CAPÍTULOS: [Parte I] [Parte II]





Postada: 28/12/2016

DAY 1


If every day was christmas, and I can be with you


— Onde estamos?
Harper grudou a testa e o nariz no vidro do carro e ficou observando a fachada em frente onde havia estacionado.
A modelo abriu a porta de seu Jaguar XJ e desceu já atraindo diversos olhares. Não era um carro muito comum de se ver naquela redondeza de Londres, mas não trocaria aquela padaria por nenhuma outra, seu coração e estômago já haviam sido roubados há anos pelas delícias do senhor Carl.
Ela abriu a porta traseira e tirou Harper de sua cadeirinha, trancou o carro e caminharam de mãos dadas até o estabelecimento.
— Aqui é a padaria mais gostosa de toda a cidade.
— A gente vai lanchar aqui? Diz que sim, estou morrendo de fome!
riu, havia acabado de buscar a pequena na escola.
— Não foi exatamente pra isso que viemos aqui, mas por que não aproveitar?
Harper assentiu e empurrou a porta de vidro, ouvindo o sininho tocar. Carl logo desviou o olhar da cliente que atendia para a porta e ficou de olhos arregalados.
— Santa Elizabeth, você por aqui! — ele exclamou. Chamou um de seus funcionários que estava mais próximo e pediu licença para a cliente, passando-a para o rapaz.
caminhou até o balcão onde ele estava e levantou Harper, sentando-a numa das banquetas.
— Carl, ainda lembra de mim depois de tanto tempo?
Ele deu a volta pela vitrine e foi até à garota, dando-lhe um abraço. Ele era um senhor gordinho de cabelos grisalhos e seus abraços pareciam de urso, cheiravam sonhos.
— Como esquecer de você, uma das minhas melhores clientes?
Claro, quando aparecia ali, era pra deixar uma boa quantia de libras. Mas havia um bom tempo que ela não aparecia… desde o último natal, talvez? É, com certeza.
Ela sorriu.
— E quem é Santa Elizabeth? Cada vez que venho aqui, você me aparece com um padroeiro novo.
— Princesa Elizabeth da Hungria. Nasceu no século XIII, abdicou do luxo pra alimentar os pobres com pães, é padroeira dos padeiros. — sorriu. — não achei que fosse voltar aqui, ainda mais depois de te ver tanto na televisão.
— Algumas coisas nunca mudam. — deu de ombros e voltou até Harper, colocando a mão em suas costas. Ela observava cada canto da padaria — essa coisinha fofa aqui está com fome, que tal você mostrar pra ela um bagel arco-íris?
Ele assentiu e sorriu pra pequena.
— É colorido que nem arco-íris de verdade? — Harper perguntou pra ele.
— É sim. — piscou pra ela. — o que mais vão querer?
Ela mordeu a ponta do dedo, analisando mais uma vez as vitrines próximas.
— Pra agora eu quero um brownie de pistache, uma bomba de whisky e um latte de caramelo light. — sentou-se com a mais nova — se meu agente descobre que eu comi tudo isso, sou uma garota morta. — murmurou.
— Eu quero charlotte de frutas vermelhas. — Harper falou, apontando pro bolo francês. — e o que tem pra beber?
mostrou pra ela no cardápio. Achava a coisa mais linda do mundo aquela criança lendo e se sentia mega orgulhosa de ter um dedo naquele aprendizado.
— Mocha de chocolate branco!
Carl assentiu e saiu para buscar o pedido delas. Enquanto isso, ficou folheando o cardápio e pensando se algum dia conseguiria comer tudo que queria, porque ali naquele lugar, vontade não faltava. Já começou a pensar no que levaria para seus garotos, sogros, Pamela e Peter. E mais pra ela, também.
Os olhinhos da pequena brilharam quando Carl colocou o prato na sua frente com seu pedido, mas o bagel colorido que era a sensação. Na mesma hora ela o pegou e mordeu um pedaço.
— Que delícia! — ela riu e deu outra bocada. Logo em seguida, Carl trouxe o de . Antes de comer, ela já arquitetou com ele o que levaria para o pessoal.
— E o pedido anual pro hospital? — ele indagou.
— Sim! É por ele que eu vim, e olha o tanto de coisa que já peguei. — fez bronca, brincando. — alguma novidade para esse ano?
— Que tal cookies red velvet?
— Ótimo. Pode acrescentar com os de outros sabores, mas esse ano quero uns cem a mais, vou dar para os médicos também.
Ele assentiu. Aquela garota sozinha já garantia seu natal.
— Pra que tanto cookie, ? — Harper perguntou.
A babá virou-se para a pequena e deu risada com o nariz dela lambuzado de morango.
— Uma lembrancinha que eu dou todos os anos para as crianças do hospital do meu pai. Elas estão dodóis. — sorriu tristonha e Harper a imitou. — o senhor Carl coloca numa embalagem linda, aí no natal eu vou lá e entrego pra elas.
— Posso ir entregar com você?
— Claro que sim! — afagou os cabelos dourados da menina e sorriram.


DAY 2


Underneath the mistletoe, kiss you when nobody knows


— Por que você vai decorar seu apartamento se não é aqui que vai passar o natal? — Cruz perguntou enquanto despejava a areia branca dentro do aquário, para montar um terrário.
havia buscado seus kiddos na escola e os levado direto para seu apartamento. Ela e Harper passaram a tarde inteira de loja em loja comprando os materiais necessários para montarem as decorações natalinas.
— Eu ainda nem sei onde vou passar o natal. E é minha época favorita do ano, por isso eu enfeito.
— Também é meu preferido. — ele respondeu e Harper concordou.
— Duuuh, você vai passar o natal com a gente, é claro! — Romeo falou, olhando para a babá sentada na mesa com os irmãos mais novos.
Ele estava numa escada pendurando pisca-pisca de estrelas na porta de vidro da varanda com a ajuda de . O mais velho apenas olhou pra namorada de soslaio, esperando sua reação.
— Vou pensar no seu caso. — piscou.
— Ah… — Romeu chiou, perdendo o sorriso.
Ele olhou para o irmão. Cruz olhou para . Harper olhou. Menos .
Ela não queria ter que decidir aquilo agora, e nem podia. Queria passar o natal com muitas pessoas, mas não dava para juntar todas elas, e já sabia que querer não era sinônimo de poder.
Até o último ano, era muito fácil. Ela chamava Oliver para sua casa e eles ceiavam com Pamela.
Esse ano ela tinha os s e Peter. Doutor esse ano já havia deixado bem claro que não ia só dar uma passadinha em casa para vê-la, mas ficaria com a agenda livre para a filha desde a véspera do natal. Não era algo que ela pudesse atrapalhar.
Ela suspirou e virou a cabeça, erguendo olhar até o bonitinho.
— Eu vou fazer o possível, ok?
Ele sorriu.
, terminei.
Harper afastou as mãozinhas e mostrou o resultado dos enfeites de glitter nas meias de feltro para colocarem na lareira. Uma pra cada um deles.
— Estão lindas. Qual é a minha?


DAY 3


If every day was christmas and there'll be gifts all year


esticou a escada e a levantou, colocando-a contra a parede do lado de fora de sua casa. Relaxou os ombros e suspirou, aquela porra era pesada, com certeza teria dores na coluna mais tarde.
Ela enrolou o festão no braço e subiu alguns degraus. Era muito chato colocar aquilo sozinha, mas ela deixaria a entrada da casa com uma decoração linda.
Colocou o festão no começo da coluna da varanda e o enrolou por toda sua base, descendo aos poucos da escada.
estava no último andar de sua casa tirando fotos da natureza e do céu nublado de longe. Por um momento ele deixou a câmera descansar e a pendurou no pescoço com sua corda, apoiando-se na varanda.
Seu olhar foi direto à casa do outro lado da rua um pouco à esquerda, onde ela morava, por puro instinto. Não era como se imaginasse vê-la ali, não era muito comum da parte dela. Ainda, um sorriso tomou seu rosto quando a viu e deu uma risada quando reparou na sua arrumação.
Ah, como ela adorava o natal. Enxergava uma magia única naquela festividade. Seu próprio aniversário estava mais próximo do que o feriado, ainda assim, ela importava mais com o outro.
Ao lado da escada, ele viu duas caixas de papelão grandes no chão, cheias de enfeite. Ela nunca daria conta daquilo sozinha… e por que não havia o chamado para ajudá-la, mesmo? Ela sabia ser bem durona algumas - muitas - vezes.
terminou a primeira coluna e aproveitou para esticar o corpo, não demorou em pegar a escada pesada e a apoiar na coluna do outro lado. Fez a mesma coisa, enrolou um pedaço do festão no braço e subiu alguns degraus. estava distraído observando-a, a cabeça estava em algum lugar distante.
Ela ergueu o braço pra amarrar o enfeite e ele embaraçou em seus pés. Olhou para baixo e levantou uma perna na tentativa de desenrolar o fio, mas não deu. Começou a sacudir a perna para soltar, mas também não obteve êxito. De último, ela soltou a mão da escada e abaixou um pouco para alcançar. O peso de seu corpo descompensou na escada e antes mesmo que ela pudesse perceber e fazer algo, a escada virou pra trás consigo.
Seu corpo caiu no chão ainda torto, a escada logo em cima dela. Sua visão ficou mais clara que o normal e cheia de pontos claros. O coração começou a bater mais rápido que o normal e os pulmões tentavam acompanhar o ritmo. Um zumbido tomou conta dos arredores e nem o chiado ou qualquer outra coisa foi capaz de mascarar a dor excruciante que sentia. O baque em seu corpo havia sido enorme, eram no mínimo dois metros de queda, cada célula gritava em dor, pontadas fortes que ela jamais havia imaginado existir. Seus olhos encheram d'água e as lágrimas escorreram pelo seu rosto sem que ela sequer precisasse fazer esforço algum.
assistiu cada segundo. Ele ofegou e deu um soco no cercado da varanda, deu um pulo e virou-se, saiu correndo dali.
A escadaria pareceu ainda maior e ele pulava de três em três degraus. Algum dos meninos o viu no meio do caminho e perguntou o que houve, mas ele não ouviu e nem viu qual dos irmãos era, continuou correndo para descer os quatro andares. Assustado, Romeo correu atrás do irmão, que passou direto pela sala, quase esbarrando em Gemma, que também perguntou o que havia acontecido e foi mais uma sem resposta. Ela encarou Romeo e o mais novo apenas deu de ombros, mas continuou seguindo até fora da casa.
Era como se seu coração estivesse na garganta. Ele não conseguia raciocinar. Ela estava bem? Viva? Consciente? Ele só sabia que precisava correr e ajudá-la.
Colocou o pé na rua e atravessou correndo sem olhar para os lados, só ouviu uma forte buzina quando chegou ao outro lado da rua. Romeo ergueu os braços e pôs as mãos na cabeça, travando o grito na garganta. Já até havia imaginado a cena em que o carro atingiria e o faria voar alguns bons metros. Assim que viu o irmão são e salvo, soltou o ar que segurava. Quando viu uma brecha para atravessar a rua com segurança, voltou a ir atrás do mais velho. Ele tinha mais agilidade pra correr e logo o alcançou, justo quando ambos chegaram na entrada da casa de .
Ele empurrou o portão bruscamente na falha esperança de que ele estivesse destrancado. Pelas grades, Romeo viu prensada no chão pela escada e seu queixo caiu, logo cobriu a boca para não gritar. Ela estava numa posição horrível, toda contorcida. enfiou o dedo no interfone e pensou como as orações funcionavam, pois ele precisava muito que Pamela estivesse ali.
?! — ele chamou normalmente, mas ela não respondeu. — ! — gritou, ainda sem resposta. — ! — berrou.
Romeo colocou a mão sobre o ombro dele.
Pamela estava demorando demais.
Ele olhou para os lados, procurando alternativas… Droga!
O muro era baixo. Aquilo era muito antiético e errado, mas a situação exigia. enfiou o pé entre as pilastras e pegou impulso para pulá-lo, entrando no quintal da frente dos .
! — Romeo xingou.
O mais velho não deu ouvidos e correu até a namorada.
? — ele a chamou de novo, ainda não obteve resposta e nem a viu mover um músculo sequer, mas havia passado tempo o suficiente com a família dela cheia de médicos pra saber o que fazer. Olhou para seu peitoral enquanto corria em sua direção e já se sentiu mais aliviado ao vê-la respirando. Ajoelhou-se ao seu lado e inclinou a cabeça na frente dela. — ?
Ela piscou uma vez levemente e tentou focar a visão no borrão a sua frente. Piscou mais uma vez, com mais força, e reconheceu a silhueta de .
— Pe… — ela tentou falar, mas sua voz saiu vacilante, trêmula, assim como seu corpo. Ela sentia mais frio que o normal e cada parte tremia.
— Não precisa falar, você está em choque, vai ficar tudo bem! — ele esticou a mão para tocá-la no ombro e passar algum conforto, mas ela fez cara feia pro gesto e ele recuou.
Ela engoliu seco e tentou mais uma vez.
— Meu celular, bolso do casaco. Liga pro 112, depois pro meu pai.
assentiu. Ficou receoso em tocá-la, não queria machucar, ainda mais que ela fez cara feia na primeira tentativa… só então ele parou para reparar na garota.
Suas pernas estavam trançadas no festão natalino e o braço…
Ele sentiu o estômago dar voltas e cambaleou, deixando o corpo cair sentado de bunda no chão.
— Anda, ! — ela falou mais alto e rolou os olhos, se repreendendo depois. Aquele pequeno esforço fez a dor se elevar a outro nível.
Pamela e Romeo os alcançaram ao mesmo tempo, cada um apareceu correndo de algum lado.
— Menina do céu, o que você arrumou? — Pamela ajoelhou ao lado dela.
Romeo puxou o seu celular do bolso e ligou pra emergência.
— Caí. — sibilou. — acho que fraturei alguns ossos.
— Oi, minha amiga caiu da escada, ela acha que quebrou alguns ossos. — Romeo repetiu pra atendente da emergência, mordendo os lábios.
Não precisavam que ela entrasse em pânico, pois aquilo estava horrível.
— Vou ligar pro seu pai. — Pam falou e logo já discava para Peter.
— Tira ele daqui. — murmurou pra Pamela e indicou com os olhos.
O menino não tinha a menor estrutura pra aguentar aquilo, e já não era a primeira vez que provava isso pra . Enquanto ela era louca com a medicina, ele passava longe.
Pamela assentiu e caminhou até o garoto, o ajudou a levantar e o guiou para dentro. Mesmo com o cérebro pulsando e o estômago embrulhando, ele não desviou o olhar de até que entrasse dentro de sua casa e a perdesse de vista.
— Você consegue se mover, ? — Romeo repetiu a pergunta da atendente pra modelo.
— Prefiro não tentar.
Romeo fungou e avisou a telefonista, encerrando a ligação em seguida.
— A ambulância já está vindo. Mantenha a calma, ok?


