German Girl

Última atualização: 22/11/2019

Prólogo


Meredith POV
21 de Março de 1932 (Segunda-feira), Munique-Alemanha.

A noite estava mais fria do que eu costumava me lembrar, permiti que meus olhos castanhos passeassem pelas ruas escuras da Alemanha, enquanto me encolhia dentro do meu casaco na tentativa falha de me proteger do sopro gelado que alcançava o meu corpo. Não seria hipócrita de disfarçar meu nervosismo afinal de contas estava ciente de que em breve nosso país estaria em guerra. Desde a grande depressão em 29 e os efeitos da primeira grande guerra, meu país não passava de uma chacota para o resto do mundo. Hitler estava ganhando aprovação do nosso povo enquanto contaminava o coração dos cidadãos com discursos preconceituosos e que pingavam ódio, só que de alguma forma poucas pessoas percebiam o que de fato estava acontecendo.
Desde muito nova sempre fui boa com fórmulas de química, então não demorou para que fosse considerada a cientista mais brilhante dentro do exército alemão, tal talento foi muito bem utilizado por mim e poderíamos ter seguido em frente com a guerra se os políticos não nos traíssem de maneira inescrupulosa.
Meu marido Edgar e eu nos conhecemos ainda no colégio quando tínhamos ambos quatorze anos e em menos de um ano engatamos num namoro muito bem aprovado por nossos pais – agora mortos por conta das inúmeras doenças que se espalhavam pelo país – após nossa formatura finalmente nos casamos, Ed se tornou comandante do exército e me levou consigo em sua longa jornada. Dentro do campo de batalha tínhamos uma visão ambiciosa e sede por vitória, éramos uma dupla insuperável e todos nos respeitavam, porém com a derrota e a culpa recaindo sobre as costas do povo Alemão, nossa visão de mundo foi obrigada a se alterar, era inegável o poder que os Estados Unidos tinha em mãos e no momento em que Howard Stark nos procurou com a proposta de nos aliarmos a ele e ao congresso americano, tive certeza de que era o fim para o meu povo. Minha mente valia ouro e Edgar estava disposta a pagar o preço para nos manter seguros, todavia antes de qualquer acordo ser selado, Hitler ressurgiu, o erro de meu marido estava de volta para nos atormentar e como se não bastasse, eu me via grávida e sem perspectivas em um país na beira de um colapso econômico. Era nossa obrigação fazer algo para acabar com um problema que nós criamos e a oferta de Howard entrou para um mar de esquecimento.
Hitler foi rejeitado pelo exército Austríaco e conheceu Edgar em uma das viagens de negócios do meu marido, enxergando potencial nele, imediatamente o recrutou para mensageiro, um cargo de coragem e honra, mas no fim da guerra não tínhamos mais notícias daquele homem.
Foi depois de um considerável tempo que ele retornou se esgueirando e manipulando cada um até chegar nos grandes nomes da Alemanha, nosso país se preocupava tanto com o capitalismo quanto com o socialismo e a utopia comunista, nossos olhos voltados para União Soviética, enquanto o rancor do tratado e da traição política nos envenenava. Como uma mulher que viu com seus próprios olhos estratégias políticas e de confronto, sabia reconhecer um bom estrategista quando via um, Hitler nos visitou, expôs suas ideias e naquela tarde, que tinha o propósito de ser apenas um café entre conhecidos que lutaram juntos um dia, meu marido e eu silenciosamente sabíamos que aquele homem poderia e faria da Alemanha a nação mais temida do mundo.
– Você nos deu o gás mostarda e eu melhor do que ninguém sei o potencial que aquilo tinha, por favor senhora seja complacente e colabore conosco. – Era o que me dizia sempre que nos encontrávamos.
– Vou explorar minhas possibilidades, essas coisas não surgem do dia para noite. – Eu desconversava todas as vezes.
Sabia que ele precisava de algo a mais, para o seu trunfo ser completo e eu tinha exatamente o que ele queria, mas jamais diria aquilo em voz alta.
Mesmo desesperançosos e passando dificuldades, Edgar e eu entramos em contato com todos os nossos amigos, exploramos todas as tentativas de deter Adolf, mas, no fundo, sabíamos que não seria o bastante.
Agindo nas sombras as chances dele descobrir o que planejamos ainda eram grandes, então me veio um último recurso: Se não poderíamos impedir a guerra, teríamos que encontrar um vencedor em potencial. O Partido Nacional se entregava a cada nova reunião, ao que Hitler impunha como o caminho para elevar a nação a um nível jamais pensado antes por outro líder, aquilo empolgava as pessoas, principalmente aqueles a beira da falência. Nos faltava alimentos, roupas e saúde. Os projetos científicos estavam estagnados e nosso exército era minúsculo e ineficiente. Hitler me queria pois sabia que eu poderia fazer acontecer, armas mais potentes, para homens que obedeceriam os comandos de Edgar a caminho da vitória, Paris era o troféu que ele desejava e sabia que a Itália colaboraria para trilhar esse caminho espinhento. Quando soubemos que Howard Stark havia falecido e deixado um herdeiro com o mesmo nome, decidimos que era hora de agir. Entramos em contato com nomes de peso dos Estados Unidos, pessoas capazes de vencer Hitler antes que ele se desse conta de quem o derrubou de seu império. Era um risco que colocava nossos nomes como principais alvos daquele homem, então assim que concluímos nosso plano, nos encaminhamos para a sede do partido, era a última reunião, decisões seriam tomadas naquela noite.
– O clima está diferente hoje. – Viviette Schneider comentou ao meu lado em seguida tragando seu cigarro.
– O que quer dizer?
– Nada, só tenho um pressentimento ruim. – Soprou a fumaça se livrando da bituca de cigarro e passou a massagear suas mãos tentando se aquecer.
Um alerta surgiu em minha cabeça naquele momento ciente de que Viviette era conhecida por ser uma grande sensitiva.
– Isso não parece bom.
– Porque não é. – Ela respondeu se virando a tempo de ver meu marido e alguns membros do partido se aproximando de nós.
Nossa conversa não seguiu nem sequer tive a chance de fazer mais perguntas, meu marido fez questão de nos tirar dali o mais rápido possível e por maior que fosse meu desejo de entender o que Schneider queria dizer com aquelas palavras, jamais imaginaria que descobriria aquilo de outra forma senão de sua própria boca. Todavia o que aconteceu enquanto retornamos para casa, foi o derrapar de nosso veículo pela úmida estrada e minhas últimas lembranças eram de ouvir alguém me perguntar se eu estava me sentindo bem e então tudo ficou escuro. Para sempre.


Capítulo 1

14 de Março de 1938 (Segunda-feira), Alemanha.

sentiu o líquido quente dançar em sua boca aquecendo todo seu corpo, enquanto seus olhos castanhos passeavam pelo jornal daquela manhã.
Em todo o país corria a notícia de que as tropas alemãs partiram para Áustria com o objetivo de anexá-la ao terceiro Reich, não era nenhum segredo para a população os planos de Hitler para eles, pelo contrário, a maior parte o apoiava cegamente, enquanto milhares de campos de concentração já estavam ativos, obrigando as pessoas a trabalharem como escravas, isso sem contar os guetos onde Judeus viviam em condições desumanas, vigiados dia e noite por oficiais do exército alemão.
Do outro lado, haviam os brilhantes cientistas muito a frente de seu tempo, que usavam cobaias em boa parte judias e negras para experimentos, como uma recriação bizarra de o médico e o monstro*. Para a ruiva era mais do que nítido que Adolf se aproveitava da crise e humilhação que o povo estava passando desde a primeira guerra mundial e o maldito Tratado de Versalhes que os culpavam injustamente pelo caos da guerra, – ao qual ele mesmo havia lutado – para poder implantar seus preceitos abomináveis.
Conhecia aquele homem melhor do que boa parte dos tolos que o escutavam atentamente, enquanto ele conduzia o país mais uma vez para outra derrota vergonhosa.
era filha de Edgar , coronel do exército Alemão durante a primeira guerra e o responsável por recrutar Hitler, após o mesmo ser rejeitado pelo exército Austríaco – certamente aquele seria seu maior arrependimento.
Edgar e sua esposa Meredith sofreram um acidente de carro quando dirigiam de volta para casa, após a reunião com os membros do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, em Munique. Os jornais especulavam um possível atentado contra a vida dos pais da herdeira, mas nada foi comprovado e se limitaram a dizer que o inverno era o maior inimigo daquela família.
era uma das primeiras mutantes, apresentada com o gene X, sua família escondia esse segredo desde seus sete anos de idade, Edgar preocupado com o estado de sua filha, a fez passar pelo processo da Lobotomia, usando os conhecimentos de Arnim Zola para auxiliar toda a cirurgia e reorganizar a mente de sua menina.
Depois daquele dia, foram necessários treinos para a mesma se adaptar aos seus poderes, e aprender quando deveria usá-los e contra quem.
Em sua mente já não existia mais os acontecimentos que levaram ela a se tornar uma mutante, tinha para si apenas que precisava controlar suas habilidades da melhor forma possível.
Quando seus pais faleceram, a mulher precisou se esforçar para que não sucumbisse a dor e machucasse inocentes, enquanto reorganizava sua nova e solitária vida. O advogado da família a enviou para a Universidade de Heidelberg, para que estudasse Filosofia, formando-se com louvor em 1936, assim que retornou a mulher recebeu uma pequena quantia de herança, já que graças a crise seus pais haviam perdido boa parte de seus bens. Após receber uma singela carta de agradecimento e demissão do advogado, teve certeza que estava parcialmente sozinha em meio a uma futura guerra, e que sua única vantagem era ser puramente ariana.
Sem muitas opções, não demorou para que se rendesse ao lado obscuro da Alemanha e começasse a ganhar a vida como uma golpista.
era bonita demais para passar despercebida na multidão e essa era a sua melhor arma para enganar os homens que cruzavam o seu caminho, com uma força aprimorada e vivendo isolada em uma das saídas de Munique, ela aprendeu a lutar sozinha, treinando de madrugada e participando disfarçada em clubes de lutas clandestinas, sua segunda fonte de renda e sua melhor forma de se proteger de um engraçadinho que quisesse se aproveitar de uma dama indefesa. Era uma sobrevivente do colapso alemão e jamais se esqueceria disso.
Enquanto colocava sua xícara de café vazia sobre o pires, se levantou livrando-se do jornal pelo caminho e parou de frente para a mulher do caixa que mascava um chiclete entediada, deixou as notas ameaçadas no balcão e agradeceu saindo da cafeteria de encontro com as ruas movimentadas de Munique. Ajeitou seu chapéu olhando ao redor e passou a caminhar despreocupada, com sua coluna ereta para manter sua compostura habitual, desviando de alguns comerciantes que conversavam com seus clientes com bastante empolgação enquanto militares se espalhavam para todos os lados. Cinco quadras depois de ter saído da cafeteria, a mulher adentrou a boutique Schneider, ouvindo o tilintar do sino na porta.
A boutique tinha uma enorme vitrine de vidro, que revelava a elegância do lado de dentro, com alguns manequins usando roupas clássicas da época e um segurança armado, enquanto um porteiro usando um terno permanecia parado a porta com um sorriso bonito nos lábios, uma tentativa comum de atrair clientes. Na recepção uma mulher morena de olhos cor de avelã usava seu uniforme lilás e encarou já bastante acostumada em vê-la por ali.
– Bom dia, Sperb. – Cumprimentou a recepcionista assim que parou de frente para o balcão onde ela analisava uma pasta de tecidos. – Eu gostaria de falar com a senhorita Viviette Schneider, por favor.
– Bom dia, . – A morena devolveu o cumprimento saindo de trás do balcão, não sem antes fechar a pastas e anexá-la a outras na estante atrás de si. – Só um momento.
aguardou no mesmo lugar enquanto seus olhos passeavam pelos clientes do lugar que murmuravam seus desejos às vendedoras que tentavam de todas as formas agradar os gostos peculiares da classe alta alemã.
Não demorou muito para que a recepcionista voltasse acompanhada de uma mulher extremamente alta e magra, com um ar maternal que agradava muito , aparentando ter uns 40 anos, tinha olhos castanhos e cabelos pretos cacheados. Seus traços finos, eram uma herança de sua mãe, uma famosa atriz alemã que havia falecido muito antes da primeira guerra. Viviette era herdeira da rede de butiques dos Schneider, todavia sua maior fonte de lucro não era vender roupas caras para a burguesia.
– Fico feliz em rever minha cliente favorita. – Schneider comemorou, cumprimentando com dois beijinhos na ruiva. – Soube que Berlim anda um caos.
– Não está muito melhor do que Munique. – sorriu amarelo para mulher.
– Venha comigo, conversaremos melhor no meu escritório. – Sinalizou para que ela a seguisse. – Ouvi boatos de que Schmidt estava te procurando. – Contou em um tom mais baixo para que aquilo ficasse entre elas.
– Jöhann? – questionou surpresa.
Faziam pelo menos dois anos que o homem não a procurava, desde que ele havia começado sua chacina particular em busca da aprovação de Hitler e a tão esperada fundação da Hidra.
– Bom creio que seja esse o nome do seu marido. – Viviette confirmou destrancando a enorme porta de madeira com uma chave, revelando o escritório moderno e espaçoso. As paredes eram todas cobertas por obras de arte, e vários sofás e cadeiras espalhados pelo cômodo.
– Não sei se devo chamar ele assim. – comentou, indo em direção a escrivaninha vendo sua chefe se sentar na enorme cadeira de estofado marrom, enquanto ela se sentava em uma das duas cadeiras que ficavam de frente para a mesma.
– Bom ele ainda te chama de esposa. – Schneider garantiu. – Antes de começarmos gostaria de tomar um drinque? – Ofereceu, se virando para o armário atrás de sua cadeira onde ela guardava uma garrafa de conhaque e retirou com ela dois copos de vidro, nada convencional para uma dama, porém elas não se importavam com aquilo.
– Eu adoraria. – respondeu vendo o líquido escuro em seu copo. – Obrigada.
– Creio que saiba que Rachel foi pega. – Viviette soltou a informação assim que guardou sua garrafa no lugar de antes.
– Uma pena. – Lamentou a ruiva, sem muita emoção, afinal não conhecia a indivídua muito bem.
– Ela me causava mais dores de cabeça do que lucros. – A mulher deu de ombros bebendo mais um gole de seu conhaque.
– Imagino que eu fui convocada para limpar a bagunça dela. – entregou sua aposta sem imaginar outra razão para precisarem dela naquela semana.
– Na verdade já tenho alguém cuidando disso. – Viviette negou prontamente. – Tenho outros planos para você.
– Que seriam?
– Algo simples e fácil de realizar minha cara. – Schneider apoiou sua coluna no encosto da cadeira relaxadamente. – Creio que soube do leilão de obras de Van Gogh na Itália.
– Sim, muito se falou sobre o quadro da Vinha Encarnada, o que tem o leilão? – questionou prestando bastante atenção, enquanto bebia mais alguns goles do conhaque.
– Esse quadro é muito importante para um cliente meu, que não pode comparecer ao leilão, e como é de conhecimento geral o quadro chegou em Dresden há alguns dias, uma de nossas clientes Gabrielle Müller é a nova proprietária do quadro, um mimo de um de seus admiradores. Porém a senhora Müller viajará para Hamburgo, em comemoração ao aniversário de sua afilhada. Os empregados tiram folgas no final de semana, e não haverá ninguém no local, apenas uma patrulha particular de três em três horas. – Viviette fez uma pausa se aproximando da mesa. – Por não ser um quadro fácil de retirar do lugar sem levantar suspeitas, você vai contar com a ajuda de David Rech.
David Rech costumava perambular pelas ruas com o título de motorista particular da senhora Schneider, mas sua principal função era auxiliar, suas garotas em situações complicadas para que elas não fossem pegas, além de um excelente piloto de fuga, escapou de servir ao exército por muito pouco. O homem era forte e bastante alto se enquadrando no perfeito padrão loiro de olhos azuis, o que passava uma excelente aparência para se disfarçar e improvisar– Quando devemos partir para Dresden? – fez a pergunta atentamente para que pudesse anotar os detalhes quando chegasse em casa.
– Vocês partirão na quinta-feira. – Informou Viviette notando que a mulher não tirou seu habitual diário de bolso, imaginando que ela havia se esquecido, alcançou sua agenda fazendo as anotações necessárias. – David aparecerá na casa às 20h para buscar um cheque que a senhora Müller vai ter deixado para ele, das malas que comprou para a viagem, então creio que vai precisar falsificar o cheque do banco local, ele vai entrar para pegar o cheque os dando tempo para colocar o quadro no seu carro pela porta dos fundos, embaixo do banco traseiro falso, isso vai te fazer passar tranquilamente pela revista e vocês trocaram de carros por precaução, vão cada um vai dirigir por cinco horas ate chegarem de volta a Munique. – Schneider explicou terminando sua anotação.
– Quanto eu ganho por isso? – questionou optando em falar por último acerca da segurança da casa.
– 15 mil reichsmark. – A morena respondeu, dobrando o papel que antes fazia parte da sua agenda com delicadeza, entregando-o a mulher à sua frente que pensava sobre o assunto com cuidado, algo que agradava muito sua chefe. – O pagamento vai funcionar da forma de sempre, contra entrega.
– E as questões de segurança?
– No decorrer da semana vou enviar para você a senha do alarme. – Garantiu, deixando claro que haviam terminado.
– Vai aparecer no Royal está noite? – perguntou, se levantando de sua cadeira.
– Vai se apresentar no início da semana? – A morena arqueou a sobrancelha curiosa pela resposta.
– Bom, temos muito o que comemorar, a Alemanha está se reerguendo. – Seu tom de escarnio não foi disfarçado e Viviette apreciou aquilo, ambas eram contra as medidas nazistas que vinham sendo implantadas.
– Conte comigo. – Schneider disse com um pequeno sorriso em seu rosto maternal.
– É recíproco. – respondeu se referindo ao trabalho que a mulher lhe ofereceu e saiu da sala.

