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Última atualização. 30/05/2017

Capítulo 1


- Filha! Levanta logo dessa cama ou vai chegar na segunda aula! – Gritou meu pai do andar de baixo. Me levantei totalmente sonolenta e segui para o meu banheiro, para começar a me arrumar, nem preciso dizer que tomei o mesmo susto de todos os dias. Sempre me acho horrorosa quando acordo; cabelos bagunçados, cara amassada... E, por ser branca, acabo sempre cheia de marcas de travesseiro, horrível! Prendi o cabelo e tomei um banho não muito demorado, ou vou chegar na segunda aula, como disse meu pai, assim que acabei me enrolei na toalha e corri pro quarto para me arrumar.
- Filha, e então? Pronta? – Disse meu pai, abrindo a porta do quarto com a mão na frente dos olhos, dei risada enquanto terminava de ajeitar meu vestido.
- Já estou vestida, pai. Só falta as lentes de contato. – Falei, me sentando e calçando as botas, hoje estava frio e, apesar de eu nunca sentir o mínimo frio, é estranho sair com roupas de verão quando está frio, não é?
- Filha, seus olhos são tão lindos, pra que escondê-los? – Disse meu pai, pela milésima vez desde que me lembro, revirei os olhos e segui para o banheiro para colocar as lentes.
- Não são não, são estranhos e fazem as pessoas olharem pra mim como se eu fosse anormal! – Falei um pouco alto pra que ele escutasse. Me olhando no espelho, me preparei para colocar as lentes, não que eu de fato gostasse delas, geralmente incomodam, mas nem tudo é perfeito, não é? Deixe-me explicar porque as uso. eu nasci com um defeito genético ou sei lá o quê, e por isso meus olhos tem uma coloração muito estranha de castanho, quase laranja, o que geralmente faz as pessoas ficarem me encarando, coisa que eu detesto, já que sou meio tímida, por isso acabei decidindo usar as lentes.
- Está bem! Desisto de te fazer parar com essa baboseira de lentes! Mas será que podemos ir? – Perguntou do quarto, terminei de colocá-las e voltei pro quarto.
- Claro, vamos? – Perguntei, pegando minha mochila e saindo do quarto atrás dele.
- Tem certeza que não está com frio? – Disse me olhando, eu estava usando um vestido de lã cinza, com uma meia calça e botas pretas.
- Sim, pai, você sabe que eu não sinto frio. – Falei, terminando de descer as escadas e correndo pra cozinha em seguida, pegando uma maçã – Podemos ir? – Perguntei, dando uma mordida na mesma. Meu pai assentiu e pegou as chaves do carro, saímos de casa e entramos no mesmo – Como vai seu livro, pai? – Perguntei, meu pai é escritor e até onde eu sei está com um super bloqueio criativo desde a semana passada, ele deu um suspiro e logo depois deu partida no carro.
- Infelizmente, sua mãe era minha fonte de inspiração, depois passou a ser você, mas... Ultimamente estou totalmente não inspirado, filha. – Disse, virando a esquina da nossa rua, coloquei o cinto de segurança e dobrei os joelhos, jogando a mochila no banco de trás e em seguida dando mais uma mordida na maçã.
- Você vai achar outra fonte de inspiração, vai ver. – Falei e pisquei pra ele, que sorriu.
- Você sempre me faz sentir melhor, querida. – Disse, olhando rapidamente pra mim, antes de voltar a prestar atenção na rua.
- Não sei por que, mas isso é minha especialidade. – Falei, sorrindo pra ele.
Vou lhes contar um pouco sobre mim, vamos ver por onde começo... Ah, meu nome é , porém eu prefiro que me chamem só de , é... Sei lá, incomum. Eu fiz dezesseis anos na semana passada e sou filha de pai solteiro, eu nunca conheci minha mãe, afinal, meu pai nunca fala dela, mas sei que ela era uma mulher incrível, é a única coisa que meu pai costuma dizer quando pergunto a respeito dela. Sei também que herdei meus cabelos ruivos dela, já que os do meu pai são castanhos, e eu gostaria de saber se herdei os olhos dela ou do meu pai, o que infelizmente não é possível por causa da minha “condição genética”, ou sei lá, como eu já disse.
- Chegamos, querida. – Disse meu pai, me tirando dos meus pensamentos. Peguei a mochila no banco de trás e soltei meu cinto, me inclinando para dar um beijo na bochecha dele.
- Vem me buscar mais tarde? – Perguntei, ele assentiu – Certo, te amo! – Falei, antes de sair do carro, pude ouvi-lo dizer um “eu também” antes que eu fechasse a porta, e então eu me virei e comecei a andar em direção ao colégio, mas algo me fez parar, um garoto de muletas estava no canto do portão do colégio, tentando olhar uma grade de horário e segurá-las ao mesmo tempo. Não sei por que, mas tenho uma sensação... Sei lá, só senti vontade de falar com ele.
- ? – Me chamou Jessie, uma garota da minha aula de biologia, passando a mão na frente do meu rosto – O que você está olhando para ter ficado tão desligada? Estou te chamando desde que você chegou! – Disse, eu fiquei constrangida e tratei de distrai-la logo.
- Não é nada. Temos biologia agora, não é? – Perguntei, mordendo minha maçã, ela assentiu – Então, vamos! – Falei e sai puxando-a pela mão.
- Com certeza era alguma coisa interessante pra você fugir assim. – Disse ela rindo, revirei os olhos rindo também.
- Vamos!

...


Depois de três aulas acabamos sendo dispensados, os professores dos últimos horários não tinham vindo, eu fiquei praticamente sozinha aqui já que estou tentando ligar pro meu pai vir me pegar há meia hora! Eu sei, eu poderia ir pra casa a pé, mas de carro é tão mais fácil... Eu estava ouvindo a ligação cair na caixa de mensagens do meu pai pela décima vez quando ouvi um barulho estranho vindo do fim do corredor. Desliguei o telefone e caminhei até lá, e então eu ouvi uma risada conhecida, Dick, o insuportável do meu vizinho encrenqueiro. Andei mais rápido, ele provavelmente deve estar batendo em algum nerd, o passatempo favorito dele. Quando finalmente virei o corredor, eu vi ele e um amigo ao qual não me lembro o nome empurrando o garoto que eu vi hoje mais cedo de um lado pro outro, ele parecia prestes a reagir e não sei por que eu achei ele completamente capaz de fazer isso, então, antes que Dick e o amigo se dessem mal, eu interferi. - Dick! Deixa ele em paz! Não tem nada melhor pra fazer? – Perguntei, entrando na frente dele, mesmo que minhas botas tivesse um pequeno salto, eu ainda sou bem mais baixa que ele, o que me fez sentir levemente intimidada, ele revirou os olhos.
- De novo, ? Será que você sempre tem que se meter quando eu estou me divertindo? – Perguntou ele, parecendo zangado.
- Se você se divertisse com coisas normais, eu definitivamente não precisaria me meter, será que você é humano? Mas que graça você vê em implicar com os outros? – Ele olhou pra baixo, parecendo envergonhado, eu sempre consigo fazê-lo se sentir culpado – Será que você poderia ir fazer outra coisa em outro lugar? – Perguntei, ele revirou os olhos outra vez, uma mania irritante dele, e saiu com o amigo. Eu me virei para o garoto e fui ajuda-lo.
- Não se preocupe, eu estou bem. – Disse ele, endireitando a mochila no ombro. Eu ri.
- Eu sei que está, eu apenas senti que se não interferisse, Dick e o amigo acabariam com o nariz sangrando. – Falei rindo, ele sorriu – A propósito, eu sou , mas prefiro . – Falei, estendendo a mão pra ele.
- Sou . – Disse, tirando a mão de uma das muletas e me cumprimentando.
- Presumo que te chamem de ? – Perguntei, ele assentiu com a cabeça – Você é novo, não é? – Perguntei, ele assentiu de novo – Morava aqui antes?
- Não, na verdade eu vim pra cá procurando uma pessoa. – Disse ele.
- Espero que encontre. – Falei, sorrindo.
- Vou encontrar. – Nesse momento meu celular começou a vibrar, meu pai.
- Hey, quer uma carona? Meu pai deve chegar de carro em alguns minutos.
- Por que não? – E então fomos andando pra fora do colégio, e por algum motivo já o considerei meu amigo. Isso deveria ser errado, não é? Confiar em alguém que você mal conhece? Sei lá, a vida é estranha, às vezes...


