Inimigos

Última atualização: 28/11/2018

Prólogo

XXXX ANOS ATRÁS


A garota olhava sua imagem refletida pelo espelho; estava linda, linda como jamais estivera. O vestido bege com pedrinhas brilhantes espalhadas pelo corpete e pelo tule, que ia até o chão, a deixava com um ar angelical. Os cabelos claros caiam, na altura dos ombros, em cascatas de ondas grossas. A maquiagem era leve, quase não havia na verdade, o que ela comemorava bem no fundinho de si mesma. Pelo menos as lagrimas não borrariam nada. Passou o batom rosa claro nos lábios e continuou olhando para si mesma. Aquele pensamento bombardeando sua mente, fazendo com que as lagrimas descessem continuamente, não de forma desesperada, mas de forma calma.
- , querida, os convidados estão es - A ruiva parou assim que olhou a menina. Ela chorava, e ela sabia o motivo daquilo.- Querida, você está linda hoje.
sorriu sem mostrar os dentes e sem parar de fitar a si mesma pelo espelho. A mais velha andou em passos lentos até a menina e ajeitou seus cabelos. Hillary era quase como uma mãe, dava conselhos, ajudava no que pudesse e sempre estava ali no lugar de seu pai. Sempre.
-Os convidados estão te esperando, hum? Não deixe-os sozinhos lá embaixo.
-Eu já estou indo- Sua voz saiu tão fraca. Hillary sorriu para a menina e saiu do quarto. Mas onde aquele filho de uma mãe estava?! Tentou, mais uma vez, ligar para o homem e, mais uma vez, caiu na caixa postal. Ela estava irritada, tanto quanto a menina trancada no cômodo que ela tinha acabado de sair. Ele não podia fazer aquilo com elas. Com a filha na verdade.
respirou fundo e se levantou confiante espantando qualquer pensamento que tinha sobre aquele cara. É a minha noite, porra! Nem meu pai vai conseguir estragá-la!
Saiu do quarto com passos decididos e parou diante a escada principal. Os convidados olhavam para ela e todos tinham o mesmo pensamento “UAU”. A menina estava linda, tinha puxado com toda certeza toda a beleza da mãe. Estava completando seus dezesseis anos e, infelizmente, o delegado não estava lá para comemorar junto com a filha.

sentia o gosto de seu próprio sangue. Passou a língua nos lábios, apreciando o seu próprio gosto e sorrindo logo em seguida, despertando a fúria do delegado a sua frente.
-Só isso, ? Sério mesmo? Eu esperava muito mais do delegado almejado- fechou os punhos com força, sentindo a raiva começar a dominá-lo de forma rápida. O policial parado ao lado da porta olhava a cena com os olhos arregalados, aquilo ia dar merda, ia dar merda! Ele olhava atentamente os socos que seu chefe dava no traficante algemado em uma cadeira de madeira. A sala de interrogatório estava trancada com os três ali e com as câmeras desligadas, para que ninguém visse e nem ouvisse nada do que acontecia ali dentro.
Que os dois eram os maiores rivais de toda a Londres, isso com certeza não era segredo para ninguém. Os dois, delegado e traficante, vivam em uma guerra não declarada, escondida por todos os envolvidos nessa batalha e nenhum lado nunca havia ganhado. Até aquele instante.
-Cale a boca, seu merda! Você vai apodrecer na prisão- Um sorriso sádico estava estampado nos lábios do homem que estava em pé- Se depender de mim, você não sairá vivo de lá!
-Não diga?- O deboche era nítido na voz de . O rosto do homem sentado estava manchado de sangue e hematomas roxos e ele tão pouco ligava para a sua aparência, na verdade por dentro ele estava morrendo de vontade de surtar, de gritar com o verme a sua frente, mas não podia. Tinha que mostrar que não estava nem aí para porra nenhuma, tinha que mostrar que nada no mundo o irritava.- E como vai fazer isso, hein? Vai pagar algo para os bandidinhos presos lá? , que você é tão corrupto quanto qualquer um aqui nesse lugar eu já sabia, mas não creio que tenha poder de fazer isso. Pelo menos não comigo. Ou esqueceu que quem manda nessa cidade sou eu?- A cadeira balançou para trás, quase virando com o homem algemado a ela e voltou-se para frente rapidamente. Outro soco. Forte. Certeiro no rosto do traficante. Ele não sabia quanto tempo aguentaria aquilo. Estava ficando nervoso e sentia que estava próximo a explodir.
-Você não manda em porra nenhuma, . Em nada! Você NUNCA MAIS VAI SAIR DAQUI- gritou, nem aí se alguém poderia estar passando pelo corredor naquele momento.- Eu não vou perder mais meu tempo com você.
O homem se virou, caminhando com rapidez em direção a saída do local, o policial abriu a porta sem nem olhar nos olhos do chefe. Sabia como ele era, mas nunca havia o visto daquela maneira.
-Realmente, , não perca tempo comigo. Você deveria estar em uma festa de aniversário comemorando neste exato momento- O homem alto de jaqueta de couro e distintivo na mesma gelou. Seu corpo parou brutalmente no meio da porta, parecia que o sangue não circulava mais e o ar havia sumido de todo o mundo. O coração acelerou, a mão levemente tremeu. Ele não havia falado aquilo, não havia! -Oh, não! Não podia falar da pequena, ?
-Voc-você não sabe nada sobre ela- Se virou rapidamente, não ouvia o que o outro falava com um sorriso nos lábios e envolveu o pescoço do traficante com as mãos, o enforcando, colocando cada vez mais força nas mãos- NUNCA, NUNCA FALE DELA, ME OUVIU?- O homem de pele clara começava a ficar vermelho, não respirava direito, não conseguia falar, mas o sorriso ainda mostrava-se presente- FIQUE LONGE DELA, OU EU MATO VOCÊ!
tirou suas mãos do pescoço do rapaz e, consumido pela raiva, deu um soco com força no rosto de . A cadeira, finalmente, havia pendido para trás derrubando com força e fazendo um barulho absurdo. Saiu a passos rápidos do local, não falando com ninguém a sua volta. Precisava dela, precisava vê-la o mais rápido possível. Precisava de sua menininha!


