Journey

Última atualização: 21/02/2018

CAPÍTULO 01 - O INÍCIO DE TUDO

O silêncio no quarto era altamente irritante para aqueles que entrassem e possuíssem o dom de socializar sem um aparelho celular. As amigas mal se falavam, a atenção era dada exclusivamente para o objeto inteligente.
, não acredito que você colocou o no nosso grupo! — riu ao ver o que a outra garota havia feito em um grupo virtual onde as três se encontravam.
— Ah, vai que ele vê!
— É, vai que ele vê e processa a gente, não é? — , a outra garota que dividia o tapete felpudo com , tacou uma almofada nela.
Enquanto as duas conversavam, pensava em algo, já que um estava no grupo, por que não colocar o restante? Eles eram seus ídolos, nada poderia dar errado.
— Meninas... Resolvi colocar os outros dois também, olhem lá. — disse, vendo as caras de assustadas das amigas.
— Você fez isso mesmo? — emitiu uma risada afetada.
— Será que eles vão ver a gente?
— Imaginem? Seria ou não o nosso sonho? — começou a rir — Ah, mas acho que é melhor tirar, seria bizarro eles verem tudo isso!
— Ah, tira não! — fez um biquinho — Até parece real.
— Eu ainda não estou acreditando. Você colocou o nessa parada, velho, como assim? — desatou a rir compulsivamente.
— Ah, eu vou tirar! — deu de ombros e clicou no logo ao lado do nome do grupo delas, procurou uma, duas, três vezes, mas não conseguindo achar o lugar para excluir aquelas celebridades. Foi nesse momento que um arrepio nada animador percorreu sua espinha, fazendo-a arregalar os olhos, sentindo as batidas do seu coração se intensificar. — Oh-ou. — murmurou.
— O que houve? — perguntou e a acompanhou com o olhar.
— Não tem como tirar eles do grupo. — engoliu em seco, piscando sem parar os olhos.
— O QUÊ? — largou a almofada que estava em seu colo e se levantou correndo. — Está brincando, não está?
— Não, olhem lá. Podem tentar. Não tem como tirar eles!
— Meninas, acalmem-se. Quais as chances deles verem nossas mensagens? — queria parecer consciente, sem ao menos ter certeza daquilo.
— Eles nunca leem. Nunca! Só que e se agora, por conter tantas mensagens, eles lerem? Hum? — jogou a teoria, deixando as demais tão neuróticas quanto ela.
— Não sei mesmo o que pensar. Estou em choque. — esboçou uma cara de dor, comprimindo os lábios um ao outro.
— COLOCAMOS CELEBRIDADES EM UM GRUPO REPLETO DE SACANAGENS QUE GOSTARÍAMOS DE FAZER COM ELES! É o fim da minha carreira que nem ao menos começou.
, não precisa exagerar. Nós vamos encontrar um jeito, relaxem. — pediu .
— I-isso não pode estar acontecendo! Tem uma montagem minha beijando o na boca! — se exasperou, mexendo no celular. — Droga! E agora? Gente! GENTE!
— Caralho, isso é muito louco! — suspirou, encarando a tela do aparelho.
— Têm vídeos nossos aí! Fotos nossas! Imagens de vários outros atores! — ergueu o cabelo para cima — Tem um print meu dizendo que sentaria na cara do , EM INGLÊS!
— Ok. Nada de pânico! — se levantou também, passando a andar de um lado para o outro. — Isso deve acontecer sempre com eles, e eles jamais irão nos ver.
— O que a gente fez? — choramingou.
— MEU DEUS! Tem aquele conto erótico em inglês onde eu troquei o nome e sobrenome dos personagens para e . — seus pequenos olhos se esbugalharam — Ok... Estou sentindo algo estranho... Ar... Não tenho ar!
— Aquele grupo é a perdição das nossas vidas! Sem falar que eles podem nos processar. — já não sabia o que pensar naquela altura — Minha bombinha! Preciso de uma!
— Desde quando você tem asma, ? — questionou.
— Desde agora.

