Última atualização: 21/02/2018
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Capítulo 11



Flashback
impaciente andava de um lado para o outro do corredor do hospital. Já havia passado mais de três horas que estava dentro da sala com o médico. Ninguém havia lhe dito nada, nenhuma notícia nenhum olhar, nenhum gesto. Ao contrário do que ele esperava quando algumas enfermeiras entravam e saiam de dentro da sala, elas lhe lançavam olhares estranhos. Provocativos, como se tivessem o reconhecido. Ele poderia entrar em pânico naquele momento, gritar por alguém ou simplesmente invadir aquela sala de uma vez e saber o que estava acontecendo com . Não faltava muito para que ele tomasse essa atitude radical, sua cabeça estava trabalhando a mil e a adrenalina do seu corpo estava saltando para fora.
— Tudo bem, . — Ele respirava fundo, conversando sozinho no corredor. — Não pode ser verdade tudo isso. — Ele sorriu nervoso. — deve estar em um daqueles dias, por isso ela desmaiou e agora está achando que engravidou. — Ele parou ao escutar um gemido vindo de dentro da sala. — Meu Deus, o que ele está fazendo com ela? — Ele surtou aproximando-se da porta.
Ao longe ele conseguiu escutar um choro fino e seu coração pulsou um pouco mais forte ao perceber que era de . Suas mãos estavam indo para a maçaneta quando de repente a porta abriu violentamente. O médico que estava examinando olhou para assustado e deu espaço para que entrasse. Ao entrar no consultório ele pôde ver sentada em uma cadeira com ambas as mãos no rosto.
. — Ele a chamou, se aproximando lentamente. Suas mãos começaram a suar frio e sensações estranhas começaram a percorrer todo seu corpo. Ele não sabia o que fazer, não sabia o que falar e nem ao menos imaginava o que estaria acontecendo de verdade. tirou as mãos do rosto levantando a cabeça para olhar para , seus olhos estavam inchados e sua pele estava muito pálida. A garota num impulso afundou seu rosto no peito de e uma enorme onda de choro começou a surgir novamente. Seu corpo estava gelado e ela soluçava muito. estava controlando para não entrar em pânico, mas já havia perdido totalmente a lucidez quando a sentiu tão perto e dessa maneira. Ele a envolveu com os braços, não deixando que nada mais a pudesse fazer sofrer daquela maneira.
… — Ela tentou falar, mas sua voz estava fraca.
— Não se esforce. — Ele pediu carinhosamente, passando uma das mãos pelo rosto dela. — Podemos ir embora? — perguntou ao médico que estava com um envelope nas mãos. — Eu preciso levá-la para casa.
— Ela será liberada daqui algum tempo. Preciso fazer mais alguns exames. — Ele respondeu cético. — Volto daqui alguns minutos, vou deixá-los a sós. Mais uma vez, parabéns senhorita .
— Parabéns? — olhou perplexo para a porta que estava se fechando quando o médico saiu. — Como ele consegue falar isso? Olha o seu estado.
. — respirou fundo, tentando manter a calma. — Eu… — Ela limpou algumas lágrimas dos olhos e foi se afastando dele. — Preciso que você guarde um segredo.
— O que está acontecendo com você? Por que você está desse jeito? Você realmente… — Ele perguntou preocupado, encarando a garota. Mesmo distante dela durante todos esses meses não havia um minuto sequer que ele não tenha se preocupado com a sua segurança. Por mais que ela o visse apenas como amigo, conseguia sentir seu coração perder o rumo toda vez que estava próximo a ela. Sentimento ao qual ele se obrigou a esquecer de uma vez por todas. Um flash passou por sua cabeça e ele se viu sentado no quarto de hotel com as luzes apagadas. Único momento que ele chorou como uma criança pequena quando se perde algo muito precioso. A maneira que ele tentava absorver a novidade de ver aos braços de . Ao vê-la passar por ele feliz, ao ver o sorriso em seus lábios e aceitar o fato de tê-la perdido exatamente para um amigo. Por mais que quisesse odiá-la naquele momento com todas suas forças, seu coração ainda estava batendo muito forte, estava terrivelmente com medo de amá-la mais do que um relacionamento saudável. Sentado no quarto ele experimentou as mais terríveis doses de sofrimento. Todos os momentos que estiveram juntos começaram a surgir por todos os lados, seu corpo estava dolorido e sua cabeça pesada. O dia na boate, conversas na internet. A forma em que ela o olhava e a maneira delicada que ela sorria. Estando de olhos fechados ele ainda conseguia sentir por seu corpo o toque macio e quente da pele dela. Todos os seus abraços e principalmente o seu perfume.
A partir daquele dia ele havia se obrigado a nunca mais pensar em . Estava evitando qualquer contato com a garota, qualquer relacionamento e nem sua amizade ele estava pensando em ter. Tudo foi em vão ao sentir hoje ela tão próxima de seu corpo, tão frágil, tão necessitada de compreensão e amor.
— Eu estou grávida. — disse, olhando profundamente dentro dos olhos de . — Grávida do . — Ela abaixou a cabeça, voltando a chorar desesperadamente. Ele vacilou por alguns segundos, totalmente boquiaberto com o que tinha acabado de ouvir. Uma explosão de sensações começaram a aflorar e ele não soube ao certo como reagir diante dela. Seu impulso era sair imediatamente daquela sala não acreditando que ela estaria grávida. Grávida do , um filho deles. Tudo aquilo era demais, demais para suportar. Mesmo que a esperança de um dia tê-la era mínima, ele ainda aguardava ansiosamente o dia em que ela se arrependeria de ter feito a escolha errada.
Agora tudo não passava de uma simples esperança ridícula. Ela estava grávida dele, um filho era exatamente o laço mais sagrado que existia no relacionamento.
The end!


Três semanas depois…

Boston é uma ótima cidade para se viver durante todo o ano, porém dois fatores alteram muito as características da cidade: o clima e o tumulto que fica quando inicia as férias escolares. O trânsito sempre foi horrível nessa época, impossibilitando qualquer passeio sem enfrentar um trânsito infernal em todas as principais avenidas da cidade. Boston sempre foi muito procurada por conta dos seus pontos turísticos e o clima era rigoroso em todas as estações do ano. Primavera recheada de flores, o verão ensolarado, o outono com folhagens vermelhas e o inverno tomado por neve e muito frio.
Em especial o mês de dezembro trazia o inverno e com ele muito frio. Boston hoje estava fazendo -2°C e precisou coragem para levantar daquela cama e encarar o dia agitado com reuniões, palestras e finalmente achar um nome artístico para Avery. Avery, o seu pior pesadelo em forma de loiro alto, maravilhoso e com um sotaque arrastado de interior. Voz doce, suave e tinha umas mãos delicadas que ao tocar piano conquistava o carinho, o coração e o suspiro de qualquer garota. Menos, ela que lutava para não se envolver com nenhuma outra pessoa que tinha uma vida de palcos e contratos. Avery, apesar de ter um talento e um corpo impressionante não era o bastante para que ela pudesse ousar em experimentar uma nova aventura, apesar de saber que Avery era indiscreto ao ponto de jogar diretas convidando a garota para tomar algo em sua casa. Almoçar, jantar e cinema. Todos os convites indiscretos de um cara quando quer tentar alguma coisa com a garota que está afim, e claro que o tomar algo vinha mascarado como uma noite de prazer inesquecível e depois um sexo casual, o sexo era uma coisa importante e que se ela fosse pensar a respeito sobre a sua vida sexual o convento era o melhor lugar para ela.
— Sexo? Acho que fiquei virgem de novo. — Ela soltou um pesaroso suspiro frustrado ao saber que sua vida sexual estava tão parada e estacionada. Sexualmente falando a sua vida estava morta e enterrada há anos. — Talvez se eu virasse freira fosse uma boa opção para largar esse dedo podre de escolher homens errados, tipo o Avery que é todo charmoso, gostoso e eu tenho certeza que é muito bom de cama. Só que é um tremendo babaca que depois não vai desgrudar e não? Chega de gente babaca na minha vida. — Apesar de achar atraente a ideia de viver uma aventura sexual, o seu coração ainda estava pesado com todas essas lembranças que a visitava em forma de sonhos todas as noites. — Infelizmente, deve ter algum membro de ouro pra me fazer ficar desse jeito. Mesmo em todos esses anos eu ainda consigo sentir essa vontade absurda que a boca dele causa no meu corpo. — rolou um pouco na cama de um lado para o outro e soltou um gritinho fino de revolta. — AI MEU DEUS! EU AINDA TENHO ESSA TENSÃO COM ESSE HOMEM! — O grito foi alto e claro e ela não conseguia esconder a frustração que era sonhar todas as noites com ele.
perdeu as contas de quantas vezes essa semana tinha sonhado com , e também algumas lembranças sobre quando tinha descoberto que estava grávida. Seu corpo respondia bem ao clima e ao frio de Boston, o que mais a preocupava era sua mente que não desligava um minuto sequer dos acontecimentos em Seul. O seu corpo lutava contra todas aquelas lembranças, mas a sua cabeça era o alvo exato e seu coração o vilão de toda a situação. Como negar? Como ser capaz de negar que ainda conseguia mexer com ela daquela maneira? E toda a situação com ?
— Que droga! Eu simplesmente não posso parar com esse drama todo e ficar com os dois? — Ela pensou alto e as palavras saíram por sua boca de uma maneira natural. Sorte que morava sozinha e não dividia o apartamento com ninguém, imaginou o que uma colega de quarto faria ao escutar que sua intenção era ter um harém com dois homens maravilhosos deitados naquela cama e ambos usando apenas um lençol. — Eu imagino muito o só de lençol e o que me deixa na vontade é saber como seria o só de lençol. — O suspiro foi alto e ela começou a rir, não conseguindo acreditar no que estava falando. — ? O ar de Boston não está fazendo bem para o seu cérebro, colega. Um sexo casual com o Avery parece uma boa opção pra você apagar esse fogo. — Rindo muito do que havia acabado de falar ela fez uma careta ao escutar o celular despertando, mostrando que já estava atrasada para o trabalho.
Ela sabia que por mais que tentasse ficar longe e não pensar, relembrar ou até mesmo sonhar, o que acontecia era tudo ao contrário. Ela acordava no meio da madrugada assustada e assombrada achando que estava ao seu lado dormindo e que também estava no quarto, precisamente deitado na cama do outro lado. Correndo daqueles pensamentos ela fechou os olhos desesperada e nesse minuto o seu celular tocou novamente, mostrando que agora estava pelo menos meia hora atrasada e que antes de ir para o trabalho tinha que passar na Starbucks e comprar o café matinal de Sofie.

gritou por socorro na esperança que algum dos empregados da casa fosse capaz o suficiente para se sensibilizar e tirá-lo daquele lugar. Durante mais alguns minutos de histeria e gritos, resolveu dar o braço a torcer e ajudar o amigo a descer daquela árvore. Olhou em volta, procurando alguma escada ou algo que pudesse ser de um maior alcance. A única coisa que estava visível e que poderia ajudar era uma das cadeiras que ficavam em volta da piscina. Não pensou muito e logo caminhou para a árvore, carregando uma das cadeiras no ombro. Era aquilo ou deixar pendurado naquela posição durante mais algumas horas e já estava ficando sem paciência com os gritos e reclamações dele.
— O que você acha que eu vou fazer? — resmungou, olhando para a minúscula cadeira que ele estava trazendo. — Você acha que isso vai me aguentar? — ele riu nervoso, não acreditando. — Com todas as possíveis coisas que poderia me ajudar a descer você vem trazendo uma cadeira de plástico?
— Começa a ficar reclamando que eu deixo você em cima dessa árvore o resto da tarde. — ameaçou, levantando a cadeira no alto. — É só você colocar o seu pé de princesa nela e tentar delicadamente descer. Não seja o ogro e solte o peso todo do corpo em cima dela.
— Eu não sou uma princesa. — retrucou ofendido.
— Com esse cabelo você não tem muitos argumentos a seu favor, sinto muito. — riu. — Quando eu contar você vai se virando devagar e tenta encontrar a cadeira com os pés.
— Tudo bem, eu vou tentar. — logo cedeu. No momento não havia outra escolha, seria aquilo ou então ficar ali naquela posição por mais algumas horas. — Você segura quando eu estiver descendo.
— Tudo bem, eu seguro na sua cintura e entrelaço meus braços em volta de você. Para te proteger do perigo. — piscou algumas vezes, tirando onda dele. — Vira homem e desce de uma vez.
— Eu tenho medo de altura, ok? — estremeceu. — Por favor, Senhor, não me deixe nessa hora. — ele começou a rezar baixinho, tremendo de medo. não estava ajudando nada a situação, mas foi um pouco tolerante segurando a cadeira para que ele pudesse descer.
— Vamos logo. — apressou-o quando viu que um dos pés estava quase alcançado a cadeira. —Falta só um pouco mais de vontade da sua parte.
— Quer calar essa maldita boca e deixar eu me concentrar? — alterou a voz em estado de alerta com o perigo de cair. — Eu não vou conseguir, sem chances.
— AH! MAS VAI! — perdeu a paciência e puxou a perna dele com tudo para baixo. perdeu o equilíbrio e as forças das mãos. Em poucos minutos ele estava caído no chão. A queda não foi tão horrível e dolorosa porque antes de cair ele puxou pelo braço e ambos caíram com tudo no chão.
— Que filho da p.... — xingou, se contorcendo no chão. — Maldito...
— Não posso fazer nada. — sorriu, dando um pequeno tapa nele. — Ainda bem que eu tenho amigos para todas as horas.
— Quando eu me levantar daqui você vai se arrepender de ter nascido. — ameaçou, fechando um dos punhos. — Sai logo de cima de mim, não está vendo que estou com dores?
— Acho que entramos na casa errada. — surgiu junto com os outros na mesma hora e viu aquela cena constrangedora dos dois amigos deitados no chão um em cima do outro. — Acho melhor eu nem perguntar o que estava acontecendo.
— Eu escutei o falando que estava morrendo de dores. — olhou suspeito para ambos. — Agora eu definitivamente também não quero saber a causa dessas dores.
— Não sinta ciúmes. — apertou de leve as bochechas de . — Sempre soube que o era suspeito.
— Pelo amor de Deus. — levantou rapidamente, limpando a roupa e estendendo uma das mãos para . — Anda, princesa. O seu príncipe vai ajudar você a sair dessa situação.
— Ah, cala a boca. — irritado empurrou a mão de com força. — O que vocês estão fazendo aqui? E cadê o e o ?
disse que vai encontrar a gente no estúdio e o , bem, o não quis sair do quarto. — foi direto ao ponto, sabendo que iria surtar com aquela informação. não podia abandonar o grupo dessa maneira, já havia passado duas semanas e eles não podiam atrasar mais a gravação do MV.
, não sei realmente o que está acontecendo com o , o que eu sei é que precisamos interferir imediatamente. — aconselhou, sabendo que aquele comportamento não era normal e muito menos para o amigo que nunca foi de se isolar daquela maneira. Ele sempre tinha alguém por perto e depois dessa briga com todos sabiam que o que estivesse acontecendo com ele, lutava sozinho sem a presença de nenhum dos amigos para aconselhar e abraçar.
— Ele não quer falar com ninguém. — abaixou a cabeça, começando a sentir uma fisgada no peito sempre quando pensava em trancado no quarto. Por mais que estivesse morando agora no mesmo apartamento que ele por causa da preocupação em deixá-lo sozinho, não conseguia fazer com que ele saísse do quarto e muito menos que voltasse a viver da maneira que sempre viveu. parecia passar por um luto e uma tristeza sem fim.
Em algum momento achou que perderia o controle da situação e forçaria a porta daquele quarto para que contasse de uma vez o que estava acontecendo. A angustia e o desespero era algo que ele não estava suportando e mesmo sabendo que nada disso adiantaria o coração pelo menos ficaria um pouco tranquilo em saber que levaria um susto e notaria a preocupação dele. Tudo o que queria era que o amigo confiasse nele e que compartilhasse toda essa dor que estava sentindo. Ele apenas queria ser o ombro amigo, o sol e a luz para que não se perdesse em meio a toda aquela escuridão.

