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Prólogo - Up All Night:

Don’t even care about the table breaking, we only wanna have a laugh.

“I want a boyfriend who will go to concerts with me, or just a boyfriend, or
just concert tickets, or just concert tickets to see my boyfriend.”


Toda garota tem um sonho. Eles normalmente envolvem algo como viajar para conhecer lugares românticos, como Paris ou Veneza, e também encontrar seu príncipe encantado e com ele, formar uma família com filhos lindos. Outras garotas, mais independentes, sonhavam em sair de casa e trabalhar para o seu próprio sustento e assim, tornarem-se bem sucedidas, tanto financeira como profissionalmente.
Em Manchester, três garotas também tinham um sonho e se pararmos pra pensar, envolvia Paris e Veneza, príncipe encantado, e ganhar a vida com o próprio sustento. Os pais não conseguiam entender aquilo, os amigos da faculdade achavam que era loucura, as mais novas achavam que sonho nenhum no mundo seria melhor que aquilo.
E desde 2011, essas três mantinham uma poupança, especialmente para realizar esse sonho, e mensalmente, elas depositavam todo o salário ganho no trabalho provisório nessa conta com um fim especial. As idas ao banco, uma vez por mês, tinham um propósito: Take Me Home Tour – Europa 2013.



1. I Would for England:

Lately I found myself thinking, been dreaming about you a lot.

Apesar de alguns raios solares aparecerem, ainda tímidos, por trás das nuvens, finalmente a primavera começava a dar o ar da graça na Inglaterra. A temperatura, um pouco mais amena, mas ainda gelada, na parte da tarde, fazia com que sentisse alguns pingos de suor escorrerem pela testa enquanto corria do Departamento de Comunicação para o Departamento de Biologia, dentro do campus da Manchester University.
Vestindo uma legging preta, com uma blusa amarela comprida, um sneaker preto no pé e um moletom por cima, ela finalmente deu graças a Deus por ter acabado aquela prova de Teoria da Comunicação e estava livre para as férias. Férias que, pela primeira vez desde que entrou na faculdade, estava ansiosa por elas.
parou na frente do prédio de Biologia e olhou no relógio. Se as amigas não saíssem de lá logo, elas definitivamente estariam atrasadas. Quando finalmente deu 17h, e uma enxurrada de alunos começou a sair de lá, ela se perguntava onde estariam suas amigas.
- Ei, , boa sorte! – umas meninas falavam enquanto passavam por ela.
- Obrigada – retribuiu com um sorriso – Você viu e ? – ela perguntava pra outra pessoa que passava por ela.
- Lá dentro – respondia enquanto apontavam para o prédio – Boas férias.
- Obrigada, pra você também.
Ela bufou. Não era possível que justamente no dia que a maior aventura da vida delas fosse começar, elas iriam se atrasar e já se atrapalharem todas. O local já estava ficando vazio e olhava impacientemente para o relógio. Quando estava abrindo sua bolsa para pegar o celular, viu as amigas saindo do Departamento.
- Aleluia! – gritou enquanto e desciam as escadas em direção a ela – Qual a excelente explicação, pelo atraso?
- Os ratos da apontou para a amiga que a acompanhava e então abraçou – Minha aula acabou já tem um tempo, mas fui ver se a precisava de ajuda.
- Não são ratos, são camundongos e mais respeito com os meus bebês, por favor – falou e ao ouvir “bebês”, as amigas olharam pra ela entortando a boca, assustadas.
- Que você teve que sacrificar – concluiu e viu a amiga fazer bico – Sério que você tem tanto amor assim nos bichinhos?
As meninas se conheceram há dois anos, nas festividades de boas vindas da universidade. era da Irlanda, já era formada, mas foi para Manchester estudar e procurar a cura da diabetes, tema do mestrado que fazia por lá. era de Harrow e estudava Publicidade e Propaganda, naquele dia havia concluído o terceiro ano do curso e era de Brighton, litoral inglês, também tinha terminado o terceiro ano, mas estudava Biologia.
e já haviam se esbarrado no prédio administrativo do campus, a procura de informações sobre as salas onde teriam aula e ficaram conversando, percebendo que tinham o amor pelo One Direction em comum, fazendo nascer daí, uma amizade inseparável. se juntou às duas quando, por ser veterana máster, ficou encarregada de reunir os calouros do Departamento de Biologia, conheceu e, após descobrir que ela também gostava da boyband, apresentou ela para , e formaram um trio, que elas costumavam falar que era imbatível.
- Então hoje começa o sonho! – falou enquanto elas caminhavam até o dormitório de , onde elas haviam concentrado a papelada para a viagem.
- E a gente já está atrasada – as apressava, com passos largos.
- , deixa de ser encanada com o relógio – segurou a amiga pelo braço, a fazendo diminuir a velocidade – Nossos ingressos são front row, é chegar, sentar e amar os meninos.
- To atrasada, muito atrasada – ela falou por fim, imitando o Coelho Branco de Alice no País das Maravilhas – Vocês sabem que eu sou neurótica com o horário.
- Sim, mas relaxa que ainda tem umas três horas ou mais para o show começar.
Logo que alcançaram o dormitório, elas subiram até o terceiro andar de escada, e chegaram à penúltima porta do lado direito do corredor, quando colocou a chave na porta e logo elas entraram.
O quarto de era pequeno, mas aconchegante o bastante para as meninas fazerem festa do pijama lá, esporadicamente. Na parede da direita, havia uma porta que dava para um banheiro pequeno e uma mesa com o notebook da menina e vários livros de biologia empilhados em cima dele. Encostada na parede da esquerda havia uma cama e vários pôsteres colados.
- Ingressos, ingressos – vasculhava uma de suas gavetas em busca dos papéis preciosos e pegou um envelope – Ingresso de amanhã... De Paris... Isso, hoje! – ela levantou os três papéis.
- Vamos! – pegou da mão da amiga e deixou seu material em cima da cama da amiga – Você não vai precisar da sua cama por pelo menos um mês, deixa meus livros aí.
- Erm, tá bom? – disse e tirou o casaco – Vocês me esperam rapidinho tomar banho?
- Não – pegou o casaco da amiga e jogou de volta para ela – A gente sabe que esse rapidinho demora horas.
- Mas...
- Só quando nós voltarmos, falou e foi saindo do quarto, seguida de e , que resmungava alguma coisa sobre ser um absurdo ir a um show sem tomar banho.

*****


Próximo ao dormitório, as meninas pegaram um ônibus circular que as deixou próximas à Manchester Arena. Assim que andaram dois quarteirões e avistaram o local onde seria o show, perceberam que o circo estava armado. A fila dava voltas no local, vendedores ambulantes passavam vendendo desde bottons até a mãe dos meninos. Grupos faziam coros e cantavam músicas mais famosas e a gritaria era geral e estava instalada por lá.
Como as cadeiras eram marcadas, e a delas era na área mais privilegiada do local (graças ao pai de , que era influente na Irlanda e conseguiu as entradas pra filha e as amigas), as meninas decidiram sentar em um bar, que ficava atravessando a rua de onde seria a entrada para o setor delas.
Sentada enquanto tomava um gole de seu refrigerante, olhava do outro lado da rua o movimento e seus olhos ergueram em direção a fachada da arena.
- Meninas – ela sorriu e apontou para cima.
Quando e viraram para onde a amiga apontou, também abriram um largo sorriso.
- A gente é maluca – comentou.
- Quem deixou nós fazermos isso? – foi a vez de .
- Amor – respondeu por fim, enquanto elas fitavam um grande banner que trazia a foto do One Direction, informando que ali seriam realizados dois shows da boyband.
- Ladies – as chamou com o copo levantado. Ela e beberiam cerveja – Bem vindas a maior realização do sonho de vocês.
- Que comece a Take Me Home – piscou e as três brindaram com seus respectivos copos.
Enquanto estavam por lá, puderam ver que a fila começou a andar e as pessoas já entravam na arena. Pagaram a conta e seguiram para o local. Depois de apresentar os ingressos, as garotas se viram diante de um imenso palco cheio de telões e estruturas e sentaram.
Uma banda de abertura entrou no palco para animar o público e logo se apresentaram como os australianos da 5 Seconds of Summer. As meninas levantaram e ficaram dançando, enquanto mandavam beijos e corações feitos com as mãos para os garotos no palco, ao som de algo que elas julgavam parecido com Busted.
- Busted era muito bom! – gritou, por conta da altura do som.
- Nem fala! – respondeu – Espero que eles não sigam o mesmo caminho.
- De jeito nenhum – se manifestou, mas sem tirar os olhos do palco – Eles são muito bonitinhos pra terminarem.
- Já olhei o baterista, tirem o olho – riu enquanto tentava chamar a atenção para o garoto no fundo do palco.
- Não se atrevam a olhar o loirinho bonitinho aqui da guitarra!
- Não vou me aguentar de amar esses meninos e não saber o nome deles.
tirou o celular de dentro da bolsa e quando a internet finalmente conectou, fez uma rápida busca na internet. De repente ela começou a gargalhar e passou o rosto pelas bochechas, limpando as lágrimas que escorreram decorrente aquilo.
- Que foi?
- , seu bonitinho chama Ashton – ela virou para a amiga que via acenar para ele enquanto gesticulava “Oi, Ashton seu lindo” – E ele tem 18 anos!
- Polícia, aqui que temos uma denúncia de abuso de menor – ria da amiga que rolou os olhos.
- You gotta be kidding me! – anunciou balançando a cabeça para os lados.
- Se eu fosse você não ria muito, . O Luke – apontou para o garoto no palco – Tem 16 anos.
- É O QUÊ? – ela roubou o celular da mão da amiga e olhou incrédula pro aparelho – Mil novecentos e noventa e seis! – e então enterrou a cabeça nas próprias mãos – Me diz que é mentira, me diz que é mentira – do outro lado de , ria enquanto cantarolava um “Who gets the last laugh now?” pra amiga e como resposta tomou o dedo do meio no rosto, fazendo Luke, no palco rir para elas e depois olhar para fingindo reprovação – Ele me ama.
- Tá certo – guardou novamente o celular na bolsa e deu dois tapinhas nas costas de – Infla seu ego, amiga.
Quando finalmente a banda de abertura saiu do palco, houve mais um momento em que rolou uma movimentação no palco e um som ambiente tocava na arena. As meninas estavam sentadas novamente em seus lugares e, para conter a ansiedade, navegavam na internet através dos celulares e até aproveitaram para seguir os novos, em todos os sentidos, ídolos. Então o palco esvaziou e as luzes se apagaram. A histeria tomou conta e logo um vídeo começou a passar nos telões ao lado do palco.
gritava mais do que os pulmões e as cordas vocais permitissem. roia as unhas de ansiedade e balançava de um lado para o outro, tentando fingir para ela mesma que aquilo era normal, e seria algo pelo qual elas passariam mais um bocado de vezes, se tudo desse certo.
Quando o vídeo apagou, o palco finalmente iluminou e os garotos apareceram, elas esqueceram a idade que tinham e juntaram às meninas que entravam na adolescência nos gritos. Assim que as primeiras notas de Up All Night apareceram e os meninos apareceram no palco, as três sentiram como se parassem de respirar por um momento. Claro, se não gostassem de verdade da música, não iriam se meter naquela loucura, mas realmente tinha a necessidade deles serem tão bonitos?
- Eu vou bater no gritava ao mesmo tempo em que tentava cantar a música – Desde quando essa criança cresceu e ficou bonito?
- Bonito? – não tirava os olhos de – Já olhou pra esse indiano? – ela apontava para o palco – Ele me quebra as pernas!
- Estou ocupada demais olhando para o meu futuro marido – alternava os olhares entre e .
- ? ? – e perguntaram ao mesmo tempo e riram – Cacete, irlandês. vai catar coquinho na descida da rua da sua casa! – praticamente esgoelou em direção ao palco, quando passou na sua frente.
- Oi?
- Deve ser coisa de duendes – deu de ombros – Ele deve entender.
À medida que o show ia passando, as meninas se empolgavam cada vez mais. Em Little Things, os meninos sentaram na beirada do palco para, praticamente, fazer uma serenata com essa música.
- Essa música é minha! – fingia estar enxugando uma lágrima no rosto.
cantou sobre ligar os pontos nas sardas que a garota da música tinha no rosto, e apontou para si mesma que tinha várias delas no rosto, fazendo as amigas darem a língua. Depois cantou sobre a menina não gostar da própria barriga e coxas, e dessa vez, apertou as partes do próprio corpo, e gesticulou um “obesa” pras amigas que dessa vez, balançaram a mão no ar, como se não fossem mais dar atenção ao que era dito.
- Essa música, na verdade, é pra mim! – gesticulava enquanto cantava sobre a menina cantar durante a noite.
- Você é assustadora enquanto fala e dorme – arregalou os olhos e fingiu se afastar da amiga.
Então cantou sobre a menina odiar sua voz nas gravações, o que fez rolar os olhos, e nunca se interessar em pesar e elas cederam.
- Tá certo, , foi escrita pra você, a gente desiste – gargalhou – Você é toda neurótica, mas a gente te ama.
- Que bom que depois do falso elogio vem um carinho desses.
- Calada que agora é vez do meu amor – comentou e puxou as amigas para um abraço em conjunto, enquanto cantavam juntas o trecho.
- You’ll never love yourself half as much as I love you – faziam um coro juntas – You’ll never treat yourself right darlin. but I want you to. If I let you know I’m here for you cantou essa parte mais para as amigas do que para acompanhar a música – Maybe you’ll love yourself like I love you. Oh…
Ao fim da música, os meninos levantaram e agradeceram ao público que faziam coros de “One Direction, eu te amo”. Eles animaram com a introdução de Teenage Dirtbag e logo que começou Rock Me, começou a se contorcer.
- Preciso ir ao banheiro, meninas.
- O show logo acaba, falou olhando pro palco através da tela de seu celular, por onde tirava uma foto.
- Eu não sei se vai rolar.
- Tenta segurar – sussurrou para a amiga que meio a contragosto, balançou a cabeça concordando.
Quando Kiss You acabou, já estava a ponto de explodir.
- Não dá mais, gente.
- Tem um banheiro ali – apontou enquanto dizia que ela iria perder Live While We’re Young.
- Vou ter mais alguns shows pra ouvir ela – sorriu para a amiga e ia caminhando para a lateral da arena, onde, coincidentemente, era uma das saídas.
De repente o show ficou um pouco quieto. Os meninos, afastados do microfone, apontavam para um local na plateia e falavam entre si. balançou com a cabeça seguido de . e olhavam para eles sem entender e até , que realmente precisava muito ir ao banheiro, olhou para o palco.
- Ei! – disse no microfone e então continuou seu trajeto – Você aí de azul. O show tá chato?
Então parou novamente e dessa vez, olhou para o palco, onde estava apoiado em , pelo ombro, ambos olhando na direção dela, e depois para a própria blusa que era azul.
- Você não pode esperar mais duas músicas pro show terminar? – continuou – Eu vou ter que citar Carly Rae Japsen mesmo?
- Where do you think you’re going baby? cantarolou, enquanto desejava abrir um buraco no chão para se esconder.
- Eles estão falando com ela – balançava os braços descontroladamente, como se estivesse batendo em que também retribuía a atitude.
olhava desesperada para as amigas, sem saber que atitude tomar. Algumas meninas na plateia riam ao ver a falta de reação dela e aproveitavam o silêncio para chamar a atenção dos meninos no palco.
- Me ajuda, gente! – ela disse.
- Vai pro banheiro – gritou então virou para ela.
- Tá certo, vocês tão de complô – falou dessa vez – A gente jura que em menos de dez minutos o show acaba e vocês podem ir pra casa.
- Ela só vai ao banheiro – gritou em um impulso de coragem, e logo colocou a mão na boca, enquanto fazia sinal pra amiga ir correndo que logo que se viraram não a encontraram mais.
- A cara de vocês está impagável – riu e ficou vermelho e então virou pro público – Tonight let’s get some...
- And live while we’re young! – a plateia respondeu e logo começaram os primeiros acordes da música.

*****


- Sacaneada pelo ídolo – balançava a cabeça enquanto estavam no ponto esperando o ônibus que as levariam de volta para o campus – Como eu vou seguí-los pela Europa depois disso?
- Você vai ficar famosa – deu tapinhas no ombro deles – Aproveita e destranca o twitter.
- Tá maluca, ? – pôs um dedo na lateral da cabeça e pressionou.
- Eu acho que você deveria tirar proveito disso – fez sinal para o ônibus – Pensa que você meio que os marcou.
- Uau, a menina do banheiro – ironizou, entrando no ônibus após a amiga – Que belo jeito de ficar marcada pro One Direction.
- E daí? Já pensou se amanhã ou depois você tá na grade de um hotel esperando pra tirar foto com eles?
- Verdade! – se intrometeu no assunto – Dane-se pelo que você vai ser reconhecida, você vai. Eles chegam na grade e vêem “Oh, é a menina que ia no banheiro.”
- Ei, ei, ei – as fez parar de falar logo que sentaram nos bancos – E por que a gente ainda não foi atrás deles?
e se entreolharam.
- Como nós não pensamos nisso antes? Qual o hotel deles? – se empolgou.
- Calma – levantou as duas mãos e respirou fundo – Nós não fomos ainda, porque a gente entrou de férias às 17h de hoje. E sobre o hotel...
- Contamos com você para mexer os pauzinhos e descobrir – concluiu.
- Não sei onde esses meninos se meteram, mas quero todas prontas para sair de casa às 8h30, capisce?
- Um mês pra Itália! – comemorou ao ouvir a amiga falando em italiano.

*****


Na manhã seguinte, como intimado por , e depois de muitas almofadadas nas amigas pra elas levantarem da cama, as três amigas já saiam de casa a passos largos, em direção ao hotel que os meninos estavam.
- Eu que fico acordada até às 3h da manhã, procurando esses meninos, e vocês que ficam com cara de enterro?
- Eu ainda estou inconformada deles estarem no Palace – suspirou enquanto fazia um esforço ímpar para caminhar – Na mesma fucking rua do campus.
- Exercício físico matinal – fingia estar empolgada – Vai, gente. É o One Direction. E a menina do banheiro tá com a gente – olhou feio para quando ouviu do que ela a havia chamado, que retribuiu mandando um beijo.
- Odeio exercício físico – se arrastava pela Oxford Street – E a gente nem tomou café da manhã!
- É o , ! Alô, Nainai, irlandês, criança? – a garota só deu um sorriso meio torto – Eu hein, achei que você tava empolgada pra conhecer o amor da sua vida.
- É que tá muito cedo, – elas passaram por baixo de um viaduto.
- Cedo? – parou e apontou para a porta do hotel.
A entrada do The Palace Hotel estava cheia de grades, em toda a extensão dele, e várias meninas já estavam por lá gritando, com faixas na cabeça e câmeras fotográficas e celulares na mão, já prontas para a primeira oportunidade de tirarem fotos com seus ídolos.
- Essas meninas não dormem nem tem casa não? – bufou e logo as três saíram correndo em direção ao hotel.
A maioria das garotas que estavam por lá estavam concentradas na parte da grade que ficava exatamente na frente da entrada do hotel, então as meninas decidiram ficar um pouco mais para o lado, onde não havia quase ninguém, e elas não corriam o risco de morrerem esmagadas na grade quando os garotos aparecessem.
Então passou a primeira hora, sem movimentação nenhuma por lá, a não ser por parte dos seguranças do próprio hotel, facilitando a entrada e saída dos outros hóspedes, reles mortais, que ali estavam, para visitar a cidade. Quando entrou na segunda hora que elas já estavam por lá, decidiram sentar na calçada, ainda encostadas na grade, já que pelo visto, o dia seria longo.
- Deixa de ser gay, comentou olhando pro celular – Meninas, acabou de postar que está na massagem.
- E a gente fica aqui olhando pro dia de ontem, é isso? Desce aqui, ô menininha! – gritou e recebeu uma olhada torta do segurança.
- Tô com fome! – disse colocando a mão na barriga, logo que a ouviu roncar – Vou à Starbucks do outro quarteirão, alguém quer alguma coisa?
- Um Frapuccino e um muffin de chocolate, por favor – disse abrindo a carteira e entregou o cartão de crédito para a amiga – Você sabe a senha.
- Um dia eu vou roubar seu cartão, riu – , quer alguma coisa?
- Obrigada – e sentada, sorriu para a amiga que já estava em pé na sua frente – E se os meninos descerem?
- Oras, vocês me ligam que eu largo tudo e venho correndo.
foi e voltou da cafeteria e nenhum sinal dos meninos. As horas passavam, os tweets de bom dia ficavam cada vez mais frequentes, e então postou que era hora do almoço e logo depois disso, sairiam para a passagem de som na arena e para o Meet & Greet.
- Eles vão ter que sair por aqui – deu de ombros – Por que eu to ficando arrepiada?
- Love of my life don’t leave meeeee cantarolou para a amiga.
- E você tá calma por quê? – ergueu uma sobrancelha e viu a amiga sem resposta.
- Eu sou uma pessoa calma, ... E eu não estou mentindo nem pra vocês, nem pra mim.
- Vem, , conta pra gente, vai... Em quem você vai cair matando? ou ?
fechou a boca olhou de lado pras amigas.
- – respondeu por fim e gritou um “O quê?” que fez boa parte das meninas na porta do hotel, olharem pra elas – deu de ombros de novo.
- Sem essa de enrolar a gente, vai. Todo mundo sabe que o é seu melhor amigo – disse as últimas duas palavras fazendo aspas com os dedos – é aquele seu irmão pegador, e você mesma disse que a única coisa que chama a atenção no é o sorriso.
- E a voz... – ela completou e então sentou no chão e abraçou as próprias pernas – Não sei, gente. Meu coração é que nem circo, sabe? Sempre cabe mais um palhaço!
- Espero que fique só nesses dois – fingiu estar brava com a amiga, por ter falado que se interessaria pelo .
- Sim, senhora! – bateu continência e puxou a amiga pra dar um beijo em sua bochecha.
- Ai, senhor, tá rolando movimentação demais pro meu gosto – falou.
Foi só comentar que logo começou uma gritaria. Um caminho foi aberto para uma van parar bem na porta do hotel e elas olharam ansiosas. E então, mais rápido que os olhos delas puderam captar, os meninos saíram correndo em direção ao carro. Primeiro , seguido de e , fazendo tremer mais que vara verde, depois e por último, , que saiu acompanhado de uma garota, que entrou rápido na van, enquanto ele, contra as ordens dos seguranças, parou rapidamente para tirar algumas fotos.
- A gente não vai conseguir chegar perto – falava tentando entrar no meio da multidão que se aglomerou, ao mesmo tempo em que puxava as amigas.
- Ele tá indo pro lado que a gente estava – gritou e logo as três voltaram para onde estavam.
- Vem, sussurrava – Vem!
Então ele parou na frente das garotas, acompanhado de um segurança e o primeiro instinto foi colocar o garoto, que estava do outro lado da grade, entre ela e as amigas e pedir pro segurança tirar uma foto. Depois disso, o menino saiu correndo para a van, que foi fechada, e logo partiu.
As meninas olharam uma para a outra e depois pra câmera, que o segurança havia devolvido para , e gargalharam. A primeira foto delas com alguém era com , e em conjunto.
- Isso pode virar meta pra gente – abriu a porta do restaurante, atravessando a rua do hotel, onde iriam almoçar – Até o fim da turnê, nós três termos uma foto em grupo, com cada um deles, e depois, com todos.
- Além das individuais com eles – puxou uma cadeira para sentar e concordou com a cadeira – Isso vai ser tão legal!
*****


- Alguém viu os meninos da 5 Seconds of Summer no hotel?
Depois de verem o One Direction sair do hotel, as meninas decidiram ir almoçar, e no fim do dia, foram para a arena. levou um cartaz consigo para o show e dessa vez, assistiam ao show de abertura sentadas em seus lugares.
- A gente não podia os deixar passarem, vai que um dia eles ficam famosos?
- Nós já íamos ter uma foto com eles.
- A gente não vale uma pipoca – gargalhou.
O One Direction entrou novamente no palco, essa vez mais empolgados que na noite anterior, e a todo instante falando que era o último show da turnê no país de origem deles, e que esse seria o mais épico de toda a carreira deles. Então, chegou à hora de responder perguntas enviadas pelo twitter.
- A Camille quer saber se algum de nós sabe cantar alguma música dos Rolling Stones. – mexia no seu ponto de escuta – Alguém sabe?
- Claro – chegou mais perto da plateia – I can’t get no satisfaction... I can’t get no satisfaction. And I try and I try and I try… I can’t get no…
- Minha vez, e essa eu tenho certeza que todo mundo sabe – puxou o coral – You can’t always get what you want... You can’t always get what you want, but if you try sometimes, yeah... – e então levantou o microfone para cantarem – You just might find you get what what you need!
- Palmas para o Schuester! – bateu palmas junto de e – Todo mundo já assistiu Glee pelo jeito!
E então os meninos ouviram um coro gritando “sim”, e sorriram satisfeitos.
- Dá licença que agora vocês vão ver o mestre em ação – puxou as mangas da camiseta que usava para cima a começou – If I could win ya, if I could sing ya a love song so divine, would it be enough for your cheating heart if I broke and cried? If I cried? – todos ficaram quietos olhando para ele, inclusive os meninos e então continuou – I said I know, it’s only rock and roll but I like it! I know it’s only rock and roll but I like it, like it, yes I do.
- It’s only rock and roll but I like it! – as três meninas se viram cantando junto com e perceberam que eram as únicas fazendo aquilo – Meu Deus, como a gente é velha!
- Próxima pergunta – virou novamente para o telão – É da . Cadê a ?
ficou branca e por um instante parou de respirar. Aquela arena estava lotada, quais seriam as chances de uma pergunta dela ser respondida por eles. e levantaram e balançaram o braço da amiga quando as viu.
- Oh, hello! – ele deu um tchauzinho para as três – E ela quer saber, qual trecho de uma música nossa, cada um de nós tatuaríamos – leu no telão então virou de frente novamente – Eu faria um trecho de Same Mistakes. “We know where it takes us we’ve been before.” ?
- Acho que eu faria… - ele pensou por um instante – Gotta Be You. “Your actions speak louder than words.” Não... É, provavelmente seria essa mesmo. E você, James... James?
- Nenhuma – ele abriu os braços e deixou eles caíram ao lado do seu corpo, enquanto ria – Tenho que falar uma mesmo? Ok. Seria... “They don’t know I.ve waited all my life just to find a love that feels right.” – Naquele instante, colocou a mão em suas costas, no lado esquerdo e fechou os olhos, sem perceber que as amigas a olhavam. Sentiu que poderia desmaiar a qualquer momento.
- Muito romântico esse projeto de duende – fingiu desmaiar com a “declaração de ” – Eu faria... “I used to think that I was better alone”, de Rock Me.
- Egocêntrico – riu – E eu faria “Tonight let’s get some...” Só, deixaria a dúvida no ar.
Os meninos responderam mais algumas perguntas e antes de What Makes You Beautiful, sentiu novamente a vontade de ir ao banheiro e foi saindo discretamente.
- Onde você pensa que tá indo? – falou enquanto fazia o seu discurso e ela colocou a mão na testa – É a menina do banheiro!
- Mostra pra ele, ! – a menina gritou pra amiga e saiu correndo.
gargalhou, e levantou o cartaz que elas levaram.
- “Não estou fugindo do show, só vou ao banheiro” – leu – Que bom, pelo menos hoje ela deu satisfação – elas riram e fez sinal para eles esperarem e virou o cartaz – “O show não é chato!”
- Agradecido! – fez uma reverência para elas e iniciaram a música final.

*****


- Saldo da Inglaterra – contava nos dedos – A menina do banheiro – rolou os olhos – Foto com o , e leitura do nosso cartaz!
- E sua pergunta do twitter respondida! – fez high five com a amiga – Nem parece que dois já foram.
- Que venha a França! – riu e elas dormiram, sabendo que teriam, por opção delas, logicamente, uma semana de folga!




2. Heart Attack in France:

You're givin' me a heart attack lookin' like you do-ooh.

Com o fim dos shows na Inglaterra, o One Direction teve uma semana de folga antes de embarcar para a Europa e prosseguirem para a turnê. As meninas aproveitaram para irem para suas respectivas casas passar alguns poucos dias com a família, antes de embarcarem para a França.
Como combinado, no domingo seguinte, de manhã as garotas se reuniram em Kings Cross, estação localizada no coração de Londres, de onde partiriam para a capital francesa.
- Onde você acha que vai com tudo isso? – perguntou para , ao vê-la chegar na plataforma de onde sairia o trem delas.
- Oi pra você também, ! – ela riu e então olhou em sua volta. Enquanto a amiga estava carregando somente uma mala, relativamente pequena, ela puxava duas malas grandes e ainda carregava uma bolsa imensa.
- , a gente vai voar de low cost. Você vai enfiar esse tanto de tralha onde?
- E você acha que eu consigo rodar a Europa em um mês só com uma necessaire – ela se referia a pequena mala que a amiga tinha junto consigo – Relax, , pra tudo se dá um jeito nessa vida.
- Você vai ficar pela Escandinávia – deu de ombros e olhou no relógio – Cadê a ?
- Provavelmente pegando uma cor de jambo, gata, pra parecer latina pra esses caras pálidas do continente.
arregalou os olhos e arqueou a sobrancelha.
- Quem é você e desde quando você tem esse linguajar?
- Sou uma pessoa multicultural – ela piscou para a amiga – Cadê menina do banheiro?
- Eu peguei voo de Dublin pra Londres, vim até a estação e nada da bonita.
- Ô bonita, tá falando de mim? – apareceu atrás de que deu um pulo, assustada.
- Que isso, tá maluca? – ela colocou a mão no peito, sentindo seus batimentos acelerados, e olhou para as malas da amiga – Vocês tão loucas pra ficar em algum lugar da Europa, né?
- tá falando que como nós vamos voar de low cost, não vão deixar a gente embarcar com nossas malas.
- Aaaaah! – finalmente entendeu – Pra tudo se dá um jeito nessa vida.
- Foi isso que eu falei! – torceu o nariz e deu a língua pra – Então, partiu França?
O trajeto até Paris levava pouco mais de 2h, e como elas tinham acordado cedo para poder chegar em Londres a tempo de pegar um trem que as levava para a capital francesa até a hora do almoço, foram dormindo durante todo o trajeto e quando acordaram, já estavam entrando na cidade.
Eram quase 13h no momento que desembarcaram e sentiram o estômago clamar por alguma coisa que as saciasse, então decidiram que iriam a algum local comer, antes de irem para o hostel, onde se hospedariam.
- McDonald’s deve ser o mesmo em qualquer lugar do mundo – falou enquanto elas estavam paradas em Gare du Nord, olhando uma placa e tentando identificar onde ficaria a saída da estação.
- , você disse que fala francês – fez essa observação enquanto elas já estavam paradas há alguns minutos.
- Eu falo – ela deu de ombros – Faz tempo que eu estudei, mas falo. Vou perguntar pra um segurança – então elas encontraram um senhor parado próximo a um guichê de compra de bilhetes – S’il vous plaît (Por favor) – ela sorriu quando ele se virou – Où est la sortie? (Onde fica a saída?).
- La sortie est ici, chérie (A saída é por ali, querida.) – ele apontou para uma grande entrada, onde podiam ver o sol dando as caras.
- Merci beaucoup (Muito obrigada) – ela respondeu realmente, muito agradecida e então apontou para as amigas – Por ali.
- , desde quando você fala francês?
- Coisa de quem não tem mais o que fazer – ela gargalhou – Eu estava afim de aprender uma língua, e me matriculei num curso, simples.
- Que bom que pelo menos a gente não vai passar fome por aqui – sorriu e procurou seus óculos de sol na bolsa, quando saíram da estação – É uma miragem ou atravessando a rua tem um Mc?
- Comida! – festejou – Vamos, gente, sem enrolar!
- Essa garota tem lombriga, igual o balançou a cabeça enquanto só pode ouvir o que ela falou.
Depois de se decepcionarem com o cardápio exclusivamente francês da lanchonete sentindo falta de grandes lanches com hambúrguer e acharem um absurdo os lanches serem praticamente baguetes sem graças, elas gritaram por um táxi que as levou até o hostel onde ficariam hospedadas por dois dias em Paris.
O Perfect Hotel & Hostel fica na região de Montmartre, próximo à Catedral de Sacre Coeur e da Ópera, e escolheram exatamente por isso, fica próximo a lugares turísticos da cidade. Após se instalarem em um quarto triplo privado, e pedirem informações de como chegariam à torre Eiffel, que foi friamente dada pelo fato de terem pedido em inglês, e ainda foram chamadas de “inglesas arrogantes que acham que são donas do mundo só porque a língua delas é universal”, elas caminharam pelas ruas indicadas, onde as levariam até um ponto de ônibus, que as deixariam na Pont d’Iéna, um dos principais acessos ao ponto turístico.
Depois de saírem pela Rue Rodier e virarem a direita na Rue de la Tour d’Auvergne e no fim dela, na Rue des Martyrs, elas começaram a ouvir gritos desesperados de adolescentes e riram.
- Até parece que a gente tá perto do hotel do One Direction – comentou quando chegaram ao fim do quarteirão e entraram na Rue de Navarin.
- falou diminuindo a velocidade e logo elas pararam ao ver uma multidão com câmeras na mão na frente de um hotel – Eu acho que a gente está no hotel deles.
- Ai, senhor, quais as chances? – começou a correr e as amigas foram atrás dela.
Talvez se elas tivessem planejado uma hospedagem tão próxima a do hotel da banda, elas não teriam conseguido. O hostel delas ficava a cerca de 400m do Hotel Amour, onde os meninos estavam hospedados.
Assim que se aproximaram, puderam ver que as pessoas, em sua maior parte garotas de aproximadamente 16 anos, se amontoaram e as três, de longe, puderam ver dois seguranças puxando uma pessoa pela multidão, em direção a um carro que estava estacionado no meio fio. Atrás dessa pessoa, tinham mais três seguranças que tentavam abrir espaço e sem gentileza alguma, empurravam as mais abusadas que tentavam pelo menos tocar.
- É o , que era a mais alta das três, ficou na ponta do pé e pode ver com clareza – Aquela toca azul é inconfundível.
- Mas nosso destino é ver só esse ser na porta do hotel mesmo?
- Quero ver o murmurou baixinho.
- Nós vamos conseguir falar com os nossos três – apontou para ela e as amigas.
- Três? Decidiu quem você vai agarrar?
- Mas vocês são chatas, hein? – deu a língua e no momento, o carro em que entrou, ganhou velocidade e sumiu pelas ruas estreitas de Paris – Então, torre?
- Torre! – as outras duas concordaram com a cabeça e depois de andar mais um pouco, chegaram na Rue Notre-Dame de Lorette, de onde pegaram o transporte que as levaria até o local.

*****


tinha certeza que ela poderia viver 200 anos, nenhum outro ponto turístico no mundo seria tão bonito quanto a torre Eiffel. Parada no pé dela, ela fez até questão de tirar os óculos escuros para poder ver até o topo com a nitidez de seus olhos. Um sorriso esboçou em seus lábios e de repente ela se lembrou do real motivo de ter ido estudar francês. Involuntariamente uma lágrima escorreu pelo rosto dela que rapidamente limpou com as costas das mãos.
Depois de observarem por um tempo, elas caminharam até a bilheteria onde dessa vez, uma atendente educada e que estava disposta a falar com elas, lhes deu um banho de, nem tanto assim, água fria:
- A torre hoje está fechada para uma visita exclusiva, meninas.
- É o quê? – gritou – Você tá falando que a gente não vai poder subir?
- Infelizmente não, pelo menos agora – a moça lhe dizia de uma maneira simpática, que fez se arrepender de ter gritado com ela – Uma banda está na cidade para fazer show e vieram visitar, eles estão lá em cima e...
De repente a voz da atendente virou um zumbido para as meninas que se entreolharam e com o olhar, conseguiram se entender.
- Era pra cá que o tava saindo – disse – E ela disse que estão todos lá em cima.
- Eu vou escalar essa torre até encontrá-los – se exaltou – O que a gente vai fazer?
- Esperar? – sugeriu – Seria arriscado nós sairmos daqui agora. A gente os perde descendo dali e a nossa chance de subir.
- Quais as chances disso aqui lotar de criança gritando?
- Começa a rezar – respondeu e então sentou em um banco vazio, embaixo da estrutura de ferro.
Elas ficaram nos arredores da torre por aproximadamente 40 minutos, tirando fotos e vez ou outra, olhando pra cima, tentando enxergar alguma movimentação, quando em um dos pés, um elevador parou e três homens grandes saíram de lá enquanto observavam o local.
Fizeram um sinal de positivo para alguém que estava lá dentro, e o elevador voltou novamente para cima, e em pouco tempo, estava de volta. De lá saíram cinco garotos e mais três seguranças, que foram em direção ao parque, que tinha do outro lado.

*****


- Só tem nós três, por favor – suplicava para um dos seguranças que não permitia que ninguém se aproximasse dos meninos, que estavam tirando fotos e fazendo turismo.
- Se afastem, por favor – ele disse abrindo os braços e as empurrando para trás.
- Isso é sacanagem – bufou enquanto gesticulava – Os cinco tão ali com cara de paisagem, e nós não podemos chegar perto deles. Até parece que eu vou arrancar um braço deles ou algo parecido.
- Só de raiva eu vou arrancar o braço do estava com raiva – ! – ela gritou para o garoto que fazia caretas para uma das câmeras – Ô , fala com a gente.
- Sem escândalos para não chamar a atenção – o segurança tentou argumentar com elas, mas era algo que realmente tentava fazer.
- ! – ela gritou e dessa vez o garoto virou o rosto – Aqui, !
Ele sorriu e abanou a mão para as meninas que sentiram as pernas tremerem quando o viram caminhar em direção a elas. Nem podiam imaginar que seria aquele momento, aos pés da torre Eiffel, em um dia lindo da primavera francesa, que conheceriam os meninos do One Direction. Até outro segurança pará-lo e falar alguma coisa, assim, ele voltou a abanar a mão para as meninas.
- Que ódio! – gritou – A mulher desse cara deve dormir de calça jeans!
- ! ! – essa vez foi quem gritou e quando o garoto virou, sorrindo e usando óculos modelo Wayfarer, ela abanou a mão e voltou a gritar – Vem falar com a gente.
Então elas já tinham conseguido chamar a atenção dos garotos que conversavam entre si e apontavam para elas. e estavam conversando alguma coisa quando , e se aproximavam deles.
- Nós juramos que não somos escandalosas! – falou em um tom de voz mais baixo.
- Quer dizer, não tanto! – elas riram juntas – Por favor!
chamou dois seguranças para conversar e pareciam que eles não aceitavam a proposta dos garotos, que insistentemente, rebatiam e discutiam com os grandões, enquanto até apontou o dedo para um deles. Elas ficaram observando tendo diferentes reações e sentiu que podia chorar a qualquer instante, quando um dos seguranças fez sinal de positivo.
- Ai, meu Deus – estava a ponto de roer as próprias unhas – Não me diz que deu certo.
Os garotos caminhavam na direção delas, atrás de três seguranças, enquanto um evitava que as três as atacassem, e outros dois faziam escolta por trás dos meninos. O segurança da frente os fez parar a aproximadamente três metros delas e logo tomou a palavra:
- Sem grito, sem escândalo, sem aproximação maior que essa distância – ele apontou de onde elas estavam, até onde os meninos esperavam - Uma conversa rápida e uma foto em grupo. Concordam?
Era menos do que elas queriam, mas era mais do que o segurança que as impediam de ir até eles havia permitido, então já estavam no lucro. Elas balançaram a cabeça fervorosamente e logo os garotos deram mais uns passos, ficando mais perto delas.
- Oi – falou num impulso de coragem.
- Oi! – os garotos responderam em uníssono. Elas estavam sem ter como agir pelo nervoso, a banda por não poder chegar mais perto de suas fãs – Vocês são daqui? – tomou a palavra.
- Nós duas somos inglesas – apontou para ela e – E ela é irlandesa – apontou dessa vez para – Nós viemos de Manchester, mas... Isso não importa.
- Por que não? – perguntou pra ela – Nós estávamos lá semana passada.
- A gente foi nos shows de lá – disse apoiada no ombro de , pois sentia suas pernas tremerem – E vamos amanhã aqui.
Então se desligou da conversa e seus olhos captaram algo, que aparentemente, só ela pode ver. estava com os olhos na direção dela e de , que prestava atenção em alguma coisa que falava dessa vez. Ela ergueu uma sobrancelha desconfiada e fixou seu olhar no menino por um tempo e ele não parecia ter percebido que ela estava olhando para ele.
Involuntariamente, um sorriso formou nos lábios dela. Estava com suas duas melhores amigas, embaixo da torre Eiffel, conversando com a banda preferida dela, enquanto um dos caras olhava fixamente para . Parecia que as coisas estavam sendo montadas como um quebra cabeça, e ela tinha certeza que se tivesse planejado esse encontro, ele nunca teria acontecido. “Good things come to those who wait”, ela se encheu de alegria com aquele pensamento que levava consigo e entrou na conversa.
- Nós vamos fazer a turnê europeia inteira – ela sorriu para eles e tanto quanto abriram a boca em um grande “o” ao ouvir aquilo.
- Não era pra falar, riu, mas concordou com ela – Acho que a gente ainda se esbarra.
- Espera aí! – se aproximou de e olhava atentamente pra ela – , vem cá... Ela não é a menina do banheiro?
- Ah, não – colocou a mão no rosto – Sem essa!
E o assunto passou pela turnê europeia que elas fariam mais rápido que uma piscada de olhos, com reconhecendo ela como a menina que saiu do show de Manchester para ir ao banheiro. tem mania dê as vezes ficar quieta e ser uma mera espectadora da vida real, e dessa vez, pode ver um fazendo o mesmo papel que ela, só assistindo tudo acontecer.
- – ela falou baixo, sem atrapalhar a conversa ao lado, e o menino parecia ter notado ela finalmente – Tá calado.
- Eu sou meio observador de vez em quando – ele sorriu pra ela – Vocês chegaram quando a Paris?
- Lá pela hora do almoço e depois resolvemos dar um passeio na torre. Ah! A propósito, meu nome é .
- Achei que vocês não tinham nome – olhou para ela de um jeito tão encantador e exclusivamente dele, que ela sentiu as pernas tremerem.
Então, de repente, um dos seguranças cortou os assuntos que rolavam já apressando os meninos para irem embora. abriu a bolsa e tirou a câmera e entregou para um dos homens de preto, que tiraria a foto para elas.
- Isso não é um Meet & Greet, mas como vocês querem a foto? – se pronunciou enquanto o segurança ganhava distância e eles se aproximavam delas.
No lado direito ficou , tendo um sentado no chão sentado em suas pernas enquanto aparecia atrás dela, apoiando-se em seus ombros, no momento em que a menina fazia chifres, com os dedos, em , que se acabava em risadas ao seu lado. Do lado de , estava com , que a segurava no colo como se fossem recém-casados e do outro lado, e , que se abraçavam e mantinham os olhares fixos um no outro enquanto riam de alguma coisa que tinham falado.
- Então, até o show – se pronunciou após as fotos, e ele mesmo acabou se pegando olhando pra mais vezes do que devia.
Ele olhou em volta para ver se alguém percebeu aquilo e então seus olhos se encontraram com o de , que tinha um sorriso discreto no rosto. Ele a lançou um olhar de súplica que retribuiu com uma piscada seguida de um “You go, !”, sem som, mas totalmente entendível apenas pela leitura labial. Logo após os oito se despediram, e contra a vontade dos seguranças, se abraçaram, e logo os meninos foram correndo para uma van, que estava próxima e sumiram pela
Avenue Gustave Eiffel.
- Como viver depois disso? – acompanhou a van sumindo pela avenida e ao virar, encontrou e debulhadas em lágrimas, e com um sorriso maior que um cabide no rosto – Ah, não, sem chorar!
- ! – abriu o braço para que a amiga a abraçasse e logo que se juntou às duas, começou a chorar – A gente conseguiu.
- Alguém realmente tá torcendo por nós – secou suas lágrimas e deu uma risada nasalada – Se isso aconteceu na primeira cidade... Ai, meu Senhor, não quero nem pensar o que vai rolar até Lisboa.
- As inimigas estão tendo um dia muito difícil! – comentou enquanto via o céu escurecendo e as luzes da torre serem acesas – Vocês ainda querem subir?
e concordaram com a cabeça.
- Vou criar um altarzinho pra esse lugar – gargalhou.
Depois de passarem um bom tempo observando a vista Parisiense lá de cima enquanto comentavam sem parar sobre o que havia acontecido um pouco mais cedo, elas desceram de lá e pegaram um táxi para o hostel onde estavam hospedadas, para logo saírem para jantar e quem sabe, caírem na noite.

*****


- Eu não entendo nada do que está escrito aqui – falou enquanto observava um cardápio no restaurante que estavam para jantar.
- Tá, que tipo de coisa vocês querem comer? – observava o cardápio esperando uma resposta.
- Carne ou frango! – fechou o dela e jogou em cima da mesa – É que nem McDonald’s, é igual em qualquer lugar do mundo.
- É, to com a ! – também fechou o dela e então chamou o garçom depois de concluir o que pediria pra ela e as amigas.
- S’il vous plaît, pouvez-vous apporter trois cuisses de grenouilles?* (Por favor, você poderia nos trazer três carnes?)
- Oui, madame. Attendez une minute. (Sim, madame. Aguarde um instante.)
Depois de o garçom sair com o pedido e logo vir com três taças de vinhos tipicamente franceses, da região da Malbec, elas brindaram e agradeceram pelo dia que tinham tido, porque com certeza, se tivessem ido visitar a torre sabendo que a banda estava lá, não tinha dado tão certo do que tendo a surpresa que tiveram.
- , não te falei – secou a boca com o guardanapo de pano que estava em seu colo – Peguei o com o olhar fixadíssimo em você hoje... Duas vezes! – ela fez o número com os dedos e então piscou pra amiga.
- É o quê? – a garota engasgou e começou a tossir sem parar – , fala pra mim que isso é brincadeira.
- E te decepcionar? – a amiga riu – Nah, não sou uma amiga tão ruim assim.
- Mas olhando como? – se interessou pela conversa – também olhou pra você.
- Não, não! – balançou o dedo enquanto negava – Eu não daria a mesma sorte que a nossa amiga aqui. O olhava como quem tivesse interessado no que estava vendo. E eu enxergava tudo com esses olhos que Deus me deu.
- Você tá de sacanagem comigo, .
- Inclusive, a segunda vez, eu o encorajei – ela se se encostou à cadeira, satisfeita com o que tinha feito – Nós só precisamos esperar os próximos capítulos dessa novela.
- Acho que eu não chego à Bélgica, e olha que é pra onde a gente vai depois de sair da França – tentava assimilar aquelas informações e seu cérebro buscava alguma lembrança de mais cedo, referente aquilo.
- Chega sim, você querendo ou não – comentou – Nem que a gente te carregue.
- E deixar o assim, livre, leve e solto pra qualquer europeia sem sal e aproximar dele? Olha... Corajosa você, .
- repousou sua taça, que antes tinha dado um gole, em cima da mesa, e olhou para a amiga – Eu ia falar que quem te tem como amiga, tirou a sorte grande na vida, mas no momento eu quero que você vá...
- Olha, nossa janta chegou! – ela interrompeu , ao ver o garçom se aproximando delas com uma bandeja.
- Sortuda! – ela bufou enquanto a comida era colocada na frente delas.
- Bon appétit. (Bom apetite.) – o garçom que tinha um bigode típico dos franceses as falou e com uma reverência, se afastou.
- Mas que porra é essa? – falou, em alto e bom som, para quem quisesse ouvir, enquanto fazia cara de nojo para o prato.
- O que você pediu pra gente, ? – até empurrou o prato para longe enquanto desviava seus olhos dele.
- Frango – deu uma cutucada com o garfo e então, entortou o nariz – Acho que eu me enganei.
- Você mesma disse que sabia o básico do francês, e pelo menos fome você não passava!
- Para – a menina fez voz de choro – Mas tá com uma cara ótima, não está?
- Ai, meu Deus! – empurrou a cadeira e ficou em pé – Isso é sapo!
- Sapo? – olhou novamente pro prato e sentiu o vômito chegar na garganta.
- Chega – colocou o guardanapo em cima da mesa e também se levantou – Eu vou pagar a conta e a gente vai pro McDonald’s!

*****


- , você realmente não sabia que aquilo era sapo?
- Como eu ia saber? – passava batom no táxi que as levava para uma balada indicada pelos funcionários do hostel – Achei que era só não pedir scargot e tava tudo certo!
- Mas a gente sabe olhar pro cardápio e identificar o scargot! – riu e aproveitou o sinal fechado para passar rímel – Por favor, não diga que você “conhece” holandês, alemão, ou qualquer língua estranha assim?
- Eu tenho uma noção de espanhol? – ela perguntou pras amigas, querendo que elas confirmassem e gargalhou alto.
- Qual a pior coisa que nós podemos comer na Espanha?
- Não sei, mas eu acho melhor a gente comprar um dicionário, porque se depender da pra comer, a gente morre.
- Vocês perderam uma ótima oportunidade de experimentar o peculiar gosto das rãs – a garota deu de ombros.
- Nous sommes arrivés! (Chegamos!) – o motorista comentou parando na frente de um lugar com fachada vermelha.
- Espera aí – abria a bolsa para tirar o dinheiro enquanto olhava para fora – Isso aqui é o Moulin Rouge?
- La Machine du Moulin Rouge, mademoiselle.
- Sai logo desse carro, gente! – empurrava as amigas pra fora – Valeu aí, seu taxista, boa noite!
A menina fechou a porta do táxi e se juntou a e , que estavam paradas olhando para o grande moinho de vento vermelho, com o letreiro luminoso piscando com a luz fraca, escrito “Moulin Rouge”.
- Voulez-vous coucher avec moi, ce soir? cantarolou um trecho da música Lady Marmalade enquanto entravam na balada.
Já dentro do La Machine, como gentilmente as meninas apelidaram o local, elas foram direto para o bar, onde cada uma pegou uma cerveja e ficaram apoiadas de costas ao balcão, com os cotovelos nele. A balada tinha dois ambientes, no primeiro, onde elas estavam, havia um bar e na parede oposta, um palco, onde mais tarde uma banda tocaria. Já no andar superior, era a balada, onde um DJ já tocava uma música hit do momento.
murmurou alguma coisa relacionada a não beber, e que se ela estava com aquela cerveja na mão, era por amizade que ela tinha, então subiram. já entrava no clima, balançando o corpo para os lados, sentindo a música, enquanto e davam uma olhada geral, procurando alguém interessante.
As horas se passavam, e elas alternavam as bebidas. Eram cervejas, tequila, big apple, enquanto dançavam e cantavam alguma música, incorporando cantoras lá. Então se viu sozinha na pista de dança e parou, abrindo os olhos ao máximo por causa da dificuldade que estava tendo para enxergar alguma coisa, já que tanto o álcool, quanto as luzes da balada inibiam esse sentido dela. Ela enxergou, próxima dela, conversando com um cara, então se aproximou.
- I talk a lot of shit when I’m drinking baby, I’m known to got a little too fast – ela apontava para o cara em sua frente que tentava beijá-la a todo custo.
- Que isso, ? – chegou rindo, com um copo de vodka na mão, enquanto abraçava a amiga pelo ombro – Quem é esse?
- Francês arraso no meu radar! – ela piscou para a amiga e sentiu a perna bambear em cima do salto que usava – Cacete, ! Eu to bêbada!
- Assim que eu gosto – deu um beijo na bochecha dela – Viu a por aí?
deu de ombros e negou com a cabeça e então virou pro rapaz na sua frente enquanto saia de perto dela.
- Don’t mind all my friends I know they’re crazy, but they.re the only friends that I have – o rapaz sorriu e tentou beijá-la de novo, mas ela ergueu um dedo bem próximo dele – I know I don’t know you but I’d like to skip the small talk and romance. That’s all I have to say so baby can we dance?
- Melhor não – o francês, muito bonito por sinal, falou para e a beijou ali mesmo, antes que ela pudesse fazer mais alguma serenata para ele.
olhou para aquele copo de vodka com gelo, que já tinha virado água, e torceu o nariz pra ele. Ela passou por uma mesa, enquanto procurava , e o deixou lá por cima, indo logo em seguida para o bar, pela enésima vez naquela noite, pegar alguma outra coisa para beber. Cambaleando em cima de seu salto, e abaixando o vestido que usava para que ninguém visse mais do que podia, ela desceu as escadas que davam para o andar inferior, onde uma banda tocava alguma música do Green Day. Sentada perto do bar, sozinha, estava com o olhar fixado no nada, com cara pensativa.
- Salto, seu feio! – resmungou enquanto caminhava em direção a amiga e parou no meio do caminho para tirá-los, segurando-os embaixo do mesmo braço que carregava sua bebida – Perdeu a fazendo serenata pra um cara lá em cima – ela apontou pra cima, enquanto sentava ao lado da amiga – Ela tava cantando The Vamps.
- Mentira? – olhou pra ela então, e riu. Em cima da mesa na frente dela haviam quatro copos de tequila, além de pedaços de limões já sugados e alguns pacotes de sal abertos.
- Tequila sem mim? – abriu a boca em um “o”, fingindo estar chateada, mas a amiga largou a cabeça no ombro dela – Que foi, ?
- Aquilo que você falou no restaurante, não sai da minha cabeça.
- O quê? – ela se fez de desentendida e então lembrou – Ah, do ? – balançou a cabeça concordando – Você acha que é mentira?
- Não – levantou de novo a cabeça e seus olhos foram para a banda que tocava “Basket Case” – Só que é um negócio surreal, sabe? Em um dia você tá em casa com as suas amigas planejando ir ao show da banda e quem sabe conhecê-los, e no dia seguinte, você quase morre engasgada porque sua amiga disse que o cara da banda olhou com interesse pra você.
- Isso é desabafo de bêbado?
- Também – ela deu uma risada – E agora ele tá lá naquele hotel chique, naquela viela estranha, enquanto eu to aqui, bêbada, pensando nele.
- Eu não ia mentir pra você sobre isso, porque eu sei o quanto esse tal de mexe contigo – deu a língua pra amiga – Mas eu vi, com os meus próprios olhos. Não é porque ele é o cara por quem você é louca, que de repente ele não possa olhar pra você e se interessar, como qualquer outro cara normal. Já se olhou no espelho, ?
- Tonta – deu um soquinho no braço de – E eu não vou deixar ele perdido por aí pra alguma europeia sem sal cair matando.
- Acho bom assim. Agora para de ficar borocoxô e vamos levantar que it’s Paris, baby!

*****


- Me deixa largada aqui pra morrer sozinha!
Era o dia seguinte da balada que elas foram em Paris e também dia do show do One Direction na cidade. balançava , que ainda estava deitada na cama, e colocou o travesseiro no rosto, para encobrir a luz do sol que entrava no quarto, indo direto pro rosto.
- Vai chamar a , ! – ela falou, mas saiu abafado por causa do travesseiro.
- A gente está com um problemão, ! – ela suspirou – Só tem nós duas aqui no quarto. não dormiu no hostel, e eu achei o passaporte dela na minha bolsa.
- O QUÊ? – gritou enquanto levantava e levou a mão até sua cabeça gemendo de dor – Como assim? Cadê ela?
- Não sei, eu não me lembro de nada de ontem à noite. Já são 15h, a ta sumida, eu não faço ideia de onde fica o local do show, e a gente não pode perder ele, porque foi pra isso que nós viemos pra cá – despejou em que tentava assimilar as informações.
- Quem é o infeliz que não coloca cortina nessas janelas? – ela colocou a mão nos olhos – Qual foi a última vez que você viu a ?
- Em algum dos nossos shots de tequila. E você?
- Não sei... Acho que quando ela tava fazendo serenata pra um cara e... Ai, meu Deus, ! E se o cara que ela ia pegar ontem sequestrou e estuprou a ?
- Para, ! – colocou o dedo no ouvido como se não quisesse ouvir aquilo – O que a gente faz?
- Reza? Já tentou ligar no celular dela?
- Chama, chama, e ninguém atende.
- Pelo menos, parece que ela está com ele. Respira... Ela vai aparecer!
Depois de levantar, as duas arrumaram o quarto e foram tomar banho, para melhorar o aspecto delas, devido a noite anterior. A cada cinco minutos, elas ligavam para , que ainda não atendia, e a tensão ficava cada vez maior, por não saberem onde a garota estava.
Assim que ficaram prontas e apresentáveis, já com a roupa que iriam ao show, decidiram ir a uma cafeteria próxima, comer alguma coisa, pra ver se a dor de cabeça e tontura que ainda sentiam, melhorava, se não, ficaria impossível assistir ao show naquela situação. Com quilos de maquiagem no rosto, e um óculos colaborando para esconder as olheiras, saíram do quarto e assim que estavam chegando na recepção, ouviram uma voz conhecida.
- Je ne... (Eu não...) Ai caramba, como a fala isso? Français? (Francês?) Não... Inglês! Eu falo inglês! – ela falava pausadamente, para a moça da recepção entender.
- , graças a Deus! – correu até ela e a abraçou. A menina usava a roupa da noite anterior e exalava álcool pelos poros – Onde você estava?
- Pergunta difícil, ! – ela gargalhou – Mas o boy gracinha de ontem me trouxe pro hostel e disse que vai me ligar quando for pra Inglaterra.
- Você podia ter avisado, ! – disse aliviada – Tem mil ligações nossas no seu celular – e então virou para a atendente, que não parecia entender a presença de lá – Elle est avec vous. (Ela está com a gente) .
- Ah, seu passaporte, gracinha! – abriu a bolsa e tirou o passaporte da menina de lá, enquanto ela mandava um beijo pra amiga.
- A gente vai tomar um café, comer alguma coisa, e depois ir pro show. Você tem esse tempo pra ficar pronta.
- Sim, senhoras! – bateu continência e tomou a chave do quarto da mão de , que estava prestes a entregar na recepção – A propósito, tem um na esquina de cima ótimo!
Quarenta e cinco minutos mais tarde, elas estavam em um táxi seguindo para o Palais Omnisports de Paris-Bercy.

*****


Apesar do péssimo lugar que elas ficaram na arena, e do show de abertura não ser mais os meninos do 5 Seconds of Summer, o show em Paris foi divertido e bastante animado, principalmente pelo fato de uma das perguntas do twitter ter sido para eles falarem algumas coisas em francês. não cansava de gritar para que ele era burro, e estava falando errado, enquanto tanto quanto , em um francês perfeito, a todo instante repetiam Je t’aime (Eu te amo), fazendo as francesas soltarem gritos agudos, principalmente uma louca, fantasiada de Perrie Edward, com cabelo lilás ao lado delas, que tinha problemas com escândalos, cada vez que abria a boca ou aparecia no telão.
Após o show, classificado como o pior, por enquanto, para elas, devido aos inconvenientes assentos que sobrou, quando abriu a venda dos ingressos, as garotas voltaram da arena direto para o hostel, já que na manhã seguinte, tomariam o trem rumo a Metz, ainda na França, para o show de lá.
*****


- Vocês estavam achando que estavam encenando Se Beber, Não Case – falou para as amigas, já passada a ressaca, no trem, que as levavam até Metz, cidade francesa localizada perto da Alemanha e de Luxemburgo – , você tava afim de entrar no Louvre às 4h da manhã.
- A gente foi pra Paris e não vimos o Louvre – estava indignada, e deu um gole em sua lata de Coca Cola.
- A gente conheceu o One Direction na torre, , não reclama – comentou – Quem deixa a gente beber? – foi responder, mas a amiga continuou – , tu dormiu na casa do cara que você pegou na balada!
- A culpa é de vocês! – ela comentou e soltou um “Quê?” que fez algumas pessoas no trem olharem pra elas – Se eu não tivesse ficado bêbada. Ai, senhor – ela colocou a mão na testa – E eu achei que rodar a Europa atrás do One Direction era loucura. Eu peguei um desconhecido, fui pra casa dele, e dormi com ele. Eu podia estar no fundo do Sena agora!
- Pepeô! – fez o sinal da cruz e bateu três vezes na mesa de madeira, que estava na frente delas – Nem brinca com uma coisa dessas! Quanto tempo já teve de viagem?
- Pouco mais de uma hora, por quê?
- Estamos chegando a Metz. , acha nessa sua organização que só você entende, a reserva no nosso hostel.
- Certo – tirou de dentro de sua mala, uma pasta onde, organizadamente, estava tudo o que elas iam precisar para aquela turnê, ingressos, reservas de hotel – Papelada de Manchester... Por que isso tá aqui? – ela olhou pras amigas que não souberam responder – Perfect Hotel em Paris, reserva dos ingressos de Paris. Hm, é para estar por aqui, ela virou o plástico. Ah, aqui! – ela pegou o papel e sorriu – Ei... Antuérpia?
- Antuérpia é Bélgica... E Bélgica é pra onde a gente vai depois do show daqui.
- É pra estar aí, tomou a pasta da amiga e foi virando as páginas – Amsterdam, OberQualquer coisa, Dinamarca... Mas que merda? A gente não fez reserva em Metz?
- Não priemos canico! – pegou a pasta para dessa vez, ela olhar com calma – Se não tiver aqui, a gente sai do show e pega um trem direto pra Bélgica.

*****


Assim que chegaram a Metz, , e pegaram o necessário dentro de suas bolsas e deixaram as malas em um bagageiro dentro da estação de trem e estavam decididas as sair do Galaxie Amnéville, onde seria o show naquela noite, e voltarem para a estação, de onde pegariam um trem direto para a Antuérpia.
Como a arena ficava na verdade em Amnéville, região próxima a cidade de Metz, coisa que elas descobriram após chegarem lá, o pouco que conheceram da cidade foi de táxi, no caminho para o local e ficaram por lá, um pouco isoladas das filas, e resmungava “Se o lugar é marcado, pra que passar horas embaixo do sol?” constantemente, enquanto se perguntava porque elas estavam lá em vez de correr atrás dos garotos no hotel deles.
- Isso aqui parece uma cidade fantasma – colocou os óculos de sol e olhou em sua volta, girando 360° - A gente passou por um castelo e não tinha ninguém na rua.
- A cidade inteira está aqui – riu e apontou com a cabeça para a fila, que estava cada vez maior – Certeza que eles devem estar ainda em Paris, vão vir no fim da tarde só, e depois devem seguir direto pra Bélgica.
- Não deve ter hotel nesse projeto de cidade mesmo! – comentou.
Dessa vez o local delas na arena era muito bom, na primeira fileira em frente do palco B, onde novamente, só pode perceber (mais) pálido, quando viu cantando todas as músicas com eles. O garoto viu o olhando de novo e abaixou a cabeça, esboçando um sorriso e depois olhou para ela de novo, que retribuiu com uma piscada e fez um positivo para ele que começou a gargalhar. As três abanaram a mão para e , que também as reconheceram e então, pegaram um táxi em direção a Metz Ville, quando o show acabou.
- Trois billets à Anvers, s'il vous plaît? (Três passagens para a Antuérpia, por favor?) – pediu para o atendente, que bocejava, devido ao horário.
- Il n'y a pas de train disponible à partir de Metz. (Não existem trem para lá, saindo de Metz) – o moço respondeu sem olhar para elas - La meilleure façon d'arriver en Belgique est de prendre un train pour Paris, et à partir de là, de se lancer dans un autre pour le pays. (A melhor forma de chegar na Bélgica é pegando um trem para Paris, e de lá, embarcando em um outro para o país.)
- Gente, não tem trem pra Antuérpia saindo daqui de Metz, e o moço falou que o melhor jeito de chegar na Bélgica, daqui, é voltando pra Paris e pegando outro trem, saindo de lá.
passou a mão no rosto. Aquilo só podia ser brincadeira e não estava acontecendo. Desejou ser rica, pra voar pela Europa e se hospedar no mesmo hotel dos meninos.
- Vamos pra Paris, oras. A gente não pagou hospedagem aqui mesmo, e precisa chegar lá. Um pouco a mais ou pouco a menos de dinheiro gasto – ela abriu os braços, como se não tivesse o que fazer – É a nossa melhor opção.
- E na pior das hipóteses, a estação de Paris é perto do hostel que nós ficamos por lá, quem sabe eles não nos deixam ficar por essa noite lá.
- Ótimo, ! – virou para o balcão, onde o rapaz estava quase cochilando - Trois billets pour Paris, s'il vous plaît! (Três passagens para Paris, por favor!)
- Le dernier train est parti à 20h. Le prochain demain matin. (O último trem saiu às 20h. O próximo só amanhã pela manhã.)
arregalou os olhos e sentiu suas pernas balançarem ao ouvir aquilo. Ela apoiou no balcão e virou para e que estavam ao lado dela, a espera de mais informações.
- Fudeu! – ela finalmente permitiu as palavras saírem da sua boca.

