FFOBS - FANCY, por Bru A.

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Última atualização: 25/06/2022

Capítulo 15 – Os Vingadores


Era sábado à tarde. Fazia cerca de quarenta minutos que o evento havia começado. Sebastian estava sentado ao lado de Elizabeth Banks, que era uma pessoa extremamente divertida, na opinião do ator. Durante o pouco tempo de evento que estavam juntos, ela já havia feito a plateia rir mais de dez vezes – ele mesmo contou.
Cada um introduziu um pouco dos seus trabalhos, falando sobre sua trajetória de vida até, finalmente, chegar onde está hoje. Sebastian, por ordem alfabética, seria o último a se pronunciar. Por mais que estivesse nervoso, sua empolgação e alegria por estar ali eram mais fortes. E isso ficou evidente quando ele finalmente começou a falar.
– Bom, para aqueles que não sabem, eu sou o Sebastian. – Ele começou, sorrindo. – Popularmente conhecido como Soldado Invernal, ou Bucky… Buckyzinho para o Sam Wilson, mas apenas para ele. – Os convidados, e também o público do evento, gargalharam da fala do ator, que se permitiu rir também. – Eu nasci na Romênia, e com 12 anos me mudei para os Estados Unidos com a minha mãe. Recomeçamos uma vida no Condado de Rockland, e aos poucos eu fui entendendo o que queria para o futuro, até decidir cursar teatro na Rutgers. – Ele sorriu com as lembranças do passado. – Acredito que mais difícil do que escolher o que eu queria fazer, foi me manter na escolha. O teatro é lindo, é realmente um espetáculo, mas não é fácil. Exige muita autoconfiança que às vezes falta, além das oportunidades que nem sempre vem como a gente planeja. Na verdade, quase nunca é como a gente planeja. – Os convidados balançaram a cabeça, concordando com a fala de Sebastian. – Acredito que não falo só por mim quando digo que um dos maiores objetivos de eventos como esse é incentivá-los a não desistir dos sonhos. Adiá-los às vezes acaba sendo necessário, mas desistir não. Isso é algo que eu nunca, em hipótese alguma, aconselharia. – Os convidados e também a plateia aplaudiram a fala de Sebastian, que sorriu e deixou o microfone de lado.
O evento foi acontecendo e as perguntas surgindo. Sebastian foi questionado sobre como consegue sair de um personagem sério e ir para um cômico e respondeu citando a importância da versatilidade e também sobre como é essencial sair da zona de conforto.
O público estava bastante empolgado, pois os convidados sempre respondiam os questionamentos da forma mais sincera e divertida possível. Principalmente Sebastian, que tinha o costume de fazer piadinhas em qualquer momento da vida. A platéia realmente parecia adorar isso, ainda mais porque Elizabeth Banks sempre soltava sua risada marcante e escandalosa.
– Eu tenho uma pergunta, mas acho que não é direcionada a ninguém… É uma pergunta bem geral. – Disse uma das meninas presentes assim que o microfone lhe foi entregue. – O assédio da imprensa e também das pessoas, fãs e haters, é muito grande quando se é famoso. Eu sei que todos aqui já passaram por situações muito desgastantes, seja com notícias falsas, relacionamentos expostos ou falta de privacidade. – Sebastian respirou fundo, pensando se deveria ou não se manifestar nessa pergunta. Apesar da garota não ter falado diretamente com ele, o ator sabia que era a melhor pessoa para responder a pergunta. – Queria saber como vocês lidam com isso, como não enlouquecem, na verdade… Eu sonho em viver da arte de atuar, mas tenho receios enormes em relação à fama e exposição. – A menina evitou olhar para Sebastian, mas torcia muito para que ele fosse o primeiro a se manifestar. – Obrigada. – Ao terminar, ela se sentou e devolveu o microfone. Os convidados se olharam, sem saber quem deveria responder, e Sebastian respirou fundo novamente, antes de começar a dizer:
– Essa é uma pergunta muito complexa. Acho que todos aqui concordam. – Ele falou, olhando para os convidados. O ator pensou sobre o que deveria responder. Não queria se expor demais, mas também não cogitava dar uma resposta superficial à garota. Estava ali para somar na vida dos jovens, e não para ser só mais uma resposta automática que eles facilmente encontram no Google. – O assédio realmente é muito grande. Você acaba tendo sua vida totalmente exposta de forma negativa e de forma positiva. Ao mesmo tempo em que você precisa lidar com mentiras, fake news e haters, você também recebe um amor incondicional, apoio e carinho que superam tudo. – Ele sorriu. – Acho que a partir do momento que assumimos a vida pública, temos que ter noção desses pequenos desafios. Fica mais fácil se fizer terapia. – A plateia riu, assim como Sebastian e os convidados. – Não vou dizer que tem uma fórmula mágica para lidar com a fama, porque não tem. Mas o lado positivo sempre vence. Assim como a verdade sempre aparece. – Os convidados e a plateia aplaudiram a resposta de Sebastian, que encostou-se na cadeira e sorriu. Não sabia se tinha falado bem, mas se esforçou. De fato, todo o amor e carinho que recebe dos fãs consegue ser maior do que as polêmicas que está envolvido. Era isso que o dava forças para continuar.
Mais cinco perguntas foram feitas e o evento foi finalizado. Os estudantes aplaudiram – e muito – todos os artistas que estavam presentes. De fato, foi uma grande aula, tanto para os convidados quanto para a plateia.
No fim, todos se juntaram para tirar fotos. Alguns jornalistas chegaram a pedir por entrevistas de Sebastian, mas ele educadamente recusou. Seguiria o conselho de Hilary e não falaria com ninguém da imprensa, já que seria impossível controlar as perguntas que fariam. No momento, estava tirando as últimas fotos com Elizabeth Banks, que foi uma das pessoas mais prestativas com ele durante todo o evento. Chegou inclusive a dizer que era sua fã e que queria muito um filme com ele.
A conversa com Elizabeth logo chegou ao fim e Sebastian foi bombardeado por fãs. Enquanto ria dos comentários e tirava diversas fotos e vídeos, deixou-se ser levado pelo momento e observou a multidão de pessoas que estavam ali… Por ele. Todo o carinho que ele recebia era suficiente para mantê-lo nesta profissão, e seria assim para sempre.
– Sebastian Stan? – Enquanto se virava para trás para encontrar a voz que havia acabado de chamar seu nome, se assustou com o enorme buquê de flores que seus olhos encontraram. Eram rosas vermelhas. – Entrega para você. – O ator franziu o cenho e pegou as flores, agradecendo ao entregador que logo se retirou. As pessoas que estavam por perto começaram a comentar, tentando descobrir quem poderia tê-lo enviado. Algumas até chegaram a filmar. Porém, discreto como sempre, o ator preferiu não bisbilhotar o buquê até que estivesse sozinho e pudesse encontrar, com calma e sigilo, um possível bilhete.
Após dar toda a atenção que seus fãs mereciam, ele se despediu das pessoas e observou o grande ginásio ficar vazio. As palestras continuariam amanhã com outros convidados, então o espaço não chegou a ser totalmente desmontado.
Sebastian se despediu da produção e dos artistas que ainda estavam ali e deixou o espaço, caminhando até seu carro que estava parado no enorme estacionamento da Universidade da Pensilvânia.
Como estava anoitecendo, o laranja do pôr do sol iluminava todo o local. Sebastian, então, deixou para trás seus óculos de sol, buscando aproveitar a vista que só a Pensilvânia oferecia.
Quando finalmente se acomodou em seu carro, deu a devida atenção ao buquê, achando um pequeno bilhete branco perdido entre as enormes pétalas. Eram gérberas. De diversas cores; pelo pouco conhecimento que adquiriu procurando o significado de flores quando resolveu entregar um buquê para um certo alguém, há algumas semanas atrás, sabia que elas representavam sucesso.

"Parabéns pelo evento, tenho certeza que arrasou e que virão outros por aí. Você merece."

Sebastian sorriu enquanto deixava a cabeça cair sob o encosto do banco do carro. . Ela sempre conseguia surpreendê-lo. Isso, consequentemente, mexia muito com seu coração, com seus instintos, com suas vontades… Estava sendo prestigiado por uma das pessoas que ele mais admira, algo completamente e totalmente impagável.
Enquanto dirigia a caminho do hotel que estava hospedado, pensou que deveria conversar com ela. merecia a verdade. Ainda mais porque envolvia diretamente a sua segurança e bem-estar e, talvez, o seu chefe.
Sebastian estacionou o carro dentro do hotel e pegou seu celular. Eram sete horas da noite. O homem sabia que as chances de estar na Pensilvânia eram altas, pois constantemente passava o fim de semana com seus pais, então usaria isso a seu favor. Mandou um e-mail para a mulher questionando se a mesma estava na cidade e, enquanto aguardava a resposta, aproveitou para tomar um banho e se arrumar.
Levou menos de uma hora para ficar pronto. Estava tão ansioso pela resposta da jornalista que se arrumou o mais rápido que conseguia. Enquanto passava perfume, pegou o celular. Porém, para a sua infelicidade, nada. Nenhuma resposta. Provavelmente ela nem sequer havia aberto o e-mail. Se martirizou por isso. Era inadmissível ainda não ter pedido o número da mulher.
Mandou mensagem para Claire. Sabia que poderia estar ultrapassando mil limites tomando esta atitude, mas não poderia deixar o momento de coragem ir embora. Falaria com hoje mesmo, nem que precisasse voltar para Nova York para isso.

"Oi, Claire! Tudo bem? Você tem o endereço da casa dos pais da ?"

Preferiu não dar muitos detalhes. Ele iria até lá, e se ela não estivesse, iria embora. Pronto. Este era o plano. A garota não demorou para responder, e logo o celular de Sebastian estava vibrando em cima da cama de hotel:

"SEBASTIAN, OOOOOOOOOOOOI!!!!! Tenho sim =) ela esqueceu de te passar? Doida! Mas, olha, é esse aqui:"


