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Última atualização: 09/06/2020



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Prólogo

Casa dos Lombarddi - 25 de outubro de 2008 - 11:15 AM
Ah, o dia de "descanso" da Família Lombarddi. Sem deveres para fazer, folga dos pais, sem contato com a tecnologia, só curtindo a companhia uns dos outros. Menos para Olívia, que tinha uma grande encomenda de roupas para entregar à distribuidora. Ela e a irmã teriam um dia de muito trabalho.
- Meus amores, a mamãe promete chegar a tempo para o nosso jantar em família, ok? – Olivia disse e os filhos concordaram com a cabeça revirando os olhos enquanto ela os apertava em um abraço coletivo.
- Mãe, para com isso, já somos bem velhinhos para isso, você não acha? – Luke perguntou para a mãe enquanto arrumava seu cabelo.
- Não – ela respondeu bagunçando novamente o cabelo do filho que desistiu de tentar arrumá-lo – Aproveitem o dia de descanso de vocês e quando eu chegar se preparem que vamos comer pizza – os filhos sorriram e correram para abraçar a mãe novamente fazendo um monte de planos para o dia do descanso enquanto Olivia ia conversar com o marido. Apesar de dizerem que estavam velhos demais para carinhos de mãe, não podiam negar que os abraços da mãe eram os melhores e que no fundo gostavam de todo aquele carinho.
- Querido, não deixa eles comerem muita porcaria hoje, certo? – Ele revirou os olhos – É sério, Dylan, você sabe como eles gostam de abusar nos doces quando vão para a casa dos meus pais, principalmente porque a minha mãe ama fazer as vontades deles – ela foi colocando alguns papéis em sua pasta.
- Querida, eles não são mais crianças, eles têm 14 anos, sabem se controlar – ela olhou para o marido com cara de poucos amigos e cruzou os braços – Tá certo, eu vou regular as besteiras que eles vão comer, pode deixar – eles desceram as escadas – Agora anda logo, quanto mais cedo você for, mais cedo você volta e pelo menos pode fazer a maratona de filmes com a gente – ela sorriu – Sem falar que eu e a galerinha do terror lá em cima – apontou para o primeiro andar, onde se podia ouvir os filhos gritando e rindo – Temos que ir para o heliporto daqui a meia hora que o nosso helicóptero vai sair às 11:45 – ela concordou e se despediu.
Dylan foi até o primeiro andar e entrou no quarto onde os filhos estavam fazendo uma guerra de travesseiros – Ei! – Gritou e os filhos pararam na hora esperando a bronca – Nem me esperaram para começar a guerra de travesseiros, né, seus traíras? – os filhos relaxaram e correram até o pai começando a bater nele com os travesseiros. Ele tropeçou, caiu de barriga para cima e os filhos correram para fazer cosquinhas nele que começou a rir junto com eles.

***

Calabasas – 12:49 PM
Dylan chegou com os filhos no condomínio onde os pais de Olivia já os esperavam.
- Desculpem a demora, nos atrasamos um pouco para sair de casa – Dylan sorriu explicando o que aconteceu enquanto cumprimentava os sogros.
- Oi, meus amores – A senhora sorriu, se abaixou e os netos foram correndo abraçá-la. Teresa, a mãe de Olivia, era muito querida, tanto pelos netos quanto pelo genro, eles tinham uma relação muito boa, assim como Olivia também tinha com os pais de seu marido. Esse era um dos motivos pelos quais estampavam capas de revistas e eram chamados de “Família Perfeita” ou de “Família de Ouro”.
- Vô, nós temos novidades – Luke disse feliz e os irmãos sorriram e começaram a contar sobre tudo que estava acontecendo na escola. Depois de algum tempo conversando resolveram se dividir e passar a tarde em duplas fazendo o que sempre faziam. Jade ficou com a avó ouvindo suas histórias de quando atuava na Broadway, Dylan foi com Luke para o campo de futebol americano treinar alguns lances para os jogos da escola e Anna saiu com o avô para o estábulo para passear a cavalo. E o dia do descanso só estava começando.

***
Calabasas – 13:45 PM
- Quando você volta para a Itália com o vovô, vó? – Jade perguntou enquanto experimentava um vestido.
- Amanhã mesmo, querida – Teresa respondeu triste para a menina – Tenho muito trabalho para fazer ainda antes de me aposentar dos palcos – ela riu – Mas é só à noite.
A menina sorriu e olhou para o nada, sentindo um aperto leve no peito.
- Sabe, vó... – ela começou – Eu estou com uma sensação estranha.
- E como é essa sensação?
- Não sei, não dói, mas também não me sinto bem – ela disse terminando de trocar de roupa – Deve ser a saudade que eu vou sentir de vocês quando voltarem para a Itália – ela deu de ombros.
- É só vocês irem nos visitar, querida, eu e seu avô também sentimos muita falta de vocês, mas não podemos ficar muito tempo, você sabe que com todo o trabalho que o seu avô e eu temos fica um pouco difícil ver vocês com mais frequência principalmente depois que vocês se mudaram de vez para os EUA.
- Eu sei vovó, o vovô tem que salvar o mundo e você tem que alegrar as pessoas no teatro – ela sorriu – Eu tenho muito orgulho de vocês – sorriu e abraçou a avó – Vamos voltar? O papai deve estar nos esperando para almoçar – ela concordou e foram caminhando e conversando até onde os outros estavam.

***
Estábulo/Calabasas – 17:19 PM
Depois de almoçarem, assistiram um filme e quando o mesmo acabou os adultos ficaram conversando enquanto os irmãos foram cavalgar juntos para encerrar o dia.
- Bom, eu pretendo ganhar uma regional esse ano com a equipe de líderes de torcida e me destacar como flyer da equipe, sem falar que a treinadora sabe o quanto eu sou boa e até já cogitou me escalar para a equipe da liga de animadoras para competições internacionais e ainda disse que se eu me empenhar e continuar nesse ritmo posso até virar capitã – Anna contava seus planos e os irmãos ficaram animados por ela.
- Isso vai ser incrível, mana – Jade disse para a irmã que sorriu – Luke, você precisava ver o teste que a Aninha fez para a equipe, ela foi a melhor.
- Olha só quem fala – Anna disse – E o seu teste para o clube de teatro? Luke, foi a coisa mais incrível, eu até chorei – Anna sorriu para o irmão que riu.
- Você chora por qualquer coisa, Aninha – Luke zombou da irmã, Jade riu concordando e Anna ficou emburrada, mas acabou rindo também.
- Mas nada se compara com você no campo, Luke – Anna disse e as bochechas do menino ficaram vermelhas – Depois que terminamos de fazer os nossos testes fomos correndo te ver e você foi incrível, e depois você diz que não temos motivos para te chamar de Speed, você conseguiu passar por todos aqueles garotos malhados super-rápido.
- Mas eu só fui aceito porque usei aquele passe que eu e o nosso pai treinamos, não achei nada demais – Luke deu de ombros, sempre achava que estava faltando alguma coisa em seus passes.
- Que nada, você estava ótimo, maninho – Jade disse e o menino deu um sorriso de canto.
- Ah, deixa disso – Anna começou tentando convencer o irmão de que ele tinha sido ótimo no teste – Admita que você é um dos melhores e mais rápidos que aquele time já viu em anos, Speed – Anna disse e logo depois sentiu o cavalo estremecer e sair correndo desenfreado. Luke e Jade seguiram o cavalo quando o mesmo relinchou, empinou nas patas traseiras, derrubou Anna no chão e saiu correndo novamente.
- ANNA! – Jade gritou e correu com Luke até a irmã – Meu Deus, Luke, a cabeça dela tá sangrando – disse assustada.
- Coloca a cabeça dela no seu colo – Luke falou pegando o lenço que estava em seu bolso e deu à irmã – Toma, coloca em cima do ferimento para estancar o sangue, eu vou voltar em casa e pedir ajuda.

***
Pacific Shores Hospital – 18:38 PM
- Ela teve uma concussão, nada muito grave, mas o corte na cabeça foi um pouco fundo por isso sangrou bastante, mas ela está bem, só está sentindo um pouco de dor de cabeça e está um pouco confusa, o que é normal, só vou prescrever um antibiótico para ela caso ela sinta muita dor de cabeça e já posso dar alta para ela hoje mesmo – o médico sorriu – Vocês podem vê-la agora se quiserem. – Eles seguiram o médico e foram ver Anna.
- Poxa, baixinha, que susto você nos deu hein? – O avô disse sentando na cadeira ao lado da cama.
- A minha cabeça dói – Anna disse ao avô dando um sorriso meio grogue e fechou os olhos.
- Conseguiu ligar para a mamãe, pai? – Jade perguntou – Avisar a ela o que aconteceu e que vamos chegar um pouco tarde?
- Liguei para ela, mas só chama e ninguém atende – Dylan respondeu tentando mais uma vez – Agora deu na caixa.
- Deixa para lá então, pai, quando ela ver as chamadas ela liga de volta – Luke disse e o pai concordou indo falar com Anna.

***
Casa dos Lombarddi – 25 de setembro de 2008 – 19:27 PM
Após voltarem do hospital com Anna ainda meio grogue perceberam que Olivia ainda não tinha cegado, o que era estranho porque já passava das 19h e Olivia ainda não tinha chegado. Ela nunca se atrasa para o jantar.
- Pai? – Luke chamou e seu pai virou o rosto em sua direção – Que horas a mamãe chega? Ela tá demorando muito.
- Eu não sei, campeão – Dylan respondeu se sentando – Deve ter ocorrido algum problema lá na Grivolly – Luke assentiu e se sentou também.
Eles apostaram corrida e entraram pela porta da cozinha já se sentando na mesa.
- Luke, você está sujando a cozinha toda de terra com essas sandálias sujas – Jade reclamou – Anda, coloca elas na lavanderia antes que a mamãe chegue e veja – Luke revirou os olhos com o jeito mandão da irmã, mas foi colocar as sandálias sujas na lavanderia.
- Vocês sabem que a gente não janta enquanto a mamãe não chegar, não é? – Anna perguntou tomando o remédio que o médico passou. Seu pai e seu irmão embirraram e disseram juntos:
- Mas eu estou com fome! – E riram por terem falado ao mesmo tempo.
Ninguém podia negar que Luke se parecia muito com o pai e que além disso eram melhores amigos. Eles tinham o mesmo amor pelo futebol, tinham o mesmo sorriso com covinhas, os mesmos olhos.
Luke começou a conversar com as irmãs enquanto Dylan tentava ligar para o celular de Olivia novamente quando ouviram um barulho muito alto vindo da sala e correram para ver o que tinha acontecido. Uma das empregadas tinha derrubado uma bandeja na sala e olhava assustada para a TV.
- Meu Deus, Trude, o que aconteceu? – Dylan perguntou assustado e ela apontou para a TV.
“Olá, eu sou Ava Jenkins e estou falando da Rodeo Drive onde fica localizado uma das maiores lojas de departamento de Beverly Hills, a Grivolly, que pertence a Olivia de Fiore Lombarddi, uma das estilistas mais requisitadas dos EUA. Há alguns dias, fiscais fizeram um alerta de que havia vazamento de gás em uma parte isolada da Rodeo Drive e que a interditariam, porém, o chefe da polícia local, Jeff Hopkins, afirmou que não havia vazamento nenhum e que as lojas abririam normalmente, sanando as dúvidas das pessoas que estavam com medo de fazer suas compras. Como algumas lojas estavam passando por inspeção, suas mercadorias foram tiradas de lá um dia antes, no entanto, houve uma queda de energia geral deixando o quarteirão inteiro totalmente no escuro, e, então, se ouviu uma explosão. A Grivolly havia acabado de explodir e pelas informações que recebemos, Olivia estava dentro do local, porém, a polícia não encontrou nenhum corpo, portanto Olivia Lombarddi foi dada como desaparecida. É com grande pesar que comunico essa tragédia para a elite de Beverly Hills e para a família Lombarddi. Voltaremos em breve com mais informações. ”

2010
Depois que a Grivolly explodiu a família Lombarddi nunca mais foi a mesma. Era tão estranho para eles não vê-la andando pela casa, tentando acordar os filhos para não se atrasarem para o colégio, quando ela preparava o café da manhã para comerem em família, quando viajavam para prestigiar a mãe em algum desfile ou quando passavam o verão na casa do lago junto com toda a família. Era doloroso ver que o estereótipo de família unida e perfeita que viam nas fotos espalhadas pelas paredes daquela imensa casa não existia mais e eles não podiam fazer nada quanto a isso, pois, depois daquele dia, tudo mudou. O pai, Dylan, agora está noivo da Katherine, irmã mais velha de Olivia. Desde o enterro da mãe, Luke, Anna e Jade passaram por 3 fases:
Fase 1: Luto.
Organizaram junto com o pai e a tia o enterro da mãe, apesar de tristes ainda faziam as coisas juntos, mas à noite cada um ia para seu quarto ficar sozinho.
Fase 2: Brigas.
Depois de algumas semanas começaram as brigas. Qualquer coisa era motivo de discussão. Os irmãos não aguentavam mais ficar em um mesmo ambiente sem brigar tanto que nem mesmo jantavam mais juntos.
Fase 3: Depressão.
Dylan ficou tão desolado que está totalmente entregue ao trabalho. Ele é o oncologista e hematologista mais prestigiado da Califórnia e está quase sempre viajando ou trabalhando no hospital ou em seu escritório. Jade se dedicou totalmente para o clube de teatro. Luke, que costumava jogar no time da escola agora nem aparece mais nos treinos. Anna também se afundou nos treinos e conseguiu ser eleita a nova capitã do time depois que a antiga capitã se formou.
Uma semana após a explosão, Katherine, a irmã de Olivia, providenciou a reconstrução da Grivolly e iniciou algumas reformas que Olivia planejava e hoje a loja ainda tem o mesmo prestígio de antes, senão mais. A Grivolly é uma loja diferente, uma loja de departamento: o primeiro andar é de lingeries feminina e masculina, o segundo é roupa masculina, o terceiro é roupa feminina, o quarto é sapatos masculinos e femininos, o quinto é perfumaria, o sexto é de joias e o sétimo é spa. É a loja mais diversificada que alguém pode conhecer. Suas linhas de roupas eram desenhadas exclusivamente por Olivia, porém o designer das roupas foi assumido por Alice, melhor amiga de Olivia e esposa do irmão de Dylan, que é policial e a presidência da loja foi assumida pela Katherine.


Capítulo 01

Aeroporto Internacional de Los Angeles, EUA – 06:20 AM
- Eu achei que você quisesse voltar, filha – a mãe de Jeniffer falava enquanto colocava as malas no táxi em frente ao aeroporto.
- E eu queria mãe, mas estou com medo da reação dos meus amigos. E se eles não me perdoarem? – Jenny falou preocupada – E se o Henry não gostar mais de mim? Passou tanto tempo e eu não dei notícias, aparecer assim de repente não vai ser legal.
- Eles são seus amigos, querida, é claro que vão te perdoar – sorriu amigável para a filha.
- Não depois do que eu fiz – Jenny disse triste – Eu fui embora sem falar nada e não dei notícias por quase dois anos.
- Filha, se você explicar direitinho o que aconteceu eles vão entender.
- Tá, mas e o Henry?
- O que tem ele?
- As coisas não funcionam como na sua época mãe, o Henry não vai simplesmente olhar para mim e dizer: “Meu amor, que saudade” – Jenny bufou fazendo voar alguns dos fios de seu cabelo que estavam em seu rosto.
- Deixe de ser pessimista, se ele for o seu amor verdadeiro ele vai entender e ficar com você independente do que você fez, aliás, eu aposto que ele ficou com saudade de você e até deve ter escrito cartas – a mãe de Jenny devaneou um pouco e suspirou – Ia ser tão lindo, né filha?
Jenny revirou os olhos – Ai, mãe, você é romântica demais.
- Não, filha, você que é romântica de menos – riu – Seu pai vai demorar um pouco para voltar, é provável que só volte depois de alguns meses porque ele precisa terminar alguns trabalhos por lá e conseguir uma transferência de Zurique para a Califórnia, então seremos só nós duas por enquanto.
Jenny concordou e o taxista levou elas para a antiga casa em Los Angeles.

***
Casa dos Lombarddi – 09:00 AM
Jade se levantou, fez sua higiene matinal, arrumou sua bolsa e desceu para tomar café. A mesa do café da manhã já estava posta e ela se sentou para tomar seu café.
- Bom dia, Trude – Jade falou enquanto Trude a servia – Você sabe que não precisa fazer o meu prato, Trude.
- Eu sei, mas eu gosto de deixar o seu pratinho feito porque eu sei as coisas que você gosta de comer no café da manhã – Trude sorriu e colocou um prato com tudo que Jade gostava: ovos com bacon e um pão quente com suco de abacaxi e hortelã.
Anna desceu logo em seguida e também se sentou à mesa.
- Bom dia – Anna falou estranhamente alegre.
- O dia estava bom até agora – Jade respondeu mal-humorada.
- Que bom – Anna sorriu – A minha missão diária de fazer a sua vida um inferno foi concluída com sucesso – Anna disse cínica e Jade revirou os olhos.
- Meninas, não briguem, por favor – Trude disse cansada e colocou outro prato de ovos mexidos, bacon e pães quentes na mesa para Anna comer – Deixa só eu trazer outro suco, eu sei que você não gosta de abacaxi com hortelã – Trude sorriu, mas Anna a segurou quando ela ia se virar.
- O que é isso, Trude? – Anna apontou para o prato com expressão de nojo e Trude não entendeu – Isso é fritura? Gordura? Você sabe que eu não como isso, eu tenho uma dieta a seguir – Anna reclamou e Jade riu.
- Dieta para quê? Para ficar anorexa? – Jade zombou da irmã.
- Ninguém me entende nessa casa – Anna bufou e se levantou da mesa.
Jade riu do ataque de Anna e terminou seu café indo até a garagem pegando seu carro e seguiu até a Grivolly. Chegando lá, encontrou Jéssica – uma das recepcionistas da loja.

Rodeo Drive, Grivolly
- Olá, senhorita Lombarddi – ela cumprimentou Jade como de costume.
- Jessie, você sabe que não precisa me chamar assim né? – Jade perguntou.
- Força do hábito – ela sorriu culpada.
- Tudo bem, da próxima vez você já sabe né? Só Jade – sorriu e ela concordou – E então, as encomendas já chegaram?
- Ainda não, mas os fornecedores ligaram e disseram que estarão aqui em 20 minutos, no máximo meia hora.
- Tá certo, quando eles chegarem você manda eles colocarem as encomendas no estoque e me liga avisando, ok? – Jéssica assentiu e perguntou:
- Como está o Luke? – Jade já esperava pela pergunta, afinal, Jéssica era apaixonada por seu irmão.
- Eu não sei, Jessie, não o vi chegar ontem à noite, então, provavelmente não dormiu em casa – ela balançou a cabeça minimamente – Fique bem, ok? Vou dar uma volta.
Jade foi até a Starbucks, comprou um Chocolate Frappuccino e saiu indo olhar algumas vitrines quando esbarrou em alguém derrubando todas as sacolas da pessoa e sua bebida também, abaixou para catar todas as coisas que saíram da sacola e a pessoa se desesperou.
- Nossa me desculpe, eu estava distraída, meu Deus, como sou desastrada – Jade conhecia aquela voz, não podia ser quem pensava, levantou seu olhar e se deparou com a pessoa que menos esperava.
– Jennifer? – Perguntou sem acreditar e a garota a olhou assustada.
- J-Jade – ela gaguejou.
- Jennifer, o que você está fazendo aqui? Por que voltou? Aliás, por que foi embora? – Disparou enquanto a garota a olhava confusa e ainda assustada.
- Eu... – Jennifer pareceu pensar – Eu estava ligando para você agora – sorriu de lado e mostrou o celular com o número velho de Jade discado.
- Bom, eu mudei de número, então, não adiantaria muita coisa, agora que já me encontrou, pode me explicar o que aconteceu com você todos esses anos? Foi embora sem avisar, não deu notícias – Jade foi perguntando rápido pegando as sacolas do chão e devolvendo pra garota.
- Eu vou explicar, Jade, vem comigo até uma praça de alimentação e eu te compro outra bebida para pagar essa que eu derrubei e explicou, ok?
- Aqui não tem praça de alimentação, esqueceu que aqui é a Rodeo Drive e não um shopping? – Jennifer olhou-a sem graça – Vem, vamos ao Starbucks aí você me paga outro Frappuccino de Chocolate e tudo certo – Jade sorriu e ela concordou.
Elas foram até a Starbucks que tinha no final da outra rua, Jennifer comprou o Frappuccino de Jade e sentaram em uma mesa.
- Eu quero dizer antes de tudo que eu sinto muito por ter ido embora sem avisar, não foi planejado – ela respirou fundo e prosseguiu – Bom, a minha mãe e o meu pai se separaram, então, já que a minha mãe não trabalhava, ela não tinha uma renda boa que sustentasse a casa e suprisse as nossas necessidades. Como eu era menor e meu pai tinha mais condições, ele ficou com a minha tutela e decidiu se mudar comigo para a Suíça e não me deixou avisar a ninguém, mudou até o número do meu celular – Jennifer já tinha uma história pronta na sua cabeça e seria essa história que contaria para todo mundo. O real motivo não era tão convincente e ninguém poderia desconfiar da verdade. Jade ficou chocada com a história – Me desculpe por não ter avisado, eu realmente não pude.
- Eu não sei o que dizer, Jennifer, sério, não sei mesmo, estou chocada, sei que você deve ter passado uma barra com a separação dos seus pais, mas eu precisei de você e você não estava aqui, sei que você disse que não pôde se comunicar com ninguém, mas você podia ter tentado – disse Jade um pouco magoada.
- Jade, você não entende? Eu não podia falar com ninguém, eu sinto muito que eu tenha te abandonado, mas a culpa não foi minha, poxa – ela disse um pouco brava. Será que a história não a tinha convencido? – Você precisaria de mim para quê? A sua vida é perfeita, você não precisa se preocupar com nada, tem uma família perfeita e tudo o que as pessoas possam querer e precisava de mim por quê?
- Porque a minha mãe morreu – disse simplesmente.
- O quê? – Ela disse assustada.
- A minha mãe morreu na explosão da Grivolly há algum tempo, os meus avós depois do enterro viajaram para a Itália de novo e não dão mais notícias, o meu pai entrou em depressão, eu, a Anna e o Luke não nos falamos mais, a minha tia ficou tempos abatida, mas ela segurou a barra e a minha família teve muito prejuízo quando a Grivolly explodiu, quase falimos, mas depois a minha tia Katherine conseguiu contornar a situação e com o dinheiro do seguro conseguiu reconstruir a Grivolly. Você disse que a minha vida é perfeita, mas não é. Eu perdi a minha mãe e a perda dela levou junto o meu pai, os meus avós e os meus irmãos. Você sabe como é morar numa casa onde você não fala mais com o seu pai? Ou com seus irmãos que eram seus melhores amigos? Consegue lidar com a morte da sua mãe? – Jade falou triste – Eu acho que ninguém consegue lidar com isso.
- Jade, me desculpa, eu não sabia – ela sentou do lado de Jade e a abraçou – Eu sinto muito.
- Eu também sinto por tudo que aconteceu com você.
- Podemos voltar a ser amigas? Eu senti muito a sua falta – Jennifer falou ainda abraçada a Jade e ela sorriu. Jade mais do que ninguém precisava de uma amiga.
- Tudo bem, mas você ainda vai ter que fazer muita coisa para eu voltar a confiar em você como antes – ela disse e sorriu, seu celular tocou, era uma mensagem da Jéssica, avisando que a entrega já tinha chegado – Bom, você não quer ir conhecer a nova Grivolly? – Jade perguntou e Jennifer sorriu concordando – Aposto que você vai amar.
- Mas por que você vai lá? Pensei que não trabalhasse.
- E não trabalho, eu só estou indo checar uma entrega de tecidos que a minha tia pediu – ela assentiu – Olha, nós vamos lá, aí depois podemos ir almoçar e você me conta como foi lá na Suíça e quando chegou aqui, onde vai estudar e tudo mais.
- Ok – Jennifer sorriu e assentiu enquanto elas caminharam até a Grivolly. Jade checou o estoque e depois foram almoçar. Jade contou sobre a festa e praticamente a intimou a ir, falou do noivado do pai com a tia, ainda falou dos irmãos e principalmente da irmã que para ela, havia se tornado a pior pessoa de mundo.
- Bom, já que terminamos aqui, podemos passar na sua casa pegar a sua roupa para a festa e depois podemos ir lá para casa, o que acha? – Ela perguntou animada e Jennifer hesitou um pouco.
- Não, não precisamos passar na minha casa, Jade, eu acabei de fazer compras – Jennifer respondeu rápido e Jade estranhou, mas depois sorriu.
- Tá certo – Jade concordou – A melhor coisa que me aconteceu foi você ter voltado, Jenny – elas sorriram e saíram do restaurante, indo para o carro e seguiram para a casa de Jade.

***
Casa dos Lombarddi
- Nossa! – Jenny exclamou maravilhada olhando para a mansão onde Jade morava, estava ainda maior do que antes.
- Provavelmente a Anna já deve ter ido terminar de organizar a festa e o Luke não dormiu em casa, então, estamos só eu, você, os empregados, os seguranças e o Alfa – Jade falou entrando em casa com Jenny atrás dela, mas ela não esperava que Anna ainda estivesse em casa e pior ainda, iria estar descendo pela escada principal da sala de estar conversando animadamente com alguém no celular. Assim que as viu parou de sorrir imediatamente.
- O que você está fazendo aqui? – Anna disse tirando os óculos escuros e olhando para Jennifer de cima a baixo.
- Oi, Aninha – Jennifer disse animada.
- Ela voltou, Anna – Jade subiu um degrau e parou de frente pra irmã – E para ficar, você deveria se acostumar a perder, porque é isso que vai acontecer com você enquanto a Jennifer estiver aqui – Jade sorriu sarcástica – Afinal, ela é melhor que você em tudo.
- Você é tão patética, maninha – Anna sorriu sarcástica do mesmo modo que Jade – Mas é bom saber que eu vou me divertir vendo sua amiguinha tentando me derrotar – ela olhou para Jennifer e saiu desfilando.
- O que foi isso? – Jennifer perguntou não entendendo o que tinha acabado de acontecer.
- Essa é a nova Anna, Jenny – Jade disse e revirou os olhos – E ela é uma imbecil, acredite.
- Isso eu percebi, mas por que você disse que eu sou melhor que ela em tudo? E que ela tem que se acostumar a perder? – Jennifer seguiu Jade até a cozinha.
- Nada – ela abanou as mãos mostrando que não era nada – Você ainda é boa ginasta?
- Ah, eu só treinei uns três anos por causa da minha mãe – ela disse olhando para Jade – Por quê?
- Eu só queria saber – sorriu forçado pra Jennifer – Vou falar sério ok? Eu não aguento mais a Anna, ela é um pé no saco, eu a odeio.
- Jade, eu sei que vocês pararam de se falar, mas não é possível que você odeie a sua irmã.
- Você viu o que acabou de acontecer? – Perguntou Jade – A única coisa que sabemos fazer é brigar, ela me odeia e eu odeio ela e um dia, você pode escrever, Jenny, um dia eu ainda vou vê-la engolir todo esse ar de superioridade que ela carrega e vê-la sozinha. Completamente sozinha.
- E como você pretende fazer isso? – Jennifer perguntou.
- Eu ainda não sei, mas vou pensar em algo – Jade acabou de dizer e Trude entrou na cozinha sorrindo.
- Amiga nova, querida? – Ela colocou umas sacolas do mercado em cima do balcão e as olhou.
- Não lembra dela, Trude? – Ela perguntou e a mais velha negou – É a Jenny, Jennifer Colt.
- A abelhinha? – A mulher perguntou e Jenny sorriu. Ela deu esse apelido a Jennifer porque quando ela era pequena sempre usava uma tiara com um par de antenas de abelha – Meu bem, como vai você? Quanto tempo.
- Eu vou bem e a senhora? – Ela perguntou educada.
- Eu estou um pouco triste por duas coisas – ela abaixou a cabeça e Jade olhou para ela já sabendo o que ela ia dizer.
- Por que a senhora está triste? O que aconteceu? – Jenny perguntou.
- Estou triste porque você me acha tão velha que precisa me chamar de senhora – a mulher riu ao ver as bochechas de Jeniffer corarem – Estou brincando, querida, eu sou velha mesmo, mas pode me chamar de você, por favor – ela disse – Bom, eu estou triste porque a Jade e os irmãos só fazem brigar.
- Ah, que isso – Jade revirou os olhos sem paciência – Essa ladainha de novo não, você sabe que a Anna é uma vadia louca e o Luke um marginal idiota e eu tentei de tudo para voltarmos a nos falar.
- Jade, não fale assim dos seus irmãos, a sua irmã não é uma vadia e o seu irmão não é um marginal – Trude reclamou – Vocês três se distanciaram quando a Olívia morreu, mas nenhum de vocês tentaram voltar a se falar, nenhum – ela frisou – E não diga que fez de tudo porque não foi verdade, nenhum dos três fez algo para mudar o distanciamento de vocês.
- Tá, Trude, continue defendendo eles e me deixe em paz – a menina revirou os olhos e deu as costas a governanta – Vamos, Jenny – puxou a amiga para fora da cozinha e foram para o quarto de Jade.
- Você não deveria ter tratado a Trude dessa maneira, ela não merece.
- Eu estou cansada dela ficar defendendo eles.
- Relaxa, Jade, você tem que parar de se estressar com tudo.
- Tá – respirou fundo – O que vamos fazer agora?
- Você pode me contar como o pessoal está, tipo o Peter, o Zack, a Kimberly, a Marina, o Jack – ela sorriu – o Henry.
- Bom – Jade começou – O Zack e a Marina estão namorando tem um ano e são um casal até bonito, mas ele é muito ciumento. O Peter e o Jack você vai ver hoje no luau. A Kimberly é a melhor amiga da Anna e é a maior vadia da escola, mas eu acho que ela só é assim porque ela quer chamar a atenção do Luke, lembra que eles se gostavam? – Ela acenou com a cabeça – Então, eles começaram a ficar quando você ainda estava aqui, aí depois rolou uma treta e eles pararam de se falar aí eles só ficavam brigando e depois que a mamãe morreu o Luke saiu da equipe de futebol do colégio. E o Henry está namorando a Anna.
- O quê? – Ela perguntou sem entender – Como assim namorando?
- É, eles são os mais populares do colégio. O capitão do time de futebol e a capitã da equipe de líderes de torcida. O rei e a rainha do baile. O Nate e a Blair de Beverly Hills.
- Não acredito nisso, eu nem mesmo estava aqui e ele me troca por ela, ele gosta de mim – Jennifer alegou ainda sem acreditar.
- Correção: ele gostava de você – Jade disse – Ele gosta dela agora e pelo que todo mundo vê, ele gosta muito dela – ela sorriu vendo a cara de raiva de Jenny – Mas depois que ele te ver, ele vai voltar pra você num estalar de dedos – estalou os dedos na frente do rosto de Jenny que olhou para ela.
- Você acha?
- Mas é claro – Jade balançou a cabeça, tinha quase certeza que sim. Tiraria essa dúvida hoje no luau.

***

Depois de Jennifer se lamentar um pouco sobre o namoro de Anna e Henry, elas fizeram um lanche e prepararam suas roupas para o luau colocando-as em cima da cama. Já eram 18h e o luau seria às 20h e já que era um evento particular quem chegasse depois das 20h não entraria mais.
- Toma banho no meu banheiro, vou tomar no do corredor – Jade falou e saiu do quarto indo para o banheiro do corredor, antes passando pelo quarto de Anna que por incrível que pareça estava com a porta entreaberta. Não resistiu.
Jade entrou no quarto que antes era o seu refúgio nas noites de chuva quando tinha pesadelos. Ela e Anna quando menores, compartilhavam de uma amizade profunda e sincera que as pessoas até achavam estranho já que elas nunca brigavam e faziam tudo juntas. Uma onda de nostalgia invadiu Jade quando ela olhou para o mural de fotos preso em cima da escrivaninha. No mural havia várias fotos de campeonatos, do Henry, da Anna com a Kimberly vestidas com o uniforme, das meninas todas juntas, fotos dos pais, do irmão e até dos garotos. O que Jade não esperava é que no centro do mural preso por um imã escrito “melhor irmã do mundo” havia uma foto dela com a irmã e o Alfa (o cachorro da família) no jardim de casa sorrindo maravilhosamente felizes. Jade, mesmo não querendo admitir, sentiu saudade, chegou mais perto do mural querendo pegar a foto para olhar mais de perto, mas a voz de Jenny vinda do quarto a assustou fazendo-a derrubar uma caixinha que estava em cima da escrivaninha. Da caixinha caiu papéis, algumas fotos, uma palheta, algumas medalhas de campeonatos de ginástica que a Anna tinha ganho quando era menor e uma pulseirinha com pingentes de doces que tinham comprado quando eram menores, ela não acreditou que Anna tinha guardado aquilo. Por que ela guardaria? Não fazia sentido. Depois de ouvir outro chamado de Jenny, Jade pegou a caixa, guardou todas as coisas dentro e pôs em cima da escrivaninha saindo do quarto indo para o banheiro tomar banho.

***

Enquanto Jenny se arrumava, Jade se olhava no espelho, mais precisamente para a sua inseparável correntinha de ouro com pedrinhas brilhantes – era uma correntinha importante, já que sua mãe desenhou especialmente para seus filhos, a única diferença era o pingente. Na de Luke era um raio, na de Jade uma estrela e no da Anna um sol. Jade não parava de pensar na correntinha depois de encontrar a pulseira que Anna guardava na caixinha. Jade ficou em dúvida de onde Anna teria guardado a corrente dela já que nunca reparou se ela ainda usava. Quando o telefone do andar de baixo tocou, os pensamentos de Jade sumiram. Aquilo não importava. Anna ainda era a mesma vadia e Jade ainda precisava de um plano para acabar com ela.

***
Píer de Santa Mônica - 20:20 PM
Já prontas, se despediram de Trude e foram até o carro. A via N Santa Mônica Blvd e I-10 W não estava engarrafada. Apesar do grande fluxo de carros, chegaram à praia de Santa Mônica rapidinho. Andaram por uns minutos até chegar em uma área que estava com uma corda e dois seguranças ao lado. Se identificaram como alunas do Beverly Hills High School e eles as deram duas pulseiras brancas de identificação. A área estava toda decorada com luzes e enfeites havaianos, uma pista ao meio e uma mesa suspensa por um palco, com um DJ tocando uma música qualquer e vários alunos da escola dançando. Jade procurou pela irmã e não a encontrou, ela ainda não tinha chegado – provavelmente chegaria por último com seus capachos e o Henry para fazer cena. Puxou Jennifer e foram dançar um pouco. Quando viu que Peter e Jack tinham chegado foi mostrar quem tinha voltado, não foi como um comitê de boas-vindas, mas eles ficaram contentes pela volta dela. Peter é como um cavalheiro, educado e super galante, é realmente o cara que qualquer garota quer ter, já o Jack é o bad boy do colégio, faz parte do time da escola e é o detentor do título de garoto mais rico do Beverly Hills High School – o pai do Jack é um empresário bilionário e engenheiro. Jade sinceramente não sabia como o Peter era o melhor amigo dele ou como ela era amiga dele já que ele é todo fechado, mal-educado e não anda com uma galera legal apesar de não conhecer os outros amigos dele. Já eram 20h05 quando as luzes começaram a piscar de uma maneira alucinante, todos olharam para a entrada e viram a elite, vulgo: Kimberly, Zack, Henry e Anna.
- Minha nossa, o Henry está tão lindo – Jennifer suspirou e Jade concordou.
- Ah, não acredito que vocês estão suspirando pelo bocó do Scott – Jack disse revirando os olhos olhando para a Henry – Eu não sei o que esse cara tem que fazem vocês suspirarem tanto.
- Ah, eu não sei Jack, ele é o Henry, qualquer garota seria maluca se não tivesse uma queda por ele – Jennifer disse sarcástica e Jack sorriu.
- Bom, querida, eu sou Jack Malloy – sorriu sarcástico se aproximando dela, usando o mesmo "argumento" que usava com todas as garotas – Sem falar que eu sou o cara mais rico da elite do Beverly Hills High School – ele terminou de falar e pegou na cintura dela colando seus narizes e ela suspirou. Jade e Peter riram, ele estava seduzindo-a e ela caiu direitinho – Essa é a diferença entre nós dois, enquanto ele tenta ser o cara rico e gostoso eu faço isso sem nenhum esforço – quando terminou de falar a agarrou e começaram a se beijar.
- É, parece que sobramos – Jade disse se virando para Peter.
- Pois é – ele sorriu querendo falar alguma coisa – Jade, eu... – ele foi interrompido quando Anna começou a falar e Jade virou para prestar atenção.
Anna estava em cima do palco e o DJ deu o microfone a ela que sorriu agradecendo-o.
- E aí galera, estão gostando da festa? – Todos gritaram um 'sim' e ela sorriu – Bom eu quero avisar que se vocês se cansarem de dançar e curtir aqui na pista podem ir ao píer de Santa Mônica, eu consegui que liberassem o espaço e ele está fechado só para os estudantes do Beverly Hills High School, só precisam mostrar que vocês têm a pulseirinha branca para os seguranças que eles liberam, era só isso, aproveitem – ela desceu do palco e foi para perto do Henry. Zack tinha sumido e a Kimberly beijava um garoto como se não houvesse amanhã. Olhou para os lados procurando Jennifer e a encontrou perto de uma mesa com algumas bebidas.
- Ei, cadê o Jack? – Perguntou.
- Não sei, ele disse que precisava resolver umas coisas e saiu com o Peter – Jennifer explicou e Jade deu de ombros pegando uma cerveja e começando a se mexer com a batida da música, ainda bem que era sábado e ainda teriam o domingo para aproveitar porque ir de ressaca para a escola de manhã cedo seria terrível.

***
Píer de Santa Mônica – 02:15 AM
- Kim? – Anna chamou a amiga que estava bebendo uma cerveja – Me ajuda lá no depósito de bebidas? Preciso repor o freezer da festa.
- Bora lá, preciso mesmo sair de perto do Kevin – Ela respondeu e foram para o depósito nos fundos do píer – Que garoto chato, só sabe falar de si mesmo e quando não fala dele fica falando dos passes que tem que fazer, é irritante.
- Foi você que escolheu trazer esse cara, Kim, e agora tá reclamando? O cara é mais velho, praticamente nem estuda nada na faculdade só deve estar lá por causa do time de futebol – Anna disse pegando algumas caixas de cerveja e dando para Kim – Coloca no freezer e volta para cá, ok? – Kimberly concordou.
Anna esperou alguns minutos e como Kim estava demorando resolveu checar a lista de bebidas sozinha. Quando terminou e abriu a porta, Anna pisou em falso e acabou quebrando o salto.
- Não acredito, meu manolo novinho – Anna lamentou olhando para o sapato e ouviu uma movimentação um pouco mais à frente do estoque.
- Kim, você não sabe o que aconteceu com o meu manolo, ele quebr… – ia falando quando percebeu que não era Kimberly e se escondeu atrás do balcão. Eram Peter e Jack. Eles pareciam discutir e ela parou para ouvir.
- O que você estava pensando quando mandou seus fornecedores de drogas virem aqui, Jack? Ficou maluco? Se a polícia baixar aqui vai dar merda para todo mundo, cara – Peter falava exaltado enquanto Jack olhava para o celular toda hora.
- Olha, não vai dar merda nenhuma, está tudo sob controle – Jack disse calmo – Eu só pedi um novo carregamento de drogas porque o Luke estava precisando de uma ervinha e tem uma galera do colégio que precisa de algo a mais para poder se divertir.
- Você não entende a gravidade do problema, não é? – Peter perguntou quando Anna apareceu furiosa assustando-os.
- Então quer dizer que você pediu um novo carregamento para o meu irmão se entupir de drogas e mandou virem diretamente para a minha festa? – Anna gritou, sorte que a música estava alta se não todos iriam ouvir – Você enlouqueceu? – Anna deu um tapa forte no braço de Jack que pôs a mão no lugar – Se isso der errado vai sujar para mim, sem falar que você tá vendendo drogas para menores e isso... – Anna ia bater nele de novo só que ele segurou seu braço.
- Para de me bater, ô garota, que eu não estou de bom humor para ficar apanhando não – Jack terminou de falar e Anna puxou seu braço. Um carro preto estacionou e dois homens desceram dele indo falar com os adolescentes.
- Foi daqui que pediram uma entrega de drogas? – Um dos caras falou.
- Eu vou embora daqui – Anna disse e todos olharam para ela – Não quero que pensem que eu estou envolvida nisso – ela ia saindo quando ouviu uma gritaria de onde vinha a festa e várias sirenes cercando o lugar. Era uma batida policial. Alguém havia denunciado sua festa. MERDA.
- Vocês estão presos por suspeita de tráfico de drogas – um dos policiais falou enquanto prendia Anna, Jack, Peter e os outros dois caras e os levava para a delegacia.

***
- Kim, cadê a Aninha? – Henry perguntou procurando a namorada.
- Eu não sei, a última vez que eu a vi, ela estava no estoque de bebidas lá trás.
- Ferrou galera, a polícia chegou – um dos garotos gritou e todos saíram correndo com medo de serem presos. Henry puxou Kim e correram juntos com os outros.
- Mas e a Aninha? – Kim perguntou olhando para trás.
- Ela já deve ter ido embora nessa confusão – Henry e Kim entraram no carro – Vamos embora, mais tarde falamos com ela.

***
Departamento de Polícia de Los Angeles – 02:40 AM
Jack, Peter e Anna esperavam em uma sala até serem ouvidos pelo chefe da polícia.
- Cara, eu não posso ser preso – Peter falou apreensivo – Minha avó vai ter um treco se souber disso.
- É tudo culpa sua, se você não tivesse pedido esse maldito carregamento de drogas isso não teria acontecido – Anna reclamava – Você meteu eu e o Peter nessa confusão e agora vamos todos ser presos.
- Cala a boca garota – Jack levantou irritado e virou de costas para Anna para pensar em alguma coisa – Se escutarem você, estaremos ferrados.
- Eu quero mais é que você seja preso mesmo, seu delinquente de merda – Anna falou – Você não tem futuro, mas eu? Eu sou a garota mais popular do colégio, eu tenho um futuro brilhante enquanto você vai ser esse merda para sempre.
- Sua vaca miserável! – Jack gritou.
- Parem vocês dois – Peter gritou ficando no meio deles – Vocês não entendem que quanto mais vocês gritam mais tempo vamos ficar aqui esperando? – Peter perguntou olhando para os dois – Olha para eles, estão se divertindo às nossas custas enquanto esperamos e vocês brigam – todos olharam para os policiais que riam deles, quando perceberam que estavam os observando pararam de rir e entraram na sala.
- Estão esperando vocês na sala do oficial Lombarddi – um dos policiais falou e Anna passou logo pela porta entrando na sala do Oficial Lombarddi.
- Obrigada, Vini, se precisar de algo mais eu chamo – Tyler agradeceu e Vini acenou com a cabeça saindo da sala – Então, o que aconteceu?
- Então, tio Tyler, aconteceu que o... – Anna começou a falar, mas Jack a interrompeu percebendo que ela ia contar a verdade para o oficial Lombarddi e ferrar com ele.
- Alguém denunciou a festa que a Anna organizou de despedida das férias dizendo que estavam vendendo drogas, mas foi um engano – Jack explicou e Anna revirou os olhos balançando a cabeça, mas Tyler não percebeu.
- Foi um engano? – Perguntou – E aqueles caras que estavam com vocês? Eles foram para lá sem motivo? Por que você disse que era uma festa de despedida de férias, não foi? O que caras mais velhos estavam fazendo em uma festa de escola?
- Aqueles caras eram os seguranças do meu pai que foram buscar eu e o Peter.
- Por que eles foram buscar vocês dois? Você não tinha ido para a festa no seu carro? – O oficial perguntou levantando da cadeira pronto para pegar Jack na mentira.
- Eu nunca disse que tinha ido para a festa no meu carro, na verdade quem levou eu e o Peter para a festa foi o motorista do meu pai junto com esses seguranças – Jack falou sorrindo e o oficial se virou para Peter.
- Peter, o que você estava fazendo lá?
- Eu... – ele não sabia o que dizer, mas não podia desmentir Jack se não iria preso – Eu estava esperando o motorista vim buscar o Jack já que ele prometeu me dar uma carona até em casa.
- Então, você Peter estava apenas esperando o carro com o Jack também? – Tyler perguntou e Peter afirmou com a cabeça, não gostava de mentir, mas se sua avó soubesse que ele tinha sido preso ela teria um treco. Oficial Lombarddi balançou a cabeça e olhou para Anna fazendo o sorriso de Jack murchar. Se ela abrisse a boca sua mentira seria descoberta e ele e Peter seriam presos. Mas será que Tyler seria tão óbvio de perguntar para Anna a mesma coisa que tinha perguntado para ele e Peter?
- Aninha, – sorriu – por que você estava tão brava quando chegou aqui? Pude ver das câmeras que você estava bastante irritada com o Jack, pode me dizer o motivo de estar zangada com ele?
Era óbvio que não, Tyler Lombarddi foi mais esperto e perguntou algo que faria todos irem para cela ou apenas um deles.
- Eu... – Anna hesitou e olhou para Peter. Sabia que Peter era do bem, só estava nessa porque estava no lugar errado e na hora errada. E porque tinha o amigo errado, mas não podia deixar que Peter fosse preso. E se desmentisse o que Jack falou, Peter seria preso por falso testemunho. Ferrou – Estava irritada porque o meu manolo quebrou depois que o Jack me assustou – Anna falou e ninguém entendeu.
- O quê? – Todos perguntaram em uníssono.
- Me explica o que aconteceu. – Tyler pediu.
- Eu fui checar o estoque de bebidas da festa aí o Jack que estava esperando o motorista chegar resolveu me dar um susto, eu escorreguei e o meu salto quebrou.
- Você estava louca da vida por que o salto do seu sapato quebrou? – Tyler perguntou sem acreditar muito na história da sobrinha.
- Você tem ideia de quanto custa um manolo blahnik? – Anna perguntou.
- Não – todos responderam em uníssono e ela revirou os olhos.
- Custa 995 euros, ok?
- Você gastou mais de mil dólares em um sapato? Você é louca? – Jack perguntou e Tyler riu.
- Do que você está rindo? – Peter perguntou sem entender.
- Meu querido – Anna olhou para Jack – O Manolo Blahnik foi um dos mentores da minha mãe e ele ainda é padrinho da Jade, ou seja, eu ganho manolos de graça – Anna piscou o olho e Jack fechou a boca.
- Bem, podem sair, vou averiguar o caso e no máximo uma hora vou ver o que faço com vocês – Tyler avisou e todos saíram da sala.
- Obrigada – Jack falou chegando perto de Anna.
- Não se iluda, eu só fiz isso por causa do Peter.
Jack revirou os olhos. Queria que essa madrugada acabasse logo, não aguentava mais olhar para a cara de Anna.

***
Depois de meia hora Tyler voltou e foi falar com eles.
- Bem, eu chequei com os outros caras e a história deles bateu com a de vocês. Todos respiraram aliviados – Vocês estão liberados – Anna e Peter sorriram – Tyler se virou para Jack – Se você se meter em confusão de novo você vai preso, entendeu garoto? Sua ficha já está quase lotada de passagens por aqui.
- Sim, senhor – Jack sorriu e Tyler pediu para que um dos policiais os levassem para casa.

***
Casa dos Lombarddi – 02:35 AM
Estavam tão cansadas quando chegaram em casa que nem perceberam as mensagens no celular. Entraram sem fazer barulho e foram para o quarto. Jade prendeu seu cabelo em um coque e jogou os sapatos em um canto, Jenny se jogou na cama enquanto Jade sentou na poltrona do canto do quarto e fechou seus olhos, descansando um pouco.
- Você estava certa – Jennifer disse depois de um tempo em silêncio, levantou a cabeça e olhou para Jade.
- Sobre o que exatamente?
- Sobre a Anna – ela disse e Jade murmurou um "ah" e ela continuou – Ela é uma vadia.
- Tá, isso aí eu e o planeta inteiro já sabe – Jade falou sarcástica e ela riu – Mas como foi que você chegou a essa conclusão?
- Depois que eu e o Jack terminamos de nos beijar...
- De se engolir você quis dizer – Jade a interrompeu e ela revirou os olhos.
- É, essa porra aí, posso continuar? – Jade balançou a cabeça rindo – Ela terminou o discurso e eu fui procurar o Henry para conversar e tal mas acabei esbarrando nela...

FLASHBACK ON

POV Jennifer
23:47 PM
Tinha acabado de esbarrar em alguém, levantei a cabeça e vi que era a Anna.
- Me desculpe Aninha, eu não te vi, foi sem querer – eu dizia enquanto ela me olhava.
- Não me chame de Aninha – ela disse fria – Não somos amigas.
- Eu... Me desculpe – eu olhei para o chão – Antes de eu viajar nós éramos amigas, você não lembra? Eu, você, a Jade, a Kimberly e a Marina – por um momento pensei ter visto um resquício de bondade nos olhos dela.
- Não, não lembro – ela chegou mais perto de mim – A única coisa que eu lembro, Jennifer, é de você ter nos abandonado, de você ter abandonado a Jade quando ela mais precisou, que foi no dia em que a nossa mãe morreu, então não, não me lembro de nada, nem de você e nem dessa amizade que ficou pra trás no dia em que você foi embora – ela disse aquilo com tanto ódio que me deu vontade de chorar – A única coisa que eu tenho que dizer a você é que fique longe do Henry, eu sei que você sempre gostou dele e que acha que só porque voltou agora pode tomar o que é meu, mas não pode, não se engane queridinha, você não tem chance – ela me deu as costas e saiu, eu enxuguei algumas lágrimas que caíram sem minha permissão e a olhei com raiva.
- É o que nós veremos.
FLASHBACK OFF

- Foi isso? – Jade encarou a amiga – Ela te ameaçou? E você resolveu se vingar? – Ela afirmou – Ah, você é das minhas – ela comemorou.
- Precisamos de um plano, você sabe, para acabar com o reinado dela.
- É, eu sei, e eu já pensei em um plano – Jade sorriu – Não é à toa que eu sou a irmã inteligente.
- Então, qual é o plano? – Jenny perguntou sentando no chão em cima do tapete felpudo, mais perto da poltrona em que Jade estava sentada.
- Preciso falar com o Jack primeiro, se ele topar, ele vai ser a parte principal do plano.

***

O dia amanheceu e foi de uma ressaca só. Jennifer estava parecendo um zumbi e a meia hora atrás ainda dormia, porém, Jade a acordou com uma travesseirada e ela só faltou trucidar a menina, mas isso era só um detalhe. Jade, como tinha acordado primeiro, aproveitou para fazer sua higiene matinal e se vestir. Pegou seu celular que estava na cabeceira e abriu o WhatsApp. Mensagens do clube de teatro, mensagem do Peter, mensagens do pai. Ignorou todas e abriu na conversa com Jack e mandou "Tenho um plano e preciso da sua ajuda, me encontre no shopping Beverly Center às 14h15 em frente à loja 'DOLCE & GABBANA”. Jennifer saiu do banheiro já pronta.
- Vamos ao shopping encontrar o Jack, preciso conversar com ele sobre o plano – avisou a Jennifer e ela assentiu pegando sua bolsa que estava na cômoda.
- Amanhã você passa lá em casa para irmos ao colégio? – Jenny perguntou.
- Claro – sorriu.

***
Shopping Beverly Center – 14:25 PM
Chegaram ao shopping e foram direto para a entrada da loja e Jack já estava lá. Ele deu um sorriso de canto e Jennifer mesmo não querendo admitir quase caiu para trás. A verdade é que desde a festa ela tem uma queda por ele, afinal quem nunca? Ter uma queda por Jack Malloy é uma coisa que todas as garotas um dia terão.
- E aí? – Jade falou indo direto ao ponto – Então, eu preciso conversar com você sobre uma coisa muito importante.
- Ok, mas antes... – ele puxou Jennifer e deu um selinho demorado deixando ela sem graça.
- Você quer parar de ficar agarrando a Jenny toda hora? Isso é importante, Jack – Jade disse irritada e ele riu levantando os braços dizendo que era inocente e ela revirou os olhos – Vamos então? – Ele afirmou.
Foram até a praça de alimentação e sentaram.
- Então, Jade, o que você quer me falar de tão importante que não podia esperar até amanhã no colégio?
- É um assunto importante, Jack, não se pode falar sobre ele no colégio. – Jenny disse e Jade afirmou.
- Eu vou direto ao ponto, eu tenho um plano para acabar com o reinado da Anna e do Henry e preciso da sua ajuda para isso – disse e esperou sua resposta.
- O que eu tenho a ver com isso? – Ele perguntou sem entender.
- Tem tudo a ver, olha, eu preciso de você para me ajudar com isso, eu só preciso que você diga que está dentro – Jade olhou para ele suplicante – Eu sei que você odeia o Henry e esse pode ser o jeito de você destruir ele e de brinde leva a Anna.
- Olha, para mim será um prazer destruir o Henry, mas eu posso fazer isso sem precisar do seu planinho – ele disse sarcástico.
- O que seria mais humilhante? Destruir o Henry dentro do time ou roubar a namorada dele fazendo a mesma o trair por estar com Jack Malloy? – Levantou uma sobrancelha e olhou para ele, e ele pareceu pensar no assunto.
- E o que eu ganharia com isso? – Ele perguntou cheio de interesse.
- A chance de ter Anna Lombarddi na sua lista de garotas que já pegou, virar o novo capitão do time e colocar má fama no Henry.
- E o que mais? – Ele perguntou.
- O que você quer? – Jade perguntou sem saber mais o que dizer.
- Eu quero que você limpe a minha ficha na polícia – ele disse simplesmente, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
O quê? A primeira reação de Jade foi rir, mas quando viu que ele não riu com ela percebeu que ele estava falando sério. Por que ele queria que ela limpasse a ficha dele na polícia? Como ele achava que ela poderia fazer isso? E o que tinha acontecido para ele ter uma ficha na polícia?
- O quê? – Perguntou meio que para confirmar.
- Por que a surpresa? – Ele disse grosso.
- Bom, é que eu não faço ideia do que você tenha feito para ter uma ficha na polícia, você não é santo, eu sei, mas daí a ser fichado na polícia é um pouco demais, não acha? – Ele deu de ombros como se não fosse nada demais – O que aconteceu?
- Você não entrou no perfil da garota veneno ainda? – Jade negou – Eu, sua irmã e o Peter fomos presos essa madrugada – ele disse e elas se surpreenderam – Sua irmã se intrometeu no meu fornecimento de drogas e quase acabamos em cana. Nós fomos liberados, mas eu estou sobre aviso, se eu for pego de novo posso ir para algum centro de delinquentes por tempo indeterminado já que a minha ficha tá suja, então se você quiser que eu participe desse plano vai ter que arranjar um jeito de limpar minha ficha – Jade pareceu pensar um pouco.
- Tá, eu dou um jeito – Jade concordou – Pode demorar, mas eu dou um jeito.
- Então eu aceito, mas – ele levantou um dedo – Quero que me explique todo esse plano direitinho. Não pode haver falhas.

