Última atualização: 09/10/2019

Capítulo I: A vida real é faz de conta

TERRA 313
LOCAL:

Academia Vingadores
DATA:
18 de agosto de 2020
HORÁRIO:
11:55:16 AM


☆☆★☆☆

Sua primeira reação quando um dos agentes estava diante da porta aberta de seu quarto foi suspirar e fechar o livro em suas mãos. Levantou-se da cama onde estava deitado, agarrando sua jaqueta de couro no caminho.
O loiro acompanhou o agente até Nick Fury, que garantiu-lhe que sua presença ali não seria desperdiçada em algo fútil.
— Senhor... — cumprimentou Steve com um rápido aceno de cabeça.
— Como foi a viagem? — pergunta Fury, um tom amigável em suas cordas vocais, dando seus primeiros passos pelo corredor.
— Se me permite dizer; entediante.
Nick soltou um frêmito, demonstrando seu entendimento as palavras de Steve. O loiro observava os jovens alegremente vagando pelos corredores, questionando-se então sobre sua presença ali.
— Você leu os arquivos antes de aceitar embarcar nesta ‘aventura’? — parecia que Fury logrou em ler seus pensamentos.
— Uma nova Iniciativa Vingadores, sim. Fiquei impressionado o quão longe você foi com isso, tendo mais recrutas do que a primeira. — ele fez uma pausa, uma careta formando-se em sua fisionomia. — Há uma razão em particular para me chamar, o arquivo não especificou?
— Como sendo o primeiro Vingador, imaginei que aceitaria treinar alguns dos recrutas, principalmente aqueles modificados laboratórios com o soro de supersoldado. — se Steve não estivesse acostumado a algumas brincadeiras de Stark, ele poderia muito bem estar ofendido, considerando a comparação de sua individualidade a um experimento.
A porta de vidro que levava ao laboratório da sede se abriu, revelando a parafernália de equipamentos usados por Stark, Banner e Richards. Nick apontou para o uniforme branco e vermelho sobre a mesa metálica, esperando pacientemente que Steve parasse de encarar o símbolo da Viúva Negra, porém modificado, do cinto.
— Isso é para Natasha? — pergunta o loiro.
— Não, foi feito especialmente para um dos novos recrutas. — responde Nick, buscando a ficha ao lado do uniforme.
— Tem um nome? — a pergunta escapou antes que seus dedos pudessem encontrar a ficha que Fury lhe entregava.

NOME:

SOBRENOME:
,
DDN:
07-10-1988
IDADE:
32 ANOS (BIOLOGICAMENTE 26)
GÊNERO:
FEMININO
ALTURA:
5’3
ESPÉCIE:
HUMANA MUTANTE GENETICAMENTE MODIFICADA
INDIVIDUALIDADE:
METAMORFO; CONTROLE MENTAL
TERRA NATAL:
VOLGROGADO, RÚSSIA


— Controle mental? — havia desgosto estampado no rosto do loiro quando ele olhou para Fury.
— Seu corpo produz feromônios, que a permite verbalmente controlar as ações de outros. — explica.
— Como aquele soviético? Zebediah Killgrave?
é uma Criança Purpura, filha de Killgrave. — Fury habilmente tirou a ficha das mãos de Steve. — E também... meia-irmã da agente Romanoff.
— Isso é muita coincidência para não ser algo falso. — disserta, incrédulo.
— De fato. Mas com suas habilidades, prefiro que ela não esteja no time oposto.
— Onde a encontraram?
— Em Moscou. Uma acrobata habilidosa, ginasta e artista marcial, fazia pequenas apresentações em shows mostrando suas habilidades. Saber que era irmã de Natasha não foi nossa primeira surpresa.
— Ela também era uma agente da KGB?
— Não só da KGB, como da HIDRA também. — o loiro moveu a boca mas nenhuma palavra ousou sair. Fez uma pausa, o silêncio mortal tornando-se algo que dava as boas-vindas ao barulho que todas as pessoas daquele local faziam.
— Confia nela? — sua voz soou finalmente como um sussurro, falhando em suas oitavas.
— Natasha confia, afinal, acabou de descobrir que é sua irmã e vai fazer de tudo por ela. Por isso chamei você para ficar de olho na nova Romanoff. — começou a dar seus primeiros passos para a sala de treinamento, onde se podia ouvir uma discussão. — Vou lhe apresentar os novos recrutas.
— Como assim você não acredita que fui eu? — a voz feminina ecoou pelos ouvidos do loiro quando entraram na sala. Havia uma ruiva parada de costas para a porta, alheia a presença deles ali quando continuou a vociferar com um dos agentes. — Você acha que eu não capaz de fazer isso sozinha, seu filho da puta?! Você se acha melhor do que eu, desgraça?! Vai se foder, velho. Tomar no cu.
... — cantarolou uma loira entre dentes, seus olhos arregalados encarando Fury e Steve.
. — a ruiva fechou os olhos, amaldiçoando-se em sua língua materna antes de se virar para Nick com um sorriso donzel.
— Pirata Zangado, oi. Eu não vi você. — sarcasmo escorria por sua língua. — Estava demorando pra chegando, foi no cabelereiro?
— Não vou perder tempo escrevendo isso no seu relatório disciplinar, porque já está parecendo um livro e você só está aqui há cinco dias. — a ruiva deu de ombros, desviando o olhar para nada em especial. — Agora, façam uma linha.
Rapidamente cada um dos recrutas se juntaram diante de Fury, parados esperando por uma ordem do diretor, exceto pela que parecia a mais nova de todas que permaneceu sentada no chão com um livro em suas mãos. Nick não se importou com isso.
— Este é Steve Rogers, vocês sabem quem ele é. — apresentou Fury, apontando para o loiro que vagou os olhos sobre todos ali.
Oito pessoas, entre vinte e quarenta anos, divididos em pares. Quatro mulheres e quatro homens, mas apenas um mantinha a postura de alguém adulto.
— Ele será o seu tutor, junto a Natasha e Stark. Preciso que deem uma demonstração de suas habilidades. — os recrutas se entreolharam, hesitantes.
— Certo, então... — disse a loira, dando um passo a frente.
— Gwendolyne será a primeira. — falou Fury, entregando outras fichas a Steve. — Husher irá auxiliar.

