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Heartbreaker Girl






Última atualização: 31/05/2017

Capítulo Um - Preparação


# P.o.v


Hoje era apenas um dia normal, coloquei minha calça preta, minha blusa vermelha, calcei minha bota e passei meu batom, fui até minha cabeceira e peguei minha jaqueta favorita. Sai de casa sem pentear o cabelo e subi na minha moto, o dia estava úmido e bom o suficiente pra mim. Estava quase chegando à escola e parei pra comprar alguns maços de cigarro de menta, minha marca registrada.
parou do meu lado e veio pra perto de mim com ao seu lado.

- Tudo em cima, ?
- Mais firme impossível, e como você está, vadia?
- Com um pouco de ressaca, mas nada que não dê pra aguentar.
- Você está sempre de ressaca, , já parou pra pensar que se não beber, não fica de ressaca?
- Acho que já pensei nisso sim, , mas sabe o que é? Eu não tava a fim de conselho, nem vindos de mim.
- OK, , já entendi.
- Nem pensar, não me chame de , só a .
- Tanto faz.
- , controle seu namorado, por favor.
- Deixa ele, , um dia você vai encontrar um namorado também e vai sentir na pele como é.
- Não mesmo, essa vida não é pra mim, vamos pra escola logo, já vamos chegar no segundo tempo.
- Como se você ligasse em perder aula.

Liguei a moto e partir, estar no último ano da escola é pesado, principalmente se você não sabe o que quer, eu sei o que quero e o que eu quero é continuar assim, junto desses dois idiotas e fazendo as mesmas coisas.
Eu não sou uma completa idiota, eu já vi meninas o suficiente com o coração quebrado pra não querer essa vida. é forte, mas já tem uma boa parte do coração em pedaços, os quais o tenta consertar.
Eu nunca tive isso, nem mesmo quando tinha 5 anos, nunca tive minha primeira paixão e nunca chorei por um garoto.


A aula passou depressa e Álgebra é definitivamente um saco, quem precisa disso?
Sabe quando você não tem nada melhor pra fazer e fica observando as pessoas? Eu tenho muito disso, eu sou quase uma especialista comportamental, basta olhar pra pessoa e eu sei o que ela está passando. Não tem nada que eu goste mais do que olhar as pessoas, principalmente olhar nos olhos delas, eu vejo o quão patética é a vida delas, sempre preocupadas e estressadas, eu não sou assim, gosto de ver essa diferença.

- Ei, , hm... Não sei se me conhece, mas eu sou da sua turma, já fomos às mesmas festas e você chegou a ficar com um amigo meu.
- Só fala o que você quer, por favor.
- Eu não sei, pensei que talvez você quisesse ficar comigo.
- Me encontre aqui no pátio no final da aula.
- Então vamos ficar?
- Se você der mais um pio, não.

Peguei a minha bolsa e joguei meu cigarro fora, ainda tinha três aulas antes de ir embora e muita informação pela frente. O cara até que não era de todo ruim, mas qual é o nome dele mesmo?
As primeira aula se arrastou, cheguei ao ponto de pensar qual seria a melhor forma de me matar para não precisar assistir as duas próximas, mas com tantas opções, me surpreendi com a rapidez que o sinal anunciou o fim daquela aula. Ok, são só mais duas aulas, você aguenta, , segura firme.
Por incrível que pareça, as duas aulas passaram bem depressa em relação à primeira. Muita gente saiu correndo no desespero, sedentos por suas casas, mas eu não, eu tinha um assunto a resolver antes de subir na minha moto e seguir meu caminho. Fui em direção ao pátio sem pressa, desci as escadas lerdamente e quando adentrei o pátio, o menino sorriu com um alívio, provavelmente pensando que eu não apareceria.

- Ei, .
- Apenas me siga.

Ele veio caminhando atrás de mim, sem questionar onde estávamos indo ou coisa do tipo. Entrei num corredor vazio atrás da quadra e ele fez o mesmo. Joguei minha mochila no chão e o encarei, esperando alguma reação, ele veio meio sem graça pra perto e me beijou. Ok, vamos com calma, cadê a pegada, a puxada na cintura, será que ele sabia com quem estava lidando?
Eu o empurrei contra a parede na esperança de que isso fizesse com que ele aumentasse a intensidade dos beijos, mas nada, ele só continuava beijando como um adolescente apaixonado. Tirei minha jaqueta e coloquei uma de suas mãos em meu quadril, agora acho que ele tinha entendido o recado, mas tinha melhorado muito.

- Ok, acho que agora eu preciso ir.
- Você não quer nem saber meu nome?
- Não.

Sai andando antes que ele tivesse a chance de me dizer seu nome ou tentar passar seu número, estudávamos na mesma escola, era tudo que eu precisava saber.
Cheguei em casa e ninguém estava lá, subi pro meu quarto e decidi tomar uma ducha rápida pra me livrar do suor e do cabelo emaranhado.
Eu não tinha nada pra fazer durante a tarde, absolutamente nada, então liguei pra .

- Ei, , tá fazendo o que?
- Deitada apreciando o teto do meu quarto e você?
- Não tenho nada pra fazer, quer vir pra cá?
- É pra já, chego aí em vinte minutos.

Não demorou muito pra ouvir o barulho insistente da campainha, obviamente era .
- Desculpa, madame, não farei novamente.
- Um dia esse seu sarcasmo ainda vai te matar.
- Pelo menos morrerei sendo sarcástica.

Fomos pro meu quarto e acabei contando pra sobre a ficada de hoje, ela me encarou boquiaberta, como se eu fosse um monstro por nem saber o nome do menino.

- Ele era sem sal, , ele não sabia absolutamente nada sobre ficar, acredite.
- Mas custava deixar ele falar pelo menos o nome dele?
- Claro que custava, custava meu tempo.

