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Última atualização: 31/01/2017

Capítulo 1


Salvador, Brasil – 1983

A noite sibilava alto e o vento batia forte contra o carro de Liesel e George Addams. No rádio tocava uma música qualquer, voltavam de um jantar em comemoração ao aniversário de cinco anos de casamento, estavam felizes, finalmente haviam conseguido a tão desejada vida normal. Tinham uma filha que se chamava , uma doce menina com longos cabelos loiros cacheados e olhos tão azuis e profundo quanto o mar. Tudo estava perfeito. Ao longo da estrada, se deparam com um rapaz que aparentava ter trinta e cinco anos encostado a um carro vermelho parado no meio da pista. Sua camisa estava cheia de sangue e em sua mão esquerda uma adaga pingava um líquido vermelho no chão, em seu rosto um sorriso cínico estava estampado e os olhos negros como a noite. Liesel e George sabiam que aquilo não era um ser humano e sim um demônio.
- Finalmente achei vocês. Acharam que poderiam se esconder para sempre? Não fazem a ideia de quantos amigos seus tive que visitar para obter as informações sobre seus paradeiros – Com um ar de deboche, o demônio continuou – Parabéns, vocês eram rodeados de amigos verdadeiros. Mas sabem como é, depois que se tira toda a sua pele, eles se tornam muito falantes.
- O que você quer? – esbravejou George, irritado.
- Estou apenas cumprindo ordens, sei que tiveram uma filha, é o seu nome, né? – ele dizia enquanto encurtava a distância entre eles.
- Deixe minha filha em paz ou eu...
- Ou você vai fazer o que?- interrompeu o demônio, cansado daquela ladainha – Meu chefe tem grandes planos para ela.
Enfurecido, George jogou água benta no demônio, partindo pra cima enquanto ele gritava de dor. Enquanto isso, Liesel começava o ritual de exorcismo.
- Exorcizamus te, omnis immundus spiritus, omnis satanica potestas...
- Como vocês estão enferrujados, esperava bem mais de vocês, não parecem nada com o casal Addams que todos os demônios temiam. Bom, isso torna tudo muito mais fácil pra mim. – Com uma força sobrenatural, jogando o corpo de George sem vida no chão, o demônio riu.
- Ai meu Deus, George NÃO! Você vai se arrepender por isso – com o coração em pedaços, Liesel jogou-se em cima do demônio, tendo o mesmo destino de seu marido.

Rio de Janeiro, Brasil - 1992.

desde seus três anos de idade vivia em orfanatos e a cerca de seis meses havia sido transferida para uma sede no Rio, pois sempre que era adotada fugia e ia para a antiga casa de seus pais. Em uma tarde quente de verão, seus cabelos faziam um suave carinho em seu rosto, tinha o olhar perdido em uma fotografia de seus pais com uma criança loira e de olhos azuis profundos, tão profundo quanto à dor de perdê-los quando ainda era pequena, não sabia como e nem por que. Uma lágrima rolou de seus olhos, o que a fez despertar os fantasmas do passado. Era uma menina astuta e valente, sozinha no mundo, teve que aprender a se defender sozinha.
- Você tem visita, pequenina - com a doçura de sempre, Inês, uma senhora meiga e bondosa que trabalhava como voluntária no orfanato, disse a , deixando-a intrigada.
- Para mim? Mas, eu nunca recebi visitas. – Confusa a menina questionou – Você sabe quem é Inês?
- Não - respondeu Inês já saindo de vista.
No final do longo corredor, em uma minúscula sala, havia um casal. A mulher usava um terno e uma saia social preta, com uma blusa lilás, tinha os olhos azuis e um longo cabelo cumprido preto, era alta e aparentava ter por volta de uns trinta anos e o homem era musculoso de cabelo loiro e olhos verdes, seu terno parecia um pouco pequeno para o seu tamanho. Um lindo casal, pensou . Somente quando uma assistente social abriu a porta foi que eles reparam que ela os observava.
- Catelyn Addams, esse são Muriel e Joshua Addams, seus tios biológicos – não acreditava no que acabara de ouvir.
- Olá querida, finalmente a encontramos – com um sotaque americano sua recém-descoberta tia a abraçou, um abraço que nunca tinha sentido na vida, um abraço maternal.

Saint Louis, Missouri - 1995

Em frente ao espelho, trançava os seus cabelos e observava o quanto o seu corpo mudara. Hoje completara 15 anos, estava com o corpo ainda em transformação, aos poucos a aparência de criança era substituída pelos traços de mulher. Imaginava o que as outras meninas de 15 anos faziam quando chegavam à sua idade, apostava que nenhuma tinha vivido o que já vivera, combatendo monstros, salvando pessoas das coisas malignas que habitava o mundo. Era uma excelente lutadora, quase sempre ganhava do seu tio. Lembrou-se de um dos seus primeiros treinos com ele.

flashback on

- A primeira regra de uma luta, é que não existem regras, docinho – jogando terra nos olhos da pequena , Josh, como a garota o chamava, a derrubou com uma rasteira.
- Isso foi trapaça e não me chama de docinho – irritada por ter terra em seu rosto, ela parte pra cima do seu tio, sendo derrubada em seguida.
- Acontece “docinho” que a luta é feita de trapaças, não espere o seu inimigo jogar limpo, porque ele não vai. Chega por hoje, acho que já aprendeu a lição de não confiar em ninguém, nem em seu próprio tio velho. - ajudando a menina a ficar de pé, seu tio diz - Agora vá se limpar para podermos jantar.
- Idiota - a menina resmungou.
- Pirralha – o tio revidou.
Ao chegar em casa, foi recebida com um sorriso pela tia, que a mandou direto para ao banheiro.

flashback off.

No andar de baixo a campainha tocou anunciando a chegada de visitantes, aquilo não era muito comum, seus tios quase nunca recebiam visitas e nas raras vezes que recebiam eram caçadores a procura de um abrigo. Curiosa, desceu as escadas e se deparou com um homem que era acompanhado por dois meninos, o mais velho vestia uma camisa xadrez por cima de uma blusa preta e um sorriso debochado estava estampado em seu rosto, mostrando visivelmente o desagrado por estar ali. O mais novo era totalmente diferente do irmão, tinha um sorriso inocente e meigo, vestia um jeans surrado e uma camiseta cinza com uma jaqueta por cima e em suas mãos estava um soldadinho de brinquedo. O homem vestia uma jaqueta de couro surrada, uma blusa preta e um jeans velhos, reconheceu imediatamente John Winchester, mas nunca tinha visto aqueles garotos.
- John! – no primeiro degrau gritou e pulou em seu pescoço – Que saudades.
- , como você cresceu! – colocando a menina no chão após um longo abraço, ele diz - Quero que conheça os meus filhos: Dean e Sam.
- Oi – os cumprimentou
- Oi – somente Sam retribuiu.
- Vocês vieram em um ótimo dia - anunciou Muriel - Hoje completa quinze anos.
- Tia, por favor. – envergonhada, a repreendeu.
- E você acha que eu tinha me esquecido, Muriel? – ao dizer essas palavras, John entrega uma caixinha para a garota.
- Obrigada John, mas não precisava – ao abrir, havia uma linda pulseira com vários símbolos de proteção em ouro branco, se apaixonou no mesmo instante. Com os olhos cheios de lágrimas, a menina vai de encontro abraçá-lo - Eu amei John, é muito lindo. – completou enquanto a colocava.
- Essa pulseira é muito importante para mim. Fico muito feliz que tenha gostado. Cuide dela com carinho.
ouviu o filho mais velho de John, o tal de Dean, bufar de desgosto, mas o ignorou totalmente.
- Eu cuidarei, John.

