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Última atualização: 21/10/2020

Prólogo

22 de dezembro de 2015

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Nova York
"E o El Clássico de ontem ficou para a história. Real Madrid perdeu por 4x0 do Barcelona, em casa, parecia que o Bernabéu tinha virado Camp Nou! Os torcedores do Real saíram quase em desespero, enquanto os do Barça permaneceram e cantaram, assim como os jogadores dentro de campo. A situação do Real Madrid é lamentável; o grande espanhol está caindo e ninguém pode evitar isso."
estava com raiva. E tinha razão para estar, seu time do coração tinha perdido para o maior rival em casa, e como se a derrota vergonhosa não fosse suficiente, os meios de comunicação do mundo inteiro faziam o favor de estampar a derrota blanca.
- Desliga o rádio, por favor? - a negra pediu ao motorista, que mesmo contrariado, obedeceu sem reclamar.
Bufou no banco de trás. Que merda de jogo tinha sido o de ontem? Foi simplesmente ridículo, reclamou inaudivelmente. Aquele não era o Real Madrid que estava acostumada a torcer; aqueles jogadores eram gazelas perdidas em campo. Eles estavam sendo pagos para jogar, e não para passar vergonha em pleno Santiago.
Quanta saudade tinha do Ancelotti, o atual técnico nada mais é que um lixo para um time da grandeza do meu Real, pensou enquanto alguma ídola teen tocava no rádio.
Seu celular tocou e quis jogá-lo pela janela assim que viu o nome que brilhava na tela, a negra não queria falar com ninguém, piadinhas não seriam bem-vindas naquela situação. Mas o nome continuava a brilhar, como se a chamasse para atender.
Enrique Ávila não tinha desistido de falar com a namorada.
- ? – perguntou assim que escutou a respiração dela.
- Oi, Rik.
- Onde você está?
- Estou indo para um ensaio fotográfico com Dave.
- Ah, certo. Hoje tenho dia livre... Você volta hoje, não é?
- Sim, se não tiver atrasos, chego às onze da noite.
- Vou buscar você no aeroporto, certo?
- Não precisa, Rik. Eu posso pegar um táxi.
- , não tente dizer não. – riu, sozinho. - Eu sinto sua falta.
- Foram longos meses. - a garota suspirou e escutou a risada baixa do namorado, como se ele estivesse concordando.
- Três meses. Passei todos eles contando os dias para você voltar.
- Só foram três meses, já passamos mais meses separados. - lembrou o namorado e ele riu novamente. Enrique estava muito risonho e ela sabia o motivo, mas não ia dar o gostinho dele saber que ela estava com raiva. - Vou desligar, certo? Nós nos falamos depois.
- Estarei no aeroporto às onze. Eu amo você, Lani.
- Eu também.
- Você também o quê?
- Eu também amo você, Rik.
desligou a ligação e respirou fundo, ela sabia que o namorado não tinha feito nenhuma gracinha ao telefone porque iria fazer o dobro quando eles estivessem a sós.
Para , Enrique Ávila era o melhor namorado que poderia pedir, eles estavam em uma relação que iria completar dois anos. Segundo ela, tinham poucas brigas, e apesar do vai-e-vem das carreiras, sempre tinha espaço para os dois.
A negra só achava um único defeito no namorado. Ele jogava, e torcia pelo time que ela mais detestava no mundo: Barcelona.
O tal Barcelona que tinha dado de quatro a zero no time que ela torcia desde que se entendia por gente. Enrique era atacante, artilheiro e capitão do time catalão, super respeitado, tanto pelos jogadores do clube quanto pela mídia futebolística. Rik Ávila era um ídolo para o Barcelona.
E morria de raiva daquilo.
- Chegamos, senhorita . - o motorista avisou e prestou atenção onde estava. Era um grande estúdio de fotos que ficava no centro de Nova York, a cidade que tinha sido sua casa por três meses.
era atriz.
Ela era uma mistura no DNA, descendente de polinésios e africanos, graças a família do pai, e franceses; nascida em um interior da Inglaterra que ficava a 120 quilômetros da grande Londres. Aos 12 anos, depois do pior acidente de sua vida, a família composta pelo pai e irmão mais velho, se mudou para Los Angeles. fez curso de teatro assim que o irmão ingressou no colégio de música da cidade. Ela conseguiu alguns papéis para séries infantis, e teve o talento reconhecido quando fez participação na série adolescente The Vampire Diaries. Foi convidada para filmes, e estava em Nova York apenas para cumprir as últimas coisas do trabalho, fotos de divulgação para o novo filme que ia estrelar pela primeira vez como personagem principal.
O irmão, que tinha entrado no colégio de música, não ficou para trás. Foi descoberto por um agente em uma das apresentações no teatro, e foi contratado por uma produtora pequena. Ives foi a sorte grande da produtora, ele explodiu e agora era um ídolo teen. Ganhava milhões e mal tinha tempo para respirar, mas ele adorava.
Os dois só tinham conseguido tudo aquilo graças ao senhor . O pai que os criou sozinho quando a mulher os deixou, tinha apenas um ano de vida. E era por aquele motivo que a menor era muito grata ao pai, tudo o que tinha era por causa dele. Ele nunca tinha deixado de acreditar nos sonhos da menina, principalmente quando ela quis se mudar, aos 19 anos, para a cidade que era seu sonho de menina.
A grande Madrid.
E lá morava desde então.

⚽️


Lavenham
fechou a última mala que tinha e saiu do quarto a passos lentos, depois de tantos erros, ele finalmente tinha encontrado paz em casa. E estava deixando o lar novamente.
Deixou a mala próximo ao sofá e correu para abraçar a mãe, que derramava lágrimas ao ver todas as malas ali. Sue amava o filho mais do que qualquer coisa, e não importava o que fizesse, ele sempre ia ser o seu pequeno protegido. Mesmo já tendo experiência com a mudança do filho para Manchester anos atrás, ainda era dolorido ver o filho sair de casa.
Ainda mais para Madrid.
A Espanha parecia tão longe.
- Vai ficar tudo bem, mãe.
- Eu não quero ver você metido em confusão, viu? Você trate de se comportar, Sunshine.
- Sunshine, mãe? – perguntou, em tom de brincadeira.
Sunshine era o apelido que Sue tinha dado para o filho desde que soube que estava grávida. Ele era o pequeno raio de sol e esperança dela, e foi por conta dele que não desistiu de tudo em Lavenham. Ela já não se sentia sozinha, fazia com que tudo valesse a pena.
- O Sunshine da mamãe. - Sue brincou, e ele riu. sentia falta de rir verdadeiramente. Tinham sido tempos difíceis em Manchester, mas ele voltou para casa e superou. Sue estava orgulhosa.
A campainha tocou e levantou do sofá num pulo, abriu a porta de casa e nem deixou o senhor falar. Tomou Kalani nos braços e perdeu o tempo que ficou abraçado com o homem que considerava seu pai. Kay era a única presença masculina que teve na infância e depois que se juntou ao Manchester United. Ele não conhecia o pai biológico, e não fazia questão alguma de conhecer o homem que abandonou sua mãe com um feto no ventre.
- Vamos, pequeno Gafanhoto?
- Sim! Mamãe não está se aguentando, e tá chorando igual a uma criança.
- Deixe sua mãe, viu? Eu sei que você vai chorar assim que entrar no avião.
riu e Kalani deu tapinhas em suas costas, os dois colocaram as malas dentro do carro e se despediu mais uma vez da mãe. Sue nunca ia se acostumar com aquela situação.
- Eu venho assim que tiver uma folga prolongada, certo?
- Você não apronte em Madrid, entendeu? Eu vou buscar você na mesma hora que souber de algo.
- Me ligue antes para eu poder limpar a casa.
- Sem empregadas, como você está mudado Gafanhoto. - Kalani elogiou e passou as mãos pelos cabelos grandes e loiros do menino.
- Obrigado por isso, Kay. - os dois se abraçaram forte.
Kalani deixou no aeroporto e esperou duas horas, até o voo ser chamado. Como previsto, chorou quando o abraçou pela última vez. Tinham sido dois meses de aprendizado para o loiro, e Kay tinha sido essencial naquele processo.
acenou para Kalani e entrou na sala de embarque, em menos de meia hora já estaria no avião que ia levá-lo rumo a sua nova vida.
Rumo a Madrid.