DAY 4


And everything I wish for will be here


abriu os olhos devagar e letárgica, mas os fechou rapidamente ao se assustar com a claridade. Franziu o cenho e sentiu um gosto horrível na boca.
— Preciso desligar, depois eu te ligo. — ela ouviu uma voz forte e grossa falar ali perto.
Um homem.
Onde ela estava?
O que estava acontecendo?
Ela tentou abrir os olhos mais uma vez. A claridade incomodou novamente, mas ela resistiu. A medida em que suas pupilas se adaptavam, ela conseguiu enxergar melhor o ambiente.
Máquinas, bipes, acessos, soro, cheiro ruim, frio… sinônimo de hospital.
Ergueu o olhar, ainda sem mover a cabeça, que estava pendida pra direita. Peter se levantava da poltrona de acompanhante e foi monitorar o IV, regulando alguns medicamentos.
— Bom dia, Cinderela. — ele disse baixinho. — dorminhoca. — explicou.
“Não é Cinderela, pai, é Bela Adormecida”.
olhou para o rosto dele e encontrou duas bolsas roxas debaixo de seus olhos, certamente havia passado a noite acordado… Isso era se… Quanto tempo ela dormiu? Voltou a olhar para o cantinho que ele estava e encontrou duas mesinhas cheias de papeladas e iPads. Claro, trabalhando ao lado de seu leito, só para não deixá-la…
— Doutora Forbes ficará contente em saber que você já acordou, irei bipá-la e ela conversará com você.
piscou. Queria poder movimentar pelo menos a cabeça, mas tinha algo de errado nela, um peso, incômodo… achou melhor ficar quieta. Ele sorriu e a deu as costas para ir avisar a cirurgiã.
“Conversar, é? Doutora Forbes… Valerie? Como assim? Neurocirurgiã? O que aconteceu comigo? Não me deixe sozinha! Peter!”
levantou a mão de uma vez e agarrou o pai pelo pulso.
Uma das máquinas começou a apitar e Peter deu meia volta, voltou correndo e ficou do outro lado da cama, monitorando algumas coisas.
— Ok, não vou sair do seu lado, mas preciso que mantenha a calma. Respire fundo, devagar. Me acompanhe; um… dois…
Ela quis rolar os olhos, mas tentou dar ouvidos ao pai. Seu coração estava frenético e a respiração pesada. E tinha a porra de um tubo na sua garganta.
Foi a conta de seus batimentos diminuírem e ela ouviu a porta sendo aberta.
— Fiquei sabendo que minha garota acordou… Foi mais rápido do que imaginávamos, ótimo sinal. — a médica falou calmamente e se aproximou da garota, apertando seu braço levemente com ambas as mãos. desviou o olhar de seus cabelos cacheados e fitou suas mãos.
“Me explique o que está acontecendo!”
— Vamos lá, preciso que aperte os meus dedos. — ela soltou-se do braço da garota e colocou suas mãos nas dela. obedeceu e sentiu algo estranho em seu braço esquerdo. Virou a cabeça lentamente e com suavidade para olhar. Gesso. Algum osso quebrado.
“Mas que diabos?”
— Ótimo! Agora siga a luz. — Valerie jogou uma luz em seus olhos e ela acompanhou. — perfeito, seus reflexos estão ótimos, pupilas respondendo bem. Vamos aguardar o resultado do exame de sangue para ver se já podemos te extubar. Se sente bem? — ela assentiu com cautela. — alguma dor, náusea, tontura? — negou. — você está se recuperando muito bem, a cirurgia foi super tranquila e pouco invasiva, estou bastante otimista. — sorriu. — faremos checkups a cada hora.
A modelo levantou o olhar até Peter e este segurou sua mão.
— Pode nos deixar a sós, por favor?
Valerie assentiu e saiu, puxou as cortinas antes de fechar a porta de vidro da UTI.
— Você… — ele suspirou e deu a volta no leito, voltando a se sentar na poltrona e a puxou para mais perto da cama de , onde segurou em sua mão do braço que não estava quebrado. — caiu de uma escada. Mexendo com enfeites natalinos.
Ela piscou. Aquilo despertou algumas lembranças, algumas imagens passaram em sua mente. Festões, Pamela, Romeo,
te viu da varanda da casa dele e foi socorrer, mas ele tem o estômago fraco pra isso. — riu.
“Hum, disso eu sei, só quero saber o que houve comigo”.
— Acabou que Romeo que tomou as atitudes… ele é bem desenvolvido pra isso. — sorriu e pensou em fazer o mesmo. Pelo menos o cunhadinho dava conta do recado — Pamela quem me ligou. Estava fazendo um transplante pulmonar, foram tantas ligações que eu precisei pedir pra alguém atender pra mim e colocar no viva-voz no meio da cirurgia… Não consegui terminar, precisei pedir a uma colega.
“Para de me enrolar e fala logo, eu aguento!” franziu a testa. Peter entendeu o recado, estava realmente evitando dar as notícias, mas engoliu seco e assentiu.
— Você fraturou a ulna. Foi simples, só a imobilização foi suficiente, não precisa de intervenção cirúrgica.
“Mas eu claramente passei por uma cirurgia. Com a Valerie. E, bem… pelo menos não estou paralisada, sinto minhas pernas. Mas que diabos foi?”.
— Você não perdeu a consciência em momento nenhum, mas estava muito agitada, em choque. Fizemos uma tomografia e detectamos sangue no ventrículo, o médico queria operar, mas você pediu pela Valerie. Ela não estava em plantão e quando chegou aqui, você estava com pressão intracraniana, foi preciso um acesso para aliviar.
“Claro. Um buraco na minha cabeça. Ugh. Soa mais interessante quando eu não sou a paciente”.
— Fora alguns pontos na testa.
“Oi? Você sabia que esse rostinho é o meu ganha pão? Espero que tenha sido um trabalho digno de não ter marcas! Mais alguma coisa? Fale de uma vez… Como eu estou viva, mesmo?”.
— Não se preocupe, foi Clark quem cuidou das suturas.
“Menos mal. Um cirurgião plástico que eu confio”.
Peter ficou calado por muito tempo, tentando absorver tudo. Aparentemente, a própria lidava com aquilo melhor que ele.
— Já é o segundo acidente no ano, você podia parar de testar meu coração…
“Você é cirurgião cardiopulmonar, aguenta o tranco”.
Eles ouviram algumas batidinhas na porta e acompanharam com o olhar. Grace entrou no leito da filha com Valerie e mordeu os lábios.
— Ouvi dizerem que já irão tirar o tubo. — falou.
“Ótimo, tenho algumas perguntas a fazer…”
A menina fechou os olhos enquanto Valerie lhe explicava sobre o resultado dos exames, que ela não estava retendo dióxido de carbono e já podia respirar sem ajuda mecânica e blá-blá-blá.
A modelo não desviava o olhar da mulher que estava de pé em frente à sua cama com os olhos atentos na neurocirurgiã. Grace tinha a respiração pesada e a testa franzida. perguntava no que aquilo ia dar, pois vê-la preocupada consigo não era algo normal.


DAY 5


I don't ever want today to leave or ever change


Queria poder ir te ver! Você tem certeza que está bem?
— Isso não é problema, irmãozinho, eu pago a passagem pra vocês virem.
Não é isso, … Eu só vou ter folga agora no dia vinte e um, e iremos passar o natal com a família dela… enfim, você não respondeu minha pergunta.
— Não vou responder, você vem e confere com os próprios olhos.

Ela fez carinha de choro, mas ainda não foi o suficiente para convencê-lo. Ele era bem duro na queda, e seu emprego realmente dificultava muito para ele simplesmente sair do país e atravessar o oceano só para vê-la. sentia falta de sua presença, mas conversavam praticamente todos os dias e ele ligava por chamadas de vídeo pelo menos uma vez na semana.
— A família dela mora aqui pertinho, mais um motivo pra você passar aqui.
Ele deu um sorrisinho torto. Aquele sorriso de quem queria ceder e não podia.
Ela assentiu, tristonha.
Ouviu alguém chamá-lo ao fundo e soube que a conversa estava encerrada.
Preciso ir. Gostaria muito de ouvir de você mesma como se sente. Tem noção do quão agonizante é saber do acidente da sua irmã pela internet e não pela família? Argh, odeio morar do outro lado do mundo.
— Você não odeia, você ama aí. Você odeia é Londres. E da próxima vez eu te ligo. — zombou.
Não invente em arrumar uma ‘próxima’.
— Fazer o quê se eu atraio essas coisas. — deu de ombros e riu.
Ouviu o nome dele mais uma vez ao fundo.
Meu horário de almoço acabou, preciso voltar ao trabalho. — soltou um muxoxo e ela também. Gostava de conversar com ele, era como conversar com Oliver. — eu te mando mensagem de noite, ok?
— Estarei aguardando.
escutou algumas batidas na porta do quarto e em seguida ela foi aberta. Cruz entrou seguido de Romeo, David e Victoria.
— Preciso desligar também. E a propósito, eu estou progredindo muito bem na recuperação. — sorriu — pronto, agora você ouviu de mim mesma e não leu de um site de fofoca. — ele riu e ela soprou um beijo para ele, encerrando a ligação em seguida, se virando para os s. — não acredito que vieram me ver! — ela comemorou apertando sua própria bochecha com a mão livre. Cruz e Romeo correram até ela e ficaram na ponta do pé na beirada de sua maca, ela os abraçou com o braço inteiro e os meninos beijaram sua testa, um de cada vez.
— Não poderíamos deixar nossa nora favorita nesse momento. — David comentou e foi cumprimentá-la, entregando-lhe um buquê de rosas vermelhas. Ela aceitou meio sem jeito e agradeceu.
— David, por favor, não vê que ela não pode segurar? — Victoria ralhou e se aproximou do outro lado da cama, pegando as rosas com cuidado e as colocando na mesa ao lado. — como vai, querida? Você quase nos matou de susto.
— Quase me matei, isso sim. — ela brincou rindo, mas eles não acharam graça e ela sentiu as bochechas corarem. — ok, piadinha sem graça. Mas estou melhorando, meus médicos estão gostando do progresso.
— Cadê o ? — Cruz perguntou olhando por toda a suíte.
Ele e o irmão do meio se sentaram no sofá e Victoria na poltrona de acompanhantes ao lado dela.
— No banheiro.
A porta se abriu na mesma hora, e o garoto saiu de lá.
— A senhorita está suposta a manter repouso absoluto. Isso significa conversar pouco.
Ela rolou os olhos.
— Eu entendo de medicina mais que você, sei meus limites.
Ele fez bico. fez esforço para levantar-se um pouco e mudar de posição, mas contorceu o rosto em dor. O namorado correu para ajudar e lhe fitou, claramente passando a mensagem de “eu avisei”.
— Oi, filho, tudo bem? — David falou como se o garoto não tivesse notado a presença da família ali. riu e acenou.
Estava burlando algumas regrinhas depois de Peter mexer uns pauzinhos para que ele pudesse ficar de acompanhante com a namorada, desde quando ela deixou a UTI, afinal ele era de menor, mas não arredou o pé do Hospital George por um segundo sequer depois do acidente.
Aquilo causou uma comoção no sogro. Por questões de segurança para a própria , ele não quis deixá-lo ficar com ela na UTI e optou por ele mesmo pernoitar com ela, nem que precisasse trabalhar com suas papeladas lá, e assim o fez. Mas queria ficar perto de alguma forma, mesmo que não pudesse vê-la. David e Victoria não conseguiam nem por decreto levá-lo para casa, então Peter o colocou pra dormir no seu quarto dentro do escritório no andar da presidência.
olhou para todos eles, incomodada, sentindo falta de algo.
— Onde está Harper?
As conversinhas pararam e todos a encararam, ela olhou para a sogra. Não sabia ficar longe deles, quiçá da pequena.
— Em casa, com Ave.
— Por que ela não veio?
— Eles não deixam visita da idade dela. — Cruz respondeu, atraindo a atenção de .
— Ela está morrendo de saudade de você. — Romeo completou. — também estávamos, mas a gente pode vir.
— Não podíamos nem falar que estávamos vindo te ver, ou ela ia chorar ainda mais.
olhou para Victoria. Ela a entendia, ambas eram mais sensíveis com aquilo. Aquele fato partia o coração das duas, precisar enganar a pequena assim.
— Como não? Não tem nada disso! Pode vir me visitar quem eu quiser, eu sou dona desse lugar! Vou consertar isso agora, pra ela poder vir!
Ela se virou e esticou o corpo pra alcançar o celular ao lado das flores. se apressou para contê-la, segurando-a de volta no lugar pelo ombro do braço direito e Victoria cuidadosamente ajudou a colocá-la em uma posição confortável para o braço esquerdo, o quebrado, que ela insistia em usar como se estivesse inteiriço.
— Ei, ei, quietinha!
— Não se preocupe, , logo, logo você sairá daqui e poderá vê-la. — David se sentou aos pés da garota e sorriu.
— Não! Mas eu quero vê-la logo! É provável que eu ainda fique uns sete dias aqui!
— Isso tudo!? — Romeo deixou o queixo cair e recebeu um olhar feio dos pais.
— Por causa da cirurgia? Você não vai poder ir pra Maldivas com a gente, então? — Cruz completou.
David e Victoria passaram a olhar feio pra ele, que não notou, estava distraído no celular.
— Maldivas? — enrugou a testa.
— Sobre isso…
— Não íamos te contar agora, íamos esperar ver com seus médicos se estaria liberada. — Vic completou a fala de David.
Liberada pra quê? Eles iam pras ilhas Maldivas? Oi? Como assim? Ela sempre quis ir lá!
— Vamos passar o réveillon lá, você é nossa convidada. — contou, dando um beijo em sua cabeça, envolta pelo curativo da cirurgia.
— Não acredito! — ela chiou e jogou a cabeça pra trás, sentindo uma forte pontada na hora.
Droga! Se sentia completamente exaltada depois da presença deles ali! Era tamanha a euforia que ela não conseguia se conter. E Maldivas? Hello, era o atual destino que ela mais queria conhecer!
Fora que ela tinha uma porrada de trabalho a fazer, fotos para a Vogue Paris e tudo mais!
— Preciso conversar com Nicholas, ele limpará minha agenda, então vou com vocês! — sorriu. — meu Deus! Quando isso aconteceu?
— Não é assim, , precisamos saber dos médicos… — Vic falou, mas a mulher não conseguia prestar atenção. Seu foco estava em Maldivas.
— Na hora do seu acidente… Lembra que eu tinha saído para uma suposta reunião? — David falou e assentiu. — era mentira, fui encontrar com Victoria no trabalho e de lá fomos acertar sobre a viagem.
— Aí eles chegaram em casa e quando foram contar a surpresa pra gente, nos encontraram no maior desespero com Ave. — Cruz contou.
— Ela não estava conseguindo falar com eles no celular, porque a gente queria vir pro hospital de todo jeito e ela precisava pedir pra eles. — Romeo completou. Os dois tinham a mania de interromperem um ao outro e completavam as falas entre si. Ela acharia fofo se não estivesse louca pra entender tudo.
— Então nós viemos. — David falou. — eu e , apenas.
— Eu queria ter vindo. — Romeo disse.
— Eu também. — Cruz concordou.
— Mas aqui já estava cheio de gente da imprensa. Achei melhor que ficássemos em casa. — Victoria justificou, atraindo o olhar de Oliva, que passava por todos na medida em que iam contando.
soltou uma risadinha baixa, percebendo que eles estavam aumentando a ansiedade da menina. Peter havia sido bem enfático sobre mantê-la quieta, calma e em repouso, precisavam evitar situações extremas. E, bem… já era naturalmente intensa.
Bem, eles não compreendiam, assim como ele também não, até algumas horas atrás quando a equipe médica ficou lhe passando todas as instruções para a recuperação ser bem sucedida.
— Gente, vamos acalmar, ok? — ele começou com cuidado. — ela acabou de passar por uma cirurgia no cérebro, os médicos falaram para voltar ao normal aos poucos, e não jogando informações sobre Maldivas no colo dela.
Todos calaram e ficaram surpresos com a atitude de .
— Bem, acho que essa é a nossa deixa. — David falou e se levantou para despedir.
— Não! Fiquem mais! — se apressou em mantê-los ali, nem que eles ficassem em total silêncio, era extremamente agradável ficar em suas presenças.


