Última atualização: 11/03/2018

Prólogo

— Peter, o que você quer ser quando crescer? — a garotinha de apenas 6 anos perguntou para o garoto ao seu lado. O menino encarou os pequenos olhos de sua amiga e sorriu.
— Um herói — respondeu simplesmente, com um sorriso que mal cabia no rosto.
— Um herói? — ela questionou, com suas sobrancelhas juntas e seus olhos curiosos. — Por quê?
— Porquê é demais! — ele levantou em um pulo e ergueu os braços. — Eu teria poderes e poderia ajudar as pessoas. Eu poderia ajudar todo mundo do Queens, .
deu um pequeno sorriso, convencida da resposta.
— Parece ser bem mais legal do que ser uma princesa — ela riu, fazendo o menino rir. — Você poderia ajudar meus pais também?
— É claro, eu sempre irei te ajudar, . Você é minha melhor amiga, certo?
Ela assentiu e olhou para baixo, ficando por um bom tempo em silêncio, após algum tempo, finalmente olhou para o seu melhor amigo.
— Eu vou me mudar, Peter — contou, fazendo Peter arregalar os olhos, surpreso demais. Os dois ficaram em silêncio. Peter estava chocado demais. — Meus pais não estão bem, eles precisam de dinheiro. Vamos voltar para a casa da vovó até as coisas melhorarem.
— O-onde sua vó mora? — gaguejou, se sentando. Ele havia perdido toda sua alegria.
— Massachussetts, Boston — revelou, olhando para seus pequenos pés.
— Quando você vai?
— Amanhã — respondeu, com os olhos lacrimejando, finalmente olhando para Peter. — Eu não quero ir embora!
— Não vá, então! Fica aqui comigo! — pediu, se jogando e abraçando sua melhor amiga.
— Não posso, preciso dos meus pais — ela ficou quieta, parencendo pensar — mas... se torne um herói, Peter! Promete? — ergueu seu dedo mindinho para o menino, e o mesmo repetiu seu gesto.
— Prometo me tornar um herói e te salvar sempre que você precisar.
O menino sorriu, limpando ainda as lágrimas que insistiam em cair.
— Não preciso que me salve — zombou, mostrando a língua e rindo. — Pois eu também vou me tornar um herói.
Então, os dois se abraçaram pela última vez. E essa foi a última lembrança que Peter tinha de . Ela nunca mais voltou.


Capítulo 1

Peter corria desajeitado entre as pessoas, o mais rápido que conseguia. Estava atrasado para a escola, pois enquanto estava a caminho da mesma, teve que parar para ajudar um roubo que acontecia no banco no meio do caminho.
Conseguiu prender o ladrão antes da polícia chegar e ficou satisfeito por mais uma vez ter conseguido concluir seu trabalho. Era isso o que era ser um héroi, afinal. Olhou para os lados, conferindo se não havia ninguém ao redor, e, ao concluir que estava sozinho, pulou o muro atrás da escola, suspirou ao ver que o sinal batia. Foi em direção a sala, quando sentiu uma mão em seu ombro.
— Cara, te procurei por tudo quanto é lado! — Ned, seu melhor amigo, exclamou. — Onde você esteve?
Peter coçou a nuca e fez uma careta. Não gostava de mentir para seu melhor amigo, mas era necessário.
— Acordei atrasado — mentiu, e seu amigo assentiu, acreditando.
— Vamos logo para a aula, é a Senhora Collins, e não queremos deixar ela irritada.
Os dois continuaram caminhando em direção a sala, conversando sobre o último filme de Stars Wars que havia sido lançado nos cinemas. Peter parou bruscamente, fazendo Ned se chocar contra ele.
— O que foi isso? Não pare assim do nada! — resmungou, passando a mão em sua testa. — Ei, o que foi? Para onde você está olhando? Não me diga que é a Liz de novo — Ned revirou os olhos e seguiu o olhar de Peter, mas para sua surpresa não era Liz ali e sim uma garota que ele nunca havia visto antes.
A menina, com uma das mãos, segurava a alça da sua mochila que estava em suas costas e olhava curiosamente tudo ao seu redor. Em sua outra mão, havia um papel, provavelmente estava procurando sua sala, o que Ned concluiu que ela era uma novata.
— Ela parece perdida, vamos lá falar com ela — sugeriu, animado, batendo no ombro de Peter. — Ela ainda não sabe que somos os fracassados.
