Irreversível

Última atualização: 25/02/2020

Prólogo


Mais de 5 mil pessoas ocupavam o espaço da Oxford Art Factory, incluindo os camarotes e espaços vip’s e a cada segundo que se passava mais pessoas chegavam até o local para prestigiar o show da noite. Não era um espaço muito grande, porém havia varias divisões no ambiente e um bar ao lado direito. estava a uns 40 minutos esperando por na frente do local e estava começando a ficar irritada e arrependida de ter ido até lá. Mas ao pensar nas palavras que sua mãe e Ashton lhe disseram, ela acabou criando um pouco mais coragem de permanecer ali e assistir ao primeiro grande show de seus amigos, mesmo que pra isso ela precisasse encarar Luke. Só de pensar nesse nome, sentia arrepios. Tudo o que passaram, tudo o que Luke aprontou à ela… Ela era incapaz de compreender qualquer atitude. E mais incapaz ainda de conseguir odiá-lo, mesmo que fosse o que ela mais queria. Ela gostaria de transformar todos aqueles sentimentos confusos dentro dela em raiva e desprezo por Luke. E só ela bem sabia o quanto havia tentado, nem que fosse ao menos esquecer. Mas a cada dia que passava, a cada dia que Ashton ligava e perguntava se estava tudo bem, a cada dia que ela pisava na escola e lembrava de cada momento vivido com ele ali, ela sabia que jamais esqueceria. surgiu e parou em frente a amiga que analisava o cartaz com a foto de seus amigos e precisou de alguns segundos para que percebesse a presença dela. sorriu pra ela e pôde perceber apenas com aquele sorriso o que a amiga sentia.
namorava Mike atualmente. Inacreditável para alguns já que praticamente o ensino médio inteiro viviam em pé de guerra e brigavam por qualquer bobagem, mas acabou dando onde deu. Talvez a grande semelhança entre ambos explicava o motivo de tanto conflito e acabaram transformando parte dessa semelhança em afeto, o que acabou dando muito certo. Mike era amigo de de longa data. Eles estudaram juntos desde o maternal e segundo ele só o conhecia e o aceitava realmente como ele era. passou a ser amiga de no ensino médio e como Mike e eram unha e carne teve que aturá-lo durante dois anos a contragosto. Embora no fundo sempre soube que os dois algum dia se dariam muito bem e ela desejou ter essa certeza sobre o seu futuro também.
— Juro que se não tivesse com ingressos vip’s e se o Ashton não tivesse insistido tanto, eu já teria ido embora! — disse abraçando a amiga mesmo com tom de bronca na voz.
— Eu não tenho culpa se tem bilhões de carros nessa avenida! — soltou a amiga. — Sabia que eu vim andando a 5 quadras daqui? — disse forçando a respiração para parecer ofegante e riu.
Elas seguiram para entrada a esquerda que dava acesso á pessoas que tinham entrada vip ou camarote e onde a fila estava menor também. Ao entregarem o ingresso com o documento de identificação ganharam em seguida uma pulseira de acesso a área vip e também um crachá nominal com acesso ao backstage. Cortesia por serem amigas dos meninos da banda que provavelmente Ashton deixará avisado.
— Não minta pra mim, você sabia disso, não sabia? — questionou a amiga enquanto colocava o crachá em volta do pescoço. apenas negou com um aceno, o que não convenceu nenhum pouco a amiga. não tinha tanto contato assim com os meninos depois que eles começaram a se dedicar realmente ao que amavam. Ao contrário de que por namorar o Mike sabia praticamente a agenda completa deles e estava quase sempre presente. Apesar do Ash sempre insistir que se aparecesse mais, não seria nenhum problema, e Mike concordavam com isso e também sempre insistiam, mas a sempre arranjava uma desculpa porque sabia que não seria nada confortável para nenhum deles. Na verdade não entendia até hoje como Ashton conseguirá passar por cima de tudo isso, e a resposta dele era sempre a mesma “tudo isso é passado, temos que seguir em frente” , mas na cabeça dela não era tão simples assim. Toda vez que ela ouvia a voz do Luke ao fundo quando falava ao celular com um dos meninos, ela já conseguia sentir o nó se formando na garganta e não sabia responder se o choro que se formava junto era de saudades, de mágoa ou de simplesmente desespero por não saber lidar com toda a situação. só sabia que apesar de qualquer coisa, apesar de ela ter evitado tanto esse momento, ela sabia que estava ali não somente porque Ashton, sua mãe ou havia insistido, mas porque ela sabia que estava preparada para olhar nos olhos de Luke novamente e finalmente saber se essa frustração, esse desespero, esse sentimento irreversível era apenas coisa da cabeça dela.
Três seguranças guiaram as duas até o backstage. Caminharam na lateral da casa de shows passando por mais e mais quadros e desejou poder voltar ali, pois não imaginava o quão legal era aquele lugar. Entraram por uma porta camuflada com a parede preta ao lado esquerdo do palco e desceram alguns degraus em seguida. Apenas um dos seguranças entrou junto com elas e os outros ficaram ao lado de fora. O mesmo indicou a porta do camarim no final do corredor e foi preciso que segurasse a mão de e a puxasse para seguirem até lá. Parada ao lado da porta parou para pensar em quando foi que seus amigos se tornaram importantes ao ponto de ter que passar por todas essas frescuras daqui em diante. Ela ainda conseguia enxergar eles há uns meses atrás na escola inventando qualquer coisa estúpida para saírem mais cedo, ou quando ficavam escondidos atrás da arquibancada da quadra de esportes só para passarem um tempo sem ter que olhar para verruga enorme no canto da boca da professora Smith. despertou do transe assim que viu tocar na maçaneta da porta e impulsivamente segurou o braço da amiga.
— Não consigo — pronunciou tão baixo que pensou só ela ter escutado. soltou a mão da maçaneta e passou devagar os braços em volta da amiga formando um abraço de compreensão. tentou lhe passar um sorriso seguro e confiança, mas mesmo ela com pouco tempo longe de Mike estava insegura também.
— Vai dar tudo certo! Já estamos aqui — sorriu e apertou a mão de . Ela abaixou o olhar e de nervosismo também apertou a mão da amiga.
— Só não quero me arrepender de ter vindo.
Repentinamente Mike abriu a porta do camarim dando de cara com e acabou levando um susto por não estar esperando alguém do outro lado, assim como ela. apenas jogou os braços em volta do namorado em seguida e depois distribuiu beijos pelo rosto dele. Logo atrás apareceu Ashton e assim que ele viu , passou direto pelo casal e a envolveu pela cintura abraçando a amiga e fazendo-[a tirar os pés do chão. Muitas coisas se passavam pela cabeça de Ashton, muitos sentimentos explodiram dentro dele. Uma mistura de saudade, carinho, amor, mágoa, mas principalmente de companheirismo. Ele e nunca passavam mais do que 24 horas sem se falar ou se ver. Ashton não tinha se habituado a ficar longe da amiga por tanto tempo. Eles tinham uma ligação muito forte e ele soube disso desde o dia em que viu sentada no jardim do fundo da sua casa brincando com seu brinquedo favorito à quinze anos atrás. Sem saber por que, a cena daquele dia em que batucava sua bateria sem saber o que estava fazendo, retomou sua memória naquele momento despertando a vontade de abraçá-la novamente. Ashton soltou a amiga e ficou a encarando por alguns segundos. também não conseguiu dizer uma palavra sequer, ela fazia menção se que ia dizer alguma coisa mas em vez disso abraçou Ashton de novo.
— Nunca pensei que fosse sentir tanto sua falta! — Ashton soltou a amiga e fez careta pelo momento ternurinha dos amigos. Nem ela que namora Mike ficava tão melosa assim quando o re-encontrava, ela pensou.
— Nhá, nem ficamos tanto tempo longe assim. — riu e Mike deu um tapa na própria testa. Ela sempre fora muito orgulhosa para admitir qualquer tipo de afeto. Na verdade com Ashton era sempre diferente, ela não tinha vergonha e sempre demonstrava o quanto ele era importante para ela, mas ambos sabiam a razão dela ter se fechado até para ele, e ele para não piorar a situação não exigia nada, porque no fundo ele sabia o quanto ela também sentia sua falta.
