Última atualização: 30/08/2018
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Prólogo

- O ácido desoxirribonucleico é um composto orgânico que contém as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento de funcionamento de todos os seres vivos... – Revirei os olhos, abaixando a cabeça para o meu caderno novamente, voltando a fazer rabiscos no mesmo.
Senti um toque em meus ombros e um papel foi jogando em minha mesa, me fazendo franzir a testa. Virei o rosto para trás, vendo alguns meninos apontando para trás, para Chris que tinha um sorriso de leve no rosto, balancei a cabeça e virei para frente novamente, vendo que minha amiga do meu lado sorria para mim.
Abaixei a cabeça para a mesa e desdobrei o papel, vendo uma letra cursiva no mesmo, com poucos escritos: “Quer sair comigo sexta à noite após o jogo? – Chris”. Kate tirou o bilhete da minha mão e sorriu, animada. Virei para trás e olhei para Chris que tinha voltado a prestar atenção na aula e fiquei pensativa.
Virei meu caderno até a última página e tirei um pedaço da folha do mesmo, escrevendo rapidamente para minha amiga. “O que você acha?” Olhei para a professora rapidamente que continuava falando sobre DNA e joguei o papel na mesa da minha amiga, acompanhando-a abrir o mesmo embaixo da mesa e virar para mim de olhos arregalados.
Ela rabiscou alguma coisa no papel e jogou de volta, quase caindo da cadeira com a força, me fazendo segurar a risada para não ecoar pela sala sonolenta. Coloquei as mãos na boca, respirando fundo e relaxei o corpo.
- Algum problema, senhorita ? – Virei para a professora.
- Não senhora, Davis, nenhum problema. – Ela assentiu com a cabeça.
- Se importa em falar quantas são as bases do DNA e nomeá-las? – A sala inteira se virou para mim e eu puxei o ar profundamente.
- São quatro, senhora. Adenina, citosina, guanina e timina. – Falei, vendo-a ficar quieta.
- Olhos no quadro, sala. Olhos no quadro. – A senhora Davis falou e eu estiquei a mãe para Kate, sentindo-a bater na mesma, me fazendo rir.
Peguei o papel novamente na mesa e o abri, vendo a letra feia de Kate. “Mas é claro que sim, ele é amigo dos atletas, popular e ainda é gatinho”. Franzi a testa, virando discretamente para trás, dando uma checada disfarçada para Chris e suspirei, escrevendo novamente. “Mas eu nunca falei com ele”. Joguei o papel novamente.
Pude notar claramente os olhos de Kate se revirarem e ela escreveu algo fortemente, que deu até para ouvir o barulho da caneta rabiscando no papel e ele retornou para mim. “Esse é um ótimo jeito de conhecer”.
Soltei um longo suspiro e amassei o papel que ela havia me enviado e joguei dentro da minha bolsa, junto com vários outros provavelmente. Virei para o papel que Chris havia me enviado inicialmente e eu respirei fundo, pegando a caneta em cima da mesa e respirei fundo antes de escrever “Claro, por que não? Onde nos encontramos?” Dobrei o papel novamente e estiquei em direção aos meus ombros, vendo o aluno de trás pegá-lo e virei para Chris que já tinha o mesmo na mão.
Ele abriu o bilhete rapidamente, passando os olhos pelo mesmo e se virou para mim, dando um pequeno sorriso e vi um colega dele puxar o bilhete da sua mão, me fazendo rir e virar para a aula novamente, ouvindo o sinal tocar de forma estridente em seguida.



Parte 1

Capítulo 1

Fui uma das primeiras a sair da sala depois que o sinal tocou. Kate veio logo atrás de mim espoleta, falando sobre o convite de Chris para sair e eu realmente não estava muito empolgada. Sei lá, éramos pessoas totalmente diferentes que mal trocávamos um oi na escola. O que será que tinha mudado agora?
Ignorei o falatório de Kate e andei por alguns corredores, seguindo para o meu armário. Abri o mesmo com uma rápida batida na porta de metal, macete que funcionava com quase todos os armários deste colégio, e joguei meu livro de biologia lá dentro. Dei uma rápida conferida no horário para saber qual era a próxima aula e troquei os livros, pegando o de redação.
- Então! – Vi Kate aparecer ao meu lado e revirei os olhos.
- Eu não sei. – Suspirei. – Eu não gosto dele.
- Isso é fácil resolver. – Ela se apoiou no armário. – Saia com ele e descubra.
- Não, sério! Eu nunca fui com a cara desses atletas. – Ela riu, olhando para os lados para ver se não tinha chamado atenção.
- Você é a aluna mais bonita da escola, . As líderes de torcida te odeiam só por você não querer fazer parte do grupinho delas e ainda ser mais bonita que a Amber. – Dei um pequeno sorriso. - Tem que aproveitar as oportunidades que a vida te dá. – Suspirei, olhando para ela.
- Por que você não sai com ele? – Perguntei.
- Porque ele não me chamou para sair. – Suspirei.
- Mas ele é o mascote, Kate. – Balancei a cabeça.
- E o braço direito do técnico e amigo dos atletas. – Ela ficou de costas para mim por um tempo. – Além de ser gatinho. – Ela suspirou.
- Brad Pitt é gatinho, ele é ajeitado.
- Bem, você já disse sim, certo? Descobre, qualquer coisa você joga fora. – Revirei os olhos.
- Odeio quando você fala isso dos garotos. A gente odeia ser materializada, eles também não deveriam ser. – Falei.
- Então, viva um longe e duradouro relacionamento com ele. – Balancei a cabeça.
- Ah, Deus, não! – Balancei a cabeça.
- Bem, você já disse sim. – Ela se virou para mim novamente. – E ele está vindo em nossa direção em três, dois... – Empurrei-a de lado, vendo-a começar a andar e virei o rosto, vendo Chris se aproximar de mim.
- ... – Ele se aproximou e eu fechei a porta do armário, olhando para ele.
- Ei. – Falei, ouvindo o sinal tocar.
- Então... Sobre o bilhete. – Ri fraco.
- Você poderia vir falar direto comigo, sabe? – Falei baixo e ele riu, me acompanhando em direção à sala.
- Se não fosse daquele jeito, eu não conseguiria! – Ele colocou as mãos no bolso e eu ri.
- Bem, você chegou até mim agora, não?! – Dei de ombros e ele assentiu com a cabeça.
- É... – Ele riu sozinho.
- Mas, então, após o jogo? – Perguntei, dando a chance que Kate queria.
- Pode ser? Você vem ao jogo? Ou eu te pego depois? – Ele perguntou, se embolando com as palavras. – Eu nunca te vejo. – Ri baixo com o nervosismo dele.
- Eu estarei aqui. – Falei com um pequeno sorriso. – A gente se encontra embaixo das arquibancadas. – Ele assentiu com a cabeça, dando um pequeno sorriso.
- Combinado! – Ele sorriu.
- Aula de redação agora? – Falei quando cheguei à porta da sala.
- Não! – Ele falou, colocando as mãos na cabeça. – Droga! – Ri fraco. – Até sexta. – Acenei para ele e ri fraco, vendo-o correr pelos corredores.
- Com licença! – Falei para a professora que estava na sala e ela fez um aceno de cabeça e eu me coloquei na cadeira vazia, na mesa redonda da sala.

Me olhei no espelho e suspirei, puxando a blusa branca com detalhe no decote para baixo. Balancei a cabeça para um lado e peguei minha jaqueta de couro preta atrás da porta e a vesti, me olhando novamente no espelho.
- Acho que está bom. - Jeans escuros, blusa branca, jaqueta preta e uma bota de cano baixo nos pés.
Coloquei meus acessórios e saí do quarto, seguindo para o banheiro. Passei um lápis preto nos olhos e bastante rímel. Finalizei a maquiagem com um batom rosa claro nos lábios. Não estava em nenhuma sessão de fotos, era só um cara.
- Querida, Kate está aqui. – Minha mãe apareceu na porta do banheiro e eu assenti com a cabeça.
- Estou descendo! – Falei para ela que assentiu com a cabeça.
Voltei para meu quarto e me olhei rapidamente no espelho. Ponderei com a cabeça por alguns segundos e balancei a cabeça. Abri minha bolsa, peguei duas notas de 20 da minha carteira, minhas chaves e saí do quarto, puxando a porta.
Desci as escadas de casa rapidamente e encontrei meus pais assistindo TV enquanto meu irmãozinho de cinco anos brincava com LEGOS no tapete.
- Eu vou sair. - Falei e meus pais olhavam para mim.
- Vai para o jogo? – Meu pai perguntou, se sentando no sofá.
- Vou sim. – Falei, suspirando. – E vou sair com um garoto depois.
- Quer falar sobre isso? – Minha mãe perguntou.
- Não é nada, acho que nem vai dar em nada. – Eles assentiram com a cabeça.
- Tem dinheiro? – Meu pai perguntou.
- Tenho sim. – Falei. – Do meu último trabalho. – Eles assentiram com a cabeça.
- Bem, divirta-se, querida! – Minha mãe falou e eu sorri.
- Tentarei voltar antes da meia-noite. – Falei e ambos assentiram com a cabeça.
- Até mais! – Eles falaram juntos e eu segui para a porta aberta, onde Kate chutava algumas pedras do meu jardim. Puxei a porta e Kate olhou para mim.
- Ei! – Kate falou e eu assenti.
- Ei! – Falei, começando a andar ao seu lado em direção ao colégio.
- Animada? – Ela perguntou e eu revirei os olhos.
- Meu Deus, Kate! Você está mais empolgada do que eu. – Falei, vendo-a andar de costas para a rua, virada para mim. – Quer sair com ele? Eu deixo! – Ela riu.
- Não é isso, sua idiota! – Ela falou. – É que, sei lá, ele é gatinho, você é maravilhosa. Imagina isso daqui alguns anos...
- Kate! – A repreendi. – Não sei nem se eu vou querer sair com ele de novo depois de hoje. – Suspirei. – Eu nem deveria estar saindo, deveria focar na minha carreira, não em caras.
- Algo de novo na sua carreira? – Ela falou em tom de desdém.
- Tenho uma sessão de fotos para a GAP e um comercial de TV para a Banana Republic semana que vem, ok?! – Ela franziu os lábios, surpresa.
- É isso aí, garota! – Ela falou, esticando a mão e eu bati na mesma.
- Eu tô sentindo que vai decolar, sabe? Então, eu realmente não queria sair com ninguém agora. – Balancei a cabeça.
- Então, por que você aceitou? – Ela perguntou.
- Por outro lado, tirando minha carreira, eu não tenho mais nada de interessante na minha vida. – Dei de ombros.
- Tenha o melhor dos dois mundos, então! – Ela sorriu, voltando a andar ao meu lado.
- Vamos ver! – Falei, começando a ver o burburinho de pessoas chegando à escola.
Entramos pela porta do ginásio e logo fui ensurdecida pelo barulho da banda e das líderes de torcida. Amber, a chefe da líder de torcida parou o que estava fazendo para dar uma bela checada em mim e eu dei um pequeno sorriso, acenando com a mão e segui Kate que pedia educadamente, caham, para as pessoas a deixarem passar.
- Aqui! – Ela falou, depois de subir quase todos os degraus e eu me sentei ao seu lado, pedindo licença para uma das pessoas que torciam loucamente.
Sentei-me na arquibancada e Kate já se levantou para caçar o vendedor de amendoins e eu apoiei meus cotovelos em minhas coxas e observei o jogo se preparando lá em baixo. Vi uma ola acontecendo próximo a mim e franzi a testa, sendo empurrada pelas pessoas que a fizeram.
Olhei para baixo novamente e vi quem tinha puxado a ola, o mascote da escola em formato de raposa. Nada mais do que o cara que eu sairia essa noite. Ele corria de um lado para o outro diante á arquibancada, fazendo com que o povo gritasse e se animasse com ele.
Franzi a testa, pensando onde eu tinha me metido e vi a raposa acenar para mim, me deixando roxa, na melhor das hipóteses. Respirei fundo e balancei a cabeça, tentando manter os ânimos erguidos. Vi Kate voltando para seu lugar e notei que pelo menos não estaria sozinha.
- Quer? – Ela me ofereceu o amendoim e eu balancei a cabeça, afastando o pacote de perto do meu rosto.

