FFOBS - Freakshow, por Calis


Freakshow

Última atualização: 24/06/2018

Prólogo


“As pessoas nunca terminam, simplesmente se abandonam.”
— Gabito Nunes.


Em algum lugar do Reino Unido, 1997.


O fogo se alastrou rápido.
A correria assustara as crianças, que estavam já em seus quartos após o toque de recolher, enquanto as portas se abriram num rompante e todos fugiram para as saídas mais próximas, mas misteriosamente os funcionários não conseguiram abrir as portas dos seus quartos, com exceção de Madeleine Ducrô. Enquanto as crianças corriam para baixo, sendo auxiliadas pela nova psicóloga que seria a única sobrevivente adulta do corpo dos funcionários, ela olhava horrorizada para o fogo sinistro que começara do nada com apenas um fósforo inocente caindo sobre os lençóis de Peter Jordan, e as labaredas pareciam dançar em uma harmonia sinistra.
Haviam seis crianças observando com curiosidade em local afastado. O carro estava cheio de comida e mantimentos pelos próximos dias, assim como os cobertores e duas cadeiras improvisadas para bebês. Os funcionários do Orfanato Serene Woody gritaram por socorro, porém ninguém iria auxiliar aqueles monstros. Todas as crianças, sem exceção, usavam roupas maltrapilho por baixo dos grossos casados que roubaram da sala dos funcionários, e algumas economias, que estavam na sala da diretora Peter Jordan. Segurava os bebês em seus braços, um deles adormecido e outro atento ao fogo, os olhos em tons verdes fixos nas labaredas enquanto os funcionários queimavam até as cinzas, e os gritos divertiam os mais velhos. A garota mais velha acomodou melhor a garotinha de pouco mais de um mês em seu colo apertou o seu dedo, e ao longe, o som baixo foi ouvido por ela.
Vamos? — perguntou para os outros - Temos que sair daqui antes que a polícia chegue.
Ela havia roubado o carro de Peter Jordan, acomodou um a um no carro e ouviu algumas birras do garoto de seis anos para ela, e entregou ao mais velho dos meninos a garotinha carequinha que havia adormecido. O outro bebê estava com outra menina que observava a neve cair novamente naquela noite.
E agora, para onde vamos?
A garota de 15 anos observava a estrada, e uma brilhante ideia surgiu em sua mente enquanto ligou o carro dando partida.
Londres.


Capítulo 1


“Às vezes você se apaixona por quem não esperava, mas não quer dizer que isso seja errado.”
— How I Met Your Mother

Uma chuva forte e continua caia enquanto Leonard McQueen seguia o Audi A3 sedan de seu namorado em direção ao apartamento dele. A batida dos limpadores de para-brisa não interrompia os seus pensamentos.
Ex-namorado, corrigiu-se mentalmente. Há exatos quarenta e cinco minutos.
Ele batia seus dedos na direção do carro ao ritmo de Robbers, de The 1975, que tocava aleatoriamente em uma das milhares de playlist no Spotify -, foi o ano de sua vida, ele pensou, está realmente pronto para passar uma borracha sobre o assunto?
Havia uma saída melhor? Leonard pensou em ligar para sua irmã mais velha e lhe pedir conselhos amorosos, porém o relógio em sua BMW X6 marcava exatamente 23:45, enquanto as melhores desculpas, até mesmo os apelos para Richard Turner estavam a se formar, porém talvez ele ficasse melhor deixando para trás o seu furacão particular. Uma racionalização banal: ele é o parlamentar inglês que não havia assumido sua sexualidade, e Leonard é um playboy gay que vivia em revistas de celebridades e fofocas.
Mas não era tão simples?
Richard trabalhava para a Rainha Elizabeth II enquanto Leonard é um dos solteiros mais cobiçados do Reino Unido - além de ser objeto sexual de pelo menos 99% dos britânicos e ter sua própria multinacional que estava se expandindo para o restante do mundo -, Leonard coçou o nariz ao pensar nisso e frustou-se com todos os contra que existiam entre Richard e ele, além da preocupação excessiva de sua família com esse relacionamento e o medo desnecessário de Richard perante a sociedade caso descobrissem que ele tinha um relacionamento homoafetivo com o McQueen.
Leonard viu o Audi A3 virar à esquerda e ligou a seta para segui-lo, porém um Volvo o fechou e, quase por um triz, um Porsche atrás de si não batia no carro.

Richard Turner saiu do carro no estacionamento do prédio onde se encontrava com Leonard - o parlamentar olhou curioso por perceber que Leonard não estava mais atrás de si, deve ser o trânsito, pensou o homem enquanto retirou a gravata e pegava a sua maleta. Os seguranças que normalmente faziam a sua proteção estavam de folga naquele dia, mas os de Leonard estavam seguindo ele como sempre para todos os lugares que o McQueen ia, porém olhou mais uma vez para entrada do estacionamento enquanto pegava o elevador.
Ele deve ter ficado preso no trânsito.

O segurança de nome Stuart estava explicando que não era preciso esperar a polícia e que ninguém havia se ferido enquanto o outro carro com seus seguranças esperava pacientemente para seguirem para o destino com seu chefe. Leonard observava os quatro brutamontes que era obrigado a arrastar para todos os lados que ia desde os seus 12 anos, porém ele mantinha a expressão aborrecida enquanto batucada sobre o volante e os pensamentos iam sobre o que ele é Ricard iam conversar naquela noite.
Ele pega as coisas dele e caia fora da vida do homem da Rainha, ou passa a última noite fazendo amor, como se fosse a última vez?
Ou, pro diabo com tudo, pensou amargo sobre o destino de seu relacionamento.

E os assuntos que os atraiam? O padrão típico dos relacionamentos do playboy? Leonard McQueen, solteiro convicto - além de ter uma boa quantia em dinheiro no banco -, ele sempre foi considerado brilhante, porém as expectativas dos seus relacionamentos? Seis meses, até um ano, porém ele estava quase dois anos com Richard Turner.
Era um recorde, diria sua irmã .
Ele checou o relógio novamente, fazia 25 minutos desde que perdera Richard de vista, enquanto estava perdendo a paciência com aquela mulher e seus ataques histéricos.

Richard Turner parou em frente ao apartamento: tudo acabou mesmo? Ele se lembrava da voz do amante ao falar da recepção para arrecadar fundos para doar para orfanatos carentes - Turner havia cometido um erro ao ir a festa, sabendo que vários parlamentares e pessoas de alta classe estariam lá -, embora Leonard tenha dito que iam ser discretos naquele compromisso social, provavelmente foi um passo mal dado.
E havia também August Freeman.
Leonard havia tido um caso curto com o homem antes de conhecê-lo e tinha sido honesto ao discutir a possibilidade de ele ir ao evento.
Porém, em seu íntimo, Richard tinha que admitir que eles formavam o casal!
August Freeman, advogado conceituado e assumidamente gay. Ênfase ao gay. Leonard McQueen, empresário, assumidamente homossexual, e de bem com a sua vida e família. Eles formavam o casal que não tinha aquelas discussões tolas sobre discrição e que deveriam se encontrar às escondidas ou qualquer coisa do gênero - este sempre seria o problema entre eles, sempre parte da dinâmica que faltava entre eles.
Ele balançou a cabeça a contragosto enquanto abriu o apartamento, porém, assim que ele entrou, havia algo de errado.
A luz do hall estava desligada, mas mesmo na semiescuridão ele podia perceber que seu apartamento estava remexido. Ele pegou celular no bolso, porém a mão com uma luva obstruiu sua boca e ele perdeu os sentidos.

Após alguns minutos desde que deixara Stuart cuidar do quase acidente mesmo sobre os protestos da mulher que estava esperando os benditos dos policiais, Leonard estacionou o carro ao lado do Audi de Richard e ajeitou a gravata que estava lhe incomodando enquanto percebeu os dois seguranças restantes também estacionando. Ele desceu e ajeitou o terno que usava naquela noite, e trancando o carro enquanto sinalizou para os seguranças que dali ele podia ir muito bem sozinho, porém sabia que o velho Raymond estaria no corredor no dia seguinte com um copo de café expresso.
- Tenham uma boa noite, rapazes - diz sorridente para Aaron e Raymond – E não fumem aqui.
Aaron soltou uma risadinha enquanto Raymond apenas ignorou o patrão que adentrou no elevador e apertou o número 10.
Observou seu rosto no espelho dele - Leonard tinha uma cicatriz no supercílio esquerdo, porém era quase imperceptível a olho nu - enquanto os olhos verdes acinzentados esperavam impacientes que chegassem ao 10° andar, e tentava montar um plano estratégico para pode salvar seu relacionamento com Richard assim que a porta abriu ele buscou o apartamento 1010, porém seus olhos pararam na porta entreaberta e a sensação que estava no ar era sufocante.
Empurrou com os sapatos a porta enquanto buscava a silhueta de Richard pelo apartamento - a luz do hall estava acesa -, enquanto um círculo de sangue estava desenhado no chão e no centro dele, com o tórax aberto e os olhos arrancados estava Richard Turner.
Morto.
Leonard parou na entrada do apartamento enquanto observava cuidadosamente o círculo desenhado no chão. Ele tirou o celular do bolso do terno e percebeu o tremor tomar conta de suas mãos, e digitou 999.
- 999. Telefonista.
Ele arranhou a garganta - a bola de angústia estava se formando, porém ele olhou Richard e se forçou a dizer as palavras.
- Gostaria de comunicar um assassinato.


