FFOBS - Freakshow, por Calis


Freakshow

Última atualização: 12/02/2018

Prólogo


“As pessoas nunca terminam, simplesmente se abandonam.”
— Gabito Nunes.


Em algum lugar do Reino Unido, 1997.


O fogo se alastrou rápido.
A correria assustara as crianças, que estavam já em seus quartos após o toque de recolher, enquanto as portas se abriram num rompante e todos fugiram para as saídas mais próximas, mas misteriosamente os funcionários não conseguiram abrir as portas dos seus quartos, com exceção de Madeleine Ducrô. Enquanto as crianças corriam para baixo, sendo auxiliadas pela nova psicóloga que seria a única sobrevivente adulta do corpo dos funcionários, ela olhava horrorizada para o fogo sinistro que começara do nada com apenas um fósforo inocente caindo sobre os lençóis de Peter Jordan, e as labaredas pareciam dançar em uma harmonia sinistra.
Haviam seis crianças observando com curiosidade em local afastado. O carro estava cheio de comida e mantimentos pelos próximos dias, assim como os cobertores e duas cadeiras improvisadas para bebês. Os funcionários do Orfanato Serene Woody gritaram por socorro, porém ninguém iria auxiliar aqueles monstros. Todas as crianças, sem exceção, usavam roupas maltrapilho por baixo dos grossos casados que roubaram da sala dos funcionários, e algumas economias, que estavam na sala da diretora Peter Jordan. Segurava os bebês em seus braços, um deles adormecido e outro atento ao fogo, os olhos em tons verdes fixos nas labaredas enquanto os funcionários queimavam até as cinzas, e os gritos divertiam os mais velhos. A garota mais velha acomodou melhor a garotinha de pouco mais de um mês em seu colo apertou o seu dedo, e ao longe, o som baixo foi ouvido por ela.
Vamos? — perguntou para os outros - Temos que sair daqui antes que a polícia chegue.
Ela havia roubado o carro de Peter Jordan, acomodou um a um no carro e ouviu algumas birras do garoto de seis anos para ela, e entregou ao mais velho dos meninos a garotinha carequinha que havia adormecido. O outro bebê estava com outra menina que observava a neve cair novamente naquela noite.
E agora, para onde vamos?
A garota de 15 anos observava a estrada, e uma brilhante ideia surgiu em sua mente enquanto ligou o carro dando partida.
Londres.


Capítulo 1


“Às vezes você se apaixona por quem não esperava, mas não quer dizer que isso seja errado.”
— How I Met Your Mother

Uma chuva forte e continua caia enquanto Leonard McQueen seguia o Audi A3 sedan de seu namorado em direção ao apartamento dele. A batida dos limpadores de para-brisa não interrompia os seus pensamentos.
Ex-namorado, corrigiu-se mentalmente. Há exatos quarenta e cinco minutos.
Ele batia seus dedos na direção do carro ao ritmo de Robbers, de The 1975, que tocava aleatoriamente em uma das milhares de playlist no Spotify -, foi o ano de sua vida, ele pensou, está realmente pronto para passar uma borracha sobre o assunto?
Havia uma saída melhor? Leonard pensou em ligar para sua irmã mais velha e lhe pedir conselhos amorosos, porém o relógio em sua BMW X6 marcava exatamente 23:45, enquanto as melhores desculpas, até mesmo os apelos para Richard Turner estavam a se formar, porém talvez ele ficasse melhor deixando para trás o seu furacão particular. Uma racionalização banal: ele é o parlamentar inglês que não havia assumido sua sexualidade, e Leonard é um playboy gay que vivia em revistas de celebridades e fofocas.
Mas não era tão simples?
Richard trabalhava para a Rainha Elizabeth II enquanto Leonard é um dos solteiros mais cobiçados do Reino Unido - além de ser objeto sexual de pelo menos 99% dos britânicos e ter sua própria multinacional que estava se expandindo para o restante do mundo -, Leonard coçou o nariz ao pensar nisso e frustou-se com todos os contra que existiam entre Richard e ele, além da preocupação excessiva de sua família com esse relacionamento e o medo desnecessário de Richard perante a sociedade caso descobrissem que ele tinha um relacionamento homoafetivo com o McQueen.
Leonard viu o Audi A3 virar à esquerda e ligou a seta para segui-lo, porém um Volvo o fechou e, quase por um triz, um Porsche atrás de si não batia no carro.