— Ahn.. não, a a-aula, Senhora Collins.... n-não.. — Peter dizia rapidamente, gaguejando. E antes que Ned pudesse perceber, Peter já entrara na sala, e, sem muita escolha, ele o seguiu.
Peter não conseguia prestar atenção muito na aula, a imagem da garota dominava sua mente, não podia ser a , podia? Ela estava tão diferente... Claro, ela não tinha mais 6 anos, mas ele reconheceria aqueles olhos pequenos que sempre pareciam estar curiosos. Ele olhou para o lado involutariamente e notou Liz Allen ao seu lado. Sem perceber, ficou encarando até a mesma retribuir o olhar, dando um pequeno aceno, fazendo Peter corar e olhar para a frente.
Apesar dele e da Liz serem do mesmo clube, ele era invisível para ela.
— Como calculamos a aceleração linear entre os pontos A e B? — a professora questionou.
— Seno do ângulo vezes a gravidade dividido pela massa — Flash respondeu rapidamente, sem dar chance aos outros.
— Errado. Peter? — a professora o chamou, fazendo que levantasse a cabeça, olhando rapidamente para a equação que havia na lousa.
— A massa é cancelada, então é só seno vezes gravidade.
— Muito bem, Peter — elogiou e olhou para o Flash. — Nem sempre ser rápido é sinônimo de estar certo.
Flash olhou na direção de Peter, o fuzilando com os olhos, e disse apenas movimentando os lábios “você me paga”. Peter engoliu em seco, voltando seu olhar para o seu caderno, que pareceu se tornar mais interessante.
As horas pareciam ter passado lentamente para Peter, mas quando o sinal bateu, indicando o término das aulas, saiu rapidamente da escola, sem se despedir de ninguém. Já longe da escola, foi para um beco, se certificando que estava sozinho. Fazia pouco tempo, uns três meses, que ele havia adquirido seu poder através de uma aranha. No começo, foi bem difícil controlar sua força e saber controlar sua nova teia – que ele mesmo havia criado –, mas, graças aos treinos diários, tinha melhorado. Colocou seu pseudo uniforme, que ele também havia feito e sorriu satisfeito. Não era a melhor coisa do mundo, mas, ali, ele podia se sentir um herói.
— Se prepare, Queens, para o homem-aranha, o novo herói de vocês.

~*

Após passar três horas detendo aspirantes a ladrões, Peter resolveu voltar para casa, não podia ficar muito tempo fora por causa da Tia May. Sua desculpa era que ficava na escola estudando ou se dedicava nos clubes. Ao entrar em sua casa, se deparou com sua tia com duas luvas e um pano em seus ombros, parecendo bastante feliz.
— Oi, tia May — cumprimentou, indo em direção ao seu quarto.
Queria chegar o mais rápido possível no local para se livrar do uniforme, e ele sabia que se ficasse muito tempo com sua tia, ela faria dezenas de perguntas ou começaria com seu drama, já que eles não passavam mais tanto tempo juntos como antigamente.
— Peraí, Peter — May o impediu. — Nós vamos ter visitas hoje! Elas chegarão daqui uma hora.Tome um banho e se arrume rápido — pediu. — Estou fazendo bolo de carne, minha especialidade.
— Tá legal... — assentiu. — Quem vai ser a visita?
May deu risada, se sentando no braço do sofá.
— Esqueci de te avisar, você vai adorar, eu nem acreditei quando eu soube! Fiquei tão feliz.
— Tia May? Quem vai vir? — perguntou novamente, rindo com o entusiasmo da mais velha.
— Ah, claro. Os Jones! Dá pra acreditar? — ela sorriu, nostálgica. — Você e a eram tão fofos juntos! Aposto que ela está uma moça linda.
— O-os J-Jones? — repetiu, gaguejando. Então, era mesmo a .
A imagem que havia visto da garota mais cedo voltou rapidamente em sua mente, assim como seus momentos de infância que passaram juntos. Ele deveria estar feliz com essa notícia, afinal, ele sempre esperou por esse momento por anos. Mas eles haviam crescido, e talvez ela tivesse mudado, certo?
— Aham, parece que eles voltaram essa semana. Quanto tempo faz? 10 anos?
— Acho que sim... — Peter continuava pensando, confuso com as memórias. Suspirou, mas logo fez uma careta. — Tia May, que cheiro de queimado é esse?