- O jantar estava maravilhoso, querida. – ajudando a retirar a mesa, Josh elogiou sua mulher – Mas espero que tenha sobrado um espaço para o bolo de aniversário. É de brigadeiro, , o seu preferido.
Surpresa, observa um lindo bolo sendo posto na mesa e seu único pedido foi para que sua família ficasse unida para sempre e ao partir o bolo, se sentiu inteira pela primeira vez.
- Olha querida, temos um presente para você, pertenceu ao teu pai, ao pai dele e assim por diante, eu sei que ele gostaria que fosse seu então – escolhendo as melhores palavras a serem ditas, Muriel entregou uma caixa de madeira, nela estava gravada a chave de Salomão, um poderoso símbolo contra demônios. Dentro da caixa havia uma arma, uma linda arma prateada com o cabo de madeira vernizada. No cano, o sobrenome Addams estava gravado em uma letra fina e elegante.
Sem palavras de tamanha emoção, a pequena garota abraçou os tios e com as lágrimas descendo pelo rosto, segurou com todas as suas forças aquele objeto de seu pai, o único que tinha.
Depois de comerem o bolo, John e Joshua foram para sala de estar e ao voltarem, havia notado uma atmosfera diferente, Joshua e Muriel trocaram olhares e o sorriso que ela estampava aos poucos foi sumindo. Parecia que somente a garota tinha percebido aquele momento.
Ao descer de madrugada para beber água, ouviu seus tios conversarem.
- Como John conseguiu rastrear o demônio que matou seu irmão? – ao aproximar mais da porta, ouviu sua tia perguntar.
- Ele disse que conseguiu capturar um deles e que torturou o filho da puta até ele soltar o nome e onde ele estava – Josh respondeu.
- Como pode ter certeza, amor? Pode ser uma armadilha. - temendo pela vida do marido, Muriel completa - Isso não faz sentido. Ele se escondeu por tanto tempo, por que agora resolveu aparecer?
- Eu sei querida, mas essa é a única pista em todos esses anos, eu não posso deixar passar em branco - seu tio suspirou – Sairei amanhã cedo com o John, os garotos ficarão aqui fazendo companhia a você e a .
- Tio, eu quero ir com você. – por impulso, a menina entrou no quarto e pronunciou – Se alguém merece vingá-los com certeza sou eu. – com os olhos cheios de fúria completou.

- Querida, eu sinto muito, mais não posso correr o risco de perdê-la também. Você é o nosso bem mais precioso. – com toda a calma do mundo, Josh explica - Farei isso por você e por nós. – se despedindo da sobrinha e da esposa, Joshua desapareceu pela porta deixando somente o seu perfume amadeirado no ar.
Alinhando uma garrafa ao lado da outra em uma cerca de madeira, se prepara para testar sua arma. Imaginando o que faria com os assassinos dos pais, mirou engatilhou a arma e...
- Está fazendo isso errado, garota - zombando da garota, Dean Winchester assustou , fazendo-a errar o alvo.
- O que faz aqui, Winchester? – com todo o ódio exalando em suas palavras, a menina pronuncia – Vá procurar o que fazer e me deixe em paz.
- Você é muito arrogante, “”- era possível observar o sarcasmo na voz do Winchester mais velho – Não sei o que meu pai vê em você, é apenas uma menina mimada, chata e metida. Cheia de mimimi.
Apontando a arma para Dean, com os dentes cerrados diz:
- Você não sabe nada sobre mim, Dean Winchester - voltando sua arma para as garrafas, com os olhos vidrados no garoto e embaçados pelas lagrimas, atira, acertando todas as garrafas enfileiradas na cerca, para depois deixar Dean Winchester parado com os olhos cheios de raiva, apenas observando os estilhaços deixados por ela.
- Cara, como você consegue ser tão estúpido? – Sam Winchester, que brincava com seu soldadinho em uma árvore próxima, fala – é uma pessoa legal.

Dean’s POV on

Droga de lugar, por que papai me deixou aqui? Isso é um tédio, não tem nada o que fazer, por que não me deixou ir com ele? “Fique e cuide do seu irmão, da e da tia dela” foi o que papai disse, mas porra, elas que se danem, o que essa menina tem de tão especial? Ela é bonita, mais é chata e se acha de mais.
Com esse pensamento, Dean observava a menina segurando algumas garrafas e indo para perto da cerca ao longe, não queria admitir, mas ela o intrigava, procurava o que a menina tinha de especial, mas ela era difícil de desvendar. Sentia-se estranho perto dela e isso o irritava. Não sabia o que fazer quando ela se aproximava. Devido a isso, Dean a evitava ao máximo, tratando-a mal para que evitasse os sentimentos que por ela tinha.
- Está fazendo isso errado, garota – Dean a assustou, quase rindo quando ela errou o tiro, mas estava determinado a irritá-la.
- O que faz aqui, Winchester? Vá procurar o que fazer e me deixe em paz – achava lindo o jeito como seu rosto se avermelhava quando ficava brava, mas ouvir o modo como ela se referia a ele com tanto ódio, o deixou furioso.
- Você é muito arrogante, “” - reuniu todo o sarcasmo que podia e pronunciou seu apelido, observando o rosto da menina se avermelhar ainda mais, com o objetivo de irritá-la mais ainda, continuou - Não sei o que meu pai vê em você, é apenas uma menina mimada, chata e metida. Cheia de mimimi. – Neste momento, Dean percebeu que havia ido longe de mais, com os olhos em fúria e marejados, ela rebate.
- Você não sabe nada sobre mim, Dean Winchester - sentindo o remorso corroer suas entranhas, o menino observa ela acertar todas as garrafas que estava lado a lado na cerca, sem nem ao menos olhá-las, para depois ser deixado sozinho com um terrível sentimento de culpa por tê-la feito chorar, não era o que ele queria, pelo contrario, queria que ela rebatesse.
- Cara, como você consegue ser tão estúpido? – ao perceber que seu irmão assistira tudo, teve vergonha de si mesmo – é uma pessoa legal – após seu irmão seguir a mesma trilha que a poucos minutos a menina havia seguido, respondeu mais para si mesmo do que para seu irmão – Eu sei irmão, eu sei.

