Live On Tour

Última atualização: 17/07/2019

Prólogo


Os gritos ensurdecedores ao término da última música causavam arrepios no corpo de Harry. De longe, aquela era a melhor parte de seu trabalho. Agradeceu ao público mais uma vez, andando pelo extenso palco e, sorrindo, correu para os bastidores, agradecendo pela toalha estendida por uma das funcionárias que ele não lembrava o nome. Sua equipe era imensa, e sua memória não era a das melhores, por mais que se esforçasse para conhecer cada um de seus funcionários.
– Último show da sessão europeia, como está se sentindo? – Jeff, seu empresário e amigo, perguntou, caminhando ao lado do garoto que procurava pela mãe em seu camarim.
– Ansioso para os shows na América. – Harry respondeu e correu rapidamente para o abraço da mãe, que tinha um sorriso orgulhoso tão grande que poderia rasgar o rosto. – O que achou?
– Você foi incrível, filho! Estou tão orgulhosa. – agarrou ele pela cintura e Styles sorriu como uma criança. Não se importava se mil críticos experientes dissessem que sua música era ruim, a única que poderia ferir seus sentimentos era sua mãe.
– Já vi melhores. – o moreno ouviu a voz da irmã e revirou os olhos para a loira que o encarava sorrindo travessa. – Estive no show do Niall semanas atrás, claramente o membro mais talentoso da One Direction.
O mais novo largou a mãe, agindo com rapidez ao pegar a irmã pela cintura e jogá-la em seus ombros, deixando-a de cabeça para baixo, enquanto gritava mandando-o colocá-la no chão. Assim que sentiu os pés na superfície, Gemma distribuiu tapas por todo o corpo do irmão, que ria dos esforços dela em machucá-lo quando, na verdade, parecia ter penas no lugar de mãos.
– Sem querer atrapalhar o momento, preciso falar com Harry antes de sairmos para comemorar. – Jeff, que havia finalmente desligado o celular, chamou pelo cantor que assentiu e se colocou ao seu lado, caminhando até um lugar mais silencioso. – Seguinte, duas semanas de férias para o senhor e então malas prontas para Los Angeles. – começou a listar os afazeres de Harry, que assentiu já tendo ouvido aquilo milhões de vezes nos últimos dois dias – Está livre para se divertir, aproveitar, mas sem escândalos, por favor.
– Quando foi que eu saí em algum escândalo, Jeffrey? – Styles revirou os olhos impaciente e ouviu o empresário respirar fundo.
– Sempre bom lembrar. – apressou-se em continuar a falar quando Harry fez menção de responder. – Temos todos os assuntos resolvidos para a turnê na América, mas temos um pequeno problema, na verdade, é mais ou menos um problema, já que...
– Fala logo, você sempre se enrola quando fica nervoso. – riu, conhecendo o amigo há anos e já acostumado com aquele comportamento.
– Leon não poderá mais fazer os shows de abertura, ocorreu um imprevisto familiar e ele não terá como cumprir a agenda. – Harry balançou a cabeça, chateado com a informação, e gesticulou, pedindo para que ele continuasse. – Mas, encontramos uma garota, ela é nova, mais conhecida aqui pelo Reino Unido e por isso uma turnê na América seria ótima para a carreira, já entrei em contato com o empresário dela e ele amou o convite, só precisamos da sua aprovação para enviar o contrato.
– Ela é boa? – perguntou inseguro, notou que Jeffrey não dizia o nome da cantora e se preocupou com que o estilo dela não fosse o mesmo de seus shows, achava a abertura extremamente importante para o concerto todo.
– Muito, posso mandar umas músicas dela depois se quiser. – o sorriso nervoso no rosto do amigo e o modo como seu estômago revirou dizia a Harry que aquela não seria uma boa ideia, mas se não confiasse em Jeff confiaria em quem?
– Se você diz que ela é boa mesmo, acredito em você. Pode mandar o contrato. – riu ao ver Jeff soltar o ar, aliviado, e começar a se afastar, enquanto dizia que Harry não iria se decepcionar e que encontraria ele mais tarde.

(...)

– Estava pensando que poderíamos trocar essa por aquela que escrevi mês passado, acho que combina mais com as outras faixas, faria mais sentido no álbum. – opinava atentamente sobre os toques finais de seu disco quando teve sua atenção roubada para a entrada de Andrew, que sorria como uma criança abrindo os presentes na manhã de natal. – Está tudo bem? Está com cara de quem ganhou na loteria. – A garota brincou, assustada com o sorriso exageradamente grande no rosto do empresário.
– Quase isso, ou melhor, quem ganhou foi você. – gesticulou descoordenadamente, recebendo um olhar confuso da morena, que permanecia sentada na cadeira de rodinhas com o fone apoiado no pescoço..
– O quê? – olhou para o produtor ao seu lado como se perguntasse se ele estava entendendo algo, mas notou que estava tão perdido quanto ela quando deu de ombros e balançou a cabeça.
– Eu acabei de receber uma proposta para você abrir os shows de uma turnê na América! – gritou, os olhos da cantora arregalaram e ela se enroscou nos fios do fone quando tentou levar para pular no pescoço do empresário animada.
– Você está falando sério?
– Sim, todo o contrato já foi feito, só falta você assinar. Um mês e meio de shows, incluindo algumas entrevistas em rádios e talvez algumas para a televisão. – contou vendo a morena comemorar indecisa entre pular, gritar ou rodar.
– Isso é maravilhoso, Andrew! E de quem é a turnê? – perguntou, ansiosa, com vários nomes na cabeça, pensando na sorte que teria caso fosse algum de seus ídolos.
– Harry Styles, você sabe, aquele da One Direction. – e então foi como se o mundo parasse, seus olhos embaçaram, sua cabeça parecia girar e sentiu perder o controle do corpo quando cedeu, caindo no chão e apagando.
A claridade invadiu sua vista, fazendo-a piscar algumas vezes, tentando se acostumar, e agradeceu o copo de água que logo lhe fora estendido. Olhou em volta, vendo que se encontrava sentada na sala do empresário, e este estava do outro lado da mesa, com as mãos na cintura, encarando-a confuso.
– O que aconteceu? – perguntou, levantando do pequeno sofá após beber a água que lhe fora entregue por um dos estagiários, que fez questão de se retirar da sala em segundos, deixando os dois sozinhos.
– Você desmaiou logo após eu te contar sobre a turnê. – respondeu cuidadoso, com medo de que a morena desmaiasse mais uma vez.
– Ah, sim, me lembrei, mas eu apaguei logo após isso? – encarou-o confusa, aquilo não fazia sentido, lembrava de ter ficado muito animada, mas não a ponto de desmaiar.
– Não, logo após eu falar que era a turnê de Harry Styles, não sabia que você era tão fã dele. – riu e então flashes invadiram a cabeça de , que rezava para que aquilo fosse mentira.
De todas as pessoas no mundo, ela teria que abrir os shows do primeiro e único namorado que já tivera, aquele que ela havia passado três anos evitando lembrar-se da existência. Todo o esforço havia ido por água abaixo, já que tudo que passava em sua cabeça era a última briga do casal.

“– Harry, já lhe disse que chega! – gritei pela última vez, voltando a pegar minhas roupas do guarda-roupa e colocá-las na mala.
– Ah, qual é, , você não pode parar de agir como uma drama queen pelo menos uma vez? – ele perguntou, revirando os olhos, e eu virei para encará-lo.
– Drama queen? – perguntei, incrédula. – Você me faz de corna quando bem entende, sai com mais de três garotas na mesma noite. TRÊS, HARRY. Nem uma, nem duas, foram três! Mal fala comigo quando está em casa, recusa-se a discutir nosso relacionamento, mas quando eu saio com UM garoto você vai atrás e faz um escândalo. Agora você vem e pede para eu não terminar e parar de fazer drama? Você não acha que é hipocrisia demais?
– Não estou sendo hipócrita, . Só estou lhe dizendo que está exagerando. – continuou como se estivesse certo e eu tive que parar para respirar fundo.
– Harry, acho que você não entendeu que ACABOU! – gritei, terminando de fechar minha mala e pegando-a com a mão. – Amanhã peço para alguém vir pegar o resto das minhas coisas. – avisei, retirando-me do quarto com ele ao meu encalço.
– Então você vai jogar quatro anos de namoro no lixo? – ele perguntou e eu ri.
– Namoro? Isso já não é mais um relacionamento há muito tempo, e você fez questão de deixar isso bem claro para mim quando chegou em casa cheirando a bebida e sexo. Não venha me fazer sentir culpada, porque dessa vez eu não sou! – respondi, pegando minha chave do carro e o celular.
...
– Para! – cortei-o. – Eu não vou viver para sempre como corna, e muito menos deixar de conhecer alguém e ser feliz. Já deu, Harry!
Andei até a porta, abri e o olhei mais uma vez.
– Deus abençoe o dia em que a gente decidiu que seria melhor não assumir publicamente, não imagino a humilhação que passaria assim que as fotos da sua noitada saírem nos jornais. Passar bem, Harry Styles.”


As fotos de Harry acabaram por não serem divulgadas e se perguntava até hoje o quanto de trabalho aquilo havia dado para sua equipe, mas evitou que aquilo a atrapalhasse de seguir a vida. Eventualmente as coisas foram melhorando.
Por seu relacionamento com o britânico, havia conhecido muita gente importante da área musical, mesmo que esses não tivessem a mínima ideia de sua relação com Styles, mas decidida a dedicar-se a ela mesma e seu futuro, correu atrás de alguns dos contatos que se lembrava e acabou por conseguir uma reunião com uma produtora.
Apresentou seu trabalho, suas composições, cantou algumas músicas e logo de cara encantou muitos, não demorou muito para que Andrew Richards surgisse em sua vida e ajudasse a jovem a construir uma carreira. Além da relação profissional, tinha Richards como um grande amigo, e mesmo assim, parada na frente dele, que estendia a caneta para que assinasse o contrato, não conseguiu contar o real motivo de seu desmaio e nem que conhecia o astro da turnê tão bem quanto sua família. Sabia que aquela era uma oportunidade imperdível, e por isso se forçou a não pensar nas consequências e assinou o papel a sua frente, vendo o empresário sorrir animado.
Agora tudo que lhe restava era esperar que toda essa situação fosse tranquila ou que ao menos descobrisse uma maneira de matar Styles sem deixar rastros.