— Gente, o que vamos fazer!? — chacoalhou-se toda em um pulo. — Eu não quero que o amor da minha vida pense que sou fanática por ele e que o filmaria tomando banho sem problema algum. — ela roeu a unha.
— Amiga, você com certeza é fanática e o filmaria tomando banho. — disse a verdade e a própria concordou minutos depois.
— Precisamos pesquisar no Google! — correu para a mesa do computador, movendo seus dedos com agilidade sobre o teclado.
— Será que é necessário tanto pânico?
— Como você não está surtando com isso? Eles podem ver as fotos! — mordeu o lábio enquanto pesquisava com atenção — Meu Deus, não é possível que não tenha nada aqui!
— Vê no Youtube, amiga. — sugeriu.
— Isso é tempestade em copo de água… — revirou os olhos — Somos uma em um milhão, não existe nenhuma probabilidade do , ou ver. Hello, gente!
— Mas e se verem? — as duas olharam para a mais cética — Hein?
— Não vamos fazer nada além de pular feito gazelas e gritar. Só. — a mais nova se deitou sobre a cama novamente — Pode ser que dê errado, mas com certeza vamos ficar felizes por eles terem nos notado.
— Só que e as fotos? — não deixava de lembrar das fotos.
— As fotos… Bom, esse é o lado ruim.
— Na internet não fala nada de como apagar o grupo ou tirar a pessoa! — bufou frustrada — Só pode ser brincadeira.
— Nosso destino vai ser atrás das grades.
— Eles não vão perder o precioso tempo deles querendo nos colocar atrás das grades. Os três são famosos, ricos e ocupados! — persistiu na sua tese, convicta de que nada iria acontecer.
— Nada! Nada! NADA! — se irritou — Estou sentindo que vai dar merda.
— Amigas, não vai dar merda, confiem em mim. — piscou.


***

Uma semana depois, quando os ânimos já estavam normais e ninguém parecia querer fugir para outro continente, uma mensagem foi enviada para enquanto a mesma dormia tranquilamente com os seguintes dizeres em inglês:

“Ei, garota! Por que me colocou naquele grupo?”


Parece que a merda já havia acontecido.

O PROBLEMA

lia aquela mensagem várias vezes seguidas para poder ter certeza de que seu subconsciente não estava lhe pregando uma peça.
— O que houve? Viemos o mais rápido possível! — adentrou o quarto da amiga com em seu encalço.
— Por que está tão pálida? — pendeu a cabeça para o lado, estranhando.
— Eu… Eu… Meninas, vocês não vão acreditar no que aconteceu comigo. Bem, tecnicamente, com a gente, pois estamos nessa juntas. — fez um sinal abrangendo todas elas.
— Agora está começando a me assustar, . — colocou as mãos na cintura, franzindo o cenho desconfiada.
— Vão ter que sentar. As duas.
— É tão grave assim? — trocou de lugar com ela, sentando na cama ao lado de e observando o nervosismo dela.
Tecnicamente, mais ou menos.— franziu o nariz.
— Desembucha, ! — falou sem paciência.
— Lembram que a gente colocou os garotos naquele grupo nosso e vocês ficaram loucas com medo de alguma coisa acontecer, certo?
— Como esquecer? Sonho com isso todas as noites, e não, não é nada sexy quando a Interpol está na sua porta querendo te levar. — arfou.
— O mandou uma mensagem ontem para mim. — disparou, temendo que alguma de suas amigas caíssem duras no chão.
— Isso é muito, muito engraçado, , mas pode ir parando, não vamos cair nessa. — riu com descrença.
— Acha que estou mentindo? — colocou na mensagem e mostrou para as duas, pondo o aparelho bem perto de seus rostos.
— Cacete! — exclamou.
— Meu santo Deus! Isso… Isso é verdade? — não conseguia se mover — Oh. Meu. Deus. Oh meu Deus! — ela olhou para a amiga — COMO ISSO ACONTECEU?
— Acontecendo?
— Você disse que não daria em nada, prometeu para a gente. — choramingou. — Ele vai nos matar!
— Ele não vai nos matar, . — retorquiu.
— E não vai responder? — questionou.
— Sim! Porém não muda o fato de que continuo assustada!
— Tsc tsc tsc… Isso é o fim. Nosso fim vai ser esse, ouviram? Morreremos antes dos 30, mas de paranoia! — se jogou na cama da amiga e encarou o teto.
— O que faremos? — juntou as mãos sobre as pernas e se perdeu em algum ponto da parede cor salmão do quarto de .
— Responder ele. Temos que falar alguma coisa, não dá para ignorar. É do de quem estamos falando! O amor da sua vida, no caso. — disse referindo a amiga que permanecia deitada, sem dizer nada.
— Então responde! — ficou de pé e foi para perto de , incentivando-a. — Pelo amor de Deus, responde logo!
— Podemos, ? — e olharam juntas, torcendo pelo sim, mas conformadas se viesse um não.
— Respondam. — a mesma fez um sinal com a mão, não se importando.
— Oh meu Deus! Oh meu Deus! Isso! Vamos lá, fala com ele logo! — pulou e chacoalhou um pouquinho as mãos.
— Não era você que estava sonhando com a Interpol vindo te buscar na sua casa? — a encarou antes de começar a digitar a mensagem.
— Às vezes eu costumo ser um pouco bipolar, mas passa.
chacoalhou a cabeça e suspirou rapidamente, fazendo logo o que tinha de ser feito.