Capítulo 1

DIAS ATUAIS


-Droga, droga, droga!- A garota batia o pé freneticamente no chão, não aguentava mais esperar. Parecia que estava a horas esperando suas malas aparecerem pela esteira do aeroporto, aquilo ia numa lentidão sem fim.
Duas malas rosa logo foram vistas pela garota, ela sorriu e jogou a mochila no chão, pronta para tentar tirar suas bagagens daquele treco giratório. Com força, puxou uma de cada vez e saiu carregando um carrinho com as mesmas pelo aeroporto. Agora precisava encontrar seu pai. Fazia tanto tempo que não o via, será que ele ainda carregava aquela carranca mal humorada de sempre? Estava tão ansiosa por vê-lo novamente.
E lá estava ele, olhando diretamente para o portão de desembarque, vendo sua filhinha já crescida passando pelo mesmo. Os olhares se cruzaram, nenhum sorriso foi visto por nenhum dos dois.
sentiu medo daquele momento por tanto tempo. Não medo de verdade, mas talvez algum tipo de receio. Os dois quase não se falaram durante os cinco anos que se passaram. Ligações em datas comemorativas, uma ou outra vez por saudade de ouvir a voz do pai ou de ouvir a voz da filha. Ela se lembrava perfeitamente de quando o pai praticamente a enxotou de casa, mandando-a para a Rússia para a casa dos avos maternos e tinha nutrido um sentimento esquisito por durante todos esses anos. Ela só não sabia o porquê dele ter feito aquilo, ele só queria protegê-la e ela não sabia; não poderia saber.
Os braços do pai a surpreenderam, mal tinha percebido que já estava de frente para ele. Seus braços o apertaram num abraço cheio de saudades, ela sentiu tanto a falta dele. O perfume era o mesmo de sempre, misturado com o habitual cheiro de cigarros que ele sempre fumou. Aos poucos, os dois foram se soltando, os olhares se encontraram e ele não estava mais com aquela carranca de sempre, aquela que ele usava como armadura de defesa contra tudo e todos, ele apenas sorria verdadeiramente para a filha.
-Senti sua falta- A voz forte do homem foi ouvida após os segundos de análise.
-Também senti a sua falta, pai- Ela sorriu, com sinceridade, assim como ele. Logo ele pegou o carrinho e abraçou enquanto andavam em direção ao estacionamento. Ele era péssimo em demonstrar sentimentos, desde sempre, e ela também. Parecia-se tanto com a mãe fisicamente, mas de resto parecia uma cópia de .
-Como foi sua viagem?
-Foi normal, dormi um pouco- sentei-me no banco do carona do carro. Graças a Deus não era uma viatura policial, a mulher lembrava-se claramente que ele sempre a buscava na escola com o carro do trabalho. Alguns alunos babacas tiravam até sarro dela por isso, parecia que nunca tinham visto uma viatura policial na vida, pelo amor.
-Está com fome? O que acha de comer algo na Dina?
-Sinto falta das panquecas de lá- sorri, vendo-o fazer o mesmo.
Dinna’s Coffee era o meu lugar favorito de todo o mundo antes de sair da Inglaterra. Era aconchegante, a comida era incrivelmente gostosa e o café delicioso. As lembranças da adolescência estavam em volta daquele lugar, o primeiro beijo, brigas com o pai, o melhor lugar para curar seu primeiro porre. E sempre com a Dina passando um bom pano em tudo que a garota fazia de errado. Um leve sorriso brotou nos lábios dela enquanto observava a paisagem a sua volta.
Fazia um frio gostoso, do lado de fora as árvores pareciam até maiores e mais , as casas mais bonitas com os tijolinhos nos tons de laranja e marrom. Lembrou-se do por que estar de volta. A morte dos avós a trouxe de volta.
O coração se apertou ao lembrar-se deles novamente. Era sempre doloroso perder algum ente querido, ainda mais os únicos parentes da mãe da garota. O avô havia falecido após um AVC e três meses depois a avó faleceu de infarto. ficou sem cabeça de continuar a pós-graduação na Rússia. Sozinha na enorme casa dos Abramov, ela sentiu medo, sentiu-se perdida e destruída. Era a hora de voltar ao Reino Unido.
vez ou outra lançava olhares para a filha, preocupava-se com ela estar de volta tão cedo. Estes cinco anos passaram tão rápido e em todo esse tempo ainda lembrava-se claramente da ameaça de , lembrava-se da forma como falou de sua filha. Após a prisão do traficante, ainda havia recebido fotografias de sua filha com os amigos, na escola, nas ruas da cidade, shopping, no quarto da própria casa. Sentiu o sangue começar a esquentar, a raiva começar a dominá-lo. Tentou relaxar, sua filha estava ali com ele finalmente e fazia muito tempo desde que aquilo tinha acontecido. Nada disso aconteceria novamente.