***
Casa dos Lombarddi – 15:20 PM.
Após a conversa com Jack, Jade conseguiu achar Jennifer numa loja qualquer e foram embora. Passou na casa de Jenny, treinaram um pouco para o teste de amanhã, depois voltou para casa. Seu pai provavelmente faria plantão no hospital e Katherine ficaria na Grivolly até mais tarde. Luke provavelmente não iria para casa e Anna já devia ter chegado. Subiu e foi até seu quarto. Tomou banho e pôs seu pijama, pegou sua mochila e organizou os livros que deixaria no armário do colégio, seu material e uniforme. Amanhã seria o dia em que colocariam o plano em andamento e ela esperava que desse certo. Jade estava ansiosa para amanhã, de fato, seria o início de uma nova geração no Beverly Hills High School, ninguém mais seria excluído. Ninguém. Só Anna Lombarddi.


Capítulo 02

Casa dos Lombarddi - 07:25 AM.
Primeiro dia de aula. Fazia meia hora que Jade estava acordada, já tinha tomado banho, vestido seu uniforme e estava tomando café. Anna desceu as escadas vestida em seu uniforme de líder de torcida e passou direto pela sala de jantar e saiu. Era hoje. Pegou sua mochila e foi para a garagem entrando no carro e seguindo para a casa da Jenny.

***
Beverly Hills High School – 07:45 AM.
Jade e Jennifer tinham acabado de chegar no colégio e já podiam ver os cartazes espalhados pela escola: "Hoje é o dia dos testes para a equipe de líderes de torcida, se você tiver talento, quem sabe pode se dar bem? Não perca! Hoje, 13h no campo de treinamento do colégio." E logo embaixo podia ver a quantidade de alunas que se inscreveram, eram para mais de 30 fichas de inscrições no porta folha do mural de avisos.
- Não acredito que vou fazer esse teste, eu nem gosto de animar – Jenny ia falando enquanto colocava seus dados na folha de inscrição e Jade olhava a foto da equipe de líderes de torcida no último campeonato internacional em que mais uma vez o seu colégio foi campeão – Eu queria era entrar para o jornal da escola, você sabe, quero ter créditos para conseguir passar em jornalismo em alguma faculdade da liga ivy.
- Você vai entrar para o time de animadoras, um time que já venceu vários campeonatos, só de você colocar isso na sua carta de admissão, você passa na hora – Jenny suspirou sem questionar, estava fazendo isso para conseguir ganhar de volta a confiança de sua melhor amiga – Além do mais, tá muito cedo para você se preocupar com isso, ainda estamos no segundo ano, Jenny.
O sinal bateu e elas foram para suas respectivas salas, o dia seria longo.

***
09:50 AM
- ... Anna, você não entende, ele era muito gato e depois da confusão que teve ontem na festa nós passamos a noite juntos e foi tão… – Kimberly falava, mas foi interrompida pelo barulho da porta do armário de Anna sendo fechado com força, chamando a atenção de alguns alunos que estavam pelo corredor – Eita amiga, cuidado, só faltou quebrar o armário – ela disse olhando o rosto nada amigável de Anna – Mas deixa eu continuar, então... – Kimberly foi interrompida de novo.
- Kim, será que você ainda não percebeu que eu não estou a fim de ouvir sobre a sua noite maravilhosa com um desconhecido? Eu estou cansada e com raiva, então se você não parar de falar sobre o quanto o sexo de vocês foi maravilhoso, eu vou ser obrigada a socar a sua cara, tá entendendo? – Anna disse com raiva pegando a mochila do chão e saiu andando. Kim foi atrás.
- Poxa, Aninha, o que você tem? O que de tão horrível aconteceu para você ficar tão irritada?
- Ah, Kim, que bom que perguntou – Anna disse sarcástica – Aconteceu que enquanto você estava transando como uma vadia louca, eu estava na delegacia com o Peter, e é claro, o Jack, e nem você e o Henry estavam por perto para me ajudar. Pra piorar a situação, a garota veneno postou essa fofoca no Instagram com as nossas fotos sendo presos, eu estou rezando para a treinadora não ficar sabendo disso, senão eu posso perder o posto de capitã ou pior, posso ser expulsa da equipe – Anna suspirou – Olha, me desculpa, mas eu estou atrasada, depois a gente conversa – e saiu.
Kim e Anna não tinham aula juntas hoje então depois que Anna saiu, Kim seguiu a direção oposta, foi para sua sala e encontrou Henry sentado, mexendo no celular.
- Henry? Voce já falou com a Anna? – Kim perguntou assim que entrou na sala.
- Não, eu cheguei agora pouco e vim correndo para sala pensando que estava atrasado – ele respondeu mexendo em seu celular – Por quê?
- Ela está furiosa com a gente – ele não entendeu – Acabei de falar com ela e ela disse que acabou indo parar na delegacia junto com o Peter e o Jack e nenhum de nós dois estava lá quando ela precisou.
- Mas como assim? Foi parar na delegacia? Por quê?
- Não sei, ela não me explicou, mas está bem brava com a gente.
- Pera aí, nós não tivemos culpa – ele se defendeu – Nós fugimos para não dar merda para a gente.
- É, mas...
- Espera, por que a Anna estava com o Jack? – Henry perguntou duvidoso.
- Ela não estava com ele, estava com o Peter também.
- E agora? – Perguntou pensando no esporro que ia receber quando fosse falar com Anna.
- Você sabe que estamos ferrados, né?
- Sei – ele suspirou e o professor entrou na sala.

***

Beverly Hills High School – 10:30 AM.
Em uma das trocas de sala, Jade viu Jack indo para o lado oposto ao das salas e foi atrás dele.
- Ei, Malloy – chamou e ele a olhou – Onde você vai?
- Vou matar a quarta aula, estou sem saco para matemática – ele disse simplesmente – E você, Lombarddi? Está fazendo o que aqui ainda? Não está atrasada para a aula? – Ele disse sarcástico e ela revirou os olhos.
- Eu vi você indo na direção oposta aos corredores das salas e vim ver o que você vai fazer, mas também queria saber se você vai para o teste de líderes de torcida?
- Bom, eu não quero entrar para a equipe de líderes de torcida, e convenhamos, eu não ficaria tão bem numa mini saia tanto quanto a Jennifer ou até mesmo você – ele riu ao ver a cara de indignação da menina.
- Não, seu idiota, o que eu quis dizer foi se você vai assistir ao teste da Jenny?
- Ah sim, eu vou, quero ver as garotas tentarem entrar para o time e a Anna destruir o sonho delas – riu – Uma coisa que eu admiro na sua irmã é que ela consegue ser tão cruel quanto eu.
- Ok, eu vou com a Jenny para o campo às 12h40, você vem com a gente?
- Tanto faz – deu de ombros – Fui.
E ele foi embora, sem dar nenhuma certeza para Jade, que quando percebeu que estava que nem idiota parada no corredor, correu até a sua sala para não perder a aula, isso se a professora a deixasse entrar.

***
Campo de treinamento do Beverly Hills High School – 12:50 PM.
Jade foi com Jennifer até o campo, deixou ela junto das outras e se sentou na arquibancada. Jack chegou pouco tempo depois, junto com alguns alunos que queriam assistir também. Dava para sentir o nervosismo das meninas que estavam ali, não era porque não sabiam as acrobacias ou os passos, e sim porque em todos os testes a treinadora ia assistir e ela era muito rígida. Ela falava na cara que a pessoa era ruim e que não tinha como melhorar, ela fazia a pessoa se sentir pior que um verme. Depois de alguns minutos, Kimberly chegou e Anna veio atrás conversando com a treinadora, elas pararam de frente para as meninas e Jade percebeu que Anna olhou para Jennifer e não expressou nenhum sentimento. Nem raiva, nem surpresa, nada. Estranho.
- Bom, antes de começar eu tenho algumas coisas para dizer, certo? – A treinadora começou e todas assentiram – Eu quero que vocês tenham em mente que a equipe de líderes de torcida não é para vocês ganharem popularidade e sim para animar, competir e principalmente vencer campeonatos sendo eles dentro ou fora da escola, além de campeonatos regionais, estaduais, nacionais e internacionais de cheerleaders. Se vocês vieram aqui fazer o teste com o intuito de ganhar popularidade, então é melhor ir embora porque eu não quero perder o meu tempo – ela disse séria e ninguém saiu ou disse nada – No mínimo o que vocês precisam ter para entrar no time é: equilíbrio, destreza, sincronia, saber trabalhar em equipe, saber fazer saltos e acrobacias com passos de danças e saber respeitar sua capitã e suas companheiras de equipe. Para quem não sabe, o que eu duvido muito, a capitã da equipe é a Anna Lombarddi, detentora de mais de 30 medalhas de ouro em competições júnior, campeã invicta desde os 5 anos de idade, ela nunca perdeu uma competição sendo ela solo ou em equipe – Anna levantou a mão se “apresentando” um pouco envergonhada pela treinadora esfregar o seu histórico na cara das outras garotas, mas ainda sim orgulhosa de si mesma – Eu espero que vocês se saiam bem, se isso for possível.
Jennifer engoliu em seco e olhou para a amiga na arquibancada. Estava com medo e nem lembrava mais por que tinha topado fazer isso já que o que queria mesmo era entrar para o jornal da escola e conseguir sua carta de recomendação para fazer jornalismo na faculdade. Droga, se não quisesse mesmo se vingar da Anna e recuperar o amor do Henry não estaria fazendo aquilo.
- Adoro mulheres de pulsos firmes – Jack disse, aparecendo de repente do lado de Jade olhando para a treinadora e a menina revirou os olhos.
- Vocês já alongaram, não é? – A treinadora perguntou e as meninas assentiram – Então vamos começar, a Anna e a Kimberly vão mostrar alguns passos básicos para vocês e vocês vão repetir, ok? – A treinadora disse e elas assentiram novamente.
- V alto – Anna disse e ela e a Kimberly fizeram – Touchdown – elas repetiram – Arco e flecha – repetiram – Clap – repetiram de novo – Beleza, pelo menos as posições básicas elas sabem.
- Agora vamos ver se vocês conseguem fazer algumas acrobacias – a treinadora deu a ordem para Anna.
- Essas aqui também são posições básicas de acrobacias então não tem nenhum segredo, façam o que eu fizer – Anna disse – Back Walkover – ela fez uma acrobacia e em seguida as meninas fizeram também – Front Walkover – repetiram o movimento ao contrário – Roundoff – repetiram outro movimento – Por enquanto estão indo bem.
- Agora vamos fazer as acrobacias da nossa coreografia do ano passado, façam o que eu fizer – Anna e Kimberly fizeram alguns passos de dança misturados com acrobacias básicas e fecharam com um Roundoff paralelo – Façam igual – a treinadora mandou, as meninas tentaram fazer e algumas até conseguiram, mas outras não, o que não deixou a treinadora feliz.
- Parem – a treinadora mandou e todas pararam na hora fazendo com que elas se atrapalhassem e algumas caíssem – O que vocês acham que eu sou? Algum tipo de idiota? O que foi isso? Acha que eu tenho tempo para perder com vocês? – ela foi perguntando em tom crítico – A maioria de vocês foram péssimas, mal sabem fazer acrobacias, meu Deus – ela respirou fundo e revirou os olhos – Porém, algumas se salvaram – ela disse sem paciência olhando na lista e com os números das inscrições ela pôde identificar as meninas – Jennifer, Peyton, Rachel, Whitney e Alice venham para cá, o resto pode ir, vocês me dão vergonha – disse entregando a lista para Kimberly – Agora é a segunda fase, vocês vão mostrar as suas habilidades como ginastas e as três melhores entram para o meu time – ela se sentou em uma das cadeiras da bancada e ficou às observando.
As meninas fizeram o que a treinadora mandou. Danças de um lado, acrobacias do outro e nervosismo voando para todo lado. A treinadora levantou e mandou elas pararem, pelo visto já tinha escolhido. Era impressionante a percepção que a treinadora tinha para meninas que tinham talento.
- Muito bem, venham para cá, Jennifer Colt, Amélia Wilson e Alice Miller, o resto pode ir embora – a treinadora falou e se virou para Anna – Entregue as bolsas de ginástica e avise sobre os horários de treino, ok? – Anna assentiu – Ótimo, as garotas da equipe principal são: Anna Lombarddi que continua como capitã, Kimberly Evans, Jennifer Colt, Charlotte Jones, Sasha Folley, Angelina Hayes, Lucy Hernandez, Claire Smith, Sabrina White, Taylor Peterson e Victória Garcia. E as reservas são: Amélia Wilson e Alice Miller – a treinadora anunciou e depois saiu.
- Bem, meninas, para começar, podem ir pegar as bolsas de ginástica em cima da arquibancada e voltem para cá – Anna falou para as meninas e elas pegaram as bolsas – Os horários de treinos são segunda, quarta e sexta das 13h às 15h e aos sábados das 08h às 12h – as meninas a olharam assustadas – É, até nos sábados. Se acostumem com isso, até porque foram vocês que quiseram entrar para a equipe – disse meio grossa e algumas das meninas da equipe riram sabendo como Anna infernizaria a vida das novas meninas nas primeiras semanas.
- Não assuste elas, Aninha, é o primeiro dia, pegue leve – Charlotte disse olhando com carinho para as meninas – Não se assustem, ela é assim mesmo, afinal é a capitã e tem que nos botar na linha, mas vocês vão gostar e se acostumar com ela – Anna revirou os olhos, provavelmente estava sem paciência.
- Voltando ao que interessa – Anna voltou a falar – Existem regras que vocês precisam cumprir, como: é proibido que faltem aos treinos sem justificativa, usar o vestiário de maneira inadequada – uma garota ia levantando a mão – Exemplos: usar drogas ou bebidas alcoólicas em dias de jogos, se pegar com garotos e etc. – a mesma garota olhou assustada para ela – Acredite, isso acontece – a menina assentiu – Vocês vão ter que entrar em forma também, podem usar a academia do clube aqui em frente ao colégio, ela é vinculada com a escola assim como o clube – as meninas assentiram – Além de fazer uma dieta, é claro, depois de saírem daqui passem na enfermaria e se consultem com a nutricionista, ela vai prescrever uma dieta para vocês se manterem no peso ideal.
- Anna, você não esqueceu de nada, não? – Kimberly perguntou e Anna lembrou na hora. Era um detalhe importante.
- E é claro que vocês têm que manter as notas acima de 7, senão podem ser suspensas dos jogos ou podem ser expulsas da equipe – Anna terminou de explicar e as meninas não podiam estar mais assustadas, era muita coisa para ser líder de torcida.
- Por hoje é só isso, semana que vem começaremos os treinos e sempre que tiver treino vocês estão liberadas para vir com o uniforme direto de casa. Agora podem ir – Anna terminou e foi até o lado de Jenny.
- Não pense que entrando na equipe vai me fazer mudar de ideia sobre você – Anna falou no ouvido de Jenny – Eu acho bom você ir se preparando porque eu vou fazer da sua estadia na minha equipe um inferno e você vai voltar rapidinho do buraco de onde você saiu.
Jenny afrontou Anna entrando para a equipe dela e ela não deixaria essa afronta passar batida. A guerra entre Anna e Jenny estava declarada.

***

Um mês depois

Beverly Hills High School - 11:30 AM

Aula de filosofia, uma das piores matérias que existe e uma das poucas que Jade tinha com Jenny – que por um acaso estava encarando o relógio com uma cara de dor.
- O que foi? – Jade perguntou olhando para ela – Você está encarando o relógio com uma cara estranha.
- Eu... – ela suspirou – Faz um mês que eu estou na equipe e já estou cansada, treinar com a Anna é como estar no exército, ela é uma ditadora.
- Você aguenta – Jade falou simplesmente e Jenny revirou os olhos – Olha o que você conseguiu, muitas garotas se matariam para conseguir, você está na equipe de líderes de torcida da escola e a maioria dessas garotas querem ser populares – começou a falar mais baixo perto dela – Mas nenhuma quer ultrapassar a Anna porque tem medo dela, mas você não, você vai destruir ela e pegar o Henry de volta.
- Jay, se para ter o Henry de volta eu preciso passar pelo inferno que é ter a Anna como capitã eu prefiro ficar sem ele – Jenny disse escrevendo o que estava no quadro.
- Eu achei que você quisesse se vingar dela – Jade falou levantando uma sobrancelha.
- E eu quero – Jenny olhou para Jade – Mas é um saco saber que a Anna tá me torturando de propósito. Ela me faz treinar mais que as outras.
- Sabe por que ela tá fazendo isso? Porque ela sabe que o Henry gosta de você e que se você estalar os dedos ele volta pra você.
- Não é assim tão fácil, Jay – Jenny suspirou – O Henry nem quis me ouvir quando pedi para falar com ele um mês atrás, como você tem certeza que ele vai largar ela para ficar comigo?
- Porque ele gosta de você – Jade afirmou – Tenta se aproximar devagar, se não der certo tentamos outro jeito, ok? – Jenny concordou.

***
Área externa do Beverly Hills High School – 12:00 AM
“O almoço ainda está de pé? ” – Kim mandou a mensagem para Aninha que depois de um minuto respondeu.
“Sim, mas hoje você que paga, ok? ” – Kim riu mandando um “ok” para a amiga guardando o celular, mas percebeu algo estranho logo mais à frente. Se escondeu atrás de uma árvore e ficou escutando a conversa.
Do outro lado, um jovem alto de cabelos escuros conversava com outro mais baixo e pareciam discutir. O mais baixo estava com um pacotinho transparente na mão e o maior tremia falando alguma coisa. Kimberly estava passando por ali e reconheceu o irmão da sua melhor amiga como o garoto que tremia alucinadamente e também o que tinha naquele pacotinho. Cocaína. Kim não acreditou no que estava vendo e muito menos na reação que teve. Ela foi até lá.
- Luke! – Ela chamou e os garotos olharam assustados.
- O que você está fazendo aqui? – Luke falou com a voz rouca – Não devia estar com os mil caras com quem você sai? Ou com a queridinha do colégio? – Ele disse sarcástico pegando o pacotinho da mão do garoto menor e escondeu atrás do corpo.
- Primeiro: se eu saio com mil caras isso não é da sua conta, segundo: A Aninha odeia esse apelido e em terceiro: eu vi o que você escondeu aí atrás – ela colocou a mão nas costas do garoto e conseguiu pegar o pacote – Cocaína, Luke? Você acha que isso vai fazer bem para você? Como a sua família vai se sentir quando souber?
- Como minha família vai se sentir quando souber? É sempre tudo sobre eles, né? E quanto a mim? Foda-se? – Ele falou parecendo magoado, mas se recompôs e emendou – Eu não estou nem aí para o que eles vão dizer e nem se vai me fazer mal – ele parou na frente da menina – Volta lá para a sua equipe de merda e para a sua vidinha de contos de fadas, que assim como os mil caras com quem você sai não são da minha conta, isso aqui também não é da sua – puxou o pacotinho com a droga e saiu trombando no ombro de Kim quase a derrubando enquanto ela ficava parada olhando ele ir embora. Não acreditou que ele estivesse fazendo isso com ele mesmo. Porra, o cara era irmão da sua melhor amiga, tinha sido seu primeiro namorado e agora estava usando drogas? Não acreditou que uma pessoa pudesse ir de 0 a 100 tão rápido. Não acreditou que um dia já tinha sido apaixonada por ele.

***
Clube do Beverly Hills High School - 12:25 PM
Após a “descoberta”, Kimberly foi encontrar Anna no restaurante do clube para almoçarem e irem juntas para o treino.
- Achei que não viesse mais – Anna, que lia o cardápio, foi falando, mas percebeu que a amiga estava estranha – O que foi? – Perguntou abaixando o cardápio e esperando a amiga falar.
- Você não vai acreditar no que aconteceu... – Kim disse baixo, mas lembrou que se contasse para Anna que viu o irmão usando drogas ela ficaria chateada, porque apesar de não demonstrar, ela se preocupava com os irmãos – ... O Josh me deu o cano no nosso encontro de ontem – disse a primeira coisa que passou pela sua cabeça e que não era mentira, tinha realmente levado o cano – Ele foi numa festa de uma fraternidade e ainda me mandou fotos pegando outras garotas.
- Ah, era só isso? Eu pensei que fosse algo importante – Anna falou sem se importar muito, voltando a olhar o cardápio.
- Anna, o cara com quem eu estava ficando me deu o cano para pegar universitárias e você diz que não é nada? – Kim disse um pouco irritada – Então quer dizer que só os seus problemas importam? Porque no mês passado você deu chilique porque eu e o Henry não estávamos com você quando você “mais precisava” – disse a última parte com sarcasmo.
- Aquilo foi totalmente diferente, Kimberly, eu quase fui presa por estar no lugar errado e na hora errada – Anna argumentou – E afinal, o que você esperava que o Josh fizesse? Ele é universitário e você é uma adolescente que ama sair com caras mais velhos, era meio que óbvio que ele não ficaria com você – Kimberly suspirou chateada sem ter o que falar e Anna a abraçou – Me desculpa, ok? – Kim sorriu – Agora vamos deixar esse assunto de lado e me conta, quando a Marina chega de viagem?
- Ela chega dia 16, logo cedo vou buscar ela no aeroporto e vamos direto para o colégio.

***
12:30 AM
Luke andou apressado para o estacionamento do colégio e entrou em seu carro batendo a porta com força. Ligou o rádio e botou em uma estação qualquer. Sabia que a droga fazia mal, mas não estava nem aí, ele precisava daquilo tanto quanto precisava de ar para respirar. Aquilo fazia-o se esquecer de tudo. Depois de meses tomando antidepressivos – roubados do hospital de seu pai – sua única saída era a cocaína. Podre. Era assim que se sentiu depois de experimentar pela primeira vez aos 14 anos. Depois de tossir e sentir como se estivesse sufocando, não usou durante alguns meses, porém, não deixou de usar outras coisas que aliviavam a dor da perda de sua mãe. Maconha, Álcool, Cafeína, Nicotina. Mas nenhum desses o fazia se sentir como a cocaína. As outras coisas nem se comparavam. A cocaína o fazia sentir como se estivesse no inferno, era quente, alucinante, viciante. Era como estar em uma realidade alternativa. Começou a perder peso, passou a ser agressivo com as pessoas e tremia bastante. Pensou em como a vida de suas irmãs tinha mudado para melhor, enquanto seu pai e sua tia estavam felizes com o noivado e ele estava no fundo do poço e ficou com mais raiva ainda. Fez três carreirinhas com o pó da droga, pegou seu maço de cigarro improvisado e aspirou a droga tossindo algumas vezes sentindo seu nariz arder. Aquela sensação de novo. Sentindo que podia fazer qualquer coisa colocou a chave na ignição e ligou o carro. Iria dirigir até não sentir mais nada. Saiu sem rumo. Como era dia de semana e horário de almoço, as ruas não estavam tão movimentadas. Depois de um tempo entrou em uma rua deserta e sentiu o vento frio em seu rosto suado. Pisou no acelerador e o efeito alucinante da droga surgiu, ele imaginou o quanto era foda se sentir livre e por um segundo sua mente focou nas palavras que saíam do alto-falante. Um acidente de carro tinha acontecido em alguma rua qualquer. Se imaginou batendo em um caminhão e riu, quais as chances de isso acontecer em uma rua deserta? Abriu os olhos e viu que lá no fim havia um caminhão estacionado. Se continuasse, com certeza morreria. “Seria uma boa morrer” pensou. E foi aí que a voz de Kimberly veio em sua cabeça. “Como a sua família vai se sentir quando souber?". O efeito passou rapidamente e sua mente se focou por um minuto no perigo real. Se não freasse, morreria. E não queria morrer daquele jeito. Pisou no freio com tanta força que achou que quebraria. Ouviu os pneus cantarem e depois o silêncio. Seu carro parou a milímetros da lateral do caminhão. Seu corpo foi para frente e voltou para trás num baque surdo. Seu coração batia tão rápido que poderia ter um ataque cardíaco. Após alguns minutos tentando se recuperar, deu de ré e foi para outro lugar. Pararia com aquilo. E sabia a quem recorrer. Ou pelo menos tentaria.

***
Campo de Treinamento do Beverly Hills High School - 16:05 PM
Depois de passar a tarde no cemitério visitando o túmulo de sua mãe, Luke voltou para o colégio e ficou esperando Kimberly terminar o treino. Quando ela saiu do vestiário ele foi rapidamente falar com ela fazendo-a tomar um susto pela aproximação repentina.
- Desculpa se te assustei – ele disse sem graça – Preciso da sua ajuda.
- Com o quê? Pelo que eu sei, não é da minha conta o que você faz – ela saiu andando e ele foi atrás dela.
- Espera, Kimberly – ele segurou ela pelos ombros – Eu preciso que me ajude a parar – ele disse quase implorando.
- Você quer mesmo parar? – Kim disse surpresa – Eu fico tão feliz por você – ela o abraçou impulsivamente e depois soltou – Desculpe, quer dizer, eu fico feliz pela sua família, pela Anna e tudo o mais.
- Tudo bem – ele disse se sentindo meio estranho – Mas você vai me ajudar, não é?
- Vou – ela disse – Mas eu já vou logo avisando, não tente nenhuma gracinha pra cima de mim, eu ainda detesto você e gosto de outra pessoa.
- Eu só pedi que me ajude, Kimberly, não estou me declarando para você, então vê se dá um tempo que você não está com essa bola toda, ok? – Ele falou um grosso e ela tornou a sair andando – Espera! – Gritou e correu até ela – Foi mal, eu prometo não fazer nenhuma gracinha – ela riu do nervoso dele e concordou.
- Eu só estou fazendo isso pela Aninha, não por você, que fique claro – ele revirou os olhos – E já até sei por onde começar.
- Por onde?
- Você pode voltar para o time de futebol – ela opinou.
- O treinador não me aceitaria de volta – Luke disse incerto – Mas como isso me ajudaria?
- Vou falar com o Henry, talvez ele possa ajudar – ela disse enquanto eles caminhavam pelo estacionamento – Isso te ajudaria porque vai fazer você se ocupar e ficar sem vontade de usar.
- E como você sabe disso? – Ele perguntou curioso.
- Li em algum fórum da internet para um trabalho de química sobre substâncias que viciam – ela explicou – No começo pode ser difícil, mas pode dar certo, se você quiser realmente parar.
- Eu quero, mas isso fica só entre nós, ok? – Ela concordou – Valeu, Kimberly – ele disse envergonhado.
Acenaram minimamente um para o outro e cada um entrou em seu carro.

***
16:48 PM
Após a conversa com Kimberly, Luke foi dar uma volta de carro e se livrar de suas drogas. Era difícil, mas necessário. Apesar de estar irritado com suas irmãs, sua tia e seu pai, não podia os culpar pelo seu vício, eles não tinham nada a ver com isso e tentaria fazer o possível para reconstruir sua imagem. Ser uma nova pessoa. Parou em uma rua sem movimento e avistou uma lata de lixo. Pegou o maço de cigarro improvisado e os pacotes de cocaína jogando tudo no lixo. Ficou parado olhando aquelas coisas que fizeram parte de um período escuro de sua vida e viu que estava fazendo o certo. Aquilo o fazia mal e se quisesse mudar o rumo de sua vida era por ali que tinha que começar. Se o plano de Kim desse certo, é claro, mas ele se esforçar o quanto pudesse. Voltou para o carro e seguiu a rodovia para a pista principal indo para casa.

***
Rodeo Drive – 18:08 PM
Em seu caminho de volta para casa, Luke passou pela rodeo drive e viu uma garota sentada no ponto de ônibus do outro lado da rua. Era Jéssica, uma das garotas que trabalhava na loja de sua mãe. Ela estava sozinha e parecia cantarolar alguma música olhando para o chão. Luke seguiu com o carro até lá.
- Ei! – Chamou e a menina levantou os olhos assustada – Quer uma carona?
- Luke? – Ela constatou que era ele de fato – Não, não precisa – falou rápido – Eu espero o ônibus.
- Ah, que isso, você acha mesmo que eu vou deixar você ficar aqui sozinha esperando um ônibus sendo que eu estou aqui quase implorando para te levar para casa? – Ele brincou e ela riu envergonhada – Entra aí.
Ela caminhou até o carro e entrou pedindo licença e ele achou graça. Ela era tão educada e tímida que chegava a ser engraçado. Jessica era um tipo diferente de garota. Ela não fazia parte da alta sociedade de Beverly Hills, não vestia roupas caras e nem esnobava ninguém para conseguir o que queria. E parecia que gostava dele já que quando as mãos deles se tocaram em um curto período de tempo enquanto se ajeitava no banco ela corou e virou o rosto para a janela.
- Tudo bem, Jess, não precisa ficar desconfortável – ele pediu e ouviu ela suspirar.
- Desculpe, é que nós nunca estivemos tão próximos – ela explicou – Eu sempre fui mais amiga das suas irmãs.
- Que bom, porque ser só amigo de uma garota tão bonita não é fácil – ele disse e ela corou novamente abaixando a cabeça – Podemos sair, o que acha? – Ela levantou rapidamente a cabeça olhando para ele – Tipo um encontro – ele esperou ela responder, mas ela apenas olhava para ele – Eu estou querendo mudar, sabe? – Ele explicou – Conhecer pessoas novas, sair com garotas legais – ele olhou brevemente para ela – E você é uma garota legal, mas se você não quiser eu vou entender perfeitamente.
- Não, eu... – ela parou e pensou um pouco – Eu aceito – e sorriu olhando para ele pela primeira vez desde que entrou no carro.


Capítulo 03

Casa dos Lombarddi, Beverly Hills – 07:50 AM
Hoje era o dia do brunch anual da fundação da família Lombarddi e os empregados da casa estavam arrumando tudo para o grande evento. Haviam mesas sendo espalhadas pelo jardim da mansão, sofás por todo lado e alguns forros brancos para enfeite do jardim. O brunch era muito bem organizado e sempre contava com presenças ilustres, sendo funcionários do hospital em que Dylan trabalhava, estilistas famosos que eram colaboradores da loja Grivolly, atores, cantores, alguns políticos, socialites e as família mais importantes de Beverly Hills.

***

Anna já estava de pé porque sempre aos domingos de manhã antes do brunch ela tomava café da manhã com sua irmã, Kimberly, Marina e Jennifer, mas como ela já não fala mais com a irmã e nem com Jennifer, a tradição meio que se rompeu e ficou apenas ela, Marina e Kimberly. E por falar em Marina, ela foi a sensação do colégio quando chegou alguns dias atrás. Marina era presidente do grêmio, irmã da Kimberly e melhor amiga de Anna que estava fazendo um intercâmbio de férias em Paris. Ela era muito querida por todos e apesar de ser da alta sociedade não era esnobe com ninguém e sempre tratava as pessoas com muito carinho.
- É Kim, você e a Marina me encontram no Starbucks para tomarmos nosso café da manhã aí voltamos para casa, nos arrumamos e nos encontramos no brunch – Anna falava com Kimberly ao telefone – Ok então, até daqui a pouco.
Anna desligou e foi tomar seu banho. Já tinha separado a roupa do brunch e a que ia vestir quando saísse do banho para encontrar as meninas, então não teria que se preocupar escolhendo roupas. Hoje era uma das comemorações que sua mãe mais gostava, se ainda estivesse viva provavelmente estaria comandando a arrumação do brunch no jardim. Já vestida, Anna desceu as escadas passando pela sala, cumprimentando seu pai, sua tia e seu avô e foi para a garagem, saindo logo em seguida.

***

Starbucks - 08:38 AM
- Olá – Anna sorriu para a atendente do caixa e recebeu um sorriso em troca – Eu quero três chocolates frappuccinos, uma porção de pães de queijo e três toast de peru – a atendente computou os pedidos.
- São 35 dólares – a atendente respondeu enquanto colocava os pedidos na bandeja e Anna retirou uma nota de 50 dólares e deu a ela.
- Pode ficar com o troco – sorriu para a moça e saiu com os pedidos indo de encontro as meninas.
Anna colocou a bandeja com os pedidos em cima da mesa enquanto Kim falava algo sobre o cabelo de uma garota sentada na mesa ao lado e Marina tentava inutilmente reclamar com a irmã pela piada ofensiva. Apesar de Anna adorar os cafés da manhã com as meninas ela estava bem distraída olhando a paisagem pela janela tomando seu chocolate frappuccino quando o sininho da porta de entrada tocou e ela viu que Jade e Jennifer tinham acabado de entrar. O que elas estavam fazendo ali?
- Olha só quem chegou, Anna – Kim falou.
- Eu já vi – Anna respondeu sem muita emoção.
- Vou chamar elas para tomarem café conosco – Marina disse e Kimberly arregalou os olhos.
- O quê? Tá maluca? Nós nem falamos mais com elas, Marina – Kimberly disse olhando indignada para a irmã que revirou os olhos.
- Tá na hora dessa briga acabar, afinal a Jennifer convive com vocês duas na equipe e a Jade é irmã da Aninha, vocês não podem continuar assim, você não concorda Aninha? – Marina disse e Anna deu de ombros.

Do outro lado do local, Jade e Jenny conversavam.
- Eu não sabia que elas estavam aqui – Jade disse olhando para a irmã do outro lado do local – Vamos embora! – ela fez menção de abrir a porta, mas Jennifer segurou seu braço.
- Jade, para com isso, não tem problema nenhum elas estarem aqui – Jennifer disse e elas viram Marina levantar o braço e chamá-las para se juntar a elas na mesa, Jenny olhou para Jade novamente – Se você quer que o seu plano dê certo eu tenho que me aproximar mais da Anna – Jade ia responder alguma coisa, mas Jenny a interrompeu – Além do mais eu preciso ganhar a confiança da Anna e da Kimberly, então enquanto você pensa nisso nós sentamos lá e tomamos café, afinal foi para isso que viemos aqui – Jade concordou emburrada e seguiu de encontro a mesa em que a irmã estava sentada.
- Bom dia, meninas – Jennifer falou e Marina respondeu sorrindo, Kimberly respondeu a contragosto e Anna não respondeu – Eu vou fazer nossos pedidos, ok? – Jenny disse e se levantou.
- Vou ao banheiro – Kimberly se levantou também.
Marina não tinha muito o que falar já que Anna e Jade estavam se encarando há alguns minutos, elas não falaram nada uma com a outra, mas quem estava ao redor podia sentir a barreira que as duas criaram entre si.
- Então, Jade, como vai a equipe de teatro? – Marina perguntou tentando quebrar o gelo.
- Vai bem – Ela respondeu sem quebrar o contato visual com a irmã e Marina viu que era melhor deixar elas resolverem as coisas entre si, tanto que elas nem perceberam quando Marina saiu da mesa.
Depois de alguns minutos sem falarem nada, Anna tornou a olhar para a janela e se pronunciou.
- Não precisava tratar a Marina desse jeito, ela não tem nada a ver com o que aconteceu entre a gente, Jade – Anna falou baixo e Jade revirou os olhos.
- Eu trato a Marina do jeito que eu quiser e não venha com essa conversa fiada para cima de mim que não cola Anna, você não se importa com ninguém além de si mesma e fica dando uma de boa moça, me poupe – Jade falou grosseiramente e Anna suspirou. Ela não queria brigar com Jade. Não de novo. O silêncio não demorou muito já que Jennifer, Marina e Kimberly voltaram para a mesa, e Jenny e Marina começaram uma conversa.
- Eu preciso ir, tenho coisas a fazer, com licença – Anna disse se levantando e Kimberly foi atrás dela.
- O que aconteceu, Aninha? A Jade te disse alguma coisa enquanto vocês estavam sozinhas?
- Nada que ela já não tenha me dito, Kim – Anna respondeu – Olha, eu preciso mesmo ir, tenho que buscar meu colar na joalheria – sorriu sem vontade – Nos vemos no brunch, ok? – Kimberly confirmou com a cabeça e Anna entrou em seu carro.

***

Rodeo Drive - 09:18 AM
Fazia meia hora que Jenny e Jade saíram do Starbucks, estavam caminhando pela Rodeo Drive e Jade continuava calada.
- Me conta o que aconteceu entre você e a Anna, Jade, por que ela saiu daquele jeito? E por que você está com essa cara?
- Essa cara é a única que eu tenho, Jenny – Jennifer revirou os olhos.
- Fala logo o que aconteceu – Jenny disse sem paciência.
- Eu disse que ela não precisava fingir que se importava com ninguém porque eu não acreditava – Jade explicou.
- Jade, você tem que parar com isso, assim a Anna vai perceber que tem algo errado, afinal por que diabos eu iria voltar a ser amiga dela se você que é minha amiga não quer nem ficar perto dela?
- Eu sei, é que... – Jade suspirou e Jenny a interrompeu.
- Não, você não sabe, a Anna não é idiota, se você continuar tratando ela assim, ela vai perceber, então é melhor você começar a disfarçar esse ódio ou eu pulo fora desse plano e você vai ter que se virar sozinha – Jenny falou com raiva assustando Jade que depois sorriu – O que foi?
- Olha só, parece que alguém está estressadinha hoje, não é mesmo? – Jade falou exalando sarcasmo.
- Eu não tenho tempo para o seu sarcasmo, Jade, se você continuar assim, a Anna vai perceber que estamos tentando enganá-la então eu acho melhor você colocar o seu dom de atriz em prática porque se ela descobrir...
- Chega, Jennifer, ela vai descobrir se você continuar gritando como uma louca aqui na rua e se você pular fora eu paro de falar com você e aí é que você não vai conseguir a sua carta de recomendação para Yale.
Foi aí que Jenny percebeu que Jade só voltou a falar com ela tão rápido porque queria ajuda com o plano e alguém que estivesse muito arrependida para fazer tudo que ela queria.
- E então? Vai continuar com o estresse ou vai conversar civilizadamente comigo? – Mas apesar de tudo o que Jade disse, Jennifer ainda queria ser amiga dela e fazer com que Jade a perdoasse de verdade.
- Tudo bem, me desculpe, é que você precisa me ajudar, se você voltar a falar com ela eu aposto que ela abaixaria a guarda para eu poder conseguir o que você quer – resolveu não discutir, afinal Jade era cabeça dura demais e talvez não desse ouvidos.
- Eu vou pensar nisso – Jade disse e nem se preocupou em pedir desculpas a Jenny – Vamos, estamos atrasadas, precisamos nos arrumar para o brunch.

***

Casa dos Lombarddi - 11:00 AM
Dylan estava no jardim com toda família se preparando para a chegada dos convidados.
- Hoje é um dia importante para a nossa família e principalmente por ser um dos dias mais especiais para a mãe de vocês, então eu peço que se comportem, não briguem e ajam como se fossemos a mesma família de antes, por favor – Dylan pediu e os filhos concordaram quando viram o grande portão se abrir e uma fileira de carros atravessar o jardim transportando diversos convidados importantes. Era hora de fingirem ser a família perfeita.

***

11:45 AM
Passaram-se meia hora até Jennifer chegar e Jade poder finalmente parar de sorrir para pessoas que ela nem lembrava o nome. Luke já estava em seu segundo copo de uísque porque segundo ele era a única forma de ficar horas aturando gente velha e seus problemas com dinheiro, sem falar que ele já tinha visto Kimberly chegar com um cara e ela nem sequer deu uma palavra com ele. Por que achou que seria diferente? Não era só porque ela estava o ajudando que ela voltaria a falar com ele. Anna cumprimentou alguns convidados e só ficou mais contente depois que Henry e sua família chegaram. Eleanor e Daniel eram grandes amigos de seus pais.
- Então, querida, como vão as coisas na equipe? Soube que você é a melhor do time, segundo o seu namorado que adora falar o quanto você é o máximo – Eleanor perguntou e Anna sorriu.
- O Henry é um amor – ela entrelaçou seus dedos com os do namorado e ele sorriu beijando sua mão – Mas as outras meninas também são muito boas, eu não tenho o que reclamar delas – “tirando a Jenny” pensou, mas não falaria isso. Sorriu e emendou – Mas o Henry também não fica para trás, ele é um dos melhores do time tanto que é o capitão da equipe – os pais do Henry sorriram e quando iam falar algo a tia de Anna a chamou – Com licença – ela pediu, deu um beijo no namorado e saiu.
- Filho? – Daniel chamou Henry e ele olhou tomando um gole de sua bebida – Queremos que fique com isso – ele pegou o anel na mão de sua esposa e Henry estranhou – É para você pedir a Anna em casamento – o garoto não esperava, tanto que engasgou – Calma, filho.
- Como assim casar? – Henry olhou para os pais assustado. Não que não quisesse casar com a Anna, mas ainda era cedo. Não era?
- Filho, você não ama a Anna? – Eleanor perguntou ao filho.
- Claro que amo, mãe – ele suspirou – É que eu não esperava que vocês fossem me fazer pedir a Anna em casamento hoje.
- O quê? Não queremos que peça a Anna em casamento hoje – Eleanor negou e riu.
- Não? – ele perguntou para confirmar e assim que ouviu um "não" relaxou.
- Nós queremos que guarde o anel para quando for pedir ela em casamento ano que vem quando se formarem, nós planejamos tudo – Eleanor sorriu animada e o marido acompanhou.
- Eu guardo sim, mãe, pode deixar – ele sorriu forçado pegando o anel da mão de sua mãe, pediu licença aos pais e saiu. Sua vida já estava planejada e ele nem sabia. Tinha que beber e tentar entender por que os pais estavam pensando em casamento tão cedo. Um garçom passou com uma bandeja de uísque e ele pegou dois copos de uma vez bebendo rápido. Precisava achar Anna, mas assim que olhou para a porta que dava para o jardim e viu quem estava ali, o susto passou e deu lugar a surpresa. O que Jack Malloy estava fazendo ali? E conversando com a sua namorada? Parou para os observar. Jack tinha um sorriso malicioso enquanto olhava para ela e a menina revirava os olhos. Da surpresa veio a raiva quando viu ele pegar na mão dela e levar em direção a sua boca. Saiu pisando forte e parou entre os dois puxando a mão da namorada.
- O que você pensa que está fazendo, Malloy? – Henry perguntou – Você nem devia ter aparecido aqui e muito menos estar conversando com a MINHA namorada – Henry falou um pouco alto – Tá pensando o quê? Que vai pegar ela e fazer o que você faz com as outras? Deixa a MINHA namorada em paz.
- Se você quer tanto marcar território, Scott, seria mais fácil você fazer xixi nela, não acha? – Jack provocou – Eu não sei se você se lembra, mas o meu pai é um investidor da fundação Lombarddi, e se você quiser checar o meu nome está na lista – Jack falou dando um sorriso sarcástico, piscou para Anna e saiu trombando no ombro dele. Henry iria atrás dele, mas Anna segurou seu braço com força.
- Henry – ela puxou o rosto dele e colocou perto do seu – Deixa o Malloy pra lá – ela se aproximou para beijá-lo, mas ele virou o rosto – O que foi?
- Eu vi você conversando com ele na maior intimidade, ele até estava pegando na sua mão, se eu não chegasse a tempo o que vocês iriam fazer? Se agarrar escondidos dentro do jardim ou quem sabe aqui na frente de todo mundo? – Henry começou a falar um pouco alto fazendo Anna puxá-lo mais para dentro do jardim.
- Ei, abaixa o tom de voz porque você não está falando com seus amigos, ok? – Anna começou irritada – E o que você acha que eu sou, alguma puta para ficar me agarrando com outro em qualquer lugar? E pior, com o Jack, que não é nada para mim.
- Não tenta me enganar Anna, eu vi vocês na maior intimidade, ele até estava sorrindo e querendo beijar a sua mão – Henry reclamou – Além do mais, o que ele está fazendo aqui? E conversando com você?
- Eu só vim autorizar a entrada dele para os seguranças porque eles não estavam acreditando que ele era Jack Malloy e ele estava me agradecendo por ter deixado ele entrar – Anna explicou, mas Henry não cedeu então continuou explicando – A minha tia estava ocupada conversando com alguns distribuidores da Grivolly por isso me pediu para ir lá, você sabe que o pai do Jack é um dos maiores contribuintes da fundação da minha família e como ele não pôde vir o Jack veio no lugar dele – Henry continuou olhando para ela – Poxa, Henry – ela entrelaçou seus dedos nos dele – Não precisa ficar assim só por causa do Jack, ele não significa nada para mim.
- Me desculpa – ele pediu e ela sorriu – É que eu não suporto o Jack e como ele rodeia as garotas para fazer o que elas querem e depois magoa-las.
- Você esqueceu que eu não ligo para o que o Jack faz e que o único cara que me importa é você? – Ele sorriu e ela o beijou – Eu te amo.
- Eu também te amo – Anna sorriu enquanto arrumava a gravata de Henry e voltaram para o salão.

***

14:27 PM
- Por favor, um minuto da atenção de vocês – Dylan bateu em sua taça com uma colher pedindo silêncio – Eu tenho um comunicado importante a fazer.
Todos olharam para Dylan no topo da escada principal. Jenny estava com Jack e Peter em um canto conversando animadamente. Kimberly e seu novo ficante estavam juntos de Marina e Zack. Luke estava ao lado de Jade enquanto Anna conversava com Henry mais à frente.
- Eu gostaria de anunciar que eu e minha noiva Katherine marcamos a data do nosso casamento – eles sorriram – Será no dia 11 de fevereiro.
Uma salva de palmas pôde ser ouvida e os convidados foram dar parabéns ao casal. Porém, a notícia pegou Anna, Luke e Jade de surpresa, sabiam que algum dia eles marcariam a data do casamento, mas era muito cedo para isso, não? Estavam tão chocados que ficaram minutos sem falar nada apenas olhando para o nada, absortos em pensamentos.
- É – Anna suspirou – Parece que pelo menos duas pessoas dessa família conseguiram seguir em frente.

***

16:09 PM
Após o almoço das 15h, o leilão anual beneficente da fundação Lombarddi começou e muitos lances foram feitos. Olivia sempre gostou de ajudar as pessoas e sempre que podia arranjava um jeito de ajudar, mas com o seu desaparecimento e eventual morte a fundação foi perdendo alguns investidores, Katherine que teve a ideia de reinaugurar fazendo um leilão no brunch.
- Você odeia a sua tia, é isso? – uma garota perguntava para Luke depois dele reclamar sobre o noivado – Eles parecem felizes e tudo o mais.
- Eu não odeio a minha tia, ela é quase tão perfeita quanto a minha mãe e essa ideia de reinaugurar a fundação com um brunch foi genial, é exatamente o que a minha mãe iria querer se estivesse aqui, mas… – Luke explicou para a menina que não estava nem aí para o que ele dizia e só encarava Peter um pouco mais à frente conversando com Jade, Jenny e Jack – Vai, pode ir dar em cima do Peter, você está encarando ele há mais de meia hora – ele disse e revirou os olhos assim que ela foi atrás de Peter – Garota idiota – reclamou e bebeu mais uma taça de champanhe.

A garota desconhecida caminhou até ficar um pouco mais perto de Peter e ficou o encarando, ele nem percebeu, mas Jack tinha uma percepção infalível quando se tratava de mulheres.
- Aí cara – chamou o amigo que conversava com Jenny e Jade – Aquela gostosa ali está te encarando há um tempão, vai lá – Jack incentivou o amigo que sorriu meio tímido e olhou para Jade esperando alguma reação que provavelmente não apareceria. Peter era apaixonado por Jade, mas ela parecia não gostar dele e quase nunca dava espaço para eles conversarem, então resolveu ir falar com a garota desconhecida.
- Esse é o meu garoto – Jack disse fingindo limpar algumas lágrimas dos olhos como se estivesse orgulhoso e Jenny riu – Vou beber, vocês me acompanham? – Ele perguntou, e quando elas negaram ele saiu.
- Idiota, deve achar que aquela garota quer realmente alguma coisa séria com ele – Jade resmungava sobre Peter e Jenny estranhou.
- Você gosta do Peter, Jade? – Jenny perguntou.
- Claro que não – Jade negou rapidamente – O Peter é um idiota, como é que eu posso gostar dele se ele é um babaca idiota igual ao Jack?
- O Peter não é nada disso, Jade – Jenny defendeu o amigo – Ele gosta de você, sempre tenta conversar com você, mas você não dá espaço a ele, ele está mais do que certo em partir para outra, aliás já que você não gosta dele devia partir para outra também ao invés de ficar rebaixando o garoto – Jenny reclamou e saiu indo beber com Jack. Jade revirou os olhos olhando para Peter e a garota, terminou de beber seu champanhe, suspirou e foi até o jardim.

***

Anna deixou Henry conversando com Marina e Zack e foi falar com Kimberly que estava no jardim conversando com uma socialite.
- ... A minha equipe é a melhor da liga de líderes de torcida – Kim sorriu – Estamos cogitadas a ganhar o prêmio internacional de ginástica, de novo.
- Nossa, isso é incrível – a mulher disse – A minha filha não cansa de assistir vocês na televisão – sorriu – Nós até já fomos assistir vocês em um campeonato mundial e vocês foram incríveis, eu me lembro bem.
- Ah, muito obrig... – Kim foi interrompida por Anna.
- Será que eu posso interromper a conversa, senhoritas? – Anna pediu educadamente e a mulher sorriu radiante, como se estivessem vendo alguém muito famoso.
- Mas é claro que sim, querida, fique à vontade – ela sorriu ainda mais e saiu.
- A filha dela é muito nossa fã, Aninha, você precisa ver – Kim ia falando enquanto Anna a puxava para longe da festa – O que foi?
- Eu sei que foi você que falou com o treinador para que pusesse de volta o Luke no time – Anna disse subitamente e Kimberly se assustou.
- Não, foi o Henry – Kim negou rapidamente.
- Não mente para mim, Kim – Anna reclamou – Eu pensei que vocês estivessem brigados.
- E estamos, mas não fui eu que pedi...
- Para! – Anna pediu – Eu sei que foi você, não adianta mentir para mim, eu só não entendo o motivo pelo qual ele pediria ajuda a você – Kim pensou um pouco. Não dava mais para ficar mentindo para Anna, ela era muito esperta e descobriria de qualquer jeito.
- Olha, eu não queria te contar desse jeito, não queria que você descobrisse assim, mas... – Kim criou um suspense meio que sem querer – Mas o Luke me pediu ajuda para parar de usar drogas.
- O quê? – Anna disse surpresa. Por que ele pediu ajuda a ela? Logo para ela.
- Eu sei que é difícil descobrir isso assim, mas...
- Espera, você acha que eu não sabia que o Luke usava drogas? – Perguntou.
- Espera, você já sabia? – Ela perguntou assustada.
- Claro que já sabia, Kim, o que você acha que a galera compra na mão do Jack? Doces?
- O Jack usa drogas? – Ela se distraiu um pouco.
- Não sei se ele usa – revirou os olhos com a lerdeza da amiga – Mas sei que ele fornece drogas para uma galera lá do colégio e o Luke às vezes compra com ele. Foi por causa disso que fomos para a delegacia. Porque quando estávamos no luau o Jack pediu um carregamento de drogas, o Peter estava reclamando com ele e eu fui reclamar com ele depois de ouvir a conversa. O que foi meio idiota da minha parte, mas eu não sabia que tinham dedurado ele para a polícia.
- Eu pensei que você não soubesse – ela falou um pouco alto – E o idiota do seu irmão nem me falou nada.
- O Luke nem liga se eu sei ou não – Anna disse um pouco triste – Mas já faz um mês que ele não se mete em confusão e o treinador me disse que ele está indo muito bem nos treinos – Anna sorriu abraçando a amiga – Ele nunca iria pedir a minha ajuda, então obrigada.

***

Escritório - 18:57 PM
Dylan revisava os cheques dos contribuintes do leilão quando a porta de seu escritório foi empurrada com força e uma Jade irritada entrava.
- O que você estava pensando quando marcou o seu casamento para o dia 11 de fevereiro? Ficou louco? – Jade estava furiosa, não entendia por que o pai marcou o bendito casamento naquela data, ela sabia que eles iriam casar, mas pensou que demoraria mais, bem mais.
- Jade, eu não admito que fale assim comigo – Dylan respondeu calmo e Jade se irritou mais, ele sabia que ela queria brigar, afrontá-lo, mas ele não brigaria com ela, não mesmo.
- Eu falo desse jeito sim, como você achou que nós reagiríamos com a notícia de que vocês se casariam no mesmo dia em que você casou com a minha mãe? Achou que ficaríamos felizes e pularíamos de alegria? Faça-me o favor – ela disse com raiva e Anna e Luke entraram na sala.
- Que gritaria é essa aqui pelo amor de Deus? – Luke perguntou e se virou – Pai?
- A Jade não gostou que a data do casamento foi marcada para o mesmo dia em que foi o meu e o da mãe de vocês – Dylan respondeu ao filho.
- Para falar a verdade, pai, eu e o Luke também não gostamos, vocês não deveriam ter marcado na mesma data – Anna respondeu.
- Viu? Eu não sou a única que não está satisfeita com esse casamento – Jade cruzou os braços.
- Você não tem que estar satisfeita com nada, Jade, eu caso com quem eu quiser e nenhum de vocês tem direito de opinar em nada – Dylan disse sem paciência, não aguentava mais ter que falar naquele casamento – Até porque eu não opino em nada sobre os relacionamentos de vocês.
- Pai, você quer comparar namoro de colégio com casamento? – Luke se pronunciou – Você não acha que... – Luke foi interrompido quando sua tia Katherine e seu avô entraram no escritório.
- Ah claro, chegou quem faltava para completar a festa – Jade falou sarcástica – Está feliz? Até isso você conseguiu roubar da minha mãe.
- JADE! – Guilhermo repreendeu a neta.
- Eu não quero roubar nada da sua mãe, Jade – Katherine disse triste e Jade ficou calada esperando a explicação – Eu amo o seu pai, quero estar ao lado dele quando ele precisar e o casamento é uma dessas maneiras de estar conectada com ele e com vocês também, tenho certeza que quando você amar alguém tanto quanto eu o amo o seu pai, você vai entender – Katherine suspirou – Eu sei que o Dylan sempre vai amar a Olivia, ela foi, é e sempre será o primeiro amor da vida dele e eu de maneira alguma quero roubar o lugar dela, eu apenas quero ser amada por quem eu amo e poder cuidar de vocês.
- Seria a desculpa perfeita se você já não tivesse a apunhalado pelas costas – Katherine não entendeu e ficou calada esperando a explicação da sobrinha – Você noivou com o meu pai assim que o enterro dela aconteceu, assumiu a loja dela e agora marcou o casamento para o mesmo dia que o dela, se isso não é ser falsa e apunhalar a irmã pelas costas eu não sei o que é – Jade falou e saiu da sala irritada sendo seguida por Anna que correu atrás dela.
- Jade, espera! – Anna gritou.
- Me deixa em paz! – Ela bateu a porta com força e Anna parou no meio do corredor abaixando a cabeça. Sentiu vontade de chorar, queria tanto que sua irmã conversasse com ela, que desabafasse, que voltasse a ser como era antes.
- Você vai chorar? – Luke perguntou parando ao lado da irmã.
- Claro que não – Anna disse rapidamente – Eu não choro, não tenho motivos para isso – ela deu um meio sorriso.
- Mesmo? – Ele perguntou para ter certeza.
- Mesmo. Eu vou para o meu quarto, amanhã tenho treino cedo e você também – ela sorriu.
- Verdade – Ele assentiu – Nem sei como ele me aceitou de volta.
- A Kim me contou – Anna disse e Luke se assustou. Kimberly tinha contado a ela que ele usava drogas? – Ela me contou que você queria a vaga de volta no time, então... – falou deixando a frase no ar.
- Ah, claro, você conseguiu a minha vaga – ele suspirou tirando suas próprias conclusões – Você é Anna Lombarddi, a garota mais popular do colégio – ele falou mais baixo.
- Sou e você é Luke Lombarddi – ela riu – Mas não fui eu, foi a Kim, foi ela que falou com o treinador e conseguiu a sua vaga de volta – ela sorriu – Parabéns, Speed – chamou ele pelo apelido de criança e sorriu piscando um olho – Vem, Alfa – chamou o cachorro que correu até ela e entraram no quarto.

