Error of Contract- The Escape

Última atualização: 19/03/2018

Prólogo

Sempre se diz que a vingança não é o melhor caminho. Não costumo pensar como sendo vingança e sim uma maneira de ajudar o meu pai.
Nasci na Alemanha e, quando tinha 12 anos, nos mudamos para a Polônia, mesmo a contragosto da minha mãe. Sempre admirei meu pai pela inteligência e, inspirado por ele, quis ser engenheiro civil, porém, um pouco antes de eu ir para a faculdade, meu pai acabou preso, acusado pela queda do edifício da empresa Autobuss, uma das maiores montadoras de ônibus. A pena foi de 9 anos; ele era responsável pelos cálculos relativos à construção do edifício e na decisão concluíram que o desabamento foi causado por falha na concepção do sistema estrutural projetado e que o modelo matemático escolhido foi incapaz de garantir a estabilidade para edificação de 30 pavimentos e 100 metros de altura. Cerca de 20 pessoas morreram e a perícia apontou que não foram consideradas tanto a ação do vento, como do próprio desequilíbrio da estrutura assimétrica, quando submetida ao peso próprio, não resistindo a um vento de 30 a 40km/h.
Meu pai foi sócio do Willian Proll, um famoso engenheiro e empresário do setor de construção. Quando percebeu as verdadeiras intenções de Willian para ganhar dinheiro, meu pai resolveu abrir o próprio escritório, se tornando um dos maiores concorrentes da Proll´s Engenharia. Um tempo depois Willian pediu ajuda de meu pai em um projeto, pois, segundo ele, não estava dando conta e precisava entregar esse projeto nas mãos de alguém de confiança. Projeto esse que deu errado, de acordo com meu pai, Willian não executou o projeto que ele tinha entregado. Eu precisava encontrar o projeto original, precisava ajudar a provar a inocência de meu pai. Willian não me conhecia, poderia conseguir um emprego na empresa e assim ter a possibilidade de descobrir alguma prova contra ele e foi ai que decidi enviar meu currículo. Não demorou nem uma semana e me chamaram para uma entrevista.
Foram anos vendo minha mãe triste e preocupada, anos sem ter a presença do meu pai conosco, ele não viu eu e meus irmãos nos tornarmos adultos, não viu minhas irmãs virarem adolescentes, não pôde ver eu me formar... E isso não pode ficar assim!
Acordei, tomei um banho, tomei meu café da manhã e fui pegar o ônibus em direção à construtora.