Claire enviou um print do Google Maps com o endereço e, de quebra, a foto da casa – que era enorme, diga-se de passagem. De fato, a estagiária é extremamente eficiente. O ator agradeceu imensamente pela ajuda, mesmo sem entender o conteúdo da mensagem, e rapidamente pegou a chave de seu carro.
Segundo o aplicativo de rotas, a casa dos pais de era bem distante do centro da cidade, e não era para menos: pelas fotos, parecia ser uma mansão. O caminho até lá foi tranquilo e silencioso. Estava frio na Pensilvânia, mas não tanto como em Nova York. Sebastian usava uma calça de alfaiataria com listas singelas, um pequeno cinto preto e um suéter marrom. Nos pés, um tênis branco, para não deixar o look extremamente formal.
O carro adentrou por uma pequena rua rodeada de árvores e o aplicativo indicava que faltavam 3 minutos para o destino final. Enquanto a rua afinava e Sebastian se aproximava da casa dos pais de , o som de música adentrou os seus ouvidos. Era impossível vir de outro local que não fosse o mesmo para o qual ele estava indo.
Parou de frente para um enorme portão que estava aberto. Do lado direito, um segurança indicava com a mão que ele continuasse o caminho. Sebastian prontamente obedeceu. Diversos carros estavam estacionados pelo local e ele resolveu estacionar o seu para checar se estava mesmo no endereço certo. Enquanto descia do veículo, mandou uma mensagem para Claire perguntando se ela havia lhe passado a informação correta.
A casa era a mesma da foto, e maior ainda pessoalmente. Porém, para sua confusão, estava lotada. Haviam crianças correndo por todos os lados e alguns adultos rindo e conversando. A grande maioria estava fantasiada, inclusive com roupas de heróis da Marvel, como Hulk, Homem Aranha e Capitão América. Sebastian continuou andando para dentro do local, procurando algum rosto conhecido – como o dos pais de , por exemplo – para ter certeza de que estava no local certo.
Sua caminhada foi interrompida por uma criança que parou em sua frente. O pequeno tirou a máscara que usava e Sebastian reconheceu que o mesmo estava fantasiado de Soldado Invernal. O ator sorriu e se abaixou na altura dele.
– Você é o Soldado Invernal? – O garoto perguntou, estático. Enquanto isso, outras crianças da festa passaram a notar a presença do ator e cochichar entre si. Logo os adultos notaram o burburinho.
– Eu? Acho que esse é você, não? – O garoto, em uma atitude rápida, abraçou Sebastian e passou a gritar para que todos ouvissem:
– É o Soldado Invernal! O Bucky! Ele veio na minha festa! Venham ver agora! – Enquanto o então declarado aniversariante comemorava a presença do ator, as outras crianças também corriam para próximo do homem. Essa atitude, consequentemente, chamou a atenção de todos que estavam ali.
Os pequenos rodearam Sebastian. Todos queriam a atenção do ator, que ficou extremamente contente pela recepção, mas ao mesmo tempo assustado. Ele não fazia ideia de onde tinha se metido.
Seu momento de interação com os pequenos logo chegou ao fim quando uma voz conhecida chamou pelo seu nome e ele, finalmente, encontrou quem procurava.
– Oi. – O ator disse, enquanto erguia seu corpo e olhava para a mulher parada atrás das crianças. Sebastian teve que respirar fundo, mas não conseguiu deixar de perder grande parte do fôlego. Tal como todos na festa, também estava fantasiada, porém conseguia facilmente se sobressair: estava vestida de Viúva Negra, especificamente de Natasha Romanoff, até mesmo com a peruca ruiva. O ator ficou encantado. Ela não poderia estar mais bonita. Estou no lugar certo, pensou. – Desculpa aparecer sem avisar. – Os pequenos também passaram a observar a jornalista, inclusive o aniversariante, que correu para abraçá-la. A partir disso, tudo começou a fazer sentido na cabeça do ator: aquele era Artur, irmão de , e essa com certeza era a sua festa de aniversário.
– Não diga. – respondeu, rindo. – Pode ter certeza que sua presença foi o auge da festa. – Ela sorriu, apontando para as crianças, que gritavam. Sebastian também sorriu. – Seja bem-vindo à casa dos meus pais, Sebastian. Inclusive, esse é o Artur, meu irmão e seu fã número 1.
– Prazer, Artur. Não vejo a hora de te conhecer melhor. – O ator disse, provocando um sorriso no garoto. – Obrigado pela recepção.
– Vamos lá dentro conversar. – disse, olhando o ator de cima a baixo, mas com bastante descrição. Estava lindo e estilo, como sempre. – Chama os seus amigos, Artur. – A criança prontamente chamou as outras e todas correram rapidamente para dentro da casa. esperou que Sebastian estivesse do seu lado para começar a andar. – Confesso que estou curiosa. – Disse, cruzando os braços e olhando para o ator. – Como chegou aqui? – Ele coçou a cabeça, sem jeito.
– Sei que você fica por aqui de fim de semana e pensei em passar para agradecer pelas flores pessoalmente. – Ela sorriu, relembrando que fez o mesmo quando recebeu um buquê do ator. Sebastian evitou dizer que "queria conversar com ela" para não deixá-la ansiosa no meio da festa de aniversário do irmão. Teriam outros momentos mais oportunos para ter essa conversa. – Cheguei a te mandar e-mail, mas acho que você não viu, então apelei para a Claire. – Ele explicou, sem graça. – Não sabia que era a festa do Artur.
– Meu dia foi super corrido com a organização da festa, faz algum tempo que não olho meu celular. – Explicou. – Só não te chamei para a festa antes porque não quis te atrapalhar, mas sério, estou feliz de te ver aqui. E como você pôde ver... Não sou só eu. – riu.
– Fica tranquila sobre não ter chamado, , pelo amor de Deus. – Sebastian riu e foi acompanhado por , que indicou que ele entrasse na casa. – Também estou feliz de estar aqui, conhecendo seu irmão no melhor momento possível. E… Claro, por te ver. – O ator passou na frente da mulher sem esperar por uma resposta e ficou parada por certo tempo, digerindo a resposta. Sebastian deu de cara com os pais da mesma assim que entrou no local, que estavam sendo puxados por Artur e pelas outras crianças. Os dois usavam fantasias de Wanda e Visão da época de Guerra Infinita. Sebastian sorriu olhando os dois e pensou como Elizabeth e Paul adorariam ver essa cena.
– Sebastian, que surpresa maravilhosa! – Maggie vibrou, enquanto se aproximava do ator e o abraçava. Robert fez o mesmo.
– Bom te ver, rapaz. Nunca vi meu filho tão feliz. Obrigado pela presença. – Sebastian sorriu para os dois.
– É um prazer estar aqui, gente. O Artur me recebeu muito bem e as fantasias estão ótimas. Parabéns! – O ator garantiu, sorrindo para o garoto que parecia mais contente do que nunca. se ofereceu para levar Sebastian até a mesa de salgados e bebidas e o ator a acompanhou. O homem aproveitou para observar toda a decoração, que era inspirada nos vilões da Marvel. – Gostei da fantasia. – Sebastian soltou, enquanto a observava encher seu copo no poncho de bebidas. A mulher sorriu.
– Artur que escolheu. Eu queria a mulher-gato, mas ele disse que é de outra marca. – Ela respondeu, entregando o copo para Sebastian, que riu da explicação.
– A mulher-gato pertence à DC. – franziu o cenho e deu de ombros, sem entender. – Qualquer dia eu te explico melhor. – A jornalista concordou, se mostrando interessada, mas antes que pudesse responder, foi interrompida por uma voz masculina. virou-se para trás a tempo de encontrar Dan, que havia acabado de chamar seu nome. Sebastian, assim como a jornalista, também se virou, e os olhares não poderiam ter sido mais confusos. Enquanto Dan soltava faíscas pelos olhos, respirava fundo e Sebastian sorria, pronto para cumprimentar o rapaz que ele não sabia quem era.
– É sério isso? – Dan disse, fitando o homem antes de se virar para a amiga. bufou.
– Não começa, Daniel. É aniversário do Artur. – O homem respirou fundo, enquanto Sebastian permanecia quieto em seu canto. virou para o ator e apoiou a mão sobre suas costas. – Seb, esse é o Daniel, meu amigo e companheiro de perrengues na FANCY. Dan, esse é o Sebastian, meu amigo e herói da Marvel nas horas vagas. – O ator riu, sendo acompanhado por . Dan permaneceu quieto, mas aceitou cumprimentar o outro.
– É um prazer. fala bastante de você. – Os dois balançaram as mãos. Enquanto Sebastian sorria, Dan se esforçava para não parecer mal educado. Isso apenas por , claro, já que ele estava pouco se lixando para o que Sebastian pensaria. O ator, ao contrário do que Daniel pensava, não se importou nem um pouco com a cara feia do mesmo, e teve certeza que aquela reação se tratava inteiramente de ciúmes. A propósito, Dan estava vestido de Homem de Ferro, uma curiosa ironia do destino.
– Igualmente. – O outro homem respondeu. Não queria ser grosseiro e muito menos acabar com a festa de Artur, então se esforçou para ser no mínimo educado. – Ela também fala bastante de você.
– Bom saber. – Sebastian disse, enquanto sorria e fitava . A mulher devolveu o gesto.
– Ei, vocês. Vamos cantar parabéns? – Maggie apareceu na cozinha chamando a atenção de todos. Os três presentes no cômodo concordaram rapidamente e seguiram a mulher para o lado de fora da casa. A festa estava incrível e Sebastian não via a hora de poder dizer isso para .
Todos se juntaram na mesa ao lado de fora da casa para celebrar mais um ano de vida de Artur. O pequeno fazia 11 anos e não podia estar mais feliz: além de sua família e amigos, também teve a presença ilustre de seu ator preferido na festa. Aquilo era mais do que ele poderia sonhar.
O primeiro pedaço, claro, foi para Sebastian, que se sentiu totalmente hornado. O fim de semana estava sendo ótimo: primeiro a palestra maravilhosa que teve e o contato com os fãs e agora o aniversário de Artur e, claro, a presença de que deixa tudo e qualquer coisa ainda melhor. Fazia tempo que não se divertia tanto assim. Não tinha do que reclamar.
Certos convidados já tinham ido embora, mas algumas crianças ainda ficaram por ali, interagindo com Sebastian. Estavam todos sentados do lado de fora da casa, perto da piscina, e Artur fazia a mediação entre os amigos e o ator – afinal, segundo ele, a festa era sua – e ele não queria que as pessoas enchessem o saco do homem a ponto de ele não voltar mais.
Mal sabia ele que Sebastian voltaria sempre que fosse convidado.
– Você já leu todos os quadrinhos da Marvel? – Uma das meninas perguntou, chamando a atenção do ator. observava Sebastian com um sorriso nos lábios. Era muito bonita a forma como ele interagia com os pequenos.
– Todos, não. Li os quadrinhos do Soldado Invernal para poder entrar no personagem da melhor forma possível. – As crianças riram e começaram a cochichar entre si, ao contrário de Artur, que pareceu não gostar nada da brincadeira que estava rolando. Enquanto os pequenos pareciam se entender, e Sebastian estavam completamente perdidos, sem saber o motivo das risadas.
– O que a gente perdeu? – perguntou, direcionando seu olhar ao irmão. Artur revirou os olhos.
– Nada! Eles são bestas. – Artur parecia realmente incomodado e isso fez ficar em alerta, achando que os amigos estavam cometendo algum tipo de bullying com o irmão. A mulher, então, chamou o pequeno de canto.
– O que houve? Eles estão sendo maldosos com você? – Sebastian também estava preocupado com a reação de Artur e se aproximou dos dois, buscando entender o que estava acontecendo. – Pode me contar. – Artur se acolchoou nos braços de .
– Não é comigo. – franziu o cenho e olhou para Sebastian, que também parecia perdido. – Eles estão dizendo que ele vai roubar você de mim porque o Soldado Invernal e a Viúva Negra namoram. – franziu o cenho novamente e Sebastian soltou uma risada nasalada.
– Isso não vai acontecer, Tur, a Natasha fica com o Hulk. Você sabe disso. – Artur e Sebastian se olharam.
– Não, , nos quadrinhos, é o Bucky que fica com a Natasha. – Artur afirmou enquanto cruzava os braços. A mulher fitou Sebastian que deu de ombros. Ele sabia que os dois heróis tinham mesmo um romance nos quadrinhos. – E eu não quero que ninguém roube você de mim, nem mesmo o Soldado Invernal. – A jornalista ficou sem saber o que dizer, afinal, não fazia ideia dessa história. Foi neste momento que Sebastian se levantou da cadeira que estava sentado e se aproximou de Artur, ajoelhando-se no chão.
– Ei, campeão. – Ele chamou, fazendo o pequeno olhar para ele. – Você é o herói aqui, você manda nessa festa, eu sou só um convidado. Até mesmo um penetra. – riu e revirou os olhos, mas continuou fitando o ator. – Mas dou minha palavra de Sargento James Buchanan Barnes, veterano da Segunda Guerra Mundial pelo Exército dos Estados Unidos, que eu nunca pediria sua irmã em namoro sem a sua permissão. – Sebastian não tirou os olhos de Artur em nenhum momento, enquanto não deixou de fitar o ator. Ela ficou encantada com o cuidado que o homem teve ao falar com seu irmão, que estava tendo uma pequena crise de ciúme provocada pelos amigos. Sebastian, por fim, bateu continência para Artur, que sorriu e retribuiu o gesto.
– Eu deixaria você namorar a minha irmã, ela sendo a Viúva Negra ou não. Mas você não pode machucar ela, e nem roubar ela de mim. – Artur disse, feliz. De longe, Dan observava os três juntos. Mesmo não sendo capaz de escutar o que conversavam, a situação o incomodou. Ele só queria proteger sua melhor amiga, e agora ela estava apresentando um cara suspeito de cometer um crime grotesco para toda a sua família, inclusive para seu irmão mais novo, como se ele fosse um herói. Aquilo chateava Daniel, principalmente porque ele sentia que não tinha mais espaço ali; a amiga havia deixado claro que entre ele e Sebastian, o escolhido sempre seria o ator. No fundo, ele tinha certeza disso.
Daniel voltou para dentro da casa e passou a arrumar suas coisas. Ficaria até domingo, como prometido à família , mas não tinha estômago para aturar nem mais dois segundos daquela situação. Poderia estar sendo imaturo, mas aquilo era para o seu próprio bem. Em outro momento, com calma, conversaria sobre isso com .
Se despediu apenas de Maggie e Robert. Inventou que não estava passando bem e que achava melhor ir para casa. Os dois concordaram depois de insistirem muito para que o homem ficasse, e pediram para ele avisar quando chegasse. Tinham Daniel como um filho devido a grande amizade que o rapaz possuía com e ficaram preocupados com a situação.
O homem passou pelo jardim e observou os três ainda ali, sentados e entretidos. As outras crianças também participavam do papo, mas era inegável que , Sebastian e Artur estavam muito mais conectados.
Sem se despedir, Daniel caminhou até seu carro, entrou no veículo e deu partida. Conversaria com depois. Talvez.
– Vocês dois falam como se eu não estivesse aqui. – disse, rindo, depois do comentário de seu irmão. – Eu nunca disse que queria namorar o Soldado Invernal. – Artur abriu a boca, enquanto Sebastian riu da careta do menor.
– Como assim você não quer namorar o Soldado Invernal? – O irmão perguntou, indignado. – Você nunca namorou! Se for para namorar alguém, que seja o Bucky. Qualquer outro eu não aceito. – revirou os olhos e fitou Sebastian, que deu de ombros.
– A Viúva Negra vai pensar no seu caso. – respondeu, bagunçando o cabelo do pequeno. – Mas antes, ela e vocês dois tem uma missão: arrumar toda essa bagunça. – Artur bufou e Sebastian riu, concordando com . – Vou chamar o resto dos Vingadores. Cadê o Homem de Ferro? – A jornalista disse, enquanto se levantava e caminhava para dentro da casa. Na sala de estar, seu pai e Maggie estavam sentados no sofá, ouvindo as últimas notícias do dia.
– Não é sobre aquele ator que você gostava, Robert? O que cometeu suicídio? – Maggie dizia enquanto aumentava a TV. , como não quis interromper, esperou que a matéria acabasse para falar qualquer coisa. O repórter explicava que uma mulher ainda não identificada foi presa suspeita de aplicar golpes milionários em homens de alto poder executivo. Segundo o FBI, as suspeitas são que ela pode estar diretamente envolvida com os motivos por trás do suicídio do ator Joseph Finnegann. Ainda segundo o repórter, o caso será reaberto. Sebastian logo apareceu ao lado de e passou a prestar atenção também. – Será que ele foi assassinado? – Maggie perguntou.
– Eu li que as investigações do caso descartam homicídio, então ele cometeu suicídio mesmo. – Robert disse. – Mas nada impede que esta mulher seja o motivo por trás do suicídio. E se ele caiu em algum golpe? – Maggie deu de ombros. Não sabia o que dizer. Tudo por trás do suicídio deste ator era estranho. e Sebastian concordavam, até porque ambos assistiram ao documentário da Netflix que mostrava que muitas pontas desse caso ainda estavam soltas.
– Maggie, pai. – disse, chamando a atenção dos dois. – Vamos começar a arrumar as coisas? – Os dois se viraram para a jornalista.
– Deixa para arrumar amanhã, . Já é tarde. Vocês também devem estar cansados. – Maggie disse, calorosa. – O Dan já foi, não estava passando bem.
– O Dan foi embora? Para Nova York? – demonstrou certa indignação em sua voz. – Mas gente, como vocês o deixaram ir embora para Nova York a essa hora da noite? Ainda mais se ele não estava passando bem.
– Ele insistiu, querida. Nós pedimos para ele dormir aqui, conforme o combinado, mas ele não quis. – Maggie informou, chateada.
– Meu Deus, que cara maluco. – afirmou, antes de dar as costas e subir as escadas atrás de seu celular. Com a cabeça, Robert indicou que Sebastian fosse atrás dela, já que ele e Maggie se despediram do resto dos convidados e arrumaram Artur para dormir. Sebastian fez exatamente isso. Subiu as escadas atrás de e achou a mulher graças a sua voz estridente, que provavelmente falava com Daniel no celular. A jornalista questionava os motivos do amigo ter ido embora e repetia inúmeras vezes o perigo de ter saído assim, sem mais nem menos, para dirigir durante quase 3 horas. A conversa logo chegou ao fim e parecia tudo, menos satisfeita: ela ficou realmente preocupada, e ao que tudo indica eles não conseguiram se entender.
– Ei. – Sebastian disse, batendo na porta. A jornalista estava sentada na cama. – Está tudo bem?
– Nem tanto. – Afirmou. – O Daniel só tem dito atitude babaca ultimamente. – Sebastian entrou no quarto e se sentou na cama, ouvindo atentamente tudo que a mulher dizia. – Juro, ir embora assim, sem mais nem menos, para outra cidade sendo que não está passando bem? Daniel mora perto da minha casa. São duas horas e meia daqui. Duas horas e meia dirigindo. Ele foi extremamente irresponsável.
– Ele não chegou a se despedir da gente, né? – A mulher negou com a cabeça. – Não o vi indo embora.
– Não, eu com certeza teria o impedido. – Ela passou a mão pelo rosto. – Sabe o pior? Eu tenho certeza que ele fez isso porque você apareceu na festa.
– Eu? – O ator perguntou, confuso. – Mas o que eu tenho a ver com isso?
– Ele tem uma certa birra por você desde que comentei que talvez trabalharia contigo na campanha. – Neste momento, a cara feia que Daniel havia feito na hora que os dois se cumprimentaram fez sentido para Sebastian.
– Então tá explicado, , ele não queria ficar no mesmo lugar que eu. – Garantiu. – Como eu não conhecia ninguém e, por ironia do destino, sou uma pessoa famosa, a atenção da festa, e a sua, acabaram vindo para mim. – Sebastian explicou, observando a situação da maneira mais racional possível. – Ele ficou com ciúmes. – Os dois estavam no quarto de , sentados na cama de casal. O cômodo era simples, com a decoração em tons quentes, puxados para o dourado. Possuía um banheiro embutido e uma outra porta que estava fechada. Sebastian concluiu que devia ser o closet.
– Eu não duvido que seja isso, mas caramba… Quanta infantilidade. – Ela bufou. – Podia ter falado comigo, ainda mais porque iríamos embora juntos amanhã. Vim sem carro porque combinei com ele. É muita mancada. – Sebastian apertou os lábios. Daniel realmente tinha errado em sua atitude.
– O que ele fez foi bem chato mesmo… Mas é melhor você conversar com ele depois, ainda mais porque trabalham juntos. – Aconselhou. – Sobre amanhã, você pode voltar comigo, eu vim de carro e vou pra Nova York no fim da tarde. – sorriu e fitou o ator.
– Vou aceitar. – Ela disse, rindo. – Obrigada. – Sebastian concordou com a cabeça. – E, ah, obrigada por tudo que fez pelo Artur hoje. Mesmo tendo aparecido aqui por coincidência, você fez o dia do meu irmão. O dia não, o mês, se bobear o ano inteiro. – Os dois riram.
– Imagina, , foi um prazer. Seu irmão é uma criança incrível. – Os dois sorriram e o silêncio que veio depois incomodou ambos os lados. Os dois evitaram se olhar, pensando na melhor forma de quebrar a quietude instaurada sem intenção. Por um momento, Sebastian se pegou analisando o local. Tinha um quadro com fotos de modelos acima da penteadeira. Ele conseguiu reconhecer uma ou outra, como Naomi Campbell, Tyra Banks e Gisele Bundchen. Perdidas junto ao quadro, haviam algumas fotos de . Dan aparecia em uma, enquanto Artur e seus pais estavam em várias. Haviam fotos de em paisagens pelo mundo também, como na Torre Eiffel e no Cristo Redentor. Sebastian sorriu. Achou interessante ver um pouco mais sobre a vida da jornalista, além do que ele já sabia. notou a atenção do homem nas fotos e levantou, caminhando até o quadro. De lá, tirou uma foto e sorriu olhando-a, antes de entregar para o homem. Sebastian segurou a foto e viu uma extremamente mais nova, chutou uns 17 anos. Ela usava um óculos escuro e sorria para a câmera, em uma selfie. O fundo da foto não parecia muito importante, pois o foco total era ela e sua felicidade. A mulher se sentou ao lado dele.
– Foi nesse dia que eu descobri que queria trabalhar com moda. – Sebastian continuou analisando a foto, enquanto continuou a falar: – Eu estava no primeiro ano da faculdade e minha turma foi sorteada para assistir ao Paris Fashion Week. Era comum que alguns cursos de comunicação e arte fossem ao Nova York Fashion Week, mas ao Paris Fashion Week? Era novo. Todo mundo queria ir, mas as vagas eram limitadas. De uma turma com 50 pessoas, apenas 3 poderiam ir. Os interessados deveriam escrever um texto sobre moda, e os três melhores seriam escolhidos. Eu decidi que precisava ir. – Sebastian olhou para ela. – Mas sobre o que eu iria escrever? Meu contato com a moda era mínimo, eu já tinha assistido o Diabo Veste Prada, Sex and the City e Maria Antonieta, mas isso não significava que eu era uma expert no assunto. Pelo contrário… Eu era completamente leiga. Meus pais tem uma condição de vida ótima, mas eu nunca tive uma Chanel, ou uma Prada, e nunca me brilharam os olhos, na verdade. Não até aquele momento. – Ele estava totalmente interessado no que ela dizia, enquanto se encontrava imersa nas lembranças. Apenas seus pais e amigos mais próximos sabiam dessa história, mas ela queria contar. Ela queria que Sebastian soubesse. – Eu nunca me vi na moda, e foi sobre isso que eu escrevi. Eu não fazia ideia de que estava problematizando um dos maiores mercados do mundo, tá? Não me julgue! – Eles riram. – Mas, enfim… Foi esse texto que me levou ao Paris Fashion Week e que me fez ver a última coleção em vida do meu estilista preferido… Alexander McQueen. Foi tão lindo, tão marcante! Eu não conseguia parar de sorrir. Logo depois do desfile tirei essa foto e assim que voltei para o hotel, escrevi sobre o que eu vi. Publiquei meu texto na internet e ele chegou ao André Leon Talley. sabe quem é? – Sebastian negou e riu. – Um dos jornalistas de moda mais icônicos que existe. Ele era diretor-criativo da Vogue na época, foi pioneiro na indústria da moda, o primeiro negro a conquistar um espaço tão grande dentro da revista mais famosa do mundo. – Sebastian estava surpreso por nunca ter ouvido falar dele. – Ele me pediu autorização para publicá-lo na Vogue Americana logo após a sua morte, em fevereiro de 2010. Eu prontamente aceitei. Desde então, nunca mais parei de escrever sobre moda. Queria ter tido a oportunidade de dizer para o McQueen como ele foi importante para mim e para a minha carreira. Ele foi corajoso e destemido, incompreendido por muitos na época, mas aclamado por todos hoje. – apontou para a foto. – Essa foto define quem eu sou.
– Eu achei a imagem linda logo quando vi. – Ele começou a dizer: – Mas, agora, sabendo disso,é impossível não achar ainda mais. – Afirmou, sem resquício de dúvida em sua voz. – Essa história é tão digna de você, . Não faria sentido ouvir isso de mais ninguém. Eu tenho certeza que se McQueen estivesse aqui, ele iria te admirar tanto quanto você o admira. Até mais, se bobear. – A jornalista o olhou. Estava com os olhos lacrimejados, emocionada com o que Sebastian havia dito.
– Obrigada por me dizer tudo isso.
– Digo porque é verdade, e espero que nunca duvide disso.
– Eu não duvidaria. – Afirmou. Sebastian ficou em silêncio antes de rir com o nariz.
– Desculpa. – Ele a olhou. – Me acostumei a ser colocado em dúvida. – encolheu os ombros.
– Seb, nada mudou desde o dia que disse que acreditava em você. Acredito cada dia mais, para ser sincera. Talvez você tenha me enfeitiçado, mas nada do que você diz me causa dúvidas, pelo contrário. Acho a sinceridade uma das suas maiores qualidades. – Sebastian engoliu em seco pensando como iria decepcioná-la quando contasse a verdade sobre seu sumiço. Mas não parecia justo falar sobre isso. Não agora, depois da noite incrível que ela teve. – Inclusive, recebemos o release de que sua audiência com a Serena foi marcada. Quer conversar sobre isso? – Dessa vez, foi Sebastian que encolheu os ombros.
– Você trabalha em uma revista de moda ou em um portal de fofocas? – gargalhou.
– Dizem as más línguas que os jornalistas na verdade são fofoqueiros disfarçados… – Sebastian riu e se arrumou na cama, suspirando lentamente logo depois.
– Estou nervoso, confesso, mas confiante. Se tudo der certo, finalmente vou tirar esse peso das minhas costas. – sorriu e em um ato repleto de emoção, segurou a mão do ator. Sebastian se arrepiou com o toque, mas tentou não transparecer. Não era novidade que seu corpo reagia descontroladamente toda vez que o tocava. A mulher, não muito distante das reações que Sebastian sentia, aproveitou o pouco contato para acariciar a pele macia do homem. Gostava dos momentos íntimos que compartilhavam, e mais ainda de poder contar com ele de um jeito que não contava com mais ninguém. Pelo menos não nesse momento de tantas dúvidas e desconfiança. Ali, dividiam o conforto de estar sempre disponíveis um pelo outro, e isso era suficiente. Ou talvez não.
Sebastian levantou os olhos e fitou as íris escuras de . Os dois permaneceram assim por alguns segundos, antes do homem virar a mão e entrelaçá-la junto da de . A ação foi extremamente bem aceita pela jornalista, que sorriu delicadamente e combinou seus dedos com os dele.
O ator deixou de usar sua outra mão como apoio para o peso do seu corpo e a levou até o rosto de , passando o dedão pela sua bochecha lentamente. A mulher continuou assistindo as reações que Sebastian tinha conforme aumentava o toque sobre ela, até fechar os olhos involuntariamente quando ele passou a mão pela parte de trás do seu pescoço, puxando com delicadeza a peruca ruiva que ela ainda usava.
O cabelo de escorreu pelos seus ombros tal como as ondas se desfazem no mar. A mulher, agora um pouco tímida, balançou a cabeça, fazendo com que os fios que ainda estavam presos se soltassem harmonicamente. Sebastian observou os movimentos como se fosse uma apresentação de dança, ou até mesmo uma peça de teatro, onde era o espetáculo e ele um simples telespectador. Afinal, era assim que ele se sentia perto dela: apenas mais um perante tanta audiência.
Três batidas na porta tiraram a atenção dos dois. sorriu, ainda tímida, enquanto usava os dedos para arrumar o cabelo. Sebastian se levantou, tentando recuperar o montante de ar que havia perdido nesses minutos que pareceram uma eternidade.
A atenção dos dois foi para Artur, que entrou na porta com um sorriso imenso no rosto.
– Sebastian, meus pais deixaram eu ficar acordado por mais um tempo. Posso te mostrar minha coleção de bonecos dos Vingadores? – O ator riu e foi acompanhado por , que deu de ombros, indicando que ele deveria ir. Assim o homem fez.
Demoraram mais alguns minutos até o ator se despedir de todos e voltar para o hotel. Estava contente pelo dia que teve, e mais ainda porque veria novamente amanhã.

