Última atualização: 18/02/2019

Prefácio.

Nove anos atrás - um dia antes da tragédia.

Entre as luxuosas mansões de Bel’air, uma coisa chamava atenção naquela noite. Era um barulho alto que vinha da Mansão Blanc: rock clássico, que fugia de um dos numerosos cômodos, onde um pai e uma filha se divertiam ao som de Beatles (...).
— Here come old flat top, he come groovin' up slowly, he got joo joo eyeballs – Ryan cantava enquanto dançava como uma cobra e andava engraçado na direção de , que pulava de pijama no sofá. — He want holy rollers, he got hair down to his knees, got to be a joker, he just do what he please – a criança completava, como sempre fazia, parando apenas para os solos de guitarra imaginária.
Sempre mais alto, ambos pulavam e cantavam como se estivessem num show. Sorriam e se divertiam imitando o que seria o Velho-mais-chato até a música acabar, quando Ryan pegou a filha no colo fazendo-a soltar um grito e os jogou no sofá, seguido de vários risos.
— Nós vamos arrasar amanhã, vai ser o melhor show de talentos de pais e filhos de todos os tempos! – a menina enfatizava esticando os braços e sorrindo como se já pudesse visualizar toda a sua apresentação com o pai.
— Sorte a minha que tenho a filha com a voz mais linda de todas, assim vamos ganhar com certeza.
— A, pai, nós vamos ganhar por causa da sua estante de prêmios e seus discos de platina, não por causa da minha voz – fez um biquinho e abaixou o rosto tristonha. Ela nem é tão boa assim.
— Ei, não fale assim, você tem um grande potencial e é por isso que lhe chamo de minha Estrelinha.
O pai deu um beijo na cabeça de sua filha e a abraçou forte, espantando dela qualquer sentimento ruim, criando um amoroso e silencioso momento entre eles.
— Estrelinha, quer que eu te conte um segredo? – Ryan quebrou o silêncio e viu assentir rapidamente com brilho nos olhos. – Foi escutando Beatles que eu decidi ser músico.
— Oh! Sério pai? – a pequena perguntou curiosa.
— Eu era adolescente e estava muito confuso com tantas coisas mudando ao meu redor, até que escutei “Let it be”. Simplesmente tudo pareceu fazer sentido e eu me senti tão bem e feliz, que decidi fazer isso pelo resto da minha vida, viver da música – ele olhava nos olhos dela e pela segunda vez na noite se criou um momento de silêncio.
— Pai, posso te contar um segredo? – perguntou, o pai achou graça.
— Claro, Estrelinha.
— Eu quero ser roqueira quando crescer, que nem você – ela revelou sorrindo. – Porque brincar de show é tão divertido e me deixa muito feliz. Mas foi cantando com você, papai, que eu descobri isso.
Ryan ajeitou uma mecha do cabelo da filha colocando-a atrás de sua orelha, deu um beijo em sua testa e a abraçou dizendo:
— O importante é que você esteja feliz, mas saiba que independe do que você fizer, sempre será a minha Estrelinha.
— Eu te amo, papai.
— Também te amo, minha pequena.




Capítulo 1: Piloto

“SANGUE E SUOR” É O LEMA DELA. E nada a mais, pois lágrimas foram proibidas nove anos atrás.
Tanta dedicação a levou à essa noite. Mesmo que um hobby e uma toalha na cabeça não seja um traje elegante, e nem o seu típico quarto de adolescente um lugar refinado, essa era uma noite repleta de conquistas a serem comemoradas com grande estilo.
— Meu Deus, tá acabando, ! – disse quase gritando para a amiga que estava no outro hemisfério do país, enquanto se sentava em sua penteadeira.
O quarto tinha paredes brancas e os móveis divergiam entre tons pastéis, como sua cama que ficava num canto do quarto, abaixo da janela, e tons chamativos, como sua penteadeira cor Tiffany que ficava no outro canto do quarto, entre a escrivaninha e um quadro de cortiça cheio de fotos, lembretes e bilhetes pendurados.
— É a tendência, né, amiga – a voz de ecoou do computador que estava aberto em cima da cama no Skype. – Até parece que você não sabia que isso aconteceria.
— Claro que sabia – respondeu abrindo a gaveta de maquiagens. – Mas, sei lá, agora que eu peguei o canudo do diploma e que tô me arrumando pra ir pro meu baile de formatura, tudo parece muito mais real.
— Só não vou zoar toda essa sua euforia por que eu ainda lembro que fiquei do mesmo jeito ano passado. Mas, me diz, e a carta? Já chegou?
arregalou os olhos espantada ao ouvir a menção da carta e sentiu um frio percorrer toda a sua espinha. Se não tivesse de costas para a cama e nem tivesse contido seu impulso de passar a mão na nuca, com certeza perceberia que ela estava escondendo algo. Ela olhou novamente para a gaveta de maquiagens, mais especificamente para a carta da American Academy of Dramatic Arts lacrada que escondia nela. — Não – respondeu tentando agir com naturalidade ao começar a se maquiar. – Deve chegar semana que vem. Sei lá...
— Mas, amiga – falou com a voz quase estridente. – Já deveria ter chego há duas semanas.
, Los Angeles não é exatamente perto daqui.
, você mora no Oregon e não no Alasca! Eu hein, a carta é pra você e eu que tô mais interessada.
riu de leve, era um riso de nervosismo, porém sua melhor amiga com certeza pensou que fosse por ter achado seu comentário engraçado. A verdade é que ela mal tinha coragem para pensar nos “e se...” que a carta trazia, quem dirá descobrir o que ela dizia...
E se estivesse aprovada? Iria aceitar e deixar sua mãe para trás, provavelmente morrendo de preocupações todos os dias, ou negaria a vaga na AADA pra estudar administração? Ela nem gostava de administração, só solicitou uma vaga para esse curso porque sua mãe sugeriu, já que seu padrasto era dono de uma loja de automóveis na cidade...
E se estivesse reprovada? Correria atrás da grande vontade que tinha de estudar artes cênicas mesmo assim, ou só se conformaria e passaria o resto da vida naquela cidadezinha? Só uma coisa estava certa naquela altura: era a hora errada para pensar em não pensar naquilo.
— Droga! – resmungou largando o pincel do blush e pegando um lenço de papel.
— O que foi, menina?
— Nada, só me distrai e passei blush demais – respondeu tentando amenizar o tom de rosa enquanto ouvia rir da situação.
— Ai, , tá nervosa? Calma, você deve ter passado.
— Na verdade, eu não tenho pensado muito nisso, sabe, tenho estado muito ocupada – o que era verdade. – As duas últimas semanas foram só organização para o baile, treino das líderes de torcida pro jogo de ontem e a minha família que não para de falar da bolsa de administração que eu consegui na Universidade Wallamit.
— Hum, como se você precisasse de bolsa. Mas também, você aceita qualquer atividade extracurricular que vê pela frente, vive ocupada como se tivesse 46 anos ao invés de 17. Não sei o porquê faz isso consigo mesma.