Capítulo 2


- Quem era o rapaz, filha? – Perguntou meu pai, pegando outro pedaço de pizza da caixa que estava na mesinha de centro na sala, e eu dei mais uma mordida no meu.
- Pensei que tinha apresentado vocês. O nome dele é . – Falei, me inclinando para pegar o meu copo de refrigerante, também sobre a mesinha.
- Disso eu sei, quero saber quem ele é. – Disse, me olhando de um jeito desconfiado, bufei.
- Ele não é um interesse amoroso, se é o que quer saber, papai.
- Então, quem é?
- Ele é novo no colégio. Dick estava implicando com ele e eu ajudei, depois ofereci uma carona.
- Só... Não sei, ele te olhava como se te conhecesse, achei algo estranho nisso, mas me ignore, eu sou um velho resmungão e ciumento. – Disse, fazendo bico e eu caí na gargalhada.
- Pai! Pra começar, você não é nenhum velho, só é resmungão quando está mal humorado e todo pai é ciumento, mas eu te amo mesmo assim, ok? – Falei, piscando pra ele, que riu. Esse meu pai...

...


- ! Não acredito nisso! – Exclamei, ao ver os ingressos na mão dele.
- Você disse que queria assistir, então... – Disse, me entregando. Eu dei um abraço nele, quase o derrubando – Por que você não podia ir sozinha mesmo? – Perguntou, tentando se equilibrar quando eu o soltei.
- Não gosto de ir ao cinema sozinha e meu pai está com um bloqueio criativo horrível, por isso não quis ir comigo. – Falei, ele riu.
- Você é maluca! – Disse ele e eu mostrei a língua, faz uma semana que eu o conheci, mas parece que o conheço há anos, nós temos uma ligação que eu nem sei explicar, só sei que confio nele e sei que ele confia em mim, só isso. Nós estávamos esperando meu pai vir nos buscar, nós sempre damos uma carona pro desde aquele dia, acho que meu pai está achando isso tudo mais estranho que eu. Sempre fui meio reservada e, apesar de ser “amigável”, como meu pai diz, nunca fui de ter amigos assim tão íntimos.
- Crianças! – Gritou meu pai do carro enquanto buzinava, eu e caímos na gargalhada.
- Pai! Você parou na nossa frente, não precisava disso! – Falei, abrindo a porta do carona e entrando, lhe dando um beijo na bochecha em seguida.
- E aí, senhor, ? – Cumprimentou quando entrou no banco de trás.
- Pai, os planos de hoje são deixar você em casa e pegar o carro emprestado, tudo bem? – Perguntei, ele me olhou confuso enquanto começava a fazer o caminho de casa.
- E por quê? – Perguntou.
- Eu e o vamos ao cinema assistir aquele filme que eu queria, se lembra?
- Entendi, então o plano é dispensar o coroa e curtir a juventude? – Perguntou ele e eu ri.
- Quase isso. – Falei, ele negou com a cabeça enquanto ria.
- Essas crianças...

...


- Eu não acredito! – Falei, nós tínhamos acabado de ver o filme e estávamos indo pro estacionamento.
- Esse filme é uma droga. – Disse , rindo da minha indignação.
- E eu não sei? Mas que droga! O livro era ótimo! Como conseguiram estragar assim? – Perguntei.
- Especialidade dos cinemas. – Dei risada. Ele parou de andar subitamente, tão subitamente que eu, que estava um pouco atrás dele, trombei com ele e quase fiz nós dois cairmos.
- O que aconteceu? – Perguntei, ele começou a olhar de um lado pro outro – , você está me assustando. – Ele tirou a mão de uma das muletas e me colocou ainda mais atrás dele, me escondendo com o corpo – ! – Exclamei.
- Shh! Tô sentindo alguma coisa... – Disse, eu franzi o cenho e olhei pra ele, confusa.
- Sentindo alguma coisa? – Ele continuou a inspecionar o estacionamento com o olhar e eu comecei mesmo a ficar assustada – ... O que tá acontecendo? – Sussurrei.
- Esquece, momento “estou sendo perseguido”, todo mundo tem um, não é? – Perguntou ele, sorrindo, tentando disfarçar, levantei uma sobrancelha.
- Momento “estou sendo perseguido”?
- Podemos ir pro carro? – Perguntou. Assenti e comecei a segui-lo até onde estacionei o carro, ele continuou olhando pra todo mundo por quem a gente passava, de maneira mais disfarçada, mas continuou.
- Você me assustou, não faz mais isso! – Falei quando achamos o carro. Eu comecei a procurar a chave na minha bolsa quando ouvi um barulho vindo do canto do estacionamento, nem tive tempo de olhar e já estava sendo jogada no chão.
- Cuidado! – Gritou , me derrubando no chão – Droga! Eu sabia! – Disse, olhei e vi uma coisa muito, muito esquisita de pé, era... Eu não sei explicar, era esquisito, parecia um morcego gigante ou pior que isso, sei lá! começou a se levantar.
- ! – Gritei, ele se levantou e a coisa mais esquisita do dia, em minha opinião, aconteceu, o que pode ser mais esquisito que aquela... Coisa? Eu explico, mais esquisito que aquilo é meu amigo, sim, meu amigo , começar a tirar as calças no meio daquilo tudo – ! O que você... – Me interrompi, dando um gritinho típico de garotas em filmes de terror. Ele tinha pernas de... Bode? Isso mesmo! Pernas de bode! – Mas o que diabos... – Não tive tempo de terminar de falar, a... Coisa veio voando na minha direção, eu tentei levantar, mas me empurrou pra que eu continuasse no chão, dando um coice na coisa.
- Corre pro carro! Agora! – Gritou ele, pegando as muletas e a calça, quando viu que eu não ia me mexer, ele me puxou pelo braço, me fazendo levantar e segui-lo até o carro – Abre! – Disse ele, a coisa estava vindo pra cima da gente outra vez, encontrei as chaves e apertei o botão, destrancando o carro. Nós entramos e eu dei partida, acelerando o máximo que podia pra fora daquele estacionamento.
Olhei pra trás e aquilo tinha sumido, eu estava prestes a suspirar aliviada quando me virei pra frente.
– Vira! – Gritou . Ao ver aquilo vindo em nossa direção, fiz o que ele disse e a coisa passou ao lado do carro a alta velocidade, eu acelerei mais e sai do estacionamento, entrando na rua. Quase causei um acidente de carro no cruzamento, mas nem liguei, só queria colocar o máximo de distância entre aquele estacionamento e o carro. Quando eu estava a algumas quadras da minha casa, pisei fundo no freio, fazendo o carro brecar, o desliguei em seguida e me virei pra .
- Que merda foi aquela?! – Perguntei, meio descontrolada, o que é raro pra mim, que sou sempre calma.
- Eu posso explicar... – Disse, levantando as mãos em sinal de rendimento.
- E o que é você? O que é isso?! O que é aquela... Coisa?! – Perguntei tudo de uma vez, só então notei que nem tinha respirado desde que esse “conversa” começou. Respirei fundo.
- Aquilo era uma fúria. – Disse ele, com a voz calma, acho que na tentativa de me acalmar, ou de não me assustar.
- Ótimo! Fúria? Tipo mitologia grega? Droga, , acho que colocaram alguma coisa no nosso refrigerante... – Falei, encostando a testa no volante. Ele riu, ele riu! Eu olhei pra ele com o olhar que eu gosto de intitular matador.
- Estou falando sério. – Disse ele, se recompondo. Apoiei a testa no volante outra vez. Ele não pode estar falando sério!
- E o que você é?
- Um sátiro, mais especificamente o que está encarregado de proteger você. – Disse.
Eu levantei a cabeça e o olhei com os olhos arregalados.
- Como...?!
- Você é uma semideusa, . – Disse e eu o olhei como se estivesse louco.
- Droga! Tinha alguma coisa no nosso suco, eu sabia... – Falei, me virando pra frente. Meu deus! Eu não sabia que alucinógenos funcionavam dessa forma, mas que viagem!
- Estou falando sério, ! – Disse ele, chamando minha atenção.
- Como?! Isso não tem a menor graça! Isso nem existe! – Falei, isso não é real... Não mesmo!
- De alguma maneira você existe. – Disse ele, dando de ombros. Eu comecei a rir nervosamente, isso é uma piada! Mas meu riso foi diminuindo quando eu percebi que ele estava completamente sério. Respirei fundo.
- , por favor, isso não pode ser sério! Qual é?! Você só pode estar brincando comigo! – Falei, passando a mão pelo cabelo.
- Eu sei, pode ser difícil de acreditar, mas tem uma pessoa na qual você vai acreditar. – Disse, tirei o cabelo do rosto e me recostei no banco.
- E quem é? – Perguntei.
- Seu pai. – Olhei pra ele com os olhos arregalados.
Meu... Meu pai?! Como assim meu pai?!


