Eletric Touch

Última atualização: 17/08/2025

Primeiro Capítulo


Yoongi bateu as pontas dos dedos na mesa de acordo com o ritmo das batidas da música, tentando encontrar onde ele poderia ter errado, mesmo que os outros produtores e os próprios membros do TXT tenham dito a ele que tudo estava perfeito. Ele inclinou a cabeça para um lado, os olhos fixos na tela do computador enquanto analisava cada detalhe da faixa pela vigésima vez naquela manhã.

Cada batida, cada nota… Ele sentia que algo poderia ser melhorado. Talvez a transição entre o refrão e o verso estivesse um pouco brusca? Ou talvez o sintetizador estivesse muito alto na segunda estrofe? Ele apertou o fone de ouvido com mais força contra as orelhas, isolando-se completamente do ambiente ao redor, até que o som da própria respiração se misturasse ao ritmo da música.

O mundo lá fora não existia quando ele trabalhava. Havia apenas ele e a música. Cada pequena imperfeição parecia gritar em sua mente, como se estivesse desafiando sua habilidade. Mesmo quando todos ao seu redor garantiam que estava perfeito, Yoongi sabia que não era o suficiente. Não ainda.

Ele se recostou na cadeira, os dedos movendo-se rapidamente sobre o teclado enquanto ajustava a equalização pela centésima vez. “Perfeito” para os outros não significava "perfeito" para ele. O som tinha que ser exato, cada frequência ajustada ao ponto de ser imperceptível para qualquer ouvido comum, mas para Yoongi… Ele sempre ouviria as falhas.

Sua testa franziu enquanto ele voltava a repetir os segundos finais da faixa. Nada escapava ao seu ouvido atento, como se ele estivesse à caça de um erro invisível. Perder-se no trabalho era seu modo de operar, uma mistura de paixão e obsessão.

Yoongi sabia que o sucesso não vinha apenas de talento, mas de uma atenção meticulosa ao detalhe. Afinal, era assim que ele havia chegado tão longe.

E enquanto muitos teriam aceitado o “perfeito” dos outros, ele sempre procuraria mais. Porque no mundo de Yoongi, havia sempre espaço para melhorar.

Ele tirou os fones com um suspiro pesado, os músculos do pescoço e ombros enrijecidos após horas na mesma posição. Olhou rapidamente para o relógio no canto da tela. Já passava das três da tarde, mas ele nem notara o tempo passando. Na verdade, mal lembrava da última vez que tinha comido alguma coisa. Com os olhos cansados, ele se levantou lentamente da cadeira e caminhou até a janela do estúdio, abrindo-a para deixar um pouco de ar fresco entrar.

A visão da cidade de Seul se estendia diante dele, movimentada, agitada — o completo oposto do silêncio interno em que ele costumava se trancar quando estava no estúdio. A luz do sol filtrava-se suavemente pelos prédios altos, mas Yoongi sabia que não teria muito tempo para apreciar aquilo. Sua mente já voltava para a música. O som do refrão ecoava na cabeça como um loop constante, como se a música não o deixasse descansar.

Seu celular vibrou na mesa. Ele o pegou, sem tirar os olhos do arranjo que ainda analisava mentalmente. Uma mensagem de Jimin:
“Ei, você vai almoçar hoje ou está planejando viver só de café?”
Yoongi olhou para a pilha de copos descartáveis ao lado do computador e soltou um riso curto. Café era, de fato, seu combustível. Ele rapidamente respondeu que estava tudo bem, mas sabia que Jimin não aceitaria essa resposta facilmente. Seus amigos o conheciam bem demais para acreditar que ele estava se cuidando como deveria.

Depois de jogar o celular de lado, voltou para a mesa, mas antes que pudesse apertar o play mais uma vez, seu estômago deu um leve protesto. Relutante, ele sabia que precisava de uma pausa.

No refeitório da empresa, ele caminhou com a cabeça baixa, cumprimentando rapidamente os outros funcionários com quem cruzava, mas sem realmente notar os rostos. Pegou um prato qualquer, distraído, enquanto os pensamentos sobre a música voltavam como um zumbido incessante.

Sentado sozinho em uma das mesas, Yoongi mal prestou atenção na comida que levava à boca. Seu foco estava, mais uma vez, no arquivo mental da música que insistia em tocar na sua cabeça. Ele revisava mentalmente cada camada de som, até que sua fome fosse substituída novamente pela necessidade de ajustar mais um detalhe.