Fiquei alguns minutos sentada em meu lugar esperando o local esvaziar após o jogo. Havíamos perdido de 50x47. Nosso time não era o melhor da região, mas dava para o gasto, não que eu me importasse muito com isso.
Observei as pessoas saindo aos poucos, os times, os jogadores e os mascotes. Kate disse que sairia com um pessoal do grupo de laboratório dela e nos despedimos rapidamente. Esperei alguns minutos e desci as arquibancadas, me colocando atrás delas, onde era ponto de encontro para a maioria das coisas. Tanto que tinha alguns jogadores e algumas meninas ali atrás.
Segurei minha jaqueta com as mãos, já que eu havia tirado no começo do jogo e esperei um pouco. Chris logo surgiu embaixo da arquibancada. Ele estava com uma calça caqui, uma blusa de manga comprida e tênis nos pés.
- Ei! – Ele falou e eu dei um pequeno sorriso.
- Ei!
- Demorei demais? – Ele perguntou.
- Não! – Assenti com a cabeça.
- Vamos? – Ele falou, indicando o espaço para sair de baixo das arquibancadas e eu o segui.
- Então, para onde vamos? – Perguntei.
- Estava pensando em ir ao cinema, você gosta de filmes? – Ele perguntou, andando com as mãos no bolso ao meu lado.
- Sim, eu gosto! – Atravessamos o corredor da escola. – Bem, dependendo do gênero e do filme.
- Romance? – Ele perguntou e eu ri fraco.
- Oh, eu não sou tão óbvia assim, Chris! – Saímos para a rua, onde algumas pessoas saíam com carros, motos e bicicletas.
- Me diga, então. Do que você gosta? – Ri fraco.
- Eu sou simples. – Dei de ombros. – Só tenho meus sonhos e ambições como todo mundo. – Olhei para ele rapidamente que sorriu.
- Ah! – Ele parou rapidamente. – Você se importa em ir a pé? Eu não tenho carro, sabe? – Ri fraco, balançando a cabeça.
- Não se preocupe. Estou acostumada a andar a pé. – Soltei o ar pelo nariz, sentindo um cheiro forte por perto. – Eu moro por aqui.
- Eu também! – Ele falou sorrindo.
- Ahm... – Balancei a cabeça, sentindo o cheiro novamente e olhei em volta vendo se não tinha nada na rua. – E você? O que você gosta?
- Filmes, principalmente. – Ele riu fraco. – Teatro, toda essa parte de atuação. – Ele sorriu. – Quero se ator.
- Sério? Que legal! – Sorri. – Que tipo de ator? Indie? Blockbuster? – Perguntei.
- O que der dinheiro! – Rimos juntos e eu senti meu nariz incomodar novamente. – Você é modelo, não é? Já te vi em alguns outdoors pela cidade. – Dei um pequeno sorriso.
- Sim. Desde os nove anos... – Respirei fundo novamente. – Chris, desculpa ser inconveniente, mas, por acaso, esse cheiro vem de você? – Perguntei, não conseguindo me segurar. Ele puxou a gola da blusa, como se a cheirasse e fechou os olhos, como quando você não percebe algo que está óbvio.
- Me desculpa! – Ele balançou a cabeça. – Eu me esqueci de trazer uma troca de roupa e a roupa do mascote é quente, eu suo demais... – Ele bufou alto. – Me desculpe.
- Bem... – Dei de ombros. – Você disse que mora perto, porque eu não finjo que esse não está sendo o pior encontro que eu já fui e vamos à sua casa, você toma um banho, troca de roupa e continuamos nossos planos. – Ele riu fraco.
- O pior encontro? Mesmo? – Ele me olhou e eu dei de ombros.
- Você não tomou banho e está com a roupa que você suou o jogo inteiro. – Suspirei. – Você não começou bem. – Ele riu nervoso.
- Você vai me dar outra chance? – Ele perguntou e eu dei um pequeno sorriso.
- Vamos ver se você acerta dessa vez. – Coloquei minha jaqueta novamente. – Para onde é sua casa? – Falei e ele apontou para uma das ruas que cruzava a rotatória. – Vamos lá! – Falei, seguindo na sua frente.

Ele passou em minha frente quando chegamos a uma casa amarela com jardineira na janela. Fomos o caminho inteiro em silêncio. Acho que eu havia sido um pouco direta demais sobre o cheiro ruim. Mas também, mancada! Eu nem queria sair com ele, e agora ele me sai fedendo suor? Desculpa, mas isso eu não aceitaria. Eu podia esperar ele tomar um banho.
- É aqui! – Ele falou, procurando pelas chaves no bolso e eu assenti com a cabeça, esperando que ele abrisse a porta. - Pode entrar.
- Com licença! – Falei, passando em sua frente e ele veio atrás de mim.
- Mamãe, cheguei! – Franzi a testa ao ouvir aquilo e olhei novamente para ele que passou por mim, andando pela sua sala.
Mamãe? Que idade ele tinha? Calma, , relaxa! Balancei a cabeça e dei alguns passos para dentro, ficando próxima a ele.
- Você já chegou? – Uma senhora loira e rechonchuda apareceu em uma das portas e eu respirei fundo. Primeiro encontro e eu já conheceria a família toda dele?
- Eu vou tomar um banho antes de sairmos. – Ele falou e cochichou alguma coisa para a mãe que eu não consegui ouvir.
- Muito bom! – Sua mãe falou sorrindo.
- Essa é , mãe. – Ele falou, estendendo a mão em minha direção e eu tirei as mãos do casaco, estendendo para ela.
- Olá, , tudo bem? – Ela apertou minha mão. – Sou Lisa, mãe do Chris.
- Um prazer, senhora! – Sorri educada.
- O prazer é meu! – Ela sorriu e notei que ela deu uma analisada em mim de cima a baixo. – Você me parece familiar... Já nos conhecemos?
- Eu sou modelo. – Falei. – Apareço em alguns comerciais e outdoors pela cidade. – Ela abriu os lábios como se entendesse.
- Acho que é isso mesmo então! – Ela sorriu.
- Ahm, mãe. Vamos subir para o meu quarto. – Chris falou intervindo e sua mãe assentiu com a cabeça.
- Beleza! – Ele falou. – Mas deixe a porta aberta. – Dei um pequeno sorriso.
- Mamãe! – Ele reclamou e senti aquilo doer em meus ouvidos novamente. – Vamos? – Ele falou para mim e eu assenti a cabeça, vendo-o andar em direção às escadas e o segui. Ele subiu de dois em dois degraus e eu fui devagar atrás dele.
- Desculpa por isso, minha mãe é superprotetora demais. – Assenti com a cabeça.
- Não se preocupe, creio que meus pais fariam a mesma coisa. – Falei, chegando ao segundo andar e andamos pelo corredor que tinha lá em cima. Eu contei sete portas, facilmente. – Uau! – Falei. – Sua casa é grande! – Ele riu fraco.
- Eu tenho mais três irmãos, mas não se espante pelas portas, os quartos são pequenos. – Ele falou, seguindo para o último quarto do corredor e abriu a mesma. – Ignore a bagunça. – Ele falou e eu o segui, entrando em seu quarto e foi impossível não notar a bagunça. Ela estava em todo lugar.
Engoli em seco ao ver as roupas, sapatos, skate, mochilas, livros e mais algumas coisas espalhadas pelo quarto e ele seguiu rapidamente para o armário, provavelmente procurando uma troca de roupa.
- Fica à vontade! – Ele falou e eu entrei em seu quarto, empurrei algumas roupas com as pontas dos dedos para longe e me sentei em uma pontinha no canto da cama, encarando o local inteiro.
O único pensamento na minha cabeça era: Kate eu vou te matar.
- Eu já volto! – Ele falou com algumas roupas em suas mãos e eu assenti com a cabeça, vendo-o sair pelo quarto e fechar a porta.
Ele não demorou mais que 10 minutos, mas confesso que eu fiquei tentada a arrumar seu quarto. Aquilo conseguia ultrapassar os limites normais de adolescentes bagunceiros e estava parecendo um chiqueiro. Preferi nem me mexer muito, vai que saía um rato por ali.
Chris apareceu decente na próxima vez. Ele cheirava a sabonete, tinha os cabelos molhados e penteados e usava uma roupa parecida com a de mais cedo, mas limpa. Ela estava levemente amassada, mas ainda sim limpa. Ele voltou com as roupas sujas em seus braços e jogou em um cesto de roupa embaixo da escrivaninha. Então, tem um cesto, é?
Ele seguiu para sua escrivaninha, procurando por sua carteira e olhou dentro da mesma rapidamente e guardou no bolso da calça. Ele se olhou no pequeno espelho colado na parede e eu dei um pequeno sorriso. Limpinho ele era até ajeitado.
- Vamos? – Ele se virou para mim e eu fiquei feliz em me levantar da cama. Estava sentada de mau jeito há um tempinho.
- Claro! – Falei, me colocando à frente, saindo de seu quarto.
- Eu só vou falar com a minha mãe, é rapidinho. – Ele disse.
- Tudo bem! – Falei, descendo as escadas de volta para a sala e segui para a porta da frente novamente.
- Já vão? – Sua mãe apareceu novamente.
- Já sim! – Falei, com um pequeno sorriso no rosto.
- Apareça sempre que quiser, . – Assenti com a cabeça.
- Obrigada! – Sorri e ela assentiu com a cabeça.
- Ei, mãe! – Chris se aproximou dela. – Tem dinheiro para me emprestar? Eu estou duro. – Virei em direção a ambos, me contendo em não colocar as mãos na cabeça de indignação e vi sua mãe seguir para uma bolsa em cima da mesa e pegar sua carteira.
Nessa hora eu me virei. Nossa Kate! Eu vou te matar e te quebrar em um milhão de pedaços. Esse é o pior encontro de todos. E ele nem ao menos começou.
- Pronto! – Chris apareceu, guardando a carteira no bolso novamente.
- Vamos lá! – Falei, tentando dar um meio sorriso e acenei para sua mãe que sorria para nós.
- Se cuidem, hein?! – Ela falou sorrindo e Chris abriu a porta para mim, fazendo com que eu agradecesse por sair dali.
- Ok! – Falei quando a porta se fechou. – Aonde vamos?

Acabamos indo assistir Mulan, a animação da Disney que tinha lançado há alguns dias. Com o dinheiro que a mãe dele tinha dado. O filme era muito legal, era sensacional, para falar a verdade. Uma moça que tomava o lugar de seu pai para que ele não morresse na guerra e salvava toda a China.
Mas o que não estava muito legal era o silêncio entre nós. Eu não estava muito empolgada com isso, confesso. Depois das duas situações, eu havia ficado quieto no meu canto. Ele também não tentou dar nenhuma investida... Não que eu quisesse que ele desse alguma investida, mas traria um pouco mais de emoção à situação.
Saímos do cinema em silêncio. Eu tinha as mãos enfiadas no bolso da jaqueta e ele no bolso da calça. Voltamos pelo caminho que viemos, seguindo em direção à minha casa.
Kate deveria estar com as orelhas vermelhas. Vou me lembrar de nunca fazer isso novamente. Pelo menos tentar conhecer a pessoa antes de aceitar sair com ela. Assim eu saberia como ela era, o que ela gostava ou pelo menos se tínhamos o mínimo de afinidade para ter um papo decente.
- Então... – Falei, suspirando.
- Hoje foi... – Ele começou a falar.
- Interessante! – Falei, antes dele finalizar e ele riu fraco ao meu lado.
- Se quiser dizer assim. – Balancei a cabeça, respirando fundo.
- Desculpa, Chris. É que eu não consigo achar papo sendo que eu não sei do que você gosta. – Dei de ombros e ele assentiu com a cabeça.
- Você poderia me dar outra chance? – Ele perguntou e eu franzi a testa, fazendo-o rir.
- Vamos ver durante essa semana, ok? – Falei e ele assentiu com a cabeça.
- Podemos almoçar juntos um dia. – Assenti com a cabeça.
- Sim! – Dei um sorriso. – Assim eu consigo saber os assuntos para o próximo encontro. – Ele gargalhou.
- Posso planejar uns cartões de assunto para nós. – Foi minha vez de gargalhar.
- Parece o Ross de Friends. – Ele balançou a cabeça.
- Ele e a Rachel estavam ou não dando um tempo? – Ele perguntou e eu ri fraco.
- Oh, Deus! Não vamos começar com isso! – Falei e ele riu. - Aquela é minha casa. – Falei, seguindo em direção à porta.
- A gente se vê na escola? – Ele perguntou e eu assenti com a cabeça, subindo os dois degraus da varanda.
- Uhum.
- Tenha uma boa noite. – Ele falou, com as mãos afundadas no bolso.
- Você também. – Dei um pequeno sorriso e ele balançou o corpo e não sabia o que fazia.
Para não deixar aquilo mais desconfortável do que já estava, eu me aproximei dele rapidamente e depositei um curto beijo em sua bochecha, me afastando devagar. Ele deu um pequeno sorriso, assentindo com a cabeça.
- Legal! – Ele falou e eu dei um pequeno sorriso.
- Boa noite, Chris! – Falei, dando meia volta e empurrando a porta de casa. Dando uma rápida olhada nele antes de fechar a mesma.
Encostei meu corpo na porta e fechei os olhos, respirando fundo. Haviam sido às três horas mais tortuosas da minha vida, pior do que acompanhar ao jogo de basquete até o fim... E eu nem gosto de basquete.
- Chegou cedo! – Abri os olhos ao ver minha mãe na bancada da cozinha e eu respirei fundo, me aproximando dela. – Como foi o encontro?
- Um desastre! – Falei, fazendo-a rir.
- Foi tão mal assim? – Ela perguntou e eu suspirei.
- Não tinha clima, mãe. – Franzi a testa. – Ele me levou na casa dele, porque ele estava fedendo, eu conheci sua mãe, ele a chamou de mamãe como se tivesse cinco anos ainda e ainda pediu dinheiro para sair. – Ela riu fraco. – Pelo menos o filme é legal.
- Ah, querida! Mas nem todo mundo tem um emprego como você. E vai ver é questão de costume ele chamar a mãe dele assim. – Suspirei, tirando a jaqueta.
- Você acha que eu estou exagerando? – Cruzei os braços.
- Sobre a parte de ele estar fedendo, não. – Ela balançou a cabeça. – Mas sobre o resto sim. – Ela se aproximou de mim. – As pessoas são diferentes e temos que conviver com isso. – Ela deu de ombros. – Ele pode não ser seu príncipe encantando...
- Com certeza não é! – Ela riu.
- Mas ele só foi criado de forma diferente. – Suspirei.
- Acho que eu devo desculpas para ele, então. – Minha mãe deu um beijo em minha testa.
- Talvez sim, talvez não. Você pode dar outra chance a ele e tentar de novo. – Ela deu de ombros, seguindo novamente de volta para a escada e eu suspirei.
- Vamos ver! – Falei e ela assentiu com a cabeça, subindo pelas escadas e eu fiquei sozinha na sala novamente.
Vamos ver. Pensei comigo mesma e segui escadas acima, entrando no quarto novamente. Enquanto me trocava para o meu pijama, eu já comecei a pensar sobre o que eu faria amanhã e em que momento do meu sábado eu encheria Kate de porrada.



Capítulo 2

- E aí, como foi? – Ouvi Kate falando e ergui os olhos do meu almoço para encará-la. – Acho que não foi tão bem.
- Eu vou te matar. – Falei, respirando fundo e ela se sentou em minha frente.
- Ah, não pode ter sido tão mal assim. – Revirei os olhos.
- Sair com Matt LeBlanc não seria tão mal. Foi um desastre, Kate. – Apoiei meu garfo no prato e ela suspirou.
- Conta tudo. – Suspirei, olhando para os lados, para ver se não encontrava o motivo da conversa e me aproximei dela, abaixando o rosto.
- Confesso que eu nem sei por onde começar. – Suspirei. – Foi uma série de fatores que eu comecei a notar que, das duas uma, ou os homens são totalmente imaturos ou eu que sou um pouco para frente demais.
- Sabemos que você é um pouco para frente demais, , mas, poxa, é o Chris! – Suspirei, coçando a testa.
- Ele é uma graça, fofo, meio desengonçado, mas ele é muito despreparado. – Ri fraco.
- Como? – Ela perguntou e eu bufei alto.
- Ele saiu do vestiário fedendo, Kate.
- Eca! – Ela falou e eu franzi o rosto, sentindo minhas bochechas corarem.
- Depois a gente foi para casa da mãe dele para ele se arrumar e o quarto dele parecia o quarto do meu irmãozinho. – Balancei a cabeça. – Depois ele pediu dinheiro para a mãe dele...
- Ei, nem todo mundo tem emprego como você. – Ri fraco.
- Minha mãe disse a mesma coisa. – Suspirei. – Depois ele a chamou de “mamãe”, como meu irmãozinho de novo. – Ela riu fraco.
- Ok, existem algumas coisas que podem e devem ser melhoradas, mas você também quer demais, não é, meu amor? – Ri fraco, suspirando. – Ensino médio, 17 anos... – Ela deu de ombros. – Deus ainda não fez com que os homens amadurecessem mais rápido, mas não quer dizer que não podemos nos divertir com os errados, enquanto isso. – Ri fraco, jogando o guardanapo nela.
- Você é tonta e ridícula. – Falei, fazendo-a rir.
- Obrigada, muito obrigada! – Ela deu uma primeira garfada em seu almoço e eu ri. – Ah, lá vem! – Ela comentou irônica sobre algo atrás de mim e eu preferi esperar, ao invés de olhar para ver.
- Problemas? – Perguntei.
- Amber e os minions. – Suspirei, puxando o ar fortemente.
- ! – Virei para o lado, vendo Amber e seu grupo de líderes de torcidas se aproximarem de mim e suspirei.
- Amber. – Falei, apoiando os braços na mesa.
- Vi que veio ao jogo sexta-feira. – Franzi os lábios.
- É, mas não se engane achando que eu vim ver vocês, não tenho tanto tempo livre assim. – Ri fraco.
- Claro, você deve ser uma pessoa muito ocupada. – Dei um pequeno sorriso. – Mas não vamos esquecer que os jogos e jogadores são nosso território. – Franzi a testa e me levantei, fazendo-a dar dois passos para trás.
- Território? Estamos na União Soviética ou na escola Grove? – Olhei em volta rapidamente. – Não espere que eu entre nos seus joguinhos igual as coitadas que você abusa psicologicamente. – Dei de ombros. – Você sempre vai perder. – Suspirei.
- Se mantenha longe ou terá problemas. – Suspirei, fingindo que coçava o queixo.
- Com inveja que os jogadores estão dando bola para mim?
- Os jogadores não, querida. Chris, o mascote. – Ri fraco.
- Se até a atenção que o mascote está me dando, te incomoda, vemos que seu taco está fraco. – Dei de ombros.
- Não falarei de novo. – Ela se aproximou de mim e eu dei outro passo à frente.
- Falará sim! – Sorri. – Porque você não sabe se colocar no seu lugar. – Pisquei para ela que me encarou por mais alguns segundos.
- Meninas, meninas. – Me afastei quando Chris apareceu entre nós. – Sem estresses. – Amber me fuzilou por mais alguns segundos e se afastou de nós. - Não sabia que causava problemas. – Olhei para Chris com o mesmo olhar e ele ergueu as mãos.
- Não é esse tipo de problema que eu gosto de causar. – Suspirei, voltando a me sentar e ele se sentou ao meu lado.
- Olha! Acabei de perceber que esqueci a sobremesa. – Kate se levantou e sumiu dali em segundos.
- Você deve gostar de causar outros problemas também. – Chris falou, apoiando o braço na mesa e eu revirei os olhos.
- O que você quer, Evans? – Perguntei, suspirando.
- Outra chance. – Ele falou baixo e eu ri fraco.
- Não precisa cochichar, seus amigos não se importam com isso. – Falei, virando para ele.
- Por favor! – Ele falou. – Eu sei que não foi o melhor encontro, mas eu posso melhorar.
- Ah, Chris. – Suspirei. – Eu não estou pensando nisso agora. – Dei de ombros. – Estou em outra fase, focada em outras coisas. – Soltei um suspiro alto.
- Por favor... – Ele falou e eu virei o olhar para ele, notando uma cara de cachorro sem dono. – Você tem olhos lindos, sabia? – Gargalhei mais alto do que devia, balançando a cabeça.
- Isso que você chama de flertar? – Perguntei e ele riu envergonhado.
- Não era uma tentativa de flerte, para falar a verdade. – Suspirei, vendo-o dar um pequeno sorriso e eu bufei alto, virando de frente para ele.
- Eu tenho uma sessão de fotos na quarta-feira, quatro da tarde...
- Oh, importante. – Revirei os olhos.
- Foca! – Falei. - Se você estiver livre lá pelas seis e quiser dar uma volta, passa na Dynasty, agência de modelos na Newbury, talvez possamos tomar um sorvete.
- Modelos tomam sorvete? – Ele perguntou e eu ri.
- Não me faça mudar de ideia, Chris. – Ele ergueu as mãos, se levantando da mesa.
- Até quarta. – Ele falou e eu acenei com a mão, voltando a encarar minha comida.
- E aí? – Me assustei com Kate novamente, revirando os olhos.
- Vamos sair quarta novamente. – Balancei a cabeça. – Eu devo estar com muita dó dele para repetir a dose.
- Ou gostando dele. – Ergui os olhos para Kate. - Não está mais aqui quem falou. – Ela disse, voltando a comer. – Ah, já gelou! – Ela fez uma careta e eu ri, imaginando que a minha estaria igual.

- Você está demais! – O fotógrafo falou quando eu fiz outra pose e os flashes foram estourados novamente em meu rosto. – Ergue um pouco a blusa, isso! – Fiz o que ele pediu, brincando com a barra do pijama que eu usava e joguei o cabelo para o lado, dando um sorriso divertido.
- Por que não fazemos algumas sentadas? – A publicitária da marca perguntou. – Para mostrar as pantufas.
- Claro! – Falei, me sentando na poltrona confortável que tinha no estúdio, erguendo as pernas para a mesma.
- Isso, . Linda! – Os flashes voltaram a estourar em meu rosto enquanto eu brincava com as pantufas de flamingo. – Carinha de sono agora. – Suspirei, abraçando as pernas e apoiando o rosto nos joelhos. – Fantástico! – Ele sorriu, disparando mais alguns flashes espontâneos. – O que acha, Becka? – Ele virou para a publicitária.
- Eu adorei! – Ela sorriu. – Você é demais! – Assenti com a cabeça, jogando os cabelos para trás, me assustando com outro flash.
- Craig! – Reclamei e ele riu.
- Você é muito fotogênica, preciso aproveitar. – Ri fraco, negando com a cabeça.
- Eu estava dizendo que gostamos muito de você, . – A publicitária voltou a falar e eu me levantei, vendo o assistente do fotógrafo me entregar um roupão e eu o vesti. – Nós teremos a campanha do dia dos namorados, tenho certeza que eles vão querer continuar trabalhando contigo. – Sorri.
- Obrigada, Becka! Vocês sabem onde me encontrar. – Ela mexeu rapidamente na bolsa e me entregou um envelope.
- Seu pagamento. – Peguei o envelope, assentindo com a cabeça.
- Obrigada! – Sorri.
- Nos falamos na segunda. – Ela disse e eu sorri. – Tchau, gente! – Ela falou, acenando para a representante da minha agência e para os fotógrafos e se retirou do estúdio na Dynasty.
Segui rapidamente para a minha bolsa e coloquei o envelope na mesma, olhando meio por cima as notas de cem e fechei a bolsa novamente, seguindo para o banheiro e tirando as roupas da marca e vestindo meus conhecidos jeans e camiseta. Passei uma escova rápida em meu cabelo, tentando tirar o laquê e fiz um rabo de cavalo alto para evitar que ele formasse mais nós. A maquiagem estava discreta para sair na rua, então a manteria.
- , podemos conversar um pouco? – Blake, representante da minha agência me chamou e eu me aproximei dela, me sentando ao lado da minha mochila.
- O que achou? – Perguntei.
- Você é sempre fantástica, é a nossa número um, sabe que não temos nada a reclamar. – Sorri, assentindo com a cabeça. – É por isso que eu gostaria de conversar contigo. – Suspirei.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntei.
- Achamos que está na hora da sua carreira sair daqui de Boston e Nova York. – Franzi a testa. – Se você quiser, é claro.
- O que está acontecendo? De verdade? – Ela riu fraco.
- Recebemos alguns pedidos de modelos para marcas internacionais. E pensamos em você. – Mordi meu lábio inferior.
- Quão internacionais?
- Japão e China, inicialmente. – Arregalei os olhos e os lábios, surpresa.
- Uau! – Ri fraco.
- Esse mercado está expandindo bastante no oriente e, se você quiser realmente fazer sua carreira decolar, é para lá que você deve ir. – Suspirei.
- Uau, realmente não pensava nisso!
- Por que eu não te indico uma assessoria de imprensa e você começa a pensar? Conversa com seus pais? É uma daquelas ofertas únicas na vida e eu não gostaria de ver minha garota favorita perder essa oportunidade. – Suspirei.
- É muito estranho pensar nisso, é o Japão! – Ri fraco. – Essa oferta tem data de validade? – Perguntei.
- O que te prende aqui?
- A escola, para falar a verdade. – Ri fraco. – Eu me formo em menos de um mês, não quero perder o ensino médio inteiro só por causa de um mês. – Ela ponderou com a cabeça.
- Vou conversar com eles. Talvez consigamos atrasar algumas coisas, mas uma assessoria é imprescindível para você nesse momento, você já é figurinha carimbada em grandes marcas daqui e o negócio está expandindo. – Ela falou e eu afirmei com a cabeça. – As empresas ainda estão montando as propostas, ofertas e acordos contratuais, mas te aconselho a ir conversando na sua casa. – Assenti com a cabeça, suspirando.
- Sim! – Suspirei. – Meus pais apoiam bastante a minha carreira, mas Japão é do outro lado do mundo. – Balancei a cabeça. – Eu vou falar com eles.
- Podemos voltar a conversar na segunda-feira?
- Claro! – Falei, sorrindo. – Preciso voltar para falar sobre a sessão de fotos de hoje, emendamos o assunto.
- Perfeito! Espero notícias boas de você. – Ri fraco.
- Também espero.

