Última atualização: 18/01/2019

Prefácio.

Nove anos atrás - um dia antes da tragédia.

Entre as luxuosas mansões de Bel’air, uma coisa chamava atenção naquela noite. Era um barulho alto que vinha da Mansão Blanc: rock clássico, que fugia de um dos numerosos cômodos, onde um pai e uma filha se divertiam ao som de Beatles (...).
- Here come old flat top, he come groovin' up slowly, he got joo joo eyeballs – Ryan cantava enquanto dançava como uma cobra e andava engraçado na direção de , que pulava de pijama no sofá. - He want holy rollers, he got hair down to his knees, got to be a joker, he just do what he please – a criança completava, como sempre fazia, parando apenas para os solos de guitarra imaginária.
Sempre mais alto, ambos pulavam e cantavam como se estivessem num show. Sorriam e se divertiam imitando o que seria o Velho-mais-chato até a música acabar, quando Ryan pegou a filha no colo fazendo-a soltar um grito e os jogou no sofá, seguido de vários risos.
- Nós vamos arrasar amanhã, vai ser o melhor show de talentos de pais e filhos de todos os tempos! – a menina enfatizava esticando os braços e sorrindo como se já pudesse visualizar toda a sua apresentação com o pai.
- Sorte a minha que tenho a filha com a voz mais linda de todas, assim vamos ganhar com certeza.
- A, pai, nós vamos ganhar por causa da sua estante de prêmios e seus discos de platina, não por causa da minha voz – fez um biquinho e abaixou o rosto tristonha. Ela nem é tão boa assim.
- Ei, não fale assim, você tem um grande potencial e é por isso que lhe chamo de minha Estrelinha.
O pai deu um beijo na cabeça de sua filha e a abraçou forte, espantando dela qualquer sentimento ruim, criando um amoroso e silencioso momento entre eles.
- Estrelinha, quer que eu te conte um segredo? – Ryan quebrou o silêncio e viu assentir rapidamente com brilho nos olhos. – Foi escutando Beatles que eu decidi ser músico.
- Oh! Sério pai? – a pequena perguntou curiosa.
- Eu era adolescente e estava muito confuso com tantas coisas mudando ao meu redor, até que escutei “Let it be”. Simplesmente tudo pareceu fazer sentido e eu me senti tão bem e feliz, que decidi fazer isso pelo resto da minha vida, viver da música – ele olhava nos olhos dela e pela segunda vez na noite se criou um momento de silêncio.
- Pai, posso te contar um segredo? – perguntou, o pai achou graça.
- Claro, Estrelinha.
- Eu quero ser roqueira quando crescer, que nem você – ela revelou sorrindo. – Porque brincar de show é tão divertido e me deixa muito feliz. Mas foi cantando com você, papai, que eu descobri isso.
Ryan ajeitou uma mecha do cabelo da filha colocando-a atrás de sua orelha, deu um beijo em sua testa e a abraçou dizendo:
- O importante é que você esteja feliz, mas saiba que independe do que você fizer, sempre será a minha Estrelinha.
- Eu te amo, papai.
- Também te amo, minha pequena.




