Última atualização: 06/10/2017

Capítulo 1 - It's a kind of magic

MAIO DE 1976
Maria Stark estava bastante dividida sobre para quem daria sua atenção. Eram raras as ocasiões que toda a família estava de folga no mesmo fim de semana, ainda mais sendo dias de clima agradável. Por isso agora eles aproveitavam o amplo quintal da mansão. Bem, menos Howard, que entrara novamente na casa momentos atrás, dizendo que esquecera de fazer alguma ligação importante. Claro que ele percebera a decepção nos olhos da esposa assim que anunciou que se ausentaria por alguns minutos – que sempre viravam horas –, mas a mulher não disse nada, continuou sua conversa animada com Amanda Rogers, com sua amiga tendo a decência de ignorar a saída de Howard.
Se fosse ser bem sincera, Amanda estava surpresa do engenheiro ter ao menos ficado alguns minutos na companhia do grupo, mesmo estando claramente entediado. Não que Howard não gostasse de quando eles conseguiam um tempo para visitas, pelo contrário, mas atividades ao ar livre não eram exatamente sua praia, e ele não hesitaria por um segundo em chamar a todos para se reunirem na sala, beber algo e conversar a vontade, se as crianças não tivessem bem mais à vontade no quintal. Quero dizer, pelo menos uma delas. E um dos adultos.
Matthew Rogers, com os cabelos escuros começando a grudar na cabeça, já se sentia tentado a jogar sua camiseta para algum canto do gramado, até que surpreso pelo trabalho que sua filha começava a lhe dar no jogo informal. ainda tinha alguma dificuldade nos quesitos de força e direcionamento, mas não falhava mais na recepção de nenhum corte que o homem fazia, e ele definitivamente estava começando a pesar um pouco a mão. Em contrapartida, Tony estava sentado contra a porta de correr que dava acesso à sala, um livro de mecânica sobre as pernas esticadas, o mais distante que conseguia ficar do restante do grupo e daquele sol que em minutos de exposição poderia fazer com que ele começasse a suar. O garoto estava fazendo um trabalho maravilhoso em ignorar a vida humana próxima, apenas desviando os olhos de seu livro quando ouvia uma exclamação mais surpresa de , misturada sempre com um gemido discreto.
- Matt, por favor! – Amanda repreendeu o marido, assistindo a filha risonha dar uma cambalhota para trás depois de uma recepção falha para evitar se machucar – Você não está jogando com um adulto!
- Tudo bem aí, capitã? – perguntou ele à filha, depois de se desculpar com a mulher. apenas fez um gesto com a mão para que ele esperasse um pouco, libertando os cabelos escuros e volumosos do elástico que os mantinha no lugar apenas para os prender novamente antes de se levantar. Sua camiseta que ganhara de Howard meses atrás estampada com o icônico escudo já estava toda suja de terra e grama, piorando ainda mais quando ela limpou as mãos no tecido, volta à posição de defesa e pedindo para que o pai “mandasse de novo”.
Matt apenas pode sorrir satisfeito, dessa vez mandando uma bola muito mais fácil para a garota – Amanda estava de olho, era melhor não colocar a filha em risco –, que conseguiu devolver agora com muito mais perfeição, na altura certa para que ele continuasse com um simples toque, ciente de que a garota iria arriscar fazer algo que ainda não tinha dominado por completo. De fato, os olhos de chegaram a brilhar ao notar a altura boa da bola, mas se adiantou demais e perdeu o tempo para cortar, as pontas de seus dedos mal tocando na bola enquanto os adultos riam.
- Vamos tentar mais uma vez, ok? – avisou Matt, devolvendo a bola para a filha para que ela iniciasse a jogada – Não se adianta, e lembra de abrir bem a mão.
assentiu, exagerando bastante na altura do toque já que seu pai era bem mais alto do que ela. Mesmo tendo ignorado todas as instruções de Matt depois que ele fizera o levantamento, a garota conseguiu atingir a bola, só que com o pulso invés da palma da mão, mandando a bola em uma trajetória estranha que terminava muito próxima à cabeça de Tony.
Se os três Rogers e sua mãe não tivessem gritado para ele desviar, Tony teria terminado aquele final de semana com o maior galo da história.
- Tony, vem jogar com a gente. Larga esse troço! – ordenou Matt, indo buscar a bola enquanto o garoto se recuperava do susto, seu livro caído de qualquer jeito ao seu lado – A bola quer que você jogue, anda logo.
- É, não. Obrigado – resmungou a criança, mal tendo tempo de reagir antes das mãos do homem agarrarem sua cintura, jogando seu corpo sobre os ombros – Tio Matt, me põe no chão! Mãe!
- Se ele não quer jogar, deixa o menino, Matt – Amanda saiu em sua defesa, mesmo rindo das perninhas de Tony se debatendo para tentar ganhar liberdade.
- Ele quer jogar sim! Vamos lá, eu e você contra a , pode ser? – sugeriu ele, mudando o garoto de posição, deixado ele agora sentado sobre seus ombros. Como não se opôs, Matt continuou – , manda uma alta para o Tony. Do jeito que eu te ensinei mais cedo.
A garota fez exatamente como o pai dissera, saindo gritando pelo socorro da mãe quando viu Tony fechar a mão em punho para golpear a bola. Mesmo se ela tivesse ficado parada e tentando recepcionar, não teria sido atingida, mas mesmo assim rendeu várias risadas.
- Anthony, brinca direito – Maria repreendeu o filho, que não lhe deu muito ouvidos já que Matt o parabenizava pelo corte até que potente.
- Que tal vocês jogarem enquanto eu bebo alguma coisa, hein? – sugeriu o homem, que sorriu contente quando eles concordaram, o incidente que lembraria como “clara tentativa de assassinato” momentaneamente esquecida.
- Ela está ficando mais forte – comentou Maria, assim que Matt se jogou na cadeira vaga ao lado da esposa.