apressadamente vestiu qualquer coisa que achou no closet e ao entrar no prédio da Boston Entertainment notou que a roupa estava tão ridícula quanto seria a desculpa dela por ter atrasado dessa maneira. Para variar a segunda-feira de muito frio acordou atrasada e essa era a terceira semana que chegava no escritório com pelo menos meia hora de atraso.
Isso quase virou uma rotina e uma carta de demissão se não fosse pela sua moeda de troca com a secretária da sua nova chefe. Sofie, secretária, puxa saco e chantagista. Descrição certa sobre a mulher de estatura média, de alguns 40 e poucos anos e com um enorme cabelo vermelho amarrado em um rabo de cavalo. Daquela mínima distância só conseguiu sorrir levantando o Mooca da Starbucks que era o preferido de Sofie toda segunda-feira de manhã.
A coisa boa em ser simpática é que você consegue alguns favores, como por exemplo o silêncio de Sofie.
— Claro que você trouxe o meu café, não é mesmo? — Ela perguntou, buscando nas mãos de o seu café habitual de toda segunda-feira. O sorriso no rosto da secretária era o típico sorriso de “nada como um bom café para eu manter o meu silêncio sobre os seus atrasos.”
— Claro, Sofie. — Ela prontamente estendeu a mão, entregando à ela o copo de café da Starbucks de 500ml, além de exigir um café tinha que ser justamente do lugar mais lotado a essa hora em Boston. — Espero que esteja tudo bem com você, com a empresa e com a . — rolou os olhos pelo escritório para ver quem era a nova vítima de , sua nova e insuportável chefe.
— O John Avery já chegou para a sua reunião, e está à sua espera na sala doze. — Ela lançou um olhar misturado com uma piscadinha, que provavelmente foi ignorado por ao se afastar dela e caminhar para a sala de reunião. John Avery era o seu grande e enorme problema, principalmente por ele insistir em marcar um encontro casual com ela em seu apartamento e também por ser indiscreto em seus comentários maliciosos e com intenções que variam de muito desagradável para completamente insuportável.
Com o cachecol ainda em volta do pescoço e um casaco listrado em preto e branco, ela apertou o botão e esperou a vontade do elevador descer para que ela pudesse encontrar o seu querido Avery em uma reunião para discutir como seria o seu nome artístico. Ele insistia que Johnny Napplebee era um nome atraente, chamativo e que todas as garotas iriam morrer de desejo por ele toda vez que pronunciasse o Napplebee com aquele sotaque arrastado de interior. Bom, era isso que ele tinha naquela cabeça lunática e não tentava ir contra por saber que ele ficaria falando sobre isso durante horas e horas e nunca chegariam a um acordo para esse bendito nome artístico.
— Que demora. Depois ficam cobrando os funcionários com os horários extras, nada funciona neste prédio. — Ela resmungou irritada, apertando o botão novamente várias vezes.
— Acho que se você apertar o botão várias vezes não vai fazer com o que o elevador chegue mais rápido. — A voz feminina, irritante e arrogante disse um pouco mais atrás e assustada girou o corpo e encontrou os olhos de exatamente preso ao seu rosto. — O que você disse sobre cobrar os funcionários?
— Hum? — Ela esticou o pescoço, mostrando não escutar direito o que ela havia perguntado. não soube o que de fato chamou a sua atenção, o cabelo roxo, o vestido lilás ou então aquele sorriso de deboche da garota de braços cruzados, olhando ainda para ela. O quê? Essa era a que estava causando essa confusão na empresa? O que ela tinha de estranho? Tirando o cabelo e vários outros detalhes do rosto. — , tudo bom? — O único jeito era disfarçar o embaraço. A boa estratégia era cumprimentar, sorrir e acenar com a cabeça. E se nada desse certo, ela apenas iria embora com o rosto queimando de vergonha e com uma chefe completamente irritada.
— A garota do casaco listrado com esse cachecol brega é a nossa funcionária do mês que sempre chega atrasada toda segunda-feira? — Ela ignorou completamente o cumprimento e agora estava olhando para ela com os braços cruzados diante do corpo. Antes de falar qualquer outra coisa, analisou a garota dos pés até a cabeça para que pudesse soltar o comentário mais afiado e arrogante que ela pudesse suportar. — Sofie é bem esperta em mentir, mas o que ela não sabe é que eu consigo notar tudo o que acontece dentro dessa empresa. E com você não seria diferente, . — sabia o nome dela e também sobre todos os atrasos. O que provavelmente não seria novidade também para todos os outros da empresa. Então, ela estava achando que comprar café para Sofie tinha sido uma boa estratégia? — Eu estou muito bem e você? Indo ver o Avery?
— Avery, com certeza. — Ela rolou os olhos, mostrando o descontentamento. Preferiu ignorar o restante da conversa para não demonstrar o tanto que estava nervosa com aquele comentário sobre o seu lindo e maravilhoso cachecol que tinha ganhado de . — Sofie é um amor.
— É.
— Hum, então tenha um bom dia. — A garota balançou a cabeça procurando não olhar diretamente para ela. Como era possível ser tão arrogante dessa maneira? E aquele cabelo? Ela não tinha cor melhor para usar ao invés de roxo? Isso nem mais é moda.
— Eu irei com você ver o Avery, soube que o nome dele artístico é um problema. — disse, dando alguns passos para frente e segurando com uma das mãos a porta do elevador. Com a outra ela esticou, dando espaço para que entrasse e ela apenas ficou parada observando como daquela distância ela parecia ser bem alta e não teria chances de uma luta corporal com ela caso algo assim um dia surgisse. — ? Querida? Podemos ir?
— Querida? — Ela perdida em pensamentos olhou para o elevador parado e ela na porta esperando que entrasse de uma vez. — Ah sim, claro. Eu estava só… — Ela toda atrapalhada gaguejou, mordendo a língua para não mandar a garota para a puta que pariu com aquele “querida” falso.
— Querida, você é paga para trabalhar e não ficar enrolando. — sorriu tão falso que ganharia de qualquer nota de dois dólares. — Não fique achando que eu sou grossa, é que eu simplesmente gosto muito de um Mooca Late, infelizmente não tenho toda manhã no meu escritório.
— Nossa, querida chefe. — A entonação para o querida foi maior do que todas as outras palavras, com certeza queria que ela notasse essa diferença e não a chamasse mais dessa maneira. — Da próxima vez eu vou me lembrar de trazer um Mooca late, quem sabe assim aquece o seu coração.
— O meu coração aquece e minhas mãos também quando eu estou dirigindo meu porsche. — Ela rebateu e sentiu o tapa vindo bem no meio do seu rosto. Um porsche? Exibida? Nojenta? Nenhum pouco. — Entre, vamos resolver o problema com o Avery.
— Ah, ok. Não posso realmente ir contra um pedido da minha chefe. — Ela sem graça colocou o cabelo atrás da orelha e caminhou até o elevador, entrando de uma maneira que não pudesse nem encostar nela. Só de passar por perto não conseguiu deixar de notar a fragrância daquele perfume enjoativo e a situação só piorou quando o elevador começou a subir. — Por Deus, parece que eu só atraio gente assim. — Ela resmungou com a boca por dentro do cachecol para que não fosse capaz de ouvir. — Qual o meu problema? e agora…
— Não sei, mas você parece que tem vários. Começando com as roupas, os atrasos e começar a falar sozinha desse jeito. — respondeu e tomou um susto achando que não era possível que ela tivesse escutado algo que ela disse tão baixo.
— Olha, não precisa me pressionar desse jeito. Realmente, eu compro o silêncio da Sofie toda segunda-feira. — Ela jogou no ar, fazendo alguns movimentos com os braços. Lidar com pressão não era seu forte. E ficar naquele elevador com essa garota toda hora olhando de relance querendo uma confissão já tava deixando transtornada. — Tudo bem? Na lei eu não estou errada e isso não é motivo de demissão por justa causa.
— Não falei nada.
— E precisa? Olha o jeito que você olha intimidando. — Ela apontou um dedo para o rosto dela. — Agora eu entendo porque o seu contra-cheque é maior que o meu. — Ela fez o gesto mostrando a diferença entre ambas. — Chefe e Funcionária.
— É, eu ganho muito bem, pelo menos consigo manter minha mansão e um porshe na garagem. — Ela gabou, ajeitando o vestido e olhando para o relógio e todos os anéis no dedo.
— Hum? Mansão? Porshe?
— O que tem?
— Você gosta de mulheres ou só de homens?
— Homens. — começou a rir, achando engraçado o comentário da garota. — Interesse?
— Pela mansão e pelo porshe? Claro. — Ela rolou os olhos, agora iniciando uma gargalhada baixa. — Pena que eu também gosto de homens, mas o seu lance com a mansão e o porshe é um belo convite.
— Você não faz meu tipo.
— E nem você o meu. — incomodada começou a tirar o cachecol, sentindo falta de ar e uma quentura subir por todo o seu corpo ao ver a imagem de de cabelo preto bem na sua frente. Era exatamente esse tipo que ela gostava, . Que droga, mesmo longe ela ainda conseguia sentir essa atração e lembrar desse maldito sorriso que foi o começo de todas as suas decepções. — Avery deve quase querer me jogar pela janela com todo esse atraso, logo eu, uma funcionária exemplar que precisa mostrar serviço para sua querida chefe.
— Já contei que meus funcionários além de conseguirem ótimos contratos, são ótimos com mentiras? — Essa provocação cortou o instinto de resposta que surgiu nesse exato momento. Ela abriu a boca para responder e na sequência fechou olhando para o lado oposto de . — ? Você me pareceu que ia falar algo.
— Ah, nossa e chegamos no andar. — Ela abanou a mão, fugindo do assunto e segurou o cachecol dela, impedindo que ela saísse do elevador.
— Não precisa correr, já disse que vou acompanhar essa reunião.
— Então se apresse. — Ela cobrou, girando o corpo para dentro do elevador. — Tenho uma chefe muito chata e preciso entregar um relatório no fim do dia. Sem contar que tenho que fazer o Avery mudar de ideia com o nome artístico, por favor. O meu trabalho é desgastante. — A garota sorriu, pegando a ponta do cachecol da mão dela e enrolando no pescoço novamente. Antes que pudesse sair do elevador o celular tocou em seu bolso e ela discretamente pegou o aparelho e colocou em um dos ouvidos enquanto caminhava para a sala doze. Com o barulho dos saltos escutou ao longe o movimento que fazia com os pés aproximando lentamente dela e aquilo causou um arrepio na sua espinha. Esse número era novo e as únicas pessoas que tinham ele era seu pai e também . Quem mais no mundo estaria acordado às oito da manhã com esse frio congelante?
— Desculpa eu estar te ligando e por pedir o seu número para a , mas precisamos conversar, . — A voz era familiar, o tom e a maneira delicada daquela voz fez o seu coração saltar por sua boca e ela por frações de segundos pensou o quanto estava com saudades de escutar a maneira que ele pronunciava o seu nome. Não conseguiu deixar de ficar feliz e ao mesmo tempo preocupada, ele não quebraria a promessa dessa maneira se algo muito importante não tivesse acontecido.
— Eu estou escutando, . — Ela disse, esperando que ele começasse a falar de uma vez o motivo da ligação.
— O não está bem. — Ele começou, fazendo uma pausa e ao escutar aquilo sentiu suas pernas ficarem fracas e imediatamente ela largou os papéis que estavam em suas mãos, procurando apoio na parede para que não caísse. O choque daquelas palavras fizeram com que seu cérebro ficasse em choque, imaginando algum acidente grave com ele.

— Fisicamente ele está bem, acalme-se. — falou calmo e tranquilo, notando que não tinha usado as palavras certas naquele momento. Imaginou o quanto ela ficou impressionada e chocada apenas com a respiração pesada e o barulho de algo caindo no chão do outro lado. — Desculpa por ligar dessa maneira, não sabia mais a quem recorrer e eu preciso muito da sua ajuda. — A tensão de novamente conversar com ela deixou o seu coração em frangalhos e ele não queria sentir todas essas emoções que lutou durante todas as semanas para esquecer. O contato novamente com a garota era algo que ele sabia que não estava pronto para voltar a viver, ele precisava de mais um tempo longe dela. Longe daquela voz, daquelas sensações e daquela maneira que seu coração batia só de escutar a respiração desigual sempre que ela fazia quando ficava assustada com algo. queria ser capaz de esquecer e desapegar de todos esses detalhes e hoje o único detalhe que queria pensar era como falar com ela sobre a situação de . Como falar e como usar as palavras certas para explicar o que estava acontecendo em Seul nessas últimas duas semanas que ela foi embora para Boston.
— O que tem o ? — Ela perguntou, agora sentindo as mãos de em suas costas. A sua chefa preocupada com a garota largou a bolsa no chão e correu para ajudar ao vê-la cambalear um pouco de lado.
? Tudo bem? — Ela perguntou e apenas balançou a cabeça, mostrando que estava tudo bem.
— Ele sabe de alguma coisa, . Ele sabe sobre a criança. — O impacto daquelas palavras fizeram os joelhos de estremecerem e ele não conseguiu escutar mais nada do outro lado, nenhuma respiração, voz ou o barulho da ligação sendo encerrada. O silêncio, apenas o silêncio. Ele sabia que era errado aborrecer a garota sobre esse assunto, mas ele não tinha ninguém a recorrer a não ser somente ela. podia muito bem guardar mais esse segredo e ele estava pretendendo em não contar para ela sobre como estava nessas semanas, a sua intenção era realmente não ter contato nenhum com a garota. Mas como deixar naquela situação sem fazer nada? Como dormir a noite sabendo que algo não estava bem e que ele não conseguia sair do quarto para nada? Toda a agenda do grupo foi cancelada por sua causa e sentia que esse momento era muito delicado para que ele tentasse uma aproximação do amigo. não iria aceitar e ele também não estava emocionalmente estável para lidar com esses assuntos no momento.
— O que você disse? — Ela perguntou, não conseguindo mais segurar o espasmo que ocorreu por todo o seu corpo imaginando que estava sabendo sobre o filho. Não podia ser verdade e não tinha como ser verdade. não podia saber sobre essa criança, não dessa maneira. Ela, só ela tinha o direito de lhe contar a verdade.
— Só você vai conseguir tirar o dessa angústia. Por favor, eu sei que estou pedindo muita coisa e que você precisa de um tempo. — Ele implorou, sabendo que era errado essa atitude. estava longe de Seul exatamente por um motivo, ela queria que a sua vida começasse a não depender de tratamentos ou então de esperanças vagas em novamente engravidar. Ela procurava por algo, por uma vida diferente e por novas experiências que não fosse frustradas que nem era a sua vida em Seul. E o principal, ela buscava de todas as forças esquecer . — Ele precisa de você, . — completou e aquela frase ecoou pela cabeça da garota que deixou o celular cair no chão levando as mãos para o rosto iniciando um choro desesperado e cheio de sofrimento.


