FFOBS — Forbidden Attraction, por Debs

Última atualização: 01/07/2018

Capítulo 1

Assim que estacionou o carro, eu já conseguia sentir meu coração palpitar acompanhando as batidas da música alta que tocava. O lugar estava bem cheio. Vários carros parados por ali, mulheres dançando nas traseiras das caminhonetes, outras grudadas com alguns dos corredores, enormes caixas de sons espalhadas. Tudo parecia cena de Velozes e Furiosos.
— Isso é incrível. — falei admirada assim que desci do carro.
— Sentiu saudades, maninha? — se escorou no teto do carro, enquanto me olhava com um sorrisinho nos lábios.
— Você nem imagina o quanto. — lhe retribui o sorriso — Eu quero participar de uma corrida. — fechei a porta, e dei a volta indo até ele.
— Não mesmo. — negou com a cabeça — Você tem ideia do quanto é perigoso? — olhou para a pista e em seguida, para mim — Se acontecer alguma coisa com você, o nosso pai me mata. — riu de escárnio e eu bufei.
— Só pra vocês dois saberem... — fiz uma pausa, parando em sua frente — Eu não sou mais aquela menininha que ele mandou pra um internato na Austrália. — balancei a cabeça negativamente.
— Você não devia nem estar aqui comigo, só pra começar. — arqueou a sobrancelha e fechou a porta do seu lado no carro — Você é a garota prodígio da família, qualquer arranhão que tiver, a culpa será minha. — me olhou seriamente — Então não, você não vai correr. — negou com a cabeça e mais uma vez eu bufei — Agora eu preciso fazer minhas apostas, contra o . — tirou três maços de dinheiro do bolso, e deu um sorrisinho convencido.
— Tomara que ele ganhe de você. — cruzei os braços mantendo meu olhar nele, e ele riu debochadamente.
— Sabe a quantas corridas eu estou invicto? — falou com um sorrisinho convencido — Cinco corridas... Cinco corridas que o não ganha de mim. — riu com vontade e eu revirei os olhos — E não vai ser hoje que isso vai mudar. — negou com a cabeça.
— Cuidado maninho, seu ego tá tão alto que você pode cair e quebrar a cara. — dei um sorrisinho irônico e saí andando na direção oposta onde ele estava, mas pude ouvir sua risada de longe.
— Também te amo, irmãzinha. — falou alto para que eu pudesse ouvir, e mais uma vez eu rolei os olhos continuando a andar.
Era um saco essa história dele querer me tratar como criança. Eu já havia crescido o suficiente pra fazer o que eu bem entendesse, mas o e o meu pai, não enxergavam isso. Para eles, eu sempre seria a garotinha de 12 anos, que depois de perder a mãe, foi mandada para um internato na Austrália.
Aproximei-me da pequena tenda de bebidas que havia ali, e quando as pessoas começaram a se afastar, eu me escorei no balcão, e logo uma mulher ruiva, com mais ou menos, 25 anos, veio me atender.
— Posso ajudar? — me olhou, ao parar em minha frente do outro lado do balcão.
— Eu quero uma cerveja. — a olhei, e ela assentiu esticando a mão para que eu lhe desse a minha identidade — Sério? — perguntei incrédula, já que aquilo era um racha, acontecendo no meio de Londres.
— Muito sério. — deu um sorriso, um tanto quanto forçado e eu balancei a cabeça lhe entregando minha identidade — Sinto muito, não posso te vender bebidas alcoólicas. — me entregou novamente meu documento.
— Você não vai me vender bebidas alcoólicas por eu não ter 21, mas acha normal eu estar em um racha? — falei indignada com tudo aquilo, e ela riu.
— Não é pela sua idade, é por ser quem você é. — balançou a cabeça, e focou seu olhar em um ponto atrás de mim, e eu logo tratei de olhar também, vendo o conversando com alguns homens, perto de um carro azul, que no momento eu não lembrava o nome — O deixou avisado que não podíamos vender bebidas alcoólicas para você. — voltou a me olhar e eu bufei mais uma vez naquela noite.
— É claro que ele fez isso. — ri sem humor, e me afastei da tenda sem conseguir comprar bebida alguma, já que a mulher não queria me vender, e me encostei-me a uma caixa de som a poucos centímetros dali.
— Um energético, e uma cerveja, por favor. — ouvi uma voz masculina dizer, e desviei meu olhar para onde vinha à voz.
Ele tinha os cabelos castanhos, e estava um pouco grande, caindo nos olhos. A pele morena, e uma barba rala, que contrastava perfeitamente com o castanho dos seus olhos, que estava iluminado com a luz do farol de um carro um pouco mais a frente.
Pude notar que ele também me olhava, com um sorrisinho um tanto quanto cafajeste nos lábios, e acabei rindo com aquilo e desviando meu olhar para a pista onde havia acabado de começar uma corrida.
Observei um dos carros ultrapassar, e o carro de trás nem se esforçar para passar de volta. Mas o que ela estava fazendo?
— Ela não vai ganhar assim. — falei para mim mesma, enquanto olhava a segunda corredora se manter em segunda posição.
— Ah ela vai sim. — pude ouvir a voz rouca do mesmo homem de antes, agora mais perto de mim e o olhei com a sobrancelha arqueada — Ela vai ultrapassar nos últimos segundos de corrida. — parou ao meu lado, olhando para a pista.
— E como você pode ter tanta certeza? — arqueei a sobrancelha, e ele deu ombros, como se aquilo não importasse — Eu aposto que se continuar assim, ela não vence. — voltei meu olhar à pista.
— Você quer apostar mesmo? — ele soltou uma risada nasalada, e eu voltei a olhá-lo, a tempo de vê-lo virar a latinha de energético na boca de uma forma bastante sexy.
— Por que não? — sustentei seu olhar, e ele passou a língua pelos lábios após acabar de beber, me fazendo morder meu lábio inferior com aquele gesto.
— E o que você quer apostar? — desviou seu olhar para meus lábios sem nenhuma descrição, e bebeu mais um gole do seu energético.
— Se ela perder, como eu acho que vai acontecer... — olhei para a pista por alguns segundos, antes de continuar — Você me ajuda a entrar numa corrida. — voltei meu olhar a ele, e ele concordou com a cabeça.
— E se ela ganhar? — arqueou a sobrancelha, mantendo seu olhar em mim.
— Você escolhe. — dou ombros.
— Um beijo. — falou como quem não queria nada, e voltou seu olhar para a pista — Se ela ganhar, eu quero um beijo de boa sorte. — deu um sorriso de canto, e voltou a me olhar em seguida.
— Tudo bem. — concordei com a cabeça e estendi minha mão para ele, que logo apertou.
Voltamos nosso olhar para a pista, vendo que a corrida já praticamente no final, e no último minuto, a segunda colocada acelerou de uma vez, se tornando então, a primeira.
— E a vencedora, é . — um dos homens falou no microfone, e ela logo parou o carro em frente onde todos estavam, e ao sair do mesmo, todos gritaram enquanto a mesma tinha um sorriso nos lábios.
— Parece que eu perdi. — voltei meu olhar ao homem ao meu lado, e ele sorriu vitorioso.
Antes de ele pensar em falar algo, eu me aproximei e lhe beijei. Era um beijo calmo, sem nenhuma pressa, e que eu comandei todo o tempo. Sua boca tinha um gosto de menta, com nicotina, provavelmente porque ele fumava, e até mesmo um pouco do gosto adocicado do energético.
Afastei-me, puxando seu lábio inferior entre os dentes, e deixei meu olhar pairar sobre o seu.
— Boa sorte. — finalmente me afastei o vendo sorrir e me estender a garrafa de cerveja.
— Não conta pra ninguém, que fui eu quem te dei. — colocou o indicador sobre os lábios, e eu sorri dessa vez, o vendo se afastar.
Eu queria muito ter ganhado aquela aposta, assim poderia correr, mas não foi de todo mal que ele ganhasse. Afinal, eu havia acabado de beijar o homem mais sexy que eu havia visto na minha vida.
Fiquei por mais algum tempo ali encostada na caixa de som, bebericando minha cerveja, enquanto olhava as corridas que aconteciam. Toda aquela adrenalina me empolgava, e eu não sabia decifrar o quanto. Porém, eu queria estar na pista, não ali só observando.
Eu queria correr. Sentir aquela adrenalina na veia. Mas com o fato de todos ali conhecerem o , ninguém me deixaria correr de forma alguma, já que ele provavelmente havia deixado um aviso me proibindo daquilo também.
— E agora a última corrida da noite... — o mesmo homem de todas as outras vezes falou, chamando a atenção de todos — E a corrida mais esperada por todos também. — soltou uma risada nasalada — Mais uma vez, correndo em seu Nissan Skyline GT-R, o nosso vencedor invicto por cinco rodadas... . — assim que ele falou o nome do meu irmão, a multidão foi à loucura e até eu acabei gritando com aquilo, enquanto me livrava do copo e entrava no meio da multidão para conseguir ver melhor — E em seu Dodge Charger, fazendo sempre um tempo maravilhoso... . — e mais uma vez a multidão foi à loucura, e com o olhar eu procurei por ele, curiosa em saber como era o grande rival do meu irmão, mas só consegui ver seu braço estendido pra fora da janela do carro — Nossa maravilhosa Scarlett, vai dar a largada. — apontou para a mulher, que vestia um vestido de oncinha um tanto quanto curto, tinha os cabelos loiros e segurava um sutiã em mãos.
— Preparar... — ela disse e já pôde ser ouvido o ronco dos motores — Apontar... — ela balançou o sutiã de cima para baixo, enquanto todos gritavam — VAI! — gritou e logo os dois deram a partida desesperados pela liderança.
logo saiu na frente e acelerou pegando uma boa distância do tal , mas que logo estava na cola dele, o fazendo ir de um lado para o outro na pista, para que não fosse ultrapassado. Como na corrida da garota, não estava nem um pouco preocupado em acelerar, parecia nem querer ganhar.
Faltavam vinte metros para a linha de chegada, quando foi ultrapassado. E com um liberar de nitro nos últimos segundos, venceu a corrida e deixou a multidão bem agitada.
havia perdido.
Assim que os dois carros pararam próximos ao palanque, desceu do carro e pela sua cara, ele estava claramente frustrado com aquela derrota. Andei até ele, enquanto a multidão rodeava o Dodge preto em bastante alvoroço.
— Parece que você não está mais invicto, irmãozinho. — falei em tom debochado ao me aproximar dele.
— Parece que sua praga deu certo. — falou com ironia, e eu quis rir verdadeiramente daquilo, mas eu ainda era uma boa irmã, não faria aquilo.
— Não se preocupa, . — segurei em seu ombro — A próxima você ganha. — baguncei seu cabelo, e com a cara que ele olhou eu me afastei dois passos para trás, pois ele estava realmente bem puto com aquilo.
. — aquela voz rouca chamou não só a minha atenção, como também a de , e nós olhamos para a direção de onde vinha — Como foi beijar a minha traseira? — ele falou debochado, se aproximando de nós.
Aquele era o ?
Eu havia beijado o maior rival do meu irmão?
— Você tá feliz não é, ? — parou em sua frente, enquanto um encarava o outro — Pelo menos uma vez na vida conseguiu ganhar uma corrida. — riu com deboche, mas o outro não se deixou abalar, e manteve o sorrisinho nos lábios.
— Essa foi só a primeira de todas as outras vitórias que eu terei sobre você. — seu sorriso aumentou ainda mais quando ele bateu seu olhar em mim, pouco atrás de — Alguma coisa me deu muita sorte hoje. — falou com o olhar fixo em mim, mas eu mantive meu tom sério, ou caso visse aquilo, nós dois estaríamos mortos.
— Cuidado, você tá acostumado com o segundo lugar, logo volta pra lá. — retribuiu a alfinetada, sem nem ao menos notar minha troca de olhares com seu rival.
— Aproveita a posição, . — manteve o tom de deboche e passou por vindo em minha direção.
Meu corpo estremeceu por alguns segundos, se ele parasse, ou soltasse alguma piadinha ali, aquilo podia se tornar bem sério. Mas para minha sorte, ele só sorriu e me mandou uma piscadela, seguindo para o palanque onde pegou seu prêmio.
, vamos pra casa. — falou enfurecido e logo entrou no carro batendo a porta.
Mantive-me alguns segundos parada, sem saber se olhava para o carro de , o para segurando alguns maços de dinheiro em mãos, enquanto era parabenizado por várias pessoas ali, mas a buzina alta de , soou nos meus ouvidos, me fazendo ir logo até o carro e entrar para que pudéssemos sair dali.
Eu esperava que tudo o que aconteceu naquela noite ficasse em segredo, caso contrário, eu nem conseguiria imaginar o que poderia fazer se descobrisse que eu havia beijado .

Havia se passado uma semana desde a corrida, e toda aquela história do beijo com o tal , não me saía da cabeça.
Pra minha sorte, não havia percebido nada. E do jeito que ele era avoado, aquilo não era nenhuma novidade. Só que em todas as conversas que ele tinha comigo, o acabava surgindo no assunto, e eu acabava desfocando da conversa, pois só conseguia pensar no bendito beijo.
Aquele gosto do cigarro, que mesmo eu não gostando, fazia o beijo dele ser ainda melhor, misturado com o gosto de menta, de um provável chiclete que ele havia mascado antes, o jeito com que sua língua se movia...
, o nosso pai... — falou entrando em meu quarto, e eu o olhei, sem entender nenhuma palavra que ele havia dito.
— O quê? — balancei a cabeça, tentando voltar meus pensamentos onde deveria, e ele fez uma careta.
— O nosso pai, perguntou se pode mandar trazer o vestido para o seu quarto? — repetiu a pergunta que provavelmente havia feito antes, e eu apenas assenti com a cabeça, e ele se manteve parado ali me olhando — O que tá acontecendo com você? — se sentou na beira da minha cama, e eu arqueei a sobrancelha em confusão — Você anda muito distraída ultimamente, parece que tá até em outro planeta. — riu da sua piada, e eu fiz uma careta.
— Não é nada, tava só pensando em umas coisas da empresa. — neguei com a cabeça, e dei ombros em seguida.
— Você ainda tá brava comigo, por eu não ter te deixado correr não é? — jogou seu corpo para trás, se deitando na minha cama e se virou para me olhar.
— Nem tudo gira em torno de você, . — revirei os olhos e me levantei da cama, andando até a varanda do meu quarto, e me encostando no parapeito e olhando a vista que eu tinha do jardim.
— Por que você não consegue entender que eu só faço isso pro seu bem? — veio atrás de mim — Tem ideia de como tudo seria se algo acontecesse com você? — parou ao meu lado — Foi horrível ver você indo pra Austrália, enquanto eu tinha que ficar aqui sabendo que era tudo por minha causa. — balançou a cabeça negativamente — Tudo foi por minha culpa. — suspirou.
— Nada foi por sua culpa, . — me virei para ele — Nem a morte da mamãe, ou o fato de eu ter ido para Austrália. — neguei com a cabeça — Para de se culpar por isso. — me aproximei dele e segurei suas mãos.
— Se eu não tivesse saído aquele dia, nada disso teria acontecido. — balançou a cabeça e fechou os olhos.
— Não vamos falar disso agora. — puxei para um abraço, e acariciei suas costas — Eu não consigo ficar brava com você de qualquer jeito. — falei baixo e dei um pequeno sorriso.
— Eu sei que não. — falou convencido e eu ri sendo acompanhada por ele.
— Você é ridículo. — me afastei dele ainda rindo e ele deu ombros — Agora sai do meu quarto, porque eu quero dormir um pouco antes dessa festa. — voltei para o quarto, indo o empurrando até a porta.
— Juro que vou descolar alguma bebida pra você, sem que o nosso pai saiba. — deu uma piscadela e saiu do meu quarto, me fazendo rir ao fechar a porta.
Voltei para a minha cama, e deitei na mesma abraçando um travesseiro e fechando os olhos, e acabei voltando a pensar em .
Por um momento antes de adormecer, pude sentir novamente seus lábios tocarem os meus, como se ele estivesse ali.

Acordei por volta das 6pm, e fui direto para o banheiro, já que a festa era às 8pm, e eu precisava me arrumar. Despi-me, e deixei as roupas no cesto, e fui para o box. Liguei o chuveiro, e entrei debaixo da água, começando a tomar um banho morno.
Fiquei um bom tempo ali no banheiro, fazendo a maior hora pra sair da água, que estava tão boa, mas depois de perceber que estava demorando demais, desliguei o chuveiro e me vesti com um roupão, e coloquei uma toalha sobre os cabelos, para que não saíssem molhando todo o meu quarto.
Saí do banheiro e fui direto para a minha penteadeira, me sentando na cadeira em frente à mesma. Soltei a toalha dos cabelos, os deixando cair sobre meus ombros, e depois de passar um pouco de creme para pentear, comecei a desembaraçá-lo. Fiquei ali por mais ou menos, dez minutos desembaraçando meus cabelos, e assim que acabei liguei o secador na tomada, para secá-lo.
Depois de secar todo o cabelo, o prendendo em um coque. Comecei a me maquiar, e finalizei com um olho menos marcado, deixando mais destacado meus cílios, e nos lábios um batom vermelho.
Fui até o meu closet, e peguei apenas a calcinha de uma das minhas lingeries, e a vesti, já que o vestido não era usado com sutiã. Passei hidratante por todo o corpo, e voltei para o quarto, pegando o vestido sobre a poltrona. Abri a capa que o cobria, e o tirei dali, o vestindo em seguida.
Parei em frente ao espelho, para ver se estava tudo arrumado no vestido e assim que confirmei fui calçar meus sapatos.
Depois de devidamente vestida, coloquei alguns acessórios e passei perfume. Peguei a minha bolsa na qual já havia arrumado anteriormente, e peguei o meu celular que estava no carregador e o batom sobre a penteadeira. Os coloquei na bolsa, e em seguida saí do quarto.
Desci as escadas, segurando no corrimão e com a outra mão eu segurava o vestido, para que não corresse o risco de que eu pisasse e causasse algum acidente. Logo que cheguei à sala, pude avistar meu pai e , já bem trajados em seus smokings.
— Estou pronta. — falei chamando suas atenções, e logo os dois olharam para mim.
— Nada mal, maninha. — me olhou e sorriu enquanto se levantava.
— Gostou? Foi a personal stylist do papai que escolheu. — dei uma voltinha para que ele pudesse ver todo o vestido — Porque vamos confessar que sem ela o papai seria bem brega. — voltei a olhá-los e segurou um riso.
— Foi você que escolheu o vestido, . — a voz grave de meu pai soou sem nenhum humor, e eu tive que segurar a risada como .
— Por isso mesmo. — dei ombros e finalmente soltou a risada que prendia, e eu acabei por fazer o mesmo, enquanto meu pai fechou ainda mais a cara.
— Vamos embora logo. — ele falou ainda bravo e saiu andando em direção à porta, eu e nos entreolhamos e rimos mais uma vez.
— Você sempre arranja um motivo pra provocar ele né? — falou, enquanto eu entrelaçava meu braço ao seu e saiamos atrás do nosso pai.
— Ele que me aguente. — dei ombros, e ele riu negando com a cabeça.
Assim que entramos no carro, meu pai foi na frente com o motorista e eu e atrás, então ele logo deu a partida.
O clube no qual seria a festa, ficava apenas a 20 minutos de nossa casa, por isso não demoramos muito a chegar.
Logo que descemos do carro, pude ver várias pessoas bem vestidas entrando no local. Várias mulheres expondo suas joias caras em seus pescoços, orelhas e braços. E os homens mostrando seus carros recém-lançados.
Mantive meu braço entrelaçado ao de , e entramos logo atrás do meu pai que por onde passava alguém o conhecia. As pessoas que sabiam quem éramos me olhavam com um misto de confusão e curiosidade, e não era nenhuma surpresa pra mim, já que eu passei sete anos sem frequentar festas como essa com o meu pai e meu irmão.
— Mark, que bom que você veio. — uma senhora de mais ou menos uns 60 anos, se aproximou de meu pai sorridente.
— Eu não poderia deixar de vir prestigiá—la Abigail. — ele falou em um tom amigável, que ele costumava sempre usar nesses eventos — Esse seu novo clube está deslumbrante. — olhou em volta e sorriu, já eu fui obrigada a segurar a minha careta.
— Obrigada, Mark. — ela retribuiu o sorriso, e voltou seu olhar para mim e para , você fica cada dia mais bonito, mais parecido com o seu pai. — ela se aproximou de , que a abraçou carinhosamente.
— A senhora que fica mais bonita e elegante a cada ano que passa. — usou o mesmo tom que nosso pai, e eu olhei sem entender.
Desde quando ele havia se tornado tão educado?
— Você, um cavalheiro como sempre. — ela deu um sorriso envergonhado e sorriu de volta — E você é a pequena . — ela me olhou e sorriu calorosamente.
. — a corrigi, mas não sem receber um olhar repreendedor do meu pai. Eu não era nenhuma pequena , eu tinha nome oras. — É um prazer conhecer a senhora. — sorri tentando disfarçar o mau jeito de antes, só por causa do meu pai, e ela me abraçou sem nem ao menos ligar para meus modos.
— Da última vez que eu te vi, você ainda era uma garotinha. — desfez o abraço para me olhar, ainda mantendo o sorriso nos lábios — Olha pra você agora. — segurou a minha mão, me fazendo girar — Está uma bela mulher. — sorriu e eu fiz o mesmo.
— Obrigada. — ela balançou levemente a cabeça, mantendo o sorriso, que eu não conseguia entender como ela conseguia mantê—lo por tanto tempo — E esse é um maravilhoso Carolina Herrera. — olhei para o seu vestido, que era realmente muito bonito.
— Quando quiser algum modelo dela, ou qualquer outro estilista, é só me procurar. — sorriu descendo seu olhar para o vestido azul marinho, no qual usava.
Assenti com a cabeça e sorri verdadeiramente dessa vez, já que ela havia se mostrado não ser tão chata como parecida, e o meu pai se deu por satisfeito quando ela se afastou.
— Aproveitem a festa, que eu vou falar alguns conhecidos. — meu pai nos olhou, e saiu em direção a uma roda de homens, que eu suponhava serem seus conhecidos.
— O que se tem para fazer, num lugar como esse? — olhei para , e ele riu brevemente.
— Você eu não sei, mas eu tenho muito que fazer. — pegou duas taças de champanhe na bandeja do garçom que passavam, e me entregou uma delas — Só pra você não falar que eu não cumpri com o combinado. — deu uma piscadela e começou a se afastar.
, aonde você vai? — fui atrás dele andando rápido para alcançá-lo e ele se virou para mim.
— Conhecer pessoas novas. — bebeu um gole do champanhe e voltou a andar, mas parou dois passos depois — Ou melhor... Mulheres novas. — deu um sorriso bem típico de e voltou a seguir seu caminho, me deixando ali sozinha.
Bufei olhando em volta, e virei todo o conteúdo da taça em minha mão, a trocando por uma cheia com o garçom que passava a minha frente.
Segurei o vestido com a mesma mão que segurava a bolsa, e mantive a taça de champanhe em minha mão. Fui andando pelo clube, a procura de um lugar onde não tivesse muita gente e que eu pudesse me sentar.
Não tinha muito que eu fazer naquela festa, afinal de contas, as duas únicas pessoas que eu conhecia, me deixaram sozinha no meio de várias pessoas desconhecidas.
Esqueceram-se de que eu havia acabado de voltar de sete anos morando em outro país.
Parei atrás de uma árvore, observando a vista que o clube tinha. Dava pra ver um pouco de Londres bem iluminada, e até mesmo uma parte do Hyde Park. Era realmente uma bela vista.
— A festa é para o outro lado, você sabe não é? — pude ouvir aquela voz rouca na qual eu só conseguia pensar nos últimos dias.
— Só que aqui está bem mais interessante. — ri pelo nariz, e o vi bem vestido em seu smoking— Aqui é o último lugar que eu esperava te encontrar. — beberiquei a meu champanhe.
— Por que isso te deixa tão surpresa? — arqueou a sobrancelha, mas manteve o tom amigável na voz.
— Você não me parece ser do tipo que frequenta lugares assim. — dei ombros, e ele acabou rindo com aquilo.
— Acredite, eu queria muito não ser desse tipo. — balançou a cabeça negativamente — Mas a família me obriga a participar de eventos como esse. — fez uma careta, e eu me vi obrigada a concordar.
— A dona da festa, acho que é Abigail... — pensei um pouco, mas dei ombros ao perceber que não lembrava ao certo se era aquilo mesmo — Ela é meio exagerada. Pelo que eu entendi, não é a primeira festa desse tipo dada por ela. — bebi mais um pouco do champanhe — Não vejo qual a necessidade de fazer uma festa dessa o tempo todo. — reviro os olhos.
— A dona da festa... — fez uma pausa e me olhou — Ela é minha avó. — eu não sabia como lidar com as minhas bochechas vermelhas, e meu sorriso sem graça, então acabei por virar o resto do champanhe em minha taça.
— Desculpa, eu não sabia. — falei um pouco baixo e acuada, e ele simplesmente riu.
— Ela é mesmo exagerada. — balançou a cabeça e riu — Mas tem uma parte boa nesses eventos... — eu balancei a cabeça para que ele continuasse, e ele tirou uma garrafa de champanhe de dentro do paletó do smoking — Bebida grátis. — olhou para a garrafa e pra mim em seguida.
— Não me surpreende você está com uma garrafa de champanhe, já que a festa é da sua avó, mas como você conseguiu pegar isso na cozinha? — fiz uma careta, e ele riu tirando lacre dourado da garrafa, enquanto tentava equilibrar a sua taça, na outra mão.
— Eu entrei lá, peguei e saí. — deu ombros enrolando o papel em uma bolinha e o jogando próximo a uma árvore — Na verdade, eu só fiz isso depois que vi você se afastar da festa e vim pra cá só com uma taça. — me olhou, e sorriu.
— Você sabe que não vai me conquistar com uma garrafa de champanhe, não é? — me aproximei dele pegando sua taça, para que ele conseguisse abrir a garrafa, e mantive o tom humorado na voz.
— Eu não preciso disso pra te conquistar. — manteve o mesmo tom que eu havia usado — Porque eu tenho outros métodos pra isso. — deu ombros, e logo abriu a champanhe acabando por fazer um leve estouro.
— Espero que sejam bons, porque não é fácil me conquistar. — arqueei a sobrancelha de uma forma desafiadora, e ele sustentou meu olhar, enquanto servia a champanhe em nossas taças.
— Nunca esperei que fosse. — arqueou a sobrancelha no mesmo gesto que eu havia feito, e sorriu.
Sustentei seu olhar por mais algum tempo, até que nós dois acabamos rindo daquilo.
Ele tirou seu paletó e o abriu no chão, se sentando sobre o mesmo, e logo depois bateu a mão no espaço ao seu lado para que eu fizesse o mesmo, e assim eu fiz.
— Eu não pude te parabenizar por ter ganhado a corrida. — o olhei, enquanto bebericava meu champanhe — Você foi mesmo muito bom. — ele sorriu e balançou com a cabeça.
— Seu beijo de boa sorte funcionou. — subiu seu olhar para mim, e bebeu um longo gole do champanhe, fazendo com que eu sorrisse dessa vez — Quem não ficou muito feliz foi seu irmão. — eu acabei por rir.
— Ele não ficou nada feliz. — balancei a cabeça e ele riu dessa vez — Ele foi emburrado até em casa, enquanto eu tive que me segurar pra não soltar alguma piadinha sobre aquilo. — bebi um pouco de champanhe, e ri em seguida — Ainda mais que antes da corrida, ele estava se vangloriando por ter ganhado cinco vezes seguida de você. — revirei os olhos e ele riu fracamente dessa vez.
— Esse é o grande problema dele. — acabou com todo o conteúdo de sua taça — Ele se acha muito quando vence, e quando perde fica todo bravinho. — riu pelo nariz, e serviu mais champanhe em nossos copos, mesmo sem que eu acabasse.
— Ele sempre foi assim, desde criança. — bebi um longo gole do champanhe — Mas ele não faz por mal. — balancei a cabeça e ele concordou ficando em silêncio em seguida.
Desviei meu olhar dele, para a vista em nossa frente, e ele fez o mesmo, pois eu conseguia ver pelo canto do olho. Uma brisa acabou por bater, e logo eu senti seu perfume maravilhoso entrar pelas minhas narinas, e fechei os olhos suspirando em seguida.
— Obrigada por não ter contado a ele sobre nosso beijo. — falei depois de algum tempo, enquanto arrumava uma mecha do meu cabelo, que havia se soltado com o vento.
— Se eu tivesse contado ele brigaria comigo, e com você também. — parou seu olhar em meu rosto — E eu não deixaria isso acontecer. — negou com a cabeça.
— E por falar nisso... — fiz uma pausa e o olhei — Por que você não me falou quem você era? — arqueei a sobrancelha.
— Porque você não perguntou. — deu ombros e riu pelo nariz.
— Mas você sabia quem eu era? — semicerrei os olhos em sua direção, e ele riu desviando o olhar.
— Eu ouvi a moça das bebidas falando, e todo mundo já tava sabendo que a irmã do tava ali com ele. — voltou a me olhar, como se aquilo não importasse.
— E ainda sim, você deixou tudo aquilo acontecer? — perguntei indignada e mais uma vez ele riu.
— Eu só ia te entregar a bebida, mas você quis apostar comigo, e quando perdeu não me deu tempo de falar nada porque me beijou. — deu ombros, e eu me vi obrigada a concordar.
— Por falar em aposta... — fiz uma pausa acabando de beber a meu champanhe — Como você sabia o que ela iria fazer para ganhar? — peguei a garrafa, enchendo novamente nossas taças.
— Ela é da minha equipe. — riu baixo — Essa é uma técnica que a usa há muito tempo, e ela é realmente muito boa. — sorriu.
— Ela é incrível. — retribui o sorriso e ele concordou.
— Todos na minha equipe são. — falou orgulhoso e eu não pude deixar de alargar meu sorriso com aquilo — Inclusive... — me olhou — Você ainda quer correr? — bebeu um gole da sua bebida.
— Eu sempre quero correr, mas o não deixa, e parece que todo mundo lá escuta ele. — revirei os olhos e bufei.
— Eu não o escuto. — deu ombros — Posso te conseguir uma corrida, se quiser. — voltou seu olhar para a vista em nossa frente.
— Você tá falando sério? — mantive meu olhar nele que concordou com a cabeça.
— Eu te coloco como uma nova corredora da minha equipe, ninguém precisa saber que é você. — me olhou sugestivo e eu sorri.
— E eu poderia te beijar agora. — falei empolgada, e ele arqueou a sobrancelha com um sorrisinho nos lábios.
— Não tenho nenhuma objeção. — balançou a cabeça e eu ri com aquilo o empurrando de leve o fazendo rir junto.
— E quando eu vou poder correr? — voltei à empolgação de antes.
— Amanhã mesmo. — bebeu o resto do champanhe em seu copo, mais uma vez, e acabou de virar o resto da bebida em nossas taças — É só você procurar por quando chegar, e ele vai te informar tudo. — eu assenti com a cabeça.
— E por que não você? — falei confusa e ele balançou a cabeça.
— Porque seria muito mais fácil do seu irmão descobrir. — falou com obviedade e eu concordei.
— Então eu procuro por . — repeti o que ele havia falado sentindo meu celular vibrar na bolsa e o peguei para olhar, vendo que era uma mensagem de , dizendo que já estávamos indo embora — Preciso ir. — acabei a minha champanhe e me levantei — A gente se vê amanhã então. — o olhei e ele sorriu em concordância.
— Você conseguiu tornar essa festa menos chata que todas as outras. — se levantou também, pegando seu paletó no chão e o limpando, enquanto eu sorria.
— Posso dizer o mesmo. — lhe dei um beijo na bochecha que acabou pegando no canto de sua boca, mas nenhum de nós se importou com aquilo — Nos vemos na corrida. — saí em direção à festa novamente.
— Nos vemos na corrida. — pude ouvi-lo repetir com a voz mais distante, e sorri.
Eu já conseguia sentir a adrenalina percorrer o meu corpo, só em passar nessa corrida.
Assim que entramos no carro, e o motorista deu a partida, meu pai se virou para trás com uma cara nada feliz.
— Por onde você andou durante toda a noite? — falou para mim, com um tom claramente repreensivo.
— Aproveitando a festa. — dei ombros e me virei para a janela, olhando as ruas de Londres passarem como um borrão.
— Tinha algumas pessoas que eu queria que você conhecesse. — manteve o seu tom, e eu me limitei a revirar os olhos, já que ele não podia ver o meu rosto.
— Foi você que mandou a gente aproveitar a festa e saiu pra um lado, não venha me culpar por nada agora. — falei sem nem ao menos me dar ao trabalho de olhá-lo.
Ele manteve seu olhar em mim por alguns segundos, mas logo voltou a se virar para frente, passando o resto do caminho em silêncio. também não falou nada, pois pela sua cara aprontou alguma durante a festa, e qualquer resposta errada poderia sobrar para ele.
Pra minha felicidade o resto do caminho foi todo em silêncio, e eu pude "curtir" um pouco da vista da cidade de dentro do carro, até chegarmos.
Assim que chegamos em casa, eu apenas entrei e subi indo direto para o meu quarto e me trancando lá. Não queria que o meu pai viesse falar nada, ou que quisesse saber onde eu estava durante a noite.
Depois de me trocar, e tirar a maquiagem, eu me joguei na cama, e dormi já começando a sentir a empolgação tomar conta de mim, pois eu iria correr no dia seguinte.

