Last Gift

Última atualização: 14/12/2017

Prólogo

– Então, pensou no que eu disse? – observei o rosto próximo ao meu.

Nossa respiração estava quase em seu fluxo normal, mas ainda podia sentir o efeito do ápice passeando preguiçosamente pelo meu corpo, assim como os dedos acariciando despreocupadamente o meu mamilo enquanto aguardava a minha resposta.

– Você sabe como me sinto a respeito disso. – dei uma olhada rápida no meu corpo e fechei os olhos. – Podemos tentar inseminação. – murmurei consciente da resposta que viria a seguir.
– Se pudesse, eu os teria. – as pontas dos dedos deslizaram sobre meu rosto, ao mesmo tempo em que seu queixo repousou entre meus seios, abri os olhos e levei a mão até seus cabelos.

Observei Jung YunHee olhar-me com os olhos castanhos gigantes projetando um leve bico. Ela sabia que fazer aquilo era ponto fraco, fiz uma careta e ela sorriu. Acariciei seus cabelos que agora estavam na altura dos ombros, levemente ondulados.
Haviam se passado três anos desde que a tinha visto pela primeira vez, em uma visita ao hospital do câncer próximo a minha casa. Parei um instante em meu caminho para observar a moça sentada conversando gentilmente com uma criança. Seus olhos castanhos capturaram os meus e então, ela sorriu. Meus pés me levaram naquela direção. Passamos a tarde conversando enquanto ela recebia a quimioterapia. Sem conseguir explicar o motivo, não fui capaz de me afastar e passei a noite ali. Voltei nos próximos dias até que ela recebeu alta. Um ano até que tivemos o primeiro beijo, dois meses depois viemos a morar juntas em uma união estável.

– Volta. – recebi um aperto na coxa trazendo–me para a realidade, dei um pequeno sorriso — Confia em mim? — dei um sorriso largo, logo foi correspondido por um ainda maior. – Então, acredite. – assenti sem dar uma resposta e a trouxe para perto, capturei os lábios num beijo longo.

Há dois meses, YunHee demonstrou desejo de termos um filho e desde então estávamos tentando achar um jeito de conceber essa criança. Conversamos várias vezes durante esse período, até que por fim, ela me disse que preferia o método tradicional ao método frio da inseminação artificial, e não só ele, como conhecia alguém perfeito que poderia nos ajudar.

– Confie em você mesma. – sussurrou contra meus lábios ao apertar minha cintura.
– É isso que você quer? – a olhei nos olhos, acariciando seu rosto.
– É o meu desejo. – seu olhar veio firme em minha direção, seus lábios permaneciam um sorriso carinhoso.
– E quando ele chega? – deixei escapar um sorriso, bati com a pontinha do dedo em seu nariz. YunHee piscou lentamente, até que as palavras fizeram sentido. Seus olhos brilharam úmidos, os lábios tremeram e imediatamente me envolveu num abraço apertado. – Amor? – sussurrei assim que senti meu pescoço ficar úmido.

YunHee ergueu seu rosto, mesmo à luz das lágrimas, mantinha um sorriso feliz nos lábios cheios. Antes que eu pudesse falar alguma coisa, novamente seus lábios percorreram meu pescoço, um arrepio percorreu meu corpo e deixei um gemido escapar.



Capítulo 01

– Só... mais... um detalhe...zinho. – murmurei enquanto dava o último retoque na imagem, sorri vitoriosa ao ver a capa do meu próximo livro pronto.

Massageei os ombros e dei uma olhadinha preguiçosa no relógio, foi o que bastou para que eu saltasse da cadeira e saísse correndo em direção à cozinha. Estava atrasada. Muito, muito atrasada! Conferi mais uma vez no relógio, duas horas para que tudo ficasse pronto. Separei os ingredientes necessários para o Strogonoff de Camarão, em seguida foi a vez do Arroz Crocante. Por último, coloquei literalmente a mão na massa ao preparar a Rosca de Azeitona e Provolone.

– Oi? – regulei a temperatura do forno elétrico ao mesmo tempo em que atendia o telefone.
, tudo bem? – sorri ao ouvir a voz animada.
– Oi, amor, acabei me empolgando com a capa. – fiz uma careta – Mas está tudo entrando no eixo, como estão às coisas por aí?
– Estamos quase acabando. – pude ouvir o barulho de risos e gritos ao fundo. – Essas crianças estão cada vez mais agitadas.
– Espere até ser a nossa vez, vou ficar de cabelos brancos! – brinquei e em seguida ouvi o som doce do seu riso.
– Exagerada! – ralhou de forma carinhosa – Mais uns minutos e estou chegando, ok? Amo você! – mordi os lábios ao ouvir o som característico de um beijo.
– Está bem, amor, amo você. – com um sorriso nos lábios desliguei o telefone.

Parei um instante na frente da pia observando a paisagem. Uma semana havia se passado desde que havia concordado com aquele plano, hoje seria o dia que ia conhecer o tal amigo. Impossível não sentir um frio na barriga, até mesmo um desconforto com aquela situação, mas se a faria feliz, era o que realmente importava. Podia e iria deixar aquele ou qualquer outro sentimento de lado.
Conferi mais uma vez como estavam as coisas antes de subir as escadas, parei um instante em um dos primeiros quartos. , este era o nome dele, ficaria em nossa casa durante o período. Dei uma olhada em volta vendo se tudo estava no devido lugar. Um arrepio frio correu por minhas costas assim que meu olhar recaiu sobre a cama, girei sobre os calcanhares e sai rapidamente dali.
Caminhei apressada em direção ao nosso quarto, existia um certo incomodo e não poderia deixar de sentir, por mais otimista que pudesse estar. Ao chegar lá, caminhei em direção ao closet e optei por um vestido leve, florido de botões, em seguida fui para o banheiro. Deixei a água quente correr sobre meu corpo afastando qualquer traço de ansiedade e receio que estivesse impregnado sob a minha pele. Meia hora depois, estava colocando os brincos em frente ao espelho, alisei a roupa mais uma vez, calcei os sapatos e finalmente desci.
Às sete horas ouvi a porta da frente abrir, sorri enquanto terminava de colocar o arroz em uma pequena travessa. Contei lentamente até cinco e ao chegar neste, senti os braços rodearem a minha cintura e o rosto descansar em minhas costas. Deixei a travessa de lado, cobri as mãos com as minhas e lentamente girei ficando de frente para ela.

– Olá, estranha. – levei suas mãos até os lábios e beijei cada uma antes de trazê-la para mais perto.
– Como você está? – seus olhos fizeram uma busca rápida em meu rosto antes de descansarem sobre os meus.
– Tudo bem. – respondi sem fitá-la diretamente nos olhos, em vez disso, apenas descansei as mãos em sua cintura dando um leve sorriso.
? – as pontas dos seus dedos deslizaram sobre meu rosto e mordisquei um deles. – Me conta. – pediu num sussurro.
– Só um pouco ansiosa. – respondi a contragosto apertando levemente a cintura.
? – seu olhar, apesar de gentil, era inquiridor.
– Quantas vezes por dia iremos tentar? Se ele não... tiver ereção? E se...
– E se mais nada. – o dedo pousou sobre meus lábios impedindo que outra frase surgisse. – Nunca, jamais eu pediria isso para outra pessoa se não ele, eu confio e sei que irá cuidar de você. E quanto todas às suas dúvidas, vamos tratar de esclarecer quando ele chegar, ok? – assenti lentamente.

Apoiada na ponta dos pés, seus lábios juntaram-se aos meus, os dentes passaram levemente sobre meu lábio inferior antes de sua língua fazer o mesmo caminho. Estremeci sob aquele simples toque e aprofundei o beijo deixando escapar um gemido. Seus dedos acharam caminho entre os meus fios castanhos, seu corpo colou contra o meu. Escorreguei meus lábios sobre seu pescoço enquanto procurávamos por ar, minhas mãos percorriam por seu corpo da mesma forma que as dela exploravam meus seios.

– Temos quanto tempo? – murmurei mordiscando seu lóbulo e a vi puxar o ar com mais força.
– Acho que... – sua voz saiu num rouco ronronar próximo ao meu ouvido, mas antes que pudesse concluir a frase ouvimos o barulho da campainha – Nenhum! – fiz uma careta sem poder esconder minha irritação por ser interrompida, YunHee deixou escapar um sorriso antes de novamente juntar nossos lábios em um beijo rápido – Terminamos isso mais tarde. – deu uma piscadela ao dar um passo atrás.

Assenti com a cabeça fazendo um bico enquanto a via sair saltitando da cozinha. Num suspiro resignado voltei a arrumar as travessas, ouvi o riso alegre dela e o murmurar masculino, revirei os olhos fazendo uma careta. O barulho de passos no corredor, ergui o olhar exatamente quando ambos entraram na cozinha. Foi o que bastou para sentir o coração saltar no peito e o estômago contrair. Arquei as sobrancelhas significativamente ao fitar os dedos entrelaçados, encarei o rapaz estreitando os olhos. Ele estava próximo, muito próximo. Trinquei os dentes e dei um passo em frente instintivamente.

? – demorei alguns segundos antes de desviar o olhar para YunHee – Este é o , está é a minha esposa, .

O olhar calmo de YunHee posou sobre o meu, forcei um sorriso antes de encarar novamente o rapaz, mas esse já não se encontrava no seu lugar.

– Ouvi muito falar de você, . – fiquei estática enquanto ele me abraçava, como se fossemos velhos amigos – É um prazer estar finalmente te conhecendo! – sorriu ao afastar-se.

Fiquei espantada olhando para o rapaz, esse mantinha um sorriso nos lábios cheios e o olhar curioso, talvez esperando alguma reação da minha parte.

– Hm... é. – pega de surpresa não sabia como responder a todo aquele entusiasmo, olhei de um para outro. – Digo o mesmo. – dei um sorriso amarelo.
– Posso te ajudar em alguma coisa? – solícito, o rapaz deu um passo em frente.
– Não! – dei dois passos pra atrás – Está tudo sobcontrole. Yunnie, por que você não leva o nosso convidado até o seu aposento enquanto dou os toques finais por aqui? – empurrei o melhor sorriso em direção a eles.
– Certo. – lançando um olhar avaliador em minha direção, com direito a uma sobrancelha erguida – Dez minutos?
– Quinze. – pisquei, dando uns minutos a mais para que ela pudesse tomar um banho rápido. YunHee puxou pela mão, este ainda deu um aceno antes de sair.

Não pude evitar sorrir ao ver a cena, mas logo estava séria ao dar alguns passos e depositar a pequena travessa de arroz crocante sobre a mesa. Em seguida foi a vez do Strogonoff ser trocado de lugar e descansar na travessa, por último, retirei a forma com a rosca do forno.

– Oi. – olhei sobre ombro e dei um sorriso educado. – Vai soar extremamente repetitivo, mas posso ajudar em alguma coisa?
– Ali. – dei um pequeno sorriso e apontei com a cabeça em direção a pequena adega localizada ao lado do armário – Escolha um vinho para nós.

Observei enquanto ele sumia porta adentro, voltei à atenção para o que fazia antes. Minutos depois o vi voltar com um vinho Section 94 Dog Point Sauvignon Blanc, muito apreciado por mim. Sorri com a escolha sábia e apontei para o armário, indicando as taças. A minha mania – irritante por sinal – de terminar de organizar o jantar e de imediato lavar a louça, me impedia de fazer outra coisa senão aquilo. Dei uma última olhada sobre a mesa e voltei à atenção para a pequena tarefa.
Deveríamos estar conversando, certo? Sim, mas não sabia ao certo por onde começar, principalmente por ele aparentemente saber sobre mim e eu pelo contrário, não tinha a mínima ideia de quem ele era na vida da minha esposa, muito menos que ele existia, devo ressaltar.

– Primeira gaveta a minha esquerda. – disse e observei enquanto o olhar masculino claramente brilhou curioso ao passo que ele aproximou-se de onde estava. A risada rouca soou assim que ele retirou um pano de prato da gaveta, dei de ombros e sorri.
– Dando-me trabalho, ? – disse já pegando a primeira coisa que viu pela frente.
– Foi você quem pediu. – dei um sorriso inocente – Então, me conte a seu respeito. – perguntei um tanto curiosa.
– Você acha que tem alguém maluco na minha família ou alguma doença genética perigosa que a criança pode herdar? – o tom levemente afetado e falsamente ofendido do rapaz provocou uma gargalhada em mim.
– Nada disso. – balancei a cabeça ainda rindo – Aparentemente você sabe mais sobre mim, do que eu sobre você.
– Bom. – ele sorriu e pareceu pensar por um instante. – Olá, meu nome , tenho trinta anos e conheço a YunHee durante a minha vida toda. – estendeu a mão em minha direção, olhei para a mão estendida e para a minha ainda ensaboada. – Vamos lá, juro que não mordo.
– Nem se eu pedir? – brinquei e aceitei o cumprimento, o riso morreu em meus lábios assim que a minha mão foi envolvida pela outra.

Não houvera choques e nem borboleta no estômago. Nada desse tipo.
Nada que pudesse ser explicado com facilidade. Apenas aquela estranha sensação que parecia subir calmamente por minha mão e estender suas garras por cada poro do meu corpo. Encarei o olhar procurando por vestígios de que não havia sido a única a ter aquele pequeno desconforto. Qualquer emoção estava muito bem escondida por trás dos olhos castanhos.

– Não me digam que já brigaram e estão fazendo as pazes?! – pisquei confusa ao ouvir a voz da YunHee e notei que ainda mantinha o cumprimento.
– Boba. – ralhei e desfiz do cumprimento, dei um sorriso ao receber o beijo na bochecha. – Estávamos apenas conversando. – esfreguei de forma enérgica a mão embaixo da torneira, na esperança que qualquer vestígio do toque anterior fosse embora.
– Bom, voltando ao assunto anterior, tenho um irmão e uma irmã. – enxuguei as mãos e balancei a cabeça assentindo – YooHwan e a . – franzi as sobrancelhas.
– Agora bateu aquela saudade. – Yunnie comentou saudosa deitando a cabeça em meu ombro – Mas vamos falar disso enquanto jantamos, estou praticamente desmaiando de fome!
– Olha aí, o exagero tem nome e sobrenome. – dei um beijo estalado na bochecha da menor enquanto nos dirigíamos à mesa redonda, posta próxima à ampla janela da cozinha.
– Ela era minha vizinha pentelha. – ele piscou para YunHee servindo o vinho.
– Que nada! – YunHee estalou a língua debochada – Eu gostava mesmo era de brincar com o YooHwan e a , mas você vinha de brinde, fazer o quê. – ri baixo observando os dois.
– Mas esse nome, , não é muito comum para uma garota. – comentei enquanto me servia do strogonoff.
– Nada sobre a é comum. – YunHee sorriu carinhosa.
– Realmente! Lembra daquela vez que ela caiu com a bicicleta e fez...
– Uma cicatriz no queixo? – comentei e rapidamente os dois me fitaram, espantados.
– Como você sabe? – perguntaram juntos, sorri para ambos e sai correndo.
– Da última vez que vi , ele havia comentado que estava interessado em alguém com esse nome, mas ainda não sabia se estava ou não sendo correspondido. – comentei andando devagar para a cozinha acompanhada do smartphone, em poucos comandos encontrei o que procurava. – Algumas horas atrás, recebi isso. – mostrei a tela do objeto para ambos. – Quais as possibilidades de encontrar outra garota com o mesmo nome que minha futura cunhada? Pois é, tecnicamente você faz parte da minha família.
– Não estava sabendo de nada! – resmungou fazendo uma careta leve.
– Desculpe por isso. – solícita, dei uma batidinha no ombro do rapaz e voltei a sentar ao lado de YunHee – Se serve de consolo, vocês são parecidos.
– Acredite, não é só fisicamente. – disse num tom conspiratório dando uma olhada para o outro lado da mesa. – Tom & Jerry ficam no chinelo!
– Exagerada você. – ele apontou com o garfo em direção a Yunnie – Amo a minha irmã, mas às vezes ela é tão teimosa.
– Quando você conhecer o e JunSu, você vai saber o que é teimosia em carne e osso. – balancei a cabeça e suspirei. – O que a sua família acha sobre a sua decisão de nos ajudar?
– Yunnie foi criada como parte da nossa família, como tal, nós iríamos ajudá-la não importando a situação.

sorriu de forma carinhosa e cobriu a mão de YunHee com a dele, beberiquei o vinho assentindo. Nesse ambiente confortável, voltei à atenção para meu prato enquanto ambos voltavam no tempo, relembrando da infância.
Coloquei o prato de lado e aproveitei aquele instante para analisar a pessoa do outro lado da mesa. Não sabia identificar exatamente o que ele tinha de errado, ou muito certo, talvez todo aquele ar de mistério que o cercava, em alguns momentos, deixasse as coisas mais... interessantes. Me repreendi imediatamente. Não havia nada de interessante. seria apenas o reprodutor para o nosso projeto futuro. Nada mais, nada menos do que isso.
Franzi as sobrancelhas o estudando, mas se nessa brincadeira toda, a criança viesse com alguns traços do pai, como as bochechas e as covinhas, até mesmo o queixo e a facilidade para sorrir. Arregalei os olhos assim que notei as sobrancelhas arqueadas enquanto ele me observava. Dei uma tossidela e voltei à atenção para a minha taça que misteriosamente estava vazia, legal.

? – dei um pulo ao sentir a mão pousar no meu antebraço. – Sobre aquela questão que estávamos conversando mais cedo, talvez fosse bom acertar tudo agora? – estava ficando corada, para meu imenso desprazer, o celular dela tocou, deixando um beijo em minha bochecha, YunHee deixou a cozinha.
– Então? – sim, eu estava muito corada e só piorou quando o encarei.
– Sobre isso. – cruzei as pernas ignorando o desconforto causado pelo acumulo de sangue em meu rosto – De que forma faremos isso? Digo, você precisa de algum material para... – estava totalmente desconfortável e o olhar penetrante não estava ajudando em nada.
– Para ter uma ereção? – completou e fiz um gesto afirmativo com a cabeça, novamente a sobrancelha dele estava erguida – Você acha que eu preciso de ajuda para isso?
– Talvez precise? – desconversei capturando a garrafa e enchendo a taça novamente – Tecnicamente você estará praticando com uma total desconhecida, a qual você não tem nenhum tipo de atração e totalmente fora dos padrões. – dei de ombros dando um gole na bebida.
– Realmente, YunHee tinha razão, isso se não for um pouco pior. – ele balançou a cabeça um tanto aborrecido para o meu gosto.
– Como é?! – engasguei com o vinho e o fitei cerrando os olhos.
– Nada em particular, assunto meu e da sua esposa. – deu de ombro olhando preguiçosamente sobre meu ombro.
– Claro. – disse sentindo o sangue ferver instantaneamente, dei um sorriso frio e levantei da mesa começando a retirar a louça.

Uma das coisas que mais odiava no mundo, era a fofoca ou qualquer tipo de comentário desnecessário, principalmente sobre a minha pessoa, ainda mais envolvendo um desconhecido. Irritada. Eu estava extremamente irritada. Cerrei os olhos analisando o objeto em minhas mãos... talvez, se eu acertasse uma travessa bem no centro daquela testa ridiculamente grande, eu me sentiria bem melhor.

– Me desculpe. – a mão cobriu a minha retirando o objeto das minhas mãos com extrema delicadeza – De forma alguma queria te deixar desconfortável.

Fiquei em silêncio por um instante, agora vendo as minhas mãos vazias.

– Você achou que eu iria jogar isso na sua cabeça? – estreitei os olhos ao erguer a cabeça e notar o quanto ele estava próximo.
– Provavelmente, a forma que você cerrou os olhos é a mesma que a faz segundos antes de atirar um objeto em minha direção, seja ele qual for. – ele balançou a cabeça e sem querer dei risada – Você ainda ri?
– Estou me identificando cada vez mais com a sua irmã. – sorri largo e o vi fazer uma careta inconformado.
– Quero estar bem longe de vocês quando ambas estiverem irritadas no mesmo aposento! – balançou a cabeça por um instante – Gostaria almoçar comigo amanhã?
– Desculpe? – arregalei os olhos dando um passo atrás.
– Penso que seria melhor passarmos algum tempo juntos, antes de partirmos para algo mais sério. – disse encostando a pia e fitando-me atento.
– É uma ótima ideia. – concordei sentindo a irritação diminuir consideravelmente.
– Chegue mais para lá. – dobrando as mangas da camisa, empurrou a lateral do seu quadril contra o meu, fazendo com que eu desse um passo para o lado – Vou te mostrar como sou ótimo quando se trata de lavar a louça.
– É mesmo? – cruzei os braços e encostei a pia o observando – Quer fazer do seu jeito?
– Com toda certeza! – piscou em minha direção e apenas dei um sorriso enviesado.
– Ei! – abri os braços assim que YunHee entrou na cozinha – Tudo bem? – perguntei assim que ela se aninhou contra meu peito num abraço extremamente apertado.
– Tudo sim. – respondeu sem me olhar, quando o fez, havia um sorriso um tanto contrariado em seus belos lábios – Perguntaram se eu podia assumir à tarde com as crianças, já que a responsável se ausentara por tempo indeterminado.
– E você vai, não é? – fiz carinho nos cabelos e vi balançar a cabeça de modo afirmativo. – Não será exatamente um bicho de sete cabeças, você gosta de ficar com as crianças.
– Sim, mas eu estava te ajudando com o livro e agora...
– E agora você vai cuidar dos bebês. Sabe que isso veio em boa hora? – balancei a cabeça e dei um sorriso largo.
– Veio? – a curiosidade dela era palpável.
– Sim, porque quando o bebê chorar de madrugada, vai ser você quem vai cuidar! – pisquei para ela e sorri esperta.
– Você é bem esperta, hein, ?! – apertou as minhas bochechas e eu ri.
– Muito, muito esperta. – instintivamente a trouxe para mais perto.

YunHee sorriu colando os lábios sobre os meus, depositando um beijo que seria quase casto se não fosse o fato de que apenas alguns minutos atrás estava em meus braços naquela mesma posição. Literalmente tentando apagar nossa fogo, espirrou água em nossa direção.

– Está ficando quente aqui, vocês não acham? – sorria inocente, agora enxugando as mãos num pano de prato próximo.
– Meu rapaz, é a segunda vez no dia que você me interrompe, desse jeito você não vai ganhar a sobremesa. – estreitei os olhos.
– Sobremesa? – seus olhos brilharam e eu sorri com a animação.
– Nada além do que sorvete, infelizmente não deu tempo de preparar algo mais elaborado. YunHee, está no freezer, ok? – esta assentiu antes de ir buscar o objeto de desejo de ambos.
– Uma pergunta, gente. – YunHee interrompeu seu caminho e olhou para nós dois. – Por que você lavou a louça, se a lava louça estava bem do seu lado?
– Lava louça? – olhou para mim e dei de ombros sorrindo travessa.
– Não olhe para mim, você quis fazer do seu jeito. – pisquei e sai em direção ao armário alcançando as taças.
– Mas então por que antes você estava lavando a louça? – cruzou os braços deixando à vista um bico que quase batia em mim do outro lado do aposento.
– Mania maluca da . – YunHee sorriu e dei de ombros.
– Ela tem razão. – balancei a cabeça depositando as taças para sobremesa em cima da mesa. – Bom apetite para vocês.
– Ei, você não vai comer? – YunHee perguntou segurando a minha mão antes que eu pudesse me afastar.
– Hoje não, vou dar uma olhadinha no livro antes de subir, ok? – depositei um beijo em sua testa e o fitei – Não me diga que você é daquele tipo que acorda cedo, cheio de energia, fazendo exercícios, esbanjando alegria matinal.
– Não se preocupe comigo, dormir é o meu nome do meio. – sorriu largo.
– Gostei disso! – dei um sorriso tão largo quanto o dele – Boa noite, .

Acenei para os dois antes de deixar a cozinha, passei pela sala ampla e fui em direção ao corredor lateral, só parei quando encontrei a porta de madeira maciça. Girei sobre a poltrona e observei a vista pela parede de vidro, buscando apoio no descanso dos pés. Recostei a cabeça no espaldar da cadeira e observei o céu escuro.
Tamborilei os dedos pelo braço da poltrona pensativa, sempre imaginei que o mais difícil seria conversar com os meus pais adotivos sobre a minha opção sexual. Não era exatamente o que eles queriam para mim, mas ainda assim, contrariando os próprios princípios, me apoiaram. Minha a atual situação, fazia a primeira parecer brincadeira de criança.
Houveram sim alguns rapazes durante um período da minha vida, nesse tempo, até mesmo me relacionei de forma íntima com eles, então não existia um mistério para o que aconteceria entre e eu. O único problema era... encarei minha mão novamente. A sensação daquele toque permanecia firme, parecia transpassar a minha pele e atingir meus ossos, novamente esfreguei minha mão no tecido da roupa.
Tentei achar conforto no fato que estava nervosa, extremamente ansiosa e que nada daquilo teria efeito no dia seguinte. Tendo isso em mente, girei novamente a cadeira e movi mouse do iMac, em poucos minutos estava mergulhada no texto. Quase três horas depois, salvei o que havia escrito e dei por encerrado o dia.
Sorri ouvindo a conversa animada no quarto de , passei rapidamente por eles e me deixei cair sobre a cama. A tensão do dia dava sinais e fechei os olhos por um instante, relaxando os músculos.

– Ninguém te disse que é pecado dormir de roupa? – ainda de olhos fechados, sorri ao sentir a cama pender.
– E o que podemos fazer para remediar essa grave ofensa? – arfei quando as mãos subiram por minhas coxas levando consigo o tecido da saia do vestido.
– Acho que podemos retirar essas peças infames. – murmurou distribuindo beijos a cada botão aberto.
– Me parece uma ótima solução para o meu crime. – disse sobre os lábios dela enquanto erguia o corpo para remover o vestido. – Espere, a porta. – afastei-me um instante notando que esta permanecia escancarada.
– Sem problemas, já foi dormir. – sua voz soou abafada contra meus seios e voltei a deitar em meio a um espasmo ao sentir um leve dedilhar sobre a calcinha de renda.

Logo as peças de roupa delas juntaram-se a minha em algum ponto do quarto, permanecemos naquela dança por algumas horas até que finalmente estávamos saciadas e cansadas o suficiente para dormir.



Capítulo 02

Estranhei o ambiente a minha volta até que por fim dei conta de onde estava. Soltei um gemido estrangulado e cobri o rosto com o braço quando as imagens da noite anterior saltaram diante dos meus olhos. Por mais que estivesse tentando desviar o pensamento, novamente estava preso sobre ela.
Deveria ter desconfiado daquele silêncio apenas quebrado por um ou outro murmúrio, mas talvez até pela curiosidade – fiz uma careta com o meu próprio pensamento – cobri a distância do meu quarto para o delas. E foi exatamente nessa hora que qualquer resquício de sono evaporou do meu corpo. Parei em frente à porta, pronto para marcar o horário do almoço. Mas não tão pronto para o que eu encontrei, devo dizer, antes que pudesse dar meia volta e ir para o quarto, meus olhos foram rápidos em absorver o que se passava ali.
Os seios fartos e turgidos, sacudidos suavemente pelo balanço do corpo, a urgência do quadril ao mover-se em busca de mais, o cabelo espalhado sobre o travesseiro e o rosto contorcido em uma máscara de prazer.
Sem conseguir conciliar o sono, circulei pelo quarto, ajeitei a roupa pela milésima vez no closet, conferi se não havia ligações perdidas no smartphone, li e reli os e-mails no tablet, tudo para evitar pensar. Mas nada havia resolvido o meu problema puramente físico e aquela estranha sensação que me rondava desde a primeira vez que a tinha tocado. Não vá por esse caminho! Me repreendi quando algo começou a mover-se estranho em minha confusão. Sem mais, apelei por uma ducha fria, não somente por estar levemente alterado, mas pelo incomodo.
Mesmo agora, depois de horas, a minha reação era a mesma.