~ 4 anos antes ~

— Comecei a namorar. – confessou, encarando o braço da poltrona onde estava sentada.
— Interessante – a Dra. Taylor comentou enquanto anotava algo em sua prancheta. – E quem é essa pessoa sortuda?
— O nome dele é August O’brian – respondeu, voltando seu olhar para a terapeuta que ainda fazia anotações. – Ele é da minha classe de História e também faz parte da equipe de futebol.
— E porque você começou a namorar ele, ?
— Várias das minhas amigas estão namorando, ele é um garoto legal e me pediu em namoro – a menina finalizou dando de ombros.
— Sabe, , você é uma das minhas pacientes mais novas, mas como sempre me pede pra te tratar como adulta, vou lhe contar uma coisa que só deveria contar para sua mãe – a médica disse, causando certo olhar de surpresa em . Ela pôs a prancheta no colo, tirou os óculos e continuou. – Falamos semana passada sobre você ficar constantemente ocupada com os treinos, reforços, aulas de culinária com sua mãe e tudo mais – a menina só balançava a cabeça em concordância, olhando fixamente para Taylor. – Desde que lhe conheci, eu percebi que era muito ativa, mas percebi que isso se agravou desde que o Pancake morreu há dois anos – logo contraiu as sobrancelhas e olhou para o chão, tentando lembrar se realmente era verdade e estranhando ter percebido isso só naquele momento. – Creio que sua mãe tem feito isso para que você não entre em depressão de novo, e tem funcionado, porém você não pode se manter ocupada para evitar pensar nas coisas que aconteceram e nas que estão acontecendo.
Uma pausa silenciosa se fez. encarava a médica assustada por se dar conta de que ela estava certa. A adolescente apertou com força a barra de sua saia e respirou fundo para se acalmar e não chorar. A terapeuta fez o mesmo, pois percebeu que, infelizmente, estava certa.
— É normal que pacientes sem uma figura paterna ou materna procurem namorar para ocupar essa ausência, mas acho que esse não seja o seu caso. Contudo, você é muito nova para ter um relacionamento sério, mesmo que seja mais madura do que a sua idade sugere.
— É, eu sei disso – ela assumiu cabisbaixa, comprimindo os lábios no final da frase.
— Esse namoro é mais por conta das suas amigas e não por que gosta do menino. Tente não magoá-lo e tome cuidado pra não usá-lo pra ocupar a ausência do seu pai ou para evitar seus pensamentos.

~ Atualmente ~


finalizou sua maquiagem com um batom cor-de-boca e se levantou para buscar seu vestido que estava pendurado na porta.
— Sei lá, eu só não gosto de ficar parada – disse enquanto atravessava o quarto. E era verdade. Ficar sem nada para fazer parecia um tipo de tortura para ela.
— Se não te conhecesse, diria que está fugindo de alguma coisa ou de alguém.
— Mudando de assunto, a melhor coisa que eu podia ter feito era comprar meu vestido com você – comentou tirando o belo Armani tomara-que-caia azul do cabide. Era sua cor preferida e os pequenos cristais distribuídos no decote só melhoravam tudo.
— Claro, se você tivesse comprado aí, acabaria indo pro baile com algum vestido feio de uma lojinha qualquer e ainda corria o risco de ter alguém com a mesma roupa – as duas fizeram caretas. – Aqui em L.A. tem as melhores lojas de roupas do país, além da melhor personal style e amiga também – riu da autoestima da amiga.
— Isso é verdade – concordou jogando o vestido na cama ao lado do computador – Ei, , preciso desligar agora, ainda tenho que me vestir e arrumar o cabelo antes do August chegar.
— Tá bom, amiga, também vou sair agora, preciso comprar uma roupa pra festa que a vai dar amanhã.
— Vê se compra algo que não lhe deixe parecendo uma prostituta, dessa vez.
— Pra quê esconder a minha vadia interior, não é mesmo? – risos. – Posso pensar no seu caso, mas só se você prometer que vai se divertir muito e usar camisinha.
! – desta vez foi quem falou com a voz estridente, encarando o computador. – Cê tá louca? Imagina se a minha mãe escuta isso!
— Ah, tá. Nossa. Até parece que a tia Mia não sabe que você já perdeu o cabaço.
— Não, a tia Mia não sabe, e, por mim, que ela continue pensando assim até eu casar – ao acabar de falar, riu descontroladamente, fazendo com que cruzasse os braços e erguesse uma das sobrancelhas, séria.
— Ah amiga, sai dessa, nem ela deve ter casado virgem.
— Não quero imaginar isso – comentou enquanto inclinava-se em direção ao pc. – Tchau, .
— Tá bom, tchau. Mas eu falei sério sobre a ca... – conseguiu desligar antes que a amiga terminasse de falar, o que foi um alívio já que sua mãe entrou no quarto logo em seguida.
— Oi, filha – Mia ficou surpresa ao ver sua filha ainda de roupão. – Você ainda não se vestiu?! O baile começa em quarenta minutos.
— É, eu sei – respondeu, jogando o hobby que estava cobrindo seu corpo só de lingerie no chão e pondo o vestido. – Mas eu já terminei a maquiagem, então só falta o cabelo. Pega os meus sapatos, por favor.
— Claro – sua mãe respondeu, virando-se em direção ao closet.
De repente, algo estalou na cabeça de : a gaveta de maquiagens. Sem lembrar se tinha fechado-a, olhou para sua penteadeira e sentiu aquele frio percorrer sua espinha novamente. Lá estava ela, totalmente aberta para quem quisesse ver a carta.
Imediatamente arregalou os olhos, puxou seu vestido o máximo possível para cima para que não tropeçasse e correu em direção a gaveta, conseguindo fecha-la bem antes de sua mãe voltar com os sapatos nas mãos.
— Aqui estão.
— Obrigada, mãe – agradeceu meio trêmula, calçando um deles por vez e se virando de costas ao terminar. – Fecha o zíper pra mim, por favor?
Prontamente Mia o fez, depois voltou-se para a mãe tirando a toalha da cabeça. Mesmo com os cabelos bagunçados e ainda úmidos ela estava linda, como uma princesa, ou melhor, como uma estrelinha. Só a lembrança desta palavra fazia Mia chorar.
— Você está tão linda.
— Mãe, não chora. Meu Deus, mãe, não! Se você chorar eu choro também – percorreu a pequena distância que tinha entre as duas e a abraçou, tentando conter as lágrimas. – Você não quer que eu estrague a minha maquiagem e me atrase, não é?
— Claro que não. – respondeu passando as mãos nas costas da filha e se distanciando. – Eu só gostaria que seu pai estivesse aqui para ver que você cresceu e virou essa mulher linda e maravilhosa. Com certeza ele sente orgulho de você, onde quer que esteja.
As palavras de Mia fizeram os olhos da filha lagrimarem no mesmo instante. Não importava o quanto ela fosse forte e se fizesse de durona, seus pais sempre foram o seu ponto fraco.
— Obrigada, por tudo – limpou as lágrimas do rosto da mãe. – Por sempre estar ao meu lado, por me amar e me proteger por tantos anos sozinha. Você é a minha heroína.
— É isso que as mães fazem, elas simplesmente amam e dizem que seus filhos são lindos – ambas sorriram bobas e de mãos dadas. – Bem, é melhor eu descer antes que eu chore mais e você se atrase.
Mia limpava as lágrimas do rosto enquanto tentava se recompor, pois se descesse com cara de choro, o pequeno Peter perguntaria o porquê de a mamãe estar chorando.
— Em vinte minutos eu desço.
Sua mãe assentiu com a cabeça e saiu do quarto.
Como era de se esperar, ela desceu no tempo combinado. O inesperado foi ver August conversando baixo num canto com seu padrasto e sua mãe. Quando Mia percebeu a chegada da filha, deu dois tapinhas no ombro de Gus para que ele também notasse e saiu do cômodo.
— Amor, você chegou cedo – mencionou com uma expressão de desconfiança assim que se aproximou.
— É que eu acabei ficado pronto mais cedo e decidi vir logo pra cá – ele respondeu, segurando sua mão e lhe dando um selinho nos lábios.
— Suas mãos estão suadas? – ela questionou, olhando para as mãos dele. Isso era muito estranho, ele normalmente só ficava assim antes de algum jogo importante e até August ficou surpreso.
— Nossa! – ele exclamou, secando suas mãos no paletó com um sorriso torto no rosto. – Nem tinha percebido.
— Você tá nervoso? Parece até que esse é o nosso primeiro baile e não o último.
— Claro que ele está, menina – o padrasto dela, Chuck, interrompeu ficando entre os dois e os puxando para um abraço coletivo. – Hoje é um grande dia!
— Chuck, calma – falou, pegando distância. Ela respeitava muito seu padrasto e até gostava dele, mas nunca gostou de intimidade. – A formatura já passou e não é como se eu fosse me casar essa noite – argumentou, ajeitando o vestido.
Neste momento Chuck e August olharam com espanto para a menina. estava prestes a questionar aquelas caretas quando rapidamente uma luz branca e forte se acendeu, cegando-a por alguns instantes.
— Essa ficou péssima – Mia resmungou vendo o visor da câmera. – Afinal, pra que essas caretas? – questionou, olhando para os três que piscavam freneticamente.
— Talvez porque a senhora chegou tirando foto do nada – retrucou. – Assim nem Megan Fox se salva.
— Acho difícil aquela mulher sair feia numa foto, mas tá, vão logo pra parede de vocês – Mia ordenou apontando para uma parede branca do corredor.
Desde o primeiro baile os dois tiravam fotos na frente da bendita parede. A mãe coruja não deixava que ninguém pendurasse algo, muito menos que Peter tentasse dar uma de Picasso nela.
— Mas antes, temos que manter as tradições – August seguiu em direção à mesa de centro da sala, pegou uma caixinha transparente e voltou a ficar de frente para , já abrindo-a.
— Peônia de novo? – Mia reclamou com cara de desânimo. – Vocês não enjoam dessa flor, não? É sempre a mesma.
— Ah mãe, não exagera, não é sempre azul – a filha respondeu enquanto August colocava o corsage em seu pulso.
— Não posso fazer nada, Sra. Hendrix, desde que ela assistiu Gossip Girl, eu fui proibido de comprar outra flor.
— Não meta a minha Blair Waldorf nisso – retrucou e todos riram.
— Tá bom, crianças, hora da foto – Mia insistiu e lançou seu olhar imperativo.
Quem dera fosse só uma – a filha resmungou baixo para que ninguém percebesse.
E então uma sessão de fotos começou. Mia adorava tirar fotos, principalmente quando se tratava da filha, tanto que as bochechas de nem doíam mais por ficar sorrindo por tanto tempo. Entre as várias fotos, sempre rolavam brincadeiras, comentários e certa dificuldade pra conseguir com que Peter ficasse parado. Depois de uns dez minutos, tudo estava resolvido e todos já estavam na frente da casa para se despedirem.
— Se divirta – Mia falou ao abraça-la com um sorriso sereno no rosto.
— Pode deixar, mãe – respondeu.
August estava ao seu lado apertando a mão de seu padrasto que agora carregava Peter.
— Voltamos antes do sol – August falou, ajudando a namorada a descer as escadas, já que o salto sempre dificultava, mesmo que fossem só três degraus.
— Boa sorte pra vocês e tenham juízo! – Chuck gritou quando os dois estavam prestes a entrar no carro.
August abriu a porta do carona de seu Honda Civic vermelho para que entrasse e ela o fez, puxando a longa saia de seu vestido para que não ficasse presa, então ele fechou a porta e deu a volta no carro. Quando entrou, estava teclando em seu celular, provavelmente mandando uma mensagem para uma de suas amigas, avisando que finalmente tinha conseguido sair de casa.
— Montei uma playlist só pra festinha depois do baile – disse ainda mexendo no celular.
— Podemos escutar umas duas no caminho – ele comentou, tendo como resposta o começo de uma música da Ariana Grande, enquanto acabava de colocar o cinto de segurança. Soltou um leve sorriso, pois nunca perdia tempo quando se tratava de música.
— Não sei o porquê do Chuck sempre falar “Juízo” toda vez que vamos sair. Até parece que o fato dele falar isso vai realmente mudar alguma coisa – ela comentou, bloqueando o celular e o pondo no colo.
— Para de ser implicante, sei que você gosta dele.
— E eu gosto, ele é um cara legal e trata minha mãe super bem, mas não dá pra negar que ele é muito, sei lá, estranho às vezes. Por exemplo, esse “boa sorte” que ele acabou de dar pra gente, boa sorte pra quê? – olhou diretamente para Gus quando disse isso, no entanto ele optou por não desviar o olhar da rua. – Falando em agir estranho, sobre o que vocês estavam conversando quando eu cheguei na sala?
— Nada demais.
— Ah, você sabe que eu sou curiosa, curiosidade é a essência do meu ser e era algo demais sim, porque foi só eu chegar que vocês pararam de falar.
— Claro que paramos, estávamos só te esperando – Gus olhou para ela e viu pelos seus lábios contraídos que ela não engoliria aquela desculpa.
— Fala logo o que era – ela ficou impaciente e começou a cutucar o braço do garoto várias e várias vezes. – Fala, fala, fala, falaaa!
— Tá bom! Mas realmente não era nada demais... Estávamos conversando sobre o último jogo de futebol da escola e a faculdade.
August disse olhando para a rua, a fim de que ela não percebesse sua mentira. Foi só escutar “faculdade” que se arrependeu de ter insistido tanto, pois não queria dar abertura a um assunto que evitava há dias. Já era chato ter que pensar sobre isso, quem dirá falar sobre... Logo, ela soube que precisava mudar de assunto.
— Legal, mas, ei! Estamos indo para o nosso último baile... Nossa, como isso dá um frio na barriga, não? – pôs uma mão sobre a barriga e olhou para August com um sorriso nervoso no rosto.
Ele desviou rapidamente os olhos para vê-lá e sorriu aliviado por mudar de assunto, em resposta, estendeu sua mão para pegar a dela que ainda estava sobre a barriga.
— Dá mesmo – puxou a mão dela e deu um beijo em seu dorso, mantendo seus olhos na rua. – Mas pode ficar calma, que vai dar tudo certo.
— Claro que vai, quando o assunto é baile, nós somos profissionais. – respondeu empolgada fazendo com que os dois rissem. – Mas, amor, me diz: por que você tá tão nervoso? – perguntou enquanto olhava as suas mãos ainda entrelaçadas, pois a dele estava novamente suada.
— Porque é uma noite importante – respondeu sem olhar para ela.
— Calma, é só mais um baile – soltou a mão dele. tinha estranhado o nervosismo também, porém, preferiu não comentar, pois poderia ser sobre a faculdade, então apenas pôs a mão na nuca dele e começou a fazer cafuné. – E você mesmo disse que vai dar tudo certo.
— Eu sei que vai, por que eu tenho a acompanhante mais linda de todas e que também organizou a festa inteira – olhou para ela mais uma vez e sorriu bobo.
— Você se esqueceu de falar “Senhora Suprema do Universo” – ela falou como se fosse um tipo de bronca, provocando uma gargalhada em August.
— Ainda não acredito que você programou a Siri pra lhe chamar assim.
— Ela foi programada para falar a verdade, só dei uma ajudinha.
Ambos riram e continuaram o caminho sem mais tensoes.