* Cuisses de grenouilles quer dizer Coxas de Rãs.




3. We can love Belgium more than this:

I've never had the words to say but now I'm asking you to stay.

Depois do choque que elas tiveram em perceber que não havia mais trem de volta para Paris naquela noite, e até cogitarem a possibilidade de alugarem um carro e ir dirigindo para a capital francesa de madrugada, mesmo correndo o risco de chegar na cidade e não ter onde ficarem, elas optaram por montar a barraca de acampamento lá mesmo.
Fazendo uma rodinha com as malas, e sentando no meio delas, lá elas passaram a noite, alternando o momento que uma dormia, as outras duas ficavam acordadas de guarda para que ninguém aparecesse e aproveitasse tanto delas, quanto de seus artigos pessoais.
- Eu estou fazendo um mantra pra me convencer de que a França é um país de primeiro mundo, com índice de assalto e violência quase nulos – falava pra , enquanto cochilava ao lado delas – É assustador passar a noite aqui.
- De vez em quando aparece o segurança da estação, abriu a bolsa e tirou um pacote de salgadinho de lá de dentro – Servida?
- Por favor! – pegou um punhado e olhou em volta. Tudo que conseguiam ver, era a luz do luar que entrava na plataforma, clareando os rostos delas – Mas se por acaso algum ladrão resolver nos assaltar, ele leva até o segurança junto – as duas riram.
- Acho melhor a gente mudar de assunto. Certas coisas atraem – e então um vento bateu, e arrepiou – Que horas é o nosso trem?
- Só às 07h30 – e então olhou no relógio – Faltam pouco mais de duas horas. E já passou o tempo do cochilo da , sua vez!
Assim que o relógio marcou 7h30, mal puderam acreditar que já estavam dentro de um trem voltando para Paris. Paris, elas sabiam que ainda haviam muitas cidades para conhecer, mas tinham dúvidas se alguma delas seria tão memoráveis, em relação ao One Direction do que aquela.
Depois de desembarcarem em Gare de Paris-Est e andarem por cerca de dez minutos até a estação Gare du Nord, com e reclamando que andava muito rápido e elas não davam conta por causa das duas malas imensas que cada uma carregava, elas andaram no primeiro trem em direção e sem escala até a Antuérpia, cidade da Bélgica, onde seria o show naquele dia.
- To com medo de chegar na Antuérpia – falou já dentro do trem, que as levavam para a cidade – Sonhei com lá enquanto fingia que dormia em Metz.
- Bom ou ruim? – , que observava apoiada com a testa no vidro, dormindo na poltrona da frente, perguntou.
- Péssimo – ela deu uma risada alta e rapidamente colocou a mão na boca, com medo de acordar a amiga – Nada dava certo lá. Desde nosso hostel, que estava sem a reserva e a gente teve que passar mais uma noite na estação, passando por não conseguir entrar no show até ser xingada pelos seguranças dos meninos, porque a gente era muito insistente.
- Que já aconteceu – também riu, mas dessa vez mais baixo – Ai, nem parece que já faz três dias que nós conhecemos eles em Paris.
- No ponto turístico mais lindo do mundo – parecia que estava sonhando acordada e então viu olhando torto pra ela – Certo, depois do tal do Pão de Açúcar, no Brasil.
- Eu não morro sem conhecer aquele lugar! E levo vocês comigo.
- Relaxa, a gente ama uma banda brasileira e vai conhecer o Brasil na próxima vez – gargalhou alto.
- Não coloca minhoca na minha cabeça, !
Assim que entraram na cidade e o trem começou a perder velocidade, elas acordaram e ficaram observando a cidade. Antuérpia tinha ares de cidade medieval, antiga, e puderam ver o topo de uma igreja, com visual gótico. Logo que desembarcaram e puderam observar a beleza do lugar, bem iluminado, mas com traços rústicos, detalhes da decoração do lugar feita em ouro puro.
Assim que elas saíram da Antwerpen-Centraal Station, encontraram uma roda gigante itinerante, que estava na frente da estação e pegaram um táxi até o New International Youth Hotel, o hostel onde ficariam por aquela noite na Bélgica.
A entrada do hostel ficava bem na esquina, no encontro de duas ruas. A frente dele era decorada com flores delicadas e em cima, havia a sacada de um dos quartos. Depois de fazerem o check-in, foram até o cômodo onde ficariam naquela noite. Ele não era bonito, espaçoso e decorado como o de Paris, que escolheram um quarto privativo, mas apesar de ser público, com dois beliches, era convidativo e fofo, nas palavras de , além de terem dado a sorte de não haver mais ninguém hospedado com elas.
- Já to apaixonada pela Antuérpia – sorriu na sacada do quarto delas, que dava para frente, bem no encontro das duas ruas – Aqui tem um cheiro bom, a cidade é fofa, as pessoas são educadas...
- E a língua é estranha – chegou do lado dela e inalou um pouco de ar puro para seus pulmões – Pena que a gente não vai ter tempo pra fazer turismo aqui e já vamos pra Holanda amanhã.
- Verdade, mas a arquitetura da cidade em si, já rende fotos lindas – ela sorriu para a amiga e virou para dentro, onde trocava de roupa – Pronta, ?
- Quase! – a menina estava trocando o par de tênis que usava para viajar por suas sapatilhas e separava sua bolsa com sua carteira, passaporte e o ingresso do show – Já achou o hotel dos meninos?
- Então... – olhava no celular – Segundo as pessoas que não sabem ficar quietas e explanam cada passo que dão, eles estão no Hilton, a gente pode ir lá conferir.
- E isso fica? – colocou sua bolsa no ombro e olhou no espelho, arrumando seu cabelo.
- Sem perguntas difíceis, ! A Antuérpia fica na parte da Bélgica que fala holandês, se fosse na que falava francês até dava pra arrastar – sentiu o estômago clamar por comida – E se a gente pegar um táxi até o hotel e procurar algo pra comer lá por perto?
- Você tá com fome, e queria que a aqui falasse francês porque seria mais fácil, ? Pra comer rã? – fechou a sacada e também pegou sua bolsa – E se a gente economizasse e pedisse informação de como chega no hotel de transporte público? – ela deu um pedala na amiga que passou a mão na própria cabeça, resmungando que doeu.
- Vamos de bonde! – bateu as mãos como uma foquinha e elas saíram do quarto.
Depois de muita dificuldade de compreensão da atendente do hostel, que falava inglês, mas com sotaque holandês, elas saíram em direção do local indicado e em cerca de cinco minutos, alcançaram a Antwerpen Zurenborg, estação de onde o bonde delas partiria. estava adorando a sensação de estar em um bonde e não cansava de tirar fotos. Se não fosse a maquinista gritar para elas que a próximo ponto fosse o Hilton, elas com certeza perderiam a parada e sabe-se lá onde desceriam.
Quando as garotas saíram do bonde, puderam ouvir os gritos e riram. Podiam rodar o mundo, mas tinham a plena certeza de que onde quer que o One Direction esteja os gritos vão perseguir eles.
Elas foram até a esquina e viraram a esquerda, para dentro de uma praça. O Hilton Antwerp fica na praça Groenplaats, em uma arquitetura antiga e bem conversada. Na lateral dele, de frente para essa praça, havia uma cafeteria, com algumas mesas para fora, onde já haviam algumas pessoas sentadas, mesmo tendo recém-passado a hora do almoço e então elas viraram para a direita, onde encontraram várias garotas com cartazes, câmeras, faixas e camisetas escritas One Direction, amontoadas em uma grade, que as deixava longe da entrada do hotel.
- É, acho que é aqui! – parou e cruzou os braços, observando quando uma garota era tirada no colo por um dos seguranças, que estava desmaiada, provavelmente por conta do sol.
- E ela acertou de novo, senhoras e senhores – batia palma para as amigas que fingia que estava de saia, e “puxou” a barra para os lados e agradeceu, curvando-se.
- Deixa disso, – ela se recompôs – Essas bonitinhas aí que escreveram no Twitter. Você escreve “One Direction”, “Hotel” e o nome da cidade, pá pum! – e aqui estamos!
- E o tá aí dentro – olhou até o topo do quarto andar do hotel – Tá difícil pra gente se encontrar, indiano!
- Você tirou foto com ele fazem dois... Três dias? – estendeu o braço e bateu na própria testa – To perdida no tempo, mas enfim, recentemente você tirou foto com ele te carregando no colo no maior recém-casados feelings, e tá falando que tá difícil?
- Difícil tá a situação da nossa amiga aqui – abraçou por trás, na altura do pescoço – Que não sabe se ela quer o ou o .
- Já falei que meu coração sempre cabe mais um palhaço e você tá me enforcando, ! – ela forçou e tirou o braço da amiga que estava rindo dela – Não sou que nem vocês que ficam aí toda atirada pelo primeiro que aparece.
- Ei! Peraí que eu senti uma indireta – , que até então estava de costas para ela, virou.
- Não preciso soltar uma indireta pra isso. Você passou a noite com um francês magia e nos fez pensar que você tinha sido estuprada, mas tá tudo certo.
- Um pouquinho só de discrição, , é pedir muito?
- , tá pedindo uma coisa muito complicada pra fazer – virou de costas pro hotel – Nhaaam, Subway, let’s! – e sem as meninas responder se topavam, já foi caminhando pra dentro do restaurante.
- , tua mulher tá com lombriga na barriga – gritou para as janelas do hotel como se o menino a ouvisse e então virou – Mas eu não me importo de comer.
- You’ve never loved your stomach or your thighs. cantarolou enquanto as seguia e como retribuição, levantou o dedo do meio pra ela.
Depois que elas comeram seus lanches, decidiram dar uma volta ali por perto com a desculpa de que a porta do hotel estava silenciosa e que se os garotos saíssem de lá de dentro, haveriam novos escândalos e correndo elas estavam ali de volta. Elas conseguiram conhecer toda a região, e decidiram tomar um sorvete na praça, enquanto esperavam alguma coisa acontecer.
- Talvez se a gente estivesse hospedada pra tentar alguma coisa, a agonia era menor – comentou enquanto lambia uma das bolas do seu sorvete.
- Ou talvez a gente estivesse mais agoniada lá dentro – olhou pro nada e então virou pras amigas – Sabe, gastar dinheiro sem saber se ele realmente vai ser utilizado com a finalidade que a gente quer.
- Mas pelo menos seria uma garantia de que nós estaríamos dentro do Hilton, um lugar cinco estrelas e não pulguento.
- Mas nosso hostel não é pulguento – sentiu-se ofendida, aliás, foi ela quem tinha planejado a temporada na Bélgica.
- Mas também não é cinco estrelas – concluiu – Queria saber só por uma noite, como é uma vida de rainha.
- Eu acho que ainda tem muito chão na nossa frente, pra nós ficarmos chorando e pensando no que podia ser. A gente nunca sabe o dia de amanhã – chamou a atenção das amigas – Nós temos um mês ainda.
- Você tá certa – voltou a atenção ao seu sorvete e olhou para o hotel
– Já tá tarde, o hotel tá muito quieto e pouco movimentado pelos seguranças. Estou achando que os meninos foram pra passagem de som e Meet & Greet.
- Pode ser – olhou no relógio – Pelo horário tem chance mesmo. E é capaz deles ficarem pela arena, a gente fica aqui até o show?
- To cansada – deu de ombros – Nossa última noite não foi das mais confortáveis do mundo e esse sol tá gostoso.
- Fazer fotossíntese é o que há! – bocejou um pouco – Vou voltar pra Inglaterra e amputar as pernas, porque elas não existiram até lá.
- Falando em Inglaterra, o que vocês vão fazer quando nossa viagem terminar?
- Vou me esconder em Harrow até o fim das férias porque estarei falida – riu – Vai pra Irlanda, ?
- Talvez... Às vezes eu tenha que voltar pro laboratório em Manchester, não sei ainda.
Enquanto elas discutiam o que fariam depois que aquela viagem dos sonhos terminasse, uma menina as observava sentada no Terrace Café, do próprio Hilton, enquanto tomava um café da tarde. A menina suspirou ao ver aquelas três conversando e rindo. Talvez ir puxar papo não seria ruim, elas pareciam tão legais. Em um impulso de coragem a garota de cabelos escuros até a altura do ombro e batom vermelho se levantou e caminhou até as três.
- Oi – ela falou e as três, que riam que arrumariam um namorado pela Europa, se calaram e olharam para ela – Eu estava sentada no café, e vi vocês rindo e...
- Eu te conheço – atrapalhou a fala da garota e se aproximou dela – Eu tenho certeza que já te vi em algum lugar.
A garota sentiu-se um pouco desconfortável e arrumou seus óculos de grau, com armação modelo wayfarer, que ela usava porque achava estiloso, pois possuía lentes. Ela respirou fundo.
- Vocês são fãs de One Direction?
- Sabia! – levantou – A namorada do !
- Eu lembro de te ver com ele em Manchester – comentou e limpou a boca com um guardanapo – A hora que ele saiu do hotel. Ela foi direto pra van e ele veio falar com a gente, meninas.
- Ah é! – sorriu para a garota – Como é seu nome?
- – a menina juntou as duas mãos, ainda um pouco envergonhada com ir puxar assunto com três desconhecidas, e mais ainda, por elas serem fãs de One Direction – Mas eu acho que estou mais pra atual peguete do , do que qualquer outra coisa.
As meninas ficaram em silêncio. Se fossem mais novas, soltariam a cara de pau que existia nelas, e ajoelhariam aos pés da garota para que ela as levasse para dentro do hotel, para poder conversar com os meninos, de novo. Mas lá estavam elas, três adultas, universitárias e maduras, vivendo um sonho, e engolindo aquela imensa vontade de fazer perguntas sobre os garotos.
- Desculpa vir aqui até vocês, mas o pediu que eu o acompanhasse nessa tour, e como eu gosto dele e nós estamos nos conhecendo, aceitei. O problema é que eu sempre estou em volta de cinco garotos, e às vezes eu sinto falta de estar que nem vocês, tomando um sorvete e rindo de qualquer besteira – nenhuma delas ousou fazer um barulho, e só ouviam o que a garota tinha a dizer – Eu sinto tanta falta de desabafar que... Ai, nem sei! – sentou no chão da praça e cruzou as pernas.
- Tá maluca? Senta aqui! – se espremeu um pouco em , abrindo um mísero espaço no banco – , chega mais pro lado.
- Tu quer me ver no chão, é? – a garota da outra ponta retrucou. riu.
- Vamos sentar ali no café do hotel.
- Só pra hospedes – sorriu para ela.
- E daí? – deu os ombros e já se levantou, batendo em seus shorts, para que a poeira do chão saísse deles – E mesmo que for, eu sou hóspede, posso trazer quem eu quiser, venham.
olhou para , que olhou para que retribuiu o olhar e esticou o corpo para que seu olhar encontrasse o de . A primeira deu de ombros a cada “Não tem problema, pode vir!” de e então elas se juntaram a antiga mesa da garota, na área externa do Terrace Café.
- Vocês falaram que me viram em Manchester – disse após pedir o cardápio para um dos garçons – Vocês são daqui e foram pro show de lá? Ou são de lá e vieram pro show daqui?
- Nós estudamos em Manchester, mas eu, , sou da Irlanda, e a e a são de Brighton e Harrow. Desde a primeira turnê deles, nós começamos a trabalhar e juntar bastante dinheiro para que a gente pudesse rodar a Europa atrás deles – tomou ar – Nós fomos aos dois shows de Manchester, fomos a Paris e Metz, e agora estamos aqui.
- Uau! – sorriu para elas e quando o garçom trouxe novamente o cardápio, ela entregou às meninas que falavam que não queriam nada, mas ela insistiu – Vocês realmente gostam deles.
- A gente sabe que já passamos da idade de fazer loucuras por bandas, mas como nós nunca fizemos, sempre tem a primeira vez.
- Eu já fiz isso, mas com o McFly. Foi pela Inglaterra, e eu estava sozinha.
- Tem meninas indo e vindo, com faixas e camisetas com os rostos dos meninos, inclusive umas loucas com cartazes suplicando por um ingresso de show, e você está aqui tomando um café de boa, sem ninguém gritar por você. Como?
- Sabe, . É , certo? – perguntou e menina concordou – Eu não tenho nem jeito de falar isso, mas o não quer nos assumir publicamente. Ele não é uma má pessoa, nem nada, só que já soltaram tantos boatos sobre a vida amorosa dele, tantas mentiras, que ele se cansou. Eu não saio com ele publicamente. Nosso relacionamento é dentro do hotel e no backstage do show.
- Mas você não sente falta de sair com ele de mãos dadas por aí? – apontou para a praça que antes estavam sentadas – Namorar, dar um beijo. Visitar um ponto turístico.
- Sinto – deu de ombros – Inclusive foi horrível pra eu ver as fotos deles na torre Eiffel, em Paris, e eu não ter conhecido, só pra não poder ser vista com ele.
apoiou os cotovelos na mesa e afundou seu rosto nas mãos como se estivesse indignada com tudo que a garota estava contando, mas, no fundo, estava engolindo o grito que estava em sua garganta por não acreditar que estava conversando sobre e a namorada dele, com a própria garota.
- Nós os conhecemos na torre – sorriu para a menina e pegou a câmera de dentro da bolsa – Só tínhamos nós três lá e depois de muita insistência, saiu essa foto.
- Me deixa ver - estendeu a câmera e olhou pra ela por um instante e então riu – sozinho e de chifrinhos, que ótimo! Ele é sempre o mais desejado por todo mundo – e então ela rolou os olhos, fingindo ciúmes.
- Eu tentei não excluí-lo – respondeu com a mão apoiada no rosto.
- e parecem estar se divertindo tanto. Você e... e ? – ela olhou e fez sinal pra não perguntar. concordou com a cabeça – e ... Então é você a menina da torre que ele anda falando.
- É o quê? – falou tão alto que se engasgou e começou a tossir e demorou um pouco para se recompor – Como assim “ele anda falando”?
- Oras. Que eu ouvi, ele falou uma vez, mas mais de uma vez o já chegou contando que o fala da menina que eles conheceram na torre. Que ela era bonita tinha os cabelos escuros e parecia ser bem divertida.
- Isso só pode ser brincadeira com a minha cara.
- Não entendi o problema – devolveu a câmera para e olhou pra menina que estava boquiaberta na sua frente – Só porque ele é o cara do One Direction, ele é intocável? – ela balançou os dedos em sinal de negação – Ele é um garoto que olha pra quem é bonita sim, que se interessa, que chega nos outros. Se ele se interessou por você, garota, você é uma menina de sorte porque ele é um doce.
- Meu cérebro parou de funcionar quando você falou “One Direction” – sentiu o choro subindo pela garganta e o engoliu – Então, você fala pra ele que... Meu nome é – ela disse animada e fez todos na mesa rirem.
- Pode deixar que eu realmente falo – olhou no relógio e depois estendeu seu celular para elas – Eu vou me arrumar, pois logo vou pro show, coloquem seus números aí. Vocês estão hospedadas em algum lugar?
- Em um hostel perto da estação – respondeu e negou com a cabeça e soltou uma risada, fazendo-as entender que ela não sabia onde ficava.
- Imagino que depois do show vocês voltem para lá, certo? – concordou com a cabeça – Não voltem pro hotel de vocês. Voltem pra cá, por favor! – ela juntou as duas mãos como se estivesse rezando – É sério. Eu encontro vocês aqui no Terrace Café. Digam-me que vocês vão vir.
- Tudo bem – deu de ombros – Então a gente se encontra aqui depois do show.
- E fiquem de olho nos celulares, certo? – um garçom se aproximou delas quando viu pegando a carteira para pagar a bebida consumida e empurrou o dinheiro de volta para a menina – Coloca na conta do 432 – elas se levantaram – Até de noite!
- Nos vemos mais tarde – sorriu, e depois de abraçar as três, voltou pra dentro do hotel, pela própria cafeteria, e sumiu da visão delas – Meu Deus.
- O que acabou de acontecer? – estava desnorteada.
Depois que voltou para dentro do Hilton e as deixou ali, parecendo três baratas tontas e desnorteadas, por um tempo elas ficaram quietas sem saber o que pensar. Por que a menina insistiu tanto para que elas voltassem para lá após o show? Por que a namorada de quis tanto puxar assunto com elas?
olhou no relógio e constatou que também era o momento delas irem para a arena, que por acaso, não faziam a menor ideia de onde era. Enquanto foi perguntar onde ficava o Sportpaleis Arena, ela abanava o rosto de , que estava se sentindo mal, depois daquelas informações que tinha lhe dado.
ter se interessado por ela? Ela subiu no bonde na Antwerpen Premetrostation Groenplaats, mesmo lugar que elas haviam desembarcado mais cedo, ainda pensando naquilo. “É coincidência demais”, ela negava com a cabeça para si mesma, alheia do que e falavam sem parar ao lado dela. “Eu não sou divertida”, ela falou para si mesma, “Claro que você é, ! Todo mundo acha isso, e em cinco minutos o tirou essa conclusão de você, fica quieta”, parecia que a menina tinha um anjinho e um diabinho falando cada um em cima de um ombro dela. “Eu sou uma menina de sorte. Sorte. Sorte?” os pensamentos dela estavam longe “Claro que eu sou uma garota de sorte. já falou pros amigos de banda de mim.”
- Chegamos! – disse animada, e agradeceu por ela ter sido acordada daqueles pensamentos.
Já não existia fila em volta de Sportpaleis quando elas chegaram, e o show de abertura já estava acabando, no momento que acharam seus lugares, que ficavam na lateral da arena, bem próxima ao palco. Os meninos entraram no palco embaixo de gritos e escândalos das mais variadas formas enquanto essas mesmas meninas choravam descontroladamente ao vê-los no palco. abanou a mão para que veio do lado delas cumprimentar as fãs e sorriu para o menino, mesmo tendo certeza de que ele não iria vê-la naquela multidão.
As músicas foram passando uma a uma, e as meninas já estavam decorando a ordem do setlist, quando finalmente chegou o momento das perguntas do twitter, que era a parte do show que elas mais gostavam.
- Eu preciso falar – deu uma volta no palco e então virou de novo pro público – Vocês provavelmente são o público mais barulhento que nós tivemos até hoje!
Mais uma vez, houve histeria na arena, então virou-se para o telão, onde apareceria a primeira pergunta.
- A Ray quer saber – ele leu a pergunta para si mas virou para a plateia – Cadê você, Ray?
Do lado contrário onde elas estavam rolou uns gritinhos e os meninos viraram para lá.
- Tudo bem? – o próprio perguntou e então leu a pergunta – Qual é o toque do nosso celular. Interessante. , qual o toque do seu celular?
- Ai. meu Deus – se apoiou em e sentiu o coração palpitar.
- Bed of Roses, do Bon Jovi, Mr. ! – o menino engrossou um pouco a voz e abanou o vento pra ele.
- !
- He’s a pinball wizard there has to be a twist – e finalizando o trecho, ele bateu uma palma – Pinball Wizard, do The Who.
- O rapaz é vintage! – gargalhou – Com vocês, o garoto de Bradford, !
Uma multidão de meninas entraram em histeria com a apresentação que fez dele, e o garoto riu.
- Oh myyyyyy God – ele levantou as sobrancelhas, fazendo uma cara de sacana – Usher, Usher, Usher!
- Querido !
- Meu celular toca Over My Head, do The Fray – os meninos fizeram um “ui” pra ele que riu envergonhado.
- E a minha é Crawl, do Chris Brown.
- Mas é um menino apaixonado – fez carinho na cabeça do amigo que o olhou sério.
- Só se for pela parede, né? – ele respondeu e mexeu com , falando que ela podia conquistar ele – Mas é pela Antuérpia e pelas garotas maravilhosas daqui – ele puxou um pouco a sardinha e esperou mais gritos. Se não fosse o fone que eles usavam, ficariam surdos – A gente pode passar pela próxima pergunta?
- Que isso? – olhou pro telão e gargalhou – A Jully quer que você se case com ela, !
- Opa! – ele virou pra plateia – Cadê a Jully?
Uma menina que estava na frente do palco, onde eles faziam as perguntas, começou a abanar os braços desesperadamente.
- Posso chutar que a tá infartando no backstage? – riu observando a cena.
- Quem sabe hoje o vá ter que dividir o quarto com alguém? – também ria da imagem, e tentou imaginar a dócil menina, que mais cedo teve coragem para puxar assunto com elas, querendo arrancar os próprios cabelos e quem sabe do namorado e da menina que havia mandado a intimação para ele.
- Jully? – chegou o mais perto que pode do palco, e viu a menina concordando com a cabeça. Ele ajoelhou no palco e deu o melhor de seus sorrisos – Casa comigo, Jully!
- QUE ISSO? – gritou, seguido de um “Oh”, da plateia – Toma juízo, que tua namorada coloca você pra dormir na casinha do cachorro essa noite!
- O tá namorando? – uma menina pegou no braço de , e estava com os olhos arregalados.
- Erm... Ele sempre tá com alguém, né? – comentou e então virou pras amigas, franzindo o rosto.
- Então, Jully, o que me diz? – se aproximou com o microfone da garota, que tremendo e com lágrimas nos olhos disse “sim” – Então eu os declaro marido e mulher!
Então os garotos responderam mais algumas perguntas. Assim que começou Rock Me, virou pras amigas.
- Acho bom a gente sair agora. Lembram que a disse para nós voltarmos pro Hilton?
- A gente vai mesmo? – perguntou com um pouco de dúvida.
- Claro, ! Tá maluca de ter duvida de uma coisa dessas? – a olhou indignada.
- Eu não quero me aproveitar da boa vontade dela – a menina suspirou e então deu de ombros – Certo, nós vamos.
- Então a gente sai daqui, vai pro hostel, toma um banho, fica decente – segurou uma mecha de cabelo que estava ensopada – E volta pro Hilton.
- Tá, vamos logo – foi puxando pela mão, que puxava – E se eles virem a gente saindo, faz a egípcia e finge que não está ouvindo.
Em dez minutos elas já estavam fora da arena e se enfiaram em um táxi pela expressa N184, em direção ao hostel delas.

*****



Felizmente, não havia chegado nenhum outro hóspede para dividir o quarto com elas, então puderam abrir suas malas e andarem só de pequenos trajes pelo quarto, enquanto tentavam, da maneira mais rápida possível, tomarem banho, passar uma maquiagem de leve, e escolherem uma roupa discreta. Elas não faziam ideia do que estava aprontando, mas era algo que elas realmente queriam saber.
foi a primeira a ficar pronta. Usava um vestido florido, com um cardigan por cima, e nos pés tinha uma sapatilha. também colocou sapatilha, mas estava reclamando de frio e optou por colocar uma calça jeans, com uma blusa frente única e escondeu embaixo de uma jaqueta de couro preta. Já seguiu os moldes de e também escolheu um vestido, mas o da garota era preto e ela usava uma sapatilha vermelha, e colocou um casaco da mesma cor.
- Alô? – atendeu o celular depois de ver um número desconhecido.
- ? É a ! Onde vocês estão?
- Estamos saindo do hostel, entrando no táxi! Estávamos meio nojentas do show e viemos tomar banho – tinha que aprender a não ser muito sincera – Nos vemos em dez minutos.
- No Terrace Café, não esqueçam! – falou e desligou o telefone.
Durante o trajeto rápido pelas ruas da cidade belga, elas foram se perguntando o motivo de ter as chamado lá. Talvez fosse para confessar, mas as três pensavam que talvez tinha alguma coisa a ver com o One Direction, mas nenhuma delas teve coragem de falar aquilo em voz alta, como se comentar aquilo, fosse fazer a hipótese deixar de existir.
O táxi encostou na Eiemarkt, rua de frente para a entrada principal do hotel, e elas puderam ver que existiam algumas meninas chorando lá na frente, encostadas na grade, não muitas, mas pelo horário, era uma quantidade razoável. Talvez os meninos tivessem chegado do show e parado para conversar e tirar algumas fotos com elas. sorriu ao pensar naquela possibilidade e sorrateiramente, elas foram em direção ao Terrace Café onde, assim como , estava sentada, vestindo uma jaqueta de couro.
- Finalmente! – a menina se levantou quando as viu – Venham logo, os meninos estão lá dentro loucos pra conhecer vocês... De verdade!
- É o quê? – as três pararam no meio do caminho – Isso só pode ser uma piada de muito mau gosto!
sorriu, mas sem mostrar os dentes e balançou a cabeça, dando novamente as costas às meninas, e entrando no hotel. fez o sinal da cruz umas três vezes seguidas, e foi atrás da garota, seguida por e . A namorada de achou que as garotas mereciam aquilo, simplesmente por terem recebido ela tão bem, quando se sentiu sozinha e sem amigas. Lógico, sair em turnê com o namorado pela Europa e estar hospedada nos melhores hotéis era um sonho, mas ela sentia falta de alguém pra conversar, principalmente assuntos femininos. Não podia bater no quarto ao lado e reclamar com que está de TPM, e precisava chorar no ombro dele. Uma coisa levava a outra. O trio a recebeu bem, ouviu o desabafo dela, e riram juntas. Era assim que uma amizade se iniciava, não era? Elas não eram íntimas, mas nunca sabe o dia de amanhã. E se as três estavam dispostas a ouvi-la, a dar atenção a ela, iria retribuir da melhor forma que podia.
Depois de atravessarem o Terrace Café por dentro, elas chegaram até um grande lobby, onde viram uma porta de vidro, do outro lado dela, estava a grade que elas conheciam, onde algumas garotas estavam sentadas, ainda na esperança de encontrar os garotos, naquela hora. respirou fundo. Elas estavam no salão de entrada do Hilton.
- O bar fica lá em cima! – disse a elas e logo parou na frente de um elevador e apertou o botão, para que ele chegasse ao térreo – Vocês estão muito quietas, meninas.
- Eu vou ser sincera, tomou a palavra pela primeira vez, desde então – Até acredito que as meninas também tenham pensado que isso – mexeu os braços de forma circular, como se mostrasse um todo – Realmente poderia acontecer, mas a gente nunca realmente falou com você, com alguma intenção. E nós estamos aqui.
- Vocês fizeram por merecer – falou assim que o elevador chegou, e fez sinal para que elas entrassem primeiro – Eu já tentei me aproximar de outras pessoas, de outras fãs, eu confesso, mas ou elas conversavam entre si e não me davam bola, ou olhavam pra mim como se eu fosse alguma maluca, por falar com desconhecidos. E então vocês estavam sentadas na praça. O resto da história é essa – ela apontou para o chão, indicando o momento que estavam vivendo – É o que eu posso fazer por vocês.
O elevador então chegou ao último andar, e podia sentir sua perna balançando. Talvez ela não estivesse tão nervosa, se aquele anjo em forma de gente, não tivesse mencionado o fato de ter falado dela. Sentia-se uma adolescente de 15 anos perto do garoto que ela gostava. Mas para , os 15 anos já tinham ficado para trás há certo tempo.
- Venham – saiu do elevador e puxou tanto quanto pelo braço, sendo que a última, puxou , que estava um tanto pálida – Vocês me chamem de ! E os meninos estão um pouco cansados do show, mas estão se divertindo, ansiosos por conhecer vocês e são os cinco meninos mais doces da face da Terra.
Elas atravessaram a área interna do Bar Room, e quando se aproximaram da porta, começaram a ouvir risadas e vozes que elas já conheciam. Era tudo ou nada, a hora era aquela e não teria mais para onde fugir. atravessou para a área externa, e logo foi de encontro com , que a aguardava já de braços abertos.
- Meninas, esses são os meninos – ela disse já nos braços do namorado, que segurou em sua cintura – Meninos, essa são as meninas que eu falei mais cedo. E não achem que elas sou eu, que vocês já esqueceram que eu sou uma garota e me tratam como um de vocês.
Com exceção de que estava em pé tomando sua cerveja, os outros quatro garotos estavam espalhados em espreguiçadeiras em volta da piscina do hotel. se levantou e foi em direção a elas, mas sem largar a cerveja que ele também tomava.
- Hey! – ele abraçou cada uma delas, que ainda estavam travadas, por realmente estarem lá. Desde o planejamento da viagem dentro do alojamento de , até elas tomarem o Eurostar até Paris, estar no terraço de um hotel cinco estrelas com sua banda preferida, foi algo que nunca passou pela cabeça delas. Era algo fora da realidade – Quero nomes!
Travar e começar a chorar na frente deles, além de parecerem as fãs descontroladas dos shows, não era algo que estavam nos planos delas, então engoliu toda aquela vontade de extravasar que estava sentindo, e tomou a frente, e sorriu para .
- Meu nome é , mas só minha mãe e as meninas me chamam assim, quando todas estão bravas comigo, então me chamem de . E essas são a e a .
- Então espera – se aproximou delas e colocou uma mão para trás, onde ele segurava um cigarro – , e . Acertei?
- Quase – então se soltou, já que até então seus olhos estavam fixados em , atrás ainda na espreguiçadeira, que não conseguia conter o sorriso – Eu sou a , e ela é a .
- , e ! – gritou de onde ele estava e riu – E sim, eu to bravo porque vocês ainda estão aí dando bola pra esses dois!
Enquanto as garotas cumprimentavam , e , e pegavam três cadeiras e colocavam próximas a eles, para formarem uma roda. sentou na cadeira ao lado de , que estava do lado de , ao lado de e então , e e fechava a roda, enquanto e estavam atrás deles em pé.
Apesar de eles serem seres humanos, como elas, estar ali era uma sensação surreal. Se aquilo realmente fosse um sonho, poderiam falar que eram como amigos, só jogando conversa fora enquanto riam e bebiam alguma coisa. Mas palavra nenhuma conseguia descrever aquilo que elas estavam sentindo dentro delas.
Já um pouco mais descontraídas, as bolsas já estavam no chão, enquanto elas já carregavam cada uma, uma garrafa de cerveja. relembrava alguma história divertida da primeira vez deles nos Estados Unidos.
- Só o pode beber nos Estados Unidos hoje, mas naquela época, nenhum de nós cinco podíamos – ele segurava a garrafa de cerveja com os dedos, e estava sentada em uma perna dele – Alguém levou bebida pra dentro do hotel.
- Aí vocês podem imaginar – cortou , que aproveitou e deu um beijo no ombro da namorada – Cinco garotos que estavam descobrindo o que é ter fama, com bebida nos copos, num país igual aos Estados Unidos – ele pôs a palma da mão na testa, enquanto dava uma risada nasalada e continuou – E mais, nós tínhamos recém-assistido Se Beber, Não Case.
- Las Vegas, cinco menores de idade e um filme desses – fez uma pausa dramática – Queria tanto poder contar o final dessa história pra vocês.
- Conheço duas meninas que quiseram brincar de Se Beber, Não Case também – deu um gole da cerveja que tomava e fez uma cara feia, não bebia nada alcoólico, mas não iria ser a única tomando suco – Mas foi em Paris!
- Mas precisa lembrar disso, ? – olhou para a amiga, que riu.
- Pode por na roda! – terminou a cerveja, colocou no chão ao lado da cadeira, e esfregou suas mãos, uma na outra, ansioso por aquilo. balançou a cabeça. Definitivamente, aquilo era surreal.
- É que eu e a temos problema com tequila.
- Não é bem assim – se intrometeu e virou a cabeça para prestar atenção nela – A tequila que tem um problema com a gente, pois nós gostamos muito dela.
- Se vocês oferecerem tequila no café da manhã pra elas, elas vão tomar. Se vocês oferecerem tequila agora pra elas, elas vão tomar!
- E se a gente tomasse uma rodada agora? – falou e os meninos ficaram meio apreensivos – Amanhã vocês tem day-off, meninos, e viajam só no outro dia.
- Um shot cada um não vai matar ninguém, certo? – levantou o dedo e então apontou para as garotas na frente dele – Ninguém vai casar amanhã, né?
- Bullying, . Isso é bullying – arqueou uma sobrancelha – Vou lembrar disso.
- Dá licença, eu sou folgada – falou e correu para espreguiçadeira de , quando ele e foram até a parte interna do bar, pegar os shots.
virou para a garota já ao seu lado e começou um papo só entre eles dois, sobre ela, que falava de sua família, da faculdade, e até o que tinha a feito escolher aquele curso. havia sentado na cadeira que antes era ocupada por e travou uma conversa com , e .
- Ô que dó! – se esticou até onde estava, quando ele reclamou de ter sido excluído e o abraçou – Ninguém mais vai te excluir.
- Hein? – e chegaram, cada um com duas bandejas, e se depararam com os dois abraçados, mas de mau jeito – Onde eu perdi?
- Perdeu o quê? – olhou para os dois que ainda olhavam para ela e – Quero ver quem toma o shot mais rápido aqui.
- O ! – disse fazendo o garoto desviar da conversa que estava tendo com e olhou para os lados – É você mesmo, pega um copo aí logo!
- Vocês não conhecem a falou pegando um copo contra sua vontade – Vocês tão dando água pra ela.
- Tá me ofendendo! – ela pegou um copo da bandeja que carregava – Mas assim, se alguém quiser apostar comigo...
- Eu aposto, sentou na beirada da espreguiçadeira e olhou diretamente pros olhos escuros da menina a sua frente – E se eu ganhar?
- Na verdade – ela olhou no relógio que já passava da uma da manhã – Quem perder pula na piscina.
- Uh, ela sabe apostar – provocou – Mas o vira isso mais rápido que ele pisca, sinto informar. Acho que você já pode até pular na piscina. É menos humilhante.
- Vocês não sabem com quem estão apostando – falou ao lado de – Aposto na !
- Eu também – levantou a mão, seguida de .
- Meninas contra meninos, desculpa aí – ela sorriu pro garoto quando disse que a amizade deles estava cortada com aquilo.
- No três – olhou fixadamente para os copos dos dois – Um... – olhava pra , que tinha um sorriso sacana no rosto – Dois – a menina arqueava a sobrancelha pra ele já pedindo desculpa pela vitória – Três!
respirou fundo e virou o copo de uma vez, sentindo o líquido, puro, sem limão nem sal, descer rasgando pela sua garganta e olhou para a frente.
- Sorry, ! – ela falou quando o menino ainda estava virando o líquido para dentro de sua garganta – A piscina é toda sua.
- Ela roubou – ele gritou depois de finalmente ter bebido tudo – Ela queimou a largada.
- Piscina, ! – deu dois tapinhas nas costas do amigo – Você já foi melhor, cara.
- Mas foi roubado isso – ainda tentava argumentar – O copo dela tinha menos.
- Quer apostar de novo? Sem problemas – deu de ombros – Eu tomo duas enquanto você ainda tá na primeira.
- Vai humilhar, . Deixa quieto – disse ao lado do garoto e então virou pra ele – Não sei nem o que te falar.
- Vocês não vão tomar não? – respondeu bravo enquanto via todos os outros ainda com um copo na mão.
- Sem aposta nenhuma, mas eu acho que a toma primeiro – comentou – E mais, alguém ainda vai babar tequila pela roupa inteira.
- olhou e levantou o copo para ela, seguido de todos os outros.
- – a menina retribuiu o gesto – Já!
Todos viraram a tequila junto, e então foi a primeira a terminar, com um sorriso, enquanto a bebida forte, e que agradava o paladar dela, escorria garganta a baixo. forçou os olhos, deixando-os juntos, enquanto fingia estar bravo com , enquanto os outros bebiam e então viram passando a mão na roupa, tentando secar a área molhada.
- Quer leite, ? – sacaneou o garoto que levantou o dedo do meio para ela..
- Isso foi com carinho – ele disse – Mas então, , piscina, né?
Todos se levantaram quando ficou em pé e encarou a piscina. Ele tirou o casaco que usava, ficando com uma camiseta branca e caminhou até ela. Alegando dar apoio moral, , , e ficaram em volta dele, na beirada da piscina. ia empurrá-lo, mas lembrou-se de algo.
- , faça as honras, por favor.
- Com todo o prazer – ela saiu do lado do garoto – Faça suas preces, !
- A falou que você era legal! – ele suplicou. Na hora que ele sentiu as mãos de nas suas costas, ele olhou em sua volta, e seus braços passaram em volta da cintura de .
- ! – o grito agudo da menina foi a última coisa que eles ouviram antes dos dois mergulharem na piscina fria do Hilton.
Não teve um que não gargalhou quando os dois afundaram na água. ria, mas estava boquiaberta enquanto via a amiga voltar a superfície da água. Talvez se ela não tivesse empurrado , não estava na água. Mas a cena foi divertida. Na lateral da piscina, estava ele lá, gargalhando. De um jeito inocente, do jeito de ser dele. Nunca imaginou ficar tão próxima assim, mas, ao mesmo tempo, estava tão longe.
- Eu vou ficar doente, ! – a voz de gritando, ainda dentro da piscina, fez ela olhar novamente para lá – Como eu vou secar essa roupa pra ir embora?
- Ir embora pra quê? – perguntou, já com outro cigarro apoiado nos dedos.
- Como pra que, ? – respondeu pela amiga.
- Não sei mesmo – ele deu de ombros.
já havia saído da piscina, com atrás dela. O garoto falava com ela, que fingia não ouvir, mas ela virou quando suas mãos tocaram os ombros dela. Os olhos dela foram direto no cabelo molhado do garoto e foi descendo. Rosto, pescoço, camiseta branca. Ah, a camiseta branca molhada estava grudada no corpo dele, fazendo os gomos da barriga, resultado de horas de academia, ficarem salientes. Ela piscou duas vezes e se recusou descer seu olhar, indo direto para os braços do garoto. “Deus abençoe os casacos largos.”
- Eu vou arranjar uma toalha pra você – disse próximo do rosto dela e se assustou com a proximidade – Não quero você doente.
- Tá – ela disse baixinho, mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa ouvir. Ela deu as costas e foi de encontro com , que ainda não tinha sentado de novo ao seu lugar – Eu preciso ir embora daqui.
- Daqui a pouco – sussurrou de volta e as duas sentaram nas cadeiras próximas, que estava sobrando.
- Minha jaqueta de couro – choramingou tirando-a do corpo.
- Pede pro roupas novas, que é o mínimo que ele te deve depois disso – respondeu e segurou na mão de – Nós vamos nos retirar, boa noite pra quem fica.
- Eu já vou, – a menina deu um selinho nele e se aproximou das garotas – Quais os planos pra amanhã?
- Amsterdã – respondeu e viu negando com a cabeça.
- A gente fica na Antuérpia até na sexta de manhã. Ai meu Deus, e agora? – ela apoiou a unha comprida no vão dos dentes da frente – E a reserva de vocês é só até amanhã, né? – concordou com a cabeça, tremendo de frio – Que horas vocês saem para lá?
- Acho que o trem é 12h30 – parou pra pensar um pouco – É, algo em torno disso.
- Certo, não saiam da Antuérpia antes de eu ligar pra vocês, prometem? – as meninas ficaram quietas – Confiem em mim, não saiam da cidade sem falar comigo.
Elas até tinham passagens e hospedagens a perder, mas não havia motivo para não acreditar em . A garota que mais cedo se aproximou delas, e as levou para passar a noite bebendo e rindo com ela e o One Direction, não parecia mentir e querendo tirar uma com a cara delas. Certas coisas são difíceis de acreditar, mas você tinha que dar uma chance para saber se elas dariam certo, então suspirou, afirmando com a cabeça.
- Tá bom, mas não esquece que nosso trem é às 12h30!
- Não vou – fez figas com os dedos e os beijou – Obrigada pela noite, eu me diverti tanto!
- Obrigada você, ! – , que estava ensopada, pois ainda não tinha voltado, disse sinceramente e a abraçou, fazendo rir pela menina estar gelada.
também abraçou e e foi até , que gritou que tinha sido um prazer “conhecer aquelas loucas”. Elas abanaram a mão para ele e então apareceu, com uma toalha em seus ombros, enquanto uma que estava aberta em suas mãos, ele colocou sob os ombros de .
- Obrigada – ela sorriu sincera e então virou de novo para a roda.
e conversavam alguma coisa onde prestava atenção. estava interessado em seus dedos tamborilando na cadeira que estava sentado e sem erguer a cabeça, olhava para . Aquele vestido de alças finas e um pouco acima do joelho, com flores vermelhas ficava tão bonito na garota que usava sua franja de lado. Parecia tão delicada com aquelas sapatilhas nos pés. Mas ela, no olhar de , era muita areia pro pequeno caminhãozinho dele. Ah, se ele soubesse...
observava , abraçada às próprias pernas, enrolada na toalha, tremendo de frio. Era engraçado a conexão que ele sentiu ao conversar com a menina. Mas quais eram as chances deles terem um momento como esse novamente? Se encontraram em Paris, e tiveram um bom momento naquela noite, mas não tinha como eles sentarem e conversarem de novo, maldita agenda apertada.
Já era tarde, e as meninas decidiram se despedir deles. não cansava de pedir desculpas a , que dizia que estava tudo bem, no final das contas, foi engraçado. Ele desceu junto com elas, e , e até o andar deles e abraçou as três meninas, indo direto para o quarto tomar banho.
- Se você ficar doente me avisa que eu corto fora aquilo que o diz que tem – falou, já perto da saída da porta principal, olhando para .
- Não se preocupa, . Nada que um banho quente e uma cama aconchegante não me deixem renovada.
- Assim espero – ele abraçou a garota bem forte, que retribuiu – Foi tão bom conhecer vocês.
- O táxi delas chegou! – o segurança do hotel disse.
- Então isso é um tchau? – abraçou , que retribuiu com força, como se não quisesse soltar a menina nunca mais.
- Prefiro um até logo – ele respondeu e deu um beijo muito próximo do canto dos lábios dela, fazendo-a travar.
- Me aceita no twitter – piscou para que concordou com a cabeça.
- Assim que eu fizer meu celular sobreviver – ela gargalhou, referindo-se a bateria do aparelho, que tinha acabado – Não se preocupa, .
Eles se abraçaram, e então as três deram as costas para os meninos, que ficou observando elas entrarem no táxi, com o olhar das fãs que dormiriam na porta do hotel, em cima delas. Deus abençoe o vidro fumê do prédio, que não permitiu enxergar os garotos lá dentro.
- Não existe outro lugar no mundo como a Bélgica – disse assim que o táxi ganhou velocidade, vendo o Hilton ficar pequeno, com a distância.
- We can love Belgium more than this mudou as palavras da música e apoiou a cabeça no banco sentindo-se pela primeira vez naquele dia, realmente cansada.
- O deu um beijo no canto da minha boca – falou por fim, com a testa no vidro do carro.
- Repete? – e falaram em um tom de voz elevado e até o hostel, foi a única coisa que elas comentavam.

*****



tomou um banho bastante quente, assim que chegou no hostel, por causa do cloro que havia na piscina do hotel. Como havia combinado de que a cama dela era a de cima do beliche, depois de secar os cabelos, ela ficou um tempo sentada lá, com as pernas cruzadas e olhos fechados, repassando tudo o que havia acontecido, enquanto e usavam o banheiro para sua higiene pessoal antes de dormir.
a segurou pela cintura. foi empurrado na piscina e a carregou junto. ficou preocupado com ela ficar doente por causa da água molhada no frio, e se preocupou em procurar uma toalha para ela se secar. E deixou aquele tanquinho ficar saliente na camiseta branca e molhada.
- Oi? – ela abriu os olhos rapidamente quando percebeu que as amigas a chamavam.
- Sonhando acordada com o ? – perguntou e sentou no tapete do quarto, já que sua cama era a de baixo de , enquanto sentou na sua cama, no outro beliche.
- Se essa noite tiver sido um sonho, por favor, não me acordem.
- Ninguém quer ser acordada, sorriu do outro lado do quarto para ela – E não vai ser preciso, porque isso aconteceu.
- O quase te beijou – virou para a amiga que sentiu o peso de seu corpo cair no colchão.
- Por que eu? Por que não você ou a ? Ou sei lá, não tivesse sido o que tivesse dado um projeto de beijo na bochecha da lá no saguão? – ela afundou o rosto em suas duas mãos – É inacreditável. Quem sou eu? , uma menina da Irlanda, estudante de mestrado, que é insegura, tem defeitos, tem problema em aceitar a imagem que ela vê no espelho – então ela finalmente deixou as lágrimas que estavam acumuladas há algumas horas, despejarem em suas bochechas – Alguém que é louca por ele? Que vê nele um futuro, uma felicidade, um... Eu não sei se eu mereço isso.
- , , ! – desceu de seu beliche e foi de encontro a amiga que já chorava descontroladamente e a abraçou, fazendo-a apoiar a cabeça em seu ombro – Que isso? Cadê a que eu conheço? Divertida, segura de si, e que é linda.
- Fachada! – ela murmurou e passou as mãos no cabelo da amiga, enquanto ela se acalmava.
- Eu vou ser direta – olhava as amigas – E isso vai te doer, mas aceita. se interessou por você! Só e somente você! Por quê? Por tudo isso que você acabou de falar. Uma irlandesa, que faz mestrado, tem defeitos e é bastante insegura.
- Mas...
- E hoje você mostrou pra ele que cantar em uma boyband aclamada por milhões de adolescentes pelo mundo inteiro, pra você, não é nada. Que tudo o que vocês conversaram, nós três na verdade, com aqueles meninos, ó... Pó! Nós entramos como três fãs pra eles e saímos de lá com outra imagem.
- Coloco minha mão no fogo pelo que você tá falando, ! – sorriu para ela e então se afastou – Tá mais calma? Aceitou?
- Quem sabe um dia – ela sorriu – Vamos dormir!
Depois de uma noite praticamente em claro no interior da França, e um dia agitado como o anterior, aquele hostel na Provinciestraat, rua da cidade belga, parecia um hotel cinco estrelas. Melhor que um hotel cinco estrelas, parecia a própria casa de , e . Com o pedido de de não deixarem o país sem antes falar com ela, assim que elas chegaram do Hilton, naquela madrugada, fizeram questão de desligar o despertador do celular.
foi a primeira que acordou no dia seguinte, já na hora do almoço, sentindo o corpo novo e pronta pra outro dia intenso. Era só o quinto dia de viagem, e ela já sentia tanto o cansaço, pela maratona exaustiva, quanto o emocional completamente abalados. pegou o celular, próximo a parede, pois passou a noite carregando, e viu algumas notificações. Ela coçou os olhos tentando se acostumar com a claridade e então deslizou o dedo pela tela do aparelho.

@ZaynMalik: Chegaram todas bem?

Ela piscou os olhos algumas vezes repetidamente, como se aquilo fosse fazer a imagem em seu telefone mudar, mas não, era um tweet de , perguntando se elas haviam chegado bem ao hostel, após sair do hotel. Sua mente rodou pelo quarto pensando o que fazer e se lembrou das palavras para , na noite anterior “Nós entramos como três fãs pra eles e saímos de lá com outra imagem”. Não era o momento para ser fangirl e felizmente, seu twitter era bloqueado.

@LucciYared: @ZaynMalik Sãs e salvas! Obrigada pelas risadas.

Ela olhou para o tweet. Simples, mas pontual. Sentiu-se orgulhosa de não ser mais uma das que surtam e saem digitando coisas sem nexo quando um ídolo lhe responde na rede social, afinal, foi ele quem a procurou. Lembrou-se das outras notificações e foi vê-las.

“Esqueceu que tem família? Filha, nos mande mensagem, para pelo menos sabermos que você está bem. Papai, xx.”

Ela sorriu, “Papai, eu estou ótima! A Bélgica é um lugar incrível. Amanhã vamos para a Holanda, amo vocês!”, digitou rapidamente em seu celular e então enviou a mensagem, indo logo em seguida para outra, vindo de um número desconhecido.

“O dia está lindo. Vamos fazer turismo pela cidade? Nosso primeiro lugar é a Antwerpen-Centraal Station, me encontrem lá às 14h. , xx”

Hm, tirar um tempo de toda aquela loucura para conhecer mais da cidade não era uma má ideia. Rapidamente ela estava em pé e cutucando e , sem um pingo de delicadeza para que elas acordassem e arrumassem suas malas. Não tinham local para ficar por mais uma noite na cidade, mas nada que mais uma noite passada em claro na estação ferroviária não resolvessem os problemas.
- Eu sinto como se a gente tivesse abusando da . Ela veio, desabafou com a gente, falou das angústias dela, e a gente rapidinho sai correndo atrás dela, só porque ficamos perto dos meninos? – confidenciou às amigas, já na recepção do hostel – Não me sinto bem, principalmente porque eu não tenho como retribuir essa aproximação com os meninos, pra ela.
- Ela só quer uma amiga, ! – estava com um braço apoiado na mala, já pronta para sair do hostel – No caso, três. É isso que a gente pode dar pra ela.
- Uma amizade dura pra sempre, piscou pra ela – Pensa nisso e deixa de besteira. Vamos! Qual o problema da gente tirar um dia de turismo?
- Tá bom! – bufou e sentiu as amigas abraçando-a – Por que eu sou amiga de vocês mesmo, hein?
Elas saíram do hostel e puxaram suas malas até uma avenida próxima, de onde pegaram o trem para a estação central. Aquela quinta feira realmente estava maravilhosa, digna para passarem o dia ao ar livre conhecendo aquela cidade. estava sentada na entrada da estação, usando óculos escuros e tomando um sorvete, enquanto observava algumas adolescentes, usando mochilas com bottons do One Direction entrando lá. Talvez estivessem ido a cidade exclusivamente para o show anterior e estavam voltando para suas casas, em cidades próximas. Ela também estava sozinha, sem nenhum segurança, e foi até o local de transporte público. Ah, seu namorado até que tinha certa razão em querer esconder o relacionamento deles. Se fosse o contrário provavelmente ela não poderia observar a vista pela janela do hotel.
Então ela viu as três novas amigas, que felizmente tinham dado atenção a ela, virando a esquina. e pareciam morrer, e além de suas bolsas, que não eram pequenas, apoiadas em seus ombros, puxavam cada uma duas malas extremamente grande. “Elas falaram que viajariam a Europa inteira atrás dos meninos”, e então deu de ombros. Ela estava tendo momentos de rainha ao lado do namorado, e não estava passando pelos problemas que as meninas estavam tendo, mas ela também estava andando para lá e para cá com duas malas grandes. quando a viu, foi pulando animada na direção dela, já a cumprimentando.
- Também quero! – ela apontou para o sorvete da garota. Definitivamente, era a menina que puxava o bonde da comida.
- Quer ajudar a gente, isso sim! – finalmente se aproximou delas – Oi, !
- Falei pra não trazer todas essas malas – deu de ombros, enquanto respondia o “Oi”.
- Eu só quero saber onde a gente vai deixar tudo isso – se aproximou do grupo e balançou os braços, para relaxarem do peso que estavam puxando – Não dá pra passear com tudo isso.
- Isso a gente da um jeito! – acabou seu sorvete e levantou – Então, como passaram a noite passada?
Então elas entraram na estação conversando, enquanto tiravam diversas fotos no local, que foi construído em 1905 e além de ter ouro maciço nos mínimos detalhes, ela possuía mármore para todos os lados. Era um lugar que qualquer um deveria conhecer, mesmo que não fosse viajar de trem. De lá, insistiu para que dessem uma passada rápida no Hilton, onde um dos seguranças colocou as malas delas para dentro, ainda que sob reclamações e então elas sentiram-se livre para andar sem preocupações.
Depois de caminharam embaixo do Rio Shelde, no túnel St. Anna, localizado na zona portuária da cidade, um trecho de aproximadamente 500m, elas visitaram algumas catedrais góticas e museus, até chegarem à Diamondland. Elas nunca tinham visto tantos diamantes reunidos em um só lugar e já que estavam na região, aproveitaram para conhecer o Museu do Diamante.
- Tristeza nessa vida! – falou saindo do museu – Cadê meu namorado pra me dar um desses?
- Você tem namorado, ? – perguntou. Ingênua.
- Ih, comentou, saindo seguida das duas – Mais fácil ela comprar um diamante, do que esperar aparecer um namorado na vida dela, pra ganhar um.
- Vai dar uma passadinha no inferno depois você volta aqui, – a menina levantou o dedo pra amiga que mandava beijos.
- Tirando o , os meninos tão solteiríssimos, viu?
- A é chata pra caramba, por isso ela não tem namorado! – entrou no assunto – Metódica demais, neurótica demais.
- Eu só não pego qualquer um que resolve me dar bola – ela fechou a cara, fingindo estar magoada – Eu sou difícil mesmo.
- Acho que já visitamos os principais locais da cidade, e minha barriga está roncando – colocou a mão no próprio ventre, enquanto via o sol se pondo – Minha lombriga está com fome, tenho que alimentá-la.
- Vamos pro Terrace? – também sentiu seu corpo pedindo alimento – A gente come alguma coisa lá e depois se arruma pra alguma balada, topam?
- Erm, nós só precisamos de um lugar pra tomar banho.
- ! – olhou pra ela brava – Eu que deixei vocês sem um teto por hoje, sou eu quem vai resolver esse problema. Vamos pro hotel!

*****



Na região portuária da cidade, estava localizada uma das mais conceituadas e famosas casas noturnas da Bélgica. Com dois andares e acesso ao terraço com vista, a Noxx era visada pela alta classe belga e também por pessoas famosas que visitariam a cidade.
Tanto a música alta quanto as bebidas já rolavam no Sky Box, lugar privilegiado na balada, apenas para quem havia feito reserva na Noxx VIP Experience. Vestindo um short de paetês, com uma camisa preta transparente, e um peep-toe nude para contrastar, pegou um drink colorido e juntou-se a , e , em um sofá espaçoso, que não se cansavam de falar da beleza e dos encantos da Bélgica.
estava perdida na pista de dança. Era a forma que a garota encontrava para extravasar, para liberar adrenalina. Usando um vestido de manga comprido, mas cujo comprimento vinha até o meio da coxa, aquela visão chamou a atenção de um par de olhos. Com uma cerveja na mão, estava apoiado no mezanino olhando o andar inferior quando ele a encontrou. De olhos fechados, como se estivesse sentindo a música percorrer em suas veias, balançava o corpo e levantava seus braços. Ela não beberia naquela noite e se divertiria a sua maneira.
- Drinking Game! – tirou um dado do bolso, seguido de uma folha de papel dobrada, já rasgando em alguns pontos – Não tenho pinos, mas espero que todo mundo lembre suas casas. Hey! – ele virou para a mesa ao lado – Querem jogar?
- Quer embebedar a gente, ? – chegou com seu copo, enquanto , e também se aproximavam.
- Um pouco sempre é necessário – ele piscou para a menina – , topa?
- Hoje não – ele respondeu e logo voltou a fixar seus olhos na pista de dança, que havia perdido o que estava vendo anteriormente.
fechou os olhos e abriu de novo. não estava mais onde anteriormente ela dançava. A contragosto de um dos dois seguranças que os acompanhavam no local, ele desceu as escadas para o andar inferior em certa velocidade e logo entrou no meio do povo que dançava. Algumas mulheres até o reconheciam, mas felizmente a dosagem de álcool no sangue já era elevada o suficiente para saberem ao certo quem ele era. Sua cabeça girava constantemente para os lados a procura daquela menina de cabelos escuros.
- Procurando algo, ? – apareceu na frente dele, já com os cabelos presos em um coque alto, deixando a nuca à mostra, e com uma garrafa d’água em uma das mãos.
- Talvez – ele deu um meio sorriso de lado e seus olhos desceram discretamente, até as coxas dela – Se divertindo?
- Tem como ficar melhor – ela passou a mão livre pelo queixo e deu uma olhada para o cara alto, e de cabeça raspada na máquina um ao seu lado. O homem retribuiu o olhar e ela desviou, virando para de novo, que sentia seu sangue ferver – Mas a balada é ótima, obrigada pelo convite.
- Todos os meninos concordaram em chamar vocês. Sabe como é, a companhia é ótima, e tem gente interessado também.
- Ah é? – se aproximou do ouvido dele, que enrijeceu com a proximidade, quase não sentindo sua própria respiração – Achei que você tivesse feito questão.
Ela piscou para ele e foi em direção a um corredor escuro, que dava acesso a outra sala da casa noturna, enquanto o garoto que estava com a respiração descompassada, tentava se situar e voltar a ter o controle do próprio corpo.
e haviam desistido do Drinking Game quando suas cabeças começaram a girar e a menina caiu sentada no colo do próprio namorado. O casal foi para a área mais escura onde namoravam e se amassam na parede do local, sem pudor e sem vergonha alguma.
- Quatro! – falou, já com dificuldade de enxergar os pontos pretos no dado – É aqui – ela colocou o dedo então leu – Escolha um jogador para beber duas vezes – ela olhava de lado – Amor da minha vidinha – e pegou no braço de , que estava ao seu lado – É tequila, você não vai se importar.
Eles haviam pegado uma garrafa de tequila e outra de Big Apple, para o jogo, e as duas já haviam passado da metade.
- Uma de cada um – ela sorriu e roubou o copo de , que estava ao seu lado – Tequila! – ela deu um beijo no copo e virou garganta a baixo. Era como se tomasse água – E maçã verde – ela bebeu novamente – Ai meu Deus, esse jogo é tão legal! – e então pegou o dado e o derrubou na mesa, que quicou e parou no colo de – Quanto, ?
- Um, .
- Só um? – a menina gritou – Droga. Veremos, erm... Jogadores... Pulso... Relógio... É pra quem estar de relógio beber.
- Meu Deus, ela tá muito bêbada – sussurrou para e , que estavam próximos a ela.
- Quem não está? – retrucou, com os olhos já praticamente fechados, de tanto álcool que rolava nas veias – Eu, você e o temos que beber, !
- Sou praticamente a dona Flor, com meus dois maridos – ela gargalhou e virou mais uma dose de tequila. Já devia ser além da oitava dose, e caiu com a cabeça na mesa, em cima do tabuleiro – Diz pra minha mãe que eu a amo!
- , não desmaia por tudo que é mais sagrado no mundo – a levantou de novo, e tinha um sorriso frouxo nos lábios.
- Ai meu Deus, vem dançar! – se recuperou rapidamente e levantou quando Gangnam Style começou a tocar – ela (achava que) dançava a música assim como o coreano, e os meninos, junto de , riam dela – Oppan gangnam style! – ela gritou e voltou a dançar – Rodeião, vamos laçar a pessoa – ela fazia igual ao videoclipe.
- O que a gente faz com ela? – sussurrou para .
- Entra na dança junto – ela levantou e correu até a amiga. seguiu-a com o olhar. A cada ação, o surpreendia cada dia mais.
seguiu pelo corredor escuro e a encurralou na parede. Ele estava suando frio. Aquela garota não podia simplesmente provocá-lo com uma roupa curta e sair assim, sem mais nem menos. Com as mãos na parede, uma de cada lado do rosto de , o garoto olhava para ela fixadamente.
- Não fica bem para um popstar como você, encurralar uma garota na parede em uma balada tão cheia, .
Ele tirou o peso de uma das mãos, retirando-a da parede, e desviou o olhar.
- Não me provoca, .
- Eita, falou meu nome – ela rolou os olhos e deu uma risada – Espero que você não esteja bravo comigo.
- Ai, meu Deus, é o ! – ele ouviu duas garotas falarem, próxima a eles, e se afastou por completo da menina.
- Isso não se faz! – ele negou com a cabeça e se virou para dar atenção às duas fãs.