- Sim, eu ficaria de olho para caso ela tente se vingar do Tony, embora eu ache difícil ela fazer isso ainda hoje – brincou ele, os olhos acompanhando a filha ensinar o amigo como dar um toque melhor – Se formos ficar aqui à noite, é melhor garantirmos que cada um está em seu quarto, só por garantia.
Amanda se virou nada contente para o marido, que apenas alargou seu sorriso ciente de que fizera algo que ela reprovava. Ele praticamente se auto convidara para passar a noite na mansão, Matt realmente precisava criar um pouco mais de bom senso, e a mulher não fazia ideia de como ainda tinha esperança disso mesmo com ele e seus trinta anos recém completos. Claro que nenhuma pessoa em sã consciência daria mais que vinte anos para aquela cara de bebê e ar de adolescente, mas não faria mal ele agir de acordo com sua idade real uma vez ou outra.
- Eu ficaria preocupada durante o café da manhã, da última vez quase virou um campo de guerra – lembrou Maria rindo com a lembrança, principalmente quando o homem ficou confuso, já que não estava junto naquela ocasião.
- Vocês nunca vão me contar o que aconteceu da última vez, não é? – suspirou ele, revirando os olhos claros antes de se levantar quando as duas mulheres negaram em sincronia – Deixa vocês, ainda vou conseguir essa informação, mais cedo ou mais tarde. Se meu pai conseguiu sozinho salvar aquela galera na Itália, eu consigo arrancar essa informação de vocês.

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MAIO DE 2012
Tony desviou o olhar assim que percebeu que encarava há tempo demais aquela foto antiga, de um final de semana excepcional onde os então adultos da família estavam de folga e reunidos na mansão Stark, aproveitando o clima agradável daquela tarde. Sua versão infantil estava entretida com um livro, enquanto estava ao fundo, praticando movimentos de ginástica, seus braços finos suportando todo o peso de seu corpo enquanto ela aperfeiçoava seu handstand. Sempre que alguém questionava o motivo ser apenas e logo aquela foto estar na parede de seu laboratório, e mesmo quando o recinto costumava ser em sua garagem em Malibu, sempre dizia que fotos de tempos de criança faziam muito sucesso com as mulheres. O curioso era que nunca suas acompanhantes desciam até a garagem, e nenhuma entrara na nova Torre Stark, muito menos em seu laboratório. Ele apenas gostava demais daquela foto, mesmo com ela agora causando muito mais um peso em seu peito do que conforto.
A pedido de Pepper, ele terminara com seu auxílio o projeto da Torre Stark. A CEO acreditava que lhe faria bem focar em outra coisa, e até que aquele leve sensação de orgulho pelo seu trabalho chegara a distrai-lo um pouco. Claro que vez ou outra ele se lembrava de que a segunda pessoa mais envolvida naquele projeto não estava nas proximidades e sua animação diminuía consideravelmente, e era bastante difícil esconder aquilo da ruiva. Pepper estava preocupada em dobro em frente àquela situação, e, a cada dia que passava, ela se via mais e mais sem recursos.
A visita inesperada de Phil Coulson até que também poderia ser considerada uma boa distração, mas qualquer coisa que tinha envolvimento da S.H.I.E.L.D. trazia um pouco de consequentemente.
Tony analisou os dados que recebera por cima, sem dar muita atenção também para o que o agente lhe dizia, algo em sua mente já lhe avisando de que algo estava muito errado. A agência trabalhando com energia e não envolvendo seu consultor que era expert no assunto, vulgo ele próprio. Não, algo dera muito errado e saíra de controle, e agora precisavam de ajuda, mas sem entregar muitos detalhes, como sempre.
- Coulson? – Tony chamou o agente quando ele e Pepper já estavam próximos ao elevador, já que aparentemente ambos iriam para o aeroporto – E a America?
- Localização ainda indefinida. Mas alguns dos roubos ligados a Loki parecem demais com o estilo dela – explicou Phill apontando mesmo que de longe para as informações no holograma, onde algumas informações cruciais da agente também apareciam – Ele contatou alguns de nossos inimigos, talvez alguns deles estavam com ela.
- Você quer dizer que preciso estar pronto para lutar contra minha amiga de infância – deduziu o engenheiro, um riso sem humor em sua voz. Eles já haviam se enfrentado diversas vezes ao longo dos anos, mas nunca passava de uma forma inofensiva de lazer. A ideia de ter que realmente parar bagunçara seus pensamentos, impedindo de focar no que precisava fazer no momento.
- Você não está envolvido na luta, Stark, mas sim, a agente Rogers foi comprometida ainda mais.
- Pelo menos agora sabemos que está viva, não é? – Pepper tentou melhorar o clima, ciente de que a ordem implícita do agente não ajudara em nada para deixar Tony mais calmo – Não é tão fácil derrubar aquela mulher.
- Agora isso pode ser o problema – suspirou Coulson, sinalizando para que a ruiva entrasse logo no elevador – Só ache logo o cubo, Stark.
Se convencendo de que achando o tal cubo significava também encontrar , Tony trabalhou com mais empenho e determinação do que nunca. Faziam meses que a amiga estava desaparecida, e ele até ajudava da forma que podia – o que não era tanto quando desejava, já que Fury ainda estava relutante em permitir um envolvimento maior da sua parte na S.H.I.E.L.D. –, mas parecia que andavam em círculos. Meses e nenhuma pista concreta, nada que indicassem onde poderiam procurar. O destino semelhante que o avô da mulher tivera vez ou outra voltava a sua mente apenas para atormentá-lo, aquele medo incessante de ter o mesmo destino que seu pai: passar uma vida inteira buscando um Rogers, fadado ao fracasso. Claro que ninguém tivera a decência de lhe dizer que Steve Rogers havia sido encontrado, e, mesmo que fosse uma informação confidencial, ele deveria ter sido comunicado com antecedência, não agora que ele estava sendo convocado para atuar naquele cenário. Será que tinham pelo menos contado para ele da existência de uma descendência que ele não acompanhara? Ou iriam deixar que eles se encontrassem, ou pior, se enfrentassem primeiro?