Continuamos conversando amenidades, até que recebeu uma ligação do e ficou nela por um bom tempo. Deu tempo de checar todas as redes sociais durante essa ligação e ainda escutar um pouco de música. Depois do que parecia ser a vigésima música, desligou e me olhou sorridente.

- Desembucha logo.
- O que você pretende fazer nesse fim de semana?
- Olha, de acordo com a minha agenda, eu tenho um encontro reservado com a minha cama no sábado, e no domingo eu vou remarcar o encontro do sábado.
- Ah, mas você não vai mesmo, eu arranjei o programa perfeito.
- Eu deveria perguntar o que é?
- Claro! Um amigo do vai dar uma festa no sábado à noite e ele nos convidou.
- Ou seja, ele te convidou.
- Não, ele nos convidou e a senhorita vai.
- Bem, melhor que não fazer nada, certo?
- Certo!

Acabamos por ver um filme e quando percebemos, já havia anoitecido. se despediu com um beijinho e pedi pra que ela me avisasse quando chegasse em casa. Preparei um sanduíche e deitei na minha cama, o comi por inteiro e sem nem perceber, acabei apagando.

Acordei no dia seguinte com o despertador gritando em meu ouvido, tomei um banho, molhei os cabelos e me vesti. Optei por uma calça jeans preta, minha bota de salto alto e uma blusa xadrez. Quando eu estava na porta, lembrei que meu maço de cigarros não estava dentro da bolsa e saí correndo para buscar. Ok, tudo pronto.
Eu adorava a sensação do vento no meu rosto, era quase libertador, eu dirigia sem olhar o limite de velocidade, apenas aproveitando o ar fresco do dia.

- !

Olhei para trás a procura de quem me chamava, mas não consegui ver, então continuei andando como se nada tivesse acontecido.

- !

Agora vi uma menina correndo pra me alcançar, eu reconhecia aquele rosto, mas de tão longe, não conseguia dizer quem era. Quanto mais próximo ela chegava, pude ver que se tratava de Nina, uma garota da minha sala.

- Ah, oi, Nina.
- , você fez o dever de Sociologia?
- Não lembro.
- Você pode ver pra mim?
- Quando estivermos na sala, pode ser?
- Pode?

Eu sabia que não tinha feito o dever de sociologia e queria mesmo matar aula, entrei no banheiro do ginásio e joguei minha mochila no chão, peguei um maço de cigarros de menta e acendi. Liguei o chuveiro a fim de amenizar o cheiro da fumaça, apesar do barulho da água caindo ser audível lá fora. Traguei até quase queimar meus dedos e considerei fumar um segundo, mas acabei não o fazendo, desliguei a água, me dirigindo pra fora do banheiro.
Assisti todas às aulas quase dormindo, afinal, só as vozes daqueles professores davam sono.

E assim foram os meus dias, até sexta. Chegando em casa, meu irmão estava jogado no sofá dormindo. Eu não considerava o bonito, afinal, ele é meu irmão, mas já ouvi uma porção de vezes as meninas suspirarem quando ele passava. Acho que o efeito dos olhos azuis claros com a combinação do cabelo preto causava isso.
Meu primeiro instinto foi deitar pra dormir também, mas acabei fazendo alguns deveres da escola e comendo um lanche.
A tarde passou rápida e logo o jantar estaria na mesa, sextas eram as noites do jantar em família. Eu coloquei um pijama confortável e lavei o rosto. Sentei a mesa de frente pra , ele já tinha vinte e um anos, mas tinha uma carinha de dezoito. Meu pai sentou-se e deu um rápido “boa noite”, minha mãe veio segurando uma travessa e a colocou sobre a mesa. Peguei um pouco de suco de laranja e comecei a colocar meu prato. O silêncio que estava ali presente era enlouquecedor e só foi quebrado quando meu pai pigarreou.

- Como foi a escola hoje, ?
- Foi ótima, pai.
- E a faculdade, ?
- Cada dia mais difícil, mas tudo indo bem.
- Querido, isso não é assunto pra hora do jantar, vamos apenas comer, por favor.
- Tudo bem.

Eu terminei, lavei meu prato e fui pro meu quarto, eu precisava descansar, o dia foi cheio e eu precisava estar disposta a passar uma noite festando amanhã.

Acordei quase na hora do almoço e vi uma mensagem de no meu telefone:

, preciso de ajuda pra escolher a roupa de hoje à noite, please.”

Botei um short jeans, uma blusa qualquer e calcei um tênis, depois de escovar os dentes peguei minha carteira e minhas chaves e fui andando pra casa de .
Demorei um pouco pra chegar so meu destino, mas o exercício valeu à pena.
abriu a porta rapidamente, como se estivesse me esperando ali desde que acordou.

- , eu tenho três opções e preciso de ajuda.
- Vamos ver.
- Eu tenho esse vestido vermelho com decote nas costas, tem esse branco que bate um pouco acima do joelho, mas ele é de manga e posso sentir calor, e tem esse azul curto, mas ele é meio transparente, não acha?
- , o azul é maravilhoso, vai ficar lindo em você, experimenta.

ficou no banheiro o que pareceu ser uma eternidade, mas quando saiu eu pude ver que eu estava certa, o azul ficou perfeito em .

- E então?
- É esse, com certeza, o vai pirar.
- Opa, então é esse mesmo, e você? Já decidiu o seu?
- Eu tenho um em mente, sim.
- Tudo bem, vamos comer alguma coisa.
- Não dá, , eu preciso ir pra começar a me arrumar e tals, mas posso te encontrar aqui mais tarde? Não quero ir de moto pra festa, não de vestido.
- Tudo bem, não se atrase, o vem buscar a gente às nove.
- Combinado.

