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Última atualização: 04/09/2020



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Capítulo 14

Campo de treinamento do Beverly Hills High School – 12:05 PM
Lucy caminhou até o campo de treinamento e viu o mesmo vazio.
- Aquela garota disse que a capitã da equipe estaria aqui às 12h, mas já são... – Lucy olhou o relógio de pulso – 12h05, será que ela me deu um bolo? – Lucy pensou e depois riu – Ela não seria louca – Lucy suspirou – Bom, vou esperar, eu preciso entrar na equipe ou não vou ser ninguém nessa escola.
Lucy sentou na arquibancada e ficou mexendo no celular esperando a equipe chegar.

Refeitório do Beverly Hills High School – 12:15 PM
O horário do almoço estava bem agitado e por incrível que pareça todos os alunos resolveram almoçar no colégio naquele dia.
- Jade, você não acha estranho a garota veneno não ter postado nada sobre o que você fez na festa e sobre o Peter ter desistido de você? – Jenny estava sentada com Jade em uma mesa do refeitório.
- Eu desisti do Peter primeiro, ok? Ele é um babaca que fica pagando de bonzinho, um idiota – Jade revirou os olhos tomando seu suco natural e Jenny colocou uma garfada de seu almoço na boca – E ainda bem que a garota veneno não postou nada, se não poderia dar problema no clube de teatro, já que a minha professora tem uma política anti má reputação porque pode pegar mal para o clube.

Em outra mesa um pouco distante
- Eu estou achando esse silêncio da garota veneno sobre o show da sua irmã na festa da Sasha muito suspeito, Aninha – Kim disse mastigando seu sanduíche natural e Anna riu do modo que a garota falou.
- Primeiro: é feio falar de boca cheia – Anna reclamou e Kim torceu o nariz – E segundo: eu até gostei, sabe? Porque pelo menos as pessoas não ficam perdendo tempo lendo essa página idiota que só faz fofoca.
Kim revirou os olhos e Marina chegou junto com Zack. Os dois puseram suas bandejas na mesa.
- Oi, meninas – Mari sorriu.
- Por que você trouxe o Zack? – Anna logo perguntou e Zack olhou para ela.
- Porque eu sou o namorado dela – ele disse sorrindo sarcástico e Anna torceu o nariz.
- Por enquanto, queridinho – Anna disse sorrindo sarcástica que nem Zack.
- O que quer dizer com isso? – Zack perguntou já com raiva.
- Quero dizer que em alguma hora a Mari vai ter um momento de epifania e vai perceber que você é só mais um babaca e aí ela vai te dar um pé na bunda, idiota – Anna disse sarcástica já ficando com raiva também. Ela sentiu seu celular vibrar dentro da bolsa de ginástica e pegou o celular.
- Querem parar vocês dois? – Mari pediu – Que coisa, vocês não podem se encontrar que já brigam – Anna abriu a mensagem que era da treinadora. “Preciso falar com você. Venha até minha sala após o almoço”
- Sua amiguinha que começou.
- E a amiguinha já está indo embora – Anna levantou e Marina foi atrás dela.
- Será que você e a Aninha não podem dar uma trégua? Isso já está ficando chato – Kim reclamou – Fazemos parte do mesmo grupo, esqueceu?
- A Anna que é cheia de mimimi – Zack reclamou – E para de reclamar comigo – Kim bufou revirando os olhos. Zack é um babaca.


***

- Aninha! – Mari chamou alcançando Anna e ela parou no caminho – Pra onde você vai?
- A treinadora pediu para eu encontrar ela depois do almoço – Anna disse simplesmente e cruzou os braços.
- Mas o horário do almoço nem acabou e você nem comeu nada.
- Perdi a fome – Anna deu um sorriso sem muita vontade.
- Por que você está zangada com o Zack? – Mari perguntou.
- Eu não estou zangada com o Zack – Anna disse – Estou zangada com você – Mari franziu a testa.
- Comigo? O que eu fiz? – Ela perguntou preocupada.
- Como você consegue ficar com alguém como ele? – Anna perguntou olhando para a amiga – Ele é grosso, mal-educado e agressivo, você não sabe o que ele fez com o Jack no treino?
- Eu fiquei sabendo, mas foi um desentendimento entre colegas de time – Mari explicou – E eu gosto dele, Aninha, você sabe disso, eu tento ver o lado bom das pessoas e eu acho que o Zack pode mudar – Mari disse esperançosa.
- Mari, você acredita em Papai Noel? – Anna perguntou suspirando e emendou sem deixar Mari responder – Quer saber? Faz o que tem que fazer, mas não tenta forçar uma amizade entre eu e ele porque não rola – Anna saiu deixando Marina sozinha.

Mari voltou para o refeitório e sentou com Kim e Zack.
- Cadê a louca? – Zack perguntou zombando de Anna.
- Para, ok? Não chama ela assim – Mari reclamou e ele levantou as mãos.
- Onde ela foi? – Kim perguntou.
- Disse que a treinadora pediu para ela ir até a sala dela – Mari explicou e o seu celular vibrou. Era uma mensagem de Anna. Marina franziu a testa e abriu a mensagem. “Só toma cuidado porque o Zack não é tão confiável quanto aparenta, afinal se ele não te leva para conhecer a família dele, é porque tem algo para esconder”
- Mensagem de quem, amor? – Zack perguntou tentando ler a mensagem. Mari bloqueou o celular rapidamente.
- Operadora – Mari mentiu sorrindo rapidamente. Zack deu de ombros e Kim começou um assunto aleatório com eles, mas a mensagem ainda pairava na cabeça de Marina. Anna tinha razão. Se Zack tinha tanto receio de apresentá-la para sua família era porque estava escondendo alguma coisa e ela precisava descobrir o que era.
- Galera, a garota veneno fez um novo post – uma garota disse alto no meio do refeitório e todos que estavam no lugar pararam o que estavam fazendo e pegaram seus celulares entrando na página para ver a nova postagem.

Vocês acharam que ia passar batido? (Tinha uma seleção de fotos: A primeira era Jade dançando em cima mesa, a segunda tinha Jade já sem blusa apenas com o sutiã e com uma cerveja na mão, a terceira tinha Peter com Jade nos ombros levando-a para fora da casa e a quarta era um vídeo de Jade e Peter discutindo)
O que dizer desse casal que mal começou e já terminou? Parabéns Jade, você conseguiu afastar mais alguém da sua vida, mas também com esse gênio quem ia querer ficar perto, não é?
Mas tem um ponto positivo nessa história pelo menos para as garotas. Peter Collins está disponível, inconsolável e prontinho para receber um carrinho da primeira que aparecer, então boa sorte para as garotas que vão disputar o coração do boy. Beijinhos e até a próxima fofoca.


***

- Tadinho do Peter, acho que vou falar com ele mais tarde, dar um apoio – uma garota falou enquanto tomava um gole do seu refrigerante.
- Sei bem o apoio que você quer dar para ele – o garoto que estava sentado na frente dela disse com um olhar maldoso e a garota riu.

***

- Essa garota devia aprender a tratar bem os outros, que vaca – uma outra garota falou lendo o post da garota veneno.

***

- É por isso que ela só tem a Jennifer como amiga, nem os irmãos suportam ela. Tadinho do Peter – outra garota falou vendo as fotos do post da garota veneno.

***

- Olha a carinha do Peter, que decepção, tadinho.

***

Todos os alunos comentavam sobre a postagem da garota veneno e Peter não estava gostando nada dessa fofoca.
- Quem ela pensa que é para falar assim de mim? A garota veneno disse que eu estou inconsolável pelo que aconteceu – Peter reclamou com Jack em uma das mesas do refeitório.
- E você não está? – Jack perguntou confuso.
- Estou, mas ninguém precisa saber – Peter falou e Jack revirou os olhos – Ela só faltou me chamar de coitadinho.
- Relaxa, ninguém vai saber que você chorou que nem um bebê por causa disso – Jack disse fazendo graça e Peter o olhou com cara de poucos amigos, o que fez o garoto levantar as mãos como se dissesse “não está mais aqui quem falou” – Foi mal cara – se desculpou – Mas relaxa, ok? Não é como se você fosse virar o centro das atenções por causa dessa besteira que a garota veneno postou.
Peter balançou a cabeça tentando se convencer daquilo, pelo menos, até olhar ao redor. Todas as pessoas do refeitório estavam olhando para a mesa deles. Estava acostumado com tantos olhos em cima dele já que era jogador do time do colégio, mas não estava acostumado com aqueles olhares. Olhares de pena.
- Vamos sair daqui, não quero essa galera toda me olhando com pena – Peter disse e levantou, sendo seguido por Jack. Ambos saíram do refeitório.
- Emma me mandou uma mensagem mais cedo perguntando se não queríamos almoçar com ela. Vamos? – Jack perguntou e Peter logo balançou a cabeça.
- Acho ótimo, não queria almoçar aqui mesmo.

***

Jade estava se sentindo desconfortável com tantos olhares em cima dela e se irritou levantando da cadeira.
- Parem de ficar me encarando como se eu fosse louca – Jade falou alto – Eu não devo nada a vocês.
- Deve ser por isso que ninguém gosta de você – uma garota falou e isso só aumentou mais a raiva de Jade.
- Não vale a pena, Jay – Jenny segurou o braço da amiga quando ela ameaçou chegar perto da garota – Vem, vamos sair daqui – Jenny puxou Jade para fora do refeitório.

Sala da treinadora – 12:20 PM
- Ah que bom que você chegou, tenho algumas recomendações para te dar antes de ir – a treinadora disse assim que Anna entrou em sua sala.
- Ir? – Anna perguntou sentando em uma cadeira em frente à mesa – Ir pra onde?
- Bom, sobre isso – a mais velha começou – Eu não vou poder acompanhar a equipe nesse intercolegial, vou precisar resolver alguns problemas e por isso eu conto com você para assumir o meu papel – sorriu e Anna franziu a testa – Você vai ter que fazer a medição das meninas, continuar os treinos e manter a ordem na equipe durante todo o intercolegial.
- Não é problema, eu já faço isso mesmo – Anna deu de ombros – Mas você vai viajar de novo? Você não acha que está deixando a equipe de lado demais, não?
- Isso que eu estou ouvindo são reclamações? – A mulher perguntou se levantando da mesa e olhou para Anna.
- Eu só acho que... – Anna tentou se explicar, mas a treinadora a cortou.
- Eu não me lembro de ter pedido a sua opinião – Anna comprimiu os lábios sem graça e suspirou.
- Certo, desculpa – Anna levantou – Era só isso?
- Sim, pode ir – Anna saiu da sala.

Sala de teatro – 12:25 PM
- O que faz aqui tão cedo? – A professora de teatro perguntou assim que entrou na sala e viu Jade lendo um roteiro.
- Eu terminei meu almoço mais cedo e vim repassar o texto para o próximo ensaio – Jade mentiu e não esperou a professora dizer nada, apenas voltou a ler o roteiro.
- Que bom que apareceu porque era exatamente sobre isso que eu queria falar com você.
- Algum problema, Trisha? – Jade voltou sua atenção para a mais velha.
- Sim, eu gostaria muito que você me explicasse o que é isso? – Trisha pegou o celular e mostrou a Jade. Jade pôde perceber que o que a professora mostrava era a matéria postada pela garota veneno no Instagram e já contava com mais de dez mil visualizações. O que era muito para uma página de fofocas de colégio.
- Eu posso explicar – Jade pediu e a professora fez um sinal com a cabeça pedindo para ela prosseguir – O Peter me pediu para eu sair com ele e eu aceitei, mas quando chegou no dia, ele me mandou uma mensagem cancelando o encontro e dizendo coisas horríveis para mim, então eu resolvi dar o troco e fui nessa festa de uma das garotas da equipe de líderes de torcida, aí ele foi até lá querendo explicação por eu não ter ido ao encontro sendo que ele mesmo desmarcou, então nós discutimos.
- Discutiram? O que eu vi nesse vídeo foi você humilhando o garoto, Jade – Trisha disse – Você sabe o que estão falando sobre você agora?
- Sei, eu já ouvi o suficiente no refeitório – Jade explicou – Por isso eu vim para cá.
- Você sabe que eu tenho uma política anti má reputação para que não haja repercussão ruim nas peças, não sabe?
- Sim, eu sei – Jade comprimiu os lábios – Mas eu...
- Se você sabe o que estão dizendo, você também sabe o que eu devo fazer com você, não é mesmo? – Jade franziu a testa não entendendo o rumo da conversa – Você está sendo retirada do papel principal da peça do início do semestre depois das festas de final de ano e está suspensa do clube de teatro por tempo indeterminado.
- O quê? Você não pode fazer isso, eu... essa peça... esse clube é muito importante para mim, Trisha.
- Sinto muito Jade, mas você está suspensa do clube de teatro – Trisha disse pesarosa – Pelo menos até toda essa fofoca sobre o que aconteceu naquela festa passar.
- Por favor, Trisha – Jade pediu se segurando para não chorar – O teatro é a coisa mais importante para mim, você sabe que eu dou tudo de mim nas apresentações e...
- Eu sei de tudo isso, mas o que você fez naquela festa... com aquele garoto... foi inadmissível – Trisha disse firme – Eu sinto muito, mas essa é a minha decisão final – Trisha saiu da sala.
Jade não conseguia se mexer. A única coisa que conseguia sentir era dor. Jade cravou as unhas nas palmas das mãos já machucadas tentando focar a raiva em algum lugar, mas a quem queria enganar? A única culpada era ela. Depois que Olivia morreu a sua válvula de escape para camuflar a dor da perda da mãe, o afastamento da família e a sua raiva pela irmã era o teatro. A única coisa que conseguia fazer no momento era chorar, mas precisava ir para outro lugar para não correr o risco de alguém a ver daquele jeito.

***

- É claro que ela não vai ver a apresentação da equipe, ela nunca vai mesmo – Anna falava sozinha depois de sair da sala da treinadora – Agora vou ter mais trabalho, fala sério – Anna resmungou e entrou no banheiro. Jade estava lá, de costas para a porta e com a cabeça baixa – Oi Jade! – Anna cumprimentou e Jade não se mexeu deixando Anna desconfiada – Sem gritos ou xingamentos? Olha que progresso – Anna disse sarcástica e se aproximou de Jade se assustando com o que viu. A pia estava com alguns respingos de sangue e o lugar de onde vinha o sangue eram as mãos de Jade – Meu Deus, o que aconteceu com as suas mãos?
- Não foi nada – Jade disse levantando o rosto.
- Como nada? As palmas das suas mãos estão machucadas – Anna tocou o rosto da irmã que estava com os olhos vermelhos e a maquiagem borrada – Você andou chorando?
- Chorando? Claro que não, o meu rosto é assim mesmo ou você nunca percebeu que eu tenho a cara do coringa? – Jade perguntou sarcástica se escorando na parede e escorregando até se sentar no chão – É óbvio que eu estava chorando.
- Não precisa ser grossa, eu só estou querendo ajudar – Anna disse.
- Eu não pedi a sua ajuda e não estou no clima de aturar perguntas idiotas – como sempre Jade respondeu Anna de maneira grossa, mas dessa vez Anna não esboçou reação, apenas se sentou do lado da irmã e ficou quieta – O que você está fazendo?
- Estou esperando você melhorar para me contar o que aconteceu para eu poder te ajudar.
- E quem disse que eu vou te contar alguma coisa?
- Bom, você ainda não me expulsou do banheiro, então já é um progresso – Anna disse e Jade riu pelo nariz – Eu sei que você preferiria ter qualquer outra pessoa aqui com você do que eu, mas se serve de consolo hoje também não é o meu melhor dia.

- O quê? Anna Lombarddi tendo um dia ruim? Essa é nova – Jade zombou da irmã que riu gostando da pequena interação – mesmo que cheia de provocações – que estava tendo com a irmã, apenas alguns meses mais velha – O que aconteceu de tão ruim para ter estragado o dia da rainha do colégio?
- Não é tão ruim quanto o seu deve ser visto que você machucou as mãos e até chorou, mas talvez eu te faça rir com o meu problema idiota – Jade suspirou.
- Pode contar – pediu encostando a cabeça na parede fechando os olhos – Estou ouvindo.
- Bem – Anna pigarreou e continuou – A treinadora acabou de me avisar que não vai poder ir na apresentação da minha equipe no intercolegial – Anna olhou para Jade que continuava com os olhos fechados – E para variar me deixou encarregada de fazer o papel dela na equipe – Jade riu.
- Ela costuma fazer isso? – Jade perguntou.
- Sim, ela viaja bastante e na maioria das vezes, eu que cuido da equipe sem ela, então basicamente faço o meu trabalho e o dela – Jade balançou a cabeça – Mas então, o que houve com você? – Anna já estava acostumada com o que a treinadora fazia, então mudou de assunto fazendo Jade olhar para ela como se não entendesse o que a irmã queria dizer – Eu contei o meu problema idiota, agora é a sua deixa para você me zoar, gritar ou me contar o que aconteceu – Anna disse e Jade ponderou – Estou preparada para qualquer uma das opções – Anna não sabia o que esperar de Jade, sabia que a irmã era imprevisível e que em um momento poderia não estar gritando com ela, mas no momento seguinte poderia muito bem dar a louca e jogar algo na cara dela – Olha, tudo bem, se você não quer falar o que aconteceu, eu entendo – Anna se levantou e caminhou até a porta.
- Eu fui suspensa do clube de teatro... e não sou mais a protagonista da peça que estão produzindo – Jade mordeu o lábio inferior – Vão me substituir.
- Mas... por quê? Você é a melhor atriz daquele clube – Anna perguntou franzindo a testa.
- Pelo que aconteceu na festa da Sasha Folley – Jade disse simplesmente.
- Pelo show que você deu em cima da mesa ou pela briga com o Peter?
- Pelos dois. Segundo ela, eu humilhei o Peter.
- Mas você humilhou o Peter.
- Ele mereceu – Jade se alterou um pouco, mas se recompôs logo em seguida.
- Mas o que tudo isso tem a ver com o clube de teatro? – Anna perguntou sem entender os motivos para Trisha ter suspendido Jade do clube.
- A Trisha tem uma política anti má reputação – Jade explicou revirando os olhos – E por isso nenhum dos integrantes do clube do teatro pode se envolver em brigas ou polêmicas porque pode tirar o interesse das pessoas em assistir as peças.
- Mas isso não faz sentido, nenhuma equipe ou grupo é livre de ter problemas, isso faz parte da nossa vida.
- Isso é tudo culpa do Collins – Jade falou alto – Eu só humilhei ele pelo que ele fez comigo.
- Como assim o que ele fez com você? Foi você que deu o cano nele, lembra? Jade, você não apareceu no restaurante para o encontro que ele planejou para vocês.
- É claro que você iria defender o Collins, não é? – Jade olhou para Anna com raiva – Pois saiba que foi ele quem desmarcou o encontro e ainda falou coisas horríveis para mim. Tudo isso feito pelo celular, por mensagem de texto. Ele nem ao menos se dignou em olhar na minha cara e falar tudo o que disse por mensagem.
- Espera! Jade, isso não faz sentido nenhum. O Peter disse que esperou você no restaurante e você deu o bolo nele.
- É, mas eu só dei o bolo nele por causa da mensagem que ele me mandou – Jade suspirou – Quer saber, eu não quero mais falar sobre isso. Tchau!
- Espera! Você não me contou o que houve com a sua mão.
- Eu cravei as unhas nas palmas das mãos por isso o machucado, fiquei com raiva e chorei também – Jade disse rápido – Pronto, satisfeita? – Jade perguntou sorrindo sarcástica – Tchau! – Disse saindo do banheiro sem deixar Anna falar.

