Última atualização: 16/06/2018
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Capítulo 11



Flashback
impaciente andava de um lado para o outro do corredor do hospital. Já havia passado mais de três horas que estava dentro da sala com o médico. Ninguém havia lhe dito nada, nenhuma notícia nenhum olhar, nenhum gesto. Ao contrário do que ele esperava quando algumas enfermeiras entravam e saiam de dentro da sala, elas lhe lançavam olhares estranhos. Provocativos, como se tivessem o reconhecido. Ele poderia entrar em pânico naquele momento, gritar por alguém ou simplesmente invadir aquela sala de uma vez e saber o que estava acontecendo com . Não faltava muito para que ele tomasse essa atitude radical, sua cabeça estava trabalhando a mil e a adrenalina do seu corpo estava saltando para fora.
— Tudo bem, . — Ele respirava fundo, conversando sozinho no corredor. — Não pode ser verdade tudo isso. — Ele sorriu nervoso. — deve estar em um daqueles dias, por isso ela desmaiou e agora está achando que engravidou. — Ele parou ao escutar um gemido vindo de dentro da sala. — Meu Deus, o que ele está fazendo com ela? — Ele surtou aproximando-se da porta.
Ao longe ele conseguiu escutar um choro fino e seu coração pulsou um pouco mais forte ao perceber que era de . Suas mãos estavam indo para a maçaneta quando de repente a porta abriu violentamente. O médico que estava examinando olhou para assustado e deu espaço para que entrasse. Ao entrar no consultório ele pôde ver sentada em uma cadeira com ambas as mãos no rosto.
. — Ele a chamou, se aproximando lentamente. Suas mãos começaram a suar frio e sensações estranhas começaram a percorrer todo seu corpo. Ele não sabia o que fazer, não sabia o que falar e nem ao menos imaginava o que estaria acontecendo de verdade. tirou as mãos do rosto levantando a cabeça para olhar para , seus olhos estavam inchados e sua pele estava muito pálida. A garota num impulso afundou seu rosto no peito de e uma enorme onda de choro começou a surgir novamente. Seu corpo estava gelado e ela soluçava muito. estava controlando para não entrar em pânico, mas já havia perdido totalmente a lucidez quando a sentiu tão perto e dessa maneira. Ele a envolveu com os braços, não deixando que nada mais a pudesse fazer sofrer daquela maneira.
… — Ela tentou falar, mas sua voz estava fraca.
— Não se esforce. — Ele pediu carinhosamente, passando uma das mãos pelo rosto dela. — Podemos ir embora? — perguntou ao médico que estava com um envelope nas mãos. — Eu preciso levá-la para casa.
— Ela será liberada daqui algum tempo. Preciso fazer mais alguns exames. — Ele respondeu cético. — Volto daqui alguns minutos, vou deixá-los a sós. Mais uma vez, parabéns senhorita .
— Parabéns? — olhou perplexo para a porta que estava se fechando quando o médico saiu. — Como ele consegue falar isso? Olha o seu estado.
. — respirou fundo, tentando manter a calma. — Eu… — Ela limpou algumas lágrimas dos olhos e foi se afastando dele. — Preciso que você guarde um segredo.
— O que está acontecendo com você? Por que você está desse jeito? Você realmente… — Ele perguntou preocupado, encarando a garota. Mesmo distante dela durante todos esses meses não havia um minuto sequer que ele não tenha se preocupado com a sua segurança. Por mais que ela o visse apenas como amigo, conseguia sentir seu coração perder o rumo toda vez que estava próximo a ela. Sentimento ao qual ele se obrigou a esquecer de uma vez por todas. Um flash passou por sua cabeça e ele se viu sentado no quarto de hotel com as luzes apagadas. Único momento que ele chorou como uma criança pequena quando se perde algo muito precioso. A maneira que ele tentava absorver a novidade de ver aos braços de . Ao vê-la passar por ele feliz, ao ver o sorriso, aceitando o fato de tê-la perdido exatamente para um amigo. Por mais que quisesse odiá-la naquele momento com todas suas forças, seu coração ainda estava batendo muito forte, estava terrivelmente com medo de amá-la mais do que um relacionamento saudável. Sentado no quarto ele experimentou as mais terríveis doses de sofrimento. Todos os momentos que estiveram juntos começaram a surgir por todos os lados, seu corpo estava dolorido e sua cabeça pesada. O dia na boate, conversas na internet. A forma em que ela o olhava e a maneira delicada que ela sorria. Estando de olhos fechados ele ainda conseguia sentir por seu corpo o toque macio e quente da pele dela. Todos os seus abraços e principalmente o seu perfume.
A partir daquele dia ele havia se obrigado a nunca mais pensar em . Estava evitando qualquer contato com a garota, qualquer relacionamento e nem sua amizade ele estava pensando em ter. Tudo foi em vão ao sentir hoje ela tão próxima de seu corpo, tão frágil, tão necessitada de compreensão e amor.
— Eu estou grávida. — disse, olhando profundamente dentro dos olhos de . — Grávida do . — Ela abaixou a cabeça, voltando a chorar desesperadamente. Ele vacilou por alguns segundos, totalmente boquiaberto com o que tinha acabado de ouvir. Uma explosão de sensações começaram a aflorar e ele não soube ao certo como reagir diante dela. Seu impulso era sair imediatamente daquela sala não acreditando que ela estaria grávida. Grávida do , um filho deles. Tudo aquilo era demais, demais para suportar. Mesmo que a esperança de um dia tê-la era mínima, ele ainda aguardava ansiosamente o dia em que ela se arrependeria de ter feito a escolha errada.
Agora tudo não passava de uma simples esperança ridícula. Ela estava grávida dele, um filho era exatamente o laço mais sagrado que existia no relacionamento.
The end!


