviam perfeitamente unidos. O homem levou uma das mãos ao seu rosto e intensificou ainda mais o contato de suas bocas, beijando-a com sede, desejo. Seus dedos moveram-se para sua nuca e embrenharam-se em seus cabelos, puxando-os com força. A força necessária para leva-la próxima à loucura. diminuiu a velocidade de seus lábios e brincou com a boca do outro, massageando sua língua com uma calma invejável, provando-o com tranquilidade; quase como se não estivessem nas atuais situações.
, sem paciência, soltou seus cabelos e levou as mãos aos seus seios, apertando-os sem piedade. Não havia contato, contudo. Ele bufou insatisfeito e largou seus lábios logo após sugá-los com vontade.

- O que foi? – ela disse, sem conseguir controlar a risada.
- Esse sutiã maldito. – rosnou, estalando os lábios. assentiu em compreensão, ainda rindo, e se inclinou o suficiente para desabotoá-lo. A peça ficou folgada em seu corpo e o rapaz notou, voltando a sorrir. – Obrigado.
- Não quero um agradecimento em palavras. – avisou.
Parte do agradecimento não demorou a vir, contudo. Em um segundo sua peça vinho boiava pelas águas vermelhas da piscina, e sem que se atentasse, sentiu os dedos hábeis de acariciarem seus seios através da blusa branca molhada. Ela sorriu devassa, acariciando seus braços infimamente. O homem umedeceu os lábios involuntariamente, o que só a fez ficar ainda mais sedenta. Queria seus lábios, sua boca, seus dentes, suas mãos, seus dedos... Ele. .
Como se ouvindo seus pensamentos, o rapaz voltou a adentrar o tecido de sua camisa; seus dedos rapidamente guiaram-se para seus seios – agora livres – e não se demorou a tê-los sob os indicadores e médios, roçando-os em sua pele. gemeu baixo, cerrando as pálpebras. abriu a palma da mão e envolveu sua carne por inteiro, massageando-a, estimulando-a. A mulher, aflita, apoiou as mãos em seus ombros e tentou sem sucesso conseguir o máximo de alívio que podia em suas intimidades. Entretanto, os jeans grossos, a água fria e as posições impossibilitavam tais façanhas.
- , – suspirou, entrecortada. O homem, aparentemente distraído demais para ter lhe dado atenção nos instantes anteriores, a olhou, desorientado. – vamos sair...?
Ele franziu o cenho, os lábios entreabertos e a feição nebulosa.
- Sair? – questionou, ainda acariciando sua carne.
riu de sua confusão, unindo seus lábios num beijo sagaz.
- Sei que sou irresistível, mas você já pode sair da hipnose. – sussurrou contra seus lábios. afastou ligeiramente o rosto, olhando-a com desdém. sorriu divertida, buscando as mãos dele e trazendo-as para seu rosto, beijando suas palmas. – Sair da piscina, lindo... – provocou, distribuindo suaves beijos pelas pontas de seus dedos; ao chegar no polegar, contudo, ela o sugou com veemência. ofegou, consentindo finalmente.
Ele a viu sair da piscina enquanto erguia seu quadril sem demonstrar qualquer sinal de força. Ao sentir o piso atingi-la, riu, deitando-se sobre o chão frio. chegou logo ao seu lado, e, ao aproximar-se, a viu levantar-se.
- O que está fazendo?
- Uma coisa – respondeu, marota, caminhando na direção da mansão. O rapaz bufou, levantando-se, impacientemente frustrado. – Ei, calma. Vou voltar.
- ...
- Relaxa, lindo. Seu prazer é o meu prazer! – disse alto, já longe.
Sua frustração não se prolongou por muito mais tempo; em menos de um minuto conseguiu avistar caminhando em sua direção novamente, suas roupas estavam encharcadas, seus seios aparentes pela falta de lingerie – o que só piorou sua presente situação –, os cabelos ensopados e com resquício de tinta colorida. Antes que terminasse sua análise, no entanto, pôde visualizar em suas mãos uma garrafa de José Cuervo e uma venda negra, assim como a que usara horas atrás, numa brincadeira que tivera com algumas estudantes.
Brincar com seria muito mais divertido. E torturante, não lhe restavam dúvidas.
Um sorriso perverso repuxou seus lábios assim que ela se aproximou o bastante, observando-o com um nível superior de malícia. meneou a cabeça, apontando para um dos cantos escondidos do jardim. Como um obediente homem excitado, não hesitou em segui-la, deixando todo o orgulho e pensamentos negativos naquela piscina, ao menos por hora.
- Sabe... Eu fiquei com um pouco de inveja. – disse, assim que chegaram ao canto isolado. a incentivou, interessado em seu dialogo. – Aquela mulher e toda a coisa do bodyshot vendado...
Ele sorriu imediatamente, cheio de presunção, enquanto mordia o lábio inferior e buscava a venda das mãos da outra.
- Não seja por isso, . – sussurrou, rouco, amarrando a faixa preta em seus próprios olhos – Sou inteiramente seu. – , aproveitando os olhos tapados do homem, controlou um sorriso ligeiramente doce em seus lábios. – Agradeça às bruxas... Talvez seja um presente de Halloween.
A mulher riu, enquanto terminava de descer sua camisa já desabotoada pelos ombros.
- Eu sempre gostei de Harry Potter... – disse, buscando a garrafa de tequila que estava sob o chão. – Mas sabe do que gosto ainda mais?
- Da minha varinha. – brincou, sorrindo travesso. gargalhou com gosto, e mordeu uma parte de seu pescoço, involuntariamente. Ele entreabriu os lábios, num suspiro.
- Também. Mas dessa vez me refiro ao José... Cuervo. – espalmou uma das mãos em seu tronco, enquanto com a outra derramava um pouco do liquido dourado sobre seu peito.
O homem se sobressaltou levemente, e notou imediatamente seu corpo se arrepiar pelo liquido frio em contato à sua pele. A mulher, logo após umedecer os lábios, sedenta, levou a boca em direção ao local que escorria tequila, lambendo-o devagar, como se se deliciasse a cada centímetro. Não deixara de ser verdade, no entanto. Precisava conhecê-lo, senti-lo, experimentá-lo. Quanto mais, melhor.
Algumas gotas da bebida escorreram pelo abdômen do homem, e ela passou a língua por cada superfície que o atingira. ofegou, procurando os cabelos dela para que pudesse ao menos descarregar um pouco de energia emaranhando os dedos ali, puxando-os, sentindo-a de alguma forma.
Após beber todas as pequenas gotículas de sua pele, sem esquecer-se de sequer algum resquício, segurou o lábio inferior entre os dentes e se ajoelhou sob o gramado.
- chamou, num soluço, ameaçando tirar a venda. Ela riu contra seus oblíquos, dificultando ainda mais sua capacidade de controle que, àquele momento, chegava a ser quase nula. – ?
- Não é para tirar a venda. – resmungou, depois de alguns segundos. Ela abaixou suas calças e, ao se deparar com sua cueca preta, quase quis chorar. Seu membro estava inchado, ereto, e totalmente pronto... Para sua boca. – Acho que vou precisar de alguns exercícios de pompoarismo antes de finalmente foder com você. – sorriu ardilosa, libertando seu mastro. Um suspiro de ambos reverberou pelo ambiente.
- O quê? Pompo o quê? – questionou, parecendo perdido demais para se lembrar sobre o dicionário do sexo. riu, distraída, começando a manuseá-lo. O rapaz apoiou a cabeça na parede atrás de si e umedeceu os lábios, abrindo-os pela dificuldade em respirar normalmente.
- Um dia te expli... Mostro. – sorriu, próxima demais de seu membro, o que só piorou sua situação atual.
A pior parte, contudo, veio em seguida, quando ela passou a língua pelo topo de sua amplitude, provando-o num primeiro instante. cerrou um dos punhos, trincou o maxilar e não se conteve em puxar de uma só vez a venda de seus olhos.
- Ei! – ela protestou, retirando os lábios de sua carne, mas as mãos continuavam a massageá-lo num caminho tortuoso que ia do inicio de sua extensão até o fim. – Você não...
- Em que mundo paralelo você pensou que eu não iria assistir enquanto me chupa? , por favor... – sorriu com escarnio. Ela o acompanhou, por fim, assentindo.
Seus olhares não se desviaram por mais nenhum segundo após aquilo. A mulher, sem mais delongas, o envolveu com seus lábios, engolindo-o o suficiente para que os mais variados exemplos de palavrões saíssem de sua boca, em forma de gemidos e murmúrios ilegíveis. embrenhou os dedos em seus cabelos, entrelaçando-os em seus fios e puxando-os num carinho exagerado, ganhando ainda mais pressão contra sua carne inchada. massageou seus testículos, e, se retirando por alguns mínimos segundos – para total sofrimento do outro –, ela voltou e o sugou com ainda mais esmero, dessa vez engolindo-o através dos músculos relaxados de sua garganta. O rapaz sorriu extremamente satisfeito e fechou os olhos, sem conseguir deixá-los abertos. Não havia força, coragem, ou necessidade para aquilo. Ele precisava respirar fundo inúmeras vezes se quisesse durar mais alguns poucos minutos que fosse.
- Puta que o pariu, ! – exclamou, impulsionando seu quadril em direção ao seu rosto, involuntariamente. – Você... linda! Cacete! – urrou, sentindo-a aumentar propositalmente os movimentos de suas mãos e de sua boca. – Porra... Assim.
A mulher o retirou da boca por alguns segundos, somente o suficiente para que ganhasse fôlego e deixasse escapar um sorriso maroto. Homens sempre eram previsíveis. Dos românticos aos sádicos. Dos bonzinhos aos relutantes. Sempre na boca de uma mulher ganhavam a posição de submissos, escravos subordinados por prazer.
Ter naquela posição era, no mínimo, inacreditável.
Prazeroso, entretanto.
Não se tratava de vê-lo de modo inferior, porque aquilo seria inadmissível para alguém que prega a igualdade; mas sim, sobre o poder que sabia agora exercer sobre o homem. Vê-lo implorar, clamar e suplicar sua atenção inflava seu ego como não em muito tempo. Saber que o invencível também poderia ser vencido; que o homem o qual havia pensado por semanas, poderia ser derrotado naquela questão. Ele não era imune aos seus encantos, como imaginara por algum tempo. Um sentimento de supremacia lhe tomou, e ela sorriu satisfeita, vendo-o abrir os olhos desejosos e confusos, provavelmente lhe questionando o motivo da falta de seus lábios em si, novamente. umedeceu a boca, e, num caminho distinto, passou a língua diversas vezes por sua dimensão, torturando-o além da sobriedade.