Dean’s POV off

Duas semanas havia se passado e desde aquele final de tarde em que discutiu com Dean, evitava o garoto a todo o momento. Sentia raiva do garoto, mas sentia ainda mais raiva de si mesma, achava Dean muito bonito e inúmeras vezes sonhou que estava beijando-o.
Naquela noite após o jantar, a menina se sentou na cadeira de balanço que ficava na varanda. Toda noite esperava por seu tio, mas havia dois dias que sua tia não recebia ligações nem de seu marido e nem de John.
Toc-toc. Aquela batida na madeira da varanda a fez despertar dos seus devaneios, ao virar o rosto e identificar quem era, desejou não ter feito.
- O que você quer, hein? – totalmente exausta das canalhices do Winchester mais velho, continuou – Cara, me deixa em paz. Olha, eu não sei o que fiz pra você, mas eu cansei.
- Eu vim me desculpar pelo modo de como eu te tratei aquele dia, eu sei que peguei pesado de mais – sentando-se de frente pra garota, ele continua - É só que... Eu não sei direito... Eu fico desconsertado quanto estou perto de você, caramba, eu nem sei porque estou falando essas coisas – ao olhar nos olhos da garota, aproximou-se ainda mais de seu rosto e se sentiu caindo nas profundezas daqueles lindos olhos azuis. Estavam próximos de mais, era possível sentir a respiração um do outro, seus lábios estavam quase se tocando.
O som de um carro os fez sobressaltarem. Era John. Mas havia alguma coisa errada, John estava sozinho. Assim que o carro parou, imediatamente saltou da varanda e foi correndo ao encontro de John.
- John, cadê meu tio? – vendo os olhos de tristeza do homem parado a sua frente, ela gritou – JOHN, ONDE ESTÁ MEU TIO? – obtendo como resposta um aceno negativo com a cabeça. O que garota temia havia acontecido – NÃÃÃÃO – instantaneamente, a porta da casa se abre e de lá saem Muriel e Sam, que inicialmente não entendem nada, mas após alguns segundos tudo havia ficado claro.
Muriel se aproximou e esbofeteou John, que não reagiu, mas disse:
- Me desculpa Muriel, eu não cheguei a tempo, era pra ser uma armadilha para eles, mas era uma pra nós também. Eu sinto muito.
- Suas desculpas não vão trazer meu marido de volta, Winchester. – com a raiva estampada em seu rosto, Muriel pronunciou – Eu quero que vocês vão embora e nunca mais voltem aqui.
Aos poucos a visão de escureceu e as vozes pareciam cada vez mais distantes. A última coisa que viu foi alguém a pegando no colo antes que caísse inconsciente no chão.

- ? – uma voz distante falava. Minhas pálpebras estavam tão pesadas, mal conseguia mover - ? - a voz chamou-me novamente - , consegue me ouvir?
Com muita dificuldade, consegui mover minha cabeça em sinal de positivo. Aos poucos fui abrindo os olhos. Inicialmente minha visão estava turva, mas já estava voltando ao normal. Estava confusa, por que todos estavam no meu quarto? Minha tia estava sentada em minha cama, seus olhos expressavam somente dor e tristeza, logo após, John evitava me olhar nos olhos, Sam me olhava com um semblante de compaixão e mais ao longe, Dean estava sentado na cadeira da minha penteadeira, parecia exausto, me encarava com um misto de preocupação e tristeza. Aquele olhar me despertou e uma dor insuportável se apoderou do meu coração. Encarei minha tia e entendi tudo, soube imediatamente que estávamos sozinhas no mundo, meu tio havia partido para sempre de nossas vidas e jamais voltaria.
John e Sam foram os primeiros que deixaram o quarto, Dean ainda permanecia parado, no mesmo lugar, depois seguiu o mesmo caminho que o irmão e o pai.
Minha tia libertou-me do abraço e desceu para o piso inferior deixando-me sozinha com meus pensamentos tortuosos, e a culpada disso tudo? Fui eu, eu deveria ter ido com um tio e matado a coisa que matou meus pais e agora ele.