Fui correndo pra casa e quando cheguei já eram umas três horas, hora de escolher o vestido, sapato, acessórios e tudo mais.
Abri meu armário na esperança de encontrar o vestido que eu queria, achei ele entre os cabides, era um vestido preto, na altura da coxa com um decote nos seios. Fiquei em dúvida entre o meu salto vermelho e o preto, mas no final optei pelo preto. Peguei brincos e pulseiras combinando. Quando terminei, o relógio já marcava seis horas, corri para o banheiro e tomei uma chuveirada gelada o mais rápido que pude. Desci de toalha e peguei uma maçã, estava vendo televisão sentado no sofá.

- Vai sair, avisando que estava indo.

, não vem pra cá, eu o vamos passar aí pra te pegar”.
“Ok”

Sentei na minha cama e fiquei me encarando em frente ao espelho, estava tudo perfeito, era hora de ter uma festa de arromba.
Ouvi a buzina do lado de fora e desci a escada correndo.

- Mãe, pai, estou saindo. – Gritei.

Corri para o carro de Brian e entrei na parte de trás, bati a porta do carro e arrancou.

- , você tá linda.
- , você tá bem mais.
- Meninas, quem quer fazer um esquenta antes da festa?
- Eu! - Eu e respondemos.

tirou uma garrafa de vodka do porta malas e deu uma golada, fiz o mesmo e parou o carro pra poder fazer o mesmo. Paramos de beber e fomos pra festa, só de entrar na rua o som da música eletrônica era audível, a casa da festa era enorme e estava com uma luz neon. O que me esperava nessa noite?

Capítulo Dois - A Festa


Assim que estacionou o carro, descemos e fomos em direção a casa, reconheci alguns rostos ali e aqui, provavelmente alguns colegas de turma.
saiu cumprimentando o pessoal e o seguiu, dando abraços nas pessoas. Estavam servindo de tudo, mas eu acabei virando um copo de tequila. Continuei seguindo o casal até que eles começaram a dar uns amassos num canto qualquer. Decidi que era hora de dar privacidade a eles. Fui até a cozinha, peguei um copo e misturei energético com vodka, tomei um gole e percebi que estava fraco, coloquei um pouco mais de vodka até chegar ao ponto certo.
Fui andando até onde parecia ser a varanda e sempre via alguém me encarando. Depois de beber vários copos de qualquer coisa que fosse alcoolizada, eu já estava mais sociável e acabei sentando com um grupinho que estava jogando. No começo era um jogo que eu não conhecia, mas quando virou verdade ou consequência, eu entrei na brincadeira. Sentei do lado de uma garota da minha turma e a garrafa começou a girar e perguntas e consequências não paravam de acontecer.

- Ashley, é verdade que você já dormiu com o professor Will?
-Verdade!

Todos caíram na gargalhada por quase dez minutos. Professor Will era nosso professor de Química e pelo jeito, ele não estava ensinando química apenas nas salas de aula. Depois de mais algumas giradas e mais alguns copos de um coquetel qualquer, a garrafa parou virada pra mim. Um garoto que aparentava ter uns 15 anos olhou pra mim e perguntou:

- Verdade ou consequência?
- Consequência.
- Eu desafio você a ficar com o garoto mais velho dessa roda.

Um garoto que parecia ter uns 20 anos levantou e veio na minha direção, ele tinha os olhos castanhos claros e uma boca carnuda e avermelhada. Ele era lindo pra caralho, não havia como negar. Ele chegou cada vez mais perto e me puxou a cintura, todos na roda ficaram calados por um momento e não parecia que qualquer um dos dois estava pronto para quebrar aquele beijo.

- Quer sair daqui? - Ele disse com a voz rouca.
- Quero.

Fomos em direção a um dos corredores da casa e ele me prensou na parede, eu parei o beijo e dei pequenos beijinhos em seu pescoço que logo viraram chupões. Ele deu um leve gemido e buscou meu pescoço também, a coisa estava alucinante, ele puxava minha cintura pra mais perto dele. Eu agarrava seus cabelos enquanto ele ia descendo o beijo do pescoço em direção ao decote do vestido.

- , VAMOS EMBORA, MEUS PAIS JÁ ESTÃO ME LIGANDO.
- JÁ VOU, , SÓ MAIS DOIS MINUTINHOS.

Maldita hora pra decidir aparecer, fingi que não escutei e continuei beijando o garoto, aos poucos fui separando os meus lábios dos dele, até não ter mais nenhuma proximidade.

- Eu preciso ir, de verdade.
- Tudo bem.

Quando eu estava virando pra ir embora, ele agarrou meu braço e me puxou de volta pro beijo, continuamos nessa até que eu o interrompi e sai dali. e estavam me esperando encostados no carro. Acho que era o único sóbrio naquele meio, já parecia ter esquecido até o próprio nome e com certeza não estava em condições de ir pra casa, assim, acabamos indo pra casa do e decidimos dormir lá. Fui pro quarto de hóspedes e depois de tirar o salto e os acessórios, me joguei na cama e rapidamente apaguei.
Acordei com uma dor de cabeça brutal e todo e qualquer barulho parecia intenso e alto demais pros meus ouvidos. Fiquei revirando na cama até cochilar novamente e só acordei de vez quando já eram umas três horas da tarde. Fui em direção à cozinha na esperança de ter algo comestível por ali.

- Bom dia, gata.
- Fala baixo, .
- Ressaca?
- Um pouco.
- Come uma banana, ajuda.
- Só vou querer um pouco de água mesmo.
- Tudo bem.

ficou calada enquanto eu pegava um copo de água e engolia o mais rápido que eu conseguia.

- Quem era o gato da outra noite?
- Não tenho a mínima ideia.
- De novo essa mania de não perguntar o nome?
- Foi um desafio, , não foi pensado, além do mais, com sorte, nunca mais vou vê-lo.
- Tem certeza que não quer o ver nunca mais?
- Absoluta.
- Não era o que parecia ontem.
- , eu estava bêbada, ou trêbada, nem sei dizer direito.
- Mas você sabia o que estava fazendo, tenho certeza.