NOME:
GWENDOLYNE
SOBRENOME:
BENNET, OCTAVIA
DDN:
24-07-1997
IDADE:
23 ANOS
GÊNERO:
FEMININO
ALTURA:
5’2
ESPÉCIE:
HUMANA GENETICAMENTE MODIFICADA
INDIVIDUALIDADE:
TELEPATIA; TELECINESE
TERRA NATAL:
LOUISIANA, ESTADOS UNIDOS

NOME:
███████
SOBRENOME:

HUSHER
DDN:
19-07-1984
IDADE:
36 ANOS
GÊNERO:
MASCULINO
ALTURA:
6’4
ESPÉCIE:
HUMANO MUTANTE GENETICAMENTE MODIFICADO
INDIVIDUALIDADE:
METAMORFO
TERRA NATAL:
TEXAS, ESTADOS UNIDOS


O mais alto de todos, aquele que parecia ser o mais maduro caminhou para o outro lado da sala, onde estavam os itens para treinamento, no percurso puxando as bordas de suas camisa para cima, jogando-a para o canto. Seu corpo se contorceu, sua coluna dorsal levantando-se sob sua pele, pelos marrons crescendo ao longo da parte superior de seu corpo.
Seu rosto, todo o seu crânio, era apenas vagamente humano. Alguém havia sido irresponsavelmente louco ao brincar com DNA de urso.
A figura mostrou suas presas e rosnou, emitindo um som de pardo raivoso. Ele empurrou os objetos sobre a mesa de madeira, levantando-a facilmente acima da cabeça e a lançando como se não fosse nada em direção a loira. Quase que imediatamente, Gwen estendeu suas mãos e com isso fez a mesa parar no ar, e com um simples movimento do intercalar de seus braços, o móvel de madeira quebrou-se em estilhaços. Um dos pedaços maiores deslizaram pelo piso branco, parando quando tocou o pé da garota sentada no chão, que simplesmente ignorou o barulho ao seu redor e moveu a folha de seu livro para a próxima página.
— Metamorfose e telecinese. — observou Steve.
— Isabelle. — chamou o Diretor, a morena moveu-se da linha, girando uma pequena adaga em forma de cobra no ar.

NOME:
ISABELLE
SOBRENOME:
BENNET, OCTAVIA
DDN:
01-03-1990
IDADE:
30 ANOS
GÊNERO:
FEMININO
ALTURA:
5’5
ESPÉCIE:
HUMANA GENETICAMENTE MODIFICADA
INDIVIDUALIDADE:
SENTIDOS AGUÇADOS; PERITA EM COMBATE CORPO A CORPO
TERRA NATAL:
LOUISIANA, ESTADOS UNIDOS


Ela não esperou que alguém se oferecesse para auxiliá-la. Apenas girou a adaga mais uma vez no ar, segurando-a pela ponta e a lançando em direção ao loiro que se abaixou na tentativa de sair do caminho. Mas ele não era rápido o suficiente, embora tenha sido salvo no último segundo por uma bola de chamas.
— Ben, essas coisas são raras! — repreendeu Isabelle, encarando o garoto agora coberto pelo fogo alaranjado que não consumia seu uniforme.

NOME:
BENJAMIN
SOBRENOME:
HINKEL
DDN:
07-07-2000
IDADE:
20 ANOS
GÊNERO:
MASCULINO
ALTURA:
5’8
ESPÉCIE:
INUMANO
INDIVIDUALIDADE:
PIROCINESE
TERRA NATAL:
HACKNEY, INGLATERRA


— Minha vez. — falou o outro loiro, estalando os dedos e seu pescoço, virando-se para a ruiva. — Quer tentar?
— Nem sonha. — respondeu , cruzando os braços.
— Cole? — olhou para seu colega logo atrás dele, que suspirou antes de se aproximar.