Aquela pessoa que me encarava no espelho definitivamente não era eu. Minha pele estava horrível, meus cabelos opacos e sem vida mostrava nitidamente a falta de cuidado, olheiras se destacavam em torno de meus olhos inchados que denunciavam meu choro silencioso.
Decididamente eu precisava de um banho, o mais rápido possível, daqueles que demoram várias horas. Assim que abri o chuveiro e a água quente fez contato com minha pele gelada, um choque agradável percorreu por meu corpo, relaxando instantaneamente meus músculos.
Após um longo tempo, desliguei o chuveiro e saí do banheiro, me vesti com a primeira roupa que estava na minha frente, uma calça justa preta de cintura alta e uma blusa branca curta, em meus pés uma sapatilha preta básica, com os cabelos devidamente penteados, os amarrei em um rabo de cavalo. Olhei novamente no espelho e cheguei à conclusão de que estava com a aparência mais agradável, apesar das olheiras continuarem a denunciar meu estado de espírito.
Ouvi três batidas na porta e ao abri-la, Dean estava encostado no batente, com os braços dobrados sobre o peito.
- Meu pai quer se despedir de você, garota – sem ao menos olhar-me nos olhos, ele completa – Ele está te esperando na cozinha.
Deixei meu quarto e o segui até a cozinha, lá John Winchester me aguardava com a mala apoiada na mesa. A porta permanecia aberta com minha tia a segurá-la, mostrando nitidamente que as visitas não eram bem vindas ali.
- Adeus , não quis ir embora sem me despedir de você – John não dormia há dias, isso era notável – Me dê um abraço – erguendo os braços esperando que eu corresse para ele, como sempre acontecia.
- Eu não posso John, me desculpa – atravessei a cozinha, aproveitando a porta aberta, e corri o mais rápido que pude sem nem ao menos saber para onde ir. Imaginando que estaria a uma longa distância de casa, encostei-me a uma árvore e me permiti chorar.
- Olha só o que encontramos por aqui, parece que a presa correu para os braços do caçador – imediatamente levantou sua cabeça e na sua frente estava um casal e um senhor de aproximadamente 45 anos. O homem era forte, loiro e alto tinha aparência de um executivo, ao seu lado uma mulher asiática com unhas enormes e aparentemente afiadas pintadas em um vermelho escarlate, o senhor usava um terno preto, seus cabelos grisalhos estavam penteado para trás.
- Quem são vocês? – reuniu todas as suas forças para que sua voz saísse sem falhas, os olhos deles tornaram-se pretos.
- Acho que a pergunta seria, o que somos nós, querida. – A mulher se aproximou e apertou o pescoço da garota e a levantou. sentiu o sangue escorrer atrás de suas orelhas, onde as unhas fincavam-se em sua pele – O chefe ficará muito feliz, Robert e Nicholas – ao virar o rosto para encarar seu parceiro, viu um rapaz de terno aproximar-se e enfiar uma espécie de arma em suas costas, com um brilho sobrenatural o corpo caiu sem vida no chão. O senhor ao ver o corpo de seu companheiro, sumiu como em um passe de mágica.
- Mas não é possível, o que é você? - visivelmente assombrada, a mulher derrubou no chão.
- Sou um anjo do Senhor - com essas palavras, o homem apunhalou a mulher no estomago e após seus gritos esvanecerem, ela cai morta no chão.
- Você não devia ter saído de casa desprotegida, agora eles vão saber onde te encontrar. Você precisa ir embora o mais rápido possível – ele dizia enquanto guardava aquela espada estranha, seu olhar era vazio, seus movimentos eram calculados como um robô programado.
- Como é seu nome? - perguntou.
- Me chamo Castiel – tocou em sua testa e a dor que latejava atrás de suas orelhas sumiu, ficando somente a trilha de sangue e uma cicatriz. Sua cabeça começou a ficar leve, não soube porque estava lá com dois corpos estirados no chão. Neste momento, com o som de asas batendo, ele sumiu.
Um carro aproximava vindo da direção de sua casa, imediatamente se levantou e assim que o carro parou, John e Muriel desceram do carro.
- , o que aconteceu aqui? - ao ver os corpos, eles correram para mais perto da menina.
- Eram demônios tia, temos que ir embora agora mesmo – desesperada, tentava inutilmente levar sua tia de volta para o carro. Não sabia porque aquilo a desesperava tanto, sabia somente que significava perigo e precisavam fugir, alguma coisa maligna havia descoberto seu esconderijo. Após verificar os corpos, John perguntou:
- , foi você quem fez isso? Como você os matou? - havia horror em seus olhos.
- Não foi eu John, eu não me lembro do que aconteceu – não acreditava no que seus próprios lábios diziam.

Rio de Janeiro, Brasil – 2000

O intenso calor da noite carioca obrigava as pessoas a se aglomerarem na rua. adorava este fervor que acontecia todas as noites, o povo se reunia em rodas de conversas e logo após poucos minutos, era possível ouvir pandeiros a tocar e sambas a surgir. Estava justamente em uma dessas rodas com sua amiga, usava uma saia rodada florida e uma blusa de renda, em seus pés uma linda rasteirinha adornada de pedras brilhantes e em sua cabeça um chapéu coco.
- Estou te dizendo , o Mauricio é um grosso. Ele me fez pagar o jantar e se não bastasse me pediu para pagar o hotel em que ficamos – reclamava do quinto rapaz que saia no mês – Ai amiga, assim não dá, não acho um boy que preste nesta orla, até abastecer o carro ele exigiu que eu pagasse – ela completou desgostosa, dando por fim um gole na sua caipirinha que por sinal já havia derretido o gelo a tempo.
- Sério? E o que você fez? - achava hilário o modo como à amiga vivia: homens, festas e mais homens.
- Simples, eu mandei encher o tanque e falei para ele que ia ao banheiro, de lá peguei um taxi e fui para casa – ao ouvir está confissão se engasgou de tanto rir.
- Eu não acredito que você fez isso – O modo como ela dispensava os pretendentes era surpreendente.
- Eu fiz, estou quase desistindo de homens – terminando sua bebida, ela falou. Neste momento um rapaz passou por elas, sua pele era de um tom acobreado com músculos bem definidos e cabelos desgrenhados, usava uma bermuda azul com uma camisa gola V branca, este deu uma piscadela para cada uma das duas e foi para o bar.
- Ai, amiga que gato, você viu que bunda? Essa é a minha deixa para pegar mais bebida - subindo um pouco o comprimento de sua saia e aumentando seu decote, disse.
- Mas você não havia desistido dos homens, ?- o rapaz era bonito, mas havia alguma coisa nele que não havia gostado.
- Eu disse QUASE, amiga – narrou e depois seguiu o mesmo caminho do rapaz.
Havia se passado uma hora desde que havia ido pegar bebida, provavelmente tinha saído com o belo rapaz.
andava tranquilamente por uma viela próxima ao hotel que morava com a tia, quando por um instante ouviu um barulho atrás das caçambas de lixo, seu andar lento denunciava que havia bebido demais, mas mesmo assim foi ver o que era. Como que por um passe de mágica, seu estado de embriagues mudou para terror. Na sua frente estava , prendendo o corpo de rapaz do bar contra a parede, somente com a força do pensamento.
- Christo - disse em latim. Ao virar o rosto para , os olhos de haviam ficado pretos, em seu rosto havia um sorriso sinistro e depois desapareceu, deixando somente o corpo do homem no chão. Neste momento, soube que deveria correr imediatamente, pois a vida de sua tia estava em perigo.
Em menos de cinco minutos ela já tinha chegado ao hotel, subiu as escadas o mais rápido que pode para chegar depressa em casa. A porta estava fechada quando chegou. Entrando no imóvel, percebeu que não havia nada fora do lugar. Talvez tivesse se preocupado à toa, talvez sua tia estivesse a salvo.
- Tia? Tia? - chamou, não obtendo resposta – Tia? Puta que pariu, responde porra - xingou.
- No quarto, – ouviu de longe sua tia responder.
Quando chegou ao quarto da tia, viu que ela estava sentada na cama olhando para ela com uma fotografia de seu tio nos braços e lágrimas nos olhos.
- Me desculpe, meu amor - ela dizia aos soluços.
- Desculpar? - neste momento foi jogada contra a parede com todas as forças, perdendo quase todo o ar dos pulmões.
- Estou cansada de brincar de esconde-esconde com vocês - dizia, enquanto saía de trás da porta – Porra, vocês só dificultam o meu trabalho.
- O que você quer? – reunindo todas as forças, conseguiu proferir - o que você fez com minha amiga?
- Ah, respondendo a primeira pergunta, eu quero você, tolinha – sua risada escarnecida, infiltrava nos ouvidos como uma praga – Cala sua boca, sua puta idiota – Aproximando-se de Muriel, deu-lhe um tapa no rosto, derrubando-a da cama - Por enquanto sua amiga está aqui, morrendo de medo, mas está aqui, viva.
- Deixe-as em paz - tentando se livrar, grita.
- Elas já me atrapalham demais. Era para ser muito mais fácil, sem tantas mortes, apesar de que assim tornou-se mais divertido. Primeiro seus pais, depois seu tio, agora sua tia e sua amiga – com um aceno de mão, ela quebrou o pescoço de Muriel, sendo possível ouvir seus ossos se partindo onde se encontrava.
- NÃAAAAO, tia, não. - Uma dor insuportável apoderou-se da menina como uma espada em chamas que traspassasse seu peito, deixando-o em chamas.
- Você não tem mais ninguém agora, . Está sozinha no mundo – aproximando-se da garota e surrando seu ouvido - Não se preocupe, eu estou aqui para te consolar - ao dizer isso a beijou.
mordeu aqueles lábios carnudos o mais forte que pode, arrancando um pedaço deles e sentindo o gosto de sangue dominar seu paladar. Os olhos do demônio mostraram fúria. Dando um passo para traz, quebrou o pescoço também de .
- Nos veremos novamente – neste momento uma fumaça preta saiu pela boca da menina, para depois deixar cair o corpo sem vida de sua amiga no chão.
Libertada daquela força sobrenatural, deixou-se cair no chão, sem forças para sair do lugar, ela chorou, chorou, como nunca havia chorado na vida.