— Não sei se você se lembra , mas na sua vida não tem só o Ash… — Mike foi ao lado da amiga e a abraçou. Ela retribuiu e depois eles entraram no camarim. estava tão envolvida com o reencontro dos dois amigos que havia esquecido que ainda faltavam dois deles. Era um espaço grande com dois sofás ao lado direito do camarim com espelhos enormes do lado oposto e como não podia ser diferente uma bagunça no local que só garotos conseguiam manter. De relance avistou Calum sentado no canto do ultimo sofá mexendo em seu celular e num impulso ela saiu do meio da conversa de seus amigos e seguiu até lá se jogando sob ele. Calum deu um grito rouco e abraçou a amiga depois de alguns segundos até entender quem estava em cima dele. ao seu lado no sofá ainda abraçada no amigo.
— Você engordou? Por que você ta bem pesada! — Calum se arrependeu de ter dito assim que a amiga começou a estapeá-lo.
— Hey guys sem bagunça! Vocês entram em 5 minutos — Adam apareceu apenas com a cabeça no vão da porta. — Olá meninas. — Ele acenou e fechou a porta em seguida.
— Bom já fizemos a passagem de musica, Mike ta com o amuleto da sorte só ta faltando… — Calum mal tinha terminado de falar e a porta do camarim abriu mais uma vez surgindo um Luke vestido de uma regata e a tradicional calça preta colada com as partes do joelho rasgadas. Tinha uma camisa xadrez pendurada sob o ombro e ele permaneceu parado ali mesmo assim que viu quem se encontrava no camarim.
Era a primeira vez desde a despedida deles depois do colegial, mas só pareceu lembrar desse detalhe, já que no instante seguinte foi diretamente até Luke e o abraçou assim como havia feito com os outros. Ela permaneceu calada ainda sentada do lado de Calum. Demorou alguns segundos para que todos começassem a processar o clima que estava se instalando ali.
— Vou pegar uma água antes de subir ao palco.
— Vou junto com você, amor.
ajustou a bolsa no ombro e seguiu Mike.
Calum e Ashton se entreolharam provavelmente pensando em alguma desculpa para saírem dali também.
— Oi — Luke se pronunciou antes que mais alguém saísse dali. O máximo que conseguiu foi um joinha com a mão e um sorriso de lado. Calum levantou do sofá puxou Ash junto consigo e saiu porta a fora sem dizer nada. cruzou as pernas e olhou para as próprias mãos também cruzadas sob as pernas. Ela não esperava que seus amigos fossem deixá-los sozinho justo em um dia tão importante para a banda. Mas a verdade era que todo mundo tava de saco cheio de ter que intercalar de sair ou só com ou só com Luke. Já havia tentado duas vezes que os dois ficassem no mesmo ambiente por mais de uma hora, mas ela nunca cedia. Luke era sempre compreensivo e acabava indo embora, e depois se combinavam novamente de ir á algum lugar ele só ia quando realmente não podia ir, para não ter que ficar passando pela mesma situação. Ao contrário do que ela pensava, ele tinha vivido estes últimos dias mais perturbado do que qualquer pessoa. E vê-la ali sentada tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe do seu alcance foi a pior sensação de todos esses dias que ele pôde sentir.
— Como você está? — Luke a encarou com surpresa, não esperando pela pergunta. Ele se perguntava se ela só estava puxando assunto e tentando deixar aquela situação menos constrangedora. Mas ele mal sabia o quão verdadeiramente interessada ela estava.
— Estou bem… Na verdade um pouco nervoso. — Ele riu sem graça. — Digo, pelo nosso primeiro grande público e tals… — Luke se atrapalhou ao se expressar e riu baixinho brevemente se arrependendo de tal ato. Ele se aproximou e sentou se na outra ponta do sofá deixando o espaço de apenas um acento entre eles. A primeira proximidade que tiveram depois de alguns meses.
— Já ouviu alguma música nossa? — Dessa vez foi Luke quem decidiu emendar o assunto, já que ela estava cedendo e ele precisava dessa oportunidade.
ao ouvir apenas rolou os olhos e Luke imediatamente sentiu saudades dos momentos em que ele fazia qualquer coisa tola e ela rolava os olhos debochada.
— Que tipo de amiga eu seria se nunca tivesse ouvido? — Ela mantinha as mãos sob as pernas e encarava Luke.
Ele incrivelmente não conseguia se soltar e estava se sentindo um completo estranho ao lado dela. Nem havia passado tanto tempo assim, mas nesse meio tempo ambos estavam inteiramente lutando com a perda um do outro que não haviam superado até hoje.
— Okay. Qual sua favorita? — Luke a olhou enquanto ela tentava relaxar no sofá.
— Nhá, eu gosto do cover do Blink que o Ash me enviou esses dias. — Ela disse simplesmente e ele apenas concordou com um aceno.
— Ainda estamos nos apresentamos com alguns covers e poucas de nossas músicas, Calum acha melhor começarmos assim… — Luke tirou um papel do bolso. — Mas hoje vamos cantar algumas nossas e ver se agrada. — sorriu tentando lhe transmitir apoio.
— Sem dúvidas vão amar, vocês amam o que fazem e arrebentam! — Ele sentiu aquela chama de esperança que nunca havia se apagado dentro dele ficar cada vez mais forte. Rapidamente ele desdobrou o papel em suas mãos e passou os olhos pelas palavras escritas nele. Encarou sentada ao seu lado e não pode imaginar um momento mais oportuno do que aquele para entregar aquilo a ela. Luke estendeu o papel para e ela hesitou um instante antes de segurá-lo.
— Essa é uma das novas músicas que iremos tocar hoje. — Ela analisou o papel em suas mãos e pode perceber que era a letra de uma música. Começou a ler a letra da música e mesmo não fazendo ideia de qual seria o ritmo, ela teve certeza que não tinha uma batida animada só pelo primeiro verso ter frases tão intensas.
— Essa música é sobre como exatamente me sinto sobre nós. — tirou os olhos do papel e encarou Luke pela primeira vez naquela noite. — E queria que você fosse a primeira que soubesse disso, antes de todo mundo lá fora. — Luke não fazia ideia de onde havia tirado coragem para admitir tudo aquilo para , e ela poderia jurar que estava tudo girando naquele camarim. Ele tinha imaginado as piores reações possíveis dela para aquele momento e apenas sustentou o olhar dela. voltou ler a música e começou a formar lágrimas em seus olhos assim que ela chegou na parte onde pareceu ser o refrão. Mesmo com os olhos encharcados ela não deixou que as lágrimas viessem a tona. Por que ele tinha que fazer isso com ela? Ela não imaginava que ele estaria sofrendo tanto quanto ela. E ao contrário dela, ele parecia descrever exatamente o que se passava em sua cabeça mesmo distante. Sem precisar perguntar a ele, ela soube que a música era sobre o afastamento, sobre o que toda essa situação havia causado em ambos. Sobre como o mundo de ambos estava desabando.
— Eu realmente não espero por uma boa reação. — Ela pareceu acordar de um transe assim que Luke pronunciou essas palavras. Ela piscava repentinamente e seu rosto começou a ficar molhado por causa das lágrimas. E sem ter certeza de que estava fazendo o certo Luke colocou sua mão sob a dela e apertou carinhosamente. Ela chorava baixinho por todo esse tempo que havia sido egoísta pensando somente nela e mais ninguém. Luke a puxou para um abraço e se perguntou se era mesmo merecedora de tudo isso. Pois por mais que ela tivesse um sentimento por Luke, ela jamais havia mostrado qualquer forma de carinho comparada a tudo que ele já fizera por ela.
Ashton e Calum surgiram no camarim de novo encontrando-os naquele estado. tentou limpar o rosto com a mãos e Luke pegou sua própria camisa xadrez e ajudou a limpar a maquiagem que escorria pelo rosto junto com as lágrimas.
— Desculpa gente, mas Luke temos que ir. — Calum deu meia volta e ela só conseguia ver um Ash sorridente parado na porta. Luke apenas concordou e os dois saíram novamente.
— Vai lá, eu vou ficar bem. — rapidamente fez um rabo de cavalo e voltou a respirar normalmente desejando água.
— Não vai embora. — Ele a encarava ainda segurando sua mão. — Por favor…
Ele disse baixinho e ela apenas concordou. Em seguida ele deu um beijo no topo da cabeça de e saiu correndo sala afora sabendo que se atrasasse demais Adam lhe comeria vivo mais tarde. dobrou o papel em sua mão e o guardou em sua bolsa.
Se levantou do sofá e levou um susto ao ver a porta abrindo novamente surgindo alguém desesperado vindo em sua direção.
— Eu te amo e felizmente eu não consigo fazer disso um sentimento reversível. — Luke deu um selinho rápido em deixando-a completamente sem reação parada no meio do camarim, enquanto o show começava lá fora.


Capítulo 1


Toda quinta-feira Mike insistia em passar na casa de Jésica para ela não ter que pegar o metrô tão cedo e seguir até a escola, Mike sabia o quanto era enrolada, então sempre levava seu café da manhã no carro para comer enquanto a esperava. tomava todos os seus cafés da manhã com Ashton e sua mãe, exceto quinta-feira. Ela odiava o início de todas as quintas-feiras, mas logo que colocava o pé para fora de casa sabia que seria o melhor dia da semana. Pois era o dia de folga da senhora Irwin, péssimo, pois a mesma tomava seu café em casa fazendo com que ficasse no quarto e ótimo pelo fato de não ter a presença dela na escola e se poupar de muito aborrecimento, como ficar longe de seus melhores amigos. Ela saiu do quarto seguindo até a porta dos fundos imaginando que Mike já a esperava. Provavelmente Ashton já teria ido para escola, pois não viu o carro na garagem e nem encontrou seu pai pelo caminho. Observando enquanto caminhava até o carro de Mike pôde ver o mesmo devorando um sanduíche junto com um copo de suco sob o capô do carro.

— Bom dia, gordo. — Cumprimentou o amigo que terminava de mastigar seu lanche.
— Bom diiiiiiiiiiiiiia. — Respondeu de boca cheia e ela lhe deu um soco no braço.
— Vamos, vamos... Você vai comendo no caminho. — Mike entregou a ela o copo de suco e entrou no carro.


A Norwest Christian College ficava um pouco longe de onde morava, por isso era preciso que ela pegasse metrô ou que alguma alma bondosa oferecesse carona quando possível. Na verdade, ela ia com o pai e Ashton todos os dias quando a senhora Irwin não estava em casa. Os pais de trabalhavam para os pais de Ashton, sua mãe como governanta e seu pai como motorista e auxiliar com documentações postais. Ela havia crescido naquela enorme casa e fora praticamente criada como irmã de Ashton. Ao contrário de casos de filhos de empregados não se darem bem, eles tinham um ótimo relacionamento, mesmo que a senhora Irwin não apoiasse muito essa situação. Quando crianças os dois sempre foram muito próximos, faziam viagens e participavam de colônia de férias juntos. Estudaram sempre na mesma escola e os amigos de Ashton geralmente eram os mesmo que o dela. Mas esse ano havia começado um pouco diferente. Desde alguns meses atrás a senhora Irwin estava ficando mais arrogante que o normal e parecia que quanto mais ela tentava diminuir ou fazer com que Ashton ficasse longe de , mais próximos eles estavam. Mas ela também não estava próxima apenas de Ash, agora ela também tinha Mike. Ashton e Michael eram amigos desde a infância também, se conheceram no acampamento de verão e eram amigos até hoje. Porém eles não se falavam muito assim na escola, Mike fazia o tipo “mãe, não quero estudar” e Ash “sou o filho da diretora, tenho que estudar” e por isso eles trocavam poucas palavras quando estavam por lá. e Mike estudaram juntos desde o jardim de infância e conforme foram ficando adolescentes criaram gosto pelas mesmas coisas. Mas foi exatamente quando um dia, ainda no ensino fundamental, o Ipod de caiu no chão ao lado de Mike e ele reparou que ela ouvia Green Day. A partir daí as coisas nunca mais foram as mesmas para eles. Descobriram que tinham muito em comum e eram melhores amigos desde então.
— Estive pensando... — Mike disse ao abaixar o volume do rádio. — Ashton não tem frequentado às últimas aulas da tarde e ele era meu parceiro para um trabalho que preciso entregar semana que vem. — terminou o suco do amigo esperando que ele concluísse o que falava. — Ele anda doente ou resolveu reprovar mesmo?
— Não faço ideia, Mike, mas vou procurar saber. — A amiga sorriu e ficou intrigada com tal comentário. Aliás, tudo que se referia ao Ashton, ficaria intrigada.
— Não é o tipo dele faltar, você sabe.
— Eu sei, provavelmente a senhora Irwin lhe deu alguma outra tarefa… — automaticamente fechou a cara e Mike riu voltando sua atenção para a condução.
Mike riu baixinho ao observar a cara feia que a amiga fez.
— E como anda o clima na sua casa, tudo certo?
— Sim, quando a megera não está lá tudo fica tranquilo.
— Sério, não entendo essa implicância dela com você... — Disse Mike entrando com o carro no estacionamento da escola. — E com todo mundo a sua volta.
— Pois é. Até o pobre do próprio filho ela não perdoa, deve ser velhice, vai entender.
Assim que Mike desligou o carro ambos saíram dele e pegaram suas mochilas para seguir até dentro da escola. odiava aquele uniforme, não se incomodava muito pela saia ser um pouco comprida e xadrez em uma cor verde musgo com marrom, mas não aceitava que usassem camisa social o dia todo. Por isso ela sempre ia com uma camiseta branca por baixo.
Era quase tempo de tocar o sinal para indicar que os alunos deveriam ir para sala e aproveitou e se separou de Mike para passar antes pelo seu armário.

Luke atravessava o corredor com a cara mais amassada da manhã possível. Como se tivesse dormido por três dias seguidos e acordado só essa manhã. A verdade é que todas as manhãs ele tinha essa aparência de tédio, como se estivesse fazendo um sacrifício em ter que vir a aula. Sem dizer bom dia a ninguém abriu seu armário e pegou sua apostila que passava mais tempo ali do que em sua casa, porque definitivamente Luke não era o garoto mais estudioso do colégio embora suas notas sempre eram excelentes.
— Hey, mate. — Disse Calum abrindo também seu armário ao lado do colega.
— Fala aí, Cal.
Luke deu um tapinha nele e Calum voltou a falar.
— Precisamos terminar aqueles textos. Não sei como, mas você consegue se expressar melhor o que eu quero dizer no papel.
Luke riu pelo desdém do colega por ele e fechou o armário.
— Certo, hoje no almoço te ajudo — Disse Luke e saiu seguindo até sua sala.
Calum era um dos mais esforçados do colégio e embora ele se esforçasse tanto, parecia que sua escrita nunca fluía. Talvez fosse os cálculos que dominassem sua cabeça e não o deixava produzir em literatura, inglês e principalmente arte francesa.


Ashton deixou a biblioteca assim que ouviu o sinal tocar, colocou seus livros rapidamente na mochila e seguiu até a sala. Ele achava um saco ter que bancar o estudioso todos os dias na escola. Desvantagens de ter a mãe como diretora. Sua próxima aula era de inglês e ele ficou mais arrependido ainda de não ter pensado em alguma doença para não ter que vir à aula hoje. Mas Ash jamais faltava nas quintas-feiras, que era quando sua mãe não aparecia na escola e ele podia ficar com seus amigos sem ouvir qualquer coisa depois, mesmo que não se importasse e fizesse isso muitas vezes mesmo com ela presente.
— Bom dia, Mr. Irwin. — A professora de inglês disse assim que Ashton entrou a sala e ele apenas sorriu simpático.
A classe de geografia parecia uma necrotério, pois a maioria dos alunos estavam esparramados em cima das suas carteiras e o professor com seu óculos fundo de garrafa não parecia enxergar isso e tocava a aula como se todos estivessem interessados. Calum estava impaciente com virando de costas e olhando para ele toda vez que uma bolinha de papel a acertava, e ela podia jurar que era ele, sendo que Michael, no final da fila, é quem atirava todas as bolinhas na direção dela.
Intencionalmente.
Mike amassava mais uma bolinha e...
— Se você me acertar mais uma vez eu jogo meu caderno na sua cara! — Disse nervosa, porém com o tom de voz baixo, Calum rolou olhos.
— Não sou eu que to jogando papel em você.
Ela deu língua e voltou sua atenção para frente. Calum encarou Mike fazendo sinal para que ele parasse com isso e ele apenas riu.
— EU JA FALEI PRA PARAR! — Gritou furiosa em direção de Calum que ficou vermelho rapidamente e o resto da sala se silenciou assim como o professor.

