Última atualização: 24/12/2017

Prefácio

Serendipity significa uma feliz descoberta ao acaso, ou encontrar algo precioso onde não estávamos procurando. Às vezes, basta uma escolha corajosa, que nos tire da zona de conforto, para que possamos dar de cara com maravilhas as quais nem sabíamos estar buscando. Seguir nossos sonhos geralmente não é o caminho mais fácil a se tomar, mas, com certeza, é o mais recompensador.


Capítulo 1 - Despedidas

olhava pela pequena janela do avião com nostalgia... Deixara sua família, amigos e seu namorado no único lugar onde já ousara chamar de lar. Ex-namorado, na verdade. Sua vida virara de cabeça para baixo de um jeito surpreendente desde que tirara a sorte grande de ter sido aceita em Berkeley, a faculdade de seus sonhos, após vencer um concurso de talentos em sua cidade natal, servindo como uma espécie de audição a qual ela nem estava consciente de estar participando.
Dallas era uma boa cidade para morar, exceto pelo fato de ser pequena. O estereótipo de que cidades pequenas eram tranquilas é ridículo... Tudo bem, nada de mais acontecia em lugares assim, contudo, todos sabiam da vida de cada um e uma atmosfera conservadora, com regras de como as pessoas deviam se comportar nela, tomava o ambiente. Realmente havia tudo isso, o que ironicamente a lembrava de Stars Hollow, da série Gilmore Girls, ou Mystic Falls de The Vampire Diaries, porém em uma versão campestre. Era seu lar, apesar dos pesares, e sempre consideraria seus conterrâneos como parte de uma grande e maluca família...
Ela parecia bem, até entrar no avião e olhar para sua casa lá de cima. Tudo parecia tão tranquilo dessa perspectiva. Não tinha por que se questionar se isso era um erro, já que ela estava indo pelo grande chance de viver seu maior sonho, certo?!
Apesar dessa fraca certeza de que estava fazendo a escolha certa, em busca de sua felicidade pessoal, até agora tudo parecia mais um pesadelo do que um sonho. Recapitulando como sua semana tinha sido:

1) Despedir de sua melhor amiga, , com muito choro e promessas de escrever todos os dias...
2) Empacotar suas roupas e tralhas de modo a caber tudo em apenas uma mala que parecia prestes a explodir...
3) Terminar com seu namorado para não ter que sofrer com uma espécie de tentativa de namoro a distância que nunca realmente da certo...

Só de pensar em seu coração se contorcia. Ele era uma das pessoas mais doces que já havia conhecido. Lembrava-se muito bem da primeira vez que o vira, no primeiro ano do ensino médio. Eles haviam sido sorteados para dançar juntos na festa junina e se conheceram nos ensaios, já que ele era de outra turma, e a amizade logo evoluiu para algo mais.
Seu namoro era bem visto na sociedade, ela era uma boa menina, com notas aceitáveis, muito talento musical e grandes aspirações artísticas, e ele era o cara que tinha planos mais locais. Para o rapaz, abrir uma companhia para vender alimentos orgânicos, produzidos em sua própria fazenda, e morar em Dallas até o fim de seus dias era um sonho se tornando realidade, o que para não era o suficiente.
Talvez tenha sido por isso que tiveram de se separar. Alguma hora, os sonhos dela seriam sufocados pelos limites de Dallas e o quanto antes ocorresse a separação, melhor. Ou, pelo menos, é o que ela repetia insistentemente para si, enquanto tentava engolir sua tristeza.
Recostou sua cabeça no encosto de seu assento e suspirou exasperada após suas divagações sobre seu cavalheiro loiro de olhos verdes. Sentiu-se sendo embalada pela doce voz de Adele, em Someone Like You, tão logo plugou seus fones em seu Ipod. A letra até que, ironicamente, se comparava um pouco com a situação amorosa que se encontrava. Porém, já exausta, a loira não estava mais com capacidade de perceber a ironia, muito menos se encontrava no plano terrestre, e sim já vagando pelo mundo dos sonhos.
O poderoso barulho do desligamento das turbinas a acordou subitamente. Ajeitou-se em seu assento, alisou suas roupas amarrotadas e estalou seu pescoço dolorido, depois de pender em uma posição nada natural durante seu sono. Finalmente havia chegado ao seu novo lar, a ensolarada Califórnia...

Capítulo betado por: Adriele Cavalcante

Capítulo 2 - Novata

Os portões de ferro do Campus Universitário se abriram para o táxi em que Ann se encontrava olhando pela janela, babando devido a cada novidade da charmosa Califórnia. Buscou sua pesada mala, a qual tivera que ter uma ajuda muito necessária para fechar, no bagageiro do automóvel, agradecendo ao simpático motorista que já havia inteirado a menina de diversos pontos turísticos interessantes na jornada do aeroporto para Berkeley.
Acenou para Collum, o habilidoso taxista, e dirigiu-se para seu dormitório com a ajuda de um pequeno e confuso mapa que pegara na entrada. Após finalmente localizar-se no dormitório feminino, parou em frente do que seria sua porta pelos próximos anos. O sinal 336 inscrito em vermelho combinava com a simples maçaneta da mesma cor. Tomando coragem, girou-a, ingressando no cômodo pequeno, mas aparentemente confortável, e encontrou uma jovem, evidentemente sua colega de quarto, olhando para o único armário preenchido do recinto comum, com claro desespero em suas feições, provavelmente procurando algo pra vestir.
Entrando o mais silenciosamente possível, dirigiu-se para seu lado do cubículo, distinguível pelo contraste vazio e sem vida, ao contrário da bagunça e explosão de fotografias e artefatos presentes no espaço restante, e colocou sua mala na cama vaga. Para sua surpresa, esta não rangeu como a cama de sua casa a qual já tinha se acostumado. Seria estranho dormir sem o rangido familiar sempre que se remexia em seu sono ou quando a visitava em segredo e ambos tinham que se deitar no chão para que a cama não denunciasse a simples presença dele ali ao seu lado, não que ambos fizessem muito mais do que dormir ou conversar até o amanhecer e o cacarejar das galinhas em seu quintal.
Balançando a cabeça com descontentamento, espantou os pensamentos sobre seu lar. Mal chegara, então seria melhor deixar-se pensar no que deixara para trás em outra hora.
Lembrando de que não estava sozinha, virou-se para cumprimentar a menina ruiva, que já a olhava com olhos brilhando de empolgação, entretanto, esperando um primeiro passo da recém chegada.
— Prazer, eu sou , ou , se preferir... — Mal acabara de estender sua mão para sua colega de quarto e esta já lhe dera um abraço, enquanto guinchava suavemente de animação.
— Oi, , sou Poppy! Isso tudo não é emocionante? Quero dizer, estudar aqui vai ser MA-RA-VI-LHO-SO! De onde você é? Amei seu cabelo! Caramba, que roupa fashion! Onde você comprou? Nossa, você PRE-CI-SA conhecer Laurel e Becky, elas são tão divertidas! OH, CÉUS, VAMOS NOS ATRASAR! O professor Stein odeia quando os calouros se atrasam, vamos, amiga, rápido, se prepare para sair. — Poppy colocou um vestido simples azul, finalmente escolhido, e, às pressas, ajeitou seu cabelo rubro em um coque rebuscado com fios soltos.
Olhando-se no espelho, estreitou seus os olhos e suspirou, claramente incomodada com suas sardas, encarando-as como se seu olhar pudesse fazê-las desaparecerem, passou gloss e puxou para ir a aula, tudo isso em exatos dez segundos.
A novata não conseguia fazer muito mais que sorrir e acenar para sua enérgica companheira de quarto que, embora fosse muito simpática, era um pouco (muito) tagarela.