- O nome dela é Stephanie. – A assistente da Dynasty me falou. – Ela é assessora freelancer, nada grandioso, mas ela é muito profissional, entende o mercado e tenho certeza que cabe no seu orçamento. – Assenti com a cabeça, pegando o cartão. – Fale com ela.
- E o que eu falo? – Perguntei.
- Explique sua situação, que você e nós estamos querendo investir na sua carreira e veja o que ela pode te oferecer. Você sabe que saindo do país sua carreira vai quase começar do zero, mas seu portfólio é bom, os trabalhos vão aparecer. – Sorri, assentindo com a cabeça.
- Obrigada, Minnie. – Suspirei. – Até segunda.
- Até, . Bom descanso. – Sorri para ela e virei para a porta espelhada da Dynasty, respirando fundo quando vi o menino me esperando lá fora.
- Droga! Ele veio. – Falei baixo, observando Chris com o mesmo estilo de sempre e as mãos enfiadas até o fundo nas calças largas, deixando o corpo levemente arqueado. Contei até três e empurrei a porta da agência, vendo-o virar o rosto imediatamente para mim.
- Ei! – Ele falou, abrindo um largo sorriso.
- Ei. – Falei, com certeza com menos entusiasmo.
- Você está bonita. – Ri fraco.
- Maquiagem da sessão de fotos. – Ele sorriu.
- Como foi?
- Nada fora do comum. – Sorri. – Então, aonde vai me levar?
- Como modelo você tem permissão para comer besteiras?
- Acho que minha dieta permite uma extrapolada ao longo da semana. – Sorri. – O que tem em mente?
- Não sei se ficou sabendo daquele bistrô que abriu perto do Fenway Park, eles tem uma sobremesa bem interessante que é bolo, sorvete, calda, morangos, castanhas...
- Acho que engordei cinco quilos só de pensar. – Rimos juntos.
- Ou podemos ir a outro lugar...
- Oh não! Agora eu quero comer isso de bolo, sorvete, calda, morangos e tudo mais. – Ele riu. – Táxi? Ônibus? Metrô? – Perguntei.
- Eu estou com o carro da minha mãe aqui, se você confiar em mim. - Ele agitou as chaves.
- É, não deve ser tão ruim. – Falei e ele riu, seguindo para um dos carros estacionados ali na frente.
Entramos lado a lado e seguimos em silêncio absoluto pelas ruas da cidade. Fenway Park era perto de casa, a Dynasty que ficava mais perto do centro, então acabou levando cerca de 25 minutos para voltarmos para a área em que morávamos.
Ele parou em frente a um pequeno bistrô, o qual eu realmente não daria nada do lado de fora. Uma construção simples, com uma pequena placa vermelha com escritos em dourado. Saí do mesmo, puxando minha bolsa junto e aguardei Chris dar a volta no carro e se colocar ao meu lado.
Entramos juntos no restaurante e o local era bastante claro, com diversas claraboias espalhadas pelos ambientes. Chris parecia que sabia onde estava indo, seguimos para um ambiente externo e ele puxou a cadeira para eu me sentar e eu dei um pequeno sorriso tímido, vendo-o se sentar em minha frente.
- Boa tarde, senhores. – Um garçom apareceu. – Gostariam de olhar o cardápio? – Ele o estendeu para nós.
- A gente veio atrás daquela maravilha de chocolate.
- Ah sim, o gran gateau. – Ele sorriu. – Um para cada ou...
- Acho que um para nós dois. – Falei, olhando para Chris.
- Sim, vamos ver o tamanho dele antes. – Chris concordou comigo e o garçom assentiu.
- Ah, uma água também, por favor.
- Claro! – Ele sorriu. – Um segundo! – Ele se retirou e eu suspirei, apoiando os braços na mesa.
- Então... – Chris falou. – Você estava tirando fotos?
- Sim. – Sorri. – É uma campanha de fim de ano para uma marca de pijamas. Algo mais despojado. – Ele assentiu com a cabeça.
- Você pretende seguir a carreira de modelo depois da escola ou faz só para ganhar uma grana extra e por ser muito bonita? – Ri fraco, abaixando a cabeça.
- As pessoas dizem que é fútil e tudo mais, mas eu realmente gosto disso. – Suspirei. – Eu me sinto bem em frente às câmeras, desfilando... – Dei de ombros. – Se tudo der certo, eu vou seguir carreira nisso.
- Nova York? Londres? Paris? – Ele perguntou e eu ri.
- Ironicamente, acabaram de me oferecer um trabalho no Japão. – Ele arregalou os olhos. – Pois é, do outro lado do mundo.
- Para quando? – Dei de ombros.
- Não sei, acabaram de me contar isso, não é nada certo. – Suspirei. – Mas dizem que esse mercado está crescendo muito por lá e minha agência realmente gosta de mim, acho que eu sou a que mais têm trabalhos, atualmente.
- Nossa! – Ele sorriu. – Isso é muito bacana! Eu adoro atuar, fazer as peças da escola, mas não me vejo seguindo carreira nisso. – Franzi a testa.
- Por quê?
- Ah, não é uma carreira fácil. – Ele mexeu as mãos. – Seria como nadar e morrer na praia.
- Você já tentou? – Falei firme e ele me encarou. – Nada na minha carreira veio do céu, eu já fiz trabalhos bem porcarias para conseguir esse agenciamento pela Dynasty. Fiz muitos trabalhos em que eu não ganhei nada, ou lugares muito tensos, mas eu não desisti. – Suspirei. – E não vou desistir agora. Você tem que se arriscar, Chris. – Dei de ombros.
- Eu realmente não saberia por onde começar. – Ele riu nervoso.
- Eu comecei mandando cartas para pequenas marcas, oferecendo meus trabalhos fotográficos. Deu certo para mim. – Dei de ombros.
- Isso demanda tempo e...
- Isso me parece preguiça. – Franzi os lábios. – Você nem está trabalhando, Chris. – Falei brava. – Arranje um emprego no teatro voluntário da cidade, vá fazer cursos em Nova York ou até aqui em Boston mesmo, mas se mexa! – Bufei, balançando a cabeça. – Desculpa, me empolguei.
- Reparei. – Ele riu.
- É que quando eu decidi ser modelo, foi uma confusão lá em casa, ninguém achava que daria certo, mas eu fui atrás, eu apanhei, eu ainda levo alguns tropeções, mas ninguém me impediu.
- Você acha que eu daria certo como ator? – Ele perguntou e eu dei de ombros.
- Eu já vi suas peças na escola, apesar das temáticas serem bem tontas, você parece se sentir confortável no palco. Além de ser um bom mascote. – Vi suas bochechas avermelharem.
- Valeu! – Ele falou e eu sorri.
- Enfim, espero ver o nome Chris Evans em alguns filmes no futuro. – Ele riu.
- E o seu em grandes passarelas mundiais. – Ergui os olhos para cima.
- Deus te ouça. – Suspirei.
- Qual seu foco? – Ele perguntou e eu franzi a testa.
- Como assim?
- Se eu for ator, meu foco vai ser ganhar um Oscar, e o seu? Qual o ponto mais alto de uma modelo? – Suspirei, mas eu não precisei nem pensar.
- Victoria’s Secret fashion show, usando o fantasy bra. – Falei. – É o palco onde as modelos mais famosas do mundo se encontram.
- Você desfilaria de lingerie? – Ele perguntou com a testa franzida.
- Eu já uso meu corpo para trabalhar, o que diferenciaria eu estar de pijama ou de lingerie? Ou até nua? – Ele ponderou com a cabeça. – Meu pai só não sabe desse meu sonho, mas creio que ele entenderá quando chegar a hora. – Ele riu fraco.
- Isso é bem legal. – Ele falou. – Muita sorte para você, sério. – Sorri.
- Aqui, senhores. – O garçom voltou com um prato com a sobremesa mais linda que eu vi na vida, e a mais gorda.
Tinha uma travessa com um pote que parecia um petit gateau, um picolé tipo magnum enfiado dentro dele, muita calda de chocolate, morangos, castanhas e creme branco espalhados pelo prato. Além disso, o garçom deu uma colher para Chris e para mim e a minha água.
- Boa sorte! – Ele falou e eu e Chris nos entreolhamos rindo.
- Acho que minha dieta já era. – Falei e Chris riu.
- Atacar! – Ele falou e começamos devagar pela sobremesa.
- Deus, isso é muito bom! – Falei, pegando um pouco do bolo, sentindo-o desmanchar na minha boca e fazer o chocolate escorrer pelo meu queixo. – Ah, que divino! – Suspirei.
- Bom demais! Meu Deus! – Chris falou, com a boca igualmente suja e rimos juntos. – Então, eu queria te fazer uma pergunta. – Ergui os olhos para ele, quando ele falou isso.
- Claro! – Sorri. – Diga!
- A formatura está chegando e vai ter o baile e... – Suspirei, sabendo onde aquilo levaria. – Queria saber se você gostaria de ir comigo? Se você me deixaria acompanhá-la. – Dei um pequeno sorriso, abaixando a colher e cruzando os braços em cima da mesa.
- Eu adoraria ir ao baile contigo, Chris. – Falei, fazendo-o arregalar os olhos. – Mas...
- Ah, sem “mas”. – Ele falou e eu ri, colocando minha mão por cima da dele na mesa.
- Eu não sei se eu vou estar aqui. – Suspirei. – Se lembra do que eu falei sobre um contrato internacional, no Japão? – Falei e ele assentiu com a cabeça. – Talvez seja mais cedo do que eu esperava. – Ele assentiu com a cabeça.
- Meu Deus, já? – Assenti com a cabeça.
- Sim. Eu pedi para aguardarem até a formatura, mas não sei nem se isso vai ser possível.
- É chato, mas eu realmente não pediria para você desistir dos seus sonhos, principalmente por causa de um baile escolar. – Sorri.
- E me deixa muito feliz você não pedir. – Ele colocou a mão por cima da minha.
- Você tem um grande futuro pela frente, . Tenho certeza que nos veremos novamente. – Sorri.
- Convide outra pessoa, hoje até que foi legal, melhor do que sexta-feira, então eu realmente iria contigo, mas minha vida está incerta. – Ri fraco. - Mas tenho certeza que outras garotas adorariam te acompanhar. – Ele sorriu discreto.
- Obrigado! – Ele falou e eu afastei minha mão, voltando a pegar minha colher.