Campo de treinamento – 12:20 PM
Lucy ainda esperava no campo de treinamento, mas quando viu algumas pessoas saindo para almoçar se deu conta que aquela garota que tinha encontrado mais cedo tinha a enganado. Ela disse que a capitã estaria no campo ao meio dia e ela não apareceu. Ela nem deve ter dado o recado. Aquela vaca.
- Não acredito que aquela garota me deu um perdido – Lucy disse irritada – Ah, mas ela vai me pagar – Lucy pegou suas coisas e sentiu seu estomago roncar constatando o óbvio – Mas só depois do almoço por que eu estou morrendo de fome.

Restaurante Shiloh’s – 12:30 PM
Jack e Peter entraram no restaurante onde Emma já os esperava.
- Oi, Emma – Jack cumprimentou Emma.
- Oi, vó – Peter sorriu cumprimentando a mais velha também. Ambos se sentaram.
- Oi, queridos – Emma sorriu – Como foi a aula de vocês?
- Bem – Jack respondeu simplesmente – Sem muitas novidades.
- Olá, eu sou o maitre e estou aqui para receber seus pedidos – um homem com um terno elegante disse e sorriu – Aqui estão os cardápios para os rapazes e para a senhora – ele entregou os cardápios e esperou.
- Certo, eu vou querer um filé à milanesa com molho de alcaparras e rúcula – Peter sorriu e fechou o cardápio.
- Bem, eu vou querer um paillard desossado e empanado de peito de frango com molho de limão e arroz com brócolis – Jack pediu.
- E a senhora, madame? – O homem perguntou olhando para Emma que sorriu.
- Vou querer um ragu de carne moída, refogada com tomate, alho e azeite.
- Certo, e o que vão querer para beber?
- Três sucos de frutas vermelhas – Emma pediu entregando os três cardápios para o maitre.
- O pedido dos senhores chegará em breve, com licença – o homem pediu e se retirou.
- Eu nunca vi uma pessoa tão educada quanto esses maitres de restaurantes – Peter falou admirado.
- Você cortou o meu barato, Emma – Jack disse – Eu ia pedir dois martinis.
- Sem álcool para vocês – Emma disse como se fosse óbvio e os meninos reviraram os olhos – Então Peter, quando você ia me contar que vai sair do time de futebol? – Perguntou a mais velha, direta.
- Você contou para ela? – Peter perguntou olhando indignado para Jack – Você me prometeu que não ia contar nada.
- Não, eu não prometi nada – Jack olhou para o amigo que estava com raiva – Olha cara, o time é importante, não só para mim, mas para você também. Se você sair, como vai conseguir pontos extras para a faculdade? A equipe de futebol é uma extracurricular e você sabe como é importante ter um extracurricular para ter chances de entrar numa faculdade da liga ivy.
- O Jack está certo, Peter. Estar no time é muito importante.
- Vó, eu vou sair do time para te ajudar. Agora que você está sem emprego precisamos de renda extra para pagar as contas e ajudar em casa.
- Eu disse para não se preocupar com isso, Peter – Emma reclamou.
- Mas eu me preocupo e...
- Mas não precisa. Até porque eu já consegui um emprego – Emma disse interrompendo Peter.
- Você conseguiu passar na entrevista? – Jack perguntou sorrindo.
- Consegui – Emma sorriu também.
- Do que vocês estão falando? – Peter perguntou confuso.
- Eu fui a uma entrevista de emprego hoje e consegui a vaga.
- E você contou a ele e não me contou? – Peter perguntou com um pouco de ciúme.
- Não, cara, eu matei a primeira aula de hoje e fui me encontrar com a Emma para falar sobre você querer sair do time. Aí ela estava indo para a entrevista e me contou, por isso eu sei – Jack explicou e Peter balançou a mão mostrando que não estava zangado.
- Então você conseguiu um emprego? – Peter perguntou e Emma balançou a cabeça confirmando – Onde?
- No hospital Lombarddi. Sou a nova enfermeira chefe de lá – Emma sorriu – O doutor Dylan foi muito gentil comigo e ainda me ajudou antecipando metade do salário para pagar as contas desse mês que estão atrasadas – Emma disse olhando para os meninos mostrando que estava contente. Eles ficaram impressionados com a gentileza de Dylan.
- Então voltamos a ter estabilidade? – Peter perguntou e Emma balançou a cabeça – Mesmo assim vó, eu posso ajudar arranjando um emprego meio período e posso sair do time.
- Não! Eu quero que continue no time, eu lembro de como você estava feliz por ter entrado na equipe com seu melhor amigo – Emma pediu pegando na mão do neto – Por favor, Peter, fique no time.
- Está bem – Peter cedeu – Mas eu vou trabalhar nas férias, ok?
- Não precisa, Peter.
- Mas eu quero – Peter disse firme – E ainda posso guardar um dinheiro para uma emergência.
- Ok, mas esse dinheiro você pode guardar para você sair ou comprar algo que queira, certo? – Emma sorriu e Peter concordou.
- Desculpem a demora – um garçom apareceu trazendo um carrinho com as bandejas dos pratos e os colocou na mesa – Bom almoço – o garçom colocou guardanapos, talheres e os sucos na mesa também e saiu.
- Finalmente – Jack disse fazendo Peter e Emma rirem começando a comer.

12:55 PM
Depois de Anna ter conversado com Jade no banheiro, ela resolveu almoçar. Anna foi até o Burger King e comeu um hambúrguer com milk-shake. Isso fugia completamente da dieta dela, mas ela não estava ligando. A treinadora podia colocar todo o trabalho em cima dela e ela não podia fugir da dieta? Anna não subia de peso facilmente e apesar de estar comendo besteira há algum tempo ela fazia academia, então qual era a probabilidade de engordar? Anna voltou para o colégio e passou pelo pátio vendo algo que a fez parar de caminhar. Jenny e Henry estavam sentados em uma mesa um pouco distante da entrada do colégio e ele parecia dizer algo muito bom porque Jenny estava sorrindo muito. Anna conseguiu ver quando Henry pegou na mão de Jenny e beijou as costas da mão. Anna suspirou sentindo falta desses momentos. Talvez não com ele, mas sentia falta de alguém que gostasse dela. Só dela.
- É melhor eu sair daqui, não vou ficar me martirizando olhando o Henry seguir com a vida dele enquanto eu sinto falta de um relacionamento que acabou – Anna falou sozinha e entrou no colégio.

13:10 PM
Kim viu Anna no armário arrumando alguns livros e resolveu ir falar com ela.
- Onde você foi, Aninha? Te procurei depois do almoço, mas não te encontrei – Kim perguntou assustando Anna que estava distraída.
- Que susto, Kim – Anna pôs a mão no peito mostrando que tinha se assustado e Kim soltou o ar pelo nariz sorrindo culpada.
- Desculpa, não quis te assustar – Kim se desculpou e Anna abanou as mãos mostrando que estava tudo bem – O que foi que aconteceu? Você parece triste.
- Ah nada, eu só estou cansada.
- É por causa do Zack? Se for por isso você não precisa ficar assim.
- Você acha que eu ia perder o meu tempo ficando triste por causa do Zack? Me poupe, Kimberly.
- Tá, desculpa, mas por que você ficou tão irritada pelo Zack ter sentado com a gente? – Kim perguntou confusa – Foi meio estranho, parecia que você estava com...
- Com o quê?
- Com ciúme do Zack – Kim disse e Anna franziu a testa.
- Ficou maluca? – Anna perguntou irritada – Eu com ciúme do Zack? Você só pode estar de brincadeira com a minha cara.
- Desculpa, Aninha, eu não devia ter dito isso.
- Você já pediu desculpas três vezes nessa conversa Kim, se pedir uma quarta eu vou jogar esse livro na sua cara – Anna disse sarcástica e Kim cruzou os braços esperando uma resposta pela discussão com Zack – Olha, eu não gosto do Zack. Você sabe disso. A Marina sabe disso e o próprio Zack também sabe, então eu não quero estar perto de pessoas que eu não gosto. É tão difícil de entender isso?
- Eu só quero entender por que todo esse ódio pelo Zack. Há alguns meses você não ligava para o que ele fazia e hoje parece que tudo que ele faz te incomoda – Kim falou esperando uma explicação da amiga que ficou calada – Do que você tem medo? Que ele magoe a Mari?
- Eu não confio nele, Kimmy – Anna disse com um tom diferente do habitual. Um tom temeroso.
- Ele te falou alguma coisa? – Kim perguntou sentindo o celular vibrar – Ele te fez alguma coisa?
- Não – Anna respondeu rapidamente e suspirou em seguida – Eu só quero que a Mari tome cuidado com ele, até porque essa história dele não falar sobre os pais e nem levar a Marina para conhecê-los é bem estranha – Kim concordou pegando seu celular que estava no bolso do blazer do uniforme. Era mensagem da Angelina.
- Angelina mandou mensagem dizendo que ela e as garotas já estão no ginásio – Kimberly disse lendo a mensagem no visor.
- Vou só terminar de arrumar a mochila e já vou – Anna virou para seu armário dando o assunto por encerrado.
- Você está brava comigo?
- Não – Anna disse olhando para a amiga – Se eu fosse me chatear por cada coisa que você me dissesse, a gente não se falaria mais – Kim sorriu abraçando Anna e saiu indo para o ginásio. Anna fechou a porta do armário e caminhou pelo corredor.

Ginásio – 13:38 PM
- Angelina – Anna chamou e a mesma parou a conversa com Claire e olhou para sua capitã – Pode vir aqui um minuto? Preciso conversar com você.
Angelina se levantou, falou algo para Claire e foi até Anna.
- Que foi, Aninha?
- Eu vou ser franca e direta com você, Angie – Anna disse com o semblante sério – Eu não gosto de fofocas. Você sabe bem disso, certo?
- Sim, Aninha, eu sei – Angelina balançou a cabeça afirmando – Mas por que você está me dizendo isso?
- Porque a Jenny foi vítima de uma brincadeira... muito sem graça por sinal – Anna disse séria – O uniforme dela foi roubado no vestiario.
- E daí? – Angelina perguntou ficando na defensiva – O que eu tenho a ver com isso?
- O que você tem a ver com isso? Tem a ver que a Jenny me disse que ouviu você falando com a Claire no banheiro – Anna explicou – Exatamente sobre como vocês iam se livrar do uniforme dela e o motivo pelo qual vocês fizeram isso.
- E você acreditou nela? – Angie disse claramente chocada e Anna levantou a sobrancelha – Não acredito que está me acusando dessa man...
- Sem drama, Angelina – Anna pediu – Eu vou explicar só uma vez para que não haja dúvidas. Eu não tenho tempo para ficar perdendo resolvendo picuinha, ok? Se você me disser que não foi você que pegou o uniforme da Jennifer, eu vou ser obrigada a suspender as duas dos treinos e do intercolegial porque obviamente uma das duas está mentindo – Angelina ia começar a falar, mas Anna levantou a mão e olhou para ela com uma cara nada amigável – Além de deixar a equipe desfalcada para o intercolegial, eu não quero nem por um minuto pensar na possibilidade de perder essa competição, então por favor, se foi você, me poupe o trabalho de investigar quem fez isso e assume logo...
- Está bem, fui eu – Angie confessou – Eu só estava dando um aviso de que as coisas não iam ser fáceis para ela na equipe. Ela não vai simplesmente chegar e tudo que ela fez vai ser esquecido.
- Quem decide se as coisas vão ser fáceis ou não para ela na equipe sou eu, Angie – Anna reclamou – E outra, você não tem que se meter em nada, esse assunto não te diz respeito – Anna balançou as mãos no ar – Eu não vou me prolongar mais nesse assunto, quero que peça desculpas a Jennifer para começarmos logo o treino.
- O quê? Pedir desculpas? Está louca? Eu não vou fazer isso, eu... – Angie disparou a falar.
- Você prefere ir se desculpar ou estar fora da equipe? – Anna perguntou.
- Eu quero estar na equipe, mas... – Angie tentou dizer, mas Anna cortou logo o assunto.
- Foi o que eu pensei – Anna disse se virando – Jenny, chega aqui – Anna chamou e Jenny correu até ela e Angelina – Vai Angie, pode começar.
- Eu... – Angelina hesitou e Anna levantou as sobrancelhas incentivando-a falar – Queria me desculpar por... – Angelina travou novamente e suspirou falando rapidamente – Ter pegado o seu uniforme e sumido com ele. Pronto, falei.
Alguns minutos se passaram e aquele pedido de desculpas pegou Jenny totalmente surpresa. Afinal, não sabia que Angelina confessaria tão rápido para Anna o que tinha feito.
- Tá, eu te desculpo sim – Jenny disse sem querer prolongar muito aquele assunto – Só não faz isso de novo porque da próxima vez, eu vou diretamente falar com o diretor – Jenny disse em um tom de ameaça fazendo Angie arregalar um pouco os olhos. Anna riu pelo nariz
- Anda, vai se aquecer, nós já vamos começar o treino – Angie balançou a cabeça e saiu – Você mandou bem.
- Você achou? – Jenny perguntou.
- Sim! A Angelina fala, mas não faz nada. Com ela você tem que ter pulso firme, senão ela vai achar que pode fazer essas brincadeiras idiotas quando tiver vontade.
- Agora eu já sei, obrigada – Jenny agradeceu e quando Anna começou a caminhar ela a chamou – Estamos bem? Quero dizer... Eu e você? Sem mágoas ou ressentimentos?
- Por que a pergunta?
- Eu percebi que você viu eu e o Henry juntos quando chegou do almoço – Jenny disse um pouco sem graça – Eu queria saber se você ficou muito chateada com o que viu.
- Jenny, eu... – Anna suspirou não sabendo descrever o que ainda sentia por Henry, mas não queria deixar a situação mais estranha – Fico feliz pelo Henry estar com alguém que ele realmente queira estar. E fico muito feliz também em saber que você se preocupa com a minha opinião, mas de verdade, não se preocupa comigo não, eu só quero que o Henry esteja feliz – Anna sorriu engolindo seu orgulho e os sentimentos também – Vem, vamos treinar, ok?
- Ok! – Jenny balançou a cabeça sorrindo. Estava feliz por estar conquistando a confiança de Anna e por estar com o cara que ela gostava. E mesmo que Jade achasse que Jenny estava se aproximando de Anna por causa do plano, não era verdade. Jenny queria se aproximar de Anna para recuperar sua amizade e tentaria fazer Jade mudar de ideia quanto ao plano. Não sabia como, mas tentaria.

14:00 PM
- Sério que não tem problema você ficar aqui? Você não tem treino? – Mari perguntou a Zack que estava sentado na cadeira em frente à mesa dela.
Eles estavam na sala reservada para o grêmio estudantil. Mari estava arrumando algumas fichas de assuntos para o debate que o grêmio teria na próxima semana enquanto Zack mexia em seu celular.
- Não, o treinador liberou o time hoje – disse tirando os olhos do celular – Na verdade ele está só com alguns jogadores lá no campo porque ele está fazendo adaptação com o Matteo. Aquele novo jogadorzinho, sabe? – Zack disse com desprezo e Mari percebeu o tom de sua voz.
- Por que esse tom? – Disse olhando por cima dos óculos de grau que usava para descanso – Você não gosta dele?
- Não, o cara é o maior pé no saco – Zack bufou – Educadinho demais, engomadinho demais, chatinho demais. Tudo demais, Marina.
- Tudo isso é por que ele é da mesma posição que você no time, é? – Marina zombou do namorado – Dá uma chance para ele. Ele é um cara legal – Mari sorriu lembrando o quanto Matteo foi educado e cavalheiro com ela. Coisa que ela não via muito. Principalmente do namorado que nem ao menos beijava a mão dela em momentos românticos.
- E como é que você sabe disso? – Zack indagou com uma sobrancelha erguida.
- Eu sei porque eu já conversei com ele e ele é bem-educado sim, mas não metido como a maioria dos alunos daqui.
- Não importa, eu não gosto dele e pronto – Zack disse emburrado e Mari revirou os olhos.
- Ok, chatinho, falaremos sobre outro assunto então – Mari sugeriu – Quando é que o seu pai está disponível para nós jantarmos e eu finalmente conhecer a sua família? – Dessa vez Mari fez questão de levantar a cabeça e olhar para Zack. Ela queria saber qual seria a desculpa da vez.
- Você sabe que ele trabalha demais, Mari – Zack disse se levantando da cadeira subitamente desconfortável. “Ele nem ao menos teve o trabalho de inventar uma desculpa diferente” Mari pensou.
- Claro que eu sei – Mari recostou as costas na cadeira cruzando os braços – Sabe o que mais eu sei? Que os meus pais também trabalham demais, mas mesmo assim eu consegui arranjar um tempo quando eles estavam em casa e dei um jeito de te apresentar para eles, mas parece que você não faz nenhuma questão de que eu conheça os seus pais.
- Não é nada disso, Marina.
- Então da próxima vez que eu perguntar quando eu vou conhecer a sua família, vê se pelo menos arranja uma desculpa melhor, porque essa não tá mais funcionando – Marina cruzou os braços ligeiramente irritada.
- Olha, eu prometo que depois das férias de Natal e Ano-Novo, eu levo você para conhecer os meus pais, ok? – Zack disse se aproximando de Marina.
- Você jura? – Mari virou o rosto para Zack que tocou em sua cintura fazendo um leve carinho.
- Juro – sorriu e Marina concordou ainda em dúvida se Zack a estava enrolando ou se ele finalmente estava falando a verdade – E você não vai se arrepender de me dar essa... – Zack olhou para a janela ficando assustado de repente.
- Ei! – Mari chamou vendo o rosto do namorado empalidecer – Você está bem? – Mari tocou o rosto de Zack que se assustou.
- Estou, eu só... preciso tomar um ar e eu… preciso ir… tchau! – Ele tirou as mãos de Marina do seu rosto e saiu da sala correndo.
- Gente, mas o que é que deu nele? – Marina perguntou achando toda aquela situação esquisita demais, mas tinha muito trabalho ainda para fazer, então resolveu deixar que Zack melhorasse e depois conversariam novamente. Dando de ombros ela se sentou e voltou a organizar os papéis.


***

Zack corria pelos corredores quando esbarrou em alguém.
- Aí, você não olha por onde... – Lucy gritou parando no meio da frase assim que olhou para Zack – Oi – sorriu se mostrando interessada.
- Oi – Zack sorriu sem vontade – Tchau! – ele disse e voltou a correr de novo.
- Espera, você nem me disse o seu nome – Lucy disse, mas não obteve resposta – Nossa gente, que deus grego – suspirou passando a língua pelos lábios – Ainda vamos nos ver de novo, gatinho.

***

Zack procurava pela pessoa que tinha visto quando estava com Marina, mas não a achava de jeito nenhum. Aquilo não podia estar acontecendo. Ele não podia estar ali. Não naquele lugar. Não naquela hora. Se o vissem ali tudo estaria perdido. Aquilo ia dar merda.