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Na hora do almoço, já havia se acostumado com o ritmo de Poppy e a acompanhou para a cafeteria após duas longas e massacrantes horas de teoria musical. No caminho para a classe fora inteirada de metade das fofocas do campus.
Aparentemente havia sido uma semana agitada, já que uma tal de Paula fora flagrada por um inspetor entrando na sala de música no meio da noite para sabotar uma rival. Tratava-se de uma disputa pela conquista de um solo no concerto do solstício de inverno. Além disso, um fulano de tal adormecera em uma aula de história da arte e começara a falar dormindo, fazendo uma embaraçosa confissão do quanto estimava uma amiga, levando a turma a rir ao ponto do choro quando ele acordou, vermelho de vergonha. Fora inteirada de muitos outros desastres do tipo.
O professor Stein havia deixado bem claro desde o começo que era muito exigente e que não tolerava atrasos, o que rendeu pontos para Poppy, já que esta havia evitado por pouco que a loira ficasse enrascada em seu primeiro dia, o que não causaria uma primeira impressão nada animadora. Uma pena que um garoto chamado Patrick não houvesse ouvido sobre a implicância do tal professor com atrasos e teve que aguentar um sermão de vinte minutos durante a aula e continuar após ela, fazendo com que perdesse quase que por completo o horário de almoço.
No refeitório, as meninas caminharam com suas bandejas preenchidas da comida, até que respeitavelmente não-nojenta, do refeitório. Agradecendo mentalmente por esse fato, sentaram-se na longa mesa de madeira, conversando animadamente até que outras duas garotas se aproximaram, apresentando-se como Laurel e Rebecca.
Em aproximadamente dez minutos, elas já compartilhavam suas histórias de guerra e riam como se se conhecessem há anos. Laurel era mais quieta e doce, tinha olhos azuis e cabelo preto curto em um Channel tão bem cortado que chegara a perguntar-lhe o nome de seu cabelereiro e descobrira, supreendentemente, que era Laurel mesmo que tinha tal talento impressionante com cortes e todo o tipo de penteado imaginável.
Já Becky era uma latina voluptuosa, com um cabelo longo castanho escuro e estava vestida com um conjunto desenhado por ela mesma, de dar inveja! Todavia, a garota conseguira, para a surpresa de , demonstrar o quanto era inteligente e geek em cinco minutos de conversa. Falara de como amava ir aos eventos de ComicCon e Cosplay, em que ela mesma desenvolvia complexas fantasias, na sua cidade natal, a glamorosa Nova York.
Resumindo, talvez por serem tão diferentes: uma garota de cidade pequena como , uma de cidade grande como Becky, uma Country Girl do Kansas como Poppy e, finalmente, uma inglesa como Laurel; era quase como se complementassem uma a outra, se dando bem de cara.
! — Becky lhe chamou, atirando uma batata na amiga. — Acorda! Estamos falando dos gatinhos do campus... Você já conheceu o ? Ele é uma belezura de cabelos negros, olhos azuis como o céu, um corpo de matar e ele surfa! Soube que será tutor de algum calouro sortudo esse semestre.
Todas começaram a dar risadinhas rindo da cara de Becca, que suspirava sem parar só de pensar no tal garoto e ao falar de outros crushs no seu radar. Após gargalhar por um bom tempo, mesmo não conhecendo os boys mencionados como Tommy Lyons, Lucas Beckham ou Felipe Armstrong, levantou-se, acenando para suas novas amigas, pois planejava passar no quarto antes de ir para a aula seguinte, e lançando-lhes um sorriso grande de felicidade por ter tido a sorte de conhecê-las.
Seu celular vibrou no bolso com uma mensagem. Assim que viu que era de ficou com um misto de saudade, nostalgia e felicidade por falar com a amiga novamente.

"Oi, ! não se esqueceu de mim, certo? Estou com saudades, amiga, e cuidando do como você me pediu. Ele está triste, mas acho que vai ficar bem... E vc, miga? Como vc tá? Quero todos os detalhes sobre as aulas, as pessoas, a cidade e os gatos que eu SEI que tem aí! Bem... Comecei minha facul hj tb, acho que vou me acostumar rapidinho com o ritmo de estudo, sem vc aqui para me levar para o mau caminho das festas e sociais até o sol raiar rsrsrsrs. Enfim, estou com saudades já, minha gêmea, espero que vc esteja brilhando por aí. bjsbjsbjsbjs ;)
"

apressou-se em responder sua amiga enquanto caminhava na área mista dos dormitórios. Digitou apressadamente até ficar satisfeita com o tamanho de sua mensagem, mas, quando havia acabado de apertar o botão de enviar... Sentiu-se chocar com um peito largo que mais parecia um muro, sendo derrubada no chão instantaneamente.
Olhos azuis intensos a encararam meio irritados por uns segundos, logo depois relaxando ao perceber o acidente e o estado da pobre menina, já estatelada no chão.
— Para onde vai com tanta pressa, caloura?!
ainda no chão, literal e infelizmente, encarou o bonito garoto por mais alguns instantes, murmurando um oi, lhe dizendo seu nome e pedindo desculpas, já com a voz mais firme após pigarrear, se recompondo e recolhendo o celular que, aparentemente, não havia sido danificado, só mesmo sua dignidade.
— Meu nome é . Ei, você está bem? — perguntou ele, ajudando-a a se levantar.
— Sim, tudo certo aqui. Obrigada... — A garota enviou-lhe um sorriso tímido e continuou se encaminhando para o quarto, pelo simples motivo de querer enterrar sua cabeça em um buraco para se esconder dos olhos de ressaca inquisidores do homem ao qual se chocara. Lembrando-se do objetivo original de ter que voltar ao quarto, que havia sido momentaneamente esquecido, apressou-se, enviando uma mensagem para o grupo recém criado no WhatsApp com suas novas amigas, o apelidado "Quarteto Fantástico", por mais clichê que fosse.

"Pessoal, esbarrei agora com esse tal de ! Realmente é gato! Até perdoo Becca por ficar suspirando por ele de 5 em 5 min ahhahahah, vejo vcs no ultimo tempo".

Guardou o celular, rindo com os bips insistentes que passaram a soar devido as mensagens de suas amigas, provavelmente dizendo “Elabore”, “Detalhes”, “UKEEEE?MIGA SUA LOUCAAAA! , CADÊ VOCÊ?”, “Como foi, conta, contaaaa”...
Resolveu colocá-lo no silencioso e torturar as meninas um pouco mais, com um sorrisinho diabólico estampado no rosto, mas sabendo que teria retorno. Deitou-se em sua cama, em seu cubículo, já apelidado carinhosamente por ela de Box, a caixa, e fez uma longa ligação, tranquilizando seus pais acerca de sua chegada.
Após encerrar a chamada, suspirou pesadamente com o peso de todas as despedidas e acontecimentos do primeiro dia, além do jetlag a alcançando, recusou-se a chorar, secando uma lágrima solitária. Tentou animar-se ao perceber o que realmente estava acontecendo. Seu sonho de sair de Dallas, entrar nessa faculdade e conhecer o mundo finalmente começara a se realizar! Todas as noites passadas querendo estar onde agora se encontrava agora lhe pareciam a uma vida de distância.
Decidiu, nesse momento, não passar mais nenhum segundo se lamentando pelo que teve que deixar para trás. Não que fosse esquecer tão cedo, ou parar de sentir saudade de e de sua família, contudo, as novas amizades e certo portador de olhos da cor do oceano prometiam suprir um espaço em seu coração, anestesiando as perdas.