- Até amanhã! – Me virei para o seu lado, depositando um curto beijo em sua bochecha e abri a porta do carro, saindo do mesmo.
- Até! – Ele sorriu e logo o carro se afastou lentamente.
Suspirei, pensando em todas as informações que eu recebi hoje e procurei a chave pela bolsa, colocando-a no buraco na porta e empurrando a mesma, vendo meus pais assistindo TV e meu irmão brincando com seus LEGOs.
- Oi, filha! Demorou a chegar. – Minha mãe falou e eu sorri.
- Eu saí com aquele menino que eu falei. – Dei de ombros.
- E como foi?
- Melhor que a última vez. – Sorri.
- Viu?! Falei que seria diferente. – Ri fraco.
- Podemos conversar? – Perguntei. – Com vocês dois? – Meu pai se ajeitou em sua poltrona e desligou a TV.
- Claro! – Ele falou, prontamente. – Aconteceu alguma coisa? – Me aproximei de ambos, me sentando no espaço vazio no sofá, entre os dois.
- Blake veio falar comigo sobre futuros trabalhos, carreira e tudo mais.
- E aí? – Minha mãe perguntou.
- Algumas empresas internacionais foram até a Dynasty à procura de modelos para trabalhos fora do país.
- E eles te indicaram? – Meu pai perguntou animado.
- Sim, ela até disse que é uma boa eu ir atrás de uma assessora de imprensa para eu começar a pensar em expandir minha carreira, porque eles realmente acreditam no meu potencial.
- Ah, querida, isso é incrível. – Minha mãe me abraçou fortemente e eu respirei fundo.
- É no Japão, mãe. – Falei, sentindo o choro subir à garganta e ela me afastou pelos ombros, me encarando.
- Oh! – Ela disse e eu suspirei, mordendo o lábio inferior.
- Ah, querida. – Meu pai falou, segurando minha mão.
- Vocês sabem que isso é o que eu mais quero na vida, mas... – Engoli em seco. – É muito longe. – Suspirei.
- Ah, querida! – Minha mãe me abraçou novamente e eu apertei-a fortemente.
- Vamos pensar devagar. – Meu pai falou. - Vamos falar com Blake, ir atrás dessa assessora para você e analisar as opções. Tenho certeza que terão contratos envolvidos e tudo mais.
- Sim, sim! – Me afastei de minha mãe, passando as mãos embaixo dos olhos. – Pediram para eu voltar segunda-feira para analisarmos algumas opções.
- Então, pronto. – Meu pai falou. – Nós vamos contigo, vamos conversar direitinho, analisar as opções e, se for o caso, vamos contigo para o Japão. – Abri um pequeno sorriso.
- Mesmo? – Perguntei.
- Claro que sim! – Ele disse. – É seu sonho, minha querida. E você está tão perto. – Ele sorriu com os olhos marejados. – Vai dar tudo certo, prometo. – Sorri.
- Obrigada, pai. – Suspirei. – Obrigada, mãe.
- Estamos aqui para o que você precisar, minha querida.
- Isso quer dizer que a vai se mudar? – Nathan perguntou, me fazendo rir.
- Vamos ver, seu pestinha! – Baguncei seus cabelos e ele riu.
- Posso ficar com seu quarto? – Gargalhei, apertando-o em meus braços.
- Vamos devagar. – Minha mãe falou e eu assenti com a cabeça. – Um dia de cada vez. – Suspirei.
- Falando em um dia de cada vez, eu tenho que dar uma revisada para a prova de cálculo amanhã. – Me levantei prontamente. – Boa noite! – Eles riram.
- Boa noite, querida! Durma bem e sonhe sempre. – Meus pais falaram quase em coro e eu peguei minha bolsa no chão, subindo escadas acima, feliz por ter os pais mais incríveis do mundo.



Capítulo 3

- Pode entrar. – Jack, assistente de Blake, falou.
- Obrigada! – Me levantei e segui até a sala de Blake, onde a porta estava entreaberta.
- Oi, , como está? – Sorri ao ver Blake indicar a cadeira em sua frente. – Sente, por favor. – Me aproximei da mesa e me sentei na cadeira em sua frente.
- Tudo bem. – Apoiei minha bolsa ao lado.
- É hoje à noite, hein?! – Dei uma risada fraca. – Empolgada?
- Mais nervosa do que empolgada, para falar a verdade. – Soltei um suspiro. – Eu fiz um intensivão de mandarim nessas últimas semanas, mas... – Suspirei.
- Vai dar tudo certo, hoje em dia todo mundo fala inglês, então já te ajuda. – Assenti com a cabeça.
- Sim, vai dar certo.
- Arranjou alguém para receber seu diploma por você? – Blake perguntou.
- Minha mãe vai à escola amanhã. – Assenti com a cabeça. – Ela disse que me manda algumas fotos depois.
- Isso é muito bom e fico feliz por você não abandonar esse sonho. – Sorri.
- Me disseram que a única coisa que você não deve negar na vida são oportunidades. E eu luto para uma oportunidade dessas desde os 12... – Ela sorriu.
- E você vai ver! Em dez, 15, 20 anos, você vai voltar para Boston para nos visitar e vai me agradecer por tudo isso. Vai se sentir tonta por ter medo, indecisão, mas estar vivendo o melhor momento da sua vida. – Ri fraco.
- 20 anos? Provavelmente estarei me aposentando até lá. – Ela deu de ombros.
- Talvez! – Ela deu de ombros. – Mas aposto que vai se aposentar no topo. – Rimos juntas.
- Obrigada mesmo, Blake, mas vamos pensar no presente, 20 anos é muita coisa. – Ela sorriu.
- Bom, , antes de você ir, eu tenho alguns documentos para te entregar. – Ela puxou uma pasta grossa de sua gaveta e colocou na mesa. – Aqui tem seu contrato com a agência de lá, seu contrato de moradia e o endereço de onde você vai ficar, sua passagem aérea, informações de voo, além do seu visto de trabalho, o qual você deve ficar atenta caso for ficar lá por mais tempo, enfim, tudo o que você vai precisar para realmente começar a trabalhar lá.
- Beleza, obrigada! – Sorri.
- Se tiver algum problema, você pode me ligar o horário que for, mas não é para ter nada de errado.
- Tudo bem! – Assenti com a cabeça.
- Você vai sozinha? – Blake perguntou.
- Sim, meus pais não conseguem tirar férias tão em cima da hora, além da passagem que é meio cara. – Ela assentiu com a cabeça.
- Vai dar tudo certo. – Blake segurou minha mão em cima da mesa.
- Vai sim. – Suspirei, me levantando e ela fez o mesmo. – É só isso?
- Sim, querida. É só isso! – Ela se aproximou de mim e me abraçou fortemente. – Boa sorte, ok?! – Sorri, apertando-a fortemente. – No momento em que precisar, quando precisar, estaremos de braços abertos para te receber de volta, ok?
- Obrigada, Blake. – Sorri, sentindo algumas lágrimas escaparem de meu rosto. – Por todos os trabalhos, por toda confiança, foi ótimo começar aqui.
- Eu que agradeço por ter nos dado essa chance. – Sorri, passando as mãos em meus olhos. – Mas posso apostar contigo que você não precisará voltar. – Rimos juntas.
- Vocês estão apostando muito em mim. – Suspirei.
- Eu só faço isso com quem eu tenho certeza que será um sucesso, e você já é, senhorita . – Ri fraco e ela me deu um rápido abraço novamente.
- Obrigada, Blake! Foi muito bom! – Sorri.
- Que isso, qualquer coisa, não importa o horário, a Dynasty sempre estará aqui para você, ok?! – Assenti com a cabeça.
- Muito obrigada! – Me afastei devagar, suspirando. – Foi ótimo! – Ela assentiu com a cabeça.
- Sim, agora vá! Aposto que ainda tem algumas coisas para fazer.
- Sim! – Rimos juntas. – Obrigada, eu mando postais de Tóquio. – Ela sorriu.
- Vou esperar ansiosamente! – Acenei para ela, saindo da sala com algumas lágrimas nos olhos, me lembrando de todas as minhas idas e vindas nessas salas e estúdios, sabendo que tudo mudaria agora.
Me despedi rapidamente de todos na Dynasty, feliz por saber que eu tinha feito um bom trabalho lá e que todos me desejavam boa sorte nessa minha nova vida. Senti meus olhos insistirem em ficar marejados e saí da agência, acenando para todos lá dentro e segui cabisbaixa até o ponto de ônibus, esperando pelo próximo ônibus que me levaria de volta para casa.

Desci do ônibus agradecendo ao motorista e andei mais dois quarteirões até chegar em casa. Era pouco mais de sete da noite e o sol começava a ser por em Boston. Procurei pelas chaves em minha bolsa, equilibrando as pastas que Blake tinha me dado, e sequei os olhos mais uma vez antes de empurrar a porta.
- Mãe, cheguei! – A vi atrás da bancada na cozinha.
- Olha quem veio te ver! – Virei o rosto para o sofá e olhei surpresa para Kate que estava toda linda no seu curto vestido preto.
- Kate? O que você está fazendo aqui? – Perguntei, largando minha mochila no chão e abraçando a mais baixa fortemente.
- Eu vim me despedir, é claro! – Ela falou contra meus ombros.
- Mas eu achei que...
- Ah não! – Ela me segurou pelos ombros. – Você realmente achou que eu me despediria da minha melhor amiga só com aquele abraço tonto de mais cedo? – Ela riu. – Nem a pau. – Abri um largo sorriso.
- Você está muito bonita! – Ela se virou, parando como se fosse uma modelo e colocou as mãos na cintura dramaticamente, como eu fazia nos meus desfiles. – Sua boba! – Ela gargalhou.
- Aprendi com a melhor! – Rimos juntas. - Ah, como eu vou sentir sua falta! – Ela me apertou forte novamente. – Prometo que vou escrever uma carta por dia com tudo o que aconteceu no meu dia, na formatura, nas férias, na faculdade, até a gente se ver de novo.
- Você vai precisar de muitos selos! – Brinquei e ela riu, me apertando novamente.
- Eu não ligo. – Ela sorriu para mim. – Eu vou sentir sua falta, senhorita ! Mas eu te desejo muito sucesso nessa vida, sério! Você merece, a gente sabe o quanto você batalhou para chegar aqui e você vai ser um sucesso! Daqui uns anos eu te verei nas televisões da Times Square, em propagandas em revistas famosas, marcas famosas... – Sorri, sentindo meus olhos marejar de novo. – Vai dar tudo certo, ok?! E quem sabe você não se apaixona por um japonês lá? – Rimos juntas.
- Quem sabe? – Brinquei.
- Como se isso fosse acontecer. – Ela me apertou pelos ombros. – Prometa que vai tentar se abrir mais, ok?! Mas não seja tonta, porque você vai ser um sucesso e as pessoas vão querer abusar de você.
- Kate! – Minha mãe a repreendeu e rimos junto.
- É verdade! – Ela cochichou só para mim e eu assenti com a cabeça, suspirando.
- Acho que está na hora de você ir. – Falei. – Você precisa ir ao baile. – Ela suspirou. – Algum par?
- Não, meu par vai para Tóquio! – Sorri, suspirando.
- Por que você não vai um pouco com Kate, querida? Seu voo é só às duas da manhã, se a gente sair daqui até umas dez e meia, está bom! Você vai ter que esperar no aeroporto mesmo. – Minha mãe falou e eu franzi a testa. – Suas coisas estão arrumadas, não estão?
- Falta só fechar as caixas. – Falei.
- Eu faço isso para você! – Ela disse. – Você já vai perder a sua formatura, se divirta um pouco.
- Vamos, ! Vai ser legal! – Kate disse. – Bom, vai ser bem mais legal contigo lá. – Sorri e olhei rapidamente no relógio.
- Acho que posso ficar umas horinhas! – Falei e Kate sorriu animada.
- Vamos, precisamos te deixar um arraso! – Kate falou e me puxou pelo braço escadas acima.
- Obrigada! – Falei para minha mãe que sorriu, abanando com a mão.
Eu queria ir ao baile, dançar um pouco com Kate e me despedir de outros amigos da escola, mas eu achei que não fosse dar, então aproveitei as últimas aulas hoje e já me despedi de todo mundo, bom, menos de Chris.
Depois da última vez que saímos, nós acabamos nos afastando um pouco. Ou melhor, ele se afastou completamente, parece que não tinha gostado de levar dois foras meus seguidos. Tirando alguns rápidos acenos de cabeça, ele seguiu sua vida com seus amigos e eu finalizei essas últimas três semanas focada nas provas finais, não podia pensar em pegar recuperação e atrasar minha viagem. Meu contrato no Japão começava na terça-feira, era pouco tempo para eu me preparar, principalmente por causa do fuso horário.
Honestamente, eu não queria vê-lo, não queria ter que me despedir dele. Apesar de não termos dado muito bem, tinha sido legal, poderia rolar algo a mais se eu tentasse, mas eu preferi escolher meu sonho desde os meus oito anos, não podia ficar por uma suposição. Meu sonho falava mais alto.