DAY 6


I wouldn't mind the wintersnow if the seasons stayed the same


— Você tem certeza de que isso é uma boa ideia? — Nick ergueu uma sobrancelha enquanto a coçou com o dedo, observando a agenda de aberta em seu iPad.
— Cancelar meu ensaio com a Vogue? Claro que não! — ela praticamente berrou. — é Vogue, Nicholas!
, mantenha-se calma — Pam recomendou com a mão em seu ombro.
só havia cedido sair do hospital depois que lhe contou uma mentirinha saudável, onde Pamela supostamente queria ficar de acompanhante como ela. De certa forma era verdade, mas ela estava adorando ter ali, entretanto sabia que não era bom pra ele ficar tanto tempo assim direto no hospital, sem intervalo ou pausas. Foi embora na noite anterior quando a mãe chegou pra dormir com ela.
— Não, amora, ir para Maldivas. Eu já te falei que o pessoal da Vogue França é super compreensivo, eles entenderiam o motivo e te colocariam para o próximo mês.
— Nick, eu te adoro, você sabe, mas você está sendo um pé no saco.
! Isso são modos? — Pamela elevou o tom de voz.
— Calma, Pam! — ela mordeu o lábio. — quer que eu chame a médica que me operou até aqui, pra você confirmar com ela de que eu posso ir? — voltou-se a olhar pra Nicholas, do outro lado da maca. — ou você confia em mim?
— Confio, mas você é interesseira.
Ela deixou o queixo cair.
— Pam, repreenda os modos dele também! — olhou pra mulher, ultrajada. Ela riu.
— Vou deixar vocês fazerem negócios a sós. Vou dar um pulinho na maternidade, ver as coisas por aí. — deu de ombros e deu o fora dali antes que pudesse fazer alguma objeção.
— E então…
— Eu não sou interesseira. — fez bico.
— É sim.
suspirou.
— Ok, talvez eu seja um pouquinho. Mas isso não me faz mentirosa, Nick! Eu conversei com Valerie, ela me liberou na condição de que eu não extrapole os limites do meu corpo.
Ele estreitou os olhos e ficou considerando a ideia.
era esperta demais para se colocar em risco só por causa de uma viagem que ela tinha plena condição de fazer depois.
— Digamos que eu concorde…
— Você concorda. Eu que pago seu salário, eu que mando.
— Tecnicamente… — ela o imitou, lhe fitando. — cara de pau. Se você já pode viajar, também pode trabalhar. Me sinto mal em usar seu acidente como desculpa pra adiar o resto da sua agenda.
— Não use. Só cancele e não justifique. — deu de ombros. — as celebridades fazem isso o tempo todo. Mas eu terei algumas licenças, atestados.
— Certo, eu arrumo sua agenda pra você poder ir.
Ela quis lhe dar um beijo. A felicidade não cabia dentro de si.
Maldivas que se preparasse.


DAY 7


If I had a wish it will be simple and true, I wish every day was Christmas with you


— Meu Deus, amor! Você está toda quebrada!
— Obrigada pelo elogio, Oliver. — ela resmungou enquanto se ajeitava na cama para poder receber as visitas de uma forma mais apresentável.
, não acredito que foi preciso tais circunstâncias pra gente se rever! — April se aproximou depois do homem e a cumprimentou.
— Eu cansei de te mandar mensagem pra gente se encontrar, Ape, você que sumiu.
— Trabalho. — deu de ombros. — trouxemos uma surpresa.
— Mais presentes, é? — ela apontou para a mesa ao lado, aonde já não caberia mais nada.
— Melhor que isso. — Oliver piscou pra ela e voltou até a porta do quarto, abriu sua porta e com a mão convidou alguém a entrar.
tentou se levantar mais um pouco para ver melhor, mas assim que o fez, soltou o corpo na cama de novo, surpresa. Seu coração deu um pulinho e ela sorriu.
!
Harper soltou-se da mão de Avery e saiu correndo em direção à babá, a verdadeira babá, como ela dizia. Oliver a pegou no colo quando ela se aproximou da cama da modelo e a sentou ao lado do corpo de .
— Meu amorzinho! Eu senti tanto sua falta! — Ela desencostou-se da maca e desajeitadamente deu um abraço na menina com o braço bom, beijando seus cabelos dourados.
— Eu também estava morrendo de saudade. Eles falaram que tinham uma surpresa pra mim, mas não falaram que era você!
Ela sorriu e voltou a apertar a menina.
— Ai! — ela reclamou e riu, soltando-a em seguida. — o que é isso? — ela pôs o dedinho em cima do gesso.
— Gesso.
— E por que você está usando?
— Porque eu quebrei o braço, o gesso ajuda a segurar ele de volta no lugar.
— Ele cola o braço?
— Não, o osso cola sozinho, isso é só pra ficar no lugar certinho e não colar errado.
— Ah… — ela passou a olhar o rosto da mulher. — e isso na sua cabeça?
— Isso… é um machucado muito feio.
Harper fez careta e apenas assentiu. Sem detalhes.
— Cadê o ?
— Ele tá na escola, mas a Ave vai trazer ele aqui depois. Olha que eu fiz pra você.
Ela estendeu a mão pra Avery e esta lhe entregou uma folha de papel dobrada, Harper a deu para .
A modelo a desdobrou e viu um desenho de duas mulheres, com uma mensagem feitas pelas letrinhas grandes e infantis da menina.
“Melhore logo. XX Harper”.


DAY 8


If every day was Christmas and carols sung all year


— Pronta?
suspirou e impulsionou o corpo pra frente, saindo da cama e ficando de pé, segurando-se no braço do pai.
— É… — resmungou.
Aquelas caminhadas pelos corredores da ala de internação eram um porre e entediantes, fora que Peter queria ir devagar com ela, quando ela e doutora Forbes sabiam que podiam exigir um pouco mais, até mesmo para progredirem na recuperação, que estava ótima, por sinal.
Por isso ela sempre contava com para andar nos horários em que o pai estivesse ocupado, ou seja, quase sempre. Peter já havia conseguido tirar várias horas pra ficar com durante todos os turnos do dia, mas a maioria ainda era dedicada ao trabalho.
Mas o lado chato de andar com , era que ele não podia chegar perto de qualquer área que houvesse algo interessante, um trauma ou cirurgia, por exemplo.
Mas para aquela tarde de terça-feira, Peter havia prometido algo mais legal para a garota.
Assistir uma cirurgia da galeria, ela poderia escolher qualquer uma do quadro.
Quando chegaram à ala cirúrgica, ela ficou o observando por algum tempo, considerando as alternativas.
Duas craniotomias, uma colectomia…
— Revascularização miocárdica? Por que não vejo seu nome ali? — ela arqueou uma sobrancelha e olhou para o pai.
— Não sou o único cirurgião cardiovascular por aqui. — fitou . Ela, não muito convencida, estreitou os olhos. — certo, ela era minha, mas abri minha agenda desde o dia do seu acidente, esqueceu?
“Tem como esquecer?”. Ela estava adorando aquilo, passando mais tempo com Peter do que nunca.
— Whipple… Hum, interessante.
Boa opção, bem rara até. Ela desviou o olhar pelo quadro pra ver mais informações.
Paciente Locaster, J. 7 anos. Cirurgião , G.
— É paciente da sua mãe. — Peter falou.
— Percebi. — resmungou. Ainda assim, era bom demais pra passar batido. — é pra lá que vamos.
O mais velho não disse nada, mas estranhou. Apenas assentiu e ajudou a filha a arrastar seu IV até a galeria do bloco cirúrgico 3, onde faziam a operação.
Havia muita gente ali, afinal era um procedimento raro e complicado para remover tumores do pâncreas. Eram retirados a cabeça do pâncreas, o final do ducto biliar, a vesícula biliar, duodeno e a porção final do estômago. Câncer de pâncreas era dificilmente detectado, e geralmente sempre num estágio avançado, por isso nem sempre a Whipple era uma opção, tornando-a rara. Todo mundo queria assistir, principalmente os internos e residentes. Todas as cadeiras estavam ocupadas, mas um médico novinho que estava sentado ao lado da porta, notou a presença de ali e se levantou, oferecendo-a seu lugar, por vê-la carregando seu IV e vestindo uma camisola de paciente. Ela sorriu e sentou-se, ele ficou em pé ao seu lado entre ela e Peter.
— Acho que você não deveria estar aqui. — abaixou-se e murmurou próximo ao ouvido dela, sem desviar os olhos da operação.
se virou para encará-lo com um sorrisinho maroto, pronta pra retrucar, mas seu olhar se travou na barba mal feita do homem e ela parou antes mesmo que pudesse começar, ficando com os lábios entreabertos.
— Acredite, não há outro lugar em que eu devesse estar. — piscou e riu sarcástica.
Ele não opôs. Se ela estava ali na companhia de Doutor , bem… não havia nada a opor-se.
— Doutor Wyatt Bennett. — ele lhe ofereceu a mão, sorrindo. Ela aceitou e imitou o gesto.
.
, é? Legal, o mesmo nome do hospital. Que coincidência…
— Acredite, não há nenhuma coincidência. — ela dispensou com a mão, finalmente dando uma primeira observada à cirurgia da mãe.
Uma médica magrinha chegou correndo à galeria e procurou por Peter às pressas.
— Doutor , há uma emergência no bloco 5, pediram pelo senhor.
lembrou-se da revascularização miocárdica que o pai havia deixado de fazer.
— Você está bem aí, certo? — ele a perguntou, assentiu. — cuide bem dela, leve-a de volta ao seu quarto em meia hora. — Peter deu dois tapinhas no ombro de Bennett e seguiu a mulher, provavelmente uma interna.
— Sabia que você está nas mãos de um dos melhores cirurgiões do hospital? — Bennett falou. Eles conversavam baixinho para não dispersarem a atenção dos outros.
— É mesmo? Não me diga… — ela mordeu os lábios.
De repente houve um sangramento no paciente e o bloco cirúrgico ficou um pandemônio. ouviu a voz de Grace pelo intercom gritando com o responsável por aquilo e dando ordens sem parar, até conseguirem controlar.
— Sabe, eu já fiquei a serviço dele uma vez… Ele gosta de inovar, dar oportunidade à todos.
“É, eu sei. E é por isso que ele reclama tanto da ineficácia de alguns, pois se não adaptam ao jeito dele. Acredite, ele reclama muito comigo, mas também elogia muitos talentos”. Ela pensou, mas fez questão de guardar aquilo pra si. O que o pai conversava com ela em casa, ficava em casa, e não no local de trabalho dele.
— Teve a chance de participar de alguma cirurgia?
A moça sentada ao seu lado guardou o caderninho de notas no bolso do jaleco e se levantou, pedindo licença à garota ao passar. Ela olhou de relance para Doutor Bennett e lhe indicou o assento vazio, logo o médico acomodou-se ao seu lado.
— Reparo de válvula mitral. — ele falou, depois se virou para ela. — você não deve saber o quê é isso. — afinou o olhar.
— Humm, sinto muito em te desapontar, mas cresci em uma casa de médicos. Deixe-me adivinhar… você é um interno?
— Uhum. Como soube? — ele desviou o olhar de volta à operação.
— Vocês são admiradores, mas adoram mostrar conhecimento. Fora que Peter pediu pra você cuidar de mim, não é um tipo de pedido que um residente recebe.
— Você entende bem do assunto… Por que está aqui?
— Caí de uma escada, fraturei a ulna, passei por uma craniotomia…
— Uou.
— Uou. — ela imitou.
Por um breve segundo, o assunto pareceu acabar e eles ficaram em silêncio.
, não esperava a honra de sua visita — até a voz de Grace ressoar pelo interfone entre a sala de cirurgia com a galeria mais uma vez.
parou de encarar Wyatt para observar a mãe, que tinha as mãos dentro do corpo do paciente e não parava de operar, olhando para a garota brevemente.
— Doutor Millers, essa é minha filha que eu havia falado com o senhor. — a pediatra comentou com o cirurgião que operava consigo. Ele fez algum comentário juntamente a Bennett, por isso ela não o ouviu.
— Filha, é? — Wyatt sussurrou. — realmente o não é uma coincidência.
— Eu avisei. — retrucou — olá, mama. É um belo dia para vê-la salvando vidas. — Grace riu, alguns médicos que estavam na galeria também, pegando a clara referência.
— Me sinto idiota por algumas coisas que te falei. Como se você já não as soubesse melhor que eu.
— Não sinta, é legal ver que às vezes ainda conseguem me tratar como uma pessoa normal. Eu estava adorando — gargalharam e receberam diversos olhares atravessados, ela precisou tapar a boca para parar.
, não consigo salvar vida nenhuma com sua risada na minha cabeça. — Grace resmungou após estancar outro sangramento.
Ah, aquela sim era a Grace que ela estava habituada a ver… Estressada.
fez careta e levantou a mão pra trás pra desligar o intercom, mas se recusava a levantar e não o encontrava nem a pau. Wyatt gentilmente a segurou pelo pulso, impedindo-a.
— Acho melhor te levar de volta pro seu quarto, já se passaram quarenta minutos, seu pai me disse trinta. — justificou murmurando. Ela soltou um muxoxo.
— Não quer ficar mal com o chefe? — ela arqueou a sobrancelha. — se for isso, considere-me sua chefe também, e agora você tem uma nova ordem, me deixar aqui mais um pouquinho…
— Senhorita … — ele deu bronca. Aquilo não cheirava bem. — além de chefe, ele é seu médico.
— Aaaah — ela fez biquinho. Estava gostando mais de ficar ali pela conversa do que pela cirurgia, pois ela mal havia prestado atenção. Voltar pro quarto significaria perder o novo amigo. Ele murchou os lábios e deu de ombros, também contrariado.
Ela foi se levantar e ele foi mais rápido, oferecendo para ajudar, mas ela recusou. Caminharam juntos até seu quarto enquanto riam das caras dos colegas dele ao verem-no a companhia da senhorita .
Ela abriu a porta da sua suíte e a gargalhada cessou quando seu olhar pousou em , Harper e Victoria ali, para visitá-la. Aquele havia sido o primeiro dia que ela havia ficado sem acompanhante pois todos estavam ocupados em trabalho ou escola. Wyatt havia sido ótimo para distraí-la.
— Hum, quarto errado, me desculpem… — Bennett falou e tocou no ombro de , já se virando pra sair.
— Não, não, é aqui mesmo. — ela riu.
Naquele instante, pôde jurar que ou o rapaz não lia notícias ou sabia se portar muito bem com celebridades, o que ela havia descoberto ser uma raridade, depois de tornar-se modelo. Provavelmente era a primeira opção, pois ele não a reconheceu na galeria e pelo visto também não tinha reconhecido os s ali, para ele devia ser apenas mais um quarto ocupado.