Quando eu acordei no dia seguinte, eu não podia me aguentar de tanta agitação que eu estava. Era tanta que eu acabei saindo de casa, e correndo 10 km e ainda depois fui para o meu quarto fazer algumas abdominais e alguns agachamentos. Não que eu fosse fissurada por malhar, na verdade eu raramente fazia isso, porque na verdade eu amava comer e não deixaria que a sociedade dissesse como deveria ser o meu corpo, quanto eu deveria pesar. Eu malhava quando eu quisesse, e se eu quisesse. E também comia o que e quando bem entendesse.
Depois de confirmar ao que iríamos à corrida mais tarde, eu passei o resto do dia ajudando meu pai com as contabilidades da empresa. Pra minha felicidade, nunca dizia não a um racha, então minha corrida estava de pé, pois nunca que ele me deixaria ir sozinha, e meu pai também não me deixaria sair tão tarde sem o .
Por volta das 08:30pm PM eu fui me arrumar. E depois de um banho não muito demorado, eu vesti a lingerie e passei hidrante em todo o corpo. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo, e vesti uma calça jeans de lavagem clara rasgada, e uma bota over knee de salto, já que não me preocupava nem um pouco em correr assim, uma regata branca e uma jaqueta jeans. Fiz uma maquiagem básica, e finalizei com um batom vermelho. Guardei meu celular e minha identidade no bolso, e coloquei algum dinheiro por dentro da minha bota. Eu não me atreveria levar bolsa, afinal, nunca saberíamos quando era preciso correr num lugar assim.
Saí do quarto, vendo que o quarto do meu pai estava fechado e a luz de lá acesa, na qual eu podia ver por debaixo da porta, então desci as escadas e encontrei na sala conversando com alguém por mensagem no celular.
— Podemos ir? — me olhou e eu assenti, e nós logo fomos em direção à porta da garagem.
Assim que acendeu a luz para irmos até seu carro, os quatro carros na garagem ficaram bem evidentes. A BMW preta na qual usávamos para eventos como o de ontem, a Mercedes prata que o meu pai usava todos os dias para ir ao trabalho, o meu volvo branco que estava praticamente novo, já que havia só uma semana que eu havia o comprado, e o Nissan Skyline GT-R azul que o só usava para sair durante as noites, inclusive para correr, mas que o papai não fazia ideia disso.
Entramos no carro, e logo abriu deu a partida saindo da garagem, e em seguida passando pelo portão da nossa casa. Ele parecia empolgado com alguma coisa, e eu não sabia dizer o porquê, já que dá outra vez não estava assim.
— Que empolgação é essa? — o olhei arqueando a sobrancelha e ele riu.
— Empolgação nenhuma. — deu ombros, mas manteve o sorriso em seu rosto.
— E eu sou a Lady Gaga. — ri pelo nariz e ele gargalhou.
— Eu só não pretendo voltar pra casa hoje, vou estender a noite. — me olhou rapidamente acelerando o carro, pelas ruas movimentadas de Londres.
— E você acha que eu vou voltar como? — semicerrei os olhos em sua direção.
— Você podia passar a noite em algum hotel da cidade, assim o nosso pai não vai reclamar por você voltar sozinha. — me olhou enquanto parava no sinal.
— Espero que isso seja uma piada de mau gosto. — falei já mal humorada e ele negou com a cabeça — Eu vou ter que passar a noite em um hotel, porque você quer sair pra dormir com alguma mulher por aí? — falei incrédula e ele riu.
— Bom... É mais ou menos isso. — deu ombros e eu bufei.
— Sorte a sua que hoje eu estou de muito bom humor e vou fazer o que você está me pedindo. — dei ombros e ele sorriu vitorioso.
— Você é a melhor. — deu uma piscadela e voltou a dirigir a caminho do racha.
— Você podia lembrar disso e me deixar correr. — falei como quem não quer nada.
— Não mesmo. — negou com a cabeça e eu revirei os olhos — Nem que você me pagasse, eu deixaria você colocar sua vida em risco numa pista de racha. — riu sem humor.
— Tudo bem, , tudo bem. — ri pelo nariz, mas sem me deixar abalar com aquilo, já que eu correria de qualquer jeito.
Depois de uns 25 minutos nós chegamos ao local do racha e como da outra vez parou o carro e nós descemos, depois de trancar o mesmo, ele se despediu de mim brevemente, e saiu para a direção oposta.
Esperei que ele se afastasse e andei até a tenda de bebidas, e mesma mulher da outra noite veio me atender.
— Posso ajudar? Desde que não seja com nenhuma bebida alcoólica. — me olhou com ironia, mas com um sorriso nos lábios, e eu neguei com a cabeça.
— Você sabe onde eu posso encontrar ? — a olhei e ela fez uma cara pensativa, me olhando um pouco duvidosa.
— É aquele ali. — apontou para um homem alto, e que tinha os cabelos raspados. Vestia uma camisa preta, com um colete jeans por cima. Ao seu lado estava à corredora da noite anterior, que pelo que eu me lembrava se chamava .
— Obrigada. — a olhei e ela assentiu, eu logo andei em direção ao tal ? — falei assim que me aproximei e tanto ele, quanto a garota voltaram seu olhar para mim.
— Quem me procura? — falou com um tom curioso, e eu parei em sua frente.
— O disse que era pra te procurar, e saber sobre a corrida. — falei enquanto vagava meu olhar por ali discretamente, a procura do .
— Então você é a corredora misteriosa. — falou parecendo se lembrar de algo.
— Você não é a irmã do ? — a garota me olhou, eu apenas assenti com a cabeça.
— A corredora do é a irmã do ? — olhou de mim, para e ambas concordamos com a cabeça — O tá querendo arrumar problema? — voltou seu olhar para a garota, e ela riu, enquanto eu estava confusa.
— Até parece que você não o conhece. — ela o olhou e ele concordou com a cabeça rindo junto, mas logo voltou sua atenção para uma mensagem no celular.
— Parece que ouve uma mudança de planos. — ele me olhou e eu balancei a cabeça para que ele continuasse — Procura por um lamborghini aventador vermelho atrás daquele galpão. — apontou para um galpão a nossa esquerda — Aqui está a chave. — me entregou a chave — E lá você vai ter o resto das informações. — eu assenti, mas sem entender muito que estava acontecendo.
— Okay... Obrigada. — falei completamente confusa, ele assentiu, e eu logo fui para onde dele havia falado.
Assim que cheguei atrás do balcão, avistei o lamborghini e fui até o lado do motorista entrando no mesmo em seguida. Logo que me sentei, vi que ele estava ali no carro, praticamente escondido no escuro.
— Se você queria me assustar, você conseguiu. — coloquei a mão no peito, enquanto fechava a porta e ele riu baixo.
— Não achei que fosse tão feio a esse ponto. — falou com humor, e eu o olhei com deboche o fazendo rir novamente — Está pronta pra corrida? — me olhou acendendo a luz de teto para que tivéssemos uma visão melhor. E só então eu pude notar o quão bonito ele estava. Ele usava uma calça preta com um rasgo no joelho, uma camisa do nirvana e uma jaqueta também preta. Seu cabelo estava um pouco bagunçando, e sua barba por fazer.
— Eu sempre estarei pronta. — dei ombros e ele sorriu.
— Bom saber que você tá confiante. — balançou a cabeça — Porque eu apostei muito alto em você. — voltou a se encostar no banco de forma relaxada e olhou para frente — Apostei muita grana, e o meu carro. — assim que ele falou, meus olhos se arregalaram.
— Você apostou seu Dodge em mim? — falei desacreditada e ele assentiu com a cabeça — O que te faz ter certeza que eu vou ganhar? — mantive o meu tom.
— Não tenho certeza. — deu ombros — Eu precisava acreditar em quem eu colocava no meu time. — me olhou — E se você perder vai ter uma dívida enorme comigo.
— Você sabe que dinheiro não é problema pra mim. — falei me encostando também no banco, e ele riu pelo nariz.
— Não é dinheiro que você vai me pagar. — negou com a cabeça, enquanto um sorrisinho malicioso surgiu em seus lábios, e eu fui obrigada a apertar as pernas uma à outra, só de imaginar o duplo sentido que podia ter aquela frase.
— Agora eu não consigo definir se você quer que eu ganhe, ou que eu perca. — devolvi a provocação e seu sorriso se tornou ainda mais maldoso.
— Sabe que eu também não? — falou pensativo, mas sem tirar a malícia da voz.
— Agora a segunda corrida da noite... — pudemos ouvir o "apresentador" falar e acabamos desviando o olhar para frente do carro.
— Quando você vencer, eu vou pegar o prêmio em seu nome pra manter o sigilo de quem você é. — voltou a me olhar, e eu concordei.
— E você realmente tem certeza que eu vou ganhar. — falei com humor na voz, mas segurando a vontade de sorrir por ele botar tanta confiança assim em mim.
— E você é realmente muito confiante. — falou no mesmo tom, mas sem evitar o sorriso, e eu acabei sorrindo junto.
— É melhor eu ir agora. — falei e ele concordou com a cabeça e se desencostou do banco, mas ao invés de sair, ele segurou na minha nuca e me beijou.
Como o nosso outro beijo, esse era tranquilo, mas parecia ter bem mais vontade que o primeiro. O gosto de nicotina e menta eram evidentes em sua boca, como da outra vez, e aquilo queria me fazer não parar o beijo nunca, mas ele o fez.
— Só pra te devolver a sorte que você me deu no outro dia. — puxou meu lábio inferior entre os dentes, e abriu a porta descendo do carro em seguida, e me deixando ali, olhando para o lugar no qual ele estava antes.
Ri com a sua cara de pau, e me ajeitei no banco colocando o cinto e deixando meu celular no lado do carro. Liguei o carro e o levei até o começo da pista, onde os meus três concorrentes já estavam a tempo de ouvir me apresentarem para corrida.
— E representando a equipe do , e correndo com o lamborghini aventador... — o homem falou, mas fez uma pequena pausa, que até eu achei estranho — A corredora misteriosa. — ele falou completando sua frase, e eu não pude evitar rir com aquele nome. Com certeza era coisa do — E nosso ultimo corredor, correndo pela equipe , em seu Ford Gran Torino Sport... Patrick McKinley. — pude ouvir o alvoroço das pessoas, que não havia tido para mim, mas aquilo não me intimidava nem um pouco — E para dar a largada nossa maravilhosa Lauren. — pude ver a morena parar entre os quatro carros, com um sutiã vermelho nas mãos.
— Preparar... — sua voz fina soou, e todos rodaram a chave — Apontar... — já eram ouvidos os roncos dos diferenciados motores — VAI! — assim que ela levantou o sutiã para o alto, eu e os corredores demos a largada.
O Camaro Yenko amarelo saiu na frente, seguindo pelo Gran Torino da equipe do meu irmão, e logo depois o Mitsubishi Eclipse preto, eu acabei largando por último.
Na primeira curva eu consegui ultrapassar o Eclipse, enquanto o corredor da equipe do ultrapassou o Camaro ganhando a primeira posição. Apertei o pé no acelerador e acabei conseguindo ultrapassar o Camaro, conseguindo ficar na segunda posição.
Acelerei mais um pouco, mas o tal McKinley era bem rápido, e conseguiu pegar uma boa distância ao soltar seu nitro.
— Droga! — bati no volante, mas voltei a acelerar o carro, chegando aos 130 km/h.
Consegui me aproximar novamente dele, já estava bem próxima a sua traseira, quando vi o Camaro se aproximando de mim. Assim que ele me alcançou ficando lado a lado comigo, e ao conseguir me ultrapassar poucos centímetros, mas o suficiente para o corredor da frente o fechá-lo, acabando por derrapar na pista e atrasando os dois, eu apertei o botão do nitro ajustado no freio de mão, ganhando distância dos dois e passando a linha de chegada.
De longe pude ouvir os gritos das pessoas, e ao me aproximar deixei que o carro girasse algumas vezes na pista para causar um pouco de fumaça, e em seguida tirei-o da pista levando novamente para longe do galpão onde me esperava.
— INCRÍVEL! — pude ouvir o "apresentador" falar — Ela saiu em último, mas alcançou o primeiro deixando todos os outros corredores comendo poeira. — ele completou e eu automaticamente sorri, vendo a porta do meu lado se abrir, revelando o sorridente.
— Você é boa. — me olhou, enquanto eu descia do carro com o celular — Tá explicado porque o apostou tão alto em você. — sorriu e eu fiz o mesmo.
— Obrigada. — ri fracamente e ele riu balançando a cabeça.
— Parece que agora teremos uma nova concorrente tão boa quanto nossos melhores corredores. — ouvi o homem falar depois de um tempo — Agora vamos nos preparar para a próxima corrida da noite. — ele falou e todos gritaram.
— Avisa o , que eu o encontro aqui depois da ultima corrida, okay? — voltei a olhar para e ele assentiu, e eu logo saí em direção a onde todos estavam.
A adrenalina ainda percorria todo o meu corpo de uma forma surreal, meu coração batia em uma velocidade fora do normal. Fazia algum tempo que eu não sentia aquilo. Desde a minha ultima corrida na Austrália, há meses atrás.
, onde você tava? — minha atenção foi tomada, por que surgiu na minha frente no meio das pessoas.
— Bem aqui, assistindo a corrida. — fiz uma careta e dei ombros — Você viu essa nova corredora? Ela é ótima. — falei empolgada — Ela ganhou do cara da sua equipe, e dos outros dois que correram. — mantive meu tom, e ele revirou os olhos.
— Foi sorte de principiante. — falou sem muita vontade, e eu ri.
— Você não sabe se ela já corria antes. — rebati e mais uma vez ele revirou os olhos — Poderia ser eu no lugar dela. — falei como quem não queria nada, e ele me olhou seriamente.
— Mas não é. — riu sem humor — Você já sabe pra onde vai depois daqui? — mudou rapidamente o assunto.
— Eu vou pra algum hotel da cidade. — dei ombros — Eu trouxe dinheiro, não se preocupa. — ele concordou com a cabeça.
— Eu duvido que a gente volte a se ver, então não apronta nada, porque eu sei de tudo o que acontece aqui. — apontou em volta, e por um momento eu queria gargalhar, mas me segurei.
— Eu não sou você, . — falei e ele riu balançando a cabeça.
— Te vejo em casa amanhã. — beijou a minha testa e logo se afastou.
Assim que ele se afastou, eu voltei a me virar para assistir as outras corridas, mas sem conseguir realmente prestar atenção, de tão agitada que eu estava. Era bem provável que eu nem conseguisse dormir a noite de tanta empolgação.
Depois das últimas corridas, que foi uma da , na qual ela mais uma vez ganhou, e eu não pude deixar de gritar empolgada com aquilo, e a outra a do e do , e que mais uma vez o que ganhou. Mas dessa vez, pelo que eu vi não estava tão bravo por ter perdido, ele estava realmente aprontando alguma essa noite.
Após acabar a última corrida, que era a do , eu saí do meio da multidão e fui novamente para trás do balcão, e de longe pude ouvir a voz animada da .
— Hoje nossa equipe foi muito foda. — ela falou toda sorridente e eu pude ver abrir um sorriso — Aquela garota que você colocou pra correr é incrível. — ela falou e eu não pude deixar de sorrir.
— Obrigada. — falei alto chamado a atenção dos três, inclusive a do que veio na minha direção.
Por um impulso eu acabei lhe dando um selinho, mas ele pareceu não se importar, pois logo que eu me afastei, ele sorriu.
— Isso tudo é adrenalina? — falou com humor e eu ri dando ombros — Vem cá. — segurou minha mão, me guiando até e — O você já conhece. — olhou para o garoto — E essa aqui é a . — apontou para ele que me olhou com um sorriso.
— Não havíamos sido apresentadas formalmente. — falou me abraçando calorosamente e eu sorri.
— Essa aqui é a nossa corredora misteriosa. — me olhou e sorriu — . — se encostou no seu Dodge colocando as mãos no bolso da calça.
— Ela é ótima. — me olhou e sorriu empolgado.
— Vocês dois também são. — intercalei meu olhar entre e — E você, eu não te vi correr, então... — fiz uma careta e ele riu balançando a cabeça.
— Na realidade, eu raramente corro. — deu ombros — Cuido mais das apostas da equipe. — mostrou um maço de dinheiros.
— Por falar em aposta... — falou e abriu a porta do carro — Isso é seu. — me entregou quatro maços de notas de cem.
— Isso tudo por uma corrida? — olhei para o dinheiro, e pra ele em seguida que concordou — Bom, obrigada. — ri pelo nariz.
, a gente se encontra na sua casa? — o olhou e ele concordou — Por que não vem com a gente? — me olhou.
— Porque ela precisa voltar com o . — falou com obviedade, e revirou os olhos.
— Na verdade... — falei chamando atenção deles para mim — O já até foi embora. — rio pelo nariz.
— E como você voltaria pra casa? — me olhou sem entender.
— Eu ia pegar um táxi, e ir pra um hotel, se eu chegar sozinha em casa, meu pai provavelmente mata o e eu teria que ouvir ele por dias. — revirei os olhos entediada com aquilo.
— Então você vem com a gente. — falou empolgada sem me deixar dizer que não — Nos vemos na casa do . — puxou em direção ao Lamborghini e logo os dois entraram e saíram dali.
— Tudo bem pra você? — olhei para o .
— Sério que você tá me perguntando isso? — riu pelo nariz, e eu ri negando com a cabeça — Vamos. — abriu a porta do carro, e eu dei a volta entrando no mesmo.
Assim que me ajeitei no banco, coloquei os maços de dinheiro sobre o pequeno espaço no painel e ele logo deu a partida saindo dali.
— Obrigada por me ajudar a correr. — o olhei e ele negou com a cabeça.
— O e a concordaram, e pensamos em colocar você na equipe. — me olhou rapidamente — Você pode continuar como corredora misteriosa, não tem nenhum problema. — balançou a cabeça.
— Você tá falando sério? — o olhei sem acreditar naquilo.
— Você ganhou de vários corredores muito bons, teve um tempo incrível, além de passar por cima do seu irmão pra correr... Quer mais justificativas? — deu um pequeno sorriso, e eu fiz o mesmo.
— Vai ser um prazer fazer parte da sua equipe. — falei empolgada e ele me olhou, passando direto por um sinal vermelho.
— Prazer eu te dou em outro lugar. — falou com malícia e deu uma piscadela, e eu mordi o lábio.
— Quando e onde você quiser. — devolvi a brincadeira falando no mesmo tom.
Dessa vez ele não riu, e eu também não e toda aquela energia sexual ficou no ar, e eu não podia negar o quanto aquilo era excitante.


Capítulo 2

Não demoramos muito a chegar ao prédio do , onde e nos esperavam dentro do carro no lado de fora, mas assim que abriu a garagem do prédio, entrou com seu carro logo atrás do dele.
— Você mora em um apartamento? — arqueei a sobrancelha, e ele riu com a obviedade da minha pergunta. — Achei que morava com seus pais. — me expliquei soltando uma risada nasalada e ele negou com a cabeça.
— Eu não moro com eles desde os 16 anos. — me olhou rapidamente enquanto parava o carro em sua vaga. — Eu era problema demais pra eles, e aí me mandaram pra morar com a minha vó. — riu de escárnio, e eu mantive meu olhar nele. — Quando eu tava com 18 anos, minha vó achou que eu merecia um pouco de privacidade e me deu esse apartamento, mas eu continuo indo sempre a casa dela, e algumas vezes até passo a noite lá. — parou o carro e me olhou.
Não falei nada, apenas balancei a cabeça dizendo que entendi, pois não queria parecer Invasiva, até porque a gente não se conhecia o suficiente para conversar sobre aquelas coisas.
Assim que ele desligou o carro, nós descemos e logo e fizeram o mesmo do nosso lado, e nós quatro seguimos para o elevador.
— A gente sempre acaba as noites de corrida aqui, no apartamento do . — me olhou enquanto apertava o botão do último andar. — E agora você vai poder vir sempre com a gente. — falou empolgada e eu acabei rindo com aquilo. — É bom não ser a única garota da equipe. — sorriu, e eu fiz o mesmo.
— Não vai ser possível eu vir com vocês, por causa do . — suspirei me encostando ao lado de no fundo de vidro do elevador.
— Você sabe que o não pode te impedir de fazer nada, não é? — me olhou arqueando a sobrancelha.
— O fato não é ele não poder me impedir não é ponto disso. — balancei a cabeça e o elevador parou no vigésimo andar. — Os problemas da minha família são muito mais complexos do que isso. — ri fraco, enquanto olhava a porta de metal se abrir.
— Você pode falar que vai dormir na casa de alguma amiga. — sugeriu me olhando, enquanto saiamos do elevador.
— Não vão acreditar, porque eu passei meus últimos sete anos na Austrália, eu não tenho amigos aqui. — o olhei, os seguindo para o apartamento do . — Mas não se preocupem, com o passar do tempo eu vou ter uma justificativa pra sair de casa sem o . — intercalei meu olhar entre o três, mantendo-o por mais tempo em que o sustentou enquanto abria a porta.
— Bom, depois a gente pensa em desculpas pra você vir ficar com a gente. — me olhou e eu concordei, antes de passar por para entrar no apartamento. — Agora nós vamos comemorar as vitórias da nossa equipe. — levantou os braços e soltou um gritinho animado.
— Eu vou pegar as bebidas. — saiu em direção à cozinha, que era separada da sala apenas por um balcão de mármore.
Olhei em volta reparando na decoração simples, e neutras. O que realmente se destacava por todo apartamento eram os desenhos nas paredes. Alguns coloridos, outros em apenas preto e branco. Era tudo lindo.
— Esses desenhos são demais. — me aproximei de uma das paredes, passando a mão sobre a mesma.
— Obrigado. — se aproximou de mim, e parou alguns centímetros atrás.
— Foi você quem fez? — me virei para ele surpresa com aquilo, e ele assentiu com a cabeça rindo baixo — Ual! — foi tudo o que eu consegui dizer, de tão admirada que estava com o talento que ele tinha.
— Tem outros espalhados pelo apartamento. — apontou para trás, e olhou em seguida. — Pode ficar a vontade pra ver todos. — voltou a me olhar, e eu me aproximei dele.
— Você não vai me apresentar o resto do apartamento? — falei me fazendo de ofendida, e ele deu um sorrisinho irônico aproximando seus lábios do meu ouvido.
— O meu quarto eu faço questão de te apresentar, mais especificamente a minha cama. — sussurrou de uma forma sexy e eu mordi o lábio com aquilo.
— Você sempre leva tudo pro lado sexual? — o olhei arqueando a sobrancelha, e ele deu ombros se afastando e se sentando no sofá.
— Só quando você tá perto de mim. — deu uma piscadela, e eu ri me divertindo com essa história, me sentando em seu lado em seguida — E você correspondeu em todos os momentos. — se virou pra mim, dando um sorrisinho irônico.
— Achou que eu ia ficar vermelha com suas frases de duplos sentidos? — retribui seu sorrisinho e sustentei seu olhar, como se o desafiasse.
— Não acho que isso faça seu estilo. — manteve seu olhar no meu.
— Vocês dois tão tendo um caso? — falou voltando pra sala com três garrafas de cerveja em mãos.
. — o repreendeu, dando-lhe um tapa em seu peito, e eu ri.
— A gente não tem nada. — olhei para que me entregava uma cerveja, e a outra para o .
— É só sexo casual. — falou e eu o olhei incrédula, e ele gargalhou sendo acompanhado dos outros.
— Idiota. — lhe empurrei levemente e ri junto com eles, bebericando minha cerveja em seguida.
— Na verdade, ela quer me levar pra cama, mas eu não quero. — ele falou ainda com humor bebendo um gole da sua cerveja.
— É claro que eu quero. — entrei na brincadeira — Quero possuir todo esse seu corpinho, . — passei a mão em seu peito, e ele arqueou a sobrancelha, mas nós dois rimos em seguida.
— E o encontrou alguém que retribui as brincadeiras sexuais dele. — falou nos olhando, e concordou rindo.
— Eu disse que ela podia superar nossas expectativas. — falou bebendo um gole da cerveja e eu o olhei não evitando um sorriso.

