Última atualização: 04/06/2022

ATENÇÃO:
Essa é uma obra de ficção e os envolvidos em sua criação não compactuam com o uso de substâncias ilícitas,
tão pouco pretendem incentivar o uso.

Capítulo 16

A cabeça de parecia estar funcionando a mil por hora. Sua nuca e seu maxilar doíam tamanha tensão que estava sentindo, seus dedos estavam doloridos de tanto apertar o volante, mas ela dirigia de volta à Cambridge como se não houvesse amanhã. Não sabia como estava conseguindo enxergar a estrada e as sinalizações à sua frente.
ainda estava sentindo muita dor, fechou os olhos e recostou no banco depois de perguntar diversas vezes “Ele quem?” para a ex-namorada e não receber nada menos que um olhar assustado. Ela tinha tentado falar, de verdade, mas tudo ainda estava confuso na sua cabeça, os flashbacks daquele dia invadindo sua mente de uma vez. E tinha um outro problema: a garota duvidava muito que acreditasse nela. Além disso, sabia que ele estava muito machucado e precisava ir para o hospital. Os problemas dela podiam ser resolvidos depois.
Por um segundo, a garota desviou os olhos da estrada e olhou de relance para o garoto. Não podia acreditar naquele dia. Nunca imaginaria que ela o salvaria de alguma coisa, que ele se deixaria ser salvo por ela. Tinha chamado ele de amor. Sem nem pensar, porque era isso que ele realmente era. era o grande amor da sua vida, sempre seria.
Pensou em todas as vezes que ele a tinha salvado, achando-a quando ela desaparecia, ajudando-a consertar todas as merdas que ela fazia. E agora os dois estavam ali, tão perto, mas um imenso abismo entre os dois. Nada nunca mais seria como antes, mas agora ela tinha a chance de provar o que realmente tinha acontecido e finalmente conseguir concluir seu plano. O real motivo pelo qual ela tinha voltado a Cambrigde, cidade da sua ruína.
gemeu e abriu os olhos, os dois já estavam quase chegando na sua casa. Ainda estava zonzo pela quantidade de bebida e drogas que tinha ingerido, sabia que estava mal. Pior do que todas as outras vezes. Mas não virou na rua que o levava para casa.
— Para onde está me levando? — Sua voz era rouca e mal saiu de sua garganta, mas ele conseguiu perguntar.
— Pro hospital. — A de também não passava de um sussurro.
— Nada disso. — Afirmou, tentando se ajeitar no banco do carona. — Quero ir para casa.
… você está machucado, realmente machucado, precisa ver um médico e…
Não me diga o que eu preciso. — O grunhido do garoto foi o suficiente para que não discutisse e apenas encolhesse os ombros, evitando ao máximo olhar para o ex-namorado.
Quando chegaram à porta da casa dos , tentou ser orgulhoso e sair do carro sozinho, mas estava fraco demais para isso. Todo seu corpo doía. Aceitou em silêncio a ajuda de , que deixou que ele se apoiasse nela até a porta. Os dois subiram as escadas com dificuldade, mas conseguiram sentar o garoto na cama. suspirou, suas pálpebras estavam pesadas e tudo que ele queria era dormir.
— Posso limpar seus machucados? — perguntou, tinha decidido que não tomaria nenhuma decisão sem perguntar a ele, era mais fácil assim.
apenas assentiu com a cabeça, estava cansado demais, mas sentia o sangue pregando em seu rosto e aquilo estava o incomodando.
A garota vasculhou o armário do banheiro, em busca de um kit de primeiros socorros, e encontrou algodões e gazes, além de um soro para limpar os machucados. Posicionou-se de frente para ele, sem estar tão perto, e se inclinou para começar a limpar os machucados. tentou não se mexer e nem se esquivar ao sentir a ardência no rosto, já tinha levado porrada antes e sabia que era o único jeito de sarar, então ele não se comportaria como uma criança.
Suas pupilas ainda estavam dilatadas e ele enxergava tudo em câmera lenta, além de estar tudo embaçado. Mas ele tinha ciência que ele e estavam tendo um momento, talvez o melhor momento desde quando ela tinha voltado: não havia gritos, não havia lágrimas e nem chateação, era apenas limpando seu rosto, com um vinco na testa e a uma feição de pena, mas seus olhos estavam sombrios.
O que ela tinha dito no carro mesmo sobre ? Sua cabeça estava confusa e a garota estava muito nervosa no carro, parecia que tinha se lembrado de algo…
— Prontinho. — murmurou, sua voz estava rouca.
Ela também estava exausta, parecia que aquele dia nunca ia terminar.
— Obrigado. — sussurrou, de coração, e se inclinou para trás, para deitar-se na cama. — Pode ficar, se quiser. — Falou mais baixo ainda, o que surpreendeu a garota.
Não seria uma má ideia fugir de casa por mais um tempo, já tinha respondido às mensagens de Emma, dizendo que estava com , mas não queria chegar em casa e ficar sozinha com seus pensamentos. Ainda estava assustada pelas memórias dentro do carro e ainda sentia o frio na nuca causado pelo cano da arma. Precisava de descanso, antes de enfrentar os seus próximos problemas.
voltou seu olhar para o ex-namorado, que já se encontrava com os olhos fechados e a boca entreaberta, suspirando baixinho. Ela já tinha observado ele dormindo diversas vezes quando namoravam, mas agora parecia diferente. Seu rosto não era tão suave quanto antes, mas, ainda assim, ele parecia indefeso, desarmado. No fim, era apenas um adolescente que tinha sido forçado a aprender se virar rápido demais e agora estava se afundando no próprio pesar. E parte disso era culpa dela.
Não.
Não mais.