Capítulo 2


“Vamos fingir que tudo está bem. Que as piadas do palhaço ainda são engraçadas e que o coração não dói. Que o ambiente reservado para fumantes não sufoca e que esperar na fila do banco não cansa. Vamos fazer parecer que nenhuma música é uma lembrança e que o cheiro não grudou na ponta do nariz. Vamos fingir que eu não o vejo em todo canto e que o meu lado da cama dele ainda espera por mim. Vamos fazer de conta que esse espaço todo não aperta e que o que sinto não é necessidade. Vamos fechar os olhos e imaginar que esse ainda não foi o inicio do fim.”
— Casebre.


McQueen observava as pinturas em seu quarto.
E um especial, dado por sua irmã mais nova - entretanto, eles não eram irmãos de sangue e nem parentes distantes e, por isso, mesmo que em seu íntimo pensasse que estava cometendo um pecado por se apaixonar por sua irmã de criação, não estava. Era uma pintura modernista de algum artista que amava e, por aquele motivo, ele comprara a arte e a pendurara para olhá-la todos os dias.
Afinal, era a preferida dela.
Aos 25 anos, era um apreciador de artes, e também de mulheres, porém mesmo depois que se considerassem suficientemente bonito, ao menos era o que as pessoas lhe diziam, ele ainda tinha olhos para ela.
Ele tentou engatar em relacionamentos que logo se mostraram fracassados, mesmo que ele se dedicasse para as mulheres que compartilhou sua intimidade e sua cama e foi chamado de cavaleiro e honesto por suas ex-namoradas - de alguma maneira elas percebiam que ele não estava na mesma sintonia que elas e nem mesmo que queria entrar em sintonia com qualquer outra pessoa além de , e ele riu-se ao lembrar do último fracasso que levou exatos 7 meses para a jovem Adelaide terminar com ele no parque que ocorrerá o primeiro encontro deles -, entendia perfeitamente por que de seus relacionamentos nunca darem certo, enquanto bebeu mais um gole do whisky e pensava se algum dia poderia deixar seus sentimentos por sua irmã de lado.
Pelo Anjo! Ela era a sua irmã, mesmo que não compartilhassem o mesmo material genético, ou qualquer semelhança física, eles foram criados como irmãos, porém desenvolvedora por sua irmã sentimentos além da fraternidade, que o corroem todos os dias - sabia que, bem no fundo de seu coração, ele desejava que um dia pudesse dizer para ela todos aqueles sentimentos. Como ela iria reagir? Será que seria recíproco?
Ele pensava em como todas as suas namoradas poderiam ter engatado num relacionamento com ele, mesmo que ele estivesse apaixonado por .
Ele pensou que os 1,89m de altura, boa forma - após insistência de seu irmão Ethan deles começarem uma academia, porém, mesmo que não fosse adepto de pegar pesado na musculação no início, acabou pegando gosto pela academia -, tinha cabelos castanhos escuros e o antiplayboy, entretanto ele tinha a reputação de playboy nas revistas que saiam a seu respeito.
Ou será que as mulheres sentiam atração por seu currículo? Cambridge, vencedor de algumas competições de hipismo e tinha a sua própria empresa juntamente com os irmãos, filantropo e amante dos animais, e defensor dos oprimidos da África.
O homem apenas repuxou os lábios nos cantos enquanto ouvia "World Gone Mad", do Bastille - um dos favoritos dela e também uma das suas, desde que lançou -, e olhava o Whatsapp onde as mensagens chegavam e eles ignoravam o convite das senhoritas para sair e se divertir.
A janela estava fechada e ele apreciou o whisky enquanto a porta de seu quarto se abriu num rompante - a mulher tinha os cabelos bagunçados enquanto a expressão apreensiva estampava sua bela face -, e ela era a mulher mais linda do mundo mesmo com aquela expressão.
- Richard Turner acaba de ser assassinado, . - a voz de soava frenética e a urgência dela assustou o mais velho enquanto o mesmo absorvia a informação jogada daquela maneira - Aaron acaba de me avisar, nosso irmão achou o corpo e eu estou indo pegá-lo, porém eu não consigo falar com Clair, e nem mesmo com Ethan, para avisá-los.
Ela falava rápido, sem respirar - se ele não a conhecesse desde criança, diria que ela está tendo ataques de pânico naquele momento -, e os cabelos arruivados caindo em mechas por sua face.
- Se acalme, vá pegar Leonard com Anthony e Simon, eu cuido de trazer nossos irmãos.
largou o copo de whisky e a abraçou, o perfume amadeirado e de florais preencheu o ar. Enquanto a mesma se despediu, ele apenas discou o número decorado.
- Onde está Ethan e Clair, Jones?

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A boate estava a pleno vapor, pensou a mulher de cabelos grisalhos enquanto limpava os camarins e verificava as meninas, que já tinham sido liberadas pelos clientes, que comiam animadas no refeitório no segundo andar e as músicas eletrônicas tomavam conta de todo o ambiente - enquanto mandou os seus subordinados para limparem os respetivos quartos liberados -, e mexeu no tablet em que se encontrava todos os quartos do estabelecimento -, ali as prostitutas recebiam um auxílio vindo da Boate Hell's, e muitas vezes conhecidas como o prostíbulo de luxo onde magnatas, parlamentares, e até mesmo alguns nobres ingleses, vinham ali para satisfazer as suas necessidades sexuais.
A chefe da limpeza, Amélia, escutava os gritos de prazer das jovens prostitutas de luxo enquanto passava pelos corredores destinado para os funcionários da limpeza e segurança trafegarem com segurança entre os quatros. A mulher de 50 anos suspirou e lembrou-se da primeira vez que pusera os pés no prostíbulo Hell. Mesmo após a repulsa inicial pelo estabelecimento de luxo, Amélia escutava das jovens garotas de programa que os patrões lhe davam todas as regalias que qualquer trabalhador precisava, e foi um dos motivos para Amélia ficar naquele local - e também pelo apreço que tinha pelas jovens de 20 anos que pagavam os estudos com o dinheiro ganho nas noites que trabalhavam ali. Ela também cuidava de todas e verificava se estavam todas saudáveis e se alimentando bem, as ordens dos patrões que sempre lhe davam ouvidos sobre qualquer coisa que acontecia no Hell's.
Os olhos escuros desceram pela lista de quartos ocupados até o momento, porém parou na frente da porta do apartamento 13 e franziu o cenho, e novamente verificou abrindo uma aba sobre as especificações dos quartos e de todos os pedidos dos clientes e das jovens prostitutas.
Stanley Kubrick, ela leu atentamente que aquele homem sempre pedia um vinho e várias guloseimas para desfrutar juntamente das dançarinas.
Não havia nenhum pedido do cliente desde que entrara no quarto e nem mesmo das jovens que estavam com ele - ela tentou relembrar quem estava com o homem dentro do quarto: Sammy e Dot, ela conhecia melhor do que ninguém as meninas, e elas sempre pediam o jantar após o cliente dormir, caso ficasse o restante da noite, e também pedia roupas para ela que sempre entregava para as meninas, aquele hábito era todas as noites que estavam no trabalho. Ela apenas olhou a porta e pensou em entrar e verificar como estavam as jovens, porém ela apenas pegou o rádio que todos os funcionários do Hell's tinham.
- Ei, Abby - chamou a chefe de segurança que cuidava de todos passos dos funcionários e clientes que entravam e saíam do Hell's - Não há pedidos do apartamento 13, poderia mandar alguém para entrar comigo e verificarmos se está tudo bem?
- Estou mandando o Aram - a voz de Abby soava profissional e séria enquanto a mulher mais velha apenas pensou preocupada com as mulheres dentro do quarto - Ele estará armado, Amélia, não se preocupe com elas. Só devem ter dormindo.
Amélia franziu os lábios com isso. Houve um incidente sobre um cliente querer bater numa das meninas, desde então, qualquer coisa suspeita, os seguranças estavam com o aval de entrar nos quartos para ajudar as mulheres, e ela lembrava das meninas, que saíram com vários machucados, e que foram remanejadas para trabalhar na área administrativa, juntamente com Abby.
Ouviu o elevador dos funcionários e Aram, acompanhado de Stefani, uma segurança truculenta e que dava medo em praticamente todos os clientes abusivos, desde que entrara no ano passado, quando impedira agressão a uma das dançarinas. Ambos armados enquanto a chefe da limpeza retirou das vestes as chaves e o click da fechadura foi ouvido enquanto Aram apenas entrou na frente sendo seguida pelas duas mulheres. Tocava uma música "Karma Police", do Radiohead ,que Amélia reconheceu ser a favorita de Sammy. Amélia procurou pelas garota enquanto percebeu o sangue espalhado pelo quarto, assim como os corpos das meninas com as gargantas cortadas em cima da cama, além do cliente também e reconheceu dois guardas, ela pensou que estavam de folga naquele dia.
Um grito escapou dos lábios enquanto Aram a parou antes que tocasse em alguma coisa. Os fios loiros de Samantha estava com sangue, além dos olhos vidrados com uma expressão de horror enquanto Dorathea estava no mesmo estado, porém seus olhos fechados enquanto as lágrimas escapavam de seus olhos, provavelmente esperando uma morte rápida pelo seu agressor. Amélia já havia visto de tudo em sua vida, porém a cena a sua frente fora demais para seu coração.
- Abby, ligue para a polícia - a voz rígida de Aram soou urgente pelo rádio enquanto Stefani observava também em total espanto - Houve um homicídio, e avise para os donos, agora, Abby!
As lágrimas desceram pelo rosto de Amelia enquanto foi arrastada dali por Stefani, que ainda tentava entender como alguém matou dois seguranças, um cliente e duas dançarinas a sangue frio -, entre todas as garotas, Samantha era a sua favorita, pois ela sempre vinha confiante que um dia ela sairia daquela vida e seria uma arquiteta.
E agora, ela estava morta.

