Última atualização: 02/12/2018
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Prólogo

2018

O casal estava aguardando atrás de um cenário serem chamados para entrar. Fariam uma pequena participação em um quadro de um programa de perguntas e respostas referente à intimidade do casal. Não era novidade para ninguém que ficava bem nervoso em frente às câmeras. Já para aquilo era totalmente normal, era atriz desde seus cinco anos. A moça segurou a mão do rapaz a apertando levemente para lhe chamar atenção.
- Preto, se você não se sentir totalmente à vontade, eu posso responder a maioria das perguntas, viu? – ela alisou a bochecha dele.
Ele fechou os olhos com o carinho da namorada. O casal tinha uma amizade maravilhosa com a apresentadora e o marido dela. Se tratava de nada mais, nada menos que Thiaguinho e Fernanda Souza. Ainda tinha a assessoria do casal que achou que seria ótimo promovê-los juntos, então eles toparam participar.
- Tudo bem. – ele abriu um sorriso de lado, dando um selinho rápido na moça.
Um rapaz pediu para que eles se colocassem mais próximos da entrada do cenário.
- E o casal da vez, é um dos mais fofos do mundo, gente! Eu confesso que fiquei bem feliz por eles terem aceitado o convite. Vem pra cá, ! e – o auditório gritava e batia palmas para recepcioná-los.
- Como vocês estão? – o casal a cumprimentou com beijinhos na bochecha e se sentaram no sofá que havia ali.
- Estamos bem! – respondeu por eles. Entrelaçou as mãos com as do namorado. deu um sorriso sem graça.
- Depois de tantas idas e vindas, é bom vê-los juntos. – Fernandinha sorriu – Formam um casal tão lindo, né, gente? – a plateia reagiu com um grito - Vamos começar? – eles assentiram - Como foi o primeiro encontro de vocês?
- Quando o vi pela primeira vez, eu estava bem nervosa... - ela olhava para mão, mexendo nos dedos, tinha um pequeno sorriso no rosto.
- Foi uma sensação completamente diferente... – ele respondeu. levantou a cabeça, fitando-o com os olhos brilhantes.
- A gente saiu pra jantar. Quando eu cheguei na mesa, ele estava com dois amigos... - ela riu, debochando por ele ter levado alguém para o encontro. Ele sentiu as bochechas esquentarem, e acabou dando uma risadinha sem graça. - Acabou como um jantar em família, né? Meus pais acabaram indo pro mesmo restaurante, e eu falei, a minha mãe tá na mesa ali do lado. - ela fez uma minicareta ao contar - Findou que todo mundo se sentou junto.
- Que doideira esse primeiro encontro de vocês! – Fernandinha gargalhou – E então, não deve ter rolado nenhum beijinho, né?
- Rolou sim. – o atacante cutucou a namorada, que gargalhou audivelmente.
- Por que essa cutucada nela, ? – a apresentadora olhava pra ambos interrogando.
- Então, é que durante o jantar a gente não teve oportunidade de ficar sozinho. Daí na hora de ir embora, eu voltei correndo... - gesticulou com as mãos imitando alguém que corre.
- E me roubou um beijo. - deu uma risadinha sem graça ao confidenciar.
- Olha a ! – o público riu junto com a apresentadora – Certíssima, a gente não pode jamais perder nenhuma oportunidade, não é, gente?
- Sim! – foi possível ouvir o grito da plateia. deu um beijo na bochecha de .
- E todo mundo acha que o ousado do relacionamento sou eu – todo mundo riu com a fala dele. o examinou e percebeu que ele estava mais confortável com aquilo.
- E que idade vocês tinham?
- Eu tinha 20. A tinha uns 17, não é? - ele respondeu com um pouco de dúvida. Ela concordou com a cabeça.
- Eram novinhos, principalmente a ... – ela sorriu – Opa, mas já que estamos aqui conversando em plena semana do dia dos namorados, no qual, diga-se de passagem, vocês fizeram uma campanha maravilhosa pra uma marca. – ao fundo era mostrado o vídeo no telão - O que vocês fazem para arrasar?
- Ele adora vermelho, batom vermelho... Lingerie vermelha. – sorriu maliciosa e foi possível ouvir gritos da plateia. O atacante deu sua característica risadinha, completamente sem graça.
- Difícil, mas têm umas coisas que eu consigo deixar ela maluca. – tampou o rosto com a mão que estava livre.
- E na hora H, vocês preferem com ou sem música?
- Com. - ela respondeu com um sorriso maroto.
- Com sempre. – olhou para a namorada e deu uma piscadinha. O público foi ao delírio.
- Parte predileta do corpo?
- Dela? – questionou e a apresentadora assentiu – O queixo. – com a mão livre ele alisou o queixo da namorada.
- Gosto dos olhos dele e da boca. – o analisava.
- Prefere que durma com ou sem roupa? – apresentadora arqueou a sobrancelha.
- Eu gosto que ele durma sem. – a plateia acabou gritando. virou-se em direção a eles e piscou.
- Depende do momento. - gesticulou com as mãos enquanto comentava.
- Qual é a comida predileta do outro? – a apresentadora segurava a colinha para que pudesse lembrar das perguntas.
- Arroz, feijão, batata frita... - foi enumerando com os dedos da mão direita - Farofa e carne.
- Muito fácil, ela ama comida japonesa. - respondeu certeiro. sorriu doce para ele.
- Tipo de música?
- Ela gosta mais de hip hop. – Fernandinha a olhou surpresa.
- Ele gosta de tudo. Nunca vi isso - fez uma minicaretinha ao comentar, rindo.
- O que vocês acham mais sexy um no outro?
- Acho que a atitude que ela tem... - ele colocou a mão na nuca. - Torna ela sexy. – sorriu apaixonado.
- Que ela é de atitude a gente bem sabe – todos riram. – E você, ?
- Ele é um homem muito seguro. É muito atraente. - suspirou fundo, com um sorriso grande no rosto.
- E pra finalizar o nosso bate papo de hoje, quem é o mais ciumento de vocês?
- Os dois são ciumentos, mas ela ganha de mim. – ele gargalhou da caretinha que ela fazia. Sentiu vontade de beijá-la ali na frente de todos, mas se reprimiu.
- Eu demonstro muito mais, é diferente. – ela lhe deu um leve empurrão e eles sorriram um para o outro.
- Vocês ornam tanto. – Fernandinha sorriu para o casal, os amava muito. – Mas vamos ficando por aqui, muito obrigada por terem aceitado participar do nosso quadro: Intimidade do Casal!
- Ah, nós que agradecemos pelo convite. – acenou para a câmera. sorriu. Eles puderam ouvir ao fundo uma voz dizendo que o programa havia acabado.
Confuso não é, caro leitor? Acho melhor contar a história desse casal desde o início...


Capítulo 1

2012

Encerrar um trabalho e sentir que ele foi desempenhado com todo amor, dedicação e carinho não tem preço. Era assim que se sentia depois de atuar em mais um papel importante em sua carreira. Julia ficaria agora como uma recordação muito importante em sua vida. se apaixonou por ela, apesar das duras críticas e de a novela não alcançar os índices previstos de audiência para o horário. No elenco ela fez grandes amigos, como Fiuk e Guilherme Lacan, ela esperava levá-los para a vida toda.
Suspirou fundo, enquanto visualizava a movimentação da festa do último capítulo. A moça olhava para os lados e via que todos estavam com o sentimento de dever cumprido como ela. No telão, passava a última cena do capítulo e foi inevitável que uma lágrima não escorresse por sua face.
Todos bateram palmas quando viram descer as letrinhas que simbolizavam o fim da novela. Ela abraçou a Elisângela, que havia feito sua mãe na trama, com a face banhada em lágrimas. A mulher afagava seus cabelos dizendo algumas palavras para acalmá-la. Depois de um longo tempo desfizeram o abraço, pois foram chamadas para fazer o brinde final. Então, lhes foi entregue taças com champagnes, elas as levantaram e brindaram. Ali se encerrava um ciclo importante na vida de .

🎬 🎬

Ela estava deitada na cama de seu quarto, finalmente estava em casa, fazendo vários nadas. ficou muitos meses envolvida naquele projeto, estava extremamente cansada. O que ela precisava mesmo era de férias e com esses pensamentos ela decidiu ligar seu notebook e ir em busca de lugares em que pudesse viajar. Claro que teria que convencer seus pais por ser menor de idade, tarefa bem chata por sinal. A porta de seu quarto foi escancarada por Juliane, sua assessora. quis rir de sua afobação ao chegar no cômodo.
- Oi, , já tenho trabalho pra ti, meu amor – ela tinha um lindo sorriso na face – A próxima novela das nove.
- Misericórdia! – ela se assustou – Juliane! Ontem eu estava na festa do encerramento de um longo projeto e você já me vem com essa? – tinha os olhos arregalados.
- Eles querem você, o que eu posso fazer? – Juliane se sentou na cama.
- Você pode dizer que sei lá, eu estou de férias? – respondeu de forma mais óbvia que conseguiu.
- Dá uma lida no portfólio da personagem, tenho certeza que você vai gostar. – a olhou em dúvida, ela tinha a pasta estendida para ela. Por fim ela a pegou, começando a folheá-la.
A jovem atriz começou a ler e logo de cara, visualizou que o nome da personagem era Lurdinha. Começou a rir quando leu algumas informações da personagem.
- Não, não, olha isso, Ju. – chamou a atenção da assessora - Adolescente rebelde do Alemão, adora cair na farra. Seu ideal de homem é alguém que a sustente. Meu Deus, só por essas frases eu já percebi que essa personagem vai ser um desafio. Tão diferente de mim. – encarou Ju.
- Sim, eu achei que você ia adorar, , mas não adiantei nada a eles sobre sua decisão, ok? – ela alisou seu braço.
- Eu sei, meu amor. – ela abriu seu melhor sorriso angelical, voltando a ler – É uma periguete de primeira classe, gente! Vai ser divertido fazê-la, sem sombra de dúvidas. Quando começaria as gravações?
- Então, ... – Ju coçou o queixo. podia sentir que ali vinha coisa.
- Fala logo, Juliane, não enrola pra eu sentir logo o impacto de uma vez – a olhava em expectativa.
- Ela está com previsão de estreia para o dia 22 de outubro desse ano – a atriz se jogou teatralmente na cama. – As gravações vão se iniciar no final de julho, no máximo no começo de agosto.
- Mas estamos quase em maio. – se levantou da cama - Eu teria que fazer o laboratório* da personagem e é provável que tenha que dar uma malhada um pouco mais firme, já que pelo o que eu li há muita exposição do meu corpo. – suspirou fundo - Vou ter que mexer no meu cabelo, porque a personagem tem os cabelos mais claros, ou seja, só tenho esse restinho de mês de férias. Hipoteticamente, se eu aceitar, é claro.
- Hipoteticamente, claro. – a assessora comentou descrente.
- Tenho que ver com a minha mãe, você sabe bem como ela é, Juliane. Querendo ou não, vou ter que me expor demais, mesmo que em breve eu já faça 18 anos.
- Mas é claro! – ela exasperou - Antes de falar com ela, queria escutar sua opinião primeiro. Você é a estrela disso tudo. – ela se levantou, apertando a bochecha direita da moça – E então, você quer?
- Seja o que Deus quiser, mas eu quero a Lurdinha. – Ju lhe olhou com aquela cara que dizia, eu já sabia.
A atriz não pode deixar de sorrir com aquilo, amava a Juliane e o Paulo, marido dela, como se fossem de sua família. Eles lhe assessoravam muito bem. Já fazia três anos que trabalhavam juntos, amava a cumplicidade que tinham. Para ela os dois eram aquele tipo de pessoa que a gente quer guardar em um potinho e nunca mais tirar de lá.
- Coragem, vamos falar com sua mãe. – elas suspiraram fundo juntas e sorriram cúmplices. Saíram do quarto de , e tentaram achá-la na cozinha, mas não estava.
- Mãe! – ela a gritou e pode avistá-la sentada na sala com o notebook em mãos – Ju veio me trazer mais trabalho...
- Eu imaginei que a visita dela fosse isso mesmo, filha. – Alice fitou Juliane com um sorriso pequeno. – Que tipo de trabalho?
- Mais uma novela, mãe. Só que o projeto é tipo pra ontem. É pra começar a gravar no final de julho, começo de agosto. É a próxima novela das nove.
- E você tem pique pra sair de um projeto longo e entrar em um novo? – a senhora olhava para a filha preocupada.
- Eu já concordei, eu aguento. – deu uma piscadela em direção à mãe com um largo sorriso – Preciso que você só me autorize a participar.
- Eu autorizo sim, desde que eu dê uma olhada no portfólio da personagem. – Juliane estendeu a pasta para sua mãe, que prontamente a pegou, folheando.
engoliu em seco, estava bem apreensiva. Ela tentava decifrar as expressões da mãe, mas Alice parecia tão neutra enquanto lia, sem nenhum spoiler para a filha. Depois de incontáveis minutos, terminou de ler e a encarou.
- Por mim ok! Se você se sente à vontade de interpretar uma piriguete, meu amor, não vou me opor. Você já não é mais nenhuma criança, tenho que te dar um voto de confiança. – se assustou com a fala da mais velha.
- Você tá bem mesmo, dona Alice? – se aproximou de sua mãe, colocando a mão sobre sua testa para verificar se ela tinha febre.
- Boba. – ela tirou a mão da filha do local, dando um tapinha ali. – Você já está se tornando uma grande mulher, meu amor. Eu confio em você.
- Ai, mãe. – estava estonteante com a notícia. Se aproximou da mãe e a abraçou apertadamente. Percebeu que os olhos da assessora brilhavam enquanto assistia ao abraço das duas – Vem, Ju, entra no abraço de urso também – a chamou com a mão e rapidamente ela veio e as abraçou ternamente.

*Laboratório: é o trabalho de pesquisa do ator para dar a maior veracidade possível a este personagem.