Capítulo 1: Piloto

“SANGUE E SUOR” É O LEMA DELA. E nada a mais, pois lágrimas foram proibidas nove anos atrás.
Tanta dedicação a levou à essa noite. Mesmo que um hobby e uma toalha na cabeça não seja um traje elegante, e nem o seu típico quarto de adolescente um lugar refinado, essa era uma noite repleta de conquistas a serem comemoradas com grande estilo.
- Meu Deus, tá acabando, ! – disse quase gritando para a amiga que estava no outro hemisfério do país, enquanto se sentava em sua penteadeira.
O quarto tinha paredes brancas e os móveis divergiam entre tons pastéis, como sua cama que ficava num canto do quarto, abaixo da janela, e tons chamativos, como sua penteadeira cor Tiffany que ficava no outro canto do quarto, entre a escrivaninha e um quadro de cortiça cheio de fotos, lembretes e bilhetes pendurados.
- É a tendência, né, amiga – a voz de ecoou do computador que estava aberto em cima da cama no Skype. – Até parece que você não sabia que isso aconteceria.
- Claro que sabia – respondeu abrindo a gaveta de maquiagens. – Mas, sei lá, agora que eu peguei o canudo do diploma e que tô me arrumando pra ir pro meu baile de formatura, tudo parece muito mais real.
- Só não vou zoar toda essa sua euforia por que eu ainda lembro que fiquei do mesmo jeito ano passado. Mas, me diz, e a carta? Já chegou?
arregalou os olhos espantada ao ouvir a menção da carta e sentiu um frio percorrer toda a sua espinha. Se não tivesse de costas para a cama e nem tivesse contido seu impulso de passar a mão na nuca, com certeza perceberia que ela estava escondendo algo. Ela olhou novamente para a gaveta de maquiagens, mais especificamente para a carta da American Academy of Dramatic Arts lacrada que escondia nela. - Não – respondeu tentando agir com naturalidade ao começar a se maquiar. – Deve chegar semana que vem. Sei lá...
- Mas, amiga – falou com a voz quase estridente. – Já deveria ter chego há duas semanas.
- , Los Angeles não é exatamente perto daqui.
- , você mora no Oregon e não no Alasca! Eu hein, a carta é pra você e eu que tô mais interessada.
riu de leve, era um riso de nervosismo, porém sua melhor amiga com certeza pensou que fosse por ter achado seu comentário engraçado. A verdade é que ela mal tinha coragem para pensar nos “e se...” que a carta trazia, quem dirá descobrir o que ela dizia...
E se estivesse aprovada? Iria aceitar e deixar sua mãe para trás, provavelmente morrendo de preocupações todos os dias, ou negaria a vaga na AADA pra estudar administração? Ela nem gostava de administração, só solicitou uma vaga para esse curso porque sua mãe sugeriu, já que seu padrasto era dono de uma loja de automóveis na cidade...
E se estivesse reprovada? Correria atrás da grande vontade que tinha de estudar artes cênicas mesmo assim, ou só se conformaria e passaria o resto da vida naquela cidadezinha? Só uma coisa estava certa naquela altura: era a hora errada para pensar em não pensar naquilo.
- Droga! – resmungou largando o pincel do blush e pegando um lenço de papel.
- O que foi, menina?
- Nada, só me distrai e passei blush demais – respondeu tentando amenizar o tom de rosa enquanto ouvia rir da situação.
- Ai, , tá nervosa? Calma, você deve ter passado.
- Na verdade, eu não tenho pensado muito nisso, sabe, tenho estado muito ocupada – o que era verdade. – As duas últimas semanas foram só organização para o baile, treino das líderes de torcida pro jogo de ontem e a minha família que não para de falar da bolsa de administração que eu consegui na Universidade Wallamit.
- Hum, como se você precisasse de bolsa. Mas também, você aceita qualquer atividade extracurricular que vê pela frente, vive ocupada como se tivesse 46 anos ao invés de 17. Não sei o porquê faz isso consigo mesma.