Finalmente o baile. Já eram dez horas e estava tudo maravilhoso: surpreendentemente ninguém tinha batizando o ponche e todos estavam se divertindo muito, graças a DJ que só tocava musicas boas e atualizadas, fazendo com que só os professores ficassem parados. ficou extremamente orgulhosa do seu feito, pois até os pequenos imprevistos que haviam aparecido, ela resolveu rapidamente.
Nem percebia o tempo passar enquanto dançava com sua melhor amiga da cidade: Amber Evans, uma loira extrovertida que sempre falava o que pensava e que adorava festas, assim como roupas apertadas.
— Tá quase na hora! – Amber disse no ouvido de . A barulheira do lugar forçava-a a falar quase gritando.
— Hora de quê? – perguntou com uma cara confusa.
— De vocês subirem no palco – a amiga apontou para ela e Gus, que estava um pouco mais longe com uns amigos.
— Tá falando da coroação?
— Claro! Do que mais seria?
— Sei lá, talvez a gente não ganhe – disse, mas não convenceu sua amiga.
— Aham, até parece.
Já fazia quatro anos que cada jogo do time de futebol terminava com um beijo deles e que eram eleitos “O casal mais lindo” no anuário, além de já terem ganhado outras vezes. Não teria como sair outro resultado. Depois do discurso da coordenadora Hall sobre como aquele último ano era especial e de um minuto desnecessário de suspense, a revelação foi feita:
Blanc e August O´brian – a Dj disse, seguida de vários gritos e aplausos de todos no salão. – Que surpresa! Vocês conhecem bem o caminho, então venham pegar as suas coroas.
O sorriso deles era como o da primeira coroação. August foi até sua namorada e segurou sua mão para irem juntos ao palco. Desta vez, sua mão não estava só suada como tambem estava trêmula. Eles subiram no palco e foi coroada primeiro, pegando o microfone em seguida para fazer o tradicional discurso.
— Bem, eu não posso falar “nossa, que surpresa!”, das duas primeiras vezes até colou, mas depois de uns cinco bailes, você vai ficando sem discursos – várias pessoas riram na plateia. – Eu só quero dizer que estamos honrados por terem votado na gente, muito obrigada e saibam que sempre seremos colegas, amigos e até irmãos. Essa fase da nossa vida está acabando, mas uma ótima vai começar. Desejo muita felicidade e sorte a todos, aproveitem o baile e viva a nossa turma!
Todos gritaram, alguns bateram palmas e outros até assoviaram. entregou o microfone para a coordenadora e esticou a mão para August. Estava prestes a voltar para a pista de dança já que ele nunca falava nada, no máximo um “Vai time” para os seus amigos, quando sentiu ele a puxando para permanecer no palco e percebeu que ele estava segurando um microfone.
— Dessa vez eu tenho um discurso. Na verdade, é uma declaração de amor – a menção de “declaração de amor” fez com que várias meninas soltassem um “Own” em conjunto, apenas sorriu surpresa para August. – , eu te amo, mas é claro que você já sabe disso, assim como todo o resto do colégio. O que você talvez não saiba é que, pra mim, você é a mulher mais linda do mundo e que eu não me vejo em outro lugar e nem com outra pessoa. Talvez eu seja até muito novo pra dizer isso, mas é o que eu sinto e eu espero que você sinta o mesmo – ele olhava bobo em seus olhos, sua mão tremia no microfone, então August soltou a mão dela, pegou algo no seu bolso, se ajoelhou ainda olhando para ela e abriu a caixinha, mostrando a bela aliança que tinha nela – Blanc, você quer se casar comigo?