🎬 🎬

Estavam Lara e voltando de um passeio ao shopping. Embora inúmeras vezes terem sido paradas para tirarem algumas selfies com os fãs, ou alguns paparazzis as clicando, o passeio tinha sido bem agradável. Estavam com saudades uma da outra, apesar de morarem na mesma cidade, o trabalho extensivo de , mais a escola de Lara ficava difícil de se encontrarem. Para a sorte de ela já havia se formado na escola no ano passado, porque as coisas poderiam ficar mais corridas ainda.
Decidiu que passariam o restante do dia na casa de Lara colocando o restante das fofocas em dia. Não demorou muito para que chegassem lá. Desceram do veículo cheias de sacolas, e foram caminhando até a entrada da residência. Adentraram ao local e se surpreendeu ao olhar ali, sempre que entrava se assustava com o tamanho da casa. Era uma mansão e tanto, e moravam apenas Lara e a mãe.
A amiga lhe puxou pela mão e subiram as escadas em direção aos quartos, logo entraram no de Lara. Jogaram as sacolas em qualquer canto dali e se jogou na cama da melhor amiga, sempre fazia isso, devido a maciez do colchão. Lara a copiou se jogando também.
- Estou morta, andamos tanto, . – ela suspirou fundo, com os olhos fechados.
- Sim, precisava fazer umas comprinhas e aproveitar meus últimos dias de férias... – fez uma pequena careta ao falar.
- Você é doida. – ela riu da cara da atriz – Eu te admiro, sair de um trabalho longo e já entrar em outro quase sem férias. – Lara a encarou - Atuar não faz parte de mim, acho incrível, mas não, fora os muitos fãs.
- Você é famosa, mesmo não querendo ser... – deu de ombros.
- Sim, ser filha de quem sou já me custa muito, por Deus! – revirou os olhos – Se eu atuasse, então, seria três vezes pior. – ela concordou com a amiga.
- E por falar nisso, cadê sua mãe? – não via a mulher fazia um bom tempo, estava com saudades dela, era um ser humano incrível.
- Hoje ela está gravando o programa dela. – assentiu, tinha se esquecido daquilo. – E os namoradinhos? – Lara imitou voz de uma idosa.
- Nossa, o movimento tá fraco aqui, viu? – suspirou, fingindo drama.
- Ah, para vai? Ninguém em vista? – instigou. acabou mordendo os lábios, negando com a cabeça.
A verdade era que não se relacionava com alguém tinha uns bons meses, estava extremamente carente, mas o tempo lhe era escasso para tal.
- Nada, estava focada em meu trabalho, Lara. – fez um biquinho chateado – Mas e você?
- Tem um garoto no colégio, a gente tá ficando. – os olhos dela brilharam ao pensar no rapaz.
- Hum... Que coisa mais fofa, amiga. – a cutucou com o pé. Lara abriu um sorriso sem graça.
- A gente está se conhecendo ainda, , nada muito concreto. Não coloca muitas expectativas, por favor. – Ela se levantou, pegou o notebook e o colocou em seu colo, sentando-se na cama novamente.
- Tá bom, tá bom, parei. – comentou, rindo do jeito da amiga – O que vai fazer? – perguntou curiosa ao avistar a amiga mexendo no notebook.
- Eu sigo ele no Twitter e então eu já te mostro a foto dele. – a atriz se aproximou da amiga, sentando-se ao seu lado para que pudesse ver.
Logo na página inicial da rede social, puderam visualizar que nos assuntos do momento no Brasil tinham várias hashtags com nome do jogador . Provavelmente o Santos havia ganhado aquela partida daquele domingo.
sorriu, sentiu um orgulhinho por saber que o Santos havia avançado no campeonato paulista. Apesar de ser torcedora do , gostava de acompanhar aos jogos do Santos devido ao talento nato de , afinal de contas, quem não via o quão promissor ele era? Se era fã de ? Calúnia.
Lara clicou em uma das hashtags e elas conseguiram visualizar algumas imagens do rapaz com a camiseta 11 do time. É, o Santos havia ganhado de 3x1 sobre o São Paulo e os três gols haviam sido do melhor do Brasil, e que tinha tudo pra ser o melhor do mundo um dia.
- Ele joga muita bola mesmo e é até bonitinho, mas por Deus, olha esse corte de cabelo. – Lara fazia uma careta enquanto visualizava a foto.
- Ah, eu o acho bem bonito. – deu ênfase a palavra - Os olhos e a boca me chamam muito a atenção, e o sorriso? Me tira o ar. – ela ainda encarava a tela com atenção, enquanto sentia olhos fixos em si – O que foi?
- , você tá bem? Olha esse cabelo. – Lara encarava a amiga com um olhar estranho.
- Eu tô ótima. Qual é o problema em eu achá-lo bonito? O cabelo é o de menos... Ah, se ele me desse bola eu pegava. - Lara arregalou os olhos, surpresa.
achava lindo, desde sempre admirava o rapaz. Ele era o boy dos seus sonhos. Ela suspirou olhando as outras fotos dele. Se sentia uma boba por ter uma paixão platônica pelo rapaz.
- , por que você não o chama no Twitter agora? Tipo, sei lá, parabenizando-o, só mesmo pra chamar atenção – ela foi despertada de seus pensamentos por Lara.
- Quê? Não, por favor, ele jamais me daria bola. – balançou a cabeça negando.
- Você quer um espelho? Por que tudo o que eu vejo é uma mulher extremamente linda em minha frente. – acabou sorrindo com a frase da amiga e lhe abraçou de lado – Sem contar que você é famosa, se você twitasse algo pra ele, logo teria grande visibilidade.
- Eu não sei... – Lara fechou sua conta e rapidamente entregou o notebook a amiga. ficou encarando a tela sem qualquer esboço de reação por algum tempo.
- Você só vai saber se tentar... – a moça lhe encorajou. Ela suspirou fundo, e colocou seus dados ali para que pudesse entrar na rede social. – Vamos, . Digita logo esse tweet.
Ela acabou localizando o user dele com facilidade já que o seguia. Não sabia bem o que falar, se sentia estranha. Não era como se fosse extremamente tímida - talvez fosse um pouco - é que aquilo era uma abordagem bem direta. Lara ainda lhe encarava, e aquele olhar estava quase a matando. Por fim, resolveu ser o mais breve possível:

@ Oi! Sou sua fã haha. Beijooo.

Encarou aquilo ainda por um tempo, e com as mãos tremendo decidiu enviar.
- Pronto! Agora sim. – Lara batia palminhas animada.
Rapidamente o seu tweet havia sido retweetado por várias pessoas. É, quando se é famosa tudo tomava proporções gigantes, ela sorria boba com aquilo.
Sentia seu estômago embrulhando de nervoso, porque mesmo com o conteúdo do tweet sendo simples, estaria estampado em vários sites de fofocas em pouco tempo por ele ser o , o jogador e por ela ser a , atriz. Sua vontade era de apagar, chegou a colocar o mouse sobre a opção, mas desistiu. De nada adiantaria, porque uma vez na internet, para sempre na internet. Ela estava sentindo tantas coisas naquele momento, mas o medo da rejeição nacional lhe deixava ainda mais nervosa. E se ele a ignorasse?
- , por Deus, para de fazer essa cara de pânico. – a amiga lhe trouxe a Terra.
- Eu tô nervosa, eu não deveria ter mandado... – Lara revirou os olhos.
- , insegurança não combina com você. – mordeu os lábios, nervosa.
- Me mostra o seu ficante? – falou de repente tentando mudar de assunto para ver se parava de pensar na resposta dele. Lara rapidamente entendeu isso e pegou o notebook.
- Tá bom. – saiu do Twitter da amiga e entrou no seu. Logo de cara apareceu o tweet mencionando o , já tinha mais de 100 retweets, engoliu em seco desviando o olhar daquilo. Lara jogou o user de seu ficante no campo de busca e logo apareceu a foto de perfil dele.
- Lara, ele é um gato! – o rapaz era muito bonito. Lara piscou um dos olhos pra ela.
- Sim, ele é muito lindo, fico babando enquanto olho as fotos dele – ela sorriu fofamente. quis apertar as bochechas da amiga.
Ficaram conversando sobre a relação de Lara e Rodrigo por alguns minutos. O rapaz era todo romântico, direto mandava mensagens de bom dia e afins pra Lara. Ela estava amando tudo isso, pra garota aquilo era como se ele tivesse se lembrando dela a cada momento. Era nítido que ela estava gostando do rapaz e isso encheu o coração de que torcia que desse certo, Lara merecia depois de ter se iludido por um garoto idiota.
Depois de um tempo conversando, decidiram que estavam com fome e pediram a comida preferida de , japonesa. Comeram, e a comida serviu como terapia, pois aquietou um pouco o estômago da atriz. Lara pediu para colocar o filme Meninas Malvadas e gostou da ideia, precisava mesmo se distrair. A vontade dela era pegar o notebook e olhar para ver se o rapaz havia lhe respondido, mas se controlava ou Lara a controlava. De acordo com a amiga o segredo era demorar, mostrar desinteresse para causar curiosidade ao homem.
Depois de um bom tempo Lara permitiu que digitasse os dados para se logar no site, mas em seguida tomou o notebook de suas mãos. A vontade de era xingá-la, sua amiga estava sendo bem invasiva. Rosnou brava enquanto olha a expressão chocada de Lara.
- , você não vai acreditar...


Capítulo 2

Estavam na cobertura de em Santos, Ganso, Alan Kardec, Gil e Jota - esses dois últimos amigos fora do futebol - comemorando mais uma vitória do Santos de 3x1. havia feito o seu centésimo gol com o manto do Santos e ainda por cima em um dos grandes rivais do time: o São Paulo. O Muricy havia os liberado para que pudessem beber depois do jogo, mas de forma bem moderada, ou seja, apenas uma cerveja.
estava com os pés e parte das pernas imersos em gelo, já que havia recebido faltas duras naquele clássico. Tinha que fazer aquela compressa por umas quatro horas, aliviaria muito as dores dele. Os cinco estavam sentados na sala em frente a tevê revezando o videogame, agora quem estava jogando era Gil e Ganso.
- Cara, que golaço aquele primeiro de pênalti, achei que você fosse errar, você tomou uma distância grande. – Kardec comentou, bebendo um gole de sua cerveja. deu uma risadinha.
- Que nada, eu vi que o Denis estava mal posicionado, então aproveitei. - a verdade é que ele estava bem nervoso naquele lance, achou até que aquela bola não entraria, foi seu talento e sorte.
- Você e esses olhos de águia – Gil desviou rapidamente o olhar da tevê. – Você joga muito, moleque. – o parabenizou enquanto seus dedos mexiam freneticamente no controle.
- Eu tento, eu tento. – acabou rindo, ao mesmo tempo em que dava um longo gole em sua cerveja.
- E aquela furada do Denis no terceiro gol? Que merda. – Ganso lembrou do lance e acabaram rindo.
- Hoje não foi o dia do Denis, sorte a nossa, né? – fez um toque de mãos com Alan rindo – Eu que não perderia a oportunidade...
- Mano do céu, você não vai acreditar, parça! – Jota que estava calado desde o início da conversa resolveu se manifestar interrompendo o papo sobre a partida.
- O que foi? – perguntou curioso, enquanto o seu amigo tinha o celular em mãos.
- Olha o seu Twitter agora. – franziu o cenho – Abre logo a porra desse Twitter. – desconfiado, ele resolveu ver logo o que o rapaz queria. Abriu o aplicativo e fez careta, tinha um monte de tweets mencionando-o, nada de novo sob o sol.
- Tá, nada demais aqui, muitas menções me parabenizando ou me xingando sobre o jogo e... – se interrompeu quando viu um tweet em especial, era de . Quase se engasgou, a moça estava muito bela, nem parecia a garotinha que se recordava - Eita porra! – abriu um largo sorriso, estava surpreso com aquilo. – Desde quando essa menina cresceu tanto? – olhava a foto do perfil dela e mais algumas postagens da moça. - Eu me lembro dela ainda criança.
- De quem vocês estão falando? – Ganso perguntou pausando o jogo, completamente curioso, ao passo que olhava de a Jota. Não só ele estava curioso, mas Kardec e Gil também.
- Vocês conhecem a , né? – todos eles assentiram – Ela me mandou um tweet há algumas horas falando que é minha fã. Eu me assustei porque ela cresceu muito. – rapidamente todos eles sacaram seus celulares buscando imagens da moça.
- Ela virou um mulherão da porra, isso sim. – Ganso mostrou uma foto ao qual a moça estava maravilhosa em uma sessão de fotos.
- Pois é. – ele ainda visualizava as postagens no Twitter da mulher - Mas será que esse tweet é só ela me parabenizando pelo jogo ou com segundas intenções? – coçou a nuca - Sei lá, eu tenho um filho de oito meses, não sou exatamente o tipo dela. Ah, eu nem sei se meninas como ela tem tipo... – ele se embaralhava nas palavras. Jota prendeu a risada, era engraçado ver o amigo tão inseguro nesse tipo de coisa. Ele que era todo o fodão.
- Presta atenção, , a menina simplesmente chamou sua atenção no Twitter, alguma coisa ela quer, cara. Cai logo em cima – Jota comentou de forma óbvia. assentiu, concordando com o raciocínio do amigo, não perderia nada tentando algo com ela.
- Então, ‘bora responder logo esse tweet. – menino esfregou as mãos, pronto para digitar a mensagem.

@ obrigado rsrs beijooooo!

- Só vai mandar isso? – Jota espichava o olhar no celular do amigo.
- Só, estamos diante de milhares de pessoas que vão ver isso aí, não posso simplesmente dar em cima dela por aqui. – ele respondeu de forma óbvia e deu um tapa na cabeça do amigo.
Voltou a atenção ao celular e em seguida começou a segui-la e resolveu que passaria seu número para ela via mensagem privada no aplicativo. Então sem mais delongas, ele redigiu o texto:

Oi , tudo bem? Anota meu número e me chama no Whats.

- Ah, moleque. – Jota novamente prestava atenção as ações dele. bufou e deu um soquinho no ombro dele, completamente sem graça com aquilo.
- Eita, Zé Povinho*, privacidade mandou lembranças. – ainda o encarava um pouco constrangido. – Chamei ela através do direct no Twitter – esclareceu aos outros amigos, que assistiam a cena sem muito compreender - Passei meu número, vamos esperar ela responder. - Os amigos assentiram.
- Tomara que você pegue logo, ela é muito bonita. – Gil comentou como quem não queria nada, abrindo mais uma latinha de cerveja. engoliu em seco, tudo o que ele precisava para relaxar naquela situação era tomar mais uma cerveja, porém Muricy havia sido bem taxativo e ele não seria louco de desobedecê-lo, e também poderia prejudicar seu condicionamento físico.
- Que seja. – comentou não querendo transparecer o quão nervoso estava por uma resposta da moça.
- Olha essas curvas. – Gil deu um cutucão em Alan que concordou veemente.
- Muito gostosa, cê louco. – eles riram alto. Aquele jeito como eles se referiam a ela estava incomodando . Parecia que a menina era um pedaço de carne. – Dá pra pegar de jeito e... – ele não se controlou e as palavras pularam de sua boca.
- Hey, hey, parou! – falou mais alto do que Alan tentando impedir que ele terminasse aquela frase. – Mais respeito com ela. Que coisa mais infantil se referir a uma mulher desse jeito, cambada de virgem. – ralhou com eles, que lhe olhavam com os olhos arregalados.
Ele não gostava que se referissem a nenhuma mulher desse jeito, aquilo era desrespeitoso, não fora a educação que tinha recebido dos pais. Silêncio se fez presente.
- O já se apaixonou pela menina antes mesmo de vê-la pessoalmente. – Jota proferiu quebrando o gelo e eles começaram a gargalhar, exceto o camisa 11. Vieram vários tapas em sua cabeça, ele tentava se defender.
– Foi mal, parça. – Kardec se desculpou pela forma como havia falado da moça. não conseguiu respondê-lo verbalmente ainda tentava se esquivar dos tapas dos caras.
Sentiu seu celular vibrar, rapidamente se levantou fazendo sinal de espera a eles, o tirou do bolso achando que pudesse ser , mas se iludiu bonito, era Carol, mãe de seu filho. franziu o cenho, rapidamente a atendeu, podia ser algo com Davi. Fez gestos para que seus amigos diminuíssem o som das risadas.
- Hey, Carol, tudo bem? – a cumprimentou cordialmente.
- Oi, , mais ou menos. Está em Santos? – ela tinha a voz estranha.
- Estou, o que houve? – perguntou aflito.
- Davi está com febre, eu vou levá-lo ao médico, queria saber se você quer ir junto? – ele já se levantou, tirando os pés do gelo, recolhendo carteira e procurando as chaves de seu carro.
- Mas é claro, chego aí no máximo em vinte minutos. – desligou, não esperando resposta. Estava preocupado, Davi era tudo para ele. Rapidamente achou os tênis junto com a meia e os colocou da forma mais rápida que conseguiu.
- Mano, o que houve? – Ganso perguntou enquanto o olhava correr pelo cômodo atrás de seus pertences pessoais. Os demais encaravam a cena sem entender muita coisa.
- Davi está com febre, eu vou levá-lo ao médico. – terminou de pegar tudo o que precisava e saiu dali. Nem se despediu dos amigos direito, estava extremamente preocupado com seu filho.

