Enquanto eu dormia

Última atualização: 03/02/2019

Prologue

NÃO, NÃO. NÃO, NÃO!
Eu repetia em minha mente enquanto olhava todos os cacos de vidros em cima do caro palitó do cliente em minha frente.
Simplesmente eu não poderia perder este emprego, mais esse não!
Não que eu fosse preguiçosa ou odiasse meus empregos, na verdade eu não durava neles tempo suficiente para desenvolver sentimentos. Mas eu tenho certeza que há alguma força por aí que não possa ver um copo em cima de uma bandeja sendo carregado para a cozinha e não pense ''seria ótimo se ela se desequilibrasse por um pé no meio do caminho e esse copo caísse em cima de alguém''. Essa era a ÚNICA explicação para aquilo.
Eu era um desastre em pessoa e eu havia descoberto isso não por ter acabado de quebrar um copo de cristal na cabeça desse rapaz, ou pela vez em que eu coloquei fogo na cozinha do último restaurante em que trabalhei, ou quando tingi de preto todas as roupas de cama do hotel em que fui contratada, pois eu pensei que fosse o amaciante. Também teve aquela vez que...
Okay, vocês já entenderam do que se trata. Agora eu estava ali, no meio dessa loja de móveis chiques torcendo para que todas as entidades possam me ajudar a não perder esse emprego.
Não que ele me pague muita coisa, mas já é o suficiente para pagar a conta de água da pousada que minha família cuida.
Outro problema, estamos para ser despejados por não conseguir pagar a hipoteca da pousada, já que durante cinco anos só temos a Dona Luana como inquilina.
Não que mamãe não ajude, longe disso. Aquela mulher sempre foi meu exemplo. Desde a morte de papai ela vem sustentando a mim e minha irmã . Ela dá de si por nós duas e por aquela pousada, mas parece que dar de si não é a única coisa que ajuda a conseguir pagar as contas e criar duas filhas.
Então eu, como a mais velha, decidi trabalhar e desbravar este mundo enquanto mamãe e cuidam de conseguir mais clientes para a pousada. Mas e se eu te contar que o problema não são os empregos, e sim euzinha aqui?
Agora meu chefe esta me olhando como se ele fosse me prender. Não era para menos. Se eu for contar quantos acontecimentos eu criei desde que cheguei aqui essa história só falaria disso. E olha que eu estou aqui somente há cinco dias.
! – o chefe chamou-me em sua sala – Eu juro que estou tentando me manter calmo, tentando não arrancar sua cabeça fora, mas tem noção do quanto está me dando prejuízo desde que foi contratada? – deu uma longa pausa, enquanto eu só fiz que sim com a cabeça – Eu não tenho escolha. Você está demitida!
E essa foi a triste história de como eu perdi mais um emprego e minhas esperanças. Não que houvesse esperança em mim já que eu só fazia coisas erradas, mas eu queria melhorar a situação lá em casa, as pessoas tinham expectativas em mim.
Infelizmente.
Fui tirada dos meus pensamentos com o vibrar do meu celular.
— Alô? – respondi meio desanimada.
, me ajuda, eu estava aqui passeando sem nenhuma índole de fazer algo quando uma saia me seduziu, eu quero sua opinião se compro ou não. E eu já te envie a foto dela – minha irmã tagarelava. Eu não a culpo, eu amo vê-la sorrir e comprar roupas definitivamente a fazia sorrir. Não mais que tirar fotos, até porque ela era talentosa, mas seus dons com as roupas eram de deixar todo mundo de queixo caído. Mas não estávamos em boa situação econômica e eu tinha que colocar seus pés de volta ao chão.
, você vai tirar essa saia, vai colocá-la na arara e vai sair desta loja o mais rápido possível, como se sua vida dependesse disso! – disse com o coração na mão, principalmente depois de ouvir seu choramingo.
— Mas , ela ficou perfeita no meu corpo, parece até que foi costurada para mim e... – ela ía continuar, no entanto eu a interrompi.
— E essa saia custa, provavelmente, o dinheiro da nossa luz. Eu sei que você a quer, mas não temos dinheiro para isso, ! – eu tinha a sensação que minha irmã vivia em mundo bonito, cheio de arco-íris, com unicórnios e bolos de dinheiro que caem do céu.
— Okay, , estou tirando a saia – uma pausa foi feita e eu ouvi barulho de pano e o abrir de porta – Coloquei na arara e estou saindo da loja... Pronto! Saí. Está feliz?
— Você sabe que não – disse, triste, enquanto me sentava no degrau de alguma casa.
— Eu faço moda, tudo que eu queria era dinheiro para ajudar você e a mamãe e comprar todas as roupinhas que eu quiser – sua voz era triste. Aquilo partia meu coração – Mais tarde a gente se fala, , beijos – e então ela desligou.
Fiquei algum tempo pensando em mim, no que minha vida tinha se tornado e em como eu e o azar andamos juntos, até que algo pegou minha atenção.
No meio fio tinha um trevo de quatro folhas. Institivamente eu me levantei para ir pegá-lo, mas no meio da minha agonia acabei-me desiquilibrando. Tudo que eu ouvi foi uma buzina e tudo ficou preto.




Continua...





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