Capítulo 1



Madrid

não estava nem a vinte minutos em Madrid e o aeroporto já estava repleto de jornalistas. Também pudera, tinha passado dois meses fora dos noticiários.
Dois meses sem se meter em problemas, sem ter fotos suas nas baladas mais bem frequentadas de Manchester com mulheres belas, e muito menos notícias de compras de carros novos. Mas agora, iria voltar a estampar as primeiras páginas dos jornais, o príncipe problema da Inglaterra estava desembarcando na Espanha.
- , , uma palavra para o Sport. - o jornalista, que já tinha assinado matérias terríveis, e muitas vezes mentirosas, sobre , perguntou. - O que você veio fazer aqui? Desistiu dos problemas da Inglaterra?
- Eu só vim fazer o que faço de melhor, cara. – respondeu e passou pelos jornalistas sem dizer mais uma palavra. Andou por mais alguns metros e finalmente seus olhos bateram num homem, que segurava uma plaquinha com seu nome e sobrenome.
- Senhor , está pronto para ir?
- Como nunca estive. - respondeu, o motorista sorriu e os dois foram direto para o estacionamento do aeroporto.
O motorista destravou o Veloster preto, que percebeu ser um dos últimos lançamentos da marca, e desejou ter um na sua nova garagem. era alucinado por carros e isso tinha lhe causado gastos desnecessários em Manchester.
- Alguma mudança na rota ou posso levar o senhor diretamente para casa?
- Não me chame de senhor, por favor. Senhor está no céu, cara. – brincou, e o motorista se assustou com o jeito leve do jogador. Ele não estava esperando alguém agradável e educado, a mídia o descrevia tão diferente. Talvez não fosse tão ruim como espalhavam. - Me leve para casa, por favor. Aliás, você sabe como é essa tal de La Finca Villa? – perguntou. O motorista deu uma risada fraca, como o jogador não sabia como era aquele lugar?
- Você terá que ter cuidado para não se perder ali. – aconselhou, e coçou a cabeça, assustado. - La Finca Villa é gigantesca, . Você vai adorar.
- Valentina não me falou muito sobre o lugar. - mencionou sua nova empresária.
E não tão nova assim. Valentina tinha trabalhado com ele quando ainda era da base do Bradford City e o ajudou na mudança de Lavenham para a cidade do seu time de base, e, posteriormente, Manchester. Valentina o tinha visto crescer futebolisticamente e sempre havia o apoiado, mas não confiou a ela sua carreira no Manchester United. Talvez o grande erro de tivera sido trocar de empresário sem pensar muito.
- Você tem sorte de ter ela, então. O lugar é maravilhoso.
era realmente sortudo. E ele adorava o fato de ter tirado a sorte grande de estar em Madrid.

🎬


Nova York

adorava os dias de sessões de fotos, mesmo odiando ficar horas sentada numa cadeira com um homem atrás de si, mexendo em seu cabelo. A pior parte de ser atriz, para ela, era viver mudando o cabelo. amava suas madeixas cacheadas e num tom que nunca sabia ao certo qual era, ora castanho claro, ora meio loiro, ora castanho escuro. Seu cabelo natural era uma mistura igual a ela.
Aquele era seu último dia em Nova York, depois de três meses morando na cidade. estava ali por conta das gravações do novo filme que ia participar, o primeiro sendo protagonista principal, e que iria estrelar com ninguém menos que Dave Franco.
amava Dave, ele era um dos seus melhores amigos, e aquele seria o terceiro filme que faziam juntos.
A morena levantou da cadeira onde estava sentada e passou a mão pelos cabelos que estavam lisos e totalmente castanho escuro com pequenas ondulações. sorriu e gostou do que viu, mesmo amando o seu natural.
- Dave já chegou? - perguntou ao virar para o cabeleireiro que estava acompanhando-a durante aqueles meses.
- Está na prova de roupa, a sua eu já escolhi. - Lyn respondeu, antes que Julian pudesse dizer uma palavra.
Lyn era a personal stylist de , e a morena gostava de denominá-la como raivosa, pois parecia que ela vivia em um estresse constante, mas a amava.
Lyn deu duas cruzetas de madeira para a menor, das duas opções de vestido, escolheu o vermelho de alça larga com decote tanto na frente quanto atrás. Ela calçou o sapato alto preto com detalhes prateados e a guiaram até onde o ensaio aconteceria.
- Maria chuteira! - Dave gritou assim que viu a morena passar pela porta. Saiu de onde estava e a envolveu em seus braços.
- Credo, sai. Não gosto de você.
- Realmente, você me ama. - Dave retrucou e o empurrou, o abraçando em seguida.
- Você está muito cheio de gracinha.
- Vou ter que te aturar o dia todo, . Eu mereço, né?
- Você é um ser humano horrível.
- Um ser humano horrível que você ama. Não negue, você chorou quando eu quase morri.
- Isso foi no filme, pura encenação. Se fosse na vida real, eu ia brigar com Jesus por ele não ter te levado de vez. - disse, Dave rolou os olhos e mostrou língua para a menor. Essa que lhe deu alguns tapinhas no ombro esquerdo, o abraçando em seguida.
- Ei, quinta série. O ensaio vai começar. - Lyn avisou e os dois foram em direção ao pequeno cenário que estava montado, era uma pequena sala de estar que contava com decoração antiga, os dois pareciam um antigo casal rico. Depois de duas horas de flashes, poses, inúmeras chamadas de atenção pela brincadeira dos dois - eles tinham que ter um ar de seriedade nas fotos -, e alguns sorrisos, o ensaio acabou.
e Dave tiveram apenas uma hora de almoço, os dois voltaram para o pequeno salão de beleza que foi montado especialmente para eles, e quando a produção terminou, foram conduzidos ao carro que já estava os esperando. Era o mesmo motorista que estava fazendo questão de escutar sobre a vitória do time catalão.
- Onde você acha que vai ser? - Dave perguntou quando eles começaram a trafegar pelas ruas de Nova York.
- Eu não faço a mínima ideia, Franco. - deu uma risada baixa e ele a acompanhou.
- Mas eu sei de uma coisa que provavelmente você não sabe, sabia que seu namoradinho fez dois gols no jogo de ontem?
- Cala a sua boca, Dave John Franco. – reclamou e bateu nos ombros do amigo.
- Você sabe que mesmo não sendo o maior fã de futebol, eu prefiro o Real ao invés do Barcelona, não sabe? – perguntou, e a morena fez que sim com a cabeça.
- Foi horrível, Dave. Nem parecia o Real Madrid, sabe? Parecia um time de segunda divisão.
- Que merda, só vi os noticiários. Seu namorado é manchete principal, vi uma que dizia "o Rei de Barcelona conquista Madrid". - Dave disse com uma voz engraçada, e rolou os olhos antes de rir. A morena achava todas aquelas manchetes desnecessárias, mesmo Rik sendo seu namorado. A verdade é que ela estava chateada demais com seu time do coração para ficar contente pelo feito de Enrique.
- Onde você estava, hein? – perguntou, a fim de mudar o assunto.
- Dormindo. - respondeu e sorriu torto, entendeu o seu sorriso e riu extremamente alto. Dave Franco tinha passado a noite com companhia.
- Chegamos, senhor Franco e senhorita . – avisou, e eles puderam ler a placa que estava em frente ao local.
- Esse lugar é maravilhoso – sussurrou, e Dave balançou a cabeça em modo afirmativo.
Os dois fizeram o ensaio externo num lugar chamado Coney Island, que se localizava no Brooklyn. Ali era um lugar maravilhoso, tinha uma pequena praia e um belo calçadão de madeira que percebeu lembrar muito os das cidades californianas. E o que e Dave acharam a melhor parte do local, era o antigo parque de diversões que ainda estava ali.
A sessão externa foi a mais demorada, pois, além das fotos, Dave e aproveitaram o local iguais a duas crianças de dez anos. Eles estavam, como Lyn dizia, parecendo garotos de uma quinta série.
- Acabou! – Dave disse ao roubar um grande pedaço do algodão doce rosa da menina.
- Compre um para você! – reclamou, quando ele enfiou o pedaço na boca.
- Além de Maria Chuteira, é egoísta, não sei como Enrique te aguenta. – riu alto do jeito que só ela sabia fazer.
Os dois comeram inúmeras besteiras pelo local, conversaram e tiraram fotos sem compromisso, até que deu a hora deles irem. Passaram rapidamente no hotel somente para fazer o check-out e buscar as últimas bagagens.
- Você vai para onde? - Dave perguntou assim que chegaram na sala de espera.
- Para casa e você?
- Canadá. – respondeu na mesma hora em que seu voo foi chamado, Dave fez beicinho e a morena o abraçou forte.
- São só quatro meses, Dave. - fez referência ao tempo que faltava para o filme ser lançado. - Não morra sentindo a minha falta. – Dave riu e apertou a morena ainda mais ao seu corpo. Ele adorava , a menina tinha conquistado sua amizade sem fazer nenhum esforço.
- Vou sentir só um pouquinho a sua falta. Qualquer problema é só ligar, já sabe, né?
- Pode deixar, Franco. E não esqueça de mandar um beijo para seu irmão. - brincou, Dave riu e deu um tapinha na testa da garota.
- Vou contar para o Enrique. - sussurrou.
- Nem se atreva, David John Franco – ralhou, fazendo o menino rir. Dave bagunçou seus cabelos, se despediu com um pequeno beijo em sua testa e foi para a sala de embarque.
Depois de alguns minutos ela já estava na primeira classe do avião, sentou na poltrona e assim que a aeronave decolou, encostou a sua cabeça na janela e fechou seus olhos.
Era bom voltar para a casa, pensou, antes de adormecer.