Curiosidade: Internato no UK tem um nome diferente, é foundation programme. Mantive o nome que a gente conhece pra ficar mais entendível hehe


DAY 9


Fires started blazing bright, I came with my girl tonight


— Acho que já te falei todas as instruções para o sucesso em seu pós operatório, não é? — Doutora Valerie Forbes perguntou mais uma vez, só pra confirmar.
— Já. — resmungou, agradecendo por aquilo não ter sido na frente do seu pai, por mais que ele já soubesse muito bem o quê era.
Só haviam cinco pessoas naquele mundo que constrangiam a garota quando o assunto era sexo, seus pais e os sogros.
E ela ficaria duas boas semanas na seca. A sua cirurgiã havia vetado por completo as atividades sexuais.
— Então, está oficialmente liberada. — sorriu e abraçou a garota. — espero não vê-la nem tão cedo se for pra eu te operar de novo.
— Eu também espero que não, mas não se esqueça de colocar meu nome no secret santa. — sorriu.
— Como eu esqueceria? Foi a melhor brincadeira que você me ensinou dos Estados Unidos!
— É, tenho passado muito tempo por lá… E também não se preocupe, não vou precisar de acidente pra voltar aqui. Tenho muitos projetos aqui na época de natal.
— É verdade! — ela comemorou. — agora, se você não reparar, eu tenho que ir. Meu interno está atrasado com alguns resultados de exames… — ela estreitou os olhos.
— Ok! — elas se despediram e logo em seguida, caminhou até Peter, que já guardava alguma de suas coisas, e foi ajudá-lo.
— Sabe, acho até estranho o fato de você receber alta. — Peter falou. — digo, não é que eu não queira que você vá, é o quê eu mais quero, mas ao mesmo tempo não.
Ela soltou as coisas e o segurou nas mãos.
— Pai, relaxa. — riu. — eu entendi.
— Queria pelo menos poder te levar em casa, mas temo que não possa mais adiar a ponte aorto-cronária da senhora Galler, já o fiz por quase uma semana.
— Não se preocupe, David é um bom motorista, chegarei bem.
— Não é isso… A gente passou tanto tempo junto esses dias…
— Eu sei. Se o senhor não fosse tão workaholic… — ele rolou os olhos.
— É, eu sei… mas eu já melhorei consideravelmente depois da presidência, não? — ela assentiu. — mas você sabe, agora que estamos finalmente comprando a primeira unidade nos Estados Unidos, eu precisei me meter em algumas papeladas de novo.
— Eu sei, não precisa explicar. Nova Iorque será um sucesso. — ela sorriu.
entrou pela porta seguido de David. O ex-jogador abriu os braços e caminhou até , abraçando-a e tirando-a do chão.
— Não aperta muito, se não meu cérebro vaza. — ela brincou e ele a colocou de volta no chão na mesma hora, pedindo desculpas.
Adorava pegadinhas do tipo. Peter fez cara feia pra ela, repreendendo ao notar que David tinha acreditado.
— Ela está brincando. Não tem nenhum buraco na cabeça dela pra nada vazar. — Doutor avisou. — não preciso lhe lembrar o que é uma craniotomia e uma craniectomia, não é?
— Pai! — ela brigou, cruzando os braços e batendo o pé.
riu e aproximou-se, passando os braços pela cintura dela, dando um beijo em seu pescoço. Ela encolheu-se, aquilo dava cócegas.
— Eu já sabia — David piscou e foi até o velho amigo, dando-lhe tapas no ombro antes de trocarem um abraço. — tudo pronto? — perguntou à modelo, que assentiu. — então vamos, ainda tenho uma reunião hoje… — ela assentiu novamente e se adiantou para pegar suas duas bolsas. — apareça lá em casa depois… Vamos marcar algo juntos. — David falou para Peter.
— Uma partida do Manchester, talvez. — o médico deu de ombros.
— Perfeito! — sorriu.
David chamou com a cabeça e ela se virou para o pai.
— Vão na frente, preciso trocar uma palavrinha com ela. — Peter justificou. — estaremos logo atrás.
Eles assentiram e saíram do quarto, David pegou uma das bolsas de com para ajudá-lo a carregar.
— Preciso te fazer uma pergunta. — Peter falou assim que a porta fechou.
sentiu as palmas das mãos suarem frio e um arrepio percorreu do local da cirurgia no crânio até a lombar.
Não gostava de pergunta nenhuma quando elas se antecipavam desta forma.
— Fala. — rangeu os dentes.
— Desde quando você faz uso de medicamentos psiquiátricos?
Ela quis cobrir o rosto.
Não acreditava naquilo.
— Como você descobriu isso?! — ela praticamente gritou.
A resposta piscou em sua cabeça, dando pontadas. Ah, a cirurgia, claro.
— Aliás, desde quando eu sei. Quero saber por que você não me contou. — Peter ignorou sua pergunta, justamente como ela havia feito.
— Quem te contou?
… — ele suspirou, puxando-a para perto pelos ombros, envolvendo-a em seus braços em seguida.
— Me conta.
— Confidencial.
— Foi o dedo duro do , né? — ela falou, exaltada, mas não saía do abraço do pai.
— Querida, isso não é algo que você precisa se envergonhar. Você sabe disso.
— Não é isso! — ela gritou. Sentia o sangue esquentar e queria descontar aquilo em alguma coisa. Se Peter não a soltasse, provavelmente seria nele, mas ela se sentia exposta com aquele questionário e se recusava a interromper o abraço.
— Por que está com raiva?
— Porque se eu guardei esse segredo por quase dois anos, supostamente ele deveria permanecer como segredo! Eu vou matar aquele garoto! — ela apertou o braço do pai, cravando sua unha.
— Não foi o , eu te prometo. — ele gemeu e ela soltou em seguida, se tocando no quê havia feito e murmurou um pedido de desculpas. Peter assentiu.
Se não era o … Quem, então? Só ele, Pamela, Oliver e April sabiam daquilo! Pamela jamais o faria, pois já havia tido a oportunidade diversas vezes de trair a garota e nunca o fez. Oliver nem tinha contato com Peter, quiçá April.
Pelo menos diretamente.
Então ela se tocou.
April trabalhava numa das filiais do Hospital George , onde ingenuamente havia escolhido para se tratar. Ela até não jogava coisas pessoais de pacientes no sistema do hospital, mas obviamente precisava lançar os medicamentos.
Era seu prontuário.
Qualquer médico do hospital teria acesso à ele. Até a própria tinha acesso ao sistema, já havia lido sua ficha diversas vezes, principalmente no começo do tratamento, quando a confiança não era seu ponto forte.
Obviamente eles precisavam saber quais medicamentos ela usava, uma precaução para a cirurgia.
— Você sabe que pode contar comigo, .
— Eu sei. Me desculpe… é que… eu estava passando por tanta coisa, eu não tinha em quem confiar. Eu só tinha Brittany.
— Depois que vi as datas me lembrei desse episódio com sua melhor amiga, se eu ao menos soubesse que tinha te afetado tanto…
— Não tinha como você saber, eu escondi. Escondi até bem, acho. Demorou muito pra alguém descobrir, e o primeiro foi o . — ela riu. Exceto Oliver, pois ele quem a levava aos acompanhamentos. Depois Pamela e depois Peter. — por favor, não fique chateado. Se fosse agora, eu faria diferente.
Ele sorriu.
— Eu sei que sim.
Ela voltou a abraçá-lo e caminharam para fora do quarto juntos, até alcançarem David e aguardando em frente aos elevadores, e os chamaram para pegar o executivo, evitando assim, qualquer problema.
Peter se despediu deles no quarto andar, o dos blocos cirúrgicos, onde ele faria uma ponte safena naquela hora. Eles seguiriam até o quinto do subsolo, onde David havia estacionado com a credencial de , já que lá era restrito.
Sem paparazzi.
, já te contei a novidade? — David puxou papo assim que as portas se fecharam e restaram somente os três. Ela apenas negou com a cabeça — os Ramsays também irão para Maldivas com a gente.
Ela olhou de soslaio pra , que fingia nem perceber. Só não rolou os olhos porque David estava ali.
Era óbvio que aquela viagem estava boa até demais.

Curiosidade: Secret santa é a versão do amigo oculto na gringa. Não é muito comum no UK. A tradução literal seria papai noel secreto


DAY 10


If every day was Christmas, you were here with me


Pam deu duas batidinhas na porta aberta do quarto da filha apenas pra mostrar que estava ali. e interromperam a partida de detetive aos risos quando olharam pra lá.
— Tem uma visita pra você na sala, um rapaz. — Pam entrou e se aproximou devagar até a cama da garota.
Ela e estavam sentados lado a lado com o tabuleiro no meio dos dois.
— Rapaz, é? — arqueou uma sobrancelha.
Não estava pra receber nenhuma visita, não que ela soubesse, ao menos. Não era Nicholas nem Oliver, pois eles já eram praticamente de casa e quando iam ali, já subiam direto pro quarto dela. Ela não fazia ideia de quem poderia ser.
— Bem, rapaz é uma definição bem vaga. É um homem. — deu de ombros. — e que homem. — completou, fazendo a garota e o namorado rirem — bem, já que hoje em dia eu já não conheço mais todos os seus amigos…
— Ele disse o nome? — ela vincou a testa, achando aquilo estranho, mas virou-se pra levantar da cama e apressou-se em ajudar.
— Senhor Cavill, acho.
Ela arregalou os olhos enquanto prendeu a respiração.
— Henry! — comemorou.
Já saiu do quarto em passos rápidos, na medida em que a cirurgia permitia. Ela agarrou-se ao corrimão das escadas e logo que começou a descer avistou o ator de pé na sala, próximo à escada. Ele estava de costas e com as mãos enfiadas no bolso da calça, usando um suéter bege.
e Pamela a seguiam apressados.
— Henry! — repetiu com o tom de voz alegre.
Ele se virou e sorriu ao vê-la, caminhou até o pé da escada e estendeu os braços pra ela, que não tardou em abraçá-lo.
! — respondeu da mesma forma.
O homem maneirou no aperto, mas a modelo não deixou de soltar um falso gemido de dor só pra brincar. Ele a soltou, assustado.
— Alto lá, Superman. Acabei de ter cirurgia no cérebro.
— Muito engraçado. Nem foi tão forte. — deu de ombros. — , olá! — ele estendeu a mão para o garoto, que retribuiu o cumprimento.
— Cavill.
Ela se segurou pra não rir.
— Essa é Pam, minha mãe. — a garota apontou pra mulher e ele voltou a cumprimentá-la.
— É um prazer.
— O prazer é todo meu.
sorriu, colocou a mão em seu ombro e o guiou até a sala de estar, onde sentaram-se nos sofás.
— Fiquei sabendo do seu acidente pela internet, achei que seria legal aparecer pra uma visita.
— É uma pena que eu precise quebrar o braço pra receber uma visita sua.
— E cirurgia no cérebro também, não esquece — ele piscou pra ela com um olho.
— Como esquecer. — bufou.
— Mas você também não apareceu pra me visitar. Estamos quites.
— É, talvez. — deu de ombros.
— Também ouvi dizer que você é um imã pra essas coisas… segunda vez no ano, huh?
— Eu até poderia dizer que você quem me azarou, mas o primeiro foi antes de te conhecer. — ela riu.
Adorava Henry, eles davam belas risadas juntos desde o primeiro dia.
— Não me diga… É uma história digna de se ouvir ou apavorante?
— Nada que você já não tenha visto de pior em algum filme. — ela fez careta e deu de ombros, começando a contar logo em seguida sobre a outra parada que havia feito no Hospital George há alguns meses atrás.
apenas pediu licença e foi atrás de Pam na cozinha. Ele já não gostava de reviver aquilo e assistir trocando sorrisos com o senhor dentes brancos alinhados e perfeitos era ainda tão irritante quanto.


DAY 11


That would be all Christmas time for me


— Ei, amor. Como passou o dia?
se aproximou e deu um beijo na testa da menina. Ela fechou os olhos e manteve a respiração devagar, querendo prolongar aquele momento. sentou-se na beirada da cama e chutou os tênis pra longe, passou por cima do corpo da garota e deitou-se ao lado dela.
— Bem. Entediante, claro. Acho que depois que você descobre coisas mais legais pra fazer na vida, a Netflix parece menos interessante — deu de ombros.
Aquele repouso estava lhe matando. Daria o mundo pra brincar com os três s mais novos e sair rolando no chão, chutar uma bola, acampar, o quê fosse.
O pior de tudo eram as férias de inverno que nunca chegava, então os garotos e Harper ainda teriam aula por alguns bons dias.
— Acho que eu quero um Burger King. — ela lamuriou.
riu.
— Você não pode dirigir.
— Eu sei disso. — ela se sentou na cama, virando o tronco para o namorado em seguida, que fez o mesmo. — é por isso que estou te falando. Busca pra mim? — ela piscou os olhos.
ficou com os lábios entreabertos, encarando o rosto da namorada. Quando notou que ela estava séria, soltou uma risada seca.
— Você está brincando, né?
— Não. — fez biquinho.
— O BK mais perto fica a quase dois quilômetros daqui.
Ela ergueu as sobrancelhas.
— Eu sei. E…?
Ele riu.
— E eu não dirijo? — deu de ombros.
— Pernas existem pra isso. — ela imitou seu gesto.
— Você está falando sério?
— Olha pra minha cara de zoeira, ! — lamuriou sarcástica. — claro que estou!
— São uns vinte minutos de caminhada, .
— Não é como se você não aguentasse.
— Não… — franziu a testa — não é como se eu pudesse sair por aí sozinho em Londres.
— Então vai de táxi. — ela fez biquinho. — posso chamar no aplicativo. Você pega aqui na porta e desce lá na porta.
! — ele rolou os olhos e jogou o corpo pra trás, relaxando na cama. — eu acabei de chegar da escola! Estou cansado.
— Nem vem com essa desculpinha. Por favor, … — ela falou de forma arrastada, ele riu.
— E se me sequestrarem?
— Não é como se isso fosse acontecer. — deu de ombros e fez careta.
— Fale por você que nunca recebeu uma ameaça dessas.
— Você ainda estava nas fraldas. Nem se lembra de nada.
Seu celular recebeu uma notificação e ela foi olhar o que era. bufou, vendo que não havia um jeito de ganhar naquela situação. Ela realmente queria algo do Burger King.

Oliver
“Minha próxima cliente desmarcou”
“To saindo do consultório agora, vou dar um pulinho aí pra te ver”


Ela olhou pra com os olhos estreitos, o garoto soltou um muxoxo. Ele queria poder ajudar, mas era completamente dependente quando se dizia a respeito de seu transporte.


“Bom q vc traz lanche do BK pra mim ♥”