- Diz pra mim, ... – disse, sem deixar de tentá-lo. A visão turva do homem a alcançou, e tudo o que a mulher enxergara fora confusão. O desejo avassalador não entrava no âmbito. – Está bom? Do jeito que gosta? – provocou, colocando somente o topo de seu membro envolvido em seus lábios, sugando-o com intensidade.
- Porra, – riu, nervoso. Ele pendeu a cabeça ligeiramente para trás, ganhando certo apoio. – Está uma delícia, linda. – sorriu lascivo, sentindo-se próximo de deixar-se explodir, finalmente. já conseguia sentir os membros perderem a força, enquanto seu quadril movia-se ainda mais contra a boca da mulher. – Sua boca... – soprou, ofegante. A mulher o envolveu por completo novamente, utilizando das mãos para suprir o que seus lábios não conseguiam conter, e aumentou a velocidade de suas intenções. Sugou, arranhou, lambeu, contraiu os músculos da garganta: fazendo-o ir cada vez mais fundo. – Isso... Isso, assim. Ah. ... – suplicou, trêmulo. A loira subiu o olhar, encontrando o dele. Tão próximo. Ela conseguia sentir que ele estava em seu limite, e, logo após tomar fôlego uma vez, o colocou o mais fundo possível em sua boca, sem deixar de quebrar o contato visual. Ela sugou as bochechas, massageou seus testículos e acariciou a base de seu membro com a ponta da língua. Foi o suficiente.
Com um urro desenfreado e um soco em punho na parede atrás de si, gozou. não retirou os lábios um só segundo do homem, enquanto o orgasmo se prolongava. E durou, durou mais do que o comum para ambos. O rapaz, ofegante, não deixou de sorrir extremamente extasiado e satisfeito. , para finalizar, depositou um inocente beijo na ponta de sua ereção progressiva, e se levantou num sobressalto, sorrindo orgulhosa de si mesma, passando o dedo polegar ligeiramente pelos lábios, limpando os resquícios do prazer do outro.
- Isso é amor. – afirmou, rouco, fazendo reverência à conversa que tinham tido uma hora atrás. Ela riu, ajudando-o a subir sua cueca e, eventualmente, sua calça. – Você... Ah, . – sorriu, sem forças ou palavras para expressarem seu real ponto àquela altura.
- Você vai continuar dizendo o meu nome até quando? Sei que faço um bom trabalho, . – brincou, rindo. Ele riu também, parecendo voltar à realidade aos poucos. – Foi bom para você?
No próximo segundo, contudo, não lhe respondera como previra. Fora melhor. sentiu o corpo ser empurrado a parede às suas costas, fazendo sua cabeça bater com força sob os tijolos antigos do jardim da mansão. Ela mordeu o lábio com força, vendo o rapaz prensar seu corpo contra o dela, enquanto a dominava com os braços a sua volta.
- Deixa eu te mostrar o quanto foi bom para mim... – sussurrou contra sua orelha, baixo, quase como num sopro.
A mulher sentiu os poros arrepiarem-se de imediato e sorriu satisfeita, virando o rosto para o dele.
- Gosto do seu altruísmo.
Ele riu, passeando uma das mãos pela lateral de seu corpo, massageando-o sem sinal de inibição. Seus olhares continuavam vidrados um no outro, intensos. Assim como ambos.
- Prazer bom é prazer compartilhado, . Você não acha isso? – trocou o apoio de sua mão para apoiar-se pelo cotovelo, aproximando-se ainda mais dela.
Ela sorriu, assentindo, vendo-o adentrar seu short com a mão que antes afagava sua pele. Um suspiro pesado foi inevitavelmente solto por seus lábios, enquanto ela o sentiu descer o rosto para seu pescoço, distribuindo beijos e mordidas por toda a extensão deste. Seu dedo indicador começara a acaricia-la intimamente, como se a preparando.
não precisava se preparar.
Desde que o vira ali, naquela noite, estava pronta. Ao terminar o sexo oral, então, tinha certeza de que se ele mesmo não resolvesse seu pequeno problema, seria obrigada a fazê-lo sozinha.
- Não me respondeu. – murmurou abafado, ganhando sua atenção novamente.
- O quê?
- Prazer bom é... – se interrompeu, sentindo os dedos deslizarem com extrema facilidade pela entrada da outra. Ele suspirou pesado, não deixando de rir baixo ao pé de seu ouvido. gemeu, manhosa. – Não precisa responder, seu corpo diz por você. – moveu os dedos, acariciando-a com mais pressão. Ela pendeu a cabeça em seu ombro, começando a ofegar. – Você está tão molhada, linda. Tem noção disso?
- Por você. – provocou, passando as unhas sob sua nuca. Ele sorriu, roçando seus lábios na medida em que seus dedos a tocavam. – Você me deixa assim...
- Sabe, acho que deveríamos fazer uma aposta. – diminuiu a velocidade de seu toque, contrariando-a. – Quando transarmos, finalmente, podemos apostar quem faz quem ter o maior número de orgasmos. O que acha?
o olhou através das pálpebras cerradas, e umedeceu os lábios antes de falar:
- Esteja pronto para perder, .
- Perder? – sorriu, lascivo. – Acho os dois ganham, .
- Idem. – assentiu, parecendo querer estacionar ali aquele assunto. No próximo segundo, tocou no pulso do rapaz e o incentivou a continuar o que fazia segundos atrás; ele riu diante seu desespero. – Por favor, !
- Ei, ei, shh. – retirou a mão que antes a acariciava e levou o dedo indicador à frente dos próprios lábios, como se pedisse silêncio. resfolegou, torcendo o lábio inferior num bico involuntário. riu, passando a língua no próprio dedo. – Você não tem paciência...
- Vai se foder. – retrucou, entredentes.
- Você quis dizer “me”? – provocou. – Vou, linda. Quando quiser.
Não aguentando mais a demora baseada na provocação de , levou uma das mãos para dentro do short, decidida a resolver de uma vez por todas seu problema. O homem, aparentemente, odiou a possibilidade, pois no próximo segundo – logo depois de fazer uma careta exagerada –, retirou a mão dela dali e adentrou a sua novamente; determinado a finalizar seu trabalho. Com louvor, sem dúvidas.
- Finalmente!
Um suspiro aliviado escapou dos pulmões de , que sorriu satisfeita ao sentir seus abençoados membros voltarem a acaricia-la. Seus dedos médio e anelar a penetraram sem aviso prévio, enquanto com sua palma, afagava seu ponto mais sensível. O carinho dos lábios dele sob seu pescoço se completaram à outra mão do rapaz, que tomou seu rumo por debaixo da blusa da outra, encontrando seus seios e massageando-o sem medir cuidado. Ela não precisava daquilo, contudo. Pelo contrário. Queria mais, queria toque, queria senti-lo de verdade.
não duraria muito mais.
O homem era anormal, definitivamente.
Ao vê-lo pela primeira vez, algumas semanas atrás, pensou que teriam uma noite de sexo selvagem bom para ambas as partes e no próximo dia já nem se lembraria mais de seu nome. Ledo engano. era como um vício: cada vez que provava um pouco, seu desejo pelo pecado em forma humana só crescia.
O rapaz curvou os dedos dentro de si, e, ao acariciar com exímia habilidade o clitóris da mulher, ela chegou a seu ápice. Gemeu alta e longamente, tremendo em seus braços, revirando os olhos e contorcendo os dedos do pé. O orgasmo.
O mesmo orgasmo filho da puta que havia tido quando ele a chupou, semanas atrás.
O mesmo orgasmo que a deixou estragada para qualquer outro homem que tivera o prazer de tê-la na cama.
Uma felicidade quase infantil tomou seu peito, assim que seus músculos se acalmaram, e um sorriso aberto repuxou seus lábios. O mundo parecia outro; mais leve, mais bonito, sem problemas.
Antes que pudesse ter outra reação, contudo, sentiu os lábios do rapaz envolverem-se aos seus, num beijo intenso. Doce, suave, gentil. Suas línguas se tocavam devagar, moviam-se em sincronia e suas bocas pareciam se encaixar. O clichê era pronto, mas real. segurou as laterais de seu rosto com as mãos firmes, trazendo-o ainda mais em sua direção. levou a mão livre à sua bochecha, afagando-a com o polegar, enquanto com a outra, aproximou sua cintura.
Não havia malícia, não mais. Não haviam intenções além daquele beijo.
Ambos se afastaram com um selinho demorado, e, ao encararem-se, um silêncio excruciante se instalou sob o pequeno ambiente que compartilhavam; sem sorrisos, sem olhares tendenciosos, somente o silêncio. Um silêncio que durou poucos, mas intensos segundos. No instante seguinte, entretanto, ambos pareceram voltarem a si e desviaram seus olhares numa pressa descomedida. Ele pigarreou, afastando-se, e ela riu, arrumando o short contra o quadril.
- Quer que eu te leve em casa? – ele questionou, visivelmente desconfortável.
Não era para ser daquele jeito.
Não era para parecerem adolescentes inseguros depois de transarem pela primeira vez. Por Deus, eles nem haviam transado.
O problema acontecera depois; a troca de olhares. O maldito silêncio. O momento desconfortável de sentimentos agradecidos – mas que por um milésimo de segundo, pudera ser confundido com outro pela outra parte.
- Não precisa. Vou para o meu dormitório, hasta la vista. – sorriu tentando soar com sinceridade, virando o corpo e acenando em sua direção.
- Tem certeza...
- Sim, eu tenho. – virou-se novamente para ele e abaixou-se para buscar a garrafa de tequila. – Sei me cuidar muito bem, . Obrigada pela sétima maravilha do mundo que são seus dedos habilidosos, lindo. Boa noite.
Ele poderia ter feito algum trocadilho com como seria no dia que lhe apresentasse a primeira maravilha, mas não o fez. Só a assistiu caminhar categoricamente em direção à saída da mansão, enquanto dava um bom gole na garrafa que segurara anteriormente.
voltou a apoiar-se na parede às suas costas e colocou as mãos nos bolsos da calça – ainda úmida pela água da piscina – e inspirou profundamente.
Havia algo errado ali.
Muito errado.
E ele não gostaria de saber se ficaria para descobrir o que era.