•••

Fazia mais de três horas que a mensagem havia sido apenas visualizada, e depois de alguns berros e chacoalhões, as três estavam cansadas de demonstrar emoção.
— Ele não vai nos responder. — estava deitada de barriga para baixo, com seu rosto escorado sobre as mãos.
— Péssima ideia. — bufou frustrada.
— Calma, gente… Temos tempo. — estava esperançosa.
Antes de alguém dizer mais alguma coisa, o celular de indicou uma mensagem vindo do Instagram.
— Oh, Deus. — ela se sentou em um pulo brusco, encarando a tela do seu aparelho — É o !
— QUEM? — tomou o celular das mãos dela — É O ! — continuou exclamando.
— Foi o que eu acabei de dizer. — fungou.
— Por que ele te mandaria algo? — questionou impaciente.
— Ãhn... Não sei? Eu não sei! Ele disse… Por que estou em um grupo desconhecido com um colega de trabalho, outro ator e vocês? leu e depois encarou suas amigas. — Eles são idiotas ou o quê? Não é óbvio demais que somos super a fim deles?
— É óbvio demais que todas as fãs sejam a fim deles. Dur! — pegou o telefone também e checou a mensagem, realmente era um perfil verificado. — É, é ele mesmo. — concluiu e fitou o rosto de . — Amiga!?
— Acho que ela está em choque. — ficou olhando também. — Enfim, me dá isso aí que eu vou responder, — se levantou — tenta acordar ela antes que morra! — pediu e correu para o banheiro, levando um olhar repreensível.
, amiga… , acorda! — chacoalhou-a um pouco. — Está tudo bem?
— Está. Eu só… Cadê a ?
— Respondendo ele.
— Ah sim, claro, ele. Certo.
— Está mesmo tudo bem?
A porta do banheiro se abriu e na) saiu de lá mais animada.
— O bonitão quis um diálogo comigo, mas acabei dizendo que eu tinha que socorrer minha amiga em estado catatônico por ter visto uma vaca.
— Uma vaca? — também ficou de pé.— Tantas opções e você disse logo uma vaca!? — forçou as mãos na cintura.
— Eu sinto muito. É do outro lado, foi tudo o que consegui pensar. — deu de ombros. — E ela ainda tá assim?
— Daqui a pouco passa… Eu espero.
E as três permaneceram no quarto, mexendo no celular, tentando pensar em algo e ainda no chão, sentada.