Deixei falando sozinha enquanto eu caminhava em direção ao banheiro pra lavar o rosto e escovar os dentes. Ouvi uma movimentação e uns risinhos na cozinha. tinha acordado, com certeza, e estava de bom humor pelo jeito. Voltei à cozinha precisando de mais água.

- Boa tarde, .
- Boa tarde, . -Respondi secamente.
- Está de mau humor?
- Não, só quero ir pra casa e voltar a dormir.
- Quer que eu te leve?
- Eu agradeceria, saltos não são os melhores companheiros para uma longa caminhada.
- Eu vou junto.
- , você está um caco, como sou sua melhor amiga, preciso te informar isso.
- Tudo bem, te espero aqui, senhorzinho, e me manda mensagem quando chegar em casa, .
- Se eu não dormir antes disso, mando.

Dei um beijo em sua bochecha, passei em frente ao quarto de hóspedes, peguei minhas coisas e fui em direção ao carro, sentei no banco do passageiro e fui me arrumando pra não chegar naquele estado em casa. me olhava e ria quando eu fazia algumas caretas ao perceber minhas olheiras.

- Ei, para de rir.
- Desculpa, não dá, isso tá muito engraçado.
- Podia ter tirado sarro ontem, eu te ajudaria.
- , sobre ontem… - Ele me olhou meio receoso, como se fosse falar sobre algo ruim ou que eu não gostaria, e eu já conseguia imaginar o que era.
- Você também não, a já veio com esse papo.
- Mas eu nem falei nada.
- Mas eu já sei o que você vai falar.
- O que é então?
- Sobre o carinha de ontem e blá, blá, blá.
- Bem, quem tá tocando nesse assunto é você, não eu. - Ele olhava com um sorrisinho malicioso e segurava o riso. Eu caí direitinho na armadilha dele, agora eu teria que falar sobre aquilo, querendo ou não.
- Fala logo, .
- Eu conheço ele, ele é super gente boa, primo do dono da festa e eu posso falar com ele, se você quiser.
- , esquece isso, ok? A gente nem conversou, nem o nome dele eu sei, esquece isso, de verdade.
- Tem certeza?
- Sim, , obrigada, só finge que nada de ontem aconteceu. - Ele deu uma risada e sabia que eu era uma causa perdida.

Ele ficou em silêncio o resto do caminho. Depois de todas as ficadas serem assim, eles achavam que eu ia parar com o cara, que eu ia me ajeitar e virar uma romântica incurável e bem, nunca aconteceu...
Assim que chegamos, me despedi de com um aceno, entrei em casa e fui direto pro meu quarto. Me despi e entrei no chuveiro. A água quente escorria pelo meu corpo e eu me arrepiava. Depois de uma noite cansativa, um banho quente e muitas horas de sono eram tudo que eu precisava.
Sai do banho, me enrolei na toalha e peguei uma calcinha na gaveta, coloquei uma blusa qualquer e deitei. Meus olhos foram fechados aos poucos até que eu não visse mais nada e nem percebesse que havia dormido, até acordar.
Quando acordei já era por volta de oito horas da noite e resolvi adiantar alguns trabalhos escolares. O último ano na escola não estava nada fácil e eu só queria que acabasse logo. Queria ir pra faculdade, morar sozinha, cuidar da minha própria vida e estudar apenas o que eu quisesse e gostasse. A questão é que eu não sabia o que eu queria. Não em relação a isso.

Capítulo Três - Escola


A semana de provas finais havia começado e eu precisava garantir as últimas notas para passar direto e poder relaxar durante as férias. Eu estava ansiosa pelas minhas notas do SAT. Tudo que eu queria era passar pra faculdade, orgulhar os meus pais e rapidamente ir morar no campus, só pra dizer que saí de casa.
As notas estavam razoáveis, alguns B+, alguns B-, porém nada muito fora do normal e que pudesse me impedir de passar pra uma faculdade razoável. Todos os meus amigos sabiam o que queriam, queria estudar Moda, entrar no ramo de Estilista e ser muito famosa, enquanto queria estudar Medicina e ser um renomado cardiologista. E o que eu queria ser? Bem, em algum momento eu descobriria. Nessa temporada de provas, acabei ficando com poucos garotos e consumido mais cigarros que o normal. O estresse estava a mil.
Faltava apenas duas semanas para nossa formatura e não caia a ficha que estava acabando, não que eu fosse sentir falta, mas aquela tinha sido minha vida até ali.
Eu estava estudando pra uma última prova - Química Orgânica - quando meu telefone tocou e no visor pude ver que era e coisa boa não viria.

- Fala, !
- Você não sabe da maior.
- Então você pode tratar de me contar, já.
- A comissão de formatura está organizando uma festinha depois do baile e eu preciso que você me ajude.
- Ajudar com o quê?
- Como eu sou da comissão, se ofereceu pra fazer a festa na casa dele e preciso que me ajude a comprar as bebidas, decorar a casa, preciso que me ajude a fazer a melhor festa de nossas vidas.
- , você sabe que eu não gosto dessas coisas.
- Por favor, , por favorzinho, eu nunca te pedi nada.
- Tudo bem, mas só porque você está implorando.
- Obrigada, obrigada, nem sei como te agradecer.
- Tá tudo bem, preciso desligar, preciso terminar de estudar pra prova de amanhã.
- Tudo bem, beijo, .

Desliguei o telefone e voltei minha concentração para a questão de nomenclatura sobre uma cadeia qualquer. Era última prova e eu precisava ir bem.
No dia seguinte, fui melhor do que esperava, a prova em si estava inacreditavelmente fácil e um peso saiu dos meus ombros. Tinha acabado, era isso.


As duas semanas passaram bem rápido, nada pra fazer além de ficar em casa, fumar e eventualmente sair com ou algum colega de sala pra uma balada ou algo do tipo. Aquelas duas semanas foram as melhores da minha vida, nenhuma preocupação com escola, bebida e amigos.