Chicago - Illinois - 2005

Aquela boate exalava testosterona, mulheres desfilavam seminuas com bandejas repletas de bebidas. Uma stripper dançava no poste seguindo as batidas de uma canção qualquer. Meu copo encontrava-se vazio de tequila pela terceira vez seguida.
- Mais uma, barman - eu disse erguendo o copo.
- Posso pagar a próxima rodada? - uma voz grossa e levemente rouca falou em meu ouvido, devido ao volume elevado da música.
- Não bebo com estranhos – disse revirando os olhos e voltando a atenção ao meu copo.
- Prazer, Dean Winchester. Agora você já me conhece. - Claro que é Dean Winchester, aquele sorriso depravado do tipo “se eu quiser te pego” e aquelas mãos grandes e fortes que claramente tem uma pegada intensa e difícil de esquecer. OK, , CHEGA, Dean Winchester é um canalha, saía logo daí.
- Mais um motivo para não aceitar. Adeus, Winchester - pegando minha jaqueta de couro do banco, eu o deixei sozinho no bar e fui para o motel onde estava hospedada.

Dean’s P.O.V on

Como ela ousa rejeitar Dean Winchester? Eu vou conquistá-la, nem que seja a última coisa que faço na vida, mas aquela mulher me parece familiar àqueles olhos, ah, o jeito como o quadril se move quando ela anda, ah, faz meu amigo pulsar de excitação.
- Mais uma cerveja, por favor? - Pedi ao garçom, dei uma olhada em volta e reparei em uma mulher loira com uma fantasia de empregada servindo bebida, ao passar por mim dei uma piscadela e ela me correspondeu com um sorriso sacana, hoje eu não durmo sozinho.

Dean’s P.O.V off

Já passava das duas e meia da manhã quando Nancy Rodriguez saiu da boate em direção a sua casa, quando chegou próximo ao carro percebeu que havia esquecido as chaves. Nan, como era chamada, tinha a pele cor de azeitona e com os cabelos lisos até o pescoço, era a estrela principal da boate, seus olhos eram pretos e grandes. Uma linda mulher.
- Jonas, sou eu, esqueci minha chave no camarim - bateu na porta duas vezes para que o segurança pudesse abrir, mas quando a porta se abriu, percebeu que Frida a esperava, uma companheira de trabalho.
- Oi Frida, pensei que já tivesse ido embora, te vi saindo com um rapaz – disse Nancy.
- Fui, mas já voltei. Eu também esqueci uma coisa - Frida era uma moça muito bonita, possuía pequenas sardas no rosto e olhos amendoados e cabelos ruivos.
- Achei a chave - disse a Frida - Boa noite e até amanhã.
Neste momento Frida aproximou-se de Nancy e a tocou suavemente no rosto.
- Você é tão bonita, sabia?- segurou seu rosto com as duas mãos e a beijou profundamente – Só não intendo como meu marido pode me trocar por vocês.
Sem entender nada, Nancy tentou se livrar das mãos da mulher que estava a sua frente, mas sua força era espantosa. Frida abriu a boca e imediatamente Nancy sentia que sua vitalidade se esvaia, deixando-a fraca.
Frida deixou o corpo de uma senhora de aproximadamente 70 anos cair no chão. Ao olhar no espelho, notou uma moça com um olhar de corça, cabelos lisos e pretos, sua pele cor de azeitona e lábios carnudos que sorriram imediatamente contente com o que via.

’s P.O.V

- Agente Milles - disse mostrando o distintivo falso - Gostaria de fazer algumas perguntas.
- Claro agente - a mulher me respondeu com um leve sotaque espanhol, sua pele morena e seus olhos negros indicavam claramente que era latina.
- Você conhecia a senhora que foi encontrada no camarim?
- Não, nunca a tinha visto por aqui. Não é o tipo de cliente que costuma frequentar este lugar, se é que você me entende.
- Claro. Você foi a primeira a encontrá-la, certo? Viu alguma coisa de estranho? Cheiro? Pontos frios?
- Além de uma vovó morta em uma boate de strip-tease? - disse-me irônica - Mas eu percebi que ela tem uma tatuagem igual a da Nancy no pescoço.
- Quem é Nancy? - o corpo da senhora encontrada estava sendo retirada da boate.
- Nancy é a estrela da noite, quando ela dança o dono enche o bolso – ela disse fazendo descaso.
- Você sabe onde ela mora? - neste momento um ronco familiar chegou aos meus ouvidos e um Impala 67 preto parava em frente à boate.
Após anotar o endereço da Nancy, fui em direção ao meu carro, que por ironia do destino, estava na frente daquele belo veículo. Dean Winchester estava vestido de terno e gravata, usava óculos escuros que combinavam perfeitamente com aquele rosto divino. Abana papai, que homem mais gostoso, aquela boca, ai, é a segunda vez que pego você desejando Dean Winchester.
- Como você está linda hoje - ele me olhou de cima a baixo, com aquele olhar sacana que me fez arrepiar inteirinha. Mas eu não podia me dar ao luxo de cair nos seus encantos.
- Você novamente, Winchester? - questionei.
- Sempre que você precisar, querida - ai meu Deus, aquele sorriso novamente.
- Não preciso de você - arqueei a sobrancelha e cruzei os braços em frente o corpo, ressaltando os meus seios propositalmente. Imediatamente ele percebeu aquilo e sorriu novamente, passando a língua entre os lábios.
- Aposto que com duas cervejas você imploraria para me ter - ~ Sim, isso foi proposital~ disse todo convencido, ele já está passando dos limites, mas confesso que estou gostando.
- Eu posso te prender por essas palavras insolentes - fingi desagrado.
- Eu ia adorar que me algemasse - com uma última olhada sobre meu corpo, ele me deixou sozinha parada em frente ao meu carro. Aquele sorriso me faz tremer por inteira, desse jeito ficarei horas no banho.