Ginásio – 14:30 PM
Depois de 15 minutos de alongamento que Anna fez com a equipe, ela começou o treino com um pouco de dança e agora ia para as posições, saltos e acrobacias.
- Eu quero ver vocês fazerem um arco e flecha – Anna disse mantendo a perna direita firme no chão e levantou a perna esquerda levando-a até seu ombro, passou a mão direita pela cabeça e segurou a perna levantada. Anna apontou sua mão livre para a frente e logo em seguida direcionou a mão para o lado do corpo fazendo o braço ficar na frente da perna erguida – Desse jeito – Anna mostrou a posição feita perfeitamente e todas as garotas fizeram a posição arco e flecha. Algumas com um pouco de dificuldade.
- Essa posição é difícil – Angelina reclamou e sentou no chão – Minhas pernas sempre doem depois de fazer isso.
- Não é uma posição difícil quando você se alonga diariamente – Anna disse calma desfazendo a posição arco e flecha.
- Mas eu me alongo – Angelina falou.
- Se você se alongasse mais, as suas pernas não doeriam – Anna disse calma – Levanta daí o treino mal começou e você já se cansou? – Anna pediu estendendo a mão para Angelina se levantar – Faremos agora uma elevação e o salto toca pés, ok? – Anna perguntou e as meninas balançaram a cabeça – Quero cinco equipes com quatro integrantes alinhadas no fundo e três garotas aqui na frente – as meninas se organizaram – Vocês de trás vão fazer o elevador e as da frente farão o salto toca pés. Faremos primeiro o salto e depois a elevação. Lembrando que na elevação todas devem estar bem concentradas, e as posições continuam as mesmas, ou seja, quem é base vai continuar base, quem é spotter vai continuar spotter e quem é flyer vai continuar flyer, entendido?
- Sim, capitã – todas responderam em uníssono.
- Ok, vamos começar – Anna fez o salto toca pés e as garotas da frente também fizeram – Muito bem, meninas – Anna sorriu – Agora a elevação, garotas em formação – as garotas começaram a formação: base de um lado, spotter atrás, base do outro lado e flyer no meio – Agora, as bases vão fazer um meio agachamento mantendo as costas retas e as cabeças distantes para não se machucarem. Posicionem as mãos de vocês em conchas e se preparem para receber a flyer – enquanto Anna falava as bases fizeram o movimento – Spotters devem posicionar as mãos na cintura das flyers tomando cuidado para o aperto não ser forte demais. Flyers coloquem as mãos em cada ombro das suas bases mantendo a inclinação dos cotovelos para cima. Simultaneamente as flyers vão levantar uma de suas pernas e vão levar seu pé sob uma das mãos em concha de suas bases – Anna falava enquanto caminhava entre as garotas – Bem, tomem impulso e fiquem...
- Sua vaca! – Anna foi interrompida quando uma Lucy irritada entrou no ginásio assustando todas que estavam presentes. Com o susto as garotas que estavam tentando fazer a elevação caíram no chão.
- Você ficou louca? Olha o que você fez, garota – Anna reclamou estendendo a mão para Kim que tinha caído junto com as outras garotas – Se machucou?
- Não, tudo bem, só um pouco dolorida – Kim respondeu massageando o braço direito.
- Estão todas bem? – Anna perguntou de forma geral e todas responderam um “sim” – O que você está fazendo aqui?
- Quem você pensa que é para me dar um bolo dessa maneira? Você tá achando que é quem?
- Espera aí, quem é você? – Angelina perguntou confusa.
- Eu me chamo Lucy e essa garota vai me pagar por ter me passado a perna – Lucy explicou para Angelina.
- O que foi que você fez para ela, Aninha? – Kim perguntou curiosa.
- Ela disse para eu ir até o campo de treinamento para eu poder fazer o teste e entrar para a equipe, mas me deixou lá plantada.
- Mas não abriu vagas para nossa equipe – Claire falou olhando para Lucy que estava quase espumando de ódio.
- Exatamente – Anna disse sarcástica olhando para Lucy – Eu te avisei, você que não quis ouvir.
- Mas eu sou a melhor líder de torcida da minha escola, eu mereço ser tratada como tal – Lucy reclamou cruzando os braços.
- Acontece que aqui não é mais a sua escola e como eu disse a equipe não tem mais vagas.
- Eu exijo falar com a capitã da equipe – Lucy quase gritou e Anna revirou os olhos.
- Ela vai te dizer a mesma coisa.
- E como é que você sabe disso?
- Porque a capitã da equipe sou eu – Anna disse orgulhosa e quase riu da cara de surpresa que Lucy fez.
- Isso não justifica – Lucy disse depois de um tempo – Eu mereço uma vaga na equipe e quer saber? Não me interessa se você é a capitã, eu vou entrar para essa equipe quer você goste ou não, você sacou? – Lucy se aproximou de Anna em tom de ameaça.
- Já acabou? – Anna disse com desdém – Agora vai embora ou eu vou contar para o diretor que você invadiu um treino privado, quase lesionou a minha equipe e de quebra faço você tomar uma suspensão, você sacou? – Anna disse no mesmo tom de ameaça e depois de alguns segundos de contato visual Lucy deu as costas para Anna e saiu do ginásio muito irritada.
- Bem, não tem mais clima para treinar – Anna suspirou – Meninas, por hoje vocês estão liberadas, se hidratem, passem na enfermaria para ver se a queda causou alguma lesão e lembrem-se que a partir da próxima semana intensificamos os treinos, pois já é contagem regressiva para o intercolegial – Anna falou bebendo um pouco de água da sua garrafinha.
- Que garota sem noção – Kim disse se aproximando da amiga.
- Pois é – Anna guardou a garrafinha e pegou a bolsa de ginástica – Sabe, Kim, eu poderia até abrir uma exceção para essa tal de Lucy, mas ela chegou muito agressiva, se achando a tal e você sabe qual é o lema das líderes de torcida, não é?
- Sim – Kim concordou – Cordialidade sempre – disseram juntas e sorriram.

Hospital Lombarddi – 15:48 PM
- E então, como se sente? – Dylan perguntou assim que entrou no quarto de Antônio.
- Sinto como se tivesse sido atropelado por um caminhão – o mais velho respondeu.
- É assim mesmo. Dengue é coisa séria e precisa de muito cuidado e é sobre isso que eu vim falar com vocês.
- Doutor Dylan, o Antônio vai ficar bem? – Trude perguntou preocupada.
- Bem, se ele seguir o tratamento corretamente ele vai ficar sim – Dylan começou – Antônio, eu sei que você não queria ficar internado, mas será necessário, seu caso requer muito cuidado e atenção, então você não poderá trabalhar durante um tempo.
- Mas como eu vou manter minha família? E me manter aqui no hospital? O senhor sabe que minha esposa está na Itália e minhas filhas na Inglaterra e na Austrália. Eu sempre mando dinheiro para elas para ajudar nas despesas e eu não posso ficar sem trabalhar... – Antônio começou a falar, mas Dylan o interrompeu.
- Por favor Antônio, só se preocupe em ficar bem, não vamos falar de dinheiro agora, por favor – Trude pediu.
- Mas eu preciso saber, Trude, não pode me negar isso – Antônio reclamou.
- Ele tem razão Trude, no código de ética dos médicos os pacientes têm o direito de tirar suas dúvidas e o médico tem por obrigação responde-las – Dylan disse calmo voltando seu olhar para o mais velho – Antônio, eu sei que está preocupado, mas eu posso lhe garantir que nada vai faltar para a sua esposa, nem para suas filhas e muito menos para você – Dylan explicou – Vou depositar o seu salário na conta da sua esposa para ajudar nas despesas deles e quanto a se manter aqui no hospital, eu já disse o seu plano de saúde cobre tudo, então não precisa se preocupar. Pode deixar que a Trude vai avisá-las da sua situação aqui, fique tranquilo, e quem sabe você não esteja melhor até a nossa viagem para a Itália? Assim você viajará conosco para ver sua família, hum?
- Eu nem sei como te agradecer, doutor Dylan – Antônio agradeceu e Dylan sorriu.
- Só siga o tratamento direitinho e está tudo certo.

***

Alguns minutos depois um enfermeiro veio administrar um novo medicamento em Antônio que conversava com outro médico. Dylan chamou Trude para fora da sala.
- Está tudo bem, doutor Dylan? – Trude perguntou preocupada.
- Sim, só queria saber se você vai passar a noite aqui ou volta para casa comigo? – Dylan perguntou olhando o relógio. Como hoje não teria plantão e logo mais teria sua última consulta do dia então estaria liberado para voltar para casa e poder descansar.
- Vou passar a noite aqui e avisar ao pessoal sobre o estado do Antônio – Dylan concordou – Obrigada, doutor Dylan.
Dylan sorriu se despedindo de Trude.

Beverly Hills High School – 16:16 PM
Zack parou suas buscas pela pessoa misteriosa e se sentou no pátio. Pegou o celular e discou os números.
- Onde é que você está? – Perguntou e quando a pessoa respondeu do outro lado da linha ele nem esperou terminar – Fica aí que eu já estou indo.
Zack correu até a saída do colégio e logo viu um carro parado na esquina do colégio.
- O que você estava fazendo aqui? – Zack perguntou assim que entrou no carro.
- Eu vim procurar emprego. Fiquei sabendo que tinha uma vaga de zelador e vim conversar com o diretor a respeito da vaga – um homem mais velho respondeu olhando para Zack com o rosto confuso.
- Você ficou louco? Não pode trabalhar aqui – Zack disse exasperado. Sua veia do pescoço ficando evidente.
- Mas por que, filho? – O homem de cabelos grisalhos disse sem entender o motivo do filho estar tão irritado.
- Não me chama assim! – gritou alterado.
- Tudo bem, Zack, eu não queria te irritar, eu só estava procurando emprego porque você sabe que as coisas estão difíceis para nós lá em casa, principalmente para pagar seu colégio e por isso eu vim ver a vaga, é uma grande oportunidade.
- Você não vai aceitar esse emprego – Zack disse engolindo em seco e olhando estranho para o mais velho.
- O quê? Mas filho...
- Já falei para parar de me chamar assim – Zack gritou socando o para-brisa do carro – Você quase estragou tudo, se te vissem aqui as pessoas descobririam que... – Zack passou a mão no cabelo jogando-o para trás e olhou para o mais velho – Se você aceitar esse emprego, eu vou te odiar para o resto da vida.
Zack saiu do carro batendo a porta com força deixando seu pai triste pela reação dele.
- Ninguém pode saber que eu sou pobre ou minha reputação vai para o lixo – Zack disse caminhando sozinho até em casa.


Capítulo 15

Um mês depois
O mês passou rapidamente e com isso vieram as provas de final de semestre também. Embora todos estivessem estressados com a semana de provas, os alunos estavam mais ansiosos para o intercolegial que aconteceria no próximo final de semana do que qualquer outra coisa. Até porque logo depois viriam as férias.
Anna estava muito atarefada com os deveres de capitã e como treinadora também. Ela se encarregou de medir as garotas para ver se estavam todas no peso ideal para a competição e é claro intensificou os treinos. Durante esse mês, Anna colocou a equipe inteira para treinar todos os dias de segunda a sexta. Claro que Kimberly tinha algumas folgas já que estava fazendo tratamento para hepatite, mas ainda sim fazia questão de treinar em casa sob a supervisão de Anna através de videochamadas. Embora fosse apenas um intercolegial, Anna gostava de se dedicar inteiramente a algo que estava fazendo e com essa competição não seria diferente. Depois da conversa “civilizada” que teve com Jade no banheiro feminino, Anna não tinha mais falado com a irmã embora soubesse que Jade estava bem triste por ter sido suspensa do clube de teatro. Alguns dias atrás, depois da garota veneno ter postado que Jade tinha sido substituída da peça, ela tinha virado assunto do momento e bem, não era esse o jeito que ela queria que as pessoas falassem dela. Essa fofoca acabou chegando no ouvido de Peter que apesar de não estar falando com Jade e ainda estar chateado pelo que ela tinha feito, ele estava triste por ela não poder fazer o que mais amava na vida que era atuar. Até pensou em falar com ela e dizer que sentia muito por ela não estar participando da peça, mas não era culpa dele, e mesmo que quisesse não tivera tempo algum nas últimas semanas já que Henry também intensificou os treinos da equipe de futebol o que rendia mais cansaço, hematomas e desavenças no time. Jack por sua vez conseguiu falar com Jade, que desde a festa que ficou bêbada e humilhou Peter estava evitando falar com ele e a colocou contra parede. Peter era como um irmão para ele e ela simplesmente o humilhou. Jack disse que pularia fora do plano pelo que ela tinha feito com o amigo, mas Jade o convenceu a não cair fora, porque afinal não era só ele que estava fazendo algo para ela. Ela também estava fazendo algo para ele que era excluir a ficha criminal dele dos registros da polícia, então ele resolveu dar o braço a torcer. Henry, assim como Anna, era determinado quando queria alguma coisa e quando comandava parecia que tinham sido feitos para aquilo, embora parecesse que Henry não estava tão à vontade naquela posição quanto Anna, ambos faziam seus papéis de capitães com destreza. Talvez fosse por isso que eram chamado de casal perfeito.
Na casa dos Lombarddi as coisas não começaram bem. Depois que Antônio foi para o hospital, Trude revezava seu tempo entre visitar o irmão e cuidar da casa, mas tudo ficava ainda mais estranho quando tinha que falar com os patrões que ainda continuavam brigados depois da discussão que tiveram. Dylan ter chamado Katherine de egoísta o fez pensar que na verdade o egoísta era ele, porque afinal o que mais Katherine havia feito por aquela família depois que Olivia morreu senão segura-la nas costas? Katherine reestruturou aquela família, deu apoio para seus filhos quando ele mesmo estava em luto, tomou iniciativa de reconstruir a Grivolly, além de ter o ajudado a voltar a trabalhar. De fato, era ele o egoísta porque se tinha tido coragem para assumir uma relação com Katherine por que não podia respeitá-la e se submeter a alguns gestos de carinho para a mulher que literalmente puxou sua família do fundo do poço? Foi então que Dylan tomou iniciativa e foi conversar com Katherine, a mesma ainda chateada com ele pelas palavras ditas. Ele a encontrou no escritório dela ajeitando algumas coisas antes de ir para a Grivolly e lá pediu desculpas. No começo um pouco receosa, Katherine demorou para desculpa-lo, mas quando ele abriu a caixinha da Tiffany & Co. revelando a mulher um belo anel de diamantes ela sorriu e o desculpou na hora e ambos começaram a falar sobre o casamento. Poderia parecer algo supérfluo, mas era isso que a deixava feliz, então por que não o fazer? Já que a mulher não media esforços para deixá-lo feliz?
Falando em Antônio, o mesmo continuou com seu tratamento contra dengue e por sorte não evoluiu para um caso mais grave. Ele ficou internado e até a esposa queria vim da Itália para vê-lo, mas ele não deixou e até obrigou Trude a deixá-lo sozinho por não querer dar trabalho, mas ela só aceitou depois dele prometer que ia seguir o tratamento corretamente e que no dia da viagem dos Lombarddi para a Itália ele estaria melhor para poder viajar com eles.
Durante esse mês, Jack e Anna se encontraram bastante nos corredores entre as aulas, nos intervalos para almoçarem juntos e até mesmo nos intervalos dos treinos quando iam beber água ou comer alguma coisa. Eles estavam levando a sério o acordo de reatarem a amizade. No começo foi um pouco estranho, já que quando marcaram de sair a primeira vez, eles só conseguiram falar sobre Jade e Peter depois da briga deles, mas com o passar do tempo a conversa foi fluindo bastante e eles conversavam como se não tivessem parado de se falar. Era bom passar o tempo com Jack, pois com ele não existia aquela pressão de ser a garota perfeita. Ele a fazia se sentir bem, esquecer que Henry desfilava com Jennifer pelo colégio e a melhor parte era que ele a fazia sentir um misto de sensações interessantes, como quando antes mesmo de começarem a sair as mãos deles se tocavam e ambos sentiam um arrepio percorrer o corpo e um formigamento nas mãos, ou quando ele lembrava que ela gostava de alguma música ou de algum lugar e ela sorria sem ao menos fazer esforço. Eram essas pequenas coisas que fazia Anna gostar da pessoa que ela era quando estava com ele e Jack não ficava para trás, ele gostava de contar piadas bestas porque sabia que ela ia rir, o riso com ela era tão fácil. Uma das coisas que ele mais gostava de fazer com ela nesse tempo livre era assistir filmes, eles iam para a biblioteca do colégio e colocavam um filme em um dos computadores dividindo o fone, seja um filme de comédia ou até animação que era o que ela mais gostava.
Luke, no entanto, não estava tão bem quanto Anna. Ele tentava de todo jeito se desculpar com Kimberly por tê-la tratado mal, mas ela sempre fugia dele. Quando finalmente conseguiu segurá-la para ela não fugir, ela contou que estava saindo com um cara, o que o deixou com raiva e fez ele desistir de se desculpar desencadeando uma discussão feia entre os dois e ambos voltaram a se ignorar. Bem, o que ele não sabia é que não tinha cara nenhum. Kim disse aquilo apenas para magoá-lo e conseguiu. O que fazia Luke se sentir melhor eram as conversas que tinha com Matteo que havia se tornado um ótimo amigo e ouvinte sempre tendo bons conselhos para dar para o colega de time. Luke também sentia muita familiaridade com Matteo, não sabia se por causa do garoto ser italiano, por terem coisas em comum ou pelo fato dele estar no time de futebol, mas Matteo era extremamente familiar para ele e gostava da sensação de ter um amigo. Depois de seu primo Adam, o único amigo que Luke teve eram os garotos: Jack, Henry e Peter, e depois que a mãe morreu acabou se distanciando deles, embora pudesse conversar com Henry que na época era namorado de sua irmã não era a mesma coisa quando contava para o grupo de amigos e definitivamente não era a mesma coisa como quando conversava com Matteo, com quem tinha uma afinidade surpreendente. Luke queria e precisava de um amigo, senão tinha certeza que iria afundar ainda mais. Falando nisso, a cada dia que passava, ficava mais difícil para Luke de controlar a vontade de usar drogas, mas ele tentava ao máximo não ceder ao vício.
Já Marina toda vez que encontrava Matteo no corredor parava para conversar com ele, seja sobre algo mais sério como provas, atividades e afins ou sobre coisas banais como alguma reprise de algum episódio de um seriado qualquer. A questão era que gostava de passar o tempo com ele e o papo era sempre tão bom que fluía normalmente, mas o que a incomodava mais era o fato do Zack sempre o tratar mal. Sempre o desmerecia, falava sobre seus erros nos treinos e embora não fossem muitos ele fazia questão de aumentar toda a história. O fato era que Marina não gostava dessa atitude, Zack tinha se mostrado cavalheiro quando se conheceram, mas depois de um ano de namoro ele começou a se tornar autoritário e estúpido e nessas últimas semana as coisas tinham piorado, já que ele criou uma espécie de amizade íntima com uma tal de Lucy que sempre estava atrás dele e a mesma sabia que ele tinha namorada, mas ela parecia não ligar, e Zack menos ainda. Sempre dando desculpinhas esfarrapadas e falando o quanto Marina o sufocava. O que fazia as idas ao colégio valerem a pena para Marina era Matteo que sempre puxava assunto com ela e a fazia esquecer dos problemas. E o melhor de tudo: Marina começava a se sentir diferente quando estava perto dele. Chegou até a pensar que fosse um erro continuar a namorar com Zack.

23 de Dezembro – Beverly Hills High School – 07:30 AM
Aquela era uma manhã agitada no colégio, pois, a cada minuto que passava mais alunos chegavam, seja do time de futebol ou da equipe de líderes de torcida. E até os alunos que não participariam dos jogos do intercolegial estavam lá para acompanhar o ônibus até o local do jogo. Estavam todos muito animados para os jogos que aconteceriam de noite e não era para menos, afinal, o colégio Beverly Hills ganhou nos dois últimos anos os intercolegiais e os alunos estavam animados para trazer, mais uma vez, a vitória para o colégio.