Faltando apenas alguns dias pro baile de formatura, deu um jeito de me puxar pra algumas lojas comprar um vestido, ela já tinha o dela planejado desde a oitava série, mas eu, não. Ela não queria que eu fosse de jeans e consequentemente, acabei experimentando uns 200 vestidos. Quando já tínhamos desistido, pediu que eu experimentasse um último e depois poderiamos ir para casa. Me assustei com um grito vindo da loja quando eu saí do provador.

- O que foi, ?
- Você está maravilhosa! É esse! Esse é o vestido!

Me olhei no espelho para verificar se ela estava certa e pela primeira vez nós concordávamos. O vestido, preto liso, cobria os pés de tão longo, mas não era recatado, não mesmo. Seu decote, e sua fenda em uma das pernas, o tornava sensual, mas não de modo vulgar. Seria o vestido perfeito com um batom vermelho sangue. E com uma troca de olhares, sabíamos, levaríamos esse.

- Eu não acredito que te convenci a ir de vestido no baile!
- Você não fez isso, , o vestido fez.
- Mas dá no mesmo, porque eu te apresentei pro vestido. - Ri das palavras de .
- Sabia que não é justo que eu não possa ver seu vestido? Você já viu o meu.
- Não é a mesma coisa, , ninguém viu, é surpresa.
- Você vai fazer isso com a sua melhor amiga?
- Vou, assim como você faria, agora chega de falatório e vamos comprar as decorações e bebidas dessa festa.

Acabamos comprando copos vermelhos e azuis e algumas coisas neon que deixaria tudo mais divertido. Algumas luzes e um amplificador pra que a festa fosse a mais barulhenta possível. Compramos bebidas alcoólicas, não alcoólicas, tudo na maior variedade possível. Compramos uns biscoitos e uns amendoins pra galera não passar fome, mas no geral, eles queriam bebida e é o que daríamos.


*Três dias depois*

- , levanta, é o dia do baile! - Minha mãe gritava em meu ouvido.
- Me deixa dormir, mãe.
- Você precisa começar a se arrumar, o cabelo e a maquiagem não vão se fazer sozinhos.
- Tudo bem, mãe, eu já vou, cinco minutinhos.

Eu não estava com tudo aquilo, na minha cabeça, eu botaria o vestido, passaria o batom e estava pronta, mas pelo visto, seria bem mais do que eu esperava. Acordei meia hora depois do combinado com a minha mãe, mas eu podia afirmar que era o sono da beleza e tudo estaria bem.

Capítulo Quatro - Baile + Pós-Baile


Passei à tarde com pessoas andando pelo meu quarto e mexendo em meus cabelos e perto das 18:00 horas vi que o trabalho estava finalmente pronto. Eu achava que tudo aquilo era besteira e não faria a menor diferença, mas eu realmente estava ainda mais bonita. Os cabelos caíam em ondas e a maquiagem estava em perfeita ordem, um batom vermelho, as pálpebras estavam esfumadas em preto, realçando meus olhos azuis. Estava na hora de colocar o vestido e o salto para completar aquele visual.
Minha mãe tirou foto por mais de meia hora, até que decidiu que estava na hora de me levar pro baile. Não dava pra ir para o baile de moto e arriscar aquele penteado maravilhoso na opinião dela. Fomos em silêncio a caminho da escola e de vez em quando minha mãe abria um sorriso discreto.
Na entrada da escola, minha mãe me deu um forte abraço e eu saí do carro. Agradeci a todos os dias que usei minha bota de salto por me deixarem preparada pra esse dia. Todos já estavam no salão e todos muito bem vestidos. Mas a música não era de longe tão boa, estávamos mais animados com a festa que viria depois. O ponche de groselha estava gostoso, mas todos sabiam que sem um álcool não tinha graça nenhuma. Não achei em lugar algum, tampouco achei , mas acabei conversando por um tempo com os meninos da sala na espera que algum dos dois aparecesse logo.
Quando a festa estava no auge, apareceu na entrada, ela estava linda, parecia uma princesa em seu vestido tomara que caia, o violeta contrastava com seus cabelos loiros. Eu entendi porque o vestido era uma surpresa, ele era simplesmente incrível, marcava cada curva de seu busto até o tronco, onde descia rodado.
Olhei pra trás e pude ver , ele estava tão vidrado nela que não conseguia se mover, estava com o cabelo em um coque, dando pra ver perfeitamente seu rosto e ela estava corada. caminhou até ela de modo que se beijaram apaixonadamente e dançaram ao som de uma música lenta qualquer.
Quando a música acabou eles vieram em minha direção e eu estava feliz por ver que tinha encontrado alguém que a amava de verdade, dava pra ver em seus olhos e eles estavam em perfeita sintonia.

- , você está linda, mais que linda, maravilhosa!
- Você também,
- As duas estão, mas temo que a minha garota esteja mais bonita, , desculpa
- Eu vou ter que concordar,
- Vocês dois podem parar de me envergonhar só um pouquinho, por favor?

Eu e rimos da reação dela e logo começamos uma dança divertida em trio, estávamos animados e felizes, estávamos todos juntos e nada poderia dar errado.
Não demorou muito para que o baile terminasse e todos fossem animados para seus respectivos carros para que a festa continuasse na casa de , mas com muito menos pompa e pudor. Queríamos dançar até não dar mais, encher a cara até cair e não lembrar nossos nomes.
A casa já estava pronta, então não corremos muito, quando chegamos, ninguém estava lá ainda, então foi o tempo de mudarmos nossas roupas. Continuei com o salto, a mesma maquiagem e o penteado, apenas coloquei uma saia justa, uma blusa branca colada ao corpo e minha jaqueta. botou uma versão menos formal de seu vestido, onde ela poderia se acabar de dançar. tirou o smoking e trocou por uma calça jeans, mas ainda com a blusa social branca.
Assim que acabamos de nos arrumar, fomos receber a galera e apontar a área da piscina, onde aconteceria a festa em si. Dentro de meia hora, ou menos, já estavam todos ali e todos dançavam com seus copos em mãos. Alguns já estavam se beijando pelos corredores e outros estavam bêbados rápido demais.