Dean’s P.O.V on

Assim que cheguei na boate eu a vi, vestida com roupa social e um sobretudo por cima. Cara, como ela estava gostosa, aquele corpo me fazia ficar excitado só de olhar, se ela é assim com roupa, imagina sem. Acariciei meu amigo sobre a calça tentando acalmá-lo. Não se preocupe, nós vamos conseguir. Ela estava se aproximando do carro à frente, desci do meu bebê e me permiti esperar por ela.
- Como você está linda hoje - sorri.
- Você novamente, Winchester? - ela perguntou fingindo irritação. Ah, ela está gostando e está jogando comigo também.
- Sempre que você precisar, querida - sorri de novo para ela.
- Não preciso de você - neste momento ela cruzou os braços e cara que peitos, senti meu amigo pulsar dentro da boxer. Na hora que eu te pegar garota, você vai implorar por mais.
- Aposto que com duas cervejas você imploraria para me ter - percebi um sorriso no canto de seus lábios.
- Eu posso te prender por essas palavras insolentes - aposto que sim, e como eu gostaria.
- Eu ia adorar que me algemasse - dei uma última olhada em seu corpo e fiquei contente com o que vi. Depois a deixei sozinha e após alguns segundos ela entrou no carro e partiu.

Dean’s P.O.V off

Após bater incansavelmente na porta da casa de Nancy sem obter resposta, fui obrigada a arrombá-la. A casa estava vazia, exceto por um gato malhado que se parecia muito com o Garfield. Nunca imaginei que uma stripper fosse tão organizada. Um barulho em frente a casa denunciava que alguém havia chegado, encostei contra a parede e quando a porta se abriu apontei minha 38. Uma moça de aparentemente 24 anos e cabelos lisos e pretos, pele morena e olhos de corsa.
- Ai meu Deus, quem é você? - disse a moça assustada, com as mãos para cima.
- Nancy Rodriguez? - perguntei ainda apontando minha arma para a mulher.
- Não. Jenny Stonewood, sou a colega de quarto da Nancy – abaixando minha arma mostrei meu distintivo falso - Sou agente Milles do FBI, procuro por Nancy Rodriguez - Jenny caminhou até a cozinha e colocou a compra na mesa.
- Nancy não voltou para casa ontem, aparentemente está perdida na casa de algum namorado – disse ela enquanto colocava ração para o gato.
- Isso sempre acontece? - indaguei curiosa.
- De uns tempos para cá, se tornaram mais frequente - ela demonstrava pouco interesse com o bem estar da amiga.
- Você ficou sabendo que houve uma morte na boate em que Nancy trabalhava? Seus pertences estavam na cena do crime.
– Olha agente sem querer ser grosseira, mas eu tenho coisas para fazer, se puder me dar licença - Jenny dizia enquanto me mostrava o caminho até a porta. Havia nervosismo em sua voz, ela sabia de alguma coisa.
- Claro, mas se souber de alguma novidade sobre sua amiga, me liga - dei meu cartão para ela e sai em direção ao meu carro.
Eu precisava examinar o corpo da senhora encontrada na boate.
Estacionei meu Ford Landau em frente o necrotério e entrei. O legista estava tão entretido com a playboy daquele mês que nem ao menos notou minha presença .
- HUN-HUN - chamei sua atenção – Agente Milles - disse mostrando o distintivo falso – Vim examinar o corpo da senhora encontrado na boate.
- Por aqui, agente – ele disse enquanto me levava por um corredor - Não entendo porque o FBI está se importando tanto com a morte de uma velha.
- Por que está dizendo isso? - perguntei curiosa.
- Acabei de levar outro agente para ver o corpo daquela senhora - ai meu Deus um agente da FBI por aqui? Aja naturalmente , se você tiver sorte ele não vai pedir para ligar para seu supervisor. No final do corredor, ele abriu uma porta e me entregou um par de luvas e uma máscara, adentrei no local e tinha um rapaz examinando o corpo, ao perceber que não estava sozinho na sala ele virou para mim e minhas pernas balançaram: Dean Winchester me encarou e voltou ao seu serviço. O legista entrou com uma prancheta na mão começou a falar.
- Senhora de aparentemente 84 anos, morena, desconhecida e muito moderna. A causa da morte foi falha múltipla dos órgãos. Suas digitais já foram colhidas para que possa ser identificada no nosso banco de dados.
- O que você quis dizer com muito moderna? - indaguei curiosa
- Do tipo um piercing na vagina e em um dos mamilos - ele disse com uma cara de nojo.
- Isso definitivamente não vou querer ver - Dean afastou-se do corpo.
- Acredite, eu também queria não ter visto – após o comentário ele virou o corpo de costa para nós, em sua nuca havia uma tatuagem que dizia: Jhonny amor eterno – Bom, por enquanto é só o temos agentes, fizemos vários exames, mas ainda não ficaram prontos. Assim que eles chegarem avisarei vocês – disse deixando-nos a sós.
- Não sabia que era agente da FBI, devo ligar para seu supervisor - aproximei da mesa e comecei a examinar a vítima. Realmente não havia evidências de que aquela senhora tinha tido uma morte sobrenatural.
- Não sei seu nome, mas podemos resolver esse problema com umas cervejas - ele me encarou com aqueles olhos verdes penetrantes.
- Você deve estar de brincadeira comigo, né? O que descobriu até agora? -perguntei desviando o assunto.
- De você? Nada, nem o número do celular - ele disse sorrindo cinicamente.
- Do caso, por favor - revirei os olhos, será que ele não para nunca?
- Nada que o legista não tenha falado – ele respondeu sério.
Ao olhar as mãos do cadáver percebi que faltava uma unha postiça, obviamente ele não tinha percebido isso.
- Ótimo – disse tirando minhas luvas e máscaras e jogando-as no lixo mais próximo.