Toda sua pesquisa foi feita no automático, aqueles diversos cenários diferentes e problemáticos ocupando sua mente, nenhum parecendo melhor que o outro. Vez ou outra, Tony até tentara tirar aquela história a limpo, contatara a agência e pedira maiores detalhes, apenas para ter tudo negado. Parecia que ele era o único realmente interessado em manter as coisas sob controle, por isso sequer pensou duas vezes quando conseguiu uma localização para começar. Stuttgart, Alemanha. Tony não fazia ideia de quem a S.H.I.E.L.D. pretendia enviar, mas esperava que não mandassem o tal Capitão, mesmo parecendo a escolha mais óbvia. Havia um número máximo de Rogers que ele podia lidar por vez, e a própria sozinha já estourava esse limite, então definitivamente não precisava de companhia.
Quando já estava dentro de sua armadura e pronto para partir, Tony chegou a mandar uma mensagem para Pepper, sentindo que era inteligente deixar a mulher ciente de seus passos, já que imaginava que mais aquilo faria com que ela ficasse ainda mais nervosa. Rhodes em missão, desaparecida, e agora ele sendo convocado pela S.H.I.E.L.D., a Iniciativa Vingadores sendo finalmente ativada, em razão do roubo de um artefato que não compreendiam por completo, roubo esse realizado por um extraterrestre. Um pequeno aviso de onde ele estaria não parecia ser uma má ideia, afinal de contas.

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Seus medos realmente se tornaram realidade, e Tony ainda não tivera tempo de avaliar o peso daquilo. estava em Stuttgart junto com o tal asgardiano, e, embora não tivesse tido a chance de tentar qualquer coisa antes que ela fugisse, Steve Rogers entrara em combate direto com ela, e perdera. O curioso era que, mesmo com certa vantagem antes da chegada do Homem de Ferro, Loki ainda fora capturado. Ele não estava trabalhando sozinho, tinha pessoal o suficiente para pelo menos tentar resistir, mas isso não acontecera. sumira no momento que Tony se juntara à cena, quase que ciente de que aquilo rumava para um desfecho e que seu papel tinha terminado.
Aquele pressentimento ruim não abandonara seu peito por nenhum momento, e, na primeira oportunidade que teve, já todo no quinjet a caminho do helicarrier, Tony não hesitou em arriscar um interrogatório, mesmo com os pedidos de Natasha para que se controlasse. A russa não só sentia que aquilo podia desandar como também já tinha sido avisada por Fury minutos mais cedo, já que ela tinha praticamente uma bomba relógio a bordo.
- Para onde você mandou a ? – rosnou o engenheiro, empurrando o ombro do deus contra a parede de metal. Seu humor apenas piorou quando ele manteve o silêncio, a expressão indiferente aos poucos passando para satisfeita – Se você não me der a localização da Rogers nesse moment...
- Rogers? O nome dela não era Sousa? – estranhou Steve, poucos passos atrás. O soldado havia recebido uma lista dos agentes que foram comprometidos por Loki, e um nome em especial havia lhe saltados aos olhos, não por ser o único destacado por se tratar de uma suspeita, mas sim por tê-lo visto dias antes, em meio a informações de outra ordem. Assim que saíra do gelo, uma forma de habituá-lo nos novos tempos foi construir algumas pontes, recebendo informações das pessoas que conhecera antes do acidente, breves resumos cheios de lacunas sobre o que fizeram naquele espaço de tempo de quase setenta anos. O nome Sousa até aquele dia nunca significara nada em especial para Steve, mas agora fazia algo travar em sua garganta. Nos documentos que recebera, não se lembrava de ter alguma foto da mulher, só que não era difícil fazer a ligação entre as duas – Aquela não era Sousa?
- Parabéns, Stark – riu Natasha irônica, sem sequer se dar o trabalho de virar a cabeça para o grupo, concentrada em sua tarefa e ciente de que não tinha muito que pudesse fazer no momento – Ganhou o prêmio boca aberta do ano.
- O homem fora do tempo – comentou Loki em um sussurro, mas tamanho era o silêncio que se instalou que todos puderam ouvir perfeitamente – Nem conhece a própria família.
- Ah, agora ele fala...! – bufou Tony, antes de pedir para que Steve deixasse para discutir aquilo mais tarde, de preferência não com ele, que não tinha nada a ver com aquela história. Era Fury que adorava compartimentalizar as informações, deixar as pessoas no escuro.
Mesmo durante todas as reviravoltas dos minutos seguintes, com a aparição repentina de Thor e o breve confronto entre o deus e os dois heróis, aquele tópico não abandonou a mente de Steve. Mesmo com seu esforço para o contrário, havia sempre um certo receio de sua parte em absorver informações novas, e agora mais do que nunca ele questionava tudo que lhe fora passado. Haviam alterações nos documentos que lhe foram disponibilizados, e nada mais parecia ser confiável em sua mente. Questionamento era de um nível que ele sequer sabia expressar, ainda mais que aquele detalhe poderia facilmente estar pessoalmente ligado a ele. O nome da mulher era Rogers, não Sousa. As poucas informações sobre chegaram às suas mãos por seu parentesco com seu romance da época da Segunda Guerra, sendo uma das netas de Peggy Carter, que mais tarde viria se casar com Daniel Sousa. O soldado até tentara arrancar mais informações de Tony, mas não só não parecia o momento e o local para aquilo, como Natasha o aconselhou a não fazer isso, que a situação era delicada demais para ser explicada ali.
Por isso tirar aquela história a limpo foi a primeira coisa que o soldado fez ao voltar ao helicarrier.
- Fury – disse Steve, alto o suficiente para que atraísse a atenção de todos enquanto entrava na ponte – Quem é Rogers?
O Diretor olhou rapidamente para Hill e depois para Natasha, que acompanhava o soldado alguns passos mais atrás. Já era de seu conhecimento que ocorrera um vazamento de informações no trajeto de volta, e, na verdade, não estava tão surpreso com o acontecimento. Stark até que estava se comportando, da melhor forma que podia. Tinha desobedecido ordens diretas? Claro que tinha, mas não em um nível problemático como costumava acontecer quando contrariava um Rogers. Aquele contraste curioso fez com que o diretor balançasse a cabeça em descrença, o mundo que conhecia não fazendo mais tanto sentido como antes.