- , a festa está maravilhosa, você arrasou na organização, com certeza é melhor festa de todas. - Natalie, uma ruiva da turma de , dizia quando todos começaram a pular na piscina.

Não demorou pra cair na brincadeira e querer puxar pra piscina também, mas ela estava arrumada demais pra isso e acabou reclamando um pouco. Brindamos à melhor festa do ano e quando eu fui buscar mais um copo de vodka, um desconhecido muito conhecido entrou e congelei. Ele estava vindo em minha direção, com certeza.

- Parece que nos reencontramos
- É o que parece. - Eu respondi àquela voz rouca.
- Quer continuar o assunto da outra festa?
- Pensei que nunca fosse perguntar.

Apontei o caminho pro quarto de hóspedes e ele nos levou até lá. Assim que fechou a porta, ele me jogou na cama e não demorou muito para que viesse também, ele ficou por cima de mim, me beijando lentamente, até que algum outro casal abriu a porta e atrapalhou o clima. Levantei de supetão e saí. O garoto veio atrás de mim sem falar uma palavra. estava na cozinha e sentei do seu lado no balcão.

- Ei, , como você está?
- Ótima, , o que é isso que você está tomando? - E antes que ele pudesse me revelar o que era, eu já tinha tomado metade de seu copo.
- O que houve?
- Eu... - E aquela voz estava ali, sedutora e constante, me recusei a virar para encará-lo.
- , que bom que você veio.
- Nunca perderia o convite de uma festa sua. - Lancei um olhar reprovador para , de modo que ficou bem claro que eu estava zangada com ele.

Ele entendeu o recado e deu um sorriso de desculpa, saí de seu lado e peguei uma mistura alcoólica qualquer que estava no balcão. Levei o meu copo comigo ao sair da cozinha para procurar . Quando eu a encontrei, ela estava sentada na beira da piscina com uma cerveja na mão e com um olhar triste, sentei ao seu lado.

- Ei, , o que aconteceu?
- Nada, , eu tô bem.
- Eu te conheço, vai me contar o que aconteceu ou vou ter que te jogar na piscina?
- Vadia! Nada, de verdade, acho que só bateu a bad.
- Você sabe que você tá numa festa, né?
- Eu sei, eu já vou me animar.
- Sabe o que eu acho? Que você precisa beber.
- Mais?
- Muito mais, , você ainda não bebeu nada.

Levantei para buscar mais dois copos para nós duas e botar a música mais animada da playlist para levantar o ânimo da . Na cozinha, algumas pessoas conversavam animadamente, e algumas até se pegavam. Peguei uma garrafa de Absolut inteira para mim e para , peguei dois copos e voltei pra piscina. Enchi metade do copo de cada uma e viramos de uma vez. Demos risada da nossa reação e começamos a dançar iguais duas loucas, pulando, girando e às vezes rebolando o bumbum.
Para surpresa de , chegou por trás dela e começou a dançar colado nela, os dois já estavam bêbados, com certeza. Do nada, eles começaram a fazer uma cara maliciosa.

- , você já viu quem veio?
- Quem?
- Ah, ela já viu sim, amor.
- Vi quem, gente?
- O cara da festa passada, .
- Ah, já!
- Vocês podem parar de me chamar de cara? Meu nome é ou , vocês que sabem.

caiu na gargalhada, e o acompanharam, eu apenas balancei os ombros e fiz cara de paisagem. Continuamos dançando até só sobrar nós quatro na festa, já deviam ser umas cinco horas da manhã e estávamos bem acordados, pelo menos eu estava. Avisei-os de que iria ao banheiro e já voltaria. Ao sair do banheiro, vi sentado no sofá, sozinho.

- Ei, cadê a e o ?
- Eles falaram que estavam cansados e foram dormir.
- Entendi, bem, boa noite.
- Ei, você ainda não me falou seu nome, sabia?
- Achei que o já tivesse falado à essa altura.
- Não, ainda não.
- , meu nome é .
- Boa noite, .

Ele sorriu e se deitou no sofá, eu fui para o quarto de hóspedes, me despi, joguei uma ducha rápida e deitei do jeito que estava. Me cobri e fechei os olhos, caí no sono rapidamente.

Capítulo Cinco - Piscina.


Assim que acordei, coloquei meu chinelo, a roupa de ontem e estava pronta para ir pra casa. Fui até a cozinha pegar um remédio para melhorar a dor de cabeça devido à noite passada e tomei um susto ao ver alguém deitado no sofá. Meu espanto gerou um pequeno grito que acabou acordando o indivíduo.

- Te assustei, ?
- Ah, não, quer dizer, sim, não estou acostumada com pessoas dormindo no sofá.
- Mas você me viu deitando aqui ontem.
- Sim, acho que esqueci.
- Sabe o que eu sonhei, ?
- Não.
- Que você me passava o seu número, bem que podia tornar o meu sonho realidade.
- Continue sonhando.
- Mas eu não quero nada com você, nada que você não queira, pelo menos.
- E você sabe o que eu quero?
- me contou como você é, e pode ter certeza, eu quero um relacionamento tanto quanto você.
- Hum.

Fui pro quarto de hóspedes, peguei meu celular e minha bolsa. Trombei com no corredor e começamos a rir uma da outra.

- Já vai, ?
-Tenho que ir pra casa em algum momento, né?
- Esse momento não precisa ser agora.
- - resmunguei.
- Por favor, podemos passar o dia na piscina.
- Eu não trouxe biquíni, .
- Eu te empresto, tenho um monte de biquíni aqui.