***

Depois de uma longa viagem, em que dormiu grande parte do tempo, os dois finalmente chegaram em Nova York. Sebastian passaria na casa da jornalista para deixá-la antes de ir para a sua, e assim fez. Logo estacionou na frente do prédio da mulher e a ajudou com as malas. Os dois subiram o elevador calados, pois mesmo que de forma inconsciente, não queriam se separar ali. O tempo que os dois passavam juntos era muito bom para ambos os lados, e os dois estavam começando a aceitar os sentimentos conflitantes que surgiam, por mais que não admitissem em voz alta. Pelo menos não ainda.
O elevador abriu no andar de e os dois caminharam até a porta do apartamento. Com a chave já em mãos, a jornalista tentou abrir a porta, estranhando quando percebeu que a mesma não estava trancada. A mulher, então, apenas a empurrou.
Para a surpresa dos dois, o apartamento estava inteiramente revirado. As gavetas jogadas para fora, papéis espalhados pelo chão, o notebook da mulher aberto, a capa do sofá jogada no piso assim como os livros que ficavam na estante. Quando a ficha de que seu apartamento havia sido invadido caiu, soltou sua bolsa ao chão e levou as mãos à boca. Sebastian, ao seu lado, estava tão espantado quanto, e não fazia ideia do que falar para confortá-la.
adentrou o apartamento e caminhou em passos rápidos até seu quarto. Para sua infelicidade, o cômodo também estava totalmente revirado, assim como o banheiro e até a cozinha. A jornalista se sentou na cama e observou Sebastian, que entrava no quarto perplexo.
– O que aconteceu aqui? – Disse, assustada. Seus olhos estavam lacrimejados. Sebastian nunca tinha a visto desse jeito.
– Eu não faço ideia, . – Respondeu, incerto. O ator apertou os olhos e se aproximou da mulher, que olhava para as próprias mãos. Sebastian se sentou ao seu lado. – Eu sinto muito por isso… E-eu não sei nem o que te dizer.
– Acho que não tem o que falar. – Respondeu, prontamente. – Eu não consigo imaginar quem faria uma coisa dessas. – afirmou, engolindo em seco. Sebastian lembrou da carta, da ameaça, da Urus… Sua intuição dizia que tudo estava relacionado, e que isso foi um aviso. Ele precisava tomar uma atitude o mais rápido possível.
. – O homem disse, chamando a atenção da jornalista. Ela o olhou sem entender. – A gente precisa conversar.