Depois que tomamos algumas — várias — cervejas e conversamos sobre várias coisas aleatórias, e muitas delas envolvendo corridas, como por exemplo, como a equipe foi formada, ou quando ganhou sua primeira corrida, foi para a varanda, onde se sentou em uma poltrona que havia lá, e acendeu um cigarro.
— Acho que devíamos ir embora. — falou para , que eu descobri que eles namoravam há algum tempo, e ele concordou.
— Vocês não vão passar a noite aqui? — olhei para eles sem entender — Vocês não estão em muitas condições de dirigir. — fiz uma cara confusa.
— Eu bebi só duas cervejas, já dirigi pior do que isso. — riu enquanto se levantava do sofá — Não se preocupe, nós vamos chegar bem em casa. — beijou a minha bochecha.
— A gente se vê na próxima corrida, . — também beijou a minha bochecha, e se levantou, mas voltou a cair no sofá em seguida me fazendo rir.
— A gente se vê, . — falei ainda rindo, e o ajudei a se levantar com , e fomos até a porta.
— Diz pro que eu falo com ele amanhã. — me olhou antes de sair, e eu assenti com a cabeça.
Logo que os dois foram para o elevador, eu fechei a porta e voltei para dentro. Vi que ainda estava na metade do cigarro, então resolvi ir até ele.
— Você sabe que isso vai te matar, não né? — falei ao entrar na varanda e me encostei do parapeito.
— Da mesma forma que eu posso sofrer um acidente de carro, ou morrer afogado em uma banheira. — ele me olhou voltando a tragar o cigarro, e eu arqueei a sobrancelha.
— Você sabe a probabilidade de se morrer afogado numa banheira? — falei soltando uma risada baixa e ele deu ombros rindo junto — De acordo com as minhas fontes, é mais ou menos, uma em cada 11.000 pessoas morrem afogadas na banheira. — voltei meu olhar para a vista que havia ali, e era muito bonita por sinal, enquanto mantinha minha cara pensativa — Isso equivale a aproximadamente 0,009%. — voltei a olhá-lo e ele arqueou a sobrancelha dessa vez.
— Eu vou ignorar o fato de você saber quantas pessoas, em quantas morrem afogadas numa banheira, porque eu quero muito entender como você calculou a probabilidade tão rápido. — manteve seu olhar em mim, tragando mais uma vez o cigarro.
— Talvez você não soubesse, mas eu sou um prodígio da matemática. — fiz uma careta que eu diria ser um tanto quanto engraçada, enquanto o olhava soltar a fumaça de uma forma que o deixava bem sexy.
— Você está falando sério? — me olhou duvidoso, e eu concordei com a cabeça rindo — Então, quanto é 1.758 multiplicados por 583? — acabou o cigarro, o apagando no cinzeiro ao lado da poltrona.
— Jura? — falei incrédula e ele deu ombros como se aquilo não fosse nada demais.
— É, você estava mesmo debo... — começou a falar, mas eu o interrompi.
— Um milhão, vinte e quatro mil, novecentos e quatorze. — respondi a sua pergunta, e ele me olhou por alguns segundos tentando raciocinar o que eu havia acabado de falar. Em seguida, tirou o celular do bolso, e entrou no que eu deduzi ser a calculadora, pois a cara que ele me olhou em seguida foi impagável.
— Como você...? Não é possível. Você está bêbada. — balançou a cabeça negativamente e eu ri com vontade daquilo — Cara, isso é bem surreal. — soltou uma risada nasalada, ainda me olhando incrédulo.
— Me dizem isso desde que eu tinha 10 anos, e conseguia ajudar o com a matemática da escola dele. — andei até ele e me sentei no braço da poltrona na qual ele estava — Acredite, ou não, mas eu acabei o colegial aos 15 anos, e como eu estava no internato e não podia parar de estudar, meu pai mandou um tutor para que eu pudesse me formar em contabilidade. — ri pelo nariz balançando a cabeça, ao pensar no quão absurdo aquilo era.
— Você estava num internato? — me olhou sem entender mais nada do que eu falava — O que você fez de tão grave pra ser mandada pra um internato? — soltou uma risada nasalada.
— Eu não fiz nada de errado. — dou ombros — Pelo contrário, eu era bem quieta nessa época, adorava estudar, matemática principalmente... — dei um sorriso fraco ao me lembrar daquilo. E não era mentira, matemática sempre foi a minha matéria favorita. — Só que depois que a minha mãe morreu, meu pai me mandou para esse internato na Austrália. — ri sem humor, e suspirei em seguida — E quando começou essa história de tutor, fazer faculdade antes da hora, eu comecei a ficar sobrecarregada e comecei a fazer coisas bem loucas, como fugir durante a noite com uns amigos mais velhos também do internato, beber todas as bebidas que eu queria, e foi quando eu descobri as corridas. — o olhei, percebendo que ele manteve seu olhar o tempo todo em mim de uma forma curiosa, a espera que eu continuasse — A minha primeira corrida foi aos 17 anos, e eu não ganhei se você quer saber, mas foi quando eu decidi que amava correr. — ri com aquilo, e ele me acompanhou — Desde então, eu cansei de ser a certinha da família, mas é claro que nem o , e muito menos o meu pai, sabem desse meu outro lado. — me encolhi um pouco, e abracei meu corpo, pois ventava um pouco ali.
— Olhando pra você, e todo esse seu jeito, não dá nem pra desconfiar de toda essa história. — negou com a cabeça se encostando na poltrona — Mas se você quer saber, faz muito sentido cada parte disso. — riu pelo nariz e voltou a me olhar.
— Nem todo mundo nasce rebelde como você, . — falei com humor e ele riu manejando a cabeça em concordância.
— É algo para poucos. — deu uma piscadela e passou a mão pelos cabelos de uma forma convencida, me fazendo rir com aquilo — Mas o lado rebelde, combina com você. — me olhou e deu um sorrisinho de canto.
— Sabe que eu também acho? — riu com a minha resposta — Porque se eu fosse a garota certinha de antes, eu com certeza não daria um beijo de boa sorte em um estranho. — ri pelo nariz, e ele concordou mantendo o sorrisinho em seus lábios.
— Mas agora você pode beijar um conhecido. — falou como quem não queria nada, e olhou nos meus olhos deixando com que eu encarasse aqueles belos olhos castanhos que ele tinha.
— É uma opção. — mordi o lábio inferior, fazendo seu olhar descer dos meus olhos para os meus lábios, e sem nenhum aviso prévio ele me puxou para seu colo, e me beijou.
Não precisei de muito tempo para retribuir o beijo, e embrenhar uma das minhas mãos em seus cabelos, enquanto a outra mantinha firme em sua nuca. Dessa vez o seu beijo estava com ainda mais gosto de nicotina, isso porque ele havia acabado de fumar um cigarro. Porém, o gosto de menta também estava bem presente ali, o que me deixava curiosa em saber como ele conseguia manter sempre aquele gosto em sua boca, pelo menos estava ali nas três vezes que nos beijamos.
Ele mordeu meu lábio inferior o puxando levemente, mas sem intenção de cortar o beijo, o que eu confirmei quando ele espalmou sua mão na minha bunda, fazendo meu corpo se encaixar ao dele naquela pequena poltrona, e envolveu meus lábios novamente com os seus, mas dessa vez em um beijo mais quente, e com muito mais intensidade.
Soltei o ar em sua boca ao sentir sua mão apertar minha bunda com vontade, e sem nenhum pudor, não que precisasse. Passei minhas unhas por sua nuca, mas não de uma forma delicada, e sim com um pouco mais de agressividade, o que ele não pareceu se importar.
Dessa vez, fui eu quem segurou seu lábio inferior entre os dentes, e dei uma leve sugada antes de soltá-lo. O que lhe deu a deixa para descer os beijos para o meu pescoço, onde ele começou a dar beijos bem molhados. Senti seus dentes roçarem contra a minha pele, ao mesmo tempo em que sua mão gelada adentrou a minha regata e tocou as minhas costas quentes, ambos me fazendo arquear o corpo para trás, deixando meu pescoço completamente livre para ele.
Ele chupava, mordia, lambia meu pescoço com vontade e eu já conseguia sentir o efeito disso em minha intimidade. Para não ser a única ali me sentindo daquela forma, comecei a me mover em seu colo, fazendo movimentos de vai e vem, que eu percebi dar certo, já que ele me mordeu com mais força e em seguida soltou um gemido baixo ali.
Ao ter certeza de que aquilo já estava demorando muito a acontecer, me levantei o fazendo me olhar com reprovação e confusão, e eu não pude evitar uma risada com aquilo, o puxando pela mão e o fazendo se levantar.
— Calma, eu só quero ir pra um lugar mais confortável que essa poltrona. — falei antes de voltar a enlaçar os braços em seu pescoço, enquanto o empurrava para dentro do apartamento.
— Seria bem frustrante se você me deixasse duro como eu estou e parasse logo depois. — falou próximo ao meu ouvido, me fazendo soltar um risinho, mas sentir os efeitos surgidos com aquela frase, entre as minhas pernas.
— Eu não faria isso. — sussurrei de volta o sentindo voltar a beijar o meu pescoço, enquanto o empurrava a cegas até o seu quarto, que eu ainda não fazia menor ideia de qual era — Porque eu quero muito sentir o quão duro você está. — mordi o lóbulo da sua orelha, dando uma leve puxada entre os dentes.
Num gesto quase que involuntário, ele girou meu corpo e eu logo senti minhas costas chocarem contra a parede de uma forma nada delicada e acabei soltando um gemido de dor com aquilo, e o encarei.
— Você não imagina o quão excitante é te ouvir falar isso. — me olhou nos olhos, onde eu podia ver suas íris queimarem de luxúria.
Antes que eu pudesse responder algo, ele levou as mãos à barra da minha regata e a puxou para cima, me fazendo levantar os braços para que ele pudesse tirá-la. Assim que o fez, ele a jogou para qualquer canto e encarou meus seios com um sorriso malicioso brincando em seus lábios.
Voltei a puxá-lo para mim, não aguentando mais a vontade que eu estava de ter seus lábios contra os meus novamente, e o beijei com certa pressa, enquanto ele me puxava pela cintura para que voltássemos a seguir o caminho para o seu quarto. Eu nem vi quando, ou como chegamos lá, e só fui perceber onde estava, quando meu corpo foi jogado agressivamente contra sua cama, e a porta bateu em seguida.
Ele tirou sua camisa e a jogou para o lado, deixando seu abdômen completamente exposto, me fazendo morder o lábio ao encará-lo. Ele não era sarado, ou cheio de músculos e a barriga trincada, pelo contrário, seu corpo magro e tatuado era o que me excitava. E pra ser sincera, eu nunca havia tido desejo por homens musculosos e muito maiores do que eu.
Logo ele se deitou sobre mim e voltou a me beijar, mas não sem antes se livrar do meu sutiã e envolver um dos meus seios com sua mão. Enquanto nossas línguas desesperadas se moviam em nossas bocas, sua mão brincava com o meu seio, ora ele o massageava, outra ele apertava meu mamilo entre os dedos, de uma forma um tanto quanto excitante.
Mais uma vez ele soltou meus lábios, e ao aproximar dos meus seios, ele mordiscou meus seios e voltou a descer os beijos, passando pela minha barriga até chegar ao cós da minha calça, onde ele passou direto para tirar as minhas botas, ou então não conseguiria tirar minha calça. Assim que o fez, ele voltou para o cós da minha calça e o abriu, a descendo devagar pelas minhas pernas e ganhando completa visão da minha intimidade, coberta apenas por uma pequena lingerie de renda roxa.
Ele deu um sorriso bastante malicioso, e me encarou arqueando a sobrancelha como se quisesse saber se eu estava esperando por aquilo, e eu apenas ri um pouco, antes de respondê-lo.
— A gente nunca sabe quando vai rolar um sexo casual. — dei ombros e ele riu dessa vez balançando a cabeça.
Ao contrário do que eu pensava, ele logo voltou a ficar sério e focado no que estava fazendo anteriormente, e desceu a minha calcinha, que teve o mesmo destino do resto das roupas, e se encaixou entre minhas pernas. Antes que eu pudesse pensar em algo, senti sua respiração contra minha intimidade, que já estava bastante úmida e ele não demorou muito a começar estimular meu clitóris com a língua.
Ele não demorou muito a penetrar dois dedos em minha intimidade, os movendo numa velocidade razoável e fazendo com que eu soltasse vários gemidos roucos. A medida que ele foi aumentando os movimentos, eu fui me vendo obrigada a fechar os olhos e morder o lábio para não gemer ainda mais alto, e dar a ele aquele gostinho de vitória por conseguir me deixar naquele estado.
— Vai lá, pode gritar. — falou com um tom debochado, trocando sua língua em meu clitóris, pelo polegar — Não precisa se reprimir. — parou os movimentos com os dedos, mas segundos depois, abocanhou minha intimidade penetrando sua língua, e sugando o meu clitóris com vontade.
Acabei não conseguindo segurar o gemido alto que escapou pelos meus lábios, e ele se manteve ali entre minhas pernas por mais algum tempo, mas assim que eu segurei seu cabelo, ele parou o que fazia, fazendo com que eu o olhasse com reprovação.
— Eu adoraria que você gozasse na minha boca, mas seria tão fácil. — riu pelo nariz, sem tirar o tom de deboche na sua voz, e por um segundo eu quis socá-lo, mas ao invés disso eu me sentei, e o fiz deitar na cama, ficando por cima dele.
— Se você pode brincar, eu também posso. — um sorrisinho travesso se abriu em meus lábios, e foi retribuído por ele.
Mordi seu pescoço, e dei um chupão forte em seu peito antes de descer por todo seu abdômen até chegar a sua calça. Pra minha felicidade, ele já havia se livrado dos sapatos e também das meias, que horas, eu não fazia ideia, mas facilitou todo o processo. Tirei sua calça com pressa, o deixando vestido apenas com sua cueca box azul, da Calvin Klein e acabei parando um tempo para olhá-lo.
Dava entender o porquê eu o achava sexy em praticamente tudo. Aquele homem era praticamente o tesão em forma humana.
— Tá gostando do que tá vendo? — falou mantendo o tom debochado em sua voz, enquanto me olhava com um sorrisinho.
— Vou gostar mais, quando você tiver sem nada. — devolvi sua piadinha, mas ele manteve o sorrisinho debochado.
Já não aguentando mais aquilo, eu tirei sua cueca e a joguei para trás, tendo completa visão do seu membro já bem ereto e senti minha intimidade contrair ao imaginar ele dentro de mim.
Antes que ele pudesse soltar mais alguma piadinha, eu envolvi seu membro com uma das minhas mãos e comecei a masturbá-lo lentamente o fazendo jogar a cabeça para trás.
Homens, era tão fácil enlouquecê-los.
Abaixei-me entre suas pernas, e passei a língua por sua glande, sem parar os movimentos com a mão. Assim que comecei a chupá-lo, um gemido rouco saiu da sua garganta, e eu comecei a fazer aquilo com ainda mais vontade.
Eu fazia movimentos ora rápidos, ora lentos, e o que não cabia em minha boca, eu mantinha em minhas mãos ainda as movimentando, e sugava sua glande algumas vezes. Percebi que estava conseguindo o que eu queria, quando ele segurou meus cabelos com força, e soltou um gemido alto e estridente.
— Chega... — falou com dificuldade, puxando minha cabeça para encará-lo, fazendo com que eu parasse o que eu fazia — Eu não aguento mais. — me jogou novamente na cama, e abriu a gaveta tirando de lá uma camisinha — Eu preciso foder você. — falou me olhando com certa intensidade enquanto abria a camisinha com a boca, e eu pude sentir um arrepio percorrer minha espinha.
Ele voltou a subir na cama, e se encaixou entre minhas pernas e me penetrou com uma lentidão um tanto quanto exagerada, me fazendo soltar um gemido baixo. Envolveu um dos braços na minha cintura e me puxou mais pra ele, e assim que colou nossos corpos, ele começou a se mover com vontade.
Segurei em sua nuca e colei nossos lábios com pressa, pois ansiava por sentir o gosto de sua boca novamente. E não podia deixar de pensar o quanto seu beijo me era viciante, era como uma droga, e quanto mais eu o beijava, mas eu queria beijá-lo. Com ele parecia não ser diferente, já que nós mal nos separávamos, ele já estava ali, de novo, com seus lábios sobre os meus, com sede daquele beijo.
Ele se movia rápido dentro de mim, o que me obrigava a separar nossos lábios algumas vezes para gemer, e ele acabava tendo que fazer o mesmo. Espalmei minhas mãos por suas costas, e desci as unhas ali com vontade, sem me preocupar com as marcas que deixaria, e ele logo descontou os arranhões com um chupão forte em meu ombro. Se fosse em meu pescoço, eu o mataria.
Nossos corpos se chocavam em uma completa sincronia, e tudo que se ouvia no quarto era os nossos gemidos, e o barulho da cama se movendo junto com a gente. Imagina como não estariam bravos os vizinhos de baixo, com o barulho às três da manhã. E quem se importava com vizinhos mesmo? Bom, eu não.
— É só o que você consegue fazer, ? — falei o fazendo parar o que fazia no meu pescoço, para me olhar desacreditado que eu havia falado aquilo. — Eu faço melhor com os dedos. — o provoquei, e ele deu um risinho debochado, logo em seguida deu uma estocada forte e funda que acabou me fazendo gemer alto. E outra, e mais outra, e assim ele fez mais algumas vezes, fazendo com que fosse impossível não gemer alto.
— O que você disse mesmo? — falou em deboche, voltando a se mover como antes e eu balancei a cabeça o ignorando, e me concentrando em chupar e morder seu pescoço.
Ele nos girou na cama me deixando por cima, e eu me sentei em seu colo, começando a rebolar sobre seu membro, enquanto ele me observava. Aproveitando que ele só me olhava, eu levei minhas mãos em meus seios, e os massageei enquanto o encarava com um sorrisinho malicioso, que logo foi retribuído por ele.
— Você adora provocar não é? — soltou uma risada nasalada, e eu dei ombros. Logo em seguida, ele levou uma das mãos até minha intimidade e pressionou meu clitóris, voltando a estimulá-lo — Eu vou fazer você gozar de uma forma que você nunca vai esquecer. — falou de uma maneira extremamente sexy, me fazendo estremecer e morder o lábio inferior.
— E você vai lembrar disso de qualquer forma. — segurei sua outra mão a levando até o meu seio, e ele logo entendeu o que eu queria começando a massageá-lo. Tirei sua mão da minha intimidade, a segurando e levando os dois dedos que ele antes usava, e os levei a boca os chupando lentamente.
— Caralho, garota! — falou alto e voltou a nos girar na cama, ficando novamente por cima — Você é extremamente gostosa. — sussurrou próximo ao meu ouvido, e mordeu o lóbulo da minha orelha em seguida — Eu preciso te fazer gozar logo, antes que você acabe comigo. — falou e eu soltei um gemido rouco em sua orelha, e ele soltou o ar em minha boca antes de voltar a me beijar.
Os movimentos se tornaram ainda mais intensos que antes, e dessa vez ele levantou minha perna esquerda a colocando em volta de seu quadril para se mover melhor. O que resultou em um gemido alto da minha parte, que era mais parecido com um grito, ao atingir meu orgasmo. E não demorou muito para que ele fizesse o mesmo, e deixasse lentamente de se mover, até que parou completamente os movimentos.
Nossas respirações estavam ofegantes e nossos corpos completamente suados quando acabamos. Nossos lábios se manteram colados em um beijo mais calmo, e minha mão desceu da sua nuca para as suas costas se juntando a outra, mas ele manteve sua mão em meu seio, e colocou a outra em minha cintura a acariciando.
Assim que cortamos o beijo ele me olhou, e nenhum de nós dois precisou falar nada pra saber que havia sido maravilhoso aquilo. Não era nada difícil admitir que ele havia sido um dos melhores sexos da minha vida, senão o melhor, mas eu não daria aquele gostinho a ele. Não por enquanto.
Ele saiu de cima de mim, e se levantou tirando a camisinha e em seguida foi para o banheiro. Ele demorou um pouco lá, e eu me ajeitei debaixo do lençol me deitando com a cabeça em seu travesseiro. Logo que ele voltou, ele se deitou ao meu lado debaixo do lençol, e colocou sua mão na minha bunda.
— Boa noite. — falei após rir um pouco com seu gesto, e lhe dei um beijo rápido, voltando a me deitar.
— Boa noite. — respondeu antes que eu fechasse os olhos, e assim que eu fiz senti meu corpo pesar, então logo dormi.