• O Médico e o Monstro é um dos maiores clássicos do terror psicológico, marcado pelo cientificismo da época vitoriana.


Capítulo 2

16 de Março de 1938 (Quarta-feira), Munique-Alemanha.

Os dedos magros e longos de acariciavam as teclas brancas e pretas do piano que estava exposto no grande salão do hotel Royal, essa seria sua segunda apresentação naquela semana. Em seu corpo, um vestido longo preto, valorizava cada centímetro de seu corpo, enquanto seu cabelo ruivo estava preso em uma trança embutida, os olho dos oficiais do exército alemão não desgrudavam de sua figura pálida enquanto poderiam reconhecer as notas de Lili Marleen preencher o lugar. O salão estava tomado de outras figuras ricas e importantes de seu país, causando um leve frio em sua barriga, mesmo não sendo fã de boa parte daquelas pessoas.
As cordas do grande piano preto à sua frente vibraram com a intensidade dos toques distribuídos por ela, com bastante destreza. Pelo canto do olho direito, ela podia enxergar a imagem de seu marido, Jöhann Schmidt, ele trajava seu uniforme do exército, e em seu braço exibia com orgulho o brasão da Hidra, enquanto aguardava pacientemente a apresentação de sua esposa terminar para que conversassem em particular. Os dois haviam se casado enquanto ainda estava na faculdade, no início da relação eles estavam se dando muito bem, mas sua obsessão pelo nazismo afastou-os, fazendo com que ele embarcasse em uma aventura mitológica que para a mulher parecia com algo totalmente sem fundamentos.
A voz da ruiva passou a dar vida a uma das canções que se tornaria a mais famosa durante a guerra.

1. Vor der Kaserne
Vor dem großen Tor
Stand eine Laterne
Und steht sie noch davor
So woll'n wir uns da wieder seh'n
Bei der Laterne wollen wir steh'n
|: Wie einst Lili Marleen. :|
(Em frente ao quartel
Diante do portão
Havia um poste com um lampião
E se ele ainda estiver lá
Lá desejamos nos reencontrar
Queremos junto ao lampião ficar
Como outrora, Lili Marlene.)


Os olhos de se fecharam enquanto ela dedilhava o piano sentindo o gosto de despedida, afinal aquela seria sua última apresentação no hotel Royal e provavelmente sua última noite em Munique.

2. Unsere beide Schatten
Sah'n wie einer aus
Daß wir so lieb uns hatten
Das sah man gleich daraus
Und alle Leute soll'n es seh'n
Wenn wir bei der Laterne steh'n
|: Wie einst Lili Marleen. ;|
(Nossas duas sombras
Pareciam uma só
Tínhamos tanto amor
Que todos logo percebiam
E toda a gente ficava a contemplar
Quando estávamos junto ao lampião
Como outrora, Lili Marlene.)


Sua voz era forte e marcante enquanto sua coluna arqueava alguns centímetros para frente à medida em que ela tocava a melodia através do piano. Alguns dos espectadores arriscavam cantar baixinho a canção, sempre buscando não atrapalhar a performance da mulher, que ainda estava concentrada no que fazia.

3. Schon rief der Posten,
Sie blasen Zapfenstreich
Das kann drei Tage kosten
Kam'rad, ich komm sogleich
Da sagten wir auf Wiedersehen
Wie gerne wollt ich mit dir geh'n
|: Mit dir Lili Marleen. :|
(Gritou o sentinela
Que soaram o toque de recolher
Um atraso pode te custar três dias
Companheiro, já estou indo
E então dissemos adeus
Como gostaria de ir contigo
Contigo, Lili Marlene)


Algumas mulheres derramavam tímidas lágrimas, enquanto se lembravam dos rumores de que aquela era uma carta de amor de um soldado da primeira guerra mundial, nada confirmado, todavia não deixava de soar bonito aos ouvidos de damas tão sensíveis.

4. Deine Schritte kennt sie,
Deinen zieren Gang
Alle Abend brennt sie,
Doch mich vergaß sie lang
Und sollte mir ein Leids gescheh'n
Wer wird bei der Laterne stehen
|: Mit dir Lili Marleen? :|
(O lampião conhece teus passos
Teu lindo caminhar
Todas as noites ele queima
Mas há tempos se esqueceu de mim
E, caso algo ruim me aconteça
Quem estará junto ao lampião
Com você, Lili Marlene?)


Com uma pequena pausa dramática, a ruiva continuou sua canção em um grito que transparecia toda a emoção necessária e fazia com que seus espectadores se arrepiassem, ao contemplar sua entrega naquele momento tão especial. não era uma cantora, aquilo era um hobby ao qual ela tinha se apegado de todo coração, ao considerar que sua vida não tinha muita diversão e ela não se orgulhava muito do caminho que escolheu para si. Como seu pai, ela acreditava que a música poderia mudar a vida das pessoas, e mesmo que não se tornasse uma cantora internacional, entreter um pequeno grupo de pessoas já lhe era mais que suficiente.

5. Aus dem stillen Raume,
Aus der Erde Grund
Hebt mich wie im Traume
Dein verliebter Mund
Wenn sich die späten Nebel drehn
Werd' ich bei der Laterne steh'n
|: Wie einst Lili Marleen
(Do tranquilo céu
Das profundezas da terra
Me surge como em sonho
Teu rosto amado
Envolto na névoa da noite
Será que voltarei para nosso lampião
Como outrora, Lili Marlene.)


As últimas notas da música foram dedilhadas enquanto os olhos castanhos de eram lentamente abertos encarando seu público a aplaudia com bastante animação, após um breve agradecimento, ela deixou o local, indo em direção ao seu marido que lhe estendeu o braço para que saíssem do hotel.
– Você estava ótima. – Jöhann elogiou examinando a expressão no rosto de sua esposa.
– Obrigada. – A mulher se limitou em agradecer enquanto via um carro esperando por eles.
– Estou te procurando há quase um mês. – Ele informou enquanto o motorista abria a porta para que ela entrasse.
– Eu andei ocupada. – Deu um fraco sorriso enquanto seu marido se sentava ao seu lado.
– Seduzindo homens ricos e dando golpes em viúvas? – Perguntou com um tom de deboche que a incomodou apesar de sua postura não revelar muito.
– Esse é o meu trabalho. – Se defendeu sem realmente estar ofendida com as palavras dele, conhecia bem o gênio de seu marido.
– Tenho um novo trabalho para você. – Cantarolou sem tirar seus olhos dela.
– Sabe que não estou interessada no que a Hidra vem fazendo pelas costas do exército alemão.
– Eu sei onde está o Tesseract, . – O homem sussurrou esperançoso. – Estamos obtendo avanços em nossas pesquisas e encontramos um homem que vai poder nos ajudar.
– Tesseract? O cubo da sala de tesouros de Odin? – o encarou com seu cenho franzido. – Está mesmo me dizendo que encontrou um cubo fictício de um livro infantil?
– Não se trata de um cubo fictício. – Jöhann se incomodou com o tom sóbrio e contido que ela usava ao desdenhar de suas informações como se ele fosse uma criança falando asneiras. – Estou falando de uma revolução, armas muito mais poderosas do que as que Howard Stark poderia fabricar, algo que mudaria o rumo dessa guerra.
– Ainda não estamos em guerra, meu bem. – lembrou aquele mísero detalhe.
– E quanto tempo você acha que vai levar até a Inglaterra e a França se renderem? – O homem arqueou a sobrancelha em um claro desafio.
apenas o encarou, sua língua passou por seus lábios, enquanto pensava sobre o assunto, sabia que seu marido estava certo, porém não queria se envolver naquilo.
– Quem é o homem que você disse que poderia ajudar? – A ruiva perguntou depois de um tempo em silêncio.
– O nome dele é Abraham Erskine, ele é um bioquímico e físico alemão que passou grande parte de sua vida estudando a espécie humana. Durante este tempo ele desenvolveu um programa de dieta e exercício, acompanhado de um soro e raios vita, que pode transformar uma pessoa comum em um supersoldado. – Schmidt contou sem esconder sua animação, o que arrancou o primeiro sorriso verdadeiro de sua esposa naquela noite.
– Parece promissor.
– Será quando fizermos os testes necessários e claro, formos buscar o Tesseract. – Jöhann concluiu vendo o motorista estacionar em frente a uma das bases da Hidra em Munique.
– Ainda não está com o cubo? – se surpreendeu com aquele fato enquanto via o homem lhe estender a mão para que ela saísse do carro.
– Andei ocupado, de qualquer forma, ele está sendo bem vigiado. – Garantiu com tranquilidade enquanto eles tinham sua entrada liberada por um dos soldados. – O que me diz? – Schmidt entrou no elevador que os levaria até o laboratório de Arnim Zola, enquanto estudava cada traço do rosto de sua esposa.
– Tenho um trabalho para concluir. – contou retribuindo o olhar de seu marido, com serenidade.
– Então, conclua e volte para mim. – Seu pedido tinha mais profundidade do que ele deixaria transparecer e se limitou em concordar com a cabeça.
Bem no fundo ela já sabia que teria que se juntar a Hidra no que quer que fosse os planos, o país entraria em um grande caos futuramente e ninguém teria muitas escolhas, era se render ou lutar.
As portas do elevador se abriram revelando as paredes cinzas e bem iluminadas do laboratório bastante movimentado.
– Você chegaram! – Zola exclamou animado em rever a herdeira de seus amigos de guerra, a mulher se parecia muito com o pai, mas era possível enxergar alguns traços da mãe, principalmente em sua personalidade.
– Erskine? – Jöhann chamou pelo cientista que trajava um jaleco branco e fazia algumas anotações.
O homem levantou sua cabeça encarando seu chefe, sua expressão não era nada boa, porém ele tentou disfarçar, saindo de onde estava para se aproximar do trio, enquanto via a ruiva, abraçar Arnim carinhosamente e depois se virar para ele.
– Quero que conheça minha esposa. – Schmidt disse enquanto sua mão se apoiava nas costas da mulher. – .
– Filha de Meredith ? – O cientista perguntou curioso.
– Conheceu minha mãe? – não estava exatamente surpresa e sim nostálgica, há anos ninguém tocava no nome de seus pais com tanto respeito e admiração.
– Ela era uma química excelente e seu pai foi um grande estrategista. – Abraham disse com os olhos brilhando em deslumbre.
– Ouvi isso bastante na faculdade. – Ela sorriu amigável. – É um prazer conhecê-lo, doutor. – estendeu sua mão e ele a cumprimentou.
– O prazer é meu. – O semblante dele era um pouco melhor do que o momento em que chegaram e ela se sentiu bem com aquilo.
– Estava contando para a senhorita sobre o seu projeto com o raio vita. – Schmidt comentou assim que o homem soltou a mão de sua esposa.
– E qual a sua opinião? – O doutor perguntou sem tirar os olho dela.
– Parece fantástico, sou melhor criando combinações químicas para armas do que soros. Todavia estou disposta a ajudar no que for preciso. – disse de forma agradável.
Algo que poucas pessoas sabiam era que seus pais lhe ensinaram tudo o que aprenderam com a primeira guerra, fazendo dela uma aliada importante, desconfiava que esse era o único motivo para Schmidt querer se casar com ela, e deseja-la dentro da Hidra. Claro que o fato de ser a única mutante que eles conheciam também era um grande atributo.
Depois da afirmação da mulher, Zola a arrastou para a mesa do doutor para que ela desse uma olhada no projeto supersoldado vendo que Jöhann serviria como cobaia. Eles ficaram pelo menos umas cinco horas refazendo cálculos e revisando a montagem da cápsula que seria usada para a aplicação do experimento, aquilo revolucionaria o campo científico e alavancaria ainda mais a Alemanha na guerra, mas a sensação de que o que ela estava fazendo não era certo ainda brincava em algum lugar da sua mente, impedindo-a de entregar o seu melhor naquele projeto. Apesar de seus companheiros nem se darem conta daquele detalhe.