Madrid

Assim que entrou em sua nova casa, teve uma surpresa que o fez rir, mesmo a situação sendo mais trágica que cômica.
A nova casa era gigantesca, e ela não tinha mobília alguma.
Para falar a verdade, tinha um televisor de 60 polegadas, um sofá branco grande, uma poltrona da mesma cor, e uma pequena mesa. Andou pela casa e percebeu todos os quartos vazios, exceto por um que ficava no mesmo andar que a sala, era um quarto não tão grande quanto os outros, e contava com um banheiro, uma cama e um pequeno armário. Era o quarto destinado para a empregada da casa. riu e se jogou na cama, que, por sinal, era bem confortável.
perdeu a noção do tempo e só levantou da cama de solteiro quando o seu telefone começou a tocar. Era sua mãe.
- Sunshine!
- Oi, querida mãe.
- Você está bem? Já conheceu a casa nova?
- A senhora iria adorar, ela é gigantesca.
- Você já viu a piscina?
- Ela tem piscina? - perguntou, espantado, e pôde escutar a risada de sua mãe junto da de Kalani.
- Tem, sunshine. Ela é enorme também, foi Kai, Valy e eu que escolhemos a casa para você.
- Sem nenhuma mobília? - deu uma risada fraca e escutou novamente as risadas do outro lado.
- Você vai adorar ter o trabalho de escolher sua própria mobília. - Kalani disse.
- Obrigado, Kai. Vou precisar ir em busca de lojas de decoração.
- Acontece. - deu uma risada nasalada. - Você já ligou para Valy?
- Ainda não. Só sei que amanhã vou assinar oficialmente com o time.
- Ligue para ela, Valy tem novidades.
- Irei ligar. Obrigado pela casa, aliás. Eu adorei.
- O dinheiro dos seus carros ajudaram bastante. - Kai disse, e deu uma risada triste. O inglês sentia falta dos seus oito carros. - Vou passar para sua mãe, certo? Se cuide em Madrid, .
- Obrigado, Kai. Eu irei.
- Sunshine? - escutou a mãe novamente.
- Oi, mãe.
- Se cuide, certo? Quando eu for em Madrid quero ver essa casa toda mobiliada e um brinco.
- Pode deixar, irei fazer tudo certo dessa vez.
- Se cuide, meu filho. Eu amo muito você e quero seu bem.
- Vai ficar tudo bem, mãe. Eu prometo, e também te amo.
- Eu te ligo amanhã, certo?
- Até amanhã, então. Se cuide, mãe.
encerrou a ligação e começou a procurar o nome de Valentina na lista de contatos. Ele ia fazer de tudo para que em Madrid tudo ocorresse certo, não queria repetir os mesmos erros que quase o afundaram na lama em Manchester. Enquanto o telefone chamava, ele agradeceu por não terem desistido dele. Se não fosse assim, ele estaria perdido.
- !
- Oi, Valy. Tudo bom?
- Tudo ótimo por aqui e com você? Já está na casa nova?
- Já, e obrigado.
- Não por isso, qualquer coisa, tenho nomes de lojas de decoração. – disse, e soltou uma risada.
- Irei precisar. Mas minha mãe disse que você tinha novidades.
- Ainda não é nada certo, mas estou atrás de campanhas publicitárias para você. Irá ser bom, sabe? Tentar destruir a imagem do "príncipe problemático da Inglaterra que veio para Madrid".
- É assim que eles estão se referindo à minha pessoa?
- Alguns tablóides, as mídias futebolísticas estão mais preocupada em saber se é mesmo com o Real Madrid que você vai assinar. Ainda é um mistério para eles. - soltou uma risada.
- Nem se recebesse o maior salário do mundo eu jogaria no pequeno da Catalunha. Jamais, Valy.
- Eles não o conhecem como nós o conhecemos, .
- Eu espero que eles passem a conhecer, não quero mais problemas, Valy.
- Nós sabemos disso, . Fica tranquilo, certo? Até amanhã.
- Até amanhã.
- Não se atrase.
- Prometo. – disse, e desligou o telefone.
bufou e jogou o celular na cama, era ruim ser considerado o garoto problema da Inglaterra, mas ele sabia que tinha feito por merecer. Sabia que tinha errado ao deixar a fama e o sucesso subirem à cabeça, tratar todos como se ele fosse o rei do mundo e não precisasse de ninguém. E sabia mais ainda que o United só suportou todos os problemas porque ele era bom no que fazia, mas ninguém o queria ali, nem os torcedores, e muito menos a equipe.
tinha estragado sua imagem na Inglaterra, e esperava que isso não o afetasse tanto em Madrid.
Jogar no Real Madrid era seu sonho de infância.
Seu e de Kalani. perdeu as contas de quantas vezes ia para a casa de Kai assistir ao jogo do Real, junto dele e da sua filha mais nova, e de quantas vezes afirmou para os dois que um dia ainda jogaria no time espanhol. estava cumprindo a sua promessa, e mesmo não tendo mais ligação alguma com a menor, estava feliz por estar fazendo o que prometeu.

🎬


Madrid
acordou com o piloto do avião avisando aos passageiros que iriam pousar dentro de cinco minutos. Esfregou os olhos e agradeceu por não estar usando nenhum tipo de rímel, não queria parecer um panda quando chegasse em sua querida Madrid.
As quatro da manhã o avião pousou, pegou sua bagagem de mão e saiu junto da primeira classe, passou tranquilamente pela vistoria, e ainda a ajudaram a colocar suas duas malas no carrinho do aeroporto.
Ela empurrou o carrinho pela sala de desembarque, e quando a porta de vidro abriu, encontrou Enrique. Ávila sorriu assim que seus olhos pousaram na menor, ele correu em direção a namorada, a envolveu em seus braços e, finalmente, os lábios dos dois se encontraram.
- Eu senti sua falta. – sussurrou ao abraçar novamente a morena.
- Eu também senti. – respondeu e lhe deu um beijo rápido. – Vamos para a casa?
- Não precisa nem pedir duas vezes.
Enrique guiava o carrinho com apenas uma mão, enquanto a outra segurava a de . Na saída do aeroporto até o estacionamento foram incomodados por alguns fotógrafos, mas não deram atenção, eles não tinham que aturar aquela perturbação naquele momento. Ávila colocou as malas no carro e em poucos minutos eles já estavam na avenida principal.
- Não vai me parabenizar pelo jogo? - Rik perguntou, e riu debochado. bufou e jogou a cabeça para trás, ela já esperava a provocação por parte do namorado.
- Não começa. – pediu, e ele colocou a mão esquerda sobre sua coxa. - E parabéns.
- Você ficou feliz com o meu gol?
- Na verdade, eu xinguei o Isco por ter deixado.
- Aquele bastardinho foi expulso. Você viu o que ele fez com o Neymar?
- Vi e fiquei horrorizada. Eu esperava aquilo do Carvajal, mas do Isco não, ele parece...
- Você nem os conhece, todos são ruins. - Enrique a interrompeu e calou. - São péssimas pessoas, . - assentiu e ele tirou a mão de sua coxa para trocar a marcha. A morena encostou a cabeça na janela e minutos depois os dois estavam entrando pela garagem do prédio onde ela morava.
Enrique retirou as malas do carro e as colocou no elevador, enquanto subiam, Rik roubou um beijo da menina e ela riu. Os dois chegaram no andar onde morava e ela destrancou a porta, jogou a bolsa no sofá, Rik colocou as malas no chão da sala e antes que pudesse correr para o banheiro, ele a puxou para si, dando-lhe um beijo demorado.
- Eu preciso de um banho. - ele revirou os olhos e riu. - Cinco minutos.
- Vão ser contados no relógio. – disse, e ela concordou enquanto ia em direção ao banheiro. tomou um banho rápido, vestiu suas roupas íntimas e foi para o quarto. - Finalmente! - Rik se levantou da cama quando a viu.
- Você aguentou três meses. Não vai aguentar cinco minutinhos?
- É que você me deixa louco. - murmurou e prendeu o corpo da morena na porta. Puxou seu lábio inferior e os dois começaram um beijo intenso. colocou suas pernas ao redor da sua cintura do namorado e ele a guiou para a cama, enquanto ela distribuía beijos em seu pescoço e puxava seus cabelos.
Em poucos minutos os dois eram um só.