~ 4 anos antes ~

- Comecei a namorar. – confessou, encarando o braço da poltrona onde estava sentada.
- Interessante – a Dra. Taylor comentou enquanto anotava algo em sua prancheta. – E quem é essa pessoa sortuda?
- O nome dele é August O’brian – respondeu, voltando seu olhar para a terapeuta que ainda fazia anotações. – Ele é da minha classe de História e também faz parte da equipe de futebol.
- E porque você começou a namorar ele, ?
- Várias das minhas amigas estão namorando, ele é um garoto legal e me pediu em namoro – a menina finalizou dando de ombros.
- Sabe, , você é uma das minhas pacientes mais novas, mas como sempre me pede pra te tratar como adulta, vou lhe contar uma coisa que só deveria contar para sua mãe – a médica disse, causando certo olhar de surpresa em . Ela pôs a prancheta no colo, tirou os óculos e continuou. – Falamos semana passada sobre você ficar constantemente ocupada com os treinos, reforços, aulas de culinária com sua mãe e tudo mais – a menina só balançava a cabeça em concordância, olhando fixamente para Taylor. – Desde que lhe conheci, eu percebi que era muito ativa, mas percebi que isso se agravou desde que o Pancake morreu há dois anos – logo contraiu as sobrancelhas e olhou para o chão, tentando lembrar se realmente era verdade e estranhando ter percebido isso só naquele momento. – Creio que sua mãe tem feito isso para que você não entre em depressão de novo, e tem funcionado, porém você não pode se manter ocupada para evitar pensar nas coisas que aconteceram e nas que estão acontecendo.
Uma pausa silenciosa se fez. encarava a médica assustada por se dar conta de que ela estava certa. A adolescente apertou com força a barra de sua saia e respirou fundo para se acalmar e não chorar. A terapeuta fez o mesmo, pois percebeu que, infelizmente, estava certa.
- É normal que pacientes sem uma figura paterna ou materna procurem namorar para ocupar essa ausência, mas acho que esse não seja o seu caso. Contudo, você é muito nova para ter um relacionamento sério, mesmo que seja mais madura do que a sua idade sugere.
- É, eu sei disso – ela assumiu cabisbaixa, comprimindo os lábios no final da frase.
- Esse namoro é mais por conta das suas amigas e não por que gosta do menino. Tente não magoá-lo e tome cuidado pra não usá-lo pra ocupar a ausência do seu pai ou para evitar seus pensamentos.

