Everything Start Again

Última atualização: 28/08/2020

Prólogo

- É o melhor contrato que eu já vi! – gritou animada com , que além de estilista, era sua melhor amiga.
- Eu imagino que seja, os looks dessa personagem vão ser magníficos.
- Estamos na Times Square, . Eu mal podia acreditar que estaríamos aqui um dia.
- Quem diria, né? Tudo girou tão rápido, há alguns anos eu sonhava com isso.
- E hoje você veste a melhor atriz. – gargalhou e a amiga lhe mostrou língua. – Eu acho que é o contrato perfeito. É estabilidade e fama! E muito dinheiro, diga-se de passagem. – viu que não estava mais sendo ouvida, já que a amiga estava focada demais em algo que viu no celular. – Será que você poderia me dar atenção?
- O contrato é quase perfeito, .
- Quase não, é perfeito! Já viu o enredo?
- O enredo eu não vi, mas o personagem principal o mundo todo já sabe quem é.
- Algum ator famoso pra lá de gostoso, provavelmente.
- Sim, ele é famoso, gostoso e o mundo conhece, mas você e eu conhecemos muito mais.
- Desembucha, .
- “O mais novo casal das telinhas, estrela na segunda quinzena de agosto, e estreiam a mais nova série do momento. Juntamente com uma equipe estupenda, eles estreiam um romance BEM dramático, que conta a história de um casal que não se dá tão bem assim, mas que os sentimentos aflorados são completamente diferentes do que se explica. Afinal, a linha entre o amor e o ódio é bem tênue. terminou de citar a matéria exposta na People e não pôde ver a reação de , já que no segundo seguinte ela saia em direção ao seu empresário aos berros. Amava a amiga, mas sabia de seu temperamento explosivo, e extremamente dramático, quando queria. Seriam longos meses.


Capítulo 1 - Reencontro

“All we had is gone now,
When all is done, there is nothing to say, you have gone and so effortlessly, you have won.”


Não sabia se tinha certeza do que tinha acabado de fazer, mas não podia arruinar a chance de sua vida porque ia contracenar com um ex-namorado de faculdade, que nem significava tanto assim. Qual é, ela já tinha passado da casa dos vinte e cinco, e não agiria de tal forma. Exceto pelo fato de que quase desistiu e precisou lhe dar um sacode. Era literalmente a chance de sua vida, sonhava com o dia que contracenaria em algo que Syrio havia escrito e dirigido, e agora ia estrear em uma das séries mais pedidas dos últimos tempos. Lembrava-se bem do livro em todas as prateleiras das livrarias famosas em que passava, e o Streaming Netflix havia decidido finalmente criar a adaptação. Isso era perfeito.
Apertou o alarme do carro indo em direção ao apartamento da melhor amiga antes de pensarem em ir para acertar os últimos detalhes das gravações. Precisava inclusive preparar-se mentalmente para o evento de lançamento que a Netflix havia promovido.
Encontrou o apartamento da amiga impecavelmente arrumado e ela riu se questionando como ela conseguia tal proeza. Sem nunca ter pago ninguém pra limpar o apartamento e mal parar em casa.
- Eu fico analisando seu apartamento assim...
- Boa tarde para você também.
- A última vez que te vi, você estava surtando e querendo matar todo mundo.
- Não precisa jogar na cara. – gargalhou e ela soube que aquilo era um diálogo normal entre as duas.
- Eu realmente gasto todo meu tempo com você, e você vem na minha casa usando meias de personagem e um chinelo rosa com lilás?
- Eu nunca tenho paz pra usar isso.
- Graças ao universo, e a mim. Agora, vem cá. Preparada para a festa dessa noite?
- Quando eu não estou preparada para uma festa, minha querida amiga?
- Pelo amor de Deus, seja discreta. Não mostre seu lado desenfreado na primeira festa da sua série.
- Eu nunca o mostrei, sou apenas a mocinha das séries da Netflix.
- Jacob Elordi e Darren Barnet que o digam.
- Calada. A mídia não sabe disso.
- Eles desconfiam.
Apesar de ser sim uma estrela conhecida pelas inúmeras estreias para o Streaming, além dos filmes, os lances amorosos quase nunca eram descobertos. Já havia sido até alvo de revistas de fofoca, a mais nova queridinha dos filmes jovens diz estar solteira” ou, “quando iremos conhecer o sortudo por capturar o coração de pedra da mais nova atriz?” E ela se limitava a um “estou bem como estou, a solidão é um luxo. – ria mais pra eles, do que pra si mesma. – Não pretendo ter relacionamentos por agora, por ora, a carreira e minha vida pessoal são mais importantes. Precisou prender a respiração na última entrevista quando, após algumas perguntas, ouviu uma que ela verdadeiramente não soube responder. “Quem colocou gelo no seu coração?” Respirou fundo, contou até três, forçou-se a não fechar os olhos para que as lembranças não viessem, e se limitou a um “Ninguém, só estou focando na carreira.”
Mas, no fim, sabia que existia um motivo para evitar qualquer envolvimento amoroso, mas não achava que o mundo todo precisava saber daquilo. Já era complicado demais lidar com todos os rumores sobre romances com quem ela atuava. Da última vez que foi encontrada tomando um café com Michael Ronda, precisou justificar-se para meio mundo, quando no fim, estava apenas dando conselhos amorosos para ele. O que era no mínimo engraçado, já que da última vez que teve um relacionamento amoroso, sua vida virou um fiasco.
- A princesa pode, por acaso, calçar os saltos? Precisamos ir assinar os últimos papéis e ir para o camarim.
- Estou indo, vossa majestade.