***


Capítulo 12 - Tacada Intrigante.


- Acha que os Marshall renderão em algo?
indagou a Hunter, logo depois de fazer uma tacada certeira. Ambos estavam numa das salas da Hidra, enquanto jogavam algumas partidas de sinuca.
- Ouvi dizer que é um bom Império. Mas, se quer saber, estou cansado do mesmo. Furtar mansões, fazer reféns, cofres... Sinto falta da antiga Hidra. – Hunter o respondeu, antes de dar uma tacada que acertou duas caçapas. Os dois riram.
- Como o quê, por exemplo?
- O caso O’Connel. Os Smith, Ward... Sabe do que estou falando. A ação que nos motivou a entrar nisso.
riu baixo, apoiando-se sob seu taco, enquanto observava o amigo planejar sua próxima jogada.
- Você sabe o que me motivou a entrar na Hidra. Não foi pela ação.
- Mas tomou gosto por isso! Te conheço há anos, . Sei muito bem que não está mais aqui por causa do que aconteceu em 2008.
- Que se foda o que aconteceu em 2008. – resmungou, mirando a bola vermelha em cima da mesa de sinuca. – E talvez esteja certo. O caso O’Connel foi divertido. – sorriu, lembrando-se do dia em que quase esfolou o Senador por inteiro.
- E vou fingir que ele não foi tão divertido assim porque vimos a praticamente nua...
riu, olhando-o por com os olhos cerrados.
- Não posso ir contra os fatos, Hunter.
- Já transaram? – questionou, interessado.
- Não. – deu os ombros.
- Ah, não. Está de brincadeira!? Em que universo paralelo você vive, ? Se uma mulher daquelas me quisesse tanto quanto a demonstra te querer...
- Ela já demonstrou isso por você também.
- Pode ser, mas você sabe muito bem que quando um homem é laçado por uma mulher... – rolou os olhos, rindo. – Estou envolvido com a garota que te falei. E, se quer saber, ela não perde em nada para a .
- Azar o seu. Precisamos marcar o velório, inclusive. – sorriu sarcástico, vendo o amigo lhe estender o dedo médio. – E ela é tão boa assim?
- Tão boa assim, tão boa assim... é boa assim? Nem parece o cara que não queria vê-la há bons dois metros de distância há algumas semanas.
- Continuo com o mesmo pensamento: para mim é só uma garota esnobe que sente a necessidade de querer ser outra pessoa para fugir de sua realidade tão dura e difícil. – ironizou. – Hunter, eu conheço o tipo mais do que qualquer um. Em um ou dois anos ela se cansará disso e irá querer uma vida estável.
- Assim como Lindsay. – completou.
sorriu afirmativamente.
- Assim como a filha da puta da Lindsay. – enfatizou. – Porém, contudo, entretanto, todavia, não posso negar: , quando é , chega a ser até legal...? E gostosa. Gostosa, definitivamente. Linda, também. Eu juro por Deus que tentei, mas... Não consigo. Além do mais, é só físico, sexo.
- Sexo? – a voz feminina conhecida surgiu no ambiente, anunciando a chegada de Brooke. Os rapazes olharam em sua direção e sorriram divertidos em cumprimento. – Onde? Eu quero. – brincou, buscando um dos tacos de sinuca que estavam apoiados à parede.
- Você é muito indiscreta, Brooke. Estávamos numa conversa privada. – Hunter fingiu seriedade, enquanto escondia uma risada dentre os lábios.
- Desde quando a vida sexual de vocês é assunto privado?
- O quê? Não. Não estavám... Espera. O que está fazendo aqui?
- Eu e viemos jogar sinuca, machos. – sorriu orgulhosa, assistindo cruzar os braços. – Ela está estacionando o carro. Qual é? É sexta-feira à noite e não estávamos com vontade de sair para uma boate qualquer. Estamos amadurecendo, eu acho.
Hunter gargalhou no lado oposto da sala, dando um gole em seu uísque.
- Como não reparamos antes, ? Brooke está madura. Uma velha, praticamente. Nossa mãe.
- Vai se foder, Hunt. – Brooke riu.
chegou alguns segundos depois.
Não era como se a mulher passasse despercebida, afinal.
Ela ainda conversava com alguém antes de entrar de fato na sala, e, quando o fez, seu sorriso surpreso foi atentado por todos os rostos. Seu perfume e sua presença marcantes. apoiou-se novamente em seu taco e olhou-a de soslaio, evitando contato visual. Ultimamente, contato visual com sempre terminava num silêncio extremamente desconfortável.
- Oh... Meninos! – levou as mãos à cintura, assentindo em cumprimento. – Vai rolar um sexo grupal na mesa de sinuca e não estava sabendo?
Todos riram.
- Brooke não pode arriscar transar comigo. Iria se apaixonar novamente e... – brincou, sentindo a morena lhe dar um tapa estalado no ombro.
- Nos seus sonhos, .
sorriu, acompanhando-os com o olhar.
- Por que terminaram? Obviamente não foi por motivos sexuais, então...
- Porque é incapaz de se nutrir qualquer sentimento romântico por alguém. – Brooke respondeu com naturalidade, dando os ombros. – E acho que eu também...
- A maçã podre? – questionou.
passou giz sobre a ponta de seu taco, analisando-o com competência, como se não se importasse com o assunto tratado.
- Tanto faz.
- Que história é essa de maçã podre?
- Puta que o pariu, Hunter, você é muito curioso! – revirou os olhos e jogou o taco na direção do amigo, que o pegou imediatamente. – Vocês vão jogar ou não?
- Depende. Vamos apostar o quê?
pareceu se animar com a proposta de Brooke, e apontou para a morena, concordando.
- A única coisa que temos agora são ingressos para o jogo dos Lakers, acho que não interessará mui...
- Está brincando?! É óbvio que estamos interessadas!
- Estamos? – Brooke torceu o nariz, caminhando na direção dos tacos.
- Qual é, Brooke!? São os Lakers! Estejam preparados para perder o jogo do ano. – tirou a jaqueta de couro que usava, pendurando-a.
- Você gosta dos Lakers?
- Vou fingir que toda essa incredulidade não diz respeito ao fato de eu ser mulher...
- Claro que não. Mas você... Ah, que se foda. Vamos jogar. – interrompeu-se, vendo-a sorrir satisfeita.
A primeira tacada de Brooke foi exemplar. Duas bolas na caçapa.
Hunter debruçou-se levemente contra a mesa, e, em sua conhecida mira, acertou o mesmo número.
O problema, de fato, surgiu quando decidiu que iria jogar baixo. Sujo. Errado seria pensar que fosse ser diferente, contudo.
curvou-se na direção da mesa, enquanto mirava na direção desejada. Ele teria acertado. Teria feito, no mínimo, um ponto... Se a maldita não tivesse apoiado os dois braços afastados na mesa, abaixando levemente o tronco, lhe dando uma visão privilegiada do contorno de seus seios, totalmente livres através do decote farto de sua blusa. Involuntariamente, o rapaz subiu o olhar, e encontrou o famigerado sorriso maroto pintando seus lábios. O olhar pingava a malícia.
Filha da puta.
Esperando segundos demais para fazer sua jogada, pigarreou, e, ainda desconcertado, empurrou o taco em direção à bola branca. A risada extremamente animada da loira anunciou o fracasso do homem, que revirou os olhos ao assistir a bola azul parar poucos centímetros da caçapa. Nem. Uma. Mísera. Bola.
- ! Acorda! – Hunter reclamou.
- O problema é esse, Hunter. Estou acordado até demais. – resmungou, acompanhando a jogada de , que, sorrindo, tentava se concentrar.
apoiou-se sob o taco que segurava, e, inconscientemente, flexionou os músculos. Despercebidamente, olhou compenetrado para a garota, secando sua mira. Ou, talvez, somente observando-a com intensidade. , ao contrário, pareceu perceber muito bem seu olhar, e quando o encarou de soslaio, engoliu a seco. Sexy como o inferno.
Filho da puta.
Ele não estava tentando desconcentrá-la, mas estava conseguindo avidamente. , notando a atenção da mulher voltada a si, sorriu vitorioso. Deixou que a lateral de seu lábio se repuxasse num sorriso cheio de intenções, e dedilhou seu taco, numa calma invejável.
Quase que instantaneamente, sentiu um arrepio contínuo em seu ventre e fechou os olhos, tentando retomar a jogada.
- Para de desconcentrar ela. – Brooke disse, de repente.
- O quê? Eu? – questionou, cheio de cinismo.
- Estou vendo seus dedinhos espertos, sorriso safado e olhar cafajeste. – argumentou.
O barulho da bola caindo na caçapa se fez ouvir, e suspirou aliviada. Ao menos uma.
- Não, não, não. – Hunter protestou, apontando. – Que porra é essa? Não vale.
Brooke riu, vendo a amiga se aproximar para lhe dar um selinho em agradecimento.
Sem maiores interrupções, o jogo voltou a acontecer.
Duas rodadas sem sinal de provocações, desconcentrações ou qualquer coisa similar.
O placar estava empatado, e foi então que resolveu voltar a ser ela mesma. Se haviam estipulado regras, não havia nada no mundo que mais lhe agradaria do que quebrá-las.
Havia se comportado como uma mocinha de família por duas longas rodadas... Mas eram os Lakers. E . Não podia ficar naquele ambiente cheio de analogias sexuais – bola, caçapa, taco – sem voltar a usar de seus encantos.
Ela teria seus ingressos. E, de bônus, um faminto a poucos metros de distancia. Poderia ser melhor?
Quando chegou a vez do rapaz, fez questão de ser notada por ele. Deu um passo em direção à baixa luz, evidenciando sua silhueta, e segurou seu taco com firmeza. , inocentemente, levou os olhos para ela, e se arrependeu de imediato. A mulher começou a movimentar levemente a mão sobre o pedaço de madeira, descendo-a e subindo-a com delicadeza, mas pressão. Ah, merda. Ele iria perder. Iria perder muito.
umedeceu os lábios, mordendo o inferior em seguida. As mãos ganharam mais velocidade, e teve certeza de que ouvia Brooke rir baixo ao fundo. As imagens da festa de Halloween passaram por seus olhos numa precisão absurda, e ele quis chorar.
Por que ela tinha que ser assim?
- . – Hunter chamou, recebendo um olhar inocente em troca. – Não joga baixo.
- Do que está falando?
Mais cinismo.
pouco se importava. Podia muito bem ter usado aqueles poucos segundos para fazer sua jogada, mas... Não conseguia. O volume embaixo de suas calças o incomodava, e recordar-se de resolvendo aquele problema havia tornado impossível qualquer que fosse o movimento na parte superior de seu corpo.
- Está masturbando o taco.
- Não foi minha intenção... – sorriu atrevida, voltando a olhar para o outro. – Vai, lindo, não vou mais atrapalhar. – incentivou. – Mete com força! Acerta essa caçapa! – gemeu e gargalhou em seguida, ouvindo todos os outros três rirem também, derrotados.
balançou a cabeça em negação e colocou o taco sobre a mesa, vencido.
- Que se foda. Vocês ganharam.
Antes que pudessem comemorar, contudo, a batida da porta sendo aberta os interrompeu imediatamente. levou a mão ao coldre de sua arma e a soltou assim que viu Mason cruzar a sala. A feição estava preocupada, e as bochechas ligeiramente rosadas.
- O que houve?
- Lembram do sequestro da herdeira Laurent? – todos assentiram. , diferente de todos, não sentia um pingo de tensão. – Certo. Qual seria nossa próxima missão?
- Kenner... O tal empresário, não é?
- Certo. – repetiu. – Querem adivinhar ou eu preciso dizer?
- Sequestrado. – disse, mais como uma afirmação do que questionamento. Mason assentiu, e ouviu Brooke resfolegar em surpresa. – O que isso quer dizer?
- Eu não faço a menor ideia. – admitiu. – Mas, vejam só: aparentemente, nós realmente temos algo a ver com essa merda. – ergueu a mão, oferecendo-lhe um bilhete. – Deixaram na porta da Mansão. Jackson encontrou quando foi visitá-la para buscar informações.
“Toda história tem um começo, meio e fim. Todos a postos? O jogo se iniciou, Hidra.” leu em voz alta, franzindo o cenho em confusão em seguida.
- Que história? – perguntou com naturalidade, enfiando a mão no bolso traseiro da calça de , que a encarou incrédulo. Ela retirou o par de ingressos para o jogo e os balançou, sorrindo.
O homem revirou os olhos impacientemente e balançou a cabeça. A mulher deu os ombros, displicente. Maluca.
- Nossos inimigos?
- Todos mortos. – Brooke ponderou, pensativa. – Ou chegarão perto de estar... Não arriscariam mais nada.
- Que porra de jogo ele está falando?
- Não sei, . Mas precisamos estar de olhos bem abertos daqui em diante.
- Por que sequestrariam pessoas “ligadas” a nós, e não nós mesmos?
- Concordo com o Hunter. – Brooke disse.
O barulho de duas bolas da sinuca arrastando-se sobre a mesa fez com que todos olhassem na direção, e vissem sentada sob o tecido verde, controlando uma risada. Havia escorregado.
- Tem algo a dizer, ? – Mason perguntou, num tom repreendedor.
- Nadinha.
- Então por que está aqui ainda?
rolou os olhos diante a grosseria de , bufando em seguida.
- Para a ação. Já disse, detesto a teoria. E, para mim, estão se preocupando a toa. Pode ser qualquer um! Até mesmo o babaca do O’Connel. Estão querendo deixá-los com medo, receosos... E parece que estão conseguindo.
- Não estamos com medo, estamos somente analisando a situação. Nos precavendo.
- O que houve com o lance do “Se cortarem uma cabeça, duas nascem em seu lugar. Mais forte, maior, e melhor.”? Ninguém iria gostar de nos cortar uma cabeça. Não devem se alarmar.
- está certa. – Brooke assentiu, aproximando-se. – É uma situação diferente, mas, repito: qual inimigo - que, incrivelmente, não esteja morto - seria idiota o bastante para mexer conosco novamente?
- E então devemos fazer o que? Esperar com os braços cruzados?
- Quem está falando isso? – franziu o cenho, negando veementemente. – Vamos esperar com a mão no coldre e a promessa da cabeça deles no quintal da Hidra o quanto antes, Hunter.