🎬 🎬

se levantou da cama e tomou o notebook da amiga. Lendo a resposta do sentiu um alivio tomar conta de seu corpo, pelo menos vergonha nacional ela não passaria, parecia tolice, mas sua maior preocupação era essa.
- Foi simples, mas ele respondeu. – ela abriu um sorriso tímido. Lara balançou a cabeça negativamente olhando a cena.
- Dá uma olhada nas suas mensagens, quem sabe, né? – encarou a amiga, concordando. Na hora que ela ia abrir as mensagens, sentiu o celular vibrar, olhou quem lhe ligava e mordeu os lábios. Resolveu colocar no alto-falante para que Lara pudesse ouvir também.
- , o que está acontecendo? – antes que pudesse responder, ela continuou – Simplesmente está tudo bombando aqui, a imprensa quer saber se você está tendo um lance com o .
- Oi, Ju, eu estou ótima e você? – Lara começou a rir baixo, para que a assessora não percebesse que estava no viva voz.
- , é sério isso, detesto ser o corno e saber das coisas por último. – nem aguentou essa e riu.
- Calma, Ju. Eu só twittei que era fã do cara, eu o admiro, tietei mesmo, não me aguentei. – a assessora respirou fundo, assentindo.
- Certo, me desculpa te ligar assim – acabou rindo – Quando se é famoso coisas simples se tornam notícias, enfim... – Ju suavizou o tom de voz - Eu vi que ele te respondeu hum... - Lara que não se aguentou, acabou falando.
- Hum...
- Cala a boca vocês duas – ela sentiu as bochechas esquentarem. Lara e Ju riram.
- Eu vou desligar já, tá bem tarde, amanhã eu respondo esses abutres. Se cuida, meninas.
- Você também, beijos. – foi a primeira a se manifestar.
- Beijos, Ju. – a melhor amiga gritou e desligou a chamada – Agora pelo amor de Deus olha esse direct que eu estou curiosa. – a atriz pegou o notebook de volta olhando as mensagens, muitos fãs, haters e . Rapidamente ela clicou e abriu um enorme sorriso, ele tinha mostrado interesse.
- Ele me passou o número dele, meu Deus! - pegou o celular anotando rapidamente as informações, parecia uma criança quando ganha um brinquedo que tanto queria no Natal. – Já faz mais ou menos uma hora e meia que ele me mandou a mensagem, vou chamá-lo agora no WhatsApp.
- Demorou, isso aí. – Lara se pendurou nos ombros da amiga para que pudesse ver.

: Hey , é a . Tudo bem? 😊

- Pronto, agora é esperar ele responder. – ela jogou o celular na cama.
- Logo mais ele responde, - a atriz deu de ombros – Outro filme? - assentiu e ambas começaram a escolher no catálogo online.

⚽⚽

chegou em dez minutos na casa de seu filho. Carol já lhe esperava do lado de fora, então sem muita demora ela entrou no veículo com Davi chorando muito, o colocou na cadeirinha sob o olhar atento do jogador. Davi instalado, voltou a dirigir o mais rápido possível para o hospital, não se importando de estar excedendo aos limites de velocidade, aquilo era uma emergência.
Chegaram lá em quase meia hora e assim que entraram no recinto, foram rapidamente atendidos. O médico o examinou e constatou que seu filho estava com a garganta inflamada, por isso a febre. O medicou no hospital e lhes deu uma receita para que pudessem comprar os remédios que ele teria que tomar por cinco dias. Graças a Deus o seu filho estava bem, não era nada grave.
Foram dispensados e , durante o caminho, passou em uma farmácia, comprou os medicamentos e foram até a casa de Carol. Ficou um tempinho com o filho, vendo que ele estava mais calmo e que o choro havia parado, provavelmente era efeito dos medicamentos. Esperou até que ele dormisse e decidiu que era hora de ir.
- , obrigada por ter nos levado ao hospital. – Carol abriu um sorriso cansado – Você se deslocou da forma mais rápida que conseguiu.
- Que nada, quando precisar é só falar, me liga ou manda mensagem que rapidamente eu venho ver o pretinho. – sorriu, lhe dando um beijo na bochecha. – A gente se vê. – acenou rapidamente.
- A gente se vê. – ela acenou e ele dirigiu para casa, com o coração mais aliviado.
Não existia um relacionamento amoroso com Carol, apenas amizade. De fato, haviam transado algumas poucas vezes e no meio disso veio o Davi. Nunca houve amor ou esse tipo de coisa entre eles, era algo mais físico, sentiam tesão um pelo outro. Quando ela lhe contou que estava grávida, ele se assustou, porque já fazia por volta de quase dois meses que não tinham mais nada, mas não duvidou que o filho fosse dele, haviam se descuidado muitas vezes. Fizeram um exame de DNA porque o pai era muito desconfiado, achou que Carol estivesse mentindo. Depois do nascimento de Davi, viraram bons amigos e não havia rolado mais nada entre eles.
Imerso em pensamentos, ele nem percebeu que já estava parado em frente sua casa. Estacionou o veículo em sua garagem e desceu rapidamente. Entrou em casa e pôde ver que só havia Gil e Jota espalhados no sofá assistindo algo na tevê, seus amigos do clube haviam ido embora.
- Fala, moleque. – Gil lhe cumprimentou. se sentou de qualquer jeito no sofá – Como o Davi está?
- Tá bem, foi só um susto mesmo. – bocejou audivelmente – Que horas são?
- Agora são quase uma da manhã. – tomou um susto, não imaginava que havia demorado tanto com o filho.
- Caraca, moleque! – levantou do sofá, decidido que estava na hora de dormir. – Fui! – se despediu com um toque de mãos com Gil, já que Jota estava desmaiado no sofá.
Entrou em seu quarto, despiu-se rapidamente para tomar um banho, precisava dar uma relaxada antes de dormir. O dia havia sido corrido, jogou por pouco mais de 90 minutos, apesar de ter um bom condicionamento, suas pernas estavam doloridas ainda, mesmo após a compressa de gelo. O problema de ser rápido e leve era isso, lhe paravam como conseguiam. Para ferrar de vez o jogo foi no Morumbi, então ele havia pegado estrada para voltar para casa, e ainda de quebra fechou a noite no hospital com o filho.
Depois de muito enrolar, saiu do chuveiro, secou-se de qualquer jeito, vestiu uma cueca e se jogou em sua cama. Tudo o que ele precisava nesse momento era dormir e em poucos minutos foi o que ele fez.

* Zé Povinho: Pessoa curiosa, que adora fofoca. Vive cuidando da vida dos outros, qualquer confusão ela(e) já corre pra saber o que está acontecendo.

🎬 🎬

estava inquieta, se remexia inúmeras vezes pela cama, ou estava estranhando dormir na casa de Lara, ou era a falta de retorno de . Mas ela sabia muito bem qual era a resposta para aquela questão. Ela havia ficado muito surpresa por ele demonstrar interesse por ela, e inclusive passar o seu telefone.
Esperou uma, duas, três horas e nada. tinha recebido a mensagem, mas não havia visualizado. Será que ele havia desistido de conversar com ela? A moça detestava se sentir assim, as vezes sua ansiedade era um problema...
mudou de lado de novo na cama, dando cabeçadas no travesseiro, odiava como conseguia ser tão tola daquele jeito, parecia que ela faria um teste para um papel importante em sua vida.
Respirou fundo, contando mentalmente até 10, e tentou pegar no sono novamente, mas de nada adiantou. Bufou, virando na cama, cruzou os braços, fez bico e ficou olhando o teto por um tempo. Cansada de ficar naquela posição, virou-se de lado, pegou o celular nas mãos e viu que já se passava das três da madrugada, nenhuma mensagem havia chegado.
Virou-se de bruços na cama, começou a zapear na internet e achou um site de livros, acabou tentando ler algo para se distrair. Por fim acabou dormindo com o celular nas mãos.

⚽⚽

Acordou se espreguiçando longamente, hoje ele não precisava se apresentar ao CT, pois era o dia de folga. Mas nem por isso ele não deixaria de se exercitar, não podia deixar seu condicionamento cair por terra. Tateou pela cama em busca de seu celular - mania de sempre olhar as redes sociais assim que acordava -, mas não o encontrou. Levantou e foi em direção ao banheiro.
Após sair do local, encontrou sua calça jogada pelo chão e no bolso dela estava o seu celular. O tirou de lá e viu que se passavam das 11, é, ele havia dormido demais. Acabou abrindo as mensagens e se surpreendeu com a quantidade delas, mas ignorou todas quando viu uma de um número desconhecido.
Quis se nocautear, ela tinha mandado essa mensagem ontem, e ele havia se esquecido por completo de visualizar seu celular e lhe dar um rápido retorno.

: Estou ótimo e você? Me desculpa a demora em responder, aconteceram uns imprevistos por aqui...
Eu posso te ligar?

Parecia precipitado ele já ligar para ela, mas a garota parecia ser tão simpática e ainda era muito bonita, ele tinha que fazer algo, queria tirar a má impressão que poderia ter causado a ela. Durante uma vídeo-chamada seria muito melhor, ela o vendo, e ele se justificando, ela poderia não achar que ele era um moleque.
Ele deixou o celular em cima da cama e foi em direção ao closet para vestir algo que pudesse malhar pela manhã. Se trocou rapidamente e olhou o celular, nenhuma mensagem dela ainda. Seguiu para a cozinha e encontrou Gil ali, nada da mãe, pai ou irmã. Eles estavam em São Paulo e ainda não tinham voltado.
- Fala, parça! – eles fizeram um toque de mãos e se sentou à mesa com o amigo – E o Jota?
- Então, ele deu uma saída, tinha algumas coisas para resolver. – Gil lhe respondeu. – Vai fazer o que agora, ?
- Bom, eu não preciso ir ao CT, mas vou puxar um pouco de peso em casa mesmo. – deu uma mordida em seu lanche.
- Então, acho que vou com você, malhar com alguém dá mais coragem – O atacante concordou.
Ele sentiu o celular vibrar e rapidamente o abriu. Finalmente era uma mensagem de .

: Estou bem também.
Ah, tudo bem, eu entendo. Claro que pode, se quiser ligar agora estou disponível.

abriu um largo sorriso, se levantando e pegando seu lanche e seu suco. Gil não entendeu aquilo e franziu o cenho.
- Ei, , onde você vai? – ele tomou um susto com o questionamento.
- Eu... Eu preciso fazer uma ligação. – foi equilibrando tudo e caminhando até as escadas.
- Ligação para quem? – Gil já avistava a bons passos longe dele.
- Não te interessa. – ele subiu as escadas em direção ao quarto e trancou a porta. Se dissesse ao amigo que faria uma ligação a , ele jamais teria paz.
Sentou-se na cama e fez uma chamada de vídeo pra ela. passava mal do outro lado quando viu que ele estava mesmo ligando pra ela. Ela deu uma rápida ajeitada nos cabelos e aceitou o pedido.
- Oi, – ele abriu um lindo sorriso – Prazer, . – ela acabou rindo com a saudação dele.
- Oi, , prazer . – ela colocou o cabelo atrás da orelha.
- Então, você é minha fã? Confesso que fiquei surpreso com seu tweet. – ela sentiu as bochechas esquentarem.
- Eu te admiro demais, acho que você joga muito, tem tudo para ser o melhor do mundo um dia – ele deu uma risadinha sem graça, desviando seu olhar da tela do celular.
- Muito obrigado, sério. – sorriu tímido. Ela era muito linda mesmo, e parecia ser bem interessante – Então, você torce pro Santos?
- Não mesmo – ele fez uma careta engraçada – Torço pro .
- Eita... Você não tem cara, daria uma linda santista. – ele piscou pra ela.
- Obrigada, mas não. – eles riram levemente – E você tem quantos anos? – ela perguntou mais para puxar assunto do que tudo, ela sabia qual idade ele tinha.
- Eu tenho 20, e você? – ele tomou um gole de seu suco de laranja.
- Tenho 17, em breve 18. – ela fechou os olhos, fazendo uma careta.
- Só? Achei que você fosse maior de idade. – coçou a nuca, sem graça. Sentiu calafrios, poderia estar se metendo em mais uma fria, Carol tinha 17 anos quando ele havia a engravidado.
- As pessoas sempre acham que eu tenho mais idade, não sei se isso é bom ou ruim. – arqueou a sobrancelha, passou a língua entre os lábios, mordendo-os levemente. Ele prestou bastante atenção a aquele ato, era sexy. Será que ela tinha noção daquilo? Era o que ele se perguntava.
- Bom, não tive a intenção de te chamar de velha, me desculpe. – abriu um sorrisinho sem graça. Ele não dava uma dentro.
- Ah não, tudo bem... - eles ficaram se encarando por um tempo. estava nervosa, apesar de tudo, não sabia bem o que falar com ele.
- Então... – ele pigarreou - Ontem eu tive que levar meu filho ao hospital, por isso acabei não conseguindo responder sua mensagem. – ele se justificou.
- Nossa, mas como ele está? – ela o olhou com preocupação. Por dentro quis se enterrar, tinha fantasiado mil e uma coisas do que pudesse ter acontecido pra ele não responder, mas jamais imaginou que fosse isso.
- Ele está bem, foi uma inflamação na garganta, nada grave. – deu uma mordida em seu lanche – Você quer?
- Que bom que ele está bem... Tem foto dele? E sim, eu quero, dê seu jeito de me mandar um pedaço. – eles riram.
- Espera, vou te mandar uma foto agora. – ele selecionou uma das fotos mais recentes de seu filho e lhe mandou. – Acho que vou ter que ir ai então pra levar o pedaço do meu lanche, Rio de Janeiro, certo?
- Certíssimo, estou no Rio, tô esperando, viu? - eles riram. A foto foi baixada e se encantou com ela – Ai, meu Deus, ele é tão fofo, que coisa mais gostosa, ! – riu da reação dela.
- Sim, nem parece que é meu filho... – ele deu uma risadinha sem graça – Mas me chama de , por favor, é muito formal.
- Por que não parece seu filho, ? – ele amou escutar o apelido dele na boca dela - Ele é tão lindo, igualzinho ao pai dele. – agora quem estava envergonhado era ele.
- Obrigado. – ele deu sua típica risadinha tímida – Você é muito mais bonita que eu, sem sombra de dúvidas – respondeu com uma seriedade no olhar, deixando-a sem graça.
- Ai, meu Deus... Obrigada – ela apertou os lábios, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha, mania que ela tinha quando estava tímida.
- , ... Precisamos ir. – ambos escutaram a voz de Lara ao fundo, chamando-a para curtirem uma praia.
- Bom... É minha amiga, estou na casa dela – ela o examinou - Eu vou precisar desligar, mas nos falamos mais tarde?
- Claro que sim, durante o dia, se quiser, vamos conversando também; – ela concordou com a cabeça.
- Combinadíssimo então, vamos nos falando. Beijo! – ela acenou para a câmera.
- Beijo. – ele encostou a mão na boca e mandou um beijo para ela. Ambos desconectaram juntos.
se jogou na cama com um lindo sorriso na face, nem acreditava que tinha acabado de encerrar a chamada de vídeo com ele.
- , eu já te chamei pra gente ir e... – Lara entrou no cômodo e viu com um sorriso, de acordo com ela, completamente mongol. – Hey, Terra chamando .
- Eu estou te escutando, Lara. – ela virou-se na cama visualizando agora a melhor amiga.
- Então, por que está com essa cara de monga? – Lara se sentou ao lado dela.
- Ei! – ela ralhou, e a amiga riu – Então, lembra que o não tinha me respondido até a hora que a gente tinha ido dormir? Eu até achei que ele não queria nada mais comigo, enfim... – Lara assentiu – Era coisa da minha cabeça, acabamos de finalizar uma chamada de vídeo. – ela se sentou na cama, apertando o travesseiro sobre si.
- E eu vi que já rolou até uma intimidade... Hum ! – debochou. - E ai, me conta? – Lara abriu um sorriso gigante na face.
- Ele gosta de ser chamado assim, sua boba. – sorriu - Trocamos algumas palavras, foi bem legal – ela se levantou, recolhendo suas sacolas pronta para irem.
- Eu imagino, e eu te disse que ele jamais deixaria um mulherão como você no vácuo. – concordou rindo.
- A conversa fluiu de uma forma tão gostosa, apesar da minha timidez. – ela sorriu – Parece que a gente se conhecia, há, sei lá, décadas.
- Isso é ótimo! – a amiga sorriu apertando a mão de que estava próxima de si. - Quando vocês vão se encontrar?
- Não conversamos sobre isso, foi algo breve, sabe? Acabou que você me chamou também e eu desliguei. – ela mordeu os lábios – Vamos logo para praia que depois eu preciso ir pra casa e... – sentiu o celular vibrar, o tirou da cintura – Ah, meu Deus! – sua voz subiu uns decibéis a mais, enquanto ria – Ele apelou usando Chorão.
- O quê? – Lara lhe encarava confusa. entregou o celular a ela.