Capítulo 1

8:37 da manhã— Proll’s office of Engineering
— Bom dia, senhora... — olhei para o nome que dizia na placa sobre a mesa — Holland, eu vim para a entrevista de emprego...
— AH, sim. Você deve ser o senhor Kessler, certo? — perguntou a mulher de aparentemente uns 56 anos, cabelos negros e olhos claros.
— Sim. – respondi.
— Pode entrar, o senhor Willian já está esperando-o. — Segui para a sala onde estava escrito Willian Proll Nowaków. Então entrei naquela sala, nada modesta, com um designer moderno, o homem a minha frente tinha um semblante jovial apesar de ser de idade já.
— Bom dia, senhor Willian. Eu sou Alex Kessler, estou aqui para a entrevista... – eu disse.
— Eu sei, meu jovem, estive analisando seu currículo, confesso que fiquei impressionado. Seu currículo é realmente invejável. – respondeu. — Me diga, por que resolveu seguir essa profissão? Digo, você resolveu seguir a profissão de alguém da família?
— Aham, meu pai é engenheiro civil, com especialização em estruturas também. E eu resolvi seguir essa profissão, pois gosto de saber como as coisas funcionam, como um projeto pode transformar e facilitar a vida das pessoas. – Por sorte, ele não questionou sobre meu pai.
— Quais são suas qualidades e seus defeitos? Seus pontos fracos e fortes? – questionou como em toda entrevista de emprego questionam.
— Acredito que eu sou muito detalhista e isso de certa forma é um ponto bom sobre mim, costumo revisar tudo várias vezes. Sou extremamente comprometido e disciplinado com tudo o que faço e meu defeito é impaciência, gosto de estar a par de tudo e questiono tudo.
— Muito bem, e como você se imagina daqui a cinco anos?— perguntou.
— Sendo reconhecido pelos meus projetos, claro. Se o senhor me contratar, garanto que não irá se arrepender, tenho certeza de que terá muito a ganhar comigo em sua equipe. – respondi com um sorriso amigável.
— Quais são os seus objetivos a curto e a longo prazo?
— Meu objetivo a curto prazo é estar empregado, depois quero criar estabilidade financeira para construir um futuro a longo prazo: casar, ter uma família e ver os filhos sentindo orgulho e querendo seguir os meus passos. – Depois disso a conversa seguiu sobre assuntos técnicos, até que Willian pegou uns papéis e me entregou pedindo para eu assinar.
— Gostei de você, Kessler, bem vindo à empresa. Está contratado. Assine aqui, por favor. — Senti certo desconforto com a rapidez com que fui contratado e também um alívio por meus planos estarem perto de começar.
— Muito obrigado pela confiança, prometo que não irá se arrepender. Quando começo? – eu disse
— Agora mesmo, pois já estamos com o projeto em andamento e estamos em cima do prazo. Já estávamos há muito tempo sem ninguém nesse cargo de diretor geral dos projetos e preciso de uma análise o quanto antes. Me entregue até o fim da semana, está bem? – pediu Willian.
— Tudo bem. –respondi.
— Creio que saiba que não irá trabalhar sozinho, certo? Minha secretária irá levá-lo a sala que a pessoa que irá lhe auxiliar está nesse momento. — E então o senhor Willian Proll pegou o telefone e enquanto ligava para a secretária eu analisava a foto em cima de sua mesa, com uma mulher que, pela semelhança, eu diria que é sua filha.
— Senhora Holland, leve o senhor Kessler para a sala de projetos agora. – ordenou Willian.
— AH, senhor Kessler, mais uma coisa... Boa sorte! Irá precisar. — Sem entender o que o senhor Willian quis dizer com aquilo apenas assenti e segui até a porta e antes de sair apenas disse: “Tenha um bom dia, senhor Willian”. Quando saí da sala do senhor Willian, fui levado até o escritório de projetos, que se localizava no subsolo do prédio principal. Logo que chegamos em frente a porta, a senhora Holland entrou e se dirigiu até a mesa, onde trabalhava uma linda mulher que julgaria ter no máximo 22 anos, tinha cabelos ruivos e olhos verdes, era muito bonita.
— Magareth Holland, quantas vezes eu já disse para bater antes de entrar? – disse a mulher.
— Desculpe-me, senhorita Nowaków, eu vim aqui apresentar seu novo colega de trabalho. Senhor Kessler é o novo diretor de projetos civis das empresas Proll. – disse Margareth.
— O QUE? Isso só pode ser uma piada. Meu pai NÃO pode ter feito isso. Eu disse que dava conta, será que ele não confia em mim? Será que acha que sou incapaz de assumir esse cargo? – disse, visivelmente irritada.
— Senhora Nowaków, tente se acalmar. Seu pai só estava pensando no seu bem... — E sem nem terminar de ouvir o que a senhora Holland tinha a dizer, a mulher saiu batendo a porta, deixando— me um pouco assustado confesso. “É com essa pessoa de gênio difícil que terei de trabalhar daqui pra frente se quiser ajudar meu pai a cumprir o seu plano, e eu prometi isso a ele e irei cumprir.” Foi ai então que descobri que se tratava nada menos do que a própria filha do maior mafioso que Chicago já viu, Willian Proll.
— Senhor Kessler, irei deixá-lo aqui agora, pois ainda tenho muito o que fazer antes do almoço. A senhora Nowaków deve demorar um pouco, mas deixarei para ela levá-lo até sua sala, acredito que queira começar por aqui hoje, esse projeto já está atrasado pelo que eu sei. – disse-me Margareth.
— Claro, senhora Holland, não se preocupe, irei esperar a senhorita Nowaków aqui e assim vou fazendo um estudo do projeto para apresentar o relatório. E, pelo que eu vejo, devo começar pelo relatório de sondagens geotécnicas do terreno. – expliquei.
— Comece por onde quiser, senhor Kessler, seu prazo, pelo que eu sei, é até o final da semana, então terá muito trabalho. Tenha um bom dia e boa sorte. – Me desejou Margareth.
— Tenha um bom dia, senhora Holland, e pode me chamar de Alex.
— Tudo bem, Alex, me chame de Margareth.
***

— PAI, QUE HISTÓRIA É ESSA DE QUE EU TENHO UM NOVO CHEFE? ACHEI QUE TINHA DITO QUE IRIA CONFIAR EM MIM.
— Èwa, não grita. Precisávamos de alguém para esse cargo, admita: você já estava esgotada e estamos em cima do prazo então, por favor, entenda isso e volte a trabalhar e espero que se de bem com seu colega.
— AH, que ótimo, sou a última a saber sobre meu coleguinha, e ainda terei de conviver quase 24 horas com esse estranho. Nunca esperei isso do senhor, papai.
— Isso o que, Èwa?
— Que saísse contratando pessoas estranhas assim e colocasse em cargos de grande importância. Devia seguir o protocolo não acha? Teria que nomear alguém que demonstre grande desempenho, com grande competência e depois disso dar a promoção.
— Não se preocupe, a ficha do senhor Kessler foi checada antes dele assumir esse cargo. Não precisa ficar com medo, ele não é nenhum terrorista pelo que eu saiba e nem parece um. E não tente expulsá-lo daqui, precisamos dele.
— Não farei isso, papai. — Forçando o sorriso mais falso que conseguia, Èwa concordou na tentativa de convencer o pai de que iria se comportar.
— Mais alguma coisa?
— Não, por enquanto.
— Então volte para o trabalho imediatamente.
Depois do primeiro dia de trabalho eu decidi ligar para Lucas, o meu vizinho e também amigo da época da escola desde que mudei para Varsóvia, para sairmos para comemorar o meu novo emprego.
— Hey, Lucas!
— Hey, Alex! Oque me conta de novo?
— Eu consegui!! O novo emprego, eu consegui! – eu disse empolgado.
— OPA! PARABÉNS!! Precisamos ir comemorar!
— Obrigado, Lucas! – eu agradeci. – O que acha de irmos a Warsaw hoje?
— É uma boa ideia. Você já chegou em casa?
— Sim, cheguei faz pouco tempo.
— Então vou pro banho e depois podemos ir lá então.
— Ok, daqui 40 minutos eu desço ai!
— Beleza, te espero. – desliguei e corri para o banho também.