Capítulo 2: Voltando pra casa

CASAMENTO? COMO ASSIM?! A ideia já havia passado na cabeça de ambos, mas nunca foi discutida. Os dois são novos demais até para beber legalmente, quem dirá para um "Até que a morte nos separe". Mas também, onde pensou que iria dar?
O salão permanecia em silêncio, focado na garota. Alguns gravavam com seus celulares e outros apenas a olhavam, mas todos esperavam ansiosos a sua resposta. Uma assistente de palco se aproximou com um microfone para que a plateia pudesse ouvi-la.
Que merda – foi o que fugiu da boca de , ela sorriu de nervosismo e continuou. – Preciso de ar.
Dezenas de caras de espanto se formaram ao vê-la jogar sua coroa no chão e sair do palco, deixando um garoto ajoelhado ainda em choque para trás. não se importou, apenas vidrou seu olhar na porta da frente e dirigiu-se a ela. Apesar de sua expressão atônita, seus passos eram largos e nada hesitantes.
Quando chegou na entrada do salão de festas, respirou fundo passando a mão no rosto e jogando seu cabelo para trás. Como era possível se sentir tão sufocada? Seu vestido nem era tão apertado e estava a céu aberto, não fazia sentido!
A verdade é que já havia tempos que as coisas não faziam sentido.
O lugar, o namoro, os amigos, a faculdade... Era tudo um erro e , que sempre resolveu os problemas de todo mundo, não havia percebido até então, que tinha um seu – e um dos grandes – que não estava resolvido. Ela precisava concertar as coisas... Começando pelo lugar.
Era uma questão de segundos até que August saísse de seu transe e fosse atrás de uma explicação, que ela claramente não saberia dar. A única coisa que sabia era que precisava sair de lá. Mas como? Tinha perdido sua carona.
“Talvez eu possa pegar um taxi”, pensou. Sem saber se tinha dinheiro para isso, decidiu procurar em sua bolsa. Ao invés de dinheiro, ela encontrou outra coisa.
— Esse com certeza é o pior dia pra que eu pegue seu carro emprestado – falou observando a chave do carro de Gus em sua mão.
Contrariando a si mesma, puxou a barra de seu vestido para cima e correu em direção ao carro. Enquanto atravessava o vasto estacionamento, ela rezava para que desse tempo de sair dali sem encontrar ninguém.
Sua primeira atitude ao entrar no veículo foi jogar sua bolsa no banco do carona, em seguida a garota deu a partida e acelerou. Infelizmente suas rezas não foram atendidas. O caminho para a saída passava em frente à porta do salão de festas, onde August, Amber e todo o time de futebol a assistiram ir embora.
Será que simplesmente não poderiam ter ficado lá dentro por mais trinta segundos? Claro que não, mas isso não a faria parar. Blanc seguiu acelerando e só diminui a velocidade, quando avistou o primeiro sinal vermelho, aproveitando para por o cinto de segurança.
Foi aí que a palavra que ela menos queria ver apareceu no visor do carro: Amor. Recusar a ligação lhe parecia ser tão certo, no entanto, depois de ter praticamente roubado o carro dele, já se sentia culpada o suficiente. Ela atendeu e não falou nada, até porque, o que poderia dizer?
"Oi, eu não quero casar com você e nem tô a fim de falar com você agora, peguei seu carro emprestado sem pedir justamente por causa disso, mas juro que não estou roubando."
Mesmo que sincero, não parecia ser nada reconfortante. Era mais fácil só esperar que ele falasse e responder o que conseguisse.
Amor, calma – a voz de Gus saia pelo autofalante do carro – Desculpa se eu te assustei, mas não foge assim, vamos conversar.
— Não dá, Gus – ela respondeu segurando o volante com mais força que o necessário. – Você não entende e eu... Eu não posso explicar agora.
É, eu vi que você tá dirigindo – August disse, fazendo-a engolir seco.
— Desculpa pelo seu carro, é que eu precisava sair daí.
Volta pra cá, nós vamos para algum lugar mais calmo, só nós dois, e conversamos – sua voz falhava um pouco.
— Não, August, eu preciso ficar sozinha. Busca seu carro amanhã, lá em casa. Vou desligar agora, tchau.
desligou, não queria dar a mínima chance para Gus tentar convencê-la do contrário, pois talvez ele conseguisse. Ela precisava aproveitar cada gota de seu surto de coragem. Sempre era determinada, porém nunca corajosa, tinha medo de fazer o que queria, falar o que pensava e acabar magoando alguém.
As ruas estavam desertas, tão silenciosas quanto o interior do carro. A garota até queria ligar o rádio, mas sua cabeça parecia barulhenta o suficiente. Entre o emaranhado de pensamentos que a atolava, ela percebeu que não podia continuar fingindo que estava tudo bem, que não podia continuar fugindo da realidade, principalmente agora que estava fugindo da ficção que tinha criado.
— Caramba, o que eu vou fazer agora? – disse em voz alta sem querer e riu ao perceber que o tinha feito. – É oficial, eu enlouqueci. Neguei o pedido do Gus, roubei o carro dele e agora estou falando sozinha.
Achava insano falar sozinha, mas sabia que precisava desabafar. Sem desviar os olhos da rua, ela puxou seu celular de dentro da bolsa e ativou a Siri.
— Ligar para disse com o celular próximo a boca.
Ligando para – a voz robótica respondeu pelo autofalante do carro.
— Vamos, , atende, atende – ela suplicou, porém não adiantou, a amiga não atendeu. – DROGA!
Estava pronta para bloquear o celular e atira-lo no outro canto do carro, mas, ao desligar a ligação, se distraiu vendo sua foto com seu pai no fundo de tela. Um sorriso franco se formou em seus lábios e seus olhos marejaram.
— O papai saberia o que fazer. Nossa, ele estaria tão desapontado, eu não sou mais a Estrelinha feliz da qual ele se orgulhava – uma lágrima escorreu e ela a limpou para fingir que não existia. – Pensei que com o tempo eu me acostumaria com essa vida, que gostaria dela, mas não. Porra, por que eu menti por tanto tempo?
Algumas outras lágrimas surgiram e não as segurou. Blanc respirou fundo para se manter o mais tranquila possível enquanto elas percorriam seu rosto, afinal, ainda estava dirigindo um carro.
— Aqui não é o meu lugar, a Amber, o Gus, eles não me conhecem de verdade e eu, com certeza, não quero me casar. Às vezes nem parece que eu e Gus somos um casal, acho que só nos acomodamos ou ... – de repente, arregalou os olhos ao perceber o que aquilo significava. – EU ESTOU COM ELE PARA OCUPAR A AUSÊNCIA DO PAPAI! Eu não posso continuar fingindo que está tudo bem... Preciso abrir aquela carta.
Foi tanto tempo falando sozinha, que mal se deu conta quando chegou na frente de casa. Estacionou o carro de qualquer jeito e saiu dele tentando se acalmar para que quando entrasse não acordasse ninguém. Ela conseguiu entrar fazendo pouco barulho, suas sandálias de salto estavam em mãos para garantir, mas não foi suficiente.
— Filha? – a voz de Mia ecoou pelo primeiro andar, poucos segundos depois a mulher de meia-idade apareceu vestindo um hobby e segurando um copo d'água – Você chegou cedo, aconteceu alguma coisa?
— O August me pediu em casamento – a filha respondeu sem esboçar nenhuma reação, diferente de sua mãe que abriu um longo sorriso e a abraçou.
— Parabéns! Você deve estar tão feliz! – Mia falou animada, então se distanciou e segurou a mão da filha. – Sabe, ele pediu nossa permissão mais cedo, mas não disse como ia fazer o pedido, como foi?
— O QUÊ? – disse puxando sua mão para si de surpresa. – Não, mãe, eu não aceitei! Como assim a senhora concordou?!
— Você não aceitou? Por quê? Ele é um menino tão bom e te faz feliz, foi por isso que concordamos, ele nunca fez nada de errado – neste momento o celular de começou a vibrar mostrando o rosto de em seu visor. – Ou fez?
— Ahn? Não! Mãe, deixa, preciso ir pro meu quarto, conversamos amanhã – ela deu um beijo no rosto de sua mãe e correu escada a cima.
— Mas... Filha!