Richard Turner saiu do carro no estacionamento do prédio onde se encontrava com Leonard - o parlamentar olhou curioso por perceber que Leonard não estava mais atrás de si, deve ser o trânsito, pensou o homem enquanto retirou a gravata e pegava a sua maleta. Os seguranças que normalmente faziam a sua proteção estavam de folga naquele dia, mas os de Leonard estavam seguindo ele como sempre para todos os lugares que o McQueen ia, porém olhou mais uma vez para entrada do estacionamento enquanto pegava o elevador.
Ele deve ter ficado preso no trânsito.

O segurança de nome Stuart estava explicando que não era preciso esperar a polícia e que ninguém havia se ferido enquanto o outro carro com seus seguranças esperava pacientemente para seguirem para o destino com seu chefe. Leonard observava os quatro brutamontes que era obrigado a arrastar para todos os lados que ia desde os seus 12 anos, porém ele mantinha a expressão aborrecida enquanto batucada sobre o volante e os pensamentos iam sobre o que ele é Ricard iam conversar naquela noite.
Ele pega as coisas dele e caia fora da vida do homem da Rainha, ou passa a última noite fazendo amor, como se fosse a última vez?
Ou, pro diabo com tudo, pensou amargo sobre o destino de seu relacionamento.

E os assuntos que os atraiam? O padrão típico dos relacionamentos do playboy? Leonard McQueen, solteiro convicto - além de ter uma boa quantia em dinheiro no banco -, ele sempre foi considerado brilhante, porém as expectativas dos seus relacionamentos? Seis meses, até um ano, porém ele estava quase dois anos com Richard Turner.
Era um recorde, diria sua irmã .
Ele checou o relógio novamente, fazia 25 minutos desde que perdera Richard de vista, enquanto estava perdendo a paciência com aquela mulher e seus ataques histéricos.

Richard Turner parou em frente ao apartamento: tudo acabou mesmo? Ele se lembrava da voz do amante ao falar da recepção para arrecadar fundos para doar para orfanatos carentes - Turner havia cometido um erro ao ir a festa, sabendo que vários parlamentares e pessoas de alta classe estariam lá -, embora Leonard tenha dito que iam ser discretos naquele compromisso social, provavelmente foi um passo mal dado.
E havia também August Freeman.
Leonard havia tido um caso curto com o homem antes de conhecê-lo e tinha sido honesto ao discutir a possibilidade de ele ir ao evento.
Porém, em seu íntimo, Richard tinha que admitir que eles formavam o casal!
August Freeman, advogado conceituado e assumidamente gay. Ênfase ao gay. Leonard McQueen, empresário, assumidamente homossexual, e de bem com a sua vida e família. Eles formavam o casal que não tinha aquelas discussões tolas sobre discrição e que deveriam se encontrar às escondidas ou qualquer coisa do gênero - este sempre seria o problema entre eles, sempre parte da dinâmica que faltava entre eles.
Ele balançou a cabeça a contragosto enquanto abriu o apartamento, porém, assim que ele entrou, havia algo de errado.
A luz do hall estava desligada, mas mesmo na semiescuridão ele podia perceber que seu apartamento estava remexido. Ele pegou celular no bolso, porém a mão com uma luva obstruiu sua boca e ele perdeu os sentidos.

Após alguns minutos desde que deixara Stuart cuidar do quase acidente mesmo sobre os protestos da mulher que estava esperando os benditos dos policiais, Leonard estacionou o carro ao lado do Audi de Richard e ajeitou a gravata que estava lhe incomodando enquanto percebeu os dois seguranças restantes também estacionando. Ele desceu e ajeitou o terno que usava naquela noite, e trancando o carro enquanto sinalizou para os seguranças que dali ele podia ir muito bem sozinho, porém sabia que o velho Raymond estaria no corredor no dia seguinte com um copo de café expresso.
- Tenham uma boa noite, rapazes - diz sorridente para Aaron e Raymond – E não fumem aqui.
Aaron soltou uma risadinha enquanto Raymond apenas ignorou o patrão que adentrou no elevador e apertou o número 10.
Observou seu rosto no espelho dele - Leonard tinha uma cicatriz no supercílio esquerdo, porém era quase imperceptível a olho nu - enquanto os olhos verdes acinzentados esperavam impacientes que chegassem ao 10° andar, e tentava montar um plano estratégico para pode salvar seu relacionamento com Richard assim que a porta abriu ele buscou o apartamento 1010, porém seus olhos pararam na porta entreaberta e a sensação que estava no ar era sufocante.
Empurrou com os sapatos a porta enquanto buscava a silhueta de Richard pelo apartamento - a luz do hall estava acesa -, enquanto um círculo de sangue estava desenhado no chão e no centro dele, com o tórax aberto e os olhos arrancados estava Richard Turner.
Morto.
Leonard parou na entrada do apartamento enquanto observava cuidadosamente o círculo desenhado no chão. Ele tirou o celular do bolso do terno e percebeu o tremor tomar conta de suas mãos, e digitou 999.
- 999. Telefonista.
Ele arranhou a garganta - a bola de angústia estava se formando, porém ele olhou Richard e se forçou a dizer as palavras.
- Gostaria de comunicar um assassinato.


Capítulo 2


“Vamos fingir que tudo está bem. Que as piadas do palhaço ainda são engraçadas e que o coração não dói. Que o ambiente reservado para fumantes não sufoca e que esperar na fila do banco não cansa. Vamos fazer parecer que nenhuma música é uma lembrança e que o cheiro não grudou na ponta do nariz. Vamos fingir que eu não o vejo em todo canto e que o meu lado da cama dele ainda espera por mim. Vamos fazer de conta que esse espaço todo não aperta e que o que sinto não é necessidade. Vamos fechar os olhos e imaginar que esse ainda não foi o inicio do fim.”
— Casebre.


McQueen observava as pinturas em seu quarto.
E um especial, dado por sua irmã mais nova - entretanto, eles não eram irmãos de sangue e nem parentes distantes e, por isso, mesmo que em seu íntimo pensasse que estava cometendo um pecado por se apaixonar por sua irmã de criação, não estava. Era uma pintura modernista de algum artista que amava e, por aquele motivo, ele comprara a arte e a pendurara para olhá-la todos os dias.
Afinal, era a preferida dela.
Aos 25 anos, era um apreciador de artes, e também de mulheres, porém mesmo depois que se considerassem suficientemente bonito, ao menos era o que as pessoas lhe diziam, ele ainda tinha olhos para ela.