*****



A cama era macia, muito melhor do que elas andavam dormindo pela Europa. O travesseiro parecia uma nuvem de tão fofo que era. E o lençol... Ah, o lençol parecia ter sido feito de algodão puro por anjos. Uma luz invadiu o sono de , que com dificuldade abriu os olhos. Já acostumada com a claridade, ela girou seu corpo e encontrou dormindo ao seu lado, enquanto estava ao lado de . Havia flores no quarto, a janela era desenhada, com uma bela cortina fechando-a. Ela sentou e coçou os olhos. Mas aquele não era o New International Youth Hotel.
- – ela balançou a amiga ao lado e sentiu o cheiro de álcool puro sair de sua boca – – ela chamou a amiga e as duas murmuravam reclamações enquanto acordavam.
- Que foi, ? – foi a primeira a dizer alguma coisa.
- Onde nós estamos? – perguntou curiosa e um tanto assustada, fazendo levantar da cama e rapidamente analisar o local.
As três usavam a mesma roupa da noite anterior, e tinham o rosto completamente borrado por causa da maquiagem.
- Que merda a gente aprontou dessa vez?




4. Netherlands, I would have loved you first:

That’s what hurts the most, “boys” we came so close.

Um dos maiores problemas de acordar em um hotel cinco estrelas, é que tem uma chance remota de você não saber onde está, nem como foi parar ali, talvez por conta da noite anterior regada a álcool e um blackout cerebral. ainda era a única sentada naquela cama, enquanto e andavam de um lado para o outro, tentando desvendar como elas chegaram lá.
- Você foi a única que se manteve sóbria a noite inteira, . Não é possível que você não lembre como nós chegamos aqui.
- Eu tive um em volta de mim durante a noite inteira que provavelmente me drogou com o charme e o cheiro do perfume dele – a menina colocou as duas mãos no rosto.
- Vocês podem, por favor, parar de andar pra lá e pra cá? – se pronunciou – Acho que eu ainda to bêbada e isso tá me deixando tonta.
- Perdão – falou e sentou ao lado dela – Certo, nós estamos no Hilton.
- E esse quarto tem que ser pago – encostou-se à parede oposta a cama e as três se encararam.
- O quanto eu vou deixar aqui, já posso ir direto pro aeroporto e voltar pra Inglaterra – choramingou.
- Sem perder o foco, gente – tentava se lembrar de algo relacionado a noite anterior, mas sua mente acabava voltando na imagem dela encurralada em um corredor por – Nós precisamos chegar em Amsterdã ainda hoje. Que horas são?
- Erm... – pegou o celular dentro de sua bolsa – Meio dia.
- Dez minutos pra gente trocar de roupa, limpar o rosto, que realmente tá deplorável, amiga e a gente desce. Sem banho, sem nada. É o que a gente pode fazer pra chegar a tempo na Holanda.
era a mais lenta das três, por causa da ressaca e da dor de cabeça que isso lhe custava. Ela colocou um tênis, short jeans e camiseta, além dos seus inseparáveis óculos de sol modelo aviador, que felizmente escondia suas olheiras, que acreditava ela, cresceriam até o fim dessa viagem. Decidiu não passar nem um pó no rosto, para sua pele descansar e absorver ar e sol. e apressavam a garota que normalmente era ágil, mas essa vez, a culpa não era dela.
Em silêncio, ainda tentando entender tudo o que havia acontecido, saíram do quarto no terceiro andar e chamaram o elevador. não estava tão ruim quanto , mas estava fazendo um mantra para si mesma, de que nunca mais chegaria perto de uma garrafa de tequila. E também nunca mais deixaria a convencer de jogar Drinking Game. As portas do elevador se abriram revelando o hall do hotel que elas já conheciam. Seria aquele, talvez, o momento mais dolorido de toda a viagem.
- Nós queremos fechar o quarto 312 – apoiou-se no balcão, já em busca da carteira.
- Hm... Senhoritas , e ? – um homem de terno olhava no computador. Elas concordaram com a cabeça – A diária de vocês já está paga. Espero que tenham aproveitado a Antuérpia.
- Não é possível – esticou o corpo para olhar o computador – Como?
- Informações confidenciais, mas eu tenho algo para vocês – ele então entregou um envelope fechado, com o elegante logotipo da rede de hotéis – Espero de verdade que tenham gostado da hospedagem e voltem para a Bélgica.
- Obrigada – pegou o envelope e elas foram em direção à saída. Elas não sabiam como foram parar lá, mas sair pela porta daquele hotel cinco estrelas era de partir o coração.

“Eu disse que o problema era meu e resolveria isso. A melhor noite de todas! Vocês são divertidíssimas e as melhores companhias. Nos vemos em Amsterdã.
, xx.”

- Essa filha da mãe leva a gente pra conhecer os meninos, temos os melhores momentos da nossa vida, e ainda paga esse hotel pra gente? – estava indignada – Me lembrem de amar essa garota pra sempre.
- Ela é um anjo – murmurou. Seus olhos estavam pesados e insistiam em fechar – Nós podemos ir para algum lugar?
- Essa história de acordar no hotel e ter um bilhete da está muito mal contada. Mas vamos sim, . a ajude, por favor? – pediu, fazendo sinal para um táxi que estava na Eiermarkt, próximo ao hotel – Vamos pra estação pra pegarmos o trem pra Amsterdã.

*****


Mais uma vez elas estavam lá dentro, na Antwerpen-Centraal Station. Podiam falar que se existisse um lugar na cidade que elas conheciam de olhos fechados, provavelmente era lá. Assim que alcançara o balcão da companhia, sentiram o primeiro balde de água gelada do dia.
- Três passagens pra Amsterdã, por favor!
- O próximo trem sai às 16h – o atendente falou, em um sotaque carregadíssimo, por causa da língua holandesa.
- Isso só pode ser brincadeira – murmurou olhando novamente pro relógio – Não são nem 13h – ela virou para o atendente – Quanto tempo até lá?
- Normalmente leva um pouco mais de uma hora, mas como ele faz conexão em Roosendaal, vocês devem chegar na capital holandesa lá pelas 19h.
- A gente não pode chegar na Holanda às 19h – se exaltou e então massageou a têmpora – Meninas, o que a gente faz?
não tinha falado nada até então, pois estava ocupada com seu celular na mão. Agradecendo mentalmente a velocidade da conexão, ela entrava em sites de companhias aéreas e ferroviárias, decidindo a melhor forma delas chegarem ao destino final.
- Quanto tempo até Bruxelas? – ela falou pela primeira vez desde que chegaram.
- Meia hora... O próximo trem sai em dez minutos – e então o atendente se mexeu na cadeira a ponto de conseguir ver a fila que se formava atrás delas – Vocês pode, por favor, decidirem do lado?
- , o que nós vamos fazer em Bruxelas? – puxou a amiga de lado – A gente só estará se distanciando mais.
- , compra pra Bruxelas – ela confirmou e então virou – Eu e meu impulso por compras, me fez acumular milhas. A gente vai de trem até lá, e de lá de avião, porque não tem voo saindo do projeto de aeroporto dessa cidade.
- Desde quando você tá acordada e nova? – pegou os bilhetes, enquanto elas saíam correndo para a plataforma.
- Digamos que eu funciono bem sob pressão – ela piscou para as duas.

*****


era uma garota normal. Vivia em Londres com sua família, estudava artes plásticas em uma universidade conceituada, até tinha alguns poucos amigos, talvez a melhor forma para chamá-los eram colegas. Estava estudando em um parque, quando seu namorado, na época um mero conhecido da televisão, um tanto quanto destrambelhado, praticamente capotou por cima dela, derrubando seus óculos, e espalhando os livros.
Lá estava ela. Nas férias, sentada em uma das cadeiras da arena Ziggo Dome em Amsterdã, enquanto, quem diria, o garoto destrambelhado, hoje seu namorado, fazia a passagem de som para um show mais tarde, com mais de 20 mil meninas gritando enlouquecidamente.
Era complicado ter 20 e poucos anos, e não ter uma pessoa em quem confiar, uma amiga para desabafar, contar problemas. Ela riu na possibilidade de brigar com e sair correndo para o quarto de para desabafar e chorar no colo dele. Aquilo definitivamente era fora de cogitação, então bateu aqueles cinco minutos de coragem. Foram aqueles cinco minutos, que trouxeram , e para ela. Só o tempo diria se elas falam com a garota por interesse, mas ela não podia ter tirado sorte maior. Ficaria até Lisboa com os meninos, e elas viajariam até Lisboa atrás deles.
Ela achou seu celular no bolso da calça e segurou, olhando fixadamente para o aparelho. cantava One Way or Another, e ela dava risada lembrando do videoclipe. Enquanto a música era tocada, ela levantou e foi até o fundo, com o celular na orelha. “Sua ligação está sendo encaminhada para a caixa de mensagens...”, e desligou. Talvez estivesse sem bateria. Tentou o de seguido pelo de e também a mesma mensagem.
- ! – ouviu seu nome saindo em algum alto falante e então virou para o palco. estava segurando o microfone com o pedestal – Aconteceu alguma coisa?
- Não – precisou falar um pouco mais alto que o normal, para sua voz chegar até o palco – Estou tentando falar com as meninas.
- Elas vêm hoje? – falou um tanto quanto empolgado, o que fez virar para prestar atenção. Ah, ...
- Até Portugal, – ela sorriu – Mas sim, elas vêm hoje.
- Certo – ele comprimiu os lábios e deu um sorriso tímido.
- Meninos, Meet & Greet – o tour manager entrou no palco falando e eles saíram para a área reservada.
olhou para os lados. Aquela arena era imensa e medonha. Algumas pessoas iam e vinham, preparando os últimos detalhes para mais tarde. Ela tentou a ligação mais uma vez. “Sua ligação está sendo encaminhada...” “Tá, eu já entendi!”, pensou e desligou o telefone. Colocou a mão no bolso de trás da sua calça e sentiu três passes para backstage lá. Ela precisava falar com elas até o show começar.

*****


A viagem até a Bélgica foi rápida. Assim que , e desembarcaram na Bruxelles Midi Station, subiram em um táxi aos gritos, pedindo para que as levassem até o Brussels Airport, o mais rápido possível. Bruxelas era uma cidade tão maravilhosa quanto Antuérpia, mas a ansiedade e a dúvida de que chegariam a tempo, não as permitia olhar para as janelas. Elas chegaram um pouco depois das 14h na cidade, por conta do tempo que levou para decidirem o que fariam e o voo eram às 16h30.
- Não vai dar tempo – balançava as pernas, no banco de trás do carro, enquanto olhava para o relógio – Por que levar meia hora pra chegar ao aeroporto?
- Não fala que atrai, sentia medo. Queria tanto conhecer Amsterdã, e sentia que não ficaria tempo suficiente na cidade para ver uma flor.
O carro ganhou velocidade quando entrou na via expressa E40, que liga a cidade ao aeroporto. até respirou mais aliviada, sair da cidade e alcançar uma estrada onde a velocidade máxima passava dos 30km, fazia ela sentir que estavam ganhando tempo. Até a velocidade voltar a diminuir, e chegar a quase zero.
- What the fuck is going on? – se exaltou e olhou no velocímetro do carro – Que cacete!
O motorista murmurou algo sobre reformas na estrada, e que não poderia fazer nada, deixando elas cada vez mais apreensivas. A Holanda nunca pareceu tão longe da Bélgica, como naquele momento.
Depois de quase perderem as unhas das mãos, por roerem de nervoso, finalmente o carro voltou a andar, e quando finalmente olhou pela janela, e viu um avião com trem de pouso abaixado, também avistou uma placa onde a única coisa que identificava era “Airport”. Respirou fundo. Elas estavam quase chegando ao destino final.
foi a primeira a sair do carro, com o celular de na mão, com a confirmação das passagens, indo em direção ao terminal de embarque, procurando os guichês da companhia holandesa KLM. e pagaram € 35 ao taxista com uma dor no coração, e pegaram um carrinho, para pegar as cinco malas.
- Passaporte – estralou os dedos quando as viu chegando e rapidamente elas os tirou da bolsa, entregando ao atendente de cabelos escuros e olhos claros.
- Nem acredito que nós chegamos a tempo – suspirou enquanto colocava as malas na balança. O que importa é que elas não tinham excedido o peso máximo permitido.
devolveu os passaportes e distribuía as passagens enquanto elas eram impressas pelo atendente chamado Dirkjan. “Acho que a mãe não gostou muito de saber que ia ter um filho”, ela pensou se referindo ao nome estranho. Depois de malas despachadas, olharam novamente para o relógio. Tinha uma hora pro avião decolar e com sorte, chegariam antes das 18h em Amsterdã. devolveu o celular para , enquanto elas caminhavam para a sala de embarque.
- Tem ligação perdida da , .
- Depois eu vejo isso – ela respondeu desligando o aparelho e colocando na bolsa – To com pouca bateria.
- Nós não podemos ficar completamente incomunicáveis – se referiu ao fato dela também estar sem bateria.

*****


estava sentado em um sofá e jogava uma bola de tênis na parede do camarim, que voltava direto nas mãos dele. estava com a cabeça nas pernas do amigo, enquanto a mesma voz repetia aquela mensagem milhares de vezes. “Sua mensagem...”, ela nem dava tempo mais da frase chegar ao meio, desligava antes. também estava no camarim, olhando para a roupa laranja que usariam em instantes.
- A gente vai ter que se fantasiar de prisioneiros? – ele colocou a calça na frente do corpo e olhou no espelho – Eu pareço o Vin Diesel, em Velozes e Furiosos, quando é preso e o Brian junto com a Mia e a Letty vão salvar ele.
- Não, dude! – se virou quando ouviu a voz de – Você está longe de parecer o Vin Diesel. Quem sabe o branco do olho, melhor a gente tentar com o .
- Ouvi meu nome – o próprio entrou no camarim, seguidos de e , que riam de alguma besteira.
- Qual a graça? – levantou da perna de e beijou a bochecha do amigo, agradecendo.
- Tô contando pro sobre a balada de ontem a noite – pegou uma garrafa d'água na geladeira e sentou no sofá oposto ao que estava – A tava quase desmaiando, de repente ela levanta do além e vai dançar Psy – ele batia a mão na própria perna rindo, ao lembrar-se da cena – Essas garotas são demais, onde elas estão?
Ao ouvir a última frase do amigo, abriu um sorriso sacana no rosto. Podia não ter visto as cenas mais engraçadas da noite, mas com certeza, estava marcando território em volta de alguém bem mais precioso, e que com certeza lhe renderia lembranças melhores do que aquelas que o amigo contava.
- Você quis dizer que a é demais? – provocou o garoto que a olhou, não achando graça naquilo.
Sim, ele falava dela, mas ninguém precisava saber para lhe encher mais a paciência.
- , a leve daqui, faz favor – ele fez sinal para a porta e a garota deu a língua.
- Respondendo a sua pergunta, , que por sinal foi ótima. Onde elas estão? – ela abriu os braços e negou com a cabeça – Não faço a mínima ideia, o celular das três está desligado.
- Você tem o celular delas? – falou um pouco animado e percebeu os olhares dos cinco naquela sala, em cima dele – Quer dizer... Que bom que vocês estão se tornando amigas e uma tem o celular da outra – ele tentou disfarçar.
- , eu já to a um tempinho convivendo com vocês. Acho que na verdade, eu to até desenvolvendo um lado masculino para o meu psicológico e não dá pra esconder de mim. Qual das três chamou a sua atenção?
e continuaram a olhar para ele, que franziu suas sobrancelhas.
- Tá falando do quê, sua maluca? – ele logo disfarçou e coçou a nuca – To aqui super feliz que você arranjou amigas para essa turnê, e você faz bullying comigo.
não respondeu, apenas deu um meio sorriso e voltou com o telefone na orelha. “Sua men...”. Argh, aquilo só podia ser sacanagem com ela. Os passes para backstage ainda estavam em seu bolso. Três celulares e os três desligados. Sua mente começava a pensar no pior e ela piscou os olhos algumas vezes seguidas, tentando acordar para o que estava acontecendo ali e se livrar daqueles pensamentos.
- Então, gostaram da roupa de hoje à noite? – ela pegou um cabide com as roupas alaranjadas que estava escrito “” e ergueu.
- É pra gente fazer cosplay de Vin Diesel em Velozes e Furiosos? – levantou a cabeça do desenho que rabiscava em uma folha de papel.
- Você me entende – levantou os braços como se agradecesse o fato de alguém concordar com ele – ficou enchendo o saco.
- Não! – se defendeu – Eu disse que o único que está perto de lembrar do Vin Diesel, é nosso amigo aqui, porque olha, vocês tão passando longe da academia.
contraiu o braço direito e levantou, como se estivesse fazendo muque. Então ele beijou o próprio bíceps enquanto assistia aquela cena incrédula. Ela olhou para as próprias roupas. Calça, camiseta larga e tênis. Não estava com pó no rosto, não usava batom. Conviver diariamente com aqueles meninos estavam a fazendo mudar.
- Ai, senhor – ela pôs a mão na própria cabeça – Por que mesmo eu estou viajando com vocês?
- Porque você e o ... – começou a falar, mas a porta bateu, anunciando a saída dela – Grossa!

*****


Felizmente o avião não atrasou para decolar da Bélgica, tocando o solo de Schiphol exatamente às 17h30, horário previsto por elas, fazendo com que respirasse um pouco mais aliviada. Estavam na Holanda, e de repente tudo pareceu finalmente ser colocado nos eixos do roteiro planejado. Elas foram uma das primeiras a desembarcar e seguindo o fluxo, foram até as esteiras onde as malas seriam depositadas.
- Já to pensando no quanto nós vamos desembolsar de táxi para o hostel, só pra deixar as nossas malas.
- Deixa disso – comentou olhando para a esteira. Ainda estava desligada – pagou na Bélgica, você pagou as passagens, deixa que eu pago aqui.
- Nah, as passagens foram de milhas. Não me pergunte como, mas elas saíram de graça.
- Você podia ir para qualquer outro lugar com elas – entrou na conversa – Alguém anota no celular esses gastos, pra gente poder dividir depois.
- To sem bateria – disse apertando com força o botão de ligar, mas não piscava nada na tela.
- Eu também – também falou vendo o celular ligar, mas logo em seguida desligar.
- Ótimo, incomunicáveis na Holanda – riu irônica e então olhou no relógio – Temos 2h pro show, quais são as chances de nós chegarmos a tempo?
- Não existe a possibilidade de não chegar lá, . O esquema já está armado. Mala, hostel, arena.
- Banho antes disso, falou e viu a amiga fazendo que não com o dedo – Qual é? Eu to parecendo um bagaço de laranja podre.
- Ah – deu de ombros – Ninguém mandou beber como se o mundo fosse acabar hoje pela manhã.
- Mas... – ela tentou argumentar, e naquele momento, a esteira ligou, indicando que em breve estariam com as malas.
- É a nossa melhor opção – comprou a ideia de e viu uma emburrada – Não faz essa cara, – ela abraçou a amiga e logo se afastou – Caramba, tu ainda tá cheirando álcool! Como você aguentou vir do lado dela, ?
- É disso que eu estou falando! – ela bateu o pé, vendo as primeiras malas aparecerem na esteira.
O avião que fazia o trajeto Bruxelas-Amsterdã, era um Fokker 70, com capacidade para apenas 80 passageiros. As malas iam e vinham, a quantidade de pessoas ali, aguardando, diminuía a medida que a quantidade de malas também ficavam menor na esteira. O relógio também rodava. Nada de mala preta, nenhum sinal das malas roxas de , e muito menos da de bolinhas de . Claro que o simples fato de estar em Amsterdã, não faria a situação melhorar. olhou no relógio novamente. Já eram 18h e preferiu não falar pras amigas, para não as deixarem mais ansiosa. , que era neurótica com relógio, teria uma síncope se ela soubesse que faltava apenas 1h30 para o show.
- Cadê? – falou para a própria esteira quando ela ainda girava, mas as malas delas não apareciam – Eu juro que se ficou em Bruxelas eu processo essa empresa.
- Ainda está rodando – afagou o braço da amiga. De fato, não precisava deixar mais ninguém ansiosa, já bastava ela por si só estar tremendo por dentro.
Então como se alguém as tivesse ouvindo, as cinco malas apareceram na esteira, fazendo , que estava sentada na beirada de metal, levantar para poder pegar as suas. Uma moça da companhia conferiu as bagagens e então as liberou, encontrando um aeroporto movimentado, principalmente pelo fato de ser 18h de uma sexta feira.
- Mentira! – gritou quando saíram do aeroporto – O I Amsterdam fica aqui?
A placa I Amsterdam é famosa na cidade. Não existe uma pessoa que visite a capital holandesa e não tire fotos dentro das letras que formavam a frase. pegou sua câmera e foi correndo deitar em cima da letra “m”, para que tirasse uma foto.
- Nós vamos perder muito tempo aqui, gente – ela pegou a câmera sob protestos, quando viu ir para perto da amiga.
- Aparentemente é o máximo de turismo que nós vamos fazer aqui, , não corta esse barato da gente.
tirou algumas fotos, quando uma mulher, com um dialeto alienígena, na opinião dela, se aproximou oferecendo para tirar foto das três. Ela sorriu agradecida, depois que entendeu o que ela quis dizer, e se juntou as amigas. Saíram diversas fotos engraçadas, e então olhou para o relógio novamente. Eram quase 18h30, isso quer dizer, 1h para o show, e elas não conheciam nada de Amsterdã.
- The Flying Pig Downtown Hostel – pediu para o motorista assim que fecharam a porta – E, por favor, o mais rápido possível.
Enquanto pesquisavam por um hostel para ficar na cidade, encontrou o Flying Pig, localizado próximo a estação de trem de Amsterdã, e além das fotos, o que chamou a atenção foi o preço e o slogan do lugar. “Find us to get lost”, era propício para a primeira vez em Amsterdã, levando em consideração a fama da cidade. Se perder na capital holandesa, era uma boa ideia para elas, se quem sabe, não tivessem desistido de um dia lá, por um dia na Antuérpia.
deu uma risada nasalada que a fez mexer os ombros quando se lembrou da cidade belga. Isso porque havia tido um pesadelo de que nada daria certo para elas lá. “Tomara que ela sonhe mais vezes com os lugares”, pensou e olhou pela janela, quando se aproximavam do centro de Amsterdã. Era tudo muito verde, bem organizado, os quarteirões exatamente quadrados e alguns rios cortavam a cidade. Mas o tempo corria.
O mais perto que o carro pode chegar do The Flying Pig Hostel, era em Damrak, uma rua larga, pois o hostel ficava em uma viela, que mais parecia um calçadão. deu €40 ao motorista com uma dor no coração, e arregalou os olhos, ao sair do carro.
- Ótimo, eu chego em Amsterdã e a primeira coisa que eu vejo é o Museu do Sexo.
- Não tecerei comentários pra não apanhar – riu e segurou suas malas, mas tomou um soquinho no braço da amiga – Ei!
- Sem brigar, crianças – que era a mais velha se intrometeu no meio delas como se fosse uma mãe – Vamos, a Nieuwendijk é seguindo reto aqui, segundo o motorista.
- O que você acabou de falar? – dizia puxando suas malas.
- O nome da rua do hostel – ela deu de ombros.
- Qual o problema desse povo com a língua? – reclamou, ouvindo as pessoas falando na rua – De que planeta eles vieram?
Elas saíram do hostel mais rápido do que entraram. Ele era um prédio construído no século 18, e mais tarde foi transformado em, segundo as palavras do recepcionista, um dos melhores locais para a festa em toda a cidade e era conhecido por “suas noites selvagens” e “atmosfera relaxante”.
- Oba, bebedeira de novo! – bateu palmas, enquanto corriam para a estação de metrô, de onde pegariam um direto para a arena.
- O álcool ainda tá saindo do seu corpo e você já tá falando em encher a cara, ?
- Tu teve hepatite, sua maluca, segura esse fígado um pouco – a alertou.

*****


- Desisto de vez – guardou o celular no bolso depois de ouvir a tão conhecida mensagem pela enésima vez.
Um pensamento passou pela cabeça dela, e isso lhe deu medo. Não, talvez elas realmente estivessem sem bateria e quem sabe, com muita pressa, ou em algum lugar sem tomada, não permitindo que elas conectassem o aparelho. Definitivamente, elas eram muito legais para de repente, estarem fugindo dela.
Ela caminhou para perto de , onde estava fazendo um exercício de voz e balançava todo o corpo, como se estivesse se alongando, atrás do palco. A multidão holandesa já gritava fervorosamente. O vídeo de introdução ao show já estava sendo exibido no telão.
- Nada? – abriu os olhos e encontrou a namorada com um ar de decepcionada. Ela negou com a cabeça e ele a puxou pra um abraço – Talvez tenha acontecido alguma coisa.
- Talvez elas não queiram mais falar comigo – ela sentiu o choro subir na garganta, mas o engoliu. Não iria se permitir fazer aquilo – E eu deixei um bilhete falando que nós nos encontrávamos aqui.
- Não pensa assim – ele deu um beijo na testa dela – Você é uma das melhores pessoas que eu já conheci, ninguém te decepciona assim, sem mais nem menos.
- Eu já me dei mal na hora de escolher amigas, .
- E se dessa vez você acertou? – ele a segurava pelo ombro e olhava fixadamente para ela, que usava sua armação wayfarer – Hein? E se errou também, eu e os meninos também erramos, em achar que elas eram legais.
- ! – chamou a atenção do garoto que fez um sinal com a cabeça.
- Se eu descobrir que você chorou, eu vou ficar muito triste.
- Não vou – ela sorriu para ele e o deu um selinho demorado – Bom show! Meninos – ela falou um pouco mais alto e , , e olharam para ela – Arrasem!
E assim que ela se afastou, os cinco entraram no palco. “It feels like we’ve been living in fast forward, another moment passing by...”.

*****


- Cause you were mine for the summer, now we know it’s nearly over – aquilo só podia ser invenção dos ouvidos delas. as alertou que elas estavam atrasadas, mas não imaginaram que era tanto a ponto de chegar ao show no meio dele – Feels like snow in September, but I always will remember you were my summer love.
- Isso só pode ser pegadinha – comentou quando alcançaram finalmente seus lugares – além de perderem uma boa parte do show, seus ingressos era para o pior local da arena – E eu fiquei sonhando com Amsterdã esses meses todos.
- Pelo menos nós chegamos – fez uma cara de “não temos muito o que fazer” – Sempre tem como ficar pior.
A garota deu de ombros. Conhecer Amsterdã era um sonho, e mais do que isso, poder realizá-lo, pois foi para lá apenas para um show de sua banda preferida, era não ter como ficar melhor. Ela olhou para o palco, e então balançou a cabeça, desviando para o telão. estava fantástico naquela roupa laranja. Uma calça e um paletó, com as mangas arregaçadas até o cotovelo, deixando a mostra suas tatuagens no braço, e embaixo, uma camisa da mesma cor, que ao ver abraçado nele, sem o paletó, concluiu que era da seleção holandesa.
Sua mente voltou para a noite passada. A ordem era que os garotos da banda jamais fossem ao andar inferior do mezanino, e quando ela menos imaginou, o garoto estava na frente dela. Uma calça com um sapato preto, e uma camisa, da mesma cor, com os dois botões de cima abertos. O cabelo penteado em um topete e aquela barba cerrada, por fazer. Além do cheiro dele, que era de um perfume marcante e forte, ela não sabia dizer qual era, talvez Lacoste ou Dior.
Umas três músicas já havia passado desde que elas chegaram lá e ainda estava com o olhar fixado nele. Mal podia imaginar o que aconteceria naquele corredor escuro, caso algumas fãs não o tivessem reconhecido e dado a ela a chance de se esquivar e dar um perdido. era inebriante, ao ver dela, deixa qualquer mulher tonta e bêbada só com o olhar, mas não era da ideia dela, ser só mais uma na cama dele. Do francês, okay, ela provavelmente nunca mais o encontraria, mas ela havia passado tempo demais com o garoto inglês cantando no palco, para ambos serem só mais uma noite do outro. Havia desejo da parte dela, mas ela preferia sofrer por um tempo de não cair em tentação, do que descarregar toda a adrenalina que ela sentia quando estava ao lado dela, e se arrepender. Sim, as fãs terem aparecido na Noxx foram a melhor coisa que poderia ter acontecido naquela noite.
se perdeu tanto em seus pensamentos, que se tocou novamente onde elas estavam quando a chamou, e já tocava Live While We’re Young. Ela disfarçou a ausência durante todo aquele tempo, e curtiu as últimas duas músicas com as amigas, que dançavam e cantavam as letras com toda a força de seus pulmões.
- Por que eles estavam com roupa laranja? – perguntou assim que elas saíam da arena.
- Erm, . Onde você estava o show inteiro? Eles falaram – fez sinal para um táxi, que as levariam de volta para o hostel.
- Parece que hoje é o dia da rainha da Holanda – explicou – E como a cor do país é laranja, eles usaram aquela roupa pra homenagear.
- Ah – ela fez de desentendida – Acho que não estava prestando atenção – e então um táxi parou na frente delas – Vamos pro hostel mesmo?
- Precisamos – deu de ombros – Eu preciso de um pouco de bateria pra achar o hotel dos meninos e falar com a .
A arena Ziggo Dome ficava na saída de Amsterdã, o que fez a volta delas até o hostel de táxi, levar por volta de vinte minutos. Era sexta feira à noite, a cidade estava fervendo. As ruas estavam cheias e os bares mais ainda. Definitivamente, não teria como perder a noite holandesa. Assim que o táxi estacionou novamente na frente do museu do sexo, fazendo rolar os olhos com aquilo, elas correram para o hostel.
- Coloquem os celulares na tomada – alertou assim que elas entraram no quarto.

*****


estava no ônibus, indo para o hotel com os meninos. Estava cansada, e precisava urgentemente de uma cama. Por terem saído tarde da balada e praticamente engatado uma viagem de ônibus até Amsterdam, indo direto para a arena, ela sentia seu corpo todo moído. Foi então que ela sentiu o celular vibrar no bolso da calça.
- ? – ela se assustou quando viu o nome da menina no visor – – ela gritou e então o namorado apareceu – está ligando.
- Quem? – também apareceu, fazendo cara de surpreso – , legal né?
- É.
- Eu falei – o namorado respondeu – Atende.
- É, atende – estava com as mãos entre as pernas, a olhando ansioso.
- Okay – ela rolou os olhos e deslizou o dedo pela tela do aparelho – Oi, !
- Oi, ! Desculpa as milhões de vezes que você ligou e nós não atendemos.
- Não se preocupa – ela então sorriu. O tom de voz indicava tudo. Estava tudo bem – O que aconteceu?
- Todos os problemas do mundo – riu do outro lado da linha – Não tinha trem pra sair mais cedo da Antuérpia, fomos pra Bruxelas, pegamos avião pra cá, perdemos mais da metade do show... Ufa! E tudo isso, sem bateria no celular, que morreu pós balada e ninguém consegue lembrar o que aconteceu ontem a noite.
- Os meninos estavam comentando sobre ontem a noite. Acho que a gente exagerou um pouco na dose – ela respondeu e então viu apontando para si mesmo – Argh, o insuportável do tá te mandando oi!
- Insuportável é você, ! – ele falou alto, fazendo ouvir do outro lado da linha.
- Enfim, mas vocês estão bem? A gente deve estar chegando no hotel, por que vocês não vão pra lá pra gente conversar?
- Claro, estamos ótimas. No final das contas é melhor rir do que chorar, né? – suspirou – Responde um Oi ao e a todos os meninos. Qual é o hotel? A tá procurando e não consegue achar.
- Hm, não sei, só um instante – e então virou para os garotos, que estavam amontoados assistindo televisão – To combinando de encontrar as meninas no hotel – já se interessou pelo assunto – Qual o hotel de vocês?
- Hotel Des Indes – respondendo para a menina – Só avisa a elas que hoje não tem tequila.
- Hotel Des Indes, ouviu falando para a amiga – E avisa ao que eu ouvi. , nós vamos ver exatamente como chega lá, e eu te aviso.
- Beijos – a menina falou e desligou – mandou beijo pra todos.
- Só a ? – virou interessado.
- Então não é a seu alvo, – ela guardou o celular no bolso – Será que um dia nós vamos saber.
- Talvez – ele deu de ombros.

*****


- Erm, ? Acho que tá rolando um equívoco – desviou o olho do celular e virou para a amiga – Esse hotel fica em Den Haags – a olhou como se não estivesse entendendo – Outra cidade e fica a uma hora de Amsterdã.
- É o quê? – saiu do banho secando o cabelo com a toalha – A gente chega lá como?
- Outra cidade? – concordou com a cabeça – Há uma hora daqui? – ela continuou concordando – Fuck this shit!
- O que a gente faz? – sentou na cama com um pente.
- Nada! – deu de ombros – Não tem como a gente ir pra essa outra cidade. Perdemos, ponto pras inimigas.
- É só porque deu tudo certo na Bélgica – falou – Vou mandar uma mensagem pra .
- E o que a gente vai ficar fazendo? – negou com a cabeça.
- Acho bom a gente ir pro bar do hostel.
- , você é pior que um posto de gasolina! – disse entrando no banho – Porém, fiquei tão revoltada com isso, que eu acho que topo. Quem é o infeliz que faz papel de tour manager deles?
- Não sei – digitava no celular uma mensagem para “O hotel fica em uma cidade a uma hora de Amsterdã. ): Acho que a gente se vê na Alemanha. Boa noite, beijos!”
pegou o celular, mas foi direto pro twitter.
“Depois da Antuérpia maravilhosa, Amsterdã zuada. Ponto pras inimigas, como disse a @. Que venha a Alemanha.”




5. You’ve got that one thing, Germany:

I can’t ever be brave, cause you make my heart race.

- I can’t wait for you to wake up, I want to be there when you open your eyes cantarolava no ônibus da turnê, a caminho da Alemanha, enquanto dedilhava o ritmo da música no violão – Darling don’t look back, no need to worry I’ll be here waiting on the other side.
- Apaixonados? – sentou próxima a eles, com uma laranja na mão – Servidos?
- Vou ter que falar não – respondeu e riu – E quem está apaixonado?
- Vocês – ela falou como se fosse óbvio – Tão aí cantando Parachute e tudo mais, isso pra mim só pode significar que o amor está no ar.
- Você não pode apreciar uma boa música, sem tirar sarro, ?
- Uh, perdão, – ela levantou os braços, como se estivesse abaixando a guarda – Se apaixonar é perfeitamente normal.
- O quê? – ele levantou e balançou a cabeça, para esquecer o assunto – Deixa quieto, vou deitar um pouco.
e trocaram um olhar quando o garoto foi para a área do ônibus onde ficavam as bicamas. sentou em seu colchão, e encostou as costas na “cabeceira”. Sua mente foi direto para a bela menina dos cabelos escuros e relativamente curtos. Ele fechou os olhos e respirou fundo. O simples fato dela se desprender das amigas e simplesmente curtir a balada sozinha, e sem álcool, deixou o garoto fascinado por ela. O jeito que ela se movimentava, como se estivesse sozinha no local. “I can still taste the kiss that you left on my lips ele riu irônico. Quem sabe se ele não fosse famoso, ninguém teria atrapalhado ele de beijar aquela garota. Como a vida era irônica, em sua mente rodava uma música romântica enquanto ele pensava em uma garota. “Pelo menos você tem até Portugal pra conseguir isso” E então um sorriso cresceu em seus lábios. Ele faria aquilo o mais rápido possível.

*****


Eram quase 10h quando o trem se encostou à plataforma da estação Obserhausen Hbf. Depois de uma passagem relâmpago e “ridícula” pela Holanda, onde nada deu certo por completo, elas finalmente desembarcaram, com bastante antecedência dessa vez, na cidade alemã de Oberhausen, onde seria o show naquele dia.
- Alemão, alemão, português, francês – olhava os folders com informações da cidade que estavam disponíveis na estação – Ah, aqui, inglês!
Ela então pegou e o abriu enquanto olhava no celular se estavam próximas do hostel para então decidirem como elas iriam para lá.
- Algo de interessante? – esticou os olhos no folder que a amiga estava lendo.
- Mais ou menos – ela então olhou para a amiga – Já ouviu falar no Paul, o polvo?
- Aquele que é pai de santo e acertou todas as previsões da Copa de 2010? – concordou com a cabeça – Então sei, por quê?
- Ele mora aqui, e eu acabei de decidir que nós vamos fazer uma visita pra ele!*
- Ei! – desviou os olhos do celular e virou para as amigas – Eu odeio tudo que vem do fundo do mar.
- Eu também – dobrou o papel novamente e guardou na bolsa – Mas digamos que eu tenho uma pergunta especial pra fazer pra ele – ela piscou – E aí, como a gente chega ao hostel?
- Transporte público!
- Que ótimo – respondeu – Onde a gente o pega?
- Público do tipo, as ruas são públicas e a gente vai caminhando até lá – ela deu seu sorriso típico de Monalisa e viu a amiga dando a língua pra ela – Dá quase 5km, é melhor a gente ir de táxi.
- Cara, quem deixou vocês escolherem esses hostels?
- É o mais perto da arena – saiu na defensiva.
A viagem até lá foi curta. O taxista daquela cidade, com pouco mais de 200 mil habitantes, era simpático, e falava um inglês perfeito, e ia dando informações sobre a cidade, a medida que o carro atravessava as ruas, em direção ao hostel. Assim que chegaram, deixaram uma gorjeta para ele, por ser atencioso e fazer mais que o seu trabalho.
O In Hostel Veritas lembrava muito uma casa de avós, grande e aconchegante, e lá também elas foram recepcionadas com atenção e em um inglês impecável, pelo atendente.
- Ai, meu Deus, Brasil! – falou quando elas abriram a porta do quarto, e se deparou com uma parede listrada de verde, amarelo e branco.
- Acho que na outra encarnação você foi brasileira, não é possível – balançou a cabeça, entrando seguida dela.
- Não sei e não quero saber – foi a última a entrar e correu para a única cama de solteiro do quarto, deixando a de casal pras amigas – Mas eu vou dormir na paz do senhor sem ninguém metendo a mão na minha cara.
- Hm, ... Optou pelo , ? – provocou.
- Cara, por que vocês me amam tanto? – ela abriu a mala – Qual vai ser o primeiro lugar que nós vamos?
- John-Lennon-Platz! – falou primeiro e estendeu a mão, como se fosse uma sala de aula – Por favor, diz que sim!
- Tá – rolou os olhos – Sempre achei que seu beatle favorito era o Paul.
- É! Mas como não rola a Paul-McCartney-Platz, a gente vai na do John Lennon e tá tudo certo.
- O que você tomou no trem que te deixou elétrica? – sentou em um lado da cama.
- Nada, fingiu estar chateada e também abriu sua mala, a procura de uma nova roupa – Só estou animada, é a Alemanha!
- É, e ontem foi a Holanda e você viu o que rolou...
- Ou não rolou, né? – gargalhou do outro lado do quarto – Depois da calmaria sempre vem a tempestade!
- Não é “Depois da tempestade sempre vem a calmaria”?
- É, eu também achei isso – ela deu de ombros – Relaxem, foi só pra compensar a Bélgica.
- Bélgica – fez coração com as mãos lembrando-se do país – Posso mudar pra lá?
- Erm, certo! – elas riram – Acho válido um banho e então a gente fazer um tour de buenas pela cidade.
- Nossa, pra quem achava que não tinha nada aqui – falou, ironizando .
- É porque até então, eu não tinha conhecido o Podolski, o taxista!

*****


estava sentada em um dos bancos da arquibancada na König Pilsener Arena, onde seria o show naquela noite, enquanto permitia que seus pensamentos viajassem por tudo o que havia acontecido até ela chegar ali. Se não fosse aquela tropeçada de nela, aquele dia no parque, as chances dela estar ali seriam nulas. Alemanha, assim como a Bélgica, nunca esteve nos seus planos de conhecer, quem diria naquela cidade calma em que estava aquele dia. Ela tirou seu celular do bolso e pensou em ligar para uma das meninas e então viu o relógio. Ainda era cedo, talvez elas estivesse ainda na Holanda, ou a caminho de lá.
se aproximou da menina com as mãos no bolso da calça. Seus cabelos estavam bagunçados, e ele parecia não ligar. normalmente travaria uma briga com ele principalmente, pois gostaria de apresentar ele ao pente, mas isso só lhe traria desgaste emocional e o cabelo continuaria daquele jeito. Ele sentou na cadeira ao lado da dela e olhou fixadamente nos olhos escuros.
- Qual o problema?
- Nenhum – ela sorriu e estendeu a perna por cima da dele, que logo segurou na coxa dela – Estava só pensando em como eu sou sortuda – ele fez barulho com a boca e ela entendeu que era para continuar – Em ter te conhecido, e ter essa oportunidade de viajar com você.
- E se o sortudo for eu? – ele segurou no queixo da menina que mexou uma sobrancelha – Tropecei na garota mais gata e inteligente da cidade – desviou o olhar envergonhada – Que adivinha? Estava estudando.
- ...
- Não – ele colocou dois dedos nos lábios dela, para que se calasse – Você sabe que eu estou certo, não tente me provar o contrário.
- Não vou – ela então sorriu – Obrigada!
- De nada – ele piscou para ela e então a puxou para um beijo, enquanto ela vinha para mais perto dele, e segurava com uma das mãos, a nuca do garoto.
Uma figura perdida estava andando na arena. , assim como anteriormente, também tinha as mãos no bolso da calça, e olhava para o chão, enquanto cantarolava alguma coisa.
- People say we shouldn’t be together, we’re too young to know about forever – seus pensamentos estavam longe. Ele queria ser um pouco mais corajoso, e isso era algo que faltava nele – I just wanna tell the world that you’re mine, girl...
se separou do beijo com e olhou para frente, enquanto a menina descansava sua cabeça em seus ombros. Ele viu o amigo pensativo.
- ! – gritou e então viu uma cabeça virar, procurando de onde tinha vindo a voz.
- Ei, vocês estão aí – ele sorriu e foi em direção ao casal.
- Pensando na vida? – perguntou para ele – Ou na ?
Foi quando abriu o melhor de seus sorrisos e então correu até os dois.
- , você pode me ajudar em uma coisa?

*****


O aquário de Oberhausen fica às margens do rio Reno, em um conglomerado conhecido como Zum Aquarium, onde também tem um parque de diversões. Por conta do dia único na cidade, e do tempo, optaram para ir direto ao encontro de Paul.
- Pinguins! – parou de frente a um tanque, onde alguns pinguins estavam.
- Vem, !
- Mas, ... São pinguins! – ela tirou a câmera da bolsa – Tira foto?
seu deu por vencida e pegou a câmera da mão da amiga, que fazia caras e bocas na frente do local onde os animais estavam. se empolgou e veio junto da amiga, enquanto continuava tirando as fotos.
- Quem diria que a gente ia acabar dentro de um aquário – elas riam seguindo para onde estava o Paul – , que tanto você quer perguntar pra ele?
- Não se pode revelar a pergunta que você vai fazer pro oráculo.
- Quê? , você bebeu? Que tipo de drogas tinha no seu café da manhã?
- Ele foi feito em Amsterdã, precisa mesmo responder? – sussurrou no ouvido de – Cara, a gente tá dentro de um aquário na Alemanha pra falar com o polvo. Quero sair daqui internada.
- Eu acredito nele – e então chegaram na frente do aquário, onde aquela gosma horrorosa e com tentáculos nadava – Esse bonitinho aqui, acertou oito jogos da Copa do Mundo de 2010, inclusive a lavada da Alemanha em cima da Argentina, e que a Espanha ia ganhar a Copa.
- Sorte, deu de ombros.
- Oito vezes? – ela então virou de frente pro tanque – Cada uma do meu lado, se aproximem por favor.
- Por que a gente é amiga mesmo? – massageou a têmpora e ficou do lado da amiga – Vai, pergunta logo.
- Querido Paul, o polvo – fez uma pausa dramática – Como oráculo sábio, por favor, nos responda... Quem dessas três belas moças vai ser a primeira a desencalhar?
- Você é ridícula, desatou a dar risada ao ouvir a amiga falando – Ai, senhor, eu vou passar mal.
- Calada – voltou a olhar para o polvo.
Paul se aproximou do vidro e ficou ali um tempo parado, como se as observasse e estivesse fazendo análise de cada uma delas. Então ele, com os tentáculos no vidro, foi deslizando até o lado direito, finalmente parando, por completo, na frente de uma delas.
- What the fuck?
- Eu sempre soube que você ia desencalhar, virou para a amiga que não estava entendendo nada – Convida a gente pro casamento.
- E faz um buquê de Santo Antônio – parecia animada – Vai desencalhar, !
- Velho, vocês estão drogadas – ela bateu com a mão na própria testa – Quem dá moral pra um polvo?
- Eu! E essa cidade inteira. E algumas redes de televisão pelo mundo.
- Tá, tá bom – ela deu de ombros, mesmo não acreditando naquilo ainda – Pergunta pra ele quando!
- O Paul não fala – rolou os olhos – Vamos logo pro bagulho do John Lennon!
- Mais respeito com um ex-beatle – falou indo atrás da amiga que fez sinal para ela conversar com as mãos dela.
A John-Lennon-Platz é uma praça destinada a esportes localizada no centro de Oberhausen. Lá as pessoas vão jogar futebol e vôlei, além de fazer exercícios na pista de atletismo que tem em volta da quadra.
- É isso? – pareceu um pouco decepcionada – Será que não é aquela igreja não? Afinal, é um templo sagrado, e o John era um Deus.
- Não vou comentar a segunda parte – sentou em um banco que tinha ali – E sim, deve ser só isso.
- Tá – ela olhou em volta – Vamos almoçar?

* O polvo Paul morreu em 2010, um pouco depois do fim da Copa do Mundo de 2010, mas pesquisando sobre Oberhausen eu achei essa “curiosidade” e quis deixar no capítulo.

*****


- Daquele jeito que a gente combinou, brincava com um skate dentro da König Pilsener Arena, enquanto a garota o observava.
- Eu entrego meu crachá pra ela e rezo?
- E pede pras meninas rezarem também – ele deu uma risada sem graça – Mas acho que vai dar tudo certo.
- Da onde você vai tirar coragem, ? – arqueou uma sobrancelha enquanto via o menino cair no chão, enquanto o skate ia para outro lado.
- Merda – ele se levantou e passou a mão na lateral das costas, que tinha batido no chão – Estamos na Alemanha oras, do meu querido Jäger.
- JÄGERMEISTER? – gritou – Você vai achar coragem num shot de Jäger?
- Ou dois... Ainda não decidi – ele gargalhou – Por favor, promete que você vai me ajudar – então o garoto juntou as duas mãos como se estivesse rezando.
coçou a cabeça e então suspirou.
- O que você me pede rindo que eu não faço chorando, ?
- Valeu! – ele então a abraçou – Você é a melhor namorada que o já teve.
- Quê? – apareceu na arena e começou a assobiar.
- armando planos – sorriu e deu um selinho no namorado – Tudo pronto pra hoje?
Então começou a contar de algum problema de luz que estava tendo e o quanto isso era importante pro show, sem luz não havia suspense e a garota o olhava atentamente como se estivesse interessada.

*****


- König Pilsener Arena – falou observando o local, através de seus óculos escuros – Capacidade, 12650 pessoas.
- Virou enciclopédia? – riu, observando a amiga.
- Digamos que eu pesquiso um pouquinho – ela deu a língua – Então nós vamos ficar aqui até abrir?
- É o jeito, não? – sorriu e foi para baixo de uma árvore – Pelo menos ficamos na sombra.
- Certo – se juntou a amiga, e elas sentaram no chão – Vem, ?
- Já vou – ela abaixou os óculos e olhou um pouco longe – Acho que aquele moço ta vendendo Salsichão.
- Você ta pensando em comida, ? – a olhou indignada – A gente acabou de almoçar.
- Mas ta na hora do meu lanche da tarde – ela fez bico – E você não vai pra Alemanha sem comer salsichão.
- Mas a gente ainda volta pra cá – tentou argumentar.
- Quero agora – saiu correndo – Ô moooooço...
- Falando nisso – virou pra amiga, enquanto observava correndo atrás da barraquinha – Quem é o infeliz que faz uma coisa dessas?
- O quê?
- Alemanha, Dinamarca, Noruega, Suécia e depois Alemanha de novo? O que essa pessoa tem na cabeça?
balançou os ombros indicando que não sabia responder aquilo, quando sentiu o celular vibrar no bolso da calça. ouviu seu celular tocar também, e procurou dentro de sua bolsa.
- Que coisa mais Pretty Little Liars – se aproximou novamente delas com um salsichão no palito, e seu celular na mão – Nós três recebendo mensagem ao mesmo tempo.
- “Onde vocês estão?” – leu – É mensagem da .
- Responde, oras – deu uma mordida em sua comida – Aceitam?
- Não... , você é um saco sem fundo.
- E vocês tão loucas pra comer – ela deu a língua e novamente ouviu o celular da amiga tocar.
- “Estou indo encontrar vocês.”
- Senta e espera – comentou olhando o dia – Vocês já imaginaram vir pra Alemanha?

*****


- Toma aqui – colocou seu crachá de passe livre pelas dependências da arena no pescoço de – E vai por aquela porta.
- O que está acontecendo? – a irlandesa perguntava atônita, sem entender.
- , sem mil perguntas, por favor – ria vendo o desespero no olhar da nova amiga – É coisa boa.
- Vou ficar milionária? – ela perguntou – As meninas podem vir comigo?
- Não, , só você mesmo!
- Vai logo, ! – foi a empurrando – Entra por aquela porta. Se tiver o bicho papão, você sai correndo de volta.
- Ha, ha. Como você é engraçada, – a menina disse por fim – Tá bom, eu vou!
- Aleluia, irmãos! – levantou as mãos para cima como se estivesse agradecendo – Vai logo.
- Credo, ta me expulsando?
- Tô, vai logo, anda!
A garota então se pôs a passos largos e firmes em direção a porta apontada por , mas no meio do caminho parou e olhou para trás, encontrando as três amigas de costas para ela, já engatadas em um papo, como se nem estivessem sentindo a falta dela. Desconfiada, passou por um segurança que permitiu a entrada dela, por causa do crachá pendurado no pescoço, e finalmente abriu a porta que antes tinha sido indicada.
Lá dentro estava escuro, com exceção de uma luz fraca que vinha de um corredor, e então com a ajuda do celular, ela ligou a lanterna e percebeu que já estava dentro da arena, onde o show seria mais tarde. Era imenso, estava escuro, e aquele lugar era assustador sem milhares de adolescentes gritando e chorando.
- Oi? – ela perguntou receosa – Tem alguém aqui?
- Tô chegando! – ela ouviu então alguém gritar e arqueou a sobrancelha. Ela conhecia aquela voz.
Então apareceu em cima do palco. Ele estava ofegante e colocou as mãos no joelho como se estivesse recuperando o ar. achou que seu coração podia parar a qualquer instante. Talvez nunca ela iria se acostumar com ver os meninos do One Direction, ou especialmente, em sua frente. “All I knew this morning when I woke is I know something now. Know
something now I didn’t before.”

- Oi, ! – as palavras finalmente saíram da boca de , e chegaram como música aos ouvidos dela.
Suas pernas tremeram. Talvez ela nunca iria se acostumar com em sua frente.
- Então – ele pulou do palco e caminhou em direção a ela que sentia suas mãos geladas – Você veio... – ele procurava as palavras certas – E está aqui na Alemanha!
- Estamos! – ela finalmente relaxou e pode rir com a figura do menino confuso na sua frente.
“And all I’ve seen since 18 hours ago is Green eyes and freckles and your smile in the back of my mind making me feel right.”
Aquilo era complicado para . De repente tudo que anteriormente parecia certo, havia se transformado em um jogo de vídeo game no nível mais difícil, e ele não conseguia ultrapassar.
- Erm... – ele colocou a mão no bolso enquanto a olhava – Tá gostando daqui?
- A língua deles é estranha – deu a língua e sorriu – Mas é um país fantástico. Hoje eu e as meninas fomos conhecer o polvo Paul.
- Aquele que acertou quem ganharia os jogos da Copa do Mundo? – ele perguntou animado enquanto ela balançava a cabeça – Que demais! – ele exaltou um pouco sua voz – Pena que eu não sei se vou conseguir falar com ele. Vocês perguntaram alguma coisa pra ele?
- Mais ou menos. A fez um pacto, a gente teve uma resposta, mas ah... Esquece, às vezes ele deu sorte nos jogos da Copa, isso sim.
- O que vocês perguntaram?
- Não vale a pena, – ela torceu o nariz.
O garoto colocou as duas mãos, uma em cada braço da menina, e ela sentiu suas pernas tremerem, enquanto o via fazendo uma cara de cachorro pidão. “I Just want to know you better know, you better know you better now.”
- Por favor? – ele sussurrou próximo ao ouvido dela. Não, não faria ter um ataque cardíaco.
- Você me chamou aqui pra saber do polvo? – ela ergueu uma sobrancelha e ele recuou.
- Na verdade, não – ele então sorriu mostrando seus dentes alinhados e brancos – Eu queria falar... Tipo...
- Estou escutando – suas pernas estavam bambas, e graças a Deus ela estava perto de uma cadeira. “Cause all I know is we said hello and your eyes look like coming home.”
- Assim, tem algo que eu queria muito te falar, . Inclusive foi pra isso que eu pedi ajuda pra .
A cabeça de começava a girar e ela já estava ficando tonta. “All I know is we held the door, you’ll be mine and I’ll be yours.” Ela respirou fundo e então ele entendeu que era pra continuar.
- Eu queria saber se... – se alguém medisse a temperatura do menino, achariam que ele era um cadáver – Você não quer assistir a passagem de som e o show do backstage!
- O quê? – gritou inconformada.
coçou a cabeça enquanto mexia os pés de forma involuntária e incontrolável. A sua timidez era sempre a grande culpada de tudo, não permitindo dessa forma, que ele expressasse seus sentimentos, mesmo que fosse para levar um grande fora. A menina sentiu o choro chegar na garganta e pedir passagem, mas ela não permitiria aquilo e dessa forma, após um longo suspiro, ela colocou uma mecha atrás da orelha e abriu um sorriso, ridículo por causa da decepção, mas se a vida lhe dá limões, você pede por sal e tequila.
- Eu adoraria, !
- Eba! – ele deu uma palma com suas mãos e a puxou pelo braço, a levando pelo corredor escuro que daria aos camarins – Primeiro nós vamos fazer um Meet & Greet, e depois as meninas vão ter a chance de assistir a passagem de som, e então você vai me acompanhar.
- Erm... Certo, combinado! – ela disse assim que entraram em um corredor bem iluminado com várias portas e então o garoto abriu a primeira – Eu só preciso avisar as meninas.
- Espero que você consiga sinal!
- Mas a me mandou mensagem mais cedo.
- De lá de fora – o rapaz apontou com o dedo e viu a menina com uma sobrancelha arqueada – Sério. Outra coisa, não fica brava com ela, por ter sido cúmplice nesse seu sequestro.
- Sequestro, ? Eu aceitei vir pra cá.
- É, eu sei que você aceitou, mas você veio sem saber o motivo. Enfim, esquece, você entendeu.
Ela apenas concordou com a cabeça e entrou na sala, encontrando , , e olhando curiosos para os dois. “All I know since yesterday is everything has changed.”

*****


- O polvo estava certo! – bateu palmas quando elas estavam na fila para entrar na arena.
- Polvo? – não entendeu o que a amiga estava dizendo.
- Aquele polvo pai de santo, que acertou uns resultados da copa – comentou e exclamou um “aaah”, mostrando que sabia o que estava sendo dito – Então, a gente descobriu que ele é daqui de Oberhausen, então nós fomos lá conversar com ele. A felicidade em pessoa aqui ao lado – e apontou para que deu a língua – Perguntou qual de nós iria, erm, desencalhar primeiro, e ele se aproximou do vidro na direção que a estava.
- MEU DEUS! – ela gritou. Aquilo só podia ser uma premonição – O pediu que eu a chamasse lá, meio que pra ele contar os feelings dele em relação a ela.
- É o amoooooooor! – cantarolou e recebeu o olhar de reprovação de algumas alemãs – Vocês não tem o conhecimento avançado musicalmente pra degustar um clássico como esses – ela suspirou e então e riram.
- Espero que eles estejam juntos agora.
- Amém – fez por fim o sinal da cruz e entraram na Arena, após apresentar os ingressos na porta.

O show não teve nada de especial, com exceção de , que começou fazer piadinhas sobre o polvo, e fez fingir que era o próprio, fazendo perguntas do tipo, “Quem é mais legal, ou ?”, e foi quando o menino, sem avisar, se jogou no publico, para fugir daquela resposta.
Apesar do choque e indignação de mais cedo, se divertia assistindo ao show do backstage, mesmo que o som não seja dos melhores, porém sentia falta de suas amigas. Assistir a um show, seja ele qual for, sem suas amigas, não tinha a mesma graça do que lá, sozinha.
Logo após What Makes You Beautiful, fechando o show, os meninos saíram no lado contrário onde estava, vendo-se sozinha em meio a vários técnicos e responsáveis por desmontar o palco. Eram caixas de som, estruturas de ferro, instrumentos musicais para todos os lados e ela sentiu uma vertigem e achou que desmaiaria, quando uma mão alcançou a sua, e a tirou de lá.
- Gostou? – era , que parecia uma pia com a torneira frouxa, de tanto que pingava. Ele tinha uma toalha nas mãos para secar, mas aparentemente, não adiantava de muita coisa.
- Muito, , obrigada pela oportunidade!
- Não tem de que, garotas bonitas merecem “oportunidades” – ele fez aspas com os dedos enquanto falava a última palavra – Tem outra coisa que eu quero te falar agora.
Os olhos de arregalaram e ela pode sentir que cairia no chão, se as pernas continuassem a bambear e ele falasse o que ela achava que iria.
- Você poderia ir conosco para a Dinamarca, não é? O ônibus da turnê é super legal e não parece, mas é confortabilíssimo.
Ela sentiu o sangue ferver, e se provavelmente tivesse alguma coisa pesada, ela jogaria na cabeça dele de tanta raiva que estava sentindo naquele momento. Primeiro era convite para backstage e Meet & Greet, agora pra passear no tour bus até a Escandinávia. Claro, aquele era o sonho da vida de mesmo. Ela rolou os olhos.
- Valeu, . Me mostra a saída que eu preciso voltar pro hostel e encontrar as meninas.
- Mas... – ele não entendeu nada – Quer que a gente te leve no ônibus então?
- Eu só quero saber onde fica a saída – ela disse entre dentes e tentando manter sua calma, uma missão quase impossível naquele momento.
- Certo, eu te mostro – ele então abaixou a guarda e logo viu a menina deixando a arena, sem se importar em virar o corpo novamente para abanar a mão em um tchau.
- Covarde! – ele sussurrou para si mesmo de cabeça baixa, indo em direção ao camarim.

*****


e estavam pós show, em seus quartos de hostel tentando falar com que até então não havia dado sinal de vida. Ela podia estar com naquele momento, mas o mínimo que a garota tinha que fazer era avisar que estava bem. organizava sua mala, enquanto estava deitada em sua cama, tentando se recuperar daquele dia.
- Se eu não estivesse tão acabada, ia sugerir para nós irmos a algum bar tomar uma cerveja tipicamente alemã.
- Quem tem corpo? – riu – Minhas costas estão em frangalhos e eu não sinto os meus pés.
- Acho bom vocês acharem um ânimo nem que seja no além – abriu a porta do quarto entrando na conversa e sentou na cama, perto de – Eu realmente to precisando conversar e encher a cara.
- Nhééé, ta pegando o , marditona! – falou brincando e teve a certeza de que se os olhos da amiga fossem metralhadoras, ela estaria morta naquele momento – Que foi?
- Eu só falo uma coisa... Esse menino vai ficar eternamente na friendzone, e agora eu sei o porquê!





6. Show us what you’re all about Denmark:

There’s something in your eyes, say c’mon c’mon and dance with me baby.

estava brava. Não, ela estava além de brava, estava furiosa. Uma das fugas da menina, quando esse sentimento tomava conta de seu peito, era afogá-lo na bebida. E então a bebedeira a faria chorar, algo que foi muito bem colaborado pelas imensas canecas de chopp alemão, na noite anterior.
Não era justo com ela, que infelizmente, cria expectativas elevadas, ser jogada de um precipício, como a jogou durante sua permanência dentro daquela arena. Duas vezes. Ela não podia reclamar, havia ganho backstage pass e assistido ao show de um lugar privilegiado, onde provavelmente várias garotas matariam para estar, mas ela queria mais.
não foi o primeiro por quem ela se interessou no One Direction. Seu interesse, no geral, na banda, começou no , segundo ela, o Zac Efron indiano gato, mas algo em chamou sua atenção, e quando ela se deu conta, já estava caída de amores pelo menino. Aquele amor fangirl, que se transformou em amor de verdade, de uma mulher por um homem, com o tempo, e se intensificou quando ela finalmente o conheceu pessoalmente. Até aquela noite, e ela ser jogada do topo do prédio mais alto do mundo. Duas vezes.
Suas mãos tremiam enquanto tentava contar para as amigas. Entre a primeira e a segunda caneca, só conseguia xingar o menino, de todos os nomes possíveis, e falar que ele nunca vai sair da friendzone. A partir da terceira, graças ao teor elevado de álcool na bebida, ela finalmente foi se soltando. permanecia na água, e , incrédula com as atitudes do garoto, também foi ingerindo o álcool e logo as duas estavam dançando em cima da mesa do bar, debulhando-se em lágrimas, enquanto a amiga tentava controlar a situação das duas.
Chegaram bêbadas ao hostel. Trançando as pernas e por sua vez, correu pro banheiro e com o rosto dentro da privada, só faltou colocar seus órgãos internos para fora, tamanha a sua situação. Depois de ser empurrada no chuveiro por , ela finalmente deitou, seguida por , que já estava apagada em sua cama, e , agradecendo mentalmente pela noite já ter acabado. Mas elas se esqueceram do mais importante: programar o despertador para aquela manhã.
Perder o trem, o avião, ou talvez até o pó de flu, para ir de Oberhausen a Herning, na Dinamarca, não estava nos planos de , porém quando ela acordou naquela manhã, um tanto quanto abafada, alemã, o relógio já marcava 10h. Seria um bom horário, se naquele exato momento, seu avião não estivesse decolando para a Dinamarca.
- Acordem, acordem! – ela disse levantando correndo da cama e logo em seguida puxou o lençol das duas amigas – Pelo amor de Deus, saiam dessa cama já.
- Não enche, murmurou se cobrindo de novo e virando para o outro lado.
- Então fica na Alemanha enquanto eu vou pra Dinamarca ver os meninos – a garota gritou de dentro do banheiro, onde escovava os dentes e jogava água no rosto, pra ver se finalmente acordava direito e ficasse apresentável.
- Ainda ta cedo, murmurou, e então resolveu pegar seu celular, que estava embaixo do travesseiro – Cacete, já são 10h05 – e então pulou da cama, indo ao outro lado do quarto, onde dormia – pelo amor de Deus, a gente precisa ir pra Dinamarca agora.
- Ou tentar chegar lá – bradou – A gente já perdeu o avião.
- Vamos ficar aqui – ouviu-se a voz de , embaixo da coberta – A gente já perdeu o voo – sua voz estava rouca e arrastada – Vamos visitar o Paul de novo.
- Polvo maldito – disse para si mesma, lembrando da visita ao molusco e então do balde de água fria que deu em – Esquece, a gente vai pra balada na Dinamarca e conhece um nórdico.
- , eu to de luto!
- Para de drama de bêbado – se irritou com aquela conversa – Eu to falando sério, se vocês não se arrumarem, eu vou embora.
e trocaram um olhar e então deram risada. Um pouco devagar, por conta da dor de cabeça que estavam sentindo, mas na maior pressa possível, se levantou e logo elas estavam de malas prontas, gritando para um táxi na rua que as levariam o mais rápido possível para a estação de trem, onde as levariam para Dusseldorf, cidade a meia hora dali, de onde tentariam pegar um novo avião para a cidade dinamarquesa.
- Três bilhetes para Dusseldorf – já chegou falando no balcão da companhia. Não era hora para gastar o alemão, muito menos ficar abrindo dicionário.
Um funcionário com cara de Hitler ergueu uma sobrancelha para e como se as garotas tivessem todo o tempo do mundo, ele e sua paciência pegaram o mouse do computador, e foi navegando pelas páginas, até encontrar as passagens para lá. Ele mexeu a cabeça de forma negativa e então deu um leve suspiro, antes de se virar para elas, que já estavam roendo as unhas.
- Der nächste Zug nach Düsseldorf verbindet den Flughafen – e assim, como se alemão fosse uma língua fácil, soltou aquela sopa de letrinhas.
, com a maior ressaca possível, nem se manifestou ao ouvir aquelas palavras em alemão. Estava com dor de cabeça, estava com sono e só queria dormir naquele momento. respirou fundo e começou a andar de um lado para o outro, massageando as têmporas. Poucas coisas no mundo são piores do que se esquecer de ativar o despertador, perder um trem e um avião, para uma neurótica com horários. já podia as ver chegando às últimas cidades da turnê, com uma semana de atraso, por causa desse contratempo.
- Eu estou paciente – ela tentou se convencer.
- Nós não falamos alemão – tentou explicar para o homem que, ainda em alemão, começou a reclamar algumas palavras.
- Certeza que ele ta falando que nós somos arrogantes só porque nossa língua é universal – concordou com que então se irritou e bateu com a mão no balcão – Ich liebe dich, danke... Isso eu sei falar em alemão, mas eu tenho certeza que não foi o que você falou – o então projeto de Hitler arregalou os olhos ao ver aquela mulher de 1,80m de altura gritando com ele em tom autoritário – Você, por favor, e em inglês que sim, é uma língua universal, nos venda três passagens para o próximo trem para Dusseldorf.
E como se algo tivesse despertado no atendente, talvez o medo, quem sabe, ele ajeitou os óculos em seu rosto, com suas mãos tremendo e olhou novamente para o computador.
- O próximo trem para Dusseldorf faz conexão no aeroporto da cidade – ele disse dessa vez em um inglês com sotaque alemão, mas perfeitamente compreensível.
- Aleluia – riu ao ouvi-lo falar em inglês.
- Ótimo – concordou dessa vez satisfeita – Então direto pro aeroporto.