- America Rogers é a filha de Amanda e Matthew, que é seu filho com Margareth Carter – contou Fury de uma vez, se virando para o Capitão com as mãos juntas atrás das costas – Ela está desaparecida há um pouco mais de seis meses, capturada em uma missão que deu errado. Até ontem, não tínhamos o menor sinal de seu paradeiro.
- A mulher que lutou comigo... É minha neta? – continuou o soldado, sua voz se intensificando e ficando mais séria. Entendendo aos poucos o tipo de cena que presenciavam, aos poucos os agentes que trabalhavam nas estações deixavam de lado seus trabalhos e prestavam atenção na conversa – E você em nenhum momento achou que era uma boa ideia me contar isso?
- Não tínhamos a localização dela – lembrou o diretor, uma frieza em sua voz que apenas fez com que Steve travasse ainda mais o maxilar – Estaríamos te expondo a uma preocupação desnecessária.
- Desnecessária? – retrucou o soldado. Com essa reação mais fervorosa, alguns agentes mais próximos tentaram fingir que não estavam prestando atenção. Todos ali foram informados a não se referirem a Comandante Rogers daquela maneira, que, devido ao status complicado dos membros da família, aquela informação não seria passada ao Capitão Rogers. E agora ali estava ele, tomando ciência de uma parte dele que estava inalcançável – Ela é minha família!
- Uma família que você não conhece – Fury fez questão de lembrar, diminuindo a distância entre eles na esperança de que uma abordagem mais agressiva fosse o suficiente para fazer o soldado voltar a seu lugar – Eu não comecei nisso ontem, Rogers. Nunca dá certo quando família tenta resgatar família. Perder o último Rogers que tenho disponível não é algo a que eu possa me dar ao luxo.
Steve não respondeu àquilo. Ele deveria de alguma forma entender as razões da forma fria e insensível que o diretor estava abordando o tópico, mas no momento ele era incapaz daquilo. Principalmente porque Fury estava certo: era uma família que ele não conhecia. Um filho, uma neta. Informações vagas e incertas que recebera sobre os dois que não era o suficiente para serem algo mais do que estranhos quaisquer. Uma família com uma mulher que ele amara, que sequer tivera coragem de visitar até o momento, sem fazer a menor ideia de como iniciaria essa conversa, se ela iria quer vê-lo depois de tudo. Isso antes mesmo de saber que tinham uma família. Steve não queria saber da porcaria do seu dever, e era nada mais do que injusto exigir aquilo dele. O problema era que, de forma indireta, resolver aquela questão estava ligada a terminar a missão. Eles tinham Loki e o que parecia ser uma fonte de poder estranha, mas isso ainda não colocava fim à história. O Tesseract ainda estava em jogo, e da mesma forma estava .
Então que fosse assim.
Ele seguiria as malditas ordens, completaria a maldita missão. E então compreenderia de uma vez tudo o que perdera para que outros ganhassem.

Capítulo 2 - I got issues

MAIO DE 2008
Matt estava uma pilha de nervos, mas ninguém ousaria dar a entender aquilo. Ele estava ali todas as manhãs, fazendo seu trabalho como devia, como se nada ao seu redor estivesse acontecendo. Não era tão simples como o militar renomado fazia parecer, só que não tinha muitas escolhas. Se queria continuar tendo algum poder, tinha que seguir suas ordens, e elas diziam claramente que ele precisava controlar a situação. E isso era uma forma educada e profissional de se dizer que ele precisava colocar alguns limites em sua filha, mesmo ela não sendo diretamente sua subordinada na agência.
- Fury não quer me deixar liderar uma expedição – a mulher resmungava andando de um lado para o outro na sala do pai que acabara de invadir. tinha se oferecido sem pensar duas vezes para aquela missão, ainda mais por ser uma das melhores agentes especializadas em encontrar alvos. Ela deveria ser o principal nome para coordenar toda a operação, tanto pela S.H.I.E.L.D. como pelo Exército e a Aeronáutica, e mesmo assim o diretor da agência teve a audácia de redirecioná-la para trabalho burocrático na capital.
- Você sabe que ele está certo.
- Qual é, pai! – grunhiu ela, os braços caindo os lado do corpo com um barulho alto – Estamos falando do Tony.
- Eu também estou preocupado, .
- Só que não parece! – a acusação pegou Matt desprevenido, não conseguindo mais ignorar a figura da filha agora parada do outro lado de sua mesa. Quando ela queria, sabia jogar baixo, e parecia que seria um desses momentos – Não foi um acidente, pai. Foi um ataque. Eu e você sabemos suportar tortura, períodos em cativeiro, mas o Tony?
- Se você não se controlar, aí que não vai ter como ajudar – aquilo deveria ter soado como um conselho, o homem sabia, mas tinha um teor natural de ordem em sua voz. Isso foi o que fez a filha respirar fundo e assentir – Te ensinei melhor que isso.
já tinha certa reputação até ali. Era um soldado disciplinado, uma boa líder, e uma estrategista ainda melhor. Sabia seu lugar e sabia ainda melhor se portar diante de superiores e até subordinados que a subestimavam, já estava mais do que acostumada com pessoas a contrariando, despejando ordens atrás de ordens mesmo que não tivesse nexo. Até um certo ponto, ela fora criada naquele regime, não tinha nada de estranho naquela cena.
Apenas por um detalhe.
- Foi mal, esqueci que estava falando com o Coronel, não com meu pai.
Determinada a buscar outra forma de resolver a situação, já que seu pai não parecia disposto a colaborar, girou os calcanhares e rumou para a saída, sua mente inquieta já em busca de alternativas para que integrasse de alguma forma aquela missão, já que a ideia de ficar de fora e de braços cruzados parecia absurda e tortuosa demais. Seu lado mais masoquista a questionava por não ter feito a segurança de Tony naquela viagem, que, mesmo que Rhodes não tivesse conseguido impedir, ela teria tido uma chance melhor. Atravessando o portal, a mulher encontrou um pensamento ainda mais obscuro: não sabia dizer se era pior não poder fazer nada ou se envolver na missão e falhar.