Capítulo 3


Dirigi o resto do caminho para casa em silêncio, também não disse mais nada, apenas se vestiu. Isso tudo ainda é muito irreal pra mim, tipo... Meu melhor amigo é um sátiro, eu sou uma semideusa de dezesseis anos que passou a vida inteira sem saber de nada e o pior. meu pai, ele mentiu pra mim esse tempo todo! Viu como eu estou ficando maluca?! Estou acreditando nessa história sem pé nem cabeça!
Estacionei na frente de casa e peguei minha bolsa do banco de trás, descendo em seguida. me seguiu, ainda sem dizer nada. Pra ser bem sincera eu nem sei como vai ficar nossa amizade depois disso, afinal ele também mentiu pra mim. Eu abri a porta e entrei em casa, meu pai estava sentado no sofá da sala com o notebook no colo. Assim que ele me viu, fechou o aparelho e veio até mim:
- Meu Deus, , o que aconteceu com você? – Disse ele, tirando minha bolsa das minhas mãos. Estou totalmente ciente que meu cabelo deve estar uma bagunça e minha maquiagem borrada – Filha, fala comigo! – Insistiu ele, me puxando para sentar no sofá – Já que ela não fala, você poderia me explicar isso, ? – Perguntou ele pro , que ainda estava parado na porta.
- Ela já sabe. – Disse simplesmente. Vi meu pai arregalar os olhos, olhando de mim pra ele.
- Co-como assim já sabe?! – Perguntou, olhei pra ele.
- É verdade, pai? – Perguntei. Vi quando ele prendeu a respiração, ele sempre faz isso quando tem que me dizer algo que eu não vou gostar – Por que, pai? Por que mentir pra mim por todo esse tempo, quando você poderia simplesmente ter me contado? – Perguntei. Ele pegou minhas mãos, as apertando e em seguida deu um longo suspiro.
- Eu só queria seu bem, filha. Ajudaria em alguma coisa saber da verdade? Eu realmente tinha esperanças de que você nunca soubesse... – Disse ele, sem me olhar nos olhos.
- E por quê?
- Filha, de que te ajudaria saber que sua mãe é uma deusa? De que adiantaria? Você ia continuar sem poder vê-la, não era melhor achar que ela tinha morrido? – Disse ele. Apertei suas mãos, eu entendia os motivos dele e... Bom, nunca consegui ficar realmente brava com meu pai.
- Eu entendo, pai, mas seria muito mais fácil saber que ao menos ela está viva.
- Eu sinto muito... – Disse ele, com a voz embargada. Neguei com a cabeça.
- Está tudo bem, mas posso saber ao menos quem é minha mãe? – Perguntei, ele me olhou tentando decidir se seria certo me contar, então olhou pro .
- O que você é? – Perguntou, confuso ao ver que estava sem as muletas.
- Sou um sátiro, vim aqui para encontrá-la e protegê-la, é meu trabalho. – Disse.
- Pai, quem é a minha mãe? – Repeti minha pergunta, ele suspirou.
- Héstia, sua mãe é Héstia. – Disse ele. Busquei na memória qualquer coisa sobre esse nome, ele não me era estranho...
- Héstia? O senhor tem certeza? – Perguntou , parecendo muito surpreso. Olhei pra ele, confusa.
- Tem algo de errado com isso? – Perguntei, olhando pro meu pai novamente.
- Héstia fez um voto de castidade, ela não pode ter filhos. – Disse e aquilo me deixou mais confusa que nunca, mas o que...?
- Como assim?! – Perguntei, meu pai suspirou e fez sinal pra que se sentasse, ele ia contar a história. Quando sentou, ele respirou fundo e começou.
- Sou escritor, sempre escrevi romances. Uma vez, a uns anos atrás, eu fui à Grécia, achei que seria um cenário interessante pra algum dos meus livros, e queria conhecer o país, e foi assim que eu conheci a sua mãe. Ela era tão doce, querida, sempre tão calma... Estar com ela trazia um bem estar que nem cabe no corpo. Não demorou e eu estava completamente apaixonado e, ao perceber isso, ela me contou toda a verdade. A princípio eu a achei maluca, depois achei que ela tinha inventado uma desculpa qualquer para se livrar de mim e, por último... Acreditei que fosse verdade. Ela me procurou de novo, eu disse que não me importava se ela era ou deixava de ser uma deusa, eu a amava. E foi aí que ela me revelou o resto, sobre o voto de castidade, me dizendo que não podíamos ficar juntos. Eu disse que precisava dela, que ela fazia parte da minha vida – Ele parou por um momento, os olhos dele estavam cheios de lágrimas, mas ele logo tomou fôlego e continuou – Ela me disse que não podia ficar, que aqui não era o lugar dela, mas que podia me dar algo para que eu nunca a esquecesse. E então ela me deu você, querida. Foi tão incrível... Sua mãe é a deusa da lareira, do fogo... Você nasceu da chama, filha, da chama da sua mãe. Você pode não ter nascido como a maioria, mas isso te torna apenas mais única. Ela me fez prometer que te amaria e cuidaria de você e eu prometi que faria tudo isso. Espero ter feito um bom trabalho, . Eu sei que foi errado esconder tudo isso de você, mas... Você é minha filha! Eu te amo! Eu só queria o seu bem! E, além do mais... Ela estava certa quando disse que você era pra que eu me lembrasse dela, vocês se parecem tanto em tantas coisas... Os cabelos, o jeito calmo e amoroso, o jeito como consolam as pessoas... Querida, eu tenho tanto orgulho do que você se tornou... – Disse, a essa altura nós dois já estávamos chorando. Eu me joguei nos braços dele, o abraçando o mais forte que podia.
- Eu também te amo, pai! E não se preocupe, você é o melhor pai do mundo, eu tenho orgulho do que você se tornou. – Falei e ele começou a rir. Me soltei dele e enxuguei as lágrimas, então uma coisa me veio a cabeça – Espera... Meus olhos, eu os herdei da minha mãe, não foi? – Perguntei, meu pai assentiu.
- Você nasceu da chama, por isso seus olhos tem essa cor. – Sorri, eu sempre quis saber de quem os herdei, fico feliz em finalmente saber.
- É... Eu sei que esse é o momento família e que eu sou o intruso, mas... Nós temos que ir, , não é mais seguro pra você ficar aqui. – Disse . O olhei sem entender.
- Seguro? Como assim não é seguro? – Perguntou meu pai.
- Ela foi atacada por uma fúria hoje no shopping. Eu consegui ajudar dessa vez, mas não faço ideia do que pode vir atrás dela agora, preciso levá-la pra um lugar seguro.
- Que lugar, ? – Perguntei, meio assustada, me lembrar daquela... Coisa era a última coisa que eu queria fazer depois de escutar aquela história, mas... Existiam mais? Se existiam, eu com certeza não queria conhecer.
- O Acampamento Meio-Sangue. – Disse ele, o olhei sem entender – É um acampamento para os filhos dos deuses, lá é seguro e eles são treinados para se defender. Se não for pra lá, você pode ser atacada por qualquer coisa. Acredito que o fato de ninguém saber que existia uma filha de Héstia possa ter ajudado a te camuflar por todos esses anos. De verdade, estou surpreso por você nunca ter sido atacada antes, a maioria vai pro acampamento bem mais novo. Mas, voltando ao foco, você precisa se proteger, e assim vai ser melhor pro seu pai também. Enquanto você estiver aqui, ele também corre perigo. – Fiquei sem palavras, eu... Eu poderia ter sido atacada antes?!
- Pai... – Comecei a falar, mas ele me interrompeu.
- Tudo bem, querida, eu sabia que uma hora ia chegar o momento em que ser quem você é ia pesar. Eu sempre soube que você corria perigo, afinal, não se pode ser filha de uma deusa sem consequências, não é? Se ir para este lugar vai te deixar segura, então você deve ir. – Disse ele, apertando minha mão.
- Mas, pai... Eu não posso deixar você aqui sozinho! Ele pode ir com a gente? – Perguntei ao . Ele negou com a cabeça.
- Sinto muito, mas mortais não podem entrar lá.
- Tudo bem, filha! Vai ser como se você estivesse indo para a faculdade. Você vai estar viva, não vai? Pra mim é o que importa. – Disse ele, sorrindo. Sorri de volta.
- Eu ainda vou poder visitá-lo, não vou? – Perguntei, assentiu – Certo, então eu vou...