Capítulo 1


Entrei no carro observando as ruas de Los Angeles pelo vidro. Fazia anos desde a última vez que estive na cidade, e mesmo assim não parecia que muito tinha mudado. Passei por lugares que já havia visitado e ri com lembranças da época que Louis e eu aprontávamos pelas ruas na madrugada, fugindo do resto da banda e da equipe, algo que costumava deixar Harry furioso por alguns minutos, mas sempre que encontrava nós dois acabava gargalhando e juntando-se às nossas loucuras.
Chacoalhei a cabeça, brigando internamente por me lembrar de coisas desnecessárias, e foquei minha atenção na conversa dentro do veículo.
– Você não se importa em dormir no ônibus, certo? – Andrew tirou os olhos do celular, esperando por uma resposta, e eu neguei com a cabeça. – Ótimo, o próximo show é em San Jose, e a banda e equipe vão em ônibus para facilitar o processo de chegada e tudo mais.
– Sem problemas. – respondi, não me apegando muito aos detalhes que ele continuava a passar, respondendo de maneira afirmativa toda vez que me questionava algo.
Por mais que tentasse evitar e que estivesse repetindo para mim mesma que reencontrar Styles não mudaria nada em minha vida, eu sentia meu estômago revirar a cada rua em que o carro virava, indicando a proximidade do nosso encontro.
Poucos minutos levaram até que o carro chegasse na arena e um grupo de pessoas da equipe de Harry aparecessem para nos receber. Eles explicavam o horário em que eu deveria entrar, os lugares pelos quais eu poderia passear durante aquelas horas, as salas de acesso proibido e terminaram por dizer que o empresário de Harry estaria a nossa espera na sala onde eles haviam improvisado o que era uma mistura de refeitório com sala de estar.
– Aqui está ela. – Alguém gritou assim que pisei na sala e arqueei a sobrancelha, reconhecendo a voz de algum lugar.
Levantei os olhos, que estavam focados na tela do meu celular enquanto respondia uma mensagem de Hailey, minha amiga e maquiadora/figurinista, e abri a boca, surpresa, ao reconhecer o dono da voz. – , como está?
– Jeffrey Azoff! Estou ótima e você? – perguntei, confusa, vendo-o sorrir envergonhado pela situação, mas sem dizer mais do que deveria.
– Vocês se conhecem? – Andrew perguntou, confuso, e eu tratei de responder rapidamente antes que o amigo e agora empresário do meu ex-namorado falasse mais do que eu gostaria em uma sala repleta de pessoas prestando atenção em nós.
– Temos amigos em comum. – Jeff me olhou, arqueando a sobrancelha por um segundo, mas logo entendendo pelo meu olhar que Andrew não tinha conhecimento de meu antigo relacionamento.
– Isso! , estamos todos muito felizes em ter você aqui, somos grandes fãs de seu trabalho e temos certeza que, do mesmo modo que está nos ajudando, iremos fazer o máximo para poder ajudar a você. – Azoff sorria abertamente, mas sem conseguir esconder seu nervosismo, pelo menos não conseguia esconder para mim, que já o conhecia há anos.
Todos? – questionei e ele riu sem graça, entendendo minha pergunta.
– Andrew, porque não procura por Lauren? Sei que estava querendo acertar alguns detalhes com ela, eu levo para conhecer o lugar. – recebi um olhar questionador de meu empresário e sorri, mostrando que estava tudo bem, vendo-o deixar a sala em seguida e já sendo puxada por Jeff para outro lugar. – Eu já vou responder todas suas perguntas, só um segundo. – sussurrou enquanto caminhávamos pelos bastidores por entre dezenas de pessoas que andavam para todos os lados apressadamente, falando por seus fones.
– Jeffrey, ele sabe que eu estou aqui? Você não contou para Harry, não é? – entendi de onde vinha todo o nervosismo de meu ex-amigo, mas fui ignorada até pararmos na frente de uma porta cuja placa estava sendo tampada pelo corpo do empresário a minha frente.
– Escuta, eu sei que você está cheia de perguntas e sei que ele também vai ficar, mais fácil fazermos isso de uma vez. – disse e, sem me dar tempo de responder, abriu a porta, puxando-me e fechando-a em seguida.
Harry, que estava de costas na hora que entramos, virou-se assustado, arregalando ainda mais os olhos ao me ver, e então tive a certeza de que seu corpo e sua mente estavam reagindo da mesma forma que o meu naquele momento. Seus cabelos estavam mais curtos do que da última vez em que nos vimos, continuava tão alto quanto antes, mas estava mais forte, sua boca permanecia rosada da maneira que me lembrava e tinha mais algumas tatuagens, pelo que podia notar graças à sua falta de camisa no momento. Já eu não havia mudado tanto quanto ele; meus cabelos permaneciam morenos, só que agora tinha algumas mechas mais claras e tinha feito duas tatuagens que estavam cobertas pela roupa no momento.
Passamos alguns minutos em silêncio enquanto nos encarávamos sem saber ao certo como agir, foram anos sem nos encontrarmos e agora estávamos na mesma sala, a poucos metros de distância.
– Mas que porra está acontecendo? – Harry perguntou, tirando os olhos de mim e virando-se para seu empresário, que permanecera em silêncio até aquele momento.
– Harry, conheça o seu novo show de abertura. – respirou fundo e abaixou a cabeça enquanto sentava no pequeno sofá preto, preparado para o que estava por vir.
– Mas essa é a , ela não canta! Bom, não em palcos, pelo menos. Que palhaçada é essa?! – começou a gritar, falando rapidamente, enquanto Azoff continuava calado.
– Eu não cantava, você quis dizer, muita coisa pode acontecer em três anos, Styles. – fiz questão de manter a voz ríspida.
Fazia anos que não o via, e eu sabia que tínhamos que tentar manter nossa relação o mais civilizada possível, mas não iria chegar na sua frente e conversar como se nada tivesse acontecido e fossemos bons amigos.
– Por que você não me contou antes? Eu jamais teria...
– Jamais teria aceitado que eu abrisse seus shows? Sério que você não amadureceu nada nesses anos? – Harry, que evitara olhar para mim ou me responder, virou-se completamente confuso e nervoso.
– Não foi isso que eu disse.
– Era o que ia dizer. – retruquei, ele bufou, dando-me as costas e respirando fundo. – Olha, eu não estou nem um pouco feliz em saber que vou passar as próximas seis semanas olhando para a sua cara, mas estamos aqui por motivos profissionais, acredite, eu não estaria aqui por nenhum outro motivo. – sentei-me em uma das duas cadeiras estofadas pretas que estavam de frente para o espelho e me virei para olhar Harry. – Também estou irritada de saber que Jeffrey não te contou, era o mínimo que esperava.
– Era o mínimo que eu esperava também. – Styles disse mais calmo, enquanto Jeff continuava em silêncio – Porra, Jeffrey! A minha ex? – ri pelo que ele dissera, parando para observar a situação que, se não fosse trágica, seria cômica. – Do que você está rindo? – virou bruscamente, com a feição confusa, como se questionasse minha sanidade.
– Seria cômico, se não fosse trágico. – repeti o que pensara e Harry continuou me encarando abismado.
– Você é louca. – retrucou instantaneamente, levando as mãos até o rosto e cobrindo os olhos.
– Você gostava. – retruquei, brincando com o fio do meu casaco, Harry tirou as mãos do rosto, surpreso pelo comentário, dei de ombros e continuei a falar antes que o clima estranho se instalasse no ambiente. – Bom, o contrato foi assinado, não tem nada que possamos fazer, podemos nos evitar ao máximo e esperar que essas semanas passem o mais rápido possível, afinal só temos que nos ver nas horas do show, não é mesmo? – Styles estava prestes a concordar quando Jeffrey resolveu se intrometer.
– Na verdade, ficou acertado que os dois fariam algumas entrevistas juntos. – o empresário se encolheu no sofá mais uma vez ao receber nossos olhares furiosos, mas prosseguiu falando. – Vocês precisam entender. Harry, por mais que você não tenha conhecimento, é bem popular na Europa, suas músicas estão nos topos das paradas e seu álbum de estreia é o mais esperado do ano; e, , Harry pode estar recomeçando, mas é extremamente conhecido e aclamado pela mídia. O maior número de entrevistas que participem, melhor. Foi o que consegui pensar, era isso ou um dueto, acredito que não queiram ficar horas juntos em um estúdio.
Revirei os olhos, jogando a cabeça para trás, Harry se sentou na outra cadeira do meu lado esquerdo e permaneceu em silêncio. Percebi que seu pé batia constantemente no chão e sua perna balançava sem parar, mania que ele pegara de mim durante os anos e que indicava que ele estava incerto a respeito de tudo aquilo.
– As entrevistas ainda não são agora, vamos nos preocupar primeiro com os shows, um passo de cada vez. – Jeff disse, levantando-se e caminhando até a porta. – Vou deixá-los sozinho por alguns minutos, estarei na porta caso precisem de algo. – e então se retirou, deixando-nos para trás. Após quase um minuto em silêncio, notei que não adiantaria nada ficar ali observando o camarim dele e bufei irritada com a situação.
– Acho que não temos o que conversar então... – levantei-me, pronta para sair da sala, quando fui interrompida.
, espera! – virei-me, ficando de frente para Styles, que também havia se levantado. – Eu... Eu não tinha a menor ideia que estava cantando. Depois da pausa da banda eu decidi evitar as redes socais ao máximo, não estava me fazendo bem, e você sabe como sempre fui meio avoado com as notícias de famosos e tudo mais. Fico feliz em saber que foi atrás do que sempre sonhou, tenho certeza que se suas músicas forem tão boas quanto as que você me ajudou a escrever, você terá uma carreira brilhante, você merece. – despejou tudo de uma vez e eu levei alguns segundos para processar o que havia escutado.
De todas as vezes que imaginei como seria reencontrá-lo, ter Harry sendo gentil comigo nunca esteve em meus pensamentos.
– Obrigada, acho que você descobrirá hoje. – disse, indo até a porta, mas virando-me para dizer mais uma coisa. – Não cheguei a ouvir seu álbum, mas espero que tenha conseguido fazer tudo aquilo que sempre quis e nunca te deixaram. – vi um sorriso fraco no rosto de Styles e saí, encontrando Jeff pronto para me levar até meu camarim. – A propósito, Andrew não sabe sobre mim e Styles, e gostaria que continuasse assim, se você puder avisar ele também...
– Claro, não se preocupe. – respondeu de prontidão e parou em frente a uma porta a pouca distância da de Harry, abrindo-a e revelando meu camarim, uma pequena sala com paredes brancas, uma cortina azul marinho, e a decoração basicamente igual a de Styles, um sofá preto pequeno de frente para duas cadeiras pretas colocadas viradas para um espelho grande e uma mesa branca cheia de produtos de cabelo e de maquiagem; uma arara com algumas roupas pré-aprovadas por mim se encontrava ao lado do sofá para que eu pudesse escolher e um frigobar com algumas garrafas de água do outro lado. – As comidas deixamos na sala onde nos encontramos de início, mas posso pedir para alguém trazer algo para você se quiser.
– Não, está tudo bem, obrigada. – agradeci entrando na sala e jogando-me no sofá enquanto desbloqueava o celular na intenção de me distrair.
. – chamou-me ainda na porta, segurando a maçaneta. – É muito bom vê-la de novo. – piscou e eu sorri, vendo-o sair e me deixar sozinha na sala, esperando por Andrew e Hailey.