: Se eu for no Rio de Janeiro um dia... Você me encontra? Ou deixa eu te encontrar? Me encontra? Ou deixa eu te encontrar? Haha



Capítulo 3

não conseguiu ir ao Rio de Janeiro como pretendia, seu pai achou que essa viagem o desgastaria muito e ele precisava estar inteiro para os jogos finais contra o Guarani nas próximas duas semanas. poderia ir a São Paulo, certo? Errado, ela nem cogitou contar aos pais sobre conversar com , não queria criar expectativas para ninguém, ela nem sabia se aquilo daria certo. Por ser menor de idade para que pudesse viajar teria que ter a autorização dos pais.
Então, as conversas no Whastapp, mais vídeo chamadas aconteceram com muita frequência naquelas duas semanas. Eles foram ficando cada vez mais íntimos um do outro, conhecia de nome todos da família dele e alguns dos amigos, e ele os dela. Conversavam sobre a previsão do tempo e até futebol. sempre a zoava por torcer para o .
O Santos havia ganhado de 3x0 na primeira partida e na segunda de 4x2. Ambas partidas com gols de . Finalmente antes do campeonato brasileiro, ele tiraria ao menos uns três dias de folga, e ele já tinha endereço para onde ir...

visitaria pela primeira vez o Morro do Alemão, depois de inúmeras leituras de texto com o elenco e diretores da novela, já era hora de ela começar o laboratório de forma efetiva. Estava acompanhada de Maria, sua colega de elenco, que faria a rival dela na novela. A van a qual ela estava estacionou em frente à entrada da comunidade e e Maria desceram do veículo acompanhadas de mais algumas pessoas da produção da novela e os seguranças.
Elas tiraram fotos com alguns moradores, autografaram alguns objetos por ali e adentraram o local. A produção da trama já tinha conversado com os moradores dali, e havia escolhido uma família que auxiliaria as atrizes. Por fim, depois de subirem uma boa parte das ruas chegaram ao local que começariam o laboratório.
- e Maria, esses são o Pedro, um dos moradores mais antigos daqui, e as filhas dele, Julia e Luisa, são elas que as ajudarão por aqui. – Um dos rapazes da produção as apresentou. e Maria, respectivamente, os cumprimentaram com beijinhos no rosto.
- Muito prazer. – tinha um sorriso doce no rosto. O senhor sorriu, estendendo a mão para elas.
- Fico feliz em ajudar, minhas filhas também – ele sorriu terno.
- Como funciona isso? – Luisa encarava as atrizes com o cenho franzido.
- A gente vai passar uns dias por aqui para observar como funciona a comunidade para compor nossas personagens com a ajuda de vocês. Jeitos de falar, gírias, postura e etc. Já de antemão eu agradeço muito por se disponibilizarem a nos ajudar por aqui. – Luisa assentiu. suspirou com o cenho franzido, o sol estava escaldante, deveria ter pegado o seu boné e passado protetor solar.
- Certo! – ela sorriu animada – Legal – Luisa jogou os cabelos para o lado.
- Cara, eu não acredito que tô respirando o mesmo ar que vocês. – dirigiu o olhar a Julia que estava quieta até o momento, a garota parecia petrificada.
- Somos gente como a gente, menina! – Maria brincou – Vem aqui me abraçar. – sem pensar duas vezes a garota se jogou nos braços da colega de elenco de . Desfez o contato com um sorriso imenso.
- Vem cá. – a abraçou apertado. – Viu? Sou de carne e osso igualzinha a você. – desfez o abraço. Luisa aproveitou a deixa da irmã mais nova e abraçou as atrizes também.
- O que “vocês quer” conhecer primeiro? – as atrizes se entreolharam e Maria se pronunciou.
- O que vocês fazem pra se divertir por aqui? – Julia as puxou pela mão as levando em direção a uma pracinha ali.
- Bom, de dia mesmo a gente gosta de se reunir e ficar conversando na casa “das amiga” ou sei lá, na praça da escola, mas tem várias coisas legais aqui, tem o teleférico, a escola de samba... – Julia explicava enquanto começava a andar.
- “Vocês precisa” vir de noite aqui, tem um monte de baile funk. – Luisa interrompeu a fala da irmã.
- Mas pode apostar que a gente vem sim – Maria afirmou convicta enquanto seguia as meninas.
- Calma, espera ai, temos que tirar uma selfie. – puxou o celular do bolso. Todo mundo se juntou na câmera e a moça bateu a foto e em seguida postou com a seguinte legenda no Instagram: Tá começando #laboratorio!
Começaram a explorar o local com as meninas que comentavam sobre a comunidade muito contentes, gostavam de onde moravam. estava amando a experiência toda, não tinha nem uma dúvida de ter feito a escolha certa aceitando aquele papel.

🎬 🎬

chegou em casa exausta, isso porque era apenas o primeiro dia de laboratório. Encontrou a família sentada no sofá assistindo algo na tevê.
- Oi, gente. - Se jogou no sofá assustando a mãe que não esperava que ela fizesse aquilo. Colocou a cabeça no colo de Alice, pedindo um cafuné na cabeça. A senhora prontamente lhe atendeu.
- Oi, . – Nina, sua irmã, se levantou do sofá no qual estava sentada e lhe deu um beijo estalado na bochecha. Se sentou no chão ao lado do sofá onde estava deitada.
- Filha, você se queimou um pouquinho, hein? Como foi o dia? – a mãe perguntou enquanto continuava fazendo carinho na cabeça da filha que fechou os olhos para sentir a sensação de forma mais plena.
- Foi bom, conheci um senhor e duas meninas da comunidade do Alemão, estou estudando seus jeitos, modos de falar, postura corporal, tudo para ficar o mais perfeito possível. – ela abriu os olhos e encarou a mãe.
- Eu imagino, e vai ficar porque você é ótima no que faz. – a senhora deu um beijo modesto na testa da filha.
- Meu pai? – perguntou, já que o homem não estava na sala com elas.
- Seu pai chegou bem cansado, com dor de cabeça e já se deitou, provavelmente está dormindo agora. – ela assentiu.
- Coitado, eu imagino... – comentou compreensiva, sabia das crises de enxaqueca que o pai sofria - E a escola, Nina? Como anda a menina mais inteligente da casa? – a irmã mais nova abriu um sorriso grande com falhas, já que ainda lhe faltava alguns dentinhos.
- Foi bem, a professora de matemática me elogiou, fui a mais rápida a resolver um problema com centenas. – sorriu, sua irmã de oito anos era mesmo muito inteligente.
- Ai, que orgulho, né, mãe? – ela alisou o rosto da irmã da melhor forma que conseguiu naquele posição que estava. Alice concordou, não tinha do que reclamar de suas filhas.
- Ah, obrigada. – ela deu mais um beijo na bochecha da irmã mais velha. – , esses dias vi você conversando no celular...
- Ué e o que tem? – perguntou confusa, não estava entendendo onde Nina queria chegar.
- Você tá namorando? – Nina perguntou de repente, deixando completamente sem graça. Criança era mesmo sem papas na língua de um assunto eles mudavam para outro completamente diferente.
- Quê? – ela sentiu as bochechas esquentarem – Não, claro que não.
- Filha, você ficou tão nervosa com a pergunta de Nina, está nos escondendo algo? – Alice arqueou a sobrancelha direita enquanto encarava a filha mais velha.
- Não, que isso. – ela se levantou bruscamente do sofá – Eu vou tomar um banho e depois venho comer algo.
- Tudo bem, seu prato tá no forno, é só você pegar – ela mordeu os lábios, concordando.
- Se eu não ver mais vocês hoje, que eu acho que não verei já que são quase 23h00min, tenham uma boa noite, e sonhem com os anjinhos.
- Você também, meu amor. – a mãe deu um beijo na bochecha da filha, Nina fez o mesmo. acenou e caminhou até seu quarto rapidamente.
- Mamãe, a tá namorando sim. – Nina sussurrou para que somente a mãe escutasse.
- Eu também acho, bebê, agora resta saber quem é o rapaz...

⚽🎬

enrolou a toalha no cabelo, e saiu do banheiro. Nada como um banho para relaxar e dar aquela disposição, ela estava morta. Colocou a camisola e foi em direção à cozinha, dispensou o prato que estava no forno, havia passado no McDonald’s com Maria e a produção estava sem fome. O guardou na geladeira, e decidiu pegar uma maçã na fruteira. Olhou rapidamente na sala e viu que não estava mais nem a irmã e muito menos a mãe ali, deveriam ter ido dormir como ela previra.
Voltou para o quarto com a maçã em mãos e se jogou na cama. Puxou o celular e viu que tinha uma mensagem dele, recebida há uns 15 minutos. Ela abriu um lindo sorriso na face.

💜: Tá acordada? Queria conversar contigo...
💜: Posso te ligar? 🙈

Ela mordeu os lábios, não passava um dia sequer depois que se falaram pela primeira vez sem pelo menos conversarem pelo aplicativo de mensagens. Estava ficando dependente dele, ela só não sabia se aquilo era bom ou ruim.

: Tô sim, se quiser pode me ligar! 😍

Não demorou nem um minuto direito e no celular dela surgiu a foto dele. Ela rapidamente atendeu a vídeo chamada, ele gostava de conversar vendo-a sempre que podia.
- E ai, moça linda! – ela abriu um sorriso enorme no rosto.
- Oi, , você tá bem? – ela deu uma mordida na maçã.
- Toda fitness na frutinha. – zombou – Estou infinitamente melhor agora. – fez careta com a fala dele – Eu esqueço que você não cai nas minhas cantadinhas, foi mal. Só não esqueço do vácuo que eu tomei só porque enviei a música do CBJR pra você aquele dia. – ele riu.
- Você é muito bobo, jamais vai esquecer do vácuo acidental que eu te dei, eu jurava que tinha apertado o botão enviar...
- Aham... Sei. – ele piscou – Como foi seu dia?
- Então, fazer essas paradinhas de estudo de personagem me deixa sempre acabada, é cansativo, estava um sol escaldante aqui – bateu os cílios, fazendo um biquinho involuntariamente.
- Quando você faz esse biquinho me dá uma vontade de... – se interrompeu, sem graça, não deveria nem ter começado a falar nada.
- De quê? – nem piscava, ansiosa esperando a resposta dele.
- De te mimar, você é muito fofinha. – decidiu ser brando, não poderia falar de fato o que pensou, queria ir mais devagar. Ela negou, enrugando o nariz de forma adorável. Toda vez era aquilo, ela achava que ele avançaria o sinal de alguma forma nas conversas, mas ele sempre recuava.
- Você é um idiota. – a boca dele se curvou em um lindo sorriso – Mas obrigada, pelo fofinha.– ele gargalhou com a voz afetada que ela fez – E o seu dia, como foi?
- Regrado de muita comemoração com os parças por termos levado o campeonato paulista ontem. – deu de ombros.
- Ah, sim, é verdade, né? Parabéns pelos gols, eu os vi através da internet, já que o campeonato não foi televisionado aqui. – ele deu um meio sorriso.
- Sério? – ela assentiu - Você não cansa mesmo de me surpreender.
- Eu já disse que gosto do seu trabalho, achei que não fosse surpresa pra você, ué? – bateu os cílios, com um sorriso engraçado na face.
- Agora eu tenho uma pequena folga, sabia? – jogou aquilo como quem não quer nada para ver qual seria a reação dela – Não é bem férias, já que o campeonato brasileiro vai começar logo mais, mas já é alguma coisa. Seria mais ou menos dois dias, estourando três.
- Hum... – fingiu estar indiferente – E vai fazer o que na sua pequena folguinha?
- Então, eu queria viajar, talvez Rio de Janeiro... O que você acha? – ele deu uma piscadinha em direção a ela - Quero conhecer pessoalmente uma moça que mora ai. – ela não conseguiu segurar o sorriso bobo.
- Eu acho que a moça vai adorar ter você aqui por uns dias, ela está bem ansiosa pra te conhecer. Ela me disse. – fez uma voz diferente, acabou rindo.
- Então, diga pra ela que eu embarco amanhã de manhã pro Rio. – abriu a boca, meio chocada com a rapidez dele – E que eu quero vê-la amanhã mesmo.
- Certo, pode deixar que ela será avisada, posso te adiantar que ela está extremamente surpresa com sua rapidez. – continuou a brincar.
- Por mim eu iria bem antes conhecê-la, acredito que as coisas boas não devem ser adiadas, a vida é muito curta. – pela primeira vez na noite ficou sem graça.
- Eu também parto desse princípio. – indagou tímida. Quis se matar quando um bocejo longo surgiu denunciando seu sono e cansaço.
- Tá na hora de dormir, hein? – assentiu, estava lutando contra o sono desde o início da conversa.
- Eu não queria ir dormir, mas tá foda ficar com o olho aberto. – abriu um pequeno sorriso.
- Vai descansar, e amanhã conversamos mais. – mandou um beijo a ela, com uma piscadinha.
- Tá bom, eu vou. Beijos. – ela abriu um mini sorriso e acenou para a câmera.
- Beijos. – ele acenou também e desligou.
levantou da cama, foi escovar os dentes pra dormir, pegou o cabinho da maçã e jogou no lixo do banheiro. Voltou a cama, deitou e acabou desmaiando ali, estava mesmo cansada.