ELE FEZ O QUÊ?! gritou pelo celular.
já estava no seu quarto, ela apoiava o celular entre o ombro e a orelha enquanto mexia no computador que estava em cima da cama.
— Atende pelo Skype, eu não quero ficar segurando esse celular à noite toda.
Em seguida ela desligou a ligação e posicionou o computador para que a webcam desse visão ao quarto inteiro, vendo rapidamente a cara de surgir em sua frente. A amiga vestia uma roupa de sair e estava no seu quarto, provavelmente tinha acabado de chegar da rua.
— Como assim ele te pediu em casamento?
— Pois é, ele pediu – disse Blanc ao tirar os brincos. – Simplesmente no meio da coroação ele se ajoelhou e me pediu.
— Pelo AMOR de Deus, me diz que você não aceitou.
— Não, claro que não! Eu saí de lá correndo – respondeu jogando seu vestido no chão e indo em direção a penteadeira.
— Ainda bem! Nunca tive nada contra ele, mas casar? Tipo, agora? Que doideira e... – falava sem parar até ser interrompida por .
— Cadê aquela merda?! – resmungou enquanto remexia sua penteadeira.
— O que pode ser tão importante a essa hora pra você não est...
— ACHEI! – a interrompeu novamente.
Dessa vez ela voltou-se para frente do computador tentando abrir um envelope. Uma atividade tão simples ficava complexa graças ao tremor de suas mãos, efeito da adrenalina que ainda corria pelo seu corpo.
— Isso é uma carta? – perguntou antes de perceber de qual carta se tratava e arregalar os olhos. – Não me diga que é a carta da AADA.
— A própria. Chegou há duas semanas, tenta se controlar.
finalmente conseguiu abrir a carta, estava sentada na cama lendo-a sem esboçar nada além de nervosismo no rosto. Já , expressava surpresa, raiva e ansiedade ao mesmo tempo.
— Sua vaca, eu sabia! Por que tu escondeu de mim? – não respondeu. – Foda-se, me diz o que tá escrito logo!
Blanc abaixou a carta com um olhar perdido e sem dizer nada, apenas respirou fundo e olhou para a amiga na tela.
— Eu fui aceita.
— Mentira! Caralho, eu sabia! Sabia que tu ia ser aceita!
continuou a falar, mas não a ouvia, com toda a certeza. Ela não sabia se aquilo era mesmo bom, contudo sabia que não seria bom continuar em Oregon City.
— Preciso fazer minhas malas – disse ela, prontamente se levantando e indo em direção ao seu closet.
— Espera, agora? – Sparks perguntou mesmo não vendo a amiga no quarto.
, ou eu faço isso agora que tô com coragem, ou eu procrastino isso pra sempre – Blanc respondeu agora vestida com uma camisola, enquanto tirava duas malas do closet e as jogava abertas no chão do quarto. – Fala sério, quando foi a última vez que você me viu sendo corajosa?
— Acho que quando éramos crianças – ela buscou na memória. – De qualquer forma, isso é bem a minha cara, super impulsivo, então te dou o maior apoio.
— Ainda bem que você disse isso – parou entre suas várias idas e vindas com roupas do closet e olhou para a webcam. – Porque eu preciso que a minha querida melhor amiga, a mulher mais gostosa do mundo, compre a minha passagem aérea.
— Ai, amiga, obrigada por dizer o que eu já sei – disse nada modéstia. – Mas, assim, passagem é um assunto delicado, tem que escolher poltrona e tudo mais. Acho melhor você ver isso.
— Não dá – disse Blanc, balançando a cabeça negativamente no meio do quarto. – Gastei toda minha mesada, preciso do seu apoio financeiro.
— Aff – suspirou Sparks do outro lado da tela. – É nessas horar que eu lembro que era pra você ser umas cinco vezes mais rica que eu.
— Nem me fale, mas agora que me formei no colégio as coisas vão mudar – comentou antes de entrar no closet mais uma vez. – Então, você pode comprar? Não ligo pra empresa ou pra poltrona, só quero ir o quanto antes.
— Claro que posso, faria qualquer coisa por você.
— Obrigada – tinha acabado de reunir todas as roupas que achava adequadas pra usar em L.A, na sua cama, afinal, enquanto o Oregon congelava, Los Angeles era um comercial de protetor solar o ano todo. – Nossa, acumulei tanta roupa suja que vou ter que separar uma mala só pra ela.
— Ai, amiga, pra quê? Aqui loja pra comprar roupa é o que não falta.
— Não tem nada de errado com as minhas roupas que uma máquina de lavar e uma secadora não resolvam – Blanc comentou se sentando na cama e começando a dobrar suas calças. – Eu sei que você acha que sim, mas roupas não são como copos descartáveis.
é realista, não uma consumista. Foi criada desta forma desde quando era a princesinha do rock, e não mudou mesmo quando deixou de ser. Já havia sido mimada desde sempre por seus pais, e foi ainda mais depois do divórcio deles, sempre ganhando qualquer bem material que quisesse.
— Tá, melhor eu procurar logo a passagem antes que me lembre o quanto você é chata e não te queira aqui.
— Também te amo – respondeu mandando um beijo.
Depois que desligaram, logo abriu um site de viagens para procurar a bendita passagem. Enquanto isso, continuou a arrumar suas malas. Sentia que aquela seria a segunda noite mais longa de sua vida.