*****


Herning, na Dinamarca, fica a quase 700km de Oberhausen e como os meninos saíram tarde da cidade alemã, chegaram lá já com o dia clareando. Foi uma viagem fácil para , e , que dormiram o caminho todo. Já e foram conversando e rindo em um tom de voz baixo, quase como um sussurro e aquilo estava deixando irritado. Ele não ia dormir de qualquer forma, então o casal podia soltar fogos dentro do ônibus da turnê, não faria diferença nenhuma para ele. A verdade é que aquilo estava corroendo por dentro, e a inveja havia transformado o sangue de seu corpo em ácido, e aos poucos ia o corroendo por dentro.
Aquela noite em especial, ele queria uma companhia para ir rindo de todas suas idiotices durante aquela longa viagem. Ele talvez tivesse tido a companhia perfeita e especial, se não fosse covarde. Mas a vida tinha dessas mesmo, e apesar de lembrar do que sua mãe disse, quando ele cogitou a ideia de entrar para o X Factor, essa vez ele resolveu dar para trás. O “não” de , ele já tinha, afinal, se ele não perguntasse a resposta nunca mudaria, porém o medo desse não se tornar concreto e entrar em seus ouvidos como uma bala, era maior que a chance de ouvir um “sim”. E lá estava ele, abraçado aos seus próprios joelhos, vendo o sol subir no céu.
- Back in my head we were kissing – ele cantarolava um trecho de sua própria música enquanto seus pensamentos estavam na garota de cabelos escuros e alta – I though things were going alright – pois é, ele realmente achava que no fundo, tudo ia dar certo – With a sign on my back saying ‘kick me’, reality ruined my life – ele balançou a cabeça negativamente.
soltou um ronco mais alto que o normal e engasgado na cama de cima, e com o punho fechado, deu um soco no colchão acima de sua cabeça, enquanto ouvia múrmuros de reclamação do amigo.
- Feels like I’m constantly playing a game that I’m destined to lose – não era pra ele continuar o trecho, mas sua voz falava mais alto dentro de sua cabeça – Cause I can’t compete with your boyfriend – ele arregalou os olhos. Não, não, aquilo não era certo – He’s got 27 tattoos!
- Quem tem 27 tatuagens? – de repente abriu a cortina da cama do amigo e o assustou, rapidamente colocando a mão no peito.
- Ninguém tem 27 tatuagens, – ele disse decidido – Inclusive ela não tem namorado!
deu aquela sua olhada de lado para o amigo e decidido, subiu na cama dele, e fechou novamente a cortina, ficando de frente para ele.
- Que porra é essa? – exclamou – Sai, filho, não curto o mesmo que você, sai da minha cama.
- Quer apanhar, ? – estendeu a mão direita, mostrando que poderia sem problemas dar um tapa no amigo – Saca só, tu ta com drama de consciência e eu quero te ajudar. Qual o problema? Mulher?
Felizmente, não era orgulhoso, e então decidiu se abrir com o amigo.
- O problema na verdade sou eu. Que sou um pastel e não consegui tomar uma atitude em relação a . E ela ficou furiosa, com razão, claro – fez cara de quem não estava entendendo e então continuou – Eu gosto da , eu queria falar ontem isso para ela, mas o banana aqui travou e então a chamou pra assistir o show do backstage.
- E ela ficou furiosa? – o garoto concordou com a cabeça, e então começou a rir – Você é muito tapado, . Se ela ficou puta, ela tinha expectativa. Se ela tinha expectativa, é porque quem sabe, o sentimento é recíproco!
- Cadê a lógica?
- Velho, ta na sua frente! – deu uma gargalhada alta. Não era possível que o amigo era tão devagar assim – A gosta de você!
- Quem te falou? – ele finalmente abriu um sorriso e realmente teve vontade de bater nele.
- As atitudes dela. , dizem que as mulheres são complicadas, mas, no fundo, elas são as criaturas mais belas da Terra, e fáceis de se ler. E a mostrou, a partir das atitudes dela que sim, ela gosta de você.
- Eu te amo, ! – agarrou o amigo e deu um beijo na bochecha dele, que ficou sem entender e então falou para ele – Então eu vou fazer as coisas direito. E sem ser covarde.
- Isso! – o encorajou. Estava escrito na testa de que ele estava caído por , ninguém podia negar isso.
- Acho que eu devia ter ido perguntar pro Paul se eu ia sair dessa zona bizarra que eu me encontro logo.
- Quem é Paul? – foi saindo da cama e virou novamente pro amigo.
- O polvo – ergueu as duas sobrancelhas sem entender – Esquece, e você, não se interessou por nenhuma delas?
deu uma risada nasalada, mexendo os ombros, ao ouvir aquilo.
- Digamos que eu esteja estudando o território.
- É a , não é?
- Estudando o território, – e então foi se afastando, indo para o fundo do ônibus.
- Não estuda muito não! Às vezes é bom você estudar no próprio terreno – gritou e aquilo deixou intrigado.
Realmente, às vezes é melhor ir direto pra prática, do que ficar lendo a teoria.

*****


Depois de uma viagem rápida até o aeroporto de Dusseldorf e chorar no balcão da Lufthansa, companhia aérea alemã, e foram ao banheiro, enquanto tentava acomodá-las em algum voo para chegar o mais rápido possível na Dinamarca.
- Corre – entregou os passaportes junto com as passagens pra cada uma das amigas – O avião já está quase saindo, o moço conseguiu encaixar a gente. A sala de embarque é pra lá.
- Deu tudo certo? Nós vamos direto pra lá – perguntou enquanto corria para lá.
- Vai rolar uma conexão – respondeu, e então chegaram a sala de embarque, colocando sua bolsa na esteira do raio-X – Duas conexões, na verdade. Mas é o jeito mais fácil de nós chegarmos lá.
foi a primeira a passar pelo raio-X e até então não tinha olhado os papeis em sua mão, dessa forma foi direto no painel eletrônico procurar o voo para localizar o portão de embarque.
- Herning... Herning... – ela lia aquela tela várias vezes, mas não conseguia localizar.

- , a gente vai pra Billund, porque não tem aeroporto em Herning – ouviu gritando enquanto tirava seus acessórios de metal.
- Certo – ela retribuiu – Billund, Billund... Caraca, a gente vai aparatar lá, é isso?
- Não – finalmente se juntou a ela com ao seu encalço e apontou para a tela – Ali, portão 7, Glasgow!
- Caralho, o que a gente vai fazer na Escócia?
- Conexão pra voltar pra Dinamarca – foi andando em direção ao portão, com as amigas em sua cola – Foi o jeito mais rápido. A gente podia fazer conexão em Frankfurt, mas chegaria lá de noite, quase madrugada.
- E o outro lugar que vai rolar a conexão? – se pronunciou. Seria bom passar algum tempo em um lugar onde as pessoas falam a língua dela, mas aquele foi praticamente o ponto de partida da viagem.
- Vamos embarcar e a gente conversa no avião – deu um sorriso amarelo. Ainda bem que nenhuma das três tem medo de voar, o passeio vai ser longo.
Como elas conseguiram lugares que sobraram no avião, cada uma sentou em um canto, e foi a deixa para que elas dormissem por quase 2h até a capital da Escócia.
- Fizeram boa viagem? – foi a última a desembarcar e encontrou as amigas já sentadas na sala de embarque, com cara de poucos amigos – O que foi?
- Eu só não vou brigar com você, porque foi irresponsabilidade de nós três – falou em seu tom de voz sereno - Mas a gente está em Glasgow, cara... Nós estamos em casa. Fomos longe pra praticamente nada, é isso?
- Não, ! – sentou ao lado dela. estava virada para o outro lado com fone de ouvido, enquanto mexia no celular – Nós vamos voltar pra lá, como eu disse, esse era o jeito mais rápido de nós chegarmos na cidade.
- Eu sei, e você foi muito atenciosa por isso – sorriu de forma amável – Inclusive, me desculpe por ter ficado brava, é só que... Essa viagem, essa correria de trem, avião, e vai pra hostel, vai pra arena, tentar conhecer pontos turísticos. Só passou uma semana e eu já estou ficando louca.
concordou com a cabeça. Aquela viagem era uma loucura, mas era algo que elas sempre sonharam e juntaram muito dinheiro para aquilo, fora o tempo gasto planejando. Era desgastante, e quem sabe se tivessem um dia de folga, todo o ânimo voltaria.
- Está pensando em desistir?
- E deixar o assim, perdido? – ela riu – Ele pode ser idiota e eu estar com raiva momentânea dele, mas não, a gente não vai nadar pra morrer na praia. Nós três!
- Nós três – tentou concordar – Será que a concorda com isso?
- Concorda – balançou a cabeça concordando – Você sabe que a é meio difícil e é chata com relógio, então esse mega contratempo deve estar enlouquecendo ela por dentro, mas quando nós chegarmos na Dinamarca a tempo, logo ela vai voltar a ser a que a gente conhece.
- Eu me sinto culpada – ela murmurou.
- De quê? Da gente vir para aqui? – a menina concordou – E realmente é, mas não se preocupa que você fez o melhor para nós.
“Atenção senhores passageiros do voo 1476 da KLM com destino a Amsterdã, embarque imediato.”
- Vamos – sorriu ao ouvir aquilo e então tirou um fone de ouvido de – Mais um voo, vamos pra Amsterdã.
A verdade é que durante o tempo isolada com seu celular e fone de ouvido, estava pensando. Talvez sua vida seja uma completa bagunça, por planejar muito as coisas e elas saírem fora do seu controle. Quem sabe um dia, se ela jogasse tudo para cima, as coisas não caíam no chão de novo da maneira correta, fazendo tudo dar certo. Talvez ela teria que se desprender daquilo que ela usava no pulso e só a enlouquecia.
- Vamos – então sorriu, puxando o passaporte do bolso – Espero que seja a última vez que a gente volte pra lá.
- Por quê? – perguntou apresentando sua passagem para a aeromoça – A gente ainda não conheceu lá, propriamente dito.
- Não. Mas sempre que a gente vai pra lá, dá alguma merda – ela gargalhou.
- Vou começar a fazer mandinga – riu – Falta pouco, gente, falta pouco.
E logo elas estavam novamente no ar, para mais 2h30 até, novamente, a capital holandesa.
*****


Mesmo com o temporal que estava caindo na Dinamarca, o avião das meninas conseguiu pousar em Billund, cidade cerca de meia hora de distância de Herning, no horário previsto. Já eram quase 18h, e elas tinham que pegar o primeiro transporte público para a cidade.
olhou pela janela do avião enquanto ele taxiava na pista para parar e pode ver um letreiro escrito em letras garrafais o nome da cidade. Ela pegou o celular e tirou uma foto, postando direto no instagram.
“Bateu a saudades de casa, mas já voltamos! Hello, Denmark!”
E então elas desembarcaram, pegaram suas malas e rapidamente saíram do aeroporto que, para surpresa delas, tinha um terminal de ônibus que com frequência passava para Herning.

*****


- Não acredito! – navegava na internet pelo celular e então caiu na foto que tinha acabado de postar – As meninas chegaram na Dinamarca agora!
- Que meninas? – fazia flexão no chão do camarim enquanto estava sentado no sofá com tirando um cochilo em seu colo. procurava uma roupa para usar no show mais tarde e rodava a mesa de comida, decidindo o que ele ia comer no momento.
- Que meninas? Oras, o amor da vida do , a peguete do e a .
- Mas esse é a delicadeza em pessoa – gargalhou – Traz o celular aqui pra eu ver a foto.
- Vai a merda, pega seu celular e vê. O instagram dela é .
- Cadê, cadê? – se levantou e puxou o aparelho da mão do amigo – Ah, o letreiro no aeroporto, só isso?
- Tá decepcionado?
- Ele ta estudando o território – reproduziu as palavras do amigo de mais cedo e o viu levantando o dedo para ele.
- Tenho dó de você, se aproximou - Aborde a garota, provoque-a, a deixa com vontade, mesmo se ela falar que não quer. Ela quer.
- E então seja reconhecido numa balada dando a oportunidade perfeita para ela escapar – concluiu o pensamento do amigo, recebendo um tênis jogado por ele.
- Eu perdi aquela oportunidade por uma inconveniência ridícula do destino e não vai acontecer de novo.
- Quem garante? – voltou para a conversa provocando o amigo – Você é falador, , e pegador. Já pensou que a possa ser diferente das garotas que você esteja acostumado e não cair de quatro só porque você faz parte do One Direction?
- Então a gente tira a dúvida agora – ele sacou seu celular do bolso e então foi até o nome da menina, na lista de contatos e apertou para chamar.
- Tá ligando pra quem, cabaço?
- Pra , oras – o celular chamou uma, chamou duas, e então ele ouviu uma voz feminina do outro lado da linha.

*****


A chuva torrencial que anteriormente estava caindo no aeroporto de Billund, também caia em Herning, no momento que as meninas chegaram e pagavam o táxi que as levou do terminal de ônibus até o Danhostel, onde elas ficariam por aquela noite.
estava trazendo suas malas para dentro do hostel quando seu telefone tocou. Um pouco enrolada entre malas e sua grande bolsa, além da chuva que caía, ela ficou branca, ao ver o nome do visor.
- ? – ela sussurrou ao ver aquele nome em sua tela. Eles tinham trocado telefones na Bélgica, mas nunca em milhares de anos, ela imaginaria que ele ligaria. Aquilo só podia ser engano, falaria com naturalidade, quem sabe ele não perceberia que havia selecionado o contato errado – Alô?
- Oi, ! – então ela gelou. Se antes já estava pálida, agora combinava com sua temperatura e só faltou cair no chão. Aquela ligação não era por engano, ele realmente queria falar com ela.
- O-oi – “cacete, finge que você é normal, ”, ela pensou consigo mesma – Oi, , como vai?
- Ótimo e com você? – ela precisava de e naquele momento. Que diabos tinha que ser a que ficou para pagar o táxi. Ela empurrou a porta do hostel com o pé e encontrou as amigas lá dentro, ainda na recepção.
- Cacete, , ficou olhando a beleza da chuva? – se exaltou quando finalmente viu a amiga, mas foi ajudá-la com as malas.
- Muito bem, obrigada por perguntar – respondeu no telefone e colocou as mãos na boca, já que antes não tinha visto que a amiga estava ocupada. então colocou o telefone no viva-voz, para as duas ouvirem.
- Viu, você vai amanhã pra Baerum?
- É o ? – sussurrou, ao ouvir a voz, e concordou com a cabeça.
- Na verdade, nosso hostel é em Oslo, mas vamos sim – ela se perguntava da onde estava saindo forças para falar com aquela naturalidade com aquele homem. Definitivamente, ela havia sido tomada pelo poder de uma força sobrenatural, não era possível.
- Ótimo, nosso hotel também. Como amanhã é day-off, vamos jantar juntos?
arregalou os olhos. abriu a boca o máximo que pode e queria gritar. estava chamando-a para jantar e aquilo não era sonho. As amigas começaram a fazer sinal de positivo para ela, que ainda estava atordoada.
- Claro, é um ótimo convite na verdade – ela sorriu. Queria sair e gritar pro mundo que havia sido convidada para jantar. Queria falar pro mundo que a ligou.
- Então amanhã nos falamos! Eu ligo pra saber seu hostel e encontro você lá. Beijos!
- Be-beijos – ela se permitiu gaguejar naquele momento e então desligou o telefone – Acho que eu tenho um encontro com amanhã.
- Teeeeeeem! – as amigas a abraçaram e festejaram juntas.

*****


- Quem foi que falou que a não ia cair na minha? – guardou o celular no bolso e virou para , que tinha uma expressão incrédula.
- Quando eu crescer quero ser que nem você – falou com a boca cheia de bolacha e deu um sorriso, mostrando os farelos de chocolate nos dentes – E chamar a pra sair.
- Com essa boca bonita ela vai aceitar muito mesmo – gargalhou e correu pegar um copo de água.
- Afinal, a com as meninas vem pro show hoje ou não?
- Hm... – junto os lábios em uma reta – Boa pergunta, . Mas devem vir, se não elas não estariam aqui. E para de falar, começa a agir, ta ficando feio pro seu lado já.
- Mas eu só fiz uma pergunta.
- Garotos, meia hora pro show – o produtor entrou no camarim avisando.

*****


Apesar de amarem as músicas, quando você começa a ir a vários shows seguidos e iguais, um ao outro, tudo começa a ser muito repetitivo e sem nenhuma novidade, apesar de a empolgação continuar a mesma.
Após um trem, três aviões e um ônibus, para chegarem de Dusseldorf a Herning, as meninas estavam esgotadas de tanta viagem, e tiveram a sorte de chegar na arena somente após a primeira música. Conhecer a banda que estava tocando era ótimo e elas eram muito gratas por aqui, mas agradeceram mentalmente pelos seus ingressos serem no lugar mais longe da Jyske Bank Boxen Arena, devido ao desgaste físico em que se encontravam. Riram, cantaram, até arriscaram dançar, mas assim que acabou o show, passaram em um restaurante para jantar e foram diretamente de volta ao Danhostel. Sem falar com , sem saber novidades, sem contar o que elas passaram.
Elas só queriam dormir. Elas precisavam dormir.
O nono dia de viagem começaria cedo, e perder o voo para Oslo não era uma opção.





7. Norway if you say you want me to stay, I’ll change my mind:

Lean in when you laugh, we take photographs, there’s no music on but we dance along.

Ainda estava escuro quando o despertador tocou aquela manhã, na Dinamarca. Apesar da noite, provavelmente mais bem dormida até aquele momento da viagem, ter sido maravilhosa, acordar sem o sol estar no céu era um tanto assustador. No quarto, havia também outros hóspedes, então elas levantaram e saíram o mais rápido que puderam.
Um táxi as levou até a estação de ônibus de Herning, onde elas pegaram o primeiro ônibus direto para o aeroporto de Billund, numa viagem de volta para lá, que durou cerca de quarenta minutos. Depois de se apresentarem no balcão de British Airways e despacharem suas malas, foram até o último andar do aeroporto, onde tinha uma cafeteria, e elas tinham uma bela vista do pátio aonde algumas aeronaves iam e vinham. Talvez nunca fossem se acostumar com essa brincadeira de voos e idas e vindas.
- Acho que eu ainda tô com sono – franziu os olhos, enquanto observava o dia começando a se revelar lá fora, timidamente.
- Eu acho que eu vou precisar dormir por uma semana inteira quando voltar pra casa – respondeu rindo, dando logo em seguida, um gole em sua Coca-Cola.
apenas deu uma risada que a fez mover os ombros e deu uma mordida em seu muffin. Seus pensamentos estavam longe. Talvez ainda na Dinamarca, tentando assimilar a grande loucura que elas fizeram até chegar naquele local. Ou ainda na Noruega e uma tentativa de elaborar planos para aquele dia, já que já tinha a noite muito bem reservada. Ah, polvo Paul, você talvez tenha errado pela primeira vez. Ela estava viajando com sua mente, quando finalmente se foi desligada e ouviu a conversa das amigas a sua frente.
- Eu posso morrer de ódio dele, mas é a pessoa mais amor que existe no mundo.
- Desculpa, , eu não posso concordar – riu – Eu sou a favor e apoio, mas não...
- Qual o assunto? – piscou umas vezes. Não era possível que esteve em outra dimensão por tanto tempo que não viu a beleza do nascer do sol por completo, e então pegou seus óculos escuros dentro de sua bolsa.
- está falando que o é a pessoa mais querida, e linda e tudo que você pode pensar que existe no mundo.
- Erm... Não, definitivamente não – gargalhou – Mas que bom que ela gosta, ele também gosta e gosto não se discute.
- Obviamente que gosto não se discute! – deu de ombros. Não discutiria aquilo com as amigas e dava graças a Deus da concorrência não ser grande – Imagina gostar de alguém que não deixa você viajar com as...
deu um cutucão em que se calou na hora. virou o rosto pro lado e respirou fundo. tentou disfarçar olhando em volta, procurando qualquer coisa que pudesse virar assunto, mas não... Já tinha falado mais do que devia.
- ... – ela estendeu o braço e tocou na mão da amiga que estava em sua frente.
- Tá tudo bem – ela sorriu – Eu não posso morrer cada vez que esse assunto aparecer.
- Mas eu falei mais que a boca.
- ... Passou, ta bem? – ela tentou confortar a amiga.
Era algo que ela tentava desviar todos os dias, mas não sabia por que aquilo ainda causava uma sensação estranha. Felizmente, cortou o assunto, logo após olhar o relógio.
- Logo vai iniciar o nosso embarque, vamos?
- Vamos – disfarçou o assunto anterior com palminhas animadas – Noruega, sua linda, estamos chegando!
- , sua futura mulher está embarcando – brincou e tomou um leve tapa no braço de .
- Eu estou tentando não pensar nisso pra não enlouquecer – ela rolou os olhos, enquanto caminhavam para a sala de embarque – Sem expectativas, sem decepções.
- Sem expectativas, , mais calma, encontro perfeito com o boy!
- Aaaaah – soltou um gritinho baixo enquanto colocava sua bolsa na esteira do raio X, Deus te ouça, !

*****


O voo entre Billund e o aeroporto Gardermoen, na Noruega, tem duração aproximada de 1h20, tempo utilizado por e para dormirem. Mas não para , que ao decolar, avistou pela janela um parque de diversões e ficou durante todo o tempo querendo saber qual era.
- Legoland? – ela se exaltou já no chão, enquanto esperavam pela retirada de malas, com o celular na mão – Se o show é só amanhã, porque nós viemos hoje e não ficamos por lá pra ir no parque de diversões. Cara... Que delícia, preciso de adrenalina na minha vida.
- Mais? Perder alguns trens e aviões já não é adrenalina suficiente? – riu.
- Mas...
- E além da nossa reserva ter sido só pra ontem, eu tenho um encontro essa noite – sorriu ao lembrar – Vocês precisam me ajudar a escolher o que vestir.
- Achei que você estivesse não pensando nisso pra não enlouquecer.
- Desisti porque eu sonhei com isso durante o voo inteiro – ela deu de ombros e então a esteira das bagagens começou a girar.
- E o que você está esperando pra contar pra gente? – guardou o celular no bolso e então olhou pra ela.
- Um horário adequado – ela colocou as duas mãos na boca e então arregalou os olhos.
- É o quê? – que estava de costas para elas observando a esteira virou-se novamente – Vê se a gente ta preocupada com o horário? Você vai contar isso pra gente e não tem escapatória.
- Quem sabe... Dizem que quando você conta um sonho, ele não se realizará.
- Minha vida acabou de ser explicada – balançou a cabeça, como se estivesse inconformada.
- Faz sentido – concordou e então se virou novamente para frente – Woohoo, venham malas.
Após retirarem suas malas, elas caminharam até o terminal 4 do aeroporto, de onde pegaram um trem, conhecido por FlyToGet, que em cerca de 22 minutos as levariam até a Oslo Central Station.
Oslo é uma cidade que quem conhece, não acredita que foi totalmente destruída por um incêndio no século XVII e que hoje, é considerada a cidade mais cara do mundo, além de ser o centro cultural, científico, econômico e governamental da Noruega. Também é chamada de cidade global, como Paris e Tóquio.
Assim que as três desembarcaram e seguiram em direção a saída da estação, puderam avistar o sol e finalmente a capital norueguesa. Com a ajuda de um segurança, elas identificaram como chegar no hostel reservado para a estadia por lá, e então atravessaram a praça localizada na frente da estação e seguiram em direção a um ponto de parada do bonde, que as deixaria próxima. Assim que avistaram a emergência pronto socorro do hospital localizado na frente do hostel, elas desceram e então atravessaram a rua, chegando no Anker Hostel.
Com a fachada de um prédio de sete andares, o Anker Hostel fica localizado no coração de Oslo, tendo fácil acesso a pé aos principais pontos turísticos da cidade. Após fazerem check-in, elas foram até o quarto, localizado no segundo andar. Era um quarto grande, com dois beliches e banheiro privativo. Elas abriram as malas e se jogaram cada uma em uma cama, enquanto decidiam o que fariam durante aquele dia.

*****


Longe dali, fora da cidade, estava no segundo andar do seu quarto, estirado no sofá, com o computador em cima da mesa de centro a sua frente. A TV ligada em um canal qualquer, que ele não conseguia entender o que estava sendo dito. Os dedos do garoto deslizavam pelo touchpad do computador, enquanto seus olhos procuravam por algum lugar para aquela noite. Ele queria um restaurante legal, até casual se possível, mas o mais importante, se ele conseguisse manter sua privacidade durante a permanência lá dentro, ganharia pontos. Odiaria, mais uma vez, que suas fãs o descobrisse e arruinasse seus planos.
Então um restaurante localizado no antigo ancoradouro da cidade apareceu em sua tela. A localização parecia perfeita e o cardápio interessou seu paladar. Estava decidido, só havia uma coisa a fazer, combinar com .
Ele começou a ouvir vozes conhecidas no corredor e gargalhou. e estavam discutindo, então se levantou, descendo as escadas correndo. Precisava saber qual era o assunto (ridículo) da briga em questão.

*****


- , se arruma – chamou a amiga, que estava deitada em sua cama, com suas malas ainda fechadas. Estavam se arrumando pra sair e fazer turismo pela cidade.
- Acho que eu vou ficar, gente – ela então sentou na cama, ficando de frente pras amigas que iam de lá para cá, entre banheiro e mala, além de olhadas no espelho de vez em quando.
- Você o quê? – se virou para ela – Não, ta ficando maluca? É Oslo, Noruega no verão, você vai passear e conhecer a cidade com a gente.
- Acho que eu vou deixar o turismo pra trás. E hoje eu ainda vou sair com o e tudo mais, tenho que me preparar psicologicamente.
- Se você não vai, eu também não vou – sentou na cama e cruzou os braços.
- Você não é maluca de fazer isso – empurrava a amiga – Você vai porque eu decidi, eu sou mais velha que você, to mandando e você vai me obedecer por educação.
- Qual a graça de viajar e ficar dentro do quarto?
- Deixa, puxou o braço da amiga mais nova para ela se levantar – Você vai ficar mesmo? Quer que traga alguma coisa?
- Vou, vou ficar bem, não se preocupem, mães! Vão passear e esqueçam da minha existência – foi abrir a boca para fazer alguma reclamação – Vai, , foge, tchau!
Então a contragosto, conseguiu tirar a amiga de dentro do quarto e do hostel, elas foram para um Subway, que ficava na mesma rua.
Depois de passaram um bom tempo decidindo o que comeriam e tentando adivinhar o que estava escrito no cardápio do restaurante, afinal, Subway não é o mesmo em qualquer lugar do mundo, ela finalmente se acertaram com um lanche simples, e então o celular de tocou.
- Eita, 44. Quem será?
- Às vezes é da sua casa, pode ser importante. – deu de ombros. Não falavam com a família já há alguns dias, seria normal eles ligarem.
achou aquilo estranho. Ela tem gravado no celular o número de todos seus amigos e familiares na Irlanda e Reino Unido, não teriam porque ligarem de um número estranho. Ela deu de ombros e atendeu.
- Alô?
- Eu disse que ela ia atender, ! – a voz do outro lado da linha gritou. afastou o telefone de perto da orelha e colocou em cima da mesa, ligando o viva voz.
- Caralho, , tomara que você role da escada – ela ouvia a voz de gritando – Me dá esse telefone aí.
- Não, larga, , ela deve achar que você é louca!
- Louco é você que entrou no meu quarto escondido e roubou meu celular só pra ter o número da . Você podia ter pedido.
- Você é chata e não ia me dar.
e ouviam a aquela discussão sem fundamento abismada e riam. apoiou um cotovelo na mesa, e então a cabeça sobre sua mão. Por que diabos , frequentador assíduo da friendzone, estava ligando para ela?
- Tomara que ela tenha desligado só pra você deixar de ser idiota.
- É O QUÊ? , ta aí?
- To – ela respondeu rindo – Qual o motivo da briga?
- O que acha que tem cinco anos de idade, eu hein respondeu – Ai, filho da puta, vai a merda!
- O que foi agora?
- Esse canibal me mordeu! – ela soltou um grito – Tomara que ela negue!
- Recalcada! – elas puderam ouvir respondendo de volta e caíram na gargalhada – Tá com quem aí?
- Com a – ela respondeu.
- Oi, !
- Oi, !
- Okay, já falaram oi – falou e viu a amiga gesticulando “ciumenta” levantando o dedo do meio pra ela – Qual o motivo da ligação?
- Então... Como é day-off, tava pensando se você não ta afim de passear por Oslo comigo.
- Hoje? – ela desanimou. Havia combinado de sair com a amiga.
Então ela se virou para que gesticulou um “Vai!” praticamente intimando-a a se encontrar com o garoto. balançou a cabeça negativamente. rolou os olhos. Nem que ela ficasse o dia inteiro andando por aí sozinha ou voltasse pro hotel pra fazer companhia para , mas não negaria um convite desses.
- Ela vai – então respondeu pela amiga que arregalou os olhos.
- Mesmo? – havia uma felicidade na voz do garoto – Encontro você na Ópera House então, pode ser?
- Claro! Até lá.
E então desligou o celular. Queria bater em por ter dito que iria se encontrar com , mas estava pulando de felicidade por dentro. Ela então tratou de passar um lápis no olho e foi até o banheiro do restaurante, onde passava a mão diversas vezes no cabelo, até garantir que estava bom.
- Ta ótima, ta linda! Você pode aparecer eletrocutada lá que o não vai perceber.
- Mas, ...
- Vaza, !
- Me deseje sorte! – ela então abraçou a amiga e depois de fazer o sinal da cruz, saiu porta afora.
então suspirou fundo, e ao sair de dentro do restaurante, viu sumir por uma viela. Seus dedos automaticamente cruzaram, fazendo figas e então ela olhou para a rua Storgata. Suas opções eram voltar para o hostel, ou aproveitar que o dia estava lindo e conhecer um pouco da cidade que ela estava. Optou pela segunda opção, subindo em um bonde que passou pela rua, a levando direto para o Palácio Real de Oslo.
Ela sentou na muretinha, que fica a uma certa distância do palácio e apoiou suas mãos nela. Saiu do seu país para ir para a Dinamarca e ficar apreciando a frente da casa real. Aquilo era tão irônico para ela, que acabou nem se importando em ficar por lá. O lugar era bonito, estava cheio de turistas e desafiou-se a si mesma a pegar uma cor de sol em um país nórdico.
O palácio não era bonito como de Buckingham e segundo ela, a pintura amarela dava a impressão de ser uma casa infantil, além de não existirem grades fechando a área. Era muito país de primeiro mundo mesmo. Ela então pegou a câmera e começou a tirar fotos. Odiava o fato de não ter ninguém com ela para tirar fotos suas, “mas nada que eu não estenda o braço e fique pagando mico que nem uma louca”. Ela riu, então seu telefone tocou.
- Oi, !
- Ta fazendo o quê, sua maluca? riu com aquilo. realmente ia virar uma delas.
- Olhando pro Palácio Real de Oslo e tendo certeza de que o nosso é mais bonito, já que eu fui abandonada pela .
- Argh, mentira que o conseguiu? respondeu com um “aham” – Enfim, está de TPM e eu não vou aguentar ficar o dia no mesmo quarto que ele, fica aí que eu vou te encontrar, ta bom?
- Certo – não teve tempo de pensar. era muito animada e rápida, ela as vezes se perdia.
- Eu só vou demorar um pouquinho porque esse hotel é quase do outro lado do oceano Atlântico, mas eu chego.
- Estou esperando!
Quando desligou, olhou para o próprio celular e então pôs a mão na testa. mencionou algo sobre não ficar com o dia inteiro e ela simplesmente concordou como se aquilo fosse comum. Estavam falando de . Então uma luz acendeu no cérebro dela. Talvez ele estivesse simplesmente se transformando em , em vez de . E não ter aqueles tremeliques e nervoso de fã era tão bom.

*****


De volta ao Anker Hostel, estava com as suas duas malas abertas procurando algo para vestir naquela noite. Não queria nada provocativo, mas também não queria uma roupa qualquer que ela colocaria para ir na esquina tomar sorvete. Ela jogou suas calças jeans de lado e então achou os shorts. Escolheu um preto de renda e então olhou para suas blusas. Parecia que nada lhe agradava e logo achou que teria que procurar a H&M mais próxima para ir comprar algo legal, mas algo praticamente brilhou no fundo da mala. Uma camiseta branca, com a gola recortada dos Rolling Stones praticamente dizia “Me escolha”, e então lá estava sua roupa para aquele dia decidido. O mais complicado, na opinião dela, estava resolvido, e o que ela usaria no pé era um simples detalhe que ela escolheria na hora de sair.
Estava pondo-se de pé para ir tomar banho quando seu telefone tocou e o nome começou a brilhar na tela.
- Olá, sunshine! – ele falou do outro lado da linha. Duas palavras carinhosas e sentiu todo seu corpo entorpecido.
- Tudo bom, ?
- Ótimo! Você não se esqueceu do nosso jantar hoje a noite, certo?
Como ela esqueceria aquilo que estava atormentando a mente dela desde o dia anterior?
- Não se preocupe, não vou te dar um bolo.
- Ótimo – no hotel, ele realmente estava satisfeito com aquela resposta – Eu vou te mandar por mensagem o endereço, mas me encontra no restaurante Lofoten às 20h, combinado?
- Nos vemos lá, – ela piscou para o espelho e então se tocou que aquela era uma ligação convencional. Onde está a tecnologia quando se precisa dela?
Após desligar o telefone, olhou para a tela onde o relógio se apresentou. 16h. Ótimo, ela tinha apenas 4h para estar no lugar combinado.

*****


demorou tanto para chegar ao Palácio Real de Oslo, que encontrou uma praticamente dormindo na mureta que tinha ali próximo. Ela sentiu o rosto ardendo quando a amiga chegou pregando-lhe um susto e chegou a uma conclusão, ficaria com a marca dos óculos no rosto, tendo uma queimadura bonita.
As meninas então, depois de visitarem o Palácio, desceram a rua que levava ao cais e chegaram ao Nobel Peace Center, a praça onde fica localizado o prédio onde é entregue o prêmio Nobel. Depois disso, foram até um shopping ali perto, o Aker Brygge, onde elas olhavam as araras da H&M.
- Quais os planos pra hoje de noite, ? – colocava uma camisa na frente do seu corpo e olhava no espelho.
- Não sei – ela deu de ombros e voltou um short pro cabide. Nunca que aquilo serviria no seu quadril – vai sair com , e não sei se a combinou alguma coisa com .
- Vamos sair pra jantar e depois achar um bar?
- Não sei se tenho a intenção de ficar bêbada na Noruega – riu – Vai experimentar essa camisa que vai ficar linda em você.
- Será? – olhou novamente pro espelho – Certo, eu vou – e então foi em direção aos vestiários, com em seu encalço – Não tem porque ficar bêbada, só sair, rir, conversar. Se divertir com amigos.
deu de ombros. Definitivamente, ficar em um quarto de hotel em Oslo não era um plano muito interessante para aquela noite. Ela lembrou-se de um lugar ela leu que era mais caro consumir álcool que drogas sintéticas, e obviamente ilícitas, na Noruega, por causa das taxas alfandegárias. Ela deu de ombros, “uma cerveja não vai me matar”.
- Tudo bem – ela disse então, já nos provadores, porém do lado de fora, onde experimentava a camisa – Vamos sair então!
- É isso que eu tô falando – então saiu do provador e olhou pra amiga – Como ficou?
- Muito freira – rolou os olhos – Abre os botões de cima, o que é bonito é pra ser mostrado.
- É fácil falar quando você não tem namorado – ela então abriu os dois primeiros botões de cima – Se o me vê com essa camisa aberta, ele me mata.
- Ele anda só com o último fechado, vai reclamar do quê? – se virou pra amiga com cara de quem diz “você ta me perguntando isso mesmo?”.
- É pra mostrar pra ele mesmo – deu de ombros – Acho que você deve levar.
O celular de tocou naquele instante anunciando uma nova mensagem recebida. Ela tirou da bolsa e constatou que era de .
me chamou pra jantar essa noite... E quer que eu te chame porque ele vai chamar os meninos. O clima de friendzone ta estranho, e um cara de calça e camiseta não para de seguir a gente, só vou se você for. Ta onde?”
Ela gargalhou. A única coisa que explicava o cara de calça e camiseta era que ele era um segurança e não permitiu que o garoto saísse do hotel sozinho. No mesmo instante, saiu do provador e elas foram em direção ao caixa.
- acabou de mandar uma mensagem falando que o chamou todo mundo pra jantar essa noite.
- Ele não aprende, meu Deus – deu um leve tapa em sua própria testa – Por mais que ele venha me perguntar como que ele chega na , ele vai lá e faz a coisa totalmente contrária.
- Ele é só um pouco devagar. Tem que esperar porque ele deve ser tipo forno a lenha, sabe? Demora pra pegar no tranco, mas quando começa a funcionar... Sai de perto.
- Iugh – suspirou e por um instante ela achou que estava assistindo The OC, e na sua frente era a Summer – Isso foi estranho, .
- É, na minha cabeça ficou melhor – ela então sentiu o celular vibrar em sua mão e logo o toque escandaloso de mensagem anunciou que havia recebido uma nova – “Quero ir pro hostel, mas preciso da sua resposta. ta quase declarando uma guerra dentro desse forte. ME RESPONDE!”
- Louca – gargalhou – Posso imaginar o achando que é personagem de Piratas do Caribe.
- Não me obriga a pensar nisso – então selecionou digitar – “Certo, vamos todos sair hoje de noite. To saindo de um shopping com a , te encontro no hostel”
E então após se despedir da amiga, foi pedir informações de como chegaria no seu hostel, e pegou um bonde para lá, descendo novamente, na frente da emergência.

*****


deu uma última olhada no espelho antes de sair do hostel. Entortou o nariz para a imagem que viu, mas não tinha volta, estava em cima da hora já e sua nacionalidade não permitia atraso. Ela então olhou para as mãos que tremiam e juntou uma na outra. “É só um jantar, , não tem porque ficar nervosa.” Ela suspirou fundo, seu único desejo era que tudo desse certo naquela noite.
Quando ela colocou a mão na maçaneta da porta, ela foi aberta por fora, revelando e , que haviam chegado da rua.
- Como estou? – a menina se virou nervosa, levando os dedos a boca, com a intenção de roer as unhas.
- Estonteante – pegou a mão dela e a fez dar uma voltinha – Que garoto de sorte esse tal de .
- Para, – ela fez uma cara de desesperada – Vai dar tudo certo, não vai?
- Me diz um motivo pra não dar? – arqueou uma sobrancelha e deu a língua, sem resposta – Vai com coragem, ok?
- E vocês?
- Nós vamos sair também, a gente vai se falando – sorriu – Vai lá.
então deu um longo suspiro. Seria uma noite memorável, e então abanou a mão para as amigas, saindo do quarto. Após descer de elevador até o térreo, a menina fez sinal para um táxi que passou, e então mostrou o endereço no celular. Não tentaria falar norueguês e parar do outro lado do país.
O carro finalmente parou na frente de um restaurante inteiro envidraçado, que ocupava quase um quarteirão, tendo duas portas exatamente no meio dele. Várias pessoas iam e vinham, e então pagou o gentil motorista, que tentou conversar com ela durante o trajeto. Ela saiu do carro e olhou para a porta. já estava lá, conversando com um outro homem. Ele usava uma calça preta, com um par de coturnos nos pés e uma camiseta branca. Seu rosto estava com a barba por fazer, de repente o rapaz que a chamou de sunshine mais cedo parecia um bad boy. Um bad boy muito atraente. só desejava passar seu rosto macio no dele e uma pontada atingiu seu peito. De repente ela não queria que as fãs tivessem aparecido na Bélgica.
O rapaz parou de prestar atenção no que Greg, seu segurança estava falando, quando percebeu a garota praticamente desfilando em sua direção. acabou optando por uma sandália com salto médio quadrado bastante confortável, fazendo com que o look final parecesse o mais despojado possível. Aquela coisa de “peguei a primeira roupa que vi pela frente”. percebeu que a maquiagem dela era leve, apenas um delineado preto nos olhos e a pele clara da menina brilhavam de um jeito próprio. é provocativa, mas, ao mesmo tempo, recatada. Como ele queria saber os motivos dessa garota fazer a cabeça dele pirar.
- Estou atrasada? – ela finalmente parou na frente dele e sorriu. A adrenalina estava pulsando em suas veias o bastante para cumprimentá-lo com um simples “oi”.
- Nem um pouco – a puxou pelo pulso e então deu um beijo na bochecha dela. Ah, aquela barba roçando em seu rosto – Esse é o Greg, meu segurança pessoal. A única chance que eu tive de sair do hotel, era com ele em meu encalço, espero que não se importe.
- Oi, Greg – ela se virou e sorriu para o homem grande e musculoso que estava ao seu lado. Jamais iria se importar, se aparecessem umas loucas tentando atacar , ela se esconderia atrás das pernas daquela pessoa e passaria imperceptível.
- Senhorita – o homem apenas assentiu com a cabeça – Vamos entrando, a mesa de vocês está reservada.
Então um maître acompanhou os três até uma mesa no fundo do restaurante, onde a luz era mais baixa, estrategicamente escolhida para acolher o integrante de uma boyband mundialmente famosa e sua acompanhante. O homem que os levou até lá puxou uma cadeira para que sentasse, enquanto se acomodou em sua frente. Greg fez sinal com a cabeça para que entendeu o recado, indo sentar em uma outra mesa, para que não incomodasse-os, porém próxima o suficiente para ficar de olho nos dois jovens.
O clima estava agradável. Eles tomavam um vinho sugerido pelo garçom e na dúvida do que pedissem para comer, optaram pela recomendação do chefe. Do lado de fora, o sol abaixava e o garoto na sua frente a fazia rir. Para , o garoto não precisa ser bonito para atraí-la. Ele precisa apenas ser cheiroso, coisa que ela concluiu que era e bastante, pois sentia-se drogada cada vez que estava perto do garoto, ter um papo agradável e fazê-la rir.
- E você optou por estudar Biologia enquanto sua família pedia pra você fazer Direito? – ele pousou sua taça na mesa, enquanto ela concordava com a cabeça – Mas por quê?
- Digamos que eu seja um espírito livre, – então foi a vez dela de pegar sua taça e tomar um pequeno gole – Além de eu adorar animais, os biólogos são pessoas que estão sempre nas ruas, em contato com a natureza. E não engravatados trancados dentro de um escritório.
- Ter uma rotina de trabalho não é seu forte, então?
- Deixa isso pra – ela então sorriu – E você? Duvido que você sempre quis ser cantor?
negou com a cabeça, apesar de ser algo que sabia, mas estava encantada com a ideia de poder saber mais sobre o garoto, com informações vindas dele, e não de uma revista qualquer de fofoca.
- Aí minha mãe disse que ser grafiteiro era coisa de maloqueiro, e que eu era um “príncipe” – ele rolou os olhos e ela riu. Um príncipe bad boy, na opinião dela, mas era – Então de raiva eu comecei a desenhar na parede do meu quarto enquanto cantava. Era madrugada, e quando minha mãe acordou minha parede não era mais a mesma.
- E...
- Ela comprou um balde de tinta no dia seguinte, tirou o valor da minha mesada, e me fez pintar a parede toda de novo – ele olhava para os lados tentando parecer sério, mas acabou rindo da “própria desgraça” – Depois ela acabou me colocando numa aula de canto e o resto é resto.
- Se eu sou um espírito livre, com certeza eu posso definir você como um espírito encapetado, – então o garçom veio com o prato dos dois e os colocou na frente deles – Imagina se um dia você tem um filho e ele puxa pra você?
- Coitada da futura mãe dele – ele deu de ombros e então seu olhar virou para o prato, enquanto pegava os talheres. No seu inconsciente ele queria falar “Coitada de você”.


*****


Eram 21h30 em ponto quando o celular de tocou e uma mensagem nova de brilhou na tela. “Desce!” Ela rolou os olhos e apressou , que passava a chapinha em sua franja. Tinha contado para onde estavam hospedadas, mas o que aquela mensagem queria dizer? O elevador do Anker parecia que não queria funcionar aquela noite, antes e desceram pelas escadas com certa pressa.
Na portaria havia uma van preta estacionada e as meninas acharam aquilo estranho. Não viram nenhuma movimentação no hostel para ter chegado um grupo, então deram de ombros. O que aquela mensagem de tinha significado? Então elas começaram a ouvir um assovio. se irritou. Não é possível que até na Noruega existissem pedreiros cantando mulheres.
- Ei, gatinhas – uma voz surgiu e então elas se viraram novamente para a van. Uma janela estava aberta e podiam ouvir risadas vindas de lá de dentro.
caminhou até a janela e encontrou , e rindo lá dentro, que até então não tinham visto ela.
- Boo!
- Ai, cacete! – se assuntou e virou para a janela – As noivas estão prontas, finalmente!
- Entrem – então abriu a porta da van o suficiente para que o corpo das duas passasse por lá – Bem vindas ao inferno!
então sentou no primeiro banco da van, ao lado de e , enquanto foi em direção ao último banco.
- Oi, – ela sorriu para o garoto que estava sentado no banco do meio, que então se afastou um pouco, porém continuou seu trajeto, sentando entre e !
apenas virou para a frente novamente enquanto ouvia a voz animada de falando com sobre qualquer assunto aleatório. Sabia que o amigo era galanteador, e não estava sendo de seu agrado ouvi-lo chamar a menina de “amor” diversas vezes na mesma frase. Então o carro arrancou, enquanto o segurança que estava sentado no banco da frente explicava para onde eles iam.
Tirando que definitivamente, não estava se divertindo naquela van, todos eles conversavam e riam. Então o assunto chegou em música, e e começaram a cantarolar uma música que elas adoravam.
“Sophisticated mood swings, manipulated daydreams...”
- Vocês ouvem The Maine? – se animou com aquilo. Era tão bom conhecer alguém que gostava das mesmas coisas que ela.
- Uhum – as meninas falaram, mas, ao mesmo tempo, a van parou no início da rua Stranden, bem ao lado do mar, onde era transformada em calçadão.
- Esse clipe é demais – então eles desceram, acompanhado de seguranças – Vamos imitar?
- Você quer invadir uma casa? – então desceu seguida dela, e logo atrás , que usava um boné de aba reta.
desceu logo atrás de e então viu mexendo no acessório em sua cabeça. Deus só podia ser muito maldoso com ela de vez em quando, e então chegou ao seu lado.
- Não, ta maluca? – então pulou nas costas do namorado que reclamou ao sentir o peso dela, já que não estava preparado para aquilo – A gente não tem bicicletas, então...
“We’ve got champagne taste, but not enough Money for the real thing...”
- Sobe, se ofereceu, e então a menina pulou nas costas dele, que a segurou pelas pernas. Ainda bem que naquela noite optou por usar um short em vez de vestido.
- Vem, gente! – gritou já na frente com .
- We’ve got flames in our veins... começou a seguir os dois andando, mas parou na sua frente.
- And just enough money for the weekend! continuou – Corre vocês três!
simplesmente colocou a mão no bolso da bermuda que vestia e seguiu eles. olhou aquela cena e então para seu sapato. Tinha um salto com tamanho suficiente para atingir a nuca dele, mas não faria isso. Se estava estranho com ela, a ponto de nem responder seu “oi”, o problema era dele.
- Ta esperando o que pra subir nas minhas costas, ? – reclamou quando viu a menina parada olhando para, até onde ele achava, era o nada.
- To mastigando ar pra você não cair quando eu pular – ela riu – Pronto? – ele concordou – Vai – e então pulou nas costas do menino que segurou suas pernas.
saiu correndo e então passou com nas costas e os dois gritaram, enquanto falava para seu “cavalo” correr mais para passá-los de novo.
- And last night I did things my mother told me not toooooo ia cantando, já chegando próximo de e .
- Aposta de corridaaaaa – gritou enquanto segurava forte no namorado que começava a correr.
- With the people I shouldn’t see in the places that I should not goooo – logo estavam os seis cantando, enquanto apostavam corrida.
Pareciam amigos de infância, aquela coisa de crianças que cresceram juntas e quando adolescentes, descobrem o primeiro amor. Mas aquilo era apenas, amizade. Uma amizade que estava nascendo, e que não ligavam se estavam pagando mico pelas ruas de Oslo.
- And it felt just like, and it felt just like, and it felt just like, and it felt just like, and it felt just like, and it felt just like… It felt like love and druuuuuuuugs! – as três meninas terminaram o refrão juntas e riram. E elas nem estavam bêbadas.
- O que nós vamos comer? – perguntou. estava com os braços em volta de seu pescoço e ele estava sentindo-se bem em ter a garota próxima de si.
- Tem Friday’s aqui – respondeu – Volta, – ela gritou quando o menino passou pelo restaurante.
- Vamos até o final da rua e a gente volta – ele disse e os outros concordaram.
- Mas eu quero comer Fridaaaaay’s – ela choramingou – , vamos comer no Friday’s?
O garoto deu de ombros. Essa vez ele mexia no celular e não virou nem o rosto para falar com ela. ficou com vontade de jogá-lo no mar que estava ao lado deles. QUAL ERA O PROBLEMA DO GAROTO COM ELA?
- Ali no final da rua tem peixe! – falou animada e batendo palmas.
- Mas eu não gosto de peixe! – respondeu fazendo manha!
- Você já comeu pra saber se gosta? – virou para trás, encarando e .
Era agora, se não dava atenção a ela por bem, daria por mal.
- Não, mas por exemplo, eu não preciso comer o pra saber que eu não gosto dele – disse por fim.
e até viraram de frente novamente enquanto soltavam um “Uuuuuuuh”, e então percebeu que tinha algo estranho. nunca falaria aquilo.
- Caralho – gargalhou e então levantou um braço – Bate aqui, , eu quero morrer tendo você ainda na minha vida!
rolou os olhos. Nem falando dessa forma ele deu atenção para . Ele observava aos “dois pombinhos” rindo na sua frente. Em suas veias, ele sentia o sangue pulsar. Que diabos estava acontecendo com ele?
- Chegamos! – comemorou com palminhas, enquanto pulava das costas de , e entrava no restaurante. e já estavam lá dentro.
- Mas eu não quero comer peixeeee – resmungou mais uma vez – me solta que eu vou sozinha no Friday’s!
- Não vai não – ele então entrou restaurante a dentro com a menina nas suas costas.
- Me larga ,!
“Let the waves of strange fall down, let them crash and drift around.”
viu uma movimentação na porta do restaurante e Greg percebeu o garoto assustado, então se levantou para ver o que estava acontecendo.
- O que foi? – então virou para trás ao ver apontar e seus olhos e encontraram seis pessoas loucas entrando no restaurante, seguida por uma normal mexendo no celular – O que a ta fazendo nas costas do ? Que vergonha!
então reconheceu Greg de pé, e logo o grupo se dirigiu para lá. Ninguém sabia qual era o restaurante que tinha escolhido para encontrar com , então aquele encontro de todos foi totalmente inesperado.
Ao ver que o resto do One Direction havia chegado, o maître tratou de chamar um garçom para ajudá-lo a colocar mesas naquela área mais escura e reservada. Apesar deles não terem feito reserva, eram clientes especiais como , e questionar a presença deles ali era algo inevitável.
Quando se aproximaram, finalmente soltou , que até então estava com vergonha de estar em um restaurante naquele padrão sendo carregada por alguém, e no impulso, a menina puxou para o corredor prensando ele na parede, colocando as duas mãos em volta do corpo dele, para que o garoto não fugisse.
- Você vai me falar agora o que eu te fiz, se você ainda quiser que eu tenha alguma consideração com você.
A expressão no rosto de era assustadora. Nunca imaginou que teria tal agilidade e força para encurralá-lo em um corredor, e aquilo não parecia ter nenhuma intenção amorosa ou sexual, para decepção do garoto que continua imóvel.
- Eu não te fiz nada – ela continuou – E desde o momento que eu entrei na van, você não se dignou ao responder meu “oi”. Qual é o seu problema? Por favor, me diz para que eu possa ao menos me redimir da tal cagada.
- Me deixa sair daqui, ? Eu sou meio claustrofóbico – ele então empurrou os braços dela, que com força o prendeu novamente na parede.
- Sem essa pra cima de mim, . Eu sou claustrofóbica, você é cara de pau e bipolar mesmo – ela respirou novamente, suas mãos já doíam por segurar os braços musculosos do garoto – Eu vou te perguntar pela última vez, e a opção é sua responder se quiser lembrar do meu nome. O que foi que eu te fiz? – ela falou pausadamente para que não houvesse modo do menino falar que não tinha entendido.
A verdade é que não queria admitir, mas ele estava caído por de todas as maneiras, a ponto de que se a menina falasse “rola”, ele agiria da mesma forma que um cachorro. Ele não queria nem ia contar aquilo pra ninguém porque era muito orgulhoso para admitir em voz alta que estava novamente gostando de alguém. Ele estava perdido de ciúmes da aproximação repentina de com a garota, que não podia imaginar o que aconteceria se os dois ficassem a sós. Ela se divertia cada vez que estava com o garoto e vice-versa. Para aquilo virar um relacionamento, não custava muito.
- Olha, me desculpa, ta bem? – ele começou a falar e finalmente soltou o braço dele. Suas mãos agradeciam – Eu não estou nos meus melhores dias, e eu ando sentindo falta de casa – a última era verdade, mas ele estava ótimo. Ciúmes estava estampado na sua testa – E eu não queria descontar em você. Por favor, não me tira da sua vida.
Ela queria dar uma risada irônica ao ouvir a última frase, mas preferiu manter o semblante sério. A verdade é que tanto quanto os outros meninos estavam já amarrados em sua vida de uma forma que superava o amor de fã que ela sentia por eles.
- Você não fez nada, eu que sou um completo babaca.
o mediu de cima a baixo. Aquele boné colocado torto na cabeça dele a incomodava demais por causa do seu TOC. Ela então ajeitou na cabeça do menino que fez uma careta. O silencioso e calmo desejava trocar as posições, e dessa vez ele encurralar na parede. Ele contou até dez vezes algumas vezes em um curto período de tempo, teria que se controlar.
- Droga, não consigo ficar muito tempo brava com você – ela então o abraçou forte, passou seus dois braços por baixo dos dele e juntou as mãos nas costas largas do garoto. Era alta e o salto que usava nos pés a fazia ficar mais alta que ele, mas não ligou – Não faz mais isso.
- Não vou – ele então a abraçou, sentindo instantaneamente o perfume que a garota em seus braços usava. Aquilo era covardia com ele. Era como se ele tivesse abraçando a garota e não pudesse tocá-la. Mas tudo indicava que ela gostava de , e apesar do seu ciúme, ele a deixaria livre para ser feliz com quem quisesse. Um dia aquilo passaria.
- Vamos voltar pra lá – ela riu e o puxou pelo braço.
De volta a mesa, tinha um local reservado para ela sentar entre e , com as mesas juntas na de e . O encontro definitivamente havia sido arruinado involuntariamente com a chegada daquele bando de loucos.
- Que isso? – ela fez cara feia ao sentar e olhou o prato.
- Salmão grelhado. É mais gostoso quando está quente, mas você e o senhor TPM resolveram ficar namorando, e agora ta frio, anda, pode comer.
- Ha, ha! – ela deu a língua – Ir ali na esquina dar meia horinha de bunda você não quer, né ?
- Hoje ela ta atacada – virou o rosto enquanto ria envergonhada da amiga – Come logo esse peixe que não é barato, !
- Não pedi nada caro – ela deu de ombros – Ninguém quis ir comigo no Friday’s.
- Finge que pelo menos uma vez nessa viagem, você vai comer alguma coisa saudável – respondeu – Oi, maluca.
- Oi, amor da minha vida – ela piscou pra amiga e mandou um beijo.
- Posso falar? – estava sentado na frente de levantou a mão – Eu sei que eu ainda to comendo, mas se a não quiser, eu como o dela – ficou com vontade de cavar um buraco. Aquele era o ogro de quem ela gostava.
- Todo seu, – a menina sorriu e então empurrou o prato pra ele.
- Qual a dificuldade de você colocar o peixe na boca? – reclamou do outro lado da mesa.
- Você não vai gostar da resposta, deu dois tapinhas no braço do amigo – Não faça essas perguntas não.
- então a chamou e ela levantou o rosto para o menino a sua frente. Ele estava sorrindo com os olhos semicerrados. Aquilo era uma puta falta de sacanagem – Por favor, experimenta.
então olhou novamente para o seu prato, e para , que continuava com aquele sorriso capaz de tirá-la do sério. Ela bufou e a contragosto pegou os talheres, enquanto cortou o peixe. Seus lábios tremiam enquanto ela levava aquilo a boca, o que pede rindo (e com um puta de um sorriso), que ela não faria chorando?
- Peraí? – atrapalhou a ação de – Que cumplicidade é essa de vocês dois? – ele olhava de para – Vocês estão se pegando é isso?
- Caralho, cala a boca, resmungou – Não dá bola pra esse asno, pelo amor, só experimenta, .
A menina concordou e então levou aquilo em sua boca. Ela entortou a boca enquanto mastigava enquanto fazia careta, e logo que o alimento passou pela sua garganta, ela pegou a taça de vinho de e bebeu tudo.
- Friday’s? – ela finalmente falou e todos riram. Pelo menos ela não poderia falar que nunca tinha experimentado.
O dia terminou com todos indo ao Horgan’s, um bar localizado perto do Palácio Real e depois de algumas latas de cerveja, eles se levantaram e foram embora. A van deixou as três garotas no Anker Hostel e então seguiu para o Holmenkollen Park Hotel Rica.
estava no beliche de cima dormindo, porém tinha a terrível mania de dormir com o celular embaixo do travesseiro. O aparelho vibrava mais que vibrador e ela resmungou. Ela o pegou e abriu apenas um olho enquanto acostumava com a luz daquilo em seu rosto. Ela não parava de receber tweets e notificações de que estava sendo seguida, ou que algum tweet dela de cinco anos atrás estava sendo retwittado. O twitter só podia estar louco. Ela então rolou a página até achar a causa do seu sono interrompido.
“@: Obrigado pela noite passada! @
- Mas que porra é essa? – ela se levantou e esqueceu que o teto era mais baixo, metendo a testa no teto – Merda – ela então deitou novamente – Por que diabos uma bomba não explode no quarto do hotel dele? “Obrigado pela noite passada?”. Só pode ser sacanagem com a minha cara.
Ela continuou rolando suas interações. Alguém retwittou “Bonitinho o tal do , espero que ganhe. #Xfactor” e ela gelou. AQUILO ERA DE 2010! Ela teria que apagar todos os seus tweets comprometedores o mais rápido possível. queria meter um soco na cara de . Não conseguia entender qual era a dificuldade dela ser amiga de uma banda e mesmo assim permanecer pelo menos no anonimato virtual.
Ela então olhou no relógio do celular e constatou que já eram 16h. Sua mente tentava voltar na noite anterior se recordando do quanto ela bebeu, definitivamente, não foi muito, mas ela e as amigas deviam ter chegado no mínimo com o dia amanhecendo para ela acordar aquele horário.
Seu celular vibrou novamente. Ela rolou os olhos e viu um novo tweet.
“@: aprova! RT @: Obrigado pela noite passada! @
- Retardada – ela se virou e viu na cama ao lado rindo dela – Depois eu apanho na rua porque nego ta achando que eu e o estamos nos pegando, você vai me perguntar o que aconteceu.
- , o cara agradece você pela noite anterior, e você vai me negar que não aconteceu nada entre vocês?
- Não, não aconteceu – então pulou da cama – Eu queria saber o motivo pra ele estar babaca daquele jeito e acho que falei algumas coisas que tocaram ele.
- E você não é nada delicada – a amiga riu – Boatos de que a arena não fica em Oslo e sim em Baerum, e levantoula a ite passada! @"
Tweet dela de cinco anos atrm seu rosto.o. m puta de um sorriso), que ela não perto -aqui do lado, vamos nos arrumar?
- Acorda a Bela adormecida aqui – ela falou e entrou no banheiro.
Após acordar , arrumou sua cama e então foi procurar os ingressos do show. Repentinamente, os três papeis que lhes davam acesso ao Telenor Arena naquele dia, haviam desintegrado, e elas não conseguiam encontrar em nenhuma bolsa ou mala.
- Legal – deitou novamente – Me acordem a hora que a gente for sair pra Suécia amanhã de manhã, já que o show foi pro fiofó!
também deitou-se novamente. Pelo menos a viagem não tinha sido totalmente perdida pelos passeios e noite divertida que tiveram. Seu celular estava ao seu lado aberto no twitter.
“@: Aí você chega até a Noruega pra descobrir que os duendes irlandeses roubaram seu ingresso! Divirtam-se, meninos."
- Então, quais são os planos pra hoje a noite? – sentou na beira da cama de – Por favor, não digam pra gente ficar no hostel.
- Encher a cara? – perguntou e elas se viraram assustadas. A menina só bebia quando era praticamente forçada pelas amigas e não por espontânea vontade – Sei lá, to brincando, gente, não pira.
- E se nós três fossemos para uma balada? – sugeriu – Sei lá, nós três, no anonimato, homens noruegueses. Já pensaram na possibilidade?
- Você teve um encontro com ontem, e a com o , que foi arruinado, mas teve. Só eu posso arranjar alguém nesse país.
deu de ombros. Sim, ela havia saído com , mas se o garoto não toma atitude, não era ela que ia deixar os homens nórdicos passarem por ela como um vento. Então o celular dela tocou e ela viu um número estranho. Gostava tanto de manter a privacidade do seu número de celular que de repente os integrantes da banda estão brincando de passa ou repassa com o celular delas. Era uma mensagem.
“Acabei de ver seu tweet. Venham pra Telenor Arena, e pela entrada de trás, chamem o Greg. Ele vai dar três AAA pra vocês. xx.”
então abriu um sorriso assustador que fez se assustar.
- O que houve?
- Já pensaram em ir ao show com passe totalmente livre? – ela então virou o celular mostrando a mensagem que tinha acabado de receber de .