-Chegamos, - estacionou o carro do outro lado da rua, frente ao pequeno restaurante. Não havia mudado nada. se surpreendeu, as mesmas toras de madeira enfeitavam todo o local, a vitrine grande de vidro onde havia algumas mesas que tinham toda a visão da rua. O mesmo sininho que ficava rente a porta, os desenhos em neon indicando “saída”, “banheiro”, “cozinha”, o mesmo sininho rente a porta, o qual tilintou alto ao passarem pela mesma, continuava lá num tom desbotado de dourado. Meu Deus! Nada havia mudado no lugar.
-, MINHA QUERIDA- sem ter tempo de olhar para qualquer lugar, os braços de Dina estavam em volta da garota, um abraço apertado e sincero. A garota retribuiu com todo o carinho que tinha, adorava aquela mulher de coração. -Meu Deus, você está tão crescida, meu anjinho. Continua pálida igual ao seu pai, não é mesmo?
-Senti sua falta, Dina, você não tem idéia do quanto. E também senti falta das suas panquecas e do capuccino que só você nesse mundo inteirinho sabe fazer.
-Você não muda mesmo, garota - As duas riram juntas, a mais velha sabia muito bem do quanto a pequena amava as panquecas que ela fazia.- Para sua sorte, eu sabia que seu pai estava te trazendo para cá e reservei sua mesa favorita.
-Pai, você contou?- Cutucou levemente o pai com o cotovelo enquanto seguia a morena a sua frente. Pararam na mesa que ficava de frente para a enorme vitrine de vidro. Até os bancos de couro vinho continuavam ali, nada realmente tinha mudado.
-Ele ficava aqui contando os dias que você chegaria, minha filha- riu baixinho, disfarçando olhando ao redor. -Já volto, meu anjo.
Os olhos da garota ainda analisavam o lugar, algumas pessoas sorriram para ela e para o pai. Tudo estava do mesmo jeito, sentia até o mesmo cheiro no ar, café e de pães assando, era maravilhosa a sensação de estar de volta. Tirou o enorme casaco preto e a touca e deixou ao seu lado no enorme banco de couro.
-Está feliz?- A voz grave do pai a chamou. – Por estar de volta, sabe.
- Estou sim, é estranho voltar depois de tanto tempo. Já estava acostumada com a Rússia, me sentia em casa lá.
- Tudo ficará bem aqui, filha. Você vai se acostumar mais rápido do que imagina.
As panquecas logo chegaram e, com tanta fome, não pensou duas vezes em começar a comer. Estava tão quentinho e gostoso. Com calda de morango e chocolate, meu Deus. Estava deliciosa. O pai ora ou outra lançava sorrisos para ela, quando desviava os olhos de seu jornal, vendo-a devorando as panquecas e saboreando o capuccino.
O sininho tilintou alto pelo local, atraindo a atenção da garota. Olhou atentamente o enorme casaco preto no corpo do rapaz, o cabelo estava bagunçado, de tanto passar as mãos com certeza, e, naquele momento, pareceu que tudo ficou em slow motion, o rosto dele virou-se lentamente até que os olhos se encontraram.
Um arrepio percorreu o corpo de .
Um arrepio ruim.
Aquilo que ela sentiu não era bom.
Engoliu em seco enquanto ainda tinha os olhos intensos cravados nos seus. Ele era tão... Tão bonito. Seu rosto voltou-se para frente antes de apoiar as mãos no balcão e falar com o atendente e neste exato momento o tempo ao seu redor pareceu voltar ao normal, como se um botão fosse apertado. Meus olhos correram para frente, ansiava por ver se o pai tivera alguma reação, talvez até conhecesse a pessoa que tinha acabado de entrar.
, porém, continuava lendo o jornal que estava sobre a mesa, não prestava atenção em nada ao seu redor, apenas dava goles em seu café vez ou outra. Quem era ele? Nunca o tinha visto antes ali. cresceu naquele lugar, sempre estivera ali desde que se entende por gente, e conhecia quase todas as pessoas que freqüentavam o lugar e do nada aparece alguém assim?
Alguém diferente. Alguém que mexeu com ela.
Ela o observou sair do estabelecimento com uma sacola parda em mãos, provavelmente algum pedido, e continuou olhando para ele através da enorme vitrine vendo que o mesmo atravessava a rua, caminhando direção a um carro preto antigo. Os olhos se encontraram novamente antes dele entrar no carro e dar partida. A respiração de se tornou descompensada, seu corpo estava reagindo a um simples olhar de forma estranha.
Que diabos está acontecendo com você, ?
O rosto estava levemente quente, tinha certeza que as bochechas adquiriram um tom forte de vermelho e ainda estava com a sensação ruim do arrepio no corpo, continuava com o olhar fixo na vaga de onde o carro saiu minutos atrás. Quem era ele?
-? Está me ouvindo?- estalou os dedos na frente da menina, acordando-a do transe que nem ela havia percebido que estava. Arregalou os olhos ao ver que tanto o pai quanto Dina a encaravam.
-Está bem, querida?
- E-eu? Sim, estava com a cabeça na Rússia - sorriu amarelo para os dois que logo voltaram a conversar. Os olhos voltaram para o mesmo local de antes. Por que um simples olhar havia mexido tanto com ela daquela forma?