DAY 12


I don't ever want today to leave or ever change


— A cirurgia está ótima, . Você tem sorte, seu organismo responde bem e cura com facilidade. — Valerie falou enquanto tirava os pontos da garota.
Ela fez uma careta de dor e procurou pelos olhos do pai, enquanto apertava sua mão com firmeza. havia saído com o pai pela manhã quando ele foi trabalhar, era o dia de tirar seus pontos e por tanto reclamar de tédio, ele havia deixado-a ir consigo passar o dia no hospital.
Ainda era cedo, era a primeira paciente de Valerie naquele dia. Peter tinha uma agenda lotada e a neuro também. A garota nem sabia qual dos dois ela ia querer acompanhar, provavelmente o que tivesse casos mais legais.
Talvez se ela pudesse ficar com algum interno novamente, como na época pós Brittany… teria mais casos diferentes.
Ao menos se houvesse alguém pra ela acompanhar…
Bennett!
— Pai, me empresta o tablet. — ela apontou para o aparelho no bolso do jaleco de Peter, ele franziu a testa, mas a entregou.
Em questão de tempos já estava mexendo no sistema do hospital. Foi na parte dos médicos em plantão e digitou o nome do rapaz.
“Doutor Wyatt Bennett — Sala de emergência”
Trauma, legal. Ótimo, já estava vendo cardio e neuro demais ultimamente… Térreo, sala de emergência, era pra lá que ela ia.
— Prontinho, está liberada. — Valerie finalizou sorrindo.
Elas conversaram mais um pouco e sorteou a pessoa que presentearia no secret santa, um residente de pediatria que ela nunca havia visto na vida.
Peter a acompanhou no elevador até o décimo primeiro andar, onde veria um paciente internado antes de levá-lo para cirurgia.
Já no térreo, foi direto pra emergência e procurou Bennett nas salas de trauma, ficando frustrada em não vê-lo com nenhum caso legal.
A única pessoa que ela reconheceu por ali foi o chefe do trauma, Levy, o que ela havia gritado um pouquinho na penúltima vez que deu as caras por ali. Ele estava milagrosamente sem nenhum paciente pra atender, apenas comandando algo via tablet. Ela se aproximou e cumprimentou.
— Doutor Levy.
Ele ergueu a cabeça para olhá-la brevemente e logo voltou a concentrar-se no que quer que fosse em seu tablet.
.
— Sabe me dizer onde posso encontrar o doutor Bennett?
Ele voltou a observá-la com curiosidade e guardou o eletrônico no bolso do jaleco. logo reconheceu aquele olhar de “por que diabos você está procurando um interno, sendo que da última vez que veio aqui foi muito específica em dizer que não queria um?”.
O médico apenas estalou a língua antes de responder.
— Sala de suturas.
Ela agradeceu e foi até lá. A porta estava aberta e ele estava de costas suturando um punho de um senhor.
— Suturas, huh? Quando li “sala de emergência” no seu status, imaginei algum trauma mais legal.
Ela deu a volta, parando ao lado do paciente. Bennett ergueu a cabeça para ver quem era e sorriu.
— Acredite, eu também. — ele deu de ombros, sorrindo. — acho que é isso que você ganha quando o seu supervisor fica bravo com você.
— Por que ele está com raiva de você? Aprontou? Está metido em encrencas?
— Não. — ele a olhou com uma sobrancelha erguida, soltando uma risada incrédula.
— Deixe-me adivinhar, envolveu-se com um paciente? — ele arregalou os olhos. — ok, isso é muito Grey's Anatomy. Então, vamos ver… errou em algo e alguém morreu? — ele ainda manteve a carranca. — não? Ok. Um erro simples, então?
O senhor que recebia os pontos arregalou os olhos, Wyatt apenas repreendeu com um olhar.
— Não… — ele falou, estranhando. — aparentemente é por causa das pessoas com quem eu comecei a conversar. — deu de ombros e tentou voltar ao foco, mas não era como se estivesse disposta a colaborar.
— Hum, e quem seria essa pessoa?
— Você? — ele respondeu, meio que perguntando.
— Oh.
arregalou os olhos e recuou, esbarrando em uma bandeja e jogando algumas coisas no chão.
— Ai meu Deus, me desculpe, eu não tive a intenção.
Doutor Bennett consertou a postura e largou os instrumentos na mesa ao lado do braço cortado.
— Não… eu acho que está ok. — franziu o cenho.
Sua voz soava uma incerteza que ela há tempos não tinha. Bem, ultimamente fazer amizades estava sendo uma experiência bem diferente e inusitada, considerando que a maioria vinha de Hollywood e companhia… ser a nova amiga de alguém ‘normal’ já parecia algo anormal pra ela.
A modelo piscou os olhos e sacudiu a cabeça, afastando aqueles pensamentos. Devia agir normalmente, como sempre havia sido até alguns meses atrás.
— Céus, esses pontos estão terríveis. — ela assumiu o tom brincalhão de volta, deixando-o mais evidente dessa vez.
Wyatt parecia bem mais palhaço no primeiro dia em que o conheceu, talvez porque as piadinhas não envolviam seu trabalho diretamente. precisava saber ao certo em que tipo de solo ela estava pisando.
Ele riu.
— Ele é bom, senhorita? — o idoso perguntou, sorriu.
— Nada que eu não faça melhor — ela deu de ombros, rindo. Bennett a encarava de queixo caído, rindo ainda sem acreditar em tudo aquilo. — brincadeira, nunca vi o trabalho dele. — piscou para o rapaz.
Menos de uma hora no hospital e ela já havia se divertido muito mais que qualquer minuto entediante em casa.
— Então eu quero você pra me suturar.
Ela sorriu. Aquela era, na verdade, uma ótima ideia.
— Não. — Wyatt falou e ergueu o dedo, opondo.
— Sabe fazer isso? — ele perguntou baixinho pra ela.
— Claro que sei! Aprendi com o melhor.
— E esse seria?
— Doutor Trevor Clark. — ela mostrou os dentes em um sorriso cumprido. Duvidava muito que o melhor cirurgião plástico de Londres havia sentado com ele e pessoalmente ensinado suturas, como havia feito com ela.
— Eu quero você — o senhor repetiu e ela riu.
, é meu primeiro dia na emergência. Me dê uma colher de chá.
— Fez rotação recente? — ele assentiu e pegou os instrumentos pra continuar a sutura. O senhor fez um bico brincalhão, mas não opôs. — achei que estivesse em cirurgia há mais tempo.
— Estava em unidade de tratamento intensivo. Minha segunda semana na cirurgia começou aquele dia na galeria.
O paciente raspou a garganta, chamando a atenção.
— Você realmente não pode fazer?
Ela riu.
— Não, eu não tenho permissão pra isso…
— Mesmo que tivesse, ela passou por uma cirurgia no cérebro há dias atrás, não pode trabalhar ainda. — Bennett estreitou o olhar pra ela, interrompendo-a.
— Eles cortaram sua cabeça e você quer me costurar? Uau. Não, deixa ele mesmo.
Eles riram.
— Eu talvez não tenha permissão nem para estar aqui, dependendo do ponto de vista. — prosseguiu com seu pensamento como se não houvesse sido interrompida.
O senhor arregalou os olhos e já sentiu-se incomodada em continuar pensando nele como ‘senhorzinho’, por isso pegou o tablet de Bennett e olhou o nome dele, em seu prontuário que já estava aberto. Senhor Anthony Adams.
O mesmo nome do pai da Vic, até o sobrenome. Ela lembrou na hora.
— Senhorita , você está fazendo uma tarefa impecável assustando meu paciente.
— Perdoe-me, não tive a intenção.
— Quem é você? — Anthony perguntou, sorrindo. Wyatt acompanhou.
— Ela é tipo a dona do hospital.
— Não é bem assim, eu só tenho dez por cento do lugar. — ela deu de ombros e começou a olhar os arredores, buscando algo que ela não precisasse encarar enquanto falava sobre aquilo.
— Eu achei que era da associação. — o médico lhe deu uma breve olhada de esguelho, ela negou com a cabeça, de costas pra ele.
— Não, ele me deu só um assento no conselho de aniversário.
— Só? — Adam perguntou gargalhando e ela assentiu, virando-se para eles novamente.
— E quando foi seu aniversário? — Bennett perguntou, curioso.
— Amanhã. — sorriu. — mas já deve ter um mês que ele me deu o presente.


DAY 13


I wouldn't mind the winter snow if the seasons stayed the same


— Vou ficar sem comer bolo pelo resto do ano. — ela gargalhou e rolou pela cama até encostar-se no corpo do namorado. Ele sorriu e brincou com seus cabelos.
— Não, você não consegue.
— É, você está certo. Mas foi o melhor bolo de aniversário que eu comi em anos. — aninhou-se no travesseiro, enquanto apreciava o afago. — obrigada. Pela festa, pelo bolo, por não deixar a data passar batida.
assentiu e aproximou o rosto do dela, tocou sua testa com a ponta do nariz e inclinou até os lábios tocarem a pele da garota, dando um beijo lento e suave, prolongando-o.
Ela fechou os olhos e soltou um longo suspiro. Havia passado o último ano sem comemorar seu aniversário e já havia até esquecido como era. Antes do acidente, havia marcado de passar o final de semana em Wiltshire com , Pamela e sua irmã. Mas depois do ocorrido, precisaram cancelar os planos e encomendou um bolo pra ela comemorar com a família e amigos mais próximos. Já era tarde da noite, algo bem depois da meia-noite. Oliver, Nicholas e April demoraram a ir embora, os cinco ficaram de papo na cama da garota mesmo depois do bolo.
ergueu a mão e a colocou sobre a bochecha de , com as pontas dos dedos ela puxou seu queixo de maneira suave até que suas bocas ficassem alinhadas. Ele também fechou os olhos e ficou pensando no cheirinho de Nutella que tinha no hálito, depois de tanto bolo.
esticou os lábios até tocar os dele e o puxou para si. Aquele simples toque lhe causou arrepios na nuca e nos braços. riu contra o rosto dela e repetiu seu gesto, os lábios suaves da garota eram viciantes, o fazia dar vários selinhos sobre eles e nunca tinha vontade de parar. Ela mostrou os dentes em um sorriso largo e a lufada de ar de sua respiração fez algo clicar dentro do garoto.
abriu os olhos, rapidamente levantou-se da cama e virou-se para o lado, ficando por cima da garota, sustentando o peso de seu corpo com os joelhos ao lado da cintura da babá. jogou os braços para trás, seu peitoral movia para cima e para baixo de maneira intensa. Ele inclinou em sua direção curvando a coluna enquanto suas mãos encontravam seu caminho por debaixo da blusa do pijama de seda que ela vestia.
Os dedos frios do namorado em sua barriga lhe fizeram dar um pequeno salto, impedida pelo garoto que sentava em cima de si.
— Eu adoro você tanto… — ele encarou a garota debaixo de si e murmurou.
Ela passou os braços ao redor do pescoço dele e o puxou para mais perto de seu rosto, raspou seus narizes de forma carinhosa e uniu suas testas, abrindo os olhos depois. Ele sorriu apenas por poder observar aquelas bolas azuis de perto, ele era fascinado com elas e ainda mais por tudo atrás delas.
— Eu também.
mordeu o lábio inferior segundos antes de puxar o de pra si. A língua do garoto pressionou contra seus lábios, sua pelve contra a bacia dela. Um breve arrepio passou em seu corpo até a cabeça, em um simples lembrete.
Nada de sexo por duas semanas depois da cirurgia.
Ela deixou a cabeça cair sobre o travesseiro e bufou, a observou preocupado.
— O quê aconteceu?
— A craniotomia aconteceu. — ela lamuriou.
Sinceramente, estava agoniada em ter ficado todos aqueles dias sem dar ao menos um amasso sequer no próprio namorado, e agora que tinham um dentro de todas as conformidades da calmaria, ela tinha que parar.
Ele riu e deu um beijo em seu pescoço, a garota inclinou para evitar as cócegas, mas acabou também dando risada, agoniada com a própria situação.
— Eu preciso de sexo. — choramingou.
riu contra seu colo, aquilo não a ajudava em nada. Nos últimos dez dias, qualquer coisa do menino a deixava arrepiada. Ele consertou a postura, erguendo-se, mas ainda ficou sentado sobre a pelve dela.
— Qual tipo de sexo, exatamente, você está proibida?
Ela arqueou a sobrancelha.
— Como assim?
— E se você não fizesse esforço? Ainda seria um problema?
A modelo estreitou os olhos.
— Você está sugerindo que…
O fotógrafo deu de ombros, estava pensativa.
— Talvez eu pudesse te masturbar, sabe. — deu de ombros.
quis agarrá-lo pela bochecha e apertar até gozar. Se tinha namorado melhor no mundo? Ela esperava que não.
afastou o corpo, sentando-se nas coxas dela. Seus dedos escorregaram para o laço da calça do pijama, desfazendo-o. Depois ele começou a brincar com o elástico em volta da cintura dela.
— Eu não sei.
Mas ela queria tanto… Estava praticamente subindo nas paredes para ter aquilo! O mínimo que ela entendia de medicina não a deixava segura o suficiente para se jogar naquela ideia. Ela queria muito transar, mas queria ainda mais recuperar-se bem a tempo da viagem de ano novo pra Maldivas.
Se ao menos algum médico pudesse lhe tirar aquela dúvida…
Peter estava em casa, mas sob hipótese alguma ele era uma opção.
O jeito era a própria Valerie.
virou o tronco e esticou-se debaixo de para alcançar o iPhone na mesinha de cabeceira. Ele vincou a testa, imaginando que ela olharia na internet. O garoto começou a abaixar a calça dela apenas o suficiente para expôr sua calcinha, ergueu o tronco de maneira automática, enquanto ligava pra Doutora Forbes. A modelo colocou o telefone no ouvido e quando ergueu o olhar até , sentiu o coração dar um pulo no peito, finalmente entendendo o que acontecia ali. A adrenalina espalhava pelo seu organismo e ela começou a sentir comichões que não estava suposta a sentir.
? — a voz de Valerie soou preocupada.
— Oi! — respondeu com pressa, ainda tendo os olhos travados em .
Ele sorriu de lado e passou os polegares por cima da calcinha de renda rosa clara da garota, desde o começo da púbis, pressionando com mais firmeza sobre o clítoris, e abandonando os toques na reta de sua entrada. Ela conteve um rosnado.
Está tudo bem? São duas da manhã.
Ela arregalou os olhos. Não acreditava que estava importunando Valerie naquela hora.
— Quer saber, pode deixar. — frisou e lançou um olhar atravessado pra , que sorriu arteiro. — amanhã cedo eu te ligo. — afastou o celular da orelha e já ia desligar, mas ouviu Forbes gritá-la e colocou-o de volta no ouvido.
! Estou em plantão, não me acordou!
— Ótimo, — resmungou. arqueou uma sobrancelha e abaixou a cabeça, levantou a blusa dela até as costelas, deu uma fungada abaixo do umbigo da modelo e passou a língua até onde a calcinha começava. — você quer parar? — sibilou, afastando um pouco o celular do rosto. Ele riu e ela rolou os olhos antes de falar com Valerie novamente. — eu queria tirar uma dúvida.
Às duas da manhã? — a médica riu.
— Você disse que podia! — lamuriou.
puxou a fita de cetim que laçava a calça da menina e a tirou toda. Ficou analisando o pequeno pedaço de pano na altura dos olhos.
E pode!
— Eu quero saber se eu posso masturbar!
parou de cutucar a fita e fitou a namorada. Até aquele dia ainda conseguia se impressionar com o quão direta ela conseguia ser, independente de quem fosse. Ele só conseguia com ela e olhe lá!
ouviu a neurocirurgiã gargalhar após um breve silêncio.
Repouso absoluto, !
— Não estou aguentando! — retrucou. O garoto riu e se levantou, inclinando-se sobre a mulher e puxou o celular de seu ouvido, colocando-o no travesseiro ao lado de sua cabeça. — ei! — ela exclamou. a imobilizou com agilidade, travando seu corpo com os joelhos, deixando sua ereção raspar na barriga dela, e passou a fita em seus punhos. arregalou os olhos fitando aquela armação, — você quer parar? — gritou.
— Amor, não grite assim, você não quer que Peter e Pam ouçam, não é? — ele riu e amarrou as mãos dela à cabeceira da cama. — a não ser que você queira gritar de prazer.
Ela fechou a boca de uma vez e franziu a testa, formando um vinco. a achava adorável quando brava, era uma nostalgia à época em que ela ficava encrencando com ele por nada. O garoto olhou para o celular da modelo e colocou a ligação no viva-voz.
? — Doutora Forbes chamou de forma arrastada e longa, parecia estar o fazendo há tempos.
— Desculpe, estava cuidando de uma coisinha. — afiou o olhar. inclinou a cabeça e deixou um beijo em sua testa, voltando para baixo e sentando sobre suas canelas. — mas Val, por favor! — ela rolou os olhos depois de deixar aquilo escapar. — não é como se eu fosse cavalgar ou algum esforço do tipo.
deveria estar adorando, não era à toa que ela estava amarrada.
A-mar-ra-da!
Val, huh? Céus, você nunca me chama por apelidos, deve realmente estar desesperada. E eu não preciso de detalhes do que você faz. — riu e a modelo fechou os olhos, soltando um longo suspiro, não pensando na cara que o namorado estava fazendo por ouvir aquilo tudo, mas sentiu ele puxando sua calcinha logo em seguida e apenas fechar as pernas não era o suficiente para segurá-la no lugar. Valerie suspirou — não é como se eu pudesse te impedir, . Isso é uma recomendação.
A babá engoliu seco.
— Eu vou morrer?
Provável que não.
— Vou precisar de outra cirurgia?
Duvido muito.
— Ainda vou poder ir para as ilhas Maldivas?
Com certeza, isso se você não inventar de jogar um vôlei debaixo do sol escaldante, por exemplo. Bem, isso eu não recomendo de jeito nenhum.
Ela bufou.
— Ok, obrigada, Val. — frisou. — vou só te chamar assim agora.
A médica resmungou.
Por nada. Mas você sabe dos riscos. Deixe seu corpo te guiar. Se doer ou ficar desconfortável, é porque seu organismo ainda precisa de mais tempo pra sarar.
Ela assentiu e arqueou as sobrancelhas, fitando . “Eu te avisei”.
— Certo… boa noite.
Boa noite.
se esticou e encerrou a ligação, fechou os olhos.
— Certo, , já pode me soltar. — ela remexeu os punhos, tentando fazê-lo sozinha, mas não conseguiu. — acho que eu consigo segurar mais alguns dias. — murmurou pra si mesma.
Ele riu e desfez o laço.
— Que pena.
Ela estreitou o olhar.
— É, ainda não é dessa vez que você conseguiu me domar.
— Eu sou bem persistente. — ele abaixou o corpo e subiu as roupas da garota de volta ao lugar, ela apenas mantinha as mãos na testa, pensando na sorte que ela não tinha, algumas vezes.
— Não tenho dúvida.


