FFOBS - La Excepción, por Lana Guedes


La Excepción

Última atualização: 20/07/2018

Prólogo


Tinha bebido mais do que deveria, tinha certeza absoluta, e a cabeça pesada era a confirmação de que a bebedeira tinha extrapolado os limites do saudável. A cama embaixo de seu corpo estava confortável, não abriria os olhos de forma alguma. Talvez até voltasse a dormir se ficasse quieta. Não que ela pudesse mesmo fazer isso, mas era a sua maior vontade.
A noite tinha sido ótima, lembrava-se de boa parte das coisas. Saiu com alguns colegas de faculdade para comemorar que... comemorar o quê? Isso entrava na lista de coisas que ela tinha esquecido. E tinha ficado com um homem muito bonito. Não que ela se lembre, de fato, do rosto dele, mas sua lembrança do homem é a de que ele era muito bonito. E bom de cama.
Tinham saído juntos e ido para a casa dele, ignorando todas as instruções dos pais que sempre foram enfáticos sobre falar e sair com estranhos. O sexo tinha sido muito bom; não o melhor de sua vida, porque ambos estavam mais bêbados do que deveriam e as coisas foram meio descoordenadas, mas foi muito bom.
Passaria o sábado acompanhada de uma ressaca imensa e duas crianças. A cabeça doía muito mais só de pensar nisso. Ela abriu minimamente o olho direito e viu que o homem ainda dormia. Tinha o corpo espalhado na cama – porque espalhado é a palavra correta para a forma como ele estava –, com o rosto virado para ela. Uma expressão serena de um sono tranquilo pós-bebedeira.
Ela conhecia aquele rosto, e não apenas da noite anterior. Conhecia-o de antes, tinha certeza absoluta. Abriu o outro olho devagar e quase caiu da cama ao ver quem era o homem. Ela se sentou de uma vez, sentindo o corpo protestar e o cômodo girar. Não era possível que, com mais de três milhões de pessoas na cidade de Madrid, sem contar os turistas, ela acabaria transando com um dos melhores amigos do irmão.
– Sou uma mulher morta se ele ficar sabendo. – murmurou para si e se levantou devagar, enrolada ao lençol.
Acharia suas roupas e iria embora sem que ele a visse.
– Ei, aonde você vai? – ela ouviu a voz rouca dele e quis sair correndo, mas estava enrolada ao lençol, não sabia onde estavam suas próprias roupas e não tinha condições físicas de correr depois do porre que tinha tomado na noite anterior.
– Embora? – ela disse numa constatação óbvia.
– Tão cedo? – ele se espreguiçou e se sentou na cama, encarando a mulher que estava de pé procurando as próprias roupas.
– Preciso ir para casa. Cadê minhas roupas?
– Não faço ideia. – ele riu e passou uma das mãos pelos cabelos bagunçados e pelo próprio rosto para afastar o sono que ainda estava lá. – Não dá para repetirmos a dose da noite?
– Infelizmente não, eu tenho mesmo que ir.
– Acho que seu vestido ficou na sala, porque foi lá que começamos. Vou buscar. – ele se levantou completamente nu e ela quis desviar o olhar, mas isso não faria sentido, já tinha visto e usado daquele corpo inteiro na noite anterior.
E, se o fizesse, perderia a chance de admirar a vista espetacular. As costas do coitado estavam todas arranhadas, e ele tinha algumas marcas de chupão pelo abdome e pescoço também. Ele amarrou uma toalha na cintura e saiu do quarto.
Voltou para o quarto trazendo o vestido e a calcinha que tinha ficado pelo sofá, junto com as roupas que ele tinha usado na noite anterior. Ele mal entregou as peças e ela já as estava vestindo com pressa. Ele estava agora só de boxer e tinha a toalha nos ombros.
– Vamos tomar café, deixo-te em casa.
– Não me leve a mal, mas eu prefiro que não me vejam na rua com você.
– Posso saber o motivo? – ele perguntou num tom ofendido.
– Porque eu prefiro que meu irmão não seja preso por duplo homicídio.
– Como assim? – ele perguntou, encarando a garota, e de repente, ele a reconheceu.
Não era possível que, entre tantas pessoas em Madrid, ele tinha que acabar levando aquela para a cama.
– Pela sua cara, você entendeu. – ela deu um sorriso sem jeito. – E acho que nós dois sabemos que o Real Madrid precisa de você vivo, . E do capitão do time em campo, e não na cadeia.


Capítulo 1 – I want to drive you into the corner…


and kiss you without a sound. (Hot – Avril Lavigne)

– Pela cara de ressaca que nunca vai passar, sua noite foi muito boa, hein? – Sergio brincou quando apareceu.
Ela tinha ido em casa, tomado um banho e tentado ficar apresentável, mas não conseguiu um resultado muito consistente, apenas amenizou o máximo que conseguiu as marcas aparentes que tinha deixado em seu corpo.
– Só não foi melhor porque acabou. – respondeu e ele a abraçou, dando-a um beijo no rosto.
– Já tomou café da manhã? – perguntou, dando passagem para a irmã entrar.
– Sim, em casa.
– Na sua casa ou na casa em que você dormiu?
– Eu dormi na minha casa. – resmungou e ele deu um sorriso debochado.
– Você e mais quantos?
– Só eu, idiota. Cuida da sua vida. – ela respondeu e ele deu um sorriso debochado. – Cadê meus pipotinhos?
– Pilar está trocando a fralda do Marco, mi Nano está na sala vendo televisão. E eu estava esperando você chegar ou a Pilar terminar de trocar o Marco para sair, então agora eu vou para o treino, porque senão vou chegar atrasado. Nos vemos mais tarde.
– Bom treino. – ela o deu um beijo no rosto e ele saiu.
seguiu pelo corredor, encontrando o sobrinho mais velho sentado no sofá, assistindo desenho.
– TITIA!
Mi amor. – ela sorriu, apertando Sergio Junior num abraço.
– Posso deixar os dois com você e tomar banho? Estou quase atrasada. – Pilar fez uma careta quando chegou na sala, trazendo Marco no colo, e assentiu.
– Deve.
– A noite foi boa, hein? – repetiu o que o marido tinha dito e deu um sorriso sugestivo para a cunhada. – Eu recomendo passar uma base nesses roxos que estão no seu pescoço.
– E esses são os mais tranquilos. – ela resmungou e Pilar riu.
– Sergio não viu?
– Acho que ele estava com tanta pressa de sair que não viu, mas comentou sobre minha cara.
– Eu vou tomar banho, já volto. – Pilar disse, saindo da sala.
– Titia, vamos brincar lá fora? – Sergio sugeriu.
– Vamos. – ela sorriu, desligando a televisão, e os três saíram para o grande quintal da casa.