NOME:
ALEXANDER
SOBRENOME:
HINKEL
DDN:
25-04-1987
IDADE:
33 ANOS
GÊNERO:
MASCULINO
ALTURA:
6’0
ESPÉCIE:
INUMANO
INDIVIDUALIDADE:
DUPLICAÇÃO
TERRA NATAL:
HACKNEY, INGLATERRA

NOME:
COLEMAN
SOBRENOME:
STERN
DDN:
17-03-1987
IDADE:
33 ANOS
GÊNERO:
MASCULINO
ALTURA:
6’0
ESPÉCIE:
HUMANO GENETICAMENTE MODIFICADO
INDIVIDUALIDADE:
UMBRACINESE
TERRA NATAL:
UTAH, ESTADOS UNIDOS


Stern encarou seu braço esquerdo, uma nuvem escura como milhares de partículas pretas surgiram, dando forma a algo que aparecia em seus dedos; uma arma. Com um movimento rápido ele disparou contra Alex, o corpo do loiro automaticamente se desmanchou em cinzas, um grito de dor ecoando pela sala de treinamento. Quando a cinzas se dissiparam, pode-se ver que o que fora morto era um clone.
— Qual o seu problema?! — vociferou Alex, parecia horrorizado.
— Desculpa, eu não achei que seria tão difícil pra você. — o moreno crespiu o cenho, movendo-se para o outro lado da sala, deixando um rastro de matéria escura pelo caminho.
— Difícil pra mim? Cara, você sabe que eu posso sentir o que meus clones sentem, não é? — seguiu o mais velho.
— Freya? — chamou Fury, a garota com o livro levantou o olhar para ele. — Quer fazer sua demonstração?
Um aceno de cabeça em negação fora o suficiente, ela não precisou efetuar nenhum ruído, apenas o ignorou, voltando a sua leitura.
— Não encontrei a ficha dela? — alerta Rogers.
— Ela ainda não tem. , sua vez!
soltou os braços cruzados, caminhando para frente deles. Estendendo seu braço diante de seu rosto, concentrando-se no que sua mão deveria se tornar. Entre seus dedos haviam membranas, como de patos, com um giro de seu pulso, suas células moveram-se e criaram garras. Um giro, e sua mão não era mais visível, havia se tornado uma massa gelatinosa, viscosa, um ser marinho.
Steve estava impressionado com tudo aquilo. Tanto poder reunido em uma sala só. O que mais eles tinham a oferecer?


Capítulo II: Nem tudo que brilha é ouro para mim

TERRA 313
LOCAL:

Academia Vingadores
DATA:
18 de agosto de 2020
HORÁRIO:
02:21:18 PM


☆☆★☆☆

— Você se regenera quando ferida, não é? — pergunta Ben, como uma criança curiosa. apenas assente, levando as frutas de sua tigela a boca. — Então se você se transformar em um porco, você vai ter bacon pra sempre?
— Caramba, tá aí a pergunta do século. — diz Alex, esperando pela resposta.
— Na verdade não. Quando parte das minhas células é tirada do meu corpo enquanto ainda estou transformada... — ela esticou seu braço, fazendo com que algumas pequenas penas brancas aparecessem ao longo de seus poros. Ela arranca um deles, mostrando ao resto da mesa. — elas voltam ao original, deixa de ser animal e se torna humano.
— Meu pai amado. Que nojo. — fala Gwen com uma careta de nojo, observando aquele pedaço de pena se tornar um pequeno vestígio de pele e sangue.
— Já entendi. — Ben grita quando se aproxima dele, esquivando-se daquilo em suas mãos.
O que veio a seguir deixou a todos repugnados, mas impressionados ao mesmo tempo. simplesmente colocou o pedaço de sua própria pele na boca, limpando o sangue dos dedos em sua língua rapidamente, agindo como se aquilo fosse algo natural.
— O quê? — questiona notando os olhares.
Isabelle estalava os dedos olhando para a bancada do refeitório, escolhendo o que pegaria para seu almoço. A música gritava em seus ouvidos através do fone, ela não se importava nem um pouco se isso iria trazer consequências, já que possuía uma regeneração acelerada.
Husher estava ao lado de Rogers no canto do grande salão, observando os alunos -de várias equipes- transitarem por ali.
Coleman bufou irritado, deixando suas bandeja metálica cair sobre a mesa, assustando os quatro que ali estavam e trazendo a atenção para ele.
— Percebemos então que Benjamin não é o único estressadinho por aqui. — comenta Isabelle, retirando os fones e sentando-se ao lado de sua irmã, Gwen.
— Vai se fuder, Izzy. — reclama o menor, recebendo o apupar dos outros.
— Por que cê tá xingando, caralho? — brinca , mantendo a expressão séria.
— O que aconteceu, Cole? — pergunta Gwen, finalmente.
— Recebi uma advertência para “não colocar em risco meus colegas de equipe”... — fez aspas no ar. — Como se jogar uma mesa em alguém não é um risco.
— Isso é verdade. Mesa é um perigo, mano. Imagina se pega no olho. — mantinha o sorriso depravado em sua frase.
— Sabe o que é um risco maior? — diz Gwen, apontando para a garota sentada sozinha na mesa atrás dela. Um prato de biscoitos em sua frente, um copo de café, livros e um MacBook. — Não saber a habilidade da queridinha do Fury.
— “Queridinha”? — Alex franze o cenho.
— Somos basicamente obrigados a nos exibir para os tutores, porque ele perdoou-a por não participar tão rápido? Primeiro com a Romanoff, agora com o Capitão. — continua a loira. — Isso é preferência.
— Você não acha que está sendo um pouquinho paranoica? — Cole inclina-se para frente.
— Não recebi uma advertência por ser paranoica.
— Ah, tá bom. — as palavras saíram rápido, ele apenas engoliu qualquer coisa que pudesse dizer para se defender, voltando à posição inicial e pegando o garfo.
— Por que não usa a sua coisa? — sugere Isabelle.
— Que coisa? — questiona Ben.
— Boa ideia. — cantarola Gwen.
— Gente, que coisa? — foi a vez de perguntar.
— Eu vou entrar na mente dela.
— Isso vai dar uma “M” gigantesca. — advertiu Coleman, sendo completamente ignorado.
Gwendolyne fechou os olhos, absorvendo tudo que o universo tinha a oferecer por suas ações. Sentiu o frio cumprimentar suas bochechas como milhares de agulhas, e abrir seus olhos em uma escuridão iluminada pela uma chama dançante no chão, percebeu que as agulhas eram pingos de chuvas.
— Gwen? — ouviu a voz de sua irmã, distante.
— Estou dentro. — murmurou, ouvindo sua própria voz ecoar ao redor.
Ela caminhou para mais perto da chama, que cintilou uma última vez antes que se apagasse, como uma vela sendo soprada.
— Gwendolyne, tem algo errado? — Izzy pergunta, havia preocupação em sua voz.
— Vejo uma porta, está entre aberta e tem uma luz verde. — explica, caminhando até a mesma que surgiu em meio a escuridão ao longe. — Estou ouvindo uma coisa... alguém chorando.
— Mas, Gwen... — dessa vez ela ouviu a voz de . — você está chorando.
A loira limpou as gotículas de chuva de sua boca, sentindo o gosto salgado de lágrimas. Ela não entendeu o que estava acontecendo, mas o choro ficava cada vez mais e mais alto enquanto caminhava para mais perto da porta.
— Gwendolyne, por favor, para... — rogou Isabelle, sua voz desaparecendo em um eco.
O choro se transforma em um grito agudo quando Gwen tenta alcançar a maçaneta da porta, que fechou-se de forma abrupta antes que pudesse abri-la. Ela foi arrancada a força da mente de Freya, gritando quando sentiu a dor cortante em sua cabeça.
Ela virou-se para trás onde o grito continuava, ecoando pelo refeitório, apenas para ver Freya segurando seu crânio com ambas as mãos, uma linha de sangue escuro escorrendo por seu nariz.
A atenção de todos fora tomada por ela quando todos notaram a forma que a mesa em sua frente se desmanchava, transformando-se em líquido, derretendo e levando com ela tudo que estava sobre; todo o trabalho de Freya.
— O que está acontecendo? — Steve pergunta a ela quando se aproximou, tocando seu ombro, preocupação e pânico evidente.
— Minha cabeça... minha cabeça... por favor, para, tá doendo. Por favor, para. — foi a primeira vez que todos a ouviram falar, e isso não era um bom momento para ter uma surpresa.