- ... – Matt até tentou alcançar a filha antes de ela deixar a sala, mas um de seus subordinados aparecer na porta atrapalhou seus planos. Se ainda se tratasse da pequena criança que conseguia com facilidade correr por debaixo da perna de todos, talvez ele até pudesse deixar de lado momentaneamente seu dever para ir atrás da criança, mas fazia muito tempo que aquela descrição não podia ser usada para . Ela era crescida, tinha suas obrigações, e não podia ter alguém em seu encalço direcionando seus passos, mesmo aquela sendo a vontade do homem – Sim, Jack?
- Algum problema com sua filha, senhor?
- Ah, só o de sempre... – suspirou ele, arriscando um sorriso que tinha a pretensão de ser animado, mas só sabia transmitir cansaço – Tony Stark.

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MAIO DE 2012
não fazia ideia de onde estava, mas pelo menos o cheiro do ambiente lhe era familiar – e ela esperava que aquilo fosse algo bom. Depois de meses em cativeiro, algum odor conhecido podia ser um falso amigo, representar algo que trazia qualquer coisa, menos segurança. O fato de não fazer ideia do que acontecera nos últimos dias também não ajudava em nada a tarefa da mulher de se situar. Havia alguns vestígios de memórias de combate em sua mente, mas ela não tentara fugir do cativeiro, e a ideia de ter lutado por seus inimigos soava ainda mais bizarro. Flashes confusos de um rosto e olhos hipnotizantes também apareciam com certa frequência, e um tipo de admiração parecia correr por suas veias. Não... Aquilo era diferente. Devoção? Que diabos de sensação era aquela?!
Impaciente por não conseguir chegar em lugar nenhum, abriu os olhos, inconscientemente já sabendo que a luz incomodaria suas vistas, mas ela não se importou. Havia uma agulha em seu braço e ela quase seguiu para o material para arrancá-lo, se uma mão estranha não tivesse impedido.
- Se comporte, Comandante – pediu o dono da mão, forçando seu corpo com delicadeza a voltar a se deitar. Como esperava, a mulher não chegou a apresentar resistência. Seu corpo ainda não tivera tempo o suficiente para se recuperar, e aquilo era o esperado. O médico estava até surpreso por ela ter acordado tão rápido, fazendo poucas horas que ela dera entrada na ala hospitalar – Você ainda precisa de mais repouso.
- O que aconteceu? – não reconheceu a própria voz, muito mais baixa e grave do que de costume, provavelmente pela falta de uso nos últimos tempos. A agente tinha perdido a noção de tempo, mas sabia que chegara na casa dos meses, o que significava que o número de palavras que pronunciara caíra drasticamente. Aquela não era a primeira vez e duvidava que seria a última que seria capturada, e boa parte de seu treinamento era voltado exatamente para aquele tipo de situação.
- Desculpe, não cabe a mim te atualizar sobre tudo – contou o médico – Dir. Fury irá se encarregar disso depois que terminar de instruir os Vingadores.
Ainda sentindo aquele cansaço estranho dominar seu corpo, chegou a assentir de leve, antes de se ajeitar no colchão desconfortável da maca. Ela nunca entendera como a S.H.I.EL.D. podia ter tanto dinheiro e gastar tão pouco com o conforto de seus agentes, já que era mais do que normal pelo menos os agentes de campo passarem parte do mês em acompanhamento ou recuperação.
- Espera, você disse que ele está instruindo quem?!

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Assim que retornaram para o helicarrier, os Vingadores não tiveram muito tempo livre para atividades de menor prioridade, como descansar. Ninguém queria manter o inimigo derrotado por mais tempo no planeta do que o necessário, por isso Fury logo tratou de colocar seus cientistas trabalhando na situação, já que “a ponte do arco-íris ainda não havia sido reconstruída”, segundo Thor. Havia sido uma despedida bastante discreta, na manhã seguinte, com todos os membros da recém-formada equipe sendo convocados em seguida para uma reunião com o Diretor da S.H.I.E.L.D., já que haviam diversos pontos que precisavam ser discutidos.
Assim que embarcaram, eles foram imediatamente direcionados para a ponte, onde a movimentação de agentes parecia ser bem menor, embora não fosse pouca. A maior parte da agência estava mobilizada para suporte dos órgãos locais em NY, em razão dos níveis de destruição da cidade e o grande número de vítimas. Nas estações que circulavam a mesa de reunião, a maior parte monitorava a ação de apoio da agência, algumas poucas continuavam a programação normal e acompanhavam as missões que estavam em andamento.
O Diretor apenas parou que assistir seus agentes trabalhando quando foi avisado que os heróis estavam prestes a entrar no ambiente, logo tomando seu lugar na ponta da mesa, mentalmente se preparando para o que deveria ser algumas horas de muito exercício de paciência.
- Cadê a America? – indagou Tony, assim que entrou no ambiente, andando alguns passos mais à frente do grupo. Fury teve que controlar sua vontade de revirar o olho. Até que tinha conseguido manter o engenheiro ocupado o suficiente para que ele não insistisse em ver a amiga de infância.
- Ainda inconsciente, Stark. Além da concussão, ela já estava muito debilitada pelo tempo em cativeiro – contou Fury, sinalizando para que tanto ele como o restante do grupo ocupassem seus lugares – Sem visitas por hora.
- Como você fosse conseguir me impedir de ir ver a idiota – devolveu o homem, já dando as costas ao grupo e disposto a bater em todas as portas da nave até encontrar , se fosse necessário.
- Stark...
- Não me vem com “Stark”, Fury – Tony o cortou, uma determinação em sua voz que surpreendeu a todos – America não saiu do meu lado em nenhum momento depois que eu voltei do meu passeio no Oriente Médio e pode ter certeza que eu pretendo fazer o mesm...