Capítulo 16 – Encontros e Desencontros

A polícia chegou rapidamente até a casa de . Os oficiais revistaram todo o apartamento e não encontraram nada que fosse capaz de incriminar alguém. As câmeras do prédio foram hackeadas, ou seja, o porteiro nada viu ou percebeu. De fato, parecia que um fantasma tinha entrado no apartamento, pois a pessoa conseguiu fazer tudo sem ser vista por ninguém.
Os oficiais aconselharam a jornalista a não dormir em casa. Como a fechadura estava danificada, haviam chances da pessoa voltar, o que poderia colocar a vida dela em risco.
Uma investigação seria aberta e as câmeras da rua também deveriam ser averiguadas, mas levaria tempo. Enquanto isso, o indicado era que trocasse as fechaduras e que a vigilância do prédio fosse aprimorada. Os profissionais chegaram a perguntar se a mulher suspeitava de alguém, e neste momento ela e Sebastian se olharam. Era muito arriscado e precipitado jogar o nome de Fred na roda, então ela simplesmente balançou a cabeça em negação.
– Ex-namorado? – franziu o cenho e voltou a negar. O policial anotou algo em sua prancheta e bateu com a ponta da caneta na mesma, fitando a mulher à sua frente. – Se lembrar de alguém, não deixe de entrar em contato conosco. – A jornalista concordou com a cabeça, ainda sem dizer nada. Os policiais acompanharam e Sebastian até o carro do ator e se despediram de ambos, pedindo, mais uma vez, para que a mulher tomasse cuidado.
Por alguns minutos, a mulher cogitou voltar para a casa dos pais, mas se fizesse isso teria que faltar ao trabalho amanhã ou ficar de home office, duas coisas que não queria fazer. Um hotel seria a melhor opção, mas Sebastian resolveu salvar o dia, dizendo:
– Dorme na minha casa. Fico mais tranquilo com você estando lá, comigo. – A frase teve dois efeitos inéditos em . O primeiro foi que nem sequer passou pela sua cabeça negar o convite. Não queria ficar sozinha e, no momento, a única pessoa que confiava para estar junto além de seus pais era ele, Sebastian. O segundo sentimento foi um simples… Frio na barriga. já havia sentido isso outras vezes, mas não como agora. Afinal, o que ela e o ator estavam construindo era diferente.
Passaram-se alguns minutos e Sebastian já dirigia sentido ao Brooklyn com no banco do carona, quieta e pensativa. A invasão a deixou completamente sem chão. Seu apartamento estava totalmente revirado, seu notebook aberto, papéis no chão… Como alguém conseguiu entrar em sua casa desse jeito? Passando pela portaria, pelos elevadores e corredores, sem sequer ser notado?
Em menos de 20 minutos os dois chegaram ao Brooklyn. Era domingo à noite, então o trânsito estava gentil. O ator estacionou seu carro na garagem e os dois subiram para o apartamento. Elvis fez a maior festa do mundo quando os viu. Anthony cuidou do cachorro no fim de semana, mas o animal era simplesmente apaixonado por Sebastian. Por isso, vê-lo depois de 2 dias longe era sua maior felicidade.
O ator disse para se acomodar no quarto de hóspedes e assim a mulher fez. Ele a seguiu até o cômodo e observou enquanto ela se sentava na cama e suspirava. Sabia que precisaria falar sobre o que aconteceu em algum momento, mas não queria desrespeitá-la. No carro, a mulher permaneceu quieta e ele entendeu que ela não queria falar. Mas agora…
– O que você queria conversar? – disse, finalmente olhando para o ator. Sebastian se aproximou e sentou ao seu lado na cama.
– Logo depois que nós voltamos do hotel, eu fui surpreendido com esta carta aqui. – Sebastian entregou o papel para , que franziu o cenho antes de pegar o objeto. A jornalista abriu o envelope e leu o conteúdo.
– Fique longe da , ou você não será o único a sofrer as consequências… ? – Ela leu, em voz alta, enquanto olhava para Sebastian. – Meu Deus, você sabe quem mandou? – Sebastian negou com feição de desapontamento, pois gostaria muito de saber quem foi o autor da ameaça. – Por isso você… Por isso você ficou afastado durante esses dias? – O ator assentiu.
– Quem quer que tenha me mandado isso sabe que eu obedeci e não fiquei longe de você… Acho que o seu apartamento foi um aviso. – Concluiu, sem deixar de fitá-la. – Estou preocupado. Não dá para saber o quão perigosa é essa pessoa, hoje foi seu apartamento, amanhã vai ser o que? – A jornalista ficou quieta por um longo tempo, pensando nas informações que tinha acabado de receber.
– Sebastian. – Disse, firme. – Em pouco tempo você se tornou uma das pessoas que eu mais confio. Se qualquer coisa acontece comigo, você é a primeira pessoa que vem à minha mente para contar. Não é o Dan, meu pai, nem minha madrasta, é você. – Ela disse, ainda com o mesmo tom de voz forte e decidido. – Você sabe disso, você percebe isso. E eu não aceito que não seja recíproco. – O homem respirou fundo. – Você deveria ter me contato assim que recebeu essa carta.
, essa carta ameaçou você, botou em jogo a sua segurança. Eu não tinha o que fazer. – A jornalista se levantou.
– E deixar de me contar fez com que eu ficasse mais segura? Invadiram a minha casa. Se eu soubesse disso tudo antes, teria tomado mais cuidado. Ficaria atenta! Você deveria ter me contato, a carta fala sobre mim. – Defendeu, suspirando. Seus olhos começaram a lacrimejar. segurou todas as emoções que sentiu durante esse fim de noite para soltá-las quando estivesse sozinha, mas a partir do momento que começou a falar, não conseguiu. Assim que percebeu que as lágrimas estavam vindo, caminhou em passos rápidos na direção contrária ao homem, mas foi impedida pela mão de Sebastian, que segurou firmemente seu braço e a trouxe para perto, em um abraço apertado. A atitude inesperada fez a jornalista suspirar e demorar para finalmente rodear a cintura de Sebastian com seus braços. afundou o rosto no peito do homem e sentiu a mão do mesmo acariciar seus cabelos. Sebastian suspirou. Desde que se conheceram, nunca haviam tido um momento como esse. De toque, intimidade e… Carinho. O ator sabia que ela precisava disso. Mais que isso, sabia que eles precisavam disso. fechou os olhos enquanto sentia o corpo de Sebastian colado ao seu. Não queria sair dali. As mãos do homem rodearam timidamente o pescoço de , que involuntariamente sentiu todo o seu corpo arrepiar e o olhou, inclinando a cabeça para cima. Sebastian, sendo mais alto, olhou para baixo, fitando os olhos escuros da mulher.
– Me desculpa por isso. – Ele começou dizendo. – Parece que eu só tomo atitudes erradas, mas são com as melhores intenções. Eu prometo. – Confessou, ainda acariciando o pescoço de . – Eu não queria te colocar em perigo, é só isso. A carta me assustou. Mas eu concordo que deveria ter falado com você. – continuou o fitando. Sua posição de antes, agressiva, deu lugar a uma vulnerabilidade que pouco era vista. – Eu não sei onde me meti quando fui até a FANCY, e você também não sabe onde se meteu quando me chamou para ir ao escritório, mas seja lá onde estamos metidos, você tem razão, estamos juntos. – fitou Sebastian. Não havia um pingo de hesitação em sua voz, o que confortou a jornalista de um jeito que nenhuma palavra havia a confortado nessas últimas horas.
– Tipo o Soldado Invernal e a Viúva Negra? – Ela disse em um sussurro, enquanto sorria e lembrava de Artur. O ator riu e revirou os olhos, achando graça.
– É. Sim. Com certeza. – Respondeu, entre uma risada e outra. Eles estavam próximos demais e compartilhavam alguns pensamentos parecidos, mas as dúvidas ainda permaneciam na cabeça de ambos. Nenhum dos dois sabia o que fazer, mas torcia para que o outro soubesse. Antes que qualquer novo passo fosse dado, Elvis adentrou o quarto e se espreguiçou sobre os dois, que olharam ao mesmo tempo para o cachorro.
– Eu ainda não saí com ele. – Sebastian disse, sem graça, enquanto sentia o aperto dos braços de afrouxar na sua cintura. – Quer tomar um banho e se arrumar para dormir? Amanhã eu te deixo na FANCY.
– Não vai te atrapalhar? – respondeu, se afastando minimamente do homem. O corpo de Sebastian reclamou, assim como o dela, mas aquele não era o momento. Ou era?
– Claro que não, né, eu não sou louco de te deixar sozinha depois do que aconteceu. – A jornalista agradeceu enquanto sorria para o ator. Logo os dois finalmente se distanciaram. Sebastian explicou onde ela poderia pegar toalhas; não demorou muito para que fosse tomar um banho e ele levasse seu cachorro para passear.
No banho, a mulher permaneceu pensativa. Não tinha certeza de nada, mas a única pessoa que imaginava ser capaz de fazer isso era Fred. Agora, mais do que nunca, ela precisaria ficar atenta em relação ao homem. Qualquer passo em falso poderia piorar as coisas. Além disso, confiaria apenas em Sebastian.
Sebastian
suspirou ao lembrar do abraço há poucos minutos atrás e outro suspiro preencheu seus lábios pensando no momento de ontem. Era inegável que ele tinha um efeito único sobre ela, que por pouco não derreteu em seus braços.
A jornalista riu dos pensamentos e jogou a cabeça para trás. Não poderia dar um passo maior que a perna; se ele quiser algo com ela, irá tomar uma atitude. Afinal, é assim que relacionamentos funcionam, não? Ou, talvez, ele esteja esperando que ela tome a iniciativa.
Ela poderia fazer isso.
Mas e se ele só estiver sendo legal?
– Vou enlouquecer. – Sussurrou para si mesma enquanto entrava com a cabeça debaixo da água. estava perdida, e o culpado disso era um homem. Ok, talvez dois, se adicionar Fred na conta. Três se contar com Daniel.
Pelas ruas do Brooklyn, Sebastian passeava com Elvis. Assim como a jornalista, o ator também pensava no momento que tiveram há poucos minutos. Estava anestesiado lembrando da textura macia da pele de , dos seus braços tímidos em volta da sua cintura, da sua respiração calma e baixa… Ele ficaria naquela mesma posição durante toda a noite, se pudesse.
Assim que voltou para casa, encontrou penteando os cabelos no quarto de hóspedes. A mulher estava sentada na cama, parecia pensativa e distraída, enquanto passava a escova pelos fios. O ator a observou. Mesmo aparentemente cansada, ela ainda estava linda.
Foi a fitando assim, desse jeito, que Sebastian soube que não era tarde e nem cedo demais para admitir a si mesmo que estava apaixonado por .
– Precisa de alguma coisa? – O homem disse, batendo na porta. Ela levantou os olhos para Sebastian e sorriu, negando com a cabeça.
– Não, Seb, obrigada. Por tudo. – Ele sorriu. Apesar dos pesares, estava feliz de vê-la ali, em seu apartamento, com ele. Segura. – Até amanhã.
– Boa noite, . Até amanhã. – A mulher continuou fitando Sebastian, que logo fechou a porta e caminhou para seu quarto com um sorriso bobo no rosto. Enquanto isso, ela, no outro cômodo, estava do mesmo jeito. Foi ali que passou a entender o porquê de Sebastian gostar tanto de ouví-la falando o seu apelido.
Na voz dele, tinha um efeito diferente.