saboreava o whisky. Fazia tanto tempo que não bebia algo de uma qualidade tão boa. Fechou os olhos enquanto engolia o líquido que descia rasgando por sua garganta, o rosto dela veio em sua mente logo em seguida.
O tempo pareceu parar ao seu redor e ele só conseguia lembrar-se do momento em que a viu. Como se tivesse havido um estalo em sua mente, os olhos abriram-se e a música alta invadiu seus ouvidos. Os olhos estavam cravados na mesa a sua frente, diversas bebidas estavam espalhadas por ali, cigarros, pó, armas. O lugar estava uma bagunça, era sua festa de boas vindas e ele só conseguia pensar em sua vingança contra o delegado da cidade.
-Ela é muito gata, - , seu melhor amigo, sentou-se na poltrona ao lado do sofá maior, onde estava. Ele era seu braço direito, a única pessoa em que confiava no mundo inteiro, a única pessoa capaz de ter cuidado tão bem do seu império no tempo em que esteve fora. Tráfico, este era seu grandioso império- Quem diria que aquela menininha, que ficávamos de olho o tempo inteiro, foi embora e todo esse tempo depois volta uma mulher. Uma mulher gostosa pra caralho.
-Ela tem os olhos dele, . Os olhos do - Os olhos ainda estavam fixos no mesmo lugar. A cabeça a mil, pensava nela, no rosto delicado que ela tinha, mas segundos depois o pai vinha mente. , aquele ser desprezível. Fechou os punhos com força, não podia perder a cabeça agora que estava de volta as ruas da Inglaterra. Não podia.
havia pensando, nestes cinco anos que estivera preso, no plano perfeito para destroçar , da mesma forma que foi feito com ele. Seria doloroso, levaria tudo com muita calma e devagar.
Iria destroçar , iria fazê-lo com que sentisse a dor de perder a única filha, iria fazer com que ele chegasse ao seu limite e não agüentasse mais nada.
Balançou levemente a cabeça para afastar tais pensamentos, precisava distrair-se antes de colocar tudo em prática no dia seguinte. Seus olhos observaram a ruiva se aproximar, a conhecia muito bem de anos e anos atrás.
-Vejam quem está de volta- A ruiva sentou-se sobre o braço do sofá e falou bem próxima a ele, para que pudesse ser ouvida devido a musica estar alta. Suas mãos, com longos dedos e unhas pintadas num vermelho sangue berrante, pegaram com rapidez o copo da mão do ex-detento e o levou a boca.
-O bom filho a casa torna, não acha?- Ela sorriu ao sentir as mãos do mais velho subir e descer lentamente por suas pernas, que estavam sobre as próprias pernas dele.- Mas tem uma pergunta que eu quero fazer a você a meses. Você é amiga da filha do , não é?
-De novo isso?- Ele revirou os olhos, bufando ao mesmo tempo sem se importar de parecer um gesto rude. Ela já estava cansada daquelas perguntas, já faziam tempo que os “capangas” de a faziam a mesma pergunta repetitivamente.- Por que isso te interessa?
-Isso não é da sua conta, meu bem- O sussurro fez com que se arrepiasse, a boca estava muito próxima ao seu pescoço, quase a tocando, e ela queria tanto que ele a tocasse. Fazia tanto tempo que não o tinha para si, fazia tanto tempo sem ter os lábios dele em seu corpo, em seus lábios. Os olhos dela se fecharam na medida em que ele ia roçando os lábios pelo pescoço desnudo da mulher.document.write(Harry) apertará com força sua perna, fazendo com que ela se assustasse- Eu te fiz uma pergunta, Savana, quero que me responda!
-Está me machucando, .
-Foda-se - Sua mão a apertava com força, ele tinha noção sobre aquilo, mas não estava nem aí, nem ai se ficaria alguma marca, não se importava nenhum pouco. Queria começar logo com o que planejara e não reprimiria força física, nem nada, para conseguir o que queria.- Vocês são amigas, Savana?
-Não, porra! Eu não falo com ela tem anos, . Por que você quer saber disso? Ela nem esta mais nesse país, cara.
-Porque não te interessa- Sua mão acariciava com delicadeza o local onde tinha apertado, na perna dela. Savana ainda estava assustava com a brutalidade repentina dele, ele nunca tinha sido violento com ela sem que ela quisesse. O que estava acontecendo afinal?- Quero que volte a ser amiga dela, está me ouvindo? Na verdade, quero que seja a melhor amiga dela, tenho certeza que ela sente sua falta, afinal vocês eram amigas, não? E vai me ajudar com o que eu te pedir, independente do que seja. Prometo que se comportar direitinho será muito bem recompensada, amor.- Ele falava com firmeza, decidido em cada palavra e ela sentiu isso muito bem, da mesma forma em que sentiu a ironia por ser chamada de amor.
Ela assentiu levemente com a cabeça conforme o homem a sua frente ia se aproximando, diminuindo o espaço que separava os lábios dos dois. Era um beijo selvagem, repleto de desejo pela parte de ambos. Fazia tempos que ele não tinha relação com alguém, e sabia perfeitamente bem do que Savana era capaz na hora do sexo. As mãos fortes apalpavam a bunda da garota, que agora já estava sentada em seu colo. Algumas pessoas olhavam a cena, mas ali aquilo era comum.
Era a festa do , era a comemoração de sua volta as ruas, a casa estava cheia e repleta de conhecidos e desconhecidos. Em todos os cantos haviam casais se pegando e fazendo coisas além, drogas a vontade para quem quisesse consumir e bebida a vontade para quem quisesse beber. As pessoas estavam loucas, dançavam como se o mundo fosse acabar amanhã, beijavam como se nunca mais fossem o fazer e se matavam aos poucos, usando toda a droga que eram capaz de consumir.
se levantou, trazendo junto Savana, e saiu a procura de um lugar onde pudesse ficar a sós com a mulher. Entrou no banheiro que tinha no extenso corredor da casa, que ele nem sequer sabia quem eram os donos, e a trancou assim que entraram. Suas mãos puxaram a ruiva para si novamente, acabando de vez com qualquer espaço que antes tinha entre os dois. Suas mãos passeavam pelo corpo dela, apertando e puxando ainda mais, o beijo ia numa velocidade impressionante e eles não estavam nem ai com a falta de ar. Savana enfiou os longos dedos pelo cabelo do rapaz e os puxou com força para trás e desceu seus lábios pelo pescoço dele, dando lambidas e leves chupões no mesmo. desabotoou o shorts dela e deixou que descessem por suas pernas. Era trabalho demais ter que tirar aquela meia calça e ainda a calçinha da mulher.
-Isso vai me dar trabalho- ele sussurrou no ouvido dela antes de rasgar ambos os tecidos que o impediam de chegar até as partes íntimas da mulher.
-Você não muda, não é mesmo?- A voz de Savana saiu rouca, baixa, estava soltando gemidinhos baixinhos a medida que sentia os dedos de movimentarem-se dentro de si. Ele afastou-se levemente dela, desabotoando a própria calça e abaixando-a junto de sua cueca, pegou a camisinha no bolso de trás da calça e colocou-a, preparando-se para penetra-lá só de uma vez.
-Eu nunca vou mudar, minha querida.