-x-


– Acho que o brigou com um leão essa noite. – Marco foi o primeiro a implicar com o amigo no vestiário.
– Nem um leão teria feito tanto estrago assim. – Sergio foi o próximo a implicar, e tratou de vestir a camisa o mais rápido que pode, quase como se o amigo estivesse tentando fazê-lo contar que tinha dormido com sua irmã. – Não adianta, o que está visto, está visto.
– E tem nos braços também. – Lucas acrescentou, rindo.
– E não foi só arranhado, está todo roxo de chupão também. – Morata provocou.
– A noite foi boa, hein, Magia? – Carvajal sorriu sugestivo.
– Excelente. – respondeu, sorrindo, e passou as mãos pelos cabelos. – Mas estou numa ressaca fodida.
– Vocês vão ficar fofocando ou vão treinar? – Bettoni entrou no vestiário e falou, sério.
– Vamos treinar. Até porque podemos fofocar enquanto fazemos isso. – Lucas falou num tom divertido e o homem riu.
Os atletas saíram do vestiário e seguiram até o campo onde treinariam.
Treinar de ressaca foi difícil. Não que ele já não tivesse feito isso algumas vezes, mas era sempre difícil correr enquanto seu corpo implorava por cama, ainda mais que as costas ardiam pelos arranhões conseguidos na noite anterior. Mas a pior parte era quando Sergio o olhava. Parecia que o amigo sabia o que tinha acontecido e estava só esperando o momento certo de picá-lo vivo por ter feito aquilo com sua irmãzinha.
Será que ele sabia? duvidava, afinal teria que ter contado, e pela forma como ela falou com ele pela manhã, estava claro que ela não faria aquilo nem sob tortura. E também não contaria, seria se entregar muito facilmente à morte. Ele tem um filho para criar e uma Copa do Mundo a ganhar, não pode se dar ao luxo de morrer assim tão facilmente.
– Ei, . Acorda! – Morata passou as mãos na frente dos olhos do amigo, que encarava o nada, e pareceu despertá-lo dos pensamentos. – Está pensando na sua noite?
– Mais ou menos.
– Foi tão bom assim?
– Estávamos os dois mais bêbados que o considerado saudável e acho que isso impediu de ser excelente. De zero a dez, sete e meio. Oito.
– Então foi muito bom!
– Foi, mas podia ter sido melhor.
– Liga e repete a dose, mas sem álcool envolvido.
– Eu não tenho o número dela.
– Nunca mais então.
– Aí que você se engana. – deu um sorriso de lado e voltou a correr.
– Como assim? – ele ouviu Morata perguntar, curioso, mas não correu atrás do amigo.
– Nos vemos amanhã. – disse, enquanto saía do vestiário após o treino.
– Não vai tomar banho? – Nacho perguntou e ele negou.
– Tomo banho em casa. E nem estou tão suado. – ele mentiu e deu de ombros.
Sem chance que tiraria aquela camisa ali de novo. E preferia tomar banho em casa, porque podia sentir a dor sozinho e fazer todas as caretas possíveis sem ser zoado.
– Passa uma pomadinha nas costas para não inflamar, Magia. – Sergio Ramos provocou e fez os outros rirem.
queria sair correndo, porque realmente parecia que o homem sabia quem tinha feito aquilo.
– Como assim? – Nacho perguntou sem entender.
Quando os outros implicaram com pelas marcas, o jogador já tinha saído do vestiário e estava no campo.
– Não faço ideia do que esse idiota está falando.
– Do que você me chamou? – Sergio Ramos perguntou num tom ofendido e, como um bom grupo de homens adultos e maduros, os outros soltaram um sonoro “uuuh”.
Sergio seguiu até onde Nacho e estavam, fazendo a feição mais ameaçadora que conseguiu, apesar de estar segurando-se para não rir da cara de pânico que fazia.
– De idiota. Eu ouvi bem. – Lucas respondeu antes que pudesse falar alguma coisa.
– Eu não deixaria barato. Tem que ensinar os subalternos a respeitarem o capitão. – foi a vez de Marco se pronunciar, rindo.
– Achei que tinha sido o Lucas que tinha falado isso, capi. Não precisa ficar bravo, eu estou só brincando. – disse, dando um sorriso de lado e tentando se desculpar.
Sergio parou bem em frente ao homem. Fazia cara de quem tinha realmente se ofendido e, no milésimo de segundo que sabia ter, começou a raciocinar quais eram suas saídas, porque alguma coisa aconteceria, ainda que ele não soubesse o que seria.
Podia correr, mas duvidava que conseguisse chegar até a porta sem que algum dos companheiros o segurasse ou fechasse a porta; podia pedir desculpas por ter transado com a irmã dele, mas não sem ter certeza de que Sergio já sabia e que, portanto, já era um homem morto; podia pedir desculpas pelo que disse, mas não adiantaria se Sergio estivesse mesmo ofendido; podia ficar ali e esperar para ver o que aconteceria.
Antes que tomasse uma decisão sobre o que fazer, Sergio o envolveu num abraço de urso, apertando-o com mais força do que seria necessário para segurá-lo, apenas para fazer os arranhões doerem.
– Ai, porra, me solta. – reclamou e saiu sendo carregado pelo capitão, que arrancava a risada dos demais companheiros, e o jogou na banheira de gelo.
não saberia dizer qual tinha sido a pior sensação: a do choque térmico ou a ardência dos arranhões.
– Isso é para você aprender a respeitar seu capitão. – Sergio disse em tom divertido e mantinha seu braço segurando na água fria. Não mencionou irmã. Não sabe. quase respirou aliviado. – Idiota aqui é só você.
– Você está ficando ofendido muito fácil, capi. Acho melhor você parar de andar com esses bundões. – provocou, mas arrancou uma gargalhada de Sergio, que o soltou e estendeu a mão, ajudando o amigo a sair. – Agora preciso tomar banho. Filho da mãe.
– Sua sorte é que te joguei no gelo, se eu te enfio debaixo do chuveiro quente, você estaria chorando por causa desses arranhões.
– Não é como se eu não estivesse fazendo isso internamente agora. – resmungou e mentalmente agradeceu a todas as entidades superiores das quais conseguia se lembrar, porque não queria nem imaginar o que Sergio Ramos faria com ele se descobrisse.
– Caralho, , você brigou com um leão ontem à noite? – Nacho perguntou, assustado, quando viu sem camisa.
– Só se, além de unhas, o leão também souber usar bem a boca. – Marco respondeu, provocando o amigo. – Porque além de arranhado, ele está todo marcado de chupão.
– Até a boca dele está inchada. – Morata apontou, rindo.
– Que noite para o Magia. – Lucas acrescentou, rindo.
– Tomem conta das vidas de vocês. – respondeu, enquanto se enfiava sob o chuveiro.
A água estava morna e o contato com os arranhões o fez arrepender quase que imediatamente de não ter apenas trocado de roupa e ido embora. Tomou um banho rápido, enquanto ainda ouvia os amigos fazendo piadas sobre as marcas que tinha no corpo e que não sairiam tão cedo. Secou-se de qualquer jeito e não demorou muito a sair e ir embora. Quanto menos tempo ficasse perto de Sergio Ramos, mais seguro se sentiria.