Capítulo betado por: Adriele Cavalcante

Capítulo 3 - O Luau


Semanas se passaram rapidamente, e a novata foi se acostumando com os costumes e a rotina da faculdade de seus sonhos. Realmente era tudo o que ela esperava e muito mais. Entre o quarteto de amigas, as aulas com prodígios musicais e os luaus organizados pelos veteranos, nada podia estar melhor, e era fácil manter sua promessa de não ficar se lamentando por ter saudades de casa.
O Natal se aproximava, fazendo com que o campus ficasse todo iluminado com luzes pisca-pisca, inclusive nos grandes Cedros e Pinheiros vermelhos que preenchiam os arredores. Miniaturas de Papai Noel e renas preenchiam cada sala comum ou de entretenimento do campus, além das músicas natalinas de fundo que deixavam todos de bom humor.
Em Dallas, e seu irmão Ian tinham o costume de decorar tudo na semana anterior ao natal. Sendo o feriado preferido de ambos, sempre adoravam elaborar os preparativos juntos e convidavam , a prima Callie, e Jenny, sua amiga e vizinha para cozinharem delícias de doces e salgados natalinos. Só de pensar nos cookies da receita da avó de Jenny, já começava a salivar.
Ian era o único que a vencia na fixação por aqueles docinhos maravilhosos. Sendo três anos mais velho do que ela, ele tinha o famoso complexo de irmão mais velho, mas ao mesmo tempo, compartilhava do mesmo grupo de amigos que a irmã, o que os tornava quase inseparáveis. Pensar em seu irmão trouxe um sorriso no rosto da loira, mas infelizmente, atrapalhou e muito sua concentração na tarefa que deveria concluir.
Sentada ao pé de sua janela, observava o céu nublado tirando sua mente por alguns instantes da tarefa de teoria musical. Estudava fazia pouco tempo, mas o cansaço a abatia de tal forma que as notas começavam a flutuar da página e se tornavam um vulto incompreensível.
Assustou-se com o quarto suspiro de Poppy e se virou para a amiga que tentava ler o roteiro a decorar para sua peça e pintar suas unhas do pé ao mesmo tempo em sua cama. Porém parecia que em um malabarismo para pintar o dedinho ela havia derramado um pouco de esmalte vermelho nas folhas que deveria estar decorando.
— Você levou ao pé da letra a tarefa de decorar esse roteiro, hein, Poppy girl? Quer um pouco de esmalte azul e verde também?! Assim você pode terminar a decoração natalina das suas falas.
Poppy lhe mostrou a língua fingindo-se de ofendida fazendo-a rir. Algo que a ruiva realmente era incapaz de fazer era parecer brava. Não devia haver nada no mundo que pudesse transformar suas feições que sempre transmitiam um ar de simpatia, menos quando estava atuando, claro. Exprimia uma versão hiperativa, muito falante e animada de simpatia.
— Bem, não pode me acusar de não ter um espírito natalino, não é?
Poppy sorriu como resposta e levantou-se exasperada começando a caminhar de um lado para o outro do quarto. Isso era tão comum que já havia chegado a cogitar se algum dia sua amiga chegaria a cavar um buraco no chão até o andar inferior. A frustração da ruiva parecia só aumentar o nível de sua hiperatividade.
— Chega, , nós vamos ao luau de hoje à noite sem discussão! Faltamos os dois últimos com a loucura das provas, mas agora que já está quase na pausa para o natal, acho que deveríamos estar tendo ao menos um pouco de diversão!
A loira ergueu uma sobrancelha com uma expressão de dúvida já que mal havia começado a tarefa do professor Stein, quem dirá terminar o exercício que tinha em mãos e o prazo de entrega estava se esgotando.
— Por favorzinho? — perguntou a ruiva fazendo um biquinho que claramente entregava suas próximas palavras: — Nunca te pedi nada...
— Ok, ok. Vamos nos arrumar, não quero perder quando eles acenderem a fogueira! — cedendo ao apelo da amiga, levantou-se e começou a escanear o seu armário por algo bonito. Claro que a menina sabia que estaria lá, ele nunca perdia uma festa.
Acabou que o doce menino dos olhos azuis e ela foram fortalecendo seu afeto com o passar do semestre. Afinal, passavam um bom tempo juntos treinando canções. Já que havia se destacado em suas aulas práticas, a Professora Martha Vivaldi havia decidido lhe arranjar uma espécie de tutor que já estaria em classes mais avançadas e por sorte, ou destino, esse cara havia sido .
No começo foi esquisito. Momentos de silêncio constrangedor, timidez e olhares furtivos. Porém, foram se acostumando com o ritmo um do outro até que em uma tarde resolveram almoçar juntos em seu refúgio recém-descoberto: a sala de música do segundo andar que apesar de não ser tão grande quanto a sala principal no primeiro andar, a menor contava com elenco reduzido de visitantes que raramente divergiam dos dois e da equipe de limpeza.
Neste dia, porém, haviam se passado três semanas que treinavam no refúgio musical e haviam combinado de adiantar o ensaio para pouco antes do almoço já que o menino teria provas no turno da tarde que impossibilitariam seu encontro usual.
Após uma lição, , ou Hazel como ele a apelidara já que seus olhos tinham uma coloração avelã, buscou a comida rapidamente no refeitório e enquanto se aproximava da porta da sala admirava o talento puro da voz e musicalidade de .
Entrou silenciosamente enquanto ele terminava de tocar a bela canção do DeathCab for Cutie, Transatlanticism*. Ele virou-se para ela sorrindo e flexionando os braços malhados - provavelmente do surfe - juntou-se a ela no pequeno sofá da sala. Conversaram por um tempo de amenidades rindo compulsivamente.

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*Ouça Transatlanticism aqui, e tente imaginar ele tocando assim e cantando a letra junto, ok? ;)
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— Sério, eu juro que eu fiz isso, realmente pus fogo sem querer em um armazém da fazenda dos meus tios!
— Hazel, não posso acreditar em você! — fez uma pausa para rir e continuou. — E eu pensando que ter posto fogo na cozinha de minha casa em Nova York tentando cozinhar um bolo de aniversário para minha mãe tinha sido assustador.
— Poxa, , mas pensando bem, ela realmente deve ter tido uma surpresa!!! — gargalharam juntos dessa vez tendo uma manhã muito agradável e até produtiva.
Voltando para o momento presente, a loira encontrou a roupa perfeita para impressionar o garoto dos olhos índigo. Terminou de se aprontar uns vinte minutos antes de Poppy e já em seu jeans claro e blusa preta solta com jaqueta de couro complementado por sandálias abertas de tiras, esperou ao lado de Rebecca e Laurel na sala comum do dormitório feminino.
Finalmente pegaram o jipe de Elle, como chamavam Laurel, e se dirigiram à praia da vez: Ocean Beach, uma das três praias mais próximas de Berkley, muito popular para festas com fogueira, já que em dezembro o clima já começara a ficar frio com a chegada do inverno.
Muitos alunos já se encontravam por lá quando chegaram e ao avistarem Liam, melhor amigo de e companheiro de teatro de Poppy e Becky, conversando com um grupo, o quarteto foi cumprimentá-lo.
— E aí, doce Hazel, como está hoje? — perguntou Liam com um olhar malicioso após um abraço caloroso. Ele havia achado hilário que seu melhor amigo havia criado um apelido para baseado na cor dos olhos dela, então vivia irritando a ambos sempre fazendo menção ao apelido.
— Ah, você também não, Liam! Estou há semanas tentando convencer a parar de usar esse apelido idiota! — exclamou com um sorriso sem jeito, mas afetivo. Apesar de muito implicante, o menino era como um urso carinhoso e não machucaria uma mosca intencionalmente.
Liam riu um pouco, passou suas mãos pelo seu bonito cabelo castanho dourado e focou-se em cumprimentar Becky, sua próxima vítima e parceira de nerdice. Se havia alguém mais ligado no mundo dos games, séries e afins, esse alguém era Liam.
— Hey, geek, você sumiu! Amarelou de tentar uma revanche no play station, Becky? Faz tempo que não aparece por lá depois da derrota abrasadora — riu.
— Não enche, Liam! — fazendo cara feia e biquinho, Rebecca soltou-se do seu abraço, que Laurel, a mais distante, mais tarde notou ser o abraço mais longo do grupo.
— Nem começa, camarada. — disse a ruiva, a próxima a cumprimentá-lo, já tentando proteger dos ataques do irritante homem, Poppy também notou como os olhos de Liam brilhavam com mais fervor ao olhar para Becky.
Laurel lhe deu um aceno tímido já que não o conhecia e se apresentou, mas já não prestava mais atenção neles, tendo avistado sentado em um tronco de árvore um pouco afastado do grupo observando as ondas em frente a uma pequena fogueira.
Parando somente para pegar duas Ices no cooler e para mostrar o dedo do meio para seus amigos que faziam comentários maldosos como “Pega leve com ele!”, seguido de risadinhas cúmplices, se sentou ao lado do moreno estendendo-lhe uma bebida, já na metade da sua própria.
— Oi, . — disse sorrindo. O menino aceitou a bebida com um aceno.
— Obrigado, Hazel. Não sabia que você viria hoje.
— Nem eu. — disse estendendo as mãos ao fogo já com frio do anoitecer e do vento insistente.
— Aqui, vista meu casaco. — replicou-lhe já começando a desabotoar sua jaqueta no estilo CollegeVarsity, parecida com aquela de jogadores de futebol de faculdades com programas esportivos, revelando uma camisa branca por baixo que se grudava a seu peito musculoso.
— Não, seu louco! Sem ele você vai congelar! Não vou ser responsável por você virar picolé e acabar hibernando que nem o Capitão América! — disse a menina com um olhar brincalhão. –Apesar de que você estar me oferecendo seu agasalho preferido me deixa lisonjeada.
— Ok, minha nerd/geek, pelo menos vamos caminhar um pouco, ficar parado não ajuda muito a esquentar o corpo e esse pequeno fogo não parece estar ajudando em nada...
— Poxa, acho que tenho passado tempo demais com a Becky, a nerdice dela parece que é contagiosa... Mas eu aceito me movimentar, vamos, duvido que você me alcance! — começou a correr pela orla na direção contrária à da festa gargalhando até ser alcançada rapidamente por que a agarrou e girou no ar também rindo.
Caminharam por mais um tempo até que uma chuva que havia começado fina e nada preocupante se tornou uma tempestade molhando-os e quase congelando-os. Correram da areia para a calçada encontrando um quiosque fechado, mas com umas cadeiras ainda montadas em uma parte coberta.
Sorrindo entreolharam-se encharcados e retirou uma folha de árvore que havia caído no cabelo loiro da menina enquanto buscavam abrigo. Ela olhou para seus olhos se perdendo na imensidão de informações que eles lhe tentavam transmitir e tomou consciência de sua proximidade. Ele deslizou suas mãos de seu cabelo para sua face e aproximou-se mais até seus narizes se tocarem. A menina suspirando cedeu ao impulso e terminou o espaço restante. Beijaram-se intensamente por um tempo sob a proteção do quiosque diante do céu já em um tom mágico de lusco-fusco.
Depois de a chuva ceder, voltaram de mãos dadas para a praia, já deserta, provavelmente devido à chuva que dispersara os participantes do luau, e procuraram o Land Rover de para voltar ao campus.
Ligando o aquecedor e o rádio, e se entreolharam sorrindo assim que começaram a tocar os primeiros acordes de Here Comes The Sun. Cantarolaram o caminho inteiro da volta, felizes beijando-se a cada sinal vermelho e apreciando a bela paisagem da sua amada Califórnia, mas ao mesmo tempo desfrutando estar em sua pequena bolha de felicidade, onde nada poderia perturbá-los.