*****


Depois de as meninas assistiram ao show com direito a passes livres para o camarim, estavam todos sentados dentro do camarim. ainda tinha em sua cabeça a ideia de conhecer um homem nórdico aquela noite. estava deitada no sofá do camarim com a cabeça no colo dela, e as pernas no de , que estava na outra ponta, enquanto junto com , elas discutiam qual seria o caminho daquela noite.
- Ba-la-da! – entrou no camarim, seguido dos meninos, que tinham recém saído do show – Todos nós vamos cair na noite hoje.
- Eu topo – virou animada – Qual vai ser?
- Posso saber suas intenções, gatinha? – também entrou no camarim e foi direto dar um beijo na bochecha dela que o empurrou.
- Sai, , você ta suado e nojento – ela gargalhou e deu a língua pra ele.
- Então, pra onde vamos? – se levantou e apoiou a cabeça no ombro de .
- Jaeger – respondeu olhando pro celular – A van leva a gente pra lá e woohoo, felicidade aí vamos nós.
- Que animação é essa, ?
- Caraca, como essa menina é chata – ele reclamou – , tira sua namorada daqui pelo amor de Deus!
- Seu recalcado, menos – piscou para ele – Não sou eu membro permanente da friendzone.
não estava nem aí para a discussão. Seus olhos estavam em que estava tirando a camiseta e passava uma toalha no corpo para limpar o suor. Seus olhos acompanhavam o movimento da toalha que passava por aquela barriga cheia de gomos e a calça baixa. Por que diabos o encontro deles acabou mais cedo na noite anterior mesmo?
- Vocês são um bando de loucos, nem as meninas salvam – finalmente se pronunciou naquele lugar.
se lembrou. Aqueles loucos simplesmente entraram no restaurante que eles estavam tocando o terror e se juntaram a eles, cortando qualquer clima existente por ali.
- Tá bom! – então gritou fazendo todos se calarem – Jaeger então?
- I’ve got the moooooooves like Jagger – cantarolou a música do Maroon 5 cujo título tem sonoridade parecida com o nome do local.
- Jaeger, e não Jagger – ele consertou.
- Uai, foi o que eu falei, Jagger – ela então riu – Kiss me til you’re drunk and I’ll show you...
rolou os olhos. nunca ia levar nada do que ele falava a sério.
Eles então acabaram indo para a Jaeger, que assim como o restaurante que foram na noite anterior, ele também ficava no cais de frente para o mar que banhava Oslo. Ninguém conhecia lá, assim como o resto da cidade, mas a elegeram por causa do nome. As meninas alegaram que lembrava Jagger e consequentemente, a música “Moves Like Jagger” e Adam Levine. Os garotos, principalmente pelo que havia dito anteriormente, após rolarem os olhos diversas vezes com aqueles comentários, decidiram que iam para lá por causa da bebida alemã, com o mesmo nome.
- Oi, ciumento – sentou no mesmo sofá em que estava sozinho e com uma lata de cerveja na mão – Aquilo de ontem a noite foi uma crise de ciúmes porque sua amiga tava nas costas do outro?
- Achei que você era mais modesta, – o garoto então bebeu um gole de sua cerveja – Olha pra minha cara de quem vai ter ciúmes de você.
- Quem desdenha quer comprar, – ela então deu um beijo na bochecha dele e se levantou, indo de encontro a suas amigas
Ele então suspirou ao ver a garota caminhando de costas para ele usando apenas uma camisa comprida, presa com um cinto e um peep-toe preto no pé, que se mexia no ritmo da música. Era só o que lhe faltava, ele ser chamado de amigo por ela. balançava a cabeça, enquanto a via sumir pelos degraus da escada que dava aceso ao piso inferior. Tinha certeza de que se não agisse logo, ia perder para outro. E esse outro podia ser seu amigo de banda.
A garota se reuniu no andar inferior com , e , que dançavam animadamente na pista de dança. e estavam por perto comprando algumas bebidas, mas não tiravam os olhos delas. se sentia cada vez mais vitorioso por ter conquistado alguém como , e planejava estratégias para conquistar .
se divertia na pista de dança com as amigas quando no andar superior, na área VIP, perto de , a observava. Apesar de ter aceito passar o dia anterior com ele e ter passeado pelas costas do menino, ele sabia que ela ainda estava brava por aquela cena ridícula na Alemanha, convidando-a para assistir ao show do backstage e depois ir até a Dinamarca no ônibus da turnê com ele. Lembrou-se do que lhe falou, de que ela gostava dele, por causa da reação que ela havia tido, mas não queria acreditar. Virou para trás e viu apenas acompanhado por uma cerveja. Era aquele cara que deu conselhos amorosos para ele?
Ele queria falar que gostava dela, mas tinha algo que o fazia travar cada vez que ele iria falar para ela como se sentia. Mas ele não perderia outra oportunidade. E faria naquela noite. Para ele, ela era a pessoa que mais se destacava na pista de dança. Cabelos soltos balançando em suas costas, um tubinho azul-marinho de alças largas que finalizavam no meio de suas coxas, uma maquiagem leve. Seus olhos tinham a escolhido, ele só precisou de tempo para seu cérebro e coração processarem aquilo. Poderia tomar um fora, mas não ia se permitir desistir sem nem ter tentado.
Também com uma garrafa de cerveja na mão, ele decidiu descer, contra a vontade do segurança. Alegou que era uma terça-feira, e o local não estava tão cheio assim. Ele chegou ao andar inferior e tomou um longo gole da cerveja, queria lembrar-se de seu ato, mas queria estar alcoolizado para ter coragem suficiente para fazer aquilo. Ainda com a garrafa, ele chegou perto do grupo e começou a dançar junto. , e deram espaço para o menino entrar na roda e ela rolou os olhos. “Dançando com quatro meninas. Vai ficar eternamente na friendzone.”
Ele continuou dançando no ritmo da música, e então fez sinal com a cabeça para ela acompanhá-lo e então, saiu da roda. A garota nem se abalou com aquilo e deu de ombros, continuando a se movimentar. Aquele ritmo era bom e envolvente. “Será que é AVICII?” perguntou para si mesma. parou de dançar e estalou os dedos na frente dos olhos para a amiga e apontou para onde tinha saído. Ele queria falar com ela, ele iria falar com ela, mesmo que após isso, voltasse xingando todas as gerações dos . A menina deu-se por vencida e então saiu batendo o pé em direção ao garoto. Se ele não falasse, quem iria ouvir poucas e boas dessa vez, era ele, pois ele não movimentou um fio de cabelo para se aproximar dela no tour que fizeram no dia anterior, e se saíram juntos em duas ou três fotos, era muito. “Eu não mordo, cacete!”
estava encostado em um canto um pouco mais escuro da balada, com um pé apoiado na parede. Com a mão direita ele tomava um gole da cerveja, a outra mão estava dentro do bolso da calça. cambaleou quando viu aquilo. Ele era uma das coisas mais perfeitas do mundo, e não podia ficar brava com ele. Tinha medo de o garoto desistir dela de uma vez. Ela se recompôs novamente. Podia querer jogar a si mesma pela janela do tanto que gostava do garoto, mas não demonstraria para ele isso.
- Fala, ! – ela então cruzou os braços na frente dele. Ele sorriu para ela, porém sem mostrar os dentes.
- Balada legal essa, não é? – e então tomou outro gole. Ah não, ele não começaria com aquela conversa ridícula e que não vai levá-los a lugar nenhum novamente. Ela olhou novamente para onde as amigas estavam e desejou apertar o pescoço de que a fez a ir até ele.
- Legal mesmo, tchau – ela então saiu irritada quando ele a puxou novamente pelo braço – Qual é o seu problema, irlandês?
- Ué, mudou de nacionalidade agora também? – ele provocou e ela bufou. “Eu devo ter colado uma caixa de chicletes na cruz.” Ele tomou o último gole da sua cerveja e colocou no chão – Tudo bem, eu sei que você é nervosa e eu não to colaborando, eu tenho um negócio para falar.
Ela amarrou o cabelo em um coque alto, devido ao calor que estava sentindo e decidiu abaixar a guarda.
- Eu não sou nervosa, . É só que... – eu gosto de você e quando eu acho que você vai dizer a mesma coisa, você faz uma piadinha ridícula ou fala de um assunto nada a ver. Ela respirou, não podia falar aquilo – Eu estou me divertindo com minhas amigas e você me chama pra falar que a balada é legal?
- Perdão – ele então pegou uma mão dela, que estava apoiada na própria cintura e começou a fazer carinho. Ela arqueou a sobrancelha. Não era aquilo que estava esperando – É só que... Eu posso ter essa vida meio conturbada, mas nunca me esqueço da primeira vez que eu realmente prestei atenção em você – ela se lembrava. Inclusive tirou uma foto com um olhar totalmente apaixonado de frente para ele – Foi na França e a percebeu meu olhar em cima de você. Então você veio pra dentro do nosso hotel na Antuérpia, toda metida “ninguém toma tequila mais rápido que eu”, já falando que o tava fazendo bullying e eu só observando – não era aquele rumo que ela esperava que aquela conversa tomasse. Odiava planejar uma briga em sua cabeça e a outra pessoa não seguir o roteiro – Eu queria te falar que você me encantou, me enfeitiçou na verdade – ele parecia procurar as palavras certas para falar aquilo – Eu queria ter a chance de te mostrar que eu sou um cara legal e que vale a pena estar em um relacionamento comigo, eu acho – ele riu, ela sentiu sua pressão cair e agradeceu pelo corredor onde eles estarem ser estreito e ela estar encostada na parede oposta que ele – E eu quero que você saiba que eu gosto de você, . Eu realmente gosto, e eu não acredito que finalmente tive coragem para falar essas palavras – ele finalizou rindo de uma forma nervosa. Ele literalmente estava rindo para não chorar.
Aquilo seria música para os ouvidos da garota, se ela não tivesse ficado nervosa ao ouvir aquilo e estivesse esperando qualquer lenga-lenga ridículo. Sua cabeça girava, enquanto ainda o sentia passar os dedos por cima da sua mão, enquanto esperava uma resposta. O fato de que o que ele sentia também era recíproco, para ela, era motivo para abrirem uma garrafa de Jose Cuervo e comemorar. Ela piscou algumas vezes. Podia dizer que sim, mas a reação de seu corpo só mostrava que ela não estava pronta para receber uma novidade daquelas e a qualquer momento suas pernas iriam traí-las, derrubando-a no chão. Seus lábios tremiam enquanto ela tentava falar o nome dele, mas, de repente, tudo começou a girar e sentiu seu estômago embrulhar. Se fosse colocar toda a janta para fora de seu corpo, não faria na frente do cara que acabou de declarar que tinha sentimentos por ela.
Em disparada, ela saiu daquele corredor escuro, deixando-o ali, sem entender nada. Ou entendendo que ela não sentia o mesmo e aquela foi uma forma discreta dela dizer “não”, sem pronunciar aquela pequena palavra. No meio da multidão, ela encontrou o braço de e a puxou para fora da Jaeger. Logo atrás de , e foram correndo sem entender nada, e logo elas estavam para fora, onde estava apoiada na barra de ferro que dividia o fim do cais, com o início do mar lá embaixo.
- O que aconteceu? – falou indo correndo atrás dela que sentia o ar finalmente voltar a entrar em seus pulmões.
- se declarou para mim – ela vomitou as palavras então passou a andar de um lado para o outro, tentando raciocinar o que tinha acontecido dentro daquela casa noturna.
- E você? – parecia estar desesperada. Aquela não era a amiga confiante e toda cheia de si que ela conheceu a um tempo atrás.
- Eu? – deu uma risada irônica – Eu fugi de nervoso para não vomitar no pé dele.





8. One way or another I’m gonna win ya Sweden, I’m gonna get ya.

I will drive past your house and if the lights are all down, I’ll see who’s around.

Depois da fatídica confissão de sobre seus sentimentos em relação a , voltou para dentro da Jaeger, sozinha já que , e voltaram para o Anker Hostel, atordoada e encontrou já no andar superior, contando para os meninos o que tinha acontecido.
- Então eu falei pra ela que gostava dela e de repente... Ela saiu correndo – ele tinha um sorriso sem graça no rosto – Acho que isso quer dizer que eu tomei um fora, certo?
Todos os garotos então encararam , sentindo um pouco de pena dele. Ele era um bom rapaz, não podia ter fugido sem ao menos uma resposta. Sem nem ao menos aceitar aquilo que ele estava propondo. então sentou em uma das pernas de , que passou um braço pela cintura dela como se estivesse segurando-a. Tinha ouvido tudo o que o garoto tinha falado. Ela não sabia o que pensaria daquilo, mas ela não deixaria o garoto pensar uma coisa contrária da realidade.
- Você sabe que eu te suporto por causa do e dos meninos, certo ? – ela falou. Na verdade ela amava o garoto como se fosse um irmão, e exatamente por aquilo ela adorava ficar brigando com ele.
- Agora não, – ele se levantou – A gente pode ir embora pro hotel?
levantou e foi atrás dele também, que estava apoiado na grade observando o movimento, que se antes já era fraco, aquela hora da noite já não havia mais quase ninguém no andar de baixo.
- ... – ela então abraçou o amigo por trás, encostando a cabeça nas costas dele – Se eu te contar uma coisa você jura que não se joga daqui?
- Que diferença vai fazer? – ele deu de ombros – Um dia ela ta andando nas minhas costas e no outro ta fugindo de mim.
- A gosta de você – ela finalmente falou, e ouviu um “aham” irônico como resposta – Você pode ligar pra , pra , e elas também vão confirmar. Aquele dia na Alemanha ela ficou esperando você falar exatamente isso, ontem vocês passaram praticamente o dia juntos e você mal se aproximou dela, e hoje, quando ela já não tinha mais esperanças de ouvir o que ela queria ouvir, você despejou as palavras – ele então se virou para ela de braços cruzados – A é uma garota, que tem sentimentos e acho que ela ficou um pouquinho desesperada de ouvir que você queria tentar ser alguém pra ela.
- ... Você sabe que eu sou idiota e isso que você ta me falando vai soar como uma esperança, não sabe?
- Eu implico com você e desejo que você caia da escada, , mas assim como eu quero a felicidade de todos os meninos, eu quero a sua também. Eu te amo como um irmão.
O menino finalmente esboçou um sorriso, mesmo que discreto, nos lábios. Se realmente gostava dele também, ele tinha que chegar nela de uma forma que não a assustasse. Talvez ser direto demais tenha sido o seu problema.
- Você é demais, baixinha! – ele então abraçou a menina. Havia uma esperança.

*****


Como o voo delas para a Suécia era extremamente cedo, , e foram viradas da noite anterior para o aeroporto. Um táxi as levou do Anker Hostel de volta a Estação Central de Oslo, onde novamente elas pegariam o FlyToGet, trem que leva diretamente para o aeroporto Gardermoen, de onde partiria o voo para Estocolmo. Estavam com tempo de sobra, se não tivessem um pequeno problema no balcão da Norwegian, lowcost com quem elas voariam aquele trecho.
- Essas malas não embarcam – o rapaz que fazia o check-in lhes falou. Claro que teriam algum problema, passar pela Noruega não seria assim tão perfeito.
- Eu disse isso em Paris pra vocês – rolou os olhos – Que vocês ficariam pela Escandinávia. E agora, o que a gente faz com a mala de vocês?
- Senhorita, a sua também ultrapassa as medidas permitidas pela companhia aérea.
rolou os olhos e então virou para o rapaz.
- Você me jura de pé junto que um centímetro de cada lado da mala vai atrapalhar alguma coisa durante o voo?
- Senhorita, são as políticas da empresa, eu não posso permitir que vocês embarquem com essas malas grandes. Apesar de que... – ele então digitou alguma coisa no computador, aquela pequena frase tinha as feito acreditar que algo daria certo – Vocês podem pagar uma taxa extra de bagagem.
- Quanto? – se animou. Ou elas pagavam a taxa, ou as malas ficavam, ou elas teriam que desembolsar mais dinheiro pra ir por uma companhia tradicional que permitia as malas.
- Essa aqui – ele colocou a mão em cima da mala de – US$15. Agora as outras, US$20 cada mala.
fez uma conta rápida e constatou que aquilo seria mais caro do que o valor que as três juntas pagaram na passagem. Já não estava nos seus melhores dias pelo ocorrido da noite anterior, e agora um Zé ninguém iria falar pra ela que ninguém podia embarcar com suas malas?
- Prezado... Tinius – então ela pode finalmente ler no crachá do homem que estava a sua frente – Eu e minhas amigas estamos numa viagem particular, é praticamente um mochilão. Estamos ainda no começo do mês, e vamos chegar em Portugal apenas na última semana de Maio. Como você gostaria que nós passássemos um mês apenas com uma mochila nas costas? – ela então ajeitou o crachá dele que estava torto na camisa e então juntou as mãos em cima do balcão. A paciência dela estava chegando ao fim.
- – ele então viu no passaporte dela, que estava em cima do balcão – Não sou eu que não quero que vocês embarquem – ele falava paciente e no mesmo tom que ela – A empresa não permite então, eu sugiro que você ou embarquem sem suas malas, ou fiquem e aproveitem a estadia em Oslo, ou paguem a taxa. E por favor, decidam do lado que vocês estão atrapalhando a fila – ele então fechou os três passaportes e devolveu a ela, que saiu batendo os pés.
- Vou abrir um processo contra essa empresa fuleira – ela resmungou – To tão revoltada que eu sugiro a gente pegar um voo convencional e eu pago as nossas passagens, sabe-se lá como.
- Você ta muito nervosa, passou a mão no braço dela.
- Não fala que eu to nervosa, – ela resmungou. tinha finalmente falado que gostava dela quando ela não esperava. E o funcionário da Norwegian não as deixava embarcar com as suas malas. Queria poder falar “eu avisei”, mas nem a dela tinha o tamanho permitido. Sua raiva estava atingindo um nível estratosférico, que se alguém lhe contrariasse novamente, poderia destruir o aeroporto apenas com a força do pensamento.
Nisso algumas meninas passaram correndo pra elas e sem querer empurraram para frente. Ela contou até cem, se não iria atrás das garotas tirar satisfação com elas. Então mais pessoas passaram correndo por elas e de repente ouviram alguns gritos agudos.
- Que merda está acontecendo aqui agora?
Então elas puderam ver alguns flashes sendo disparados e meninas escalavam até os balcões das companhias aéreas. Um pensamento veio na cabeça de e ela rolou os olhos. Não estava afim de ver aquele garoto tão cedo, ainda mais sem ter dormido nada.
- São os meninos, não são? – se animou com a possibilidade. Cedo, tarde, de madrugada, sempre era bom ver .
- Se forem eu tive uma ideia, já venho – deixou suas malas com as amigas e então se meteu no meio da multidão.
Os cinco garotos, junto com e a banda, estavam aguardando para fazer check-in no balcão da SAS. Os seguranças impediam as meninas que gritavam de se aproximarem deles, enquanto várias pessoas sacavam câmeras fotográficas e celulares das bolsas, para registrarem aquele momento. se enfiou no meio das garotas enquanto algumas puxavam seus cabelos tentando impedi-la de se aproximar. então virou para o lado quando viu a garota dos cabelos e olhos escuros querendo se aproximar deles. Um sorriso esboçou em seus lábios. Era tão bom vê-la, então fez um gesto com a cabeça para Greg, um dos seguranças, que quando viu e reconheceu , permitiu que ela ultrapassasse a barreira.
- Quem é a biscate? – ela ouviu uma das meninas falar e não se abalou. Finalmente tinha saído do tumulto.
- Certeza que ta dando pro segurança – ela então ouviu e a raiva que estava sentindo, foi toda transferida para ela. se virou para responder para a garota quando a puxou pelo braço e passou seu braço pelo ombro dela, fazendo-a ficar de costas para as agressoras – Tira foto da puta que ta pegando o .
não escondeu o sorriso esboçado no rosto. não era uma puta, e aquilo o deixou revoltado, mas bem que ele queria que a menina estivesse com ele.
- Ta mais calma? – ele perguntou e ela concordou com a cabeça.
- Eu preciso pedir um favor pra vocês – ela falou e então se virou, encontrando a amiga. Naquele exato momento a puxou mais para perto de seu corpo que não entendeu a reação – Eu suplico pra vocês levarem nossas malas pra Suécia.
- O que aconteceu? – que estava próximo prestou atenção na conversa – Oi, !
- ? – também virou. Ela estava condenada, se as pessoas que a chamaram de biscate ouviram a amiga, nada escandalosa, seu nome em pouco tempo já estaria na boca das fãs de One Direction. E ela bem sabia como aquele fandom podia ser cruel quando quisesse – O que ta rolando, onde estão as meninas?
- Vocês são em seis, mais a banda e produção, e a gente ta indo de lowcost, o tiozinho implicou com as nossas malas. Leva pra gente, eu juro que vou buscar assim que chegar em Estocolmo.
- Mas é claro – falou – Onde estão as malas. Chama o Greg, ô Greg... Ah, você ta aqui – ele falou pro grandão a sua frente – Você lembra da e das meninas, certo? Encontre-as, e traz as malas delas pra cá.
- Por favor, Greg – se virou para ele e sorriu.
- Certo – ele disse sério – Senhorita, só saia daqui depois que eu voltar com as bagagens.
Greg podia ser sério quando ele quisesse, e em pouco tempo, ele estava lá com as cinco malas, fazendo os garotos rirem. Como elas queriam embarcar em uma empresa lowcost com tudo aquilo?
- Avisem a hora que vocês pousarem, pra eu combinar de pegar – ela então saiu pela multidão em direção as amigas – Tudo certo!
correu para o balcão da Norwegian novamente enquanto viu Tinius rolando os olhos para ela. A menina entregou os três passaportes para ele.
- Estocolmo, e sem mala – ela sorriu irônica.
- Ah, então elas vão ficar por Oslo?
- Não – se intrometeu na conversa – Ta com a equipe do One Direction.
Ele bufou e rolou os olhos. A verdade é que Tinius era uma fã assíduo da banda, e tinha tirado a noite anterior de folga para ir ao show e quase se desesperou ao saber que eles estavam lá dentro do aeroporto, e ele era obrigado a atender clientes “arrogantes” como e as amigas dela em vez de tentar falar com eles. Elas não sabiam, mas falar que a equipe da banda estava levando a mala fez Tinius sentir o sangue ferver de inveja. Era óbvio que elas conheciam as meninas.
- O embarque de vocês já começou – ele devolveu o passaporte para elas com as passagens dentro – Próximo.
- Obrigada – então sorriu e elas saíram para a direção contraria de onde estava o tumulto, correndo para a sala de embarque.
- E se os meninos não tivessem aparecido? – perguntou.
- Não sei e realmente não quero nem pensar nisso – respondeu – Tinha uma grande chance de dar merda nossa viagem.
O voo até o Aeroporto de Arlanda, em Estocolmo, durou apenas uma hora, tempo aproveitado por elas para dormir, já que passaram a noite em claro.

*****


Assim que as meninas pousaram no aeroporto de Arlanda, foram direto para o desembarque, fugindo da restituição de bagagens, sendo que as delas estavam indo em outro voo. No próprio terminal de desembarque havia um ônibus que em cerca de uma hora, as levou para a Estação Central de Estocolmo, ficando no coração da cidade.
Elas nem entraram na estação. Já eram quase 11h quando viram aquela fachada de vidro e então pegaram um táxi até o Stockholm Hostel, onde elas ficariam na cidade. O trajeto foi feito em cerca de cinco minutos e assim que desceram do carro, o celular de tocou, anunciando uma nova mensagem.
“Estamos indo pro Grand Hotel. A propósito, vocês levam chumbo nessas malas? xx
- Delicadeza é o nome do meio do riu – A gente vai pra lá?
- Eu não vou – disse subindo a escada em caracol que dá acesso aos quartos no hostel – Não quero encontrar o .
- Mas ... O menino falou que gosta de você e de repente você fica brava? Não to entendendo – balançou a cabeça – Não era pra você estar correndo em direção ao pescoço dele?
- Eu to morrendo de raiva de mim, , a verdade é essa – ela então abriu a porta do quarto 34 e logo sentou em uma das camas – Eu estou a ponto de me dar um tiro por ter saído correndo dele. Pronto, falei!
ficou quieta e tentou disfarçar o clima observando o quarto. Tinha dois beliches que formavam um “L” nas paredes brancas, na parede da porta, na esquerda, tinha um pequeno criado-mudo com um vaso de flores em cima. Do outro lado da porta de entrada do quarto, havia a porta do banheiro. E parecia tão cheiroso. Mas então ela se virou pra amiga de novo, ajoelhando de frente pra ela.
- Você sabe que dá tempo de reverter isso, não sabe?
- Dá? – deu de ombros – Nem sei mais, deixei o menino tão rápido que ele deve estar achando que foi um fora.
- Claro que dá! – sentou ao seu lado – Você vai até Lisboa atrás deles, maluca. E depois eles são do mesmo país que você, a gente vai te ajudar a reverter essa situação.
- Obrigada – então sorriu – Mas eu ainda não vou no hotel deles pegar as malas. Vou aproveitar que esse quarto parece hospício, e me jogar um pouco na parede.
- Sem se matar, ! – então tirou de dentro da bolsa seu passaporte, cartão e algum dinheiro – Você vai ficar aqui?
- Não tenho outro lugar pra ir – ela riu – Acho que vou descansar até vocês voltarem. Essa brincadeira de virar a noite em claro não é bem pra mim.
- Você vai? – perguntou para .
- Claro, como você vai trazer cinco malas sozinha pra cá?
- Então, , a gente já vol... – e quando viraram novamente para a cama, já tinha dormido sem nem arrumar a cama com lençol – A gente já volta – elas então riram e saíram do quarto.
Com a ajuda de uma das atendentes do hostel, elas descobriram que havia uma estação de metrô a dois quarteirões do Stockholm Hostel e após uma troca de trens na Estação Central, elas chegaram até a estação próxima ao Grand Hotel.
A movimentação na porta do hotel já era grande de meninas gritando pelo One Direction. Assim como em outros lugares, elas tinham o rosto deles estampado em camisetas, faixas na cabeça e algumas tinham até as tatuagens deles reproduzidas pelo corpo, assustando . “Tomara que elas sejam de mentira”, a menina pensou. Seria o ápice do ridículo alguém tatuar a mesma coisa que o ídolo sendo que aquilo não tinha o menor significado para ela.
Assim como Oslo, Estocolmo também era uma cidade banhada por mares e rios, que inclusive formavam vielas aquáticas na cidade. O Grand Hotel ficava na frente de uma das marinas da cidade, onde haviam vários iates ancorados. Felizmente elas já eram rostos conhecidos para a equipe de segurança dos meninos. Greg estava observando os iates na frente do hotel, quando viu as duas paradas lá perto, próximo a um grupo de fãs. levantou a mão para ele, que colocou novamente os óculos de sol no rosto caminhando em direção a elas.
Greg era um homem muito alto e forte. Ele estava sempre usando camiseta preta e correndo atrás dos meninos. Na verdade, queria um dia ver o homem tendo que lidar com o One Direction dentro de uma arena por causa da hiperatividade deles. Ela riu só de pensar, e então o homem afastou uma das grades que estavam colocadas para que as fãs não invadissem o hotel e então elas entraram. Depois do ocorrido no aeroporto de Estocolmo, nem olhou para trás. Não queria ser novamente xingada.
- Onde está a terceira senhorita? – ele então sentiu falta de – Vocês sempre estão juntas.
- Chorando as pitangas – respondeu.
- ? – ele então tirou os óculos e olhou para elas.
- Até você, Greg? – riu ao ouvir a pergunta que ele havia feito – Mas num geral, sim, ela ainda não se conforma do que aconteceu ontem de noite.
- Experimente conviver diariamente com esses meninos – o segurança esboçou pela primeira vez um sorriso – Conseguem falar mais que muita menina por aí.
Uma pergunta então veio na cabeça de , mas ela achou melhor ficar quieta. As cinco malas delas estavam no saguão do hotel, apenas esperando as donas. Então uma gritaria começou, e quando elas se viraram, estava saindo do hotel para falar com as fãs.
- Quem deixou? – ele então falou no ponto da segurança – Já volto, meninas!
apenas ficou observando o grande homem sair correndo novamente pela porta, falou com outro homem como ele lá fora e então voltou, sem , mas como quem estava um pouco mais aliviado.
- É impressão minha ou o meio que infringiu uma lei?
- Não é uma lei, mas ele infringiu – ele concordou – Nós tempos uma equipe de segurança, e nós não impedimos os meninos de sair para falar com as fãs como muitas falam por aí. Se eles querem, eles vão parar pra falar, a gente e principalmente eu, que sou o chefe da equipe, preciso ser avisado. E agora o simplesmente saiu andando lá pra fora.
então aproveitou que o hotel era todo envidraçado, porém insulfilmado, e conseguia ver lá fora, tirando fotos e conversando com fãs. Ela lembrou-se do dia que foram para o hotel deles em Manchester. Também ficaram para fora do hotel, esperando em uma grade, e fazendo o máximo possível para chamar a atenção de um deles, no caso, de . Fazia apenas uma semana que falou com elas na Antuérpia e lá estava e ela, dentro do hotel cinco estrelas na Suécia pegando suas malas e conversando com o chefe de segurança? A menina tinha quase certeza de que acordaria daquele sonho atrasada pra ir pra faculdade.
- Eu posso te fazer uma pergunta, Greg? – o homem então fez “hm” com a boca, e ela entendeu que era para continuar – Por que a gente?
- Acho que não entendi, senhorita.
- Por que nós nos aproximamos tão rápido deles? Por que nós estamos aqui e não lá fora disputando a atenção do ? Por que a sai pra jantar com o e a vai fazer passeio turístico com o ? – realmente era um sonho, ficaram tão próximas deles que nem se lembravam mais se eles eram de banda ou não, e que elas decidiram essa viagem pra acompanhá-los, mas era algo que para , não tinha explicação – A questão é, o que a gente fez ‘certo’?
- É tão fácil responder isso, senhorita.
- Meu nome é , Greg – ela falou e o segurança fez uma careta.
- Normalidades, senhorita, mas agora eu sei o seu nome – ele falou. Pareceu tão aliviado com a pergunta que ela tinha feito – Primeiro que eu só vi vocês sendo bastante insistentes, na torre Eiffel, e a calma de vocês, junto com a vontade de falar com os meninos, mexeu comigo. Então eu as vi rondando o Hilton na Antuérpia, sem chorar, sem fazer escândalo, só esperando a hora de vocês e coincidentemente, a senhorita entra no hotel com vocês três, que continuaram quietas e calmas, não como esse povo aí fora. O resto? Foram eles que escolheram vocês pelo jeito de serem, então perguntem a eles. Eu só dou a carta branca pra eles agirem como quiserem com segurança.
- Greg, você é o segurança mais legal que eu conheci – num impulso abraçou o homem que se assustou – Obrigada por ter contado isso pra gente.
- Não há de quê, senhoritas – ele estava grato pela gentileza de – Lembrem-se, vocês três foram escolhidas a dedo. Apesar do pouco tempo, eles gostam de vocês de verdade!
olhou novamente para fora. fazia careta para a câmera de uma menina e riu. “Ridículo”, permitiu-se pensar.
- Acho que eu gosto deles também – ela então pegou as alças de suas duas malas, enquanto pegou as dela – Greg, coloca a mala da em cima da minha, por favor?
- Querem que eu chame um táxi ou peça para a van dos meninos levarem vocês para seu hotel?
- Valeu Greg, a gente vai de metrô – falou – A estação é logo ali na esquina.
- Então eu faço questão de acompanhá-las até sua hospedagem.
Greg era um segurança com cara de bravo, mas, no fundo, era um lorde e teve certeza de que se fosse um pouco mais velha, ficaria com ele apenas pelo seu jeito de ser. O homem sabia como tratar bem uma mulher.
Ao saírem do hotel, parou atrás de que dava um autógrafo e não tinha percebido a presença dela ali, e então, deu um beijo na bochecha do menino e então saiu andando novamente. Ao virar pra trás ele, assim como a grande maiorias das fãs, estavam olhando para ela, que então piscou um olho para o garoto. Ele riu e voltou a atender umas fãs.
- ? – saiu do hotel logo atrás delas e Greg e viu o beijo que ela deu em . Ele estava perdendo ela. Chamou pela menina em voz alta, mas ela já estava longe o suficiente para ouvir.
- Acho que ela veio buscar a mala, liga pra ela, dude – falou ao ouvir a voz de chamando por ela.
, e também Greg estavam no metrô voltando para o Stockholm Hostel.
- Eu acho que você ainda vai ficar com o falou. deu uma risada nasalada e apenas balançou a cabeça.
- Eu também acho – o segurança concordou e abriu a boca incrédula – Senhorita, vocês estão muito próximos e se dão incrivelmente bem. Não sei qual seria o problema entre os dois terem uma relação.
Ela apenas arqueou uma sobrancelha e permaneceu calada. Não ia negar, mas também não ia concordar. Ninguém sabia o dia de amanhã.

*****


Após se despedirem de Greg na entrada do Stockholm Hostel, e subiram até o terceiro andar acordaram , que estava em um mundo totalmente paralelo. Também estavam com sono, mas iam deixar para a noite. Estar na capital da Suécia era uma oportunidade praticamente única, e ela não seria desperdiçada em um quarto dormindo. Elas então trocaram de roupa e pegaram os ingressos para o show mais tarde.
No mesmo local onde desembarcaram do metrô, havia um McDonald’s, e decidiram que seria aquilo que saciaria a fome delas durante a tarde. O restaurante estava vazio, então aproveitaram a oportunidade para se alimentar lá. Queria conhecer a capital sueca e do passeio iriam direto para a arena onde seria o show.
- Nós ficamos conversando por um bom tempo com o Greg, dentro do hotel – mordiscou uma batata frita enquanto tomava um gole de seu refrigerante – Primeiro que ele sabe de você e do então fez um joinha para amiga que continuou – E nós descobrimos que se a gente tem essa sorte hoje, foi primeiro porque o Greg deixou – mastigava seu lanche, mas fez um “uhum” concordando – E porque eles escolheram e nos querem por perto.
- Então nós fomos rabudas?
- Mais ou menos isso – também pegou seu refrigerante – Digamos que nós estávamos no lugar certo, na hora certa.
- Graças a você e seu método ninja de stalkeagem.
- E então, nossa amiga praticamente metralhou a amiga com o olhar – Resolveu declarar seu amor pelo e deu um beijo na bochecha dele na frente de todas as suecas com quem ele estava falando.
- Eu não sei porque a ta tão implicada com isso. Eu e o somos amigos. Nós dois, eu e ele, nos conectamos e nos entendemos, qual o problema com isso?
- Cuidado, alertou a amiga – Depois essa amizade vira amizade com benefícios, e quem vem chorando é você.
- Eu não vou dormir com ele, senhoooor!
- Você fala isso agora – a olhou de lado – Turismo?

*****


Um dos passeios que elas mais acharam divertido fazer foi o Hop On – Hop Off, um passeio de barco que as levou para conhecer as 14 ilhas que formam a capital da Suécia. Ele começou no distrito comercial da cidade com várias lojas e restaurantes, e então seguiu para o Vasa Museum, o único navio sobrevivente do século XVII que foi transformado em navio. Logo após foram na Skeepsholmen, uma das ilhas que foi uma base militar e atualmente era um local onde estavam construídas várias casas modernas, e então para a ilha de Djurgarden, onde fica um parque de diversões.
- A gente não foi na Legoland, mas vamos vir aqui amanhã? – bateu palmas como se fosse uma foquinha.
- Amiga, você ta precisando muito liberar essa adrenalina, sabia que existem outras formas?
- Não vou sair com o primeiro sueco que aparecer na minha frente, – ela respondeu – Se bem que esse rapaz do seu lado é um espetáculo.
- Inglês – ele então falou e corou – John.
- - ela sorriu sem graça e estendeu a mão para ele.
Então o passeio continuou pelo porto de Estocolmo, onde, por ser verão, haviam vários navios e cruzeiros ancorados, seguindo para Fotografiska, que elas optaram por não descer dos barcos, mas ali havia um museu onde poderiam ver obras fotográficas de diversos famosos da aérea, então o passeio seguiu para a cidade antiga, onde Estocolmo de fato começou a nascer, e o a última parada foi o Palácio Real. olhou para o lado.
- O Grand Hotel é ali!
- Tudo é meio perto nessa cidade, não? Ta parecendo Oslo!
- Pelo que eu vi – se pronunciou, tentando não lembrar que do outro lado do rio estava o hotel onde provavelmente estaria naquele momento – Gostei mais de Oslo.
- Tem alguma coisa lá que também me chamou a atenção. Nós vamos fazer o passeio de ônibus, não vamos? – as amigas concordaram com a cabeça – Ótimo, eu quero descer no Museu do ABBA!
- Oi? – gargalhou – Você sabe que ABBA é considerado um hino brega e dos gays, não sabe?
- Olha minha cara de quem está preocupada, !
No início da noite elas estavam em um trem indo para Solna, cidade da grande Estocolmo onde ficava a Friends Arena, onde seria o show aquela noite.
Elas já não se importavam mais com o setor da arena que elas haviam comprado ingressos, essa vez foi num dos lugares mais altos, e também mais longes da arena, mas estava tudo bem, elas riram e se divertiram. Após o show, já de volta a Estocolmo, elas pararam em um restaurante onde servia frango, do lado da estação e após o jantar, foram pro hostel. havia tirado um cochilo durante o dia, mas foram as 12h de sono mais merecidas que tiveram.


*****


- Day-off! – acordou naquela manhã com sua porta sendo esmurrada e um gritando do outro lado. Ele coçou os olhos e então puxou a coberta para cima do seu rosto, virando pro outro lado. Normalmente era ele quem acordava os amigos daquela forma. Aquele dia o garoto não queria sair da cama.
Ele tentava não lembrar de duas noites atrás, quando finalmente abriu seu coração para e ela fugiu. “Idiota”, pensou e arqueou a sobrancelha com o próprio devaneio. “Sua mãe diria que quem perdeu foi ela, , ta se martirizando por quê?”, ele entortou a boca ironizando seu pensamento. “Óbvio que a tava tirando uma com a sua cara quando falou que também gostava de você”, classificou aquele como #1 nos seus TOP Devaneios. Se realmente gostasse dele, porque já passaram mais de 24h e ela ainda não deu sinal de vida? “Vou escrever uma música com o nome dela, só pra se sentir culpada”, aquela seria uma ótima ideia, principalmente se virasse single. “Velho, volta a dormir, você já ta pensando asneira”, ele então, de olhos fechados, concordou com sua própria mente.
- Acorda, ! – essa vez foi a voz de e a porrada na porta foi tão grande, que se virou assustado, vendo se ela não tinha caído.
- Já vou – ele murmurou e então sentou na beirada da cama, com os olhos semi-abertos. Ele ainda não conseguia controlar o peso do seu corpo e caiu do outro lado, com a cara no colchão – Alguém? – ele murmurou de novo. Ninguém iria salvá-lo de si mesmo.
- Reunião no quarto do em cinco minutos, ! Levanta – gritou enquanto batia na porta – A não ser que você esteja com alguém, aí está perdoado – ele ouviu a risada inconfundível dele.
Ainda com o rosto enfiado no colchão, soltou uma risada abafada. Como a vida e seus amigos são irônicos. Ele, com alguém? Ele estava de luto.
- ? – então decidiu gritar o mais alto que pode. Ficou um minuto esperando resposta. Ele já tinha ido – Filho da puta. Força pra viver, – ele então falou pra si mesmo e levantou da cama. Indo pro banheiro. Em dez minutos ele estava no último quarto do corredor junto com seus amigos, seguranças, produtores e .

*****


- É o seguinte – um dos produtores falou e rolou os olhos. Reunião séria logo de manhã era sacanagem – Ta faltando gravação pro filme.
- Claro, vocês cortaram o show – reclamou.
- Estratégia de Marketing – o homem continuou falar e ele rolou os olhos, jogando a cabeça para trás – Nós pensamos em várias situações pra vocês gravarem, mas acabamos optando por uma sobrevivência na selva.
- Nós nunca vamos fazer isso – falou sério.
- Vão – o homem continuou e soltou um “Oh” suspeito que fizeram todos olharem para ele – Hoje no fim do dia vocês vão para uma floresta acampar e mostrar pra todo mundo que vocês não são meninos mimados que tem pessoas que fazem tudo por vocês.
- Mas...
- Caso encerrado, . Alguma pergunta?
- O que a gente vai fazer? – coçou o olho. Ele ainda não tinha acordado por completo.
- Alguém tem alguma pergunta plausível?
- A pode ir comigo? – então segurou na coxa da namorada, que estava ao seu lado só observando.
- Se eu falar que pode você não vai mais reclamar? – concordou com a cabeça – Certo, pode. Mais uma última pergunta?
- A , e também podem? – sorriu – Ficar com cinco homens numa floresta sem uma companhia feminina durante uma noite inteira é meio pesado.
rolou os olhos, mas dentro dele algo lhe diria que seria sua última chance com . Caso contrário o problema seria dela.
- Pode – o homem bufou – Querem levar um papagaio também? – todos ficaram encarando para ele – Reunião encerrada, a van sai daqui às 17h, estejam prontos.
- Preciso comprar o país inteiro de repelente – se levantou do sofá – Alguém sabe se tem algum animal selvagem por aqui?
- Eles não iriam nos colocar num lugar com animais selvagens, certo? – se assustou com a possibilidade – Isso não é seguro e o Greg não permitiria.
- É, talvez – se levantou – , certifique-se que a vai pra essa floresta essa noite. Não to afim de passar a noite com esses caras.
- E quem disse que ela vai passar a noite com você? – ela arqueou a sobrancelha – Vou procurar um mercado e comprar alguma coisa para eu me alimentar durante a noite. Vocês querem algo?
- Marshmallow! – se animou com a ideia de comer marshmallow assado na fogueira.
- Uma garrafa de vodka só pra mim – disse se arrastando quarto a fora.
- Eu compro a vodka? – perguntou para que então se levantou.
- Compra, mas não só pra ele – ele então piscou pra namorada.

*****


O McDonald’s a dois quarteirões do hostel virou o local preferido de alimentação do trio de meninas. Estar na Suécia, assim como dois dias antes na Noruega, era como terem mergulhado em uma sopa de letrinhas. Aquelas palavras nas ruas, nas placas e fachadas de lojas não fazia o menor sentido, e então decidiram não arriscar na alimentação e voltar para o McDonald’s. Um refrigerante, batata frita e chesseburger era o mesmo em todo lugar do mundo. O celular de tocou enquanto ela tomava seu refrigerante e viu o nome de no visor.
- É a – ela anunciou pras amigas.
- Pergunta se ela quer ir naquele parque – ainda tinha a mesma ideia na sua cabeça e rolou os olhos.
- Você tomou seu remédio tarja preta hoje, ? – a garota respondeu e então atendeu ao telefone – Olá pra quem apareceu!
- Boa tardeeee! disse animada do outro lado da linha – Quais os planos pra hoje?
- Depende... Tem alguma sugestão melhor do que ir num parque de diversões? – então olhou para que fazia joinhas com as duas mãos animada.
- A quer aventura? respondeu com um ‘aham’ – Ótimo, os meninos tem mais algumas gravações pra fazer do filme e hoje vamos todos acampar. Vocês estão convidadas!
- Acampar?
- É, um produtor retardado aí decidiu que as cenas que faltavam vão ser tipo sobrevivência na selva, pra mostrar que eles não são meninos mimados. Por favor, diz pra mim que vocês vão!
mordeu os lábios. Acampar era uma experiência interessante e ela estaria próxima a . O último encontro deles havia sido um fiasco, mas talvez não fosse para ser aquela noite.
- Eu posso conversar com as meninas e depois eu te aviso? Não é como se fosse algo simples de resolver.
- Tá bom! Mas a van vai sair de Estocolmo às 17h, preciso de uma resposta antes disso.
- Sem problemas. Beijos – a menina então desligou o celular e seus olhares encontraram os animados de , e o tenebroso de .
- Tá, qual é o problema da vez? – a mais velha então perguntou.
- Eles vão todos acampar e querem que nós vamos junto!
- Eu topo! – disse pulando na cadeira – Vamos, ?
- Eu encontro vocês em Copenhagen – a menina então falou – Não to preparada pra me encontrar novamente com o depois do meu papel ridículo em Oslo.
- Sem pensar em Oslo, sem pensar no futuro. Nós três entramos nessa viagem juntas, e a gente vai passar por toda ela juntas – respirou fundo – Você vai.
- Vocês vão – ela disse em tom autoritário, corrigindo a amiga – Se não a gente vai brigar.
- Você vai chorar quando o te superar e aparecer com outra – falou séria para a amiga que desviou o olhar como se não quisesse ouvir aquilo – E eu to falando sério, !
- Bom passeio – se levantou e pegou a bolsa de sua cadeira sumindo pela avenida onde ficava o restaurante.
era a mais nova das três, mas naquele momento ela queria jogar a amiga na frente de um caminhão pra ela deixar de ser cabeça dura, e em vez de sair correndo dela, já que seu orgulho não permitia uma atitude daquelas, ela decidiu fechar os olhos e contar dez em séries, pra ver se seu sangue parasse de ferver. A amiga era inteligentíssima, mas conseguia ser uma ignorante quando queria.
- Nós vamos sem ela – então falou para – Pode avisar a . E vamos no mercado comprar alguma coisa pra gente comer.
- ... A saiu por aí e a gente não faz a menor ideia onde ela pode ter ido. Tô preocupada.
- A não é burra! – tinha certeza que nunca na vida tinha falado tanto o nome da amiga, ao invés do apelido – Ela sabe pedir informação, ela volta pro hostel. Não foi ela mesma quem falou que nos encontra na Dinamarca amanhã? Então pronto, nos vemos amanhã em Copenhagen!
- Ta certo – murmurou – Mas eu fico preocupada com ela.
- Argh – resmungou – Eu também, mas não vou deixar de me divertir por causa dela. Anda, vamos pro mercado.
Enquanto e foram, com a ajuda de informações, a um supermercado ali perto, seguiu até o final da rua do restaurante, encontrando-se com um grande parque, cheio de árvores e bastante verde a uns cinco quarteirões de onde anteriormente estava. Uma placa anunciava que ali era o Ralambshovsparken, e ela balançou a cabeça, não tentaria falar aquela palavra em voz alta.
Ela então sentou em um banco, observando algumas crianças brincarem de jogar bola. Pela primeira vez ela tinha tido uma discussão, mesmo que breve, com suas amigas, e o motivo havia sido ridículo. Lágrimas começaram a escorrer involuntariamente pelo seu rosto ao lembrar da pequena briga e se intensificaram quando cenas dentro da balada norueguesa passou pela sua cabeça. Seu peito parecia que ia explodir de tanta dor, que estava sentindo. Ela não gostava de , ela era apaixonada pelo garoto e nunca nem em seus sonhos, ela imaginava que um dia ficaria tão próxima dele. Nunca sequer teve a audácia de imaginar ele falando abertamente que gostava dela. gostava de , e ela tinha praticamente jogado sua chance de ser feliz com o homem de seus sonhos, na lata do lixo.
A voz de dizendo que um dia ele iria superá-la e arranjar outra, ficava martelando em sua cabeça. Claro que ele iria, para os homens é tudo muito mais fácil, para , que havia milhares de pessoas desejando-o apenas pelo status que ele trazia, era como um piscar de olhos. Se ela não queria, logo outra estaria disposta a ocupar a parte pertencente a ela no coração do menino. A mesma voz de voltou a sua cabeça, mas dessa vez em Paris, quando ela perguntou se teria coragem de deixar sozinho pela Europa livre para as garotas agirem como quisessem.
- Eu não vou perder ele! – ela então ouviu sua voz dizendo para si mesma, quando lágrimas de felicidade então escorriam pelo seu rosto invadindo sua boca, que estava aberta em um largo sorriso – E se eu perder, definitivamente não vai ser porque eu não tentei.
Ela abriu sua bolsa em busca do seu celular que rapidamente digitou o celular de . Deu um toque, dois toques, três e então quatro. Quando ela estava disposta a desligar e tentar no celular de , a voz brava, mas preocupada, da amiga atendeu.
- Onde é que você está?
- Eu acabei num parque, . Me desculpa, eu fui idiota. Eu não vou perder o , eu vou com vocês acampar, por favor, compra algumas coisas pra mim também, eu pago a compra final! Por favor, me perdoa – a menina acabou soltando tudo deixando atônita.
- Deixa eu ver se entendi falou do outro lado da linha – Você percebeu que estava prestes a fazer uma das maiores burradas da sua vida? respondeu com um ‘aham’ – E então você resolveu voltar atrás?
- Obviamente! – ela falou – Fala pra que vamos em três, não em duas.
- Já está avisado porque eu te conheço não pode ver, mas deu um sorriso vitorioso – O Jose Cuervo é por sua conta!
- Obrigada, ! Nos vemos no hostel, te amo!
- Eu também, – e então ela desligou o celular.
Tem certeza que foi chamada de louca por meia população sueca, mas voltou ao Stockholm Hostel tão animada, que suas pernas involuntariamente faziam uma dança irlandesa durante todo o trajeto!

*****


Eram um pouco depois das 17h quando uma van preta e com os vidros escuros parou na frente do Stockholm Hostel. As meninas já possuíam certa habilidade de dormir na rua, então fizeram check-out no hotel e subiram no carro com as malas. Greg colocou as bagagens no carro de apoio que estava seguindo-os e então tanto elas, quanto o One Direction saíram de Estocolmo sem um rastro nem vestígio.
O trajeto até a floresta onde acampariam não era longe da cidade, porém o caminho escolhido para chegar até lá era complicado, o que levou um pouco mais de tempo. estava animada de estar lá, apesar de que não tinha trocado nenhuma palavra com ela. Sabia que tinha sido ridícula e ela quem teria que se aproximar do garoto e ela já estava planejando fazer aquilo quando chegassem no local. ia no primeiro banco sentada entre e , seguida por , que no banco de atrás, estava no meio de e . preferia estar sozinho com ela, mas antes assim, do que de jeito nenhum próximo a garota. Atrás deles, estava com a cabeça no colo de rindo de alguma coisa ridícula que ele tinha falado e então por fim, estava sentado sozinho e só via o topo da cabeça de .
“Você vai virar homem e ir conversar com ela, não vai?”, uma vozinha falava de um lado do seu ouvido. “Claro que não vai, ela saiu correndo dele.” “É, mas só porque ela é uma garota e meio que se assustou com ele” “O problema é dela então!”. deu várias piscadas no olho e então olhou para os lados. Ninguém prestava atenção nele. Não era possível que ele tinha um anjinho e um diabinho em seus ombros. Ele achava que aquilo era coisa de animação e que estava ficando louco.
O carro então parou e eles desceram. Eram árvores para todos os lados com as copas se tocando, deixando o ambiente mochila nas costas de cada um, começaram a caminhar até encontrarem um locs escuro. As meninas agradeceram por terem vestido tênis nos pés e com uma mala para armarem as barracas, que haviam sido providenciadas pela produção.
- Nós temos cinco barracas pra nove pessoas, e cabem duas pessoas em cada uma delas – o produtor avisou – Se virem pra montar. O voo pra Dinamarca sai às 10h, a gente se encontra aqui antes disso, até mais.
E então o homem saiu para a van que sumiu no meio daquele monte de árvores, provavelmente voltando para Estocolmo.
- Uma barraca é minha e da os avisou – Já imaginou no meio da floresta? – ele então arqueou uma sobrancelha pra namorada que deu um soquinho no peito dele.
- Ai, não – colocou as duas mãos nos ouvidos – Não obriga a gente a ouvir pornografia de madrugada, pelo amor de Deus!
- Acho que eu prefiro ser atacada por um urso – gargalhou – Por favor, de verdade, poupem a gente!
- Não – então abraçou a namorada e deu um beijo estalado nos lábios dela – Ta bom, eu vou pensar, mas vocês sabem, existem coisas que a gente não pode controlar.
- ! – murmurou – Eu sou uma criança!
Então eles decidiram que ali era um lugar plano e seria bom para montar as barracas e fazer uma fogueira. tinha uma cadeira de praia embaixo de seus braços e colocou a mochila no chão, abriu a cadeira, e sentou. Os outros garotos, inclusive as meninas, tentavam montar as barracas enquanto ele estava sentado com as pernas cruzadas.
- Não vai ajudar não? – então bateu uma das varetinhas na perna dele.
- Não – ele deu a língua pra ela e passou a mão na sua perna – Mamãe me criou como um príncipe, e vocês são meus empregados montando minha barraca.
- Vou entrar de madrugada na sua barraca só pra dar um tapa nesse rostinho bonitinho – ela provocou.
- , na verdade eu estou ocupado – ela cruzou os braços na frente dele – Respirando. Respirar requer muita atenção, e eu estou ocupado no momento.
rolou os olhos e voltou a montar a barraca. juntava alguns troncos de árvore para montar uma fogueira.
- Hoje a noite, aqui na selva, quem dorme é o leão! montava sozinho sua barraca quando começou a cantar uma das músicas do Rei Leão – Hoje a noite, aqui na selva, quem dorme é o leão.
- Auiiiiiii continuou. Era involuntário e como Disney Freak, era praticamente seu dever – Auimbauê, auimbauê, auimbauê.
gargalhou com aquilo. finalmente estava voltando a cabeça pro lugar e achando seu jeito de se aproximar de . O garoto olhou pra ela e então sorriu. Aah o tempo, mesmo que curto, que cura tudo!
- Vocês formam uma ótima dupla – simplesmente falou. Não era uma provocação nem insinuação.
- Quer um pouquinho? – então emendou outra música. respondeu o “Quer, quer, quer?” – De toucinho? – então a menina respondeu de novo – Ele é um porco – Essa vez ela respondeu com “Sou, sou, sou” – E você pode ser também!
- Ui! – acabou imitando a dança do Pumba, e elas olharam pro lado.
- Aaaaaaaah! – saiu correndo gritando como se tivesse imitando os personagens Timão e Pumba no filme.
- Que demência é essa, maluca? – então gritou enquanto a via correndo.
- Coitadinha, esqueceu de tomar o Gardenal hoje – respondeu – Não nasci pra montar barracas, cadê minha cama?
- Deixa que eu acabo por você – se ofereceu e ela corou. Nunca iria se acostumar com aquele homem.
A noite sueca não estava fria, o que fazia aquele passeio se tornar agradável. Os meninos precisavam de mais material para o filme e, com o dia livre, decidiram que acampar na floresta e fazer uma noite da fogueira seria ótimo para colocar no filme e mostrar que além de artistas, são pessoas comuns, são amigos e são eternamente gratos a todas as pessoas que os colocaram na posição que estão atualmente.
Quando anoiteceu, uma câmera os filmava falando em volta de uma fogueira, enquanto , , e os observavam. Apesar de terem sido um dia cinco completos estranhos uns para os outros, eles se completavam. De repente eles tinham virado irmãos de outros pais e mães, mas com um carinho incondicional um pelo outro.
Depois das filmagens, a equipe desligou o material e finalmente as meninas puderam se juntar a eles. Tinham barracas, comida, fogueira e bastante bebida alcoólica, já que eles levaram vodka e elas levaram tequila. Não teriam como não se divertir, porém estava intrigada. Com exceção do momento que eles compartilharam uma música juntos, ele não tinha mais se aproximado, e apesar de estar disposta pra fazer tudo diferente, ter corrido dele ainda a martirizava.
sentou-se ao lado de , que olhava com frequência para os lados, como se estivesse procurando algo que pudesse assustá-la.
- Tá no seu habitat?
- Hein? – ela se virou, mas manteve seu braço esticado enquanto assava o marshmallow – Me chamou de animal, ?
- Não, te chamei de bióloga, oras – ele gargalhou – Você não estuda pra isso?
- Você é ridículo, !
- Ah, eu sou ridículo? – ela concordou com a cabeça – Repete isso!
- Você é ridículo, !
- Eu vou retribuir esse ridículo de uma forma que eu não sei se vai te agradar - ele então provocou, chegando cada vez mais perto.
- É? – todos estavam entretidos em uma outra conversa e nem reparavam na proximidade dos dois. Ela não ia gostar? Ah, , você não conhecia – Você é ridículo, !
O garoto então deu uma investida e ficou muito próximo do rosto da garota quando seus narizes quase se tocavam. então desviou o olhar para a blusa branca que ela estava vestindo e reparou algo estranho. Não, de novo não.
- Erm, ...
- Já falei que você é ridículo, – ela ainda insistiu. Por diabos, o garoto não iria beijá-la nunca?
- Eu já entendi, mas não se mexe e nem grita, por favor – ele falou.
- O que houve?
- Tem uma barata na sua blusa – ele então deu um tapa no ombro dela, fazendo a barata voar.
- Tira, tiraaaa! – ela se levantou enquanto se debatia, fazendo então todos os outros prestarem atenção nela. A barata já tinha voado para longe, mas ela ainda estava agoniada com a sensação de um animal daquele ter pousado nela.
estava sentado ao lado de , que estava do lado de . O garoto tinha o olhar fixado em que ria de alguma coisa que estava falando e parecia estar se divertindo. Então ele sentiu uma cutucada no seu ombro e era que tinha batido com o dela.
- Vai lá.
- Falta coragem – ele riu.
- Se você nunca tentar, você nunca vai saber, .
- Você curte Coldplay, ? – ele perguntou. Amava aquela frase de “Fix You”.
- Curto, agora para de papo, vai conversar com ela.
Ele então respirou fundo e se levantou, passando por trás de , , , e por fim de . Eram apenas cinco pessoas, mas mais parecia uma maratona que ele tivesse percorrido para chegar até a garota.
- Ei, posso falar com você? – ele perguntou e ela concordou com a cabeça.
- Estou me retirando – se levantou e então foi sentar no lugar que antes era ocupado por ele. aproveitou e sentou ao lado dela.
- Desculpa se eu te assustei lá na Noruega.
- Desculpa se eu fui idiota e saí correndo, te deixando lá sozinho e provavelmente muito sem graça – ela riu com os ombros e então olhou para o chão. Por que era tão difícil olhar para ele?
- Eu só queria falar que se você não sentir o mesmo, , tudo bem – ele balançava o corpo de um lado para o outro, de nervoso, e acabava balançando-a de vez em quando – Eu vou continuar gostando de você. Daquele jeito e como amiga também. Espero que você não se importe.
- Você é incrível, – ela então sustentou seu olhar no dele – A garota pra quem você falou essas coisas com certeza é muito sortuda.
- É, ela é – ele riu – E fantástica também, espero que ela possa me dar uma chance.
- Ei, casal! – a voz de os atrapalhou e então viraram para ela – Sabia que é muito mais legal aprender as coisas na prática ao invés da teoria?
então arregalou os olhos e com a boca em um “o”, a encarou incrédulo. A menina de quem ele gostava tinha praticamente repetido a mesma coisa que ele falou para alguns dias atrás. Aquilo só podia ser algum sim!
- Quer ir pra lá pra gente conversar? – ele mostrou atrás de uma das barracas e ela concordou, seguindo-o enquanto todos os olhavam. ouviu um “deixa eles”, vindo de e sorriu. sentou na grama baixa e ela ficou ao seu lado, abraçada aos seus joelhos – Como eu ia dizendo, eu espero que ela possa me dar uma chance.
- Então... – ela mexia seus joelhos, estava nervosa, mas não fugiria dessa vez – Eu esperava que você dissesse isso na Alemanha para mim, quando me chamou pra dentro da arena. Acho que eu criei tanta expectativa que quando você falou outra coisa que eu estava esperando, eu fiquei brava – disse a última sentença baixo, mas ele pode ouvir e deu uma risada alta. Ah, aquela risada – E aí você me chama de novo pra conversar na Jaeger e começa a falar que a balada é boa e argh, eu quase arranquei o seu pescoço fora.
- Eu ia merecer!
- Com certeza ia. Nunca faça isso com uma garota. Depois dizem que nós que somos complicadas.
- Acho que eu nasci uma garota – ele simplesmente falou e então, foi ela quem deu uma gargalhada alta – E aí, a menina sortuda vai me dar uma chance? – direto e reto. Não queria esperar mais nada para ter aquela garota em seus braços.
Ele esticou o corpo e apoiou-se no chão, indo de encontro a ele. Foi tão difícil eles chegarem até aquele estágio, que ela não desperdiçaria essa chance de novo. Ele por sua vez, a puxou pelo braço que ficou assustadoramente próximo dele e a beijou. Ele esticou suas pernas e sem se separar, ela sentou por cima delas com uma mão na nuca dele, a outra apoiada no rosto do garoto. Em sua cabeça, tinham fogos de artifícios sendo estourados e garrafas de champanhes sendo abertas por aquele momento. O beijo de tinha um quê de pressa, de ansiedade e ela procurava corresponder da mesma forma. Para ele, era uma conquista, a de que suas palavras atingiram uma garota de quem ele gostava e sua timidez às vezes não o deixava demonstrar aquilo. queria ter em seus braços para protegê-la, para cuidar dela e já pensava no seu “felizes para sempre”, mesmo que o pra sempre eventualmente tivesse uma data de validade. Para ela, era apenas um sonho. Fazia já algum tempo que o sentimento que ela tinha por , integrante do One Direction, havia sido passado para , homem, e pessoa por quem ela estava entorpecida.
Eles se separaram, porém ele ainda ficou um tempo com os braços em volta dela. Sentia sua pela macia, sentia o cheiro do perfume cítrico que ela usava. Eles então ouviram algumas risadas vindas da fogueira. Provavelmente todos já estava bêbados, mas não se importavam com aquilo. Quando se está feliz, você quer compartilhar a felicidade com pessoas queridas.
- Cadê a e o ? – ouviram a voz de perguntando. Todos tinham visto eles saindo, será que o garoto já estava muito bêbado?
Eles então decidiram levantar do chão e passaram as mãos pelas suas roupas, afim de limpar a grama e terra que havia sujado, e logo suas mãos se encontraram e entrelaçaram. Aquilo finalmente parecia tão certo.
- falou quando eles estavam voltando para a fogueira e ele parou, virando de frente pra ela – Na Alemanha, a foi perguntar pro Paul qual de nós iria... Erm... Digamos que ficar com alguém primeiro.
- Sério? – ele achou graça naquela pergunta, especialmente para um polvo – E aí?
- Ele acertou – ela levantou as mãos deles entrelaçadas e ele sorriu, beijando-as.
Os dois então finalmente apareceram. As mãos ainda juntas, os rostos envergonhados, porém com sorrisos imensos estampados no rosto, e então finalmente prestaram atenção neles.
- Peraí... – falou quando viu as mãos juntas.
- Não vai dizer que vocês dois... – deixou o resto da sentença no ar. conseguiu abrir um sorriso maior do que o anterior e balançou a cabeça freneticamente, quando as amigas soltaram um gritinho agudo.
- Saiu da friendzone, moleque! – os meninos então zoaram e logo entregaram as garrafas de vodka e tequila para eles. Aquilo merecia um brinde.