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– O papai vai demorar? – Sergio Junior perguntou, pulando no sofá.
estava deitada no chão e Marco estava dormindo em seu quarto.
– Acho que seu pai deve chegar para o jantar, Nano.
– Estou com fome.
– O que você quer comer? – ela perguntou, olhando para o relógio.
Cinco da tarde.
estava com os dois desde cedo porque Sergio foi treinar; Pilar foi trabalhar, mas passou em casa para amamentar Marco, e os dois – Pilar e Sergio – tinham um evento. Chegariam perto das nove, pelo que disseram, mas disse que não precisavam ter pressa.
Os sobrinhos eram ótimas crianças para se cuidar, bagunceiros, mas obedientes e cheios de energia, e ela amava ficar com os dois, era sempre muito divertido brincar e cuidar deles. Ainda que um deles fosse um bebê que demandasse mais atenção do que diversão.
– Bolo de chocolate! – Sergio parou de pular e a olhou, esperançoso.
Os olhinhos brilhavam e, se não tivesse bolo de chocolate naquela casa, ela atravessaria o mundo por um para o menino.
– Então comeremos bolo de chocolate. – ela sorriu para o menino e se pôs de pé.
Sergio Junior pulou do sofá para o colo da tia e os dois seguiram até a cozinha.
O bolo estava na geladeira e o menino se agitou, animado. Aquele típico bolo de chocolate de vitrine de confeitaria, com calda e pedaços de chocolate. O motivo de um daqueles estar na geladeira daquela casa era um mistério, mas apenas agradecia por ter.
Partiu dois pedaços de bolo maiores do que Pilar e o irmão considerariam saudável e os dois se sentaram à mesa para aproveitar aquela delícia. Enquanto observava o menino comer, passava os olhos pelo Instagram. Talvez descobrisse o que estavam comemorando na noite anterior. Tinha sido marcada em duas fotos de colegas e a legenda fez se lembrar, era a despedida de uma das colegas que estava mudando-se para Portugal.
O Instagram também lhe mostrou uma solicitação nova de amizade. . Ela engasgou com o café que tomava e isso fez o sobrinho rir. Fechou o aplicativo. Se ele estava esperando que ela aceitasse, estava enganado. Ela já tinha infringido a própria regra de nunca sair com jogadores, e não se colocaria em tentação para quebrar a própria regra de novo.

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– Tomara que alguém queira trocar de camisa com você. Vai ser muito engraçado ver essas imagens na televisão depois. – Lucas disse, rindo.
– Cale a boca.
– Convidou a leoa para vir? – provocou e lhe mostrou o dedo do meio.
– Cala a boca. – repetiu e Lucas deu uma gargalhada.
O time se alinhou para entrar em campo e ainda esperava que sua solicitação fosse aceita no Instagram. Se ela deixava que Lucas, Iker, Nacho e Modric a seguissem, ele podia também, certo? E era o único jeito de conseguir falar com , já que não tem o número do seu celular e ela não recebia mensagem de não seguidores, e ele queria desafiar o perigo e chamá-la para sair de novo.
Ele começaria na reserva. Zidane escalou o time misto contra o Sevilla, porque teriam outro jogo no meio da semana e a final da Champions estava próxima. O time venceu por quatro a um, com double de Cristiano, um gol de Nacho e outro de Toni. não saiu do banco naquele jogo, o que para ele era horrível, mas não tinha o que fazer sobre isso. Quando o jogo acabou, tratou de ir rápido para o vestiário, não queria mesmo correr o risco de alguém querer sua camisa.
Os jogadores saíram todos juntos depois de passarem pela área onde alguns concederam entrevistas e ele a viu. Estava encostada em um carro e estava com o celular em mãos, lendo alguma coisa que a fez rir.
– Vai precisar de carona? – a voz de Sergio o despertou e ele olhou para o amigo que vinha andando próximo a ele.
– Peço um táxi.
– Que nada, vamos comigo. Deixo-te em casa. – Sergio sorriu e abraçou o amigo pelos ombros.
– Mas não é seu caminho, não precisa.
– Relaxa. Deixo-te em casa.
– Então tudo bem.
– Me dá a chave. – Sergio disse para a irmã, que ergueu o olhar, e um leve pânico passou por seus olhos quando ela viu quem estava junto do irmão.
mudou de cor quatro vezes antes de assumir um tom meio esverdeado que dava a impressão de que ela vomitaria ou desmaiaria ali mesmo. Não podia ser sério que aquilo estivesse acontecendo. Será que Sergio sabia e estava levando os dois para matá-los num terreno baldio e largar os corpos incinerados por lá?
Não era possível que tivesse contado, porque Sergio estava todo amistoso com o companheiro, e duvidava muito que o irmão estaria assim com qualquer um que tivesse dormido com sua irmãzinha mais nova. Ele estaria com cara de bravo e tendendo ao homicida, e não rindo. E ela preferia nem olhar muito para , porque isso a fazia querer repetir a noite anterior, sem álcool. Lembra-se de cada detalhe daquele corpo, de cada toque, e isso é absurdamente errado e perigoso. Contra as regras. Não.
– Me dá a chave do carro, . – Sergio repetiu.
– Ahn? Ah. – ela despertou dos próprios pensamentos e o encarou confusa. – Por quê?
– Porque eu já te vi dirigindo e não quero morrer indo embora para casa. E esse carro é o meu, então eu vou dirigir. – ele provocou, rindo, e a abraçou, dando um beijo em seu rosto.
– Bom jogo, capi. – ela sorriu para o irmão.
– Oi. – a cumprimentou tentando usar um tom normal. Aquela voz. Ela se lembrava muito bem de como era gostoso ouvi-lo gemer seu nome em seu ouvido.
– Vocês já se conhecem, né? – ele perguntou num tom casual e quase saiu correndo antes de repetir mentalmente que ele não fazia ideia do que tinha acontecido e ela não tinha motivos para se preocupar. E que realmente conhecia de antes.
– Sim. Conhecemo-nos faz um tempo.
– Desde La Decima, se não me engano. Ou antes, não sei.
– É, algo assim. – ela deu de ombros.
– Podemos? – Sergio perguntou, tomando as chaves da irmã, que fez cara feia para o ato do irmão mais velho.
– Pode ir na frente. – disse sem olhá-la por muito tempo, porque se lembrava muito bem daquele corpo em sua cama e sem roupa.
Era melhor evitar.
– Você que sabe. – ela deu de ombros e deu a volta, sentando-se no banco do carona. Sergio tomou seu lugar como motorista e no banco de trás. – Por que Pilar não veio?
– Ela tinha umas coisas do trabalho para fazer.
– Deixe-me em casa primeiro? – pediu ao irmão.
– Na sua casa?
– É. Eu tenho que terminar um trabalho e, se eu for para sua casa, já sei que não vou terminar nada, e isso vai ser um problema enorme.
– Tudo bem. Você se importa, ?
– Sem problemas. – o homem respondeu e deu de ombros.
– Tenho que levar minha irmãzinha para dormir em casa pela primeira vez o fim de semana inteiro. – Sergio brincou.
e travaram em seus lugares. Não era possível que aquilo estava acontecendo.
– Cuida da sua vida. – disse num resmungo.
Ele não demorou a parar o carro à frente de um prédio de fachada simples. Os dois trocaram um abraço e um beijo no rosto antes dela descer do carro, despedindo-se por alto de .
– Quantos anos sua irmã tem?
– Vinte e dois. Por que o interesse? – Sergio perguntou, sério, enquanto passava para o banco do carona.
– Nenhum. – ergueu as mãos. – Só que ela é parece ser bem mais nova que você.
– Eu tinha nove anos quando ela nasceu.
– Vocês se dão bem?
– Muito. – ele sorriu. – Sempre fomos próximos e amigos. Menos quando ela era uma adolescente insuportável, alguns poucos anos atrás. Nós brigamos várias vezes nessa época, mas somos amigos e falamos sobre tudo um com o outro. E ela tem um dom sobrenatural de lidar com crianças. Raramente me preocupo com babás, porque ela sempre cuida bem dos meninos quando pode ficar com eles, e é como se não existissem crianças naquela casa quando ela está por lá.
– Depois me passa o contato então, porque eu tenho sérios problemas com isso de babás. Não acho uma babá que o Junior goste e se adapte. – disse, suspirando derrotado.
– Depois pergunta ao Luka e ao Nacho. Ela ganha um dinheiro extra sendo babá, e os dois devem ser os clientes mais fiéis que ela tem. – Sergio riu. – Ela consegue manter Ivano, Ema, Ale e mi Nano brincando juntos sem brigarem e sem fazerem bagunça. E cuidando de Nachito e Marco também.
– Ela é tipo uma bruxa? – perguntou, rindo.
– Um pouco Mary Poppins, mas sem a música. – Sergio riu. – Mas estou meio ferrado nas férias.
– Por quê?
– Ela vai passar dois meses em Munique fazendo um curso para acrescentar créditos na faculdade, pelo que entendi. No ano passado, ela estava estudando em Londres, e por isso ainda não formou.
– E o que ela estuda?
– Direito.
– Tomara que dê tudo certo para ela. – disse e Sergio parou o carro na entrada do condomínio. – E valeu pela carona, capi.
– Sempre que precisar, Magia. – Sergio sorriu. – Ah, toma aqui o número dela. Talvez seu filho seja o próximo membro da “Creche da Tia ”.
– Valeu, capitán. – agradeceu.
– Se eu te pegar de conversinha com minha irmã, eu quebro suas duas pernas. – Sergio disse, sério, e assentiu, dando um sorriso.
Anotou o número da mulher e seguiu caminhando até sua casa. Victoria estava de carro e tinha uma expressão de impaciente. Não falou com , apenas se despediu do filho e foi embora.


Capítulo 2 – I got only good intentions...


…So give me your attention. (Ruin the Friendship – Demi Lovato)

“Socorra-me, eles vão me deixar doida!”, dizia a mensagem que recebeu de Maria, esposa de Nacho. A mensagem veio acompanhada de uma foto de três crianças: Alejandra, Nachito e Junior. E eles não pareciam estar brincando.
“Chego aí em uma hora, mais ou menos. Vamos fazer um piquenique”, ela enviou de volta e tratou de se arrumar.
A melhor parte de ser uma boa estagiária era que podia trabalhar em casa ou pedir folga em momentos como aquele, porque o chefe sabia que, quando precisasse da ajuda dela, a ajuda viria rápido e de forma muito competente, por sinal. mandou uma mensagem, disse que precisava ajudar uma amiga, e o chefe a liberou, disse que ela tinha o dia livre, e ela, então, poderia sair com as crianças e Maria sem problemas.
Na noite anterior, ela tinha feito um bolo de chocolate, tinha a intenção de levar para os sobrinhos mais tarde naquele dia, contrariando toda a rotina fitness dos pais das crianças, mas Maria parecia precisar muito mais, então seria ela a contemplada com o bolo de chocolate. Fez alguns sanduíches pequenos e os embalou, colocando os pedaços de bolo em uma vasilha e os sanduíches embalados numa bolsa térmica que teve de procurar pela casa. Suco ela compraria quando estivessem saindo, era muito mais prático do que fazer, já que sabia que encontraria suco pronto no supermercado.
Tomou um banho rápido e vestiu-se com uma bermuda, camiseta e tênis, além de passar repelente e protetor solar e levá-los consigo. Ela deixou a bolsa sobre o balcão, enquanto pegava o telefone e ligava para a cunhada. Já que sairia com crianças, podia levar Sergio Junior junto para brincarem um pouco.
Alô. – o telefone foi atendido no segundo toque, e ela pode ouvir uma música de desenho animado ao fundo.
– Oi, Pilar. Sou eu, . Tudo bem?
Tudo, . E você?
– Tudo ótimo. Você vai sair com os meninos?
Não. Por quê?
– Me empresta o Sergio? Vou socorrer Maria com as crianças dela e Junior, vamos fazer um piquenique. Queria levar Nano também.
Claro. Você vem por agora?
– Passo aí em dez minutos. Nem preocupa com banho, porque ele vai voltar para casa imundo.
Eu sei. – ela riu. – Então estaremos esperando.
Ela tinha comprado uma cesta de piquenique há uns meses, ainda que não soubesse bem o motivo quando o fez, e não a tinha usado ainda, então aquela era a oportunidade perfeita de fazê-lo e ter um piquenique de filme pela primeira vez na vida. Pegou uma toalha de mesa grande e colocou tudo dentro da cesta. Seu telefone tocou, e o nome de Maria apareceu na tela.
– Chego daqui a pouco. – disse quando atendeu. – Vou buscar Sergio e vamos.
Pilar também vai?
– Não. Quer dizer, acho que não.
O que você vai levar?
– Bolo e uns sanduíches.
Aqui tem suco, frutas, biscoito e água.
– Vamos levar tudo isso.
Eles vão me deixar doida. – Maria resmungou e riu.
– Daqui a pouco eu chego.
Estou te esperando. – Maria disse e desligou.
saiu após conferir se levava tudo. Buscou o sobrinho e chegou na casa de Maria ainda dentro do prazo de uma hora prometido. Soltou o menino da cadeirinha e seguiram com as mãos dadas até a entrada da casa. Ela podia ouvir as crianças gritando e gargalhando. Maria devia estar prestes a ter um colapso nervoso com três crianças fazendo bagunça, e uma dessas crianças nem um ano tinha ainda. E quando tocou a campainha, Maria atendeu o mais rápido que conseguiu.
– Faça sua mágica, tia . – Maria disse, dando um sorriso nervoso, e riu, abraçando a mulher.
Ela cumprimentou Sergio Junior com um beijo no rosto e os dois entraram na casa.
– TIAAAAA! – Alejandra foi a primeira das crianças a vê-la e correu em sua direção, abraçando-a pelas pernas.
– ALEEEE! Opa. – Junior vinha correndo e parou no meio do caminho quando viu a desconhecida.
– Olha a minha tia! – a menina disse, exibindo como se ela fosse um brinquedo novo que tinha acabado de ganhar, e o menino arregalou os olhos com vergonha e deu meia volta antes que pudesse ser cumprimentado.
Sergio Junior e Ale se abraçaram e saíram juntos e conversando pelo caminho que Junior tinha feito segundos antes. e Maria também foram e chegaram até a sala, onde os quatro estavam.
– Oi, raiozinho de sol! – ela disse, dando um beijo demorado na bochecha de Nachito quando o pegou no colo, e o menino deu uma gargalhada, enquanto o apertava e o beijava.
, esse é o , amigo de Ale e do Nachito. – Maria disse e sorriu para o menino, que a olhava desconfiado.
– Ele é meu amigo também, tia! – Sergio Junior disse e Maria assentiu.
– Oi, . Você é muito mais lindo do que seu pai me falou. – disse, dando um sorriso.
– Você conhece meu pai? – ele perguntou, assustado.
– Conheço. – ela sorriu. – E ele me falou muito sobre você. Disse que você é lindo e que sabe jogar futebol muito bem.
– Ah, então oi! – ele deu um sorriso receptivo e sorriu de volta.
– Podemos ir? – perguntou e os três maiores comemoraram.
– E como faremos? Todos juntos?
– Pode ser. E é até melhor.
– E para onde iremos?
– Parque de Atracciones de Madrid. Que tal? – ofereceu. – Porque se um piquenique não for suficiente, temos opções.
– Ótimo. Então vamos. – Maria disse e estendeu a mão para Sergio Junior, que foi até ela e pegou sua mão, enquanto no outro braço ela carregava Nacho Junior; Ale e Junior deram as mãos para Maria.
Ajeitaram as crianças na minivan dos Fernández Córtes, tomou seu lugar no banco do carona e Maria no lado do motorista. As crianças estavam comportadas, porque Maria colocou um DVD com desenhos para que assistissem enquanto percorriam a distância da casa até o Parque e, claro, para que ficassem quietas pelo menos um pouco. E o principal: para que Alejandra ficasse calada por mais de quinze segundos.