Ele tentou engatar em relacionamentos que logo se mostraram fracassados, mesmo que ele se dedicasse para as mulheres que compartilhou sua intimidade e sua cama e foi chamado de cavaleiro e honesto por suas ex-namoradas - de alguma maneira elas percebiam que ele não estava na mesma sintonia que elas e nem mesmo que queria entrar em sintonia com qualquer outra pessoa além de , e ele riu-se ao lembrar do último fracasso que levou exatos 7 meses para a jovem Adelaide terminar com ele no parque que ocorrerá o primeiro encontro deles -, entendia perfeitamente por que de seus relacionamentos nunca darem certo, enquanto bebeu mais um gole do whisky e pensava se algum dia poderia deixar seus sentimentos por sua irmã de lado.
Pelo Anjo! Ela era a sua irmã, mesmo que não compartilhassem o mesmo material genético, ou qualquer semelhança física, eles foram criados como irmãos, porém desenvolvedora por sua irmã sentimentos além da fraternidade, que o corroem todos os dias - sabia que, bem no fundo de seu coração, ele desejava que um dia pudesse dizer para ela todos aqueles sentimentos. Como ela iria reagir? Será que seria recíproco?
Ele pensava em como todas as suas namoradas poderiam ter engatado num relacionamento com ele, mesmo que ele estivesse apaixonado por .
Ele pensou que os 1,89m de altura, boa forma - após insistência de seu irmão Ethan deles começarem uma academia, porém, mesmo que não fosse adepto de pegar pesado na musculação no início, acabou pegando gosto pela academia -, tinha cabelos castanhos escuros e o antiplayboy, entretanto ele tinha a reputação de playboy nas revistas que saiam a seu respeito.
Ou será que as mulheres sentiam atração por seu currículo? Cambridge, vencedor de algumas competições de hipismo e tinha a sua própria empresa juntamente com os irmãos, filantropo e amante dos animais, e defensor dos oprimidos da África.
O homem apenas repuxou os lábios nos cantos enquanto ouvia "World Gone Mad", do Bastille - um dos favoritos dela e também uma das suas, desde que lançou -, e olhava o Whatsapp onde as mensagens chegavam e eles ignoravam o convite das senhoritas para sair e se divertir.
A janela estava fechada e ele apreciou o whisky enquanto a porta de seu quarto se abriu num rompante - a mulher tinha os cabelos bagunçados enquanto a expressão apreensiva estampava sua bela face -, e ela era a mulher mais linda do mundo mesmo com aquela expressão.
- Richard Turner acaba de ser assassinado, . - a voz de soava frenética e a urgência dela assustou o mais velho enquanto o mesmo absorvia a informação jogada daquela maneira - Aaron acaba de me avisar, nosso irmão achou o corpo e eu estou indo pegá-lo, porém eu não consigo falar com Clair, e nem mesmo com Ethan, para avisá-los.
Ela falava rápido, sem respirar - se ele não a conhecesse desde criança, diria que ela está tendo ataques de pânico naquele momento -, e os cabelos arruivados caindo em mechas por sua face.
- Se acalme, vá pegar Leonard com Anthony e Simon, eu cuido de trazer nossos irmãos.
largou o copo de whisky e a abraçou, o perfume amadeirado e de florais preencheu o ar. Enquanto a mesma se despediu, ele apenas discou o número decorado.
- Onde está Ethan e Clair, Jones?