8:37 da noite— WARSAW´S PUB
Quando chegamos ao pub encontramos alguns amigos da época em que estudamos em Poznan, Harry, Louis e Pierre e nos juntamos a eles.
— E então, Kessler, como anda a vida? – perguntou Louis.
— Agora posso dizer que está bem, tenho um emprego e muito bom por sinal. – respondi empolgado.
— E as namoradas? – perguntou Harry.
— Que namoradas o que? O relacionamento dele é comigo. – respondeu Lucas divertido e todos riram.
— Ele está com ciúmes porque eu tenho uma colega. – eu disse.
— Colega não, subordinada. Ele é o boss da relação. E estou com ciúmes mesmo, nunca imaginei que seria traído. Nossa relação é muito estável para estragar assim. São anos e anos de relacionamento. – disse Lucas com cara de decepcionado fazendo todos rirem mais ainda.
— Então você tem uma colega/subordinada? Você está gostando disso, não é, Kessler? Nunca foi muito bom com garotas, essa não irá fugir de você. – disse Harry, rindo.
— HAHA muito engraçado. Ela é medonha, eu que devia fugir dela. Muito brava. Às vezes me dá medo. – repondi.
— Eu suspeitei desde o principio que você tinha medo de mulheres, senhor engomadinho. – disse Harry.
— Por isso ele ainda está comigo. – Lucas me defendeu.
— E você, Lucas? Está trabalhando? – perguntou Pierre.
— Estou sim, Doi minha opinião na internet sobre séries da Netflix.— disse Lucas. — E você? Ainda trabalha com games? — perguntou.
— Sim, já consegui juntar uma boa grana. Assinei contrato com a empresa de uns japoneses e trabalho em casa mesmo, programando. — respondeu Pierre.
— E vocês dois ainda continuam sócios?— Harry assentiu.
— Também é um casamento. – respondeu Louis.
O resto da noite seguiu de risadas e de lembranças dos velhos tempos em que todos moramos perto.