HORAS MAIS TARDE…

— Ok, precisamos ir para Los Angeles! — constatou, levantando seu dedo como se houvesse tido a melhor ideia do mundo.
Olha só quem acordou. deu um sorrisinho.
— Você diz isso como se fosse pegar as malas e ir para o aeroporto, não é? Mas não é bem assim que funciona, não no nosso mundo. — deu um banho de realidade em todas elas.
— Espera eu terminar, por favor? — pediu e as duas ficaram caladas — Sua avó não iria te dar aquele curso de culinária que você tanto queria? — perguntou para que assentiu. — Por que não fazê-lo em Los Angeles?
— Oh, sim! — bateu palmas, gostando da ideia e olhando com brilho nos olhos para a amiga sentada ao seu lado.
— Amiga, eu tenho um namorado aqui, esqueceu? — fez uma careta, lembrando-as daquele pequeno detalhe.
— Oh, não. — abaixou os ombros, decepcionada.
— Mas ele não pode impedir seu sonho, pode?
— Não… Mas ele é meu namorado. — suspirou pesado, passando a pensar sobre aquilo.
— Tenta conversar com ele, sei lá, inventa que é tudo o que quer! — juntou as mãos em forma de súplica.
— Você também tem o seu namorado, . — cruzou os braços enquanto fitava a morena.
— É, eu tenho.
— Ainda bem que estou solteira. — agradeceu internamente — Pensa nisso, por favor! A gente poderia ir junto!
— Não sei…
. É. Los. Angeles. — segurou o rosto dela — O namorado tem que deixar!
— Romperia com o seu para ir? — retorquiu.
só observava.
— Se eu romperia? — começou a rir — CLARO. — ficou séria de repente assim que respondeu.
— É o seu celular, ? — pegou o aparelho em cima da cômoda e levou até a outra.
— É sim. — a mesma juntou a sobrancelhas — O que é?
Instagram. — nem conseguia se exaltar mais, os dois baques tinham sido intensos o suficiente para um surto.
fez aquela típica cara do meme de Nazaré Tedesco, calculando.
— É o ! — disse junto de um gritinho esganiçado — Vê logo! — chacoalhou o ombro dela.
se juntou para ler junto.
— Vamos lá… — puxou todo o ar — “Olá, não conheço vocês e nem sei a razão pela qual estou respondendo, mas algo me diz que vocês são doidas!” É sério?
— Doidas!? Mas que cretino!
— Não fala assim dele, . — a olhou feio — Ele só está assustado.
— E a culpa é sua, porque quem colocou primeiro foi você! — falou a verdade.
— Meninas, sem briga, por favor, ok? — que estava entre as duas, pediu — Vamos falar com ele corretamente, pedir desculpas e, talvez, esquecer esse ocorrido, pode ser?
— Mas e Los Angeles? Prometeu que pensaria. — não esquecia as promessas.
— Eu vou pensar... Prometo. — engoliu seco, já absorvendo um possível término.


CAPÍTULO 02 - UM DESFECHO

tinha passado mais alguns dias pensando sobre o que havia sugerido, em ir para Los Angeles e fazer o curso de culinária lá, mas o que mais estava te perturbando era o fato de que seu namorado Richard, não lidaria muito bem com isso, portanto teria uma conversa séria com ele nesse exato momento.
Se o chão falasse, clamaria por socorro, de tantas idas e vindas que ela dava dentro do quarto.
— Amor, oi! — ele chegou sorrindo e caminhou até ela para dar-lhe um beijo… na bochecha. — O que foi? Por que não me beijou? — perguntou se afastando um pouco.
— Precisamos conversar. — contornou ele, indo para o outro lado.
— É, eu sei, por isso estou aqui.
— Senta. — apontou para a sua cama.
— É grave assim? — se sentou, mas continuava sem entender.
— É sobre o curso que a minha avó ofereceu para mim há alguns meses, lembra? — sentou ao lado dele, segurando uma de suas mãos.
— O de culinária?
— Sim. Esse mesmo. — ela puxou todo o ar — Estou pensando em aceitar.
— Sério? Que ótimo! É maravilhoso! — Richard ficou feliz pela namorada, mas ainda estranhava a feição dela — Aparento estar mais animado que você.
— Eu estou bem animada, vai por mim. Só que tem um probleminha. — mostrou ao juntar o polegar com o indicador.
— Fala logo, .
— Quero exercer ele em Los Angeles. — ela foi direta, não queria rodeios na altura do campeonato.
Richard não disse nada por alguns segundos até começar a rir.
— Isso só pode ser brincadeira, certo? Digo, você não iria para uma cidade em outro país para fazer um curso. Iria? — seu riso sumiu da face enquanto permanecia a encarando.
— Eu iria sim.
— O quê!? — Richard levantou abruptamente — Mas e eu? E nós? Nosso namoro de quase nove anos!?
— Eu esperava que você aceitasse de boa e me esperasse voltar, é só um ano. — deu de ombros.
— Um ano!? Você quer ficar um ano longe de mim!? — a altura de sua voz começou a ficar mais alta na medida que ele ia sabendo das coisas — Namorados não ficam um ano separados.
— Mas eu quero fazer algo bom da minha vida, Richard! Quero… quero me formar em algo, ter fluência em outra língua e aprender novas culturas! E ficando aqui não vai acontecer nada disso! — ela se levantou também — Você não ficaria feliz por mim?
— Eu fico feliz por você… aqui comigo. — apontou o dedo para si. — Não precisa fazer nada disso, eu trabalho para te dar de tudo!
— E se um dia você for embora? Como fico? Já pensou nisso ou me quer tanto contigo que só pensou em si mesmo!?
— Quer saber? Vou te dar um tempo para pensar e ver que essa ideia é maluca! — ele ia andando até a saída, dando as costas para ela.
— Já pensei em tudo, Richard. — disse, o fazendo parar de frente para a porta e de costas para ela — Se não quer me apoiar, ótimo! Minhas amigas me apoiam, mas também não podemos mais ficar juntos.
— Está rompendo comigo por causa de um curso idiota? — ele girou os calcanhares lentamente, incrédulo.
— Se para você é só um curso idiota, para mim, não. E alguém que não aceita minhas escolhas não merece minha companhia. — disparou dura, sem demonstrar fraqueza.
— Uau. Eu não estou te reconhecendo mais.
— Nem eu, e estou feliz com isso.
Richard apenas maneou a cabeça e saiu, deixando sua ex-namorada para trás.
vendo aquilo, tornou a sentar sobre seu colchão, sentindo as lágrimas chegarem como ondas.
O que mais doeu não foi o fato de terminarem, mas sim o fato de que alguém como ele, que estava há anos ao seu lado, não quisesse vê-la crescer profissionalmente.

O PLANO

— A te ligou? — perguntou enquanto jogava uma bolinha na parede.
— Não. Estou preocupada. — pegou o seu notebook e abriu, pretendendo mandar um e-mail para a amiga que não retornava as ligações.
, SUA AMIGA ESTÁ AQUI! — o aviso de sua mãe fez com que as duas ali saíssem correndo, deixando o que estivesse nas mãos em cima da cama, só para chegar mais rápido na sala.
— Amiga, onde estava? — elas se aproximaram.
— Vou preparar um lanche para vocês. — a mulher anunciou, deixando as meninas a sós.
— Eu não queria falar com ninguém, só precisava ficar sozinha. — respondeu seguindo as outras até o sofá.
— O que houve? — foi a vez de .
— Eu e o Richard terminamos.
arregalou os olhos, inconformada.
— Meu Deus, por quê!?
— Conversei com ele sobre Los Angeles e esperei que sua reação fosse diferente da que teve, então brigamos e eu escolhi viajar. — balançou os ombros sem ter mais o que fazer.
— Eu terminei com o meu namorado também. Nem expliquei o porquê, quando ele ver, já estou lá perto do letreiro de Hollywood. — comentou de uma forma extrovertida, conseguindo fazer rir.
— Você vai ficar bem? — segurou as mãos dela.
— Ah vou, com certeza.
— Qualquer coisa, estamos aqui, tudo bem? — a abraçou de lado — É por isso que somos a Best Fuckin Bitches!

•••

— Tia Marina, esse sanduíche está maravilhoso! Meu Deus! Adoro peito de peru! — falou de boca cheia.
— O peru em si você também gosta, vai! — provocou.
— Obrigada, . — agradeceu também rindo.
— Ô mãe! — chamou, mas antes bebeu seu suco — Ah. — colocou o copo em cima da mesa, satisfeita. — Lembra daquela viagem que eu queria fazer logo quando acabasse a faculdade?
— Sei.
— E lembra que juntei dinheiro o suficiente para isso?
e se entreolharam, reprimindo os risinhos.
— Sei. Fala logo o que está pensando, .
— Então… sabe o que é? A vai viajar por um ano e quer que a gente vá juntas. — explicou.
— Um ano onde?
— Los Angeles. — a própria respondeu.
— E onde é isso? Estados Unidos? — as três assentiram — E vai fazer o que lá?
— Beber… Feste… — antes que pudesse acabar, lançou um presunto na cara dela.
— Eu vou fazer um curso de culinária, e sozinha não teria graça, então resolvi chamar as meninas para irem comigo. — explicou.
— Vocês não namoram?
— Elas terminaram, mãe. Quantas perguntas, é só dizer sim ou não! — bufou.
— Fala direito comigo, hein? Não é porque tem 20 anos que vai falar como bem entender. — Marina a repreendeu. — Mas se quiser ir, vai. Você juntou seu dinheiro, tirou os documentos, vai ué. Só não volte com um neto, por favor.
— Mãe, só se o cara for bem gato, caso contrário ninguém verá a minha florzinha. — brincou, jogando o cabelo para trás.
— Nem a minha, tia. — disse também.
— Amiga, a sua já viram foi o jardim inteiro! — caiu na risada logo em seguida.
— Que calúnia! É mentira, tia, é mentira. — negou querendo rir junto.

HORAS DEPOIS…
— E a sua mãe, ? O que ela acha disso tudo? — estava passando esmalte nas unhas, já conformada com a sua nova vida de solteira.
— Ela aceitou de boa. — franziu o nariz em uma careta enquanto lia a magia da moda — Contanto que eu encontre um cara gato, está tudo bem.
— Ela não surtou por você ter terminado com o João? — mexia no seu notebook com tranquilidade agora.
— Até que não, pensei que seria pior. Só que é aquele ditado, vamos fazer o quê?
— Ao mesmo tempo que fico tranquila por não terminar com ninguém, também fico estranha por não ter ninguém ainda com quem terminar. — riu, mas de desespero.
— Isso nem faz sentido, amiga. — ressaltou .
— Você deve agradecer por não ter tido ninguém. Pode ir para os States de cabeça limpa e beijar todo mundo! — deu risada.
— Mas você vai beijar quase todo mundo. — semicerrou os olhos, juntando as pontas de seus cílios.
— É, vou sim. — afundou-se no puff contente consigo.
— Precisamos arrumar tudo direitinho, ver dia, data, tudo antes de me matricular. — esticou o braço, olhando melhor suas unhas — E um lugar para ficar.
— Você não tem um lugar para ficar? — arqueou uma sobrancelha.
— Eu não tinha nada planejado até… hoje. E dois dias atrás eu estava em um relacionamento e um pouco preocupada com o fato de que havia famosos no nosso grupo do Instagram. — seu olhar atravessado foi destinado para , que se escondeu atrás da revista de alta costura.
— Falando em famosos… Eu conversei mais um pouco com o . — limpou a garganta.
— Por quê?! — arregalou os olhos.
— Queria saber mais sobre Los Angeles, mas infelizmente ele estava viajando. — fez um bico torto de decepção — Ah, sem deixar de mencionar que falei de ti.
segurou o riso com a mão sobre a boca.
— Ah meu Deus, ! O quê?
— Falei de você amiga… Não tinha problema, tinha?
— Ficou louca!? — não sabia como reagir diante aquilo — Eu estava namorando!
— Estava. — revirou os olhos — Só comentei também, não marquei seu casamento com ele, fica calma. — ela fechou o notebook e o colocou no chão — E ele te achou bem bonita.
— Mostrou uma foto dela? — ficou boquiaberta.
— Mostrou uma foto minha? — os olhos dela conseguiram se arregalar ainda mais, se é que aquilo fosse possível de acontecer.
— Sim! Aquela onde você está um arraso de preto, sabe? Ele ficou interessado, eu acho. — emitiu uma espécie de risadinha.
— Definitivamente, você ficou maluca. — ela começou a se abanar com os dedos separados para não borrar. — Cara, isso não está acontecendo.
— Não nos falamos mais, fica calma. Pensei até que iria gostar.
— Eu… gostei. Mais ou menos, é que é estranho.
— É O , ! — se exasperou — Eu queria que o tivesse consciência de quem sou! Sortuda do cacete, você amiga! Ele sabe quem é você, glória!
— De nada. — deu uma piscadela.
— Mesmo que isso seja tentador e que a minha carne seja fraca em relação a ele e todo o pacote que vem junto dele… — fechou os olhos imaginando o pacote de fato — Temos que focar na viagem. Arrumar um lugar bom para ficar, bem limpo de preferência, sem ratos, baratas ou qualquer bichinho que rasteje! — tremeu os ombros como se sentisse os bichos correndo pelo seu corpo.
— Até porque a gente vai ir para uma prisão, certo? — fez piada.
— Engraçadinha.
— E aquele hotel na Hollywood Boulevard? — falou, sugerindo.
— Talvez quando eu ficar rica, . — a fitou, tentando fazê-la perceber o quão distante daquele lugar estavam-nas.
— Tem que ser uma pensão ou uma casa de família. É um ano. O nosso ano! — sorriu animada só de imaginar pisar na calçada da fama, nas feirinhas ao ar livre, no pier, nas praias.
— Acorda, ainda não estamos lá. — se colocou de pé.
— Você é tão estraga prazeres. — as duas fizeram careta uma para a outra.
— Já pararam para pensar em como estaremos daqui alguns anos? — começou a dizer depois de refletir por dez segundos.
— Deus queira que eu esteja linda e plena, em um uma cobertura de frente para a praia em Malibu, podendo talvez residir na Hollywood Boulevard. — suspirou imaginando tudo perfeitamente enquanto penteava seus cabelos.
— E eu cheirando a restaurante, com um daqueles chapéus de chef, pagando meus funcionários e nunca mais precisando comer comida instantânea. — também viajou.
— Eu falaria que você está louca em denegrir as comidas prontas, mas como é minha amiga, tenho certeza que vamos comer de graça no seu restaurante. — mostrou os dentes em um sorriso forçado e persuasivo.
— Contanto que eu apareça no tapete vermelho ao seu lado, o trato está feito. — estendeu a mão, esperando para que o trato fosse selado.
— Feito. — ambas riram e olharam para que continuava inerte em um mundo só dela — E você, ?
— Eu o quê?
— Onde e como quer estar daqui alguns anos? — a lembrou do assunto recente.
— Em Nova York. Desfilando e sendo a atração principal da NY Fashion Week. — olhou para cima, podendo ver o próprio céu estrelado da cidade. — Ah, e… tendo na primeira fila ao lado de vocês.
— É claro que ele estaria envolvido, não é sua danada? — balançou as sobrancelhas insinuando saliências, que tinha certeza que se passavam pela cabeça da amiga.
— Em todas as coisas ele estará.
— É estranho termos mais de 20 anos e ainda sim idolatrar atores famosos? — deixou aquilo no ar, fazendo suas amigas se autoquestionar também.
— Nós não… — girou o corpo para perto da janela e começou a limpar sua escova de cabelo, jogando os fios para o lado de fora — idolatramos! A gente só é um pouco fã deles. O que tem de mau nisso?
— Fale por você, porque eu ainda vou beijar aquela boquinha vermelha, desenhem! — ajeitou as madeixas para o lado, jogando a revista no chão.
— Além de quererem beijar bocas lá, o que mais pensam em fazer? Eu vou ter meu curso e bem, vocês precisam de uma distração.
, meu anjo, estaremos em Los Angeles. A cidade toda é uma belíssima distração, sabia? Sem deixar de mencionar que, eu vou tentar algo como atriz, sei lá. Um teste, quem sabe.
— Eu não sei o que fazer lá. Estou contando com a sorte. — dedilhou os dedos sobre a perna.
— Todas nós estamos. — falou o óbvio.

•••

Após procurarem muito pela internet um lugar para ficar, encontraram uma pensão que se localizava em um bom bairro, não tão longe do centro da cidade. Conversaram com a proprietária e combinaram certinho como seria, pois o quarto com as três camas só ficaria disponível dois dias após a chegada delas, portanto nesse tempo, as três dividiram as despesas em algum hotel.
— Estou tão animada que mal me aguento! — arriscou um passinho de dança no meio do shopping.
— Sossega, menina! — a puxou para mais perto — Olha, vamos ressaltar as coisas importantes… O voo sai dia doze, às dez horas da manhã, correto? — as duas ao lado assentiram — O curso da começa exatamente no dia em que iremos para a pensão, correto? — novamente, assentiram — Passagens. Passaportes. Dinheiro extra e dinheiro no banco?
— Relaxa, ansiosa. Temos o suficiente. — acalmou a amiga — Ah, sem falar que iremos poder trabalhar nesse período. — as lembrou — Vocês têm diplomas, não esqueçam de levá-los.
— Com toda essa pressão até tinha me esquecido que fiz faculdade. — riu — É bem estranho se for parar para pensar.
— Ainda bem que me lembrou, eu também estava esquecendo desse detalhe. — disse e virou um super gole de refrigerante.
— Olha ali aquele macacãozinho! — apontou para a loja, dispersando qualquer assunto.
— Nem pensar, já comprou roupa demais! — a cortou — E nem sei o porquê. Lá provavelmente nós todas iremos comprar coisas novas.
— Eu só comprei duas peças, enquanto a bonita aqui fez a festa em mais de sete lojas. — olhou para as suas sacolinhas e as comparou com a da amiga.
— Eu não vou levar tudo isso, é para quando voltar. Se eu voltar, né. — deu uma risadinha.
— Credo, , não fala assim. Bate na madeira, mulher. — fez a típica careta de desgosto.
— Nossa, vocês que pensam besteira, falei no caso de arrumar alguém ou querer ficar morando por lá. Misericórdia.
— Enganos a parte, precisamos continuar mantendo tudo organizado e enumerado, para nada faltar, é claro. Seria uma tremenda dor de cabeça se esquecemos algo importante. — respirou fundo.
— Fica calma, vai dar tudo certo. — colocou a mão no ombro dela.

•••

— Onde foi que coloquei meu passaporte? — se questionava enquanto revirava suas coisas.
— Vai dar tudo errado! — se sentou sobre o colchão de , encarando o nada.
— Nada vai dar errado, sossega. Já estamos todas prontas, malas feitas, dinheiro onde tem que estar e… voilá.
— Como consegue ser tão centrada? — perguntou, finalmente achando seu passaporte e o guardando na bolsa.
— Também não sei.
— Você fez sua matrícula? — deu um pulo.
— Sim, eu fiz, relaxa. — a fez se sentar novamente — Bom, agora é só esperar o dia clarear para podermos partir. — bateu palmas — Nem acredito!
— E o Richard? — ficou séria ao perguntar, ela perde a amiga, mas não morre curiosa.
— O que tem ele?
— Vocês conversaram mais?
— Não, ele só veio buscar as coisas dele há dois dias, mas nem sequer nos falamos. — perdeu o brilho rapidamente — Mas enfim, a vida não pode parar, certo?
— A menos que você decida isso. — completou .
— Eu estou certa da minha decisão. O azar é dele se ele não quis me apoiar. — ela fechou a mala e colocou no chão.
— Dá para acreditar? Nós estamos prestes a ir embora por um ano!
— É, nossa jornada está apenas começando… — sorriu só de imaginar.
As outras duas concordaram, sonhando alto do mesmo modo.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Quem dera eu ter essa sorte de um dos meus ídolos me notarem 🤣 #chateada.

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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