Capítulo 2

olhava o teto do quarto havia alguns minutos. Na verdade, estava acordada há bastante tempo, rolando de um lado para o outro na cama com preguiça de se levantar. As paredes, ainda brancas, sem nenhuma graça, sem fotos ou que quer que fosse decorativo, estavam incomodando-a, lembrava mais um quarto de hospital, mesmo que maior, e isso não trazia boas lembranças. Pensava nos avós maternos e isso fazia seu coração se apertar. Neste curto período de tempo, enquanto ainda rolava pela cama, um par de olhos , intensos, invadiram sua mente.
Novamente. “Droga! Três dias desde que o vi e não consigo parar de pensar nele”. Ela bufou, incomodada também com esse fato. Desde que chegou de viagem era freqüente sua mente divagar e parar naquele momento em que o viu. Não sabia o porquê disso. Só sabia que, mesmo sem conhecê-lo, sabia que aquele olhar mexeu com algo dentro dela, e ela só queria saber o que e por quê.
Cansada de pensar baboseiras pela manhã, levantou-se após bufar novamente e seguiu para o banheiro, a fim de fazer toda sua higiene matinal e, assim que saiu do mesmo, colocou uma blusa de frio larga por cima do top que usava antes de sair do quarto. As escadas eram feitas de madeira, ela desceu para o segundo andar da casa, onde as mesmas davam para a imensa sala de tons brancos e beges; tinha uma grande TV, um pequeno “raque” abaixo da mesma decorado com alguns livros de Direito do pai e um lindo vaso com flores. Havia, também, uma pequena varanda no lado leste onde dava vista para a frente da casa e, na parede oposta, as janelas de vidro iam quase do teto até quase tocar o chão, sem cortina alguma para esconder a visão atrás da casa: o bosque imensa, que começava na cidade e ia se estendendo até muito além de outras.
-Bom dia, pai- As mãos delicadas tocaram os ombros do pai, em forma de comprimento. sentou-se na mesa, que ficava no centro do cômodo, e se serviu de uma xícara de café.
-Bom dia, filha. Dormiu bem?- Ela assentiu, já com um pedaço de bolo na boca.
-Dormi muito bem. Vai trabalhar que horas hoje?
-Daqui a pouco estou saindo, na verdade. O prefeito me ligou e pediu para que comparecesse ao gabinete hoje cedo.
-Deve ter acontecido algo, né. Pai?- mexeu somente as sobrancelhas, um sinal que sempre usou para que a pessoa continuasse falando sem que ele tivesse de erguer os olhos do seu jornal ou o que fosse que estivesse fazendo. - Como a Hillary está? Gostaria de vê-la.
-Bem- bebeu o café, analisando a filha que fazia o mesmo- ela ainda não teve tempo de vir, está trabalhando no turno da noite essa semana e tira o dia para descansar. Mas ela esta ansiosa por te ver, talvez semana que vem ela venha aqui.
Hillary foi como uma “mãe” para , sempre presente quando mais nova, seja em apresentações de escola ou quando teve o coração partido pela primeira vez durante a quinta série; sempre ali lhe dando amor, carinho, atenção e repreendendo-a quando necessário. Fez tudo isso no lugar de sua verdadeira mãe, que há anos já não estava mais viva, e no lugar do pai, que se tornava ausente devido ao trabalho. desconfiava que os dois tivessem algum relacionamento por baixo dos panos, mas nem um nem outro tocavam em assunto parecido próximo a ela.
-Posso usar seu carro hoje? Você veio com a viatura noite passada, não foi? Queria poder ir a cidade, relembrar um pouco sabe.
-Claro, claro. Vou deixar as chaves na mesa do hall.- levantou-se, bebendo o resto do café de uma só vez, caminhou até a filha e deixou um beijo em sua testa- Até mais tarde.
- Bom trabalho, pai.
terminou seu café em silêncio, pensando no que poderia fazer o dia inteiro para tentar se divertir. Comprar roupas? Isso com toda certeza. Tinha deixado algumas coisas para trás antes de viajar e fazer compras era algo que deixava um sorriso enorme nos lábios o dia inteiro, era uma sensação tão gostosa olhar para algum e buum! É seu!
Já no quarto, a mulher colocou um jeans de lavagem clara, uma blusa branca com mangas longas e finas e calçou um par de botinhas bege. Passou os dedos pelos longos cabelos, que antes de se mudar para a Rússia batiam no começo de seus ombros, para desembaraçá-los. Encheu os cílios de rímel e passou gloss nos lábios, antes de pegar uma jaqueta jeans e uma bolsa pequena.
-As chaves, as chaves- sussurrou baixinho, para não se esquecer das chaves na porta. Pegou as chaves do carro no local onde o pai avisou que estariam e verificou se a porta da entrada estava trancada antes de abrir a porta ao lado do hall e descer as escadas (Sim, ainda havia o térreo da casa onde era toda a garagem e lavanderia). A sportage branca do pai era linda e muito confortável, percebeu ao sentar-se no banco do motorista. Olhou de relance para a lona preta que cobria o outro carro, o Maverick havia pertencido aos pais, aos dois, e desde que ela morrerá estava daquela forma, abandonado. não gostava de olhar, trazia muitas lembranças das quais ele não queria recordar, não queria se machucar e sentir a dor de tê-la perdido novamente;
O bairro onde eles moravam era afastado da cidade, cerca de dez a quinze minutos de carro talvez, e havia mais outras casas na única rua entre o bosque, onde havia altas arvores dos dois lados, exceto quando havia uma das casas. Aos poucos as casas iam aparecendo, todas com tijolinhos alaranjados, com cercas branquinhas e baixinhas. O centro comercial logo foi visto pela mulher. Lojinhas pequenas, restaurantes, cafés, enfim ela chegou ao centro comercial. Estacionou o carro numa vaga livre na rua e disparou o alarme após pegar sua bolsa, deixando a jaqueta para trás já que o sol a esquentaria. As ruas estavam movimentadas, algumas mães passeavam com os filhos, pessoas passavam apressadas ao meu lado, sempre cheias de compromisso ou então atrasadas para algo, lojas abrindo e sendo limpas, pessoas pegando taxi. Um cotidiano normal por ali.
entrou numa grande loja, com a frente em tons de bege e rosa, onde leu uma placa que dizia “PROMOÇÃO”, o que explicava o fato de a loja estar cheia de mulheres para lá e para cá nas araras de roupas. Suas mãos percorreram todos os tecidos, de uma prateleira que ficava próxima a altura de sua cintura, até parar em uma echarpe branca, que estava quase de graça, diga-se de passagem. Suas mãos percorreram toda a extensão do tecido, enquanto pensava se deveria leva-lo ou não.
-Se eu fosse você eu levaria- uma voz feminina e familiar soou atrás de si. virou-se, levou um leve susto ao se deparar com a ruiva alta, com a pele cheia de sardinhas abaixo dos olhos e incrivelmente linda, a olhando.
-Savanna?
-Sim- foi surpreendida com um abraço da outra mulher, não que não gostasse de abraços ou não gostasse dela, longe disso, mas fazia tempo desde que não via, e nem falava, com a ex melhor amiga.- Quase não te reconheci, você está tão linda, .
-Obrigada, Save. Você também está, e mais alta também- As duas riram baixinho, sentia o gelo se quebrando lentamente entre elas. Mas agora ela parava para pensar, as pessoas ao seu redor não pararam de crescer desde que foi embora ou ela havia parado de crescer?
-A gente muda, não é? Mas está só passeando por aqui? Sentiu saudades do Gato ?
-Não, não, não estou passeando, não- Riu da forma como a mulher ainda chamava o pai.- Vim para ficar.
-Que bom, , eu senti muito a sua falta. Tem planos para hoje à noite?
-Bom, não tenho. Meio que não falo com praticamente ninguém daqui- Sorriu, sem graça, costumava ser uma garota tão cheia de amizades. Na adolescência, nunca foi “popular” no colégio mas conhecia bastante gente.
-Então salva seu número aqui_ Savanna entregou-lhe seu celular- que a gente conversa e podemos marcar de sair, o que acha?
-Me manda mensagem que vemos certinho.
-Ok, . Preciso ir, mas vai com a echarpe ok?
Savanna saiu antes mesmo de obter resposta, deu apenas uma piscadinha com o olho e saiu rebolando para fora da loja.