***

Era segunda-feira de manhã. já estava no escritório depois de ter pego carona com Sebastian, que aproveitou para levar Elvis ao Central Park.
O clima na FANCY era de correria. Finalmente o time de marketing iria anunciar a edição de março nas redes sociais e a expectativa era que o público recebesse muito bem. As artes haviam sido aprovadas e já estavam programadas para irem ao ar durante à tarde no Instagram, Twitter e Facebook oficial da FANCY. Fora os e-mails marketing que seriam disparados e o aviso no aplicativo oficial da revista.
, sua caixa de e-mail está lotada. – Claire entrou na sala de chamando a atenção da chefe. – Tem mensagem do Fred, aviso do RH, alguns vários e-mails da Angela do marketing, uma tal de Maya e aviso da reunião de pauta.
– Meu Deus! A reunião de pauta para a edição de abril é hoje. – disse, sem se atentar aos outros e-mails que Claire havia citado. – Que horas? Jesus Cristo.
– Às duas, . Todos confirmaram presença, menos o Fred. – A jornalista bateu a mão na mesa e finalmente fitou a estagiária.
– Tá de brincadeira? – Claire negou com a cabeça. suspirou e jogou a cabeça para trás, desacreditando da falta de responsabilidade do chefe. – Ele pelo menos veio hoje? – Claire negou mais uma vez com a cabeça. – Certo, então nós vamos fazer do meu jeito. Pode cancelar a reunião de hoje e remarcar para quinta-feira. Pode convidar o pessoal do marketing para participar também.
– Certo. – Claire disse, terminando de anotar em seu caderno. – Você está bem? – parou para refletir sobre a pergunta da mais nova. Não estava bem, muito pelo contrário, estava extremamente estressada. Além do problema em sua casa, teria que tocar a reunião de pauta sozinha porque seu chefe não tem a capacidade de levar o trabalho a sério. Queria um tempo, férias, o que quer que fosse, mas não aguentava mais tanta coisa sendo despejada em suas costas.
– Estou sim, só cansada. Fim de semana foi uma correria. – Respondeu, tentando esboçar um sorriso. Claire sabia que não estava bem, mas preferiu respeitar o espaço da chefe. A estagiária deixou a sala e suspirou, antes de abrir seu e-mail e ler a mensagem que Fred havia enviado.
O diretor executivo explicava que teve um imprevisto e não conseguiria ir ao escritório durante a semana, mas que a edição de abril estava totalmente e completamente nas mãos de , que ela poderia tocar como achasse melhor e que ele confiava muito nela.
riu da mensagem e do abuso do chefe, mas esse parecia ser o momento ideal para mostrar para Denise e até mesmo para o Sr. Lamar que Fred era um peso morto ali dentro e que ela faz um trabalho mil vezes melhor.
Para isso, a edição de abril precisaria ser épica. E seria.
Ela precisaria estudar e chegar com boas ideias na quinta-feira, motivo pelo qual resolveu desmarcar a reunião. Algumas matérias que não foram veiculadas na edição de março poderiam ser utilizadas, mas a capa e o conteúdo principal precisavam ser dignos de um Oscar, Emmy, o que fosse. Não estava no melhor momento para ter ideias mirabolantes, mas se isso envolvia a demissão de Fred, faria o possível.
logo desceu para almoçar. No restaurante, encontrou Daniel, que estava sozinho. Aquele parecia um ótimo momento para conversar com o amigo e resolver qualquer coisa que ainda estivesse entre os dois. Não aguentava mais essas pequenas picuinhas.
– Oi, Dan. – Disse, assim que se aproximou da mesa do rapaz. O homem olhou para ela e sorriu sem mostrar os dentes, a cumprimentando de volta. – Posso sentar?
– Claro, senta aí. Vou chamar o garçom para você pedir. – Ela sorriu como agradecimento e se sentou de frente para o homem. Daniel fez o que disse e logo ela já havia escolhido seu almoço e informado o garçom. O clima ficou tenso assim que o homem deu as costas e deixou os dois sozinhos na mesa.
– O que aconteceu com você no sábado? – Daniel suspirou. Pensou em dizer que preferiu colocar sua saúde mental acima de tudo aquilo e por isso foi embora, mas não queria ser um completo babaca. Precisava responder com cuidado, ainda mais por ser sua melhor amiga.
– Não estava me sentindo bem. – Disse, a fitando. – E o clima pesou quando o atorzinho chegou. Me desculpe mesmo por ter ido embora, mas não dava para mim. – arqueou as sobrancelhas sem olhá-lo.
– Poderia ao menos ter ido falar comigo.
– Não quis atrapalhar. – suspirou.
– Dan, você é meu melhor amigo. Você nunca atrapalha, de onde tirou isso? – O homem bufou. sabia muito bem de onde ele tinha tirado isso. Desde que a mulher começou a sair com Sebastian, muitas coisas mudaram, inclusive a relação e amizade dos dois. Era evidente que a jornalista não percebia e nem sentia isso, mas Daniel sim. E o chateava.
– Suas atitudes mostram isso. Você nem fala mais comigo direito, , só quer saber de Sebastian. Sinto falta da nossa amizade, cumplicidade… Eu nem sei mais o que acontece na sua vida e vice-versa. – A mulher abaixou a guarda. Daniel não estava mentindo, mas ela tinha motivo para isso. Sua confiança no amigo ficou em dúvida depois do que ele havia feito, mas era visível sua redenção. Ele não merecia ser castigado dessa forma para sempre, ainda mais porque já se desculpou.
– Me desculpa por isso, Dan. Eu não quero me afastar de você. Pelo contrário, quero que a gente volte a ser do jeito que éramos. Sinto sua falta.
– Eu também. Muita. – Afirmou, enquanto pegava na mão de que estava sob a mesa. O almoço dos dois chegou e eles se preocuparam em comer ao invés de continuar a discussão de antes, mas continuaram jogando conversa fora e contando as inúmeras novidades. Dan disse que voltou a falar com seu pai na medida do possível, mas que não conseguiu descobrir nada sobre Fred. aproveitou para contar sobre a invasão à sua casa e viu o melhor amigo ficar totalmente chocado com o fato. – Meu Deus, , quem faria uma coisa dessas? E por quê? O que querem com você?
– Não faço ideia, mas estou preocupada. – O melhor amigo concordou com a cabeça. – Preciso trocar a minha fechadura ainda hoje, mas imagina se tenho tempo? Fred me deixou sozinha, tive até que desmarcar a reunião de pauta.
– Eu vi o e-mail da Claire, agora entendi o porquê… Eu posso trocar as fechaduras do seu apartamento enquanto você foca no trabalho, . Seu porteiro me conhece mesmo, peço a ajuda dele e cuido disso para você.
– Você vai salvar a minha vida se fizer isso. – Dan sorriu.
– E não é exatamente por isso que você me chama de melhor amigo? – A mulher sorriu, aliviada, enquanto agradecia novamente ao homem. Ela amava Dan com todo o seu coração e esse era um dos principais motivos: ele é uma das pessoas mais prestativas do mundo. Seja com ela, com familiares ou com quem acabou de conhecer. – Inclusive, quero saber sobre nosso Tio Patrick. – Claro, o Saint Patrick's Day, carinhosamente apelidado de Tio Patrick por Dan e . Essa é uma data especial para os dois, visto que foi onde deram o primeiro rolê juntos e teve o desprazer de cuidar de Dan, que bebeu demais e vomitou por todo o apartamento da jornalista. Desde então, festas temáticas do Tio Patrick são sagradas para os dois. Dessa vez não seria diferente.
– Achei que nunca fosse perguntar. – Respondeu a mulher, rindo. – Pensei em assistirmos o desfile e depois irmos para aquela festa que está todo mundo falando.
– A do Pub Crawls?
– Essa mesmo!
– Vamos, eu topo. Vou chamar o Logan, ele vai curtir. – concordou prontamente. Já conhecia bem o piloto para saber que ele com certeza iria amar as comemorações do Tio Patrick. Sabia que Sebastian também gostaria de ir, mas sua relação com Dan já estava abalada demais para ela citar o nome do ator. Seria melhor separar as coisas e deixar para ver Sebastian em outro momento.
Demorou mais alguns minutos para os dois finalizarem o almoço e voltarem para o escritório da FANCY. Logan já estava na sala de , aguardando a jornalista, que logo se sentou e voltou aos trâmites da campanha junto do piloto. Haviam marcado a grande maioria das entrevistas e fariam isso durante toda semana. sabia que precisaria se virar nos trinta para conciliar a nova edição com a campanha, mas faria isso da melhor forma possível.
Desmarcou a terapia que teria na quinta-feira e Rose, como sempre, entendeu. Sabia melhor do que ninguém como a jornalista é devota ao trabalho, apesar de não achar isso nem um pouco saudável.
Enquanto isso, Fred com certeza ficaria aliviado de saber que seu plano de mantê-la ocupada estava dando certo.

***

Era quinta-feira à noite. Sebastian estava na terapia atualizando a Srta. Stewart sobre os últimos acontecimentos. Contou exatamente tudo. Desde a carta até a invasão ao apartamento de . As expressões da profissional mudavam conforme o ator falava. Ficou preocupada com a carta e a invasão, mas orgulhosa da palestra e surpresa com a festa de Artur. Muita coisa havia acontecido em um fim de semana. Ultimamente, parecia que todos os encontros com Sebastian eram assim.
A terapeuta aconselhou que o ator tomasse cuidado. Ele não sabia onde estava se metendo e, principalmente, não sabia com quem estava lidando. O homem também estava bastante preocupado, mas ficar longe de já não era uma opção. Os dois iriam enfrentar quem quer que fosse juntos, e ele suspeitava que essa pessoa era…
Fred, chefe da . – Explicou. A Srta. Stewart ouvia atentamente a explicação de Sebastian, que parecia extremamente convicto do que falava. – Eu tenho certeza que ele está metido nisso.
– Por que você tem certeza? – Questionou, séria. Era uma acusação extremamente forte.
– Ele se mostra muito suspeito, claramente nunca gostou de mim, por algum motivo que eu não faço ideia e desde que cogitou fazer a campanha comigo ele tem implicado bastante com ela. – Srta. Stewart continuou o fitando, curiosa. – Tudo bem, não tenho certeza que foi ele, mas é o que parece…
– Nem tudo é o que parece, Seb. – Afirmou. – O melhor que vocês dois fazem é levar essa carta para a polícia e anexar junto da investigação do apartamento. – Sebastian não havia pensado nisso.
– Eu não tinha pensado nisso. – Respondeu, provocando risos na terapeuta.
– Estou aqui para te ajudar a pensar. – Os dois sorriram, afinal ela realmente o ajudava. E muito.
– Não sei se você viu, mas minha audiência foi marcada. Faltam poucos dias. – Disse, nervoso. A terapeuta arqueou a sobrancelha. – Te mandei por e-mail.
– Vou procurar o e-mail assim que pegar meu notebook. – Sebastian concordou. – Finalmente, ein? Como você está? – O homem piscou os olhos com rapidez.
– Sendo sincero? Não tive tempo para pensar muito sobre isso. Estou ansioso, mas ao mesmo tempo tem tanta coisa acontecendo que acaba tirando o meu foco. Só espero que as coisas finalmente se resolvam. – Srta. Stewart concordou.
– Vão se resolver, e nós vamos falar mais sobre isso, ok? Quero que você passe a tomar um suco de maracujá com camomila uma vez ao dia, pode ser ao acordar ou antes de dormir.
– Pra que? – Questionou, curioso.
– Uma vida tão conturbada assim precisa de um pouco de calma. Não posso te receitar remédios, como você sabe, e não acho que você precise voltar ao psiquiatra neste mês. Vamos seguir com algo natural, só para evitar que você surte. – Sebastian riu.
– O suco parece perfeito.
– E é muito gostoso! – Ele sorriu. – E, claro, com essa situação, a partir de agora, sem desculpas: a gente se vê uma vez por semana. – O homem revirou os olhos, fingindo ter odiado a ideia, e Srta. Stewart fez como se fosse lhe jogar a prancheta que segurava. – Mais respeito!
– Ok, neste caso, até semana que vem?
– Até semana que vem! – O ator concordou, rindo. A sessão logo chegou ao fim e Sebastian deixou o local em direção ao seu carro.
No caminho, recebeu um e-mail de . Havia perguntado como a jornalista estava e, para sua tranquilidade, ela respondeu que estava tudo bem. Daniel trocou sua fechadura e aproveitou para instalar câmeras que eram ligadas toda vez que deixava o apartamento. Lendo essas informações, Sebastian ficou mais tranquilo. Daniel parecia um cara legal; o ator esperava que algum dia ele deixasse esse ciúmes de lado.
Para sua surpresa, havia uma figura encapuzada parada ao lado de seu carro. Sebastian tirou a chave de sua casa do bolso e a posicionou entre os dedos, fechando a mão em um punho depois. Estava preparado para se defender caso precisasse. Um estalo no chão causado pelos passos do ator fez com que a figura se virasse rapidamente, deixando a respiração do homem fraca por um momento quando ele finalmente percebeu quem era.
Serena. – A mulher engoliu em seco e apertou o capuz sobre o rosto. Ela estava se escondendo.
– Precisamos conversar. Dentro do carro. – Sebastian deu um passo para trás e olhou em volta, assegurando que ninguém observava os dois. Aquilo poderia ser um problema.
– Vai embora, Serena. – A loira suspirou e fechou os olhos, tentando manter a calma.
– Eu não tenho muito tempo, abre o carro. – O homem riu debochadamente, negando com a cabeça.
– A gente só vai se falar perante a justiça, em alguns dias.– Garantiu. – Agora, por favor, sai de perto do meu carro.
– É sobre a . – Neste momento, Sebastian gelou e, sem pensar muito, abriu o carro. O ator caminhou em passos rápidos para dentro do veículo e Serena fez o mesmo, quando finalmente tirou o capuz. – Eu… Vou retirar as queixas contra você. – O ator arqueou as sobrancelhas, perplexo, sem saber o que dizer. Serena percebeu e passou a língua entre os lábios, continuando: – Mas eu tenho uma condição.
– É claro que você tem. – Ele bufou. A mulher o fitou e esperou alguns segundos para dizer. Estava aflita, com medo do seu plano dar errado.
– Você precisa se afastar da . – Sebastian retraiu seu corpo e fitou a mulher. Serena sustentou o olhar, esperando uma resposta positiva, mas foi surpreendida:
– Sai do meu carro. – Ele disse, apontando para fora. A loira, mais uma vez, engoliu em seco. Não estava ali por vontade própria, mas nessa história, se encontrava tão encurralada que não era mais capaz de tomar as próprias decisões.
– Espera, Sebastian! Não vai nem cogitar? Você sabe que não tem chances se eu seguir com as acusações. Nós temos o vídeo.
– Eu não ligo pra porra desse vídeo. Ele não diz nada. – Serena riu, debochada. – Quero saber o que a tem a ver com essa história. – Sebastian perguntou, irritado. A presença de Serena já era o suficiente para tirar o homem do sério.
– Tudo. – O homem nada disse e Serena sorriu, satisfeita. Ela tinha certeza que estava entrando na mente do ator, mas mal sabia ela… – Vai perder sua liberdade por causa de uma mulher qualquer? – O ator enrijeceu o corpo escutando a loira se referir à dessa forma, mas ainda assim ficou calado, olhando para baixo. Estava raciocinando, pensando sobre os últimos acontecimentos e a relação que Serena poderia ter com… Tudo. O bilhete, o apartamento, o encontro com Fred. Serena conhecia ele.
– Foi você. – Ele disse, voltando a olhá-la. A mulher abaixou a guarda e deixou suas sobrancelhas, antes arqueadas, caírem. As rugas entre os seus olhos estavam visíveis. Serena ficou confusa com a constatação de Sebastian. – Você que me ameaçou, não foi? Foi você que entrou no apartamento da . Porra, Serena, foi você!
– O que? Eu? Não!
– Para de ser mentirosa! – Ele gritou, de saco cheio. – Eu não vou me afastar da , Serena. Vou conseguir a minha liberdade com a verdade, e é melhor você parar com esse joguinho de ameaças. Só te fazem passar vergonha, porque eu não tenho medo algum. – Garantiu, firmemente. Serena estava tão irritada e preocupada com tudo que ouviu que a pálpebra do seu olho chegou a tremer. Não imaginava que o encontro seria assim, pelo contrário, tinha certeza que Sebastian iria preferir sua liberdade à . Voltaria com as mãos abanando, e isso seria um grande problema.
– Você gosta dela, né? – Sebastian não esperava por essa pergunta e novamente voltou a abaixar a guarda. A loira sabia a resposta, mais que isso, sabia que se magoaria com ela, mesmo não sentindo mais algo tão forte pelo ator. A verdade é que Serena tinha um grande sentimento de posse, e odiava pensar em Sebastian gostando de outra pessoa que não fosse ela. O homem fitou a loira e engoliu em seco. A resposta poderia colocar a vida de em perigo, mas, naquela altura, os dois já estavam mais do que amarrados no trilho do trem:
– De um jeito que eu nunca gostei de ninguém. – Serena entortou o rosto e reprimiu os lábios, buscando uma forma de lidar com a resposta sem deixar que nenhuma lágrima caísse de seus olhos. O ator observou as reações singelas da loira, mas pouco se importou. Tinha motivo de sobra para não sentir nem um pingo de empatia por ela. – Eu não vou me afastar da . – Garantiu, e viu um sorriso debochado tomar conta do rosto de Serena.
– Resposta errada. – Ela disse, antes de finalmente sair e bater com força a porta do carro. Serena correu para longe e logo já não era possível vê-la. Sebastian fechou todas as portas e arrancou com o veículo dali. No primeiro sinal vermelho que parou, mandou uma mensagem para .
A jornalista precisava saber.