☆☆★☆☆

— Sei que estão todos curiosos, — começa Fury, caminhando de um lado para o outro, observando todos ali. Até mesmo Steve e Hus, que não tinham ligação com o ocorrido. — mas vocês não tem ideia do que estão fazendo, estão aqui para aprender a usar suas habilidades para fazer algum bem, e não ferir pessoas.
— Só queríamos conhecê-la melhor. — Gwen deu a desculpa.
— Se quer conhecer alguém, pergunte, não entre na cabeça delas. — a loira fez uma careta surpresa, ouvindo quando Fury murmurou um palavrão em sua mente.
O diretor puxou uma pasta amarela com o símbolo da S.H.I.E.L.D. da gaveta de sua mesa, depositando-a sobre a mesa para que todos vissem. se aproximou e puxou a pasta para observá-la melhor enquanto os outros saiam de seus respectivos lugares.
— “Ultra secreto”? — a ruiva leu a capa antes de abrir, tirando de lá algumas folhas com a logo da organização. — Você disse que ela não tinha ficha? O que é isso então? E porque tem tanta coisa apagada?
— Você mentiu. — fala Steve, pegando a ficha das mãos da ruiva para lê-la.

NOME:
FRØYA
SOBRENOME:
████████
DDN:
11-10-2004
IDADE:
16 ANOS
GÊNERO:
FEMININO
ALTURA:
5’2
ESPÉCIE:
█████
INDIVIDUALIDADE:
██████
TERRA NATAL:
██████████████

— Nos diga uma novidade. — gracejou sob uma risada baixa.
— O que mais? — Steve vasculha por entre as folhas da pasta, procurando por algo que não estivesse apagado, encontrando observações psiquiatras, lendo-as em voz alta para que os outros ouvissem.