DAY 14


If I had a wish it will be simple and true, I wish every day was Christmas with you


Aquilo já estava ficando insuportável.
Quem quer que fosse o idiota que tivesse inventado o repouso pós cirúrgico, merecia queimar no inferno.
E onde havia se metido? Já eram seis da tarde, já era hora deles terem chegado da escola há tempos!
Quer saber? Ela não ia ficar mais de braços cruzados esperando. Já haviam passado onze dias desde a cirurgia, não era possível que nem atravessar a rua pra ir na casa dos s ela podia.
Pegou só o celular e a chave de casa e apenas gritou pra Pamela que estava indo lá, pois se a conversa rendesse, ela seria barrada.
Tocou a campainha da casa dos s e foi atendida por Avery.
? — perguntou enquanto a modelo adentrava a residência. — você não deveria estar aqui, deveria?
— Depende do ponto de vista. — deu de ombros e deu uma breve escaneada aos arredores, procurando pelos s. — onde estão todos?
— Senhora está na loja, — quis sorrir ao ver que a garota ainda usava pronomes de tratamento com eles, enquanto na primeira semana já os chamava de Vic e Dave. — senhor está com os garotos, eles foram assistir algum jogo. — algum jogo, é? Ela sempre sabia dizer jogo de quê e de quem. Realmente, Ave, as crianças tinham razão, ela era a melhor babá de todas. — Harper está tirando uma soneca.
— Ótimo. — deu as costas e foi subir as escadas.
— Onde você vai? — Ave saiu correndo atrás dela.
A mais velha rolou os olhos. Jesus, ela sabia ser bem irritantemente curiosa às vezes, devia ser isso que as crianças não apreciavam.
— Acordá-la. — deu de ombros.
Empurrou a porta do quarto da garota com cuidado para não assustá-la, não tinha nada pior que acordar no pulo.
— Eu devo fortemente recomendar que não faça isso! — ela esticou o braço na frente da babá mais antiga, arqueou as sobrancelhas.
— Motivo?
— Ela está descansando? — devolveu no mesmo tom.
— Desde quando?
— Desde que os meninos chegaram… Por volta das quatro e meia. — deu de ombros e franziu a testa.
Uma hora e meia de soneca? Daquele jeito a garota não ia dormir à noite.
Desviou da babá que a substituía e ajoelhou-se ao lado da cama da menina, passando os dedos levemente pelas costas dela, como tinha costume de fazer.
— Seven? É hora de acordar. — chamou-a pelo nome do meio, só a despertava assim.
A menina balbuciou e abriu os olhinhos devagar, demorou um pouquinho até sintonizar e perceber a presença de .
!
A pequena arregalou os olhos e comemorou, sentando-se na cama em seguida, jogando os braços ao redor do pescoço da amiga. A modelo quis se levantar com ela no colo, mas sempre que tinha uma ideia de jerico, sua cirurgia parecia criar vida só para lembrá-la de que ela estava ali e ela deveria evitar esforços.
— Sabia que a mamãe disse que vamos fazer uma casinha de gengibre pro natal? — foi a primeira coisa que ela disse. Adorava o natal tanto quanto a mais velha, e precisava lhe contar aquela notícia que teve na manhã daquele dia.
— Vou querer ajudar, hein!
— Dã, mas é claro que você vai ajudar! — a menina pôs as mãos na cintura, riu de sua mocinha.
se lembrou dos cookies que levaria para o Hospital George .
Harper havia lhe dado uma excelente ideia.
Decorar casas de gengibre. Brincadeiras no hospital com as crianças internadas. Qualquer coisa pra sair do tédio, e de brinde ainda faria boas ações.
Ela pegou o celular no bolso e abriu as mensagens com .


“O que me diz de passarmos algumas tardes c as kids do HGW?”
“Pensei em algumas atividades natalinas :)”


Ele não demorou a responder, o jogo ainda não devia ter começado.

♥️
“Super topo :)”

— Harper, que tal darmos uma ida no supermercado? — sugeriu com um sorriso de lado, a menina assentiu. Era algo que ela adorava.
— O que vamos comprar? — deu a mão a modelo quando ela levantou do chão e saíram casa afora.
— Ingredientes para fazer mais casinhas de gengibre, quero levar de presente pras criancinhas do hospital. — sorriu.
Iriam a pé no little Waitrose de Notting Hill Gate mesmo, que era o mais próximo de suas casas, já que ela não podia dirigir. Eram ingredientes básicos que não haveria erro ou risco de não encontrá-los por lá, e pra não carregar o peso era só pedir para entregarem em casa.


DAY 15


Every day, I wish every day was Christmas time with you


— Você tem certeza de que isso é uma boa ideia? — desviou o olhar das duas caixas maiores que carregava até o painel do elevador, para olhar em qual andar estavam. Sétimo.
estava ao seu lado, carregava mais caixas com o mesmo conteúdo, porém menores. Eram individuais, para as crianças que não podiam deixar seus leitos para participarem da atividade coletiva que ela havia planejado.
— Dividir as crianças em dois times e competirmos em decorar as casinhas de gengibre? — ela perguntou e ele assentiu. — , isso vai ser o máximo. — riu. Ele assentiu.
Tinha zero experiência naquilo. Ela era a babá, ela quem lidava bem com crianças, não ele.
E com a mensagem do dia anterior… Bem, ele havia pensado que era fazer caridade, não divertir e distrair.
Havia ficado até tarde da noite assando pedaços de casas com a ajuda dos seus kiddos e Pamela.
Ela praticamente só colocava ordem neles, pois não podia esforçar, mas já era uma evolução.
As portas do elevador se abriram no vigésimo quinto andar e já sorriu ao ver algumas crianças ali.
Grace estava ajoelhada no chão rodeada de três meninos, dois carregando seus acessos intravenosos, ela tinha um sorriso enorme no rosto e brincava com eles.
pensou como uma pessoa conseguia ser tão boa com outras e crianças e não com a sua própria. Aquele pensamento lhe deu um arrepio na nuca, pois ela também era ótima com crianças.
Como seria se um dia ela arrumasse um? Não queria ser uma mãe igual Grace. Talvez ela não fosse, pois havia aprendido com Pam, e só Deus sabe com quem Grace havia aprendido, porque ela mal sabia o nome da avó. As chances eram iguais para ela puxar Pamela ou Grace. Ela preferia que fosse Pamela.
— Você chegou! — ela sorriu e arqueou as sobrancelhas.
Nunca havia visto a mãe no trabalho lidando diretamente com pequenos seres. Que alegria era aquela?
— Mason, lembra da minha filha que te falei? — ela falou para um dos meninos. Ele era carequinha e estava um pouco inchado, não deveria ter mais que sete anos.
Câncer, claro. sentiu o coração apertar, mas sorriu.
O garoto assentiu e Grace apontou para .
— Ela é linda. — riu.
— Não é? — Grace concordou. ergueu as sobrancelhas de novo e olhou pra , que deu de ombros e riu silenciosamente.
Que Grace era aquela e o que haviam feito com a mal humorada?
— Posso ser seu namorado?
sorriu e se abaixou pra ficar na altura do menino. levantou uma sobrancelha e olhou pra sogra. Ela se levantou e foi cumprimentá-lo.
— Pode. — disse, e ele a levantou ainda mais.
, tudo bem? — Grace sorriu e o abraçou de lado. O garoto piscou, desviando o olhar do pequeno paciente e deitou a cabeça no ombro dela, retribuindo, já que tinha os braços ocupados.
— Joia, Grace e você? — ela apenas assentiu.
— Já arrumamos um espaço pra você na brinquedoteca — ela voltou a falar com a filha.
assentiu e chamou Mason pra ir consigo. Ela ficava ao final do corredor do lado leste. sorriu pra sogra mais uma vez e foi atrás dos dois.
— Sua mãe me dá medo. — sussurrou ao ouvido da garota.
— Acha que é só você? — riu.


DAY 16


Oh, it is the season to be jolly, deck the halls with boughs of holly


A modelo acabava de chegar em casa, estava morrendo de fome. Ela e ficaram desde às quatro e meia no hospital, brincando com as crianças. havia pego um táxi e buscado o garoto na escola, ainda estava odiando o fato de não poder dirigir, de lá, foram para o George .
Eram nove da noite e ela não havia tido uma refeição decente há tempos.
foi pra sua casa, já que tinha aula na manhã seguinte, e ela pra dela, na esperança que Pam tivesse resolvido brincar na cozinha.
Ela trancou a porta de entrada e foi direto para lá. Seu coração deu um pulo no peito quando viu o pai sentado em um dos banquinhos da bancada de mármore, conversando com Pamela enquanto ela cozinhava. sentou-se ao lado dele e colocou a bolsa nude da Givenchy sob o balcão.
— Ah, ai você está. — Peter sorriu e passou os braços ao redor da garota, que deitou a cabeça em seu ombro.
— Chegou cedo hoje. — notou.
— Não sabia que você estava lá, poderia ter te esperado. Só soube quando cheguei.
Ela dispensou com a mão. Doutor se preocupava demais.
— Quer ajuda, Pam?
A ruiva parou de mexer nas panelas, se virando para os dois.
— Não, obrigada. — sorriu.
— Já tentei ajudar. — Peter sussurrou pra , que riu.
— Você só ia atrapalhar, provavelmente atearia fogo em algo.
— Isso não é justo.
— Mas é verdade. Você já queimou umas folhas de agrião uma vez, se lembra disso? — Pamela falou e o médico riu.
— Infelizmente.
Peter começou a brincar com um papel sob a mesa com a ponta dos dedos, chamando a atenção do olhar de . Ela inclinou a cabeça para ler o que era, o pai percebeu e tirou as mãos de cima do convite e entregou a ela.
— Já ia me esquecendo. — sorriu.
Ela pegou o envelope bege e ficou admirando o design. Letras cursivas formais traziam o nome do hospital. Ela o abriu e tirou um convite lá de dentro.
“Você está cordialmente convidado para o coquetel de final de ano do Hospital George .
Venha comemorar conosco o sucesso de 2015 e a chegada de 2016.
19 de Dezembro - 20 horas”

— Pode levar quem quiser.
Ela sorriu e ergueu o olhar até Pamela. A mais velha desligou as trempes do fogão e avisou que a comida estava pronta. Os dois estavam morrendo de fome e correram pra servirem.
— Coquetel no HGW. — sacudiu o convite pra ela, que o tomou nas mãos. — Você está intimada.
A mais velha sorriu.
— Isso me cheira compras.
abriu um sorriso grande.
— Você tem um bom olfato.


DAY 17


Every day is a holiday with you


— Você realmente não precisava ter feito aquele escarcéu todo na Hamleys! — Pamela xingou mais uma vez.
apertou o volante ainda mais.
Era tão bom estar de volta à direção. Ela amava dirigir e tirar aquilo dela era tortura.
Tortura maior era Pamela ficar repetindo mil vezes no seu ouvido sobre ela ter brigado com um homem na loja de brinquedos, quando ele e a modelo colocaram a mão no último jogo que tinha lá, de uma coleção que Harper gostava. O homem tinha uma filha da idade da que estava implorando pelo brinquedo e só o deixou levar quando Pamela sutilmente achou outra coisa que a sua menina também gostava.
— Eu já entendi, mama. Nada de escândalos porque eu apareço na internet. Nick já me falou esse abecedário até de ré — bufou.
— Não é apenas isso, ! Onde estão seus modos? Não te criei assim.
Ela suspirou. Ia calar-se para não render mais conversa, não estava a fim de mais treta.
conseguiu parar o carro na própria Dover Street, perto da loja de Victoria.
Estava sendo uma longa tarde. Já haviam ido ao hospital tirar o gesso do braço e comprado os presentes das crianças e os vestidos que usariam no coquetel do hospital. Ainda faltava uma infinidade de gente pra comprar lembranças natalinas.
A babá compraria alguma coisa para as mães, Ruth e April que levasse a assinatura da sogra, e ainda levava Pam para conhecer o local.
As duas entraram na loja e já foi recebida por uma funcionária de forma amigável, como sempre. Elas todas já conheciam a garota.
— Senhora está no andar de cima fotografando pra campanha natalina. — ela informou e agradeceu.
A loja estava consideravelmente cheia, o que era comum no fim do ano.
— Vamos lá vê-la e depois olhamos os presentes.
não mencionou a parte em que um dos presentes era pra ela, ou então ia dar início a outra briga sobre “não precisa disso”. Então ela simplesmente preferia prestar atenção no que a mãe gostava e pegaria escondido.


DAY 18


I don't ever want today to leave or ever change


— E aí, Buster, já falou pra sua namorada que ela vai passar o natal com a gente? — David falou sem desviar o olhar da televisão.
parou de brincar com Harper na hora, largando os brinquedos no chão da sala de TV e levantou o olhar até eles.
deu um pausa no vídeo-game.
— Ei! — os irmãos gritaram.
— Não pai. — ele estreitou os olhos e sua voz saiu como um rosnado.
— Vou, é? — ela levantou as sobrancelhas, Harper sussurrou um “vai” e continuou brincando com o chá de bonecas.
— Ainda não tínhamos chegado nessa parte. — disse.
arregalou os olhos.
— Ah! — ela riu. — isso é uma intimação?
— Sim! — todos os quatro homens responderam juntos.
Ela mordeu os lábios.
Errrr…
— O que foi? — Cruz perguntou.
— Eu meio que… já… tenho planos. — deu de ombros.
Os quatro estreitaram os olhos.
— Não tem nenhum plano melhor que nós, Livzinha. — David disse, cruzando os braços.
— É. — Romeo o imitou.
apenas sentiu o coração doer, como se estivesse rasgando ao meio.
Aquilo já não devia ser uma surpresa.
Droga, era óbvio que ele deveria ter a avisado muito tempo antes, desde o dia em que os pais decidiram ir pra casa de campo nas festividades, mas ele simplesmente nem se lembrava porque não havia o feito.
Ela olhou pra ele e também sentiu um aperto no peito ao notar sua feição tristonha.
— Então, , vamos mudar a colocação. — David tentou consertar depois de notar a tensão no ambiente. — vamos pra casa de campo pro natal, você é nossa convidada, adoraríamos ter sua presença.
Ela deu um sorriso desanimado.
— Você me viu organizando a ida pra Wiltshire com Pamela, viu eu avisando meu pai que ia organizar uma ceia pra ele e Oliver, e em momento algum me disse que eu era convidada de vocês.
Ele piscou com força, sendo forçado a lembrar da ocasião.
— Por que a gente não trouxe pipoca, mesmo? — Romeo cochichou pro pai, enquanto riam da briga dos dois.
— Eu achei que não precisava convidar, ! A gente já tinha te dito que era para passar a data com a gente. — falou com pesar.
— É, , mas eu não vou simplesmente adivinhar como vocês comemoram, se é com uma ceia ou almoço ou o quê. Eu pedi o Nicholas pra organizar minha agenda só pra que eu pudesse passar o natal com mais gente possível e você não dizia nada! E agora eu preciso ouvir do seu pai que nem é em Londres, e só pra ajudar, ainda é pro lado contrário de Wiltshire!