Capítulo 12


Ao escutar o barulho da porta batendo atrás de com violência, a garota começou a rir e logo o silêncio tomou conta do local. estava parado encostado na porta, analisando a maneira que ela estava deitada. Não havia um minuto sequer que não estivesse desejando aquela garota. Naquele exato momento ele queria que ela fosse capaz de entender o quão concentrado estava. Moldando em sua cabeça a noite mais importante de sua vida. mordeu o lábio inferior, perguntando-se quando ele iria vir para a cama. Notou que ele não moveu nenhum músculo do lugar onde estava, talvez essa fosse a hora para provocações. O seu melhor jogo.
Ela moveu as mãos para seu corpo, traçando todas as curvas que seu corpo estava fazendo. Abriu lentamente as pernas, apertando sua coxa direita. A outra mão estava em seu colo, acariciando sua pele. Pontadas de prazer a atravessaram. soltou um gemido enquanto olhava para o movimento que a garota estava fazendo com as mãos. Ele ainda estava parado observando o corpo dela com desejo. A tensão se retorceu dentro dela e rapidamente foi capaz de tirar sua roupa, ficando completamente nua. Ela desejou poder ler a mente dele para saber o que estaria pensando. Ele se contorceu, abrindo os braços para apoiar-se na porta enquanto ela ainda estava deitada na cama, deslizando os dedos pelo corpo.
— Você consegue me deixar maluco. — Ele sorriu e o coração dela acelerou. Ele estava gostando daquilo. Os olhos de fecharam-se e ela sorriu de uma maneira tímida. A respiração de a cada segundo ficava mais pesada. Ele não sabia ao certo quanto tempo iria resistir.
— Não estou fazendo nada. — Ela sussurrou, ainda rindo. O olhar malicioso de a estava deixando perturbada. Esse jogo era dela. Não deixaria que ele ganhasse. Antes que pudesse pensar mais, sentiu o seu corpo contra o dele. — Oi. — Ela conteve a respiração, surpreendida pela ternura de seu beijo. Bruscamente ela tateou procurando os botões da camisa dele. Desabotoou de qualquer maneira e a jogou para o lado sem tirar os olhos de seu rosto.
— Um dia você vai deixar eu amordaçar você e explorar com a boca tudo o que eu quiser? — Ele perguntou, segurando o cabelo dela com força para trás e chupando toda a extensão do seu pescoço. — Quero te morder, chupar e fazer tudo o que você quiser.
— Quero você chupando tudo, exatamente assim! — Agora ele estava exatamente no local que ela queria. A garota roçou sua boca pelos lábios abertos dele, sua língua deslizou para dentro, com suavidade, para acariciá-lo. deu um quente beijo no pescoço e ela estremeceu. Foi um beijo longo e poderoso. ofegou, não contendo mais a vontade que estava ardendo em sua pele. Com uma das mãos segurou o rosto dele e tomou sua boca em um beijo apaixonado e possessivo.


O celular tocou, fazendo um barulho tão grande que acordou um pouco atordoado, não sabendo da onde vinha aquele barulho ensurdecedor. Ele não lembrava de estar atrasado para nenhum compromisso e muito menos esperando receber qualquer ligação. O abatimento em seu rosto era tão visível que rapidamente ele percorreu os olhos pelo quarto no escuro apenas com uma fresta de luz da janela e buscou desesperadamente por na cama.
— Amor? Você está tomando banho? Porque não me esperou. — Ele disse, passando a mão pelo rosto sabendo que não era apenas um sonho e que estava no banheiro depois de uma noite intensa e prazerosa. Com o cabelo bagunçado e em silêncio ele tentou escutar o barulho do chuveiro ligado e seu coração acelerou um pouco ao escutar apenas o silêncio do quarto. O chuveiro estava desligado e a porta do banheiro aberta sem nenhum movimento dentro dele. — Amor? O que você está fazendo? Não consigo te enxergar nessa escuridão. Isso é uma brincadeira? — riu nervoso, sabendo que era capaz de brincar dessa maneira com ele, principalmente sabendo que ele tinha acabado de acordar. — Tudo bem, eu sei que você deve estar trocando de roupa ou então se preparando para mais um dia intenso na cama. — O silêncio ainda era absoluto e ele forçou uma das mãos contra o próprio cabelo. Ela tinha que estar em algum lugar daquele quarto, talvez no closet procurando por um par de sapatos ou então no camarim pessoal dele, arrumando o cabelo. — Amor da minha vida, você acha que eu não consigo saber a distância que você está? — Agora ele riu um pouco mais alto, empurrando o lençol de lado e buscando no chão as pantufas que sempre ficavam na beirada da cama. — Consigo sentir o seu cheiro por todo o quarto e a noite ontem foi tão maravilhosa que tenho certeza que minhas costas estão todas arranhadas por sua causa. — lentamente caminhou até o banheiro e acendeu a luz, procurando por , e o encontrou vazio, sem vestígio nenhum de que ela tivesse usado o banheiro naquela manhã. O desespero e a palpitação por seu corpo começou a surgir nesse momento, não conseguindo raciocinar claramente. Ele sabia que adorava ficar na cama durante boa parte da manhã e que não era comum que ela levantasse tão cedo assim. — Por que você acha que precisa vestir alguma coisa? Eu pretendo ficar na cama o dia todo com você. Sabe o tanto que eu senti sua falta e não vou conseguir desgrudar o seu corpo do meu. Amor? Não faça jogos comigo! — Ele, sem perder as esperanças, arrastou os pés para o enorme closet e ao parar de frente para a porta hesitou um pouco ao acender a luz, imaginando que ela pretendia querer assustá-lo. Que brincadeira boba era essa? Ele riu achando engraçado o comportamento dela. — Não tenho medo de escuro. Desista da ideia de me assustar, não vai adiantar, bebe. — Lentamente adentrou o closet e com as mãos começou a buscar pela presença da garota. O escuro era algo tão perturbador e o desespero em seus passos começou a aumentar ao não encontrar nenhuma respiração pesada, riso ou então nenhuma sombra de que pudesse estar ali dentro. — Por favor, eu preciso encontrar você. Onde você está? Não consigo te encontrar. — Ele parou nesse instante buscando um pouco de fôlego. A adrenalina em sua voz e as palpitações começaram a ficar mais fortes com aquela escuridão toda e ele buscou o celular no bolso, iluminando parte do espaço entre as roupas do enorme armário logo mais a frente. — Eu preciso, amor. Eu preciso de você comigo. — deixou o peso do corpo ser mais forte e seus joelhos começaram a ceder. — Onde você se escondeu? O que eu faço? O que você quer que eu faça? Eu estou aqui, esperando por você. Esperando você voltar para a minha vida. — O choro surgiu em sua garganta e tudo o que ele buscou foi controle antes de cair no chão de joelhos. Tudo tinha sido um sonho. A palpitação foi transformando em um pânico e ele não conseguia mais interpretar o que estava sentindo a não ser novamente uma dor absurda invadir seu peito. — Amor, eu não aguento mais viver nessa ilusão e com essa dor que sinto todos os dias. Por favor, não brinca com o meu coração dessa maneira. Eu sei que não foi um sonho, eu sinto você e sinto o seu cheiro por todo esse apartamento. Por que estou vivendo dessa maneira? O que eu preciso fazer para ter você novamente na minha vida? — Ele foi falando sem ao menos importar que era inútil todas aquelas palavras. — Me perdoa por não saber do nosso filho e por não conseguir ficar ao seu lado quando tudo aconteceu. Eu posso ao menos te abraçar e chorar em seu colo? — Outro golpe e outra palpitação dessa vez mais forte e tudo o que foi capaz de fazer naquele momento foi ficar de joelhos, com a cabeça no chão e as mãos cobrindo o rosto. Cada parte do seu corpo tremeu em dor e na escuridão a única coisa que conseguia ouvir era o choro desesperado de alguém não controlando mais o peso e angústia que levava em seu coração.

Boston - 22:30
Ainda sem sono, sentou na varanda da sacada em silêncio e fitou um ponto no céu, prendendo a sua concentração toda nele. O silêncio da noite surgiu de imediato, fazendo com que seu corpo fosse relaxando a cada minuto. Ela envolveu o seu corpo com os braços como se fosse uma proteção contra alguma coisa ruim que estivesse prestes a acontecer. Delicadamente, ela ajeitou as costas na cadeira, em seguida fechando os olhos e ficando totalmente imóvel e em silêncio. Não queria ouvir nada mais do que sua respiração e o barulho do vento cortando as folhas do seu mini jardim ao lado. Inesperadamente algumas lágrimas começaram a percorrer pelo seu rosto e depois de muito tempo não resistindo a todos aqueles acontecimentos, se deixou levar pelo momento e por todos aqueles sentimentos, caindo desesperadamente em choro.
Como que em uma libertação de algo, ela chorava intensamente, sozinha sentada naquela varanda. Não queria estar perto de ninguém, não queria ao menos ver ninguém. Queria apenas estar sozinha para se libertar de toda aquela angústia que estava sentindo. Somente sozinha teria a chance de pensar em tudo isso. Pensar em como se livraria desse novo problema. O ritmo do seu coração foi aumentando e ela sentia como se perdesse ainda mais o controle do seu corpo e de sua mente. Como ela iria falar com ? Como seria capaz de seguir em frente com tudo isso se a cada minuto que parasse para pensar nisso seu corpo se contorcia de tanta dor e medo. Com o rosto bastante vermelho ela passou uma das mãos pelo cabelo desesperadamente. A essa altura nada mais podia abalar, estava totalmente em pânico. No tempo todo daquela crise de choro ela balançava a cabeça estranhamente como se não estivesse acreditando. Como se quisesse se livrar de tudo e não soubesse uma maneira para aquilo. elevou um pouco a cabeça para cima tentando recuperar o seu fôlego. Respirou fundo inúmeras vezes e nada estava adiantando para voltar ao controle de seus atos. Tudo o que mais queria era somente apagar o que estava acontecendo, apagar o que estava sentindo e a confusão que estava em sua cabeça. Um som agudo saltou de sua garganta e pela primeira vez ela sentiu medo de estar perdendo sua sanidade por completo. Mais ainda assim, o seu maior medo não era aquele. O maior medo de todos era enfrentar e isso não poderia ser daqui há alguns dias. Isso teria que ser imediatamente. Ela retirou o celular do bolso e discou o número conhecido, esperando que ele não tivesse trocado.
— Droga, droga, droga! — Ela xingou, esfregando uma mão na outra. — , mantenha a sua sanidade intacta. Por favor. — Ela estava sozinha naquele lugar. Mas dizia em voz alta para que ela mesma pudesse escutar. — Por favor, por favor. — Ela implorava, deixando que mais inúmeras lágrimas escorressem por seus olhos. — Você precisa pensar muito bem o que vai falar. O precisa saber disso, ele deve saber de uma vez por todas sobre esse filho. — Imediatamente, ela se colocou de pé, limpando os olhos com as costas das mãos quando escutou do outro lado da ligação a voz doce e abafada de .
— Oi, . — A voz dela saiu quase como um sussurro.
— Oi, . — Sua voz fraca e cansada saiu tão baixa que ele não teve forças para aumentar o tom ao reconhecer a dona daquela voz e de imaginar que tudo podia ser novamente um sonho.
— O que aconteceu? — Ela perguntou sentando-se na cadeira direito notando que a voz dele era de choro. — Por que essa voz de choro?
— Você é real? — Ele ignorou a pergunta, não acreditando que dessa vez ele realmente estava falando com a garota. — ? É você?
? O que está acontecendo? — O coração dela acelerou imaginando mil coisas e situações com o garoto. A voz falha, cansada e triste foi o baque que ela sentiu logo quando ele atendeu ao celular. não deu outros detalhes do que tinha acontecido e o pouco que sabia era somente que ele estava afastado de todo o grupo e trancado no quarto por semanas. Ninguém ao menos teve coragem de invadir esse espaço e nem de conversar com ele a respeito do que estava acontecendo. tinha pedido um tempo para os amigos, carreira, grupo e também para a gravação do MV. Algo tão importante como a sua carreira sendo deixada de lado? realmente não estava bem.
— Não...eu... — Ele gaguejou, ajeitando o corpo no chão gelado do closet e encostou a cabeça na parede, controlando a respiração e o choro. A sensação de não ser apenas um sonho trouxe alguns espasmos involuntários para o seu corpo e em seu pensamento a única imagem que se fez foi dela em sua cama deitada coberta por apenas um lençol e o sorriso em seus lábios era tudo o que ele não conseguia apagar das suas lembranças.
, sou eu…
— Oi, eu sei. — Ele tentava lutar contra os seus pensamentos e nada parecia surtir algum efeito. A necessidade daquela voz era tanta que seu inconsciente parecia estar em estado de choque só de imaginar que realmente era verdade, que dessa vez ela estava do outro lado dessa ligação. — Oi, eu estou te ouvindo. O que foi? O que você quer? — buscou por respostas, não sabendo o que levaria a garota a ligar dessa maneira. Ele não estava pronto para receber essa ligação e muito menos lidar com toda essa complexidade que existia em sua cabeça e em seu coração. Essa crise, essa dor e esse sofrimento por causa do filho, das mentiras e todas as confusões nos últimos meses. O tempo, ele acreditava que somente o tempo era capaz de fazer com o seu coração aceitasse todos esses acontecimentos e que seu coração ficasse mais sossegado por pensar que a distância entre eles era o necessária para apagar por completo esse sentimento de anos. E mesmo sabendo que parte do seu corpo não acreditava nessa distância e nem os seus sentimentos, ele lutou, tentou e estava tentando nesse momento resistir a tudo o que essa garota representava em sua vida.
Todo o seu passado, presente e futuro.
— Eu soube que você não está bem e fiquei preocupada com você. Não tem como eu simplesmente apagar você da minha vida. — Ela quebrou o silêncio do outro lado, sentindo suas pernas ficarem trêmulas. Mesmo sabendo a distância entre Seul e Boston, sabia que não podia esconder o tanto que estava sofrendo com aquela distância e o tanto que gostaria de estar vivendo todos os dias em Seul na presença dos amigos, da família e também por estar mais próxima de . O tempo não havia curado esse amor, o tempo não curou suas cicatrizes e nem foi capaz de colocar uma pessoa em seu caminho para que ela pudesse amar da mesma maneira e intensidade que sempre amou esse garoto. O seu amor, o seu primeiro e talvez o único amor de uma vida. O choro preso em sua garganta foi controlado e ela não sabia mais o que falar e nem como começar o assunto tão importante. — E eu não consegui dormir sem escutar a sua voz, eu sei que é errado eu falar essas coisas.
— Você não devia falar essas coisas, ! — Ele foi tão duro sabendo que mesmo sentindo o coração em pedaços, ele não tinha mais o direito de interferir na vida dela. Sua decisão era tão simples e sua despedida foi tão dolorosa que ele não tinha condições nenhuma para lidar com esse passado. Não era o momento para ter contato com ela e muito menos mentir que tudo estava bem. Sendo que na realidade não estava e ele nem ao menos tinha noção do tempo que levaria para que ele saísse daquele luto. — Você sabe que não devia me ligar. O que precisamos é distância, você precisa viver a sua vida em Boston e esquecer que eu existo. Da mesma maneira que eu to fazendo em Seul.
— Você não está fazendo nada em Seul. — Ela desmentiu, cortando o assunto. — Eu sei que você está há semanas preso dentro do quarto e que não conversa com mais ninguém. — fez uma pausa, limpando um pouco a voz. — Não tente mentir pra mim. Eu te conheço, .
— Mentiras sempre foram o seu forte e o do , né? — Um riso fraco e nervoso surgiu em sua boca. — O que ele quer comigo? Pediu para você ligar e me consolar? Além de um babaca ele quer ficar bem com você demonstrando preocupação? — O amargo na voz foi tanta que não estava sentindo mais nada a não ser uma revolta surgir por todo o seu corpo. E um grito em sua garganta. A vontade de bater em e falar sobre todas as mentiras que ele tanto lutou para esconder durante esses anos. Pela primeira vez ele estava falando com a garota sobre o amigo, sobre todas essas mentiras e ele sabia que não iria conseguir esconder por muito tempo toda a confusão.
— O que está acontecendo? Você e o não estão bem? — Ela perguntou curiosa, sabendo que algo também estava errado.
— O e eu brigamos e meu olho roxo é a prova disso, ele tem um bom soco de direita. — começou a rir, sabendo que aquilo provavelmente era algo que não teve coragem de dizer para ela. Não foi preciso nem escutar a respiração profunda dela para saber que tinha ficado surpresa com aquela revelação. — Parece que tem alguém que não estava sabendo desse detalhe. Melhores amigos não contam segredos? Dividem mentiras?
— O que você sabe, ? Não gosto de jogos! — Nervosa, ela alterou a voz, não gostando da maneira que ele acusava. — O que foi? Fala de uma vez, fala logo o que você quer insinuar!
— O que você quer comigo? — Ele foi direto, agora, sentindo a respiração ficar pesada com o passar dos segundos. — Não quero conversar com você, não quero falar com o e não quero falar com ninguém. Vocês dois precisam me esquecer de uma vez por todas, chega! Chega, eu não aguento mais lidar com tantas mentiras e tantos sentimentos que queimam dentro do meu coração, você e o não entendem? Não sou uma máquina, eu tenho sentimentos e estou tentando me recuperar de um monte de acontecimentos. — O desabafo foi longo e tão doloroso que do outro lado ele apenas escutou o silêncio da voz dela e isso o machucou de uma maneira tão terrível que nem fechando os olhos era capaz de fugir daquela realidade. — Por favor, o que eu estou pedindo é que você me deixe em paz.
— Não fiz nada pra você me tratar dessa maneira…
— Quem fez? Quem mentiu? O que você esconde? O que o esconde de todo mundo? — jogou definitivo todas as perguntas a jogo, querendo acabar de uma vez com todo aquele contato e encerrar aquela ligação. Essa conversa não levaria a lugar nenhum a não ser somente em mais mágoas e sofrimentos.
— Eu escondo coisas de você, . — Ela confessou.
— Eu sei que você esconde, o esconde e eu também escondo muitas coisas de todos.
— Por que você não começa a me contar o que esconde?
— Porque você não começa aceitando que o sempre esteve apaixonado por você? — não sabia mais controlar suas palavras e aquilo foi um tiro tão certeiro que o barulho do outro lado da ligação foi a resposta que ela tinha ficado novamente chocada. — Como você conviveu com isso todos esses anos? Foi fácil pra você ser amada por dois amigos?

— Não fique impressionada porque eu sei que você sabe que ele sempre te amou e todos esses anos só não tentou nada por você ainda me amar. — disparou a falar, não conseguindo abrir espaço para que ela falasse. E tudo isso era verdade, tudo isso também era parte da mentira e ele estava cansado de tudo isso. — Meu amigo, meu melhor amigo de tantos anos escondendo o que sente por minha ex-namorada esse tempo todo. E o pior disso tudo? Ele foi capaz de ficar do seu lado esse tempo escondendo esse sentimento e você fingindo que não sabia disso. Ele foi capaz de mentir pra mim todos esses anos falando que nunca mais tinha tido contato com você e em todas as viagens dele para Boston ou todas as ligações na madrugada escondido era sempre para um primo que estava passando por uma situação complicada. — A gargalhada foi o ápice do nervosismo ao sentir suas mãos fecharem com força em volta do aparelho. — É amor, . Ele sempre te amou em segredo, nunca foi só uma simples amizade. Ele sempre teve sentimentos reais e uma paixão verdadeira e única por você, sempre te desejou e sempre quis ter você nos braços dele todos os minutos. Conheço esse sentimento como amor e não como amizade.
, cala a boca! — Ela suplicou, não conseguindo escutar mais nada do que ele estava falando. O que estava acontecendo para que fosse tão rude e tão direto dessa maneira em todos esses anos? Por que falar assim sobre ? Ele não tinha culpa de nada! — O e eu somos amigos e sempre fomos, antes mesmo de conhecer você. Você não pode falar sobre nossa amizade porque você não entende o que é isso. Nunca entendeu o que ele foi capaz de fazer por mim em todos esses anos e tudo o que eu precisei eu sempre tive o apoio dele, foi o que sempre esteve ao meu lado me apoiando e sendo a melhor companhia quando você me abandonou. — O passado novamente trouxe sensações e uma tristeza em seu coração e ela tentou driblar as lágrimas para que não pudesse perder a oportunidade dessa conversa franca e desse ponto final. — Eu precisei de você, não sabe o quanto eu precisei da sua companhia e o tanto que eu chorei durante muito tempo. As vezes eu ainda choro e sinto meu coração lutando contra esse sentimento e as vezes tudo o que eu quero é estar na sua cama aninhada em seus braços. Essa é minha ilusão e minha dor por saber que não posso me permitir sentir tudo isso novamente. — O tom da sua voz aumentou e chorou mais profundo. Isso era exatamente o que ele tanto queria. Novamente tê-la aninhada e protegida contra todas as maldades do mundo. — Eu tenho cicatrizes desse relacionamento e esse amor que nunca vão ser esquecidas e eu carrego isso comigo todos os dias e tento lidar com esses sentimentos e esse desespero. Se eu não tivesse o ao meu lado no pior momento da minha vida eu não estaria nem aqui lidando com toda essa complexidade e assuntos mal acabados que existem entre nós dois. — triste abaixou a cabeça sentindo, o peso daquela dor surgir novamente em seu corpo e mesmo assim ela sabia que devia continuar falando para o tanto que a amizade dela com o era importante em sua vida. — foi a luz quando eu achei que estivesse me afundando em depressão, angústias, desespero e que nada mais tinha importância na vida. — Ela fez uma pausa, limpando a voz e voltando a sua concentração no presente. — Ele foi minha salvação, minha sanidade e o meu ponto de equilíbrio entre a loucura e a lucidez todas as noites que eu entrava em uma crise quando me trancava em um quarto sozinha. Ele foi meu anjo, meu guia e minha força quando eu estava desistindo de tudo. — Novamente ela buscou forças para conseguir falar sobre e ainda em silêncio escutada tudo muito atento. — , por mais que meu coração precise de você a cada segundo, ele também precisa do . Eu nunca vou ver a nossa amizade com outros olhos e nunca vou ser capaz de aceitar nada, porque não existe nada e nunca existiu nada a não ser uma amizade de anos que eu dou valor acima de qualquer outra coisa. O amor que eu sinto por ele é algo tão sincero e puro que não aceito que você fale dessa maneira. Ele, , só ele sabe o quanto significa na minha vida e o tanto que eu o amo por ser tão maravilhoso todos os dias.
— Então você não precisa de mais ninguém na sua vida a não ser o . — tentou absorver e não ser atingindo ainda mais por todas aquelas palavras. Talvez fosse tarde demais para isso. Tão tarde que agora ele sabia da importância de na vida da garota e por alguns seu coração pareceu ficar em paz e agradecer o amigo por ter sido essa luz na vida dela, ele também não quis pensar na possibilidade que talvez se não fosse por , ela não estaria mais aqui com eles. — Eu entendi tudo o que era para ser entendido e finalmente podemos seguir as nossas vidas sem a sombra do nosso passado. Não quero ver você sofrendo e não quero sentir tudo o que eu ando sentindo, eu desisti de você há três anos atrás. E sabemos que não podemos voltar a ficar juntos porque não existe mais um sentimento saudável em nossos corações. Não existe amor verdadeiro que suporte a mentiras, mágoas e decepções. Nossas vidas tomaram rumos diferentes há muito tempo e só resta aceitar isso e colocar um fim nessa história. — O choro agora percorreu toda a sua garganta e silenciosamente chorou sabendo que talvez esse realmente estivesse sendo o fim desse amor. — Eu não tenho mais coração, não tenho mais condições de sofrer com a nossa história e tudo o que eu preciso é respirar um pouco aliviado e parar de sentir essa culpa que eu ando carregando aqui dentro do peito todas essas semanas. Não vamos ficar presos a esse passado e a esse sentimento que há muito tempo deixou de existir de maneira saudável.
— Vai ser fácil pra você me esquecer assim? Deixar de me amar? — Ela perguntou, não sabendo se esse era o melhor momento para esse tipo de pergunta. O seu coração bateu tão forte que ela não entendeu esse sentimento tão doloroso em forma de despedida.
— Eu consigo te amar quando vou dormir e continuo te amando na mesma intensidade quando acordo. — Outro suspiro do outro lado e não foi preciso de nenhuma outra resposta para que ela notasse a tristeza em suas palavras. — Isso significa que vai ser fácil eu te esquecer? — questionou, sabendo que ela não iria responder. E que nada nesse momento era importante a não ser o fim definitivo daquela ligação. — Eu te amo, garota. — Ele confessou, agora sorrindo. — Se eu tivesse outra oportunidade na vida eu voltaria naquele apartamento e não desistiria de você em nenhum momento. Por muito tempo o que eu sempre desejei foi estar ao seu lado e hoje eu sinto que é o nosso momento de dizer adeus. — Ele fez uma pausa, não conseguindo encontrar forças para terminar a frase. — Hoje eu preciso tanto de você. Eu sinto tanto a sua falta que todas as noites eu tenho sonhado com a sua voz, o seu corpo junto ao meu e as vezes eu consigo até viver na ilusão que você está deitada na cama comigo. Cada segundo do dia parece tão sufocante com essa distância e essa mistura de sentimentos e sensações, tudo é tão estranho e eu não consigo deixar de te amar um só segundo do meu dia. — não conseguia acreditar em todas as coisas que estava falando e mesmo assim não deixou de continuar a falar tudo o que estava em seu peito. — Tudo o que eu preciso é que você seja novamente forte por nós dois e que do fundo do coração me perdoe por ter feito você sofrer e por não estar ao seu lado quando você precisou do meu apoio e do meu carinho. Essa culpa é algo que eu vou carregar durante toda a minha vida e um dia quando formos capazes de abandonar o nosso passado, talvez podemos pensar em um futuro, juntos.
— Eu te amo, . — Ela confessou, sabendo que nada mais era preciso ser dito, esse sentimento era verdadeiro e ela apenas teve a certeza que o assunto só teria um fim quando ela contasse a verdade sobre o filho. — Me perdoa por ser fraca e não conseguir te contar a verdade, . O que eu mais queria era ser capaz de tirar esse peso do meu coração de dividi-lo com você. — Tentou o assunto sabendo que esse não era o momento. — , isso realmente é uma despedida? — Ela perguntou segurando com força o celular contra o rosto.
O silêncio do outro lado foi a resposta para essa pergunta. Finalmente o Adeus.

, acabei de colocar um ponto final no meu passado e meu coração parece que nem consegue bater direito depois desse “adeus”. O choro, a dor e o desespero vem surgindo conforme eu digito essa mensagem e eu sinto que vou perder o controle do meu corpo a qualquer momento. Eu preciso de alguém ao meu lado. Não me deixa sozinho, por favor. - Mensagem enviada


Capítulo 13

Rolando os olhos pelo apartamento depois de retirar o celular do bolso e ler a mensagem, procurou um pouco de coragem para encarar a difícil situação de conversar com o amigo depois de semanas trancafiado dentro daquele quarto. não teve nenhum outro tipo de contato com o mundo a não ser somente o quarto e as vezes o sofá da sala nas madrugadas frias e vazias de Seul. Por diversas noites o escutou chorar tão fraco que o seu coração apertou em tristeza ao saber que ele estava sofrendo por algo tão doloroso que era capaz de soluçar dessa maneira. O choro de era intenso, tão doloroso que o coração de ficava em pedaços com a impotência de não saber nada do que estava acontecendo com ele.