...


Eu estava sentindo um aperto imenso no coração. Jamais pensei em deixar meu pai, meus planos eram convencê-lo a se mudar para perto da faculdade comigo, não deixá-lo aqui, mas se isso é pra segurança dele... Que opção eu tenho? Se a minha presença o coloca em perigo, o melhor que posso fazer é ir pra longe.
- Tem certeza que vai ficar bem, pai? – Perguntei, ele sorriu e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
- Filha, eu vou ficar ótimo. Confie em mim! – Disse, o abracei outra vez – Eu te amo. – Ele sussurrou no meu ouvido e eu comecei a chorar. Não quero ir e deixá-lo aqui!
- Eu também, pai... – Falei, o apertando mais, ele se separou de mim.
- Vai, filha, só não se esqueça do seu pai, ok? – Perguntou, sorri pra ele.
- Nunca. – Falei, então ele entrou no carro, deu meia volta e foi embora. deu instruções pra que ele nos trouxesse de carro até aqui, agora estávamos diante de uma trilha que, segundo o , dava no acampamento.
Se eu estava nervosa? Imagine! Só estou tremendo na base.
– Tem outros... Você sabe, filhos da minha mãe? – Perguntei. Ele riu, estávamos caminhando pela trilha, eu com minha mala e ele com uma mochila, também com minhas coisas.
- Pensei que você tinha entendido que sua mãe não tem filhos, só você. – Me senti boba, é claro! Eles tinham me dito isso! – Mas relaxa, tem filhos de outros deuses. – Disse.
- Quais? - Perguntei, curiosa.
- Tem filhos de Hermes, Ares, Afrodite, entre outros. Não precisa ficar assustada, o pessoal é legal. – Disse, suspirei.
- Vão me achar esquisita, isso sim. – Falei, ele riu.
- E por quê? – Perguntou.
- Não é óbvio? Além de ser filha de uma deusa que até onde todos sabiam não tinha filhos, eu ainda tenho esses olhos, vão me olhar como se eu fosse um alienígena! – Ele gargalhou e eu o olhei brava. Não tinha graça!
- Se te consola, você não é a única filha de uma deusa que fez o voto. Também tem a Annabeth, que é filha de Atena. Ela também não nasceu da forma convencional. E quanto aos seus olhos, os filhos de Afrodite têm uma coloração que ninguém entende, sempre que temos quase certeza que são de uma cor, é como se mudassem, sério! E também tem os filhos de Ares, sempre que eles se irritam, é como se os olhos deles pegassem fogo e, bem... Os filhos de Ares são os esquentadinhos do acampamento, então você vai ver muito isso por lá. Não se envergonhe dos seus olhos, eles são a prova de quem você é juntamente com seus poderes. – Disse. Arregalei os olhos.
Poderes?
- Poderes? Eu tenho poderes? – Perguntei, ele me olhou, sorrindo.
- Devia ter imaginado que você não tinha ideia disso. Os filhos dos deuses herdam algumas habilidades dos pais. Sua mãe é a deusa do fogo e dos laços familiares, então seus poderes vão estar relacionados a isso, algo como controlar o fogo e coisas assim. – Disse, comecei a me lembrar de certos momentos da minha vida.
- Sempre fui boa em consolar as pessoas e em causar culpa nelas quando quero, isso tem alguma coisa a ver? – Perguntei.
- Sim, viu só? Seus poderes já estão dando sinais. – Disse ele.
Uau! Eu tenho poderes!
- Eu também nunca sinto frio...
- Isso é só o começo. Geralmente os semideuses acabam aprendendo mais sobre os poderes no acampamento, vai acontecer com você também. – Assenti enquanto guardava as informações – Chegamos. Seja bem vinda ao Acampamento, ! – Disse ele. Meu coração acelerou. Minha nossa! Nós chegamos!