...


Com a pasta de papéis em sua frente, colocou o vestido bordô longo. Em frente de sua amiga, enquanto ela finalizava o cabelo, ela a encarou como se verificasse se estava tudo bem. Sabia bem dos problemas da amiga com o ex-namorado, e sabia que ela também tinha um passado onde preferia não tocar, mas tudo bem. Ela não precisaria ver tão cedo. Já que ele havia decidido focar na área comercial. Ao menos disso se lembrava bem.
- Como ficou?
- Você por acaso fica feia?
- Ridícula, você também está linda. Aliás, como consegue escolher minha roupa, de outras pessoas, e ainda a sua?
- Prática, meu amor.
caminhou em passos lentos até o local que se vestiria, analisou pela última vez a imagem no espelho, ela não se lembrava a última vez em que tinha ficado tensa para uma festa de estreia. Aliás, esperava de verdade que todo nervosismo fosse apenas tensão para o que estava por vir na série. E não pelo medo de encontrar .
- Pronta?
- Sempre.

...


Quando desceu do carro, viu os flashes explodirem em direção a ela e a amiga. Entrando no tapete, sorriu para vários deles. Amava o que fazia, amava saber que em breve assistiriam algo em que ela dava o seu melhor desde sempre, por isso, em passos curtos, caminhou calmamente até a entrada da festa e foi recebida por seu empresário. sempre a acompanhava nas estreias, até porquê, Albergaria era uma das estilistas mais requisitadas nos últimos tempos.
- Preciso te apresentar alguns diretores da série, venha comigo!
- Claro, Eric. – despediu-se da amiga, que engatou em uma conversa com um dos atores do último filme de Kissing Both lançado, e caminhou em direção a alguns diretores, sendo extremamente educada ao cumprimentá-los.
- Ouvimos falar muito bem de você, . Temos certeza de que fará sucesso em Fine Line.
- Como esqueceram de mim? – não, não, não.
- Querido, . É um prazer revê-lo. – ouviu Eric comentar e engoliu seco antes de curvar o corpo pra trás e encontrar dois pares dos mesmos olhos castanhos curiosos a encarando.
- , que prazer o meu encontrar com você de novo.
Quando deixou Hudson, a cidade natal no interior de Nova York, sonhava com tudo que estava vivendo, mas considerava as probabilidades mínimas. Lembrava-se bem do porquê de ter deixado a cidade, lembrava da última vez que havia visto , e isso havia bons sete anos e alguns bordoados de meses. Os olhos curiosos que a encaravam ali eram os mesmos de seis anos atrás, no entanto todo o resto da estrutura corporal do homem em sua frente não era igual ao jovem com quem havia terminado. Percorreu os olhos por um tempo significativo ao homem em sua frente e viu a risada em resposta que ele deu. Não podia lavar toda roupa suja ali, e precisava manter sua postura, por isso, com toda cordialidade que aprendeu ao longo dos anos, curvou a boca em um sorriso aberto e deu um passo em frente.
- O prazer é todo meu, . – o homem em sua frente aguardava uma reação diferente, mas curvou a cabeça e Eric questionou ambos.
- Vocês já se conhecem?
- Somos bons velhos amigos. – falou, sem tirar os olhos da mulher em sua frente. – Vejo que o tempo te fez bem, .
- O tempo geralmente faz bem às pessoas. – soltou sem pensar, e ele riu.
- Me acompanha em um drinque?