8:37 da manhã— Proll’s office of Engineering
— O que você pensa que esta fazendo?
— Me desculpe, senhorita Nowaków, eu só estava revendo essa parte do projeto, me parece comprometida, precisa de mais um pilar aqui. Lei de Hook, essa parede pode não resistir, mas um pilar aqui vai resolver isso.
— Não pense que eu vou deixar você acabar com meu projeto, eu já calculei a força elástica nesse ponto e a parede suporta exatamente como está.
— Por que arriscar, não é? Existem vários fatores que podem mudar o seu cálculo, você não deixou folga. Já analisou o que a empresa pode armazenar ai nessa parte que fica o depósito? Eu ainda acho que ele deveria ser embaixo, afinal, não é uma loja de roupas.
— Olha só, eu tô tentando manter minha calma e o pouco de sanidade que ainda possuo pra não jogar esses esquadros na sua cabeça agora. Mas estou te avisando, vá achar algo de útil pra fazer e me deixe trabalhar antes que tenhamos um crime por aqui.
— Eu sei que você não simpatizou muito comigo, senhora Nowaków, mas eu, tecnicamente, sou seu chefe e tenho que fazer isso, afinal, os projetos passam por mim agora e seu pai me pediu um relatório desse projeto até o final da semana.
Dias se passaram e o trabalho com Èwa era cada vez mais complicado, ela dificultava meu trabalho, não me dava espaço e além ter muito serviço por aqui ainda precisava encontrar uma maneira de conseguir alguma prova de que o projeto apresentado no julgamento de meu pai não era o verdadeiro. O que, pelo visto, iria demorar mais do que imaginava... ou não.
De repente me veio uma súbita ideia de que, se a minha maior preocupação era que Èwa estava tomando muito do meu tempo, já toda vez que precisava convencê-la de minhas decisões eu deveria ganhar sua confiança. Do que é que mulher gosta mesmo? Bom, toda mulher gosta de roupas e de sapatos e... e essa dai é o oposto então eu devo pensar do que uma mulher gosta e fazer ao contrário. Se bem que eu nem sabia do que uma mulher gosta, estive tão obcecado durante anos em ajudar meu pai que estudei demais e não imaginei que precisaria lidar com o problema mulher durante esse processo, e também não tinha tido muitas namoradas, apenas duas e nada duradouro, pois não conseguia conciliar os estudos com uma namorada e nunca achei que precisava me dedicar totalmente a outra pessoa. O que eu nunca consegui.
Eu só percebia quando elas iam embora e dai notava que nunca estive lá por inteiro, sempre escondia segredos... Voltemos a parte em que isso me ajuda mesmo? Se ela não gosta das coisas que mulher gosta, ela gosta de coisas que homem gosta e homem gosta de bebida. É isso ai, vou convidá-la para beber!
— Você está muito quieto, Kessler! Não me encheu a paciência o dia todo? Está se sentindo bem? Está doente? Está com problemas?— Problemas? Vááários e você é o maior deles!
— Não é nada, Èwa, só estou um pouco exausto. Estamos nisso há horas e já passou do horário. Por que não vai para casa descansar? — me olhando com a maior cara de incrédula Èwa queria me xingar, mas estava tão exausta quanto eu.
— Ora, querido, se você está um pouco velho para isso e precisa descansar, peça demissão.
— Apenas quis ser gentil, não me leve a mal! Eu estou exausto até para brigar e não minta, também vejo cansaço em você!
— Mentira, Kessler, você está querendo é boicotar o meu projeto! — Boicotar? Seu projeto? Essas palavras me causaram repugnância, queria extravasar a raiva que elas causavam em mim, porém precisava me controlar.
— Boicotar? Não esqueça que é NOSSO projeto, Èwa, nooosso. Sendo assim, irei boicotar o meu projeto também. Estava pensando... poderíamos sair para tomar algo depois daqui e ....
— Espera ai! Você bebeu? Sua mãe colocou água sanitária na sua mamadeira? Quem foi que disse que você tem esse tipo de liberdade !— por um momento o cansaço e as patadas de Èwa me faziam querer largar tudo, mas eu não poderia. Apenas me calei, não tinha mais forças para reponde-la. E foi aqui que levei um susto com oque eu escutara.
— Tudo bem, Kessler, dessa vez eu vou concordar com você! Mas não pense que quero ser sua amiga. Melhor te aturar bêbada do que sóbria.
Então descemos ao estacionamento.
— E seu carro, Kessler, onde está?... – Se ela soubesse mais sobre a minha vida e do que tive que enfrentar depois que meu pai foi preso por causa deles.
— Eu não tenho um carro.
— Como assim não tem um carro?— Ela realmente parecia horrorizada, parecia não conhecer o que é dificuldade e nunca ter visto a pobreza de perto.
De certo modo, sempre tivemos uma vida simples, mas muito feliz; porém depois que tive que tomar conta da família, nossas economias foram parar com os advogados e também para manter meus irmãos e meus estudos. Éramos cinco irmãos, eu, Sebastian, Thomas, Antonella e Valentina, a caçula. Ainda tinha minha mãe e minha avó Aura, que estava doente e eu me sentia uma pessoa má, por desperdiçar o pouco tempo que ainda me restava com ela, mas eu precisava tirar o meu pai daquele lugar para ele poder vê-la uma última vez, antes que ela parta. E eu precisava parar de pensar na minha vida e precisava me concentrar.
— Estou esperando a sua resposta! Ficou mudo? Por que não tem um carro? Não vou te dar carona. — Talvez fosse a melhor maneira de começar me aproximando dela.
— Tudo bem, se quiser eu posso pedir um táxi. Não tenho um carro, pois eu tenho quatro irmãos e uma avó doente... então não temos economias. As que tinham se esgotaram com isso e com meus estudos, o que me deixa péssimo. Então, agora tudo o que ganho eu dedico a eles pelo empréstimo e também porque antes não podia lhes dar uma vida melhor.
— E seu pai não trabalha? É doente? — não sei se estranho a curiosidade ou agradeço por não estar me xingando.
— É complicado... – pareceu haver comoção em seus olhos. — Vou chamar o táxi... — E de repente mais um susto no dia... Ou melhor, final de dia.
— Entra ai, antes que eu me arrependa...