- Se você me chamar de America mais uma vez, você vai ser o que vai precisar ser hospitalizado, enlatado – a voz não parecia em nada com a calma e macia que Tony estava familiarizado, mas ele nunca seria capaz de esquecer aquele timbre, não importava quanto cansaço ele transmitisse. não estava nem com seu uniforme costumeiro ou as vestes hospitalares, mas sim um conjunto largo de moletom da agência que cumpria muito bem sua tarefa de esconder a maior parte de seus ferimentos e hematomas. Claro que as roupas em nada podiam ajudar no estado de seu rosto, agora muito mais fino que o considerado saudável, além das leves escoriações que aos poucos iam se curando na velocidade que era considerada normal para seu organismo aprimorado.
Tony sorriu aliviado ao avistá-la se direcionar para ele, perguntando rapidamente se ela estava bem quando se adiantou para beijar seu rosto.
- Agente Rogers, não me faça ordenar que te amarrem na maca.
- Não sabia que você curtia esse tipo de coisa, Diretor – debochou a mulher, sinalizando para que Tony se sentasse enquanto rumava para ocupar a cadeira ao lado de Clint – E eu realmente gostaria de ver vocês tentarem.
- Você realmente deveria estar descansando, – disse o arqueiro, e ela apenas negou com a cabeça – Qual é, mulher... Você fez por merecer essa folga, se você não aceitar, eu vou pegar no seu lugar.
- Eu deveria estar sendo atualizada sobre o que perdi nos últimos meses, já que nada mais está fazendo sentido na minha cabeça – continuou a comandante. tinha ambos cotovelos apoiados na mesa, as pontas dos dedos pressionando suas têmporas enquanto fechava os olhos com força – Em algum momento sei que teve aliens envolvidos e controle mental, e nem me faça comentar sobre o vovô em boa forma ali.
- Acredito que você esteja familiarizada com o Capitão Steve Rogers – disse Fury, num tom falso de simpatia que não foi nada bem recebido.
- Acredito que você esteja familiarizado com a minha falta de paciência e insubordinação.
- Engraçado como as coisas mudam num espaço de duas gerações – brincou Tony, ganhando um olhar irritado dos dois Rogers – Talvez nem tanto assim.
- O avião que desapareceu no final da Segunda Guerra foi encontrado mês passado. As baixas temperaturas mantiveram o Capitão em um estado de suspensão – Fury agora não se lembrava mais da explicação que havia ensaiado para a mulher, mas acreditava que era algo parecido com aquilo. O que ele dizia, na verdade, não tinha muita importância, já que não acreditava que ela estava de fato lhe dando ouvidos.
Steve se ajeitou desconfortável em sua cadeira, o olhar abismado de travado em seu rosto. Parecia que ela estava tentando procurar algo em seus traços que entregasse a suposta farsa, à espera de um vacilo seu que entregasse a verdade. Talvez algo semelhante tivesse passado pela mente da mulher, mas bem rápido. Poucas vezes naquela vida ela se classificara naquele estado, e aquela com certeza já entrava em seu TOP 3, completamente tomada pelo choque.
- Meu amigo tem um imã no peito, uma pessoa na mesa vira uma criatura verde quando se estressa – disse devagar, como se tentasse se convencer do que dizia. E tentava – Um avô preservado pelo gelo não chega a ser a coisa mais bizarra que aconteceu nesse mundo, certo?
- Acabamos de dar tchau para um deus nórdico que foi embora com seu irmão preso, que tentou subjugar nosso planeta – Natasha acrescentou um item à lista, quase rindo quando a colega bateu a testa na mesa sem delicadeza alguma.
- Minha mente está chegando a conclusões que dizem que eu deveria estar chapada, mas eu não me sinto chapada – resmungou ela, se deitando sobre a superfície apenas para notar um detalhe curioso em seguida – Espera, nórdico? Thor sei lá o quê? O cara de New Mexico?
- O irmão dele, Loki, foi o que te manteve sob controle mental – explicou Fury – Ele usou você, o agente Barton, e outras dezenas de pessoas para colocar seu plano em ação.
- A gente pode sair para tomar um porre depois – ofereceu Clint, cutucando as costelas da mulher com o cotovelo – Sei que eu preciso.
- A gente pode começar agora?
- Apoio essa ideia – Natasha concordou com a sugestão da comandante, que se permitiu rir mais um pouco de nervoso antes de respirar fundo e tentar ser um ser racional.
- Então você é Steve Rogers? Tipo, de verdade? – como se ainda não acreditasse, esperou a confirmação do homem, sua postura mudando completamente quando ele assentiu – Certo, eu já vou adiantar que não vou te chamar de vô. Você tem o que? Uns vinte anos? Meu avô é mais novo do que eu, essa família acabou de criar um novo nível de estranho!
chegou a procurar algum apoio em Tony, mas ele estava estranhamente sério, o que era preocupante. Era nesse momento que ele deveria fazer alguma piada inapropriada, ignorar por completo seus pedidos para que se comportasse e não constrangesse ninguém. Algo incomodava seu amigo, e não era nada interessante não saber o que era.
- Quem lidou pior com isso: eu ou meu pai? – jogou a pergunta para o grupo, esperando que aquilo fosse o suficiente para disfarçar sua súbita mudança de foco para o engenheiro, não seu avô reaparecido. O que a mulher não imaginou era que aí sim um clima estranho dominaria todo o ambiente e as pessoas nele – O que vocês não estão me contando?
- Seu pai e o Capitão ainda não foram apresentados – contou Fury de uma vez, sem estranhar rapidamente Hill se colocando ao seu lado, pronta para lidar com a possível agente insubordinada.
- Você não me deu a localização dele. Nem da America – comentou Steve, a falta daquelas informações agora lhe parecendo suspeita. “Ninguém me chama de America, fica esperto”, avisou em tom de ameaça, mas ele optou por ignorar – Você me deu a localização de todo mundo, menos deles. Onde ele está?