9. Back in Denmark. Let me be your last first kiss.

I wanna be the first yeah, wanna be the first to take it all the way like this.

O acampamento acabou se transformando em uma festa após a revelação de que e finalmente tinham ficado. Os amigos estavam felizes pelos dois e ao mesmo tempo aliviados: a era de lamentações e lágrimas melodramáticas finalmente havia ficado para trás. Os nove ficaram bêbados e passaram a noite rindo até das folhas das árvores que se mexiam nas copas, e sempre abraçados um no outro. Estava tudo bem, até Paul, o tour management dos meninos aparecer com o dia clareando e encontrar eles encostados nas cadeiras, as garrafas de bebidas no chão e a fogueira ainda acesa. Provavelmente aquela foi a maior bronca que todos, isso também incluía , , e , tomaram em sua vida inteira.
- Que falta de responsabilidade foi essa? Beber a noite inteira?
- Eles ficaram namorando – apontou para e , que disfarçavam o olhar – Somos apenas nove amigos se divertindo.
- Namorando? – Paul então virou para os dois que ficaram estáticos – Finalmente!
- Quê? – tentou assimilar aquilo – Calma, a bebadona encarou o Paul?
- Fi, eu encaro a Rainha se for preciso – ela piscou pro garoto que gargalhou – Sabia que o Greg é mais legal, Paul? – ela sorriu.
- O Greg te daria uma bronca federal se estivesse aqui, . Andem, todos pra van que vocês não podem perder o voo pra Dinamarca.
- Eu vou, eu vou, pra Dinamarca agora eu vou então entrou na van e tomou um soco de , que tentava não rir dela.
- Eu tenho medo do Paul, para de brincar.
- Pararatimbum, pararatimbum – ela então provocou e então entrou na van, ficando quietinha no seu canto, com um que não sabia onde estava, jogando sua cabeça no ombro dela.
- Para onde vocês vão, senhoritas?
Paul, tão formal quanto Greg. agradeceu quando encontrou o homem se aproximando delas. Não bebeu naquela noite, honrando o fato de que ela não bebe, e estava louca para pendurar todos os amigos em uma árvore pelo pescoço. Às vezes não ser a única bêbada da turma era insuportável.
- Pra Arlanda também – ela falou – Nossas malas...?
- Não se preocupem, já estão a caminho.
O caminho de volta a Estocolmo foi pior que a ida. Até chegarem na estrada principal, o carro balançou muito e o excesso de álcool no corpo deles, com exceção de , fez as cabeças rodarem e o estomago mexer muito. Definitivamente, ficarem bêbados em uma floresta afastada da civilização já era item cortado da lista deles. Uma vez pra nunca mais!
Após um tempo com o carro silencioso, as dores de cabeça anunciavam a chegada da ressaca e finalmente pegaram a estrada que chega ao aeroporto de Arlanda. tentava dormir com a cabeça no ombro do namorado e já pensava em voar naquelas condições. Desastre.
- Copenhagen – foi a primeira a entregar seu passaporte no balcão da SAS, para fazer o check-in – E antes que perguntem, elas duas também vão no mesmo voo, só não estão em muitas condições de descobrirem onde estão nesse momento.
- Comida – falou pelas suas costas. Se não soubesse que a amiga estava viva, diria que era um zumbi – Eu quero comida!
- Cadê ? – reclamou – ! – mas a voz dela mal saía.
- Mas já ta carente assim? – reclamou – Não, eu não vou voar com vocês duas nesse estado do meu lado. Moço, tem como mudar minha poltrona?
- O voo está lotado, eu sinto muito – ele continuava digitando algumas coisas no computador.
Em outro balcão, Paul e Greg faziam check-in pelos meninos, que por serem famosos tiveram acesso a um embarque VIP e assim que os homens chegaram com a documentação e as passagens, já entraram no avião, jogando cada um em sua poltrona, esperando o sono. As meninas então fizeram seus check-ins e logo deu a chamada do voo.
- Não, isso só pode ser sacanagem – falou assim que elas embarcaram. O voo delas era o mesmo dos meninos.
- sorriu para o menino que então começou abanar a mão loucamente para ela – A gente vai no mesmo voo?
- Que coincidência! Senta aqui, , senta – ele disse frenético e em voz alta – Senta aqui! Sai, , deixa a sentar aqui.
- E eu sento onde, maluco? – estava com o cotovelo apoiado no braço da poltrona, enquanto a mão segurava sua cabeça que pesava mais que a vida.
- Não sei, se vira, sai daqui!
- É, sai daí, ! – apoiou – O avião ta vazio – ela então falou enquanto olhava em volta. O avião estava lotado, como o atendente anteriormente havia falado.
- Certo, eu dou um jeito – ele rolou os olhos – Mas saiba que eu apoiei vocês dois e vocês fazem isso comigo?
- O lugar do lado da ta vago – ela então sorriu – Vaza!
torceu o nariz, mas então levantou de sua poltrona, deixando ela livre pra . A menina então se aproximou de e encostou-se no peito dele. Provavelmente aquela uma hora de sono, ao lado de quem ela gostava, seria o equivalente a um passeio no paraíso. passou o braço em volta dela, a abraçando e então deu um beijo no topo de sua cabeça. Aquilo era sua definição de felicidade.
então rolou os olhos quando ele chegou na fileira de e a encontrou dormindo com o rosto colado na parede do avião. Ao lado dela, estava , na poltrona do meio, que dormia de boca aberta. Nem voar do lado da garota, ele podia mais, então contra sua vontade, sentou na poltrona vaga ao lado de e bufou enquanto cruzava os braços. A Dinamarca nunca lhe pareceu tão longe.
Após o tumulto que eles causaram no avião com a mudança de poltronas e alguns passageiros contestarem que eles estavam se achando estrelinhas só porque eram famosos, o voo SK419 decolou com destino ao Copenhagen Airport.
Diferente do que as comissárias de bordo da SAS pensaram, o voo foi muito mais calmo que o normal. Quando viram o One Direction entrarem no avião de ressaca, puderam imaginar que gritariam durante a viagem, atrapalhando os outros passageiros. Felizmente o único tumulto foram eles trocando de lugar com ‘algumas meninas’ antes da decolagem e então todos apagaram.
Assim que tocou a pista do aeroporto, , com a cabeça encostada no ombro de , foi a primeira a acordar, constatando que haviam chegado. As comissárias tinham apenas a certeza de que o voo fora tranquilo.
- Acorda, cambada cachaceira, chegamos! – ela falou em alto e bom tom, acordando também os outros passageiros.
- Senhorita, por favor, sem escândalos!
- Desculpa – ela então abaixou a cabeça envergonhada e então virou para – Amor, estamos na Dinamarca! – a comissária falar foi a mesma coisa que não falar. O tom de voz dela ecoou por todo o avião.
abriu os olhos e bocejou, acostumando-se com a luz que entrava pelas janelas. ainda dormia. A cabeça do menino, encostada na poltrona, estava pendida para um lado, enquanto sua mão estava nitidamente espalmadas na coxa da menina. olhou para as mãos em sua perna por um tempo. Malditas fãs belgas. Maldita barata sueca! Então com cuidado para não acordá-lo, ela levantou a mão dele e colocou em cima do braço da poltrona. Seria constrangedor se ele acordasse e notasse onde estava.
- Acorda, – ela então o cutucou com o cotovelo – Chegamos na Dinamarca.
- Me deixa – ele então virou pro lado e ela rolou os olhos. Que fique no avião então.
Quando deu o desembarque, saiu do avião em disparado, porém Greg o segurou na saída das fingers. Não iria simplesmente sair saguão a fora quando provavelmente havia milhares de fãs esperando por eles.
- Você tava do meu lado o tempo inteiro? – então se aproximou dele junto com . Ele rolou os olhos e virou-se, tentando evitar ouvir aquela conversa.
- O bonito do – ele ironizou – Simplesmente me expulsou do meu lugar pro amorzinho dele sentar lá. Aí sobrou o seu lugar.
- E a sentou onde? Ela não tava com a gente, né?
então sentiu vontade de bater a cabeça na parede. Dessa vez a proximidade de com não era assim tão culpa dele.
- A sentou com o – então falou – Eu que vim do lado de vocês, no lugar dela.
- E saiu correndo assim por que, ? – rolou os olhos e então deu um beijo na bochecha do garoto e então se afastou – Esqueci que você não gosta de mim.
- Deixa de ser idiota, – ele então a segurou pela cintura, puxando-a para mais perto. olhou aquilo e deu uma risada de lado, porém o olhou vitorioso – Eu acho que é você quem não gosta de mim.
- Verdade, dá licença – ela deu a língua e saiu dos braços dele, pulando freneticamente em direção a , que vinha na direção deles ao lado de , e e , que estavam de mãos dadas com os respectivos – Mas isso é a coisa maaaais linda do mundo – ela então entrou no meio de e , abraçando os dois pelo ombro – Posso tirar foto dessas mãos?
- Você não dormiu no avião e a bebedeira não passou, ?
- Chata – ela deu de ombros e então se meteu no meio de e – Posso tirar foto de vocês dois de mãos dadas então?
Os dois não deram a menor para que não desanimou, então ela saiu correndo de novo em direção a e , já que e já estavam com eles.
- Vocês dois! – ela pegou as mãos de e de e olhou de um para o outro, logo após soltou as mãos – Ah, vocês não tão se pegando.
- Você ainda está bêbada, ? – arqueou uma sobrancelha pra ela que franziu os olhos – E por que você quer tanto tirar fotos de alguém de mãos dadas?
- Porque o amor é lindo, oras. Mas ninguém deixa, então ta.
- Então vem cá – passou um braço pelo ombro de e a virou de frente pra e e . Dois solteiros na pista para negócios. O amor lindo pode começar aqui.
- She’s so afraid off fa-fa-fa-lling in loooooove cantarolou e então olhou para os dois. ria dela, já não parecia achar mais a mesma graça – E aliás, o não gosta de mim, to me sentindo rejeitada.
- O não gosta de você? – então se aproximou deles. Greg liberou a saída e os acompanhou para a restituição de bagagem.
- Nope! – balançou a cabeça enquanto ia andando de costas, olhando para todos os outros que a seguiam.
- Quem falou? – o garoto então finalmente entrou no assunto onde era “atacado”. Queria gritar pra todo que ela era a única pessoa que estava em sua mente e de repente ela implica que ele não gostava dela? Da onde saiu aquilo? – eu acho que você ainda está bêbada.
- Me chamou pelo nome! – ela deu uma batida nas duas mãos e então apontou pra ele – Ou ta bravo, ou não gosta de mim. Como eu não fiz nada pra você, você não gosta de mim. Discussão encerrada.
Então ela virou pra frente de novo, dessa vez começou a conversar com Greg que ria com ela. Greg não ligava se estava elétrica, Greg era um segurança legal.
- Acho que a misturou terra na bebida ontem de noite – riu – Mas gente, ela é demais. Queria ter conhecido ela a... Quanto tempo vocês se conhecem mesmo?
- Dois anos – respondeu sabendo que aquilo seria uma conta difícil para – Nós três nos juntamos na primeira festa da universidade.
- Cara, festa de universidade. Isso é tão legal – estava tão empolgado quanto ela. pensou se ele também tinha misturado terra na bebida – Imagina, amigo de vocês desde dois anos atrás?
- Cala a boca, , você já falou demais! – deus dois tapinhas no braço do garoto e finalmente chegaram nas bagagens.
Demoraram tanto para chegar na restituição de bagagens, que só havia as deles rodando na esteira do aeroporto. Atrás da porta de vidro, uma gritaria. O aeroporto estava infestado de garotas querendo se aproximar e ver os meninos. rolou os olhos. Sabia que em breve seria atacado, mas não conseguia entender qual a necessidade de gritos.
- Acho que eu gritaria de volta se alguém olhasse na minha cara e gritasse.
- Chega uma hora que você acostuma – deu de ombros – E começa achar que é por causa da sua feiura!
- Ô que dó – passou a mão no rosto dele e ponderou se daria um selinho nele ou não. A gritaria continua – Sem fofoca, né? – ela então se afastou dele.
- , vem cá – a puxou pela mão pra uma área um pouco mais afastada de onde colocavam as bagagens em carrinhos – A gente vai direto pra arena, quer ir comigo?
- Pra arena? – ela lembrou-se da voz de “Nós entramos nessa viagem juntas e vamos passar por ela juntas”. A amiga não estava se referindo a aquilo, mas no fundo, não queria abandonar as amigas, de novo, como aconteceu em Oslo e não queria perder a oportunidade de conhecer Copenhagen – Acho que não. Eu ando meio em deficit com as meninas e... Ei, não vai ficar chateado, né?
- Você não ta fugindo de mim, está? – ele então a abraçou, encarando o olhar dela.
- Não mais – ela riu – Depois eu compenso.
- Vou esperar – ele então deu um selinho demorado nela – Chama as meninas, peguem as malas e saiam pela lateral.
- Fui – ela então deu um selinho nele e se afastou – , – e fez sinal com a cabeça para elas acompanharem.
E assim como recomendou, elas saíram pela porta de vidro escuro e viraram a esquerda, tentando não olhar para as fãs que estavam lá. Elas tiveram a impressão de passarem despercebidas e onde não tinha mais ninguém, resolveram sair do aeroporto e finalmente ver o sol de Copenhagen.
Um dos seguranças do aeroporto então explicou a elas que Copenhagen não havia rodoviária, que o ônibus de noite delas para Berlim sairia da Hovedbanegård, a estação de trem da cidade e lá existe um terminal de ônibus intermunicipais e também internacionais. Então de lá do aeroporto elas subiram em um trem que em 15 minutos as deixou nessa estação. Estavam no coração da capital dinamarquesa. Finalmente estavam na cidade. Como não tinham reserva em hostel e naquela mesma noite deixariam o país, colocaram as malas em um guarda volumes, prontas para conhecer o local.
- Não contei pra vocês – saiu da estação na rua Bernstorffgade e colocou seus óculos escuros no rosto – pediu pra eu ir pra arena com ele.
- E você não foi por quê? – , já um pouco mais calma, perguntou.
- Você está com o ! – achou graça em lembrar aquilo e citou carinhosa – Vocês dois juntos são tão...
- Eu tô! – então levantou os ombros e os encostou em sua bochecha – É estranho, mas se eu ainda estiver em Manchester dormindo, vocês me deixam lá, não quero acordar desse sonho.
- Bem vinda a realidade! – sorriu.
- Eu não fui pra arena com ele porque primeiro, eu não queria abandonar vocês – então rolou os olhos – Segundo que eu quero segurar um pouco essa história. Eu não sei o que vai ser da gente, mas eu quero ir devagar! – ela então viu as amigas paradas olhando para ela. Ainda estavam indignadas com a história de não abandoná-as – A gente está nessa Europa juntas ou não estamos? – ela então esticou os dois braços com as mãos abertas.
ponderou pegar a mão da amiga. Ela devia estar na arena naquele momento e não praticamente perdidas pela cidade. Mas elas estavam naquela aventura juntas.
- Estamos! – finalmente pegou a mão dela – ?
- Na alegria e na tristeza, não é? – ela então pegou a outra mão de , juntando ao seu corpo – Que essa Europa descubra quem somos nós – ela então piscou.
Elas então decidiram começar o roteiro do dia no Tivoli Gardens. Primeiro porque era na frente da estação, segundo porque era o restaurante mais próximo e comida era exatamente o que elas precisavam naquele momento.

*****


Copenhagen é uma cidade imensa, e a Parken Arena não ficava muito longe do Tivoli Gardens. estava sentado na beirada do palco. A voz das fãs fora da arena e no Faelledparken combinada com os gritos não lhe atrapalhavam, na verdade nem o fato de Josh estar com os pés eletricamente nos bumbos da bateria não lhe preocupava. De longe, , , e observavam o garoto. A pele brilhava, o cabelo parecia estar estranhamente ajeitado. Podiam dizer que o garoto estava recebendo a luz divina.
- Eu to preocupado – comentou arqueando uma sobrancelha – Ele nunca foi tão calado assim.
As mãos de estavam apoiadas no chão enquanto ele balançava as pernas freneticamente.
- Acho que foi a que o deixou assim – disse meio atravessado. A aproximação de com estava deixando ele irritado – , ... Por que um de vocês não vão falar com ele?
- Eu to com medo do duende – levantou as duas mãos, como se tivesse se livrando da responsabilidade – Eu nunca o vi assim.
- Eu vou, eu vou – então disse andando a passos lentos – ? – nada dele virar – , você ta bem? – ele então se aproximou e cutucou – ?
- Oi! – o menino se virou com o maior sorriso e então jogou o corpo para trás, deitando no palco – Você ta bem, ?
- Eu que pergunto – ele então rolou os olhos de forma lenta.
- Maravilhosamente. E vocês? Ta todo mundo bem, e todo mundo feliz, não estão? A vida é linda, é tudo tão maravilhoso – ele então se levantou e abraço o amigo pelo pescoço – Olha a beleza dessa arena.
- Você ainda ta bêbado? – definitivamente, ele não estava bem. , e observavam de longe.
- Devo estar bêbado de felicidade, rapaz. Minha irlandesa gosta de mim!
Sim, era a causa daquele estado crítico e assustador dele, então os outros três deram alguns passos se aproximando dele. O território estava seguro, porém não se aguentou com a própria piada que estava em sua mente e teve que falar em alto e bom tom.
- O rapaz fica tanto tempo na friendzone, que quando alguém finalmente fala que gosta dele, e dá uma chance, fica assim... – então ele começou a rir. Todos olharam para ele. Só havia achado graça.
- Eu concordo com a parte da friendzone – sorriu, mas então virou para – Mas ele saiu, né? Tem gente aqui que ta curtindo se manter nessa área.
- Pois eu concordo meu amigo, disse lentamente. só podia ser uma bruxa. Quem era e o que fizeram com ele? – Você e , ta uma friendzone que só por Deus.
- Primeiro – se afastou do abraço do amigo e arqueou uma sobrancelha – VOLTA! – ele então gritou, fazendo o menino se assustar – Cadê o ? Pelo amor de Deus, vira gente. Melhor... Vira homem, você ta parecendo uma garotinha apaixonada.
- Por que você não vai dar uma voltinha ali na esquina, ? – falou sério e levantou o dedo para ele. , e voltaram a respirar normalmente. Ele tinha voltado a ser quem era – Pois então, depois que você voltar de lá, pode continuar seu raciocínio.
- Seguuuuundo... Eu ia beijar a ontem também. Mas uma barata assustadora acabou atrapalhando tudo, e ela ficou um pouco apreensiva.
- É, você tem cara de barata – falou.
- Ha, ha! – ironizou – A parece que tem um ímã que me atrai. Eu não posso vê-la que eu quero estar perto, quero tê-la, eu quero que ela me queira. E diferente dessas pessoas plastificadas que eu esbarrei pelo meio do caminho da vida, ela tem uma beleza tão natural, que me faz ter vontade de ficar com ela não só por uma noite, mas pensar em um relacionamento futuro. Além de ser incrível. E ser uma bióloga que tem medo de insetos.
- Espera que tem um olho na minha lágrima – gargalhou – E por que você ta com essa brincadeira de só ficar em volta dela? Vai agir, .
- Vira homem – retrucou o comentário – Só falar que a ficou menos tempo na ‘friendzone’ – ele disse a última palavra fazendo aspas com os dedos – Que a coitada da . Daqui a pouco ela cria raízes te esperando.
- E ela te quer – completou – Se não por que motivo ela aceitaria abandonar a durante um voo curto só pra ir do outro lado do avião do seu lado?
, , . bufou e olhou para cima contando até o último número que ele conhecia. Será que só sabia falar sobre ela? Não podia ter dito a última frase sem mencionar o nome da garota? O garoto desviou o olhar para o lado onde uma das guitarras estava apoiada em seus cases. Ninguém sentiria falta de se acidentalmente passasse uma corda do instrumento no pescoço dele. O doce , de repente com pensamentos macabros.
- Então você vai ficar com a ?
- Assim que eu tiver a primeira oportunidade, meu caro . Seremos eu, você e com nossas respectivas garotas, em um encontro triplo num dos melhores restaurantes de Londres. Depois riremos dessa situação babaca em que nos encontramos.
- Depois eu que to bêbado – rolou os olhos.
- Que você e a se encontram, certo? – riu – já se garantiu com quem ele gosta e eu tenho a . Quem está numa situação, é você.
- E nosso querido incluiu o garoto no assunto – Ele e a está num nível que olha... Se isso não for friendzone eu não sei o que é.
- Vocês não têm capacidade de se defenderem sem colocar outra pessoa na história, não é mesmo?
arqueou uma sobrancelha com certo receio. Não tinha certeza se aquilo era um assunto que ele ia curtir ouvir. Mas também não iria querer saber da notícia vinda por outra pessoa. Entre o sim e o não, se aproximou dos amigos. A ideia da corda da guitarra nunca pareceu tão boa.
- Eu gosto da ! – então falou. então rolou os olhos. Não devia ter ficado lá, e ficou com vontade de enrolar a corda no próprio pescoço – Ela é sensacional e me faz rir, mas ela é minha amiga, não tem nada a ver nós dois.
então se sentiu agoniado. Pena que o palco era baixo demais, se ele pulasse dali, cairia de pé no chão e bem amortecido. gostava de , porém ele achava que ela era apenas amiga dele e os dois não tem nada a ver. sentia-se exatamente assim em relação a , e acabou de falar de outra forma, mas que no final das contas, o sentimento dele em relação a , era exatamente o mesmo.
- Ou seja, você está na friendzone – a voz de foi mais rápida que seu pensamento e quando ele percebeu, já havia falado. Quis se matar. Talvez ele iria se entregar pras fãs que estavam na fila fora da arena, seria uma forma dolorosa e lenta de morte. Ele praticamente acabou de entregar ao seu amigo a garota que ele gostava. Definitivamente, ele ia se matar.
- Não, que isso – então riu – É sério, eu gosto da , mas não desse jeito.
- Beleza, , não quer falar pra gente não fala – então riu, mas olhou para , que brincava com os próprios dedos. No dia que abriu os olhos do amigo para falar que também gostava dele, ele deixou a entender que gostava de alguém. Se for uma das meninas, tinha certeza que era de . sentiu a cabeça pesar só de imaginar dois amigos brigando pela mesma garota, que decidiu nem concluir seu próprio pensamento.
- Mas depois não diz que a gente não avisou – concluiu – Parou de brincar, vamos continuar essa passagem de som logo.
E então respirou aliviado com o fim daquele assunto, apesar de já estar sentindo-se como um perdedor e teve certeza de que ele tinha que fazer algo em breve. Muito breve.

*****


havia ligado para elas enquanto almoçavam no Tivoli Gardens perguntando onde estavam, pois queria encontrar com elas. ama e também ama os meninos como seus irmãos, mas agora que tinha amigas, ficar enfiada numa arena fazendo nada o dia inteiro, não era seu programa favorito. a mantinha escondida para ninguém especular sobre o relacionamento deles, mas era de total acordo que ela podia andar por aí sozinha e ele não pareceu contra quando ela falou que queria conhecer Copenhagen com , e .
- Vão mais devagar – então gritou. Com 15 coroas dinamarquesas, o equivalente a dois euros cada uma, as meninas então alugaram bicicletas para passearam pela capital dinamarquesa – Eu acho que eu ainda tô de ressaca!
- Vem logo, então parou sua bicicleta quando ouviu a voz da amiga – E nunca mais bebe do jeito que você bebeu ontem a noite.
- O que é bebida? – riu. Estavam no meio dos jardins do Rosemborg Castle, um castelo renascentista na Dinamarca, mas não era o palácio real – Nunca mais quero ver bebida na minha frente.
- Qual a última cena concreta que você lembra? – também parou, aguardando elas chegarem. já estava mais na frente observando o castelo de frente.
- Acho que quando eu perguntei se a e o estavam juntos. E já hoje de manhã, quando eu cantava a música da Branca de Neve pro Paul!
- , você sempre fala que nunca mais vai ver bebida na sua frente, e depois enfia o pé na jaca – falou, elas já estavam todas juntas – Foi assim na Holanda.
- Essa vez é sério, juro, juradinho! – ela então formou um ‘x’ com os dedos e os beijou – Sem bebidas pra mim.
- Ah ta – riu e então olhou o castelo – Sabe qual é a coisa ruim de fazer turismo em uma cidade sem guia?
- Fala – também olhou para o prédio em suas frentes.
- A gente nunca sabe direito o que é e pra que serve. Se esse castelo não é a sede do governo dinamarquês, ele ta aqui por quê?
- Interessante ponto de vista, gargalhou – Mas até aí, a gente já passou pela Pequena Sereia e eu não entendi como aquela estátua horrorosa pode atrair tanta gente.
- Mas vamos tirar foto porque é famoso, é de turista e a gente veio conhecer – riu enquanto pegava sua câmera dentro da sua bolsa, na cestinha da bicicleta.
- Verdade – então passou a perna pela bicicleta e tirou um mapa de seu bolso – Vocês topam ir para o Amalienborg Palace agora, e depois a gente devolve as bicicletas e vai pra arena?
- Let’s go! saiu pedalando na frente, mas diminuiu a velocidade com a alcançando – Você ta com o mapa, vai na frente.
O que elas não sabiam, era que o Rosemberg já foi usado como residência real no século XVIII e voltou a ser usado quando o Palácio de Christianborg, sede do poder executivo, legislativo e judiciário dinamarquês, foi incendiado e já no século XIX, quando os ingleses invadiram a cidade.
O Palácio de Amalienborg é uma das mais famosas e provavelmente a mais importante atração turística da cidade. É o local da residência oficial da família real e é constituída por quatro edifícios simétricos e tem como fundo a Igreja de Mármore.
- Em qual a família real mora?
- Hm... Aqui no folheto está dizendo que é onde tem a bandeira da Dinamarca – então olhou em volta para os quatro prédios – Nenhum tem a bandeira, próxima referência – seus olhos então voltaram para o mapa – É o que fica a sudeste.
- Sudeste a quê? – perguntou.
- Aqui só diz sudeste.
- Será que não é em relação ao centro da praça? – indagou.
- Mas aí qual seria o norte?
- E se for em relação a igreja? Tipo, a gente está olhando de frente pra igreja então o palácio é aquele – apontou para trás e virou o corpo – Será?
- Preciso conhecer meu príncipe – riu – William já casou e parece que não quer nada muito sério não.
- Já te apresentei ao e ao hoje mais cedo – falou e deu de ombros – É, achei bonito, mas não chega perto do nosso!
- Buckingham Palace é vida! – completou e então para o relógio – Vamos devolver a bicicleta no Tivoli e ir pra arena?
- O Tivoli é muito longe daqui? – murmurou. Haviam pedalado praticamente a área central inteira de Copenhagen e estava cansada.
- Hm... – olhou para o mapa que também era um roteiro com informações turísticas sobre a cidade – 3km é longe pra você?
- Socorro! – gritou – Ta, vamos logo que a gente chega rápido!
E após pedalar pela região central de Copenhagen, inteira, fechando o ciclo no Tivoli Gardens, onde elas pegaram as bicicletas, atravessaram a rua para a Central Station, onde pegaram um trem que parava perto da arena.
- Eu queria pedir uma coisa pra vocês, mas estou com vergonha – disse sentada ao lado de , e estavam de frente pra e .
- Erm, deixa disso – riu – Era só o que faltava, ter vergonha da gente.
- Fala, mexeu no braço dela animada.
- Ta bom! Não riam de mim, please deu a língua e fez uma careta pra ela – Assim, vocês começaram a viajar a Europa por causa dos meninos, mas, no fundo, vocês estão fazendo um mochilão, certo?
- É! – concordou – Nesse mochilão a gente queria só conhecer os meninos e tirar umas fotos, mas aí a gente se conheceu e a e o resolveram se pegar. Então a gente ta adaptando a história.
- Eu queria saber como é um mochilão mesmo. Do tipo, passar perrengue, ter que viajar de ônibus, não ter lugar pra ficar. Digamos que eu quero ter a mesma experiência que vocês, e não ficar de avião daqui pra lá, ou nos melhores hotéis e tudo mais – ela riu – Não vou falar que é ótimo, mas eu queria ter uma experiência digamos que, erm... Normal.
- ! – riu – Desculpa, não era pra eu rir, mas eu to rindo porque você falou pra não rir, mas isso não faz sentido – então falou a última frase em voz baixa – Vamos com a gente pra Berlim!
- É! – bateu palmas como uma foca, animada com a ideia – Nós vamos pra Berlim de ônibus hoje à noite, você pode ir com a gente.
- Não, não é uma boa resposta, ! – finalizou – Nós vamos sair mais cedo do show pra pegar o ônibus a tempo. Você vai, pronto!
- Vocês são demais! – ela então sorriu singela – , e o ?
- O que tem?
- Ele vai curtir essa história de você passeando por aí de ônibus?
- A gente está se conhecendo, não vamos apressar nada. E outra, é uma viagem com as minhas amigas. Sem desviar do assunto, você vai!
- Ok, ok. Vou falar com o chegando na arena e aviso vocês.
Do ponto onde tinham que descer do trem até a arena, eram cerca de vinte minutos andando. Elas chamaram um táxi que passou pela rua. Era uma Mercedes, e não é todo dia que você anda em um carro de luxo.

*****


O bom de a arena ter lugares marcados é que você não precisava passar o dia em uma fila para ficar o mais perto possível do palco, só era necessário comprar bons ingressos. Assim que elas chegaram ao Parken Arena, , e foram para seus respectivos lugares enquanto foi direto para o backstage para conversar com antes do início do show. Greg estava na porta do camarim e sorriu ao vê-la.
- Como foi seu dia, senhorita?
- Divertido! Sabia que Copenhagen é uma cidade maravilhosa?
- Posso imaginar, por favor, entre – ele então abriu a porta revelando o camarim.
Os meninos falavam sobre qualquer coisa que honestamente não a interessava, ela só tinha uma coisa em mente naquele momento e ela precisava falar com , então sentou ao lado dele no sofá, que mexia no celular enquanto participava do assunto.
- Preciso falar com você – ela deu um selinho nele – Ta podendo?
- Sempre pra você – ele então guardou o celular no bolso e virou de frente pra ela – Como foi o passeio, encontrou as meninas?
- Foi ótimo, a gente andou de bicicleta pela cidade e conhecemos alguns pontos turísticos. É, a cidade é bonita.
- É? – aproximou seu rosto do dela – Que mais?
- Eu meio que dei uma indireta pras meninas, e elas me fizeram um convite. É sobre isso que eu preciso falar com você – fez um barulho com a boca e ela entendeu que era pra continuar – Eu vou viajar com elas.
- Quando? – arqueou uma sobrancelha.
- Essa noite – ela bateu palmas animada – E a gente se encontra em Berlim amanhã. Ta bom? Fala que ta tudo bem!
- Hoje de noite? – então se afastou. Parte dele não gostou daquela história – É como, de ônibus?
- Sim! Digamos que eu quero vivenciar a experiência que é um mochilão, andar de ônibus, passar perrengues, essas coisas.
- Você não está contente em viajar comigo, você precisa sair pela Europa e andar sabe-se lá quantos quilômetros de ônibus pra chegar em Berlim.
arqueou uma sobrancelha e massageou as têmporas.
- Não distorça as minhas palavras, ! – ela tentou se manter calma – Sim, eu estou contente e muito grata por ter a oportunidade de conhecer a Europa com você, meu amor!
- Então por que isso do nada? Vocês não podem se encontrar na Alemanha?
- Sou eu, . Isso é uma vontade minha, qual é o problema?
- Você é minha namorada, oras, você tem que ficar comigo – ele falou nervoso.
- O quê? – ela estava incrédula – Você não é meu dono, como você mesmo disse, você é meu namorado.
Ela então se levantou e foi até um canto. Felizmente sua mala estava por lá junto com alguns pertences dos meninos, devia ter sido trazida para dentro da arena por engano. Do lado estava a mochila de .
- ? – ela gritou e o menino virou. não entendeu o que estava acontecendo – Posso usar sua mochila? Amanhã te devolvo!
- Claro – ele estranhou, mas achou melhor não perguntar o que estava acontecendo.
- O que você está fazendo, ? – se aproximou. Ela colocava algumas roupas dentro e segurava para não chorar. “Você é minha namorada, tem que ficar comigo”, foi a mesma coisa de falar que o bichinho de estimação tinha que ficar com o dono. E foda-se o que a imprensa falaria, estava farta de ser escondida e ver seu namorado ser assediado enquanto ela não podia fazer nada!
- Eu estou me segurando para não chorar, não preciso de você por perto nesse momento, – ela falou de costas para ele. estava por perto e ouviu aquilo. Não, não iria se meter no relacionamento dos dois – Eu não sou seu cachorrinho de estimação, ou algum objeto de posse sua, pra você tratar como se fosse dono.
- E o que você está fazendo? – sua voz aumentou – , pelo amor de Deus, me perdoa se eu errei em te querer por perto de mim.
- Seu erro foi querer me esconder, o que me faz pensar que talvez você tenha vergonha de mim – ele riu irônico. Aquilo era a maior besteira que ele já tinha ouvido em toda sua vida. Todos na sala já estavam ouvindo a discussão – Nem tudo você pode esconder, . As meninas me reconheceram como sua namorada quando eu perguntei se elas eram fãs de vocês. Se elas captaram isso, qualquer outro pode.
- Isso não tem nada a ver com nossa discussão inicial – ele a viu então se levantar do chão colocando a mochila nas costas e passou por ele indo até o sofá – Se o problema é esse, - ele tirou o celular do bolso da calça – agora eu assumo pro mundo que você é minha namorada e eu te amo!
- Não, , o problema não é esse apesar de que eu vou gostar muito de poder finalmente falar quem é o namorado que eu amo – ela sentiu uma lágrima escorrer pela sua bochecha e a amaldiçoou – Você foi o primeiro a me incentivar a sair do hotel e conhecer alguém. Quando eu conheço três pessoas incríveis, que estarão até o fim dessa viagem, você entra com o pé atrás e resolve impedir que eu me divirta. Eu vou me divertir com elas – ela então se aproximou e deu um beijo carinhoso no rosto dele, que estava sem palavras. A raiva e tristeza que estava sentindo naquele momento era grande, mas sabia que quando passasse, ela sentiria falta do namorado – E isso não foi um pedido de permissão. Nos vemos em Berlim.
Ela então saiu pela porta do camarim esbarrando em Greg, e saiu correndo pelo corredor, antes que pudesse raciocinar o que havia acontecido e ir atrás dela. Quando ela finalmente chegou do lado de fora, a noite já estava escura e alguns carros passavam pela Øster Allé, rua onde fica a arena. Um táxi passou e ela fez sinal, entrando quando ele parou, permitindo que suas lágrimas escorressem pelo rosto. O remorso de ter discutido com foi instantâneo, mas era orgulhosa demais para voltar atrás e aceitar ser tratada como um objeto.
- Para a Central Station, por favor – ela respondeu o taxista que lhe perguntou o destino e desligou o celular. Algum tempo sozinha e em paz. Era o que ela precisava naquele momento.

*****


O show era o último na Escandinávia, então para as meninas, tinha um gosto especial. A Escandinávia era um lugar maravilhoso, coisas incríveis aconteceram por lá e aquilo era algo que elas queriam celebrar no show. estava incrivelmente diferente, irradiava felicidade e qualquer um no local pode perceber aquilo. Era nítido que algo de bom havia acontecido com ele, e sentia choquinhos elétricos pelo seu corpo ao perceber que o motivo daquilo era ela. Aquilo só lhe dava mais vontade de pular mais e mais durante o show.
era outro que estava feliz, e nas palavras de , ele estava incrivelmente sexy enquanto transbordava de alegria. Ela queria poder esquecer o ocorrido com o inseto na noite anterior na floresta e pular no palco para agarrá-lo. Se todos em volta pudessem ler seus pensamentos, provavelmente seriam linchadas, pois ninguém as entenderiam. Eram seus amigos e peguetes no palco, que ocasionalmente se transformavam em uma boyband. Para pensar naquilo era tão surreal, que se ela não estivesse muito bem acordada e sofrendo com o fim de uma ressaca, ela ia ter certeza que tinha dormido por um tempo e acordado sem saber o que tinha acontecido. Tudo aconteceu tão rápido!
Ela mesma então tirou o celular do bolso e digitou alguma coisa rapidamente. Os meninos estavam conversando com o público e logo naquele momento começariam as twitter questions.
- A primeira pergunta é da Ravena* pro ! – falou observando o telão – , você realmente ouve Misfits ou só curte a camiseta?”
- Chamou de poser, riu.
- Um pouco dos dois – ele então gargalhou – Eu não sei onde você está Ravena, mas é um pouco dos dois mesmo. Eu curto umas músicas, e acho a camiseta legal, simples!
- Só isso?
- Só uai, vou falar mais o quê? Ela me perguntou e eu respondi – ele deu uma bicuda no pé de – Passa pra próxima pergunta!
- É da Bruna Raupp*! – olhou para o telão – Ela quer saber se a gente chamaria uma fã pro palco. O que vocês acham? – e então uma multidão começou a gritar – Não sei os meninos, mas eu to tão feliz hoje, que por mim sobe todo mundo aqui, o que você acha, ?
- Oi? – o menino se virou um tanto quanto perturbado e se arrependeu de ter chamado. Estava absurdamente desligado depois da discussão recente com – Eu concordo!
- É o seguinte – tomou a palavra – Não dá pra chamar todo mundo pro palco, então Bruna Raupp, cadê você?
Uma garota levantou a mão na frente do palco B, onde eles estavam e balançava loucamente. A garota nunca imaginou que sua pergunta ia para o telão, e ela gritava muito!
- Aqui! – ele então pediu pra um segurança – Ajudem ela, por favor.
era o primeiro na beirada do palco e abriu um largo sorriso e os braços quando viu a menina subindo. Porém ela passou direto pelo garoto, indo correndo para abraçar !
- Que putisse do caralho é essa? – gritou quando viu a menina abraçada em . As meninas do seu lado olharam assustadas, por causa do inglês, e não dinamarquês e abriu um sorriso.
- , . Demorou mas a gente descobriu por quem você morre.
- ... – ela fez olhar de súplica.
- Todas as suas atitudes começaram a fazer sentido, riu, lembrando-se do “O não gosta de mim”, de mais cedo – Todas.
- Não abram a boca, por favor – as amigas entenderam o que ela quis dizer com isso.
- O é maravilhoso, não se preocupe, ele também é meu preferido – uma dinamarquesa ao seu lado falou em inglês. riu para não torcer o pescoço da menina.
A voz de então ecoou novamente na arena, e elas se viraram. contou até cem. A garota ainda estava abraçada a .
- Olha, alguém perguntou se “os gatinhos têm telefone” – gargalhou – Essa pergunta é da...
- ! – segurou para não gargalhar, mas foi mais rápido e só faltava rolar no chão com aquela pergunta.
- É o quê? – voltou a prestar atenção e olhou no telão. O twitter e a foto era dela. Aquilo era piada.
tentou se conter e não entrar na risada com e , que já estava rindo. não dava mais atenção pra menina que ainda estava abraçada a ele e queria entender qual o motivo dos outros estarem rindo. Era só uma pergunta de uma fã, oras!
- ? – beliscou a amiga que estava dando risada.
- Eu só queria saber se eles têm telefone poxa!
- Nossa, seria um sonho mesmo ter o telefone deles – a dinamarquesa ao seu lado falou – Que sortuda, menina, sua pergunta foi respondida!
- Pois é – sorriu e levou a mão ao bolso onde estava o celular – Deve ser ótimo ter o telefone deles mesmo!
- Então... – voltou a atenção – Nós temos telefone, , obrigado por perguntar, mas nossos gatos não.
Elas gargalharam. saiu muito bem da pergunta e já engatou outra pros meninos pararem de rir. Após as perguntas, as meninas então saíram da arena e logo encontraram um táxi parado ali em volta. Em dez minutos elas estavam na Copenhagen Central Station.
estava já sentada no chão, na frente de onde o ônibus partiria. Sua curiosidade foi maior e então ligou o celular para ver que horas eram. O show já devia ter acabado, e então ela entrou no twitter, para ler sobre. Seu twitter transbordou de mentions carinhosas de pessoas que ela não conhecia e alguns haters dizendo que ela devia morrer. Arqueou uma sobrancelha. O que era aquilo?
“@: Sim, eu estou namorando, e sim, ela é a pessoa mais incrível do mundo! Não a odeiem. @, eu te amo. x"
Ela piscou algumas vezes para o telefone enquanto lia repetidas vezes o tweet do namorado. Seu rosto já era então conhecido e provavelmente sua paz tinha ido embora, mas finalmente tomou coragem e a assumiu. Sua mente estava dando voltas, ela sabia o quanto as fãs dele eram cruéis, mas a grande maioria estava falando que ela era fofa para ele, e que eles deviam formar um belo casal. Ainda estava brava com ele e sabia que aquilo era uma forma dele pedir desculpas, mas lágrimas involuntárias caíram por suas bochechas novamente.
“@: @ Eu também te amo. x"
Ela então desligou a internet do celular. Não estava preparada para a enxurrada de menções que receberiam após aquele tweet. Ela então olhou para o lado onde , e vinham correndo com suas malas e estavam alegres por verem a amiga lá.
- ! A foi uma louca e perguntou pros meninos nas twitter questions se eles tinham telefone, quando eles perceberam que era dela! – chegou gargalhando enquanto fingia que desfilava vindo atrás, junto com – Que houve?
então se levantou e limpou suas lágrimas.
- – ela deu de ombros – Duas vezes. Primeiro a gente brigou, porque claramente ele não queria que eu viesse e isso gerou uma discussão onde ele praticamente me definiu como objeto dele – então desviou o olhar ao ouvir aquilo. Era óbvio que não estava alienado no show a toa – E então acho que isso gerou peso na consciência e ele acabou de assumir nosso namoro no twitter – ela abriu um largo sorriso sentindo o gosto salgado do choro entrando em sua boca – Abram seus twitters.
então rapidamente achou o twitter e rapidamente retwittou o que o garoto escreveu.
- Você é sortuda, !
- Talvez – ela deu de ombros – Mais alguma novidade?
- A gente descobriu que a é louca pelo porque uma menina subiu no palco e agarrou de um jeito que obviamente, a deixou enciumada.
- O é um amor, a incentivou.
- É – ela então pareceu tensa – Vamos pra Berlim.
- Ela gosta dele – sussurrou no ouvido de quando passou pelo motorista, que colocava as bagagens na parte de baixo do ônibus.
concordou e então subiu no ônibus. Estava ansiosa por 8h de viagem.






10. Back in Germany. My love, my heart is breathing for this moment:

Don’t wanna be without you, my judgement cloudy like the tonight sky.

Os mais de 400 quilômetros que separavam Copenhagen de Berlim talvez tivesse parecido uma eternidade, se elas não tivessem apagado quase que no instante em que entraram no ônibus. A noite anterior regada a bebidas e passada em claro, somado com o dia cheio de passeios e momentos que tiveram na Dinamarca se somaram e resultaram em oito horas de sono quase ininterruptas.
abriu o olho com certa dificuldade e olhou pra janela do ônibus, recebendo o sol diretamente nos seus olhos. Uma placa na estrada mostrou que elas ainda estavam a mais de 100km de Berlim e então olhou para o lado. estava encostada nela e parecia estar em um sono pesado. Podia mesmo, o quanto a amiga havia bebido, não era de Deus. Nas poltronas ao lado, e estavam praticamente jogadas uma por cima da outra. Bem que dizem que o sono quando vem, derruba qualquer um em qualquer lugar. O celular vibrou dentro do bolso, ela então retirou de lá o aparelho e sorriu. .
“Não consigo dormir e a culpa é sua. Não paro de pensar em você. Ps: Quero fazer uma fofoca, posso?”
Ela segurou-se para não rir alto. Queria também responder que não conseguia dormir, mas apagou antes de sair da Dinamarca e acordou já próxima de Berlim, mas ela também não parava de pensar nele. Selecionou a opção “Responder”.
“Confesso que eu também não paro de pensar em você. E , você está parecendo uma menininha, mas eu quero saber!”
A resposta veio mais rápida do que ela esperava.
“O gosta da de um jeito... Argh, não sei falar. Ele quer ficar com ela.”
então olhou para a poltrona ao lado enquanto sentia o peso da amiga em cima dela. Talvez uma ajuda dos amigos não fosse matar ninguém.
“E eu descobri que a gosta do , ontem no show ela se remoía de ciúmes. O que a gente faz?”
“Junta os quatro! Onde você está?”
De repente a conversa parecia mensagens instantâneas.
“Chegando em Berlim.”
“A gente atravessou a fronteira só agora, os meninos tão tentando acordar o que parece ter morrido. Até mais tarde, . Beijos!”
Ela gargalhou e guardou o celular. Manteria em segredo a história de , até porque não tinha demonstrado interesse nenhum nela, não decepcionaria ninguém, principalmente a amiga, daria um jeito com e , eles precisavam se acertar urgentemente, mas sobre e , ela poderia sim mexer seus pauzinhos, afinal, o sentimento de um em relação ao outro era recíproco. Ela olhou pros lados sentindo-se vitoriosa. Mal podia esperar para unir aquele casal.
Ela tentou pegar no sono novamente, mas foi em vão, seus olhos fechavam por cerca de cinco minutos e logo estavam abertos novamente. Foi então que pela janela do ônibus ela pode ver um avião bem baixo, como se estivesse pousando e logo depois o veículo delas entrou em um túnel. Deviam ter finalmente chegado a Berlim.

*****

“So don’t go away, say what you say but say that you’ll stay forever and a day in the time of my life. ‘Cause I need more time, yes, I need more time just to make things right.”
O iPod estava na altura máxima e a música ecoava dentro dos ouvidos de . Pular na estrada com o ônibus em movimento era uma boa opção depois de praticamente falar que era um objeto de posse dele. “A próxima vez pede pra ela usar uma coleira com seu nome escrito, idiota.”, ele ironizou o próprio pensamento. Ela respondeu o tweet dele a assumindo para o mundo e depois sumiu. “Mas é um besta mesmo. Qual o problema da menina viajar um dia com as amigas?” Era como se o anjinho que estava no ombro de uns dias atrás, estivesse deitado ao lado dele. A música continuava a tocar.
“Damn my situation and the games I have to play with all the things caught in my mind. Damn my education, I can’t find the words to say about the things caught in my mind.”
A cortina de sua cama foi aberta e ele continuou irredutível na mesma posição anterior, enquanto , , e observavam ele em um momento de fossa. “Noel Gallagher é um ótimo compositor, quero ser ele quando crescer”, ele pensava. Então uma mão passou por ele e puxou o fone de ouvido que estava ligada ao iPod.
- Que é? – ele então tirou os fones e se virou para os quatro – Devolve isso, .
- Intervenção! – cruzou os braços – Você vai ficar de joelhos e pedir o perdão da .
começou a rir da cara de .
- Só pode ser palhaçada isso. O me dando conselho de como meu relacionamento deve ser.
- O problema é o encalhado? – virou para ele – Então quem fala sou eu. Você foi um babaca com a ? Foi. Não custa nada pedir desculpas.
- E você ta ouvindo Oasis, pelo amor de Deus. Para de bancar o machão que “Don’t Go Away” só ta rolando pra te deixar mais depressivo.
- Vocês vão à merda – então levantou da cama e tirou o iPod da mão de , indo em direção ao banheiro trancando-se nele. Os garotos ergueram a sobrancelha e então foram até a porta onde fitaram-na – Certo! Eu vou pedir desculpas pra porque eu errei. Agora vocês podem pelo amor de Deus, sair da porta do banheiro?
então saiu para o fundo do ônibus com a intenção de jogar vídeo game, e decidiu ir atrás dele.
- Posso falar com você?
arqueou uma sobrancelha. Na verdade ele não poderia ficar a vida inteira sem falar com principalmente pelo fato deles estarem juntos todos os minutos e segundos de cada dia. Ele deu de ombros e fez sinal para o amigo sentar ao lado.
- Então – apoiou-se nos joelhos e negou quando ofereceu um dos controles do Xbox pra ele – Ta rolando alguma coisa? Você ta meio estranho com todo mundo.
Claro que aquele assunto algum dia apareceria. Ele então sentou na mesma posição que o amigo e deu de ombros.
- Não. Talvez eu não esteja num dia bom, e sentindo falta de casa.
- Sua casa tem outro nome, não tem?
- Ta falando do que, ? – não tirava os olhos da televisão.
- ?
Ouvir o nome daquela garota vinda da boca de não era um dos melhores sons que podia ouvir.
- O que tem ela? – ele tentou parecer que não tinha sido abalado por aquele nome.
- Não sei – riu – Parece que depois daquele dia na Noruega vocês estavam sei lá, meio cúmplices. Você gosta dela, não gosta?
- Quê? – podia estar louco pela garota, mas sabia que também estava e como os dois estavam mais próximos, deixaria o caminho aberto para o amigo. Ia passar – Normal, do mesmo jeito que você ou os garotos.
- E você não tem nenhum problema comigo?
- Se eu tivesse, você já saberia e me daria uma patada.
- Bela observação, ! – então se levantou. Se o amigo disse que não tinha nenhum problema, então estava tudo bem – Cuidado com o gol contra.
- O quê? – então finalmente prestou atenção no que seus olhos enxergavam e seu time acabou fazendo um gol contra no FIFA 2013 – Merda.
Ele observou então saindo pelo estreito corredor e se jogou para trás no sofá. Ele tinha acabado de perder para o amigo. “Primeiro os amigos e depois as mulheres, , ele pensou. Seu cérebro estava certo.

*****

Quando elas finalmente desembarcaram na Zentraler Omnibusbanhof eram 6h30min da manhã e com certeza o City Hostel Berlin ainda não estava liberado para a entrada dela. O ônibus fez algumas paradas no meio da viagem, mas elas não saíram dele, então decidiram tomar um café da manhã na própria rodoviária.
Por três euros, elas acharam então o melhor lugar do mundo para comer. A cafeteria estava servindo café da manhã e no prato vinha pão com geleia e mel, e algumas carnes frias e queijo, acompanhado por um ovo cozido. Era um banquete.
- Cadê o salsichão? – perguntou olhando pro prato, incrédula.
- Olha a quantidade de coisa que tem aí no prato e você ta reclamando sua maluca.
- Mas a gente ta na Alemanha, tem que comer salsichão – ela então fez bico pras amigas – Ou chucrute?
nem se interessou em entrar na discussão, estava comendo, e era o que importa. Podia ser também um prato de arroz e feijão, ou talvez uma bacia de salada. Pelo menos não era lanche do Subway ou do McDonald’s, o que ela não aguentava mais comer.
- Você sabe o que é chucrute, ? – pousou o garfo na mesa.
- Chucrute é chucrute, oras. Não precisa ser alemão pra saber o que é chucrute.
- Senhor – então pôs uma mão na testa e balançava a cabeça indignada, e então virou para , que estava em sua frente – , ela já foi mais inteligente.
- Ei! – ouviram a voz de em um agudo – Isso ofendeu, poxa! Se vocês não falarem, eu nunca vou saber o que é chucrute.
- Repolho – respondeu enquanto levava o garfo a boca.
- Ainda bem que não tem chucrute no prato – então concluiu – Mas podia ter salsichão.
- Segunda vez em duas semanas na Alemanha, e ela continua com a história do salsichão – tomou um gole do seu suco – Você está precisando é de homem!
- What? – esbravejou enquanto e deixavam os talheres caírem no prato e colocavam o guardanapo na boca enquanto riam – , desde quando eu te dei liberdade pra você falar assim comigo?
- Cara... – a própria escondeu o rosto enquanto ria – Na minha cabeça não pareceu tão engraçado.
- E não foi engraçado mesmo – fingiu estar ofendida – Você sabe que eu estou solteira por opção própria.
- Opção dos homens, só se for – completou – Ta bom, eu não vou dar risada.
- Não sei porque eu sou sua amiga.
- Vamos arranjar o ou o pra ? – bateu palminhas animada.
- Vamos! – se empolgou com a ideia – Qual combina mais com ela?
- Não, gente! Essa história de arranjar alguém não da certo. Olha meu último namorado.
- Único, deu a língua.
- Ta bom, foi o único, mas alguém arranjou ele pra mim e adivinha? Não deu certo!
- Eu tentei – deu de ombros – O Phillip era um amigo meu da Medicina. Sabe aquele cara que todo mundo da universidade idolatra e quer ficar com ele? Pois então, ele veio me falar que tinha achado a bonita e tudo mais. Eu só juntei os dois.
- E terminaram por quê?
- Boa pergunta – fitou o olhar em . A verdade é que a desculpa que elas tinham dado para as amigas do motivo deles terem terminado, nunca lhes caiu muito bem.
- Eu já falei que foi porque ele implicou com essa viagem. E como eu não sou mulher de ficar em casa porque namorado não deixa ela fazer nada, eu o mandei passar e vim. Eu, hein.
estava com as mãos no colo, e girava os dois dedões entre eles rapidamente. Odiava falar sobre Phillip. Passado, se deixa no passado, e ela não queria simplesmente começar a chorar em plena Berlim por causa dele.
- E você está solteira desde quando?
- Tem uns cinco meses – ela deu de ombros.
- Certo, é tempo demais, chega! – decidiu – ou ?
- Os dois são meus amigoooos! – a menina então choramingou. Não gostava da situação que estava.
- votou – Ela e o sairiam no tapa em um relacionamento.
- também – definiu a votação – Vejo a brigando com o a ponto de querer jogar ele pela escada.
- Que horror! Eu não sou assim.
- Deixa o te infernizar pra você ver se não é assim. Já o é mais calmo e equilibraria o temperamento dos dois.
- Eu não estou lembrada de querer empurrar nenhuma estrela da música pop mundial para nenhuma de vocês duas! – dessa vez estava livre – E por que a gente está falando de mim e do meu relacionamento inexistente quando a teve uma DR com o namorado e saiu correndo dele?
- Verdade! – virou para ela – Vocês precisam conversar. me mandou mensagem mais cedo e disse que parecia que o estava morto.
então respirou fundo. Finalmente ela deixou de ser o centro das atenções daquela conversa ridícula.
- Gente, só o fato dele finalmente me assumir publicamente, já foi um motivo de eu querer sair correndo de volta pra ele, mas ele falou que eu não podia viajar, foi tipo a ...
- Esse não é o motivo original dela terminar com o Phillip. – cortou . então rolou os olhos. Por que o assunto voltava nela?
- Enfim, eu não gosto que me prendam, e falem que eu não posso fazer determinada coisa. Eu quis, eu vim. E eu não sou objeto dele, sou namorada. – ela então encostou na cadeira –Ele vai ter que comer muito feijão com arroz pra tudo voltar ao normal. Não deixa o fazer isso com você, e nem o com você – ela então falou para e .
- Não sou nada do também encostou na cadeira. Não era nada porque a vida infelizmente colocou uns tropeços no caminho dela.
- Por enquanto, você não é nada – enfatizou – Eu vi vocês dois na floresta.
- O que aconteceu na floresta? – gritou – Não diz que eu tava com o e eu perdi isso? Não vou me arrepender, mas mentira, mentira! Vocês se pegaram e nem me falou?
- O que tem nesse suco? – então pegou o copo da amiga e sentiu o cheiro – Não aconteceu nada na floresta.
- A verdade é que eles iam se pegar. Mas aí uma barata apareceu do além na hora H e a começou a se debater loucamente cortando o clima.
- Mas que bela bióloga – dava risada de – E depois disso?
- Nada.
- Acho que então vamos focar no seu relacionamento – bateu palminhas – E depois só vai faltar a com um dos meninos.
- De novo não! Vamos logo pro hostel.
A ideia de finalmente irem pro City Hostel Berlin agradou todas elas, e então elas se levantaram da mesa onde estavam tomando café da manhã e foram em direção a saída da rodoviária. Elas então passaram por um grupo de meninas que ficou olhando para as quatro intrigadas e começaram a cochichar.
- O que as namoradas do e do estão fazendo na rodoviária?
- Vai ser ruim se a gente for perguntar?
As garotas então saíram correndo atrás de , , e , e então cutucou , quando elas estavam esperando para pegar um táxi. se virou para elas e logo as outras três amigas se viraram.
- São elas! – a loira do olho azul falou animada – Vocês são namoradas do e do , não são?
- Mais ou menos – de repente começou a amaldiçoar-se por ter cobrado de que ele a assumisse – Eu sou, mas ela e o são só amigos – então apontou para .
- Não é possível – a outra loira falou, mas tinha olhos verdes – Ele mandou um tweet pra você agradecendo pela noite anterior.
- Ele não estava bem – bufou – E a gente acabou conversando, não tem nada.
- Certo – elas não pareceram acreditar muito – E vocês são?
- Duas amigas nossas – tomou a palavra – Elas encontraram conosco na Dinamarca e resolvemos vir as quatro de ônibus. Nós precisamos ir agora.
Elas então nem esperaram as garotas responderem e subiram em um táxi, e já quando estavam a uma distancia considerável, deram o endereço do City Hostel Berlin. As garotas, acreditando que elas iriam se encontrar com os garotos, subiram em um outro táxi e pediram para o motorista seguir o que elas estavam. Quinze minutos depois, elas se decepcionaram quando as viram entrando com todas suas bagagens na frente de um prédio antigo, com quatro andares.

*****


“Como sua amiga, você precisa saber, estão achando por aí que eu sou sua namorada.” não sabia o que fazer com aquela mensagem que havia recebido de . A surpresa foi nítida, que ao invés das meninas gritarem quando ele desceu do ônibus na Arena O2 World, elas riram, pois ele tropeçou e quase foi pro chão. Ele realmente estava na friendzone dela. Então o celular tocou e ele viu uma nova mensagem dela. “Isso tudo é culpa daquele seu tweet pra mim. Quem te passou meu twitter, hein?” Ele riu. Se ela soubesse o quão bom ele é para achar o que ele quer na internet. “É isso, tchau namorado! :P” Ele arqueou uma sobrancelha ao ler a terceira mensagem com o nítido emoticon. Ele viu saindo do ônibus, pois no exato momento, as meninas voltaram a gritar. Talvez ele ainda esteja na disputa pela garota e seus olhos brilharam. O telefone apitou de novo e ele voltou o olhar para o aparelho. “Cacete, to com saudades.” Também era dela. estava de volta na disputa.

*****


sentou na cama de , enquanto tomava banho e procurava alguma roupa em sua mala.
- Você vai falar com o ?
- Preciso, né? – balançava o corpo – E como você lidou com essa história do fandom ficar falando que você e o estão namorando.
deu de ombros e encostou na parede.
- Vou sobreviver. Eu sei que não é verdade. E você sabe como são os rumores nesse fandom, logo aparece outros e esquecem do anterior.
- Isso você tem razão, não que seja meu caso – o celular de vibrou então no meio de suas pernas cruzadas e ela pegou – Quem é?
- falou como se fosse culpada e então virou para trás.
- , sem brincadeira agora. Por que você, não sei lá, investe nele ou qualquer coisa?
- No fundo eu não superei o Phillip – ela sentiu o choro vir até a garganta. Não, ele não seria motivo para ela chorar – E eu não sei se eu poderia dar pro o mesmo carinho.
- Ta, não chora por favor – então abraçou a amiga pelo lado do corpo, enquanto ela franzia o olhar segurando para as lágrimas não escorrerem – O que você ta falando com o ?
- Contei pra ele sobre as meninas na rodoviária. E meio que deixei escapar que to com saudades – então trocou um olhar de confidência com . podia não ficar com , mas precisava superar Phillip – “Acho que na outra vida nós fomos namorados. Eu seria seu namorado se você quisesse, .” – as meninas iam responder quando tocou outra mensagem – “Eu também to com saudades.”
- Que declaração foi essa? – saiu do banho enrolada em uma toalha laranja e o cabelo em uma verde – Eu sei, to parecendo um ET.
- Um ET muito bonito – sorriu enquanto passava a mão no rosto.
- A e o estão trocando mensagens.
- Nós apoiamos – levantou a mão.
- Eu sou team sorriu – O Phillip é um besta, . No fundo ele estava morrendo de inveja que você ia conhecer a Europa inteira enquanto ele ia voltar pra Cardiff durante as férias. E o ta aí, praticamente suplicando pra ser o seu namorado.
- Deve ser – ela então sorriu para as amigas que as encaravam. Era bom demais estar com elas naquele momento – Minha vez de ir pro banho.
então pegou uma toalha e trancou a porta do banheiro. No momento que a água começou a escorrer no alto de sua cabeça, ela permitiu que as lágrimas caíssem. Ela havia superado o namorado, apesar de não ter sido fácil para ela, mas o motivo dela ter terminado com Phillip era o mesmo que a segurava de não descobrir como seria entrar em um relacionamento com . E aquele pensamento a assustava muito.
Enquanto tomava banho, as meninas discutiam quais eram os planos daquele dia e qualquer coisa que envolvia os meninos, eliminava como carta fora do baralho, deixando em maus lençóis, já que sentia certa urgência dentro de si para ver . Não se viam desde a manhã anterior, mas estavam na mesma cidade e se verem estava quase se tornando o ar que ela precisava para respirar diariamente.
Uma música começou a tocar no quarto. olhou para o celular e rolou os olhos, desligando o aparelho.
- Não vai atender?
- É o deu de ombros. Ela não ia se hospedar no hostel, estava lá com as meninas e sabia que mais cedo ou mais tarde, teria que encontrar – Deixe-o insistir mais um pouco.
- Posso confessar uma coisa pra vocês? – as meninas então se viraram para – Acho que eu não me acostumei com a presença do e ele ainda me deixa louquíssima cada vez que se aproxima de mim.
- Eu entendo – então jogou-se na cama que dormiria mais tarde, com o cabelo ainda enrolado em uma toalha – Eu ainda to tentando adivinhar o que o tem que me deixa entorpecida.
- Mas vocês estão juntos.
- E por que a gente não insiste em vocês dois? – se levantou ajeitando novamente a toalha na cabeça – Se alguém se aproximar do que não seja você, a gente sai dando tiro.
O telefone de tocou de novo e ela desligou.
- A gente vai encontrar com eles. Em algum momento – entrou no assunto fingindo que não tinha interesse no celular – e . e... – ela fez careta – Eu o amo, gente, e e .
- E entrando na igreja de dama de honra dos três casais – tinha saído do banho também enrolada em duas toalhas.
- Não, aí você vai ter três damas de honra quando casar com o piscou para ela, e então o celular de tocou de novo – Atende isso!
- Não – desligou – Deixe-o insistir só mais um pouquinho.