Quando acordei naquela manhã, eu estava sozinha na cama e com o lençol jogado sobre o meu corpo. O cheiro de estava bem visível em meu olfato, se misturando com o meu próprio cheiro, e aquilo fazia com que eu quisesse repetir a noite anterior.
Aquilo não podia se repetir, nunca mais.
Respirei fundo enquanto abria os olhos e me sentei na cama, não me preocupei em segurar o lençol para cobrir meus seios, eu estava sozinha ali no quarto e mesmo se não tivesse, já havia visto e tocado em tudo mesmo. Passei as mãos pelo rosto, e arrumei o cabelo da melhor forma que conseguia e me levantei da cama em seguida.
Primeiro vesti o meu sutiã, que foi a primeira coisa que eu achei. Depois fui a procura da minha calcinha, mas não a encontrei em lugar algum.
Droga, !
Eu não podia demorar ali, precisava dar um jeito de encontrar o para chegarmos juntos em casa, então desisti de tentar encontrar a calcinha e acabei de me vestir sem ela mesmo. Depois de vestir a calça e calçar as botas, fui para o banheiro, lavei o rosto e penteei o cabelo com um pente do que estava sobre a pia, e consegui dar um jeito de não parecer tão descabelada. Escovei os dentes com o dedo mesmo, só pra não ficar com o hálito ruim, e aproveitei para fazer xixi enquanto estava ali.
Saí do banheiro atrás da minha regata, que não estava no quarto e fui para o corredor, mas acabei a encontrada na sala. Como havia ido parar ali, eu não fazia ideia, estava tão extasiada que nem percebi para onde ela havia sido jogado. Depois de pegá-la, a vesti e notei que me olhava da cozinha, enquanto bebericava algo de sua xícara, que eu deduzi ser café, por causa do cheiro forte.
— Bom dia. — soltei uma risada nasalada, e me aproximei do balcão o encarando do meu lado oposto.
— Bom dia. — falou após beber um gole do líquido em sua xícara, e a estendeu na minha direção. Ao ter certeza de que era café, eu fiz uma careta enojada e neguei com a cabeça. Não conseguia entender como as pessoas bebiam aquilo, era horrível.
— Eu preciso ir embora. — olhei a mensagem de em meu celular, na qual dizia para encontrá-lo na lanchonete a três quarteirões de nossa casa — Preciso encontrar o para irmos juntos pra casa. — bloqueei o celular e voltei a olhá-lo enquanto ele acabava seu café.
— Quer que eu te leve até lá? — me olhou enquanto ia até a pia começando a lavar sua xícara.
— Não precisa, eu pego um táxi. — balancei a cabeça e ele assentiu — E acho que precisamos falar sobre ontem... — falei deixando a frase no ar, e ele acabou de lavar a xícara a deixando de lado na pia para secar. Aproximou-se do balcão me olhando, a espera que eu continuasse — A noite foi ótima, foi tudo incrível. Você é maravilhoso... — ele me interrompeu.
— Mas? — falou me fazendo olhá-lo confusa, então continuou — Sempre vem um 'mas' depois de tantos elogios, como agora. — explicou parecendo um pouco entediado com tudo aquilo.
— Mas não pode se repetir. — completei a minha frase de ontem, e ele saiu de trás do balcão, saindo da cozinha e indo para sala — Você é o rival do , tipo inimigo número 1. Seria bem errado que nós nos envolvêssemos. — me virei para olhá-lo, e ele soltou uma risada nasalada, mas a feição em seu rosto não demonstrava surpresa. Era como se ele já esperasse aquilo.
— Você não faz as coisas por você? — se virou para me olhar — É só pelo ? Porque você sempre o usa como justificativa nas coisas que você não "pode" fazer. — balançou a cabeça negativamente.
— Não é bem assim. — soltei uma risada nasalada e andei alguns passo até chegar ao sofá, praticamente no lado oposto ao qual ele estava — Ontem a noite foi apenas sexo, não tinha nada mais do que desejo e atração entre a gente. Caso continuemos com isso, vamos começar a nutrir sentimentos um pelo outro, pelo menos eu sei que vou, eu tenho um coração, e por mais que não te conheça o suficiente, tenho certeza que você também tem um. — comecei a me explicar, enquanto o olhava, e ele mantinha seu olhar em mim, tentando entender o que eu falava — E isso me faria ter que escolher entre você ou o . — ri fracamente — Eu não quero ter que escolher. — neguei com a cabeça, suspirando em seguida.
— Por que é claro que você escolheria seu irmão, não é? — riu de escárnio e mais negou com a cabeça — Todo mundo sempre escolhe o . Afinal, ele é bem melhor do que eu. — falou com um tom que me parecia mágoa, e eu me vi sem respostas para aquilo. Algo me dizia que não era só de hoje que ele estava falando — Não precisa falar mais nada. — me deu as costas e saiu pelo corredor — Fecha a porta quando sair. — falou alto para que eu ouvisse, antes de entrar para seu quarto e bater a porta com força.
Fiquei parada ali onde estava por um tempo, encarando o lugar onde estava anteriormente tentando entender o porquê de ele ter reagido daquela forma. Eu sabia que tinha algo de muito errado dessa história dele com o , só não fazia ideia do que era.
Balancei a cabeça negativamente, disposta a não me meter naquilo para não deixar pior do que estava, caso o descobrisse minha noite com o . Eu nem conseguia imaginar como ele reagiria.
Peguei a minha jaqueta e a vesti, arrumando os maços de dinheiro da corrida de ontem em meus bolsos, e Saí, mas não sem antes de olhar para o corredor a procura de . Ele continuava no quarto, e pelo visto não sairia de lá enquanto eu estivesse ali em seu apartamento. Saí e fechei a porta como ele havia me pedido, e assim eu fui pra casa.
Peguei um táxi e disse para onde ia, assim ele seguiu para meu destino. não morava tão longe da minha casa, então foi questão de 10 minutos até o táxi parar em frente a lanchonete.
— Fica com o troco. — lhe entreguei uma nota de vinte libras, e desci do carro ouvindo seu 'obrigado' sair baixo.
Fui até a entrada da lanchonete e logo que passei pela porta o sininho soou, e eu vi que estava sentado no fundo levantando o braço para que eu o vi, então logo fui até lá.
— Bom dia. — me sentei em sua frente enquanto ele mordia seu hambúrguer.
— Bom dia. — falou com a boca cheia enquanto me olhava, e eu fiz uma careta enojada com aquele gesto — Qual hotel você passou a noite? — perguntou curioso acabando de engolir a comida em sua boca.
— Vai conferir se eu passei a noite lá mesmo? — falei um pouco mal humorada, e ele arqueou a sobrancelha.
— Eu só queria saber. — levantou os braços na altura de sua cabeça — Parece que alguém acordou de mau humor. — falou com deboche e cutucou a minha bochecha.
— Vai se foder, . — lhe dei um tapa na mão e revirei os olhos, sem muita paciência para aquilo.
— O que aconteceu com você, hein? — bebeu um pouco de suco, e voltou a comer.
— Não aconteceu nada. Só não tô com paciência pra ouvir seus deboches, e muito menos pra você querer investigar a minha vida. — bufei me encostando contra a cadeira, e cruzando os braços em frente ao corpo.
— Não tá mais aqui quem falou. — deu ombros e riu pelo nariz se concentrando apenas em comer.
Enquanto ele comia, eu o olhava criando várias teorias em minha cabeça sobre o que o falava. Nada me parecia fazer sentido, então acabei desviando os pensamentos para o milk shake que o havia pedido, e que eu acabei comendo, mesmo com ele reclamando.
Aquilo estava ótimo, ele que pedisse outro.
Depois que comemos ele pagou a conta e nós saímos indo direto para o seu carro. Logo que entrei eu pude sentir o cheiro enjoativo de perfume que estava dentro de seu carro. Parecia que alguém havia derrubado um vidro de perfume ali dentro.
Fomos todo o caminho ouvindo algumas músicas na rádio, já que havia desistido de falar comigo, o que era ótimo, porque eu não queria falar.
Chegamos em casa, e pra minha felicidade não encontramos com meu pai. Eu não estava nenhum pouco a fim de ter que dar satisfações pra ele, então subi logo para o meu quarto e me tranquei lá dentro.
Tirei todo o dinheiro que havia ganhado na corrida, e me abaixei ao lado da minha cama. Levantei uma das tabuas do chão, e coloquei o dinheiro dentro de um saco plástico que eu deixava ali. Eu havia descoberto aquele lugar aos 10 anos, quando tive uma cárie e minha mãe me proibiu de comer doces, então eu escondia tudo ali para comer quando bem entendesse. E minha mãe nunca havia descoberto.
Depois de guardar o dinheiro ali, onde eu sabia que ninguém acharia, me levantei e tirei as botas. Fui para o banheiro, me despi e entrei no box.
Acabei demorando bem mais do que esperava no banho, já que não conseguia parar de pensar no . Não só na nossa briga de hoje, mas também na nossa noite. O que acabou me fazendo rir com nossas provocações, que não pararam nem quando já estávamos ocupados na cama.
O que será que ele faria quando encontrasse minha calcinha em seu quarto?
Balancei a cabeça negativamente, tentando afastar todos os pensamentos que eram envolvidos a ele da minha cabeça. Acabei o banho e saí do banheiro vestida com o meu roupão e os cabelos enrolados em uma toalha. Vesti uma lingerie, passei hidratante e deixei o roupão de lado. Desembaracei meus cabelos, o que demorou um pouco, já que por causa da noite de ontem estava ainda um pouco demorado e o deixei secar naturalmente.
Fui para a cama e me deitei. Como não estava com sono, fiquei apenas olhando para o teto. O que resultou em voltar a pensar no , e tudo o que ele havia falado.


Capítulo 3

Acordei ouvindo meu celular tocar, e tateei a mão pela cama a procura dele, e acabei o encontrando debaixo da minha perna. Não fazia nem ideia de como havia ido parar ali. Pra falar a verdade, eu nem lembrava de como eu peguei no sono. A última coisa que eu lembro era de estar pensando em todo ocorrido com o , depois disso mais nada.
Olhei pra tela do celular, vendo que era um número desconhecido, mas quando eu fui atender, parou de tocar.
Sentei-me na cama, ainda com o celular na mão esperando que ligassem novamente, mas não aconteceu, então eu deixei pra lá. Provavelmente era engano.
No relógio, já marcavam 08:00 PM, e só então eu fui percebi no quanto estava com fome. Já estava quase na hora do jantar, então me levantei e fui me vestir, já que continuava só de lingerie. Vesti uma calça de moletom, e uma blusa de manga. Calcei meu chinelo, e destranquei a porta do quarto em seguida.
Assim que desci, encontrei sentado na sala, assistindo a um filme que eu não fazia ideia de qual era. Fui até ele e me joguei no sofá ao seu lado, deitando a cabeça na almofada em seu colo.
— Melhorou o humor? — desviou seu olhar do filme pra mim e soltou uma risada nasalada.
— Eu não estava de mau humor, só não acho que tenha que ficar te dando satisfações de tudo na minha vida. — dei ombros.
— Eu só queria saber se você estava com alguém, não te vi saindo ontem da corrida. — se explicou, e eu ri em concordância. Eu sabia!
— Eu sabia que era algo desse tipo. — balancei a cabeça negativamente, e ele deu ombros como se aquilo não importasse. — Você sabe que eu já tô bem grandinha pra saber o que eu devo ou não fazer, não é? — arqueio a sobrancelha, ainda o olhando.
— Mas você continua sendo minha irmã mais nova, não consigo te imaginar saindo com um cara por aí. — fez uma careta, e balançou a cabeça negativamente.
... — fiz uma pausa, e ele balançou a cabeça para que eu continuasse. — Você sabe que eu não sou mais virgem, não é? — seus olhos se arregalaram de uma forma, que parecia que iam sair do rosto e sair rolando pela sala.
— Você tá brincando, não é? — falou em tom desaprovador, e eu quase ri, mas achei melhor não fazer isso. — , isso é sério. — balança a cabeça negativamente e eu me sentei no sofá o olhando.
— Minha virgindade é coisa séria? — fiz uma careta confusa, e ele me olhou com reprovação. — Bom, eu não sou mais virgem desde os meus 17 anos. — ri fracamente, e pela terceira vez em menos de cinco minutos, ele balançou a cabeça negativamente.
— Eu ainda espero que esteja zoando da minha cara. — soltou uma risada sem humor.
— Eu não estou zoando. — falei com seriedade. — E você não devia se importar com isso, porque você não é virgem há muito tempo, e eu também não sou obrigada a ser. — dei ombros e ele passou as mãos pelo rosto.
— É só que quando você saiu daqui, você era uma criança, e agora que voltou já não é mais. — me olhou. — Eu não sei de muitas coisas sobre você nos últimos sete anos, nós perdemos muito da vida um do outro. — depois de ele falar aquilo, eu me vi obrigada a concordar.
— Eu sei disso, mas não precisa se preocupar com essas coisas. — o olhei mantendo a minha voz calma. — Eu sei colocar uma camisinha muito bem. — falei com humor na voz, e quando ele fez uma cara enojada eu gargalhei alto e me levantei indo pra sala de jantar, ainda rindo.
A mesa já estava posta quando eu me sentei e veio logo atrás. Nem fiz muita questão de esperar meu pai pra comer, pois eu estava com muita fome e ele tava trancado no escritório. também se serviu, e logo nós dois começamos a apreciar aquela lasanha maravilhosa feita por Sara.
— Como eu sentia falta dessa lasanha. — falei fechando os olhos para apreciar melhor aquela comida incrível. — Sara, está ótima essa lasanha. — a olhei enquanto ela servia o suco em nossos copos.
— Obrigada, . — sorriu maternalmente e me olhou. — Espero que você coma direito, já que nem almoçou hoje. — falou em seriedade e eu sorri com seu jeito de mãe.
— Se depender da minha fome, eu como toda essa travessa. — ri bebendo um pouco do suco em seguida, e ela balançou a cabeça rindo também e foi para a cozinha em seguida.
— Que bom que vocês estão aqui. — a voz grave do meu pai soou na sala de jantar, e eu parei de comer para olhá-lo. — Onde foi que passaram a noite? — olhou de mim para e se sentou na ponta da mesa.
— Em um hotel?! — falei com obviedade, apesar de aquilo ser uma grande mentira. E então ele me olhou.
— E por que não voltaram para casa? — arqueou a sobrancelha, começando a se servir.
— Porque estava tarde, e eu achei melhor irmos para um hotel. — respondeu antes que eu pudesse falar algo, e o meu pai o olhou.
— Você deveria parar de levar a sua irmã para essas festas que você vai. — falou com seriedade, e por um momento eu consegui ver revirar os olhos, mas ele não o fez. — E você, deveria se preocupar mais em estudar do que seguir seu irmão. — voltou seu olhar a mim e eu soltei uma risada nasalada.
— Nesses últimos sete anos, tudo o que eu fiz foi estudar. — o olhei mantendo o mesmo tom que ele usava. — Eu perdi uma parte da minha infância, e perdi praticamente toda a minha adolescência trancada na merda de um internato, estudando bem mais do que uma criança deveria estudar. — balancei a cabeça negativamente, e ele mais uma vez arqueou a sobrancelha.
— Eu te fiz estudar tanto, para ser alguém nessa vida. Ou você prefere ser uma ninguém como seu irmão? — olhou para , que só abaixou a cabeça se mantendo calado. — Eu quero que você assuma a minha empresa um dia. Eu quero que você seja como eu. — voltou a me olhar, e eu acabei fazendo uma cara incrédula com todas aquelas palavras.
— E o que eu quero? Não é importante? — soltei uma risada nasalada e neguei com a cabeça. — Ser igual a você? — dessa vez eu ri com vontade, fazendo me olhar em confusão. — Eu não quero ser igual a você. — fiz uma careta um tanto quanto enojada. — E o não é um ninguém... — balancei a cabeça e olhei para . — Ele é tudo o que eu tenho nessa casa, e fora daqui também. E se você quer saber... — fiz uma pausa voltando a olhar para o meu pai. — Eu prefiro mil vezes ser como ele, do que ser como você. — ele me olhou com uma cara nada feliz e negou com a cabeça.
— Eu só trouxe você de volta porque preciso de você na empresa, caso contrário, eu teria te deixado na Austrália. — falou com a voz grave ainda me olhando.
— Poderia ter me deixado lá, era melhor do que tá nessa casa, onde eu me sinto mais presa do que no internato. — dei ombros e me levantei jogando o guardanapo na mesa. — Eu perdi a fome. — saí da sala de jantar, e fui para o quintal, andei um tempo pela grama e me sentei debaixo de uma árvore.
Eu não iria deixar meu pai me tratar daquela forma, só porque vivia na mesma casa que ele, e ele me "sustentava". E muito menos, falar daquela forma do . Ele não merecia nada daquilo, e eu não deixaria acontecer.

Fiquei sentada ali no quintal por um bom tempo, tudo o que eu tinha para fazer era ficar olhando o céu, que estava nublado naquele dia. Eu não voltaria pra dentro até que tivesse a certeza de que meu pai estaria dormindo. Não fazia questão de ver a cara dele mais uma vez hoje.
Deitei-me na grama e fechei os olhos, então por um momento pude sentir o cheiro do perfume que usava na noite anterior.
Droga, eu precisava esquecer o .
— Não é melhor você ir deitar na sua cama? — a voz de chamou a minha atenção, e eu abri os olhos para olhá-lo.
— Enquanto aquele homem, que a gente chama de pai, estiver acordado, eu não entro pra essa casa. — falei com indiferença e ele balançou a cabeça, se sentando ao meu lado. — Não sei como você aguenta tudo o que ele fala de você, calado. — o olhei negando com a cabeça.
— Porque eu entendo o motivo de não ser o filho favorito, na verdade, eu nem sei como ele ainda me deixou morar aqui todo esse tempo. — riu fraco e se deitou ao meu lado.
— Depois de hoje, nem eu sou a filha favorita. — dei ombros e ele gargalhou. — Ele te deixou morar aqui, porque ele sabe que a culpa não foi sua. — o olhei mantendo a seriedade na voz. — Você não devia deixar ele te tratar dessa forma. — balancei a cabeça e pude o ouvir suspirar.
— Eu não tenho mais opção, . — me olhou. — É por trabalhar com ele que eu tenho dinheiro e outras coisas, sozinho eu não conseguiria nada, porque como ele disse... — fez uma pausa. — Eu não sou ninguém. — soltou uma risada nasalada e eu senti uma vontade imensa de socá-lo naquela hora.
— Você vai mesmo acreditar no que ele fala? — falei incrédula. — Olha pra você, . Você é um dos melhores naquelas corridas, e já ganhou muitas delas que eu sei. — me sentei ainda o olhando. — Você pode muito bem conseguir o que quiser sem o nosso pai, você não é nada do que ele falou. — balancei a cabeça.
— Não é o que parece com o ganhando de mim agora. — falou com desdém e se sentou também. — Você não imagina a vontade que eu tive de socar ele nessas duas últimas corridas. — fechou os olhos e negou com a cabeça.
— Tenho certeza que ele também quis te socar todas as vezes que você ganhou dele. — ri pelo nariz e ele me olhou.
— Você quer defender o justamente agora? — falou incrédulo e eu dei ombros.
— Qual é o problema de vocês? — falei como quem não queria nada, mas na verdade eu estava bastante curiosa. — Ninguém se odeia dessa forma por causa de nada. — ele riu de escárnio.
— Somos rivais nas corridas. — deu de ombros, mas eu sabia que ele mentia.
— Quer mentir justamente pra mim? — falei com ironia e ele riu verdadeiramente dessa vez.
— Esqueci que você é minha irmãzinha. — falou também com ironia e eu o empurrei na grama.
— Fala logo, . — revirei os olhos com sua enrolação e ele voltou a ficar sério, mas sem me olhar.
— Até um ano atrás, mais ou menos, eu e o éramos amigos... — antes de ele acabar de falar, eu acabei soltando um "sério?" um tanto quanto desacreditado e ele concordou. — Nós éramos da mesma equipe, só que inventaram de nos colocar pra disputarmos, só pra saber quem viraria o líder da equipe. — balançou a cabeça. — Ele não queria correr contra mim, mas eu insisti em correr com ele, porque eu queria provar que era o melhor. — deu ombros e riu pelo nariz. — Mas o acabou ganhando a corrida, e quando acabou eu fiquei muito puto por isso, e saí de lá pra encher a cara. — riu sem humor.
— E por isso vocês se odeiam? — falei em um tom de confusão, porque aquilo realmente não fazia sentido, então ele negou.
— Ele tinha uma namorada na época, Brooke. E bom, ela vivia dando em cima de mim, mas eu nunca dei bola porque ele era meu amigo, né. — eu concordei com a cabeça para que ele continuasse. — Mas depois daquela corrida, eu fiquei muito puto com o ganhando de mim, e acabei dormindo com ela. — ele riu fracamente e eu fiquei incrédula. Então o havia dormido com a namorada do ? Era aquilo mesmo que eu havia ouvido? — No dia seguinte, ele nos pegou na cama dela, só com um lençol nos cobrindo, e aí a gente brigou. — fez uma careta que eu não consegui decifrar o que ela descrevia. — Eu tava de ressaca, e acabei apanhando mais que batendo. E então, a gente não se falou mais. — balançou a cabeça.
— E como ficou a equipe? — o olhei curiosa em saber o resto da história, pois eu queria saber todo o resto da história da maior rivalidade dos rachas em Londres.
— A gente vivia brigando antes das corridas, e aí decidiram que não podíamos continuar assim. Ou a gente parava de brigar, ou teriam que escolher um de nós pra continuar na equipe. — colocou os braços nas costas, apoiando seu corpo nos braços.
— E aí escolheram você. — eu falei baixo completando sua história e ele concordou, me olhando confuso, mas eu dei ombros como se tivesse sido um chute.
— Me escolheram porque ele sempre foi muito impulsivo e fazia as coisas sem pensar. — riu baixo e negou com a cabeça.
— Você dormiu com a namorada dele, só porque ele ganhou de você na corrida, e ainda escolheram você? — falei incrédula com tudo aquilo, e ele deu ombros. — Queria poder te defender, mas você foi um babaca. — neguei com a cabeça.
— E você acha que fez alguma diferença pra ele? Porque a Brooke me disse que ele a traiu várias vezes, nos seis meses que namoraram. — riu pelo nariz e me olhou. — Inclusive, ela disse que queria dar o troco.
— Só não precisava ser com o amigo dele. — me levantei limpando a parte de trás da minha calça.
— Você ficou brava comigo por causa do ? — fez uma careta incrédula e se manteve sentado na grama.
— Eu tenho motivos pra isso? — arqueei a sobrancelha e ele deu de ombros. — Na verdade, eu já vou entrar, nosso pai já dormiu. — apontei para a janela do quarto do nosso pai, onde a luz já estava apagada. — Boa noite. — mandei beijos no ar e fui em direção a casa.
— Boa noite. — respondeu alto para que eu ouvisse, e falou mais alguma coisa que eu não entendi, pois já havia entrado.
Entrei em casa e subi direto pro quarto, tranquei a porta e me joguei na cama.
Então era por isso que os dois se odiavam. O havia dormido com a namorada do . E pra melhorar tudo, escolheram o , mesmo o tendo ganhado, para manter na equipe.
Era disso que ele falava!
A ex dele escolheu o , e a equipe dele também.
Agora eu conseguia entender o motivo dele ter me falado aquilo mais cedo. Ele não me parecia errado agora.

Assim que cheguei naquela corrida, falei alguma coisa com , que eu não lembrava o que era, e saí por ali à procura do . Claro que não sem antes distrair , para que ele não pudesse ver aonde eu ia.
Não demorei muito a avistar atrás do galpão onde nos encontramos na outra corrida, mas ele não estava sozinho, estava com uma loira alta que falava algo para ele, ainda sim, eu me aproximei.
— O é meu amigo agora, quer dormir com ele também? — pude ouvir o tom irônico na voz de , e em seguida vê-lo negar com a cabeça.
— Ainda com dor no cotovelo, ? Supera isso logo. — ela falou em tom de deboche, e riu em seguida.
— Dor de cotovelo por sua causa? — ele usou o mesmo tom que ela. — Minhas noites estão sendo incríveis sem você, e te garanto que não passo elas sozinho. — negou com a cabeça e deu um sorrisinho vitorioso, típico dele. — Por que não vai procurar o ? Ou ele não era tão bom na cama? — arqueou a sobrancelha, e então me viu alguns metros atrás da garota. Pelo jeito que ele falava, eu deduzi que aquela era a tal Brooke.
— Ele é bem melhor que você, se você quer saber. — ela continuou com o tom debochado, mas manteve o sorrisinho nos lábios, mesmo que em seu olhar a raiva era evidente.
— Então por que não vai ficar com ele? Ele não te quis, não foi? — balançou a cabeça e soltou um risinho um tanto quanto debochado. — É claro que não, você foi só mais uma pra ele, na verdade... É o que você é para todos. — e o estalo do tapa que ela deu em seu rosto, soou estridente. — Irônico isso, não é? — ele falou sem se deixar abalar pelo tapa. — Você me traiu com o meu amigo, mas quando eu te falo a verdade você me dá um tapa? — riu de escárnio. — Tá tentando provar que ainda resta um pouquinho de dignidade? — ela levantou a mão para lhe dar outro tapa, mas eu a impedi segurando seu braço.
— Garota, sai daqui e mantém o que te resta de vergonha na cara, se é que ainda resta. — falei com indiferença e ela me olhou com os olhos cerrados.
— Quem você pensa que é para me falar o que eu devo ou não fazer? — puxou seu braço com força o fazendo se soltar da minha mão, e se virou para mim.
— Ninguém que você queira se meter. — mantive o tom sério na minha voz, e ela riu.
— Você não é ninguém, e tá querendo me botar medo? — falou com deboche apontando o dedo para mim, e balançou a cabeça.
— Acredite em mim, eu posso ser a pior pessoa da sua vida. — falei a olhando nos olhos, e abaixei seu dedo apontado para mim, e seu sorrisinho se fechou.
— Nos falamos depois, . — ela falou o olhando e em seguida saiu rebolando e batendo seu salto em direção as outras pessoas.
— Tá tudo bem? — falei após ter certeza que ela não voltaria, e o olhei.
— Estava ótimo, até você chegar. — falou com indiferença e eu arqueei a sobrancelha. — Eu não preciso que você me defenda, e muito menos que se meta na minha vida. — manteve seu tom, e também seu olhar em mim — Minha vida sempre foi ótima sem nenhum , primeiro veio o seu irmão, e dormiu com a minha namorada. — apontou para a direção onde Brooke havia ido — Aí apareceu você para, literalmente, foder ainda mais com a minha vida. — riu sem humor e voltou a me olhar.
— Caramba... — soltei uma risada nasalada e balancei a cabeça — Bem que o disse que você era impulsivo. — ri sem humor.
— É claro que a culpa é sempre minha. — balançou a cabeça e riu de escárnio. — Você é tão hipócrita quanto seu irmão. — ele praticamente cuspiu aquelas palavras na minha cara, e eu quis lhe dar um belo tapa na cara, mas não o fiz.
— O errou, eu sei, mas você não precisa ser babaca a esse ponto. — falei entre dentes, e soltei uma risada nasalada. — Nada justifica ele ter dormido com sua namorada, mas isso é passado, .
— Por que não me surpreende você defender seu irmão? — negou mais uma vez com a cabeça e andou um pouco ali onde estávamos — Se ele é tão bom assim, por que você não o pede para entrar na equipe dele? — me olhou com a sobrancelha arqueada. — Ele não vai deixar, não é? Porque você é a irmãzinha dele, que ele precisa tanto proteger, mas que ele não faz ideia de que pode ser pior do que ele. — soltou uma risada nasalada e balançou a cabeça.
— Eu nunca pedi pra entrar na sua equipe, você me ofereceu uma corrida e depois quis me colocar na equipe, eu não precisava da sua ajuda pra conseguir correr. — falei com desdém, enquanto apontava o dedo pra ele.
— Olha pra você. — me olhou de cima a baixo. — Você é uma garota mimada, que só começou a ser rebelde porque queria ir contra o papaizinho. — falou a última palavra com ironia. — Você não consegue nem ser você mesma perto deles. — balançou a cabeça.
— Cala a merda da boca. — falei entre dentes, enquanto cerrava o punho de tanta raiva que estava. — E você não passa de um badboy, impulsivo, repugnante, que desconta em todo mundo suas frustrações. — cuspi as palavras em sua cara.
— Ei, ei, vamos parar com isso aqui. — falou se aproximando da gente e entrou entre nós. — Eu não sei o que está acontecendo, mas ouvi o suficiente para saber que não é nada bom. — balançou a cabeça negativamente. — Só que aqui não é lugar de vocês lavarem roupa suja. — nos olhou com repreensão.
— Tá na hora da sua corrida. — se aproximou, sem saber o que acontecia ali, e me entregou a chave.
— Você não pode correr assim. — falou com um tom sério, e me olhou enquanto se encostava em seu Dodge. — Não depois de uma briga como essa. — negou com a cabeça.
— Que briga? — perguntou confuso, intercalando seu olhar entre nós três.
— Eu já corri em situações piores. — ignorei a pergunta do , e a olhei. — Por exemplo, quando meu namorado me traiu com a minha melhor amiga, e ainda disse que a culpa era minha, que não estava sendo o suficiente para ele. — falei olhando para , que levantou seu olhar para mim, com uma feição surpresa e soltei uma risada nasalada. — Não é uma briguinha ridícula como essa, que vai me impedir de ganhar essa corrida. — balancei a cabeça e dei a volta no lamborghini, abrindo a porta do motorista. — E, ? — o olhei. — Não se preocupa, essa é a minha última corrida pela sua equipe. — falei antes de entrar no carro, e em seguida saí em direção a pista.
Assim que cheguei à pista, apresentaram todos os concorrentes, mas eu nem havia prestado atenção, a única coisa que havia ouvido era que tinha um corredor da equipe do , e eu já devia imaginar. Logo uma garota quase seminua, de tão curta que era sua roupa, parou entre os carros e nos deu a deixa para partir.
Eu consegui sair na frente, e pegar uma boa distância dos outros carros. Eu estava com tanta raiva do , que acabei descontando no acelerador. O que não era de todo ruim.
Quando fomos fazer a primeira curva, um dos carros acertou a minha traseira, me fazendo perder a direção e ir direto para as pedras.
— Filho da puta! — falei entre dentes batendo as mãos no volante, e logo vi o carro ultrapassar. Eu tinha quase certeza, de que era o corredor da equipe do .
Girei o volante e acelerei com vontade para que o carro saísse das pedras, mas não sem antes os outros dois carros me ultrapassarem.
Ótimo! Agora eu estava em último lugar.
Faltavam alguns minutos de corrida, e pela velocidade que eu ia, eu conseguia ultrapassar. Ativei o botão do nitro, e comprovei a minha teoria, após passar de uma vez entre o Camaro e o MAZDA RX-7. Eles pareciam ter entrado em uma competição contra o outro, e estavam tão dispostos a ganhar, que seus carros corriam lado a lado, com pouca diferença de distância.
Depois de fazer a curva, avistei o Gran Torino verde, o mesmo da última corrida. Eu sabia que era um corredor do .
Acelerei ainda mais o carro, e troquei a marcha, assim consegui alcançá-lo e correr lado a lado com ele. Olhei para o lado direito onde seu carro estava, e pude ver sua feição nada feliz. E com uma risada um tanto quanto debochada, eu acelerei o carro ao máximo e ganhei a corrida, o deixando em segundo lugar.
Diferente da outra corrida, enquanto todos gritavam animados, eu não fui com o carro até lá, apenas o levei de volta para trás do galpão, onde e me esperavam.
— Você correu muito bem. — falou enquanto eu descia do carro, e eu sorri, mas sem muita vontade daquilo.
— Desculpa pelo carro. — olhei para , enquanto ia até a parte de trás olhar o estrago que a batida havia me causado.
— Tá tudo bem, . — ela balançou a cabeça e me olhou em seguida.
— Usa o dinheiro dessa corrida pra consertar. — lhe entreguei a chave.
— Você tem certeza que quer sair da equipe? — falou com um pouco de pesar na voz, e eu apenas concordei com a cabeça.
— O que aconteceu entre vocês? Vocês estavam bem na semana passada. — falou se aproximando da gente, e eu o olhei, mas em seguida desviei meu olhar para um canto qualquer.
— Bem até de mais. — soltei uma risada nasalada e balancei a cabeça em seguida. — Foi bom correr na equipe de vocês. — voltei a olhá-los e sorri. apenas me olhou, e pelo seu olhar eu sabia que ela me perguntava se eu tinha certeza, e mais uma vez, eu concordei.
Despedi-me deles e sai de trás do galpão, indo para onde estavam todas aquelas pessoas, esperando pela próxima corrida. Porém, um murmurinho próximo à barraca de bebidas, chamou a minha atenção, não só a minha, como a de grande parte das pessoas ali. Então me dirigi até lá, e logo avistei socando o rosto do corredor da equipe do , o que havia corrido comigo.
O outro até tentava reagir, mas o máximo que conseguiu, foi acertar um soco na boca de , que não se deixou abalar por aquilo, e continuou a bater.
Não demorou muito para que outro homem, que eu deduzi ser amigo do que apanhava, ir até lá e acertar com um chute na costela, o fazendo parar de bater no amigo. logo se meteu na briga, batendo no homem que havia acabado de aparecer.
O alvoroço ali se tornou maior, e logo todos estavam gritando em apoio a briga. Eu não sabia o que fazer, ou para onde ir, até que senti meu braço ser puxado no meio da multidão e foi quando eu vi .
— Vamos embora daqui, isso pode ficar bem pior. — ele falou com seriedade, e eu voltei meu olhar para a briga, onde algumas pessoas já haviam os separados, e pude ver , bem machucado, mas o cara da equipe do estava bem pior.
Voltei meu olhar para , e concordei com a cabeça, então logo saímos dali e entramos em seu carro, onde ele logo deu a partida se afastando do racha.
— Eu te disse que o era impulsivo. — me olhou rapidamente, mas em seguida voltou seu olhar as ruas.
— Pode até ser, mas aquele cara da sua equipe mereceu cada soco recebido. — o olhei falando com uma completa indiferença.
— O Patrick só estava correndo, e usou a tática pra ganhar. — deu ombros acelerando ainda mais o carro.
— Na verdade, ele estava com medo de perder de novo e bateu no carro da corredora do , pra tentar ganhar... — balancei a cabeça negativamente. — Mas ainda sim ele perdeu. — ri pelo nariz. — Vamos confessar que ela é melhor do que qualquer um da sua equipe, não é? — ele me olhou com a sobrancelha arqueada.
— Melhor do que eu, ela com certeza não é. — falou convencido, e por um momento eu quis rir, só não o fiz, porque não estava nada feliz. — Talvez algum dia eu tenha a chance de correr com ela. — voltou seu olhar para rua, e eu balancei a cabeça.
— Isso não será mais possível. — falei baixo para que ele não ouvisse, e confirmei que ele não havia ouvido, quando ele não falou mais nada, e apenas seguiu o caminho para casa.