Capítulo 4


Logo na entrada tinham dois pilares com uma espécie de, sei lá, placa em cima onde estava escrito “Acampamento Meio-Sangue”. De início pensei que ia desmaiar, aquilo era tudo muito surreal, eu estava prestes a entrar em um acampamento cheio de filhos de deuses! E eu era filha de uma deusa! Aquele era meu novo lar! Desculpe por tantas exclamações, mas você não acha que isso é incrível?!
- Hey, vamos? – Me chamou , ao perceber que eu ficaria lá o resto do dia de queixo caído se ele não me chamasse. Balancei a cabeça, meio que acordando do “transe” e o segui. Assim que entramos, vi vários garotos e garotas da minha idade andando pra lá e pra cá. Alguns estavam com armaduras e espadas, o que me deixou meio desconfortável, detesto guerras e tudo que lembre elas, engoli em seco e segui acampamento adentro. Ele me levou a uma casa – Essa é a casa branca. – Me segurei pra não rir.
- Tipo a do presidente? – Perguntei, ele deu uma risadinha.
- Sem gracinha! Preciso que conheça alguém. – Disse ele, batendo na porta, e logo depois saiu um cara de lá. Eu engoli em seco outra vez ao vê-lo, se eu já achava meio estranho ter pernas de bode, aquele cara era minha definição completa de estranho – Esse é o professor Quíron, diretor de atividades e treinador aqui do acampamento. – Explicou. Continuei olhando sem dizer nada, eu estava surpresa, qual é?!
- E sou um centauro. – Explicou ele, assenti de leve, não sabia mais o que fazer – O que acha de conversarmos um pouco? – Assenti outra vez, nisso um outro cara saiu de lá.
- Quíiron, você viu meu... – Ele se interrompeu ao me ver – E você? Quem é? – Me perguntou.
- Sou nova, meu nome é . – Me apresentei.
- Senhor D, sou professor. – Assenti – Suponho que estavam indo ter uma conversa? – Perguntou ele ao outro, que assentiu – Vamos. - Ele entrou na cabana e fez sinal pra que eu o seguisse. Lancei um olhar a , esperando que ele viesse também, mas ele apenas piscou e sorriu pra mim, então eu segui o professor. O lugar era bem grande, afinal tinha que ser, com o tamanho todo ele não poderia estar em um lugar pequeno. Eu me sentei e o senhor D começou a falar – Como é seu nome mesmo? – Perguntou.
- , . – Respondi, cruzando as mãos no colo.
- Certo, você já sabia de tudo ou descobriu há pouco tempo?
- Descobri hoje, pra ser sincera. – Falei, ele sorriu.
- Entendo, certo , e como exatamente você vivia antes de tudo?
- Eu morava com meu pai, Antony . Nós tínhamos uma vida bem normal, pra dizer a verdade, ele é escritor, eu ia à escola e ele escrevia. Não tem muito mais pra dizer. – Falei.
- Já teve qualquer manifestação dos seus poderes? – Perguntou Quíron. Neguei com a cabeça, mas então me lembrei da conversa que eu tive com o mais cedo.
- Na verdade eu consigo causar culpa nas pessoas, sou boa em consolar e não sinto frio. me disse que eram pequenas manifestações, mas que eu aprenderia mais aqui.
- Ele estava certo, e quem exatamente é sua mãe? – Perguntou.
- Héstia. – Os dois fizeram a mesma cara de ao descobrir isso, tratei de explicar – Meu pai disse que eu fui uma espécie de presente, eu nasci da chama dela. – Senhor D assentiu.
- Certo, acho que já acabamos. Pode ir agora, vai te mostrar o acampamento. – Assenti e me levantei, indo em direção a porta .
? – Quíron chamou, eu me virei – Bem vinda.
- Obrigada. – Dei um sorriso e saí. ainda estava no mesmo lugar de minutos atrás, fuçando... Ai, meu Deus! – ! Larga meu diário agora! – Falei, correndo até ele, no meio do caminho esbarrei com um garoto, na verdade com o peito dele, já que ele era tão alto que era exatamente a altura onde meus olhos estavam.
- Não olha por onde anda... Uau! Novata? – Perguntou ele, carregado de ironia. Ele estava de armadura e segurando uma espada... Já não gosto muito dele.
- , bem menos, ela não viu você. – Disse , fechando meu diário e vindo até nós.
- Ah, então você achou sua protegida. E a novata tem nome? – Perguntou ele, se dirigindo a mim. Levantei a vista para olhá-lo nos olhos e quase perdi o equilíbrio. Ele tem os olhos mais lindos que já vi na vida... Mas ainda é um garoto irritante de armadura, me recompus.
- . – Respondi, ele sorriu irônico.
- Bom, – Disse, dando ênfase no meu nome – Acho bom olhar por onde anda de agora em diante. – Disse ele, eu ia rebater dizendo que foi sem querer, mas uma voz feminina me interrompeu.
- ! Anda logo! – Gritou uma garota, ele nem me olhou e foi em direção a ela. Soltei um gemido de frustração.
- ? – Chamou , chegando mais perto de mim.
- Ótimo! Não estou no acampamento a nem uma hora e aquele garoto já me odeia. – Falei fazendo um bico, riu.
- Lembra do que eu falei sobre os filhos de Ares? Ele e a garota, que por acaso se chama Clarisse, são filhos dele. – Isso com certeza explica muito sobre essa ironia toda.
- Ótimo, um filho de Ares me odeia. – Ele riu de novo.
- Vem, vou te mostrar o acampamento. – Disse, fazendo sinal com a cabeça pra que eu o seguisse. Ele pegou minha mala e a mochila e foi andando na minha frente – Refeitório. – Disse, apontando um lugar com umas mesas bem grandes, tipo aquelas de colégio e várias cadeiras – Esse daqui é o arsenal – Disse quando entramos um pouco mais na floresta – É aqui que rola a maioria dos jogos e treinamentos e, ah, aquele ali é o lago. – Disse, apontando um lago não muito grande. Demos uma volta e ele foi me apresentando o resto do acampamento – E tem uma coisa que acho que você precisa saber, em volta do acampamento tem uma espécie de campo de força, assim os monstros não entram, ele começa naquela árvore – Disse apontando uma árvore grande do outro lado – Por isso o seu pai não podia vir, humanos também não passam por ele. – Eu assenti, isso tudo é tão novo pra mim, realmente consigo ficar surpresa com cada coisa que eu vejo – E aquela ali é a Annabeth, filha de Atena, lembra que eu falei dela? – Assenti – Hey! Annabeth! – A garota levantou a cabeça e nos olhou, depois veio até a gente – Essa aqui é a , ela é nova. – Disse ele.
- Oi. – Falei, tentando ser simpática, a garota assentiu.
- De quem ela é filha? – Perguntou, fiquei confusa de ela perguntar isso antes de sequer dizer oi.
- Ela precisa saber disso pra saber pra qual chalé te levar. – Disse , explicando, então lembrei dos chalés que ele mostrou, cada um de um deus diferente, mas não lembro de nenhum chalé de Héstia... – E ela é filha de Héstia. – Annabeth também pareceu confusa com a informação, mas que coisa! Será que todo mundo vai fazer essa cara ao saber quem é minha mãe?!
- Héstia? Ahn... Ok, vem comigo. – Disse ela, fui atrás e nos seguiu – Como aqui não tem um chalé pra sua mãe, você vai ficar no de Hermes. – Assenti, fomos caminhando até o tal chalé. Perto da porta tinham dois garotos – Hey, Stoll! – Chamou ela e os dois se viraram, eles era gêmeos – Essa daqui é a...
- . – Falei, ela assentiu.
- Ela é filha de Héstia, ela vai ficar aqui já que não tem chalé.
- Héstia? Uau! – Disse um dos dois – Sou Connor e esse é o Travis, e caso não tenha notado...
- Somos os gêmeos Stoll. – Completou Travis, fiquei até aliviada, eles parecem mais simpáticos do que os dois semideuses que conheci até agora – Vem, vamos mostrar onde você vai ficar.
- Prazer em te conhecer. – Disse Annabeth, antes de voltar para onde estava antes de chamá-la, eu e ele seguimos os gêmeos para dentro do chalé, me entregou a mochila e pegou minha mala.
- Não liga pra Annabeth, ela é só meio distante, sabe, filha de Atena, ela se acha meio intelectual demais. – Sussurrou pra mim, dei uma risadinha, os meninos levaram a gente até um quarto com várias camas, eles pararam na frente de uma.
- Essa está desocupada, então vai ficar com você, se tiver problemas avise, somos os co-orientadores do chalé. – Disse o que eu me lembro ser Travis, ai, vou ter que me acostumar a não confundir os dois – E eu sou o Travis. – Disse, parecendo ler a dúvida no meu rosto.
- Eu sou o Travis. – Disse o outro, olhei pros dois sem entender e eles riram – Brincadeira, bem vinda, . – Disse, eu sorri, logo depois os dois saíram.
- Não liga, eles adoram fazer brincadeirinhas fora de hora. Daqui a pouco tem o jantar. Te vejo lá, então? – Perguntou , deixando minha mala perto da cama. Coloquei a mochila junto e assenti – Então até mais tarde. – Disse, piscou pra mim e saiu, fechando a porta. Eu me joguei na cama. Meu deus! Eu não esperava tudo isso hoje, meus planos eram assistir a um filme e comer pizza com meu pai em casa, com certeza nem passou pela minha cabeça ser atacada por uma... Coisa no shopping, descobrir ser uma semideusa e muito menos me mudar para um acampamento cheio de outros semideuses.
Uau! Que mudança de planos não é mesmo? !