- Diretor – pela voz baixa de Hill, Fury sabia que ela estava aconselhando a contar de uma vez, mesmo que com cuidado. Era perigoso mantê-los no escuro, ainda mais ambos tendo tendências a fazer o que acreditavam ser certo, mesmo que tivesse ordens explícitas para fazer o contrário. Um Rogers contrariado era perigoso, e o diretor não estava nada interessado em descobrir o que acontecia quando tinha dois.
- Nick, cadê meu pai?
- O Coronel Rogers está desaparecido desde o mês passado.
Exatamente como esperavam, a reação de avô e neta foi semelhante, a breve surpresa logo dando lugar a uma determinação que não antecedia coisa boa.
- Pirralho 2, informações sobre o Coronel Rogers – Steve não sabia a quem a mulher se referia, mas notou um agente em uma das estações olhar rapidamente para ela, sem saber como agir diante da ordem direta.
- Você não tem autoridade para isso, está afastada até segunda ordem – lembrou Fury, conseguindo atrair para si o olhar raivoso da mulher. Nick podia ser o diretor, podia ser o presidente do mundo, mas se tinha algo que havia conquistado com o passar do tempo era respeito. Foi trabalhoso, já que constantemente sua imagem se confundia com a de seus parentes, mas ela saíra da sombra, e se orgulhava do peso que seu pedido tinha, mesmo que contradissesse ordens de superiores a ela.
- Edward?
- Coronel Rogers foi capturado durante uma missão de busca, dona – contou o garoto, engolindo em seco quando Hill se virou irritada para ele – Procurando por você.
fechou os olhos com força antes de apoiar as mãos na mesa e se levantar com o impulso, rumando para a estação de Edward mesmo com as ordens para se retirar do ambiente e voltar para a ala hospitalar. Steve acompanhou a movimentação da mulher, sem saber se deveria sair em seu apoio ou não. Estava à espera de um sinal, pelo menos.
- Me atualiza – pediu ela ao garoto, apoiando ambas as mãos no encosto de sua cadeira enquanto ele puxava as informações do caso para que ela estudasse.
- Eu vou chamar a equipe de contenção, – avisou o diretor – Você não tem autoridade mais aqui.
- Ah, eu tenho autoridade porque essa missão é minha – retrucou ela, se virando para Nick para ver se ele teria coragem de a contradizer – Eu vou você querendo ou não, e é melhor querer, já que eu não vou ter a menor vontade de cooperar se ficar no meu caminho.
Havia poucas vezes em que silêncio não significava consentimento, e aquela era uma dessas. Ao optar por não dizer nada, Fury estava a desafiando a descumprir suas ordens. sabia muito bem que aquilo se tratava de uma infração grave, que provavelmente não teria volta. O diretor só tinha se esquecido que aquilo era a última coisa com que ela se preocupava.
- Tony – disse ela, sem pressa nenhuma. Seus braços cruzados em frente ao corpo, e, mesmo se dirigindo a outra pessoa, não quebrando o contato visual com o diretor – Coloque o traje.
- Você não vai levar Stark a lugar nenhum.
- Ah coração – Tony riu, já se colocando de pé – Ela me leva para onde ela quiser.
Fury olhou de um para outro, toda sua paciência esvaída depois de dias tão estressantes. Ele queria permitir a participação da mulher na missão, sabia o quanto aquilo significava para ela. Só que ele não estava ali para ser amigo, ele estava ali para ser responsável. era uma responsabilidade que ele não queria ter, mas tinha, e não podia simplesmente deixar que ela fizesse tudo o que queria, ainda mais quando apresentava um risco considerável a ela.
- Eu cometi o erro de permitir que seu pai tentasse te recuperar, e olha no que deu – Fury diminuíra a distância entre eles, sua voz muito mais baixa e amigável do que de costume. Ele estava tentando apelar para o pessoal, e até poderia funcionar, se ela não estivesse tão determinada – Reúna sua equipe, Comandante Rogers. E é melhor não ser capturada novamente. Estou cansado de ter que limpar a bagunça de vocês.
- Obrigada, Nick – pediu ela em um sussurro, sua postura relaxando por um breve instante antes de retornar à mais séria – Hill, status da minha equipe.
- Estão em NY.
- Coloque eles na linha, cheque as condições atuais. Mande outra equipe no lugar deles, tenho quase certeza que vi Daniels por aqui, eles são bons em suporte pós-combate – foi emendando instruções atrás de instruções, até sua atenção ser direcionada para um agente entrando na ponte, outra possibilidade chegando a sua mente – Ou libera outra equipe S.T.R.I.K.E. A equipe do Rumlow já trabalhou comigo antes.
- Não sei qual a ocasião, mas estamos a seu comando, Rogers – o homem tratou logo de dizer, surpreso pela repentina atenção que estava recebendo de todos os colegas e vingadores. Na verdade, ele tinha certa noção do que poderia ser. Nos dias anteriores, alguma equipe havia conseguido pistas sobre o paradeiro do Coronel Rogers, mas, com toda a confusão do Tesseract, aquela missão estava suspensa por tempo indeterminado.
- Reúna a equipe, por favor – ordenou a mulher, assim que Fury autorizou sua escolha – Dez minutos na pista de decolagem.
Clint, assim como Natasha, chegara a se oferecer para integrar o time, mas a mulher negou sem pensar duas vezes. Ambos estava visivelmente cansados, não precisava força-los a voltar ao campo tão cedo. Ela tinha uma boa equipe em mãos, não era o caso de sair convocando os melhores agentes que conhecia, sem contar que o diretor não iria gostar nada da ideia.
Assim como ele não gostara nada dos eventos a seguir.
- Eu vou com você – decretou Steve, se colocando de pé e no caminho da mulher quando ela pretendia rumar para seus preparativos. ficou sem saber como reagir. Certo, ele foi um herói de guerra e toda aquela baboseira, pelo jeito havia lutado também em NY, mas ela não conhecia nada a seu respeito como soldado. Ela particularmente odiava quando algum rosto novo era remanejado para sua equipe, já que o processo de adaptação nunca era fácil, e as pessoas tinham o péssimo costume de achar que o nome de sua família tinha mais peso que o dela própria, e nunca terminava bem. Sem contar que, na pouca experiência que tivera em trabalhar com alguém minimamente relacionado a ela sem ser por trabalho, sempre terminava em problema.