Capítulo betado por: Adriele Cavalcante



Capítulo 4 - Esperança

Cantarolando Jingle Bell Rock, acordou no dia seguinte com a cabeça nas nuvens, feliz como não havia sido há muito tempo. Todavia, também estava um pouco nervosa, sem saber o que a noite anterior significara para . Como será que ele agiria perto dela?!
Escondeu de sua companheira de quarto o acontecido, enquanto tomavam café feito em sua Nespresso. Deixou-se levar pela insegurança, não querendo encher a amiga também de falsas esperanças, podendo depois se mostrar injustificadas. Já bastaria sua própria decepção, que se fosse à mesma proporção de sua expectativa no momento, ficaria arrasada.
Seus pensamentos foram subitamente interrompidos por uma batida na porta. Assustada, checou-se no espelho e foi abri-la, sorrindo. Tentou esconder seu desapontamento quando percebeu que eram Becca e Laurel. Conversaram sobre como, aparentemente, Liam e Rebecca haviam finalmente se tornado namorados no luau, após várias ficadas casuais no passado.
Falar sobre outro casal formado na noite anterior não serviu de nada para acalmar os ânimos de , chegando ao ponto de várias vezes ficar se perdendo em pensamentos, tendo que ser chamada atenção por suas companheiras por chacoalhadas e bolinhas de papel arremessadas em sua cara. Sua respiração parou quando Poppy especulou que ela devia estar pensando no crush, o que não podia ser mais verdade.
Ouviram mais uma batida à porta, mas, dessa vez, Becky atendeu e vendo que era Liam, sorriu e despediu-se das meninas, mantendo a porta aberta. Estranhando a porta deixada escancarada, levantou-se para fechá-la. Ao ver com um sorriso tímido e prestes a entrar, ela não pode evitar um olhar bobo de felicidade e corar.
— Bom dia, Hazel — disse ele, com um ar completamente casual, como se eles estivessem juntos há anos. — Eu poderia te acompanhar para suas aulas hoje?
— Claro... Por que não, , deixa só eu pegar minha mochila! — Antes que ela pudesse se virar ele puxou-lhe para dar um selinho e disse que esperaria na sala comum.
A loira entrou no quarto, novamente, vermelha que nem um pimentão e encarou os olhares acusatórios e esbugalhados de suas amigas, implorando por uma explicação lhes dizendo que contaria tudo depois. Fugiu do quarto para encontrar seu gato dos olhos azuis índigo.
Ele estava recostado confortavelmente no braço do sofá, onde conversava com Felipe, outro garoto da lista dos mais gatos da faculdade, feito pelo quarteto de meninas, e com mais um casal que não conhecia. Ela observou-o um pouco de longe com toda a fala mansa, jeito tranquilo e simpático. Era muito sortuda de ficar com alguém tão boyfriend material*, mas, ao mesmo tempo, estava encrencada por ele ser alguém tão apaixonante.
Felipe lhe lançou uma cantada assim que ela aproximou, o que era completamente do seu feitio, com seu jeito sedutor cem por cento do tempo. “Olha quem chegou, se não é a cachinhos dourados... Em terra de chapinha, quem tem cachos é rainha, hein, !”.
fechou a cara, pegou a mão de com cuidado, ajoelhou-se e beijou-a, dizendo “Pena pra você que essa Rainha já tem um súdito número um.
Os olhos do Montgomery se arregalaram instantaneamente, enquanto ele balbuciava, “Mas.. Você... Ela... Quando?!... Ok, eu lhe concedo vitória nessa batalha, ”. Todos começaram a rir do Lipe, o casal fez breves apresentações e, por fim, e seguiram para suas respectivas classes, separando-se somente no momento estritamente necessário, em que a campainha de início da aula soou insistentemente.
A despedida deles foi simples e com uma troca de olhares significativa. Queriam dizer muito um ao outro, porém, no momento, ficaram com um mero aceno e entoar de seus apelidos de forma carinhosa.
...
— HAZEL...
*: Garoto bom para namorar.

Capítulo betado por: Adriele Cavalcante



Capítulo 5 - Enfim, Natal...