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O toque do celular o despertou.
Estava jogado em cima da mesinha da sala, a TV ligada em algum filme, ao qual ele adormeceu no meio. Tateou até achar o telefone enquanto o toque irritante que colocara para delegado James Wess enquanto o nome piscava na tela do smartphone - responsável pelo setor onde o trabalhava -, atendeu ao terceiro toque.
- Finalmente a mocinha resolveu atender - a voz pingava sarcasmo, enquanto o detetive apenas conteve a língua - Sabemos que é o seu dia de folga, porém Jack não tem dias de folgas.
- Ele voltou a atacar?
Ingadou enquanto procurou os malditos sapatos e sua mochila para pode sair de casa.
- Sim, ele fez cinco vítimas dessa vez - a voz de Wess saiu truculenta e nervosa - Porém o local onde ocorreu está cheio de repórteres, então máximo de descrição, .
- Qual o local? - pergunta sério - E local muito conhecido?
- É o Hell's, mocinha - respondeu azedo enquanto xingou todas as entidades do planeta - Seja discreto, . Andrews irá mandar todos os detalhes por mensagem.
- Eu sei, Wess - resmunga sério - Estou a caminho.
Jogou o celular no banco enquanto manobrou e tentou andar no limite permitido, porém às quase 1 da manhã não havia ninguém na rua, e ele pôde andar mais rápido para o local do crime - Jack, como passou a ser chamado o assassino, pois sempre ele coloca esse nome nas cenas do crime, escolhia bordéis, prostíbulos e casa noturnas para fazer suas vítimas, e quase nenhuma pista era deixada pelo serial killer.
Uma força tarefa foi montada com Charlotte Andrews e ele mesmo, , além de Joseph Blatter para caçarem o serial killer e julgá-lo perante a um juiz, como manda a lei.
batucou até ver o Hell's enquanto estacionou o carro e pegou seu distintivo, e sua arma, além do celular em cima do banco.
O prostíbulo estava cheio de polícias.
Enquanto os advogados dos donos do local estavam falando sobre as atividades lícitas e todos os alvarás e licenças que eles tinham e também entregando todas as câmeras e dossiês em relação às vítimas - tragou o cigarro antes de subir -, vários clientes que estavam no clube no momento do crime eram interrogados por vários policias. O investigador estava em seu dia de folga, porém o homicídio triplo estava relacionado com outros que ele investigava, e provavelmente era o mesmo assassino.
Um serial killer que matava lentamente, além de ser um fanático por símbolos celtas e de bruxaria. arqueou as sobrancelhas assim que percebeu a iluminação, assim como as meninas com blusas que cobriam suas vestimentas de trabalho, e também algumas chorando pelas colegas mortas, enquanto uma senhora de idade estava sendo medicada ali.
Hell é prostíbulo de luxo – um dos mais conhecidos da polícia por ter ganhado aval de um parlamentar para continuar com os negócios, assim como com suas atividades -, que há pouco mais de dois anos entrou em funcionamento, e agora era cena dos crimes mais hediondos até aquele momento. O investigador sempre se perguntou como era aquele lugar por dentro, pois o lado de fora não parecia uma casa de prostituição, e sim uma boate de luxo onde as filas estavam sempre virando a esquina durante os fins de semana.
Entretanto, apenas seguiu até onde estava um alvoroço de investigadores e policiais que tomavam as próprias conclusões sobre o homicídio. O homem de cabelos escuros usava luvas e observou ele analisar um dos seguranças da boate que tivera seus olhos arrancados enquanto garotas de programas estavam sendo interrogadas pelos investigadores da Scotland Yard.
sentiu a espinha gelar ao perceber o massacre que ocorrera no apartamento luxuoso.
O homem observava com atenção o local do crime.
Havia pelo menos seis corpos no apartamento. O investigador da Scotland Yard visualizou as gotículas de sangue sobre os seus pés, assim como Ivy Wilson fotografava a cena do crime.
Os corpos estavam empilhados um nos outros.
As duas mulheres tiveram as cabeças degoladas e seus abdomens abertos enquanto o homem tivera a sua intimidade retirada e seus olhos arrancados igual aos seguranças. Ouviu-se os passos apressados, então paralisia de Iwan Yale (o novo assistente do detetive que iniciava seu primeiro dia de trabalho), que sentiu seu estômago revirar ao ver os corpos naquele estado. Já o detetive não se impressionou com tal cena, o homem de 28 anos observou o rapaz para ter certeza que ele não iria desmaiar ali -, já era quarta naquela semana e, com um pouco de sorte, apenas poucas pessoas sabiam que os crimes estavam relacionados entre si, e o mais macabro é que o assassino ligava para a central avisando sobre os crimes cometidos, e os policias sempre encontrava o massacre com prostitutas de luxo.
- Detetive - a voz feminina o chamou atenção enquanto a perita forense apenas lhe passou o objeto no saco plástico, Ivy lhe sorriu com escárnio enquanto piscou maliciosamente para o homem, e ele retribuiu com um sorriso maroto e discreto - Achamos dentro do corpo, e tem um símbolo gravado nele.
Ele pegou o saco plástico. O símbolo era um pentagrama com uma Fênix dentro, além de um círculo com inscrições ao lado em alguma língua que o detetive não reconheceu de imediato. Enquanto observou as vítimas, lembrou-se do apelido dado ao maníaco: "o novo Jack, o estripador".
Entretanto, uma mensagem chegou ao seu celular, e ele praguejou.

J. Blatter: "Jack atacou duas vezes hoje, e estou no apartamento de Richard Turner"

As fotos do local do crime - as mesmas marcas assim como a assinatura -, apenas suspirou.
Um parlamentar morto, pois a discrição do caso estava indo por água abaixo.

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Os policiais ouviram atentamente tudo o que ele disse, Leonard sentia sua garganta se apertar. Após as perguntas e questionário dos policiais, ele adentrou no apartamento ao lado que legalmente pertencia a sua família e tentou chegar o mais rápido possível ao banheiro. O vômito veio enquanto as lágrimas escapavam e ele se encostou na parede do banheiro, mandou seus seguranças mandarem avisar sua família enquanto o mesmo se recuperava da visão de Richard naquele estado.
A voz feminina soava pelo corredor, ele reconheceu sendo a sua irmã. Os olhos verdes acinzentados estavam fixos enquanto ele chorou como uma criança. McQueen vestia apenas calça jeans e uma camisa preta juntamente com sobretudo e tenis, enquanto agachou-se ao lado do irmão gêmeo e segurou sua mão com firmeza, quando a crise de choro recomeçou, ele sentiu toda aquela tensão fluir por seus músculos e fraquejou perante a ideia de Richard morto.
- Temos que ir para casa, Leonard - a voz de sua irmã soou baixa enquanto ouviu-se barulhos indistintos vindo do corredor, porém eles ignoraram - Philips já ligou para Joanne e ela está voltando agora de Moçambique, vamos, está nos esperando em casa com Ethan e Clarissa, levante-se.
Ele concordou. apenas o arrastou para fora do banheiro e pediu para Simon Lewis levar seu irmão enquanto digitou a mensagem para a faxineira que cuidava do apartamento dele. Ela apenas passou pelo local do crime enquanto os círculos onde estavam o corpo de Richard lhe chamaram atenção, e digitou para no WhatsApp, discretamente mandou uma foto para eles, enquanto os policiais falavam sobre as possíveis causas do crime.
E. McQueen: "Marcas em latim no chão assim como nos outros crimes.
Temo que estejam nos dando um aviso, ".


Havia os malditos jornalistas, que foram avisados por uma ligação anônima, além de uma mensagem vinda do twitter do assassino, apenas puxou o irmão pela mão enquanto os seguranças que estavam ao redor de si faziam uma proteção ao redor deles, a garota sentou-se no banco de trás da Mercedes Benz E 250 Turbo Avantgarde VR4, e apenas gesticulou para o motorista seguir para casa, Anthony apenas obedeceu a mulher.
-Ele está morto por minha causa.
A voz de seu irmão soava séria enquanto as lágrimas caiam pela sua face. A mesma o puxou para seu colo, a mulher apenas acariciou seus cabelos escuros enquanto deu uma risadinha em escárnio.
- Não, meu irmão - a voz soou baixa enquanto era tingida por um sentimento de culpa - A única culpa que nós temos é que queremos amar, porém essa é uma dádiva que nos é tirada por aquilo que somos, ou melhor, nascemos. Porém Richard te amava, então não se culpe por esse destino cruel, meu bem.
Leonard apenas chorou em seu colo, enquanto os prédios de Londres passavam rápido por eles. Ele adormeceu chorando enquanto olhava o whatsapp, e franziu os lábios quando viu as fotos mandadas por Abigail Philips, irmã de Aaron Philips, além de uma breve mensagem dela.

A. Philips: "Ocorreu um triplo homicídio no Hell's".

Entretanto, os corpos não chamaram atenção da jovem McQueen, mas as mesmas marcas usadas em Richard Turner.


Capítulo 3

“O medo golpeia mais profundamente que as espadas.”
— Game Of Thrones

O avião particular estava prestes a decolar.
Entretanto, a ansiedade da mulher a torturava. As mechas loiras caiam por sua face enquanto observava as pessoas colocando as malas, e ela olhava para o relógio de pulso, ela queria chegar o mais rápido possível em Londres.
Sua família estava em perigo. Mexeu no tablet enquanto as fotos dos assassinatos estavam ali e cada cena lhe deu um embrulho no estômago, assim como informações confidenciais vindas da Scotland Yard, a mulher de 36 anos visualizou cada um dos símbolos utilizados, e relembrou onde vieram eles.
A tensão subiu aos extremos quando os objetos no avião começaram a subir. Ela assustou-se, e deixou todos caírem sobre seus respectivos lugares sem qualquer barulho - e o nome que tentava esquecer, assim como as atrocidades cometidas ali, vieram como um tapa: Serene Woody.
Serene Woody
, o orfanato que esta estivera e onde perdera a sua irmã mais velha. Fazia quase 22 anos desde a última vez que ouvira falar sobre o orfanato para crianças especiais - entretanto os símbolos usados eram os mesmos que eles tinham nas paredes escritos em línguas, e uniu as sobrancelhas quando as fotos de Richard Turner chegaram ali, assim como leu as inscrições sobre o chão.
Alma de Richard havia sido amaldiçoada.
Condenada
a ficar entre os dois mundos: entre os vivos e os mortos.
Sentia por Leonard, afinal o irmão mais novo estava animado com o relacionamento com Richard. Ela fechou tablet enquanto olhou o iPhone X, e visualizou a foto de sua família na última viagem para Turquia.
Ela queria que o sorriso dele voltasse.

X

Leonard estava dormindo.
As cortinas foram fechadas enquanto o chá flutuava em sua direção. Ela ouvia os passos abafados de Ethan na sala de visitas, além da respiração regular de Clarissa no quarto após acalmarem os nervos, porém ela concentrou-se na voz abafada e irritada de , que vinha do escritório.
A mais jovem da família McQueen ouvia cada pensamento ou qualquer intenção dos ocupantes da casa, assim como as mudanças sutis no ar - a maioria de seus empregados estavam dormindo, apenas os seguranças que faziam sua proteção estavam acordados do lado de fora do apartamento, e todos também emanavam tensão e preocupação pelo recente crime que envolvia a todos na família e seus empregados. coçou o nariz, porém o choramingo de Leonard a tirou de sua inspeção, e o ar se tornou denso enquanto a tristeza do irmão dominava aquela atmosfera.
o observava do canto do quarto, sentada na poltrona enquanto o irmão gêmeo remexeu-se inquieto, ela lhe passou a energia de calma e segurança. O livro preto em cima de suas pernas enquanto observava cada movimento dele com cautela, entretanto ele se aquietou depois de encontrar uma posição confortável, ela franziu os lábios enquanto abriu o livro preto, entretanto era inútil para ela se não havia nenhuma visão em sua mente.
Havia alguém bloqueado - ou talvez o estresse estivesse afetado as suas habilidades especiais - um suspiro resignado escapou dos seus lábios, e observou o céu que lentamente ganhava a coloração em tons azuis claros até ficarem avermelhados - ela passara a madrugada acordada velando o sono do irmão.
Então, aquela sensação voltou, a mesma sensação que acordara mais cedo. Ela abriu rapidamente em uma folha branca. A caneta preta voou pela folha enquanto os traços foram feitos rapidamente. O rosto do homem ganhava forma em suas mãos, seus olhos verdes acinzentados desenhavam com urgência, e o nome dele surgia em sua mente: .
Uniu as sobrancelhas enquanto ela colocava os detalhes no desenho, o que aquele o homem tinha a ver com o futuro de sua família?


X


desligou o telefone. Os olhos desceram pelas ruas de Londres. O apartamento era uma cobertura luxuosa no centro da capital do Reino Unido e ele estava no primeiro andar enquanto a lareira aquecia o ambiente.
Ele apenas apertou o amuleto que usava - pensou que estavam fora do alcance deles, desde que usassem aquela proteção que Joanne criara (porém os últimos meses e as mensagens deixadas para trás diziam ao contrário), e estavam, porém as pessoas que tinham contato consigo e levavam algum resquício deles em seus corpos estavam em perigo, e por aquele mísero detalhe, Richard Turner estava morto. bebeu o whisky, entretanto a ardência não lhe incomodou, pois evaporou assim que chegou a sua língua, e tentou controlar o calor que emanava de seu corpo.
Sua temperatura estava acima do normal humano.
Humano? Quantas vezes desejou em seu íntimo ter aquela fragilidade humana que todos reclamavam? Se ele pudesse escolher, nunca nasceria com aquela habilidade, seria humano com seus defeitos e normal. Observava atento o retrato de sua família, Clarissa e estavam juntas no sofá, ao lado de Joanne enquanto os rapazes estavam em pé sorridentes para a bendita foto de família.
Ele tinha que protegê-los.
apenas moveu com os dedos o fogo em sua mão e observava a pequena chama, e jogou para a lareira na sala. Estava tenso, e por aquele motivo todas as labaredas ao redor de si estavam em tons escuros enquanto as fotos estavam sobre a mesinha. O enjoo chegou a sua boca, whisky queimou sua garganta enquanto pensou seriamente em colocar fogo naquelas provas de que eles haviam achado a sua família.
Porém, mesmo que a Insight fosse um grupo de assassinato especula daquela organização, ele não acreditava que eles fizessem tanto barulho tentando encontrá-los.
Ele apenas ouviu a respiração de no andar de cima, e por aquele momento, eles estavam a salvo.
Mas até quando?


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Iwan Yale vomitou assim que voltou para a sede do Scotland Yard, o rapaz de 25 anos lavou o rosto após deixar todo seu jantar no vaso sanitário, lavou as mãos enquanto as imagens da jovens mortas, e os olhos arrancadas estavam preenchendo a sua mente, porém ele era o mais novo assistente de - aquele , o preferido da Comisaria-Chefe da Scotland Yard pelos resultados em vários homicídios, além de tráfico drogas e apreensão de armas nos últimos anos -, Iwan requisitou para estar na equipe do , e não seria um enjoo que iria acabar com isso.
Apena saiu e seguiu para sala onde estava ocorrendo a reunião das equipes envolvidas no caso Jack enquanto estava discutindo com Joseph Blatter, um senhor de 40 anos, mais de 20 anos como investigador sênior, além de várias honrarias ao longo de sua carreira, e Ivy e Charlotte achavam engraçado o embate entre as gerações.
- Podemos começar? - a voz de Iwan soou séria, mesmo que seu rosto estivesse lívido - Senhores?
- Claro, meu jovem - a voz Joseph soou confiante -, o que nós temos?
- Cruzamos as referências das outras cenas dos crimes, assim como as marcas e assinatura do Jack. - Iwan mostrou as fotos assim como as marcas e desenhos que o serial killer deixava para trás - Traduzimos do Celta e do latim, e do grego arcaico a maior parte dos símbolos deixados como estão em todos os relatórios, e o objeto que foi encontrado no corpo da vítima de hoje tem um significado especial.
- Que seria?
- O homem morto não era um total desconhecido da boate - Iwan gesticulou enquanto a foto de Stanley Kubrick apareceu na tela -, ele era o chefe de segurança da família McQueen, e consequentemente, dono da boate onde ocorreu o crime. E este objeto, segundo relatos de testemunhas, os McQueen dão para seus empregos como forma de proteção, pelo menos foi o que a Chefe da Segurança deles disse, eles acreditam que estariam livrando dos espíritos ruins segundo a mitologia celta e nórdica.
- Os McQueen?
- A família é composta por Joanne, Ethan, Clarissa, , e Leonard McQueen. - ele colocou uma foto dos membros na tela, os olhos de percorram cada rosto deles, as idades variavam entre 37 até 18 anos - E o último, Leonard, encontrou o corpo de Richard Turner.
uniu as sobrancelhas com aquela coincidência. Observou o rapaz de cabelos arruivados e olhos acidentados, a voz de Iwan ecoava pelo recinto enquanto os pontos se ligavam na cabeça do investigador .
- Nós pedimos que o Sr. Leonard viesse, porém recebemos uma negativa sobre a vinda dele hoje dos advogados. - ele continuou enquanto arranhou a garganta - Entretanto, os advogados disseram que o Sr. McQueen vira essa manhã, porém uma solução seria ir até os McQueen, pois o que seu advogado deu a entender é que eles estão apavorados com os crimes.
observava os rostos dos membros da família McQueen e uma dúvida surgiu na sua cabeça.
- Yale, qual o parentesco deles?
-Todos foram adotados pelo Sr e Sra. McQueen quando eram crianças - explicou Yale, pela diferença física entre - Apenas e Leonard são irmãos de sangue, e aparentemente filhos legítimos do casal, porém não temos essa confirmação.
Seus olhos desceram pelo rosto da mulher de cabelos avermelhados e os olhos verdes acinzentados dela.
Houve uma sensação de conhecer aqueles olhos, porém ignorou aquela sensação.