Bufei pra ela e concordei, ela começou a me abraçar, pular, bater palminhas, como se não tivesse acordado agora, eu não tinha toda essa energia de manhã.
Correu pro quarto do e voltou com o braço cheio de biquínis, colocou tudo em cima da cama e me deixou escolher o que eu gostasse. Optei por um preto de cortininha e fui ao banheiro colocar.

- , vem logo.
- Calma, tô terminando.
- Que demora.
- Para de choramingar, já tô indo.

Uns 5 minutos depois eu estava indo em direção ao quarto e deu um assobio, comecei a rir de sua reação e sentei na cama pra esperar ela se trocar.
Quando ela acabou, fomos pra área da piscina e encontramos document.write(Brian) e nadando por lá, sentamos na beirada da piscina e ficamos com apenas os pés na água.

- Amor, você tá uma belezinha.
- Belezinha, ? Quem fala isso?
- , deixa ele! Obrigada, amor.

Eles se beijaram e percebi um olhar sobre mim.

- , quer um lencinho? A sua baba tá escorrendo.
- Não é por você, .
- Acho bom que seja, se não vou ser obrigado a te bater.
- Calma aí, , não tô de olho na sua mulher, não.

Todos riram, menos o , por fim, decidi que a água não estava tão fria assim, entrei e dei um mergulho, apesar da piscina ser grande o suficiente para uma equipe de nadadores, eu consegui fazer a proeza de esbarrar em alguém.

- Vai com calma aí, nadadora.
- Desculpa, .
- Tudo bem, o que você acha de almoçarmos?
- Eu preciso ir pra casa, minha mãe já deve estar pirando, deve querer saber cada detalhe do baile.
- Então vamos ficar só mais um pouquinho na piscina e depois o leva a gente em casa.
- Só um pouquinho.
- Prometo de dedinho.

Passamos pelo menos mais uma hora na piscina antes de sairmos definitivamente, tomamos banho e nos preparamos para ir pra casa. estava apenas esperando ficarmos prontas pra nos levar quando o se ofereceu, já que ia embora mesmo.
O clima dentro do carro foi muito estranho, ficamos todos calados a maior parte da viagem, até que Hannah ligou o rádio e começamos cantar/gritar a plenos pulmões Shape of You do Ed Sheeran, e foi assim, com uma música atrás da outra, até chegarmos a casa de . Ela desceu, mandou um pequeno tchau e fez sinal para que eu ligasse pra ela.
A partir daí, a viagem ficou ainda mais estranha, os dois calados e até mesmo o som da música parecia estranha.

- .
- Oi, .
- Acho que podemos ser amigos, não é mesmo, ?
- Vou pensar no seu caso, .

E o silêncio se instalou novamente...
Chegamos em frente a minha casa e ele parou o carro, eu sabia que devia sair, mas fiquei ali, paralisada no banco do carro. Ele não falou nada e eu decidi que era o momento de ir.

- Tchau, .
- Tchau, parado na minha frente.

- Ei, , como você tá?
- Tô bem e quem é aquele cara?
- Tô bem também, obrigada por perguntar.
- E quem é aquele cara?
- Um amigo da .
- E porque ele veio te trazer em casa?
- Não é da sua conta.

Andei até o meu quarto e fechei a porta, deixando claro que a conversa tinha acabado por ali mesmo. nunca foi do tipo irmão ciumento, por que começaria agora?
Tratei de esquecer o que tinha acontecido e fui tomar banho. Procurei alguma coisa pra comer na geladeira e encontrei uns restos do almoço, comi e voltei pro meu quarto. Fiquei mexendo no computador e uma notificação apareceu no meu celular, um aviso: faltavam 5 dias pra saírem os resultados do SAT.
Deitei encarando o teto e pensei em como eu não sabia o que eu queria do futuro. Meu celular bipou novamente me avisando de uma nova notificação. Não demorou muito pra que eu olhasse o celular e visse:

Número desconhecido: Já pensou?

Demorei a identificar quem era, mas não foi muito difícil, logo retornei a mensagem:

: Quem te deu meu número, ?

Um ou dois minutos depois um novo bipe:

Número desconhecido: Isso não vem ao caso. Pensou?

Eu sabia que tinha sido o , afinal, eles eram amigos e a me perguntaria se ele tivesse pedido a ela, decidi responder depois de cinco minutos:

: Pensei.

Mais um bipe:

Número desconhecido: E qual é a resposta?

A verdade é que nem eu sabia, mas àquela altura do campeonato, o que custava, não é mesmo? Então respondi:

: Podemos tentar.

Um último bipe tocou:

Número desconhecido: Boa noite,

Uma última resposta:

: Boa noite, .

E antes de esquecer completamente o meu celular, ou essa conversa, salvei seu número pra nunca mais ser pega de surpresa.

Capítulo Seis - SAT


Os dias que se seguiram foram de pura tensão, eu, e estávamos loucos pela resposta do SAT ao mesmo tempo que não queríamos. Tentamos nos distrair de toda forma, mas tudo nos levava a uma coisa: a maldita nota. Meu pai me perguntava sobre isso todos os dias e isso me deixava ainda pior. Eu nem mesmo sabia o que queria fazer, então eu não sabia bem de quanto exatamente eu precisava tirar.
era o mais apreensivo porque ele queria medicina, então sua nota tinha que ser quase máxima.
No final de tudo, combinamos de ver as notas juntos, pro caso de um de nós não passar e precisar de apoio. E cada vez mais ia chegando perto, como se estivesse ali parado na próxima esquina nos esperando.
Faltavam 2 dias e eu já estava louca, eu estava tão nervosa que ao invés de fumar mais, eu fumei menos, eu estava quase vivendo a base de fotossíntese. Eu saía tão pouco do meu quarto que era capaz dos meus pais pensarem que eu estava morta.
E o tempo parecia não passar. Até que o dia finalmente chegou e tudo passou rápido demais. Acordei e a carta já estava no correio e no minuto seguinte, eu já estava na casa de . chegou alguns minutos depois com a sua carta na mão e ele parecia tremer.
Sentamos os três no sofá e ficamos nos olhando por um tempo. Até que eu tive coragem de falar.

