La Excepción

Última atualização: 20/01/2019

Prólogo


Tinha bebido mais do que deveria, tinha certeza absoluta, e a cabeça pesada era a confirmação de que a bebedeira tinha extrapolado os limites do saudável. A cama embaixo de seu corpo estava confortável, não abriria os olhos de forma alguma. Talvez até voltasse a dormir se ficasse quieta. Não que ela pudesse mesmo fazer isso, mas era a sua maior vontade.
A noite tinha sido ótima, lembrava-se de boa parte das coisas. Saiu com alguns colegas de faculdade para comemorar que... comemorar o quê? Isso entrava na lista de coisas que ela tinha esquecido. E tinha ficado com um homem muito bonito. Não que ela se lembre, de fato, do rosto dele, mas sua lembrança do homem é a de que ele era muito bonito. E bom de cama.
Tinham saído juntos e ido para a casa dele, ignorando todas as instruções dos pais que sempre foram enfáticos sobre falar e sair com estranhos. O sexo tinha sido muito bom; não o melhor de sua vida, porque ambos estavam mais bêbados do que deveriam e as coisas foram meio descoordenadas, mas foi muito bom.
Passaria o sábado acompanhada de uma ressaca imensa e duas crianças. A cabeça doía muito mais só de pensar nisso. Ela abriu minimamente o olho direito e viu que o homem ainda dormia. Tinha o corpo espalhado na cama – porque espalhado é a palavra correta para a forma como ele estava –, com o rosto virado para ela. Uma expressão serena de um sono tranquilo pós-bebedeira.
Ela conhecia aquele rosto, e não apenas da noite anterior. Conhecia-o de antes, tinha certeza absoluta. Abriu o outro olho devagar e quase caiu da cama ao ver quem era o homem. Ela se sentou de uma vez, sentindo o corpo protestar e o cômodo girar. Não era possível que, com mais de três milhões de pessoas na cidade de Madrid, sem contar os turistas, ela acabaria transando com um dos melhores amigos do irmão.
– Sou uma mulher morta se ele ficar sabendo. – murmurou para si e se levantou devagar, enrolada ao lençol.
Acharia suas roupas e iria embora sem que ele a visse.
– Ei, aonde você vai? – ela ouviu a voz rouca dele e quis sair correndo, mas estava enrolada ao lençol, não sabia onde estavam suas próprias roupas e não tinha condições físicas de correr depois do porre que tinha tomado na noite anterior.
– Embora? – ela disse numa constatação óbvia.
– Tão cedo? – ele se espreguiçou e se sentou na cama, encarando a mulher que estava de pé procurando as próprias roupas.
– Preciso ir para casa. Cadê minhas roupas?
– Não faço ideia. – ele riu e passou uma das mãos pelos cabelos bagunçados e pelo próprio rosto para afastar o sono que ainda estava lá. – Não dá para repetirmos a dose da noite?
– Infelizmente não, eu tenho mesmo que ir.
– Acho que seu vestido ficou na sala, porque foi lá que começamos. Vou buscar. – ele se levantou completamente nu e ela quis desviar o olhar, mas isso não faria sentido, já tinha visto e usado daquele corpo inteiro na noite anterior.
E, se o fizesse, perderia a chance de admirar a vista espetacular. As costas do coitado estavam todas arranhadas, e ele tinha algumas marcas de chupão pelo abdome e pescoço também. Ele amarrou uma toalha na cintura e saiu do quarto.
Voltou para o quarto trazendo o vestido e a calcinha que tinha ficado pelo sofá, junto com as roupas que ele tinha usado na noite anterior. Ele mal entregou as peças e ela já as estava vestindo com pressa. Ele estava agora só de boxer e tinha a toalha nos ombros.
– Vamos tomar café, deixo-te em casa.
– Não me leve a mal, mas eu prefiro que não me vejam na rua com você.
– Posso saber o motivo? – ele perguntou num tom ofendido.
– Porque eu prefiro que meu irmão não seja preso por duplo homicídio.
– Como assim? – ele perguntou, encarando a garota, e de repente, ele a reconheceu.
Não era possível que, entre tantas pessoas em Madrid, ele tinha que acabar levando aquela para a cama.
– Pela sua cara, você entendeu. – ela deu um sorriso sem jeito. – E acho que nós dois sabemos que o Real Madrid precisa de você vivo, . E do capitão do time em campo, e não na cadeia.


Capítulo 1 – I want to drive you into the corner…


and kiss you without a sound. (Hot – Avril Lavigne)

– Pela cara de ressaca que nunca vai passar, sua noite foi muito boa, hein? – Sergio brincou quando apareceu.
Ela tinha ido em casa, tomado um banho e tentado ficar apresentável, mas não conseguiu um resultado muito consistente, apenas amenizou o máximo que conseguiu as marcas aparentes que tinha deixado em seu corpo.
– Só não foi melhor porque acabou. – respondeu e ele a abraçou, dando-a um beijo no rosto.
– Já tomou café da manhã? – perguntou, dando passagem para a irmã entrar.
– Sim, em casa.
– Na sua casa ou na casa em que você dormiu?
– Eu dormi na minha casa. – resmungou e ele deu um sorriso debochado.
– Você e mais quantos?
– Só eu, idiota. Cuida da sua vida. – ela respondeu e ele deu um sorriso debochado. – Cadê meus pipotinhos?
– Pilar está trocando a fralda do Marco, mi Nano está na sala vendo televisão. E eu estava esperando você chegar ou a Pilar terminar de trocar o Marco para sair, então agora eu vou para o treino, porque senão vou chegar atrasado. Nos vemos mais tarde.
– Bom treino. – ela o deu um beijo no rosto e ele saiu.
seguiu pelo corredor, encontrando o sobrinho mais velho sentado no sofá, assistindo desenho.
– TITIA!
Mi amor. – ela sorriu, apertando Sergio Junior num abraço.
– Posso deixar os dois com você e tomar banho? Estou quase atrasada. – Pilar fez uma careta quando chegou na sala, trazendo Marco no colo, e assentiu.
– Deve.
– A noite foi boa, hein? – repetiu o que o marido tinha dito e deu um sorriso sugestivo para a cunhada. – Eu recomendo passar uma base nesses roxos que estão no seu pescoço.
– E esses são os mais tranquilos. – ela resmungou e Pilar riu.
– Sergio não viu?
– Acho que ele estava com tanta pressa de sair que não viu, mas comentou sobre minha cara.
– Eu vou tomar banho, já volto. – Pilar disse, saindo da sala.
– Titia, vamos brincar lá fora? – Sergio sugeriu.
– Vamos. – ela sorriu, desligando a televisão, e os três saíram para o grande quintal da casa.

-x-


– Acho que o brigou com um leão essa noite. – Marco foi o primeiro a implicar com o amigo no vestiário.
– Nem um leão teria feito tanto estrago assim. – Sergio foi o próximo a implicar, e tratou de vestir a camisa o mais rápido que pode, quase como se o amigo estivesse tentando fazê-lo contar que tinha dormido com sua irmã. – Não adianta, o que está visto, está visto.
– E tem nos braços também. – Lucas acrescentou, rindo.
– E não foi só arranhado, está todo roxo de chupão também. – Morata provocou.
– A noite foi boa, hein, Magia? – Carvajal sorriu sugestivo.
– Excelente. – respondeu, sorrindo, e passou as mãos pelos cabelos. – Mas estou numa ressaca fodida.
– Vocês vão ficar fofocando ou vão treinar? – Bettoni entrou no vestiário e falou, sério.
– Vamos treinar. Até porque podemos fofocar enquanto fazemos isso. – Lucas falou num tom divertido e o homem riu.
Os atletas saíram do vestiário e seguiram até o campo onde treinariam.
Treinar de ressaca foi difícil. Não que ele já não tivesse feito isso algumas vezes, mas era sempre difícil correr enquanto seu corpo implorava por cama, ainda mais que as costas ardiam pelos arranhões conseguidos na noite anterior. Mas a pior parte era quando Sergio o olhava. Parecia que o amigo sabia o que tinha acontecido e estava só esperando o momento certo de picá-lo vivo por ter feito aquilo com sua irmãzinha.
Será que ele sabia? duvidava, afinal teria que ter contado, e pela forma como ela falou com ele pela manhã, estava claro que ela não faria aquilo nem sob tortura. E também não contaria, seria se entregar muito facilmente à morte. Ele tem um filho para criar e uma Copa do Mundo a ganhar, não pode se dar ao luxo de morrer assim tão facilmente.
– Ei, . Acorda! – Morata passou as mãos na frente dos olhos do amigo, que encarava o nada, e pareceu despertá-lo dos pensamentos. – Está pensando na sua noite?
– Mais ou menos.
– Foi tão bom assim?
– Estávamos os dois mais bêbados que o considerado saudável e acho que isso impediu de ser excelente. De zero a dez, sete e meio. Oito.
– Então foi muito bom!
– Foi, mas podia ter sido melhor.
– Liga e repete a dose, mas sem álcool envolvido.
– Eu não tenho o número dela.
– Nunca mais então.
– Aí que você se engana. – deu um sorriso de lado e voltou a correr.
– Como assim? – ele ouviu Morata perguntar, curioso, mas não correu atrás do amigo.
– Nos vemos amanhã. – disse, enquanto saía do vestiário após o treino.
– Não vai tomar banho? – Nacho perguntou e ele negou.
– Tomo banho em casa. E nem estou tão suado. – ele mentiu e deu de ombros.
Sem chance que tiraria aquela camisa ali de novo. E preferia tomar banho em casa, porque podia sentir a dor sozinho e fazer todas as caretas possíveis sem ser zoado.
– Passa uma pomadinha nas costas para não inflamar, Magia. – Sergio Ramos provocou e fez os outros rirem.
queria sair correndo, porque realmente parecia que o homem sabia quem tinha feito aquilo.
– Como assim? – Nacho perguntou sem entender.
Quando os outros implicaram com pelas marcas, o jogador já tinha saído do vestiário e estava no campo.
– Não faço ideia do que esse idiota está falando.
– Do que você me chamou? – Sergio Ramos perguntou num tom ofendido e, como um bom grupo de homens adultos e maduros, os outros soltaram um sonoro “uuuh”.
Sergio seguiu até onde Nacho e estavam, fazendo a feição mais ameaçadora que conseguiu, apesar de estar segurando-se para não rir da cara de pânico que fazia.
– De idiota. Eu ouvi bem. – Lucas respondeu antes que pudesse falar alguma coisa.
– Eu não deixaria barato. Tem que ensinar os subalternos a respeitarem o capitão. – foi a vez de Marco se pronunciar, rindo.
– Achei que tinha sido o Lucas que tinha falado isso, capi. Não precisa ficar bravo, eu estou só brincando. – disse, dando um sorriso de lado e tentando se desculpar.
Sergio parou bem em frente ao homem. Fazia cara de quem tinha realmente se ofendido e, no milésimo de segundo que sabia ter, começou a raciocinar quais eram suas saídas, porque alguma coisa aconteceria, ainda que ele não soubesse o que seria.
Podia correr, mas duvidava que conseguisse chegar até a porta sem que algum dos companheiros o segurasse ou fechasse a porta; podia pedir desculpas por ter transado com a irmã dele, mas não sem ter certeza de que Sergio já sabia e que, portanto, já era um homem morto; podia pedir desculpas pelo que disse, mas não adiantaria se Sergio estivesse mesmo ofendido; podia ficar ali e esperar para ver o que aconteceria.
Antes que tomasse uma decisão sobre o que fazer, Sergio o envolveu num abraço de urso, apertando-o com mais força do que seria necessário para segurá-lo, apenas para fazer os arranhões doerem.
– Ai, porra, me solta. – reclamou e saiu sendo carregado pelo capitão, que arrancava a risada dos demais companheiros, e o jogou na banheira de gelo.
não saberia dizer qual tinha sido a pior sensação: a do choque térmico ou a ardência dos arranhões.
– Isso é para você aprender a respeitar seu capitão. – Sergio disse em tom divertido e mantinha seu braço segurando na água fria. Não mencionou irmã. Não sabe. quase respirou aliviado. – Idiota aqui é só você.
– Você está ficando ofendido muito fácil, capi. Acho melhor você parar de andar com esses bundões. – provocou, mas arrancou uma gargalhada de Sergio, que o soltou e estendeu a mão, ajudando o amigo a sair. – Agora preciso tomar banho. Filho da mãe.
– Sua sorte é que te joguei no gelo, se eu te enfio debaixo do chuveiro quente, você estaria chorando por causa desses arranhões.
– Não é como se eu não estivesse fazendo isso internamente agora. – resmungou e mentalmente agradeceu a todas as entidades superiores das quais conseguia se lembrar, porque não queria nem imaginar o que Sergio Ramos faria com ele se descobrisse.
– Caralho, , você brigou com um leão ontem à noite? – Nacho perguntou, assustado, quando viu sem camisa.
– Só se, além de unhas, o leão também souber usar bem a boca. – Marco respondeu, provocando o amigo. – Porque além de arranhado, ele está todo marcado de chupão.
– Até a boca dele está inchada. – Morata apontou, rindo.
– Que noite para o Magia. – Lucas acrescentou, rindo.
– Tomem conta das vidas de vocês. – respondeu, enquanto se enfiava sob o chuveiro.
A água estava morna e o contato com os arranhões o fez arrepender quase que imediatamente de não ter apenas trocado de roupa e ido embora. Tomou um banho rápido, enquanto ainda ouvia os amigos fazendo piadas sobre as marcas que tinha no corpo e que não sairiam tão cedo. Secou-se de qualquer jeito e não demorou muito a sair e ir embora. Quanto menos tempo ficasse perto de Sergio Ramos, mais seguro se sentiria.

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– O papai vai demorar? – Sergio Junior perguntou, pulando no sofá.
estava deitada no chão e Marco estava dormindo em seu quarto.
– Acho que seu pai deve chegar para o jantar, Nano.
– Estou com fome.
– O que você quer comer? – ela perguntou, olhando para o relógio.
Cinco da tarde.
estava com os dois desde cedo porque Sergio foi treinar; Pilar foi trabalhar, mas passou em casa para amamentar Marco, e os dois – Pilar e Sergio – tinham um evento. Chegariam perto das nove, pelo que disseram, mas disse que não precisavam ter pressa.
Os sobrinhos eram ótimas crianças para se cuidar, bagunceiros, mas obedientes e cheios de energia, e ela amava ficar com os dois, era sempre muito divertido brincar e cuidar deles. Ainda que um deles fosse um bebê que demandasse mais atenção do que diversão.
– Bolo de chocolate! – Sergio parou de pular e a olhou, esperançoso.
Os olhinhos brilhavam e, se não tivesse bolo de chocolate naquela casa, ela atravessaria o mundo por um para o menino.
– Então comeremos bolo de chocolate. – ela sorriu para o menino e se pôs de pé.
Sergio Junior pulou do sofá para o colo da tia e os dois seguiram até a cozinha.
O bolo estava na geladeira e o menino se agitou, animado. Aquele típico bolo de chocolate de vitrine de confeitaria, com calda e pedaços de chocolate. O motivo de um daqueles estar na geladeira daquela casa era um mistério, mas apenas agradecia por ter.
Partiu dois pedaços de bolo maiores do que Pilar e o irmão considerariam saudável e os dois se sentaram à mesa para aproveitar aquela delícia. Enquanto observava o menino comer, passava os olhos pelo Instagram. Talvez descobrisse o que estavam comemorando na noite anterior. Tinha sido marcada em duas fotos de colegas e a legenda fez se lembrar, era a despedida de uma das colegas que estava mudando-se para Portugal.
O Instagram também lhe mostrou uma solicitação nova de amizade. . Ela engasgou com o café que tomava e isso fez o sobrinho rir. Fechou o aplicativo. Se ele estava esperando que ela aceitasse, estava enganado. Ela já tinha infringido a própria regra de nunca sair com jogadores, e não se colocaria em tentação para quebrar a própria regra de novo.