~ Atualmente ~


finalizou sua maquiagem com um batom cor-de-boca e se levantou para buscar seu vestido que estava pendurado na porta.
- Sei lá, eu só não gosto de ficar parada – disse enquanto atravessava o quarto. E era verdade. Ficar sem nada para fazer parecia um tipo de tortura para ela.
- Se não te conhecesse, diria que está fugindo de alguma coisa ou de alguém.
- Mudando de assunto, a melhor coisa que eu podia ter feito era comprar meu vestido com você – comentou tirando o belo Armani tomara-que-caia azul do cabide. Era sua cor preferida e os pequenos cristais distribuídos no decote só melhoravam tudo.
- Claro, se você tivesse comprado aí, acabaria indo pro baile com algum vestido feio de uma lojinha qualquer e ainda corria o risco de ter alguém com a mesma roupa – as duas fizeram caretas. – Aqui em L.A. tem as melhores lojas de roupas do país, além da melhor personal style e amiga também – riu da autoestima da amiga.
- Isso é verdade – concordou jogando o vestido na cama ao lado do computador – Ei, , preciso desligar agora, ainda tenho que me vestir e arrumar o cabelo antes do August chegar.
- Tá bom, amiga, também vou sair agora, preciso comprar uma roupa pra festa que a vai dar amanhã.
- Vê se compra algo que não lhe deixe parecendo uma prostituta, dessa vez.
- Pra quê esconder a minha vadia interior, não é mesmo? – risos. – Posso pensar no seu caso, mas só se você prometer que vai se divertir muito e usar camisinha.
- ! – desta vez foi quem falou com a voz estridente, encarando o computador. – Cê tá louca? Imagina se a minha mãe escuta isso!
- Ah, tá. Nossa. Até parece que a tia Mia não sabe que você já perdeu o cabaço.
- Não, a tia Mia não sabe, e, por mim, que ela continue pensando assim até eu casar – ao acabar de falar, riu descontroladamente, fazendo com que cruzasse os braços e erguesse uma das sobrancelhas, séria.
- Ah amiga, sai dessa, nem ela deve ter casado virgem.
- Não quero imaginar isso – comentou enquanto inclinava-se em direção ao pc. – Tchau, .
- Tá bom, tchau. Mas eu falei sério sobre a ca... – conseguiu desligar antes que a amiga terminasse de falar, o que foi um alívio já que sua mãe entrou no quarto logo em seguida.
- Oi, filha – Mia ficou surpresa ao ver sua filha ainda de roupão. – Você ainda não se vestiu?! O baile começa em quarenta minutos.
- É, eu sei – respondeu, jogando o hobby que estava cobrindo seu corpo só de lingerie no chão e pondo o vestido. – Mas eu já terminei a maquiagem, então só falta o cabelo. Pega os meus sapatos, por favor.
- Claro – sua mãe respondeu, virando-se em direção ao closet.
De repente, algo estalou na cabeça de : a gaveta de maquiagens. Sem lembrar se tinha fechado-a, olhou para sua penteadeira e sentiu aquele frio percorrer sua espinha novamente. Lá estava ela, totalmente aberta para quem quisesse ver a carta.
Imediatamente arregalou os olhos, puxou seu vestido o máximo possível para cima para que não tropeçasse e correu em direção a gaveta, conseguindo fecha-la bem antes de sua mãe voltar com os sapatos nas mãos.
- Aqui estão.
- Obrigada, mãe – agradeceu meio trêmula, calçando um deles por vez e se virando de costas ao terminar. – Fecha o zíper pra mim, por favor?
Prontamente Mia o fez, depois voltou-se para a mãe tirando a toalha da cabeça. Mesmo com os cabelos bagunçados e ainda úmidos ela estava linda, como uma princesa, ou melhor, como uma estrelinha. Só a lembrança desta palavra fazia Mia chorar.
- Você está tão linda.
- Mãe, não chora. Meu Deus, mãe, não! Se você chorar eu choro também – percorreu a pequena distância que tinha entre as duas e a abraçou, tentando conter as lágrimas. – Você não quer que eu estrague a minha maquiagem e me atrase, não é?
- Claro que não. – respondeu passando as mãos nas costas da filha e se distanciando. – Eu só gostaria que seu pai estivesse aqui para ver que você cresceu e virou essa mulher linda e maravilhosa. Com certeza ele sente orgulho de você, onde quer que esteja.
As palavras de Mia fizeram os olhos da filha lagrimarem no mesmo instante. Não importava o quanto ela fosse forte e se fizesse de durona, seus pais sempre foram o seu ponto fraco.