*


O tempo estava extremamente nublado, num tom exagerado de cinza escuro. As gotículas de chuva batiam contra sua janela, deslizando pelo vidro enfim.
Era bonito observar a chuva. Um calmante natural. Contudo, havia algo mais naquele ato; havia ligeira tristeza. arrumou a camiseta larga costumeira contra as pernas, enquanto permanecia sentada na lateral janela. Ela suspirou pesadamente e passou o polegar pela tela do celular, vislumbrando a data daquele dia.
Não era como se precisasse de um calendário para lembrar-se, no entanto.
A mulher inspirou fundo e soltou o fôlego devagar, enquanto dobrava os joelhos e os abraçava, encolhendo-se.
Definitivamente, não era um bom dia. Sequer chegava perto de ser.
A chuva pareceu aumentar, e ela apoiou a lateral do rosto nos joelhos, tornando-se ainda mais retraída aos olhos de quem a encontrasse ali. Menor. Escondida... Invisível.
Queria sumir, desaparecer.
Lágrimas preencheram suas pálpebras, fazendo-a com que as fechasse. Chorar não. Nunca; sob qualquer hipótese.
suspirou e voltou a abrir os olhos, vendo ser capaz de controlar seu choro. Pelo menos aquilo. A mulher bufou derrotada e voltou a erguer a cabeça, olhando ao redor. Será possível que não existisse nada no mundo que lhe fizesse bem naquele dia? Era só uma data. Uma maldita data.
A data que a destruiu pelo resto da vida.
A data que lhe marcara interna e externamente como um carimbo de ferro em brasa.
Não havia nada e nem ninguém que pudesse lhe salvar daquela ferida que jamais cicatrizaria, em especial naquele dia.
Nem mesmo um dia de compras com Hannah. Um dia na comissão de Stanford... Um dia como . Nem sequer seria capaz de lhe salvar do poço de depressão que aquele dia lhe empurrara.
Nas 24 horas seguintes tudo ficaria bem, ela sabia, mas... Esperar até que a neblina cessasse, lhe custava horas intermináveis de pura agonia e frustração. jogou a cabeça para trás e embrenhou os dedos no cabelo, enquanto mantinha os olhos fechados. Precisava fazer algo, não podia continuar daquele jeito. Não podia sentir-se tão impotente novamente. Não podia se submeter à fragilidade, nem por um dia. Mas parecia impossível.
Era a sua sina.
Duas batidas em sua porta antecederam a entrada de sua mãe em seu quarto, retirando-a de seus pensamentos degradantes. rapidamente colocou um mínimo sorriso no rosto, observando a senhora perfeitamente arrumada àquela hora da manhã.
- Bom dia, querida. Não foi para Stanford hoje? – negou, em silêncio. – Quer ir para o spa comigo, então? Ouvi dizer que aquela esteticista péssima foi afastada graças à nossa última reclamação.
A filha sorriu fraco, assentindo.
- Acho que não, mamãe. Não estou... Me sentindo muito bem.
- Oh! O que você tem? Por que não me disse antes? Vou chamar o Dr. Johnson agora e...
- Não. Não é necessário. É só uma enxaqueca incômoda.
- Ah, filha... – murmurou, afetuosa. – Vou pedir para que Louisa lhe traga um remédio imediatamente.
- Obrigada. Ah! Mãe? – chamou, vendo a mais velha cruzar a porta. Ela voltou a olhá-la. – Jacob está em casa? Talvez ficar com aquele pirralho me fizesse ficar um pouco melhor.
Brianna sorriu abertamente. Apesar da relação conturbada com o filho mais novo, amava suas criações mais do que qualquer coisa no mundo.
- Chegou do colégio faz poucos minutos, ele está com seu pai assistindo a reprise de algum jogo na televisão.
- Papai também está?
- Sim, e tenho certeza de que ambos amariam a sua companhia. Por que não vai até lá e os ensina como as mulheres da família torcem?
- Pode ser uma boa ideia.
A mais velha riu, afastando a mão da maçaneta e voltando a caminhar na direção da filha. Ela abaixou-se em sua direção e fitou seus olhos, observando-a.
- Está tudo bem, ? Tem algo além da enxaqueca?
A menina mordeu o lábio inferior e sorriu fraco, balançando a cabeça negativamente. Talvez estivesse respondendo somente a primeira pergunta de sua mãe, mas ela não precisava saber.
- Enxaqueca, TPM... Você sabe.
- Um abraço lhe ajudaria, talvez?
engoliu a seco, e, por fim, assentiu em dúvida. Esperava que sua falha atuação houvesse convencido sua mãe.
Os braços aconchegantes e amorosos de Brianna lhe comprovaram que havia dado certo. Num primeiro momento, manteve a postura rígida, mas poucos segundos depois retribuiu o abraço da mais velha.
Era somente uma vez.
Poucos segundos.
Estava tudo bem... Não estava?
Não. Não estava. Seu peito se aqueceu de imediato, e a ideia lhe pareceu um completo erro. Quase irreversível, se ela não tivesse se afastado a tempo.
- Desse jeito vai se atrasar para o spa, senhora . E não se esqueça de fazer a manutenção das sobrancelhas, estão enormes. – espreguiçou-se, levantando-se.
Brianna voltou a rir, enquanto caminhava novamente em direção à porta.
- Eu sabia que meu abraço lhe ajudaria.
Ou terminaria de destruí-la; mas, novamente, ela não precisava saber.
- Avise aos homens da casa que vou tomar um banho e depois eles verão como as mulheres da família torcem.