— Não me venha com o “”! — ela sacudiu a cabeça e se levantou. — meu pai já deve ter chegado em casa a essa hora. — gesticulou com os braços em direção à sua casa e acenou para os garotos. — é melhor eu ir.
Ela deu as costas e saiu da sala em passos apressados, David olhou para e ele o fitou de volta, perdido. O mais velho apenas indicou com o olhar para que ele fosse atrás da garota e ele assentiu, se levantando do sofá em um pulo.
— Será que a gente pode ao menos conversar? — ele a alcançou nas escadas.
— Não, a gente não pode. — ela parou de uma vez e ergueu o dedo. — você teve uns vinte dias pra me avisar, e eu esperei. Eu já organizei uma ceia e uma viagem, porque eu desisti dessa sua conversa, então, não, . Agora é tarde.
O garoto permaneceu no mesmo lugar, sentindo-se sem chão, apenas vendo a garota afastar cada vez mais.
Assim que saiu da casa deles, puxou o ceular no bolso do casaco e enviou uma mensagem pra Nicholas.


“Meu namorado abençoado resolveu me avisar agora que vão pra casa de campo no natal.”
“Seja o fabricante de milagres de novo, arrume um buraco na minha agenda mais uma vez, por favor? Mas mantenha Wiltshire e a ceia com papai.”


DAY 19


I wouldn't mind the winter snow if the seasons stayed the same


— Vou fingir que não estou chateada por você não ir. — falou.
Victoria sorriu tristemente e passou a mão pelo cabelo lisinho da nora.
— Você sabe que eu tenho ficado no escritório e na loja até tarde, fim de ano o trabalho triplica! Eu adoraria ir, agradeça o convite ao seu pai.
— Eu queria ir. — Romeo disse, observando a mãe mexendo com a babá, dando uns retoques finais em seu visual.
— Eu também. — Cruz falou e cruzou os braços.
— Eu também. — Harper suspirou.
— Não, é festa de gente grande. — David disse e deu tapinhas no topo da cabeça do menino do meio.
— Não é, mentiroso. Você disse que a gente podia ir. — Cruzie falou.
Se eu e sua mãe fôssemos. — frisou.
— Mas a sabe cuidar da gente igual vocês. — Romeo retrucou.
A babá mordeu os lábios e Victoria lhe deu um sorriso torto. Ela sabia que a garota queria levá-los, mas apenas poderia, para não ser injusto com os mais novos.
— Mas a está indo para aproveitar a festa do pai dela, não é justo deixá-la de castigo de olho em vocês. — o jogador replicou e o mais novo achou justo, calando-se. Romeo ainda não estava satisfeito.
— Já disse que você fica maravilhosa usando Zuhair Murad? — Vic perguntou à sua modelo.
Ela olhou para seu vestido longo de tule, totalmente frisado com enfeites de cristal, cor azul meia-noite. O vestido era realmente perfeito, mas ela precisava discordar de Victoria.
— Posh, eu fico maravilhosa em qualquer coisa.
Todos da sala riram.
— Você é maravilhosa.
desviou o olhar da estilista até o namorado, no pé da escada. Ele usava um smoking num tom de azul parecido com o do seu vestido, gravata preta e blusa branca por baixo. O cabelo estava em um topete do jeito que ela adorava.
Naquele segundo ela quase esqueceu a briga do dia anterior. Quase.
— Você também até que está bem bonitinho, não é? — ela entortou a boca e David caiu na risada.
— Meu pequeno homem. — Vic brincou e ele sorriu.
— Pamela está esperando no carro, vamos? — ela apontou para trás, indicando a porta.
Ele assentiu e caminhou até ela, estendendo-lhe o braço. A modelo o deu um sorriso frio, mas só aceitou por causa de todos ali em volta.

[...]


— Eu não entendo nada do que estão falando. — virou o rosto pra cochichar no ouvido da namorada, que riu.
— Apenas continue sorrindo. — repetiu seu gesto.
Ele assentiu e voltou a encarar a rodinha de médicos amigos de . Valerie Forbes, a neuro que havia a operado, era a sua favorita, a que mais conhecia. Trevor Clark, o cirurgião plástico que o suturou há alguns meses, segundo , o melhor de Londres e uma cirurgiã geral, Camille Diaz, que havia ganhado um Prêmio Wolf de medicina por algo inovador que ela havia feito, e ele sentia um nó na cabeça só de ouvir o nome que ela havia dado ao procedimento.
conversava dentro do assunto como se fosse algo de sua natureza, vivia fazendo perguntas tanto curiosas e inusitadas.
deixou o olhar percorrer pela sala, procurando Pamela. Ela conversava com Peter e outros homens com feições finas no lado contrário em que estava com .
A modelo acompanhou o olhar do menino e entendeu que aquilo deveria ser um porre pra ele tanto quanto era pra Pamela, mas mesmo assim, ela ia todos os anos. Havia algo que ela gostava, e definitivamente não era a conversa médica ou administrativa, só não sabia ao certo o que era.
Mas ela descobriria o que gostaria dali.
— Se me derem licença — ela espremeu os lábios em um sorriso fino.
Os médicos assentiram, ela encaixou o braço no de novamente e começou a guiá-lo.
— Me desculpe por ter te deixado fora da conversa, me empolguei.
fincou os pés no chão e a parada brusca forçou a virar-se para encará-lo, soltando os braços.
— Não precisava por minha causa, . Por você, eu continuava sorrindo pra eles o resto da noite e aprendendo sobre síndrome de VATER — deu de ombros.
— Obrigada, bebê. Mas posso conversar com eles sobre isso depois. — deu de ombros. — agora, vamos ver algo divertido pra nós dois. — ela sorriu e estendeu a mão pra ele.
suspirou e deixou os ombros caírem, tomando a mão dela.
A babá o puxou até os elevadores administrativos, um estava parado no andar. Todos os executivos e pessoas do setor administrativo estavam ali no terceiro andar para a festa. Alguns médicos também, os chefes e atendentes, os outros menos sortudos estavam trabalhando nos andares restantes do George salvando vidas.
passou sua credencial e digitou o número “33” no painel, indicando o último andar. Assim que as portas se fecharam com os dois sozinhos lá dentro, raspou a garganta, chamando a atenção do olhar da namorada.
— Podemos conversar sobre ontem?
— Não. — estalou a língua e virou de costas, encarando a vista panorâmica de Londres. assentiu e caminhou até seu lado, apoiando-se no vidro.
— Então estamos bem novamente?
Ela riu.
— Ainda não te perdoei, mas estou fazendo um esforço.
não soube mais o que dizer e aguardou calado até as portas do elevador se abrirem no deserto trigésimo terceiro andar.
saiu na frente e gesticulou com o dedo para ele segui-la.
Literalmente não tinha nada ali, apenas o silêncio e um corredor com elevadores e uma porta no final. seguiu pra lá e a acompanhou, finalmente reconhecendo o lugar. Quando ela a abriu, o vento mais frio do mundo chicoteou os dois. A garota deu um pulinho e soltou gargalhadas, havia sido pega de guarda baixa. riu e nem assim ela parou, foi até o lado de fora onde os ruídos eram milhares.
Haviam dois helicópteros pousados no terraço, um na ala este e outro na oeste, este de emergência. O primeiro o garoto reconheceu como o do pai de , que havia buscado-os no acidente.
— Você não planeja dar uma volta de helicóptero agora, né? — perguntou.
A garota se virou e voltou correndo até ele, abraçando-o. Ali estava frio pra porra e ventava como ela nunca havia visto em dezenove anos que ia ali.
riu e desabotoou o smoking, passou um braço pra ela, que o vestiu e colou-se ao lado dele. Era assim que ela gostava.
— Deus me livre! — riu. — olha esse frio todo e você ainda quer me colocar numa coisa voadora? Não, obrigada.
— O que viemos fazer aqui, então?
— Não é óbvio, bebê? — ele negou, ainda não entendendo. começou a caminhar e a seguiu até o pequeno deck panorâmico bem ao centro do prédio, na beirada da ala norte. — apreciar Londres. Não é o The Shard, mas é o hospital mais alto do mundo, tem 160 metros. — ela ficou balançando a cabeça, o namorado riu. — daqui você vê a London Eye de pertinho, ela é só um pouquinho menor… também vê o Big Ben e o Palácio de Westminster. Com o binóculos você vê a Ponte da Torre e o The Shard. — ela sorriu e caminhou até o binóculo para dar uma olhada aos arredores.
Ele se abaixou e ficou observando, sorrindo.


DAY 20


If I had a wish it will be simple and true, I wish every day was Christmas with you


— Você foi uma boa menina esse ano? — o Papai Noel perguntou pra uma paciente de cinco anos sentada em seu colo.
Ela assentiu e piscou com um olho pra .
A mais velha riu e depois soltou um suspiro.
Estava adorando passar suas tardes com as crianças internadas no hospital. Se pudesse, o faria todos os dias, mas já não tinha mais uma agenda flexível assim, era tudo por causa das licenças devido ao acidente.
Aquele era o dia de entregar os cookies que a modelo havia encomendado na padaria de Carl. Havia levado todos os kiddos consigo e arrumado um gorro de papai noel para ela e os s, os biscoitinhos estavam lindamente embalados em saquinhos com laços vermelhos.
Também era o dia que ‘próprio’ Papai Noel dava as caras por lá. Ele ficava na brinquedoteca, como de costume.
— Fui. — Nadia disse e o senhor riu.
— E qual presente você quer?
— Um gatinho.
levantou a sobrancelha devagar, algumas engrenagens giraram em sua cabeça e causaram um clique. Ela se virou para ao seu lado, que também observava as conversas das crianças com o bom velhinho, enquanto os irmãos mais novos brincavam com os pacientes.
— Eu também quero um gatinho. — ela sussurrou para o namorado, ele riu e se aproximou da mulher.
— Você já tem um. — apontou pro seu próprio rosto.
riu com gosto e colocou a mão na bochecha dele.
— Um felino.


DAY 21


Cuz I don't ever want today to leave or ever change


A campainha da casa soou, se levantou em um pulo do pé da escada e saiu correndo para atender a porta. Ela a abriu de uma vez e deu uma respirada funda em puro alívio ao ver .
— Você tem noção de quantas vezes eu já te liguei? — ralhou. — da próxima vez preste atenção em seu celular, senhor! — se afastou dando espaço pro garoto entrar, mas ele apenas esticou a algo em sua direção.
— Feliz natal adiantado.
Seu olhar parou numa caixa de papelão que ele carregava.
sentiu a jugular quase explodir, o coração batia na frequência de um maratonista que havia feito uns 300 metros. Ela soltou o maior berro e começou a pular, batendo palmas.
Haviam três filhotes de gatinhos dentro dela, um deles completamente assustado com a euforia da garota. Este era cinza. O outro, num tom amarronzado, queria pular pra fora da caixa a todo custo. O último felino tinha pelos laranjas e soltava miados finos e fofos.
A babá queria apertar os quatro com força, então parou de pular e jogou os braços ao redor do pescoço de , que ria com gosto. Aquela era uma reação muito adorável, considerando que vinha da .
Ela o puxou para dentro de casa e fechou a porta, puxando os gatos pro chão e se sentou com eles. Peter e Pamela apareceram correndo, preocupados com o grito dela. O homem pôs as mãos na cabeça e xingou alguns palavrões, enquanto superava o susto.
Pamela se aproximou e sentou com a garota, também se abaixou. A mais velha adorava gatos, sua casa em Wiltshire era cheia deles.
— Gostou do presente? — perguntou.
pegou o ruivo nos braços e apertou com cuidado, grudando-o ao seu peitoral.
— Você está brincando! Eu amei! Obrigada! — ela puxou pelo queixo e deu um beijo por cima dos lábios dele.
— Sabia que você ia gostar. — Pam disse e pegou o cinza, enquanto pegou o marrom.
— Você sabia disso? — a mais nova ergueu uma sobrancelha.
Peter se aproximava devagar, tomando um copo d'água e ficou observando de longe, sorrindo.
— Claro, , afinal, quem vai cuidar? — ela sorriu. — me pediu. — explicou. virou-se para ele, buscando respostas.
— A gente se falou ontem depois do hospital, eu precisava pedir pra ela, né? Afinal você quase não fica em casa. — ele deu de ombros. — ela me disse que você gostava de Scottish Fold e Persa.
— Ele ia comprar, acredita? — Pam cochichou. deixou o queixo cair e olhou .
— Por que não adotou!? — exclamou.
Peter se ajoelhou próximo aos três e começou a fazer carinho no gato no colo da filha, e acabou pegando-o. parou pra encarar a cena e riu. O médico era totalmente desajeitado com animais.
— Eu adotei! Depois que Pam, falou, claro. O assistente da minha mãe ficou o dia inteiro procurando anúncios de adoção e buscou os três, um em cada lugar. Sei que não é um presente de verdade, vou arrumar algo depois. — deu de ombros.
— Você tá brincando? É o melhor presente da vida toda! Está perfeito, não importa o valor, — ela sorriu e pegou o gato do colo dele, que cravou a unha em sua blusa da Fendi e puxou um fio. A garota nem resmungou. — são machos ou fêmeas?
— Aquela é fêmea, esses são machos. — ele apontou pra ruivinha no colo do sogro. — foi a primeira que pegamos. Estava a chamando de Caramelo. — riu.
“Que nome é esse?” ela pensou.
— Vou chamá-la de Pepper Potts.
Não foi preciso muito. Marvel e DC eram uma espécie de xodó, a primeira principalmente. O simples fato da gatinha ser ruiva a fez escolher aquele, fora que adorava a senhorita Potts.
riu, enquanto Pam e Peter se perguntavam que diabos de nome era aquele.
— Que tal Soldado Invernal pro cinza? — ele apontou pro gatinho no colo de Pam, a modelo mordeu os lábios.
— Bucky. Bucky Barnes é melhor. — assentiu.
— De onde você tirou esses nomes? — Peter perguntou, finalmente soltando Pepper, que correu até Pamela e Bucky.
— Dos super-heróis, pai. — ela riu.
— Não conheço nenhum. — ele deu de ombros — que tal um nome que eu saiba pra aquele ali? — apontou para o último.
— E quais você conhece? — ela perguntou, gostando do rumo daquilo.
Não imaginava que Peter fosse gostar tanto daquilo como estava sendo.
— Os mais famosos, só. Mas eu pensei em Tony Stark pra ele.
adorou. O Homem de Ferro era seu favorito.
— Tony Stark, então. — sorriu.


DAY 22


I wouldn't mind the winter snow if the seasons stayed the same


— O que a gente veio fazer aqui, mesmo? — Cruz perguntou enquanto subiam o último lance de escadas do prédio.
parou na porta do seu apartamento e trocou um olhar de pura cumplicidade com , ele riu.
— Ela já disse mil vezes. — Romeo rolou os olhos.
— Mas… brincar? Isso a gente podia fazer lá em casa. — ele deu de ombros.
— Deixa de ser preguiçoso, Cruzie. Segundo dia de férias e você já está assim? — ela perguntou. — relaxa, você vai gostar da brincadeira.
destrancou a porta e Tony e Pepper já saíram correndo até eles.
— Gatinhos! — Harper gritou e desceu do colo de , pegou Pepper no colo e entrou correndo.


DAY 23


If I had a wish it will be simple and true, I wish every day was Christmas with you


— Quem são os miauzinhos mais fofos do mundo? — falou com a voz manhosa enquanto ajeitava seus três gatos no banco traseiro do carro, dentro das gaiolinhas de transporte.
Pam colocava as malas no bagageiro do Jaguar, preparando para saírem para Wiltshire, passar o natal na cidade da mais velha com sua irmã, Ruth.
? — Pam a chamou e ela levantou a cabeça, olhando-a através do porta-malas.
A mulher apontou pra frente com o queixo e a garota notou entrando no pátio da casa pelo portão da garagem. A modelo finalizou arrumando a última caixa transportadora e saiu de dentro do carro.
— Estamos saindo agora, quis vir me despedir antes de viajar. — ele estreitou os lábios em um sorrisinho.
esticou os braços e abraçou o garoto na cintura, deitando a cabeça em seu ombro.
— Também já estamos de saída. — ela fechou os olhos e ficou ouvindo o coração dele bater, enquanto ele também a envolvia em seus braços.
— Achei que passaríamos nosso primeiro natal juntos. — suspirou, ouviu seu coração acelerando e ergueu a cabeça para olhá-lo.
— Sinto muito — mordeu o canto da boca.
assentiu e deu um beijo na testa da garota, afastando-se um pouco.
— Me avisa quando chegar.
— Você também. Te ligarei no natal.
— Te ligarei todos os dias. — ele corrigiu e ela sorriu.
acenou e despediu-se de Pamela também, ganhando um beijo na bochecha da sogra.
entrou dentro do carro no banco do motorista e aguardou Pamela entrar para saírem.
— Por que você mentiu pra ele? — a mais velha perguntou, colocando o cinto de segurança.
— Porque quando eu aparecer lá na porta da casa deles, será uma surpresa. — sorriu.


DAY 24


(Wish every day was Christmas) With you


— Faça uma boa viagem. — Ruth deu um beijo na testa da modelo, segurando Bucky no colo. — cuidaremos bem dos seus meninos.
— Tenho certeza que sim. — sorriu e deu um aperto em seus braços, caminhando até seu carro, onde Pam guardava a sua mala.
— Me ligue quando chegar. Se ficar entediada na estrada, me liga também. Não acho legal a ideia de você dirigir sozinha até Londres.
A menina assentiu, duvidando muito que aquilo fosse acontecer, mas era melhor não brincar com a sorte.
— Obrigada pelo almoço, estava divino! — Ruth completou.
— Eu não disse que ela era espetacular na cozinha? — Pam falou com a irmã, que assentiu.
— Obrigada as duas, são uma família maravilhosa pra mim. — sorriu e as duas mulheres a abraçaram, despedindo. — bem, eu ainda preciso chegar em Londres e preparar uma ceia — lamuriou. — é melhor eu ir logo. Melhor um almoço juntas na véspera do que nada, não? realmente acabou com minhas expectativas de planejamentos.
— Perdoe o menino. — Ruth disse. — ele não fez por mal.
— Eu já perdoei. Mas é que ele adora dificultar as coisas pra mim. — suspirou — de qualquer modo, estarei de volta antes que possam sentir minha falta — sorriu.
Ela entrou no carro antes que alguma das três resolvesse prolongar ainda mais a despedida, pois eram ótimas naquilo, e elas nem teriam tempo para saudades, já que no boxing day ela voltaria para buscar Pam e seus gatinhos.

[...]


— Você quer me deixar obeso. — Oliver resmungou enquanto mastigava. — olha esse banquete…
— Cala a boca e come, Oliver. — riu e Peter a fitou, sentado de frente pra ela.
Aqueles não eram modos para usar numa mesa.
Nicholas apenas riu enquanto se servia mais um pouco do Bife Wellington.
A campainha do apartamento fez barulho, fazendo todos colocarem as talheres de lado.
— Você está esperando mais alguém? — Oliver perguntou para a modelo, sentada na cabeceira da mesa. Ela negou com a cabeça, ainda mastigando.
— Não. Você? — ela afastou a cadeira e se levantou, indo até a porta.
O amigo dela já tinha a cópia da chave dali há muito tempo e ela havia dito que ele poderia convidar alguém, se quisesse. O apartamento era como uma segunda casa pra Oliver.
— Também não. — franziu a testa, dando de ombros.
Ela girou a chave no trinco e puxou a porta. Seus olhos saltaram e o coração acompanhou o movimento.
— Eu trouxe vinho — Grace estendeu um saco de papel para a anfitriã.
— Ahn… — resmungou, meio incerta daquilo, mas afastou para a mulher entrar. — ok…
Grace estreitou os lábios num silencioso pedido de licença. A mais nova assentiu e fechou a porta depois. Os três homens na mesa encaravam a médica de queixo caído.
não havia convidado-a pois o natal não era algo que sua família materna celebrava, fora que Grace passava a data no hospital todos os anos.
Peter se levantou da mesa e chamou a esposa, puxando a cadeira ao lado de Oliver para que ela se sentasse. Grace cumprimentou Oliver e se apresentou à Nicholas.
— Acredito que ainda não tivemos o prazer, sou Grace .
O homem trocou um aperto de mãos com ela.
— Nicholas Winston.
— Já ouvi falarem muito de você. “O fabricante de milagres”. — usou o apelido que havia o dado, ele sorriu e suas bochechas ruborizaram.
caminhou até a cozinha, guardou o vinho, pois Nicholas havia levado um e já estava aberto, e buscou pratos e talheres para a mãe, voltou e buscou uma taça, depois voltou a se acomodar na mesa.
— Me desculpe aparecer assim, de repente. — ela começou, servindo-se do Gazpacho. Os outros voltaram a comer e assentiu, querendo ouvir o resto. — me pareceu a coisa certa a se fazer. — deu de ombros.
A modelo ficou um tanto quanto curiosa ao ouvir aquilo e ficou fitando Grace enquanto saboreava a salada de feijão verde. Seus olhos estavam cansados, cheios de olheiras. O silêncio incomodou, fazendo-a olhar cada um na mesa, que a encaravam.
Deus. Céus.
Era óbvio.
— Você se sentiu sozinha. — disse em voz alta, recuando na cadeira em seguida, depois de notar o que havia dito.
Grace, diferentemente do que normalmente faria, não a olhou feio e nem apelou. Ela apenas ficou calada, finalmente começando a jantar.
— Eu pensei, ‘o que será que Peter e fazem no natal?’. Ou ‘por que esse ano está insuportável ficar no George enquanto eu sei que eles estão juntos em algum lugar, comemorando a festa que eles mais amam?’. Então eu fui pra casa, não tinha ninguém lá. — deu de ombros e suspirou.
Oliver deixou o garfo e a faca na mesa e estendeu a mão sobre ela, apertando a da mulher ao seu lado. Ela olhou para ele e sorriu sem mostrar os dentes, voltando a olhar para a comida depois.
apenas sentia a respiração acelerada, o coração desritmado.
— Então você veio pra cá. — completou.
— Deduzi que estivessem aqui.
A babá colocou os cotovelos na mesa, entrelaçou as mãos e pousou o queixo nela, assentindo, olhando para qualquer lugar que não fosse a mãe depressiva.
Não era uma boa vista. A lembrava da sua própria depressão.
Sua depressão.
— Você leu meu prontuário. — ela não tinha certeza, mas disse com toda a convicção do mundo.
A cirurgiã a olhou tristemente de lado, com um sorriso frouxo.
— Ai, meu Deus! Você realmente leu meu prontuário! — elevou a voz e se levantou da mesa de uma vez, se afastando.
Nicholas teve o mesmo impulso e foi atrás da menina, que parou perto da árvore de natal, no canto da sala. Ele pôs as mãos em seus ombros e apertou, puxando-a para perto. suspirou e deitou a cabeça no ombro dele.
— Eu queria ler sobre sua cirurgia, ver os detalhes! — ela disse com a voz fina, mais vacilante.
a olhou ainda deitada em Nick, sua visão ficando borrada. Ela ergueu as mãos e limpou os olhos, afastando as lágrimas. Winston a apertou mais uma vez e tentou levá-la de volta para a mesa, mas ela puxou os braços e se sentou no chão, ao lado dos presentes debaixo e ao redor da árvore.
— Você não tinha o direito! — sua voz estava engasgada, era como se tivesse algo na sua garganta. Ela fechou os olhos e flexionou os joelhos, escondendo o rosto entre eles em seguida.
Ela ficou em posição fetal, chorando, até sentir um toque leve em seu ombro. Ela ergueu a cabeça devagar e deparou com a mãe ajoelhada na sua frente, com o rosto inchado, os olhos cheio d’água e avermelhados.
— Eu sei disso. Foi por isso que eu te trouxe isso aqui. — sua voz embargada, ela riu e puxou algo de dentro da jaqueta, e estendeu para .
Era uma papelada dobrada ao meio, fixada com um grampo. A modelo vincou a testa e pegou, abrindo.
Hospital George
Paciente: Grace Catherine

percorreu o olhar rapidamente pelas descrições feitas pelos médicos, prendendo o olhar nos medicamentos. Eram praticamente os mesmos que ela usava, com o mesmo intuito.
— Eu nunca imaginei que você tivesse isso, tudo que eu tenho dentro de mim sempre desejou em não te passar esse gene, mas acho que não tivemos sorte. — deu de ombros e limpou as lágrimas. — é algo terrível.
— Eu sei.
Agora eu sei que você sabe, achei justo mostrar que, sei lá, você não estava sozinha nessa.
Agora?
Sério?

Antes tarde do que nunca!
riu e pegou a embalagem da loja de Victoria ao seu lado, estendendo o presente para a mãe.
— Feliz natal.
Grace estreitou os lábios, prendendo o choro, segurando para que ele não piorasse, mas não adiantou muito. Ela pegou o pacote em uma mão enquanto a outra passou pelo pescoço da filha em um abraço totalmente desajeitado.
O primeiro em anos.
Aquele era o espírito natalino que ela tanto gostava.
sentiu a garganta arder e quando menos percebeu, chorava feito um bebê, igual à mãe.


DAY 25


(Wish every day was Christmas) With you


— O que faz de pé assim tão cedo? Achei que aproveitaria a folga pra dormir até mais tarde. — Peter falou e enfiou um pedaço de pão na boca em seguida.
— Eu acostumei em acordar cedo. — deu de ombros e se aproximou, dando um beijo na bochecha dele, espiando o seu lanche. — Pão integral com geléia de supermercado? Sério? — a garota disse, rindo, indo até a geladeira.
— Essa casa não anda sem a Pam. — ele respondeu.
— Uhum, sei. — riu e lhe deu um cutucão na barriga. — mas não se preocupe, a buscarei amanhã.
— Acho bom. — assentiu rindo, tomando um gole de café. — argh. Isso está terrível.
— Nem café você sabe fazer? — ela riu e pegou a cafeteira, dando uma cheirada na bebida. Aquilo estava fortíssimo. — eca. — virou tudo na pia. — vou fazer um novo pra você.
— Não precisa, estou com pressa.
— Não achei que fosse para o hospital hoje. Acho bem injusto, cirurgia em pleno natal.
— Diga isso às vítimas da emergência. Você sabe que lá enche nos feriados. — deu de ombros. — e você, aonde vai? — ele afastou para olhar a roupa da filha, ela estava mais empacotada que o clima de Londres pedia.
— Casa de campo dos s. Nicholas me arrumou um jeito de passar o natal com todos que amo — ela sorriu e pegou lichias para comer enquanto esperava o novo espresso ficar pronto.
— Faça uma boa viagem, tenha o dobro de cautela. A emergência do HGW já não aguenta mais te receber. — ele deu um beijo na testa da garota e pegou o casaco na bancada.
— Bom trabalho — ela sorriu e ele saiu.

[...]


Ali não havia uma maneira em que ela simplesmente pudesse chegar na surdina e bater na porta do chalé, com um sorriso de orelha à orelha, gritando ‘surpresa!’.
No momento em que o Jaguar entrou no terreno, o som das pedrinhas estalando contra o pneu do carro já ia chamar a atenção de quem estivesse ali fora. viu apenas duas figuras sentadas ao longe, que se viraram logo ao vê-la. Ela parou o carro do lado do de David e quando puxou o freio de mão, deu outro motivo para chamar atenção.
Ela desceu do carro depressa e não pegou nada além do celular, pra ficar uma eternidade ali enquanto podia ir e gritar ‘surpresa!”.
— Sandra! — ela cumprimentou a mãe do jogador, que ía em sua direção, lhe dando um abraço.
, como você está linda!
David apareceu atrás dela logo em seguida.
— Olha só, quem está aqui! zinha! — ele falou em alto e bom tom, ela sorriu amarelo.
— Shhhh! — ela disse enquanto ganhava um abraço de urso que só o sabia dar. — vai estragar a minha surpresa pro !
Ele a soltou e mordeu o lábio.
— Ele está lá atrás com o avô e Harper. — David apontou.
— Já era.
Ela olhou por cima do ombro do mais velho e viu atrás dele, com as mãos enfiadas no bolso do casaco vermelho, sorrindo.
— Surpresa! Feliz natal! — ela levantou as mãos pro alto e riu.
Eles caminharam um até o outro, com os braços estendidos para a garota. apoiou a cabeça em seu ombro e o envolveu pela cintura. tateava suas costas e colocou uma mão nos cabelos dela, virando a cabeça e sentindo o cheiro maravilhoso do shampoo de lavanda que ela usava, dando um beijo nela.
— Sinto muito por atrapalhar seus planos. — falou contra seus fios negros, ela deu de ombros.
— Não deixou de ser uma surpresa, e o importante é que eu estou aqui. — sorriu, fechando os olhos enquanto deixava o calor do corpo dele aquecê-la.
— Muito importante. — ele riu.
ergueu a cabeça e encostou seu nariz no dele.
— Seu nariz está gelado!
— Seu nariz está quentinho! — disseram juntos, e riram.
— Estava com o aquecedor do carro ligado. — ela deu de ombros, ainda se recusando a soltá-lo.
— Estava brincando na neve com Harper. — a imitou. — você não tem noção do quão feliz eu estou.
Ela ficou reparando seu rosto, seu sorriso, sentindo o coração dele batendo forte e rápido contra seu peito.
— É, eu tenho. Sua aura está bem radiante, o amarelo está mais vibrante que o rosa. Bem vibrante. — frisou.
— Droga, assim não é justo, eu nunca sei como você está.
— Eu sou boa em esconder. — ela deu de ombros.
— Você é muito boa em esconder. — ele assentiu.
— Posso te mostrar um pouquinho, que tal? — mordeu o lábio inferior, subiu a mão pelo corpo do garoto e raspou a unha em sua nuca. — meu Jaguar está sentindo falta da sua bundinha gostosa.
— E você não está?
— Bebê, você não tem nem noção. — riu e o puxou pela mão, voltando correndo até o carro.

(Wish every day was Christmas) With you
(Wish every day was Christmas) With you


Fim



Nota da autora: Essa cena da ceia ficou à lá Meredith Grey, né non? (entendedores entenderão ueuheuh) Mas foi pura coincidência, juro! kkkkkkkkk
Eu não ia detalhar essas coisinhas da Grace, mas achei justo abusar do espírito natalino mais um pouco.
E na festa do HGW era pra ter sexo gostoso, mas eu não quero estragar as expectativas de vocês pra tão demorada primeira vez deles, aliviando com as outras vezes. ISSO PORQUE TÁ BEM PERTO DA PRIMEIRA VEZ SER POSTADA, ENTÃO AGUENTEM FIRME <3
Algumas observaçõezinhas: Eu não queria dar o tanto de spoiler que dei, mas eu não consigo me segurar dskldslka é por isso que eu não publico todas as spin-off de BNE que faço ou tenho ideia de fazer. A fic tem/terá uns 40 capítulos e por isso mesmo que eu solto spoiler, pois não importa o quanto vocês descubram na spin-off, sempre terá muito mais na história heuiseh.
Então é isso, Feliz Natal! Beijos ♥






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