- Obrigada, por tudo – limpou as lágrimas do rosto da mãe. – Por sempre estar ao meu lado, por me amar e me proteger por tantos anos sozinha. Você é a minha heroína.
- É isso que as mães fazem, elas simplesmente amam e dizem que seus filhos são lindos – ambas sorriram bobas e de mãos dadas. – Bem, é melhor eu descer antes que eu chore mais e você se atrase.
Mia limpava as lágrimas do rosto enquanto tentava se recompor, pois se descesse com cara de choro, o pequeno Peter perguntaria o porquê de a mamãe estar chorando.
- Em vinte minutos eu desço.
Sua mãe assentiu com a cabeça e saiu do quarto.
Como era de se esperar, ela desceu no tempo combinado. O inesperado foi ver August conversando baixo num canto com seu padrasto e sua mãe. Quando Mia percebeu a chegada da filha, deu dois tapinhas no ombro de Gus para que ele também notasse e saiu do cômodo.
- Amor, você chegou cedo – mencionou com uma expressão de desconfiança assim que se aproximou.
- É que eu acabei ficado pronto mais cedo e decidi vir logo pra cá – ele respondeu, segurando sua mão e lhe dando um selinho nos lábios.
- Suas mãos estão suadas? – ela questionou, olhando para as mãos dele. Isso era muito estranho, ele normalmente só ficava assim antes de algum jogo importante e até August ficou surpreso.
- Nossa! – ele exclamou, secando suas mãos no paletó com um sorriso torto no rosto. – Nem tinha percebido.
- Você tá nervoso? Parece até que esse é o nosso primeiro baile e não o último.
- Claro que ele está, menina – o padrasto dela, Chuck, interrompeu ficando entre os dois e os puxando para um abraço coletivo. – Hoje é um grande dia!
- Chuck, calma – falou, pegando distância. Ela respeitava muito seu padrasto e até gostava dele, mas nunca gostou de intimidade. – A formatura já passou e não é como se eu fosse me casar essa noite – argumentou, ajeitando o vestido.
Neste momento Chuck e August olharam com espanto para a menina. estava prestes a questionar aquelas caretas quando rapidamente uma luz branca e forte se acendeu, cegando-a por alguns instantes.
- Essa ficou péssima – Mia resmungou vendo o visor da câmera. – Afinal, pra que essas caretas? – questionou, olhando para os três que piscavam freneticamente.
- Talvez porque a senhora chegou tirando foto do nada – retrucou. – Assim nem Megan Fox se salva.
- Acho difícil aquela mulher sair feia numa foto, mas tá, vão logo pra parede de vocês – Mia ordenou apontando para uma parede branca do corredor.
Desde o primeiro baile os dois tiravam fotos na frente da bendita parede. A mãe coruja não deixava que ninguém pendurasse algo, muito menos que Peter tentasse dar uma de Picasso nela.
- Mas antes, temos que manter as tradições – August seguiu em direção à mesa de centro da sala, pegou uma caixinha transparente e voltou a ficar de frente para , já abrindo-a.
- Peônia de novo? – Mia reclamou com cara de desânimo. – Vocês não enjoam dessa flor, não? É sempre a mesma.
- Ah mãe, não exagera, não é sempre azul – a filha respondeu enquanto August colocava o corsage em seu pulso.
- Não posso fazer nada, Sra. Hendrix, desde que ela assistiu Gossip Girl, eu fui proibido de comprar outra flor.
- Não meta a minha Blair Waldorf nisso – retrucou e todos riram.
- Tá bom, crianças, hora da foto – Mia insistiu e lançou seu olhar imperativo.
- Quem dera fosse só uma – a filha resmungou baixo para que ninguém percebesse.
E então uma sessão de fotos começou. Mia adorava tirar fotos, principalmente quando se tratava da filha, tanto que as bochechas de nem doíam mais por ficar sorrindo por tanto tempo. Entre as várias fotos, sempre rolavam brincadeiras, comentários e certa dificuldade pra conseguir com que Peter ficasse parado. Depois de uns dez minutos, tudo estava resolvido e todos já estavam na frente da casa para se despedirem.
- Se divirta – Mia falou ao abraça-la com um sorriso sereno no rosto.
- Pode deixar, mãe – respondeu.
August estava ao seu lado apertando a mão de seu padrasto que agora carregava Peter.