— Ah, não! — ela arregalou os olhos e foi correndo para a cozinha. — Meu bolo de carne... queimou — lamentou, abrindo o fogão, fazendo com que a casa fosse preenchida de fumaça. Encarou o que era para ser um bolo de carne em sua frente, depois voltou a olhar para o garoto que tinha um sorriso no rosto. — Será que eles gostam de comida chinesa?
— Quem não gosta? — deu de ombros, acostumado com a cena que acontecia na sua frente.
May balançou a cabeça e apressou Peter novamente, fazendo o mesmo ir para o quarto.
Peter concordou, nervoso. Estava ansioso e, ao mesmo tempo, nervoso demais. Continuava pensando em todas as possibilidades. E se ela tivesse mudado ao ponto de não querer mais ser sua amiga, ou ela tivesse deixado de ser tão... ?
— Tá tudo bem, Peter — disse para si mesmo, tentando se acalmar. — É claro que a continua a .
Foi tomar um banho rápido, e, quando se trocava, a campanhia tocou. Estremeceu ao perceber que ele daria de cara com os Jones depois de 10 anos. Escutou a porta ser aberta e respirou fundo, tomando coragem para ir até a sala. Assim que pisou no cômodo, avistou duas pessoas com excessão de Tia May. A mais velha delas abraçava sua tia e a mais nova estava ao lado, sorrindo para a cena.
Peter sentiu suas mãos soarem, antes de se aproximar aos poucos.
— May, há quanto tempo! — exclamou a mãe de , sorrindo. Graças a amizade de Peter e , as duas ficaram muito amigas. — Desculpe, Marco não pôde vir, pois teve que ficar na mecânica até tarde.
— Não tem problema, Helen — May negou. — Oh, meu Deus, essa é a ? Você está linda!
ao contrário de Peter, não estava nervosa, ao menos ela não demonstrava.
— Obrigada, Tia May — agradeceu, correspondendo o abraço.
As três pararam e finalmente perceberam a presença de Peter, que sorriu tímido e se aproximou do grupo.
— Uau, Peter! Como você cresceu, está um homem! — Helen elogiou, mal acreditando que aquele garotinho havia crescido tanto.
— Obrigado, Senhora Jones — sorriu, dando um abraço na mesma.
Peter e pela primeira vez, depois de anos, fizeram uma rápida troca de olhares e, mesmo que tivesse durado pouco, havia sido muito significativo. Foi como se eles sentissem uma corrente de choque passar pelo seus corpos. A morena foi a primeira a quebrar o silêncio que se instalou.
— Oi, Peter — sorriu e apenas acenou.
— Oi, — retribuiu o aceno.
E o silêncio voltou novamente, no entanto, agora não só os dois haviam percebidos o desconforto, mas todo o restante dos presentes na sala. May bateu palmas, chamando a atenção de todos e fazendo Helen ao seu lado dar um pequeno pulo.
— Peter, por que não leva a para o seu quarto enquanto a comida não chega? — May propôs, tentando talvez melhorar o clima entre os dois adolescentes. Era normal os dois se estranharem, porém isso teria que mudar, e ela daria um incetivo. — Aliás, eu pedi comida chinesa, vocês não se importam, né?
Helen negou, rindo, vendo que os dotes culinários da sua amiga não haviam mudado em nada.
— Hã.. Certo — o rapaz assentiu e indicou para o seu quarto, pedindo para o seguir.
Os dois foram até o quarto de Peter em silêncio. Cada um perdido em seu pensamento. questionava a si mesma se ainda tinha tal liberdade com Peter, que, por outro lado, se perguntava se ela ainda iria querê-lo como amigo. Afinal, ele era só o Peter.
— Sua tia não mudou nada — comentou, quebrando o silêncio assim que chegaram no quarto.
O quarto de Peter era simples. Havia uma cama, uma escravaninha com um computador velho, as paredas estavam repletas de pôsteres, que chutaria de ser ficção, e, por fim, uma prateleira com bonecos do mesmo tipo dos pôsteres.
— Ela ficou super animada quando soube que vocês voltaram — riu. — Sinta-se à vontade.