– E por que você não trouxe o Marco? – Maria perguntou, sem desviar os olhos da pista.
– Imagina dois bebês e esses três. – respondeu, rindo.
– Marco e Nachito ficariam comigo, enquanto você daria um chá de cansaço nesses três.
– Marco é tipo a Ale, ligado em potência máxima o dia inteiro.
– Sério? – Maria desviou o olhar, rapidamente, da rua para e pareceu surpresa.
– Muito sério! Quando ele se junta com aqueles três cachorros da casa, é um Deus-nos-acuda. Principalmente se o Sergio Pai estiver junto. E Pilar disse que ia levá-lo ao médico também, em uma daquelas consultas de rotina.
– Entendi. Chegamos. Finalmente. – Maria disse, estacionando o carro, e desligou o DVD, ouvindo os resmungos das crianças. – Nós chegamos.
– EBA! – o coro animado de vozes infantil substituiu as lamúrias, e logo estavam todos fora do carro e caminhando até um bom local para um piquenique.
Sentaram-se sob a sombra de uma árvore e comiam algumas das coisas que tinham sido levadas. Maria tinha ficado preocupada que as crianças não comeriam as frutas, tendo em vista a quantidade de coisas atrativas que tinha levado, mas viu sua preocupação se esvair quando os convenceu a comer primeiro as frutas para que pudessem ir brincar. Parecia mesmo que fazia mágica, porque nenhum ser humano comum era capaz de convencer crianças a comerem frutas quando sanduíches e bolo de chocolate eram opções. Os quatro estavam sentados, quietos, comendo e observando os pássaros que voavam por ali.
– Você faz mágica, não é possível. – Maria falou e riu.
– Tia, você me dá água? – Junior pediu, deitado na toalha, e olhava para o alto.
Tinham comido as frutas e lhes pediu um tempo antes de comerem o bolo e os biscoitos.
– Claro, lindinho. – respondeu, pegando água, e o entregou. Ale e Sergio Junior seguiram a deixa e também pediram água, enquanto Junior se sentava para tomar sua água. – Vamos brincar? – ela sugeriu e as crianças sorriram, animadas.
Pularam, correram, suaram e riram muito, e um bom tempo se passou até que, finalmente, sentiram fome e quiseram comer mais um pouco. Maria tinha ficado sentada com Nachito, observando a brincadeira quase escandalosa de com as crianças, além de ver os pássaros que voavam por ali e deixavam o menino em estado de êxtase; foi a responsável por correr e brincar com os outros três, que pareciam incansáveis e davam gargalhadas aos montes enquanto corriam e brincavam.
As crianças estavam imundas de rolar na grama e suados pelo tanto que correram, mas estavam muito felizes com a atividade diferente da que sempre faziam. Sentaram-se para comer, enquanto as crianças contavam para e Maria o que tinham feito (e daí que as duas estavam lá e tinham visto?) nas brincadeiras.
– Vamos tirar uma foto para mandar para os papais? – Maria perguntou e as crianças comemoraram, animadas; até Sergio Junior, que não era lá um adepto de fotos.
Tiraram uma selfie sorridentes e ela enviou para Nacho, que, obviamente, repassaria aos outros dois pais das crianças presentes na foto. E postou no Instagram, marcando , Nacho, Pilar, Sergio e .
Depois de um tempo, Nachito estava deitado na toalha com e Maria; os maiores, Junior, Alejandra e Sergio Junior estavam na grama, jogando migalhas para os patos e passarinhos, e achavam isso a coisa mais divertida do mundo.
– Tia, nós vamos passear agora? – Alejandra perguntou, virando-se para .
– Vocês querem fazer alguma coisa? – ela perguntou e acariciou os cabelos de Nachito, que estava deitado ao seu lado.
– Zoo! – Junior deu um sorriso animado e os outros dois concordaram, animados.
– Então vamos passear no zoo. – respondeu, sorrindo, e Alejandra comemorou com palminhas. – Vamos juntar as coisas e guardar no carro, depois vamos para o zoo.
As duas mais velhas juntaram as coisas com “ajuda” das crianças, foram até o carro guardar as coisas e seguiram para o zoológico, dentro do próprio parque. As crianças estavam encantadas, e apesar de não apoiar a existência de zoológicos, considerava absurdamente fofo e encantador como as crianças ficavam felizes ao verem os animais tão de perto.
Não andaram por todo lugar, claro, viram alguns dos bichos, foram ao aquário, ao tanque de golfinhos, depois de Sergio Junior pedir insistentemente para irem até lá. e Maria tiraram algumas fotos e resolveram que era hora de ir embora com as crianças.
– Ainda são cinco horas, o jogo é só às oito. – Maria olhou o relógio enquanto caminhavam até o carro.
– Quer ir para sua casa? Eu te ajudo com eles.
– Se você for me ajudar mesmo, vamos. Apesar de achar que eles vão dormir antes de chegarmos lá.
– Não vão. – deu um sorriso. – Só mantê-los interessados em ficar acordados.
– Eu não sei até onde eles ficarem acordados é bom. – Maria riu, enquanto tinha Sergio Junior sobre os ombros e caminhava de mão dada com Junior.
– Se eles ficarem acordados agora à tarde, vão dormir cedo.
– Eu não vou dormir. Quero ver meu pai jogar. – Junior disse, cheio de opinião, fazendo e Maria rirem.
– Então vamos combinar o seguinte: vamos ficar acordados e brincar bastante quando chegarmos em casa, que aí ninguém perde o jogo, e vamos todos poder torcer para o Real. O que vocês acham?
– Sim! – Alejandra, Sergio Junior e Junior disseram, animados, enquanto caminhavam.
Nachito estava quase dormindo no colo da mãe, não daria trabalho algum para elas. Bom, talvez mais tarde.
As crianças foram colocadas em suas cadeirinhas, e para que não dormissem durante o percurso, foi cantando com eles e fazendo o máximo de gracinhas e brincadeiras que conseguia para que todos chegassem acordados na casa de Maria e Nacho. À exceção de Nachito, que foi o único que dormiu basicamente quando foi colocado em sua cadeirinha.