- Voltamos antes do sol – August falou, ajudando a namorada a descer as escadas, já que o salto sempre dificultava, mesmo que fossem só três degraus.
- Boa sorte pra vocês e tenham juízo! – Chuck gritou quando os dois estavam prestes a entrar no carro.
August abriu a porta do carona de seu Honda Civic vermelho para que entrasse e ela o fez, puxando a longa saia de seu vestido para que não ficasse presa, então ele fechou a porta e deu a volta no carro. Quando entrou, estava teclando em seu celular, provavelmente mandando uma mensagem para uma de suas amigas, avisando que finalmente tinha conseguido sair de casa.
- Montei uma playlist só pra festinha depois do baile – disse ainda mexendo no celular.
- Podemos escutar umas duas no caminho – ele comentou, tendo como resposta o começo de uma música da Ariana Grande, enquanto acabava de colocar o cinto de segurança. Soltou um leve sorriso, pois nunca perdia tempo quando se tratava de música.
- Não sei o porquê do Chuck sempre falar “Juízo” toda vez que vamos sair. Até parece que o fato dele falar isso vai realmente mudar alguma coisa – ela comentou, bloqueando o celular e o pondo no colo.
- Para de ser implicante, sei que você gosta dele.
- E eu gosto, ele é um cara legal e trata minha mãe super bem, mas não dá pra negar que ele é muito, sei lá, estranho às vezes. Por exemplo, esse “boa sorte” que ele acabou de dar pra gente, boa sorte pra quê? – olhou diretamente para Gus quando disse isso, no entanto ele optou por não desviar o olhar da rua. – Falando em agir estranho, sobre o que vocês estavam conversando quando eu cheguei na sala?
- Nada demais.
- Ah, você sabe que eu sou curiosa, curiosidade é a essência do meu ser e era algo demais sim, porque foi só eu chegar que vocês pararam de falar.
- Claro que paramos, estávamos só te esperando – Gus olhou para ela e viu pelos seus lábios contraídos que ela não engoliria aquela desculpa.
- Fala logo o que era – ela ficou impaciente e começou a cutucar o braço do garoto várias e várias vezes. – Fala, fala, fala, falaaa!
- Tá bom! Mas realmente não era nada demais... Estávamos conversando sobre o último jogo de futebol da escola e a faculdade.
August disse olhando para a rua, a fim de que ela não percebesse sua mentira. Foi só escutar “faculdade” que se arrependeu de ter insistido tanto, pois não queria dar abertura a um assunto que evitava há dias. Já era chato ter que pensar sobre isso, quem dirá falar sobre... Logo, ela soube que precisava mudar de assunto.
- Legal, mas, ei! Estamos indo para o nosso último baile... Nossa, como isso dá um frio na barriga, não? – pôs uma mão sobre a barriga e olhou para August com um sorriso nervoso no rosto.
Ele desviou rapidamente os olhos para vê-lá e sorriu aliviado por mudar de assunto, em resposta, estendeu sua mão para pegar a dela que ainda estava sobre a barriga.
- Dá mesmo – puxou a mão dela e deu um beijo em seu dorso, mantendo seus olhos na rua. – Mas pode ficar calma, que vai dar tudo certo.
- Claro que vai, quando o assunto é baile, nós somos profissionais. – respondeu empolgada fazendo com que os dois rissem. – Mas, amor, me diz: por que você tá tão nervoso? – perguntou enquanto olhava as suas mãos ainda entrelaçadas, pois a dele estava novamente suada.
- Porque é uma noite importante – respondeu sem olhar para ela.
- Calma, é só mais um baile – soltou a mão dele. tinha estranhado o nervosismo também, porém, preferiu não comentar, pois poderia ser sobre a faculdade, então apenas pôs a mão na nuca dele e começou a fazer cafuné. – E você mesmo disse que vai dar tudo certo.
- Eu sei que vai, por que eu tenho a acompanhante mais linda de todas e que também organizou a festa inteira – olhou para ela mais uma vez e sorriu bobo.
- Você se esqueceu de falar “Senhora Suprema do Universo” – ela falou como se fosse um tipo de bronca, provocando uma gargalhada em August.
- Ainda não acredito que você programou a Siri pra lhe chamar assim.
- Ela foi programada para falar a verdade, só dei uma ajudinha.
Ambos riram e continuaram o caminho sem mais tensoes.