02 de dezembro de 2010.
A paciente Freya ████████ chegou ao Hospital Psiquiátrico Santa Serena em estado crítico após sofrer abuso sexual por um desconhecido, o que quase a matou. O trauma causou sequelas psicológicas, como o início da esquizofrenia -Freya está constantemente contando a suas cuidadoras sobre as vozes que escuta ou as sombras que vê-. A criação de um amigo imaginário não fora uma surpresa, sendo uma criança de seis anos isso a auxiliou a confiar mais em seu psiquiatra Dr. Warren Cardenas.
- Hospital Psiquiátrico Stª Serena

12 de outubro de 2011.
Dr. Cardenas iniciou terapias com desenhos, uma vez que Freya recusava-se a falar. Com observações constantes, percebe-se que Freya passa muito tempo em estado de catatonia. Dr. Cardenas considerou diminuir a dosagem de seus remédios.
- Hospital Psiquiátrico Stª Senera


Steve engoliu em seco, levantando o olhar para Fury esperando por algo mais além daquilo. O diretor relaxou os ombros tensos antes de começar a falar.
— Freya é filha de Loki. — contou, recebendo aquilo que esperava; o desgosto estampado nas feições de cada um. — Encontramos ela na Pensilvânia, sendo a única sobrevivente do incêndio em Santa Serena em 2015. Thor disse que teria responsabilidade sobre ela como algo de família e levou-a para ser ensinada pelo Dr. Steven Strange. Ela tem total controle de suas habilidades, embora mantenha presa dentro de si. Suas ações, Gwendolyne, em tentar conhecê-la fez com que ela se lembrasse do que aconteceu. Foi só um gatilho para perder o controle novamente.
— Ela está bem? — pergunta a loira.
— Não. Mas vai ficar. — seu tom mudou-se novamente para o agente. — Estão dispensados, e com uma nova advertência. Todos vocês.


Capítulo III: Me salve de todos

TERRA 313
LOCAL:

Centro de Emergência de Detroit
DATA:
03 de junho de 2019
HORÁRIO:
11:25:32 PM


☆☆★☆☆

O que você sabe sobre a vida após a morte? Nós morremos eventualmente. E então, o quê?
Ele não entendia o porquê de estar sentindo aquilo. Ele não entendia o porque daquele sentimento do vazio crescendo dentro dele desde o momento em que os médicos tiraram o corpo imóvel do garoto de seus braços. Ele era só uma criança.
Teria sido um dia como qualquer outro se aquele cara não tivesse feito um garotinho de cinco anos de refém. Coleman Stern sentiu-se sem chão quando aquele garoto foi pego no fogo cruzado. Uma vez que o menino estava em seus braços, lutando para continuar vivo, ele se pôs a ajudá-lo o máximo que conseguisse, nem que isso significasse desejar que o ele fosse um Variante -seres imortais capazes de criar matéria escura o suficiente para levantar um outro ser conhecido como Fantasma Negro ou IBM- . É tarde demais, Coleman. Você falhou.
— Ah, não... — murmurou para si mesmo, saindo de seu transe, tropeçando em seus pés enquanto caminhava até a porta de saída.
— Cole! — seu irmão, Edward, chamou, logo sendo barrado por Hank, seu pai.
— Deixa ele. — pediu, suspirando vendo a figura de seu filho mais velho se distanciar.
— Meu Deus... — Cole murmurava repetidas vezes, puxando o ar desesperadamente para seus pulmões.
“Por que não foi mais rápido?”
“Olha o que fez!”
“Patético, Coleman!”

— Eu sei, eu sinto muito. — murmurou pra nada em particular.
Lágrimas agora escorriam pelo seu rosto quando ele caiu sentado no estacionamento. Apoiando-se na barricada de proteção, encarando o sangue seco em suas mãos.
“Você podia tê-lo salvado!”
“Inútil!”
“Pare de chorar! Seja um homem!”

— Ah, Deus... — abaixou a cabeça, tentando ao máximo ignorar a gritaria na sua cabeça. — Olha o que você fez...

☆☆★☆☆

LOCAL:
Academia Vingadores
DATA:
18 de agosto de 2020
HORÁRIO:
05:01:56 PM


— Stern. — Cole virou-se para a voz que lhe chamava, vendo o Diretor Fury encará-lo com sua habitual expressão séria.
— Fury, me desculpe. Eu entendo que o que aconteceu com a garota foi um ato de...
— Não é por isso que preciso de você. — foi interrompido. Ele inclinou a cabeça de lado, confuso. — Laboratório. Agora.
O moreno assentiu, acompanhando o Diretor para fora do corredor, deixando seus colegas de equipe para trás.
— O que Fury quer com ele? Outra advertência? — zombou Isabelle.
— No laboratório? Jura? — Gwen fez uma careta para a irmã que deu de ombros.
— Talvez precisem do doutorado dele. — Alex diz, entrando na conversa. O loiro arqueou as sobrancelhas, notando que os outros esperam por uma explicação mais clara. — Cole é médico. Bem, quase isso, ele era legista da polícia de Detroit.
— E também um gênio. — Ben inclinou-se para frente, apoiando-se no ombro de seu irmão.
— Ah, isso explica muita coisa. — Gwen afirma, trivial.

☆☆★☆☆

LOCAL:
Filadélfia
DATA:
18 de agosto de 2020
HORÁRIO:
03:02:25 PM


— Essa história de voltarmos antes do anoitecer desta missão, é real ou o quê? — pergunta , virando-se para Steve no banco do motorista.
— Não é uma missão, é um recrutamento. — responde o loiro.
— Hunm... — a ruiva cantarolou, tirando os fios de seu cabelo que insistiam em prender em seu batom. — Qual é a individualidade desse novo recruta?
— Teletransporte.
— Oh, e você acha que teletransporte seria um bom jeito de voltar para a Sede? — Steve franziu o cenho, processando.
— Por quê?
— Tá quase sem gasolina.
— Droga... — murmura sob a respiração, encarando o painel do carro.
— É... e considerando o caminho até aqui, acho que não valeria a pena cruzar a Filadélfia inteira atrás de alguém que, provavelmente, não vai aceitar entrar para essa Boy Band.
— E você aceitou?
— Por acaso tive escolha? Era isso ou voltar para a HIDRA.
— Você... — limpou a garganta, ajeitando-se atrás do volante. — você ainda tem vontade de voltar para a HIDRA?
— Eu deveria me sentir ofendida com essa insinuação? — ela abriu a boca, a realidade lhe atingindo como um tapa. Steve a olhou quando ela começou a falar. — Oh meu Deus, você está tomando conta deles e de mim...
— Não há nenhuma ligação sua com a HIDRA?
— Eu tô chocada.
— Nada?
— Nada! — sua voz tornou-se mais aguda, deixando claro a sua mentira. Mas Steve não se importou com isso, embora precisasse ficar mais atento e deixá-la cada vez mais abaixo de sua asa.

☆☆★☆☆

LOCAL:
Academia Vingadores
DATA:
18 de agosto de 2020
HORÁRIO:
05:13:40 PM


Coleman aproximou-se lentamente quando um dos cientistas removeram o lençol azul que cobria o corpo. Ele fez uma careta, nojo evidente em sua fisionomia quando notou que o indivíduo estava sem o crânio.
— Uau. Isso é incrível. — comentou, o nojo transformando-se em fascínio quando ele sorriu, tal esse que logo desapareceu quando virou-se para Fury. — Quer dizer, não um “uau faz de novo”, é mais um...
— Entendi. — Nick o interrompeu antes que continuasse. — O que você acha?
— Er... — ele pareceu pensativo, voltando à posição inicial. — Ao julgar pelo sangue ele já está morto à... treze horas, se não estiver enganado. Pelas marcas no pescoço, acredito que a cabeça dele tenha sido comida, mas não há nenhum padrão que se encaixa com a marca de presas de animais grandes, então...
— Pode me dizer com palavras que posso entender como ele morreu? — pediu Fury, Cole soltou um ruído.
— Me dê três horas...
— Te dou duas, começando agora. O que precisar é só pedir. — falou, começando a sair da sala.
— Sim, senhor. — pressionou o botão na mesa ao lado, fazendo com que as cortinas holográficas aparecessem e escondesse o laboratório de todo os olhos curiosos no exterior.

☆☆★☆☆

— Ei, ei! — comenta Gwendolyne ao se aproximar de Husher com sua irmã.
— O que querem? — perguntou o mais velho, o mais gentil que pode, organizando os itens sobre a nova mesa da sala de treinamento.
— Você e o Coleman foram os primeiros a chegar, não é? — pergunta Isabelle.
— Sim, e...? — passou por ela, agarrando os sacos de areia do chão facilmente, colocando-os em seus ganchos.
— Bem, estávamos pensando sobre o passado de cada um e, se vamos conviver juntos, é melhor nos conhecermos melhor. — Isabelle sorri, mas havia algo mais em sua face.
— Boa ideia, me diga sobre o seu.
— O meu? Não estamos falando sobre mim.
— Não estamos? Então do que lhe interessa saber sobre mim?
— Calma lá, ursão. Não precisa ficar nervoso. — Gwen levantou as mãos em sinal de rendição.
— Quer saber de uma coisa? — ele se aproximou, sua altura fazendo com que ele pairasse sobre a loira. — Fica fora da minha cabeça, e dos meus problemas!

☆☆★☆☆

LOCAL:
████████
DATA:

24 de janeiro de 2016
HORÁRIO:
04:15:38 PM


A chuva fina caía sobre os fios prateados da loira, escorrendo pelo seu rosto até se misturarem com suas lágrimas, contornando o seu maxilar e caindo de seu queixo. A jovem abriu a boca e soltou o ar que prendia, olhando a caixa com os pertences de sua mãe. Ophelia não estava mais com suas filhas, assim como seu marido que acabou morrendo na guerra, mas Gwen e Isabelle sabiam que se não fosse por sua mãe, muitas pessoas não estariam mais vivas.
A mulher foi forte até o último suspiro, dizendo a filha para não temer nada em seu caminho, dizendo que aquela doença que havia sido pega por conta de seu trabalho como enfermeira não iria impedi-la de ser feliz, ou partir feliz, e quando o fez, acabou deixando os motivos de sua felicidade num mundo perigoso.
Quando saiu de seu transe, a loira se pegou sentada no gramado de seu jardim, completamente molhada, seu vestido preto colado ao seu corpo. A mesma se levantou em total determinação, agarrou a caixa e cambaleou até chegar em uma lixeira, murmurou um pedido de desculpas e lançou a caixa dentro da lata, mas logo se arrependeu e a pegou de volta.
É provável que Izzy acabe gostando de ficar com as coisas da mamãe. Foi o que ela pensou. A única família que havia lhe sobrado, quem lhe ofereceu um teto, mesmo que estivesse passando por uma situação difícil. Presa em um casamento contra a sua vontade.

☆☆★☆☆

Gwendolyne sabia que se tornara só mais um problema, a partir do momento em que o marido de sua irmã, aquele qual ela nunca amou, passou a reclamar sobre a presença da menor ali.
Isabelle estava visivelmente irritada com isso, chateada, ela amava sua irmã mais do que tudo, e faria o possível para mantê-la perto de si. Até mesmo cometer um grave erro, que ao seu ver era a única saída.
— O que você fez? — murmura Gwen, vendo sua irmã se distanciar do corpo imóvel de seu marido caído sobre a mesa de jantar, a faca ainda presa em sua carne.


Capítulo IV: Morda sua língua

TERRA 313
LOCAL:

Hospital Psiquiátrico Santa Serena
DATA:
02 de abril de 2015
HORÁRIO:
02:08:26 AM


☆☆★☆☆


Sentia calor e frio ao mesmo tempo. É uma sensação ruim e nova, não conseguia se sentir confortável embaixo das cobertas e muito menos fora delas. Elas estavam ali, murmurando na escuridão do seu quarto, uma vez ou outra gritando e lhe tirando da sonolência que traziam, como se seus murmúrios fossem uma canção de ninar.
Freya se lembra de como elas apareceram. Lembra da primeira que se instalou e de como ela se referia a ela. Idiota. Ela é a mais velha de todas, mas existiu alguém além dela, alguém que lhe observava a muito tempo apenas esperando o momento certo para falar. Sawyer. Freya se lembra dele e de como ele lhe alertou tantas vezes de que aquilo iria acontecer.
Fogo. Estou no inferno? Por que estão todos gritando? Queimando? Por favor, fiquem quietas.
— É hora de ir. — ele disse, aquela única voz em sua cabeça que falava diretamente com ela.
— Para onde? — murmurou, não querendo acordar suas colegas que quarto.
— Para fora.
Se levantou, sentando na beirada da cama e encarando a cortina do quarto balançar. Agarrou o suéter sobre a cadeira, colocando os tênis que sempre estavam embaixo da cama.
As escadas a levaram para a porta da frente, o som da madeira sob seus pés estravam em contraste com o som das paredes queimando. O papel decorativo ficando com bolhas, escurecendo. Eu deveria avisá-los?
— Isso precisa acontecer. — ele avisou, sua voz soando tão próxima do seu ouvido que fez um arrepio percorrer a espinha dorsal.
As chamas dançaram diante de seus olhos. Podia ouvir todos ali dentro gritando por socorro enquanto só podia assistir e esperar que os murmúrios parassem. Queria ajudá-los, mas seu corpo não obedecia, ajoelhada sobre as folhas e pedras que enfeitavam àquela floresta no jardim.

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LOCAL:
Academia Vingadores
DATA:
18 de agosto de 2020
HORÁRIO:
07:25:42 PM


— Freya?
— Sim? — a garota saiu de seu pequeno transe e encarou a dona da voz, Natasha sorriu suavemente quando a olhou. — Desculpe, o que estava dizendo?
— Não disse nada, só estava preocupada. Você parecia tão... distante. Estava pensando no que?
— Eu não sei direito, é como se estivesse vendo um resumo de algo na minha cabeça, tem algumas falhas. Esqueci de algo. — falou, ela assentiu vagorosamente.
— Estou feliz que esteja se abrindo mais, Freya. — Bruce Banner disse, sorrindo.
A música calma que tocava no celular de Natasha cantaram em seu ouvidos. Por um segundo sentiu paz e ao mesmo tempo, um vazio, tristeza. Estava triste. Por que estava triste? Por que sinto a falta delas?
A mesa posta para três pessoas a sua frente lembrou-lhe de onde estava. Nick Fury pediu para Natasha fazer companhia a Freya, uma vez que a garota confia nela por ver uma figura materna em Romanoff. Banner iria auxiliar na questão psicológica.
— Coma. — Banner pediu calmamente, Freya assentiu e obedeceu.
“É uma armadilha!” A primeira voz soou através das estatísticas do auto falante do celular. A garota solta a colher dentro da tigela, espirrando parte de seu conteúdo pela superfície plana da mesa. “É uma armadilha!" Soou novamente, dessa vez atrás dela, mas não se virou para procurar quem havia dito. Elas estavam voltando.
“É uma armadilha!”
“Por que ela não está gritando?”
“Estúpida!”
“Não tente nos calar!”
“É uma armadilha!”
“Você vai perdê-los!”
“Grita agora!”

— Freya? — Ouviu a voz de Natasha, mas tentou ignorar e focar em entender o que as vozes estavam querendo dizer. — Está tudo bem?
“É uma armadilha! Garota estupida!”
“Faça alguma coisa!”

— Freya, o que houve?
Sua respiração estava acelerada, a pulsação de seu coração enviava um calor quase insuportável para seus membros. Do canto do olho, através das lágrimas que atrapalhavam a sua visão pode vê-lo, Sawyer, se aproximando enquanto as vozes se dissipavam. Sua mão se esticou e empurrou as mechas grossas de seu cabelo para trás da orelha, se inclinando para sussurrar:
— Eles vão morrer.
— É uma armadilha! — Gritou se levantando, Natasha tinha uma expressão confusa, e Banner tinha preocupação evidente em sua face.
— Freya, o que está acontecendo?! — Natasha perguntou, sua voz soando mais alta e mais firme.
— Diga para eles voltar, diga ao Steve e Annie para voltarem, agora! É uma armadilha! — ainda estava gritando, Banner franziu o cenho. — Por favor! Eles vão morrer!
— Do que está falando? — Bruce perguntou.
— Só faça o que eu peço, por favor. Não temos tempo, faça isso agora! — Natasha mantinha a expressão confusa, mas mesmo assim ela fez, pegando seu comunicador.
— Rogers, retornem a sede agora. É uma armadilha. — ela fez uma pausa, ouvindo o que era dito no outro lado. — Não entrem, deem a volta e... Steve?
— O que aconteceu?! — Banner exclamou, sua voz falhando.
— A comunicação foi cortada.

☆☆★☆☆

— Fury! — Coleman chamou, tentando se esquivar da onda de agentes apressados para chegar ao diretor. — Fury! Preciso te dizer uma coisa...
— Doutor Stern, se for algo relacionado a sua tarefa, por favor, seja direto. Do contrário...
— É importante. O Capitão Rogers e a Annieve...
— Eu sei. — o moreno fez uma careta confusa. — É uma armadilha, eles estão por um fio. Nós sabemos, Freya nos disse...
— Freya? — sua voz soou como um sussurro.
— Você não é o único pressupor da morte por aqui, Stern. — falou por fim, passando por ele para poder liderar a missão de resgate.
O grito vindo do refeitório chamou sua atenção, era familiar e ao mesmo tempo terrível. Ele se apressou, andando por entre os agentes novamente até notar onde uma equipe de enfermeiros entraram.
Ele paralisou ao ver a cena. Boa parte do refeitório estava destruída, Banner e Natasha tentavam segurar a garota que insistia em gritar e tentar se soltar deles.
— Sedativo! — exigiu Banner a um dos enfermeiros.
— Não! — lágrimas quentes escorriam livremente pelo rosto de Freya.
A mesa ao lado deles moveu-se, contorcendo-se, fundindo-se em algo maior como... um personagem de vídeo game. O monstro metálico rastejou-se, quebrando a coleção de azulejos do piso até que uma de suas pesadas mãos ameaçou cair sobre Banner.
Stern foi rápido em criar um campo de força capaz de suportar o peso do monstro, que logo se desmanchou e tornou-se apenas socada amassada. Sem vida.
— Para... Por favor, para... — Freya falou entre dentes, chutando o ar e puxando seus braços para longe da agulha.
Ela conseguiu, para seu próprio alívio, chutar um dos enfermeiros na virilha, fazendo com que ele se curvasse, chamando a atenção de todos para que não percebessem quando uma forma transparente saiu do vidro, agarrando-o pela parte de trás de seu pescoço e o arremessando para longe.
Coleman se aproximou, pedindo para que os outros enfermeiros se afastassem.
— Não, não você... — agora a garota estava se encolhendo, horror estampado em seu rosto.
— Ei, ei... está tudo bem! — ele levantou as mãos em rendição. — Eu não vou machucar você.
— Eu sei quem é você, consigo ver a sua sombra... — ela rosnou com a voz baixa.
— Deixa ela. — pediu Coleman a Romanoff e Banner, que assentiram antes de aliviar seu aperto.
Freya moveu seus braços, abraçando o próprio corpo sem tirar os olhos de Cole. Estava assustada demais para desviar o olhar.
— Consegue ver ele? — pergunta Stern, apontando para si mesmo.
— Sim.
— Você sabe o que ele é?
— Insano. Deus da morte. Ele come almas.
“Corra sua idiota!”
“Ele vai machucar você!”
“Não deixe que ele nos pegue!”
“Corra!”
“Por favor!”
“Saía!”
“Estou com medo!”
“Grita agora!”

Quase que de imediato foi isso que ela fez, ambas as mãos ao lado da cabeça, apertando os olhos pela dor cortante em sua mente. Seu grito de repente era algo supersônico, fazendo com que Natasha e Banner recuasse. O ser transparente partiu-se em estilhaços, espalhando-se pelo chão.
— Por favor, elas estão me machucando. — implorou, levantando o olhar a Cole.
— Freya, suas vozes... o que elas são? — ele segurou-a pela mandíbula, mantendo-a focada nele. — Seu pai, Loki, ele te disse o que elas são?
— Almas. Ele disse que elas são almas. — respondeu, incomodada pela aperto em sua pele, o sangue escuro começando a escorrer pelo seu nariz novamente.
— Deus, eu espero que isso não pareça tão errado.
Coleman se inclinou, batendo seus lábios contra os de Freya com uma força desnecessária, uma vez que ela estava se movendo para afastar-se dele. Eventualmente ela cedeu, dando passagem a sua língua quando a mesma tocou seus lábios. Sentiu antojo por aquela nova sensação, a intrusão externa e o gosto da saliva que não era sua, mas ela jogou esse sentimento pela janela quando focou-se no que aquilo era. Não seu primeiro beijo que ela aceitou de boa vontade, mais do que isso.
Ela sentia algo sendo puxado de dentro dela, como se estivesse empurrando as paredes de seu esôfago até chegar em sua boca. Não era um vômito a caminho, era algo novo, pesado. Deslizando de dentro dela para ele.
Uma a uma, as vozes deixaram de atormentar sua cabeça, outras se silenciando por si só; se escondendo nos cantos escuros de sua mente onde o Deus da morte, devorador de almas, não poderia alcançar.


Continua...



Nota da autora: Esta é a Terra 313.
É possível que no futuro haverá mais Terras a serem exploradas.




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