(...)

Faltavam poucos minutos para que eu entrasse no palco, a maquiagem estava simples apenas com um batom vermelho marcando, eu estava com um vestido amarelo de alcinha, deixando à mostra minha tatuagem no braço direito e nas costas. Havia optado por usar um coturno preto com um pouco de salto, evitando usar algo muito alto para não correr o risco de cair. Tirei uma foto com minha equipe, postando no Instagram e dizendo que estava ansiosa para o show. Tomei mais um gole de água enquanto esperava do lado de fora com a minha banda, e poucos segundos após eles terem sido chamados para o palco, eu subi, vendo as luzes continuarem apagadas e serem acesas ao primeiro som da guitarra que logo fez a arena ser preenchida por gritos.
A batida de Jump me fez começar a cantar e me surpreendi ao ver que muitas pessoas conheciam a letra, e aquelas que não conheciam gritavam e dançavam animadas. Terminei emendando em mais três músicas, sendo uma delas um cover, já que a maioria de minhas músicas não havia sido lançadas ainda, e antes de apresentar a última música, fui avisada pelo ponto que tinha no ouvido que eu deveria conversar por alguns minutos com a plateia.
– Boa noite, Los Angeles! – Sorri, apoiando a mão no pedestal e ouvindo os gritos em resposta – Uau, vocês são incríveis! Não fiz muitos shows ainda, mas acredito que sejam um dos públicos mais altos que já ouvi na vida, e eu nem sou o show principal. – brinquei, rindo ao ouvir mais gritos. – Estão se divertindo? – perguntei e fui mais perto deles para poder conversar com alguns fãs de Harry. – Qual a música que vocês mais querem ouvir hoje? – sentei na beirada do palco, estendendo o microfone para os fãs e ouvindo vários nomes aleatórios que não faziam sentido algum para mim, que não conhecia as músicas de Styles. – Certo, podemos dizer que vocês estão muito animados para o show inteiro. – levantei-me, voltando para o pedestal e prendendo o microfone ali enquanto arrumava o cabelo. – Então vamos logo acabar com a minha parte para vocês poderem assistir ao Harry. – ri, ouvindo alguns comentários positivos ao meu respeito de algumas meninas que estavam mais próximas e mandei um beijo agradecendo. – Essa aqui se chama I miss you. – a introdução da música tocou ao fundo e eu cometi o erro de olhar para o lado do palco e ver que Harry estava ali assistindo ao show. De todas as músicas, essa era a que eu menos queria que escutasse, era a minha mais conhecida, a primeira a ser lançada, era a música dele.

I know you're out in Cabo
Hanging with your sister*
Wishin' that I was your bottle
So I could be close to your lips again
I know you didn't call your parents
And tell them that we ended
'Cause you know that they'd be offended
Did you not wanna tell them it's the end


Forcei-me em focar minha atenção para o público, andando de um lado para o outro no palco, evitando a ponta próxima a área dos bastidores onde o britânico estava.

And I know we're not supposed to talk
But I'm getting ahead of myself
I get scared when we're not
'Cause I'm scared you're with somebody else
So I guess that it is gone
And I just keep lying to myself
I can't believe it

I, I miss you, yeah I miss you
I miss you, yeah I miss you, oh I do
I miss you, yeah I miss you
Though I'm tryin' not to right now


Cantei o refrão sendo acompanhada por um grande número de pessoas, fazendo-me sorrir abertamente, fechei os olhos, esquecendo o responsável pela letra da música, e prossegui cantando sem me preocupar. Voltei para o centro, colocando o microfone no pedestal e novamente olhei para os bastidores, encontrando os olhos de Harry focados em mim com o semblante em uma mistura de surpresa com, o que era aquilo? Um sorriso?

So I saved all the texts
All of the best over the years
Just to remind myself
Of how good it is
Yeah, I saved all the texts off of my ex
Minus the tears
Just to remind myself
Of how good it is
Or was


Cantei olhando em seus olhos, nós dois quase não piscávamos, Harry tinha entendido que a música era sobre ele, observou-me cantar atentamente e no final balançou a cabeça no ritmo da música e riu, por algum motivo eu ri também, voltando a encarar a plateia e despedindo-me assim que a música acabou.
Corri para fora do palco, ainda eletrizada pela energia do show, fui agarrada por Andrew, que me esperava ali sorrindo orgulhosamente, ele me pegou no colo, girando-me, enquanto eu gargalhava feliz demais por ter me apresentado para um público tão grande e que havia sido tão legal comigo.
Senti um flash e me virei, encontrando Helene, a fotógrafa da turnê, com a câmera em nossa direção. Sorri para ela, que retribuiu, e me soltei dos braços de Richards.
– Você foi incrível! – elogiou-me e eu agradeci animada a ele e à banda que estava a minha volta.
Enquanto todos se afastavam, prestei atenção em Harry, que se reunia com sua banda, o mesmo levantou os olhos ao perceber que era observado, e ao encontrar meu olhar, arqueou uma sobrancelha com um sorrisinho presunçoso no rosto. Revirei os olhos e caminhei até meu camarim, evitaria ouvir as músicas de Harry por quanto tempo desse, dei a desculpa de que precisava ligar para minha mãe e me tranquei na sala, sorrindo para meu reflexo no espelho.
Recebi uma mensagem de um número desconhecido que logo reconheci sendo o de Helene, já que a mensagem era a foto que ela havia tirado. Postei a foto, agradecendo ao público e a ela pelo momento, e curti alguns comentários de amigos e fãs enquanto esperava ser chamada para ir embora.