X


A boate estava a pleno vapor, pensou a mulher de cabelos grisalhos enquanto limpava os camarins e verificava as meninas, que já tinham sido liberadas pelos clientes, que comiam animadas no refeitório no segundo andar e as músicas eletrônicas tomavam conta de todo o ambiente - enquanto mandou os seus subordinados para limparem os respetivos quartos liberados -, e mexeu no tablet em que se encontrava todos os quartos do estabelecimento -, ali as prostitutas recebiam um auxílio vindo da Boate Hell's, e muitas vezes conhecidas como o prostíbulo de luxo onde magnatas, parlamentares, e até mesmo alguns nobres ingleses, vinham ali para satisfazer as suas necessidades sexuais.
A chefe da limpeza, Amélia, escutava os gritos de prazer das jovens prostitutas de luxo enquanto passava pelos corredores destinado para os funcionários da limpeza e segurança trafegarem com segurança entre os quatros. A mulher de 50 anos suspirou e lembrou-se da primeira vez que pusera os pés no prostíbulo Hell. Mesmo após a repulsa inicial pelo estabelecimento de luxo, Amélia escutava das jovens garotas de programa que os patrões lhe davam todas as regalias que qualquer trabalhador precisava, e foi um dos motivos para Amélia ficar naquele local - e também pelo apreço que tinha pelas jovens de 20 anos que pagavam os estudos com o dinheiro ganho nas noites que trabalhavam ali. Ela também cuidava de todas e verificava se estavam todas saudáveis e se alimentando bem, as ordens dos patrões que sempre lhe davam ouvidos sobre qualquer coisa que acontecia no Hell's.
Os olhos escuros desceram pela lista de quartos ocupados até o momento, porém parou na frente da porta do apartamento 13 e franziu o cenho, e novamente verificou abrindo uma aba sobre as especificações dos quartos e de todos os pedidos dos clientes e das jovens prostitutas.
Stanley Kubrick, ela leu atentamente que aquele homem sempre pedia um vinho e várias guloseimas para desfrutar juntamente das dançarinas.
Não havia nenhum pedido do cliente desde que entrara no quarto e nem mesmo das jovens que estavam com ele - ela tentou relembrar quem estava com o homem dentro do quarto: Sammy e Dot, ela conhecia melhor do que ninguém as meninas, e elas sempre pediam o jantar após o cliente dormir, caso ficasse o restante da noite, e também pedia roupas para ela que sempre entregava para as meninas, aquele hábito era todas as noites que estavam no trabalho. Ela apenas olhou a porta e pensou em entrar e verificar como estavam as jovens, porém ela apenas pegou o rádio que todos os funcionários do Hell's tinham.
- Ei, Abby - chamou a chefe de segurança que cuidava de todos passos dos funcionários e clientes que entravam e saíam do Hell's - Não há pedidos do apartamento 13, poderia mandar alguém para entrar comigo e verificarmos se está tudo bem?
- Estou mandando o Aram - a voz de Abby soava profissional e séria enquanto a mulher mais velha apenas pensou preocupada com as mulheres dentro do quarto - Ele estará armado, Amélia, não se preocupe com elas. Só devem ter dormindo.
Amélia franziu os lábios com isso. Houve um incidente sobre um cliente querer bater numa das meninas, desde então, qualquer coisa suspeita, os seguranças estavam com o aval de entrar nos quartos para ajudar as mulheres, e ela lembrava das meninas, que saíram com vários machucados, e que foram remanejadas para trabalhar na área administrativa, juntamente com Abby.
Ouviu o elevador dos funcionários e Aram, acompanhado de Stefani, uma segurança truculenta e que dava medo em praticamente todos os clientes abusivos, desde que entrara no ano passado, quando impedira agressão a uma das dançarinas. Ambos armados enquanto a chefe da limpeza retirou das vestes as chaves e o click da fechadura foi ouvido enquanto Aram apenas entrou na frente sendo seguida pelas duas mulheres. Tocava uma música "Karma Police", do Radiohead ,que Amélia reconheceu ser a favorita de Sammy. Amélia procurou pelas garota enquanto percebeu o sangue espalhado pelo quarto, assim como os corpos das meninas com as gargantas cortadas em cima da cama, além do cliente também e reconheceu dois guardas, ela pensou que estavam de folga naquele dia.
Um grito escapou dos lábios enquanto Aram a parou antes que tocasse em alguma coisa. Os fios loiros de Samantha estava com sangue, além dos olhos vidrados com uma expressão de horror enquanto Dorathea estava no mesmo estado, porém seus olhos fechados enquanto as lágrimas escapavam de seus olhos, provavelmente esperando uma morte rápida pelo seu agressor. Amélia já havia visto de tudo em sua vida, porém a cena a sua frente fora demais para seu coração.
- Abby, ligue para a polícia - a voz rígida de Aram soou urgente pelo rádio enquanto Stefani observava também em total espanto - Houve um homicídio, e avise para os donos, agora, Abby!
As lágrimas desceram pelo rosto de Amelia enquanto foi arrastada dali por Stefani, que ainda tentava entender como alguém matou dois seguranças, um cliente e duas dançarinas a sangue frio -, entre todas as garotas, Samantha era a sua favorita, pois ela sempre vinha confiante que um dia ela sairia daquela vida e seria uma arquiteta.
E agora, ela estava morta.