***
Kimberly e Marina estavam tomando café em uma das mesas do jardim do colégio enquanto esperavam Anna chegar e algumas meninas da equipe que faltavam. Kim tentava encontrar um jeito de contar a Marina sobre o tratamento de hepatite que estava fazendo.
- Você acredita que o Zack me deu o bolo ontem de novo, Kim? – Marina falava enquanto escrevia em alguns papéis.
- Acredito, Mari – Kim falou e Marina levantou a cabeça para olhar a irmã – Eu vi você deixando várias mensagens de voz para ele no WhatsApp – Kim explicou rindo e Marina bufou frustrada.
- Agora me fala se eu não devia ganhar um prêmio pela paciência que eu tenho com ele? Poxa, se ele não quer por que não termina logo? – Marina disse fazendo Kim levantar uma das sobrancelhas.
- E você? É isso o que você quer? – Kim perguntou achando estranho essa atitude de Marina. Zack não era a pessoa preferida de Kim, mas sabia que a irmã tentava manter de todo jeito o relacionamento deles, então por que essa mudança de atitude agora?
- Eu só quero ter um relacionamento em que a outra pessoa se comprometa tanto quanto eu, Kim – Mari suspirou – Onde eu possa fazer o que eu gosto, falar o que eu penso, me sentir bem perto dessa pessoa e não só sentir desejo, sabe?
- Como você queria se sentir?
- Queria sentir que posso conversar com essa pessoa sobre tudo e não apenas dar alguns amassos. Queria sentir aquela sensação gostosa no estômago quando vemos alguém que a gente gosta. Queria aqueles clichês de filmes, sabe? Onde do nada, o cara te dá um buquê de flores e fala o quanto gosta do meu sorriso – Marina falou olhando significamente para a irmã – Com o Zack é tudo diferente, ele não me escuta, não me leva para conhecer a família dele e não me dá satisfação nenhuma – Marina suspirou pesadamente.
- Mari, você está gostando de alguém? – Kimberly perguntou sorrindo.
- Não, eu só... – Marina ruborizou e começou a gesticular – Eu não posso... Eu... – suspirou – Está tão na cara assim?
- Um pouquinho – Kimberly fez um sinal com os dedos e sorriu – Mas isso é bom, Mari – encorajou a irmã – Mostra que você está aberta a novas experiências e com certeza essa pessoa deve ser melhor que o Zack.
- Você também não confia nele? – Marina perguntou lembrando o quanto Anna estava cismada com Zack – Achei que você não tivesse nada contra ele.
- E eu não tenho, mas não é essa a questão, Mari – Kim pegou nas mãos da irmã – Eu posso não ter nada contra o Zack, mas essa história dele não te levar para conhecer a família é bem estranha, mais estranho ainda é essa raiva que a Aninha tem por ele – Kim falou chegando mais perto de Marina – É como se ela soubesse algo sobre ele que nós não sabemos.
- Você também percebeu? – Marina perguntou cismada e Kim balançou a cabeça em afirmativa – O que será que ela sabe?
- Não faço ideia, mas vamos falar sobre isso depois e com a Aninha, o que eu quero saber é quem é esse boy que você está gostando?
- É o Matteo – Marina disse sem fazer rodeios e Kim sorriu – Ele me entende, se importa com o que eu sinto e até com o que eu faço. Temos nos encontrado bastante nessas últimas semanas e ele me faz tão bem, Kimmy, me trata tão diferente do que o Zack.
- Então você vai terminar com o Zack? – Kim perguntou.
- Eu não sei – Kim franziu a testa – Eu sei que é confuso, mas eu queria tentar descobrir o motivo pelo qual o Zack não me leva para conhecer os pais dele. Não é tão fácil terminar um relacionamento, além do mais por causa de suposições que eu nem posso acusá-lo. Eu vou tentar investigar e ver se descubro algo sobre isso.
- Tudo bem, você é quem sabe, mas vamos conversar com a Aninha, talvez ela tenha uma opinião sobre isso – Marina concordou – Mudando de assunto, Mari, eu queria te contar uma coisa.
- Pode falar – Marina pediu e Kim suspirou. Agora era a hora, precisava contar logo sobre o tratamento que estava fazendo para tratar a hepatite – Estou para te contar sobre isso há algum tempo, eu... – Kim tomou coragem e começou a falar, mas acabou sendo interrompida por Zack, que chegou irritado perto delas.
- Oh Marina, que história é essa de você estar se encontrando escondido com o idiota do Matteo, hein?
- O quê? – Marina perguntou com a testa franzida.
- Não se faz de desentendida não, eu quero uma explicação agora – Mandou e Marina se levantou já irritada.
- Você acha que está falando com quem? Para de gritar, ok? – Marina falou e Zack cruzou os braços contrariado – Primeiro: eu não estava me encontrando escondido com o Matteo, nós somos amigos e estávamos apenas conversando, segundo: quando eu reclamei que a Lucy estava pendurada no seu pescoço na semana passada o que foi que você disse? – Mari começou a gesticular enquanto falava já ficando irritada – “Ah, Marina, não estávamos fazendo nada demais, só conversando” – Marina terminou de imitar Zack que bufou zangado – Agora você vem, cheio de marra, gritando como se fosse o meu dono? – Kimberly percebeu que aquela discussão não ia acabar tão cedo, então levantou e saiu de perto deles. Ninguém perceberia mesmo.

***
- Ah, Jade, deixa disso, ok? Olha, o intercolegial não vai ser esse martírio que você está pensando – Jennifer e Jade estavam tomando café no clube onde o colégio tinha vínculo. Elas podiam ver alguns alunos passeando e tomando café ali também – Anda, vai ser legal – Jenny pediu e Jade bufou.
- Não vou, eu não tenho saco para isso, Jennifer – Jade falou bebendo seu chá gelado – Eu não quero ficar assistindo aquela palhaçada ali – Jade apontou e Jenny pôde ver o motivo do mal humor de Jade. Peter estava em uma mesa do outro lado da piscina conversando com Katrina. Parecia ser uma conversa bem animada já que eles estavam rindo muito – Aposto que eles estão rindo da idiota aqui – disse apontando para si mesma – Sabe, eu tenho vontade de dar na cara dele toda vez que eu o vejo com aquele sorriso, e ele ainda tem a cara de pau de ficar chateado comigo? Ah, faça-me o favor.
- Bem, você humilhou ele na frente de quase todo mundo do colégio, eu também ficaria irritada se fosse ele – Jenny disse distraída.
- Você está dando razão para ele? – Jade falou ficando irritada – Não acredito nisso.
- Calma, Jay – Jenny pediu – Eu só quero que você vá me acompanhar no intercolegial, é só isso que eu estou pedindo – Jade olhou para a amiga com os olhos cerrados esperando a resposta dela – Ok, eu não estou dando razão para ele, mas você tem que concordar comigo que essa história é no mínimo estranha. Primeiro porque os dois têm versões diferentes sobre o que houve e ambos não querem conversar para se resolverem, mas quer saber? Você não precisa falar com ele, você pode simplesmente ir para o intercolegial e me fazer companhia. Prometo para você que eu não te deixo sozinha, só quando eu for treinar e quando for me apresentar, é claro – Jenny jogou seus argumentos na mesa e Jade cruzou os braços não respondendo – Vamos, por favor?
- Tá – bufou – Mas é bom você cumprir sua promessa de só me deixar sozinha quando for para treinar e se apresentar, ok? – Jade deu seu ultimato.
- Obrigada, você é a melhor amiga do mundo – Jenny sorriu – E só para saber, você vai de quê?
- De carro ué, os ônibus são só para as equipes de futebol e da torcida – Jade deu de ombros – Mas não se preocupa não, eu vou numa boa de carro, até porque eu tenho que levar o Luke e a Anna para o heliporto já que nós vamos viajar depois do intercolegial e eles estão sem carro.
- Ai, amiga, valeu mesmo por estar indo, viu? Eu não ia conseguir lidar com toda a loucura da Anna sozinha – Jenny abraçou Jade que riu revirando os olhos pelo drama de Jenny.

***
- Então a Jessica queria ir assistir ao nosso jogo? – Matteo perguntou para Luke assim que eles se sentaram em uma das mesas do jardim do colégio. Ambos tomavam café que compraram do Starbucks do clube.
- Sim, mas eu expliquei que ela não podia ir porque eu não conseguiria dar atenção para ela e nem ia conseguir levar e trazer ela de volta já que estou sem carro – Luke explicou bebericando seu café olhando o movimento da entrada do colégio.
Haviam dois ônibus em frente à escola - um seria das cheerleaders e o outro do time de futebol. A cada minuto chegavam mais alunos e mesmo que fossem alunos que não participariam das competições, estavam todos animados para o intercolegial, pois o Beverly Hills High School era o colégio que mais ganhou competições entre as escolas de Los Angeles. E claro, existia todo aquele espírito competitivo dos alunos que os fazia ir assistir aos jogos e torcer para sua escola ser a campeã por mais um ano.
- Ué? Mas cadê o seu carro? – Matteo franziu o cenho.
- Está em casa, eu acabei vindo com a Jade – Luke explicou – Já que nós da equipe vamos de ônibus, não tem necessidade de eu ir de carro e como nós vamos viajar para a Itália logo depois da competição, não tem por que o meu carro e o da Anna ficarem retidos no heliporto.
- Problemas de gente rica – Matteo zoou e riu logo em seguida, fazendo Luke rir, dando um soco em seu braço – Mas ela não ficou chateada não?
- Na verdade ela falou algo bem pior.

FLASHBACK ON
Uma semana atrás
- Mas por que eu não posso ir, Luke? – Jessica perguntou o motivo de não poder acompanhar o namorado no intercolegial quando ela e Luke saíram do cinema.
- Porque é um jogo bobo, eu não vou ter tempo de te dar atenção e nem como te levar e te trazer de volta – Luke explicou jogando o saco de pipoca e os copos de refrigerantes no lixo.
- Por que não? O que houve com o seu carro?
- Eu vou no ônibus do colégio com todo o resto do time.
- A Kimberly vai estar lá? – Jessica perguntou depois de alguns minutos em silêncio.
- Ela vai no mesmo ônibus da minha irmã, as líderes de torcida e o time vão em ônibus separados – disse franzindo o cenho – Mas o que isso tem a ver?
- Tem a ver que a sua ex-namorada vai estar na mesma competição que você, vocês vão praticamente viajar juntos – Jessica chiou.
- Você está aumentando as coisas mais do elas são na realidade – Luke alertou – Você nunca foi de ter ciúme, por que isso agora?
- É só que... – suspirou – Ela me provoca toda vez que me vê, sabia? Teve aquela vez na joalheria e eu não...
- Ela te provocou de novo?
- Não, mas eu... A verdade é que eu não me sinto totalmente segura com ela tão perto de você.
- Já disse que você não precisa se preocupar – Luke acalmou para namorada – Ela não vai se aproximar de mim – Apesar de Luke estar certo disso depois da briga que teve com ela, ele não estava tão feliz quanto achou que estaria quando Kim finalmente o deixasse em paz e parasse de achar que tem algum poder sobre ele.
- O meu medo não é esse.
- E qual é então?
- O meu medo é você se aproximar dela.
FLASHBACK OFF

- Uau! – Matteo exclamou, surpreso com as palavras de Jessica. Luke concordou com um aceno – E ela está certa?
- Como assim? – Luke perguntou confuso.
- A Jessica tem razão quando diz que é você que na verdade quer se aproximar da Kimberly?
- Eu não posso negar que fiquei me sentindo culpado depois do jeito como a tratei – Luke mordeu o lábio inferior – Mas não é como se eu fosse correndo atrás da Kimberly na primeira oportunidade. Eu a magoei, ela me magoou, paramos de nos falar e fim.
- Parece que vocês têm assuntos inacabados – Matteo disse levantando uma das sobrancelhas.
- Tá – Luke bufou – Eu queria falar com a Kim sim, mas é apenas para me desculpar e não declarar amor eterno.
Matteo riu. Luke estava obviamente dividido entre as duas.
- Meu amigo, você está em um dilema tão grande – Matteo bateu no ombro do amigo que suspirou – Duas garotas a fim de você... que coisa, hein? – Brincou.
- Ah, vai a merda, Bellini – Luke xingou e Matteo riu.
- Vem, vamos para o ônibus, acho que já estão se preparando para sair – Matteo puxou o amigo que suspirou e seguiu Matteo.

***
- Gente, cadê a Aninha? – Marina perguntou.
- Não sei, mas ela está muito atrasada – Kim olhou o relógio de pulso – Ela nunca se atrasa quando o assunto é a equipe.
- Será que aconteceu alguma coisa? – Marina perguntou e Kim olhou para ela – Sei lá, ficou doente ou está passando mal.
- Não – Kim afirmou – Ela teria me avisado, nos falamos ontem pouco antes das 18h.
Claire e Angelina chegaram perto delas.
- Meninas, cadê a Aninha? – Angelina perguntou.
- É, essa hora já era para ela estar nos dando gritos para não nos atrasarmos – Claire falou e todas olharam para ela – Que foi? A Aninha é mandona mesmo.
- Ela faz isso porque é a capitã, é o trabalho dela – Kim falou rude – Se ela não manter a gente na linha, quem é que vai?
- Parece que quem saiu da linha foi ela – Angelina falou sarcástica.
Kim ia falar alguma coisa, mas Marina se pronunciou.
- Bem, vamos tirar essa dúvida agora – Kim olhou para a irmã, confusa – Olha o Luke vindo aí – sorriu acenando – LUKE! – Chamou o garoto que estava acompanhado de Matteo.
- Oi, meninas – Luke sorriu e Kim sentiu o garoto parar ao seu lado – Oi, Kimberly.
- Bom dia, meninas – Matteo sorriu fazendo Claire quase se derreter. Todas o cumprimentaram.
- Bem, estávamos aqui especulando o motivo da Anna ainda não ter aparecido – Angelina disse chamando a atenção para ela.
- Você sabe se ela está bem? – Kim perguntou preocupada e Luke sorriu de canto. Sempre admirou o carinho que Kimberly tinha por Anna.
- Ela nunca se atrasa no dia das competições – Marina exclamou também preocupada com Anna.
- Pelo que eu saiba ela está bem sim – Luke disse fazendo Marina e Kimberly respiraram aliviadas.
- Então por que a demora? Ela já saiu de casa? – Angelina revirou os olhos.
- Quando eu e a Jade saímos de casa, ela ainda estava no quarto. Eu pedi para a Trude ir chamá-la, mas a porta estava trancada e com um aviso de não perturbe na porta.
- O que será que houve? – Marina exclamou confusa e Luke deu de ombros não sabendo o que responder.
- Vou tentar ligar para ela – Kim disse pegando o celular.
- Todos para os ônibus – O treinador falou perto deles chamando a atenção de todos – Alguém aí sabe onde está Jack Malloy?
- O Jack também não chegou ainda? – Matteo perguntou.
- Também? Tem mais alguém faltando? – Perguntou o mais velho checando a lista que estava nas mãos.
- Sim, a Aninha ainda não chegou – Marina disse chegando perto do treinador e espiou a lista do homem.
- Que ótimo! Duas das pessoas mais importantes para as equipes estão faltando. Primeiro o meu Wide Receiver não aparece e agora a capitã das líderes de torcida some. Esse dia está sendo uma maravilha! – Exclamou o mais velho irritado – Faremos o seguinte, tentem ligar para ambos. Luke e Matteo tentem falar com o Malloy, Marina e Kimberly tentem falar com a Lombarddi, e se não conseguirem, vamos ter que ir sem eles.
- O QUÊ? – Exclamaram em uníssono.
- O que vai ser de nós se eles não chegarem? – Angelina perguntou fazendo um drama maior que o necessário.
- Não faz drama senhorita Hayes, ambos têm carros, sabem onde a competição vai ser, então transporte não é o problema – Angelina revirou os olhos e puxou Claire para outro lugar.
- Nunca nos apresentamos sem a nossa capitã – Kimberly exclamou mais para si mesma do que para o treinador.
- Bem, senhorita Evans, para esses momentos que servem a co-capitã – o treinador falou tocando o ombro de Kim de um jeito compreensivo e alguém o chamou fazendo ele sair de perto do grupo.
- Conseguiu? – Matteo perguntou para Marina que tentava pela quinta vez falar com Anna.
- Nada – Marina disse tentando novamente.
- Relaxa, Kim, você vai se sair bem caso algo não saia como o planejado – Luke disse acalmando Kimberly que no mesmo instante sentiu seu coração disparar pela proximidade de Luke.
- Cadê o Peter? – Marina perguntou subitamente fazendo todos prestarem atenção nela – Ele deve saber onde o Jack está.
Ambos avistaram Peter conversando com Katrina perto dos ônibus e foram falar com ele.
- Oi, Peter – Kimberly falou assim que chegou perto de Peter e o mesmo sorriu os cumprimentando.
- Ei, Collins! Você sabe onde está o Jack? – Luke perguntou.
- Cara, eu estava falando sobre isso com o treinador – Peter começou olhando para Luke – E eu estive com ele ontem, mas fomos cedo para casa e não nos falamos mais.
- Que coisa estranha – Matteo falou confuso – Será que eles estão juntos? – Indagou chamando a atenção do grupo – A Aninha e o Jack?
- Juntos ou não, é melhor a Aninha aparecer ou eu vou ter um treco – Kim exclamou nervosa.

09:30 AM – Patio do Beverly Hills High School
- Nada ainda? – Henry perguntou para Peter que balançou a cabeça.
Era a décima vez que tentava ligar para Jack e sempre dava a mesma coisa: o número que você discou encontra-se desligado.
- Cara, eu sabia que ia dar alguma merda com o Malloy – Henry falou irritado – Ele tinha que aprontar logo no intercolegial? É um jogo importante, mano.
- Calma, Henry – Matteo pediu – A gente não sabe o que aconteceu e...
- E o quê? O Jack é um babaca irresponsável, isso sim.
Jennifer também tentava ligar para Anna.
- Eu acho que vocês estão exagerando – Jade disse enquanto lixava a unha assistindo Kimberly andar de um lado para o outro – Ela só deve ter se atrasado.
- A Anna nunca se atrasa, Jade – Kimberly virou subitamente chamando a atenção de todo o grupo – Vocês entendem que eu sou a co-capitã da equipe? Eu nunca liderei uma equipe antes, eu não sei o que fazer... Eu... Ai, meu Deus! – Kim começou a falar rapidamente e Luke a abraçou.
- Vai ficar tudo bem, relaxa – Luke falou tentando acalmar Kim.
- Ai, quanto drama – Jade falou revirando os olhos.
O treinador se aproximou.
- Não podemos mais esperar – O mais velho avisou – Temos que ir por causa da concentração que os jogadores e as cheerleaders têm que participar antes dos jogos – ele explicou – Como o capitão do time está presente – apontou para Henry – E a co-capitã da equipe também – apontou para Kim que levantou a cabeça – Não tem problema irmos sem Anna Lombarddi e Jack Malloy para o intercolegial. Entrem nos ônibus, sairemos daqui 5 minutos.
Todos os alunos começaram a entrar nos ônibus e os outros que iam apenas assistir preparavam seus carros para seguir os ônibus. Peter, ainda preocupado, mandou a última mensagem para Jack e entrou no ônibus.
- Ei! – Marina chamou a irmã – Você está legal?
- Sim, foi só um desespero de momento – Kimberly suspirou – Eu ainda acho que vai ser uma loucura total comandar uma equipe inteira, mas estou com fé que a Aninha ainda vai chegar.
- E se ela não chegar você vai fazer o que tem que fazer – Mari sorriu confiante – Vai dar certo, Kimmy.
Kimberly e Marina se despediram e Kimberly seguiu Jenny que também entrou no ônibus depois de falar com Jade.

***
A escola estava quase vazia, porém alguns alunos ainda permaneciam ali, seja conversando ou esperando alguém para ir para o lugar da competição. Marina ainda estava ali também. Estava organizando alguns papéis do grêmio e tentando conseguir carona com alguém. Quando Jade passou perto dela bebendo seu cappuccino ela teve uma ideia. Sim. Ia pedir carona para Jade.
- Jade? – Marina chamou e Jade a olhou – Será que você pode me dar uma carona até o local da competição? É que o meu motorista está de folga hoje.
- Ah, claro! – Jade sorriu.
- Sério? – Marina estranhou a boa vontade de Jade.
- Sim, mas como você vai voltar? – Jade perguntou.
- Eu posso voltar no ônibus com as meninas da equipe já que a Aninha não vai voltar com elas porque vocês vão viajar depois do jogo, não é? – Marina perguntou e Jade balançou a cabeça em afirmativa – Só espero que ela apareça para o jogo. Você tem certeza que não viu ela de manhã quando saiu? – Perguntou preocupada.
- Olha, embora eu não ligue para a Anna e seja alheia ao que ela faz, eu juro que não vi e não sei o que aconteceu com ela para ela não ter aparecido aqui até agora – Jade explicou dando de ombros – Vamos? Prometi para a Jenny que ia assistir à competição.
- Vamos, sim – Marina juntou seus papéis da mesa, os guardou e pegou sua bolsa. Ambas caminharam até o carro de Jade quando alguém apareceu assustando as duas.
- O que você faz aqui? – Jade perguntou quando a figura magra de Jessica apareceu com uma mochila e um sorriso enorme na sua frente.
- Me leva para assistir ao jogo do Luke? Por favor! – Jessica pediu – Eu quero muito fazer uma surpresa para ele.
- Tá – Jade deu de ombros – Entra aí – Jessica sorriu animada e cumprimentou Marina. Ambas se ajeitaram no carro e Jade deu partida rumo ao local do campeonato.


