I Want You

Última atualização: 12/07/2018

Capítulo Único

E mais uma vez os dois amigos estavam reunidos naquele mesmo restaurante. Era a terceira vez naquela semana. null sempre chamava null para acompanhá-lo porque null era mais confiável e não tirava uma com a cara dele. Já null, esse com certeza infernizaria a vida de null se ele o levasse até o restaurante só para ver a garçonete. null era brincalhão e com certeza faria algo para que a garçonete percebe-se que null estava interessado na garota.
A garota se chamava null, é brasileira e se mudou para Alemanha há um ano. Conseguiu um emprego como garçonete em um restaurante. Restaurante qual null null, seu amor platônico, frequentava sempre. null evitava atendê-lo porque, segundo ela, seria um caos, ela iria tremer e derrubar o pedido dele no chão.
- null, não acha que deveria falar algo com a garota porque, assim, ficar olhando pra ela não vai fazer com que ela seja sua, entende? – Aconselhou null.
- O que você quer que eu fale? Oi, tudo bem? Venho aqui só para te ver, vamos sair qualquer dia? Sério mesmo, null, que você quer que eu fale algo para ela? - null riu do amigo que não sabia como chegar em uma garota.
- Também não precisa ser tão direto. Deveria trazer null aqui, ele saberia como fazer com que ela note que você gosta dela.
- Ficou maluco? Ele vai fazer um cartaz escrito: Garçonete dos cabelos cacheados, meu amigo te ama. Ou ele mesmo fala para ela na minha frente.
- Ia ser engraçado.
- null, me ajuda! Como você falou pra Luna que gostava dela?
- Luna, eu gosto de você. Simples assim.
- Aham, sei que foi assim tão simples! Sério, como falou?
null deu um gole de sua cerveja, pigarrou e disse.
- Ok, não foi fácil, mas chamei-a para sair e depois de conversarmos bastante, eu falei que gostava dela.
- Mas o seu caso foi mais fácil, o meu é difícil, ela nem sabe que existo, Luna sabia da sua existência e já gostava de você.
- Só que eu não sabia que ela gostava.
- O que vou fazer?
- Pensa rápido porque ela está vindo aí trazendo nossos pedidos.
- O quê?! – null ficou apavorado.
******************

null estava encostada no balcão esperando entregarem algum pedido.
- null, entrega isso na mesa 22. – Falou o chefe dela. null esticou um pouco o pescoço para ver quem iria receber os pedidos. Quando ela viu que era seu amor platônico entrou desespero. Não tinha jeito, ela tinha que entregar o pedido, as outras estavam ocupadas, ou seja, era ela ou ela. A menina foi entregar pedido tremendo dos pés a cabeça. As bandejas faziam barulho por causa do prato que ficava se movimentando para lado por causa da tremedeira da garota. Ela finalmente chegou à mesa 22 serviu os garotos sem ao menos olhar para eles, perguntou se eles queriam mais alguma coisa. Os dois pediram cerveja. Ela foi até o balcão e pediu para o barman duas cervejas. E lá foi ela novamente até a mesa 22 e, claro, tremendo e rezando para que cerveja não caísse da bandeja.
- Olha ela vindo aí de novo, null.
- E daí? Ela nem olha para mim.
- Você também nem olha direito pra ela.
null resolveu levantar na cadeira bem na hora que null chegava com a cerveja. Resultado? null esbarrou na bandeja fazendo com essa se virasse e caísse cerveja nele para o pavor da null que, com certeza, levaria uma baita bronca. Uma do seu chefe e outra do null.
- Desculpa, eu não vi que estava perto. Desculpa. – Pediu null.
- Eu que tenho que pedir desculpas, derrubei cerveja em você. Molhei toda sua roupa, desculpa.
- null! O que significa isso? –
Perguntou o chefe dela extremamente irritado.
- Senhor, não brigue com ela, a culpa foi minha. Ela não tem culpa de nada.
- Senhor, isso foi um ato extremamente desrespeitoso, pode ficar tranquilo que tomarei todas as providências. E fique tranquilo que já iremos trazer outra cerveja e essa é por cortesia da casa.
- Eu não me importo em pagar pelas cervejas. Só não quero que brigue com a garota, ela não teve culpa.
- É a gente não se importa, a culpa foi do meu amigo. – null disse tentando manter a paz no local.
O chefe se desculpou e saiu do local. A garota ainda permanecia no chão recolhendo os cacos de vidros e limpando o liquido que se esparramou pelo chão. null se agachou ficando perto da garota.
- Deixa que eu faço isso, você pode acabar cortando a mão.
- Não precisa, eu faço isso, é meu trabalho. – Disse ela chorando.
- Ei, não precisa chorar, a culpa foi minha. E você fica mais bonita sem chorar, sabia?
- Ah, para com isso!
- É serio!
- Com licença, preciso voltar ao meu trabalho. Mais uma vez, me desculpa.
null se levantou e encontrou o amigo em pé de braços cruzados, encarando-o.
- Que foi?
- “Você fica mais bonita sem chorar, sabia?” – null o imitou.
- Qual o problema?
- Ah, null. Isso é coisa que diz?! Era melhor ter ficado calado. Estava indo bem até parte em que quis ajudá-la. Mas depois ferrou tudo.
Depois de terem almoçado e pagado, os dois foram embora. Contaram ao null que caiu na gargalhada e queria porque queria ir ao restaurante para ver a garota. null acabou concordando porque null disse que seria bom, assim ele ajuda null a falar direito com a garota.
************

- Sou muito burra! Parabéns null, o papel de idiota vai para você por ter derrubado cerveja no cara que você gosta e que acha que eu fico mais bonita sem chorar. Como pude ser tão estupida? Por que derrubei cerveja justo nele?! - null se julgava pela atitude que ocorreu horas atrás.

Duas semanas depois...
null resolveu esperar duas semanas para voltar ao restaurante junto com null e null. Estava morrendo de medo que null aprontasse alguma, mas no fundo sabia que ele era a pessoa certa para ajudá-lo. Os três fizeram seus pedidos e ficaram conversando aguardando chegar à comida.
- Olha lá, null, é aquela que está vindo que null gosta. –Disse null.
- Aquela menina que está tremendo? Sério, a nossa comida vai cair no chão, olha como ela treme para segurar uma simples bandeja. Minha cerveja vai cair, o prato vai pular pra fora da bandeja. – Reclamou null.
- Ela está nervosa idiota. – null explicou.
- Cuidado como fala comigo, que faço todo mundo aqui saber que você gosta dela.
A moça trouxe o pedido, colocou os pratos e copo na mesa.
- Oi moça, hoje é aniversário do meu amigo, será que podiam trazer um bolinho? –Perguntou null.
- Vou ver o que posso fazer.
- Ei, dá uns parabéns pra ele. null adoraria ganhar parabéns de você. – Disse null. null fechou a cara, seu rosto ficou vermelho.
- Parabéns, null. – Falou sem graça. Ela detestou aquele rapaz naquele momento. null também.
-Obrigada, null... Quer dizer, moça. – Agradeceu null sem graça. null e null abaixaram a cabeça e começaram rir. A garota se afastou e voltou para cozinha.
- null, vou acabar com sua raça!
- Vai dizer que não gostou da null ter te dado parabéns? – null tirou sarro.
- “Obrigada, null. Digo, moça”. – null imitou o amigo.
- null, você é péssimo! – null riu ainda tirando sarro do amigo.
Depois do almoço, o garçom trouxe o bolo e amigos cantaram parabéns para o null. null ficou apoiada no balcão assistindo a cena e desejando estar ali comemorando com eles. E se perguntava por que ele a chamou de null. null despertou-se da imaginação quando viu null vindo em sua direção com pedaço de bolo.
- Oi, trouxe um pedaço de bolo para você. Obrigada pelos parabéns, por ter avisado ao seu chefe que era meu aniversário e assim ter ganhado um bolo de graça. – null falou tímido, queria sair correndo dali.
- Muito obrigada, não precisava se incomodar.
- Não é nenhum incômodo.
- Obrigada mais vez.
- De nada. Bom, até mais.
- Até. – null voltou para sua mesa.
null foi para os fundos comer o bolo, assim que terminou, viu um papel dentro de um saquinho plástico grudado no prato. Ela arrancou o saquinho, abriu e viu o papel, nele estava escrito:
"Ligue quando puder, null" null achou que aquilo era piada, achava que não era real, seu ídolo lhe entregar o próprio número de telefone e ainda pedir para ligar. Mais tarde, quando estava em casa, ela demorou a dormir, ficou várias e várias vezes pensando se ligava ou não. No fim acabou pegando no sono.
null esse não dormia, porque esperava a ligação da garota dos cabelos cacheados. null e null não aguentavam mais ele enchendo saco perguntando: "Por que ela não me ligou?"
- Calma, ela vai ligar, seja paciente. – Aconselhou null.
- Mas você é muito otimista, hein, senhor garanhão? null, ela não vai ligar hoje. – null disse tirando onda com null e com null.
- Falei que ela ia ligar hoje? Algum dia sim, mas hoje não. – null brincou.
- Chega vocês dois! – Gritou null. Os dois rapazes ficaram quietos. null ficou irritado com seus amigos que ao invés de ajudar ficaram zoando com a cara dele. Queria uma ajuda deles, queria que a garota fosse sua. Resolveu ir para seu quarto descansar.

Dois dias depois...
Fazia dois dias que null não via seu amor secreto, ficou com vergonha de aparecer no restaurante. Achou que estaria pressionando a garota a falar com ele. Mas, para sua sorte, hoje teu sonho se tornaria realidade.
null sentia falta do loiro, fazia dois dias que não o via. Achou que talvez fosse porque ela não ligou para ele. Será que se ela ligasse algo bom aconteceria? Talvez fosse algum sinal de que ela devesse ligar para, quem sabe, começar a sua tão sonhada história de amor com ele. Pegou seu celular, foi para fundos do local do seu trabalho e ligou para ele.
- Alô?
- null?
- Sim, quem é?
- Sou a garota que derrubou cerveja em você.
- null!null alterou a voz.
- Meu nome é null, mas gostei de null.
O silêncio permaneceu por alguns minutos, nenhum dos dois sabia o que dizer.
- Hoje tem jogo do , que tal sairmos amanhã ? Eu passo para te buscar.
- Claro que quero, espero que vença o jogo. Eu adoro .
- Sério?
- Sim, você é meu jogador favorito.
null deu um sorriso ao ouvir aquilo. Combinou de buscar a moça as oito da noite. null foi trabalhar mais feliz após a ligação e contava os minutos, segundos e horas para seu expediente acabar. No dia seguinte foi para casa correndo tomou banho se arrumou e esperou ele no local combinado. Quando null a viu, ficou de boca aberta. Ela usava vestido longo preto e salto não muito alto. Os cachos deram lugar a um cabelo liso feito com chapinha e nos lábios batom vermelho. Ele usava calça jeans azul escura, sapatos pretos, uma camisa de malha vermelha, e uma jaqueta de couro preta. null ficou parada olhando para ele, admirando sua beleza.
- Oi. – null a cumprimentou com beijo no rosto, deixou toda sua vergonha de lado.
- Oi. – Disse ela toda envergonhada.
- Você está linda!
- Obrigada, você está lindo. Desculpa. - Ele riu da timidez da garota. Ela amou ouvir a risada dele.
- Não precisa pedir desculpa. Vamos?
- Vamos.
Os dois saíram de mãos dadas, null a levou no restaurante mais chique da cidade, ele havia reservado uma mesa para os dois.
- Se eu soubesse que veríamos aqui teria me vestido mais chique.
- Você está chique! É garota mais linda nesse local.
- Muito obrigada.
Os dois sentaram-se à mesa, olharam o cardápio e pediram a mesma coisa. Quando null estendeu a mão para pegar a taça com vinho null tocou na mão dela. A garota rapidamente tirou a mão.
- Ok, vou falar o porquê eu te trouxe aqui. – Ele estava nervoso, não sabia por onde começar e como falar que a amava.
- Você parece nervoso, aconteceu algo?
- Sim, aconteceu. Faz um bom tempo.
- O que é? Pode contar para mim? É por minha culpa?
- Vou contar e é culpa sua sim.
- Minha? – Ela arregalou os olhos. – O que eu fiz null?
null ficou espantado ao ouvi-la chamar de null. Deixou a vergonha de lado e disse tudo de uma vez sem pausa.
- Eu amo você. Vou sempre aquele restaurante só para te ver. Aliás, você não volta mais lá, ok? Porque se aceitar ser minha garota, não vai precisar trabalhar, pelo menos não naquele lugar. Só a noite comigo, se é que me entende. – Ele deu uma piscadinha para ela. Meu! Que final de merda foi esse que falei? Assustei a menina, saco! Ela não vai me querer depois disso, null pensou.
- Uau! Eu não esperava por isso. – Ela ficou em silencio por alguns minutos, minutos que foram agoniantes para null. A garota queria pular de alegria naquele local cheio de gente chique, mas se conteve. E assim como ele resolveu dizer tudo sem pausa. – Sabe, null? Vou chamar você assim mesmo, porque é assim que te chamo nos meus sonhos. Eu também amo você. E sobre meu emprego, só não saí de lá ainda porque você frequenta, nunca te atendi porque ficava com vergonha, sabia que derrubaria algo em você e acabou acontecendo com a cerveja. Eu amo você e adoraria ser sua garota e trabalhar a noite toda com você. – Ela mordeu os lábios.
null achou que seu coração iria pular pra fora de seu peito pelo tamanho da felicidade que estava sentindo. Sua amada, sua garota, a mulher da sua vida, a garota que desejou ter tanto em seus braços sentia o mesmo que ele e quer passar o resto de sua vida ao seu lado. Quanto tempo havia desperdiçado? Um amando o outro em segredo com vergonha e medo de admitir seus sentimentos. Mas tudo isso acabou! Agora eles podem recuperar o tempo e construir uma vida a dois.
- Então, você também me ama e quer viver comigo para sempre?
- Eu sempre amei você, null, é o único homem que amei em toda minha vida! Sempre imaginei esse momento, mas no fundo sabia que nunca aconteceria, que nunca me notaria. Mas acho que estava errada, certo?
- Muito errada. – null saiu de sua cadeira e foi para perto de sua menina. Colocou suas mãos no rosto dela e a beijou. Nem se importava se alguém estava vendo e achasse ridículo ou falta de respeito. Era o momento deles, o momento que ambos esperaram loucamente. Os sonhos dos dois se tornaram real e agora poderiam viver para sempre essa realidade.





Fim



Nota da autora: Olá, espero que tenham gostado! Eu escrevi essa oneshot em 2015, e só agora tive coragem de postar no FFOBS. Caso queiram ler outra fanfic minha, tem uma chamada Back To You.

Outras Fanfics:
Back to You

Nota da beta: Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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