Capítulo 2


Passei as duas horas do show em meu camarim, com fones de ouvido, assistindo a uma série. Foi necessário trancar a porta para evitar que me encontrassem escondida ali, mas mesmo assim Andrew me achou e enviou apenas uma mensagem avisando que estavam tocando a última música e poderia esperar no estacionamento pelos ônibus, já que foi informado por Hailey que eu estava com dor de cabeça, e são nesses momentos que eu agradeço por ter minha melhor amiga comigo. Não precisei dizer nada, nem pedir para inventar alguma desculpa, ela simplesmente soube, assim como eu sabia que teria que aguentar seu interrogatório logo que a encontrasse.
Recolhi meus pertences, guardando-os na bolsa que eu usava, e segui para o estacionamento da arena, encontrando funcionários que carregavam equipamentos de um lado para o outro. Sorri para alguns que me cumprimentaram e agradeci aos céus quando Rick e Ryan chegaram. Ambos tocavam comigo, Rick era meu baixista, e Ryan, o baterista. Tinha a sorte de trabalhar com pessoas incríveis que se tornaram grandes amigos, então sabia que esperar o tempo passar seria mais divertido com eles ali.
– Melhorou, drama queen? – Rick provocou, bagunçando meus cabelos ao parar na minha frente. – Hailey contou que estava com dor de cabeça.
– Dor de cabeça? Eu ouvi ela dizer que ia atender uma ligação da mãe… – Ryan olhou confuso para o moreno ao seu lado, que me encarou com uma expressão divertida.
– Fugindo de algo, dona ? – Riu, arqueando as sobrancelhas, cruzou os braços e ficou me observando, esperando que algum gesto meu lhe contasse algo que eu não diria.
De todos da banda, ele era o mais próximo de mim, o que me conhecia melhor.
– Não, assim que saí do palco minha mãe me ligou e eu fui para o camarim. Mas, quando Hailey me encontrou, eu estava com dor de cabeça e disse que ficaria por ali. Deve ter sido o som muito alto dos instrumentos junto com os gritos em um lugar tão fechado, não estou acostumada. – respondi de prontidão, sabendo que cada palavra proferida era analisada pelo baixista, e recebi um balanço de cabeça em resposta, mostrando que ele não havia acreditado completamente, mas deixaria passar.
Senti que era observada e procurei pela pessoa, encontrando a baterista de Harry sorrindo para mim. Com um sinal de cabeça, ela me chamou para se aproximar dela e do resto da banda, virei para chamar os meninos, mas notei que eles estavam entretidos em um vídeo no celular, então apenas me retirei, caminhando até os músicos.
– Estávamos falando agora do seu show, você foi ótima. – a menina elogiou e eu sorri pela milésima vez naquela noite. – Eu sou Sarah, esses são Mitch, Adam e Clare. – apresentou.
Notei, pela primeira vez na noite, que as duas mulheres usavam calça e blusa social, e os dois homens usavam ternos, fazendo-me questionar que roupa Styles havia usado, já que quando o encontrei só usava uma blusa social branca e não tinha conseguido ver sua calça.
Sempre soube que Harry tinha um lado extravagante e gostava de brincar com as roupas, mas quando estava no palco, usava camisetas e calças simples, como se estivesse saindo com a família, mas com certeza isso havia mudado. Após cumprimentar todos, agradeci pelo comentário e tratei de retribuir da forma que podia.
– Desculpe não poder elogiar vocês, não consegui assistir ao show, mas tenho certeza que foram ótimos, os gritos mostravam isso. – respondi sem graça ao admitir que não havia assistido à apresentação, fazendo-os rir e agradecer.
– Percebemos você se afastando logo no começo do show. – Clare sorriu gentilmente e eu assenti.
– Recebi uma ligação da minha mãe, sabe como é, né. – ri, envergonhada por ter sido notada fugindo, e todos concordaram, sem fazer mais perguntas sobre meu sumiço.
– Vai de ônibus também? – Sarah perguntou e eu afirmei. – Venha com a gente então. Vamos comemorar, tenho certeza que ninguém vai se importar. Isso se sua banda não tiver preparado nada, claro. – convidou-me, simpática, e eu me questionei se realmente era uma boa ideia.
Adoraria fazer algo para comemorar, e eles pareciam bem legais, mas ficar em um ambiente tão pequeno com Harry não me parecia algo inteligente.
– Não sei, o pessoal da banda deve querer comemorar e... – Procurei por alguma desculpa em vão.
– Se quiser chamá-los, como Harry sempre diz "quanto mais, melhor". – brincou e eu ri, olhando para trás e encontrando os meninos da banda junto a Hailey, vi três deles bocejando enquanto entravam no ônibus e logo a morena e Josh, meu guitarrista, vieram em minha direção, reclamando que Ryan, Tyler e Rick eram muito preguiçosos. – Estávamos agora mesmo falando para chamar vocês para beber conosco.
– Opa, por mim está ótimo. – Hailey pareceu não perceber os olhares que eu mandava para ela implorando para que dissesse “não” e sorriu animada, entrando no ônibus com Josh e a banda de Harry, deixando-me para trás.
Ri, desacreditada, e andei atrás deles, acompanhando-os ao entrar no veículo que parecia extremamente aconchegante.
A decoração era em grande maioria vermelha, as cortinas das janelas e das camas, os dois sofás que ficavam de frente um para o outro e os detalhes no tapete eram da cor que fazia contraste com o preto de outros detalhes e aparelhos e o marrom da mesa e bancada. Era como uma casa ambulante, tinha uma pequena cozinha que parecia mais um bar, pela quantidade de bebidas, o espaço interno era muito bom, possibilitando que andássemos ali sem problemas, e o grande corredor onde as camas ficavam tinha no final um banheiro e uma porta de madeira marrom que me disseram ser o "quarto" de Harry quando ele acompanhava o resto nos ônibus.
Feliz com a ideia de não ter que encontrar Harry pelo resto da noite – já que tínhamos começado a andar e ele não havia entrado –, aceitei a bebida oferecida por Mitch e sentei-me no sofá ao lado dos meus amigos e de frente para os novos que ocupavam o outro, exceto por Sarah, que estava sentada com as costas apoiadas entre as pernas de Mitch.
– Aquela menina que jogou o celular no palco, se eu fizesse isso na idade dela, meus pais me matariam. – Clare comentou, chocada com o ato da fã, e eu gargalhei, concordando, pensando pelas broncas que já havia levado por ter feito muito menos. – Sério, ela teve sorte que Harry viu e ainda devolveu, caso contrário estaria em apuros quando chegasse em casa.
– Que nada, essas meninas que jogam coisas caras têm dinheiro para comprar outro em segundos, é tipo "mãe, joguei meu celular em um cantor famoso", "tudo bem, filha, pega esse IPhone novo para você". – Mitch respondeu, causando risada em todos.
Eu ainda estava rindo, tentando tomar um gole da minha cerveja sem engasgar, quando ouvi passos e parei de rir ao reconhecer a voz da pessoa que se aproximava.
– Como se você não tivesse condição financeira de fazer o mesmo. – Harry disse, surgindo no corredor, tentando não parecer surpreso em me ver ali, jogada no sofá, rindo com seus amigos.
Passou por nós, indo até a geladeira, pegou uma cerveja e sentou-se em uma das cadeiras que tinha em volta da bancada.
– E nem por isso eu saio jogando em você. – retrucou, pegando o celular do bolso e ameaçando jogar no moreno, que riu, bebendo da latinha. – Poderia fazer isso e vender no eBay depois, "celular arremessado nas bolas de Harry Styles", ganharia uma boa grana, com certeza. – Mais uma vez todos gargalharam, forcei-me a rir baixo, tentando chamar o mínimo de atenção possível, odiando o fato de que a presença de Styles me incomodava mais do que eu gostaria de admitir.
E como o universo não era lá um grande amigo meu, Sarah resolveu atrair a atenção para mim, que estava agora encolhida no sofá, bebendo minha cerveja em silêncio.
– E eu que nem sabia que aquela música era sua, tenho miss you no meu Spotify há tanto tempo, é uma das minhas favoritas. – comentou, todas as cabeças tornaram a encarar-me, senti meu rosto ficar vermelho e sorri, agradecendo.
– É uma das minhas também. – Hailey disse e eu me virei, encarando-a surpresa, nunca havia me contado isso. – Eu já ouvi quase o álbum todo dela e continua sendo uma das minhas preferidas.
– Claro, é muito fácil de se identificar na música, afinal quem nunca sentiu falta de um ex? – Clare comentou e eu assenti sem querer tocar no assunto e tendo completa noção de que Styles me observava, poderia até dizer que tinha visto um sorrisinho estampado em seu rosto.
– Exato. Aliás, você nunca me contou sobre quem é a música. – Hailey se virou para mim, e só Deus sabe o quanto foi difícil não pular no pescoço da minha amiga e matá-la bem ali. – Desde que te conheço, você nunca se envolveu seriamente com ninguém, já teve casos, mas ninguém a ponto de ser a pessoa da música, e eu sei todos os seus rolos.
– Ah, foi uma música em geral. – foquei minha atenção em uma das mechas de meu cabelo que caía em meus ombros, achando as pontas duplas muito mais interessantes do que o tema da conversa.
– Ah, não venha com essa, a música é muito específica para ter sido geral. – Clare retrucou, brincalhona, fazendo todos rirem, enquanto, em minha cabeça, eu me via esgoelando a garota.
Ela havia sido simpática, mas qual a necessidade de implicar com o assunto?
– Vamos, , estamos em amigos. – Harry sorriu, provocando-me, e eu o encarei com raiva.
Ele sabia que a música era sobre ele, e eu tinha certeza que estava adorando o momento.
– Foi sobre um relacionamento que tive uns anos atrás, escrevi a música logo quando terminamos. – Respondi, encarando Styles, que não desviava sua atenção nem por um segundo, e de repente a presença de todos os outros se tornou algo irrelevante para mim.
– Deve ter sido um relacionamento bem difícil de superar, afinal você diz que ainda sente falta dele. – continuou a provocar, sorrindo, e eu respirei fundo, controlando-me para não o xingar e acabar contando sobre toda nossa história e o grande babaca que ele era.
Sentia, você quis dizer, né. A música foi escrita anos atrás. Mas, realmente, foi um relacionamento difícil de superar. Até eu entender que ele não merecia que eu sentisse falta dele nem por um segundo sequer, foi escolha dele trocar o que a gente tinha por algumas noitadas de sexo sem significado. Mas tudo bem, se não fosse por ele, eu talvez não tivesse aprendido a me amar em primeiro lugar. – Respondi, vendo o sorriso de Harry sumir aos poucos e os dos outros aumentarem, como se mostrassem orgulho pelo que havia dito. – O melhor de tudo é saber que ele tem consciência do que perdeu, as mensagens implorando para que eu atendesse o telefone e pedindo para que a gente pudesse conversar me fazem rir até hoje.
As meninas logo começaram uma conversa sobre situações parecidas que homens haviam feito elas passarem e como eles sempre voltavam atrás quando percebiam que tinham feito merda.
Arqueei a sobrancelha para Harry, sorrindo ao ver sua cara fechada, e levantei a cerveja em um brinde silencioso, recebendo um dedo do meio discreto em resposta, causando gargalhadas que felizmente coincidiram com a das meninas durante a conversa.
Passamos as duas horas seguintes conversando, eu e Harry nos evitamos pela maior parte do tempo e, assim que o ônibus parou em um posto para abastecer, eu, Hailey e Josh saímos para o nosso ônibus.
~*~