⚽ ⚽

já estava em pé e arrumava sua pequena mala para que pudesse viajar ao Rio. Na sua viagem teria a companhia de Gil e de Jota, seus fiéis escudeiros que toparam sem sombra de dúvidas viajar para a cidade maravilhosa.
desceu e encontrou os amigos e os pais tomando café.
- Oi, meu amor, senta aqui – Nadine apontou para a cadeira que estava vazia ao seu lado.
- Bom dia. – todos responderam ao seu cumprimento. Se sentou e começou a se servir do que havia na mesa.
- Rio de Janeiro, querido? Por que essa viagem tão repentina? Confesso que ainda não entendi. – antes que pudesse responder, o pai tomou a frente.
- Mulher, Nadine, mulher. – sentiu as bochechas esquentarem – Conheceu a , você tá desligada dos tabloides, tá em tudo quanto é lugar o tweet que ela mandou pra ele.
- Bom, isso eu até vi, mas achei que o tivesse respondido ali e tivesse acabado. – Nadine abriu um enorme sorriso – Que bonitinho, meu amor, tá apaixonado? – Se pudesse se esconder embaixo da mesa, ele faria aquilo com louvor.
- Eu só quero conhecê-la, mãe, nada demais. – desviou o olhar para qualquer canto daquele cômodo.
- Sei... – a mulher suspirou – Só, pelo amor de Deus, use camisinha, não quero outro netinho tão cedo. – Gil e Jota não se aguentaram e gargalharam da fala da mulher. E mais uma vez quis sumir dali. O pai dele só assistia a cena enquanto comia.
- Ô, , nada de gastos exagerados nessa viagem, hein? Tô bem de olho em você. – assentiu. Ser gerenciado pelo pai era algo extremamente complicado, mas se fazia necessário no fim. – E vocês dois, - apontou para Gil e Jota que se recuperavam da crise de riso – nada de levar o pra noitadas, o campeonato brasileiro começa semana que vem e eu não quero a mídia enchendo o saco com relação a isso, já basta a última vez.
- Claro, seu , deixa com a gente – Gil foi quem o respondeu com um sorrisinho sem graça. pai assentiu, calado.
- Acabou as recomendações? – O pai fez um gesto com as mãos como se dissesse que sim. – Então, coma sossegado, filho. – sua mãe era mesmo bem coruja com ele. se alimentou rapidamente, estava ansioso pra embarcar.
- Hum… - ele engoliu a comida - A Rafa já foi pra escola? – ele perguntou pela irmã mais nova, sabia que estava faltando alguém a mesa. O pai assentiu – Queria me despedir dela, mas tudo bem a viagem nem vai ser tão longa assim, né? Já, já tô de volta. – Ele se levantou da mesa, seguido por seus parças. – Pai, você leva a gente ao aeroporto? - o homem bufou, limpando a boca e se levantando da mesa – Eu até poderia conduzir, mas teria que deixar o carro lá, enfim...
- Eu levo, sem problemas – Nadine se despediu do filho e dos amigos e os assistiu partiram com suas malas.

⚽ ⚽

Desembarcaram na cidade maravilhosa por volta das 12h:00min e lá o pessoal contratado por seu pai já os esperavam. , Gil e Jota entraram no veículo e seguiram até o hotel reservado para eles. Por ser horário de almoço pegaram certo trânsito na região e chegaram por volta da 12:h40min no hotel. Fizeram o check-in, colocaram as coisas em seus quartos e foram comer, estavam famintos, apesar de terem beliscado algo durante o voo.
Embora a viagem tenha sido curta, havia se cansado, então foi para o quarto depois da refeição e se jogou na cama. Iria tirar um cochilo. Lembrou-se que não havia avisado a pessoa mais importante naquele momento que acabara desembarcando no Rio. Tirou uma foto da vista da janela do hotel, que dava na praia e enviou a .

: O Rio de Janeiro continua lindo... Que horas a gente se vê?

Lutando contra o sono, aguardava a reposta da moça. Ele precisava ter uma noção, já que queria também dar uma turistada por ali após o cochilo. Cerca de vinte minutos o celular vibrou e era mesmo quem ele esperava.

: Você já está aqui! 😱😱 Estou trabalhando agora. 😌
: Mas umas 19:30 estarei livre, o que acha de jantarmos juntos?

Ele nem esperou que ela terminasse de digitar direito, e já a respondeu:

: Você não me levou a sério, ? 🤔
: Perfeito! Você escolhe o lugar e depois me manda o endereço, o que acha?
: Levei sim, eu juro, só que. sei lá rsrs.
: Combinado, até mais tarde! 😘 😘
: Aham, sei... Até! 😘 😘

se virou na cama e rapidamente pegou no sono, qualquer tipo de viagem lhe deixava extremamente sonolento.

🎬 🎬

Já eram 18h45min e ainda estava de roupão, não sabia bem o que vestiria para o encontro, para falar a verdade ela olhava o guarda roupa inteiro e não encontrava nada que ficasse bom o suficiente. Suspirou fundo, optando por um vestidinho florido, o jogou em cima da cama. Escutou duas batidinhas na porta e logo sua mãe apareceu com a cabeça no quarto.
- Filha? – se virou pra mãe com um sorriso leve no rosto – Ah, vai sair...
- Vou sim, mãe, por quê?
- Bom, seu pai, sua irmã e eu vamos jantar fora, achei que quisesse nos fazer companhia, mas deixa pra lá. – Alice fez um biquinho triste encarando a filha.
- Ah, mãe, eu sinto muito, é que eu já marquei de encontrar uns amigos. – era óbvio que ela omitiria aquilo pra mãe. – Se vocês estivessem me avisado com antecedência eu iria, eu juro.
- Eu sei, meu amor. – se aproximou e alisou o rosto da filha – Dá próxima vez você não nos escapa. – ela assentiu, rindo – 23 horas no máximo, hein?
- Pode deixar, mãe, prometo não passar do horário. – fez uma cruz nos dedos para confirmar a promessa.
- Bom passeio, meu amor. – a mãe lhe deu um beijo na bochecha – Hum, mas que cheirosa você está, hein? Vai encontrar amigos mesmo? – Alice arqueou as sobrancelhas.
- Ai, mãe. – ela riu – Obrigada, mas são só amigos mesmo. – a mãe fingiu acreditar, se despediu da filha e se foi.
balançou a cabeça negativamente e foi terminar de se vestir e de se maquiar.

🎬⚽

chegou ao local junto com Jota e Gil e adentaram ao restaurante sugerido por . Ele havia pedido para que os amigos lhe acompanhassem, pois estava bem nervoso para conhecê-la pessoalmente. Parecia bobo, mas era totalmente diferente das garotas que ele já havia saído, não sabia nem como agir perto dela.
pediu a mesa mais discreta do restaurante, apesar de estar relativamente cheio, ele havia conseguido. Era óbvio que ele não queria chamar atenção, já que ambos eram figuras públicas.
- Assim que ela chegar vocês levantam e sentam em outra mesa, hein? – ele repetiu aquilo mais uma vez, não queria que nada desse errado naquela noite.
- Pode deixar. – Jota comentou e Gil assentiu. Era claro que eles não iam estragar o encontro do amigo, certo?
- E ela tá atrasada. – Gil mostrou o relógio para o amigo que marcava 19h:43min.
- Mulheres se atrasam mesmo. – Jota deu de ombros – Isso é típico delas, sabe se lá o porquê. - não conseguia prestar muita atenção na conversa dos amigos, a ansiedade tomava conta de si.
- Cara, nem parece o ... – Gil sussurrou a Jota, quando percebeu que o amigo estava com as pernas inquietas e a todo momento olhava para a porta.
- Essa garota mexeu com ele, eu pensei que não fosse viver pra ver isso. – Jota sussurrou de volta, dando uma risadinha de lado.
- Quem diria que esse dia chegaria, ele é todo tão eu sou o fodão e sei lá mais o quê, e agora tá ai de quatro por ela. – eles riram, despertando a atenção dele.
- O que falam tanto, idiotas?
- De nada, ué, de nada... – Jota respondeu e Gil e ele olharam-se cúmplices.
- Hum... Sei. – os olhou desconfiado.
- Acho que a gente vai dar uma circulada por aqui, sua dama acabou de chegar. – direcionou o olhar até a porta do local e sua boca se abriu. A garota conseguia ser mais bonita ainda pessoalmente.
Ela o procurava com o olhar, acabou o vendo em uma mesa mais afastada, percebeu que ele tinha os olhos presos nela. foi andando decidida até ele. se levantou de seu lugar, com um sorriso nervoso na face. Ela chegou bem próximo a ele.
- Oi. – abriu um enorme sorriso para saudá-lo.
- Oi - ele sem muito pensar se aproximou dela, lhe dando um abraço apertado.
o retribuiu com todo fervor, ela nem acreditava que estava nos braços dele, realização de um sonho.
Na finalização do abraço, deram dois beijinhos para se cumprimentar.
puxou a cadeira para que ela se sentasse e, em seguida fez a mesma coisa, sentando-se ao lado da moça.
- Me desculpa pelo atraso, estava um trânsito aqui. – ela sorriu sem graça. Todos sabíamos que o trânsito não tinha nada a ver com isso.
- Ah, não, sem problemas. – acenou com a mão para chamar o garçom – Eu nem percebi, confesso. – deu um riso nervoso.
Sentiu um toque nas costas, se virou e viu que se tratava de Gil. Franziu o cenho, o que ele queria?
- Parça, o restaurante tá lotado, fomos procurar outra mesa e não achamos. – ele fez uma careta. olhava a cena interrogativamente, quem eram eles?
- Ah, nos desculpe. – Jota se aproximou dela, lhe dando dois beijinhos, assim como Gil – Meu nome é Joclécio, mas, por favor, me chama de Jota.
- Eu sou Gil, não vale a pena falar meu nome de batismo. – ela acabou rindo do jeito dele.
- É Gilmar. – Jota falou, fingindo que não havia sido ele que proferiu aquilo. Gil lhe deu um tapa na nuca.
- Meu Deus, eu já conheço vocês, pelo menos por nome. – ela piscou - Sou .
- Nós também te conhecemos bem. – Gil enfatizou. - E agora, o que a gente faz? – trouxe o assunto restaurante lotado à tona. não sabia aonde esconder a cara, seus amigos conseguiam superar a meta das metas em indiscrição.
- Vocês estão sem mesa, é isso? – se intrometeu na conversa, e eles a encararam.
- Pior que sim, chegamos e já estava um pouco cheio, ficamos fazendo companhia aqui pro e quando fomos procurar um lugar pra nos sentar não encontramos nenhum. – Jota esclareceu.
- Querem se sentar com a gente? – ela deu de ombros, fingindo não se importar.
- Se não for atrapalhar. – Gil já foi puxando uma cadeira ao lado e Jota o imitou.
fechou os olhos, era óbvio que os havia convidado por educação, e os idiotas haviam acabado de estragar o primeiro encontro dele.
O garçom apareceu e anotou o pedido de todos ali. viu que havia ficado desconfortável com a situação, afinal, ele não havia aberto a boca depois que os amigos estavam ali. Ela pegou a mão dele e a entrelaçou com a sua. Ela abriu um sorriso e sibilou um tá tudo bem. Ele sorriu e apertou a mão dela e a trouxe para que pudessem apoiar em sua coxa, ficou fazendo carinho na mão da moça.
- Você é incrível. – sorriram. Ficaram se encarando por um tempo, parecia que existia uma bolha e que só existisse eles ali.
- E então, , você está escalada para a próxima novela das nove, né? – Jota chamou a atenção dela.
- Sim, estou. – com a mão livre ela colocou a cabelo atrás da orelha – É um papel bem interessante, estou curtindo muito fazê-la. Começaremos a gravar em pouco tempo.
- Ah, legal isso. – Jota concordou – Deve ser legal ser atriz já que você pode... – adivinhando que poderia vir merda dali empurrou a perna de Jota com força. viu que ele se interrompeu, mas não entendeu nada.
O garçom trouxe os pedidos deles e e desfizeram as mãos entrelaçadas.
ia começar a comer quando sentiu um cutucão nas costas. Se virou e se deparou com Nina em sua frente com um sorriso grande na face. Ela empalideceu, se sua irmã mais nova estava ali era sinal de que...
- Oi, . – ela deu um beijo na bochecha da irmã.
- Oi, Nina. – ela tinha os olhos arregalados – Mamãe e papai estão aqui, certo? – ela concordou veemente.
Ela os procurou pelo olhar e viu que os pais estavam do outro lado do salão. A mãe parecia fulminá-la com os olhos.
- O que foi, ? – ela suspirou fundo com a pergunta de , que vergonha ela estava sentindo. Aquele primeiro encontro estava virando um caos.
- Ela é minha irmã, Melina, mais conhecida como Nina. – a garota abriu um sorriso e se aproximou do rapaz, dando um abraço desajeitado nele. Cumprimentou o restante dos meninos. mordeu os lábios – Meus pais estão na mesa ali do lado. – fez uma careta, no primeiro encontro ele já conheceria os pais da garota. Aquilo seria engraçado, se não fosse completamente desesperador.
- Nina, – a garota prestou atenção nele – por que você não chama os seus pais e todos nós comemos juntos? – o olhou de olhos arregalados. Já que estava ali mesmo, que os conhecesse de vez.
- Vou já chamar. – Nina saiu correndo em direção aos pais.
- , por que você fez isso? Por Deus – sussurrou ao rapaz para que somente ele escutasse.
- Não tem cabimento, seus pais aqui e a gente ficar em mesas separadas – ele deu de ombros, tentando parecer relaxado.
- Mano, o tá muito fodido, já vai conhecer os pais da menina no primeiro encontro. – Gil comentou com Jota.
- Olha a cara dele, tá apavorado. – Jota e Gil gargalharam da cara do amigo.
- Me desculpa por isso, eu... – ela foi interrompida com a chegada dos pais.
- Sua mãe disse que você sairia com seus amigos, então são eles, ? – o pai a abordou com uma feição mais séria.
Ela fez uma careta enquanto encarava os dois, estava mesmo em maus lençóis.