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– Maria recorreu à supertia . – Nacho falou, rindo, e mostrou a foto para Sergio Ramos e .
– Ela postou no Instagram. – Sergio Ramos disse e deu um sorriso ao rever a foto. – E pelo jeito a tia conseguiu mais um membro para o fã clube.
– Nunca vi o Junior assim com algum adulto que ele não conhece sem que eu ou a mãe dele estivéssemos perto. – soltou num muxoxo, enquanto observava a foto em que o filho estava nas costas de , abraçava-a pelo pescoço, tinha o rosto bem próximo ao dela e dava um sorriso imenso para a foto.
– É impossível explicar como ela faz essas coisas. Ale e Nachito a adoram desde que nasceram.
– Eu nem sabia que ela ia ficar com mi Nano hoje.
– Deve ter levado quando Maria pediu socorro. – Nacho presumiu. – E pela mensagem que Maria me mandou agora pouco, eles ainda estavam brincando lá em casa cheios de energia.
– Eles nem vão ver o jogo. Quer apostar? – Sergio Ramos falou, rindo.
Conhecia aquela tática da irmã.
– Aposto que não verão mesmo. está dando um chá de cansaço neles. Sua irmã é um anjo.
– Não é à toa que é minha irmã. – Sergio disse, convencido.
– É, mas ela é um anjo do bem, já você... – Nacho implicou e ganhou um tapa na nuca.
– E é claro que ela deixa as crianças quietas porque sabe lidar com elas, e não porque é assustadora igual a você. – falou, rindo, e Sergio Ramos acabou não conseguindo se conter e o acompanhou na risada.
– É melhor ser temido do que amado, . – Sergio disse, ainda rindo.
– Estamos saindo. – Álvaro Morata chamou, e seguiram até o ônibus que os levaria para o estádio.

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– Agora que as ferinhas estão de banho tomado e dormindo, e que isso vai durar até amanhã e o jogo já acabou, eu vou embora com essa criança que passou o dia fora e de quem a mãe deve estar sentindo muita falta. – sussurrou e Maria, meio sonolenta, assentiu.
– Eu nem sei o quanto lhe agradeço por toda a ajuda hoje, . toda hora perguntava do pai e até chorou quando percebeu que ele tinha ido embora e não voltaria tão cedo para buscá-lo, eu estava quase entrando em desespero de verdade, porque a Ale resolveu acordar totalmente ligada e bagunceira. E Nachito também – Maria falou em tom cansado e sorriu para a amiga.
– Sempre que precisar e eu puder ajudar, sabe que pode me chamar e eu venho correndo. – pegou Sergio no colo e Maria saiu com ela.
As duas trocaram um abraço de despedida depois de colocar o sobrinho, totalmente adormecido, em sua cadeirinha. Ela dirigiu até a casa dos Ramos Rúbio e mal bateu na porta, Pilar a atendeu. Sergio Junior foi colocado em seu quarto, e as duas se despediram rapidamente depois de Pilar agradecê-la pelo passeio com o menino. foi embora para casa sem se demorar com a cunhada, pois precisava vencer o cansaço e estudar para a prova que teria no dia seguinte, de manhã.
A marcação da foto que Maria tinha feito lhe rendeu diversas solicitações de amizade e marcações em fotos de perfis sobre famílias dos jogadores e fã-clubes do irmão, de Nacho, Maria e das crianças. Aquilo era tudo que vinha evitando durante sua vida quase inteira e, aparentemente, o “Ramos García” em seu sobrenome chamou a atenção.
Não que as pessoas não soubessem que Sergio tinha uma irmã mais nova, mas ninguém antes tinha se dado o trabalho de procurar pelo seu perfil no Instagram, já que tinha proibido, permanentemente, o irmão de marcá-la em qualquer coisa. A pessoa famosa é ele, não ela. preferia a discrição.

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– Obrigado mesmo por você ter cuidado dele, Maria. E desculpa pelo trabalho que ele deu. – agradeceu quando chegou junto com Nacho à casa deste.
– Ale e Nachito adoram brincar com ele. E foi ótimo ficar com ele aqui, . Ele ficou meio enjoadinho no começo, perguntou diversas vezes por você e quando você voltaria, mas depois esqueceu completamente que tinha um pai. – Maria disse em tom divertido.
– E ele adora brincar com os dois. – deu um sorriso. – Ele ainda está dormindo?
– Sim. Ainda é bem cedo, né, ? E eles estão bastante cansados de ontem, porque brincaram o dia inteiro e só pararam perto da hora do jogo, quando demos banho, e eles mal saíram do chuveiro e estavam dormindo o sono mais profundo que já vi crianças dormirem. – Maria falou, dando um sorriso para o amigo. – Venham tomar café, vocês devem estar famintos.