Capítulo 3

17 de Março de 1938 (Quinta-feira), Dresden-Alemanha.
Alarick Hoffmann era o principal gerente do Banco Central Alemão, na cidade ostentava com orgulho sua conquista profissional. Com uma incrível capacidade de avaliar seus clientes, ele tinha todas as ferramentas para prosperar e a chegada da guerra lhe trazia muitas oportunidades no ramo. Mesmo com todo o sucesso ele ainda se permitia desenvolver o papel de caixa, pelo prazer de entrar em contato com outros seres humanos e desvendar suas necessidades, – e quem sabe não conseguir o telefone de uma dama? – Hoffmann era um homem de aproximadamente 40 anos, de cabelos castanhos e olhos verdes, extremamente pálido e com um porte físico consideravelmente forte, ele poderia conseguir ser atraente se quisesse. Sua barba estava por fazer enquanto usava um terno surrado de cor grafite e seu semblante animado agradava seus clientes que saiam do banco satisfeitos com seu atendimento.
Se sentiu agraciado pelos deuses quando viu entrar pela grande porta giratória do banco uma mulher de cabelos loiros quase brancos e enormes olhos castanhos, ela usava um vestido verde musgo, saltos pretos e grossos e um chapéu delicado em sua cabeça da mesma cor do seu vestido. Seus olhos demonstravam sua confusão e desespero por ajuda, enquanto encarava os 10 guichês de caixa do banco, notando metade deles ocupados. Quando aqueles olhos negros pousaram na figura do homem, ele sorriu a encorajando a se aproximar e notou como ela teve que conter um suspiro de alívio e caminhar com uma leveza que causaria inveja nas modelos americanas.
– Boa tarde. – O homem disse com a voz rouca, assim que notou a proximidade dela. – Em que posso ajudá-la?
Inclinando no guichê do caixa por não se sentir alta o suficiente, ele não pode deixar de notar o discreto decote da mulher.
– Boa tarde! – Ela o cumprimentou um pouco afobada, revelando uma respiração descompensada. – Receio estar com um enorme problema. – Seu sotaque evidenciava que a mulher não era alemã, possivelmente italiana pela forma como arrastou a palavra “enorme” e parecia ter dificuldades em se comunicar rápido.
Ela respirou fundo fazendo seus peitos subirem e descerem forçando o homem a disfarçar seu olhar interessado naquela região do corpo dela.
– É para isso que eu estou aqui. – Informou de forma prestativa e tranquila, tentando acalmá-la. – Para resolver problemas.
– Creio que fiz algo terrível. – A loira murmurou decepcionada consigo mesma.
O sorriso de Hoffmann era acolhedor, enquanto encarava os belos olhos castanhos daquela mulher.
– Alguém tão adorável não seria capaz de fazer nada terrível. – Negou como um cavalheiro que ele realmente era. – Me conte o que tanto lhe preocupa e resolveremos isso.
– Sim eu fiz algo terrível. – Reafirmou em puro pânico. – Sou a secretária pessoal de Gabrielle Müller, ela solicitou um novo talão de cheques na semana retrasada, já que na semana passada foi o leilão em Milão e eu simplesmente esqueci. Agora ela viajou e a empresa responsável pelas malas dela vai precisar receber o dinheiro e eu não sei o que ela fará comigo quando eles contarem que eu não tinha um talão de cheques em mãos para atender essa demanda importante.
O desabafo da mulher era carregado de receio e desespero.
Alarick conhecia a senhora Müller muito bem, era uma das viúvas mais cobiçadas da Alemanha, ele mesmo já havia tentado investir naquela mulher, porém ela era do tipo difícil de agradar. Se lembrava de ter visto no jornal a notícia de que um admirador a presenteou com uma obra de arte importante e sabia que ela não estaria na cidade naquele fim de semana por ser aniversário de sua afilhada.
Esse era o tipo de notícia que saía no jornal, já que a imprensa precisava mascarar as atrocidades causadas pela guerra, que estava prestes a estourar.
– Isso não é tão sério quanto parece, senhorita...
– Bianco. – Respondeu prontamente. – Giovanna Bianco. – Se apresentou deixando evidente que era realmente uma genuína italiana.
– Pedirei um novo talão de cheques e em dois ou três dias poderá buscar aqui comigo. – O homem informou efusivo e ouviu um gemido frustrado de sua interlocutora.
– Oh, mas seria tarde demais. – Choramingou chateada com a resposta que recebeu. – Receio que eles viram buscar o cheque ainda hoje e não sei o que será de mim se não tiver como pagar pelos serviços prestados.
– Infelizmente eu não poderei acelerar o processo, senhorita Bianco. – Lamentou com falsa piedade vendo o biquinho frustrado da mulher, ressaltando seu batom cor-de-rosa.
Por um segundo imaginou o que aquela boca poderia fazer por ele.
– Posso pagar pelo adiantamento com meu salário. – Giovanna garantiu na tentativa de mudar a cabeça dele.
– Isso pode até mesmo colocar meu emprego em risco, não posso fazer algo assim. – Negou novamente.
– Por favor, eu faria o que o senhor pedisse…
Aquelas palavras iluminaram o rosto de Alarick Hoffmann, que pareceu gostar bastante do rumo que aquela conversa estava tomando, enquanto sua mente brincava consigo, sobre todas as possibilidades que lhe eram ofertadas, se aquela bela mulher fizesse o que ele pedisse.
– Farei o possível para que lhe seja entregue ainda hoje. – Suspirou após pensar sobre o que estava fazendo. – Retorne no fim da tarde, umas quatro ou cinco horas e procure por mim.
O sorriso de Bianco era realmente lindo o que agradou bastante o homem à sua frente.
– Você é o meu herói! – Ela exclamou com sua voz aveludada se segurando para não pular no pescoço dele e o encher de beijos. – Então até mais tarde.
– Esperarei pela senhorita. – Alarick piscou para ela, enquanto a mesma acenava para ele se encaminhando para a saída do banco.
(...)

estava sentada em uma cadeira de madeira enquanto bebericava seu chocolate quente e encarava a parede amarela de seu quarto de hotel. Havia feito a reserva em um local simples e discreto, já que não passaria mais do que a noite de quinta-feira por ali.
Seus pensamentos vagueavam pelas poucas horas que passou na cama de seu marido, relembrando os velhos tempos. Conhecia o passado obscuro de Jöhann, a morte de seus sogros e a longa fase dele como um morador de rua. Também conhecia a história do homem que o tirou das ruas e de como ele se apaixonou pela filha desse homem e tentou estuprá-la, cada detalhe desde o primeiro tapa até a morte por espancamento da jovem que seu marido assassinou friamente, tudo isso era de seu conhecimento e mesmo ele ostentando seu passado com orgulho, os dois engataram em uma relação livre de julgamentos da parte dela. Muitas pessoas questionavam como uma dama como ela, aceitou se envolver com um homem como ele. Até mesmo o líder de seu país tinha medo de Jöhann, e imaginavam que somente o medo poderia justificar o relacionamento que eles mantinham há quase cinco anos.
A verdade é que ela conheceu uma versão um pouco mais calma e romântica dele e sabia que por ele ter pleno conhecimento dos poderes dela, jamais ergueria um dedo para tocá-la sem consentimento. No meio da tirania de seu companheiro, ela havia criado uma certa compaixão, não conseguia explicar perfeitamente o porquê e nem se existia uma reciprocidade, porém não se sentia capaz de se separar dele naquela época.
Sua mente repassava caleidoscopicamente* cada detalhe a respeito do projeto supersoldado e todas as variáveis que cercavam aquela ideia insana, sabia que o doutor estava junto à Hidra por força maior e não vontade própria e aquilo a incomodava. Zola fazia parte do esquema por falta de escrúpulos quando o assunto envolvia a ciência e o domínio, já aquele homem era muito diferente. sempre se limitou em cuidar da sua própria vida, nunca se intrometia nos assuntos de outras pessoas, pois não gostava de tomar partido, sempre ponderava os dois lados, mas a cada ano percebia que sua nação vivia em pobreza de empatia, um de seus maiores poderes e isso a incomodava.
Seus olhos castanhos passearam pelos fios de sua peruca loira que estava espalhada pela cama de forma desengonçada, enquanto sua mala estava aberta com tudo o que ela precisaria usar na noite seguinte.
Sua cabeça martelava a necessidade de fazer uma escolha definitiva com relação a tudo o que estava vivendo, afinal em breve ela viveria no meio da guerra, pessoas precisariam de ajuda, algo que definitivamente seus poderes ofereciam mais que qualquer soldado de um exército. Em contrapartida sentia necessidade de conhecer o amor, não queria morrer presa a um homem sem coração, que só a queria por seus dons e não pelo que ela realmente era.
Pela primeira vez em anos, a singela aliança de ouro pesou em seu dedo e a ruiva sentiu uma enorme vontade de arrancá-la fora e jogá-la no lixo.
Se levantou vagarosamente indo para o banheiro notando que a banheira já estava cheia e entrou na mesma se permitindo relaxar enquanto sua pele se deliciava na água quente.
Não se sentia confortável construindo armas para o governo alemão ao lado de Arnim e tinha noção de que o plano de seu marido era utilizar da força do Tesseract para exterminar as tropas inimigas que ousassem cruzar seu caminho.
Mesmo com todo o poder da Alemanha ela ainda não acreditava que eles venceriam uma guerra. Eram um conjunto de mentes desequilibradas trabalhando juntas e desde cedo sua mãe lhe dizia que racionalidade era o essencial para triunfar. Todavia quantas pessoas morreriam até que alguém fizesse algo?!
Sem se reprimir, ela desejou conhecer Howard Stark e descobrir como ele pensava naquele momento, já que se os Estados Unidos entrasse na guerra, com toda certeza ele seria a engrenagem que levaria os americanos à vitória.
não viu o tempo passar, apenas quando seu relógio de bolso mostrou que já eram três e 20 da tarde que a mulher se levantou completamente nua e se enrolou na toalha, saindo às pressas do banheiro e indo de encontro ao belo vestido azul-claro que separou para seu retorno ao banco.
(...)

Mexendo delicadamente em suas madeixas loiras, Giovanna Bianco adentrou ao banco às 16h em ponto, o local estava bem mais vazio que antes, e em silêncio ela agradecia por não ter que enfrentar nenhuma fila. Um lado mais travesso daquela mulher, sorria estonteante por pensar qual seria a reação de Viviette Schneider, quando descobrisse que o plano de falsificar um cheque para enganar os guardas era uma grande mentira e na verdade ela conseguiria um cheque legítimo no nome de sua vítima, e eles teriam tempo o suficiente para sacar uma farta quantia além do belo quadro de Van Gogh. Sua única falsificação seria a da assinatura de Gabrielle Müller, já que contava com o pensamento do banqueiro de que ela estava autorizada a assinar os cheques de sua chefe – uma doce mentira.
A senhora Bianco existia de fato e trabalharia para Müller nas próximas semanas, mas após uma rápida pesquisa, a mulher sabia que a assinatura de Giovanna estava liberada e que o atraso vinha de sua documentação para sair da Itália e viajar para a Alemanha.
Alarick Hoffmann abriu um enorme sorriso ao ver a mulher, cogitando a hipótese dela ter ficado muito mais bonita nas últimas horas que se passaram. Como da primeira vez, lá estava ela apoiando seus braços no balcão do guichê, com uma expressão apreensiva, sem saber ainda se teria uma resposta positiva de seu locutor.
– Quero deixar claro que isso não foi nada fácil, senhorita Bianco. – Alarick negou com a cabeça alcançando um talão de cheque e o empurrando delicadamente na direção da loira, que brilhava os olhos para o conjunto de papéis.
– Você é mesmo meu herói! – A voz afetada da mulher derreteria o coração que ela desejasse de tão doce que soava aos ouvidos.
– Apenas fiz o meu trabalho, senhorita. – Disse em falsa modéstia, vendo-a guardar o talão na bolsa.
– Fez mais que isso, me salvou de problemas no trabalho. – Giovanna suspirou.
– Temos que aproveitar a chance de ajudar, falta empatia nas pessoas. – Ele cantarolou humildemente ainda analisando a bela mulher. – Sabe, senhorita Bianco, caso já tenha sua cidadania alemã eu ficaria feliz que abrisse uma conta no nosso banco. – Fez a sugestão de forma acolhedora.
– Quem sabe outra hora? Quando estivermos com mais tempo. – Bianco não descartou a possibilidade. – Tenho alguns documentos para acertar antes, mas sei que cuidaria bem de mim, já está me provando isso.
– Quanto tempo isso levaria?
– Duas ou três semanas, com sorte. – Informou, já pensando em se retirar dali, não sem antes fazer um reconhecimento do local e podendo ver que uma senhora aguardava a atenção do homem à sua frente. – Eu te ligo quando tiver uma resposta concreta, muito obrigada pelo seu belo trabalho. – Sorriu se afastando dali sem dar a chance daquela conversa continuar.
Antes de sair do banco e longe do olhar curioso do gerente daquele banco, a mulher procurou um talão de depósito garantindo que o dinheiro iria para a conta fantasma de sua chefe, ela terminou a primeira fase do plano com louvor e sumiu pelas ruas de Dresden com um ar de satisfação a rodeando.