Finalmente o baile. Já eram dez horas e estava tudo maravilhoso: surpreendentemente ninguém tinha batizando o ponche e todos estavam se divertindo muito, graças a DJ que só tocava musicas boas e atualizadas, fazendo com que só os professores ficassem parados. ficou extremamente orgulhosa do seu feito, pois até os pequenos imprevistos que haviam aparecido, ela resolveu rapidamente.
Nem percebia o tempo passar enquanto dançava com sua melhor amiga da cidade: Amber Evans, uma loira extrovertida que sempre falava o que pensava e que adorava festas, assim como roupas apertadas.
- Tá quase na hora! – Amber disse no ouvido de . A barulheira do lugar forçava-a a falar quase gritando.
- Hora de quê? – perguntou com uma cara confusa.
- De vocês subirem no palco – a amiga apontou para ela e Gus, que estava um pouco mais longe com uns amigos.
- Tá falando da coroação?
- Claro! Do que mais seria?
- Sei lá, talvez a gente não ganhe – disse, mas não convenceu sua amiga.
- Aham, até parece.
Já fazia quatro anos que cada jogo do time de futebol terminava com um beijo deles e que eram eleitos “O casal mais lindo” no anuário, além de já terem ganhado outras vezes. Não teria como sair outro resultado. Depois do discurso da coordenadora Hall sobre como aquele último ano era especial e de um minuto desnecessário de suspense, a revelação foi feita:
- Blanc e August O´brian – a Dj disse, seguida de vários gritos e aplausos de todos no salão. – Que surpresa! Vocês conhecem bem o caminho, então venham pegar as suas coroas.
O sorriso deles era como o da primeira coroação. August foi até sua namorada e segurou sua mão para irem juntos ao palco. Desta vez, sua mão não estava só suada como tambem estava trêmula. Eles subiram no palco e foi coroada primeiro, pegando o microfone em seguida para fazer o tradicional discurso.
- Bem, eu não posso falar “nossa, que surpresa!”, das duas primeiras vezes até colou, mas depois de uns cinco bailes, você vai ficando sem discursos – várias pessoas riram na plateia. – Eu só quero dizer que estamos honrados por terem votado na gente, muito obrigada e saibam que sempre seremos colegas, amigos e até irmãos. Essa fase da nossa vida está acabando, mas uma ótima vai começar. Desejo muita felicidade e sorte a todos, aproveitem o baile e viva a nossa turma!
Todos gritaram, alguns bateram palmas e outros até assoviaram. entregou o microfone para a coordenadora e esticou a mão para August. Estava prestes a voltar para a pista de dança já que ele nunca falava nada, no máximo um “Vai time” para os seus amigos, quando sentiu ele a puxando para permanecer no palco e percebeu que ele estava segurando um microfone.
- Dessa vez eu tenho um discurso. Na verdade, é uma declaração de amor – a menção de “declaração de amor” fez com que várias meninas soltassem um “Own” em conjunto, apenas sorriu surpresa para August. – , eu te amo, mas é claro que você já sabe disso, assim como todo o resto do colégio. O que você talvez não saiba é que, pra mim, você é a mulher mais linda do mundo e que eu não me vejo em outro lugar e nem com outra pessoa. Talvez eu seja até muito novo pra dizer isso, mas é o que eu sinto e eu espero que você sinta o mesmo – ele olhava bobo em seus olhos, sua mão tremia no microfone, então August soltou a mão dela, pegou algo no seu bolso, se ajoelhou ainda olhando para ela e abriu a caixinha, mostrando a bela aliança que tinha nela – Blanc, você quer se casar comigo?




Continua...



Nota da autora: Então a sumida aqui voltou. Acho que não do jeito que vocês queriam rsrs.
Para as novas leitoras: Sejam muito bem-vindas, estou muito feliz que tenha lido até aqui e prometo que os próximos 5 capitulos (que ja estão escritos) terão um final tão emocionante quanto esse, é só vocês continuarem aqui que vão ver.
Para as antigas leitoras: Desculpem por isso, mas comecei a reescrever Finally pois minha escrita mudou muito, vocês devem ter percebido. Como pedido de desculpas, vocês podem ir na pagina do Facebook me pedir o capítulo 6 que eu envio por e-mail na hora.





Nota da Beta: Amei a cena entre pai e pp, muita vontade de saber mais sobre o relacionamento deles, mas muito triste sem saber o que houve com ele. Acho que não sou a única morrendo de vontade de saber o que realmente está escrito nessa carta recebida, quero que ela abra já. Achei maravilhosa essa cumplicidade entre mãe e pp, quero muito ver mais momentos como esse. Mas como você me para justo no meio de um pedido desses, Ema?! Morta com esse namorado pedindo a pp em casamento. Mais morta ainda sem saber a resposta dela. Será que ela aceita?! Não vejo a hora do próximo capítulo.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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