Cerca de meia hora depois, retornou. estava sentada no chão com metade da mala de roupas limpas pronta, quando se esticou para atender a ligação no computador que continuava na cama, com suas roupas dobradas.
— Amiga, seu voo será às 9:27 e chega 12:03. Já falei com o Chris e nós vamos lhe pegar no aeroporto.
— Obrigada – agradeceu. Ela até queria sorrir, mas ao olhar para a quantia de roupas que ainda faltavam e para suas malas quase vazias, se deu conta de quanto ainda faltava. – Ahg, ainda tem tanta coisa pra fazer... Preciso separar os documentos, ver um caminhão pra levar meu carro, achar um hotel com vaga em plena férias de verão...
— Ei, relaxa – Sparks a interrompeu. – Você não precisa desse carro pra agora, deixa ele aí, e, ao invés de um hotel, poderia muito bem morar comigo.
, cê tá louca? Eu nunca nem dormi duas noites seguidas aí. E o teu pai? Não, eu não posso.
— O que tu não pode é pagar um hotel, além do mais, é ridículo o fato de que já dormiu mais macho na minha casa do que a minha própria melhor amiga. E o papai é o de menos, até parece que ele vai se importar. A casa também é minha e eu decido que você vai morar aqui sim.
— Aff... Não dá pra discutir com uma ariana – se deu por vencida.
— Ótimo, vou finalizar a compra – respondeu ela. – Vai ser uma poltrona na janela e só uma das outras duas cadeiras da fileira foi comprada.
As duas ficaram caladas por um tempo, continuando suas tarefas. estava tão focada que não pensava em mais nada, tinha até se esquecido de um grande detalhe. Sorte que não esqueceu.
— Miga, assim... Sei que você vai falar com a titia antes de sair de casa, mas e o August? O que você vai fazer com ele?
Com certeza seria mais fácil para ela se não tivesse que dar explicações para ele, afinal, a conversa com sua mãe já seria difícil o suficiente. Contudo, sabia que depois de anos de namoro devia isso a ele, que tinha que ser sincera, tentar fazer com que ele a entendesse e a perdoasse, mas como? Ela parou o que estava fazendo e um minuto de silêncio se fez no quarto.
— Eu. Não. Sei – respondeu com certo espanto.
A garota tinha percebido que não importava o que fizesse, provavelmente, o marcaria para sempre e não tinha garantias de que ele ficaria bem depois. Mesmo que não o amasse profundamente como ele a amava, ela o amava como um amigo e se preocupava.
— Eu tinha esquecido dele – falou . – Que teria que terminar com ele. Não sei como fazer isso, nunca precisei.
— O foda é que não tem um jeito fácil – disse.
— Eu nem tenho como encontrá-lo antes do aeroporto. , o que eu faço?!
— Liga pra ele e termina – a sugestão da amiga fez com que ficasse abismada com a facilidade que ela falava aquilo. – Já fiz isso várias vezes, é bom por que se ficar um saco, é só desligar.
Sparks, como você consegue ser tão fria? Não acredito que você faz isso, que cruel! Não vou fazer isso, eu tenho coração, diferente de você.
— Ok, então saiba lidar com o "Por quê? Por favor não me deixa, eu te amo!" forçou a foz para que ficasse o mais enjoativa possível na sua encenação.
— É, eu não sei lidar com isso também...
— Então... Sei lá, escreve uma carta – sugeriu a amiga.
— Uma carta... – estava avaliando a ideia, não era a melhor forma de se terminar, porém era a melhor opção que tinha. – Isso ainda é meio escroto de se fazer, mas é melhor do que mandar um SMS.
— Sei que deve ser doloroso, mas lembra que é a sua vida em jogo. Você precisa priorizar sua felicidade, mesmo que as vezes confundam com egoísmo.
— É, você tá certa – Blanc concordou.
— É claro que eu tô – riram. – Agora eu preciso ir dormir por que amanhã vai chegar uma visita chata aqui em casa.
— Sua ridícula, boa noite.
— Boa noite – disse . – Ah, quase esqueci! Te enviei o comprovante da passagem por e-mail, imprime isso logo.
— Tá bom, tchau.
Depois de desligar, só precisou de alguns minutos e sua escrivaninha para imprimir o tal comprovante. Ainda bem, mais um item resolvido na lista. Ela estava fechando o notebook quando olhou para a pilha de folhas em branco que tinha ao seu lado, sabia o que tinha que fazer.
Suas duas primeiras tentativas de escrever a carta, não deram certo, pareciam cheias de desculpas vazias. Na terceira tentativa, resolveu ser sincera e escrever como se sentia, não só criar justificativas. Ela escreveu que estava indo embora, não por causa dele, pois ele não tinha feito nada de errado, mas sim por ela, que não estava sendo ela mesma há muitos anos e que, se ele estava apaixonado pela garota que via diariamente, não estava apaixonado por ela.
Mais de uma hora e duas folhas depois, a carta estava pronta, e nela tinha somente a verdade. dobrou as folhas e as pôs em sua bolsa dentro de um envelope, colocou também seus documentos e o comprovante da passagem. Pela primeira vez na noite, ela sentiu que daria tudo certo.
Já eram quase três da madrugada e nenhuma das suas malas estava pronta. foi para sua cama, para pegar as ultimas pecas de roupa limpa que precisava, quando se deparou com a camisa de seu pai. Era uma camiseta velha, preta e muito mais larga que qualquer outra camiseta da garota, o rosto e nome de Ryan estavam estampados na frente, assim como o nome de sua última turnê. Seu pai era a única outra motivação que tinha para não desistir do que estava fazendo.
O importante é que você esteja feliz – lembrou dele dizendo. Uma lembrança tão vivida, que parecia ter ouvido sua voz.
sentia no fundo de seu coração que seu pai a apoiava. Ela abraçou forte a camisa como se fosse ele e se permitiu chorar – não por tristeza ou saudade, mas sim por felicidade. Não sentia mais o nervosismo, o medo e nem a ansiedade de antes. Estava tão tranquila que, entre suas lágrimas e sorrisos, acabou adormecendo.