estava animado, nervoso e ansioso.
Hoje era o dia em que ele oficialmente iria assinar com o Real Madrid. Hoje era o dia que ele poderia bater no peito e dizer que era o cara mais feliz de todo o mundo. Hoje era o dia de realizar seu sonho de criança.
Ele ajeitou a gravata preta assim que escutou a buzina em frente de sua nova casa, era o carro que Valentina havia deixado à sua disposição até ele se acertar por Madrid. prendeu os cabelos loiros no que ele achou ser um coque, e saiu.
- Bom dia! – disse, assim que entrou no luxuoso Veloster preto. O motorista sorriu e deu partida.
estava indo rumo ao seu futuro, e algo o dizia que ele iria ser maravilhoso.
- Chegamos. - O motorista avisou ao estacionar. agradeceu e saiu do carro. Assim que pisou no chão do estacionamento do estádio, percebeu que Valentina já o esperava com um sorriso no rosto.
- Está pronto? - Valy perguntou e ele a abraçou.
- Mais do que nunca. – respondeu, e ela ajeitou seu terno.
- Então entra nessa sala e mostra para o que veio, entendeu? Boa sorte.
- Obrigado, querida. - os dois entraram no elevador. Quando as portas do elevador se abriram, Valentina o guiou por um enorme corredor e parou bem em frente a uma porta branca.
- Madrid vai mudar sua vida, .
- Eu estou preparado. – respondeu, e deu um último abraço na sua empresária, que ele considerava da sua família.
Assim que abriu a porta, inúmeros flashes vieram em sua direção, e ele desejou ter levado óculos escuros. tinha esquecido o quanto aquilo era irritante. Mas mesmo assim, o inglês caminhou até a grande bancada branca de cabeça erguida, mesmo com os flashes quase o cegando.
- Senhoras e senhores, tenho a honra de comunicar a nossa nova contratação, .
- Florentino Pérez, presidente do time, anunciou, e o burburinho começou junto dos flashes. cumprimentou o presidente e sorriu para as fotos, recebeu sua camisa que contava com seu sobrenome atrás e seu novo número, 16, e ainda tinha bordado a data que terminaria seu contrato: 20 de Abril de 2022. Para , aquele seria o dia que assinaria sua renovação. O loiro não iria querer sair do Real Madrid tão cedo.
Nenhum jornalista tinha plena certeza que ele realmente era o novo contratado do Real Madrid, e ainda pareciam não acreditar. Como o príncipe problemático da Inglaterra estava fazendo do branco sua nova cor? Como estava indo para aquele time com claras e altíssimas investidas do Barcelona?
- , , , você não iria para o Barcelona? - o jornalista gordo, que usava óculos estranhos, perguntou, assim que ele sentou.
- Eu disse que iria para o grande da Espanha, e aqui estou.

Capítulo 2

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remexeu-se pela enorme cama, abriu os olhos e não viu o namorado ao seu lado.
Imaginou que Rik tivesse ido para Barcelona treinar, já que o namorado passava quase a semana toda na cidade e voltava nos finais de semana. perdeu as contas de quantas vezes Enrique pediu que ela se mudasse para Barcelona, mas a menina batia o pé e dizia que não. não deixaria Madrid por nada naquele mundo, era seu sonho de menina e ela finalmente estava realizando.
levantou da cama, vestiu uma camiseta que estava jogada pelo chão e foi em direção à cozinha. Sorriu ao ver a imagem do namorado somente de bermuda, cozinhando, mas o sorriso desapareceu quando ela lembrou que Rik só cozinhava quando estava estressado.
- Bom dia. - Rik virou rapidamente para olhá-la, mas voltou a atenção para o que estava fazendo. - Pensava que estava treinando.
- Não, hoje o treino é só pela parte da tarde, vou para Barcelona depois do almoço. - Rik colocou os ovos no prato da namorada e colocou o bacon logo em seguida, depois jogou a frigideira na pia, jogando-se em um dos bancos que estavam na cozinha.
- O que aconteceu, Rik? Você está estranho hoje.
- Coisa do trabalho, desculpe-me. – passou as mãos nos cabelos parecendo frustrado. levantou do banco e lhe deu um beijo, sentando em seu colo em seguida.
- Não precisa ficar assim, ok? Vai se resolver. – passou a mão direita por seu rosto, fazendo carinho em sua bochecha.
- Eu queria que resolvesse, mas não vai.
- O que aconteceu, afinal?
- A mais nova contratação do Real Madrid. – murmurou e saiu de seu colo. – Não me olha com esse brilho no olhar, não.
- Não fica bravo comigo, você sabe que eu torço para o Real desde pequena.
- Não vou discutir sobre o seu péssimo gosto para futebol. – revirou os olhos e o namorado soltou uma risada fraca. - Voltando ao assunto, o cara que eles contrataram é .
- ? Esse cara não é jogador do Manchester United?
- Era. O Real contratou ele na surdina. – respondeu e a morena fez um bico do tamanho do mundo, ela não queria um ex-Manchester jogando no seu amado Real Madrid. – Por que essa cara de brava?
- é jogador do Manchester, não é motivo suficiente para eu detestar ele? Eu sou Chelsea, nasci na Inglaterra, é meu time do coração.
- Mas eu sou do Barcelona e você não me detesta.
- Mas você é um caso especial, certo? Mas voltando ao seu assunto, por que você ficou assim por causa da contratação dele?
- Você não acompanhou a Premier League, . Esse cara destruiu tudo, ele era um monstro em campo. Eu avisei para a equipe dar um jeito de trazer ele para o Barcelona. Ele seria uma ótima dupla de ataque comigo, você sabe que precisamos de outro cara para decidir jogo quando eu não estiver em campo, mas eles bateram o pé e disseram que não queriam um jogador problemático dentro do Barcelona. Eu insisti mais uma vez, só que o seu time teve a mesma ideia que eu. Eles já estavam de olho no e agora ele faz parte do time. Você sabe o que isso significa, ? Significa que ele vai decidir quando Ronaldo não estiver em campo. O time do Real está desfocado e com um técnico ruim, só que com esse cara vai ser diferente, ele só não joga como goleiro porque não dá. Eles vão dar trabalho demais para a gente. Nós vamos ter que dar tudo de nós na BBVA, UEFA, em todas as competições. Esse cara fodeu todo nosso esquema.
analisava as palavras de Enrique e tomava cuidado com o que iria falar, talvez ter um ex-Manchester jogando no Real Madrid não fosse tão ruim. Mesmo ela não entendendo o porquê do Barcelona dizer que ele era um jogador problemático, como poderia ser problema se levava o Manchester à vitória?
- Ah, Rik...
- Nem vem com "ah, Rik". Eu sei que você quer que seu time vença. – disse, cruzando os braços. Antes que ela pudesse ir até ele novamente, o celular da menina tocou, a fazendo ir até a sala.
- A que devo a honra? - perguntou assim que escutou a respiração de Richard do outro lado da linha.
- Bom dia, Sunshine! Como você está?
- Bem, obrigada! Quatro meses de férias, preciso de mais alguma coisa? - Na realidade, arrumei trabalhos para você.
- Teste para outro filme?
- Não, é algo bem mais simples. Uma campanha publicitária.
- Para qual marca?
- Calvin Klein.
- Você jura? – perguntou, animada, e escutou a risada de Richard do outro lado. - Eu topo, mas com quem é?
- É um jogador do seu time preferido.
- Chelsea ou Real Madrid?
- Real, .
- Isco, Sergio Ramos, Kross, Bale, Modrić...
- Pare, não. Antes que você fale a escalação toda do Real, é o . Ele é a nova contratação do Real, a antiga campanha dele na Inglaterra rendeu muito para a Calvin e como você é de lá e faz sucesso não só aqui e sim em várias cidades do mundo, eles pensaram em você.
- Meu Deus.
- Meu Deus mesmo! Sua carreira só está subindo, Sunshine. Seu primeiro ensaio para a Calvin vai ser logo um estouro, sabia? Enfim, te espero amanhã para assinar o contrato. Como você já aceitou, ótimo.
- Richa... – e desligou, sem dar a menor chance da menina falar algo.
Ela sabia que Enrique iria pirar e não era de uma maneira boa, era da pior maneira possível. estalou seus dedos, saiu da sala e entrou na cozinha em passos lentos.
- Quem era? - Rik perguntou assim que percebeu a namorada entrar na cozinha, ele bloqueou o telefone e o deixou na bancada.
- Richard.
- Mais contratos? – fez que sim com a cabeça – Com qual empresa? - Calvin Klein.
- Jesus, ! Que notícia boa, Calvin tem uma repercussão enorme!
- Tem mesmo. – respondeu e sentou no banco que ficava de frente para ele. - Algum problema?
- Não sei para você.
- Por quê? – perguntou, desconfiado.
- Vai ser uma campanha acompanhada.
- Ah, meu amor, eu já vejo seus filmes, você beija os caras. Não vou me importar muito em sair na rua e ver um outdoor seu com um modelo qualquer. - respondeu e deu uma risada fraca. Rik sabia que estava mentindo, mas não deixou transparecer, ele era ciumento e não ia ser uma sensação agradável passear por Barcelona ou Madrid e dar de cara com um homem segurando sua namorada seminua.
- É com o . - sussurrou e Rik a encarou com as sobrancelhas arqueadas. Se ele não ia ficar contente com um modelo qualquer, imagina com posando ao lado da namorada.
- É com quem, ? - chamou a namorada pelo sobrenome e respirou fundo, Rik estava com raiva.
- , a mais nova contratação do Real. – respondeu e Rik bufou, bateu na bancada com a mão fechada com uma força desnecessária e fez com que os copos caíssem.
- Você só pode estar brincando.
- É sério.
- Que porra! - gritou e pareceu gelar.
- Enrique. - sussurrou o nome do namorado, mas ele já estava em pé.
- Não vem com "Enrique", não! Porra, você e o ? Eu não estou acreditando nisso.
- Eu não tenho culpa se acharam que ele combina comigo...
- Ele combina com você?
- Para a campanha. Ele é inglês e eu também, agora ele joga no Real.
- Com que cara eu vou sair na rua quando eu ver minha mulher num outdoor com o rival? - É o meu trabalho, Enrique.
- Seu trabalho é fazer filmes, não posar ao lado do .
- Rik, vai ser bom para a minha carreira. Você já fez campanhas publicitárias somente de cueca e ao lado de várias mulheres. Eu fiquei desse jeito?
- É diferente...
- É diferente por que, Enrique Ávilla? Por que você é homem e eu sou mulher?
- Nenhuma delas ameaçava sua carreira. Nenhuma delas fazia filmes para concorrer com o seu.
- Você está sendo imaturo e infantil. – gritou pela primeira vez e se arrependeu quando Rik ficou a sua frente e apontou o dedo indicador em seu rosto.
- Quer saber ? Foda-se essa merda. Faça o que você quiser. Obrigado por arruinar mais ainda a porcaria do meu dia.
- Rik...
- Eu vou treinar em Barcelona. Amanhã a gente conversa, espero que você repense nessa sua ideia de posar ao lado desse merda. - disse num tom ameaçador e saiu da cozinha.
ficou estática no banco, não ousou nem olhar para trás. Pelo que ela lembrava, o namorado nunca tinha reagido daquele jeito. fechou os olhos assim que escutou o baque da porta e lágrimas começaram a cair.



A entrevista de tinha repercutido em escala mundial, e a única coisa que ele sabia era que os torcedores do time da Catalunha não estavam felizes com sua última declaração.
Bem que Valentina havia avisado que a partir do momento que ele fizesse do Real Madrid sua casa, tudo iria ser diferente. Jogos, entrevistas, treinos, saídas nos dias livres, até um simples jantar com a mãe, tudo iria ter grande repercussão. Era um preço a ser pago por estar no melhor time da Espanha - e do mundo.
A campainha da casa soou e ele não imaginava quem poderia ser, só tinha a companhia de Valentina em Madrid e ela sempre ligava antes de qualquer coisa, nunca aparecia de surpresa.
bloqueou o celular, abriu a porta e se deparou com Isco Alarcón e Gareth Bale. "O que aqueles dois estavam fazendo ali?" foi o primeiro pensamento de quando viu os dois jogadores sorrirem para ele.
- Se não chamar para entrar, eu entro do mesmo jeito.
- Sua mãe deve ter vergonha da criatura em que você se tornou. - Isco respondeu, Bale deu de ombros e revirou os olhos. - Oi, ! Podemos entrar?
- Entrem... Aliás, oi. Só não reparem na...
- Caralho! Você não tem mobília.
- Na falta de mobília. - completou enquanto Isco dava um soco no braço do galês. - Eu cheguei aqui tem três dias, cara.
- Três dias e já está causando polêmica. - Isco disse e os três riram.
- Eu disse que iria para o grande da Espanha e aqui estou. - Bale imitou o inglês, usando uma voz extremamente grossa e um sotaque espanhol carregado. dominava a língua espanhola, mas seu sotaque britânico ainda era forte. - Os caras já gostam de você só por conta disso.
- Aliás, pegamos seu número e vamos colocar você no nosso grupo. Dê uma olhada em seu celular depois.
- Certo, certo. Mas o que vocês vieram fazer aqui?
- Te deixar por dentro das novi...
- Bale quis vir logo fofocar, antes que você chegasse no CT e ficasse perdido. E para a sua tristeza, ele mora três quadras depois de você.
- Exato. - o galês respondeu. riu e os mandou sentar no que parecia ser a mobília de sua casa. - É o seguinte, temos jogo contra o pequeno time da Catalunha daqui a mais ou menos quatro semanas. O nosso técnico é um merda retranqueiro e provavelmente vai ser demitido, espero que Florentino não demore.
- Ele é realmente um merda, eu estava acompanhando os jogos. Puta merda, ele coloca o time todo na retranca; ele pensa que o Real é um daqueles times pequenos que ele treinava, é a única explicação.
- Sabemos. - Isco concordou, parecendo triste. - Tempos ruins, , tempos ruins.
- Pois é, e para completar a merda toda, nós temos outro problema.
- Mais um?
- Enrique Ávilla.
- O que se diz melhor do mundo?
- Esse mesmo.
- Qual é o problema?
- Ele é louco, . E aposto que não ficou contente com a sua entrevista. Rik sabe que és bom e que com você em campo algumas coisas vão ser diferentes.
- Esse merda pensa que pode mandar em tudo, cria confusão em campo, faz falta desnecessária, briga no vestiário. Aquele típico jogador estrela, sabe?
- Só que na mídia ele paga pau de bom samaritano e todo mundo crucifica quem vai contra ele.
- Esse mundo da mídia futebolística é uma desgraça, cara. E agora que você é um dos nossos, eles não vão te deixar em paz.
- Valentina me avisou sobre isso. Mas, Enrique... Ele vai me gerar problemas?
- Não tenha dúvidas.
- Eu sou um tanto quanto explosivo. - coçou a cabeça, envergonhado. não gostava de ser daquele jeito, não depois de tudo o que se passou em dois meses em Lavenham.
- Sabemos. Por isso viemos aqui também, ele vai querer te estressar ao máximo para que perca o controle, não pode deixar isso acontecer.
- Ele escolheu brincar com a pessoa errada, Bale. Enrique é... - não pôde terminar, foi interrompido pelo toque de seu celular. Tateou os bolsos, mas não o encontrou.
- Está aqui. - Bale jogou o aparelho em sua direção. - A gente pode jogar? – perguntou, apontando para o play4, fez que sim com a cabeça e atendeu o telefone. Era Valentina.
- ?
- Bom dia, querida!
- Tenho notícias.
- Mande.
- Você foi convidado para estrelar uma campanha da Calvin Klein, com .
- quem? – perguntou, mesmo já sabendo a resposta. Se ele pudesse ver seu reflexo, iria ver o quão grande foi o sorriso que abriu. Não existiam muitas em Madrid, aquele nome só ela tinha, e sabia muito bem daquilo.
- . Ela é uma atriz, .
- Por mim, tudo bem. - respondeu rápido antes que Valentina cogitasse mudar de ideia.
- Esteja amanhã em meu escritório, às dez em ponto. Se você atrasar, o cachê é meu. - foi a última coisa que escutou antes que Valy desligasse o telefone.
- Eu escutei você falar ? - Bale perguntou, sem tirar os olhos da televisão.
- Sim, . - respondeu e os olhos de Isco e Bale pareciam brilhar, e não era por conta do jogo. Eles pausaram o jogo e pegaram o celular, começando a digitar quase simultaneamente, ignorando totalmente a presença de ali.
- Por que te ligaram para falar dela?
- Vamos fazer uma campanha para a Calvin Klein.
- Puta que pariu. - Bale gritou e Isco riu. - Eu não acredito.
- Vocês a conhecem? - perguntou com a sobrancelha arqueada.
- Porra, . Ela é noiva do Enrique e por sinal, é gostosa para caralho. - Bale respondeu e Isco soltou uma risada. O espanhol concordava com o galês, mas ele também achava que deveria ser uma pessoa maravilhosa.
- Enrique tem noiva?
- Tem. E ele faz questão de exibir isso, principalmente no vestiário.
- Escroto. - grunhiu. sabia que não merecia um bosta daquele ao seu lado.
- E ela é linda, tenho pena dela. - Isco disse, parecendo triste, mas ao mesmo tempo com raiva de Enrique.
- Enrique Ávilla vai querer matar você, cara. - Bale disse e soltou uma risada.