Capítulo 4

- Pai, mãe! Que coincidência louca foi essa, não é? - mordeu os lábios completamente sem graça.
- … - a mãe ralhou, queria explicações de como ela tinha contato com aquele jogador de futebol, que diga-se de passagem, tinha uma péssima fama.
- Respondendo à pergunta de vocês, sim, eles são meus amigos. – ela forçou um sorriso. – Esses são , Gil e Jota. – ela apontou respectivamente pra cada um. Os pais já sabiam bem quem era . – Meninos, esses são meus pais, Alice e José. – os pais balançaram a cabeça em forma de cumprimento e os rapazes fizeram o mesmo.
Os garçons chegaram com as cadeiras e a mesa ao qual os pais da moça estavam sentados juntando-a com a mesa de . José, Alice e Melina se colocaram do lado direito de , ela agradeceu por eles não terem tirado de seu lado esquerdo. Todos visivelmente instalados, a mesa ficou assim: na ponta, ao seu lado, Alice e Nina, respectivamente. Do outro lado da mesa, José, Gil e Jota ao lado de .
- , moleque, você joga muita bola, não tá pensando em jogar pelo um dia? – era o pai de quem o questionava.
deu sua típica risadinha, enquanto mastigava a comida.
- Ah, não posso, o Santos é meu time do coração. – ele riu visivelmente sem graça. assistia a cena com um sorriso grande na face, mas a expressão logo sumiu quando sentiu um aperto relativamente forte na perna do lado direito.
- Como você o conheceu, ? – sua mãe sussurrou em seu ouvido. A moça pigarreou.
- Mãe, por favor, agora não. – suspirou fundo.
- Acho que o sonho de geral é ter o jogando bola no seu time de coração, jamais contra ele. – Gil comentou, despertando a atenção da atriz na conversa. Todos riram da fala do rapaz, exceto a mãe da garota que estava com o semblante sério.
- Não posso reclamar, o último jogo ganhamos contra vocês. – José comentou rindo fazendo com que os rapazes fingissem estarem bravos. - Dale, ! - comemorou com um sorriso enorme.
- É, né? Não dá pra ganhar todas, qual seria a graça do futebol? - deu de ombros – Apesar de eu sempre querer ganhar, sou bem competitivo. – os rapazes concordaram.
- Porra, o não tem cabeça pra perder, toma cartão amarelo de graça porque estoura com a arbitragem. - Gil falou de boca cheia.
- Fora os vermelhos. – Jota complementou. E novamente seus amigos lhe envergonhando essa noite.
- Blé, exagero deles – trocou um rápido olhar com os amigos.
- Claro, claro. – o mais velho concordou com um sorriso no rosto. Ele acompanhava futebol, sabia muito bem como era o futebol do rapaz, por isso não o julgaria.
respirou aliviado com a resposta do mais velho, as coisas haviam suavizado um pouco, sentia-se menos nervoso. O pai dela era um cara gente boa, já a mãe… Se ela tivesse bazucas nos olhos, ele já estaria morto.
estava desconfortável, sentia a mãe muito tensa e, todo o clima leve, de repente tinha ficado pesado. Ela não havia mentido, ao menos era o que ela e eram naquele exato momento, amigos, qual era o problema?
- Você já recebeu proposta pra jogar bola lá fora? - o pai da moça perguntou de repente.
- O Chelsea procurou meu pai esse ano, tive propostas também do Real Madrid e do Barcelona há um tempinho, mas o velho acha melhor que eu fique por aqui. – ele passou a mão no cabelo, tentando arrumá-lo.
- Certo, ele está avaliando o que é melhor pra você. – assentiu com o pai da moça.
- O pai do é bem visionário, ele não mete os pés pelas mãos de jeito nenhum. – Jota comentou, enquanto tomava um gole de sua cerveja.
- Mas, filha, conta pra gente como você conheceu o e os seus amigos? – quem havia feito a pergunta era a mãe de repentinamente.
Ela engasgou com a comida, cuidadosamente colocou a mão nas costas dela batendo levemente para que ela se desengasgasse, e com a outra mão ofereceu o suco para que ela tomasse, ela prontamente aceitou tomando um gole. Aquilo não passou despercebido por Alice, fora que as cadeiras de ambos estavam quase encostadas de tão próximas. Aquilo não era amizade de jeito nenhum.
- Eu o conheci através da internet, mãe. – respondeu, com a voz um pouco falha devido ao ataque de segundos atrás. - O parabenizei pelo jogo no Twitter, a gente conversou e nos tornamos amigos. – suspirou. Qual era a parte que sua mãe não entendeu que não era hora para perguntar sobre aquilo?
- Hum... Entendo. – a mais velha foi bem breve na resposta.
engoliu seco. Melina encarava fascinada com um sorrisinho de lado, tinha gostado muito dele.
- , é com ele que você tá namorando? – Perguntou aquilo que estava com vontade desde o começo da noite.
escancarou a boca, sentindo as bochechas pegarem fogo, e ela achando que a situação não pudesse piorar mais ainda.
também sentia-se envergonhado, mexeu-se desconfortável na cadeira. Gil e Jota queriam gargalhar, mas não o fizeram. Já os pais encaravam ansiosamente, esperando que ela respondesse.
- Não, Nina, ele é meu amigo. Assim como Gil e Jota também são. – ela respondeu rapidamente. A criança assentiu, abrindo seu sorriso banguela.
- Então, se não é com ele que você fica no celular, com quem... – a interrompeu.
- Vamos ao banheiro, Nina! – ela respirou fundo, se levantando da mesa e indo até a irmã.
- Mas... – a criança ia falar, porém fora interrompida novamente.
- Sem, “mas”, pelo amor de Deus. – exasperou completamente sem graça, puxando a mão da irmã em direção ao local.
Jota rindo deu um cutucão na perna de que sorriu amarelo, terminando de comer sem olhar pra qualquer lugar, senão seu prato. O clima havia ficado estranho. Cada um voltou pro seu prato comendo-o.
chegou ao banheiro com a irmã e se abaixou próxima a ela.
- Pelo amor de Deus, Melina, meça suas palavras! – ela ralhou com a mais nova. – Não é tudo que vem na sua cabeça que você pode falar. Mamãe e eu já conversamos sobre isso com você, meu amor – Nina mordeu o lábio, sabia que quando era chamada de Melina a coisa tinha ficado séria.
- Eu sei... – ela suspirou – Me desculpe.
- Você acabou de fazer a sua irmã passar vergonha na frente do garoto que ela gosta – Nina a olhou, surpresa. – Sim, é ele com quem eu tenho conversado. – a irmã começou a pular no banheiro.
- Eu sabia que você tava namorando... Eu ainda disse pra mamãe. – negou com a cabeça.
- Nós somos amigos, sobre isso eu não menti, amor. – ela alisou o rosto da irmã, que já havia parado de pular. – Agora, você não vai contar pra ninguém que eu gosto dele, e não fará mais nenhuma pergunta inconveniente. Estamos entendidas?
- Tá bom, eu não vou falar mais nada, promessa de dedinho. – ela estendeu o dedo em direção a , que entrelaçou com seu mindinho também.
- Isso, promessa de dedinho não pode ser quebrada. – Nina concordou com a cabeça.
- Quero fazer xixi. – ela segurava a barriga.
- Então vai, pequena – ela empurrou a irmãzinha até a cabine do banheiro.
suspirou fundo, se olhando no espelho. Molhou os punhos e atrás da nuca, visivelmente transtornada. Pegou o papel e secou as regiões.
Procurou na bolsa e achou o batom vermelho, retocou. Escutou quando a irmã saiu da cabine do banheiro. Nina lavou as mãos e juntas retornaram a mesa.
se sentou ao lado de , que a encarava curioso, porém ele decidiu que não a questionaria, isso seria assunto pra depois.
- Não quer comer mais? – ele sussurrou no ouvido dela de repente, pegando-a completamente desprevenida. Foi impossível que ela não se arrepiasse com a voz rouca dele tão próxima de si. Suspirou fundo e negou com um aceno havia perdido o apetite – Vou pedir a sobremesa, todo mundo já terminou de comer.
- Tudo bem. – ela sorriu - Pede petit gateau, minha família gosta e eu também. – ela sussurrou de volta.
Ele assentiu, levantou a mão direita, chamando o garçom, que sem demorar muito os atendeu. descansou a mão na perna dela, entendeu o que aquilo significava e então entrelaçou a mão com a dele. A mão dela estava tão gelada, e a dele tão quente, era até um contraste. Jota, Gil e José conversavam trivialidades, enquanto o casal voltava a sua bolha de sensações.
- Sua mão tá tão geladinha... Nervosa? – ele voltou a sussurrar.
- Nervosa, desconfortável, envergonhada... – sorriu enquanto ela falava.
- Então, é tois, porque tô sentindo as mesmas coisas, e ainda tenho certeza que sua mãe não gostou de mim, ela me olha de um jeito. – ele sorriu, apertando mais a mão dela com a sua.
- Eu sinto muito por isso, , minha mãe é uma boa pessoa, não sei o que há com ela. – sentiu as bochechas quentes.
desfez o entrelace, puxou a outra mão de e colocou as duas mãos dela entre as suas tentando aquecê-las.
- Relaxa, tá tudo bem. Quem sabe ela me conhecendo melhor essa impressão não mude? – ele a tranquilizou, fazendo movimentos para aquecer as mãos dela.
- Você não existe mesmo. – ela mordeu os lábios, tímida, sussurrando no ouvido dele.
- Existo sim, e tô aqui contigo – a encarou de forma íntima, ela correspondeu ao olhar completamente entregue. - Sim, está mesmo. - Ficaram se encarando por um tempo, sentia seu corpo formigar tamanha era a intensidade daquele momento.
O garçom trouxe as sobremesas, e desfizeram o contato com pesar, voltando os olhares ao doce. Comeram, conversando um pouco com as outras pessoas da mesa.

- Já está na hora de irmos, não, ? – Alice chamou a atenção. tossiu incomodado, ele não sabia o que poderia ter feito de errado, a mulher parecia o detestar. Mal sabia o jogador que ele existir já era o problema para Alice.
- Deixe Nina terminar de comer sossegada, mãe – com o cenho franzido, ralhou com a mais velha, que concordou a contragosto. O pai olhava de uma para outra completamente alheio.
Depois que Nina havia terminado de comer, já que fora a mais lerda a terminar, chamou discretamente o garçom, pedindo a conta. O rapaz a trouxe, e antes que alguém se manifestasse entregou o cartão para que pagasse todo o jantar.
- Isso não é certo, , eu posso pagar também. – já digitava a senha.
- Não foi bem um convite devidamente programado, seu José, mas eu os convidei a se sentar conosco, então eu pago tudo. – ele deu uma risadinha tímida. O mais velho negou visivelmente sem graça. A transação havia sido aprovada.
- Só aceito essa condição se dá próxima vez eu puder pagar, moleque. – o homem riu, e se espantou com a fala dele. Todos se levantaram da mesa.
- Então, fechou, o senhor paga a próxima – ele deu dois tapinhas nas costas dele caminhando até a saída do local.
caminhava separado de , de vez em quando suas mãos se encostavam, mas não as entrelaçava devido aos pais da menina. Pararam em frente à porta, e se despediu primeiro dos amigos do rapaz, os pais dela fizeram o mesmo, inclusive cumprimentando . parou em frente a ele, tímida.
- Obrigada pela noite incrível, apesar de tudo. – ela suspirou fundo.
- Não, eu que tenho que agradecer por tudo, você é maravilhosa. – ele se aproximou dela, deu dois beijos em sua bochecha. – Eu amei te ver.
- Eu também. – ela o encarou, e acenou indo de encontro aos pais que já caminhavam até o carro. foi em direção oposta a ela, aguardava o táxi para que pudesse voltar para hotel.
Foi em uma distância relativamente curta que decidiu que não poderia e não deveria perder a oportunidade, então ela correu desajeitadamente em direção a ele.
- ! – ela o gritou.
Ele se virou bruscamente em direção a ela. sem pensar se haveria paparazzis ali, ou não, pulou nos braços dele e o beijou. Um beijo tímido, que ganhou proporções maiores, quando a trouxe mais pra si, a beijando com intensidade.
Para ela, era maravilhoso, e o seu beijo era tudo o de melhor que ela havia provado, agora ela podia ter certeza, estava mesmo gostando do rapaz. Ele não estava diferente, parecia que a moça sabia explorar cada canto de sua boca, era extremamente doce e intenso. Beijaram-se longamente, até se separarem completamente sem fôlego.
- Você é louca – ele acabou rindo – Sua mãe não curtiu muito isso. – ele riu, sem graça. passava a mão na boca do rapaz delicadamente para limpar os resquícios de batom vermelho que ficaram na boca dele, sabendo que a sua não deveria estar diferente.
- Eu não ligo, eu não podia perder a oportunidade. – ela arqueou a sobrancelha, passando a língua no lábio inferior. Ele não resistiu, lhe deu um selinho, prendendo o lábio dela entre seus dentes.
- Temos mais um dia amanhã e eu quero te ver. – lhe deu mais um longo selinho – Agora vá, antes que sua mãe me mate. – gargalhou nervoso.
- Até amanhã. – ela sorriu, juntando os lábios de ambos em um selinho terno.
- Até. – ele sorriu. Ela já dava alguns passos quando ele a puxou pelo braço e lhe deu mais um longo beijo. – Tão difícil me separar de você. – ele alisou o cabelo dela.
- Digo o mesmo, mas preciso mesmo ir. – suspirou pesarosa - Amanhã tem mais, .
Ele assentiu, deram um rápido selinho e cada um seguiu o seu caminho carregando um enorme sorriso na face.
Jota e Gil já tinham conseguido um táxi, estavam dentro do veículo, o adentraram quando perceberam que e se beijavam. Pediram para o taxista esperar. O jogador entrou no carro e finalmente partiu. As zoações rolaram soltas dentro do veículo, os ignorava. foi caminhando devagar até os pais, chegou até eles, entrou no veículo e o pai partiu dali. A irmã mais nova sonolenta sussurrou mais uma pérola na noite.
- Agora você tá namorando sim – gargalhou audivelmente dela.
- Quem dera as coisas fossem tão fáceis assim, meu amor, quem dera... – aninhou a irmã mais nova em seu colo, vendo que ela já pegaria no sono.