O Sol já havia nascido e a luz invadia o quarto inteiro, o alarme que parecia estar tão longe agora, ficava mais alto e se fazia muito presente. acordou lentamente e sentou na cama sonolenta, depois de algumas tentativas conseguiu se manter de olhos abertos, foi quando avistou as malas no chão. De repente seu sono sumiu e a pressa ressurgiu.
— Ah não! Não! NÃO! – disse pulando da cama e partiu para seu celular pra ver que horas eram, se assusta ao ver 07:25 na tela. – Droga!
À essa hora, ela deveria estar no aeroporto, fazendo o check-in, não socando o resto de suas roupas nas malas e colocando os primeiros sapatos que via dentro delas também. Não estavam como queria, mas não tinha alternativa. Logo ela correu para o banheiro.
Enquanto escovava os dentes e lavava o rosto, a garota tentava fazer uma lista mental pra ver se não estava esquecendo nada. Isso não parecia estar funcionando muito bem. Na pressa de sair do banheiro, ela acabou esbarrando em um porta-retrato, fazendo-o cair no chão e espalhando cacos de vidro por toda parte.
— CARALHO! Era só o que me faltava – ao invés de tentar arrumar aquela bagunça, ela desviou dos cacos e estava indo se vestir quando viu a porta de seu quarto abrir.
— Filha, tá tudo bem? – Mia perguntou enquanto abria a porta, até avistar as duas malas em pé no centro do quarto. – Pra quê essas malas, ? – sua expressão era séria e preocupada.
Nada estava saindo como o planejado. É claro que a conversa não seria calma, entre o café com vestida adequadamente e pronta pra sair com antecedência, mas sim com ela super atrasada, com sua mãe tendo que questioná-la de camisola. Não dava para pensar na melhor forma de se falar aquilo, nem tinha tempo pra isso, simplesmente ficou estática e cuspiu as palavras:
— Eu vou pra Los Angeles, hoje.
— O QUÊ?! NÃO! Você não vai! – Mia estava mais próxima de braços cruzados.
— Mãe, eu preciso ir e eu já comprei a passagem – não pôde esperar sua mãe questioná-la mais, só continuou o que estava fazendo antes, entrou no closet escuro e começou a caçar uma roupa.
— Isso é por causa do August? – Mia perguntou do lado de fora do closet. – Do pedido de casamento? Sei que deve ser confuso, mas não precisa viajar sozinha, já nos programamos para ir pra Los Angeles mês que vem.
— Não é por causa do Gus – respondeu ela vestindo uma calça moletom. – É por causa de mim, eu preciso ir, fui aceita na AADA e quero cursar.
— A American Academy of Dramatic Arts? Mas por que se você tem a sua bolsa de administração na faculdade daqui?!
— Porque eu não quero fazer administração – pôs um casaco moletom e saiu do closet com um par de tênis qualquer na mão para encarar sua mãe. – Você sabe que eu sempre amei cantar e atuar, eu preciso fazer isso.
— Mas, filha, você não faz isso há tantos anos... – Mia começou a baixar o tom e descruzar os braços. – Pensei que tivesse deixado pra trás.
— E eu tentei, mãe – disse ela indo em direção a cama para calçar os sapatos. – Juro que tentei, mas não dá, faz parte de mim, entende?
queria evitar contato visual, tinha medo da resposta que sua mãe poderia dar e de perder a coragem.
— Já vi isso antes – Mia falou a seguindo com os olhos. – Seu pai dizia o mesmo e olha o que aconteceu!
— Eu sei que você se preocupa, mas esse é o meu sonho e, no final das contas, não é a minha felicidade que importa?
— E é, eu quero que você seja feliz, mas precisa ser em Los Angeles? No meio do show business? Você sabe como tudo isso é perigoso, cheio de coisas ruins e pessoas ruins.
— Eu não sou mais criança, sei me cuidar e você deveria acreditar em mim! – se levantou da cama e foi para a penteadeira tentar arrumar seu cabelo, que ainda estava com cachos mal definidos cheios de laquê. – Tem que confiar em mim, você me ensinou o certo e o errado e eu aprendi.
— Pelo visto não, você ia embora sem nem falar comigo! – A voz de Mia falhou um pouco, ela se sentia traída.
— Claro que não – se levantou e olhou-a nos olhos, precisava que sua mãe visse que estava sendo sincera. – Pelo amor de Deus, eu planejei falar com você antes de ir, só que foi tudo tão às pressas, decidi viajar ontem à noite e, pra completar, eu acordei totalmente atrasada.
— Você decidiu viajar ontem à noite? – Mia contraiu suas sobrancelhas, não conseguia acreditar naquilo. – Isso é insano, minha filha, adia essa viagem, podemos conversar com calma, ver as possibilidades, mas você não pode ir desse jeito.
— Não, mãe – falou balançando a cabeça negativamente e prendendo seus cabelos num rabo de cavalo – Você não entende pois tem uma vida aqui, tem historias, lembranças e ama esse lugar. Eu não! – afirmou apontando para o seu próprio peito enquanto seus olhos lagrimavam. – Não tenho nada aqui. Meu sonho e minhas lembranças estão lá, em Los Angeles.
continuava de pé, tentando conter o choro. Sua mãe não podia vê-la assim que também ficava emotiva. Ela aproximou-se da filha e acariciou seus braços tentando acalmá-la.
— Você tem seus amigos, tem o August que te ama e quer casar com você, tem a faculdade e futuramente vai ter um emprego. Sua vida também está aqui, nós todos estamos aqui.
— Eu amo todos vocês, só que essa não é a vida que quero pra mim! – a garota não conseguiu mais conter suas lágrimas, começou a chorar. – Quando mudamos pra cá, eu vi o quanto lhe preocupava eu cantar e dançar, foi por isso parei por todos esses anos, mas é o que eu amo fazer, mãe, é isso que me deixa feliz. Se eu não for hoje pra L.A., talvez nunca vá, e eu tenho medo que isso aconteça, tenho medo de passar a vida inteira infeliz, de um dia envelhecer e me arrepender de não ter corrido atrás dos meus sonhos.
estava quase soluçando, Mia a abraçou forte e acariciou suas costas. Mesmo com toda sua preocupação e super-proteção, nunca quis que sua filha se sentisse dessa forma, muito menos que ficasse infeliz, tudo isso a fez se sentir a pior das mães, pois que mãe obriga a filha a ser quem não é? Que ignora quando sabe que não está tudo bem? Era ela quem estava errada.
— Não sabia que você se sentia assim, sinto muito, me desculpe por ser uma péssima mãe.
O choro de só aumentava e Mia começou a chorar e a abraçar a filha mais forte. Uma das lágrimas de Mia caiu no rosto da filha, fazendo-a se afastar e se espantar ao ver sua mãe chorando.
— Você nunca foi uma mãe ruim – limpou as lágrimas do rosto da mãe com os polegares. – Nem de perto, eu sei que só queria cuidar de mim e agradeço por isso. Eu que devo desculpas por estar lhe desapontando.
— Você nunca vai me desapontar – disse Mia. – A verdade é que eu sabia que você não era feliz aqui, não do mesmo jeito que lá, mas todas as vezes que perguntava se estava tudo bem, você me dizia que sim. Eu tentava acreditar, afinal, você sempre teve seus amigos, o August e até as suas notas sempre foram boas, parecia mesmo estar tudo bem, só que no meu coração eu sabia que não era verdade.
“Você deve correr atrás de seus sonhos e vai conseguir alcançá-los, afinal, você é Blanc, filha de Ryan Blanc, o maior cantor de rock da história, e tem o mesmo brilho nos olhos que ele para comprovar. Seu lugar é em Los Angeles.
— Sério? – mesmo com o rosto molhado pelas lágrimas, sorriu radiante. – A senhora quer que eu vá?
— Eu quero que você seja feliz, mesmo que seja longe de mim.
— Ah, mãe, obrigada!
— Só tome cuidado – pediu Mia. – Com as pessoas e com os empresários
— Até com o tio Jordan? – perguntou se lembrando do pai de .
— Principalmente com ele – sua mãe desfez o abraço e olhou séria para ela.
— Como assim? – franziu o rosto, sua mãe nunca agia dessa forma.
— Nada, é só um pressentimento, não gosto de empresários – Mia tentou suavizar a situação, até mexeu nos cabelos para disfarçar o pânico que sentia. – Só me prometa que vai se cuidar.
— Eu vou, prometo – as palavras da filha lhe deixaram mais calma.
— Não acredito que a minha menininha está saindo de casa – disse Mia, acariciando a bochecha da filha.
— Não se preocupa, eu venho lhe visitar – pegou em sua mão para tranquiliza-la.
— Está bem – a mais velha disse limpando o rosto. – Vamos, você não pode perder esse voo.
— É verdade – disse fazendo o mesmo que a mãe. – Só falta pegar a bolsa e pedir um táxi.
— Tá bom, te espero lá em baixo – falou sua mãe puxando uma das malas porta a fora.
O estalo da trava da porta seguido pelo silêncio, finalmente deu a um momento de sossego. Eram tantas emoções que parecia que os seus batimentos cardíacos estavam ecoando por todo o quarto. Sentando na cama, pôs a mão no peito e tentou se acalmar.
Aquele quarto era o seu universo, seu lugar feliz. Após um minuto olhando ao redor, Blanc pegou seu celular no criado mudo e abriu o aplicativo de taxis. A mensagem que recebeu logo depois dizendo que o carro estaria na frente de sua casa em vinte minutos, lhe trouxe alívio: estava acontecendo.