e observavam, calados, a lenta partida de seus colegas de faculdade para suas respectivas cidades natal para comemorar o período festivo. Sentados em um banco na entrada da faculdade, já com as malas arrumadas, abraçavam-se, tristes por ter de se separar, mesmo que só por alguns dias.
Nas preciosas semanas que aprofundaram seu relacionamento, haviam decido que o período de recesso podia ser mais bem aproveitado se estivessem juntos durante ao menos uma parte dele. Assim, iria para sua casa em Dallas para passar o natal, e para Nova Iorque. Depois, ele a visitaria até o ano novo e conheceria os pais dela, mas passariam a mudança de ano juntos, na cidade dele, o que supriria o sonho dela de ver a bola cair à meia noite, como no filme que a menina tanto amava “Véspera de Ano Novo”.
Algo sobre a reunião de várias pessoas que não se conheciam, com uma mesma energia positiva, a encantava. sempre havia passado a virada do ano com sua família e seus amigos em Dallas, então nunca havia realmente vivenciado a sensação de fazer parte de uma multidão, algo muito maior do que ela.
Arregalando os olhos ao checar seu relógio e perceber seu atraso, ela sorriu para o menino e murmurou um melancólico “Está na hora”. Os dois se levantaram e, antes que ela pudesse direcionar-se a um dos taxis parados na entrada, com a grande demanda naquela época do ano, ele puxou-a para um beijo, mais casto que o comum, contudo, que prometia uma continuidade.
— Tem certeza que não quer vir logo comigo, ? — perguntou-lhe, com olhos suplicantes de cachorrinho no caminhão de mudança. — Você poderia conhecer minha mãe e também “turistar” um pouco por Nova York antes do dia primeiro, o que acha?
— Nem começa, espertinho! — disse a menina, balançando a cabeça em um forte negativo. — Já discutimos isso mil vezes, amor. Eu preciso ver meus pais e eles querem muito te conhecer... Além da ! Ela me mataria se eu não passasse pelo menos o natal em casa. Sabe como tem sido um inferno só de estudar quilômetros de distância de uma pessoa que costumava fazer tudo juntas? Imagina como seria se meus pais soubessem que você pretende levar a menina deles para passar o ano novo em outra cidade?! Eles já estão muito irritados com...
— Tudo bem... – cedeu, após perceber que havia iniciado um longo monólogo no qual a menina já insistira em recitar repetidamente sempre que ele tentava convencer-lhe. Parecia que, naquele relacionamento, não era ele que teria muito poder de decisão, o que era muito frustrante, mas ao mesmo tempo algo positivamente inovador no seu repertório de namoros. — Te vejo daqui a poucos dias, Hazel... – replicou ele, com um olhar pensativo. — Feliz natal. — continuou ele, sorrindo com um novo brilho nos olhos, como se estivesse guardando um segredo.
— Até mais, gatinho — brincou, dando-lhe uma tapinha na bunda, o que o deixou corado e fazendo uma expressão escandalizada de falso recato. Não tinha ninguém mais confortável com o próprio corpo do que aquele homem. Ela poderia abaixar a calça dele que a maior reação que receberia seria um meio sorriso malicioso. Talvez isso fosse uma das características que o faziam tão hipnotizante quando este tocava com sua mais nova banda, The Waves. sempre havia sido talentoso, porém, agora que decidira arriscar formar um conjunto com alguns colegas de surfe, seu dom havia sido elevado a outro nível. Eles estavam ganhando público rapidamente, tocando em diversos bares da região. ficava um pouco irritada com a composição dos fãs, que era, basicamente, feminina, entretanto, isso era compreensível, já que todos os integrantes da banda eram amigos atraentes de .
Travis e Malcom eram os habilidosos guitarristas. Sendo irmãos, davam a maior dor de cabeça para o resto da banda com suas constantes implicâncias e ocasionais crises de estrelismo ou vaidade. Mesmo assim, eram uns amores assim que o conhecessem. O primeiro era um negro alto e atlético, surfista profissional e lutador de boxe. Já Malcom era uma cópia exata do irmão, se não fosse o corpo magrelo e mais desajeitado. Além disso, havia Chris, o baixista introspectivo e alheio a qualquer tipo de agitação. Era quase cômico observar seu ar inexpressivo em qualquer que fosse o ritmo da música que estivessem tocando, contudo, seus talentos no baixo suplantavam quaisquer defeitos de performance. Por fim, o baterista era dos mais animados e aclamados entre os meninos, só não mais que o vocalista. Gale era uma das pessoas mais extrovertidas e interessantes que , já havia conhecido e uma conversa com ele valia como um aprendizado para a vida.
O show inicial da banda havia se dado devido a um projeto para a feira de exposição cultural da universidade, mas o extremo sucesso fez com que alguns comerciantes locais, como um pub chamado The Cave, com ampla frequentação do público de estudantes, chamasse a banda para fazer uma apresentação-teste. Apesar de serem novos no ramo, o profissionalismo surpreendente dos meninos acabou conquistando a todos, assim quanto ao dono do estabelecimento, que tornou os shows algo constante. Essa era uma das razões de para não acompanhá-la direto até Dallas e acabar por vê-la somente no Natal. Um último show havia sido marcado, além disso, precisava fazer uma rápida visita à sua mãe em NY, para acertar os detalhes da festa que anualmente promoviam na Véspera do novo ano.
Após horas divagando sobre o futuro brilhante de seu novo namorado, super talentoso, não só com o piano, mas também com o violão e voz e seu papel na nova banda, finalmente pousou, literalmente e metaforicamente, em Dallas.
Assim que chegou ao Aeroporto de Fort Worth, também conhecido como Aeroporto Internacional de Dallas, surpreendeu-se ao ver e toda sua família esperando-a na área de desembarque, com a tradicional faixa de “Bem-Vinda ao Lar”. Segundos depois, percebeu que não era uma surpresa tão grande, já que seus pais realmente tendiam a fazer um alvoroço de tudo que fosse relacionado à sua filha.
— Olá, minha menina! — saudou a mãe, pegando seu rosto para dar-lhe um beijo na testa ternamente. — Como foi o voo? Você levou um casaco extra que te pedi? E trouxe o guarda-chuva? Tem chovido muito e...
— Dê a menina um pouco de espaço para respirar, Magnolia — interrompeu Jedediah, seu pai, já a meio caminho de abraçá-la.
Depois de terminar de cumprimentar seu irmão Ian, sua tia Betty e sua prima Callie, deu o braço a , e o grupo caminhou para casa. Sua melhor amiga, extremamente animada, inteirava-lhe de todas as fofocas e tretas ocorridas na cidade durante aquele semestre, lembrando-lhe um pouco de Poppy.
O quarteto fantástico havia decidido fazer uma espécie de festa do pijama em sua última noite em Berkeley e ficaram conversando, além de pintarem as unhas uma das outras, assistirem filmes bobos e como não podia faltar: comerem muita besteira. Haviam se divertido muito, principalmente quando resolveram jogar um jogo de bebidas assistindo à série Gossip Girl. A todo o momento que o nome da garota do blog fosse mencionado, teriam de virar um shot. Digamos que fora uma noite muito louca e de muitas revelações chocantes.
Nostálgica, sorriu para sua amiga mais antiga, dizendo baixinho, porém de forma audível “Como é bom estar de volta” e deu-lhe um abraço apertado, sorrindo. Ambas juntaram-se a prima, Callie, e foram ao point da cidade para que pudesse rever seus outros amigos. Primeiro, tiveram de contornar os protestos de seus saudosos pais que demoraram, entretanto não resistiram a ceder ao apelo das garotas.
O tal Point, era um lugar que não passava de um celeiro abandonado na propriedade dos Wickham, que o cediam também para o baile semestral da vila regional. Tratava-se de uma ampla fazenda que fora herdada por um casal de idosos que não podiam ter filhos e não tinham condições de administrar todo aquele território. Dessa forma, fizeram um combinado de que, periodicamente, os adolescentes realizariam uma manutenção na área que utilizassem, localizada no outro extremo da pequena casa que o simpático casal ocupava. Ao chegarem ao celeiro, cumprimentou Pepper, seu namorado Anthony, e o resto de seu antigo grupo. Conversaram durante horas, sentados em troncos de madeira, comendo M&Ms e bebendo, como costumavam fazer nos velhos tempos. O tempo passou de forma tranquila, e estava completamente relaxada, até que ela avistou na porta do celeiro, de costas para o grupo, olhando distraidamente para o céu.
O coração da menina acelerou-se com a visão e, de certa forma nervosa, ela tomou coragem para levantar-se e falar com ele, avisando antes à , com uma mera troca de olhares. Tinham o costume e a facilidade, após tantos anos de amizade, de travar conversas mentais a partir da expressão corporal e de um simples olhar. Isso era uma das coisas que mais sentia falta. Era raro encontrar alguém que pudesse identificar-se a um nível tão profundo, e não havia ninguém como no resto do mundo. Sua amiga a entendeu imediatamente e chamou o grupo para ir para a parte mais interior do celeiro, que era fechada, para lhes dar privacidade, sob a desculpa de estar com frio.
— Ainda com o sonho de voar, ? — Aproximando-se cautelosamente, chamou a atenção do garoto, sorrindo de forma genuína. Lembrou-se de como quando eram crianças, o garoto tinha uma fascinação pelo super-homem, correndo de um lado para o outro com sua fantasia. Porém, quando ele se virou, foi como se ambos tivessem levado um choque. Seus olhares transmitiam saudade avassaladora, que ultrapassava a luxúria, mas incluía um peso que pareciam não ter percebido carregar até o momento. Era simplesmente o mais puro medo de perder a amizade um do outro.
havia quase esquecido dos ombros largos que tinham o poder de fazê-la sentir-se em segurança, sob a proteção do casulo de seus braços. Avaliou o cabelo loiro escuro, agora mais comprido, que ela tanto zombava dele quando crianças dizendo se tratar de um loiro sujo, cor que secretamente sempre admirou. Por fim, encontrou os olhos verdes brilhantes de seu antigo namorado que a tornavam cativa tentando desvendar o que quer que estejam tentando esconder. O que sentia naquele momento, não era nada como sua experiência com em que tudo era novo e surpreendente, mas sim um aperto familiar em seu coração que fez com que ela prendesse a respiração.
O problema é que não tivera tempo de realmente pensar se superara sua paixão por . Somente partira esperando que a distância cuidasse disso, mas percebia agora que estar longe dele só havia congelado por um tempo o que sentia. Não que ainda estivesse apaixonada pelo garoto a sua frente, isso percebera quase que instantaneamente, mas ainda o amava, pois ele era como sua família e isso nunca poderia ser mudado.
Com essa constatação, jogou seus braços ao redor de rapidamente percebendo o quanto havia sentido saudades dele. Afinal, ele também era e havia sido seu melhor amigo desde que podia se lembrar. Seu primeiro beijo, quem havia lhe introduzido no grupo deles no colegial, quem havia ouvido seus sonhos e sempre a incentivara a correr atrás do que desejava. Sem ele, ela nunca teria tido a coragem de se apresentar no concurso da cidade que por uma graça do destino, uma real benção oculta, acabou trazendo sua aprovação para Berkeley e junto a ela, a separação do casal, o que era quase cômico.
— Annie... — Suspirou , quase sussurrando o apelido que só ele destinava a ela, criado a partir de seu segundo nome. – Como senti sua falta...
— Também senti, ... E acho que só agora percebi o quanto... — disse Ann, com os olhos brilhando. — Mas eu preciso te dizer uma coisa import... — Foi interrompida quando começara a tentar formular um aviso acerca de seu novo namorado, que estava para chegar à cidade e que não seria justo ser uma surpresa para seu ex.
Ao ouvir o som de seus amigos lhes chamando para cantar uma música em dueto, como sempre costumavam fazer, não pode dizer não aos olhos carentes, quentes e familiares de seu antigo par.
Cantaram a música I hate U I love U de Gnash e muitas outras canções até o amanhecer, com Anthony no violão na maioria delas, Peppere no backing, e os demais: Louise, Jennifer, Marcus, Adam e Daniel batendo palmas. Todos acabaram por adormecer, como muitas vezes no passado, juntos no celeiro em seus sacos de dormir. Mesmo após seis meses sem contato pessoal, foi como se o tempo houvesse congelado e estivesse novamente em casa, no seu lar. Por um minuto, talvez até a noite inteira — mas não queria admitir isso para si mesma —, conseguiu não pensar em e fingir que tudo estava como antes e que não havia se tornado tão complicado.