🎬 🎬


O pai estacionou o veículo, pegou a filha mais nova do colo de e a levou até o quarto, sendo seguido pelas duas mulheres, que em vez de adentrarem o cômodo ficaram pela sala mesmo. estava sentada no sofá, desajeitadamente, tinha a mão sobre a boca, seus pensamentos voavam para os beijos que havia trocado com o jogador. O pai voltou até a sala e viu que Alice andava de um lado para o outro, provavelmente esperando que ele voltasse. José deu um toque nas costas da mulher, para que ela começasse a falar.
- , eu não consigo acreditar, com tantos homens nesse mundo você se interessa por um jogador de futebol? Completamente inconsequente, filha, por Deus, você lê as notícias sobre ele? Ele dá em cima até de repórteres! - voltou a si com as acusações da mãe.
- Ah, mãe, por favor, a senhora como mãe de atriz deveria saber que nem tudo o que está na mídia é verdade. Dá uma chance pra ele, o é uma boa pessoa.
- Uma boa pessoa, claro, vive rodeado de mulheres, bebidas, é cheio de amiguinhos, pai de um bebê de oito meses e que tem como foco tentar te engravidar também. – a olhou completamente chocada.
- Meu Deus, a senhora tá se escutando? – riu irônica. – Não sabia que lia tanto a esses sites de fofocas e se contaminava assim, sabe até a idade do filho dele! - exasperou.
- Não interessa, eu não quero você com esse rapaz, o que vocês têm acaba aqui e agora. - Alice gritou com a filha.
- Mas, mãe, nós tivemos uma conversa por esses dias onde a senhora me disse que eu não sou mais criança, não pode me proibir de me relacionar com alguém. - estava desacreditada, só podia ser uma brincadeira de mau gosto.
- Claro que posso, quando eu percebo que essa pessoa não vai te agregar nada! – ela exclamou, negava completamente incrédula. – Você ainda vai me agradecer por isso, meu bem.
- Não vou mesmo, mãe – ela sentiu os olhos úmidos e antes que chorasse na frente dos pais foi para o quarto e se trancou no cômodo. O pai assistia a tudo calado, não concordava com o jeito da esposa, mas jamais a desautorizaria na frente dela.
- Você tem noção que se proibir vai ficar pior, né? – José olhou para a mulher que agora havia se jogado no sofá.
- Não posso ver minha filha entrando em uma cilada e não fazer coisa alguma, José, muito me admira você não fazer nada.
- Eu sei que proibir vai tornar isso pior, precisamos dela do nosso lado, não contra para podermos acompanhar essa relação de perto. – a mãe negou várias vezes com a cabeça. – Eu não quero a fazendo as coisas escondida.
- De jeito nenhum, nem que eu a coloque de castigo sem sair – o pai arregalou os olhos.
- Ela não é mais criança, Alice! Pelo amor de Deus, em poucos dias ela completa 18 anos – ele tentava colocar juízo na esposa – E não vai dar certo, você vai ver, o rapaz mora em outra cidade.
- Enquanto ela morar embaixo desse teto ela segue minhas regras! - ela exclamou ao marido, transtornada – E referente a não dar certo, eu não quero e não vou contar com isso, José. Não posso – suspirou fundo – Eu vou fazer de tudo para proteger a , mesmo que ela não goste disso.
O homem levantou as mãos pro céu pedindo paciência, desistindo de tentar interceder por , ao menos por agora. Ele caminhou a passos rápidos até o quarto da filha, deixando a mulher imersa em seus próprios pensamentos. Deu leves batidas na porta e teve como uma resposta um vai embora choroso.
- Filha, me escuta, por favor – o homem suspirou – Eu nem abri minha boca sobre isso.
- Eu sei que você partilha as mesmas coisas que minha mãe. – ela limpou uma grossa lágrima que descia da face.
- Você não sabe... Como pode afirmar isso? Vamos lá, me deixa entrar. – a moça ponderou por um tempo, calada. Por fim decidiu abrir a porta ao homem, ele sempre foi bem mais maleável do que a mãe. O pai entrou e encostou a porta, estava sentada na cama.
- E então, o que você acha disso tudo? – ela se virou pra ele, que se sentou ao seu lado na cama.
- Eu acho que você deve fazer suas próprias escolhas, já é uma mulher praticamente formada – a filha o encarou visivelmente surpresa.
- Pai, eu jamais pensei escutar isso de você. – estava petrificada, ainda o encarando.
- Em todos esses anos você jamais sequer deu alguma preocupação, sempre foi uma menina responsável com os estudos, profissão, vida amorosa, por que eu me oporia ao que você quer?
- Eu queria que a mamãe colocasse um pouco mais de fé em mim assim como você... – ela suspirou, sentindo os lábios tremerem – O que mais me dói é isso, ela achar que sou tola. – ela limpou as lágrimas – Confesso que quando comecei a conversar com ele, mesmo tendo sido eu a procurá-lo, fiquei com o pé atrás, não quis criar grandes expectativas, até não comentei nada com vocês, porque eu sei que ele tem uma fama ruim, não sou alienada.
- Jamais imaginei que fosse. – ele trouxe a filha para mais próximo de si, a abraçando de lado.
- Te confesso que ficar com foi maravilhoso, pai. Eu senti uma emoção muito grande em estar nos braços dele. Preciso explorar isso, eu nunca senti com ninguém.
- Certo, explore isso, tem meu apoio. – ele passou a mão nos cabelos da filha – Só não fique ressentida com sua mãe, ela está preocupada com você, ela quer te proteger.
- Proteger do quê, pai? De um possível coração quebrado na pior das hipóteses? – ela perguntou retoricamente. – Eu preciso aprender com as minhas próprias escolhas. – suspirou fundo. – Se ele partir meu coração, eu vou chorar, sofrer, mas aprenderei a lidar com isso, porque eu quis isso, entende?
- Concordo plenamente, e disse isso a ela, mas você a conhece, sabe que ela tem uma cabeça muito dura. – suspirou concordando.
- Daqui duas semanas eu já completo 18 anos, me sinto uma garotinha de 12 do jeito que ela me trata.
- Eu sei... – ele suspirou fundo - Dê tempo ao tempo. – ela fungou, concordando.
- Amanhã eu queria vê-lo, pai, ele está só de passagem no Rio, ele precisa voltar pra São Paulo ainda essa semana por conta do campeonato brasileiro.
- Eu te ajudo com isso, não se preocupe, você o verá. – ela abriu um sorriso grande no rosto inchado.
- Sério? – desfez levemente o abraço para encarar o pai.
- Seríssimo, não conte nada a sua mãe. – ele fez um apelo a ela, que rapidamente assentiu abraçando o pai de lado com mais força – Eu gostei dele, filha, por isso faço também.
- Ele é apaixonante, né? – o homem negou, prendendo a risada.
- Isso com certeza ele não é, docinho – José fez uma careta, fazendo a filha lhe encarar e eles gargalharam. estava mais contente, tinha o apoio de seu pai, tudo ficaria bem.

⚽ ⚽

- A menina teve mais atitude que você, parça – Gil foi quem comentou assim que eles entraram pelas portas do hotel.
- Foi engraçado, pareceu cena de cinema. – Jota gargalhou – Ela é atriz também - estava bem envergonhado. Aquela zoação havia sido pelo caminho inteiro.
- Você vai ter problema com a sogrinha, pareceu que ela não gostou muito de você. – Gil deu dois tapinhas nas costas dele.
- Mano, vocês não cansam do assunto? - os amigos negaram gargalhando da cara dele – Quanto a mãe dela, eu percebi, mas eu vou conquistar a mulher ou eu não me chamo . – ele deu dois toques de mãos com os amigos.
- É assim que se fala, cara! - Eles pegaram o elevador em direção aos seus quartos.
- E vocês, hein? Caralho, por que não foram embora quando perceberam que não tinha mais mesa no restaurante? – deu dois tapas nas cabeças dos amigos.
- Te juro que nem pensamos, a foi toda legal convidando a gente pra sentar, não conseguimos negar. – Jota deu de ombros.
- A mina é da hora mesmo, cara. – Gil concordou.
- Vocês sabem que ela chamou vocês por educação, - eles franziram o cenho, confusos – mas são muito tapados mesmo. - riu desacreditado. O elevador parou no andar deles e cada um foi em direção ao próprio quarto. - Chega de babaquice por hoje. Boa noite pra vocês. - Jota mostrou o dedo do meio ao rapaz.
- Boa noite. – ambos disseram e entraram em seus quartos.
entrou no quarto, se sentou na cama e tinha um sorriso idiota na face. Sair de São Paulo e viajar para o Rio de Janeiro prestes a começar o campeonato brasileiro havia valido mais do que a pena. E que loucura havia sido aquilo tudo, mas o final havia sido épico e com certeza compensava total. Deveria estar louco mesmo, porque era perceptível que a mãe da garota não gostava dele, mas era apaixonante, não tinha como negar aquilo. Pegou o celular e mandou uma mensagem a ela:

: Muito encrencada?

Não demorou muito e a resposta veio.

: Muito, mesmo. Mas eu não me arrependo de nada, uma vez um cara me disse que a vida é muito curta e que as coisas boas não devem ser adiadas.
: Esse cara é louco, mas te confesso que ele estava muito certo! Dê meus parabéns a ele quando o vê-lo 😍 😍
: Vai sair que horas do trabalho amanhã?
: Claro que dou, com direito a uns beijinhos também, rs. A noite mesmo, por volta do mesmo horário, umas 19h30min.
: Fechou, a noite então a gente se vê. Você poderia vir ao hotel? Queria não correr risco de penetras no nosso primeiro encontro oficial.
: Hahahah, muito isso. Fechado, no seu hotel, por volta das 19:30, sem interrupções. Amém!
: Queria conversar mais com você, mas tô um pouquinho cansada, confesso. Eu vou dormir, amanhã acordo cedo.
: Tudo bem, eu entendo. Até amanhã, ! 😍
: Até, ! 😍 😍

deu uma rápida checada no Instagram e como se fosse automático foi até o perfil de , viu a postagem que ela havia feito a poucos dias e curtiu. Não resistiu e começou a segui-la naquela rede social também. Sua assessoria lhe mataria, estava no Rio de Janeiro, por motivos até então desconhecidos, começou a seguir no Twitter há mais ou menos duas semanas e agora no Instagram. Ele estava era pouco se importando, que a mídia começasse a cair em cima.


Capítulo 5

tomava café com os amigos, regrado a muitas brincadeiras e risadas. O dia marcava nos termômetros da cidade 39º C, estava muito quente, Copacabana não decepcionava de jeito nenhum.
- Já comprei até buquê de flores e uma roupa nova pra te ver... – cantarolou a música do cantor Thiaguinho de forma animada, dando leves batuques na mesa – Que sol!
- Alguém acordou de bom humor, hein? Até nos agraciou com sua desafinação matinal - Jota zoou o jogador. Gil gargalhou da cara de poucos amigos que fazia.
- Cara, a gente precisa ir pra praia! – Gil apontou para a janela do hotel deslumbrado. - Tá mesmo um dia muito bonito.
- , você vai ver sua mina hoje? – Jota perguntou enquanto tomava seu café com leite. Tinha que saber como seria o dia do amigo para se programarem todos de saírem juntos.
- Não, não, o cara sai de Santos, vem pro Rio de Janeiro pra ver a mina uma única vez apenas e ir embora. Ah vá – acabou rindo da fala de Gil.
- É o Jota nos agraciando com sua burrice matinal – aproveitou para dar a resposta que o amigo merecia por ter lhe zoado a minutos atrás – Ah, e por falar nisso, eu não quero ver a cara de vocês dois hoje, ela vem pra cá. – os dois amigos se entreolharam e começaram a rir – O quê?
- Hoje tem, hein? Pega ela de jeito! Não me decepcione. – Jota comentou e ele e Gil fizeram um toque de mãos.
- Que tudo dê certo. – os amigos gritaram zoando o jogador e ele acabou por rir daquilo.
- Ah, moleque. – Gil deu dois tapinhas nas costas do amigo. deu uma última golada no café, e se levantou da mesa. Os amigos iam se levantar junto, mas ele negou. – Você vão aonde?
- Preciso conversar com o gerente do hotel, é coisa rápida. Eu já venho. – assentiram e o rapaz foi atrás do homem que lhe ajudaria com o que ele estava pensando.
Ele passou na recepção e perguntou aonde ficava a gerência, elas lhe explicaram e ele se direcionou até lá. Como ele era uma pessoa famosa, rapidamente foi atendido.
- Oi, . – o gerente estendeu a mão para lhe cumprimentar. – Sou João, sente-se, por favor, – o homem apontou a cadeira para ele, e assim ele o fez - no que posso lhe ser útil?
- Então, João, eu nem sei se o que eu vou pedir vai rolar, mas não custa tentar, né? – ele coçou a nuca.
- Pode me pedir o que deseja, eu farei o possível para tornar possível. – o homem sorriu simpático.
- Certo, eu queria reservar o terraço do hotel hoje para um jantar íntimo, pode ser? Eu pago bem, se for preciso. – ele falou sem mais rodeios.
- Não a necessidade de pagar, que isso. - o homem abriu um grande sorriso - Só um minuto, vou verificar para você. – João se levantou da mesa e saiu da sala. Sabia que um cliente como ele precisaria impressionar, então faria de tudo para conseguir, assim teria mais chances que o rapaz voltasse mais vezes ali ou recomendasse aos amigos.
suspirou fundo, ansioso. Viu que a cadeira girava e começou a se movimentar nela, não tinha muito o que fazer ali, continuou girando na cadeira até esperar o homem voltar. Não tardou muito para que isso acontecesse, parou rapidamente de fazer o que fazia na cadeira.
- E então? – ele perguntou ansioso a João.
- É possível, sim.– ele comemorou baixinho – Para que horas seria?
- Às 19h30min. – o homem anotou em seu celular.
- Pode deixar que providenciaremos tudo, meu jovem. – ele assentiu.
- Só mais um pedido, teria que ser algo bem discreto, ela também é uma pessoa pública, não queremos que isso saia pela mídia. – João assentiu.
- Pode apostar na nossa maior discrição, colocarei apenas dois funcionários para servi-lhes e são estritamente profissionais.
- Certo, eu agradeço muito, e assim que possível farei um post em minhas redes sociais agradecendo a grande hospitalidade. – sorriu, se levantou e deu a mão ao homem para se despedir. João abriu um largo sorriso com a declaração.
- Nós que agradecemos por isso. – o jogador sorriu e saiu da sala. Parte um do encontro concluída com sucesso. Voltou para a mesa e viu que os amigos ainda estavam comendo.
- É uma cambada de passa fome mesmo, ‘bora dar uma volta? – Gil deu mais uma mordida no lanche e se levantou.
- O que você foi falar com o gerente? – Jota questionou curioso.
- Não interessa, é assunto meu. – Gil deu uma risada escandalosa da cara de Jota.
- Nossa, caralho. – Jota limpou a boca e se levantou da mesa e eles seguiram em direção a saída do hotel.
- Deixa o cara, deve ter a ver com a mina dele. – Gil zoou. deu de ombros não negando e nem tão pouco afirmando.