- Meu Deus! – Kate falou ao entrar em meu quarto e eu ri, minhas malas e caixas que eu levaria para Tóquio ocupavam o chão. – Você vai levar tudo isso?
- A maioria, mas algumas coisas minha mãe pediu para eu encaixotar para ela guardar no porão. – Falei. – Têm muitas roupas de sessões de fotos, coisas que eu não vou levar e não vou usar. – Ela riu, se sentando na minha cama que estava vazia.
- E com que roupa você vai agora? – Ela me perguntou e eu suspirei. – Tem que ser algo digno de , modelo internacional.
- Tonta! – Empurrei-a de lado, fazendo-a tombar na cama. - Eu vou encontrar algo, tenho algumas caixas que não subiram ainda.
Eu não esperava realmente que eu fosse ao baile de formatura no fim do último quarto, então realmente não tinha me preocupado em procurar uma roupa adequada, por isso, acabei procurando por uma das roupas que eu ganhei na minha última sessão de fotos em uma das caixas.
Achei um dos meus vestidos favoritos, verde escuro, curto, estilo Marylin Monroe e preso no pescoço. Ele era simples, mas era realmente bonito. Fui ao banheiro, passando pelo menos uma maquiagem básica no rosto, sem encher de base e pó. Eu não ficaria muito mesmo, e agradeci por sempre cuidar da minha pele desde cedo para não pegar a parte ruim da adolescência.
Puxei meu cabelo em um rabo de cabelo alto, deixando alguns fios soltos na lateral do rosto e voltei para o quarto, vendo Kate ficar boquiaberta ao me ver, como ela sempre fazia questão de demonstrar. Fui até meu armário e abri o mesmo, só encontrando alguns chinelos antigos e o tênis branco que eu usaria para viajar. Virei o rosto para minhas malas e caixas onde tinha todos meus saltos e suspirei, eu não abriria aquilo por causa de um sapato.
- Vai ter que ser esse. – Falei para Kate.
- Você está um arraso! – Ela falou. – Até de tênis vai estar um arraso! – Ela riu. – Ainda bem que você vai, votei em você umas 20 vezes para rainha do baile.
- Ah, Kate, para de falar besteira! – Rimos juntas. – Já falei que você não deveria ter me inscrito. – Ela deu de ombros.
- Se eu não o fizesse, aposto que outra pessoa o faria. – Ela deu de ombros e eu finalizei de amarrar meus tênis, me levantando.
- O que acha? – Virei para ela, colocando a mão na cintura e ela sorriu.
- Digna de modelo. – Rimos juntas. – Agora vamos, você precisa aproveitar nem se for um pouco! – Ela disse e saiu rapidamente de meu quarto.
Peguei minha jaqueta de couro que estava em cima de tudo com minha bolsa e vesti a mesma. O vestido era inteiro aberto nas costas e aposto que daqui a pouco começaria a ventar. Desci as escadas, encontrando Kate já na porta e segui até o balcão da cozinha, apoiando no mesmo.
- Eu volto lá pelas dez, pode ser? – Perguntei para minha mãe que assentiu com a cabeça.
- Pode sim. Dá tempo de sobra! – Ela beijou rapidamente minha bochecha e eu retribuí, pegando a chave na porta e saindo de casa. – Divirtam-se, meninas! – Ela gritou.
- Obrigada, senhora , te vejo na colação amanhã? – Kate perguntou na porta.
- Com certeza, querida! Vou sentar do seu lado e fazer você e suas amigas passarem vergonha.
- Mãe! – A repreendi.
- Eu vou adorar! – Kate disse e eu a empurrei.
- Tchau, mãe! – Falei, puxando a porta. – Você é uma tonta! – Kate riu, tropeçando nos seus pés enquanto eu vestia minha jaqueta.
- Ah, qual é! Vai ser divertido! Vamos fingir por uma tarde que sua mãe é você, depois eu revelo as fotos e te mando. – Ela passou os braços pela minha cintura e eu fiz o mesmo em seus ombros. - Ah, eu vou sentir muito por não ter ido. – Suspirei e ela me abraçou com os dois braços.
- Se lembra de quando fomos à formatura do meu irmão e que ficamos muito empolgadas em usar aquelas becas? Tirar várias fotos? – Ela se virou para mim e eu assenti com a cabeça.
- Não me faça chorar, Kate. – Suspirei.
- Não, não estou dizendo por causa disso. – Ela se virou para mim. – Estou dizendo como é maravilhoso não saber o que vai acontecer na vida. – Ela sorriu. – Você vai perder sua colação de grau para ir para Tóquio. – Ela me segurou pelos ombros. – Tóquio! – Ela repetiu. – Isso é loucura! – Ri com ela. – Me diz se não é demais! – Suspirei. – Você precisa tirar essa cara de enterro. – Dei um pequeno sorriso.
- Eu sei. – Respirei fundo. – Eu só... – Segurei suas mãos. – Eu vou sentir muita falta de todos vocês! – Ela me abraçou fortemente, se jogando em meus braços como fazia, pelo fato de eu ser bem mais alta.
- Mas pensa pelo lado positivo, você vai fazer trabalhos incríveis, ganhar bastante dinheiro e, quem sabe, em um ano ou dois, você não tem dinheiro para voltar, ou melhor, me levar para te visitar em Tóquio? – Ela brincou, mostrando a língua em seguida.
- Fácil assim, não? – Abracei-a novamente, voltando a andar em direção a escola. – E você? Decidiu se vai fazer faculdade ou ser a skatista mais famosa do mundo? – Ela gargalhou alto.
- Meu pai quebrou meu skate em dois quando eu falei que queria ir para o X Games e ainda fez questão de jogar na casa do vizinho. – Soltei uma risada.
- No vizinho velho? – Perguntei e ela revirou os olhos.
- É! E eu descobri que ele é surdo! – Ela falou alto e eu gargalhei. – Agora estou pensando se trabalho para conseguir grana para o X Games e para uma prancha nova ou se eu vou para Califórnia começar o semestre especial em Berkeley na primavera. – Ponderei com a cabeça.
- O X Games foi em San Diego no ano passado, certo? – Perguntei para ela que afirmou com a cabeça.
- Sim, nós até fomos, lembra? Aproveitamos aquele seu trabalho para a Eckō Unlimited e sumimos por alguns dias. – Rimos juntos.
- Eu sei, sua boba! – Suspirei. – Por que você não vê a data, fala para o seu pai que vai para Berkeley e dá um pulo em San Diego? Se for no mesmo lugar, é óbvio. – Ela me olhou de esguio e eu sorri.
- Ok, espertinha, mas Berkely fica perto de São Francisco, San Diego é umas 10 horas de carro e eu não tenho dinheiro para pagar passagem de avião. – Rimos juntas.
- Por isso que eu acho que você precisará de muitas horas de trabalho, se quiser ir. – Me virei para ela. – Mas vá mesmo para Berkeley, ok?! Nunca sabemos o que vai dar certo ou não. – Rimos juntas.
- Você sabe! – Ri fraco.
- Não sei, eu estou tentando pensar em outras coisas que eu goste, caso não dê certo. – Dei de ombros. – Fotografia, talvez. – Dei de ombros.
- Vai dar certo! Confia! – Ela me abraçou novamente quando chegamos à escola. – Você estará em todos os holofotes do mundo em poucos anos. – Rimos juntas. – Tóquio, Londres, Nova York, Sydney, Rio... Ah, que sonho! – Ela estalou um beijo em minha bochecha. – Vai ser demais! Vou poder dizer: “olha, gente! Aquela é minha amiga!”- Sorri, assentindo com a cabeça. – “Eu já a vi pelada!” – Gargalhei e soquei seu ombro, fazendo-a rir. – Fala, , é um sonho. – Sorri.
- Te conto na carta que eu te enviar terça-feira. – Ela riu.
- É quando você começa?
- Sim! – Suspirei. – Vai ser meu primeiro dia na agência!
- Eu quero saber tudo. – Ela riu. – Principalmente se têm alguns modelos japoneses gatos! – Rimos junto.
- No aguardo! – Brinquei e empurrei as portas duplas da escola, entrando no corredor da mesma, já ouvindo o barulho da música alta.
- Você veio? – Virei o rosto, vendo Chris e seu grupinho de jogadores de futebol encostados nos armários e fumando, franzi a testa.
- Sim, eu... – Tentei falar, mas ele me interrompeu.
- Você poderia ter dito que não queria vir comigo, sabia. – Ele jogou o cigarro no chão e pisou em cima. – Eu ficaria chateado, mas pelo menos seria verdade.
- Primeiro de tudo, pegue essa coisa nojenta agora e jogue no lixo. Segundo, você fuma? – Balancei a cabeça. – Que nojo! E terceiro, sobrou alguns minutos antes do meu voo, achei que seria legal me despedir propriamente de algumas pessoas, inclusive de você. – Cruzei os braços.
- Você realmente se acha melhor que os outros, não?! – Arregalei os olhos, bufando em seguida. – Sempre com o nariz em pé, se achando melhor que todos nessa escola. Você não pode fazer isso com as pessoas...
- Fazer... – Kate me interrompeu.
- Fazer o quê, seu idiota? – Ela me afastou com a mão quando tentei me aproximar. – Ela vai para o Japão realizar o sonho dela e você tá se sentindo todo ofendidinho por ela não vir ao baile com você? Ela nem ia vir! – Ela gritou e eu me assustei. – Pare de se achar a última bolacha do pacote. Ela não está aqui por causa de você mesmo!
- Ah, lá vem! Agora você quer me dar lição de moral? – Ele tentou revidar, mas eu só apoiei uma mão em seu ombro.
- Você já está sendo idiota o suficiente comigo, não seja com a minha amiga, ok?! Não se discute com a minha amiga comigo por perto. – Revirei os olhos. – Vamos, Kate! Vamos falar com pessoas que realmente importam! – A puxei pelo braço e senti vontade de socá-lo naquele momento.
Olhei para trás rapidamente e o vi sair estressado com seu grupo de amigos e bater as portas duplas da escola. Balancei a cabeça e respirei fundo. Não era para ter sido desse jeito.