(...)

~ pov's on~

Entrei no pub, onde estava tudo com uma luz mais escura, e várias pessoas espalhadas pelo local, rindo e bebendo suas bebidas, parecendo não ter nada o que se preocupar.
Aproximei-me do bar, onde a única pessoa que estava sentada, era um homem de mais ou menos, uns 40 anos, que bebia seu whisky, mas pela sua cara, já havia bebido uns três a quatro, ou mais que isso. Pelo menos alguém ali não parecia extremamente feliz e sem nenhum problema, pelo contrário, ele parecia completamente frustrado, bem parecido com meu estado.
— Um whisky puro... Duplo. — falei me sentando em um dos bancos em frente ao balcão, e passei a mão no cabelo olhando em volta.
Balancei a cabeça negativamente, e me voltei para o copo que o barman já havia colocado a minha frente, e o peguei virando o líquido de uma só vez, o sentindo descer queimando pela minha garganta. Minha noite já estava uma droga, uma ressaca no dia seguinte, não a deixaria pior.
Desde a minha briga com a , eu só conseguia me sentir assim. Depois que ela falou sobre a traição do namorado dela, eu não sabia o que sentir. Ela havia passado o mesmo que eu, e eu havia dito coisas horríveis pra ela.
Parabéns, ! Você conseguiu ser extremamente idiota.
Já havia se passado duas semanas que eu não a via... Duas semanas e eu não conseguia parar de pensar em toda aquela discussão. Nela correndo, muito bem, mesmo com tudo aquilo. E ainda conseguir ganhar a corrida, mesmo depois de tentarem atrapalharem-na. Ela era mesmo incrível.
Eu não sabia o que aquela mulher estava fazendo comigo, mas eu não costumava agir daquela forma por mulher nenhuma. Mas aquela garota era diferente de todas, eu não sabia dizer em quê, ou o porquê, mas ela era.
— Mais uma dose, por favor. — falei para o barman empurrando meu copo em sua direção e ele logo serviu mais uma dose do whisky.
O segundo copo, eu não virei de uma só vez, eu o beberiquei enquanto descascava um amendoim que estava em cima do balcão, jogando as cascas no compartimento, e fazendo o mesmo com o amendoim em seguida.
Olhei para o homem ao meu lado, e ele saia da cadeira, caindo para os lados. Tirou uma nota de cinquenta libras do bolso do paletó e colocou sobre o balcão, ao lado do copo vazio, e em seguida saiu cambaleando pub a fora.
Eu provavelmente iria sair da mesma forma, era possível que até pior. Eu não planejava fazer nada, além de encher a cara, até não aguentar mais.
— Uma tequila, por favor. — ouvi aquela voz que eu conhecia bem falar, e olhei para o lado, vendo curvada sobre o balcão brincando com a pulseira em seu braço.
Ela vestia um vestido preto colado ao corpo, que tinha um decote um tanto quanto sexy, e batendo na metade de suas coxas deixando aquelas belas pernas à mostra. Seu cabelo estava solto, e com alguns cachos na ponta, e usava um batom vermelho nos lábios, que os faziam chamar ainda mais atenção.
Assim o barman lhe serviu a tequila, ela a bebeu de uma só vez após lamber o limão de sua mão, e em seguida chupou o limão, fazendo uma careta em seguida. Soltou um gritinho e levantou os braços voltando para a pista, e começando a dançar.
Peguei o meu copo e fui para uma mesa no canto, onde tinha uma mesa que eu poderia observá-la, sem que ela me visse. E era tudo o que eu mais queria fazer.
Ela dançava jogando os braços para cima, no meio de outras garotas, nas quais ela provavelmente nem conhecia, mas não se importava. Tudo o que ela queria era dançar.
A cada música que acabava ela ainda continuava na pista. Eu não fazia ideia de como ela ainda se aguentava naqueles saltos tão altos.
Depois da quarta, ou quinta música que ela dançava, ela foi até o bar novamente. Pediu algo ao barman, e ele logo trouxe um drink rosa, e mais uma tequila, que ela virou sem nem pensar, e voltou para a pista bebericando o drink.
O jeito no qual ela ria sozinha na pista, e cambaleava algumas vezes na volta do bar, só me fazia ter certeza de que ela estava bêbada. E pelo visto, eu não era o único que queria encher a cara e esquecer até do meu nome. Ela estava no mesmo caminho, só que fazendo isso direito, porque eu só conseguia olhá-la, tanto que ainda me mantinha em meu segundo copo de whisky. Era engraçado, porque eu queria beber por causa dela, e por estar olhando pra ela, eu não conseguia beber.
Irônico...
Olhei as horas no celular depois de receber uma mensagem de , e já passava das 02:00 AM. Voltei a guardar o celular e pedi uma cerveja no bar, e olhei para o lado vendo novamente encostada no balcão, pedindo outra bebida. Eu já havia perdido a conta do quanto ela tinha bebido, isso porque eu não sabia quanto ela bebeu antes que eu chegasse.
Tocava uma música eletrônica agitada, e ela se balançava no ritmo, mas sem sair do balcão a espera da sua bebida. Foi quando um cara que parecia ser um pouco mais velho do que eu, se aproximou e espalmou a mão na bunda dela, a apertando com força.
Meu sangue ferveu com aquilo.
Antes que eu pudesse levantar para fazer algo, ela se virou e acertou em cheio o nariz do cara com um soco, fazendo com que seu corpo fosse para trás.
Eu não conseguia parar de olhá-la e repetir mentalmente o quanto aquela garota era incrível, o quanto ela me encantava cada vez mais. E no quanto eu estava louco por ela. No quanto eu a queria, não só por uma noite, mas em todos os momentos possíveis. Eu a desejava, como nunca desejei ninguém.
— Você tá louca, sua vadia? — saí dos meus devaneios com o cara falando, indo para cima de , que estava encurralada entre ele e o balcão, e tentava se defender com tapas.
— Louco é você que fica pegando na bunda de uma mulher sem o consentimento dela. — ela falou com a voz firme, e nem parecia estar bêbada.
— Se você não quisesse, não estaria empinando a bunda pra mim. — ele falou deixando seu tom de voz entre o raivoso e o malicioso, e pude notar ela revirar os olhos.
— Cara, sai daqui antes que você tome outro soco. — me aproximei e empurrei o homem, dando espaço para ela sair.
— Não devia deixar sua namorada solta por aí. — ele me olhou antes de se afastar, e bufou com indignação.
— Eu não sou namorada dele, idiota. — ela falou alto para que o cara ouvisse, e me olhou com indiferença se virando novamente para o balcão e virando o drink que havia pedido anteriormente de uma só vez.
— Você devia parar de beber. — me encostei no balcão ao lado dela, e a olhei.
— Quem é você? Meu pai? — ela falou sem me olhar, pedindo outra bebida para o garçom.
Soltei uma risada nasalada e balancei a cabeça me mantendo ali sentado ao lado dela, apesar de que ela me ignorou o tempo todo. Era como se eu não estivesse ali perto dela. E pra melhorar, ela resolveu ir pra pista de dança, e começar a dançar de uma forma completamente sexy, enquanto me olhava.
Ela passava as mãos pelo corpo, e balançava o corpo no ritmo da música. Jogava o cabelo para o lado, deixando o pescoço completamente exposto, e mordia o lábio inferior de uma forma que me deixava completamente louco. E eu logo pude sentir minha calça começar a apertar, pelo volume que crescia entre minhas pernas.
Droga, !
Quando dei por mim, ela estava subindo em uma mesa e ameaçando a tirar o vestido, enquanto vários homens faziam uma roda ao redor da mesa, e gritavam para que ela tirasse a roupa. Ótimo!
Levantei-me, de onde estava e andei até a mesa, a vendo gargalhar enquanto descia as alças do vestido, mas as voltava para o lugar, deixando os homens frustrados.
, desce daí e vamos pra casa. — falei me aproximando da mesa, a fazendo me olhar.
— Eu não vou pra casa com você, você não é nada meu. — ela me olhou e subiu um pouco do vestido, bebericando uma garrafa de cerveja que alguém a deu. — Liga pro meu pai, diz pra ele que a garotinha mimada dele, está dançando em cima de uma mesa. — ela falou com ironia e indiferença ao mesmo tempo, fazendo os caras gritarem e me olharem.
— Você tá parecendo mesmo uma garotinha mimada agora. — mantive meu olhar nela, sabendo que hora ou outra ela desceria dali pra me xingar. — Uma garotinha que bebeu mais do que consegue, e agora está querendo chamar atenção em cima de uma mesa. — balancei a cabeça e ela logo desceu da mesa, andando na minha direção, com um olhar furioso.
— Eu não preciso chamar atenção de ninguém, e não quero isso também. — falou entre dentes, enquanto eu andava de costas em direção ao balcão.
— Eu sei que não, só que eu precisava tirar você ali de cima. — dei ombros, e tirei o dinheiro do bolso, o colocando no balcão. — Cobra o dela também e fica com o troco. — olhei rapidamente para o barman e voltei o olhar para ela. — Me deixa te tirar daqui? — falei baixo dessa vez, e ela bufou concordando com a cabeça. Eu coloquei a mão em suas costas, a guiando para fora, mas ela parou no caminho.
— Minha bolsa, e meu casaco. — olhou para o armário atrás do balcão, onde havia vários casacos.
— Vou buscar pra você. — fui até o barman, e o pedi para pegar, e assim ele fez, me entregando tudo e eu voltei até onde ela estava, lhe ajudando a vestir o casaco, e segurando sua bolsa. Assim saímos do pub.
Fomos em direção ao meu carro, e logo que entramos, eu a ajudei a colocar o cinto, enquanto tomava alguns tapas por sem querer, me aproximar demais de seu decote.
— Eu já disse que não foi por querer. — falei segurando sua mão, quando ela foi me acertar mais um tapa no braço. — Eu só queria te ajudar a colocar o cinto. — voltei a me ajeitar no banco, colocando o meu cinto.
— Eu não preciso de ajuda, eu sei fazer isso. — revirou os olhos, de uma forma entediada. — Nem preciso de você pra me levar pra casa. — abriu a porta, mas ao tentar sair do carro, foi puxada de volta pelo cinto, o que a fez bufar de raiva. Eu quase ri com aquilo, mas achei melhor me segurar.
— Eu só queria te ajudar a não fazer nenhuma besteira lá dentro, ainda mais depois de ver aquele homem pegando na sua bunda, aproveitado que você estava bêbada. — a olhei, esperando que ela voltasse a se ajeitar no banco.
— Isso é porque homens, só respeitam as mulheres quando elas estão com outro homem. — puxou a porta novamente, a batendo com força e eu fechei os olhos para não brigar por aquilo. — Acham que só porque estamos um pouquinho bêbadas, podem fazer o que bem entendem. — ela falou abrindo um espaço entre o indicador e o polegar para mostrar o pouquinho, que não era nem perto do quanto ela realmente estava bêbada. — Mas eu não preciso que você me defenda. — voltou a me olhar, cerrando os olhos para seguida. — Eu não preciso que homem nenhum me defenda, posso fazer isso sozinha. — falou com um tom enfurecido e eu dei a partida, antes que ela pensasse em descer novamente. — E só pra você saber... — fez uma pausa para me olhar enquanto encostava a cabeça no banco. — Eu não sou nenhuma garotinha mimada, que faz essas coisas por causa do pai, ou pra chamar atenção. — balançou a cabeça tantas vezes, que logo ficaria com dor de cabeça. — Eu só faço tudo isso porque me privaram de ser como as outras crianças e adolescentes, e se eu não podia fazer normalmente, eu faria escondida. — ela riu pelo nariz, e deu ombros em seguida. — Mas você não precisa saber disso, na verdade, você nem quer saber. — fez uma careta de desdém, ainda me olhando e eu retribui seu olhar por alguns segundos, atravessando por um sinal vermelho. — Você só queria me levar pra cama não é? Por isso me deixou entrar na sua equipe? — cerrou os olhos novamente, e eu neguei com a cabeça.
— Claro que não. — falei incrédulo com sua acusação, prestando atenção na rua. — Eu só queria mesmo saber se você era tão boa quanto parecia, e se você quer saber... — voltei meu olhar a ela. — Você é a melhor corredora que eu já vi. — voltei a olhar para o caminho que fazia. — É melhor até que eu e seu irmão juntos. — soltei uma risada nasalada. Eu não estava falando aquilo para agradá-la, ainda mais que ela não se lembraria de nada amanhã, era a verdade. Ela era mesmo melhor do que nós dois juntos.
— E por isso você me falou todas aquelas coisas. — ela falou com ironia, mantendo seu olhar na rua a nossa frente.
— Eu falei aquilo sem pensar, foi tudo na hora da raiva. — balancei a cabeça negativamente, e o olhei rapidamente, voltando a prestar atenção no caminho.
— Porque você é impulsivo, idiota, babaca, sem noção, e muito mais que eu não consigo pensar agora. — ela fez uma careta um tanto quanto engraçada, e que demonstrava o quanto ela estava bêbada. Eu até riria, se ela não estivesse me xingando. — Você ficou bravo porque eu disse que não podia acontecer mais nada entre a gente. — ela balançou a cabeça, e virou seu rosto para a janela ao seu lado.
— Eu fiquei bravo por você usar o como desculpa pra isso, não por você ter me dado um fora. Todo mundo já levou um fora na vida. — soltei uma risada nasalada. — Mas você usar a desculpa de se o descobrisse, foi demais. Você não estava fazendo por você, mas por ele. — troquei a marcha e passei por mais um sinal vermelho.
— Não foi por ele, foi por que... — fez uma pausa e me olhou. — Porque eu não queria ter que escolher entre você e o meu irmão, seria uma escolha impossível pra mim. — falou com um tom de voz baixo, mantendo sua voz em mim. — E eu fui falar com você na corrida, porque ele me contou tudo o que aconteceu com a sua ex. — soltou uma risada fraca. — Eu fui dizer que entendia o seu lado, sua raiva do , mas você me tratou como um nada. — ela suspirou e voltou a olhar para frente.
— Eu me arrependo muito por isso... — falei baixo e imitei seu suspiro. — De verdade. — completei a olhando enquanto virava a rua.
Ela assentiu, e não falou mais nada. Eu também não o fiz, não estava nem um pouco a fim de fazer ou falar mais alguma besteira, que a levaria a voltar a me xingar.
Fomos o resto do caminho em silêncio, e quando eu entrei no estacionamento do meu prédio, ela me olhou confusa.
— Por que você me trouxe pra sua casa? — falou sem entender, encostando a cabeça no banco pra me olhar.
— Porque se eu chegasse com você bêbada, na sua casa, há essa hora, provavelmente o iria ficar uma fera, achando que eu te embebedei. — parei o carro na minha vaga, e a olhei, então ela concordou com a cabeça.
— O ia te matar. — ela fez uma careta e riu em seguida, eu acabei por fazer o mesmo e concordar.
— Vamos subir? — falei depois de um tempo que ficamos em silêncio, e ela assentiu. Tirei meu cinto e abri a porta tirando a chave da ignição, saindo do carro em seguida.
? — pude ouvir me chamar um pouco baixo, e me abaixei para olhá-la. — Me ajuda a tirar o cinto? — ela fez uma careta, e eu ri baixo concordando com a cabeça.
Fechei a porta, e dei a volta no carro, indo até o lado do passageiro onde ela estava. Abri a porta e me abaixei na altura dela, tirei seu cinto a ajudei descer, pegando sua bolsa de seu colo. Ela desceu cambaleando um pouco, e segurando no meu braço, mas os sapatos continuavam em seus pés.
— Não quer tirar isso? — apontei para os sapatos dela, enquanto fechava a porta e trancava o carro.
— Não. — balançou a cabeça e deu ombros, como se aquilo não a incomodasse, e eu fiz uma careta seguindo o caminho para o elevador em seguida.
Entramos no elevador, e ela se encostou no vidro de trás, e se escorou em meu braço, deitando a cabeça em meu ombro. Por mais que os saltos a deixassem maior do que eu, ela conseguiu se equilibrar com facilidade, mesmo curvada. O que eu nunca ia entender como uma mulher bêbada como ela estava, conseguia se equilibrar num salto tão alto e fino daquela forma.
Assim que chegamos ao meu andar, saímos do elevador e fomos para o meu apartamento. Entramos, e eu a guiei até o meu quarto. Deixei sua bolsa na poltrona, e quando fui a acompanhar para cama, ela tropeçou nos próprios pés e caiu na cama, me puxando junto. Então ela gargalhou, gargalhou gostosamente, e eu não pude deixar de rir junto.
Enquanto nossas risadas se cessavam, ela me olhava atentamente, enquanto passava seu polegar em meu rosto, terminando a trilha em meus lábios.
— Você é tãooo bonito. — falou séria, arrastando o "tão" de uma forma engraçada.
— E você é linda, muito linda. — coloquei uma mecha do seu cabelo atrás da orelha, ela mordeu o lábio inferior, me fazendo voltar o olhar para seus lábios vermelhos.
— E também é gostoso. — ela falou com um sorrisinho malicioso, e eu acabei rindo e balançando a cabeça.
— Você também é gostosa, . — a chamei por seu apelido, e ela deu um sorrisinho antes de morder minha boca e puxar meu lábio inferior entre os dentes.
Antes que eu pudesse falar algo, ela iniciou um selinho prolongado, pedindo passagem para língua em seguida. Eu não demorei nada a ceder, até porque eu queria muito beijá-la. Eu sentia falta de beijá-la.
Era um beijo calmo, mas com muito desejo, e dava pra ver que ela também sentia falta daquilo. Logo que sua mão começou a subir minha blusa para tirá-la, eu cortei o beijo e me levantei. Aquilo não podia acontecer... Não com ela bêbada daquela forma.
— Você não quer? — ela falou de uma forma inocente, e eu até riria, se não estivesse tentando me manter centrado. — Não quer repetir a nossa outra noite? — ela se sentou na cama, ainda me olhando. — Não quer me foder como você fez aquele dia? — ela falou, mudando sua voz para um tom extremamente sujo, e logo ficou de pé, abrindo a lateral do vestido, o deixando cair em seus pés. E ficando apenas de calcinha.
Ela não estava usando sutiã, pra piorar toda a minha vida.
, você tá bêbada. — balancei a e fechei os olhos para não olhar para seus seios completamente expostos para mim. — Eu quero muito foder com você... — me aproximei dela, e ela deu um sorrisinho malicioso. — Mas quando você estiver sóbria, e não puder se esquecer. — peguei seu casaco na cama, e coloquei na frente de seu corpo, a fazendo suspirar e fazer um bico, que ficava entre o fofo e o engraçado.
— Eu não sou tão boa como as outras, ? — ela fez uma voz magoada, e eu a olhei, segurando em seus ombros.
— Você é bem melhor que todas elas. — coloquei uma mecha do seu cabelo atrás da orelha. — Eu juro. — cruzei os dedos em frente ao rosto, e ela sorriu. — Mas nós não vamos transar hoje... — balancei a cabeça. — Porque você não está em condições de escolher, e seria bem errado da minha parte. — beijei sua bochecha.
— Eu posso escolher... E eu escolho fazer sexo. — ela falou dando ombros e jogando o casaco de volta na cama, e eu acabei rindo da sua atitude.
— Você precisa de um banho. — a olhei e ela deu um sorrisinho empolgado, e eu balancei a cabeça a levando para o banheiro.
Logo que chegamos ao banheiro, a levei para o box e liguei o chuveiro deixando na água fria, o que a fez gritar, mas era só assim pra passar um pouco sua embriaguez.
Depois de gritar que a água tava gelada, me xingar, e me molhar todo, ela se acalmou, e eu finalmente a tirei de debaixo do chuveiro. A enrolei na minha toalha, que estava pendurada, e voltamos para o quarto com ela batendo o queixo.
— Você... Foi... Muito... Mal... — ela falou pausadamente por causa do frio, e eu não disse nada, apenas ri e levei para a cama, e a coloquei sentada lá.
Peguei uma camisa minha, e voltei até onde ela estava, lhe ajudando a vestir, enquanto ela ainda batia o queixo, e tremia. Sequei seu cabelo com a toalha, e em seguida com o secador para que ela não pegasse uma pneumonia, e a ajudei a se deitar, e se cobrir com o meu edredom.
— Você não vai dormir comigo? — ela me olhou, fazendo uma cara um tanto quanto fofa, e eu sorri.
— É melhor não, porque você vai acordar e querer me matar. — ri pelo nariz, e ela novamente fez bico. O que eu percebi ser uma mania, mesmo que só quando ela estava bêbada.
— Mas você vai ficar aqui até eu dormir? — deitou a cabeça para o lado, e piscou algumas vezes, a deixando com uma carinha bastante infantil.
— Eu vou ficar. — me deitei ao seu lado, e fiquei lhe fazendo cafuné, e não demorou pra que ela fechasse os olhos.
? — me chamou baixinho, e eu respondi com um "oi" quase sem som, mas ela ouviu. — Eu não estou mais brava com você... — falou e em seguida pegou no sono, me fazendo sorrir.
A olhei dormir por um tempo, e continuei lhe fazendo cafuné. Ela dormia tão serenamente, que nem parecia estar me batendo no carro. Ri baixo ao pensar no quão contraditória ela foi, ao me bater por ficar muito perto de seu decote, e depois tirar toda a sua roupa, me pedindo para fazer sexo.
Ela realmente mexia comigo de uma forma que nenhuma outra mulher havia feito. E eu não sabia como, ou o porquê de ser assim, mas era uma sensação que eu gostava.
Beijei sua testa levemente, e me levantei. Coloquei suas coisas sobre a poltrona e saí do quarto encostando a porta. Fui para o quarto de hóspedes, e me joguei na cama da forma que eu estava.
Quem diria que os meus planos de me embebedar por uma mulher, seriam estragados justamente por essa mulher, e ela acabaria dormindo na minha cama? Bom, eu nunca imaginei que isso aconteceria... Contanto, era melhor daquela forma.
~ pov's off~



Capítulo 4

Abri os olhos sentindo a claridade do quarto os fazer doer, então os fechei novamente, colocando as mãos sobre o rosto. Minha cabeça parecia que ia explodir a qualquer momento. E meu estômago parecia que iria pular pra fora a qualquer hora.
Levantei-me correndo da cama e fui para o banheiro, me abaixei em frente à privada e vomitei todas as bebidas que havia ingerido na noite anterior. E eram muitas, porque eu estava numa ressaca terrível.
Malditas bebidas!
Depois de colocar tudo pra fora, me levantei e abri todas as gavetas possíveis atrás de uma escova de dente, e logo achei uma embalagem fechada e a abri sem me preocupar se o dono da casa acharia ruim. Coloquei um pouco de creme dental na escova, e escovei os dentes enquanto me olhava no espelho. Meus olhos estavam borrados por causa do rímel, meu rosto estava um pouco inchado, meus olhos fundos e meu cabelo bem bagunçado. Eu estava péssima. Parecia ter sido atropelada por um ônibus.
Acabei de escovar os dentes, então lavei o rosto tirando os vestígios de maquiagem, e prendi o cabelo em um coque. Eu não tinha muita opção, já que ele estava uma merda.
Sequei as mãos e o rosto na toalha, que tinha um perfume conhecido, mas que eu não me lembrava de onde. E foi só então que eu notei que estava vestindo uma camisa masculina do Gun's n roses, que tinha o mesmo perfume da toalha.
Que merda eu havia feito ontem à noite?
Foi o que eu pensei antes de balançar a cabeça negativamente e voltar para o quarto. Olhei em volta, e só então reconheci o lugar. Era o quarto do , eu estava na casa dele. E pior, havia dormido na cama dele, vestindo apenas a camisa dele e a minha calcinha.
Eu não sabia dizer se aquilo era bom ou ruim. Bom porque eu não havia passado a noite com um desconhecido, mas ruim porque eu havia passado a noite com o , mesmo depois de ter prometido para mim que nunca mais chegaria nem perto dele depois daquela briga.
Balancei a cabeça negativamente e suspirei, peguei meu celular dentro da bolsa na poltrona e o liguei, já que havia desligado quando saí de casa na noite anterior para que o não me enchesse, então saí do quarto, ouvindo alguns barulhos de talher. Assim que cheguei à cozinha, avistei sentado sobre o balcão, de costas para porta onde eu estava.
— Bom dia. — ele falou assim que notou a minha presença levando uma colher do cereal à boca.
— É um péssimo dia. — fiz uma careta e passei as mãos pelo rosto. — Parece que fui atropelada por um caminhão. — falei com a voz abafada pelas minhas mãos, podendo ouvir sua risada nasalada.
— Imaginei que você não acordaria nada bem. — desceu do balcão, e pegou um copo colocando água, pegou algo sobre o pote de açúcar, e veio na minha direção. — Aqui tem um remédio pra dor de cabeça e um pra enjoo, que eu imagino que também é um problema. — me entregou os dois comprimidos e a água.
— Obrigada. — falei antes de colocar os dois remédios de uma só vez na boca, e bebi a água, fazendo uma careta quando o comprimido dissolveu e deixou um gosto amargo na minha boca. — E como você está tão bem? Não tá de ressaca também? — voltei a olhá-lo, e ele balançou a cabeça.
— Eu estaria de ressaca se tivesse bebido como eu pretendia quando fui para aquele pub. — riu pelo nariz e pegou o copo da minha mão o levando para a pia e o deixou lá. — Mas graças a certa pessoa, eu perdi o foco em encher a cara, e só consegui beber dois copos de whisky a noite toda. — voltou a se aproximar, parando a poucos centímetros a minha frente, me fazendo prender a respiração por alguns segundos, mas ele não fez nada, apenas pegou seu cereal e se afastou.
— Eu preciso perguntar... — balancei a cabeça fazendo uma pausa, e ele assentiu comendo mais uma colherada do cereal. — O que aconteceu ontem à noite? — mordi a parte interna do meu lábio inferior, sem ter certeza que queria mesmo saber a resposta.
— Do começo? — me olhou, acabando de comer o cereal e bebendo um bom gole do seu café, e eu assenti. — Eu tinha ido para o pub encher a cara, mas eu te vi no meu segundo copo de whisky, e aí me perdi te observando e acabei esquecendo de beber. — riu fraco balançando a cabeça, e eu balancei a cabeça para que ele te continuasse. — Você dançou muitas músicas, depois foi pedir mais bebidas, foi quando um cara apareceu atrás de você e apertou sua bunda. — ele falou e eu fiz uma careta incrédula. — Fui te ajudar, mas você já tinha dado um soco no nariz dele. — ele riu balançando a cabeça.
— Esses homens não sabem respeitar as mulheres. — revirei os olhos e ele concordou bebendo mais um pouco de café. — Mas continua. — fui até a mesa e me sentei em uma das cadeiras, ainda o olhando.
— Eu fui até lá pra mandar o cara embora, antes que ele fizesse algo pior, já que você não estava em muita condição de se defender... — ele começou a falar, mas eu o interrompi.
— Eu dei um soco no cara porque ele apertou a minha bunda, e você acha que eu não tinha condição de me defender? E quem me defenderia? Você? — falei com ironia e ele revirou os olhos balançando a cabeça. — Eu não preciso que homem nenhum me defenda. — bufei e ele acabou o café levando a xícara para a pia.
— Eu sei que você não precisa, mas eu achei melhor interferir antes que ele te forçasse a algo que você não queria, e não conseguisse impedir. — falou sem me olhar enquanto começava a lavar a louça, e eu pude me sentir uma idiota. Ele só queria me ajudar.
— E depois? — falei um pouco baixo, devido ao que havia feito anteriormente.
— Eu fiquei com você no balcão te fazendo companhia, mesmo contra sua vontade, até você ir dançar e resolver subir numa mesa e ameaçar tirar a roupa. — riu sem humor, e eu podia até dizer que ele demonstrava ciúmes, mas provavelmente estava enganada. — Foi difícil fazer você parar, eu tive que te chamar de garotinha mimada pra você descer e me xingar, e só assim te convenci a vir embora. — acabou de lavar a louça suja, mas se manteve de costas para guardá-las.
— Não foi a primeira vez que você me chamou de garotinha mimada. — ri sem vontade, e ele se virou para me olhar com pesar nos olhos.
— Fomos para o carro, e quando eu fui te ajudar a colocar o cinto, você começou a me estapear e falar que eu estava perto demais dos seus seios. — continuou, ignorando o que eu havia falado, e eu acabei rindo um pouco daquilo. — E veio me xingando por todo o caminho, mesmo sem conseguir lembrar-se dos xingamentos que queria. — fez uma careta e riu balançando a cabeça negativamente. — Quando chegamos aqui, você me perguntou por que eu te trouxe pro meu apartamento... — eu o interrompi novamente.
— Porque se você me levasse pra minha casa o te mataria. — completei sua frase, fazendo uma careta em seguida e ele riu.
— Foi exatamente o que você disse ontem. — voltou a encostar-se ao balcão e continuou me olhando. — Eu tive que te ajudar a tirar o cinto, porque nem isso você conseguia fazer... — fez uma careta engraçada e eu acabei por rir daquilo. Eu estava tão bêbada a ponto de nem conseguir tirar o cinto. — E nós subimos até aqui, e quando eu te levei pro quarto, você tropeçou e caiu na cama me levando junto. — soltou uma risada nasalada.
— E aconteceu alguma coisa no quarto? — falei com receio, e ele se sentou no balcão antes de voltar a falar.
— Depois de falar que eu era bonito, e gostoso, você me beijou e começou a tentar tirar a minha roupa... — fez uma pausa soltando uma risada fraca, e eu conseguia sentir minha cabeça doer ainda mais com aquilo. Aquela era a parte que eu provavelmente não gostaria muito de ouvir. — Mas eu parei com tudo antes que tomasse proporções maiores. — voltei meu olhar para ele, ficando claramente surpresa com aquilo. Alguns homens se aproveitariam daquilo. — Depois disso você tirou o vestido, ficando só de calcinha, e começou a me perguntar se eu não queria você... — parou de falar, rindo pelo nariz e balançou a cabeça, mais uma vez.
— Eu fiquei só de calcinha pra você, perguntando se você me queria? — falei um pouco desacreditada e ele concordou com a cabeça. Fiz uma pausa, mas em seguida gargalhei, o fazendo rir junto comigo. Quão bêbada eu estava?
— Eu confesso que foi bem difícil resistir aos seus seios completamente expostos. — fechou os olhos e passou as mãos no rosto, bagunçando os cabelos em seguida. — Mas eu resisti e te levei pra tomar um banho frio, pra passar um pouco o efeito da bebida. — voltou a abrir os olhos me encarando novamente. — Você me xingou, disse que eu era mal, mas eu deixei pra lá e te vesti com essa camisa, que é mais confortável que seu vestido. — apontou para a camisa que eu vestia com a cabeça, e eu me vi obrigada a concordar. — E aí você perguntou se eu dormiria com você, mas como eu sabia que você me mataria hoje, eu disse que não. Te coloquei pra dormir e fui para o quarto de hóspedes. — deu ombros, me fazendo olhá-lo sem saber o que falar por alguns segundos.
— Então não aconteceu nada? — falei depois de alguns segundos em silêncio e ele concordou, me fazendo suspirar aliviada.
Pelo menos assim, eu não havia feito nada, enquanto não tinha consciência das minhas escolhas.
— Obrigada por não me deixar fazer nenhuma besteira. — mantive meu olhar nele, agora os dirigindo para seus olhos.
— Eu não ia deixar nada de ruim acontecer com você, e muito menos te fazer algo sem que você tivesse em perfeito juízo para me autorizar. — falou com sinceridade e desceu do balcão, mantendo seu olhar no meu.
Fiquei em silêncio sem saber o que falar, mas não consegui quebrar o contato visual. Parecia que um imã prendia nossos olhares um no outro.
— Por que você bebeu tanto assim? — ele quebrou o silêncio, claramente curioso e eu ri pelo nariz.
— Por sua causa. — balancei a cabeça e ele arqueou a sobrancelha em dúvida. — Depois que você me falou todas aquelas coisas há duas semanas, eu não queria mais te ver, mas não conseguia te tirar da cabeça. — soltei uma risada fraca, e ele desviou o olhar para a parede atrás de mim, então eu me levantei indo para frente da mesa, na frente dele.
— Me desculpa por tudo aquilo, eu fui um grande babaca com você. — voltou seu olhar para mim, e eu acabei concordando com a parte dele ser um babaca. — Eu fiquei com raiva por você usar o como desculpa, e acabei descontando todas as minhas frustrações com ele, em você. E você não tinha culpa de nada. — balançou a cabeça e suspirou em seguida.
— Tá tudo bem, . — repeti seu gesto e balancei a cabeça também. — Depois de tudo o que fez por mim essa noite, acho que você não é tão idiota como eu havia dito. — soltei uma risada nasalada e ele riu.
— Preciso te confessar uma coisa... — voltou a ficar sério e me olhou novamente, então eu assenti pra ele continuar. — Eu só saí ontem pra beber, porque eu também não conseguia parar de pensar em você, em querer saber como você estava depois da nossa briga, porque eu não te via há duas semanas. — coçou a nuca, e desviou o olhar em seguida, mas o voltou para mim logo depois. — Mas quando eu te vi naquele pub, nada mais parecia fazer sentido, nem mesmo aquelas bebidas, porque tudo o que eu queria era você na minha cama mais uma vez... Eu queria você ao meu lado. — deu alguns passos e parou na minha frente.
— Você foi beber por minha causa, mas por minha causa não conseguiu beber? — falei em tom de confusão, mas fazendo uma careta divertida.
— Pra você ver o quanto você bagunça a minha vida. — deu um meio sorriso, me fazendo sorrir junto.
Era engraçado aquilo que estava sentindo, até ontem à noite eu não queria nem vê-lo, mas agora eu estava ali frente a frente com ele, e tudo o que eu mais queria era beijá-lo, e não parar mais.
O toque do meu celular me tirou dos meus devaneios, o peguei sobre a mesa vendo que era uma ligação do , e que havia várias outras perdidas, então logo atendi.
— Oi, . — falei ao atender, e olhei para que voltava a se afastar, parecendo entediado.
, onde você está? Você saiu ontem sem avisar e não voltou até agora pra casa. — ele falou em tom sério e autoritário, me fazendo querer rir.
— Achei que nosso pai tinha viajado. — falei com ironia e acabei revirando os olhos.
— Mas você não devia sair sem me falar pra onde vai, eu ainda sou seu irmão. — manteve seu tom de voz, e mais uma vez eu revirei os olhos.
— E eu não sou mais uma criança. — falei no mesmo tom que ele e pude ouvi-lo bufar. — Eu ainda não vou pra casa, então nem precisa ficar me esperando. Até mais tarde. — pude ouvi-lo me chamar, antes de encerrar a ligação e me olhou com a sobrancelha arqueada.
— Resolveu desafiar seu irmão? — falou em ironia, mas eu não fiquei brava com aquilo, então dei ombros.
— Não tenho que ficar dando a ele satisfações de tudo o que eu faço. — deixei o celular novamente sobre a mesa e andei até ele. — Já tenho quase 20 anos, ele precisa parar de agir como se eu fosse criança. — parei em sua frente e ele concordou – E, além do mais, ele não me deixaria beber se estivesse junto, por isso era melhor fugir. – dei ombros e ele concordou levemente com a cabeça.
— Você é mais louca do que eu imaginava. — balançou a cabeça e riu pelo nariz, colocando sua mão em minha cintura.
— Quer saber de uma coisa? — me aproximei um pouco mais dele e ele concordou. — Eu não usei o como desculpa pra não ter mais nada com você, mas só porque se caso eu começasse a gostar de você, ficaria difícil escolher entre vocês dois. E eu não queria ter que passar por isso. — balancei a cabeça, e olhei em seus olhos. — Porque por mais que ele seja meu irmão, se eu nutrisse sentimentos por você, não conseguiria deixá-los de lado para escolher o . — falei um pouco mais baixo que antes e ele concordou com a cabeça.
— Então não pensa em quem você vai ter que escolher, não pensa no que pode ou não acontecer. — negou com a cabeça e me puxou para mais perto colando nossos corpos. — Porque eu não consigo pensar em mais nada com você aqui. — falou baixo, antes de finalmente me beijar.
Eu logo retribui ao beijo, envolvendo meus braços em seu pescoço. Era um beijo calmo, mas havia muito mais do que atração nele, não era mais apenas desejo de ambas as partes. E por mais que eu houvesse dito antes que aquilo nunca mais aconteceria, eu não queria mais parar aquele beijo, e sabia que ele não seria o último.

Passamos o resto da manhã juntos ali no apartamento dele, e foi tudo agradável. A gente conversava, se zoava e gargalhávamos todo o tempo. Era bom estar de bem com ele, e poder conversar com alguém que não me julgaria, ou me proibiria de fazer algo. Talvez fosse por isso que eu estava encantada por ele, pelo fato de que com ele, eu tinha liberdade para ser quem eu realmente era. Sem precisar fingir.
... — ele me olhou enquanto entravamos em seu carro. — Volta pra equipe. — se ajeitou no banco, mas manteve seu olhar em mim.
— Eu não sei, . — balancei a cabeça. — Eu não quero acabar brigando com você de novo, e ter isso jogado na minha cara. — ri fraco, mas mantive a sinceridade na voz, o fazendo suspirar.
— Eu não quis jogar na sua cara, eu juro. — dessa vez, ele balançou a cabeça. — E sem você a equipe tá perdendo nossa melhor corredora. — falou também com sinceridade, e eu arqueei a sobrancelha o fazendo rir baixo. — Eu te falei isso ontem, mas duvido que você lembre... — fez uma careta, e eu ri dessa vez, mas ainda mantendo a confusão em meu rosto. — Você é a melhor da equipe, é melhor do que eu, e melhor do que seu irmão. Você é a melhor corredora que eu já vi. — ele manteve o tom sincero, e eu mantive meu olhar nele, um pouco sem reação.
— Você tá falando isso só pra me conseguir de volta na equipe? — falei com humor na voz, e ele negou com a cabeça rindo.
— Eu não tenho nenhum problema em assumir que você é melhor do que eu. Não aflige meu ego. — deu ombros. — Talvez, o tenha esse problema. — falou pensativo, e eu gargalhei ao concordar com a cabeça. Com certeza isso afetaria o ego do . — Você é a mulher mais foda que eu conheço. — olha nos meus olhos. — Ter você na minha equipe é uma grande honra pra mim.
— Nossa! — exclamei surpresa, balançando a cabeça. — Eu não esperava ouvir algo assim, ainda mais de você. — ri pelo nariz, e ele arqueou a sobrancelha. — É que pra todo mundo que te conhece, você é um cara metido a badboy que só quer aprontar e brigar, mas quando te conhecem de verdade... — fiz uma pausa e sorri. — Quando eu te conheci de verdade, eu vi que você era bem mais que isso, e a cada dia que passa, vejo que tem mais coisas ao seu respeito que eu ainda vou me surpreender. — o olhei e ele sorriu dessa vez.
— Você também é bem mais do que uma garota mimada. — falou com humor e eu o empurrei levemente antes de colocar o cinto. — E acredite, eu me surpreendo com você a cada vez que te olho. — deu um meio sorriso, o que o deixava completamente atraente e eu sorri.
— Estamos num momento super fofo, mas eu acho melhor você ligar o carro e me levar pra casa, antes que o me ligue pela quinta vez. — falei com humor, fazendo uma careta ao ver as chamadas perdidas do no meu celular, e ele riu.
sempre atrapalhando minha vida. — soltou um suspiro cansado, revirando os olhos, mas gargalhou em seguida me fazendo rir junto com ele.
Ele colocou o cinto e deu à partida no carro, logo eu liguei o rádio e abaixei o vidro. Não demorou muito pra que ele saísse do estacionamento e seguisse pelas ruas de Londres, a caminho da minha casa.
— Como você ficou depois daquela briga com o cara da equipe do ? — o olhei, ao me lembrar da ultima corrida e como havia sido o final dela.
— Com um olho roxo e um corte na boca, mas nada que eu não pudesse aguentar. — me olhou rapidamente e deu ombros voltando seu olhar a rua.
— Você não devia ter ido brigar com ele por causa daquilo, sério, podia ter deixado pra lá. — balancei a cabeça negativamente, e ele mais uma vez deu ombros.
— Antes que você ache ruim por eu ter te defendido... — parou no sinal e me olhou. — Eu faria isso por qualquer um na minha equipe, até porque, o que ele fez foi jogo sujo e podia ter causado um acidente e você ter se machucado. — desviou seu olhar para o retrovisor, olhando o carro de trás e aproveitando para arrumar seu cabelo, o que me fez soltar uma risada baixa. — E eu só quis deixar claro pra ele, que se isso se repetir, ele vai se arrepender. — soltou uma risada nasalada e voltou a me olhar me fazendo balançar a cabeça negativamente. Ele adorava mesmo uma briga, e isso ficava cada vez mais claro.
— Nem precisava, porque mesmo trapaceando ele perdeu. — eu dei de ombros dessa vez, e ele riu concordando.
— É só mais um prova de que você é a melhor corredora daquele lugar. — deu uma piscadela me fazendo rir, e assim que o sinal ficou vermelho ele voltou a dirigir.
— Você me convenceu a voltar pra equipe. — falei me dando por vencida e ele sorriu vitorioso. — Mas tem um problema... — pontuei e ele fez um gesto com a cabeça para que eu continuasse e me olhou rapidamente. — Se eu for com o pra corrida, ele pode desconfiar de algo, porque nas duas vezes que eu não fui, a corredora misteriosa não correu. — constatei e ele concordou com a cabeça.
— O que você sugere? — me olhou por alguns segundos enquanto trocava a marcha.
— Você pode me pegar em casa? — o olhei já tendo uma ideia em mente, e ele deu um sorrisinho malicioso me fazendo rir. — Ignorando a malícia que teve nisso, você pode? — falei cessando o riso e ele concordou rindo junto. — Então eu vou falar pro que não vou com ele de novo, e depois que ele sair, você me pega na rua de trás de casa, aí eu corro e volto antes do , assim ele não vai desconfiar de nada. — encostei-me ao banco mantendo o tom pensativo, como se tivesse acabado de formular o melhor plano do mundo.
— Você já é bem acostumada a criar planos de fuga, não é? — falou com humor e eu dei ombros, rindo em seguida.
— Não vou mentir que já criei muitos. — falei e ele riu dessa vez, balançando a cabeça.
— Chegamos. — parou o carro um quarteirão antes da minha casa, como nós havíamos combinado quando eu aceitei a carona.
— Obrigada pela carona. — tirei o cinto e peguei a minha bolsa no banco de trás, então o olhei. — A gente se vê a noite. — ele se virou no banco para me olhar.
— Eu vou esperar nessa rua aqui, aí você me avisa quando o sair e eu te espero na rua de trás da sua casa. — falou e eu concordei com a cabeça.
— Por que você não chama o pelo nome, mas me chama de ? — arqueei a sobrancelha e mordi o lábio, e ele deu ombros.
— Porque chamá-lo pelo nome é muito íntimo, e ele ainda é meu rival. — ele falou com humor, mas eu sabia que tinha uma verdade daquilo.
— Ainda? Tem chance de acabar essa rivalidade? — brinquei com a gola de sua jaqueta, perguntando como quem não quer nada.
— Sempre existe uma chance. — deu ombros e colocou a mão na minha perna.
— Okay... — deixei o assunto pra lá, afinal não queria forçar algo como aquilo, e mordi seu lábio inferior o puxando levemente. Ele segurou a minha nuca e colou nossos lábios começando um beijo com vontade.
Embreei minha mão em seu cabelo, apesar de saber que ele acharia aquilo ruim, mas eu não ligava, e retribui na mesma intensidade. Ele subiu sua mão da minha perna para a minha cintura, e me puxou para mais perto dele. Baguncei seu cabelo com os dedos, e ele cortou o beijo puxando meu lábio inferior entre os dentes.
— Você fica muito sexy com o cabelo bagunçado. — sussurrei em seus lábios, e me afastei para olhá-lo, comprovando o que havia falado.
— Eu deixo você bagunçar quando a gente tiver na cama. — sussurrou de volta e arrumou o cabelo no retrovisor, me fazendo rir daquela mania.
— É uma pena que não podemos ir pra cama agora. — fiz um bico, me fazendo de desapontada e ele suspirou concordando com a cabeça.
— Não precisa ser especificamente na cama. — olhou sugestivo para o banco de trás e deu um sorrisinho malvado me fazendo rir.
— Agora eu realmente preciso ir pra casa. — fiz uma careta e lhe dei mais um selinho. — Mas talvez dê tempo de aproveitarmos um pouquinho a noite. — devolvi seu sorrisinho de antes, e ele concordou com a cabeça. — Até mais tarde. — lhe dei um último selinho e abri a porta do carro.
— Até mais tarde. — se ajeitou no banco, mas manteve o olhar em mim. — E se prepara pra ganhar mais uma corrida. — falou enquanto eu saía do carro.
— Pode deixar. — dei uma piscadela pra ele e fechei a porta do carro, seguindo em direção a minha casa.
Assim que virei à rua pude ouvi-lo dar a partida com o carro. Arrumei o coque em meu cabelo, e segui o caminho até chegar ao portão dourado da minha casa. Logo que cheguei, falei com o segurança que liberou a minha entrada, e fui em direção à porta principal e a empurrei, já que eu tinha certeza que estava aberta. Ao entrar em casa, fui direto pra sala encontrando no sofá com uma cara nada boa enquanto olhava a TV.
— Bom dia. — o olhei enquanto me livrava do meu casaco, já que o aquecedor da casa me fazia não necessitar de tantas vestes assim.
— Bom dia? São quase duas da tarde. — ele falou me olhando com a aquela cara de poucos amigos, e eu fiz careta olhando as horas no celular. Ele estava mesmo certo.
— Então, boa tarde. — dei ombros e me sentei no sofá oposto ao que ele estava.
— Onde você passou a noite? — cruzou os braços e manteve seu olhar em mim, então eu ri. — Qual a graça? — arqueou a sobrancelha e eu balancei a cabeça cessando o riso.
— Você sabe que eu não tenho obrigação nenhuma de te dar satisfações, não é? — falei com ironia e ele revirou os olhos encostando-se ao sofá. — Mas eu encontrei com uma velha amiga na boate, ela me reconheceu e foi conversar comigo, aí eu acabei bebendo muito e ela me levou pra casa. — menti na maior cara de pau que podia, mas ao parar pra analisar, só a parte de ser uma amiga que era mentira.
— Uma amiga de quando você tinha 12 anos? — falou em tom de confusão, e mais uma vez eu dei ombros.
— Eu também achei estranho quando ela me reconheceu, mesmo depois de tanto tempo. — soltei uma risada nasalada e ele balançou a cabeça negativamente. — Mas foi bom encontrar alguém conhecido e poder conversar um pouco. — falei dessa vez com sinceridade, porque era mesmo bom poder conversar com o . — Mas eu vou subir e tirar esse vestido, porque estou me sentindo sufocada já. — me levantei puxando o pano do vestido um pouco para frente do meu corpo, e fiz uma careta.
— Hoje você vai à corrida comigo? — me olhou, enquanto eu pegava minha bolsa sobre o sofá.
— Não... Como eu saí ontem, vou ficar em casa essa noite me recuperando da minha ressaca. — soltei uma risada fraca e ele riu pelo nariz balançando a cabeça negativamente. — Mas eu vou estar aqui torcendo pra você. — ou uma parte de mim torceria por ele, porque eu não podia negar que não conseguia ficar bem empolgada quando o ganhava as corridas. Fui até ele e beijei a sua bochecha, em seguida dei a volta no sofá e subi as escadas o ouvindo falar algo que eu não entendi, pois estava já no alto da escada, mas também não me dei ao trabalho de voltar para saber o que era.
Entrei no meu quarto e fechei a porta, mas dessa vez sem trancar, pois não tinha motivos pra me trancar no quarto, eu só fazia isso para não ter meu pai me enchendo por algo sobre a empresa, ou sobre alguma chatice que ele costumava me falar.
Como já havia tomado banho mais cedo na casa do , eu só tirei o casaco, o vestido e os joguei na poltrona, vestindo uma camisa de mangas que batia até a metade das minhas coxas, era longa para uma camisa, mas curta para um vestido. Enrolei meu cabelo em um coque mal feito, e me joguei na minha cama pegando meu notebook. O abri e coloquei no Netflix dando play no episódio cinco da oitava temporada de Grey's Anatomy, que eu já estava assistindo pela vigésima vez. Eu amava aquela série.
Coloquei os fones e fiquei prestando atenção no episódio, rezando pra que nada ou ninguém me atrapalhasse.
Passei boa parte da tarde assistindo a série, só parei pra ir ao banheiro e também para pegar algo pra comer na cozinha, e no caminho pude ouvir combinando algo pelo celular com alguém, sem nem ao menos notar que eu passava na sala.
— Minha irmã não vai hoje, acho que a gente pode se encontrar sim. — ele falou e em seguida acabou rindo com a resposta da pessoa do outro lado. — Não, ela disse que precisa se recuperar da ressaca de ontem. — soltou uma risada nasalada, enquanto eu me mantinha para na porta da sala ouvindo aquilo. Com quem ele estava falando sobre mim? Era o que eu estava me perguntando. — Você nem a conhece, como pode não ir com a cara dela? — falou em confusão, e eu fiz uma careta querendo saber mais ainda com quem ele falava. — Mas por que ela teria um caso com o ? — assim que ele falou aquela frase eu pude sentir meu corpo resetar, e meu sangue esfriou. — Não, você está imaginando coisas. — soltou uma risada fraca, e eu resolvi parar de ouvir sua conversa e subir.
Subi as escadas o mais rápido que conseguia sem fazer barulho, e assim que entrei no quarto fechei a porta e encostei-me à mesma soltando o ar pela boca.
Quem era aquela pessoa?
E por que ela estava desconfiada sobre o meu caso com o ?
Balancei a cabeça negativamente e comecei a andar de um lado para o outro no quarto. O não poderia saber do meu caso com o , pelo menos não ainda. Eu não sabia o que ele podia ser capaz de fazer caso descobrisse.
Meu cabelo estava todo bagunçado de tanto que eu passava as mãos nele em desespero, só de pensar no descobrindo a verdade. Eu não queria brigar com meu irmão por aquilo, como também não queria parar o que eu tinha com o . Eu estava tendo o maior dilema da minha vida, quando a porta abriu, me dando visão de um claramente preocupado.
— O que foi? — perguntei tentando manter minha voz calma enquanto o olhava entrar no quarto.
— Eu é que pergunto, por que você tá assim? — apontou para mim de cima a baixo, parando em meus cabelos bagunçados e riu pelo nariz.
— Esqueci de fazer uma planilha da empresa, e nosso pai vai acabar comigo quando vir. — menti balançando a cabeça negativamente e ele fez uma careta.
— Você ainda tem tempo para resolver isso. — deu ombros como se aquilo não fosse importante e eu acabei concordando com a cabeça. — Não é isso que eu queria falar com você. — andou até a minha sacada e se virou pra mim com uma feição séria, então eu assenti com a cabeça para que ele falasse. — Você está tendo um caso com o ? — falou de uma vez mantendo seu olhar em mim, como quem pudesse ler todos os meus pensamentos.
— É claro que não. — menti mais uma vez, com tanta firmeza na voz, que até eu acreditaria se não soubesse da verdade. — De que lugar você tirou essa história? — arqueei a sobrancelha o olhando com incredulidade.
— Não importa. — deu ombros e se desencostou do parapeito voltando a vir na minha direção. — Eu vou me arrumar pra ir à corrida. — beijou a minha testa e foi em direção à porta.
— Você vai voltar tarde da corrida? — me virei para ele que parou na porta para me olhar.
— Talvez. — deu ombros mais uma vez e saiu do quarto puxando a porta, acabando por me fazer soltar o ar pela boca.
O precisava saber daquilo e me ajudar a descobrir quem era essa pessoa com quem o falava, mas eu não podia fazer aquilo por telefone, tinha que ser pessoalmente.