*****


Já era início da tarde em Berlim e os meninos estavam entediados. estava deitado no palco com o celular em cima da própria barriga olhando para cima. Antes eram seus amigos que estavam brigando para ele ir falar com , agora ela que não o atendia. Mas por diabos, será que as amigas dela não podiam brigar para que ela atendesse ao telefone também? tinha achado um patinete elétrico e estava dando voltas dentro da arena em cima dele enquanto brincava em cima de um skate.
- Vai cair! – o alertou antes de chutar uma bola para .
- Não vou – o garoto fez uma manobra onde o skate virou e ele caiu em cima de novo – Ei, eu to ficando bom nisso.
- Cara, a gente vai ficar fazendo o que o dia inteiro aqui? – chutou a bola novamente para – Sem Meet & Greet, passagem de som feita.
- E se a gente desse uma volta por Berlim? Tipo turistas?
- Pra você ver a ?
- E o ver a também, oras – riu – Vamos? – ele então tentou a mesma manobra de antes, mas desequilibrou e um pé caiu no skate, fazendo ele deslizar e o garoto cair de costas no chão – Ai que merda.
- ? – então foi passar a bola para , mas no momento ele viu o amigo caído no chão e sem querer sua mira foi em...
- Cacete, ! – gritou e desceu do patinete – Quer me matar?
- Foi mal! – o garoto gritou enquanto chegava perto de – Falei que você ia cair.
- Vai a merda – reclamou.
- Beleza, já rolou muito acidente. A gente precisa do Greg e do Paul, então a gente vai sair – tirou seu celular do bolso e digitou uma mensagem – , se prepara pra ter sua namorada de volta!

*****


- Ai, meu Deus! – colocou as mãos na boca assim que leu a mensagem em seu celular – “Não ir não é uma opção. Turismo em Berlim em meia hora. x
- Cadê o castiçal? – secava o cabelo e recebeu a língua das amigas – Eu juro que não ligo, se for pra conhecer Berlim, eu vou!
- O que eu respondo pra ele? – a menina estava desesperada.
- Não ir não é uma opção. Pergunta onde é pra gente se encontrar.
- Ai, meu Deus – então digitou novamente as palavras – Eu preciso de uma roupa!
- Você ta maravilhosa assim! – falou ao ver a amiga de short, camiseta dos Rolling Stones e um all star nos pés.
- Eu to de tênis!
- So whaat? – virou para ela e apontou para os próprios pés – Eu também!
- Mas você já pega o menino – fez bico – E agora a gente tem menos de meia hora – o celular dela tocou novamente – “Portão de Brandemburgo, nos vemos lá.” Onde fica isso?
- A gente vai achar – falou – Eu to pronta.
- Eu também – colocou a mochila de nas costas – Vamos encarar o possessivo.
- Ta bom, vamos logo – abriu a porta do quarto – Vem, !
- Certo – a menina então pegou sua bolsa e colocou no ombro, e saiu do quarto sem antes fazer um sinal da cruz – Seja o que Deus quiser!
Com a ajuda da simpática atendente do hostel que falava inglês fluentemente, elas caminharam durante dez minutos até o ponto turístico, que também serviria naquele dia, como ponto de encontro dos clubes da Luluzinha e do Bolinha.

*****



O Portão de Brandemburgo é como se fosse um arco do triunfo, para Berlim. É o único que sobrou de uma série de outras entradas da cidade. O lugar estava infestado de turistas do mundo todo tirando fotos. Não era para menos, para elas não havia nenhum significado, mas era um lugar muito bonito. Elas então ficaram fazendo poses na frente do local e alternando quem tirava a foto deles, quando uma mulher gentil se ofereceu para tirar alguma das quatro juntos na frente do portão.
- Eles estão atrasados! – gritou então quando a mulher devolveu a câmera e olhou no relógio – Já passou quarenta minutos do combinado.
Um ônibus vermelho de dois andares, muito parecido com o de Londres então passou por elas e o locutor falava no mega fone.
- A sua direita temos o Portão de Brandemburgo e eu não sei pra que porra isso serve.
- Porra? – então torceu o nariz ao ouvir aquilo. Que tipo de guia turístico falaria que não sabe pra que “porra” serve o monumento? Ela então se virou para o ônibus.
– Também temos na frente do Portão a irlandesa mais bonita do mundo.
- ! – ela então gritou e tampou a boca no mesmo instante. Depois que foram, em partes, reconhecidas na rodoviária, deviam estar em alerta.
- Sobem! – ele então falou pelo megafone e logo em seguida, outras quatro cabeças apareceram no último andar do ônibus, revelando , , e .
Elas então aproveitaram o trânsito que formou com aquele ônibus parado no meio do caminho e saíram correndo para dentro dele. Era estranho, pois normalmente ele estava cheio. No andar de baixo não havia ninguém, no de cima, somente os cinco meninos e Greg e Paul.
- Cadê o resto das pessoas que normalmente andam num treco desse? – perguntou.
- Greg só deixou a gente vir se um ônibus fosse exclusivo nosso – deu de ombros – Senta aqui do meu lado.
Ela então virou para trás encontrando , e , nessa ordem, atrás dela e as três fizeram contato com os olhos. sentiu seu rosto corar, mas então tomou coragem e foi em direção ao garoto. Atrás dela, finalmente apareceu no segundo andar e encontrou um lugar vago ao lado de , e outro ao lado de . Ela rolou os olhos. Eram dois amigos e de qualquer forma, não havia espaço para relacionamento no seu futuro.
- Ei – ela então optou sentar ao lado de , que sorriu e passou o braço pelo ombro dela.
- Oi, namorada – ele respondeu e ela sussurrou um “besta” pra ele. estava feliz.
Então subiu e encontrou um sorridente de braços abertos para ela. Eles estavam apenas “ficando”, mas o abraço e o beijo que recebeu dele eram como se fosse seu porto seguro. Ela então se aninhou no abraço dele, que voltou a atenção ao microfone.
- Próxima parada... Washingtonplatz!
- Virou guia turístico, agora? – ela sussurrou para ele.
- Virei. Preciso achar outro jeito de ganhar a vida já que andar de skate não é muito minha praia – então franziu o olhar para ele – Caí de skate hoje.
Ela então rolou os olhos e riu, indo sentar na primeira cadeira, ficando de frente para ele. era a típica pessoa que tentaria se meter em qualquer esporte sem saber nada dele, e a queda do skate era a prova daquilo. então finalmente teve espaço para entrar e pode ver lá no fundo, olhando para ela. Ele tinha um olhar de súplica, como se desculpasse pelo acontecido na noite anterior, mas em partes estava aliviado em vê-la. Não é como se eles estivessem acostumados a se ver esporadicamente.
- Desculpa – ele falou quando ela sentou ao seu lado.
- Que mais? – ela não olhou diretamente para ele.
- Você é minha namorada e é livre pra fazer o que você quiser. Inclusive se você não quisesse, eu sei que você não tinha vindo nessa viagem comigo.
- Eu odeio sentir sua falta, – ela disse claramente as palavras e virou-se para beijar ele – A propósito, suas fãs já me reconheceram hoje a hora que a gente chegou a Berlim.
- Já? – concordou com a cabeça e então contou para ele como foi.
A voz de voltou a ecoar pelo ônibus.
- Na nossa direita, temos a Washingtonplatz que eu também não faço bulhufas para o que serve, mas tem o nome da capital americana.
- Que tipo de guia turístico você é? – então chamou a atenção de – Sai daí!
- E você sabe o que é isso? – a encarou.
então se afundou no banco e sentiu um beijo na sua cabeça. encarou a amiga boquiaberta que estava sem reação. “Eu posso ser seu namorado se você quiser, Por que diabos a vida era injusta de vez em quando?
- Não, , eu não sei pra que serve!
- Então enquanto isso o guia vai continuar sendo eu!
- Qual é o próximo lugar? – gritou, desviando um instante da conversa com , e então continuou a falar com ele.
- O Obelisco da Vitória, senhorita falou e ela então não prestou atenção – O Obelisco da Vitória – ele repetiu para ver se ela prestava atenção. O garoto então se aproximou dela com o microfone – O Obelisco da Vitória, !
- Ai cacete! – ela pulou quando ele falou – Eu ouvi da primeira vez.
- E não me respondeu por quê?
- Porque eu não tava afim! – ela deu a língua para ele – E porque o é mais interessante que você.
Com exceção de , e , que estava com a boca no chão depois daquela resposta, todos os outros, inclusive , fizeram uma pequena vaia, sacaneando o garoto. Ele então fez um joinha para ela e voltou para a frente do ônibus.
- Como eu ia dizendo, o Obelisco da Vitória foi construído para celebrar as vitórias militares da Prússia sobre a Áustria, Dinamarca e França.
- Como você sabe disso? – estranhou. Não é possível que se nem pra que servia o Portão de Brandenburgo, ele saberia pra que servia aquele obelisco.
- Eu ouvi nos fones debaixo das poltronas antes de encontrar vocês.
- É o quê? – gritou lá do fundo e então tateou embaixo do banco até levantar o fone – Tem fone de ouvido e a gente ta ouvindo o falando?
- Droga – ele então largou o microfone sentando ao lado de .
- Finalmente! – se levantou e pegou o microfone – Nossa próxima parada é Berlin TauentzienstraBe – viu no folheto – E eu não sei o que é isso.
- Depois fala de mim – rolou os olhos, praticamente deitado com a cabeça no colo de , ele colocou seus óculos escuros.
Eles então continuaram conversando até chegar ao local indicado no mapa. Era um prédio e algumas lojas tinham suas vitrines para fora, até nos andares mais altos.
- Isso é um shopping – gritou quando chegaram – Me deixa que eu vou lá!
- Shopping? – também gritou observando o lugar – Vamos, !
- Não – puxou de volta para o lado dele.
- Você fica aqui – se levantou e a segurou, fazendo-a sentar novamente ao seu lado – Você não vai a lugar nenhum, entendeu?
Ela então fez cara de cachorro sem dono para .
- Eu só queria fazer umas compras – o ônibus continuou andando pela mesma rua – Não, a KaDeWe é sacanagem – era só a maior loja de departamentos de toda a Alemanha, talvez até da Europa – Cansei de passear com vocês.
- Patricinha – falou pra ela que deu o dedo do meio pra ele e então se levantou de novo, pegando o microfone – Seu último guia turístico está de volta, senhoras e senhores.
- Uuuuh! – então vaiaram para ele.
- Seus recalcados – ele continuou – Nossa próxima parada é... O Memorial do Holocausto.
- Sem brincadeira agora – falou tensa, já imaginando quando eles chegariam lá. então passou um braço pelo ombro dela como se tivesse a confortando.
- A Alemanha é um lugar incrível, mas tem um passado... – então sentiu um frio na espinha.
Parece que todas as pessoas dentro do ônibus de repente sentiram-se de volta a época de Hitler. Estavam todos calados, tentando absorver o que aquele local representava para os alemães. Era como se vários caixões estivessem sido colocados em uma praça para exposição. Era a parte podre da Alemanha, que todos os que sobreviveram à guerra queriam apagar do passado do país.
- Eu preciso tirar foto disso – então virou sua câmera para lá – Gente, eu quero passar logo esse lugar.
- É tão bonito, mas estranho – se levantou para ver de mais perto e segurava seu pescoço com as duas mãos. também se levantou e a abraçou pela cintura.
- Eu sabia tanto da segunda guerra mundial na escola, não imaginava que ia chegar a conhecer um lugar dedicado a ela – falou com .
- Relaxa que nada de ruim vai te acontecer – ele então puxou a garota para mais perto dele que então deitou a cabeça em seu ombro.
Era horrível.
- Aqui então tem um guardinha! – voltou a fazer palhaçada quando eles chegaram a outro ponto turístico – Dizem as más línguas que o Checkpoint Charlie era uma base militar das tropas aliadas – ele então virou para – Sou inteligente, ta orgulhosa de mim? E então, representava a divisão da Alemanha Ocidental e Oriental.
- Tira foto do guardinha! – falou para – Uma vida de fotos dessa viagem.
- Foto do guardinha – então virou para tirar foto – Mais informações, ?
- Então, nossa próxima parada é a Gendarmen... What? – ele então virou o folheto para – Como fala isso?
- Gendar...
- Dá isso aí – pegou o papel. Ela olhou por um tempo – Dizem que é a praça mais bonita de toda Berlim – ela concluiu – E é o que importa a gente saber!
- Greg, vem cá! – falou quando eles pararam em um sinal na frente da Gendarmenmarkt, e estendeu a câmera pra ele – Tira uma foto nossa!
O segurança então se equilibrou no vão dos ônibus enquanto os nove se aglomeraram e faziam caretas para a câmera. então foi a primeira a pegar a câmera de volta e seus olhos brilharam ao ver a foto. Estava em Berlim com suas amigas, fazendo um passeio turístico mais que interessante, os meninos do One Direction haviam se transformado em amigos, famosos, mas amigos, e ela estava sendo confortada por . Quem diria que aquilo ocorreria algum dia?
- Aqui temos uma ponte, e sabe-se porque essa ponte é famosa, mas ali temos o que interessa – ele apontou para um lugar longe – O2 World Berlin Arena! Fiquei sabendo que uma banda muito legal vai se apresentar lá hoje a noite, não percam.
- Eles são péssimos – ironizou.
- E você ta viajando a Europa inteira atrás deles por que, bonitinha? – retrucou.
- , cala a boca desse menino, por favor!
se virou para dar um selinho em , mas logo voltou a atenção ao microfone.
- Exibido! – gritou – Cantar você não quer, né?
- Calada, Future Mrs. – ele então conseguiu deixar roxa de vergonha, sem ter coragem de virar para o lado e encarar – Nosso roteiro está acabando, por favor, mantenham-se em seus lugares.
- Future Mrs. se esticou entre os bancos para próximo deles – Engraçado como as pessoas demoram para agir, né?
- Mas não é verdade, ? – então virou para trás – Dois namoradinhos, só faltam dar beijinhos!
- Qual a sua idade, garota? – esticou o braço para – Quem deixou uma criança viajar sozinha? Vou chamar o juizado de menores.
- tentou esconder que estava morrendo de vergonha daquela situação em que foi colocada – Você está do lado do , e ambos não podem falar nada.
- Vocês juram que meu nome precisa entrar na roda? – virou para trás.
- Prossiga, guia turístico – virou novamente encarando que estava incrédulo por, por pouco tempo, teve a atenção desviada para ele.
- Nós temos outra praça aqui, chamada Alexanderplatz – ele então olhou no folheto – É uma praça aberta, que bom, porque eu não sabia que existia praça fechada e também é terminal dos transportes públicos de Berlim, pronto, o passeio de vocês terminou.
- Sério? – pareceu então ter acordado durante o passeio.
- Sério, você pode ser o primeiro a descer, – o menino então deu uma olhada pros lados e se levantou.
- Ai, amor! – o puxou pela barra da camisa e o fez sentar novamente em seu lugar – Fica aqui quietinho do meu lado pra eu te amar mais, ta bom?
- Prosseguindo... – falou um pouco mais alto chamando a atenção de todos – Chegamos a Neptunbrunnen, uma fonte com a estátua de Netuno, como todos podem ver e invejem o cara... Ele tinha quatro mulheres em volta dele.
então deu um tapa na lombar do garoto.
- Ai! Maluca!
- O cara fica tanto na friendzone que às vezes morre de saudades de lá – gargalhou e deu um high five em enquanto passava a mão no lugar onde havia batido.
- Respeita tua mulher, ! – riu.
- Respeita porque você tem! – falou. abaixou a cabeça fingindo que não ouviu aquilo, e ela sentiu a mão de , atrás dela, dando leves tapinhas no ombro. percebeu o que tinha falado – Mas ele tem. Quantos outros gostariam de ter uma pessoa legal ao seu lado e não tem?
- Num tenta consertar, falou baixinho, escondendo seu rosto.
- Vocês podem então dar uma última atenção pra mim? – então pigarreou – Nosso último ponto turístico é o Lustgarten, também conhecido como Jardim das Delícias, por favor, apreciem essa praça linda que... Não tem nada – ele rolou os olhos – Esse foi nosso passeio por Berlim, onde quase tudo aqui não tem finalidade histórica nenhuma, obrigado.
- Espera aí! – se levantou – Quem vai pra Berlim e não vê o Muro de Berlim? – ele virou para o lado – Aqui já é o Portão de novo!
- A culpa não é minha se a gente foi mão de vaca e veio no ônibus que passa em menos lugares – deu de ombros – Sem muro pra gente. E é só um muro, pelo amor de Deus!
- É a divisão da Alemanha Ocidental e Oriental. Como assim “é só um muro”?
- Quer que eu faça o quê? Cancele o show pra você ir visitar o muro?
O ônibus então parou na frente do Portão de Brandembrugo e Greg se levantou.
- A van ta ali do outro lado da rua parada. Vai todo mundo descer, e sair correndo pra ela, entendidos? – , , e olhavam para o segurança – Vocês vão junto por segurança a vocês quatro.
- Ok – concordou.
Eles então desceram na praça onde fica o Portão de Brandemburgo. Ao invés de todos saírem correndo para a van, como ordenado pelo segurança, eles ficaram olhando para o local.
- Ta todo mundo aqui? – rapidamente contou nove pessoas com ela – Ô moça, tira uma foto da gente, por favor? – ela então entregou a câmera para a senhora.
Eles então se juntaram todos na frente do portão. pulava por trás dos meninos fazendo careta para a câmera, enquanto as meninas se reuniram na frente deles, um pouco abaixadas. Todos sorriram para a câmera e a gentil mulher tirou as fotos.
- É o One Direction! – ouviram uma voz estridente gritar e apontar para eles.
Como se fosse em câmera lenta as nove cabeças viraram para onde veio o grito, e viram algumas meninas correndo na direção deles, que então, correram na direção contrária, onde a porta da van estava aberta.
- Eu falei pra ir direto pra van, cacete! – Greg gritou entrando na frente das meninas, tentando contê-las.
Aos poucos eles entraram, , , , , , , , e por último , com um Greg praticamente sendo atacado vindo correndo com várias pessoas gritando na sua orelha. Ele consegui entrar e fechar a van rapidamente, quando o carro foi cercado por diversas adolescentes loucas gritando e batendo no vidro. O carro então conseguiu espaço e saiu pelas ruas alemãs, despistando as fãs. Greg sentiu que poderia metralhar cada um dentro daquele carro com o olhar, e se escondeu atrás do seu banco. A causadora do tumulto por causa de uma foto havia sido ela.
- Um dia eu ainda peço demissão por conta de vocês.
Logo eles chegaram por trás na O2 World Arena, despistando fãs e as meninas foram impedidas de seguir para as arquibancadas da arena.
Com exceção de que elas foram impedidas de sentar nos locais onde compraram os ingressos para aquela noite e assistiram o show atrás das cortinas e aparelhagens que formavam a estrutura do palco, não aconteceu nada de diferente. Eles responderam algumas perguntas de fãs e então finalizaram o show, indo logo em seguida para o camarim, onde as meninas estavam.
se jogou em cima de , que dava tapinhas para que ele saísse de cima dela porque estava suado e fez o mesmo com . Já foi até que bebia água e abraçou ela.
- Sai de perto de mim, seu nojento.
- Isso foi só por ter passado a tarde ao lado do e não ter dado bola pra mim.
- Isso são ciúmes? – ela ergueu uma sobrancelha.
- São – então beijou a bochecha da menina e a levantou do chão em um abraço.
então entrou no camarim e trocou de blusa, antes de ir falar com , que estava comendo umas uvas que haviam sido deixadas por lá.
- – ele sentou ao lado dela – Não sou muito bonito pós show, então a gente fica a essa distância.
- Você é o único que está apresentável nesse camarim, – ela sorriu – Obrigada pela companhia hoje de tarde.
- Imagina, eu que tenho que agradecer, meus dias com você são sempre ótimos – ela então se envergonhou – Bom, nós vamos sair hoje de noite, ou seja, daqui a pouco pra Hamburgo. Vocês vão pra lá, não vão?
- Com certeza!
- Eu mal posso esperar pra te encontrar por lá então – ele se levantou do sofá dando uma piscada para a garota que ficou sentada no sofá.
Mais tarde, todos eles se despediram, lá da arena. Os meninos e entraram no ônibus em direção a Hamburgo, enquanto , e foram para o City Hostel Berlim. mal podia imaginar o que tinha em mente.





11. So I’m coming back for you, Hamburg:

I’ve never been so into somebody before and every time we both touch I only want more.

O trem para Hamburgo partiria às 10h daquela manhã. Viver com aquela ideia de que tudo aquilo que elas estavam passando era realidade, ainda era um pouco difícil para as três. estava sendo azarada por , estava ficando com e ... Bom, estava curtindo aquela viagem, sempre tinha sido a favor de não pegar tranqueira, e apesar dos garotos remanescentes não serem “tranqueiras”, infelizmente não havia espaço para nenhum deles em seu futuro.
Depois de tomarem café da manhã no próprio hostel, onde conseguiram informações de como chegariam até a estação de trem, elas então fecharam as malas e caminharam até a esquina do hostel, onde passou um ônibus que iria direto até a Berlin Hbf. Foram cerca de dez minutos dentro do transporte público, passando novamente por alguns pontos turísticos e dessa vez, pelo outro lado do Portão.
Berlim, Berlim... Sentiriam falta da capital alemã.

*****



Uma das coisas que elas procuraram escolher nessa viagem foi a localização dos hostels em que elas ficariam. Precisava ser perto de algum lugar conhecido para pelo menos terem uma referência caso se percam, e com o Generator Hostel, não foi diferente. Ele ficava atravessando a rua da estação de trem, então após desembarcarem das 2h de viagem que separava Berlim de Hamburg, com alguns passos logo elas estavam na Steintorplatz, a praça onde ficava localizado a hospedagem para aquela noite.
- Cansei de brincar dessa vida – comentou puxando as duas malas, e então sentou no chão, no hall do hostel.
- Levanta daí, você ta parecendo uma mendiga – falou indo direto ao balcão para fazerem seus check-ins.
- Nós três chegamos num nível que estamos parecendo mendigas. Olha pra gente, a cara da riqueza passou longe – ela então apontou pro próprio rosto – E a gente já dormiu até em estação de trem, mendigas total!
- O que é sentar no chão do hostel? – deu de ombros e foi se jogando pra trás quando levantou novamente – Não contei pra vocês... – e então passou a mão no rosto – veio ontem com um papo estranho sobre nós nos encontrarmos em Hamburg.
- ? – a recepcionista então perguntou para elas. Era uma perseguição onde o mundo as reconheceria e saberia do que elas estão falando – Se for do One Direction, ouvi que eles estão num hotel muito perto daqui.
- É perseguição – então sentou ao lado de no chão e deu um sorriso irônico – Esses meninos viraram parte das nossas... – ela então olhou pras amigas – Ok, viraram parte da minha vida.
- Calada – então se virou para a recepcionista – Qual é o hotel?
- O Hyatt. Se vocês forem andando ele fica a sete... Oito minutos no máximo daqui – a mulher então devolveu os passaportes para elas – Bem vindas ao Generale e aproveitem Hamburg.
Elas então seguiram para o quarto e tiveram uma surpresa não muito boa quando abriram a porta, além de ter deixado decepcionadíssima, pois queria contar mais sobre o babado para as amigas. Em um dos beliches, na cama debaixo já tinha alguém dormindo. E o quarto era mínimo, praticamente um corredor, onde o único espaço que tinha para andar era a largura da janela. Duas pessoas não passariam por aquele espaço ao mesmo tempo.
- Já falei pra vocês que eu sou claustrofóbica? – estava parada na porta boquiaberta.
- Por que tem alguém que vai dividir o quarto com a gente?
Não era uma pessoa, não era uma garota. Era simplesmente um homem que estava sentado na cama, mexendo em sua mala, usando apenas uma bermuda.
- Acho que eu vou dormir na rua – sussurrou atrás delas – não vai curtir saber uma coisa dessas.
- Certas coisas você não conta – então deu um sorriso para a amiga – Sorria e acene. Entra logo, .
O homem era bonito. Dava a impressão de ter a mesma idade que elas, além de ter o corpo praticamente esculpido, fazendo com que as três tivesse um princípio de ataque cardíaco.
- Hej, jag är Sven! – ele levantou sorrindo, já com a mão estendida para cumprimentá-las.
- O que ele falou? – falou e ele então coçou a cabeça.
- Desculpe, eu esqueço que só eu falo sueco aqui. Eu sou o Sven... Da Suécia!
então apoiou o dedo indicador na boca semiaberta enquanto olhava aquele homem alto e loiro do olho azul, tipicamente nórdico e escandinavo. Mas que sorte dividirem o quarto com ele.
- Nós somos , e apontou enquanto falava os nomes – Somos da Inglaterra e da Irlanda.
- Reino Unido! Ótimo lugar, gosto bastante de lá. É a primeira vez de vocês na Alemanha? O que as trouxe para Hamburgo?
- Turismo – então entrou na frente de que ia responder, e deu uma pisada no pé da amiga, propositalmente – Estamos viajando e Hamburgo sempre foi uma opção enquanto planejávamos.
xingava mentalmente pela pisada no pé, mas logo entendeu a jogada da amiga. Sueco, gato, com o corpo bombado na frente delas. Obviamente não era uma opção contar a verdade de elas estarem lá.
- Eu estou a trabalho, inclusive estou atrasado para uma reunião – ele então deixou os braços caírem ao lado mostrando que vestia apenas uma bermuda – Nós podemos sair mais tarde para tomar uma cerveja nós quatro, o que acham?
- Per-fect! – disse pausadamente, e ele logo pediu licença, se trancando no banheiro – Da onde saiu esse homem, meu Deus ouviu as preces!
- Ele ta ali do lado – falou entredentes, apontando o banheiro com a cabeça – A outra cama de baixo é minha!
- A minha é em cima da correu jogar sua bolsa na cama de cima – , o sueco é seu.
- Com todo prazer – a menina então entrou pelo vão entre as duas camas, se espremendo entre e e colocou sua bolsa lá em cima. Ela então conseguiu subir e lá sentou – Acho que eu fico com essa roupa o dia inteiro.
- Não que tenha como abrir a nossa mala nesse quarto de clínica psiquiátrica – também sentou em sua cama – Deixa eu falar antes dele sair do banheiro. O ... Veio me perguntar... – ela falava pausadamente. Em partes de nervoso, em partes com medo do sueco ouvir – Se a gente se vê aqui em Hamburg, e eu to desesperada para saber o que ele quis dizer com isso.
- Ele quis dizer, se vocês vão se ver por aqui – falou como se fosse óbvio.
- Um homem nunca pergunta as coisas sem interesses – chamou a atenção da amiga – Olha o Sven.
arregalou os olhos.
- Pelo amor de Deus, . Não faça nada com as suas duas amigas dormindo no mesmo quarto.
- Iugh! – ela imitou então Summer Roberts, de The OC – Quem vocês acham que eu sou? Só um beijo nele, ninguém falou em nada além disso.
- Amém – fez o sinal da cruz e suspirou como se tivesse aliviada – Você vai saber logo o que ele quer, vocês já estão na mesma cidade.
- Ontem eu conheci um pub ótimo aqui perto – Sven então saiu do banheiro todo perfumado e fez sinal para cortarem a conversa – Que horas vocês acham que estarão aqui no hostel?
- Umas dez horas – calculou, baseando com o horário que normalmente acaba o show.
- Perfeito – ele então vestiu uma camisa, branca de botões, colocando por dentro da calça do paletó que ele tinha vestido dentro do banheiro – Nos vemos mais tarde – e então saiu do quarto.
- Sven! – entortou as mãos e disse arrastadamente o nome dele.
- Você ta parecendo o Gollum, para que ta me assustando – ergueu uma sobrancelha e logo em seguida seu celular tocou – Para com isso!
- Você é a única da viagem que ainda não pegou ninguém, riu ao ver a amiga enquanto mexia no celular – Pega o sueco.
- Não pego qualquer tralha, porém...
- ta perguntando onde eu tô. Eles vão sair em dez minutos do hotel pra arena, e minha criança quer a minha companhia.
- Vaza – apontou para a porta – É sério, vai ficar com ele.
- Mas, vocês...
- , dá no pé daqui e vai ficar com seu popstar.
- E o que vocês duas vão ficar fazendo?
- Ta vendo o tamanho dessa cidade? A gente acha alguma coisa, nem que seja dormir – então pulou sentada na cama – A cama parece ser confortável.
- Pelo amor de Deus, me liguem por qualquer coisa – ela então pegou sua bolsa – , leva meu ingresso?
- Você não vai precisar dele – ela rolou os olhos – Adeus!
- Ta bom, tô indo – abriu a porta do quarto e deu uma última olhada para as amigas que fizeram sinal para ela sair do quarto – Também amo vocês.
e então se entreolharam e caíram deitadas em suas camas. O quarto, mesmo que pequeno e claustrofóbico, era só delas.
- O que tem pra fazer nessa cidade? – estava com as mãos em sua nuca, deitada enquanto olhava pro teto.
- Não sei – estava da mesma forma, mas via o estrado da cama de cima – Confesso que eu to com preguiça de sair andando pra conhecer a cidade.
- É, não sei se tô com paciência também. Sabia que eu sempre achei que Hamburgo tinha esse nome porque era aqui que tinha sido inventado o hambúrguer?
rolou os olhos e riu.
- Você é ridícula, – ela não pode ver, mas a amiga deu de ombros, como se não ligasse para o que ela tinha dito – Vamos comer alguma coisa e dar uma volta aqui por perto?
- Acho que eu tô na vibe de ficar em fila de show hoje. Conversando, dando risada – riu – Vai parecer que tudo isso aqui é realidade.
- E é realidade – se levantou novamente – Vamos, se eu deitar de novo, ninguém me tira mais daqui.
- Certo – então pulou da cama, graças as suas longas pernas e pegou sua bolsa – Ingresso, passaporte, dinheiro e cartão estão aqui dentro, podemos ir.
Embaixo do prédio de onde ficava o hostel, existia um restaurante com comida de verdade. Elas optaram por sentar lá, na parte externa, onde as pessoas iam e vinham. Era domingo de férias, então a cidade estava mais cheia que o normal por causa dos turistas.
Elas então, depois do almoço, resolveram andar para o outro lado da linha de trem, onde parecia que as coisas aconteciam na cidade, e acabaram na frente de um shopping e decidiram passear por lá.
- Isso parece o apocalipse zumbi – olhou em volta delas, quando estavam na fila para pegar sorvete.
- Que foi? – olhava as horas no celular e não percebeu o que estava acontecendo.
- Todas as fãs de One Direction de Hamburgo estão aqui.
- Pelo menos ninguém falou que eu sou namorada de ninguém – deu de ombros e a encarou – Que foi?
- Let’s face it, então pegou o sorvete e ofereceu para a amiga, indo em direção a saída do shopping – E você e o ? Não sei qual é a dificuldade de vocês dois ficarem juntos.
- Não fala o nome dele aqui, pois estão olhando pra você – tentou não abrir a boca enquanto falava – Eu e o X, só por Deus. O problema sou eu?
- Eu acho que está rolando muito desencontro – elas então seguiram na rua por onde se estendia o shopping – Apesar de vocês não serem tão explícitos em relação aos sentimentos como a e o Y, é nítido que tem uma troca de sentimentos ali.
- E se eu falar que eu quero? – finalmente desabafou – Acontece que ele é muito popular pra tudo isso.
- Besteira, isso é desculpa sua.
- Eu quero! Pronto – tentou bater palmas, mas estava com uma casquinha de sorvete na mão – E você não entre nessa enrascada de gostar seriamente de um deles.
- Sim, senhora! – ela então fez continência com a mão livre – Por que as meninas estão virando essa esquina?
deu de ombros e assim que elas viraram, puderam ver uma multidão aglomerada na frente de um prédio. A resposta para aquilo era mais fácil que somar um mais um. Era nítido que sem querer elas chegaram no Hyatt e obviamente aquelas garotas estavam esperando o One Direction. Como tinha enviado uma mensagem mais cedo para falando que iriam para a arena, elas sabiam que os cinco meninos não estavam lá, mas a sensação de estar na porta de um hotel de um ídolo, ou amigos... Ou ídolo amigo era indescritível, e acabava sendo engraçado ver as reações das garotas a cada movimentação que vinha de dentro do hotel.
Elas então optaram por encostar-se à parede de um prédio que tinha do outro lado da pequena rua onde ficava o hotel apenas observando. Paul então apareceu na porta e abanou a mão para elas, que sorriram em retribuição. Algum tempo depois, apareceu pela porta do hotel e seus olhos as encontraram. A garota parecia ter ficado aliviada em ter visto alguns rostos conhecidos e contornou a multidão de meninas, que ficaram caladas olhando os movimentos dela, para ir de encontro a e .
- O que fazem aqui?
- Resolvemos sair pra conhecer Hamburg a pé e acabamos aqui – então diminuiu o tom de sua voz – Essas meninas aí meio que guiaram a gente.
- Elas aparecem aos bandos – então rolou os olhos – Vou dispensar o Paul e vou com vocês pra arena, combinado?
Então um grupo de umas cinco meninas se aproximaram a elas. Pareciam estar envergonhadas.
- – quando ouviu, arregalou os olhos para as amigas e então se virou – Você pode tirar uma foto com a gente? Nós somos team , mas adoramos saber a notícia que ele está namorando. E você é tão bonita!
- Obrigada – ela deu um sorriso sem graça e então se virou para as meninas – Vocês são daqui de Hamburg mesmo?
- Uma cidade próxima – uma delas falou e então entregou a câmera pra – Você pode tirar, por favor?
- A namorada do também – uma terceira garota falou apontando para .
- Eu não sou namorada dele, gente – deu risada enquanto rolava os olhos. Já tinha terminado seu sorvete e segurava o guardanapo na mão.
- Não tem problema – a garota respondeu para ela e então pegou em seu braço – Vem!
então meio a contragosto se reuniu para a foto. Aquilo era estranho, ela não era namorada de ninguém, ela não era famosa, onde estavam seus amigos para estarem no seu lugar naquele momento?
então devolveu a câmera para uma das garotas e suspirou aliviada. então se viu tirando umas fotos individuais com as meninas até que uma chegou em .
- Por um tweet eu posso falar que o gosta de você.
- Nós somos amigos – era respondeu balançando a própria cabeça, querendo acreditar nisso.
- Mas ele gosta de você – a menina então falou – Tchau, !
- Isso é estranho – falou quando as meninas se afastaram – Nunca na minha vida achei que iam pedir foto comigo.
- Confesso que eu tinha mais privacidade antes do me assumir, mas deixa, nós estamos felizes juntos e é isso que importa – ela então juntou as duas mãos – Vou pegar minha bolsa e a gente vai pra arena, combinado?
As três então caminharam novamente de volta a estação, onde e tinham desembarcado mais cedo e entraram em um trem direto para a O2 World Hamburg.

*****



Os portões tinham recém sido abertos quando as três chegaram à arena. se despediu de e com um beijo no rosto de cada uma e foi para o bakstage enquanto as duas foram para o backstage. Os ingressos eram front row e elas estavam ansiosas por aquilo.
Faltando cerca de quinze minutos para o show começar, pode ver e no backstage. Tinha prometido a que eles se veriam em Hamburg, e ele precisava cumprir aquilo. Então pegou seu celular e enviou uma mensagem para ela.
“Greg está te esperando na lateral esquerda do palco agora”, leu. Ela então mostrou para .
- Vai logo.
- Eu não vou te deixar sozinha aqui.
- Eu sou filha única, . Relaxa que eu sei bem me virar sozinha, vai logo!
- ...
- Vai – disse olhando de lado para ela.
ponderou bastante se devia ir e deixar ali sozinha, era sua amiga, mas também era que estava a intimando a se encontrar com o segurança. Após sussurrar um “fica bem”, para a amiga e abraçá-la, ela pegou sua bolsa e saiu de encontro ao segurança.
Greg estava parado esperando por ela e quando a viu, deu um backstage pass para a menina. Ela subiu um lance com quatro degraus e quando percebeu, estava na lateral do palco, perto de toda aparelhagem.
- Você veio! – então foi de encontro a ela, e a abraçou forte. Aquela pessoa, aquele perfume... Ela tinha certeza que qualquer dia morreria.
- Eu só fiquei com dó de deixar a sozinha – ela sussurrou no abraço do menino.
- Cadê a ? – então apareceu e ficou feliz em encontrar a amiga.
- Cadê a ? – a voz de ecoou pelo lugar e então, que aquecia sua voz, virou, procurando pela garota.
- Traz ela pra cá agora – o garoto praticamente ordenou – Cadê meu celular, eu vou mandar uma mensagem para ela.
- Não vai a lugar nenhum – um assistente de palco trouxe de volta para a lateral – Em seus lugares, dois minutos, meninos.
Naquele mesmo instante a introdução começou a tocar e as luzes da arena se apagaram. foi de encontro a .
- Ela me mandou vir e disse que ia ficar bem sozinha, .
- Ela vai ficar bem – disse mais para si mesma do que para confortar a amiga.

*****


O show não era o mesmo sem suas amigas, mas procurou se divertir mesmo assim. foi o primeiro a vê-la sozinha curtindo o show, em One Thing, quando ela fazia a mesma dança do clipe e então parava, olhando para os lados. Não era a mesma coisa sem elas. Quando seus olhares se encontraram, ela disfarçou um sorriso e abanou a mão para ele, que retribuiu esbanjando alegria. Alegria por ver ela, mas algo dentro dele dizia que a menina não estava bem.
então, sozinha, começou a pensar em seu futuro e tudo o que está praticamente reservado para ela. Sua mente voltou em Manchester com ela e as amigas se divertindo nas festas universitárias sem ter que pensar no futuro e só contando os dias para aquela viagem chegar. As músicas passavam uma por vez, e sentia-se cada vez mais sozinha. Aquela altura do campeonato todos os meninos já tinham a visto e tinham feito alguma brincadeira com ela. ficou fazendo careta e ela só deu um meio sorriso, enquanto todas as meninas em volta riam do garoto. Ele só queria fazer sorrir.
Então começou Summer Love, e sua mente viajou para um ano atrás.

FLASHBACK

Era verão, aquilo significava férias da faculdade e o fim do primeiro ano letivo no curso de Publicidade e Propaganda. Para , aquilo só queria dizer que estava cada vez mais próximo para ela ir para a ilha de Jersey com Phillip. A contra gosto de seu pai, ela aceitou passar uma semana com a família de seu namorado.
Ela e Phillip não tinham nada em comum, mas, ao mesmo tempo, ele era tudo para ela. Ele gostava de música clássica enquanto ela era vidrada em pop e rock. Ele fazia Medicina e ela Publicidade e Propaganda, mas, mesmo assim, os dois se completavam.
- Madame! – ele então deu a mão para ela quando chegaram no hotel que iriam se hospedar. Era de frente para a praia e apesar dos pais do garoto lá, seriam só eles.
- Eu vou ficar mal acostumada, Phillip.
- É pra ficar mesmo – ele então deu um selinho na namorada e entraram no hotel.
Eles acordavam juntos, tomavam café da manhã juntos e fazia tudo aquilo rindo.
- Eu vou jogar esse morango em você, se não parar.
- Não fiz nada – ela ria. Os dois estavam tomando café da manhã no quarto. Ele sentado na cama, e ela deitada no colo dele. A mão dela ia na planta do pé dele, e fazia cócegas.
Os olhos dele então fixaram no dela que brilhavam. Talvez por alegria.
- Eu já falei que eu te amo?
- Não hoje – ele então se inclinou e selou seus lábios no dela.
E na praia pareciam duas crianças.
- Phillip! – exclamou quando o namorado, jogando freesbee com o pai, correu por perto dela e voou areia nas costas da menina que tomava sol.
- Foi mal, – ele então chegou perto dela que então virou e o puxou, rolando por cima dele na areia.
- Haha!
- Eu tô em desvantagem.
- Quer ficar em vantagem então? – ele concordou com a cabeça e ela então levantou e saiu correndo – Vem me pegar.
Phillip então num impulso se levantou e saiu correndo praticamente correndo toda a extensão da praia atrás dela. Eles se amavam.
FIM DO FLASHBACK

A voz de um dos meninos ecoava por dentro da arena com o coro das meninas que cantavam junto. “Just promise that you won’t forget we had it all”, ela piscou algumas vezes para se situar onde estava e então percebeu sua visão turva, devido às lágrimas. Maldito futuro. Não dava mais para ficar ali sozinha. Ela então pegou sua bolsa e saiu esbarrando em todo mundo que estava em seu caminho até a saída da arena. Queria fugir daqueles pensamentos.
Os meninos então chegaram perto do palco após o fim da música e viu um buraco bem no lugar onde estava. Ele afastou o microfone da boca e virou para .
- Cadê ela?
arregalou os olhos. não podia simplesmente ter saído do show.
- Onde ela está? – ele então disfarçou e foi ate a lateral do palco onde estavam as meninas junto de Greg – Cadê a ?
- Ela não está no lugar? – arregalou os olhos.
- Ela deve ter ido no banheiro – deu de ombros.
- Não, a definitivamente não foi no banheiro – então pegou seu celular e discou o número da amiga. Ia direto para a caixa postal.
O show então acabou, e como já havia tornado quase que um costume, os meninos foram direto para o camarim e encontraram as meninas sentadas no sofá. , e estavam desesperadas alternando entre ligações para . se sentou ao lado de que não deu atenção para ele. Aquele momento ela estava com a cabeça em outro lugar.
- Onde ela pode ter ido? – então se aproximou de e , elas deram de ombros.
- A gente não conhece Hamburg. Talvez tenha voltado pro hostel, não sei.
- Acho que a gente deve voltar pra lá, falou para a amiga que concordou – você a viu no show não viu? Como ela estava?
- Mais triste impossível – o garoto confessou – Qual o problema?
- Phillip – então levantou e anunciou para todo mundo lá – A gente vai atrás da e quando a gente achar, nós avisamos.
- Qual o hostel de vocês?
- Generator Hostel – gritou já saindo da sala – É o mais perto da estação de trem.

*****



estava sentada em sua cama abraçada aos seus joelhos. Felizmente Sven não estava no quarto e ela podia chorar a vontade. Ela realmente gostava dele, mas ele podia entender que também tinha planos para seu futuro. Ela se assustou quando a porta se abriu e revelou uma e extremamente preocupadas.
- Quer matar a gente do coração?
- Desculpa. Mas eu tava lá sozinha, e então eles cantaram Summer Love, eu lembrei da viagem pra Jersey com o Phillip... A vida é uma merda!
- Primeiro você vem pra minha cama pra gente conversar e poder te abraçar – pediu para a amiga que com lágrimas nos olhos, desceu e logo então sentiu o abraço das amigas – E , já fazem quase seis meses. Você precisa superar ele.
- Eu sei. Mas eu tenho aquela coisa ridícula de primeiro namorado, e primeira vez, e a minha viagem de verão com ele e os pais – ela olhava para cima, como se aquilo fosse conter as lágrimas – E um cara maravilhoso me tratando como uma princesa durante essa viagem. Eu não mereço o , do mesmo jeito que eu não merecia o Phillip.
- Não fala isso – passou a mão carinhosamente na cabeça da amiga – Você não vai mesmo contar pra gente porque vocês terminaram pra gente poder te ajudar?
Ligia então suspirou, elas realmente não acreditavam na história da viagem.
- Eu juro que na hora certa – ela mordiscou o próprio lábio.
No mesmo instante o celular de tocou e ela se afastou da amiga para poder atender.
- Eu to na recepção do hostel.
- Eu vou aí te buscar – então desligou – está morrendo de preocupação por você ter sumido e está aqui embaixo.
- Eu não mereço se ele também gostar de mim.
entrou no quarto e seu coração partiu em pedaços quando ele viu chorando e ele nem ao menos sabia o motivo. Ela aceitou o abraço dele e afundou seu rosto no pescoço do garoto.
- Eu te conheço não fazem nem duas semanas e você é especial demais pra mim, sua ridícula – ele sussurrou no ouvido dela, que deu uma risada abafada – Nunca mais me assusta desse jeito.
- Ex namorado! – ela então fungou.
- Quem é o palhaço que eu desço a mão nele.
- Você que é ridículo, deu um leve tapa no braço dele – Digamos que é uma mistura do passado com o futuro e os dois não estão se dando muito bem.
- Vai me contar?
- Eu juro que nunca mais olho na cara dela se ela te contar sem ter falado pra gente – riu – E eu tô falando sério.
- Todo mundo vai saber na hora certa.
Eles então sentaram no chão e ficaram rindo. olhava para e seus olhos conseguiam ver apenas uma garota bonita, chorona e ridícula, mas que ele levaria pra sempre como uma amiga. estava próximo dela por causa disso, porque ele se deu tão bem com ela, que encontrou uma amiga e ele não queria passar daquilo. Ele não passaria daquela linha da amizade entre os dois.
A porta então do quarto se abriu, revelando um Sven ainda com a roupa que ele tinha saído mais cedo, mas com um olhar intrigado. Havia um outro homem naquele quarto e não era ele.
- – o garoto, que estava deitado na perna de e com as pernas em cima da cama de , esticou a mão para cumprimentá-lo.
- Sven – o homem então cumprimentou – Acho que eu sei quem você é. Minha irmã mais nova gosta de você.
- Sério? – o homem concordou – Tem um papel e uma caneta aí?
- Claro – Sven então mexeu em sua maleta e de lá tirou uma folha de papel, e a caneta do bolso da camisa – O nome dela é Alexa.
- Alexa – então escreveu um recado e autografou, devolvendo para Sven – Provavelmente ela não vai acreditar que eu estou num quarto de hostel, então fala que foi na rua.
- Pode deixar, obrigada – Sven então sorriu – Vamos pra nossa cerveja? Uns caras do trabalho estão ali embaixo esperando.
- Hm.... – então passou seus dedos no cabelo do amigo, seu rosto ainda estava inchado – A gente vai passar, obrigada.
- Tudo bem – o homem então saiu do quarto.
- Quem é esse cara? – apontou para a porta.
- Nosso roommate – riu – A ficou toda com fogo no rabo pra ficar com ele mais cedo.
- E o sabe disso? – balançou a cabeça negando – Pra ficar com aquela tralha pega o , .
- Já tem fã me chamando de “namorada do ” – ela falou e arregalou os olhos – Pois é. Mas sem Sven, e sem . Hoje a noite seremos só eu, , e .
- Me colocaram pra dentro do clube da Luluzinha – ele então gargalhou.
então foi embora umas 2h da manhã. Sven não tinha chegado da bebedeira e as meninas tinham que acordar cedo para irem para Zurique na manhã seguinte. Aproveitaram que o único homem do quarto não tinha chegado e programaram o celular para poderem dormir em paz. Talvez ele roncasse, e empataria o sono das três.

*****



- Acho que é isso – guardava umas coisas dentro de sua mala – Tchau, Alemanha.
Era manhã cedo do dia que partiriam para a Suíça e elas acordaram para poderem chegar a tempo no aeroporto. Sven dormia na cama de baixo e elas procuravam fazer o menor barulho possível, mas agradeceram por ter dormido com a cortina aberta, fazendo com que a luz do sol entrasse no quarto e iluminasse para elas.
- Que voz decepcionada foi essa? – perguntou pra amiga enquanto fechava uma de suas malas.
- “Eu mal posso esperar pra te encontrar em Hamburgo” – ela reproduziu as falas de dois dias atrás de – Eu posso perceber mesmo.
- Ele te chamou pro backstage, oras – passou a mão no braço dela, confortando-a.
- Eu não vou reclamar, sabe? Milhões de meninas gostariam de estar nos nossos lugares e eu realmente agradeço e aprecio esse convite, mas eu esperava mais.
- Eu to entendendo o que ela quis dizer – se levantou do chão e puxou a mala junto – Temos conosco, e pega . e se veem com frequência, ou seja, a gente vai acabar vendo eles e você vai ver o .
- Vocês vão abusar de mim e da minha criança?
- Nossa amizade sempre foi baseada nisso – deu a língua – Desde quando o Paul falou que você ia ser a primeira a desencalhar. Apenas um jogo de interesses.
- Mas tô bem das amigas mesmo – riu e no mesmo momento, um celular começou a tocar alto – Atende logo pra não acordar o sueco da .
- Tralha, como o mesmo disse – ela deu de ombros, a gente pode ir descendo, né?
- Vamos, vamos! – fez sinal para abrir a porta do quarto no instante em que silenciou o celular, mas ficou branca – Qual o problema?
- É o – a luz do celular piscava anunciando uma nova chamada enquanto a mão dela tremia. Ela suspirou fundo e então colocou o telefone na orelha – Oi, .
- , eu te acordei, não?
- Não, eu e as meninas já estamos fazendo check-out no hostel para ir pra Zurique – ela mentiu. Ainda estavam no quarto, mas o futuro era aquele – Bom dia.
- Bom dia e por favor, passe o dia comigo, eu te imploro.
Ela então sentiu sua cabeça rodar e encostou-se na parede, se não cairia no chão.
- Como assim? Eu tenho reserva e voo. Você está querendo dizer na Suíça?
- Não, hoje, aqui em Hamburgo. Nós temos day-off e vamos ficar por aqui. Eu já fiz uma reserva no seu nome aqui no Hyatt e seu voo eu peço pro Paul mudar pra amanhã, por favor?
viu e olhando ansiosas para ela, querendo saber o que ambos falavam no telefone. A menina sentiu uma última esperança crescer em seu peito. Talvez fosse aquilo que ele tenha dito sobre eles se verem na cidade. Ela fechou os olhos e por meio segundo pensou. Talvez se não fosse aquela hora, não seria nunca mais.
- Nos vemos em breve então, ! – ela desligou e olhou pras amigas – Eu encontro vocês em Zurique amanhã.
- Como assim??
- Meu coração falou mais alto que a minha razão. Eu posso até chegar na Suíça xingando toda a geração dos , mas eu não quero xingar todas as gerações dos por não ter tentado.
- Se arrepender de ter feito do que não ter feito, tá certa – abraçou a amiga – Mantenha a gente informada?
- Ai, meu Deus – fechou os olhos e então os abriu novamente – Mantenho!
- Então boa sorte – a abraçou forte – Dedos cruzados.
- Torçam por mim – então atravessou a praça e foi em direção a ponte que dava acesso ao outro lado de Hamburgo.
e ficaram vendo sumir pelos quarteirões e então deram as costas e entraram na estação, onde elas pegaram um trem para o aeroporto. Nenhuma das três tinha ideia do que aconteceria. Tanto em Hamburgo, quanto em Zurique.

*****



Quando virou para trás, já não conseguia ver mais e . Estaria, em partes, sozinha na Alemanha, mas era por ela. Preferia se decepcionar tentando a não tentar. Ela então atravessou a linha do trem e chegou ao outro lado de Hamburgo. Era o mesmo caminho que ela e tinham feito no dia anterior e então passou novamente na frente do shopping, e chegou a esquina.
A frente do hotel estava com o dobro da quantidade de pessoas que anteriormente ela havia visto e a entrada do hotel estava impossível de ser vista. então respirou fundo e continuou seu caminho, e quando chegou próximo ao povo, ela começou a rodear, procurando por uma brecha para ela poder se aproximar da entrada. Não havia nenhum sinal dos meninos, felizmente não havia gritos, e uma menina com a blusa “Senhora ” cruzou a frente da garota.
Ela rolou os olhos e bufou. Se avisasse que já estava lá, conseguia imaginar a quantidade de gritos que a presença do garoto lá transformaria. também já era marcada nas fãs. Seu pensamento foi em e , que deviam chegar no aeroporto. também era um rosto conhecido. “E ela não é nada do !”, de repente se pegou pensando um tanto quanto revoltada pela amiga. também não conseguiria colocar ela pra dentro do hotel. Estariam as duas em um mato sem cachorro.
Para felicidade dela, um segurança, que ela identificou como do hotel e não dos meninos, a viu de malas e pediu espaço para pessoas ali aglomeradas para que ela pudesse passar.
- Qual o seu nome?
- – ela então sussurrou no ouvido do segurança.
- Ótimo – ele então abriu um espaço na grade para que ela, sua bolsa e suas duas malas passassem.
Um funcionário do hotel então pegou as malas dela e logo levou para dentro do hall, sendo seguida pela menina.
O lobby do Hyatt ficava em uma diferença de andar da onde entrava. Era apenas quatro degraus mais baixo e no meio dele havia uma sacada circular onde era possível ver lá embaixo. No teto, um mosaico de vidro e a decoração inteira em tons cleans e de madeira. Ela rolou os olhos. Cerca de uma hora mais cedo ela estava dentro de um quarto claustrofóbico e minúsculo.
- Senhorita! – ela reconheceu aquela voz e se virou. Greg vinha em direção a ela, com um largo sorriso – Como passou a noite?
- Ótima, Greg! – ela retribuiu o sorriso – E cuidamos muito bem do .
- E a senhorita , foi encontrada?
Ela concordou com a cabeça.
- Mas não ache que ela não recebeu uma bronca minha, da e até do por isso. E cá entre nós? – ela fez sinal para ele se aproximar – Ali só rola amizade.
- Acontece – ele então colocou as mãos no bolso da calça – Vamos fazer seu check-in?
- Isso é insanidade – e então respirou fundo – Vamos.
Realmente, havia uma reserva já feita em seu nome. Depois de apresentar seus documentos e ser informada do seu quarto, Greg a guiou para o salão de refeições. Quando ela chegou lá, encontrou na mesa do café com , e um sonolento.
- Você realmente veio – se levantou e foi em direção a ela, abraçando.
então aceitou o abraço e afagou o braço dele. Ela encostou o rosto na curva do pescoço do garoto enquanto sentia o cheiro do perfume dele. Era cedo, a vida não havia realmente começado ainda e ele estava exalando um cheiro melhor que uma loja de perfumes.
- Vim – ela sorriu e se permitiu dar um beijo na bochecha dele – Oi, meninos.
- Bom dia – e responderam juntos enquanto só balançou a cabeça.
- Cadê a ?
olhou no relógio em seu pulso.
- Ela e a devem estar decolando agora pra Suíça – então falou enquanto sentava na cadeira vaga entre e , na mesa redonda.
- Três dias sem então se conformou – Mas deixa ela passear e morrer de saudades dessa pessoa maravilhosa aqui.
- Oi? Três dias por quê?
- Amanhã a gente vai voltar pra Londres – falou trazendo um prato do buffet para a menina que sorriu agradecida – Meio que pra cumprir compromissos.
- Posso perguntar? – ela estava meio indecisa em relação a aquilo.
- Aguarde e verá – sorriu de um jeito para ela que chegou a fechar os olhos.
- E a também? – permitiu perguntar aquilo depois de ter visto a menina chorando horrores na noite anterior.
enrijeceu quando ouviu a garota sendo mencionada. Ele tinha medo de saber o que havia acontecido naquele hostel e por que diabos nenhum dos seguranças o impediram de ir para lá após o show?
- Depois do quanto vocês dois fizeram a gente rir ontem de noite – ela sorriu pro garoto que parecia ter aceitado a resposta com um aceno de cabeça – E então, quais os planos para hoje?
- Isso é com o piscou e se levantou – Acho que eu preciso dar as caras um pouco ali fora do hotel.
- Boa sorte – gargalhou – Você vai precisar.
- o chamou quando já havia dado dois passos para longe deles – Não faça nada que deixaria a brava.
O garoto franziu o rosto e então saiu balançando a cabeça, sem saber o que a garotinha tinha dito com aquilo. Ela então riu com a confusão dele e virou novamente para a mesa, encontrando jogado em cima da mesa, e encostado na cadeira, como se estivesse dormindo lá.
- E então, quais os planos para hoje? – ela então sussurrou para .
- Já conheceu a cidade? – ela negou com a cabeça – Topa fazer isso comigo... E com o Greg? – ele rolou os olhos, como se não tivesse gostado da ideia.
- Greg é um cara legal, – ela deu um tapinha no braço dele, que então sorriu. O sorriso de era ímpar, ela sentia sua cabeça girar cada vez que via – Vamos, eu topo!
- Eu imaginei que você seria companhia mesmo – ele então se levantou – Vamos que o dia vai ser longo.
- Vamos!
Eles então subiram para os quartos. O dela ficava no mesmo andar e corredor que o dele, mas assim que entrou, a menina fechou a porta para se trocar. Ela encostou por um tempo na porta recém fechada e ficou encarando o quarto. Suas malas estavam em um canto e o cômodo era parecido com o lobby. Bastante claro, mas com madeira como material principal. Ela foi até o banheiro, que ficava ao lado da cama, em duas grandes portas de correr e olhou para a figura no espelho, enquanto estava apoiada na pia.
- Ta tudo certo, . Sem priar cânico – ela então assoprou uma mecha que estava caindo pela lateral de seu rosto e rapidamente pôs atrás da orelha – Você já fez turismo um dia com ele. Vocês passaram uma tarde juntos em Berlim – ela então respirou novamente – É o – ela então fez bico e se aproximou mais ainda do espelho – E você vai dar um jeito nessa cara de ontem agora – então balançou a cabeça como se estivesse concordando consigo mesma e foi até sua bolsa, onde estava sua nécessaire.
A menina então passou uma maquiagem leve no rosto, mais para disfarçar as olheiras que aquela viagem louca estava lhe dando. Ela trocou a calça que usava por um tênis e uma sapatilha, ficando com a mesma blusa e então ouviu batidas na porta.
- Você está linda! – ela falou para si mesma dando uma última olhada no espelho.
Então a menina deu alguns passos largos até a porta e achou que desmaiaria quando a abriu. estava encostado no batente da porta enquanto seus dedos tocavam sua testa. A outra mão estava no bolso da calça e ele mordiscava o próprio lábio. teve certeza de que ela tinha morrido e aquela era a visão do inferno, porque aquilo definitivamente, não era de Deus.
- Pronta? – o garoto a perguntou e então ficou em posição normal novamente, com as duas mãos no bolso essa vez.
- Claro, só estava pegando minha bolsa – ela então se esticou até a cama e alcançou a alça da bolsa, e a pôs no ombro – Vamos.
a acompanhou até o elevador e logo eles estavam novamente no lobby. Greg se juntou a eles e logo veio no encalço.
- Onde vocês vão? – ele pulava atrás de .
- Passear por Hamburgo.
- Eba! Posso ir junto?
- Não! – se virou e o menino parou na frente dele. Foi como se um balão bonito e colorido tivesse sido esvaziado e se tornado algo sem graça.
- Coitado, saiu em defesa de . Ela não queria que ninguém atrapalhasse, mas ele não precisava ter dito assim pro garoto tão animado – Liga pra , ela vai adorar conversar com você.
- – ele bateu palmas animado – E ... Não fica com esse ogro não.
- Retardado – continuou andando com próxima a ele, enquanto sua mão tocava nas costas dela, como se a guiasse.
Greg teve certa dificuldade para afastar as fãs que impediam a passagem até o carro que estava na porta do hotel. foi a primeira a se aventurar pelo meio das pessoas e de cabeça baixa, conseguiu entrar no carro. Era uma garota, a única preocupação das pessoas era saber quem estava lá e logo depois um foi praticamente arrastado para dentro do carro, enquanto era ao mesmo tempo, atingido por gritos e várias mãos que tentavam encostar e segurar o garoto. Greg entrou atrás dele e fechou a porta, quando o carro ganhou velocidade.
- Desculpe por isso – ele sussurrou no ouvido da garota que sentiu sua nuca arrepiar.
A menina então sentiu o braço do garoto passar pelos seus ombros e olhou pela janela. Uma Hamburgo que ela até então não tinha visto passava rápido do lado de fora enquanto o carro viajava em uma velocidade constante. A cidade era a segunda maior da Alemanha, somente perdendo para Berlim.
Hamburgo é uma cidade portuária, onde fica o principal porto do país. Não possui construções muito altas, dando um ar de cidade do interior, mas possui muita história por conta da sua idade.
Após visitarem, rapidamente por conta das fãs, alguns prédios antigos e com aparência medieval, como Rathaus, o prédio da prefeitura e algumas igrejas, como St. Nikolai, St. Jakobi, St. Petri e St. Mikaelis, eles então pararam em volta do Lago Alster.
- O que é aquilo? – se apoiou na barra da ponte em que estavam e envergou o corpo.
- Parece uma mulher – riu, a puxando de volta para o lugar – Uma mulher tomando banho no lago, é isso?
- Mas que pornografia – ela riu e fingiu que fechava o olho – Apenas um lugar deplorável. Fecha o olho, !
- Ta com ciúmes, ? – ele se virou para a menina.
ria como se aquilo fosse a coisa mais engraçada do mundo e com o sol batendo nas lentes dos óculos escuros dela, parecia que transformava aquilo em um brilho natural e fazia com que sua pele tivesse encapada com algum pano de textura macia. Ela não pode perceber, mas o fato dela achar graça em um monumento no meio do lago de uma mulher sem roupa, fez o dia dele se tornar melhor do que estava anteriormente.
- Você ficou com vergonha, – ela então procurou se controlar.
- E você com ciúmes porque eu fiquei olhando a mulher tomando banho, oras.
- E se eu tiver ficado? – ela se aproximou do rosto dele e então deu a língua, se afastando de novo.
- Não faz isso, – ele a aconselhou – Eu não respondo pelos meus atos.
- Fazer o quê? – ela se aproximou novamente e mostrou a língua de volta, mas dessa vez seus braços foram presos pelas grandes mãos do garoto.
- Exatamente isso – ele então fixou seu olhar no dela.
Greg sentiu um clima diferente pairando naquele lugar e após disfarçadamente olhar para os lados para ver se não havia algum perigo para e , ele pegou o celular e se afastou, fingindo estar interessado no aparelho.
- ... Nós não estamos numa floresta e tenho quase certeza que não vai pousar uma barata em mim – ela sussurrou e então mordeu seu próprio lábio.
- Tenho medo de fazer uma coisa que eu quero muito e você não responder da mesma forma.
- Você só vai saber isso se agir – ela o incentivou.
então largou o braço dela e encostou sua testa na da menina. tinha a respiração pesada e ansiosa, enquanto seus olhos encaravam os grandes do garoto. Ele aproximou seu rosto cada vez mais do dela até que os narizes se tocaram e logo em seguida as bocas. O rapaz abriu levemente sua boca, e então deu uma leve mordiscada no lábio dela, engatando em um beijo.
gostava de uma história clichê, e em sua cabeça, fogos de artifício saíam em volta daquele lago, para celebrar o momento. Ela então levou uma mão até a nuca do garoto e aproximou os corpos deles. No primeiro momento, não se importaram de estar em um local público, mas depois foram diminuindo o ritmo daquele desejo fervoroso que ambos estavam sentindo, até voltarem a encostar as testas novamente.
- Espero que não seja esse o momento em que eu tomo um tapa no rosto.
- Eu não faria isso com você – ela então o abraçou forte e sentiu o braço dele passar pela sua cintura.
- Senhorita, – a voz de Greg apareceu, e eles se soltaram, mas instantaneamente seguraram na mão um do outro – Nós podemos já ir para o próximo e último ponto turístico?
- Claro – eles então seguiram o segurança, enquanto fazia brincadeiras com sobre a mulher que tomava banho no lago.
A última parada dos dois foi na Jungfernstieg, uma das principais praças da cidade. O local estava cheio de alemães e até turistas, que apenas se deslocaram até lá para apreciar o pôr do sol na cidade alemã. se posicionou atrás de e a abraçou pela cintura, enquanto apoiava seu queixo no ombro dela. Aquele dia com aquela companhia tinha mais do que valido a pena.
- Obrigado por ter aceitado passar o dia comigo – ele falou perto do ouvido dela enquanto viam o sol abaixar até o dia se transformar noite.
- Obrigada pelo convite e não me deixar ir pra Suíça – e então se virou para frente dele, passando as mãos pelo pescoço dele – E obrigada por não desistir.
- A espera valeu a pena – ele então deu um selinho longo nela.
Assim que escureceu, eles optaram entrar no restaurante Alex, que ficava na própria praça, mas com vista para o Lago Alster. Greg, como sempre, estava sendo bastante discreto e ficou em uma mesa afastada, mas com o olhar em cima dos dois.
O dia passou num piscar de olhos para e quando ela se deu conta, já estava novamente no Hyatt. As fãs haviam dispersado, talvez por já ser um pouco tarde, e eles conseguiram entrar no hotel com facilidade. Não viram nenhum dos meninos e após dispensar o segurança, subiram para os quartos.
Eles se beijaram mais uma vez na porta do quarto da garota antes que fizesse menção de quem queria entrar no quarto dela.
- Boa noite, – ela o cortou, e deu um selinho no garoto.
- Acho que esse foi o fora mais sutil que eu já levei – ele retribuiu o selinho - Vou pedir para te ligarem da recepção pra te acordar quando for pra sairmos pro aeroporto.
- Tudo bem – ela sorriu envergonhada por ter dado um fora nele. A situação era completamente diferente de quando ela estava na França. Nunca mais iria ver aquele homem na sua frente, enquanto ela tinha ainda uma longa viagem atrás de .
- Boa noite, – ele então piscou e deu as costas, indo em direção ao seu quarto.
fechou a porta e escorregou por ela até sentar no chão e abraçou seus joelhos. Se aquilo era um conto de fadas, ninguém deveria acordá-la. Seu relógio marcava pouco mais de 11h da noite, então ela vasculhou sua bolsa até achar o celular. e tinham que estar acordadas, pois ela não aguentaria até o dia seguinte.