Assim que parou para analisar mais o quarto, ela sentiu a nostalgia apertar em seu peito. Tentou evitar esse sentimento o tempo todo quando voltou para o Queens, porém havia fracassado. E esse sentimento era bom, confuso, mas bom. Chegava até ser engraçado porque ela nunca queria ter saído do Queens, mas assim que soube que voltaria para o mesmo, ficou triste, também não queria ir embora de Boston. Esse sentimento era muito confuso, mas tudo isso pareceu sumir assim que avistou um boneco do homem de ferro em uma prateleira cheia de bonecos de ficcção.
Ela se aproximou da prateleira, esticando o braço para pegar o boneco de homem de ferro, e, assim que conseguiu, riu de si mesma. Ele continuava o mesmo Peter que conhecera.
Peter acompanhava cada movimento de e, ao perceber que a mesma segurava o boneco rindo, não se segurou e riu junto.
— Você ainda tem ele.
— Sim — respondeu, mesmo não sendo uma pergunta. Se sentou na cama, sendo acompanhado. Encarou o boneco na mão da garota ao seu lado. — É o meu preferido.
se virou para encará-lo, surpresa pela resposta. Peter sentiu seu rosto queimar e voltou a olhar para o boneco.
— Fico feliz por isso — confessou, ainda o encarando. Sorriu pela confissão de Peter e se lembrou de ter dado aquele boneco no último aniversário que ela pôde passar com ele. Sabia que o Homem de Ferro era um dos heróis preferidos dele, então fez questão de ter dado para ele e se sentiu orgulhosa. — Bela coleção de Stars Wars — elogiou, mudando de assunto após perceber que ele não falaria mais nada.
— Você gosta? — agora era a vez dele de encará-la surpreso.
— Prefiro Star Trek, mas, sim, eu gosto — riu, vendo o sorriso de Peter se alargar mais.
— Eu tenho a coleção de Stars Wars, se você quiser, posso te emprestar — Peter ofereceu, feliz por ter um gosto em comum com a nova .
— É sério? — arregalou os olhos, assustando Peter, e pulou para mais perto dele. — Eu adoraria! Assiste comigo também.
Peter corou e se afastou.
— O-quê?
— Eu odeio fazer maratonas sozinha, nunca posso conversar sobre teorias ou me alegrar junto com alguém — explicou, animada demais para perceber que Peter se afastava aos poucos cada vez mais. — Vamos lá, Pete, pelos velhos tempos. Também é uma oportunidade para conversamos mais.
Ela estava animada demais e se esqueceu completamente de toda a confusão que estava sentindo naquele instante, quer dizer, ela nunca foi disso, mesmo tendo algumas recaídas, sempre tentava pensar pelo lado positivo e, ali, viu uma ótima oportunidade.
— Tudo bem, então — concordou tímido, coçando a cabeça. Não tinha como dizer não para ela, que estava toda animada. Mas ele não podia negar que, no fundo, ficou feliz por ela também não ter mudado.
— Crianças — Helen gritou, chamando. — A comida chegou, venham.
Os dois se olharam rápido e caminharam para a sala, onde a mesa já estava ocupada pelas mais velhas e pela comida.
O resto da noite foi agradável, pela felicidade do Peter. Conversaram sobre tudo, e a Helen até falou que agora eles iriam ficar de vez, já que a mecânica da família estava rendendo. Também falou, junto com a May, sobre a infância de Peter e , que ficaram envergonhados pelos comentários.
— Eu sempre achei bonitinho vocês dois — May começou. Ninguém sabia o quanto ela havia esperado por aquele momento. — Achava que iriam crescer juntos e se apaixonariam.
— Tia May! — Peter repreendeu, sentindo as bochechas corarem. Por outro lado, ria da cara dele.
— Eu também, até porque a morria de ciúmes do Peter — Helen contou, achando graça.
— Mãe! — olhou feio para sua mãe, que a ignorou.
— O que foi? É verdade — rebateu, olhando para filha. A menina fez uma careta, e Helen riu, se dando por vencida. — Tudo bem, tudo bem...
Não demorou muito para eles trocarem de assunto, para o alívio dos adolescentes. De vez em quanto, se pegava encarando Peter quando o mesmo se distría. Queria muito se reaproximar de seu ex-melhor amigo e também sentia muito por não ter estado ao lado dele quando seu tio Ben morreu. Ela queria conhecê-lo de novo e ela iria.
Não demorou para e Helen irem embora, já que não podiam ficar muito, pois ainda estava no meio da semana, e eles tinham que ir para a escola amanhã cedo. Se despediram, e May e Helen decidiram que teriam que repetir, mas, desta vez, quem cozinharia seria a Helen. Assim que May fechou a porta com um sorriso no rosto, virou-se e encarou seu sobrinho.