- Infelizmente estou ocupada com minha amiga, mas quem sabe na próxima? – e saiu em passos largos para fora. Não podia fingir que estava lidando bem com a situação. Respirou fundo quando se escorou na parede do lado dos fundos do imenso hotel e fechou os olhos.
- Que surpresa, . – não podia ser a voz do , a menos que fosse o...
- ?
- Surpresa?
- O que você tá fazendo aqui?
- O mesmo que você?
- Eu sou atriz, meu amigo, e você?
- Não, eu digo fugindo de um encontro não muito agradável.
- Você viu a ?
- E você viu o , né?
Riu da situação e viu o antigo amigo a acompanhar. Não imaginava que sete anos depois estariam ali, os quatro. No mesmo hotel.
- Eu sou empresário do , e sei que a é estilista, então agora teremos bons longos meses juntos.
- Bons?
- Não tão bons assim.
- Não imaginei que isso voltaria a acontecer, nem planejei nada disso.
- Sinto em te informar, mas o planejou exatamente cada mínimo passo disso tudo. Na verdade, quando ele soube que atuaria em Fine Line, e que a atriz era você, ele planejou cada passo desse encontro.
Por que ia querer planejar que eles se encontrassem? Sabia bem que o rancor e a mágoa estavam ali, presentes ainda. A enorme corrente de choque entre os dois dizia aquilo nitidamente. Pôde notar que ele analisou seu corpo, e sentiu raiva pela primeira vez ao ver o homem a sua frente a olhar daquele jeito. Depois que saiu de Hudson preferiu isolar-se de todas as notícias de . Sabia que, como ela, ele havia virado um dos melhores atores de Hollywood, porém não imaginava que o universo faria aquilo. Os dois, sete anos depois, parceiros de cena, convivendo juntos por longos meses.
- Por que, ?
- Eu não tenho direito de dizer isso, e nem me intrometer.
- , diga de uma vez.
- Foi você que virou as costas, . Vocês brigaram e você se foi, tinham, no máximo, dado um tempo.
Não queria lembrar-se de nada daquela fatídica tarde, pressionou os olhos com as lembranças e encarou rindo da situação.
- Não quero falar disso e eu vou entrar, não posso fugir a noite toda.
- Boa sorte.
E saiu dali, adentrando o enorme hotel. Varreu o salão com os olhos para encontrar , que lhe deu um sorriso amarelo enquanto conversava com alguém, na verdade, fingia ouvir cada coisa que a pessoa falava, mas pela sua cara, ela também estava em pânico. Posicionou os pés e caminhou rumo a amiga, inventando uma desculpa qualquer sobre o fecho éclair do vestido, e a puxou para o banheiro. Não disse uma única palavra, mas trancou a porta e começou a caminhar de um lado para o outro. Queria chorar, queria sair de lá e bater na cara extremamente debochada e linda dele. Queria apagar aquela noite, e queria desistir da série.
- Eu sei, não estávamos preparadas.
- Não era pra ser assim, . Ele devia ter sumido do mapa, virado ator em qualquer lugar, na Coréia do Sul que fosse, mas não aqui, não na porra da mesma série que eu.
- Isso não é planejado, .
- É sim! Ele calculou cada passo disso tudo, ele quer tornar tudo isso um inferno, e ele não pode me culpar se eu tornar tudo isso um inferno.
- Você...
- Eu vou jogar, .
- Isso não é um jogo.
- É sim.
Era um jogo quando cruzou os olhos com os dela naquele salão. Era um jogo aparecer depois de sete anos, era a merda de um jogo analisá-la daquele jeito, dando-a vontade de chorar.

Capítulo 2

A ideia de um reencontro repentino após anos pode ser incrivelmente excitante, no sentido legal, ou, nem de longe, satisfatório. Principalmente se você preferia que esse reencontro não precisasse acontecer. Tinha decidido entrar no jogo de , mas era inútil se achasse que no fim de cada dia aquilo estaria sob controle para ela. Quando saiu do banheiro e decidiu ignorar a existência de na festa, quase conseguiu lidar bem com isso. Quase, porque ao encarar a todo minuto os malditos olhos castanhos a procurando em qualquer canto que ela fosse, o olhar dele parecia quase demonstrar algo. Arrependimento? Saudade? Ou no quanto ele era um filho da mãe que tinha feito aquilo exatamente para incomodá-la. O pior é que a sensação estranha que pairava sobre ela ao encará-lo era, no mínimo, perturbadora. Por isso, da mesma forma em que seus olhos encontraram os dele, por segundos desviou rapidamente, cutucando para saírem dali o mais rápido possível.
Não queria entrevistas, flashes ou qualquer coisa do tipo. Queria a água quente do chuveiro caindo sobre sua cabeça, como se aquilo queimasse todas as lembranças que ela havia escondido durante tanto tempo. E foi exatamente isso que aconteceu. Quando adentrou o banheiro, deixando as roupas para trás, agradeceu mentalmente por morar sozinha. Já havia desviado de todas as explicações que precisava compartilhar com , que, graças a Deus, não a questionou muita coisa, mas invejava o fato de a melhor amiga lidar tão bem com isso. Não parecia esboçar reação alguma. A água quente, ao contrário do que pensava, não a libertou de nem uma das lembranças. Ao contrário, repetiu mentalmente a cena em que o encarou após sete anos. Repetiu o sentimento dentro de si, repetiu a ânsia e o turbilhão de sensações que teve ao olhar ele nos olhos. O pior de tudo é que só notou que aquilo quando era madrugada de segunda, e em menos de três horas, precisaria estar nos estúdios Netflix, encenando com pela primeira vez em anos.

...