***

Escritório – 19:39 PM
- Eles não gostaram da notícia, estavam bem chateados – Katherine falava para Dylan.
- Chateados? Eles ficaram irritados, Katherine, eu nem sei por que você resolveu escolher a mesma data que foi o meu casamento com a Olivia – Dylan disse irritado.
- É, filha, você podia ter escolhido outra data ou pelo menos esperar um pouco para realizar o casamento – Guilherme disse.
- Esperar? Escolher outra data? – Katherine perguntou olhando para o pai – Pai, essa data é uma tradição de família, a sua avó se casou nessa data, a sua mãe, você e a minha mãe e a Olivia, por que eu tenho que abrir mão disso? Eu também faço parte dessa família, sabia? Além de que eu e o Dylan estamos noivos há um ano, não dá para esperar mais, eu não quero tirar nada da Olivia, mas parece que vocês estão querendo que eu abra mão das coisas mais importantes para mim só por causa dela e isso não é justo – ela falou chateada saindo do escritório e Dylan suspirou.
- Eu vou falar com ela – Dylan levantou, mas Guilhermo segurou seu braço.
- Não, ela precisa pensar, ficar sozinha e descansar assim como todo mundo nessa casa – ele sorriu – E principalmente você, Dylan, depois eu converso com ela, ok? – Dylan assentiu.

***

21:35 PM
Jade não conseguia parar de pensar no casamento de sua tia com o seu pai. Claro que estava ciente de que isso aconteceria, mas era um absurdo ser naquela data. Não era? Era o dia em que os pais dela tinham se casado e isso era um ultraje para ela. Ficou com raiva por exatamente uma hora, após isso, uma voz irritante na sua cabeça a fez pensar que poderia estar sendo egoísta. Katherine mais do que ninguém merecia ser feliz, afinal ela segurou a barra quando Olivia morreu, ela sofreu o preconceito das pessoas que não achavam certo ela se casar com o pai dos seus sobrinhos, viúvo de sua irmã. O homem que ela amava. Não era justo com sua tia. Apesar de ter sido a data do casamento dos pais e uma data de casamento de família, era acima de tudo apenas mais uma data que se passava no calendário e nada se resolvia sobre o caso de sua mãe. Estava na hora de superar aquilo e partir para o que realmente interessava. Seu plano para acabar com o reinado de sua irmã perante a escola. Anna Lombarddi ia perder tudo o que mais zelava. Sua popularidade. Sorriu pegando no sono imaginando como seria depois que tudo desse certo.

***

Jade andava pelo corredor do colégio onde todos olhavam admirados para ela sorrindo, ela parou em seu armário encontrando com Jenny e iniciaram uma conversa. Logo depois chegou Henry enlaçando a cintura de Jenny e a menina sorriu, Peter veio logo em seguida dando um beijo em Jade.
- Nossa, como você está arrumado – Jade sorriu olhando o menino – É a gravata que eu te dei de presente? – Ela perguntou e ele sorriu concordando.
- Se eu vou namorar alguém tão importante como você preciso estar à altura, você não acha? – Ele disse e a menina sorriu ajeitando a gravata.
- É verdade – concordou – Agora que está comigo não pode mais vestir aqueles trapos de antes – sorriu – E o Jack? Cadê? – Perguntou ao namorado olhando os amigos.
- Não sei – Henry respondeu sem dar muita importância.
- Ele me disse que ia ficar com a Lindsay – Peter respondeu sorrindo – Depois que vocês acabaram com o reinado da Anna, ele pôde ficar com a Lindsay em paz. Me disse que a Anna enchia o saco dele – eles reviraram os olhos.
- Falando em coisas ruins, olha quem chegou – Jenny disse apontando com a cabeça para a entrada e eles olharam. Tudo parecia estar em câmera lenta.
Anna estava diferente. Não caminhava com toda aquela segurança de antes, vestia o uniforme amassado, o cabelo estava solto porém sem todo brilho de antes, os ombros estavam caídos e ela caminhava com a cabeça baixa escondendo as olheiras e o medo de olhar as pessoas que zombavam dela e a xingavam de algo que Jade não conseguia identificar. Anna estava acabada e aquilo era tudo o que Jade queria, mas por alguma razão não estava tão contente como esperava.


***

Jade acordou ofegante e muito suada. Tinha tido um pesadelo. Ou um sonho. Não sabia dizer. Olhou para o relógio na cabeceira da cama que marcava 00h27 e levantou indo até o banheiro lavar o rosto.
- Nossa – suspirou – Que sonho mais estranho – olhou-se no espelho e voltou para a cama.


Capítulo 04

Casa dos Lombarddi - 09:15 AM
O dia 25 amanheceu nublado. Como todo ano desde a morte de Olivia. Hoje completava 2 anos que ela havia desaparecido e dada como morta após a explosão da Grivolly. Anna já tinha acordado, mas continuava deitada na cama olhando fixamente para o teto. Na verdade, nem tinha dormido. Sua mente repassava o noticiário daquela noite, da repórter dando a notícia de que a Grivolly tinha explodido e sua mãe tinha sido dada como desaparecida. A busca perdurou por meses e nada foi encontrado e então eles enterraram um caixão vazio. Vazio para os outros, mas para eles aquele caixão levava embora toda alegria que existia em suas vidas, todo o amor que tinham recebido, toda a esperança de um recomeço. Todos os anos, Anna sempre acordava exatamente a meia-noite do dia 25 e não conseguia dormir mais. Era algum tipo de TOC que não sabia explicar. Mas mesmo assim reuniu forças e levantou da cama indo para o banheiro fazer sua higiene matinal e trocar de roupa já que sairia com Kim e Mari para um almoço. Assim que saiu do banheiro seu celular tocou. Era Henry.
- Oi – Anna disse sem ânimo – Ah, tudo bem sim – respondeu e Henry perguntou o porquê de estar com a voz triste – Não é nada, meu bem, juro – assegurou depois dele perguntar novamente se estava bem – Tudo certo para amanhã, né? – Perguntou sobre a surpresa que Henry disse que faria e ela estava ansiosa para saber o que era – Ok, nos vemos amanhã, amor, beijos.

Casa dos Evans – 09:25 AM
Kimberly e Marina conversavam no banheiro do quarto de Kim enquanto uma tomava banho e a outra lavava o rosto.
- Tem certeza que não quer vim? – Kimberly perguntava pela quinta vez a Marina sobre o almoço.
- Tenho, Kim – Marina balançou a cabeça mesmo sabendo que a irmã não veria – O Zack disse que passaria aqui para me ver – Marina se olhava no espelho tentando decidir qual maquiagem usaria e continuou – Sabe, ele ficou distante esses dias, não sei o motivo então vou aproveitar para conversar com ele.
- Você está deixando de sair com suas melhores amigas para sair com o seu namorado – Kimberly dizia saindo do box enrolada na toalha – Você é a típica amiga que quando namora larga as amigas, sabia? – Kim falou um pouco chateada e Marina parou o que estava fazendo olhando para Kim – Tem um tempão que você não sai comigo e com a Aninha, Mari, não falo nem por mim porque eu sou sua irmã e te vejo todo dia, mas a Aninha não, tem um tempo que não saímos nós três e isso é meio chato.
- Eu não vou sair com o Zack, vamos passar um tempo juntos aqui em casa, Kim, qual o problema? – Marina perguntou e Kimberly revirou os olhos indo para o closet do seu quarto – Então quer dizer que você pode sair a qualquer hora com seus ficantes, a Anna pode sair a hora que quiser com o Henry enquanto eu não posso sair com o meu namorado porque você acha errado? – Marina disse com raiva – Eu não reclamo quando você fura comigo para sair com seus ficantes, mas você tem sempre que reclamar quando eu saio com o Zack.
- Você acabou de dizer que não ia sair com ele – Kim falou para irritar a irmã e a mesma revirou os olhos – Vocês só fazem brigar, Marina – Kimberly rebateu.
- E daí? Todo mundo briga, Kim, principalmente os casais, mas é claro que você não sabe disso porque o único namorado que você teve, você fez questão de botar para correr – Marina mencionou o namoro entre Luke e Kimberly e ela não se abateu. Ou pareceu que não.
- Se você não lembra, Marina, o Luke que me traiu e eu acho que isso tenha sido motivo suficiente pra eu querer me afastar dele – Kim lembrou e Marina se sentiu um pouco mal por ter feito Kim lembrar que o único cara que ela gostou tinha traído ela – Você sabe que se não tivesse acontecido isso, eu ainda estaria com o Luke, teria estado com ele quando a tia Liv morreu, teria dado o apoio que ele precisava – Kim passou a mão no rosto afastando uma lagrima teimosa, e mesmo estando de costas Marina conseguiu perceber, mas não disse nada – Você sabe que eu só quero o melhor pra você e é por isso que eu me preocupo – Marina se aproximou – Eu sou uma porra louca, bebo até quase entrar em coma, fico com vários caras e eles podem até quebrar meu coração, porque eu também sou uma vadia com eles – Kim fez uma pausa – Na maioria das vezes – deu de ombros e Marina riu – Mas você não, você é muito boazinha, Mari, e eu tenho medo que ele te magoe – Kim falou e Marina abraçou a irmã achando muito fofo a preocupação dela.
- Ah mana, me desculpa vai, não quero brigar com você – Mari se derreteu com as coisas fofas que a irmã disse – Sei que você só quer me proteger, mas eu gosto do Zack e se por algum acaso ele me magoar, você tem passe livre para fazer o que quiser com ele – Kim levantou a cabeça do ombro da irmã.
- Posso chutar o saco dele? – Kim perguntou como uma criança e Marina começou a rir fazendo Kim rir também.
- Claro que pode – Mari sorriu vendo que estava tudo bem entre elas – Agora vamos terminar de nos arrumar.

***

- Não esquece de mandar um beijo pra Aninha e de comprar aquele vestido que eu gostei lá na Gucci, ok? – Kim concordou e entrou na limusine partindo para o shopping encontrar com Anna.
Marina observou a limusine passar pelo portão da casa e esperou Zack chegar.

Shopping Beverly Center – 09:35 AM
- Ainda não acredito que a Marina não pôde vir – Anna falava com Kim enquanto caminhava olhando algumas vitrines – Faz um tempo que não saímos juntas.
- Ela teve que sair com o Zack – Kimberly explicou – Sabe como é, o macho chamou e ela foi – Anna revirou os olhos com o comentário de Kim.
- Olha, Kim, essa sua desconfiança com o Zack já está ficando chata – Anna reclamou – Deixa ela, ela gosta dele, qual o problema? – Anna suspirou – Talvez você só esteja com ciúmes.
- Ciúmes? – Riu – Por favor, Aninha, para que eu vou querer um namorado só para brigar, discutir e não me contar nada da sua vida? Porque ele é um completo mistério, eu diria que ele é um completo estranho para ela – Anna revirou os olhos.
- Todo mundo tem segredos, Kim – Anna tentou explicar – Eu não estou dizendo que ele é uma das minhas pessoas preferidas no mundo e que eu confio nele cegamente, mas a Marina gosta dele e o que nós temos que fazer é aceitar, você principalmente.
- Tudo bem, eu não quero brigar, mas... – Kim foi interrompida pelo celular tocando – É a Mari – ela avisou atendendo o celular e colocando no viva-voz fazendo Anna chegar mais perto do celular. Elas ouviram uma gritaria e finalmente Marina atendeu.
- Aninha? Kim? – Ela chamou.
- Ei Mari, está tudo bem aí? – Anna perguntou ouvindo o som de algo se espatifando.
- Está sim, Aninha, é só o maluco do Zack tendo um surto psicótico de ciúmes – elas riram ouvindo o garoto gritar no fundo “Eu não sou maluco, Marina” – Mas age como se fosse – ela gritou para ele e voltou a falar com as meninas – Eu só liguei para avisar que recebi uma mensagem de um dos representantes da diretória do colégio avisando que as primeiras avaliações do semestre serão na segunda, a galera vai receber um e-mail amanhã sobre isso, então vocês estão sabendo em primeira mão.
- Mas que droga, final do mês e já vamos ter avaliação – Kimberly reclamou.
- Desde o ano passado eles mudaram os dias de avaliações, Kim, e que aliás, é uma coisa boa por que aí, no final do ano letivo ficamos com semanas livres, sem avaliações, apenas com atividades extras caso queira melhorar as notas e para organizar as festas – Anna falou e Marina concordou do outro lado da linha – Obrigada por avisar, Mari.
- Por nada, tchau meus amores – Marina sorriu mesmo sabendo que elas não poderiam ver – Agora eu já vou, preciso ver se o maluco não fez besteira né – ouviram o “Eu não sou maluco, porra!” – E riram desligando o telefone.
- Esses dois não tomam jeito – Anna riu.
- Eu ainda acho que eles vão casar – Kimberly riu da expressão da amiga.
- Você agora a pouco estava dizendo que não confiava nele e agora diz que acha que eles vão casar? – Anna perguntou confusa.
- Apesar de não confiar no Zack, eu não acho que ele seja uma ameaça para a Mari ou para a sociedade – Kim explicou e Anna riu balançando a cabeça negativamente.
- Você é uma pessoa muito estranha, Kim – Kimberly riu puxando Anna para outra loja.

Casa dos Evans – 09:50 AM
Depois da ligação, Marina voltou para a cozinha e viu que o local já estava todo limpo. Depois que o Zack chegou, eles conversaram um pouco, deram uns amassos e assistiram algum episódio de uma série que Marina gostava, mas depois Zack inventou de fazer um bolo e acabou quebrando o que parecia ser uma porcelana muito cara.
- Eu estava conversando com as meninas e ouvi alguma coisa se espatifando – Marina chegou na cozinha e encostou na pilastra observando seu namorado limpar o balcão – Você está querendo me meter em encrenca? – Perguntou risonha – Sabia que essa porcelana que você quebrou era presente de casamento?
- Foi mal, amor – Zack pediu desculpas – Depois compro uma nova, ok? – Ele perguntou – Eu só queria fazer um bolo para a gente – ele fez uma cara triste mesmo sabendo que a namorada não veria já que estava de costas para ela.
- Meu amor, para isso temos empregada – Marina disse o abraçando e dando um beijo em suas costas nuas – Posso chamar a Marion para fazer um lanche para a gente – ele se virou e a abraçou pela cintura – Antes que você destrua as porcelanas da minha casa – riram e se beijaram. Um beijo lento e sensual que causou arrepios em Marina. Estava apaixonada por Zack e não poderia negar, mas ainda se sentia estranha por não saber quase nada dele. Zack era um tipo de “novato” no colégio e na turma dos populares. Ele chegou ao colégio no ano passado e como era bom jogador conseguiu passar no teste e entrou para o time. Conheceu Marina depois que precisou de aulas de reforço por causa das notas ruins em matemática, depois de muitas cantadas, Marina aceitou o convite dele para sair, foi nesse encontro que eles se beijaram pela primeira vez e depois começaram a namorar. Simples assim. Talvez um pouco simples demais e pelo que parecia, era esse simples que incomodava Marina. Ela não sabia nada dele, nada além do que todo mundo sabia. Garoto rico vindo do Canadá fazer o ensino médio em um dos colégios mais prestigiados dos EUA, misterioso, mulherengo e jogador de futebol. Virou amigo dos caras do time, pegou várias líderes de torcida – tirando Anna e Kim – ia mal em algumas matérias e arrumava confusão com alguns garotos de outras escolas e tinha alguns acessos de raiva. O típico garoto problema. Eles encerraram o beijo com alguns selinhos e ficaram abraçados por um tempo.
- Zack? Posso te fazer uma pergunta? – Marina perguntou e ele murmurou um ‘uhuum’ – Quando eu vou poder conhecer os seus pais?
- Eu já disse, Mari, quando tiver uma oportunidade – ele respondeu respirando fundo não gostando do rumo que a conversa estava tendo.
- É, você disse, mas quando é que vai ser isso? Porque você disse isso no ano passado e até agora não aconteceu – Zack se irritou e se desvencilhou de Marina sem muita delicadeza.
- Você sabe que o meu pai é muito ocupado, ele é o embaixador do Canadá aqui nos EUA e viaja muito, por que toda essa cobrança agora?
- Porque eu gosto de você, Zack – Marina disse – E quero conhecer a sua família, é isso que namorados fazem, nós já estamos namorando há quase 1 ano e eu não sei quase nada de você – Mari suspirou – Eu não conheço sua mãe, não sei se você tem irmãos e nem onde é a sua casa, poxa.
- E se continuar desse jeito talvez não saiba mesmo – ele disse chegando perto dela – Eu também gosto de você, Marina, mas essa cobrança toda não é legal, eu confio em você – ele disse tocando o rosto da namorada com carinho – Mas queria que você também confiasse em mim – ele disse chateado e caminhou até a porta.

Shopping Beverly Center – 10:11 AM
Depois de olharem mais algumas vitrines decidiram fazer um lanche e seguiram até a praça de alimentação.
- Eu morro de vontade de tomar um super Sundae de baunilha com calda de chocolate – Kimberly sonhava acordada – E comer um hambúrguer com milk-shake e...
- E engordar muitos quilos e a treinadora te cortar do time por não estar no peso ideal proposto na regulamentação? – Anna interrompeu Kim.
- Estraga prazer – Kim respondeu fazendo Anna rir.
- Mas é verdade, Kim, você sabe, eu também morro de vontade de mandar a dieta para o espaço, mas não podemos – Anna explicou, mas Kim não respondeu e Anna percebeu que ela estava parada olhando para um lugar específico.
- O que foi, Kim? – Anna perguntou chegando perto dela.
- O que eles estão fazendo juntos? – Kimberly perguntou olhando para Anna que procurava de quem a amiga estava falando.
Anna pôde ver um pouco distante delas em uma mesa em frente ao Mcdonald’s, seu irmão e Jessica sorrindo com as mãos entrelaçadas dividindo um milk-shake. Não era surpresa para Anna saber que Luke e Jessica estavam saindo, ela sabia disso porque Luke contou para ela quando eles se encontraram na garagem de casa e ela ficava feliz por eles.
- Esqueci de falar, o Luke e a Jess estão saindo já tem uns dias – Anna explicou – Eu acho legal, afinal ele voltou para o time, parou de usar cocaína e não está mais andando com aqueles garotos nojentos do terceiro ano – Anna deu de ombros e Kimberly olhou-a com raiva – E a Jess é uma garota legal.
- Garota legal? – Kimberly riu – Aninha, olha só para ela, ela é desengonçada, se veste mal e não é da elite, fala sério, ela não serve para ele.
- O quê? – Anna disse confusa – Kim, deixa de idiotice, se as pessoas fossem escolher alguém para namorar só por causa de roupa ou de classe social as pessoas nunca namorariam, aliás, você esqueceu que a Kate Middleton não era princesa quando começou a namorar com o príncipe William?
- Em primeiro lugar, o seu irmão não é um príncipe e em segundo a Kate frequentava a alta roda, e essa garota...
- Essa garota nada, Kim, se você está com ciúmes é só falar, mas não precisa ficar menosprezando a Jess.
- Eu com ciúmes? Do Luke? – Kim perguntou rindo – Não seja idiota, Aninha, eu e o seu irmão terminamos faz tempo e eu odeio ele, ok? – Anna levantou as sobrancelhas com cara de deboche – Eu só digo isso porque nós somos de mundos diferentes do dela, mas se ele quer ficar com a ralé que fique então – Kim deu de ombros e saiu andando na frente.
- Ela com certeza está com ciúmes – Anna riu balançando a cabeça e foi atrás de Kim.

Auditório do Beverly Hills High School – 10:25 AM
Jade estava no auditório repassando a sua fala de uma apresentação importante que aconteceria a poucos dias. Seria a protagonista e teria que cantar e dançar, sem falar na dificuldade que estava tendo para conseguir aprender suas falas. Não podia nem dizer que não sabia por que estava assim porque sabia sim, hoje completava 2 anos da morte de sua mãe e como todos os anos não conseguia se concentrar nesse dia, ficava irritada, triste, distraída e para Jade isso significava sinal de fraqueza e não gostava de se sentir fraca.
- Vocês poderiam me ajudar com... – Jade começou a ensaiar novamente e travou no mesmo lugar – Eu me perdi... – tentou novamente – Por favor, eu preciso de... – tentou novamente e não conseguia lembrar de mais nada, bufou e jogou os papéis do roteiro com raiva no chão – Droga! – Gritou.
Jennifer, que estava sentada um pouco mais afastada na plateia, desceu e foi para perto do palco.
- Jay – chamou e Jade a olhou – Que tal irmos comer alguma coisa, beber um suco ou uma água? – Sorriu olhando a amiga com carinho – Você está nessa cena há duas horas, descansa um pouco e depois que voltarmos eu até te ajudo com essas falas – Jade sorriu reconhecendo que estava mesmo cansada e ajudou Jenny a subir no palco e foram até o camarim.
- Entra aí que eu vou buscar uma água para você e depois vamos almoçar – Jenny disse e saiu. Assim que abriu a porta Jade encontrou alguém sentado de frente para o espelho. Katrina Sparks.
- O que você está fazendo no meu camarim? – Jade perguntou sem rodeios. Jade e Katrina não se gostavam.
- Eu só vim ver se estava tudo bem, aqui também vai ser o meu camarim, afinal eu sou a sua stand, esqueceu? – Disse com desdém.
- Aqui seria o seu camarim se você fosse atuar, e como você mesma disse, você é a minha stand, ou seja, a minha substituta, então a não ser que eu tenha uma doença terminal, sofra um acidente que quebre as minhas pernas ou morra, você não vai atuar – Jade disse a última frase pausadamente dando um sorriso cínico ao ver a cara de poucos amigos que Katrina fez.
- Sabe o que eu acho? – Katrina perguntou se levantando.
- Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe – Jade disse revirando os olhos, mas Katrina continuou:
- Ainda bem que a sua mãe morreu – disse se aproximando e Jade mudou de expressão rapidamente – Ela não teria nenhum orgulho de você, sabe por quê? – Jade travou o maxilar cravando as unhas nas palmas das mãos – Porque você é egoísta, imbecil e péssima atriz – disse e saiu do camarim esbarrando propositalmente no ombro de Jade que deixou algumas lágrimas caírem olhando para as mãos feridas. Não era a primeira vez que Jade se machucava, mas não podia evitar. Tinha vontade de bater em Katrina, a odiava e todo mundo podia ver isso, e a garota não ajudava, sempre fazendo piadinhas sobre o ocorrido com Olivia, inventava mentiras e tudo mais para encher a paciência de Jade. Da última vez que brigaram, Jade bateu em Katrina e tomou uma advertência, então passou a “segurar” sua raiva. Se olhou no espelho e viu que a sua maquiagem estava um pouco borrada dando uma aparência estranha para um rosto tão bonito. Pegou alguns lenços umedecidos e passou no rosto, limpando a bagunça que as lágrimas tinham feito.
- Pronto, Jay, aqui está a sua água – Jenny entrou de repente trazendo uma garrafa de água, mas percebeu algo errado – Ei! Tá tudo bem?
- Tudo bem sim – Jade se virou e sorriu – Vamos comer alguma coisa? – Perguntou e Jenny confirmou com a cabeça quando o celular de Jade bipou. Era uma mensagem – É a tia Kathy, ela quer que eu vá até a Grivolly.
- Ok, então vamos – Jade concordou e as duas saíram do camarim.

Shopping Beverly Center – 10:35 AM
Kimberly estava olhando uns sapatos em uma das vitrines enquanto Anna falava ao telefone.
- ... Certo, tia Kathy, eu já estou indo. Beijos – Anna desligou e foi até Kim – Era a Katherine, ela quer que eu vá na Grivolly que ela tem uma reunião importante e quer que eu e meus irmãos estejamos lá – suspirou e guardou o celular caminhando com Kim até o estacionamento.
- O que será que ela quer? – Kim perguntou com seu espelhinho na mão arrumando o cabelo.
- Não sei, mas ela me pareceu um pouco nervosa – Anna respondeu entrando no carro.

Rodeo drive – Loja Grivolly – 10:45 AM
Luke, Anna e Jade estavam na sala de reunião com sua tia esperando alguns dos investidores chegarem para a reunião. Tinham chegado há uns 10 minutos e Katherine os recebeu um pouco aflita como se fosse algo realmente urgente, o que os deixou um pouco nervosos.
- Tia Kathy, você não pode nos dizer o que está acontecendo? – Luke perguntou cansado de tanto esperar.
- É, Katherine, para que tanto suspense? – Jade perguntou sem muita paciência, como sempre, e Anna revirou os olhos.
- Você acha que se ela pudesse nos dizer o que ela tem para nos dizer você não acha que ela já não teria nos dito? – Anna disse sarcástica e Jade sorriu cínica.
- Ah claro, falou a voz da sabedoria – Jade disse no mesmo tom sarcástico de Anna e Katherine e Luke puderam ver que o campo de batalha já estava armado, se não intervissem elas arrancariam fios de cabelo e quebrariam as unhas ali mesmo, mas não precisou, já que os investidores apareceram e se sentaram em suas cadeiras.
- Que bom que vocês puderam comparecer a essa reunião pois o assunto que trataremos aqui hoje será de extrema importância para a Grivolly nos próximos meses – James, um dos investidores, disse abrindo a pasta em cima da mesa tirando de lá vários papéis e entregando para cada um – Na verdade vocês não precisavam estar aqui hoje, mas como a Katherine achou necessário a presença de vocês não podíamos negar um pedido tão especial – James deu um sorriso que pareceu cínico e se levantou ligando o projetor começando sua apresentação – Bom, como hoje faz dois anos da morte da Olivia, – fez uma pausa – Que Deus a tenha – disse fazendo o sinal da cruz em frente ao rosto e continuou – eu pensei em fazer algo especial para esse final de mês – passou o slide e mostrou uma das primeiras linhas de roupas que Olivia já havia criado – Com essa linha de roupas que vocês estão vendo aqui nesse slide, Olivia se firmou como estilista e fez a pequena loja Grivolly alavancar as vendas anos atrás, tornando-se assim a estilista revelação de 1992 na Itália, então eu conversei com o nosso publicitário e ele aprovou a minha ideia.
- Você enrolou, enrolou e até agora não nos disse qual a sua ideia – Jade disse e todos concordaram.
- Bom, a minha ideia é reinventar essas peças – ele disse – Colocá-las em tons escuros, fazer uma mini campanha com as roupas da primeira coleção para sensibilizar as pessoas da tragédia que aconteceu dois anos atrás, com vocês, os filhos da dona da Grivolly sendo os modelos da campanha para mostrar todo o sentimento da coisa e no próximo mês lançamos a nova coleção – James explicou deixando-os boquiabertos – Segundo as estatísticas e probabilidades que a nossa gerente de financeiro me passou, com essa mini campanha e a nova campanha do próximo mês teríamos um aumento de quase 50% na loja física quanto na online, sem falar que as nossas ações aumentariam o valor no mercado.
- Você só pode estar de brincadeira – Luke exclamou – Que palhaçada é essa, cara?
- “Mostrar todo o sentimento da coisa”? – Anna repetiu indignada com a falta de bom senso de James. O que ele pretendia com essa ideia? Fazer a Grivolly perder todos os investidores, falir ou zombar da memória da mãe deles?
- Não – Jade interrompeu os irmãos – Essa história de mini campanha de luto não vai rolar, você achou mesmo que nós concordaríamos com isso?
- É aí que está meus queridos – James disse cordial, mas com a voz carregada de sarcasmo – Eu não estou pedindo a permissão de vocês para nada, eu estou avisando que essa mini campanha vai acontecer.
- Como é que é? – Os mais novos disseram em uníssono indignados.
- Isso mesmo, eu só me dei o trabalho de vir aqui hoje e mostrar esse projeto para vocês por consideração a Katherine – apontou para a mulher sentada na ponta da mesa – Porque ela ficou preocupada em como vocês reagiriam – ele explicou – Não estou pedindo a permissão de vocês para nada, aliás, a opinião de vocês nem conta aqui – James disse se mostrando superior e Luke não gostou nada da postura do mais velho.
- Como assim “a nossa opinião não conta aqui”? – Luke disse indignado – Nós somos filhos da dona dessa loja, você esqueceu? Nós temos voz aqui dentro.
- Sem falar que nós três possuímos ações da Grivolly, o que significa que fazemos parte do conselho administrativo da loja, ou seja, a nossa opinião conta aqui dentro sim, James – Anna falou.
- Eles têm razão, James – Jade concordou com os irmãos – Você não pode simplesmente aprovar uma campanha sem falar com os outros acionistas, você não tem tanto poder assim.
- Certo – James disse cansado, mas ainda sorrindo sarcasticamente – Vocês têm um pouco de razão – ele concordou e os mais novos sorriram automaticamente – Porém, vocês estão enganados a respeito de um pequeno detalhe – ele parou de frente para a mesa encarando os filhos de Olivia – Vocês possuem sim uma parcela de ações da Grivolly, mas é uma besteira, minoria, quase nada – disse abrindo a pasta em cima da mesa – O valor das ações de vocês aqui na pauta é de 5% cada – disse jogando a pauta na mesa para os garotos verem a veracidade do documento – Juntando, vocês três detém apenas 15% das ações da Grivolly, ou seja, apenas 15% de voto.
- Mas a tia Kathy também tem ações, ela detém as ações que eram da nossa mãe fazendo dela a acionista majoritária, não é? – Anna perguntou encarando James.
- Sim e não – disse – Sim, a Katherine está responsável pelas ações da mãe de vocês que era de 25% e não, ela não é a acionista majoritária da loja – disse apoiando o corpo na mesa com as mãos – Os acionistas majoritários são os que detém a maior porcentagem de ações, ou seja, os que mais investem na loja, portanto, eu e os outros três acionistas aqui – apontou para os acionistas sentados ao seu lado – Detemos cada um 15% e eles aprovaram a minha ideia, ou seja, temos um total de 40% de votos do seu lado e 60% de votos do meu, logo, a minha ideia está mais do que aprovada – sorriu fechando a pasta deixando Anna, Luke e Jade boquiabertos.
- Ok – Katherine se levantou mostrando-se presente – Você pode ter conseguido a aprovação para a sua campanha, mas não pode obrigá-los a participar como modelos.
- Mas nem em sonho que participaríamos de uma coisa dessas – Luke disse e saiu da sala irritado.
- Eu sempre soube que você era um cara desonesto, mas usar o pretexto do aumento das vendas para convencer os acionistas foi um golpe muito baixo – Anna falou saindo da sala também.
- Eu espero que a sua campanha seja um fracasso – Jade falou sarcasticamente e saiu esbarrando propositalmente no ombro de James.
- Mas que sobrinhos mais esquentadinhos você tem – James brincou e Katherine revirou os olhos sem paciência para aturar mais aquele homem.
- A reunião acabou, James, pode ir embora – Katherine disse quase que empurrando o homem da sala que riu ao perceber que não era bem-vindo e saiu da sala também junto com os outros investidores.

Loja Gucci, Rodeo Drive – 11:37 AM
Anna estava irritada e saiu avoada pelas ruas procurando Kimberly. Kim estava dentro da Gucci cheia de sacolas conversando com uma das atendentes quando Anna entrou e foi em sua direção chamando a atenção de algumas pessoas que a reconheciam. Alguns a conheciam pelas competições que acompanhavam pela TV e os outros conheciam apenas por ela ser a filha da falecida Olivia Lombarddi.
- Anda Kim, vamos embora, preciso conversar com você e ainda temos que almoçar – Anna disse e Kim veio rapidamente até ela.
- Você não vai comprar nada? – Kim perguntou, mas Anna rapidamente respondeu um “não” curto e grosso. Kim saiu da loja pedindo várias desculpas para as atendentes e Anna saiu puxando seu braço para longe dali – Aninha, você está me deixando nervosa, o que foi que aconteceu na tal reunião que te deixou assim?
- O que aconteceu? – Anna destravou o carro e seguiu para um restaurante – Aconteceu que o James, um dos acionistas da Grivolly, decidiu fazer uma mini campanha de luto no final desse mês para aumentar as vendas do próximo mês na loja – Anna explicou ainda com raiva.
- O que seria uma campanha de luto? – Kim perguntou confusa se segurando no banco já que Anna suspirou sem paciência e acelerou mais o carro.
- Ele quer pegar as roupas da primeira coleção da minha mãe, coloca-las em tons escuros como se fossem roupas de luto mesmo e vender nessa última semana para sensibilizar as pessoas da morte da minha mãe – Anna disse com mais raiva e bateu as mãos no volante parando em frente ao restaurante – E ele ainda teve a audácia de dizer que queria eu, a Jade e o Luke no comercial da campanha.
- E aí você me indicou, né? – Kim perguntou ignorando o que Anna disse.
- Te indiquei para quê? – Anna perguntou confusa.
- Como assim “para quê”? – Kim respondeu como se fosse óbvio – Me indicou para ser uma das modelos da campanha, você sabe que eu sou modelo e faço um ótimo trabalho com... – Anna interrompeu Kimberly.
- Qual parte do “O James quer fazer uma campanha de luto para zombar da memória da minha mãe” você não entendeu, Kimberly? – Anna disse com raiva, agora não mais de James e sim de Kimberly – O máximo que ele vai conseguir é falir a Grivolly.
- Anna, falir a Grivolly seria um tiro no próprio pé, já que ele também perderia dinheiro com isso, então para de chilique e me fala por que não mencionou o meu nome para fazer essa campanha? – Kimberly explicou sua teoria que até fazia sentido, mas Anna não estava ligando muito.
- Repetindo, qual parte do “Ele queria que a campanha fosse feita por mim, a Jade e o Luke” você também não entendeu? – Kimberly revirou os olhos e Anna tentou explicar – Eu, sinceramente Kim, nem pensei nisso porque tinha coisas mais importantes para pensar no que na sua carreira de modelo – Anna falou batendo a cabeça no volante e Kimberly se calou por um estante.
- Admita – Kim começou – Você é tão egoísta que não quis que eu participasse da campanha – Anna levantou a cabeça suspirando – Você está tão acostumada a ter tudo que não liga se vai tirar algo de alguém, não é? – Kim falou sarcasticamente – Ainda bem que a sua mãe não está mais aqui, senão ela teria vergonha de você – Kim sabia que tinha tocado na ferida, mas como estava com raiva nem percebeu.
- Sai do meu carro agora – Anna falou baixo e Kim não entendeu – SAI DO MEU CARRO AGORA, KIMBERLY – Anna gritou e Kim pegou as sacolas rapidamente do banco de trás e saiu do carro.
- Espera, você vai mesmo me largar aqui cheia de sacolas? – Kim perguntou sem acreditar e Anna saiu disparada do estacionamento deixando-a sozinha – Mas é claro que ela vai me largar aqui cheia de sacolas – Kim concluiu revirando os olhos – Merda!

Casa dos Evans – 20:00 PM
Depois da briga com Anna, Kimberly passou a tarde bebendo com um desconhecido no bar e contou praticamente sua vida inteira para ele, mas ela não estava ligando para isso na hora, depois de afogar suas magoas ela chamou seu motorista e ele a levou para casa. Chegando lá, ela pensou que Zack ainda estaria lá, mas ele não estava. Sua irmã estava na sala sentada no sofá assistindo algum filme que ela não quis saber o nome e se jogou no sofá junto de Marina.
- E aí mana? – Kim falou jogada no sofá com as pernas no colo da irmã.
- Você bebeu, Kim? – Marina perguntou sentindo o cheiro forte vindo das roupas de Kim – Não acredito que você não consegue passar um dia sem beber – Marina falou indignada – Pera aí, se você bebeu, a Aninha também bebeu – Marina pensou – Então ela tá dirigindo bêbada? Meu Deus, Kim, a Aninha ta dirigindo bêbada...
- Aninha? Aninha, querida? – Kim falou meio grogue – Não precisa se preocupar, a Anna está sã e salva dirigindo pelas ruas com os cabelos ao vento.
- Hãm? – Marina não entendeu.
- A Anna está bem – Kim revirou os olhos – Ela me largou no restaurante depois que eu disse umas verdades para ela – Kim riu – Nós brigamos feio.
- Que verdades, Kim? Brigaram por quê? Explica isso – Marina empurrou os pés de Kim do seu colo e levantou.
- A Anna não quis me indicar para a nova campanha da Grivolly – Kim deu uma explicação superficial sobre o que tinha acontecido – E aí eu disse que ela era muito egoísta e que a tia Liv teria vergonha disso, aí ela me expulsou do carro.
- Oh Kim, não era para menos né? Você sabe que hoje a Aninha fica muito triste, poxa, é o aniversário de morte da mãe dela, o que você queria? Que ela soltasse fogos de artificio e dissesse que você, entre tantas modelos que a Grivolly tem, deveria ser a escolhida para tal campanha?
- Sim, era exatamente que ela deveria fazer – Kim jogou a cabeça para trás e fechou os olhos querendo dormir – Você sempre defende ela né? Até parece que ela que é a sua irmã e não eu.
- Ah Kim, ciúmes a essa hora da noite não né – Marina disse sem muita paciência – Tudo isso é a bebida falando e você não deveria ter mencionado o nome da tia Liv, você sabe que a Aninha fica mal com isso – Marina começou a andar pela sala – Você deveria ligar pra ela e resolver essa história, sei que ela também está errada ou pode estar, eu não sei, tenho que ouvir a versão dela primeiro porque você provavelmente só deve ter me contado menos da metade já que chegou aqui bêbada e... – Marina olhou pra irmã que dormia no sofá – Não acredito que você dormiu e me deixou falando sozinha – revirou os olhos e pegou a manta que estava na poltrona e cobriu Kim – Boa noite, maluquinha.

Casa dos Lombarddi – 22:06 PM
Anna tinha acabado de chegar em casa e deu graças a Deus por não ter ninguém na sala ou teria que dar explicações já que estava com a roupa suja de terra, olhos vermelhos e o cabelo todo molhado e bagunçado depois da chuva que teve no final da tarde. Subiu a escada principal e nem se deu o trabalho de acender a luz do quarto já que a lua iluminava o mesmo. Ligou o rádio sentando no tapete abaixando a cabeça por entre os braços ouvindo a música baixinha que tocava em uma estação qualquer. Depois da briga com Kimberly, Anna foi até o Píer de Santa Mônica e passou a tarde lá, até resolver que iria ao cemitério, parando antes na floricultura para comprar um buquê com as flores preferidas de sua mãe.

FLASHBACK ON
Cemitério – 20:35 PM
Anna parou o carro no estacionamento do cemitério e seguiu para a capela. O local estava quase vazio, com exceção de poucas pessoas que rezavam ali. Molhou seu polegar em uma vasilha ao lado da porta e fez o sinal da cruz em frente ao rosto entrando na capela, sentou-se e pôs o buquê ao seu lado. A família Lombarddi tinha muito respeito pelo catolicismo, quando moravam na Itália iam em todas as missas de domingo e sempre que podiam iam assistir algumas missas do papa no vaticano. Era uma tradição de família. Enquanto ouvia as palavras que o padre dizia ao fundo, Anna fazia uma pequena oração antes de ir visitar o túmulo da mãe.
- Deus, o senhor sabe que hoje está sendo um dia muito difícil, não só pra mim, imagino que para todos da minha família – fechou os olhos – Sei que todas as vezes que venho aqui é para pedir algo e hoje não será diferente, porém, é o mesmo pedido de todas as vezes – respirou fundo e entrelaçou seus dedos embaixo do queixo – Por favor, continue cuidando da minha família, olhe por nós daí de cima, sei que minha mãe deve estar aí junto do Senhor olhando por todos nós também e nos dando forças para continuar, porque se não fosse o tanto de trabalho que nós nos atolamos para fazer e a ajuda de vocês, nós com certeza não conseguiríamos suportar esses anos sem pistas sobre a explosão da loja – sentiu uma lágrima escorrer, mas nem se deu ao trabalho de limpar porque ali, naquele momento, podia se permitir chorar, sentir dor, sentir alguma coisa – E obrigada por ajudar o Luke a parar de usar cocaína, o senhor não pode imaginar a minha alegria quando fiquei sabendo – ela sorriu – e por favor, me ajude com a Jade, está sendo mais difícil superar tudo isso sem ela. Amém!
Se levantou e caminhou até o lado de fora indo em direção ao túmulo de Olivia, mas antes de chegar lá avistou um corpo magro, alto e longos cabelos loiros parecidos com os seus em pé ao lado da lápide. Era Jade. Não iria até lá porque não era o momento e por isso se escondeu. Jade não ia gostar que ela fosse até lá. Era o momento dela. Observou sua irmã limpar os olhos e deixar um buquê quase igual ao dela, o que mudava era o papel que enrolava as rosas. Depois de ver Jade se despedir e ir embora, Anna caminhou até a lápide de sua mãe e se sentou no chão sem se importar se sujaria sua roupa ou não.
- Oi, mãe – Anna engoliu em seco – Eu sei que demorei para vir, mas é que tive que ir na Grivolly resolver algumas coisas – Anna falou e depois repensou no que disse – Estou falando como se tivesse resolvido alguma coisa – riu revirando os olhos como se estivesse realmente conversando com alguém – Me desculpe, por não ter conseguido fazer aquele idiota do James mudar de ideia sobre aquela campanha – suspirou – Tiraram você de nós e o nosso mundo desabou – abaixou a cabeça e chorou. Chorou por tudo o que tinha acontecido com James, a briga com Kim, pelo ódio que Jade sentia por ela e chorou pela mãe – Não é justo – ela disse baixo – Eu sinto tanto a sua falta, mãe, tanto.
Se alguém perguntasse agora o que Anna estava sentindo ela não saberia explicar em palavras, só saberia chorar, pois seu corpo doía, sua cabeça latejava e o lencinho de papel não estava dando conta do rio de lágrimas que seu rosto pálido tinha se tornado. Em plena luz da lua, a garota conhecida como indestrutível, inquebrável, e até coração de pedra, desabava em frente a triste lápide de sua mãe. Minutos se passaram e Anna já podia enxergar direito depois de enxugar seus olhos, mas algo a assustou. Alguém tinha pisado em um galho de árvore e tinha o quebrado. Levantou rapidamente e olhou ao redor procurando o lugar de onde vinha o barulho. Mais à frente, um pouco longe do seu campo de visão, uma pessoa com uma capa preta cobrindo sua cabeça e seu tronco estava parada em frente a outra lápide. Sabia que o cemitério era público, mas achou que estivesse sozinha e aquele momento era muito pessoal para dividir com um estranho.
- Ei! – Chamou a atenção da pessoa andando até ela, que quando viu que não estava sozinho começou a correr e Anna foi atrás, mas a pessoa estava muito na frente, obviamente era mais rápida que ela e no escuro ela não reconheceria ninguém – Droga!
Anna voltou até o cemitério e foi até a lápide que a pessoa estava visitando.

Mason Edward Bennett - Amado filho e irmão.
★ 22-12-1990
† 01-01-2007

Quem será esse tal de Mason? Anna não conhecia ninguém chamado Mason e nenhuma família com o nome Bennett, se pelo menos tivesse conseguido ver quem estava embaixo da capa... Anna balançou a cabeça mandando embora esses pensamentos. Não importava quem era, ela tinha ido ali para visitar a mãe e já tinha o feito. Hora de ir embora.
FLASHBACK OFF

Anna dirigiu o caminho todo pensando no tal de Mason. Quem seria? O que fazia? Será que algum amigo o conhecia? Essas perguntas a fizeram esquecer por um tempo a falta que sentia da mãe e a dor de hoje ser o aniversário de morte dela. E como num déjà vu, Anna levantou a cabeça prestando atenção na nova música que tocava no rádio. Era uma música italiana.

Una mattina mi son' svegliato
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
Una mattina mi son' svegliato
E ho trovato l'invasor

Anna conhecia a música. Era Bella Ciao. Uma das músicas preferidas de sua mãe e a mesma que tocou em seu funeral.

O partigiano, portami via
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
O partigiano, portami via
Ché mi sento di morir

Anna não aguentou e chorou mais. Chorou alto. E dessa vez, chorou sem se importar se as pessoas ouviriam, talvez quisesse que elas ouvissem e percebessem que ela também tinha um coração. Um coração que também estava sofrendo.


Capítulo 05

Casa dos Evans – 05:49 AM

Marina acordou cedo e aproveitou o tempo para cuidar de Kim, sabia que ela estaria de ressaca e, como é uma boa irmã, acordaria ela cedo para tomar um banho gelado e tomar um remédio para dor de cabeça. Riu com o pensamento, iria mesmo acordar a irmã e faria ela tomar um banho gelado as 6 horas da manhã? Mas é claro. É, ela era uma boa irmã, sim. Subiu até o quarto de Kim levando uma aspirina e um copo com água colocando-os na cômoda ao lado da cama.
- Kim? – Marina sacudiu levemente a irmã que não se moveu. – Oh Kimberly, acorda! – gritou e Kim levantou assustada.
- O que é, inferno? – Kim disse irritada.
- Não me xingue – Mari reclamou. – Levanta daí, toma essa aspirina e simbora para o banho, você está fedendo – Kim levantou resmungando. – Os nossos pais vão chegar daqui a pouco e eles não vão gostar de ver você assim.
- Ah, claro – revirou os olhos. – Depois te agradeço por ter me acordado aos gritos, ok? – Kim disse sarcasticamente. – Preparou meu banho quente, também?
- Tá achando que é quem? A rainha Elizabeth? – Mari sorriu sarcástica. – E quem disse que é banho quente? Você vai é tomar banho gelado, meu amor, com essa cara de ressaca você acha mesmo que ia tomar banho quente? – riu. – Faça-me o favor né, Kim.
- Chata – Kim foi tomar banho enquanto Marina ria da irmã organizando uma roupa para ela vestir. Marina abriu o closet e metade das roupas da irmã caíram em cima dela. Organização é uma das coisas que Kimberly não tinha e não era ela que iria ensinar isso. Não mesmo. Jogou as roupas no chão e foi até o banheiro levando a roupa pra Kim.
- Então, agora você pode me explicar o que de fato aconteceu ontem? – Mari perguntou.
- Eu saí para beber – Kim desviou do assunto.
- Eu sei disso – Mari revirou os olhos.
- Então para que perguntou?
- Você sabe do que eu estou falando, Kimberly Antoine Evans.
- Você sabe que eu não gosto quando você me chama pelo nome todo, droga.
- Então me conta o que aconteceu ontem entre você e a Aninha por que não dá para ignorar, você chegou ontem resmungando e não me contou nada direito – Kim suspirou e Mari esperou a resposta.
- Eu e a Anna discutimos por ela ser egoísta – Kim começou. – A Grivolly vai fazer uma nova coleção e ela não me indicou como modelo para a campanha e ainda me largou no estacionamento do restaurante.
- O que? – Mari perguntou sem entender direito. – Vocês brigaram por causa disso? – Kim acenou com a cabeça.
- Ela nem sequer se lembrou de me indicar para a campanha.
- Peraí, Kim, não pode ter sido isso, sempre que pode, a Aninha te indica para as campanhas, mas eles preferem modelos famosas que já estão no mercado, sem falar que ontem sempre foi uma data muito ruim pra Anna e...
- Você vai defender ela? – Kim falou com raiva olhando para a irmã que não disse nada. – Mas é claro que vai – Kim revirou os olhos. – Olha Marina, eu não quero mais falar disso, ok? Agora sai do meu quarto, preciso me arrumar – Kim empurrou Marina para fora do quarto e bateu a porta na cara da irmã que suspirou e foi até a cozinha. Iria descobrir o que de fato aconteceu e para isso teria que checar o outro lado da história.
- Querida, você não vai tomar café? – Marion, uma das empregadas perguntou.
- Não, Marion, preciso dar uma saída rápida antes que os meus pais cheguem, preciso resolver um assunto – disse pegando o copo e tomando um pouco de suco e saindo da casa.
- Gregório, para a casa dos Lombarddi, por favor – Marina pediu ao motorista entrando no carro e seguiu para a casa de Anna.
...

Casa dos Lombarddi – 06:05 AM


Anna estava arrumando sua “mala” para sair com o Henry quando ouviu uma batida na porta.
- Pode entrar – disse e Trude, uma das empregadas apareceu na porta.
- Aninha, tem visita para você.
- Ué, mas o Henry já chegou? Pensei que ele só viesse as 07:30.
- Não é ele – Trude disse. – É a senhorita Marina – Anna franziu o cenho estranhando Marina estar tão cedo na sua casa. Será que tinha acontecido alguma coisa com Kim?
- Ah, então pode mandar subir.
Anna terminou de arrumar sua bolsa e esperou Mari entrar.
- Oi Aninha, que bom que você ainda não saiu, eu preciso conversar com você.
- O que foi?
- É sobre a Kim.
- Aconteceu alguma coisa? – Anna perguntou preocupada, apesar de ainda estar chateada com ela.
- Não, nada de muito grave, é que ela chegou bêbada ontem e não me explicou direito o que aconteceu entre vocês e nem hoje de manhã – Mari explicou. – E eu vim aqui para você me explicar e eu poder ajudar vocês a se reconciliarem.
- Olha Mari, eu agradeço pela tentativa de ajuda, mas a Kim pisou na bola comigo, eu não sei se vou conseguir perdoar ela assim tão fácil.
- Me explica o que aconteceu, vai – Mari pediu juntando as mãos. – Eu estou tão curiosa.
- Tudo bem – suspirou. – Os investidores da Grivolly querem fazer uma campanha de luto com as roupas da primeira coleção da minha mãe – Aninha explicou. – Eles disseram que era para mostrar todo o “sentimento da coisa” – disse fazendo aspas com as mãos. – Eu e meus irmãos tentamos nos opor, mas parece que a nossa opinião não vale muita coisa – suspirou virando o rosto para o lado. – E eles queriam que eu, a Jade e o Luke fossemos os modelos da campanha, mas é óbvio que nós não aceitamos.
- Mas por que você e a Kim brigaram? – Mari perguntou sem entender.
- Segundo ela, eu fui muito egoísta por não ter indicado ela para essa campanha, sendo que tudo que aconteceu na reunião, eu contei a ela e ela ainda assim não entendeu e ainda disse que a minha mãe sentiria vergonha de mim por causa disso – Aninha explicou e Mari ficou boquiaberta.
- Eu nem sei o que dizer, Aninha, eu sinto muito.
- Não precisa se desculpar pela Kim, Mari – Anna sorriu e a abraçou. – Você não tem culpa dela não pensar nas coisas antes de falar.
- Não vou mais te encher com isso – Mari disse mudando de assunto. – Então você vai viajar com o Henry hoje, hein? – Marina fez uma cara engraçada levantando as sobrancelhas mostrando que essa viagem poderia ter outro significado.
- Não, Mari, não é nada disso que você está pensando – Anna riu. – O Henry não tem pressa para isso, ele é tão cavalheiro e tão gentil que não me pressiona – Anna disse suspirando, tão apaixonada.
- Ah como o amor é lindo – Mari sorriu. – O Henry é tão legal com você, Aninha – suspirou. – É uma pena que o meu namoro não seja assim tão mais fácil quanto o seu – Anna fez uma cara confusa. – Ontem eu e o Zack brigamos e agora parece que eu fui meio injusta com ele.
- O que aconteceu?
- Nós discutimos por que eu pedi a ele para conhecer a família dele, mas ele sempre dá uma desculpa e eu nunca os conheço – Mari explicou. – E eu me sinto uma completa estranha no meu próprio relacionamento, você entende?
- Não muito, mas eu até concordo com a Kim, sobre o Zack, ela já me falou que ela acha tudo isso muito estranho e tal, mas eu não me liguei muito.
- É, ela me disse a mesma coisa, que não confia muito nele, mas...
- Olha Mari – Anna pegou nas mãos da amiga. – Se você confia nele, ótimo, mas você não pode se basear nas coisas que a Kim e eu pensamos, o importante é o que você acha, você sabe que a Kim é meio paranoica quando assunto é você já que você é a nossa princesinha e merece um príncipe – Anna sorriu.
- A Kim disse isso outro dia – riu. – Obrigada, Aninha.
- Pelo que?
- Por me ouvir, tentei falar com a Kim, mas ela não me deu muita atenção.
- Sempre que precisar, eu estarei aqui para você, Mari – sorriram e ouviram a porta bater e Henry pôs a cabeça para dentro.
- Interrompo uma reunião de meninas? – elas riram e ele entrou no quarto.
- Não, não, eu já estava indo embora mesmo – Mari sorriu e cumprimentou Henry. – Bom passeio para vocês – abraçou Aninha e se virou para Henry. – Cuida bem dela, viu? Se ela chegar amanhã e disser que não foi o melhor dia da vida dela, vou bater em você – Mari ameaçou.
- Sim, senhora – bateu continência e Mari foi embora rindo. – Então, amor, tudo pronto? – ele perguntou, Anna acenou com a cabeça e então desceram as escadas saindo da casa.
- Para onde vamos? – Anna perguntou curiosa depois de Henry vendar seus olhos assim que entraram no carro.
- É surpresa – ele sorriu e ligou o rádio. – Ainda não é o nosso aniversário, mas você merece, então é um presente de namoro antecipado – Anna sorriu toda boba.
...