Eu era a única mulher naquele bar, era possível sentir todos os olhares em mim, no entanto, eu pouco me importava. Pesquisava sobre Nancy Rodriguez e Jenny Stonewood, Nancy ainda estava desaparecida e não havia nada sobre nenhuma Jenny Stonewood em lugar algum. Minha garrafa de cerveja estava quase no fim, então decidi pedir mais uma para barman.
- Sua cerveja – ao tirar os olhos do meu notebook para agradecer o barman, Dean Winchester se acomodava na cadeira a minha frente, colocava a cerveja no meu copo e logo após se serviu.
- Você não desiste nunca, Winchester? – perguntei incrédula - Tudo bem, eu bebo com você - suspirei e sorri derrotada.
- Até que enfim - ele deu aquele sorriso sacana que me deixava maluca – Mas acho que estou em desvantagem, eu nem ao menos sei seu nome.
- Milles, Stephanie Milles - beberiquei um pouco da minha cerveja – O prazer é todo seu – pisquei e sorri logo em seguida.
- Com toda certeza – em seus olhos foi possível ver desejo, ele passou a língua nos lábios e tomou seu copo de cerveja em um único gole.
Após longas conversas e várias garrafas de cerveja, eu já estava pra lá de embriagada. Ficar perto de Dean fazia o clima esquentar rapidamente, para espantar meus desejos carnais, lhe ofereci uma aposta.
- Olha Dean Winchester, eu aposto que ganho de você no snooker – embarguei o máximo possível minha voz.
- Eu duvido você ganhar de mim – sua voz demonstrava que estava mais sóbrio que eu.
- Se eu ganhar, eu dou uma volta no seu Impala – sorri divertida.
- E se eu ganhar? O que eu ganho? – ele se aproximou e perguntou baixinho no meu ouvido, contanto obviamente vitória antes da hora.
- Você escolhe o seu prêmio, Winchester - forcei minha voz a soar sexy e fui em direção às mesas de snooker, eu sentia seu olhar sobre mim ainda sentado, me virei e o provoquei - Está com medo de perder?
Seu sorriso era sacana e seu olhar demonstrava luxuria.
- Primeiro as damas – me entregando o taco, ele diz.
- Eu prefiro que você vá primeiro – dei uma piscadela e ele iniciou a partida, encaçapando uma bola inicialmente e errou sua outra tacada.
- Bom, minha vez - me aproximei e me endireitei, me preparando para minha tacada. Eu podia sentir seu olhar em minha bunda, mas eu pouco me importava, devido à ingestão de bebida alcoólica. Acertei uma bola atrás da outra e logo foi possível perceber a raiva de Dean por estar perdendo uma partida de snooker para uma mulher e pior ainda, ver a possibilidade de alguém dirigir seu bebe.
- Cadê as chaves, honey? - o provoquei me esgueirando entre a mesa e ele.
- Como foi possível? Como você fez isso? - ele estava incrédulo.
- Você não sabe nada sobre mim, Winchester - pisquei e sorri - Agora, as chaves, querido.

Dean’s P.O.V On

Meu sorriso desaparecia do meu rosto conforme eu a via encaçapar as bolas. Quando a bola número oito foi abatida, eu olhava incrédulo para a mulher a minha frente, nunca nenhuma mulher havia ganhado de mim em uma partida de snooker.
- Cadê as chaves, honey? - ela me provocava, a simples ideia de imaginar alguém dirigindo meu baby me embrulhava o estomago.
- Como foi possível? Como você fez isso? - eu ainda não acreditava no que tinha visto
- Você não sabe nada sobre mim, Winchester - ela piscou e sorriu - Agora, as chaves, querido – Fui rendido por aqueles olhos azuis, aquele sarcasmo ao dizer meu nome me lembrava de alguém que há muito tempo havia conhecido, uma pessoa a quem eu jamais pude esquecer.
Ela foi se esgueirando pelo bar lotado até finalmente chegar à porta, me puxando junto. Ao se aproximar do meu carro, ela virou e estendeu a mão. Peguei as chaves e a entreguei e imediatamente fui à direção do passageiro.
- Mas, espera ai. Você vai junto? - ela arqueou as sobrancelhas.
- Mas é claro. Você realmente pensou que eu ia deixar você dirigir o meu baby sozinho? – respondi nervoso, eu não estava gostando daquela situação.

Dean’s P.O.V. off



Capítulo 2


Adentrar naquele carro foi simplesmente demais, Dean sentou no banco do passageiro emburrado, mas eu pouco me importava com ele. A sensação de liberdade era absurdamente excitante. A rodovia estava deserta, a velocidade que o carro atingia era assustadora, as árvores passavam como borrões negros, a lua estava gigante no céu. Pude perceber que Dean me olhava e o seu olhar sobre mim fazia meu sangue fervilhar, estava sedenta de desejo por ele, nos seus olhos não havia outro sentimento que não fosse desejo, virei à direita em uma vicinal e logo pude avistar um posto abandonado. Parei próximo a uma estrutura de madeira que um dia deveria ter sido uma loja de conveniência, desliguei o motor e o encarei. Ele olhou para mim confuso e eu apenas dei o meu sorriso mais sacana.
Tirei meu cinto e passei para o banco do passageiro onde ele se encontrava, sentei em seu colo e comecei a beijá-lo ferozmente.
Suas mãos percorriam meu corpo inteiro, me causando ondas de arrepios na espinha, minhas mãos exploraram seus braços e ombros, passei minhas unhas levemente em sua barriga, fazendo-o suspirar. Ele puxou meu cabelo e beijou meu pescoço, descendo levemente para o colo, deixando um rastro de saliva por onde passava. Logo depois, ele já estava sem camisa, parei por um minuto para admirar seu peito musculoso e ele aproveitou para arrancar minha camiseta de botão revelando meu soutien preto e nude de renda, seus olhos abaixaram para meu colo e senti chupões naquela área enquanto uma de suas mãos massageava meu seio esquerdo sobre o tecido fino da lingerie que poucos segundos depois já estava na parte de trás do carro. Seus chupões eram urgentes e se eu não estivesse tão embriagada de excitação teria gritado de dor.
Eu podia sentir um volume surgir mesmo sob a calça. Nossos beijos eram cheios de urgência, agressividade e selvageria. Com um pouco de dificuldade consegui tirar sua calça e comecei a beijar seu pescoço deixando várias marcas por onde passava.
Voltou a puxar meu pescoço e a mordiscar minha orelha. Ele tirou minha calça e sem aviso prévio colocou sua mão dentro da minha calcinha e com seus dedos ágeis massageava meu clitóris, me fazendo soltar gemidos sôfregos. Logo depois adentrou com dois dedos na minha intimidade com movimentos ora rápidos e ora devagar. Eu gemia descontroladamente e ele beijava e chupava meus seios.
- Dean - eu gemia, queria ele dentro de mim o mais rápido possível, tirei sua mão com relutância por parte dele e abaixei sua cueca e o enfiei dentro de mim com vontade, ele gemeu.
Comecei com movimentos lentos e calmos, nossas línguas pareciam sincronizadas uma com a outra. Eu puxava seu cabelo e ele estocava com velocidade. Minhas mãos estavam plantadas em seu cabelo, percebi que logo eu atingiria meu clímax, finquei minhas unhas em seu couro cabeludo e rebolava em seu quadril, Comecei a sentir os espasmos ápice de prazer. Dei um grito ao gozar e minutos depois Dean gemia em meu ouvido, chegando também ao seu orgasmo. Ficamos alguns minutos olhando um para o outro sem dizer nada. Simplesmente a melhor transa no carro que eu já tive.
Coloquei minha roupa logo depois, ele passou para o banco do motorista e começou a dirigir.
- Estou no hotel da rua s canal St. com a w 18 th. St. - Estarei te esperando - eu disse ao sair do carro e indo a direção do meu assim que chegamos ao bar onde ele estava estacionado.