– Vamos, estou esperando o gol que você disse que faria para mim. – gritei para Rick, que havia acabado de acertar a bola na trave improvisada mais uma vez e ria com meu comentário.
O sol brilhava em San Jose, deixando o dia lindo, e, graças ao vento que fazia, a temperatura estava suportável. Os meninos da banda haviam decidido jogar futebol no estacionamento da arena, improvisaram um gol, arranjaram uma bola com o pessoal da equipe, que dizia sempre levar uma para passar o tempo, e estavam jogando há uma hora, enquanto eu e Hailey assistíamos sentadas em uma toalha, aproveitando a sombra do toldo do lado de fora.
– De nada. – Hailey disse repentinamente depois de bloquear o celular, jogá-lo em cima da toalha e arrumar os óculos de sol para observar o jogo.
– Como é?
– De nada, sabe, por ter te acobertado ontem, não precisa agradecer. – deu de ombros e eu balancei a cabeça, rindo ao entender onde ela queria chegar.
– Obrigada, não sei como percebeu, mas me salvou. – tirei o chapéu, colocando-o em cima das minhas pernas, e apoiei a cabeça no ombro da morena, que resmungou, reprovando meu pedido de desculpas.
– Percebi porque sou sua melhor amiga, mas continuo sem entender o porquê de todo aquele sumiço, e você sabe que não vai me deixar sem respostas. – disse e eu assenti, já esperando pela cobrança de explicações. – E não pense que eu estou falando apenas da sua fuga, vi bem a sua cara quando te questionaram sobre a música e seu “brinde” com Harry. Não sei ao certo o que aconteceu, mas que tem mais nessa história eu tenho certeza. – levantei meu rosto, arregalando os olhos, surpresa por ela ter notado tanto, e recebi um sorriso convencido em resposta.
– Como você… – falhei ao tentar formular uma pergunta, meu choque com as observações de Stein me havia feito esquecer todas as palavras existentes no mundo.
– Podemos ser amigas há apenas quatro anos, mas te conheço melhor que você mesma, e sabe disso. Tenho notado você estranha toda vez que alguém diz o nome de você-sabe-quem muito antes de chegarmos aqui. – brincou ao fazer referência a Harry Potter e eu gargalhei, incrédula – Agora, ou você tem uma puta queda por ele, ou você já teve.
– A história é complicada…
– Tenho todo tempo do mundo. – abaixou os óculos, encarando-me diretamente nos olhos, e suspirei ao saber que não teria mais escapatória. Levantei-me, recolhendo minhas coisas, e chamei-a para o camarim, alegando que estávamos em um lugar muito público.
Assim que entramos, a morena se jogou no sofá branco, em silêncio, esperando pelas tão queridas respostas e dando-me espaço para iniciar o que seria mais um monólogo do que uma conversa. E então se tornou inevitável reviver toda a nossa história que estava escondida em alguma parte do meu cérebro em todos esses anos. Mas optei por não entrar em muitos detalhes, sabendo que ela entenderia e não me forçaria a nada.
– Quando eu estava com dezoito anos, conheci, por meio de amigos em comum, um lindo par de olhos verdes e cabelos desajeitados pelos quais logo de cara me apaixonei. Na época, ele ainda era pouco conhecido. Harry se tornou um grande amigo, que em poucas semanas passou para muito mais do que isso. Eu conheci seus companheiros de banda logo na primeira semana que começamos a sair e acabei indo em quase todos os shows da banda durante aquele tempo. Com seu jeito encantador de sempre, Styles me conquistou, e em poucos meses começamos o que seria o início de um lindo relacionamento de quatro anos. Bem, tirando os últimos cinco meses, em que nosso namoro era baseado em brigas, falta de compromisso, esquecimentos, até chegar ao ponto das traições. – O sorriso romântico que surgiu no rosto da minha amiga no começo da minha explicação se transformou em desgosto ao ouvir sobre nosso término. – Harry foi meu primeiro namorado, minha primeira, e acredito que única, paixão. Não é o único culpado pelo término, quando as coisas começaram a ficar difíceis, eu sei que não lutei para tentar melhorar, mas estava exausta de toda aquela situação, de amá-lo e não poder compartilhar com todos a minha volta, de receber gestos de carinho e surpresas maravilhosas apenas para compensar o tempo que ele ficou fora ou a pressão que sua gestão colocava sobre mim. Eles odiavam o fato de Harry namorar, diziam que não era uma boa imagem para a banda, já que os milhões de boatos sobre seus relacionamentos com famosas traziam muita publicidade para o grupo. – ri de desgosto ao lembrar as milhões de vezes que eles tentaram interferir em nosso relacionamento e as outras várias conversas secretas que tinham comigo onde ofereciam uma grande quantia de dinheiro para que sumisse da vida do britânico.
– Então a Taylor Swift foi só fachada? – Parei de andar de um lado para o outro, olhando incrédula para a morena, que agora estava sentada em cima dos joelhos, encarando-me entretida da mesma forma que uma criança fica ao assistir os filmes da Pixar.
– De tudo que eu lhe disse, foi nisso que você focou? – perguntei, irritada, e ela revirou os olhos, impaciente, resmungando que era óbvio que não, mas não podia evitar perguntar. – Mas, sim, era fachada. Taylor tinha acabado de sair de um relacionamento escondido também e tinha ótimas músicas preparadas, mas sabia que seria questionada sobre a inspiração das letras, que eram bem específicas. Por isso resolveram criar um relacionamento falso entre eles, uma foto aqui, um passeio de mãos dadas ali e pronto, Taylor tinha sua inspiração para as músicas e Harry aparecia na mídia mais uma vez. – expliquei a situação e, cansada, empurrei minha amiga para a outra ponta do sofá e sentei-me, apoiando o rosto nas mãos.
– Eu não tinha a mínima ideia, amiga. – ela se aproximou, passando as mãos em minhas costas em um carinho, como se pedisse desculpas. – Por que você aceitou isso? Eu nem imagino como deve ser ter que olhar para a cara dele depois de tanto tempo…
– Era uma chance única, não podia recusar, prometi me colocar em primeiro lugar depois que terminamos, e não deixaria uma oportunidade de crescer profissionalmente passar apenas por um término de anos atrás. – tirei as mãos do rosto, sorrindo fraco para a morena que me encarava orgulhosa.
– E vocês nunca conversaram depois disso? – afastou-se, sentando de pernas cruzadas, ficando de frente para mim, e eu neguei com a cabeça.
– A última vez que falei com ele foi na discussão que tivemos no apartamento que dividíamos, na noite em que eu terminei tudo. Harry passou os dois meses seguintes me procurando. Ligava e mandava mensagem todos os dias, chegou até a encontrar um amigo meu da loja que eu trabalhava na época e perguntar sobre mim. Foi um encontro bem bizarro, na verdade, porque eu havia me livrado de todos os pertences de Harry que estavam comigo e, no dia que Charles encontrou-o na rua, estava usando uma de suas camisetas. – ri, lembrando do desespero do meu amigo ao contar sobre a situação e a vergonha que sentira quando percebeu que Styles reconheceu a roupa. – Ele disse que podia se explicar, implorou para que eu ouvisse seu lado da história e que não era do jeito que parecia, mas nunca é, não é mesmo?
– Amiga, eu nem sei o que dizer, sinto muito. – jogou seu corpo em cima do meu, abraçando-me apertado, e então notei que prendia o choro.
Tratei de secar rapidamente as duas lágrimas que me escaparam e sorri quando ela se afastou.
– Bom, não temos por que chorar pelo leite derramado, certo? Os anos passaram e eu estou bem, ele também. São só algumas semanas, não é como se as coisas fossem mudar em tão pouco tempo. – Era o que eu imaginava, pelo menos.


Capítulo 3 – Talvez


Willy Wonka falava animadamente na televisão quando senti o celular vibrar ao meu lado na cama. Desbloqueei a tela para responder à mensagem de Hailey, que avisava estar chegando, pedindo para que eu abrisse a porta do quarto, porque ela não encontrava o cartão de chave. Ri, acostumada com o jeito esquecido da garota quando bebia, e depois de constatar que já eram quatro da manhã, bloqueei o aparelho e liguei a televisão, esperando por Stein.
Ela e o pessoal da banda haviam decidido sair para uma balada e eu neguei, dizendo preferir descansar, obviamente me arrependi logo em seguida. Tentei ligar para minha mãe para passar o tempo, mas a mesma estava recusando minhas ligações, provavelmente ainda chateada com a briga que tivemos dois dias atrás.
Meu relacionamento com ela sempre foi algo complicado, meu pai decidiu se separar dela quando eu tinha seis anos e depois disso a mulher nunca mais foi a mesma. Ela conheceu Christopher, meu padrasto, cinco meses depois dos papéis de divórcio serem assinados. Ele nunca gostou de mim, tratava-me mal quando minha mãe não estava em casa, implicava com minhas notas e comportamento; mesmo ambos sendo consideravelmente bons, nunca eram o suficiente, e minha mãe sempre ia para o lado dele.
Christopher era repugnante, e eu cresci me perguntando o que minha mãe via naquele cara até entender que ela também não o amava, mas ainda assim gostava mais dele do que de si mesma. A verdade é que o que faltava para ela era amor próprio, e por não ter isso, Claudia se tornou extremamente carente e insegura. Sempre me culpou pelo divórcio, dizia que eu havia feito meu pai se cansar dela, quando ele apenas havia perdido a paciência para todos os surtos de ciúmes exagerados e as brigas que ela forçava apenas para conseguir atenção.
Não era uma péssima mãe, sempre me deu um lar, educação e eu sabia que ela me amava, do jeitinho dela, mas ainda assim era amor. O problema é que, conforme eu fui crescendo, comecei a entender a situação e sua personalidade, e vê-la aceitar passar por situações ridículas apenas para manter seu relacionamento com Christopher partia meu coração, e então nossas brigas se tornaram algo mais constante.
E fora exatamente por esse motivo que ela estava me ignorando. Em nossa última conversa, ela descobriu sobre a turnê de Harry, quis tirar sarro de mim por ter perturbado ela a vida toda por ter aceitado as traições do meu padrasto e estar fazendo o mesmo com ele. Obviamente isso me deixou abismada e nós acabamos discutindo, e então Claudia estava me dando seu famoso tratamento de silêncio ignorando minhas mensagens e ligações.
Batidas atrapalharam meu filme, indicando que Hailey havia chegado. Abri a porta rapidamente, dando espaço para a morena que entrava no quarto, largando a bolsa e os sapatos pelo meio do caminho, enquanto resmungava de fome.
– Será que tem serviço de quarto a essa hora? – perguntou, soltando o cabelo que estava preso em um rabo de cavalo alto.
– Sei lá. – dei de ombros, pegando o pedaço de chocolate que estava comendo e voltando para debaixo do edredom.
– A fantástica fábrica de chocolate, sério? – olhou-me incrédula ao perceber o filme que eu assistia. – Você preferiu ficar no hotel vendo esse filme chato do que sair com sua melhor amiga para dançar? Eu te odeio. – resmungou, sentando na cama para tirar a meia arrastão que usava, e jogou o corpo para trás, deitando ao meu lado.
– Vá tomar um banho, está cheirando a álcool. – empurrei-a para fora da cama ao sentir o cheiro de vodca invadir o ambiente e ela riu.
– Estou cheirando a uma noite divertida, isso sim. – respondeu, indo até o banheiro, enquanto arrancava a blusa e a saia largando-as pelo caminho.
– Eu não vou guardar isso! – gritei, avisando, enquanto procurava por outro canal mais interessante na televisão.
– Eu não pedi para guardar. – retrucou debaixo do chuveiro e eu revirei os olhos, por saber que era o que ela esperava, já que eu sempre arrumava sua bagunça, culpa da minha mania de organização.
Conformada de que não existia uma boa programação às quatro e pouco da manhã, decidi por deixar no canal em que estava e peguei o celular, na esperança de passar o tempo enquanto o sono não chegava.
– Que horas é o café da manhã? – Hailey perguntou, saindo do banheiro enrolada na toalha branca, procurando pelo pijama na mala desarrumada.
– Sei lá. – respondi novamente, entretida em um vídeo de cachorros.
– Você sabe de alguma coisa? – perguntou, provocando-me, enquanto vestia o shorts do pijama.
– Sei que está fazendo todas essas perguntas sem estar interessada na resposta, porque vai dormir assim que deitar na cama. – respondi, curtindo a publicação e rolando a tela para baixo, enquanto ouvia a morena rir.
– Eu odeio o quão bem a gente se conhece. – resmungou sorridente ao pular na cama ao meu lado e puxar meu cobertor. – Alguma notícia de Claudia?
– A louca continua me ignorando. – respondi, prestando atenção na música que os oompa-loompas cantavam. – A boate era legal?
– Sim, Sarah e Mitch também foram, eles são bem divertidos. – comentou, enrolando-se na coberta e virando de costas para mim.
– Parecem ser. – respondi, sabendo que ela já não estava dando muita importância para o que eu dizia.
– Você deveria dormir, vai estar exausta amanhã. – aconselhou e eu ri com seu tom materno.
– Já estou indo, mamãe. – brinquei, colocando o celular no móvel ao lado da cama e ajeitando-me entre os travesseiros.
– E desligue essa televisão, odeio claridade para dormir.
– Sim, madame. – retruquei, recebendo um chute por debaixo das cobertas.
Joguei o controle pelo chão assim que tudo ficou escuro e eu senti meu corpo relaxar enquanto fechava os olhos e o sono me atingia.
~*~