Rodeo Drive – 08:08 AM

Depois da ressaca matinal, Kim resolveu ir para a Rodeo Drive fazer mais compras e se distrair já que não tinha mais a companhia de Anna e Mari não estava em casa quando ela saiu. Enquanto caminhava pela Rodeo Drive, passou em frente à loja Harry Winston e viu quem estava do lado de dentro conversando com uma vendedora. Jéssica. E sem o Luke. Resolveu entrar e ainda pôde ouvir um pedaço da conversa.
- ... Eu ainda não tenho certeza se ele gosta de mim o suficiente ou se está tentando esquecer alguém... – Jéssica parou de falar assim que percebeu quem entrou na loja, não queria que ouvissem sobre seu relacionamento, principalmente Kimberly.
- Olá, senhorita Evans, gostaria de ver alguma joia em especial – a vendedora que conversava com Jéssica perguntou a Kim.
- Não, eu só vim buscar uma joia que eu trouxe para polir há algumas semanas.
- Oh, sim, o anel prateado com detalhes em diamantes, não é? – Kim concordou. – Um momento que eu vou pegá-lo.
A vendedora foi pegar o anel e Kim se virou e resolveu puxar assunto com Jéssica.
- Oi, Jamie, como vai? – Kim falou simpática errando propositalmente o nome da garota.
- Oi, Kimberly – Jéssica falou sem muita animação visivelmente incomodada com a presença de Kim. – E o meu nome é Jéssica, achei que já soubesse.
- Me desculpe, querida, sabe como é, sou uma pessoa muito ocupada, conheço muita gente, então costumo confundir nomes – sorriu sarcástica continuando a conversa. – Não sabia que você frequentava esse tipo de loja – Kim sorriu maldosa.
- Esse tipo de loja? – Jéssica perguntou.
- É, esse tipo de loja – frisou. – O tipo de loja do cacife da Harry Winston.
- Eu não estou fazendo compras, só vim esperar o Luke e aproveitei para conversar um pouco com minha amiga.
- Ah, sim, isso é bem conveniente para você, não é?
- Conveniente para mim? – Jéssica indagou confusa.
- É, pensa comigo, você está namorando com o filho da dona da Grivolly, uma das lojas mais famosas da Rodeo Drive, isso é tão conveniente para você, que daqui a algum tempo você pode até faltar o trabalho que a Katherine nem vai ligar e ainda vai pagar o seu salário.
- Eu não estou com o Luke por causa do dinheiro dele, Kimberly, estou com ele por que eu...
- “Gosto dele” – Kim a interrompeu completando sua frase. – Sei, sei mas olha, eu não pude deixar de ouvir a sua conversa anterior – Jessica suspirou, não queria que Kim tivesse ouvido. – Você está cheia de dúvida sobre os sentimentos do seu príncipe encantado – a vendedora chegou com o anel e ele brilhava tanto que Jéssica teve a impressão que o anel podia até iluminar aquela sala. – Uma das provas mais concretas de que o Luke gosta de alguém é quando ele dar uma joia para a garota, no meu caso, por exemplo, quando ele me pediu em namoro ele me deu esse anel – Kim pôs o anel no dedo e mostrou a Jéssica. – Sabe, para uma garota de 14 anos, foi como se o príncipe encantado tivesse me pedido em casamento – Kim pagou o polimento e esperou a nota fiscal. – Bom, se ele não te deu um ainda, talvez esteja em dúvida – Kim deixou a frase no ar por alguns segundos para depois completar. – Ou talvez esteja com você só pra passar o tempo – pôs o anel de volta na caixinha. – Tchau, Jamie – e saiu da loja com seu habitual sorriso sarcástico.
- Essa garota é muito metida – a atendente reclamou. – Ainda bem que o Luke escolheu você.
- Talvez ela esteja certa – Jéssica falou insegura. – Eu e ele somos de mundos diferente, ele é rico e eu sou só uma empregada.
- Você trabalha na loja da mãe dele, Jess – a amiga de Jéssica sorriu. – É a própria história da cinderela.
- A Kimberly é a cinderela depois de casar com o príncipe, né? – Jess perguntou triste, porém conformada. – No máximo eu sou a cinderela maltrapilho que foi trocada pela cinderela rica.
- Deixa de bobagem – a amiga segurou os ombros de Jess. – Você é a cinderela gentil e educada – sorriu. – A Kimberly é no máximo uma das irmãs nojentas da cinderela ou pior, a madrasta – Jess riu.
...

Píer de Santa Mônica – 08h10

Henry parou o carro no estacionamento do píer e sorriu, tinha planos para hoje e queria que tudo saísse como o planejado.
- Amor, já posso tirar a venda? – Aninha perguntou ansiosa.
- Pode sim – ele respondeu rindo.
Anna desamarrou a venda dos olhos e olhou ao redor. Cadê a surpresa? Anna amava o píer de Santa Mônica, isso era inegável, mas a surpresa era ali? Num lugar que eles já frequentavam?
- A surpresa é aqui? – perguntou virando para Henry ainda na expectativa.
- Você não gostou? – olhou-a confuso.
- Não é isso, amor – negou rapidamente. – É que você disse que seria uma surpresa então eu pensei que fosse um lugar diferente do que a gente já frequenta.
- Ah, não, não é aqui que nós vamos ficar, quer dizer é aqui, mas não no píer, é em uma parte afastada da praia – Henry explicou e Anna sorriu envergonhada.
- Desculpa – ela pediu e ele beijou seu rosto.
- Tudo bem – sorriu e destrancou as portas saindo do carro. – Pega suas coisas que vamos andar um pouco.
- O lugar é muito longe? – perguntou pegando sua bolsa e pondo seus óculos escuros.
- Um pouco, mas somos atletas e estamos preparados – disse rindo mostrando os bíceps. Pegaram suas coisas e foram caminhando cumprimentando algumas pessoas pelo caminho.

...

Anna e Henry estavam na casa de praia que Henry alugou para o dia especial deles. Desde que chegaram ele já tinha bebido algumas cervejas e estava ficando um pouco bêbado, mas ele não ligava. Henry era muito fraco pra bebidas, mas isso não significava que ele ia parar de beber, na cabeça dele, isso era motivo para mudar para algo mais forte. Quem sabe uma vodca.
- Vai, Aninha, bebe um pouco, vai – Henry insistia.
- Henry, eu saí de casa cedo, sem tomar café, não posso beber de estômago vazio, isso pode fazer mal – Anna reclamou.
- Ah, Aninha, qual é? Vai me deixar na mão? – Henry chegou mais perto pegando na cintura da namorada. – Nosso aniversário está chegando e temos que aproveitar.
Anna suspirou cedendo ao pedido do namorado e abriu uma cerveja. Henry ligou o rádio e puxou Anna para dançar enquanto bebiam. Faltava alguns dias para o aniversário de namoro deles, mas Henry estava incrivelmente animado e receptivo com a ideia de passar o domingo sozinho, num lugar afastado com sua namorada.
- As cervejas acabaram, mas olha o que eu achei – Henry comemorou quando achou uma garrafa de vodca. – Vamos ficar doidões – riu e pôs uma dose pra Aninha e tomou um gole direto da garrafa.
- Não sei não, Henry... – Anna hesitou um pouco olhando para o copinho cheio de vodca.
- Para de se preocupar, Aninha, aproveita – Henry sorriu, mas pareceu pensar em algo, porém sua mente estava um pouco nublada. – Assim você vai me decepcionar, amor – puxou Anna para mais perto e beijou seu pescoço.
- Tá legal – Anna bebeu sua dose fazendo uma cara estranha já que a bebida desceu rasgando pela sua garganta. – O que eu não faço por você, hein – balançou a cabeça negativamente tossindo um pouco.
- É assim que eu gosto, amor – ele sorriu cheio de segundas intenções.

...

Venice High School – 09h35

Jack estava um pouco longe de casa, e aproveitou para entregar outro pacote de droga para um amigo que estudava em outro colégio e que estava precisando urgente de seus estimulantes semanais. Parou o carro em frente ao Venice High School e o mesmo trouxe lembranças remotas. Lembrava de que costumava vir aqui para visitar Lindsay, que na época era sua namorada. Balançou a cabeça afastando esses pensamentos e entrou no colégio. Os colégios da Califórnia abriam de vez em quando nos sábados e nos domingos, para que os alunos pudessem adiantar alguns projetos, treinos, deveres, ensaios ou fazer reuniões importantes de clubes. Não tinha mudado desde a última vez que tinha ido lá, mas parando para pensar, nem fazia tanto tempo assim, já que sempre que tinha pedido de drogas ia lá entregar. Ah, quem ele queria enganar? Ele não precisava ir até o colégio, tinha gente que era pago para entregar as encomendas de drogas, mas ele queria ir. Talvez na esperança de esbarrar em Lindsay.
- Olá, Christie – Cumprimentou a secretária e a mesma quando viu que era Jack ajeitou a postura e arrumou o cabelo. – O Steve tá aí? Preciso falar com ele – sorriu sedutor e a secretária se derreteu.
- Está sim, Sr. Malloy – sorriu. – Está no vestiário, o treino de futebol já acabou – ele acenou com a cabeça concordando.
- Eu acho tão estranho os colégios abrirem no domingo, sabe? – eele falou. – Eu não aguento cinco dias imagina sábado e domingo – tentou puxar assunto, mas a mulher começou a rir como se Jack tivesse contado a melhor piada do mundo, obviamente nervosa. – Bom, eu já vou vindo, preciso falar logo com o Steve, foi um prazer revê-la, Christie.
Depois de andar um pouquinho e ver algumas pessoas em seus clubes debatendo e ensaiando para alguma coisa que não importava para ele, ele entrou no vestiário e estranhamente, Steve era o único no lugar, o menino logo o viu e foi falar com ele.
- E aí, cara? – se cumprimentaram. – Trouxe? – Perguntou ansioso, como se estivesse esperando isso há muito tempo.
- Trouxe, cara, relaxa aí – Jack disse tirando discretamente um saquinho com alguns comprimidos do bolso e o garoto pegou rapidamente.
- Valeu, Malloy, você não imagina o quanto eu estava precisando disso – o menino agradeceu, tirando um comprimido do saquinho e colocando na boca, enchendo a mão com água da torneira e engolindo.
- Ah, eu imagino sim, cara – riu dando leves batidas no ombro de Steve. – Bom, eu preciso ir, tenho coisas para fazer hoje.
- Outro fornecimento? – Steve perguntou curioso.
- Não – riu. – Tenho um almoço com o Peter e a Emma – sorriu. A família de Peter é muito importante para Jack. Emma, a avó de Peter, o acolheu quando uma tragédia aconteceu em sua família e seu pai deixou de falar com ele e desde então, Emma cuida dele como se fosse sua avó.
- Hum, almoço com a família, hein? – Steve sorriu, sabendo o quanto Peter e Emma eram queridos por Jack. Desde o que aconteceu, eles têm sido uma fonte de força para Jack. – Manda um beijo para ela e manda um abraço para o Collins, manda ele aparecer mais vezes.
- Beleza, cara, fui – Jack saiu do vestiário passando em frente ao campo de treinamento e vendo uma figura conhecida. Era Lindsay. Ela estava tão bonita quanto da última vez que a viu. Sua pele morena estava suada e ela parecia tão concentrada no que fazia ou tentava fazer que parecia pecado interrompê-la. Não o faria, afinal da última vez que ficaram cara a cara, Lindsay contou que estava apaixonada por outro e terminara com ele, e ele chorou dias por causa disso já que estava apaixonado pela garota, não que esse sentimento tivesse ido embora, faria qualquer coisa para tê-la de volta, mas agora não parecia o momento certo para tentar mais uma vez. Voltou a caminhar indo em direção a saída, mas ouviu um grito e voltou correndo vendo Lindsay reclamar caída no chão.
- Droga! – ela resmungou e percebeu alguém parado em pé na sua frente com a mão estendida. Olhou para cima percebendo Jack ali e sorriu sarcástica se levantando sozinha. – O que faz aqui, Malloy? Sentiu saudades?
- Senti – disse baixo e a menina não ouviu.
- O quê? – Perguntou.
- Eu vim falar com um amigo, Lindsay – corrigiu a frase envergonhado de se mostrar tão vulnerável perto dela.
- Ah sim, é uma pena que não tenha vindo me ver – disse fazendo uma cara triste. – Esses dias pensei em você e fiquei com uma saudade – ela disse caminhando e Jack correu atrás dela a puxando pela cintura.
- Você ficou com saudade? – ele sorriu todo bobo.
- Sim – ela sorriu, sempre o tinha na palma da mão. – Mas você tem que ir, preciso terminar de treinar, os intercolegiais estão chegando e eu quero melhorar os meus passos.
- Passos novos?
- Sim – suspirou. – Quer dizer, o passo não é novo, mas é um pouco difícil, eu queria usá-lo para ter uma vantagem na frente da Anna, mas pelo que me dissera,m eles já usaram esse passo em uma apresentação antiga.
- Anna Lombarddi? – perguntou curioso.
- Sim – afirmou. – Desde que ela entrou para a equipe de líderes de torcida do seu colégio, eu só tenho perdido e ficado em segundo lugar, a minha treinadora disse que se não chegássemos nas finais no final do ano letivo, eu estaria fora do time e eu não quero isso – Jack a abraçou. – Sem falar que a primeira competição já é em algumas semanas.
- Acho que posso ajudar – Jack lembrou do plano de Jade e viu nele uma oportunidade de voltar com Lindsay.
- Como? – perguntou ela interessada.
- Deixa comigo – garantiu. – Mas se eu conseguir, você volta para mim? – Esperou ansioso pela resposta.
- Claro, meu amor – ela sorriu, falsamente feliz – ele a beijou e saiu correndo do colégio entrando em seu carro. Jack ainda era apaixonado por ela e ninguém poderia negar, mas o que ele não sabia era que Lindsay não estava nem aí para ele, mas estava curiosa para saber o que ele faria para ajudar ela. Até onde ele iria por ela.
...
Píer de Santa Mônica – 10h05

Depois de beberem por mais meia hora, Henry teve a ideia de ir passear na praia. Anna não estava a fim de sair, na verdade já estranhava o fato de Henry querer beber tanto, sem falar que não estava se sentindo muito bem. Sua cabeça dava pontadas fortes e ela só queria voltar para casa e deitar, não devia ter se deixado levar e bebido tanto. Do lado da praia que eles estavam não tinha ninguém, então Henry forrou o chão com uma manta, tirou sua camisa e se deitou.
- Vem, Aninha, deita aqui comigo – chamou batendo com a mão no chão.
- Não, amor, eu não estou me sentindo bem – falou, mas ele a puxou pela mão e a fez deitar, ignorando completamente o que ela disse.
- Eu vou te fazer melhorar rapidinho – disse e a beijou. Em qualquer outra situação Anna diria que aquele beijo tinha o sabor de morango já que Henry sempre mascava um chiclete desse sabor fazendo seu hálito ficar com um gostinho delicioso de frutas, mas para falar a verdade aquele beijo foi estranho. Anna não sabia se era por causa do gosto estranho que estava em suas bocas, se era o cheiro de Henry ou se era o enjoo que sentia, mas beijar seu namorado estava dando nojo. Quando percebeu o que estava acontecendo os botões de sua camisa social já tinham sido abertas e Henry passava as mãos em suas costas para desamarrar a parte de cima de seu biquíni. Anna empurrou Henry e se levantou rapidamente.
- O que é que você estava pretendendo, Henry? – Perguntou irritada fechando os botões de sua camisa.
- Eu estava curtindo o momento, Aninha – falou sorrindo. Talvez não soubesse nem o que estava falando.
- Curtindo o momento? Tirando a minha roupa – Anna perguntou sarcástica. – Quando você ia me contar que era para isso que você queria tanto “comemorar nosso aniversario” de namoro dias antes? – fez aspas com os dedos.
- Do que você está falando? – disse ele confuso. – Eu sempre quis transar com você, só estava esperando o momento.
- Quantas vezes eu tenho que te explicar que... – Anna foi interrompida quando três homens armados e de caras fechadas apareceram.
- O que vocês estão fazendo nessa área da praia? – um deles perguntou e Henry se levantou.
- Quem quer saber? – Henry perguntou sendo grosseiro. – Por algum acaso você é dono dessa parte da praia? – disse com toda sua confiança de bêbado e o estômago de Anna embrulhou mais.
- Para com isso, Henry – pediu segurando o braço do namorado.
- Devia escutar tua mina, se não quiser levar um tiro na cara, playboy – outro cara falou apontando a arma para o rosto de Henry que riu.
- Eu posso pagar para ver, cara – Henry desafiou e Anna só faltou morrer. O que ele pensava que estava fazendo discutindo com traficantes?
Os três caras chegaram perto de Henry prontos para bater nele – ou quem sabe atirar nele – mas Anna parou bem no meio deles.
- Por favor, senhores, ele está bêbado, não sabe o que está falando – Anna tentou falar. – Nós não sabíamos que não podíamos estar nessa parte da praia – ela explicou. – Sentimos muito.
- Sentimos nada – Henry gargalhou achando tudo muito engraçado e Anna bateu no braço dele.
- Cala boca, Henry – quase gritou, já estava sem paciência para essa valentia repentina. – Mil desculpas, senhores, meu namorado não sabe o que está falando, ele está bêbado e provavelmente alucinando, ignorem ele, por favor, me desculpe mesmo, nós já estamos saindo da área de vocês.
- Olha moça, nós só vamos liberar porque a senhorita é muito educada, mas você deveria se livrar desse prego – um dos caras falou e Henry revirou os olhos.
- Quem sabe vocês não queiram levar ela com vocês? Eu não vou cobrar nada – Anna olhou para ele sem acreditar, ele estava mesmo a vendendo? Pior, a oferecendo como se ela fosse um pedaço de pano?
- Meu Deus, moça, onde você foi arrumar esse cara? – um deles perguntou surpreso por uma garota tão bonita namorar um cara tão imbecil.
- Acredite, eu estou me perguntando a mesma coisa – Anna respondeu decepcionada.
- Se quiser nós damos uma surra nele – um dos caras falou, mas Anna pediu novamente que não batessem em Henry.
- Tudo bem, senhorita, pode ir, mas lembre-se de não vir mais aqui – Anna balançou a cabeça concordando, segurou no braço de Henry e saiu arrastando ele.
- O que você estava pensando quando bateu de frente com aqueles caras? Ficou doido? – Anna reclamava enquanto eles voltavam para casa alugada.
- Você deve ter adorado tudo né, toda aquela atenção, fez até amizade com os traficantes – Henry reclamou.
- O quê? Eu estava tentando tirar a gente de uma furada e você vem me falar uma merda dessas? – Anna jogou a manta em cima do balcão irritada. – Isso tudo é culpa sua, se você não tivesse resolvido ir naquele lugar afastado, nós não...
- Eu segui o conselho da Kim e quis levar você para a porra de um lugar legal e a gente poder ter a nossa primeira vez, mas você tinha que estragar tudo como sempre – ele disse irritado virando de costas. – Se você tivesse bebido logo quando a gente chegou nós poderíamos estar transando numa boa, agora – ele bateu as mãos na mesa e voltou a olhar para Anna.
- Pera aí, isso foi ideia da Kimberly? – Anna perguntou sem acreditar.
- Sim, ela disse que você podia estar pronta, eu me animei e quis fazer a surpresa – confirmou. – E se você não fosse tão empata da sua própria foda, nós teríamos feito muitas coisas – ele falou com raiva. – E ainda por cima você tinha que fazer amizade com os traficantes, não é? Quem sabe você devesse voltar lá e pedir para algum deles tirar a sua virgindade, já que estava tão amiguinha deles, talvez assim você parava de tanto cu doce para cima de mim – ele tinha dito aquilo mesmo? – Afinal as putas gostam desse tipo de homem, não é? – Anna olhou pra Henry com uma raiva absurda e estalou a mão em seu rosto. Com o impacto do tapa Henry virou o rosto sentindo a bochecha direita arder e voltou seu olhar rapidamente para ela. Incontáveis minutos se passaram e Anna manteve seu olhar fixo nele apenas para dizer:
- Você não é o mesmo Henry pelo qual eu me apaixonei – Anna falou triste pegando suas coisas e saiu da casa. – Henry ficou estático, olhando para a porta com a mão no rosto. Estava muito bêbado para ir atrás dela. Na verdade, nem estava pensando direito, muito menos entender o que tinha acontecido. Sua cabeça já estava doendo.
- Droga! – ele gritou e se sentou na cadeira pondo as mãos na cabeça.
...
Música: Jason Walker - Down
Anna saiu quase que correndo da casa. Não acreditava no que tinha ouvido, não podia ser, não podia. Quando já estava um pouco mais afastada da casa, não aguentou e começou a chorar caminhando pela praia voltando para o píer. Não queria que tivesse sido assim, hoje era para ter sido um dia legal e romântico, mas ele tinha estragado tudo. Não precisava tentar deixá-la bêbada para transar com ela, não precisava ter a tratado daquele jeito, não podia tê-la chamado de vadia quando o único homem que ela dava bola era ele. Sentiu sua cabeça latejar, o estômago doer e mais lágrimas rolarem pelo seu rosto. Ele a chamou de puta, como se ela fosse uma qualquer e praticamente a vendeu para aqueles caras na praia. Sentiu o estômago embrulhar e não pôde evitar cair de joelhos no chão e vomitar toda bebida que tinha tomado. Tinha bebido muito álcool e ainda por cima de estômago vazio. Aquela não era ela, ela não bebia tanto assim, a ponto de passar mal. Tossiu sentindo a garganta arder e sua visão escureceu por um momento. Não se sentia bem e precisava voltar para casa. Sua visão voltou gradativamente e Anna se levantou do chão segurando em uma das placas da praia e respirou fundo. Precisava beber água e comer alguma coisa senão desmaiaria a qualquer momento.
...
The Food Kitchen – 11h25

- Nós vamos comprar comida no restaurante e de lá nós vamos para casa, ok? – Dona Emma perguntava aos meninos como se eles fossem crianças e Peter e Jack reviraram os olhos rindo.
- Mas vó, lá só tem comida saudável e... – Peter ia falando, mas a avó balançou a mão no ar fazendo-o parar de falar.
- Exatamente, querido – Dona Emma afirmou. – Claro que é comida saudável, o que você queria? Se entupir de gordura e fritura?
- Sim? – perguntou fazendo uma expressão obvia. – É domingo, vó, libera a gente, vai – Peter juntou as mãos e Jack riu.
- Não, já disse que vamos comer comida saudável e ponto final – Peter murchou e Jack estacionou no restaurante. – Para começo de conversa, vocês nem podem comer comida gordurosa, não faz parte da dieta que o treinador do time passou para vocês e podem tirar o cavalinho da chuva se vocês acham que eu não sei que vocês se entopem de fast food durante a semana? – ela olhou para os meninos que fizeram caras de culpados.
- Tudo bem, vó, nós vamos comer o que você quiser, ok? – Jack apertou o alarme e entrou no restaurante com Peter e Emma.
- Podemos pelo menos ter uma sobremesa? – Peter tentou e a avó sorriu concordando enquanto ele e Jack iam no freezer pegar um pote de sorvete.



Capítulo 06

Praia de Santa Monica - 11:30 AM
- Ai – Henry gemeu pondo a mão na cabeça – Como minha cabeça dói.
Depois da briga com Anna, Henry praticamente desmaiou no sofá, tirou um "cochilo de bêbado" e acordou meia hora depois com dor de cabeça. Ele levantou quase escorregando numa poça de água que tinha perto do sofá e foi até a cozinha bebendo água direto da garrafa. Um breve filme passava em sua cabeça, com flashbacks dos gritos, do tapa e principalmente das besteiras que falou pra Anna. Foi até o banheiro, escovou os dentes e seguiu até a porta calçando as sandálias, saindo de casa. Precisava caminhar, tomar um ar, pensar no que tinha feito e organizar suas ideias. E ainda pensar em como consertaria a burrada que tinha feito. Henry caminhou por alguns minutos e finalmente chegou perto do píer. O lugar estava cheio como sempre. Pessoas caminhando, sorrindo, brincando, amando e era isso que o diferenciava daquelas pessoas. Felicidade. Elas estavam felizes, ele não. Se sentou na areia e olhou aquela imensidão azul. Uma brisa praiana bateu em seu rosto cansado, fazendo-o deitar o tronco na areia e fechar os olhos, lembrando dos momentos bons que passara ali com Anna. Absorto em pensamentos nem percebeu quando alguém sentou ao seu lado.
- Dia ruim? – A pessoa perguntou de repente, assustando-o.
- Jenny? – Perguntou levantando rapidamente.
- Oi – ela sorriu fraco.
- O que faz aqui? – Perguntou olhando para os lados com medo de Anna aparecer e entender errado.
- Só vim caminhar – deu de ombros – Eu queria ficar sozinha, ter um tempo para mim.
- Ah – falou sem muita animação – Legal.
- Mas e você? – Ela perguntou sentando na areia e olhando para ele em pé – Cadê a Anna? Pensei que ela estivesse com você.
- Eu não sei onde ela está – disse um pouco irritado.
- Senta, Henry, parece que viu um fantasma – Jenny falou um pouco chateada – Vai, me fala por que você está com essa cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança
- Eu não estou com cara de cachorro que caiu do... – reclamou, mas pensou logo em seguida – E se estivesse, o que você tem a ver com isso?
- Uou – Jenny disse surpresa – Tem razão, eu não tenho nada a ver com isso – riu – Você agindo assim, nem parece aquele mesmo cara que largou a namorada no luau para falar comigo.
- Cala a boca – Henry falou – Eu fui falar com você por educação – ele disse grosso – Você não precisa ameaçar contar isso pra Anna só para se vingar ou... – ele foi interrompido.
- Espera aí, Henry, alto lar, eu não vim aqui para te ameaçar, não, eu só apareci aqui puxando assunto e você que veio com sete pedras na mão? – Ela gritou levantando as mãos – Ah, quer saber? Eu vou embora – ela levantou – Não vou ficar aqui ouvindo...
- NÃO – Henry gritou puxando o braço dela. Ela se desequilibrou e acabou caindo em cima dele. Seus olhos se conectaram e Henry lembrou o quanto tinha sofrido depois da partida de Jenny, ficara dias sem jogar direito esperando uma ligação, uma mensagem, uma carta, sinal de fumaça, qualquer coisa. Mas nunca chegou. Depois, começou a namorar Anna. Jenny, por outro lado, olhou fundo para aqueles olhos azuis que julgava os mais bonitos que já tinha visto e percebeu o quanto amava Henry e o erro que tinha cometido indo embora. Tinha perdido sua oportunidade e agora Henry estava com Anna. Eles se olharam por incontáveis segundos que pareceram horas, mas logo se afastaram.
- Me desculpe – ele pediu olhando pra qualquer lugar menos os olhos dela – Eu ter te puxado assim, de repente, é que eu não queria ficar sozinho e... – Olhou rapidamente para ela – Tive uma briga horrível com a Anna e estou com medo dela nunca mais querer olhar na minha cara – contou.
- A briga foi tão ruim assim? – Ela perguntou.
- Foi pior – admitiu.
- Me explica, então, quem sabe eu possa te ajudar – ela ofereceu sorrindo amigável e ele deu um meio sorriso. Era um jeito dela se aproximar de Henry e tentar reconquistá-lo.

***
The Food Kitchen – 11: 40 AM
Anna entrou no restaurante que costumava frequentar e foi direto até o caixa. Já sabia o que ia pedir, então não teria o estresse de escolher o prato mais elaborado, só precisava de algo que não fizesse seu estômago embrulhar mais. Depois de passar mal, Anna veio quase que rastejando da praia até o restaurante. Ela não tinha força nas pernas – tanto que elas cederam uma ou duas vezes pelo caminho – sua cabeça pesava, estava tonta e mal conseguia respirar direito, sentia seu corpo quente e molhado – deveria estar suada e mais pálida que o normal.
- O-oi – sua voz saiu falha e ela respirou fundo – Eu quero uma ... – Anna foi interrompida pela chegada de uma senhora, que assim que a viu sorriu.
- Olá, querida, será que eu poderia passar na sua frente e fazer o meu pedido antes? É que estou meio atrasada para o almoço com meus netos e eles estão doidos de fome – sorriu.
- Eu... – Anna pareceu confusa, como se não tivesse entendido a pergunta – Ok – respondeu a primeira coisa que apareceu em sua mente nublada. Inconscientemente, ela fez o que faria em dias normais.
- Obrigada – ela sorriu – Eu quero a peça 25 do menu, tamanho família – A senhora pediu e virou para Anna – Você está bem, querida? Está meio pálida.
- Eu... – Anna tentou responder ainda confusa, suspirando, olhando para as mãos trêmulas quando mais duas pessoas chegaram perto delas.
- Vó, nós escolhemos o melhor sorvete de baunilha daqui você vai adorar – Peter veio ao encontro da avó junto com Jack e colocou o sorvete no balcão olhando para o lado.
- Anna? – Jack chamou e Anna levantou a cabeça – Não sabia que você almoçava aqui.
- Vocês conhecem ela? – Emma perguntou sorrindo.
- Sim – Peter respondeu sorrindo junto com a avó – Ela estuda no nosso colégio, vó.
- Aquela que a senhora viu no campeonato na tv uma vez – Jack explicou e a senhora sorriu mais.
- Ah, a menina que faz acrobacias – ela disse – Você é muito talentosa, querida – Anna sorriu se segurando no balcão quando suas pernas cederam levemente – Venha almoçar conosco? Estou curiosa para saber mais sobre o mundo da ginástica – o atendente voltou com o pedido e registrou junto com o sorvete. Emma pagou e se virou para Anna.
- Eu não... – Anna tentou dizer, mas logo foi interrompida.
- Você não vai me fazer uma desfeita dessas, vai? Tem comida para todo mundo – Emma pediu, notando levemente que algo estava acontecendo com Anna e se estivesse certa, não poderia deixa-la sozinha – Aceite, por favor.
- Ok – sorriu tentando esconder o mal-estar.
Anna, Jack, Peter e Emma entraram no carro e seguiram viagem. Emma é uma mulher muito receptiva, fez questão de sentar ao lado de Anna no carro e tentar conversar com ela. Só tentar mesmo porque Anna até tentava responder, mas o mal-estar que sentia não deixava. Anna respondia com pequenos acenos de cabeça e Emma continuava a conversa.
- O seu nome é Anna, não é? Eu me empolguei tanto na conversa que nem prestei atenção nesse detalhe – A mais velha falou rindo, mas Anna não respondeu. Emma olhou para Anna e a viu com a cabeça encostada no vidro de olhos fechados.
- Chegamos – Jack anunciou.
Anna estava gelada e com o rosto pálido. Emma tocou o braço da menina e a balançou. Sem resposta. Ela tinha desmaiado.
- Ela desmaiou – Dona Emma gritou assustando os meninos – Peter, corre para abrir a porta – ele foi – E Jack vem aqui e carrega ela até dentro de casa, preciso cuidar dela.
Jack correu até o banco de trás e pegou Anna rapidamente levando-a para dentro de casa.
- Põe ela no meu quarto – Emma disse indo até a cozinha pegando um pano e uma vasilha cheia de água.
- Ela está lavada de suor, por Deus – Emma falou preocupada entrando no quarto.
- O que ela tem, vó? O que aconteceu? – Peter perguntou assustado.
- Eu ligo para a ambulância? O pai da Anna é médico, podemos levar ela para o hospital dele – Jack falou igualmente assustado.
- Não, pode não dar tempo – Emma falou – Esperem – ela gritou – Ela estava confusa quando a encontrei no restaurante, respondia com palavras vagas, está suando muito e parecia meio fraca – pensou em voz alta – Preciso medir a glicemia dela, Jack pegue o meu kit de primeiros socorros ali no banheiro, sim? – Jack correu até o banheiro e voltou rapidamente com a bolsa de primeiros socorros e Emma mediu a glicemia de Anna.
- Isso ajuda de que maneira? – Peter perguntou.
- Se for o que eu estou pensando pode ser um fator decisivo – Emma disse quando a máquina apitou indicando a glicemia – Minha nossa – ela disse assustada – Ela está com a glicemia baixa – ela correu até o armário, pegou uma bolsa de soro, voltou para o lado de Anna e pôs um pouco de açúcar embaixo da língua de Anna. Emma pegou uma agulha nova e colocou no braço de Anna, administrando a bolsa de soro, colocou o pano com água na testa dela e ligou o ventilador – Vamos deixar ela quietinha, daqui a algumas horas ela já deve estar melhor.
- Isso vai funcionar mesmo? – Jack perguntou preocupado e Emma sorriu.
- Vai sim, querido – Emma deu um sorriso reconfortante.
- E o que ela tem? – Peter perguntou igualmente preocupado.
- Eu não sei dizer com total certeza, parece desidratação e hipoglicemia, mas pode ser outro fator em conjunto.

***


Píer de Santa Mônica - 12:00 PM
- O quê? Eu não acredito que você fez isso, Henry – Jenny falou abismada depois de Henry contar o que tinha acontecido com Anna – Olha só, você merecia mais que um tapa na cara sabia? Fala sério – disse e Henry revirou os olhos.
- Eu sei que fui um babaca, ok? – Ele disse.
- Babaca? – Ela perguntou rindo sarcástica – Você foi um ridículo, um imbecil, um idiota, um... – ele segurou o braço dela fazendo-a parar de gesticular.
- Tá, tá, vira o disco que eu já entendi, ok? – Ele disse sem paciência por estar ouvindo sermão – Você disse que me ajudaria a resolver isso.
- ... e você foi um tremendo filho da puta – Jenny completou deixando Henry irritado que começou a caminhar para longe dela.
- Henry, espera! – Ela foi atrás dele – Eu estava brincando, me desculpa – pediu segurando o braço dele – Olha, eu já tenho uma ideia de como você pode se desculpar com a Aninha.
- Já? – Ele perguntou esquecendo a raiva – Como?
- Você sabe qual a série ou filme favorito da Anna?
- Sei, a série preferida dela é aquela que tem uma galera que estuda em um colégio e tem umas meninas até gatas e um cara que é meio bad boy e... – Ele foi falando rápido deixando Jenny confusa com tanta informação inútil - diga-se de passagem.
- Henry? – Jenny chamou fazendo ele parar de falar – Eu pensei que você soubesse o nome, essa descrição que você deu é da maioria das séries americanas.
- O nome eu não lembro, mas serve o nome de um personagem? É o único que eu me lembro porque ela parece com a Anna.
- Ótimo, serve sim – ela sorriu – Qual é o nome?
- Serena Van der Bilt – ele falou alheio.
- Serena Van der Bilt? De Gossip Girl? – Ela perguntou.
- Isso – disse estufando o peito por ter "lembrado" o nome da personagem – Eu sou o cara, sei o nome da personagem da série preferida da minha namorada.
- O nome dela é Serena Van der Woodsen, idiota – Jenny falou rindo e bateu com a mão na testa dele – E a personagem preferida da Aninha não é a Serena, é a Blair, você não entende nada de séries e nem da sua própria namorada, Henry, mas isso não importa, eu sei exatamente o que você tem que fazer para se desculpar com a Anna.
- Sério? – Perguntou curioso – O quê?
- O plano é o seguinte...

Casa dos Collins - 14:30 PM
Anna tinha acordado fazia meia hora e Emma estava checando se estava tudo bem com ela.
- Aqui dói? – Emma tocou em uma parte do abdômen de Anna e a mesma balançou a cabeça negando – E aqui? – Tocou em outra parte e Anna balançou a cabeça novamente – Então está tudo normal, você se recuperou bem – Emma disse fazendo os meninos respirarem aliviados.
- A senhora é médica ou algo do tipo? – Anna perguntou curiosa.
- Enfermeira – Emma falou sorrindo.
- E o que foi que ela teve? – Jack e Peter perguntaram juntos.
- Bom, isso eu só vou poder ter certeza depois que a Anna me contar o que aconteceu antes de chegar ao restaurante – Emma falou deixando Anna incomodada com tantos olhares curiosos em cima dela.
- Será que eu posso falar com a senhora?
- Claro, querida – ela falou.
- Em particular? – Anna perguntou olhando para os meninos e Emma percebeu o desconforto da menina.
- Meninos, por favor, vocês podem nos dar licença? – Emma pediu e os meninos saíram resmungando a contragosto.
- Estamos sozinhas, querida, pode falar – Emma sorriu e Anna suspirou.

***
Anna explicou o que aconteceu para Emma e assim pôde respirar aliviada. Tirou um peso do peito e da consciência.
- Olha, eu sinto muito por tudo isso, mas foi por causa dele, mesmo que indiretamente e sem querer, que você passou mal desse jeito – Emma falou segurando as mãos de Anna – O que você teve se chama intoxicação alcoólica – Emma explicou – A quantidade de álcool que você ingeriu de estômago vazio causou tudo isso.
- Como foi que a senhora descobriu que eu estava com isso? – Anna perguntou envergonhada brincando com seus dedos.
- Bom, primeiro eu percebi algo estranho em você lá no restaurante, você estava confusa, com o rosto ruborizado, a respiração lenta e dificuldade para falar, aí eu convidei você para almoçar percebendo o seu estado, você poderia ter passado mal na rua e poderia não ter recebido ajuda – Emma falou.
- E depois? – Anna queria entender o que tinha acontecido com ela enquanto estava inconsciente.
- Depois entramos no carro do Jack e viemos para casa, no caminho eu vim conversando com você, que mais ouviu do que falou alguma coisa – Emma riu - E quando estacionamos eu olhei para você e apesar do rubor nas bochechas, você estava pálida, muito suada e gelada, foi aí que percebi que você tinha desmaiado e pedi ao Peter que corresse e abrisse a porta enquanto o Jack te levou para dentro e colocou aqui no meu quarto.
- O Jack que me carregou até aqui? – Anna perguntou.
- Sim – afirmou – Ele e o Peter ficaram muito preocupados com você, além de mim também, é claro – Emma falou e Anna sorriu – Bom, quando chegamos você estava com hipoglicemia.
- Hipoglicemia? O que é isso? – Ela perguntou confusa.
- Baixo nível de açúcar no sangue – explicou – Então eu administrei certa quantidade de soro em você para te reidratar e aí está você, bem de novo – Emma sorriu.
- Muito obrigada, Dona Emma – Anna segurou as mãos de Emma e sorriu – De verdade, a senhora foi um anjo que apareceu para me salvar.
- Por nada, querida – Emma sorriu de volta – Mas me chame só de Emma, por favor.
- Tudo bem, Emma – frisou – Bom, agora eu vou chamar um táxi e ir para casa, não quero mais dar trabalho para vocês – Anna levantou da cama, mas Emma segurou seu braço.
- Você nem comeu nada, Anna, não pode sair sem comer e arriscar passar mal de novo – Emma falou preocupada – Você desce para almoçar com a gente.
- Vocês ainda não almoçaram? – Anna perguntou e ficou surpresa quando Emma balançou a cabeça negativamente.
- Não, estávamos tão preocupados que perdemos a fome – Emma explicou levando Anna para fora do quarto – Vamos almoçar e se você quiser, pode ir embora depois, ok? – Emma pediu e Anna sorriu concordando.
Elas desceram as escadas sob olhares atentos indo até a cozinha.
- Bom, todos estamos com fome então vamos arrumar a mesa e almoçar todos juntos.
Todos concordaram e começaram a arrumar a mesa. Puseram pratos, copos, talheres e sentaram-se a mesa. Após longos minutos de silêncio, Emma fez uma piada amenizando o clima do ambiente e assim iniciaram uma conversa que durou o almoço inteiro.

***
Depois do almoço, os quatro foram para a sala e continuaram a conversa. Emma cheia de perguntas sobre ginástica, Peter, sobre como era ser tão popular e obviamente querendo saber um pouco mais sobre Jade – sem sucesso, é claro, já que Anna não tinha muito contato com Jade depois da morte da mãe – e Jack tentando descobrir algo para conseguir se aproximar de Anna. Anna nem percebeu que tinha escurecido e quando olhou o relógio se assustou.
- Gente, olha só a hora – Anna falou se levantando – Preciso ir para casa.
- Ah, fica mais um pouco, querida – Emma falou e Anna sorriu.
- Olha gente, foi ótimo passar a tarde com vocês, mas eu preciso ir e eu tenho um bom motivo e vocês vão concordar comigo – Anna disse apontando para Jack e Peter.
- E qual é o bom motivo? – Jack perguntou se levantando.
- Essa semana começa as provas do primeiro semestre – Anna soltou a bomba e eles se assustaram.
- O quê? Como assim? Está muito cedo para provas do primeiro semestre, geralmente são no final de novembro – Peter exclamou preocupado – Eu nem tive tempo de estudar e... Pera aí como você sabe disso? É uma pegadinha né? – Ele riu cruzando os braços
- Não é pegadinha, Peter – ela falou – Esqueceu que uma das minhas melhores amigas é a presidente do grêmio estudantil? – Perguntou – A Marina me contou que hoje a secretaria do colégio mandaria e-mails para todos os alunos informando os dias de cada prova, pelo que parece é para testar os conhecimentos dos alunos.
- Ah cara, qual é, eles mal começam o ano letivo e já querem fazer prova? Que saco – Jack reclamou – É prova surpresa?
- É tipo isso – Anna afirmou – Se serve de consolo, eu também não estudei – ela sorriu de lado.
- Mas você é diferente – Peter falou.
- Diferente como? – Ela perguntou confusa.
- Você é uma das alunas número um, tem uma das melhores médias do colégio e já trouxe vários troféus de campeonatos para o colégio – Jack falou e ela sorriu corando levemente.
- Ah gente, que isso, não é para tanto – ela falou e Jack percebeu que ela tinha baixado um pouco a guarda e isso poderia abrir espaço para ele se aproximar – Sem falar que se for por causa de troféus de campeonato vocês também já trouxeram vários para o colégio.
- Bom, o que eu sei é que reclamar não vai adiantar nada, então vamos embora que pelo menos dá tempo de revisar alguma coisa – Jack falou pegando a chave do seu carro.
- Já que vocês já vão, eu vou me recolher porque estou muito cansada – Emma falou se virando para Anna – Se cuida viu, querida? Quero ver você brilhando nas suas competições – Emma sorriu e Anna a abraçou.
- E eu não ganho abraço, não? – Jack perguntou pra Emma e ela sorriu murmurando um “ciumento” indo abraçar ele.
- Agora vão e tomem cuidado viu? – Emma falou entrando em casa e Jack foi se despedir de Peter.
- Cuida dela, ok? – Jack pediu se referindo a Emma e Peter concordou e abraçou o amigo – Tchau, cara. Anna sorriu com a cena, pareciam irmãos. Queria poder abraçar sua irmã assim.
- Obrigada, Peter – se despediu do menino – Apesar de ter dado trabalho, eu me diverti muito com vocês aqui – sorriu e o menino sorriu também.
- Quando precisar é só chamar – ele falou e bateu continência como se fosse um soldado fazendo Anna rir e entrou em casa.
- Bom, vamos? – Jack chamou.
- Você vai me levar em casa? – Ela olhou para ele.
- Vou ué, como você achou que iria para casa? – Ele perguntou para ela, rindo.
- Sei lá, eu ia chamar um táxi – ela riu também.
- Não, que isso, eu estou de carro, não me custa nada levar você até sua casa – ele falou abrindo a porta do carro para ela – Vamos? – Ela entrou – Eu ainda sei o caminho – ele falou ligando o carro.

***
Eles passaram o caminho todo sem falar nada. Não tinham muito o que falar, na verdade. Essa aproximação era muito estranha, porém significativa para ambos. Para Anna foi como se tivesse voltado no tempo e revivido o tempo em que eram amigos. Já para Jack, era como ver uma porta aberta, uma oportunidade de conseguir seu amor de volta. Lindsay.
- Chegamos – Jack exclamou e a olhou – Chegou a hora da despedida – sorriu de lado.
- Parece que sim – disse abrindo a porta – Obrigada! – O olhou – Por tudo – sorriu fechado e fez menção de sair do carro, mas Jack segurou seu braço e ela o olhou.
- Eu sei que você não quer falar sobre o motivo de você ter passado mal, mas eu quero que saiba que pode contar comigo – ele falou – Se precisar de alguém para conversar, eu estarei aqui – ele sorriu e segurou a mão dela mantendo contato visual. Com o toque de suas mãos, eles sentiram o lugar formigar e Anna puxou sua mão rapidamente percebendo o clima estranho e sorriu sem graça respondendo um "ok" e saiu do carro entrando em casa.



Capítulo 07

Casa dos Lombarddi

FLASHBACK ON
Ginásio Poliesportivo de Los Angeles – 15:49 PM
2 anos atrás

Anna segurava a primeira de muitas taças do campeonato regional de líderes de torcida e vibrava junto das suas companheiras de equipe quando uma musiquinha começou a tocar.
- De onde vem essa música? – Anna perguntou olhando para os lados.
- Do seu celular – Henry falou aparecendo do nada do lado de Anna.
- Mas o meu celular está no vestiário – Anna respondeu olhando confusa para ele – E o que você está fazendo aqui? – Anna sentiu alguém cutucar seu ombro e se virou para ver quem era quando Kim gritou no seu rosto:
- Acorda!
FLASHBACK OFF

Anna abriu os olhos assustada, viu seu celular tocando do seu lado na cama e suspirou revirando os olhos.
- Quem diabos está me ligando a essa hora da... – Anna falou olhando no relógio de cabeceira que marcava 01:28 AM – Madrugada – Anna pegou o celular e olhou quem era – Mas que porra você quer a essa hora, Kimberly? – Perguntou irritada e Kim ficou calada tentando lembrar por que tinha ligado pra Anna – Se a sua intenção era me irritar, pois bem, conseguiu, agora tchau – Anna finalizou a chamada e desligou o celular caso Henry desse uma de idiota e resolvesse ligar para ela também.
- Agora eu vou demorar séculos para dormir de novo – Anna resmungou e virou para o outro lado tentando voltar a dormir.

***
05:00 AM
Quatro horas depois Anna já estava de pé se arrumando para ir para o colégio, já que tinha treino antes da aula e nem tinha conseguido dormir direito depois da ligação de Kim. Anna se olhou no espelho da penteadeira e amarrou o cabelo colocando sua fitinha com as cores do uniforme da equipe, seu uniforme de líder de torcida com sua jaqueta do time por cima. Passou um paninho nos sapatos brancos e pôs os pompons e o celular na sua bolsa de ginástica. Como sua mochila ficava no armário do colégio junto com os livros Anna pegou apenas a bolsa da ginástica, a chave do carro e desceu.
- Bom dia, Trude – Anna falou para a senhora que estava pondo a mesa do café da manhã. Trude não era velha, tinha lá seus 54 anos. Era basicamente um tipo de mordomo, ela que fazia a comida, que organizava os eventos e cuidava da casa. E foi ela quem cuidou de Luke, Jade e Anna quando eram menores. Era praticamente um membro da família – Meu pai já desceu para tomar café?
- Bom dia, Aninha – sorriu – Não, ainda não, ele desce um pouco mais tarde, às 06h, mas a mesa do café está pronta, pode se sentar.
- Não, Trude, obrigada, eu só vou comer essa maçã e já vou – Anna pegou uma maçã verde em cima da mesa.
- Mas só vai comer isso, Aninha? É pouco para o café da manhã – Trude falou preocupada – Espera só um pouquinho que eu já preparo um pratinho com um pouquinho de cada coisa do café da manhã e você leva para comer no caminho – Anna riu negando com a cabeça.
- Eu não posso, Trude, tenho treino daqui a pouco – Anna pôs um pouco de suco e tomou um gole – Mas eu daria tudo pra comer um x burger e tomar um milk-shake do que comer essa maçã de manhã cedo – Anna falou sonhadora mostrando a maçã na mão e Trude riu.
Fugir da dieta seria maravilhoso e quem sabe Anna fizesse isso mais tarde, mas agora precisava ir antes que a treinadora desse sermão pelo atraso. Anna fingiu se assustar olhando para o relógio como se estivesse atrasada de verdade para Trude não oferecer mais comida ou então ela desistiria e comeria metade da comida na mesa. O treino só começava às 05h30 e ia até as 07h, mas também queria fugir das explicações da dieta que a treinadora passava para a equipe. Trude não entenderia.
- E por falar em treino eu já estou atrasada, sabe como é o engarrafamento de manhã, preciso ir, minha flor, te vejo mais tarde e prometo que janto direitinho – Anna deu um beijo no rosto de Trude e correu até a garagem.

***
Beverly Hills High School – 05:20 AM
Como de costume, o colégio estava vazio, já que o horário de aula começava às 08h e a equipe de líderes de torcida era a única que precisava treinar logo cedo, regras da treinadora. Vencer a todo custo, haja o que houver. Esse era o lema dela.
Mas antes de treinar Anna tinha um assunto inacabado para resolver. A ligação de Kim de madrugada. Precisava botar os pingos nos "is" e faria isso agora, já que elas não estavam se falando pelo que aconteceu no dia da reunião da Grivolly e pelo que aconteceu com Henry. Anna avistou Kim no corredor conversando com Angelina, uma das flyers da equipe.
- Evans – chamou Kim pelo sobrenome e Kim a olhou – Preciso falar com você – Kim estranhou, mas foi até Anna – Entra aí – pediu, apontando com a cabeça para a sala. Kim entrou, Anna fechou a porta e Kim disparou.
- Olha só, eu sei que você está zangada por eu ter te ligado de madrugada, mas eu estava bêbada e só liguei por... Eu não me lembro por que liguei, mas tenho certeza de que foi algo importante – Kim tentou se explicar, mas Anna a interrompeu:
- Para começo de conversa você nem devia ter ido beber no final de semana sabendo que no dia seguinte teria treino, segundo, eu não dou a mínima para o que você faz, mas você interrompeu o meu sono e você sabe que se eu não durmo bem eu fico grogue o dia todo até ter descansado direito e terceiro e mais importante, eu quero que você pare de me ligar para falar besteiras, já não basta você ter falado merda no dia da reunião você fez mais besteira ainda dando a ideia de me embebedar para o Henry pra poder transar comigo.
- De onde você tirou isso? – Kim perguntou confusa sem saber do que Anna estava falando.
- Não se faça de desentendida, Kim – Anna balançou a cabeça – Você foi tão baixa comigo que eu estou no lucro por não estar mais falando com você, eu não quero mais ser sua amiga, me esquece, a partir de hoje somos apenas companheiras de equipe, nada mais – Anna caminhou, mas Kim segurou seu braço.
- Eu não sei do que você está falando, Aninha – Kim argumentou – Eu não sei que ideia foi essa, mas eu não fiz nada, eu juro.
- Você jurar não vai adiantar nada porque eu não confio mais em você – Anna puxou o braço – A nossa amizade acabou.
E saiu da sala deixando uma Kim confusa, levemente irritada e de certa forma triste para trás.

***
Biblioteca do Beverly Hills High School – 09:03 AM
Jenny estava na biblioteca procurando um livro que o professor tinha pedido quando Henry chegou emburrado perto dela pedindo ajuda já que Anna não atendia nem respondia suas mensagens. Depois de explicar o que tinha acontecido, Jenny pôs o livro de volta na estante e olhou para ele.
- Como assim você ainda não fez a surpresa pra Anna? Já faz mais de uma semana que planejamos isso, Henry – Jenny reclamava com Henry em uma das sessões da biblioteca.
- Eu já mandei várias mensagens para ela, já liguei, deixei recado na secretária eletrônica e ela não me responde, ok? Eu não posso obrigar ela a me ouvir – ele falou cruzando os braços – Nos últimos dias não deu para fazer a surpresa por que além dela ter me ignorado, estávamos em semana de provas e eu tinha que estudar.
- Tá, sem desculpas – Jenny pensou olhando pro teto – Só tem uma pessoa que pode nos ajudar nessa situação.
- Quem? – Ele pensou – A Kim?
- Não – Jenny balançou a cabeça – A Anna não está falando com a Kim.
- Como você sabe disso? – Henry perguntou confuso.
- Elas ficam se olhando torto nos treinos, a Kim implica com a Anna por besteira, quando a Kim vai dar uma opinião a Anna ignora, sem falar que a Anna anda mais chata que o normal – Jenny explicou contando nos dedos – Principalmente comigo.
- A Anna continua sendo grossa com você? – Ele perguntou curioso.
- Sim – afirmou – Mas eu não a culpo, na verdade, até relevo, sei que ela ainda tem um pé atrás comigo porque acha que eu só voltei para ter uma nova chance com você.
Tinha um fundo de verdade nisso já que esse era o motivo de Jennifer ter voltado, mas ela não queria que as coisas tivessem começado dessa maneira, não com todo esse plano.
- Bom, eu até queria tentar, mas depois que eu percebi que vocês estavam juntos eu vi que tinha perdido a minha chance de ficar com você – ela disse sem pensar e ele levantou a sobrancelha direita. O silêncio pairou no ar por alguns segundos até que Jenny percebeu o que tinha dito e emendou:
- Desculpa, falei sem pensar – ele balançou a cabeça mostrando que estava tudo bem – Voltando ao assunto – ela desconversou quebrando o clima ruim – A Marina pode te ajudar, ela pode levar a Anna até o cais e pronto, tudo resolvido.
- Mas será que ela vai topar? – Ele perguntou coçando a cabeça.
- E por que não? A Marina gosta de você e já que você quer se desculpar com a Anna ela não vai se opor, eu acho.
- Ok, vou mandar uma mensagem para ela nos encontrar aqui – ele falou pegando o celular no bolso.
- Você – ela apontou para ele – Resolve isso com ela, preciso ir pra aula de literatura, só vim buscar os livros que o professor pediu pra aula de hoje – ela pegou dois livros da prateleira – Boa sorte – disse e saiu correndo para a aula.

***
Aula de Literatura – 09:22 AM
Jade estava distraída copiando a matéria e não percebeu quando Jenny saiu do seu lado e foi até Peter que a observava.
- Cuidado para a baba pra não escorrer – Jenny falou baixo perto de Peter e ele se assustou.
- O quê? – ele falou passando a mão na boca – Não tem nada – ele falou tenso olhando as mãos.
- Eu estava brincando, besta – ela falou rindo e ele relaxou rindo também.
- Foi mal, é que... eu estava distraído – ele pensou numa desculpa tentando disfarçar.
- Eu percebi – ela sorriu – Não precisa disfarçar, eu sei que você gosta dela.
- Eu gosto, não tenho vergonha de admitir, mas tenho vergonha de quase babar por ela – brincou e ela riu.
- Por que não chama ela para sair?
- Ela não me dá abertura, tentei chegar perto dela no luau, mas ela não estava muito interessada em falar comigo – ele falou triste e Jenny lembrou que Jade estava muito ocupada odiando a irmã e tramando contra ela para prestar atenção nele – Você podia me ajudar né? Afinal, você é a melhor amiga dela – ele olhou pra Jenny esperançoso – Vai, Jenny, quebra esse galho para mim, por favor?
- Está bem, vou falar com ela e vejo se convenço ela a aceitar o seu pedido para sair.
- O meu pedido? – Ele perguntou sorrindo.
- É, ué, você não achou que eu fosse fazer tudo sozinha, né? – Ela falou e ele riu.
- Valeu – ele sorriu e Jenny voltou para seu lugar.

***
09:27 AM
Terceira aula do dia e era a quinta vez que Kimberly bocejava olhando a professora baixinha de geografia explicar sobre bacias hidrográficas, Marina riu olhando para a irmã e cutucou Anna que prestava atenção em seu celular, o que provavelmente seria alguma mensagem do Henry pedindo desculpas. Anna revirou os olhos apagando as mensagens.
- Aí – chamou a amiga baixinho – Olha para a Kim, toda alheia – riu – Ela realmente detesta geografia.
- Marina, a Kim é alheia a tudo, não me surpreenderia se ela tiver se dado mal nos testes da semana passada – Anna disse um pouco grossa se referindo as provas que aconteceram na semana passada e Marina percebeu que ela ainda estava zangada com Kim. Anna sempre foi a primeira a defender Kimberly quando o assunto era matéria de escola, provas ou trabalhos, mas quando elas brigavam aí a coisa já mudava de figura e Marina não gostava e nem iria ficar entre as duas – E ela não é a única que odeia geografia – Anna falou para amenizar o jeito grosso que tinha falado com Marina apontando para a sala em geral e Marina olhou. Literalmente, todo mundo estava bocejando, ouvindo música, digitando no celular e até mesmo dormindo – Marina riu concordando.
A verdade é que ninguém gostava da professora de geografia, ela fazia questão de perguntar aleatoriamente sobre o que ela tinha acabado de explicar e se o aluno não soubesse ela passava mais deveres ou até aplicava uma detenção, o fato é que ninguém prestava atenção na aula dela e tentavam se distrair com alguma coisa.
- ... Senhor Malloy – a professora se dirigiu a um aluno específico e todos os outros que estavam absortos sem prestar atenção na aula se voltaram para a professora de baixa estatura caminhando em direção a cadeira do camisa 23 do time da escola, Jack Malloy – Eu gostaria de saber qual a função de uma bacia hidrográfica? – Ele não sabia a resposta, porém não diria isso e tentou disfarçar com uma piada.
- A senhora deveria saber já que faz parte da matéria que a senhora ensina, não? – Sorriu inocente ouvindo as risadas ao fundo e Anna balançou a cabeça negativamente, rindo baixo.
- Sem gracinhas, senhor Malloy, me responda qual a função das bacias hidrográficas? – Retrucou sem dar importância para sua gracinha e Jack tirou o sorriso do rosto.
- É uma área que ... – Jack não sabia o que falar, mas tinha alguém que sabia e foi essa pessoa quem o salvou.
- Também chamada de bacia de drenagem, uma bacia hidrográfica é a extensão ou superfície de escoamento de um rio central e seus afluentes. Ficam situadas em áreas de maiores altitudes do relevo por partidores de água, no qual as águas das chuvas, ou são drenadas superficialmente gerando os rios e riachos, ou infiltram no solo para formação de nascentes e do lençol freático – Anna respondeu chamando a atenção da professora para si e Jack liberou o ar que tinha prendido. Todos pararam para prestar atenção.
- Muito bem, senhorita Lombarddi – a professora falou se virando para Anna – Mas na próxima vez, só fale quando for pedido, entendeu? – Anna balançou a cabeça e a professora caminhou voltando para sua mesa. O sinal bateu e os alunos saíram quase que correndo da sala.

***
Corredor - 09:34 AM
- Jay, sabe o que eu acho? – Jenny falou encostada no seu armário enquanto Jade arrumava seus livros – Que você devia dar uma chance para o Peter – Jade revirou os olhos continuando o que estava fazendo – Poxa, o cara arrasta um caminhão por você e você só faz esnobar ele – Jenny abriu o armário – Eu sei que você também gosta dele, qual o problema em demonstrar isso? – Ela perguntou virando o rosto para a amiga que suspirou – Você quer que eu recupere o Henry porque sabe que eu gosto dele – ela falou baixo – Mas não pensa em ficar com o cara que você gosta? Tudo bem que você gosta de passar essa imagem de madrasta da cinderela, mas eu sei que embaixo dessa muralha toda tem um coração pronto para ser aquecido pela chama do amor – Jenny falou sonhadora juntando as mãos no peito – Isso ficou muito brega? – Perguntou fazendo uma careta.
- Ficou – Jade respondeu e elas riram – Olha, você tem razão, eu gosto dele, mas não posso tentar nada.
- Por que não? – Jenny perguntou confusa.
- Por causa do plano – Jade falou baixo – Não posso envolver ele nisso.
- Para de pensar no plano e pensa em você uma vez só – Jenny falou tentando fazer Jade desistir do plano indiretamente – O cara que você gosta, gosta de você também, sabe quantas pessoas gostam de alguém e esse alguém não gosta delas? Muitas, e você tem a chance e vai desperdiçar? – Perguntou na expectativa e viu os olhos de Jade brilharem.
- Tem razão, eu posso ser feliz – Jade falou repentinamente e Jenny sorriu – E seguir com o plano ao mesmo tempo – Jenny fechou o sorriso – Não posso deixar isso me consumir e perder a chance de ser feliz – falou e abraçou a amiga – Valeu, amiga – disse e correu para a próxima aula.
- Não foi isso que eu quis dizer, Jay – falou baixo olhando a amiga sumir de vista e suspirou.

***
09:45 - AM
- Vai, Aninha, tenta falar com a Kim, aí ela te pede desculpas e... – Marina tentava convencer Anna de ir falar com Kim para as duas voltarem a se falar enquanto arrumava sua mochila.
- Já disse que não, Mari – Anna pôs o caderno na mochila – A Kim pisou na bola comigo, eu não posso perdoar ela assim facilmente, ela tem que aprender a pensar antes de dizer as coisas – Anna ouviu um bip no celular e leu outra mensagem do Henry e revirou os olhos, irritada, mostrando a mensagem para Marina – Sem falar que além dela ter falado que eu era egoísta por não ter indicado ela para uma campanha maluca que o idiota do James armou, ela que deu a ideia para o Henry de fazer aquela surpresa para ele tentar transar comigo e ela nem sequer tentou se desculpar, o Henry pelo menos tenta – Saíram da sala e foram para o armário – Talvez seja melhor assim, talvez seja um aviso divino de que era pra nossa amizade acabar – Anna falou pegando o livro de história, bateu a porta do armário e Marina deu um peteleco em sua testa
- Cala a boca, Aninha – brincou – Vocês duas são melhores amigas, uma amizade não acaba assim de um dia para o outro.
- Eu também era amiga da Jennifer e olha como estamos agora? – Anna argumentou com um sorriso sarcástico – E já vou logo avisando, só volto a falar com a Kim se ela fizer um baita pedido desculpas ou se estiver morrendo e olhe lá – Anna olhou para o relógio em seu pulso – Já vou indo, se eu me atrasar a professora vai me dar advertência, beijo – Anna saiu apressada para sua aula.

***
10:00 – AM
Jack contava a Peter o que tinha acontecido na aula enquanto caminhavam para seus armários.
- Sério que a Anna te ajudou na aula de geografia? – Peter perguntou surpreso.
- Estou te falando, a professora me perguntou o que eram bacias hidrográficas aí eu fiz uma piadinha e a galera riu, mas a professora não e voltou a perguntar o que era as bacias hidrográficas e eu fiquei com cara de idiota sem saber o que falar e foi aí que a Anna respondeu e tirou os olhares psicóticos da professora de mim – Peter riu.
- Cara, você não sente vontade de voltar a falar com a Anna, não? – Peter falou pegando o livro de química no armário – Vocês tinham uma amizade tão bacana.
- Eu não sei, Pete, a gente parou de se falar depois daquele baile, você se lembra? O baile de formatura do 9 ano, eu já estava com a Lindsay, aí não nos falamos mais, não até o dia do luau em que eu, você e ela fomos presos, naquele dia ela me encheu de sermão, foi até legal – Jack falou sorrindo de lado lembrando do dia do luau.
- Falando em luau você ainda não me contou o que a Jade queria com você no dia seguinte – Peter falou curioso pegando um chiclete na mochila – Você me enrolou e até hoje não me disse o que ela queria com você.
- Qual foi, Collins, está achando que eu sou uma daquelas velhas fofoqueiras, é? – Jack disse zoando o melhor amigo que socou seu braço com um pouco de força – Está com ciúme da Jade?
- Não idiota, eu só quero saber o assunto tão importante que ela tinha para falar com você, já que vocês não são mais tão amigos assim – Peter se explicou.
- Não foi nada demais – Peter não acreditou – Relaxa cara, eu não vou pegar a tua mina.
- Ela não é minha mina – ele falou baixo – E mesmo que fosse eu sei que você não ficaria com ela porque você não é talarico, até porque você é amarradão na Lindsay mesmo depois de vocês terem terminado – Peter fechou o armário – Eu acho que você devia partir para outra, sabe, sair com pessoas novas, quem sabe voltar até a sua amizade com a Anna ou quem sabe outra coisa e... – Peter continuou falando, mas Jack parou de ouvir assim que viu Anna passando no corredor com os livros de história, lembrou do plano e sorriu para o amigo.
- Pode deixar, cara – falou e correu até Anna – Ei, Anna! – Ela se virou – Er, obrigado.
- Pelo quê? – Anna perguntou confusa.
- Pelo que você fez lá na sala – deu de ombros – Por ter me ajudado com a professora de geografia, ela não vai muito com a minha cara, sem falar que ela ainda te deu esporro por ter me ajudado.
- Ah, não foi nada, pode ficar tranquilo que você não é o único com quem ela não vai com a cara – Anna ajeitou sua mochila no ombro e voltou a andar.
- Espera! – Precisava se aproximar de Anna ou então Jade o mataria se não fizesse progresso com o plano. Jack segurou o braço dela fazendo-a parar – Sua próxima aula é de história?
- É – Anna levantou um dos livros que carregava e mostrou o título “ O Nascimento de Uma Nação: A Independência dos Estados Unidos”
- Olha só que coincidência, a minha também – Jack sorriu. Por que estava sorrindo tanto?
Peter os observava de longe prendendo a risada pela falta de jeito do amigo perto de Anna.
- Não é coincidência, desde o nono ano temos várias aulas juntos, inclusive a de história – Anna falou deixando-o sem graça.
- Eu sei, é que eu só estava tentando puxar conversa – ele falou sem jeito coçando a nuca.
- Tudo bem – Anna sorriu aliviando o clima – Vamos juntos então – Jack sorriu. De novo. E caminhou ao lado de Anna até a sala.

***
10:24 - AM
Kim saiu da sala e foi até seu armário – que ficava ao lado do de Marina e Anna – o abriu e pegou seu livro de matemática.
- Estava falando com a miss simpatia? – Kim perguntou sarcástica quando Marina chegou do seu lado abrindo o armário.
- Para de besteira Kim, quando é que você vai falar com a Anna e pedir desculpas? Você sabe que fez besteira quando falou tudo aquilo e... – Kim riu sarcástica.
- Ah claro, eu sempre sou a errada né? – Kim revirou os olhos.
- Você sabe que está errada – Mari afirmou – Melhor você ir para aula, senão a professora não te deixa entrar.
- Tá bom, mamãe – Kim falou zoando a irmã que riu e a abraçou. O celular de Mari vibrou em seu bolso e ela o pegou vendo uma mensagem do Henry pedindo para encontrar com ela na biblioteca.
- Preciso ir, beijo mana, fui – Mari falou e seguiu em direção às escadas que dava acesso a biblioteca e sumiu da vista da irmã. Kim não percebeu que o corredor estava vazio – ou pelo menos pensou estar – já que assim que fechou a porta do seu armário alguém a empurrou contra o armário e prensou seu corpo a imobilizando.
- Mas o que... – perguntou assustada olhando para o "desconhecido" – Ficou maluco? – Perguntou com raiva quando viu que era Luke – Me solta, Luke!
- Não antes de você ouvir tudo o que eu tenho para falar – ele falou baixo perto do rosto dela – Quem você pensa que é para falar com Jess que eu não gosto dela?
- Eu só falei a verdade.
- Que verdade? – Ele perguntou sem paciência – Você não sabe de nada, Kim – ele afrouxou o aperto no braço dela – Você não aguenta me ver bem, não é? Me ver feliz sem você? – Ele perguntou – Não esqueça que foi você que terminou comigo, você que acabou com tudo entre a gente.
- Eu acabei com tudo? – Ela perguntou sarcástica – Foi você que me traiu e eu que acabei com tudo? – Ela riu amarga – Eu acho que você inverteu os papéis, queridinho.
- Quantas vezes eu tenho que te dizer que eu não te traí? – Luke bagunçou os cabelos, nervoso.
- Você pode dizer quantas vezes quiser, eu não acredito em você – ela disse grossa, mas com tristeza na voz – Eu te amei, Luke, te amei muito, você me magoou e agora quer pagar de bom moço? – Ela olhou friamente para ele – Sinto lhe informar, mas de bom moço você não tem nada – ela aproximou o rosto do dele quase grudando seus lábios – Agora toma cuidado, porque do jeito que eu saí machucada, a sua princesinha também pode se machucar nessa história – ela disse em tom ameaçador deixando-o ainda mais irritado.
Luke fechou o punho e levantou a mão. Kim fechou os olhos esperando o soco. Ela ouviu um som estridente e abriu os olhos assustada. Luke tinha socado o armário.
- Eu não sou obrigado a te aturar, aliás, eu nem sei como a Anna consegue, mas deixa a Jéssica em paz, ela não tem nada a ver com as suas loucuras – ele falou no mesmo tom ameaçador que ela e saiu.
Kim nunca tinha visto Luke daquele jeito. Ele estava muito irritado. Ele nunca se irritava com ela. Ah, mas isso era antes, quando ele ainda gostava dela. Os olhos dele pareciam decepcionados iguais aos de Anna hoje mais cedo. Era como se ela fosse a pessoa que eles mais odiassem no mundo. De certa forma, perceber aquilo fez seu coração se partir em vários pedacinhos. Tinha perdido Luke, ele a odiava e pior: estava apaixonado por outra garota. As pernas de Kim cederam e ela sentou no chão do corredor pondo as mãos no rosto. Tinha perdido o cara que gostava por uma traição dele, ele estava apaixonado por outra que parecia ser a garota perfeita e que teria o melhor lado dele, e a pior parte era que ela percebeu – tarde demais – que ainda gostava dele.

***
Biblioteca - 11:00 AM
- E aí, meia-noite, o que você queria falar comigo? – Marina perguntou entrando de repente na sessão da biblioteca onde Henry estava, ele riu com o apelido.
- Eu ainda não entendi por que você e a Kim me deram esse apelido – ele perguntou rindo, mas ainda confuso.
- É porque você é sempre o último a sair das festas – Mari explicou e Henry continuou confuso – Lembra de uma vez que eu, você, o Zack, a Aninha, a Kim e o ficante da Kim fomos em uma festa? – Ela perguntou vendo que ele não tinha entendido e ele concordou murmurando – Nesse dia fomos embora e você e a Aninha ficaram na festa, aí no dia seguinte a Aninha contou que você não veio para o colégio porque estava de ressaca por ter esperado a bebida da festa acabar para ir embora.
- Então eu ganhei esse apelido por ser cachaceiro? – Ele perguntou e Mari riu balançando a cabeça – Faz sentido.
- Faz sim – Mari afirmou – Mas brincadeiras à parte, me diga o que você queria falar comigo.
- Ah sim, bom Mari, você já deve saber que eu e a Anna estamos brigados – Mari balançou a cabeça – Bom, eu estou preparando uma surpresa para me desculpar com ela e queria que você me ajudasse.
- Olha, Henry, eu estou sabendo sim e sei o motivo também – Mari ficou séria de repente – E também estou chateada com você, o que você fez não foi nada legal, na verdade, você foi um verdadeiro babaca.
- Você acha que eu não sei, Mari? – Ele perguntou – Já levei sermão da minha mãe e da Jenny, ok? – ele passou a mão no rosto – E por isso mesmo quero fazer a surpresa, para me desculpar pelo que eu fiz – ele sentou vendo que algumas pessoas estavam prestando atenção na conversa – Você sabe que quando eu e a Aninha começamos a namorar – ele falou mais baixo perto de Marina quando a mesma se sentou à sua frente – Ela estava apaixonada pelo Jack, mas ele tinha namorada e era louco pela garota e eu era apaixonado pela Jenny, mas fui largado por ela quando ela foi embora sem avisar a ninguém e depois a Olivia morreu – Henry suspirou e Mari abaixou a cabeça triste – E depois que nos demos uma chance nós nos apaixonamos – Mari pensou um pouco e sorriu.
- Tudo bem, eu te ajudo, mas não magoa mais a Aninha, ok? – Ele sorriu e concordou – Ela não merece.
- Palavra de escoteiro – ele levantou a mão simbolizando que prometia, que nunca mais ia magoar Anna e ela riu – Então a surpresa é o seguinte, você vai falar com a Anna e dizer que tem uma festa hoje à noite no píer, aí você leva ela lá e eu vou estar esperando no iate dos meus pais, vou fazer um jantar para ela e vamos ter uma noite romântica e aí vou pedir desculpas e tudo mais.
- Ah beleza, acho que pode dar certo e ela vai te perdoar rapidinho – Mari sorriu pegando um livro e começou a folheá-lo – Mas quem te ajudou a ter essa ideia? Você nunca foi muito romântico.
- Fui eu que tive a ideia, Mari – ele disse coçando a cabeça e Mari tirou os olhos do livro – Você não acredita que eu posso ter tido essa ideia incrível e brilhante? – Mari negou – Mas fui eu e eu fiquei um tempão bolando essa ideia e... – Mari arqueou a sobrancelha e o encarou sabendo que ele estava se justificando demais para quem tinha bolado um plano brilhante, Henry não sabia mentir e isso era um fato – Tá legal, não fui eu que tive a ideia – ele falou sentando na poltrona pondo as mãos na cabeça – Eu sou um péssimo namorado, como que a Anna vai me perdoar se eu sou um fracasso e...
- Calma aí, Henry, eu não falei que você era nada disso – Mari chegou perto dele – Olha, você não é um péssimo namorado, um fracasso ou sei lá mais o que, você só é distraído e bêbado – ele olhou para ela e riu – Relaxa, eu só falei isso porque você nunca pensou numa coisa tão romântica, era sempre uma carta, presente ou flores – Mari explicou – O que não é ruim – ela ponderou – Mas conta aí, de quem foi a mente brilhante que teve essa ideia super-romântica?
- Foi da Jenny – Henry disse rápido.
- Da Jenny? – Perguntou surpresa – A Aninha vai ficar louca quando souber.
- Ela não pode saber, a Jenny pediu que não contasse nada já que a Anna não sabe que eu estou falando com a Jenny.
- Tudo bem – Mari falou levantando as mãos – Mas em alguma hora é bom contar, porque a Aninha pode não gostar de saber por terceiros que você e a Jenny são amigos de novo, é melhor você contar para ela depois.
- Mas a única pessoa que sabe é você, Mari, a não ser que você conte a ela.
- Eu não vou contar, mas você sabe que a garota veneno anda por aí e fica sabendo da fofoca de todo mundo e se isso vazar no perfil dela no Instagram todo mundo do colégio fica sabendo, inclusive a Aninha – ela explicou e Henry pensou.
- Você tem razão, vou tomar cuidado e contar para ela antes que outra pessoa conte – ele sorriu – Valeu, Mari – ele pegou a mochila e foi saindo.
- Eu só vou te fazer um pedido – ela falou – Por favor, alivia a barra da Kim com a Aninha – Mari pediu – Eu não entendi direito o que houve, mas a Aninha já tinha brigado com a Kim antes e quando me contou o que houve com você disse que tinha dedo da Kim, então... – Mari suspirou e Henry a abraçou de lado.
- Tudo bem, eu preciso mesmo explicar o que houve, não sei por que elas brigaram antes, mas da minha parte a Kim não teve nada a ver – Henry sorriu e Marina suspirou aliviada.



Capítulo 08

Refeitório do Beverly Hills High School - 12:15 PM
- Vem, Marina, vamos logo almoçar que eu estou morrendo de fome – Zack falou puxando Marina para fora da sala interrompendo a conversa que ela estava tendo com alguns colegas – Vai querer o quê? – Ele perguntou assim que chegaram no balcão do refeitório depois de ter pedido o seu lanche.
- Primeiro: você quer fazer o favor de largar o meu pulso? – Ela falou puxando o braço do aperto dele – E segundo: eu quero um sanduiche e um suco de morango, obrigada, Marilyn – Marina falou virando para a moça que preparava o lanche e depois perguntou ao namorado – O que foi, hein?
- O que foi o quê? – Ele perguntou pegando a bandeja com os lanches e caminhou para uma mesa.
- Você me puxou sem eu ter terminado a minha conversa com o David e com a Vanessa.
- Aquele mauricinho estava me enchendo o saco e a Vanessa é muito enjoada, então te tirei de lá o mais rápido possível, você devia me agradecer – sorriu bebendo seu refrigerante e Mari olhou para ele.
- Te agradecer por ser um babaca? – Perguntou sarcástica.
- Um babaca que você gosta – ele disse e beijou o pescoço dela.
- Tá – revirou os olhos e se desfez dos beijos dele – Agora vamos continuar aquela conversa do outro dia – Mari mudou de assunto.
- Que conversa, Marina? – Ele perguntou.
- Sobre a nossa viagem no próximo mês para o dia de...
- Ah Marina, de novo essa conversa? Que saco hein – ele nem esperou ela terminar de falar e se levantou – Olha só, eu já estou de saco cheio disso, toda vez que a gente vai conversar, você fala de viagem, mal começou as aulas e você já quer viajar?
- Novembro já começou, Zack – Mari rebateu – Daqui a pouco chega Ação de Graças e já, já chega o Natal, são datas comemorativas para nós viajarmos e eu ter a oportunidade de conhecer a sua família e eu não entendo o porquê de você ficar irritado sempre que eu menciono alguma viagem ou conhecer os seus pais – Mari falou já cansada das mudanças de humor de Zack – Eu estou cansada disso, Zack.
- Então termina – ele levantou irritado e esbarrou em alguém.
- Aí, não tá me vendo, não? – Anna reclamou depois que Zack esbarrou nela quase a derrubando. Anna sentou de frente para Marina e olhou para ela – O que ele tem?
- Ficou irritado quando eu mencionei a viagem – Mari explicou – Eu não entendo essa reação dele quando eu falo em viajar, Aninha, não entendo mesmo.
- Vai ver ele não tem dinheiro – Anna falou mordendo sua maçã.
- Não, o pai dele é o embaixador do Canadá aqui nos EUA, é claro que ele tem dinheiro – Mari explicou tentando entender o motivo do Zack ficar tão irritado quando ela falava de viajar ou de conhecer a família dele.
- Não, Mari, o que eu quis dizer foi que pode ser que ele esteja de castigo e o pai dele cortou a mesada dele – Anna sugeriu – Isso acontece e vamos combinar de que o Zack não deve ser o melhor filho do mundo né? Olha como ele trata as pessoas – Anna deu de ombros.
- Você fala isso porque não gosta dele, Aninha.
- Verdade – Anna afirmou e Mari a olhou – Ou vai ver seja receio.
- Receio de quê? – Mari perguntou confusa.
- Ah, sei lá, a gente sabe tão pouco da vida do Zack que pode ser que ele tenha receio em falar sobre as "condições" dele com outras pessoas – Anna levantou as mãos fazendo aspas – O pouco que a gente sabe sobre ele é que o pai dele é o embaixador e que ele mudava muito de colégio lá no Canadá, vai ver a galera do outro colégio onde ele estudava, podia só querer se aproximar dele por interesse.
- Será? – Mari pensou – Mas aqui é um colégio de elite, todos os alunos vão a eventos da alta sociedade, uns fazem até campanhas com marcas milionárias, outros até já foram na casa do presidente – Mari olhou para Anna lembrando do dia em que Dylan e sua família foram convidados para um evento na casa branca para seu pai receber um prêmio por ação beneficente, já que a fundação e o hospital Lombarddi são muito envolvidos em causas humanitárias e Anna sorriu orgulhosa do pai – Não entra na minha cabeça por que dele ter todo esse receio.
- Mari, o pai dele é muito importante – Anna olhou para ela – Tipo muito importante mesmo, é quase como se o meu pai fosse melhor amigo da Rainha, entende? Da um tempo para ele, amiga – Anna sorriu dando a última mordida na maçã.
- Tudo bem, você deve ter razão – Mari sorriu concordando deixando o assunto para lá – Você só vai comer isso?
- Vou, ué – Anna deu de ombros jogando a maçã no lixo.
- Ah não, Aninha – Mari reclamou – Eu não admito que você coma que nem formiga, aliás, acho que até as formigas comem mais do que você.
- Exagerada – Anna revirou os olhos falando arrastado.
- Olha só, que tal irmos no Burger King almoçar? – Mari perguntou – A Kim não quis vim almoçar comigo então você não precisa se preocupar – emendou rapidamente sabendo que Anna poderia recusar já que ainda não tinha voltado a falar com Kim.
- Não, Mari, não posso comer gordura, você sabe.
- Uma vez na vida não mata ninguém, Aninha – Mari sorriu levantando da mesa – E além do mais, você tem academia hoje durante o treino então você perde rapidinho a gordura que vai entrar – Mari piscou o olho.
- Tá legal – Anna desistiu – Eu estava com vontade de comer um hambúrguer mesmo.
- Eba – Mari comemorou, jogou o copo do iogurte no lixo e Anna se levantou.
- Só você mesmo para me convencer a fugir da dieta.
- Eu sou demais – Marina se gabou – O que pode dar errado em um almoço entre melhores amigas? – Mari abraçou Anna de lado – Você dirige, ok?
- Só me chamou porque seu motorista não está aqui né? – Anna brincou.
- Claro, meu amor, quer coisa melhor do que fazer a sua melhor amiga de motorista particular? – Marina fez uma cara esnobe entrando na brincadeira
- Ridícula – Anna riu e empurrou Marina.
- A não ser que você queira que eu dirija seu carro – Mari propôs.
- Não mesmo – Anna negou rapidamente – E nem quero que você aranhe a minha Mercedes, sua barbeira – Mari a beliscou de leve.
- Você deu nome para o carro? – Mari perguntou fazendo uma cara engraçada.
- Não, besta, é a marca dele, uma Mercedes Benz classe G – Anna revirou os olhos destravando o carro – Ai, Mari você não entende nada de carros.
- Não, Aninha, é você que entende demais de carros – Mari pôs o cinto.
- Verdade – sorriu e saiu do estacionamento.

Burger King - 12:50 PM
- Esse foi o melhor almoço que eu já comi em tempos – Anna terminou seu lanche e suspirou – Me chame para comer aqui mais vezes – Marina sorriu.
- Pode deixar – Marina limpou os dedos no guardanapo e recebeu uma mensagem de Henry: "No Píer às 18h", anotou na agenda, deixou em cima da mesa e tornou a olhar para Anna – Aliás, Aninha, essa sua dieta é uma coisa que me incomoda há tempos, a sua e a da Kim, vocês quase não comem e… – Anna revirou os olhos e interrompeu Marina.
- Mari, nós comemos sim, só que comemos coisas mais leves – Anna explicou – Comemos frutas, verduras e até um pouquinho de carboidratos, sem falar nas vitaminas adicionais que tomamos para suprir a falta de outros alimentos, então fica tranquila, ok? – Mari suspirou balançando a cabeça – Bom, agora nós poderíamos pedir um... – Anna olhou o relógio e se assustou – Meu Deus, estou muito atrasada – Anna pegou rapidamente a sua bolsa e correu.
- Pera aí, Aninha – Mari correu até ela – Temos 10 minutos ainda – tranquilizou a amiga – Nossas extras curriculares só começam às 13h – Anna parou e olhou para Marina.
- É, deve dar tempo né? – Perguntou esperançosa, porém preocupada.
- É claro – Mari sorriu e um dos atendentes veio falar com elas.
- Senhorita, você esqueceu sua agenda em cima da mesa – O rapaz que as atendeu entregou a agenda e Marina sorriu agradecendo.
- Aí – Anna chamou o rapaz que estava voltando para a lanchonete – Você sabe quanto tempo demora daqui para chegar até o Beverly Hills High School?
- Demora uns 15 minutos, mas como hoje é dia de semana e estamos no fim do horário do almoço deve ter engarrafamento e o transito fica muito lento – Anna segurou no braço de Marina e a puxou.
- Precisamos ir agora – correu até seu carro e olhou para o rapaz – Obrigada – acenou entrando no carro e o ligou rapidamente – Se segura porque nós vamos correr um pouquinho – olhou para Marina que pôs o cinto de segurança e saiu rapidamente do estacionamento.

Campo de treinamento do Beverly Hills High School - 13:12 PM
- Aí cara, qual foi? Tá com essa cara por quê? – Um dos jogadores do time perguntou percebendo o quanto Zack parecia irritado.
- Essa é a única cara que eu tenho – Falou grosso e se posicionou.
O treinador soou o apito começando o treino. Peter chutou a bola que voou para o outro lado do campo. Henry agarrou a bola, correu e quando teve oportunidade jogou a mesma para Jack que pegou e correu para fazer o touchdown. Perto de chegar na linha do "time adversário" Jack sentiu o impacto do lado esquerdo de seu corpo e caiu no chão.
Todos correram até Jack.
- Ei cara, tá tudo bem? – Luke perguntou ajudando Jack a levantar. Jack tirou o capacete.
- Que merda foi essa, Mitchell? – Peter falou irritado chegando perto de Zack
- Isso é a porra de um treino, Zack – Henry disse igualmente irritado e uma rodinha se formou com Henry, Peter e Zack no centro.
- Isso foi tudo menos um treino – Luke falou sarcástico.
- E mesmo que não fosse, Scott – Jack falou irritado para Henry e entrou na roda – Essa nem é a posição dele, eu sou o wide-receiver do time, a posição ofensiva é minha, ninguém tem que impedir a minha jogada, ou melhor, a sua posição – apontou pra Zack com raiva – Tem que defender os receivers e não atacar – Jack empurrou o ombro de Zack que foi para cima dele, mas os meninos o impediram.
- O que foi que aconteceu aqui? – O treinador perguntou com cara de poucos amigos entrando na rodinha também – Zack, a sua posição é Conerback, que literalmente tem que cobrir o Wide-receiver e podem até atacar o seu Quarterback, mas o seu Quarterback – apontou para Henry – É o Henry e ele estava bem longe de você, daí você achou prudente atacar o Wide-Receivers do seu time? – Todos ficaram em silêncio prestando atenção no treinador – Da próxima vez que você atacar um dos companheiros de time, considere-se fora da minha equipe, estamos entendidos?
- Sim, treinador – Zack falou e saiu do campo ainda irritado sem olhar para ninguém.
- Passa na enfermaria, Jack, precisa ver essa pancada do lado esquerdo do tronco – o treinador falou com Jack e anotou algo na sua prancheta – Dispensados do treino de hoje.
- Vem, cara, vamos para a enfermaria – Peter chamou Jack e ambos foram para a enfermaria.

Beverly Hills High School - 13:20 PM
Depois de cometer algumas multas de trânsito por excesso de velocidade, Anna conseguiu chegar ao colégio. Atrasada.
- Vamos, Mari, rápido – Anna estacionou o carro de qualquer jeito e desceu trancando as portas.
- Calma, Aninha, nós temos... – Marina fez menção de olhar em seu relógio.
- Anda – Anna puxou Marina para dentro do colégio e correu esbarrando em algumas pessoas enquanto Marina se desculpava por ela.
- Angie! – Anna chamou a menina de cabelos cacheados que fazia parte da sua equipe – Eu sei, eu sei que eu estou atrasada, mas é que eu fui almoçar e na volta teve engarrafamento – Anna se abaixou pondo as mãos no joelho, cansada.
- Respira, Aninha – Marina pôs a mãos nas costas dela e riu. Anna reergueu o tronco e aspirou o ar para fora.
- A treinadora está uma fera, não está?
- Sabe que não, ela mandou a secretária avisar que teria que sair agora de tarde, então estávamos esperando por você – Angie explicou.
- E o que vocês ficaram fazendo até agora? – Anna perguntou curiosa respirando um pouco mais aliviada.
- Fomos assistir ao treino dos meninos, mas rolou o maior quebra pau – Angie falou e Anna estranhou. Será que tinha sido o Luke? Se fosse o Luke o treinador poderia suspender ele e a Kim teve tanto trabalho para convencer o treinador de aceita-lo de volta.
- Quem foi que brigou? – Anna perguntou aflita.
- Zack e Jack.
- O meu Zack? – Mari perguntou de repente entrando na conversa.
- Claro, Marina – Angie falou como se fosse óbvio – E tem outro? Na verdade, tem outro Zack do primeiro ano, mas ele é novato e ninguém...
- Isso não importa – Anna interrompeu o devaneio de Angie e foi direta – Como foi essa briga? O que houve? O Luke se envolveu? E o Henry? Alguém se machucou?
- Não, o Luke não se envolveu e nem o Henry – afirmou – Eles estão bem, foi apenas entre o Zack e o Jack.
- Eles saíram no soco, então? – Anna perguntou confusa e Angie balançou a cabeça e se calou deixando Anna irritada – Explica direito essa merda, Angelina.
- Ai, calma, sua grossa – ela falou e Anna revirou os olhos – Olha, o treino estava rolando de boa até que o maluco do Zack resolveu partir para cima do Jack que estava com a bola, aí o Peter foi ver como o Jack estava e o Jack se irritou e foi tirar satisfações com o Zack que não gostou, eles iam sair na porrada, mas o treinador chegou, deu uma bronca neles e os dispensaram do treino – uma das garotas chamou Angie – O Zack parecia bem irritado, Marina, talvez seja bom você ver o que aconteceu – Angie alertou – Fui, beijos.
- Pera aí, aonde vocês vão? – Anna perguntou para as meninas que estava indo em direção a saída do colégio – Estão pensando que só por que a treinadora saiu nós não vamos treinar? Errado.
- Qual é, Aninha? – Angie pediu – Libera a gente, vai?
- Nada disso – Anna balançou a cabeça – Vão para o ginásio e comecem o aquecimento, só preciso ver algumas coisas e já estou indo – Angie suspirou e concordou – A Kim sabe o que fazer, ela é a co-capitã então ela que vai começar o ensaio com vocês.
- Ok então – Angie preferiu não falar sofre Kim não ter ido ao treino, mas duvidava que Anna fosse a escutar e chamou as outras garotas indo para o ginásio.
Mari balançou a cabeça olhando para Anna.
- Isso foi culpa minha – Mari disse pondo as mãos na cabeça depois que as meninas saíram de perto – Só pode ter sido a discussão que tivemos hoje pela manhã que o deixou tão irritado, Aninha.
- Calma, Mari – Anna a abraçou – Olha só, por que você não vai procurar ele e pede para ele explicar o que aconteceu? – Anna perguntou acalmando a amiga – Preciso ver onde o Henry se meteu.
- Vai fazer as pazes com ele? – Mari perguntou ligando para Zack, mas o mesmo não atendeu – Fora de área
- Não vou desculpar ele tão fácil, mas eu também quero saber direito o que aconteceu e quem melhor que o capitão do time para explicar? – Anna sorriu – E o Henry pode saber onde o Zack se meteu, se souber eu te mando mensagem avisando, ok? – Marina sorriu concordando.

Terceiro andar do Beverly Hills High School – 13:36 PM
Anna já tinha procurado Henry por quase todo colégio, mas não tinha o encontrado. Talvez ele já tivesse ido embora já que os meninos foram liberados do treino pelo que aconteceu entre o Zack e o Jack. Anna deu de ombros parando na escada e pegou o celular ligando para Marina.
- Mari? – Chamou quando a amiga atendeu – Olha amiga, eu já os procurei em todos os lugares e não os encontrei.
- Já procurou na biblioteca ou no laboratório? – Mari perguntou do outro lado da linha.
- Eu estava indo na biblioteca agora, mas se eles estivessem lá alguém já teria me dito, já que eu pedi que me avisassem se vissem um dos dois – Anna explicou – E já olhei no laboratório, mas ninguém viu os dois lá também.
- Tudo bem Aninha, deixa para lá, eu falo com o Zack depois.
- Ok, beijo – Aninha se despediu e ia descendo as escadas quando ouviu uma certa “aglomeração” no fim do corredor. Anna caminhou até a porta da enfermaria quando viu que a aglomeração era lá.
- Eu posso fazer uma massagem nos seus pés – uma garota perguntou do lado de Jack.
- Eu posso fazer uma comidinha bem saudável para você – outra garota perguntou também quase subindo em cima dele.
- Eu posso cuidar de você, só você me dizer onde é a sua casa que eu vou ser a sua enfermeira – a primeira garota chegou perto de Jack e falou no ouvido dele – Posso usar até um uniforme – Anna riu escondida e as duas garotas começaram a discutir.
- Falando assim nem parece aquela garota que vomitou nos sapatos Armani do professor no ano passado – Anna disse entrando na sala assustando Melissa, Christina e Jack – Lembra disso, Torres? – Anna perguntou com todo seu sarcasmo olhando para Melissa e Christina riu.
- O que você tá fazendo aqui, Lombarddi? – Melissa olhou para Anna cruzando os braços – Não deveria tá cuidando do seu esquadrão de vadias? – ela falou com desdém e Anna riu.
- Esquadrão de vadias que você queria fazer parte, não é mesmo? Pelo que eu me lembro você estava junto comigo e com a Kim quando fizemos os testes e você não passou porque é uma merda, mas é claro que não é sua culpa né, é mais fácil culpar os outros pelos seus próprios defeitos – Anna falou com o mesmo tom de desdém e Jack riu sem querer e Melissa ficou sem graça – Já a Cristina foi até bem, mas desistiu de última hora, não foi, Lopez? – Olhou para a outra que afirmou com a cabeça – Foi uma pena porque você teria futuro, diferente de umas e outras – falou deixando a frase no ar se referindo a Melissa que revirou os olhos.
- Por que você está aqui, Anna? Não devia tá se agarrando com o Henry por aí? – Ela perguntou sem pudor.
- E você, Melissa? Não devia tá na sua extracurricular ao invés de estar oferecendo sexo barato para o Jack? – Anna ergueu a sobrancelha e Christina explodiu em risadas, pedindo desculpas logo em seguida quando Melissa olhou feio para ela – Aliás, o seu professor estava te procurando.
- Mentira.
- Olha só, vocês duas deviam parar com... – Christina começou a falar, mas alguém bateu na porta entrando logo em seguida.
- Melissa, estou te procurando há meia hora – o professor de artesanato falou olhando para Melissa – O que você está fazendo aqui?
- Eu vim dar apoio ao Jack porque ele se machucou e aí eu estava cuidando dele – Ela começou a se explicar e Anna riu.
- Você? Cuidando do Jack? Você estava era se oferecendo para ele, garota – Anna revirou os olhos e o professor olhou para Melissa.
- Cala a boca – Melissa olhou irritada pra Anna – Olha, professor, eu já estava indo embora quando a Anna apareceu aqui e...
- Estava nada, se o senhor não tivesse aparecido ela já teria levado ele pra casa e... – Anna falou e Melissa bufou de raiva.
- Sai da minha frente garota – ela empurrou Anna que caiu sentada na poltrona.
- Todos estão esperando para apresentarem suas obras enquanto você está aqui discutindo com a senhorita Lombarddi? – O professor falou irritado – Vamos logo, anda, estão todos esperando.
- Mas...
- Mas nada, ande logo senão a senhorita vai perder na minha matéria, ou você esqueceu que perdeu no último teste?
- Tudo bem, já estou indo – Melissa saiu resmungando sendo acompanhada pela amiga e pelo professor.
- Da para acreditar nessa garota? – Anna riu – Muito sem noção, cara.
- Não sabia que você era assim tão ciumenta – Jack falou olhando pra Anna sorrindo.
- Ciúmes de você? – Jack afirmou – Fala sério, Malloy – ela revirou os olhos – Nem se você fosse o último homem da Terra isso iria acontecer, ok?
- Ah é? – Jack perguntou com a sobrancelha arqueada – Não foi o que pareceu quando você estava discutindo com a Melissa por minha causa.
- Por sua causa? – Anna falou rindo – Você nem se acha né, garoto? – Ele balançou a cabeça – Eu não estava discutindo com a Melissa por sua causa – Jack levantou a sobrancelha – Nós sempre discutimos por coisas banais quando nos encontramos.
- Mesmo? – Ele perguntou sorrindo.
- Mesmo – ela afirmou.
- Olha, não foi o que pareceu – ele falou rindo da cara que Anna fazia se justificando. Ela ficava linda irritada.
- Quer saber? – Anna perguntou – Esquece, eu nem sei por que ainda estou aqui falando com você – se virou indo para a porta, mas Jack a segurou pela mão e ela se virou olhando-o.
- Não vai – ele pediu olhando de perto para os olhos de Anna. Ambos sentiram um formigamento na mão. A mesma sensação de quando Jack segurou a mão de Anna quando a deixou em casa depois dela ter passado mal. Que estranho. Eles continuaram se olhando por alguns minutos sem dizer nada quando Peter e a enfermeira entraram na sala os assustando, fazendo Anna puxar sua mão rapidamente e se afastar de Jack. O que pensariam dela se a pegassem daquele jeito com Jack?
- Anna? O que faz aqui? – Peter perguntou surpreso.
- É, achei que estivesse no treino – Cristal, a enfermeira, falou indo preparar algum remédio para dar para Jack.
- Ah, eu soube da briga e vim procurar o Henry para me explicar o que tinha acontecido e ver se conseguia encontrar o Zack, porque a Mari está procurando ele também, mas acabei encontrando o Jack, então fiquei aqui conversando com ele – Anna explicou rapidamente coçando a nuca. Não era mentira, mas soava como se ela tivesse feito algo de errado. Talvez fosse culpa. Culpa de quê? Não tinha feito nada.
- É, nós estávamos aqui conversando – Jack olhou para Anna que engoliu em seco e estava visivelmente desconfortável com os olhares em cima dela.
- Bom, eu já vou, tchau Peter, tchau Cristal – Anna praticamente correu até a porta e saiu descendo as escadas rapidamente, correndo até o ginásio.
Por que estava tão nervosa? Várias pessoas olhavam para ela nas apresentações dos jogos e ela não ficava com vergonha. Até gostava de ter tantas pessoas a olhando, mas havia algo nos olhos de Jack que a fazia se sentir exposta, despida, sem proteção. Insegura. Não eram mais amigos ou pelo menos não como eram antes, mas ele parecia saber o que ela estava pensando e isso a deixava nervosa. Balançou a cabeça, mandando esses pensamentos para longe e correu até o ginásio, vendo as meninas sentadas no chão mexendo em seus celulares. Exceto por Jennifer que não estava ali.
- Por que não estão treinando? – Perguntou sem entender e olhou ao redor – E cadê a Kim?
- A Kim não veio para o treino, Aninha – Angie falou e Anna a olhou surpresa.


Capítulo 09

Ginásio
- O quê? – Anna reclamou – O intercolegial está chegando, a Kim não aparece nos treinos e você só me fala isso agora?
- Eu te falei isso há dias – Angelina reclamou.
- Então você falou muito baixo porque eu não escutei – Anna respirou fundo – Ok, já que vocês não estão a fim de treinar podem ir para casa – as meninas comemoraram – Sei que vocês não vão render nada hoje e se for para treinar eu quero todo mundo muito bem concentrado – as meninas correram até a porta – Esperem que eu ainda não acabei – Anna gritou e todas pararam ao mesmo tempo quase caindo – Eu quero vocês aqui amanhã bem cedo porque vamos treinar até caímos, entenderam? – Todas balançaram a cabeça – Ótimo, podem ir.
Angelina continuava ali.
- Olha, Aninha, eu... – Angie falou de repente – Não quero que fique zangada comigo, você é a capitã e elas te respeitam mais do que eu, eu tentei fazer elas ensaiarem, mas elas não me ouvem.
- Esquece, Angie – Anna não queria mais conversar. Estava irritada por Kim não estar aparecendo nos treinos – Tá tudo bem, ok? – Angie balançou a cabeça concordando – Nos vemos amanhã – Angie virou, mas Anna a chamou de novo – E a Jennifer?
- Eu não sei, ela disse que não ia ficar aqui te esperando e foi embora.
Como é que é? Aquilo já estava a irritando. Primeiro a Kim não aparecia e agora a Jenny simplesmente ia embora. Só podia ser um complô contra ela, não era possível.
- Tchau, Aninha – Angelina se despediu.

***
- Eu que devia fugir dos treinos, o que a Kim acha? Que eu vou carregar a equipe nas costas? – Anna resmungava enquanto pegava a chave do carro no armário e saiu indo para o estacionamento – Ah, espera! Eu já faço isso, e como ela me agradece? Sumindo e nem avisa se vai ou não vir para o treino, e a Jenny? Nem ao menos se deu ao trabalho de... – Anna parou subitamente seu caminho para o estacionamento e olhou para o campo de treinamento vendo uma silhueta. Se aproximou e viu Jennifer dançando. Anna caminhou até a entrada do campo e ficou olhando para Jennifer que logo percebeu sua presença indo falar com ela.
- Oi, Aninha – sorriu e se apoiou no portão para descansar.
- O que você está fazendo aqui? – Anna perguntou surpresa sem entender o que Jenny ainda fazia ali, sendo que Angelina tinha dito que ela tinha ido embora.
- Estava treinando – Jenny falou – Eu chamei as meninas, mas elas não quiseram vir.
- Mas a Angie disse que... – Anna estava confusa.
- Olha, Aninha, eu não queria te irritar nem nada, mas como eu sou relativamente nova na equipe eu preciso ensaiar um pouco mais que as outras meninas, então eu aproveitei que os meninos não estavam treinando no campo e vim ensaiar – Jenny explicou – Fiz mal?
- Não, muito pelo contrário, eu estou surpresa e… meio sem graça.
- Por quê? – Perguntou sem entender.
- Bem, eu... – Anna começou olhando para o lado. – Vim brigar com você porque achei que você tivesse ido embora e você esta aqui treinando. – Anna sorriu sem graça.
- Tudo bem. – Jenny sorriu balançando as mãos mostrando que não estava chateada.
- Ok, eu já vou. – Anna balançou a chave do carro. – Não precisa continuar treinando, já liberei as meninas e você também está liberada, pode ir descansar. – sorriu. – Mas amanhã tem treino cedo, ok?
- Ok. – Jenny sorriu. – Eu vou ficar ensaiando mais um pouco e aproveito e espero a Jade sair. – Jenny abraçou Anna pegando-a de surpresa. – Obrigada mais uma vez pela oportunidade, Aninha.
- Por nada. – Anna se virou ainda sem graça caminhando de volta para o estacionamento.

Casa dos Lombarddi – 16:35 PM
Anna tinha chegado em casa fazia duas horas e apenas trocou de roupa e foi para a sala de TV deitando no sofá. Passava uma comédia qualquer que ela nem se deu ao trabalho de prestar atenção. Não conseguia esquecer de ter visto Jenny ensaiando quando na verdade achava que ela tinha ido embora. Tinha um sermão decorado na cabeça para brigar com ela, mas viu que estava totalmente errada.
- Aninha? – Luke chamou passando a mão na frente do rosto de Anna que não prestava atenção na TV – Esse filme deve ser ruim mesmo, você não deu uma risada desde que eu cheguei aqui.
- Está aqui faz muito tempo? – Anna perguntou se consertando no assento.
- Uma hora já.
- O quê? – Falou assustada, estava pensando há tanto tempo assim?
- Estou brincando. – riu e Anna bateu de leve no braço dele. – Cheguei em casa tem meia hora, explicou. – Aí estava passando, vi você aqui assistindo um filme, muito engraçado por sinal e não te vi rindo, aí pensei “Ué, por que a senhorita risadinha não está se acabando de rir? Se você ri de qualquer besteira”
- Você ainda lembra desse apelido besta que você e a Jade me deram quando nós éramos menores? – Anna riu.
- Tem coisas que a gente nunca esquece. – sorriu para a irmã. – Mas me diz, por que estava tão distraída?
- Estou confusa.
- Com o quê? – Luke perguntou comendo um cookie que estava no prato de lanche da irmã.
- Acho que fui muito injusta com a Jenny. – Anna olhou para o irmão que fazia um gesto com a mão pedindo para ela continuar já que estava com a boca cheia. – Tipo, desde que ela voltou e fez as pazes com a Jade, eu briguei com ela várias vezes durante os treinos, fiz ela treinar até mais tarde, reforcei os exercícios pra ela ficar mais cansada, a tratei mal enquanto ela não tentou nada, nem tirar o Henry de mim, nem bagunçar a equipe, ela simplesmente disse que queria fazer as pazes comigo e com as garotas, mas eu não acreditei e agora estou me sentindo culpada.
- Por que você está se sentindo culpada? O que fez você mudar de opinião sobre ela? – Luke perguntou e Anna fez uma cara engraçada.
- Eu a vi treinando hoje. – Anna se virou na poltrona ficando de frente para Luke. – Eu pedi que a Angie começasse o treino com a Kim e as meninas sem mim para eu poder procurar o Henry e saber sobre a briga no treino de vocês hoje mais cedo, mas aí quando eu voltei para o ginásio todas as garotas estavam sentadas olhando seus celulares, menos a Kim e a Jenny que não estavam lá, aí eu perguntei a Angie onde elas estavam e ela me disse que a Kim tinha faltado vários treinos e que a Jenny disse – fez aspas com as mãos. – Que não ia ficar me esperando e que tinha ido embora aí eu fiquei irritada e resolvi vir pra casa, só que quando eu estava indo para o estacionamento eu vi a Jenny treinando e ela me disse uma coisa totalmente diferente.
- O que ela disse? – Luke perguntou.
- Que a Angie e as meninas não quiseram treinar e ela resolveu ir treinar no campo. – Anna explicou. – E faz sentido porque ela realmente estava treinando quando eu a vi e por isso estou me sentindo culpada.
- Porque você ia brigar com ela por uma coisa que disseram para você que ela tinha feito, mas ela estava fazendo exatamente o que você tinha mandado fazer. – Luke concluiu.
- É.
- Olha, Aninha, você não brigou com ela, nem nada, certo? – Anna afirmou com a cabeça. – Então não precisa se sentir assim, você não fez nada para se arrepender, muito pelo contrário, você percebeu que ela estava falando a verdade e viu que quem errou não foi ela, foi a Angie que mentiu para você.
- Eu sei, mas eu não achei que ela fosse se importar com o que eu digo, achei que ela só tivesse entrado na equipe para me irritar e para poder voltar com o Henry, mas acho que me enganei, talvez ela esteja arrependida de verdade.
- Então acho que você devia conversar com ela, não acha? – Luke perguntou. – Para vocês conversarem cara a cara e poder se resolver. – Luke sorriu. – E quem sabe até ela pode te ajudar a voltar a falar com a Jay, sei que você e ela estão se estranhando desde o que aconteceu com a mamãe e olha que isso já faz dois anos, nunca achei que vocês duas fossem parar de se falar.
- Sabe que eu também não? – Anna falou triste. – Achei que eu e a Jade fôssemos que nem rocha, que nós ficaríamos bem e unidas depois do que aconteceu, mas não, ela simplesmente se afastou de mim.
- Olha, você vai ver que com essa conversa que você vai ter com a Jenny, ela vai te ajudar a consertar as coisas com a Jay. – Luke sorriu. – Vem cá, tampinha. – Luke puxou a irmã para um abraço e Anna sentiu seu coração aquecer. Estava feliz por ter seu irmão de volta.
- Obrigada, Speed. – se soltaram do abraço e foram terminar de assistir ao filme – Fico feliz que você tenha voltado a ser como antes. – Anna disse logo que se aconchegou na poltrona.
- Eu também. – Luke disse baixo e sorriu.

Auditório do Beverly High School
- Mais uma vez, Jade, tenho que te dar os parabéns. – a professora de teatro elogiava Jade por ter ido bem no ensaio. – Você estava ótima hoje, se continuar assim quem sabe ganhe o papel principal na próxima peça de novo.
- É o que eu pretendo, professora. – sorriu.
- Muito bem, então boa sorte no próximo teste. – a professora olhou para os outros alunos que estavam arrumando suas mochilas. – Vocês estão liberados, o ensaio foi ótimo, pessoal. – a professora recolheu seu material e saiu junto aos demais alunos, ficando apenas Jade e Katrina no auditório.
- Sempre a queridinha da professora, né? Até parece que você é essa simpatia toda. – Katrina disse sarcástica. – Você não cansa de puxar o saco da professora, não? – Jade riu.
- Meu amor eu não preciso puxar o saco de ninguém para me notarem, se você não percebeu eu tenho talento e luz própria. – desdenhou. – Já de você não se pode dizer o mesmo, não é? – Perguntou levantando as sobrancelhas. – Não tem nem talento e nem luz própria por isso fica enchendo a minha paciência e ainda por cima fica andando para cima e para baixo com as suas amiguinhas burras. – Jade falou sarcástica. – Você nunca vai conseguir chegar ao meu nível e sabe por quê? Porque você não é boa o suficiente. – Jade sorriu vendo que tinha conseguido abalar Katrina e saiu deixando-a sozinha no auditório.
- Você ainda vai me pagar por tudo isso, Jade Lombarddi. – Katrina falava com raiva enquanto socava as coisas dentro de sua bolsa. – Ah se vai. – desceu do palco e saiu do auditório.

Enfermaria
- Que bom que a Cristal te liberou, cara. – Peter falava saindo da enfermaria com Jack.
- Foi só uma pancada. – Jack balançou a mão mostrando que não era nada importante. – Ela não ia me liberar das aulas de amanhã por causa disso.
- Embora você quisesse que ela te liberasse, né? – Peter riu.
- Claro. – Jack afirmou rindo junto com o amigo. – Quer coisa melhor do que um dia de folga desse saco de colégio?
- Você que é um saco. – Peter socou o braço de Jack sem colocar muita força e o amigo riu. – E a escola nem é tão ruim assim, cara.
- Tem razão. – Jack balançou a cabeça. – É pior. – riram.
- Ei, Peter! – Peter virou e viu Katrina o chamando.
- Vai lá, eu te espero no carro. – Jack falou para Peter que foi ao encontro de Katrina.
- Oi, Kat. – Peter cumprimentou a menina.
- Oi. – sorriu.
- Tudo bem? – pergunto preocupado.
- Sim, sim. – ela balançou a cabeça. – É que eu queria te falar uma coisa.
- Pode falar.
- Você não quer sair comigo qualquer dia desses? Sabe, para a gente poder se conhecer melhor. – Ela perguntou um pouco insegura. – Tipo um encontro?
- Um encontro? – Peter perguntou surpreso e Katrina balançou a cabeça. – Desculpa, Kat, mas eu não posso.
- Por que não? – Ela perguntou chateada.
- É que... – pensou um pouco. Ele não queria mentir para ela, nunca tinha enganado ninguém e sempre foi muito sincero sobre seus sentimentos e agora não seria diferente. – Eu gosto de outra pessoa. – ele explicou. – Estou tentando chamar ela para sair e eu não quero te magoar, por isso estou recusando seu convite.
- Ah, tudo bem, então. – suspirou. – Ela é uma garota de sorte. – sorriu triste. – Tchau.
Mesmo que Peter não gostasse de Katrina tinha se sentido mal por ter recusado o convite dela. Katrina nunca tinha sido mal-educada com ele e sempre demonstrou interesse, mas como ele ainda gostava de Jade não se sentia bem em sair com outra pessoa, já que estava tentando reconquistar Jade não poderia sair com ninguém e muito menos com Katrina que não era bem amiga de Jade. Balançou a cabeça afastando os pensamentos e avistou Jade um pouco mais à frente e viu sua chance aparecer.

***
Jade sorria enquanto caminhava até o campo para se encontrar com Jenny. Ainda lembrava da cara da Katrina depois de ter falado tudo que estava engasgado na sua garganta e aquilo fazia seu sorriso aumentar ainda mais. Para o dia terminar perfeito só faltava Jennifer e Jack falarem que tinham feito progresso no plano contra Anna.
- Jade! – Ouviu alguém a chamar de longe e se virou. Era Peter.
- Oi, Peter. – sorriu. – Tudo bem?
- Tudo bem sim. – sorriu. – Sabe, Jade, eu estive pensando e... – ele olhou para ela e coçou a nuca. – Eu queria saber se você topa sair comigo? – Ele perguntou. – Tipo um encontro.
- Um encontro? Só nós dois? – Jade perguntou surpresa, mas com uma vontade absurda de sorrir.
- Bem, os encontros são assim, não são? Um garoto chama uma garota para sair e só eles dois vão a um lugar legal. – ele explicou sorrindo. – E aí? Você topa?
Sim, óbvio que sim. Jade queria perguntar por que ele tinha demorado tanto para chamá-la para sair, mas isso não importava. Ela fez um pouquinho de suspense e Peter já estava com um semblante triste no rosto.
- Olha, desculpa, eu não sei por que pensei que você pudesse querer algo comigo e... – Ele ia se virando quando Jade segurou seu braço.
- Claro que eu aceito sair em um encontro com você, Peter. – sorriu. – É só que eu fiquei surpresa, não achei que você quisesse sair comigo já que você nunca mostrou interesse em mim. – ele ia falar algo, mas Jade logo emendou. – Mas eu aceito sim, sair com você.
- Bem. – sorriu. – Então, eu te pego amanhã às 18h30?
- Não. – ela falou rapidamente. – Que tal nós nos encontrarmos no lugar? – Ela perguntou e Peter estranhou. Será que ela não queria ser vista com ele?
- Não é o que você está pensando. – ela falou. – É que eu tenho ensaio e vai demorar um pouco, então não quero te fazer esperar.
- Ah, tudo bem. – ele balançou as mãos. – Então te espero no Blue Wind Gourmet?
- Claro.
- Combinado então. – eles se despediram ambos com sorrisos nos rostos.