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PAPI! – Junior falou, animado, quando entrou na cozinha, acompanhado de Alejandra, e viu o pai ali.
A primeira coisa que fez foi correr até o mais velho e abraçar as pernas do pai. Nachito vinha no colo da mãe e esfregava os olhinhos, com uma expressão pouco humorada, num claro sinal de quem tinha acordado contra a própria vontade.
Mi campeón. – falou e ergueu o filho, dando-lhe um beijo no rosto, depois bagunçou os cabelos de Alejandra e Nacho Junior. – Como foi ontem?
– MUITO LEGAL! – o menino falou alto e sorriu, animado.
– Brincamos um tantão, tio. – Alejandra se pronunciou, dando um sorriso.
– Teve piquenique e a gente brincou com a tia !
– Tia ? – perguntou um tanto surpreso com a intimidade e o menino assentiu, sorrindo.
– A gente viu o leão, papai! E o urso! E um tantão de golfinho! Foi muito legal, a tia brincou muito com a gente.
– Sério? Que legal. – sorriu, enquanto o menino contava sobre o dia anterior, com a ajuda de Alejandra, que também falava e gesticulava animadíssima, como sempre.
Os dois – e Junior – ficaram por mais um tempo na casa dos Fernández Córtes, até que resolveu que era hora de irem embora para a própria casa, porque queria se trocar e descansar um pouco, recusando educadamente o convite de ficarem e almoçarem todos juntos ali. A casa de Nacho era relativamente perto, mas preferiu pedir um táxi a arriscar ir caminhando com o filho até seu condomínio.
O menino ainda contava animado sobre o dia anterior, repetindo tudo que já tinha dito e sendo bem enfático e animado ao falar sobre como tinha amado o passeio que tinham feito e o como tinha brincado bastante com Sergio Junior, Alejandra, Nachito e . Quer dizer, tia .
– Eu nem dei tchau para a tia , papi, ela vai ficar triste comigo. – Júnior disse quando chegaram em casa, sendo recebidos por um Bubu muito animado.
– Não vai, filho. Você estava dormindo, não tinha como dar tchau para ela.
– Você liga para ela para eu poder pedir ‘decupa? – o menino pediu, dando um sorriso quase irresistível.
– Ela deve estar na aula, filho. Falamos com ela depois, mas não precisa pedir desculpa, ela sabe que você não fez por mal.
– Depois você me deixa brincar com ela? – pediu e olhou, surpreso.
– Ahn... Claro. – disse, meio incerto, mas sorriu. – Só que agora vamos almoçar, mais tarde a gente pode brincar com Bubu ou nadar um pouco.
– EBA! – Junior comemorou a ideia do pai e os dois subiram as escadas da casa, sendo seguidos pelos passinhos apressados de Bubu, o pequeno Spitz Alemão de estimação de , que tinha sido adquirido quando era noivo de Victoria, que ainda latia satisfeito por ter o dono em casa finalmente.
– O que você quer almoçar?
– Não sei. – ele levantou as mãozinhas, fazendo uma expressão de quem não tinha ideia do que queria para o almoço, e deu uma risada enquanto tirava a camisa social que usava, deixando sobre a poltrona. – Ainda tá dodói papai.
– Mas já está sarando, filho. – ele deu um sorrisinho que o filho não viu.
Foi ao closet pegar uma bermuda e voltou com uma camiseta em mãos. Os dois desceram as escadas e foram para a cozinha. Ele precisava dar um jeito de aprender a cozinhar ou contratar alguém para ajudá-lo com isso. Ligou para um restaurante que vendia uma comida muito boa e pediu que entregassem uma boa, completa e saudável refeição. Enquanto esperava, pegou o celular para enviar uma mensagem a .
: Seu irmão me passou seu número no dia do jogo, quando falou que você ganhava um dinheiro extra sendo babá. Eu não tive coragem de te pedir para cuidar do Junior, mas queria te agradecer por ter ajudado Maria ontem.
Ele virou seu fã, não para de falar de você e perguntar quando vocês vão poder brincar de novo. E isso é muito raro, porque ele é tímido e te adorou de primeira.
Obrigado, de verdade.

enviou a mensagem com um pouco de dúvida se deveria mesmo ter feito isso, porque ela não tinha lhe passado o próprio número, então podia considerar aquilo invasivo ou ignorá-lo. Deixou o celular de lado por um tempo, enquanto esperavam pelo almoço pedido, que não demorou tanto a chegar, e ele tratou de dar comida ao filho e de comer também, porque estava com fome e tinha se arrependido de não ter aceitado o convite de Maria para que almoçassem por lá.
O celular alertou a chegada de uma mensagem, e ele viu que era de quando desbloqueou a tela do aparelho.
: Oi, , sem problemas. Bom que já fica salvo e você me fala quando precisar, porque ficar com ele será um prazer!
Ele é uma criança ótima, muito criativo, cheio de energia, muito fofo, carinhoso, educado e muito alegre. Adorei brincar com ele, e quando você quiser ou precisar, nesses dias de preparação para a final da Champions, fico com ele sem problemas. Mande um beijo enorme para ele e diga que eu também o adorei.

: Acho que vou querer, sim, ele volta comigo depois do último jogo da Liga, e eu vou passar meus dias todos treinando.
E aproveitando que estamos conversando, ele vai para Málaga antes de mim, você acha que podemos nos ver de novo? Com menos álcool, se você preferir. Você aceita?


Continua...



Nota da autora: Eu tô chocada com a quantidade de gente lendo, real oficial dakfjdahsfksdfjalkdf obrigadíssima por cada comentário deixado e espero que eu não desaponte ninguém com o caminhar dessa estória (que inclusive já está finalizada :x). E não me matem por ter parado nessa parte hahahahhaha contem-me suas impressões sobre o que vem de resposta da PP a essa mensagem de Francisco :P <3

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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