Ela sabia que não tinha feito nada, sabia que o verdadeiro culpado se escondia atrás da vulnerabilidade dela, mas isso estava prestes a acabar. Finalmente ela encontraria a paz que tanto procurou durante todos os anos.
As pálpebras da finalmente começaram a pesar e a garota se deitou na cama. Era estranho se deitar com novamente, mesmo que estivessem em lados bem opostos da cama. Mas ela não se deitaria no quarto dos pais dele, muito menos no de Lily, e estava cansada demais para se mover. Apenas fechou os olhos e esperou que não fosse perturbada com pesadelos.

Três dias depois...

Já era o quinto copo de café que jogava fora. Suas olheiras estavam chegando quase na sua boca e seus ombros estavam pesados como se ela carregasse um muro nas costas. ainda não tinha voltado de sabe lá Deus onde ele estava com , ela não sabia onde ele estava e nem quando voltaria, só tinha recebido uma mensagem com um pedido de desculpas e dizendo que voltaria logo. Apenas isso. Nenhuma satisfação.
Ela estava sozinha novamente depois de ter sido expulsa da casa de aos berros do garoto há três dias. Ele simplesmente não lembrava de nada do dia anterior: não se lembrava que ela tinha salvado ele e não a deixou falar sobre o que tinha lembrado de . Resumindo: ela estava na estaca zero novamente. Não sabia o que fazer em relação ao que tinha se lembrado, não tinha como provar que tinha se envolvido com a morte de Lily-Anne... mas por que ele teria deixado as peônias no túmulo da garota? Por que ele estava lá? Por que ele tinha a ameaçado com uma arma? Nada disso se encaixava e ela precisava de ajuda para descobrir a verdade, mas agora estava sozinha e sem rumo novamente.