*


- Lá vem a maior pé frio de todas!
Jacob reverberou na sala assim que avistou a irmã mais velha. Sorrir foi inevitável. Jake era e sempre seria o seu melhor remédio, fosse qual fosse a sua dor.
- Os Lakers perderam, já fique sabendo.
- ! – Anthony, seu pai, resmungou ao ouvir o resultado do jogo antecipadamente.
curvou o sofá e beijou seu rosto, ganhando um sorriso carinhoso em resposta.
- Eu disse! Ela é a maior pé frio dos pés frios do planeta dos Pés Frios.
A mulher deitou-se ao seu lado e levou o pé na direção do rosto do irmão, fazendo-o desviar-se enumeras vezes. Ela riu, pela primeira vez naquele dia.
- Meu pé está quentinho, Jacob .
- Sai daqui. – resmungou, tirando de uma vez por todas o pé de seu rosto. Ele travou os lábios traidores, que se repuxavam num mínimo sorriso. – Por que não foi para Stanford? Para me encher o saco?
- Jacob, já disse para...
- Deixa ele, pai. É exatamente por esse motivo que fiquei. – sorriu, tentando soar brincalhona. Havia se tornado difícil novamente.
- Brianna disse que você não estava se sentindo bem. O que houve, filha?
- Nada que valha um segundo do seu tempo. Não se preocupe, senhor . – esticou-se, beijando sua bochecha. – Mas, se querem saber... Acho que o colinho do meu irmão mais novo-adolescente chato-pirralho, me ajudaria muito.
- Ah não, , dá um tempo! Eu não tenho mais cinco anos!
- Queria que tivesse, Jake. – disse, parecendo pensativa. Havia sido transportada para o passado, e sentia falta.
Sentia tanta falta.
Jacob percebeu o tom sério de sua voz e franziu o cenho, reconhecendo que a irmã não estava num de seus melhores dias. Longe disso...
- Tudo bem, mas não conte com o cafuné. Não mesmo. Tipo, indiscutível.
- Te dou 50 dólares.
O mais novo pareceu pensar por alguns segundos, e, após passar por uma discussão interna, revirou os olhos.
- Com cafuné.
sorriu vitoriosa e, ouvindo a risada do pai, deitou a cabeça sob o colo acolhedor do irmão.
Inevitavelmente, uma paz sem igual tomou conta de seu corpo. A paz que necessitava durantes as próximas horas, até que aquele maldito dia chegasse ao fim.
Ela fechou os olhos e suspirou, mordendo o lábio. Tudo ficaria bem.
Amanhã suas feridas se cicatrizariam novamente. Ela poderia voltar a ser .
Poderia voltar a ser .
Poderia voltar a ser quem quisesse ser.


Capítulo 13 parte I - O Inimigo Mora ao Lado.


O cinza havia dado lugar ao azul.
As nuvens carregadas haviam sido substituídas por um céu limpo e ensolarado.
Toda a repentina depressão de se dissipara no exato momento em que acordara naquele dia. Ela sequer conseguia – ou gostaria – de se lembrar das vinte e quatro horas anteriores. De qualquer forma, já não lhe importava.
A loira esticou-se sobre a toalha que havia levado para o piquenique que fazia com Hannah, e sorriu involuntariamente. Amava dias ensolarados. Amava passeios ao ar livre com a melhor amiga – só não mais do que uma tarde de compras no shopping.
- Vamos para Bora Bora?
Hannah virou o rosto, olhando-a.
- De novo?
- É! Foi uma viagem incrível, não foi? – sorriu. – Olha esse sol, esse tempo... Estou exausta, Hannah. Stanford tem sugado todas as minhas forças.
- Ahn... Eu preciso ver, , as coisas estão um pouco diferentes agora. Tem o John, e...
torceu o nariz e voltou a encarar o horizonte a sua frente. Odiava aquilo. Odiava saber que sua amiga estava a trocando por outro.
Hannah já havia namorado uma vez, mas havia sido na mesma época em que ela namorava Kurt... Argh. O terrível e desconhecido sabor de ser deixada de lado. Era um absurdo. Quem era aquele maldito John? E quem pensava que era para chegar e roubar a sua melhor amiga de infância?
- Ok. Vou superar essa substituição. Quem precisa de quando se tem o John? – enfatizou ironicamente o nome. Hannah gargalhou ao seu lado.
- Nem parece que a canceriana da nossa amizade sou eu! Quanto drama, . Quem é você e o que fez com a minha amiga?
Ela deu os ombros, travando os lábios de um sorriso traidor.
- Acho que tenho um pequeno problema em não ser o foco das atenções. Talvez.
- Não posso acreditar que admitiu e eu nem precisei usar meus conhecimentos de Psicologia! – disse sarcástica. Ambas riram. – Nunca será a segunda opção, amiga. Mas, ah, você sabe como é estar apaixonada. John tem me feito muito bem.
- Acho que me esqueci de como é isso. – sussurrou, pensativa. Ela engoliu a seco e após balançar a cabeça, voltou a si. – Mas que bom, Hannah Montana! Eu fico feliz por você, de verdade. Só lamento não tê-lo conhecido ainda... Como isso é possível?!
- Bem... Na verdade, talvez isso esteja próximo de mudar.
- Ah, é? – questionou, interessada. Hannah sorriu marota, mordendo o canto do lábio inferior. – Posso saber o que está aprontando?
- Mm, John me avisou que não foi trabalhar no escritório do pai hoje, então comentei que estaria com a minha melhor amiga do mundo – exagerou, sorrindo – fazendo um piquenique lindo da amizade, então...
- Hannah! – repreendeu, em tom de birra. – Por que não me avisou?
- Eu estava falando no celular com ele ainda a pouco...
- Tá. Eu posso empurrá-lo no lago? – meneou com a cabeça, ouvindo a gargalhada da outra. Ela riu também.
- Seja educada, .
- E se ele estiver usando uma roupa feia?
- John é quase um modelo. – sorriu orgulhosa. – Você vai gostar dele, tenho certeza.
- Tá. – repetiu, derrotada. – Posso falar que você bebeu xixi quando era pequen... Ai, merda.
Antes que pudesse concluir o diálogo, sentiu os olhos arregalarem-se de imediato ao avistar certa personalidade masculina há metros de distância. O que o filho da mãe do Hunter fazia naquele parque, perdido?
Ele a chamaria de e então tudo estaria arruinado.
Não, não, não. Hunter sabia de , não sabia? O imbecil não seria idiota em trata-la como na frente de outras pessoas. Ele nem ao menos precisava cumprimenta-la! É. Com certeza. Ela não o conhecia. Não sabia sequer quem aquela pessoa era.
Numa tentativa falha de se esconder, levou as duas mãos nas frentes dos olhos, fingindo tapá-los do sol. Era uma boa desculpa, não era? Hannah não desconfiaria.
Que. Merda.
- Ele está demoran... Ah! Lá está! – exclamou, com excesso de animação. Não chame atenção, Hannah, puta que pariu. – Amor! – acenou. Ok, Hunter certamente já teria a notado ali.
bufou derrotada e, após visualizar a sombra de John abraçando Hannah ao seu lado, ela finalmente descobriu o rosto.
E se arrependera irremediavelmente por ter feito isso naquele momento. Naquele século.
Ótimo.
Onde estavam as câmeras espalhadas pelo parque? Que tipo de brincadeira de extremo mau gosto era aquela? O que, infernos, Hannah fazia abraçada com Hunter?
Maldito caçador de corações inocentes. Ele teria uma morte cruel, lenta e dolorosa. Não restavam dúvidas.
- , esse é o John, meu namorado. Amor, essa é , minha melhor amiga.
Hunter – ou John – tinha quase que a mesma feição da loira. Tão assustada quanto. A mulher, no entanto, possuía uma carga de fúria no olhar, diferentemente dele.
- É um prazer, John. – disse, entre os dentes, esticando a mão para cumprimenta-lo. Hunter a aceitou, e no mesmo segundo sentiu as unhas dela enfiarem-se em sua palma. Oh-oh.
Tão rápido quanto chegou, a feição alarmada se foi. Hunter-John pareceu se recuperar em segundos, soltando sua mão e colocando no rosto seu melhor sorriso de bom moço.
esperava estar tendo tanto êxito quanto ele.
- Hannah fala muito de você. É um prazer finalmente conhecê-la.
- Não é um absurdo pensar que não tinham se conhecido ainda?! – Hannah questionou, incrédula.
- Que nada. O John deve trabalhar muito... O que você faz mesmo?
- Não faz a piada, amor! não vai gostar. – a namorada alertou, o que fez franzir o cenho. Que piada?
- Qual? – sorriu, fingindo interesse.
- Quando saímos pela primeira vez eu o perguntei o que fazia, e ele respondeu que matava pessoas. – riu. John travou os lábios, segurando um sorriso divertido. – Ele sempre faz isso, mas você acharia ruim.
Um tiro na testa seria uma morte mais rápida, mas acabaria logo com o filho da puta. Boa saída.
- Tenho certeza que não se ofenderia, amor. – sorriu, finalmente. Um desafio brincando em seus lábios. – Aposto até que faria a mesma piada.
Antes do tiro, iria capá-lo. Ótimo.
riu, e esperava que Hannah não notasse a quantidade de sarcasmo e de “eu vou matar você” que aquela risada continha.
- Ela é mais séria, Joh...
- Hannah! – interrompeu-a, virando-se completamente para a amiga. – Quero um sorvete, você viu que há alguns metros tem um...
- Vou comprar para vocês! Assim podem se conhecer melhor. , morango? – Ela assentiu. – John?
- Não quero sorvete, obrigado.
- Ok! Dois morangos. Volto já. Tornem-se melhores amigos!
viu Hannah se afastar o suficiente e tirou o sorriso falso do rosto, virando-se depressa para Hunter, que estalou os lábios, dando os ombros.
- Você tem trinta segundos para me explicar essa palhaçada, Hunter.
- Explicar o quê, ? Você sabe muito bem o que aconteceu. Se te consola: eu não sabia que a que ela falava era você.
- Não me chama de ! Vai acabar se confundindo! – esbravejou, controlando o tom de voz.
- Então não me chame de Hunter. – rebateu, entredentes.
- Argh! – bateu o pé contra a grama. – Por que está fazendo isso?! Você não pode ficar com a Hannah, é perigoso.
- Gosto dela.
- Não seja um mentiroso, imbecil! Não sei por que está com a minha amiga, mas...
- Eu. Gosto. Dela. Qual é o seu problema?! Não é porque estou na Hidra que não posso me apaixonar. Não sou você e o .
engoliu a seco e desviou seus olhares, enquanto inspirava fundo.
Que. Merda. De novo e de novo.
Seus dois mundos estavam cruzando-se novamente, e ela não podia fazer nada para impedir que aquilo se concretizasse. Inadmissível.
Discutir com Hunter – ou John – sendo , naqueles trajes, e tão próxima de Hannah era o cúmulo. Sua cabeça entraria em combustão a qualquer minuto.
- Escuta, Hunter: se você realmente gosta dela como diz, vai se afastar. Não pode trazê-la para... Isso.
Ele riu sem qualquer resquício de humor, enquanto balançava a cabeça.
- Meu nome é John Kayne, trabalho no escritório de Administração do meu pai e fiz um curso de francês com a Hannah. Não há um Hunter, há um John. Sou eu. – deu os ombros. – Você também está na vida dela, não está, ? E a ? Como funciona? Está a colocando tanto nisso quanto eu. Não tem o direito de falar nada. Somos iguais, completamente. Tóxicos, nas mesmas proporções.
Alguns poucos segundos se passaram enquanto continuava observando o rosto do homem, que agora sorria para a namorada que acabara de voltar. Ela não havia visto o tempo passar. Não havia sequer formulado resposta a altura para dar – se é que havia uma. Duvidava que houvesse, no entanto. John estava certo.
Mas ele não precisava saber.
Ela não ficaria com a consciência pesada, não levaria aquilo em consideração.
Fazia dez anos desde que começara a viver com sua dupla identidade, e jamais afetara Hannah. Afinal, e eram pessoas completamente diferentes. Personalidades que viviam no mesmo corpo, mas totalmente distintas.
É.
- Acho que mudei de ideia, linda. Vou comprar um sorvete. – John avisou, acenando para ambas e se retirando.
Hannah entregou o sorvete de , que sorriu em agradecimento. Esperava ter conseguido passar veracidade.
- Amiga, eu...
- Você precisa me contar! Sobre o que falaram? O que achou dele?!
Dessa vez, o sorriso que lhe passou foi sincero.
Talvez, um dos primeiros momentos sinceros que tivera com a amiga, há muito tempo.
- Ele gosta de você.