Capítulo 5

Logo depois que tomei banho, vesti a lingerie e uma regata, colocando por cima da mesma a camisa na qual usava antes. Penteei o cabelo, e o deixei solto, joguei minha calça jeans na poltrona e me deitei na cama à espera que passasse ali no meu quarto antes de sair, eu sabia que ele faria isso, então precisava deixar tudo pronto, mas de uma maneira na qual ele não pudesse desconfiar de nada e achasse que eu fosse mesmo passar o resto da noite ali na cama como havia o falado.
Enquanto esperava eu não conseguia parar de pensar na ligação que o havia recebido mais cedo, na pessoa que não gostava de mim e que desconfiava sobre o meu caso com o . E eu também não fazia a menor ideia de quem podia ser, já que além de mim e do , só a e o que sabiam que nós já havíamos nos envolvido, mas também não sabiam que havíamos voltado a nos envolver, até porque tudo aconteceu na noite anterior.
Saí dos meus pensamentos com uma batida na porta que logo foi aberta, me dando visão do meu irmão já bem arrumado para sair.
— Eu só vim te avisar que estou indo. — andou até a cama onde eu estava e se sentou ao meu lado — Qualquer coisa você me liga que eu venho correndo. — eu me sentei e então ele beijou a minha testa logo após eu concordar com a cabeça.
— Boa sorte na corrida, vou ficar torcendo por você. — falei o olhando e ele sorriu. Tudo bem que aquilo não era de total verdade, até porque parte de mim torcia pelo , e era inevitável, ele era tão bom. Porém, a outra parte torcia pelo , que além de ser meu irmão, também era um ótimo corredor.
— Eu ganhei as duas últimas, então não será essa que eu vou perder. — falou convencido e em seguida deu ombros me fazendo rir e revirar os olhos com sua resposta — Até mais tarde. — falou depois de algum tempo e bagunçou meus cabelos com a mão, voltando a se levantar.
— Até mais tarde. — lhe mandei beijos no ar antes de ele sair e fechar a porta do meu quarto.
Esperei alguns minutos até ter a certeza que ele havia se afastado e abri a porta para confirmar, assim que o fiz, a fechei novamente e tirei a camisa que vestia, em seguida fui vestir minha calça que estava na poltrona. Sentei-me na cama para calçar o tênis, já que dessa vez não seria possível eu ir de salto, pois eu precisaria pular o muro duas vezes naquela noite, e olhei pela janela vendo o carro do sair pelo portão.

" saiu, pode vir pra cá e me esperar na rua de trás como combinamos."

Enviei a mensagem para o e deixei o celular sobre a cabeceira enquanto ia até o espelho passar lápis, rímel e batom, nos quais não dava para sair sem. Assim que acabei, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e peguei minha jaqueta a vestindo por cima da minha regata. Peguei o celular vendo a resposta de , que dizia já estar vindo, e saí do quarto trancando a porta por fora. Assim caso o chegasse primeiro, ele acharia que eu estava dormindo, e iria para seu quarto. Ou pelo menos era o que eu esperava que acontecesse.
Desci rapidamente as escadas, e andei devagar pela casa esperando não encontrar nenhum funcionário ali, não sabia se algum deles podia me entregar ao , ou para o meu pai, mas pra minha sorte não havia ninguém, provavelmente todos já haviam ido descansar, até porque já se passava de 11pm.
Antes de sair pela porta da cozinha, meu celular vibrou em minha mão e eu olhei vendo a mensagem de no visor.

"Cheguei aqui..."

E então eu respondi apenas com um ‘okay’ e saí de casa, indo em direção aos fundos onde ficava o muro. Assim que me aproximei do muro, coloquei o celular no bolso da jaqueta no qual eu fechei. Olhei por um tempo em volta procurando como pularia aquele muro, e logo encontrei uma forma ao avistar a árvore um pouco mais a frente de onde eu estava.
Eu não era expert em subir em árvores, mas eu havia feito umas duas vezes no colégio na Austrália para sair de lá, isso quando não conseguimos achar um jeito de sair pela porta mesmo.
Segurei no galho mais baixo da árvore e me impulsionei para subir, e logo que o fiz, subi no galho e em seguida passei para o mais alto já sentindo minhas pernas tremerem.
Maldito medo de altura!
Sentei-me sobre o galho ainda com medo de cair, e me estiquei até conseguir alcançar o muro e assim que eu fiz me sentei no mesmo olhando para baixo, tentando calcular a altura. Devia ter pelo menos uns 3,5 m, o que não me confortava muito, porque aquilo era alto demais pra mim, mas era mais baixo que o muro do colégio, então pensando nisso eu segui com minha "fuga".
Olhei para a rua que estava pouco iluminada pelas luzes dos postes, e avistei o carro do parado do outro lado, enquanto ele estava encostado no mesmo distraído com alguma coisa no celular, e foi quando eu pulei sobre a lixeira de metal, acabando por fazer um estrondo um pouco alto, e lhe chamando atenção. Agradeci a coleta de lixo por ter passado mais cedo e deixado à lixeira fechada, caso contrário eu teria que pular direto no chão, e não alguns metros sobre a lixeira, e aquilo com certeza não daria certo.
— É isso que você chama de fugir sem chamar a atenção? — falou atravessando a rua e vindo à minha direção com uma careta no rosto.
— Dá próxima vez me lembra de colocar travesseiros aqui em cima. — falei em ironia e ele riu balançando a cabeça, antes de me ajudar a descer daquela lixeira.
— Dá próxima vez nós vamos achar uma maneira mais fácil do que pular um muro desse tamanho. — eu ri e ele me deu um selinho rápido antes de irmos para o carro — Você está pronta pra correr depois de duas semanas? — falou logo depois que entramos no carro e me olhou rapidamente ligando o mesmo.
— Eu sempre estou pronta para correr. — falei lhe dando uma piscadela e ele concordou com a cabeça dando um sorriso em seguida.
— É assim que se fala. — falou sem me olhar, enquanto trocava a marcha para acelerar o carro.
Encostei-me no banco e olhei para a frente, sem conseguir conter o suspiro que saiu pela minha boca, acabando por chamar sua atenção. Eu sabia que precisava contá-lo sobre o que havia acontecido mais cedo.
— Tá tudo bem? — ele falou me fazendo olhá-lo — Você parece tensa. — me olhou antes de atravessar correndo um sinal que acabara de ficar vermelho — É por causa da corrida? ... Você é ótima, não precisa ficar nervosa por isso. — colocou sua mão sobre o meu joelho logo depois de trocar a marcha.
— Eu sei disso, mas... — fiz uma pequena pausa antes de continuar — Tem uma coisa que eu preciso te contar. — mordi o lábio inferior, mantendo o meu olhar nele.
— Você está grávida? — falou receoso sem deixar de arregalar os olhos, e eu quase ri com sua cara, só não o fiz, pois estava nervosa com a notícia que veio a seguir.
— Bom, não. — fiz uma careta e soltei uma risada anasalada logo depois dele respirar aliviado — Hoje mais cedo eu desci pra comer alguma coisa e acabei ouvindo uma conversa do no telefone, e a pessoa no qual ele falava, especulou que nós, eu e você, temos um caso. — falei de uma vez, já esperando sua reação, como por exemplo, frear o carro de uma vez fazendo com que nossos corpos fossem jogados para frente, mas não aconteceu, pelo contrário, ele parecia até bem tranquilo com aquela notícia.
— E ele desconfiou de algo? — me olhou rapidamente, enquanto trocava a marcha mais uma vez.
— Ele foi me perguntar depois, mas eu neguei com todas as letras e o mais incrédula que eu consegui, e acho que ele acreditou. — o olhei.
— Você tem alguma ideia com quem ele estava falando? — falou sem tirar os olhos da rua, enquanto entrava no quarteirão do racha.
— Era isso que eu ia te perguntar. — tirei o cinto enquanto ele parava o carro atrás do galpão onde nós nos encontrávamos.
— Nós vamos descobrir. — também tirou seu cinto, e se virou pra mim, ainda deixando o carro ligado — Mas agora vai se preparar pra sua corrida que é a próxima, e mostra pra eles que você é a melhor. — se aproximou de mim ficando a poucos centímetros do meu rosto.
— Eu sou a melhor? — perguntei em um tom baixo desviando meu olhar dos seus olhos para os seus lábios, mas aquela pergunta não era só relacionada à corrida.
— Você é a melhor. — ele respondeu no mesmo tom entendendo o sentido da minha pergunta, e eu tive que segurar o sorrisinho convencido que queria surgir em meus lábios, o que se tornou fácil quando ele puxou minha nuca e colou nossos lábios.
Ele me beijou de uma forma calma, mas ao mesmo tempo com vontade e eu retribui o beijo da mesma forma, afinal era um tanto quanto difícil não retribui aquele beijo.
Eu cortei o beijo dando algumas mordidinhas em seus lábios, e mantive os olhos fechados por alguns segundos o sentindo me olhar, o que me fez abrir os olhos para encará-lo, então ele sorriu e eu acabei fazendo o mesmo, mas um pouco confusa com aquela sua reação.
— Boa sorte na corrida. — falou antes de me dar mais um selinho.
— Boa sorte pra você também, até porque a corrida mais difícil é a sua. — me ajeitei no banco e ele balançou a cabeça.
— Tenho que concordar. — riu pelo nariz e eu ri abrindo a porta em seguida.
— Nos vemos depois da sua corrida. — lhe mandei um beijo no ar e saí do carro indo até onde estava com um McLaren MP4-12C branco — Oi, . — o cumprimentei com um beijo no rosto.
— Eu me surpreendi quando o me pediu pra trazer um carro pra você. — ele falou me entregando a chave do carro — Esse aqui é o seu carro a partir de hoje. — bateu a mão levemente no capô do carro, e eu tinha certeza que meus olhos estavam brilhando naquele momento.
— Avisa para o , que se eu ganhar essa corrida hoje, ele vai ganhar o melhor beijo da vida dele. — falei com empolgação, parecendo uma criança que acabara de ganhar um brinquedo novo, e ele riu, provavelmente da minha cara de boba. O havia realmente conseguido me surpreender.
Enquanto eu admirava o "meu" novo companheiro de corrida, parou com seu lamborghini próximo a onde nós estávamos, e logo desceu vindo à nossa direção.
— Uaaaaal! — ela falou olhando para o carro com uma cara bem parecida com a que eu havia feito anteriormente — O caprichou mesmo na escolha do carro, hein. — me olhou e eu concordei sorridente.
— Eu que o diga. — soltei uma risada nasalada passando a mão sobre a lataria do carro.
— Agora é só ir lá e ganhar essa corrida. — ela me olhou novamente e nós fizemos um high-5.
Entrei no carro e me dirigi para a pista enquanto anunciavam a minha corrida. Mais do que nas outras duas vezes eu estava empolgada, e a adrenalina vagava pelo meu corpo me deixando eletrizada. Talvez pelo fato de fugir de casa, ou por correr depois de duas semanas sem nem ao menos ir a uma corrida, ou então por fazer ambas as coisas e ainda poder dirigir um carro como aquele. A terceira opção era a bem mais provável.
— E depois de duas semanas sem participar de nossas corridas, e dessa vez correndo com um McLaren MP4-12C... — o apresentador das corridas falou após apresentar dois dos meus três adversários, sendo que o segundo deles era o Patrick, da equipe do , o mesmo das outras duas corridas. Ele não desistia mesmo — Da equipe do ... A corredora misteriosa. — assim que ele falou o codinome, no qual eu usava para manter minha identidade em sigilo, a multidão foi à loucura e aquilo só aumentou mais a minha adrenalina. Eu adorava a empolgação daquelas pessoas ao ouvirem meu "nome" ser anunciado — E a nossa última competidora, mas não menos importante, está aqui pela primeira vez, correndo com seu BMW M5, e por enquanto, sem nenhuma equipe... — ele fez uma pausa dramática e fizeram barulhos de tambores — Crystal Hemmings. — e assim como quando o meu "nome" foi falado, a multidão entrou em alvoroço, e eu imaginava que era pelo fato dela ser competidora nova, até porque não tinha como ela se tornar a preferida tendo acabado de chegar.
Logo que ele acabou de apresentar minha nova adversária, seu carro parou ao lado do meu, e pelo seu vidro aberto eu pude ver seus cabelos ruivos e completamente lisos, e seu rosto de perfil, ela era muito bonita, isso eu não podia negar.
Como se pudesse me ver através do meu vidro fechado, ela olhos para o meu carro e encarou o mesmo por alguns segundos e deu um sorrisinho irônico balançando a cabeça negativamente. Naquele momento eu já tinha certeza que não iria com a cara dela.
Enquanto me distraía com a nova concorrente, a garota que daria a partida na corrida já estava posicionada em seu lugar, segurando um sutiã roxo nas mãos, e logo começou a fazer a contagem regressiva.
— Três... Dois... Um... VAI! — ela gritou levantando os braços e deixando o sutiã no alto, e Hemmings foi a primeira a sair, comigo logo atrás.
Os outros dois corredores ficaram para trás e parecia que a corrida era só entre nós duas, de tão acirrada que estava.
Diminuí um pouco a velocidade para fazer a primeira curva, mas ela foi de uma vez o que a fez derrapar na pista, deixando com que eu passasse em sua frente e pegasse a liderança. Pisei fundo no acelerador e aumentei a marcha ganhando um pouco de distância dela. Porém, ao diminuir um pouco na segunda curva, ela acabou me alcançando, voltando a ficar lado a lado comigo. E dessa vez ela parecia ter entendido que não adiantava passar acelerando em curvas tão fechadas como aquelas, ou ela correria o risco de bater o carro.
Ela aprendia rápido.
Depois da terceira e ultima curva com nós duas literalmente empatadas, passando na frente uma da outra por pequenas diferenças, nos últimos dez segundos de corrida eu ativei o nitro passando finalmente, de uma vez em sua frente e ganhando a corrida.
Como havia ativado o nitro nos últimos segundos, eu fui com o carro até próximo à multidão, e como na minha primeira corrida eu derrapei rodando na pista e soltando um pouco de fumaça, em seguida saí da pista voltando a ir para trás do galpão, enquanto a Hemmings parava próximo aos outros carros.
— E com uma disputa super acirrada, nossa vencedora invicta, continua sendo a Corredora Misteriosa. — o apresentador falou e novamente a multidão voltou a gritar, mas dessa vez nem todas as pessoas gritavam, era como se a metade delas tivesse ido para o time da Hemmings, mas aquilo não me afetou em nada.
Assim que parei o carro e desci do mesmo, encontrei parado lá me esperando. Joguei a chave para ele e me encostei em uma parede no canto, já que não podia voltar para a multidão para assistir as outras corridas, ou podia ser pega pelo .
— Quem é essa nova corredora? — o olhei enquanto arrumava uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
— Eu não a conhecia até agora. — se aproximou se sentando em alguns caixotes que havia ali — Mas ela é tão boa quanto você. — me olhou e eu bufei concordando com a cabeça, até porque não era nenhuma mentira.
— Só que pra ganhar de mim, ela vai ter que ser muito melhor. — dei ombros e ele riu provavelmente da minha cara que não estava muito feliz depois daquela corrida, apesar de ter ganhado. Agora eu entendia a rivalidade entre o e o .
Depois da corrida da , na qual ela acabou perdendo, pela primeira vez desde que eu cheguei, ela também veio para a parte de trás do galpão e desceu do carro, um pouco desanimada em comparação em todas as vezes que eu a vi.
— O que aconteceu? — a olhei sem entender o que havia acontecido, até por que eu não havia visto a corrida.
— A minha embreagem estava agarrando, e sempre que eu ia trocar a marcha acabava perdendo um pouco de tempo. — suspirou balançando a cabeça negativamente — Mas tudo bem, nem todo mundo precisa ganhar sempre. — deu ombros e se aproximou de que lhe abraçou e beijou seus cabelos.
— Como você consegue perder e ficar assim numa boa? — falei incrédula e ela riu dando de ombros novamente.
— Pra você é tão difícil porque você é uma , e vamos confessar que o lado competitivo é de família. — ela fez uma careta, e em seguida riu levando a rir junto.
— Sem contar que você é namorada do , e ele também é bastante competitivo. — completou e concordou ainda rindo.
— Eu não sou namorada do . — falei e os dois me olharam com sobrancelhas arqueadas e concordaram com a cabeça, mas de uma forma duvidosa — E, por falar nele, vai começar a corrida. — apontei para o outro lado de onde estavam mudando de assunto.
— Você quer ver a corrida? — me olhou enquanto se afastava do namorado.
— Como? Eu não posso ir lá pra multidão, o não pode saber que eu estou aqui. — a olhei e em seguida revirei os olhos com toda aquela história.
— Quem disse que você precisa ir pra lá? — deu um sorrisinho travesso e me puxou até a lateral do galpão, onde nós subimos uma escada de ferro e fomos parar no teto do lugar tendo vista completa de tudo.
— Por que eu só descobri isso aqui hoje? — a olhei me fazendo de ofendida, mas era só uma cena mesmo e ela sabia.
— Porque não tem nem dois meses que você chegou!? — falou com obviedade e eu dei ombros rindo daquilo.
— E a corrida mais esperada da noite... — o apresentador falou chamando nossa atenção e nós duas olhamos para baixo olhando onde estavam os carros, e tendo vista de tudo — , que ganhou as duas últimas corridas... — anunciou o meu irmão que logo parou seu carro na pista levando boa parte das pessoas a gritarem — E , que ganhou três corridas anteriores seguidas... — ele deu ênfase no "seguidas" e eu imaginava ficando puto com aquilo, então logo parou seu Dodge ao lado do carro do e a outra parte da multidão gritou por ele.
Assim que a garota que daria a partida daquela corrida se posicionou em frente aos carros, começaram a contagem regressiva e logo foi dada a largada da corrida. E como na minha corrida com a Hemmings, os dois saíram bem acirrados, lado a lado.
estava a poucos centímetros na frente de , quando ele perdeu um pouco de velocidade na ultima curva, sendo ultrapassado. logo ativou o nitro ganhando distância, e logo em seguida também ativou, mas quando ele alcançou a traseira de , o mesmo ultrapassou a linha de chegada ganhando a corrida.
— ISSO! — vibrei com animação batendo palmas silenciosas e me olhou fazendo uma careta — O que foi? — a olhei repetindo sua careta.
— Você aí tão feliz pelo ter ganhado do seu irmão. — riu pelo nariz e eu dei ombros.
— Eu ficaria feliz igualmente caso o tivesse ganhado. — me defendi.
— Claro que sim. — ela falou com ironia, e voltou a olhar para baixo.
Eu fiz o mesmo tendo completa visão de e provavelmente discutindo sobre algo, quando a tal Crystal se aproximou dos dois e parou em frente ao . Ela falou algo para ele, e em seguida se aproximou dele lhe dando um selinho um pouco demorado, e ele não fez nada para impedir aquilo. E como se aquilo não fosse nada, logo depois ela foi até o e lhe entregou um papel e também lhe falou algo, deixando com um sorrisinho idiota enquanto a olhava se afastar, provavelmente olhava para sua bunda, e continuava parado sem nenhuma expressão em seu rosto.
Tinha uma coisa me incomodando dentro do peito, era um sentimento no qual eu não havia sentido por ninguém. E eu tinha a leve impressão de que sabia do que se tratava, mas não assumiria nem se eu quisesse.
... — chamou a minha atenção, e eu a olhei sem demostrar sentimento algum — Eu sei o que você tá pensando, mas você viu que ele não fez nada... — ela apontou para baixo, e eu me vi obrigada a concordar dando uma risada sem humor. Afinal, ele podia ter impedido aquilo — Você não precisa se preocupar em relação a ele e traição, porque ele não vai fazer isso com você. — balançou a cabeça negativamente.
— Bom, de acordo com coisas que eu fiquei sabendo, ele traiu a namorada dele, por isso ela dormiu com meu irmão. — falei com indiferença e olhei para baixo onde pegava o dinheiro das nossas corridas.
— Isso foi coisa que a Brooke inventou para se fazer de inocente, ela sempre faz essas coisas. — revirou os olhos parecendo entediada ao falar da ex do , e eu entendia o porquê — Você pode não acreditar, mas o nunca a traiu. — balançou a cabeça novamente — Ele pode até ter esse estilo badboy e essa fama de "galinha", quando ele está solteiro eu até concordo com isso... — fez uma careta e riu pelo nariz — Mas quando ele está com alguém, ele fica só com essa pessoa, e agora que ele está com você, eu tenho certeza de que não tem mais ninguém nesse mundo que ele se interesse. — falou com sinceridade, e eu voltei a olhá-la — Pelo contrário, eu acho que por você, ele seria até capaz de acabar com essa rivalidade com seu irmão, e olha que isso é uma coisa que ele leva bem a sério. — me olhou e eu apenas balancei a cabeça antes de sair do telhado.
Por mais que tivesse me falado aquilo tudo, nada diminuía o sentimento que estava dentro de mim. Crystal havia o beijado e ele não havia feito nada, só ficou parado deixando aquilo acontecer.
Quando cheguei ao último degrau da escada o avistei falando com , e fui até eles tentando máximo disfarçar, mas era difícil, porque eu queria lhe dar um soco. desceu logo atrás de mim, e também se aproximou dos dois.
— Você precisa olhar esse problema na sua embreagem. — olhou para e ela concordou com a cabeça — E você... — se virou para mim — Como sempre, correu muito bem, apesar de que aquela nova corredora é ótima. — fez uma careta e eu me segurei para não revirar os olhos.
— Obrigada. — falei sem muita vontade — Podemos ir pra casa? Não quero que o chegue antes de mim. — o olhei e ele concordou a cabeça, mas com uma feição confusa — Até mais. — abracei .
— Esquece o que aconteceu, não vale a pena remoer isso. — sussurrou em meu ouvido e eu assenti me afastando.
— Tchau, . — beijei sua bochecha, e ele beijou a minha em seguida.
— Tchau, . — sorriu e fez um toque com o — Até mais, cara.
— Tchau, . — beijou a bochecha de , e nós fomos em direção ao seu carro — Esse aqui é o seu dinheiro. — me entregou três maços de dinheiro quando entramos no carro e eu apenas concordei pegando o dinheiro.
Ele ligou o carro e logo saiu dali onde fazíamos o racha e seguiu o caminho em direção a minha casa. Ligou o rádio deixando em uma música do Nirvana que eu não conseguia me recordar do nome.
— Tá tudo bem com você? — me olhou rapidamente, passando por um sinal vermelho, o que não foi difícil já que mal havia carros na rua.
— Está tudo ótimo. — falei com uma falsa empolgação e sem o olhá-lo, deixando meu olhar voltado para frente.
Pelo canto do olho pude vê-lo arquear a sobrancelha e assentir com a cabeça, mas dava pra ver que aquilo o incomodava só que o que estava me incomodando era muito pior do que alguém não querer falar comigo.
— Você gostou do novo carro? — falou entrando no quarteirão da minha casa, como ele havia chegado tão rápido ali, nem eu fazia ideia.
— Gostei sim. — concordei com a cabeça, e nem aquilo que havia me animado tanto quando eu cheguei à corrida conseguia me animar agora.
— O me falou o que você disse pra ele... — parou o carro na rua de trás da minha casa — Que se caso você ganhasse, você me daria o melhor beijo da minha vida. — tirei o cinto podendo ver o sorrisinho malicioso em seus lábios.
— Parece que você já ganhou um beijo hoje. — falei com ironia sem conseguir controlar a indiferença dessa vez, e desci do carro colocando os maços de dinheiro no bolso da jaqueta.
, eu não sei o que você viu, mas eu posso explicar. — desceu logo atrás, enquanto eu andava até uma árvore próxima ao muro.
— Não precisa explicar nada, eu vi tudo, e não quero saber o que você tem pra falar, pelo menos não agora. — continuei agora o sentindo no meu encalço e subi na árvore com um pouco de dificuldade dessa vez, pois era mais alta para melhorar ainda mais meu humor.
Quando consegui subir no galho da árvore, e o olhei parado no meio da rua me olhando com uma feição que beirava decepção e inocência, mas eu não liguei para aquilo e continuei a subir até chegar ao galho na altura do muro. Passei para cima do muro, e pra minha felicidade, havia um pequeno galpão onde o caseiro guardava suas coisas, e ele ficava apenas a 1,5 m de onde eu estava, e dois metros do chão, era bem mais acessível que a maldita lixeira.
Pulei em cima do galpão, e consegui cair de pé, mas ao pular para a grama acabei torcendo o pé e caindo na mesma soltando um gemido. As coisas só pioravam para o meu lado nessa noite. Cheguei até a pensar que teria valido mais a pena passar a noite em casa, como havia dito para o que faria.
Levantei sentindo o meu pé doer e mancando andei até a porta da cozinha, e foi quando ouvi o barulho do carro do entrando na garagem.
— Mas que merda ele tá fazendo aqui? — me perguntei enquanto fechava a porta devagar para não fazer barulho.
Antes de descobrir a resposta da minha pergunta corri pela cozinha, passei pela sala e subi as escadas indo para o meu quarto, e mesmo com a dor que eu sentia, consegui fazer isso rapidamente, podendo ouvir o destrancar a porta da frente quando cheguei ao último degrau.
Cheguei ao quarto tirando os tênis, e jogando a jaqueta de lado, tirando apenas o meu celular do bolso. Encostei a porta lentamente, já podendo ouvir o subindo as escadas, quando comecei a tirar a calça, a deixando pelo chão e fui para a cama me escondendo debaixo das cobertas. Antes que o pudesse abrir a porta, soltei o cabelo e o baguncei um pouco com as mãos, para parecer que eu estava deitada há bastante tempo e me mantive deitada na cama até ele abrir a porta.
, ainda está acordada? — ele entrou no quarto e me olhou na cama, quando comprovou sua pergunta, ele entrou.
— Achei que você não chegaria agora. — falei tentando fazer a melhor voz de sono que eu conseguia.
— Acabei desmarcando meu compromisso. — deu ombros e andou até a cama se sentando na ponta da mesma.
— Você desmarcando uma noite de sexo? — falei com humor e ele riu fracamente balançando a cabeça.
— Na verdade... — fez uma pequena pausa coçando a nuca — Não fui eu quem desmarcou. — se explicou e eu acabei rindo.
— Tá explicado. — falei ainda rindo e ele revirou os olhos bufando em seguida — Como foi à corrida? — me sentei na cama, puxando o travesseiro para o meu colo e o abracei.
— O ganhou... — revirou os olhos novamente, entediado ao falar aquilo — Só que apareceu uma nova corredora, e além dela ser muito gata, ela é muito boa na corrida. — ele falou sobre a Hemmings, e eu me segurei para não revirar os olhos ou fazer uma cara enojada.
— Ela é melhor que a corredora misteriosa? — perguntei realmente curiosa com sua resposta, e ele manejou a cabeça em um "talvez".
— Bom, hoje ela não ganhou, mas por muito pouco. Porém, eu tenho certeza que ela pode ser muito melhor que ela. — ele falou confiante, e eu conseguia sentir a raiva aumentar dentro de mim. Não conseguia acreditar que ele a achava melhor do que eu, mesmo sem saber que era eu.
— Eu duvido muito que ela seja melhor, porque o fez um bom investimento na corredora misteriosa, ela não perdeu nenhuma corrida desde que apareceu. — me defendi, ou melhor, defendi a "corredora misteriosa", sem esconder o meu desdém ao falar da nova corredora.
— Isso porque você não assistiu a corrida hoje. — soltou uma risada anasalada — E se você quer saber, ela vai entrar para a minha equipe. — falou e eu não pude evitar arregalar os olhos. Como assim ela ia entrar para a equipe dele?
— Como assim ela vai entrar para a sua equipe? — reproduzi a pergunta que eu me fiz mentalmente, e ele me olhou fazendo uma careta confusa, provavelmente não entendendo minha reação.
— Depois da minha corrida com o , ela veio falar com a gente e me pediu para entrar em contato com ela, caso quisesse uma nova integrante na minha equipe. — deu um sorrisinho convencido e tirou um papelzinho do bolso — E o melhor de tudo, foi quando ela falou com o que a equipe dele era boa, mas não o suficiente para ela. — ele riu com aquilo e balançou a cabeça olhando o papel em sua mão.
— Ela falou isso pra ele? — o olhei incrédula com aquilo e ele concordou. Quem ela achava que era para se achar melhor do que a equipe do ?
— E depois o beijou. — fez uma careta enojada e eu acabei por repetir, e como ele não me olhava, não reparou naquilo. Finalmente havia uma coisa nessa noite que nós concordávamos. — Por que você ainda está acordada? — me olhou mudando de assunto depois de alguns minutos em silêncio.
— Eu acabei de assistir série agora, e estava indo dormir quando você chegou. — menti apontando para a televisão e ele assentiu dizendo que havia entendido.
— E por que você está de maquiagem? — arqueou a sobrancelha falando em tom de confusão, e eu me senti a pessoa mais idiota do mundo. Como eu havia esquecido de tirar a maquiagem?
— É que... — fiz uma pequena pausa tentando pensar em uma justificativa plausível, e logo voltei a falar — É porque eu comprei umas coisas novas e resolvi testar, aí fiquei com preguiça de tirar na hora e acabei esquecendo. — menti novamente e fiz uma careta lhe arrancando uma risada.
— Você e suas manias. — riu e se levantou da cama, ficando de frente pra mim — Dorme bem, maninha. — beijou a minha testa — Boa noite. — bagunçou meu cabelo e me fazendo soltar um gritinho e lhe dar alguns tapas o fazendo rir.
— Idiota. — falei entre dentes lhe jogando uma almofada enquanto ele ria.
— E arruma esse quarto. — fez uma careta olhando em volta do meu quarto, onde várias peças de roupas estavam jogadas pelo chão e em seguida saiu do quarto fechando a porta.
Assim que ele fechou a porta eu me joguei de costas na cama e soltei o ar pela boca. Pelo menos o não havia descoberto que eu estava na corrida e não ali no quarto como havia dito. E no pouco tempo que ele havia ficado aqui, ele havia conseguido me deixar um pouco melhor, apesar de ter falado sobre a Crystal com maior vontade desse mundo. Era uma coisa que o sempre conseguia fazer, ele sempre havia conseguido me deixar melhor.
Levantei-me da cama e tranquei a porta, fui até a minha jaqueta e tirei o dinheiro de dentro do bolso o guardando no mesmo local que havia guardado da outra vez. Deixei todas as roupas no cesto de roupas sujas no banheiro, tirei a maquiagem, escovei os dentes e voltei para a cama. Deitei-me e peguei o celular vendo no visor várias mensagens do .