— Estou tão feliz que os Jones voltaram para o Queens — comentou. — Aliás, a está na sua escola também, né? Poderia ajudá-la até se acostumar.
Peter fez uma careta confusa, pensando na possibilidade.
— Não sei se ela vai querer minha ajuda — respondeu, realmente sincero.
— É claro que ela vai! Ela continua a mesma — rebateu, sorrindo. — Agora vai dormir, deixa que eu cuido disso aqui!
— Certo — concordou. — Boa noite, tia May. Amo você.
— Também amo você, querido.

~*

Apesar de ontem ter sido o primeiro dia de , hoje ela estava mais nervosa. Ela não sabia explicar o motivo, talvez o fato da ficha finalmente ter caído de que, a partir de agora, teria que começar desde o início sua vida. Ela não queria ter voltado para o Queens, sua vida toda estava em Boston, e estava ótima por sinal. Teve que deixar todos os seus amigos, conhecidos para trás. Suas experiências. Sua vida toda. realmente não entendia do porquê de seus pais quererem voltar, sendo que a vida deles já estava boa o suficiente.
— Filha, não vai descer? — piscou, saindo dos seus pensamentos, e olhou para a mulher mais velha.
— Eu... não quero.
— Como? — Helen arqueou a sobrancelha, levemente surpresa pela atitude repentina de sua filha.
— Eu não quero começar uma escola nova, mãe! — choramingou, encostando sua cabeça no vidro. — Todos já tem seus amigos, e eu...
! — sua mãe aumentou o tom de voz, fazendo-a dar um pulo em seu banco. — Desde quando você liga para isso? Você sempre foi independente demais para sua idade, nunca ligou para isso. Eu sempre admirei isso em você, filha! O que aconteceu com a minha pequena guerreira? — Helen olhava carinhosamente para sua filha, como se tivesse a reconfortando.
suspirou, fechando seus olhos e abrindo com um sorriso no rosto. Sua auto-confiança. Só precisava de algumas palavras de incentivo.
— Eu precisava disso, Helen Jones — zombou, fazendo sua mãe revirar os olhos.
— Agora vai, to atrasada para o trabalho.
— Estou indo — mandou um beijo no ar e saiu do carro.
Sua mãe tinha razão. Ela tinha que se acostumar com aquilo, querendo ou não, era sua nova realidade. Pelo menos, ela tentaria o máximo.
Adentrou o colégio, respirando fundo, passando pela multidão que só aumentava. Foi até seu armário e, pegando seus livros, ouviu seu vizinho de armário chegar, curiosa, olhou de cantou de olho e viu que era uma menina. A menina, percebendo que estava sendo observada, virou-se para com um sorriso no rosto.
— Oi, meu nome é Liz — cumprimentou, fazendo virar na direção da garota por completo. — Você é nova, né?
— Sou , prazer. E sim, cheguei ontem — respondeu, meio insegura, mas, ao mesmo tempo, feliz por alguém ter puxado conversa com ela. Todo mundo sabe como é difícil fazer amizade em uma escola nova, enquanto todos já têm seus grupinhos.
— Legal, quer que eu te mostre a escola? — sugeriu, para o alívio da novata.
— Eu ia adorar.
Após as duas pegarem o seu material, Liz fez questão de mostrar tudo a , que tentava decorar tudo rapidamente. Como elas chegaram cedo, tiveram tempos antes do sinal bater. analisou Liz e pôde concluir que a garota ao seu lado era bonita, com suas pernas longas, seus cabelos eram negros, assim como sua pele. Usava saltos, que combinava com sua linda saia, e uma blusa, completando o look. Antes que pudesse repensar se aquela era uma boa pergunta, sua boca já tinha sido mais rápida que seu cérebro.
— Você é líder de torcida?
— O quê? — Liz parou de andar, se virando completamente para , rindo pela pergunta estranha. — Não, não sou, por quê?
Sentiu suas bochechas esquentarem e coçou o nariz.
— Por... por nada — acompanhou forçada a risada de Liz.
Ainda achando estranho o comportamento de , tratou de explicar o que ela fazia, enquanto voltaram a andar.
— Eu sou representante e faço parte do Declato Estudantil.