De volta ao estúdio, Yoongi fez uma pausa ao abrir a porta. O cheiro familiar de café velho e equipamentos eletrônicos o recebeu, mas o som do silêncio absoluto era o que mais o acalmava. O estúdio era seu santuário, o lugar onde o caos da cidade não conseguia alcançá-lo. Aqui, ele controlava tudo. Ou, pelo menos, tentava.

Enquanto se sentava novamente, ele colocou os fones de ouvido e fechou os olhos por um momento, respirando fundo. O trabalho não era apenas sua profissão, era sua válvula de escape, sua obsessão. Ali, entre as camadas de batidas e acordes, ele encontrava um estranho tipo de paz — mesmo que, para chegar lá, tivesse que repetir o mesmo som mil vezes.

Ele sabia que o dia ainda estava longe de terminar. E embora a perfeição fosse sempre um objetivo inalcançável, Yoongi não descansaria até chegar o mais perto possível dela.

***


Whee-in caminhava apressada pelas movimentadas ruas de Seul, equilibrando algumas pastas debaixo do braço enquanto segurava o celular com a outra mão. O sol da tarde brilhava forte, mas ela estava mais preocupada em atravessar o cruzamento antes que o semáforo fechasse do que com o calor que sentia no rosto.

“Você conseguiu falar com o cliente?” — a voz de , sua sócia e melhor amiga, ecoava pelo fone. Ela soava levemente estressada, mas isso não era novidade. As duas estavam envolvidas em um caso complicado que parecia se arrastar há semanas.

Sim, acabei de sair da reunião com ele.” — Whee-in respondeu, ajustando as pastas debaixo do braço— “Ele está nervoso, mas eu consegui acalmá-lo. Quer revisar as alterações no contrato antes de mandarmos para o outro lado?”
soltou um suspiro do outro lado da linha.

“Claro, vou passar no escritório daqui a pouco. Não sei como você consegue lidar com esse tipo de cliente. Ele me dá dor de cabeça só de pensar.”
Whee-in sorriu, reconhecendo o tom de exasperação da amiga. Apesar de tudo, elas formavam uma boa equipe. Enquanto era mais direta e prática, Whee-in tinha o talento de suavizar as situações, mantendo os clientes mais calmos mesmo nas circunstâncias mais tensas.

“Alguém tem que manter a paz,” — Whee-in brincou, tentando aliviar um pouco o estresse que sentia — “Você lida com os números, eu lido com os nervos.”
Elas riram juntas, mas Whee-in sabia que não havia muito tempo para relaxar. O dia ainda estava longe de acabar, e o trabalho parecia se multiplicar a cada hora. Ela desviou rapidamente de um grupo de turistas que tirava fotos da rua, o som de câmeras e conversas em diversas línguas a cercando. Seul estava em seu ritmo frenético usual, mas Whee-in já havia se acostumado com isso.

Ela olhou para as pastas em seu braço, lembrando-se das reuniões e revisões que ainda tinha pela frente. O caso que estavam lidando poderia definir a reputação do escritório. Não era o tipo de pressão que qualquer pessoa suportaria, mas Whee-in sempre gostou de desafios. Era como se o caos ao seu redor a impulsionasse a ser melhor, a seguir em frente mesmo quando tudo parecia estar no limite.

“Vou te encontrar no escritório em vinte minutos,” — disse ela, olhando para o relógio rapidamente — “Preciso parar na cafeteria antes, estou morrendo de fome.”
“Boa ideia, traz um café para mim também.” pediu com um tom mais leve agora, sabendo que ambas estavam precisando de uma pausa.

“Fechado, até já.”
Whee-in desligou e, com um suspiro, mudou o celular de mão enquanto seguia em direção à cafeteria. O barulho das ruas de Seul misturava-se ao som dos pensamentos que ela tentava organizar. Para muitos, sua vida de advogada pareceria sufocante, mas Whee-in tinha encontrado um estranho tipo de liberdade nisso. O equilíbrio entre as responsabilidades e a amizade com mantinha as coisas mais leves, mesmo nos dias mais difíceis.

Ela sabia que o trabalho não terminaria quando chegasse ao escritório, mas, por ora, ela se permitiria uma pausa. Havia algo reconfortante em andar pelas ruas agitadas de Seul, onde ninguém a conhecia e onde ela podia, por alguns minutos, apenas ser mais uma entre milhares.