***
- Cara, você não vai acreditar. – Peter falou assim que entrou no carro, assustando Jack que estava quase cochilando.
- Porra, cara, que susto, – Jack exclamou assustado massageando a cabeça depois de ter batido a mesma na janela do carro. – Quer me matar do coração?
- Ainda não. – Falou rindo e Jack socou seu braço.
- Por que está tão feliz?
- Tenho um encontro com a Jade amanhã. – Peter falou sorrindo.
- Por que a Jade? – Jack perguntou.
- Como assim?
- Você é jogador de futebol, um cara legal e pode ter qualquer garota que quiser. – Jack contou nos dedos. – Então, por que a Jade?
- Por que... – Peter parou e o rosto de Jade veio em sua mente. – Toda vez que a vejo sinto vontade de falar com ela, toda vez que vejo ela sorrir quero ser o motivo do sorriso dela e porque desde que a vi eu sou completamente apaixonado por ela.
- Estou me debulhando em lágrimas. – Jack fingiu limpar uma lágrima dos olhos e Peter balançou a cabeça.
- Você vai entender isso quando se apaixonar de verdade.
- Mas eu já sou apaixonado. – Jack falou. – Ou você esqueceu que eu amo a Lindsay, ela é a mulher da minha vida, cara.
- Você não ama a Lindsay, Jack. – Peter olhou para o amigo. – Você é obcecado por ela.
- Pirou? Eu sou apaixonado pela Lindsay sim e nós vamos voltar. – sorriu esperançoso.
- Não esqueça o motivo pelo qual vocês terminaram, Jack. – Peter falou sério. – Ela te traiu, cara.
- Ela não... – Jack parou e pensou por um estante. – Olha, Pete, vamos parar de falar sobre a Lindsay, ok? Eu fico muito feliz por você e pela Jade, se você gosta dela e eu sei que gosta, então vai fundo, mas não se intrometa no meu relacionamento com a Lindsay, você não entende. – Jack jogou a chave do carro para o amigo que a pegou no ar antes que batesse em seu rosto.
- Tem razão cara, eu não entendo e acho que nunca vou entender. – Peter ligou o carro e saíam do estacionamento.

***
- Então quer dizer que o Collins finalmente tomou coragem e te chamou para sair? – Jenny falou orgulhosa e Jade balançou a cabeça. – Eu fico feliz por você, amiga.
- Eu achei um pouco estranho no começo porque ele nunca tomou iniciativa, mas ele foi tão fofo. – Jade sorriu. – Ele estava nervoso.
- O Peter parece ser um cara legal. – Jenny sorriu, mas logo desfez o sorriso. – Bem diferente da gente.
- O que quer dizer com isso?
- O que eu quero dizer é que... – Jenny fez uma pausa. – Enquanto o Peter tomou coragem para te chamar para sair e você resolveu parar de besteira e aceitar, nós estamos armando contra a sua irmã para se vingar de algo que eu nem sei mais se vale a pena.
- Algo que você não sabe se vale a pena? – Jade perguntou ficando irritada. – Ela roubou o Henry de você, te humilhou na festa e...
- Ela não roubou o Henry de mim. – Jenny falou. – Eu que larguei o Henry aqui se você não lembra, eu o magoei e me sinto culpada por isso e quanto a humilhação, eu até já esqueci porque a minha raiva foi uma raiva de momento.
- Raiva de momento? Então você está pulando fora?
- Eu... – Jenny não queria brigar com Jade, mas esse “plano” ainda ia causar problemas, ah se ia. – Eu só não quero me arrepender depois, Jade. – Jenny pegou as mãos da amiga. – Imagina se você e a Anna se resolvem? Você vai esconder isso dela?
- Quem disse que eu e a Anna vamos nos resolver?
- E quem garante que não?
- Eu garanto. – Jade exclamou puxando a mão. – Eu odeio a Anna.
- Tudo bem. – Jenny suspirou. – Eu só não sei se tudo isso é uma boa ideia, Jade, a Anna não me parece ser essa ameaça toda que você fala.
- Ah, não? – Jade perguntou olhando para Jenny. – E quanto todas as coisas que ela te disse no luau ou todos os dias que ela te deixou treinando até cansar? Isso não conta?
- Jade, tudo bem que a Anna não foi a melhor das pessoas comigo, mas isso não significa que eu quero humilha-la, isso não é legal e você pode se arrepender.
- Eu não vou.
- Ok, mas eu não quero mais fazer parte disso.
- Então, você vai abrir mão do Henry?
- O Henry está feliz com a Anna, o que eu posso fazer?
- Se o Jack ficar com a Anna você pode voltar com o Henry numa boa. – Jade falou esperançosa. – Se o Henry pensar que a Anna traiu ele com o Jack ele corre direto para você.
- Mais mentiras?
- E se não for mentira? E se a Anna de fato ficar com o Jack? E se ela se apaixonar por ele?
- Jade, você é impossível. – Jenny suspirou.
- Então, você continua ou vai pular fora? – Jenny pensou.
- Eu continuo. – Jade comemorou. – Mas só para ajudar a Anna a ficar com o Jack e poder me resolver com o Henry.
- Sabia que você ia fazer a escolha certa. – Mas Jenny não tinha tanta certeza. Jade sorriu saindo do estacionamento.

Casa dos Lombarddi – 17:47 PM
Fazia 10 minutos que Marina tinha chegado na casa de Anna para leva-la a uma festa e Anna ainda nem tinha tomado banho.
- Você ainda está de pijama? Não acredito nisso, Aninha. – Mari puxou o edredom que cobria Anna. – Anda levanta daí e se arruma.
- Eu não vou a essa festa, Mari. – Anna continuou deitada. – Eu tinha te avisado, você que não quis me ouvir.
- Eu não quis ouvir? – Marina perguntou se jogando em cima de Anna na cama. – Aninha, anda logo, a gente vai se atrasar.
- Por que você quer tanto que eu vá nessa festa? – Anna perguntou olhando para Mari que estava com a cabeça em cima de sua barriga. – Você nunca foi de gostar muito de festas.
- Mas essa é importante.
- Importante por quê? – Anna perguntou olhando as mensagens em seu celular.
- Porque a festa é pra você. – Mari mentiu levantando da cama.
- Para mim? – Anna desviou o olhar do celular e olhou para a amiga que estava de costas para ela.
- É que as meninas da equipe organizaram uma festa para te homenagear por ser a melhor capitã que elas já tiveram. – Mari mentiu tentando inflar o ego de Anna e viu a mesma rir.
- Você mente muito mal, Mari. – Anna falou chegando perto de Mari. – Mas eu vou nessa festa, não deve ser tão ruim, afinal você nunca me colocou em roubada. – Mari sorriu. – Vou tomar um banho rapidinho enquanto você escolhe uma roupa para mim aí e nós vamos, ok?
Mari balançou a cabeça e foi até o closet de Anna pegando um vestido branco com forro de renda e um sapato de salto preto. Anna ficaria linda e Henry mais apaixonado. Deixou a roupa e o sapato em cima do balcão do banheiro e saiu. Seu celular piscou avisando que tinha chegado mensagem. Era de Henry.
“Já está tudo pronto, quando quiser pode trazer”
“Me dá meia hora, tive que convencer a Anna, mas ela já está se arrumando”
“Certo, meia hora”
Mari sentou na cama mexendo em seu celular quando Anna saiu do banheiro já pronta.
- Então? – Anna olhou para Mari. – Como estou?
- Está linda, amiga. – Mari sorriu. – Vamos? Meu motorista está esperando.
- Certo. – pegou uma bolsinha de mão, pôs o celular, a carteira, as chaves de casa e um batom caso precisasse retoca-lo.

***
- Você não quis passar nem uma sombra nesse olho, Aninha? – Mari falou enquanto se olhava no espelho do carro. – Você está tão branquinha.
- Eu nem queria ir nessa festa, Mari.
- Ai, Aninha, como você é chata. – Anna riu e Marina percebeu que já estavam chegando. – Gregório, pode parar aí em frente.
- Já chegamos? Foi rápido.
- Já chegamos sim. – Mari virou pra Anna. – Mas Aninha, eu preciso que você coloque essa venda.
- O quê? – Anna perguntou assustada. – Não, Mari, para que essa venda? Não é só uma festa boba?
- Não, Aninha. – Mari falou séria. – É importante.
- Não, eu... – Anna ia abrir a porta, mas Mari não deixou.
- Você não confia em mim? – Mari perguntou.
- Eu... – Anna pensou. Se dissesse que não magoaria Mari, e se dissesse que sim não saberia onde estava se metendo. – Eu confio, mas...
- Mas nada, põe logo essa venda e vamos.
- Isso é coisa do Henry, né? – Anna perguntou pegando a venda.
- Talvez, agora vamos.
Elas saíram do carro e Mari levou Anna até o final do píer. Henry fez um sinal de ok para Mari e ela balançou a cabeça.
- Já posso tirar a venda, Mari? – Anna perguntou ansiosa.
- Pode. – Anna tirou a venda dos olhos e piscou algumas vezes para enxergar melhor.
Quando sua visão focou, Anna viu Henry dentro de um iate sorrindo vestindo um terno preto. Deixou seu queixo cair e não falou nada, deixando Marina e Henry aflitos.
- Você não vai falar nada? – Henry perguntou descendo do iate. – Aninha, eu fiz tudo isso pra você, para me desculpar.
- Estou surpresa, só isso.
- Bem, eu já vou, vou deixar vocês se entenderem. – Mari abraçou Anna e entrou em seu carro indo embora.
- Vamos entrar, tem um jantar incrível esperando por nós. – sorriu entrelaçando seus dedos nos de Anna e a levou para dentro do iate.

***
- Então foi você que preparou esse jantar? – Anna perguntava com o tom duvidoso e Henry riu. Era a terceira vez que ela perguntava e ele mentia na cara dura, era óbvio que ele não sabia cozinhar, muito menos fazer comida italiana, mas ela não precisava saber disso.
- Você não acredita nos meus dotes culinários? – Ele perguntou fingindo indignação.
- Não, você não sabe nem cozinhar miojo quanto mais fazer comida italiana.
- Não dá para te enganar né? – Ele riu perguntando sem realmente esperar uma resposta e Anna balançou a cabeça.
- Certo, não fui eu mesmo, eu encomendei, mas é porque eu queria que hoje fosse perfeito e eu não podia arriscar trazer miojo queimado pra você. – ele confessou. – Mas o foco de hoje não é a comida e sim o que eu tenho que te falar. – ele pegou as mãos de Anna. – Aninha, tudo que aconteceu naquele dia do nosso aniversário foi um erro terrível, eu não devia ter levado você para aquele lugar muito menos com aquelas intenções, eu achei que você estivesse pronta pra dar aquele passo no nosso relacionamento, mas te pressionei e acabei te magoando.
- Henry, eu sei que eu estou demorando muito, mas...
- Eu fui um babaca, eu sei, mas eu estou arrependido, me perdoa, por favor? – Perguntou esperançoso mordendo os lábios.
- Não sei não, Henry. – Anna virou as costas para ele. – Eu quero que me explique tudo o que aconteceu. – ela pediu. – Quero saber o porquê de você ter escutado a Kim quando ela deu essa ideia idiota de tentar transar comigo.
- Eu falei besteira. – Henry levantou virando de costas para ela. – Nada disso foi ideia da Kim.
- O quê? Como assim?
- A Kim falou algo sobre fazer uma surpresa sim, mas não foi ela que teve essa ideia.
- E quem foi? – Anna perguntou curiosa.
- Fui eu. – ele falou virando para ela. – Eu confesso que bebi demais, achei que com a bebida ia conseguir me divertir mais e também não pensei direito, fiz no impulso, Aninha.
- Eu briguei com a Kim por causa disso, Henry. – Anna reclamou. – Acusei ela. – Anna balançou a cabeça. – E ela me disse que não sabia do que eu estava falando e eu não acreditei.
- Me desculpa, ok? Eu não queria que você brigasse com ela, eu falei que tinha sido ideia dela por impulso, achei que como ela é a sua melhor amiga você não brigaria com ela.
- Foi exatamente o que eu fiz, oh palhaço. – Anna deu um peteleco na testa de dele. – Não acredito que você mentiu para mim, Henry.
- Aninha, me desculpa. – ele pediu.
- Tá, eu te desculpo. – cedeu, cansada de tantos pedidos de desculpa e ele a abraçou. – Mas você disse que bebeu porque achou que se estivesse bêbado iria se divertir mais?
- Disse, por quê? – ele perguntou sem entender e Anna suspirou.
- Henry, – Anna sentou e pediu que ele se sentasse também – sejamos sinceros, você acha que o nosso namoro está dando certo?
- Acho, claro que...
- De verdade? – Ela perguntou com a sobrancelha arqueada. – Você não se sente preso? Ou sente como se estivesse comigo só por obrigação?
- Por que eu me sentiria preso, Aninha? – Ele perguntou. – Se você me dá toda liberdade possível? Ou me sentiria com você por obrigação? Não faz sentido.
- Porque nós começamos esse relacionamento errado. – ela explicou. – Nós não gostávamos um do outro, você só entrou nessa porque a Jenny te largou e eu porque não tinha sido correspondida quando gostava do Jack.
- Então você quer terminar por causa do Jack?
- É por sua causa. – ela falou levantando da cadeira. – Eu sei que você ficou mexido com a volta da Jenny, Henry, eu não sou idiota. – ela balançou a cabeça enfatizando o seu argumento. – Vocês tiveram um relacionamento antes de mim e você gostava muito dela, eu sei, e também ficou muito magoado quando ela foi embora, tudo bem, é normal, mas se você quiser tentar de novo com ela, essa é a chance. – Anna chegou perto de Henry e pôs as mãos no rosto dele. – Eu gosto de você e quero que você seja feliz. – ele sorriu e ela beijou a testa dele fazendo ele fechar os olhos. – Então estou te dando um tempo, para pensar, ir atrás dela ou sei lá, só... – ela suspirou, estava se desprendendo de uma parte muito importante dos últimos dois anos de sua vida. – Seja feliz.
- Quando foi que você ficou tão madura? – Ele perguntou encantado.
- Eu sempre fui madura, você que nunca percebeu. – ela sorriu.
- O Jack não sabe o que perdeu. – Henry falou e a abraçou.
Anna sorriu triste, mas Henry não percebeu. Queria que Henry buscasse a própria felicidade e sabia que não era com ela que ele a encontraria, mas não significava que não estava feliz por ele, estava, só não estava feliz por ela, pois, mais uma vez, não tinha sido correspondida pelo amor. Henry tinha voltado a ser seu melhor amigo e mesmo que estivesse um pouco triste, sabia que ficaria bem, sempre ficava. Afinal, ela era Anna Lombarddi e nada ia a derrubar. Nem mesmo um coração partido.


Capítulo 10

Casa dos Lombarddi - 07:35 AM
Jade não acreditava até agora que Peter tinha finalmente a chamado para sair. Tinha imaginado aquele momento por tanto tempo que quando chegou a hora quase pulou nos braços dele. Estava em seu closet ainda de pijama escolhendo sua roupa para o encontro de mais tarde. Separou um vestido branco com desenhos pretos na barra, pegou os sapatos e os organizou em cima da cama para quando fosse se arrumar. Sorriu, seria o encontro perfeito. Ouviu batidas na porta e correu para abrir.
- Jade, você ainda está de pijama? – Trude perguntou e Jade balançou a cabeça – Anna saiu cedo como sempre, Luke saiu tem 20 minutos e seu pai e sua tia saíram agora há pouco, se não quiser perder aula é melhor se aprontar bem rápido porque faltam 25 minutos para sua aula começar. Jade estranhou e olhou para o relógio de cabeceira. Eram 07h35? Já?
- Meu Deus, Trude, eu estou muito atrasada – Jade correu até o banheiro – Por que não me avisou?
- E eu lá sabia que a senhorita ia se atrasar? – Trude perguntou enquanto Jade tomava banho e foi até o closet pegar o uniforme dela colocando-o em cima da cama – Vou preparar seu café para viagem, não esqueça de passar na cozinha e pegar viu? – Trude ouviu Jade gritar “certo” do banheiro e saiu, indo preparar o café dela para viagem.

Beverly Hills High School – 07:40 AM
Anna conversava com Marina enquanto tomavam café na cantina. Ela contava para amiga como tinha sido a surpresa que Henry tinha preparado.
- Foi tudo muito esclarecedor – Anna falou misteriosa e Mari bateu em seu braço.
- Explica direito, palhaça.
- Ele comprou um jantar e decorou o iate todo – Anna contou – Nós jantamos, começamos a conversar, ele me pediu desculpas e falou sobre a Kim.
- Ele contou que ela não teve nada a ver com aquela ideia maluca dele? – Mari perguntou.
- Contou. – Anna balançou a cabeça. – Ai, Mari, eu me sinto tão mal por ter acusado ela – suspirou. – Ela deve estar tão furiosa comigo.
- Acho que furiosa não é a palavra. – Mari segurou nas mãos de Anna – Olha, Aninha, a Kim deve estar magoada por você não ter acreditado nela, mas é só questão de tempo para vocês voltarem a ser as melhores amigas de sempre.
- Você acha? – Anna perguntou receosa.
- Acho – Mari bebeu seu café. – Mas me conta, por que você e o Henry não vieram juntos? Achei que como vocês tinham se resolvido na noite passada vocês viriam juntos para o colégio hoje.
- Ah, – Anna bebeu um gole do seu suco – Nós demos um tempo.
- O quê? – Mari perguntou surpresa – Como assim, Aninha? Ele não te pediu desculpas?
- Pediu, mas deixou escapar que só bebeu no dia do nosso aniversário porque achou que iria se divertir mais se estivesse bêbado.
- E o que isso tem a ver? – Marina perguntou confusa – Você sabe que o Henry arranja qualquer desculpa para beber.
- Não é só por isso, Mari. – Anna balançou a cabeça – Eu sei que ele ficou mexido com a volta da Jenny, eu não posso fingir que não percebi.
- Então você acha que ele ainda gosta da Jenny?
- Eu tenho certeza. – Anna suspirou – O Henry não sabe, mas eu vi como ele olhou pra Jenny quando ela apareceu com a Jade no luau, era um olhar de surpresa misturado com saudade. – Mari levantou a sobrancelha – Não me olha com essa cara, Mari, o Henry é muito expressivo, eu não preciso saber de muita coisa para entender o que ele estava pensando.
- Então vocês resolveram dar um tempo por causa do seu dom em ler o rosto “bastante expressivo” do Henry? – Marina fez aspas com os dedos – É sério isso, Aninha?
- Sim. – Anna baixou os olhos, triste – Eu sei que você acha isso bobagem, mas ele não se opôs, acho que ele também queria isso só não sabia como dizer.
- Ele não se opôs? Nem um pouco? – Mari perguntou.
- Ah, ele perguntou por que eu estava pedindo um tempo, mas depois aceitou numa boa. – Anna explicou – Acho que vai ser bom para nós dois, darmos um tempo, focarmos em outra coisa além de ser o casal perfeito, e se ele ver que não vai dar certo com a Jenny podemos tentar de novo, quem sabe.
- Bem, se você já tomou a sua decisão eu não vou opinar. – Anna sorriu – Mas, espero que não se arrependa.
- Não vou, eu quero que o Henry fique bem, com alguém que ele goste de verdade. – Mari balançou a cabeça – Sem falar que ele merece, afinal a Jenny deve ter se arrependido de ter largado ele aqui e voltou para fazer as pazes e eu não quero ficar no caminho e fazer o papel da vilã.
- É, você deve ter razão. – Mari balançou os ombros – Pelo menos ele te contou sobre a Jenny ter ajudado na surpresa de ontem.
- O quê? – Anna não entendeu.
- Foi a Jenny que ajudou o Henry a preparar a surpresa de ontem. – Mari explicou – Na verdade, meio que foi ideia dela, o iate, a comida, você não sabia?
- Não, – Anna balançou a cabeça surpresa – mas agora eu também tenho que me desculpar com ela – Anna mordeu o lábio inferior – Viu? Por isso ela merece uma chance de ter ele de volta – Mari sorriu de lábios fechados e abraçou a amiga.

***
Jade chegou no colégio em um tempo recorde, faltando 10 minutos para a aula começar. A sorte é que hoje não teve engarrafamento senão chegaria atrasada para a primeira aula. Correu até a entrada do colégio e viu Jenny sentada em uma das mesas do pátio mexendo em seu celular.
- Oi, amiga. – Jade se sentou um pouco ofegante pela corrida do estacionamento até o pátio.
- Oi, Jay. – Jenny guardou o celular e olhou para a amiga – Por que demorou?
- Eu acordei cedo, mas fiquei escolhendo uma roupa para o encontro com o Peter hoje e esqueci de me arrumar para o colégio. – Jenny riu – A Trude que me avisou, então me arrumei correndo e vim.
- Tá animada, né? – Jade concordou – Eu sabia que você ainda gostava do Peter.
- Sim, eu gosto – Jade suspirou – Eu pensei e decidi que eu não quero mais esconder isso, então eu vou fazer de tudo para que hoje seja o melhor dia da minha vida e que finalmente eu possa dizer ao Peter o que eu realmente sinto.
- Isso aí amiga, foca no Peter porque ele é um cara legal e gosta de você também – sorriu – Esquece essa raiva que você tem da sua irmã e seja feliz.
- O quê? O plano com a Anna ainda está de pé, bobinha. – Jade falou sarcástica – E você nem ouse sair dele, ok? Se não, não vou mais falar com você.
- Jade... – Jenny resmungou.
- Olha, o Jack não fica nessa insegurança e ele está até se aproximando da Anna e você está quase meio caminho andado e fica aí toda hora enchendo o saco dizendo para eu não ir em frente – Jade falou irritada – Por quê?
- Porque eu sei que vocês vão se arrepender.
- Quem disse?
- Eu digo.
- Eu não vou me arrepender. – Jade falou olhando ao redor – Você está dizendo isso porque acha que a Anna está de boa com você, mas ela não está e você vai perceber isso, que nem no dia do luau. – Jade tocou o ombro da amiga – Se liga, Jenny, a Anna pode fazer algo contra você a qualquer momento, pensa nisso.
- Eu vou manter o meu pensamento até que se prove ao contrário, essa picuinha de vocês duas ainda vai machucar muita gente. – Jenny pegou suas coisas e caminhou até a entrada do colégio, mas esbarrou em alguém que acabou deixando cair café em seu uniforme – Droga!
- Ai, querida, me desculpa, – Angelina falou com sua falsidade habitual – Eu não te vi aí.
- É claro que não me viu. – disse Jenny sarcástica – Eu devo estar invisível, né? Pra você não perceber que vai molhar o meu uniforme com café.
- Bem, como eu disse – Angie disse pausadamente com um sorriso no rosto – Eu não te vi aí, mas, se você não for limpar o uniforme agora, você vai ter que comprar outro porque vai ficar uma mancha horrível.
- Mas é claro que ela sabia disso – Jenny bufou revirando os olhos.
- Viu isso, Jenny? – Jade falou chegando perto da amiga – É carma – riu.
- Ha ha, muito engraçado – Jenny revirou os olhos e foi para o banheiro.

***
- Você fez de propósito, não foi, Angie? – Claire, uma das garotas da torcida que andava com Angelina perguntou enquanto elas entravam na sala.
- Não, foi apenas o acaso que me ajudou – Angie respondeu séria – Mas o que eu vou fazer depois vai ser sim de propósito – sorriu.
- Me conta o que você vai fazer. – Claire disse animada.
- Daqui a pouco você vai saber. – piscou um dos olhos – Agora, anda, me ajude a mandar mensagem para todo mundo convidando para a minha festa daqui a alguns dias.

***
Jenny entrou no vestiário da equipe de Líderes de torcida e pôs sua mochila em cima da bancada prendendo seus cabelos em um coque mal feito.
- Não acredito que aquela idiota fez isso comigo, fala sério – Jenny reclamava com o espelho do vestiário – Agora vou ter que tomar banho e lavar o uniforme – tirou a blusa que tinha grudado em seu corpo por causa do líquido derramado – Talvez eu só precise trocar a blusa – disse olhando para a saia do uniforme, que tinha alguns respingos, mas não dava para perceber por causa da cor do tecido, que era vermelho xadrez.
Jenny resolveu tomar um banho, depois procuraria uma camisa qualquer para substituir a branca social. Pelo menos o Blazer do uniforme iria cobrir a camisa caso não encontrasse outra blusa social. Pegou seu celular colocando “Big Girls Don’t Cry” da Fergie para tocar, entrou em um dos boxes, pendurando suas roupas na porta e ligou o chuveiro. Era uma de uma de suas músicas preferidas. Ah, aquele banho iria demorar.
Jenny estava tão envolvida com a música que não percebeu quando alguém entrou no banheiro e pegou suas roupas, deixando apenas os sapatos e a toalha.

***
- O que você vai fazer com as roupas dela? – Claire perguntou para Angelina enquanto segurava o uniforme de Jenny.
- Onde jogamos as coisas velhas que não prestam mais? – Angelina perguntou levantando a sobrancelha.
- No lixo? – Claire perguntou em dúvida.
- Exatamente, – sorriu – mas é você quem vai jogá-las fora.
- Eu? Por que eu?
- Porque eu estou mandando. – respondeu grossa e empurrou Claire – Vai logo. – ela saiu resmungando.
- Angie! – Anna chamou, assustando Angelina que deu um pulo.
- O-oi, Aninha – Angie gaguejou olhando na direção onde Claire tinha ido e não a viu mais. Será que Anna tinha visto ela? – O que você está fazendo aqui?
- Ué, eu estudo aqui, esqueceu? – Anna brincou e Angie riu nervosa balançando a cabeça – Bem, eu estou procurando a Kim e a Jenny, preciso falar com as duas. – riu – Você viu elas?
- Não, eu... – se a Anna fosse até o vestiário descobriria que tinha armado para Jenny e ia se dar mal – Não vi nenhuma delas – respondeu rapidamente – Elas já devem estar na sala – ela tentou se afastar de Anna, mas a mesma puxou seu braço – Tudo bem, Angie? Você parece meio assustada.
- Eu estou bem – sorriu – Preciso ir para a sala, Aninha – se desculpou e correu para a sala deixando Anna confusa.

Venice High School – 08:35 AM
Depois de muitos avisos sobre Lindsay não ser o que ele pensava, Jack deixou Peter no colégio e resolveu matar o primeiro tempo. Queria muito ver Lindsay, então resolveu fazer uma surpresa indo até o colégio dela. Estacionou o carro em uma rua atrás do colégio e viu o portão do colégio fechado e pegou seu celular ligando para Steve.
- Ei, cara, preciso falar com a Lindsay, me dá uma ajuda aqui – pediu assim que Steve atendeu.
- O que quer que eu faça? – Perguntou do outro lado da linha.
- Pede para ela ir até a quadra, vou esperar por ela lá.
- Beleza. – concordou e desligou o celular. Jack sorriu.

***
Steve olhou pelo corredor e viu Lindsay conversando com Kelly, uma das garotas da equipe de líderes de torcida e foi até elas.
- Lindsay? – Chamou – O Jack está te esperando lá na quadra.
- O que o Malloy está fazendo aqui? – Kelly perguntou para Lindsay – O coitado ainda vive atrás de você? – Ela riu.
- Ele é louco por mim – Lindsay se gabou – e tá me ajudando em uma coisa.
- O quê? – Kelly perguntou e Lindsay olhou para Steve que estava prestando atenção na conversa delas – Depois eu te falo, tem certas pessoas aqui que gostam de cuidar da vida dos outros, né Steve?
- Olha garota, eu só vim aqui para te dar o recado do Jack e como eu já dei, eu vou embora. – ele saiu de perto dela.
- Grosso – ela gritou revirando os olhos.

***
Lindsay foi até a quadra procurar por Jack.
- Jack! – Chamou e logo sentiu alguém puxar seu braço. Era Jack. Ele a segurou pela cintura e a beijou, pegando-a de surpresa.
- Oh, calma aí garotão – Lindsay empurrou Jack pelo peito.
- Eu vim aqui para te ver. – sorriu – Estava com saudades – Ele fez menção de puxa-la, mas Lindsay estendeu o braço, afastando-o.
- Não tão rápido, Malloy. O que você acha? Que pode simplesmente chegar aqui, me beijar e pronto? – Ela cruzou os braços.
- Você disse que ia voltar comigo. – ele reclamou.
- Disse que voltaria se você me ajudasse a vencer a Anna no campeonato e você até hoje não me ajudou. – ela bateu no ombro dele.
- O que quer que eu faça?
- Eu sei lá, Jack. Você disse que já tinha um plano, então se vira.
- Mas que droga, Lindsay.
- Não briga comigo, a culpa é sua se você não conseguiu pensar em um plano para me ajudar, mas eu também não vou fazer a minha parte do acordo só para te satisfazer. Tchau – ela virou as costas para ele e caminhou para fora da quadra.
- Espera! – Ele correu até ela – Eu vou dar um jeito, eu prometo. – Jack acariciou o rosto dela – Eu vou fazer de tudo para ter você de volta.
- Acho bom mesmo. – Ela sorriu – Mas enquanto isso, – chegou perto dele passando os dedos pelo peito dele – sem beijo pra você – disse e saiu da quadra.

Beverly Hills High School – 09:00 AM
Luke caminhava para sua sala enquanto conversava com Jessica pelo celular.
- Não Jess, eu não vou poder passar o Natal com você. – ela perguntou o motivo – Porque todo Natal eu e a minha família viajamos para a Itália para visitar meus avós e o resto da família – ela murmurou um “ah” – Mas quando eu voltar prometo que te levo a uma festa e... – Luke esbarrou em alguém – Olha por onde anda, garota – Luke falou e saiu andando, mas Kim o puxou.
- Era com você mesmo que eu queria falar. – ela sorriu.
- Eu estou ocupado, não tá vendo? – Ele balançou o celular e ela o puxou de sua mão – Você pode falar com a sua namoradinha depois – ela desligou a chamada.
- Você desligou na cara dela? – Luke perguntou perplexo – Tá maluca?
- Não estou maluca, Luke, mas preciso falar com você – ela mordeu os lábios nervosa – Eu não quero continuar nessa picuinha com você, nós terminamos de um jeito bruto, mas será que podemos esquecer aquilo e sermos amigos?
- Então você acredita que eu não te traí? – O celular dele tocou novamente e Kimberly pôde ver a foto e o nome de Jessica piscar no visor.
- Existem provas, Luke, eu vi você na cama com a Norah, por que você insiste em dizer que não?
- Porque é a verdade, Kimberly, eu tinha 14 anos e tinha me declarado pra você, você acha mesmo que eu iria transar com aquela garota e te magoar? – Kimberly não respondeu, o que fez Luke perceber que ela ainda duvidava dele – É por isso que não podemos nem ao menos ser amigos – ele disse magoado – Se você não consegue acreditar em mim eu também não estou disposto a voltar a ser seu amigo – ele pegou o celular da mão dela – Agora me dá licença que eu tenho que explicar a minha namorada que uma doida pegou o meu celular e desligou na cara dela.
- Espera, Luke! – Kim segurou o braço dele.
- Me esquece, garota – ele puxou o braço de volta – Aproveita a fama de facinha que você tem e vai pegar geral – ele olhou para ela com raiva – Não é isso que você faz de melhor? – Luke soube no momento seguinte que tinha a magoado. Kim o olhou com os olhos cheios de lágrimas e se encostou na parede. Ele sentiu um leve aperto no coração, se aproximando dela para pedir desculpas – Kim, eu... – o celular dele tocou novamente distraindo-o e Kim correu, sumindo de vista – Droga! – Falou ouvindo o barulho irritante do toque do celular, respirou fundo e atendeu, voltando a conversar com a namorada, mas com o pensamento em outra pessoa.

***
Anna não sabia mais onde procurar por Kim e por Jennifer. Já estava cansada e perdendo o primeiro tempo só para se acertar com as duas. Talvez não fosse para ser hoje. “Eu sou uma Lombarddi, não desisto tão fácil” Anna pensou. Pararia de procurar elas por algumas horas, ou pelo menos até o intervalo, senão tomaria faltas em todas as aulas do dia. Anna correu até o vestiário e deixou sua bolsa em cima da pia.
- Foi você, não foi? – Jenny perguntou de repente assustando Anna que estava lavando o rosto.
- Jenny? – Anna passou a mão no rosto tirando o excesso de água – Não sabia que estava aí – pegou uma toalha da bolsa e enxugou o rosto – Na verdade, ainda bem que está, porque eu queria falar com você – sorriu.
- Como você é cínica, garota – Jenny falou balançando a cabeça e Anna franziu o cenho sem entender.
- Do que você está falando?
- Você roubou as minhas roupas – acusou Jenny.
- Olha, eu não preciso roubar as roupas de ninguém. – Anna riu pensando que Jennifer estava brincando – Não sei se você percebeu, mas eu tenho umas roupas bem legais – Anna brincou.
- Eu não estou brincando. – Jenny disse séria – Foi você que roubou as minhas roupas, não foi?
- Esera aí, do que você está falando? – Anna desfez o sorriso.
- Foi você que mandou a Angelina derrubar café em mim, não é? Para manchar o meu uniforme de propósito e eu ter que vim no vestiário me trocar, para você poder dar um fim nas minhas roupas e eu ter que faltar nas aulas e ao treino – Jenny falou com raiva.
- Jenny, você tá louca? Eu não fiz nada disso.
- Ah, conta outra. – Jenny revirou os olhos – Você acha que me engana com essa carinha de boa moça? Você vem fazendo o inferno comigo, desde que eu entrei na equipe e desde que eu voltei você vem me rebaixando, me diminuindo, sendo grosseira comigo e eu só queria voltar a ser sua amiga enquanto você fica montando armadilhas para mim? – Anna não sabia o que falar, de fato, tinha sido grosseira com Jenny no começo, mas estava sendo acusada por uma coisa que não tinha feito e nem sabia como se defender – Por que tudo isso? Por ciúmes do Henry? Por achar que ele ainda possa gostar de mim?
- Eu não vim aqui para tripudiar em cima de você e muito menos para ver se o que você diz ser um planinho meu deu certo – Anna respondeu cansada de ser acusada injustamente – A única coisa que eu vim fazer aqui foi te pedir desculpas.
- Pelo quê? Pelo planinho ridículo? – Jenny cruzou os braços.
- Não, vim pedir desculpas pelo modo como vim te tratando todo esse tempo – Anna falou magoada indo até seu armário – E para agradecer por você ter ajudado o Henry a fazer a surpresa do jantar para mim – Anna abriu seu armário do vestiário e pegou um uniforme reserva e entregou para Jenny – Pode ficar com ele. – Jenny pegou o uniforme e Anna caminhou até a porta – E Jenny? – Jenny a olhou – Eu nunca teria feito isso. – Anna pegou a bolsa – Achei que você soubesse.

Aula de Literatura – 09:30 AM
O professor McKinkey tinha passado uma atividade para os alunos e enquanto isso estava lendo um livro qualquer de Charles Dickens. Podia se dizer que ele era um homem muito culto, era educado, porém um pouco metido, era charmoso, porém rigoroso, alguns tinham medo, outros sentiam raiva. Já Peter e Jade não se importavam já que desde que a aula tinha começado estavam trocando mensagens pelo celular.
- Jay – Jenny sussurrou chamando a amiga que estava sentada na sua frente. Jade sorriu boba e continuou digitando no celular – Jade! – Chutou a perna da amiga que exclamou um “ai” um pouco alto chamando a atenção do professor.
- Desculpe professor, foi um bicho que me mordeu – Jade se desculpou e o professor a olhou feio antes de voltar a ler o seu livro.
- O que foi, droga? – Sussurrou para Jenny.
- Você está muito distraída. – Jenny falou – Você e o Peter estão trocando mensagens e o professor está percebendo.
- Foi mal! – Jade se desculpou – É que eu estou muito ansiosa para hoje à noite, sabe? É o meu encontro com o Peter.
- Eu sei amiga, você não parou de falar nisso desde que ele te convidou. – sorriu compreensiva – Só tenta não dar muita bandeira porque o professor tá de olho – Jade assentiu e se virou.
Do outro lado da sala Katrina estava duas cadeiras atrás de Peter e conseguia sentir o “clima” de romance entre ele e Jade. Aquilo estava a irritando. Queria saber o que estava acontecendo entre os dois.
- Aí, Jimmy – chamou o colega que estava sentado do seu lado – Você sabe por que o Peter está tão feliz?
- Ele e a Jade marcaram de sair hoje à noite – o garoto que fazia parte do time explicou – Vão sair em um encontro.
- E você sabe para onde eles vão? – Katrina perguntou como quem não quer nada e Jimmy estranhou – É que a Jade tinha me contado, mas eu acabei esquecendo.
- Ah – ele pensou tentando lembrar o nome do lugar – Eles vão se encontrar em um restaurante. Acho que é o... – Pensou – Blue Wind Gourmet às 18h30.
- Ah é mesmo, como eu pude esquecer – balançou as mãos – Que cabeça a minha, valeu, Jimmy – sorriu e o garoto voltou a fazer a atividade.
Esse encontro não podia acontecer ou Katrina perderia a sua chance com o Peter para sempre e a Jade venceria mais uma vez. E ela não podia vencer. Não de novo.

Aula de História – 10:35 AM
Fazia meia hora que Jack tinha chegado, tinha perdido metade da aula, mas a professora relevou e o deixou entrar. Não conseguia parar de pensar no que Lindsay tinha dito. Precisava ajudá-la a derrotar a Anna, mas como?
- Bom, para os alunos que chegaram atrasados – os pensamentos de Jack foram interrompidos pela professora Hilary que olhou para ele pois ele tinha chegado atrasado – Eu falei sobre um trabalho especial que eu passaria no final da aula – ela levantou e foi para frente da mesa – Então, como estamos dando assuntos variados sobre, guerras, revoluções e conflitos eu pensei em passar uma pesquisa em dupla, onde eu vou escolher os temas e vocês vão ter que recriar a situação.
- Como assim? – Toby, um dos garotos do time de futebol perguntou sem entender – Vamos ter que brigar? Sair na porrada?
- É claro que não, seu ogro – Anna revirou os olhos – A professora está falando em um sentido literal.
- Obrigada, senhorita Lombarddi – Hilary sorriu – Bem, o que eu quis dizer, senhor McLaren – ela olhou para Toby que sorriu sem graça – Que vocês podem recriar a situação usando a imaginação de vocês. Vocês podem criar cenas, histórias, músicas, maquetes, o que quiserem, só não cheguem aqui com apenas uma pesquisa porque não é isso que eu quero. Estou passando esse trabalho porque sei que a maioria de vocês entende muito bem o assunto, mas eu quero tornar a aula mais dinâmica e estimular a criatividade de vocês. Esse trabalho vai valer a metade da nota desse semestre, então caprichem – avisou começando a separar as duplas.
- Toby e Amélia – Hilary viu algo no papel e sorriu – E por último, Anna e Jack – fechou a caderneta e liberou os alunos.
Os alunos arrumaram suas coisas e foram saindo da sala.
- Jack? – Hilary o chamou – Será que podemos conversar? – A professora olhou para mim quando todos saíram da sala - O que está acontecendo, Jack?
- Como assim?
- Você tem estado disperso nas aulas, chegando atrasado e não me entregar as atividades – ela explicou – Você é um dos meus melhores alunos junto com a Anna, aliás foi exatamente por isso que coloquei vocês como dupla, porque eu sei que vocês vão me entregar um trabalho impecável.
- Eu estou bem, a senhora não precisa se preocupar – ele respirou fundo e sentiu o celular vibrar no bolso. Ele pegou o celular.
- Bem, se é assim então pode ir – ela o dispensou e ele saiu da sala olhando o celular. Tinha recebido uma mensagem de Kelly.
“O fato de você não conseguir voltar com a Lindsay, não impede que outros continuem tentando, né? ” – A mensagem veio acompanhada de uma foto de Lindsay sorrindo com um cara que não era bem a pessoa preferida de Jack o que deixou ele possesso.
- Jack! – Anna chamou Jack que se assustou e derrubou o celular – Preciso falar com você sobre o trabalho e...
- Olha o que você fez, garota! – Reclamou e pegou o celular do chão – O que você quer? – Anna ia começar a explicar, mas Jack estava irritado e não queria ouvir – Quer saber? Não explica não, eu não quero falar com você. Me deixa em paz – Jack se afastou.
- Não acredito nisso – Anna gritou sarcástica e Marina chegou perto da amiga – Deve tá escrito “Por favor, grite comigo” na minha testa porque não é possível.
- O que foi amiga? – Mari perguntou.
- O idiota do Jack foi grosso comigo – Mari riu – Por que você tá rindo?
- Porque é engraçado, ué – Mari balançou os ombros – Eu lembro de quando você era caidinha por ele – Mari cutucou a barriga de Anna.
- Para com isso, Mari, já faz tempo e para de rir da minha cara – Anna reclamou e saiu andando.

Corredor – 11:00 AM
Anna parou em frente ao seu armário.
- Quem ele pensa que é para falar assim comigo? – Anna resmungava enquanto guardava seus livros – Ele podia ter sido um pouco mais...
- Mi scusi, potresti aiutarmi? È solo che sono nuovo qui. (Com licença. Você poderia me ajudar? É que eu sou novo aqui) – um garoto interrompeu chegando perto de Anna, falando em italiano e ela fechou a porta do armário se virando para ele.
- Si, di cosa hai bisogno? (Sim, do que você precisa?) – Anna respondeu educadamente respirando fundo, esquecendo a grosseria de Jack por um segundo.
- È che il preside mi ha mandato a cercare il presidente della gilda studentesca per consegnare il modulo di registrazione, mostrare la scuola e parlare del sistema scolastico e tu eri l'unica persona che non mi lasciava parlare da solo. (É que a diretora me mandou procurar a presidente do grêmio estudantil para entregar a ficha de matrícula, mostrar o colégio e falar sobre o sistema da escola e você foi a única pessoa que não me deixou falando sozinho) – ele sorriu sem jeito e Anna notou o quanto o garoto era bonito. E o sorriso? Ah, que sorriso.
- Farai meglio ad abituarti, i ragazzi sono piuttosto scortesi da queste parti. (É melhor ir se acostumando, a galera é meio mal-educada por aqui) – Anna explicou e continuou - Parli inglese? È perché il nostro presidente non parla italiano e tu sei venuto in una scuola negli Stati Uniti poi… (Você fala inglês? É porque a nossa presidente não fala italiano e você veio para uma escola nos Estados Unidos, então meio que...) – ele riu balançando a cabeça.
- Falo sim, é que a conversa estava tão boa que eu acabei me esquecendo. – Anna riu – Ei! Você fala muito bem o italiano para uma americana, sabia? Tem até sotaque – ele falou pensativo – Você deve ter estudado por muito tempo, né? Afinal italiano não é bem uma língua muito fácil.
- Há, te peguei – Anna balançou os dedos – Eu não sou americana, sou italiana, nasci em Verona e me mudei para cá há alguns anos com a minha família, mas desde pequena os meus pais sempre quiseram que eu e meus irmãos aprendêssemos o máximo de idiomas que pudermos então aprendemos inglês e francês, além de já saber o italiano que é a nossa língua-mãe.
- Que legal! – eles sorriram e Anna percebeu Marina vindo em sua direção.
- Amiga eu preciso falar com você, é sobre o idiota do Zack – Marina parou do lado do garoto e cruzou os braços.
- Eu estava indo falar com você – Anna puxou ela para o seu lado – Bem, esse é o... – Anna se deu conta que não sabia o nome do garoto – Como é o seu nome?
- Putz, conversamos tanto que não nos apresentamos, eu sou o Matteo – ele sorriu – Matteo Bellini, muito prazer – ele estendeu a mão e Anna a apertou.
- Eu sou a Anna Lombarddi e essa é a minha amiga e presidente do grêmio, Marina Evans – Ele pegou a mão de Mari beijando-a e ela sorriu encantada com o cavalheirismo do garoto – Ele estava procurando a presidente para entregar a ficha e mostrar o colégio para ele, Mari.
- Ah, certo, podemos ir até a sala do grêmio e eu te mostro tudo – Matteo concordou e se despediu de Anna.
- Foi um prazer te conhecer, Anna.
- Igualmente, Matteo – sorriu e acenou para Matteo – A Mari se deu bem – riu sozinha lembrando o quanto Matteo parecia encantado com Marina.


Capítulo 11

Campo de Treinamento do Beverly Hills High School – 10:43 AM
- Então, esse é o último lugar do colégio, o campo de treinamento – Mari sentou na arquibancada – Nesse campo treinam duas equipes, a equipe de futebol e a equipe de líderes de torcida, duas equipes muito importantes para o colégio já que são as duas extracurriculares que mais trazem prestígio para a escola – Matteo sentou ao seu lado – E aí? Gostou?
- Sim, o colégio é bem bonito – ele sorriu – Bem diferente do meu.
- Diferente como? – Ela perguntou confusa – Você não gostava do seu colégio antigo?
- Não, eu não tinha nada contra as pessoas do outro colégio, elas que pareciam ter algo contra mim – ele explicou – Eu não era bem o aluno popular, sabe?
- Entendo – Mari respondeu compreensiva – Mas não vamos falar sobre assuntos que nos incomodam, falaremos de você – Mari se virou para ele – Você é de onde?
- Eu vim da Itália, cheguei tem alguns dias.
- Que legal, a família da Aninha também é italiana.
- Ela me contou enquanto conversávamos, quer dizer, depois de pararmos de falar em italiano – riu.
- Pera aí, vocês estavam conversando em italiano? – Mari falou surpresa.
- Por que a surpresa? Vocês não são amigas? Achei que já tivesse visto ela falando em italiano – Matteo estranhou a surpresa da garota.
- Eu já ouvi sim, mas a Anna não fala em italiano há muito tempo.
- Tipo, quanto tempo? – Curioso, ele perguntou.
- Dois anos – ela respondeu.
- Mas por quê? Ela fala tão bem.
- A Aninha costumava falar em italiano sempre que chegava em casa, com os pais e os irmãos, mas depois do que aconteceu, ela e os irmãos se distanciaram e ela parou de vez de falar italiano.
- O que aconteceu?
- A mãe dela, Olivia, faleceu tem dois anos, em uma explosão horrorosa que aconteceu na loja dela na Rodeo Drive – Mari ficou triste explicando a história – E depois disso, ela e a família se distanciaram.
- Que triste, mas ela está bem agora, não é?
- Sim, a Aninha é forte – Mari se levantou – Vamos parar de falar disso? É um assunto triste e não diz respeito a mim, então melhor mudarmos de assunto.
- Tudo bem – ele também se levantou – Eu tenho uma dúvida, como eu cheguei agora, eu posso me inscrever em alguma extracurricular?
- Deve, mas você pode escolher com calma e depois me fala que eu falo com os responsáveis por cada extracurricular – Mari pegou um papel da bolsa e entregou para Matteo – Olha, aqui nesse papel tem a relação de todas as extracurriculares que tem aqui no colégio – Matteo pegou o papel e começou a ler.

Relações de extracurriculares do Beverly Hills High School
Esportes
: futebol, ginastica, natação.
Artes: teatro, música, pintura, artesanato e fotografia.
Governança/Liderança: grêmio, comissões escolares, conselhos estudantis.
Mídia: jornal ou rádio da escola.
Línguas estrangeiras: espanhol, francês, chinês, alemão, italiano, árabe, japonês e latim.

- Certo, eu vou escolher com calma e amanhã mesmo eu te falo, ok? – Ele guardou o papel na mochila.
- Ok – Mari balançou a cabeça e se lembrou de algo – Ei! Uma nova pizzaria inaugurou na avenida sunset boulevard tem alguns dias e se chama Bellini’s, é uma coincidência ou você conhece os donos?
- Bem, eu conheço os donos – riu – São meus pais, viemos para cá exatamente para expandir o negócio da família.
- Que legal – sorriu – Bom, eu tenho que ir, tenho coisas para resolver – ela se despediu de Matteo – Foi um prazer te conhecer, até mais.
Matteo ficou olhando Marina ir embora e sorriu. Nenhuma garota tinha sido tão gentil com ele quanto Marina tinha sido desde que começou a mostrar o colégio para ele. Anna também tinha sido gentil, mas a Marina tinha algo especial, diferente. As coisas nunca tinham fluído tão bem com uma garota como hoje, com ela. E ninguém fez nenhuma piadinha com ele ou o ameaçou. Tinha começado bem e esperava que continuasse assim. Não queria mais ser o garoto que sofria bullying. Essa era a hora das coisas mudarem. Ou piorarem... quem sabe?

Corredor – 11:15 AM
Jack andava pelos corredores do colégio procurando por Anna. Queria se desculpar por ter sido grosseiro com ela, o celular só tinha caído no chão, não era motivo para ele ter sido grosso com a garota que estava tentando enganar, como que ela confiaria nele se continuasse assim?
- Ei! Barone, você viu a Lombarddi? – Jack perguntou para a primeira pessoa que encontrou, que por acaso era um dos editores do jornal do colégio e maior fã da garota veneno. Ou seja, o maior fofoqueiro da escola. Frank Barone.
Ah, vocês não conhecem a garota veneno? Pois então eu farei as apresentações. A garota veneno é uma página do Instagram onde são contadas as fofocas dos alunos do colégio Beverly Hills. A garota veneno era uma coluna de fofocas do jornal do colégio, mas migrou para o Instagram quando vídeos de momentos constrangedores dos alunos começaram a encher o email dos editores do jornal a pedido dela. Ninguém sabe de quem se trata. Nem se é “ela” ou “ele”. Quem seguia recebia as notificações e até quem não seguia recebia também, já que os outros alunos repostavam as fofocas e acabava chegando aos ouvidos dos outros. Porém, os únicos no colégio que não usavam Instagram eram Luke, Jade e Anna pois eles desativaram suas contas. O motivo? Foi com a notícia bombástica da morte de Olivia e a explosão na Grivolly escrita de uma maneira totalmente distorcida que a página ganhou ascensão e desde então não parou de postar fofocas sobre os alunos.
- Qual dos três? – Frank perguntou sarcástico.
- Anna – Jack respondeu revirando os olhos sem paciência.
- Não sei onde ela está agora, mas alguns minutos atrás eu vi ela conversando com um boy bem gato perto dos armários.
- Quem? – Jack perguntou sem entender.
- Um novato, parece – Frank se afastou de Jack, mas depois virou olhando-o novamente – Estavam cheios de sorrisos um para o outro, quem sabe não rola um novo romance? Agora que a Anna e o Henry estão em crise? – Sorriu maldoso e percebeu a confusão do rosto de Jack.
Jack não sabia disso. Anna e Henry estavam em crise? Por quê?
- Espera, você não sabia? – Frank perguntou indignado – Como você pode viver sem saber das fofocas dos outros?
- Eu não sigo essa página idiota – respondeu e quando Frank fez menção de falar ele falou por cima – Diferente de você, Barone, eu não sou obcecado em cuidar da vida dos outros, eu tenho vida própria, não preciso ficar na sombra de ninguém.
- Seu boçal ridículo, eu vou… – Frank respondeu irritado.
- Ah, cala boca e vê se não enche – Jack falou e voltou a procurar por Anna. Não sem antes abrir o Instagram e fuçar a última postagem da garota veneno de hoje de manhã.

Bomba! E das boas. (A capa da notícia era uma foto de Anna saindo do iate com um rosto um pouco triste e outra foto de Anna e Henry se abraçando como se estivessem se despedindo)
Será que o casal queridinho do BHHS está em crise?
Anna e Henry não chegaram ao colégio juntos hoje. O que significa que rolou algo inesperado no jantar de comemoração do aniversário de namoro deles ontem à noite, o que será que pode ter acontecido?
Anna e Henry namoram desde novembro de 2008. Um mês depois da Jennifer ter abandonado Henry e sumido do mapa e depois da Olivia Lombarddi, mãe da Anna, ter morrido em uma explosão bem suspeita da sua loja, Grivolly.
Casal sensação do colégio, rei e rainha do baile, capitão do time e capitã das líderes de torcida. Esses são os nomes usados pelas minhas fontes para descrever, Anna Lombarddi e Henry Scott, mas será que era tudo verdade? Ou era tudo marketing para parecerem o casal perfeito? Bom, só saberemos as respostas se continuarmos acompanhando essa saga. Então fiquem ligadinhos que em breve estaremos cheios de notícias fresquinhas sobre o casal.
Vale lembrar que a ex-namorada do Henry, Jennifer Colt, voltou para o colégio esse ano e afrontou Anna em seu território, a equipe de líderes de torcida, fazendo o teste e passando. Mas o que seria de Beverly Hills sem uma afronta? Nada, né mores. Mas será que o motivo desse possível término seria a volta da ex de Henry ou será que Anna já tem um boy novo à vista?
Anna saiu do iate sozinha e o Henry ficou lá depois de darem um abraço bem suspeito, como se fosse uma despedida. Vocês não acham isso estranho? Bom, eu acho.
Infelizmente não temos mais notícias sobre o possível término do nosso casal sensação, então quando o banco de fofocas atualizar, voltaremos com mais notícias bombásticas.

Desde o dia que Anna passou mal na casa da Emma, Jack tinha ficado com uma pulga atrás da orelha, será que ela tinha passado mal por alguma briga com o Henry? Ou Anna estava doente? Não sabia, mas teria que descobrir. Jack caminhou até outro corredor e por sorte viu Anna em seu armário.
- Anna! – Chamou e Anna o olhou.
- O que você quer, garoto? – Perguntou grossa – Não está vendo que eu estou ocupada?
- Não precisa ser grossa, ok? Eu só vim me des... – ele reclamou e ela parou o que estava fazendo.
- Não preciso ser grossa? E quanto a você? Pode ser grosseiro e acha que todo mundo tem que te receber com abraços e sorrisos? As coisas não funcionam assim, Malloy.
- Eu sei que não funcionam assim, tá legal? – Ele respondeu irritado – Eu só vim me desculpar pelo modo como eu te tratei depois da aula – ela o olhou desconfiada – Que foi?
- Você veio se desculpar? – Anna perguntou levantando uma das sobrancelhas.
- Sim, eu fui um babaca – ele suspirou – Não devia ter gritado com você, eu estava estressado e acabei descontando em você – ela ia falar algo, mas ele emendou – Eu sei, não justifica o fato de ter te tratado mal – ela fechou o armário e prestou atenção nele – É que às vezes eu fico irritado e sou estúpido com pessoas que não tem nada a ver – ele riu sem graça e coçou a nuca – Você me desculpa?
Anna lembrou de quando eram amigos, sempre que ele se desculpava ele sorria sem graça e coçava a nuca, quando ele estava envergonhado também e Anna achava aquilo fofo além de Jack ter um sorriso lindo. Ela sempre se derretia quando ele sorria para ela. Por que estava pensando nisso? Balançou a cabeça afastando o sorriso lindo de Jack de seus pensamentos.
- Tudo bem, está desculpado – ele comemorou – Mas não faz mais isso, ok?
- Ok – ele sorriu e Anna pegou sua bolsa de ginástica, indo embora – Espera! – Ele segurou a mão dela – E o trabalho? Como fica?
- Podemos nos encontrar mais tarde na minha casa, já que nenhum de nós tem treino hoje – ela sugeriu – 15h está bom?
- Está ótimo – Anna se despediu de Jack e ele ficou parado no corredor vendo ela ir embora e sentindo a mão direita formigar. A mesma mão que tocou na mão de Anna. Que estranho, era a segunda vez que sua mão formigava quando encostava na dela. Balançou a mão para parar o formigamento e correu até a sala onde teria a próxima aula.

Upper Crust Pizzeria – 12:20 PM
Anna parou o carro no estacionamento do restaurante e jogou a mochila no banco de trás depois de pegar a carteira e entrou no local. Iria almoçar em uma pizzaria que Marina a indicou. Tinha deixado a dieta de lado por uns dias enquanto o intercolegial não começava e estava se sentindo muito bem. Há quanto tempo não sentia o gosto de comidas deliciosas como: massas, carnes, doces? Ela nem sabia dizer, mas o que de fato importava era que iria apreciar uma boa refeição. Anna fez seu pedido no caixa sorrindo para a atendente e sentou na mesa esperando seu pedido ansiosamente.

Beverly Hills High School
Jennifer e Jade tinham acabado de chegar do almoço e Jade parou em seu armário para guardar uns livros já que não teria mais aulas à tarde e nem teatro.
- Eu não conhecia esse restaurante, Jay – Jenny disse se encostando no armário – É muito bom.
- Né? – Jade concordou – Ele é novo, os donos são espanhóis e fazem comidas típicas de lá.
- Incrível, precisamos ir lá mais vezes e levar o Jack e o Peter – Jade sorriu quando ouviu o nome de Peter – E esse sorriso bobo? É pelo encontro de hoje à noite é?
- Sim – Jade mordeu o lábio – Ai, Jenny, eu estou tão animada, sei lá, é um sentimento tão gostoso.
- O que você está sentindo? – Jenny estava contente por Jade ter esquecido por um momento do plano contra a irmã.
- Eu sinto um frio na barriga, uma ansiedade que chegue logo a noite, sinto vontade de sorrir toda vez que ouço o nome dele.
- Awwn, você está muito apaixonada – Jenny zoou a amiga que riu – Amiga, esse seu encontro vai ser incrível.
- Também acho – sorriu – Ei, você quer carona? Já acabei de arrumar minhas coisas e já vou embora, posso te levar em casa.
- Não precisa, ainda vou passar no vestiário para guardar meu uniforme e passar na diretoria para atualizar a minha ficha do colégio, eu pego um táxi.
- Ok então, beijo – Jade mandou um beijo no ar para Jenny
- Bom encontro – desejou Jenny e Jade sorriu, indo embora.

Vestiário
Jenny entrou no vestiário e foi em direção ao seu armário, guardando lá o uniforme que Anna tinha te dado quando ouviu algumas vozes se aproximando. Jennifer se escondeu dentro de um dos boxes.
Angelina e Claire entraram no vestiário
- Não acredito que seu plano deu certo – Claire disse pegando o batom na bolsa – Aliás, eu nem sei para que serviu esse seu plano.
- Eu juro que não sei como eu ainda consigo ser sua amiga, Claire, às vezes você é tão burrinha – Angelina debochou da amiga que não ligou para a ofensa e continuou passando o batom – Eu fiz isso porque a Jenny estava se achando demais, quem ela pensa que é para simplesmente voltar de uma viagem de não sei onde e querer entrar para o meu time e ainda conseguir vaga na equipe principal? Ela devia ter ficado na reserva, eu demorei meses para entrar para a equipe principal.
- Ah, então você está com inveja dela – Claire concluiu e Angelina se irritou.
- Eu não estou com inveja de ninguém, muito menos daquela sem sal da Jennifer – explicou irritada – Bem, pelo menos o meu plano deu certo, joguei café de propósito no uniforme dela para ela ter que ir no banheiro trocar e você poder dar fim no uniforme, agora ela vai ter que gastar dinheiro comprando outro.
- Então você fez isso para ela ficar sem uniforme? Mas ela pode comprar outro e nem foi o uniforme do time, se fosse a Anna ia ficar possessa.
- Eu fiz isso para essa garota saber com quem ela mexeu – falou e olhou para Claire – E para de passar esse batom. Vamos logo senão vamos perder a sessão do filme.
- Ai, tá bom amiga, é porque eu quero ficar bonita para o... – Jenny não conseguiu ouvir, mais nada já que Angelina e Claire saíram do vestiário, mas o que ela tinha ouvido era suficiente.
- Eu sabia que a Angelina tinha manchado meu uniforme de propósito – Jenny disse com raiva – Só não imaginava que tinha sido ela que tinha dado fim no meu uniforme também e acabei acusando a Anna. Que droga.
Jenny precisava achar Anna e pedir desculpas por tê-la acusado e contar que Angelina não era tão honesta quanto Anna achava. Mas Jenny tinha quase certeza de que Anna sabia do caráter de Angelina, só não sabia por que ainda era amiga dela.

***
Anna caminhava pelos corredores com um sorriso no rosto, parecia uma criança que tinha acabado de tomar um sorvete delicioso. Bem, não tinha tomado um sorvete, mas tinha comido uma pizza maravilhosa e fazia tempo que não comia uma. Marina que estava no corredor percebeu que a amiga estava diferente e foi falar com ela.
- Aninha, você está legal? – Mari perguntou olhando Anna de perto.
- Estou, por quê? – Anna perguntou sorrindo.
- Porque você está sorrindo mais que o normal – Mari falou com a testa enrugada – Está parecendo o coringa – Anna explodiu em risadas e Marina acabou rindo também.
- Você é muito engraçada, Mari – sorriu limpando uma lágrima dos olhos – Eu estou feliz porque eu comi uma pizza maravilhosa, você sabe que eu nunca mais comi uma pizza? Ou melhor, tem um tempo que eu não como carboidratos e essa foi a melhor experiência da minha vida.
- Tá bom, Aninha – Mari riu – Parece que você se libertou.
- É bem isso mesmo, que a treinadora não me ouça, mas eu me libertei da dieta.
- Ah sim, que bom pra você amiga, fico feliz por isso – sorriu – Bem, eu vou buscar meus pais no aeroporto agora, eles devem estar chegando daqui uma hora.
- Ei, a Kim não vai com você? – Anna perguntou confusa – Ela sempre quer receber os pais quando voltam de viagem.
- Eu não consegui encontrar ela, mandei mensagem, procurei e nada, acho que ela não quer ir.
- Ok, se eu ver ela eu te aviso.
- Ok, amiga, valeu, beijo – Mari acenou e foi embora.
- Ei, Anna! – Anna se virou e viu Jenny correr em sua direção – Preciso falar com você.
- Mas eu não tenho nada para falar com você, licença – Anna ia saindo, mas Jenny segurou seu braço.
- Espera, por favor, vamos conversar, sim? Quero me desculpar pelo que disse mais cedo.
- Estou ouvindo – Anna cruzou os braços levantando uma sobrancelha esperando Jenny continuar.
- Eu não devia ter te acusado de ter roubado meu uniforme hoje mais cedo – confessou – Estou arrependida e sei que você não faria uma coisa dessas.
- Olha, Jenny, eu até faria – disse – Se eu não tivesse coisas mais importantes para fazer, mas eu tenho uma equipe para liderar, tenho matérias para estudar e ainda de quebra tenho uma irmã que me odeia, então me desculpe por não ter dedicado minutos da minha vida para roubar o seu uniforme e sumir com ele – Anna falou sarcástica.
- Certo, certo – Jenny levantou as mãos como se pedisse trégua – Eu sei que errei, ok? Eu vim te pedir desculpas porque não é certo acusar as pessoas sem provas.
- Não, você veio pedir desculpas porque você descobriu que quem sumiu com o seu uniforme não foi eu – Anna afirmou e Jenny mordeu o lábio inferior – Quem foi?
Como que ela soube disso sem Jenny ter falado nada? Era o que Jeniffer se perguntava, mas Anna interrompeu seus pensamentos estalando os dedos na frente de seu rosto.
- Oh, estou falando com você – Anna chamou – Quem foi?
- Foi a Angelina, quer dizer, a ideia foi da Angelina que mandou a Claire jogar meu uniforme fora. Eu ouvi elas conversando sobre isso no vestiário.
Anna se lembrou da conversa que teve mais cedo com Angelina e ela estava bem estranha.
*FLASHBACK– horas mais cedo*
- Angie! – Anna chamou assustando Angelina que deu um pulo.
- O-oi, Aninha – Angie gaguejou olhando na direção onde Claire tinha ido e não a viu mais. Será que Anna tinha visto ela? – O que você está fazendo aqui?
- Ué, eu estudo aqui, esqueceu? – Anna brincou e Angie riu nervosa balançando a cabeça – Bem, eu estou procurando a Kim e a Jenny, preciso falar com as duas – riu – Você viu elas?
- Não eu... – se a Anna fosse até o vestiário descobriria que tinha armado para Jenny e ia se dar mal – Não vi nenhuma delas – respondeu rapidamente – Elas já devem estar na sala – ela tentou se afastar de Anna, mas a mesma puxou seu braço – Tudo bem, Angie? Você parece meio assustada.
- Eu estou bem – sorriu – Preciso ir para a sala, Aninha – se desculpou e correu para a sala deixando Anna confusa.
*FLASHBACK OFF*
Anna iria tirar essa história a limpo, mas agora precisava encontrar Kim.
- Bem, eu vou resolver isso, não se preocupe – Jenny balançou a cabeça – Agora eu preciso ir – Anna ia saindo, mas se lembrou de algo – Aí, você viu a Kim por aí?
- Não, aconteceu alguma coisa? – Jenny perguntou querendo ajudar.
- Não sei, mas eu vou descobrir – Anna disse e fez menção de correr, mas Jenny a chamou – Estamos bem, certo?
- Conversaremos melhor sobre isso depois – Jenny concordou e Anna voltou a procurar por Kim.

***
Logo depois de conversar com Jenny e esclarecer algumas coisas Anna esbarrou em Zack sem querer. A menina revirou os olhos cansada e tornou a apressar o passo atrás da amiga, mas Zack segurou seu braço com certa força.
- Aí, você viu a Marina?
- Quer fazer o favor de largar o meu braço? – Ele largou o braço dela – A Marina foi até o aeroporto buscar os pais que estão voltando de viagem hoje, aliás, você devia saber disso já que é o namorado dela, mas eu não te culpo, todos sabem que você é um idiota que não presta atenção em nada, nem na própria namorada – Anna provocou e Zack revirou os olhos – Agora se me der licença, tenho coisas mais importante para fazer.
Anna sumiu da vista de Zack que cerrou os punhos com raiva.

Vestiário
Anna empurrou a porta do vestiário com certa preguiça e deixou sua bolsa em cima da pia. Estava cansada de procurar por Kim, parecia que ela não estava em lugar nenhum. Tinha ligado para Marina alguns minutos atrás e perguntado se Kim tinha aparecido no aeroporto, mas ela disse que não. Também não estendeu muito o assunto para Mari não se preocupar. Suspirou e ligou a torneira para molhar o rosto, mas ouviu um barulho estranho, parecia alguém fungando e… vomitando.
- Ei! – chamou – Quem está aí? – Anna esperou uma resposta, mas não ouviu nada – Está precisando de ajuda? – Anna se aproximou de uma das cabines para poder ouvir e conversar com a pessoa do outro lado.
- Aninha? – A pessoa chamou do outro lado. Anna conheceu a voz.
- Kim? – Anna chamou preocupada – Abre a porta!
Kim abriu a porta e Anna se assustou. Kim estava sentada do lado do vaso, com o rosto pálido e lágrimas nos olhos. O uniforme amassado e a camisa um pouco suja de vômito.
- O que aconteceu? Te procurei pelo colégio todo e... – Anna nem conseguiu terminar a frase porque Kim voltou a chorar. Anna entrou na cabine e apertou a descarga colocando os braços de Kim em volta de seu pescoço a levantando – Vem! Vamos sentar aqui – Anna abaixou a tampa do vaso e colocou Kim sentada – Espera, eu tenho uma garrafa de água e um comprimido para enjoo na minha bolsa – ela correu até a bolsa e pegou a garrafa e o remédio – Toma, vai te fazer se sentir melhor – entregou o remédio e a água a Kim e a mesma tomou.
Kim estava com a cabeça baixa, poderia ser vergonha ou raiva, Anna não sabia dizer.
- Kimmy? Por que você estava aqui sozinha no vestiário chorando e… – Anna fez uma pausa – Vomitando? O que houve?
- E desde quando você se importa? Não foi você mesma que disse que estava no lucro por não estar mais falando comigo? Que a nossa amizade tinha acabado? E que éramos apenas companheiras de equipe? O que fez você mudar de ideia? – Kim disse magoada e Anna suspirou, estava mesmo muito arrependida de ter dito tudo isso para sua melhor amiga.
- Eu me arrependi de ter dito tudo isso a você – Anna explicou – Eu me arrependi de ter te acusado, eu estava irritada, acabei entendendo tudo errado e briguei com você, me desculpa – Anna pediu.
- Tudo bem, eu também tenho que me desculpar, disse coisas horríveis pra você no dia da reunião – Kim encostou a cabeça na parede e fechou os olhos – A tia Olivia nunca teria vergonha de você, sabe por quê? Porque ela tem orgulho de você ser quem é e de tudo que você conseguiu – Anna sorriu – E sobre eu ter dado ideia para o Henry te embebedar e transar com você eu não fiz...
- Eu sei que são mentiras, na verdade a situação ficou fora do contexto e eu besta, entendi tudo errado e te acusei – Anna pegou as mãos de Kim – Me perdoa, Kimmy? Eu sinto muito a sua falta, amiga.
- Também senti sua falta, capitã – Kim abraçou Anna e ambas sorriram.
- Bom, agora que estamos bem você quer me contar o que aconteceu? – Anna perguntou e Kim mordeu os lábios – Tudo bem então, primeiro, você tem que tomar um banho e escovar os dentes porque você está fedendo álcool e a vômito, eca! – Anna fez uma cara de nojo engraçada e Kim riu – Eu vou pegar uma toalha e uma roupa comum para você, ok? – Kim assentiu – Enquanto isso vai tomando banho.

Estacionamento do Beverly Hills High School
Matteo entrou no carro do pai assim que o mesmo chegou para buscá-lo.
- Onde é que você se meteu, garoto? Fiquei te esperando há um tempão – O pai de Matteo reclamou assim que ele entrou no carro sentando no banco de trás.
- Atrasei só 10 minutos, pai – Matteo revirou os olhos – E eu só saí cedo porque ainda não tenho extracurricular, quando eu decidir o que vou fazer, vou ficar até mais tarde.
- Ótimo, pelo menos não vou ter que perder tempo para vim buscar você no colégio – o mais velho respondeu mal-humorado.
- E aí, maninho, como foi seu primeiro dia? Zoaram muito contigo? – A garota no banco do passageiro perguntou sarcástica.
- Por incrível que pareça o meu dia foi ótimo e tenho a leve impressão de que foi porque você não estava lá para me encher o saco.
- Bom, então se prepara porque na semana que vem eu vou fazer a minha chegada triunfal no Beverly Hills High School, todos vão me adorar, eu vou fazer teste para líder de torcida, ser a mais popular do colégio e capitã do time ainda – a menina disse cheia de si.
- Me poupe, Lucy – Matteo queria contar a Lucy que o colégio já tinha uma garota mais popular, mas ela descobriria sozinha.
- E ah, nem pense em dizer que me conhece, ok? Não quero que as pessoas pensem que por eu ser sua irmã, eu sou uma perdedora como você, então trate de passar bem longe de mim no colégio – Lucy intimou sonhando alto e com a voz enjoada de sempre. Matteo revirou os olhos. Apesar de gostar da irmã, ela era um pé no saco e sempre que podia fazia da sua vida um inferno já que era a preferida dos pais.

***
- Você está com o rosto mais coradinho, mas vamos no médico mesmo assim e ver se está tudo bem com você, ok amiga? – Anna caminhava até seu carro com Kim ao seu encalço.
- Mas eu não quero ir no médico, Aninha – Kim resmungou e Anna revirou os olhos.
- Kim, você estava vomitando – Anna destravou as portas do carro.
- Eu estava vomitando porque estou bebendo há dias – Kim interrompeu Anna – Desde que nós brigamos eu tenho passado um pouco do limite com a bebida.
- Entra no carro – Anna pediu – Não quero que as pessoas ouçam a nossa conversa – Kim concordou – Agora me conta direito isso.
- Eu tenho faltado alguns treinos para beber – Kim começou – Às vezes eu vinha para os treinos, mas depois que saía eu ia para o bar do clube e bebia algumas doses, tudo isso depois da nossa briga – Anna ia começar a falar, mas Kim emendou – Eu não estou te culpando – fez uma pausa – Eu até tinha parado de beber alguns dias atrás, mas hoje eu resolvi falar com o Luke, tentar me resolver com ele, sermos pelo menos amigos, sabe? – Anna balançou a cabeça – Mas ele foi super grosso comigo.
- O que o Luke te disse exatamente? – Anna perguntou.
*FLASHBACK – algumas horas atrás*
Luke esbarrou em alguém – Olha por onde anda, garota – Luke falou e saiu andando, mas Kim o puxou.
- Era com você mesmo que eu queria falar – ela sorriu.
- Eu estou ocupado, não tá vendo? – Ele balançou o celular e ela o puxou de sua mão – Você pode falar com a sua namoradinha depois – ela desligou a chamada.
- Você desligou na cara dela? – Luke perguntou perplexo – Tá maluca?
- Não estou maluca, Luke, mas preciso falar com você – ela mordeu os lábios nervosa – Eu não quero continuar nessa picuinha com você, nós terminamos de um jeito bruto, mas será que podemos esquecer aquilo e sermos amigos?
- Então você acredita que eu não te traí? – O celular dele tocou novamente e Kimberly pôde ver a foto e o nome de Jessica piscar no visor.
- Existem provas, Luke, eu vi você na cama com a Norah, por que você insiste em dizer que não?
- Porque é a verdade, Kimberly, eu tinha 14 anos e tinha me declarado pra você, você acha mesmo que eu iria transar com aquela garota e te magoar? – Kimberly não respondeu, o que fez Luke perceber que ela ainda duvidava dele – É por isso que não podemos nem ao menos ser amigos – ele disse magoado – Se você não consegue acreditar em mim, eu também não estou disposto a voltar a ser seu amigo – ele pegou o celular da mão dela – Agora me dá licença que eu tenho que explicar a minha namorada que uma doida pegou o meu celular e desligou na cara dela.
- Espera, Luke! – Kim segurou o braço dele.
- Me esquece, garota – ele puxou o braço de volta – Aproveita a fama de facinha que você tem e vai pegar geral – ele olhou para ela com raiva – Não é isso que você faz de melhor? – Luke soube no momento seguinte que tinha a magoado. Kim o olhou com os olhos cheios de lágrimas e se encostou na parede. Ele sentiu um leve aperto no coração se aproximando dela para pedir desculpas – Kim, eu... – o celular dele tocou novamente distraindo-o e Kim correu, sumindo de vista – Droga!

*FLASHBACK OFF*
Kim terminou de contar e voltou a chorar, Anna a abraçou – Eu gosto tanto dele, Aninha, por que ele tinha que me trair? Eu não merecia isso.
- Espera Kim, eu não acredito que o Luke tenha te traído – Anna admitiu – Tudo o que aconteceu naquela noite foi bem estranho, vamos combinar, aliás, o Luke estava super apaixonado por você, eu não acho que ele tenha te traído.
- Então como você me explica o fato de eu ter encontrado ele sem roupa na cama da Norah? – Kim perguntou fungando.
- Ele não estava sem roupa, estava de cueca – Kim ia dizer alguma coisa, mas Anna emendou – Olha, eu sei que tudo o que aconteceu entre você e o meu irmão foi incrível, sei que os dois estavam apaixonados e acho que esse sentimento não mudou, ele continua aí dentro guardado, mas você nem deu oportunidade dele se explicar, Kimmy, ele ficou muito mal sabia? E tudo piorou depois do que aconteceu com a mamãe.
- Eu sei, eu tentei ser gentil com ele no dia do enterro da tia Liv, mas ele não quis falar comigo – Kim respirou fundo e olhou pela janela – Eu sinto falta dele – confessou – Sinto falta até do nosso grupinho, sabe? Eu, você, a Mari, a Jenny, a Jade, o Luke, o Henry, o Jack e o Peter – Anna concordou. Kim riu e na mesma hora fez uma careta colocando a mão na barriga.
- Ei! Tudo bem? – Anna perguntou preocupada.
- Tudo bem, foi só uma pontada forte no estômago – Kim balançou as mãos mostrando que não era nada demais.
- Vamos logo no médico ver o que é isso, Kim – Anna ligou o carro e mesmo com as objeções de Kim ela seguiu até o hospital Lombarddi.

15 minutos depois – Hospital Memorial Lombarddi
- Aninha, minha querida, como vai? – O senhor de mais ou menos 60 anos sorriu ao ver Anna.
- Estou bem, Doutor Chase, e o senhor? – Anna cumprimentou o homem sorrindo. Thomas Chase foi um dos mentores de Dylan e um dos melhores amigos de seu pai antes do mesmo falecer há alguns anos. Ele conhecia os filhos de Dylan desde que nasceram e sempre os recebia com a maior simpatia possível. Thomas é um dos maiores clínicos gerais do país e de sua extrema confiança, foi por isso que Anna resolveu levar Kim para uma consulta com ele.
- Estou bem, querida – sorriu – A que devo essa visita tão inesperada? Está tudo bem com você? – Perguntou preocupado.
- Comigo está tudo bem, mas eu vim trazer a minha amiga Kim para uma consulta – Anna pediu para Kim se aproximar – A propósito, essa é minha amiga, Kimberly Evans, ela é minha co-capitã na equipe de líderes de torcida – Anna apresentou Kim.
- É um prazer te conhecer, Doutor Chase – Kim sorriu cumprimentando o mais velho.
- Igualmente, senhorita Evans – ele sorriu educadamente – Então, o que a senhorita está sentindo?
- Doutor, a Aninha é meio exagerada e acha que eu... – Kim começou a explicar e na mesma hora sentiu uma fisgada no estômago – Ai! – Kim gemeu colocando a mão na barriga.
- Viemos por causa disso, doutor Chase – Anna apontou para Kim sentada na cadeira com a mão na barriga – Eu encontrei a Kim no vestiário hoje vomitando muito – Anna omitiu a parte que Kim estava chorando – Aí se o senhor a examinar nós podemos descobrir se essa dor foi porque ela bebeu muito ou por outra coisa.
- Muito bem, faremos assim então, vou pedir que você faça um hepatograma, um exame de sangue e um ultrassom para vermos se está tudo bem, ok? – Anna olhou para Kim esperando uma confirmação e a mesma balançou a cabeça concordando – Certo, você vai para o laboratório e depois vai até a sala de ultrassom, a Aninha sabe o caminho – Anna balançou a cabeça – Os exames vão ser encaminhados para mim e quando chegarem eu chamo vocês.

Beverly Hills High School
- A professora também passou esse trabalho para sua turma? – Jack perguntou para Peter enquanto os dois arrumavam seus livros em seus armários.
- Não, na verdade eu nem tive aula de história hoje, mas durante a semana a professora não falou nada sobre esse trabalho – Peter explicou – Foi mal, cara.
- Tudo bem, Pete, não é o fim do mundo, pelo menos eu vou fazer o trabalho com a Anna – fechou a porta do armário – Assim que sair daqui vou passar em casa e trocar de roupa e depois vou na casa da Anna, marquei com ela de fazermos o trabalho lá.
- Você vai na casa da Anna? – Peter perguntou sorrindo e Jack fechou a porta do armário.
- Sim, a professora disse que como somos bons na matéria dela queria ver o nosso trabalho juntos – Jack deu de ombros fechando a porta do armário e percebeu o sorriso de Peter – Por que esse sorriso idiota no rosto?
- Você e a Anna juntos? Ah cara eu sabia que você gostava dela – Peter quase gritou e Jack socou seu braço de leve.
- Ficou maluco? Fala baixo – Jack olhou para os lados checando se alguém tinha ouvido – Eu não gosto da Anna, ok? Só vou na casa dela fazer um trabalho do colégio.
- Ah conta outra, vai dizer que você não pensou sobre chamar ela para sair? Pelo menos agora que ela e o Henry parecem não estar mais juntos.
- É verdade então que eles não estão mais juntos? – Jack perguntou interessado – Li no Instagram da garota veneno.
- Não sei, a garota veneno disse que sim e eles não chegaram juntos ao colégio hoje.
- Isso não quer dizer nada, mas não importa, Anna e eu somos só amigos ou pelo menos quase isso – Peter começou a zoar o amigo – Você não tem um encontro para organizar não? E parar de me encher o saco?
- É verdade, preciso correr até em casa e separar a minha roupa, a reserva no restaurante eu já marquei – sorriu – Cara, eu estou tão ansioso.
- Eu imagino – Jack deu leves tapas nas costas do amigo – Você vai agora?
- Sim, eu só preciso buscar uns papéis da minha matrícula na secretaria e já vou logo.
- Beleza então, estou te esperando no carro.


Capítulo 12

Hospital Memorial Lombarddi
- Então, Doutor Chase, tudo certo com meus exames? – Kim perguntou depois do mais velho ter recebido seus exames e de conversarem um pouco.
- Bom, Kimberly, eu estou olhando seus exames e tenho uma suspeita, mas antes eu preciso fazer algumas perguntas, tudo bem? – Ele perguntou colocando o ultrassom contraluz e analisando. Kim balançou a cabeça – Há quanto tempo você vem sentindo essas dores na barriga?
- Há alguns dias – Kim respondeu.
- E há quanto tempo você vem bebendo álcool excessivamente? Você disse que passou a beber mais por causa da briga com a Anna, faz muito tempo que você e ela brigaram? – O mais velho perguntou olhando por cima dos óculos de grau para Kimberly.
- Faz algumas semanas, nós nos desentendemos e eu comecei a faltar em alguns treinos porque estava com muita raiva da Anna, então passei a beber mais que o normal – Kim franziu a testa – O que eu tenho, Doutor Chase? É grave? Eu vou morrer? – Kim cuspiu várias perguntas já ficando nervosa e Anna segurou sua mão fazendo-a sentar de volta na cadeira.
- Calma, Kim – Aninha pediu e Kim suspirou.
- Desculpa, é que eu estou ansiosa, esse suspense está me matando.
- Tudo bem – Doutor Chase sorriu compreensivo – Essas perguntas que estou fazendo são necessárias para eu saber o que você tem, então vou só te fazer mais uma pergunta, pode ser? – Kim respondeu um sim e o doutor prosseguiu – Em uma escala de 0 a 10, de quanto é essa dor que você sente na barriga?
- Entre três e quatro, hoje parecia cinco, mas normalmente é três.
- Certo, muito bem, como eu imaginei, as minhas suspeitas estavam certas – Doutor Chase juntou os papéis e os empilhou no canto da mesa – Kimberly, você está com um quadro de hepatite alcoólica.
- Hepatite alcoólica? – Kim indagou confusa – Mas eu achei que só tivesse hepatite por vírus.
- Não amiga, existem as hepatites a, b e c que são virais, mas também existem as hepatite autoimune, medicamentosa e a alcoólica – Anna explicou para a amiga. Tinha estudado um pouco sobre a doença depois de ouvir o pai conversar com alguns médicos sobre um possível surto em algumas regiões com condições de saúde precárias.
- Sim, cada uma com seus sintomas, uns mais graves e outros mais brandos – Doutor Chase começou seu diagnóstico – Pelo resultado dos seus exames e pela anamnese que fiz com você, seus sintomas indicam um quadro de hepatite alcoólica que como o nome já indica foi induzido pelo excesso de álcool, se demorasse mais você poderia desenvolver uma cirrose hepática e aí seria muito mais difícil de tratar.
- Então tem tratamento? – Kim perguntou esperançosa.
- Tem sim, mas falaremos disso um pouco mais a frente – o mais velho puxou os exames e os enfileirou na frente de Kim e Anna para começar sua explicação – Eu pedi pra você fazer um exame de sangue, um hepatograma e uma ultrassom, certo? – Kim respondeu brevemente – Então de acordo com os resultados do exame sorológico, seus níveis de bilirrubina e albumina estão elevados, o que são agravantes para a hepatite, mas com sorte eu pude ver na ultrassonografia que o seu fígado não aumentou de tamanho e por isso não tem nenhuma obstrução, o que é um ótimo sinal.
- Por isso que o senhor pediu o hepatograma – Anna concluiu – Para confirmar a sua suspeita de hepatite.
- Sim, e o ultrassom para avaliar a situação do fígado – ele balançou a cabeça – Bem, as dores que você vem sentindo são o seu fígado pedindo socorro, no caso de um caso mais grave de hepatite alcoólica, você poderia chegar até a ter acúmulo de fluidos no abdômen, convulsões, mudanças de comportamento devido às toxinas liberadas pelo fígado e insuficiência renal e do fígado – Kim ainda tentava processar todas aquelas informações.
- Mas o senhor disse que tem tratamento, certo? – Kim perguntou.
- Certo. Tem tratamento, como você disse que o seu nível de dor era mais para 3, então você não chegou no nível mais grave, deve estar no estágio inicial e, portanto, você tem que seguir a risca o tratamento.
- Ela vai seguir sim, doutor, eu vou ficar no pé dela – Anna falou beliscando o braço de Kim levemente.
- Bom, primeiro de tudo eu vou pedir uma reposição de sais minerais e vitaminas já que você está com os olhos amarelos e abaixo do peso por não ter se alimentado direito durante esses dias, vou prescrever o remédio prednisona que é um anti-inflamatório e um antirreumático para o fígado, você deve tomar com um pouco de água pela manhã todos os dias e também vou prescrever epocler para você tomar.
- Epocler? Mas epocler não é só para desconforto abdominal? – Kim perguntou confusa.
- E o que é que você está sentindo? – Doutor Chase riu – Não é desconfortável?
- Sim, mas não achei que epocler servisse para esse tipo de coisa, não o tipo de hepatite.
- Pois saiba que é um dos remédios mais prescritos pelos médicos nos casos de hepatite, você sabe qual a ação do epocler no organismo? – Kim balançou a cabeça minimamente – Ele age principalmente sobre o fígado evitando o acúmulo de gordura nesse órgão e auxiliando na remoção de restos metabólicos e outras toxinas, além de prevenir a entrada de gordura no fígado.
- Nossa! – Kim exclamou surpresa e Anna soltou o ar pelo nariz.
- Bom, continuando, tome ele e você vai sentir uma melhora significativa na dor, não o tome em jejum que pode causar problemas gástricos, você pode tomar 1 flaconete, até 3 vezes por dia durante dois meses, antes das principais refeições, mas vou passar para você tomar apenas duas vezes já que você é menor de idade. 3 vezes é para adultos e faça repouso também de alguns dias, porque é importante. Por último, e mais importante, não beba álcool sob hipótese nenhuma senão você pode piorar o seu quadro.
- Pode deixar, Doutor Chase, se depender de mim ela não bebe mais álcool na vida dela – Anna sorriu e Kim se levantou.
- Muito obrigada, Doutor Chase – Kim apertou a mão do mais velho e ele sorriu entregando seus exames para ela levar.
- Foi um prazer te conhecer, senhorita Evans, é um prazer rever você, Aninha – Anna abraçou o homem e as duas deixaram o hospital.
- Você não vai falar com o seu pai? – Kim perguntou entrando no carro de Anna.
- Não, eu vejo ele mais tarde em casa – Anna respondeu dando partida no carro e saindo do estacionamento do hospital.
- Agora é a hora que você fala “O que vou fazer sem a minha co-capitã? Ela só faz me dar trabalho, tenho que substituí-la. ”
- Não, agora é a hora que eu falo “O que seria de mim sem a minha melhor amiga? Se ela não estiver bem, vou fazer o possível para ela melhorar. ”
- Sério?
- Claro, Kim, não é possível que você me ache tão megera ao ponto de prezar mais pela equipe do que pela sua saúde – Anna disse olhando rapidamente para Kim – Eu posso passar por cima da minha saúde pela equipe, mas na dos outros não, não esqueça que assim como a Mari você é importante para mim, são a família que eu encontrei e um porto seguro depois da morte da minha mãe e da minha briga com a Jade.
- Eu sei, me desculpa, é que eu não tenho me dedicado a equipe e nem sido uma boa amiga.
- Quem não foi uma boa amiga fui eu, eu não devia ter te acusado e peço desculpas por isso, mas agora temos que pensar em você e na sua saúde – Anna parou quando o sinal fechou – Faremos assim, fique em casa alguns dias de repouso, tome os remédios, converse com a Mari e conte o que está acontecendo, pode deixar que eu sobrevivo sem minha co-capitã por alguns dias – Kim riu.
- Tudo bem, farei isso, mas contar para Mari está fora de cogitação, Aninha.
- Peraí, você não vai contar pra Marina? – Anna indagou vendo o sinal abrir – Kim, eu não acho que...
- Não posso contar para ela, Aninha, ela vai ficar preocupada e super protetora.
- Kim, esse é o seu medo? – Anna riu – Que as pessoas se importem com você? – Kim virou o rosto – Olha, se nós guardarmos segredo da Mari ela vai ficar chateada se descobrir por outra pessoa e você sabe que ela pode descobrir de qualquer jeito, sabe por quê? – Kim olhou para a amiga – Porque com essa história da garota veneno saber de todas as fofocas, ela pode postar no Instagram e distorcer tudo, do jeito que ela descobre as fofocas podemos até estar sendo filmadas ou podem ter colocado uma escuta aqui no carro.
- Eu acho que você está assistindo muito CSI – Kim brincou, mas Anna a olhou séria – Eu não quero preocupar ela com isso Aninha, ela vai brigar comigo se souber sobre a bebida.
- E daí? Eu só não briguei com você porque eu estava me desculpando pelo que eu fiz, mas a Mari tem todo o direito e razão para reclamar com você e você não vai fugir disso porque se você não contar, eu conto – Anna ameaçou e Kim mordeu o lábio inferior analisando a situação.
- Você não faria isso – Jogou e Anna riu.
- Ah você sabe que eu faria sim – Anna acelerou um pouco mais e parou em frente a uma farmácia – Vem, vamos entrar um pouco e comprar seus remédios.
Anna travou o carro e ambas entraram na farmácia.
- Tá, tudo bem, eu vou falar com a Mari – Kim se rendeu – Bem, então imagino que depois disso você não queira mais que eu tente voltar com o Luke, certo? – Kim mudou de assunto rapidamente e Anna franziu a testa.
- Kimmy, muito pelo contrário, eu quero que você tente ficar com ele sim – Anna parou em frente a um balcão e entregou a lista de remédios e vitaminas que o Doutor Chase receitou para um farmacêutico que entrou em um compartimento indo buscar os remédios.
- Sério? Mas ele me tratou tão mal – Kim abaixou os olhos.
- Sim, é sério, mas eu não quero que você implore ou fique atrás dele deixando ele te tratar mal, sabe o que você faz? Foca na sua recuperação, deixa o Luke para lá, eu vou dar uma dura nele depois, mas não dá mais bola para ele, se ele quer ficar com a Jessica deixa lá, mas é óbvio que eu prefiro você com o Luke do que a Jéssica – Kim sorriu – Depois tenta se aproximar aos poucos, se vocês tiverem que ficar juntos vocês vão ficar – o farmacêutico voltou entregando os remédios em uma cestinha para Anna.
- Obrigada – Kim abraçou Anna e foram direto para o caixa – O que você vai fazer depois daqui?
- Vou direto para casa, tenho que fazer um trabalho com o Jack e ver se consigo levar o Alfa para passear – Anna passou seu cartão na máquina.
- Trabalho com o Jack, é? – Kim perguntou levantando uma das sobrancelhas.
- Não é nada disso que você está pensando – a atendente devolveu o cartão e entregou a sacola com os remédios para Anna, que saiu da farmácia com Kim ao seu encalço – É só um trabalho que a professora de história passou e me colocou para fazer dupla com ele – Anna explicou destravando o carro e entrou com Kim.
- Sei.
- Sério, Kim, não rola nada entre eu e o Jack – Anna falou e era verdade. Tirando o fato de que sentia sua mão formigar quando sua mão tocava na dele, não rolava nada entre eles – Vamos, vou te levar para casa.
Anna encerrou o assunto e rumou para a casa de Kim.

Sala da Diretoria
Peter tinha acabado de pegar os papéis da xerox de sua matrícula que sua avó tinha pedido. Ele saiu da secretaria sorridente por estar indo se preparar para o seu encontro com Jade, mas acabou esbarrando em alguém e derrubou algumas coisas que estavam nos braços da pessoa, Peter rapidamente se abaixou para recolher as coisas e viu em quem tinha esbarrado. Era Katrina. E ela não parecia muito feliz.
- Ei, Kat, está tudo bem? – Perguntou preocupado e a garota começou a chorar o assustando pelos soluços altos – Calma, vem, eu vou te ajudar – ele recolheu rapidamente as coisas dela do chão e a segurou, levando a garota para sentar em alguns bancos que estavam ali perto – Quer um pouco de água? – Ela afirmou balançando a cabeça, e Peter pegou um copo de água para ela que bebeu logo em seguida – Então, quer me contar o que aconteceu? Você me deu um baita susto quando começou a chorar daquele jeito
- Bom saber que assusto você – ela respondeu triste e ele se sentiu culpado – Sabia que você não gostava de mim, mas saber que eu te assusto é pior ainda.
- Não foi isso que eu quis dizer, Kat – ele disse – É que ver garotas chorando é um pouco assustador, já que não sabemos o que vem depois. Nunca se sabe se elas vão te abraçar ou te bater – Katrina riu – Pelo menos você está sorrindo.
- Me desculpe pelo surto – ela disse envergonhada – É que eu recebi uma notícia horrível agora a pouco.
- Qual notícia? – Peter perguntou curioso – Se você quiser me contar, claro.
- Foi minha avó, ela está no hospital e eu sou muito ligada a ela, sabe? – Peter balançou a cabeça afirmando.
- Sei bem como é, eu fui criado pela minha avó e ela é a única família que me restou, quer dizer, eu também tenho o Jack que é como um irmão e melhor amigo, e o pai dele que é como se fosse meu tio, então eu entendo o que você está sentindo.
- E o pior de tudo é que eu não pude saber mais nada sobre o que aconteceu com ela porque a bateria do meu celular acabou – Katrina abaixou a cabeça – Se eu pudesse eu ia até o hospital, mas tenho aula de teatro agora de tarde e não posso faltar porque estou com algumas faltas e se eu perder mais aulas vou ser substituída – ela voltou a fungar como se fosse chorar de novo e Peter rapidamente mexeu na mochila.
- Se esse é o problema então eu te empresto o meu celular e você liga para sua família, Kat, sem problemas.
- Jura? – Katrina perguntou levantando rapidamente a cabeça com seus olhos castanhos brilhando e Peter sorriu.
- Claro, toma – Peter entregou o celular para ela.
Katrina se levantou com o celular na mão e Peter pediu licença dando a ela um pouco de privacidade para fazer uma ligação tão delicada.

Casa dos Lombarddi
- Você não vai almoçar, querida? – Trude perguntou à Anna assim que ela entrou na cozinha.
- Não, eu já almocei, Trude, obrigada – Anna sorriu dando um abraço na mais velha – Vou levar o Alfa para passear – Anna pegou a coleira em um dos armários da cozinha já que Trude separou um armário especial para ele – Alfa – Anna chamou o Husky Siberiano que veio correndo pelo jardim e entrou em casa pulando em Anna – Oi meu lindo, que tal um passeio? – O cão latiu como se entendesse o que Anna disse e começou a abanar o rabo freneticamente como se dissesse sim e Anna fez um leve carinho em sua cabeça, colocando a coleira no pescoço de Alfa – Trude, um amigo meu vai chegar aqui porque combinamos de fazer um trabalho do colégio, se ele chegar antes de eu voltar você pode avisá-lo de que eu não demoro?
- Claro, querida – Trude sorriu – Bom passeio – Anna se lembrou de algo antes de ir.
- Trude, o Luke já chegou? – Anna se lembrou de perguntar antes de ir.
- Não, ele saiu de manhã, mas não veio para almoçar, deve ter ido almoçar na rua ou se encontrar com a namorada.
- Certo, obrigada – acenou – Tchau! – Anna iria conversar com Luke sobre Kim, ele precisava saber que tinha a magoado, mas também não contaria sobre Kim estar com hepatite, iria dar um sermão daqueles no irmão mais velho.

Sala da Diretoria
- Pronto, Peter, aqui está seu celular – Katrina entregou o aparelho para o garoto – Muito obrigada, eu estava precisando fazer essa ligação, eu estava muito preocupada.
- De nada – Peter sorriu – Se precisar conversar pode contar comigo – Peter olhou para o relógio do celular – Bom, eu preciso ir, preciso organizar algumas coisas para o meu encontro hoje – ele disse e Katrina mordeu a língua para não gritar o quanto Jade não merecia ser tratada com tanto carinho, mas ele logo perceberia o tipo de garota ela era.
- Bom encontro então – ela disse.
- Obrigado – sorriu – Tchau! – Acenou para a garota e correu até Jack que estava o esperando no carro.

Armários do Beverly Hills High School
- Você já sabe o que vai vestir? – Jenny perguntou para Jade que guardava seus livros para ir para casa.
- Sim, eu me atrasei hoje de manhã por causa disso – riu lembrando da cena – Quando a Trude me avisou que eu estava atrasada, eu corri para tomar banho e vestir o uniforme, foi bem engraçado.
- Imagino – Jenny ajeitou a mochila nos ombros – Amiga eu já vou viu? Estou atrasada com alguns deveres de geometria e preciso ganhar ponto nessa matéria.
- Se quiser, eu posso te ajudar, modéstia parte eu sou uma das melhores alunas do colégio – Jade se gabou e o celular apitou, mas ela não ligou.
- Você e os seus irmãos, não é? – Jenny riu e Jade revirou os olhos – Eu vi a lista de melhores alunos do ano passado no mural, vocês empataram em primeiro lugar.
- Infelizmente – Jade resmungou – Eu nem sei como eles conseguem, sabe? Não fazem nada, não estudam e tiram notas boas, mas esse ano eu vou fechar as matérias e ser a número um, você vai ver – Jade falou.
- Ta senhorita competitiva – riu – Eu estou bem na matéria só estou com algumas atividades atrasadas, pode deixar que eu me viro – o celular de Jade apitou novamente – E vê se olha logo esse celular, já está me dando agonia – Jenny reclamou e saiu andando.
- Ei, como você vai para casa? – Jade gritou já vendo a amiga no fim do corredor e remexeu na bolsa para pegar o celular – Não quer carona, não?
- Hoje não, eu chamei um taxi por que preciso ir no mercado comprar algumas coisas que minha mãe pediu, nos vemos na segunda, beijos – Jenny correu sumindo da vista de Jade.
- Ok então – Jade voltou a procurar o celular na bolsa – Vamos ver de quem eu recebi mensagem – Jade achou o celular e viu no visor “mensagem de Peter” e sorriu abrindo a mensagem.
“Eu sei que você deve estar ansiosa para o nosso encontro de hoje à noite assim como eu também estava, mas eu estive pensando e percebi que não vale a pena, eu não quero me envolver com uma garota mimada, egoísta e que não merece nenhum pingo de amor já que você destrói qualquer tipo de sentimento bom que alguém possa ter por você e ainda é especialista em magoar os outros para alcançar seus próprios objetivos, você não vale a pena
O sorriso de Jade logo se desfez depois de ler aquilo, não era possível que tinha sido tão boba em acreditar que Peter era diferente dos outros. Ele era um idiota. Jade bateu a porta do armário e passou em frente ao mural de avisos lendo um bilhete deixado lá todo decorado “Festa na casa de Sasha Folley hoje à noite, vai perder? Todos os alunos estão convidados”
- Parece que hoje eu vou em uma festa – Jade sorriu maldosa e voltou para o clube do teatro para ensaiar.

Casa dos Collins
Peter entrou em casa depois de Jack ter o deixado lá e viu sua avó sentada na mesa com vários papéis em cima dela.
- Vó? – Chamou.
- Oi querido – Emma sorriu fechado e retirou os óculos – Se você quiser almoçar eu preparei um pouco de estrogonofe, está em cima do fogão.
- Eu como depois – ele disse e Emma balançou a cabeça – O que são todos esses papeis?
- Peter, você sabe que eu não escondo nada de você, não sabe?
- Claro que sei, vó – Peter afirmou sentando ao lado da avó e olhando os papéis – Isso são contas?
- Sim – Emma suspirou – Contas de aluguel, luz, telefone, mensalidade do seu colégio, tudo atrasado – Emma tirou os óculos e olhou para Peter – Estamos muito apertados esse mês, eu achei que desse para segurar até o mês acabar com a minha aposentadoria mas vou precisar voltar a trabalhar.
- Vó, por que não me disse antes? Eu teria ajudado.
- Eu não queria te preocupar, querido, sabe são problemas para adultos resolverem e...
- Nada disso vó, a senhora não pode arcar com tudo sozinha – Peter disse puxando as mãos dela para si – A senhora quer voltar para o emprego no antigo hospital? Ótimo, mas eu também vou procurar um emprego e te ajudar – sorriu – economizamos na luz e o telefone fixo nós podemos cancelar depois de pagar essa conta e a minha escola e o aluguel nós damos um jeito, ok?
- Tudo bem Peter – Emma sorriu – Se você quiser ajudar eu não vou me opor, mas pode deixar que o seu colégio eu cuido, ok? Vai dar tudo certo.
- Ok, mas da próxima vez não guarde os problemas só para a senhora, eu estou aqui para te ajudar no que for preciso – Emma abraçou o neto.
- Eu não poderia ter tido neto melhor que você – Emma juntou os papéis e Peter sorriu – E o encontro querido, é hoje?
- Sim vó, puxa estou tão ansioso, nem consigo acreditar que a Jade aceitou mesmo sair comigo.
- Ué, mas por quê? – Emma perguntou confusa.
- É que somos de mundos diferentes sabe? Ela é rica e eu sou...
- Pobre? – Emma riu – Peter, você pode ser pobre mas tem um caráter e um coração maravilhoso, qualquer garota que esteja com você vai estar muito bem acompanhada – Emma pôs a mão no ombro no neto – E outra, o que importa não é quantos dólares você tem na sua conta e sim os valores que você recebe durante a vida, tanto ela como você são pessoas de sorte por que ambos são pessoas boas e com valores morais.
- O que seria de mim sem você, vó?
- Ainda sim, você seria um garoto maravilhoso – ambos sorriram – Agora vai almoçar vai – Emma deu um tapa leve na bunda do neto que riu e foi até a cozinha.

Casa dos Lombarddi
Jack chegou na casa de Anna e tocou o interfone.
- Casa da família Lombarddi, pois não? – Uma voz feminina perguntou do outro lado da linha.
- Oi, eu sou Jack Malloy, eu sou amigo da Anna e vim fazer um trabalho com ela.
- Ah sim, Anna me avisou que o senhor viria, pode entrar – a moça disse e depois de alguns segundos o grande portão da mansão se abriu. Jack rumou com seu carro para dentro do local.
- Olá, senhor Malloy – Trude deu as boas-vindas assim que Jack desceu do carro.
- Oi. Seu nome é Trude, não é? – Ele perguntou e Trude balançou a cabeça – Não precisa de tanta formalidade, o meu pai é o senhor Malloy, eu sou só Jack.
- Então, Jack – Trude enfatizou e Jack riu – Pode entrar, Anna foi passear com o Alfa tem uma meia hora, mas já deve estar chegando.
Trude guiou Jack para o interior da casa.
- Você aceita algo para beber, Jack? Um suco, uma água, café?
- Não, obrigado.
- Então você pode esperar aqui na sala de TV – Trude o levou para o andar de cima onde a sala estava muito bem arrumada.
- Trude, eu preciso ir ao banheiro, pode me dizer onde fica?
- Última porta a direita.
- Obrigado.
Jack saiu da sala de tv e foi até o banheiro.


(...)



- Mas nessa escola da Anna só tem garoto bonito, né? – Uma das cozinheiras da casa falou assim que Trude voltou para a cozinha.
- Volta ao trabalho vai, Abigail – Trude disse e riu.


(...)


Jack terminou de usar o banheiro e algo no fim do corredor chamou sua atenção. Uma porta entreaberta. Jack se aproximou e entrou no cômodo. As paredes eram pintadas de um tom fraco de lilás e Jack pôde perceber diversos desenhos feitos a mão na parede. Desenhos de líderes de torcida como: megafones, uma líder de torcida fazendo alguma acrobacia e o nome de Anna embaixo, bandeiras, pompons e o nome da equipe dela. O chão era coberto por um tapete felpudo de ponta a ponta que Jack teve vontade de deitar. Uma cama de casal perfeitamente arrumada ficava no centro da parede. Acima da cama havia uma luminária de ponta a ponta como se fossem piscas piscas coloridos. Do mesmo lado da cama havia a porta para o banheiro que estava pendurado o casaco do time. Do outro lado tinha uma janela grande com portas de vidro que dava acesso a sacada com vista para o jardim dos fundos e a piscina. Na parede livre tinha uma porta enorme que parecia ser o closet e que estava pendurado o uniforme de Anna da equipe de líderes de torcida. Na parede em frente a cama havia uma escrivaninha onde tinha o notebook de Anna, a TV, um mural com fotos e diversas medalhas de primeiro lugar e também uma prateleira cheia de troféus de campeonatos que Anna participou e ganhou. E por fim pendurado na porta tinha os pompons da equipe.
- É bem um quarto de líder de torcida mesmo – Jack sorriu lembrando a felicidade de Anna quando falava sobre ser líder de torcida para ele.

(...)



Anna tinha acabado de chegar do passeio com Alfa que foi direto beber água.
- Vocês não imaginam o sucesso que o Alfa fez no parque – Anna falava para Trude e Abigail – Eram crianças querendo brincar com ele, pais me perguntando onde eu tinha comprado e até garotos me paquerando – Anna riu – Até imagino o sucesso que o Luke deve fazer quando leva ele para passear.
- Acho que o seu irmão não precisa do Alfa para fazer sucesso com as garotas, Aninha, ele já é bonito por natureza – Abigail disse e Trude chamou sua atenção fazendo Anna rir.
- Tudo bem Trude, ela está dando a opinião dela – Anna olhou para a sala procurando por algo – O Jack ainda não chegou?
- Já sim, eu o deixei na sala de TV.
- Ótimo, assim aproveito e tomo um banho antes de falar com ele – Anna disse subindo a escadaria principal que dava acesso ao andar de cima da mansão, onde ficavam os quartos.

(...)


Jack sorriu lembrando de alguns dos momentos que aquelas fotos do mural foram tiradas. Haviam fotos de campeonatos, fotos com a Kimberly, fotos com a Marina, fotos com as outras garotas da equipe, fotos com o Henry. Também tinham fotos de Anna com os irmãos quando menores, dos pais, do Alfa, mas Jack achou algo mais interessante para olhar. Uma foto dele e de Anna no jardim da casa dela e que foi tirada pela própria Olivia Lombarddi. Na foto estava Anna com o uniforme de líder de torcida e Jack com o uniforme do time ambos pareciam felizes e Jack estava segurando Anna nas costas. Sentia saudade daquele tempo onde ainda se permitia sentir saudade de sua mãe e de seu irmão, aquela culpa o perseguia em todos os lugares, mas quando conversava com Anna o sentimento ruim ia embora dando lugar a uma sensação gostosa, mas ao mesmo tempo estranha no estômago. É claro que ele nunca contou a Anna o motivo dela nunca ter conhecido a mãe e o irmão dele, mas Anna parecia entender o que ele sentia e sempre o abraçava quando ele precisava. Jack balançou a cabeça e ouviu passos do corredor e pode ouvir a voz de Anna cantarolar uma música qualquer bem baixinho. Se corresse para fora, Anna o descobriria então correu para o banheiro e fechou a porta. Jack pode ver pela fresta da porta Anna ir até o closet e pegar o que parecia ser uma roupa e ir direto para o banheiro. Ferrou. Jack correu e entrou no box não tinha mais lugar onde entrar para se esconder. Começou a rezar por que só assim para ele sair dessa sem ser pego xeretando. Anna entrou no banheiro e se despiu entrando no box, quando se virou deu de cara com Jack ali dentro e deu um grito.
- O que você está fazendo aqui, garoto? – Sussurrou para Jack. Trude entrou no banheiro e Anna pôs a mão na boca dele para ele ficar quieto.
- O que houve, Aninha? Você caiu? – Trude perguntou preocupada.
- Não Trude, é que... – Anna não sabia o que dizer, estava desconfortável, sem roupa nenhuma e Jack bem perto de seu corpo – Tinha um bicho aqui e eu me assustei – Anna disse a primeira coisa que passou pela sua cabeça e Jack riu fazendo Anna morder o lábio inferior.
- Ah você quer que eu entre aí e tire o bicho para você? – Trude perguntou se aproximando.
- Não – Anna gritou e Trude se assustou – É que ele já foi embora, voou e saiu pela janela, não se preocupe, pode ir – Anna pediu colocando a cabeça para fora do box forçando um sorriso para mostrar que estava tudo bem e Trude saiu do banheiro.
- Eu sempre gostei dessa sua tatuagem atrás da orelha com o número da minha camisa, sabia? – Jack disse sorrindo do mesmo modo que faziam as pernas de Anna falharem.
- Cala a boca e sai do meu banheiro – Anna disse com o rosto vermelho de vergonha.

(...)