– Eu mereço. – resmunguei e procurei o smartphone embaixo do travesseiro – Droga! – estava atrasado.

Afastando as cobertas da mesma forma que empurrava aquela emoção para bem longe, corri para o closet. Fiz a ligação e deixei o smartphone no viva voz, enquanto rapidamente procurava alguma coisa para vestir.

! Tudo bem? – ouvi o cumprimento alegre.
– Tudo, mas preciso de uma mesa para daqui alguns minutos, JJ. – disse enquanto já me encaminhava para o banheiro.
– Temos alguma coisa aqui. – sua voz era pura curiosidade – Qual o motivo da pressa?
– Uma longa história, nos vemos mais tarde, obrigado! – me despedi já abrindo o registro da ducha.

Minutos mais tarde, dava uma olhada rápida no espelho antes de girar a maçaneta e sair do quarto. Parei ali por instante procurando por um ruído que pudesse me levar na direção certa, como resposta a minha dúvida, ouvi o som de uma gaveta sendo fechada. Refiz os passos da noite anterior e fui em direção à porta no fim do corredor, encontrava-se entreaberta.

? – chamei e dei um leve batida na porta.
– Entre. – ouvia a voz abafada, e terminei de abrir a porta, olhei em volta e não encontrei ninguém – Estou atrasada?
– Nem um pouco. – sorri ao vê-la sair de uma porta a minha esquerda; as bochechas levemente coradas enquanto segurava uma pequena bolsa entre as mãos – Vamos?
– Sim. – lançando um sorriso em minha direção, passou a minha frente.

Demorei alguns passos para alcançá-la, apenas num gesto involuntário, observei o tecido escuro moldar-se ao corpo curvilíneo enquanto caminhava sob os saltos altos. O detalhe em seu ombro, fez com que um sorriso surgisse em meus lábios, uma tatuagem. Como eu não havia visto isso ontem? Fiz a pergunta e automaticamente, respondi: Talvez porque você estava ocupado apreciando outros detalhes?

– Então, para onde estamos indo? – a voz macia arrancou-me dos meus pensamentos.
– Para o meu restaurante favorito, apenas alguns minutos daqui. – respondi enquanto descíamos o lance de escada em direção à porta da frente.
– Por acaso, este restaurante tem um nome? – perguntou enquanto digitava os números selando a porta antes de voltar-se em minha direção.
– Controladora. – a palavra escapou por meus lábios antes que pudesse contê-la; erguendo as sobrancelhas, mantinha um olhar descontraído em minha direção.
– Uma das minhas qualidades ou seria defeito? – sorriu largo ao passar por mim, em direção à garagem – Você não vem? – gritou sobre o ombro antes de sumir da minha vista.

Diferente da noite anterior, onde ela parecia estar o tempo todo tensa, hoje parecia relaxada, amigável. Me perguntando se a sua atitude tinha alguma coisa a ver com o que havia presenciado, segui os passos dela. A encontrei encostada à Ferrari, um contraste perfeito entre o vermelho vivo e o vestido negro que cobria até um pouco acima do joelho e terminava num decote discreto, ainda assim revelador. Os cabelos permaneciam num elaborado coque, deixando alguns cachos cair de forma preguiçosa sobre os ombros.

– Ferrari. – sua voz era um misto de descrença e divertimento, ela me encarava abertamente, um tanto desconfiada – Sério?
– E por que não? – respondi com outra pergunta, cobri a distância enquanto destravei o carro e o abri, fiz um pequeno gesto esperando que ela entrasse.
– Estava esperando algo como uma Benz CLS55 AMG ou Gran Coupe. – agora próximo a ela podia sentir o envolvente perfume emanando da pele morena – Obrigada. – agradeceu ao acomodar-se no banco.
– Aquilo era algo que eu não esperava. – apontei em direção a, Harley–Davidson, Night Rod estacionada a poucos metros de onde estávamos.
– O que eu posso dizer, gosto do vento. – sorriu – Parece que mantínhamos um pensamento um pouco diferente sobre o nosso gosto automobilístico. – deu uma piscadela antes de capturar a porta e fechá-la num baque suave.

Quando eu achava que não podia me surpreender ainda mais, parecia ser uma caixinha de surpresa e eu queria desvendar o mistério a cada minuto. Tomei o meu lugar no carro e fiz a manobra para fora dali. O trajeto foi feito regado à conversa, para a minha surpresa, o assunto se tratava de carros! Longe de mim qualquer tipo de pensamento machista, sobre mulheres e carros, mas estava surpreendido pela animação de sobre esse assunto. O que me levou a discorrer sobre o tema nos vinte minutos até o restaurante.
Saltei do carro e abri a porta para ela, com um gesto apreciativo, sorriu. De forma automática, procurei pela mão, imediatamente tentou soltar, mas prendi com delicadeza ao entrelaçar os dedos. Para todos os efeitos, quanto mais contato fizéssemos agora, melhor seria para o que viria a seguir. E também, quem sabe daquela forma tudo o que outrora havia sentido, demaseasse num passe de mágica e a sensação incomoda fosse embora. Para minha surpresa, isso não aconteceu, sobrou apenas o conforto caloroso e a proximidade emboscando-me ainda mais para um caminho muito, muito perigoso.
Ainda discutíamos enquanto seguíamos em direção aos degraus que nos levaria até a entrada do restaurante.

– Nesse caso você terá que dar o seu braço a torcer e concordar comigo que, agora eu entendo perfeitamente o que você quis dizer. – a última frase saiu esganiçada, acompanhei o olhar em direção ao alto das escadas.

Para a minha surpresa lá estavam acompanhada de um rapaz, logo presumi que fosse o irmão de , já que este permanecia com uma mão descansando sobre as costas da minha irmã. Franzi as sobrancelhas diante daquele gesto intimo entre os dois. Talvez por sentir a minha tensão, a mão macia apertou levemente a minha antes de soltá-la.

– Cunhada! – subiu os degraus de dois em dois e antes que pudesse ter alguma reação, a primeira a trouxe para um abraço apertado – Até que enfim pude conhecê-la!
! – espantada e levemente corada, mantinha seus olhos fixos em mim enquanto dava os últimos passos em direção a eles – ?!
. – parei na frente dela, lançando um olhar questionador, que foi dela para o rapaz que agora dava um abraço em – Alguma coisa para me dizer? – balbuciou, a cor em seu rosto foi de rosa para vermelho em segundos e estreitei ainda mais os olhos observando a menor.
. – estendeu a mão em minha direção, enquanto a outra se manteve sobre as costas de , de forma protetora.
. – aceitei o cumprimento à medida que o avaliei.
– Esperamos você e a sua família na sexta-feira em nossa casa. – disse e logo meus olhos capturaram o brilho do anel no anular esquerdo de .

Novamente meu olhar foi para , que envergonhada, abaixou o olhar imediatamente. Em poucos segundos voltei ao passado e quase pude vê-la criança, repetir esse mesmo gesto quando fazia algo errado. Um aperto em meu peito me lembrou que agora aquela garotinha havia dado lugar a uma bela mulher, a qual estava noiva e nem ao menos havia me dito.
voltou para o meu lado, seu olhar foi compreensivo ao tocar o meu ombro.

– Estaremos lá, vamos, ? – novamente minha mão encontrou a dela, dessa vez não tentou fugir, pelo contrário, seus dedos envolvem os meus.
– Nossa vez! – sorriu antes de depositar um beijo no rosto do mais velho e em seguida, – Nos vemos na sexta, foi um prazer te conhecer. – acenou sobre ombro antes de entrarmos pela porta de vidro.

Adentramos o ambiente claro e muito bem decorado, parecia a vontade e mantinha um sorriso calmo. Eu ainda estava incomodado pelo encontro a pouco e perdido em pensamentos quando Kim JaeJoong aproximou-se, com um sorriso amplo e curioso em nossa direção. E novamente me surpreendi quando vejo enlaçar JaeJoong num abraço apertado.
O que no mundo estava acontecendo que todos pareciam se conhecer?!

– Um dia desses você ainda vai causar o meu divórcio, sabia disso, JJ? – comentou bem humorada ao lançar um olhar sugestivo para ele.
– Eu só estou esperando a Yunnie dar uma bobeira. – o sorriso enviesado surgiu no rosto de JaeJoong antes de vir em minha direção – .
– JJ. – trocamos um cumprimento caloroso.

Dividíamos o quarto na faculdade e desde sempre era apreciador da culinária do mais velho. Com a correria do trabalho, quase não havia tempo para uma refeição decente e graças à amizade de longa data e um pequeno ajuste, fazia minhas encomendas com ele, a qualquer hora do dia ou noite. Em troca e como forma de agradecimento, havíamos assinado um contrato exclusivo com Kim’s.

– Finalmente uma folga. – um sorriso sincero mesclado a curiosidade pairava no rosto do meu amigo de longa data.
– Como vocês dois se conhecem? – ele e eu perguntamos na mesma hora.
– Yunnie e eu sempre estamos por aqui, apenas para admirar a paisagem e apreciar o talento do nosso chef. – sorriu largo e com surpresa, vejo JaeJoong corar com o elogio velado.
e ?! – JaeJoong nos olhou divertido – Confesso que fiquei chocado e agora vocês dois. Eles acabaram de sair, vocês passaram por eles? –JaeJoong perguntou animado.
– Nem me diga. – resmunguei um pouco ácido.
– Entendo. – JaeJoong mantêm um sorriso de canto e me olhou de esguelha – Bom, venham por aqui.

Foi com um imenso prazer ver que estávamos sendo guiados para as mesas mais afastadas, localizadas na parte detrás do restaurante, em meio a um belo jardim. Salvo por um outro casal, estes pareceram não notar a nossa chegada, seriamos os únicos ali. JaeJoong já adiantando a função cabida a mim, mantinha a cadeira afastada para sentar.
Completamente diferente do modo como fui recebido, notei que permanecia tranquila em torno do mais velho, até mesmo alegre. Atribui o fato ao nervosismo da situação. Colocando os fatos em linha, nem eu estava completamente à vontade no primeiro instante. Um pouco nervoso, eu diria. Tomei a cadeira oposta à que ela ocupava e permaneci em silêncio enquanto os dois conversam animados indo do livro que estava escrevendo, até YunHee.

– Ok, mas quando ambas estiverem livres, apareçam por aqui. E você, , que me diz? Tenho uma receita nova.
– Ótima ideia, conte comigo. – JaeJoong sorriu vaidoso antes de afastar-se para buscar o menu e a carta de vinho.

manteve o sorriso até vê-lo sumir pelo caminho que fizemos. Então, virou-se em minha direção e sua expressão era séria.

– Você está bem? – os olhos castanhos estavam preocupados ao me fitar, fiz um movimento afirmativo com a cabeça e a vi estreitar os olhos.
– Tudo bem. – respondi e observei o detalhe no centro da mesa, um arranjo de flores com o qual eu comecei a brincar distraidamente enquanto meus pensamentos vagavam rumo à .

Impetuosa e avançada, assim era . Sempre a frente de todos, formou-se antes do que as outras pessoas da sua própria idade, hoje em dia uma jornalista de mão cheia para a revista Vogue Korean. Eu tinha orgulho dela, mesmo com o temperamento forte e explosivo, fazendo as coisas sempre do seu próprio jeito. E, apesar disso, eu amava a minha irmã e era difícil me ver naquela situação. Provavelmente teria ficado em choque quando me contasse sobre seus sentimentos, mas teria estado ao seu lado e a apoiado. Despertei do meu devaneio quando vi as unhas curtas e vermelhas sobre a minha mão, encontrei o olhar condescendente de .

– É estranho. Ela é a minha pequena, apesar de algumas divergências durante a nossa vida, achei que ela pudesse confiar em mim para dizer algo assim. E não simplesmente saber pelos outros. – derramei em um tiro e me repreendi em seguida por me expor.
– Creio que ela possa ter dito medo de te contar. – a mão acolheu a minha antes que ela continuasse – Digo por mim, não foi fácil chegar e contar que eu estava saindo com o YunHee.
– Ainda assim você acabou contando, não é? – questionei e a vi corar enquanto dava um sorriso travesso.
– Foi meio difícil negar alguma coisa quando os gêmeos chegaram em casa e me viram aos beijos com YunHee. – olhou-me agora um pouco mais séria – Quando sentei com eles e revelei meus sentimentos, de como me sentia a respeito dela, não foi um passeio no parque, sabe? Nunca é quando se trata de sentimentos, ainda mais quando você vai falar disso para o seu irmão. – fiz um meneio com a cabeça, levemente ressentido – Pode acreditar em mim, isso não quer dizer que ela não goste de você ou não confie. Ela está apenas um pouco embaralhada e muito envergonhada. – os olhos castanhos permaneciam calmos e os lábios mantinham-se curvados num sorriso confiante.
– Com licença. – erguemos o olhar ao mesmo tempo, um rapaz estava parado ao nosso lado – JaeJoong pediu desculpas, mas surgiu um pequeno problema, então atenderei vocês.

Assim que o rapaz afastou-se com os nossos pedidos, observei enquanto fazia o possível para esconder o sorriso, sem muito sucesso.

– Me conte, também quero rir.
– Agora eu entendo como você se sente. – arqueei as sobrancelhas sem entender onde ela queria chegar – Por alguns segundos achei que algo fosse voar em minha cabeça, , ela só faltou me matar quando me viu de mãos dadas com você.
– Viu?! Aquela baixinha é um perigo! – sorri e a vi balançar a cabeça em concordância.

Continuamos em meio à conversa leve, estar ali estava sendo bastante agradável. Me sentia confortável e fazia muito tempo que não me sentia daquela forma. Observei e até agora, tudo o que YunHee havia me dito sobre ela, fazia todo o sentindo. Era incrível a forma como ela me deixava à vontade em meio a conversa, mesmo que ela não dominasse o assunto, não tinha vergonha de perguntar. Mal percebi quando o almoço foi servido, quando dei por mim, já estávamos nos despedindo do JJ.
Desci as escadas para o estacionamento um tanto relutante em acabar por ali.

– Que tal um passeio, antes de voltarmos? – perguntei enquanto abria a porta do carro.
– Eu topo! – um sorriso animado curvou os lábios cheios, por um vago momento me perguntei como seria beijá-los – , tudo bem?
– Claro! – dei meu melhor sorriso ao desviar aquele pensamento para longe, ali não era a hora, muito menos o lugar.

Dei a volta no carro me acomodando no lugar, minutos depois chegávamos ao lugar escolhido por mim, o parque Yeouido. Agora caminhávamos tranquilamente, apreciando a paisagem em um silêncio agradável.
– Sobre YunHee, imagino que não é uma situação fácil.
– Não. – concordou um pouco encolhida – Acredito que o meu lugar seria o melhor para ela. YunHee tem um talento natural para crianças, é quase algo mágico. Acredito que você saiba sobre a histerectomia radical*.
– Sim. – assenti lentamente – Quando YunHee era mais nova, sempre quis ter filhos, imagino que tenha sido um golpe receber a notícia.
– Quando a conheci, YunHee já estava em quimioterapia e radioterapia. Uma mulher tão jovem e cheia de vida, tendo algo tão querido por ela, arrancado de suas mãos... queria ter chego mais cedo. – respirou fundo e tentou sorrir – Vamos fazer o possível por ela.

Concordei e percorremos alguns bons passos em silêncio.

– Como é conviver com a Sra. Jung? – vi fazer uma careta – Não deve fácil. – comentei dando um sorriso compreensivo.
– Digamos que, ela não é a minha fã número um. – parou abrupta e olhei para trás e vi o ultraje em seu rosto – Nem devia estar conversando com você. – deu um sorriso enviesado ao voltar a caminhar.
– Oras, por quê? – olhei curioso e ela apenas desviou o olhar do meu.
– Ignore a minha lentidão em associar os fatos. – deu de ombros franzido as sobrancelhas – Como diabos a minha ficha não caiu antes? – murmurou para si, um tanto aborrecida.
? – entrei a sua frente e ela quase bateu em mim antes de finalmente parar.
– Devo dizer que você sim, tem uma grande fã por sinal. – seus olhos cintilaram uma frieza e por alguns minutos, pensei em ter voltado à noite anterior – Jung tem uma queda pela sua pessoa, faz questão de deixar isso bem claro todas as vezes que nos encontramos.
– Não tenho culpa se ela tem bom gosto. – tentei brincar para ver se aquele mal estar pudesse passar, foi a pior viagem.
– Realmente. – toda camaradagem anterior pareceu sumir no ar, o sorriso bailou nos lábios, mas nem chegou perto dos olhos antes que desviasse de mim e continuasse a andar.

Me xinguei mentalmente por ter tocado naquele assunto, mas como diabos eu ia saber que existia um desafeto daquela dimensão entre as duas? Eu era inocente. Mesmo assim permaneci quieto durante os próximos metros, sem saber o que fazer. Quase como se a natureza pudesse sentir o dissabor de , o vento gelado e carregado com o cheiro característico de chuva, veio nos açoitar. Algumas pessoas a nossa volta apertaram o passo, talvez com receio que a chuva pudesse chegar antes do previsto.
Poucos passos nos separavam quando assisti parar. Me aproximei dela, apenas para vê-la de olhos fechados. Em seguida, um sorriso calmo tomou conta dos lábios femininos. Os cabelos dançavam ao sabor do vento e ela não parecia ligar para o emaranhado que ficaria depois. Enlevada, vi os músculos lentamente perderem a tensão. Era o sinal que eu precisava para me aproximar, parei a sua frente. abriu os olhos no mesmo instante em que o vento chegou ao seu ápice, trazendo consigo os primeiros pingos da chuva.
Não houve qualquer movimento para sair daquela posição, os olhos castanhos me fitavam com intensidade, dei um passo em frente. Com cuidado afastei os fios, que agora molhados permaneciam, colados à face, deixei que esses descansassem atrás da orelha. O toque efêmero dos meus dedos foi o suficiente para que a pele sofresse um frêmito. Instantaneamente o ar pareceu escasso a minha volta, todos os meus sentidos estavam em alerta e não só os meus, vi o leve arfar em .
Ignorando todo o instinto que me instigava a vencer a pouca distância entre nós e capturar os lábios femininos, segurei a sua mão e saí correndo em direção ao o abrigo mais próximo, a cafeteria. Não éramos os únicos com aquela ideia, todas as pessoas pareciam estar ali, já não havia espaço dentro do ambiente acolhedor. Somente uma pequena área coberta estava disponível, mas o espaço era exíguo. encostou-se a parede e parei a sua frente.
Não houve tempo para relaxar, a chuva aumentou instantaneamente. Mas não foi aquilo que realmente me pegou desprevenido. As mãos descansaram em minha cintura, com uma pressão firme, trouxe-me para perto. Estava literalmente cara a cara com .

– Chuva. – murmurou.

parecia alheia ao fato de estarmos tão próximos, podia sentir cada curva contra o meu corpo e aquilo não estava me fazendo bem, ou melhor, estava fazendo bem até demais. A cabeça pendeu sobre meu ombro, agora a respiração batia tranquilamente em meu pescoço causando arrepios constantes. Tortura!
Fui praticamente arrancado do meu devaneio sensual ao ouvir um comentário mordaz vindo de algum lugar próximo. “Como esse tipo de pessoa tem coragem de sair de casa? É realmente uma vergonha, por que em vez de sair por aí desfilando numa roupa dessas, não fica e casa e faz uma dieta.”, “Alguém avise para ela que os cachos saíram de moda há muito tempo.”, “Meu deus, olhem a cor daquela pele!” a frase não só veio no tom asqueroso, como acompanhada de um som que lembrava a vômito.
Procurei a fonte daqueles comentários sórdidos, a nossa esquerda encontrei um grupo de adolescentes. Lancei um olhar de desprezo naquela direção antes de voltar-me para . Sob mim, senti o corpo ficar tenso. Eu estava sentindo tamanha raiva que, a minha vontade era de estrangular uma por uma, pela falta de respeito. “Ele é lindo! O que ele está fazendo com ela?!”, “Ela é gorda! Como ele consegue?”, “Tenho nojo só de olhar, imagina estar perto daquela monstruosidade!”.
Imbecilidade daquelas garotas não havia tamanho e a minha paciência era pouca. Fiz um movimento para ir naquela direção e me segurou.

– Não vale à pena.

O tom era leve, mas o desconforto estava estampado nos olhos castanhos, Entendendo que seria ainda pior qualquer movimento da minha parte, consternado respirei fundo e a acolhi protetoramente.

– Desculpe estar te fazendo passar por isso, mas, por favor, aguente mais um pouco, logo poderemos sair daqui. – pelo tremor das suas mãos soube que era com esforço que ela mantinha um sorriso calmo nos lábios – Acredite, isso não é nada comparado a sua . – murmurou antes de voltar à posição anterior.

A envolvi em um abraço enquanto fazia carinho em seus cabelos. Me sentia de mãos atadas com o tamanho do preconceito sem cabimento daquelas garotas, bem como, a ignorância da senhora Jung ao julgar alguém pelo tamanho do manequim. Aparentemente ela estava calma e relaxada para quem visse de longe, mas ali, onde eu estava, podia sentir a tensão instalada em cada músculo e a minha revolta só aumentou.
Minutos mais tarde a chuva deu uma pequena trégua. Entrelacei meus dedos ao dela fazendo menção de sair dali. Acenei ironicamente para as garotas, enquanto elas permaneciam chafurdadas em pura ignorância, eu tinha o prazer de estar indo embora com ela.
O caminho para casa foi feito em meio a uma conversa, percebia que fazia o possível para manter-se variando entre os assuntos, talvez por receio que voltássemos ao que aconteceu. Deixei que conduzisse o assunto, para ser sincero, minha revolta não havia passado.
Já em casa, cada um foi para o seu quarto retirar a roupa molhada e tomar um banho. Nos encontramos novamente na sala para uma pequena sessão de filmes; mais tarde, YunHee chegou e fizemos um pedido em um restaurante chinês, já que nenhum de nós estávamos dispostos a preparar o jantar. A noite terminou de uma forma calma, numa despedida rápida, subi para o meu quarto. Mal deitei e já estava fechando os olhos.


  

Três dias haviam se passado desde o nosso almoço, durante esse tempo, estava quase abandonado pela casa, por assim dizer. , em um surto criativo, estava concentrada em seu livro e quase não havia restado tempo para estarmos juntos. YunHee passava o dia todo na ala pediátrica no hospital e vinha à noite.
Dei uma olhada no relógio constatando que ainda era duas horas da tarde e nem ao menos havia visto . Desci as escadas em direção à cozinha, já familiarizado com a casa, dei uma boa olhada na geladeira procurando por algo que pudesse fazer algum sanduiche. Vinte minutos depois já estava com vários sanduiches pronto e duas xícaras de café em uma bandeja a caminho do escritório.

– Intervalo. – disse abrindo a porta.
– Amém! – disse dando um sorriso cansado ao encostar-se na cadeira – Já disse que odeio revisar?
– Qual é o problema? – estendi uma xícara em sua direção e me sentei na poltrona oposta.
– Obrigada. – suspirou antes de bebericar sua xícara – Como você já deve ter percebido, tenho uma ou outra mania maluca. Dentre elas, mesmo sabendo que terei uma revisora, odeio mandar o texto sem revisar, mas eu odeio fazer isso. – franziu o nariz ao pegar um dos sanduíches.
– Devo presumir que Yunnie te ajudava nessa parte? – assentiu deixando um gemido de satisfação escapar ao mastigar seu sanduíche.
– Exatamente. Isso está uma delícia! – elogiou antes de partir para um segundo – E agora eu estou quase maluca, por não ter um pingo de paciência.
– Se você não se importar, posso te ajudar. – disse solícito ao pegar um sanduiche.
– Sério?! – confirmei com um gesto de cabeça – Não acredito!

Num ato de pura espontaneidade, deixou sua poltrona e rapidamente deu a volta na mesa, vindo me dar um abraço e um beijo estalado na bochecha. Eu ri com o gesto alegre e a acompanhei com o olhar o saltitar para seu antigo lugar. Em poucos minutos os sanduiches tinham acabado e as xícaras estavam vazias. Levei a pequena bagunça para pia e logo estava de volta com as xícaras reabastecidas.

– Aqui está. – me estendeu um tablet – Antes de mais nada, penso que você precisa se ambientar com a história, para então passarmos para a parte angustiante, a revisão.
– E você pode relaxar enquanto isso. – peguei o objeto e fiz um gesto em direção ao sofá.
– Ótima ideia. – me acomodei no sofá e ao meu lado.

De tempos em tempos, percebia o olhar apreensivo em minha direção, aliado ao leve ruído das unhas batendo contra o couro. Com o canto dos olhos a vi caminhar em direção à estante, começar a tirar livro por livro e realinhar cada um por ordem de tamanho. Feito aquilo, novamente ela estava sentada ao meu lado. Não durou muito e logo estava de volta à escrivaninha mexendo no computador, pelo barulho discreto, notei que parecia estar em alguma rede social conversando, mas nem mesmo aquilo foi o suficiente.
De novo veio sentar-se ao meu lado, antes que ela pudesse fazer qualquer outro movimento, como quem não queria nada, tratei de me esticar no sofá e deitar a cabeça na coxa macia. Sem outra opção e tecnicamente confinada ao sofá, ela permaneceu levemente rígida e quieta. Um pouco mais confortável com a minha proximidade, os dedos acharam lugar nos meus cabelos e instintivamente dei um suspiro satisfeito.
A cada nova página me via envolvido com a história, um suspense onde a protagonista era uma detetive forense, lutando para provar a inocência do seu antigo parceiro em uma série de assassinatos. Todas as pistas encontrada a levava para um caminho diferente e todos apontavam para justamente para aquele que ela teimava em defender. Quase duzentas páginas mais tarde, e completamente envolvido pela história, vim notar que os movimentos em meus cabelos haviam cessado, ergui o olhar e vi de olhos fechado num leve ressonar.
Mínimo movimento de sentar foi o suficiente para que ela acordasse, se espreguiçou lentamente, deu um sorriso e por fim, esfregou os olhos.

– E então? – a curiosidade ganhava espaço no rosto sonolento.
– Estou realmente curioso. – disse sincero e a vi corar de satisfação.
– Ótimo, adoro feedback! – sorriu animada.

Na hora seguinte permanecíamos em uma discussão acalorada sobre cada ponto da história, para a tristeza do meu lado curioso, permanecia resoluta em não dar nenhum spoiler, por mais minúsculo que este fosse. Tendo essa parte em dia, passávamos para a revisão do último capítulo, o qual ela estava revisando quando a interrompi mais cedo.
Para facilitar a tarefa, compartilhou comigo o documento, agora com ambos logados, já começava algumas mudanças. Dava uma sugestão de como poderia ficar uma ou outra cena, todas as dicas eram bem vindas por ela. Ao surgir uma dúvida, debatíamos sobre esta até achar uma maneira que pudesse encaixar. Era extremamente interessante que neste interim, uma ideia saltava e logo a via tomar forma diante dos meus olhos, eu me sentia alegre ao presenciar aquele momento.
Estávamos absortos quando fomos interrompidos pela chegada da YunHee, que não vinha sozinha, mas trazia consigo duas caixas de pizza. Outra pausa e esparramados pelo escritório degustando daquele pedaço de céu, enquanto colocava a esposa a par sobre a história.
Fazia o possível para permanecer alheio a pequena troca de caricias do outro lado da sala. Ignorei a inquietação que me rondava todas as vezes que YunHee encontrava-se presente. Talvez fosse apenas o cansaço das últimas horas, nada além disso. Era o que realmente eu queria acreditar.