— Estou fazendo bruschettas – disse Mia ao ver sua filha entrar na cozinha. – Por sorte, ainda temos suco de laranja – completou servindo a bebida em um copo que estava na bancada, ao lado de um prato e guardanapos de papel
— Obrigada – agradeceu sentando-se em frente ao prato.
— Você falou para a que está indo? – perguntou Mia, devolvendo a caixa de suco para a geladeira.
— Sim – respondeu e bebeu o suco. – Na verdade, foi ela quem comprou a passagem.
— Sério? – perguntou sua mãe franzindo o cenho ao se escorar na bancada.
Mia nunca gostou que os outros pagassem coisas para a filha, não queria que se acostumasse a depender dos outros. A mesma sabia disso e logo tratou de se justificar, pois também não gostava disso.
— É que eu gastei toda a minha mesada no baile, mas prometo que vou pagar depois.
— Hum, acho bom – sua mãe falou. – Inclusive, fale com o Sr. DeMayo para liberar sua conta, mas se precisar de dinheiro, me ligue. Na verdade, me ligue sempre.
— Pode deixar – sorriu sabendo o quão sério era aquele pedido. – Vou dar sinal de vida todos os dias.
— Acho bom mesmo – o contador do forno disparou e Mia foi até ele. – Ainda bem que vamos para Los Angeles mês que vem, assim não morro de saudades – disse ela ao abrir o forno. – Falando nisso, em que hotel você vai ficar?
— Na verdade – Blanc disse, já esperando outra reação negativa da mãe. - Vou ficar na casa da .
Imediatamente sua mãe largou a forma que segurava na bancada, quase fazendo-a cair no chão.
— Merda! – Mia virou-se rapidamente de costas para a filha, abriu a torneira da pia mais próxima e pôs a mão direita na água corrente.
— Mãe, você tá bem? – perguntou sem entender o que tinha acontecido.
— Foi só uma queimadura, o pano escorregou – ela respondeu continuando de costas, não queria que a filha desconfiasse que estava mentindo. – Mas, me diga, por que você vai ficar na casa da ?
— Ela que pediu e foi bem insistente... – respondeu ainda preocupada. – Mãe, tem certeza que tá tudo bem? Quer ajuda?
— Não precisa – Mia pegou um pano e voltou-se à filha enquanto secava sua mão. – E o que o Jordan acha sobre isso?
— Ele ainda não sabe, mas a disse que vai ficar tudo bem. Qualquer coisa eu vou pro Sheraton hotel.
— Eu não tô gostando disso... – ela serviu a filha com a mão esquerda por conta da queimadura de primeiro grau. – Mas não vou me intrometer.
— Obrigada, de novo, por esse voto de confiança.
— Espero não me arrepender, agora coma antes que o taxi chegue.
Prontamente obedeceu, ela comia e mexia no celular enquanto sua mãe lavava a louça um tanto aérea. Depois de alguns minutos, ambas tinham acabado, Mia estava secando a louça e guardando-a, quando se aproximou para lavar o seu prato.
— Pode deixar – a mãe disse. – Depois eu lavo.
agradeceu com um beijo e subiu para o seu banheiro para escovar os dentes. No caminho de volta, a garota acabou se deparando com as chaves de August jogadas na cama. Droga! Já tinha se esquecido dele, de novo. Ela pegou as chaves e desceu.
— Mãe, preciso que a senhora entregue essas chaves para o Gus, ele ficou de buscar o carro dele hoje. – pediu entregando as chaves para sua mãe.
— Por favor – suplicou Mia com uma expressão triste. – Me diga que ele já sabe que você vai embora. Já vai ser difícil o suficiente ter que contar ao Peter.
— Não, ele não sabe, mas escrevi essa carta explicando tudo – disse entregando a carta à mãe, ganhando um longo suspiro como resposta.
— Tudo bem, eu entrego pra ele – respondeu Mia, colocando os dois itens no bolso do hobby que vestia. – Bem, melhor irmos lá para fora agora.
concordo e levou as malas para a varanda com a ajuda da mãe. Após algum tempo de conversa sobre o voo, as duas avistaram o táxi chegando. Logo ambas se dirigiram para a calçada, cada uma com uma mala, quando perceberam que um segundo taxi começou a se aproximar da casa. “Talvez tenha sido um bug do aplicativo”, pensou , mas essa possibilidade caiu por terra quando ela avistou August saindo do veículo.
Ah não – a garota murmurou, tão baixo que nem sua mãe conseguiu ouvir.
Um frio absurdo começou a tomar conta da barriga de , talvez até maior do que o de contar para sua mãe que estava partindo.
— Acho melhor eu entrar agora – Mia disse e deu um abraço de despedida na filha. – Boa sorte e boa viagem – ela completou entregando a carta e as chaves, já que agora não precisava mais entrega-las.
A mãe nem esperou uma resposta verbal, o simples sim que fez com a cabeça, foi o suficiente para que entrasse em casa. O taxista dela já estava pondo a primeira mala no carro e o de Gus estava partindo, ele se aproximou olhando primeiramente pras malas e depois para ela. A confusão era evidente em seu rosto.
— Você vai viajar? – Augst perguntou, mesmo sabendo a resposta.
— Sim – respondeu meio nervosa. – E-eu estou indo pra Los Angeles.
Ela apertou as alças de sua bolsa com mais força do que o necessário. Realmente queria ter a chance de falar com ele cara a cara, mas não podia negar que se sentiu aliviada com a ideia de só escrever a carta e não ter que encará-lo.
— Los Angeles? Mas não ia ser mês que vem? – questionou ele com o cenho franzido, não estava entendendo. Na verdade, não queria entender. – Isso é por causa do pedido?
— Não... Também. – disse . Ela deu uma pausa e respirou fundo tentando pensar em cada palavra que diria. – August, eu não podia aceitar, eu não te amo do jeito que você me ama e nem nas proporções que você me ama. Você merece alguém melhor.
— Como assim, ? – August estava quase gritando, não gostava daquilo, porém compreendia. – Estamos juntos há quatro anos e você tá dizendo que não me ama? E agora tá fugindo de mim?
— Eu... Eu queria que tudo fosse simples, nossa, como seria mais fácil te amar do jeito que você me ama, querer fazer faculdade aqui, viver aqui, mas não é assim. Eu não posso passar o resto da vida fingindo ser quem eu não sou. – fez uma pausa e respirou fundo. – Sinto muito se estou te magoando agora, mas também não seria certo casar com você sem te amar do jeito que você me ama.
— Senhora, - o taxista interrompeu. – O carro está pronto.
— Eu preciso ir – disse , olhando para a carta e as chaves que estavam em sua mão, antes de estende-las para August e olhar para ele. – Escrevi essa carta para você.
August lutava, sem sucesso, para segurar suas lágrimas. Ele abaixou a cabeça para olhar para a carta, relutou em pega-la, pois sabia que significaria o fim dos dois. já estava achando que ele não pegaria até que Gus o fez, mantendo seus olhos fixos na carta que agora estava em suas mãos. Ela olhava pra ele esperando alguma resposta, um grito, pedido, mas não teve, então entrou no carro.
— Tchau, August – disse ela ainda com a porta aberta.
— Eu não acredito que você está fazendo isso comigo.
Nenhum dos dois desviou o olhar. O dele se manteve na carta e o dela no interior do carro. queria poder saber o que falar, queria dizer algo que pudesse tirar toda a dor que ele sentia dentro de si, mas nada poderia fazer isso.




Continua...



Nota da autora: Juro que teve certos momentos enquanto eu escrevia que quis chorar, espero que tenha conseguido passar pra vocês todas as emoções que a pp sentiu e espero continuar atualizando com frequência rsrs.
Podem comentar o que quiserem, desde um textão dizendo tudo do que gostaram até uma emoji de coraçãozinho, crítica dizendo o que mudariam também tá valendo. Bjs e sejam felizes <3.

P.S.: No próximo episódio teremos a aparição de um novo personagem e talvez tenhamos uma att dupla... Até.





Nota da Beta: Tô. No. Chão.
Que att, senhor. Ema, o capítulo ficou maravilhoso, na medida certa. Sinceramente, eu não mudaria nada nesse capítulo. Acho que deu pra refletir toda a aflição dela perante o namorado, mas fique com dózinha dele, tadinho. A ajuda da amiga foi maravilhosa. Mas essa mãe compreenssiva fechou com chave de ouro. Enquanto lia, eu achei que ela ia barrar a viagem, mas adorei que ela compreendeu e deu o maior apoio a filha. Ainda não te conheço, tio Jordan, mas estou louca pra conhecer. Eu aho que a tia Mia não ia falar esse tipo de coisa sobre ele sem ter nenhum motivo especial.
Vem ni mim, att, estou te aguardando loucamente. Quero logo saber como ela vai se sentir nesse mundo novo que ela vai conhecer, assumindo toda essa independência.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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