Capítulo 2

8:37 da noite — Champion Sports Bar &Restaurant
O silêncio durante o caminho era quase constrangedor e se o MustangShelby GT500 esportivo de Èwa tivesse bancos atrás, com certeza teria pedido para sentar lá. Quando percebi que havíamos chegado senti um alívio, precisava de algo para beber. Era Pavilion, um bairro cheio de barzinhos um ao lado do outro em Varsóvia. Uma região que ainda não tinha o costume de ir. Èwa escolheu o Champion Sports Bar&Restaurant. Achei que tudo estaria tranquilo, mas como seria tranquilo chegar a um bar com a filha de um poderoso e famoso empresário? Ainda mais por este ser um dos rostos mais comuns nos jornais, acusados duas vezes por não pagar impostos ao governo.
Entramos no bar e as pessoas ficavam olhando para onde estávamos Nunca tinha ido aquele bar e me senti confortável quando Èwa escolheu uma mesa mais afastada.
— O que é? Ficou mudo de novo?
— Não, apenas não é um bairro que eu costumo frequentar. Esse bar também é novidade para mim, estava apenas observando.
— Humm o senhor certinho e estudioso não frequenta bares?
— Não é isso, Èwa, não tenho amigos e, como disse, uma situação financeira não tão digna de sair sempre.
— Bom, mas agora irá ganhar mais do que eu, – e então foi a primeira vez que eu a escutei rir— na próxima quem paga é você. – e foi isso mesmo que eu ouvi? Estava pasmo. E fui salvo pelo garçom que veio até nos antes que eu precisasse dar uma resposta.
— Boa noite, senhores. O que gostariam de beber?
— Um półtorak, por favor.
— Você gosta de bebidas fortes? – e, de repente, ela riu de uma forma irônica.
— Traga água para meu amigo. – ironizou.
— Não, Èwa, eu te acompanho. Dois półtorak, por favor. — E assim que o garçom se afastou ela continuou o assunto.
— Eu não quis dizer que terá uma próxima vez, apenas fiz uma brincadeira. O que não deixa de ser uma verdade de que ganhará mais do que eu, então poderá ajudar mais a família e comprar um carro e não vou precisar te carregar. — Assim que a bebida chegou o garçom perguntou se gostaríamos de algum acompanhamento.
— Eu vou querer fritas. – respondi sem esperar muito.
— Para mim nada, obrigada. – ela agradeceu.
— Você deveria comer algo, Èwa, não a vi comer nada pela tarde e essa bebida é forte... – aconselhei.
— Você não é meu pai e nem minha mãe pra me dizer isso. Mas, se te serve de consolo, eu quero dançar depois, quem sabe mais tarde eu coma alguma coisa. E se eu beber demais você me leva para casa. – disse piscando em seguida. – Quer dizer, você sabe dirigir, não é?
— Não é po eu não tenho um Mustang para dirigir que eu não preciso saber. E, a propósito, é mais seguro confiar em mim dirigindo do que dirigir bêbada.
— E então, Kessler, você é de Varsóvia mesmo? – por um momento achei estranho o interesse sobre minha vida, por outro lado poderia ser somente por educação e para não haver um silêncio constrangedor entre nós.
— Não, eu nasci em Leipzig, mas mudei para Varsóvia ainda criança. Tive que me adaptar a vida aqui, idioma e cultura muito diferentes. Na escola eu demorei mais a me acostumar com a turma, pois minha escola em Leipzig era pequena e os colegas que eu tinha já eram meus colegas desde o maternal.
— Eu nunca tive muitos amigos seja na escola ou clube, etc. Meus pais nunca tinham tempo para mim, o motorista me levava e me buscava sempre e também meus pais nunca gostaram de visitas ainda mais se tivesse crianças... Por outro lado, a senhora que me cuidou quando criança tinha uma filha da minha idade que ia brincar comigo às vezes. Na verdade, sempre vivi isolada, depois que eu já tinha idade para sair eu preferia ficar em casa estudando. Queria ganhar respeito na empresa, mostrar que meu emprego era por merecimento e não porque meu pai é o dono. Demorei a ser promovida e achei que iria ganhar um novo cargo ainda esse ano, isso até você chegar e...
— Hey, espera ai! Eu não tive culpa, jamais imaginei que iria te prejudicar e foi tudo como mandam as regras o meu currículo foi avaliado... – expliquei.
— Eu sei, eu sei... Tem razão, não tem culpa, mas eu admito não sou muito boa com derrotas. – e naquele momento eu ri também, parecíamos nos conhecer a mais tempo do que o normal, era um sentimento muito bom o sentimento de poder falar da minha vida para ela.
— Quando eu tinha 6 anos, encontrei um cachorro na rua e levei para casa. Escondi no roupeiro, minha mãe ficou louca quando viu, mas me deixou ficar com ele. Foi o único animal de estimação que eu tive, ele se chamava Luck. – não entendi o porquê dela começar esse assunto do nada, mas era engraçado ver como era tão doce apesar da seriedade em que eu a via na empresa.
— Eu também tive um cachorro, ganhei da minha avó. Ele era grandão e bagunceiro. Comeu a chuteira nova que tinha ganhado do meu pai. – meu celular começou a tocar e eu precisava atender, era minha irmã, devia estar preocupada por ainda não ter ligado aquele dia.
— Eu preciso atender, está bem? Se comporte, não vai beber mais. Não vou demorar. – Logo que a vi concordar com a cabeça sai em direção ao banheiro o barulho da música era menor.
...