X


Do lado de fora da Scotland, o homem de cabelos acinzentado tragava o cigarro no furgão disfarçado de manutenção de antenas.
Havia uma mulher com eles enquanto ela digitava sobre o notebook em suas pernas e hackeava os sistemas de informações da Scotland Yard, as mãos dela doíam com as algemas que ele colocara sobre seus pulsos e havia uma fita em sua boca, além da arma que ele carregava na cintura pronto para atirar nela caso ela se negasse a fazer o que ele pedia. Os olhos escuros fixos enquanto um aparelho de espionagem estava apontado para a sede de policial, as palavras de Iwan Yale eram gravadas por ele enquanto ele olhava a sala de reuniões onde os policias estavam, e um sorriso maníaco surgiu ao ver o rosto de Joanne McQueen.
- Apenas começou, aberração.

(Betada até aqui por Julia Almeida.)

Capítulo 4

“Você já se perguntou se somos nós que fazemos os
momentos em nossas vidas ou se são os momentos da nossa vida que nos fazem? Se você
pudesse voltar no tempo e mudar apenas uma coisa na sua vida, você mudaria? E se
mudasse, será que essa mudança tornaria a sua vida melhor? Ou será que ela acabaria
partindo o seu coração? Ou partindo o coração de outro? Será que você escolheria um
caminho totalmente diferente? Ou você só mudaria uma única coisa? Um único momento?
Um momento que você sempre quis ter de volta.”


— One Tree Hill.


O homem observava as ruas de Londres.
Ele bebeu café puro, degustava de pães e biscoitos numa mesa ao ar livre, enquanto lia as notícias que corriam por Londres como vento, porém sua expressão se modificou ao ver as notícias sobre ele -, havia passado tanto tempo desde que não havia uma agitação que ele riu ao pensar que aquilo estaria acontecendo novamente -, os olhos verdes estavam fixos nas ruas enquanto os livros se moviam entre as estantes -, ele fez um estalo, deixando as coisas sobre seus respectivos lugares.
As primeiras pessoas estavam saindo para seus compromissos apressados -, e as notícias da morte de Richard se espalharam como o vento pelos quatro cantos do Reino Unido -, os olhos verdes desceram pelo rosto nas fotos, ele apenas fez uma careta, pois a pessoa que estava fazendo aquela proeza estava mexendo com as pessoas que ele mais amava naquele mundo, e por aquele motivo, o tal Jack iria sofrer as consequências.
- Você não fez isso, não é?
A voz era melodiosa, entretanto havia um medo implícito e uma certa submissão dela para com o homem de cabelos escuros -, e ele riu, uma risada cínica enquanto observou a mulher de cabelos escuros que tremia levemente -, porém ele apenas suspirou, e deixou os livros voarem pelo recinto.
- Posso odiar Joanne por ter me abandonado naquele orfanato, e poderia querer machucar o que ela mais ama, entretanto ela ama meus irmãos - sussurrou friamente para ela - Porém, eu nunca machucaria os sentimentos dos meus irmãos mais novos, Brooke, e também, e Leonard não tem nada a ver com os meus sentimentos pela Joanne, e também, eu agradeço a ela por tê-los tirado das garras daqueles sociopatas.
A mulher duvidava muito, porém o brilho perverso nos olhos dele estava presente, mas algo que ela não reconheceu também estava ali, parecia satisfação, ou algo do gênero, porém Brooke não queria olhar mais fundo naqueles olhos.
- Descubra quem fez isso, e encontre a pessoa - a ordem saiu em uma risada cínica - E mande os restos para Joanne, como forma de paz, e rápido, Brooke, a vingança pelo que ele fez aos sentimentos de meus irmãos devem se vingados.
Brooke apenas acatou as ordens, e saiu. Havia uma foto, em cima da cabeceira, onde os três adolescentes sorriam.
Enquanto bebeu a xícara de café, e relembrou sua promessa feita a uma das meninas.
-Eu irei protegê-los, Savannah.

X


observava as evidências, enquanto bebia o café expresso.
O investigador recostou-se na cadeira, e lia os arquivos -, virou as páginas enquanto lia cada testemunho do caso "Turner" foram bastante objetivas ao que aconteceu -, os dois seguranças, Aaron Philips e Raymond Weil garantiram que seu patrão tinha chegado pouco mais das 00:20 daquela madrugada -, ele leu sobre o que Stuart Millers disse também assim como Ronald Harriet que ficaram no quase acidente acalmando a mulher de nome Louise, porém está última não foi localizada, entretanto as câmeras de segurança do carro confirmam a versão deles.
Leonard McQueen era inocente -, ao menos foi o que o investigador concluiu sobre o caso naquele segundo -, observou o homem de cabelos escuros arruivados, ao lado da irmã gêmea em um evento beneficente em prol das crianças da África.
Ele não parecia ser o tipo que mataria, porém algo não se encaixava na sua mente.
O que Leonard McQueen tinha com Richard Turner? Batucou sobre a madeira, porém sua linha de pensamento foi interrompida quando Iwan apareceu em sua porta.
- Andrews quer ir até a Família McQueen, pois temos que recolher o depoimento de Leonard, e também do caso Kubrick.
apenas concordou, porém ele sentiu em seu íntimo que estava ansioso por aquele momento -, enquanto as fotos da irmã gêmea de Leonard caiam sobre a mesa, e ele observava.
Alguma coisa naquela garota parecia lhe deixar curioso.

X


McQueen sentiu o café aquecer seu corpo.
Ela amava café com leite desde criança -, algo que recordava a sua infância -, visualizou o relógio na parede, e marcava exatamente 6:30 da manhã, o cheiro do café feito transitava pela casa.
Ela observava o céu nublado daquele dia -, havia nuvens densas. Ethan olhava o jornal daquela manhã -, o segundo mais velho da família McQueen tinha seus 27 anos, os olhos castanhos acinzentados e os cabelos castanho-claro, e sua expressão era indecifrável para a McQueen mais nova, porém a ruga de preocupação a alertou do conteúdo que ele estava lendo.
Provavelmente algo sobre Richard.
- As notícias correm rápido - a voz dele saiu desanimada - Richard é um bom homem.
O tempo presente soou, quando a garota percebeu o remexer do fantasma no canto da sala - desde que entrará ali, tentava ignorar os sentimentos do fantasma, porém quando se tratava de Leonard, ela queira ajudar -, apenas suspirou, e voltou sua atenção para sua xícara.
-Você viu algo?
A voz soava casual, porém havia um quê de preocupação nela, enquanto bebeu o café -, algo imperceptível para a maioria das pessoas, porém para ela era como um livro aberto a sua frente -, a mente de seu irmão estava embaralhada com os últimos acontecimentos.
apenas apertou o copo -, os olhos verdes acinzentados fixaram em algum ponto da sala -, ela não sabia se devia dizer sobre o homem que desenhou em seu caderno, pois havia uma grande sombra sobre o futuro dele naquela família, ou ele morreria em algum ponto, ou ele estava bloqueado, porém a ruga de preocupação surgiu em sua testa.
Se ele estava bloqueando ela? Ele seria como eles -, porém ele saberia disso? Será que sabia que era uma pessoa especial? Ela não sabia, pois poderia ser também, já que encontrou vários paranormais que não faziam ideia sobre seus poderes.
- Nada de relevante - deu de ombros, enquanto bebeu o gole de café, e tentou evitar de olhar Ethan, pois tinha certeza que ele saberia que ela escondia algo, entretanto ela suspirou enquanto ouviu o lamurio do fantasma novamente - Devemos tentar desfazer a maldição do Richard, Ethan, e devemos ser rápidos, pois ele não pode ficar por aí.
- Acha que Leonard está pronto?
soltou um longo e demorado suspiro pelo nariz.
-Ele não está pronto, porém Richard não pode vagar por aí - resmungou em solidariedade a alma condenada de Richard - Devemos, ao menos, lhe dar a paz que ele merece.
Ethan suspirou ao pensar naquilo -, ele já havia preparado a cerimônia, enquanto observava a alma vagando pelo recinto -, e ela ouvia cada uma das lamúrias de Richard Turner, enquanto ele tentava passar para o andar se cima do apartamento.
Ele não sabia quem tinha sido o autor de seu assassinato -, e muito menos quem poderia ter mandado fazer aquilo -, Ethan olhava o homem mais velho tentando atravessar para o outro lado da casa, entretanto como medida de segurança para a família, algumas áreas eram protegidas para não receber espíritos assim como restrição de quem entrava e saia da casa.
Andar de cima era protegido por magia -, era como eles chamavam suas habilidades especiais -, ou paranormais, não havia termo certo, pois eles tinham nascido com aqueles dons, ou haviam sido geneticamente modificados durante a gravidez de suas mães.
Aquelas perguntas não tinham resposta adequada para ele.
- A noite iremos fazer isso, - seu tom solene - Richard ficará em paz.
A garota ficou paralisada -, o caderno voou para a sua mão, enquanto os rabiscos ganhavam forma e detalhes -, Ethan levantou-se e analisava os desenhos dela.
- Ethan - a voz saiu esganiçada - Por favor, prepare Clarissa e , teremos convidados em breve.
Ethan apenas suspirou, e saiu apressado para avisar os irmãos -, bebeu o último gole de seu café, enquanto aura levitou até ela.
Os olhos azulados fixos em si.
- O que você é?

