Inimigos

Última atualização: 18/09/2018

Capítulo 1

XXXX ANOS ATRÁS


A garota olhava sua imagem refletida pelo espelho; estava linda, linda como jamais estivera. O vestido bege com pedrinhas brilhantes espalhadas pelo corpete e pelo tule, que ia até o chão, a deixava com um ar angelical. Os cabelos claros caiam, na altura dos ombros, em cascatas de ondas grossas. A maquiagem era leve, quase não havia na verdade, o que ela comemorava bem no fundinho de si mesma. Pelo menos as lagrimas não borrariam nada. Passou o batom rosa claro nos lábios e continuou olhando para si mesma. Aquele pensamento bombardeando sua mente, fazendo com que as lagrimas descessem continuamente, não de forma desesperada, mas de forma calma.
- , querida, os convidados estão es - A ruiva parou assim que olhou a menina. Ela chorava, e ela sabia o motivo daquilo.- Querida, você está linda hoje.
sorriu sem mostrar os dentes e sem parar de fitar a si mesma pelo espelho. A mais velha andou em passos lentos até a menina e ajeitou seus cabelos. Hillary era quase como uma mãe, dava conselhos, ajudava no que pudesse e sempre estava ali no lugar de seu pai. Sempre.
-Os convidados estão te esperando, hum? Não deixe-os sozinhos lá embaixo.
-Eu já estou indo- Sua voz saiu tão fraca. Hillary sorriu para a menina e saiu do quarto. Mas onde aquele filho de uma mãe estava?! Tentou, mais uma vez, ligar para o homem e, mais uma vez, caiu na caixa postal. Ela estava irritada, tanto quanto a menina trancada no cômodo que ela tinha acabado de sair. Ele não podia fazer aquilo com elas. Com a filha na verdade.
respirou fundo e se levantou confiante espantando qualquer pensamento que tinha sobre aquele cara. É a minha noite, porra! Nem meu pai vai conseguir estragá-la!
Saiu do quarto com passos decididos e parou diante a escada principal. Os convidados olhavam para ela e todos tinham o mesmo pensamento “UAU”. A menina estava linda, tinha puxado com toda certeza toda a beleza da mãe. Estava completando seus dezesseis anos e, infelizmente, o delegado não estava lá para comemorar junto com a filha.

sentia o gosto de seu próprio sangue. Passou a língua nos lábios, apreciando o seu próprio gosto e sorrindo logo em seguida, despertando a fúria do delegado a sua frente.
-Só isso, ? Sério mesmo? Eu esperava muito mais do delegado almejado- fechou os punhos com força, sentindo a raiva começar a dominá-lo de forma rápida. O policial parado ao lado da porta olhava a cena com os olhos arregalados, aquilo ia dar merda, ia dar merda! Ele olhava atentamente os socos que seu chefe dava no traficante algemado em uma cadeira de madeira. A sala de interrogatório estava trancada com os três ali e com as câmeras desligadas, para que ninguém visse e nem ouvisse nada do que acontecia ali dentro.
Que os dois eram os maiores rivais de toda a Londres, isso com certeza não era segredo para ninguém. Os dois, delegado e traficante, vivam em uma guerra não declarada, escondida por todos os envolvidos nessa batalha e nenhum lado nunca havia ganhado. Até aquele instante.
-Cale a boca, seu merda! Você vai apodrecer na prisão- Um sorriso sádico estava estampado nos lábios do homem que estava em pé- Se depender de mim, você não sairá vivo de lá!
-Não diga?- O deboche era nítido na voz de . O rosto do homem sentado estava manchado de sangue e hematomas roxos e ele tão pouco ligava para a sua aparência, na verdade por dentro ele estava morrendo de vontade de surtar, de gritar com o verme a sua frente, mas não podia. Tinha que mostrar que não estava nem aí para porra nenhuma, tinha que mostrar que nada no mundo o irritava.- E como vai fazer isso, hein? Vai pagar algo para os bandidinhos presos lá? , que você é tão corrupto quanto qualquer um aqui nesse lugar eu já sabia, mas não creio que tenha poder de fazer isso. Pelo menos não comigo. Ou esqueceu que quem manda nessa cidade sou eu?- A cadeira balançou para trás, quase virando com o homem algemado a ela e voltou-se para frente rapidamente. Outro soco. Forte. Certeiro no rosto do traficante. Ele não sabia quanto tempo aguentaria aquilo. Estava ficando nervoso e sentia que estava próximo a explodir.
-Você não manda em porra nenhuma, . Em nada! Você NUNCA MAIS VAI SAIR DAQUI- gritou, nem aí se alguém poderia estar passando pelo corredor naquele momento.- Eu não vou perder mais meu tempo com você.
O homem se virou, caminhando com rapidez em direção a saída do local, o policial abriu a porta sem nem olhar nos olhos do chefe. Sabia como ele era, mas nunca havia o visto daquela maneira.
-Realmente, , não perca tempo comigo. Você deveria estar em uma festa de aniversário comemorando neste exato momento- O homem alto de jaqueta de couro e distintivo na mesma gelou. Seu corpo parou brutalmente no meio da porta, parecia que o sangue não circulava mais e o ar havia sumido de todo o mundo. O coração acelerou, a mão levemente tremeu. Ele não havia falado aquilo, não havia! -Oh, não! Não podia falar da pequena, ?
-Voc-você não sabe nada sobre ela- Se virou rapidamente, não ouvia o que o outro falava com um sorriso nos lábios e envolveu o pescoço do traficante com as mãos, o enforcando, colocando cada vez mais força nas mãos- NUNCA, NUNCA FALE DELA, ME OUVIU?- O homem de pele clara começava a ficar vermelho, não respirava direito, não conseguia falar, mas o sorriso ainda mostrava-se presente- FIQUE LONGE DELA, OU EU MATO VOCÊ!
tirou suas mãos do pescoço do rapaz e, consumido pela raiva, deu um soco com força no rosto de . A cadeira, finalmente, havia pendido para trás derrubando com força e fazendo um barulho absurdo. Saiu a passos rápidos do local, não falando com ninguém a sua volta. Precisava dela, precisava vê-la o mais rápido possível. Precisava de sua menininha!




Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus