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Última atualização: 01/03/2020

Capítulo Único

Checava o relógio no pulso de minuto em minuto, revezando com os goles de café que dava vez ou outra enquanto juntava tudo o que precisaria no decorrer do dia inteiro. Era muita coisa pra lembrar e precisaria ignorar a vozinha na minha cabeça que me alertava sobre estar esquecendo alguma coisa, porque ou eu saía agora ou eu não conseguiria pegar nem mesmo o resumo dos últimos minutos de aula.
Um filete de suor se formou na minha nuca quando consegui, finalmente, atravessar os corredores da faculdade. Me esforcei para recuperar o fôlego quando me sentei na cadeira, fazendo um coque no cabelo, aliviando parte do calor que sentia, atentando-me a ouvir cada palavra do professor. O final do semestre chegou e com ele a maior carga de trabalhos que poderíamos imaginar. Se o semestre passado foi difícil, este seria muito mais, já que era o penúltimo antes que nos formássemos oficiais Assistentes Sociais. Pouco consegui anotar da aula e logo já juntava os materiais para cruzar o campus e cumprimentar a professora Hellen de Política Social. Apesar de amar a dinâmica da professora, duas aulas seguidas se tornavam um martírio pra quem mal havia tomado café da manhã.
As duas últimas aulas passaram mais rápido do que as anteriores e eu agradeci mentalmente, mesmo sabendo que aparentemente foram tão rápidas porque não consegui prestar atenção em um minuto sequer. Queria me sentir culpada por isso, mas nem isso conseguia. Não quando percebi qual era a data de hoje. E era seu aniversário de morte.
Completavam cinco anos da morte de Jesse. A única pessoa do mundo que me achava parecida com algum super-herói. Meu irmão caçula.
Sabia que aos poucos começava a me desapegar desta data e uma prova pequena deste feito, é que não contei os dias como fiz nos últimos anos. Só era difícil desapegar de alguém que se foi de forma injusta e cruel, quando cada passo seu se tornava uma festa e Jesse realmente sabia fazer uma festa na vida de todos nós.
Engoli em seco, atravessando as portas duplas da UTI pediátrica e verificando se minha peruca azul e encaracolada estava bem presa, encaixando o nariz vermelho. O rosto pintado me mascarava com a alegria que hoje eu não sentia, mas que valeria a pena quando visse os sorrisos saírem do esconderijo para mim, tão inocentes quanto o de Jesse.
A cantoria no quarto duzentos e vinte e seis já se ouvia do começo do corredor, então automaticamente eu soube que os exames da pequena Melissa haviam boas novas e o tratamento começara a fazer efeito. Mais quatro palhaços já faziam a festa no quarto da pequena Mel e ela dançava da melhor forma que podia a coreografia que juramos fazê-la até que ela dançasse conosco, e hoje isso foi possível.
Mel, em alguns passos vacilantes, andou até mim quando me viu na porta e completei a distância que faltava para me agachar e abraçá-la.

— Alguém está disposta hoje! - cumprimentei-a, tirando um nariz vermelho do bolso do jaleco que vestia e sua risada fininha, que ouvi poucas vezes, ecoou.
— Vou passar uma semana em casa! - a pequena sorriu, exibindo a janelinha que um par dos seus dentes da frente formavam.
— Isso é muito bom, mas... Como ela sabe que você a ama? - comecei a música que ela mais amava entre todos os filmes da Disney, e pedia para que cantássemos sempre.
Como ela sabe que ela é sua? - continuou, cantando a plenos pulmões, em um sorriso sincero de quem experimentava o gosto doce da liberdade.
Como ela sabe que você realmente, realmente, verdadeiramente a ama? - engatamos em um couro, adotando a música popular de “Encantada” como um dos melhores momentos das nossas visitas.

Ver a doce Melissa de pé, dançando e cantando conosco tornava fácil a tarefa de animar-se por ali, e era incrível, que cada criança nos dava a certeza do porquê fazíamos tudo aquilo. Era uma distração para os pequenos, mas a mais pura das terapias para nós. Era, de fato, a nossa cura.
Sempre que recebíamos a notícia de que algum dos pequenos iria para casa, reuníamos todas as crianças que podíamos na Brinquedoteca, como uma espécie de despedida e de quebra, uma forma de se tornarem amigos entre si. Acreditamos que os reunir desta forma, renova a esperança de se verem independentes dos tratamentos e, além disso, para aprenderem que podem seguir a vida como quiserem. Depois de implantarmos essa iniciativa, já houvemos alguns retornos de pacientes, estes, apenas para visitar os amigos que fizeram na Brinquedoteca.
As crianças voltavam para os leitos conforme chegava o horário de seus respectivos medicamentos, e nos subdividíamos nos quartos, entretendo a todas, pois essa era a nossa prioridade: fazer do tratamento o menos incisivo possível.
O ônibus de volta para casa demorava cerca de uma hora de puro trajeto e o horário de pico na grande Londres tirava parte do seu encanto. Alguns olhares tortos se direcionavam para mim e acostumada com eles, sabia que era parte da maquiagem de palhaço que não tirei, mas não era o fim do mundo, não é?
Até mesmo atravessar os corredores de casa na data de hoje parecia ter um significado diferente. Talvez porque nos corredores havia fotos de Jesse desde seu nascimento, que eu lembro exatamente do momento em que a Diretora me chamou na sala de aula enquanto papai estava todo nervoso me esperando na Diretoria, “seu irmão vai nascer” foram suas exatas palavras.
Nunca gostei muito de grandes surpresas, mas Jesse mudou meu pensamento drasticamente, porque ele foi a melhor delas.
Saber que ia ter um irmão foi, de longe, a única parte boa no início da minha adolescência. Isso queria dizer que eu teria a quem amar incondicionalmente e que me amaria de volta da mesma forma. Alguém quem eu poderia cobrar as lições de casa e os primeiros afazeres domésticos. Alguém que eu poderia xingar sabendo que meu coração estaria transbordando amor e ouvir ser xingada de volta amando-o ainda mais.
Isso tudo foi tirado de mim quando ele completou oito anos de idade. Em um check-up alertamos para o médico o nosso desconforto com essa gripe de Jesse que não se curava há dias. A radiografia do tórax nos disse com certeza de que não se tratava sobre uma gripe: era pneumonia.
Ele era apenas uma criança.
Ficou internado enquanto seu caso se agravava por conta da dificuldade respiratória causada pela baixa oxigenação do sangue porque o alvéolo estava cheio de secreção, logo, não funcionava para a troca de gases.
Eu só queria tirá-lo de lá, nem que fosse preciso ficar no seu lugar, e na verdade, ele foi tirado de mim. Não tive nem opção de troca. Porém precisei enterrar a sete palmos do chão o grande amor da minha vida.
Isso foi cruel, injusto e extremamente doloroso.
Minha vida era ruim sem ele, melhorou quando ele nasceu e voltei à estaca zero logo depois.
Acompanhar seu tratamento me fez compartilhar das suas dores e hoje, eu tentava aliviá-los da minha melhor maneira enquanto cantava para as crianças nas UTIs.
Jesse se foi, mas me deixou uma pessoa melhor.
Melhor da forma que eu queria demonstrar a ele. Melhor da forma que eu queria que ele se orgulhasse da sua irmã. Melhor como eu iria ensiná-lo a ser.
Não havia barulho em casa que conseguisse me distrair, nem TV, nem rádio, nem a minha playlist favorita, e eu estava cansada de tentar. Estava deitada, encarando o teto, tentando encontrar alguma resposta se algum dia superaria a falta que Jesse me faz.
Os raios de sol me acordaram antes que o celular despertasse, isso, porque não fechei as cortinas na noite passada. Voltei a me deitar, aproveitando dos minutinhos que ainda tinha para mandar algumas mensagens para mamãe. Quando o celular despertou, o som da playlist fora muito bem vindo já que colaborava pra que eu despertasse de uma vez.
Ainda com as coisas amontoadas na bolsa desde o dia anterior, pude tomar café da manhã tranquilamente, já que era exatamente as mesmas coisas que usarei hoje. Os cabelos já não estavam mais encharcados devido o tempo que passaram enrolados na toalha, secando naturalmente o pouco que faltava com o ar morno que a manhã londrina soprava.
Saber que em pouco tempo terminaria a faculdade era exatamente a força que eu precisava nestes últimos semestres, e o post-it que colei na capa do caderno durante a penúltima aula era pra me lembrar de procurar pelos três livros que precisarei estudar em tempo recorde para as próximas provas.
Sr. Cunningham, o reitor, nos segurou cerca de quinze –preciosos– minutos para desperdiçar todo os seus melhores adjetivos na intenção de nos vender os moletons da instituição, sendo uma péssima ação de marketing, já que Londres demonstrava o melhor verão que eu já vi ali. Após assistir a falha venda de moletons do Sr. Cunningham, meus passos se tornaram uma pequena maratona quando precisei correr até a biblioteca contando os segundos, para buscar os livros.
Vasculhei algumas prateleiras e no meio da busca, esbarrei em pelo menos metade da minha classe, claramente ali pelos mesmos motivos que eu. Tive essa certeza quando a atendente na recepção me confirmou a saída destes exatos três livros.
Sem muitas novidades, encarei o relógio de pulso, voltando à correria mais uma vez, já que hoje também era dia de ir para o hospital e desta vez, atrasada que estava, era difícil até que conseguisse me montar como personagem.
No ponto de ônibus, algumas senhoras reclamavam do atraso inusual no transporte e culpavam os manifestantes Pró-Boris Johnson por isso. Alguns insultos se tornaram mais sujos quando o ônibus chegou e eu riria se não fosse trágico. Acostumada com o trajeto longo que seria, tirei a necessaire de maquiagem da bolsa junto do espelho médio que usava. O pancake branco começava a cobrir meu rosto por completo e ao invés de azul e vermelho como de costume para contrastes, investi no rosa que dava a impressão de tornar a aparência mais amigável, já que a peruca que usaria hoje era chanel e da mesma cor. Aproveitei que ainda me restavam alguns minutinhos de trajeto para incrementar a produção um pouco mais, já estava na hora de começar diversificar um pouco. O traço fino do delineador dava a impressão de olhos um pouco maiores, o coraçãozinho desenhado do lado esquerdo fora delicadamente preenchido com glitter que encantava os pequenos completamente. Equilibrava as maquiagens no meu colo para o caso de precisar retocar algo de última hora, ouvindo celular tocar com as mensagens de mamãe que mandava seus áudios cortados desde a noite anterior, lotando a galeria do meu celular com as fotos tremidas das suas flores que começaram a florescer com a ajuda dos dias mais quentes.
Sentia os olhares tortos em mim, e sabia que a maioria das senhoras que reclamavam no ponto de ônibus cochichavam entre si sobre acharem algo deprimente e vergonhoso demais a maquiagem extravagante que eu pintava em meu rosto. Nos primeiros dias em que comecei a atuar no hospital, deixava para me maquiar apenas quando chegasse lá e perdia boa parte do tempo das visitas nos leitos, me fazendo enxergar que minha prioridade era outra, e muito nobre por sinal, de forma que os cochichos malvados não deveriam sobressair.
Alguns leitos estavam sendo adaptados para novas crianças que começariam o tratamento intensivo, então hoje, nossa meta era fazer com que se sentissem acolhidas e que tivessem plena certeza de que ali era o lugar de onde sairiam curadas. Quanto às que chegavam, era estranha a sensação de olhá-las e compartilhar exatamente da mesma forma dos seus sentimentos de medo e aflição que sentiam à primeira vista, e eu os conhecia tão plenamente por ter sido a escolhida à fiel confidente de Jesse nos seus primeiros dias de tratamento. O pequeno compartilhava todos seus sentimentos comigo, inclusive os que não sabia como chamava e os descrevia para mim. Às vezes, eu ainda podia ouvir sua voz e apesar de parecer cruel, eu sabia que seria pior quando eu não ouvisse mais.
Layla, que estava comigo no projeto, me acompanhava enquanto ajudávamos as enfermeiras a arrumarem os leitos. Layla, na verdade, fora a responsável por me apresentar o grupo e toda a mobilização que envolvia a causa, apresentara de forma tão maravilhosa que me sentira pertencente àquilo desde o primeiro minuto. Havia também Zac, junto dos irmãos Joe e Josie para completarem o pequeno grupo.
A dupla de irmãos estava no começo do corredor e sabíamos disso porque as músicas deles soavam até mim e Layla, que estávamos entre os últimos quartos. Zac, conversava com as novas mães que nos acompanharão nessa jornada, gostávamos de saber o quadro clínico dos pequenos e também se gostavam de palhaços, porque aos que não gostavam, visitávamos no final sem maquiagem alguma. Não iríamos excluí-los de forma alguma.
Os corredores do hospital já haviam até sido pintados de cores mais simpáticas que o cinza e branco de antes, tornando toda a Ala Pediátrica um pouquinho mais aconchegante. Um grande laço de cumplicidade havia sido criado entre nós, as enfermeiras, os médicos e os responsáveis dos pequenos, porque todos estamos com o mesmo objetivo. Este trabalho não era remunerado, mas o pagamento era melhor que muitos por aí.
Quando finalmente terminamos de arrumar os leitos, as primeiras crianças começaram a se acomodar, todas elas com os olhinhos fechando sozinhos, muito provavelmente cansados das primeiras sessões dos tratamentos. Layla e eu nos entreolhamos, compartilhando do mesmo pensamento: era melhor deixar para outro dia.
Mesmo conseguindo sair mais cedo do hospital, corri para tirar a maquiagem porque logo mais à frente do hospital, duas ou três quadras, havia uma biblioteca e por ser longe as hell da faculdade, tinha uma grande chance de conseguir pegar os livros que o professor pediu nesta manhã.
As paredes da biblioteca eram gigantes, e sem um centímetro livre, ostentando seus três andares repletíssimos.
Me encantei com dezenas de prateleiras, antes de que chegasse à que realmente deveria me atentar e sorri com o simples fato de achar os três livros na mesma seção. Era gostosa a sensação de ir para casa mais cedo, mesmo sabendo que teria aqueles livros para dar conta. Meu coração pedia para que ficássemos mais alguns minutos por aqueles corredores, mas minha mente dizia que quanto mais cedo fossemos para casa, melhor seria e apesar de comum, essa era uma briga interna das mais acirradas.
Depositei a pequena pilha de livros no balcão, me adiantando para pegar a carteirinha da faculdade para que o bibliotecário pudesse registrá-los em meu nome. O rapaz amuado atrás do balcão, estava concentrado em seu trabalho, mas não prendeu minha atenção o bastante para não reparar em sua camiseta, com uma clássica estampa do 30 Seconds To Mars, e por amar essa banda infinitamente, eu só poderia lamentar por ter certeza que ele se arrependera, tão profundamente quanto eu, de gastar um bocado de libras para ir assistir Jared Leto como Coringa em Esquadrão Suicida.

— Desapontado com o Coringa? - ouvi meus lábios proferirem automaticamente, sentindo o olhar um tanto confuso dele sobre mim.
— Pelo seu tom, eu não sou o único - fechou meu primeiro livro após registrá-lo, sorrindo pela primeira vez.
— O Diretor meia-boca corrompeu Will Smith! - exclamei óbvia, em um tom mais alto do que o adequado para uma biblioteca, apesar de não ver ninguém ali.
— Não sei o que me doeu mais - fez um muxoxo com a boca, dramático. — Só queria minhas amadas libras de volta.
— Vai dar uma nova chance para Morbius?
— Eu acho que... - checou seu relógio no pulso. — Já deu o meu horário. Mais alguma coisa, senhorita... - encarou minha carteirinha no balcão. — Lowell? - dei de ombros, negando com a cabeça, vendo-o empurrar os livros em minha direção. Me virei, fazendo algumas manobras para que conseguisse encaixá-los em meio as bagunças amontoadas em minha bolsa, saindo do local em seguida.

O vento frio fez com que eu precisasse abraçar meus próprios braços, desfazendo o enlaço apenas para tirar os fios de cabelo que voavam em frente ao meu rosto. Algumas crianças já saíam da escola, correndo até o carro de seus pais e reclamando do vento que bagunçavam seus cabelos. O ponto de ônibus mais próximo era duas quadras atrás, junto do hospital, e apesar de estar seguindo na direção oposta, o próximo ponto era daqui três quadras, mas que compensavam por conseguir pegá-lo menos lotado.

— Morbius é a chance de Jared se redimir - ouvi uma voz ofegante dizer ao meu lado.
— Ele não precisa se redimir, nunca esteve em baixa. Coringa foi um deslize.
— Poderia ter me esperado, Lowell - ajeitou os cabelos que esvoaçaram durante a sua corrida.
— Você parecia ansioso para bater o ponto, não queria te empatar - respondi simplesmente. — . , na verdade.
Clarke. , se preferir. Logo ali na esquina tem uma cafeteria ótima, se estiver... Afim - completou sem jeito, tentando mais uma vez, arrumar os cabelos.

Sorri para sua proposta, sabendo que a cafeteria perto dali, era o santuário dos melhores brownies da região, com receita passada de geração em geração. Apesar de pequena, o local era aconchegante e convidativo, deixando uma sensação gostosa como se pudéssemos passar o resto da vida ali, tranquilamente.

— Então, UCL¹, huh? É uma das melhores Universidades do mundo!
— Sim e faz jus ao nome que tem. Cobram tanto da gente que não tem como não sairmos Einsteins puros de lá! - confessei, deixando de lado o cardápio pouco tempo após nos sentarmos. — Você precisa provar esses brownies!
— Optei por essa cafeteria justamente porque achei que deveria prová-los! - disse, risonho. — Seremos os dois pedindo-os, então! – piscou maroto, fazendo um sinal para chamar o atendente. — O que faz aqui do outro lado, quase na divisa com Slough?
— Faço parte de um projeto com mais quatro amigos, aqui no Hospital Barnes, então da UCL pra cá, é uma maratona cotidiana!
— Imagino. Um projeto que faça valer à pena o trajeto? Uau!
— Somos o que chamam de “Palhaços do Riso”. Ajudamos as crianças internadas a creem que o tratamento não é tão invasivo quanto parece. Estamos lá para distraí-las.
— Deve ser uma sensação muito boa.
— Na maioria das vezes sim, mas não todas - fiz um muxoxo com a boca, vendo nossos pedidos chegarem à mesa, com os cafés nas canecas fumegantes. — Mas o que Clarke tem feito, além de contar os minutos na biblioteca? - ri de leve, vendo-o reagir da mesma forma.
Clarke, se mudou há pouco de Dublin, onde morava com uma namorada que nunca voltou nem para buscar suas roupas - não me olhou ao dizê-lo, mas o tom amargurado dizia tudo o que precisava saber.
— Desculpe, eu não...
— Não tinha como você saber, - ouvir meu apelido em sua voz, causou um arrepio -estúpido- em minha espinha.

Mesmo os tão elogiados brownies foram deixados de lado enquanto conversávamos. não era filho único e cuidava da sua irmã caçula de oito anos, Maisie, que passou a morar com ele após retornar a Londres como forma de livrá-la da mãe com vicio em álcool e um padrasto na mesma condição.
Não sei se anoitecera cedo por conta dos pingos de chuva que começaram a cair após a ventania que a anunciara mais cedo, ou se fizera com que o tempo passasse mais rápido sem que eu nem percebesse. E eu, se pudesse chutar apenas uma das alternativas, apostaria na segunda.
Na espera para que o molho de tomate encorpasse, seu cheiro tomou a casa inteira e deixei a panela no fogo enquanto secava os cabelos com o secador. Até conseguiria secá-lo, se no meio do caminho não tivesse parado para encarar o contato de em meu celular. Sorri ao lembrar de sua voz contando que Maisie já o fez passar por poucas e boas em frente à escola da menina, que odiava a forma que ele se vestia, sendo apenas a combinações de roupas pretas, enquanto a mais nova usava o maior número de cores possíveis. Corri de volta para a cozinha, vendo que o molho diminuíra um bocado há um fio de queimar e secar de vez, adicionando água e permanecendo ali para garantir que não esqueceria.
O tempo que perdera ali na cozinha, fora o responsável por me fazer ficar lendo um dos três livros até de madrugada, não sendo novidade os bocejos que distribuí durante toda a manhã de aula.
Nenhumas das Leis da Física seriam capazes de explicar o conceito de matéria com número de massa que o ônibus londrino comporta, e nessa manhã especificamente, todos apertaram entre si, de forma que demorei para passar pela catraca, contando os minutos para que chegasse ao Hospital Barnes. O corredor apertado e amontoado do coletivo tornava quase impossível a missão de achar minha passagem. Tirei algumas notas pequenas da carteira, aguardando para que o motorista liberasse a catraca, no entanto o mesmo me devolveu as notas aos gritos de que aceitava apenas moedas. Eu não estava nem ligando para o troco!
A carrancuda do motorista diminuiu quando as benditas moedas foram soltas em sua mão e em dobro, devo esclarecer, pois um olhar conhecido em meio à fila deixou uma piscadela marota para mim, permitindo que pudesse, finalmente, arranjar um lugar para sentar.
O vi se aproximar e me mudei para o banco do lado, deixando-lhe um assento vago.

— Vejam só, se não é o meu cavaleiro em armadura brilhante! - proferi baixo, assim que ele se acomodou.
— Que não recebeu um ‘boa noite’ mesmo depois de você comer todos os brownies!
— Você sugeriu a cafeteria justamente por causa deles! - usei suas próprias palavras do dia anterior, contra ele. — Não quis desapontar.
— Vou precisar trabalhar o dobro naquela biblioteca se quiser te levar lá de novo - cruzou os braços, fazendo-se de afetado.
— Oh! Você deveria! Porque um dos livros que comecei ler ontem, não foi registrado - estreitei meus olhos como se o desafiasse.
— Talvez devesse ter mandado alguma mensagem, .
— Supere, . Talvez te envie algum emoji hoje! - arqueei a sobrancelha, logo me atentando à minha bolsa, tirando a necessaire de maquiagem, descansando-a em seu colo até que conseguisse organizá-la.
— Não me venha com tutoriais de delineado gatinho, Lowell.
— Apenas o delineado não melhoraria muita coisa em você, Clarke - ri nasalado assim que senti a cotovelada leve do homem em mim. — Se o motorista não tivesse me barrado, eu já poderia ter terminado a maquiagem. Colabore!
— Confie em mim, essa foi minha primeira boa ação em anos.
— Estranho, porque em vinte e quatro horas não é a primeira vez que vejo resquícios do seu puro coração.
— O que é isso? - ele me ignorou por completo, prestando atenção na minha necessaire enquanto tentava abrir uma das maquiagens.
— Muito curioso para quem recusou o tutorial, huh? - tentei tirar o pequeno pote de suas mãos, mesmo que ele insistisse em descobrir como o abria. Forçou-o entre, os dedos, as palmas das mãos e dentes, mas não o abria. Sabia que estava atrasada na montagem do personagem, mas assistir à sua frustração valia a pena. — É só girar e puxar, assim - forçou o potinho enquanto em minhas mãos, não sendo surpresa pra mim quando se abriu e derramou parte do glitter rosa em sua roupa que se orgulhava tanto por combinar as peças pretas.
— Maisie vai amar isso. Agora sou um daqueles Ursinhos Carinhosos que ela gosta - passou as mãos pela camiseta, agitado, espalhando ainda mais o glitter por suas roupas.
— Não faça atrito se não quiser que se espalhe, Clarke! - tentei segurar a risada sobre sua impaciência mediante tanto brilho em cima de si, mas se tornava ainda mais difícil de controlar quando encarou suas mãos brilhosas. — Ficou uma graça.
Lowell, não consigo representar as trevas estando coberto por glitter rosa.
— Tente apenas ser um gótico suave por hoje - mandei-lhe um beijo no ar, virando para o pequeno espelho que tinha em mãos, sem esperar por sua resposta, começando a maquiagem rapidamente, ouvindo seus questionamentos vez ou outra.

colocou seus fones, em um rock ‘n’ roll que poderia ouvir por todo o ônibus e quando lhe questionei, era apenas para que voltasse à sentir o mal correr por suas veias. Clarke é ridículo, e não preciso de muito para provar!
Levantei quando vi que me aproximava do hospital, jogando a bolsa em meu ombro e movendo para a porta dos fundos, deixando a do meio livre para os idosos. permaneceu em seu assento e puxei meu celular do bolso para lhe mandar o emoji de uma mão, como se lhe dissesse tchau. Ele virou o pescoço, encarando-me com o rosto entediado. Deveria avisá-lo que havia alguns pontos de glitter em seu rosto?!
Desci do ônibus, já cumprimentando as enfermeiras que descansavam do lado de fora logo após o pequeno jardim que enfeitava a entrada. Senti o celular vibrar, ainda na minha mão e o desbloqueei, para ler a mensagem de . “Ande mais devagar!” Eram suas palavras e me virei, encontrando-o andando tranquilamente para cruzar o jardim. Aguardei que me alcançasse e quando o fez, continuou com o mesmo olhar entediado com o qual se despediu de mim há pouco.

— Fica bonitinho com o bico que faz emburrado - sorri para ele, adentrando o hospital.
— Preciso ir à reunião na escola de Maisie e cheio de glitter não é uma opção, Lowell.
— Tem dois homens no grupo do projeto, vou buscar uma camisa deles pra você.

Dei passos largos para alcançar o elevador antes que fechasse, não demorando até chegar ao terceiro andar. Layla e Zac conversavam distraídos perto do balcão de recepção do andar.

— Chegou antes que os gêmeos! - Zac saudou-me sorridente assim que cruzei seu campo de visão.
— Não vemos isso acontecer muitas vezes - Layla zombou, e lhe ignorei, virando-me para o rapaz ao seu lado. — Cuidado, Zac, eu conheço esse olhar.
— É um favor! - disseram em uníssono.
— Sem os gêmeos para separar vocês, a convivência se torna impossível! - revirei os olhos, dramatizando. — E sim, é um favor - encarei-os de rabo de olho, sorrindo em seguida. — Tem alguma camiseta sobrando?
— Eu sempre tenho na bolsa e... - Layla disparou rápida como uma metralhadora.
— Obrigada, Layla, mas preciso de uma do tamanho do Zac - sorri amarelo, ouvindo o rapaz murmurar que precisava verificar seu armário, saindo logo após. Sentia os olhos ferozes e curiosos da mulher em mim, mas preferi ignorá-los.
— Não vai me contar nada? - neguei com a cabeça. — É um match novo do Tinder, Jess? - neguei com a cabeça, novamente. — Você está me matando, sabe disso, não sabe? - assenti, mordendo o lábio inferior para conter a risada que queria soltar.

Salva pelo gongo, Zac logo voltou uma camisa branca em mãos, jogando-a em meu colo. Murmurei algo como “você é o melhor” e aproveitei o elevador vazio desta vez. Meu celular vibrou no bolso da calça e não o olhei porque sabia se tratar de , que estava no final do corredor com o celular em mãos, encarando através das paredes de vidro as poucas flores na entrada.

— Uma boa ação leva à outra, Clarke - assim como Zac fizera comigo, joguei a camisa para que ele a pegasse no ar. Encarou por alguns segundos e apontei na direção de um banheiro, onde ele seguiu.

Aproveitei o tempo sozinha para repassar em minha mente o resumo que precisaria fazer dos livros, mesmo que poucas horas após começar um deles, pouco me lembrava sobre o que se tratava.

— Me sinto um Padre - dobrava as mangas da camisa social branca que lhe caiu como uma luva.
— Pare de reclamar por um segundo, homem!
! - ah, é claro que ela não ia se aguentar. — Os gêmeos estão chegando - Layla andou sorridente até nós, como quem não queria nada. Estávamos próximos ao horário marcado, é claro que os gêmeos estavam chegando.
, essa é Layla, responsável por me apresentar ao grupo. Layla, este é e sim, a camisa de Zac é para ele.
— Por que não está maquiada também?
— Eu toco alguns instrumentos ou fico na administração, então estou ilesa disso.
— Tente uma vaga na Administração também, Lowell! - sussurrou na tentativa que apenas nós dois ouvíssemos, mas nada passava despercebido por Layla, que riu nasalado.
— Pensei que tinha uma reunião pra ir - cruzei os braços, arqueando uma sobrancelha, assistindo-o checar seu relógio de pulso.
— Está cedo ainda.
— Faça-me o favor, net! - ele sorriu, jocoso, mordendo o lábio inferior, talvez para segurar o sorriso que penderia de orelha a orelha.

Assim que vimos cruzar os jardins na saída, os gêmeos chegaram e pudemos nos apresentar para as carinhas novas que chegaram no dia anterior. Alguns deles mantiveram-se acuados, mas isso não era um problema, porque sempre haveria o dia seguinte, e outro, e outro para que se sentissem seguros conosco.
Aproveitamos para estudar a ficha médica dos pequenos, para que não fossemos acolhedores apenas com eles, mas também com os responsáveis que passavam madrugada afora, sentados em poltronas desconfortáveis.
Tivemos uma espécie de reunião entre nós cinco, para discutir uma maneira que poderíamos ser, de fato, acolhedores, e isso fazia crescer um buraco enorme em meu estômago, porque talvez tivesse faltado disso para que Jesse não se fosse de maneira tão dura. Ele era meu constante pensamento, e o primeiro de todos em ocasiões como essas.
Estaremos na Biblioteca em vinte minutos” dizia a mensagem de , seguida de uma linha extensa de emojis que não quis decifrar sobre o que se tratavam.
Tentamos continuar a reunião enquanto todos tiravam a maquiagem, mas apenas serviu para que se transformasse em uma competição de quem tinha a pior maquiagem a tirar.
Diferente do dia anterior, nenhuma ventania incomodava as crianças que saíam da escola enquanto fazia o caminho até a Biblioteca, calmamente. Pude avistar de onde estava, uma garotinha sentada nas escadas da Biblioteca e mais a frente, correndo até a estreita loja de sorvetes, que não era uma sorveteria apenas, haviam alguns jogos simples semelhantes aqueles de Parques de Diversões, mais ao fundo. Sorri com a cena e quão desajeitado era o homem, acenando para ele assim que me aproximei.

— Maisie está comigo e se prepare, ela fala até pelos cotovelos! - entregou-me um picolé, que agradeci de imediato, enquanto voltávamos para buscar a menina.
— Eu vi a sua foto nos contatos do celular dele - a garota se aproximou, assim que nos viu e sussurrou uma “boa sorte”, se deliciando plenamente com seu sorvete, sentando na escada antes ocupada por ela, como quem aguardava um show. — Você é , com emoji de palhaço, por quê? - ela questionou, atenta, fazendo-me gargalhar alto, mas sem mover um centímetro de sorriso no rosto dela.
— Não conseguimos entender o - respondi simples, dando de ombros.
— Você o fez usar glitter e isso nunca aconteceu!
— Maisie, devo lhe confessar que ele adorou! Não consegue nem se desfazer deles, olhe só!
— Meu nome é Margaret - encarou-me séria. — Mas me chame de Maisie porque gostei de você! - suspirou audível e eu nada disse, apenas o segui até o ponto de ônibus com Maisie permitindo que seu picolé derretesse de tanto que falava, sem tempo para ele.

Como poucas vezes acontecera nos últimos tempos, o ônibus chegou no horário e precisamos nos desfazer dos sorvetes, porque apenas o transporte nesse horário já era um desafio por si só. Fomos para o fundo, onde pudemos sentar juntos e Maisie ficou entre nós, contando como o irmão odiava suas reuniões na escola porque servia apenas para que a Diretora inventasse alguma Feira de Arte para arrancar dinheiro na desculpa de “fundo de realização”. Serelepe como não via alguém há tempos, a mais nova testou os novos filtros do Instagram em nós, mais precisamente os de Personagens da Disney, resultando em gargalhadas que fizeram alguns pescoços virarem em nossa direção.

sempre será os vilões! - ela comentou, um pouco pensativa, aguardando a tela do celular mostrar qual princesa ela se parecia. Pela quinta vez. — , você tem que testar com o .
— Meu rosto é compatível com o de diversas princesas, mas o dele nunca será de um príncipe, Maisie, desculpe - comentei risonha, ouvindo a risada dela ecoar livre.
— Tudo isso é medo de um simples teste? Às vezes o ponto de vista do vilão faz sentido, pense nisso, Darling - estreitei os olhos, observando-o por pouco tempo, ajudando a mais nova à trocar de lugar com o irmão.

Nos aproximamos, ela escolheu o teste e posicionou a câmera frontal, pedindo para que eu segurasse seu celular e o fiz, vendo-a aguardar o resultado ao meu lado. “Fail” piscou a opção em letras grandes e vermelhas na tela.

— Tem que juntar mais! - ela se levantou, importando-se em nos juntar de forma que senti um pouco do perfume dele, que não havia reparado até então. Uma das suas mãos descansou em meu joelho e senti os rostos grudarem, de fato, na persistência da menina.

Na nova tentativa, a caçula Clarke insistiu na mesma categoria, sem demorar muito para cair em “A Bela e a Fera”, arrancando risadas dela, enquanto tirava algumas fotos para eternizar a cara de .
A menina tinha bochechas rechonchudas e rosadas, usava o uniforme da escola, porém o cabelo dividido no meio, exibia dois laços de um rosa vivo, um de cada lado, contrastando com a mochila da menina, que era uma grande mistura de todas as cores em um quadriculado por todas as partes. Haviam chaveiros misturados e pendurados por onde desse para encaixar um, sem um padrão definido havia um sapatinho de cristal, uma bola de futebol, uma bailarina e um coração pequeno, de pelúcia. Maisie era um evento por si só!
Levantei para que uma senhora tomasse o meu lugar, porém permanecendo perto deles, ouvindo a história que Maisie começara poucos minutos atrás, repleta de detalhes e surpresas. Alguns minutos ainda restavam para que chegássemos, e os minutos em pé se tornaram longos, piorando quando mais perto do centro, mais lotado se tornava.
Maisie pedia dicas para , sobre o jogo que baixara recentemente, algo como uma cruzadinha, mas que haviam algumas que ela se queixava precisar gastar das suas suadas moedinhas para revelar a letra e descobrir sobre qual palavra se tratava. Sua atenção era inteiramente dela, tal como sua dedicação que não ficou muito para trás. A menina era uma grande companheira e se sentia, nitidamente, segura com ele.
Observava os pequenos detalhes dos dois, e as poucas semelhanças que tinham. Senti uma mão apertar forte minha cintura, fazendo meu corpo tremer e parte do ar faltar. Engoli em seco, encarado o homem desconhecido ao meu lado que não cessou e reagi para me desvencilhar, com cotoveladas e alguns arranhões que não me atentei a onde atingiam.

— Qual é o seu problema? - gritei esganiçada, fazendo o possível para afastá-lo, mas parecia me sentir impotente.
— Você se jogou pra cima de mim, eu só correspondi! - ele respondeu, sorrindo abertamente, sujo de pura repulsa.

Não sei se sua mão ainda estava em mim, pois ainda conseguia ouvi-lo retrucar, contudo esmurrei-o por um tempo indefinido apenas para ter certeza.

— Não. Ela não fez nada - a voz de decretou, firme, enquanto o segurava pela gola da camisa. — Você vai descer desse ônibus e nos deixar em paz, antes que eu precise te quebrar pra isso acontecer.
— Minha parada é daqui dez minutos.
— Não me interessa - Clarke usou a mão livre para apertar o pescoço do homem, aproximando-se para cochichar algo entre ambos, que não houve retruco, ele apenas desceu do ônibus na primeira porta que se abriu.

, arrumou as mangas de sua camisa e se virou para mim, estudando-me por poucos segundos.

— Está tudo bem? - assenti com cabeça, repetidas vezes, vendo a senhora que cedi meu lugar deslizar para o lado, cedendo-me uma brechinha.

Maisie abraçou o irmão assim que ele retornou ao seu lugar, sussurrando coisas que não me atentei enquanto recobrava a respiração. Descansei a cabeça na curva do pescoço dele, em um impulso ou pura vontade, não sei, sentindo-o parecer paralisado por poucos segundos, aconchegando-se da melhor forma ali, também.
O rapaz nos alertou sobre a chegada ao centro e descemos os três juntos, conseguindo respirar fundo pela primeira vez nos últimos minutos. Caminhamos juntos sem ter realmente um lugar para ir, ouvindo apenas o silêncio que permaneceu, mas que era algo impossível para pedir à Maisie.

foi o herói.
— Deve se sentir orgulhosa do irmão que tem! - consegui sorrir para a mais nova que nos encarava, revezando o olhar.
— Não usem o filtro de vilão contra mim nunca mais! - ele piscou pra nós, quebrando o gelo da situação.
— Obrigada - proferi, tomando coragem para encarar suas írises que agora estavam iluminadas com o último filete do Sol que se punha. — Você foi um herói e tanto, Clarke.
— Tenho lá minhas qualidades.
— Acredito que sim.
— Beija ela, ! - Maisie sussurrou brincalhona, entre nós.
— Um herói não pode simplesmente beijá-la, Maisie - explicou. — Antes de qualquer coisa, eu preciso saber se a donzela compartilha dos mesmos sentimentos que os meus, e se sim, então poderei beijá-la - aproximou-se de mim, ainda a explicando.
— Meu dever é dizer sim e você deve beijá-la, .

O Sol se pôs assim que senti o calor acolhedor da palma da sua mão deslizar lentamente por meu rosto, parando perto do queixo para que seu polegar deslizasse sob meu lábio inferior e se aproximasse o bastante para sentir sua respiração entrecortada. Seus olhos não tinham mais a luz do Sol para iluminá-los e acenderam-se por si só. Clarke me beijou e como ao final de A Bela e a Fera tudo pareceu retornar ao seu lugar, exatamente aonde pertenciam, e eu estava, definitivamente, onde deveria estar.




Fim.



Nota da autora: Hello, hello! ;D Vocês estão bem? Espero que sim, porque eu estou ótima e tudo graças a esse Especial que, confesso, reescrevi algumas –talvez milhares- de vezes, mas nenhuma outra versão fora capaz de prender como essa fez e espero que faça o mesmo com vocês!
Espero que gostem!
Se cuidem,
XOXO ♥



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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