- Bom dia, queridos companheiros de série. – Syrio disse, usando seu projeto de microfone. – Essa é nossa primeira gravação, e estou muito feliz por finalmente ter os dois maiores sucessos de Hollywood em meu set, e , hoje teremos algumas bordoadas de cenas, então se familiarizem, porque preciso de química em cena. Vocês vão precisar ter uma relação de amor e ódio, por isso, tentem expressar o máximo que podem seus sentimentos em cena. – girou os olhos, sabendo que era uma atitude infantil, mas tentando entender como lidaria com aquilo, e caminhou em uma direção contrária com seu copo de café em mãos.
- Preparada, ? – ouviu a voz que mais detestava ouvir nos dois últimos dias e suspirou, tentando a todo custo ignorar a presença do homem ao seu lado.
- Eu sou atriz, . É obvio que estou preparada para atuar. – soltou e criou coragem de curvar os olhos para olhar para .
- Foi o que pensei, afinal, o que tem demais em contracenar? Você sempre foi o máximo nisso, não? – notou a ironia em "máximo", e riu, fazendo erguer a sobrancelha.
- Tão máximo que consigo forçar simpatia até fora das telas.
- Forçando simpatia com alguém que quis tanto te ver? – por um minuto, quis que aquela frase não estivesse carregada pelo sarcasmo que estava.
- Eu não vou entrar no seu jogo, . Não me importei com o que você tem feito nos últimos anos, e não vai ser agora.
- Quer me fazer acreditar que eu não fui sua fonte de pesquisa dos últimos sete anos no Google?
- Sim, . É exatamente isso que eu quis dizer.
- Eu pesquisei sobre a vida da "queridinha de Hollywood", a intocável, que não quer relacionamentos e que nunca se envolveu com mais ninguém. Assinou seu selo de castidade, querida ? – finalmente o pesar em ironia estavam ali, ele estava extremamente incomodado com alguma coisa, e aquele momento era o perfeito para dizer algo que o faria questionar.
- Sabe, , como colega de cena, tenho que te avisar, nem tudo que a mídia diz é verdade.
- Então o que eles disseram sobre você ser a queridinha de Hollywood é mentira?
- Não, meu anjo. A mentira é outra.
- Você não é intocável?
- Se esforce mais um pouco e você talvez consiga entender. Mas caso não consiga, fica tranquilo, minha vida não diz respeito a você há sete anos. Mais que o suficiente, não acha? – e saiu, deixando, pela primeira vez, atônito. O que bulhufas a mulher queria dizer? Disse três coisas na frase, duas eram as verdades. Ela estava namorando? Curvou a cabeça e apressou os passos, a encurralando na entrada do camarim. Colocou uma das mãos na parede, a prendendo no local que estava. Sabendo que levaria uma resposta péssima, arriscou.
- Você está namorando, ?
- Não que eu te deva satisfações, . Mas meu tipo de relacionamento atual, não sustenta assim tanto tempo para virar um relacionamento.
- E o que quer dizer com isso?
- Está interessado em entrar para longa lista?
- Que lista, ? – no minuto seguinte, apareceu, e aproveitou. – , não tente me estressar e me responda logo. Está namorando? Que lista é essa?
- , eu não tenho o que dizer para você, mas a não é a menina de sete anos atrás, e você, por acaso, quer entrar na lista de hollywoodianos que a já teve alguma vez? – riu no meio de sua própria frase.
- 73, . – ele a encarou por um momento, atônito, por ter entrado no jogo da mulher em sua frente.
- O que é 73?
- Seu número da fila, caso queira participar da lista. Fica atento. – e batendo os pés, caminhou pra fora dali. Obviamente ela não era mais a que saiu de Hudson há sete anos, e ele não se lembrava do quanto odiava isso. Ela parecia imensamente outra mulher, em vários sentidos, mesmo que não quisesse assumir. Queria ver a mesma que saiu da cidade há sete anos, ou pelo menos que não sustentassem todo aquele ódio, mas diante de como as coisas terminaram, não podia esperar o contrário. O pior é que ela parecia inatingível, tinha soltado uma frase daquela e saído em direção à gravação.
Syrio estava falando algo com a mulher em sua frente, mas ele não fazia a mínima ideia, na verdade, queria entender o que ele faria convivendo por meses no mesmo lugar que . Não parecia uma situação cabível.
- Preciso que vocês fiquem na linha. Vamos gravar em um minuto.
- Tudo bem, estou indo. – respondeu, ainda sem ter certeza. Passou os olhos uma última vez pelo roteiro e pediu aos céus maturidade pra lidar com a situação.
- Luz, câmera, ação!

- Só um minuto, aquela é a Emely? – Jeremy questionou, enquanto olhava a mulher entrar na escola em que ele lecionava.
- Em carne, osso, e para sua infelicidade. – a mulher o respondeu, dando de ombros, e notou a cara de atônito do ex-namorado.
- Existem milhares de escolas, o que diabos você faz aqui?
- Não pense que é por você, Jeremy. Eu não perderia meu tempo.
- Eu diria que não é de longe um desprazer.
- Está feliz em... Me ver? – ela respondeu, atônita, achava que a situação seria completamente diferente, e quando viu o homem se aproximar, colocando uma pequena mecha de cabelo dela para o lado, prendeu a respiração por o que parecia uma eternidade.
- Mais do que feliz, Emely. – ela, por um segundo, acreditou na frase do homem como algo sincero. – Dedicarei meus dias em transformar os seus em um inferno até você assumir que só está aqui por minha causa.