Capítulo betado por: Adriele Cavalcante



Capítulo 6 - 3... 2... 1... Serendipity


A semana passou como um flash, e os sentimentos despertados no primeiro dia de volta a princípio mantiveram-se intactos. A cada lugar da cidade que Ann revisitava, uma onda de nostalgia intensa lhe atingia.
A Sorveteria do Jerry, onde dera seu primeiro beijo, o Cinema Odin, onde tivera seu primeiro encontro; tudo parecia estar do mesmo jeito. Passara a maior parte do tempo com seus dois melhores amigos, sua prima e seu irmão. Por mais que a cidade tivesse essa aparência de continuidade, foi aos poucos percebendo que era como se não se encaixasse mais ali. Observava seus amigos conversando e não conseguia evitar sentir-se um pouco deslocada com seus assuntos e experiências que haviam passado sem ela.
— Uma pizza calabresa com catupiry, por favor, Ben! — disse Callie, sorrindo para o senhor, não só atendente, mas também dono da pizzaria preferida do grupo.
— Tem certeza sobre o catupiry? — perguntou Ian com um olhar malicioso, arrancando uma risada de do outro lado da mesa, que começou a acudir uma engasgada com sua bebida ao lado do loiro.
Observando confusa que até mesmo Ben abrira um sorriso disfarçadamente, lançou um olhar indagador para os amigos em torno dela. Callie começou a ficar vermelha como um pimentão, na mais pura vergonha.
— AQUILO FOI SÓ UMA VEZ! — berrou a garota, tentando parecer indignada, entretanto, falhando em conter um sorriso. — Não vamos falar disso! Sem catupiry, Ben. — Suspirou derrotada.
pegou seu celular na bolsa para desviar da tristeza de sua mais nova constatação. Não. Nada era nem voltaria a ser como antes. Quisera conhecer o mundo, mas, para isso, tivera que abandonar tudo o que lhe era familiar. Buscar seus sonhos viera com um preço inesperado. Se só se passara um semestre, imagina quanto ela perderia nos próximos anos.
— Com licença... — disse ela, levantando-se em direção à entrada do estabelecimento.
Discou o número da única voz que acalentaria seu coração naquele momento.
— Celular do . Quem fala? — perguntou uma voz feminina grave.
— O está? — perguntou a loira, meio desconcertada.
— Ocupado... Quem quer saber? — demandou a desconhecida.
ficou em silêncio, sem reação. Desligou a ligação, com lágrimas começando a acumular-se em seus olhos.
— Tudo bem, mana? — indagou Ian, preocupado, fazendo com que a garota se sobressaltasse e virasse o rosto, limpando discretamente as gotas salgadas que insistiram em escorrer.
— Estou sim, Ian. — Sorriu para seu irmão, abraçando-lhe apertado.
Ficaram nessa posição por alguns segundos, até que a menina lembrasse de uma estória contada por Callie naquele dia mais cedo.
— O que foi aquilo tudo sobre a Jenny?
— O que tem ela? — perguntou seu irmão, corando, sem conseguir esconder nada da mulher que era sangue do seu sangue.
olhou para ele de forma incisiva e cruzou seus braços, esperando com um biquinho impaciente. Só faltava bater o pé no chão para completar a fachada de criança emburrada que sempre funcionava para fazer o irmão desembuchar.
— OK, ok. — disse ele, com as mãos estendidas em rendição. — Tivemos algo no verão, mas não contamos para ninguém, porque não sabemos o que significa e...
— E não querem botar pressão na relação... Eu entendo. Isso é ótimo, vocês fariam um casal muito fofo, eu amo a Jenny. Seria perfeito.
Ian sorriu para ela, assentindo, e voltaram para a Pizzaria do Ben abraçando-se de lado matando a saudade que sentiram por todo o tempo que passaram separados.