*


O rock melodioso da banda costumeira do Stroless, o bar que visitava regularmente, tocava para os frequentadores daquela noite de quinta-feira. era um deles. A luz baixa e avermelhada compunha o pequeno ambiente, rodeado pela selecionada escória da humanidade.
Um de seus lugares favoritos no mundo.
Casa, lar. Família.
Os cabelos negros de Susan embrenhavam seus dedos, enquanto o rapaz beijava cada pequeno centímetro de seu pescoço, sentindo-a apertar os braços contra seu corpo, afim de ainda mais contato físico. Ele gostava daquilo. Gostava de estar num bar à noite, acompanhado de uma desconhecida – que logo se tornaria extremamente conhecida –, sem qualquer preocupação ou pensamento senão sobre aonde terminaria as próximas horas. Em seu apartamento? Num motel? Na casa da mulher que estava em seus braços?
- ?
O homem ergueu o rosto, usando seu melhor sorriso malicioso. Ela o imitou, ressaltando ainda mais o repuxar de seus olhos orientais.
- Susan.
- Preciso beber alguma coisa... – sussurrou, mordendo o lábio. As mãos do rapaz estavam por toda parte. – Você me deixa com sede.
- Ah, é? – questionou, sorrindo divertido. Ela virou-se de costas, apoiando-se contra o balcão. A sobrancelha de se arqueou quando a sentiu empinar o quadril em sua direção, provocativa. – E você me deixa com fome. – correu os lábios pela sua nuca, num carinho nada inocente.
- Quer passar num restaurante? – brincou, olhando-o de soslaio.
- Duvido que qualquer outra coisa me satisfaça, senão você.
Susan riu baixo, completamente entregue ao jogo do homem. Ela virou de uma só vez o shot de tequila que o barmen havia colocado no balcão, enquanto ouviu a surpresa de às suas costas.
- Para onde vamos?
- Você escolhe, linda.
Linda.
A frase terminara em seus lábios, mas não em sua mente. A imagem de lhe chamando de lindo imediatamente tomou seus olhos, e ele pigarreou, balançando a cabeça. Ela lhe chamava daquela forma de modo sarcástico, assim como o próprio começara a fazer. Mas por que diabos tinha que lembrar-se daquilo agora?
era uma bruxa, definitivamente.
Até uma palavra comum, havia a tomado para si. A partir daquele dia, teria que encontrar outro elogio para flertar.
A maldita havia se apossado de linda.
Não que fosse mentira, de qualquer forma. Pelo contrário...
- Ei? – Susan lhe deu um selinho, retomando sua atenção. Ele riu, arqueando as sobrancelhas. O que ela havia dito? – Não quer ir para o meu apartamento?
- Por que eu não iri...
Ele não terminou a frase.
De repente, sentiu-se vigiado. Um par de olhos curiosos o observavam pelas costas, não lhe restavam dúvidas. Seus sentidos haviam sido despertos e seu alarme interior reiniciado. Alguma coisa estava errada.
Levou uma das mãos que envolviam o quadril de Susan para o seu próprio, certificando-se de que estava com sua arma. Fosse o que fosse, o azarado da noite não seria ele.
O homem franziu o cenho, e, com cautela, virou ligeiramente o rosto.
Ninguém.
Todos ocupados demais vivendo suas próprias e miseráveis vidas. Que porra era aquela?
- ?! – Susan voltou a chamá-lo, mas a dose de malícia já não fazia parte de seu tom de voz, pelo contrário, parecia impaciente. Ele não a respondeu novamente. – Você tem déficit de atenção?
- O que...? – voltou a encará-la, absorto. voltou a balançar a cabeça, num monólogo interno. – Esquece. Tem alguém olhando para nós?
- Não sei, porque não estou prestando atenção em outra pessoa além de você. Deveria fazer o mesmo. – resmungou.
Novamente, a sensação de estar sendo observado.
A maldita sensação de não ter o controle sob as mãos. De não poder prever o que aconteceria nos momentos seguintes.
Um estranho arrepio correu pelos seus membros, e ele teve certeza de que não teria cabeça para mais nada naquela noite, inclusive para Susan. Quem sabe depois de resolver aquele assunto pendente, procurasse por outra distração. Antes, precisava encontrar o filho da puta azarado que estava lhe incomodando em sua noite livre.
Ah, azarado, definitivamente.
- Avise para o Carlton que eu pago a sua conta. Foi bom estar com você, lind... Susan. – se corrigiu, lhe roubando um rápido beijo.
- Vai me deixar na mão?!
- Tenho um assunto urgente para resolver. – lamentou, dando os ombros. – Não percebeu ninguém nos encarando mesmo, não é? – tentou, uma ultima vez.
- Você é doido?
Sem respondê-la, se afastou, sorrindo. Talvez estivesse certa.
O homem atravessou o bar com os olhos atentos, procurando por algo suspeito. O problema do Stroless, no entanto, era somente um: todos pareciam suspeitos. Com caminhando de modo extremamente suspeito, enquanto mantinha uma das mãos no cós de sua calça, então, era como se todos o encarassem com ameaças veladas. Mal encarados. Ótimo. Descobrir o olhar incisivo de uma pessoa em especial diante todos, seria impossível. Precisava reverter a situação, voltar a se camuflar. Ele inspirou fundo, relaxando a postura; voltou ao bar e pediu uma dose de uísque. Susan, por sorte, já não estava mais por perto.
Alguns poucos minutos se passaram quando voltou a se sentar, segurando seu drink e com uma feição de confusão plantada em seu semblante. E se estivesse louco, realmente? Paranoico? Estava num dos bares menos bem frequentados da Califórnia – uma das vias do inferno, tinha certeza –, ser observado podia ser normal, não era? Um olhar curioso para o cara que estava com uma oriental divina no balcão do bar.
Merda.
Precisava, principalmente, se afastar de . Sua loucura era contagiosa.
Um mínimo sorriso surgiu no canto de seus lábios. A mulher era maluca, e estava o levando junto para seu manicômio pessoal.
Isso era inadmissível.
Ele havia prometido a si mesmo trazê-la, , para o seu inferno pessoal. Assim como fazia com todas as espécies de Lindsays que surgiam em sua frente.
travou o maxilar e apertou o vidro do copo contra os dedos. Estava falhando memoravelmente. O que podia fazer, afinal? era a personificação de tudo o que odiava, mas ... era incomparável. Uma maluca incomparável, claro.
São a mesma pessoa, imbecil.
Seu raciocínio interrompeu-se depressa ao sentir um olhar queimando suas costas novamente.
Ele entrou em alerta, soltando o copo com gestos mínimos. Havia mesmo um maldito o espionando.
Discretamente, o rapaz batucou os dedos na mesa despretensiosamente, e virou-se devagar na direção do centro do bar.
Foi somente por um segundo, mas conseguiu notar o exato momento em que um vulto personificado numa figura masculina passou por seus olhos. Ele entreabriu os lábios em dúvida e passou a andar na direção do tal homem, que corria pelo pequeno aglomerado de pessoas a caminho da saída do Stroless. Sem se importar em ser observado por qualquer outra pessoa ali, buscou a arma no cós de sua calça e a colocou em punho, atravessando com dificuldades por entre as pessoas. Naquela lentidão iria perder o desgraçado.
Quando foi capaz de finalmente ultrapassar as portas da saída foi tarde, como previsto. Um carro esporte de luxo já atravessava a rua em velocidade máxima, cantando pneus.
Porra.
chutou o asfalto em seus pés e ergueu a arma em punho, despejando as balas na direção do carro – que, naquele segundo, já estava longe.
Sensacional.