- O que foi? – debochou Fury, assim que a mulher se virou para ele, seu olhar hesitante silenciosamente o questionando – Está pedindo a minha permissão agora?
- Qual é, Nick. Colabora comigo – ela choramingou, os ombros caídos não conseguindo mais manter a imagem mais profissional – Eu não sei qual o status dele, vínculo com a S.H.I.E.L.D. Eu posso levar ele junto? Acha que é uma boa ideia?
- Eu não aceito nada menos do que três Rogers aqui quando essa missão acabar – decretou o diretor, depois de respirar fundo. Hill ao seu lado não parecia muito contente também, mas duvidava que ela tinha outras opções em mente, ou teria se pronunciado. Era um saco ter que admitir, mas era a melhor rastreadora que tinham, aquela missão tinha que ser dela desde o começo.
apenas assentiu, puxando Steve levemente pelo braço para que a seguisse, coisa que praticamente todos os vingadores fizeram, com exceção de Natasha e Bruce. Brock seguia mais à frente, passando alguns detalhes que julgava importante dizer logo de cara, já que acompanhara a aquisição de informações apenas por precaução.
- Você ainda tem um uniforme? – perguntou a Steve, depois de dizer que precisava se trocar. Em sua mente ainda confusa, ela se lembrava de ter lutado com o homem e sua versão atualizada do traje que usara durante a Segunda Guerra, e por isso duvidava de estar em um bom estado.
- Tenho pedaços.
- Acha que o uniforme antigo do seu pai serve nele? – sugeriu Brock, diante da confirmação do capitão – Vi Coulson com um modelo por aqui. Eles são praticamente do mesmo tamanho.
- Vai ter que dar... Acompanha ele para mim? – Steve pareceu querer dizer algo depois do pedido da neta, mas, pela forma apressada que ela caminhava pelos corredores, acabou por deixar para depois qualquer que fosse a dúvida, permitindo que Rumlow o guiasse para onde quer que o tal uniforme estava guardado.
- Hm, ? – arriscou Tony, acreditando ser uma boa brecha aproveitar a diminuição do número de pessoas no grupo para tirar algumas dúvidas. Tanto ele como Clint, que também a acompanhava, estavam bastante abatidos pela última batalha, mas não hesitariam em integrar a equipe caso ela requisitasse – Quer que eu vá mesmo com vocês?
Depois de anos de convívio, Tony esperava desde uma confirmação a respostas mal-educadas. Só esquecera de levar em conta uma das formas preferida, porém pouco utilizada, da mulher.
Dor física.
- Anthony, eu vou matar você! – grunhia a mulher, depois de acertar um soco bem dado no ombro esquerdo do engenheiro, que chegara a se jogar no chão em vista do impacto poderoso. Clint logo segurou ela pelos braços, mais para tentar parecer que estava ajudando do que tudo, já que tinha ciência que não iria conseguir medir forças com ela.
- Mas o que eu...? Eu não...? – ofegou Tony confuso, a mão oposta no ombro atingido – Ai!
- Eu fico fora por três minutos e você quase morre? De novo? – continuou ela. O arqueiro soube naquele exato momento que realmente estava irada. Não que ela costumasse falar baixo, pelo contrário, mas havia momentos e ambientes para isso. A comandante nunca elevava a voz enquanto estava em serviço, a não ser em casos extremos, onde repreensões severas eram envolvidas. Mas mesmo assim não chegava nem perto da intensidade que ela gritava com Tony – Não, perdão. Corrigindo: você tenta se matar? Que porra passou pela sua cabeça para entrar num buraco de minhoca com um míssil?!
- O míssil ia destruir a cidade inteira, o que você esperava que eu fizesse? – retrucou Tony, do chão mesmo. Dali pelo menos era mais difícil a mulher conseguir o atingir novamente. Bem mais seguro.
- Que pensasse em outra coisa! – devolveu ela, ainda mais alto e soando ainda mais irritada – Do que adianta ser um gênio se quando a situação aperta toda ideia que você tem é praticamente se matar?
Com alguns outros agentes passando pelo corredor e tentando entender o que acontecia, Clint pediu que ela se acalmasse mesmo sabendo que essa ação podia fazer com que ela se virasse contra ele, mas também a lembrar de que precisava ir atrás do pai foi uma ideia inteligente, fazendo com que ela instantaneamente parasse para respirar fundo, mesmo que bufando em seguida.
- Eu estou muito perto de me demitir dessa relação, Tony – murmurou ela, um tom tão profundo e sério que fez com que ele engolisse em seco, ciente de que ela queria dizer cada palavra – E o pior é que, de acordo com meus dados, suas experiências de quase morte são quase sempre quando eu não estou por perto. Então se eu me demitir e você morrer, eu juro que arrumo de te trazer de volta só para você sentir como sua vida é miserável sem mim.
- , nosso tempo é apertado. Precisa se trocar – Clint voltou a interferir, antes que eles resolvessem estender a discussão, o que não era difícil – Eu levo o Stark para a enfermaria.
Ambos os homens só voltaram a respirar quando sumiu do corredor, Tony aceitando a ajuda para se levantar sem pensar duas vezes.
- Para de me julgar – resmungou ele, assim que notou o sorriso divertido no rosto do arqueiro enquanto apoiava o braço bom de Tony por cima de seus ombros – Ela soca forte, todo mundo sabe.
- Eu devo saber tanto quanto você. Quando estava para me aceitar na S.H.I.E.L.D., Fury deixou ela me testando para abaixar minha bola – contou ele, um riso nostálgico contaminando sua voz – Não foi uma experiência agradável. Piorou quando ela começou a treinar a Romanoff. Acredite, tem maneiras nada legais de estar no meio das pernas de alguém.
- Foi mal, cara – devolveu Tony, sem conseguir de fato se identificar com o relato do arqueiro – Só conheço a divertida.



Continua...



Nota da autora: Tony apanhando da America é minha religião, confesso.

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