-Ela confirmou?- passava um elástico por uma pilha de notas de cem. Seu dia tinha sido produtivo, estava até cansado de passar as últimas quatro horas contando dinheiro.
-Sim, vou buscá-la as 8 horas, mais ou menos. Qual é o plano?
-Para você, querida, não interessa- Ele revirou os olhos, cansado da intromissão constante da mulher em seus planos. Desde que soubera do seu interesse em , em seu interesse no delegado na verdade, a garota o atormentava querendo saber do que ele iria fazer. Desligou o celular, sem esperar resposta alguma da ruiva, e o largou em cima da mesa antes de encostar-se na cadeira.
-Hoje tem festinha, - Ele sorriu, levantando os braços e fazendo uma dançinha enquanto ainda estava sentado.
-E, deixa eu adivinhar rapidinho- fez uma cara pensativa, sorrindo logo em seguida para o amigo- Essa sua felicidade todinha é por que a Savana conseguiu convencer a pequena ?
-Isso, dude, isso!
-Sua felicidade denuncia, - Os dois riram. levantou-se e pegou o quanto pode das pilhas de dinheiro, perfeitamente empilhadas e amarradas, e foi até o cofre, organizando-as para que coubessem no local.
-Hoje eu começo tudo, cara, tudo. E ela ainda é bonita- os lábios estavam presos entre os dentes, o olhar fixo num ponto qualquer em cima da mesa, os pensamentos no rosto da mulher que tinha visto há alguns dias atrás- Ela é bonita, gostosa, acho que posso aproveitar um pouco antes do golpe final.
-Ela é gata demaaais, cara! Só toma cuidado para não se apaixonar, .
-Eu? Eu me apaixonar?- riu, em puro deboche enquanto caminhava até o amigo e dava duas batidinhas em suas costas antes de voltar a caminhar em direção a porta- Isso nunca acontecerá, , nunca!