X

O toque do celular o despertou.
Estava jogado em cima da mesinha da sala, a TV ligada em algum filme, ao qual ele adormeceu no meio. Tateou até achar o telefone enquanto o toque irritante que colocara para delegado James Wess enquanto o nome piscava na tela do smartphone - responsável pelo setor onde o trabalhava -, atendeu ao terceiro toque.
- Finalmente a mocinha resolveu atender - a voz pingava sarcasmo, enquanto o detetive apenas conteve a língua - Sabemos que é o seu dia de folga, porém Jack não tem dias de folgas.
- Ele voltou a atacar?
Ingadou enquanto procurou os malditos sapatos e sua mochila para pode sair de casa.
- Sim, ele fez cinco vítimas dessa vez - a voz de Wess saiu truculenta e nervosa - Porém o local onde ocorreu está cheio de repórteres, então máximo de descrição, .
- Qual o local? - pergunta sério - E local muito conhecido?
- É o Hell's, mocinha - respondeu azedo enquanto xingou todas as entidades do planeta - Seja discreto, . Andrews irá mandar todos os detalhes por mensagem.
- Eu sei, Wess - resmunga sério - Estou a caminho.
Jogou o celular no banco enquanto manobrou e tentou andar no limite permitido, porém às quase 1 da manhã não havia ninguém na rua, e ele pôde andar mais rápido para o local do crime - Jack, como passou a ser chamado o assassino, pois sempre ele coloca esse nome nas cenas do crime, escolhia bordéis, prostíbulos e casa noturnas para fazer suas vítimas, e quase nenhuma pista era deixada pelo serial killer.
Uma força tarefa foi montada com Charlotte Andrews e ele mesmo, , além de Joseph Blatter para caçarem o serial killer e julgá-lo perante a um juiz, como manda a lei.
batucou até ver o Hell's enquanto estacionou o carro e pegou seu distintivo, e sua arma, além do celular em cima do banco.
O prostíbulo estava cheio de polícias.
Enquanto os advogados dos donos do local estavam falando sobre as atividades lícitas e todos os alvarás e licenças que eles tinham e também entregando todas as câmeras e dossiês em relação às vítimas - tragou o cigarro antes de subir -, vários clientes que estavam no clube no momento do crime eram interrogados por vários policias. O investigador estava em seu dia de folga, porém o homicídio triplo estava relacionado com outros que ele investigava, e provavelmente era o mesmo assassino.
Um serial killer que matava lentamente, além de ser um fanático por símbolos celtas e de bruxaria. arqueou as sobrancelhas assim que percebeu a iluminação, assim como as meninas com blusas que cobriam suas vestimentas de trabalho, e também algumas chorando pelas colegas mortas, enquanto uma senhora de idade estava sendo medicada ali.
Hell é prostíbulo de luxo – um dos mais conhecidos da polícia por ter ganhado aval de um parlamentar para continuar com os negócios, assim como com suas atividades -, que há pouco mais de dois anos entrou em funcionamento, e agora era cena dos crimes mais hediondos até aquele momento. O investigador sempre se perguntou como era aquele lugar por dentro, pois o lado de fora não parecia uma casa de prostituição, e sim uma boate de luxo onde as filas estavam sempre virando a esquina durante os fins de semana.
Entretanto, apenas seguiu até onde estava um alvoroço de investigadores e policiais que tomavam as próprias conclusões sobre o homicídio. O homem de cabelos escuros usava luvas e observou ele analisar um dos seguranças da boate que tivera seus olhos arrancados enquanto garotas de programas estavam sendo interrogadas pelos investigadores da Scotland Yard.
sentiu a espinha gelar ao perceber o massacre que ocorrera no apartamento luxuoso.
O homem observava com atenção o local do crime.
Havia pelo menos seis corpos no apartamento. O investigador da Scotland Yard visualizou as gotículas de sangue sobre os seus pés, assim como Ivy Wilson fotografava a cena do crime.
Os corpos estavam empilhados um nos outros.
As duas mulheres tiveram as cabeças degoladas e seus abdomens abertos enquanto o homem tivera a sua intimidade retirada e seus olhos arrancados igual aos seguranças. Ouviu-se os passos apressados, então paralisia de Iwan Yale (o novo assistente do detetive que iniciava seu primeiro dia de trabalho), que sentiu seu estômago revirar ao ver os corpos naquele estado. Já o detetive não se impressionou com tal cena, o homem de 28 anos observou o rapaz para ter certeza que ele não iria desmaiar ali -, já era quarta naquela semana e, com um pouco de sorte, apenas poucas pessoas sabiam que os crimes estavam relacionados entre si, e o mais macabro é que o assassino ligava para a central avisando sobre os crimes cometidos, e os policias sempre encontrava o massacre com prostitutas de luxo.
- Detetive - a voz feminina o chamou atenção enquanto a perita forense apenas lhe passou o objeto no saco plástico, Ivy lhe sorriu com escárnio enquanto piscou maliciosamente para o homem, e ele retribuiu com um sorriso maroto e discreto - Achamos dentro do corpo, e tem um símbolo gravado nele.
Ele pegou o saco plástico. O símbolo era um pentagrama com uma Fênix dentro, além de um círculo com inscrições ao lado em alguma língua que o detetive não reconheceu de imediato. Enquanto observou as vítimas, lembrou-se do apelido dado ao maníaco: "o novo Jack, o estripador".
Entretanto, uma mensagem chegou ao seu celular, e ele praguejou.

J. Blatter: "Jack atacou duas vezes hoje, e estou no apartamento de Richard Turner"

As fotos do local do crime - as mesmas marcas assim como a assinatura -, apenas suspirou.
Um parlamentar morto, pois a discrição do caso estava indo por água abaixo.

X


Os policiais ouviram atentamente tudo o que ele disse, Leonard sentia sua garganta se apertar. Após as perguntas e questionário dos policiais, ele adentrou no apartamento ao lado que legalmente pertencia a sua família e tentou chegar o mais rápido possível ao banheiro. O vômito veio enquanto as lágrimas escapavam e ele se encostou na parede do banheiro, mandou seus seguranças mandarem avisar sua família enquanto o mesmo se recuperava da visão de Richard naquele estado.
A voz feminina soava pelo corredor, ele reconheceu sendo a sua irmã. Os olhos verdes acinzentados estavam fixos enquanto ele chorou como uma criança. McQueen vestia apenas calça jeans e uma camisa preta juntamente com sobretudo e tenis, enquanto agachou-se ao lado do irmão gêmeo e segurou sua mão com firmeza, quando a crise de choro recomeçou, ele sentiu toda aquela tensão fluir por seus músculos e fraquejou perante a ideia de Richard morto.
- Temos que ir para casa, Leonard - a voz de sua irmã soou baixa enquanto ouviu-se barulhos indistintos vindo do corredor, porém eles ignoraram - Philips já ligou para Joanne e ela está voltando agora de Moçambique, vamos, está nos esperando em casa com Ethan e Clarissa, levante-se.
Ele concordou. apenas o arrastou para fora do banheiro e pediu para Simon Lewis levar seu irmão enquanto digitou a mensagem para a faxineira que cuidava do apartamento dele. Ela apenas passou pelo local do crime enquanto os círculos onde estavam o corpo de Richard lhe chamaram atenção, e digitou para no WhatsApp, discretamente mandou uma foto para eles, enquanto os policiais falavam sobre as possíveis causas do crime.
E. McQueen: "Marcas em latim no chão assim como nos outros crimes.
Temo que estejam nos dando um aviso, ".


Havia os malditos jornalistas, que foram avisados por uma ligação anônima, além de uma mensagem vinda do twitter do assassino, apenas puxou o irmão pela mão enquanto os seguranças que estavam ao redor de si faziam uma proteção ao redor deles, a garota sentou-se no banco de trás da Mercedes Benz E 250 Turbo Avantgarde VR4, e apenas gesticulou para o motorista seguir para casa, Anthony apenas obedeceu a mulher.
-Ele está morto por minha causa.
A voz de seu irmão soava séria enquanto as lágrimas caiam pela sua face. A mesma o puxou para seu colo, a mulher apenas acariciou seus cabelos escuros enquanto deu uma risadinha em escárnio.
- Não, meu irmão - a voz soou baixa enquanto era tingida por um sentimento de culpa - A única culpa que nós temos é que queremos amar, porém essa é uma dádiva que nos é tirada por aquilo que somos, ou melhor, nascemos. Porém Richard te amava, então não se culpe por esse destino cruel, meu bem.
Leonard apenas chorou em seu colo, enquanto os prédios de Londres passavam rápido por eles. Ele adormeceu chorando enquanto olhava o whatsapp, e franziu os lábios quando viu as fotos mandadas por Abigail Philips, irmã de Aaron Philips, além de uma breve mensagem dela.

A. Philips: "Ocorreu um triplo homicídio no Hell's".

Entretanto, os corpos não chamaram atenção da jovem McQueen, mas as mesmas marcas usadas em Richard Turner.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, somente na página de controle


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