— Sério? Não parece — a morena sentiu suas bochechas esquentarem de novo por ter falado sem um filtro, e a menina ao seu lado a encarava com uma sobrancelha levantada. — Não parece que as pessoas do declato daqui são tão extrovetidas que nem você — emendou rapidamente.
— Por isso o nosso declato é especial — concluiu. — Além do mais, temos uma arma secreta, nosso melhor aluno, Peter.
— O Peter? — arregalou os olhos, mais curiosa. Aquilo era mais coisa que ela não sabia do novo Peter.
— Sim... Você conhece ele? — Liz parou novamente e a encarou.
— Fomos amigos de infância — contou, dando um pequeno sorriso. — Mas, como eu mudei, não mantivemos contato.
— Entendo — assentiu, sentindo uma pontada esquisita que a deixou inquieta, mas antes de continuar sua excursão, escutou novamente a voz de :
— Como faz para entrar no Declato?
Antes de Liz responder, o sinal tocou, e o murmurio do corredor aumentou, fazendo todos correrem de um lado para o outro. As duas, por reflexo, olharam para o corredor, encontrando Peter as olhando. Liz encarou Peter, mas logo abaixou a cabeça e virou-se para . Essa, por outro lado, aumentou seu sorriso e deu um aceno antes de se virar para a representante com mais confiança em sua voz.
— E então, como posso entrar?
Liz ficou olhando para por um tempo antes de prosseguir.
— Me encontre na saída, vou olhar seu boletim.
concordou, antes de ir direção oposta da representante, já que naquele dia não tinham nenhuma aula juntas. Em todas as aulas que teve antes do intervalo, ela fez amizade. Não era difícil conversar com ela, era muito fácil. Apesar de ter feito amizade, só tinha uma pessoa com quem ela queria passar o intervalo com o pouco tempo que tinha. No refeitório, o procurou por toda a parte e sorriu ao ver Peter com mais um menino na mesa. Caminhou até a mesa discretamente, sem chamar a atenção dos dois.
— Oi, Peter. — cumprimentou, fazendo os dois rapazes olharem em sua direção. — Oi...
— Ned — completou, olhando estático para a garota em sua frente.
— Oi, Ned. Sou , prazer — se apresentou, se sentando a mesa para a surpresa dos outros dois.
— Cara — Ned olhou para o amigo, indignado. — Tem uma garota sentada com a gente.
A garota riu com o comentário nada discreto de Ned, o achando divertido.
é uma amiga de infância — explicou, sorrindo meio tímido para a amiga.
Na verdade, Peter estava tão surpreso quanto o Ned por ela estar ali, mas por motivos diferentes. Ela havia procurado por ele. Ela quis se sentar com ele. Por mais que eles não tiveram a chance de se conhecer direito ainda, qualquer um perceberia o quão fácil era se comunicar com . E ele não duvidava que ela não tenha feito amizades melhores do que com dois nerds.
— Mas eu me mudei e fiquei um tempo fora, porém ficarei no Queens por um bom tempo — completou, logo tomando um gole do seu suco, enquanto olhava para as outras pessoas curiosas.
Ned olhava de Peter para , como se estivesse tentando digerir os fatos. Desde quando Peter tinha uma amiga? Ainda mais tão bonita?
— Você é amiga do Peter? — indagou, incrédulo.
— Sou... eu acho — respondeu, meio incerta, fazendo uma careta. Olhou para Peter para ver se ele confirmava, mas brincar com a comida parecia ser mais interassante do que responder uma pergunta.
— E você gosta de Caça-fantasmas? — apontou para a camisa que ela usava, e olhou automaticamente para ela, sorrindo e afirmando.
— Gosto sim. Um clássico eu diria.
— Você é uma garota? — olhou, estático.
— Ned... já chega — Peter pediu, envergonhado pela perguntas nada discretas do seu amigo. Olhou para pedindo desculpa, mas a mesma deu de ombros.
— Da última vez que eu chequei, eu era sim — brincou, arrancando uma risada do Peter. Ned ainda olhava chocado para seu amigo e a menina da frente.
— Vocês são estranhos — uma voz chamou a atenção de todos para uma garota que estava sentada um pouco afastada, sozinha.
— Então, por que você está aqui com a gente? — Ned perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Porque eu quero — respondeu simplesmente, virando a cara, deixando todos confusos.
— Então... — limpou a garganta, chamando a atenção para si após o espetáculo da garota estranha. Se ela queria virar amiga do Peter novamente, teria que se esforçar. — Eu estava falando com a Liz e...
— Você falou com a Liz? — Ned e Peter a interromperam com olhos arregalados.
Peter abriu a boca, surpreso. Não fazia nem dois dias direitos que ela estava na escola e já tinha falado com a Liz. Ele estava com inveja.
arqueou a sobrancelha, achando estranho a reação dos dois, mas decidiu ignorar.
— Sim, ela é legal e...
— O Peter gosta dela! — Ned revelou sem mais nem menos, fazendo os outros dois olharem chocados.
— N-não, não! É mentira, eu não gosto dela! — se defendeu, enquanto dizia rapidamente, se enrolando com as palavras, alternando seus olhares entre os dois da mesa. Ele não sabia se matava o Ned ali mesmo ou tentava se explicar para , que não parava de encará-lo.
— Tá tudo bem, Peter! — o tranquilizou, se preparando para um discurso. — É normal nessa idade gostarmos do sexo oposto, a não ser que você... sabe, e não tem problema nenhum também em você ser...
Ned se esforçou para não rir, mas foi em vão. Peter o olhou, irritado, fazendo o mesmo se calar.
, eu não sou gay — Peter a cortou, corado. — Eu gosto mesmo da Liz.
Ela abriu a boca algumas vezes, surpresa por ele ter admitido algo tão íntimo.
— Oh! Ela sabe?
Ele negou, coçando a cabeça, constrangido.
— Claro que não... e deve continuar assim, ok?
levou sua mão até a boca e fez com que tivesse trancado e jogado a fora chave. Agradeceu com um pequeno sorriso, enquanto o Ned, ao seu lado, ainda ria.
O sinal bateu, os assustando, quando fizeram menção de se despedir, os interromepeu, virando-se uma última vez para os meninos.
— Eu vou encontrar com a Liz para irmos no Declato Estudantil, você vem?
— Não posso — negou, escolhendo uma desculpa aceitável que não levantasse suspeitas. Nem para ela, nem para o Ned. — Tenho que ir procurar um emprego para ajudar a tia May — deu de ombros, assentindo, e continuou seu caminho.

~*

Assim que chegou em casa, conferiu pela casa toda se ela estava sozinha, e, para garatir, chamou por seus pais. Ninguém em casa.
Olhou para o relógio, onde marcava 02:40 p.m. Seus pais só iriam chegar daqui cinco horas, ela teria tempo. Foi para o porão, onde sabia que ninguém da casa entrava, a não ser a mesma. Combinou com seus pais que o porão seria uma aréa só para ela, e os dois concordaram tranquilamente.
Esse era uns dos motivos que ela não queria sair de Boston. Suas experiências. Começou a se dedicar para a tecnologia desde que tinha 11 anos, e sua ambição, após praticamente dominar essa área, só aumentou depois de conhecer os trabalhos do Dr. Erik Selving, ia em praticamente todas as palestras que ele dava. Ela havia ficado fascinada pelos seus trabalhos, principalmente sobre as experiências das coisas de outro mundo.
Então, quando a oportunidade apareceu em sua frente, não tinha como ela deixar passar. Mesmo que se ela fosse considerada uma criminosa para o governo, mas, ainda assim, ninguém sabia o que ela fazia naquele porão e nem iriam saber.
Foi para o porão e conferiu duas vezes se havia trancado a porta, caso, por algum motivo, seus pais chegassem e tentassem entrar no cômodo. Desceu as escadas rapidamente e foi para a mesa escondida. A mesa estava lotada de objetos científicos e o objeto que ocupava quase a mesa toda. Ele estava escondido por um grande pedaço de pano. colocou seus óculos e suas luvas por precaução. Tirou o longo pano, revelando um grande pedaço da peça Ultron.
Pegou uma faca especial, que havia feito do material alienígena, e cortou um pedaço do Ultron. Colocou ao lado, sobre a mesa, pegando um gravador no seu bolso, ligando-o e colocando sobre a mesa.
— Experiência 135, Ultron — falou para si mesma, enquanto analisava o pedaço em sua frente. — Após tantas tentativas e fracassos, posso sentir que estou chegando no resultado no final. Estou perto de finalmente entender sobre as maravilhas alienígenas. E, quando eu finalmente conseguir, ninguém vai me deter.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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