🎬


juntou os copos que estavam caídos no chão, limpou o líquido que estava na mesa, jogou a comida que estava em seu prato no lixo e, em meio às lágrimas, lavou louça por louça.
Para , Enrique não era daquele jeito. Aquela tinha sido a primeira vez que ele havia quase agredido a menina, a primeira vez em que ficou com medo de seu companheiro, e aquela situação a assustava.
foi para a sala e deixou a televisão ligada em um canal qualquer, grande a merda que fez. Passava a notícia de que o marido tinha assassinado a esposa, que ela escondia a verdade de todo mundo e parecia pedir ajuda em silêncio. Ninguém a escutou, ninguém fez nada. "Estrume de gente, aquele cara, que ele apodrecesse na cadeia" pensou ao desligar a televisão, foi para o quarto, pelo menos ali teria um pouco de paz.
Não teve.
Só foi deitar na mesma cama em que esteve com Enrique noite passada que tudo o que ele tinha gritado na cozinha voltou como uma enxurrada. Parecia que Rik estava ali, parado na
porta, gritando com ela. encolheu-se na cama, colocou o edredom dos pés à cabeça e começou a chorar baixinho. O dia mal tinha começado e já estava sendo péssimo.
se assustou com o toque do celular, saiu do quarto, foi até a sala e quando o pegou para atender, a ligação já tinha caído. Era seu pai. Retornou para o quarto e assim que deitou, o nome dele voltou a brilhar na tela.
- Pai? - perguntou quase num sussurro, para ele não perceber a sua voz de choro.
- Por que você está chorando?
- Eu não estou... - e ela não aguentou, chorou ainda mais.
- O que aconteceu, meu amor?
- Enrique e eu brigamos. Sei que isso parece besteira, é só que a gente nunca brigou. - Tudo tem uma primeira vez, querida.
- Mas, pai... Eu não quero que tenha uma segunda.
- O amor é paciente, lembra?
- Ele não foi nada paciente agora. - respondeu e seu pai deu uma risada baixa. - Desde quando Enrique Ávilla é paciente?
- Comigo ele é.
- Tem certeza? - perguntou e calou.
Lembrou das vezes em que o namorado tinha perdido a calma quando saíam e ela não vestia uma roupa do agrado dele ou quando saía para jantar com seus amigos. Ou quando estava naqueles dias e não queria transar com ele. Mas, para , ele só deveria estar estressado com as cobranças do trabalho e todo o resto. Enrique era assim, e ela o amava, os dois se amavam.
- Ainda está na linha?
- Sim, pai. Eu só estou me sentindo estranha.
- Estou sentindo falta da minha garotinha, quando você vai vir para casa? - Pai, minha casa é em Madrid.
- Sua casa verdadeira.
- Eu tô com quatro meses de férias, acho que quando o Ives, chegar podemos passar uns dias aí juntos. Por que o senhor não vem para Madrid?
- Porque coisas maravilhosas vão acontecer com você nesse tempo e você terá que enfrentar sozinha.
- Como você pode saber?
- Porque você merece, .
- Eu sinto sua falta.
- Eu também sinto a sua. Agora que tal dormir um pouco?
- Eu não vou conseguir dormir desse jeito.
- Vá até a cozinha. - ordenou e ela riu, ainda deitada na cama. - Vá, . - Tá bom. - saiu do quarto, indo em direção à cozinha.
- Pegue a caixa de remédios em cima da geladeira. - deixou o celular na bancada da cozinha e se esticou para pegar a pequena caixa branca em cima da geladeira. - Abra e pegue o calmante, sim, aquela pílula que ajuda você a dormir.
- Papai...
- Ande, . - disse e ela fez. Abriu a geladeira e tirou a jarra d'água, pegou um copo do escorredor e despejou o líquido lá dentro. - Agora tome o remédio. Vá para o quarto e deite.
- Pronto, papai.
- Se embrulhe. - pediu e a menina obedeceu. - Deixe o celular no viva-voz. - Pronto. - respondeu assim que deixou o celular ao lado do travesseiro.
- Feche os olhos e deixe sua mente livre. - seu pai disse e assim ela fez. Como se ele soubesse que a menina tinha cumprido suas ordens, começou a cantar para a menor. - A vida é boa filha, só precisamos agarrar a felicidade e não deixá-la fugir.
Foi a última coisa que compreendeu antes de adormecer.



As duas horas que Isco e Bale passaram jogados no sofá e na poltrona de , passaram sem que eles dessem conta. Os três estavam com suas atenções voltadas para o jogo de Fórmula 1 no Playstation, no qual Bale sempre perdia, e no Instagram. adorava a rede social e adorava mais ainda postar fotos não tão boas dos mais novos amigos. Também adorava quando recebia comentários o apoiando a postar tais fotos. Bale e Isco que se preparassem, agia como um adolescente no colégio naquele aspecto. E ele não estava disposto a mudar.
bateu uma foto de Isco e assim que postou, escutou a reclamação de Gareth. Com toda a certeza o galês já estava perdendo para o espanhol.
- Você trouxe roupa pelo menos? - Bale perguntou quando Isco conseguiu ultrapassá-lo mais uma vez no jogo.
- Claro que trouxe, por quê?
- Tô com fome, vamos almoçar fora.
- Isso tudo é desculpa porque já é a quinta corrida que ele perde. - o espanhol se meteu e o acompanhou na risada.
- Cala a boca, Isco. - jogou o travesseiro que estava entre suas pernas no menor. - Você quer sair para comer, sim ou não?
- Tudo bem. - respondeu e foi para o quarto, tirou a bermuda que vestia e pegou uma calça jeans, colocou uma blusa preta, calçou seu tênis, pegou os óculos escuros da bancada e saiu do quarto.
- A florzinha até que se arruma rápido. - Bale comentou e Francisco riu. - Até que ele não demora para arrumar o cabelo como você.
- Babaca. - Bale e responderam juntos. Os dois usavam cabelo grande, só que era dono de uma barba grande.
- Toda loira tem sua morena, não é mesmo?
- Você está cada dia mais ridículo. - Bale disse e o empurrou porta afora.
- Vamos de carro? – perguntou ao ver um belo Mercedes C63 AMG estacionado em frente à sua casa.
- Você queria que fôssemos como? De velocípede? - Bale perguntou e Isco riu, entraram no carro e o galês dirigiu por ruas desconhecidas pelo menor.
- Você ainda não tem um carro, né? - Isco perguntou.
- Se ele não tem nem mobília, como vai ter um carro? - Bale respondeu ironicamente e Isco revirou os olhos.
- Aconteceu uns problemas, vendi todos os meus carros. – explicou, sem entrar em muitos detalhes, eles deveriam saber que se metia em problemas quando ainda estava em Manchester.
- Semana que vem vamos escolher um carro para você, ok?
- Você acha que eu vou ter dinheiro assim - estalou os dedos. - Para comprar um carro novo? - e os dois riram.
- Você recebe papel por algum acaso? - Bale perguntou e balançou a cabeça negativamente.
- Ei, ! - Isco gritou.
- Meu tímpano, porra! - Bale gritou de volta, freando por conta do susto e, por sorte, do sinal vermelho.
- Seu telefone está tocando. - avisou ao loiro. - Só quis ser prestativo. - se explicou e deu um tapa em Bale, esse que diminuiu um pouco o volume do rádio.
A ligação acabou indo parar nas chamadas perdidas, mas retornou imediatamente. A mulher que ele mais amava nessa vida não poderia esperar.