X


O quarto estava em silêncio.
Porém, os passos apressados nas salas de visitantes estavam irritando ele, entretanto não ousou sair de seu quarto, pois sabia quem estaria lá embaixo chorando por sua causa, e novamente choraria -, Leonard observava o quarto, havia livros de magia escondidos entre os livros de Dan Brown assim como os de administração e economia, e alguns de políticas, porém este últimos trouxeram a lembrança do porquê tê-los comprando para discutir aquelas questões enquanto estava na cama com Richard -, ele se encolheu na cama, enquanto a lágrima rolou por sua face.
Richard estava morto.
Ele sentiu o nó se forma na sua garganta -, entretanto engoliu a ansiar de botar o que tinha no estômago para fora -, havia uma bandeja de comida em sua mesa, além de um sofá desarrumado.
o velou durante a madrugada -, ele respirou fundo, enquanto escondeu-se de baixo do colcha grossa -, a porta se abriu, ouviu os passos pelo quarto, e sentiu a pessoa se deitando ao seu lado.
- Você precisa comer, sabia? - a vozinha de soava suave, e ele sentiu a carícia - Policias estarão em breve aqui, e o que digo sobre você e Richard?
Leonard travou, enquanto apenas deixou as lágrimas rolarem por sua face -, entretanto, a irmã o abraçou.
- Eu não sei, apenas diga a verdade - a voz dele saiu em um sussurro - Eu gostava dele, Liz, porque isso ocorre?
-Eu não sei.
Ela apenas o consolou.

X


A casa estava um alvoroço.
Ele soltou um suspiro -, enquanto ajeitou a camisa social que usava, além de colocar o colete preto -, e visualizou o espelho em questão.
Havia uma tensão em seus ombros -, porém o McQueen tentou agir normalmente -, e saiu do quarto.
A tensão dominou a casa -, em outro momento, pensaria que Clarissa estaria dando novamente uma festa para as amigas mais próximas -, e ele ficaria trancando no quarto para não ter reencontros indesejáveis.
observava as empregadas andando de um lado para outro -, Clarissa usava um vestido azul escuro, uma maquiagem leve, e lábios em cores neutras. Observou a garota que vinha com um vestido vermelho, e salto alto preto, além de uma maquiagem leve e apenas um batom vermelho que combinava com o estilo da mais nova -, parecia extremamente ansiosa para aquilo, apenas fingiu não perceber que ela estava daquele jeito, porém algo em seu íntimo o alertou de aquela visita estava mexendo com ela.
suspirou -, enquanto Ethan estava sentado na poltrona lendo o jornal -, ele se sentou na poltrona e ligou a TV, e zapeou pelos canais -, se sentou ao seu lado, e mexeu nos anéis que ele usava em nervosismo.
- Ansiosa, Liz? - sua voz soou casual, tentava disfarçar o incômodo - Esse homem? Acha que ele é um de nós?
-Não sei, apenas desenhei - ela gesticulou como se não fosse nada - Ciúmes? Sua aura está agitada.
sorriu, porém ele sabia que estava sentido todas as suas emoções, e por aquele mísero motivo, mantinha-se calmo e tranquilo sobre seus sentimentos sobre sua irmã desde que ouvira a frase da boca dela: ", sobre você namorar Christine, não sinto nada sobre seus sentimentos como a paixão", tinha quinze anos quando lhe disse aquilo com um ar inocente.
-E se for? - indagou para ela com um sorriso, enquanto ela riu daquilo - Apenas agitação, cherie.
Ele apenas a puxou para si, enquanto ela se alinhou ali em seu peito -, ele sentiu o perfume amadeirado dela, e aspirou lentamente pelo nariz -, soltou um suspiro, enquanto Ethan trocou olhares com eles.
Ele sabia dos sentimentos, e alertará sobre o que podia ocorrer caso sonhasse sobre tais coisas -, porém, gostaria de correr o risco.
A campainha soou -, uma das empregadas abriu como se fosse uma surpresa receber alguém naquele dia -, se ajeitou no sofá, a respiração e as vozes eram ouvidas atentamente, enquanto ocorria as apresentações rapidamente, e os passos apressados da empregada era distinto além de seu coração acelerado.
- Senhores McQueen - a voz da empregada mais antiga soara suave, enquanto abria a porta para visualizar os patrões que mantinha-se no mesmo local, porém a tensão aumentava naquela sala - Scotland Yard gostaria de falar com vocês.
-Mande os entrar, Grace.
Ela se curvou -, sentiu o ar menos tenso, enquanto apertava as suas mãos tentando se distrair sobre o programa de variedades que passava na TV -, logo a porta se abriu revelando Grace ao lado de mais cinco pessoas.
Os olhos de se cravaram na aura escura que pairava no ombro do detetive -, ele sentiu Ethan e Clarissa prenderem a respiração ao perceber aquela sombra assim como apertar as suas mãos -, por aquele motivo, não conseguia visualizar o futuro dele.
- Desculpe por vimos nessas circunstâncias - a voz dele era profissional, porém falhou ao posicionar os olhos na garota ao lado de - Sou o detetive .
ficou em silêncio -, Ethan apenas se apresentou, e gesticulou para os irmãos que estavam com os olhos fixos -, enquanto observava ansiosa.
Porque diabos um Fantasma estava preso a ele?


Capítulo 5

“Sabe o que é realmente difícil para mim? É ficar esses dias sem você, é saber que eu nunca mais vou
receber uma ligação sua, e que talvez eu possa olhar o meu celular milhões de vezes mesmo sabendo
que não haverá mais uma mensagem sua ali. Sabe o que é realmente difícil? É saber que nunca mais vou
poder sair correndo para os seus braços, que nunca mais vou ver o seu sorriso, sorrir pro meu. O difícil é
fingir que está tudo ótimo, ninguém consegue enxergar a minha dor. Sabe o que é realmente difícil? É
saber que tudo que tivemos um dia, agora virará apenas lembranças. O que mais me dói, é saber que
chegamos ao fim que nem teve um início direito. Eu sei que mesmo se eu encontrar novos amores, novos
rumos, nada será como foi você pra mim. Sabe o que é difícil? É procurar em outras pessoas, o que
somente encontrei em ti, você se foi, e levou com você, o meu coração.”


— 652km.


O galpão estava no escuro.
Ele desceu da van, e visualizou alguns adesivos de uma empresa fictícia -, enquanto ouviu-se o movimento na rua, porém ele ignorou qualquer som vindo do mundo exterior -, o sangue pingava em suas mãos, assim como sua roupa estava suja de sangue e rastros de luta.
Ele sentiu a mandíbula dolorida.
- Maldito Kubrick - resmungou, sentindo a dor nas mãos pelos socos que teve que dar no homem mais velho, e soltou uma risada maníaca com aquele pensamento - Porém, foi divertido.
Disse mais para si mesmo, e riu da lembrança dos olhos esbugalhados do chefe de segurança da família McQueen -, ele retirou os sapatos assim como o casaco e as luvas, e seguiu pelo corredor -, já eram sete da manhã quando ele voltou ao seu esconderijo, e finalmente poderia se jogar na cama e dormir, porém a agitação circulava por suas veias.
As vestes foram jogadas na máquina de lavar, e ele separou os produtos para passar no carro mais tarde -, estariam como novas para a próxima vez que fosse arrancar olhos de alguém -, "Jack" como passou a ser chamado pela polícia apenas soltou uma risadinha ao ver a manchete da morte de Richard Turner.
O sangue escorrendo pelas peças utilizadas em cada um dos assassinatos que cometeu naquele dia -, enquanto os pares de olhos foram colocados juntamente com os outros como um troféu de seus atos -, as fotos de Richard Turner e Stanley Kubrick estavam todas riscadas, enquanto o homem apenas olhou a próxima foto com cautela.
- Que porra foi essa?
- Do que está falando? - inquiriu o serial killer ao parceiro com deboche evidente em sua voz, o mais velho apenas arqueou as sobrancelhas com o ato insolente do mais jovem - Não fui pego pela polícia.
- Obviamente que não, garoto - ele gesticula irritado - Você não devia ter matado o Turner, não hoje.
O homem então riu -, uma risada maníaca.
- Leonard estava lá - ele diz ainda rindo, um brilho psicótico passou rapidamente por seus olhos - Acha mesmo que eu ia deixar essa oportunidade de ouro passar? E de causar alguns estragos a família McQueen? Nunca iria perder essa chance.
- Você precisa ser cauteloso. - a voz soou ríspida, enquanto o homem de barba mal feita fechou a expressão pela irresponsabilidade do serial killer - Eles ligaram os assassinatos ao McQueen, acha que vai levar quanto tempo para eles perceberem que você é um deles? Richard Turner não estava na lista de vítimas.
Jack apenas revirou os olhos -, o serial killer sabia disso, apenas retirou as vestimentas restante, e cobriu-se com uma toalha e limpou o rosto com rastros de sangue -, desde o início ele sabia que quando os McQueen estivessem na mira dos policiais, era uma questão de tempo até chegarem a ele.
Porém, ele ansiava por isso.
- Serei cauteloso, Berlin, porém teve que existir uma mudança de planos, afinal eu não posso matar a Joanne, não é? - diz vestindo uma camisa qualquer, é jogando-se no sofá - Você deveria estar preocupado com aquela aberração, e não por uma vítima a mais ou a menos, e Richard é um bônus para eles.
O outro revirou os olhos com o apelido ridículo que ele dera por conta de "La Casa de Papel" -, ele apenas franziu os lábios para o homem mais novo, entretanto não adiantava discutir com um sociopata louco por vingança. Ouviu-se os gritos no andar de baixo que chamaram a sua atenção -, Jack apenas visualizou as fotos no centro de toda aquela documentação nas paredes.
E soltou um suspiro longo, entretanto, um sorrisinho surgiu em seus lábios ao pensar no que causou nos últimos meses.
Berlin desceu as escadas escondidas no antigo galpão -, ele vestiu a máscara com a cara de Jack -, e observou cada uma das pessoas ali dentro.
Os McQueen iria querer a cabeça deles assim que soubesse que "A Colheita" iria acontecer em breve.