***

Tão rápido quanto o amanhecer, logo chegou o dia do natal, com as decorações verdes, vermelhas e brancas por toda a cidade. e voltaram a sair juntos desde o dia da pizzaria, mas mantendo o limite de amizade e, até o momento, tudo estava sendo dolorosamente fácil. Era como se o loiro fosse parte dela, e mesmo que amasse com todo o coração, sabia que esse sentimento familiar, como se o antigo namorado fosse seu lar, nunca poderia ser apagado, o que a assustava. Além disso, até aquele dia, não tivera coragem de contar a ninguém, exceto seus pais e , sobre seu novo namorado.
, que realmente deveria saber do relacionamento, ainda estava ignorantemente cego quanto a isso e possivelmente esperançoso, o que mais tarde poderia provar ser um enorme problema. Ao contar sobre sua nova relação, sua família e sua melhor amiga haviam tido a mesma reação. Encheram-na de perguntas. Porém, enquanto queria saber coisas como sentimentos e aparência física; seus pais estavam preocupados com o futuro, suas profissões, e que , sendo da grande e “assustadora” NY, levasse sua menina para mais longe de casa ainda.
Mas e o ?! Aquele é um bom garoto! ”, e “Por que tão cedo?”. Tivera de enfrentar calada todos os sermões e indagações como essas. Conseguira aguentar firme nas explicações, conseguindo convencê-los de que tudo estava bem. Não podia deixar de notar, contudo, a dúvida que ainda pairava no olhar de seus pais quando a menina mencionava o garoto, até mesmo na véspera de natal. Nesta mesma noite, como planejado, foram ao baile de natal no celeiro dos Wickham. Como sempre, a decoração, com milhares de pisca-pisca pendurados por todos os lados, deixou a menina sem fôlego.
— Não tem coisas assim na Califórnia, tem, filha? — perguntou Jedediah, com um olhar pomposo.
— Com certeza que não, papai.
— Estamos no Texas, Baby — disse, com seu sotaque sulista na mais plena força. gargalhou do bobo do seu pai, abraçando-lhe com ternura.
— Concede essa dança a seu velho, minha pequena? — indagou ele, já a puxando pela mão para a pista improvisada, com vários rodopios e passos engraçados.
— Como poderia recusar? — brincou ela, rindo e juntando-se a ele na valsa.
— Quando você cresceu tanto, filhinha?
— Acho que foi o peso dos últimos vinte anos.
, minha querida, assim eu vou me sentir um velho.
Após o término da música, Jed sorriu para sua filha e a rodopiou uma última vez, entregando-lhe para ninguém mais, ninguém menos que . Ele estava impecavelmente bem vestido em um terno preto e seus cabelos descontrolados eram como um único sinal de rebeldia.
... — Suspirou.
— Annie... — respondeu ele, com um sorriso divertido. — Podemos?
— Por que não... — respondeu-lhe sorrindo, algo que se arrependeria mais tarde.
Descansou sua cabeça no ombro do garoto, suspirando como uma boba pelas tentativas fracassadas dele de elaborar uma boa piada. Balançavam-se desajeitadamente, enquanto ela pisava no pé dele — que já estava acostumado com os dois pés esquerdos da menina após tantos anos juntos. Foi no momento que levantou sua cabeça, gargalhando com uma brincadeira do menino, que avistou de pé na porta do celeiro, a encarando.
Assustou-se com o aparecimento repentino, sentindo uma mistura de emoções passarem por seu peito. Estava feliz, com raiva e sentindo-se culpada ao mesmo tempo. Por que será que o namorado chegara a Dallas antes do combinado?
Ele deveria chegar para visitá-la e conhecer o seu lar somente no dia seguinte ao natal. Todavia, após chegar à Nova York e matar a saudade de sua família, o rapaz só podia pensar na sua amada namorada e em como queria passar cada segundo com ela. Ao chegar ao tal Celeiro Wickham, onde fora informado que toda a cidade ia para celebrar as festividades, levou um choque. Viu sua garota dançando com um menino loiro engomadinho. Pior, ambos pareciam nutrir de uma ligação profunda, sorrindo um ao outro de forma calorosa.
De repente, os olhos dele encontraram o de , o que claramente deixou-a tensa. Isso foi dolorosamente perceptível ao recém-chegado, mesmo passando em um flash segundos, antes desta lhe oferecer um sorriso de felicidade genuína superada a surpresa. O engomadinho finalmente desvencilhou-se da namorada de e começaram a andar em sua direção. O tal menino audaciosamente seguiu , parecendo curioso quanto ao moreno à porta.
! Estou tão feliz pela surpresa. Não acredito que poderemos passar o natal juntos. Mas como... Por quê?
— Hazel, eu não conseguiria ficar tantos dias longe de você — declarou, engolindo-a em um abraço apertado. — Além disso, tinha que retificar a pequena confusão da irmã chata do meu melhor amigo atendendo meu celular enquanto eu havia saído com ele! — Repousou seu queixo no topo da cabeça de , que agora corava envergonhada por seu ciúme injustificado. não deixou escapar o olhar horrorizado do outro rapaz, atento a conversa do casal.
— Annie?! — chamou , com um tom confuso de quebrar o coração. Ele observava a cena sentindo-se, pela primeira vez, deslocado perto da antiga namorada. — Quem é seu ... amigo?!
congelou em pânico, saindo do abraço de seu atual namorado para voltar-se a seu antigo amor, medindo suas próximas palavras cautelosamente para não criar nenhuma confusão. Percebendo um olhar curioso dos passantes, puxou ambos para uma área mais reservada fora do recinto, sob o céu da noite estrelada. Enquanto passavam, focou seus pensamentos em descobrir o que exatamente faria para sair dessa bagunça que ela mesma criara. Pararam assim que estavam longe o suficiente da festividade. A garota arrepiou-se ao sentir o ar frio noturno percorrer seus braços e colo descobertos devido ao decote e as pequenas alças do vestido que usava. Ambos os garotos ofereceram seus paletós, porém ela recusou enquanto suspirava, perdida demais em seus pensamentos para incomodar-se com algo tão banal como o clima.
...
O menino levantou o olhar para ela, aguardando uma explicação plausível.
— Esse é ... Meu namorado. — Apresentou, vacilando com um tom de voz baixo. — Começamos não faz muito tempo, porém estamos muito próximos e ele veio passar o natal comigo.
— Por que você não me avisou Annie?!
— Quem é Annie? — perguntou um confuso, sendo ignorado pelos ex-amantes.
— Eu ia te contar, só que por alguma razão de força maior, acabei não contando... — E, virando-se para , continuou seu discurso. — , esse é , meu antigo namorado. Mesmo que eu tenha mencionado ele, nunca te contei que namoramos durante toda minha adolescência e que somos, antes de qualquer coisa, melhores amigos.
— O-ok... — Gaguejou , com um olhar pensativo.
— Desculpem-me por ter criado essa confusão, mas é que ambos são muito importantes para mim e eu não conseguiria suportar que se odiassem...
Criando coragem, a menina finalmente se permitiu parar de encarar a grama, para enfrentar a expressão dos dois homens de sua vida. Para sua surpresa, ambos a olhavam como se a compreendessem em certa medida. O namorado até tomou a iniciativa de estender a mão para o loiro, contudo, este observou o “adversário” duramente, simplesmente lançando um olhar de desculpas a ela e saindo andando. Para o alívio de , apareceu nesse exato momento.
— Deixa que eu falo com ele, Blondie! — sorriu diante de seu velho apelido. — E você deve ser o famoso ... falou muito bem de você.
Com um humor um pouco mais leve e tentando acalmar a namorada, deu uma risada presunçosa e agarrou-a, dizendo:
— Ah é mesmo, Hazel?! Eu sei que sou irresistível — murmurou, piscando para ela que já estava vermelha como beterraba de vergonha. Virando-se para a morena, continuou. —Muito prazer, . Eu até sinto que já te conheço de tanto que essa aqui fala sobre você.
A amiga sorriu, já aprovando de cara o simpático e belo garoto que fazia sua amiga ficar sorrindo que nem uma idiota e corando a cada cinco minutos, até mais do que quando estava com . Lembrando-se do problemático menino em questão, decidiu se apressar.
— Vou lá falar com o enfezadinho, então... — avisou, estremecendo em preocupação. — E , eu já ia esquecendo, seus pais estão te chamando...
Após dar três passos se afastando, voltou-se novamente para eles sorrindo e berrando:
— Ah, traga o bonitão aí para nossa social amanhã.
nem esperou uma resposta e continuou correndo atrás de . Percebendo para onde ele havia ido, passou a caminhar mais calmamente. Aproximou-se de sua figura sentada em um dos balanços do parquinho do terreno dos Wickham e acomodou-se a seu lado.
— Olá, bobinho, o que faz sozinho aqui?
— Vai embora, pequena... Você sabia o tempo todo sobre isso e nunca se dignou a me contar...
— Você sabe muito bem que essa não é minha função. Não é justo me culpar pela bagunça que vocês mesmos criaram... Você também sabe, ou deveria saber que a culpa é, em grande parte, sua. Vocês deixaram tudo indefinido quando a foi embora, só esperando que tudo se resolvesse magicamente. Mas as coisas não funcionam assim. Nada se resolveria sem o esforço de uma conversa, acabou que não ficaram na mesma página sobre o que a separação significava.
— Eu sei... Desculpe, é só que eu esperava que ela voltasse da faculdade realizada. Não esperava que se envolvesse com alguém, pelo menos nada sério... Sei que é idiota ter sonhado isso, entretanto, pensei que talvez depois de passar alguns meses separados ou ao fim da faculdade, ela pensasse em aceitar ficar comigo aqui, permanentemente. — explicou, somente agora percebendo o quão fora cego. — Mas parece que nada satisfaz o espírito livre da nossa Annie.
— Sinto muito, , porém ela agora é somente sua amiga. — Começou , com cautela. — parece ser um cara muito legal. Está na hora de encarar a realidade.
— E qual é essa? — perguntou ele, cansado, com a face repousando nas mãos.
— É possível que ela nunca se acomode. Você tem que começar a pensar mais em si e no seu futuro... Deixá-la decidir pelo dela. Ainda tem a mim e a seus outros amigos e família. Além disso, ela sempre será sua amiga, isso nunca iria mudar.
— Será que não? — indagou esperançoso.
— Tenho certeza — afirmou, com um ar definitivo.
— Obrigada pelo apoio, ... Eu sei que você tem razão, contudo, temos tanta história que não sei se conseguirei desapegar...
— Não se preocupe bobão, estarei aqui para isso sempre que precisar. — disse ela, sem graça.
— Eu também tenho que me desculpar por...
Não. Não se atreva a fazer isso agora. — Ela levantou do balanço, tentando se recuperar da emoção que começara a se formar em seu peito.
, eu...
— Vamos só voltar para a festa... — pediu, cortando completamente o assunto. —Você tem que corrigir a atitude de bebêzão que teve com o pobre menino. Vai apertar a mão dele como deve, não vai dar um pio na festa amanhã quando ele for e também nunca mais vai puxar o assunto que tanto quer puxar, está me entendendo?!
— Tudo bem... Mais alguma coisa? — ironizou, teimosamente.
A menina bufou, praguejando.
— Até parece que foi você que chegou para fazer uma surpresa para sua namorada e a viu dançando com o ex dela. Não quero que vocês dois continuem se estranhando como estão. E, quando falo vocês dois, quero dizer você, seu cabeça dura. — sorriu para a linda menina negra, com a pele brilhante da cor do café a sua frente. Não conseguia evitar notar como ela ficava radiante sob a luz da lua, ainda mais toda irritada daquele jeito.
— Logo me juntarei a vocês no celeiro. — avisou ele, balançando a cabeça para clarear seus pensamentos. Satisfeita, resolveu retirar-se e ver que outra crise poderia ter sua amiga se metido enquanto estava longe.