Eu preciso do meu amigo. Preciso de você, . - Mensagem enviada

Estou indo, . - Mensagem enviada

entendia que seria uma conversa muito intensa e que a todo momento ele teria que estar preparado para amparar em qualquer situação e assunto, e ele não sabia se ele sozinho era capaz de segurar essa responsabilidade. Na realidade as vezes ele compreendia a aproximação de e . sempre foi mais próximo, companheiro e em todas as vezes que alguém precisava de um ombro amigo, conselho ou simplesmente desabafar ele era esse amigo, esse ombro e em tudo o que falava tinha sentimento, amor e preocupação. Chegar aos pés de , ou apenas se sentir pressionado daquela maneira por ser esse amigo no momento para , o deixava um pouco nervoso e tenso. Principalmente por não saber nada do que estava acontecendo para que ele ficasse daquela maneira.
A porta do quarto estava aberta e a escuridão do quarto causou um certo desconforto em que não soube nem por onde começar. Não sabia se entrava ou ficava parado ali esperando que surgisse, o convidando a entrar.
— Não se preocupe, não virei um zumbi e nem estou sujo. — Ele surgiu um pouco mais a frente. A luz do quarto acendeu nesse momento e deu um pulo para trás, com as mãos no coração. Por mais que sentisse um peso em seu coração ele não deixou de achar engraçado a maneira que o amigo assustou ao encontrá-lo de repente daquela maneira, parado. com certeza era o mais medroso daquele grupo.
— Cara, acho que preciso ir no banheiro depois desse susto. — começou a sentir o coração acelerar e ao contrário do que ele esperava em encontrar o amigo, estava pleno, tranquilo e com a pele tão brilhante que ele nem imaginou que tudo aquilo era possível. Julgando apenas por tantas lágrimas, noites em claro, falta de comida e a falta da luz do sol. O que tinha se tornado? — O quê? Você ainda toma banho? Como a sua pele está melhor que a minha? Por acaso você virou um vampiro?
— O fato é que eu sou mais bonito que você. — sorriu um pouco, enrolando a toalha no cabelo molhado e sentando na beirada da cama. Sofrer e estar deprimido, ok. Falta de higiene pessoal não era necessário em nenhuma situação. Muito menos deixar o quarto desarrumado. — Minha pele sempre foi melhor que a sua e meu corpo, você sabe, o tanto que o meu corpo é algo que não podemos colocar em pauta. Você me deseja o me deseja e o mundo também me deseja.
— O quê? — abaixou a cabeça, não acreditando que ele estava tão indiferente a todos os acontecimentos. Como ele podia chorar daquela maneira e no outro minuto ficar tão tranquilo assim? Isso era um jogo? Uma brincadeira? O que estava acontecendo?
— Precisamos conversar, . — Ele bateu levemente uma das mãos na cama, buscando a atenção necessária do amigo. Não era preciso ser inteligente ou então não reparar nos olhos preocupados dele e no nervosismo que emanava de ao entrar no quarto e notar que tudo parecia estar dentro dos limites estabelecidos para um quarto humanamente habitável. — Eu sei o tanto que você me viu chorar e a situação que eu fiquei todas essas semanas. — começou o assunto e entrou no quarto, fechando a porta atrás de si e indo para o lado dele na cama. — Você não sabe de nada do que aconteceu e eu preciso muito conversar com alguém. Não aguento mais ficar sofrendo, surtando e chorando sozinho desse jeito. Nada do que eu fizer ou sentir vai mudar esse sentimento, então eu preciso colocar tudo para fora de uma vez e buscar por ajuda antes que eu fique maluco, entre em colapso nervoso e faça alguma besteira.
, eu estou aqui. — preocupado segurou no ombro dele forte, mostrando que mesmo não sabendo de nada ele estaria ali para ajudá-lo no que fosse preciso. Ele não iria embora e não deixaria o quarto mesmo se pedisse aos berros que ele fosse embora. Não teria coragem de virar as costas nesse momento delicado e muito menos iria conseguir continuar convivendo com ele daquela maneira por muito tempo. Todo o grupo estava preocupado e não era somente com o comeback sendo adiado, também por causa da parte emocional sem saber o que estava acontecendo com o amigo. nunca foi de esconder os sentimentos e muito menos chorar e em todas essas semanas o que mais tinha feito era chorar, se isolar e não abrir espaço para ninguém. — Confia em mim, por favor. Tudo o que eu quero é ver você bem e não chorando daquela maneira. Não sabe o tanto que meu coração ficou pesado sabendo que você sofria e eu nem ao menos conseguia te consolar, cara, nós somos irmãos e se você sofrer eu vou sofrer junto.
— Eu te amo por isso, . Consigo imaginar o tanto que você ficou preocupado comigo e sem saber o que fazer, me desculpe por isso. — abaixou os olhos, tentando controlar a vontade de iniciar um choro. ao notar a tristeza nos olhos dele apertou ainda mais forte o seu ombro e ele voltou a olhar diretamente para dentro dos olhos do amigo. — Pra mim é muito difícil dizer em voz alta e também muito doloroso, eu só preciso que você não faça nenhuma pergunta. Apenas me escute e transforme esse carinho que sente por mim em forças. Preciso das suas forças para conseguir sair desse quarto e enfrentar a vida. Enfrentar esse problema e encarar de uma vez essa perda.
— Eu vou ser tudo o que você precisa, . — A determinação na voz dele foi tão intensa que sorriu. tentou não demonstrar a apreensão, o susto e o tanto que seu coração estava batendo desesperado imaginando o que estaria acontecendo para que ele falasse daquela maneira. — Fala comigo. Fala o que aconteceu e o que você anda sentindo. Por que chora dessa maneira? O que você perdeu? Quem você perdeu?
— Quando aconteceu a briga no hospital entre eu e o . — Ele fez uma pausa para reparar que desde de todos os acontecimentos, aquele tinha sido o único momento que realmente tinha pensado em e falado o nome dele de maneira tão despreocupada. — Depois da briga e todos os socos que eu levei no rosto, o médico que cuidou de mim na sala me disse algo… — Outra pausa, dessa vez um flash começou a passar pela cabeça de e lentamente o momento dentro da sala com o médico surgiu diante dos seus olhos. — , eu não sei como falar isso...
— O que ele te disse? — perguntou curioso.
— Ele me disse que todo o tratamento que a teve em Boston é bastante complicado e que por conta desses remédios e injeções o corpo entrou em colapso e ela ficou internada todos esses dias. — disse tão calmo e tranquilo achando que o assunto não levaria mais do que alguns minutos para ser completado. Ele achou que fosse ficar mais emotivo e com a voz falha, mas de algum lugar do seu corpo ele buscava o restante das suas forças e da sua concentração para não desabar em outra crise de choro. — Depois dele me falar desse tratamento eu fiquei me perguntando que tipo de tratamento era, o que de fato estava acontecendo e se ela tinha ficado doente e não queria que ninguém soubesse disso. É bem típico da esconder as coisas, principalmente em relação à saúde. — Ele fez uma pausa, respirando fundo e encarando suas mãos brancas que estavam começando a ficar frias. — Ela vem fazendo um tratamento há três anos e eu nunca soube disso, . Ela nunca me contou e também não foi capaz de me contar nada. — Outra respiração funda e segurou no ombro dele, puxando o amigo para perto do corpo. — Por que eles esconderam isso de mim? Eu tinha o direito de saber. O que eu sinto hoje é uma dor tão insuportável que eu não sei como vou conseguir superar e seguir em frente, não vejo opções, não enxergo soluções e tudo o que eu faço é me afundar nesse quarto e viver em uma ilusão que não existe. — Lágrimas começaram a escorrer por seu rosto e apertou ainda mais os dedos com força. Ele não queria falar nada e atrapalhar o momento de desabafo, mas as lágrimas que começaram a escorrer também por seus olhos demonstravam o tanto que estava triste por escutar todas aquelas revelações.
, eu estou com você…
. — Ele o chamou, agora levantando a cabeça e olhando dentro dos olhos do amigo. — Você pode me abraçar? Bem forte? — pediu com o corpo tremendo, sabendo que outra crise estava começando a surgir por todos os lados. Ele tentava controlar a ansiedade e a dor, mas tudo o que ele buscava era o abraço de uma pessoa que o entendesse e fosse capaz de abraçá-lo tão forte para que ele não sentisse que estava sozinho lutando contra esse luto. — Por favor, preciso de um amigo para dividir esse peso e essa dor que eu venho sentindo essas semanas. E não adianta eu tentar enfrentar tudo isso sozinho, cada vez mais eu me afundo nessa tristeza e eu preciso de ajuda. Preciso de você, preciso de alguém ao meu lado para tirar todos esses pensamentos da minha cabeça. — Ele buscou fôlego, esfregando as mãos uma na outra.
— Sempre, . Sempre! — o puxou pelo braço, envolvendo o corpo dele em um abraço apertado. Nesse momento ele não tinha outro sentimento ou sensação, tudo o que ele queria era de alguma maneira confortá-lo e aquele abraço era o gesto que demonstrava que estaria ali para protegê-lo de qualquer situação ou qualquer pensamento que pudesse prejudicar o seu bem estar. — Eu já disse e não canso de repetir, não vou sair do seu lado e não vou deixar você sozinho, . Tudo o que eu quero é que você confie em mim e me diga o que está acontecendo com você, abra o seu coração e não tenha medo das palavras. Coloque para fora de uma vez por todas o que está escondendo todas essas semanas. — Agora ele alisou as costas dele e afundou o rosto contra o peito de , iniciando um choro longo, triste e carregado de sentimentos. — Chore o que você tem que chorar, sofra o que você tiver que sofrer e se livre de uma vez por todas desses sentimentos que só servem como um gatilho. Livre-se desse fundo de poço e me deixe te puxar para cima.
… — A voz falha de contra o peito do amigo saiu tão baixa que fez silêncio, sabendo que ele estava prestes a contar algo. O som agudo e o tremor por todo o corpo dele fez começar a sentir-se preocupado com o que estava prestes a ficar sabendo.
— Oi…
— Eu perdi um filho… — afundou as unhas contra o braço de , acompanhado por um desespero por toda a parte do seu corpo. — Três anos atrás ela foi embora para Boston e descobriu que estava grávida. — Como um soco ele sentiu toda parte do seu corpo arder em dor e tudo o que conseguia era apenas terminar toda aquela conversa. Essa dor. Essa tristeza estava sendo o seu fim. — Ela perdeu a criança com 12 semanas de gestação. — O choro descompensado e todos os outros espasmos foram atingindo a cada minuto e ele apenas lutou contra o desespero e a falta de ar que começou a atrapalhar sua respiração. — Meu filho, . Meu filho! — O coração parecia bater em um ritmo tão lento que tudo em sua volta começou a ficar em câmera lenta, o som e o cheiro foi ficando cada vez mais longe e quando fechou os olhos viu a imagem de chorando na sala do apartamento dela. — Eu só consigo ter uma pequena parcela do sofrimento que a sentiu todos esses anos com essa perda. Como será que foi pra ela? A última recordação que eu tenho de nós dois como um casal sou eu pedindo para que ela saísse da minha vida. , eu não tive coragem de contar para a minha namorada que eu tinha assinado um contrato milionário e que a única coisa que estava faltando era eu me livrar daquele relacionamento.
, … — tentou absorver todas as informações enquanto sua cabeça dava um giro por todo aquele quarto.
Filho.
Filho.
Como perdeu um filho?
— Não tive coragem de assumi-la para o mundo. Me impor que eu só aceitaria assinar se eu tivesse a liberdade para amar e viver um relacionamento com a mulher que sempre fez o meu coração bater de maneira desigual. — Um suspiro e um choque foi capaz de atingi-lo tão profundamente que perdeu a noção de que estava delirando novamente. — Eu a amo. Com todas as minhas forças e eu fingi esse tempo todo que eu estava bem. Esse tempo todo eu escondi e me obriguei a aceitar essa decisão. Como eu fui capaz de fazer isso com ela? O que teria acontecido se estivéssemos juntos? Uma criança, . Meu filho. E eu simplesmente assinei e não lutei e nem dei importância quando meu coração se despedaçou em todas aquelas linhas.
, eu não consigo pensar em nada no momento. — gaguejou, agora o empurrando um pouco para longe do seu corpo e segurando os ombros de com ambas as mãos. — Por que você não me disse isso antes? , eu não consigo nem falar o que passa pela minha cabeça. — Ele tentava buscar em algum lugar do seu consciente palavras de ajuda. Palavras sensatas e frases que não demonstrassem o tanto que estava em choque. — Meu Deus! E o sabia de tudo isso? Você não pode me falar que o sabia desse segredo o tempo todo e escondeu de você e de todo mundo. , o não pode ter feito isso!
— Ele sempre soube de tudo. — O desprezo percorreu por sua garganta e engoliu um seco, tentando recuperar a lucidez do momento. Pensar em , justamente em naquele momento era transformar toda a sua dor em ódio.
Mágoa.
Decepção.
— Você só pode estar brincando com isso. — soltou uma risada nervosa, passando a mão no cabelo e depois no rosto. — Não é sério. Claro que não é. — A risada foi ficando mais longa e cada segundo mais agitado. — , não pode ser. Claro que não pode ser, como o pôde ser capaz de esconder algo tão grave? Por favor, não vamos misturar os acontecimentos.
. — chamou a atenção do amigo olhando diretamente para os olhos dele. O impacto daquele segredo talvez fosse o estopim para que outra pessoa do grupo ficasse magoado com e por mais que desejasse que sumisse no mundo, ele sabia que não era certo fazer que outra amizade fosse destruída por segredos do passado. Ninguém mais podia ser destruído com esses segredos entre ele, e . — É difícil pra mim no momento conseguir lidar com todos esses sentimentos. O que eu lhe peço é que não julgue o . Precisamos de uma pessoa sensata e que veja todos os lados, não sinta pena de mim e nem ódio do . Nem eu e nem ele merecemos isso. — disse de maneira tranquila, sabendo que não iria ser capaz de destruir outra amizade. não podia só enxergar um lado. Talvez, em algum momento o tivesse tido razões para ter escondido tudo isso durante anos. Em algum momento ele sabia que era errado tudo isso. — Ele sabe que cometeu um erro e eu fui capaz de escutar muitas coisas naquele hospital. E tudo o que eu quero é que você não seja sugado por esse triângulo. O assunto agora é entre eu e o , não existe e nunca mais vai existir a na minha vida. — Ele fez uma pausa, rindo e chorando ao mesmo tempo. — Sabe o quanto me dói falar isso? Sabe o tanto que doeu quando eu liguei pra ela mais cedo colocando um ponto final nesse sentimento? , novamente eu coloquei um ponto final nessa relação e nesse amor. — A tristeza em sua voz era tão amarga que o amigo voltou a segurar em uma das mãos dele. soltou um outro sorriso, agora olhando para cima. — Como podemos ficar juntos depois de todos esses segredos? Como um sentimento consegue sobreviver à tudo isso? As vezes lutamos por algo que sabemos que chegou ao fim. E tudo o que você precisa dizer é “Adeus”. O meu amor por ela é tão doloroso que eu não consigo me imaginar vivendo sem ela. Não sei se sou capaz de viver sem essa dor. Tudo o que eu me apeguei durante esses anos foi nessa dor de ter desistido da única certeza que eu tinha na minha vida. Ela, ela sempre foi a garota dos meus sonhos.

Sarangiran apeugo apeun geot yeah
[O amor é tão doloroso]
Ibyeoriran apeugo deo apeun geot gatae
[Despedidas são ainda mais dolorosas]
Niga eopseumyeon nan andoel geot gata
[Eu não consigo viver, se você não está aqui]


Ele cantou um refrão da música que escreveu para ela e sem ao menos pensar em mais nada fechou os olhos, deixando que os braços do amigo o puxassem novamente para outro abraço.

20:00 - Dwyane's luxury
buscou as chaves do carro que estava em cima da mesa no centro da sala e antes de sair verificou se ainda dormia profundamente. As luzes estavam apagadas e sem ao menos se dar conta, notou que já era de noite e que tinha passado a tarde toda dentro daquele quarto com ele. Parado na porta do quarto ele suspirou algumas vezes, não conseguindo controlar as emoções nem o sentimento que começou a surgir por cada parte do seu corpo. Ele queria que tivesse uma solução para que não sofresse daquela maneira. Algo que pudesse ser feito para que não se sentisse culpado.
Nada.
Nada do que ele havia dito naquela tarde foi de grande ajuda, não deixou de transparecer que estava bastante chocado e chateado ao mesmo tempo com essas revelações e em sua cabeça tentava lutar contra os pensamentos que o único culpado tinha sido .
— Por que você fez tudo isso, ? — Ele questionou baixinho, forçando as mãos contra a chave do carro. — Amizades não são construídas e vividas com mentiras, você não podia ter me decepcionado dessa maneira e ter deixado o seu amigo sofrer assim. O que você acha que vai acontecer com o agora depois de saber isso? Como ele vai ser capaz de conviver com essa dor e essa culpa? O que vai acontecer com todos nós? — Ele deixou algumas lágrimas escorrerem de seus olhos e o seu coração apertou em angústia imaginando quais os motivos que levaria a esconder sobre esse filho. — Era para você, . É você que ele tanto procurou durante essas semanas e tudo o que encontrou foi o silêncio e o vazio, eu não sou você e nunca vou conseguir ser um substituto a altura. A raiva agora começou a surgir atrás de todas aquelas lágrimas e ele sabia que no fundo não iria cumprir a promessa de que deixaria em paz, ele não iria conviver com sabendo de toda a verdade e ele não aceitaria ficar sem todas essas respostas. Olhou de relance para que ainda estava dormindo e nas pontas dos pés caminhou pela escada sem fazer nenhum barulho para que o amigo não despertasse.
, eu estou indo para casa! — Ele disse tão rapidamente que quase não foi possível compreender nenhuma palavra. — Cinco minutos, todo mundo reunido!
, o que aconteceu? — suspeitou de algo, olhando para que estava sentado em um dos sofás com um violão nas mãos. — O que aconteceu com o ?
— Cinco minutos e eu estou em casa! — apertou o botão do painel do elevador e em seguida desligou o celular, não dando chances para que falasse mais nada. — eu só preciso de respostas e de verdades, não posso dormir sabendo que você é esse monstro! — Ele agora bateu com uma das mãos na parede querendo livrar-se de uma vez de todos aqueles pensamentos que estavam deixando sua cabeça atormentada. — Quantas noites você sabe que ele chorou? O que é pra ele perder um filho e saber que o melhor amigo escondeu tudo? Por que você fez tudo isso, ? — Em voz alta ele questionou tudo o que não conseguia compreender. Buscou momentos, situações e tentou focar sua atenção naquele. Ele não podia perder o controle e muito menos agir com o coração, tinha que ter a chance de defesa. — Eu não posso escolher um lado, não posso te julgar e não posso deixar que o fique dessa maneira. — Ele soltou um longo suspiro, encarando a porta do elevador abrir bem diante do seu rosto. — Por favor, não se torne aquilo que eu tanto desprezo em um amigo! — suplicou, abaixando a cabeça sabendo que estava indo para casa colocar um ponto final em todas essas mentiras.