-x-


– Tomara que alguém queira trocar de camisa com você. Vai ser muito engraçado ver essas imagens na televisão depois. – Lucas disse, rindo.
– Cale a boca.
– Convidou a leoa para vir? – provocou e lhe mostrou o dedo do meio.
– Cala a boca. – repetiu e Lucas deu uma gargalhada.
O time se alinhou para entrar em campo e ainda esperava que sua solicitação fosse aceita no Instagram. Se ela deixava que Lucas, Iker, Nacho e Modric a seguissem, ele podia também, certo? E era o único jeito de conseguir falar com , já que não tem o número do seu celular e ela não recebia mensagem de não seguidores, e ele queria desafiar o perigo e chamá-la para sair de novo.
Ele começaria na reserva. Zidane escalou o time misto contra o Sevilla, porque teriam outro jogo no meio da semana e a final da Champions estava próxima. O time venceu por quatro a um, com double de Cristiano, um gol de Nacho e outro de Toni. não saiu do banco naquele jogo, o que para ele era horrível, mas não tinha o que fazer sobre isso. Quando o jogo acabou, tratou de ir rápido para o vestiário, não queria mesmo correr o risco de alguém querer sua camisa.
Os jogadores saíram todos juntos depois de passarem pela área onde alguns concederam entrevistas e ele a viu. Estava encostada em um carro e estava com o celular em mãos, lendo alguma coisa que a fez rir.
– Vai precisar de carona? – a voz de Sergio o despertou e ele olhou para o amigo que vinha andando próximo a ele.
– Peço um táxi.
– Que nada, vamos comigo. Deixo-te em casa. – Sergio sorriu e abraçou o amigo pelos ombros.
– Mas não é seu caminho, não precisa.
– Relaxa. Deixo-te em casa.
– Então tudo bem.
– Me dá a chave. – Sergio disse para a irmã, que ergueu o olhar, e um leve pânico passou por seus olhos quando ela viu quem estava junto do irmão.
mudou de cor quatro vezes antes de assumir um tom meio esverdeado que dava a impressão de que ela vomitaria ou desmaiaria ali mesmo. Não podia ser sério que aquilo estivesse acontecendo. Será que Sergio sabia e estava levando os dois para matá-los num terreno baldio e largar os corpos incinerados por lá?
Não era possível que tivesse contado, porque Sergio estava todo amistoso com o companheiro, e duvidava muito que o irmão estaria assim com qualquer um que tivesse dormido com sua irmãzinha mais nova. Ele estaria com cara de bravo e tendendo ao homicida, e não rindo. E ela preferia nem olhar muito para , porque isso a fazia querer repetir a noite anterior, sem álcool. Lembra-se de cada detalhe daquele corpo, de cada toque, e isso é absurdamente errado e perigoso. Contra as regras. Não.
– Me dá a chave do carro, . – Sergio repetiu.
– Ahn? Ah. – ela despertou dos próprios pensamentos e o encarou confusa. – Por quê?
– Porque eu já te vi dirigindo e não quero morrer indo embora para casa. E esse carro é o meu, então eu vou dirigir. – ele provocou, rindo, e a abraçou, dando um beijo em seu rosto.
– Bom jogo, capi. – ela sorriu para o irmão.
– Oi. – a cumprimentou tentando usar um tom normal. Aquela voz. Ela se lembrava muito bem de como era gostoso ouvi-lo gemer seu nome em seu ouvido.
– Vocês já se conhecem, né? – ele perguntou num tom casual e quase saiu correndo antes de repetir mentalmente que ele não fazia ideia do que tinha acontecido e ela não tinha motivos para se preocupar. E que realmente conhecia de antes.
– Sim. Conhecemo-nos faz um tempo.
– Desde La Decima, se não me engano. Ou antes, não sei.
– É, algo assim. – ela deu de ombros.
– Podemos? – Sergio perguntou, tomando as chaves da irmã, que fez cara feia para o ato do irmão mais velho.
– Pode ir na frente. – disse sem olhá-la por muito tempo, porque se lembrava muito bem daquele corpo em sua cama e sem roupa.
Era melhor evitar.
– Você que sabe. – ela deu de ombros e deu a volta, sentando-se no banco do carona. Sergio tomou seu lugar como motorista e no banco de trás. – Por que Pilar não veio?
– Ela tinha umas coisas do trabalho para fazer.
– Deixe-me em casa primeiro? – pediu ao irmão.
– Na sua casa?
– É. Eu tenho que terminar um trabalho e, se eu for para sua casa, já sei que não vou terminar nada, e isso vai ser um problema enorme.
– Tudo bem. Você se importa, ?
– Sem problemas. – o homem respondeu e deu de ombros.
– Tenho que levar minha irmãzinha para dormir em casa pela primeira vez o fim de semana inteiro. – Sergio brincou.
e travaram em seus lugares. Não era possível que aquilo estava acontecendo.
– Cuida da sua vida. – disse num resmungo.
Ele não demorou a parar o carro à frente de um prédio de fachada simples. Os dois trocaram um abraço e um beijo no rosto antes dela descer do carro, despedindo-se por alto de .
– Quantos anos sua irmã tem?
– Vinte e dois. Por que o interesse? – Sergio perguntou, sério, enquanto passava para o banco do carona.
– Nenhum. – ergueu as mãos. – Só que ela é parece ser bem mais nova que você.
– Eu tinha nove anos quando ela nasceu.
– Vocês se dão bem?
– Muito. – ele sorriu. – Sempre fomos próximos e amigos. Menos quando ela era uma adolescente insuportável, alguns poucos anos atrás. Nós brigamos várias vezes nessa época, mas somos amigos e falamos sobre tudo um com o outro. E ela tem um dom sobrenatural de lidar com crianças. Raramente me preocupo com babás, porque ela sempre cuida bem dos meninos quando pode ficar com eles, e é como se não existissem crianças naquela casa quando ela está por lá.
– Depois me passa o contato então, porque eu tenho sérios problemas com isso de babás. Não acho uma babá que o Junior goste e se adapte. – disse, suspirando derrotado.
– Depois pergunta ao Luka e ao Nacho. Ela ganha um dinheiro extra sendo babá, e os dois devem ser os clientes mais fiéis que ela tem. – Sergio riu. – Ela consegue manter Ivano, Ema, Ale e mi Nano brincando juntos sem brigarem e sem fazerem bagunça. E cuidando de Nachito e Marco também.
– Ela é tipo uma bruxa? – perguntou, rindo.
– Um pouco Mary Poppins, mas sem a música. – Sergio riu. – Mas estou meio ferrado nas férias.
– Por quê?
– Ela vai passar dois meses em Munique fazendo um curso para acrescentar créditos na faculdade, pelo que entendi. No ano passado, ela estava estudando em Londres, e por isso ainda não formou.
– E o que ela estuda?
– Direito.
– Tomara que dê tudo certo para ela. – disse e Sergio parou o carro na entrada do condomínio. – E valeu pela carona, capi.
– Sempre que precisar, Magia. – Sergio sorriu. – Ah, toma aqui o número dela. Talvez seu filho seja o próximo membro da “Creche da Tia ”.
– Valeu, capitán. – agradeceu.
– Se eu te pegar de conversinha com minha irmã, eu quebro suas duas pernas. – Sergio disse, sério, e assentiu, dando um sorriso.
Anotou o número da mulher e seguiu caminhando até sua casa. Victoria estava de carro e tinha uma expressão de impaciente. Não falou com , apenas se despediu do filho e foi embora.


Capítulo 2 – I got only good intentions...


…So give me your attention. (Ruin the Friendship – Demi Lovato)

“Socorra-me, eles vão me deixar doida!”, dizia a mensagem que recebeu de Maria, esposa de Nacho. A mensagem veio acompanhada de uma foto de três crianças: Alejandra, Nachito e Junior. E eles não pareciam estar brincando.
“Chego aí em uma hora, mais ou menos. Vamos fazer um piquenique”, ela enviou de volta e tratou de se arrumar.
A melhor parte de ser uma boa estagiária era que podia trabalhar em casa ou pedir folga em momentos como aquele, porque o chefe sabia que, quando precisasse da ajuda dela, a ajuda viria rápido e de forma muito competente, por sinal. mandou uma mensagem, disse que precisava ajudar uma amiga, e o chefe a liberou, disse que ela tinha o dia livre, e ela, então, poderia sair com as crianças e Maria sem problemas.
Na noite anterior, ela tinha feito um bolo de chocolate, tinha a intenção de levar para os sobrinhos mais tarde naquele dia, contrariando toda a rotina fitness dos pais das crianças, mas Maria parecia precisar muito mais, então seria ela a contemplada com o bolo de chocolate. Fez alguns sanduíches pequenos e os embalou, colocando os pedaços de bolo em uma vasilha e os sanduíches embalados numa bolsa térmica que teve de procurar pela casa. Suco ela compraria quando estivessem saindo, era muito mais prático do que fazer, já que sabia que encontraria suco pronto no supermercado.
Tomou um banho rápido e vestiu-se com uma bermuda, camiseta e tênis, além de passar repelente e protetor solar e levá-los consigo. Ela deixou a bolsa sobre o balcão, enquanto pegava o telefone e ligava para a cunhada. Já que sairia com crianças, podia levar Sergio Junior junto para brincarem um pouco.
Alô. – o telefone foi atendido no segundo toque, e ela pode ouvir uma música de desenho animado ao fundo.
– Oi, Pilar. Sou eu, . Tudo bem?
Tudo, . E você?
– Tudo ótimo. Você vai sair com os meninos?
Não. Por quê?
– Me empresta o Sergio? Vou socorrer Maria com as crianças dela e Junior, vamos fazer um piquenique. Queria levar Nano também.
Claro. Você vem por agora?
– Passo aí em dez minutos. Nem preocupa com banho, porque ele vai voltar para casa imundo.
Eu sei. – ela riu. – Então estaremos esperando.
Ela tinha comprado uma cesta de piquenique há uns meses, ainda que não soubesse bem o motivo quando o fez, e não a tinha usado ainda, então aquela era a oportunidade perfeita de fazê-lo e ter um piquenique de filme pela primeira vez na vida. Pegou uma toalha de mesa grande e colocou tudo dentro da cesta. Seu telefone tocou, e o nome de Maria apareceu na tela.
– Chego daqui a pouco. – disse quando atendeu. – Vou buscar Sergio e vamos.
Pilar também vai?
– Não. Quer dizer, acho que não.
O que você vai levar?
– Bolo e uns sanduíches.
Aqui tem suco, frutas, biscoito e água.
– Vamos levar tudo isso.
Eles vão me deixar doida. – Maria resmungou e riu.
– Daqui a pouco eu chego.
Estou te esperando. – Maria disse e desligou.
saiu após conferir se levava tudo. Buscou o sobrinho e chegou na casa de Maria ainda dentro do prazo de uma hora prometido. Soltou o menino da cadeirinha e seguiram com as mãos dadas até a entrada da casa. Ela podia ouvir as crianças gritando e gargalhando. Maria devia estar prestes a ter um colapso nervoso com três crianças fazendo bagunça, e uma dessas crianças nem um ano tinha ainda. E quando tocou a campainha, Maria atendeu o mais rápido que conseguiu.
– Faça sua mágica, tia . – Maria disse, dando um sorriso nervoso, e riu, abraçando a mulher.
Ela cumprimentou Sergio Junior com um beijo no rosto e os dois entraram na casa.
– TIAAAAA! – Alejandra foi a primeira das crianças a vê-la e correu em sua direção, abraçando-a pelas pernas.
– ALEEEE! Opa. – Junior vinha correndo e parou no meio do caminho quando viu a desconhecida.
– Olha a minha tia! – a menina disse, exibindo como se ela fosse um brinquedo novo que tinha acabado de ganhar, e o menino arregalou os olhos com vergonha e deu meia volta antes que pudesse ser cumprimentado.
Sergio Junior e Ale se abraçaram e saíram juntos e conversando pelo caminho que Junior tinha feito segundos antes. e Maria também foram e chegaram até a sala, onde os quatro estavam.
– Oi, raiozinho de sol! – ela disse, dando um beijo demorado na bochecha de Nachito quando o pegou no colo, e o menino deu uma gargalhada, enquanto o apertava e o beijava.
, esse é o , amigo de Ale e do Nachito. – Maria disse e sorriu para o menino, que a olhava desconfiado.
– Ele é meu amigo também, tia! – Sergio Junior disse e Maria assentiu.
– Oi, . Você é muito mais lindo do que seu pai me falou. – disse, dando um sorriso.
– Você conhece meu pai? – ele perguntou, assustado.
– Conheço. – ela sorriu. – E ele me falou muito sobre você. Disse que você é lindo e que sabe jogar futebol muito bem.
– Ah, então oi! – ele deu um sorriso receptivo e sorriu de volta.
– Podemos ir? – perguntou e os três maiores comemoraram.
– E como faremos? Todos juntos?
– Pode ser. E é até melhor.
– E para onde iremos?
– Parque de Atracciones de Madrid. Que tal? – ofereceu. – Porque se um piquenique não for suficiente, temos opções.
– Ótimo. Então vamos. – Maria disse e estendeu a mão para Sergio Junior, que foi até ela e pegou sua mão, enquanto no outro braço ela carregava Nacho Junior; Ale e Junior deram as mãos para Maria.
Ajeitaram as crianças na minivan dos Fernández Córtes, tomou seu lugar no banco do carona e Maria no lado do motorista. As crianças estavam comportadas, porque Maria colocou um DVD com desenhos para que assistissem enquanto percorriam a distância da casa até o Parque e, claro, para que ficassem quietas pelo menos um pouco. E o principal: para que Alejandra ficasse calada por mais de quinze segundos.
– E por que você não trouxe o Marco? – Maria perguntou, sem desviar os olhos da pista.
– Imagina dois bebês e esses três. – respondeu, rindo.
– Marco e Nachito ficariam comigo, enquanto você daria um chá de cansaço nesses três.
– Marco é tipo a Ale, ligado em potência máxima o dia inteiro.
– Sério? – Maria desviou o olhar, rapidamente, da rua para e pareceu surpresa.
– Muito sério! Quando ele se junta com aqueles três cachorros da casa, é um Deus-nos-acuda. Principalmente se o Sergio Pai estiver junto. E Pilar disse que ia levá-lo ao médico também, em uma daquelas consultas de rotina.
– Entendi. Chegamos. Finalmente. – Maria disse, estacionando o carro, e desligou o DVD, ouvindo os resmungos das crianças. – Nós chegamos.
– EBA! – o coro animado de vozes infantil substituiu as lamúrias, e logo estavam todos fora do carro e caminhando até um bom local para um piquenique.
Sentaram-se sob a sombra de uma árvore e comiam algumas das coisas que tinham sido levadas. Maria tinha ficado preocupada que as crianças não comeriam as frutas, tendo em vista a quantidade de coisas atrativas que tinha levado, mas viu sua preocupação se esvair quando os convenceu a comer primeiro as frutas para que pudessem ir brincar. Parecia mesmo que fazia mágica, porque nenhum ser humano comum era capaz de convencer crianças a comerem frutas quando sanduíches e bolo de chocolate eram opções. Os quatro estavam sentados, quietos, comendo e observando os pássaros que voavam por ali.
– Você faz mágica, não é possível. – Maria falou e riu.
– Tia, você me dá água? – Junior pediu, deitado na toalha, e olhava para o alto.
Tinham comido as frutas e lhes pediu um tempo antes de comerem o bolo e os biscoitos.
– Claro, lindinho. – respondeu, pegando água, e o entregou. Ale e Sergio Junior seguiram a deixa e também pediram água, enquanto Junior se sentava para tomar sua água. – Vamos brincar? – ela sugeriu e as crianças sorriram, animadas.
Pularam, correram, suaram e riram muito, e um bom tempo se passou até que, finalmente, sentiram fome e quiseram comer mais um pouco. Maria tinha ficado sentada com Nachito, observando a brincadeira quase escandalosa de com as crianças, além de ver os pássaros que voavam por ali e deixavam o menino em estado de êxtase; foi a responsável por correr e brincar com os outros três, que pareciam incansáveis e davam gargalhadas aos montes enquanto corriam e brincavam.
As crianças estavam imundas de rolar na grama e suados pelo tanto que correram, mas estavam muito felizes com a atividade diferente da que sempre faziam. Sentaram-se para comer, enquanto as crianças contavam para e Maria o que tinham feito (e daí que as duas estavam lá e tinham visto?) nas brincadeiras.
– Vamos tirar uma foto para mandar para os papais? – Maria perguntou e as crianças comemoraram, animadas; até Sergio Junior, que não era lá um adepto de fotos.
Tiraram uma selfie sorridentes e ela enviou para Nacho, que, obviamente, repassaria aos outros dois pais das crianças presentes na foto. E postou no Instagram, marcando , Nacho, Pilar, Sergio e .
Depois de um tempo, Nachito estava deitado na toalha com e Maria; os maiores, Junior, Alejandra e Sergio Junior estavam na grama, jogando migalhas para os patos e passarinhos, e achavam isso a coisa mais divertida do mundo.
– Tia, nós vamos passear agora? – Alejandra perguntou, virando-se para .
– Vocês querem fazer alguma coisa? – ela perguntou e acariciou os cabelos de Nachito, que estava deitado ao seu lado.
– Zoo! – Junior deu um sorriso animado e os outros dois concordaram, animados.
– Então vamos passear no zoo. – respondeu, sorrindo, e Alejandra comemorou com palminhas. – Vamos juntar as coisas e guardar no carro, depois vamos para o zoo.
As duas mais velhas juntaram as coisas com “ajuda” das crianças, foram até o carro guardar as coisas e seguiram para o zoológico, dentro do próprio parque. As crianças estavam encantadas, e apesar de não apoiar a existência de zoológicos, considerava absurdamente fofo e encantador como as crianças ficavam felizes ao verem os animais tão de perto.
Não andaram por todo lugar, claro, viram alguns dos bichos, foram ao aquário, ao tanque de golfinhos, depois de Sergio Junior pedir insistentemente para irem até lá. e Maria tiraram algumas fotos e resolveram que era hora de ir embora com as crianças.
– Ainda são cinco horas, o jogo é só às oito. – Maria olhou o relógio enquanto caminhavam até o carro.
– Quer ir para sua casa? Eu te ajudo com eles.
– Se você for me ajudar mesmo, vamos. Apesar de achar que eles vão dormir antes de chegarmos lá.
– Não vão. – deu um sorriso. – Só mantê-los interessados em ficar acordados.
– Eu não sei até onde eles ficarem acordados é bom. – Maria riu, enquanto tinha Sergio Junior sobre os ombros e caminhava de mão dada com Junior.
– Se eles ficarem acordados agora à tarde, vão dormir cedo.
– Eu não vou dormir. Quero ver meu pai jogar. – Junior disse, cheio de opinião, fazendo e Maria rirem.
– Então vamos combinar o seguinte: vamos ficar acordados e brincar bastante quando chegarmos em casa, que aí ninguém perde o jogo, e vamos todos poder torcer para o Real. O que vocês acham?
– Sim! – Alejandra, Sergio Junior e Junior disseram, animados, enquanto caminhavam.
Nachito estava quase dormindo no colo da mãe, não daria trabalho algum para elas. Bom, talvez mais tarde.
As crianças foram colocadas em suas cadeirinhas, e para que não dormissem durante o percurso, foi cantando com eles e fazendo o máximo de gracinhas e brincadeiras que conseguia para que todos chegassem acordados na casa de Maria e Nacho. À exceção de Nachito, que foi o único que dormiu basicamente quando foi colocado em sua cadeirinha.