***

– Eu te avisei que não daria certo. – Serena estava voltando para casa e falava com alguém no telefone. Infelizmente, número desconhecido. Não conseguimos saber quem é.
– Achei que ele se preocuparia mais com a liberdade do que com a idiota da . Saco! – A mulher bateu com a cabeça no banco do carro. Estava parada em uma rua deserta, esperando a ligação terminar para voltar para o seu apartamento. Precisava ensaiar sua defesa amanhã com os advogados, mas nem sequer tinha cabeça para pensar nisso.
– Isso foi ciúmes? – A mulher se permitiu rir. Era mais frustração do que qualquer outra coisa, mas ainda assim odiava saber dos sentimentos de Sebastian pela fancy girl.
– Você sabe que não. – A pessoa do outro lado da linha ficou muda por alguns segundos, enquanto Serena engolia em seco, sabendo que um sermão estava por vir.
– Quem começou tudo isso foi você, Serena, resolva. Eu não posso me arriscar ainda mais. – A loira respirou fundo. – Se ele não cedeu, ela vai. Faça o que eu mandei. Fale com a .
– Quando? Não posso ir até a FANCY de novo, é muito arriscado.
– Isso você deixa comigo, só planeje bem o que vai falar e se saia melhor do que hoje. – Ela assentiu. Faria o que fosse necessário, pois agora já estava com a corda no pescoço.
– Tudo bem. – Ela disse, suspirando. – Quando nós vemos?
– Em breve, eu espero, mas ainda precisamos evitar. – Ela concordou, mesmo sabendo que a pessoa não estava por perto para ver. – Isso tudo é por nós, Serena. Não esqueça. – A loira sorriu. Gostava de ouvir a pessoa falando assim. – Até mais, linda. – A mulher também se despediu de quem quer que fosse do outro lado da linha, mas antes, não deixou de ficar feliz com a última frase dita: – Eu te amo.


Capítulo 17 – A Verdade Tem Sotaque Britânico


A semana havia sido corrida. Quinta-feira tiveram uma reunião de pauta incrível. Todos se envolveram, inclusive o time de marketing, que sugeriu ótimas ideias de divulgação nas redes sociais e materiais extremamente interessantes.
A capa e matéria principal, no entanto, foram pensadas por . A mulher queria artistas negras para falar sobre representatividade na indústria da moda, da arte e do cinema, de uma forma diferente. A ideia? Colocá-las como protagonistas de filmes, quadros e campanhas que durante anos só evidenciaram a beleza branca. Elas seriam a Monalisa, a Cher Horowitz, a Elizabeth Bennet, a Bonequinha de Luxo, e muitas outras personagens emblemáticas.
Para a capa, queria Naomi Campbell usando a coleção de primavera-verão de 2015 da Moschino, que levou a Barbie para as passarelas. A assessoria da modelo, tal como a própria, já havia aceitado a ideia na quarta-feira, um dia antes da reunião, e nunca ficou tão feliz por algo dar certo. Essa, inclusive, seria a primeira vez que Naomi estrelaria a capa da FANCY.
Nesse meio tempo, e Logan tiveram também uma conversa com Fred, que determinou que os dois apresentassem a campanha para ele, Dan, Denise e Sr. Lamar na segunda-feira. Sem falta. O trabalho ainda não estava pronto, mas para seguir com o resto das produções, segundo Fred, era necessário que todos soubessem como estava o andamento das pautas. Combinou com Logan que usariam o domingo para ensaiar e se apoiar. Estava aliviada por poder contar com o piloto.
Era sábado à noite. , Logan e Dan haviam assistido juntos o desfile do Saint Patrick’s Day e estavam, neste exato momento, chegando no Pub para curtir o que tinha tudo para ser a melhor festa de suas vidas. A fila do local estava enorme, mas com a presença de Logan, facilmente conseguiriam uma entrada VIP.
Dito e feito: o piloto colocou os amigos para dentro com uma facilidade que nenhum dos dois nunca tinha visto.
Ser famoso tinha mesmo suas vantagens.
Em poucos minutos, os três já estavam bebendo e dançando na pista. Logan sempre perto de , e Dan distraído com qualquer outra coisa que não fosse o piloto dando em cima de sua melhor amiga. Não que tivesse ciúmes, mas aquilo era desagradável e vergonhoso; era óbvio que não o via da mesma forma.
Logan, entretanto, não parecia ligar. E ele realmente não ligava, gostava de estar perto da jornalista não só pelo crush que tinha, mas também porque a presença de sempre deixava tudo melhor.
A mulher, ao contrário dos dois, não pensava em nada. Estava ali justamente para se distrair. Zero interessada se Logan é ou não afim dela e se isso incomoda ou não Daniel. Todos eram adultos, e, bom, é sábado à noite.
Quando FANCY de Iggy Azalea começou a tocar, os três se abraçaram e cantaram com todo o poder que tinham na voz. A música poderia facilmente se tornar símbolo da amizade dos três, já que foi onde se conheceram. chegou a ficar emotiva, pois depois da FANCY, sua vida havia mudado – para melhor. Fora isso, se encontrava meio alta, então seus sentimentos estavam à flor da pele.
As horas se passaram e já estava bêbada, tendo dificuldade até mesmo para ficar de pé. Logan também não estava muito diferente. Dan era o único dos três que parecia sóbrio. O homem sabia que seus amigos beberiam além da conta e preferiu manter a sobriedade para lidar com qualquer problema que surgisse.
Em algum momento da noite, resolveu ir ao banheiro. Precisava lavar o rosto, beber a água da pia e voltar para a pista de dança um pouco mais disposta – e menos bêbada. Usou uma das cabines para fazer o seu primeiro xixi da noite. Até ouviu alguém entrando – ou saindo – do banheiro, mas não ligou, apenas deu descarga e saiu para se olhar no espelho. A maquiagem ainda estava impecável e o look também, o cabelo nem tanto, então preferiu prender em um rabo de cavalo e seguir a noite assim.
lavava seu rosto quando escutou a descarga de uma das cabines ao fundo. Sem dar muita importância, ela apenas levantou a cabeça e observou seu reflexo no espelho.
– E aí, fancy girl? – Assustada, a jornalista virou-se rapidamente para trás, a tempo de ver Serena parada na porta de uma das cabines, a olhando com um sorriso sarcástico no rosto. , sem tirar os olhos da loira, pegou o papel toalha que estava ao lado da pia e secou seu rosto.
– Não veio tentar me convencer do seu lado da história novamente, né? – Respondeu, tão sarcástica quanto. Serena se aproximou, mas ainda mantendo certa distância.
– Pra você? Não… Eu não acho que preciso provar algo pra você. – sorriu, novamente em tom sarcástico, e aproveitou para tirar seu gloss da bolsa. A jornalista fitou novamente o seu reflexo no espelho e retocou o brilho em seus lábios.
– Não era assim que você pensava há algumas semanas atrás. – Disse, voltando a olhar Serena. – Quer alguma coisa comigo?
– O mesmo que eu queria antes, . Tentar te ajudar. – Dessa vez, a jornalista bufou. Nessa altura do campeonato, já sabia que o que Serena menos queria era tentar ajudar alguém além de si mesma.
– Fala sério, Serena. – A loira bufou, insatisfeita com o rumo da conversa. De fato, o que disse não era verdade, mas a mulher pensou que acreditaria. Afinal, da primeira vez, o teatro quase colou.
As duas estavam se olhando pelo reflexo no espelho. Serena precisava fazer se afastar de Sebastian por bem, e essa era a única chance que tinha. Não podia decepcionar novamente. Já bastava o rumo negativo que a conversa com o ator teve.
– Certo. – Serena se rendeu. Ou pelo menos era o que queria que achasse. – Naquela época, meu intuito não era só te ajudar, mas sim ajudar a nós duas. Não queria permitir que um homem ficasse entre duas mulheres como eu e você.
– Como eu e você? – continuou a fitando pelo reflexo, esperando pela resposta.
– Trabalhadoras, que sofrem com o machismo de toda uma sociedade e indústria, que tiveram que lutar e conquistar as coisas sozinhas, sem apoio. – soltou o ar pelo nariz, cansada do papo motivacional de Serena.
– Você resumiu a minha vida, a sua e a de mais milhões de mulheres espalhadas pelo mundo. Isso não nos torna nem um pouco parecidas. – Serena encostou na porta da cabine, suspirando.
– Você tem razão. – arqueou as sobrancelhas e arrumou a postura, indicando que deixaria o local. Estava de saco cheio da contradição da loira. – Afinal… Eu sou a vilã e você, claro, é a mocinha. De você todo mundo gosta. – Serena se aproximou até se posicionar atrás da outra. As duas ainda se fitavam pelo reflexo do espelho. Ambas com olhares firmes, sem pretensão alguma de desviar. – Em você todo mundo acredita.
– E você tem inveja disso? – Serena riu. A jornalista nada fez, apenas observou as reações da outra, que se aproximou do ouvido de , sussurrando com delicadeza:
– É isso que você acha? – continuou sem responder, e fez Serena arquear as sobrancelhas, como se estivesse surpresa. – Sim? – Ela riu. – Você tem certeza que eu tenho inveja de você. Sério? Arrogância não combina com a mocinha da fanfic, . – O papo cansou a jornalista, que se afastou de Serena enquanto bufava. – Inveja é o de menos, fancy girl. Tem muito mais coisa rolando… Você não faz nem ideia.
– Nesse caso, estou ouvindo. – A jornalista finalmente voltou a falar, dessa vez virando-se de frente para a loira. Serena arqueou a sobrancelha, enquanto ria fraco. – Não quer que eu acredite que você me seguiu até aqui só para admitir que tem inveja de mim, né? – cruzou os braços e apoiou o corpo sobre a pia. – Você poderia ter enviado um e-mail para isso, ou invadido a minha casa… Ou… enviado uma carta de ameaça. Até porque disso você entende bem, né? – A cara de deboche que preenchia o rosto da loira fechou no exato momento em que ouviu essa frase. Serena, então, rezou para que os dois não tivessem conversado.
– Não tente entrar na minha cabeça. – Respondeu, buscando se recompor. deu de ombros.
– Ah, pode ficar tranquila. – Falou, levantando as mãos. – Esse espaço já é muito bem ocupado pelas suas mentiras.
– Você não sabe o que diz. – Serena voltou a encostar-se na porta do banheiro para dizer essa frase. , no entanto, permaneceu na mesma posição.
– Então me conta, Serena, já que você sabe tanto sobre tudo. – arqueou a sobrancelha, a desafiando. A jornalista estava sim entrando na cabeça da loira. Serena ficou quieta por um tempo. – O que está acontecendo? O que eu tenho a ver com tudo isso? Por que você não livra o Sebastian de tanta mentira? – Serena ficou séria. Por um momento, não soube o que responder, mas precisava saber. Não poderia perder essa chance. estava armada dos pés a cabeça, e ela precisaria ir mais longe se quisesse vencer essa fase do jogo.
– A única pessoa que eu amei em toda a minha vida nunca me viu como vê você. – Serena não foi capaz de notar, mas essa única frase fez perder um pouco da compostura. Ela não esperava ouvir aquilo, e nem sabia se deveria acreditar, mas, sinceramente, de tudo que a loira falou até agora, isso pareceu o mais sincero. – Dizem que… – Serena travou, mas respirou fundo antes de continuar: – Dizem que a gente só ama o que admira. Até pode existir admiração sem amor, mas não existe amor sem admiração. – A loira parecia estar falando mais para si mesma do que para , e isso foi o que mais doeu nela mesma. Serena também estava bêbada, e machucada, calejada de tanto que já havia sofrido. Estava segurando seus sentimentos e suas mentiras há muito tempo. Aquilo estava consumindo-a. Ela não tinha como se enganar mais: ainda amava Sebastian, e ver que ele, aparentemente, amava outra, a destruía. Afinal, a jornalista é tudo que ela sempre quis ser: livre, dona de si e de verdade. não é um personagem, ela é de carne e osso. Por isso todos gostam dela, principalmente Sebastian. – Quando essa admiração acaba, o amor não resiste. Acredito que você sabe como eu descobri isso. – A loira, a essa altura, já olhava para os próprios pés. Foi tão sincera que esqueceu porque estava ali. ficou confusa com a frase e também com as reações. Por um momento, também se esqueceu de toda a situação que Serena havia criado. Apenas pensou em ajudá-la. Mas esse pensamento sumiu quando a viu se recompor e voltar a olhá-la com a mesma raiva de antes. – Eu tenho olhos em todos os lugares, e todos me dizem a mesma coisa: Sebastian nunca falou de mim como fala de você. – Serena riu. Sua risada continha um certo desespero; ela estava se segurando para não chorar. Enquanto isso, permanecia quieta, ainda tentando entender aonde a loira queria chegar. A jornalista não era burra. Sabia que Serena não estava dizendo tudo aquilo porque queria ver os dois juntos, e sim porque estava tramando algo. – Ele te admira, , e isso é algo que eu nunca vou ter.
– Como você tem tanta certeza de tudo isso? – Droga, pipoquei, pensou. Serena também percebeu e, apesar de ter sido sincera, usaria isso a seu favor. A jornalista finalmente havia amolecido, mas foi automático: ela precisava saber se o que Serena estava dizendo era realmente verdade.
– Porque o que ele sente por você é o que eu sinto por ele. – prendeu a respiração e pela primeira vez desviou o olhar. Serena também se permitiu olhar para o chão novamente. Algumas lágrimas começaram a escorrer pelo rosto da loira. Pela primeira vez, as duas estavam desarmadas, e a conversa ficou mais pesada do que imaginavam.
– Esse não é um bom motivo para você falar a verdade? O livrar de tanta angústia? Ele está sofrendo por culpa sua, Serena, e você não faz nada. – As duas voltaram a se fitar e Serena riu, enquanto olhava para o espelho e limpava as lágrimas que haviam escapado.
– Qual verdade, ? A minha, a sua ou a do Sebastian? A verdade nunca é uma só. – Após limpar seu rosto e se recompor, Serena voltou a olhar para a jornalista. – E está longe de ser fancy. – se permitiu rir da analogia. – Você precisa ficar longe dele.
– Estava demorando. – A jornalista bufou.
– A relação de vocês dois é um perigo para ele. Você precisa se afastar. – se desencostou da pia e deu um passo para frente, cortando a distância entre as duas. Serena sustentou o olhar firme da jornalista.
– A única pessoa que é um perigo para o Sebastian é você. – Garantiu, com toda segurança e confiança que tinha naquele momento.
– Escuta… – a interrompeu.
– Não, Serena. Agora você escuta. – deu um passo em direção à loira. A distância entre as duas ficou menor. – Nunca mais me procure para ameaçar a mim ou a qualquer pessoa que eu gosto. – Mais um passo. – Se sentisse mesmo o que diz sentir por ele, tomaria alguma atitude. – As duas estavam cara a cara. – Você sabe a verdade melhor do que ninguém, Serena, porque foi você que inventou a mentira. – não esboçou reação. Apenas continuou fitando a loira. Sentia seu corpo queimar. Se abrisse a boca agora, não tinha dúvida de que sairia fogo. – Então supera, segue a sua vida, pelo seu bem, porque você sabe que o Sebastian já seguiu a dele. – fitou Serena e observou suas reações perante ao que havia acabado de falar. A loira nada disse, apenas engoliu em seco, sem saber como reagir. A jornalista, então, finalmente se afastou e caminhou em direção à saída do banheiro, deixando a outra completamente perplexa para trás. Serena observou caminhar para fora, e juntou o pouco de força e fôlego que ainda tinha para dizer:
– Você vai se arrepender disso. – apenas ignorou. Pagaria para ver o arrependimento.
Assim que deixou o banheiro, se dirigiu para a área aberta do local. Precisava respirar e mandar um e-mail. A mulher abriu seu aplicativo e acessou sua conta. Abriu a opção de "Novo E-mail" sem prestar atenção nas mensagens anteriores. Afinal, ainda estava bêbada. Não conseguia dar atenção a nada além do que havia acabado de acontecer.
Pensou antes de escrever. Queria sugerir que o destinatário a encontrasse em seu apartamento, mas depois da invasão, sabia que lá não era o melhor local. Também estava bêbada demais para ir até o Brooklyn. Precisava pensar em um meio termo. Foi quando finalmente se tocou de um lugar próximo, seguro e vazio.