20:30 - Hannam The Hill
estava em pé encostado no balcão da cozinha, sentado no sofá ainda com o violão no colo. ao seu lado mexia no celular e estava parado encostado do lado da janela olhando para a fora, não conseguindo focar sua atenção em outro lugar. Brigas, discussões e provocações sempre surgiam no café da manhã e o dia parecia nunca ter fim quando eram obrigados a conversar sobre projetos futuros e a relação estremecida do grupo com o próximo comeback. Tudo parecia começar a desmoronar e aquela ligação de causou certo desconforto e uma preocupação ao grupo por não entender o que estava acontecendo com do outro lado de Seul.
— O que o quer? Aconteceu alguma coisa? — perguntou preocupado, notando o clima tenso na sala. — Ele não disse nada. — apreensivo encarou ainda do outro lado da sala e percebeu que algo estava para acontecer.
— Não deve ser nada grave. sempre foi estranho, não é novidade!
— Novidade seria se as pessoas começassem a conversar como adultos. — disparou firme, agora também olhando para . O celular em suas mãos foi deixado de lado e agora ele girou o corpo para observa-lo. — O que você acha que seja, ?
— Não sei. — Ele disse seco.
— Não? — soltou uma risada falsa e longa. — Ok. Nós vamos continuar fingindo que não está acontecendo nada? É isso?
— Por que não esperamos o chegar? — cortou o assunto, sabendo que aquela não seria a primeira e nem a última discussão da semana. O clima daquela casa nas últimas semanas estava tão pesado que ele nem ao menos conseguia deixar de ficar desesperado ao pensar no que iria acontecer com o grupo se as coisas não voltassem ao normal.
— Ele chegou! — anunciou, escutando o click da porta abrindo. — Finalmente, fiquei aflito e…
— Começa a falar! — ignorou todos e andou em direção a . , assustado, colocou-se de pé e teve a mesma reação ao ver a maneira transtornada que havia entrado. — Fala, . Fala!
… — , assustado, deu alguns passos para o lado, notando o quanto o amigo estava nervoso. passou as mãos pelo cabelo e começou a rir tão alto que todos em sua volta agora ficaram assustados também com aquele comportamento. — O que foi? O que eu tenho que falar? — Ele questionou, ficando nervoso com a proximidade cada vez maior do amigo. — Não é...
— Ah! Me poupe! — esbravejou, jogando a chaves no chão e apontando o dedo para ele. — Não imagina mesmo o que você tem para falar? Não imagina o que eu sei? Não imagina o que aconteceu hoje a tarde?
— O que aconteceu, ? Cadê o ? — , preocupado, correu para o lado dele, segurando em seu ombro. — Ele ta bem? , onde o está? — Ele perguntou novamente, alterando um pouco a voz em preocupação.
, o que aconteceu? — Foi a vez de questionar ao imaginar a tensão e nervosismo na voz de . Os olhos dele estavam fixos no rosto de e nenhum momento desviou a sua atenção do rosto dele.
— QUE DROGA! — gritou, atirando todas as almofadas no chão. — CANSEI DESSA DROGA TODA! — Ele andou até e , posicionando entre eles. — CHEGA! CHEGA DE TUDO ISSO QUE VOCÊS ESTÃO CAUSANDO COM ESSE GRUPO, COM ESSA AMIZADE E COM O NOSSO FUTURO! — não conseguia mais conter essa frustração em saber que tudo estava indo por água abaixo com toda aquela discussão. Anos de carreira, anos de amizade e situações tão desnecessárias que ele não aguentava mais morar sob o mesmo teto que o restante do grupo. — VAMOS SER ADULTOS!
— Eu concordo! — balançou a cabeça, pela primeira vez se posicionando sobre o assunto. — Não aguento mais conviver em uma casa onde sabemos que alguma coisa de errado vem acontecendo. É frustrante não saber o que realmente aconteceu. Não tem como fingir que tudo está bem, quando na realidade nós temos o trancado em um quarto durante semanas. — Ele fez uma pausa, agora olhando para o rosto de . — E temos você dentro dessa casa vegetando e não conversando com ninguém. Nós precisamos saber o que vem acontecendo com vocês dois! — A súplica em sua voz era tão nítida e verdadeira que abaixou os olhos, não conseguindo mais encarar o grupo que agora ficou em silêncio, esperando por respostas.
, nós somos todos amigos! — falou calmo, mostrando que o momento era exatamente o que todo mundo tanto esperou durante essas semanas. — Por favor, precisamos que você se abra e conte o que aconteceu entre você e o .
— Amigos? — soltou uma gargalhada, colocando as mãos na cintura. — Amigos? — Outra gargalhada um pouco mais alto e agora ele voltou a caminhar em direção ao amigo. — Amigos não escondem segredos. — fechou uma das mãos em raiva, deixando escorrer pelos olhos a dor que estava segurando esse tempo todo. Ele sentiu as lágrimas escorrendo, não sendo capaz de controlá-las. — Amigos não contam mentiras. — Ele fez uma pausa, sustentando o olhar de que agora pareceu entender do que estava falando. — Amigos não são capazes de escolher um amor ao invés de uma amizade. Amigos não são como o
, não! — o empurrou com uma das mãos, tomando distância. — Não, não fala isso. Você não sabe o que está acontecendo…
— FALA, ! FALA! — gritou abrindo os braços em desespero. — FALA DE UMA VEZ POR TODAS O QUE VOCÊ ESCONDEU DE TODO MUNDO! — O aperto em seu peito foi tão forte que ele fechou os olhos, não querendo ser capaz de ver o rosto dele. — Por que você fez isso? Por que você mentiu? Ele merecia saber a verdade.
— O que ele fez? — curioso segurou pelo braço, puxando-o para longe de . — Do que você está falando? O que aconteceu, ? — Ele lançou um olhar surpreso para , que simplesmente desviou o olhar voltando sua atenção para a janela. — , você não pode fugir a sua vida inteira!
— Além de amar a mulher do seu amigo, o que mais você esconde? — foi direto agora, cruzando os braços na frente do peito. O segredo de ainda amar na realidade nunca tinha sido segredo para ninguém.
— Não posso falar…
— Não pode? NÃO pode? — furou as mãos de , partindo para cima de e o segurando pela gola da camisa. Todos os outros ficaram em pés atentos, correndo em direção a que parecia ter perdido a calma. — COMO UM AMIGO! COMO VOCÊ FOI CAPAZ DE ESCONDER TODOS ESSES ANOS QUE O
— CALA A BOCA! CALA A BOCA! — desesperado agarrou também a camisa de , tremendo de medo que ele pudesse realmente estar sabendo de toda a verdade. — NÃO, . NÃO!
— NÃO? VOCÊ AINDA TEM CAPAZ DE FALAR NÃO? — fechou uma das mãos com raiva. — ELE É SEU AMIGO, . O SEMPRE FOI O SEU AMIGO.
— A gente entra no meio? — perguntou para que estava bem ao seu lado.
— Não mesmo! — respondeu ainda de braços cruzados, assistindo a cena desenvolver na sua frente. — Quando ainda estão gritando, logo a verdade aparece e eu quero muito saber o que deixou o nesse estado. Alguma coisa muito importante. — Ele completou baixinho, tentando não desviar a atenção do grupo. — Apenas vamos observar em silêncio. Ninguém vai morrer se levar um soco!
— Cala a boca vocês dois! — resmungou junto com enquanto seguravam a camisa de . — , fique calmo! — tremia em raiva e ainda continuava com os olhos cheios de lágrimas, a dor e o desprezo ao olhar para deixou ambos com o coração acelerado, não sabendo o que estava realmente acontecendo. — Não vamos conversar se vocês dois não pararem com isso.
— Não existe conversa, . — cortou o amigo, agora pressionando ainda mais os dedos contra a camisa de . — O que vocês querem é ficar do lado do . Então por que eu tenho que perder meu tempo falando alguma coisa? Só existe um lado da história e qualquer outra coisa que eu fale não vai adiantar em nada. — Agora ele sorriu nervoso, sabendo que não iria adiantar em nada. — É isso, ? Você também vai ficar do lado dele e não me escutar?
— Eu estou aqui pronto para enfiar a mão na sua cara por ser um babaca! — Ainda com o corpo ardendo em raiva, continuou com uma das mãos fechadas, controlando a vontade de devolver em o soco que ele tinha dado em há semanas no hospital. — Eu só preciso te devolver a mesma dor que ele está sentindo nesse momento. A dor que vocês dois causaram nele e agora estão procurando justificativas para que as pessoas entendam que tiveram motivos! — Ele disparou agora, sabendo que não iria conseguir segurar aquele soco por mais tempo. sentia a dor subindo em suas pernas e em sua garganta uma bola começou a se formar com as palavras engasgadas. — Fala, .
— Não, . Não!
— Como você consegue dormir a noite sabendo que ele está jogado no canto daquele apartamento chorando? — chorou tão profundo e triste que os outros ao seu lado sentiram a intensidade daquelas palavras. tentava não contar para os outros na esperança que criasse ao menos coragem para enfrentar de uma vez por todas essas mentiras. — Sabe o que eu precisei fazer para que ele dormisse? Tive que misturar um calmante no suco dele. — Ele fez uma pausa, buscando forças para continuar falando. — Ele entrou em várias crises e eu me senti tão desesperado sem saber o que fazer. — O choro que agora não conseguiu esconder por muito tempo saiu por sua garganta e abaixou a cabeça, não conseguindo esconder também às lágrimas. — Isso destruiu o . E eu não sei mais o que fazer e nem sei o que nós vamos fazer com tudo isso. — As mãos se afrouxaram da gola da camisa de e lentamente sentiu o corpo ficar pesado. — O que vocês dois fizeram não tem nome e eu não consigo entender porque você foi capaz de tudo isso, . A minha tristeza é saber que justo você escondeu dele esse tempo todo.
eu não posso falar a verdade. Não é minha história e eu não posso simplesmente…
— Você deve falar sempre a verdade. — cortou o assunto, olhando preocupado para . — Não sei o que aconteceu e agora ninguém vai sair dessa casa se isso não for colocado em pratos limpos. Não temos mais capacidade de sermos um grupo se primeiro não formos amigos.
— Por que você defende tanto ela? — , não aguentando o silêncio, perguntou, sabendo que tudo aquilo ainda girava em torno de . — , o que vocês dois escondem? Um relacionamento?
— Não escondemos nada! — disparou, sentindo a respiração ficar mais pesada e as mãos de voltarem a se fechar em volta da gola da sua camisa. — Ela sempre foi minha amiga e o também, o que vocês não entendem é que aconteceram coisas ao longo desses anos e tudo começou a virar uma bola de neve. — Ele pausou por um momento, sabendo que sua cabeça estava tão confusa. — Como vocês podem me julgar sem antes saber o que aconteceu? O que o sente é uma dor que eu também senti e também estou sentindo. É difícil pra ele tudo isso e eu sei que estraguei tudo!
— Você acabou com tudo, . — soltou um suspiro. — Não sei que tipo de monstro você se transformou, na realidade eu nem consigo imaginar os motivos que te levaram a mentir sobre isso. — Agora com as mãos fechadas novamente ele empurrou para a parede. — O que eu devia fazer é enfiar a mão na sua cara e devolver pelo menos isso que você causou no . Essa dor eu posso conseguir devolver, mas a dor da perda é algo que ele vai ter que aprender a conviver todos os dias. — arregalou os olhos, finalmente tendo a certeza do que estava falando. — Ficou assustado? Pois é! Eu sei de tudo e chegou a hora de você começar a falar.
— Não vou falar nada. Não sou obrigado a falar nada com vocês. — Ele empurrou novamente para longe e o ódio nos olhos de fez com que ele voltasse a segurar a camisa de com mais raiva. — Me solta, ! ME SOLTA! VOCÊ NÃO PODE FALAR ISSO PRA NINGUÉM. — exaltado começou a gritar ficando cada vez mais agitado. — NÃO, NÃO PODE. — Ele ergueu uma das sobrancelhas, temendo que fosse capaz de falar sobre o filho de .
— O QUE VOCÊ NÃO QUER QUE EU FALE? — devolveu o olhar e nesse momento todos voltaram a ficar em volta dos dois.
— NÃO, ! — implorou.
— VOCÊ NÃO QUER QUE EU FALE QUE EM TODOS ESSES ANOS VOCÊ ESCONDEU QUE O PERDEU UM FILHO? — jogou aos gritos a verdade que ecoou por todos os lados da casa. caiu sentado no sofá sem reação e o acompanhou sentando no sofá ao lado, não conseguindo expressar nenhuma reação.
— O QUÊ? — sentiu as pernas ficarem bambas e apoiou em por alguns segundos. — O que você disse, ? O quê? Filho?
— Meu Deus! — colocou as mãos na cabeça, não conseguindo pensar em mais nada no momento. O choque em seu rosto era tão nítido que ele precisou focar sua visão para o outro lado da sala para não cair. — Meu Deus! Meu Deus!
— Cala a boca. — implorou novamente, agora com a voz fraca soltando o peso do corpo em cima de . — Cala a boca. Cala a boca. Por favor, cala a boca. — O peso em suas pernas começaram a ficar tão insuportáveis que ele foi escorregando aos poucos para o chão. — Eu mereço que você me bata. — Ele pediu agora não conseguindo reagir. — Tudo o que e fiz durante esses anos foi me esconder com medo de quando tudo isso fosse revelado. Eu implorei que ela contasse a verdade pra ele, noites, dias, anos e semanas. Eu supliquei que ela tirasse esse fardo das minhas costas e hoje eu vejo que não fiz o meu melhor e que o nunca vai me perdoar e agora nem vocês. — O olhar dele passou por entre todos os amigos que agora estavam em choque com aquela revelação. — Por favor, antes de me julgarem eu só peço que escutem o meu lado. Não estou livre de toda a culpa, apenas preciso que alguém me escute. Não quero compreensão, não preciso que ninguém fique do meu lado. Eu apenas preciso desabafar e tirar daqui de dentro o que eu carrego em todos esses anos. — De joelhos no chão ele implorou que os amigos o escutassem e dessem uma chance para que ele contasse tudo o que estava acontecendo. — A perdeu uma criança, filho do , há três anos e esse segredo é algo que eu carreguei durante esse tempo todo… — Ele pausou, limpando a garganta e os olhos com as costas das mãos. Tudo em sua volta começou a girar e seu coração acelerado não conseguia mais esconder que estava cansado de esconder essa mentira. — Ele nunca soube da morte do filho e eu sou um lixo que nunca tive coragem de contar para ele. Nunca fui homem o suficiente para enfrentar essa situação, sempre tive medo de como ele iria reagir e esse meu medo acabou destruindo a nossa amizade. Agora não restou nada. — A dor em seu peito era a certeza de que finalmente estava falando a verdade que tanto escondeu durante esse tempo. — A grande verdade é que eu destruí minha amizade com o porque sempre tive esperanças que ela pudesse me amar da mesma maneira que sempre amou ele. — O choro alto saltou por sua garganta e agora ele fechou os olhos, não sabendo mais o que fazer com todos aqueles sentimentos. — Eu vivi iludido que um dia pudesse ser amado e eu só tive olhos para esse sentimento, nada do que eu fiz justifica a dor que ele está sentindo nesse momento. E tudo o que eu queria era correr para o apartamento dele e dizer o quanto eu sinto muito por ter sido um babaca. — buscou por fôlego e sentiu seu corpo estremecer cada minuto mais que falava com os amigos sobre o passado. — Tudo o que eu queria nesse momento é abraçar o e dizer que eu sinto muito. Que meu coração também está em pedaços por não compartilhar com ele esse luto. — A frase saiu tão suave e melancólica que todos ficaram em silêncio, não conseguindo sair do estado de choque.
— Eu estou aqui com você, . — caiu de joelhos envolvendo o amigo com os braços. — Eu sempre vou estar com você e com o . — Ele não desejou mais nada nesse momento a não ser abraçá-lo da mesma maneira que tinha feito com . O abraço era a única demonstração de carinho e compreensão que ele conseguia transmitir no momento. E tudo de repente ficou em silêncio e ao longe só escutou o choro desesperado de ao desabar nos braços do amigo.