Calidoscópio é um aparelho óptico formado por um pequeno tubo de cartão ou de metal, com pequenos fragmentos de vidro colorido, que, através do reflexo da luz exterior em pequenos espelhos inclinados, apresentam, a cada movimento, combinações variadas e agradáveis de efeito visual. Caleidoscopicamente, é um modo de falar, não é uma palavra registrada. Mas refere-se a memórias que se passam em sequência em sua mente.


Capítulo 4

18 de Março de 1983 (Sexta-feira), Dresden-Alemanha.
havia destravado o modesto alarme da casa da senhora Müller.
Admirava decorações vitorianas, mesmo quando os usuários daquele estilo não admitiam abertamente, o que era bastante comum em seu país, já que repudiavam a Inglaterra e mesmo assim desejavam a classe dos ingleses. Já acostumada com aquele tipo de furto, se limitou apenas em encontrar o quadro que estava dentro do escritório e foi para lá que ela rumou rapidamente pronta para iniciar a parte mais importante de seu plano. Usando um macacão colado preto feito especialmente para ela por Jöhann, ostentando um símbolo da Hidra e delineando cada curva do seu corpo, usava uma peruca morena e luvas nas mãos para não deixar nenhuma digital, apenas por precaução, afinal, ela não sabia até onde o poder financeiro daquela senhora poderia ir, nem tão pouco o tecnológico.
Após encontrar o quadro, ela se permitiu admirar a pintura por alguns minutos deixando seus dedos deslizarem pela obra e em seguida a removeu da parede e embrulhou no enorme saco plástico preto que tinha trago consigo em uma bolsa de mão média. Foi quando o relógio marcou oito e 40 da noite, faltando 20 minutos para uma patrulha de segurança rondar o local, que ela escutou o sinal de David Rech. Recolheu tudo o que levava consigo e o quadro e desceu as escadas depressa alcançando a maçaneta da porta dos fundos, assim que se certificou que o loiro estaria do lado de fora.
– Soube que transferiu mil reichsmark para a conta de Viviette. – Foi a primeira coisa que o rapaz disse.
David usava um chapéu que escondia a cor do seu cabelo e uma prótese no nariz que mudava toda a estrutura de seu rosto, o colocando quase irreconhecível, além dos falsos óculos de grau de armação redonda.
– Sim e é o que diz nesse talão também, vai parecer que você trabalha para uma companhia que fornece bagagens, malas de mão personalizadas, entre outros. – explicou estendendo o papel para o homem. – Esse é o meu último trabalho, então porque não acrescentar um toque marcante?
– Então vai mesmo entrar para a Hidra? – David perguntou interessado enquanto a seguia pelo jardim, a fim de adentrar os arbustos que escondiam o carro dela.
– Todos sabíamos que mais cedo ou mais tarde, Jöhann me recrutaria. – Ela deu de ombros abrindo a porta e dando espaço para que o homem levantasse o banco falso para que a pintura fosse escondida em segurança.
– Vamos sentir sua falta. – Rech lamentou.
– Também sentirei a de vocês. – Garantiu sem querer pensar como seria sua vida em Berlim.
O casal de amigos terminou a segunda parte do plano de forma prática, enquanto se escondia dentro do carro na posição de piloto, David saáa da casa pela porta da frente como quem acabava de mexer na caixa de correios e imediatamente foi parado pela patrulha de segurança.
– Com licença. – O guarda se aproximou dele. – Posso saber o que fazia no quintal da senhora Müller?
– Boa noite. – David cumprimentou o homem, se afastando de seu carro a fim de demonstrar que colaboraria. – Meu nome é Tyler Williams, trabalho para a Bagagium Company e a senhora Müller solicitou nossos serviços recentemente, como sabe a afilhada dela está completando mais um ano de vida, então ela achou mais prático deixar o talão de cheque para nós no correio, do que se atrasar em sua viagem. – Rech estendeu o papel para o homem, onde a assinatura de Gabrielle se destacava. O homem sempre se surpreendia com a caligrafia de , era capaz de se igualar com a de qualquer chefe de estado pelo mundo inteiro.
– Isso não é do feitio da senhora Müller. – Um outro guarda negou com a cabeça.
– Quando nos falta tempo, temos que nos abrir para concessões, não acham? – O homem deu um sorriso enquanto mexia em seu chapéu.
– Posso saber o porquê de o senhor decidir vir buscar esse cheque a noite? – O primeiro guarda questionou desconfiado.
– Estou no fim do expediente, com os últimos acontecimentos no país, temos tido o trabalho redobrado para atender nossas demandas.
Os dois guardas pareciam pensar sobre o assunto, desde a posse do novo líder, a Alemanha voltava para o mercado internacional com o respeito que merecia, então era bem normal que alguns funcionários ficassem presos até mais tarde em seus trabalhos.
– Se importaria de aguardar enquanto revistamos a casa? – O segundo guarda perguntou e David apenas balançou a cabeça negando e então os três homens caminharam de volta para o quintal de Müller.
Virado de costas ele não se deu o trabalho de ver qual era a senha do alarme se limitando a aguardar no hall de entrada, seu pé direito batia contra o assoalho de forma despreocupada, enquanto ele assobiava uma antiga canção alemã que sua mãe cantava para ele antes de dormir. No fundo admirava a ideia de em conseguir uma cópia idêntica do quadro para colocar no lugar, se perguntava onde ela conseguia aquele tipo de coisa.
– Tudo certo.
Os dois guardas desceram as escadas e um deles estendeu o cheque de volta para David que o pegou e guardou no bolso em segurança.
– Poderia nos passar o seu telefone caso haja algo incomum? – O primeiro guarda perguntou estendendo um bloco e caneta.
– Claro. – Rech concordou e anotou com a mão destra, mesmo sendo canhoto apenas para a letra ficar irreconhecível. – Sabem me dizer se aquela é uma escultura de Michelangelo? – David perguntou fazendo os dois homens se virarem e aproveitou para tirar suas digitais da caneta, já que com a mão esquerda ele ainda tinha as luvas que o protegia do frio e o papel não foi contaminado.
– Não tenho ideia. – Um dos guardas disse e o outro concordou.
– Uma pena. – Sorriu entregando o bloco e a caneta. – Acho melhor eu ir.
– Muito obrigado por sua colaboração, senhor Williams. – O segundo guarda agradeceu enquanto eles reativavam o alarme e saiam da casa.
– Foi um prazer. – David sorriu indo em direção ao seu carro e se afastando boas quadras daquela casa, chegando ao ponto de encontro que o indicou.
(...)
Uma hora depois dos guardas irem embora conseguiu sair com seu carro da casa da senhora Müller, ao se encontrar com Rech ambos trocaram de carro e seguiram em direções opostas para evitar oficiais do exército pelo caminho de volta a Munique.


Capítulo 5

23 de Março de 1932 (Quarta-feira), Munique-Alemanha.(Passado)
Viviette suspirou de forma longa e que denunciava todo o seu cansaço, estava sentada no antigo escritório de seus pais ainda assimilando o que acabará de ler. Na mesa de madeira, além de um leque com desenhos desconexos, haviam papéis com diversas anotações arrancadas do antigo diário de Meredith . A mulher havia lhe repassado um bilhete antes de ser puxada por seu marido para entrarem no carro – em direção a morte que Hitler arquitetou a sangue frio na tentativa de ter em sua posse os projetos daquela família – nele estava o endereço de uma igreja no centro da cidade e coordenadas sobre uma cápsula do tempo, o que Schneider não imaginava era que encontraria um meio revolucionário de acabar com a guerra.
Podia não entender nada de ciência, mas conhecia sua amiga o bastante para saber que não lhe confiaria a informação se não pudesse fazer nada com aquilo e foi em meio aos papéis amassados que a foto de deslizou pela cápsula atingindo o chão, ela deveria ter menos que cinco anos de idade naquela imagem, porém naquele exato momento Lady V sabia para quem recorrer quando a segunda guerra mundial se tornasse uma verdade irrefutável.
21 de Março de 1938, Munique-Alemanha.(Presente)
Trajando uma saia social, blusa de botões branca e um terninho verde-escuro com um brasão da Hidra, estava dentro do escritório de Viviette Schneider.
– Então é verdade. – Lady V disse analisando o uniforme que sua velha amiga usava, com sua cabeça pendendo para o lado.
– Não tenho muitas escolhas.
– Se casou com um monstro, sabendo o que ele realmente era. – A mais velha pontuou retomando sua postura. – O colocou no bolso, ele comia na sua mão e a única pessoa que tirou esse poder de você foi o líder desse país ao querer iniciar uma segunda guerra bem maior que a primeira. Você é uma mutante, . – Ela colocou seu dedo indicador em riste. – Tem mais escolhas do que qualquer outra cidadã alemã atualmente, se está fazendo isso é porque quer alguma coisa, então me diga logo o que é.
Os olhos da mulher se prenderam em sua chefe, não esperava que ela fosse ser invasiva daquela maneira.
– Não tenho ideia. – Confessou de uma vez. – Tem um doutor com o plano de criar soldados poderosos, o tal Tesseract foi encontrado e poderia formar armas com uma potência incalculável.
– Então pretende ajudar nos planos do seu marido?
– Não, eu tenho escondido os desenhos da minha mãe durante anos, sabe o que pode acontecer se eles caírem em mãos erradas, não é?
– Sem você seria quase impossível a bomba atômica se tornar realidade, é a única que conhece as combinações necessárias. – Viviette se lembrava do dia em que revelou para os planos que seus pais tinham tanto para a primeira quanto para a segunda guerra.
– Não sei o que fazer, me sinto encurralada afinal a guerra vai acontecer e não existe nada que eu possa fazer para impedir.
Schneider bebeu seu copo de Uísque enquanto analisava as possibilidades, desde a crise de 29, muitas coisas mudaram. Conhecia cada detalhe da primeira guerra e se lembrava da família , aquela mulher na sua frente tinha a capacidade estratégica de seu pai e a inteligência química de sua mãe, o que lhe faltava eram recursos e oportunidade. Pensou nas atrocidades que Jöhann cometeu nos últimos anos e mesmo que sua amiga não notasse ela sabia que aquele casamento era movido pela necessidade que tinha de querer salvar pessoas que já eram um caso perdido. Se não podia ajudá-la então daria um norte, para que ela se livrasse daquele peso que era ser casada com um psicopata e quem sabe não encontrasse um novo lar para si?
– Sabe, querida, nos últimos meses treinei cada uma das minhas garotas para seduzir e matar soldados alemães. – Revelou Viviette sem se preocupar com o que poderia lhe acontecer, já que conhecia a lealdade da ruiva. – Esse plano já está em prática, porém é muito pouco, se quer saber o que deve fazer com o poder que está nas suas mãos, eu lhe direi: se infiltre na Hidra, aprenda como eles pensam, como agem e descubra seus planos e depois consiga um jeito eficaz para que os Estados Unidos se envolva.
– Como posso fazer isso? – perguntou inocentemente.
– Aperte onde dói, jogue sujo e, se precisar tirar algumas vidas, faça isso. – Viviette sorriu diabolicamente com a hipótese. – Pegue o doutor e fuja para os Estados Unidos, dê um jeito de encontrar Howard Stark e vença essa guerra, custe o que custar. – A incentivou se levantando e saindo de trás de sua escrivaninha ela ergueu o pagamento que havia prometido para a mulher. – Guarde para a sua fuga, vai conseguir trocar pela moeda americana, se entrar em contato com esse número. – Se virou anotando algo no papel de sua agenda e estendeu o mesmo para sua amiga. – Esse é o número de Gerard Hammond, ex-comandante do exército americano e agora trabalha no conselho do presidente.
– Não sei se consigo fazer isso. – passou a língua pelos lábios, uma mania que não tinha se dado conta que tinha.
– É a única que pode. – Viviette garantiu.
– E você como fica?
– Vou me virar. – A mulher gesticulou dando pouca importância para aquele detalhe.
– Porque não foge conosco para os Estados Unidos?
– Tenho outros planos para mim, não se preocupe vou ficar bem.
– Tem certeza disso? – Relutou mais um pouco.
– Ainda ouvirá falar de mim. – Viviette estava confiante daquilo.
As duas se despediram logo depois e seguiu para sua casa para se certificar de que a mudança estava concluída e já aguardando o carro que a levaria para Berlim.
(…)
25 de Outubro de 1939 (Quarta-feira), Berlim-Alemanha.
Diário da Guerra ano de 1938, principais acontecimentos:
29 de setembro: Adolf Hitler, Neville Chamberlain, Edouard Daladier e Benito Mussolini assinam o Acordo de Munique.
9 de novembro: As sinagogas e as lojas judaicas são destruídas pelas tropas nazistas no episódio conhecido como Noite dos Cristais.
23 de novembro: As Leis de Nuremberg são introduzidas na Cidade Livre de Danzi.
Diário da Guerra ano de 1939, principais acontecimentos:
23 de agosto: A Alemanha Nazista e a União Soviética assinam um pacto de não-agressão, o Pacto Ribbentrop-Molotov.
1 de setembro: A Alemanha Nazista invade a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial.
3 de setembro: A Grã-Bretanha e a França declaram guerra à Alemanha Nazista.
10 de setembro: O Canadá declara guerra à Alemanha Nazista.
14 de outubro: O encouraçado britânico HMS Royal Oak é afundado pelo submarino alemão U-47 nas Ilhas Orkney, Escócia.
encarava suas anotações do último ano que se passou, todos os dias ela tentava se lembrar do trato selado com Viviette em Munique. Muitas coisas mudaram, sua vida se resumia ao laboratório ou a treinar com seu marido, que persistiu na ideia de ser a cobaia do soro super soldado, o que fez com que com o tempo ela se aproximasse sorrateiramente de Abraham Erskine. Não foi tão difícil convencer ele de que deveriam sair do país na primeira oportunidade, mesmo sendo um plano quase suicida, a principal vantagem de estava em seus poderes mutantes que ela revelou para o homem há quase cinco meses.
A vida em Berlim não era tão ruim, se alimentava bem e usava as melhores roupas quando Jöhann optava por levá-la para dançar ou no cinema, mesmo assim constantemente se pegava sentindo falta de sua antiga vida aplicando golpes, disputando lutas por alguns trocados ou cantando no hotel Royal. Nada era simples para uma órfã em um país falido, se lembrava das vezes em que queimou dinheiro para se esquentar já que a madeira era mais valorizada que a moeda alemã. O maldito tratado os humilhou e colocou em estado deplorável, só que o que o líder nazista vinha fazendo com os judeus também lhe parecia injusto.
Em um de seus passeios pelo centro, ela finalmente viu um dos guetos de perto, seres humanos em situações de entristecer qualquer um que realmente tivesse um coração batendo no peito. Idosos, mulheres e crianças cometendo o ato do canibalismo para se alimentar, morrendo de doenças por não terem acesso ao atendimento médico e tendo seus bens confiscados. Para ela era incabível que alguém fosse julgado pelo que acreditava, afinal de contas, a culpa não era deles pelo que aconteceu ao resto do país. Mesmo com uma revolta crescente, a ruiva não demonstrava a compaixão que sentia, agia como um robô e aderia o grito de guerra da Hidra como se estivesse orgulhosa de tudo o que acontecia.
No seu íntimo, a certeza de que o amor que achava que sentia pelo seu companheiro era nada mais que a necessidade de ter alguém com quem se preocupar, já que era solitária em boa parte do seu tempo de vida. Schmidt sentia tesão e inveja de sua esposa, todavia nunca a amou como nunca havia feito com nenhum outro ser humano. Desistindo de lutar contra o inevitável a mulher aguardava a oportunidade certa para conseguir pôr seu plano em prática.