***

Sebastian entrou no escritório da FANCY e caminhou a passos largos até a única luz acesa no corredor: a sala de . O ator, em poucos segundos, já estava parado na porta do local, chamando a atenção da mulher, que levantou rapidamente da cadeira.
– Você veio. – Ela disse, surpresa e aliviada, enquanto o observava. O ator notou que ela não parecia totalmente sóbria, e se perguntou onde ela deveria estar antes de chamá-lo. – Desculpa por ter te chamado tão tarde, mas aconteceu uma coisa que você precisa saber.
– O que aconteceu? – Sebastian disse, preocupado, enquanto se aproximava dela. deu a volta na mesa, se posicionando à frente dele. – Tem a ver com o meu e-mail?
– Qual e-mail? – Ela perguntou, deixando de lado o que deveria falar. Sebastian franziu o cenho. – Você… Me mandou algo? Hoje?
– Quinta-feira. Achei que tinha visto.
– Não, desculpa. Foi tudo tão corrido, eu não prestei atenção nos meus e-mails, e hoje teve essa festa com Logan e Daniel... O que você disse no e-mail? Vou olhar agora. – Saber que saiu com os dois incomodou Sebastian. Ainda que os homens sejam amigos de , sabia que tentariam algo na primeira oportunidade que tivessem. Principalmente Logan. Os pensamentos do ator foram interrompidos quando ele viu procurando desesperadamente por seu telefone, que não encontrou. – A semana foi caótica. O Fred não me deixa em paz, parece que eu estou trabalhando 1000x mais e eu nem sei se isso é possível. Segunda-feira preciso apresentar a campanha que nem está pronta. Estou desesperada e ainda nem tive tempo para surtar por isso. Meu Deus. Vai dar tudo errado. – falava muito rápido, de forma que só parou quando Sebastian segurou seus ombros e a olhou nos olhos.
– Calma. – Pediu, com delicadeza. se encontrava com os olhos esbugalhados, mas soltou um suspiro fundo e balançou a cabeça, indicando que estava melhor. As mãos de Sebastian caíram sob os braços da mulher e ele solicitou: – Uma coisa de cada vez, ok? Sobre o meu e-mail: eu só te alertei que Serena me procurou, veio falar comigo. – arregalou os olhos, surpresa. – Quinta à noite. Tentou me ameaçar para… Ficar longe de você. – Sebastian fez uma cara confusa, pois quanto mais pensava sobre o assunto, menos entendia. Não conseguia descobrir a ligação de com tudo isso. – Fiquei preocupado, por isso mandei o e-mail. Só pedi para tomar cuidado. Eu acho que ela pode estar envolvida na invasão do seu apartamento. Na verdade, tenho certeza de que ela está por trás de tudo que está acontecendo. Mas não acho que esteja agindo sozinha, . Você precisa tomar cuidado.
Nós precisamos tomar cuidado, Sebastian… Ela também veio até mim. Hoje. – O ator deu um passo para trás.
– Quê? – Ele disse, mais alto do que queria. – Ela falou com você? – assentiu, mordendo o lábio. A jornalista cambaleou para trás e encostou-se na mesa, tentando se manter firme. Sua cabeça estava começando a latejar com tanta informação.
– Provavelmente não foi uma conversa muito diferente da que vocês tiveram. Ela tentou me convencer de que sou um perigo para você. – O ator balançou a cabeça negativamente e se aproximou da mulher. – Foi incisiva… E não me pegou nas melhores condições. Por pouco não fez minha cabeça.
– Sinto muito por isso. – Ele lamentou, sem deixar de olhá-la. – Ela sabe manipular.
– Sabe. Mas estou bem, Sebastian. Eu só não consigo entender porque tenho um peso tão grande em uma situação que até então parecia envolver só você e ela. – O homem suspirou e encostou ao lado de na mesa.
– Isso tira meu sono todos os dias. – A jornalista tombou a cabeça para o lado até encostar-se no ombro de Sebastian. O ator se assustou com a atitude, mas estava longe de ter desgostado. Aproveitou o momento para passar seu braço por trás de e também encostou sua cabeça na dela. – Não vai dar nada errado.
– Quê?
– Sobre segunda-feira, a apresentação da campanha. Vai dar tudo certo. – suspirou. – Como você tem tanta certeza? – Ele sorriu, mas ela não foi capaz de ver. Não estavam se olhando.
– Porque é você, né. Tudo que você toca vira ouro. – fechou os olhos e também sorriu, feliz por ouvir isso de Sebastian. – Eu te admiro muito.

"Dizem que a gente só ama o que admira. Até pode existir admiração sem amor, mas não existe amor sem admiração. (...) Ele te admira, , e isso é algo que eu nunca vou ter."

travou pensando no que Serena havia falado e seu coração amoleceu. Também o admirava, muito, até demais. Admirava sua sinceridade, sua coragem e força de vontade. Admirava a forma como cuidava de Elvis, como cultivava as amizades e como a elogiava abundantemente. Admirava como se sentia segura na presença dele – e isso desde o primeiro momento – e também como ele se vestia. Admirava seus dotes no karaokê, seu jeito respeitoso e como se preocupava com ela. Admirava o vídeo que ele fez Chris gravar para Claire, admirava como tratou seu irmão. Mas, principalmente, a admirava como ele a admirava.
Estava meio bêbada e transbordando sentimentos, situação que lhe deu força o suficiente para levantar a cabeça do ombro do homem e olhá-lo. Sebastian acompanhou o movimento de , mas sem saber no que resultaria.
Irônico, você não acha? finalmente disse, enquanto o ator franziu suas sobrancelhas. Ela riu, dando de ombros. – Uma das minhas músicas preferidas diz isso.
– Alanis Morissette? – Ela entortou a boca, surpresa.
– Você conhece?
– Se eu conheço? – Ele riu. – Um pouco irônico demais, e, sim, acho mesmo. – Os dois riram. Sebastian ainda não havia entendido a ironia, mas não estava preocupado em entender. Só queria aproveitar o momento e a conexão. – A vida tem uma maneira engraçada de aprontar com você…
- …E a vida tem um jeito muito, muito engraçado de te ajudar. – Os dois ainda estavam fitando um ao outro. O tempo, nesse momento, ficou mais devagar. Sebastian passou a língua entre os lábios e atraiu o olhar de para o local, que suspirou fundo, com a boca entreaberta. – Sebastian. – Sussurrou, perdida em sentimentos. "Eu te admiro muito." A frase que ele disse há poucos minutos atrás voltou a preencher os pensamentos da mulher. – Eu preciso saber… Você quer alguma coisa de mim? – Ela perguntou, não sabendo se fitava os olhos ou os lábios do homem. Sebastian entendeu a pergunta de , sorrindo maliciosamente como resposta. Só ele sabia quanto tempo estava esperando para sorrir desse jeito para ela. O homem, em um atitude rápida, passou a segurar a cintura da jornalista com firmeza, puxando-a para si. arfou, surpresa, e subiu seu olhar para as íris azuis dele. Já havia sido desejada por outros homens e sabia muito bem disso, mas nunca dessa forma. Podia ver os olhos do ator pegando fogo, parecia que ele havia esperado a vida inteira por isso.
Antes que Sebastian pudesse finalmente responder com palavras, mais do que já havia dito com suas atitudes, os dois ouviram a porta do elevador abrir. Em uma atitude automática, puxou a mão de Sebastian e os dois se acomodaram debaixo da mesa. Um espaço pequeno para duas pessoas, mas que serviria como esconderijo. Afinal, quem mais iria até o escritório da empresa durante a madrugada em um fim de semana?
Os passos da pessoa se aproximando da sala de fizeram o coração da mulher bater mais rápido, e ela nem sequer percebeu que estava ofegante até Sebastian tocar seu rosto com os dedos e puxar, virando-o para si.
– Olha só para mim… Só para mim. – Ele sussurrou. A jornalista obedeceu prontamente ao pedido e passou a fitar apenas os olhos claros do ator. Sebastian, satisfeito, sorriu, e desceu sua mão até finalmente tocar a dela, cruzando seus dedos. apertou os olhos sentindo o contato quente do homem e os abriu, com pressa, não sabendo se deveria continuar encarando aquelas íris azuis ou se descia para sua boca entreaberta. Sebastian, notando a dúvida de , passou a língua pelos lábios. Sabia que não era o melhor momento, mas estaria pronto se ela estivesse, pois não aguentava mais sonhar com isso e acordar todos os dias sem ter realizado.
A pessoa que caminhava pelos corredores se aproximou, entrando na sala de . Sebastian apertou a mão da mulher que voltou a fechar os olhos. Enquanto isso, o ator tentava observar pela pequena fresta da mesa, mas infelizmente não conseguia ver o rosto do sujeito, apenas a perna e os sapatos. Detalhes que o fizeram constatar que se trata de um homem.
O sujeito, então, apenas apagou a luz da sala e saiu, deixando os dois para trás. Logo foi possível ouvir o barulho do elevador, e tudo ficou silencioso novamente.
– Você já pode abrir os olhos. – Ele disse, sussurrando. Lentamente, abriu as pálpebras móveis e dessa vez não encontrou os olhos de Sebastian, já que estava escuro. O homem sorriu, tentando confortá-la. Ela soube pelo som conhecido da sua risada, mesmo não conseguindo ver.
– Acho que nunca senti tanto medo em toda a minha vida. – O homem saiu debaixo da mesa e esticou o braço para a jornalista, ajudando-a a sair também.
– Era um homem, vi pelos sapatos. Consegue imaginar quem? – deu de ombros, a única sugestão que tinha em mente era a mesma que rondava os pensamentos de Sebastian. – Também pensei nele. Só pode ser.
– O que está acontecendo, Sebastian? Sério… – perguntou, o fitando. Eles estavam frente a frente. O álcool do corpo da mulher já nem aparentava mais estar ali. Ficou sóbria com o tanto de informação e situações que havia presenciado nesse pouco tempo.
– Eu não sei. – A jornalista se sentou e suspirou. O homem observou suas ações preocupado. Odiava tê-la colocado nisso. Era como se estivessem dentro de um jogo em que os dois estavam perdendo de lavada para os vilões, mas isso iria mudar. Não deixaria nada acontecer com . – Eu te deixo em casa. Vamos?
– Se importa se formos para a sua? – Sebastian sorriu, negando com a cabeça.
– Nem um pouco. – Essa foi a deixa para os dois saírem do escritório. Sebastian foi sincero na resposta. Desde a invasão, passou a ficar ainda mais preocupado com . Tê-la por perto era uma forma de se certificar de que ela estava bem.
Os dois foram para o estacionamento do prédio e logo quando o elevador abriu na garagem, puderam observar um carro deixando o local. Sebastian apertou os olhos, tendo certeza de que se tratava de uma Urus. Branca. Exatamente igual àquela que o seguiu dias atrás.
– Você sabe qual carro o Fred tem? – Ele disse, assim que sentou no banco do passageiro do seu carro.
– Não faço ideia, mas posso descobrir. Por que? – Sebastian assentiu com a cabeça.
– Esse carro que acabou de sair daqui é uma Lamborghini Urus, branca. Descobre se é o carro dele. – concordou com a cabeça. – Assim vamos saber se era ele mesmo que estava aqui… Ou não. – A jornalista assentiu novamente. Sebastian preferiu não dizer que esse carro o estava perseguindo. Não queria deixar preocupada.
Logo os dois já estavam a caminho do apartamento de Sebastian. Durante o percurso, conversaram sobre diversos assuntos, evitando falar sobre Serena, Fred e qualquer outra pessoa relacionada a isso. Ambos estavam cansados de brincar de detetives – afinal, eram péssimos nisso.
Logo que chegaram, e Sebastian ficaram conversando no quarto do ator. O homem relembrou quando adotou Elvis e incentivou que a jornalista adotasse um cachorro para lhe fazer companhia também. A ideia agradava , mas ela tinha dó de deixá-lo sozinho por muito tempo, já que trabalhava demais. A conversa divagou até outros assuntos, como comida e fofocas de famosos.
Em pouco tempo, pegou no sono e Elvis dormiu ao seu lado. Sebastian cobriu os dois e pegou suas coisas, decidido a deixá-la à vontade e dormir no quarto de hóspedes. Antes que o homem pudesse deixar o quarto, ele ouviu um murmúrio baixo de , que chamou o seu nome.
Fica. – Pediu, baixo, mas alto o suficiente para que ele ouvisse. Sebastian sorriu sem mostrar os dentes e deu meia volta, se ajeitando ao lado da jornalista na cama. Inseguro, ele permitiu que seu braço rodeasse a cintura dela, e sentiu calafrios quando a resposta foi entrelaçar seus dedos aos dele. – Obrigada. – Ela disse, sem olhá-lo. Sebastian não conseguiu conter o sorriso, e apertou ainda mais o abraço, fechando os olhos em seguida.