Capítulo 16

Casa dos Lombarddi – 11:00 AM
Anna acordou incrivelmente feliz naquela manhã. Tinha tido uma noite incrível. E certamente deveria agradecer a Jack por isso. Anna se espreguiçou e continuou deitada olhando para o teto do quarto enquanto os momentos de ontem à noite passavam pela sua cabeça. Como em um filme. Um filme lindo e romântico e que com certeza valia a pena assistir de novo.

FLASHBACK ON
22 de dezembro de 2010 – 06:00 PM
Hoje o dia tinha sido de muito treino, mas Anna não se sentia cansada. Logo pela manhã as meninas treinaram: alongamento, dança, repasse de algumas acrobacias e academia, é claro. O treino terminou lá pelas 17h50 e Anna aproveitou para tomar logo um banho no vestiário e assim que saiu do colégio foi pegar seu uniforme na lavanderia indo direto para casa. Assim que chegou foi direto para o quarto e dormiu o resto da noite.

***
11:00 PM
Anna acordou com o som do celular. Era uma mensagem no WhatsApp. De Jack. Sorriu pegando o celular e o desbloqueando. Não tinha falado com ele o dia todo.
“Topa dar um passeio comigo agora? Estou aqui na frente da sua casa te esperando. Estou louco para te ver” – Anna sorriu mordendo o lábio inferior.
“Claro que eu topo. Vou me trocar e já desço” – Anna digitou rapidamente entrando no closet.
Anna vestiu um short jeans de cintura alta com uma blusinha branca e seu blusão quadriculado vermelhos. Anna prendeu o cabelo em um rabo de cavalo, calçou seu all star branco e se olhou no espelho. É, estava bom para uma saída de madrugada. Obviamente qualquer lugar estava fechado por isso uma roupa mais simples. Anna pôs o celular no bolso e saiu do quarto descendo a escadaria que dava acesso ao andar superior da casa. Era de madrugada, então ninguém estava acordado. Anna abriu a porta principal e saiu, atravessando o jardim e sentindo o vento frio da madrugada bater em seu rosto. Anna procurou por Jack e logo avistou o mesmo em uma moto. Correu até ele.
- Oi – Anna disse assim que chegou perto dele. Jack sorriu.
- Vamos? – Ele perguntou entregando o capacete para Anna.
- Vamos! – Anna sorriu colocando o capacete e subindo na moto abraçando Jack pela cintura.

***
- Você me trouxe ao píer de Santa Mônica? – Anna disse assim que estacionaram no píer – Eu estou começando a pensar que vocês acham que o píer é o meu lugar preferido – Anna brincou.
- E não é? – Jack levantou uma sobrancelha e Anna riu afirmando com a cabeça – Vamos? – Perguntou estendendo a mão para Anna que sorriu e segurou a mão de Jack.
- Se fosse mais cedo eu poderia achar que você fosse me levar para jantar ou sei lá, fazer alguma coisa – Anna disse.
- Se quiser eu posso te levar para comer alguma coisa – sorriu fazendo Anna arquear a sobrancelha.
- No que você está pensando?
- Rosquinha e Refri. Conheço uma loja aqui perto que fica aberta 24 horas – disse fazendo Anna explodir em risadas olhando a feição brincalhona em seu rosto – Você topa? – Perguntou e Anna pensou. Já tinha mandado a dieta para o espaço. Vinha comendo gordice faz um tempo e fazia academia de semana em semana. Não era uma rosquinha que ia fazer ela ficar gorda, não é?
- Eu topo – sorriu.

***
Anna e Jack caminharam pelo píer depois de comprar os lanches e conversaram sobre diversas coisas. Treino, escola, amigos e pararam em um assunto um tanto quanto delicado. Família.
- Então, você e o Luke tem uma relação boa? – Jack perguntou tomando um gole de seu refrigerante. Eles estavam sentados no final do píer olhando o mar.
- Sim, o Luke é um irmão incrível, sempre muito atencioso. O único problema que ele tinha era com as drogas, mas como ele voltou para o time então está ótimo, bem mais focado – Anna sorriu amassando o papel da sua rosquinha – Ele só ficou um tempo sem falar comigo depois que a mamãe morreu, mas depois voltou tudo ao normal. Só a Jade que me odeia com todas as forças.
- E você não faz ideia do motivo? – Jack perguntou curioso. Embora soubesse que Jade odiava Anna e que Jade o convenceu a participar de um plano maluco para tirar Anna da popularidade, ele não fazia ideia do motivo pelo qual Jade tivesse tanto ódio de Anna.
- Sinceramente? Não – Anna lançou um olhar triste para Jack – Eu sempre tive uma relação muito bonita com a Jade. Não éramos apenas irmãs, éramos amigas também, mas depois que a mamãe morreu ela não falou mais comigo – Anna explicou triste – Na verdade, ela ficou meses sem falar comigo, aí depois começou as provocações de ambas as partes e depois de um tempo ela passou a me ignorar, então eu percebi que aquele realmente era o fim da minha relação com a minha irmã – Anna olhou vagamente para o mar que estava calmo naquela noite – Mas mesmo assim eu acompanhei toda a trajetória da Jade no teatro – Sorriu sem olhar para Jack – Assisti a primeira peça que ela fez depois que a nossa mãe morreu, mandei flores para ela no dia da estreia, estive em diversos musicais que ela fez e até hoje ela não sabe disso, e espero que ela não fique sabendo, até porque ela iria odiar saber que eu estive presente nos momentos mais felizes dela depois de toda essa tragédia da nossa família.
- Eu não vou contar nada, prometo – Jack disse olhando Anna de perfil. Anna tinha um rosto bonito, diferente. Tinha traços delicados e um olhar sereno que o fazia se sentir bem.
- Eu sinto muito a falta dela – Anna baixou os olhos vendo os desenhos abstratos que seus dedos faziam em sua perna e Jack sentiu sinceridade nas palavras dela começando a se aproximar – Eu só queria que as coisas tivessem sido diferentes – Anna suspirou olhando para Jack que estava com o rosto próximo demais do dela. Faltava poucos centímetros para que seus lábios se encostassem. Ambos sentiram seus corações dispararem pela proximidade e quando Jack tocou o rosto de Anna ela sentiu um arrepio gostoso por todo corpo, mas um barulho soou fazendo ambos paralisarem. Era o celular de Jack. Anna comprimiu os lábios se afastando dele. Ele olhou para o visor e viu o número de Peter piscando na tela o atendendo rapidamente.
- É bom que seja importante porque você está me atrapalhando – Jack exclamou irritado para o amigo do outro lado da linha.
- Cara, é o seu pai, ele me ligou perguntando onde você está, mas eu disse que não sabia – Peter explicou falando um pouco baixo – É melhor você ir logo para casa antes que ele mande a polícia atrás de você e é bom você ter uma explicação bem convincente por que ele está furioso – Jack suspirou. Alguém tinha interrompido aquele beijo. De novo.
- Certo, eu já estou indo – Jack disse encerrando a ligação.
- Parece que o nosso passeio acabou – Anna disse um pouco triste.
- Me desculpa – ele pediu – Eu realmente preciso ir para casa, mas eu prometo que te compenso depois – sorriu recebendo outro sorriso de volta – Vem, vou te levar para casa – levantou e estendeu a mão para Anna levantar.
Jack levou Anna para casa encerrando assim a noite deles que mesmo não tendo beijo foi a melhor noite que Anna já teve. E Jack pensava da mesma forma.

***
No meio do caminho a chuva que o serviço de meteorologia prometeu para aquela madrugada chegou em pingos grossos molhando os dois, o que fazia Anna apertar mais a cintura de Jack, o segurando. Depois de alguns minutos Jack parou em frente à casa de Anna e ela desceu da moto correndo até o portão de sua casa.
- Ei! – Jack chamou fazendo Anna virar – Você ainda me deve um beijo – disse vendo um sorriso se formar no rosto de Anna e a mesma destrancar o portão entrando em casa. Jack sorriu. Estava mais feliz que nunca.
FLASHBACK OFF

Anna sorriu, não acreditando que depois de dormir tão tarde conseguiu acordar tão cedo para ir ao campeonato. Tomou impulso e levantou da cama olhando para o relógio de relance. 11:15 AM. Anna piscou algumas vezes olhando para o relógio. Aquele horário não podia estar certo. Céus. Estava atrasada demais. Anna pegou o celular e viu várias notificações.
3 ligações do Henry.
7 ligações de Marina.
9 ligações da Luke.
13 ligações da Kimberly.
- A Kimberly vai me matar – Concluiu discando o número da amiga que depois de alguns minutos atendeu o celular, xingando Anna de todos os palavrões possíveis.
- Onde você está? Ficou louca? Eu quase tive um treco – Kimberly disparou.
- Desculpa, eu me atrasei – Anna explicou.
- Todo mundo ficou louco de preocupação porque você e o Jack não apareceram no colégio hoje de manhã e...
- Pera aí, o Jack também não apareceu? – Anna sorriu. Será que ele também perdeu a hora por estar pensando no passeio deles ontem?
- Não, e eu não sei por que, mas você precisa chegar aqui o quanto antes. Você ainda vai se apresentar com a gente, né?
- Claro que vou – Anna disse firme – Vou dar um jeito de chegar aí o mais rápido possível – Elas se despediram e Anna sentiu o celular vibrar. Era uma mensagem de Jack.
“Estava sonhando com o nosso quase beijo quando fui acordado pelo meu melhor amigo ligando para mim me falando o quanto eu estava atrasado e acabei descobrindo que a chefe das líderes de torcida também está atrasada. Aceita uma carona, Lombarddi? ” – Anna podia apostar que Jack estava com um sorriso sacana dançando em seus lábios e sorriu digitando uma resposta.
“Mas é claro, Malloy! ”
“Passo aí em 20 minutos. É suficiente? ”
“É mais do que suficiente”
Anna correu até o banheiro para tomar seu banho. Como já tinha arrumado as malas para a viagem da família e a bolsa de ginástica com uma muda de roupa para trocar depois do jogo e alguns itens pessoais, ela não precisava se preocupar com as malas. Depois de alguns minutos Anna saiu do banheiro já com seu uniforme de líder de torcida, sua higiene pessoal feita e é claro, seu inseparável All Star branco. Pegou seus óculos escuros, sua bolsa de ginástica e desceu correndo a escadaria principal.
- Aninha? Para onde você vai? Não vai tomar café? – Trude perguntou preocupada.
- Não, eu tomo café no caminho. Estou super atrasada para o intercolegial, Trude – Anna falou dando uma passada rápida na cozinha e afagou a cabeça de alfa – Oi, garotão.
- Vou pedir para prepararem o seu carro, querida – Trude falou, mas Anna balançou as mãos no ar.
- O Jack vem me buscar, não se preocupa – Anna foi até ela e estalou um beijo em sua bochecha – Até mais tarde. Minhas malas estão no meu quarto, quando vocês saírem pode pedir para um dos seguranças levar para o heliporto?
- Sim, claro.
Anna sorriu e correu saindo de casa. Jack estava estacionado em frente à sua casa com seu habitual sorriso de canto, cabelos perfeitamente alinhados e sua inseparável jaqueta de couro a lá James Dean. E é claro, um belíssimo Porsche Carrera Gt preto conversível. Suspirou, ele estava lindo demais. Anna foi até ele e sorriu entrando no carro.
- Se eu não soubesse que é você, eu poderia jurar que era o James Dean – Anna disse entrando no carro olhando para Jack admirada – Está lindo! – Ele sorriu virando o rosto na direção de Anna fazendo com que a luz do sol brilhasse em seus olhos verdes. Anna estava começando a se acostumar com aqueles olhos direcionados a ela. Os olhos pelo qual ela se apaixonou assim que o viu pela primeira vez.
- Você é quem está linda – ele disse se aproximando do ouvido de Anna – Ainda mais linda que de madrugada – Anna sorriu. Suas bochechas adquirindo um tom mais rosado. Jack deu partida no carro e seguiram para o local do jogo.

Venice High School – 11:30 AM
Os alunos do Beverly Hills High School tinham chegado ao colégio onde aconteceria o jogo fazia quase uma hora. Os jogadores e líderes de torcida já tinham tido seus documentos verificados pela comissão de jurados e estavam esperando os demais alunos chegarem para todos comparecerem para a concentração antes do jogo. A concentração era como se fosse uma reunião. Os alunos iriam ouvir algumas regras do colégio onde iriam jogar e outras informações gerais de competições.

***
- Ei! – Luke disse assim que chegou perto de Kimberly – Já está mais calma? – Perguntou lembrando do ataque que ela teve mais cedo – Sabe, você ficou tão branca que eu achei que fosse desmaiar – Kimberly riu. Tinha sido um pouco dramática.
- Estou sim – sorriu – Eu exagerei um pouco – fez uma careta – É claro que o jeito como me expressei pareceu que uma bomba atômica tinha caído no colégio – Luke riu da comparação que Kimberly fez – Mas eu realmente fiquei com medo, sabe? Anna é a capitã da equipe. Sem ela essa equipe não funciona. Se apresentar sem ela seria estranho, triste e com certeza não seria certo. A vida da Anna é essa equipe.
- Eu entendo – sorriu compreensivo – Mas como que ela vai chegar aqui? Você conseguiu falar com ela?
- Sim – disse aliviada – Ela me ligou e disse que se atrasou, mas que ia dar um jeito de chegar aqui – Kim deu de ombros – E bom, se ela disse que vai chegar então ela vai chegar – Kimberly sorriu confiante e Luke sorriu junto. Ambos queriam passar mais tempo juntos, mas a única coisa que faziam quando se encontravam era brigar. Luke pensou que essa era a hora certa para pedir desculpas a Kim por tê-la tratado mal da última vez que se falaram. Luke juntou o resto de coragem que ainda tinha respirando fundo e começou:
- Olha, eu queria te pedir desculpas por... – Luke foi interrompido quando alguém o chamou.
- Oi, meu amor – Jessica disse quase pulando em cima de Luke que se assustou e sentiu o aperto forte do abraço de Jessica o segurar pelo pescoço.
- Oi – disse assustado e sem graça, alternando seu olhar de Kim para Jessica – O que você... – Jessica o beijou de repente, interrompendo sua fala. Kim suspirou e saiu de perto. Obviamente Jessica estava mostrando quem de fato estava com Luke.
- Ah, oi Kimberly, eu não tinha te visto aí – Jessica falou depois de beijar Luke e percebeu que Kimberly não estava mais perto deles – Ué, para onde ela foi? – Perguntou, não se importando de verdade e virou o rosto para o namorado novamente.
- O que você está fazendo aqui, Jessica? – Luke ainda surpreso e sem saber como agir, perguntou.
- Surpresa, bebê – ela disse feliz o abraçando de novo, fazendo questão de olhar para Kim do outro lado conversando com Marina – Jade me deu uma carona até aqui para assistir o seu jogo, não é demais? – Sorriu de novo e Luke mordeu o lábio inferior. Queria ter conseguido terminar de conversar com Kimberly – Gostou da surpresa?
- Bom, você acertou na surpresa porque de fato isso me surpreendeu – disse sem graça. Jessica o estava assustando com tantos sorrisos – Como que você vai voltar para casa?
- Não sei, mas isso não importa – disse se pendurando de novo no pescoço do namorado – O que importa é que eu estou aqui com você.

***
- Olha só para ela. Pulando, agarrando e se esfregando no Luke como se estivesse no cio – Kim disse gesticulando – Essa garota não presta.
- Ela é namorada dele, Kim – Marina disse dando de ombros – E ela nem é tão ruim assim. Na verdade, ela me pareceu bem apaixonada pelo Luke. Sempre falando coisas boas sobre ele. O quanto ele é incrível e um bom namorado.
- Apaixonada pelo Luke sou eu, Marina – Kim disse irritada – Aquela garota é no mínimo obcecada por ele, olha só – Kim apontou com a cabeça para Luke e Jessica – Ela está se exibindo de propósito porque sabe que eu estou aqui, mas eu ainda vou descobrir o que essa garota está aprontando.
- Tá bom, Sherlock – Mari zombou da irmã que cruzou os braços.
“Todos os alunos queiram se apresentar no ginásio do Venice High School para receberem todas as informações necessárias antes do horário do jogo. ” – Todos puderam ouvir uma voz grossa sair dos altos falantes e seguiram para o ginásio.
O ginásio em si era grande. Um pouco menor que o do Beverly Hills High School, mas comportava todos os alunos das duas escolas. O intercolegial seria entre duas das escolas mais importantes da cidade. Venice x Beverly Hills. Um homem mais velho vestindo um terno bem alinhado entrou no ginásio e todos se acomodaram na arquibancada.

11:55 AM
Depois de mais ou menos 25 minutos de regras sobre o jogo, regras do colégio e sobre doping, os alunos foram liberados. Kim não aguentava mais ficar sentada ouvindo aquele “velho chato” falando sobre aquelas regras que todo mundo já estava cansado de saber.
- Eu nunca vi uma pessoa ter o dom de tornar uma explicação que podia ter durado apenas 15 minutos fazer ela virar 25. Fala sério! – Kim bufou irritada descendo a arquibancada enquanto conversava com Marina quando uma garota parou em sua frente. Era Lindsay, capitã da equipe rival. Os Bulldogs de Venice.
- Ora, se não é a equipe perdedora – Lindsay disse sarcástica e Kimberly riu.
- Pelo que eu me lembre, a minha equipe venceu todos os campeonatos e a sua equipe não venceu nenhum – Kim disse no mesmo tom de sarcasmo de Lindsay que revirou os olhos – Acho que alguém se equivocou por aqui.
- Espera só para ver, fofa, esse ano vai ser diferente – Lindsay disse e procurou por algo quando viu as garotas da equipe se juntarem atrás dela – Acho que nessa equipe está faltando alguém – sorriu – Ah é, a capitã não está aí. O que houve? Ficou com medo de me encarar ou só largou vocês de mão mesmo?
- A Anna já está chegando, ok? E quando ela chegar aqui eu quero ver você abaixar essa bola aí.
Ambas sorriram falsamente e saíram do ginásio.
- Tem algo de errado – Kim falou para Marina – Ela está confiante demais. Até como se já soubesse o que vai acontecer.
- Calma aí né, Kim – Marina riu achando graça da irmã que estava desconfiada – Está achando que a Lindsay tem bola de cristal para ver o futuro?
- Não sei, mas que é estranho é – Disse encerrando o assunto.
Algo mais interessante chamou a atenção de todos no local. Um carro preto e obviamente caríssimo estacionou na frente do colégio. Mas o que de fato chamou a atenção não foi o carro caro, e sim quem estava dentro dele. Jack Malloy e Anna Lombarddi saíram de dentro do carro deixando todos os presentes de boca aberta. Parecia até cena de filme e eles eram o casal principal.
- O que o Jack faz com a vadia da Lombarddi? – Lindsay disse, não gostando nada daquilo. O cara que dizia gostar dela estar com sua maior rival?