- Perfeito, corta! – o corta foi audível para todos do estúdio, mas permaneceu na mesma posição e aproveitou o jeito em que estava para finalmente devolver o que a mulher tinha feito.
- Considere as palavras do meu personagem, as minhas.
- Você não tem culhões pra isso, . E eu não perderia meu tempo. Se eu soubesse que você estaria aqui, eu não encostaria minha boca na sua, se não fossem por milhões de reais.
- Eu não teria tanta certeza assim, . – e deixando a frase no ar, saiu, andando rumo ao camarim, para gravarem a cena seguinte. De todas as certezas que ambos tinham, no fundo, é que não seria nada fácil reprimir tudo que estava entre os dois, e isso ia do ódio aos sentimentos bons que ambos nem sabiam que ainda existiam.
Orgulho e ira. Ciúme e raiva. Mágoa e agonia. Brigar era tão costumeiro. Renato Russo disse uma vez que "a diferença do amor e do ódio, é que pelo ódio a gente mata, e pelo amor a gente morre", e por mais duvidoso que fosse, dizer aquilo ali, naquele momento, matar um ao outro nunca seria a intenção deles. Ao menos, por ora.
- Se eu não for intrometida, existe algo entre vocês? - Syrio parou ao seu lado e deu ombros.
- Não.
- Não é o que parece. - a diretora ergueu a sobrancelha e viu que a encarava de longe. - Tanto quanto parece que eles são apaixonados um pelo outro. - apontou com a cabeça em direção a e , e arregalou os olhos, desde quando aquilo era assim?
- Só um momento, Vitoria Syrio. - ela disse o nome completo da diretora, sem a mínima ideia do porquê. e caminhou em passos curtos até os amigos. - O que diabos significa isso? - a única reação de e fora tentar entender o que tinha acontecido, e por que ela tinha dito aquilo com a voz dois quartos maiores do que o usual.
- Nós estamos... Conversando. - disse, sabendo exatamente o motivo do surto da melhor amiga.
- Por qual motivo, exatamente?
- Segundo o dicionário brasileiro, conversa é um substantivo feminino, conversação formal, séria, que se destina a desfazer desentendimentos, a repreender, a admoestar, etc. - deu ombros e ela quis rir, porque a mania do amigo permanecia a mesma, mas queria entender desde quando aquilo tinha acontecido.
- Ele me procurou no fim da festa de estreia, nós conversamos e não tem motivo para nos odiarmos anos depois.
- É isso que eu tento explicar para minha querida ex-namorada. - a voz de no fundo a fez ter ânsia.
- Vá para o quinto dos infernos, ! - não sabia por que o fim de sua paciência, mas ao ver que o set inteiro tinha olhado pra ela, a puxou pelo braço para trás do camarim, indagando por que precisava ser daquele jeito. - Facilite minha vida, não tente ser meu amigo, nós não vamos trocar mensagens e nem risinhos durante a gravação. Não dirija a palavra a mim, eu quero a mesma distância dessa merda de sete anos que tivemos.
- Isso não é sobre você, . Eu não pedi pra estar perto de você, mas você é quem torna as coisas muito mais difíceis. É você que sai aos berros e mostra para o mundo o quanto eu sou odiável e o quanto você parece não aceitar ao menos minha voz por perto. Eu não sei se já te falaram, mas se algo tanto te incomoda, é porque faz alguma diferença pra você.
- Não faz diferença, deixou de fazer diferença há sete anos quando você fez questão de transformar a porra do amor que eu tinha por você em NADA, .
- Eu vou precisar explicar quantas milhões de vezes que eu não fiz aquilo?
- Nenhuma, , porque eu fiz dos meus sentimentos por você um objeto e o joguei bem longe. - pareceu não saber responder aquilo, e os encaravam perdidos pela situação. sabia que aquelas palavras podiam ser duras, mas queria que todo sentimento que ela sentiu naqueles anos, ele sentisse agora também, mas de todas as respostas possíveis, a única coisa que saiu da boca de foi:
- Só não esquece que eu não sou um boomerang, . Se você me jogar pra longe, eu não vou voltar.



Continua...



Nota da autora: Eu tô tão feliz pela aceitação de vocês, eu estava enferrujada e sem a mínima ideia do que achariam, e ver a Lala já comentando, eu morri!
Eu vou deixar meu twitter aqui embaixo, e a página do facebook também! Qualquer coisa, me gritem!



Nota da beta: 73??????????/ Jesus, amado! HAHAHAHAHA Isso que é uma pessoa concorrida! Essa frase dele no final já me matou, tenho certeza que ela vai se arrepender em algum momento de ser tão assim hahahahaha Esperando por maissssssssssss <3

Qualquer erro nessa atualização ou reclamações somente no e-mail.


comments powered by Disqus