***

Era domingo de manhã. A luz do sol entrava pelas frestas da janela que Sebastian esqueceu de fechar, mas nenhum dos dois parecia se incomodar. A cena era bonita de ver, principalmente para aqueles que torcem pelo casal. Na mesma posição que deitaram, eles continuaram: Sebastian tinha seu braço envolto ao corpo de , enquanto a jornalista segurava com delicadeza sua mão. Elvis, que também se acomodou junto aos dois, estava ao lado de , aproveitando o conforto deitado entre suas pernas.
Apenas o toque do celular de foi capaz de acordá-los. A jornalista se mexeu, procurando o aparelho e tentando não acordar o ator, atitude falha, já que Sebastian tinha sono leve. A mulher se sentou na cama confusa, enquanto lia a palavra "Desconhecido" brilhar na tela de seu telefone.
– Alô? – Disse, coçando os olhos e observando Elvis, que parecia ter acordado também.
? – A jornalista confirmou com um simples "ã-ham". – Peço desculpas por estar te ligando em pleno domingo, mas você não retornou os meus e-mails e eu fiquei extremamente preocupada com o que você relatou na mensagem que me enviou… Aqui quem fala é a Maya, da Vogue britânica. – se virou rapidamente na cama, batendo nas costas de Sebastian, que virou a cabeça para olhá-la. A mulher colocou o telefone no viva-voz. O sotaque britânico de Maya era bem forte.
– Oi, Maya! Imagina… Eu que te peço desculpas por não ter retornado. Esses dias foram super corridos. – Ela respondeu, enquanto observava Sebastian se mexer na cama, correndo para perto dela. – Eu não vi seu e-mail, você disse que ficou preocupada?
– Sim, fiquei. – Ela confirmou. Sebastian e se olharam. – No e-mail, você escreveu que o seu chefe é o Frederick Mackenzie.
– Isso mesmo. Ele trabalhou por alguns anos na revista de vocês, acredito que deve conhecê-lo… – Maya ficou em silêncio por um tempo.
, é impossível que a gente esteja falando da mesma pessoa. O Frederick que trabalhou comigo faleceu há mais de um ano. – e Sebastian travaram nesse momento. – Você tem certeza que seu chefe trabalhou aqui? E que o sobrenome dele é Mackenzie? – A jornalista não conseguia responder. Estava tentando digerir a informação que havia acabado de receber.
– Sim, quer dizer… É o que sei dele.
– Isso é loucura… Seu Fredrick tem alguma rede social?
– Não, nada. É quase impossível achar algo dele na internet, apenas as matérias que ele supostamente assinou na Vogue UK. – Sebastian levantou da cama e passou a mão pelos fios de seu cabelo. o observava, sem saber o que dizer.
– Eu tenho fotos do Fred que trabalhou aqui, estou te enviando por iMessage. – A jornalista concordou e aguardou pelas fotos. Em poucos segundos, elas estavam lá. Sebastian voltou a se sentar para olhá-las junto de . Os dois franziram o cenho olhando as fotos. O Fred de Maya era um homem negro, de cabelos longos.
– Maya… Esse não é o meu chefe. – A mulher do outro lado da linha suspirou pesadamente.
, esse é o único Frederick Mackenzie que trabalhou na britânica, eu me lembraria se tivesse outro. Acho difícil ser apenas uma coincidência de nomes… Mas o que posso dizer é que o seu chefe nunca trabalhou na Vogue UK. – Novamente, e Sebastian voltaram a se olhar. A jornalista não queria que Maya percebesse que ela estava assustada, então suspirou antes de dizer:
– Eu acho que posso ter me enganado, então. – Ela tentou rir para quebrar o gelo. Maya não a acompanhou. – Desculpa por isso, Maya, mas muito obrigada pelas informações.
, a gente não se conhece, mas isso me assustou. Quem quer que seja o seu Frederick, é melhor tomar cuidado. – A jornalista segurou a respiração, tentando se manter calma.
– Fique tranquila, Maya. Eu vou descobrir o que está acontecendo, deve ser apenas uma coincidência. – A mulher do outro lado da linha concordou, mesmo duvidando totalmente disso.
– Salva o meu número e me ligue caso precise de alguma coisa.
– Você também. Aproveite o domingo. – As duas se despediram. levou a mão à boca, em estado de choque, enquanto o ator a fitava, esperando que ela falasse qualquer coisa. – Sebastian… Me corrija se eu estiver errada, mas a gente acabou de descobrir que o Fred mente sobre quem é?
– Mais do que isso, , a gente acabou de descobrir que estamos lidando com alguém que não sabemos quem é. – A mulher apertou os olhos, assustada. – E se ele mente sobre isso, ele pode mentir sobre qualquer outra coisa. – Os dois ficaram quietos por alguns minutos, tentando raciocinar sobre o que haviam acabado de descobrir. estava assustada, enquanto Sebastian se encontrava desolado. Odiava com todas as forças ter colocado a mulher nisso tudo. Queria tirá-la dessa situação. – Você já cogitou pedir demissão?
– Oi? – Respondeu, mais alto do que pretendia, mas ficou perplexa com a pergunta. – A gente não ganharia nada com a minha demissão.
– Eu realmente não ganharia, mas você sim. Estaria segura, pelo menos. – bufou, sem paciência para ouvir Sebastian voltar nesses assuntos de proteção novamente.
– Ficar longe de você também me deixaria segura, em teoria. Mas adivinha? Eu não vou. – Respondeu, arisca. O homem, que não esperava tamanha grosseria vinda de , resolveu responder a altura:
– Ué, e se eu me afastar de você?
– De novo essa história de tomar atitudes que eu não concordo? – Ela cruzou os braços. Não sabia o porquê de estarem se estranhando, ainda mais nesse momento.
– Dessa vez eu estou te consultando. – arqueou as sobrancelhas, perplexa com a resposta. Queria socar seu rosto. Já estava com raiva pelo que havia descoberto sobre Fred, e agora Sebastian resolveu ser um baita de um idiota.
– Então se afasta, Sebastian. Da última vez você conseguiu mesmo, né? – O ator deu um passo para trás, reagindo à frase. Também não entendia o porquê da discussão, e muito menos porque a jornalista tinha que ser tão teimosa.
– Foi por pouco.
– Foi, sim. – Ela respondeu, irônica. – Por favor, não seja um babaca de novo.
– Então não seja teimosa. – sabia que era. E sabia disso muito bem.
– Tarde demais. Eu sou assim, goste ou não. – Disse, orgulhosa. Foi sua teimosia que a fez chegar onde está hoje. Sebastian riu pelo nariz.
– Você parece uma garota de 16 anos falando desse jeito. – bufou, ainda perplexa. – "Falem bem ou falem mal, mas falem de mim" – Ele disse, afinando a voz, enquanto ela ria ironicamente, usando as sílabas "ha ha há".
– Quer que eu fale o que você parece? – se aproximou do homem, que permaneceu parado no mesmo lugar.
– Não. – Ela sorriu, com pose de vencedora.
– Não quer porque sabe que estou certa. – Sebastian revirou os olhos. Não achava que ela estava certa, mas não aguentava mais vê-la falar. precisava ficar quieta antes que ele enlouquecesse e perdesse o controle. Sua boca abrindo e fechando, xingando-o e lançando respostas da ponta da língua o provocavam. Aquilo era a energia pura de . Uma energia intoxicante, para o bem e para o mal.
– Não quero porque se você falar mais alguma coisa eu juro que… – Ele disse, apertando os olhos com força. franziu o cenho e se aproximou mais do homem.
– Jura o que? Que vai se afastar de mim como da última vez? – Ela ainda não havia se tocado do efeito que estava tendo nele. Para , aquilo ainda era uma discussão, mas para Sebastian… Não. Para ele, se tornou uma prova de resistência que estava durando desde ontem. Portanto, em um respaldo de lucidez, ele percebeu que para ganhar a prova, nesse caso, ele não precisava resistir. O que ele precisava para ganhar era finalmente se permitir.
– Foda-se. – Dito isso, Sebastian curvou os braços e agarrou o pescoço de com as mãos, puxando-a para si e finalmente beijando os seus lábios. A mulher, surpresa, cambaleou para trás e foi amparada por Sebastian, antes de finalmente levar suas mãos até a cintura do ator e apertá-la. O homem arfou junto aos lábios dela quando sentiu o toque, e finalmente teve o prazer de ter a língua de tocando a sua. Os dois se complementam nas ideias, nos receios, nos medos e também nos desejos, nas vontades, e no beijo. Nenhum deles conseguia acreditar que o que estava acontecendo era real. O homem passou a segurar a parte da frente do pescoço de , afastando seu rosto com delicadeza para poder olhá-la. – Ontem você me perguntou se eu quero alguma coisa de você. – Ele estava ofegante, tal como ela. ainda não havia aberto suas pálpebras, enquanto Sebastian permanecia com os olhos firmes nela. – Eu pensei na resposta para essa pergunta à noite toda, porque eu não queria desperdiçar, responder algo e depois mudar de ideia… Eu queria conseguir explicar tudo que eu quero de você em uma única palavra. – Ela estava olhando atentamente para ele. – E eu já sei o que quero.
– O que? – finalmente abriu os olhos e, tal como ontem, sentiu as íris de Sebastian queimando. Ela desejou queimar junto com ele.
– Tudo. – O ator não hesitou.
– Tudo? Mas… Tudo o que? – Ela gaguejou, sem querer. Ele riu maliciosamente.
– Eu não quero algo, eu quero tudo. – Ele passou a língua entre os lábios. – Eu quero você, .



Continua...



Nota da autora: Oi, gente! Tudo bom? Demorei, mas cheguei :) espero que gostem muito desse capítulo <3 teve altas revelações e momentos, ein? Não esqueçam de me contar o que acharam, tá? Um beijo pra vocês e até o próximo!!!





Nota da scripter: "Eu quero você, Vênus". Aqui jaz uma scripter cadelinha desse casal!✞

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