X


Havia um fantasma preso ao detetive.
tentou não demonstrar sua surpresa sobre aquele espírito errante.
Um espírito preso entre o véu -, entre o mundo dos vivos e dos mortos -, percebeu os olhos curiosos da menina sobre eles, tinha os cabelos loiros opacos, e os olhos apagados. Vestia um vestido em tons azuis escuros, porém apagados.
Ela era um fantasma de proteção, deduziu -, era apenas uma criança que parecia sem qualquer intenção de deixar aquele mundo por causar do homem, provavelmente um amor juvenil -, a mais jovem da família McQueen percebeu o modo protetivo que se colocou à frente dela, e a forma como Ethan olhou sugestivamente para Clarissa que se moveu para longe daquele fantasma, porém não havia intenção ou vibrações de violência -, a tensão na sala subiu rapidamente, ela acalmou os nervos dos irmãos mais velhos, entretanto os sentimentos de todos estavam descontrolados por causa do fantasma.
- Sejam bem-vindos, vocês podem se sentar naquelas poltronas... - pronunciou-se Ethan, sua voz soava calma e sem qualquer resquício - Como podemos ajudá-los?
- Muito obrigado pela atenção, Sr. McQueen - a voz de Joseph Blatter soava séria. Se acomodaram nos respetivos lugares, enquanto apenas visualizava a criança atentamente - Desculpem pela hora, sabemos que estão abalados com os últimos acontecimentos.
- Não se preocupe - retruca , sua voz soou azeda para eles - Só queremos que peguem os bastardos que fizeram essa barbaridade com Kubrick e Sr. Turner.
- Podemos conversar a sós com cada um de vocês? Queríamos recolher alguns materiais genéticos, por causa da proximidade com Sr. Kubrick, poderiam ceder? - inquiriu Charlotte Andrews rapidamente, enquanto sustentou o olhar de com um brilho de curiosidade sobre do porquê um espírito protetivo estaria com ele - Iremos pedir os depoimentos de cada um, e vocês decidem quem pode ir primeiro, enquanto Ivy Wilson irá recolher os matérias genéticos de seus empregados e da família, se vocês permitirem, é claro, enquanto os detetives Yale e Blatter dão uma olhada na casa, com a sua permissão.
Ethan ensaiou um sorriso para eles, enquanto pensou que Charlotte Andrews tinha aquele ar de persuasão -, e trocou olhares com o restante da família.
- Detetive Andrews, poderia me permitir pedir para umas das empregadas retirar meu irmão de seu quarto, ele não está em condições de ser interrogado ainda - a voz de Clarissa saiu tão rápida, e delicada que Charlotte Andrews a observou de soslaio - Ele irá para a varanda, enquanto os detetives inspecionam a casa.
- Sr. Leonard, poderá dar seu depoimento depois, pois já temos um preliminar - resmungou Joseph Blatter - Então, quem irá primeiro?
- Claro, , você gostaria de ir primeiro? - indagou para a mais nova que apenas surpreendeu-se com a sugestão - Enquanto, eu, e Clarissa acompanhamos a detetive Wilson, e reunimos os empregados.
apenas travou a mandíbula com a sugestão -, mesmo que a voz de Ethan soasse suave -, os olhos inquietos de pararam sobre ele, e questionando o que o irmão mais velho estava fazendo naquele segundo.
Porém, antes que pudesse se voluntariar, a voz de soou baixa. - Claro, Ethan.
Ethan observou os olhos dela -, ela sabia do porquê de ser a primeira. apenas mirou os olhos castanhos nela.
- Vamos estar na outra sala, se precisarem de algo, é só tocar a campainha - a voz de Clarissa soava angelical, o nervosismo a dominava naquele segundo, porém bem disfarçado - Vamos, rapazes. Ethan seguiu em passos rápidos até a porta -, ficará uns segundos parado, arqueou as sobrancelhas, e deu um sorriso encorajador para o irmão mais velho.
- Estaremos lá fora, qualquer coisa, grite - ele sussurrou para ela, enquanto apertou as mãos dela com cautela - Cuidado com esse espírito.
beijou as mãos dela -, e se moveu para fora da sala, franziu o cenho com a última troca de olhares entre eles antes da porta da biblioteca se fechar -, o último sentimento de era de proteção, porém ela sentiu resquícios de algum sentimento que não conseguiu identificar.

X


Ele a conhecia de algum lugar.
Os olhos dela pareciam ler através dele -, se sentia incomodado por isso -, os olhos desceram para a garota que fingia não ouvi-los -, seus olhos se encontraram uma única vez, enquanto uma estranha sensação se infiltrava pela sua corrente sanguínea.
Uma necessidade de tocar a garota quase incontrolável -, o detetive apenas desviou os olhos -, enquanto a voz de Charlotte Andrews soou inquietante.
- Senhorita, estava em casa ontem?
apenas se mexeu desconfortável, na visão de , enquanto suas mãos faziam movimentos repetidos.
- Em casa, até receber a ligação da morte de Richard Turner, e de Stanley Kubrick - respondeu distante, como se lembrasse do momento exato - Foi um choque receber as notícias, senhores.
- Srta. McQueen, você poderia me falar mais sobre Sr. Kubrick?
- Ele era intimidante, na maior parte do tempo, porém uma boa pessoa, minha irmã o contratou há 10 anos para proteção de Ethan - ela pausou por um segundo, e encarou com o cenho franzido - Foi promovido quando o antigo chefe de segurança se aposentou 6 anos atrás, não tínhamos muito contato, porém nunca faltou ao serviço ou foi desrespeitoso.
- Então, não era próxima da vítima?
- Não, quem cuida da minha segurança são outros seguranças da casa, e temos uma equipe para cada membro da família, porém todos respondiam ao Sr. Kubrick, e havia relatórios para ele e minha irmã mais velha - explicou rapidamente - Joanne é obcecada por segurança desde que...
- Que? - induziu Charlotte - Algum evento particular que provocou uma mudança na segurança?
- e eu fomos atacados há alguns anos atrás por delinquentes após sairmos da escola e tentaram nos sequestrar após esse evento - sua voz soou nervosa, os olhos dela se concentraram - Desde então, reforçamos a segurança interna da mansão assim como o aumento na quantidade de seguranças.
- Você saberia o motivo para o ataque? E onde está a senhorita Joanne?
- Joanne está voltando de Moçambique, e bem, deve chegar nesta tarde... O motivo do ataque seria a nossa fortuna que era avaliada na época em meio bilhão de libras por cada empreendimento de nossos pais, e também pelos novos investimentos feitos por Joanne na época - a garota ergueu os olhos verdes, e ficou nos de por meio segundo antes de continuar com o relato - Recebemos as mais variadas ameaças por conta disso, além de sermos odiados por algumas pessoas da classe mais abastada de Londres.
- Por que? - inqueriu o com uma sobrancelha erguida para a mulher – A senhorita não parece o tipo que faria mal a alguém, porém acredita que tem pessoas que possam fazer mal a você?
- Por causa de algumas das nossas causas defendidas, Detetive - a voz dela soou serena, enquanto riu - Pelo menos metade das pessoas que eu conheço não são tão santas assim.
- E qual a sua ligação com Richard Turner? - inqueriu Charlotte incisiva, os olhos da garota se viraram para ela - Pois, seu irmão achou o corpo, e disse a polícia que a porta estava entreaberta.
- Bem, Sr. Turner e meu irmão tinham um caso amoroso, o local do assassinato foi o apartamento que eles usavam para os encontros casuais - respondeu sem delongas para os dois detetives - Estavam juntos, pelas minhas contas, iriam fazer dois anos ou mais, Leonard estava indo passar a noite com ele quando tudo ocorreu, e sei que ele mentiu para a polícia, porém foi para preservar a imagem de Richard. Seria um escândalo.
- A senhorita tem certeza?
"Um parlamentar homossexual", arqueou as sobrancelhas com isso -, enquanto a mulher riu do tom duvidoso de Charlotte Andrews. - Se eu tenho certeza? Não existe segredos nesta família - sua voz soou cortante, e então observou atentamente a parede atrás de - Porém, pelo bem de Richard, Leonard manteve o caso em segredo por conta da posição dele, e infelizmente, meu irmão esteve na hora e local errado para encontrar o amor de sua vida morto, e por esse motivo, ele não tem condições de dar um depoimento, detetives, mas alguma pergunta?
- Senhorita, saberia de algum motivo para terem assassinado Sr. Turner? - inqueriu para ela, os olhos dela se fixaram nele e faiscaram por alguns segundos enquanto a mulher pensou na pergunta em questão - Qualquer informação seria útil.
- Recebemos um pacote, alguns meses atrás, trazia a foto de Richard saindo do parlamento várias vezes e várias fotos da família McQueen - ela observou o nada, enquanto os movimentos circulares continuaram - Porém, nada muito relevante, existiam boatos em torno de Richard, por conta de nunca se casar, mas não sei se seria uma boa informação.
- Sabe onde estão as fotos? - inqueriu - Talvez possa ajudar investigação.
- Claro, estão no segundo andar, se puderem me acompanhar até lá - sorriu para eles, e levantou-se - Só precisamos subir.
sentiu um arrepio assim que deixou a sala -, ele tinha certeza absoluta agora.
Ele a conhecia de algum lugar.