Sentada em uma das mesas ao fundo da cafeteria, Whee-in finalmente largou as pastas ao lado da cadeira e soltou um suspiro de alívio. O aroma de café fresco misturava-se ao cheiro doce dos pães recém-assados, criando um contraste bem-vindo ao caos da manhã que ela havia enfrentado. Apesar do ambiente acolhedor e tranquilo, sua mente não parava.

Ela deslizou o dedo pela tela do celular, o olhar fixo nos e-mails que continuavam a se acumular. Seu cappuccino estava à sua frente, a espuma ainda intocada, enquanto ela rapidamente digitava uma resposta para um cliente. Cada mensagem parecia exigir uma urgência que Whee-in já estava acostumada a lidar, mas a sensação constante de que não havia horas suficientes no dia para tudo sempre a incomodava.

O barista chamou seu nome, interrompendo seu fluxo de pensamento por um segundo. Ela se levantou para pegar o pedido: um croissant de queijo e presunto, algo rápido e fácil, perfeito para uma manhã corrida como aquela. Ao voltar para a mesa, mal se sentou antes de abrir outro e-mail. O visor do celular brilhava com notificações, e ela sabia que precisaria de mais do que uma pausa para dar conta de tudo.

Enquanto dava uma primeira mordida no croissant, Whee-in voltou sua atenção para uma mensagem de um cliente ansioso sobre um contrato de compra de imóveis. Seus dedos se moviam ágeis pelo teclado, respondendo cada pergunta com precisão.
“Bom dia, Sr. Park, revisamos todos os pontos discutidos na última reunião e fizemos os ajustes solicitados. Vou agendar um encontro para assinarmos os documentos assim que possível. Qualquer dúvida, estou à disposição."

Ela pausou por um momento para tomar um gole do cappuccino, sentindo o calor suave se espalhar pela garganta. A doçura da espuma misturada com o amargor do café era um pequeno conforto, uma espécie de calmaria temporária no meio da tempestade de responsabilidades que tinha para o resto do dia.

Em seguida, respondeu a uma série de mensagens rápidas de , sobre os contratos pendentes, e organizou mentalmente sua agenda. As horas já estavam preenchidas com reuniões e revisões de documentos, mas ela sabia que algo inesperado sempre surgiria.

Enquanto o barulho de conversas suaves e máquinas de café ao fundo preenchia o ambiente, Whee-in aproveitou o breve momento de pausa. Era nessas pequenas paradas que ela conseguia respirar, mesmo que por alguns minutos, e relembrar que havia vida além dos processos e dos clientes. Claro, logo a realidade a chamaria de volta, mas, por enquanto, ela permitiu a si mesma alguns minutos de paz antes de mergulhar novamente no turbilhão do dia.

Ela olhou para o relógio. Ainda tinha quinze minutos até voltar para o escritório. Tempo o suficiente para finalizar os e-mails mais urgentes e, talvez, desfrutar de mais um gole de café antes que sua rotina começasse a puxá-la de volta para o caos.

***


Depois de horas trancado na sala de estúdio, Yoongi finalmente parou para respirar. O som contínuo das batidas ecoava pela sala, mas ele já não conseguia distinguir o que estava certo ou errado. Seus olhos pesavam, e a sensação de cansaço começava a tomar conta do corpo, mas ele simplesmente não conseguia desligar. Havia sempre algo a melhorar, algum detalhe a refinar.

Ele desligou o computador por um instante, permitindo que o silêncio tomasse conta do espaço. O vazio do estúdio, sem música, parecia quase opressor. Yoongi girou a cadeira de escritório e ficou observando as paredes repletas de prêmios, álbuns e fotos com artistas de renome, lembrando-se do caminho que percorreu para chegar ali. Ainda assim, a satisfação pelo sucesso nunca era suficiente para fazê-lo parar. O perfeccionismo constante era tanto uma bênção quanto uma maldição.

Seu celular vibrou em cima da mesa, tirando-o de seus pensamentos. Ele pegou o aparelho e viu uma notificação de e-mail da gravadora, pedindo aprovação para uma agenda de reuniões com artistas para a próxima semana. Além disso, havia uma mensagem do CEO, mencionando uma possível colaboração internacional, algo que vinha sendo discutido há meses.

— É claro que isso cai nas minhas mãos agora… — Ele murmurou para si mesmo, enquanto deslizava o dedo na tela para responder.

Apesar de o estresse ser constante, Yoongi lidava com a pressão melhor do que muitos ao seu redor. Ele sabia que as decisões passavam por ele, e que o sucesso de muitos projetos dependia do seu toque final. Uma responsabilidade que ele não se permitia delegar, mesmo quando sabia que deveria.

Levantou-se e esticou os braços, olhando para o relógio na parede. Ainda era meio da tarde, e ele tinha algumas reuniões marcadas com trainees mais tarde, onde deveria dar feedback sobre os trabalhos deles. Mas antes, precisava de um café.

Ele saiu da sala de estúdio e caminhou pelos corredores da gravadora, onde o movimento constante de produtores, trainees e artistas mais veteranos preenchia o ambiente. Todos pareciam estar em sua própria bolha de atividade, e Yoongi, apesar de ser uma figura central ali, apreciava a forma como conseguia passar despercebido no meio da correria.

Parou na pequena cafeteria do prédio, uma que ele frequentava regularmente. O barista já o conhecia bem e, sem precisar perguntar, preparou seu café habitual. Um expresso duplo, forte e amargo, assim como ele gostava.

Enquanto esperava, Yoongi abriu o bloco de notas no celular e começou a rabiscar algumas ideias que surgiam em sua mente. Mesmo durante pequenos intervalos, ele sempre estava trabalhando, sempre pensando em como poderia transformar a próxima batida ou melodia em algo memorável. A música nunca realmente parava para ele.

Quando o café ficou pronto, ele pegou o copo e voltou para sua mesa, passando pelos corredores novamente com a mente já voltada para o próximo projeto. Ele sabia que o dia ainda estava longe de terminar. Havia sempre mais uma coisa a fazer, mais uma batida a ajustar, mais uma reunião a comparecer.

***


Depois de finalizar os e-mails e terminar seu cappuccino, Whee-in se levantou, guardando o celular na bolsa e pegando as pastas que estavam ao seu lado. Com passos rápidos, deixou a cafeteria e seguiu pelas ruas movimentadas de Seul. As pessoas passavam apressadas ao seu redor, e ela se misturava ao fluxo sem dificuldade. Embora as manhãs fossem sempre corridas, Whee-in estava acostumada a lidar com o ritmo frenético da cidade.

No escritório, o ambiente era tão dinâmico quanto as ruas lá fora. Assim que chegou, foi recebida por sua assistente com uma pilha de documentos para revisar. Whee-in passou direto para sua sala, já mentalmente se preparando para as próximas horas de trabalho. Ela tinha uma reunião importante marcada com um cliente potencial, e cada detalhe do contrato precisava estar perfeito.

Sentada à sua mesa, ela começou a revisar a papelada com cuidado, suas anotações detalhadas à medida que ia identificando pontos que precisavam de ajustes. Havia uma precisão quase cirúrgica em como Whee-in trabalhava — cada cláusula era lida, relida e ajustada, até que fizesse sentido dentro do que o cliente e a empresa precisavam.

Enquanto seus olhos percorriam os documentos, seu telefone tocou novamente, e ela não se surpreendeu ao ver o nome de piscando na tela. Sem hesitar, atendeu.

"Me diga que já revisou os contratos para o caso da Samjong?" — disse , sem rodeios. A voz dela era firme, mas Whee-in sabia que a pressa não vinha de nervosismo, mas da eficiência com que a amiga lidava com os negócios.

"Estou quase terminando. Vou te enviar os arquivos em alguns minutos. Fica tranquila." — Whee-in respondeu, equilibrando o telefone entre o ombro e a orelha enquanto fazia anotações em um dos documentos.

"Sem pressa, mas o cliente quer tudo para amanhã de manhã, então... pressa," riu do outro lado da linha.

Whee-in soltou um pequeno suspiro, mas não reclamou. Sabia que faziam parte do trabalho essas demandas urgentes.

“Deixe comigo, a gente dá conta. Só preciso de mais um pouco de café."

Desligando o telefone, Whee-in voltou sua atenção completamente para os contratos. O tempo parecia desaparecer quando ela mergulhava nos documentos, absorvida pela responsabilidade de garantir que tudo estivesse em ordem. A atenção aos detalhes que ela dedicava era um dos motivos pelos quais sua carreira florescia tão rapidamente — clientes confiavam nela por isso, e ela nunca os decepcionava.