Capítulo 3

🎬


acordou com o barulho que parecia ser infinito da campainha, levantou da cama já querendo voltar, seu corpo não doía, mas o coração parecia pesar uma tonelada. A menina amava Enrique, mas desejou que ele não fosse ali; não iria aguentar mais um round daquela briga que, para ela, parecia sem o menor sentido. E realmente não tinha sentido algum.
olhou pelo olho mágico e finalmente pôde respirar, aliviada, sua melhor amiga estava ali.
- O que aconteceu com você?
- Enrique Ávilla. - respondeu, e a loira a encarou com a sobrancelha arqueada. - Brigamos ontem.
- Para de mentir, . Desde quando você briga com Enrique?
- Ele foi idiota, Any. - murmurou e a melhor amiga a abraçou com força.
- Ele é idiota, . - respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. E no fundo, sabia que as palavras eram verdade; mas estava apaixonada demais para admitir aquilo. Preferiu chorar sem dizer uma palavra enquanto apertava o corpo da melhor amiga contra o seu. - Não chore, pare, você não pode se culpar por ele ter sido um babaca. O que aconteceu ontem?
- Recebi uma proposta para fazer um ensaio fotográfico.
- Com o ? Está no twitter da Calvin Klein, querida.
- Sim, com esse mesmo. Enrique surtou, saiu transtornado, Any. Nunca tinha visto desse jeito.
- Ele bateu em você?
- Ele não é doido, Antoniele. – respondeu, saindo dos braços da amiga. Sentou no sofá e a loira logo sentou ao seu lado.
- Você não merece sofrer por um amor bosta.
- Não diga isso, ok? Nós só brigamos, vai passar. E você e o Ives? Você não pode falar muito sobre amor. - retrucou e Antoniele baixou o olhar. As coisas no relacionamento dela com o irmão de não estavam indo muito bem, e o fato dele viver viajando, não ter tempo quase de respirar, não facilitava as coisas. sabia que Any estava chateada em relação a ele e só teve mais certeza que isso realmente a afetava quando Antoniele começou a chorar igual a um bebê. O coração da morena apertou na mesma hora e ela se arrependeu de cada palavra dita. - Desculpa.
- Você está certa. Quem sou eu para falar de amor, né, ? Meu relacionamento está caindo aos pedaços e eu aqui, tentando te dar sermão sobre o seu.
- Any, me desculpe. Você estava tentando me ajudar, eu fui rude, me desculpe.
- Não, . Você está certa, talvez eu só falei para você o que na verdade eu queria escutar de alguém.
- Antoniele...
- Ives prometeu que viria no próximo final de semana ver minha apresentação no teatro, ele ligou ontem cancelando porque iria ter um jantar importante. Brigamos e eu desliguei na cara dele.
- Eu vou matar esse idiota.
- Você não vai matar ninguém, sua engraçadinha. Olhe para nós, certo? Estamos aqui, sentadas num sofá, chorando por dois idiotas que nos chatearam. , nós somos maravilhosas para isso.
- Você é uma boba! - Antoniele riu entre lágrimas que insistiam em cair.
- Eu sou uma mulher. E você também é! Levanta essa bunda desse sofá, nós vamos sair. - ordenou ao mesmo tempo em que estapeava o braço da menor.
- Eu só quero deitar, Any.
- Não, nós iremos sair! - Antoniele se levantou do sofá e estendeu a mão para a amiga. - Você não tem que assinar um contrato? Vamos logo! - gritou e a puxou do sofá. A empurrou até o
quarto e não saiu da porta do banheiro enquanto a morena não se despiu e entrou no box. Antoniele riu da relutância de em enfrentar a água gelada e voltou para o quarto.
sabia que tinha muita sorte de ter Antoniele em sua vida.



acordou ao som de The Killers. Somebody Told Me era o toque de seu celular, e assim que desbloqueou a tela, deparou-se com 15 chamadas de Valentina. Prestou atenção no relógio e percebeu que já eram onze horas da manhã, estava exatamente uma hora atrasado.
Correu para o pequeno banheiro do quarto, tomou um banho rápido, vestiu a primeira roupa que viu pela frente e saiu que nem louco de casa. Valy iria enterrar o loiro vivo. ligou para o motorista que Valentina tinha disponibilizado, e por sorte, ele estava bem perto de La
Finca. esperou sete minutos e o carro mal parou em frente à sua casa, ele já estava entrando.
- Bom dia e desculpe pela ligação de última hora.
- Não tem problema, senhor... . - se corrigiu e o loiro sorriu. - Escritório de Valentina?
- A fera me aguarda. - brincou e o motorista riu. Para Joe, a mídia estava muito enganada a respeito do loiro. não era um homem mau.
Por sorte, as vias de Madrid estavam tranquilas e eles chegaram em menos de meia hora. agradeceu e fez a promessa que avisaria antes quando precisasse.
- Valentina, querida. - disse e deu seu melhor sorriso no momento em que a empresária o encarou.
- Às vezes me pergunto onde foi parar sua pontualidade britânica. - resmungou, riu e sentou em uma das cadeiras que estavam na sala.
- Nunca tive.
- Engraçadinho. - murmurou e estendeu vários papéis para o loiro. - Isso é para você assinar, é o contrato com a marca.
- Me diz que você já leu, por favor.
- Já, . Você só precisa fazer pequenas propagandas da marca, sabe? Usar uma cueca e tirar foto com ela, uma blusa, etc, essas coisas que gente famosa faz. Você já está acostumado.
- Depois de meses parado, terei que praticar. Mas a gente aprende a se acostumar novamente. - Você tem falado com a Sue?
- Ela me ligou ontem, a mulher da minha vida não é só minha mais.
- Você está sorrindo que nem bobo.
- Ela merece e no fundo eu já sabia, ela que estava com vergonha ou medo de me contar. Eles nasceram um para o outro.
- Sua mãe é maravilhosa mesmo, sinto falta dela. E de Kalani também.
- Eu sinto todos os dias, queria trazê-los para Madrid, mas ela insiste em dizer não. - disse ao mesmo tempo em que assinava os papéis; assim que os devolveu para Valentina, seu telefone começou a tocar e o nome de Isco brilhava na tela.
- Você quer sair para almoçar?
- Sim, ainda não comi nada.
- Tá na sua casa?
- Não! Eu to no escritório da Valentina, fica no Paseo de Recoletos.
- Vou passar aí, de lá vamos para Valdebebas, ok?
- Beleza. - respondeu e desligou a ligação. - Valy, querida, já irei.
- Não vá aprontar, ok? - bateu continência e saiu da sala com as risadas roucas de Valentina. Já era de praxe as pessoas falarem para ele não aprontar. já estava acostumado, mesmo tentando ser uma pessoa melhor.
O loiro desceu pelo elevador e ficou na porta do que parecia ser uma recepção, até que um Audi vermelho parou bem na porta; quando o vidro baixou, Isco acenou para ele e o inglês entrou pela porta traseira do carro.
- , esse é Kovačić, Mateo, esse é o . Não que vocês não tenham escutado falar um do outro.
- E aí, cara? - Mateo o cumprimentou no momento em que virou para trás. - Tudo bem? – perguntou, batendo em sua mão direita.
- Tudo tranquilo. Tá gostando daqui?
- É bem diferente da Inglaterra, mas acho que posso acostumar. - respondeu e os dois riram. - Madrid é um lugar louco, . Você vai adorar.

🎬


ligou para a cooperativa de táxi e um tempo depois o interfone tocou, era o porteiro avisando que o táxi já estava à espera. Saiu de casa com Antoniele e em poucos minutos as duas já estavam indo rumo ao escritório de Richard. O taxista dirigiu por ruas conhecidas das duas amigas e depois de vinte minutos, elas chegaram ao destino combinado.
pagou o valor cobrado, mais a gorjeta, agradeceram a corrida e entraram no enorme prédio, onde Richard tinha um andar só para o seu escritório. O elevador indicou que já estavam no vigésimo andar e Antoniele preferiu esperar a amiga em uma das inúmeras cadeiras que estavam ali, a morena concordou e entrou na sala do empresário.
- Olá, querido! - cumprimentou, ele saiu de trás de sua mesa e abraçou a menor. - ! Senti sua falta. - Rich disse assim que lhe deu um abraço apertado.
Além dele cuidar de todos os contratos da morena, ele cuidava dela. Richard era uma espécie de pai em Madrid para a menina, já que o seu verdadeiro pai estava na Inglaterra.
- Três meses, mas já estou de volta. Vim assinar o tal contrato.
- Pensava que vinha ontem, pensei que você viria correndo!
- Tive uns probleminhas ontem.
- Isso está me cheirando a Enrique Ávilla. O que o camisa 10 aprontou?
- Ah, Rich. Estava tudo tão bem anteontem, mas ontem quando acordei, ele estava bravo e ficou ainda mais por conta da campanha da Calvin.
- Não acredito! Ele ficou com ciúmes por causa de algumas fotos? Você nem conhece o !
- Ele detesta o e nem conhece o garoto.
- Deve ser ciúmes, . O garoto vai jogar no seu time do coração, coisa que ele jamais faria. - O menino ainda nem começou a jogar no Real Madrid.
- Dizem que ele vai ser um monstro.
- Espero que sim, quero o Real Madrid melhor que nunca nessa temporada. - Mesmo sendo o maior adversário do time do seu namorado?
- Eu amo o Enrique. Mas conheci o Real primeiro.
- Ok, senhorita Madrid. Aqui está o contrato.
- Eu devo ler, ou você já leu?
- Já li cinco vezes. Você só precisa fazer de vez enquanto uma propaganda da marca. Coisas de sempre.
- Ah, sem problemas. - deu uma rápida olhada no contrato e assinou no final da folha. torcia para que aquela campanha fosse um sucesso. - Quando vai ser?
- Então, esse é o pequeno detalhe que falta. Ainda não temos data certa porque o menino ainda não assinou o contrato, mas falei com a empresária dele há pouco tempo e ela disse que de hoje não passa, que ele só estava atrasado para a reunião.
- Esses jogadores... - resmungou, ele riu e lembrou de Enrique ter falado que ele era um jogador problemático no Manchester. Talvez o problema dele fosse com horários, pensou a morena, nada grave. - Enfim, você me liga qualquer coisa? Eu tô com Antoniele aí, não quero deixá-la sozinha por muito tempo. Ela e Ives andam tendo problemas demais, acho que vão se separar.
- Você vai cuidar dela, né?
- Ela é praticamente minha irmã, nunca a deixaria sozinha.
- Então ok, eu te ligo quando souber detalhes do local e da hora.
- Certo, até mais então.
se despediu de Richard com um abraço e saiu da sala, percorreu um pequeno caminho e percebeu a melhor amiga encostada numa coluna, com a cabeça baixa e parecendo triste. Assim que Antoniele notou a presença da morena, sorriu fraco e estendeu o telefone.
reconheceu o dono do sotaque britânico imutável no primeiro segundo. - Ives!
- Oi, Fionna. Como você está?
- Mais ou menos, recomendo que brigue com seu melhor amigo.
- Você e Ávilla brigaram? O que ele fez?
- Ficou transtornado por causa de um cara que eu nem conheço.
- ?
- Como você sabe? - perguntou e o irmão mais velho deu uma risada.
- Todo mundo já sabe que você vai fazer uma campanha com ele, a Calvin postou há trinta minutos.
- Sério?
- Aham.
- Eu pensava que tinha falado para você.
- Não, nós estávamos conversando sobre outra coisa. - respondeu e olhou , essa que parecia pensativa.
- Precisamos conversar depois.
- Ah, ... Eu vou precisar ensaiar agora, até depois, eu te ligo. - e antes que a menor pudesse protestar e dizer que ele só estava fugindo do assunto, Ives desligou o telefone.
- Ele desligou? - Any perguntou e ela fez que sim com a cabeça. - Eu já imaginava.
- Não fique assim, certo? Ele não vai fugir de mim para sempre. - disse e puxou a melhor amiga para um abraço.
- Vamos almoçar? - perguntou passando as mãos pela roupa e andou com a melhor amiga até o elevador.
- Onde você está pensando? - perguntou enquanto esperavam o elevador chegar ao térreo.
- No Taberna El Sur.
- Vamos, eu gosto daquele lugar. - respondeu e as duas saíram de mãos dadas do prédio.