se lembrava. Era tudo nebuloso, mas ele sabia que tinha ido ao cemitério, sabia que de alguma forma Lily tinha aparecido para ele e sabia que, com certeza, tinha levado a maior surra de todos os tempos. Mas se negava a acreditar que, de todas as pessoas naquela cidade, justo tinha cuidado dele. E dormido na sua cama. Com ele.
Sabia que a reação ao acordar e vê-la ali tinha sido completamente irracional e exagerada, mas ele estava confuso e não sabia o que fazer. Não podia olhar para a garota sem sentir dor e se lembrar de todo mal que ela causava. Mas uma parte dele também queria ouvir o que ela tinha a dizer, queria acreditar que tudo tinha sido um mal-entendido. Mas sua mente estava conflituosa demais para tudo aquilo. A única coisa que passava pela sua cabeça, era que precisava da sua melhor amiga de novo.
tinha saído da cidade com , mas ele não sabia onde os dois estavam. Não sabia se se sentia aliviado por pelo menos ela estar com , mesmo que ele fosse um traidor, ou se se sentia culpado por saber que ela tinha saído da cidade por causa dele. Por causa de tudo que ele tinha causado e continuava causando. Mas ele sabia que não podia fazer nada, enquanto a amiga não voltasse para casa, então resolveu agir com o que ele podia: iria tentar falar com de novo. Talvez até pedir desculpas pela reação que teve em sua casa. Querendo ou não, ela tinha o ajudado, não iria agradecê-la nem nada disso, porque era culpa dela. Mas iria tentar ouvir, finalmente, o que a garota tinha para dizer.
Eles tinham detenção naquela tarde. Tinham conseguido adiar o máximo possível por causa dos ensaios para a peça, mas agora que os ensaios tinham sido pausados, eles eram obrigados a cumprir. estava um caco, como ele. Mesmo que nos dias atuais, ao contrário de antes do acidente, ela não fizesse uma superprodução para ir à escola, a garota estava sempre arrumada, com os cabelos alinhados e uma maquiagem básica, mas hoje ela estava vestida com um moletom e os cabelos amarrados em um rabo de cavalo. Parecia que ela não dormia e nem comia há dias.
Inconscientemente, sentiu uma pontada de culpa no peito, mas resolveu ignorar. Faria o que fosse necessário apenas para descobrir a verdade, não era mais responsabilidade dele cuidar dela.
Caminhou em direção à sala de detenção e quando entrou, a ex-namorada já estava lá. Porém, seus olhares não se cruzaram. estava de cabeça baixa, mexendo no celular. não sabia se sentava próximo a ela, então escolheu um meio termo e sentou duas cadeiras à frente. Havia mais dois garotos do terceiro ano na sala e ele duvidava que enchesse. , felizmente, já tinha cumprido o castigo e não precisaria ficar com eles novamente. Aquele garoto era um porre e todos os dias provava que o soco que tinha dado nele foi merecido, mas ele tentava deixar para lá.
Espiou novamente a loira e dessa vez seus olhos se encontraram, em uma eletricidade que jamais tinham sentido desde que tinha voltado. Aquele momento no quarto dele tinha mexido com os dois mais do que poderiam imaginar ou admitir. Mas os olhos de eram tristes e cansados, e ela logo os desviou. O que estranhamente incomodou , mas ele não sabia o que dizer.
— Boa tarde a todos vocês. — Senhor Charlie, o professor de História da Arte, era responsável pela detenção naquele dia e, obviamente, estava tão desanimado quanto os alunos. — Hoje vocês serão designados em duplas para suas tarefas e devem ficar até o final da tarde, trazendo um relatório de atividades para que eu assine no final, então sugiro que façam o que eu mandar. — Fitou-os por um momento, antes de continuar. — Kylie e Jason, vocês ajudarão no refeitório, Lisa, a cozinheira, vai dizer o que vocês devem fazer. — Os garotos exclamaram murmúrios de reclamação e saíram em direção ao refeitório. — E vocês dois irão para os arquivos na sala do diretor Thomas, a Lauren dirá o que vocês precisam fazer. — Senhor Charlie abanou as mãos para que eles fossem logo e os dois se levantaram para caminhar para a sala do diretor, que ficava no terceiro andar.
Caminharam em silêncio, em uma distância segura. sentia suas mãos suando e tinha uma dor latente no estômago. Ela não sabia se era pelo nervosismo ou pelos copos de café que tinha tomado, mas sentia que estava prestes a falar com ela. Ela o conhecia demais, sabia que ele estava nervoso e tentava um jeito de se aproximar.
— Boa tarde, senhorita e senhor ! — Lauren os recepcionou, ela era a ária puxa-saco do diretor.
Os alunos até desconfiavam que os dois tinham um caso, mas não passava de um boato… até onde sabiam.
— Vocês vão organizar as pastas de ocorrências dos alunos por ano, está tudo uma bagunça! De 2010 para trás pode ir tudo para o lixo, mas, para frente, precisa ser organizado e é isso que vocês farão hoje. Certo? Coloquem por ordem alfabética, aqui está a lista de todos os alunos do colégio. — Sorriu amarelo, claramente aliviada de alguém ter que fazer esse trabalho por ela.
Os adolescentes apenas assentiram, em silêncio, e caminharam para a sala do diretor, que felizmente estava vazia. Então, olharam-se novamente por alguns minutos, mudando o peso de uma perna para outra, até que quebrou o silêncio:
— Como quer fazer isso? — Murmurou e pensou por algum tempo, antes de responder.
— Acho que podemos separar primeiro o que for para jogar fora, enquanto o outro vai colocando por ano e depois colocamos juntos em ordem alfabética. Certo? — Tentou ao máximo ser simpático, já que tinha sido um imbecil após expulsá-la da casa dele, depois dela ter cuidado dele.
apenas assentiu e os dois passaram a trabalhar dessa forma.
Seus ombros estavam menos pesados, apesar de ainda estar nervosa. Mas parecia estar estranhamente tentando tratá-la com o mínimo de respeito.