Anna terminou seu banho, vestiu um short Jeans com uma blusinha folgada, curta e sem mangas. Saiu do banheiro vendo Jack em pé olhando pela sacada. Seus olhos verdes estavam refletidos pela luz do sol que batia na sacada fazendo ele ficar ainda mais charmoso. Por que ele tinha que ser tão bonito? Ela pigarreou e Jack percebeu que Anna o olhava. Ele se aproximou dela logo pedindo desculpas.
- Olha, me desculpa, eu não fiz de propósito – ele começou. – E não quero que pense que eu sou tarado nem nada, eu só estava no lugar errado, na hora errada – ele engoliu a seco – Eu fui ao banheiro e vi a porta do seu quarto aberta, aí fiquei curioso e entrei. Eu não mexi em nada, só fiquei olhando as fotos do seu mural e quando vi você estava vindo para dentro do quarto e a primeira reação que eu tive foi me esconder – ele pegou nas mãos de Anna e manteve o olhar no dela, deixando-a mais envergonhada. Afinal ele tinha visto ela sem roupa e a última coisa que ela precisava agora era contato visual. Além daquele maldito formigamento que sempre aparecia quando ambos se tocavam – Não posso dizer que não foi uma visão boa, mas... – Anna o olhou com a sobrancelha arqueada – Ok, não quero parecer tarado – sorriu coçando a nuca envergonhado. Anna sentiu vontade de sorrir com aquele gesto que ele fazia sempre que estava envergonhado.
- Tudo bem, já passou – Anna puxou suas mãos e virou de costas tentando esconder o rosto vermelho – Bem, vamos falar sobre o trabalho? – Perguntou mudando de assunto.
- Certo – Jack não se opôs estava tão ou mais envergonhado quanto ela, mas ainda assim estava feliz por passar um tempo com Anna embora dissesse sempre que era por causa do plano, no fundo ele sabia que gostava de estar com Anna só não sabia onde tudo isso ia o levar.

Casa dos Collins
- Peter, faz vinte minutos que você está ajeitando a gravata – Emma falou entrando no quarto do neto – Daqui a pouco ela vai estar torta de tanto você arrumar.
- Desculpa, vó, é que eu estou nervoso – ele explicou arrumando o cabelo – Eu organizei o encontro mais bonito e romântico para a Jade, e se ela não gostar? – Perguntou inseguro.
- Se ela realmente gostar de você, não importa onde vocês estejam, qualquer lugar vai ser um lugar romântico – Emma sorriu arrumando a gravata de Peter, que sim, ele conseguiu deixá-la torta.
- Obrigado vó – retribuiu o sorriso.
- Vai pegar um táxi? – Emma perguntou já pegando a carteira.
- Não precisa se preocupar vó, Jack me emprestou o outro carro dele e um dinheiro extra.
- Jack é um menino de ouro, é uma pena que o William tenha deixado ele de lado depois do que aconteceu com o Mason e a Betina – Emma lamentou o fato do pai de Jack ter se afastado dele, e Peter a abraçou.
- Ele sofre bastante com isso, mas não deixa transparecer – Peter ouviu seu relógio apitar. 17h – Já está na minha hora, preciso ir até o restaurante, organizar a mesa, escolher o prato e esperar a Jade – sorriu – Me deseje sorte.
- Sucesso – Emma sorriu abraçando o neto – Porque seu encontro já deu certo.
Peter saiu de casa com um sorriso de orelha a orelha. Estava ansioso, tudo iria dar certo hoje, nada ia impedir de dizer tudo o que sentia por Jade.

Casa dos Lombarddi
Anna e Jack decidiram fazer uma maquete para o trabalho de história e o melhor de tudo era que Anna já tinha os materiais em casa. Escolheram como tema a Segunda Guerra Mundial. Montaram a maquete com metade do bloco de isopor pintado de verde e marrom representando a base do exército com alguns carrinhos como tanques e máquinas de guerra e algumas bandeiras representando os países que participavam da guerra. Do outro lado, pintaram de azul representando a água e alguns aviões fincados em palitos finos representando os aviões sobrevoando, mostrando toda a parte do conflito. E é claro, colaram diversos soldadinhos caídos entre todo o conflito.
- Parece que acabamos – Anna suspirou – Fizemos um bom trabalho.
- Também, com o trabalho que tivemos para montar isso... – Jack disse esticando as pernas no tapete – Acho que vai ser difícil não tomarmos a nota máxima.
- Ah, não foi tão ruim vai? Foi divertido – Anna riu se levantando – E aí, quer fazer um lanche? Estou morrendo de fome.
- Não sei, Aninha, eu não quero te atrapalhar mais do que já atrapalhei – Jack disse sem graça – Ainda estou envergonhado pelo que houve mais cedo.
- Ah, relaxa – Anna balançou as mãos – Você já se desculpou e o clima estranho já passou, além do mais você não atrapalha nada, fica vai, assim você me faz companhia – pediu. – Podemos assistir um filme e conversamos, que tal?
- Tudo bem, eu fico – sorriu.
- Então, o que vai querer comer? – Anna perguntou chamando Trude na porta do quarto.
- Você pode escolher, eu não me importo.
- Ok – sorriu vendo Trude parar na porta – Trude, você pode fazer dois sanduíches de peito de peru e dois sucos de acerola com pitanga para nós dois? – Anna pediu a Trude que sorriu e disse que já vinha trazer.
- Suco de acerola com pitanga? – Jack perguntou.
- Você nunca tomou? – Anna recebeu uma resposta negativa – Você vai adorar, fica uma mistura perfeita de sabor doce com uma pitada de azedo, é uma delícia – sorriu. – E que filme você quer assistir? Vou colocar aqui mesmo na TV do quarto.
- Pode escolher, eu não ligo muito para o filme não, o que você escolher eu assisto, sei que você tem um ótimo gosto para filmes.
Anna sorriu indo escolher um filme. Era verdade, amava filmes e já sabia qual ia escolher.

Algumas horas depois
- Não acredito que com tantos filmes você escolheu logo Rei Leão para a gente ver – Jack falou e riu.
- Eu amo assistir Rei Leão, é um filme tão lindo, com uma história emocionante e eu sempre...
- Você sempre chora quando assiste – Jack completou. – Eu lembro que você me disse uma vez que amava os filmes da Disney e sempre que tinha oportunidade você os escolhia para ver – Anna sorriu.
- Mas você não pode negar que também gostou de ter assistido.
- O quê? Filme de criança? De garota? Imagina, eu não gosto dessas besteiras – Jack disse sarcástico, mas riu logo em seguida mostrando que estava brincando. – Eu gosto sim – sorriu. – Mas mudando um pouco de assunto, eu posso estar sendo um pouco mais que curioso, mas eu tenho uma pergunta para te fazer – ele mordeu os lábios.
- Pode perguntar – Anna disse sem se importar muito, talvez até já imaginasse o que Jack perguntaria.
- O que aconteceu entre você e o Henry? Quer dizer, vocês não são mais vistos juntos e a garota veneno postou algumas coisas e ninguém tem certeza se vocês estão juntos ou não.
- É, eu fiquei sabendo que a garota veneno postou uma “notícia bombástica” – Anna fez aspas com a mão – Mas não tem problema eu te contar, logo logo todo mundo vai saber mesmo – Anna deu de ombros. – Eu e o Henry demos um tempo, na verdade eu que pedi um tempo – Jack franziu a testa e Anna explicou. – Eu não sou idiota, desde o luau eu percebi que o Henry ficou mexido com a volta da Jenny, o nosso relacionamento também estava meio frio, então nós conversamos e estamos dando um tempo – Anna soltou o ar pelo nariz. – Eu basicamente entreguei o Henry para a Jenny, inteligente, não? – Anna disse sarcástica.
- Eu diria estratégico – Jack disse, e Anna sorriu de lado gostando do adjetivo. – Mas você ainda gosta dele?
- Ah, eu sou muito grata ao Henry, sabe? Ele esteve comigo quando a minha mãe morreu, me apoiou e nós crescemos juntos no colégio, afinal conseguimos o título de “os mais populares do colégio” – Anna riu. – Essa busca pela popularidade nunca foi a minha praia, mas o povo gostou tanto de nós dois juntos que deu nisso.
- Então vocês tinham um namoro de fachada?
- Não – Anna negou. – A gente se gosta, mas se o namoro esfriou não tem muito o que fazer, você não acha?
- Acho, e sabe o que mais? – Jack perguntou sedutor e foi se aproximando de Anna colocando o cabelo dela atrás da orelha. Essa era a chance. – Pelo menos agora eu posso tentar... – os lábios de Jack e Anna estavam quase se encostando quando um som irritante os interrompeu. O toque do celular de Jack soou alto e Anna comprimiu os lábios. Anna não sabia se estava aliviada ou chateada pelo beijo ter sido interrompido.
- Atende! – Anna sorriu se afastando. Jack suspirou e olhou no visor. Era Peter. Ele atendeu.
- É bom que seja importante porque eu estou... – Jack ia dizendo, mas foi interrompido por Peter que parecia irritado.
- Cara, você sabe onde a Jade está?
- Jade? Ela não deveria estar no encontro de vocês? – Jack perguntou confuso.
- Devia, mas não apareceu aqui, estou esperando ela há um tempão – Peter suspirou. – Você ainda está na casa da Anna? – Jack respondeu um sim brevemente e avisou a Anna que Peter queria falar com ela. Jack colocou o celular no viva-voz – Oi Anna, é o Peter, tudo bem?
- Oi Peter, tudo bem sim e com você? – Anna respondeu.
- Infelizmente comigo não está nada bem, a sua irmã me deu um bolo e não apareceu no nosso encontro – Anna franziu a testa, pelo que ela sabia Jade estava muito ansiosa para esse encontro. – Você por acaso sabe onde ela pode estar?
- Não sei, Peter, mas posso descobrir – Anna prometeu. – Vou ligar para a Jenny e ver se a Jade não está com ela – Peter agradeceu e encerrou a ligação. Anna pegou seu celular em cima da cama e ligou para Jenny. Enquanto Anna tentava descobrir onde Jade estava, Jack fuçava o Instagram tentando achar alguma coisa. Jack abriu a página da garota veneno e não acreditou no que viu.
- Puta merda! – Exclamou surpreso e Anna o olhou. – Acho que você e nem o Peter vão gostar de saber o que ela está fazendo – Anna se aproximou de Jack olhando a tela do celular dele e viu um vídeo na página da garota veneno. Jade estava dançando com um garoto de um jeito bem sensual enquanto segurava uma garrafa de cerveja.
Anna negou com a cabeça e olhou para Jack
– Avisa ao Peter, eu vou pegar o carro e nos encontramos com ele lá na festa – Anna vestiu seu casacão quadriculado azul e pôs o celular no bolso.
- Mas onde é essa festa? – Jack perguntou segurando o celular nos ombros ligando para Peter.
- Na casa da Sasha Folley – Anna saiu do quarto com seu All Star branco nas mãos e as chaves do carro – É uma das minhas líderes de torcida.
- Cara, a Jade está na casa da Sasha Folley – Jack avisou a Peter quando ele atendeu o celular e correu atrás de Anna pegando seu carro também.

(...)


Anna, Jack e Peter chegaram na mesma hora na casa de Sasha. A música estava tão alta que o chão tremia. Eles puderam ver algumas pessoas deitadas no jardim da casa, outras se pegando em um canto e outras vomitando.
- Onde será que a Jade está? – Jack perguntou um pouco alto.
- No vídeo parecia ser a sala de estar – Anna respondeu no mesmo tom.
- Ela deve ter esquecido do nosso encontro – Peter falava sozinho – Ou deu uma passada aqui e passou da hora, ela com certeza tem uma explicação para mim, ela tem que ter – Peter tentava compreender o lado de Jade e Jack pôs a mão no ombro dele.
- Ela vai te dar uma explicação, cara – Sorriu confortando o amigo. Era bom mesmo ela ter uma explicação, porque além do Peter ficar com raiva, Jack também ficaria. E aí Jade poderia dar adeus ao plano idiota dela.
- Para isso precisamos encontrar ela primeiro – Anna falou puxando os dois para dentro da casa.
- Caralho que fedor de bebida – Jack reclamou. – É sério que vocês gostam de beber essa merda? – Jack apontou para uma garrafa na mão de um garoto que passava.
- Espera, você não bebe? – Anna perguntou parando no meio do caminho.
- Não preciso disso para me divertir – Jack disse. – Achei que soubesse disso – Anna sorriu de lado. Sim, ela sabia disso, mas pensou que depois que pararam de se falar ele tivesse começado a beber.
Anna, Peter e Jack procuraram Jade por mais alguns minutos. Esbarraram em mais algumas pessoas quando viram uma rodinha em volta de uma mesa. Alguém dançava em cima da mesa e estava levando a galera a loucura. Era Jade. Ela dançava em cima da mesa com o sutiã completamente a mostra e a garrafa de cerveja na mão.
Jade passou a mão pelo corpo e chegou até o cós de sua saia fazendo menção de tirar e a galera começou a gritar "tira" em coro.
- Merda! – Anna exclamou.
Peter completamente irritado puxou Jade da mesa, que caiu em seus ombros. Peter a levou para o lado de fora enquanto ela esperneava. Anna e Jack correram para perto deles.
- Você ficou louca? – Ele perguntou. – Que porra foi essa?
- Foi um show, Collins, não percebeu não? – Jade disse sarcástica e bêbada diga-se de passagem.
- Eu achei que você tivesse mal, sei lá, tivesse acontecido alguma coisa para você não aparecer no nosso encontro e você está em uma festa, se entupindo de cerveja e quase ficando nua na frente de quase todo o colégio, é sério isso?
- Eu sabia que você era idiota, mas não tanto – Jade riu. – Eu te dei o bolo porque eu não sou para o seu bico, Collins – Jade se aproximou exalando veneno. – Olha só para você – Jade apontou para ele desdenhando. – Roupinha de segunda mão, carro emprestado do amigo rico e sem um dólar no bolso, achou mesmo que uma garota rica como eu ficaria com um pobretão como você? E sabe o que mais?
- Não diga, não diga – Anna pedia para que Jade não magoasse Peter, pois sabia que ela se arrependeria depois.
- Eu te dei o bolo porque eu estava te zuando – sorriu de lado. – Você achou mesmo que eu estava falando sério quando aceitei sair com você? – Peter estava magoado, Jade percebeu isso assim que olhou em seus olhos, mas era isso que ela queria, atingi-lo onde mais dói. No coração.
Peter não tinha reação. Ele apenas olhava para Jade com a expressão triste, magoado.
- Pode deixar que eu não vou mais te incomodar – Peter disse e caminhou até o carro.
- Anna, eu preciso... – Jack ia falando, mas Anna o interrompeu balançando a cabeça compreensiva.
- Pode ir, eu vou levar a Jade para casa – Anna segurou a irmã que resmungava algo parecido com “quero ficar”. – Depois eu ligo para saber como ele está e vou pedir ao meu motorista para levar seu carro para casa – Jack balançou a cabeça e saiu em direção ao seu carro.

(...)


Depois de muito insistir, Jade concordou em ir para casa com Anna. Jade não quis papo, apenas sentou no banco do passageiro e virou o rosto para a janela. Anna tentou falar alguma coisa, mas Jade sempre a cortava. Depois de alguns minutos elas chegaram em casa. Anna entrou na garagem, desligou o carro e ambas continuaram lá dentro em um silêncio perturbador. Anna olhou para Jade e tentou falar algo, mas Jade saiu do carro. Anna correu atrás dela.
- Jade, nós precisamos conversar – Jade entrou em casa e Anna continuou. – Você não pode...
- Me deixa em paz! – Jade gritou e subiu para o quarto.
- Bom conversar com você, maninha – Anna suspirou. – Você resolveu a situação muito bem, Anna – disse sarcástica falando para si mesma e foi até o jardim.
- Hermes? – Anna chamou um dos seguranças da casa – Você pode ir até esse endereço e pegar um carro e levar para um amigo meu?
- Sim, senhorita Anna – ele disse e Anna escreveu os endereços e a placa do carro e o entregou.
- Obrigada! – Sorriu e entrou em casa.
Anna subiu até seu quarto. Seu celular apitou e Anna pôde ver uma mensagem no visor. Era Jack.
“Já chegaram? Está tudo bem?” – Jack mandou assim que Anna se deitou na cama.
“Acabamos de chegar, e para variar eu fui conversar com a Jade, mas ela me deixou falando sozinha” – Anna respondeu de volta.
“Peter também não quis muito papo. Ele ficou muito magoado com o que a Jade disse” – Jack suspirou e enviou a mensagem.
“Eu não o culpo. Se ela tivesse me dito aquelas coisas eu também ficaria” – Anna deu de ombros pensando no quão difícil seria para Peter perdoar Jade. Isso se ela resolvesse pedir desculpas.
“Mas e quanto a nós dois?” – Jack escreveu ficando ansioso de repente.
“O que tem nós dois?” – Anna perguntou confusa.
“Tá tudo bem entre nós?” – Jack mandou e Anna riu lendo a mensagem achando aquilo fofo.
“Claro, Jack, está tudo bem entre nós dois” – Anna respondeu e Jack pegou o celular rapidamente
“Então que tal sairmos amanhã? Podemos reatar a nossa amizade e terminar o que estávamos fazendo antes do Peter ligar. O que você acha?” Jack mandou logo em seguida colocando o celular na barriga, olhando para o teto de seu quarto aguardando uma resposta.
“Acho ótimo a parte de reatarmos a amizade. Quanto a terminar o que começamos antes do Peter interromper, eu acho que ainda é um pouco cedo. Eu dei um tempo com o Henry tem poucos dias, então vamos com calma, certo? Quanto a nos encontrarmos, pode ser amanhã no shopping, às 14h, ok?” – Anna virou de bruços na cama e sorriu fechando os olhos.
“Fechado!” – Jack mandou e sorriu instantaneamente. Virou para o lado e tentou dormir, afinal teria um encontro amanhã. E não seria um encontro qualquer. Seria um recomeço.


Capítulo 13

Dias depois...
Casa dos Lombarddi – 06:50 AM
- Pode me passar o leite, Aninha? – Katherine pediu, e Anna passou a jarra de leite para a tia. Todos estavam na mesa tomando seu café.
- Trude, pode pedir ao Antônio para olhar o meu carro antes de eu sair? – Luke pediu e Trude balançou a cabeça afirmando.
- Pode deixar, querido, vou avisá-lo – Trude sorriu e se retirou indo até a cozinha falar com Antônio.
- Bom, como vocês sabem, nós vamos viajar no Natal – Dylan chamou a atenção dos filhos.
- Como sempre, né, pai? – Jade disse com seu sarcasmo de sempre – Nós sempre viajamos para a Itália no Natal e passamos o Ano-Novo lá também.
- Sim, mas dessa vez viajaremos no dia 23 de noite.
- O quê? – Anna engasgou e começou a tossir. Jade revirou os olhos e Luke bateu nas costas da irmã.
- Por que isso, pai? Nós sempre viajamos dia 24 – Luke argumentou.
- Dia 23 vocês já estão livres, não? – Katherine disse distraída.
- Não, nós não estamos, não dessa vez, pai – Anna olhou para o pai – Eu e o Luke temos o intercolegial, temos concentração das equipes pela manhã e de tarde é a competição, sendo que sempre comemoramos a vitória no fim da noite.
- Não dessa vez, querida – Dylan falou bebendo seu café. – Já avisei aos seus avós e estou avisando a vocês – Dylan descansou a xícara de café na mesa e olhou para Anna e Luke – Olha, isso não atrapalha em nada, vocês podem participar da competição e quando terminarem podem ir direto para o heliporto que estaremos lá esperando para viajarmos, estamos entendidos?
- Como dizer que não se você já deu a ordem, general? – Anna resmungou torcendo o nariz.
- Que bom que estamos entendidos, soldado – Dylan torceu o nariz imitando o gesto da filha.
- Bom, eu estou animada com essa viagem, afinal, eu não tenho nada no dia 23, maninha – Jade provocou a irmã que revirou os olhos.
- Seu irmão e a Alice vão com a gente, querido? – Katherine perguntou a Dylan.
- Não sei, mas vou perguntar a ele hoje e organizamos tudo.
Depois de alguns minutos ambos terminaram seus cafés e foram terminar de se arrumar para o colégio, Katherine também subiu para se arrumar e Dylan foi para o escritório.

Casa dos Malloy – 07:00 AM
Jack e Peter estavam se arrumando para o colégio na casa de Jack já que Peter tinha dormido lá na noite anterior. Peter tinha contado a Jack a situação de Emma.
- Você sabe que eu posso te ajudar, aliás, o meu pai pode ajudar, vocês são como nossa família, cara – Jack disse vestindo o blazer do uniforme e indo até o banheiro estender a toalha.
- Eu sei, cara, mas é um problema nosso, sabe? E outra, não sei se minha vó ia querer que vocês se preocupassem com isso, sabe como ela é – Peter ajeitou sua gravata em frente ao espelho e suspirou. – Mas eu vou arranjar um emprego para ajudar lá em casa.
- Como que você vai fazer para trabalhar? Você tem aula de manhã e os treinos do time de tarde – Jack perguntou confuso. – Você só tem sábado e domingo livres e eu duvido muito que tenha um emprego que só trabalhe dois dias e ainda no final de semana – Jack mandou a real e Peter olhou para o amigo.
- Então vou ter que sair do time – Peter disse simplesmente.
- Não, cara, ta louco? – Jack exclamou. – Você é um ótimo jogador e o intercolegial tá chegando, você não pode sair assim do time.
- Claro que posso, Jack, o intercolegial é daqui um mês e vocês conseguem arranjar outro cara para me substituir – Peter disse decidido. – Vocês podem colocar o Matteo no meu lugar, nós sabemos que ele é um ótimo jogador. Vou até dar essa ideia ao treinador quando for falar com ele.
- Sim, o Matteo é ótimo jogador, mas ele não é da sua posição, aliás, você é meu parceiro em campo, cara, nós jogamos juntos.
- Eu sei que o Matteo não é da minha posição, mas ele é tão bom jogador quanto eu – Peter pôs a mão no ombro de Jack e começou a zoar o amigo. – Eu sei que você vai morrer de saudades do seu melhor amigo aqui, mas é para um bem maior, eu preciso ajudar a minha vó.
- Você já contou isso para a Emma? – Jack perguntou.
- Não. Quer dizer, sobre arranjar um emprego, sim, mas não sobre sair do time – Jack ia falar algo, mas Peter o cortou – Eu sei o que você vai dizer, que ela deu a maior força para eu entrar no time e que não vai gostar nada de saber que eu vou sair, mas eu não vou mudar de ideia e você não vai falar nada para ela, ponto final – Peter não pediu, ele mandou Jack não contar.
- Se é o que você quer... – Jack se deu por vencido – Mas e você e a Jade? Acabou mesmo?
- Não se acaba algo que nunca começou – Peter disse magoado. – Sabe, eu nunca liguei para o que me falavam sobre a Jade. Eu sempre a defendi quando falavam mal dela perto de mim porque eu conhecia a verdadeira Jade. A mesma Jade que ficava animada pelas conquistas dos irmãos, a mesma Jade que amava sair comigo para o parque e comer algodão doce e que ama atuar, e eu sei que lá no fundo essa Jade ainda existe, mas não serei eu que vou tentar tirar essa Jade do fundo do baú, eu já sofri demais – Jack balançou a cabeça. – Mas e você? Alguma coisa mudou aí dentro – Peter apontou para o coração de Jack – depois do seu encontro com a Anna?
- Não foi um encontro – Jack corrigiu – Foi uma saída de amigos.
- Amigos que já se beijaram? – Peter disse sorrindo.
- Tínhamos 14 anos, cara – Jack explicou –, e eu estava triste por ter terminado com a Lindsay.
- Eu nunca entendi por que infernos você não largou a Lindsay e ficou de verdade com a Aninha, vocês eram tão bonitinhos juntos.
Jack riu da maneira que Peter falou.
- Eu e a Anna éramos amigos e você sabe que eu amo a Lindsay e...
- Essa ladainha de novo não, ok? Eu tenho mil motivos para te convencer que você não ama a Lindsay, e sim que é obcecado por ela – Jack ia falar, mas Peter o cortou de novo. – Só que eu sei que você não vai me ouvir, mas eu espero que com essa sua retomada de amizade com a Anna surja um sentimentozinho novo que te faça esquecer a Lindsay de uma vez por todas, mas vamos para o colégio senão vamos nos atrasar.
Ambos pegaram suas mochilas e seguiram para o carro. Próxima parada: Colégio.

Casa dos Lombarddi - 07:15 AM
Dylan estava em seu escritório enviando alguns e-mails para o hospital. Já que hoje não tinha nenhuma consulta ou cirurgia marcada para a parte da manhã resolveu que ficaria em casa resolvendo assuntos do hospital também, afinal o trabalho no hospital nunca acabava. Dylan além de trabalhar como médico também auxiliava na administração do hospital. É claro que a parte pesada da administração era feita por outra pessoa. O hospital Lombarddi era administrado pelo doutor Frank Edwards. Ele era melhor amigo dos pais de Dylan e Tyler e cirurgião plástico. Quando os pais de Dylan morreram ele e o irmão ainda estavam na faculdade e não dariam conta de administrar um hospital, então o pai de Dylan deixou em seu testamento que Frank deveria assumir o comando do hospital até Dylan terminar sua residência médica e se estabelecer como médico. Dylan amava o pique de cirurgião, amava estar em uma sala de cirurgia salvando a vida das pessoas, então mesmo depois de ter terminado sua residência ele pediu que Frank continuasse no lugar de chefe. Dylan terminou de enviar os e-mails e abriu uma outra pasta com várias fotos suas e de Olivia. Sorriu lembrando dos momentos que passou ao lado da mulher que amava, quando Katherine entrou no escritório segurando a parte de trás do vestido com o zíper aberto e os brincos nas mãos.
- Você já está pronta? – Dylan perguntou surpreso. Quando foi para o escritório ela ainda estava escolhendo o que vestir. Ele minimizou a pasta.
- Quase – ela caminhou até ele e virou de costas. – Fecha para mim? – Pediu e ele levantou fechando o zíper enquanto ela já colocava os brincos – Bom, eu preciso sair cedo porque vou passar para ver a decoração da igreja e ver o buffet da recepção do nosso casamento – ela explicou sentando em seu colo quando o mesmo voltou a mexer no notebook. – Você bem que poderia ir comigo – ela pediu fazendo desenhos com os dedos na gravata que Dylan usava.
- Você sabe que eu estou ocupado, Kathy – ele disse se levantando, indo até a janela e ficando de costas para Katherine, que sentou em sua cadeira e começou a mexer no notebook.
- Não ocupado o bastante para ficar vendo as fotos da Olivia, não é? – Ela perguntou sarcástica. – Você não dá a mínima para o nosso casamento, Dylan.
- Você fala como se eu devesse esquecer a Olivia – Dylan disse suspirando olhando o sol brilhar fortemente. – Como se ela tivesse sido uma namoradinha qualquer que passou pela minha vida.
- Eu sei que ela foi uma das mulheres mais importante da sua vida, mas eu estou aqui agora, você poderia dar mais atenção ao nosso casamento, caramba – Ela reclamou.
- Ela não foi uma das mulheres mais importantes da minha vida, Katherine – Dylan disse se virando para Katherine. – Ela é a mulher mais importante da minha vida. Nós descobrimos o amor juntos, começamos nossas carreiras juntos, começamos uma família juntos, temos filhos e eu esperava passar o resto da minha vida com ela, mas ela se foi primeiro que eu e isso acaba comigo todos os dias – ele disse triste. – Você poderia ser menos egoísta.
- Eu sendo egoísta? – Katherine perguntou indignada. – Eu segurei essa família nas costas, eu tomei a iniciativa de reconstruir a Grivolly, eu organizei o enterro da Liv, eu conversei com os seus filhos – Katherine apontou para Dylan –, quando você não conseguiu nem sair da cama para dar um apoio a eles. Diversas vezes eu tive que justificar o motivo da sua ausência nas reuniões de pais para que não pensassem que você tinha simplesmente esquecido ou abandonado os seus filhos, eu te deixei livre, abri mão do nosso relacionamento assim que você me disse que estava apaixonado pela minha irmã, abri mão da minha felicidade para vocês ficarem juntos, abri mão do homem que eu amo – Katherine piscou e algumas lágrimas escorregaram pela sua bochecha – E você diz que eu sou egoísta? Tudo bem, eu aceito o título, afinal é só para isso que eu sirvo mesmo, ser a megera da família – Katherine saiu do escritório deixando Dylan sozinho com a culpa.

Cozinha – 07:25 AM
Trude estava passando aos empregados as tarefas do dia e eles ouviam atentamente.
- Romina, quero que você mostre às meninas da limpeza onde estão os quartos para elas arrumarem e recolherem as roupas sujas e você, Abigail, termine de lavar os pratos, sim? – Elas balançaram a cabeça indo fazer o que Trude tinha mandado – Antônio, querido, você está bem? – Ela perguntou ao irmão que estava sentado em uma das cadeiras da copa da cozinha.
- Estou bem, Trude, só um pouco indisposto – ele disse passando a mão no pescoço – E com uma dor horrível no corpo, parece que fui atropelado por um caminhão.
Trude e Antônio eram irmãos e trabalhavam juntos desde muito cedo. Na verdade, Trude chegou a casa da mãe de Teresa (a mãe de Olivia e Katherine) aos 18 anos a procura de uma boa oportunidade de emprego junto com o irmão mais velho, Antônio. Trude, ao contrário do irmão, não tinha um marido e nem filhos, a vida dela se resumia aos Lombarddi. Já Antônio tinha mulher e duas filhas. Florência, a esposa, estava na Itália já que ela trabalhava em uma casa vizinha a de Teresa e Guilhermo. Suas filhas já trabalhavam e ambas moravam fora, sendo que a mais velha, Gemma, morava na Inglaterra por causa de seu trabalho na editora e a mais nova, Alicia, era fotógrafa na Austrália.
- Claro que não está, Antônio, olha só para você, está pálido e... – Trude colocou a mão na testa do irmão – Até com febre. Vou avisar ao doutor Dylan.
- Me avisar o quê? – Dylan apareceu de repente na cozinha e Trude contou o que estava havendo.
- Doutor Dylan, o Antônio não está se sentindo bem, ele está com febre e dores musculares – Dylan imediatamente pegou um kit de primeiros socorros que ficava no armário da cozinha e parou na frente do mais velho.
- Vou medir a sua temperatura – Dylan pegou o termômetro e colocou na axila de Antônio. – Não mexe o braço, ok? – Antônio respondeu com um “sim” baixo e Dylan tirou do kit uma lanterninha que parecia uma caneta e acendeu examinando os olhos de Antônio – Os olhos parecem normais – Dylan tirou o termômetro do braço do homem à sua frente e viu que poderia ser algo grave. – Você está com 38 graus de febre, Antônio, o que você está sentindo?
- Estou indisposto, sentindo dores no corpo, meio tonto, um pouco enjoado e quando eu mexo meus olhos eles também doem – ele explicou. – Mas eu tomo um analgésico e melhoro rapidinho, doutor. Eu consigo levar a senhorita Katherine para o trabalho – o mais velho levantou e Dylan pôs a mão em seu ombro.
- Nós vamos para o hospital.
- Não precisa, doutor – Antônio protestou recebendo um olhar feio de Trude.
- Vai trocar de roupa, Trude, vou só pegar minha pasta e já vamos para o hospital.

Hospital Lombarddi – 07:35 AM
Assim que chegaram ao hospital, Dylan pediu uma bateria de exames para Antônio e logo ele foi transferido para um quarto, já que estava visivelmente cansado.
- Vocês estão exagerando, é só cansaço, por favor me levem de volta para casa – Antônio pediu e Dylan o olhou compreensivo.
- Antônio, eu sei que você é um homem muito responsável e que cumpre com as obrigações, mas está na hora de parar de pensar um pouco no trabalho e pensar na sua saúde. Se as minhas suspeitas estiverem certas, você vai precisar de tratamento para se recuperar logo.
- O que ele tem, doutor Dylan? – Trude perguntou aflita.
- Estou suspeitando de dengue. Pelos sintomas é o que parece, mas deixa os exames de sangue chegarem e o doutor Chase analisar o caso. Ele é o clínico e vai saber cuidar direitinho do caso – Dylan sorriu.
- Doutor Dylan, eu fico contente que o senhor esteja preocupado com um simples funcionário como eu, mas eu não posso ficar aqui. Eu não tenho como pagar esse hospital.
- Antônio! – Trude repreendeu o irmão e Dylan riu.
- Tudo bem, Trude – Dylan sorriu compreensivo. – Antônio, quando eu contratei vocês eu assinei a carteira com tudo que vocês têm direito, inclusive plano de saúde, e como o hospital é meu, o plano de saúde de vocês é conveniado com esse hospital, sendo assim, está tudo incluso no pacote do plano – Dylan explicou. – Vocês são da família e tanto eu como a minha família nos importamos com vocês.
- Obrigada, doutor Dylan – Trude sorriu agradecida com tanto carinho.
- Eu nem sei o que dizer, doutor Dylan – Antônio disse envergonhado. – Muito obrigada.
- Não há de quê, Antônio – Dylan falou. – Aliás, eu achei que vocês já soubessem que o plano de saúde era conveniado com o meu hospital.
- Não sabíamos – Antônio disse envergonhado.
- Tudo bem – Dylan disse e a enfermeira chegou com o resultado dos exames e o doutor Chase também.

Cantina do Beverly Hills High School – 07:38 AM
Jenny estava tomando café na cantina do colégio quando Jade chegou.
- Bom dia, Jay – Jenny sorriu. – Quer? – Jenny ofereceu algumas torradas e Jade negou se sentando.
- Já tomei café, mas obrigada – Jade agradeceu.
- Quando eu cheguei achei que você seria a notícia do momento, mas fui pesquisar no Instagram da Garota Veneno e não tem nenhuma postagem sobre você, aliás, não tem nenhuma postagem do final de semana – Jenny explicou.
- O que ela tem para escrever? Não foi nada demais, nada que ninguém nunca tenha visto uma garota fazer nessas festas – Jade deu de ombros. Era estranho não ter nenhuma postagem, geralmente quando isso acontecia era porque vinha bomba por aí, mas Jade não queria pensar nisso. Queria mais era esquecer aquela noite – Mas e você? Como foi o seu encontro com o Henry? Aliás, esse já é o sexto encontro de vocês desde que ele e a Anna terminaram, né?
- Que sexto Jay, está louca? – Jenny se apressou em dizer e Jade riu. – Esse é o quarto e o Henry está sendo um fofo comigo – Jenny sorriu e Jade suspirou pensando em Peter. Por que ele tinha que mandar aquela mensagem falando tudo de ruim sobre ela? Se o Peter não tivesse mandado aquela mensagem para Jade, ela também poderia estar falando sobre o quanto o encontro deles tinha sido incrível, mas as coisas não ocorreram como ela imaginava.
- E dessa vez foi o quê? – Jade perguntou. – Te levou para jantar de novo ou pegaram um cinema?
- Nenhum dos dois – Jenny riu. – Ele é bem criativo quando quer, Jade, dessa vez ele me levou para dançar e passamos a noite juntos.
- Pelo menos o plano está dando certo – Jade disse olhando as mensagens no celular. – Vê se faz tudo direito, ok? E não deixa ele sentir saudades da Anna ou querer voltar com ela senão o nosso plano vai por água abaixo.
- Jade, eu não quero enganar o Henry, não estou com ele por causa do plano, você sabe disso.
- Eu sei, você está com o Henry porque você gosta dele e ele é o seu sonho, mas se o Henry voltar a gostar de você é um efeito colateral que por um acaso ajuda bastante no plano – Jade disse simplesmente e Jenny cruzou os braços – Olha, você só precisa continuar retomando seu relacionamento com ele, ok? Ninguém vai se magoar aqui, certo? Quer dizer, só a Anna, mas você entendeu.
- Eu já falei para você que eu não gosto e nem concordo com esse plano.
- Mas se não fosse pelo meu plano você nem estaria tendo uma chance para conquistar o Henry. Aproveita que a Anna largou ele porque se ela estalar os dedos ele volta para ela rapidinho e outra, você já concordou em ajudar a acabar com a Anna, então vê se para de querer desistir toda hora porque isso já está ficando chato – Jade falou e Jenny suspirou. Jade sabia como fazer uma pessoa se sentir culpada sem ao menos ter culpa, mas ela estava certa, tinha concordado em ajudar nesse plano então teria que ir até o fim.
- Tá bom, foi mal, prometo que vou parar de dar para trás toda hora.
- Ótimo – Jade se levantou. – Vamos, o sinal bate daqui a pouco.

Pátio do Beverly Hills High School – 07:40 AM
Anna chegou ao colégio e foi ao encontro de Kimberly e Marina.
- Bom dia, meninas – Anna cumprimentou as amigas e colocou a mochila em cima da mesa – Por que esse sorriso de coringa, Mari? Qual a novidade?
- Aninha, você não sabe da última – Mari disse animada.
- Claro que não, você ainda não contou – Anna zoou, e Marina deu língua para Anna.
- Ela está animada assim porque nossos pais ligaram dizendo que vão poder passar o Natal com a gente – Kimberly disse revirando os olhos.
- E por que você não está animada, Evans? – Anna perguntou sarcástica.
- Porque eu sei que eles vão dar o bolo na gente como sempre fazem – Kim disse pessimista.
- Eles prometeram dessa vez – Mari explicou.
- E desde quando isso significa alguma coisa? Eles já furaram com a gente tantas vezes, Mari – Kimberly olhou para irmã começando a enumerar nos dedos. – Eles não vieram no nosso aniversário, não vieram no 2 de julho, não vieram no dia de Ação de Graças e vão furar de novo no Natal.
- Você é um saco, Kimberly Antoine Evans – Mari reclamou cruzando os braços e Kimberly revirou os olhos.
- Já falei que não gosto quando me chama pelo nome todo, Marina – Kim reclamou.
- Não precisa ser tão pessimista, Kimmy – Anna pediu. – Se a Mari está feliz e tem esperança que seus pais vão vir no Natal, por que não deixa o pessimismo de lado e apoia ela? Dá essa força, vai.
- Tá – Kim cedeu. – Tudo bem, foi mal, Mari, mesmo que eu não acredite que eles vão vir para o Natal, eu vou te ajudar a fazer a ceia e fico feliz por você estar feliz.
Marina sorriu e abraçou a irmã.
- Tá bom, chega de tanto carinho – Kim riu e mudou de assunto. – Eu fiquei sabendo que o Pedro do time de futebol está organizando a maior saideira depois do intercolegial.
- Ué, mas o intercolegial não vai ser em outra cidade? Como que ele vai fazer uma festa? – Mari perguntou sem entender.
- Na verdade, eles cancelaram essa ideia de fazer o intercolegial em outra cidade já que as equipes que vão competir são de Los Angeles mesmo, então não faz sentido viajarmos daqui para outra cidade. Só em campeonatos maiores com mais equipes.
- E a festa vai ser na casa dele e bem depois do intercolegial – Kim explicou. – Vai começar depois das 20h, então vai dar tempo de se arrumar e tal – Kim sorriu. – Vai ser top, meninas, nós vamos arrasar nessa festa.
- Desculpe, Kim, mas eu não vou poder ir – Anna avisou.
- Como assim, Aninha? A festa vai ser para comemorarmos a nossa vitória no intercolegial e a garota mais popular da escola simplesmente diz que não vai? – Kimberly disse indignada.
- Olha, não é porque eu não quero ir, ok? – Anna reclamou – Meu pai avisou que vamos viajar para a Itália no dia 23 logo depois do campeonato. O que eu posso fazer? – Anna explicou. – Vamos viajar de noite, então vou ter pelo menos umas três horas antes de ir para o heliporto.
- Que chato, amiga – Kim reclamou. – Mas tudo bem, quando você voltar a gente faz uma festa e você vai.
- Tá bom, Kimmy – Anna riu.
- Que dia você volta, Aninha? – Marina perguntou.
- Depois do ano-novo, provavelmente dia 4 ou 5 de janeiro – Anna pensou –, já que as aulas voltam dia 6.
- Vamos falar de algo mais importante – Kim disse.
- Claro, os treinos para o intercolegial – Anna concordou.
- Nada disso, você vai nos contar sobre o seu encontro com o Jack – Kim disse sorrindo – Já se passou uma semana já e você não nos contou nada.
- Não aconteceu nada demais – Anna disse rapidamente torcendo a boca. – E nem foi um encontro, só saímos para conversar um pouco, aliás, nem tinha muito assunto já que só conversamos sobre a Jade e o Peter.
- Até nisso a sua irmã atrapalha, né? – Kim reclamou e Marina a beliscou – Por que você me beliscou, Marina?
- Não fala mal da irmã da Aninha na frente dela, é feio – Mari reclamou, e Anna riu. Marina tratava Kimberly como uma menininha.
- E eu estou falando alguma mentira? – Kim olhou para Anna – Desculpa amiga, mas a sua irmã é um saco – Kim falou e rapidamente colocou a mão no braço. – Não me belisca de novo.
- Tudo bem, Mari – Anna balançou as mãos mostrando que não ligava – Nós nos encontramos no shopping e eu confesso que foi um pouco estranho, não tínhamos assunto e nem tanta intimidade assim. A gente não tinha uma conversa civilizada há muito tempo, daí o assunto da Jade e do Peter apareceu na conversa e falamos sobre isso. Eu voltei para casa e ele disse que ia encontrar uns amigos. Só foi isso.
- Que sem graça – Kim falou, e Anna afirmou balançando a cabeça – Achei que vocês tivessem se pegado ardentemente – Kim falou naturalmente e recebeu dois beliscões. Um de Anna e outro de Marina – Ai!
- Essa você mereceu – Marina disse, e ela e Anna fizeram um high five.
- Estamos retomando a amizade aos poucos, mas ainda estamos meio sem graça um com o outro – Anna suspirou. – Mas pelo menos quando eu converso com o Jack eu me esqueço um pouco do Henry.
- Ainda sente falta dele, né, amiga? – Marina perguntou abraçando a amiga de lado.
- Um pouco – Anna admitiu. – Bem menos do que antes, mas ainda sinto sim. O Henry esteve comigo em um momento difícil da minha vida que foi quando a minha mãe morreu, mas como diz a minha vó “tudo na vida a gente supera”, então por que seria diferente comigo?
- Isso aí amiga, bola para frente – Kim disse com uma animação repentina e Anna e Marina riram.

07:58 AM
- Jack, não adianta tentar fazer eu mudar de ideia. Eu vou sair da equipe – Peter falava enquanto deixava algumas coisas no armário. Jack suspirou.
- Certo, já entendi. Você está decidido – Jack disse e Peter balançou a cabeça – Não vou mais insistir.
- Obrigado – Peter trancou o armário e o sinal bateu. – Nos vemos no treino quando eu for conversar com o treinador?
- Claro – Jack disse, e Peter se despediu do amigo indo para sala. Jack tinha um plano. Não podia deixar o amigo sair assim do time e sabia quem o ajudaria. Ele pegou o celular e digitou os números que ele já sabia de cor.
- Oi, Emma, será que você poderia me encontrar agora no shopping?

Shopping Beverly Center – 08:10 AM
Jack resolveu matar o primeiro tempo de aula e foi se encontrar com Emma que já estava o esperando na praça de alimentação.
- Oi, querido – Emma abraçou Jack – O que houve?
- Comigo está tudo ótimo, mas eu preciso falar com você sobre o Peter.
- Aconteceu alguma coisa com ele? – Ela perguntou preocupada.
- Não, não precisa se preocupar. O Peter está bem, mas eu precisava conversar com você sobre uma coisa. Ele me disse hoje pela manhã que vai sair do time do colégio.
- O quê? – Emma franziu a testa. Peter não tinha dito nada a ela sobre isso – Como assim sair do time? Por quê?
- Ele disse que iria sair do time para poder trabalhar e te ajudar – Emma balançou a cabeça – Olha, ele me contou sobre a sua situação financeira e você sabe que pode contar comigo e com o meu pai, né? Precisando de dinheiro ou se até quiser se mudar lá para casa, a gente não vai se opor. Vamos até gostar, na verdade.
- Obrigada, querido – Emma tocou o rosto de Jack em um carinho rápido. – Eu fico muito agradecida pelo apoio, mas eu já comecei a mandar currículos esses dias e estou com uma entrevista marcada para daqui a pouco. Se tudo der certo, vou conseguir um emprego hoje mesmo e vamos sair do vermelho – Emma sorriu. – Não quero que o Peter saia do time, ele queria tanto fazer parte dele.
- Por isso eu vim conversar com você. O que vamos fazer?
- Faremos assim, eu vou para a entrevista e você volta para o colégio, quando eu tiver notícias sobre o emprego, eu te mando uma mensagem e aí marcamos de almoçar juntos e eu conto ao Peter e convenço ele a não sair do time, que tal?
- Ótimo – Jack sorriu. – Você é a melhor, Emma!
- A essa hora não era para o senhor estar em aula?
- Bem, eu tive que matar a primeira aula para vir conversar com você – sorriu culpado.
- Não acredito que fez isso, Jack Austin Malloy – Emma bateu no braço do neto postiço e ele riu.
- Mas eu já estou indo, eu precisava dar um jeito nessa situação do Peter, Emma.
- Certo, só perdoo porque foi por uma boa causa – Emma riu. – E como está a Anna? Peter me contou que vocês tiveram um encontro.
- Não foi um encontro, foi só uma saída de amigos – Jack disse a mesma coisa que disse a Peter mais cedo. Emma arqueou uma das sobrancelhas e Jack suspirou. – Não foi como eu esperava, não tínhamos muito o que conversar, estávamos sem graça e acabou que só conversamos sobre a Jade e o Peter.
- Oh querido, não fique assim, por que não chama ela para sair de novo e dessa vez dar uma planejada? Tenta arrumar algum assunto sem ser a Jade e o Peter.
- Você acha que ela aceitaria? – Jack perguntou franzindo a testa – Tentar de novo?
- Claro, por que não? Você é um ótimo garoto, Jack – Emma sorriu. – Aposto que se você se esforçar um pouquinho, tenho certeza que ela aceita.
- Certo, vou pensar nisso.
- Ótimo – Emma olhou em seu relógio. – Está quase na hora da minha entrevista e você, senhor Malloy, precisa voltar para o colégio – Emma intimou, e Jack levantou rapidamente.
- Quer que eu te leve na entrevista?
- Não, querido, eu estou de carro, obrigada – Jack abraçou Emma e se despediram. Jack voltou para o colégio e Emma seguiu para a sua entrevista.

Beverly Hills High School – 10:30 AM
Durante o intervalo entre uma aula e outra, Anna foi até seu armário trocar os livros para sua próxima aula quando viu uma garota aparentemente novata se inscrevendo para fazer o teste para a equipe de líderes de torcida. Anna correu até ela.
- Oi – Anna disse tocando o ombro da garota e a mesma se virou – Eu vi que você ia se inscrever para a equipe de líderes de torcida.
- É, e daí? – A garota disse grosseiramente e Anna estava quase perdendo a sua cordialidade. Quase.
- E daí que os testes foram há três meses, no início das aulas. A equipe já está completa, então você não pode se inscrever para fazer o teste – Anna explicou tentando ser gentil.
- Ah é? Garota, você sabe quem eu sou? – A menina perguntou levantando um pouco a voz.
- E você sabe quem eu sou? – Anna perguntou arqueando uma das sobrancelhas.
- Não – a menina franziu a testa.
- Então estamos na mesma, porque eu também não sei quem você é e não me importo nem um pouco com isso – Anna puxou o papel de inscrições, rasgou e começou a andar deixando a menina irritada pela petulância de Anna.
- Escuta aqui – ela puxou o braço de Anna fazendo-a se virar – Eu sou Lucy. A melhor líder de torcida da minha escola.
- E quem perguntou? – Anna disse cínica puxando seu braço logo em seguida e voltando a andar.
- Você deve ser uma daquelas puxa sacos das populares, não é? – Lucy falou sarcástica – Bem se vê pela sua carinha de idiota – Anna riu. – Olha aqui, se você não sair do meu...
- Quer saber? – Anna se virou tendo uma ideia – Você tem toda razão, e como você é uma pessoa muito importante, a capitã da equipe vai ter a honra de fazer o teste com você hoje.
- Mas é claro que vai, eu sou a melhor – Lucy disse satisfeita. – Onde vai ser o teste?
- No campo de treinamento às 12h – Anna avisou.
- Ótimo – Lucy disse e esbarrou em Anna de propósito. – Garota idiota.
Anna queria gargalhar, mas faria isso mais tarde. Agora tinha aula e isso era mais importante do que uma novata achando que tem o rei na barriga.

Casa do Tyler Lombarddi – 11:15 AM
Dylan estacionou o carro em frente à casa do irmão e tocou a campainha. Diferente da casa de Dylan que era uma mansão com uma área verde extensa, garagem para vários carros, um deck com uma piscina enorme e diversos quartos, a casa de Tyler era pequena, igualzinha aquelas que vemos nos filmes americanos, tinha uma garagem que cabia dois carros: o de Tyler e o da esposa. Tinha um jardim pequeno na frente e nem ao menos tinha um andar para mais quartos. Tyler abriu a porta e sorriu para o irmão, abrindo espaço para o mesmo entrar. Tyler não tinha ido para o departamento de polícia hoje, mas tinha levado os papéis de alguns casos para casa e trabalhar neles por lá mesmo.
- E aí, cara, como você está? – Tyler perguntou indo até a cozinha, sendo acompanhado pelo irmão – Quer beber alguma coisa? Um café, uma água?
- Não, obrigado, Ty – Dylan se sentou em uma das cadeiras da copa da cozinha.
- A que devo a honra da visita do renomado cirurgião Dylan Lombarddi? – Tyler perguntou se servindo de café e fazendo um pouco de graça com o irmão.
- Eu vim saber se você e a Alice vão comigo, a Katherine e as crianças para a Itália no Natal – Dylan perguntou vendo o irmão descansar a xícara de café na bancada da copa.
- Não vamos. Na verdade, a Alice vai, eu é que não vou.
- Como assim a Alice vai e você não? Não era para a família toda viajar? Pelo que eu me lembro você também faz parte da família.
- Eu sei, Dylan, mas eu tenho assuntos para resolver – Tyler explicou e o irmão franziu a testa.
- A Teresa e o Guilhermo estão esperando por você.
- Bom, a Alice vai, então já é alguma coisa.
- Ty, o que está acontecendo? Você nunca faltou aos natais lá na Itália – Dylan perguntou apoiando os cotovelos na bancada – As crianças estão esperando por você, eles sentem sua falta, o que pode ser mais importante do que passar o Natal com a sua família?
- O meu filho – Tyler disse simplesmente vendo o semblante de Dylan mudar rapidamente.
- O Adam? Você o encontrou? – Dylan perguntou surpreso.
- Não, mas estou com algumas pistas e já marquei essa viagem para ir procurá-lo – Tyler levantou e foi até a janela bebericando seu café.
- Ty, você tem certeza disso? – Dylan perguntou preocupado – Você já recebeu diversas pistas sobre o Adam e muitas delas eram falsas. Você não acha que está na hora de desistir? O Adam sumiu há muitos anos, quando era bem pequeno.
- Você desistiria? – Tyler perguntou de repente.
- O quê? – Dylan franziu a testa.
- Você desistiria? – Tyler se virou e olhou para Dylan – Se houvesse alguma informação, pistas ou até mesmo um dado novo sobre o caso da Olivia, se houvesse alguma chance, possibilidade da Olivia estar viva, você desistiria de encontrá-la?
- Não! – Dylan disse imediatamente, se sentindo culpado – Eu faria o possível para encontrá-la e levá-la de volta para casa.
- Então, eu também estou fazendo isso, pelo meu filho – Tyler tornou a olhar para a janela. – Você sabe que eu sempre quis ser pai e o fato do Adam ter sumido, e a Alice não querer mais ter filhos é como um buraco enorme no meu peito que não consegue fechar e se depender de mim eu vou procurar pelo meu filho até o fim dos meus dias.
- A Alice sabe disso? – Dylan perguntou, e Tyler afirmou balançando a cabeça – O que ela disse?

*FLASHBACK ON – Horas antes*
Alice e Tyler estavam no banheiro. Ela estava tomando banho enquanto ele escovava os dentes.
- A Katherine me falou ontem que vamos viajar dia 23 de dezembro para o Natal – Katherine falava enquanto se ensaboava – Vamos preparar as malas porque teremos que estar antes das 20h no heliporto.
- Alice, eu preciso te contar uma coisa – Tyler falou quando terminou de escovar os dentes.
- Pode falar, querido, estou ouvindo.
- Eu recebi novas informações sobre o Adam – Tyler disse e Alice desligou o chuveiro – Vou viajar esses dias e conversar com a minha fonte sobre as pistas que ele tem sobre o nosso filho.
- Não! – Alice abriu o box se enrolando na toalha – Você não vai conversar com ninguém sobre o Adam.
- Mas eu descobri alguém que pode nos ajudar a encontrar ele, Alice – Tyler começou.
- Já chega! – Alice disse – Já chega disso, eu não quero saber.
- Você está louca? Temos a chance de poder ter o nosso filho de volta e você não quer?
- Não, eu não quero – Alice olhou para Tyler. – Tyler, você não lembra o quanto sofremos por causa do desaparecimento do Adam?
- Lembro, e é por isso mesmo que eu quero saber de uma vez por todas onde ele está, como ele está e se lembra de nós.
- E se ele estiver morto? – Tyler não respondeu – E se ao invés de você encontrar pistas sobre onde e como ele está, você receber informações de onde está o túmulo dele? Responde!
- Eu...
- Você vai chegar aqui abalado e com o coração completamente aos pedaços – Alice disse olhando para Tyler – E sabe o que eu vou fazer? Eu vou juntar os caquinhos e estar aqui por você, porque é isso que fazemos quando a gente ama alguém.
- Mas eu amo você também e estou fazendo isso exatamente por te amar, Alice.
- Não! Se você me amasse você pararia de insistir nisso porque deve saber que isso me magoa. Mas sabe o que você vai fazer? Vai insistir nisso porque é teimoso – Alice saiu do banheiro.
- Ali! – Tyler chamou – Você mais do que ninguém deveria entender o que eu sinto. Você acha que eu não quero mais ter filhos? Eu tinha esperança de encontrá-lo, mas eu também queria ter outros filhos, mas você me negou.
- E desde quando eu sou obrigada a ter mais filhos? Eu tive o Adam e ele sumiu. Chega! Acabou! – Alice abriu o guarda-roupa e pegou suas roupas.
- Você não é obrigada a ter outros filhos, mas eu esperava que você entendesse o meu lado e...
- E o quê? Resolvesse ter mais filhos com você? Eu tive o Adam e não foi planejado.
- Mas foi tão amado por mim quanto se nós tivéssemos planejado ele e é por isso que eu não vou desistir de encontrá-lo.
- Ótimo, mas saiba que eu irei para a Itália com a sua família sem você – Alice avisou e bateu a porta do quarto.
*FLASHBACK OFF*

- E você vai assim mesmo? – Dylan perguntou – Mesmo depois de ter brigado com a Alice?
- Vou! Eu não vou dar para trás agora. Se tiver uma chance, mesmo que pequena de encontrar o meu filho, eu vou lutar para conseguir – Tyler disse esperançoso.
- Então eu vou com você – Dylan falou e sorriu – Vou te ajudar a encontrar o Adam.
- Não! Você vai passar o Natal com a sua família. Você sabe que a Teresa não vai nos perdoar se não tiver pelo menos um de nós lá com ela – Tyler colocou a xícara na pia. – Mas obrigado pelo apoio – sorriu. – Avisa ao Luke e as meninas que quando eu voltar eu dou o presente de Natal deles. Sei que a Jade fica furiosa quando não recebe o presente dela primeiro – Dylan riu balançando a cabeça. – Valeu, irmão – Tyler abraçou Dylan.


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Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.


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