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– Maria recorreu à supertia . – Nacho falou, rindo, e mostrou a foto para Sergio Ramos e .
– Ela postou no Instagram. – Sergio Ramos disse e deu um sorriso ao rever a foto. – E pelo jeito a tia conseguiu mais um membro para o fã clube.
– Nunca vi o Junior assim com algum adulto que ele não conhece sem que eu ou a mãe dele estivéssemos perto. – soltou num muxoxo, enquanto observava a foto em que o filho estava nas costas de , abraçava-a pelo pescoço, tinha o rosto bem próximo ao dela e dava um sorriso imenso para a foto.
– É impossível explicar como ela faz essas coisas. Ale e Nachito a adoram desde que nasceram.
– Eu nem sabia que ela ia ficar com mi Nano hoje.
– Deve ter levado quando Maria pediu socorro. – Nacho presumiu. – E pela mensagem que Maria me mandou agora pouco, eles ainda estavam brincando lá em casa cheios de energia.
– Eles nem vão ver o jogo. Quer apostar? – Sergio Ramos falou, rindo.
Conhecia aquela tática da irmã.
– Aposto que não verão mesmo. está dando um chá de cansaço neles. Sua irmã é um anjo.
– Não é à toa que é minha irmã. – Sergio disse, convencido.
– É, mas ela é um anjo do bem, já você... – Nacho implicou e ganhou um tapa na nuca.
– E é claro que ela deixa as crianças quietas porque sabe lidar com elas, e não porque é assustadora igual a você. – falou, rindo, e Sergio Ramos acabou não conseguindo se conter e o acompanhou na risada.
– É melhor ser temido do que amado, . – Sergio disse, ainda rindo.
– Estamos saindo. – Álvaro Morata chamou, e seguiram até o ônibus que os levaria para o estádio.

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– Agora que as ferinhas estão de banho tomado e dormindo, e que isso vai durar até amanhã e o jogo já acabou, eu vou embora com essa criança que passou o dia fora e de quem a mãe deve estar sentindo muita falta. – sussurrou e Maria, meio sonolenta, assentiu.
– Eu nem sei o quanto lhe agradeço por toda a ajuda hoje, . toda hora perguntava do pai e até chorou quando percebeu que ele tinha ido embora e não voltaria tão cedo para buscá-lo, eu estava quase entrando em desespero de verdade, porque a Ale resolveu acordar totalmente ligada e bagunceira. E Nachito também – Maria falou em tom cansado e sorriu para a amiga.
– Sempre que precisar e eu puder ajudar, sabe que pode me chamar e eu venho correndo. – pegou Sergio no colo e Maria saiu com ela.
As duas trocaram um abraço de despedida depois de colocar o sobrinho, totalmente adormecido, em sua cadeirinha. Ela dirigiu até a casa dos Ramos Rúbio e mal bateu na porta, Pilar a atendeu. Sergio Junior foi colocado em seu quarto, e as duas se despediram rapidamente depois de Pilar agradecê-la pelo passeio com o menino. foi embora para casa sem se demorar com a cunhada, pois precisava vencer o cansaço e estudar para a prova que teria no dia seguinte, de manhã.
A marcação da foto que Maria tinha feito lhe rendeu diversas solicitações de amizade e marcações em fotos de perfis sobre famílias dos jogadores e fã-clubes do irmão, de Nacho, Maria e das crianças. Aquilo era tudo que vinha evitando durante sua vida quase inteira e, aparentemente, o “Ramos García” em seu sobrenome chamou a atenção.
Não que as pessoas não soubessem que Sergio tinha uma irmã mais nova, mas ninguém antes tinha se dado o trabalho de procurar pelo seu perfil no Instagram, já que tinha proibido, permanentemente, o irmão de marcá-la em qualquer coisa. A pessoa famosa é ele, não ela. preferia a discrição.

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– Obrigado mesmo por você ter cuidado dele, Maria. E desculpa pelo trabalho que ele deu. – agradeceu quando chegou junto com Nacho à casa deste.
– Ale e Nachito adoram brincar com ele. E foi ótimo ficar com ele aqui, . Ele ficou meio enjoadinho no começo, perguntou diversas vezes por você e quando você voltaria, mas depois esqueceu completamente que tinha um pai. – Maria disse em tom divertido.
– E ele adora brincar com os dois. – deu um sorriso. – Ele ainda está dormindo?
– Sim. Ainda é bem cedo, né, ? E eles estão bastante cansados de ontem, porque brincaram o dia inteiro e só pararam perto da hora do jogo, quando demos banho, e eles mal saíram do chuveiro e estavam dormindo o sono mais profundo que já vi crianças dormirem. – Maria falou, dando um sorriso para o amigo. – Venham tomar café, vocês devem estar famintos.

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PAPI! – Junior falou, animado, quando entrou na cozinha, acompanhado de Alejandra, e viu o pai ali.
A primeira coisa que fez foi correr até o mais velho e abraçar as pernas do pai. Nachito vinha no colo da mãe e esfregava os olhinhos, com uma expressão pouco humorada, num claro sinal de quem tinha acordado contra a própria vontade.
Mi campeón. – falou e ergueu o filho, dando-lhe um beijo no rosto, depois bagunçou os cabelos de Alejandra e Nacho Junior. – Como foi ontem?
– MUITO LEGAL! – o menino falou alto e sorriu, animado.
– Brincamos um tantão, tio. – Alejandra se pronunciou, dando um sorriso.
– Teve piquenique e a gente brincou com a tia !
– Tia ? – perguntou um tanto surpreso com a intimidade e o menino assentiu, sorrindo.
– A gente viu o leão, papai! E o urso! E um tantão de golfinho! Foi muito legal, a tia brincou muito com a gente.
– Sério? Que legal. – sorriu, enquanto o menino contava sobre o dia anterior, com a ajuda de Alejandra, que também falava e gesticulava animadíssima, como sempre.
Os dois – e Junior – ficaram por mais um tempo na casa dos Fernández Córtes, até que resolveu que era hora de irem embora para a própria casa, porque queria se trocar e descansar um pouco, recusando educadamente o convite de ficarem e almoçarem todos juntos ali. A casa de Nacho era relativamente perto, mas preferiu pedir um táxi a arriscar ir caminhando com o filho até seu condomínio.
O menino ainda contava animado sobre o dia anterior, repetindo tudo que já tinha dito e sendo bem enfático e animado ao falar sobre como tinha amado o passeio que tinham feito e o como tinha brincado bastante com Sergio Junior, Alejandra, Nachito e . Quer dizer, tia .
– Eu nem dei tchau para a tia , papi, ela vai ficar triste comigo. – Júnior disse quando chegaram em casa, sendo recebidos por um Bubu muito animado.
– Não vai, filho. Você estava dormindo, não tinha como dar tchau para ela.
– Você liga para ela para eu poder pedir ‘decupa? – o menino pediu, dando um sorriso quase irresistível.
– Ela deve estar na aula, filho. Falamos com ela depois, mas não precisa pedir desculpa, ela sabe que você não fez por mal.
– Depois você me deixa brincar com ela? – pediu e olhou, surpreso.
– Ahn... Claro. – disse, meio incerto, mas sorriu. – Só que agora vamos almoçar, mais tarde a gente pode brincar com Bubu ou nadar um pouco.
– EBA! – Junior comemorou a ideia do pai e os dois subiram as escadas da casa, sendo seguidos pelos passinhos apressados de Bubu, o pequeno Spitz Alemão de estimação de , que tinha sido adquirido quando era noivo de Victoria, que ainda latia satisfeito por ter o dono em casa finalmente.
– O que você quer almoçar?
– Não sei. – ele levantou as mãozinhas, fazendo uma expressão de quem não tinha ideia do que queria para o almoço, e deu uma risada enquanto tirava a camisa social que usava, deixando sobre a poltrona. – Ainda tá dodói papai.
– Mas já está sarando, filho. – ele deu um sorrisinho que o filho não viu.
Foi ao closet pegar uma bermuda e voltou com uma camiseta em mãos. Os dois desceram as escadas e foram para a cozinha. Ele precisava dar um jeito de aprender a cozinhar ou contratar alguém para ajudá-lo com isso. Ligou para um restaurante que vendia uma comida muito boa e pediu que entregassem uma boa, completa e saudável refeição. Enquanto esperava, pegou o celular para enviar uma mensagem a .
: Seu irmão me passou seu número no dia do jogo, quando falou que você ganhava um dinheiro extra sendo babá. Eu não tive coragem de te pedir para cuidar do Junior, mas queria te agradecer por ter ajudado Maria ontem.
Ele virou seu fã, não para de falar de você e perguntar quando vocês vão poder brincar de novo. E isso é muito raro, porque ele é tímido e te adorou de primeira.
Obrigado, de verdade.

enviou a mensagem com um pouco de dúvida se deveria mesmo ter feito isso, porque ela não tinha lhe passado o próprio número, então podia considerar aquilo invasivo ou ignorá-lo. Deixou o celular de lado por um tempo, enquanto esperavam pelo almoço pedido, que não demorou tanto a chegar, e ele tratou de dar comida ao filho e de comer também, porque estava com fome e tinha se arrependido de não ter aceitado o convite de Maria para que almoçassem por lá.
O celular alertou a chegada de uma mensagem, e ele viu que era de quando desbloqueou a tela do aparelho.
: Oi, , sem problemas. Bom que já fica salvo e você me fala quando precisar, porque ficar com ele será um prazer!
Ele é uma criança ótima, muito criativo, cheio de energia, muito fofo, carinhoso, educado e muito alegre. Adorei brincar com ele, e quando você quiser ou precisar, nesses dias de preparação para a final da Champions, fico com ele sem problemas. Mande um beijo enorme para ele e diga que eu também o adorei.

: Acho que vou querer, sim, ele volta comigo depois do último jogo da Liga, e eu vou passar meus dias todos treinando.
E aproveitando que estamos conversando, ele vai para Málaga antes de mim, você acha que podemos nos ver de novo? Com menos álcool, se você preferir. Você aceita?


Capítulo 3 – I can keep a secet...


... can you? (Cool For The Summer – Demi Lovato)

Ele leu aquele “não” uma porção de vezes, mas não sabia qual tom deveria usar na leitura. Imaginava que ela não tivesse sido grosseira na resposta, que não era como se ela tivesse arremessado um abajur em sua cara, mas ele sentia como se o abajur, daqueles enormes e pesados, tivesse sido atingido em cheio seu ego. E doeu. não estava acostumado a ser rejeitado.
Será que tinha feito alguma coisa errada? Para o sexo tinha sido muito bom, ainda que os dois estivessem bêbados e descoordenados. Seria pelo irmão? Era uma possibilidade, apesar de saber que Sergio não sabia de nada sobre o que tinha acontecido entre a irmã e o companheiro de time, mas ela podia estar tentando evitar que ele descobrisse alguma coisa.
Será que ela tinha se arrependido? não conseguia pensar em algo que pudesse fazê-la se arrepender do que aconteceu. Seria aquele não, na verdade, um sim, pois ela espera que ele insista em chamá-la para sair de novo? Ela não parecia ser desse tipo e, se fosse essa a intenção, teria dado alguma desculpa ridícula e dado brechas para que insistisse, ele conhecia aquele tipo.
Seu não foi escrito sozinho e acompanhado de um ponto final. “Não.”, e só.
queria ter coragem de perguntar se tinha feito algo errado, mas ela tinha sido bem direta. Aquele não, sem qualquer outra palavra que o acompanhasse, tinha deixado bem clara a intenção dela de não repetirem o que aconteceu, e se ela tinha um motivo para isso, não era da conta dele.
E com que cara ele pediria para que o ajudasse com o filho naqueles dias de preparação final? Não pediria, claro. Acabaria deixando o menino em Málaga e só o veria em Cardiff, no dia da final. Depois ele mesmo iria passar uns dias em Málaga, iria aos casamentos de Morata e Lucas, voltaria a Málaga e depois viajaria com o time em pré-temporada e ficaria longe do filho quase um mês.