Depois de um tempo trabalhando em silêncio, o garoto resolveu quebrá-lo. Sem perceber que suas mãos estavam tremendo, começou a falar:
… o que aconteceu naquele dia? — Perguntou, fitando os olhos castanhos de intensamente. — Eu me lembro, mas não de tudo… te devo, te devo… desculpas por ter te tratado daquela forma. Eu… eu não sei. Está tudo bem confuso, eu vi Lily, ora, eu vi minha irmã e ela está morta, você… sabe disso, você…
— Eu não matei Lily, . — A voz de era praticamente inaudível e ela já sentia as lágrimas brotarem nos olhos dela, mas ela as segurou. — Eu juro… tudo isso… não sei explicar, não me lembro de tudo, mas não foi eu. — Garantiu e fez uma careta de dor.
Aquela conversa estava sendo mais difícil do que ele imaginava. Por todos esses anos ele não tinha pensado sequer em dar uma abertura para , nunca, tinha jurado pela vida dele jamais perdoar a garota que ele tanto amou, mas as circunstâncias praticamente o obrigavam a saber a versão dela. E depois da visão que tinha tido com sua irmã, ele não tinha certeza de mais nada. Lily era sua vida, a sua pessoa favorita no mundo. Como ele podia ignorar o que ela tinha dito a ele? Mesmo que fosse um fantasma ou uma alucinação dele, ele não conseguia tirar as palavras da irmã de sua cabeça: precisa entender que só estará em paz quando aprender a perdoar.
Será que ele só estaria em paz se perdoasse ? Mas como ele poderia perdoar alguém que lhe causou tanta dor? Por que Lily estaria feliz com isso?
— Eu voltei para descobrir o que aconteceu de verdade, não vim para te machucar, não vim para causar nenhuma dor. — suplicou, tentou se aproximar de , mas ele se afastou, o que fez a garota recuar.
Um passo de cada vez, pensou.
— O que eu disse sobre , é sério, ele está envolvido com alguma coisa! — Falou mais alto que pretendia e olhou em volta, assustada.
a observava com atenção, tentando decifrar se ela estava mentindo ou não. Quando namoravam, sabia dizer com convicção se estava falando a verdade, mas agora ele não a conhecia mais, a garota parecia mais… cascuda.
respirou fundo e contou para o garoto tudo que tinha acontecido naquele dia, desde a hora que ela tinha ligado para ele, até o momento que voltaram para casa. ouviu tudo em silêncio, tentando juntar as peças. Sabia que era louco, alucinado por , e faria qualquer coisa, mas não fazia sentido que ele tivesse matado a sua irmã. Ele não seria tão sádico.
… Lily morreu de overdose. — disse, entredentes, era difícil acreditar nessa história, mas era isso que os boletins médicos diziam. — Você a forçou a usar junto com você. É o que se encaixa, o que faz sentido. Você não se lembra como estava naquele dia, mas eu sim. Nem parecia você mesma… você estava… estava… — não conseguiu terminar sua fala.
Lembrar daquele dia doía demais, levava-o para um lugar sombrio.
— Mas a troco de que viria me ameaçar, então? — questionou, sabia que precisava desesperadamente que acreditasse nela.
Precisava de um aliado para descobrir toda a verdade e nenhum seria melhor que ele.
— Por favor, você precisa acreditar em mim. Sei que tenho uma parcela de culpa, eu jamais queria ter sido o que fui no passado, você não merecia tudo que fiz você passar… , eu… eu te amei de verdade. — Quando percebeu, as palavras já tinham saído e os dois se encararam.