12. You always will be my summer love, Zurich:

Don’t look at me that way, just promise you’ll remember when the sky is grey.

desembarcou no dia seguinte em que viveu aquele sonho, no Aeroporto de Zurique, capital da Suíça. Ela usava óculos escuros e colocou suas duas malas em um daqueles carrinhos próprios para as bagagens. Se a vida dela dependesse por falar com e , desde a noite anterior, ela estaria enrolada. As amigas não atendiam ao telefone e nem lhe davam sinal de fumaça pelas redes sociais.
Ela bufou quando precisou entrar no trem que a levaria do aeroporto para a Estação Central, e teve que abandonar o carrinho onde estavam suas malas. Com sorte chegaria ao centro de Zurique até meio dia.
“Já pousei em Zurique e estou indo pra estação. Me encontrem lá!”, ela digitou a mesma mensagem para e . Alguma delas tinha que olhar no celular. E então sua cabeça encostou-se ao encosto do trem e voltou para a Alemanha e o dia anterior. Parecia que a natureza era o principal cartão-postal de todas as cenas bonitas que acontecia, e estar ali em volta daquele lago e ser beijada por , foi como estar em uma cena da Disney onde o príncipe beijava a plebeia e todos os pássaros e animais celebravam.
A garota rolou os olhos ao pensar nessa comparação ridícula com a Disney, mas abriu um sorriso e colocou as duas mãos no rosto para disfarçar a felicidade. Já estava contando as horas para encontrá-lo novamente, e ver como a situação dos dois ficaria. Ela então balançou a cabeça como se fosse óbvio, ele reservou um quarto no Hyatt apenas para ela passar o dia livre com ele. Óbvio que eles teriam uma história.
O trem perdeu velocidade e ela então olhou para os lados, percebendo que já havia chegado a Estação Central de Zurique. pegou suas malas e se preparou pra desembarcar. Ao fim da plataforma, encontrou tomando sorvete sentada em uma cadeira, enquanto estava de costas, em pé, na frente da amiga.
- Bom diaaaa! – falou e então se virou, para ver a amiga.
- Conte-nos tudo, não nos esconda nada – ela bateu palminhas e então largou as malas, e apoiou sua bolsa, que antes estava no ombro, em cima de uma delas.
- Rolou – ela então permitiu aquela palavra sair de sua boca, enquanto a abraçava, e ficava boquiaberta – E onde vocês estavam que não poderiam atender meu telefonema mais que urgente?
- Dormindo – sorriu para ela, que arqueou uma sobrancelha – Certo, nós estávamos na balada ontem de noite.
- Eu conto tudo pra vocês, vocês me contam tudo, mas com a condição de que a gente vá pro hostel porque eu to arrependida de trazer duas malas imensas pra essa viagem.
- A gente vai a pé pro hostel.
- Então cada uma vai levar uma mala minha – deu de ombros e ajeitou novamente sua bolsa em seus braços.
O City Backpacker, hostel que elas haviam reservado para aqueles dias na cidade, não ficava longe da estação, a menos de um quilômetro. Como foram um dia antes para a Suíça, e já conheciam aquela região praticamente de olhos fechados, principalmente porque era no centro da cidade.
ia toda empolgada no caminho falando sobre a noite anterior. Quando passavam por alguma adolescente, ela diminuía o tom de voz. Não estava pronta para compartilhar com mais alguém, que não fosse suas amigas, sobre aquela história. e prestavam atenção a cada detalhe que ela falava, e esporadicamente soltavam alguns “Ooooh!”, como se achassem tudo aquilo maravilhoso.
- Ele até quis entrar no quarto, na hora de dormir, mas eu segurei um pouco o freio do riu, enquanto atravessavam uma ponte – Tipo, óbvio que eu não dormiria com ele.
- Conta outra, .
- Não naquela noite! – ela deu a língua – Quer dizer, não é porque eu sumi por Paris com aquele francês, que eu tenho que fazer o mesmo com o .
- O francês você nunca mais vai ver, já o ...
- Exatamente isso que eu pensei, ... Mas continuando, eu fiquei horas encostada na porta, tentando falar com vocês e pensando o que tinha acontecido e tentando falar com vocês. Foi um negócio meio “Wow, eu peguei o – ela então parou a frase – Quer dizer, nós nos pegamos – e riu.
- E hoje, como que foi?
- Hoje... Ai... Um recepcionista ligou no quarto pra me acordar, então eu pulei da cama, tomei um banho e me arrumei. Eu achei que tipo, ok, vamos direto pro aeroporto, mas quando abri a porta lá estava aquele pedaço de mal caminho mordendo os lábios me esperando pra tomar café da manhã.
- Ai, meu coração – pôs uma mão na testa e fingiu que desmaiaria.
- E então a gente desceu de mãos dadas direto pro restaurante, e os meninos estavam lá e super tiraram sarro do . Inclusive, – ela se virou para a amiga – Seu homem me falou “Eu te disse que era pra você não ficar com esse ogro.”
- Que saudades dele – fez bico.
- Eu sei que logo depois disso eu fui na van pro aeroporto com eles. Eu fiz check-in na Swiss, e eles fizeram na British. Meu avião saiu mais cedo pra Zurique e eles devem estar chegando em Londres agora.
- LONDRES? – e pararam no meio do caminho virando pra ela – não me falou que eles iam voltar pra Londres. O que eles foram fazer lá?
- Alguma coisa de trabalho, eu não sei. Eles não quiseram me falar. A gente vai meio que descobrir junto com todo mundo.
- E a ?
- Foi junto com o , meio que pra evitar outra discussão ridícula e sem fundamento que nem quando rolou dela ir com a gente pra Berlim – ela deu de ombros – E a balada de vocês?
- They don’t know how to party! então virou uma esquina – Balada na Suíça não rola, ou a gente que escolheu mal.
- Acho que não rola mesmo – gargalhou – Pra você ter noção, a teve que chegar em um menino, porque o suíço bonitinho era tímido!
- Mas e aí, pegou?
- Claro que não! O menino não sabia nem conversar.
- Nosso placar continua 2, 1, e 0! – mostrava os números com os dedos – 0 por pouco tempo, não é?
- Eu preciso sair do zero mesmo? – ela franziu o rosto fazendo as amigas, que balançavam a cabeça positivamente, rirem – Então deixa a gente chegar a Barcelona.
- Ai, Barcelona – abanou a mão como se estivesse com calor – Mas eu realmente tenho a intenção de estagnar nesse placar.
- Duas! – deu um high five na amiga e logo elas estavam na frente do hostel.
O City Backpacker fica em um calçadão de Zurique, e passaria facilmente despercebido, se ninguém prestasse atenção. abriu a porta e arqueou uma sobrancelha.
- Pelo menos tem uma máquina de Coca Cola – ela apontou para um canto.
- É feio a primeira vista, mas nada como um amor à segunda vista, pra você não se encantar com esse lugar – a levou até o balcão.
Após ter feito check-in, elas subiram até o primeiro andar onde ficavam os quartos. O delas eram um quarto sêxtuplo, com três beliches, mas não havia outros hóspedes além das três. As camas eram de madeira, e nas janelas havia uma cortina que aparentava ser velha e puída.
- Isso era a melhor coisa que a gente achou em Zurique?
- E que o nosso bolso permitiu – deu de ombros e então deitou em sua cama – Se eu fosse você pegava a cama de baixo que está sobrando, antes que a gente passe a ter companhia.
- Ok – então foi até a cama do canto, jogou sua bolsa no colchão, e sentou na cama, abraçando os joelhos – A gente ainda vai ficar junto, não vai?
- Claro que vai – entendeu a pergunta e sorriu – Assim como eu e o . A e o...
- Mas vocês tão doidas pra eu ficar com alguém.
- , você é a única amiga encalhada.
- Normal, não é? Sempre sou eu que to segurando vela mesmo.
- No verão do ano passado você estava namorando...
- Assunto encerrado – ela sorriu paras amigas e juntou os dedos da mão direita, como se aquilo fizesse o assunto morrer – Quais nossos planos pra hoje?
- Chocolates suíços! – imitou uma foca com um sorriso de orelha a orelha.
- Zurique não é uma cidade que só tem, praticamente, museus? – lembrou-se daquilo e então viu as amigas murcharem com a ideia – E se a gente esquecer os museus e ir comer... Ir comer... E a gente come mais um pouco.
- Chocolate! – se empolgou – Vamos, que hoje eu vou parecer uma bola ambulante.

*****



- Isso aqui é uma perdição – mordeu um pedaço de um chocolate.
- Chocolate é orgásmico – também mordeu, e logo em seguida pôs a outra metade da boca – Eu podia viver de chocolate pro resto da vida.
- Fala de boca fechada, sua porca – alertou a amiga antes de também colocar um pedaço em sua boca.
Elas estavam na rua Bahnhofstrasse, uma das mais famosas de Zurique, sentadas na frente da loja de chocolates Sprüngli, recomendado pela recepcionista do hostel. Alguns bondes eventualmente passavam por lá, e elas já haviam andado desde a estação, por toda a longa extensão da rua, passando na frente de lojas de marcas famosas. O almoço foi no restaurante Zeughauskeller. A rua era cheia de bandeiras do país e as pessoas na rua falavam alemão, já que Zurique ficava na parte alemã da Suíça.
- Não existe nada melhor no mundo que isso – se espreguiçou e olhou para as amigas, que estavam sem a entender – Eu to com vocês, em Zurique, comendo chocolate.
- Nós já comemos chocolate juntas em Manchester.
- Não eram chocolates famosos – então pegou mais um pedaço – Engraçado como essa viagem começou a sair dos eixos.
- Nem ta tão ruim assim, vai.
- Não, não estou falando que está, , longe de mim. Só é meio bizarro tudo o que está acontecendo. Vocês duas tão praticamente namorando.
- Me inclua fora disso – esticou o braço com o dedo indicador levantado – Meu, que eu não sei se é, relacionamento, mal tem 24h.
- Mas você e o ainda vão se ver de novo, entendeu? Foi isso que eu quis dizer.
- Chega uma hora que é até estranho pensar que você ta com o menino do One Direction. Porque não é dessa forma que você olha pra ele.
- Eu entendo o que a ta querendo dizer. E mais, eu acho que a gente já foi no show de Manchester com essa visão. O que trouxe a gente até Zurique e vai nos levar até Lisboa, é a música. Eles podiam ser uns babacas que tem música legal. A gente ia super nos decepcionar, mas pelo menos a gente não ia se envolver com eles.
- Posso confessar uma coisa? – se virou pras amigas – Sabe qual a visão que eu tinha, e em partes ainda tenho, do ? – as meninas soltaram um murmuro que ela entendeu que era pra continuar – Sabe aquele cara da faculdade, que é gato, todo mundo paga um pau, inclusive você, ele é muito legal, mas você sabe que ele nunca vai olhar pra você? Esse é pra mim.
- Você já namorou esse cara gato da faculdade, olhou para ela que arqueou uma sobrancelha – E de qualquer forma, o olha pra você.
- O falou pra você ficar com o ! Qual é a dificuldade, ? Você não superou o Phillip, é isso? – parecia estar inconformada – Acho que só você não vê que o gosta de você.
- Acho que o no fundo ta vendo todos os amigos de banda dele estarem com alguém, e ta achando que vai sobrar, então ele se interessou por mim – ela falou ‘se interessou’ fazendo aspas com os dedos – Eu acabaria sendo o consolo dele – ela rolou os olhos.
- Sem essa de “She says it’s not real”, em relação aos sentimentos do menino. Você que ta com medo de entrar em uma relação – praticamente jogou a verdade na cara da amiga.
- How come she’s so afraid of falling in love! praticamente declamou a frase de “She’s Not Afraid” pras amigas – Eu acho que ele não quer se ver sozinho.
- Primeiro que ele não seria o único da banda solteiro, o também está solteiro.
- Não quero aquele ridículo – ela deu a língua ao falar do amigo. Amigo, porque depois da noite que eles passaram os quatro rindo, quando ela saiu correndo do show de Hamburgo, transformou a ligação que estranhamente os dois tinham, em amizade.
- E segundo... – levantou o segundo dedo, cortando a amiga, que antes havia lhe cortado – Se o sentimento dele não fosse real, eu não ia ver o puto quando o mencionou seu nome no momento que eu cheguei no Hyatt.
- É O QUÊ? – então gritou, voltando ao assunto – Conte-me mais sobre isso.
- É isso! O , inocentemente, me perguntou como você estava já que te viu aos prantos. Eu respondi que você tava muito bem depois de vocês dois terem nos feito rir a noite inteira. O rolou os olhos e bufou, sendo que dois minutos antes, ele estava muito bem. Foi só o tocar no nome dela, pronto. Explodiu.
- Ciúmes – concluiu – O pior cego é aquele que não quer ver, .
- Ou seja, o cara gato da faculdade que “nunca” vai olhar pra você, olhou. De novo!
- Pra que inimigas quando eu tenho vocês na minha vida, não é mesmo?
- A gente está dando o maior apoio moral do mundo, e nos chama de inimigas? Ofendeu, , ofendeu!
- Tá bom, vocês estão certas. Então listem três coisas que comprovam que o gosta de mim, e até a hora da gente dormir eu digo pra vocês se eu dou uma chance pra ele ou não.
- Três? – gargalhou – Na Antuérpia ele te puxou pela cintura pra dentro da piscina com ele e depois ficou todo preocupado se você ia ficar doente. Só aí são dois itens, mas eu vou contar como um. Segundo...
- Ele te mandou uma mensagem falando “eu seria seu namorado se você quisesse, ”. Isso também vale por todos os motivos do mundo, mas é só o segundo da nossa lista – ironizou.
- Terceiro, ele não pode te ver, que os olhos do menino brilham. Fora o quanto ele foi carinhoso com você, praticamente te tendo nos braços dele durante nosso tour por Berlim, homem nenhum no mundo faz isso se não ta interessado.
- E só pra dar um tapa na sua cara, quarto, ele morre de ciúmes de você. Fim!
- Mas vocês sabem ser persuasivas mesmo, hein? – bufou – Tudo bem, ele pode realmente gostar de mim. E eu vou pensar – ela abriu um sorrisinho de lado.
- Ta sorrindo! – passou a mão pela cabeça da amiga enquanto desarrumava o cabelo dela – Você sabe que a gente ta falando verdade e que isso é pro seu próprio bem e felicidade.
- Macumba a gente faz pra inimiga – piscou pra ela.
- E aí, gente! Ele gosta de mim, como viver depois disso? É o cara popular da faculdade!
- Você dá a chance pra ele e joga sua sorte no vento, pra ver aonde vai te levar. Vai ser feliz, .
- Eu amo vocês! – riu – Pra onde a gente vai agora?
- Aquilo ali em cima é uma montanha cheia de neve? – apontou – É verão, mas num é possível que não role esquiar na Suíça, vocês topam?
- A gente não tem nada pra fazer amanhã mesmo – riu e então se levantou – Vamos pro shopping hoje de noite?
- Certas coisas nunca mudam, nem em outro país – concordou e então se levantou.
As três saíram pela rua em direção ao lago de Zurique e de lá voltariam pro hostel.
- Já pensou se nós três saímos em um encontro triplo com os meninos?
Depois de irem ao hostel, tomarem banho e se arrumaram, logo elas estavam prontas para ir a um shopping. Só queriam comer alguma coisa e ver algumas vitrines. Um táxi as levou até o Sihlcity, um dos maiores shoppings de Zurique, que ficava relativamente próximo ao hostel, cerca de nove minutos, porém já era tarde para ir a pé, e nenhum transporte público levava direto do hostel até lá.
- A gente já jantou, a gente já viu as vitrines. O que a gente faz agora?
- Vai no cinema? – parou na frente do painel que indicava os filmes que estavam passando – O que acham?
- Eu acho que aquele é o Phillip – estava virada para outro lado, vendo um garoto.
Phillip, o ex namorado dela, costumava fazer viagens com a família durante as férias de verão. Secretamente, as amigas tinham uma certa inveja de . Ele tinha a barba rala, o cabelo espetado, e o rosto bem poligonal. Era o Adam Levine da Medicina em Manchester. E ele estava lá, a dez metros das meninas, no mesmo shopping, em Zurique.
- Aquele é o Phillip, apoiou-se no ombro da amiga, que estava enrijecida.
- Essa é a hora que a gente dá a volta e vai embora pra ele não nos ver – ela deu as costas – Vai logo.
- ? – a voz ecoou e atingiu o ouvido de . Por que não se virou quando ela falou que devia?
então franziu os olhos e se virou. O garoto abriu um sorriso torto, de lado, ao ver a ex namorada, e voltou a se apoiar novamente na amiga, dessa vez numa tentativa frustrada de protegê-la de algo.
- Oi, Phillip – mordeu os lábios e relaxou o corpo – Ta tudo bem, .
- Que surpresa você, vocês três na verdade, aqui na Suíça!
não percebeu, mas fez um sinal com a cabeça para e elas se afastaram. Um dia foram casal, e se as coisas realmente aconteceram da forma que contou, aquela história estava realmente inacabada.
“Who are we to be emotional? Who are we to play with hearts and throw away it all?”
- Eu posso te abraçar? – o garoto abriu os braços e ela concordou, sentindo rapidamente os mesmos braços e o mesmo cheiro de antes em volta dela – Eu senti sua falta.
“Oh, who are we to turn each other’s heads? Who are we to find ourselves in other people’s beds?”
fechou os olhos tentando absorver aquilo. O motivo pra ela ter terminado com ele de repente veio em sua cabeça e ela segurou para não chorar. Sua mente já estava totalmente voltada para , mas o motivo dela não poder ficar com o garoto, é exatamente o mesmo dela ter posto um fim naquela relação antiga.
Ela até então não tinha pronunciado uma palavra. Em partes estava em choque por rever o garoto, que estava como sempre, cada vez mais bonito. Em compensação, ela não sentia a mesma falta dele, igual ele sentia.
“Oh, I don’t like the way I never listen to myself. I feel like I’m on fire, I’m too shy to cry for help. Oh, I don’t think you know me much at all.”
- Então, Zurique! – ele se afastou dela – Você realmente veio naquela viagem com as meninas? Como estão sendo os shows?
Phillip apoiava ela naquela viagem. Que desculpa esfarrapada.
- Ótimos – ela finalmente falou e então sorriu, juntando suas duas mãos – A gente até conheceu os meninos da banda.
- Mentira? – o garoto empolgou – Eu sempre falei que vocês eram sortudas e conseguiriam. Quando é o próximo show?
- Daqui a dois dias, aqui na Suíça mesmo.
- Legal – os dois se calaram, deixando um clima tenso, e pesado.
“This love is be and end all, this love will be your downfall. This love is be and end all, this love will be your downfall. I’m feeling down about this love.”
- Então, você realmente vai…
- Vou – ela o cortou rapidamente – Desculpa, Phillip, mas eu não abro mão disso de jeito nenhum.
- Você merece, – ele se aproximou dela – A gente poderia dar um jeito, se você aceitasse voltar comigo.
“Who are you to make me feel so good? Who are we to tell ourselves that we’re misunderstood? Oh, who am I to say I’m always yours? Who am I to choose the boy that everyone adores?”
- E você sempre foi tão incrível, Phillip – ela então sentiu uma lágrima escorrer em sua bochecha – E meio que já existe outra pessoa – ela mordeu o lábio – Com ele não vai dar certo do mesmo jeito que não daria eu e você.
- Dói – ele deu uma risada sem graça – Ouvir da garota que você ama, que já existe outra pessoa pra ocupar seu lugar na vida dela.
- O nunca vai ocupar seu lugar – ela então percebeu que tinha revelado o nome da outra pessoa que estava em sua vida e aquilo lhe deu um estalo. já havia tomado parte de sua mente e estava impossível fugir daquilo – Você foi o primeiro na minha vida, e sabe disso – ela passou a mão pela bochecha do garoto, que era nítido, estava segurando todos os sentimentos – E você sempre vai ser uma pessoa especial pra mim – ela então passou o braço pelo pescoço dele e o abraçou – Eu nunca vou te esquecer, Phillip.
“Oh, I don’t see a reason why we can’t just be apart. Now we’re falling on each other like we’re always in the dark. Oh, I don’t think you know me much at all.”
- Eu posso te esperar o tempo que for.
- Você vai ser feliz, Phillip – ela então encostou sua testa na dele, e beijou sua bochecha – Você vai encontrar alguém que possa te dar aquilo que eu não posso.
- Nenhuma delas vai ser você.
- Não se você ainda pensar em mim – ela sorriu – Eu preciso ir, mas eu espero que você seja feliz, do fundo do meu coração. Só te desejo o bem.
- E eu todo o sucesso e admiração do mundo, pequena – ele então a chamou pelo seu antigo apelido carinhoso. não era nem de longe, uma pessoa pequena, e é exatamente por isso que ele a chamava assim.
“This love is be and end fall, this love will be your downfall.”
Ela então deu dois passos para trás e se virou, deixando o ex namorado ali, um tanto devastado. Ela sentiu as lágrimas escorrerem pelo seu rosto, não por arrependimento, mas porque ela odiava ver as pessoas tristes, e principalmente quando ela sabia que a causa daquilo havia sido ela.
Ela encontrou e sentadas em uma mesa apenas aguardando por ela e abriu um sorriso amarelo.
- Como você está?
- Triste por ver o Phillip triste – ela apoiou-se numa das cadeiras da mesa – Se vocês não se importarem, acho que eu passo o filme e por mim nós podemos ir embora já.
- O que ele falou? – estava curiosa. Também era amiga do garoto.
- Que ele queria voltar. Mas não existe lugar pra ele no meu futuro, do mesmo jeito que não existe lugar pro .
- Eu odeio o fato de você esconder da gente o que está acontecendo, mas pra tudo se dá um jeito. Se existisse espaço para um dos dois na sua vida, qual você escolheria?
- Honestamente? – suspirou – O .
- Então isso quer dizer que você superou o Phillip – se levantou e a abraçou – E você precisa de uma pessoa nova na sua vida. O é louco por você.
Então o celular de vibrou no bolso de sua calça e ela pegou.
- Que ironia – ela virou para as amigas, onde o nome de estava brilhando na tela. Ela então deslizou o dedo pela tela – “Já ta dormindo? Ou se divertindo? Quais os planos pra amanhã? Já quero te ver. x
- Acredita na gente? – então a amparou e as três foram para a entrada do shopping atrás de um táxi.
“Saindo de um shopping e indo direto pro hostel, esquiar nos Alpes Suíços no verão amanhã. Será que isso vai dar certo? Também quero te ver. x
Eles passaram o trajeto todo trocando mensagens. Ele falando que tinha conseguido ir para casa ver sua família, ela rindo dele.
“Me poupe, , eu não preciso saber se você dorme de cueca no seu quarto.”
“Queria saber se eu causo alguma coisa em você com isso.”
já estava no hostel, sentada em sua cama. e já estavam dormindo, e ela com o celular na mão abraçada às próprias pernas. Ela mordeu seu lábio.
“Você não precisa me falar isso pra causar alguma coisa em mim.”
“É? Eu já falei que posso ser seu namorado se você quiser.”
controlou a altura da risada ao ler aquela mensagem.
“Tô ligada. Quando eu quiser um namorado eu vou atrás de você.”
“Ouch!”
Ela colocou a coberta no rosto, para não rir com aquilo.
“Você sabia que o fuso horário de Zurique fica uma hora depois do de Londres, então aqui já é uma hora mais tarde?”
“Vai dormir, já passou da hora de criança estar na cama.”
“Já estou na cama. E a criança aqui é você, não se esqueça que eu sou mais velha.”
“Não fala que você ta na cama, . Eu sou homem pô!”
“BESTA! Haha, boa noite, .”
“Te adoro muito, . Boa noite.”
Ela sorriu com aquela mensagem e deu uma última olhada no relógio. Tinha certeza que dormiria a viagem inteira até Interlaken, mas a causa era boa. Ela então plugou a bateria do celular, que já estava na tomada, ao aparelho, e colocou embaixo do seu travesseiro, se aconchegando.
levantou fazendo protestos naquela manhã em Zurique. Decidiram esquiar, nas palavras dela, a menos de 12h, não era justo que ela fosse obrigada a estar de pé, depois de passar horas conversando com por mensagem, fato que ela omitiu das amigas, alegando não ter conseguido dormir por remorso do que havia falado para Phillip.
Ela não sentia remorso. O passado entre os dois foi muito bom, e ainda doía nela algumas vezes que lembrava do tempo em que passaram juntos, mas sentimentos, definitivamente, não existiam mais. A única coisa que doía era ver alguém que foi tão importante para a garota, estar machucado. E a culpa era única e exclusiva dela.
A viagem até Interlaken, era dividida em duas. Um primeiro trem, que levava cerca de uma hora, de Zurique a Berna, capital da Suíça, e um segundo trem, que dessa vez levava de Berna até a própria Interlaken. Mesmo com as amigas reclamando, conseguiu tirar um leve cochilo na primeira viagem, porém não conseguiu pregar os olhos no segundo trecho.
Elas conversavam durante a viagem, quando o celular de tocou, anunciando uma nova mensagem.
- Ai, é o ! – ela disse animada e então buscou o aparelho em sua bolsa – Não, minha mãe?
- Que bom, a minha não lembra de mim, você ta no lucro – deu de ombros.
- WHAT? – ela soltou um grito mais alto que o esperado e então colocou a mão na boca – “Filha, eu estou na internet, e acho que vi uma foto da com o cara da banda que vocês estão perseguindo. Eles estão namorando?”
- É O QUÊ? – então pegou o celular e leu vinte vezes a mesma mensagem na esperança de que em algum momento ela alterasse – Como assim?
- E eu que sou a namorada do ? – arregalou os olhos e então pegou seu celular na bolsa – Eu preciso achar isso.
se afundou na cadeira e colocou as mãos no rosto. Era óbvio que ela e não estavam sozinhos com Greg em volta daquele lago. Provavelmente seu rosto já estava estampado em algumas revistas no Reino Unido, em todas as bancas com uma mensagem sensacionalista “ com nova namorada?” ou quem sabe “Tudo sobre a nova peguete do membro da One Direction”.
Provavelmente já haviam feito uma pesquisa ridícula e estavam falando sobre seu estilo ou se seu corpo era certo ou não. Imaginava a foto da sua carteira de habilitação percorrendo as páginas da internet com montagens ridículas feitas por “Futuras Senhoras ” que nem a conheciam, mas já a odiavam. E SEUS PAIS? Como explicar a eles que ela está na capa de uma revista beijando alguém.
- Eu vou me jogar na ferrovia – ela rodou a cabeça, enquanto ainda olhava no celular.
- Sem priar canico – a amiga riu, mexendo no aparelho – Suas fotos estão lindas e a Sugarscape está falando bem de você.
- Provavelmente que eu sou uma gorda ridícula... COMO ISSO FOI ACONTECER?
- Você e o estavam em um lago e pá, se beijaram, alguém tirou foto e publicou. Foi assim.
- Mas você brinca, ? – ela ironizou e então a amiga mandou beijos – Deixa eu ver isso.
passou seu celular pra que pôs uma mão na boca a medida que rolava os dedos pela tela do celular. Havia fotos só dela e de , conversando, então ela com os braços em volta do pescoço dele, eles se beijando, e eles de mãos dadas. esticou um olho na tela.
- Vocês formam um casal bonito – e a menina então abriu um sorriso ao ouvir aquilo, com o olhar ainda fixo no celular – “ foi visto pelas ruas de Hamburgo com uma menina misteriosa. Bonita e de estatura média, ela é o número certo dele. Quem é ela, de onde veio? Sugarscape aprova!”
- Alguém gosta de mim.
- A gente gosta – piscou para ela, e então sentiram o trem perder velocidade – Preciso confessar algo, eu não sei esquiar.
- Isso realmente é um problema – rolou os olhos e então devolveu o telefone para ela.
Interlaken é uma região localizada no coração dos Alpes Suíços, e é formada por lagos e montanhas cobertas de neve, mesmo no verão, devido a sua altura. É de lá que se pega o trem até o Top of Europe, o local mais alto da Europa, e onde elas esquiariam em uma estação.
- Eu não sei esquiar – elas então haviam alugado roupas próprias para neve, e estavam sentadas em um teleférico que as levavam até uma pista de esqui para iniciantes.
- Você vai aprender na marra – deu dois tapinhas nas costas da amiga – , ta tudo bem aí atrás?
- Tá frio! – a menina murmurou do teleférico que vinha logo atrás – Que brincadeira sem graça é essa de neve no verão?
- Vocês aceitaram – riu – A gente está chegando no topo, por favor, preparem-se para descer o Top of Europe.
- A gente vai até lá embaixo? – arregalou o olho.
- Não, não se preocupa, é só uma pista. Preparadas?
- Sim! – fez sinal positivo.
e pularam juntas do teleférico direto na pista de esqui, sendo seguidas por . então se sentiu um pouco confusa, mas logo pegou o jeito, vendo as amigas já lá na frente.
- Eu to me sentindo no clipe de Kiss You!
- Looking so good from your head to your feet cantarolou enquanto imitava os meninos no clipe – Ai, sem brincar e não cair, .
- Por favor – e ela estavam próximas uma a outra sentindo as rajadas de vento cortar suas bochechas – Cadê a ?
A menina olhou para trás com a intenção de ver a amiga, mas só vultos passavam por ela e achou melhor olhar novamente para frente. Onde quer que estivesse, provavelmente estaria se dando bem.
se perdeu em pensamentos durante a descida, enquanto contava para , na noite anterior, que esquiariam. “Eu não sei esquiar!”, ela confessou para o garoto. “É só olhar sempre pra frente, não tem erro, ”. Estava com a cabeça totalmente no garoto. Quando foi o momento da vida que de repente eles se conheceram, e um passou a se interessar pelo outro e eles chegaram ao ponto de trocar mensagens durante a madrugada? Ela rolou os olhos, e ainda havia encontrado Phillip, pra deixar sua cabeça mais a mil. Não sentia mais nada pelo futuro médico, mas um ex namorado sempre é o passado de volta a sua vida. “Já disse que eu posso ser seu namorado se você quiser.” Por que a vida era tão injusta com ela? Então a menina sem perceber desviou da pista, e encontrou com uma árvore.
- Ai, caralho – ela se viu abraçada na árvore e tinha um ponto vermelho escorrendo – Como eu sou retardada.
A equipe de segurança da estação de esqui logo se aproximou, ajudando ela e em um carro, a levaram de volta a estação, para fazer curativos.
- Eu que sou idiota e vim esquiar sem saber – ela murmurava enquanto olhavam sua testa – Cadê as meninas?
Foi ela falar, que e entraram correndo a enfermaria do local, vendo a amiga sentada em uma maca, recebendo curativos na testa.
- Você é retardada ou o quê?
- Eu falei que não sabia esquiar, – ela então murmurou, fazendo cara de cachorro sem dono – Mas valeu a experiência de conhecer os Alpes – e então fez um joinha.
- Como você cortou a testa, ? – se aproximou enquanto uma mulher dava dois pontos.
- Abracei a árvore – ela sorriu, achando graça naquilo – Eu meio que me perdi em pensamentos pensando no .
- Mas vocês já estão nesse clima?
- Não, besta – ela deu a língua – É que ele falou que esquiar era só olhar pra frente e ir. E eu fui. Enfim, eu pensei em tanta coisa que nem vem ao caso agora. Até o Phillip entrou na roda.
- Se eu soubesse que isso ia te deixar abalada a ponto de querer se matar, eu tinha deixado a ideia de lado – estava horrorizada com o fato de que a amiga havia cortado a testa – , como você não sabia esquiar?
- Nunca fui uma boa menina pra mamãe me levar na pista de esqui. Mas eu sei patinar no gelo.
- Mesmo? – a observou enquanto ela balançava a cabeça concordando – Então a gente vai ou patinar, ou conhecer por aqui, pra logo a gente poder voltar pra Zurique.
- Ótimo – a enfermeira então se afastou, e pôs a mão na testa, sentindo um esparadrapo – Quem disse que eu não vou voltar pra casa com uma lembrança?
- Como você consegue fazer piada numa hora dessas?
Depois do ocorrido, já estava no meio da tarde, então elas então almoçaram por lá e passaram um tempo na pista de patinação no gelo, onde realmente provou que sabia andar em cima de duas lâminas finas.
O dia havia sido cansativo. A troca excessiva de trens até chegar ao topo mais alto da Europa além de esquiar, e patinarem o dia inteiro, as fizeram chegar até Zurique só o pó da capa do Batman. Após descerem na estação, elas optaram por um táxi. Não havia perna que as levariam até o hostel. Quando o carro parou na viela, foi a mesma coisa que verem suas próprias casas. Nada mais importava naquela noite além de um banho e a cama.
- Como foi? – a simpática atendente da noite as recepcionou.
- Maravilhoso – então apontou para a testa – E sem ironia, provavelmente foi uma das vistas mais lindas que eu já tive a oportunidade de ver, e olha que o que tem de beleza nessa Europa, não está escrito.
- Fico feliz que estejam gostando da Suíça. Suas colegas de quarto chegaram e estão instaladas, espero que vocês se deem bem.
- Obrigada – sorriu e elas foram em direção a escada – Já falei que eu odeio dividir quarto de hostel com gente desconhecida?
- Às vezes nem são pessoas ruins – tentou melhorar o ânimo da amiga.
Foi em vão. E provavelmente aquela foi a maior merda que a viagem toda poderiam lhes proporcionar.
Sentadas nas camas de cima dos beliches, haviam três garotas que arregalaram os olhos quando viu as três paradas na porta. As três se assustaram quando viram “One Direction” na camiseta delas, aquilo só podia ser um pesadelo.
- A gente divide o quarto com a namorada do ! – uma delas apontou para .
- E com a do ! – a outra apontou para , então abriu os braços, como se perguntasse sobre o que elas estavam falando.
- Eu não sou namorada do ! – foi até a sua cama e bateu o pé – E mesmo que eu fosse, vocês não iam gostar de mim.
- Rabuda – murmurou para enquanto entravam no quarto. Definitivamente, a melhor coisa que poderia ter feito, era ter ficado com na floresta, escura, onde mais ninguém viu.
- Vocês vão pro show amanhã? – então tentou amaciar aquele assunto, e a tensão bizarra que tinha se instalado por lá – Eu sou a , e...
- – uma das meninas falou – Eu te sigo no twitter.
- Isso é bom? – ela deu um sorriso tímido – De onde vocês são?
- O que você ta fazendo? – pendurou na cama de cima da dela, onde uma das garotas digitava algo correndo no celular – Olha, vamos resolver umas coisas aqui?
- Sem apocalipse zumbi! – murmurou – É sério, nós viemos para Zurique para ver o show exatamente como vocês.
- A não namora o , e sim, eu fiquei com o – ela se perguntava da onde saía coragem de falar aquilo – Mas não é por causa disso que vocês precisam sair divulgando meu nome no twitter, ou qualquer coisa.
- Eu posso perguntar onde vocês conheceram eles, antes de eu morrer de inveja? E por que vocês não estão em Londres com eles?
- Foi na Bélgica, e a gente não ta em Londres porque eles não são nada nossos, oras! – ficou com vontade de bater o pé no chão – Não é porque de repente a gente conversa com eles, que nós temos que ficar o tempo todo juntos.
Aquele assunto ainda ia longe. deu seu celular para e então decidiu ir tomar banho. Estava com um machucado na testa, mal via a hora de dormir e tudo o que ela menos precisava era ter fã surtada na cabeça delas fazendo mil perguntas.
O celular de então anunciou uma nova mensagem, enquanto esperava a amiga sair do banho. O silêncio havia sido instaurado no quarto. bufava na cama debaixo, e era nítido que as meninas nas de cima, conversavam por mensagem no celular. A única certeza que elas tinham era que o assunto eram elas.
“Que saudades, irlandesa linda! Entrem na internet amanhã de manhã que a gente vai fazer um anúncio muito importante. Quanto tempo falta pra eu te ver?”
Ela então passou o celular para que balançou a cabeça concordando. Dariam um jeito de assistir aquele anúncio importante. O celular de vibrou em suas mãos e o nome de apareceu na tela. Ela então saiu do quarto e sentou no corredor, para falar com ele.
- Oi, .
- Boa noite, sunshine – ela o ouviu do outro lado da linha – Como passou hoje?
- Fomos esquiar – ela abraçou então seu joelho – , nossas fotos estão na internet – ela mordeu o próprio lábio – O que eu falo pro meu pai se ele vir?
- Que a gente se conheceu, oras – ele deu uma risada apertada do outro lado da linha, e fez o coração da menina apertar – Por favor, não se abale se você vir alguma crítica ou comentário negativo. Deve ser difícil ter que passar por isso e eu peço desculpas por ter te envolvido nisso.
- A Sugarscape falou bem de mim – ela então apoiou a testa em seus joelhos – Não, você não vai pedir desculpas por ser incrível.
- Eu vou pedir desculpas por ser eu.
- Talvez eu não teria interessado – ela então se permitiu sorrir – Mas, além disso, eu sobrevivi a um apocalipse zumbi aqui no hostel. Chegamos no quarto e ele estava tomado por fãs.
- Falaram besteira pra você?
- Não, só quiseram saber porque a gente não está em Londres e estão fofocando por mensagem. Vamos dormir, estamos acabadas.
- Então eu te vejo amanhã, boa noite, .
- Boa noite, – ela então manteve o telefone na orelha até ouvir o barulho indicando que a ligação havia caído – De volta ao ataque zumbi – ela então levantou da chão.
Assim que ela entrou no quarto, estava penteando seu cabelo enquanto ria pro celular, e então a menina levantou o olho, encarando a amiga.
- Você sabe – falou antes dela perguntar, evitando citar nomes – E aí?
As meninas ainda estavam caladas nas camas de cima.
- “Como é possível gostar de alguém que abraça a árvore?”
- Você é demais, . Se eu não fosse sua amiga, eu ia querer ser sua amiga.
- Acho que no fundo, no fundo, você e a estão certas – guardou seu pente dentro de sua necessaire, e colocou na mesa de cabeceira ao lado da sua cama – Sobre isso – ela então apontou pro celular.
- Você sabe que uma das funções de amiga é ser vidente, não sabe? – ela riu com os ombros ao ouvir falando aquilo – Só falta você querer.
- Eu juro que não parece, mas não é tão simples assim. Eu vou resolver, mas é mais difícil do que parece.
- Próxima! – saiu do banho já no seu pijama e se levantou, enquanto recebia outra mensagem e ria – Qual a graça, ?
- Depende, qual das duas mensagens? – deu de ombros – “Você é ridícula, . Ridícula, e eu vou passar o resto da vida falando isso. Ps: sua testa ta doendo?”
- – era óbvio quem havia mandado aquela mensagem para ela.
- O manda mensagem pra você, ai meu Deus, ele é meu preferido! – a menina da cama de cima de praticamente se jogou de cabeça no chão para olhar para ela.
- Sim, ela e o trocam mensagens porque eles SÃO amigos – fez questão de enfatizar o ‘são’ e então virou pra amiga, após rolar os olhos – E a próxima?
- “Quando você aceitar ser minha namorada, eu te ensino a esquiar.”
- Sem citar nomes – então tirou a toalha do cabelo – Menos aula teórica e mais aula prática, ! – ela alertou a amiga – Uma boa noite pra você, a gente se fala amanhã de manhã.
- Também vou me retirar para o descanso da beleza.
Descanso. Mesmo com fãs um tanto quanto loucas naquele quarto, era o que elas precisavam. Havia mais um último dia na Suíça.

*****



- Guarda isso, Sophia.
- Me deixa – a menina olhou para o lado encarando a amiga – A gente nunca mais vai ter outra oportunidade na vida.
- Você ta invadindo a privacidade delas, pelo amor de Deus – a terceira amiga falou.
- O que elas têm que a gente não tem? Por que elas conhecem os meninos e a gente não tem a mesma chance? – Sophia mexia em um celular – Por que o ta interessado por essa sem graça?
- Pelo amor de Deus, não é da sua conta. A assumiu que ficou com o e eu não to desejando o mal dela.
- Eu não to desejando o mal da . Eu só quero o telefone do .
- Invadindo a privacidade da garota.
Era já manhã cedo do dia do show em Zurique. , e dormiam no hostel, e sem saber, uma das meninas mexia no celular de , que ela havia conseguido tirar debaixo do travesseiro da garota. Ela só não sabia que a menina deixava um despertador programado para todas as manhãs.
- Bloqueado – Sophia rolou os olhos quando o celular pediu um código de desbloqueio de tela – Vou tentar o aniversário do .
- Como você é ingênua – a amiga deitou novamente.
- Nada – ela digitou outra combinação – E nem o do . Qual o dia do aniversário dessa menina?
- E eu tenho cara de quem sabe? – a terceira amiga rolou os olhos – Esquece isso, Sophia!
Então o telefone começou a tocar uma música alta e estridente. Party Girl, do McFly, fazia e as amigas despertarem todas as manhãs, às 8h para aproveitarem o dia.
- Não – então murmurou, e Sophia arregalou os olhos.
- Como desliga isso, pelo amor de Deus? – Sophia falou para as amigas, enquanto olhava para , que se mexia, com os olhos fechados.
colocou a mão embaixo do travesseiro e então arregalou os olhos e levantou, virando pro lado, onde via a garota dos olhos escuros e cabelos castanhos claros assustada, com o celular dela na mão.
- VOCÊ É MALUCA? – afastou a coberta e se levantou, logo em seguida tomando seu celular da garota.
Com a altura da voz da amiga, abriu os olhos rapidamente e despertou, ainda na cama, vendo a amiga com o rosto vermelho de raiva, encarando uma fã que estava escorada na parede, tentando se esconder dentro da dela. estava com o celular na mão esquerda, apertando com tanta força que podia quebrá-lo a qualquer momento.
- O que está acontecendo? – então perguntou.
não respondeu, só ficou encarando a garota que tinha os lábios tremendo. Uma coisa que ela sabia era que várias pessoas fariam perguntas absurdas sobre conhecer os meninos e até formularem teorias sem pé nem cabeça. Mas nunca imaginou que sua privacidade seria invadida de tal forma a uma louca roubando seu celular.
- O que você fazia com meu celular na mão? – ela respirava fundo. Odiava acordar de mau humor, e estava se controlando pra não apelar pra força física, que era o que ela sentia vontade naquele momento – Tirar uma foto sua pra eu guardar de recordação, não era.
- Me ajuda, Louise – a garota murmurou para as amigas que nem se abalaram, continuavam fingindo que estavam dormindo.
- Ou você quer o telefone de um dos meninos? – ela então jogou seu celular na cama e cruzou os braços – Eu não sei o nome de vocês, eu não sei de onde vocês são. Nós três – ela então apontou para as amigas que estavam sentadas, as observando – Chegamos ontem de noite cansadas, querendo conversar, e não achem que foi legal ver que só porque a gente conhece os seus, que são nossos também, ídolos, foi “Woohoo, estamos sendo conhecidas”, porque nós não somos nada. Ter várias pessoas de repente interessadas em você, É UMA MERDA. Então três fãs, que podiam ter tido a mesma oportunidade que a gente, começam a fofocar, fazer alguns tweets ridículos, acordam mais cedo pra pegar meu celular? A resposta obviamente, seria não, mas não teria sido muito mais bonito da sua parte, me pedir? Ou digno... E educado.
- É o quê? – se levantou também – Ela roubou seu celular?
A verdade é que quem tem amigos, tem tudo na vida. Sophia amaldiçoava mentalmente suas amigas por estarem fingindo que estão dormindo, afinal, não foi por falta de aviso. Já , de repente, teve dois guarda-costas de braços cruzados atrás dela encarando a garota dos cabelos claros.
- O que eles viram em vocês? O que o viu em você, e o em você – ela olhou fixamente de para , sendo que a última bufava e tinha a respiração pesada – Já você é a amiga encalhada que segura vela.
- Ah, ta bom! – fez joinha para a garota que arregalou os olhos.
- Mais precisamente, qual a sua graça, garota? – ela cruzou os braços na frente de – Esse cabelo liso escorrido, essa cara pálida. Você deve ter ido muito fácil pra cama...
- CUIDADO! – levantou um dedo e apontou na cara dela – Meça as suas palavras que a única com cara de prostituta aqui é você.
- Tá tudo bem, segurou no braço da amiga e a olhou carinhosamente, fazendo a menina recuar – Além de você ser uma pessoa sem educação – ela sentiu as lágrimas chegando e franziu os olhos, como isso fosse contê-las – Você não mede as palavras e não se preocupa se o que você vai falar, vai machucar uma pessoa que você nem conhece, que nunca fez nada pra você.
- Me poupe com o seu drama, vai – Sophia rolou os olhos.
- Qual foi o meu erro? Trabalhar por um ano e meio em snack bar de um cinema pra poder fazer essa viagem com as amigas? Estar no lugar certo, na hora certa? Ser legal a ponto dos meninos quererem a minha companhia? – ela abriu as mãos e rodou o corpo, mostrando o local onde elas se encontravam – E eu sou alguém que foi fácil pra cama do ? Coitada de mim e dele, né? Talvez se eu tivesse indo pra cama dele, eu não ia ter que viajar em classe econômica e dormir nos hosteis mais baratos de toda a Europa. Parabéns, estranha – elas não sabiam o nome da garota – Você conseguiu arruinar meu último dia em Zurique.
então deu as costas e entrou no banheiro, ligando rapidamente a torneira do chuveiro, para que ninguém pudesse ouvir seu choro. A garota podia ter até falado que ela era uma oportunista que queria ter seus cinco minutos de fama, mas não o que ela falou. Ela riu irônica, sentada na privada, com as duas mãos no rosto. Ela mal abraçava o garoto, quem diria...
No quarto, pegou o celular de e manteve em seu colo. Que forma terrível de começar o dia. O celular dela então começou a vibrar e viu o nome de na tela.
- Timing perfeito – ela sorriu irônica para Sophia – , o no telefone – ela gritou para a amiga e então se levantou, dando dois toques na porta.
fungou de dentro do banheiro e então olhou pra cima, como se aquilo fosse melhorá-la.
- Fala pra ele que eu ligo mais tarde?
- Certo – ela então olhou para a beliche de cima da sua, onde a garota estava com as pernas cruzadas e bufando – Esse acontecimento vai chegar nele – e então deslizou o dedo pela tela e levou o telefone direto para a orelha – Oi, ... Não, é a .
então se recompôs e saiu do banheiro, procurando não olhar para a garota que antes tinha falado besteira para ela. Era apenas uma fã infeliz, que em vez de buscar a mesma oportunidade que elas, procurava atingi-las, sabendo que nunca conseguiriam o mesmo feito. As três amigas se trocaram, trancaram seus pertences com cadeado e então desceram para o térreo do hostel, onde tinha área livre de wi-fi e computador para os hospedes usaram.
O site “One Big Annoucement” estava aberto e logo começou uma coletiva de imprensa onde as três puderam ver os cinco garotos sentados em uma mesa, em um fundo com várias bandeiras de outros países. O coração de apertou quando ela viu a do Brasil, e deu pulinhos de alegria em ver .
- ? – quando ela olhou para trás, pode ver Louise, uma das amigas de Sophia – Eu quero pedir desculpas pela Sophia. Eu estava acordada e avisei pra ela não pegar seu celular, mas foi em vão.
- Só fala pra sua amiga nunca mais invadir a privacidade alheia, e mais do que isso, aprender a medir as palavras, que certas coisas machucam.
- , os meninos vão pela primeira vez pra América Latina – falou e a menina desviou o olhar – E os shows vão ser em estádio!
- Ai, meu Deus! – colocava a mão na boca.
- Eles viraram cinco amigos pra mim...
- Louise – a menina sorriu.
- São cinco amigos, Louise... Que fazem sucesso – ela apontou pro computador – Eu não acho que mereci ouvir aquilo da sua amiga.
- Desculpa mesmo. E se o tiver que ficar com alguém, que seja uma pessoa extremamente humana e articulada como você, que não tem medo de argumentar e demonstrar o que sente.
- É o que dizem – ela então levantou os ombros e as duas riram – Quer assistir?
- Posso me juntar a vocês? – ela mordeu o próprio dedão, em dúvida – Eu vim de Genebra até aqui curiosa com o que seria esse anúncio – concordou com a cabeça e então a menina arregalou os olhos – Eles chegam ainda hoje pro show, né?
- Não se preocupa – ela então balançou a cabeça pro computador – Puxa uma cadeira.
Era o anúncio da primeira turnê em estádio dos meninos, que chamaria Where We Are, e passaria pela América Latina. arregalou os olhos enquanto eles anunciavam os países. Aquilo era imenso, não conseguiam imaginar quantos milhões de pessoas os veriam ao vivo. E logo eles responderam algumas perguntas e anunciaram que estavam voando para Zurique, para continuar a turnê.
A partir do momento que o avião decolasse de Londres, em 1h30 estavam na Suíça.

*****



Estar de volta na turnê, recém-anunciado outra maior ainda, era incrível e estimulante. Os meninos desembarcaram no aeroporto de Zurique e um carro os levou direto para a arena. Haviam sido quatro dias de folga de shows, de gritos estridentes, de viagens longas pela noite dentro de um ônibus.
Eles entraram no backstage da arena Hallenstadion e foram direto para o camarim. dava pulinhos com o celular na mão, pelo corredor enquanto digitava, com certa dificuldade, pela empolgação, uma mensagem. Atrás dele caminhava com o olhar no telefone e um sorriso discreto no rosto. atravessava o corredor de braços dados a enquanto contavam piadas ridículas um ao outro e por fim, conversava com .

*****



No hostel, Louise, Sophia e a terceira amiga delas, que até então não tinham mencionado o nome, logo saíram para a arena, fazendo ter coragem de voltar ao quarto, pois ela estava se controlando para não descer a mão na intrusa do celular.
- Falar que eu tô dormindo com ele, vê se pode? – então sentou na cama, colocando o travesseiro no colo e cruzou os braços em cima do mesmo.
- Mas bem que provavelmente ele quer – então colocou as duas mãos na boca, segurando para não dar risada.
- Você é foda, então deu um high five na amiga e viram as encarando.
- Eu deixo porque vocês são minhas amigas, mas que a passagem das duas com ida sem escala pro inferno já está reservada, vocês podem ter certeza.
- Vamos ser justas, o ta sendo um fofo carinhoso com você exatamente pra te conquistar – então deu um pulo na cama, e tirou o celular de lá – Ui, vibrou!
- O QUE É ISSO? – arregalou os olhos vendo aquela cena e encarou , que parecia estar assustada. No mesmo momento o telefone das outras duas tocou.
- Isso é assustador – tirou do bolso da calça seu celular e pegou o seu, que estava na cama, em sua frente – .
- balançou o telefone.
- aqui – então leu a mensagem – “Estamos em Zurique. Quero te ver, rola você vir pra arena?” Mas é claro que rola.
- “Irlandesa!” então piscou os olhos – Jura que ele me chama assim, agora? Enfim, “Irlandesa! Cheguei, tô com saudades, quero te ver pra ontem, como faz?”
- “Sem ficar sozinha e chorando dessa vez. Vem pra arena com as meninas que tem backstage pra você também.” Uau – rolou os olhos – Já peguei a fama de chorona.
- Mas você é mesmo – deu a língua – Ta todo mundo pronto? – elas concordaram com a cabeça – Então vamos que eu quero ver o ? – ela mordeu o próprio lábio ao falar aquilo, mas ambos se acostumaram com a companhia um do outro, que esses dias longe foram difíceis.
As três então foram do hostel até a estação de trem a pé, onde pegaram um lanche rápido para comer algo, já que era tarde e elas não tinham dado nada aos seus corpos naquele dia, e de lá mesmo, um trem para a Hallenstadion.
O local já estava tomado de adolescentes gritando e aguardando em seus lugares a abertura dos portões. As meninas contornavam a arena em direção a entrada dos backstages, e lá, encontraram Sophia e suas amigas, tentando algo com os seguranças. Para felicidade das três, Greg estava lá e abanou a mão para elas.
- Oi, Greg! – se espremeu na pequena multidão que estava ali.
- Oi, senhoritas, venham por aqui – ele fez sinal para elas irem para um outro portão.
- Vaca! – Sophia falou quando a garota saiu daquele grupo na direção em que o segurança estava, e até tentou puxar o cabelo dela, mas já estava longe demais.
O segurança abriu o portão o suficiente para que as três pudessem passar, e então, já dentro da arena, as levou para os camarins, onde os garotos estavam passando o tempo. jogava baralho com , enquanto comia alguma coisa. estava entediada, brincando com o próprio celular, fingia meditar no chão, enquanto fazia abdominal. Normal.
- Como vocês estão silenciosos – arqueou a sobrancelha e parou na porta, observando as seis pessoas.
- ! – então jogou suas cartas na mesa, com as faces pra mim e pôde vê-las.
- Truco seu besta! – ele então virou para a direção onde o garoto foi e conseguiu enxergá-la, torcendo o nariz para o silêncio.
- Vocês chegaram, finalmente – se levantou do sofá e foi em direção a elas.
Foi em vão. praticamente pulou no colo de e nenhum dos dois conseguia disfarçar a felicidade de se verem e logo se cumprimentaram com um beijo. Os olhos de encontraram o de quando ele levantou o corpo em uma das abdominais e então o menino ficou de pé, indo de encontro a ela.
- Eu quero ver vocês juntos – então chegou perto da amiga e de – Só vi pela internet, quero ter certeza de que vocês combinam.
- Eu também – virou o rosto, ainda abraçada a , e corou.
- Sem bullying, gente – ela se aninhou em , escondendo o rosto, que a abraçou pela cintura – Já ta em toda a internet, não tem graça.
- Deixa de ser ridículo vocês dois, pelo amor – rolou os olhos – Ta bom, a gente já ta vendo que vocês são feitos um para o outro, parei de encher o saco.
- Obrigada – sorriu e então deu um selinho em , corando logo em seguida, pois sabia que as amigas estavam vendo – Felizes?
- Obrigada – então se virou e abraçou – Como foi voltar pra casa?
- Meu quarto – ela abriu um sorriso manhoso – Mas ao mesmo tempo aquela adrenalina de correr de lá pra cá some de repente, e é estranho. Acho que eu gostei dessa vida de turnê.
- Até eu que sou mais boba – então abraçou a amiga.
- Cof, cof – fingiu tossir para chamar a atenção da garota.
- ! – a voz de ecoou.
Porém ela não ouviu o garoto, e logo se ajoelhou no chão, abraçando por trás, que ainda estava sentado, fingindo que meditava no chão.
- , meu amor! – ela então beijou o garoto na bochecha, que sorriu.
- Você é retardada ou o quê? – o garoto a puxou pelo braço e logo eles estavam de frente um para o outro – Jura mesmo que você não sabe esquiar.
- Para! – ela fez bico. observava aquela cena e não estava achando a menor graça – No clipe vocês fizeram parecer tão fácil.
- Porque a gente não estava esquiando de verdade – ele então falou como se fosse óbvio.
- Você é uma palhaça, – a voz de ecoou e quanto a menina virou o rosto, ele já estava sentado no sofá, com deitada em seu colo.
- Não perguntei o que você acha – ela deu a língua pra ele que então, inflou as bochechas, como se estivesse fazendo bico, por estar chateado.
sentia as mãos de passando pelos seus cabelos, e ria de ver a ridícula briga da amiga com ele. Ao mesmo tempo, seu olhar estava desviado em , que ainda estava sentado na cadeira onde antes jogava baralho com , apoiado com o cotovelo, e a cabeça em sua mão.
- Vocês não sabem! – ela então se levantou e cruzou as pernas em cima do sofá – Presta atenção em mim, .
virou o rosto, com o machucado em sua testa evidente por causa do curativo, e encarou . Ele balançou a cabeça em negação, ao ver o ferimento na testa dela e logo então piscou para ela, que desviou o olhar e voltou a prestar atenção na amiga.
- Tá todo mundo prestando atenção em mim? – ela olhou perto de e pegava uma banana – Já é a terceira banana que você vai comer desde que a gente chegou, presta atenção, .
- Sim, senhora! – ele bateu continência e então puxou a cadeira de frente de .
- Tava tudo certo, até a gente chegar do Top of Europe e adivinhem? Três garotas estavam dividindo o quarto com a gente. E não eram três garotas normais. Eram três fãs.
- A me falou ontem no telefone.
- O amor é lindo – rolou os olhos e tomou um pedala de .
- Mas então, elas meio que começaram de fofoca entre elas porque reconheceram a e a . Beleza, a gente tava o pó da capa do Batman e dormimos. Hoje, quando o despertador toca, adivinha? O celular da na mão de uma delas.
- Eu peguei o celular de volta. Sorte que eu uso senha pra desbloquear - então tentou cortar o assunto.
- Para de fazer pouco caso que a menina te fez chorar – encarou a amiga que então continuou – A falou que era falta de respeito, que se elas queriam o telefone de vocês, a gente não ia passar, mas seria mais educado pedir, enfim... A meio que tem as manhas de dar um coice em alguém só com palavras.
- , não tem necessidade de falar tudo.
- Claro que vai falar – deu um leve tapa no braço da amiga e então a abraçou – Prossiga.
- Eu prometi pra mocoronga que isso ia chegar no ouvido do .
- O que aconteceu? – ele então sentou direito, ficando realmente interessado no que estava sendo discutido ali.
- Aí que a menina, que obviamente gosta do , começou a falar que a era uma sem graça, e o que ela tinha, que a sem educação não.
- Não... – franziu os olhos e se escondeu no abraço de , sabendo o que vinha em seguida.
- Ela praticamente chamou a de prostituta e falou que ela tinha que ser muito boa de cama pro ter se interessado por ela.
O mesmo silêncio que rolou entre os nove durante a passagem pelo Memorial do Holocausto, em Berlim, se instaurou naquele momento, dentro do camarim. se aproximou de , que se escondia, em boa parte por vergonha, no abraço de , e fez carinho nas costas da amiga. trocava olhares com e , e os três pareciam preocupados com o acontecido. sentia seu sangue ferver em suas veias e fechou suas mãos com força, vendo seu pulso tremer e ficar vermelho de nervoso. Então , que pareceu entender o acontecido depois, soltou uma gargalhada alta e tomou um tapa na perna, de .
- Qual a graça?
- A graça é a seguinte... Foi uma das maiores merdas que eu já ouvi. O e a juntos? Ok, uma possibilidade, olha a cara de furioso do infeliz ao ouvir isso, depois eu que sou o cara da friendzone, mas a questão não é essa. A abraçou uma árvore, cara, se o gosta dela, é porque ela é idiota.
então levantou o dedo do meio para o garoto.
- Eu achei graça no que ela falou, apesar de ter sido de muito mau gosto e sem educação. Não se fala isso pra uma pessoa que você odeia, imagina com um colega de quarto.
- Valeu, então levantou a cabeça, passando os olhos por cada um na sala, finalizando em , que parecia que explodiria a qualquer momento – Ela só podia ter medido as palavras um pouco. Eu falei que coitada de mim e dele, né? – olhou para ela enquanto falava – Se eu fosse aquilo mesmo, o não está aproveitando e eu tô sendo idiota de ficar viajando de classe econômica e em espeluncas baratas.
- Põe espelunca nisso. Ô lugarzinho ruim que vocês estavam em Hamburgo.
- É disso que eu to falando – ela então riu, apertando a bochecha de – Mas passou, e a minha vingança, desculpa, mas foi ela ver nós três entrando aqui no camarim, com o Greg tirando a gente da multidão que estava lá fora.
- PÁ! – então virou a mão na parede, dando um barulho alto e todos olharam assustados para ele – Que foi? – ele então arregalou os olhos – Vocês praticamente deram um tapa na cara da garota sutilmente.
- Esse garoto é demais – apontou para ele rindo, enquanto sorria orgulhosa ao ouvir aquilo.
- E parou a cara de enterro de todo mundo, já passou, to aqui viva, e eu sei que eu não sou nada disso do que aquela recalcada falou. Conte-nos sobre a turnê.
- A TURNÊ! – bateu palminhas empolgada – Vocês vão pra América Latina!
Então rapidamente o assunto passou para o anúncio de que eles fariam turnês em estádios no próximo ano, pois seria algo maior, e que era um passo que já estava na hora de ser tomado por conta do sucesso. e então se aproximaram do grupo. sentou ao lado de , enquanto , atrás de , e a puxou para mais perto dele, e constantemente sussurrava o quanto sentia falta dela.
Logo os garotos foram chamados para se preparar para o show, e as meninas correram para o backstage, para não perder nenhum momento. Até as palhaçadas que eles falavam durante o show, elas já estavam decorando e achavam graça naquilo, mas o que chamou a atenção delas, foi quando uma pergunta apareceu no telão.
- WOW! Pesado, muito pesado. Eu to fora de responde – segurava o microfone e então lia – A Julianne quer saber se a gente já olhou pra uma fã, e teve certeza de que ela era A garota pra nós.
- Eu fiz ela virar fã, então, sim! – concordou.
, do backstage, sentia que tinha um cabide dentro de sua boca. Novamente o filme dela estudando e tropeçando nela, passou em sua cabeça. Meses atrás, quem era o menino que não podia sair de casa sem ser reconhecido na esquina?
- ? – a voz de voltou a ecoar na arena após os gritos da multidão.
- Sabe, meu amigo , ela já até fugiu de mim uma vez... – segurava suas duas mãos enquanto ao mesmo tempo, mordia seu dedão ao ouvir aquilo – Mas a vida dá voltas, ela vai e vem. E eu tenho certeza que sim, eu já olhei pra uma fã e continuo olhando com a certeza de que ela é a garota pra mim.
A arena veio abaixo com a declaração de , o que significava que ele não estava solteiro. se escorou em uma das barras de ferro que sustentava o palco e sentiu um carinho vindo de . Ouvir aquilo e poder falar que era recíproco, definitivamente, era uma sensação única.
- Eu odeio ter minha vida pessoal exposta – riu, quando a pergunta chegou nele – Mas já – ele então passou uma mão no rosto enquanto ria – As fotos estão aí pra provar.
Um imenso coral de “Oooooh” ecoou na arena, enquanto ria envergonhado. via escondendo o rosto e se segurava para não chorar.
- ? – olhou para o garoto.
- Primeiro eu quero falar uma coisa. Por favor, não enviem palavras de ódio para as pessoas com quem eu me importo e são especiais para mim – sentiu-se vingada pela amiga, com as palavras de , e piscou para , que tinha um braço na frente do seu corpo e o outro estava apoiado nele – E eu não preciso nem responder, é só ela dizer que sim e pronto!
Rever seu ex namorado, ele suplicar pra você voltar pra ele, ser chamada de prostituta por uma pessoa invejosa e o cara que está abalando as suas estruturas falar pra mais de 30 mil pessoas que é só você dizer sim pra ele. até escorou no palco para não desmaiar após tudo aquilo. Se tem uma cidade que definitivamente mexeu com ela, havia sido Zurique.




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