Os três chegaram no restaurante que ficava afastado das ruas do centro da cidade, depois de trinta minutos, Isco perdia muito tempo tentando achar a música certa. Acabou escolhendo Justin Bieber, mesmo com os protestos de e Mateo.
O restaurante parecia pequeno, mas ao mesmo tempo aconchegante, sua frente era toda feita por tijolos marrons, dava um aspecto antigo ao local, mas ao mesmo tempo bonito. só esperava que a comida fosse realmente boa, já que estava morrendo de fome. Eles escolheram uma mesa quase ao final do lugar e assim que colocaram a bunda na cadeira, o garçom foi atendê-los.
Isco e Kovačić escolheram o Coq au vin, e acabou escolhendo o mesmo que eles. Mateo disse que era o melhor do restaurante e que era frango cozido com bacon, cebola, alho, vinho tinto, cogumelos, salsa, entre outros ingredientes que impressionaram o loiro. adorava cozinhar, ele tinha aprendido desde os dez anos com sua mãe, e aquele prato já tinha o conquistado só por seus ingredientes. realmente esperava que fosse gostoso.
- . - Isco sussurrou ao cutucar o inglês.
- O que foi?
- Aquela é a . - sussurrou e apontou discretamente em direção às duas mulheres que entravam no restaurante.
reconheceu assim que pousou os olhos nela, apesar dela estar totalmente diferente. Seu coração pareceu acelerar enquanto ele notava as mudanças que tinham ocorrido com o passar do tempo. não estava mais tão baixa, mas não era alta, talvez a saia comprida lhe deixasse com uma altura maior. Ela era dona de um corpo belo e sorria enquanto a outra sussurrava coisas em seu ouvido. O sorriso de continuava incrivelmente belo.
A que estava acompanhando a morena já era uma loira alta, tinha pernas esguias e aquela roupa parecia ter sido feita sob medida, era engraçado que apertava onde tinha que apertar, marcando justamente as partes do corpo que mais chamavam atenção: sua cintura fina e seus seios enormes.
- A morena. - Kovačić sussurrou ao mesmo tempo em que as duas passavam por eles. Isco bateu em sua própria testa e escondeu uma risada.
- Ela é bonita. - preferiu dizer quando percebeu que as duas já estavam bem afastadas. Não quis comunicar aos colegas que já conhecia , a morena parecia nem lembrar dele. Mas era aceitável ela não reconhecê-lo, já não tinha mais 12 anos, um corpo fino e cabelo estilo militar. Ele era dono de um corpo alto e malhado, uma barba gigantesca da
mesma cor que o cabelo, que também era comprido. Quem o visse de primeira, poderia jurar que tinha saído da série Viking.
- Você ainda não viu nada. - Kovačić sussurrou e Isco afirmou rindo. - Quem é a loira, Isco?
- Não sei. - respondeu e olhou na direção da mesa onde as duas se encontravam. - Mas vou descobrir. - Isco fez sinal para o garçom que estava atendendo e o mesmo fez sinal para que ele esperasse. Ele chegou na nossa mesa ao mesmo tempo em que o garçom que tinha atendido os garotos primeiro, chegava com os pedidos. - Amigão, preciso de um favor.
- Pode falar, senhor. - o garçom que atendeu e a loira respondeu. Kovačić agradeceu ao outro pelos pratos e voltou a prestar atenção no diálogo que Isco estava tendo com o funcionário.
- Me empresta sua caneta? Eu quero que você leve um drink para aquela moça loira que você acabou de atender e entregue esse papelzinho. - disse enquanto rabiscava alguma coisa no guardanapo.
- Qual drink? - o garçom perguntou enquanto colocava o papel na bandeja. - O melhor que você tiver. - respondeu e devolveu a caneta para ele.
- Sim, senhor.
- Obrigado.
, Mateo e Kovačić pararam de comer no momento em que o garçom passou pela mesa com os pedidos das duas. Kovačić não sabia ser discreto e menos, não pararam de olhar até ele depositar uma pequena taça com o mesmo guardanapo na frente da loira. Ela leu, riu, parecendo envergonhada e mostrou o papel para a amiga. As duas olharam na direção da mesa e Isco deu um pequeno aceno, e os dois também sorriram, mas viraram quando Isco chamou a atenção deles. demorou um pouco mais de tempo porque encarava , mas voltou a encarar Isco quando o espanhol o cutucou mais forte.
- Não pode olhar muito, ela vai se achar demais.
- Você pagou um drink caríssimo para uma mulher que não sabe nem se vai responder, deixa de ser idiota.
- Idiota não, estou pensando no futuro, querido Mateo. Investimento a longo prazo.
- Aham, sabemos. - Kovačić e falaram juntos. Eles voltaram a comer e o garçom passou pela mesa, mas não disse nada. Era como se ele nem lembrasse do ocorrido.
- Nós avisamos, querido. - Mateo sussurrou e Isco lhe mostrou o dedo do meio, Kovačić e riram e eles voltaram a comer. Francisco avisou da sobremesa e o espanhol fez sinal para que o garçom pudesse trazê-la. O garçom mal deixou o pedido na mesa e foi quando uma mão branca parou no ombro de Isco, ele retraiu por impulso e duas risadas se fundiram; os três olharam para cima e se deram conta que eram as duas meninas.
O coração de pareceu acelerar mais ainda por estar tão perto de . Tão perto e ao mesmo tempo tão longe. O loiro apenas abaixou a cabeça e comeu em silêncio, tentando evitar o contato com ela. Se soubesse quem ele era, ela devia detestá-lo. Ele era uma péssima pessoa em Manchester, mesmo tendo algumas memórias boas. Quando ele ainda não tinha estragado tudo com seus amigos e pessoas queridas na cidade.
- É Antoniele. - a loira disse para Isco, enquanto a morena tentava não rir da pequena cena. - E obrigada pelo drink, ele estava muito bom. - e as duas saíram do restaurante sem nem olhar para trás.
- Antoniele. - Isco sussurrou e riu enquanto batia em seus ombros. - Ainda dá tempo de você correr e pedir o número dela.
- Relaxa, . Quando duas pessoas têm que se encontrar, a cidade torna-se pequenina.
- Ora, ora, temos um novo Shakespeare por aqui.
- Calado, Mateo. - Isco resmungou enquanto Kovačić e riam.
Isco tinha ganhado o seu dia, assim como .



Continua...



Nota da autora: Oi, xuxus! Bom, hoje vocês descobriram que Daniel já conhecia Nalani e que a nossa menina não se lembra dele. Ele tá bem diferente, quem ia reconhecer um Viking desse, não é mesmo? hahahaha. Espero que gostem.
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Obrigada por acompanharem. ♥️
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Nota da beta: Gente, eu não acredito que eles se conhecem... Bom, que ele conhece ela, né? E ele todo calado, não falando nada, eu tô MUITO ansioso para finalmente ter uma interação deles... PARA DE ME DEIXAR ANSIOSAAAAA! Eu amei esse Isco, meu Deus hahahahaha <3 MANDA O QUATROOOO <3

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