– Acorda para a vida, . – Marco Asensio falou quando o empurrou com o ombro, e se deu conta de que estava em pé no meio do campo de treinamento e olhando para o nada, provavelmente com cara de idiota.
– Que é?
– Cadê seu filho? – Marco perguntou e olhou ao redor.
Não via o filho por perto e nem mesmo correndo com as crianças que estavam ali brincando. Zidane tinha resolvido promover um churrasco de confraternização para a equipe, em agradecimento à excelente temporada e buscando unir mais ainda o elenco. Algumas famílias já tinham chegado para o churrasco, outras chegariam em breve, porque o treino tinha acabado há pouco, então os atletas tomariam banho e se trocariam para passar algumas horas confraternizando com os companheiros e as próprias famílias, antes da viagem para Málaga, que definiria se o time era mesmo o campeão espanhol da temporada 2016/2017.
– Que merda. Cadê esse menino?
– Relaxa. – Marco falou, rindo, e segurou pelo braço, quando este fez menção de sair à procura do filho. – Ele está sentado com a irmã do Sergio faz um tempão.
– Com a irmã de quem? – perguntou, quase assustado.
– Do Sergio Ramos, o capitão do time... sabe quem é?
– Claro que eu sei quem é Sergio Ramos, idiota. – respondeu, mal-humorado, fazendo Marco rir. – É porque o Junior não é muito de ficar quieto e nem com outras pessoas assim.
– Mas ele está. E tem um tempão. Você já podia ter tomado banho e voltado, que eu duvido que ele teria saído dali. – Marco respondeu e se virou para olhar na direção dos dois. O filho estava deitado com a cabeça no colo de , enquanto ela falava e mexia nos cabelos do menino. – Para de encarar a irmã do capi desse jeito, porque está estranho.
– Não entendi o que ela está fazendo aqui, hoje é sexta-feira, ela não devia estar trabalhando ou estudando?
– Eu não faço ideia e não me importo, sinceramente. E, tem o fato de que é o churrasco de confraternização, é meio óbvio que ela estaria aqui. – Marco falou, dando de ombros. – Aonde você vai? – perguntou quando viu começar a se afastar.
– Pegar meu filho, a mãe dele deve vir buscá-lo daqui a pouco. – respondeu.
– Ele não vai ficar?
– Não. A Victoria vai embora daqui a pouco e vai levá-lo para Málaga esses dias até a final. Eu não consegui convencê-la a deixá-lo ficar.
– Entendi. – Marco respondeu e saiu na direção em que estava sentada com o filho.
– TIA ! – ele ouviu uma voz infantil e viu uma menina correndo na direção em que estava indo.
– Ema! – sorriu quando Ema Modrić se aproximou e lhe deu um abraço desajeitado. – Quanto tempo!
– Você sumiu! – Ema falou, quase brava, e cruzou os braços, arrancando uma risada de .
– Verdade, mas só porque eu estava estudando muito. – fez uma careta, franzindo o nariz. – E o que você me conta de novidade?
– Papai me deu uma casa da Barbie nova! – Ema disse, sorrindo. – Você quer brincar comigo?
– Claro! Podemos fazer isso essa semana.
– EBA!
– E eu, tia? – Junior perguntou num tom ofendido por ter sido esquecido.
– Do que você quer brincar? – perguntou, acariciando os cabelos dele e o menino deu de ombros. – Então podemos brincar com a Ema.
– Essa semana eu duvido muito que vocês brinquem, você vai ficar com sua mãe, polito. – se pronunciou, atraindo os olhares de , Ema e do filho.
– Achei que ele fosse ficar em Madrid. – disse, surpresa.
– Ele vai para Málaga agora com a mãe, mas vai pra Cardiff e depois da final vamos para passar uns dias juntos em Málaga.
– Entendi. – disse e voltou seu olhar para o menino. – Quando eu voltar de Munique, a gente pode brincar muito.
– O que é Munique? – Junior perguntou, curioso.
– É o lugar para o qual eu vou viajar na semana que vem para poder estudar um pouco. Quando eu voltar a gente brinca.
– A gente pode brincar hoje. – Junior sugeriu, sorrindo.
– Não vamos demorar muito, porque só vim buscar uma coisa com meu irmão, não vou ficar para o churrasco.
– E sua mãe deve vir te buscar daqui a pouco também. – falou para o filho.
– Você sabe jogar futebol? – Junior perguntou, sorrindo, e assentiu.
– Creche da tia ? – a voz de Sergio soou enquanto ele se aproximava do pequeno grupo.
Ema estava sentada ao lado de , encostada em seu braço, Junior deitado com a cabeça em seu colo e estava de pé, de frente para os três.
– E acaba de chegar mais uma criança, que gracinha. – falou, zombando do irmão.
– Você dá sorte que tem crianças perto, . – Sergio disse, sério, mas acabou rindo da careta que a irmã fez. – E você, Magia, está azarando minha irmã?
– Azarando é anos noventa demais. Até para você. – falou, rindo, mas ficou tensa com o tom usado e pela sugestão do irmão.
– Eu ia falar flertando, mas achei muito anos oitenta. – Sergio disse, fazendo uma careta, franzindo o nariz de leve, que fez rir.
– Tio, sabia que a tia vai brincar de Barbie comigo? – Ema se pronunciou e Sergio Ramos se abaixou para ficar da altura dela e deu um sorriso.
– Sério? Que legal!
– Papai me deu uma casinha nova.
– Fica a dica do que me dar de presente de aniversário. – falou e piscou para o irmão, que riu do comentário.
– Eu já te dei uma dessas quando você era da idade da Ema.
– Quero outra. – falou em tom infantil e lhe mostrou a língua, fazendo com que Sergio assentisse positivamente e risse.
– Você quer brincar comigo também, tio? – Ema perguntou, sorrindo animada com a perspectiva de mais gente brincando de casinha com ela.
– Não levo tanto jeito quanto a , acho que vocês brincariam melhor sem mim, mas obrigado pelo convite. – Sergio Ramos respondeu e a menina deu de ombros.
– Tia, eu vou no meu pai agora. – Ema se virou para e lhe deu um beijo no rosto, saindo correndo em seguida para o lugar onde Luka Modrić estava conversando com Marcelo e Mateo Kovačić.
– Se você estiver tentando... qual é a melhor palavra para usar: azarar, flertar ou paquerar? – Sergio se levantou e olhou para , que não conteve a risada ao ouvir aquilo. – Bom, não interessa qual das três, porque minha irmãzinha tem uma regra de nunca sair com jogadores de futebol, o que eu gosto muito. Acho que é a única coisa que ela segue fielmente na vida desregrada que ela leva. Ela te daria um pé na bunda e seria péssimo para o time que seu rendimento caísse por causa de um coração partido. E tem o fato de que eu não deixo.
– Você não é meu dono, eu posso sair com quem eu quiser. – o olhou quase entediada, mas o tom era muito mais petulante e desafiador do que aparentava. – Mas é, sem jogadores.
– Só vim descobrir a fórmula para manter essa criança deitada sem que isso envolva um celular ou uma televisão. – ergueu as mãos, tentando mostrar que era inocente de qualquer uma das “acusações” de Sergio Ramos.
Aquela informação esclarecia bastante a mensagem que tinha recebido. Era uma regra idiota, mas deixava claro que ele não tinha feito nada errado.
– Tento saber isso desde que mi Nano nasceu, mas ela não conta. – Sergio disse e deu um sorriso convencido. – Só sei que ela tem um dom para lidar com crianças.
– Um de nós tinha que sair com o carisma. – falou, dando de ombros, e mandou um beijo para o irmão para provocá-lo.
– Eu saí lindo, você teve que sair gente boa. Sei como é. – Sergio falou em tom convencido.
– Há as pessoas que te iludem falando que você é lindo e essas coisas, mas eu não levaria a sério se fosse você. – disse, debochada e olhando para o irmão. – Linda é a Pilar, você é, no máximo, organizado.
– Organizado?! Isso nem mesmo existe, ! – Sergio Ramos protestou em tom insultado e riu. – Eu devia te colocar de castigo.
– Eu tenho vinte e dois anos, você não é meu pai e muito menos manda em mim, queridinho. – enumerou, fazendo uma feição debochada, e riu.
– Vai embora logo. Você tem que trabalhar. – Sergio respondeu de má vontade e estendeu uma pequena bolsa de mão para a irmã e ela deu um sorriso imenso.
– Não tenho nada. Quer dizer, tenho, mas hoje vou trabalhar lá de casa.
– Você vai brincar comigo, tia? – Junior perguntou e virou o olhar para ele, ainda sorrindo.
– Claro. – respondeu, sorrindo. – Se seu pai não tiver nenhuma objeção.
– Por mim tudo bem. – sorriu para o filho, que ficou de pé o mais depressa que conseguiu e olhava animado para , que se levantou e entregou a chave do carro para o irmão.
– Você não está fazendo nada mesmo, guarda lá. – falou, atrevida, e saiu com Junior para o campo antes que Sergio pudesse responder.
– Ainda bem que a diferença de idade é grande, porque se tivéssemos a mesma faixa etária, eu teria matado minha irmã quando éramos crianças.
– Você ia apanhar calado, capi. – disse, rindo, e Sergio Ramos concordou, rindo também. – Se você vir Victoria por lá, me avisa para eu levar o .
– Agora eu virei seu empregado também? – Sergio Ramos perguntou num tom divertido e caminhou na direção do estacionamento.
se virou e voltou para o campo, onde e Junior brincavam. Era melhor tomar banho apenas depois de Victoria buscar o filho, porque se ela tivesse que esperá-lo, por um minuto que fosse, acabariam brigando, e a última coisa que queria era brigas com a ex. estava no gol e Júnior chutava na esperança de fazer gols e, claro, conseguia.
– Eu não quero ficar no gol. Tenho zero habilidades com as mãos. – falou, fingindo um tom derrotado, depois de tomar, propositalmente, outro gol de Júnior, que tinha os bracinhos erguidos e comemorava.
– Eu discordo. – falou e corou, fazendo o homem rir. – Você é uma boa goleira, mas mi bichito é um artilheiro nato.
– Ele é. – falou e sorriu para o menino.
– E sobre as mãos, discordo de qualquer forma.
...
– O que está feito, está feito, . Mas você podia ter sido um pouco mais clara quando me respondeu. Fiquei achando que eu tinha feito algo de errado. – disse, fazendo embaixadinhas com a bola que pegara do filho, e o menino tentava tomar a bola do pai, mas sem sucesso.
– Você não fez nada de errado. Só não pretendo quebrar minha regra.
– Não de novo.
– Estávamos muito bêbados para que eu me lembrasse de você. – disse, olhando séria, enquanto driblava o filho, mas sem sair do lugar. – Mas é, não de novo.
– É uma regra idiota.
Papi, joga a bola para o alto. – o menino ergueu os braços e deu um sorriso cheio de expectativa.
deu três passos para trás e chutou a bola para o alto, fazendo o menino gargalhar enquanto observava a bola subir e voltar, caindo longe de onde estavam. Júnior correu até onde a bola caiu para buscá-la e voltou para perto dos dois, na esperança de brincarem mais.
– Não é idiota.
– Se você tivesse se lembrado de mim, teria me dado um fora?
– Sim.
– E teria perdido a oportunidade de ter uma grande noite.
– Nah, seis. – falou em tom que beirava o pouco caso e deu de ombros, fazendo arquear uma das sobrancelhas.
– Se com um seis nós fomos daquele jeito, não quero imaginar como seria o dez então. – respondeu, sorrindo malicioso.
– Mas deveria imaginar, porque é só assim para acontecer de novo. – respondeu e piscou, fazendo rolar os olhos.
– Regra idiota.
– Não é.
– É.
– Não é.
– É.
– Não é.
– É.
– Não é. E cala a boca que meu irmão está vindo para cá. – falou quando avistou Sergio caminhando na direção dos dois.
Papi, água. – Junior pediu.
– Vem, vou te levar para beber água e vamos esperar sua mãe chegar. – falou com o menino bem quando Sergio chegou e jogou para a irmã as chaves do carro.
– Se precisar de alguém para ficar com ele na semana que vem, pode falar, , e eu fico sem problemas. – disfarçou e assentiu.
– Dá tchau para , filho. – disse para o filho, que sorriu sapeca e abraçou , dando-lhe um beijo demorado no rosto.
– Tchau, .
– Tchau lindinho, faça uma boa viagem. – falou, retribuindo o beijo que tinha recebido, e o menino foi até o pai, que o colocou sobre os ombros e caminhou para o outro lado.
– Agora você já pode ir embora. – Sergio disse, desaforado, e abraçou a irmã quando ela ficou de pé. – Não vai ficar mesmo?
– Não posso, tenho que fazer bastante coisa do trabalho hoje.
– E eu te vejo em Málaga?
– Não. Preciso terminar uma última coisa no meu trabalho.
– Você não está de férias?
– Não totalmente. Segunda preciso entregar o trabalho e apresentar a proposta ao meu orientador e ele me liberar totalmente para terminar tudo no intercâmbio.
– Boa sorte. – Sergio disse e lhe deu um beijo na testa.
– Eu verei de casa e estarei torcendo. Tenho muito orgulho de você.
– E eu, de você. – Sergio disse e deu um beijo na bochecha da irmã.
– Agora me solta, porque preciso muito ir embora dar um jeito na minha vida.
– Você viaja quando?
– Domingo, dia quatro. Nem volto para Madrid, viajo de Cardiff.
– Vamos jantar juntos essa semana?
– Só me falar o dia, porque o lugar eu já sei qual é. – falou, dando um sorriso e um beijo no rosto do irmão. – Bom jogo, capitán.
– Obrigado. – Sergio lhe retribuiu o sorriso antes de sair do campo em direção ao vestiário para tomar banho antes do churrasco. Pilar devia chegar dali a pouco com as crianças e ele queria estar pronto.
seguiu rapidamente até o estacionamento, cumprimentando com acenos algumas das pessoas que conhecia, pois precisava mesmo trabalhar e ainda tinha que dar um jeito de ir ao supermercado e lavar roupa, mal tinha água na geladeira de casa e estava com as últimas peças de roupa limpas no corpo. Limpas mais ou menos, na verdade, já tinha usado aquelas roupas uma vez, mas como não estavam fedorentas e nem pareciam usadas, ela resolveu reutilizá-las, não tinha sequer uma peça de roupa limpa. E precisava começar a fazer as malas, já que viajaria dali poucos dias para a Alemanha, então lavar as roupas ainda naquele dia tinha se tornado obrigatório.

– Ei. – ouviu a voz de , que agora estava sozinho e caminhava em sua direção. Um carro sumia pelo estacionamento e ela presumiu ser Victoria que tinha ido buscar Junior.
– Oi, . – respondeu.
– Um dez e eu paro de importunar.
– Não. – respondeu sem olhá-lo e abriu a porta do carro.
– É uma regra idiota.
– Não é uma regra idiota. E já falei, não vou quebrá-la de novo.
– Não precisamos sair. – falou e deu um sorriso convencido, pela genialidade da ideia que tivera.
– Isso não faz sentido. – se virou para olhá-lo totalmente confusa.
– Faz.
– Não consigo ver como.
– Teoricamente, nós nunca saímos quando aconteceu, então não é quebrar sua regra idiota de novo. Nós nunca a quebramos.
– Ah, não? – perguntou quase debochada, cruzando os braços e erguendo as sobrancelhas.
– Você foi com seus amigos, eu fui com os meus. Não começamos a noite juntos, nem sequer combinamos de nos encontrar, mas aconteceu e terminamos a noite juntos, mas isso é totalmente diferente de sair. E não precisamos sair dessa vez também, você pode escolher entre nos encontrarmos na sua casa ou na minha e aí mudamos o seu seis para dez. – falou, convicto, e abriu a boca para contestar aquela ideia, mas não conseguiu as palavras certas. tinha encontrado uma boa brecha naquela regra. – Eu levo um bom vinho.
– Achei que você tinha sugerido sem álcool.
– Eu disse com menos álcool, se você preferisse assim. – falou, dando um sorriso. – Segunda lá pelas oito?
– Eu não estou certa se deveria aceitar essa proposta.
– Foi tão ruim assim?
– Não foi ruim, só não tenho certeza se é uma boa ideia. Por todos os riscos que envolve, você sabe.
– Se mudar de ideia, você tem meu número. – falou, dando de ombros, e ela o olhou, ainda desconfiada e desconfortável por ele ter conseguido uma brecha em sua regra de ouro.
– Bom jogo.
– É o Real Madrid podendo confirmar o título do campeonato, , claro que é um bom jogo. – respondeu sorrindo e lhe deu as costas, caminhando na direção do vestiário para tomar um banho antes do churrasco.

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– Gostei da proposta. – o professor falou ao final da apresentação e deu um suspiro aliviado, sentindo como se o peso do mundo tivesse saído de suas costas. – Tenho certeza que seu intercâmbio vai engrandecer muito seu curso e será ótimo para o seu trabalho de conclusão.
– Eu espero que sim. – respondeu, sorrindo aliviada.
– Por mim você está liberada. E dê os parabéns ao seu irmão por ontem.
– Obrigada, de verdade, professor. E pode deixar, eu darei os parabéns quando falar com ele. – respondeu ainda sorrindo e pegou sua cópia do trabalho sobre a mesa e foi embora.
Precisava dormir um pouco, porque tinha passado o fim de semana quase inteiro terminando o trabalho, no dia anterior quase não assistiu ao jogo que confirmou o trigésimo terceiro título de La Liga para o Real Madrid por causa disso, e ainda virou a noite ajeitando a apresentação para que nada desse errado.

: Confirmado.
Minha casa, 20h
Vinho tinto.

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– Você vai na casa do Nacho hoje? – Álvaro Morata perguntou a . Estava deitado no sofá depois de pararem de jogar videogame.
– Tenho outro compromisso. – respondeu num tom banal e deu de ombros, mas o sorrisinho de lado que deu lhe entregou.
– Já podemos nos preparar para te ver todo arranhado amanhã de novo?
– Tomara que não tanto. – falou, rindo.
– Você está trocando seus amigos por sexo, ?
– Vocês não vão morrer se ficarem sem mim em um jantar.
– Então você conseguiu o telefone?
– Consegui.
– Com a ou com o capitão? – perguntou e se engasgou com a água que bebia, fazendo Álvaro gargalhar alto. – Calma, cara. Não morre ainda, nós precisamos de você no sábado. E tenho certeza absoluta que o Sergio ficará muito feliz em te matar com as próprias mãos do que se você morrer engasgado com água.
– Não sei do que você está falando.
– De você sair com a irmã do nosso amado capitão, Sergio Ramos. De novo.
– Não sei do que você está falando. – repetiu.
– Eu vi o jeito que você estava olhando para ela no sábado, , depois os vi no estacionamento e acabei fazendo a conexão com o que você disse daquela vez, sobre ver a garota da noite anterior mesmo sem ter o telefone dela. E sua reação agora só confirmou.
– Sergio vai me matar se ficar sabendo. – choramingou e Álvaro concordou, rindo.
– Claro que vai! Torce para que ele nem desconfie, porque você sabe como ele é.
– Sei. – voltou a resmungar.
– Se ele descobre, quebra suas pernas, te tortura por duas semanas, pica em mil pedaços e come no almoço, misturado na paella.
– Porra, Morata! Você não devia ficar me desanimando desse jeito, mostrando que eu sou quase um homem morto.
– Desculpa, cara, mas é a realidade, e você sabe. – Morata falou, rindo. – Só vou te dar um conselho: usa umas quinze camisinhas de uma vez, se for possível. E tentem não se apaixonar.
– Isso não vai acontecer, pode ficar tranquilo. Só vamos mudar o seis para dez.
– Não era sete e meio, quase oito? – Morata perguntou, curioso. Lembrava-se perfeitamente do que tinha dito.
– Ela falou seis. Eu, particularmente, fiquei ofendido.
– A não tem uma regra sobre nunca sair com jogadores de futebol? Antes de ir pra Turim, eu ouvi Sergio falar isso quando um dos meninos do Castilla tinha falado algo sobre ela.
– Ela tem essa regra idiota, sim, mas não vamos sair. Nós nunca saímos, na verdade. Nós nos encontramos por um acaso do destino, já que ela tinha ido com os amigos dela e eu, com os meus, sem pretensão nenhuma de nos vermos, e acabamos juntos no fim da noite. E não vamos a lugar nenhum, eu vou até a casa dela.
– Ela que sugeriu isso, não foi? Parece complexo demais para que você tenha elaborado esse pensamento todo sozinho. – Morata implicou.
– Ah, vai se foder. – xingou e o amigo riu. – A ideia foi minha.
– É, faz sentido que seja sua ideia, porque eu duvido que a , dando-lhe um seis pela noite, teria pensado em repetir a dose. – Morata debochou.
– Cala a boca.
– Mas, agora, se você me dá licença, eu vou para casa, porque falei com a digníssima senhora minha noiva que não ia demorar muito e já estou aqui há duas horas e meia. E você precisa se aprontar para seu encontro. Corta esse cabelo. – Morata sugeriu e lhe mostrou o dedo do meio.
Álvaro Morata se pôs de pé, rindo da reação mal-educada do amigo, que também ficou de pé, e os dois trocaram um cumprimento antes de irem até a porta da casa para que o atacante fosse embora.