Capítulo 13 parte II - O Inimigo Mora ao Lado.


O vestido azul royal, em corte reto, com decote profundo e fenda avassaladora modelava o seu corpo perfeitamente. Ela torceu o nariz, enquanto girava os tornozelos, tendo melhor visão de seu reflexo no espelho amplo do provador.
Era bom.
Mas não o suficiente. Não chegava nem perto disso.
precisava de mais; precisava brilhar, se destacar dentre todas. Ser única.
Em dois dias, participaria de sua primeira festa anual com todos os membros da Hidra do país. Pelo que Brooke havia dito, era um evento épico. Por uma noite todos se permitiam tirar suas vestes escuras e desleixadas e as substituí-las por trajes sociais. não apreciara a ideia no inicio, mas enfim repensara e caíra no riso ao imaginar todos de modo sofisticado. Seria hilário.
A loira deu os ombros em sinal de derrota, olhando uma última vez para o vestido em seu corpo e abriu a porta do provador com o objetivo de buscar outra peça.
Seus planos não puderam ser concluídos, entretanto. Ao dar dois passos, se deparou com um par de olhos azuis esverdeados – sua tonalidade favorita, na adolescência – a encarando, embasbacado. Ah, merda. Havia virado costume esbarrar com as pessoas mais inadequadas, nos momentos mais inconvenientes? Aparentemente, sim.
Kurt lhe sorriu surpreso, franzindo o cenho logo em seguida. Seus olhos guiaram-se discretamente para seu corpo, e tornaram-se confusos. fechou os lábios entreabertos anteriormente e repuxou os lábios levemente, voltando a encarar os olhos do outro.
- !?
- Acho que sim.
Ele riu, mas ela apenas voltou a sorrir. Não era uma brincadeira. Esperava realmente que fosse capaz de sustentar de um segundo para o outro.
- Você está encantadora. – afirmou, e ela sentiu um ligeiro frio no estômago. É. . – E sexy!
riu finalmente, desviando seus olhares por alguns segundos.
- É um elogio genuíno, agradeço. – levou as mãos à cintura, numa pose. Ele sorriu divertido. – O que está fazendo aqui, Kurt?
- Ah, minha mãe. – deu os ombros. – Ela pediu que eu viesse buscar um vestido que ela encomendou para o aniversário da vovó, a festa será nesse sábado! E você está mais do que convidada, inclusive. Não seria o primeiro que iria...
Desconforto. Extremo desconforto.
- Acho que serei obrigada a recusar o convite dessa vez. Tenho um compromisso inadiável...
- É claro que tem. – apontou para seu vestido, e ela voltou a sorrir, assentindo. – Será esse o escolhido?
- Mm, definitivamente não. Estava indo até procurar por outro, na verdade.
- Não gostou? Você está surreal! – exclamou. Ela riu, achando graça de sua incredulidade. – Mulheres...
- ... Sempre procurando pelo que lhe satisfaça. E esse não me satisfez. – completou, óbvia. Kurt assentiu, derrotado. – Ali, o que acha daquele branco, no manequim?
- Acho que deveria experimentar. – concordou e sorriu em sua direção. – Quer que eu fique para opinar? Ser filho de uma das maiores estilistas do país pode ter seu lado bom.
- Não precisa Kurt, mesmo. Vou te atrapalhar e... Não sei se é uma boa ideia.
- Ah, qual é, ! Já faz quase dez anos. Eu costumava ser o seu melhor amigo. Não precisa ficar desconfortável comigo, sabe disso, não sabe?
Ela mordeu a parte inferior da bochecha e, após estalar alguns dedos das mãos, por fim assentiu.
- Precisa prometer não me deixar sair da loja com um vestido brega, então.
Ambos riram.
- Eu prometo.

O vestido havia lhe caído perfeitamente.
O branco limpíssimo contrastava com sua pele levemente bronzeada; a peça tomara que caia tinha a dose certa de ingenuidade e o toque perfeito de impureza que necessitava.
A loira sorriu abertamente, erguendo a sobrancelha enquanto assistia o tecido leve cair por sua pele num corte reto, com uma fenda marcante em sua perna direita. Alguns cortes na lateral da peça, na altura das costelas, sobressaíam sua pele, trazendo a sensualidade desejada. Nas costas, o mesmo corte se encontrava, num decote caridoso.
Era simples na medida certa. Suficientemente marcante.
Era aquele.
Decidida, inspirou fundo e abriu a porta do provador, deparando-se com um Kurt sorridente e ligeiramente admirado com sua imagem.
- E então? – questionou, equiparando as palmas das mãos. O rapaz se levantou, aproximando-se, e encarou seus olhos. – Kurt?
- Gostaria de ser o seu acompanhante no baile. – sorriu finalmente, demonstrando estar brincando. Ela riu, abaixando os ombros, deixando a tensão de lado. – Deslumbrante.
- Posso considera-lo aprovado, filho de Joanne Norman?
Kurt não lhe respondeu de imediato.
O homem fechou o sorriso devagar, assumindo uma feição séria, centrada. o imitou, medindo suas reações. O que deveria levar em consideração àquele momento, no entanto, fora suas ações. Uma das mãos do ex-namorado tocou sua cintura nua e alinhou seus corpos, enquanto olhava intensamente para seus lábios. Ela deveria se afastar, mas... Havia algo conhecido e aconchegante no esverdeado de seus olhos que a impedia. A maldita sensação de ter dezesseis anos; de ser uma adolescente qualquer, a capitã do time de líderes de torcida, a garota orgulho da família. A herdeira dos .
Sem marcas ou cicatrizes.
Os lábios de capitão do time – ou Kurt – não demoraram a se unirem-se aos seus. Nostalgia. Era um beijo sutil, genuíno, doce. afagou seus cabelos, e, sentindo uma estranha – e desconhecida, desta vez – sensação atingi-la, se afastou após lhe dar um selinho demorado.
A bolha de 2008 havia se estourado. Eles estavam em 2016.
Não havia sequer mínimo sinal da de dezesseis anos naquele corpo. E ela já deveria saber. Não podia se enganar para sempre. O rapaz havia sido seu primeiro amor... Havia lhe mantido numa bolha protegida por anos, até aquele dia. Ela o amava, o amava com todo seu ser quando mais nova... Mas havia crescido como falara para há semanas. Havia virado uma mulher, e não restara mais uma adolescente apaixonada pelo primeiro namorado.
Kurt abriu os olhos lentamente e sorriu, vendo-a fazer o mesmo – mas sem tanta alegria quanto ele.
- Eu me lembrava disso de outra forma. – o rapaz foi o primeiro a dizer algo.
assentiu enquanto ria, dando um passo para trás.
- Acho que... Talvez seja porque não temos mais dezesseis anos...?
- Sentiu borboletas no estômago? – Ela riu ainda mais, chamando a atenção de algumas clientes na loja. – Ah, sentiu sim. Pode confessar: o Kurt de vinte e quatro é melhor.
- Ele é. – a loira cessou o volume das risadas, substituindo-a por um sorriso singelo. – Eu só não sei se a é. Sequer sei se sou a mesma.
O homem franziu o cenho, expondo sua confusão. por um segundo parecia estar em outra dimensão, num universo paralelo.
- Por que diz isso?
Na mesma velocidade com que se foi, pareceu voltar à terra. Ela voltou a olhá-lo e sorriu imediatamente, divertida.
- Não é óbvio? Não seguro mais pompons.
- E nem eu uma bola de futebol americano. – riu, chegando à sua linha de raciocínio. – É, . Acho que não é nessa vida que você será a minha alma-gêmea.
- Sinto muito por você, Kurt... – brincou, prepotente. Ambos riram.
- Meu beijo não foi tão ruim assim, foi?
- Nunca. – sorriu doce, beijando sua bochecha. – Acho que, no mínimo, esclarecedor. Nostálgico...
- Senti sua falta. Oito anos desconfortáveis com sua melhor amiga não são os melhores anos de uma vida. – riu e o abraçou com força, beijando mais uma vez o seu rosto. Continuava sentindo certo frio na barriga por estar tão próxima, mas... Finalmente havia compreendido. Kurt seria o par perfeito para ... Mas já não mais existia. – E, ah, o vestido está aprovado. Está linda.
- Achei que nunca diria isso. – sorriu satisfeita, presunçosa. Ele riu alto. – Vou me trocar. Eu pago o jantar, me espere.