– Pelo jeito vocês ainda vão longe na revisão, não é? – YunHee perguntou e assentiu.
– A menos que, meu ajudante esteja cansado. – lançou um olhar em minha direção e prontamente me endireitei.
– Longe disto, ainda mais abastecido. – dei um sorriso largo que logo foi correspondido por .
– Sendo assim, vou subir. Amanhã vou precisar chegar mais cedo. – desviei o olhar assim que YunHee inclinou-se para dar um beijo na outra – Boa noite, .
– Boa noite. – respondi enquanto recebia um beijo na bochecha, em contrapartida me sentia um tanto traíra por ficar feliz quando a vi sair porta afora.

Retomamos a atividades com energia, o tempo parecia correr e já era um pouco mais das cinco da manhã quando havíamos concluído aquele capitulo. Antes de dar por encerrado, demos mais uma lida e foi com satisfação que por fim, caímos exausto contra a cadeira. Ficamos por ali beliscando o que havia sobrado da pizza antes de dar algum passo pra fora do escritório.
Ajuntei os utensílios, as caixas e os copos usados por nós enquanto salvava pela milésima vez e em vários lugares diferentes a atualização do livro, porque segundo ela, era sempre bom ter guardado em mais de um lugar para não correr o risco de algo pifar e ela ficar sem o material.

– Obrigada pela ajuda, , se não fosse por você, ainda estaria atolada na revisão. – ela sorriu deixando escapar um suspiro exausto.
– Que isso, foi um prazer ajudar. – disse sincero, apesar do desgaste, realmente havia sido gostoso passar aquele tempo com ela – Vou indo, boa noite, .
– Boa noite. – ela acenou, respondi o gesto antes de me retirar – ?
– Sim? – parei um instante já com a porta aberta.
– O que você acha de tentarmos amanhã ou depois?



Capítulo 03

Apenas algumas horas me distanciavam da pergunta feita por . Mesmo tendo sido pego de surpresa, a minha resposta só poderia ser uma: Sim, vamos tentar. Agora estávamos sentados lado a lado, esperando pela ginecologista obstetra. havia me dito que, antes de tentarmos, seria interessante ter uma opinião médica, concordei. Mesmo antes de concordar em participar da concepção daquela criança, tinha deixando de lado algumas horas de sono para fazer uma busca mais detalhada sobre o assunto.
Poucos dias ao lado de e eu sabia que os gestos repetitivos de olhar no celular ou procurar por uma posição confortável, eram sinais de que estava desconfortável, até mesmo nervosa. Não a culpava, estava da mesma forma, mas por motivos diferentes. Alcancei a mão que estava próxima e entrelacei os dedos. Seu olhar demorou sobre as nossas mãos, quase instantaneamente a vi relaxar na poltrona.

– É engraçado. – murmurou e a fitei – Fazer isso com alguém além do JunSu.

A pergunta já estava na ponta da língua: “Quê?! Quem diabos é JunSu e o que ele veio fazer num ginecologista com você?”, mas fomos interrompidos por uma sorridente médica na casa dos quarenta.

– Olá, , . – estendeu a mão em nossa direção, inclinando levemente quando aceitamos o cumprimento. – Sou a Dra. Kang, por favor, venham por aqui. – apontou em direção à porta, atrás de si.

Fiz um gesto para que fosse na frente e a segui, Kang nos indicou as poltronas estofadas em frente à impecável mesa de vidro.

– Vejo que é a primeira consulta de vocês, em que posso ajudá-los? – a mulher perguntou solícita.
– Somos futuros tentantes. – deu um sorriso rápido – Viemos em busca de esclarecimento e auxílio médico.
– É uma ótima notícia! Hoje em dia, onde o divórcio e a falta de tempo para a família imperam, é realmente reconfortante ver um casal tão jovem tomar essa iniciativa. – não contradisse o ‘casal’ e eu muito menos o faria – Quando vocês pretendem começar a tentar?
– O mais rápido possível. – novamente respondeu.
– Estou realmente feliz por vocês. – a médica sorriu e moveu o mouse minúsculo. – Bom, para o começo de tudo, ambos precisam colher exames de sangue para avaliar doenças infecciosas sexualmente transmissíveis, como hepatites B e C, sífilis, AIDS, e outras doenças como toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus. Ok?

Uma parada rápida no que digitava e uma olhadela em nossa direção, assentimos e ela voltou para o seu discurso empolgado, o qual ouvíamos atentamente. Nesse ínterim, a mão feminina procurou pela minha, essa foi aceita de muito bom grado.

– Além disso, é preciso fazer o exame de tipagem sanguínea, dosagem do açúcar no sangue para detecção de diabetes, hemograma completo para ver uma possível anemia, colesterol e dosagens hormonais para avaliar a função ovariana. O mais importante, quando vocês pretendem fazer os exames?
– Hoje mesmo. – respondi e obtive uma leve pressão na minha mão direita.
– Vocês estão decididos. – fez um movimento afirmativo com a cabeça antes de fazer uma chamada – Por favor, EunAe, avise ao Dr. Kwon que estou lhe enviando um paciente. – não esperou a resposta e logo voltou à atenção em nossa direção – Antes que passemos para os exames, vocês têm alguma pergunta?
– Tomei a liberdade de fazer uma pequena pesquisa e tenho uma dúvida. – disse e vi me olhar, surpresa – Não é necessário esperar estar próximo do dia da ovulação para ter a relação, mas há conflito sobre quantos dias o esperma pode sobreviver, o que você indica?
– Ótima pergunta, isso vária de homem para homem. A sobrevivência de um esperma varia de dois a cinco dias, já no caso do óvulo, a duração é bem menor, em torno de vinte e quatro horas. Nesse caso, seria interessante ter relação antes do período da ovulação e alguns dias depois. A questão aqui é: manter os espermatozoides sempre renovados. , quando fui a sua última menstruação?
– Cerca de dez dias – ela respondeu após uns segundos.
– Ciclo de vinte e oito dias? – diante a resposta afirmativa, Kang voltou a digitar rapidamente. – Amanhã começa a sua pré-ovulação. Portanto, os próximos dias devem ser bem aproveitados. Mais alguma pergunta?

Automaticamente fizemos um sinal negativo e simultaneamente ouvimos a batida discreta na porta.

, por favor, acompanhe minha assistente.
– Certo. – segurou mais firme em minha mão antes de afrouxar, o jeito aflito que me olhava denunciava seu nervosismo – Nos vemos daqui um pouco, vai ficar tudo bem. – murmurei essa última parte em seu ouvido, não me passou despercebido o leve arrepiar da sua pele, mas fingindo não notar a reação afetada, depositei um beijo demorado em sua testa.

Dei mais uma olhada em sua direção antes de acompanhar a moça, seguimos em direção ao elevador e após dois andares abaixo, estava diante da porta do Dr. Kwon, seu nome estava posto discretamente numa plaqueta na parte superior da porta. Uma batida e um “entre” foi ouvido por nós, curvando levemente em minha direção, a moça abriu a porta.

– Olá, , como está? – o homem grisalho estendeu a mão em direção.
– Ótimo. – respondi, me pondo logo à vontade, sentei na poltrona a sua frente, ele permaneceu em silêncio enquanto avaliava as anotações em seu monitor.
– Pelo que posso ver, você está aqui para os exames relativo à concepção, certo?

Respondi que sim, os próximos minutos foram gastos respondendo às perguntas de praxe: tipo sanguíneo, se fumava ou bebia, quais eram meus hábitos alimentares e minha rotina.

– Seu exame de sangue será agendado para amanhã, é recomendado que você permaneça em jejum de no mínimo doze horas antes do procedimento. De acordo?
– Podemos marcar para segunda-feira? – após passar metade da noite em claro, acordamos atrasados para consulta e nem ao menos tivemos uma refeição decente, e a perspectiva de passar mais algumas horas sem comer era realmente frustrante.
– Certo. – alguns clicks depois, o exame havia sido alterado para dali a três dias – Aliado a este exame, temos também o espermograma, sabe como funciona?
– Sim, ele vai avaliar a quantidade e as condições dos espermatozoides da amostra, podendo assim verificar como está a minha fertilidade. – a minha pesquisa tinha recaído nesse assunto, não estava completamente cego.
– Além de muitas vezes, apontar para outros fatores da sua saúde reprodutiva, como as condições da próstata, por exemplo. – completou – Para que você tenha sucesso neste exame, é necessário que esteja em abstinência sexual num período de dois a sete dias. Isso inclui não apenas o sexo convencional, mas masturbação ou qualquer outra forma que provoque uma ejaculação. Você está apto para esse exame?
– Sim. – respondi sem hesitar.
– Sendo assim, venha por aqui. – o acompanhei por uma porta lateral, que nos levou a um corredor com várias portas de ambos os lados – Oferecemos um conteúdo erótico para facilitar a coleta. – disse, abrindo a porta, e me deu passagem para o pequeno quarto – É recomendado a higiene antes do procedimento, tudo o que você precisar, encontrará no banheiro. Estarei te aguardando no consultório.
– Certo. – esperei que a porta fechasse antes de observar tudo a minha volta.

O aposento composto apenas por uma poltrona, ao seu lado uma mesa e em cima desta o pote para a amostra, de frente para este, estava um rack de painel em tons claros. De um lado uma pilha de revistas, do outro, vários DVDs. A televisão de tela plana em um tamanho considerável jazia a meia parede, sob esta, o aparelho de vídeo. Caminhei em direção à porta discreta a minha direita, o ambiente era impecável. Retirei a minha calça, junto com a boxer, e os deixei pendurados no lugar apropriado ao lado do espelho, troquei os sapatos pelos chinelos hermeticamente fechados em um plástico. Fiz a minha higiene rapidamente, e voltei com uma toalha seca para a saleta.
Analisei o material fotográfico, nada me agradou.
Voltei a atenção para a pilha de DVDs. Tem cara de chata. Irritante. Artificial. Zoofilia. Homossexual. Gang Bang. Ia devolvendo cada item ignorado a sua origem. Dupla Penetração, franzi as sobrancelhas, o que é meu, é apenas meu. Descartei aquele também. Europeias. Japonesas. Lésbicas... Opa! Claro que, como qualquer homem, ver um vídeo daquele me deixaria animado, mas não foi o vídeo que me chamou a atenção, mas sim, a capa. Mesmo que os cabelos estivessem artificialmente cacheados, foi o suficiente para me lembrar da mulher que havia deixado para trás por alguns momentos.
A conhecida pontada veio tão rápida quanto a imagem da no seu momento de prazer. Deixei os DVDs de qualquer jeito ali e me permiti pela primeira vez pensar sobre aquilo. Deixando qualquer falso moralismo, tinha feito o possível e o impossível para não pensar nela por que não era aquela imagem que eu queria guardar. Desabei na poltrona e logo já estava segurando o membro, este já dava sinal de vida. A próxima imagem a me açoitar foi o dia no parque. O corpo feminino grudado ao meu e a sensação da respiração batendo em meu pescoço.
Como seria sentir aquela respiração batendo suavemente contra o meu membro?
Arfei ao imaginar de joelhos a minha frente, as mãos femininas no lugar das minhas, percorrendo toda a extensão do meu sexo. A glande repousando em seus lábios e a língua brincando faceira em meu freio. Um gemido rouco escapou por minha garganta. Minha mente trabalhava rapidamente imaginando como seria poder afundar em sua garganta, sua mão masturbando continuamente de forma ágil, enquanto seus lábios acolhiam meus testículos, sugando afoita, antes de me tomar novamente em seus lábios. Eu quase não podia controlar a reação do meu corpo, já estava dolorosamente rígido. Mas a minha tortura mental ainda não havia terminado. O próximo passo seria estar no vale entre os seios fartos, sendo avidamente pressionado por ambos enquanto a língua rosada descansaria em minha glande a cada investida feita por mim. Atrapalhado, quase deixei cair o minúsculo pote para a coleta. Encaixei o dito próximo à glande e fiz os últimos movimentos, imaginando que no lugar daquele objeto estariam os lábios carnudos esperando por mim.
Reclinei exausto sobre o encosto da poltrona, esperei a respiração normalizar antes de tomar o rumo do banheiro. Mesmo assim, me sentia inquieto. Estava ansioso por mais, e daquela vez não apenas meras fantasias. Aproveitei e tomei uma ducha relâmpago, logo já estava com a amostra em mãos, voltando pelo mesmo caminho que havia chego.

– Com licença. – parei um instante, a porta estava aberta e Dr. Kwon parecia absorto encarando o monitor.
– Entre. – tomei o meu antigo lugar e estendi a amostra na direção dele – Vou marcar a consulta para daqui a quinze dias, é o tempo máximo para o exame ficar pronto. Alguma dúvida?
– Nenhuma. – disse no mesmo instante em que o telefone sobre a mesa tocou.
– Um minuto. – ele pediu antes de atender – Claro, já terminamos por aqui – desligou já se levantando – Creio que por enquanto é só. Boa sorte para você e sua esposa.
– Obrigado. – agradeci antes de me retirar.

Segui para os elevadores e em seguida até a sala da Dra. Kang. Uma leve batida para anunciar a minha presença.

– Junte-se a nós, . – três passos e já estava ao lado da . Se quando eu saí, ela já estava nervosa, agora ela nem ao menos me olhou – As últimas considerações que darei a vocês hoje são as seguintes: sem pressão para engravidar na primeira tentativa. Vocês precisarão estar relaxados e tranquilos na hora do coito. Muito amor e carinho, sem pressa. – sorriu gentil – Outra coisa que é válido lembrar é a questão do pós-coito. Não tenha pressa de levantar da cama ou erguer o quadril para ‘ajudar’ a natureza, apenas deite-se de lado e permaneça por no mínimo quinze minutos. Procurem por posições que tenha uma profunda penetração. Por hoje ficamos por aqui.

Dra. Kang deu a volta na mesa e veio despedir-se de nós. estava em silêncio enquanto andávamos até o estacionamento. Parecia estar dispersa, alheia ao fato que eu estava ali. O caminho para casa foi feito da mesma forma, ela permanecia virada para janela e por sua postura, sabia que nem mesmo a paisagem retinha sua atenção.

– Você está bem? – perguntei por não aguentar mais aquele silêncio – Aconteceu alguma coisa enquanto estive fora?
– Vamos apenas esperar os exames, enquanto isso, podemos ir tentando. – balançou a cabeça devagar, mais falando para si mesma do que para a minha pessoa – Você se importa de começarmos amanhã?
– Sem problemas, . – mal terminei de responder e ela já estava perdida em pensamentos.

Assim que chegamos em casa, foi para o escritório. Sem saber o que a afligia e tendo que – forçadamente – respeitar o seu espaço, fui para o meu quarto. Quando desci horas mais tarde, ela ainda permanecia em seu escritório. Findei a noite tendo apenas a companhia de YunHee, que naquele instante era a mesma coisa que estar sozinho.


Assisti enquanto YunHee circulava pelo quarto, ainda despida. À vontade. Ela estava tranquila ao andar de um lado para o outro, separando a roupa e contando qual seria o plano para aquele dia. Enquanto eu ainda permanecia na cama, enrolada no lençol até o queixo. Passeei os olhos pelo corpo feminino, as pernas bem torneadas, a curva suave do quadril, o abdômen plano e seios firmes e grandes o suficiente para preencher a minha mão. Fiz uma careta e afundei ainda mais na cama, ela decidiu voltar-se em minha direção exatamente nessa hora.

, você está me ouvindo? – corei enquanto ela caminhava até a cama e sentou-se ao meu lado.
– Desculpe. – fiz uma careta antes que os lábios encontrassem rapidamente os meus – Estava um pouco distraída.
– Você está bem? – perguntou ao afastar-se, seus dedos passearam pelo meu rosto por um instante, balancei a cabeça e dei um sorriso – Vem comigo tomar um banho?
– Agora não. – depositei um beijo em seu rosto – Vou ficar mais um pouco rolando na cama.
– Ok. – YunHee assentiu enquanto lançava um olhar demorado em minha direção, segundos depois a vi sumir pela porta do banheiro.

Encostei a cabeça no travesseiro e cobri o rosto como braço. Havia me parecido uma boa ideia. Havia. Por outro lado, adiar não traria nenhum benefício, ainda assim, estava apreensiva. Muito apreensiva, diga-se de passagem. Peguei meu smartphone e procurei por uma música que acalmasse meus nervos.
Sorri satisfeita ao ouvir a voz do Sting deslizar suas notas calmas em “Fields of Gold”. Me ajeitei melhor na cama e fechei os olhos. Aliado ao fato de que em algumas horas faria sexo com o , a consulta do dia anterior ainda não havia me saído da cabeça. Não precisei abrir os olhos para saber que YunHee estava de volta, o cheiro suave de baunilha invadiu o quarto. Aos poucos, os barulhos foram se tornando longínquos e não soube precisar que horas caí no cochilo.
Acordei alguns minutos mais tarde ao sentir o toque leve em meus lábios, abri os olhos e a encontrei fitando-me ternamente. Seus dedos descansaram entre meus fios castanhos. Algumas coisas podiam ser ditas no silêncio de um olhar e assim acontecia entre nós. Os olhos castanhos transmitiam força, encorajavam-me e pediam calma. Seus braços rodearam meu corpo em um abraço apertado, um beijo foi depositado em minha bochecha antes de retirar-se do quarto.
A tranquilidade parecia ter saído junto com YunHee, e agora restava apenas meus pesadelos e eu. Afastei o lençol para o lado e caminhei em direção ao closet, ao passar pelo umbral, trinquei os dentes, fechei os olhos e dei os últimos passos em direção ao espelho. Este parecia tão amedrontador como sempre havia sido em minha vida, daquela vez não era diferente.
Abri os olhos lentamente, tendo a visão horripilante à minha frente: meu corpo.
Não tinha o costume de olhar para ele, e quando o fazia, era apenas olhada rápida para ver se a roupa estava boa, ou apenas mantinha-me focada nos olhos e boca. Não que eu gostasse desses dois, era apenas uma rota de fuga para que não me perdesse em outras direções.
Observei meus ombros um tanto largos, herança do meu pai ou mãe, eu odiava aquilo. Meus seios, estes pareciam dois montículos em meio à massa disforme que era meu corpo, eram desajeitados e grandes. Minha barriga distendia. Tinha a facilidade de emagrecer e de engordar, mais ainda. Em todas as idas e vindas, havia me sobrado as estrias.
As coxas grossas, e grossas até demais, mantinham sua amiga agarrada em mim, a celulite. Meus tornozelos eram grossos e, nos dias de calor, lembravam facilmente o tornozelo de uma mulher grávida, pelo inchaço. Virei de perfil, para piorar ou melhorar a situação, não existia uma mísera curva de carne no meu traseiro largo e achatado.
Tenho nojo só de olhar.
As palavras retornaram tão rápidas que dei um passo atrás. Havia sido dolorido ‘ouvir’ meus pensamentos, mas aquela garota não estava errada. Era daquela forma que eu pensava de mim mesma. Nojo. Eu sentia nojo do que o espelho me mostrava. Sentia nojo de mim. Tampei meu rosto e sai o mais rápido que pude do aposento. Sentei na cama, ainda com o rosto tampado, sentindo as primeiras lágrimas tombarem sobre meu rosto.
Eu tinha tentado de tudo. Tudo.
Dietas milagrosas, pílulas que prometiam quilos a menos, academia por horas e horas, até mesmo enfiar algum objeto garganta abaixo e provocar vômito eu havia tentado, e nada resolvia. Minha genética me traía a todo instante. Esse era meu problema. Se emagrecia uma grama que fosse, logo engordava o triplo do que perdia, e isso de emagrecer só acontecia caso caísse doente. Era a única forma de emagrecer.
Havia chegado à família dos por volta dos seis anos, até então vivia num orfanato próximo ao centro de Seoul. Nunca entendi porque, entre tantas crianças, eles haviam me escolhido, mas era eternamente grata por me ver longe daquele ambiente. Desde que podia me lembrar, era constantemente lembrada que estava fora dos padrões, além de gorda, era mestiça.
Minha pele parda era facilmente destacada em meio à palidez asiática, meus cabelos cacheados eram outro lembrete que, apesar de ter os olhos levemente puxados, não era cem por cento asiática. As gozações por esses fatos vieram desde sempre. Não existia um dia que não houvesse essa provocação, feita tanto por meninos e meninas, no dormitório.
Quando me vi diante dos meus pais adotivos, segurando a mochila pequena entre as mãos, tive um fio de esperança que as coisas pudessem mudar. Agora teria uma família ao meu lado. Não estava totalmente errada. Fui recebida pelos gêmeos, filho do casal, e JunSu, apesar de curiosos, me receberam tão bem quanto os pais. Era estranho acordar em um quarto só meu, ouvir as conversas familiares em algum ponto da casa e saber que ali era o meu lar. Fiquei afastada durante uma semana da escola, para a adaptação com a nova família. Na seguinte, fui junto com os meninos para a mesma escola que eles frequentavam.
Para o meu desespero, nada havia mudado.
Eu continuava sendo a mestiça e gorda. Fazia o possível para não ligar para as ditas brincadeiras, mas era impossível não notar os olhares atravessados que me laçavam quando passava pelo corredor, os sussurros que apontavam as falhas em meu corpo; em outras vezes, nem todos tinham a decência de disfarçar e as palavras surgiam na minha cara. Bastarda. Permanecia em silêncio quando os me perguntavam se tudo estava indo bem, tinha sempre a mesma resposta na ponta da língua, “está tudo bem” e emendava “adoro a escola nova”. Guardei todas as ofensas e fiz todo o possível para que nenhum deles soubessem do que estava acontecendo, eles já tinham feito muito por mim, me adotando, não podia dar mais aquela preocupação.
Já com quinze anos, estudávamos em outra escola. Lá conheci uma garota, JinAe, fiquei genuinamente feliz de ter encontrado uma amiga. Logo estávamos trocando confidências. E nessa confessei que estava apaixonada por um dos garotos que andavam com o irmão dela, KangDae. Imediatamente ela se pôs ao meu lado, incentivando para que me declarasse para o rapaz, ela daria todo o apoio na minha causa, em troca ela apenas me pedia se podia dormir em minha casa alguns dias da semana enquanto seus pais estavam fora.
Mais que depressa, disse que sim, adoraria ter a minha amiga em casa. Durante as próximas semanas, ela chegava me dizendo que tinha dito de mim para ele, que o meu sentimento era recíproco. Em uma das vezes, disse que poderia me encontrar com o rapaz no intervalo da aula, que havia organizado tudo. Só faltava minha presença, pois o rapaz também estava interessado em minha pessoa. Feliz, me sentia tão feliz que mal podia conter um sorriso bobo pelo resto do dia.
Na hora marcada, apareci no bosque do colégio acompanhada desta amiga, não liguei para o fato de ter pessoas por perto, afinal, falaria com ele. Alguns minutos se passaram e o vi se aproximar acompanhado de alguns amigos. Meu coração estava disparado de tão ansiosa que estava, KangDae parou a poucos passos de mim com o canudinho do refrigerante na boca enquanto olhava em volta, parecia procurar por alguém.

– JinAe, você não me disse que ela estaria aqui? – o rapaz perguntou, ainda olhando distraído.
– Eu estou aqui. – disse e dei um passo à frente, ele cuspiu o líquido que tinha na boca.
– O que?! Você está louca?! – KangDae gritou, dando dois passos atrás, seu riso era de puro desdém – Por um acaso eu trabalho em alguma empresa de esgoto para querer ficar com uma merda como você? – novamente ele olhou em volta – Alguém tem uma pazinha de lixo? Deixam um pedaço de bosta bem no meio do meu caminho. – não só ele como os amigos deram risada da piada sem graça.

Eu não compreendia o que acontecia ali, para o meu desespero minhas pernas não me obedeciam. Fiquei parada enquanto ele dava meia volta, ainda rindo da minha cara, quando consegui me mover, corri na direção oposta. No princípio, JinAe se fez de inocente, alegando não saber o porquê KangDae havia agido daquela forma. Semanas mais tarde, descobri que tudo o que JinAe me dizia era mentira, a única intenção dela se aproximar de mim, era por causa dos meus irmãos.
Anos mais tarde, nada ainda havia mudado. Achei que pudesse ter encontrado o rapaz perfeito para mim, mas este apenas queria saber como era transar com uma gorda mestiça. Outro pareceu, desconfiada, levei algum tempo para me deixar envolver e acreditar no que ele dizia; assim que dormimos a primeira vez juntos, após desabar sobre mim, a primeira coisa que ele fez foi pegar o seu celular e ligar para os amigos. “Ganhei a aposta!”, foi como se tivessem me dado um soco no estômago.
Foi mais uma dura lição aprendida por mim, pessoas do meu biótipo não serviam para nada, além de sexo.
Durante esse tempo, secretamente escondia e evitava pensar no fato de me sentir atraída por mulheres. Na faculdade de Letras, já havia desistido dos rapazes. Um ou outro amasso era trocado com alguma garota e não saíamos disso. Em meio a um projeto da universidade, tivemos um dia de visitação num hospital próximo à minha casa. Desde então, sempre no meu tempo livre passava por lá para uma visita, e numa dessas encontrei YunHee.
Ela despertou em mim o que há muito estava perdido, a esperança de encontrar alguém que pudesse gostar de mim. Cada vez mais estava envolvida por ela, fascinada com a forma genuína desta ver a vida e, principalmente, como ela me via. YunHee conseguia ver beleza em mim, onde eu nem mesmo ousava olhar. Me dizia que eu era bonita e que me amava como eu era, nem mais e nem menos, apenas como eu era.
Por isso não podia negar aquele pedido, justamente por isso teria que enfrentar mais uma vez estar na cama com alguém além dela. Ali estava eu em pânico e me sentindo enojada. Tinha dó de YunHee por me ter ao lado dela, e agora novamente teria um homem em minha vida. A imagem do corpo esguio de me veio à mente. Eu poderia machucá-lo com todo o meu peso. Apertei os olhos imaginando a cara que ele faria quando me visse nua a sua frente, o desgosto de tocar um corpo como o meu. Talvez eu devesse estar coberta por inteiro para não dar o tormento de apavorar o rapaz.
E quando tudo acabasse, o que ele faria? Correria para longe de mim, talvez nauseado, e tomaria um banho, afastando qualquer traço da minha gordura em seu corpo? Eu não o culparia, muito menos ficara chateada caso não houvesse uma ereção. Talvez, deveria ter comprado algum tipo de medicamento que pudesse ajudá-lo a passar por aquilo. Uma olhada fugaz para o relógio foi o suficiente para que corresse em direção ao banheiro.