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Quando o relógio marcou oito da noite, a campainha do apartamento tocou. Que pontualidade, pensou. tinha deixado avisado ao porteiro que receberia visita naquela noite, então não se surpreendeu por não ter sido avisada da chegada de . Ela caminhou até a porta e a abriu, tendo a visão que menos esperava naquele momento: o irmão, a cunhada e os sobrinhos.

– Oi! – disse, dando um sorriso, e abriu passagem para os quatro.
– Titia! – Sergio Junior se agarrou às pernas da tia num abraço.
– Você vai sair? – Sergio perguntou ao vê-la arrumada. Obviamente ele tinha outros planos para a noite dela: que ela fosse babá.
– Vou. – respondeu sem jeito.
– Mas vai jantar em casa? – Sergio perguntou quando sentiu o cheiro do que quer que fosse que a irmã estava cozinhando.
– Sentem aí, eu vou na cozinha desligar o forno. – falou e foi para a cozinha, onde o celular estava, e mandou uma mensagem para que ficasse longe do prédio até que ela lhe dissesse que podia ir, porque Sergio tivera a maravilhosa ideia de ir até lá naquele momento. Ele respondeu com um “ainda não sai de casa, avise-me quando eu puder ir”.
– E eu conheço seu novo namorado? – Sergio perguntou quando voltou para a sala.
– Ninguém te garante que é um homem, muito menos que isso era um jantar de casal. – respondeu, dando de ombros.
– Eu quero saber é se eu conheço, sua chata.
. – mentiu, voltando a dar de ombros. – Ele vem jantar aqui, depois vamos sair com a minha turma, despedida do semestre. Sempre fazemos isso. Esqueceu?
– Esqueci. – Sergio falou, fazendo cara de decepcionado. – Ia te pedir um favor, mas o jeito vai ser levá-los com a gente.
– Fico te devendo essa, hermanito, mas só porque já está marcado faz tempo.
– Tia, eu estou com fome. – Sergio Junior reclamou e sorriu.
– Vem, acabei de fazer lasanha.
– Não, . – Pilar falou antes que o menino se levantasse para ir até onde a tia estava. – Nós vamos jantar na casa do Nacho, daqui a pouco ele come.
– Deixa ele comer um pedacinho, Pilar. – falou e o menino sorriu.
– É mami, deixa. – Sergio Junior pediu, fazendo beicinho.
– Vem. – estendeu a mão para o menino. – Venham todos, vamos comer um pouco. Uma espécie de pré-jantar.
– Não precisa. – Sergio disse, mas seguiram para a cozinha.

Os adultos também acabaram comendo, enquanto ajudava o sobrinho mais velho a comer para que ele não sujasse a roupa e Pilar fazia o mesmo com Marco. Eles ficaram cerca de quarenta minutos no apartamento e foram embora a contragosto dos pequenos, que queriam ficar com a tia. Quando, seguramente, estavam longe, enviou uma mensagem para falando que estava liberado.
O interfone tocou pouco mais de quinze minutos depois, e dessa vez era realmente . Ela abriu o portão, já que não havia mais ninguém na portaria, e esperou na porta até que ele chegasse ao andar. Quando apareceu, tinha uma expressão sem graça e trazia o vinho em mãos. deu espaço para que ele entrasse e fechou a porta atrás de si.

– Oi. – disse sem jeito quando entrou.
– Oi. – respondeu, dando um sorriso. – Sinta-se à vontade.
– Obrigado.
– Eu até tinha feito o jantar, mas minhas visitas inesperadas comeram metade.
– Jantar? – ele deu um sorriso surpreso. – E qual o cardápio?
– Lasanha bolonhesa. As crianças adoram essa, e aparentemente meu irmão e minha cunhada também. Mas ainda tem. Vem. – chamou e seguiu pelo corredor até a cozinha, apontando a mesa e ele se sentou. Ela pegou pratos novos, duas taças e o abridor de garrafas no armário, colocando sobre a mesa.
– Eu gosto bastante de lasanha.
– Você não foi convidado para o jantar na casa de Nacho? – perguntou sem entender.
– Fui, mas disse que eu já tinha um compromisso e não sabia se daria tempo de passar por lá quando terminasse, mas que tentaria ir. – falou, dando de ombros, e recebeu um prato. – Seu irmão não foi para lá?
– Justamente por isso ele veio, queria deixar os meninos aqui. Eu detesto mentir para ele, mas não tinha outro jeito.
– E o que você disse?
– Que ia sair com um amigo depois de jantarmos. Nosso ritual de fim de semestre.
– E ele engoliu isso?
– Sim, porque sabe que e eu sempre fazemos esse tipo de coisa desde quando morávamos em Sevilla. – deu de ombros quando respondeu e abriu a garrafa de vinho, servindo-o nas taças.
– Esse mora aqui em Madrid?
– Mora, sim. – assentiu antes de tomar seu lugar na cadeira em frente a de , após se servir da lasanha, e o olhou. – Nós somos amigos desde crianças, estudamos juntos desde o jardim de infância e agora fazemos faculdade juntos.
– E vocês já se pegaram?
– Credo! – falou, fazendo uma careta de nojo. – é meu melhor amigo, o vejo como um irmão. Nossos pais são amigos há muito tempo, desde antes de Sergio nascer, então isso colaborou para que a nossa amizade acontecesse e durasse.
– Isso é legal. Tenho alguns amigos de infância também, mas todos moram em Málaga. – disse e tomou um gole do vinho. – E você só tem um irmão?
– Que vale por vinte. – respondeu e rolou os olhos, fazendo dar uma risada. – E você?
– Tenho um irmão também, Antônio, mas nós nos damos bem.
– Ah, Ses... Sergio e eu também nos damos bem. Só gosto de implicar com ele. E ele adora implicar comigo, mas nos damos muito bem desde sempre. – falou, dando um sorriso de lado, e os dois voltaram a comer em silêncio.
– Posso falar que isso é meio estranho? – se pronunciou, dando um sorriso sem graça, depois de um bom tempo em silêncio enquanto comiam. – Não que eu esteja reclamando, porque a lasanha está muito boa, mas é estranho estar num encontro escondido e com a irmã mais nova de um dos meus grandes amigos no time e na vida.
– Eu estou me sentindo em um filme adolescente, daqueles bem clichês, para ser sincera. – disse em tom divertido e sorriu, fazendo com que sorrisse de lado e concordasse com um aceno de cabeça. – Então, você achou uma brecha na minha regra, hein?!
– Essa regra existe por algum motivo específico?
– Sim.
– E eu posso saber qual? – perguntou curioso.
– Não acho que valha a pena o desgaste, tanto o de apenas sair com um jogador, quanto o de ter um relacionamento sério com um.
– Por quê?
– Vocês chamam muita atenção da mídia. Tudo que fazem vai parar em jornais, revistas e internet. Não podem ir ao supermercado sem saírem fotos. Vejo fotos do meu irmão e da minha cunhada simplesmente andando pela rua. Ser jogador é uma profissão perigosa também, vocês correm muitos riscos de lesão e coisas ruins, tipo aconteceu com o Bartra aquela vez, também sempre existe a chance de irem jogar do outro lado do mundo, num país completamente diferente e que nem todos se adaptam. Além de, claro, todo o assédio que sofrem. E para muitos, inclusive exemplos que você conhece, a carne e o caráter são realmente fracos.
– Então você não gosta de mídia?
– Prefiro me manter no anonimato.
– Você é irmã do capitão da seleção e do Real Madrid, . Isso é meio impossível. – disse, dando uma risada.
– As pessoas sabem que eu existo, mas minha vida pouco interessa a elas. Ninguém tira foto minha quando eu vou ao supermercado, ninguém comenta se eu sair com uma roupa estranha e descabelada. – falou, dando de ombros, e pareceu ponderar. – Sergio e Pilar não têm essa sorte. E nem você.
– É, isso é. – falou, dando um sorriso de lado.
– Eu prefiro ser uma pessoa comum e que não chama a atenção da mídia e nem de fãs, porque sou livre para fazer o que bem entendo, sem ter que ficar pensando no que vão publicar a meu respeito. Posso ir para a balada, passar a noite inteira por lá e encher a cara, que ninguém vai me cobrar por isso. Bom, talvez o Sergio, mas não vou ter problemas com boa parte da população mundial se eu viver minha vida, já vocês...
– Faz sentido. – concordou, dando um sorriso de lado. Quando terminaram de comer, pegaram a garrafa de vinho e foram se sentar na sala. – Seu irmão me disse que você estuda Direito.
– Sim, vou para o meu último ano. Eu deveria me formar agora, mas eu passei o ano letivo passado em Londres estudando inglês, com uma bolsa da faculdade, então tranquei o curso e voltei no começo desse ano letivo, em setembro passado, para terminar a faculdade. Esses dois meses em Munique vão servir para o meu trabalho de conclusão e para me dar mais alguns créditos.
– Que legal! Seus pais moram em Sevilla ainda?
– Moram. E minha mãe é louca para que eu volte a morar lá.
– E você voltaria?
– Não sei, acho que não. Gosto muito de morar aqui em Madrid, a cidade é ótima. Estou perto do meu irmão, dos meus sobrinhos e do meu time, meus pais vêm para cá frequentemente, tenho um bom emprego, estudo e me divirto por aqui. Amo muito Sevilla e tenho orgulho de ser de lá, mas sou muito feliz aqui em Madrid também, acho que não voltaria para lá se não tivesse um excelente motivo para isso. – respondeu e colocou a taça que tinha em mãos sobre a mesa de centro, passou a língua pelos próprios lábios para umedecê-los e se virou para falar com .
– Não me leve a mal por cortar o assunto, não é como se eu não me interessasse, mas eu quero muito te dar um beijo desde a hora que eu cheguei aqui. – disse e deu um sorriso cheio de segundas intenções, tomou o restante do vinho que tinha em sua taça e a colocou sobre a mesa de centro.
– E ainda não deu por quê? – perguntou, ainda ostentando o sorriso malicioso, e ele encerrou a distância entre os dois, juntando seus lábios aos dela e a colocou sentada em seu colo, com uma perna de cada lado de seu corpo.

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A luz do sol atravessou uma fresta da cortina e atingiu em cheio o rosto de . Cedo demais. E percebeu isso quando viu que o relógio ao lado da cama marcava sete horas da manhã. estava deitada ao seu lado, mas de costas para ele e de frente para a janela. E não fazia ideia de como ela não tinha acordado com aquela faixa de claridade iluminando o quarto. Ela respirava calmamente imersa num sono deliciosamente invejável.
se levantou devagar para não acordar , pegou a cueca caída ao lado da cama e saiu do quarto. Não conseguiria dormir de novo, sabia disso, então não insistiria. Seguiu pelo corredor até o banheiro, lavou o rosto e ajeitou os cabelos da melhor forma possível. Realmente precisava de um corte, mas não faria isso antes das férias.
Estava menos marcado que da primeira vez, sem arranhões, mas a boca estava inchada e meio roxa e tinha um roxo novo no pescoço, mas apenas isso. Tinha sido um sexo sóbrio, bem menos agressivo e descoordenado do que o anterior.
E tinha sido um onze.
Tranquilamente podia dizer aquilo.
Saiu do banheiro e refez o caminho de volta ao quarto, parou à porta e observou que ela ainda dormia do mesmo jeito.
não sabia se iria embora antes que acordasse – porque parecia que ela não acordaria tão cedo –, ou se esperaria o máximo que pudesse, ainda que ela continuasse dormindo. O treino seria apenas na parte da tarde, então ele podia ficar até perto da hora do almoço. E pensando em almoço, sentiu seu estômago roncar e foi até a cozinha, podia se permitir fazer uma caneca de café ou procurar algo para comer? Podia. Ele encontrou um pote com biscoitos e colocou a cafeteira para fazer uma caneca de café.

– Assaltando minha cozinha? – estava prestes a lavar a caneca em que tinha tomado café quando ouviu a voz sonolenta de e se virou para a porta para olhá-la. Ela ainda ostentava a expressão sonolenta de quem tinha acabado de acordar, os cabelos bagunçados e usava apenas uma camiseta e calcinha.
– Achei que você demoraria a acordar e eu acordei com bastante fome. – respondeu, mostrando a caneca para .
– Não tem problema. – ela falou e sorriu de lado. – Faz uma para mim? Eu vou no banheiro dar um jeito na minha cara de sono.
– Faço. – falou, sorrindo, e se virou para sair da cozinha. O movimento foi acompanhado por , até que ela que ela saísse totalmente de seu campo de visão e ele não pudesse mais observar o corpo dela.
Ele colocou a cafeteira para funcionar de novo para fazer o café pedido e acabou fazendo outro para si. Poucos minutos depois estava de volta, os cabelos agora presos, a feição de sono afastada e ela se espreguiçou demoradamente ao entrar na cozinha.
– Você vai ficar desfilando só de cueca pela minha casa? – ela perguntou, abrindo a geladeira à procura de algo para comer.
– Posso desfilar pelado se você quiser.
– Eu não vou achar ruim, pode ter certeza. – respondeu, sorrindo, antes de se virar para olhá-lo. – Você comeu direito?
– Principalmente à noite. – respondeu, dando um sorriso malicioso.
– Não estou falando disso, idiota. – falou, rindo, colocando o pão sobre a mesa. – Eu quero saber sobre o café da manhã.
– Eu comi uns biscoitos que encontrei. E vou morrer de fazer abdominal para queimar toda essa gordura hidrogenada. – ele fez drama e passou a mão pela barriga. Gesto que foi devidamente acompanhado pelo olhar de . E ele percebeu.
– Então come direito. Senta, vou fazer um café da manhã decente.
– Eu prefiro que a gente queime o café da manhã que tomei antes de ter uma segunda rodada. – ele a puxou para perto e mordiscou seu lábio inferior. – Tenho até a hora do almoço para tomar café.
– Não pode ir muito cansado para o treino, Magia. – falou baixo, com os lábios próximos aos de , deslizando as unhas bem devagar pela nuca dele.
– Cacete, não faz isso.
– Achei seu ponto fraco? – perguntou, sorrindo maliciosa, e repetiu o gesto.
– Eu achei o seu ontem, não esquece. – murmurou no ouvido de e mordeu seu lóbulo, fazendo-a se arrepiar.
Ela envolveu o pescoço de com os braços e ele tinha uma das mãos nas costas dela e a outra em sua nuca. mordeu o lábio de e o puxou devagar, ouvindo um arfar leve e juntou os lábios aos dele, beijando-o com vontade. enfiou a mão sob a blusa de e a deslizou pelas costas da mulher, mas antes que conseguisse fazer alguma coisa efetiva, a cafeteira apitou em sinal e quebrou o beijo.
– Está pront...
– Ah, , me poupe. – falou e deu uma risada antes de arrancar dela a camiseta que usava, voltando a beijá-la.

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– Você tem algum programa para essa noite? – perguntou quando entrou no quarto após tomar banho e ela estava na cama apenas com o lençol cobrindo seu corpo e mexendo no celular.
– Dormir. – respondeu, rindo. – Por quê?
– Ia te convidar para repetirmos a noite.
– Eu vou dispensar. E não tem nada a ver com a regra, antes que você ache que é isso. Eu não dormi de domingo para segunda, porque estava terminando minha apresentação do projeto. E essa noite... bom, nós fizemos muitas coisas e nenhuma delas envolveu dormir o suficiente.
– Isso é.
– Vai ficar para outra hora. – falou e o observou desfilar apenas de toalha pelo cômodo. – Você vai com essa roupa de ontem para o treino?
– Não. Vou em casa antes de ir para Valdebebas. Preciso buscar algumas coisas também.
– Vai se atrasar.
– Dá tempo. – ele deu de ombros.
– São onze e meia.
– O treino só começa às duas e meia.
– Hoje você vai sem marcas.
– Que nada, minha boca está inchada e meu pescoço está roxo. – ele falou, rindo, e apontou para a marca.
– Posso dizer o mesmo. – riu.
– E você, não vai trabalhar? – perguntou.
– Hoje vou trabalhar de casa. – ela deu de ombros e se inclinou para que pudesse beijá-la nos lábios. – Cool for the summer.
– Quê? – ele perguntou, confuso, e ela sorriu.
– A música. Cool for the summer.
– Ah. – riu. – Mas ela não foi escrita para uma mulher?
– É, mas podemos aplicar nesse caso também. – ela o puxou pela toalha em sua cintura. – I can keep a secret. Can you?
– Claro. – respondeu, dando um sorrisinho.
Got my mind on your body. And your body on my mind... I just need to take a bite. falou as frases com pausas enquanto beijava o pescoço de , e ele arfou quando ela mordeu seu lóbulo.
– Agora sim eu vou me atrasar. – resmungou quando deitou seu corpo sobre o dela, livrando-se da toalha e do lençol que separavam o contato direto entre os corpos.
– E o principal – ela sussurrou em seu ouvido. – Don’t tell my brother.


Capítulo 4 – Vivamos la aventura...


... que no tiene mucha cincia bebé. (Sin Contrato – Maluma)

– Se você sair atrasado e perder o voo, não coloque a culpa em mim. – falou num resmungo enquanto sentia os lábios de em seu pescoço, distribuindo beijos demorados e provocativos. – , eles vão voar para Cardiff sem você!
– Ainda dá tempo. – respondeu com a voz abafada enquanto roçava os dentes pela pele do pescoço de , e ela precisou de muito autocontrole para não se deixar levar.
– Não dá não. – se pronunciou e o afastou com o mínimo de consciência que ainda não tinha sido devastada pelas carícias de , e ele suspirou frustrado. – E eu preciso sair também.
– Precisa?
– Sim. Tenho que comprar as últimas coisas antes de viajar.
– E quando você volta para Madrid?
– Cinco de agosto.
– Vai demorar. – resmungou, frustrado.
– Dois meses. – ela deu de ombros. – Agora vai tomar banho.
– Você também precisa tomar banho, vamos os dois juntos e nós economizamos tempo e água. – pôs-se de pé e a puxou pela mão, trazendo-a para mais perto e juntando seus corpos.
, para com isso e vai logo tomar seu banho. – falou, mas não se moveu e nem tentou se soltar dos braços dele.
– Vem comigo, . – pediu, mordendo o lábio inferior de , e ela rolou os olhos, tentando se fazer de difícil. – Eu sei que você quer.
– Agora você lê pensamentos?
– Não preciso, está escrito na sua testa que você quer aproveitar bastante os nossos últimos momentos juntos. – ele respondeu, convencido, e não deu tempo para que ela respondesse da forma desaforada que pretendia, apenas juntou seus lábios em um beijo e logo os dois estavam se beijando pelo corredor à caminho do banheiro.

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O jogo que definiria o campeão da Champions League da temporada 2016/2017 foi tenso, quase comeu todos os dedos das mãos enquanto assistia, ainda que o placar tenha sido tão elástico ao final.
Cristiano Ronaldo foi o responsável por abrir o placar aos vinte minutos do primeiro tempo, mas pouco menos de sete minutos depois veio o empate da Juventus, pelos pés de Mario Mandžukić. O empate persistiu pelo restante da primeira etapa, e a cada boa chance desperdiçada – fosse do Real Madrid, fosse da Juventus – era uma tensão a parte.
Aos dezesseis minutos do segundo tempo, Casemiro deu um belo chute fora da área e devolveu a vantagem ao time madrileno. Cristiano Ronaldo marcou de novo, aos dezenove minutos, após um cruzamento perfeito de Luka Modrić. Três a um para o time espanhol. A conquista do décimo segundo título da Champions League parecia muito bem encaminhada àquela altura, ainda que o time italiano não tivesse desistido de tentar ser campeão.
O time merengue ainda perdeu algumas boas chances de ampliar o placar e levava os torcedores presentes no estádio à loucura, além de algumas boas chances que o time da Juventus teve de diminuir a diferença, mas sem sucesso nas conclusões.
foi substituído aos trinta e sete minutos do segundo tempo, sendo muito aplaudido pela partida que tinha feito, e deu lugar a Marco Asensio. E então, no último minuto do tempo regulamentar, Marcelo entrou na área e cruzou a bola para Marco Asensio fazer o último gol do time espanhol.
Quando o juiz encerrou a partida, os jogadores do Real Madrid se abraçavam em campo e comemoravam a conquista de La Duodécima, enquanto os jogadores da Juventus, desolados, davam espaço para a festa merengue. Um tempo depois, a entrada em campo das famílias foi permitida e o gramado se encheu de crianças correndo por todos os lados, em meio a papel picado e gritos da torcida.

– Não fez mais que sua obrigação de ganhar mais um título, Capi. – provocou o irmão quando o abraçou e ele deu uma risada alta, abraçando-a de volta. – Você é o meu orgulho! Parabéns pela conquista, por terem se superado e jogado como se a vida de vocês dependesse de cada jogo. Eu tenho muito orgulho desse time, principalmente de você, que é o capitão e quem ajuda Zidane a botar esses marmanjos todos na linha.
– Obrigado, princesa. – Sergio disse, apertando a irmã num abraço, e lhe deu um beijo no rosto. – O apoio de vocês é a coisa mais importante que eu tenho, e isso é o que faz a diferença.
– Vai monopolizar seu irmão ou vai nos deixar abraçá-lo também, ? – Paqui perguntou em tom implicante e deu uma risada, antes de dar um beijo demorado no rosto do irmão e soltá-lo de seu abraço para que a família pudesse fazer o mesmo.

Os pais o abraçaram demoradamente, assim como Pilar, Sergio Junior e Marco. Depois iniciou-se a sessão de fotos com a taça, claro. Primeiro com o capitão, que tirou foto com a taça da Champions League que acabava de ser conquistada e com a da Liga, que também estava com o time, o doblete seria devidamente comemorado em uma enorme festa no Bernabéu no dia seguinte.
Logo as crianças estavam correndo por todos os lados umas com as outras, as taças já estavam com os outros jogadores e a festa continuava.
A volta para o hotel foi barulhenta no ônibus, os jogadores estavam animados e mais barulhentos que o normal, enquanto as famílias voltavam em seus próprios carros ou de outras formas. Jantariam juntos, um jantar oferecido pelo time para as famílias e para os jogadores, em agradecimento pela fantástica temporada, e permaneceriam no hotel até a manhã do dia seguinte, quando retornariam para Madrid e comemorariam com a torcida.

: Estou esperando meus parabéns pela conquista de La Duodécima
: Parabéns, 😊
Não fez mais que sua obrigação 😂
: Qual o andar do seu quarto?
: Quinto
: A gente se encontra lá em cinco minutos
: E qual desculpa eu vou dar pra sair de perto da minha família assim?
: Improvise 😉
Qual número?
: 502
: Te vejo daqui a pouco

encarou a tela do celular e reprimiu um sorriso pela ousadia e loucura de . Depois da primeira noite que passaram juntos em seu apartamento, naquela semana ele ainda apareceu outras três vezes e tinha sido realmente muito bom.
Onze, ela tinha de admitir. Ele era tão habilidoso entre quatro paredes quanto dentro das quatro linhas, e se ela o achava um craque em campo, descobriu que na cama ele também o é. Agora ela podia afirmar com certeza absoluta que tinha sido o melhor sexo de sua vida até então.

– Está rindo do quê? – Sergio perguntou e despertou de seus pensamentos.
. – mentiu, dando de ombros.
– Sei. – Sergio disse, desconfiado.
– E quando vocês dois vão assumir que são namorados? – Pilar provocou e fez uma careta.
– Deus me livre! Mais fácil eu virar freira do que namorar .
– Infelizmente você não preenche os requisitos para isso, irmãzinha. – Sergio disse, rindo. – Se preenchesse, eu já teria te mandado para um convento.
– Sua sorte é que seus dois filhos estão aqui, senão eu ia usar o palavreado adequado com você, idiota.
– Você não tem coragem de falar assim com seu irmãozinho querido que você ama e que acabou de conquistar La Duodécima. – Sergio provocou e ela olhou ao redor, vendo que os sobrinhos estavam distraídos com os avós, e lhe mostrou o dedo do meio, sussurrando um “vá se foder”. – Você está muito sem educação.
– E você está insuportável. Mais do que é normalmente. – respondeu, rolando os olhos. – Não sei como Pilar te aguenta.
– E por que o não veio? – Sergio perguntou e ela deu de ombros.
– Eu o chamei, ele disse que não poderia, mas estará lá no Bernabéu amanhã. Teve um problema com a namorada, uma coisa assim.
– Ah. E você vai?
– Saio junto com vocês, mas meu voo é direto para Munique. – respondeu num tom sentido. – E vou ligar e descobrir o que quer me contar que não pode ser escrito.
– Sei. – Sergio repetiu, desconfiado, e rolou os olhos.
– Vejo vocês no jantar. – falou e se levantou, saindo do quarto e indo para o andar em que estava hospedada. Quando o elevador abriu as portas, ela deu de cara com , que estava preparado para entrar. – Já vai?
– Achei que você não vinha, na verdade. – ele sorriu e a puxou para mais perto, juntando seus corpos, e juntou os lábios aos dela.
– Está doido? – o afastou, antes que o toque de lábios se tornasse um beijo de verdade, e olhou para os lados, procurando por alguém no corredor.
– Seu irmão não vai aparecer aqui. – sorriu e lhe roubou um selinho, dando uma risada da cara de espanto que ela fez.
– Ele não é o único que não pode nos ver, , porque qualquer outro jogador que passe aqui, ou qualquer outra pessoa que veja beijando uma mulher no corredor do hotel, vai fazer com que isso rode a internet inteira, e vão saber que sou eu. E Sergio mata os dois. – falou e se soltou dos braços de , caminhando pelo curto caminho que separava o elevador do quarto em que estava hospedada, por sorte, sem os pais.
Mal a porta foi fechada e a prendeu contra a mesma, indo desesperado de encontro aos lábios dela, dessa vez dando um beijo de verdade, que foi correspondido na mesma intensidade. o agarrou pelos cabelos e deixou que ele ditasse o ritmo daquele beijo afobado e intenso.
– Estou esperando os parabéns, Ramos. – ele disse quando se separaram, as bocas vermelhas e inchadas pela forma como se beijavam, e ela lhe tirou a blusa sem nenhuma demora, tirando a sua própria em seguida.
– Parabéns, . Você fez um grande jogo hoje. – falou e o empurrou até que ele se sentasse na cama, sentando-se em seu colo, voltando a passar os dedos pelos fios de cabelo do homem. – Mas me fala uma coisa?
– Falo até duas. – ele respondeu com a boca muito próxima à dela.
– Qual a graça de beijar meu irmão? – ela perguntou num tom divertido e deu um sorriso, fazendo rir.
– Ah, eu sabia. – ele riu. – Não beijei seu irmão. Nem hoje e nem em Málaga.
– Olha, não foi o que pareceu. – riu e roçou seus lábios nos dele.
– Da família Ramos eu só gosto de beijar você, .
– Que ótimo. – ela sorriu e o olhou nos olhos. – Eu vou te dar um presente pela conquista do doblete.
– Gostei disso.
– Eu espero que goste mesmo. – ela sussurrou em seu ouvido, dando-lhe uma mordida leve no lóbulo, e a apertou contra seu corpo antes de voltarem a se beijar.

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O apartamento em Munique era muito parecido com o seu em Madrid, notou quando chegou. As únicas diferenças que conseguia ver eram a existência de mais um quarto e a sala também era um pouco maior. Dividiria o local com uma tal de Andrea, que também iria estudar em Munique por dois meses, segundo as orientações recebidas há pouco.
Como chegou primeiro, foi quem recebeu todas as orientações sobre a conservação pelo tempo em que moraria ali. Ela teve a liberdade de escolher o quarto em que ficaria, não que houvesse diferença, porque eram exatamente iguais, mas ela escolheu o quarto mais próximo do banheiro, porque se tivesse que lutar pelo cômodo, que era o único do apartamento, ela teria vantagem. pegou a toalha dentro de uma das malas e foi tomar um banho para tirar o cheiro de avião e tentar amenizar um pouco o cansaço. Tinha dormido pouco, e viajar cedo não tinha ajudado muito.
Assim que saiu, deu de cara com um rapaz andando no corredor, caminhando em direção ao outro quarto do apartamento, e sua primeira reação foi voltar correndo e se trancar no banheiro.

– Eu não acredito que vou ser morta no intercâmbio e vão vender meus órgãos na internet. Puta que pariu! – resmungou, segurando a porta o mais forte que conseguia antes de gritar em inglês. – QUEM É VOCÊ?
– Andrea. – o rapaz respondeu em um tom bem humorado e continuou em um inglês cheio de sotaque. – É, eu imaginava que sua reação seria essa. Meu nome é Andrea Giandavide, sou de Turim, vou estudar aqui em um curso de férias de Engenharia e somos colegas de apartamento durante esses dois meses. Eu não vou te matar para vender seus órgãos na internet, pode ficar tranquila.
¿Hablas español?
– Não.
– Então como você entendeu o que eu disse?
– Não foi difícil deduzir o que você quis dizer quando falou “internet”, até porque eu imaginei que sua reação ao me ver seria essa. Você estava esperando por uma mulher chamada Andrea, e não um homem com esse nome, então é normal que pensar em sequestro e vendas de órgãos na internet. – ele respondeu em inglês, usando um tom divertido, tentando amenizar a tensão. – Desculpa te assustar, prometo que não vou te matar. Só se tivermos algum problema com relação a futebol.
– Para que time você torce?
– Juventus.
– Obrigada por La Duodecima. – respondeu, dando uma risadinha.
– Ah, não é possível. – ele disse em tom decepcionado e abriu a porta minimamente e encarou o rapaz pela pequena fresta. – Pode sair, eu não vou te matar, eu prometo.
– Eu sou . – ela sorriu e abriu mais a porta, saindo do banheiro para se apresentar ao rapaz. – Ramos García, sou de Sevilla, mas moro em Madrid há alguns anos, vim estudar Direito nessas férias e prometo que não sou tão estranha quanto pareço.
– Certeza? Porque você parece ser bastante estranha. – ele brincou e deu um sorriso. – Mas não tanto quanto eu ter nome de mulher.
– Talvez. – ela falou, dando um sorrisinho, e analisou o rapaz.

Era mais alto que ela, maior que Sergio e tinha mais de um metro e noventa fácil. Pelo porte, era adepto dos exercícios físicos, mas não se encaixaria no estereótipo de marombeiro, mas no de frequentador de academia para a conservação do provável tanquinho que estava sob a camisa preta e dos músculos dos braços que eram muito bem delineados para serem dádivas divinas. Os cabelos pretos pareciam ondulados, se crescessem, mas estavam cortados e penteados, os olhos castanhos quase amarelos dando um contraste maravilhoso em sua pele morena e junto com longos cílios e as sobrancelhas com o formato mais bonito que já tinha visto.
O rosto era másculo e ostentava uma barba por fazer, o queixo parecia ter sido esculpido demorada e detalhadamente a mão por alguma divindade, a boca carnuda e delicadamente desenhada, assim como o belo nariz, tinha um sorriso com dentes perfeitamente alinhados e tão brancos quanto poderiam ser. Não era possível que aquele homem fosse real, pensou, tampouco que fosse um ser humano, e não um anjo. Ou um deus grego que se perdeu a caminho do Olimpo e acabou parando na Alemanha.

– Você está me assustando. – ele falou, divertido, e a voz soava realmente como a voz de um anjo. Não que soubesse o som que a voz de um anjo tinha, mas se tivesse um som, era aquele com toda certeza.
– É que você é muito bonito, desculpa. – falou, tentando parar de encará-lo feito uma psicopata.
– Você também é. – ele disse, dando um sorriso de lado, parecendo mais ainda um ser celestial, e não um humano qualquer, e sentiu vontade de beijá-lo até o mundo acabar.
– Obrigada. – ela sorriu, agradecida. – Agora, se você me dá licença, vou trocar de roupa, porque ficar de toalha no meio do corredor nesse dia nublado e frio não é uma boa ideia.
– Tudo bem, mas fique à vontade para andar de toalha por este apartamento sempre que quiser.
– É, eu digo o mesmo para você. – ela respondeu baixo e em espanhol, enquanto caminhava para seu próprio quarto para se trocar.
Não ficaria ali, queria e precisava sair, porque estava morrendo de fome.