***
Um pouco mais distante estavam Jade, Jennifer e Henry.
- Uau, eles sabem fazer uma chegada triunfal – Jade exclamou sem muita emoção e uma pitada de sarcasmo. Sabia que Anna ia dar um jeito de ser o centro das atenções. Como sempre.
- Uma coisa temos que admitir, eles fazem um casal perfeito – Jenny deu de ombros e Henry não gostou nada do comentário. Ele bufou e saiu de perto delas.

***
- Nos falamos mais tarde? – Jack perguntou a Anna quando Peter o chamou.
- Sim – Anna sorriu vendo Kimberly e Marina chegarem perto dela – Oi, meninas.
- Precisamos conversar agora – intimou Marina, e Kimberly puxou Anna para sentarem em uma das mesas livres que tinha no pátio do colégio Venice.
- Amiga, o que foi isso? – Kimberly perguntou assim que elas se sentaram.
- Que foi o quê? – Anna perguntou sem entender.
- Você e o Jack estão juntos? – Perguntou Marina.
- Não estamos juntos, foi só uma carona – Anna disse. Era verdade, mas pelas caras que Kim e Mari estavam fazendo não era isso que parecia.
- Ah para, vai me dizer que foi coincidência vocês dois terem se atrasado e chegado juntos para o intercolegial?
- Não foi bem uma coincidência, a gente dormiu tarde ontem.
- Vocês dormiram juntos? – Kimberly disse um pouco alto recebendo um olhar repreensivo de Anna.
- Fala baixo – Anna pediu e suspirou olhando para Marina – E não, não dormimos juntos. Ele me chamou para sair ontem de madrugada e passamos algumas horas no píer conversando e quase nos beijamos – Anna explicou.
- Ai meu deus, você e o Jack estão ficando – Kim falou alegre e Marina riu.
- Não estamos ficando, quer dizer, não que não houvesse oportunidade, mas algo sempre acaba nos atrapalhando.
- O que atrapalhou vocês? – Marina perguntou.
- O Peter – Anna disse soltando o ar pelo nariz em um riso sem graça – Ele ligou bem na hora que estávamos quase encostando os lábios para avisar que o pai do Jack deu falta dele, aí tivemos que voltar para casa.
- Não acredito que o Peter atrapalhou bem na hora – Kimberly exclamou.
- Eu também não posso culpar o Peter, não é como se ele soubesse exatamente a hora que o beijo fosse acontecer e ligasse de propósito para atrapalhar – Anna defendeu.
- Mas você ainda gosta dele? – Marina perguntou.
- Eu não sei. Já passou muito tempo. Ele está diferente e eu também. Não somos as mesmas pessoas de quando nos conhecemos e...
- Você ainda sente o que sentiu quando o viu pela primeira vez? – Kimberly perguntou, interrompendo as desculpas de Anna. Anna pensou.

FLASHBACK ON
30 de agosto de 2007
Fazia duas semanas que a família Lombarddi tinha se mudado da Itália para os EUA. Era um sonho que Olivia estava realizando. Ela finalmente ia abrir uma filial da sua loja Grivolly nos EUA, mais especificamente em Los Angeles, na Rodeo Drive. Um famoso e longo quarteirão de Beverly Hills. Famoso por suas lojas caríssimas e seus restaurantes chiques. E claro, xodó de Olivia desde que assistiu Uma Linda Mulher. Ela sabia que um dia realizaria seu sonho de ter uma loja na Rodeo Drive.
Sonhadora e curiosa assim como sua mãe. Anna, em mais um de seus dias conhecendo a nova cidade, encontrou um campo de futebol perfeito para treinar algumas de suas acrobacias para o teste que faria no início das aulas para entrar na equipe de líderes de torcida da escola nova. Podia treinar em casa? Sim, mas ela preferiu sair, conhecer a cidade e arrumar um lugar mais calmo para treinar já que com toda a correria que sua mãe estava tendo para a arrumação e inauguração da Grivolly, a casa estava toda repleta de caixas da loja e da própria mudança dos Lombarddi da Itália para os EUA. Anna encontrou um campo de futebol abandonado que era bastante espaçoso. Resolveu entrar no campo e treinar ali mesmo. Anna pôs sua mochila de ginástica em cima da arquibancada e tirou de lá seus sapatos especiais para treinar. Depois do alongamento, Anna se preparou para começar o treino. Começou com uma coreografia simples, mexendo seu corpo devagar no ritmo da música que estava em sua cabeça. Anna se preparou para fazer uma de suas acrobacias e conseguiu, continuando a dançar, fazendo acrobacias aleatórias.
Desde muito cedo Anna sabia que queria ser uma ginasta no ensino médio e por isso pediu aos pais que procurasse a melhor treinadora para que a tornasse a melhor ginasta que podia e foi o que Olivia e Dylan fizeram, conseguiram uma audição para Anna aos 3 anos de idade com a melhor professora de ginástica da Itália, Antonella Bianchi. Ela ensinou a Anna tudo que sabia, desde o medo de se apresentar para muitas pessoas até o equilíbrio na ponta de uma pirâmide. Quando sua mãe anunciou que a família estava se mudando para os EUA, Anna viu a chance de mostrar que tinha talento e expandir suas experiências já que sempre treinou e competiu na Itália. Era o que Anna fazia de melhor e não ia desapontar sua treinadora. E nem a si mesma.
Quando treinava ela se desligava do mundo a sua volta e nem percebeu quando um garoto sentou na arquibancada. Ele ficou a observando dançar admirado com a destreza que a menina tinha. Vendo Anna fazer as acrobacias, ele percebeu que se tratava de uma ginasta. Sabia disso por causa de sua namorada Lindsay que também era animadora de torcida, mas nunca tinha dado muita importância já que Lindsay não parecia ser tão boa quanto aquela garota desconhecida mostrava ser. O céu ficou escuro rapidamente e os primeiros pingos da chuva começaram a cair com certa rapidez. O garoto viu Anna finalizar uma acrobacia e começou a caminhar até ela. Em um movimento rápido Anna escorregou, mas o garoto a segurou antes que ela caísse no chão. A chuva caía, batendo no rosto de ambos, mas eles mantiveram seus olhares fixos, vidrados um no outro. Anna sentia um formigamento gostoso no estômago. Seriam essas as famosas borboletas no estômago? O garoto sentiu um arrepio na nuca olhando para os olhos verdes da garota enquanto Anna sentia seu coração acelerar. Ele ajudou Anna a se levantar sem quebrar o contato visual e ela sorriu agradecendo.
- É melhor sairmos da chuva – ele disse com a voz baixa.
- Eu preciso ir – Anna disse pegando suas coisas na arquibancada. Seu celular vibrou. Era uma mensagem de Antônio, o motorista. Ele a estava esperando perto daquele campo abandonado.
- Espera – ele gritou – Eu nem sei o seu nome – Anna parou e olhou para o garoto.
- Lombarddi. Anna Lombarddi – Anna sorriu e correu, saindo do campo. O garoto ficou lá na chuva olhando Anna ir embora. Precisava vê-la novamente. Não sabia por onde começar. Mas pelo menos tinha uma pista. O nome.
- Anna Lombarddi – o garoto repetiu sorrindo.
FLASHBACK OFF

Anna lembrava exatamente do que sentiu quando viu Jack pela primeira vez. Ela ainda estava apaixonada por Jack? Bem, quando estava perto dele ainda sentia a mesma sensação. Cócegas no estômago, mãos formigando e o coração acelerado.
- Meu Deus! – Anna exclamou – Eu ainda estou apaixonada pelo Jack – Kimberly e Marina sorriram para Anna a abraçando.
- Finalmente deu o ar da graça, né, Lombarddi? – Zack apareceu de repente perto das meninas e Anna revirou os olhos.
- Olha só, o jogador que está por um fio – Anna zombou – Estava contando que você já tivesse sido expulso do time e com sorte não teria que olhar para essa sua cara nojenta.
- Gente, vamos parar, por favor – Kimberly pediu.
- Eu não vim aqui para falar com essazinha aí – Zack disse e Anna riu soltando o ar pelo nariz balançando a cabeça – Vim falar com a Marina – Zack virou olhando para a namorada – Podemos conversar? – Marina olhou para Kim e Anna esperando algum tipo de aval. Kim incentivou a irmã a ir e Anna deu de ombros.
- Tudo bem – suspirou saindo de perto das meninas sendo acompanhada por Zack.

***
- Você gosta, né? – Jack disse para o amigo quando saiu de perto das meninas e Peter franziu a testa não entendendo – De interromper os meus beijos com a Anna.
- Vocês se beijaram? – Peter praticamente gritou.
- Fala baixo – Jack pediu – E não, não nos beijamos, mas foi quase. Tudo por culpa sua. Já é a segunda vez que você interrompe um beijo meu com a Anna, cara – Jack disse frustrado.
- Quando foi a primeira vez? – Peter perguntou curioso.
- Quando fui fazer o trabalho na casa dela – contou – Eu me aproximei e quase a beijei, mas você ligou bem na hora perguntando sobre a Jade e interrompeu, e agora dessa vez foi a mesma coisa.
- Foi mal, cara. Não é como se eu soubesse quando vocês fossem se beijar e fizesse de propósito – Peter disse sincero e sorriu logo em seguida – Então quer dizer que você quer beijar a Anna, hum? – Peter levantou as sobrancelhas mexendo com elas rapidamente fazendo Jack revirar os olhos.
- Não faz essa cara – Jack pediu – É claro que quero beijar a Anna. Olha só para ela – Jack mexeu as mãos apontando discretamente para Anna – Ela é linda, talentosa e eu sinto coisas estranhas quando estou perto dela.
- O nome disse é amor.
- Não, o nome disse é desejo. Amar eu amo a Lindsay, você sabe – disse olhando Anna. Sentia coisas estranhas por Anna sim, mas não era amor. Ele saberia se fosse. Não é?
- Você é obcecado pela Lindsay cara, eu já te disse isso – Peter falou pela milésima vez e Jack revirou os olhos – Você gosta da Anna. Só não quer admitir.
- Mas e quanto a você? – Jack disse mudando de assunto – Você gosta da Jade.
- Eu nunca disse que não gosto, aliás, sempre deixei muito claro o quanto sou apaixonado pela Jade, mas as coisas são diferentes com ela. A Anna não te humilhou como a Jade fez comigo – Peter explicou paciente – Você tem a oportunidade de ter algo realmente sério, de ter alguém que realmente goste de você. E que não te trai ou te use como a Lindsay está fazendo.
- Ela não está me usando – Jack afirmou tentando se convencer – Pera aí, como você pode ter tanta certeza que ela está me usando?
- Porque ela já fez isso uma vez e você está deixando ela fazer de novo ou você acha que eu não sei que você encontrou com ela quando veio aqui da última vez?
- Como você sabe disso?
- O Steve me contou – Jack revirou os olhos – Abre teu olho, cara. A Lindsay não gosta de você realmente. Ela só quer te usar porque sabe que você come na palma da mão dela – suspirou vendo que Jack ainda estava em dúvida do que ele falava – Pensa nisso.
Peter saiu, deixando Jack sozinho com seus pensamentos.

***
Jenny procurava Henry que tinha sumido fazia pouco mais de meia hora. Depois de andar um pouco mais, encontrou o garoto no campo onde seria o jogo de mais tarde.
- Finalmente te encontrei – Jenny disse indo até ele – Te procurei há um tempão. Por que saiu daquele jeito?
- Eu não queria ficar assistindo aquele showzinho da Anna chegando com o Jack e todo mundo falando o quanto eles são um casal lindo – Henry disse sarcástico fazendo menção ao que ela tinha dito sobre Anna e Jack.
- Espera aí, você está com ciúmes da Anna por ter vindo com o Jack? É sério isso? – Jenny perguntou incrédula.
- Não estou com ciúme, eu só não acredito que a Anna tenha aceitado carona desse cara.
- Todo mundo sabe que eles têm se encontrado durante essas semanas. Eles estão tentando passar mais tempo juntos.
- Ela não devia passar tempo com esse cara. Ele é um idiota – Henry deu a desculpa mais esfarrapada para tentar justificar seu ciúme, mas falhou miseravelmente.
- Você ainda não se decidiu, não é? – Jenny concluiu e Henry franziu o cenho não entendendo do que ela estava falando – Você ainda não se decidiu se quer ficar comigo ou com a Anna – Jenny inquiriu – Você ainda quer voltar com ela.
- Não viaja, Jenny – Henry desconversou.
- É verdade. Se não, por que mais você teria saído daquele jeito depois que eu disse que eles fazem um casal bonito?
- Você também não devia ter falado nada que eles são um casal bonito – Justificou Henry – Por favor né, Jennifer.
- E por que não? Por causa do seu ego ferido? De não ter mais de uma garota gostando de você?
- Para com isso – ele pediu.
- Eles formam um casal bonito mesmo e quer saber? Eu super apoio que eles fiquem juntos. Eu só não sabia que você ia dar esse ataque de ciúmes por ver que a Anna seguiu em frente.
- Eu não estou com ciúmes, já falei – ele disse cansado – Só não confio no Jack.
- E por que não? – Perguntou Jenny irritada – Por que você desconfia do Jack? O que você sabe que eu não sei?
- Eu não sei de nada. Aliás, eu sei sim, sei que ele é problema. O que não é novidade para ninguém – Jenny revirou os olhos. Ele estava escondendo algo.
- Quando a Anna e a família se mudaram para cá vocês dois eram amigos. O que mudou entre vocês que fez vocês dois pararem de se falar e se odiar?
- Já chega de tantas perguntas, Jenny. Me dá um tempo vai. Preciso esfriar a cabeça – ele pediu e saiu do campo deixando Jenny sozinha.

***
- Oi, gatinho – Lindsay disse no ouvido de Jack o assustando.
- Nossa, que susto, Lindsay – disse colocando a mão no peito.
- Não gostou de me ver, amor? – Perguntou fazendo bico.
- Gostei, claro – disse engolindo a seco – Eu estava distraído, só isso.
- Sei – disse mordendo o lábio inferior sensualmente – Você sabia que está uma delícia com essa jaqueta de couro? – ela se aproximou passando as mãos pelo peito de Jack se aproximando do rosto dele.
- Você ficou louca? – Jack falou alarmado tirando as mãos de Lindsay do seu peito – Ninguém pode nos ver. Principalmente a Anna.
- Ainda bem que tocou no assunto porque foi sobre isso que eu vim falar com você. Que ceninha foi aquela? Chegar com a Anna depois de todo mundo parecendo aqueles casais de filmes adolescentes?
- A gente se atrasou e eu dei uma carona para ela, só isso – justificou, omitindo algumas partes, é claro.
- Não foi o que pareceu, aliás, você parecia bem interessado na vadia da Anna.
- Não é nada disso, Lindsay.
- Então o que é? Porque pelo que eu saiba e pelo que você me disse – ela apontou para ele –, você me ama e queria voltar comigo. Disse até que iria me ajudar a vencer ela nesse intercolegial e de fato a ideia que você teve foi uma ideia de gênio, mas aí aparece com ela aqui?
- Eu já expliquei o que aconteceu e... Espera, você disse que eu tive uma ideia de gênio?
- Disse, não sei como pensou nisso tão rápido, mas foi genial – contou – Foi por isso que vim te agradecer – se aproximou dele mais uma vez o abraçando – Te espero hoje depois do jogo na minha casa – se afastou dele. – Não se atrase – e saiu deixando um Jack confuso para trás.
Jack não entendeu nada daquela conversa. Não queria encontrar com Lindsay exatamente por não ter conseguido pensar em nada para ajudá-la, mas ela disse que ele já tinha a ajudado. Mas como?

Ginásio do Venice High School – 12:34 PM
Marina e Zack sentaram na arquibancada. Zack começou a falar.
- Eu quero saber o porquê você vem me ignorando desde que discutimos mais cedo. Que foi, hein?
- O que foi? – Marina perguntou sarcástica – Você veio cheio de gritos falando da minha amizade com o Matteo e depois me pergunta o que foi?
- O que você queria? Que eu ficasse sentado olhando minha namorada ficar de conversinha com amiguinho homem? Palhaçada, Marina, mas o que você quer? Está querendo dar para ele, é?
- Isso foi incrivelmente machista – Marina disse balançando a cabeça.
- Eu sei que você me ama – Ele se aproximou de Marina a abraçando.
- Não, Zack! – Marina disse empurrando Zack pelo peito – Eu não sei mais se eu gosto de você.
- Como é que é? Como assim não sabe se gosta de mim? Essa rebeldia toda é por causa do Matteo? – Ele perguntou irritado.
- Não tem nada a ver com o Matteo – mentiu. Tinha sim a ver com Matteo. Estava gostando dele, mas o modo como Zack agia não era algo que agradava Marina há muito tempo.
- Então tem a ver com a Anna. Aquela vadia está fazendo a sua cabeça contra mim, né? Você acha que eu não sei que ela fala mal de mim pra você?
- Deixa a Anna fora disso. A culpa disso é sua. O modo como você age não só com os outros, mas comigo também. Eu não gosto do modo como você fala comigo. Você virou uma pessoa completamente diferente do cara pelo qual eu me apaixonei e eu...
- Para com isso – Zack pediu – Você está confusa, não sabe o que fala.
- Sabe qual é o problema? Você me quer por perto para falar para todo mundo que namora com a presidente do grêmio estudantil, mas me levar para conhecer sua família você não quer. Você não quer me dar satisfação nenhuma, mas quer que eu diga cada passo que eu dou. Você não quer que eu tenha amigos homens, mais especificamente o Matteo, mas você pode ter todo tipo de intimidade com outras garotas. É, é da Lucy mesmo que eu estou falando – Marina acusou e Zack riu sarcástico. Lucy, a irmã de Matteo ficava atrás de Zack quase que toda hora. Sempre os via de conversinha e sorrisos pelos corredores. Zack não queria admitir, mas Marina podia jurar que havia algo entre os dois – Você fica por aí dizendo o que eu tenho que vestir, com quem eu tenho que falar, e eu não gosto disso. Eu não sou mulher para isso, Zack – Marina mordeu o lábio inferior – Acho melhor darmos um tempo.
- Olha, eu vou te dar um tempo para pensar nessa burrada que você está falando – Marina tentou falar, mas ele a interrompeu – Conversamos depois – ele saiu deixando o assunto inacabado e Marina suspirou, voltando para perto das meninas. Aquilo ia ser mais difícil do que pensava. Marina avistou Anna e Kimberly sentadas no pátio e foi até lá.

***
- Então, você já contou para a Marina que está fazendo o tratamento da hepatite? – Anna perguntou e Kim suspirou. Anna aproveitou que Marina tinha saído para falar com Zack e resolveu tocar no assunto.
- Ainda não – Kim explicou – Eu ia contar hoje mais cedo só que o Zack chegou e eles começaram a discutir.
- Kim, você tem que contar logo. A Mari merece saber – Anna pediu.
- Você acha que eu não sei? É claro que eu quero contar, mas tenho que esperar o momento certo. Com todo esse namoro turbulento que ela está vivendo com o Zack, eu não posso simplesmente chegar e falar “Então, Marina, eu estou com hepatite porque bebi todas e quase fodi com o meu fígado” – Kimberly disse sarcástica imitando uma suposta conversa com Marina.
- Que história é essa, Kimberly? – Marina perguntou chegando de repente assustando as duas – Você está com hepatite?
- Eu vou deixar vocês conversarem – Anna disse querendo sair estrategicamente para deixar Kim conversar a sós com Marina.
- Senta aí – Marina intimou e Anna sentou sem pestanejar. Estavam encrencadas.
- Eu estou em tratamento contra hepatite faz mais de um mês – Kimberly confessou.
- E quando é que você pretendia me contar? – Marina perguntou.
- Eu ia te contar hoje de manhã, mas o Zack chegou e vocês começaram a brigar e eu perdi a coragem – Kimberly explicou.
- A Kim está bem melhor, Mari, ela segue direitinho o tratamento – Anna falou tentando ajudar.
- Você sabia? – Marina perguntou sem acreditar e Anna engoliu em seco – Você sabia e não me contou nada? – Marina não acreditava naquilo. Sua irmã e sua melhor amiga estavam escondendo dela algo importante.
- Mari, eu... – Anna tentou falar.
- Me perdoa, ok? Eu não sabia como contar – Kimberly interrompeu Anna e tocou o braço da irmã.
- Bom, agora não precisa mais se preocupar com isso, não é mesmo? – Marina disse magoada e saiu.
- Eu vou falar com ela – Anna avisou se levantando.
- Não, Aninha, deixa que eu vou. Ela precisa saber por mim – Kimberly disse indo atrás da irmã.