Estava parado em frente à janela quando ouvi a leve batida na porta. Ouvi os passos caminharem lentamente em minha direção, a xícara de café apareceu diante de mim. Ficamos em silêncio olhando para além do que a paisagem mostrava. Eu não precisava dizer, a verdade estava bem diante dos meus olhos.
Desde a morte repentina do meu pai, por um infarto fulminante que pegou todos de surpresa, como filho mais velho tive que assumir a empresa da família. Um escritório de advocacia, localizado no coração de Seoul. Nos últimos cinco anos, como presidente do & Jung, trabalhei ininterruptamente. Quando assumi o cargo, nunca esperei encontrar o caos que era a situação atual. Estávamos no vermelho, por consequência houve um acréscimo de horas para todos que trabalhavam ali, principalmente por mim.
Há três anos, analisando alguns processos, recebi um bip sinalizando que havia chegado uma mensagem de e-mail. Sorri ao ver o remetente conhecido, abri imediatamente e comecei a ler. YunHee sempre me escrevia contando como estava indo o tratamento, mas daquela vez ela aparecia com uma novidade. E essa vinha com um nome, .
Era esperado que YunHee e eu ficássemos juntos, nossos pais eram sócios e amigos, crescemos juntos. Logo nossas famílias tinham a visão absurda de que nós ficaríamos juntos quando adultos. Quando YunHee havia finalmente assumido a sua sexualidade, afastando de nós qualquer tipo de responsabilidade, foi um balde de água fria para os mais velhos e uma alegria sem fim para mim. A visão que tinha sobre ela, era a mesma que matinha em relação à , como uma irmã caçula.
Conforme o tempo ia passando, YunHee me contava o quanto estava envolvida pela garota. Dividia comigo cada detalhe diminuto do que acontecia, inclusive sobre a personalidade de , principalmente as dificuldades que essa havia enfrentado ao longo do crescimento. Vez ou outra recebia em anexo fotos das duas, desde o primeiro encontro a curta lua de mel. O que só fez aumentar a familiaridade. Conhecia , mesmo que fosse à distância, mas ao ponto de me sentir à vontade com ela quando finalmente a conheci.
YunHee veio demonstrando interesse de ter um filho. Até aí, tudo bem. O choque veio quando me disse que iria literalmente sair à “caça”, em busca de um doador. Qualquer um que estivesse disposto a ter uma noite, ou quantas fosse preciso, até que pudesse engravidar. Eu poderia concordar com aquilo? Não. De jeito nenhum. Não depois de acompanhá-las durante três anos. Não poderia deixar que alguém se aproximasse do doce sorriso tímido da morena. Não mesmo.
Foi nesse pensamento que me ofereci para ajudar, não só as duas como também dar a oportunidade tão esperada ao YooHwan. Diferente de mim, ele tinha uma paixão por direito e não via a hora de assumir a minha posição. Para isso acontecer e finalmente voltar para o que de fato queria, meu irmão precisava passar pela banca, dali a dois meses. YooHwan aproveitaria para ‘estagiar’ como presidente enquanto eu estava em férias.
Levei um susto quando senti a cabeça pender em meu ombro. YunHee permanecia calada, parecia tão distante quanto eu estava há poucos segundos. Sem dizer uma palavra, deu-me um beijo na bochecha e retirou-se do quarto. Olhei para o café frio em minha mão, deixei a xícara sobre a bancada e me afastei em direção ao banheiro.
Fechei os olhos sob a água fria da ducha, mesmo após passar a noite em claro, não tinha um pingo de sono. Ter descoberto aquilo no meio da noite não havia contribuído em nada, pelo contrário, tinha me deixado ainda mais desperto. Eu me sentia um canalha. Como ter aquele tipo de sentimento por alguém já comprometido e, pior, esposa da minha amiga? Nunca imaginei que chegaria a esse ponto da minha vida. Nunca.
Encostei a testa no azulejo respirando fundo. Permanecia agitado, ansioso e excitado. Eu precisava me acalmar. Pelo que YunHee tinha me dito, nenhuma das experiências anteriores da havia terminado de uma forma satisfatória. Logo, já esperaria por algo feito de qualquer jeito, apenas mecânico. Trinquei os dentes. A ideia de outra pessoa ter a tratado de uma forma indelicada me irritava profundamente.
Fechei o registro, alcancei a toalha que estava próxima. Agradeci mentalmente a minha querida mãe por ter me dado um robe no natal anterior, finalmente havia achado utilidade para ele, já que em casa eu podia andar despido. Amarrei o cinto felpudo e me pus a caminho do quarto de .
Girei a maçaneta lentamente abrindo a porta. A encontrei sentada aos pés da cama, fitando o chão. Notando que não estava mais sozinha, lançou-me um sorriso pondo-se de pé e dando um passo em minha direção. Parando a metade do caminho, mantinha uma postura corajosa, contudo, não pode ocultar totalmente a rigidez.

– Oi. – parei de frente para ela – Tudo bem? – perguntei, já antevendo a resposta.
– Sim. – assentiu num gesto displicente, pontuado por um sorriso incerto.

Com as mãos mais trêmulas, a vi lutar sem sucesso com o laço do roupão. Quanto mais tentava desatar o nó, mais este parecia resoluto em permanecer no mesmo lugar. Cobri a pequenina distância entre nós e pousei as mãos sobre as dela. Envolto por aquele sentimento que parecia sondar cada canto do meu ser, deixei que meus polegares fizesse uma pequena massagem relaxante no torso, até que um suspiro lhe escapou pelos lábios.
Depositando-as sobre meio peito, voltei minha atenção em direção aos cabelos. Salvo a noite que tinha presenciado o momento de intimidade entre o casal, sempre a via de cabelos amarrados, tinha a curiosidade de saber como eram os cachos soltos ao meu bel prazer. Livrei as mechas e deixei um suspiro escapar quando estas caíram pesadamente sobre os ombros, mergulhei os dedos nos fios castanhos. Contemplando-me com estranheza, franziu as sobrancelhas.

– Gosto do seu cabelo. – respondi a pergunta silenciosa e fui presenteado com o corar das bochechas diante do simples elogio.

Dedilhei o lábio inferior com a ponta do polegar. A respiração alterada batia morna contra o meu rosto, a confusão estava estampada nos olhos castanhos quando estes encontraram os meus. Por um momento, seu olhar tombou sobre minha boca, foi o suficiente para que a calma ansiada por mim, fosse posta abaixo.
Testei a maciez dos lábios volumosos de , estes lentamente deixaram a hesitação e mostraram-se ansiosos sob os meus. Cada movimento feito por mim era respondido com igual intensidade por ela. Uma leve pressão exercida foi o suficiente para que pudesse aprofundar o beijo, sendo seguido de um gemido acanhado e ao mesmo tempo satisfeito, retumbar sob os meus lábios.
Enrosquei os dedos suavemente pelo cinto do robe e puxei lentamente à medida que sugava seu lábio inferior. Escorreguei a mão para dentro da mísera peça de roupa entre nós, seus músculos enrijeceram, os olhos abriram em pânico, fez menção de afastar-se. Permaneci segurando firme em seus cabelos e espalmei a sua cintura, a impedido de fazer qualquer outro movimento. Separei-me o mínimo possível, apenas para olhá-la e voltar a me perder nos lábios.
Ainda podia sentir a rigidez em seus músculos, mas por hora, já não havia nenhum movimento para longe de mim. Deixei dos cabelos por um instante e, segurando na lateral livre do seu corpo, extingui a distância. Um gemido surpreso reverberou sob meus lábios quando pressionei meu quadril ao corpo macio, deixando-a consciente do meu estado.
afastou-se, me olhando atenta, a incredulidade permanecia evidente em sua face. Segurei sua mão esquerda, e com a outra livre, abri meu roupão, peguei a primeira e coloquei sobre o membro. Trinquei os dentes ao sentir o toque caloroso, dando-me um olhar rápido, voltou à atenção para onde sua palma estava, ainda em dúvida, o pontear envolvendo e acolhendo gentilmente meu pênis fez-me rosnar.
Que Deus pudesse me ajudar, pois naquele momento, estava a ponto de perder o controle. Deixei um beijo na palma da mão quando a retirei da zona de perigo. Ansiava por aquele toque, mas hoje ela seria minha. Apenas minha.
Subi a as mãos da cintura e acolhi os seios. O simples gesto foi o suficiente para senti-los enrijecer sob o meu toque. Antes de apreciá-los como deveria, retomei o meu caminho até os ombros, afastando o tecido felpudo. Explorei a pele parda do ombro e pescoço, assistindo com satisfação o arrepiar pelo contato da minha língua.
A reação do corpo feminino ao meu toque, era simplesmente encantador. Me pôs ainda mais instigado a continuar a explorar as curvas, sem pressa. Mordisquei seu maxilar na mesma hora em que timidamente espalmou meu peito. As unhas arranharam minha pele, por alguns segundos precisei me afastar do seu corpo para deixar que o meu robe tomasse outro rumo.
Deixei que o olhar apurado demorasse sobre meu corpo.
Estava longe de ser um garoto de academia, não fazia questão de trabalhar fora e naquelas alturas, me perguntei, pela primeira vez, se tinha errado nesse quesito. Minha resposta veio de forma quente ao ter os olhos castanhos faiscando luxuria ao alcançar meu olhar. As bochechas explodiram num tom rosado ao quedar um olhar para o membro garboso e necessitado de atenção. Novamente a trouxe para perto, capturando os lábios ao guiá-la para os poucos passos que nos separava da cama. Me livrei do robe que ainda permanecia escondendo o corpo voluptuoso e deixei um olhar percorrer com deleite as nuances.
A reação foi instantânea, tentar cobrir-se da melhor forma que podia.
Os olhos expressavam pânico, num pedido mudo para que qualquer outra olhada fosse evitada. O rosto estava pálido, o corpo encolhido estava tremulo. Talvez, para outra pessoa, aquele tipo de medo seria ignorado ou tratado de forma fria. Mas naquele momento, eu estava angustiado. Queria poder fazê-la entender que a minha visão era diferente da dela ou de qualquer outra pessoa.

– Confie em mim. – aproximei meus lábios do seu ouvido.

Descansei um beijo em seu ombro, plantando as mãos na altura da cintura, trazendo-a suavemente para um abraço frouxo. Erguendo os olhos vacilantes, lhe dei um sorriso paciente ao aparar minha testa sobre a dela, olhando-a de perto, tentando transmitir segurança que precisava naquele instante. O meneio de cabeça veio aliado ao franzir da sobrancelha, ainda insegura. Procurei por seus lábios de modo gentil. Ela me diria quando, ditaria se podíamos ou não seguir em frente.
Como resultado, os lábios partiram suavemente para aprofundar o beijo. Aos poucos voltei a tocá-la, trouxe-a para perto e em seguida, sobre a cama. Debruçando sobre o corpo menor, deixei que uma coxa achasse espaço entre as dela. Menos resistente e ainda tímida, arranhou minha cintura ao passo que deixei caminho úmido até os seios.
Testei o peso farto de ambos, abocanhei o esquerdo e brinquei com o outro mamilo entre os dedos. O gemido fraco veio seguido do arfar extasiado, os dedos percorreram por meus cabelos, os puxando de forma aflita. Troquei de posição e abocanhei o outro mamilo, esfregando a língua no cume sensível. Desci a mão pela lateral do seu corpo, indo acomodar na parte atrás da coxa roliça, apenas para trazê-la na altura da minha cintura e me acomodar entre as pernas.
O choque foi imediato e, como reação, o quadril feminino saltou contra o meu. Novamente trinquei os dentes ao sentir a umidade contra meu pênis. Espalmei sua coxa empurrando levemente o quadril em sua direção, à medida que minha mão avançava em direção à parte interna.
Afundei o rosto em seu pescoço, lhe deixando uma mordida, o que provavelmente resultaria em uma marca. Voltei à atenção para o mamilo abandonado e o mordisquei, puxando-o lentamente antes de seguir em direção ao abdômen.

– Não! – parei meu movimento fitando interrogativamente o rosto afogueado e naquela instante, receoso – Não tem necessidade disso. – apertou os lábios enquanto as minhas mãos brincavam de forma preguiçosa sobre as virilhas, deixando claro o que eu queria – Vamos nos ater apenas ao básico, ok?
– Apenas o básico?

Assentiu de maneira concisa, atendo-se apenas a uma olhadela rápida em minha direção. Ágil em minha ação, subi para próximo do rosto dela, esperando com calma estudada que me fitasse. Quando o fez, era uma bela mistura de timidez, fragilidade e ansiedade, espreitando-me por entre os longos cílios escuros. Fiz um gesto afirmativo, inconsciente reproduziu meu movimento, rasguei um sorriso faminto.

– Acontece que para mim, isso é o que você chamaria de “básico”.

Atordoada, arregalou os olhos enquanto tomava meu antigo lugar, preso a incredulidade do olhar, deixei que minha língua caminhasse languidamente entre os lábios lisos e úmidos, sem desviar a atenção do rosto chocado. Assisti com prazer o corpo arquejar e os olhos fecharem ao ter a boca sobre o nódulo sensível. As mãos procuraram algo para segurar enquanto prosseguia mais uma vez sobre a abertura, saboreando o gosto agridoce explodir ferozmente em minha língua.
Múrmuros desconexos estavam cada vez mais presentes a cada voltear da língua, separei os lábios com ambas as mãos, tendo a vista clara da fonte da sua umidade. Deslizei o polegar com movimentos circulares sobre o clitóris e penetrei a língua em seu interior colhendo com avidez da essência. As unhas cravaram em meu ombro sem piedade, estava trêmula, num movimento único os espasmos tomaram conta do corpo feminino. Inverti as posições e penetrei dois dedos em sua intimidade e agora sugava o feixe de nervos turgidos. Com prazer ouvi grito rouco surgir ao ter seu caminho até o ápice.
Mas antes de encontrar sossego em seu íntimo, penetrei um terceiro dedo. Seus músculos internos logo pressionavam os três a cada investida. O ondular me pôs a par do novo orgasmo, e lentamente retirei os dedos, os levei em direção aos lábios femininos. Estes fecharam a minha volta, sugando com demorada sensualidade ao me fitar. O gesto teve seu efeito imediato sobre o pulsar invejoso do membro, ansioso por estar no lugar dos dedos. Reprimindo o instinto de investir aquela parte da anatomia sobre os lábios, fui ao seu encontro dividindo aquele sabor único.
Segurei o pênis e deixei que este explorasse os lábios inferiores, a leves pinceladas. gemia contra a minha boca, em meio a um beijo ansioso, seu corpo se contorcia, procurando por um contato pleno. Sem poder esperar mais um segundo que fosse, mergulhei em sua intimidade, numa estocada firme e profunda. Tombei o rosto em seu pescoço, esperando que pudesse controlar a minha reação, mas era quase impossível, os músculos internos colidiam ferozmente contra meu pênis. Ela era tão justa e firme em seu aperto, trinquei os dentes procurando por um controle que estava longe de possuir em sua plenitude.
Apoiei a mão esquerda próxima de sua cabeça enquanto a outra a trazia para mais perto. Lentamente fiz o caminho inverso para fora da intimidade, para então estocar. Suas pernas envolveram a minha cintura, eu gemia extasiado ao movimento ansioso da pélvis feminina impondo um ritmo mais intenso, rápido. Alcancei o seio e o abocanhei com tanta vontade quanto às unhas em minha cintura. Meu corpo sofria dolorido, ansiando pelo apogeu que não tardaria a chegar, ergui o rosto para fitá-la.
As bochechas estavam coradas, os cabelos espalhados e os lábios entreabertos procurando por ar, olhos castanhos estavam anuviados pelo prazer. A contração à minha volta aumentou, deixando bem claro que ela chegaria ao orgasmo. Foi o que bastou para deixar de lado meu autocontrole. Uma. Duas. Três investidas e deixou escapar um grito tão extasiado quanto o meu ao chegarmos no auge.
Relaxei contra o corpo feminino, descansei a testa contra a dela. Um sorriso trêmulo permanecia no rosto dela, deixei um beijo casto em seus lábios. Deitei ao seu lado e a trouxe para perto de mim, deitando-a de lado, como nos havia sido indicado. Levei minha mão até o seu rosto, afastando os cabelos que estavam por ali. fitava-me intensamente, agora passado o frisson, seus olhos haviam adquirido a desorientação de mais cedo.
Ficamos em meio a um silêncio aconchegante, não fazia ideia do que se passava em sua mente, apenas continuei a fitá-la da mesma forma que ela fazia comigo. Acariciei os cabelos e a vi piscar lentamente, um sorriso tímido curvou seus lábios, abracei-a e trouxe para os meus braços. O ronronar satisfeito escapou por seus lábios quando se aconchegou contra meu peito. A respiração calma e compassada sinalando que havia pego no sono. Dei um beijo no topo de sua cabeça e resolvi também acompanhá-la.


Acordei com o toque de telefone, o sol já estava se pondo. Fiz o possível para ignorar e continuar na mesma posição, remexeu-se inquieta, despertando. Droga! Amaldiçoei a pessoa que estava ligando. Desvencilhando-se de mim, alcançou o objeto irritante.

– Alô? – sua voz soou rouca e fiquei a observá-la. – Tudo bem. – ficou em silêncio por instante – Claro! O jantar de noivado, já estou quase pronta. – sentou-se na cama, arregalei os olhos, havia me esquecido daquele detalhe – Mas por quê? – vi os ombros encolherem imediatamente. – Tudo bem, até mais tarde.

colocou o telefone no lugar e ficou em silêncio, alcançou o lençol e se enrolou nele.

– Havia me esquecido do jantar. – confidenciou sem me olhar.
– Eu também. – desci da cama, alcançando o robe.
– Vinte minutos e já estou pronta. Nos vemos lá embaixo? – mantinha-se segurando firme o lençol contra o corpo, o olhar envergonhado estava em algum lugar atrás de mim.
– Ok. – contra a minha vontade, saí do quarto.

Cheguei ao meu, joguei o robe em cima da cama e fui para o closet. Por mais que quisesse ter ficado naquela cama com , precisava ir naquele jantar. Afinal, seria a minha palavra que iria decidir se haveria ou não casamento. Em menos de vinte minutos, estava pronto, aproveitei aquele momento para ligar para casa e saber se eles já estavam prontos. YooHwan levaria mamãe e até a residência dos . Coloquei o celular no bolso traseiro, alcancei a carteira e a chave do carro.
Por mais que estivesse pensando no jantar de logo mais, ainda permanecia em um momento de graça. De cinco em cinco segundos lembrava-me do que havia acontecido e do quanto havia sido bom ter em meus braços. Encostei a porta do quarto e me encaminhei para as escadas, em seguida parei abrupto ao ver a cena diante de mim.
O que diabos estava acontecendo ali? estava abraçada a um rapaz, e não apenas isso, mas tinha seus lábios colados ao dele.



Capítulo 04

Confusa. Eu me arrumava de modo automático enquanto meu cérebro não parava um minuto de pensar no que havia acontecido. Eu estava desperta. Consciente da forma que a renda acomodava em meus seios, lembrava-me de como eu havia sido tocada, eu estava dolorida e sensível. A próxima peça acolheu a minha intimidade, arfei. A seda num tom escuro de verde cobria meu corpo como uma carícia sensual. E eu me lembrei dele.
A voz melodiosa de Steven Tyler soou e parei no centro do quarto olhando em volta, procurando pelo meu smartphone. Achei o objeto barulhento embaixo da cama e sabe Deus como ele havia parado ali. Sentei na cama enquanto dava os comandos e abria a caixa de entrada. “Estou há cinco minutos.”. Aquilo apenas queria dizer que ele estava parado na porta, esperando os minutos passarem antes de digitar o código e entrar. “Seis minutos. ”. Respondi largando o objeto de qualquer jeito em cima da cama. Minha vontade era vestir uma camiseta larga, um short e voltar para cama. Não, para aquela cama, não. Talvez para o sofá e pensar no que tinha acontecido. Quem sabe fosse a melhor maneira de lidar com aquilo. Mas não, eu estava terminando de calçar o peep toe delicadamente florido, fazendo exatamente o que eu não queria.
Já sentia a pitadinha de mau humor tomar conta de mim, provocada pela confusão que estava em cada canto do meu pensamento. Resignada, passei rápida pelo corredor e apareci no topo da escada exatamente quando a porta estava abrindo.

, tudo bem? – parou um instante fitando-me atento enquanto descia os últimos degraus, fiz uma careta e ele abriu os braços.

Mal dei os últimos passos e já estava em seus braços, como costume, lhe dei um beijo casto nos lábios. Instantaneamente, me aninhei escondendo o rosto em seu pescoço.

– Tudo bem. – murmurei fechando os olhos por um instante, apreciando a sensação de conforto.
– Conversei com a Yunnie. – ergui a cabeça rapidamente – Ela me disse sobre a tentativa de vocês. – dei um passo atrás, me desvencilhando.
– O que você disse? – silvei estreitando os olhos – Mas aquela mulher não consegue manter a boca fechada?! Ela só pode estar louca.
– Calma, . – ergueu as mãos em sinal de inocência, seu olhar desviou por um instante.
– Tudo bem? – trinquei os dentes ao sentir a mão espalmada em minhas costas deslizar suavemente em direção à minha cintura, fazendo uma leve pressão em direção a ele; foi o que bastou para meu corpo reagir imediatamente e o calor instalar-se deliciosamente entre as minhas pernas.
– Aparentemente minha vida sexual é o assunto da família. – respondi entre dentes, tanto pela irritação, quanto pela reação exagerada do meu corpo à presença dele.

Virei o rosto em sua direção, engoli em seco, extremamente atrapalhada. Ele estava deslumbrante. O tecido preto da camisa dobrada no antebraço ajustava-se perfeitamente ao corpo esguio, uma olhadela rápida apenas para conferir que a calça de alfaiataria, também preta, estava tão bem ajustada ao corpo quanto à camisa. E o melhor, ou pior nesse caso, era saber exatamente o que toda aquela gama de tecido escondia.

– Não se preocupe com isso. – ele deu um sorriso tranquilo e eu me sentia uma maníaca sexual mal podendo desviar o olhar dos lábios carnudos, sem deixar de pensar no que eles eram capazes. Balancei a cabeça e ele virou-se em direção ao rapaz – Não nos conhecemos.
– Não, JunSu. – ele estendeu a mão, esta foi prontamente recebida.
. – um leve franzir no rosto e o vi observar abertamente o caçula dos e em seguida ergueu uma sobrancelha em minha direção.
– Você conhece o , este é o gêmeo dele. – comentei e voltou a fitar o outro dos pés à cabeça.
– É, eu sei. – JunSu deu de ombros, fazendo uma careta – A altura ficou toda com ele, somos diferentes.
– Eu diria que vocês são exatamente iguais. – comentou – Claro, tirando essa pequena diferença de estrutura. – o sorriso sacana turvou os lábios masculinos, se não fosse pela minha impaciência, teria rido do estufar altivo de peito do menor.
– Mas o que você está fazendo aqui? Mamãe vai ter um surto por você não estar pronto. – observei a roupa casual do mais novo.
– Sobre isso... – JunSu deu uma tossidela desconfortável.
– Me explique. – cruzei os braços.
– Mamãe... – titubeou – Ficou preocupada, porque, segundo ela, você deveria ter chegado há duas horas e, bom, como sabíamos que vocês... iriam... – JunSu parou um instante procurando por uma palavra adequada.
– Você sabe que não gosto desse tipo de interferência. – estreitei os olhos o analisando, tomei uma longa respiração, claramente era uma desculpa esfarrapada, já que não havia dito nada sobre chegar antes – Além disso, todo mundo está a par disso? – nem mesmo aquela aproximação de me deixava menos irritada, apenas me punha a par do motivo da minha cólera e, por mais que estivesse confortavelmente aninhada contra ele, sentia meus músculos enrijecerem de indignação.
– Não... Eu... – dei um olhar atravessado e ele silenciou rapidamente.
– Como você viu, estou inteira. – cortei antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa – Pode voltar e dizer a todos que eu estou viva. Nós já chegaremos. – virei em direção ao e dei um sorriso com o máximo de suavidade que consegui – Vou buscar a clutch e já poderemos ir.

Eu não precisava ser o tópico principal da minha família, para me deixar ainda mais ‘otimista’ sobre tudo. Subi os degraus de dois em dois, já no quarto guardei a carteira e o smartphone dentro da clutch. Sentia cada poro do meu corpo transpirar indignação. Que direito minha ‘querida’ esposa tinha de sair por aí contando aos quatro ventos que eu estava transando com o ? Sim, era uma ótima causa, mas não lhe dava o direito de contar, de espalhar e sabe Deus mais o quê. E para deixar ainda mais divertido, JunSu surgir como cavaleiro da armadura brilhante. Bufei irritada.
Encontrei de fronte à janela. Parei um instante para observá-lo. Nos últimos dias eu fazia longos discursos, para eu mesma, sobre a existência dele e o que significava. Não havia chegado a nenhuma conclusão. E não seria naquele momento que acharia a resposta.

– Pronto. – voltei a descer os degraus, girou sobre os calcanhares para me fitar – Acho que ainda temos tempo.
– Temos alguns minutos. – estendeu a mão quando cheguei ao penúltimo degrau, aceitei – Você está linda.
– Obrigada. – sentindo as bochechas levemente aquecidas, assim como a palma da mão sobre a dele – Digo o mesmo.
– Isso te envergonha? – olhou-me sério.
– De maneira nenhuma. – respondi no mesmo tom – O que me irrita é essa conversa paralela e a mania de contar, entende? – o vi assentir e seus dedos desenvolverem a mesma massagem sobre a minha mão, deixando-me instantaneamente distraída – Foi incrível. – me vi falando o que até agora tinha feito o possível para não dizer em voz alta, sentindo uma timidez descabida – Isso te incomoda? – prendi a respiração por um instante esperando pela resposta, afinal, ele também fazia parte do comentário.
– Não, nem mesmo um pouco. – os nós dos dedos passearam pelo meu rosto de forma delicada – Vamos? – um leve sorriso permaneceu nos lábios carnudos.

Algumas vezes na vida, você não sabe o que dizer ou como dizer. Eu estava dessa maneira, apenas o fitando e aquela espécie de sentimento que fazia meu coração estar descompassado. Sem deixar de fitar os olhos castanhos, me aproximei, devido ao salto, estávamos em uma diferença mínima. Repousei a mão em seu ombro e cobri seus lábios.
Eu não sabia quem estava mais surpreso, ele ou eu, por agir tão impulsivamente. Mas tão rápido quanto veio, o choque passou. Eu não tinha pressa nenhuma ao explorar os lábios macios e tão receptivos, estes se moviam sobre mim de forma calma e profunda, provocando além do limite permitido. Da mesma forma que suas mãos se moviam por minhas costas e eu permanecia deliciosamente espremida em seus braços. Estava inebriada por aquele calor gostoso que se espalhava por meu corpo, deixando-me consciente da minha sexualidade recém-descoberta. E não somente eu, não havia espaço entre nós naquele abraço, podia senti-lo perigosamente pressionado contra meu corpo. Seus lábios pararam em meu pescoço, próximo a orelha. A respiração apressada contra a minha pele causava arrepios, tão intenso quanto os provocados pelos dentes ao mordiscar a mesma.

– Nós. Precisamos. Ir. – seus lábios moveram-se de forma lenta em minha orelha, pontuando cada palavra.
– Sim. – fiz um movimento afirmativo, quase imperceptível, e pendi a testa em seu ombro – Vamos lá. – dei um passo atrás, dando meu melhor sorriso, resignado.

Cada mero pedaço de mim gritava por ficar, subir as escadas e terminar o que havíamos começado. Eu me sentia cansada, ansiosa e insatisfeita. Precisava de mais. Meu corpo pedia e eu queria. Via um ar contrariado na íris castanhas e se eu já me sentia dolorida, imagino que ele não estaria diferente. A linha rígida em suas calças deixa bem claro que ele estava colocando todo o seu esforço em apenas caminhar de forma cavalheiresca e abrir a porta de casa para eu passar. Educação. O tipo de coisa que me fez desviar, por um momento, o pensamento de voltar para cama. O mesmo aconteceu quando chegamos ao carro e me acomodei enquanto ele dava a volta no mesmo.

– Não tenho a mínima ideia de como chegar à casa dos seus pais. – a voz soou tão rouca e profunda, enviando imediatamente um arrepio em meu corpo.
– Sem problemas, se me permite... – debrucei sobre seu colo, tentando ignorar a proximidade e o cheiro másculo do seu perfume, enquanto digitava o endereço no GPS a esquerda do volante – Agora já sabe.
– Ok, lá vamos nós. – piscou em minha direção ao girar a chave – Me deseje sorte.
– Acho mais fácil desejar sorte para o . – sorri e ele apenas fez uma careta – Pensei que esse primeiro encontro seria feito na sua casa.
– É melhor te avisar com antecedência, nada sobre a é convencional, acredite em mim. – disse num meio sorriso.
– Acredito que tenha um dedo da Sra. por esse caminho. – balancei a cabeça.

Ele parecia estar pensativo e eu não estava exatamente uma tagarela, permanecemos em um silêncio confortável. Encostei a cabeça na janela apenas observando a paisagem, ou tentando, pelo menos. A vontade de me trancar no meu quarto e permanecer lá ainda persistia. Tão urgente quanto antes, devo dizer.
Eu tinha feito sexo. Isso não era exatamente o problema. A maneira como havia feito, sim. Esse era o problema. Não havia experimentado nada parecido. Nada. Sem exagero, mas o máximo que havia conseguido com rapazes era aquele ‘quase’ e nada mais do que isso. Para me ajudar, meu cérebro havia guardado cada toque com uma perfeição assustadora, era inevitável não cruzar as pernas e quase assobiar para desviar o foco do rapaz do meu lado. O que havia acabado de acontecer não contribuía em nada para aquele desejo insano que eu me via sentindo.
E como um balde de água fria, para o meu recente aumento de temperatura, ainda teria que chegar em casa e dar de cara com todos sabendo que eu havia feito sexo. O que me levava a um outro ponto: por que diabos YunHee tinha que contar? Bufei irritada, ficar sozinha com meus pensamentos não estava ajudando em nada.
Para a minha alegria, estávamos próximos de casa, uma esquina antes da rua dos meus pais, vi um Benz CLS63 AMG dar um sinal de luz antes de virar e entrar na rua em questão. Alguns metros à frente o portão foi aberto e vi o carro sumir dentro dos portões do condomínio onde residia à casa dos meus pais, logo foi a nossa vez. Foi nesse exato minuto que me dei conta que, lá estaria a mãe do e ela era amiga da minha 'querida' sogra . Já estava esperando o pior quando desci do carro.
A poucos metros à frente, vi saltar da parte de trás do carro, o motorista saiu e por um minuto eu achei que iria desfalecer diante da doçura que o rapaz era capaz de transmitir, mesmo à distância; com uma aparência que me arremetia ao , acenou sorrindo em nossa direção. Prendi a respiração quando a porta da frente do carro abriu, meu queixo caiu. Ela era linda, charmosa e com um olhar tão calmo quanto o rapaz ao meu lado, segurando graciosamente uma cesta de frutas, a senhora sorriu. Foi amor à primeira vista.
Aceitei a mão estendida em minha direção e caminhamos até a família , ao mesmo tempo em que a porta de casa foi escancarada. Cada um dos mantinha o sorriso caloroso e um olhar carinhoso para a moça de vestido rosado. Diminuí o passo apenas para observar dar um passo em frente, cobrir a pequena distância entre ele e . Por um instante, apenas aquela troca de olhar valia bem mais do que quaisquer palavras e, mesmo sem nenhum toque, era como se tivessem trocado um doce beijo.
Aquele sentimento entre eles era tão palpável que tanto os , quanto os mantinham um ar afetuoso. Aquilo durou apenas alguns segundos, mas o suficiente para me arrancar um suspiro; retomei os passos que nem havia percebido que interrompi.
Uma apresentação formal foi feita entre nossas famílias e eu estava bem no meio, praticamente entre os e . Deveria dar um passo para o lado e permanecer ao lado da minha família, mas algo me impedia de me afastar, a mão espalmada em minhas costas e cada movimento feito por mim a pressão aumentava. Isso não passou despercebido à mamãe, que por sua vez, lançou-me um olhar curioso e divertido. O que me deixou ainda mais corada quando a senhora seguiu o olhar da primeira, a expressão neutra no rosto da mais velha me deixou extremamente nervosa e sem graça, devolvi um sorriso amarelo.
No hall, trocamos os sapatos por chinelos próprios para uso caseiro, não podia esperar menos, todos estavam ornamentados; para a senhora e , viam-se pequenas flores de cerejeira bordado discretamente; já para eles, o tom escuro contrastava com o branco rebuscado do nome de ambos. Esse detalhe não passou despercebido pelos convidados e, ao primeiro elogio, pude notar o rubor de pura satisfação nas bochechas da matriarca. Como o esperado, a sala estava impecavelmente imaculada e podia sentir um leve aroma de lírios no ambiente. Ao centro desta, estava colocado a pequena mesa, após um gesto do mais velho dos , todos tomaram lugar em posição de seiza. Ao lado esquerdo, dispostos de forma diagonal, mamãe e papai, atrás deles JunSu e eu; do lado direito e sua mãe, YooHwan mais atrás, de frente para nós, estava o casal.
Após um breve silêncio e uma leve tossidela discreta, se pronunciou, podíamos observar a sua postura levemente tensa e extremamente emocionada, seu olhar mantinha-se firme e decidido, o rosto másculo levemente corado enquanto discorria sobre seus sentimentos por . Não podia deixar de me sentir orgulhosa pela emoção sincera em suas palavras. Ao lado desse, não estava muito longe, seu rosto estava corado e podia notar um ou outro suspiro escapar de forma discreta.
Desviei o olhar para o , todo a postura amigável de mais cedo parecia ter evaporado, contrastando com seu porte usualmente relaxado, seu olhar estava duro e frio, sem deixar de perder um detalhe do que era dito por . Ele empunha uma aura autoritária, exalando poder de forma assustadora que, até então, eu não havia presenciado. Por outro lado, a senhora permanecia no auge da serenidade estudando atentamente o casal, YooHwan permanecia entre as emoções do irmão e a mãe, indo da calmaria à seriedade. Já do nosso lado, os mais velhos estavam um tanto rígidos, lançando olhares preocupados em direção ao . Podia eu culpá-los? Não. Até mesmo alguns metros longe de , me sentia coagida com sua postura, ao mesmo tempo, permanecia encantada e levemente excitada com aquela faceta.
Voltei a observar o casal, dessa vez era quem estava expondo seus sentimentos. Pela primeira vez e ao contrário do aparente espírito livre desta, a vi submissa. Seu olhar mantinha-se baixo, quebrando apenas para fitar seu irmão e logo voltava à posição anterior. Fitei e por coincidência fazia o mesmo comigo. Fiz um meneio com a cabeça, deixei um sorriso transparecesse rapidamente e o vi descongelar por alguns segundos antes de fitar a caçula.

– Está bem, já ouvimos o bastante. – ergueu a mão interrompendo, empalideceu ainda mais – Sr. , tem alguma a dizer sobre isso?
– Para nós, está tudo esclarecido. – papai olhou para mamãe, essa apenas assentiu e lançou um olhar rápido na direção de – Somos favoráveis a esse casamento. A decisão agora depende apenas de vocês.
– Mamãe? – fitou a mais velha.
– Confio em sua decisão. – sorriu serena, num assentir de cabeça voltou a fitar demoradamente o casal.
, foi uma surpresa para eu saber que você estava vendo alguém. – a menor engoliu em seco ao fitá-lo – Outra ainda maior saber que as coisas tinham chegado a esse ponto. – observou , que não se abalou diante do olhar autoritário do primeiro e o encarou abertamente – Você está consciente que ela pode ser completamente irritante, mimada e excessivamente fastidiosa se for contrariada?
! – estava rubra, lançando um olhar envergonhado ao irmão.
– Eu estou consciente de todas as facetas que ela possa ter. – lançou um olhar divertido para e rapidamente o clima na sala pareceu mais leve – Ainda assim, estou disposto a seguir em frente.
– Se essa é a sua decisão, estou de acordo.

Levou alguns segundos para que todos compreendessem que havia finalmente dito ‘sim’ para o casal. Um riso nervoso veio de , que rapidamente olhou para , esse segurou rapidamente a sua mão, claramente contendo a muito custo o desejo de tomá-la nos braços. Mamãe e papai trocaram um longo olhar, visivelmente aliviados. JunSu suspirou ao meu lado relaxando em sua posição. Do outro lado, a mais velha mantinha o olhar sereno e o sorriso carinhoso para o casal, já o YooHwan olhava saudosamente para a caçula. Por fim, encontrei . “Acabou.”, movi os lábios e ele assentiu dando um sorriso discreto.
Um olhar de entendimento cúmplice foi trocado entre ambas as mulheres antes de encaminharem-se para seus novos filhos. Assisti com leveza a matriarca fitar e com ternura lhe tomou ambas as mãos, a mais velha tinha um jeito próprio de falar sem proferir nenhuma palavra, e estava usando daquele gesto para dizer para mais nova o quanto esta era bem-vinda ao seio da família ; com cuidado estudado, trouxe a moça para entre os braços, tal como havia feito comigo há anos. Vi o mesmo acontecer com , tomando para si o gigante, a mais velha da outra casa o envolveu entre os braços, como se este fosse apenas um bebê.
Encostei a cabeça no ombro do JunSu, olhando a cena enternecida. Não havia necessariamente perdido meu irmão, mas ganhado uma irmã e dois irmãos. Sendo um deles, muito bom de cama, por sinal. Mordi a língua para não rir da minha própria conclusão imprópria num momento como àquele, imediatamente senti o olhar sobre mim. Tratei de ignorar e nada me pareceu tão interessante quanto o arabesco do encosto do sofá. A tentativa não teve tanto êxito quanto gostaria, pois, minhas bochechas denunciavam o fato de estar plenamente consciente de que estava sendo observada enquanto tinha pensamentos libidinosos.
Diante do tapinha em minha coxa, ergui a cabeça do ombro e o fitei, JunSu apontou para os noivos, sinalando que era nossa vez de os cumprimentar. Ele foi o primeiro, e sem jeito, deu um abraço desengonçado em nossa cunhada; rindo baixinho com o mau jeito do rapaz, o empurrei sutilmente para o lado quando este não sabia mais o que fazer.

– Irmã, bem vinda! – dei um abraço de urso no corpo esguio.
– Obrigada. – agradeceu num tom de voz quase inaudível e repetiu meu gesto, tão apertado quanto o meu.
– Vamos passar para a outra sala? – mamãe disse assim que soltamos do abraço, pelo jeito só faltávamos nós para dar encerramento ao momento do noivado.

Ao notar a precipitação do meu pai em direção à , dirigiu-se a mais velha dos .

– Posso ter a honra de acompanhá-la? – lhe sorriu estendendo o braço.
– Será o meu prazer. – reprimi um sorriso ao vê-la derretida com o charme do .
– Posso acompanhar essa bela jovem? – estendendo a mão para , que imediatamente a aceitou, o velho não perdia seu charme.
– Sogra, posso acompanhá-la? – pude ver a coloração rosa expandir sobre o rosto de traços harmoniosos, não sabia se era pelo charme do mais velho dos gêmeos, pelo termo ou por ambos.
– Claro. – o sorriso delicadamente tímido cruzou a face da mais velha.
– Posso te acompanhar? – YooHwan pergunta num tom delicado, me segurei para não pular no rapaz e dar um abraço apertado, ele me despertava um sentimento materno.
– Claro, e você também, JunSu. No fim das contas, sou sortuda. – dei os braços aos dois e os fitei – Fiquei com a melhor parte, mas devo dizer, sou a favor de chinelos com salto, pois eu estou praticamente um cisco ao lado de vocês.
– Eu sempre disse que você era uma tampinha. – JunSu brincou, dando um olhar de esguelha, e eu mostrei a língua.
– Eu o elogio e é isso que eu ganho como resposta. – fitei YooHwan – Não o leve em conta, ele não sabe o que diz. – o caçula dos apenas sorriu e assentiu.

Como o esperado, a sala de jantar estava tão bela quanto o resto da casa. A mesa estava disposta com as mais belas variedades de artefatos, indo do jeotgarak – encomendados especialmente para o jantar de noivado e composto por um entalhe em prata – até as cerâmicas Hoechung Sanggam. tomou assento ao lado direito da mesa, de frente para o mais velho da minha família; ao lado esquerdo do primeiro, estava a mãe dos , , e a matriarca da nossa família, encontrando papai na outra ponta da mesa. No lado esquerdo deste vinha JunSu, YooHwan e eu entre eles. De maneira harmonizada, os pratos foram servidos em sequência, da mesma maneira que uma conversa singela começava a instalar-se ao redor da mesa.
Já havíamos passado pelo jantar tradicional e agora estamos envoltos com a sobremesa, sorvete de ginseng com frutas e tók. Eu me peguei rindo de algo que o YooHwan dizia. Os tinham algo de único que os faziam ser extremamente interessantes e eu estava encantada com o rapaz. Da mesma forma que estava com o outro na cabeceira da mesa.

– Tem uma mancha interessante que está ficando arroxeada na base do seu pescoço, deveria perguntar como isso foi feito? – assim que YooHwan voltou-se para o seu irmão, ouvi a voz baixa e cheia de troça do JunSu próximo a minha orelha, imediatamente descansei o cotovelo em suas costelas, o fazendo arfar.
e JunSu. – senti o rosto esquentar ao ver o olhar avaliador da nossa mãe do outro lado da mesa e, com o canto dos olhos, vi o JunSu fazer um bico e alisar a costela. – Tudo bem?
– Claro. – lhe dei um sorriso cheio de dentes e deitei a cabeça no ombro de JunSu, lançando um olhar inocente a mais velha, estreitando os olhos ela voltou a atenção para e o marido.
– Doeu! – ralhou em tom manhoso.
– Bem feito. – empurrei um bico e olhei de soslaio.
– Eu não tenho culpa se o garanhão está mais parecendo vampiro do que doador de sêmen. – fiz uma careta e ele continuou – É sério, você tem uma marca gigante no pescoço que...
– Cala a boca, JunSu! – ralhei afundando ao seu lado e fazendo o possível para não tampar a marca com a mão – Não te perguntei nada.
– Nem precisava, metade da sala já notou. – lancei um olhar de advertência em sua direção e ele apenas deu de ombros – Só se for um cego para não ver.

Revirei os olhos mentalmente e peguei o olhar astuto de , fitando justamente naquele ponto em mim, automaticamente levei a mão até o pescoço. Um brilho de diversão e orgulho passou diante dos olhos castanhos antes de voltar à atenção para sua mãe. Por fim, foi servido Hwayo nas tacinhas com chocalho na base – o barulho que lembrava o tintilar das taças de cristal em um brinde – agradecia sonoramente aos anfitriões pela hospitalidade.

– Vamos para a outra sala? – mamãe levantou-se de seu lugar e todos fizemos o mesmo, dando o braço à , sorriu – Enquanto tomamos um chá, adoraria ouvir uma música, qual o instrumento tradicional você toca?
– Nenhum, mas se alguém puder me acompanhar, posso cantar. – a mais nova respondeu com um leve rubor.
– Eu adoraria! JunSu, pegue o janggu, nós podemos te acompanhar.

Escolhi o momento para sair de cena e ir para as escadas, para o meu antigo quarto. Diante do espelho, eu pude ver exatamente o que JunSu queria dizer, ele não havia exagerado. Enruguei o nariz com irritação. Abri a gaveta da bancada e rezei para que algum tipo de maquiagem ainda pudesse estar perdido por ali, por sorte, havia. Não que naquelas alturas fosse adiantar, parecia terem notado, mas eu poderia pelo menos diminuir e quem sabe, dar uma ilusão de ótica para quem já havia percebido.
Um minuto depois apenas um leve arroxeado podia ser visto e, novamente, descia as escadas. Passei pela sala onde estávamos no primeiro instante e saquei o celular na bolsa, segui em direção à sala de estar. Entrei pela discreta porta lateral e me encaminhei em direção à mesa disposta dos mais variados chás. Servida de um chá de maçã e canela, tomei o assento um pouco mais afastado e fiquei por ali embalada pelo som gracioso da voz da minha cunhada, entre olhadelas no celular e as famílias conversando entretidas entre si.

– Ouvi muito falar de você e sua família. – escondi o sobressalto e desviei a atenção do celular para a Sra. que mantinha um sorriso em seus lábios ao sentar-se ao meu lado.
– Por mais positiva que alguém pode ser, tenho certeza que não foram as coisas mais lisonjeiras. – respondi e a vi sorrir discretamente concordando.
– Não é nada que pode ser reproduzido em voz alta, mas devo admitir que May... – fez uma pausa e eu uma careta ao ouvir o nome da minha sogra – Mais do que nunca pode estar longe de seu juízo perfeito. – não contive uma gargalhada diante das sábias palavras.
– Vou parecer mesquinha se concordar? – negou ao bebericar seu chá que reconheci ser de hibisco pelo cheiro, sorri – Certo. – provei da minha bebida enquanto a vi me analisar de modo franco; ao contrário do habitual, não me senti incomodada, eu me sentia à vontade diante de seu olhar curioso e esperei o que viria a seguir.

– Por outro lado, tudo o que havia me falado sobre você é verdade, gostei da sua pessoa. – empurrei meu próprio chá garganta abaixo, evitando deixar transparecer a minha surpresa por ser citada previamente, fiz um meneio de cabeça e dei um sorriso gentil; segurando minhas mãos entre as dela, disse – Apareça em minha casa, adoraria passar algum tempo com você.

Devo ter parecido surpresa porque ela sorriu gentil ao debruçar sobre meu rosto e deixar um beijo em minha testa. Os coreanos, de modo geral, eram conhecidos por manterem-se reservados quando se tratava de emoções e demonstração de afeto, mas aquela senhora não tinha vergonha em expressar o que lhe ia na alma. Tocada por seu gesto, não soube o que responder e a vi se afastar e tomar assento próximo da minha mãe.
Perto da meia-noite, os deram sinais que iam embora, os acompanhamos para a última despedida. Ignorei o celular vibrando em minha mão pela quinta vez, no curto espaço até a porta. Dei um sorriso carinhoso ao ver deixar um selar na testa de ; JunSu, YooHwan e papai se despediram como se fossem amigos há anos, por outro lado as senhoras estavam marcando o próximo dia que se encontrariam para os preparativos do casamento. Olhei em volta procurando pelo elemento que estava faltando e só então me dei conta que ele estava ao meu lado.

– Não se esqueça do que te disse, te espero em casa. – envolta pelo suave perfume floral, minha paixonite me deu um abraço caloroso – Te vejo em breve. – abraçou o filho antes de entrar no carro acenando em nossa direção.
– Acho que é a nossa vez. – suspirei ao ver o Benz sumir pelo portão.
– Mas já? – havia uma expressão tristonha ao nos fitar – Por que vocês não ficam por aqui esta noite?
– Em cima da hora? Nem trouxemos roupa ou coisa do tipo, eu tenho um convidado, mãe. – olhei para ela sentindo um aperto no peito, nos últimos dias, quando não estava escrevendo, estava com o , não havia tido tempo para estar em casa com ela.
– Não seja por isso, os meninos podem emprestar uma roupa para e você tem uma coisa ou duas em seu quarto. Se vocês quiserem ficar... – suspirou em um encolher de ombros, quase como uma criança a vi piscar os olhos – O que me dizem?

Troquei um olhar com e dei de ombros, trincando os dentes ao sentir o celular vibrar.

– Você decide, com licença.

Estava jogando a decisão para ele, mas outra vez que eu sentisse aquela porcaria vibrar eu jogaria no chão e pisaria em cima. Entrei pela porta sob a escada e cheguei ao deck, que circundava toda a casa e me dava à visão do jardim bem cuidado, que, naquele instante, era iluminado por discretas luzes.

– O que você quer, Jung?
– Oi, só liguei para dizer que cheguei em casa. – sua voz soou hesitante.
– Sim, mais alguma coisa? – devolvi ríspida.
– Você está bem? Aconteceu alguma coisa?
– Está louca?! Em nome de Deus, o que você tem na cabeça para sair por aí dizendo com quem eu transo? O que diabos deu em você, YunHee?
, me deixa explicar...
– Às vezes eu acho que você não me conhece. Quando eu chegar em casa, nós conversamos. – desliguei e respirei fundo.

Testei um sorriso e alisei a roupa, ninguém precisava saber o quanto eu estava irritada. Voltei pelo caminho que vim e foi com grande surpresa que encontrei metade das luzes apagadas, a casa silenciosa. Espiei a sala e estava vazia, apenas com a luz do abajur, o hall da mesma forma. Será que ele havia ido sem nem ao menos me esperar? Resmunguei girando sobre os calcanhares em rumo à sala, procurando os contatos na agenda do smartphone.

– Todos já subiram. – parei de forma abrupta ao ouvir a voz baixa em algum ponto atrás de mim.
– Vamos embora? – abaixei o celular, voltando em sua direção, dei um passo atrás, para poder fitá-lo melhor. Claro, isso não tinha nada a ver com o fato de ele estar extremamente sexy à meia luz.
– Não. – ele sorriu languido. – Vamos ficar, YoungMi disse para esperá-la, você saberia exatamente para onde me levar. – lá estava o sorriso novamente brincando nos lábios carnudos, evitei estremecer diante do tom.
– Certo. – balancei a cabeça devagar e indiquei as escadas. Estou fora do meu juízo!

Em poucos segundos tudo havia mudado de figura. Eu quase podia tocar naquela tensão a minha volta. A cada degrau que me levava ao andar de cima, sentia a eletricidade tomando conta, como se o fim da espera estivesse próximo, à minha espera ao findar do corredor, os cabelos arrepiados da minha nuca eram prova disso. Ainda assim eu seguia em frente sem vacilar, vista de longe, pois dentro eu era um poço sem fundo de emoções conflitantes. Passei por algumas portas, em seguida pela porta do quarto do , JunSu, dos meus pais e parei. Vacilei por um instante e ouvi os passos atrás de mim fazer o mesmo.

– Aqui está o seu quarto. – apontei para o lado esquerdo e girei para fitá-lo, estávamos próximos, mas não o bastante para que pudesse invadir o meu espaço, mas o suficiente para que me tomasse o ar – Creio que um dos meninos lhe deixou uma peça para passar a noite.
– Sim. – disse num tom baixo fitando-me atentamente.
– Estarei exatamente na porta da frente. – fiz um gesto com a cabeça apenas para confirmar o fato, ele assentiu.

O nó instalou-se em minha garganta, o ar em minha volta extinguiu rapidamente e eu não sabia exatamente como proceder. Deveria dar boa noite e entrar no meu quarto, mas eu não queria, ao mesmo tempo, era justamente aquilo que queria. E eu, sempre controladora, estava odiando aquele tipo de sentimento descabido.

– Boa noite, , qualquer coisa é só… – debruçando sobre meu rosto, depositou um beijo demorado em minha bochecha, fechei os olhos sentindo derreter cada canto do meu ser.
– Boa noite, . – tornei a abrir os olhos e encarei os olhos que me faziam lembrar chocolate derretido e tão tentadores quanto.

Dei um passo em frente. Meu corpo moveu-se por vontade própria e sentia a minha sanidade em algum ponto distante, onde eu sequer podia alcançá-la. Nem mesmo fazia questão de usá-la neste momento. O nariz tocou o meu, em seguida foi a vez dos lábios num toque breve, mas o suficiente para estremecer meu corpo.

– Eu nunca… – pisquei atrapalhada lançando olhares, dos olhos aos lábios carnudos, eu sentia a necessidade de explicar ou contar, seja lá o que for, de deixar aquilo bem claro – Fiquei com ninguém na casa dos meus pais, nem mesmo YunHee.
– Eu sei, logo você perceberá que eu não sou, nem de longe, parecido com alguém que você já conheceu.

Não tive muito tempo de ponderar e aprofundar no que exatamente as palavras queriam dizer, mas elas tomaram forma e instalaram-se em um lugar que eu não pude localizar. Não naquele minuto, pois os lábios de forma astuta e completamente delicada tomaram posse dos meus.
Mergulhada na intensidade suprema da maestria daqueles lábios, me vi pressionada à parede do corredor sem a menor vontade de me afastar daquele rapaz ou da forma deliciosa que meu corpo reagia a ele. Me afastei o suficiente das mãos hábeis para entrar em meu quarto. Ali mesmo, pressionada a porta, voltei a me perder em seus encantos.
Eu estava em desvantagem, sem saltos, queria poder estar cara a cara, mas aquele detalhe foi rapidamente esquecido. A seda do vestido foi posta para cima e a palma deslizou por minha pele numa carícia firme indo parar perigosamente em minhas coxas. Arfei e não fui a única. Desci as unhas por cima da camisa até o cós da calça, puxei a camisa para fora. Os lábios agora concentrados em meu pescoço fazia minha tarefa ficar difícil, além de não poder ir pelo caminho mais fácil e simplesmente rasgar aquele pedaço de tecido, já que estávamos longe de casa. Cheguei ao último botão ao mesmo tempo em que os lábios acharam caminho sobre meu colo. Afastei a camisa pelo ombro e logo o meu vestido expôs a renda da lingerie.
A urgência de estar próximo e naquele instante, de ser íntimo, era tão grande que qualquer delicadeza parecia ter sumido diante dos meus olhos. Eu só precisava dele. O mais rápido possível. Espalmei o peitoral e corri a palma até alcançar o cinto, o olhar apurado encontrou o meu e eu não precisei dizer nada. Desafivelar e abrir a calça era quase impossível, parecia a própria deusa Kali encarnada, tendo várias mãos e alcançando todos os lugares, quase me fazendo perder o foco. Entretanto, não pude deixar de apreciar a rigidez que esperava por mim e afastei a peça de algodão para abaixo junto com a calça.
Ouvi um ruído de algo rasgar, em um relance vi um amontoado de renda descansar em ponto qualquer a alguns metros de mim. Não podia reclamar, já que os lábios tornaram a fazer seu trabalho sobre os meus e outros eram invadidos por dedos ágeis. Reclamei com o cérebro embotado, passando a segurar em seus ombros quando não dei conta de apenas existir em cima das minhas próprias pernas. Seus dedos investiam rápidos e me sentia fraca quando tombei a cabeça em seu ombro, mordendo o mesmo, abafando qualquer ruído quando cheguei ao orgasmo. O empurrei levemente, dando um passo em direção à cama, mas fui impedida. Ergui a cabeça, o fitei. O olhar escuro caiu sobre o meu e automaticamente fiquei estática.
Segurando meu rosto, debruçou sobre mim, sentia sua fome alcançar a minha apenas pelo roçar dos lábios, mas em vez de me tomar, suas mãos deslizaram por meus ombros. Seguiram por meus seios, arqueei de forma automática contra as palmas, recebi uma leve carícia. Sem demora as mãos seguiram pela lateral farta do meu corpo até chegar ao meu traseiro e ali parou, espalmou e apertou enchendo a mão e eu permaneci estática prendendo a respiração. Mas ele não parou ali. Desceram pelas minhas coxas de forma lenta, permeando toda extensão até que, por fim, parou. Seu olhar estava firme sobre o meu, a respiração batia em meu rosto e seus lábios tão próximos dos meus…

! – não tive tempo de nada, nem mesmo de piscar. Sem aviso prévio eu estava presa em seu colo e encostada na parede – Você está louco?! , me solta! Você vai se machucar! Me solte, agora! – reclamei em tom baixo, estática, segurando em seus ombros de forma automática, com medo que a qualquer instante ele fosse quebrar e que nós caíssemos ali mesmo.
– Cala a boca, ! Você fala demais. – arregalei os olhos, o sorriso sacana curvou os lábios um momento antes de capturar os meus.

Eu nunca tinha feito algo como aquilo. Pior, o medo e a excitação davam as mãos e caminhavam lado a lado. Eu não tinha opção e sentia os resquícios do medo dar espaço à luxúria desenfreada, logo estava relaxando a ponto de procurar uma melhor posição. Gemi contra os lábios ao sentir a mão entre os corpos guiando o membro até mim. Escondi o rosto em seu pescoço, o corpo retesou. Pude ouvir o gemido másculo e o toque tão firme quanto o som. Mordi os lábios e, evitando qualquer outro som mais agudo a cada estocada, eu me desfazia em seus braços. Enterrava minhas unhas sobre a pele e choramingava baixinho em seu ouvido. Enterrava meus dedos em seus cabelos e devorava seu pescoço, sem pensar que poderia deixar marcas enquanto ele me tomava, descia as unhas por suas costas e me perdia em ondas de puro prazer que me consumiam, até que não pude mais lutar.
Voltei a fitá-lo, eu estava firme em seu colo e me sentia segura. Nossos corpos moviam-se como um só, em sintonia e me via à beira de um precipício. Algo capturou a minha atenção, em meio a tudo, observei o movimento sutil da mão subir por meu corpo, acompanhando cada desnível, deslizando pelo suor do nosso corpo até que chegou a minha nuca. Ergui o olhar para ele e o vi se aproximar, os lábios tocaram os meus.
O turbilhão de emoções cruzou meu corpo e eu me vi em meio a uma tempestade que eu nem ao menos sabia para onde correr, e essa tempestade permanecia, me envolvia e levava para dentro dos olhos castanhos. Podia sentir, contra meu peito, os gemidos dele e os meus abafados, mas permanecíamos em silêncio apenas nos encarando com a respiração entrecortada após alcançar o ápice.



A timidez brigava por espaço enquanto ela recuperava o fôlego, com delicadeza a coloquei ao lugar de origem. Imediatamente os braços cruzaram sobre o peito, cobrindo de forma precária os voluptuosos seios. O vestido ia sendo abaixado de qualquer forma e de maneira rápida, como se estar despida a minha frente fosse alguma espécie de crime. A mulher vibrante de alguns segundos antes havia se escondido tão rapidamente que, se não fosse por minhas costas ardendo, eu duvidaria que ela houvesse existido.
Entretanto, eu não estava pronto para deixá-la ir.
Eu não queria ir.
Cada vez mais eu me via à beira da loucura e ansioso para trazer aquela mulher à vida. Eu estava ávido para que ela pudesse enxergar como eu a via.
Segurei o queixo e o ergui, a fitei apoiando o braço próximo a sua cabeça. Deslizei suavemente os dedos pelo seu maxilar até a sua nuca, um leve tracejar de dedos e o arfar veio como resposta. Assisti com prazer a pele arrepiar-se em resposta de um simples gesto. Não sabia até onde poderia pressionar, onde poderia ir, mas eu tentaria o máximo que eu pudesse. O lampejo de ferocidade nos olhos castanhos era tudo o que eu precisava para novamente procurar pelos inchados lábios. Gemi contra eles, extasiado e excitado, esquecendo por um momento de onde estávamos e, ao mesmo tempo, acrescentando aquele toque gostoso de proibido, a trouxe para perto de mim e longe da porta.
Se antes pela urgência, havia sido mais fácil subir o vestido, descer a calça e afastar a camisa, agora precisávamos um pouco mais tempo; pelo menos eu precisava, e usaria em nosso favor. Dedilhei pela seda e descobri o zíper escondido na lateral do vestido, este teve seu fim ao chão. Em seguida foi a vez do sutiã encontrar lugar junto a ele. Ela estava nua e toda para mim. Me livrei das minhas próprias roupas, as deixando de qualquer jeito pelo caminho, a parada brusca veio assim que senti a cama bater na parte de atrás dos joelhos. Afastei o suficiente para colocá-la na cama, podia divisar os olhos castanhos titubeantes e tímidos fixos em mim, o anseio estava mascarado em medo naquele instante, apenas esperando. Aproveitei para me demorar apreciando a beleza do corpo feminino e suas curvas, linda ao natural. Linda. A pele morena aos poucos adquiria um tom rosado e a vi lentamente encolher-se, trazendo as pernas para perto do corpo. Era tudo o que eu precisava.
Suavemente deslizei as digitais sobre a coxa feminina, seus olhos curiosos estavam presos aos meus gestos. Repeti o mesmo toque em sua coxa esquerda, agora alguns centímetros para a parte interna das coxas, parando a pouco da sua intimidade. O arfar veio acompanhado do tremular de antecipação do corpo teso sobre a minha palma. Acariciei tênues milímetros mais abaixo, abrindo espaço, separando as coxas, tomei lugar ajoelhado entre elas. Eu precisei me segurar e seguir em frente com o que eu queria, pois estava faminto, queria me deleitar em seu sexo úmido, tão convidativo. Eu sentia seu cheiro singular, eu já conhecia seu gosto e eu o queria novamente, queria cada vez mais. Mas ela era pura e tão sensível ao toque, como um instrumento musical, respondia e entregava-se de forma única e eu queria continuar tocando.
No entanto, não pude me conter, recolhi a umidade escorregadia com o polegar e o trouxe aos lábios, ignorando o salto do quadril e o gemido desesperado. Os joelhos apertaram as minhas coxas pedindo por uma resposta imediata, que por enquanto, eu não poderia dar.
Ouvi o sussurrar entrecortado de lamentação pelo abandono ao subir lentamente as mãos por sua virilha, contraiu-se, mordendo os lábios, voltei em meu caminho dedilhando, brincando perigosamente próximo aos lábios úmidos.
Meu corpo reagia de maneira rápida ao dela, caminhando perigosamente para a rigidez, a cada sussurrar entrecortado. A ponto de perder o controle e me enterrar fundo em seu sexo, quase esquecia o porquê de estar indo de forma tão lenta. Quase. Debrucei pelo abdômen moreno, distribuindo toques passageiros, o vendo contrair ora pelos arrepios, ora pelo mordiscar que deixei pelo caminho até alcançar o vale entre seus seios. Os graciosos mamilos permaneciam arrepiados, intumescidos e esperavam por um afago, prontos para mim, e não pude esperar um minuto a mais para tê-los. Tomando cada seio em uma mão, os trouxe para perto, estalando a língua sobre eles, sugando ávido e friccionando com o polegar e o indicador sobre o montículo. A tensão do corpo sob o meu veio acompanhado do arquear fugidio de êxtase, espremido entre os lábios que a custo ela mantinha-se fazendo o mínimo de ruído possível.
Apoiei um braço próximo a sua cabeça, mudando de posição, deixando apenas uma perna entre as suas e a outra ao lado do seu corpo. Com a primeira, apoiei sua perna direita, fazendo com que abrisse e elevasse o quadril de forma sutil. Observando-me com os lábios entre os dentes de forma curiosa e visivelmente excitada e, ao mesmo tempo, sem saber o que viria a seguir.
Estava ficando cada vez mais difícil me segurar.
Inclinei sobre seu rosto, mordiscando seus lábios ao passo que deslizei a mão sobre seu corpo de forma lenta, fitando o rosto curvar em prazer quando, por fim, pude penetrar ao centro da sua carne úmida. O gemido veio arrastado e pressionado contra meus lábios, a cada rodopiar sobre o feixe de nervos e o estocar dos dedos. Não demorou pra que o corpo agitasse a minha volta entregue ao prazer. Tornei a levar os dedos melados aos lábios, saboreando aquele gosto único. Apalpei a mão pela coxa direita e a trouxe para perto.
Entendendo onde eu queria chegar, deitou-se de lado ficando de frente para mim, com a coxa direita sobre meu quadril, passei uma perna entre as suas. Sem mais impedimentos eu a penetrei profundamente podendo ver de perto a feição turva de prazer. As unhas deslizaram por minhas costas enquanto a coxa apertava e incitava os movimentos. Seus olhos presos aos meus, assim como nossos lábios unidos, para que não houvesse testemunhas do que estava nos acontecendo. desfalecia envolta em uma nuvem de prazer e eu não estava tão distante. Levei a mão à junção dos nossos corpos e percutindo o clitóris enquanto eu estocava arduamente. O doce lamento aumentou contra meus lábios enquanto eu sentia o ápice brincando com os meus sentidos.
A respiração ainda estava vacilante, as bochechas rosadas e a expressão de puro prazer. Era definitivamente o momento mais lindo. Subi a mão pela sua coxa, deslizando pela lateral do corpo até chegar a sua nuca, procurei por seus lábios. Um sorriso acanhado surgiu antes de encontrar o meu, calmo e cálido, explorei a maciez carnuda. Seu corpo movia suave, desvencilhado do meu, mas mantendo-se perto. Mordisquei o lábio inferior antes de me afastar e, aproveitando da proximidade, a abracei mantendo contra o peito.

– Eu deveria ir para o meu quarto. – comentei em meio ao silêncio confortável e em resposta, ouvi o riso abafado.
– Eu não deveria fazer sexo aqui, e olha só. – comentou, aconchegando contra meu peito, riu baixo.
– Acho que algumas regras foram quebradas. – assentiu e beijei o topo da sua cabeça – , vamos viajar?
– Viajar? – afastou-se para me olhar.
– Sim. – retirei as mechas rebeldes do seu rosto – Algumas semanas, apenas para relaxar e sair de cena por um tempo.
– Sério? – assenti e ela franziu as sobrancelhas – Por quê?
– Porque eu quero passar um tempo com você. Longe desse estresse, de toda conversa e onde você possa descansar, sem pressão. – balançou a cabeça – O que me diz?

– É uma proposta tentadora, muito. Vou pensar sobre isso, de qualquer forma, o plano só poderá ser executado depois de segunda-feira. – assenti, e ela sorriu e logo ficou séria – Brincadeiras à parte, você quer ir para o seu quarto, pode ficar à vontade.
– Não, quero ficar bem aqui. – interrompi, trazendo-a para perto e pregando um beijo casto sobre os lábios – Aqui está bem melhor.
– Certo. – mordendo os lábios, envergonhada, fitou-me por um instante antes de afastar-se, levantando da cama, e fez o gesto para que fizesse o mesmo, deslizou por baixo do fino edredom, cobrindo-se até o queixo – Agora sim.
– Não. – entrei embaixo do edredom e a trouxe para perto, como estávamos antes – Melhor assim.
, você é engraçado. – bocejou o comentário, escondendo o rosto contra o meu peito.
– Isso é bom ou ruim? – acariciei os cabelos, esperando resposta que tardou a vir.
– Ainda não decidi. – respondeu sonolenta – Quando souber, te digo. – sorri satisfeito, aconchegando-a ainda mais em meu peito.

Esperei que ela caísse em sono profundo para me afastar e fitá-la, tínhamos tão pouco tempo juntos. poderia engravidar já nas primeiras tentativas e eu não teria outras oportunidades de estar junto a ela dessa forma. Acariciei as bochechas, deixando um beijo casto em seus lábios.
Que Deus pudesse me perdoar, mas eu a queria.
Não por um instante. Não para uma transa. Eu queria que aquela mulher fosse minha.
Minha para sempre. Apertei o abraço e continuei dessa forma enquanto consegui permanecer acordado.



Capítulo 05

Abri os olhos encarando a parede no claríssimo tom de lilás. Pisquei lentamente para afastar o sono e eu estava dormindo de conchinha. Como diabos eu havia me enroscado a ponto de terminar daquela forma?! Pior, nem se eu quisesse fazer algum movimento, eu poderia, pois estava literalmente presa pelo braço em minha cintura. E pelo jeito, era a única que precisava acordar. Pela forma cadenciada da respiração em minha nuca, já estava acordado, e não só ele.
A ereção estava me dando um ‘bom dia’ alegre ao pressionar meu traseiro. Aquilo era bom. Não, aquilo era sensacional! Qualquer resquício de sono havia sido varrido do meu corpo e já sentia a excitação tomando conta de cada pedaço de mim. Fingi acordar naquele instante e espreguicei, fazendo questão de pressionar o quadril contra o membro. O gemido rouco veio tão rápido, quanto os lábios colados em minha nuca.

. – algo naquele tom sussurrado me disse que eu não deveria ter começado aquela brincadeira, mas já era tarde demais.

A mão outrora na cintura, encontrava-se confortavelmente entre as minhas pernas, explorando de forma faminta enquanto os lábios em minha nuca faziam o mesmo. Gemi seu nome descaradamente movendo o quadril contra a sua mão, ele era bom naquilo, muito bom.
Sentia meu corpo queimar e verter sob seus toques. Levei a mão aos seus cabelos, puxando enquanto mordia os lábios para evitar ruídos àquela hora da manhã. Sua mão livre esfregava meus mamilos intumescidos e já doloridos, soltei dos cabelos e agarrei o lençol. Os dedos deslizarem para dentro de mim e foi demais, deixei escapar um gemido mais alto. O riso sacana em meu ouvido foi a prova que eu estava pagando pelo que havia feito, mas não acabou ali.
Trabalhava de forma rápida e precisa, explorando e massageando dentro e fora de mim. O efeito circulava por meu corpo e a custo mantinha vontade de gritar a cada estocada dos seus dedos. Quase como se tivesse lido meus pensamentos, sua mão tampou minha boca, arregalei os olhos e o fitei sobre o ombro. Seu sorriso foi tão sacana que por si só teve efeito sobre mim e me senti derreter, as próximas estocadas vieram rápidas e precisas, me levando rapidamente ao orgasmo. Gemi contra a sua mão e agradeci por ela estar ali em meus lábios. A situação, o sexo e aquela mão em minha boca, me faziam ficar ainda mais excitada.
Novamente minha perna estava sobre a dele e esta entre as minhas, dedos deram lugar ao delicioso membro rígido. Empurrei meu quadril contra ele aprofundando o contato, sentindo-me completa. Deus, como era bom! Pendi a cabeça em seu ombro, aquele simples contato era simplesmente maravilhoso. Seus lábios distribuíam beijos e mordidas pelo meu pescoço e ombro. Vagarosamente, seu membro saía e entrava em mim, numa dança lenta e sensual contrastando com os dedos velozes em meu clitóris. Eu não sabia fazer outra coisa além de gemer por ele, contra sua mão e lutar com meu quadril, naquele instante ele era o mestre absoluto sobre mim, sobre a situação.
Os movimentos aumentaram e fogo líquido corria por minhas veias, transpirando por meus poros, me deixando insana. Eu sentia meu corpo curvar sob uma nova onda de prazer que eu relutava em ceder, pois eu o queria comigo, queria gozar o sentindo derramar dentro de mim enquanto estocava daquele jeito gostoso. Pendendo o seu corpo sobre o meu, seus lábios próximos ao meu ouvido, me deliciava com seus gemidos. Eu sabia que, pela rigidez do seu corpo e a firmeza da sua penetração, logo me encontraria e relaxei em seu corpo. Eu caía em um abismo de prazer, apenas guiada pelo som dos seus gemidos e o ritmo imposto sobre mim. Quando pensava em me recuperar, novamente ele me arrastava para o meio da tormenta, levando-me para junto dele, para outro orgasmo.
Os lábios pressionaram a pele da minha nuca e o mordiscar dos dentes causou um arrepio. O movimento suave dos dedos em meu braço estendeu-se até alcançar meu ombro, meu corpo agitou-se ao fugaz contato, sua respiração ainda estava tão irregular quanto a minha.

– Eu acho que agora não vai ter jeito, terei que ir. – os lábios pressionaram meu ombro, assenti com um movimento de cabeça. Diante disso, recebi um beijo em minha bochecha e logo senti a cama pender.

Era natural me sentir abandonada ao ter meu corpo frio longe do dele? Rolei na cama e me aconcheguei ao edredom, observando o corpo esguio mover-se com graça felina.

– Por um acaso você viu minha boxer? – os músculos moverem-se enquanto ele voltou-se em minha direção, neguei com cabeça.

Me peguei cobiçosa ao querer estapear seu traseiro ao vê-lo abaixar e pegar sua calça. Em seguida vestiu a camisa, fechando apenas alguns botões. Em um bocejo esticou-se, e, atenta, o vi passar os dedos pelos cabelos, colocando um pouco de ordem na bagunça. Mordi os lábios para não rir quando o vi colocar o ouvido na porta, vendo se a passagem estava livre. Olhando por sobre o ombro, piscou antes de sair.
Cobri o rosto com o edredom abafando o riso. Certo, ele me fazia rir àquela hora da manhã. Não somente havia me dando um belo ‘bom dia’, como ainda me fazia rir. Abracei o travesseiro próximo, que por sinal era o dele, e permaneci ali. Querendo ou não, acima de tudo precisava esperar alguns minutos antes de levantar.



Vesti a primeira roupa que havia no guarda roupa, abençoando o pedido anterior da Sra. de não levar todas as roupas, escolhi um jeans surrado e uma regata branca. Dei um jeito na bagunça da cama e o vestido jogado no chão; a calcinha rasgada, guardei dentro da clutch, antes que tomasse o caminho da boxer desaparecida.
Apesar de não estar nem próximo das nove da manhã, sabia que mamãe devia estar em algum lugar da casa e queria passar um tempo com ela. Ainda pensativa sobre a boxer perdida, cheguei à cozinha.

– Bom dia, vovó NamKi. – cumprimentei a velha senhora com um beijo no rosto, ela já estava com os antes mesmo de eu chegar.
– Acordou cedo, , sente-se e coma alguma coisa. – a esperta senhora já me empurrava em direção à mesa.
– Agora não, querida. Diga-me, vovó, a Sra. YoungMi está lá fora? – escapei das mãos enrugadas e, dando–lhe um beijo na bochecha diante do aceno afirmativo, escapei pela porta dos fundos.

Alguns passos por entre o bem cuidado jardim, pude avistar a bela senhora, concentrada em cuidar de um canteiro de tulipas.

– Mamãe, bom dia. – sentei ao seu lado.
– Bom dia, minha criança. – recebi um beijo na bochecha e sorri – Passei pelo teu quarto para te chamar para me ajudar com as tulipas, mas você estava um pouco... ocupada? – meu rosto estava prestes a explodir com tamanha quantidade de sangue acumulado no mesmo lugar.
– Sobre isso… – ela riu divertida do meu constrangimento, e eu só fiz olhá-la de boca aberta.
– Quem pode culpá-la? Eu também não resistiria. – eu arregalei os olhos e ri sem jeito, YoungMi riu ainda mais – Ele é um charme, .
– É sim, mãe. – dei risada, relaxando ao lado dela, nunca achei que ouviria um comentário desses vindo da minha mãe.

Ali estava uma mulher que poderia me surpreender a qualquer momento do dia, semana, mês e ano. Deixando as luvas de jardinagem de lado, assim como os utensílios, olhou-me com atenção.

– Conte-me, como tem sido para você essa experiência? – o sorriso em meu rosto foi sumindo aos poucos e logo estava séria.
– Estressante, diferente, irritante e prazerosa? – enruguei o nariz na última palavra e ela assentiu com um meio sorriso.
– YunHee comentou que vocês fariam os exames e sobre as tentativas.
– Fizemos os exames antes de ontem, estamos esperando os resultados e a senhora já sabe sobre a parte das tentativas. Aquela mulher não consegue manter a boca fechada. – comentei um tanto amarga, arrancando uma planta seca.
– E você não gosta disso – balancei a cabeça em concordância girando o caule entre os dedos. – Você nunca gostou de se expor, sempre guardou seus sentimentos longe de todos. Sempre. Mas guardei a esperança que você pudesse vir até mim e conversar. Nunca me passou despercebido os problemas que você enfrentou na sua adolescência, . – voltei-me em sua direção a tempo de ver a agonia nublar a íris castanhas – E o porquê de você repudiar tanto comentários, conversas ou qualquer falatório, seja ele de quem for. – assenti olhando para um ponto distante no jardim.
– Ele me convidou para viajar. – observei a planta em minha mão, pelo menos o que sobrou dela – Algumas semanas, dias ou algo assim. Só nós dois.
– Você quer ir? – para qualquer espectador teria passado despercebido, mas alguns anos ao lado daquela sabia mulher me fez notar o prazer escondido na simples pergunta.
– Qual é o ponto? – estreitei os olhos fitando-a, não se fez tola, muito menos se constrangeu ao ser pega no flagra.
– Ele é diferente. – perscrutou meu rosto, estreitando os olhos – Diferente de todos aqueles babacas que já foram seus namorados e que nem ao menos eram dignos de você. – concordei em silêncio – Eu respeito e sempre respeitarei seu casamento, mas gostaria que você tivesse tido a oportunidade de ter conhecido o que eu tive com o seu pai. E eu sei que ele seria o homem certo para você. – seus dedos tocaram meu rosto e sorriu gentil – O amor não é definido pelo gênero de quem o sente, ele está aberto a todos e gostaria que você pudesse saber que existem homens, e homens de verdade que honram o que levam entre as pernas, que respeitam uma mulher como ela deve ser respeitada. – vi os ombros encolherem – Queria ter tido a oportunidade de entregar a minha filha, como fizemos com a ontem.
– Mãe. – segurei as mãos e as acariciei – Ele é uma boa pessoa, quem sabe em uma outra época. Talvez, apenas não era para acontecer. – beijei ambas as mãos – De qualquer forma, se der certo, ele vai estar na família e será o pai do meu filho, se serve de consolo. – ela fez uma careta e eu ri – E quanto à cerimônia, eu não gosto dessas coisas.
– Eu sei. – escondeu uma careta de desagrado em um sorriso discreto – Quem sabe as voltas que essa vida dá, minha filha. – sorri balançando a cabeça.
– Eu sou casada. Amo a minha esposa, apesar de querer matá-la, às vezes. – fiz uma careta – Vamos entrar que toda essa conversa me deixou com fome.
– Conversa, ? – fitou-me de soslaio – Sei, essa juventude sempre mudando o nome das coisas. Eu diria que isso é exercício matinal com um certo rapaz.
– Mãe?! – estava novamente vermelha, eu olhei para a mulher de cinquenta e cinco anos, que naquele instante parecia uma menina de quinze anos, que ria e me azucrinava como se fosse minha melhor amiga, a qual eu nunca tive.

Fui surpreendida por uma leve ardência no nariz e um belo nó na garganta. Pisquei rapidamente parando bruscamente de rir. Ela esteve o tempo todo ali, não é? Como eu não havia percebido?!

, tudo bem? – olhou-me preocupada por sobre o ombro quando notou que eu não a acompanhava.
– Tudo, tudo sim, mãe – engoli o nó em minha garganta e pisquei várias vezes para afastar a ardência, alcancei-a em seus passos e deixei um beijo em sua bochecha. – Vamos.
– Bom, mas eu ainda acho que deveríamos sair nos próximos dias e ir às compras. – ergui as sobrancelhas e ela piscou esperta – Antes da sua viagem, tem uma loja nova de lingerie aqui perto.
– Eu nem mesmo disse que vou. – ergui as sobrancelhas e ela sorriu travessa, balancei a cabeça deixando escapar um suspiro resignado ao ouvi-la empolgada.

Automaticamente retardou os passos e segui seu olhar alegre a tempo de ver e o chefe da família sentando-se à mesa posta no deck, próximo à cozinha.

– Ele combina com a nossa família – ouvi o sussurrar alegre – Flower Boy, minha filha. – comentou num tom cúmplice.
– Mãe, está vendo doramas, não é? – perguntei, antevendo a resposta, e ri ao vê-la saltitar apressada em direção ao deck, e o pior, havia me deixado pra atrás! Ok, ele havia ganhado mais uma fã. Fiz uma careta e segui para o lugar onde eles estavam.

– Dormiu bem, filha? – deixei um beijo na bochecha do velho e sentei ao seu lado.
– Sim, pai. – lancei um olhar para o outro lado da mesa, foi o que bastou para sentir o calor correr em minhas bochechas, dona YoungMi não perdeu a chance.
– Filho. – arqueei as sobrancelhas em direção a ela – Dormiu bem, querido?
– Muito bem, não poderia ter dormido melhor. – fingi que não sabia de nada e me servi de chá.
– Pai, cadê os meninos? – deixei que a outra banda da mesa conversasse entre si e voltei minha atenção ao mais velho.
saiu cedo para comprar o presente da sogra, quer ele mesmo entregar em mãos. – balancei a cabeça tomando um gole do chá. – JunSu tinha treino marcado e saiu cedo, acredito que antes do almoço está de volta. – em outras palavras, seria apenas nós quatro até que o caçula chegasse – Se você não se importar, gostaria que me ajudasse com alguns arquivos, ainda não entendi esse negócio de deixar tudo na ‘nuvem’.
– Claro. – ri baixo e cheguei mais perto – Se sairmos agora, ninguém vai notar.

Apontei disfarçadamente para os companheiros de mesa, entretidos conversando. Afastei minha cadeira devagar e, pegando minha xícara, levantei na ponta dos pés, sendo seguida pelo mais velho. Sorrimos cúmplice ao passar pela porta de vidro, ele piscou maroto e fiz o mesmo.

– Sabe que sua mãe está apaixonada por esse rapaz? – comentou enquanto seguíamos em direção ao escritório.
– Sra. Young Mi me disse algo desse tipo. – sorri ao abrir a porta do escritório e entrei – Mas me diga, como posso te ajudar, Sr. ?



Após o almoço ela havia subido em companhia do irmão e eu observei pela milésima vez a porta. estava demorando ou era apenas impressão minha? Me esforcei para acompanhar a conversa, mas estava um tanto distraído para o fazer com eficiência. Pedi licença e subi as escadas de dois em dois. Eu estava me tornando um tanto paranoico, o que era extremamente ridículo. Não havia necessidade. Parei diante da porta entreaberta e pude ouvir a conversa. Isso sim é ridículo>, ralhei comigo mesmo, mas ainda assim não me distanciei.

– …tudo bem em ter uma namorada, mas trocar as belas lingeries por uma boxer não é um pouco demais? – paralisei diante da porta entreaberta, vi minha boxer ser rodada com um certo ar de troça nos olhos atentos do mais novo.
– Não, o que você tem a ver com isso? – as unhas coloridas agarraram o tecido da boxer, segundos depois a vi passar dobrando a peça. – Saiba que ela é mais confortável do que aquele pedaço de pano transparente que você ganhou. Não me esqueci desse detalhe. – ouvi um ruído contrariado vindo do rapaz e ela riu.
Touché! – erguendo as mãos, o rapaz afastou do meu campo de visão.
– Eu só não sei como você conseguiu guardar tudo isso dentro daquele pedaço de tecido, até onde sei, aquele trapo não daria conta. – encostou-se contra o móvel guardando a peça na clutch.

Tudo isso? Não daria conta? Mas que diabos estava acontecendo ali?!
Cerrei os punhos sentindo uma gama de raiva passar pelo meu corpo, provavelmente eu estava levando pelo lado errado da situação.

– Não acredito nisso! – ouvi o barulho de passos perto de onde estava e instintivamente dei um passo atrás. – Deus, não me diga que isso é o que eu acho que é.
– Droga! – o som esganado veio de , dei um passo em frente, ela estava rubra até a raiz dos cabelos, tentando retirar a clutch das mãos do rapaz.
– Se essa é sua lingerie, aquela boxer era… Argh! Que nojo, !
– Me devolva já isso!
– Não me diga que você é esse tipo de garota, .
– Cale essa boca e me devolve isso, já!
– Sabia que ela está rasgada?! Você nunca me disse que gostava de coisas mais rudes!

Definitivamente eu não tinha ideia da relação entre os dois, ou melhor, a única coisa que me passava pela cabeça naquele instante era as mãos do mais novo sobre as minhas curvas e rosto feminino turvo em meio ao prazer.
Aquilo não estava certo, eram as minhas curvas. Minhas.

– Eu gosto, ok? Agora me devolve isso. – ouvi os passos distanciarem-se de onde eu estava e o barulho da risada rouca do rapaz.

Não podia esperar um minuto a mais e escancarei a porta do quarto a tempo de ver os dois caírem na cama, numa massa de braços e pernas, a essas alturas a clutch havia se perdido pelo meio do caminho e ambos riam. Lá estava ela. Aquela dorzinha irritante no meu âmago, também conhecida como ciúme, ao ver o rapaz descansando o rosto próximo ao pescoço dela e suas ligeiras mãos traçarem caminhos enquanto ele fazia cócegas. Não estava certo. Não mesmo.

– Isso não tem graça. – a voz falhou entre o riso e, tentando afastar as mãos masculinas do seu corpo, ergueu a cabeça e me viu ali parado – !

A brincadeira terminou assim que o outro me fitou por sobre o ombro. Cerrei os punhos, caso contrário, daria um belo soco no rosto delicado do rapaz e, Deus! Eu adoraria fazer aquilo e ver o sangue jorrar. Mas o fato é que, não teria uma explicação plausível para aquele ato. Restringi meu movimento a encarar o infeliz que tinha ousadia de tocá-la de forma inapropriada. Eu podia resumir meu estado em um belo afundar de ciúme, caos e uma puta vontade de deformar a cara do outro. Eu precisava sair dali o mais rápido possível. E claro, levá-la comigo.

– Pronta? – não voltei a fitar o rapaz, pois, se o fizesse, no mínimo ele sairia dali sem um par de dentes e iria diretamente para o pronto socorro mais próximo.
Ok, onde estava a calma de sempre?

– Sim. – deu um dos seus belos sorrisos para o rapaz e levantou da cama. – Só preciso pegar minha bolsa.

Assenti e, sem olhar para trás, deixei o recinto. Desci as escadas e encontrei os anfitriões ao pé da escada, fazendo o caminho inverso.

– Foi um prazer sem tamanho tê-los conhecido. – disse de forma sincera – Tenho certeza que foi feliz em achar uma família como a de vocês.
– Gentileza de sua parte, meu rapaz. – Sr. estendeu sua mão e aceitei o cumprimento.
– Vocês já estão indo? – YoungMi deixou que leve traço de tristeza cruzasse seu rosto ao encostar o mesmo no ombro do marido.
– Sim, mas não se preocupe, logo estaremos de volta. – um ar de riso envolveu o rosto da mais velha.
– Vou esperar por vocês. – dessa vez ela não impediu que um sorriso esperto brotasse em seus lábios, lançou-me uma piscadela.

Eu estava perdendo alguma coisa?

– Estou pronta. – passou por mim indo cumprimentar os pais com um beijo em cada face, recebendo em resposta um abraço de ambos; não fiquei imune e logo estava recebendo um caloroso abraço de ambos.

– Vejo vocês em breve. – acenei para ambos ao sair pela porta da frente da casa.
– Eu não quero ir para casa. – murmurou em minha direção para que os pais não ouvissem.
– Tem algo em mente?

Abri a porta do carro para que ela entrasse, um assentir de cabeça e os olhos brilhantes eram a resposta que eu precisava para saber que ela já tinha pensando em algo. Dei a volta no carro e tomei meu lugar, ajustei o cinto e circulei a fronte da casa, para fora dos portões.

– Para onde iremos? – a fitei por um instante e voltei a prestar a atenção ao trânsito.
– Isso é segredo. – voltei a fitá-la e sorriu misteriosa – Mas precisamos passar em casa para buscar uma muda de roupa para você e pegar algumas coisas.
– Estou curioso sobre isso. – comentei e ela sorriu, desviando o olhar para janela.
– Espero que você esteja disposto para uma pequena mudança.



Já em casa, estava tão habituado com aquela residência que já me referia como sendo ‘casa’, minha casa. Peguei a mochila e joguei algumas peças dentro e desci as escadas. havia me dito para procurá-la na garagem e foi o que eu fiz. A encontrei debruçada sobre a moto vistoriando os alforjes. A roupa despojada de antes havia ganhado algumas peças adicionais, uma bota de cano alto e uma jaqueta preta de couro. Movendo-se um pouco mais a frente, e em consequência empinando mais o traseiro apertado no jeans, parei de caminhar observando a bela cena, podia tomá-la ali mesmo e o faria com imenso prazer. Rangi com o pensamento e, infelizmente, anunciando minha presença.

– Aí está você, pronto? – voltou-se em minha direção e deixei um olhar percorrer contra o decote da regata e a lingerie escura sob o tecido branco.

Minha querida, eu estou pronto a qualquer momento.” Guardei o pensamento e venci a distância entre nós.

– Sim, mas vamos onde? – olhei em volta procurando por outro carro.
– Na Candy. – sorriu largo, alisando a moto com visível carinho.
– Desculpe? – olhei dela para a moto e fiz o caminho inverso, indo do objeto para o rosto orgulhoso.
– Você tem medo de motos? – considerou a ideia por um momento, murchando ao fitar a Candy. Ao negar com um gesto de cabeça, ela sorriu – Ótimo! – passou a perna sobre a moto e a montou com precisão, em seguida retirou o suporte e fitou-me ansiosa – Suba.
– Pule para atrás. – disse e a vi escancarar a boca – O quê?
– Meu querido, você deve estar entendendo errado, eu não sou e nunca fui a old lady de ninguém. Hoje, você será meu old boy. – sorriu largo.
– Não. – neguei enquanto guardava minha mochila no alforje vazio e me endireitei a fitando.
– Você tem medo que eu conduza? – estreitou os olhos em minha direção.
– Isso nem me passou pela cabeça – foi a vez de ela cruzar os braços e me encarar.
– Qual o motivo para a sua recusa em estar em minha garupa? Vamos lá, me dê um motivo convincente. – não pude deixar de notar as coxas deslizarem sobre o banco de couro e segurar a monstruosidade como se não fosse nada, eu tive inveja da moto; os braços cruzados apenas ressaltavam os seios fartos, mantinha um olhar firme em minha direção.
– Sinceramente? – confirmou com um gesto de cabeça – Ir nessa posição não seria um incômodo apenas para mim, mas a você também. Não será fácil manter meu pênis duro longe desse seu traseiro apertado nesse jeans, provavelmente causaria algum tipo de acidente. A única coisa que me vem à mente em estar nessa posição é ter você nua e eu firme, cravando em você, vendo o balanço gostoso do seu vai e vem.

A resposta franca a chocou, arregalando os olhos e deixando o queixo cair, suas bochechas se punham tão rubras que, sem uma palavra, deslizou para a parte de trás da moto e logo metia o capacete sem argumentar.

– Você está uma coisinha gostosa em cima dessa moto. – retirando o segundo capacete do guidão, o coloquei enquanto murmurava.

Subi na moto e a liguei, deixei que o ronronar rouco da moto tomasse conta de cada parte de mim, mantinha um sorriso satisfeito ao sentir o vibrar da máquina capturar cada parte do meu corpo. Fitei sobre o ombro, não só estava olhando para o lado, como a uma distância de mim. Um sorriso sacana cruzou meus lábios, o movimento brusco a trouxe para frente, colando contra minhas costas, pude sentir cada parte do corpo feminino, suas mãos agarraram minha cintura com pressa.

– Cuide da Candy ou eu arranco as suas bolas. – sua voz soou abafada dentro do capacete – Pegue a próxima saída à esquerda.

Tenho outros planos para as minhas bolas, e cortá-las não é uma delas. Tive o cuidado de deixar aquele pensamento oculto e assenti acelerando para longe da garagem.



Paramos em frente ao prédio antigo, dei uma boa olhada no lugar,, por outro lado, já havia retirado seu capacete e desmontado da VRod, sorria olhando o edifício numa postura orgulhosa.

– Este é um terreno neutro, a batcaverna, o olho do furacão, o ponto onde tudo começa. – deixou o capacete no guidão – Bem-vindo ao centro de operações , venha por aqui, meu nobre jovem.
– E a moto? – a fitei espantado enquanto ela saía sem olhar para trás.
– Eu disse que era um centro de operações, foi por um motivo. – piscou por sobre o ombro, mal havia subido dois degraus e a porta de vidro foi aberta – SeungRi! – correu para o rapaz de braços abertos e o abraçou – Quando você chegou?
– Ontem à noite, você veio me ver, não foi? Hm? – sorriu a fitando os pés à cabeça – Sentiu minha falta, né? Fala, princesa, eu sei que sim. – ela sorriu o empurrando de leve.
– Claro, como eu ia viver minha vida sem você? – riu zombeteira depositando um beijo na bochecha do tal SeungRi.
Candy! – ele praticamente gritou pulando os dois degraus e vindo em minha direção, dei um passo para o lado erguendo as sobrancelhas – Minha linda, por onde você andou? Senti sua falta!
– Vida injusta essa, trocada por um VRod. – voltou o caminho, parando ao meu lado.
– Ah, princesa, não posso resistir a toda essa potência e você já é casada, mas essa aqui não. – terminou alisando a moto.
– Ei! Eu tenho caso de amor com ela, viu?! Nada de ficar namorando minha Candy. – deu um peteleco na mão do rapaz e este rapidamente a retirou, fazendo uma cara de desolado – Agora venha aqui. – esperou que o rapaz se aproximasse e olhou para mim. – SeungHyun, este é o , meu amigo. Este pentelho aqui é o SeungHyun, . – estendeu a mão em minha direção, aceitei o cumprimento do rapaz.
– Olá, nem precisa falar que é seu amigo, eu imaginei que fosse. – ela riu e balançou a cabeça – Ou as regras mudaram?
– Continuam as mesmas. – piscou em direção ao rapaz – Pode dar a chave a ele, . Vou passar a noite aqui, qualquer coisa grite, ok?
– Posso dar uma volta com ela? Senti tanta falta. – alisou novamente o couro.
– Pode, mas tenha cuidado, ok? – ele assentiu e ela sorriu, girando os calcanhares – Cuidado, Sra. Lee me mata se algo acontecer com você. – disse sobre os ombros.
– Pode deixar. – o garoto sorriu, montando sobre a Candy.
– Ele vai me deixar de cabelos brancos. – resmungou, abrindo a porta do prédio. – Sr. Lee, como vai? – parou um instante para cumprimentar o mais velho.
– Menina , como está? – o senhor deu a volta no balcão e veio para cumprimentá-la.
– Muito bem. – abraçou carinhosamente o mais velho.
– Vai passar a noite? – assentiu sorrindo – Os meninos não virão hoje?
– Não, JunSu ia sair com o time e está com a noiva. – diante do olhar espantado do outro, ela se apressou a explicar – Foi uma surpresa para nós também, mas o nosso menino cresceu. – sorriu orgulhosa – Ela é uma boa moça, por sinal, esse é seu irmão, .
– Por favor, cuide bem do nosso rapaz. – disse, fazendo uma leve inclinação, fiz o mesmo diante do mais velho.
– Pode deixar. – fiz um movimento afirmativo com a cabeça.
– Está tudo certo lá em cima, Sra. Lee passou por lá ontem, até parece que ela estava adivinhando que você viria.
– Não duvido dos poderes psíquicos da Sra. Lee. – sorriu acenando, indo em direção ao elevador.
– Regras? – perguntei, a seguindo para dentro do elevador.
– Como eu disse: esse é um lugar apenas para os e amigos, não são permitidas namoradinhas de fim de semana, nem namoradas, muito menos esposas e esses tipos de coisas. Nós criamos, melhor dizendo, ganhamos esse espaço dos nossos pais, apenas para nós. – sorriu largo e baixou o tom de voz – É um lugar secreto.
– Sério? – fez um movimento afirmativo.
– Não pode contar para a também, ok? – concordei e ela sorriu – Como você é meu amigo, você pode vir sempre que quiser.

Outch! Escondi o desagrado da frase e lhe sorri. Quinze andares depois, saímos no hall do apartamento.

– Já estava com saudade desse lugar. – murmurou enquanto retirava de qualquer jeito as botas e saía descalço, logo sumiu da minha vista indo corredor adentro. A segui e com surpresa me deparei com o design aberto do apartamento, cercado por vidro e cortinas. Sorri do jeito moleca de subir no sofá pelo encosto e novamente a tive fora da vista, circundei o espaço e a encontrei deslizando pelo sofá em busca do controle – Se jogue por algum lugar, fique à vontade. – girou sobre o couro negro e apontou em direção ao discreto aparelho de som localizado na parede em frente – Vamos ver se eu tenho sorte.

Um sorriso se fez presente nos lábios femininos ao soar Bon Jovi em alto volume, ajeitando a almofada mais próxima sob a cabeça, relaxou cruzando as pernas, balançando o pé no ritmo da música. A deixei em seu momento e saí olhando em volta.
Era visível que mais de uma pessoa havia decorado o ambiente, apesar de este ir do clássico ao despojado, a decoração era simplesmente marcada por traços que garantiram a diferença entre as pessoas que ali moravam, dando um toque pessoal a cada lugar. Me afastei um pouco indo observar a divisória do ambiente, a qual mantinha retratos dos irmãos, em diversas fases da vida, e como anteriormente havia dito, era um ambiente para eles, levando em conta que havia apenas uma foto de família e o resto, marcando o passar dos anos dos três.
O brilho negro chamou minha atenção, por vida própria meus pés me levaram até o objeto projetado próximo ao canto do cômodo. O velho formigar tomou conta dos meus dedos ao deslizar sobre a superfície lisa da peça. Ergui a tampa e ajeitei o banquinho em frente às teclas brancas e pretas, sentei sobre o veludo macio e alonguei os dedos. Testei acordes correndo sobre as teclas e deixei que um suspiro profundo escapasse.
Agora as notas corriam soltas e a melodia tomava forma diante de mim, o frisson tomava conta e me vi absorto, envolvido pela delicadeza e suavidade, quase se como as notas escapassem por meus dedos e viessem em meu encontro, recebendo-me com um oi saudoso. Como eu sentia falta daquilo, de tocar. De ser consumido pela beleza dos acordes, um atrás do outro formando um outro ser além de mim. Minhas composições partiam de mim até o objeto a minha frente, tornando-se apenas um.
Acompanhei os acordes em tom baixo, aquecendo a garganta, saboreando a doce melodia, aquecendo meu corpo, levando-me a outro patamar. Sentia como se os últimos anos não houvessem existido, que nunca havia me separado do piano. Voltamos naquele momento, a ser uma só alma. Aquela parte de mim que ansiava por música e pela sua libertação, gozava do mais puro e sincero regozijo naquele instante. Um momento para respirar livremente. Para ser quem eu sempre quis ser.

– Eu não sabia que você tocava e cantava. – o sussurro ecoou por sobre meu ombro e abri os olhos, dando conta que a música havia parado e, agora, apenas o silêncio reinava ali, passos abafados pararam ao meu lado.
– Algumas vezes. – respondi fechando a tampa, sua mão parou meu movimento e a fitei.
– Pode tocar mais alguma coisa? – sua voz soou incerta – Claro, apenas se você quiser. – deu um passo atrás, afastando sua mão.
– O que você gostaria? – segurei sua mão e me afastei no banco, fazendo com que ela sentasse ao meu lado.
– Algo seu. – sua voz soou quebrada, incerta – Que você se sinta à vontade para compartilhar, eu tenho certeza que vou gostar.
– Certo. – sorri, sentindo a estranheza gostosa pelo interesse em ouvir algo da minha autoria – Essa música eu escrevi quando eu avistei uma moça, diferente de todas as outras que já conheci.
– Era sua namorada? – ela abriu os olhos, visivelmente curiosa.
– Namorada sim, mas de outra pessoa. – lhe sorri, voltando a dedilhar as teclas – Eu apenas a observava de longe.
– Oh, Deus! Você é um stalker, ?! – olhou-me com falso espanto, levando a mão ao peito.
– Só com moças bonitas. – entrei na brincadeira, riu, pisquei – Walk With Her in The Spring.

Anunciei o título da canção, assentiu e ficou em silêncio, respirei fundo disfarçadamente e comecei com as notas. Alonguei e caprichei um pouco mais na introdução, apenas para me acalmar, era a primeira vez que iria tocar aquela música e justamente para quem havia provocado a minha inspiração.
Na primavera anterior, ao receber notícias da YunHee, abri o anexo e me vi diante da cena simplesmente estonteante. Alheia ao click, estava sentada embaixo de uma árvore, seu olhar estava distante, os lábios levemente curvados, entre o riso caloroso e misterioso. Provinha felicidade, em paz. Naquele dia as horas demoraram a passar, os processos pareciam ser uma coisa só e definitivamente não sabia o que continha neles. Estava preso apenas a melodia que me rondava a cada instante que recordava da bela figura. Entregue ao desejo profundo de colocar em prática o que me ia à alma, diante do olhar pasmado de todos no escritório, abandonei o lugar e fui para casa.
Cantei como se a minha vida dependesse de cada nuance da música, entreguei-me a ela quase como um último suspiro. Dando tudo de mim para que saísse perfeita, que despertasse a emoção que aquela música me trazia. Quando por fim descansei as mãos sobre o colo e a fitei, parecia estar encantada, havia um brilho sonhador em seus olhos, um suspiro tremulava em seu peito.

– É linda, .

Balançou a cabeça devagar, quando novamente me fitou, foi como se estivesse diante da imagem. Se na foto estava deslumbrante, pessoalmente eu me sentia enfeitiçado pela expressão sincera dos seus sentimentos em relação ao que havia ouvido. Superando a vontade de tê-la em meus braços e descansar os lábios sobre os dela, assenti agradecendo em silêncio.

– Você devia ou deve gostar dela?
– Gosto. – abriu a boca, olhando-me espantada.
– Gosta?! Ai, meu Deus, você tem que me contar sobre ela. – levantou do banco e fez um movimento para que eu a seguisse – Quero saber tudo sobre essa moça.
– Você quer? – ergui as sobrancelhas, acompanhando-a em direção à cozinha do apartamento; ressentido pelo fato de não se importar e ainda querer saber sobre a outra garota. Mesmo nesse caso, a garota sendo ela mesma.
– Claro! Faz tempo que tivemos uma refeição, . Enquanto eu cozinho, você vai me contar sobre essa moça. – esfregou as mãos, visivelmente ansiosa – Você ainda gosta dela?! – voltou-se em minha direção quando demorei pra responder – Não precisa ficar tímido sobre isso, rapazes geralmente não gostam de falar sobre isso com qualquer pessoa, mas tendo em vista que compartilhamos a cama, isso não é exatamente estranho, não é? Podemos falar livremente sobre o tema, o fato de que não estamos envolvidos emocionalmente deixa o assunto ainda mais fácil. – segurando pelos meus ombros, direcionou-me para a banqueta da ilha que dividia a cozinha da sala. – Tenho a sensação que estou conversando com um dos meninos. – sorriu, batendo palma animada.
– Sempre conversam sobre isso? – assentiu enquanto olhava para os itens da geladeira. Ok, além de me ver como um amigo, ainda me via como seu irmão?! Eu não estava acreditando, tentei ir por outro caminho – Você tem uma relação bem próxima dos seus irmãos.
– À medida que fui crescendo, fomos nos tornando muito próximos, eles são os únicos amigos que eu tenho. – sorriu colocando alguns legumes e vegetais no balcão – Falamos sobre tudo, sem exceção e sem vergonha. Acho que é isso que irmãos fazem, né?
– Na maioria dos casos, sim. – a vi debruçar sobre o balcão e apoiar o queixo nas mãos – Você está esperando eu responder. – sorriu e eu suspirei. – Você não vai deixar o assunto ir? – negou novamente com um sorriso largo, bufei resignado – Sim.
– Isso é demais! Mas você disse que ela namorava outra pessoa, é seu amigo próximo?
– Sim, de novo. – me ajeitei no lugar e a fitei.
– Por causa disso você se mantém afastado, para não atrapalhar o relacionamento de ambos. – concordei e ela suspirou endireitando-se – Você realmente deve gostar dessa moça. , você é uma boa pessoa – fiz um meneio com a cabeça – Como ela é? Digo, quanto pessoa.
– Linda. – ela me olhou curiosa, começando a mover-se pela cozinha, voltando à geladeira e em seguida ao micro-ondas para descongelar a carne – Interessante, uma mulher que eu gostaria de passar o resto da minha vida. Acredito que, com ela ao meu lado, minha vida não seria tranquila.
, isso é um elogio?! – riu, abrindo uma gaveta à esquerda do balcão, retirando de lá uma garrafa de vinho tinto e o saca rolhas.
– Vinho? – franzi as sobrancelhas e ela deu de ombro.
– Um cálice não fará mal, esse assunto está pedindo um bom vinho. – deslizou ambos em minha direção, em seguida alcançou duas taças – Sim, ele está gelado. – notando meu olhar curioso, continuou – Cada um tem a mania de guardar o saca rolhas em um lugar diferente, é uma luta para achar, decidimos por bem deixar junto ao vinho na gaveta climatizada.
– É uma boa ideia. – abri a garrafa e despejei o conteúdo nas taças – Sim, , era um elogio à moça, nunca cairíamos na rotina.
– Vendo por esse lado, um brinde a nunca cair na rotina. – assentiu batendo as taças.
– Você teve outros namorados antes da YunHee. – ela fez uma careta – Como era a relação deles com seus irmãos?
– Não era. – deu de ombros.
– Eles não aprovavam? – a observei lavar os alimentos um tanto pensativa.
– Também, mas eu não era boa escolhendo rapazes. YunHee é o mais próximo do acerto que eu pude ter, e olha que ela ainda me deixa louca. – revirou os olhos – Meus irmãos deixavam claro que não aprovavam, mas também não eram do tipo que interfeririam de forma direta. Sempre fui livre para fazer minhas escolhas, claro que isso não impediu que ambos quisessem matar um ou outro, por causa do meu erro.
– Você discutia seus namoros com eles? – agora ela mantinha-se picando de maneira precisa os legumes.
– Sim, temos um relacionamento aberto, como disse. – sorriu esperta – Se essas paredes pudesse falar, , elas contariam casos de nós três.
– Mais cedo ouvi uma parcela da sua conversa com seu irmão. – disse de maneira despreocupada – Vocês também discutem sobre sexo livremente?
– Isso nunca foi um problema entre nós, temos esse tipo de conversa quase sempre. – respondeu com simplicidade – é um pouco mais reservado, mas sempre deixa escapar alguma coisa, quanto ao JunSu, falamos livremente.
– Você e JunSu, relacionam de uma maneira mais próxima... – me estiquei na cadeira, fitando-a detidamente, fazendo questão de deixar a frase no ar e pender para uma insinuação perigosa.
– Ei! Não tenha ideias erradas sobre isso. – seu rosto estava tingido de vermelho ao me olhar – Não vou negar que tanto , quanto JunSu são homens quentes, mas não temos esse tipo de vínculo. Argh! – fez careta – Não somos de sangue, mas eles ainda são meus irmãos.
– Estou brincando, , não precisa ficar vermelha. – quase pude respirar aliviado diante do ultraje em sua resposta.
– Você não deveria provocar uma mulher armada, Sr. .

Apontou e balançou a faca em minha direção, ergui as mãos em rendição e ela sorriu belicosa. Logo colocou o que havia picado em uma panela, salpicando um pouco de sal e temperos variados, os deixando fritar levemente em azeite.

– Quanto aos seus parceiros, como eles eram, sexualmente?
– Viemos aqui para falar da sua menina e agora já estamos falando de sexo, como chegamos nisso? – completou a panela com água, puxou uma banqueta para o outro lado do balcão e, novamente munida da faca, colocou-se a picar a carne anteriormente descongelada. – Você é esperto, mocinho.
– Um pouco, como você mesma disse, isso não é um problema para nós. – usei de suas palavras, preenchendo a taça dela mais uma vez.
– Era um misto de desilusão e chatice sem fim? – bebericou me fitando por cima da taça – Deixando sempre algo a desejar. – comentou pensativa, voltando à atenção para o que estava fazendo – Tínhamos esse tipo de relacionamento. Acho que a companheira deles não era alguma coisa também.
– Não acredito nisso. – me chutei internamente pela maneira agressiva que tinha dito, ainda mais por vê-la fitar-me interrogativa – Pelo que escutei anteriormente, você gosta de coisas mais animadas, não vejo como isso pode ser ruim em uma parceira.
– Você realmente ouviu sobre isso. – seu rosto estava levemente corado, estava visivelmente sem graça ao afastar o cabelo do rosto – Na realidade, nunca cheguei a discutir com nenhum deles sobre esse tema. Também não quer dizer que nunca tentei algo com YunHee, sempre damos um jeito de inovar.
– Mas sempre tem aquele sentimento de falta? – a observei franzir levemente a sobrancelha enquanto fitava a taça.
– Talvez, algo assim. – desceu da banqueta e circulou pela cozinha pegando uma frigideira.
– Além de um lar carinhoso, nosso filho terá uma mãe que sabe cozinhar, isso está cheirando muito bem. – mudei de assunto diante do desconforto dela.
– Em alguma coisa eu tenho que ser boa. – piscou, bravamente sorrindo, mas não antes que pudesse captar uma certa melancolia em sua frase.
– Em alguma coisa? – repeti, dando a volta no balcão e a afastando da larga frigideira, me ocupando do trabalho de preparar a carne – O que você quer dizer com isso?
– Eu acho que você é tímido, , novamente você disfarça e muda de assunto, para não falar sobre a sua moça misteriosa. Aliás, você ainda não me disse o nome da sua escolhida. – não era o único a mudar de assunto rapidamente, precisava investigar o que ela queria dizer. Fui salvo pela campainha do apartamento e um grito vindo da porta – Entra! – quase me deixou surdo ao gritar.
– Com licença. – o rapaz de mais cedo, SeungRi, estendeu um pote retangular em nossa direção – , o pai mandou para vocês, um pouco de kimchi.
– Eu adoro o kimchi da sua mãe. – pegou o pote, já abrindo o mesmo, beliscou o petisco com o auxílio do jeotgarak. – Está delicioso! Prove um pouco, . – estendeu-me e pude comprovar o porquê da alegria da em degustar daquela iguaria – Gostariam de subir e jantar conosco?
– Com dor na alma, terei que recusar. Vamos à tenda da rua de cima para comer doejigalbigui e soju – acenou, dando uns passos atrás, fitando-me por um instante.
– Quem sabe na próxima, agradeça sua mãe por mim quando a ver. – acenou e balancei o jeotgarak para ele, tinha a boca cheia – Me dá isso aqui, senão você comerá tudo antes do jantar.
– Eu não tenho culpa, isso é muito bom. – disse assim que possível, olhando saudosamente para o pote, agora longe de mim, riu da minha tristeza, fiz careta para ela, mexendo a carne na frigideira – Sua família é próxima a dos Lee. – pontuei e ela sorriu carinhosa ao colocar o ramen na panela com água.
– Temos algo em comum, SeungRi foi adotado no mesmo lar de onde vim. Os Lee não puderam ter filhos e logo depois que eu fui adotada, por incentivo dos meus pais, eles entraram na fila para adoção. Penso que nossos pais só nos deixaram esse espaço por conta deles, sabiam que os Lee ficariam de olho em nós, caso acontecesse alguma coisa. – disse colocando os utensílios sobre o balcão – Você escolhe, podemos comer aqui ou ver se tem algo legal passando na TV, o que me diz?
– Vamos para a sala. – peguei a frigideira numa mão e na outra, o vinho.

Nem se quisesse voltar ao assunto, não tinha mais clima para isso, o jeito seria apenas relaxar e voltar para o tópico quando fosse possível. Dividimos o mesmo sofá enquanto assistíamos ao terceiro filme da trilogia do Senhor dos Anéis, escolha dela. Afastamos os utensílios quando finalizamos a refeição e ficamos ali, encostado um no outro assistindo ao filme.
Ao término deste, partimos para o próximo e assim por diante. Resolvemos acampar na sala e, enquanto ia para o banho, fiquei por conta de colocar o futon e arrumar o lugar para dormimos. Quando finalmente o fizemos, o dia estava amanhecendo, sem coragem de ambas as partes, dormimos daquele jeito mesmo, ao sabor do sol.



Era um pouco mais das sete da noite quando finalmente acordamos e voltamos para casa, após nos despedirmos do Sr. Lee e SeungRi. Havia decidido que iria naquela viagem maluca. Assim que coloquei os pés em casa, parti para o quarto. Abri a mala em cima da bancada do closet e, com as mãos na cintura, olhei em volta. É, eu faria aquilo. Perambulei entre os cabides em dúvida sobre o que levar. Sobre o destino da viagem, eu só sabia que seria um lugar muito, muito quente, particularmente não gostava de ambientes quentes. Meia hora depois, a mala estava razoavelmente pronta, contendo apenas as peças mais leves.

– Oi. – ergui a cabeça e vi YunHee parada na porta.
– Olá. – voltei à atenção para uma prateleira, pegando um nécessaire e colocando na mala.
– Vai para algum lugar? – deu um passo em frente, parando próxima à bancada.
– Sim. – separei alguns produtos na prateleira abaixo e coloquei junto na mala.
– Você não veio para casa ontem. – comentou e assenti apática, sem responder onde estava – Passei na casa dos seus pais e você também não estava.
– Estava me seguindo? – perguntei com irritação iminente.
– Na realidade não, pensei que você ainda estivesse lá. ? – parei o que eu estava fazendo para fitá-la – Eu sinto muito por ter comentado.
– Sente mesmo? – apoiei as mãos sobre a bancada, analisando-a. – Eu acredito que não.
– Não achei que teria problemas, já que era sua mãe. – argumentou e eu sorri enviesado.
– Sabe o que é o pior, YunHee? – inclinei sobre o balcão, fitando-a nos olhos – É confiar em alguém e essa pessoa não corresponder à altura. Perdi as contas de quantas vezes eu disse que não gosto dessas atitudes. Ainda assim, você não pode compreender, não é?
– Me desculpe. – encolheu os ombros, recuando instintivamente – Isso não acontecerá novamente.
– Sério? Pelo que vejo, esse comportamento em você repete compulsivamente. – ergui as sobrancelhas – Pois quando chegou aqui, já sabia sobre mim, mas olha só, eu nem sabia sobre ele.
– Não é bem assim. – olhou-me aflita.
– Não mesmo? Desculpe-me se não acredita nisso, YunHee. – sorri irônica – Agora, se me der licença, eu estou ocupada.

Afastei–me em direção aos sapatos, escolhendo alguns para levar. Ao me voltar para a mala, YunHee permanecia no mesmo lugar esfregando as mãos, seu comportamento típico quando estava desconfortável.

– Precisa de alguma coisa? – separei os itens dentro de uma sacola apropriada e deixei dentro da mala.
– Você já vem deitar? – deu um passo em frente.
– Não, vou terminar aqui e ir para o escritório. – fiquei impassível diante do próximo passo, apenas observando.
– Quando eu chegar, você ainda estará aqui? – manteve seu olhar baixo ao se aproximar e dar a volta na bancada.
– Provavelmente, no avião.
– Não foi por mal – murmurou, erguendo os olhos até mim – Boa viagem.

Erguendo-se nas pontas dos pés, tocou levemente meus lábios com os dela, procurando por alguma resposta, que naquele instante era incapaz de atender. Sua testa caiu em meu queixo e a vi respirar fundo, seus braços rodearam meu pescoço num abraço desajeitado. Sussurrou novamente ‘boa viagem’ em meu ouvido antes de afastar-se em direção à porta.
Voltei para a mala e continuei a arrumar, não queria pensar sobre a questão naquele momento. Estava mais irritada do que gostaria. YunHee não era apenas uma moça bonita, mas era dotada de uma inocência e graça, que há muito não via. O que mais havia me atraído nela era o que mais me deixava insana, a inocência. Fiz o que havia dito, terminei ali e voltei para o escritório.



Entramos no avião e ainda podia sentir como se o cateter estivesse em meu braço, fiz uma careta com o beliscar do Band–Aid. Merda! Trinquei os dentes diante da pontada dolorida em meu ombro ao colocar a bagagem de mão, minha e dela, no compartimento específico. já havia afivelado seu cinto e olhava curiosa pela janela, colocando um dos fones. Sentei-me ao lado e a fitei. Sem tempo para qualquer coisa, havíamos vindo direto da clínica para o aeroporto.

– Sente-se melhor? – perguntou falhando miseravelmente em esconder o riso.
– Não começa. – me ajeitei na poltrona e olhei em volta.
– Eu só perguntei. – ergueu as mãos, rindo abertamente agora – Devo dizer, você deu um belo show.
. – a fitei de esguelha – É natural ter medo de agulhas e sangue, sabia?
– Perfeitamente normal, . – cruzou as pernas, recostando a cabeça na poltrona – Mas você devia ter me avisado, teria segurado a sua mão ou, no mínimo, amortecido a sua queda.
– Você também deve ter medo de alguma coisa. – apontei e a vi balançar a cabeça.
– Cobras, minhocas e qualquer tipo de coisa que possa rastejar e ter formato de cobra. Isso quer dizer que você não assistirá o parto, certo? Só para no caso ter outra maca. – riu baixinho.
– Podemos falar de outra coisa? – eu podia levar aquilo de dois jeitos, ir na brincadeira ou ficar bravo, mas eu estava constrangido para fazer qualquer um dos dois.
– Brincadeiras à parte, como está seu ombro? Foi uma queda feia, quer outra bolsa de gelo?
– Está tudo bem. – evitei tocar no lugar em questão – O analgésico ajudou.
– Bom, posso fazer uma massagem quando chegar, hum?
– Vou cobrar. – pisquei e ela sorriu.

Ficamos em silêncio enquanto o comissário explanava sobre como proceder durante o voo, segurei o riso enquanto o imitava de forma discreta. Alisei o queixo dando uma tossidela quando o rapaz nos fitou, franzindo a sobrancelha. Ela riu e cutucou minha costela, me fazendo dar um pulo no assento, recebendo outro olhar duro do rapaz. Mordendo os lábios, olhou rapidamente para janela, era visível seu esforço para não rir.

– Engraçadinha. – ralhei em tom baixo e ela riu, coçando os olhos.
– Me fale sobre o lugar onde vamos ficar. – pediu, disfarçando um bocejo assim que as instruções terminaram.
– Meu avô foi passar uns dias em Bali e não resistiu ao encanto do lugar, acabou comprando uma casa por lá. Antes de falecer, deixou o patrimônio para as próximas gerações, segundo ele: “todos nós precisamos de um lugar calmo para estar e pôr os pensamentos em ordem.” – recitei a mesma frase dita pelo mais velho e sorri com a lembrança – Era um dos lugares preferidos da minha avó, enquanto estavam vivos e livres da obrigação de casa e trabalho, firmaram residência ali mesmo.
– Parece ser um lugar especial. – comentou atenta ao meu breve relato.
– Sim, minha avó cuidou pessoalmente para que o projeto da casa, jardins e tudo fossem exatamente do jeito que ela queria, imaginava. Acabou tornando um lugar especial, pontuado de momentos inesquecíveis, não só para eles, mas para toda família.
– Estou ansiosa para conhecer. – projetou um bico ao me olhar de esguelha – Será um lugar bom para me deixar inspirada.
– Seria, quem sabe em uma próxima vez. – me fiz de desentendido e ela fez uma careta massageando o pescoço – Você está cansada.
– Sim, fui obrigada a adiantar algumas páginas antes de vir. – enrugou o nariz – Sem graça, mas não tem problema, viu? Quando você não estiver por perto, vou comprar algum notebook e vou escrever, não adiantou nada confiscar meu. – mostrou a língua, segurando a minha mão e ajeitou-se – São sete horas de viagem e mais um tantinho, se importa se eu dormir um pouco?
– Nem um pouco – me aproximei mais da sua poltrona para lhe dar o ombro, aceitando a oferta silenciosa, encostou a cabeça em meu ombro. – Descanse.
– Seria bom se você fizesse o mesmo – comentou bocejando, ajeitando a cabeça – Quando estiver quase chegando, me acorda? – respirou fundo, relaxando – Temos um longo...

não conseguiu completar a frase e eu sorri. Sabia que ela não só tinha passado a noite em claro, como nem ao menos havia tido uma conversa decente com YunHee. A ideia de deixá-la sem o notebook havia vindo em boa hora, pelo menos por uns dias poderia relaxar, sabia que havia folga no prazo da entrega do livro. Esse seria o motivo, principal. Não, eu não estava sendo honesto, isso era a ‘desculpa’ perfeita.



? – chamei em tom baixo – Estamos quase chegando.
– Me deixa dormir. – resmungou, fazendo bico – Quero dormir eternamente. – abriu um olho.
– Eu imagino, podemos descansar quando chegarmos, ok? – fez positivo com os polegares e se espreguiçou lentamente. Segundos depois estava com a cabeça em meu ombro – Ei, acorda, moça.
– Tudo bem. – fez uma careta sentando direito – Estou acordada, ou acordando. – esfregou os olhos – Agora me diga que tem uma cama gigante me esperando, do estilo da cama do Pateta?
– Do Pateta? – olhei curioso e ela sorriu esperançosa.
– Nunca reparou que nos desenhos antigos da Disney sempre tem uma cama gigante e tão fofa que o personagem, ao deitar, afunda na maciez e parece que a dita os abraça de volta?
– Temos algo desse tipo. – ela sorriu de orelha a orelha.
– Você sabe como satisfazer uma mulher com sono. – piscou e olhou pela janela – Onde estamos? Achei que já estávamos taxiando.
– Falta ainda uns quinze minutos, te acordei para no caso de querer esticar as pernas, ir ao banheiro.
– Ponto para você. Preciso ir ao banheiro e espantar esse sono traiçoeiro. – desafivelou o cinto e alisou o vestido, passou por mim e procurou por sua bolsa, retirou um nécessaire e acenou – Volto já.

Apenas sorri e concordei num gesto de cabeça, inclinei a cabeça no corredor e a vi chegar até o local. Voltei para minha posição original esticando os braços e gemi. Praguejei ao sentir o puxar do músculo no ombro dolorido. Eu precisava de outro analgésico, e rápido. Recostei a cabeça fazendo uma leve massagem, com sorte logo aterrissaríamos e eu poderia dar um jeito.

– Tudo bem? – abri os olhos encontrando olhando-me preocupada.
– Sim, só dei um mau jeito na hora de me espreguiçar. – franziu as sobrancelhas olhando para o lugar onde estava a minha mão. Fazendo um bico, guardou seu objeto, passou por mim e sentou-se, voltando a me fitar.
– Você precisará daquela massagem e um bom analgésico. – comentou ao mesmo tempo em que afivelava o cinto ao ouvir o anúncio de colocar o mesmo – Aguente mais uns minutos.
– Ei, está tudo bem, não se preocupe. – disse e fitei com interesse a mão sobre a minha, segurando firme.
– Não tenho nada contra decolar, mas aterrissar me deixa um pouco nervosa. – disse, esticando o pescoço em direção à janela, olhando atentamente a paisagem cada vez mais próxima.
? – seus olhos estavam grandes, amedrontados ao voltar-se em minha direção, a puxei para próximo e colei os lábios nos dela.

Gemi em seus lábios, traçando a linha desses com a língua. A boca macia foi receptiva e logo estava saboreando seus lábios e brincando com sua língua. As mãos relaxaram em seu aperto, agora pousando em meu antebraço, procurando por apoio. Amparei sua nuca em minha mão, mordiscando o lábio inferior. Seu corpo tremulou sob o meu e estava mais próximo o possível naquela situação. Quase dois dias sem tocá-la e, quando o fiz, me sentia tão faminto, prestes a perder o controle. Encostei o nariz ao dela respirando fundo, quebrando o beijo com muito custo. A nossa volta os passageiros já desciam lançando olhares curiosos a nossa direção.

– Melhor? – murmurei, sorrindo em seus lábios. fez o mesmo, assentindo.

Desafivelei o meu cinto e ela fez o mesmo. Esperamos que a maioria saísse para poder pegar as bolsas. Colocando a alça sobre o ombro, seguimos para fora da aeronave. Caminhamos lentamente para a fila da imigração, iríamos demorar pelo tamanho da fila. Ao chegar a nossa vez, apresentamos os documentos e seguimos em direção à esteira, a maioria das malas já havia sido recolhida. Por sorte a minha apareceu na metade da primeira volta.

– Menos uma. – sorri segurando a mala. sorriu esfregando as mãos, ansiosa.

Vi o vinco surgir em sua testa ao notar que, pela segunda vez, a esteira não trouxe sua mala. Segurei sua mão e esperamos por uma terceira, quarta, quinta volta, e nada.

– É sério isso? – estava pálida fitando a esteira vazia – Não posso acreditar.
– É possível que tenham enviado para outro lugar, vamos até balcão da Korean Air, ok? – ela estava séria, até mesmo irritada, enquanto seguíamos até a companhia.
– Boa tarde, em que posso ajudá-los? – fitei o rapaz, fazendo menção de dizer alguma coisa, mas fui interrompido.
– Precisamos dar entrada no formulário PIR. – o som gélido pontuou cada palavra dita em inglês, o rapaz pareceu encolher-se do outro lado do balcão ao passar o formulário para ela. Em pouquíssimo tempo, esse foi preenchido e a folha deslizou sobre o balcão.
– Quero uma busca pelos porões da aeronave, no terminal de passageiros e nos galpões de carga. E também lance a informação sobre a bagagem nas redes computadorizadas de rastreamento. – encolhendo os ombros, o rapaz só faltou enfiar o rosto dentro da tela do computador.
– Preciso que a senhora espere alguns minutos, tudo bem? – estreitando os olhos para o garoto, assentiu.
– Vai ficar tudo bem, logo vão trazer a sua mala. – segurei por sua cintura e a trouxe para próximo.
– É o que eu espero. – bufou, olhando de tempos em tempos para o rapaz. Massageei suas costas até que relaxou o suficiente para encostar a testa em meu peito.
– Com licença? – voltamos para o rapaz. – Sinto informar que não obtivemos resposta em relação a sua mala. – deu a notícia dando um passo atrás.
– Vocês contam com o WorldTracer, certo? – diante do aceno afirmativo, continuou – Ótimo, busque por ele também.

Longos minutos passaram até que o rapaz se voltou em nossa direção. A essa altura, era uma rocha em meus braços, mantinha seus lábios em uma linha fina e o olhar gélido.

– Sra. , não houve qualquer sinal de resposta por nenhum meio de rastreamento. Mas não se preocupe, qualquer notícia, seja ela boa ou ruim, entraremos em contato.
– Eu espero que seja uma ótima notícia, meu rapaz. – disse, debruçando sobre o balcão – Caso contrário, um processo será o menor dos problemas da sua empresa.

Girando sobre os calcanhares, saiu marchando duro, deixando o rapaz tão pálido quanto se tivesse visto um fantasma. Alcancei-a e segurei sua mão, entrelacei os dedos. Ela não dizia nada, apenas respirava fundo de tempos em tempos. Mal olhava para onde estava indo, tamanha a raiva. A levei para o estacionamento, em busca do carro que havia pedido anteriormente para que um dos empregados da casa trouxesse. Alguns minutos no trânsito e ela ainda permanecia calada.

– Isso não é exatamente o fim do mundo, você sabe. – argumentei diante do silêncio pesado dentro do carro.
– Claro. – respondeu encarando a paisagem por trás dos óculos escuros.
– Podemos sair e fazer compras. – observei pelo canto dos olhos, vi o crispar dos lábios e o rosto corado de raiva.
– Como se fazer compras fosse a coisa mais fácil do mundo para alguém do meu tamanho. – frustração e raiva emanavam do murmurar.
– Não é necessário estar com roupas o tempo todo, estaremos em um chalé de frente para o mar. – disse num tom calmo – Você fica bonita até com um lençol amarrado na cintura.
– Você é idiota, , ou está apenas tentando? – a pergunta veio num trincar de dentes – Isso é algum tipo de piada para você? Por um acaso, eu sou algum tipo de aberração de circo para te entreter?
– Mas que...! – pasmo diante da sua explosão, fiquei em silêncio, pois sabia que se tentasse argumentar, ela não ouviria, muito menos entenderia que não era nada daquilo. Cravei os dedos no volante, cerrando os lábios. Agora, quem estava puto era eu.

Afundei o pé no acelerador, vendo a paisagem seguir como um borrão em direção a casa. Estacionei de qualquer maneira na parte dianteira da casa e saí do carro batendo a porta. Eu estava fora de mim. Com raiva. Dei a volta no carro antes que ela pudesse abrir a porta do mesmo, o fiz e a segurei pelo braço, arrancando-a do carro.

– Mas que porra é essa agora?! – não me dei ao trabalho de responder – Me solta, idiota! – ódio e incredulidade transpareciam em sua voz e logo se debatia para se soltar, afundei os dedos em torno do braço.

Não olhei para trás quando ouvi o barulho de algo cair, e antes que pudesse abrir a porta, esta foi aberta e vi SeokCheon olhar para a cena com espanto.

– Estão todos dispensados. Falo com você mais tarde. – dei a ordem sem parar.

Não o olhei uma segunda vez para saber se ele tinha entendido, ignorei os socos distribuídos ao longo do meu braço e costas enquanto relutava ao subir a escada para o segundo andar, em meio a protestos e xingamentos. Segui pelo corredor e logo a empurrei por uma porta, para dentro do quarto. Eu já havia ouvido todo o tipo de babaquice pelos próximos anos e agora era a minha vez de falar.

– Você vai calar a boca e vai me ouvir. – rosnei entre dentes e a empurrei novamente por outra porta, o closet, bati a mesma atrás de mim e com a mão livre tranquei a porta.

A pouca claridade do ambiente me deixava ver o queixo caído e agora, sem óculos, seus olhos faiscavam de ira e indignação em minha direção.

– Tire a roupa. – ordenei entre os dentes.
– Vá se foder. – cuspiu em direção.

Ok. Seria do jeito dela.
Dei um passo em frente e ela apenas me encarou erguendo o queixo em desafio, cruzando os braços sobre o corpo. Eu o aceitei.
Outro passo em frente e retrocedeu cerrando os lábios. Mais um e ela estremeceu ao deparar-se contra a superfície fria em suas costas. Me aproximei e sem cerimônia puxei o tecido leve para cima. Desferindo um rosário de palavrões, me enxotou empurrando para longe.

– Seu filho da puta, o que você pensa que está fazendo?! – guinchou em minha direção, ignorei o tom aflito e voltei para o que estava fazendo – Merda! Para com isso!

Socos foram desferidos em meu peito na mesma proporção que ela se movia de forma frenética, impedindo a minha aproximação. Ainda assim, não foi o suficiente para que ela pudesse se livrar de mim. Desviei o máximo que eu pude e logo eu a tinha sob as minhas mãos. Trouxe-a para o meu peito impedindo a maioria dos seus movimentos. No entanto, seu corpo contorcia sob meu domínio e, sem alternativa, a empurrei de encontro à parede, novamente.
Imediatamente voltou à memória a vez anterior que a tinha na mesma posição. Por um instante me perdi na suavidade das coxas macias até os seios contra meu peito, seu corpo moldava-se com suavidade e perfeição ao encontro do meu. Trinquei os dentes ao sentir meu corpo reagir a sua aproximação e amaldiçoei. Essa mulher me tirava do sério, de todas as maneiras. Uma investida brusca da parte de e pela minha distração momentânea, dei um passo em falso para atrás e essa quase pôde soltar-se. Seu olhar irado encontrou o meu quando o som abafado do seu corpo contra a parede soou entre as respirações pesadas dentro do pequeno espaço.

– Você tem a opção de ficar quieta ou eu vou rasgar a porra desse vestido. Será bem pior para você. – disse entredentes, seus olhos agora eram um misto de pânico e terror.

Por um momento senti algo dentro de mim quebrar, mas não podia parar.
Não naquele instante.
Imobilizei seus braços na altura da cabeça e ergui o tecido até sua cintura. Temendo que ela pudesse escapar, enrolei o tecido em minha mão e meti minha coxa entre suas pernas. Ela não teria opção a não ser ficar no mesmo lugar. E que Deus pudesse me ajudar caso ela quisesse se mexer para fugir, pois daquela forma, a única coisa que lutava com o meu pensamento original era a tensão sexual e o calor do seu sexo contra a minha coxa. Tomando todo meu autocontrole, liberei seu corpo o suficiente para que pudesse passar o vestido por seus braços. Encontrei os furiosos olhos castanhos assim que o vestido passou por sua cabeça. A girei em meus braços e a encostei de frente na parede. Por um momento, ela prendeu a respiração. Com energia redobrada, contorceu-se em meus braços, ansiosa por sair daquela posição, e a mantive firme ali. Levei a mão até acima de onde estávamos e achei o interruptor.
Seus olhos fugiam em todas as direções para longe da mulher, furiosa e temerosa, refletida no espelho a nossa frente. Espalmando sobre a superfície fria, forçou contra meu corpo, na tentativa de fugir. Entrelacei os dedos por seus cabelos, um grito surpreso rasgou o som das respirações e a mantive no mesmo lugar.

– Eu te ouvi. É a sua vez. – seus olhos úmidos encontraram os meus pelo espelho – Você é uma mulher inteligente, por que você é tão estúpida? Por que não consegue enxergar a mulher linda que é? – ironia brilhou em seus olhos.
– Hora da piada, ? – seus lábios curvaram em sorriso cínico.
– Olhe para você mesma. – seus olhos foram em outra direção, puxei seus cabelos sem piedade.

Cerrando os lábios, piscou, afastando a umidade dos olhos e me encarou erguendo o queixo. Afastei os cabelos do seu pescoço e escorreguei os dedos por seus ombros, indo em direção à alça da sua lingerie, afastei a peça e acariciei a região. Levei o nariz para perto do seu pescoço e absorvendo o cheiro suave de orquídea. Incapaz de reagir de outra forma, levei os lábios para o mesmo lugar, deslizando sobre a pele e a vi arrepiar. Segurei seu ombro e a fitei, sua pele sob meu toque estava arrepiada, ainda assim, ela mantinha-se firme, como se seu corpo não houvesse reagido ao meu toque.

– Linda. Você é uma mulher linda, deslumbrante. Sabia disso? – corri os dedos pelo seu braço – Não só seu sorriso ou rosto. Cada pedaço seu.
– Repita isso várias vezes e quem sabe, você possa acreditar. – sibilou mantendo o sorriso de escárnio.

Sorri sem um pingo de humor, queria testar a minha paciência e eu tinha todo o tempo do mundo. Deixei cair à mão em direção as suas costas. Cobri cada curva da lateral do seu corpo até onde minha mão podia alcançar e mantinha a outra firme em seus cabelos.

– Maravilhosa. – sussurrei contra seu ouvido, observando embevecido o contraste das cores do meu toque ao corpo moreno, ignorei o corpo rijo pela tensão ao depositar minha mão sobre seu estômago – Eu gosto de você, exatamente do jeito que você é. – encarei firme o olhar desdenhoso.

Levei a mão à renda branca, sobre seu seio, o segurei, sentindo a suavidade da peça e a firmeza da carne sob ele. A reação ao meu gesto foi facilmente sentido contra minha mão. Cerrei os dentes diante do mamilo intumescido, travando uma luta interna, afastei a vontade de mergulhar os lábios em sua tez e desfrutar daquela tentação em minha mão. Ela não questionou minha fala, agora apenas seu olhar debochado me encarava pelo espelho, os lábios mantinham-se em uma linha fina, seu corpo ainda tenso era a única fonte que me deixava a par do que o meu toque era capaz.

– Tem ideia de quantas mulheres têm o desejo de tê-los e pagam caro para isso?

Deixei livres os cabelos e alcancei o outro seio, afaguei ambos, esfregando os dedos sobre os sensíveis mamilos. Não me passou despercebido o controle sobre-humano de manter-se quieta e com a respiração calma. Fui mais além e desci a renda, expondo os seios. Respirei fundo tentando acalmar a vontade de cobrir os picos franzidos com minha boca e chupar até que ela pedisse por mais.

– Você os tem naturalmente, belos e suaves ao toque. – disse em tom baixo, roçando os lábios em sua orelha, ao passo que, novamente, tencionava o polegar sobre o ponto turgido.

Ela não escapou do meu toque. Não se moveu ou preferiu algum som. Não deixou nada ao meu alcance. Agora seus olhos não tinham mais o deboche anterior, agora os belos olhos castanhos estavam nublados, curvados à firmeza de estar ali, sem dar o braço a torcer. Em alguma hora ela quebraria, de uma forma ou de outra.
Abandonei os deliciosos seios e parti em direção à parte inferior do seu corpo.

– Acha que isso é um problema? – explorei a lateral das coxas grossas, vaguei os dedos entre as pernas, deslizando suavemente e novamente voltando para toda extensão da mesma – Eu não. Nem mesmo YunHee acha isso. Sabe por quê? Nada é mais gostoso que ter essas coxas grossas rodeando minha cintura enquanto afundo meu pênis dentro de você. E ter ou não celulite não me impede de querer estar entre suas pernas. – parei com os dedos em cima de uma pequena depressão e a dedilhei sem me importar com a rigidez do seu corpo; sabia que, para ela, a celulite era um problema, mas não para mim – Entenda, o número da sua lingerie e roupa não define sua beleza ou quem você é. – lambi sua nuca e mordisquei, apertando as coxas em minhas mãos. – As suas ações, sim. Ah! As suas ações definem quem você é, e nesse caso... – espalmei a mão em sua renda e fui recebido por sua umidade, gemi contra sua orelha e afastei o pedaço de pano mergulhando os dedos por entre os lábios. – Eu digo que você é uma mulher linda, sexy, sensual e pronta para ser fodida.

A respiração falhou miseravelmente, escondi meu sorriso em sua nuca movendo os dedos por suas dobras, assistindo o oscilar débil. Eu estava gostando daquela nova faceta, dos nervos de aço. Circulei sua entrada com os dedos e os olhos entrecerraram. Permiti que apenas a pontinha do dedo avançasse em direção a sua cavidade. Saboreei a sensação de estar momentaneamente preso a sua apertada fenda e movi suavemente em seu interior.

– Você pode não dar atenção ao que eu disse até aqui. Pode não acreditar em minhas palavras. – sorri indulgente ao afastar meus dedos do seu núcleo – Talvez você seja do tipo que só acredita vendo, não é?

Segurando seu quadril, esfreguei a rigidez presa em minha calça contra a carne macia. Cravei os dedos em sua pele, aliviando por um momento a sede de entrar em seu corpo e sentir o quão justa sua intimidade seria a minha volta. O ressoar lento e gutural do gemido partiu os lábios cheios, o arfar marcado por luxúria veio acompanhado do ondular do quadril sobre minha rigidez. Segurei um seio e investi contra sua pelve, sua cabeça tombou sobre meu ombro. Seus dentes em meu pescoço, mordiscando minha pele enquanto suas mãos arranhavam minhas coxas. Era exatamente o que eu queria, a entrega.

– Quando você conseguir lidar com a mulher que você é, me procure. – dei um passo atrás, abandonando o corpo feminino e girando sobre os calcanhares, abri a porta e saí.





Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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