– Vai sair? – ela ouviu a voz de Andrea quando entrou na sala e o viu sentado no sofá, com a televisão ligada e parecia procurar alguma coisa para assistir.
– Não quero ficar nesse apartamento me lembrando que escolhi ser responsável ao invés de escolher estar bêbada no meu país.
– Vai chover. – ele advertiu e ela deu de ombros.
– Eu não sou de açúcar, Andrea.
– Você pode chamar de Gian, fica menos estranho. Todo mundo me chama assim, na verdade. – ele deu um sorriso de lado e ela assentiu, ainda hipnotizada pela beleza do sorriso que lhe foi oferecido, e o rapaz se colocou de pé. – Espera cinco minutos, vou trocar de roupa e a gente sai.
– Então vai logo. – respondeu e sentou no sofá para esperar, desligando a televisão em seguida.
Ouviu o barulho de notificação e, ao destravar a tela, deparou-se com mensagens de duas pessoas: tinha lhe encaminhado uma foto na comemoração, um copo enorme de cerveja em mãos, vários desconhecidos que estavam tão bêbados quanto ele estava prestes a ficar, camisas do Real Madrid por toda parte e sorrisos imensos no rosto. foi o responsável pela outra mensagem, uma foto beijando a taça da Champions League, em cima do ônibus do time, enquanto desfilavam pela cidade.

: Pena que não vamos poder estender nossa comemoração
Tô beijando a taça, mas queria estar te beijando ☹
: Teremos outras oportunidades, vá comemorar o título, Magia!

– Podemos? – Gian perguntou, aparecendo alguns minutos depois, e ela assentiu, colocando o celular no bolso da calça, e os dois saíram do apartamento, desceram os três lances de escada até a saída do prédio.
– Sabe, nós precisamos nos conhecer de verdade, então pode começar se apresentando decentemente, Andrea Giandavide. – mudou de assunto e ele deu um sorriso de lado antes de começar a falar.
– Eu tenho vinte e três anos, sou o irmão mais velho de quatro filhos: tenho um irmão de dezenove, uma de quatorze e a menorzinha de três anos, que é minha pessoa favorita do mundo; faço Engenharia Química em Turim, torço para Juve e sempre vou aos jogos na cidade e em alguns fora quando tenho tempo. Gosto muito de rock, correr e malhar, mas nada excessivo, só para manter a forma. Bebo sempre que possível e oportuno, sou péssimo jogando futebol, até tentei ser jogador quando era criança, mas claro que não deu certo. – ele falou e deu uma risadinha antes de continuar. – Porém, sou ótimo dançando e jogando tênis, mediano jogando vôlei, apesar do tamanho. E sei cozinhar muito bem. Não sei mais o que falar sobre mim.
– Você não parece mais um assassino vendedor de órgãos de intercambistas inocentes que vieram estudar nas férias. – brincou.
– E o que há para saber sobre você?
– Eu tenho vinte e dois, sou a mais nova de dois filhos, meu irmão mais velho tem trinta e um, nos damos muito bem e ele é meu ser humano favorito do mundo. Tenho dois sobrinhos, eles são as coisinhas mais fofas do universo e eu amo muito aqueles dois! Eu sou muito boa jogando futebol, muito boa de verdade, mas nunca sonhei em ser profissional. Torço para o único time possível, sempre vou ao Bernabéu e às vezes vou a outros jogos pelo país ou fora de lá. Amo rock, mas adoro reggaeton e algumas coisas de indie rock e pop. Bebo mais do que meus pais consideram devido e menos do que eu gostaria, cozinho bem, me viro muito bem com crianças e uso isso para ganhar um dinheiro extra em Madrid. Eu não sei dançar e nem gosto, na verdade; joguei tênis só uma vez então não sei se sou boa. Vôlei e golfe são duas coisas que nunca tentei, sou organizada e limpinha, gosto de viajar, tirar fotos das coisas, de ver filmes, séries e ouvir música. Acho que é isso, não consigo pensar em mais nada para falar.
– Solteira?
– Sim, senhor. – respondeu, dando um sorriso. – Solteiro?
– Também. – ele sorriu. – E então, o que vamos fazer?
– Comer.
– Eu duvido que você vá comer a comida alemã.
– Não vou mentir, algumas coisas pareceram muito estranhas nas fotos que vi, só que não sei se são estranhas e ruins ou se são apenas estranhas, esqueci de perguntar a um amigo alemão do meu irmão, mas sempre existe um McDonald’s para salvar os necessitados.
– Gostei da quantidade de bares perto de casa.
– Eu mais ainda. – falou, animada. – Não que nós realmente teremos tempo para isso, mas temos agora, então vamos andar rápido, porque quero comer e afogar minha tristeza de não estar em Madrid comemorando.
– Parabéns pelo título. Pelos títulos. – Gian se corrigiu, dando um sorriso logo em seguida, enquanto caminhavam na direção de um restaurante.
– Obrigada. Você pode me pagar uma cerveja por isso. Ou doze. Uma para cada Champions. – falou, dando de ombros, e ele riu. – E então, qual é a do seu nome?
– Na Itália é um nome bem comum e serve para mulher e para homem.
– Só lá.
– Pirlo também se chama Andrea e ninguém comenta nada sobre. – ele disse, fingindo-se de ofendido, e deu uma risada.
– Ele é o Pirlo, ele poderia se chamar “Caixa de Sapato” que seria aceitável.
– O De Rossi se chama Daniele e ninguém fala nada também.
– E quem vai ser o doido de falar alguma coisa com ele? Abriu a boca, toma uma voadora na cara. – zombou e Gian concordou, rindo.
– Xabi Alonso é um nome muito aceitável, né? – ele debochou e ela levantou uma das sobrancelhas, tentando fazer um olhar ameaçador. Adorava Xabi, tanto em campo quanto fora dele, é um ser humano fantástico e muito amigo do irmão.
– Respeite este homem. E ele se chama Xabier, portanto é mais do que aceitável e permitido. E ele é outro que poderia chamar “Sacola Biodegradável” e estaria tudo bem. – deu de ombros, fazendo Gian rir, e os dois entraram no restaurante. – Agora vamos comer.

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se jogou em sua cama quando chegou ao apartamento, após um dia absolutamente exaustivo. Estava na Alemanha há duas semanas, trabalhando e estudando, mal tivera tempo de descansar e dormir de forma decente, virou algumas noites estudando, adiantando o trabalho de conclusão da faculdade e o projeto que estava desenvolvendo. Não era nada além do esperado, tinha sido muito difícil conseguir aquela bolsa de estudos na Alemanha e ela sabia que as coisas seriam disso para pior.
Passaria o fim de semana fazendo um trabalho do curso que deveria estar pronto há dias, mas ela não teve tempo hábil para fazer. Perderia os três casamentos: Álvaro Morata e Alice Campello, Mateo Kovačić e Izabel Andrijanic e Lucas Vázquez e Macarena Capilla, mas já tinha enviado os pedidos de desculpas e os presentes.
Mal tinha falado com durante aquela semana, esteve envolvida em um processo complicado no estágio, não entendia bem as leis e as regras do Direito alemão, então ficava até mais tarde sempre que podia para aprender mais sobre tudo e conseguir fazer bem seu trabalho.

– Ei, , eu vou sair com a turma do curso. Quer vir? – ela ouviu Gian falar, mas não se virou para olhá-lo. – Você está viva?
– Não e mais ou menos. Preciso descansar um pouco para conseguir terminar um trabalho que tenho que apresentar na segunda. – falou e se virou para olhá-lo.
– Você não ia viajar?
– Não tenho condições de estar em três casamentos em um fim de semana, em três países diferentes, e voltar a tempo de fazer e apresentar esse trabalho na segunda-feira. Além de ter que ir para o estágio.
– Seus amigos resolveram casar em datas muito próximas e em lugares muito distantes. Eles se conhecem?
– Conhecem, mas quiseram se casar nas férias e em seus próprios países.
– Fiz o jantar, tome um banho e coma, espero que você goste.
– Sempre gosto.
– Qualquer coisa que você precise é só me ligar.
– Divirta-se. E tente não ficar muito bêbado, você é grande demais para ser carregado. – brincou e Gian deu um daqueles sorrisos pelo qual se derretia e desconfiava que ele já tinha percebido e por isso o exibia com tanta frequência.
– Pode deixar. E não me espere acordada.
– Eu não esperaria nem que você pedisse. – falou, rindo, e Gian mandou beijos no ar, saindo logo em seguida do quarto dela e do apartamento.

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– Você já está bêbado o suficiente para pegar o celular? – Nacho perguntou, rindo, quando tirou o telefone do bolso e parecia prestes a enviar uma mensagem.
– Quero saber notícias do . Hoje mais cedo a Victoria disse que ele não estava muito bem. – suspirou e digitou a mensagem para Victoria.

: Como o está?
Victoria: Teve uma febre bem alta mais cedo, eu o levei ao médico e agora está medicado, a febre abaixou e ele está dormindo. A garganta inflamou muito e isso causou a febre, mas ele tá bem agora.
: Me avise sobre como ele vai acordar?
Qualquer coisa eu não vou ao casamento do Lucas e vou praí ficar com ele.
Victoria: Como se isso fosse resolver alguma coisa e fazer o melhorar
: Sou pai dele e não quero estar longe no momento em que ele precisa de um mínimo conforto que eu possa oferecer.
Apenas me avise sobre ele amanhã.

não entendia como sua boa relação com Victoria tinha virado aquilo. Os dois ficaram juntos por um bom tempo, conviviam muito bem e, quando a relação chegou ao fim, tinham decidido que seriam maduros, que se tratariam bem por respeito mútuo e também pelo filho, mas não era assim que as coisas estavam há tempos. Não havia cordialidade, não havia nem mesmo uma boa relação. Havia rancor, troca de farpas, obrigatoriedade e indiretas, apenas. Ambos querendo provar que eram melhores pais do que o outro.
Ele duvidava que Victoria fosse lhe dar alguma notícia do filho depois daquilo, então daria um jeito de ir embora o mais rápido que pudesse pela manhã e voltaria a Madrid para o casamento de Lucas, se conseguisse. Estava preocupado, e ainda que não pudesse fazer nada pelo filho, queria fazer alguma coisa.
Encarou a mensagem visualizada e não respondida e suspirou pesadamente em frustração. não visualizava as mensagens há muitas horas e pensou que, provavelmente, ela estava dormindo e não a incomodaria. Precisava beber alguma coisa forte, porque senão acabaria com sua noite bem antes do previsto e do devido.


Capítulo 5 – Tú me confundes, no sé qué hacer...


... yo lo que quiero es pasarla bien, yo tengo miedo de que me guste y que vaya a enlouquecer... (Perro Fiel – Shakira ft. Nicky Jam)

– O que nós estamos comemorando? – Gian falou quando viu chegar equilibrando a bolsa no ombro, duas caixas de cerveja, uma caixa de pizza nas mãos e ostentando um sorriso enorme.
– Que meu professor achou meu projeto fantástico, magistral, digno de utilização para inspirar novos alunos. Palavras dele. – disse em tom satisfeito e seu sorriso pareceu aumentar, fazendo Gian sorrir de volta, enquanto ela caminhava para sentar ao seu lado no sofá e deixava as caixas sobre a mesa de centro e largando a bolsa no chão.
– Parabéns! – Gian disse, dando-lhe um abraço.
– Estou me sentindo importantíssima e muito inteligente também.
– Você merece, tem se esforçado muito para as coisas darem certo. Menos que isso seria impensável.
– Obrigada. – disse e ouviu seu telefone tocar em sua bolsa. O nome de Sergio e uma foto do irmão lhe dando um beijo no rosto apareciam na tela e ela atendeu rápido. – Oi, mi amor.
– Quanto tempo não falo com você.

– Eu estava estudando muito, e isso me rendeu um elogio e tanto.
– E qual foi?
– Meu professor disse que meu projeto é fantástico, magistral, digno de utilização para inspirar novos alunos. – disse feliz e o ouviu dar aquela risada de irmão mais velho orgulhoso da irmã caçula.
– Você merece, porque eu tenho certeza absoluta que você tem batalhado muito para conseguir fazer tudo bem feito. E como as coisas estão aí?
– Ótimas! Corridas, mas ótimas. E as férias, como estão?
– Tranquilas. Estamos viajando.
– Eu vi as fotos e estou morrendo de inveja, não vou negar. Aqui mal faz sol!
– Pilar vai viajar de volta para Madrid para resolver umas coisas do trabalho, vou ficar com os meninos e eles não param de falar que estão sentindo sua falta, então vou passar uns dias aí.
– VEM! – ela disse, animada.
– Chego na quinta e volto para Madrid na segunda-feira.
– Vai ser ótimo ter vocês aqui uns dias. Não aqui exatamente, mas você entendeu o que eu quis dizer.
– Morata, Alice, Lucas, Maca, Mateo e Iza perguntaram por você.
– Eu falei com eles, pedi milhões de desculpas por não ter ido e enviei os presentes, eles entenderam. E você conseguiu ir a todos?
– Eu fui no do Morata e no do Lucas, ir para a Croácia ia ser um pouco mais difícil, porque você não estava aqui para me ajudar com as crianças. – Sergio disse, rindo, e o acompanhou na risada. – Mas eu já tinha comentado com eles que você talvez não conseguisse ir.
– Eu mal tenho dormido, estava terminando o que precisava. Amanhã só tenho que trabalhar, então posso dormir umas horas a mais.
– Espero que você reserve seu fim de semana para mim e para os seus sobrinhos.
– Pode ter certeza absoluta disso, eu estou com muita vontade de ver vocês.
– Eu te liguei só para lhe falar isso, nós vamos sair para jantar.
– Mande beijos para todos.
– Mando.
– E outro enorme para você.
– Obrigado. Nos vemos no fim de semana, pirralha. – Sergio disse e desligou o telefone após se despedirem.
– Meu irmão vem me ver no fim de semana! – falou, animada, batendo palminhas feito criança. – E vai trazer os meninos!
– Que legal. – Gian sorriu, pegando um pedaço da pizza, fez o mesmo, além de pegar uma das garrafas e abri-la, tomando um gole grande.
Os dois continuaram bebendo e comendo enquanto assistiam a um filme qualquer que passava, sem prestar atenção de verdade, e conversavam sobre tudo e nada ao mesmo tempo. falou sobre algumas coisas do curso e sobre a Espanha, Gian fez o mesmo, falando sobre seu curso, sobre a Itália e os lugares que já tinha conhecido.
Não chegaram a ficar bêbados, estavam apenas mais espontâneos e alegres que o habitual, com riso um tanto mais solto e com algumas palavras escapando mais facilmente dos lábios.
– E então, você vai me deixar te dar um beijo? Venho esperando por essa chance há tempos! Achei que ia conseguir te convencer a sair comigo, mas você só sabe estudar. – Gian falou, fazendo um sorrisinho brotar no rosto de .
– Ainda bem que você falou, porque eu quero te beijar desde o primeiro dia aqui em Munique.
deixou sua garrafa vazia sobre a mesa de centro e se inclinou, juntando os lábios aos de Gian sem hesitar, entreabrindo sua boca para que as línguas se encontrassem e ele a segurou pela nuca, enquanto tinha as mãos nos ombros fortes dele, tanto para se apoiar quanto para aproveitar a oportunidade de tocar aquele corpo que ela vinha cobiçando há tempos.
– Eu acho que não quero te beijar, para ser bem sincero. – Gian disse quando pararam de se beijar para tomar fôlego.
– Que bom que você percebeu que não vamos ficar apenas nos beijos. – ela respondeu, voltando a beijá-lo, dessa vez de forma mais comedida, apenas para atiçá-lo um pouco mais, enquanto suas mãos deslizavam pelos ombros dele, ainda cobertos pela camisa que usava.
– No seu ou no meu?
– Tanto faz, o que aparecer primeiro. – ela disse e se pôs de pé, puxando Gian pela mão e os dois seguiram pelo corredor.

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: Meu filho virou seu fã e quer te ver! 🙄
E agora?
: Manda um beijo imensoooo pra ele!
Diz que logo volto pra casa e poderemos brincar
E deixa de ser ciumento 😜
: Posso falar que o pai dele também virou seu fã e quer te ver?
: Pode
: O pai dele virou seu fã e quer te ver
: É, eu também quero vê-lo
: E quando poderia ser isso?
: Sergio vem pra cá hoje, então sem chance de ser esse fim de semana
Devo ter uma folga no fim de semana que vem
: Meio termo?
: Se eu viajar até aí, é mais discreto do que você vir pra cá
: Em Málaga ou você prefere outro lugar?
: Pode ser em Málaga mesmo, mas onde?
: Tenho um amigo que não está na cidade esse mês e a casa tá vazia
: Pode ser, mas combinamos isso durante a semana que vem, pode ser?
Preciso resolver umas coisas do trabalho agora
: Certo.

deixou o telefone de lado e voltou a concentrar-se no processo que tinha em mãos e precisava entregar para a chefe antes de sair do escritório, dali a pouco. Estava atrasada naquilo e ainda precisava buscar o irmão no aeroporto dali a duas horas.
Sergio podia ir sozinho até o apartamento, sabia disso, porque seria apenas alugar um carro e usar o GPS, que ele chegaria tranquilamente, mas ela também sabia que, dada a habilidade do homem com eletrônicos, ele acabaria perdido, então era melhor que fosse buscá-lo no aeroporto e evitassem transtornos, ainda que também não soubesse andar tanto por Munique assim, mas pelo menos sabia usar o GPS melhor que o irmão. Sergio Ramos perdido na Alemanha não era uma boa ideia.