Capítulo 6

28 de Dezembro de 1939, Berlim-Alemanha.

Diário da Guerra ano de 1939, principais acontecimentos:
8 de novembro: Adolf Hitler escapa de um atentado a bomba na cervejaria Bürgerbräukeller, em Munique.
17 de dezembro: O couraçado alemão Admiral Graf Spee é afundado por sua tripulação, após deixar o porto de Montevidéu, no Uruguai.
– Seu marido está me pressionando.
O sussurro de Erskine no ouvido de era de pura apreensão, já estavam no final do ano e muito se falava sobre as festividades para o próximo ano. Como todos os dias ela ainda estava enfurnada no laboratório criando uma série de problemas para a cápsula na tentativa de atrasar o processo.
– Temos tempo. – Foi sua resposta tranquila como se nada de ruim pudesse acontecer a eles. – Perderam o Tesseract mais uma vez.
Ao dar uma boa notícia, o homem se encheu de esperanças e torceu para que não encontrassem o maldito cubo novamente.
– Quando partiremos?
– Se acha que vai se livrar de sua cobaia, sinto dizer mas vai ter que seguir com o plano A. – A ruiva informou entediada enquanto ainda desenhava algo em seu caderno, parecia uma bomba, porém só o esboço não ajudava a distinguir.
– Sabe que teremos problemas caso ele entre em contato com o soro.
– Já passou da hora de Jöhann lidar com o monstro que ele é, se foi um desejo dele, o problema também será somente dele.
Erskine suspirou, não concordava com aquilo, porém a convivência com mostrava que se ela não se importava mais, era com razão. Sua única chance de sobrevivência e de remediar o estrago da Hidra estava ao seu lado, desenhando despreocupada e se a cabeça que orquestrava a fuga deles, não se rendia a preocupações ele também não faria isso.
– O que você está desenhando? – Perguntou depois de um certo tempo.
– A arma que pode acabar de vez com a guerra.
– E como você montaria algo assim?
– Com a ajuda do Stark.
– Howard Stark? – O doutor parecia chocado com aquilo.
– E tem outro? – Ela franziu o cenho realmente cogitando a hipótese dele ter um irmão ou primo igualmente importante. – De qualquer forma, eu encontrei um jeito de chamar atenção do presidente dos Estados Unidos.
– Qual seria esse jeito?
– Calma, doutor, não teria graça se o senhor soubesse de tudo.
– É, mas eu não sei de nada.
– Pense que isso o mantém vivo. – A ruiva piscou para ele voltando a rabiscar em seu caderno.
(...)

24 de Junho de 1940 (Segunda-feira), Berlim-Alemanha.

Diário da Guerra ano de 1940, principais acontecimentos:
10 de maio: A ofensiva ocidental das tropas alemãs iniciam com a invasão dos países neutros Holanda, Bélgica e Luxemburgo.
11 de maio: O novo governo da Grã-Bretanha aprova o bombardeio de cidades alemãs.
14 de junho: Paris, a capital da França, é ocupada pelas tropas alemãs.
22 de junho: A França de Vichy assina o armistício com a Alemanha Nazista na cidade francesa de Compiègne.
bloqueou um soco de Jöhann e em seguida revidou chutando o peito de seu marido, o lançando há alguns metros de distância, naquela manhã não estava disposta a pegar leve com ele já que daqui há quatro meses ele teria o soro em suas veias, era importante que ele soubesse usar sua força de forma útil. O homem se levantou ofegante a olhando com certa irritação, mas ainda assim insistia em deixar a situação de igual para igual, então se colocando em posição de ataque, agora próximo a sua esposa, ele avançou para cima dela com força a deixando novamente com vantagem, em um movimento rápido segurou o braço dele e o puxou para que passasse por cima do seu corpo e fosse de encontro ao chão, ouvindo um gemido de dor do mesmo.
– Não é a força que te dá vantagem sobre o seu oponente, é usar sua mente ao seu favor. – repetiu a frase que sempre usava durante a série de treinos deles e parecia nunca entrar na cabeça do homem.
– Vai me dizer que ser uma mutante não deixa nossa luta desigual? – Ele questionou em desdém.
– Só a usei duas vezes nos últimos dois anos, tenha vergonha na sua cara. – disse calmamente enquanto estalava seu pescoço o que deu a Jöhann a chance de entrelaçar as pernas dela e a derrubar no chão.
– Veja bem o tom que usa comigo, . – Retrucou se sentando em cima da ruiva.
Mesmo tentando se soltar, o corpo de seu marido a prendia perfeitamente, a mantendo imobilizada e mesmo não usando toda a sua força e habilidade de batalha, ela poderia admitir que fez um bom trabalho ensinando o que sabia.
– Eu usarei o tom que bem entender, sou a responsável por cada golpe que sabe. – A prepotência escorria pelos lábios de , não combinando em nada com sua personalidade neutra e muitas vezes agradável.
– Não seja uma menina má. – Fez o pedido encarando os enormes olhos castanhos e desafiadores.
não respondeu, apenas movimentou seu quadril, alcançando a intimidade de seu marido e vendo que mesmo irritado ele também estava excitado com a situação. Pressionando os órgãos um no outro ela obteve a vantagem que queria ao notar seu marido se remexer em busca de contato e num piscar de olhos suas posições estavam invertidas enquanto ela segurava os pulsos dele com força acima de sua cabeça.
– Me solte. – Schmidt ordenava nervoso com a situação e se xingando mentalmente por ceder ao truque barato que já havia visto sua esposa aplicar milhares de vezes em outros homens.
Com os lábios rosados entreabertos, ela aproximou seu rosto do pescoço de seu marido distribuindo beijos no local, enquanto reaproximava a intimidade de ambos, num lento vai e vem. No primeiro chupão o homem prendeu sua respiração, no segundo ele se debatia tentando se soltar da imobilização, já no terceiro ele se rendeu a ela apenas apreciando o momento e quando as coisas começaram a ficar intensas o bastante, levou sua boca até a dele.
– Nunca subestime um adversário, meu bem. – Ela sussurrou sensualmente o soltando e se levantando em seguida, sem cogitar a hipótese de ajudá-lo. – Mantenha a calma, a guerra só está começando. – Foram suas últimas palavras ao sair da sala de treinamentos, sem se dar ao trabalho de notar a situação deplorável que Jöhann provavelmente se encontrava. Mesmo suada e exausta, ela apenas correu para o laboratório aproveitando que Arnim Zola estava responsável por montar uma reunião com alguns investidores, era caminho livre para informar Abraham sobre seus novos planos.
(…)

Diário da Guerra ano de 1940, principais acontecimentos:
27 de setembro: A Alemanha Nazista, a Itália e o Japão assinam o Pacto Tripartite em Berlim.
14 de novembro: A cidade britânica de Coventry é destruída pelos bombardeiros alemães.

Com a solicitação do líder nazista a presença de Jöhann Schmidt na cidade de Paris na França, para o representar nas festividades importantes acerca das vitórias do exército alemão, o teste do soro mais uma vez foi adiado, o que para contava como saldo positivo em seus planos, mesmo se sentindo péssima por ter que se envolver em viagens, deixando Abraham sozinho nas mãos inescrupulosas de Zola. Era incrível como a convivência fazia com que mudássemos de ideia sobre as pessoas, cada pessoa conivente com as atrocidades da Hidra era um ser humano a menos digno de compaixão diante dos olhos de .
(...)
7 de Maio de 1941 (Quarta-feira), Paris-França.