– Tyler, você está adiantado. – disse quando acabamos de ensaiar a música e o loiro assentiu, pedindo desculpa.
– Não estou acostumado a tocar essa, vamos mais uma vez que eu acerto. – pediu e eu assenti, enquanto Ryan fazia a contagem com as baquetas e iniciava a batida de Issues.
Não havia divulgado essa música ainda e estava ansiosa para tocá-la no show.
Depois que eu aprendi que precisava ser honesta em minhas letras e passei a escrever sobre minhas experiências e meus sentimentos, tudo ficou mais fácil. A sinceridade em minhas músicas era o que chamava a atenção das pessoas, e foi assim que eu comecei a fazer sucesso.
I'm jealous, I'm overzealous
When I'm down, I get real down
When I'm high, I don't come down
I get angry, baby, believe me
I could love you just like that
And I could leave you just this fast

Cantei apenas o começo para testar se finalmente havíamos acertado o tempo e sorri para minha banda quando terminamos, agradeci aos meninos e saí do palco à procura de alguma comida, estava faminta.
– Realmente. – pulei de susto, soltando a banana que pegava na mesa ao ouvir a voz de Harry atrás de mim, fazendo-o rir.
– Realmente o quê, Styles? – perguntei, confusa, pegando a fruta novamente e jogando a casca no lixo ao lado, sendo observada pelo garoto.
– Você pode amar alguém rapidamente e deixá-la igualmente rápido. – referiu-se a letra de Issues e eu revirei os olhos ao entender o que ele queria dizer.
– Vá a merda. – xinguei-o, andando na intenção de sair de perto dele, mas o mesmo me seguiu.
– Eu me pergunto quantas músicas você escreveu sobre mim. – disse, convencido, e eu ri.
– Seu ego é tão grande, fico surpresa de caber em um lugar tão pequeno. – respondi, enquanto andávamos pelo corredor, e dessa vez foi ele quem riu.
– Por isso que me apresento em lugares grandes. – piscou, sorridente, e eu revirei os olhos, caminhando em direção ao meu camarim que infelizmente era ao lado do dele. – E então, quantas são?
– Quantas o quê, Harry? – perguntei impaciente, procurando pela porta que nunca pareceu tão distante.
– Quantas músicas você escreveu sobre mim.
– Por que não espera o álbum sair e descobre? – sorri forçadamente e ele retribuiu o gesto assim que parei em frente ao meu camarim.
– Poxa, achei que você iria querer me mostrá-lo antes de divulgar para o mundo inteiro. – disse, fazendo bico, e eu arqueei a sobrancelha, cruzando os braços.
– E por que eu faria isso?
– Para saber se o muso inspirador está de acordo. – respondeu, sorrindo provocativamente, e eu revirei os olhos, girando a maçaneta.
– Você é um babaca. – disse, batendo a porta ao entrar no camarim.
– Bom show para você também, docinho! – gritou do lado de fora, gargalhando em seguida, e eu senti meu sangue ferver, sem notar Hailey sentada no sofá, encarando-me assustada.
– Devo chamar um bombeiro para apagar a fumaça que está saindo pela sua cabeça? – perguntou, brincalhona, e eu taquei a almofada nela, sentando no chão com as costas apoiadas no sofá.
– Não, mas Styles talvez precise de um para quando eu tacar fogo nele. – respondi e ela riu, voltando a digitar animadamente no celular. – Com quem você está conversando?
– Wes, um cara que conheci ontem. – explicou após ver minha cara de confusa com a menção do nome. – Ele é bem chato. – comentou e eu a encarei mais confusa do que estava antes. – Que é?
– Você está digitando toda animadinha e diz que ele é chato?
– Ah, estou animada porque é legal conversar com alguém, mas não é como se eu estivesse a fim dele, é só para passar o tempo, e ele também está na mesma, então tudo certo. – explicou e eu balancei a cabeça, desistindo de entender minha amiga.
Levantei-me, checando o horário no celular e batendo na perna dela, chamando sua atenção.
– Tenho que estar pronta em uma hora e meia, vamos trabalhar. – avisei, ela assentiu, largando o celular no sofá e indo em direção à maleta de maquiagem.
Hailey levou quarenta minutos para fazer minha maquiagem e mais vinte até nós duas entrarmos em um acordo sobre que roupa eu usaria naquela noite. Optamos por um camisetão preto, shorts e tênis da mesma cor. Ficamos conversando por alguns minutos até sermos chamada por Andrew, que pediu para ficarmos à espera na parte de trás do palco, onde a banda já se encontrava.
– A estrela chegou. – Rick disse, irônico, quando passei pela porta dos bastidores, e os meninos riram. – Achei que só ia aparecer por aqui um minuto antes.
– Ainda estaria no tempo certo. – argumentei e ele balançou a cabeça negativamente, fazendo-me rir. – Isso tudo era saudade de mim, Rick Adams? – fiquei na ponta do pé para agarrá-lo pelo pescoço.
– Sonha, . – retrucou, empurrando-me para longe, enquanto eu fazia cara de ofendida.
– Tudo bem, eu sempre preferi o Tyler. – respondi, abraçando o loiro que retribuiu passando os braços pela minha cintura e mostrando o dedo para o baixista, que revirou os olhos.
– Isso, pede para o Tyler te levar para comer sushi às três da madrugada. – disse, fazendo bico, e eu gargalhei, lembrando-me do dia citado.
– Você estava com tanta vontade quanto eu. – rebati e ele balançou a mão como se me mandasse ficar longe, enquanto todos da banda assistiam rindo. – Vou pegar água, alguém quer algo? – perguntei, vendo todos negarem com a cabeça, e afastei-me, indo até a geladeira atrás de uma garrafa de água.
– Com qual das músicas sobre mim que você vai abrir o show hoje? – ouvi a voz de Harry ao meu lado e engasguei com água.
– Você tem que parar de surgir do nada, garoto. – reclamei, limpando a boca com a manga da blusa.
– Por quê, eu te deixo nervosa? – perguntou, olhando-me significativamente, e eu suspirei impaciente.
– Não, porque essa sua cara estranha é assustadora. – respondi e ele riu pela minha tentativa falha de insultá-lo.
– E então? – referiu-se à primeira pergunta feita e eu sorri, cínica.
– Está implicando tanto com esse assunto que vou acabar achando que seu álbum inteiro é sobre mim, Styles. – respondi e ele sorriu calmamente, cruzando os braços ao apoiar o corpo na geladeira.
– Para saber, você teria que ouvir as minhas músicas, mas você foge toda vez que eu subo no palco, isso é medo de descobrir que nenhuma delas fala sobre você? – retrucou e eu revirei os olhos.
– Não, isso é medo de constatar que sem a minha ajuda você não consegue escrever nada e virou um daqueles cantores que repete a mesma palavra cinquenta vezes ou coloca “baby” no final de cada frase. – respondi e ele riu pelo meu comentário. – Prefiro não estragar a única imagem boa que tenho sua.
– Então você tem alguma imagem boa minha? – questionou e eu ri, sabendo que ele iria focar somente nessa parte.
– Tirando a imagem de traíra, babaca, imaturo, podemos dizer que sim, eu pelo menos tenho a imagem de bom cantor e compositor na minha cabeça. – respondi, sorrindo ao ver sua cara fechar, e pisquei, dando as costas para ele ao voltar para perto dos meninos que já se encontravam em um círculo, preparando-se.
– Boa noite, Sacramento! – cumprimentei o público, que gritou animado assim que subi no palco, e sorri ao ouvir a introdução de Issues. – Essa aqui é uma música nova que eu gostaria de dedicar a alguém que acha que é a razão de todos os meus problemas. – virei-me para os bastidores quando as luzes diminuíram, encontrando o olhar de Harry, que sorria ao entender meu trocadilho.