⚽ ⚽

- Você quer causar uma boa impressão mesmo, hein? – Jota comentou enquanto andavam pelos corredores do shopping em busca de uma joalheria.
- Quero sim, ela é tão gente boa. – ele enfiou as mãos no bolso, desconcertado. – Tivemos um péssimo primeiro encontro também.
- , ! – uma criança gritou pelo nome do jogador. Ele se virou e sentiu bracinhos envolverem suas coxas, ele a abraçou de volta. – Sou seu fã! – o garotinho comentou animado.
- Sério? Que legal! – ele desfez o abraço, e olhou para trás vendo os pais do garoto completamente sem graças com a atitude do filho. – Qual o seu nome?
- Felipe. – o menininho dava pulinho animados.
- Felipe, quer uma foto? – ele levou as mãozinhas pro alto, com um enorme sorriso no rosto.
- Quelo! – o menininho gritou, fazendo com que sorrisse, automaticamente o fazendo lembrar de seu filho, sentiu uma saudade dele... Assim que voltasse pra Sampa iria vê-lo. A mãe do garoto rapidamente pegou o celular da bolsa, pediu para que eles se aproximassem e tirou a foto – Obligado, quando clescer quelo ser igual a você.
- Ah que honra, eu que agradeço – ele bagunçou os cabelos do garoto, que o abraçou de novo. Felipe correu em direção aos pais animado.
- Logo mais o Davi tá desse tamanho também… - Gil comentou, fazendo o jogador concordar com um pequeno sorriso.
Eles voltaram a andar, foram parados por mais alguns fãs e admiradores do jogador e finalmente encontraram a dita cuja joalheria. Entraram no local e rapidamente foram abordados por uma vendedora extremamente sorridente.
- Olá, . – ela jogou o cabelo para o lado – Me chamo Verônica. – deu um sorrisinho – Se você quiser que a gente feche a loja pra te atender, faremos isso.
- É como se só existisse o ... – Jota sussurrou ao amigo.
- E você ainda não se acostumou com isso? - Gil deu de ombros, adentrando o local.
- Oi. – ele coçou a nuca desconcertado. Ponderou, seria bom se fechassem mesmo a loja, ele havia percebido que paparazzis lhe seguiam, pelo menos não veriam o que ele compraria. – Se não for incomodo, pode fechar sim a loja. – a outra vendedora correu para abaixar as portas do comércio, que já haviam alguns curiosos olhando. Elas voltaram a atenção ao jogador. – Bom, eu queria dar uma olhada nas pulseiras femininas, o que você tem pra mim?
- Claro, nós temos esses modelos. – ela puxou o mostruário com várias pulseiras de ouro com diamantes.
- E ai, o que vocês acham? – chamou os amigos para escolherem com ele – Eu gostei dessa. - ele mostrou uma pulseira com pingente de flor com sete esmeraldas e seis diamantes, em ouro amarelo.
- Bom, todas são lindas, mas essa ai combina mesmo com ela – concordou com o rapaz.
- E você, Jota? – ele olhou para as pulseiras e concordou com a escolha dele. Era um consenso, ele levaria aquela pulseira mesmo. Fora a escolha mais rápida que ele já havia feito, não sabia se a opinião dos amigos era real, mas ele havia gostado mesmo daquela.
- Essa pulseira tem como conjunto um par de brincos maravilhosos. – ela mostrou os brincos a eles – Combinaria tanto se você levasse os dois... – ele olhou bem para os brincos, e assentiu.
- Tudo bem, acrescenta os brincos também. – a vendedora abriu um enorme sorriso.
- Perfeito! Não quer olhar mais nenhum modelo, ou anéis, colares, brincos... – ela sorriu animada.
- Ah, não, não precisa, seria somente isso mesmo. – ele sorriu, entregou o cartão de débito para a moça.
- Seu pai não vai implicar com esse presente, ? Você nem perguntou o preço .– Jota questionou, visivelmente preocupado.
- Relaxa, não deve ser tão cara assim – ele olhou o visor do cartão, e viu que não havia passado de 3,000,00 reais, nada que o pai se preocupasse. pegou o embrulho e guardou no bolso da bermuda. Parte dois do encontro completa com sucesso.
Sentiu o celular vibrar, o tirou do bolso e fechou os olhos em um ato de súplica, ele mostrou o visor aos amigos que fizeram caretas.
- Hey, pai. – ele tentou soar animado para cumprimentar o homem.
- Quase 3,000,00 reais em uma joalheria? Imagino que isso tenha a ver com certa atriz... – deu uma risadinha sem graça – Que seja, mas não liguei por isso.
- Ah não? – estava surpreso com a fala do homem, tinha de fato achado que era esse o motivo, ainda mais pela fala de Jota.
- Não, você precisa voltar agora pra São Paulo, precisamente no próximo voo! É urgente! – o homem falava de forma rápida.
- O quê? Não, pai, o combinado foi que eu voltasse amanhã, eu tenho coisas pra fazer ainda aqui e... – foi interrompido bruscamente.
- Você assinou um contrato publicitário com a Lupo, você precisa tirar as fotos pro catálogo deles hoje às 16 horas, então precisa voltar pra cá. – ele olhou no relógio e viu que não passava das 11h:47min ainda. – Eu me esqueci por completo disso, filho.
- Que merda! – ele passou a mãos nos cabelos com raiva – Que seja, me manda as passagens aéreas que eu embarco o mais rápido possível.
- Certo, mandarei agora mesmo. Deus te abençoe e até daqui a pouco. – ele agradeceu e desligou o telefone.
- O que foi, ? – Jota perguntou alarmado vendo a cara da derrota na face do amigo.
- Teremos que voltar agora pra São Paulo. – os amigos arregalaram os olhos.
- Como assim? Por quê? – Gil o encarava curioso.
- Campanha publicitária hoje, o velho esqueceu de avisar. – Jota deu um tapa na testa.
- Que merda, você comprou a pulseira e os brincos pra nada… - Jota completou a fala chateado pelo amigo.
- Pra nada não, ele terá oportunidade de entregar isso pessoalmente a ela um dia, não é o fim do mundo. - Gil tentou enxergar por outra perspectiva.
- Tô muito puto, vocês nem têm ideia. – andava rápido pelo shopping em busca da saída, seus amigos o seguiam.
- Eu imagino, que droga – Jota deu dois tapinhas nos ombros dele.
- É, eu espero que a possa compreender e não fique com raiva de mim… - fechou rapidamente os olhos, torcendo por isso.
- Pode apostar, irmão, não tem motivos pra ficar. – Gil o consolou enquanto eles pegavam um táxi para voltarem ao hotel.

⚽ ⚽

teve que se desculpar inúmeras vezes com o gerente do hotel no Rio, pois teve que desmarcar tudo o que havia planejado, havia dado uma gratificação extra pelo transtorno e faria sim uma postagem em suas redes sociais elogiando o local, era o mínimo. Havia desembarcado no Aeroporto Internacional de Guarulhos, fora um pouco assediado, mas conseguiu andar por ali sem maiores problemas, afinal, não era muita gente que sabia de seu desembarque. Havia um carro lhe esperando do lado de fora, sabia que era Pedro, funcionário de seu pai, embarcou no veículo e antes que se esquecesse começou a redigir uma mensagem de desculpas a moça que vinha lhe tirando o sono há um tempo.

: Oi, , me desculpa, de verdade, mas tive que desembarcar às pressas em São Paulo, havia uma campanha publicitária hoje, e meu pai se esqueceu por completo de me avisar. 😞😞
: Eu farei de tudo pra voltar ai o mais breve possível. Eu preciso te ver de novo! 😘😘

Ele terminou de digitar a mensagem e se recostou no banco, estava sozinho, os amigos voltaram pra Santos, mas ele ficaria na capital, ao menos por hoje, era melhor que passasse a noite por ali e voltasse pela manhã. Rapidamente chegaram ao estúdio por volta das 15h:45min, havia chegado até com antecedência, ao menos não teria desconto em seu cache por atraso.
Foi direcionado ao camarim, e lá tinha as peças que ele deveria vestir pra campanha. Suspirou fundo quando percebeu que o ensaio era de cueca box. Não se sentia nem um pouco à vontade, mas não tinha escolha.
Passou pela sessão tortura por longas horas, ao menos as fotos haviam ficado boas, ele até curtiu o trabalho por fim. Trocou de roupa, e Pedro lhe deixou em frente ao hotel no qual ele passaria a noite. Ele fez o check in e logo se viu deitado em seu quarto, sozinho. Tomou um longo banho, e pediu que seu jantar fosse levado ao quarto, não estava a fim de descer e socializar com ninguém, estava aborrecido com tudo o que havia acontecido. Enquanto esperava a comida, olhou o celular e finalmente havia uma resposta da moça, respirou fundo a abrindo.

: Tudo bem, , esse tipo de coisa acontece, eu entendo. 🙂

Ele sem pensar muito pediu para iniciar uma chamada de vídeo, a julgar pelo horário, ele sabia que ela estava disponível para falar.
- Eita mania de chamada de vídeo. – ele riu – Oi, . – ela fez biquinho lhe mandando um beijo.
- Oi, . – ele sorriu – Eu tenho culpa de gostar de apreciar sua beleza? – ele piscou galanteador.
- Mas é um bobo mesmo, viu? – mordeu os lábios, abrindo um sorriso no final – Tá tudo bem?
- Não, eu queria estar ai com você... – ele suspirou, desfazendo o sorriso.
- Eu também queria que estivesse aqui, mas acontece, né? Não se culpe. – comentou chateada – E era sobre o que a campanha? – decidiu mudar de assunto.
- Ah, era para a marca Lupo, ensaio meio sensual de cueca box – arqueou a sobrancelha pra ela.
- Jura? – ela gargalhou – E você gostou de fazer?
- No começo não, mas até que as fotos ficaram boas... Quer ver? – concordou com a cabeça, vê-lo de cueca seria uma visão bem agradável. Ele enviou três fotos pra ela.
- Nossa, que gostoso! – as palavras pularam de sua boca. Ela tampou a mesma com as mãos, sentindo as bochechas esquentarem. gargalhou com a espontaneidade dela.
- Você fica lindinha envergonhada. – ele a encarou, com resquício de risada no rosto – Mas eu tenho espelho em casa, então...
- E você é um bobo mesmo. – mordeu os lábios – Para, sério, ficaram maravilhosas as fotos, você ficou muito lindo nelas.
- Muito obrigado, , são seus olhos. – ele sorriu abertamente. Eles ficaram se encarando por um tempo, aquele silêncio era confortável.
- Já jantou? – apertou os lábios, enquanto aguardava a resposta.
- Não, eu pedi pra trazerem aqui no quarto, não quero descer no buffet. – ele fez uma careta.
- Tem dias que é foda socializar. – ela completou, enquanto tinha os olhos fixos nele. escutou batidas na porta, já sabia quem era, então pediu que ela esperasse. Ele pegou o jantar e ajeitou o celular de forma que conseguisse comer e visualizar a garota. – Acho melhor eu desligar, te deixar comer sossegado e...
- Não, , fica aqui comigo, por favor? – ele fez cara de pidão e ela não resistiu.
- Tá bom. – ela sorriu, se ajeitando na cama. Ele jantou regrado de conversas fofas, brincadeiras e risadas.

⚽ ⚽

Já havia desembarcado em Santos no dia seguinte. Era por volta das 13h:17 min enquanto ele dirigia em direção a casa de seu filho. Estava morto de saudades de seu pequeno Davi. Não tardou a estacionar o veículo em frente ao local.
- Hey, Carol. – se cumprimentaram com dois beijos na bochecha.
- Oi. – ela o olhou, confusa – Achei que você voltaria pra cá somente amanhã, ao menos foi o que você disse. – abriu espaço para que ele entrasse na casa.
- É, eu também achei. – forçou um sorriso – Tinha trabalho, acabei vindo um pouco antes.
- Descontente, claro. – ela acabou rindo da face que ele fazia.
- Você nem imagina… Davi tá onde? - ele foi andando pela residência que ele já conhecia há um bom tempo, procurando pelo bebê.
- Está na sala, . – caminhou rapidamente até o local, e pode ver o filho no cercadinho no chão, envolto de brinquedos.
- Hey, meu meninão. – afinou a voz para língua de bebês. Pegou a criança no colo – Eita que ele tá pesado. – Carol riu e assentiu.
- Sim, , ele está com quase 10 kg. – o rapaz arregalou os olhos, enquanto agora brincava de aviãozinho com o filho.
- Caramba! Tá gordão, né, coisa linda. - brincou com o bebê que sorriu para o pai, que o encarava bobamente.
- ... – Carol despertou a atenção do rapaz para si – Você foi para o Rio a trabalho?
- Não, eu fui a passeio mesmo. – ele sentou-se no chão e colocou o filho entre suas pernas, enquanto brincava com ele.
- Ah, certo. – Carol sentou-se no sofá, próximo a eles. Um silêncio se instaurou no local, mas logo foi quebrado pelo jogador.
- Carol, estou conhecendo alguém… - comentou de forma casual.
Depois que soube da gravidez de Carol, havia ficado com algumas muitas mulheres, mas nada que devesse ser compartilhado com Carol, mas estava se tornando uma pessoa importante para ele, então merecia que fosse pauta daquela conversa.
- Pra você falar, é porque… Não, para tudo! É sério, tipo sério mesmo? - ela perguntou risonha. Ele assentiu envergonhado. – Não acredito que você está gostando de alguém.
- Nossa, quem olha pensa que eu sou um desalmado. – ele deu de ombros, fingindo estar magoado. Tinha os olhos presos no bebê, enquanto brincavam.
- Eu não disse isso, é só que sei lá, eu fiquei surpresa, . Me dê um descontinho. – ela riu.
- Você não se importa se eu… - ele pigarreou desconfortável – Você sabe, seguir em frente, arrumar uma namorada...
- Claro que não, tá tudo bem. - ela se aproximou dele, se sentando no chão. - Você tem todo o direito em seguir em frente, só tem 20 anos, é extremamente novo. - ela ficou surpresa com a indagação dele, não tinham nada, nunca tiveram para falar a verdade, não era como se ela fosse impedir algo.
- Quem vê pensa que está velha... – ele riu – Mas eu precisava falar, porque eu vou investir pra valer nessa garota, e se eu namorar com ela mesmo, o Davi será parte importante disso tudo. – Carol assentiu, finalmente entendendo onde ele queria chegar.
- Eu jamais restringiria o Davi a ter contato com a moça, quero mais é que tudo dê certo pra você, viu? Que ela coloque juízo nessa sua cabecinha de vento e que seja uma boa madrasta pro meu baby.
- Obrigado, eu acho. – ele riu leve – E sim, ela é maravilhosa, em breve você a conhecerá – ele a encarou com um sorriso terno. Voltou a atenção ao Davi que dava pequenos pulinhos. – Será que se eu o levasse pra passar o dia comigo, ele ficaria? Por que da outra vez que eu tentei tive que trazê-lo correndo, você se lembra? – eles riram lembrando da cena – Não é, meu campeão? - mexeu na mãozinha do filho.
- Ele está com quase nove meses, , acho que agora ele fica bem com vocês. Só não confio de deixar ele dormir lá, e ele acordar chorando sentindo minha falta.
- Certo. Então podemos tentar? - ela assentiu –Vou ver quando eu terei uma brecha na agenda de treinos da próxima semana pra ficar com ele, quero tirar o dia inteiro só pra isso.
- Acho válido, seus pais vão amar tê-lo lá tão próximo deles. – ele assentiu.
- Com certeza, e a Rapha? Vai surtar de passar o dia inteiro com ele. – riram, imaginando a cena.

Era noite, já havia voltado para a cobertura depois de ter passado um bom tempo ao lado de Davi. Agora estava jogado no sofá jogando videogame quando sentiu um perfume masculino forte próximo de si. Pode avistar Jota e pausou o jogo olhando para o amigo.
- Onde você vai? – perguntou reparando que o rapaz estava muito bem arrumado.
- Nós vamos, você quis dizer. – franziu o cenho.
- Como assim? Pra onde? – ele debochou. Não haviam combinado de saírem hoje.
- Vamos pra uma baladinha, , logo mais começa o campeonato e a mídia começa a cair em cima de ti. – o jogador negou – Ah, qual, é? Vamos, parça, temos que aproveitar esses momentos de folga. Pensa nisso, depois vai ser só trabalho e trabalho – ele o encarou desconfiado.
- Quem vai? – perguntou levemente interessado.
- Vai Gil, Gustavo, Chris. – arregalou os olhos.
- Caralho, faz tanto tempo que eu não os vejo. – referiu-se aos dois últimos amigos citados. Eram seus amigos desde seus sete anos. – Me espera, vou me trocar.
- , assim que eu gosto, cara. – Jota se animou, enquanto viu seu amigo se levantar do sofá e subir as escadas a passos rápidos. É, aquela noite prometia...




Continua...



Nota da autora: E o encontro fofinho que ele estava preparando deu errado, tadinho, né? Até gastou com presente...
E essa festa, gente? O que será que vai acontecer? Vem compartilhar suas teorias comigo nos comentários, hun?
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Nota da beta: Meu mantra atualmente é: vai dar merdaaaaa!
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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