Diário da Guerra ano de 1941, principais acontecimentos:
20 de janeiro: Adolf Hitler ordena o envio de tropas motorizadas de elite, o Afrika Korps, para o norte da África, em auxílio aos italianos.
12 de fevereiro: O general Erwin Rommel, comandante do Afrika Korps, chega a Trípoli, capital da Líbia.
24 de março: O general alemão Erwin Rommel começa sua primeira ofensiva na Líbia.
17 de abril: A Iugoslávia assina um armistício com a Alemanha.
27 de abril: Tropas alemãs ocupam Atenas, capital da Grécia.
Jöhann Schmidt guiava o corpo magro e pálido de sua esposa pela pista de dança enquanto ambos discutiam baixo sobre suas opiniões em comum acerca dos membros da marinha japonesa, ambos não gostavam muito do Japão, mas estavam satisfeitos com o apoio do país na guerra. Era de conhecimento geral que após a Restauração Meiji, o Japão Imperial embarcou rapidamente num período de expansão econômica, política e militar num esforço em alcançar as potências europeias e norte-americanas. A sua estratégia de expansão incluía a extensão territorial e o controle econômico para aumentar o seu acesso a recursos naturais. As investidas contra a China estavam cada vez mais hostis, com o pensamento bem parecido com o dos nazistas, eles também acreditavam que sua raça era superior aos chineses e coreanos.
A Liga das Nações, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Austrália e os Países Baixos, todos com interesses territoriais no Sudoeste da Ásia, desaprovaram os ataques japoneses contra a China e responderam com condenação e pressão diplomática. O Japão retirou-se da Liga das Nações em protesto. Em julho de 1939, os EUA aumentaram a pressão ao terminarem o tratado comercial com o Japão, que tanto mostrou oficialmente a posição dos EUA, como removeu quaisquer barreiras legais contra embargos. O Japão continuou com a sua campanha militar na China e assinou o tratado Anti-Comintern com o povo alemão o que agradava Schmidt o suficiente para suportar ser um anfitrião em uma festa para aquela raça que ele tinha tanto nojo, formalmente acabando com as hostilidades do fim da Primeira Guerra Mundial, e declarando interesses comuns entre os dois países. Em 1940, o Japão assinou o Pacto Tripartite com a Alemanha e a Itália fascista para formar os poderes do Eixo. soube naquele dia que sabia o que teria que fazer para chamar a atenção do presidente dos Estados Unidos para si, e confiava que não demoraria muito para ela trabalhar ao lado de Howard Stark, em seu plano para dar fim à guerra. Quando as ações do Japão, fizeram com que os EUA criassem embargos contra as importações japonesas de metal e gasolina e fechassem o Canal do Panamá. A situação continuou se agravando cada vez mais rápido, se tornando apenas questão de tempo e estratégia de batalha e a ruiva estava disposta a fazer o que fosse necessário.
Aperte onde dói, jogue sujo e se precisar tirar algumas vidas faça isso.” – A voz de Viviette surgiu na cabeça de , enquanto seu marido a movimentava com cuidado no meio do salão, ainda fazendo comentários xenofóbicos sobre os líderes.
Nada que ele dissesse a interessava, havia feito sua própria pesquisa sobre aqueles homens e desconfiava que sabia mais sobre suas vidas do que eles mesmos poderiam saber. Naquela noite ela cometeria o maior blefe de toda a sua vida e precisava parecer saber o que estava fazendo, não continuaria sendo a sombra de seu marido, nunca mais. Sabia que o Japão estava avançando para o norte da Indochina e que o governo dos Estados Unidos estava correspondendo congelando todos os bens japoneses nos EUA e iniciando um embargo completo às importações japonesas de petróleo. O petróleo era provavelmente o recurso mais crucial do Japão, devido aos seus próprios recursos petrolíferos serem bastante limitados e 80% das importações japonesas de petróleo provirem dos EUA. Certamente a Marinha Imperial Japonesa dependia inteiramente de petróleo importado. Aquele movimento faria com que seu xeque-mate se torna-se real. não havia se mudado da cidade que ela cresceu e teve todos os melhores momentos de sua vida à toa. Não passou anos enfurnada em um laboratório cometendo erros propositais, para morrer na praia. Faria valer cada segundo que ela e Abraham gastaram em Berlim, seguindo a Hidra em seus atos desumanos, para livrar cada vida que conseguisse da tirania de um líder sem compaixão e valores.
Isoroku Yamamoto estava há alguns poucos passos de distância do peculiar casal que chamava atenção de cada convidado que passava por eles. Como comandante chefe da Marinha Imperial do Japão ele se preocupava em como resolver seu problema com os Estados Unidos, e era ele um forte candidato para se tornar mandante do plano de . A mulher sabia que ele considerava a possibilidade de atrair a frota americana para águas territoriais Japonesas, conseguindo uma vitória nos moldes da Batalha de Tsushima. Todos eles sabiam que os planos Americanos para a guerra com Japão não previam ataque imediato ao coração do Império, mas uma paulatina aproximação via Ilhas Marshall, Carolinas e Marianas. Isso levaria a uma guerra longa, onde a capacidade fabril da indústria bélica dos EUA prevaleceria. Yamamoto precisava de uma solução rápida, de preferência num único golpe decisivo, que levasse a negociações de paz em termos favoráveis. tinha essa solução, mas não era a que favorecia seus planos, então trataria de enterrar qualquer opinião que não se igualava com a sua e nem que precisasse manipular Jöhann para que convencesse militar por militar a fazer o que ela quisesse, ela não descansaria.
Ao fim da música, Schmidt guiou sua esposa para a sala onde ocorreria as negociações sendo formalmente apresentada e claro tendo uma péssima recepção.
Não era comum ver uma mulher no meio de uma reunião que definiria o rumo de uma guerra daquele porte, se ela não estava servindo o café, limpando o chão ou servindo de prostituta para satisfazer os desejos sexuais e nojentos de um deles, ela certamente deveria se retirar. segurou a vontade de revirar os olhos ao constatar que lidava com idiotas, enquanto Jöhann introduzia sua ideia ao ataque a Pearl Harbor.
– Afinal de contas, porque deveríamos confiar nessa garota? – Chuichi Nagumo questionou em japonês de maneira preguiçosa encarando o líder da Hidra.
O resto de seus homens o imitaram realmente não acreditando nem um pouco no potencial daquela mulher.
– Entendo que por ser um oficial da velha guarda, treinado em torpedos e combate entre navios de superfície, seja difícil para o senhor confiar nos planos de uma mulher, mas a senhorita não é apenas uma mulher. – Schmidt largou sua caneta vermelha que usava para marcar o mapa na parede. – é filha da maior química alemã que já existiu até hoje, tudo o que Meredith sabia ela sabe, e se conhecem a fama de Edgar em nunca ter falhado em uma estratégia sequer de batalha, saibam que ela poderia se provar muito melhor do que ele.
– Qual o planejamento tático que você pensa que tem a oferecer? – Minoru Genda questionou ironicamente olhando para a ruiva.
– Que eu penso? – questionou com uma pontada de indignação olhando para seu marido.
– Querida... – Jöhann ia concluir sua repreensão quando o oficial voltou a falar.
– Qual o problema? Ela não sabe falar japonês?
– Eu não gosto de falar com incompetentes, é diferente. – respondeu em japonês e se levantou em rompante de sua cadeira causando certo tumulto por sua falta de educação e antes que alguém arriscasse algo contra ela a mesma ergueu sua mão pedindo por uma pausa, não queria ter de usar seus poderes. – Mitsuo Fuchida? – Ela chamou pelo homem que se limitou a levantar seu olhar de insatisfação, a ruiva sabia que eles estavam se segurando para não meter um tiro nela, então relevaria a falta de educação deles. – O senhor será o comandante das esquadrilhas do ataque aéreo.
– Ainda não aceitamos sua proposta. – Lembrou Chuichi Nagumo.
– Mas vão aceitar. – Retrucou convencida pedindo para que seu marido lhe entregasse o pincel vermelho. – O ataque a Pearl Harbor, na ilha de Oahu, Havaí, deve acontecer de surpresa vocês vão ter sete meses para se organizarem, até o início de dezembro. Precisaremos de 6 porta-aviões, 2 fragatas, 3 cruzadores, 9 couraçados… – A ruiva ia fazendo anotações com rapidez, já acostumada com aquele tipo de coisa, os números estavam salvos em sua cabeça. – ...441 aviões e 6 minis submarinos. Vocês deixaram a baía de Hitokappu, nas Ilhas Kurilas e seguiram para Pearl Harbor sob um silêncio restrito, no qual todas comunicações via rádio entre as embarcações da própria frota e o Japão estarão proibidas. Eu quero uma frota maior do que qualquer outra força de porta-aviões que já existiu. – agora falava como uma líder convencida de seu plano brilhante o que deixava seu marido orgulhoso e parecia convencer os japoneses de que ela sabia o que estava fazendo. – A Força Avançada Expedicionária terá um único objetivo recolher informação e afundar quaisquer navios estadunidenses que tentarem fugir de Pearl Harbor durante o ataque aéreo. – Os homens assentiram cada vez mais a favor do plano e aquilo a deixava muito satisfeita, os enfiaria de vez em uma cova e eles a cavariam sem nem se dar conta de seu maior erro.
– Qual a garantia de que não seremos pegos por algum radar da tropa inimiga? – Minoru Genda questionou ainda não convencido de que era uma boa ideia.
– Que bom que perguntou, pois sim eles tem planos de instalar um radar naquela área e a nossa vantagem é a demanda de aviões que deverão chegar lá no dia sete de dezembro, o que nos dá uma oportunidade perfeita.
– E como a senhorita sabe de tudo isso? – Mitsuo Fuchida fez a pergunta realmente impressionado.
– Uma dama deve se manter bem informada. – deu de ombros, já estava bem mais calma que antes. – Cavalheiros, creio que tenham um plano para ser colocado em prática.
Mal sabiam eles que Viviette a enviou cada uma das informações.
– O que te faz crer que aceitaremos a sua ideia? – Isoroku Yamamoto resolveu se manifestar, estava cada vez mais curioso a respeito daquela mulher, ela não o passava uma sensação muito boa.
– Os olhos brilhando em admiração de seus homens me dizem o que eu quero ouvir, estou apenas aguardando que verbalizem o óbvio, afinal, nenhum de vocês tem um plano melhor do que o meu e é exatamente por isso que meu marido e eu fomos enviados para cá com tanta urgência.
Os líderes japoneses estavam satisfeitos com aquilo e não demorou mais do que duas horas para uma decisão ser tomada e ter certeza de que não teria outro caminho a não ser a rendição do presidente dos Estados Unidos, eles estariam na guerra logo no próximo ano e ela poderia finalmente continuar sua jornada.
Ao chegarem no hotel que reservaram em Paris, Jöhann foi tomar um banho enquanto sua esposa contava às boas novas para sua equipe na Hidra através de uma simples carta que sairia do país na manhã seguinte. Com o dinheiro de Viviette ela poderia pagar por um mensageiro particular com bastante tranquilidade, garantindo que sua carta não cairia em mãos erradas. Não estaria sendo sincera se fosse dizer que não lamentava pelas mortes que o ataque a Pearl Harbor ocasionaria, mas não foi ela que começou aquela guerra, então sua única saída era acabar com aquilo de uma vez por todas.
Os meses que se seguiram eram envolvidos por informações privilegiadas sobre os japoneses e como seu plano vinha se saindo, fazendo daquele ano o mais agitado de sua vida até o momento de sua fuga.

Diário da Guerra ano de 1941, principais acontecimentos:
27 de maio: O encouraçado alemão, Bismarck, é afundado pela Marinha britânica no Oceano Atlântico.
9 de setembro: O presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, ordena à Marinha para bombardear os navios alemães e italianos nas águas norte-americanas imediatamente.
13 de novembro: Dois submarinos alemães atacam os porta-aviões britânicos HMS Argus e HMS Ark Royal perto de Gibraltar.
7 de Dezembro: Ataque a Pearl Harbor.


Capítulo 7

28 de Abril de 1942 (Terça-feira), Berlim-Alemanha.

Diário da Guerra ano de 1942, principais acontecimentos:
8 de fevereiro: O Ministro do Armamento e Munição do Reich, Fritz Todt, morre num acidente de avião.
20 de abril: Mulheres são obrigadas a trabalhar nas fábricas de munições na Alemanha.
Para a felicidade de , os Estados Unidos estava oficialmente na guerra, Abraham não concordava com o que ela havia feito alegando que existia sangue de inocentes em suas mãos, porém naquela guerra seriam poucos que saíram sem ter suas mãos manchadas e para ela existia apenas um final e estava caminhando para ele.
Naquela tarde eles fariam o experimento em Jöhann, tinha um péssimo pressentimento sobre aquilo, se seus cálculos estavam certos, o mau-caratismo de seu marido seria elevado em níveis incalculáveis e se tornaria imparável, por essa razão Erskine lhe convenceu que eles deveriam reproduzir o soro em um americano capaz de parar Schmidt caso ele perdesse a cabeça e a mesma não estivesse em condições de acabar com ele, afinal seu foco era garantir que a bomba ficaria pronta o mais rápido possível.
Enquanto passeava pelas ruas de Berlim, a movimentação dos guetos era crescente, soube que alguns judeus seriam enviados para campos de concentração, – seu corpo gelava só de imaginar o que passariam quando estivessem lá. era bastante bipolar e péssima em tomar decisões, futuramente as pessoas associariam sua postura ao seu signo Libra, mas naquela época pouco se falava nesse tipo de assunto. Mesmo ciente do sofrimento dos negros e judeus, ela não havia feito muito por eles ainda, em alguns momentos conseguiu distrair alguns oficiais e alimentar certos grupos, porém não podia colocar seus planos em risco. No fundo desejava voltar para Alemanha em algum momento de sua jornada para tentar ajudar o maior número de pessoas que conseguisse, mesmo sabendo que não era apenas a Alemanha que sofria com aquilo, aquele ainda era o seu povo e mesmo que soterrado por outras prioridades ela ainda confiava em seu patriotismo, seu pai acreditava naquela nação e o nazismo não seria capaz de dizimar todo o seu valor.
Sua atenção foi desviada para os gritos de uma mulher, a judia era amparada por seu marido enquanto chorava e via seu filho ser levado para longe, o menino se chamava Max pelo que dava para ser ouvido, mesmo de longe, a cena era de cortar o coração de qualquer um. sabia que os pais daquele menino seriam mortos muito em breve, sem entender o que estava acontecendo consigo mesma, a ruiva dispensou seus seguranças e se encaminhou até a entrada do gueto, os pais do menino já estavam longe, mas ela ainda poderia ver o pequeno Max ser arrastado com brutalidade por um dos soldados. Apresentando sua identificação da Hidra, ela entrou naquele lugar fedido apertando seu nariz e cerrando os olhos enquanto seguia o oficial que liberou sua entrada, sabia que ele estava se questionando o que uma mulher como ela faria naquele lugar. Agarrando seu terninho por conta do frio que estava fazendo naquele dia, ela apenas indicou que estava interessada no garoto chamado Max, e com um grito o soldado que segurava o garoto se virou para seu superior e surpreso por ver por ali, ele retomou sua compostura.
cogitou salvar os pais do menino, porém a cada crise de heroísmo seu plano de fuga gritava em sua cabeça, como um alerta a não se render à sua impulsividade.
– Creio que esteja onde quer estar. – O oficial disse se despedindo e pedindo para que o soldado a levasse de volta quando a mesma terminasse o que quer que desejasse fazer ali.
– Poderia nos deixar conversar a sós, soldado? – questionou após agradecer a companhia do comandante.
– Não acho que seja uma boa ideia.
– Não foi o que lhe perguntei. – Ela sorriu sem mostrar os dentes e Max mesmo abalado por seus pais pareceu gostar do atrevimento da mulher.
– Estarei por perto o tempo todo, se precisar me chame. – O soldado tomou distância a contragosto.
– Olá, soube que se chama Max. – se abaixou na frente do garotinho conseguindo ver que os braços dele estavam limpos, ele também seria levado para algum campo de concentração. – É um prazer conhecê-lo, eu me chamo , mas você pode me chamar de .
– Foi você que mandou eles afastarem meus pais de mim? – O menino perguntou ignorando o que ela havia dito, ele estava assustado e em dúvida se deveria confiar nela.
Como uma empata poderia facilmente sentir sua dor.
– Não. – Negou suspirando.
– Sendo assim, me chamo Max Eisenhardt. – Ele se apresentou falando um pouco embolado.
– Quantos anos você tem, Max? – perguntou em dúvida se queria mesmo uma resposta, já estava se sentindo mal pela situação, aquilo poderia piorar tudo.
– Completei cinco, faz algum tempo, não sei quando. – Max parecia perdido com relação aos dias, algo comum vivendo de forma tão precária num lugar como aquele.
– Ora, você é um rapaz muito grande para sua idade e parece bem inteligente também. – Elogiou escondendo o nó em sua garganta de imaginar quantas crianças não estavam na mesma situação que ele. – Olha Max, eu gostaria muito de te tirar daqui agora e te levar comigo, porém eu tenho uma missão muito importante para concluir, mas quero te prometer que vou te encontrar e te levar para um lugar seguro.
esperava que ele questionasse sobre seus pais, mas ele parecia saber exatamente o que aconteceria com eles, então a única coisa que o garotinho fez foi encarar a mulher na sua frente e pensar sobre o que ela dizia.
– Porque quer me ajudar?
– Eu não sei, mas algo me trouxe até aqui e não consigo ignorar, você é especial eu só não sei bem o motivo. – A ruiva passou a língua pelo lábio inferior.
– Disse que tem uma missão, você é como eles? – Apontou para alguns soldados que nem sequer disfarçavam seus olhares para os dois.
– Não, sou melhor e é por isso que vou te ajudar, porém vou precisar que guarde segredo sobre nossa conversa.
– E se me perguntarem o que queria comigo?
– Vai dizer que eu estava aqui apenas para avaliar você, sou pesquisadora da Hidra e precisava de uma cobaia.
– O que é uma cobaia? – Franziu o cenho confuso.
– Uma pessoa que se torna voluntária para experimentos, a gente aplica uns remédios legais e vê como você vai reagir. – Simplificou para que ele não se complicasse com nenhum soldado.
– E quando me buscar eu vou ser sua cobaia? – Perguntou receoso.
– Não, você vai ser meu amigo, claro, se quiser. – tentou sorrir, mas os sentimentos daquelas pessoas ao seu redor afetavam suas emoções.
– Eu quero! – Exclamou um pouco mais animado.
– Então preciso que confie em mim e faça o que pedi, talvez demore Max, mas eu vou te buscar, prometo. – Ela disse juntando sua mão a dele em um cumprimento que ele não entendeu muito bem.
– Vou te esperar. – Max respondeu um pouco chateado ao notar que a ruiva iria embora.
– Vai ficar tudo bem, acredite!
não pode continuar aquela conversa, sabia que se atrasaria para a aplicação do soro em seu marido e de forma alguma poderia deixar Abraham nas mãos daquele bando de loucos. Com o coração quebrado ela se despediu da criança e antes que saísse do gueto, deu um jeito de ter acesso à ficha dos habitantes locais, sabia que nem todos estariam ali por serem muitos, porém Max e sua família foram quase os primeiros a irem para lá, nos papéis citavam que ele seria remanejado para um campo de concentração no próximo outono, já com seus seis anos de idade completos. Ainda não sabia o que ele tinha de especial diferente dos outros garotos que viviam naquele lugar e talvez precisassem mais de ajuda do que ele, mas ela sentia que deveria o tirar dali na primeira oportunidade que tivesse.
(...)
Quando entrou no laboratório, tudo estava pronto para o experimento, Zola não calava a boca nem por um minuto e se movia com agitação de um lado para o outro, estressando Jöhann mais que o normal. Erskine como já era habitual estava sentado em sua mesa em silêncio, analisava os exames que realizaram em Schmidt enquanto conseguiam energia o suficiente para o funcionamento da máquina acontecer com excelência, se limitou a sentar ao seu lado. Todos os materiais necessários para a fuga estavam com o mensageiro que ela pagava, ele esperaria por eles dentro de um carro na saída da cidade. O plano era simples, no fim do experimento enquanto os cientistas faziam suas avaliações, eles aproveitariam dessa distração para sair escondidos e o mensageiro dirigiria até Dortmund, onde Viviette enviaria David para os pegar e ajudar a atravessar para os Estados Unidos em segurança.
– Onde esteve a manhã inteira? – Abraham sussurrou seu questionamento, era palpável sua ansiedade.
– Tive um contratempo. – A ruiva resmungou não dando importância.
– Doutor? – Jöhann chamou por ele antes que pudessem continuar sua conversa.
– Sim.
– Gostaria de fazer as honras? – Schmidt sinalizou a situação, ele estava sem camisa e pronto para iniciar o experimento.
– Creio que Zola fará isso melhor que eu. – Sorriu forçadamente e viu Arnim se animar com a ideia.
– Como preferir. – Jöhann não deu a mínima, estava só sendo educado.
Quando as enfermeiras começaram a fazer seu trabalho o casal de amigos se sentiu confortável para voltar a conversar.
– Que tipo de contratempo? – Erskine perguntou preocupado.
– Encontrei uma criança no gueto judeu, não sei porque, mas o garoto chamou minha atenção, quero tirar ele de lá. – contou falando o mais baixo que conseguia.
– Sabe que não podemos fazer isso, não temos tempo. – Abraham discordou.
– Eu sei, vi que ele será remanejado para a Polônia, vou te deixar em segurança e ir atrás dele na primeira oportunidade. – Revelou seus planos enquanto pelo canto do olho viu que já estavam iniciando o experimento.
– Isso é arriscado.
– Doutor, o que nós fazemos que não é arriscado?
Erskine não respondeu por conta dos gritos dolorosos de Jöhann que tomou a atenção de todos, sendo empata era a mais afetada por todo o sofrimento de seu marido, mesmo assim ninguém cogitou desligar a máquina já sabendo que ele não permitiria algo do tipo, quando o homem finalmente saiu, o espanto tomou conta do rosto de todos, ele se questionava o motivo para estarem tão chocados, seu crânio exposto, sua pele já não existia e todo seu rosto se assemelhava a cabeça de uma caveira vermelha. se levantou com as mãos trêmulas, notando a reação de revolta de seu marido ao se olhar no espelho e antes que ele pudesse ir em direção ao doutor para tirar satisfações, se colocou entre eles.
– O QUE VOCÊ FEZ COMIGO? – O homem gritou com indignação.
sabia que algo ruim poderia acontecer e permitiu aquilo então o mínimo que ela conseguiria era uma fuga sem complicações e um doutor intacto a tira colo, nem que precisasse nocautear seu marido no processo.
– A culpa não é dele! – exclamou forçando suas mãos no peito desnudo de Jöhann.
– Olhe para mim, é óbvio que a culpa é dele. – Schmidt nem se dava conta de sua força, mas sua esposa podia sentir os efeitos do soro, não apenas emocionalmente ou fisicamente, cada atitude dele tinha uma potência maior do que algumas horas atrás.
– Eu não sabia que isso poderia acontecer. – Erskine se defendeu atiçando mais ainda a ira do homem.
– Não me interessa, sua obrigação era me fazer mais forte e não uma aberração. – Mesmo não gritando, sua voz era assustadora.
– Meu bem, erros acontecem e você sabia disso antes de entrar naquela máquina. – tocou o rosto de seu marido, depositou um beijo nos lábios dele, na tentativa de acalmar seus ânimos. – Olhe de novo, deu certo está muito mais forte que antes. – Incentivou pegando o espelho e o forçando a se olhar novamente, agora com outros olhos.
Não foi preciso de muito para que o surto pelo poder tomasse conta de Schmidt, ele estava realmente forte e antes que pudesse desconfiar dos planos que Abraham e compartilhavam, eles fugiram sendo perseguidos em vão por alguns soldados naquela mesma noite.