— Alo? Valentina? Estão todos bem?
— Oi, Alex, sim estamos bem. A vovó Aura perguntou o dia todo por você, se você já tinha ligado. Como não ligou, resolvi ligar...
— Ela deve estar dormindo agora, então quando ela acordar peça desculpas para ela por não ter ligado mais cedo. Eu sai com uma amiga hoje...
— Amiga é? Quando é que você vai trazer essa amiga pra casa para nós conhecermos?
— Ela é só uma amiga, Valentina, colega de trabalho.
— Hum, sei. Mamãe vai pensar que você é gay e papai vai ficar desapontado também.
— Hey! Ao invés de ficar cuidando da minha vida amorosa vá dormir, mocinha, está tarde já. Amanhã eu falo com você.
— Está bem eu sei que está com ela ainda. Boa noite, maninho, até amanhã. Beijos!
— Beijos!
...

Quando voltei Èwa não estava mais na mesa, pior, ela estava em cima da mesa dançando e alguns idiotas em volta se aproveitando e falando tira, tira... Senti muita raiva e vontade de sair batendo neles. Mas eu preferi tirá-la de lá antes que ela tirasse mesmo toda a roupa. Então paguei a conta e corri até lá.
— Èwa, vamos para casa agora! Desce dai!
— Você não é meu namorado! Sai! Deixe-me ser feliz!
— Você a ouviu, a deixe em paz! – não pensei duas vezes e empurrei aquele cara o derrubando sobre uma mesa, pegando Èwa no colo e logo saindo dali.
...


8:37 da manhã— Alex´s House

— KESSLER! Você estragou tudo! Era o Adam Levine cantando!!!
— Podemos o ouvir cantando, se você quiser. — peguei o celular e coloquei Won't Go Home Without You para tocar. Èwa acabou dormindo e eu não sabia onde ela morava.
Dirigi até o meu apartamento e a levei para o quarto com cuidado para que não acordasse. Parecia tão calma dormindo, era como uma criança e, por um momento, vê-la ali dormindo me trouxe calma também. A cobri e fui para o sofá dormir.
No outro dia acordei cedo liguei a televisão para ver o jornal e fui preparar o café da manhã. Como eu ia saber o que ela gosta de comer? Não tinha a visto comer nada ainda. Optei por omeletes de espinafre e torradas com geléia de morango, preparei também chá e café. Alguma coisa ela deve gostar! Antes que terminasse de passar o café ouvi barulho no quarto. Segui para ver se precisava de ajuda e adivinha... Èwa estava no banheiro, vomitando. Encontrei-a sentada no chão em frente ao vaso e me abaixei também.
— Bom dia?... – eu disse.
— Bom dia nada, onde eu estou? – ela respondeu de forma emburrada.
— Na minha casa... Quer ajuda? – disse de maneira óbvia. — Quer ajuda?
— Minha cabeça está rodando, eu quero um remédio! – fui buscar o remédio e também uma escova de dente. Quando voltei Èwa estava vomitando mais ainda, estava muito fraca, me abaixei e a segurei.
— Calma, já vai passar. Toma aqui o remédio que vai parar de doer. – então a entreguei o remédio e um copo com água e me sentei no chão do lado dela a abraçando e apoiando sua cabeça no meu ombro. – E esse aqui é para o enjoo.
— Obrigada! Tá doendo muito... – comecei a fazer carinho no seu cabelo e ela fechou os olhos.
— Está melhor? — perguntei
— É, eu já consigo sair daqui... — disse ela.
— Você precisa se alimentar. Lava o rosto, se escova e depois vamos tomar café. – ajudei-a levantar e esperei até irmos para a cozinha. – Não sabia o que você gosta de comer, então fiz umas torradas, omeletes, chá, café... e tem waffles também.
— Do que é o chá?— perguntou Èwa.
— É de maçã. – eu respondi.
— Então eu vou querer o chá, waffles e aquela geleia ali. – Depois do café eu fui lavar a louça enquanto ela assistia o jornal e reclamava que o remédio não estava fazendo efeito.
— Você precisa descansar, vá deitar de novo.
— Eu tenho que ir para casa. Preciso de um banho.
— Neste estado, é melhor esperar um pouco. – consegui convencê-la a deitar mais um pouco, e comecei a descobrir algumas manias dela, tive que deixar a televisão do quarto ligada para ela conseguir dormir.
— Eu preciso trabalhar, já estou um pouco atrasado.
— E vai me deixar aqui sozinha? – me perguntou com a voz parecendo uma criança.
— Mas, Èwa, eu vou perder meu emprego se faltar. – expliquei.
— Não vai! Eu falo com meu pai. Eu digo que eu não estava bem e que você ficou me fazendo companhia. Não quero ficar sozinha!
— Está bem, eu espero que ele entenda. Descansa então, vou ficar aqui. – Acabei adormecendo ao seu lado. Mas acordei quando senti Èwa me abraçar. Ela continuava dormindo provavelmente devia estar sonhando.

Capítulo 3

Era uma sensação que não sentia há muito tempo. Sentia vontade de poder abraçá-la e então eu o fiz. Ela estava dormindo com a cabeça em meu braço e podia sentir o bom cheiro de seus cabelos bem próximo. Fique admirando-a por um tempo até adormecer de novo. Dormi até ser acordado por Èwa gritando.
— KESSLER! O QUE É ISSO? – perguntou indignada.
— Isso o que? – perguntei, fingindo não entender.
— Você se aproveitou de mim enquanto eu estava dormindo. – disse.
— Eu não me aproveitei de você, eu estava dormindo também. – disse tranquilamente.
— Se aproveitou sim, estava dormindo aqui. Quem disse que podia? – gritou ela de novo.
— Essa cama é minha e foi você quem disse que não queria ficar sozinha. – quanto mais calmo eu falava, mais irritada ela ficava e isso era muito engraçado. Èwa levantou e foi em direção ao banheiro para escovar os dentes e eu a segui.
— Èwa, não fica brava comigo. – eu pedi de forma gentil.
— Você se aproveitou, admita! – ela insistiu.
— Você vai continuar? – perguntei.
— Por que? – ela perguntou.
— Porque ai eu vou voltar a dormir. – ela me olhou incrédula.
— Você é mal educado. – ela disse.
— Eu sou? Só não quero brigar com você. E quem se aproveitou foi você, você quem me abraçou. O que queria que eu fizesse? – perguntei.
— Não sei, podia ter me acordado.
— Está bem, na próxima eu vou acordar gritando também. E a propósito eu gostei de ter me abraçado. – falei para incomodá-la e a abracei bem forte. Ela tentou me dar uns tapas, mas acabou rindo também.
— Você é um idiota, Kessler. Mas, infelizmente, tenho que te aturar. – ela disse brincando.
— Eu sei e você gosta. Eu gosto de te ver rindo. – acho que isso pareceu um pouco forte demais, percebi que ela ficou sem saber o que falar.
— Eu preciso ir agora, nos vemos amanhã no trabalho. – ela disse.
— Já está melhor? – perguntei.
— Sim, estou. – respondeu.
— Tudo bem então, até amanhã. – e abracei-a novamente.
— Até amanhã e obrigada por cuidar de mim. – agradeceu.
...