Ali, pareciam estar de volta ao passado, mas no meio dos dois havia turbulências, dores, pesar, choro e a culpa. Nada seria como antes.
— Você está com . — murmurou, entredentes.
Isso, no meio de tantas coisas, tinha virado apenas um detalhe. Mas, ainda assim, o machucava.
não sabia como responder aquilo. Não queria estragar o momento que estavam tendo, era a primeira vez que estavam conversando como pessoas civilizadas desde que ela tinha voltado e a garota sabia do comportamento explosivo de . Uma palavra errada os faria andar para trás e agora que tinha chegado até aqui, ela não queria estragar tudo.
pareceu perceber o desconforto da loira e mudou de assunto:
— Nada explica as mensagens de texto que recebi… por que alguém estaria me perturbando assim? — ele murmurou. — Talvez tenha algo a ver, mas não estou certo disso.
— Tudo se volta para ele. — insistiu.
Sabia com toda certeza de que estava envolvido dos pés à cabeça em tudo.
— Ele teria motivos para me ferrar, para…
— Você também precisa parar de achar que é isenta de culpa, . — O som da voz de falando seu nome fez o coração da garota quase parar de bater.
Ela o encarou e se arrependeu logo em seguida. Não gostava de como ele a olhava.
— Você pode achar que está mudada, mas nada muda tudo o que você nos fez passar no passado, talvez se você… se você estivesse como está agora, Lily ainda estaria aqui. Então, por favor, eu juro que estou tentando acreditar em você, mas, por favor, pare de agir como se você fosse a vítima.
não ia tentar se justificar, porque tinha medo de que o progresso que tinham feito até aqui fosse por água abaixo, então, limitou-se a balançar a cabeça positivamente e continuou fitando os papéis à sua frente, nomes de pessoas que tinham crescido com ela, alguns de novos habitantes da cidade, outros que ela não tinha o menor contato...
parecia estar se esforçando no seu limite para ficar ali no mesmo ambiente que ela e conversar para resolverem tudo. Naquele momento, ele sentia que Lily devia estar feliz por ele estar tentando, ele realmente queria que tudo ficasse bem e as perguntas sem resposta fossem solucionadas, mas sabia que nunca ia conseguir perdoar totalmente.
— Você sabe onde está? — Perguntou baixinho.
Ele ainda estava com raiva, mas se preocupava com o amigo. Não queria que ele fosse embora novamente.
— Não. — O olhar de endureceu, dava para ver que ela estava chateada com o garoto. — Mas ele disse que está bem. está com ele. — Comentou, fechando os lábios em uma linha.
— É. Espero que voltem logo. — deu de ombros e continuou entregando os papéis para a mais nova.
Era estranho que os dois estivessem quase… batendo papo. Depois de tanta dor, tanto ódio envolvido, quase pareciam os mesmos… quase.
— Parece que tem toda nossa vida aqui. — riu ao ver a grossura de algumas pastas. — Certeza que o Thomas guarda segredos que nem sonhamos... — ela estava se sentindo estranhamente confortável em conversar com .
Seu coração ainda estava batendo descontroladamente e ela sentia que poderia desmaiar a qualquer momento, mas não estava mais com medo.
— É verdade. — riu e seu coração pareceu saltar do peito.
Como ele era bonito, meu Deus! Por mais mudado que ele estivesse, seu sorriso ainda era um dos mais belos do mundo e o jeito que ele apertava os olhos a encantava demais.
— Nossa… sua pasta é bem maior que de todo mundo. — comentou, pegando a grande pasta escrito “ ”.
Quando ia abrir, em um timing quase perfeito, a porta da sala se abriu e o diretor Thomas entrou na sala. Sua expressão era vazia, mas ele parecia estar preocupado com alguma coisa.
— Bom dia, senhor e senhorita ! Fico feliz que estejam convivendo com civilidade nesta tarde... — comentou e os dois se entreolharam, mas nada disseram, além de responder os cumprimentos do diretor. — Creio que minha ária se confundiu, vocês não devem mexer nesses arquivos. Dito isso, podem se concentrar em outras atividades. — Disse em um tom firme.
e então se levantaram e cumprimentaram novamente o diretor ao saírem da sala.
— O que tem de tão o que não podemos ver? — ergueu as sobrancelhas, mas não sabia responder.
Lauren estava cabisbaixa quando passaram por ela, provavelmente tinha levado uma grande bronca.
— Foi o professor da detenção que me pediu para os levarem aos arquivos, não sabia que era ultraso! — Rolou os olhos para os dois e os garotos seguraram o riso. — Eu recebo pouquíssimo para essa humilhação toda, meninos. — A ária desabafou. — Vocês já podem ir… amanhã vou procurar outra coisa para fazerem, não contem ao diretor que eu os liberei mais cedo. — Deu uma piscadela para eles e os enxotou com a mão.
e agradeceram, depois de assinar o relatório que Lauren entregaria ao professor Charlie, e saíram da sala, indo em direção ao corredor que partia para a saída. O silêncio reinou novamente entre os dois, não sabiam como agir ou o que falar depois do momento que tiveram, mas sentia que estava cada vez mais próxima de atingir seu objetivo e tinha dado um grande passo, só precisava conquistar a confiança de aos poucos. Estava feliz que ele tinha parado para ouvi-la, coisa que ela jamais imaginou que faria novamente.
estava com o mesmo sentimento, mas ainda receoso. Sabia que a única pessoa que a entenderia nesse momento era , mas ela estava longe. E Lily, que estava morta. E ele duvidava que o fantasma dela aparecesse novamente para ele. Ele estava sozinho. De novo.
A escola já estava mais vazia naquele ponto, pois as aulas à tarde já tinham acabado, mas os dois tinham treino. Seguiram juntos para os vestiários, atraindo alguns olhares de quem ainda estava no colégio e cochichos. ouviu uma garota dizer “O que pensa disso?” e um outro dizer “Não faz apenas uns dias que ele a estava chamando de assassina por aí?”, mas resolveu ignorar, já estava acostumada com as pessoas falando dela. , por outro lado, estava profundamente incomodado. Suas bochechas estavam coradas, ela não sabia se era por raiva ou por vergonha, mas quando chegaram nas portas dos vestiários que separavam o feminino do masculino, tudo que ela ganhou foi um aceno de cabeça e ele entrou rapidamente no vestiário masculino. Como se estivesse fugindo dela.
No final do dia, ela estava sozinha. De novo.
— Como foi a detenção, lindinha? — Foi recebida logo com o deboche de Meredith quando entrou no vestiário feminino, mas não tinha forças para rebater a colega de treino, então apenas a ignorou.
A garota deu um sorriso de satisfação, pensando que tinha afetado a loira, e saiu rebolando para o campo. apenas suspirou e naquele momento sentiu falta de . Ela sempre sabia o que falar nesses momentos. Onde será que ela estava? O que ela e estariam fazendo?