Enquanto isso na festa...

— Mãe, pai, esse aqui é o . Ele chegou mais cedo para... Me fazer uma surpresa.
Seus pais olharam o namorado, de cima a baixo, a princípio impressionados com a aparência do menino. Contudo, os instintos paternais levaram a melhor, se alojando tal qual uma erva daninha, persistentes e desnecessários. Seu pai passou a encarar o menino com desconfiança e sua mãe estranhamente simpática. Provavelmente estavam fazendo a estratégia policial bom/policial mau, pensou , desconfiada.
— Muito prazer, Senhor e Senhora Fraser — cumprimentou , estendendo a mão, temeroso com a reação dos pais de sua amada. Tentou manter uma fachada confiante que, apesar de ser transparentemente falha para , que o conhecia, pareceu colar com seus pais.
Jed e Maggie apertaram a mão do menino e iniciaram uma conversa amistosa que, na verdade, estava mais para um interrogatório, desde coisas mais simples às mais pessoais. Foram tantas perguntas que acabou descobrindo coisas sobre ele que já deveria saber. O pai dela havia acabado de perguntar a o porquê de ele ter se interessado por música em primeiro lugar. Isso despertou a atenção de , já que nunca haviam conversado sobre o assunto.
— Bem senhor... Sempre gostei de música como forma de me expressar, mas o maior motivo foi que isso me pareceu a melhor e, por muito tempo, a única forma de alegrar meus pais...
— O que quer dizer?
— Bem, Senhor Fraser... É que após a morte de Eloise, minha irmã mais nova... Eles ficaram em um estado tão ruim que, futuramente, acabou por destruir seu casamento. Minha irmãzinha tinha um talento natural e quase que sobrenatural com a música. Isso desde pequena. Mesmo que minha habilidade mal se compare à dela, acredito que de alguma forma estou honrando sua memória perseguindo este sonho, que era algo que compartilhávamos.
— Sinto muito pela sua perda... — apertou em um abraço lateral, tentando mostrar-lhe que estava ali por ele.
Esta confissão tão puramente sincera de pareceu mudar completamente o comportamento de seus pais. O respeito que começaram a endereçar ao menino era um contraste enorme com o modo que agiam antes. Isso permitiu que os deixasse para ir ao toalete, sem precisar ter medo que fossem matar o pobrezinho com a espingarda de Jedediah.
Observando-os conversar da porta do celeiro, um tempo depois, ficou satisfeita em perceber certo conforto entre o grupo. Alguns de seus amigos que paravam para conhecê-lo ao passarem, também pareciam aprovar o menino. estava divertindo-se ao constatar que o encanto do garoto era algo sem limites.
— O que foi que seu namorado fez com os Frasers? — Perguntou , aproximando-se com os olhos arregalados.
conseguiria convencer até uma poça d’água a não molhá-lo. Esse menino realmente não tem limites na arte da conquista — replicou , gargalhando.
— Não se preocupe com ... O idiota vai voltar com o rabo entre as pernas, já que, aparentemente, ele deixa de ter cérebro perto de você!
— Obrigada novamente, . — agradeceu , estranhando o olhar distante da amiga. — Ei, está tudo bem?
— Sim... Desculpe, estou só cansada de toda a agitação de hoje.
— Tudo bem, amiga. Vamos lá! Não quero perder a cara de quando ele souber da tradição da ceia de natal.
A expressão da outra garota transformou-se imediatamente.
— Tem razão. Isso vai ser épico. — A morena arrastou na direção do menino, parando somente para falar com Anthony.
— Tony, levanta essa bunda daí e vai buscar a câmera! Você e a Pepper tem a vida toda para engolir a cara um do outro.
— Não enche, — murmurou Anthony, continuando a dar atenção à sua namorada até levar um tapa na cabeça e resolver obedecer sua amiga mandona.
— OK, ok. O que você quer?
— Você é surdo, menino?! Câmera! Encontre agente no palco em cinco minutos! — Com isso, a morena saiu andando decidida na direção do DJ, que fez uma careta ao perceber a sua aproximação.
Anthony olhou para em confusão, enquanto pegava a câmera em sua bolsa.
— Para que precisamos da câmera? — Perguntou ele em uníssono com Pepper, o que levou a um olhar apaixonado entre os pombinhos, e a um revirar de olhos de .
— Tradição do jantar de natal... ... Vocês sabem...
— Meu Deus! Isso vai ser épico. — Os três riram de forma conspiratória.
Ouvindo os primeiros acordes da música que já estavam cansados de escutar, foram para onde as pessoas já se aglomeravam, ao redor de um tremendamente envergonhado. Ian foi até o menino com um microfone e disse algo em seu ouvido.
Anthony começou a tirar fotos do olhar incrédulo do menino ao perceber o que precisaria fazer. Era tradição da cidade que alguém cantasse o karaokê da música Jingle Bell Rock antes do começo da ceia. Como era de fora da cidade, automaticamente o dever passava para ele. Corajosamente agarrando o microfone, o menino vasculhou a multidão em busca da namorada.
— Essa eu dedico para a bela Senhorita Ann Fraser. Feliz natal e obrigado a todos vocês por me receberem tão bem em sua cidade.
Orgulhosa e um pouco surpresa com a desenvoltura de seu namorado, foi até ele, com Anthony a reboque. Pegou o microfone das mãos de , beijando sua bochecha antes de se direcionar ao público.
— Na verdade, esse ano faremos algo um pouco diferente. Teremos um dueto de Angels We Have Heard On High e Tony irá tocar no violão em vez do Karaokê. Quer dizer, isso se todos concordarem.
A multidão aplaudiu e assobiou aprovando a mudança. Nos poucos minutos antes do começo da música, a menina olhou para e disse:
— Estamos juntos nessa. — Ele sorriu, acariciando o rosto dela gentilmente.
— Sim Hazel. Meu par sempre foi e sempre será você. Só você. — A menina suspirou apaixonada.
— Preparado, dupla sertaneja?
— Para pagar micão? — disse ele, com um sorriso convencido. — Sempre.



Continua...



Nota da autora: Oi, pessoal! Essa PP adora criar umas confusões com esses meninos... XD Espero que tenham gostado desse capítulo. Amarei saber o que acharam com elogios, sugestões, pedidos ou reclamações nos comentários. Obrigada por terem lido até o fim <3. Para mais informações, notícias de atts ou de outras fics minhas, entre para a nossa família no facebook!



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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