Enrolou o corpo em uma toalha e saiu do banheiro, estava fazendo um pouco de frio e tratou de tentar escolher uma roupa bem rápido, coisa que tinha se esquecido de fazer. Colocou suas roupas intimas e, em seguida, colocou a mesma calça jeans que usou pela manhã. colocou uma camiseta bege, simples, e por cima sua jaqueta de couro. Aplicou base na pele, rímel, iluminador e um batom nude, quase do mesmo tom de seus lábios. Estava pronta, quase na verdade. Colocou seus de tênis escuros e colocou seus documentos no bolso de trás do jeans. Agora sim estava pronta!
-Alô?- Atendeu no terceiro toque, já que o celular estava debaixo da toalha úmida jogada na cama.
-Estou de esperando aqui na frente, não demora, Darling- Savana desligou assim que terminou de falar, sem vontade alguma de ter conversas pelo celular, arrancando um risinho da amiga. foi até a varanda, olhando através da janela e olhando o carro da amiga estacionado em frente a sua casa.
-PAIS, ESTOU INDO- Gritou enquanto descia o primeiro lance de escadas correndo, pegou as chaves na mesa do hall e trancou a porta antes de descer mais alguns degraus. A quantidade de escadas naquela casa cansava qualquer um, por Deus.
-Wow, ta gata, muito simples e muito coberta para o meu gosto, porém muito gata- Savana falava animada enquanto partia com o carro dali. Ela usava um shorts vinho e botas de salto, uma jaqueta preta completava o look da ruiva. Ela estava incrivelmente linda! abaixou os olhos, disfarçadamente, para as próprias roupas enquanto conversavam. Céus, como eu posso sair assim tão brega de casa? Como, ?
-Mas não se preocupa, o lugar não é nada demais, vai por mim. É a casa de algum cara aí. E, sinceramente? Está mais para uma junção de amigos íntimos do que uma festa.
-Então, tudo bem- Sorriu, observando o caminho enquanto jogavam conversa fora. Após 20 ou 25 minutos, elas finalmente chegaram. olhou boquiaberta para o local. TUDO aquilo de gente era apenas uma festa íntima?
A musica estava altíssima, conseguia ouvir de dentro do carro a música eletrônica que tocava na casa. Algumas pessoas bebiam e dançavam em frente ao lugar, fumavam cigarros, se pegavam e usavam drogas ali mesmo, no jardim de entrada. Engoliu em seco e saiu do carro junto com a amiga. Parecia algumas das festas que frequentou na faculdade, mas era de vez em nunca que freqüentava lugares assim e, pelo que a amiga disse anteriormente no carro, estava esperando por um lugar menos... Lotado.
-Só uns amigos? Sério- Gritou, para que a ruiva pudesse ouvi-la enquanto elas entravam na casa, a ruiva apenas riu e pegou em sua mão, a guiando pelo local para que não se afastasse dela.
-Quer beber o quê?- Elas ainda falavam alto, mesmo na cozinha, e focou os olhos na variedade, e quantidade, de bebidas que havia ali, na mesa e na pia.
-Um copo de whisky, puro e com gelo. Para entrar no clima logo.
-Ui, ainda gosta de beber fortes, ?- A mais baixa assentiu, sempre tivera gosto por bebidas, isso é inegável. E, apesar de não ter frequentado muitas festas na faculdade, era de lei beber com alguns amigos no quarto deles (e delas) nas repúblicas; não chegava a ser uma festa, mas era algo próximo e particular, sempre.
Elas foram para a sala, no meio do tumulto de gentes, dançar e beber. Algumas pessoas lembraram-se dela, e a cumprimentavam e, mesmo quem não a conhecia, Savana apresentava, como a boa amiga que era. “Como pode o tempo fazer tão bem para algumas pessoas?”, pensou enquanto observava um dos nerds do colegial passar sem camisa ao seu lado e cumprimentá-la, é claro. estava soando, dançar por quase duas horas seguidas era cansativo. A jaqueta de couro pendia no ombro, enquanto abria caminho por entre as pessoas até a cozinha. Chega de bebidas fortes e quentes, sentia-se levemente tonta devido ao álcool ingerido a meia hora atrás e, também, as luzes da sala, era um misto de lazers azul, vermelho, verde e roxo que a deixaram mais tonta do que deveria estar. Seus olhos arregalaram-se levemente, o corpo parou brutalmente por cerca de 3 ou 5 segundos, o suficiente para reconhecer aqueles olhos e tentar agir normalmente logo após o susto, tentar. Era ele. Era ele, meu pai, era ele ali na minha frente! É ele, não são meus pensamentos. Os olhos ergueram-se do chão, subindo desde os tênis surrados da mulher até parar nos olhos da mesma, onde começou uma troca de olhares intensa, que parecia que durou minutos, mas tinha sido só aqueles segundos mesmo. , então, acordou do transe de 5 segundos após perceber que a musica voltará a tocar, espera! A musica tinha parado de tocar? sentiu as bochechas queimarem e tratou de pegar duas cervejas na geladeira e sair o mais rápido dali.
Não entendeu por que agiu daquela forma perto dele. Parecia até que era uma adolescente que estava conhecendo o primeiro “amor”. Balançou a cabeça negativamente e saiu da casa por um extenso corredor, indo para os fundos, onde não havia quase ninguém. Sentiu o vento gelado bater em seu rosto ao sair da casa, olhou ao redor vendo apenas um casal se pegando, sem vergonha nenhuma, debaixo da árvore que havia a alguns metros dela. Deu de ombros e caminhou até um balanço que havia ali, um banco de três lugares presos por correntes que vinham do teto, e deixou as duas cervejas em cima da mesa que estava bem a sua frente. Pegou o maço de cigarros de dentro da jaqueta, após vesti-la novamente, e ascendeu um cigarro, tragando profundamente enquanto largava o maço em cima da mesinha.
A musica estava sendo abafada graças a grossa parede de concreto, o vento frio não a incomodava em nada; estava, finalmente, apreciando a noite com sua cerveja e seus cigarros em paz.
-Posso me sentar aqui?- Uma voz rouca, que fez com que desse um pequeno pulo de susto, foi ouvida ao seu lado. virou o rosto, olhando-o. Suas bochechas esquentaram-se novamente, e agradeceu aos céus que estava escuro no local, apenas uma lâmpada amarelada iluminava a pequena varanda. Ela apenas assentiu com medo de que as palavras não saírem de sua boca. Sentou-se ao lado dela, no balanço, com a perna roçando levemente na perna dela - Wow. Parece que tem pessoas animadas aqui no fundo- o olhou e girou a cabeça para a frente novamente notando como o casal agora estava. A garota estava sem blusa, apenas com a calça e o sutiã e o garoto olhando-os, falando algo para ela, mas acontece que a garota deu de ombros e voltou a atacá-lo com a boca.
-Ele me viu e tentou parar umas três vezes já, contando com essa vez, mas acho que ela não se importa- riu baixinho, desviando o olhar das preliminares dos outros e focou em seu segundo cigarro seguido.
-, - ele quebrou o silêncio estendendo a mão na direção da mulher ao seu lado e, hesitante, a mesma a apertou. Um leve formigamento surgiu entre seus dedos, o que a assustou um pouco, mas devia ser o frio ou, talvez, sua mão tivesse dormido.
-, .
-Acho que conheço esse sobrenome- Ela revirou levemente os olhos, enquanto o rapaz encarava sério o chão, como se tivesse um interesse fora do normal no piso de madeira- , do delegado ?
-Exatamente- Ela sorriu, olhando-o nos olhos- sou filha dele.
-Não sabia que ele tinha algum parente- Mentira! Ele sabia sim e sabia muito bem.- Prazer em te conhecer, - Ele sorriu para ela, piscando devagar os olhos, percebendo que ela não desconfiava de nada.
-O prazer é todo meu- A troca de olhares entre os dois era algo intenso, mas nenhum dos dois sentia-se incomodados; pelo contrario, parecia algo natural entre os dois.