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– TITIA! – Sergio Junior falou alto, enquanto corria em sua direção quando a viu na área de desembarque, e a abraçou apertado quando a alcançou.
– Amorzinho! – o apertou em seu abraço, recebendo um beijo demorado no rosto. – Como você está?
– Bem! Papa vem com Marco. – o menino se virou e apontou na direção em que o pai vinha arrastando um carrinho com duas malas pequenas e o filho mais novo sentado sobre elas. ficou de pé e Sergio Junior abraçou sua perna esquerda.
– Cheguei. – Sergio disse, aproximando-se da irmã, e Marco se agitou, esticando os bracinhos para a tia, que o pegou e deu um beijo estalado na bochecha, o menino a abraçou e lhe deu um beijo babado no rosto.
– Como foi a vinda?
– Achei que seria difícil, mas parece que seu nome também é mágico e faz as crianças ficarem quietas. – Sergio disse e abraçou a irmã de lado, dando-lhe um beijo na bochecha.
– Então vamos para casa. – ela disse e Sergio ergueu Sergio Junior no colo.
– Posso ficar na sua casa?
– Acho que sim, podemos descobrir se cabem todos por lá, mas se não couber, você procura um hotel para você e os dois ficam comigo. – respondeu e os quatro seguiram até o carro que tinha alugado para usar durante aqueles dois meses em Munique e partiram em direção ao apartamento.

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– Cheguei! Tem alguém em casa? – ela ouviu a voz de Gian chamando na sala.
– Cozinha. – falou mais alto enquanto terminava de fazer o jantar.
– Quem é? – Sergio perguntou, curioso, e só aí lembrou que o irmão não sabia que ela dividia o apartamento com um homem.
Sergio estava sentado em uma cadeira e de lado para a porta, Marco estava em seu colo, com um boneco do Olaf em mãos, e Sergio Jr estava sentado em outra cadeira ao lado do pai, brincando com Woody e Buzz Lightyear, e parecia muito entretido para se dar conta do que acontecia fora da sua brincadeira.
– Então esse é o fam... SERGIO RAMOS? – o rapaz disse assustado quando entrou na cozinha e se deparou com o homem que estava na cadeira.
– Não é possível que você não sabia. – rolou os olhos e Gian negou com um aceno de cabeça, ainda em choque, com a boca entreaberta pela surpresa e sem tirar os olhos do zagueiro espanhol que o olhava. – O sobrenome? Eu tenho duas fotos com ele no Instagram! E ele me segue!
– Eu nunca fui te stalkear para saber da sua vida, . – Gian disse e a olhou pela primeira vez naquela conversa. – E nunca me passou pela cabeça que o seu Ramos era o mesmo do dele! – ele disse quase exasperado e estendeu a mão para o homem que estava a sua frente. – Cara, é um prazer te conhecer. Você é foda! Sou seu fã.
– Obrigado. – Sergio disse, aceitando o cumprimento, mas ainda desconfiado e sem entender bem o que estava acontecendo. – E quem é você mesmo?
– Divido o apartamento com sua irmã. Meu nome é Andrea Giandavide, mas pode me chamar de Gian.
– Ah, achei que Andrea era uma mulher. – Sergio se virou para , olhando curioso por saber por que ele não sabia que Andrea era, na verdade, um homem, e ela deu de ombros.
– Ela também achou. – Gian falou, rindo. – É um mal comum do nome. Até mesmo na Itália.
– Por isso todo mundo chama o Pirlo só de Pirlo. – brincou e fez Gian rir. Sergio deu um sorriso de lado, mas totalmente sem humor. – Vai lavar essas mãos, Gian, nós já vamos jantar.
– Sim, senhora. – ele fez uma continência e saiu da cozinha.
Sergio se virou para a irmã e ergueu uma das sobrancelhas, como se questionasse sobre aquilo.
– O que foi?
– Por que você não me disse que divide o apartamento com um homem? – ele sussurrou, ultrajado.
– Não pensei que fosse relevante. – deu de ombros. – E vá lavar as mãos.
– Claro que é relevante! E se ele for um assassino que vende órgãos das pessoas na internet?
– Essas coisas não acontecem na vida real, hermanito, isso é coisa de filme e seriado. – disse, rindo, e Sergio rolou os olhos. – Tudo bem que eu pensei a mesma coisa no primeiro dia que o vi, mas fazem uma investigação social imensa antes de nos aceitarem nesse intercâmbio. Qualquer coisinha que ele tivesse feito, teria sido descoberta.
– Espero que sim. – Sergio disse, desconfiado. – Neños, vamos lavar as mãos para o jantar.
– Eu quero dormir com minha tia hoje. – Sergio Junior falou e deu um sorriso.
– Claro, mi Nano. – sorriu.
– Eu também vou dormir por aqui. – Sergio disse, colocando-se de pé. – Não estou gostando muito dessa história.
– Vai lavar essas mãos logo. – disse, rindo, e Sergio saiu da cozinha com os filhos, bem quando Gian retornou e se aproximou dela.
– Eu não consigo acreditar que você não me disse que é irmã de Sergio fucking Ramos! – foi a vez de Gian sussurrar ultrajado.
– Normalmente eu não falo sobre isso com ninguém. – falou, dando de ombros, segurando-se para não rir da expressão de Gian, que parecia perdida entre a descrença na realidade daquela situação, o ressentimento por não ter contado e a admiração pelo zagueiro espanhol. – E ele está um tanto quanto desconfiado da sua índole.
– Você é a irmãzinha mais nova dele, claro que ele está preocupado. Eu também estaria. – Gian deu uma risada baixa e se aproximou de , envolvendo-a pela cintura e deu um sorriso cheio de segundas intenções. – Mas é uma pena que ele esteja desconfiado, porque vai ficar aqui e atrapalhar todos os meus planos para o fim de semana.
– Nós temos outros fins de semana pela frente. – falou, sorrindo de volta e selou seus lábios aos dele em um beijo rápido. – Agora vá colocar a mesa, não quero que ele se mude permanentemente para cá.
– Sim, senhora. – Gian falou, rindo, e foi até o armário buscar o que tinha sido solicitado, antes de ouvirem os passos dos outros três de volta até a cozinha.

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– O que você acha de irmos a Dachau? – perguntou ao irmão. – Tem um local que é um memorial de um dos campos de concentração da época do nazismo e...
– Não. Nada contra a questão histórica, mas eu queria curtir um dia com meus filhos e minha irmã mais nova.
– Você é famoso, vai acabar me colocando em fanpages do Instagram. – implicou. – Podemos ir à Viktualienmarkt.
– Vik... O quê?
– É isso aí mesmo. – riu. – É uma feira, mas tem várias coisas lá perto, podemos ir com os meninos e passear.
– Tudo bem. O italiano vem?
– Não, ele tem coisas do curso para fazer. – deu de ombros. – Vou trocar de roupa e a gente sai.
– Vou te esperar aqui. – Sergio respondeu, enquanto assentia, dando-lhe as costas.
Os filhos estavam sentados no sofá, entretidos com os próprios brinquedos. não demorou muito a voltar, usando um short jeans e uma camiseta, e os dois logo saíram do apartamento com as duas crianças.
– Eu ofereceria a Allianz Arena, mas imagina as notícias: “Sergio Ramos é visto em tour pelo estádio do Bayern de Munique, seria este um indício de que o defensor espanhol está de mudança?”
– Você é idiota. – Sergio falou, rindo.
– Sou, mas você sabe que é verdade. E nem na Marienplatz, porque você pode ser morto por impedir os bávaros de comemorar títulos lá, ou podem mesmo cogitar sua transferência e você já está conhecendo o ponto em que o time comemora suas conquistas com a torcida.
– Você está muito entendida sobre o Bayern e suas coisas, hermanita, está mudando de lado? – Sergio provocou e o olhou feio.
– Cala a boca, senão eu te largo sozinho na cidade e volto para casa com os dois.
– Eu duvidaria da sua capacidade de fazer isso, mas te conheço o suficiente para saber que você faria isso sem pensar duas vezes. – Sergio falou, rindo. – E vamos logo. Posso até te levar no cinema mais tarde.
– Bom mesmo, para compensar sua chatice. – falou, desaforada.
– Vamos andando?
– Nós já estamos chegando, inclusive. – deu de ombros. – Eu te diria para ser discreto, mas essa sua roupa não ajuda em nada.
– O que tem de errado com a minha roupa?
– Tudo. – falou implicante.
Não estava assim tão ruim, mas era seu papel de irmã mais nova encher o saco do irmão mais velho.

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– Nem acredito que já preciso deixar vocês irem embora. – reclamou, segurando Sergio Junior no colo antes que eles se dirigissem para a área de embarque.
– Ainda vamos passar uns dias em Sevilla, então temos mesmo que ir. – Sergio Ramos disse e ela fez bico.
– Queria ir pra Sevilla também, mas preciso ir para a aula em vinte minutos.
– Eu aviso quando nós chegarmos.
apertou o sobrinho mais velho em um abraço e lhe deu um beijo demorado no rosto, recebendo o mesmo carinho do menino. Fez o mesmo com Marco, que soltou uma risadinha quando ela o apertou e lhe devolveu o beijo no rosto um pouco mais molhado que o que tinha recebido da tia. O abraço no irmão foi tão demorado quanto os dados nos sobrinhos, odiava ter que se despedir dele, sempre tinha sido assim e ela sabia que aquilo nunca mudaria.
– Não esquece de me avisar mesmo quando chegarem, por favor.
– E você, toma cuidado. – Sergio a advertiu, preocupado, e deu um sorriso, assentindo em seguida e dando um beijo no rosto do irmão, antes de correr para o estacionamento, tinha menos de quinze minutos para chegar à aula.

Sergio Ramos e os filhos tinham passado o fim de semana inteiro com , os dois adultos passearam pela cidade com as crianças, que se divertiram bastante com a tia e o pai, sem a inclusão de Gian, que estava ocupado com seu próprio projeto do intercâmbio e não os acompanhou. Os dois não tiveram oportunidade de se beijar outras vezes, porque tal qual em campo, a marcação de Sergio Ramos foi implacável.
A semana que seguiu ao retorno do irmão para a Espanha, foi tão intensa quanto as anteriores. O estágio estava cheio de coisas a serem feitas e rendeu algumas boas horas extras, cheio de casos e processos complicados e difíceis, nem mesmo parecia que estavam na época das férias de verão, além de muitas aulas, estudos, poucas noites de sono e muito estresse.
tinha certeza absoluta de que aquele curso a deixaria louca antes que conseguisse voltar para a Espanha, talvez enlouquecer os estudantes fosse a meta daquele intercâmbio, no fim das contas. Mas a parte boa é que ela já tinha aprendido uma boa quantidade de palavrões em italiano e alemão e os utilizava em uma frequência maior do que a mãe e o pai achariam devido.

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– Você parece tensa. – ouviu a voz de Gian enquanto ela lavava as vasilhas após o jantar.
– Porque eu estou tensa. – respondeu sem se virar para olhá-lo, ele se aproximou para lhe massagear os ombros, e soltou um suspiro aliviado ao sentir as mãos dele sobre seus músculos tensos. – Ah. Isso é bom.
– Claro que é bom, sou eu quem estou fazendo.
– Às vezes eu esqueço que você usa muito bem suas mãos. – ela disse num tom dúbio e soltou um suspiro de alívio quando ele voltou a lhe apertar os ombros em uma massagem. – Ai Gian, que delícia. Continua, vai.
– Se você gemer meu nome assim mais uma vez, eu vou ser obrigado a parar essa massagem.
– Por quê?
– Porque eu vou preferir te fazer gemer de outro jeito. – Gian respondeu, dando uma risada, e passou os nós dos dedos pelas costas de , que voltou a soltar um grunhido de alívio. – Você dormiu direito esses dias?
– Mais ou menos, eu estou muito cansada e tens... Ah, que delícia. Santo gol do meu irmão nos acréscimos do segundo tempo na final da Champions League! Você devia ter falado que era bom de massagem também.
– Deixa isso aí que eu termino de lavar e guardar mais tarde. Agora, eu vou te fazer uma massagem decente. Você merece. – Gian falou, tirando o prato ensaboado das mãos de e depois que ela secou as mãos, os dois seguiram até o quarto dela.
– Você devia mesmo ter me dito que essas mãos também são boas para fazer massagem.
– Tira a blusa, vou passar um óleo nas suas costas. – Gian falou enquanto saia do quarto e tirou a própria blusa, deitando-se na cama de bruços. – E eu tinha que manter uns segredos, senão você já teria me usado antes. – ele respondeu em tom de brincadeira quando voltou para o quarto.
– Teria mesmo. – ela deu uma risadinha enquanto sentia ele espalhar o óleo por suas costas e espalmar as mãos na região, pressionando devagar e fazendo círculos com os polegares para amenizar a tensão. – Ai, que delícia.
– Preocupe-se apenas em relaxar, você precisa descansar um pouco, . Vai ter um troço antes de conseguir terminar esse curso.
– Vou, mas pelo menos quando eu voltar pra Espanha, já volto com o trabalho de conclusão pronto. – falou e ele passou o polegar por sua nuca, pressionando de leve o lugar e ela soltou um gemido aliviado. – ¡Ay papi, eso és muy bueno!
– Eu não tenho muito controle quando você fala espanhol. – ele falou, depois de dar um suspiro pesado e tentando conter a vontade de terminar de arrancar as roupas dos dois.
– Digo o mesmo para quando você fala italiano.
– Eu conheço uma coisa que relaxa muito mais do que essa massagem. – ele falou no ouvido de e ela sentiu seu corpo se arrepiar.
– Ah, é? E o que seria? – ela se virou, sentando-se na cama e o encarou.
– Sexo. Muito sexo. – Gian respondeu e ela o puxou pela camisa, para que deitasse em sua cama também.

-x-


estava deitado no sofá da casa dos pais. Messi deitado no chão aos seus pés, Bubu no sofá ao seu lado e Junior do outro lado, com os pés sobre o peito do pai e a mamadeira na boca. Na televisão, algum desenho que o menino já tinha visto mais vezes do que devem existir números capazes de contabilizar.
Com os dedos, ele deslizava o feed do Instagram, conferindo fotos e vídeos postados pelas pessoas que seguia, curtiu alguns antes de mudar para o aplicativo do Twitter e ler outras coisas na timeline e nas menções recebidas, não respondeu nada, estava com muita preguiça para interagir com as pessoas. E ainda tinha que arrumar as coisas para voltar a Madrid no dia seguinte.
O nome de apareceu em uma notificação, ela tinha enviado uma mensagem, algo que ela não fazia há dois ou três dias, ele não demorou a abrir.

: Fim de semana confirmado?

E então ele se lembrou. Tinham marcado de se ver no fim de semana, ali mesmo em Málaga, para evitar que os olhares dos fotógrafos os denunciassem, mas ele acabou se esquecendo e marcando outro compromisso, que já não podia mais ser adiado.

: Esse fim de semana?
: É o que combinamos...
: Esse fim de semana não vai dar
Tenho um compromisso
: Sem problemas
: Eu esqueci ☹
E nem consigo desmarcar esse, desculpa mesmo,
: Sem problemas,
Fica pra próxima 😉


Continua...



Nota da autora: Eu prometi não demorar e eu cumpri, uma palma pra mim que não fiz nada além da minha obrigação.
Enfimmm, sem uma nota muito grande, apenas quero informar que fiz um grupo no Facebook e vou postar as coisas lá, sempre que mandar os capítulos pra Ana e essas coisas (inclusive o vídeo do homem lindíssimo que inspirou o italiano, que eu tive que fazer um malabarismo cibernético pra encontrar).
FELIZ ANO NOVO!!!!!!!!!! Que 2019 seja beeeem melhor do que foi 2018, que o Real Madrid pare de oscilar em La Liga e vença, que o Isco volte a jogar o futebol que ele jogava na temporada 2016/2017, que todos os nossos sonhos se concretizem e todas aquelas coisas boas que se deseja em começo de ano!
E minha meta pra 2019 é mandar pelo menos uma att por mês e finalizar pelo menos esta long aqui. Fé no Pai que vai dar tudo certo!
Bom, era isto, espero que vocês tenham gostado e em breve eu mando o capítulo 06 :D

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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