Capítulo 17

Depois de conversar com Jack, Lindsay estava indo até o ginásio encontrar com as garotas de sua equipe para começar um pré treino antes do jogo de mais tarde quando encontrou com Anna pelo caminho.
- Ora ora, se não é a vadia número um do colégio Beverly Hills – Lindsay provocou.
- Posso até ser vadia, mas pelo menos sou uma vadia campeã, já de você não se pode falar o mesmo, não é, Smith? – Anna disse com a voz carregada de sarcasmo e Lindsay sorriu.
- Espera até o jogo e veremos quem vai ser a campeã, queridinha – Lindsay disse sem se abalar.
- Ai, Lindsay, não cansa a minha beleza não, ok? – Pediu Anna –Todo mundo sabe que você não é capaz de me vencer em nenhum campeonato. Quem sabe numa outra vida, hum?
- Não preciso esperar tanto tempo, Lombarddi, pois para mim o campeonato de hoje já está ganho – sorriu voltando a andar.
- Por que tem tanta certeza? – Anna perguntou desconfiada segurando o braço de Lindsay.
- Aguarde até o jogo, fofa – Lindsay saiu deixando Anna intrigada por tanta confiança. Algo que não era muito comum em Lindsay, que aliás nunca ganhou um campeonato contra a equipe de Anna.

Campo de Futebol do Venice High School – 01:08 PM
- Ai, por que você está com essa cara? – Jade perguntou assim que chegou perto da amiga. Tinha recebido uma mensagem de Jeniffer pedindo para encontrá-la ali.
- Precisamos conversar – Jenny exclamou.
- Sobre o quê? – Jade perguntou se sentando na arquibancada.
- Dá para acreditar que o Henry está com ciúmes da Anna e do Jack?
- Dá sim – Jade afirmou fazendo Jenny olhar para ela esperando ela continuar – Eles namoraram por muito tempo, Jenny, e embora todo mundo soubesse que ele ainda sentia algo por você, ele sempre se mostrou muito apaixonado pela Anna.
- Você está defendendo a sua irmã?
- Não estou defendendo ninguém. A questão é que ninguém disse que fazer o Henry se separar da Anna seria fácil.
- De acordo com o seu plano era sim, já que ele é louco por mim – Jenny imitou a voz de Jade – E se ele quiser voltar com ela? O que eu faço?
- O seu medo é que o Henry volte com a Anna ou que ele ainda goste dela?
- É a mesma coisa, Jade. Você só falou de modo diferente.
- Não é a mesma coisa, Jeniffer. O Henry pode sentir ciúmes por causa do ego. Porra, ele é o cara mais popular da escola, está acostumado com garotas suspirando por ele, e não que outro cara tenha atenção de uma garota que meses atrás era namorada dele. Relaxa aí vai.
- Você acha mesmo? – Jenny perguntou insegura e Jade balançou a cabeça afirmando.


***

Marina tinha saído de perto de Anna e Kim e caminhado até o campo, mas acabou encontrando os garotos do time de futebol que treinavam alguns passes. Ela sentou na arquibancada e Matteo logo foi falar com ela preocupado.
- Ei, Mari, o que houve? – Matteo perguntou sentando ao lado de Marina.
- Não consigo acreditar que elas mentiram para mim, Matteo, de verdade, não consigo mesmo. Sempre foi Kim, a Anna e eu, pelo menos desde que a Jenny foi embora e a Jade se afastou da Anna depois que a mãe morreu. Achei que elas fossem minhas amigas – Marina disse triste.
- Elas mentiram sobre o quê? – Matteo perguntou confuso.
- A Kimberly está fazendo tratamento contra hepatite faz mais de um mês – Marina contou – Elas estavam escondendo de mim esse tempo todo.
- E a Kim está bem? – Matteo perguntou preocupado. Será que Luke sabia disso?
- Parece que sim.
- E não é isso que importa? – Matteo perguntou otimista fazendo Marina levantar a cabeça para olhar para ele – Bem, se elas esconderam isso é porque queriam te poupar – Marina ia falar algo, mas Matteo continuou – Eu sei que foi errado, mas talvez a Kim fosse te contar, só não tinha achado o momento certo.
- Mas eu merecia saber.
- Claro que sim – afirmou segurando a mão dela – Mas você precisa conversar com elas para saber e entender o motivo delas terem feito isso. A Kim e a Anna te amam e te admiram muito, Mari, eu duvido muito que elas tenham feito isso para te magoar – Marina sentiu seu coração acelerar. Ele a fazia se sentir bem, se sentir especial e não queria deixar de sentir aquela sensação nunca.
- Você sabe como me fazer sentir bem – Marina disse encantada com a paciência que Matteo estava tendo com ela e ele sorriu.
- Sempre que você precisar estarei aqui – Marina sorriu o abraçando.
- Solta a minha namorada seu pé rapado – Zack disse puxando Matteo para longe de Marina e o empurrou, fazendo ele cair no chão – Que porra é essa, Marina?
- Nós só estávamos conversando, Mitchell – Matteo falou se levantando – Não aconteceu nada demais – os garotos que estavam jogando foram ver o que estava acontecendo.
- O que está acontecendo aqui? – Henry perguntou.
- Nada, o Zack que está achando que rolou algo entre eu e a Marina, mas não rolou nada – explicou Matteo.
- Eu sei qual é o seu jogo, Bellini – Zack disse apontando para Matteo – Desde que você chegou no colégio ficou dando em cima da minha namorada. Você é desses que come pelas beiradas, não é? Que ganha a confiança da garota só para transar com ela depois, não é?
- ZACK! – Marina gritou ofendida.
- Não entra no jogo dele. Ele só quer fazer você perder a razão – Luke avisou e Matteo balançou a cabeça em concordância.
- Eu não vou – sorriu para o amigo.
- E quanto a você, Marina? – Zack virou seu corpo para Marina apontando o dedo para ela – Se faz de boazinha e me acusa de traição, mas no final é você quem está me traindo com esse aí – Zack falou sabendo exatamente o ponto onde tocar. Ele sabia que se virasse o jogo e colocasse a culpa em Marina, ela viria toda arrependida atrás dele – Eu achei que você fosse diferente – falou olhando magoado para Marina e caminhou para fora do campo.
- Você está bem? – Perguntou Matteo para Marina assim que chegou perto dela.
- Não, mas vou ficar – Marina disse. Seus olhos marejados deixavam Matteo triste por ela. Marina não merecia aquilo, e embora não gostasse de Zack e percebesse que ele era um babaca com ela, sabia que ela nunca o trairia. Mesmo que estivesse apaixonado, sabia que o relacionamento dela com Zack era complicado. Ela não largaria Zack para ficar com ele, largaria? Balançou a cabeça mandando aqueles pensamentos para longe, sabendo que não adiantaria tentar algo agora com Marina abalada daquele jeito, mas faria algo para conquistar ela logo. Ela o abraçou – Obrigada por se preocupar – sorriu apertando Marina em um abraço de urso.

Campo do Venice High School – 04:00 PM
"Sejam bem-vindos para mais um jogo. Ânimo galera, vamos lá" – A voz do diretor do colégio Venice falava pelo alto falante do campo.
A arquibancada estava cheia. Marina encontrou Jéssica perdida no caminho e ajudou a garota a encontrar o caminho certo até o campo. Elas subiram na arquibancada encontrando Jade e foram sentar ao lado dela.
- Animada? – Marina perguntou para Jade.
- Não tanto quanto das outras vezes – Jade disse mencionando o tempo que vinha acompanhar os jogos do irmão e as apresentações da irmã, antes da mãe morrer – Mas até que estou animada sim – sorriu – E você, Jessica? Animada?
- Sim – sorriu batendo palmas – Quero ver o Luke arrasar – disse animada.
"É agora, prepare-se, lá vem eles. Os campeões da liga regional, os Warriors do colégio Beverly Hills" – Todos os alunos que estavam na arquibancada do colégio Beverly Hills e é claro as animadoras gritaram vendo os jogadores entrarem no campo.
"E agora com vocês, os representantes da casa, os Bulldogs do colégio Venice" – a outra torcida gritou. Jack olhou para Anna.
- Boa sorte! – Anna sussurrou e Jack sorriu agradecendo.
"Os dois times entram em campo para disputar o troféu do intercolegial deste ano. O vencedor do jogo desta noite já estará classificado para as semifinais da liga"
- Meninos, venham aqui – o treinador chamou o time e eles formaram um círculo para ouvir o que o mais velho tinha para dizer – Esse pode ser só um intercolegial, mas ainda assim é um jogo tão importante quanto os outros. Vocês treinaram durante meses e agora vão mostrar para o que vieram. Eu sei que muitos de vocês têm desavenças, mas não estamos em hora e nem no lugar para discutir sobre isso, então eu quero que se concentrem, passem a bola quando necessário e não tentem jogar individualmente, isso aqui é um time, portanto, eu quero trabalho em equipe. Entendido?
- Sim, treinador – todos os garotos falaram e o treinador saiu do campo.
Os times se posicionaram quando o apito soou. O jogo tinha começado. As líderes de torcida pulavam mexendo seus pompons agitando a galera da arquibancada com seus passos de dança e suas acrobacias bem elaboradas enquanto os jogadores corriam e faziam suas manobras para conseguir marcar algum ponto. O apito soou novamente mostrando que em 25 minutos de jogo um dos times tinha marcado ponto. Ponto dos Warriors. Era um safety, valendo dois pontos já que Luke tinha derrubado um dos jogadores do time adversário. Kimberly gritou eufórica abraçando Anna que sorriu. Seu irmão era foda. A torcida comemorou e o primeiro tempo se encerrou. Os meninos foram para o banco receber instruções enquanto a torcida começou a animar novamente.
- Vamos lá galera, eu quero ouvir um Warrios bem forte – Anna falou, fazendo a torcida vibrar, e sorriu. Amava fazer aquilo. Depois de mais alguns minutos falando com a torcida do seu colégio, o jogo voltou para o segundo tempo. Porém, com toda animação, depois de 15 minutos o time adversário fez dois pontos em cima dos Warriors derrubando Zack que quase foi para cima do jogador adversário, mas os garotos interviram já que se ele brigasse com o cara, o time ia ser prejudicado. O jogo estava difícil, mesmo que os Warriors fossem melhores que os Bulldogs, não poderiam dizer que eles não jogavam bem, porque jogavam sim.
Matteo correu com a bola por quase um minuto, mas tinha um jogador na sua cola, o que fez com que ele jogasse a bola para Peter, que correu para marcar um ponto, mas foi atingido por um jogador do time adversário imobilizando-o.
Os Bulldogs marcaram mais dois pontos. Merda.
Marina e Jade estavam quase roendo as unhas de tanta preocupação enquanto Jessica gritava com raiva dos jogadores do time adversário, além dos garotos estarem imobilizados, o time estava perdendo de 4x2.
Depois de mais alguns passes, Luke passou a bola para Henry que correu para sua linha de defesa. Jack aproveitou que os jogadores do time adversário estavam distraídos correndo atrás de Henry já que o mesmo estava com a posse da bola e correu para a linha de defesa do time adversário. Henry percebeu e correu mais depressa na frente de uma multidão de jogadores que vinham na sua direção. Henry fez o passe e jogou a bola para Jack. Todos pararam para prestar atenção no movimento da bola até mesmo os jogadores do time adversário. Jack pegou a bola e correu para a linha de finalização do adversário marcando o touchdown que valia 6 pontos. A comemoração foi estrondosa. A arquibancada levantou gritando e aplaudindo, as líderes de torcida comemoravam principalmente Anna e Kimberly que estavam quase roucas de tanto gritar e os jogadores correram até Jack e todos juntos se abraçaram pulando e gritando. O juiz finalizou a partida. Os Warriors venceram de 8x4.

***

Durante o resto da tarde as equipes de torcida de ambos os colégios se preparavam para competir. Anna e Kim deram um tempo para Marina que queria ficar sozinha, mas nos corredores do colégio podia se ouvir as fofocas sobre a discussão de Zack e Matteo por causa de Marina. Ela não gostava de ser alvo de fofoca, mas graças a Zack aquilo tudo tinha se tornando algo muito maior do que deveria.
Anna e as meninas estavam em uma área reservada para as equipes. As meninas estavam lindas. Todas com seus penteados bem elaborados e os uniformes bem passados. Dispensavam o uso dos pompons, pois usavam eles nas animações para os jogos dos garotos, mas eles não eram usados para as competições de torcida. Anna estava animada, porém, Kim parecia perdida.
- Melhora essa cara, Kimmy – Anna pediu, vendo Kim sentada em uma das cadeiras com o rosto triste – A apresentação já vai começar e você assim?
- Não queria estar brigada com a Marina – Kim disse olhando para a arquibancada onde já tinha algumas pessoas que chegavam para a competição. Marina não tinha aparecido.
- Eu também não, mas agora não é hora para pensar nisso. Você acha que eu não ia gostar que a Jade viesse aqui me dar um abraço e me desejar sorte? – Anna disse tocando os ombros da amiga – Olha, a Mari pode estar chateada com a gente agora, mas ela vai entender nossos motivos depois, ok?
- Ok – Kim sorriu sem muita vontade e Anna fez um sinal para que ela virasse – Marina? – Disse surpresa assim que viu a irmã.
- Eu vim desejar boa sorte – Marina disse dando de ombros.
- Obrigada – Anna disse recebendo o abraço de Marina.
- Mari, eu... – Kim começou, mas Marina levantou a mão a interrompendo.
- Falamos sobre isso mais tarde – Marina pediu e abraçou a irmã – Agora se concentre no jogo – sorriu – Boa sorte.
Kim sorriu. Marina estava disposta a ouvir sua explicação e isso era mais do que suficiente para ela conseguir se concentrar no jogo. Marina saiu, indo até a arquibancada.
- Ai, eu estou tão nervosa – Angelina disse sacudindo as mãos – Você não fica nervosa, Aninha? Não treme, não soa, nada?
- Nervosismo é sinal de fraqueza, é a confirmação de que você não sabe o que está fazendo – Anna disse sem olhar para Angelina – Eu, como sei exatamente o que estou fazendo, tenho a certeza absoluta que vamos vencer, afinal fui eu mesma que treinei vocês, não foi? Então para que o nervoso? Já vencemos essa competição – Kimberly riu sabendo que Anna diria aquilo. Anna era sempre muito confiante nas competições, mas tinha algo naquela frase que não combinava com ela. Kimberly não sabia dizer exatamente o que era, mas parecia que Anna queria provar alguma coisa e não era para nenhuma das garotas da equipe, e sim alguém acima delas.
- Você tem muita autoconfiança, Aninha, eu admiro isso em você – Angelina disse vendo Anna virar o rosto para ela.
- Quando se é capitã de uma equipe, Angie, você tem que ter autoconfiança em tudo que faz, porque se você der um passo em falso a equipe toda paga por isso – Anna encerrou o assunto vendo a arquibancada começar a encher. Ela viu seus amigos e seus irmãos. É, irmãos porque até Jade estava ali. Sorriu. Será que aquilo era um sinal?
- Olha só, a equipe que eu queria encontrar – Lindsay disse aparecendo de repente com a sua equipe – Espero que esteja preparada para o segundo lugar, Lombarddi.
- Você que já é acostumada com o segundo lugar poderia me contar como é essa sensação, porque nessa competição o segundo lugar já é seu, amor – Anna sorriu piscando um dos olhos, e Lindsay se aproximou dela.
- Eu não contaria com isso, meu bem – Lindsay disse no ouvido de Anna – Vamos, meninas – chamou.
- O que quer dizer com isso? – Anna perguntou, e Lindsay sorriu ouvindo o nome da sua equipe ser chamada para se apresentar.
- Aproveite o show, Aninha – Lindsay disse indo em direção ao campo para se apresentar.
- Isso é muito estranho – Kimberly exclamou – Ela está confiante demais, você não acha, Aninha? – Anna afirmou balançando a cabeça. Várias coisas passavam em sua mente. Será que Lindsay tinha contratado uma coreógrafa para fazer a dança da equipe? Será que elas tinham feito alguma acrobacia nova e colocaram na dança?
- Com vocês, as Bulldogs do colégio Venice – O diretor falou apresentando a equipe. Lindsay e suas garotas foram para o centro do campo. Uma música conhecida começou a tocar e movimentos começaram a ser feitos. Passos bem elaborados, música boa, acrobacias feitas com destreza. Não podia ser. Anna logo reconheceu aquela coreografia.
- Aquela é a... – Kimberly começou a dizer.
- Minha coreografia – Anna constatou.
- Por isso aquela confiança toda – Sasha constatou deixando Anna ainda mais furiosa.
- Aquela vadia roubou a minha coreografia – Anna gritou irritada.
- O que vamos fazer? – Angelina perguntou.
- Vamos desistir – Claire falou.
- Ninguém aqui vai desistir de nada aqui, Claire – Anna disse tentando controlar toda sua raiva.
Todas as garotas começaram a discutir sobre o que devia ser feito. Era gritos de um lado e do outro. A cabeça de Anna funcionava a mil por hora. Sabia que precisava dar um jeito naquilo, mas como?
- Meninas, fiquem quietas – Sasha pediu e as meninas calaram a boca – O que vamos fazer, Aninha? – Sasha perguntou tocando o braço de Anna que respirou fundo e olhou para as garotas.
- Eu tenho um plano – Anna disse – Vocês lembram da coreografia que eu criei para a nossa primeira apresentação?
- Sim – todas responderam.
- Faremos aquela coreografia – Anna disse.
- Vamos repetir a coreografia? Mas isso não é errado? – Kimberly perguntou com o semblante confuso e Anna balançou a cabeça.
- Não, as pessoas nem vão lembrar daquela coreografia e outra, eu posso fazer algumas mudanças, tipo, mudar a música, algumas acrobacias vamos mudar e também a finalização, ao invés de fazermos uma das poses faremos uma pirâmide.
- Isso é loucura – Angelina falou e Claire concordou.
- Vocês têm ideia melhor? – Anna perguntou, e Angelina deu de ombros – Então faremos, vamos todas para o ginásio e treinamos um pouco. Depois que essa palhaçada da Lindsay acabar eles vão dar um intervalo de 15 minutos e enquanto isso nós ensaiamos.