Depois de quase uma hora de revisão meticulosa, Whee-in finalmente enviou os contratos para com uma breve mensagem:

"Tudo certo aqui. Vamos fechar esse negócio."
Ela se recostou na cadeira, olhando para as horas no relógio. Ainda restavam várias reuniões e consultas para o resto do dia, mas Whee-in sabia que estava preparada. Pegou um instante para olhar pela janela, observando o movimento de Seul lá embaixo, e respirou fundo. Ainda havia muito a ser feito, mas ela sempre encontrava força em saber que cada caso que passava por suas mãos recebia sua dedicação total.

Mais uma notificação apareceu no celular, desta vez lembrando-a da reunião com um novo cliente em uma hora. Ela se levantou, ajeitou o blazer e pegou a pasta correspondente, pronta para mais um desafio.

***


Yoongi olhou para o relógio no canto da tela do computador. Já passava das oito da noite, e ele estava no estúdio desde a manhã. Seus olhos ardiam e o corpo começava a dar sinais de que precisava de descanso, mas, como sempre, ele resistia à ideia de parar. Ainda havia uma batida que não soava do jeito que ele queria. Mais alguns ajustes e ele estaria satisfeito. Ou pelo menos era o que ele se convencia a pensar.

Enquanto ajustava os níveis de uma das faixas, o som de risadas no corredor chamou sua atenção. Ele tentou ignorar, mas a porta do estúdio se abriu, e Jimin, sorrindo de orelha a orelha, entrou sem cerimônia, seguido por Hoseok e Namjoon.

— Yoongi-hyung, você está trancado aqui desde quando? Ontem?— Jimin provocou, com uma expressão brincalhona enquanto se encostava na mesa de som.

Yoongi deu um suspiro exasperado, sem sequer tirar os fones.

— Estou terminando algo. Vocês não têm nada melhor para fazer?

— Hyung, você precisa de um descanso. — Namjoon acrescentou, cruzando os braços — Nós todos precisamos, na verdade. Já faz tempo que não saímos juntos.

Hoseok se aproximou, inclinando-se sobre a mesa de Yoongi para ver o que ele estava fazendo.

— Cara, isso aqui já tá perfeito. Vamos sair, tomar uma bebida. Só uma noite de folga.

Yoongi tirou os fones e esfregou o rosto com as mãos. Ele sabia que estava exausto, mas a ideia de deixar o trabalho de lado o incomodava.

— Eu estou ocupado, vocês sabem como é.

— Você sempre está ocupado, hyung… — Jimin insistiu, empurrando levemente o ombro de Yoongi — Mas o mundo não vai acabar se você sair por algumas horas. É só uma volta pela cidade, nada demais. E depois você pode voltar e terminar tudo amanhã.

Yoongi lançou um olhar para os amigos, todos esperando por sua resposta. Ele sabia que, mesmo exausto, Jimin não ia desistir até que o convencessem. Hoseok e Namjoon o observavam, cúmplices. No fundo, Yoongi sabia que eles tinham razão — ele precisava de uma pausa.

— Vocês não vão desistir, né? — Ele perguntou, sabendo a resposta.

— Nem pensar! — Jimin riu — Estamos te sequestrando hoje, quer você queira ou não.

— Eu estou no carro, esperando. – Hoseok acrescentou, já começando a sair da sala, claramente confiante de que Yoongi iria ceder.

Yoongi suspirou novamente, mas desta vez com uma pontada de resignação.

—Tá bom, tá bom. Me dêem só cinco minutos.

Enquanto ele desligava o computador e guardava alguns papéis, Namjoon deu um sorriso satisfeito.

— Finalmente. Vamos relaxar um pouco, hyung. Você merece.

Poucos minutos depois, Yoongi saiu do estúdio com Jimin ao seu lado, caminhando pelos corredores da gravadora com a sensação estranha de que estava deixando algo inacabado. Mas, ao mesmo tempo, a ideia de desligar por algumas horas e se perder pela noite em Seul com os amigos parecia menos incômoda do que antes.

— Então, pra onde vamos? — Yoongi perguntou enquanto eles entravam no carro, onde Hoseok já esperava no banco do motorista.

— Tem um bar novo que abriram perto de Hongdae… — Jimin respondeu animadamente — Achei que podíamos ir lá, tomar uns drinques, quem sabe até ouvir uma boa música ao vivo.

Yoongi deu de ombros.