Capítulo 4


Desliguei o telefone ao encerrar a entrevista por ligação que fiz com uma rádio local e saí do ônibus, voltando para a mesa onde parte da banda de Harry e de minha banda estavam sentados jogando cartas.
- Eu juro que não sei como essa carta veio parar aqui - Josh disse segurando um dois de copas enquanto todos falavam juntos, reclamando.
- Você como ator é um ótimo guitarrista - Mitch disse embaralhando as cartas enquanto Josh fingia estar ofendido. - Vai jogar essa? - perguntou quando sentei na cadeira que estava antes entre Hailey e Sarah, assenti.
Mitch distribuiu as cartas no centro da mesa deixando livre para que escolhêssemos a que queríamos e olhando torto para Josh quando este pegou as suas.
- Certo, então está três para Clare e um para Josh - Rick contou os pontos dos perdedores e Josh o encarou chocado. - Nem vem com essa cara, minha vó sabe roubar melhor do que você - retrucou, nos fazendo rir ao ver o guitarrista revirar os olhos aceitando o fato de ter sido descoberto.
Estava concentrada no meu jogo quando senti uma unha cutucar minha perna e disfarçadamente perguntei a Hailey o que ela queria.
- Passa para a Sarah - pediu, me empurrando uma carta e discretamente eu entreguei-a para a garota que já estava esperando com outra carta em mãos, entreguei para Hailey que sorriu ao ver o número oito e voltou a prestar atenção em seu jogo.
Jogamos várias partidas, Hailey e Sarah me convenceram a trapacear com elas e juntas acabamos vencendo todos os outros jogos sem sermos descobertas. Conforme as horas passavam, a mesa ia ficando vazia e terminamos apenas as três, conversando e bebendo duas garrafas de vinho que Stein tinha encontrado na cozinha.
- Estamos apenas nos conhecendo, tenho medo de misturar trabalho com relacionamentos - Sarah disse após contar sobre seu caso com Mitch e Hailey assentiu exageradamente apoiando-a, talvez o vinho já estivesse fazendo efeito na garota.
- Vocês são fofos, sei que tem chances de dar errado como qualquer outro relacionamento, mas vocês parecem certo - respondi, fazendo careta ao achar minha frase meio confusa - Deu pra entender? - perguntei e a garota assentiu gargalhando comigo, talvez o vinho estivesse fazendo efeito em todas nós.
- Eita, vocês tem um show para fazer em duas horas - Hailey constatou ao olhar o relógio no pulso e riu alterada. - Ainda bem que eu não tenho.
- Mas você têm que me maquiar - a lembrei e ela revirou os olhos. - Se bem que não quero parecer um palhaço. - me referi ao estado da garota e ela me mostrou o dedo.
- Eu consigo fazer uma maquiagem perfeita de olhos fechados, me respeita, garota - retrucou, bebendo um gole da taça que estava quase vazia.
- Bom, pra mim chega ou então não vou saber as letras das minhas próprias músicas - disse, largando a taça em cima da mesa e prendendo o cabelo.
- As suas músicas são tão boas…- Sarah disse com a voz arrastada fechando os olhos ao apoiar a cabeça no ombro de Hailey que estava ao seu lado enquanto eu encarava as duas do outro lado da mesa. - Sério, até Harry acha isso. - disse e eu arqueei a sobrancelha achando o assunto mais interessante. - Ele vive falando como você escreve bem, produz bem, como sua voz é incrível.
- Ah é? - perguntei, olhando para minhas unhas fingindo pouco caso e recebendo um revirar de olhos de Hailey que sabia que eu estava adorando.
- Sim, ele disse que fica encantado com a forma como você se expõe nas músicas sem ligar para o que os outros vão dizer e como sua voz doce faz as letras pesadas soarem tranquilas e mais bonitas - contou, ainda de olhos fechados e eu sorri sabendo como iria provocar Styles ao saber daquilo. - Eu diria até que ele tem uma queda por você - falou e Hailey cuspiu o vinho que bebia na taça atraindo a atenção da baterista que tirou a cabeça de seu ombro encarando a menina assustada.
- Respirei errado - inventou uma desculpa qualquer ao perceber meu olhar e Sarah assentiu. - Mas que história é essa de Harry ter uma queda por ?
- Ah, não sei ao certo, é só minha opinião - deu de ombros, distraída, mexendo no cabelo - É que ele tem um brilho no olhar ao falar dela, ou com ela, eu percebi quando vi vocês conversando algumas vezes, ele está sempre sorrindo e quando você não olha dá pra perceber o jeito diferente que ele te encara - contou e eu me mexi desconfortável na cadeira. - Sério, quando ele fala de você parece até que se conhecem há mais tempo - riu achando graça e eu sorri forçado agradecendo aos céus quando meu celular vibrou indicando uma mensagem de Andrew.
- Bom, o serviço me chama - balancei o celular mostrando a mensagem e levantando com cuidado para não cair, estava um pouco tonta.
- É, eu deveria ir também, jogar uma água na cara - Sarah disse se levantando com ajuda de Hailey. - Vejo vocês depois - se despediu, saindo cambaleando em direção a parte interna da arena de Seattle.
Ajudei Hails a recolher as garrafas e taças e fomos caminhando juntas para o camarim depois de devolver as coisas para a cozinha.
- O que foi? - perguntei, depois de notar a garota me olhar diversas vezes.
- Nada - mentiu, dando de ombros e eu revirei os olhos.
- Fala logo - disse, impaciente, abrindo a porta do camarim e me jogando no sofá enquanto ela entrava.
- É só que, eu também notei um brilho diferente no seu olhar quando Sarah disse aquelas coisas - virei o rosto encarando-a como se fosse louca e ela respirou fundo antes de sentar na cadeira onde fazia minha maquiagem. - Não foi um brilho do tipo “eu vou ferrar com ele”, foi como se você tivesse gostado de ouvir aquilo.
- E eu gostei, vou usar de argumento quando ele vier me provocar - respondi como se fosse óbvio e ela bufou.
- Não foi desse tipo, foi como se, sei lá, uma parte de você quisesse que ele ainda fosse apaixonado por você - disse e eu arregalei os olhos, rindo com o comentário.
- Você ficou louca. - constatei a única explicação possível para o que estava ouvindo.
- Vai me dizer que não existe nenhuma partezinha de você que gostaria que Styles se revelasse apaixonado? - perguntou e eu me virei encarando-a entediada.
- Desde quando você virou minha psicóloga? - me levantei cansada do assunto e ela revirou os olhos.
- Só estou conversando com você, como uma amiga faria - disse e eu assenti de costas.
- Bom, agora eu preciso da minha maquiadora e não da minha amiga psicóloga - retruquei e a escutei rir desacreditada.
- Como quiser - deu de ombros, levantando da cadeira e dando espaço para que eu sentasse.
Fez minha maquiagem toda em silêncio e não opinou na minha escolha de roupa quando perguntei como estava, apenas saiu dizendo que precisava fazer uma ligação, me deixando para trás com o sentimento de culpa por ter sido grossa com ela.
Bufei, estressada, indo para a cozinha que se encontrava vazia, exceto por Styles que vestia uma calça social estampada azul e uma blusa social branca.
- Ótimo, era só o que faltava! - Harry me encarou, assustado com minha presença repentina, rindo assim que viu a expressão de desgosto em meu rosto.
- Bom te ver também - retrucou, irônico, enquanto enchia uma tigela com cereal me fazendo achar graça na escolha da comida. - Quer? - perguntou estendendo a caixa, balancei a cabeça negando e peguei algumas frutas da mesa.
- Você comendo cereal sem leite? - perguntei ao notar sua tigela e ele riu, levando uma colher à boca.
- Tomar leite antes de subir ao palco é pedir para passar mal - respondeu e eu balancei a cabeça entendendo. - Não tão estranho quanto você recusar alguma coisa com chocolate e pegar frutas.
- Isso se chama cuidar da saúde - respondi, comendo uma das uvas, Harry riu assentindo.
- Falando em saúde, como está sua mãe? - arqueei a sobrancelha, confusa com a ligação feita entre os assuntos.
- O que uma coisa tem a ver com a outra?
- Lembrei que sua mãe sempre implicava falando que você tinha que cuidar mais da sua saúde - deu de ombros, explicando seu raciocínio enquanto encarava concentrado a tigela em sua mão.
- Ah, sim - respondi, um pouco desconcertada - Está bem, continua louca como sempre. Na verdade, não estamos nos falando - contei e ouvi harry rir fraco.
- Como sempre, algum motivo sério ou apenas as discussões habituais? - colocou a mão em frente a boca enquanto falava e mastigava.
- Bom, o motivo dessa vez foi você - me assustei ao ver Harry se engasgando e quando estava prestes a me aproximar para ajudá-lo ele fez um gesto mostrando que estava bem.
- O motivo foi o quê? - perguntou, espantado, depois de recuperar o ar.
- Você. - repeti. - Ela descobriu sobre os shows e quis me provocar, dizendo que eu passei a vida toda brigando com ela por ter aceitado todas as traições do traste e agora estava fazendo a mesma coisa com você. - Harry riu ao me ouvir chamar Christopher de traste e balançou a cabeça incrédulo com o motivo.
- Isso é ridículo, as situações são completamente diferentes - respondeu e eu gesticulei excessivamente ao agradecer por ele ter concordado comigo. - Christopher trai sua mãe por anos, eu não…
- Não termine essa frase! É sério que você ia usar esse argumento? - perguntei, abismada, e ele arregalou os olhos.
- Você não sabe o que eu ia dizer - retrucou, irritado com minha interrupção.
- Sim, muito difícil de imaginar como terminaria - revirei os olhos, inconformada com a atitude do garoto e devolvendo o pote de frutas para a mesa na intenção de poder sair de lá.
- Obrigado por embebedar minha baterista - disse, enquanto eu caminhava em direção a porta.
- Não forcei ninguém a beber nada - retruquei e ele riu.
- Calma, estava só brincando - levantou uma das mãos em sinal de paz me olhando risonho - Por que está sempre na defensiva?
- Não estou sempre na defensiva - reclamei, nervosa.
- Comigo está - respondeu, largando a colher dentro do pote e colocando o em cima da mesa.
- Por que será, né? - perguntei, ironicamente, o olhando de maneira significativa.
- Não sabia que você era tão rancorosa assim - brincou e eu respirei fundo tentando manter a calma - Faz mal pro coração.
- Agora você se preocupa com o que faz mal para o meu coração? - perguntei achando graça e ele me encarou surpreso pelo comentário.
- Por mais que você não acredite, eu sempre me preocupei - respondeu, depois de um tempo em silêncio e eu assenti, desanimada.
- Você tem jeitos incríveis de demonstrar isso - comentei, sorrindo cínica e Harry suspirou.
- … - me chamou enquanto eu saia da sala, escutei chamar meu nome mais algumas vezes até a distância abafar o som.
- Aí está você! - Andrew gritou, animado, ao me encontrar e eu sorri para meu amigo. - Já estava ficando preocupado em não te ver por aqui.
- Ah, estava com fome e fui comer - expliquei, apontando para o corredor que dava para a cozinha e ele assentiu. - Como você está? Sinto que não conversamos direito há tanto tempo - apoiei a mão em seu ombro e ele me olhou divertido.
- Ainda está bêbada? - perguntou e fiz minha melhor cara de ofendida.
- Como é que é? - coloquei a mão no peito como se estivesse magoada e ele gargalhou.
- Fiquei sabendo da diversãozinha de vocês - comentou e eu revirei os olhos.
- Isso tudo bem, mas duvidar da minha resistência a bebida alcóolica é uma ofensa, Richards - respondi e ri ao vê-lo gargalhar. - Mas sério, como está Tiffany? - perguntei sobre sua noiva que estava grávida há três meses e seus olhos brilharam como sempre faziam ao ouvir o nome da mulher.
- Muito bem, tem uma consulta amanhã logo cedo, acho que vou visitá-la na próxima sem. - respondeu e eu assenti prestando atenção. - Consegue sobreviver uma sem sem minha presença, não é? - revirei os olhos.
- Não, vou chorar todos os dias - disse, irônica - Se você não me dissesse que ia visitá-la eu que compraria a passagem para você, quero descobrir logo o sexo, a madrinha já ama.
- Acho que ainda não dá para saber, a madrinha vai ter que esperar um pouco mais - fiz bico ao ouvir e ele sorriu, estava tão empolgada quanto eles para a chegada do bebê que eu com certeza iria mimar. - Bom, a senhorita tem um show para fazer - deu um tapa em meu ombro e me empurrou em direção da banda enquanto eu o xingava pela delicadeza.
Esperei junto aos meninos pela hora de subir ao palco, procurei por Hailey durante esse tempo, mas a morena não apareceu por ali, me deixando com mais peso na consciência por tratá-la mal quando sabia que ela só queria me ajudar.
- Boa noite, Seattle! - gritei ao subir no palco e encarar a multidão animada. - A minha função hoje é preparar e aquecer vocês para o show de um certo cantor - disse enquanto arrumava o microfone no pedestal - Então se vocês sabem as letras das próximas músicas gritem, pulem, se divirtam. - sorri, vendo todos reagirem animados e arrumei o ponto no ouvido - Essa aqui se chama Jump.
Cantei todas as músicas já conhecidas pelo público e agradeci quando um staff me trouxe um banco para que eu sentasse no meio do palco.
- Bom, eu ainda tenho alguns minutinhos com vocês - ajustei a altura do pedestal e tirei o cabelo do rosto. - Como vocês estão? Tudo certo até agora? - perguntei, ouvindo um coro de “Sim” em resposta e sorri. - Essa é a hora em que eu normalmente converso com vocês e depois encerro com uma música, então eu queria saber qual a banda favorita de vocês - várias bandas foram gritadas ao mesmo tempo, mas “One Direction” era a maioria. - Então, vou contar uma história para vocês. - ajeitei o fio do microfone. - Quando eu tinha os meus 18/19 anos, eu escutava bastante uma banda, sabia todas as letras, fui até em alguns shows - ri achando graça do modo que contava a história, sabendo que muitas letras eu havia escrito e não foram alguns shows e sim quase toda a turnê. - Eu gostava de todas as músicas, essa aqui é uma das que eu era apaixonada, talvez vocês conheçam… - Josh começou a tocar os primeiros acordes e os fãs foram à loucura ao reconhecer a música. - Cantem comigo se souberem a letra - brinquei ouvindo os gritos e me concentrei para não perder a hora de cantar.
My hands, your hands, tied up like two ships
Drifting, weightless, waves try to break it
I'd do anything to save it
Why is it so hard to say it?