Capítulo 5


Eu ainda estava deitada na cama quando uma voz masculina me tirou dos meus devaneios.
- Oi. – Disse ele, eu levei um susto tão grande que acabei caindo da cama, ele logo veio me ajudar – Desculpe! Eu não queria assustar você. – Disse o garoto, me estendendo a mão pra me ajudar a levantar, aceitei a ajuda.
- Tudo bem, eu estava meio distraída... – Falei, tirando o cabelo do rosto. Ele sorriu, ele era bem bonitinho.
- Sou Luke, os Stoll disseram que tinha uma garota nova e eu achei que devia conhecê-la. – Sorri e me sentei na cama outra vez.
- Sou . – Falei, estendendo a mão pra ele.
- Prazer em te conhecer, – Disse, apertando minha mão – Dia cheio? – Perguntou, ri e coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- Você nem tem ideia. – Falei, ele se sentou na cama ao meu lado.
- Descobriu faz muito tempo? – Perguntou.
- Há algumas horas. – Falei, ele me olhou surpreso – E, além do mais, acabo de chegar e já tem gente que não foi com a minha cara. – Falei, dando de ombros, ele me olhou confuso – Esbarrei com um garoto e ele foi meio grosso, também teve uma outra garota, Annabeth. Ela nem me dirigiu a palavra direito. – Ele riu.
- A Annabeth é assim mesmo com todo mundo, relaxa, não foi pessoal. E quem foi o grosso? – Perguntou.
- .
- Ah, tá explicado. Ele é esquentadinho mesmo, não liga pra ele. Sabe como é, filho de Ares. – Soltei uma risada fraca.
- E você? É filho de Hermes, não é? – Perguntei, se ele está no chalé de Hermes, acho que isso é obvio, mas eu também estou aqui e não sou filha dele, não custa matar a curiosidade, não é?
- Uhum, e você? De quem é filha? – Soltei um suspiro.
- Héstia.
- Uau! Sério? Isso não se vê todo dia. – Disse ele, rindo.
- Qual é? Por que isso é tão estranho assim? – Perguntei rindo também.
- Porque sua mãe fez voto de castidade? – Perguntou ele, óbvio – Sabemos que Atena tem a Annabeth, o que nem é tão estranho. Atena nasceu da cabeça de Zeus e Annabeth nasceu dos pensamentos dela, mas você? É como se Ártemis tivesse uma filha, é estranho. – Disse ele.
- Eu nasci das chamas da minha mãe, e, aliás, quem é Ártemis? – Perguntei, ele riu.
- Isso explica as coisas... e como assim você não sabe quem é Ártemis? Você sabe alguma coisa sobre mitologia grega? – Perguntou. Neguei com a cabeça, meio envergonhada, eu devia saber – Bom, se quiser, depois posso te ajudar com isso, gosto de pensar que sou inteligente. E, a propósito, Ártemis é a deusa da caça, ela também fez o mesmo pacto que sua mãe, ela despreza os homens.
- Uau. – Falei, ele sorriu e levantou.
- Já é hora do jantar, com certeza deve estar todo mundo ansioso pra te conhecer. – Ruborizei um pouco, ele riu – Você é tímida, não é? Não se preocupe, já fez um amigo. – Disse, piscando pra mim – Te vejo lá fora! – Gritou já da porta e então foi embora. Eu gostava dele, ele era bem legal. Respirei fundo e me dirigi pra porta. Tímida ou não aqui era minha casa, eu precisava me acostumar, não é?

...


Fazia uma semana que eu estava no acampamento e estava tudo indo pior do que eu pensava.
Pra resumir, ninguém acredita que eu seja realmente filha de Héstia. Eles sabem que de alguma forma não sou humana, afinal eu passei pela barreira, mas isso não quer dizer que acreditem em mim. O fato de eu não ter nenhum poder não me ajuda em nada. Uma semana treinando e eu não consegui nada! Nada de fogo, nem qualquer coisa que eu possa chamar de poder. Eu também estou com saudades do meu pai... Mas, pra ser otimista, nem tudo estava perdido. estava sempre comigo e eu passava bastante tempo com o Luke, afinal, ele era do mesmo chalé que eu e também é legal comigo, acho que nos tornamos amigos.
- Hey, , vem! Vai ter jogo da bandeira! – Disse Luke, aparecendo na porta e me chamando.
Suspirei, o jogo da bandeira é popular por aqui, mas eu não gosto muito dele. Pra jogar temos que meio que fingir estar em uma guerra, eu não gosto de guerras. Eu tinha acabado de voltar do treinamento com espadas, mas fazer o quê? Me levantei e segui pra onde acontecem os jogos. Luke já estava lá.
– Time azul hoje. – Disse ele, me entregando um capacete de gladiador com uns “pelos” com a cor correspondente e colocando o dele, da mesma cor.
- Tenho mesmo que jogar? – Perguntei, ajeitando a armadura que eu estava usando desde o treino, ele riu.
- É divertido, . – Neguei com a cabeça e prestei atenção nas instruções do professor. Não que eu quisesse jogar, meus planos eram ficar fora da briga, mas acabei mudando de ideia quando e Clarisse chegaram. Eu e os chamamos de “irmãos problema”. Desde o dia em que esbarrei com ele, insiste em me provocar, gosta de me chamar de humana, o que não me irritaria se eu realmente fosse só humana, mas eu não era e aquela palavra vinha sempre carregada de ironia, e era isso que sempre deixava aquilo tão chato. Clarisse acabou pegando gosto por me irritar também, quando não era ele quem enchia o saco, era ela. Se eu não fosse filha da deusa dos laços familiares, juro que já teria perdido qualquer compaixão e lhe acertado um tapa.
Mas, enfim, não tenho realmente vontade disso.
Assim que me viu, lançou um sorriso provocador. Seria estranho se eu dissesse que ele é o garoto mais bonito que já vi, mesmo sendo tão chato? Ele é alto, tem cabelos castanhos e bagunçados de um jeito que é um charme e, pra piorar, um sorriso matador, mas que coisa! E o pior, os olhos, são tão , intensos, e não mentiu quando disse que eles pegavam fogo quando ele fica nervoso. Na minha opinião, isso o deixa ainda mais lindo. Não sei se é por minha natureza associada ao fogo ou outra coisa, mas eu adorava quando os olhos dele queimavam!
Conheci filhos de Afrodite aqui, os olhos deles são como disse, enigmáticos, não da pra saber a cor, mas eu ainda gosto mais dos olhos do . não me pergunte porque, eu não sei responder...
Ele colocou um capacete do time vermelho. Ótimo! Ele é meu adversário! Nunca gostei de provocar ninguém nem nada, mas com ele posso abrir uma exceção. Agora eu não só queria participar do jogo. Eu queria ganhar!

...


A bandeira do time vermelho estava a uns dez passos a minha direita e eu estava escondida entre as árvores, esperando o momento de atacar. Ironicamente, ou não, quem estava guardando a bandeira era a Clarisse. Eu estava louca pra mostrar a ela que não sou uma completa inútil, apesar de nunca ter pegado em uma espada na vida, acabei descobrindo que tenho uma certa habilidade com elas. me disse que tem algo haver com eu ser semideusa, que seja, eu queria mesmo é pegar aquela bandeira! Caminhei cautelosamente até a bandeira e então ataquei. Clarisse deteve meu golpe sem muito esforço.
Ser filha do deus da guerra tem suas vantagens.
- Olha se não é a humana! – Disse ela, rindo. Me mantive calma, apesar de ela ser desagradável, eu nunca me irritei de verdade com ela, nem com o irmão, nem com ninguém na verdade, acho que faz parte de mim – Habilidosa, admito, mas precisa aprender muito se quiser me enfrentar. – Disse ela convencida, sorri.
- É o que vamos ver. – Falei, eu podia jurar ter ouvido uma voz dizer pra que eu relaxasse e assim eu fiz. Foi como se meu corpo assumisse o controle sozinho.
Comecei a lutar com uma perfeita técnica, nem dois minutos depois eu desarmei Clarisse. Ela me olhou com os típicos olhos pegando fogo, eu sorri vitoriosa e peguei a bandeira, voltando pra onde o jogo tinha começado. Ao me ver com a bandeira, Luke veio correndo e me deu um abraço, me tirando do chão.
– Eu ganhei mesmo? – Perguntei, incrédula, quando ele me soltou, ele riu.
- É claro que ganhou! Você é demais! – Disse ele, as pessoas que estavam na nossa equipe vieram me parabenizar enquanto os adversários me lançavam olhares feios. Isso me deixou um pouco inquieta, não gostava da raiva que via naqueles olhares...
Foi como se todos fizessem silêncio quando ouvimos palmas, olhei pro lado e lá estava , com seu sorriso irônico.
- Não é que ela sabe lutar? Tinha que saber, não é? Afinal, não tem poderes, nem se sabe de quem é filha... – Disse ele, enumerando nos dedos. O olhei, brava.
- Eu já disse que sou filha de Héstia. – Falei. Ele riu, e com aquilo foi como se alguém tivesse acendido o fogo em mim. Senti meu corpo queimar e Luke deu um pulo, se afastando de mim. Quando me dei conta, eu já estava pegando fogo. Algo em mim me dizia para estender a mão e sem pensar fiz isso. Assim que o fiz, uma chama cresceu na palma, queimando em cores diferentes, desde o habitual vermelho até o azul. Meus olhos queimavam, eu podia sentir.
- Você... Está pegando fogo? – Perguntou uma garota perto de mim.
- Ela é mesmo filha de Héstia... – Sussurrou alguém da equipe de . Como num passe de mágica meu fogo apagou. Eu entreguei a bandeira ao Luke e sai sem dizer mais nada.
A partir de hoje, ninguém mais duvidaria que eu sou mesmo filha de Héstia!


Capítulo 6


Mais uns dias se passaram desde o jogo da bandeira e as coisas mudaram. Realmente ninguém mais duvidava de mim, na verdade, agora o clima estava ótimo, eu estava realmente gostando do acampamento.
- Oi, filha de Héstia. O lugar está ocupado? – Já mencionei que, depois de provar não ser apenas humana, eu ganhei um novo apelido? Quando me virei, lá estava , me irritando como sempre. Para falar a verdade ele e Clarisse são os únicos que ainda implicam comigo.
Chato, não?
- Podemos almoçar em paz ou vossa chatice vai encher mesmo? – Disse bravo. Eu geralmente não ficava irritada de verdade com isso, mas não tinha minha natureza calma.
- Uau, que grosseria! – Disse Clarisse, chegando também, revirei os olhos – Se não querem nossa companhia, vamos procurar alguém mais simpático pra almoçar. – Disse ela rindo e puxou pra outra mesa.
- Esses dois estão acabando com minha paciência, qualquer dia desses vou deixar uma marca de casco no traseiro de cada um. – Disse , e comecei a rir.
- ! – O repreendi, ele riu e negou com a cabeça.
- É brincadeira, mas eles bem que merecem. – Disse ele. Neguei com a cabeça.
- Você é péssimo. – Falei, ainda rindo.
- Não pior que ele. – Disse ele – E aí? Aprendeu algo sobre mitologia na “aula do senhor Castellan”? – Perguntou ele.
- Sim, acho que agora sei qual é o nome de todos os deuses e suas funções. – Falei, dando de ombros. Faz um tempo que Luke está me ajudando com isso, quando cheguei não sabia quase nada. Agora sei o bastante, acho.
- Bom saber. – Disse – Mas saiba que eu preferia ter feito isso. – Disse ele, dei risada – E o que é?
- Você não está com ciúmes do Luke, está? Se estiver, fique sabendo que ele é só um amigo simpático, você é o cara que me salvou de um morcego gigante voador, não tem comparação, ok? – Ele riu.
- Só pra constar, era uma fúria. – Disse ele.
- Só pra constar, não me interessa o que era, só sei que era feia, muito feia. – Ele riu mais ainda.
- Você é inacreditável, sério! – Disse ele rindo, ri também. Por acaso era mentira? Aquela coisa era muito feia!

(...)


Depois de uns dias morando ao ar livre adquiri um hábito que gosto muito. Eu sempre saio pra olhar as estrelas. Às vezes, como hoje, até trago meu diário comigo pra escrever. Antes eu escrevia no meu quarto e bom... Antes eu também tinha um quarto só pra mim também, não que eu me importe de dividir com o pessoal, eles são legais, mas... Eu gosto de estar sozinha quando vou escrever. Eu estava dando a volta no chalé quando esbarrei com alguém.
- Nossa, desculpa. – Disse ele sem jeito, se abaixando pra pegar meu diário.
- Tudo bem, pode deixar... – Falei, pegando o mesmo antes dele, levantei os olhos pra ver quem era e não reconheci o garoto, achei aquilo estranho – Ahn... Desculpe, não me lembro de você aqui. – Falei, me levantando, ele coçou a nuca, sem graça.
- Sou Percy, sou novo aqui. – Falou ele, sorri e estendi a mão.
- Sou , mas me chama de . – Ele também sorriu e apertou minha mão.
- Estava indo aonde essa hora? – Perguntou.
- Eu gosto de olhar as estrelas, quer vir também? – Perguntei, ele assentiu, a gente foi até um canto mais reservado e sentou no chão – Você chegou quando? – Perguntei.
- Hoje, quero dizer antes de ontem ou... Sei lá, na verdade meu dia foi meio confuso... – Disse ele fazendo uma careta, comecei a rir.
- O meu primeiro dia aqui também foi.
- Você chegou há muito tempo? – Perguntou ele, neguei com a cabeça.
- Quase duas semanas. No começo é meio ruim, mas depois você se acostuma. – Dei de ombros – Está em que chalé? – Perguntei.
- De Poseidon. Na verdade, eu estava indo pra lá quando esbarrei em você. – Eu comecei a rir e ele me olhou confuso – Por que você tá rindo? - Nada, é que você é filho de um dos três antigos, eu não sabia que existiam filhos deles. – Ele riu também – Que tal a gente voltar? Eu não sinto frio, mas você meio que está tremendo. – Falei, ele riu outra vez.
- Boa ideia.

(...)


No dia seguinte, acordei me sentindo disposta. Talvez seja por que saber que tem outro novato no acampamento me faça me sentir menos observada. Mesmo estando no acampamento já há alguns dias, o pessoal ainda me trata como a novata. Claro, a maioria já está aqui há anos...
Me levantei e fui tomar café, peguei algumas frutas e encontrei . Ele estava conversando com outro sátiro.
- Bom dia, flor do dia! – Disse ele, me abraçando de lado – Essa daqui é a , a garota de quem eu estava falando. , esse é o Grover. – Disse, o outro sorriu.
- Oi, e eu realmente espero que esse bobo não tenha falado mal de mim. – Falei, olhando de canto de olho pro , ele riu.
- Eu nunca faria isso. – Eu dei risada, então eu vi o Luke me chamando pra sentar – Vou indo, prazer em te conhecer Grover. – Falei.
- O prazer é inteiramente meu. – Dei um sorriso e fui até o Luke.
- Saiu cedo hoje, quando eu levantei você já tinha saído. – Falei, sentando e colocando um prato com um pedaço de pão e frutas na mesa a minha frente.
- Estava treinando um pouco e eu não tenho culpa se você é dorminhoca. – Disse ele, piscando pra mim, comecei a rir – Hoje tem jogo da bandeira. – Disse ele, colocando uma uva na boca. Soltei um gemido de reprovação – O que é? Da outra vez você ganhou, não sei por que odiar tanto o jogo.
- Eu não gosto de briga nem de guerra, e é justamente isso que é o jogo da bandeira. – Falei, pegando um pedaço de pão e colocando na boca.
- Azar o seu, não abro mão de ter a garota em chamas na minha equipe. Da última vez você deixou todo mundo de boca aberta. – Dei risada.
- Azar o seu, não pretendo fazer aquilo de novo sem necessidade. – Falei, apontando pra ele. Admito que foi bom finalmente calar a boca de todos que falavam coisas pouco agradáveis pra mim, mas eu não pretendo fazer aquilo e me exibir de novo, até por que não foi tecnicamente eu, eu nem sei como fiz aquilo e, é claro, também tem o fato de eu não gostar muito de atenção...

(...)


Nós já estávamos devidamente vestidos e em equipe, esperando o jogo começar quando Quíron apresentou o Percy pro pessoal. - Aquele é o novato que você encontrou ontem? – Perguntou Luke (me lembrei de ter comentado algo sobre isso com ele ontem), assenti com a cabeça – Nós ficamos com ele. – Disse ele mais alto quando o professor disse que Percy precisava de uma equipe. Luke foi pra frente do grupo e pediu um daqueles “capacetes” da nossa equipe pro Percy, eu fui levar lá na frente, eu vi que ele estava meio nervoso.
- Hey, relaxa, é só deixar acontecer. – Falei, sorrindo pra ele.
- Escute os conselhos dela, ela ganhou um jogo há alguns dias e deixou todo mundo de boca aberta. Eu sou o Luke. – Disse ele, se apresentando.
- Vamos? – Falei, as equipes já estavam começando o jogo, nós entramos na floresta.
- Gente, eu não tenho ideia do que eu tô fazendo! – Disse Percy, dei risada.
- Só tenta não morrer. – Falei, ele fez cara de assustado e eu e Luke caímos na gargalhada, só não deu tempo de rir muito.
- Filhos de Ares! – Gritou Luke, alguns deles, incluindo , tinham nos cercado. Encostamos um nas costas do outro e começamos a lutar, mas pro meu azar eu não consegui manter a formação por muito tempo, me encurralou em um lugar um tanto distante dos outros.
- Filha de Héstia! – Disse ele, com sua típica ironia.
- Vai ficar aí ou vai acabar logo com isso? – Falei e girei a espada na mão, ele riu.
- Alguém já te disse que não se desafia um filho do deus da guerra? – Disse, assumindo posição de ataque, eu fiz o mesmo.
- Pensei que você já tinha aprendido a não me subestimar. – Falei, ele riu e começou a me atacar, eu defendi todos os ataques sem precisar de muito esforço, até que eu me distrai e ele me deu um empurrão. Eu bati as costas com força em uma árvore e acabei soltando minha espada. Ele me prendeu contra a árvore, colocando a espada dele no meu pescoço e a mão livre do lado da minha cabeça. Tentei empurrá-lo, não que eu tenha tido sucesso nisso.
- Merda, ! – Disse ele, se afastando de mim enquanto olhava o braço, estava com uma marca vermelha. Só então eu percebi que a minha mão, que estava no braço dele enquanto eu tentava me soltar, aqueceu e o queimou – Você já ouviu falar de luta limpa? Sem poderes! – Disse ele me olhando com raiva, os olhos queimando do jeito que eu já estava tão acostumada a ver. Eu me abaixei e peguei minha espada rapidamente, a erguendo na direção dele.
- Desculpa. – Falei rápida, eu estava me sentindo meio culpada, eu não queria ter machucado ele de verdade, os olhos dele queimaram com mais intensidade e ele começou a me atacar com fúria. Posso até não ser filha de Atena, mas entendo o suficiente de estratégia pra saber que aquele foi o erro dele, o fato é, ele estava me atacando com raiva, tentando me acertar de qualquer jeito, ou seja, ele estava tão concentrado nisso que estava deixando aberturas pra que eu o atacasse e foi o que eu fiz. Lhe dei um chute no estômago e em seguida peguei a mão dele que estava com a espada e acertei com o meu joelho, o desarmando. A peguei e coloquei as duas lâminas como se fossem uma tesoura no pescoço dele, que me olhou surpreso – Touché. – Falei, sorrindo vitoriosa, ele sorriu de lado.
- Isso não é esgrima. – Falou ele, tirei as espadas de seu pescoço.
- Quem liga? – Perguntei, lhe estendendo uma pra que ele pegasse e assim ele fez. Eu me virei pra ir embora e ele bateu com a lâmina na minha bunda, dei um pulinho e olhei pra ele com as bochechas ardendo de vergonha, ele deu risada.
- Lição número um, filha de Héstia: nunca devolva a arma para o seu inimigo depois de derrotá-lo. – Eu ia revidar quando escutei uns gritos de perto do lago, corri pra lá e vi que Percy estava caído perto do mesmo, vários da equipe vermelha estavam comemorando, Annabeth estava do lado dele. Não acredito que essa metida o derrubou, fala sério! Não acredito nisso!
- Não acredito nisso! – Dei voz ao meu pensamento, Luke apareceu ao meu lado.
- Pois é, parece que o novato perdeu. – Eu dei um tapa no braço dele, que riu, Percy começou a ir pra perto da água – O que ele está fazendo? – Perguntou Luke, fiz sinal pra que ele ficasse quieto, Percy se levantou e derrubou um por um da equipe vermelha, derrotando Annabeth por último, então ele passou por ela e pegou a bandeira. Eu corri até lá.
- Você ganhou! – Falei, lhe dando um abraço, a equipe ficou numa comemoração só, era a segunda vez consecutiva que a equipe azul ganhava.
- Sempre que tiverem novatos, eles vão ser da nossa equipe, parecem amuletos da sorte! – Disse Luke e eu dei risada, talvez sejamos mesmo amuletos da sorte, ou talvez esse seja o jogo perfeito pra mostrar nossos poderes. Talvez eu não odeie tanto assim o jogo da bandeira. Talvez...


Continua...



Nota das Autoras (30/05/2017): Olá semideusas! Bom, queríamos principalmente pedir desculpas por demorarmos tanto pra atualizar a fic, acontece que no começo do mês o celular da Ranny foi roubado e, infelizmente como é ela quem escreve a fic acabamos perdendo o arquivo de vários capítulos, daí tivemos que correr atrás do prejuízo, mas o que importa é que já estamos de volta e prometemos não sumir mais ok? Até a próxima! Beijocas da Carol e da Ranny!

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