***

Anna e as meninas ensaiaram bastante a "nova" coreografia no ginásio. Embora fosse uma dança que elas já tinham feito, Anna mexeu em alguns passos e mudou algumas elevações e acrobacias, ficando praticamente uma coreografia reorganizada e nova também.
- Acho que vai dar certo – Sasha exclamou alegre.
- É claro que vai, a coreografia ficou incrível – Anna sorriu – Vamos voltar para os nossos lugares, o intervalo já vai terminar.
Elas voltaram para seus lugares e ouviram a música cessar. Lindsay e sua equipe tinham acabado de se apresentar.
- Vamos vencer, não é, Aninha? – Kimberly perguntou e Anna sorriu.
- Sim, Kim, nós vamos vencer – Anna confortou a amiga que sorriu. Kimberly gostava de vencer, mas também não tinha problema se perdesse uma competição. Só não tinha certeza se Anna pensava da mesma forma. Anna nunca tinha perdido uma competição, seja como ginasta solo ou em equipe. Se elas perdessem aquela competição, como Anna reagiria?
- E agora com vocês, a equipe campeã por três anos seguidos – o diretor falou assim que a equipe de Lindsay saiu do campo – As Warrios do colégio Beverly Hills.
Anna entrou com sua equipe no campo ouvindo os gritos de euforia das pessoas sentadas na arquibancada. Anna sentiu uma corrente elétrica passar por seu corpo de tanta euforia que sentia. Estar em campo era o que ela mais amava fazer e estar cercada de pessoas que ela gostava era muito gratificante.
Uma música conhecida começou a tocar e ambas as meninas gritaram "Warriors", mostrando toda empolgação que uma líder de torcida deveria ter. Elas começaram com a coreografia balançando seus corpos no ritmo da música. Depois de alguns minutos começaram as acrobacias. Sendo Flyer, Anna era jogada para cima durante as acrobacias, assim como Kimberly e Sasha também. A música já estava no fim quando Anna fez um sinal para as meninas indicando que a hora da pirâmide tinha chegado. Elas se organizaram e fizeram a pirâmide corretamente com Anna no topo. Fim da apresentação. Elas ouviram os gritos alegres dos estudantes e sorriram.
- Bom, faremos outro pequeno intervalo e nós já voltamos com o resultado. Lembrando que a equipe vencedora leva a taça do intercolegial deste ano e ainda será a primeira equipe classificada para as estaduais que serão disputadas por 6 equipes de Los Angeles no próximo ano – o diretor terminou de dizer e a equipe de Anna se retirou do campo.
- Nós arrasamos, meninas – Jennifer sorriu ouvindo os gritos alegres das companheiras de equipe.


***

- Que estranho – Marina disse chamando a atenção de Jade e Jessica que estavam sentadas perto dela na arquibancada – Quando a Kim me mostrou a coreografia não era essa que elas apresentaram.
- Como assim? – Jessica perguntou confusa.
- A coreografia da Lindsay foi bem parecida com a que a Anna fez – Jade disse fazendo Marina franzir o cenho.
- Como você sabe disso? – Marina perguntou curiosa.
- Eu vi a Anna ensaiando uma coreografia lá em casa no domingo passado – Jade explicou dando de ombros – E era igualzinha a essa que a Lindsay apresentou.


***

- Dessa vez a equipe da Lindsay se superou – Henry disse surpreso.
- A Anna não vai gostar nada disso – Luke disse balançando a cabeça.
- Elas nunca fizeram uma coreografia bem elaborada, por isso sempre perderam para a Anna – Peter completou e alguns garotos concordaram – O que você acha, Jack?
- Eu? Não acho nada – disse rápido – Por que a pergunta, Peter?
- Você sabe, Malloy – Zack disse se intrometendo na conversa – Você e a Lindsay já tiveram um envolvimento e agora você está envolvido com a Lombarddi – disse sarcástico.
- Não sei do que vocês estão falando – Jack falou desconversando – Eu não tenho mais contato com a Lindsay, então não tenho informação nenhuma.


***

Após a apresentação da equipe de Anna, Lindsay foi falar com as meninas o que gerou discussões tanto sobre as coreografias quanto provocações. Anna não estava feliz por Lindsay ter roubado a sua coreografia, e Lindsay não estava feliz por Anna ter dado um jeito de se apresentar, afinal ela esperava que Anna desistisse sem lutar. De fato, ela não conhecia Anna Lombarddi.
- Demoramos, mas já voltamos – o diretor começou a falar pelos autofalantes do campo, chamando a atenção de todos os presentes – Tenho que admitir que a competição das meninas foi acirrada surpreendendo muitos de nós, aposto – riu enquanto Anna e Lindsay faziam caras a contragosto não gostando da piada – As equipes foram muito bem, com passos modernos, destreza nas acrobacias e equilíbrio nas elevações. Ambas equipes conseguiram atingir um patamar diferenciado neste intercolegial.
- Vamos cruzar os dedos, meninas – uma das garotas da equipe de Lindsay falou, cruzando os dedos e as meninas fizeram o mesmo.
- Deem as mãos e pensamento positivo, meninas – Sasha falou tocando a mão de Claire e todas deram as mãos, exceto Anna que estava um pouco mais afastada das meninas.
- Enfim, vamos para o resultado. A equipe vencedora do intercolegial deste ano e primeira equipe finalista das estaduais é... – O diretor abriu o envelope na cabine de narração dos jogos e não conseguiu disfarçar o semblante surpreso – As Bulldogs do colégio Venice.
A torcida do colégio Venice gritou comemorando o primeiro ano que a equipe de torcida deles vencia a equipe de Anna, seja em intercolegiais ou em competições maiores. Anna sentiu tudo ficar em câmera lenta, vendo sua história de competições invictas ir por água abaixo, sentindo o peso da sua cabeça sobre os ombros e o coração apertar de tristeza. Anna sabia que tinha falhado como capitã. As garotas da equipe Bulldogs comemoraram entre si.
- Olha, Aninha, vai ficar tudo... – Kimberly se virou procurando Anna, mas não a encontrou – Gente, cadê a Aninha? – Kim perguntou alto vendo as meninas responderem que não sabiam.

***

- Não acredito que a Anna perdeu uma competição – Marina disse surpresa vendo a equipe de Lindsay voltar ao campo para receber o troféu do intercolegial. Jade, também surpresa, concordou.

15 minutos depois
- Mas o que é que está acontecendo aqui? – Jade perguntou assim que entrou no lugar onde as líderes de torcida ficavam e viu a discussão que estava tendo. Os garotos da equipe de futebol chegaram logo em seguida.
- A Aninha sumiu! – Kimberly exclamou preocupada.
- Tá explicado o motivo da confusão – Zack falou sarcástico – A rainha sumiu e as súditas ficaram loucas.
- Cala a boca, Mitchell – todos disseram, e Zack bufou ficando quieto.
- Como assim a Anna sumiu? Nós vamos viajar daqui a três horas, Kimberly – Jade reclamou.
- Sim, Jade, e você esperava que eu fizesse o quê? – Kimberly falou sem paciência e Jade revirou os olhos.
- Esperava que você não deixasse a sua amiguinha desaparecer, era o mínimo que você poderia ter feito – Jade revirou os olhos balançando as mãos irritada.
- Acredite se quiser, Jade, mas mesmo que eu dissesse para ela não sair daqui ela não me obedeceria – Kimberly explicou irritada para Jade – E outra, eu nem vi ela saindo daqui.
- Vocês querem parar? Discutir não vai adiantar nada – Luke falou parando no meio delas.
- O Luke tem razão, precisamos encontrar a Aninha – Jack disse chamando a atenção de todos – Vamos nos separar e procurar.
- Isso. Eu, Matteo, Kimberly, Jennifer e Henry procuramos por aqui no colégio e perguntamos se alguns dos alunos viram ela saindo e também para o caso dela voltar. Jade e Jack como estão de carro vão junto com Luke procurar pelos arredores. Ela não deve ter ido muito longe – Marina explicou e todos concordaram.

Uma hora depois...
Jade, Luke e Jack decidiram para qual lado procurar Anna, assim eles procurariam em mais lugares. Marina já tinha ligado para eles meia hora atrás avisando que no colégio ninguém tinha visto Anna sair, já que estavam todos no campo esperando o resultado das apresentações quando ela sumiu. Luke resolveu ligar para Jack.
- Encontrou alguma coisa? – Luke perguntou enquanto olhava uma rua onde Jade passava.
- Não, cara, e você? – Jack perguntou do outro lado da linha parando para abastecer o carro em um posto perto do colégio.
- Nada também – Luke disse – O que faremos?
- Não sei, mas... – Jack lembrou de um lugar que ainda não tinha olhado e sorriu. Seria muita sorte ela estar lá – Volta com a Jade para o colégio, eu acho que sei onde ela pode estar.
- Onde? – Luke perguntou prestando atenção.
- Relaxa, Luke, eu vou lá. Qualquer coisa aviso vocês – avisou desligando em seguida. Jack sentiu os pingos de chuva começarem a cair e se apressou.

***

- O que ele disse? – Jade perguntou parando em um sinal.
- Disse que talvez saiba onde ela pode estar e que vai até lá – Luke explicou para Jade – Disse também que era para nós voltarmos para o colégio e se descobrir alguma coisa ele nos avisa – Jade concordou vendo o sinal abrir e rumou de volta para o colégio Venice.

***

Jack dirigiu até um lugar conhecido tanto por ele quanto por Anna. Foi exatamente o lugar onde eles se conheceram. O campo de futebol abandonado. A chuva que tinha começado minutos atrás estava ficando mais forte. Precisava encontrar Anna logo antes que a chuva piorasse. Jack chegou no campo abandonado e saiu do carro. Chegou perto da grade que o cercava e por meio da arquibancada olhou e enxergou um corpo deitado no chão sendo molhado pela chuva. Era Anna.
- ANINHA! – gritou alarmado pensando que Anna pudesse estar machucada. Ele correu chegando perto dela, e ela abriu os olhos assustada. Jack percebeu que os olhos dela estavam vermelhos. Ela estava chorando – Você está bem, Aninha? – Ele perguntou preocupado, mas Anna continuava calada – Anna? Você está machucada? – Ela balançou a cabeça afirmando – Onde? – Anna apontou para o peito do lado esquerdo.
- Meu coração dói, Jack – Anna disse fungando – Eu perdi uma competição. Eu nunca perdi uma competição antes.
- Você está assim porque perdeu a competição, Aninha? – Ele perguntou estendendo a mão para ela levantar vendo ela afirmar balançando a cabeça. Jack riu alto.
- Você está rindo de mim, seu idiota – assim que levantou, Anna começou a distribuir tapas em Jack, e ele começou a se esquivar tentando se proteger – Você não tem ideia do que essa competição significa. Do quanto eu lutei para ter... – Na intenção de fazer Anna parar de bater nele, Jack segurou os pulsos de Anna e a beijou. Anna parou de se debater e sentiu seu estômago formigar. Uma sensação gostosa percorreu o corpo inteiro de Anna quando Jack tocou sua cintura com as mãos quentes enquanto ele sentia os pelos da sua nuca se arrepiarem pelo contato das mãos frias de Anna. O beijo tinha gosto de morango, pois Jack tinha mascado um chiclete de morango no caminho, misturado com as lágrimas que escorriam pelo rosto de Anna. Depois de encerrarem o beijo com um selinho eles se separaram.
- Foi ainda melhor do que eu imaginei – Jack disse e Anna sorriu – Você está bem para voltar? – Ele perguntou percebendo que Anna tinha esquecido por um momento do campeonato perdido.
- Ai, meu Deus – Anna disse surtando novamente – O que a treinadora vai dizer? Ela vai me matar quando souber e...
- Ei! Calma, Aninha – Jack segurou o rosto de Anna – Vai dar tudo certo. Ela não vai te matar porque você perdeu uma competição. Você é a melhor da equipe – sorriu e Anna soltou o ar que prendeu sem querer – Se você quiser eu posso até ir com você falar com ela.
- Você faria isso? – Anna perguntou esperançosa.
- Claro, eu faço qualquer coisa para ver um sorriso no seu rosto – Anna sorriu sentindo seu coração acelerar. Jack não sabia de onde tinha vindo aquela frase, mas soube que valeu a pena quando viu o sorriso se formar no rosto de Anna – Vem, vamos sair daqui – Jack abraçou Anna de lado e ambos saíram do campo.
Anna entrou no carro recolhendo suas pernas no banco enquanto Jack pegava a toalha no banco de trás e dava para ela se enxugar.
- Você está bem? – Jack perguntou percebendo o olhar perdido de Anna olhando pela janela.
- Não – Anna disse simplesmente enrolando os braços na toalha.
- Já falei para você ficar na boa com relação a treinadora e o intercolegial foi só uma competição boba.
- Não é só isso, Jack – Anna disse baixo – Tem muita coisa envolvida na minha história como capitã – Anna olhou para Jack – Aquela equipe é a minha vida, eu fiz e faço de tudo por ela e não é justo que eu tenha perdido essa competição porque a Lindsay foi tão mal caráter a ponto de roubar a minha coreografia.
- Foi por isso que você fugiu? – Jack perguntou curioso.
- Eu sei que você deve estar pensando que foi um motivo bobo e que eu fiz um auê por causa de besteira, mas eu não imaginava que fosse perder.
- Eu não estou pensando isso – Jack afirmou – Estou pensando no quanto você é uma capitã foda e que cuida das suas companheiras de equipe, já que você preferiu sumir do que mostrar que estava frágil – Jack tocou a mão de Anna. Ambos sentindo o mesmo arrepio quando suas mãos se tocavam. Anna olhou para o enlace da sua mão com a de Jack e sentiu seu coração aquecer como se aquilo fosse o certo – Você é incrivelmente forte, Aninha – Jack sorriu assistindo Anna dar um breve sorriso e virar o rosto de volta para a janela. Ele sabia que ela precisava de um tempo para absorver aquilo, então ligou o carro e seguiu de volta para o colégio.

Colégio Venice – 06:55 PM
- Graças a Deus você chegou, Aninha – Marina disse assim que Anna apareceu com Jack – Estava ficando preocupada.
- Está tudo bem, amiga? – Kimberly perguntou abraçando Anna que balançou a cabeça em concordância.
- Que susto hein, Aninha – Luke disse indo abraçar a irmã.
Todos foram abraçar Anna e perguntar o que tinha acontecido, e ela apenas deu a desculpa que saiu para respirar e todos aceitaram. Só Jack saberia que ela estava fugindo dos questionamentos dos outros e por estar se sentindo culpada por ter perdido um campeonato.
- Já chega de tanto mimimi, certo? Vocês já viram que a Anna está bem – Jade disse revirando os olhos e puxando Anna do meio de todo mundo – Precisamos ir para o heliporto, senão perderemos o nosso vôo para a Itália.
- Certo – Anna concordou – De verdade, gente, obrigada pela preocupação, mas está tudo bem – Anna sorriu sem muita vontade e se despediu dos amigos.
- Eu dirijo – Luke exclamou assim que eles saíram da tenda de líderes de torcida. Jade revirou os olhos e Anna deu de ombros.
- Tá, mas eu vou no banco da frente – Jade cedeu e Luke sorriu pegando a chave no ar quando Jade jogou a mesma para o irmão. Anna se acomodou no banco de trás – Para uma líder de torcida você é bem dramática, sabia? – Jade provocou.
- O quê? – Anna perguntou cansada.
- Por que você sumiu, hein? Foi por que a Lindsay foi melhor que você na competição? – Jade falou olhando para Anna pelo espelho do carro.
- Jade! – Luke reclamou.
- Ah, qual é? Vai dizer que você não reparou, Luke? – Jade disse tocando o braço do irmão que ligou o carro saindo do estacionamento do colégio – Ela se superou nessa competição, mas vamos combinar que ninguém sabe como roubar os holofotes tanto quanto você, não é? – A voz de Jade exalava veneno. Ela queria magoar Anna.
- Me deixa em paz, Jade – Anna pediu sua voz já ficando embargada – Por favor!
- Mas sabe que eu também me assustei quando vi o resultado? – Jade ignorou Luke e Anna e continuou – Realmente me surpreendi que a grande Anna Lombarddi tenha perdido um campeonato.
- Já chega! – Luke pediu, chamando a atenção de Jade – Para de provocar a Anna, Jade, ou eu vou ter que pedir um táxi para levar eu e ela e deixar você dirigir sozinha até o heliporto? – Luke perguntou parando em um sinal e Jade revirou os olhos cruzando os braços. Jade não percebeu, mas uma lágrima teimosa escorreu pelo rosto de Anna.

Colégio Venice – 07:20 PM
- Zack? – Marina chamou assim que ficou sozinha com Zack na tenda das líderes de torcida – Acho que nós precisamos resolver nossa situação logo, você não acha? – Zack franziu a testa fingindo não entender do que Marina falava, e ela continuou – Nós já não estamos dando certo faz algum tempo, nossas ideias não batem e eu acho melhor nós terminarmos porque um relacionamento desse jeito, do jeito que estamos levando não vai dar certo – Marina suspirou – Você não tem como fugir disso.
- Olha, Marina, eu estou atrasado – ele desconversou e caminhou para a saída – Falamos sobre isso depois.
- Se você sair por essa porta, Zack, eu vou dar o nosso relacionamento por encerrado. Sem conversa, sem nada – Marina intimou e Zack parou no caminho.
- Você está fazendo isso por causa do Matteo, não é? – Zack acusou – Eu sabia que vocês estavam tendo algo. Você me traiu com ele, né? Confessa!
- Você não vai me fazer sentir mal por ter uma amizade com o Matteo – Marina disse e suspirou – E não, nós não ficamos, mas se você quer saber, eu gosto do Matteo, sim. Acho ele um cara bacana, e diferente de você, ele não me esconde as coisas. E sim, eu quero tentar algo com ele, mas quero terminar o que nós temos para ficar tudo às claras. Sem enganar ninguém.
- Você ainda vai se arrepender disso, Marina – Zack exclamou irritado – O Matteo não é homem para você e quando você perceber isso pode ser tarde demais – Zack saiu da tenda. Marina se sentia triste por ter terminado um relacionamento de anos, mas não pôde evitar o sorriso sabendo que estaria livre para arriscar uma relação com Matteo.

Pista de Pouso, Los Angeles – 07:49 PM
Dylan, Katherine, Trude e Antônio estavam esperando os filhos de Dylan chegarem no heliporto para pegarem o jato, mas eles estavam atrasados. Antônio tinha recebido alta dias atrás e estava bem animado para viajar e ver a família. Já Trude estava animada em rever os pais de Katherine que eram seus amigos.
- Mas será possível que todo mundo dessa família resolveu se atrasar? – Katherine reclamou olhando o relógio.
- Calma, Kat, eles já vão... – a fala de Dylan foi interrompida quando os faróis do carro de Jade apareceram ofuscando a visão dos demais – Olha só eles aí.
Jade e Anna desceram do carro com cara de poucos amigos enquanto Luke foi até o porta malas e pegou suas coisas e das irmãs para colocar no jato junto com alguns empregados que chegaram para ajudar.
- Por que vocês demoraram? – Katherine perguntou curiosa.
- Pergunta para a Anna – Jade disse provocando Anna. Dylan franziu a testa e olhou para Anna esperando uma resposta.
- O que aconteceu, filha? – Dylan perguntou preocupado para Anna que suspirou balançando a cabeça e passou direto, entrando no jato.
- Tudo pronto para a decolagem, senhor Lombarddi – o piloto avisou – Tem mais alguém que precise chegar?
- Sim, meu irmão e a... – Dylan foi interrompido por uma voz familiar.
- Será que ainda tem espaço para mais um? – Tyler perguntou aparecendo de repente e Dylan sorriu abraçando o irmão.
- Claro que tem espaço, mas cadê a Alice? – Dylan perguntou e viu o irmão balançar a cabeça mostrando que depois explicava. Dylan concordou e deu a ordem para levantarem voo.


***

- Espero que esteja tudo bem entre você e a Alice – Dylan disse olhando para o irmão que tomava um café sentado em uma das poltronas do jato. Fazia meia hora que já tinham decolado e ele não tinha dito nada sobre o motivo de Alice não ter ido junto com ele.
- Nós ainda estamos brigados, Dylan – Tyler disse vendo o rosto confuso do irmão pedindo mais explicações – E não quero falar sobre isso agora.
- Certo – Dylan deu de ombros.
- Ei, o que aconteceu com a Aninha? – Tyler perguntou vendo Anna encolhida em uma das poltronas mais à frente olhando triste pela janela com Alfa deitado perto dela.
- Eu não sei, ela teve uma competição hoje mais cedo e voltou assim. Triste – Dylan suspirou cansado – Ela e a Jade estão mais afastadas do que nunca e eu nem sei como ajudar.
- Se você quiser eu posso tentar conversar com ela depois – Tyler se ofereceu.
- Obrigado, mas não precisa. Eu mesmo quero conversar com ela e descobrir o que aconteceu – Dylan sorriu e começou outro assunto com o irmão. A viagem seria longa.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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