espiava pela cortina do quarto de hotel onde estavam, observando o movimento do lado de fora, enquanto estava no banho. Os dois planejavam tomar um café da tarde em uma das lanchonetes que tinham conhecido quando viajaram pela primeira vez para New York. Sim, estavam nos Estados Unidos! Às vezes era assustador o privilégio que tinham de simplesmente sair do país, sozinhos, usando seus próprios cartões de crédito.
A mãe de estava em sei lá qual lugar do mundo, trabalhando, e os pais de já estavam se acostumando com as escapadas do filho. Tinham decidido puramente no desespero o destino da viagem: enfrentou uma crise de pânico e precisava fugir de tudo.

Três dias antes...

— Eu nunca fiz algo assim antes... — comentou quando se sentaram nas poltronas do avião.
Eram desconfortáveis, mas o melhor que tinham conseguido comprando uma passagem de última hora.
— É divertido. — sorriu, mas era um sorriso forçado.
Não estava nem um pouco confortável. Ainda se preocupava com , se ela tinha achado ou se ela estava brava com ele. também estava ansiosa por notícias do amigo, mas também estava aliviada por fugir de tudo aquilo um pouco. Ela estava ficando cansada do peso de sempre precisar cuidar dos amigos e não ter ninguém para cuidar dela.
A garota juntou sua mão com a de , dando um rápido beijo no dorso da do garoto.
— Obrigada. — Murmurou e fez um carinho no cabelo da amiga.
Estava feliz de poder ajudá-la, mas ela não sabia que era ela que estava o salvando. Não conseguia parar de pensar na mensagem de texto que ele tinha recebido. Sabia que ele tinha arruinado tudo.

— Você parece estar se escondendo. — apareceu do nada novamente no quarto, o que fez o garoto pular e logo em seguida corar as bochechas: ela estava apenas de sutiã e calcinha. — Não é nada que você não tenha visto antes, -boy! — Ela riu e balançou a cabeça, colocando um vestido logo em seguida.
Pegou seu celular para checar as mensagens de texto, já sabendo que teria as de . Respondeu ao amigo, dizendo que estava tudo bem e que voltaria logo, e também perguntou como ele estava. A garota estava evitando ligar para , sabia que desmontaria e voltaria correndo para Cambridge assim que ouvisse a voz dele, sabendo que ele precisava dela. Mas era hora dela se cuidar. Precisava de mais um tempinho só para ela, antes de tornar tudo sobre os outros de novo.
— Está pronta? — franziu a testa e a garota percebeu que ele estava incomodado com alguma coisa, mas resolveu não perguntar.
estava estranho desde que saíram da cidade, parecia estar fugindo também. Mas ela suspeitava que fosse por toda a situação que ele tinha criado: estava se envolvendo com ninguém menos que .
Não tocaram no assunto desde que tinham chegado, sabia que devia a o apoio que ele tinha dado a ela no seu momento de crise, então, embora não concordasse com as atitudes do amigo e não soubesse como seria quando eles voltassem para Cambridge, a garota não queria pensar nisso naquele momento. Estava curtindo seus dias de escape.
— Vamos. — Respondeu, pegando a bolsa e entrelaçando as mãos com a do amigo, antes de saírem do quarto.

» : Estou bem. Logo estou de volta. Como você está?

leu as mensagens de assim que chegou em casa e pensou em ligar para a amiga, mas já tinha feito isso antes e ela não tinha o respondido, então apenas respondeu de volta que estava com saudades e que queria se desculpar por tudo que tinha causado.
Sentia falta do calor e da paz que trazia para os seus dias, mas também entendia que ela quisesse ficar um tempo longe. Ela segurava a barra demais, uma hora explodiria e esse momento tinha chegado, o que deixava o garoto se sentindo extremamente culpado.
se deitou no sofá, repassando toda a conversa que tinha tido com , tentando ligar os pontos e pensar em alguma coisa. Precisavam tomar uma atitude logo. Além disso, tinha estranhado a reação do diretor quando viu as pastas que eles mexiam. Por que a de era a maior de todas? Tinha ficado extremamente curioso em relação a isso e sentiu estranhamente uma vontade de comentar com a garota sobre isso.
Pegou seu celular e ponderou por alguns minutos. Quando ia imaginar que estaria cogitando ligar para por livre e espontânea vontade novamente? Aquilo estava muito, muito estranho.
Quando finalmente tomou coragem para ligar, o som da campainha ressoando o impediu, o que entendeu ser um sinal. Mas, ao abrir a porta, preferia que não fosse. Imediatamente sua boca se fechou em uma linha fina, ao contrário do homem do outro lado da porta, que sorria como se fosse o melhor dia da vida dele.
O que você está fazendo aqui?



Continua...

Página inicialCapítulo 01 ao 15


Nota da autora: Oii gente, tudo bem com vocês? Mais uma vez peço desculpas pela demora na atualização, mas a faculdade está acabando com essa autora que vos fala! Mas está aí, mais um capítulo quentinho para vocês. Finalmente o principal deu uma chance para a nossa coitadinha, hein? O que vocês acharam disso? Me contem nos comentários!
Até a próxima atualização, beijos!



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