- Prontos?
- Não - Os dois responderam em uníssono e rimos, era um riso de nervoso, mas ainda sim, um riso.
- No três, ok? - Eles concordaram com a cabeça e começaram a contagem
- 1! - falou e meu coração parecia explodir.
- 2! - Foi a vez de e eu queria desmaiar.
- 3! - Minha vez e abrimos nossas cartas correndo.

Começamos a ler igual a desesperados e nenhuma reação era demonstrada. De repente, começou a chorar e largou sua carta correndo pra ajudar. Todos estavam nervosos e o choro de não ajudava em nada.

- Calma, eu tô aqui, o que tiver acontecido, eu tô aqui. - tentava acalmá-la de qualquer forma.
- Ei, vai ficar tudo bem, estamos juntos nessa.

Peguei um copo com água e entreguei pra ela, era perceptível seu nervosismo porque ela tremia sem parar. Quando ela ficou numa situação um pouco melhor, ela começou a falar.

- Eu… Eu passei
- , isso é maravilhoso!
- E vocês?
- Não consegui terminar de ler.
- Nem eu, amor.
- Desculpa, gente, voltem a ler.

E mais uma vez voltamos a ler e cada linha lida eu ficava mais apreensiva. Eu lia, lia, lia e nunca chegava à parte em que falava se fui admitida nas faculdades que tentei, pra que cursos ou mesmo minha nota. E bem no final, reluzente estava:

Prezada senhorita ,
você foi admitida nos seguintes cursos: Literatura Inglesa, Ciências Biológicas, Administração e Nutrição.
Gostaríamos de parabenizá-la e pedir que entre em contato com a Universidade escolhida no prazo de uma semana.

Eu não conseguia acreditar que eu tinha uma semana pra tomar aquela decisão. não espelhava nenhuma reação e isso podia ser uma coisa ruim. O silêncio era constrangedor e eu tive que quebrá-lo.

- Então, eu meio que passei para alguns cursos e tenho 1 semana para decidir o que eu quero.
- Eu meio que passei para Medicina - Mas pra quem deveria estar com a cara de felicidade de um mundo inteiro, quase chorava à nossa frente.

- Amor, isso é ótimo! Parabéns pra vocês dois!
- Não é ótimo, , é péssimo.
- Mas não é o que você queria, ?
- Ainda é.
- Então por que isso é péssimo?
- Porque eu passei pra uma faculdade em outra cidade, , isso ou outro estado. - O choque foi geral, mas nos entreolhamos e soubemos o que fazer.

Nos abraçamos e aquela foi a última coisa dita, dando tempo para que a gente entendesse que estávamos perdendo um membro do nosso grupo.
As semanas que se seguiram foram de pura tensão, o tinha mais tempo pra decidir do que eu, já que ele tinha escolhido Medicina, e todos os dias ele e brigavam porque ela queria que ele fosse estudar o que ele queria e ele não queria ficar longe dela. Até o dia em que ele assinou a carta afirmando que iria e ela brigou com ele porque ele ia para longe dela.
Por causa de toda essa separação, decidimos passar as férias praticamente colocados e elaborando diversos modos do vir visitar a gente (especialmente a ), pelo menos uma vez por semana.
A cidade não era longe, meia hora de carro talvez, mas pra , isso eram séculos de distância. Ela tava acostumada a ficar colada nele, a sempre estar junto, e de repente isso tem que mudar.

- Ei, , você não falou pra gente pra quais cursos você passou.
- Eu consegui passar em algumas coisas - Ao fim dessa frase tomou o papel da minha mão e começou a ler.
- E você já sabe qual vai escolher?
- Eu não sei, , mas eu tenho uma semana para descobrir, isso é algo bom, não é mesmo?
- Parabéns, , vai dar tudo certo!
- Obrigada, !

*Sete dias depois*

- Bom dia, flor do dia!
- , me deixa dormir.
- Nem pensar! Tá quase na hora do almoço e até onde eu sei, você precisa ligar pra faculdade e ainda nem escolheu seu curso.
- Que droga! Esqueci completamente disso.
- Por isso seu irmão maravilhoso veio te lembrar.
- Obrigada, agora saí do meu quarto.
- Estou saindo.

Eu tinha algumas horas para decidir o que eu iria querer fazer da vida e eu simplesmente não tinha a mínima ideia do que eu faria. Decidi almoçar e tomar um banho antes de ligar pra faculdade de uma vez.
Comi muito pouco devido à ansiedade e tomei o banho mais demorado da minha vida, enrolei até que não desse mais. Hora da ligação. Coragem, , você consegue, vamos lá.

- Alô? - Falei apreensivamente, de forma que era perceptível o meu nervosismo.
- Alô - A voz feminina do outro lado da linha falava quase que automaticamente.
- Aqui é e eu recebi uma carta de admissão faz uma semana.
- Sim, no que posso ajudar?
- Eu queria decidir o meu curso.
- E você já sabe qual é?
- Eu tenho uma ideia e gostaria de saber se a faculdade aceita.
- Tudo bem, diga.
- Gostaria de fazer o primeiro período neutro e entrar no segundo período na matéria que mais me interessar.
- Vou ver o que posso fazer por você.
- Obrigada. - Falei ao mesmo tempo em que respirava aliviada.

Alguns minutos de espera se passaram e a ansiedade só aumentava, nada da atendente voltar.

- Agradeço pela sua espera, acabei de falar com o diretor. - A mulher fez uma pausa, mas a minha curiosidade foi mais forte
- E…?
- Bem vinda à UCLA, querida! - A mistura de sua voz animada com o que aquela frase representava me deixou extasiada.

Continua...



Nota da autora: (31/05/2017) Sem Nota.




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