Terminei de cantar Strong, sendo acompanhada animadamente por todos do começo ao fim, agradeci ao público pela recepção e saí do palco quando as luzes se apagaram. Sarah, Mitch e Harry estavam do lado de dentro assistindo ao show e ela me olhou risonha ao me aproximar.
- Você realmente sabe como conquistar eles - disse e eu ri entregando o microfone para um dos funcionários e tirando o ponto da orelha.
- Ela cantou melhor a sua música do que você mesmo - Mitch provocou Harry, cutucando-o e o garoto, que me olhava sem acreditar no que eu tinha feito, riu balançando a cabeça.
- Vamos elogiar a menina, mas vamos ser sensatos, ninguém canta melhor do que eu - brincou e eu revirei os olhos dramaticamente. - Até que você não foi ruim.
- Ele fala isso agora, mas depois que você sair vai ficar te elogiando por longos minutos - Mitch disse e eu quis gargalhar com a cara que Harry fez, ficando vermelho.
- Ah é, tem me elogiado bastante, Styles? - perguntei, adorando a situação e foi ele quem revirou os olhos dessa vez, fez menção de falar, mas foi interrompido por Sarah que decidiu mudar de assunto.
- Vamos para um barzinho logo depois daqui, já convencemos Hailey e os meninos, você vai também - me avisou e eu ri pelo convite que não me deixava opções.
- Tudo bem, vou procurar por eles, bom show - mandei beijos saindo para dentro dos corredores procurando por Hailey.
Encontrei a morena sentada na cozinha com os meninos, ela ria de algo que Tyler havia dito, mas parou assim que me viu.
- Podemos conversar? - perguntei receosa e ela sorriu, debochada.
- Depende, você quer falar com qual Hailey, a maquiadora ou a amiga? Ás vezes eu não entendo direito qual que você precisa - respondeu e eu fiz careta ao ouvir.
- Tudo bem, eu mereço isso - disse e ela balançou a cabeça se levantando e vindo até mim.
- Ah, merece muito mais, tipo uns tapas na cara para aprender a não ser estúpida com quem só te quer bem - cruzou os braços, nervosa, parando a minha frente e eu suspirei fechando os olhos e deixando os ombros caírem.
- Me desculpa, eu sei que você só estava preocupada, mas eu acabei não conseguindo controlar, me desculpa mesmo - implorei e ela bufou, impaciente.
- Tá tudo bem - me puxou para um abraço e eu sorri apertando-a pela cintura. - Mas se você fizer isso mais uma vez eu te ignoro por sems - alertou e eu assenti.
- Não vai se repetir - assegurei e ela me soltou sorrindo fraco. - Fui avisada de que vamos para um bar…
- Ah, achamos um perto do hotel e todos concordaram que, já que teremos o dia seguinte livre, poderíamos sair para nos divertir. - explicou e eu balancei a cabeça em resposta, me assustando ao ouvir o telefone vibrar em meu bolso.
Sorri ao ver o nome na tela e pedi licença para meus amigos, saindo de lá e indo direto para o camarim.
- Niall Horan - atendi, assim que fechei a porta atrás de mim.
- Minha música ficou melhor na sua voz do que na minha, injusto - o garoto reclamou e eu gargalhei.
- Como você sabe que eu cantei?
- Está em toda a internet, as pessoas estão te venerando - brincou ao explicar e eu ri sentindo saudade do meu amigo. - Consigo imaginar a cara de Harry quando ouviu.
- Não consegui ver, mas deve ter sido boa - concordei ouvindo a risada de Niall do outro lado da linha.
- E como você está? Até agora estou tentando entender porque você aceitou esse convite, você é louca? - perguntou e eu suspirei cansada de responder a mesma pergunta.
- Estou bem, na medida do possível - respondi mexendo distraidamente em um dos pincéis deixados em cima da bancada. - Eu já te disse, não podia perder essa chance. - resmunguei, impaciente.
- E como está sendo? Harry surtou quando soube? Queria ter visto a cara dele - brincou e eu ri lembrando do nosso primeiro encontro na turnê.
- Até que essa parte foi engraçada, ele surtou com Jeffrey - respondi rindo e sendo acompanhada por ele.
- Ele me mandou mensagem no dia, perguntando se eu sabia - contou, divertido.
- E o que você disse?
- Falei que sim e que não tinha contado porque não queria estragar a surpresa, você pode imaginar a reação dele quando disse isso - gargalhei junto com Niall e balancei a cabeça, repreendendo a atitude do garoto. - Mas depois ele passou uma hora confabulando sobre toda a situação e me perguntando milhões de vezes se eu achava que isso ia dar certo.
- E o que você acha? - perguntei, curiosa, e ouvi ele suspirar.
- Sinceramente, eu acho que já tinha passado da hora de vocês conversarem - bufei com a resposta e ele se apressou em continuar a falar antes que eu interrompesse. - Você pode não gostar, , mas Harry não está 100% errado nessa história e você sabe que não facilitou as coisas. Mas esse não é o ponto. - se apressou em continuar e eu assenti ignorando seu comentário anterior. - Acho que vai ser muito bom para sua carreira, desde o primeiro show as notícias e publicações sobre você só crescem.
- Sim, meus seguidores e ouvintes aumentaram bastante - comentei e ouvi ele concordar. - E quando é que o senhor vem me visitar em turnê? - perguntei e ele riu.
- Estou tentando ir o mais rápido possível, imagino o campo de guerra que está com você e Harry ai - gargalhou, brincando, e eu revirei os olhos sorrindo. - Que tal em Denver?
- Está ótimo - respondi e ouvi outra voz do lado da linha.
- Então te vejo em alguns dias, tenho que ir agora - avisou e eu assenti mesmo sabendo que ele não podia ver. - Nos falamos depois, amo você.
- Amo você - respondi e desliguei o telefone no exato momento que alguém bateu na porta.
- Boa noite, eu queria saber se a senhorita vai continuar de papinho com mais algum membro do One Direction ou se podemos ir - Hailey brincou colocando apenas a cabeça para dentro da sala e eu gargalhei levantando.


Continua...



Nota da autora: Olha eu aqui de novo! Tenho a impressão que esse capítulo ficou pequeno, mas garanto que o quinto vem pra compensar hahahah.
Queria agradecer por todos os comentários e por vocês estarem acompanhando a história. Estava pensando em criar um twitter pra essa fanfic e para outra que escrevo onde poderia avisar sobre atualizações e postar alguns spoilers, o que acham?


Outras fanfics:
Crazy Little Thing Called Love - Outros/Em Andamento
The Safety - Harry Potter/Finalizada

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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