Diário da Guerra ano de 1942, principais acontecimentos:
27 de maio: Reinhard Heydrich sofre uma tentativa de assassinato por dois tchecos em Praga, na Checoslováquia.
28 de maio: O México declara guerra à Alemanha e à Itália.
3 de outubro: O primeiro míssil balístico A-4 é lançado na cidade alemã de Peenemünde.
2 de novembro: O horário de verão na Alemanha termina às 3 horas de manhã no horário local.


Capítulo 8

15 de Julho de 1943 (Quinta-feira), Brooklyn-Estados Unidos.
Diário da Guerra ano de 1943, principais acontecimentos:
14 de janeiro: A Conferência de Casablanca, onde Franklin D. Roosevelt torna-se o primeiro presidente dos Estados Unidos a viajar de avião no exercício do mandato para reunir-se com Winston Churchill com a discussão sobre a Segunda Guerra Mundial.
15 de janeiro: O Pentágono, a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, é inaugurado em Arlington, Virginia, sendo um dos edifícios mais famosos do mundo.
24 de janeiro: Winston Churchill, Franklin D. Roosevelt, Charles de Gaulle e Henri Giraud reúnem-se na Conferência de Casablanca.
1 de julho: Presidente Franklin D. Roosevelt assina a lei, que dissolve o Corpo Auxiliar Feminino (Women's Army Auxiliary Corps).
10 de julho: Tropas norte-americanas, britânicas e canadenses invadem Sicília.