- Eu vou sentir muita sua falta, sabia? – Greg falou e eu sorri, apertando-o fortemente.
- Todos vamos! – Lola falou e eu me afastei do Greg. – Mas é o que a Kate disse, é o seu sonho, você merece tudo isso!
- Obrigada, gente! – Sorri para Greg, Lola, Paul e Kate, sentindo os dois últimos me abraçar pelos ombros.
- Vai fazer sucesso, . Faça todos os homens babarem por você e todas as mulheres quererem ser você! – Paul beijou minha testa e eu assenti com a cabeça.
- Obrigada mesmo! Vocês sempre me apoiaram tanto! – Eles sorriram.
- E vamos te apoiar até no Japão. Dê notícias, ok?! – Lola me abraçou novamente e eu assenti com a cabeça.
- Vou tentar, ainda não sei como vou me comunicar com minha família, mas minha mãe dá notícias. – Eles sorriram e todos entraram no abraço novamente, me fazendo suspirar e sentir uma lágrima deslizar pelo meu olho.
- Bom, vamos parar de drama! – Greg secou os olhos. – Quem quer ponche?
- Eu quero! – Kate falou rapidamente.
- Eu não! – Falei rindo. – Já devem ter batizado o ponche e não acho legal aparecer no aeroporto bêbada. – Eles riram.
- Já volto! – Ele falou e Paul foi atrás.
- Imagina passar pela imigração? Vai ser bem legal! – Kate brincou e eu ri.
- Claro, por que não?! – Brinquei e elas riram.
- Ah, meu Deus, será quê?! – Kate e Lola se entreolharam quando começou a tocar o maior hit do ano passado.
- A nossa música! – Ambas gritaram quando Spice Up Your Life começou a tocar e Kate me puxou pela mão.
Saí correndo para o meio do salão quase tropeçando em meus pés, empurrando algumas pessoas para abrir espaço, incluindo Amber e seus minions, fazendo várias pessoas reclamarem, mas não estávamos nem aí. Nós pulávamos e cantávamos a plenos pulmões, acompanhando a banda que tocava no baile temático da escola.
- É agora! – Lola gritou e eu e Kate nos entreolhamos.
- Slam it to the left. – Elas gritaram.
- If you're havin' a good time. – Completei.
- Shake it to the right. – Elas continuaram gritando.
- If ya know that you feel fine. – Nós fazíamos poses conforme o ritmo.
- Chicas to the front! – Gritamos juntos. – Ha, ha, go round! – Mexemos nossos quadris circularmente.
- Slam it to the left. – Seguimos novamente!
- If you're havin' a good time. – Gritei, abraçando-as pelos ombros.
- Shake it to the right. – Andamos para a direita.
- If ya know that you feel fine. – Dei uma rebolada.
- Chicas to the front! – Rimos juntos. – Ha, ha, go round! – Repetimos os movimentos nos quadris. – Hai Si Ja, hold tight! – Gritamos juntas e giramos, me fazendo parar ao ver Chris em minha frente, com as mãos dentro dos bolsos do terno largo.
- Podemos conversar? – Ele disse em meio ao som e eu virei para minhas amigas.
- Já volto! – Falei e Kate deu um olhar bem sugestivo em direção a Chris. – O que você quer? – O puxei para perto das arquibancadas, um pouco afastado da galera dançando.
- Você quer dançar comigo? – Ele perguntou e eu cruzei os braços.
- Não veio com nenhum par? – Falei.
- Até vim, mas ela me largou e voltou com o namorado. – Ele olhou sugestivamente para um canto e vi uma menina agarrando um cara que eu nunca tinha visto na vida.
- Oh! – Franzi os olhos. – Essa é difícil! – Ele deu de ombros.
- Tudo bem, não é a primeira vez. – Revirei os olhos.
- Não começa! – Falei me sentando na parte mais baixa da arquibancada e ele se sentou ao meu lado.
- Me desculpe por antes, eu achei que não fosse te ver. – Dei de ombros.
- E você não queria mais me ver? – Perguntei.
- Eu fiquei chateado por você não ter aceitado...
- Eu realmente não sabia que vinha, mas meu voo é só as duas da madrugada, minha mãe achou que eu podia vir me divertir com minhas amigas. – Olhei meu relógio. – Eu vou embora daqui uns 40 minutos. – Ele assentiu com a cabeça. – Além do mais, você não precisava ficar chateado, são coisas da vida. Não precisamos perder a amizade por causa disso.
- Eu sei e me sinto um idiota agora. – Assenti com a cabeça.
- Está tudo bem. – Suspirei.
- Você está muito bonita. – Ele falou e eu virei o rosto para ele.
- Obrigada! – Suspirei. – Você também está. – Ele sorriu.
- Então, você vai mesmo para o Japão? – Rimos junto.
- Pior que vou! – Suspirei. – Viver uma vida totalmente diferente, enfrentar dificuldades, realizar sonhos. – Sorri. – Estou animada e com medo ao mesmo tempo.
- Acho que é essa a questão, não é?! – Ele sorriu. – O desconhecido, tudo o que você vai encontrar. – Assenti com a cabeça. – Além de a cultura ser totalmente diferente.
- Sim, exatamente, e a língua que eu não sei falar. – Ri fraco. – Mas aposto que vai ser legal.
- Te desejo muita boa sorte, viu?! – Ele falou. – Aposto que você vai fazer muito sucesso. – Dei um pequeno sorriso de lado.
- Obrigada mesmo, Chris.
- Alguém vai pegar seu boletim amanhã? – Ele perguntou e assenti com a cabeça.
- Minha mãe vai. Eles não vão conseguir ir comigo agora, talvez nem vão, é muito caro, sabe? – Suspirei. – A agência pagou metade da passagem e vai pagar o primeiro mês do aluguel, o que já ajudou, mas depois eu vou ter que me virar.
- Você já tem trabalhos ou...
- Eu fui meio que transferida para outra agência, então vou começar a receber o trabalho deles. Começo terça-feira. – Ele sorriu.
- Vai dar certo! – Assenti com a cabeça, sorrindo.
- Sim, estou tentando me manter confiante. – Suspirei.
- Me concede uma dança, pelo menos? – Ri fraco.
- Sim, acho que eu te devo isso. – Ele riu e segurou minha mão, me puxando para a pista de dança.
- Obrigado! – Ele me disse e eu passei a mão em seu ombro, sentindo as mãos deles em minha cintura e ouvindo a música dar uma desacelerada.

Eu fiquei bem mais do que uma música com Chris, nós conversamos pouco. Dançávamos colados enquanto as músicas mudavam de lentas para rápidas e de rápidas para lentas novamente. Ele era bom de dança, o que eu com certeza me demonstrei bem surpresa quando ele começou a mexer o corpo mais agitadamente e a realmente me liderar durante as músicas mais lentas. Com isso, acabei descobrindo que sua mãe era professora de dança e ele e seus irmãos faziam todas as aulas possíveis.
Acho que ali, naqueles 40 minutos de dança e conversas ao pé do ouvido, eu realmente percebi que não tinha dado o valor a ele com as pequenas coisas que eu tinha percebido em nossos encontros. Ele era o segundo irmão, de três. Tinha uma irmã mais velha, ele, um irmão mais novo e sua mãe estava na fila de adoção de mais uma criança. Seus pais se separaram a pouco mais de um ano e seu pai era dentista.
Aquilo foi legal, ele perguntava sobre mim, eu perguntava sobre ele. Foi algo realmente diferente de todas as chances que eu tinha dado para ele. Eu estava realmente interessada em ouvi-lo, queria saber dele, de sua família, de seu cachorro East, de tudo. Não estava preocupada com meu trabalho ou em julgar ele pelas coisas que ele fazia errado. Hoje tinha sido legal! E eu percebi que não tinha dado valor a um cara legal nesses meus últimos meses, mas agora estava na hora de ir.
- Eu preciso ir! – Falei em seu ouvido, sentindo-o apertar mais as mãos em minhas costas.
- Queria que pudéssemos aproveitar mais. – Ele falou e eu me afastei devagar, olhando em seus olhos azuis.
- Eu também! – Fui honesta, dando um pequeno sorriso. – Foi legal! – Sorrimos e ele deu um rápido beijo em minha bochecha, me fazendo sorrir.
- Foi! – Ele tirou meu cabelo do rosto.
- Eu vou me despedir das minhas amigas! – Falei e ele me segurou pela mão.
- Eu posso te levar ao aeroporto? – Mordi meu lábio inferior, ponderando com a cabeça.
- Acho que não vai ter problema! – Falei e ele sorriu.
- ! – Me assustei ao ver Kate aparecer tropeçando ao meu lado.
- Ei! – Falei rindo, sentindo-a se apoiar em meus ombros. – Está na minha hora!
- Eu sei, eu sei! – Ela me falou. – Mas vão falar quem é a rainha do baile. Vai que você ganha? – Balancei a cabeça.
- Eu realmente não estou preocupada com isso, Kate. Sério! Eu preciso ir.
- Cinco minutos, é só o que eu peço! – Ela insistiu.
- Eu acho que não teria problema. – Chris falou. – Eu votei em você. – Revirei os olhos.
- Vai, ! – Kate insistiu e olhei para o palco, vendo o diretor parar com a música.
- Ok, cinco minutos! – Falei e ela me abraçou de lado, me trazendo para mais perto e eu ri fraco.
- Olá, alunos! – O diretor falou. – Vamos anunciar o rei e rainha do baile desse ano! – Ele falou e os alunos gritaram comemorando e aplaudindo.
- Você precisa ganhar! – Kate me chacoalhou.
- Primeiro o rei. – Ele pegou o papel. – Os candidatos são John Stephan! – Aplaudimos um dos jogadores de basquete. – Ned Crawford! – Ele falou e aplaudimos novamente outro jogador de basquete. – E Andrew Jacob! – Aplaudimos novamente o terceiro jogador. Todos amigos de Chris.
- Em quem você votou? – Perguntei para Chris e ele deu de ombros.
- Ninguém! – Ele falou, me fazendo rir. – Você?
- Eu nem sabia quem estava concorrendo! – Ri fraco.
- E o vencedor é... – O diretor abriu o envelope. – Ned Crawford! – Aplaudimos um dos amigos de Chris. – Venha pegar sua coroa! – Ele subiu no palco animado, acenando para o pessoal.
- Você estava um pouco fora nessas últimas semanas. – Suspirei.
- Tive alguns trabalhos para finalizar na agência, além das provas que estavam me enlouquecendo, eu precisava passar sem recuperação.
- E conseguiu? – Ele perguntou.
- Estou indo para Tóquio em quatro horas, o que acha? – Ele riu, assentindo com a cabeça.
- Isso, pode descer! – O diretor falou, empurrando Ned para fora, nos fazendo rir. – Agora a rainha do baile! – Ele falou, fazendo os alunos gritarem mais. – As indicadas são Amber Martins. – Poucas pessoas aplaudiram, me fazendo rir. – . – Meus amigos gritaram ao meu lado, me fazendo rir. – Mila Barks. – Aplaudimos também a última e Kate me abraçou fortemente.
- , , ! – Ela falava em mantra com Lola, Greg e Paul, me fazendo rir.
- E a rainha do baile é... – O diretor abriu o envelope. – .
- Ah! – Meus amigos e Chris gritaram, me abraçando fortemente e eu gargalhei.
- Venha receber sua coroa! – Kate me empurrou e eu ri, andando em direção ao palco.
Vi alguns alunos aplaudindo e sorrindo para mim e retribuí alguns sorrisos até ver Amber de cara feia e braços cruzados. Acenei para ela, dando uma leve piscada e ri sozinha, subindo no palco e encontrando o diretor lá em cima. Ele me guiou até o centro do palco e colocou a coroa de plástico na minha cabeça, me fazendo sorrir.
- Parabéns! E boa sorte na sua nova jornada. – Ele falou e eu assenti com a cabeça.
- Obrigada! – Sorri e desci do palco novamente, ouvindo as pessoas aplaudirem e segui novamente em direção a meus amigos.
- Que recomecem a festa! – O diretor falou, fazendo a música voltar a tocar.
- Eu vou agora. – Falei e Kate deu um sorriso triste.
- Vamos lá fora para nos despedir sem essa música horrível! – Ela falou quando a música MMMBop começou a tocar, me fazendo rir.
Kate me deu a mão, passando o braço pela minha cintura e eu pelos seus ombros e seguimos com Chris, Lola, Greg e Paul até a parte de fora da escola, onde agora estava vazia e só era possível ouvir o som da música ao fundo.
- Eu vou contigo até em casa. – Kate disse, parando em minha frente.
- Não, você vai aproveitar seu baile, Chris disse que me leva até em casa. – Pisquei para Chris que assentiu com a cabeça, não queria que Kate ficasse com ciúmes agora.
- Ok... – Ela disse, olhando para Chris rapidamente. – Promete que vai ficar bem? Que vai me dar notícias? Que não vai sumir quando se tornar a maior supermodelo do mundo? – Rimos juntas nessa última parte e senti as lágrimas começarem a deslizar pelo meu rosto.
- Eu prometo, Kate Jordan. Eu nunca vou me esquecer de você! – Ela me abraçou fortemente, enterrando o rosto em meu ombro e eu fechei os olhos por alguns segundos, respirando fundo. – Eu te amo.
- Eu também te amo, minha amiga! – Ela repetiu e eu me afastei, secando os olhos.
- Vocês também! – Falei para Lola, Paul e Greg, abraçando cada um rapidamente. – Fiquem bem, ok?! – Falei, me afastando um pouco e vendo os quatro parados lado a lado.
- Você também! – Greg disse. – Dê notícias! – Assenti com a cabeça, passando a mão em meu rosto.
- Direto do Japão! – Brinquei e eles riram. – Amo vocês! – Acenei lentamente e olhei para Chris que acenou com a cabeça. – Vamos! – Falei para ele.
Ele começou a andar ao meu lado enquanto eu dei alguns passos de ré, guardando na memória aqueles quatro rostos chorosos ali e suspirei, erguendo a mão por alguns segundos e acenando para eles, até que tive coragem de virar para trás e perdê-los de vista, sentindo as lágrimas voltarem a cair de meu rosto. Chris passou o braço em meus ombros e me aproximou dele, me permitindo chorar de verdade em seus braços. Ele me levou até seu carro e eu fui quieta até em casa.