— Eu já falei que não foi eu quem estava jogando papel em você! Agora vou ser obrigado a meia hora de detenção depois da aula de hoje, argh! — Calum sentou em um banco no pátio do colégio e sentou-se ao seu lado.
— Eu mato o Michael, pode deixar! Ele nos paga por isso. — Ela disse brava pensando nas piores coisas para se vingar de Mike.
— Quando vocês dois vão parar com essa rivalidade sem sentido? — Calum perguntou à amiga.
— Eu não faço nada, eu finjo que ele nem existe e ele que insiste em me provocar SEMPRE!
— Não é como se você evitasse também, né.
— Evitar? Ele é amigo da , eu só poderia evitá-lo se ele morresse…
— Cala a boca. — Calum deu um tapa na cabeça da amiga.
— Anyway, você foi falar com a barbie francesa?
— Com quem, a Lily?
Calum fez-se de desentendido e rolou os olhos.
— Qual é você... Não ia pedir a ajuda dela com as atividades de francês?
— Hmm, to pensando sobre isso ainda. — Ele sorriu de lado e a amiga o encarava com uma cara de interrogação. — Pensei em pedir permissão para o Luke hoje mais cedo, mas…
— Permissão pra que? — Riu debochada do amigo que instantaneamente fez bico. — Às vezes me esqueço de que seu cérebro tem 10 anos, Calum. — Ela voltou a rir e ele mostrou o dedo do meio pra ela.
O sinal soou entre os corredores e eles levantaram seguindo até o refeitório para aproveitarem o intervalo.

pegou sua bandeja e deixou que a tia da cantina a servisse com o lanche do dia. Em seguida foi até a mesa onde seus amigos sempre ficavam e sentou-se esperando por eles. Viu Ashton vindo em sua direção e sentiu que seu dia sempre seria melhor quando Ash estivesse por perto, então ela sorriu assim que ele se aproximou.
— Hey, nem te vi hoje cedo… Como você está? — Ash abraçou a amiga e depositou um beijo em sua cabeça sentando ao seu lado em seguida.
— Bom dia, estou bem, fofo. — Ela respondeu sincera e ficou analisando Ashton enquanto ele roubava o suco dela e sorria para ela. se perguntava se um dia ela conseguiria viver em um lugar onde ele não estivesse. Ele lhe fazia bem só por estar por perto e apesar dela ter que aturar tantas pessoas ruins ao seu redor, ela sentia-se sortuda por ter Ashton como parte da vida dela.
— Olá, pombinhos. — Mike sentou de frente para Ashton fazendo um hi-5 com o amigo e rolou os olhos pelo comentário. Mike sabia que ela sempre ficava irritadinha, mas que no fundo ela gostava. — Eu já te vi hoje mais cedo então não tem Hi-5.
Ela deu língua e Mike voltou sua atenção para o amigo.
— Então, senhor “estou sumido das aulas de tarde”, temos um trabalho para semana que vem e sequer começamos. — Mike cruzou os braços sobre a mesa o encarando e roubou uma torrada da amiga.
— Vocês já experimentaram pegar o próprio lanche?
— Poxa, Mike, eu esqueci completamente e tenho ficado um pouco ocupado por esses dias.
— Jura? Eu mal percebi que você faltou cara…
Mike disse irônico e riu baixinho.
— E se o Mike percebeu, pode ter certeza que agorinha é a sua mãe quem percebe.
Ashton sorriu maroto e negou com a cabeça.
— Nhá, tem um amigo me ajudando com isso, ta tranquilo.
— Por que você ta faltando afinal? — Mike disse e ameaçou pegar outra torrada de . — Outch.
Ashton fez sinal de que conversaria com ele sobre isso depois e olhou de um amigo para o outro.
— Sério que vocês vão ficar de segredinhos comigo?
Mike deu de ombros como se não fosse problema dele e levantou da mesa emburrada. — não faz assim, volta aqui… — Ashton levantou e gritou pela amiga que saia do refeitório chateada. Havia alguns dias que Ashton não conversava direito com e ela percebeu essa distância, mas não havia comentado nada, pois pensou ser bobagem. Se fosse algo grave ou algo que ele precisasse, falaria com ela. Bom, era o que ela pensava até então.

O pátio geralmente ficava vazio no intervalo, embora fosse o lugar mais fresco e com sombra para os alunos ficarem lá estava Lily, comendo seu lanche sozinha em um banco por ali. Ela viu sentar no outro lado do pátio sem nenhum dos seus amigos então resolveu ir até lá lhe fazer companhia.
— O que foi que aconteceu com você? — Lily sentou ao lado de que se assustou por não perceber a presença dela ali.
riu de lado um pouco forçado e negou com a cabeça.
— Nada demais, to com a cabeça cheia.
Lily apenas concordou e ficou quieta ao lado da amiga. Na verdade as duas não eram mais tão amigas assim. Lily entrou na Norwest Christian College na oitava série e iniciou uma amizade com , mas não demorou muito para que ela chamasse um pouco mais de atenção e começasse a se relacionar com pessoas que não se relacionava, isso incluía Luke. Um ano depois Lily estava completamente apaixonada por ele, os dois começaram a namorar e estavam nessa relação até hoje, o que realmente não incomodava nenhum pouco , porém quem decidiu se afastar e dedicar sua vida ao namoro foi Lily. , no começo, tentou manter a amizade mesmo achando Luke um imbecil, ele não era nenhum popular da escola ou fazia parte de um time de futebol e muito menos tinha alguma banda famosa ou coisa do tipo, mas ele tinha um ar de superioridade que a irritava e a forma como ele tratava Lily a deixava mais irada, ainda mais por que Lily aceitava. passou um tempo tentando abrir os olhos de Lily que ao contrário acabou se distanciou dela, fazendo também com que Luke pegasse sempre no pé dela quando soube que não era muito sua fã.
— Não quer conversar?
negou e Lily a abraçou de lado.
— É sobre o Ash?
A amiga concordou de cabeça baixa e Lily abraçou mais forte.
— Mas não é nada demais, eu que sou uma boba, Lily…
O sinal soou novamente indicando que os alunos deveriam voltar para sala e Lily olhou com pena para amiga e deu um beijo em sua bochecha levantando e seguindo até sua sala. Luke a esperava no início do corredor e virou os olhos ao ver a figura dele parada esperando por Lily e resmungando alguma coisa que a chateou assim que ela se aproximou.
ficou mais alguns segundos ali esperando que os corredores ficassem vazios para poder ir até sua sala.

— O que vocês conversavam? — Luke encarava Lily que deu de ombros.
— Nada demais, assuntos da … Tenho que ir pra aula. — Lily sorriu, deu um selinho rápido em seu namorado e saiu depressa até sua sala. Luke deu meia volta e ficou observando de longe sentada sozinha. Ele sabia muito bem porque ela estava triste e não se importava com isso. Viu-a levantar e ir em direção ao corredor e ele se afastou do meio encostando-se na parede.
— Chorando pelos cantos sozinha, ? — Ela se assustou colocando a mão no peito, fingiu que não ouviu ao comentário e continuou andando com Luke em seu encalço.
— Vai ficar me perseguindo?
— Não sei por que você se preocupa tanto com ele.
continuou andando sem dar ouvidos.
— Sério, ele anda nem aí pra você, sai com outras garotas…
— Do que você ta falando, garoto? — Parou e virou para Luke que sorria sarcástico.
— Horas de quem mais seria? Do seu amorzinho platônico, claro! Mas eu juro que seu segredo vai ficar bem guardado. — Luke fez um X com os dedos sobre a boca e bufou de raiva fazendo seu caminho de volta até a sala. Ele permaneceu onde estava rindo sozinho por ter conseguido irritá-la mais uma vez.

As aulas durariam até o horário do almoço com duas horas de intervalo até a última aula da tarde. Os alunos tinham direito de ir almoçar em casa e depois voltar, mas muitos deles preferiam almoçar pelo colégio mesmo ou em alguma lanchonete ali perto.

— Final de semana ta bem ai, o que você ta pensando em fazer? — perguntou para Mike com os olhos cerrados por causa do sol. Havia poucos minutos que eles tinham saído da última aula da tarde e eles esperavam no pátio por Ashton.
— Nada ainda, me parece que meus pais vão viajar esse final de semana. — Michael disse colocando os óculos de sol. — Caso seja verdade, nos reunimos e fazemos algo lá em casa.
concordou e olhou mais uma vez em seu relógio, Ashton não demorava tanto assim para sair da sala e ela começou a estranhar.
— Vou mandar uma mensagem pra ele.
Mike observava a amiga digitando ao seu lado e assim que viu passando em direção a saída da escola ele lhe mandou um beijo recebendo um dedo nada educado de volta. mandou beijo para amiga que acenou de volta um pouco mais educada agora.
— É, acho que o Ash foi embora faz um tempo…
olhou para o celular e nada de resposta do amigo.
— Você teve aula com ele agora? — Mike negou com a cabeça e gritou por Luke assim que o viu passando.
— Eai cara. — Eles trocaram aperto de mão. — Você viu o Ashton por ai?
— Ele tinha aula de educação física comigo hoje, mas não apareceu. — Luke disse ignorando completamente a presença de e olhando fixamente para Mike.
— Valeu, mate.
virou os olhos assim que Luke virou as costas e Mike riu cutucando a amiga.
— Desde quando vocês são amigos? — Ela se virou para Mike com os braços cruzados sob o peito.
Mike continuou rindo, pois esperava aquela reação.
— Você devia dar uma chance a ele… — Mike se levantou e fez o mesmo pegando sua mochila. — Ele não é tão babaca quanto parece.
— Vamos embora logo que você já ta começando a defecar pela boca.
O amigo cerrou os olhos e mostrou dedo do meio para a amiga seguindo até seu carro.


Enquanto Ashton terminava de batucar algumas notas na bateria o professor o observava com atenção. Demorou mais alguns segundos e Ashton parou, segurando o prato do lado esquerdo.
— Nada mal. — Disse o professor e Ash olhou o relógio de pulso.
— Tenho que ir, semana que vem no mesmo horário?
O professor apenas concordou e Ashton colocou sua mochila no ombro saindo da velha garagem.
Ash sempre fora fascinado por bateria, desde quando seu pai lhe deu uma quando criança. Depois um pouco mais velho implorou a sua mãe por uma bateria de verdade e que ela lhe pagasse por aulas de bateria, violão e até de canto. Só que para ela, era totalmente uma perda de tempo, e mesmo Ash sendo um bom aluno e provando para ela que isso não influenciaria nos seus estudos, ela manteve sua posição. Ashton desistiu quando sua mãe começou a achar que fosse influencia de , que fosse por conta dela e Mike que ele tinha colocado essa ideia boba na cabeça. A partir disso Ashton decidiu que se ele queria uma coisa e mesmo que sua mãe não lhe apoiasse, ele iria se virar sozinho. De início juntava toda sua mesada para pagar as aulas semanais, mas um tempo depois passou a tocar aos sábados para uma banda em um bar no centro e quando não conseguia nem um nem outro ele emprestava dinheiro de Luke.

— Sabe onde Ashton se enfiou? — Mrs Irwin abriu a porta do quarto e abaixou o livro que estava sob seu peito deitada na cama.
— Não. — voltou a atenção para o livro.
— Fiquei sabendo que ele matou aula hoje! Onde foram?
Ela rolou os olhos colocando o livro sobre o criado mudo ao lado da cama e sentando-se nela. Ela respirou fundo e contou até dez para não ter que mandar a Mrs. Irwin a puta que pariu.
— Primeiramente, eu não matei aula, e se tivesse não seria problema seu.
A mãe de Ashton fechou a porta do quarto atrás de si e começou a ficar nervosa.
— E em segundo lugar, já disse que não sei onde Ashton está e muito menos sabia que ele tinha matado aula.
Mrs. Irwin se aproximou da cama de que recuou um pouco ainda sentada.
— Eu sei que você sabe onde ele ta e não quer me falar, mocinha. — Ela disse mais próxima da cama apontando o dedo para ela. — Mas, saiba que isso é pior pra você.
respirou fundo e ficou de pé ao lado da cama.
— Quem você pensa que é pra apontar o dedo na minha cara e… — Antes que ela terminasse de falar ambas ouviram a voz de Ashton lá fora chamando por ela.
Mrs. Irwin se virou rapidamente sem esperar que terminasse e saiu do quarto. Ashton chamava por , mas ela não moveu um músculo para ir até lá e ter que ficar vendo-o discutir com a mãe por sua causa, então ela fechou a porta do seu quarto e voltou a se concentrar no livro.

Ashton achou estranho quando sua mãe surgiu na sala saindo do corredor debaixo da escada que dava para o quarto de sua amiga.
— Não acredito — Ele disse, incrédulo, coçando a cabeça.
— Eu quem não acredito! Onde você estava?
Ele bufou e seguiu até o quarto de ignorando a mãe. Ela o parou no meio do caminho.
— Onde você pensa que vai? Estou falando com você!
— Você estava brigando com ela, não estava? — Ele parou em frente a mãe.
— Só fui perguntar onde você estava. — Ela o seguiu assim que ele passou por ela indo até ao quarto da amiga. — Mas não se preocupe, ela foi sua cúmplice e não me disse onde.
— Ela não falou por que não sabia onde eu estava. Dá pra parar de achar que tudo na minha vida é influência dela?!
Ash aumentou um pouco o tom de voz e teve certeza que ouviu lá dentro, pois ele já estava parado em frente a sua porta.
— E não é?
Ashton deu três soquinhos na porta chamando por . A mãe dele deu meia volta e saiu desistindo de discutir com ele. Ela demorou a abrir, pois ouvira parte da discussão que ela tentou evitar em vão.
Ela abriu a porta dando de cara com Ashton que tinha um sorriso no rosto embora parecesse cansado.
— Você ta legal?
— Yep.
Ela sorriu e então ele entrou em seu quarto fechando a porta.
— Eu odeio essas brigas com minha mãe, eu…
— Ash, tá tudo bem. — Parou em frente ao amigo e sorriu. — Onde você estava? Eu e Mike ficamos te esperando para vir embora e você nem pra deixar avisado que iria pra outro lugar… — Ela disse com um tom leve de decepção e Ash balançou a cabeça pois não surgia nenhuma desculpa para ter que fugir desse assunto. Não é que ele não confiasse nela, ele primeiro só queria ter certeza de que estaria fazendo a coisa certa antes de envolvê-la naquilo. Se sua mãe a julgava mesmo sem saber, imagine se ela soubesse.
— Eu não quero comentar sobre isso.
Ele disse simplesmente e abriu e fechou a boca para dizer algo. Intrigada, ela caminhou até sua cama e sentou nela. não gostava de ter segredos com ele e ele sabia disso. Ashton se aproximou e sentou na frente dela. apenas abaixou a cabeça encarando as próprias mãos.
— Tenta entender que eu não posso te contar ainda…
— Já disse que ta tudo bem, aliás, vai ficar…
Ashton pegou a mão dela e começou a fazer carinho.
— Só preciso me acostumar, você sabe. — Ela levantou o rosto para encará-lo.
— Não é nada demais, não fica pilhada à toa. — Ashton colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha e ela sorriu o abraçando.
— Você sabe que pode confiar em mim sempre, não sabe?
Ele concordou balançando a cabeça.
— Você sabe que eu te amo, não sabe? — Ele sorriu e ela se afastou para encará-lo novamente. Ashton também sorria e acariciava o rosto dela. Ele se aproximou depositando um selinho nos lábios dela e depois começou distribuir beijos pelo seu rosto. Ela sorria tímida enquanto Ash a beijava pelo rosto. Ele parou com um beijo no canto da boca de e ela mordeu o lábio inferior encarando-o. tomou a iniciativa de aproximar novamente suas bocas só que ao invés de um breve selinho, ela o beijou. Não era a primeira vez que eles se pegavam, e supriam a necessidade um do outro. Não que já tivesse rolado algo mais que pegação também, mas talvez fosse um passo muito avançado até mesmo para eles. Pois ambos nutriam sentimentos um pelo outro, mas sempre decidiram em ir com calma e manter isso privado.
Há dois anos, teve um namorado que estudava na mesma escola que eles. Seu namoro tinha sido o básico de qualquer primeiro namoro. Eles se gostavam, tinham as brigas rotineiras, Brandon era bacana e divertido, teve sua primeira transa com ele e todos esses clichês de um namoro legal, porém Brandon precisou se mudar de estado assim que seu pai foi promovido e a família precisou acompanhá-lo. Felizmente na mesma época o namoro que durou um ano e alguns meses já estava num estágio de acomodação fazendo com que e Brandon terminassem numa boa.
Ashton por sua vez também teve suas paqueras e seus relacionamentos no colégio, mas nunca namorou oficialmente. Ele e compartilhavam sempre de suas experiências em relacionamentos, opinavam e ajudavam um ao outro sempre que precisavam. Porém um dia isso mudou um pouco de figura quando ambos acabaram se pegando em uma festa no centro na cidade. Os dois haviam bebido um pouco. Era aniversário de dezesseis anos de e foi também quando ela bebera pela primeira vez. A comemoração tinha sido o de sempre com amigos mais próximos em algum lugar na cidade e quando os dois voltavam pra casa foi onde acabaram ficando pela primeira vez. No dia seguinte, agiram como se nada tivesse acontecido, mas não demorou muito surgir uma outra festa e acabarem ficando novamente. Foi se tornando uma situação cômoda, mas nenhum dos dois comentava nada um com outro, como se fosse um segredo individual e eles mantinham isso. Embora ambos tivessem criado um vínculo secreto, eles não deixavam de se envolver e relacionar com outras pessoas. Isso valia mais para parte de Ashton, já que de uns tempos pra cá, por mais que se relacionasse com qualquer outro garoto, nenhum a faria sentir como ela se sente com Ash.
se soltou de Ash assim que ouviu vozes na sala da casa e ele apenas se ajeitou respirando devagar na frente dela.
— É melhor eu subir pro meu quarto.
Ela apenas concordou e ele se pôs de pé.
— De qualquer forma, amanhã vamos juntos pra aula, certo? Boa noite.
Ele saiu do quarto assim que depositou um beijo na cabeça da amiga. E ela só queria que seu estômago parasse de ter sensações esquisitas naquele momento.


Capítulo 2




Ninguém frequentava o colégio nas sextas à tarde a não ser que fosse semana de prova. E por essa razão, queria enfiar uma faca no próprio pescoço por ter esquecido seu celular em algum lugar. Ela não se lembrava da ultima vez que havia usado o aparelho, se fora na sala de aula ou no refeitório. Porém, antes de ir até um desses lugares ela foi direto para a diretoria, talvez se alguém tivesse encontrado deixaria o celular lá. Assim que ela colocou os pés no corredor, pôde ver Luke saindo da diretoria rindo e despedindo-se da senhora Irwin que sorria e acenava para Luke que acabara de deixar sua sala. seguiu Luke com o olhar até o final do corredor achando aquela cena mais do que estranha e sentiu ânsia só de imaginar que Luke poderia ter algum tipo de relacionamento com a senhora Irwin. Então ela apenas balançou a cabeça tirando os pensamentos inoportunos de sua cabeça e seguiu até a diretoria em busca do seu aparelho.
— Boa tarde, Mrs Irwin. — Entrou na sala assim que deu algumas batidinhas na porta.
— Boa Tarde, em que posso ajudar?


O colarinho da camisa de Ashton começava a incomodá-lo, e ele não sabia se era a camisa que estava o sufocando por causa do clima quente ou se era por que ele estava desviando o caminho de casa mais uma vez para ir praticar suas aulas de bateria secretamente. Sydney havia amanhecido bem quente e tem sido assim o dia todo, e talvez sair por aí de camisa com mangas e calça comprida não era o recomendado para hoje. Ash ainda estava na estação de metrô esperando pela linha que ele pegaria e estava começando a se arrepender de não ter ido direto para casa. Sua mãe iria questioná-lo novamente e infernizaria mais ainda a vida de , mas mesmo assim ele sentia que estava fazendo algo certo, algo bom pra ele, algo independente e que ninguém o tomaria. Ele se perguntava muitas vezes por quê não era como seus amigos mauricinhos que gostavam de passar o final de tarde na casa de alguém ou o final de semana na praia. Na verdade, ele já tentou fazer todas essas coisas mas no fundo isso não lhe supria nada. Ele preferia sair com e conversar com ela a tarde toda, ou passar o dia na casa de Luke jogando videogame, e até mesmo ficar escrevendo bobagens com Calum e Michael dizendo ser futuras musicas. Ashton seguiu a pé da estação de destino até a casa do seu professor. Era um bairro totalmente diferente de onde Ash vivia. Os terrenos das casas eram menores e as casas eram mais simples e muitas delas eram umas grudadas nas outras formando uma espécie de vários sobrados. A casa de seu professor era a terceira da rua com um espaço na lateral e uma garagem um pouco extensa, porem a casa era pequena. Tinha um jardim a frente e logo depois começava outra casa.
— Mr. Crowe, você está ai? — Ash gritou pelo professor em frente a sua garagem, pois como não havia combinado que estaria ali hoje ele poderia não estar em casa.
Dois minutos depois um homem de aparentemente uns 45 anos abriu a porta da frente de sua casa vestido de uma roupa informal. — Entre Ash, não sei porquê... mas eu sabia que você viria hoje. — E com um sorriso de canto Ash se aproximou e entrou na garagem dando um aperto de mão no professor em seguida.


Calum estava sentado na escada principal do colégio esperando por Lily. Nesta manhã ele havia conversado com ela e pedido sua ajuda com a matéria de francês. Ela havia aceitado prontamente e iniciarião essa tarde, já que sexta-feira era o único dia da semana que não tinha aula no período da tarde. Havia alguns minutos que Calum estava ali e então começou a se perguntar se ela tinha se esquecido do combinado ou se Luke não tinha concordado com isso. Todo mundo sabia sobre o relacionamento de Luke e Lily, eles eram apaixonados um pelo outro só que Luke era estranho quando se tratava de Lily. Ele não gostava que ela se misturasse com a nossa galera, como se dividisse os dois mundos, o mundo cor de rosa dela e da galera do colégio. Pois Calum e seus amigos bem sabiam que não seguiam o padrão da Norwest Christian College. Na verdade Calum não via muito problema nisso, nunca esteve em um relacionamento de verdade para poder julgar e pensava que de repente, se fosse ele, talvez fizesse o mesmo, embora Luke exagerasse algumas vezes.
— Oi. — Calum olhou para o rosto simpático de Lily e respondeu em seguida.
— Olá! Há muito tempo está aqui? — Lily ajudou Calum a levantar erguendo a mão. — Me desculpa, eu não queria atrasar, mas a mãe do Luke fez uma sobremesa tão gostosa e acabamos conversando demais e…
— Não tem problema. — Cal sorriu sincero. — Pelo menos você está aqui.
Lily sorriu e concordou com um aceno de cabeça seguindo para dentro da colégio com Calum ao seu lado.


O pequeno parque próximo à casa de era pouco frequentado pela vizinhança e geralmente apenas algumas crianças brincavam por ali. Era um parque calmo e havia um pequeno lago à direita deixando o lugar um tanto harmonioso. adorava ir até lá ler, estudar, ouvir música, relaxar… Muitas dessas coisas ela não se importava de fazer em seu próprio quarto, mas algumas vezes gostava de alterar e ficar ao ar livre. Ou quando a Mrs Irwin estava de folga ou doente e passava o dia em casa. Ela usava o parque como uma forma de refúgio para não ter que trombar com ela de forma alguma. Com a cabeça apoiada na mochila, sua sapatilha jogada de lado e o fone de ouvido encaixado na orelha, estava deitada de olhos fechados dispersa em pensamentos neutros. Era uma das poucas coisas simples que via-se feliz em fazer. Apenas deitar e poder pensar em nada. Relaxar a mente como aquelas pessoas que fazem Yoga, só que para ela apenas uma música e um lugar calmo eram o suficiente. Ela aproveitava para pensar nas coisas boas que ela acreditava que a vida lhe fornecia e para refletir sobre as ruins. Ela se perguntava como Ashton poderia ser uma pessoa tão boa tendo uma mãe tão amarga e cruel. Ou como Luke que é um pé no saco e implicante pode ser amado por uma pessoa tão doce como Lily. Talvez fossem coisas que ela morreria sem entender, mas ela se sentia frustrada só de pensar o quanto isso parecia tão errado. sentiu o celular vibrar ao seu lado e olhou no visor para ver quem era. Ela riu assim que viu no celular uma foto dela e Mike fazendo caretas e em momentos como esse ela sabia que era sortuda por ter um bom amigo como ele.
— Fala, mané. — Se apoiou com um braço para poder ficar sentada.
— Onde você tá? hesitou um momento em responder, pois ela nunca comentou que frequentava o parque sozinha.
— Em casa. — Disse simplesmente e Mike gargalhou.
— Então a sua mãe mentiu pra mim? riu acompanhando o amigo e em seguida ouviu alguém dizer um ‘anda logo’ do outro lado.
— Quem esta com você?
— Você não respondeu minha pergunta.
— Larga de ser chato, Michael.
— Ei…
— O que?
— Não foi com você… Para porra, não é para dar play ainda. ficou sem entender e apenas riu.
— Quer vir aqui pra casa? Estamos jogando vídeo game.
— Que interessante… — Ela soou irônica e o amigo riu.
— Tem comida?
— Yeppp
— Então, tô colando ai…
— DUDE, EU VOU TE MATAR!
— Também te amo mate, bye. — Desligou o telefone antes que a discussão de Mike e quem é que fosse sobrasse para ela. Ela levantou, juntou suas coisas, calçou o sapato e foi caminhando até a casa do amigo, torcendo para que Mike não tivesse realmente matado ninguém ou coisa do tipo.

Enquanto Lily falava calmamente e indicava as partes importantes da apostila para Calum, ele apenas observava entediado não entendendo uma palavra do que ela dizia e não se esforçando nenhum pouco para isso. Assim que ela virou a página e em meio segundo deu uma olhada em Cal, percebeu que ele estava com o braço apoiado sob a mesa numa posição de tédio. Lily se pôs ereta pronta para uma bronca.
— Por favor, me diz que eu não perdi duas horas tentando te ensinar alguma coisa… Pois visivelmente você não entendeu nada! — Lily fechou a apostila em seguida e Calum pareceu ‘acordar’.
— Me desculpa, Lil… —
— Cal, se você não se esforçar não vai adiantar de nada eu ficar descrevendo o que tá escrito aqui. — Ela apontou para o livro e Cal abaixou a cabeça.
— Eu disse que você teria de ser paciente. Lily concordou com um aceno e começou a guardar seu material.
— Combinamos novamente quando você terminar este livro.
Ela tirou um livro de sua mochila e entregou para Cal.
— O pequeno príncipe?
— Você já leu?
— Nop.
— Então leia. E assim que terminar, marcamos um novo estudo… A professora sempre pede algo relacionado a esse livro nas provas.
— Sério? Não é livro de menina? — Calum fez uma careta ao analisar o livro e Lily rolou os olhos.
— É melhor levar os estudos mais a sério, Calum. Ele riu e guardou o livro na mochila. — Apenas leia, marque o que achar interessante e depois iremos discutir sobre, okay?
— Tudo bem, obrigado. Lily pegou suas coisas e seguiu até a saída do colégio. Calum foleou um pouco do livro e agradeceu por conter paginas com figuras.

Ao passar pelo jardim da casa de Mike, percebeu que não havia falado com Ashton hoje. Ultimamente Ash fazia planos que não incluíam mais ela e não esperava que isso fosse acontecer tão cedo, afinal eles eram melhores amigos acima de tudo. Ela tocou a campainha da casa de Mike e esperou pelo amigo. Tentou melhorar um pouco sua expressão para que o amigo não ficasse questionando. Mike também era um ótimo amigo e a conhecia tanto quanto Ash.
— Você.
— Eu — Luke sorriu assim que abriu a porta. deu um passo para trás certificando se estava na casa certa.
— Okay. O que você tá fazendo aqui? — Empurrou o braço de Luke que estava apoiado no batente da porta e entrou na casa de Mike.
— Acabando com seu amiguinho Michael no Guitar Hero. A sala estava um pouco bagunçada com alguns salgados jogados pelo sofá e dois controles de video game.
— Desde quando vocês são amigos, Mike? Michael mal subiu o zíper da calça ao sair do banheiro e pensou por dois segundos voltar para lá e não receber o olhar que a amiga lhe lançou.
— Acho que desde o começo do ano… — Mike respondeu sem graça e rolou os olhos.
— Certo, o que eu perdi? Porque pra mim até uns meses atrás vocês nem se falavam e…
— Blábláblá, magoas passadas… Você vai jogar também ou não? — Luke se jogou no sofá sorrindo e pegou o controle com player 01.
— Dessa vez sem trapacear, porra! — Mike pulou sob o sofá e sentou-se ao lado de Luke. ficou olhando aquela cena abismada. Até alguns dias (ou meses) atrás, ela ouvia Mike reclamar o quanto odiava Luke e que ele era um babaca. Talvez tenha razão, Mike é um retardado. Pensou .
— Okay, vou fingir que entendi tudo isso e vou lá na cozinha fazer algo para comer, tchau.


Sentado ao canto Mr. Crowe levantou aplaudindo Ashton assim que ele terminou mais uma música na bateria. Ash estava suado e já havia afrouxado a gravata em seu pescoço. Ele jogou o cabelo para trás e buscou por sua tiara dentro da mochila que estava no chão.
— Na minha época essa coisa ai na sua cabeça era coisa de menina. — O homem zombou e Ashton riu.
— Acho que nem existia isso na sua época, né? — Mr. Crowe fechou a cara e em seguida caiu na risada com Ash.
— Vai me contar porque veio sem avisar hoje? Por pouco não me pega em casa…
— Minha mãe tá enchendo minha cabeça! E você sabe, não posso tocar em casa…
— Acho que já está mais do que na hora de você impor suas vontades garoto. Ashton sentou próximo ao homem.
— E você acha que eu já não tentei? Ela não me escuta! — Ash estava cansado e de saco cheio de ter que fazer escondido o que amava.
— Vai por mim garoto… Tudo vai se resolver… Com o tempo. — Com o tempo. Ashton rolou os olhos, pouco acreditando que sua mãe realmente mudaria de opinião um dia e resolveu ir guardar suas coisas antes que alguém desse falta dele.

Enquanto procurava algo na geladeira do amigo, não conseguia parar de pensar no que estava acontecendo nesse momento. Luke Hemmings sentando ao lado de Michael enquanto jogavam vídeo game, como se fossem amigos há anos. Aquilo, para ela, era bem difícil de aceitar. não costumava ter problema com alguém nem mesmo com Luke. Mas ela só não suportava a presença dele, principalmente quando ele sempre decidia provocá-la. Ele sempre fora implicante com ela, e por algum motivo ela sabia que a razão pela qual ela e Lily haviam se afastado tinha a ver com ele.
Ela sentiu o celular vibrar no bolso da sua camisa de uniforme e atendeu o mesmo em seguida.
— Diga baranga.
— Boa tarde pra você também, darling. riu da amiga encontrando um sanduíche na geladeira.
— Eu nem almocei ainda.
— Tá explicado o humor maravilhoso…
— E ainda estou sendo obrigada a aturar o Luke aqui na casa do Mike.
— O QUE? afastou o celular da orelha.
— Porra, não grita!
— Espera, informação demais pra um dia só…
— Eu estar na casa do Mike ou o Luke?
— Não, eu sei que você praticamente mora com o Mike. — fez careta do outro lado da linha é riu sentindo o tom de sarcasmo na voz da amiga.
— Pois é, eles estão lá na sala jogando video game, acredita? — Sentou-se a mesa e abriu o sanduíche que estava enrolado num alumínio.
— Sim.
— Como assim, sim?
— Amiga, eu vi o Luke saindo da sala da Mrs Irwin hoje mais cedo.
— E dai?
— E dai que eles estavam rindo e pareciam amigos. Será que eles estão se pegando? começou a rir sozinha engasgando com o pedaço do sanduíche que havia mordido.
— Você tá brincando, né?
— Não!
— O Luke pegando a Mrs Irwin? voltou a rir dessa vez mais alto.
— Para de rir sua otária, é só uma suposição. — ria também.
— Que seja… Mas o que tem haver com o Luke tá aqui?
— Sei lá, talvez seja o dia de acontecer coisas estranhas. riu.
— Você é uma boba, amiga.
— Whatever, tenho que ir… Bye. desligou antes mesmo de se despedir então ela colocou o celular de lado e voltou a comer o sanduiche.
— Parece que você adora falar de mim, não?
Luke apareceu na cozinha abrindo a geladeira e pegando uma jarra com água fazendo com que levasse um pequeno susto. Ela fingiu que não ouviu e continuou comendo seu sanduiche.
— Então você acredita mesmo que eu tô pegando a mãe do seu affair? engasgou novamente, ela não esperava por essa.
— Como é que é? — Luke riu sentando ao lado dela.
— Oras, você não acha mesmo que eu pegaria a sua “sogrinha”, né? — Ele fez aspas com os dedos e levantou da cadeira.
— Okay, do que você tá falando garoto?
— Qual é, foi só uma brincadeirinha. Luke riu simpático dessa vez, mas só pareceu irritar ainda mais .
— E quem você acha que é pra fazer qualquer tipo de brincadeira comigo, ein? Você não me conhece! Ela amassou o papel alumínio que estava sob a mesa, jogou no lixo e saiu da cozinha em seguida.
Luke ficou sentando rindo sozinho e terminou seu copo d’água. Segundos depois ouviu bater a porta da frente e ouviu Michael xingar alguma coisa alto.
— Me desculpa de verdade cara, eu…
— Tudo bem Luke, sinceramente a tá difícil ultimamente. Luke sentou ao lado do amigo no sofá e deu uns tapinhas nas costas dele.
— Relaxa mate, deve ser TPM.
— Espero que sim. Mike sabia que não iria concordar com essa aproximação de Luke. Mas ele não pôde evitar o fato de que Luke tem sido um bom amigo e eles vinham compartilhando de muitas coisas boas juntos que nem ele mesmo esperava que fossem acabar assim. Em uma aula de literatura inglesa os dois precisaram formar dupla juntos, pois ambos haviam faltado no mesmo dia e a professora tinha colocado eles como dupla. Não podendo fazer muita coisa, pois precisava da nota, Michael foi até Luke para combinar de fazer o trabalho e a partir desse momento ele se surpreendeu. Assim que começaram a trabalhar juntos, descobriram coisas em comum e que Luke era um ótimo compositor. Tiraram uma nota boa na matéria e por mais que Mike tivesse a opção de nunca mais conversar com Luke, tudo se encaminhou ao contrário. Eles passaram a frequentar a casa um do outro, trocar Cds e até gravaram alguns covers juntos. Mike sabia que sua amiga só precisava de uma oportunidade para conhecer Luke melhor e tirar essa má impressão, mas ele também sabia que isso não seria nada fácil.
havia andado oito quadras e chegou em casa bufando de raiva. Talvez só assim para ela andar tudo isso ao invés de pegar um ônibus. Ela entrou pela cozinha como sempre fazia, pois quase nunca se sentia a vontade para entrar pela porta da frente. Jogou a mochila em um canto e pegou um copo para poder beber água. Céus, desde quando não ficava tão eufórica assim? Ela estava chateada, mas no fundo consigo mesmo. Por ter saído da casa do amigo daquela maneira e exagerando um pouquinho só porquê Luke estava presente, afinal ele nunca tinha feito nada de mau a ela. Embora fosse orgulhosa o bastante para ligar e se desculpar, ela ligaria amanha para Mike e acertaria as coisas entre eles.
— Ainda de uniforme? — Ashton apareceu na cozinha com uma calça moletom e regata.
— É, acabei de chegar. — Sorriu e pegou a mochila do chão.
— Onde esteve? — Ash se aproximou da amiga. — Você tá legal?
— Tive um pequeno desentendimento com Mike, mas nada demais. Ash a olhou com os olhos cerrados, esperando que a amiga lhe fornecesse mais alguma informação, mas foi em vão. sentia falta de Ash nesses últimos dias, mas alguma coisa dentro dela dizia que dessa vez deveria ficar na sua e esperar que ele fosse falar com ela. E por mais que ele tentasse esconder, ela sabia que algo estava acontecendo e já que ele não podia dizer pra ela agora, então ela esperaria.
— Vou pro meu quarto, boa noite Ash.
Ashton deu um beijo na testa da amiga e a viu deixar a cozinha e seguir até seu quarto.

Ashton acordou mais cedo que o normal em um sábado e desceu direto para a cozinha para se alimentar. Era raro os dias no quais a casa ficava vazia e ele estranhou que estava tudo tão quieto, sendo que os finais de semana sempre eram barulhentos por ali. Ele tirou algumas frutas da geladeira, uma jarra de leite e manteiga, colocou tudo sob a mesa e preparou seu café da manha. Ficou alguns minutos em silêncio e completamente sozinho. Se questionou mentalmente onde estaria sua mãe, mas no fundo preferia nem saber. Ainda sozinho continuou tomando seu café e estava começando a se sentir estranho por ficar em casa sozinho. Ash foi até o quarto de , bateu na porta algumas vezes, mas ninguém respondeu. Ele girou a maçaneta e a abriu a porta do quarto dela. Ela nunca trancava. estava de bruços e respirava calmamente. Então, Ash se aproximou e sentou na beira da cama. Ele ficou um tempo observando a amiga e riu baixo ao pensar no quão teimosa ela era. Ele foi se aproximando e deitou ao lado dela, e ela pareceu nem notar. Ashton ficou cutucando as costas da amiga na tentativa de acordá-la, ela se mexeu desconfortável mas não acordou.
— Ei, acorda.
Ashton cutucou-a mais uma vez tentando acordá-la.
— Acorda, ! — Ash sacudiu a amiga e em seguida ela apenas abriu um olho.
— Eu já acordei desde a primeira vez que você me cutucou, cretino.
Ela deu um leve empurrãozinho nele que riu sem graça.
— Cara, não faça mais isso!
— Não faça mais isso você! Me acordando ás… — ela olhou para o relógio no criado-mudo. — 9 horas da manhã em um sábado, Ashton Irwin? cerrou os olhos e novamente o empurrou.
— Eu sei, acordei cedo hoje. Ela bufou e puxou o edredom cobrindo a cabeça. — Para de ser chata, vai… Levanta, está um dia lindo lá fora. Ashton tentava puxar o edredom da amiga em vão.
— Me deixa em paz.


— Dia lindo, uh? — Disse irônica ao olhar pela janela da cozinha e ver um céu nublado.
— Não posso gostar de dias chuvosos? — Ele levantou uma sobrancelha questionando-a.
— Um gosto bem peculiar por sinal. Ela riu e Ashton fingiu achar graça. — Sempre soube que você era meio “dark”… Ela fez aspas com os dedos e Ash rolou os olhos.
— Eu amo Green Day, eu sou punk! caiu na gargalhada até se engasgando com oque comia fazendo Ash rir alto.
— Obrigada por ter me acordado cedo. Eu realmente precisava dessas risadas. Ele sorriu e fez carinho no braço da amiga.
— Oi bipolaridade. — Ela lhe mostrou o dedo do meio e ele riu.
— Falando em bipolaridade… Onde está sua mãe?
— Você quer mesmo saber?
— Claro, vai que ela foi contratar alguém pra me torturar… Oh não, ela mesma já faz isso. deu um sorriso falso e Ashton riu. Ele aproveitou que estava próximo da amiga e abraçou de lado.
— Ela tem seu lado bom, acredite.
— Sorry, mas ainda não descobri qual. Ela respondeu séria, tomando um gole de suco em seguida.
— Eu, talvez. Ashton sorriu maroto fazendo com que a amiga sorrisse. Ela o abraçou jogando os braços em volta do pescoço do amigo e ele a abraçou pela cintura.
— Você é sem dúvidas a melhor coisa que sua mãe pode ter feito Ash. Ela olhou nos olhos do amigo ao dizer isso e antes que Ashton depositasse um selinho nos lábios dela, seu celular vibrou em cima da mesa chamando sua atenção.

— Feliz Aniversário, Mate!
— Obrigado, dude! — Luke bocejou e abraçou o travesseiro.
— Como se sente ao fazer 16 anos?
— Como assim, Calum?
— Uai, você tá ficando mais velho cara… Luke riu e se perguntou se Calum fazia essas coisas de proposito.
— Tô fazendo 16 anos e não 30, dude. Calum rolou os olhos do outro lado da linha.
— Já sabe onde vai comemorar hoje?
— Nope.
— Vai me convidar?
— Nope.
— WHAT?
— Calum, você acordou cedo só pra me perturbar?

já havia arrumado a mesa quando Ash voltou para a cozinha depois de falar com Michael no celular. Ela sorriu assim que ele entrou no cômodo e ele sentou a mesa novamente.
— Michael disse que vai dar uma festa hoje e que é pra irmos. — Apenas concordou com um aceno de cabeça.
— Você vai, né?
— Não sei…
, qual é… Mike adoraria que você fosse, tenho certeza! — Ela riu sem vontade.
— Então por quê ele mesmo não me convidou?
— Talvez por quê você saiu brava da casa dele ontem? — Ela rolou os olhos e caminhou saindo da cozinha seguindo até seu quarto.
— Poxa, o que ta acontecendo com você?
— Comigo? — Ela parou e virou na direção de Ash com os olhos cheios de lágrimas, porém se esforçou para que nenhuma delas caíssem.
— Eu não sei se percebeu Ash, mas você vive fazendo coisas as escondidas ultimamente e Mike arranjou um novo amigo agora. E você me pergunta o que tá acontecendo comigo? — Os dois ficaram em silêncio e ela continuou seu caminho até o quarto deixando Ashton sozinho.




Continua...



Nota da autora: Hello, pessoal. Td bem?? Este ano finalmente estou empolgada com a fic e prometo que vem muita coisa legal por ai!! Se quiserem me xingar, bater papo ou discutir sobre bandas, é só me seguir no twitter @colorful_jess. Beijos e espero que gostem desse capitulo!!



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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