Com quase 27 anos completos, não estava sendo fácil convencer o presidente dos Estados Unidos de suas boas intenções. Os Hammond acolheram os dois da melhor maneira possível, o que contribuiu para a adaptação deles ao novo país e fuso horário. Aceitando que não poderia ir atrás de Max tão rápido quanto gostaria, implorou para que Viviette não perdesse o garoto de vista, – a mulher não poderia fazer muito já que escondia segredos demais do exército alemão – porém só de saber que o garotinho estava vivo e que sua amiga estava segura, já mantinha aliviada.
Sabia que Jöhann ainda procurava por ela e pagaria uma grande recompensa para quem levasse a cabeça dela e do doutor para ele como troféu, então evitava aparecer demais no meio dos cidadãos americanos, tarefa complicada quando a filha dos Hammond por si só chamava bastante atenção e parecia se apegar fácil demais as pessoas.
Para se adaptar a moda local, a mulher cortou seu cabelo e manteve seus cachos ruivos, além de abrir mão de seu terno da Hidra, pelo uniforme americano – quando estava trabalhando – em seu tempo livre ela usava vestidos que Serena Hammond lhe ajudou a escolher, a jovem adolescente era filha única do casal e namorava o melhor amigo de Howard Stark, um rapaz brilhante que estava auxiliando na produção de armas para a guerra e se chamava George Sinclair, mesmo novo era muito inteligente e formava uma dupla incrível com Howard. Ansiosa para conhecer o senhor Stark, a ruiva se manteve longe dele e dos projetos de Abraham na nova produção do soro, afinal não tinha terminado seu projeto com a bomba atômica, e notícias de que a Hidra tentava copiar a ideia de sua mãe a incomodavam com frequência, – porém acreditava em seu potencial e sabia que terminaria muito antes deles, e os Estados Unidos venceria aquela guerra.
Não havia outra opção.
Erskine por outro lado estava preocupado em encontrar a cobaia perfeita, sem a pressão de Schmidt ele sentia que finalmente faria a coisa certa, apesar de nenhum candidato ainda apresentar as qualidades que ele julgava necessárias para cumprir com a experiência.
Por conta do verão, a noite era mais quente que o normal, o que praticamente obrigava a mulher a sair de casa. Fazia um mês que ela dava aulas de filosofia em uma escola do Brooklyn a permitindo pagar um apartamento pequeno que ela dividia com Saphira, uma grande amiga dos Hammond e a segunda mutante que ela conhecia, mesmo a loira dizendo que ela era uma Eterna e que os mutantes eram descendentes da sua raça, algo que a ruiva ainda não conseguia entender muito bem.
Naquele dia, completaria três semanas que ela frequentava um mesmo bar, não conversava com quase ninguém dali, geralmente Saphira lhe fazia companhia, porém ela avaliaria o treinamento de uma senhorita chamada Margaret Carter, a deixando entediada e sozinha naquela noite.
Assim que adentrou ao bar, ignorou a decoração que já estava gravada em sua mente e se limitou em ir para o balcão e cumprimentar o barman, era um rapaz jovem e sem saúde para ajudar na guerra, mesmo assim era muito simpático e respeitoso fato que lhe agradava já que era algo raro naqueles dias.
– Boa noite, Jimmy. – o cumprimentou educadamente.
– Boa noite, senhorita . – O rapaz respondeu animado em vê-la novamente.
Após se sentar, retirou seus papéis a fim de se concentrar em suas tarefas.
sabia perfeitamente que uma bomba de fissão era um mecanismo que quebra o núcleo de um átomo de forma descontrolada – a forma controlada é um reator nuclear. Para realizá-la, seria preciso arremessar nêutrons contra um átomo de urânio ou plutônio. Porém, por mais que ela refizesse seus cálculos, ela ainda sentia que faltava alguma coisa, releu as anotações de sua mãe pela milésima vez e foi nesse momento que escutou o tilintar de um copo de vidro no balcão em que apoiava suas folhas. No mesmo instante, sua mente já trabalhava novas desculpas para o rapaz que viesse tentar a sorte com ela, já que pelo visto os 20 nãos, ainda não eram o suficiente para que os homens daquele condado se tocassem de seu desinteresse.
Quando o rapaz limpou a garganta, ela soube que não poderia mais fingir que não era com ela, então virou seus enormes olhos castanhos na direção dele, batendo delicadamente seus cílios. O rapaz de cabelos castanhos, pele branca e olhos azuis abriu um sorriso de tirar o fôlego assim que obteve a atenção de sua vizinha misteriosa, como seu amigo a apelidou, já que ele não parava de falar dela desde que a viu entrar no bar pela primeira vez.
– Posso te ajudar? – A voz de saiu um pouco rouca por conta do tempo em que havia ficado em silêncio, mas, mesmo assim, ela ainda estava sendo gentil.
Não negaria que ele era bonito, um dos homens mais bonitos que ela já havia visto. Todavia era gritante a diferença de idade entre eles, e ela não era cega, sabia que o rapaz já havia ficado com boa parte das frequentadoras daquele bar. Constantemente ela notava as investidas dele em outras mulheres e desconfiava de que ela era a única que ele não tentou levar para cama, até agora é claro.
– Bom, eu gostaria de saber qual o seu nome. – Ele revelou parecendo um pouco indeciso a respeito daquilo.
Através de seus poderes ela poderia sentir o nervosismo dele, mas não foi necessário o semblante o entregava. Esse era um lado novo, apesar de se mostrar um galanteador nato para as outras, não deveria estar se comportando daquela maneira com ela.
... – A ruiva soprou seu sobrenome baixo, apesar da música que alguém havia colocado para tocar. – .
O rapaz notou o sotaque dela, deixando claro que não era uma legítima americana e aquilo incrivelmente o deixou ainda mais interessado.
– Muito prazer, me chamo Bucky Barnes. – Bucky estendeu a mão para ela que olhou para o gesto por, pelo menos, um minuto e quando ele já estava desistindo ela estendeu a sua, estabelecendo o primeiro contato físico entre eles.
– Sabe, Bucky não me parece um nome muito comum. – resolveu dar trela, enquanto analisava cada traço dele.
O rapaz riu tão graciosamente que ela quase o abraçou.
– Meu nome é James Buchanan Barnes. – Confessou um pouco corado. – Não gosto do meu nome, então todos me chamam de Bucky.
– Porque não gosta? – franziu o cenho confusa com aquilo. – James é um nome muito bonito.
Apesar do medo de achar que o rapaz confundiria sua simpatia com liberdade para ele tentar algo, ela realmente não entendia o motivo para ele não gostar do nome que tinha, era bonito e ponto final.
– Sei lá, é estranho. – Ele fez careta constrangido com a situação. – Mas se você gosta... Pode me chamar de James. – Disse a deixando mais uma vez com vontade de lhe abraçar e agora mais que isso, de apertar as bochechas dele.
– Então, James, ainda não me contou como eu poderia lhe ajudar. – Frisou o nome dele, ainda o olhando nos olhos e que olhos, era o que ela pensava desde que conseguiu os ver de perto.
– Eu queria te conhecer. – Admitiu sem ter muito o que dizer. – Você é estudante de química? – Perguntou se referindo as fórmulas nas folhas que ainda estavam espalhadas pelo balcão.
– Na verdade não. – Negou olhando brevemente para suas anotações – Estou apenas ajudando uma amiga. – Mentiu, afinal ela não ia confiar em um garoto. – Digamos que, no meu grupo, eu geralmente tento ficar com a parte difícil.
Poderia ela classificar seus novos “amigos” como um grupo? Uma equipe? Não sabia.
Afinal estavam tão dispersos nos últimos meses. Abraham, Howard e George trabalhavam com o soro, Saphira e a senhorita Carter começariam a treinar os novos soldados recrutados, tudo estava mudando rápido demais e ela se sentia um tanto quanto inútil por estar tão longe da ação.
– Entendi, bom, isso significa que é boa no que faz ou eles não recorreriam a você.
– Bom, devemos tentar ser o melhor possível, não é mesmo?
Ambos foram interrompidos, pelo barulho de dois copos. Direcionou seus olhos para Jimmy que tinha um sorriso no rosto por ver a moça finalmente conversar com mais alguém além dele, apesar da fama de Barnes ele era um bom rapaz. Nos copos tinha uma limonada suíça, a favorita de , ela não bebia nada que não fosse natural e fazia tempo que havia parado de ingerir álcool, o que limitavam suas opções.
– Por conta da casa. – O barman avisou incentivando Bucky a se sentar do lado de . – Ah, eu ainda não comentei, mas o vestido é muito bonito. – Jimmy elogiou.
– Ele tem razão. – James concordou avaliando a peça rapidamente.
– Obrigada. – Agradeceu a ambos um pouco sem graça e bebeu um gole do suco. – E você, James, faz o que?
– Bom eu me formei há cinco anos e larguei meu antigo emprego, pois vou me alistar para o exército na próxima semana. – Contou animado para saber o resultado.
Naquele momento ela tinha certeza que ele era realmente uma criança, e teve que conter sua expressão sôfrega por estar certa.
– Me perdoe pela pergunta, meu bem. – fez uma pausa ao se lembrar de Schmidt, geralmente o chamava assim. – Mas quantos anos você tem? – questionou para dar forma a suas certezas.
– Fiz 22 em junho* e você? – Bucky respondeu inocentemente, definitivamente perto dela ele não parecia nada galanteador.
– Hum... – Resmungou pensativa. – Faço 27 no final de setembro. – Comentou com um suspiro de desânimo, nem se lembrava da última vez que comemorou seu aniversário.
– 27? – Bucky parecia chocado.
– Sim, por quê? – A ruiva ficou confusa com a reação dele, afinal ela tinha a aparência de uma mulher chegando aos trinta anos.
– Não parece. – Admitiu seus pensamentos. – Eu imaginava que fosse mais velha, só não parece, me perdoe não estou dizendo que isso não é bom...
Antes que ele se enrolasse mais pediu para que se acalma-se.
– Eu entendi, querido.
Quando James ia iniciar um novo assunto, pode ver uma moça loira de olhos azuis e extremamente alta parar ao lado de , a mulher usava um uniforme feminino do exército americano e era tão bonita que parecia uma pintura. Barnes já havia visto aquela garota e ouvido de Steve sobre ela.
– Que bom que te achei, Erskine está te procurando. – A loira disse chamando atenção de para ela.
Diferente de , ela tinha sotaque americano e falava fluentemente.
Bucky ficou curioso em saber se ela também servia ao exército como aquela mulher, afinal não era muito comum ver mulheres trabalhando naquela área e menos ainda estrangeiras. Também se questionou se era para ela as anotações de química e não para algum plano do governo com relação a guerra, mas antes que pudesse fazer qualquer pergunta a ruiva apenas terminou sua limonada agradecendo mais uma vez a Jimmy e se levantou.
– Foi um prazer te conhecer, James. – disse beijando a bochecha do garoto.
– O prazer foi meu. – Murmurou incerto, enquanto via se afastar com a loira.
Questionamentos demais para apenas meia hora de conversa, foi o que ele pensou ainda tentando entender o que aquelas anotações de fato significariam.
Do lado de fora Saphira arrastava pelo braço na maior agitação.
– Aquele midgardiano não é novo demais para você? – Questionou confusa em ver sua amiga conversando com uma criança que não fosse Jimmy.
– Não estava flertando com ele. – se defendeu e viu o semblante da loira ainda mais confuso.
– O que é isso?
– Em Asgard não te ensinaram o que era flertar? – perguntou se sentindo estranha em falar sobre Asgard, um ano atrás não acreditava que o reino de Odin realmente existia.
– Não, o que é?
– Flertar é o mesmo que cortejar. – explicou vendo o rosto da asgardiana se iluminar em compreensão.
– Então, o jovem não estava lhe cortejando? Ele parece gostar disso. – Saphira continuou com as perguntas e andando ainda mais rápido, sinalizando para um táxi
– Não, ele não estava, e sim, ele gosta, porém acho que minha idade intimidou ele. – Deu de ombros entrando no carro. – Onde você está me levando?
– Para conhecer o Stark.
– Howard?
– Bom, o pai dele já morreu, então acho que sim. – Afirmou incerta daquilo, afinal de contas ele poderia ter um irmão perdido.
Saphira sabia bem como era ter muitos irmãos e principalmente quando eles eram perdidos em alguma batalha, geralmente levavam invernos para eles voltarem para casa.
– Não era isso, eu só fiquei surpresa. – Disse passando os olhos pela paisagem. – Não terminei minhas anotações. – Informou olhando para os papéis.
– Bom, eu não sou boa com química, Tyr é mais esperto que eu com fórmulas. – Saphira contou nostálgica ao se lembrar de seu irmão mais velho.
imaginou como seria o deus da guerra, se ele fosse tão bonito quanto os desenhos que faziam dele nos livros, certamente conquistaria várias garotas midgardianas como dizia Saphira.
O trajeto foi silencioso e ela desistiu de tentar concluir a fórmula, por boa parte do caminho a ruiva não parava de pensar em Max e como ele deveria estar, aproveitou para escrever uma nova carta para Viviette, queria notícias de como estavam as coisas por lá.
– Chegamos! – Exclamou Saphira com sua típica animação, na verdade nunca havia visto sua amiga desanimada ou triste, ela sempre parecia feliz com qualquer coisa e principalmente com uma boa briga.
As duas mulheres desceram do carro e caminharam para dentro da mansão do Stark sendo recebidas por Jarvis, que se apresentou, deixando claro seu cavalheirismo enquanto as guiavam para dentro da casa. Antes de chegarem na oficina de Howard, eles passaram pela sala de visitas onde tinha um grande piano branco, o que a fez se lembrar de quando cantava no hotel Royal. Se recordava de confidenciar isso a Serena e ela propor que a mulher cantasse no Hotel Chelsea, para tirar um dinheiro por fora e se divertir um pouco, de início havia negado, mas ao ver aquele piano sentiu um desejo enorme de reconsiderar a ideia. Ao chegar na oficina a primeira pessoa que ela viu foi exatamente quem ela pensava, Serena Hammond que deu um gritinho de animação e correu até a ruiva a abraçando com força.
– Senti sua falta. – Serena disse apertando a amiga em seus braços.
– Nos vimos domingo. – riu do drama da mais nova.
– E daí? – Ela questionou se soltando.
Quando voltou a olhar para o resto do pessoal, pode notar George admirar sua namorada com a típica cara de homem apaixonado, enquanto Abraham e Jarvis mexiam em algumas peças no fundo da oficina e Howard Stark se aproximava com seu sorriso galanteador. Se o jovem Barnes gostava de flertar, Howard tinha aquilo como seu esporte favorito, era mundialmente conhecido por sair com as mulheres mais bonitas do país e, o vendo pessoalmente, as entendia perfeitamente. A beleza do Stark era comum e ele era mais novo do que ela, – se não estava enganada, o homem completaria no próximo mês seus 26 anos. Por um segundo cogitou o problema que se enfiaria ao ter que trabalhar com o jovem Howard por tanto tempo.
– Imagino que seja a senhorita , ouvi maravilhas sobre a senhorita. – Stark já se aproximou a cumprimentando como se fossem íntimos.
– Sim, sou eu. – respondeu apreciando o perfume amadeirado que ele usava e pela primeira vez notando o copo de uísque pela metade que ele segurava com firmeza.
– Soube que tem algo importante para me mostrar, então peço que me acompanhe até o meu escritório, o senhor Erskine está trabalhando aqui em baixo. – Howard sinalizou para que ela o seguisse.
Nem sequer teve tempo de falar com George direito, já que o rapaz ficaria para auxiliar Jarvis no que Abraham precisasse, enquanto Saphira e Serena pareciam mais preocupadas em decidir sobre o que jantariam naquela noite. Respirou fundo ao se ver tão rápido sozinha com Howard – não estava totalmente confortável com aquilo.
– Não precisa ficar tensa, eu não mordo. – O homem cantarolou com um sorriso divertido nos lábios. – Soube que você não bebe mais álcool, poderia lhe oferecer outra coisa? Água? Café?
Apreciou a forma como ele queria que ela estivesse confortável e mesmo ainda tensa com a situação continuou o seguindo um pouco mais confiante.
– Não, eu estou bem, de qualquer forma, obrigada. – agradeceu enquanto ele destrancava a enorme porta do escritório, literalmente o homem vivia em uma mansão.
– Pelo que eu entendi, sua mãe começou a trabalhar desde a primeira guerra mundial em uma fórmula que colocaria fim em qualquer guerra que surgisse. – Howard introduziu o assunto assim que arrastou a cadeira para que ela se sentasse confortavelmente de frente para a mesa dele, enquanto o mesmo seguiu para o seu lugar, deixando seu copo de lado e focando totalmente sua atenção na ruiva.
Pegando a deixa, tratou de ocultar alguns detalhes, mas sem deixar de fora de sua explicação acontecimentos que a seu ver eram essenciais. Não queria falar sobre seu relacionamento com o ex0marido e menos ainda do que precisou fazer para chegar até ali. Levou um certo tempo para contar tudo o que estava guardando a fim de convencer Howard de lhe ajudar em seu plano.
– Pode me mostrar o que já conseguiu? – Stark pediu parecendo raciocinar as informações que a ruiva havia lhe repassado não muito confiante.
estendeu suas anotações para Howard que as pegou com cuidado espalhando totalmente fora de ordem, de forma que ela não entendia muito bem o que ele estava fazendo. Bom, o homem era considerado um gênio então ela achava plausível acreditar nos métodos que ele utilizaria, desde que conseguissem obter sucesso no fim de tudo.
– Nesse processo de fissão, o urânio gera em outros dois átomos e perde um pouco de massa, que se transforma em energia. – Howard apontou para a anotação incompleta e abriu a gaveta tirando de lá um lápis onde completou a lacuna a surpreendendo com a rapidez de raciocínio que o ele tinha. – Quando esse processo acontecerm sucessivamente ocorrerá uma reação em cadeia, que produzirá cada vez mais energia, essa energia associada ao calor e ao aquecimento súbito do ar daria o poder de destruição da bomba.
– O aquecimento do ar vai ser rápido, quem sabe microssegundos? O que poderia desatar uma onda de choque que viajaria uma velocidade maior do que a do som.
– Isso significa que quem estiver perto morreria antes mesmo de ouvir o barulho da bomba? – Stark arqueou sua grossa sobrancelha para cima, parecendo gostar da hipótese.
O que mais deixava animada, era o fato de que, diferente dos japoneses, Howard não estava duvidando de sua capacidade por ser uma mulher, o que já era o suficiente para que ela não experimentasse a sensação de estar ofendida, como aconteceu na sua última visita a Paris. Stark parecia excitado com a ideia de sair na frente, dentro da indústria de armamentos e gerar algo completamente novo, e o fato de que ele confiava totalmente nas habilidades da ruiva a ponto de não chamar George para os auxiliarem, fazia com que ela realmente cogitasse a hipótese de confiar nele de volta.
– Com certeza. – respondeu sua pergunta. – Sobre o urânio, não poderíamos usar qualquer um, creio que o melhor seria o U235, cujo núcleo é físsil, ou seja, capaz de sustentar uma reação em cadeia e que representa apenas 0,7% do urânio presente na natureza, a maior parte é U238.
– Posso conseguir uma quantidade mínima de U235, de forma que a reação em cadeia se sustente sozinha, como massa crítica. No caso do plutônio, ele não existe na natureza, mas poderíamos produzir em reatores nucleares, o que me diz?
poderia chorar de emoção, mesmo não sendo uma amante da química, jamais negaria que realmente gostava do assunto e falar com alguém inteligente e experiente a fazia se empolgar ainda mais com aquilo.
– Fantástico! Faremos isso. – exclamou verdadeiramente animada. Em pouco tempo de conversa com Howard, ela se sentiu como não se sentia desde a morte dos seus pais. Ela estava viva e feliz por fazer algo maior do que dar golpes em ricaços abusados.
Howard não se questionava sobre a função da bomba ou onde soltariam ela, ele era um homem disposto a servir sua nação, isso não significava poupar vidas, pelo contrário, as vezes temos que perder algumas para salvar outras milhares. Se o presidente lhe desse o aval, ele usaria aquela preciosidade científica sem hesitar e sabia que Meredith estava certa, aquela bomba poderia acabar com todas as guerras, afinal, a medida que evoluíssem no estudo nuclear, chegariam ao nível de nações não terem a coragem que a Alemanha Nazi teve, afinal seria um suicídio de grande escala.
– Bom, está tarde e imagino que a senhorita nem sequer jantou ainda. – Howard disse enquanto organizava os papéis da mulher, naquele tempo de silêncio entre eles, ambos atualizaram os dados e refizeram seus cálculos.
fez questão de fazer uma cópia de punho para que o homem fizesse suas descobertas longe dela, afinal, um poderia atualizar o outro quando se reencontrassem.
– O senhor está certo. – respondeu ouvindo seu estômago roncar.
– Não quero te assustar, mas gostaria de jantar comigo? – Stark perguntou realmente seguro de si, enquanto a entregava seus papéis. – Comigo, falo dos outros que estão na oficinal, geralmente jantamos todos juntos, então se quiser fazer parte disso. – Ele se levantou esperando por sua resposta.
– Eu adoraria. – aceitou o convite e gostou do sorriso que cresceu nos lábios dele.
Os dois saíram discutindo sobre os estudos de Thomas Graham* e os gases químicos e líquidos na química dos coloides.

  • Bucky Barnes na verdade nasceu no dia 20 de Junho de 1917 (segundo o UCM, apesar de no filme Soldado Invernal apresentar um erro e colocarem 1916), em certas versões dos quadrinhos ele nasceu em 1925 e largou a escola antes de se formar, foi uma preferência da autora que ele fosse sete anos mais novo que , sendo assim ele nasceu 20 de Junho de 1921.
  • Thomas Graham foi um químico escocês do século XIX e professor na Universidade de Londres.




  • Continua...



    Nota da autora: Sem nota.

    Nota da beta: Ah, apareceu o Bucky! Lindinho!
    Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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