Chegamos em casa e eu tirei as chaves do bolso, sentindo as mãos tremerem ao abrir a porta. Empurrei a mesma e encontrei meus pais e meu irmão me esperando, me fazendo dar um sorriso triste para eles.
- Ah, você chegou! – Minha mãe falou se levantando. – Precisamos ir logo, você tem que chegar três horas antes do voo... Ganhou de rainha do baile? – Ela sorriu se aproximando de mim. – Ah, você está acompanhada! – Ela falou quando Chris chegou atrás.
- Mãe, pai, Nate, esse é o Chris, um amigo da escola.
- Tudo bem? – Meu pai o cumprimentou e minha mãe deu um sorriso tendencioso, me fazendo rir.
- Ele gostaria de me levar ao aeroporto. – Meus pais se entreolharam, suspirando.
- Tem certeza, querida? – Minha mãe perguntou, colocando meus cabelos atrás da orelha.
- Talvez seja melhor para evitar todo drama. – Falei e ela riu me dando um rápido beijo na testa.
- Você que sabe. – Ela disse, me olhando com os olhos. – O que acha, Ben? – Ela se virou para meu pai.
- Acho que ela pode sim ir com ele. – Meu pai falou. – Vai evitar que ela me veja chorando. – Ele disse com a voz já embargada e eu me aproximei dele, apertando-o fortemente em meus braços. – Fique bem, ok?! Boa viagem, se cuida, não dê bola para qualquer um e qualquer problema, vá até a polícia, vá até a embaixada, fale conosco, ok?! Vamos tentar ir no fim do ano. – Assenti com a cabeça, sentindo-o dar um beijo em minha testa. – Eu te amo, ok, minha pequena?
- Também te amo, pai! – Falei, sentindo-o limpar as lágrimas em minha bochecha.
- Minha querida! – Minha mãe me abraçou fortemente. – Se lembre de que você merece tudo isso, ok?! – Ela falou. – Você é bonita, inteligente, especial e vai atrás do seu sonho. Não deixe ninguém mudar isso, tá? Mamãe te ama muito e sentirá muitas saudades. – Ela já chorava. – Mas eu entendo o quanto isso é importante para ti.
- Obrigada, mamãe! – Falei baixo, respirando fundo. – Eu te amo muito.
- Eu também, minha querida, eu também. – Ela me apertou fortemente, me fazendo suspirar.
- Você não vai se esquecer de mim, não é? – Nate perguntou quando eu me abaixei para ficar da sua altura.
- Nunca! – Coloquei seus cabelos cacheados atrás da orelha. – E eu sempre vou te amar, ok?! Não importando quanto tempo eu demore em te ver de novo.
- Eu também, irmãzinha! – Ele me abraçou fortemente e eu me levantei, segurando-o em meus braços. – Amo muito, muito, muito!
- Eu também, meu pestinha! – Estalei um beijo em sua bochecha, antes de colocá-lo no chão novamente, me fazendo suspirar. – Guarda isso para mim? – Tirei e entreguei minha coroa para Nate que assentiu com a cabeça.
- Pode deixar! – Ele disse com a cabeça baixa.
- Você quer ir com o carro ou... – Meu pai perguntou.
- Eu estou de carro, não tem problema.
- Vamos colocar as coisas lá. – Meu pai falou sobre as duas malas grandes, minha bolsa e as quatro caixas que iriam junto.
Fiquei abraçada em minha mãe e Nate enquanto Chris e meu pai colocavam as coisas no carro de Chris e tentei fazer com que minha respiração ficasse mais compassada, mas era a primeira vez que eu viajaria para longe de verdade, desacompanhada. Na maioria das vezes meus pais foram comigo ou foram excursões da escola aqui perto ou que a própria agência levava. Eu iria encarar um mundo totalmente novo e sozinha, era isso que fazia meu coração ficar bem pequeno.
- Eu os amo demais, ok?! – Falei parada na porta do carro de Chris. – Darei notícias sempre. – Eles assentiram com a cabeça, fazendo meu pai abraçar minha mãe, que segurava Nathan.
- Nos também, querida, se cuida, tá? – Assenti com a cabeça, mandando um beijo para eles.
- Boa sorte, irmãzinha! – Nathan gritou e eu senti um aperto no peito, me fazendo respirar fundo.
- Até breve! – Falei, entrando no carro e passando o cinto pelo meu corpo, acenando para eles que estavam cada vez mais perto da janela.
- Até breve, meu amor.
- Podemos ir. – Falei essas palavras com a voz fraca e respirei fundo. – Amo vocês!
- Também te amamos, querida! – Minha mãe gritou e eu respirei fundo, vendo o carro se afastar aos poucos, fazendo meu choro ficar cada vez mais alto no carro.
Seguimos pelas ruas de Boston em silêncio, saindo do nosso pequeno subúrbio em Sudbury, até realmente cair nas ruas movimentadas de Boston. Era sexta-feira à noite, então a cidade estava agitada, vários carros passavam de lá para cá, mas Chris ia com atenção e dirigia bem.
Alguns quarteirões depois de sair de casa, meu choro cessou, mas eu ainda não queria falar nada, meu coração estava doendo e eu já estava sentindo falta dos meus pais. Parece que ter ficado com eles essas últimas semanas não tinha adiantado muita coisa.
- Eu... – Chris começou a falar e eu virei para ele.
- O quê? – Perguntei.
- Eu consegui um estágio em Nova York, me mudo para lá em agosto. – Abri um largo sorriso.
- Mesmo, Chris? – Falei feliz. – Isso é muito bom.
- Eu fiz o que você me indicou e mandei algumas cartas, tive uma resposta. – Sorri.
- Ah, isso vai ser ótimo, Chris. – Suspirei. – Corra atrás dos seus sonhos, se é isso você quer.
- Sim! Com certeza! – Ele falou sorrindo. – Você me ensinou que nada cai em nossas cabeças. – Sorri, assentindo com a cabeça. – Obrigado!
- Não precisa agradecer. – Sorri, segurando sua mão.
- Quem sabe a gente não se encontra em algum tapete vermelho? – Rimos juntos.
- Talvez. – Dei de ombros. – Vai ser legal! – Sorri.
Seguimos novamente em silêncio até o Aeroporto Internacional de Boston Logan e ele seguiu pela área de embarque e desembarque, que estava um tanto apinhada de carros, era a hora que boa parte dos aviões saiam e chegavam.
- Eu vou parar no estacionamento...
- Não, Chris! Pode me deixar aqui. – Falei.
- Eu te espero até seu voo sair. – Neguei com a cabeça.
- Não, sério! Vai ser pior. – Suspirei. – Melhor nos despedirmos aqui. – Ele mordeu seu lábio inferior e assentiu com a cabeça. – Além de que pode aproveitar mais um pouco do seu baile.
- Ok, me deixe pelo menos pegar um carrinho para colocar suas coisas. – Ele falou e ligou o farol de alerta do carro e saímos do mesmo.
Ele seguiu correndo para dentro do aeroporto e eu comecei a tirar as caixas e as malas do carro. Ele voltou rapidamente com um carrinho e me ajudou a colocar as malas em pé e as caixas empilhadas, prendendo-as com um elástico do próprio carrinho.
- Pronto, vai ficar fácil para você andar por aí até despachar isso. – Ele me entregou minha bolsa de mão, a qual eu coloquei na parte menor do carrinho.
- Obrigada! – Falei para ele. – E desculpa por não insistir mais em nós dois.
- Que isso, acho que se tivéssemos insistido, essa despedida seria bem pior! – Ele falou, me fazendo rir. – E me desculpe de mais cedo.
- Tá tudo bem, você estava irritado. – Falei e pulei em seus braços, abraçando-o fortemente. – Obrigada, viu?! – Falei, respirando fundo e voltando a encará-lo.
- Não precisa agradecer. – Ele disse. – Divirta-se, ok?! Faça sucesso, ganhe dinheiro, apareça em jornais, revistas, outdoors, o que a vida lhe trouxer. – Sorri, agradecendo com a cabeça.
- Você também. – Falei, respirando fundo. – Melhor eu entrar ou vou começar a chorar. – Falei e ele riu.
- Tudo bem. – Ele disse. – Mas antes... – Ele me puxou pelo pescoço e colou os lábios nos meus, me fazendo relaxar a mão em cima do carrinho.
Coloquei a mão livre em sua nuca, deixando com que ele aprofundasse o beijo e soltei leves suspiros, sentindo meu coração bater mais forte por conta disso e respirei levemente decepcionada quando ele nos afastou devagar, colando nossas testas.
- Eu não poderia deixar que fosse sem antes...
- Tudo bem! – Falei, abrindo os olhos devagar e encontrando seus olhos azuis. – Fico feliz que tenha feito. – Dei um pequeno sorriso, colando seus lábios nos meus novamente. – Obrigada! – Falei e ele riu.
- Boa viagem, ok?! – Ele disse e eu assenti com a cabeça. – Faça sucesso, senhorita . É só o que eu te peço. – Ri fraco.
- Farei meu máximo! – Sorri. – E você também. – Ele acenou com a cabeça.
- Pode ter certeza! – Ele abriu um largo sorriso, erguendo a mão para acenar.
Girei o carrinho em direção às grandes portas do aeroporto e comecei a empurrá-lo em direção a elas. Antes de entrar pela porta de sensor, eu olhei para trás mais uma vez, vendo Chris com um sorriso tristonho no rosto, mas com os olhos brilhando, como se ele realmente quisesse que eu fosse realizar meu sonho. Acenei rapidamente mais uma vez, vendo-o retribuir e soltei um suspiro alto, empurrando o carrinho para dentro do aeroporto e seguindo para o guichê onde seria a primeira parada do meu próximo destino.

Fim da primeira parte.





Continua...



Nota da autora: Parece toda vez que esse casal tenta, alguma coisa extraordinária faz com que eles se afastem, dessa vez serão 10784 quilômetros, mas pelo menos eles perceberam que se importam um com o outro e que, em outra realidade, poderia dar certo.
Bom, mas essa foi só a parte um, ainda temos a parte dois para consertar isso! Em breve!
Espero que estejam gostando, não se esqueçam de comentar e caso tenha interesse nessa história ou em outras, entre no meu grupo do Facebook ou minha página de autora!
Beijos, beijos.




Nota da beta: Essa pp é muito poderosa mesmo, Rainha do Baile, dá licença kkkkk
Aiii, quase chorei junto com ela se despedindo dos amigos, dos pais, irmão e do Chris... E que tudo que pelo menos na despedida eles se beijaram, dei pulinhos aqui kkkkkk. E que venha a parte II! <3

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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