8:37 da manhã — Proll’s office of Engineering
Quando cheguei ao serviço a secretária me informou de que Willian queria falar comigo quando ele retornasse. Então segui para a sala de projetos e encontrei Èwa lá trabalhando.
— Bom dia. – eu disse.
— Bom dia. – Èwa respondeu, não muito animada.
— Seu pai deixou recado que queria falar comigo quando ele retornasse. Ele passou por aqui antes de sair? – perguntei.
— Não, mas me deixou o mesmo recado. – ela respondeu.
Trabalhamos a manhã toda e estávamos quase por concluir o projeto antes do almoço, até que fomos chamados por Margareth para irmos à sala do Willian. E quando chegamos lá, antes de entrar, Margareth nos avisou que ele gostaria de falar com a filha primeiro. Então Èwa entrou na sala.
ÈWAS POV ON
— Bom dia, pai. – eu disse.
— Bom dia? Como posso ter um bom dia ao ver isso? – meu pai jogou revistas e jornais sobre a mesa. Levei um susto ao me ver exposta ali, tinha uma foto minha em cima de uma mesa e com o vestido erguido.
— Foi por isso que não veio trabalhar ontem? – perguntou furioso.
— Eu não me senti bem ontem. – respondi.
— Não se sentiu bem? – perguntou de uma forma irônica. – Por acaso você tem noção do que isso significa para a empresa? O quanto isso me envergonha?
— Eu perdi o controle, eu bebi, não tinha me alimentado direito, passei o dia todo trabalhando. Eu precisava sair.
— Precisava me envergonhar? Você não faz nada direito. Eu já estou cansado dessas suas atitudes de adolescente. Você precisa é de um marido para te impor limites e de filhos para se ocupar. – a essa altura da conversa eu já estava chorando. – Estou muito decepcionado com o senhor Kessler, pelo que vi, ele estava lá também. Jamais esperei essa atitude dele.
— Ele foi quem me levou para casa, pois eu não estava bem. Ele não tem culpa de nada, quem bebeu fui eu, ele apenas me ajudou a voltar pra casa antes que eu fizesse pior. – expliquei.
— Então você admite sua atitude? – perguntou.
— Eu não disse que não fiz isso, eu sinto muito, estou arrependida, não tinha noção de que isso aconteceria. – desculpei- me.
— Eu espero mesmo não ver mais nenhuma notícia desse tipo. Espero que você tenha noção do que causa para a imagem da família e que pense nas suas atitudes. Agora volte ao trabalho. – apenas virei às costas e sai, pois não conseguia nem respondê-lo.
ÈWAS POV OFF
— O senhor pode entrar agora, senhor Kessler. – disse Margareth.
— Tudo bem, Margareth, obrigado. – respondi e então entrei na sala.
— Bom dia, senhor Willian. – eu disse.
— Bom dia. – respondeu rispidamente.
— Chamei aqui para alertá-lo de que eu não permito escândalos envolvendo pessoas da empresa. O senhor viu os jornais, Sr. Kessler? – perguntou.
— Não, senhor Willian, ainda não. – respondi.
— Pode levá-los para ler em sua sala. – e então me entregou alguns jornais e revistas.
— Qual a sua relação com minha filha? – fiquei sem entender a pergunta, mas respondi da forma mais óbvia possível.
— Somos apenas colegas de trabalho, senhor. – respondi.
— Eu espero que essa seja a única vez que tenha que comunicá-lo sobre isso: Não suporto ver a minha filha, minha família e muito menos a empresa envolvida em escândalos. O jornal o aponta como o novo namorado de minha filha. Eu espero que a relação entre vocês aqui na empresa não interfira no desempenho ao qual eu espero. O senhor tem um cargo importante aqui dentro, senhor Kessler, não deixe que nada ponha em risco isso.
— Peço desculpas pelo problema causado, senhor Willian, e isso jamais irá se repetir. Creio que Èwa tenha explicado-lhe o que houve e que na verdade eu somente quis ajudá-la.
— Tudo bem, pode voltar ao trabalho agora.
— Tenha um bom dia, senhor Willian.
— Tenha um bom dia, senhor Kessler. – respondeu e então eu voltei a sala de projetos. Quando cheguei encontrei Èwa chorando.
— O que houve, Èwa? – perguntei.
— Meu pai foi bem grosseiro. – respondeu. – Eu já esperava, mas as coisas que ele disse... magoaram. E ele tem razão. – disse chorando.
— Fica calma, vai passar. – eu disse e a abracei.
— Se você tivesse escutado iria entender porque estou assim. – retrucou.
— Eu entendo, Èwa, não pense que sou insensível. Mas, sabe, eu acho que nenhuma tristeza dura para sempre. Você vai ver, com o tempo vai ficar melhor. – tentei consolar.
— Você já se sentiu triste? Quero dizer sabe aquela tristeza em que te deixa isolada de tudo, cansada de tudo, e às vezes dá vontade de chorar? É uma sensação de solidão e vazio, eu passo muito tempo aqui, é muita cobrança. Mas agora pelo menos eu tenho a tua companhia. – confesso que me senti muito feliz ao ouvir isso.
— Eu já me senti triste, sim, por várias vezes. Não vou falar sobre as minhas tristezas agora porque não vai te ajudar a ficar melhor, mas acredite todas elas passaram. Claro que no momento assim faz bem chorar mesmo, faz bem falar e é bom sim ter companhia. – expliquei.
— Vem aqui, quero te mostrar uma coisa. – então ela me puxou em direção a escada, onde tinha uma porta escondida. Quando ela abriu aquela porta pude ver uma pequena peça, com as paredes todas cheias de prateleiras com livros desde o chão até o teto e o chão era coberto com almofadas.
— Pode entrar. – então eu entrei e sentei em uma almofada. – Quando fico triste eu venho aqui. Nesse lugar eu posso ir pra qualquer lugar, sabe? É só eu escolher um livro e viajar pela história.
— É um lugar muito especial para você. Por que me trouxe aqui? – perguntei.
— Porque quando estiver triste pode vir aqui também. – ela respondeu. – Eu não sei muito sobre você, mas eu vejo que é uma boa pessoa, então eu quis dividir isso.
— Obrigada. – a abracei – Pode confiar em mim.
— Eu sei que sim. – ela me abraçou mais forte e ficou ali quietinha como se estivesse pensando em algo.
— Qual o livro daqui que você mais gosta? – perguntei.
— Essa e fácil! Esse aqui!— e apontou para um livro um pouco antigo. — Impasse, poderia te contar a história, mas dai não teria graça.
— Mas eu ia gostar de te ouvir. – insisti.
— É a história de dois jovens que lutam para ficar juntos. A menina está grávida e o pai dela quer tirar a criança dela e não aceita o namorado... – e ai Èwa contou todo o livro até adormecer. Ainda continuava abraçada em mim então arrumei-a melhor e acabei dormindo também, por sorte, acordei antes dos gritos dela.
Quando acordou ela apenas ficou me encarando sem saber o que falar. E a vontade que eu tinha era de abraçá-la novamente só aumentava.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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