— Tudo bem, mas só por algumas horas.

Namjoon riu.

— É o que todos dizem no início, hyung.

O carro começou a andar pelas ruas iluminadas de Seul, enquanto Yoongi se permitia, pela primeira vez em muito tempo, relaxar na companhia dos amigos. Ele ainda pensava nas batidas inacabadas, mas uma noite de folga — só uma noite — parecia uma boa ideia.

***


Whee-in caminhava pelas ruas movimentadas de Hongdae, tentando acompanhar o ritmo das amigas, mas cada passo parecia mais difícil. Os saltos altos, que ela tinha escolhido na pressa antes de sair de casa, agora pareciam uma péssima ideia. O vento frio da noite também começava a cortar sua pele, e ela encolheu os ombros, cruzando os braços na tentativa de se aquecer.

— Por que eu insisti nesses sapatos? E outra, eu estou congelando… — Ela murmurou, tentando manter o equilíbrio nos paralelepípedos enquanto e sua outra amiga, , uma advogada inglesa que tinha se mudado para Seul há alguns anos, andavam à sua frente, rindo e conversando animadamente.

olhou por cima do ombro e deu uma risada leve.

— Whee-in, por que você colocou esses saltos? Sabe que a gente vai andar muito hoje!

— Porque eu sou uma advogada respeitável, e advogadas respeitáveis usam saltos altos! — Whee-in resmungou, embora soubesse que a decisão tinha sido mais por impulso do que por lógica.

, com seu sotaque inglês ainda evidente, virou-se e olhou para ela com um sorriso travesso.

— Respeitável ou não, você está reclamando desde que saímos do seu prédio. Devia ter trazido uma jaqueta mais grossa também. Esse frio está só começando.

Whee-in suspirou e deu um sorriso cansado.

— Vocês estão certas. Mas o que eu posso fazer agora, além de sofrer?

balançou a cabeça, divertindo-se.

— Aproveita a noite, vamos beber algo quente e logo você esquece o frio e os saltos.

As três continuaram andando pelas ruas movimentadas, as luzes de neon e os letreiros brilhantes de Hongdae criando uma atmosfera vibrante ao redor. Grupos de pessoas riam e conversavam, a música alta saía de bares e cafés lotados. Whee-in tentou se concentrar em aproveitar a companhia das amigas, mas não podia evitar o incômodo dos saltos e do frio cortante.

Enquanto passavam por uma esquina mais lotada, Whee-in estava distraída, olhando para as vitrines de lojas, quando sentiu um impacto forte. Alguém havia esbarrado nela com força suficiente para fazê-la perder o equilíbrio. Por reflexo, ela segurou a pessoa que a tinha esbarrado, antes de murmurar rapidamente:

— Ah, desculpa, eu estava…

Ela parou no meio da frase ao levantar os olhos. O homem à sua frente também havia parado, olhando diretamente para ela, e por um segundo, o barulho das ruas, das conversas e dos carros ao redor pareceu diminuir. Whee-in congelou. Aquele rosto, mesmo depois de tantos anos, ainda era familiar demais. Os traços levemente mais maduros, o olhar ainda intenso... Era impossível confundir.

— Yoongi? — O nome saiu de sua boca antes que ela pudesse sequer pensar.

Ele piscou, como se também estivesse se dando conta de quem estava à sua frente. O choque estava estampado em seus olhos, mas foi rapidamente seguido por uma mistura de surpresa e algo que Whee-in não conseguia identificar completamente. Reconhecimento, sim, mas também uma nostalgia amarga, como se estivesse encarando um fantasma do passado.

— Whee-in? — A voz dele soou quase incrédula, mas havia um calor ali, uma lembrança que ela não conseguia ignorar.

Por um breve momento, o tempo parecia ter voltado. Mesmo com os anos que se passaram, mesmo com as vidas completamente diferentes que seguiam agora, aquele instante os conectava novamente. Os sentimentos de amizade e carinho, talvez algo mais, estavam ali, enterrados, mas nunca realmente esquecidos.

Ambos ficaram imóveis, observando um ao outro, enquanto o caos da rua seguia normalmente ao redor. e , percebendo a mudança de expressão de Whee-in, pararam logo atrás, silenciosas, captando a tensão no ar.

A sensação de algo inacabado, de algo perdido e reencontrado, pairava entre eles. E nenhum dos dois parecia saber como quebrar aquele momento.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.
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