Capítulo 14

Perdoar não significa
concordar com o ato errado;
Perdoar significa ser
livre de um peso que você
não fez nada para merecer.


O seu coração bateu tão rápido que não imaginou que fosse aguentar a pressão que sua cabeça estava começando a fazer com todos os amigos ali presentes em silêncio, esperando que ele começasse a falar a verdade e contar de uma vez por todas o que realmente aconteceu para que tudo tivesse chegado a esse ponto. Saber dessa maneira por, , que finalmente estava sabendo sobre o filho trouxe um choque por toda parte do seu corpo e a confusão em sua cabeça parecia não conseguir achar uma maneira de explicar para todos o que de fato aconteceu em todos esses anos. Todas as mentiras, todas as viagens e principalmente os motivos que levaram ele a manter o silêncio.
— Eu nunca quis me envolver dessa maneira e nunca quis ser parte desse triangulo, tudo fugiu do controle e tudo o que eu quero é tirar toda essa confusão da minha cabeça. Não aguento mais viver todos esses anos segurando essa… — Ele interrompeu, agora forçando as mãos no abraço apertado de . — Essa pressão que é guardar um segredo, ser amigo, irmão, confidente e também nutrir esperanças e sentimentos por alguém que nunca vai sentir o mesmo. Esconder a morte de um filho do seu melhor amigo e ainda assim ser integrante de um grupo, ter essas responsabilidades todos os dias em sua vida.
— O que nós podemos fazer no momento é apenas te escutar, . Só que pra isso precisamos que você pare de ficar mentindo, o que precisamos são de verdades e que você conte tudo o que aconteceu pra situação chegar a esse ponto. — passou as mãos nas costas dele, buscando confortá-lo de alguma maneira. — Acredito que é complicado e você deve pensar que está traindo a confiança da , mas é um assunto que não envolve só você, ela ou o . Envolve o nosso grupo, nossa carreira, nossa amizade e eu não quero que tudo isso seja arrastado no meio dessas questões pessoais, por favor. — Ele implorou, sabendo que naquele momento nada mais era importante a não ser a verdade sendo exposta por . Entender o lado de era fácil e simples, mas compreender os motivos que levaram a esconder era outra totalmente oposta. — Eu te amo tanto, cara. Meu coração ficou tão pequeno e apertado imaginando o que você foi capaz de fazer com o . Eu preciso tirar isso do coração pra conseguir olhar dentro dos seus olhos e ainda te amar como meu amigo e irmão. Você não imagina como minha cabeça está confusa e cheia de conflitos, eu não sei mais o que fazer e tudo ficou tão no limite. Todo mundo anda no limite e com medo, medo de vocês dois nesse impasse, medo de acontecer alguma coisa mais grave e ainda medo do grupo chegar ao fim depois de tantos anos de luta e trabalho.
— Não quero ser a pessoa que vai julgar um amigo sem ao menos dar a chance de escutar a verdade. — , de cabeça baixa, disse tão levemente e no mesmo momento olhou para , que ainda estava no chão abraçado com . — Vamos sentar e conversar como adultos. Eu e todo mundo aqui nessa sala te ama muito e não queremos ver você assim, muito menos o . — soube nesse momento que ele não falava sozinho, mas a maioria dos outros ali presentes também concordaram em colocar um ponto final em toda aquela situação. Hoje, não qualquer dia. Tudo tinha que ser resolvido essa noite.
— Eu também amo vocês e amo o . Apesar de estarmos nesse impasse eu nunca deixei de amar aquele garoto como um irmão. O que me machuca é exatamente eu não ter enxergado esse amor antes de ter acontecido tudo. Como eu deixei tudo isso acontecer? Não tem explicação a sequência dos acontecimentos, o que eu preciso é que o me perdoe e eu sei que isso nunca vai acontecer. — O choro em sua garganta saiu tão fraco e pesaroso que a sala ficou em silêncio apenas escutando a maneira que a respiração dele estava acelerada. — É tarde, tarde demais para eu voltar no tempo e impedir todas as decisões erradas.
— Vem, ! — puxou o amigo por uma das mãos e caminhou com ele até o sofá. — Nunca é tarde para começar fazendo o certo, basta você estar disposto a isso.
— Vocês não entendem. O que o disse é verdade, amigos não mentem, amigos não escondem segredos e eu sou um monstro por ainda conseguir olhar no rosto de vocês e pedir para que me escutem. Só que eu preciso contar e tirar isso de dentro do meu peito. Carreguei durante anos esse sentimento e não me levou a lugar nenhum, apenas numa ilusão patética e uma fantasia que nunca existiu e que nunca vai existir. — Ele começou a falar, agora olhando diretamente para os olhos de . — Por que eu fui iludido dessa maneira? Ficou tão claro em Busan. Eu enxerguei e mesmo assim fiquei na esperança que fosse apenas uma coisa passageira. — interrompeu os pensamentos, agora começando a ver a realidade bem diante dos seus olhos.
— O que aconteceu em Busan? — finalmente perguntou, querendo saber se era verdade a teoria que tinha roubado a namorada do amigo. — O realmente sabia dos seus sentimentos e mesmo assim ficou com ela? Por que você e a nunca tentaram algo?
— É o que todos acham e julgamos. — cruzou as pernas, apoiando o queixo com uma das mãos. — Na realidade é o que julgamos ser de onde veio toda essa confusão. roubou a sua garota e no fim você apenas não conseguiu aceitar e isso foi virando uma bola de neve. — Ele olhou para , que começou a balançar a cabeça. — Então conte a verdade. — pediu.
— Eu sempre fui apaixonado por ela e o soube disso na noite que saímos para beber naquele karaokê e ele finalmente conheceu a “amiga” de quem tanto falei durante semanas. — Ele limpou a voz e de cabeça baixa começou a contar como tudo aconteceu naquela noite de inverno em Busan. — Como eu não iria me apaixonar por aquela garota? Meiga, atenciosa, carinhosa, linda e tinha o melhor sorriso de todo o mundo. Quando eu olhava pra ela sentia como se meu coração fosse saltar por minha garganta e nada no mundo tinha importância a não ser aquele sorriso que transformava o meu dia em explosões de alegria e felicidade. — Agora ele sorriu, abrindo e fechando as mãos em nervosismo. Em sua mente a lembrança daquela noite pareceu tão viva que se fechasse os olhos ainda conseguia sentir o cheiro do perfume dela por todo o ambiente. — O meu coração era tão apegado ao dela que durante o dia quando eu estava compondo tudo o que eu imaginava era o que estava fazendo, pensando, sentindo e no fundo o que eu queria era pegar o telefone e passar horas conversando com ela. E eu me controlava durante todas as semanas porque eu sabia que todos os sábados a gente ia se encontrar em algum lugar daquela cidade. E eu também tinha todas as noites a presença dela comigo por mensagens de textos, áudios, gifs e tudo era tão importante e único. — O espaço entre um desabafo e outro conseguia trazer a tona lembranças que ele não imaginava que ainda guardava em seu consciente. Todas as sensações, sentimentos que pela primeira vez estava tendo coragem de colocar para fora do seu peito. — Em um desses finais de semana eu encontrei o e o apresentei para , talvez o dia que eu considero o maior erro da minha vida. — novamente fez uma pausa, recebendo os olhares curiosos dos amigos que estavam sentados, todos em volta dele atentos com aquela história. O olhar de estava baixo e ele sentiu suas pernas ficarem trêmulas. Falar sobre o primeiro contato de com ela era tão difícil que ele tentou não apenas odiar o amigo, mas enxergar o que de fato aconteceu naquela noite. — Só que nem tudo pode ser considerado um erro. Hoje eu entendo isso quando começo a pensar na maneira que ambos se olharam naquele restaurante. A maneira que ela sorriu ao vê-lo foi diferente de todos os sorrisos que eu já tinha recebido ao longo dos dois anos que eu a conhecia. Ela nunca foi capaz de me ver com aqueles olhos e naquela noite além de sorrir, os olhos dela também brilharam ao vê-lo parado do meu lado. Não era outra pessoa, era o e eu senti isso quando olhei para o rosto dele e tinha a mesma expressão que também estava no dela. Foi tudo tão espontâneo e tão intenso que eu precisei me afastar por alguns segundos, em choque por saber que nada mais parecia ocorrer da maneira que eu estava planejando, algo tinha acontecido e eu tinha sido o grande culpado por esse encontro. A minha única esperança era que não fosse capaz de levar isso adiante, afinal, ele sabia o quanto eu era apaixonado por aquela garota.
… — colocou uma das mãos no ombro dele, sentindo o peso de todas aquelas palavras sendo jogadas daquela maneira. A dor, a profundidade e a maneira que ele chorava fez o seu coração acelerar em saber o tanto que ele gostava dela. E por mais que sua cabeça estivesse em conflito por questões de grupo, amizades, segredos e todo o restante que estava no pacote, ele não conseguia deixar de sentir que também estava sofrendo com toda aquela situação. — Você não precisa falar a respeito dos seus sentimentos, nós entendemos o tanto que foi complicado pra você todo esse tempo. As vezes, vocês se esquecem que somos um grupo e temos uma amizade tão energizada que conseguimos sentir quando um ou outro está passando por uma situação difícil. E eu quero só que você saiba que nós estamos com você em todos os momentos, e que nada do que tenha acontecido há anos vai mudar o que sentimos por você, . Nada, nada vai abalar nossa amizade e eu acredito que o , por mais que esteja machucado dentro dele, ainda queima uma chama e a saudades de tê-lo por perto. — acariciou o ombro do amigo, conseguindo em palavras soltar o que estava sentindo e talvez tenha sido um recado em nome de todos que estavam naquela sala e também de , que dormia profundo em seu apartamento. — O que não conseguimos entender é como você escondeu algo tão grave, entende? Não é simplesmente esconder uma caixa de doce dentro de um guarda-roupa. É esconder durante anos um filho do melhor amigo.
— Ele tinha que entender que você era apaixonado por ela e você não conseguiu entender que ele tinha perdido um filho? — abriu a boca, nesse momento olhando para . Sua expressão era séria e ao mesmo tempo tão serena que ele não parecia estar acreditando ainda que uma mentira daquela proporção tenha sido escondida dessa maneira. — Desculpa, não consigo aceitar uma coisa assim. É algo que eu preciso escutar do começo e entender os motivos que levaram o a esconder do um filho, não consigo imaginar ele me falando que esse motivo era porque estava apaixonado por ela. Se for isso, eu vou me levantar desse sofá e sair por aquela porta e nunca mais quero olhar na cara dele. — ameaçou, apontando o dedo agora para a porta de entrada da casa. Ele não conseguia esconder a indignação e muito emocionar-se com toda aquela história de amor, paixão e esquecer o tamanho que era a mentira de esconder uma morte de um filho. Sua cabeça por mais que estivesse aberta para ouvir o lado da história de , não deixava de pensar na situação que se encontrava naquele apartamento. Lidando com o coração despedaçado, com a morte do filho e com a amizade de anos destruída. Com a mentira do amigo e principalmente com a sensação de ter sido enganado esse tempo todo. Só de imaginar a confusão e o desespero a sua cabeça começou a pesar, querendo ir embora correndo para encontrar o amigo. — Não dá! Não consigo e eu não vou passar a mão na cabeça dele. Eu simplesmente só quero saber de toda a verdade. Então, . Aproveita que esse momento é o único que você vai ter. Escolha bem as palavras e seja sincero em contar de uma vez porque você fez tudo isso. Amor nenhum e sentimento nenhum justifica enganar um amigo durante anos.
— Continue, . — disse, incentivando o amigo a continuar a história e também controlando o lado passivo agressivo de . , por ser um dos mais próximos de , entendia que a necessidade dele em buscar por motivos óbvios por algo tão importante.
— Três meses se passaram e tudo o que eu senti foram os dois aproximando-se mais um do outro. O que antes era um encontro entre amigos passou a ser encontros casuais, cinemas, shoppings, jantares românticos e eu cada vez mais fui deixado de lado, sabendo que realmente o que surgia entre eles nada mais era do que uma grande paixão. E onde ficava os meus sentimentos? O que eu estava sentindo com tudo isso? Eu fiquei incomodado. Chateado e tão decepcionado com o . Meu melhor amigo iniciando um romance justo com a garota que conseguiu roubar meus pensamentos e sentimentos? — Assumir isso em voz alta trouxe uma tranquilidade em seu peito que há muito tempo ele parecia não sentir. De quem mais ele podia esconder toda a verdade? O que ele mais podia esconder? O seu corpo e sua mente estavam cansados de mentir durante anos e principalmente guardar esse sentimento que ainda existia. Esconder internamente que não era justo sentir nada mais e nem ao menos se permitir sentir algo pela namorada do melhor amigo. — Quatro, cinco, seis meses passaram e o me chamou para conversar. E eu sabia do que se tratava essa conversa. O que mais podia ser? estava apaixonado pela e veio conversar a respeito dos meus sentimentos por ela. — Ele fez agora uma pausa, esfregando uma mão na outra e olhando diretamente para em seguida. — O meu amigo, meu melhor amigo, estava me falando sobre a paixão que estava sentindo pela garota que eu também era apaixonado. — Outro riso nervoso saiu por sua boca e ele parou no tempo, imaginando como teria sido se ele tivesse escondido esses sentimentos. — Conversamos a madrugada toda e eu vi nos olhos dele uma paixão que nunca tinha visto em nenhuma outra pessoa. Ele simplesmente estava radiando felicidade e eu fui sincero, abrindo o meu coração e falando tudo o que eu sempre senti por ela. Só que já era tarde demais para qualquer coisa, não era só ele que estava apaixonado por ela, também já estava apaixonada e o único que estava sobrando na história era eu.
— O que vocês dois tem na cabeça? Com tanta garota no mundo e vocês dois foram se apaixonar justamente pela mesma? Ah, pelo amor de Deus! — ficou irritado, levando uma das mãos na boca. — Um filho perdido, segredos e mentiras e um grupo perto de uma disband. — Ele balançou a cabeça, não conseguindo acreditar.
— Continue… — pediu enquanto olhava de para . — O que mais aconteceu? O que aconteceu em Boston?
— Os anos passaram e depois do grupo já caminhando para o debut eu a acompanhei à um hospital para alguns exames e foi quando eu soube que estava grávida do . — Ele disse, lembrando exatamente da conversa na sala do consultório e do momento que ela desabou em choro com medo da reação de ao descobrir sobre o filho. Ao falar em alto e claro som sobre a “gravidez”, notou que ficou incomodado com o rumo que a conversa estava tomando. — Nessa mesma noite eu encontrei com o na frente da nossa casa e ele estava tão agitado, andando de um lado para o outro e eu parei o carro preocupado com o que estava acontecendo e tudo o que ele conseguiu me falar era que precisava ir para o apartamento da urgentemente. A única coisa que eu pensei no momento foi em levá-lo e minutos depois ficamos estacionados na entrada do prédio. parecia fora de si e os seus olhos estavam intensos, sua respiração agitada e suas mãos tremendo e eu achei que ele estivesse entrando em uma crise de pânico.
— Essa foi a noite que ele soube do contrato e conversou com a gente sobre aceitar ou ficar com ela, não foi? — perguntou curioso, lembrando vagamente da conversa. — O que nunca entendemos e ele nunca foi capaz de explicar é o porque da mudança repentina. sempre foi fechado em relação a vida pessoal e ninguém entendeu naquele dia o que tinha acontecido. — Ele pausou o pensamento, respirando fundo e depois olhou para o amigo. — Na realidade eu não sabia que você tinha encontrado com ele nesse dia. O que é uma grande surpresa...
— Eu não tive nada a ver com a mudança dele. — defendeu-se, sabendo que estava falando a respeito dos sentimentos dele pela garota. — Nunca falei para o escolher a carreira ao invés da namorada. — Ele foi direto, cortando o assunto e colocando um ponto final naquela suspeita. — Vocês confundiram os meus sentimentos por ela e o transformam em uma obsessão. Eu não sou assim, nunca me senti obcecado por essa garota e muito menos fui capaz de querer atrapalhar a vida pessoal do . O que eu iria ganhar estragando a vida dela e dele? As vezes, as coisas que vocês falam e julgam são tão erradas que eu me pergunto se realmente posso ficar em paz, sabendo que em algum lugar do mundo vão existir pessoas que conhecem a intensidade dos meus sentimentos e a maneira que meu coração trabalha. — sentiu a cabeça ficar pesada e novamente seu coração apertar em desespero. Ninguém parecia entender o que realmente aconteceu naquela noite e tudo era tão cansativo que ele buscou forças para continuar contando os detalhes do que realmente aconteceu dentro daquele carro. — Como eu me senti dentro daquele carro? Destruído por saber de um segredo, triste por não saber o que fazer e tão frustrado por estar envolvido entre duas pessoas que tanto amo. Sabem o que foi aquela madrugada? Sabem o quanto eu chorei depois me sentindo um inútil e não conseguindo falar sobre isso com ninguém? — Novamente o choro saiu sem muito esforço e o olhar de que antes estava na defensiva mudou para algo mais sereno e disposto a escutar sem julgamentos. — O naquela noite estava confuso, complexado e travando uma luta interna que ninguém mais podia se intrometer. Ele entrou em uma crise de pânico, começando a falar sobre a carreira, sobre o preconceito que ele enfrentou durante anos para debutar em um grupo. A maneira e a preparação que ele teve ao longo de dez anos e que tudo isso, finalmente depois de passar por tudo isso ele estava com um contrato em mãos e pronto para viver esse sonho. E tudo o que a cabeça dele conseguia pensar era que para ele viver desse sonho teria que desistir do seu grande amor.
— E ele desistiu. — soltou, frustrado agora e ficando em pé. — O em uma crise e você também em outra, duas pessoas dentro de um carro em crise. — Ele riu nervoso, mas não sustentou a risada por mais de alguns segundos. — Ele se preparou anos, foram anos de luta contra a balança, anos de aula de dança e toda a complexidade que existia dentro dele e no exato momento que essa crise apareceu, você… — parou, olhando para o amigo e apontando o dedo. — Também ficou em crise e não contou sobre a gravidez da garota.
— Ela me pediu para não falar nada com o . — tentou, vacilando nas palavras, mas ele no fundo compreendia a complexidade das crises que teve ao longo dos anos. — Era o sonho dele, ele sempre quis fazer parte de um grupo e a vida inteira esperou por isso. Se eu tivesse contado naquele momento eu estaria destruindo tudo o que ele sempre quis. — Vagamente ele foi ficando em silêncio também, lembrando da crise que estava por saber da gravidez e do pânico por achar que aquele filho seria um grande problema para a carreira do amigo. O choro dela e o desespero em suas palavras, implorando para que ele não falasse a respeito disso com e toda a confusão que seu coração estava deixou a sua cabeça ainda mais pesada. — Eu entrei em pânico, o entrou em pânico e tudo o que ele falava eu apenas concordava e eu não consegui reagir, de um lado eu tinha a decisão de contar a verdade e do outro de manter um segredo.
— Meu Deus! — agora colocou-se, em pé andando de um lado para o outro. — O que falta nesse grupo é diálogo. — Ele parou de frente ao amigo, tentando buscar palavras, reações e sentidos. — Olha a complexidade de tudo o que aconteceu? E mesmo assim você carregou isso tudo durante anos? Por que você fez isso, ? O chorou muito pela decisão de escolher a carreira ou a namorada. Ele chorou muito por esconder dela o contrato.
— Ele chorou tanto e eu me senti tão culpado por vê-lo daquele jeito. Eu sabia que o coração dele estava em pedaços e que naquela assinatura ele não pensou só nele. — agora abaixou a cabeça, sentindo um peso em suas costas. Lembrou-se da noite das assinaturas e de como os olhos de estavam vermelhos de tanto chorar. — Ele sabia que se não assinasse aquele papel não iria só interromper o sonho dele como de todos nós. O BTS já tinha acontecido, o grupo já estava formado e ele sabia o quanto todo mundo deu duro para conseguir o seu lugar em meio a todas as barreiras que enfrentamos para debutar.
— Os dois ficaram apaixonados. Você contou para o sobre os seus sentimentos e viu que era tarde porque já não tinha o que ser feito, mas algo dentro de você ainda tinha esperanças que o seu melhor amigo não fosse se envolver com a garota. — recapitulou em voz alta os acontecimentos tentando manter a concentração dos pensamentos. — Ele acabou envolvendo-se com ela e depois de algum tempo de relacionamento ele descobriu que precisava escolher entre ela e o contrato de três anos em um grupo, ok. — De olhos fechados começou a fazer gestos com as mãos, tentando explicar novamente a ordem cronológica. — Os dois ficaram em crise dentro de um carro, ele com medo de perder seu grande sonho e você com medo de estragar tudo e não sabendo se escolhia o amigo ou a amiga. — Novamente ele fez uma pausa, respirando fundo. — O BTS debutou e você recebeu uma ligação meses depois, saiu correndo e foi direto para Boston. — Agora de olhos abertos ele encarou o rosto confuso e sem vida de . — O que aconteceu em Boston? Ela perdeu a criança e depois?
— A me ligou desesperada pedindo que eu fosse para Boston porque a estava internada e precisa de mim urgente. — Ele fez uma pausa, não conseguindo mais abrir os olhos e encarar os amigos. Aquela frase ecoou por toda a sua cabeça e o seu único pensamento foi a imagem de saindo da sala de cirurgia em uma maca. O grito dela por todo o hospital e a crise de choro que deu sequência durante toda a madrugada era algo que ele não conseguia esquecer nem hoje e nem um milhão de anos pra frente. A dor em sua voz, o choro e o desespero em saber que tinha perdido o filho e o momento que ela gritou pedindo para que pudesse trocar de lugar com a criança.
— E você foi e mentiu para o que estava indo viajar para encontrar um primo. — recordou do desespero do manager em conseguir passagens de última hora na madrugada. — Porque nesse momento ao invés de você correr sozinho para Boston… — fechou uma das mãos nervoso e irritado. — Por que você simplesmente não chamou o pai da criança para ir junto? Por que afinal, você não contou para o pai da criança que o filho dele tinha acabado de falecer?
, eu nem ao menos sabia naquela ligação que o bebê tinha falecido. — Aquela palavra saiu de um jeito tão amargo e sofrido pela garganta de que ele não quis novamente falar a palavra “falecido” nessa noite. — Eu só descobri o que aconteceu quando cheguei no hospital e a vi sendo levada para o quarto depois da cirurgia. Tudo o que a me disse no telefone foi de uma emergência e nada mais sobre o bebê. E naquele momento eu nem cheguei a pensar em nada.
— Novamente o momento. — foi para o outro lado da sala e socou a parede que estava bem a frente. — Você mentiu, . Você escondeu e você teve todos os momentos para revelar isso. Como você não pensou em nenhum momento que futuramente ele iria descobrir e te odiar pelo resto da vida? Como achou que nossa carreira iria ficar depois de todas essas mentiras? O clima entre a gente? O carinho, a admiração e a confiança?
— Qualquer coisa que eu tivesse feito naquele momento eu ia acabar sendo um monstro. Hoje, ontem, mês passado ou três anos atrás. — A dor em seus olhos foi a mesma dor que ele sentiu ao ficar parado olhando a garota gritar e chorar dentro do quarto em Boston. — Minha alma, meu coração e minha vida transformaram-se em vários pedaços que eu não sei como reconstruir. Eu estive ao lado do meu melhor amigo em momentos importantes, únicos, verdadeiros e vivendo com ele todos esses sonhos. Estive ao lado dela, juntando os pedaços de um coração partido e de uma morte. Vendo-a sofrer, definhar e cada vez mais se afundar em tratamentos, remédios, complexidades e um fundo de poço. Eu, sempre eu, o grande e único monstro envolvido em um triângulo amoroso. E tudo o que restou pra mim hoje em dia é a culpa, o monstro e a pessoa que aos olhos de outras pessoas fez tudo isso porque não quis aceitar que perdeu a garota para o melhor amigo. — O sorriso fraco em seu rosto foi a única expressão que surgiu no momento. As forças que buscou durante toda a noite aos poucos foi desaparecendo e agora ele não conseguia sentir nada mais a não ser a enorme dor em seu peito. — É isso que vocês acham que eu sou. Um monstro, pior amigo do mundo, egoísta, imaturo e como disse o , um estepe. Então, eu sei de tudo isso e não preciso de ninguém para me destruir, eu fiquei destruído no momento que precisei escolher entre duas amizades. No momento que aceitei guardar um segredo. No momento que eu peguei aquele avião e fui para Boston sem o , no momento que eu entrei em conflito dentro daquele carro. Tudo, errei em tudo. — A voz agora estava um pouco mais alta e tinha os olhos marejados de lágrimas. não era capaz de falar nada e as lágrimas rolaram por toda a extensão do seu rosto. — Não tem explicação do que eu fiz, não tem porque eu não me culpar e não existe nenhuma parte de mim que está completa por saber que o está trancado em um quarto chorando por algo que eu fiz. E isso me mata, me destrói por inteiro. Porque eu só consigo lembrar em como esses dois se amam e deviam estar juntos nesse momento, dividindo esse luto, mas ambos estão separados lutando contra essa perda. Cada um trancado em seu quarto sabendo que nada mais vai ser do mesmo jeito, achando desculpas, segredos e situações para ficarem afastados um do outro. Ela sabe que em algum momento vai precisar contar a verdade e quando acontecer isso é realmente o fim de tudo e de qualquer sentimento que ainda existe entre eles.
— E dessa vez você vai ficar do lado de quem? — quebrou a barreira do silêncio, fazendo a pergunta que todo mundo com certeza queria ter feito. — Dessa vez, . Na mão de quem você vai segurar?
— De ninguém. — Ele disse firme agora, levantando do sofá e indo em direção as escadas. — Hoje eu só preciso que vocês cuidem do e que lutem por ele. O que eu quero é essa promessa de que vocês vão fazer a escolha certa dessa vez, tudo o que ele precisa é saber que não está sozinho e que existe um mundo para ser vivido e que todos os dias ele precisa acordar e ver o quanto é importante que ele continue lutando. — Um sorriso fraco em meio às lágrimas e uma respiração profunda antes de contar os seus planos marcou aquele momento quando todos olharam para ele sem entender. — Eu preciso de um tempo de tudo o que aconteceu. Preciso colocar a minha cabeça no lugar, ficar sozinho em algum lugar do mundo e não me envolver mais entre a e o . Eu não posso ser amigo de ninguém no momento. — Ele foi sincero, recebendo o olhar negativo de . — Depois de anos eu resolvi que não quero mais me envolver em mentiras e eu só preciso sumir no mundo por algum tempo e começar a viver a minha vida sem essa sombra. E depois voltar e pedir perdão para o meu amigo. — O silêncio nesse momento foi tão extenso que ele olhou de relance para o rosto de cada um que estava ali presente naquele momento. — Cuidem do grupo. Cuidem do e de uma vez por todas, me perdoem por eu ter feito escolhas erradas.
— Nós estamos com você, . — levantou o olhar e a tristeza que estava sentindo era tanta que não conseguiu esconder, caindo em choro logo em seguida. — Não vou te julgar e muito menos falar quem foi o errado em toda essa história. Eu só quero que a gente volte a ser um grupo e meu coração ainda existe uma esperança que você e o voltem a conversar. E ainda tenho esperanças que o amor não tenha acabado entre ele e a .
— O amor entre eles ainda não acabou. — sorriu, agora subindo o primeiro lance de escadas. — O que acabaram foram as mentiras e os segredos. — Sustentando o olhar dos amigos ele subiu em direção ao quarto, sabendo que não iria demorar muito para desmoronar em choro. — Arrumem a casa enquanto eu arrumo os meus conflitos! Eu amo vocês. — Ele gritou do andar de cima, sentindo os seus joelhos começarem a falhar e o seu coração acelerar. sabia que era o melhor momento para que ele ficasse longe de todos e buscasse um pouco de paz para o seu coração. Ele não queria mais sentir esse conflito, esse desespero e essa angustia que a cada dia começava a crescer dentro do peito de uma maneira descontrolada e sem limites. Isso o acabaria levando para um caminho escuro e amargo, e ele não conseguia permitir que toda a sua vida fosse resumida em erros. Em algum momento ele sabia que iria retornar e acertar as coisas, ser honesto, sincero e pedir perdão por esse erro. — E , me perdoe por favor. — Ele disse tão baixinho em forma de sussurro. — Eu sei o tanto que eu errei em não contando a verdade e tudo o que eu queria era ficar ao seu lado nesse momento, mas eu não tenho condições. Eu preciso crescer, preciso aprender com esse erro e acima de tudo começar a me perdoar por ter me envolvido entre vocês dois. — retirou o celular do bolso e ainda respirando fundo buscou o número de na agenda de contatos. — Eu só preciso te dizer, até logo.
Encarando o teclado em sua frente ele limpou algumas lágrimas, começando a digitar uma mensagem para o amigo.