"... Por favor, me deixa explicar..."
"Eu não fiz nada, foi ela quem me beijou..."
"Eu nunca a beijaria, ainda mais sabendo que você estava ali..."
"E eu estou com você, não quero ficar com outra pessoa..."
"Me responde, por favor..."
"..."


Acabei de ler as mensagens, e mesmo que ainda estivesse bem puta com aquele maldito beijo entre ele e a Hemmings, eu não podia negar que gostava de ler aquelas coisas, mesmo sem saber de deveria mesmo acreditar no que ele havia dito.
Deixei o celular sobre a mesinha, e não me dei ao trabalho de responder as mensagens. Virei-me na cama ficando de lado, puxei o cobertor e fechei os olhos. E antes de pegar no sono, acabei repassando a cena daquele maldito beijo em minha mente.
Maldita Crystal Hemmings!


Capítulo 6

Acordei na manhã seguinte sentindo meu pé latejar de dor, e quando o olhei pude ver o quanto estava inchado. Bufei e peguei meu celular na mesinha olhando as horas que marcavam 06:30 AM. Levantei-me da cama e fui mancando até o guarda roupas, logo peguei uma roupa de ginástica e fui para o banheiro. Eu precisava ter uma justificativa para aquele pé inchado, caso contrário, eu estava ferrada.
Depois de escovar os dentes, lavar o rosto e fazer minha higiene matinal, vesti a roupa e prendi o cabelo em um coque. Saí do banheiro, calcei um tênis de corrida e peguei meu celular e o fone de ouvido, em seguida saí do quarto.
Desci as escadas com dificuldade já que meu pé doía e aquele tênis o apertava, pois estava inchado. Passei pela cozinha onde Sara já estava preparando o café da manhã, mas acabou parando o que fazia para me olhar.
— O que você está fazendo acordada essa hora? — perguntou em confusão e eu a olhei.
— Só não consegui mais dormir. — dei ombros e peguei uma maçã na fruteira — E agora vou correr, um pouco. — lhe mandei beijos no ar e saí da cozinha, tentando ao máximo não mancar para que nem ela descobrisse sobre o meu pé.
Logo que saí para o quintal, andei ali pela a grama, indo para o fundo da casa e me sentei debaixo de uma árvore ficando do lado oposto a vista da casa, para que assim ninguém pudesse me ver ali. Coloquei os fones no ouvido e coloquei as músicas para tocar no aleatório e fiquei comendo a maçã enquanto ouvia as músicas que tocavam.
Fiquei ali encostada na árvore ouvindo as minhas músicas, e em algumas delas me lembrando do , como quando tocava alguma do Nirvana, Guns n' roses e outras bandas que ele já havia me falado que gostava, inclusive muitas das músicas estavam ali desde a noite que fui para sua casa e no meio das conversas com e Maria, citamos algumas bandas que gostamos. E eu nem era tão fã de rock assim.
Quando olhei no relógio, já havia passado um pouco mais de uma hora que eu estava ali, nem havia notado o tempo passar enquanto pensava na maldita noite anterior. A única parte boa havia sido a minha vitória na corrida, mas todo o resto foi desastroso, principalmente... Aquele beijo.
Balancei a cabeça parar de pensar no maldito selinho que a Hemmings deu em , e me levantei dando pause nas músicas.
Entrei em casa novamente pela cozinha, onde Sara acabava de colocar a mesa. Passei direto por ela, e ao chegar à sala, encontrei e o meu pai descendo as escadas. Eu nem sabia que ele estava ali.
— Bom dia. — ele me olhou acabando de passar pelo ultimo degrau.
— Quando você chegou de viagem? — fiz uma careta, ignorando sua tentativa de ser educado.
— Agora pouco. — se aproximou de mim, e parou a minha frente.
Apenas balancei a cabeça e esperei descer, para ir até ele e lhe dar um beijo na bochecha, em seguida fui para o sofá, sem me importar em mancar dessa vez.
— Por que você está mancando? — me olhou confuso.
— Eu fui correr e acabei torcendo o pé. — revirei os olhos e suspirei, apesar daquilo ser mentira, a torção havia sido real, e doía de verdade.
— Então trate de colocar um gelo nisso, porque amanhã eu preciso de você na empresa. — meu pai falou autoritário e se dirigiu para seu escritório.
— Agora é o nosso pai. — dei um sorrisinho de escárnio o olhando entrar em seu escritório e balancei a cabeça.
— Vai lá colocar gelo, o vai piorar. — me olhou e depois que eu assenti foi para o escritório atrás do nosso pai.
Tirei o tênis, já que não aguentava mais aquele treco apertando o meu pé, e andei até a cozinha com um pouco de dificuldade, já que doía bem mais do que antes. Claro que pelo fato de que eu o forcei tanto para inventar uma mentira, mas era a forma que eu havia achado de esconder o que havia feito na noite anterior, que por sinal era outra mentira. Minha vida estava virando uma bola de neve feita de mentiras, e por mais que fosse pelo bem de todos, eu odiava mentir para o .
— O que houve com seu pé? — Sara me olhou confusa, enquanto eu me sentava em uma das cadeiras.
— Eu machuquei o pé enquanto corria. — falei simplesmente servindo um pouco do suco de laranja em um copo.
— Enquanto corria, ou quando pulava o muro pra voltar pra casa ontem à noite? — arqueou a sobrancelha cruzando os braços, e eu engoli a seco.
— Como você...? — antes que eu completasse a frase, ela me interrompeu.
— Eu ouvi um barulho ontem na porta da cozinha e o havia acabado de sair, aí eu fui olhar o que era e te vi em cima do muro pronta pra pular, e aí veio o estrondo da lixeira lá fora. — ela falou enquanto colocava pedras de gelo em uma bolsinha térmica azul.
— Você não vai contar isso pra ninguém, não é? — fiz uma careta, que eu diria que poderia ser nomeada como súplica, e ela riu.
— É claro que eu não vou contar. — balançou a cabeça e se aproximou novamente da mesa, colocando meu pé sobre outra a cadeira, e colocando a bolsa de gelo nele — Mas você pode me contar porque estava pulando o muro àquela hora?
— Eu estava indo para a corrida. — falei e logo depois levei um pedaço da panqueca à boca, e a mastiguei e engoli antes de voltar a falar — O não podia saber que eu ia dessa vez, porque ele não sabe que eu estou correndo. — completei respondendo a pergunta que tinha certeza de que ela me faria em seguida.
— E por que ele não pode saber? — levantou o meu pé e se sentou na cadeira o colocando em seu colo, e ainda segurando a bolsa de gelo sobre ele.
— Porque ele não quer que eu corra. — balancei a cabeça e bebi um gole do suco — De acordo com ele é muito perigoso, e ele não quer me colocar em risco. — soltei uma risada nasalada e balancei a cabeça negativamente — Mas da mesma forma que é perigoso para mim, é para ele, e por que ele pode e eu não? — a olhei e ela riu baixo dessa vez.
— O seu irmão é protetor, e você é independente, isso acaba gerando um conflito entre vocês. — falou colocando a bolsa na lateral do meu pé dessa vez, me fazendo soltar um murmúrio de dor — Mas você não pode manter isso escondido dele, e se acontecer alguma coisa, como ele vai saber que era você? — perguntou e por um momento eu consegui me sentir mal por esconder do que eu estava correndo.
— O problema é que isso não envolve somente a mim. — balancei a cabeça, e comi um dos morangos da panqueca, voltando a olhá-la — O tem um rival nas corridas, que é tão bom quanto ele... — falei e ela balançou a cabeça, mostrando que já sabia daquela história — Como você já sabia disso? E das corridas? — fiquei realmente confusa com aquilo.
— Quando o começou, eu o peguei fugindo, e ele me pediu pra não contar pro seu pai, aí eu perguntei o que ele tanto fazia na rua tão tarde da noite e ele me contou tudo. No começo eu não concordei muito, mas se eu tentasse o impedir de sair ele daria um jeito, e faria de qualquer jeito... — soltou uma risada nasalada e balançou a cabeça — E aí eu o ajudei a sair várias vezes, e ele chegava empolgado pra me contar sobre as corridas. — deu um sorriso materno e eu acabei sorrindo com aquilo — E quando ele conheceu o , ele me contou também, inclusive quando eles brigaram e se tornaram rivais, até mesmo o motivo disso. — trocou a bolsa de gelo mais uma vez de lado, me fazendo soltar outro murmúrio de reprovação. Aquilo doía.
— Eu só descobri sobre a briga com o há três semanas. — ri pelo o nariz e balancei a cabeça — Eu sabia que eles eram rivais desde a minha primeira corrida, mas quando eu conheci o eu não fazia a menor ideia de quem ele era... — neguei com a cabeça e ri fraco — E aí eu o beijei. — a olhei e ela arqueou a sobrancelha — Eu não o beijei simplesmente porque tive vontade, quer dizer, é impossível não ter vontade de beijar ele, mas foi tudo por uma aposta... — fiz uma pausa e ri baixo bebendo um pouco do suco em seguida — Estava tendo uma corrida e nós apostamos se uma das corredoras ia ganhar ou não, e se ele perdesse, me ajudaria a participar de uma corrida, caso contrário, eu o daria um beijo de boa sorte... — mordi o lábio inferior me lembrando daquele dia. Parando para analisar aquela era uma história engraçada, porque eu havia beijado um cara que eu nem sabia o nome, e nem estava bêbada.
— E esse beijo de boa sorte serviu pra alguma coisa? — ela perguntou bem alheia do que estava se passando pela a minha cabeça, e eu ri.
— Depois de cinco corridas seguidas que ele havia perdido para o , ele ganhou. — a olhei e acabei dando um sorrisinho ao pensar naquilo.
Pelo menos eu o havia dado sorte.
— E como ficaram as coisas entre vocês depois disso? — ela perguntou enquanto eu levava um pedaço da panqueca e dessa vez com um morango à boca, e em seguida parei para mastigar.
Contei para ela toda a história com o depois daquela primeira corrida. Contei sobre a festa da avó dele, em que eu havia o encontrado. Falei também sobre a proposta da corrida, que eu não precisei nem de um minuto para aceitar. Sobre a corrida e o resto da noite depois dela, inclusive sobre o sexo maravilhoso que havíamos feito naquele dia. E contei sobre a briga, que há deixou um pouco brava com ele, até eu dizer que estava mesmo fazendo o que ele falara, usando o e a rivalidade deles, para fugir de sentir alguma coisa.
Talvez naquele dia eu não tivesse percebido aquilo, mas agora eu via claramente o que havia feito.
Eu usei o como desculpa, para que não me apaixonasse pelo .
— E depois dessa briga ficamos duas semanas sem e nos falarmos, até nos encontrarmos num pub, quer dizer... Ele me encontrou, porque eu estava tão bêbada que mal me lembro daquela noite. — fiz uma careta, que foi repetida por ela, mas com incredulidade, o que acabou me fazendo rir — Ele cuidou de mim naquela noite, e impediu que algum cara fizesse algo comigo, inclusive ele, mesmo depois de eu tirar o vestido e ficar apenas de calcinha em sua frente, o pedindo pra transar comigo. — fiz outra careta, mas dessa vez incrédula com o quão submissa dele eu estava naquela noite. Mesmo bêbada eu não fazia isso pra ninguém, não me oferecia pra homem algum, mas com ele era diferente.
Eu o queria até mesmo sóbria.
— E como você tem a certeza de que ele não fez nada com você? — ela arqueou a sobrancelha e eu dei ombros.
— Ele foi sincero quando me contou sobre aquela noite, eu podia ver em seus olhos, sem contar que se ele tivesse feito algo comigo, eu provavelmente teria acordado com algumas dores, porque vamos confessar que sexo causa dores, com dele principalmente... — deixei aquela frase no ar e ri fracamente balançando a cabeça negativamente.
— E vocês se resolveram depois disso? — perguntou, ignorando o comentário que eu havia feito anteriormente.
— Sim, a gente conversou, e aí ficou tudo bem. — encarei o último pedaço de panqueca em meu prato e suspirei antes de continuar — Até ontem quando surgiu uma nova corredora para disputar contra mim, e o beijou... E ainda por cima, se ofereceu para entrar na equipe do . — mais uma vez fiz uma careta incrédula, e neguei com a cabeça. Aquilo já estava se tornando comum naquela história toda.
— E seu maior incômodo é por ela entrar na equipe do ou por ter beijado o ? — ela moveu a bolsa de gelo mais uma vez, e dessa vez eu mal senti, pois de tanto colocar o gelo meu pé já estava um pouco dormente.
— Eu não sei dizer... — respondi baixo e empurrei o prato para frente, ao perceber que não estava mais a fim de comer.
— Vou reformular a pergunta... — fez uma pausa e olhou para o prato, voltando a me olhar em seguida — Em qual das duas coisas você não conseguiu parar de pensar até agora? — manteve seu olhar em mim, como quem já soubesse a resposta e só me esperasse confirmar.
Demorei alguns segundos para responder, até porque assumir aquilo me levava a assumir o sentimento que havia tido na noite anterior, e eu não queria ter que assumir.
— No beijo dela com o ... — falei tão baixo que saiu quase sem nenhum som, e mantive o olhar na mesa, dessa vez já sem prato algum ali.
— Você sabe o que isso significa, não é? — ela pegou a minha mão sobre a minha perna, e a segurou entre a suas, então eu neguei com a cabeça — Você está com ciúmes. E se está sentindo isso, é porque você realmente gosta dele, isso se já não estiver apaixonada... — eu fechei os olhos e mais uma vez neguei com a cabeça. Era daquilo que eu tinha medo durante todo esse tempo, me apaixonar por ele. — Não sinta medo de se apaixonar, . — falou maternalmente enquanto acariciava as costas da minha mão — Isso é uma coisa boa, e esse garoto parece também gostar de você. — abri os olhos e a encarei.
— Meu medo não é me apaixonar, meu medo é me apaixonar justamente pelo rival do meu irmão. — soltei uma risada nasalada — O é tudo pra mim, e saber que isso pode fazer com que ele me odeie me faz não querer sentir isso. — suspirei pesadamente.
— Não dá pra escolher o que vamos sentir, ou por quem sentir. Você não fez isso pra provocar o e eu duvido muito que ele vá te odiar por algo algum dia. — ela falou ainda mantendo minha mão entre as suas — Então não deixa esse medo te impedir de ser feliz, ou de pelo menos tentar algo que você queira. — balançou a cabeça negativamente e sorriu ternamente — Fala com o , e deixe as coisas resolvidas entre vocês, se não for pra dar certo, paciência. — manteve sua voz calma, como uma mãe aconselhando a filha, e aquilo me confortava, pois por muitos anos eu não sentia aquilo — Agora eu vou voltar ao trabalho, antes que seu pai venha tomar café e me dê uma bronca. — riu fracamente e se levantou levando consigo a bolsa de gelo.
— Sara? — a chamei e ela se virou para me olhar — Obrigada. — dei um pequeno sorriso.
— Sempre que precisar, criança. — ela falou, me chamando da forma que me chamava até os meus 12 anos quando eu havia ido para o internato, e sorriu saindo da cozinha.
Sara sempre foi como uma mãe para mim, e ainda mais para o , já que em todos esses sete anos ela que esteve ali por ele, o consolando todas as vezes que nosso pai o dizia algo ruim sobre a morte da nossa mãe. sempre me contava das conversas que tinha com ela, e era aquilo que me confortava estando tão longe.
— Hey, como tá o pé? — falou entrando na cozinha seguido de nosso pai, e se sentou na cadeira onde antes Sara estava, deixando meu pé em seu colo.
— No momento está dormente por causa de tanto gelo. — fiz uma careta e ele riu balançando a cabeça.
— Espero que isso não te impeça de ir para a empresa amanhã, eu preciso de você lá. — meu pai me olhou, enquanto se sentava na cadeira da ponta, e eu me limitei a revirar os olhos — E não revire os olhos para mim, eu sou o seu pai e exijo respeito. — falou autoritário e eu dei um sorrisinho cínico, batendo continência e me levantei.
— Me deem licença porque eu já tomei café e preciso me arrumar pra ir falar com uma pessoa. — beijei o topo da cabeça de , enquanto meu pai ainda me olhava com uma cara nada feliz.
Saí da cozinha antes de algum dos dois falar algo, e peguei o meu tênis ao passar pela sala, subindo as escadas em seguida. Entrei no quarto e encostei a porta, joguei meu tênis em um canto e peguei meu celular abrindo a conversa com o , e em seguida abri o teclado, parando um pouco antes de digitar.

"Preciso falar com você..."
"Pode me encontrar no Hyde Park daqui às 1h?"


Depois de enviar as mensagens, bloqueei o celular e fui para o banheiro deixando o mesmo sobre a bancada da pia. Tirei as roupas as deixando sobre o cesto de roupas e entrei no box soltando o cabelo e ligando o chuveiro.
Tomei um banho demorado aproveitando para lavar os cabelos, e enquanto tirava o shampoo ouvi meu celular apitar duas vezes, e pude imaginar quem era. Só quando acabei o banho e me vesti com o roupão colocando uma toalha nos cabelos, que eu fui olhar as mensagens, e como eu imaginava era o .

"Bom... Eu posso sim..."
"Então nos vemos lá"


Saí do banheiro e fui para o quarto jogando o celular sobre a cama, vesti uma calça jeans, uma regata e uma blusa de moletom por cima. Optei por calçar um chinelo, já que o meu pé não estava ajudando muito para calçar algo fechado, e fui pentear os cabelos. Demorei um pouco a desembaraçar, mas assim que o fiz, o deixei solto para que pudesse secar naturalmente. Peguei apenas o celular, e algum dinheiro e saí do quarto.
Desci as escadas devagar por causa do meu pé, e então chamei um uber pelo aplicativo já que não tinha condições de dirigir. Não demorou nem cinco minutos para que avisasse que o carro já me esperava na porta, então eu saí.
— Hyde Park, por favor. — falei ao entrar na parte de trás do carro e o motorista assentiu dando a partida.
Eu nem fazia ideia do que iria falar com o , mas depois da conversa com a Sara, eu tinha certeza que nós precisávamos conversar.

Quando cheguei ao Hyde Park comecei a andar pelo local a procura do . O encontrei sentado em um banco, vestindo uma jaqueta de couro, uma calça jeans preta rasgada no joelho, seu típico coturno e óculos escuros. Ele fumava um cigarro enquanto olhava para um menininho que brincava com um filhotinho de pastor alemão do outro lado de onde ele estava.
Aproximei-me devagar, ainda mancando e me sentei ao seu lado no banco chamando sua atenção. Ele me olhou, voltando a olhar para frente em seguida para que pudesse soltar a fumaça, pelo menos eu queria acreditar que ele não estava me ignorando como eu havia feito com ele.
— Eu me atrasei um pouco do horário combinado, porque o motorista do uber se perdeu no caminho... Acho que ele não é daqui. — quebrei o silêncio soltando uma risada anasalada.
— Achei que tivesse vindo de carro. — falou enquanto jogava a pequena bituca do cigarro no chão e o apagava com a sola do sapato.
— Não posso dirigir nessas condições. — levantei um pouco o meu pé e ele olhou para o mesmo — Eu machuquei ontem quando fui pular o muro de volta e agora está assim. — olhei para o meu pé por alguns segundos, e voltei a abaixá-lo.
— Você deveria estar em casa, e não forçando mais o pé. — ele falou em um tom sério, mas ao mesmo tempo preocupado.
— Mas eu precisava mesmo falar com você. — o olhei mantendo meu olhar ali em seu rosto.
— Se você quer falar sobre ontem, eu realmente não fiz nada errado e não impedi o beijo porque aconteceu tudo muito rápido e eu achei que essa fosse uma boa coisa pra que o esquecesse sobre nosso suposto caso. — me olhou enquanto se explicava e eu apenas assenti com a cabeça.
— Eu sei... — falei baixo e fiz uma pequena pausa — Mas não é sobre isso que eu quero falar. — mordo o lábio inferior puxando dali uma pelinha que estava soltando, e por mais que aquilo doesse eu tinha mania de sempre arrancar.
— E sobre o que é? — tirou os óculos e o pendurou na gola da sua camisa.
— É sobre a gente... — novamente fiz uma pausa, e desviei meu olhar para o céu — Eu nem sei como começar a falar isso. — ri fraco e balancei a cabeça negativamente voltando a olhá-lo — Eu e você começamos um relacionamento complicado, isso pelo fato de que eu sou irmã do seu rival, e não é só nas corridas. E eu sei não tem nem dois meses, mas cada dia que passa parece que essa nossa história se complica cada vez mais, e... — antes que eu pudesse continuar, ele me interrompeu.
— Eu já até posso imaginar o que você vai falar, mas antes me deixa falar uma coisa, tá? — ele falou enquanto tirava a mão do bolso e abria a tampinha de metal do isqueiro e a fechava nervosamente — Eu nunca pretendi ter um caso com a irmã do , isso nem mesmo quando nós éramos amigos. Eu sabia da sua existência, mas nunca nem havia visto uma foto sua pra saber como você era, eu realmente descobri naquela corrida em que nos conhecemos, mas aconteceu que a gente foi fazer aquela aposta, e por mais que eu tenha pedido um beijo eu achei que você não me daria, mas eu já comecei errando, porque você mostrou ter palavra e ser uma mulher de atitude. — deu um sorriso fraco e balançou a cabeça — E por mais que eu tivesse pedido um beijo de boa sorte, eu não esperava que realmente fosse ganhar aquela corrida, mas depois que você chegou, sem contar as duas corridas em que nós estávamos brigados, eu ganhei todas as outras, e algo me diz que não são as ultimas, porque você... Você é como o meu amuleto da sorte. Sempre que você estiver por perto, eu vou ganhar as corridas. — ele desviou o olhar para um cachorro que corria para pegar uma bolinha, mas voltou a me olhar — Sim, não tem nem dois meses que a gente se conhece, mas eu tenho certeza de que não quero ficar com nenhuma outra pessoa, eu tenho certeza de que eu quero você. Ninguém me fez sentir metade do que você me faz todos os dias. — negou com a cabeça e riu pelo nariz — Quando eu disse que você chegou pra foder com a minha vida, não era mentira, mas também não era no mal sentido, porque você realmente tá fodendo cada vez mais com a minha vida. Você é irmã do cara que era meu amigo, e agora é praticamente meu inimigo, mas ainda que isso seja um tanto quanto irônico, eu não consigo te esquecer e muito menos não te querer, porque você é como um vício, mas um vício pior do que o que eu tenho com cigarros... — tirou um cigarro do bolso e começou a brincar com ele entre os dedos — Porque você é um vício no qual é impossível parar. E mesmo se eu pudesse parar, eu não iria querer, por que... Caralho... — fez uma pausa e passou a mão pelo cabelo nervosamente — Porque eu estou completamente apaixonado por você. — falou ele por fim, e olhou em meus olhos como se quisesse que eu tivesse a certeza de que aquilo era a verdade.
E eu tinha.
Fiquei o olhando por algum tempo, enquanto piscava várias vezes e tentava abrir a boca para falar algo, mas nada saía. Ele manteve seu olhar em mim, e só o desviou para acender o cigarro o levando a boca. Ele estava nervoso, e eu sabia disso por ser o segundo cigarro dele em menos de meia hora ali.
, eu... — falei depois de um tempo, mas parei por não saber como continuar — Eu não sei o que falar. — soltei uma risada nervosa e balancei com a cabeça.
— Fala o que você tinha vindo falar, pode acabar com tudo como você ia fazer. Não precisa ficar comigo só pelo o que eu disse. — riu pelo nariz e tragou o cigarro logo depois.
— Mas eu não vim acabar com nada. — neguei com a cabeça e ele me olhou confuso após soltar a fumaça pela boca — Eu... — mas uma vez não consegui continuar, então o olhei — Que se foda todo o resto. — falei antes de segurar em seu rosto e o beijar, fazendo questão de deixar claro ali que sentia o mesmo por ele.
Ele levou uma das mãos a minha cintura me puxando para mais perto dele no banco, e jogou o cigarro fora, pois colocou sua outra mão em minha nuca aprofundando o beijo.
Eu não havia imaginado que seria tão difícil dizer para alguém que estava apaixonada, mas o que eu estava tendo com o era difícil explicar, não seria aquilo uma coisa fácil nisso tudo. Porém, nós havíamos achado um jeito perfeito de dizer o que sentíamos, e apesar dele já ter falado com palavras, era ali que eu realmente conseguia sentir.




Continua...



Nota da autora: Amorzinhos da minha vida, aqui está mais um capítulo para vocês. Eu teno algo para dizer sobre esse capítulo e é que até agora foi um dos melhores e mais fofo capítulo dessa fic, mesmo que seja uma fofura nas condições dos pp's, é claro. Eu espero de coração que vocês tenham gostado e que me digam o que acharam e o que esperam de acontecimentos nessa relação que passou de "Atração proibida" para "Paixão proibida" haha Por hoje é só mi amores <3 Beijooooooooooooooooooooos! Trailer da fic (https://www.youtube.com/watch?v=7xovN4GDxCc)





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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