X


Iwan Yale observou a sala de recreação, como chamou Clarissa. Observou os quadros, um piano de cauda e vários livros de desenho de diferentes datas -, Clarissa estava do lado de fora da sala de artes de -, havia cidades pelo mundo desenhadas de forma singular, porém algo chamou a atenção de Yale, enquanto remexeu nos pertences da McQueen mais nova.
Havia dúzias de rabiscos por ali -, viu imagens de locais, pessoas e animais nos desenhos -, porém um dos desenhos chamou atenção, enquanto apenas analisou o local.
Era uma sala -, com sombras -, porém ele largou o desenho.
- Yale, achou algo interessante?
Era o símbolo dado para Stanley Kubrick -, Iwan apenas franziu o cenho, enquanto remexeu na mesa -, o livro estava no centro, porém as marcas desenhadas nele chamaram a atenção do detetive.
- "para meu amado, Samuel. Com amor, mamãe", - leu em voz alta, enquanto folheou as páginas do livro de desenho, observou as informações sobre o livro - É de cultura, celta, mas quem seria Samuel?
Joseph Blatter apenas deu de ombros -, enquanto saíram dos cômodos -, deixou o livro para trás, e Clarissa os observou.
- Srta. McQueen, encontramos um livro dedicado a Samuel.
-Ah, nossa mãe comprou de segunda mão num bazar beneficente - explicou sem delongas, os olhos fixos a frente e observou os dois detetives - usa, as vezes para pintar sobre a cultura celta, como podem ter visto, enfim, por aqui senhores.
"Existe um segredo, detetive" -, Iwan se virou, os olhos pararam no corredor vazio -, "um segredo", a voz ecoava em sua mente.
Talvez pelo fato de que aquela casa parecia mal assombrada -, sentiu um arrepio na espinha, porém ignorou.
Clarissa sorriu, e indicou o outro quarto para eles darem uma olhada -, sem que os detetives percebessem ela fez um sinal com as mãos, e sussurrou em latim, enquanto o espírito revirou os olhos e foi expulso daquela ala da casa.
"-Sem graça, Clair".
"Hoje não, Martin", O fantasma Martin seguiu para o lado onde sabia que estava -, fazia meses que não tinham visitantes tão interessantes como Scotland Yard -, afinal ele lembrava da ordem da patroa antes de sair em viagem.
"Martin, pare", a voz masculina soou séria, enquanto o fantasma de proteção dos McQueen arqueou as sobrancelhas para o garoto que aparentava 16 anos, "Não ouse desobedecer os patrões, Martin", e continuou sério, "Esse é um caso sério, então leve mais a sério, garoto".
"Mas, Oswald, como podemos não nos sentimos animados com isso?", inqueriu a mulher rindo e vindo do lado oposto, a prostituta tinha os olhos fixos no mundo dos vivos, enquanto ajeitava o espartilho que utilizava, "Faz anos desde que não temos algo interessante ocorrendo desde as nossas mortes, e os patrões estão incomodados com tantas condenações para almas ficarem entre os vivos e os mortos, é o dobro de trabalho para eles".
"Deveríamos investigar, Oswald", Martin se animou, então ouviram passos pela casa até a aparição de McQueen que arqueou as sobrancelhas para eles, "Mestre".
- Ótimo, Oswald peça para os fantasmas secundários cuidarem da proteção do detetive - ele ordenou sério, as mãos no bolso - Martin e Alexandra, cuidem para que ninguém na casa entre sem eu ser informado, entendido? Aliás, Martin, tenho outra missão para você.
Alexandra apenas sorriu e seguiu para entrada da casa, enquanto Oswald saiu para o lado oposto da casa -, Martin então olhou o homem com curiosidade, ele ouvia os passos de para o andar de cima -, ele soltou um suspiro longo, e Martin observou com um sorriso amistoso nos lábios.
"Quando irá contar para a jovem patroa dos seus sentimentos, mestre?", indagou o menino, porém ele ficou em silêncio ao sentir o calor do novo indivíduo, "Mestre, talvez devesse tomar cuidado esse homem tem um calor agradável".
ignorou o comentário dele -, porém ele também sentia o calor de , entretanto outra aura chamava a sua atenção.
- Quando o detetive terminar com , Ethan não terá muitas informações dele vindas do fantasma - resmungou o homem para o fantasma - Faça um interrogatório com o fantasma.
estava agitada, e ele sentia isso.

X


Ethan abriu a porta da sala.
Não havia mais ninguém ali -, Ivy Wilson estava ocupada recolhendo amostras de DNA dos empregados e seguranças, e estava com ela, enquanto Clarissa levava Iwan Yale e Joseph Blatter para darem uma olhada na casa e ele fora enviado para saber sobre Blackwood -, a menina estava confusa por não conseguir subir juntamente com eles.
- Então, você estava protegendo a habilidade dele, pequena.
Sua voz soou serena -, o fantasma arqueou as sobrancelhas -, enquanto visualizou o homem parado na porta.
- Quem são vocês? Como conseguiriam me bloquear? - a voz era infantil, porém havia algo de adulto - O que queremos com ele?
- Verificando umas coisas, se você for proteção dele, e porque ele estava no Serene Woody, não é? - ele ergueu os olhos para ela, enquanto a mesma travou ao ouvir o nome do orfanato - Ele foi adotado, provavelmente, você encobriu a habilidade dele quando ele nasceu, não é? E por algum motivo, você fez a proteção dele até agora sem qualquer interferência da Insight.
- Mama dele pediu para eu encobrir assim que ele nasceu, os monstros não sabiam que ele tinha poderes - a voz dela soou surpresa - Você nasceu quase no mesmo mês, e eu vi você sendo levado de sua mãe.
Ethan não aparentou surpresa.
- Claro que viu, afinal você era o fantasma da Violet, a mãe dele, não é? Como eu sei disso? - sua voz soou séria, enquanto observou os livros - Você sabe quem faz isso?
- Não, e eu tenho que bloquear a habilidade dele - a voz dela soava urgente, em suplica para ele - Por favor, me leve até ele.
- Não se preocupe, está bloqueado qualquer paranormal nesta cidade de sentir o poder dele - Ethan ouviu os passos no andar de cima, enquanto encarou ela - Afinal, ele é importante para você, me responda algumas perguntas, e sairá daqui assombrando.
- Quem são vocês?
- Somos paranormais como ele, entretanto, não tivemos a mesma sorte que ele em termos um fantasma bloqueado a nossa "visão" - respondeu simplista - Viemos do Serene Woody, após termos destruído o local, quando ele apresentou a visão a primeira vez?
- Com alguns meses de idade, ele quase destruiu o primeiro lar adotivo dele - respondeu o fantasma - Ele me viu nesse dia, porém eu bloqueei qualquer visão dele do mundo místico.
- Você sabe me dizer a habilidade dele?
- Não - ela respondeu desconfortável - Teriam que tentar ativá-la, está adormecida há muito tempo.
Ethan arqueou as sobrancelhas -, assim que ouviu a volta de com eles, apenas acenou para o fantasma -, e saiu por umas das milhares de passagens secretas voltando para onde Ivy e estavam.
- Alguma coisa?
- Ela não tem ideia do que é - resmungou, enquanto ouviu a voz de Ivy soar chamando o outro - De qualquer maneira, apenas nós sentimos a presença dele, porém acho que devemos colocar alguma proteção nele.
- Pedir ao Oswald que cuidasse disso - sussurrou - Você tem certeza que ele é um de nós?
- Absoluta.
Então, a porta revelou -, os olhos de o avaliaram, enquanto o detetive arranhou a garganta -, e o desconforto se tornou evidente.
- Próximo, já terminamos com a Srta. McQueen.
- Eu irei - anunciou , enquanto trocou olhares com Ethan - Vamos, detetive.
O fantasma dele estava agitado -, enquanto Martin se posicionou ao lado dela, e sorriu.
"Irei continuar a conversa do mestre Ethan", anunciou, "E não se preocupe, você não se afastará mais do detetive".
Seria uma longa e cansativa manhã.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.

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