*


O pôr-do-sol havia dado lugar à lua, que aquela noite parecia querer a majestade somente para si. estava pronta para competir à altura, no entanto. Equilibrando-se em seus saltos dourados, moldando o vestido branco recém-comprado em suas curvas, e com um sorriso cheio de intenções no rosto, não lhe restavam dúvidas de que a lua não lhe roubaria o brilho.
Os cabelos longos estavam soltos, lisos, e caíam sob suas costas – cobrindo ligeiramente o generoso decote. A maquiagem leve, porém marcante, acentuava seus pontos fortes, trazendo um iluminado sútil. Dois braceletes dourados eram os únicos acessórios que compunham seu visual.
Avassaladora, como planejara.
O carro de Brooke não demorou a se aproximar da calçada onde aguardava sua carona, há alguns minutos. A morena abaixou o vidro do banco do carona e lhe olhou com uma boa carga de malícia, antes de brincar:
- Quanto é a hora com você, sua linda?
riu, entrando na brincadeira, ao mesmo tempo em que se curvava sobre a janela.
- Para você é de graça.
- O que você faz?
- Um 69 exemplar. Satisfação extrema ou seu dinheiro de volta, com juros.
- Amei. Entra. – destravou a porta, ouvindo a gargalhada da amiga, que não se demorou a entrar no carro. – Hoje é realmente o dia anual do piu-piu duro. E olha que nem tenho um! Está linda, !
- Também está, B. – sorriu, enquanto analisava o vestido vermelho da outra. O tecido pesado, com decote coração, caía como uma luva para seu corpo e personalidade. O cabelo estava preso num coque alto, trazendo-lhe um ar sofisticado nunca visto. – Então quer dizer que realmente é uma festa de gala. Na Hidra. Isso é tão divertido!
- E mais: todos os contribuintes do país vêm para essa festa. É insano, eu juro.
- Mm... Parece entediante quando você diz isso. Imagino engravatados machistas e mulheres metidas reparando se o champanhe não está na temperatura certa. – torceu o nariz. – Podemos ir para a pior boate da cidade depois?
Brooke gargalhou, acelerando o veículo ao checar a estrada praticamente vazia.
- Desde quando roupa é sinônimo de personalidade, ? Somos todos podres por dentro, não é uma gravata ou um vestido longo que irá mudar isso. Te asseguro que todos estarão com suas armas no coldre e bebendo o máximo de álcool que puderem. – a loira entreabriu os lábios para responder, mas Brooke continuou: - É óbvio que alguns dos colaboradores são imbecis fantasiados de pinguim, querem seu uísque perfeitamente servido e música clássica. Mas... Bem, somos a maioria. Algo me diz que eu, você, e Hunter somos capazes de levar a festa abaixo.
- Outch. – resmungou, inclinando-se sobre o banco. – Hunter.
- Ah... Aquilo sobre a tal namorada dele, não é? É a sua... Amiga da . – corrigiu-se rapidamente. assentiu, estalando os lábios.
- Que se foda, também. – deu os ombros, virando o rosto para o da outra. – estará todo formal também? – um mínimo sorriso nada casto se alastrou em seu rosto. Brooke balançou a cabeça, rindo.
- Sem gravata; ele detesta. E... Essa fixação pelo é no mínimo engraçada, . Qual será a de vocês?
- Sexo. – respondeu sem hesitar. – Ele é um insuportável por boa parte do tempo, mas... Aquele homem tem algo.
- Um pau grande.
gargalhou, apontando para a morena.
- Também! E aquelas mãos... A boca. Ele é um pecado em forma humana, não posso evitar. expele testosterona e, e eu, desejo. Somos a dupla perfeita.
- E ainda não transaram! Qual é o problema de vocês?
- Ele é um insuportável por boa parte do tempo, como disse. – retrucou, rindo. – Acho que é por causa... da . E sobre a mulher que o traumatizou, não sei. Você sabe algo sobre ela?
- Lindsay. – disse, encarando a estrada à frente. Estavam próximas do local. – É tudo o que sei. Isso, e, claro, o trauma que causou. Ele é incapaz de se apaixonar, acredite em mim.
- Outra semelhança! Somos a dupla perfeita, definitivamente. – sorriu brincalhona. – Mas... Você diz que ele é incapaz de se apaixonar novamente, e vocês namoraram...
- Eu me apaixonei por ele no inicio, mas, bem, não era recíproco. Ele gostava de mim, me curtia, no entanto... Não chegava a ser paixão. Quanto mais amor.
- Foi por isso que terminaram, não é? Você disse naquele dia da sinuca...
- Uma boa parte, confesso. – sorriu divertida, olhando-a de soslaio. – Mas também porque cansamos um do outro. Você não imagina o quão entediante pode ser transar com a mesma pessoa todos os dias!
- E nem quero descobrir! – gargalhou, passando os dedos entre os fios de cabelo. – Oito bilhões de pessoas no mundo e escolher uma só para fazer sexo? Ah, por favor. Quanto egoísmo!
Brooke gargalhou enquanto estacionava o carro. Aquela mulher não podia ser real.
- Você deve ser como aquelas estrelas raras, , não é possível. Só nasce uma a cada mil anos! Qual foi a última?
- Eu. – brincou, presunçosa. – Talvez Afrodite, mas ela não era bem uma estrela...
- Meu Deus! – virou-se completamente para a loira, que ria. Adorava brincar daquela forma. – Vamos filha de Afrodite, seus seguidores lhe esperam.
continuou rindo enquanto via a amiga sair do carro. Ela voltou a olhar para frente, e quando seus olhos focaram a mansão extremamente refinada, sua risada cessou brevemente, sendo substituída por um olhar perverso e um sorriso malvado.
É. Seria divertido.

Engravatados, vestidos longos, lustres magistrais, música aconchegante, aperitivos sofisticados e bar regado a bebidas exorbitantemente caras. torceu o nariz imediatamente, contrariada a qualquer que fosse a ideia que aquela recepção tinha como objetivo. Mesmo que fosse somente uma simples reunião anual.
Era entediante.
A mulher guiou-se ao bar, e, sem pestanejar, virou a primeira dose de liquido dourado que encontrou; apostava em tequila. Ela bufou, enquanto apoiava os cotovelos sobre o balcão e olhava ao redor do salão rodeado pelo mais variado tipo de gente. Todos igualmente insuportáveis, aparentemente.
A melodia conceitual voltou a ocupar seus ouvidos e involuntariamente a loira rolou os olhos. Precisava de algo que não lhe fizesse dormir nos primeiros dez minutos de recepção.
Mais a frente, conversando com Mason, ela pôde avistar . Um singelo sorriso cheio de intenções repuxou seus lábios e, quando estava prestes a dar o primeiro passo na direção da distração para toda a chateação de sua noite, sentiu uma mão segurar seu braço, impedindo-a de continuar.
Ao virar para ver quem havia sido o corajoso a importuna-la, sentiu o rosto tomar uma tonalidade pálida, e o coração acelerar-se quase que de imediato.
- Ora, ora, quem temos aqui... Aliás, quem temos aqui? ou ?
Caleb.
Seu último namorado, e também um dos principais responsáveis para que ela se tornasse quem era.
O filho da puta que contribuiu para sua devastação pessoal.
Quem lhe apresentara o mundo obscuro por trás das enumeras regras e leis da família .
Quem terminara o trabalho; quem terminara de destruí-la.


Continua...



Nota da autora: (10.10.2017) Oie meus amores! Quanto tempo, hein? Sei que falhei (bastante) com vocês aqui na versão interativa, então peço sinceras desculpas por isso. Vou tentar (mesmo) aumentar o número de atualizações por aqui! <3
Mas me contem, contem tudinho sobre essa atualização praticamente tripla, socorro! Lembrando que quanto mais animadas vocês ficam, mais eu me torno. Ou seja = att mais rápida! Pode parecer balela, mas juro que é a verdade. <3
Ahh! E a quem interessar, criei uma playlist para a história no Spotify! Sempre ouço para escrever, e todas as músicas têm algo que me lembra DI. <3 Aqui está o link: https://open.spotify.com/user/12145299997/playlist/1KqB6fsPOt4JHh4e3jHh3k (Mas é provável que vocês não consigam clicar, então é só pesquisar pelo meu usuário – Ana Mércia – e o nome da playlist é Hidra!) Espero que gostem e cuidem com muito carinho dos meus xodós! HAHAHAH.
Um super beijo e até o próximo capítulo, coisas lindas. <3


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