O quarto do hotel cheirava a pinho, cigarro e naftalina, a cama de casal com uma colcha azul escuro estava posicionada na parede oposta a janela que dava de cara com a rua, as cortinas eram de um verde abacate e as paredes que um dia já foram vinho estavam desbotadas. Sentei na cama e tirei meus sapatos, peguei uma toalha e fui para o banheiro. O calor que fazia naquela cidade era infernal, a água estava fria, me refrescando, o toque gelado em minha pele me fazia lembrar o toque de Dean, encostei minha nuca na parede e comecei o trajeto que ele havia percorrido pelo meu corpo, passando pelos meus seios já enrijecidos, dei um leve apertão no peito direito, arfando um pouco com o movimento. Desci minha mão até a minha vagina, friccionei meus dedos em meu clitóris e um gemido leve saiu pelos meus lábios, com uma agilidade desconhecida comecei a penetrar com dois dedos.
Os suspiros ficaram mais constantes, aos poucos eu podia sentir aquela deliciosa sensação que somente o orgasmo dava, escorreguei até o chão ao chegar ao clímax, minhas pernas estavam tremulas e um sorriso bobo estava plantado em meu rosto, tirei meus dedos da minha intimidade e esperei alguns minutos para recuperar minha respiração. Sai do banho, enrolei a toalha pelo meu corpo e fui para o quarto.
Coloquei um shorts preto curto e uma blusa de renda verde, penteei meus cabelos e os prendi em uma trança de lado. Ouvi três batidas na porta, levantei da cama e fui abrir. Dean estava lá com uma camisa preta, seu jeans surrado e um sorriso devasso no rosto. Olhou meu corpo inteiro, o que me fez arrepiar imediatamente. Ao passar por mim, seu perfume entrou em minhas narinas causando pane em meu sistema nervoso. Fechei a porta, e me encostei para que pudesse recuperar os sentidos.
Senti suas mãos passando pelas minhas costas e descendo para a coxa, sua respiração no meu ouvido fazia-me perder a lucidez. Ele me girou de modo que agora sua respiração batia levemente em meu rosto e me prensou na porta, beijando meu pescoço. Minhas mãos passavam rapidamente por suas costas. Engatei uma de minhas pernas em sua cintura e com um solavanco me projetei para cima, ficando sobre seu colo, arranquei sua camiseta com certa urgência. Beijei toda a extensão de seu pescoço. Logo depois minha blusa também jazia no chão. Dean espalmou sua mão em minha bunda e levou-me para a cama, deitou sobre mim e foi descendo lentamente seus beijos parando próximo ao zíper do meu shorts, desfazendo-se deles imediatamente. Parou por um momento para observar e lancei o olhar mais sacana que eu poderia fazer.
Com um movimento rápido, ele estava deitado na cama, beijei toda a extensão do seu peito desnudo, desci até o cós e arranquei suas calças juntamente com a cueca cinza que usava. Revelando um membro extremamente ereto e deliciosamente pronto para usar. Vi de relance um cinto que usara um dia atrás pendurado na cadeira próximo a janela. Sai de perto e Dean me olhou confuso e ao pegar o cinto ele sorriu perversamente. Engatinhei lentamente sobre seu corpo nu e prendi suas mãos na cabeceira de ferro da cama. Dei-lhe um beijo e puxei levemente seus lábios inferiores, deixando-os levemente avermelhados. Fiz uma trilhas de leves selinhos passando pelo seu pescoço, tórax e abdômen, chegando na virilha. Segurei seu pênis com ambas as mãos e comecei a massageá-lo, dando beijos e passando minha língua em sua glande. Ouvi-o arfar de prazer. Abocanhei seu sexo com vontade fazendo o movimento de vai e vem, eu podia sentir seu quadril acompanhando o movimento.
Não sei como ele conseguiu desenvincilhar dos nós que dei em meu cinto, mas pude sentir suas mãos puxando meu cabelo.
Com uma agilidade extraordinária, virou-me na cama, tomando o controle da situação. Sem aviso prévio seu dedo entrou em contato em minha intimidade. Fazendo-me gritar, começou a massagear meu clitóris e aumentou o ritmo do movimento.
Com um giro rápido, me posicionou na cama de modo que eu ficasse de quatro sobre ela, beijou minhas costas e me penetrou lentamente. Enrolou sua mão em meus cabelos e os puxou levemente para traz, um sorriso brotou em meus lábios e arfei ao sentir aquela dor prazerosa. Conforme seus movimentos aumentavam, o volume de nossos gemidos também subia.
- Oh, Dean. Isso é muito bom, continue – eu consegui dizer.
- Você gosta disso não gosta garota?- aproximou ao meu ouvido e disse, sem parar em momento algum as estocadas.
- Ah, como eu gosto. Continue, sim? - eu gemi.
Minhas pernas já estavam moles, indicando claramente que meu ápice logo chegaria. Dean deitou-me novamente sobre a cama, endireitou-se ficando de joelhos sobre ela. Beijou minha vagina começando a chupá-la e a estimular meu clitóris com os dedos.
Sentia sua língua dentro de mim e com um grito cheguei ao orgasmo, arqueei de prazer ao sentir seu pênis deslizar sobre mim. Eu o vi lamber os lábios e me beijar ferozmente sentindo também seu líquido aos poucos escorrer em minha genitália, nossos corpos ainda tremiam devido aos últimos resquícios do clímax. Ele deitou ao meu lado e aos poucos o sono foi tomando conta de nossos corpos. Coloquei minha cabeça em seu peito e então dormimos nus em um quarto de motel barato.


Continua...



Nota da autora: (31/01/2017) Hey people, olá tudo bem com ‘ôceis? Nunca pensei que teria uma historia minha neste belíssimo site. Espero realmente atingir as expectativas de vocês para esta fanfiction. Desejo também ter tornado as cenas calientes bem realista. Por favor, se tiverem alguma critica construtiva me informem, responderei a todos os comentários.
Agradeço imensamente a minha beta e chara Mayara Alves por aceitar betar essa fic. Obrigada a todas. Valar Morghulis.




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