Ela se perguntava: quem seria ele? Parecia ser o mistério em pessoa e isso a instigava a descobrir mais sobre ele, o que fez com que assuntos surgissem quase a madrugada inteira. Conversar com era agradável. O homem, que roçava levemente sua perna na dela, era simpático e engraçado, a conversa fluía sem ter esforço algum deles, ora ou outra ele voltava da cozinha com mais long-neck de cerveja e a acompanhava para fumar cigarros.
só conseguia enxergar a sua frente, os olhos dela eram os mesmos olhos do pai, a mesma intensidade, um olhar que parecia entrar em sua alma pronto para acabar com você se fosse necessário, um olhar determinado e cheio de coragem ou seja lá o que for, um olhar que irritava-o profundamente. Mas apesar dessa característica em comum, que era a única que ele conhecia por enquanto, a garota era incrível mente diferente fisicamente, e muito mais atraente do que de longe, isso era inegável. Ele sentia-se encantado por sua beleza angelical, olhar para aquele rosto era algo que o agradava, de fato. Mas ele não estava focado em sentimentozinho, precisava da confiança dela e teria que trabalhar para conquistar e de tempo para destruir.
-Mas você não mora aqui, certo?- Ele perguntou, após parar de rir de algo que ela falará. A cerveja subia rápido, sentia-se mais alegre do que deveria estar. Ela não havia tomado tantas bebidas para se sentir assim ou tomou?
-Morei por alguns anos na Rússia, com meus avós, mas agora estou de volta e para ficar- sorriu- e você, ? Sempre morou aqui?
-Mais ou menos. As vezes estou por aqui, ás vezes volto para minha casa do litoral. Sempre indo e voltando sabe. Talvez um dia eu te leve para conhecer o lugar?- Ele piscou para ela, vendo a mesma sorrir e virar o rosto para a frente.
-É, talvez um dia, não?
-Bom, deu minha hora, . Preciso ir embora e ainda tenho que encontrar a minha carona que deve estar perdida por aí- riu baixinho, virando o ultimo gole da cerveja em suas mãos.
-Sua carona, por algum acaso, seria a Savana, certo?- Ela assentiu, tinham conversado até sobre a amiga de - Então esquece, ela estava aos beijos com um cara e com outra mulher e, pelo jeito que estavam, acho que já devem estar em algum quarto- ele riu da cara que a mulher ao seu lado fez.
-Droga!- falou baixinho, sabia como a amiga era em relação ao sexo, sempre soube de suas aventuras, só não esperava ser trocada e abandonada por uma noite de sexo.
-Eu te dou uma carona.
-Não, não precisa, Hazz. Eu moro longe e não quero que se incomode.
-Onde você mora? Vamos, eu te levo e aproveito e vou embora, já esta tarde- levantou-se após a garota fazer o mesmo, andavam juntos em direção a saí da casa, dando a volta pelo jardim dos fundos até chegarem ao jardim da frente.
A frente da casa estava uma bagunça sem fim, pessoas dormindo, ou desmaiadas ou em coma alcoólico, estavam jogadas no chão, ao lado de garrafas e sabe se lá o que mais. Algumas dessas pessoas, inclusive, sem as peças de roupas que usavam algumas horas atrás, os dois riram baixinho ao saírem da casa, cúmplices em pensarem a mesma coisa sobre aquela cena toda. Aquilo parecia festa de republicas de universidades.
abriu a porta do carona para ela, um mustang antigo na cor preta, incrivelmente lindo e em estado perfeito, se tratando da idade do carro. O olhar de para era um olhar amigável, havia achado o gesto dele uma graça.
-Onde você mora, ?
-Saindo da cidade, Hazz. No fim da estrada principal, tem algumas casas próximas a mata.
-Acho que sei onde é- ele fez uma cara de pensativo. Mesmo levemente tonta, levemente não, estava tonta mesmo, ela conseguia distinguir as feições que o homem ao seu lado fazia vez ou outra enquanto passavam rapidamente pelas ruas vazias- Naquele bairro onde tem umas casas imensas?- Ela assentiu, rindo de uma de suas feições estranhas- Não sabia que um delegado ganhava tão bem assim.
-Ele é formado em Direito, então o salário dele não é baixo- ela olhava através da janela do carro, observando as imagens que via e lembrando-se do pai, devia estar ou dormindo ou trabalhando a uma hora daquelas.- Mas meus pais vieram de uma família importante, daí vem o nosso estilo de vida- Sem ver qualquer reação do homem ao seu lado, balançava a cabeça levemente, com um sorriso sacana nos lábios. Pobre, , mal sabe o pai que tem. Mas ele pretendia mudar isso, quando fosse a hora certa a realidade cairia sobre como um soco de Mike Tyson, rápido e muito doloroso.
-E o que te trouxe de volta a Inglaterra? Algum motivo especial?
-Longa história, na próxima eu te falo, Hazz- Estava gostando de chamá-lo assim, ele mesmo havia se apresentado como Hazz enquanto ainda estavam na festa; isso fazia até parecer que eram íntimos e ela gostava dessa sensação. Preferia evitar o assunto, ainda não se sentia preparada para conversar sobre o que aconteceu na Rússia com ninguém, apenas telefonou para o pai avisando sobre a morte dos avos, mais ninguém.
percebeu que o tom de voz da garota havia abaixado notavelmente, ela evitou olhar seus olhos e encarava as próprias unhas sem esmaltes. Assunto sério? Isso era de interesse de .
-Tem planos para amanhã?-ele a olhou nos olhos por alguns segundos antes de voltar o olhar para a estrada a frente.
-É a última casa- Ela disse ao perceber que as grandes árvores os rodeavam dos dois lados da estrada, passaram por uma das casas, enorme e linda, após alguns metros, passaram por outra casa mais linda ainda. O lugar estava deserto- Mas não tenho planos e você?
-O que acha de eu te levar para algum lugar? Amanhã é sábado, poderíamos nos encontrar com um pessoal e beber um pouco talvez, só se você quiser- Ele piscou para ela, arrancando uma risadinha da garota embriagada.
-Pode ser, Hazz- as bochechas queimavam, e o sorriso idiota ainda não tinha saído dos seus lábios.
-Me passa seu número, eu te mando mensagem, pode ser?- conseguiu digitar os números rapidamente no celular do homem ao seu lado, salvou e entregou o aparelho para ele logo em seguida. Os lábios dele abriram-se num sorriso lindo, o olhar sobre o dela; o olhar dela sobre o olhar dele. Ela desviou, não aguentava tamanha intensidade- Até amanhã.
-Até, .
pegou as chaves na bolsa e trancou a porta do térreo antes de subir as escadas, cambaleando e se segurando no corrimão para não cair. Sentia que podia cair a qualquer instante. Trancou, novamente, a porta do primeiro andar, não se esquecendo das instruções que o pai falava desde que era pequena. se jogou na cama, olhando o teto mesmo no breu em que o quarto se encontrava.
Será que o destino havia colocado ele em sua vida? Havia pensado nele desde o dia que chegou de viagem, que o viu por cerca de 2 minutos ou 3, não parava de pensar nos olhos intensos e, agora, não parava de pensar na voz levemente rouca que a fazia arrepiar. Não estava apaixonada, certo? Acabou de conhecê-lo e, além do mais, era adulta. Já tinha passado por problemas amorosos mas... Mas por que estava agindo como uma adolescente boba? Ouviu o toque de mensagem do celular gritar no quarto, o pegou e olhou a tela do seu celular.
1 notificação: “tenha uma boa noite, até amanha, XOX





Continua...



Nota da autora: oi, oi, oi, turo pom? Estão gostando? Gente me perdoem esta demorada, demora muito pra sair o cap aqui, é trabalhoso demais não só pra mim, mas para a beta também. ♥ beijos e comentem pleeeease

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus