Contador:

Finalizada em: 01/12/2019

Capítulo Único

estava sentada no camarote aguardando o segundo tempo do jogo começar. A torcida rubro-negra entoava o estádio com os gritos encantadores. O Flamengo estava perdendo de 1x0 para o time argentino na Libertadores. 
Pouco tempo depois que a segunda etapa começou, o River Plate diminuiu o ataque e o centroavante paulista aproveitou a brecha. 
corria velozmente entre os defensores junto de Bruno Henrique. Antes que pudessem fazer qualquer movimento ofensivo, o zagueiro argentino deu um pisão no pé que, devido ao impacto, as travas da chuteira arrastaram pela canela do jogador e aquilo fez com que desse um pulo em sua cadeira. Agarrada no vidro do camarote, a brasileira ansiava para o momento no qual seu namorado ia levantar e ia exigir que o juiz aplicasse o bom e velho cartão vermelho. A assistência médica rapidamente adentrou o campo e sentia seu corpo tremular por inteiro. 
– Vamos, . Por favor. – a química pediu. 
levantou-se e o jogo continuou. Aos 89 minutos, lançou a bola para o fundo do gol. O calor subiu pelo corpo de e cada vez ela se sentia mais elétrica. Foram dados mais quatro minutos de acréscimo e, aos 92 minutos, consumava o título da Libertadores para o time carioca.
sentiu um líquido escorrer pela perna e tudo a sua volta ficou turvo. Ótimo, a felicidade a fez fazer xixi nas calças. 

*

podia ouvir pessoas ao seu redor falando, mas não conseguia decifrar o que falavam. Ela tinha consciência que era espanhol, mas ela não tinha força nenhuma para prestar atenção no que era dito. 
Algumas horas depois, a química acordou e pode ver cochilando ao seu lado na poltrona de acompanhante do hospital. Aliás, o que ela fazia no hospital? 
? – ela o chamou. Num pulo, levantou-se e se aproximou da cama. 
, meu Deus! Que susto que você me deu. – o jogador apertou a mão da mulher. – Por que você não me contou?
– Te contar o quê? – ela ficou confusa. 
– Que estava grávida, . – ele disse cabisbaixo. – Se eu soubesse, eu jamais teria deixado você ir comigo para o jogo, amor. 
– Eu estava o quê? – ela perguntou num tom esganiçado. 
– Grávida. – ele engoliu em seco. – Quatro semanas… Mas aparentemente o nervosismo fez sua pressão subir e você teve um aborto espontâneo. 
, eu… – a mulher ia dizer algo mas o bolo em sua garganta a impediu. queria sumir. Seu sonho era ser mãe, mas… Como ela não sabia que estava grávida? Eles dizem que há mudanças no corpo feminino, mas ela falhou com a única coisa que deveria saber. – Desculpa, eu não sabia. 
, tá tudo bem. Eu preciso que você se recupere para gente ir para casa. – ele pediu. – Eu te amo e estarei com você em todos os momentos. 
– Não tá! Eu não percebi, e-... 
– E nada. – ele a interrompeu. – A gente tem muito tempo para tentar ainda, mas eu preciso que você esteja bem. 
secou as lágrimas e engoliu o choro. Ela só queria voltar para casa. 

*

Quando ambos estavam no Rio de Janeiro, conseguiu ser dispensado dos jogos do Flamengo até o fim do Brasileirão para dar total apoio à
– Amor, você precisa comer. – ele disse pela milésima vez apenas naquela hora. 
– Passo. Eu comi no café da manhã. 
, você precisa comer. – ele acariciou o rosto abatido da namorada. – Eu sei que você tá mal. Mas você precisa sobreviver. Eu preciso de você e nossos futuros filhos precisam de você também. 
– Se eu for capaz de segurar eles, não? – ela debochou e as lágrimas gordas surgiram nos olhos da mulher. 
– Amor. Entende que isso não foi culpa sua. – ele repetiu. – Isso é culpa do estresse. 
– Eu sempre quis ser mãe. – ela começou. – Eu sempre quis acompanhar o crescimento da barriga, usar roupas iguais e fazer aqueles ensaios fotográficos. Eu sempre disse que o tema seria Harry Potter ou Flamengo, mas eu não posso ter isso. Eu perdi minha chance e meu corpo não serve para gerar alguém. Eu não sirvo para missão que eu mais queria executar. 
Antes que pudesse respondê-la, a campainha tocou. Ele sabia que era Carolina porque a havia chamado para que o ajudasse com a namorada. 
– Carol… – ele disse com o tom preocupado. 
… Eu sinto muito. – Carol sussurrou. – Onde ela está? 
– Deitada no sofá da varanda com a Capitu. 
– Você me deixa sozinha com ela um pouquinho? – a médica pediu e o jogador afirmou com a cabeça. 
Carolina foi até a varanda da cobertura de e deitou-se ao lado da melhor amiga. 
– Quando a gente tinha 19 anos e estava no primeiro ano da faculdade, eu perdi minha avó, lembra? – a melhor amiga iniciou o assunto. – Você sabe que eu sempre a tratei como minha filha e é por causa dela que eu faço medicina. 
– Carol… – a médica ouviu a voz chorosa de , mas continuou. 
, eu sei que tá difícil. Você sempre quis ser mãe, você sempre quis gerar um serzinho dentro dessa sua barriguinha de dar inveja. – Carolina brincou. – Mas a vida é assim, sabe? A gente perde coisas muito valiosas e elas vêm como aprendizado. Não aguentar o feto significa que seu corpo estava numa condição superestressante, sabe? 
afirmou com a cabeça e secou as lágrimas. 
– Você sabia que se você não tivesse nutrientes o suficiente ele poderia nascer com alguma deficiência? – Carolina a indagou. – Não digo doenças como síndrome de down ou coisa do tipo, digo doenças hipersérias que impossibilitam o bem estar da criança. Você ia querer isso para uma pessoa que você tanto ama? 
– Não. – foi tudo que conseguiu dizer. 
– Pensa bem, princesa. Eu sei que é triste, parece que o mundo acabou. Mas você tá tendo a chance de ficar bem para ser a mamãe mais saudável desse planeta. – Carol disse. – O maior gesto de amor que você pode fazer é se cuidar para gerar um bebê saudável. 
O page de Carolina tocou e ela teve que voltar ao hospital. A médica deixou a melhor amiga no sofá da cobertura e ali ficou até o anoitecer. Sem comer e sem se mexer. estava no sofá do lado, em silêncio respeitando o espaço de , mas ainda assim ali. Ele havia trazido um cobertor fino para a mulher devido ao vento que aumentara na última hora. 
– Você quer comer algo? – ele perguntou. – Pode ser qualquer coisa. Eu juro que dou meu jeito de comprar ou fazer. 
– Tô sem fome. – ela disse baixo. – Vem cá. 
sentou-se ao lado de e ela deitou a cabeça em seu colo. O jogador não precisava de mais nada para liberar a emoção que estava guardada do que chorando em seu colo. Ele levantou o tronco da mulher que rapidamente o abraçou, fazendo com que ele liberasse todo peso que sentia nesses cinco dias mal tendo contato com a namorada.
– Me desculpa não saber o que fazer. – ele confessou. – Eu fiquei tão perdido, . Eu nem liguei de ganhar uma Libertadores depois de receber o recado que você estava na ambulância. 
– Eu fiquei tão nervosa. Quando eu vi você sendo expulso porque fez o gol do título meu corpo se tremeu por inteiro. – ela respondeu. – Eu fiquei com o coração na mão. Eu vi que você estava me procurando. 
– Eu sempre vou estar procurando por você. – ele sorriu fraco. 
– Eu amo você. – soltou tranquilamente. – Eu sempre vou amar você.
– Até que a serotonina nos separe, . – sorriu e olhou nos olhos.
Aires era o amor de sua vida. Tudo que ele precisava estava ali, reunido numa só pessoa. A química se aproximou do jogador e o beijou calmamente. Aquele era o beijo cheio de amor que ambos tinham para distribuir. puxou a mulher para seu colo e colou cada vez mais os corpos dos dois, quase unindo-os. 
agarrou a bunda de com uma das mãos e a outra puxou seu cabelo de leve. O centroavante se levantou e dirigiu-se até o sofá da sala. estava ofegante porque não queria acabar com o beijo que ela tanto gostava. mexeu na barra da blusa da mulher que rapidamente entendeu o recado, tirando-a, ficando despida na parte de cima e ele tirou a bermuda, a única coisa que vestia. O jogador se posicionou entre seus seios e ela respirou fundo quando ele abocanhou e chupou seu mamilo. A química se contorcia com o carinho quente que recebia e quando ele passou para o outro seio, arfou agoniada, arqueando suas costas. Ela estava entregue ao prazer, assim como ele. A mulher se arrepiou ao sentir a boca daquele homem começar a descer por sua barriga. 
Assim que desceu o suficiente, ele passou a mão por cima da intimidade de e só com o seu toque, a mulher gemeu. Sentindo uma satisfação enorme, desviou os dedos pela calcinha e enfiou apenas a ponta do dedo do meio. arqueou a coluna em resposta ao ato do jogador que rapidamente abaixou suas calças e apoiou suas pernas sobre seus ombros. 
– Você vai me matar ainda. – ele a encarou com os olhos cheios de volúpia. 
aproximou seu rosto ao meio das pernas da mulher e começou com toques provocativos contra sua intimidade supersensível. As mãos de fincaram em suas costas enquanto circundava seu clítoris com a ponta da língua e começava a brincar. 
… – gemeu baixo. Ele conhecia seu corpo como ninguém e ela adorava aquilo. Nenhum homem a fazia gozar como ele fazia. remexeu os quadris em direção às sucções do centroavante. Os movimentos de sua língua deixavam com uma vontade enorme de gozar, mas ele nunca chegava lá apenas por provocação. 
– Por favor. – ela pediu e ele riu contra sua intimidade. 
estava disposto a dar a sua mulher o melhor oral que ela já recebera. Ele a torturou até que seu corpo chegasse na beira do orgasmo e rapidamente diminuía seus movimentos. O centroavante demonstrou sinais de fraqueza quando gemeu seu nome e puxou seu cabelo. Assim que ele percebeu que ela não aguentaria mais, abriu caminho para dentro dela com estocadas bem calmas que a fizeram delirar. 
Antes que precisasse implorar, aumentou o ritmo até que ela chegasse ao seu clímax com suavidade. A mulher soltou um grito esganiçado enquanto seu corpo relaxou. O jogador aumentou as estocadas e a fez gozar de novo e de novo, até ele finalmente gozar e deixar escapar um gemido. 
… – disse rouco e entrelaçou os dedos dos dois. – Eu amo você. 
Ofegante, beijou seu pescoço. – Eu também te amo. 

*

Três semanas depois, com os pés no Natal, os dois estavam em São Paulo com toda família reunida. Depois do aborto espontâneo de , a família dos dois deixou o assunto de netos e sobrinhos de lado. 
– Será que a sua irmã vai gostar do meu presente? – tagarelava no carro. 
– Eu quero saber do meu presente! – resmungou. – Você sempre me conta meus presentes… Queria saber qual é o desse Natal. Porque se o meu não chegar aos pés do seu eu vou ter passar vergonha. 
– Você ainda não se tocou que meu maior presente é você? – ela o questionou e deu uma risada sem graça. Ele poderia passar anos ao lado dela, mas sempre ficaria com vergonha todas as vezes que ela se declarasse para ele. 
– Você não cansa de ser o amor da minha vida mesmo… – ele comentou. Os pais de e Carolina estavam hospedados na casa dos enquanto o casal estava no apartamento do paulista. 
Quando chegaram, a família estava à espera dos dois. Às dez da noite eles cearam e conversavam animadamente no aguardo do Natal. 
– Falta um minuto! – Linda anunciou. – Vamos para varanda. 
Todos se dirigiram até a área externa da cobertura e Valdemir e Fellipe se prontificaram de abrir o espumante. 
– Dez, nove, oito, sete, seis, cinco… – eles faziam a contagem regressiva. – Quatro, três, dois, um… Feliz Natal! 
puxou pela cintura e a beijou. 
– Feliz Natal. Eu te amo. – eles riram ao perceber que falaram juntos. 
Todos se cumprimentaram e Carolina chamou todos animadamente para troca de presentes. 
– Eu tenho que começar! – a química disse animada. – Bom, eu tinha comprado presentes para todos, mas eu acabei descobrindo um muito mais legal. 
Carolina era a única que sabia da verdade, até porque ela quem descobriu. colocou as embalagens no colo de cada um e sentia seu corpo trêmulo. 
– Eu espero que vocês gostem. – ela sorriu e pediu que abrissem. 
rapidamente abriu o seu pacote e encarava a caixinha confuso. 
– O que tá acontecendo? – ele a questionou. 
– O que você ganhou? 
– Uma roupinha de bebê… do Flamengo. – disse com a voz abafada. 
– Filha? – Fellipe perguntou assustado. 
– Eu vou ser tia? – Dhiovanna perguntou assustada. – Meu Deus. 
Valdemir levantou-se e abraçou a nora que estava em lágrimas. 
– Que venha com muita saúde, minha filha. – o homem sorriu. – Vocês vão formar uma família muito linda. 
Linda, Dhiovanna, Beatriz e Fellipe abraçaram a mulher que estava emocionada com o carinho da família, enquanto encarava a roupinha. 
– Isso é verdade? – ele perguntou com lágrimas nos olhos. – Você não tá brincando? 
– Não, . – sua voz saiu trêmula e baixa. – É verdade. E eu prometo que vou cuidar da gente. 
, meu Deus… – ele segurou o rosto da mulher. – Você me faz o homem mais feliz do mundo todos os dias. 
puxou a namorada para um abraço e se debulhou em lágrimas. A realização de um sonho estava longe de acabar. 

*

– Eu não sei! – a mulher, grávida de nove meses, conversava com o namorado. – Eu gosto de Júlia, Laura, Miguel, Mateus, Mariana, Marina… 
– A gente pode ter um time de futebol, amor. Mas você só precisa escolher dois. – acariciou o rosto da mulher. 
– E se eu escolher um nome e a criança não ter cara do nome que recebeu? Já sei! – ela disse animada. – Arthur e Laura. 
… O combinado era sem futebol no meio. – ele riu. 
– Onde tem futebol? – ela se fez de desentendida. 
– Se deixar Arthur vai ter que deixar Marta. – ele riu. 
A conversa dos dois cessou e eles não decidiram nada. Na verdade, estava tão em êxtase que aceitava qualquer ideia que viesse da mulher. 
Os dois foram dormir e já estava no estágio de não conseguir dormir direito por conta do tamanho da barriga, então a dúvida sempre voltava: qual seria o nome da criança? Perdida em seus pensamentos, sentiu um líquido escorrer por suas pernas e riu de si mesma. 
– Amor? – ela chamou . – Ei,
– Oi! – ele acordou no susto. – O que houve? Tá passando mal? 
– A gente precisa decidir o nome. – ela afirmou. 
, a gente pode resolver isso amanhã? 
– Não. – ela foi sucinta. 
– Por quê? – ele coçou os olhos. 
– Porque ele ou ela quer nascer agora. – ela soltou uma gargalhada de nervoso. – A gente precisa ir para o hospital. 
levantou em piloto automático e ajudou a fazer tudo. A família dos dois já estava de sobreaviso, então todos estavam no Rio de Janeiro. 
Eu não tô sentindo dor, Carol. – a mulher dizia nervosa ao telefone. 
Não se preocupa. Nem todo mundo sente as contrações. – Carolina acalmou a melhor amiga. – Onde vocês estão? 
– Subindo o Alto. – a informou. 
O hospital São Francisco era enorme e podia ver sua fachada. dirigia rapidamente e ele não parava de perguntar para se ela estava bem. 
Assim que o carro dos dois parou na entrada, foi levada para o quarto que Carolina reservara. 
– Não tem mais o que dilatar. – ele os informou. – O bebê pode nascer a qualquer momento. 
– Ai, meu Deus. Ainda não tem nome. – disse nervosa. 
– Para de pensar nisso, amor. – chamou sua atenção. – Só coloca nosso filho no mundo,
O médico se prontificou no meio das pernas de e pediu para ela empurrar. 
– Mais forte, . – Carol pediu e o fez. Sem dor alguma, empurrou a criança para fora de seu útero e a reação de a assustou. 
– É uma menina. – Carol disse com lágrimas nos olhos. – É uma menina bem gordinha e saudável,
encarava a bebê como se aquele fosse o maior tesouro encontrado. A menina chorou e rapidamente se acalmou nos braços de que também chorava. Ele estava em êxtase. 
– Oi, princesinha. – afinou a voz. – É a mamãe aqui. Eu te amo muito. 
– Ei. – teve coragem de falar algo. O jogador colocou seu indicador perto da mão da criança, que rapidamente enrolou seus dedinhos ao redor do enorme dedo do jogador. – Eu prometo que vou tentar ser o melhor pai que eu puder ser. Prometo te levar a todos os jogos, a todas as festas, tudo! Ser o pai mais legal do mundo, minha filha. Eu só não prometo gostar dos seus namorados, deles eu não vou gostar. Mas eu prometo cuidar de você e da sua mãe com todo amor que eu tenho para dar. 
secava o rosto com a outra mão e encarou o jogador. – Qual vai ser? 
Bem-vinda ao mundo, Laura. 





Fim.



Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.




comments powered by Disqus