“Não deixe que a escuridão tome conta do seu coração. Não deixe que a sua dor seja maior do que a sua esperança e o seu sorriso. ainda precisa brilhar, cantar, sorrir e lutar pelo seu amor. Eu acredito em você, acredito nessa força e acredito no perdão.”

Com os olhos marejados e sem condições de enxergar as teclas, ele encostou-se na parede, buscando forças para terminar a mensagem.

“Eu preciso do meu amigo. Porque tudo o que estou levando comigo nesse momento é a esperança de um dia ainda ser chamado de irmão. Não irmão de qualquer pessoa, mas pelo meu irmão que aprendi a amar. Você, .”


Continua...

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Nota da autora: Esse capítulo tem algo especial. E de tudo o que já aconteceu em Love Is Not Over, essa despedida e toda essa separação que aconteceu em todas as partes me deixou no chão.

Não consigo ter estruturas para uma nota de autora decente. Eu só consigo olhar para o notebook e pensar "PORRA, KOOK, PORRA!"

Hoje eu nem sei o que escrever, sabe quando você chega em um estado de "OK, tudo pode acontecer."

Obrigada, obrigada e obrigada por todo o carinho e por todos os comentários!
Quem aqui ainda tem coração? Quem ainda imagina o que vai acontecer? Teorias?



Outras Fanfics:


SHORTFICS:
01. Call Me Baby [Ficstape #062: EXO – Exodus]
03. Best Of Me [Ficstape #070: BTS – Love Yourself: Her]
03. This Is How I Disappear [Ficstape #068: My Chemical Romance – The Black Parade]
04. Permanent Vacation [Ficstape #067: 5SOS -Sounds Good Feels Good]
05. Stigma [Ficstape #080: BTS – You Never Walk Alone]
05. I'm Sorry [Ficstape #084: The Maine – Pioneer]
07. Let’s Dance [FICSTAPE #065: Super Junior – Mamacita]
Hug Me [Doramas – Shortfics]

Music Vídeo:
MV: Don't Forget [Músic Vídeo - KPOP]
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EM ANDAMENTO:
Let Me Know [KPOP – Restritas – Em Andamento]
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