Três semanas depois…

Boston é uma ótima cidade para se viver durante todo o ano, porém dois fatores alteram muito as características da cidade: o clima e o tumulto que fica quando inicia as férias escolares. O trânsito sempre foi horrível nessa época, impossibilitando qualquer passeio sem enfrentar um trânsito infernal em todas as principais avenidas da cidade. Boston sempre foi muito procurada por conta dos seus pontos turísticos e o clima era rigoroso em todas as estações do ano. Primavera recheada de flores, o verão ensolarado, o outono com folhagens vermelhas e o inverno tomado por neve e muito frio.
Em especial o mês de dezembro trazia o inverno e com ele muito frio. Boston hoje estava fazendo -2°C e precisou coragem para levantar daquela cama e encarar o dia agitado com reuniões, palestras e finalmente achar um nome artístico para Avery. Avery, o seu pior pesadelo em forma de loiro alto, maravilhoso e com um sotaque arrastado de interior. Voz doce, suave e tinha umas mãos delicadas que ao tocar piano conquistava o carinho, o coração e o suspiro de qualquer garota. Menos, ela que lutava para não se envolver com nenhuma outra pessoa que tinha uma vida de palcos e contratos. Avery, apesar de ter um talento e um corpo impressionante não era o bastante para que ela pudesse ousar em experimentar uma nova aventura, apesar de saber que Avery era indiscreto ao ponto de jogar diretas convidando a garota para tomar algo em sua casa. Almoçar, jantar e cinema. Todos os convites indiscretos de um cara quando quer tentar alguma coisa com a garota que está afim, e claro que o tomar algo vinha mascarado como uma noite de prazer inesquecível e depois um sexo casual, o sexo era uma coisa importante e que se ela fosse pensar a respeito sobre a sua vida sexual o convento era o melhor lugar para ela.
— Sexo? Acho que fiquei virgem de novo. — Ela soltou um pesaroso suspiro frustrado ao saber que sua vida sexual estava tão parada e estacionada. Sexualmente falando a sua vida estava morta e enterrada há anos. — Talvez se eu virasse freira fosse uma boa opção para largar esse dedo podre de escolher homens errados, tipo o Avery que é todo charmoso, gostoso e eu tenho certeza que é muito bom de cama. Só que é um tremendo babaca que depois não vai desgrudar e não? Chega de gente babaca na minha vida. — Apesar de achar atraente a ideia de viver uma aventura sexual, o seu coração ainda estava pesado com todas essas lembranças que a visitava em forma de sonhos todas as noites. — Infelizmente, deve ter algum membro de ouro pra me fazer ficar desse jeito. Mesmo em todos esses anos eu ainda consigo sentir essa vontade absurda que a boca dele causa no meu corpo. — rolou um pouco na cama de um lado para o outro e soltou um gritinho fino de revolta. — AI MEU DEUS! EU AINDA TENHO ESSA TENSÃO COM ESSE HOMEM! — O grito foi alto e claro e ela não conseguia esconder a frustração que era sonhar todas as noites com ele.
perdeu as contas de quantas vezes essa semana tinha sonhado com , e também algumas lembranças sobre quando tinha descoberto que estava grávida. Seu corpo respondia bem ao clima e ao frio de Boston, o que mais a preocupava era sua mente que não desligava um minuto sequer dos acontecimentos em Seul. O seu corpo lutava contra todas aquelas lembranças, mas a sua cabeça era o alvo exato e seu coração o vilão de toda a situação. Como negar? Como ser capaz de negar que ainda conseguia mexer com ela daquela maneira? E toda a situação com ?
— Que droga! Eu simplesmente não posso parar com esse drama todo e ficar com os dois? — Ela pensou alto e as palavras saíram por sua boca de uma maneira natural. Sorte que morava sozinha e não dividia o apartamento com ninguém, imaginou o que uma colega de quarto faria ao escutar que sua intenção era ter um harém com dois homens maravilhosos deitados naquela cama e ambos usando apenas um lençol. — Eu imagino muito o só de lençol e o que me deixa na vontade é saber como seria o só de lençol. — O suspiro foi alto e ela começou a rir, não conseguindo acreditar no que estava falando. — ? O ar de Boston não está fazendo bem para o seu cérebro, colega. Um sexo casual com o Avery parece uma boa opção pra você apagar esse fogo. — Rindo muito do que havia acabado de falar ela fez uma careta ao escutar o celular despertando, mostrando que já estava atrasada para o trabalho.
Ela sabia que por mais que tentasse ficar longe e não pensar, relembrar ou até mesmo sonhar, o que acontecia era tudo ao contrário. Ela acordava no meio da madrugada assustada e assombrada achando que estava ao seu lado dormindo e que também estava no quarto, precisamente deitado na cama do outro lado. Correndo daqueles pensamentos ela fechou os olhos desesperada e nesse minuto o seu celular tocou novamente, mostrando que agora estava pelo menos meia hora atrasada e que antes de ir para o trabalho tinha que passar na Starbucks e comprar o café matinal de Sofie.

gritou por socorro na esperança que algum dos empregados da casa fosse capaz o suficiente para se sensibilizar e tirá-lo daquele lugar. Durante mais alguns minutos de histeria e gritos, resolveu dar o braço a torcer e ajudar o amigo a descer daquela árvore. Olhou em volta, procurando alguma escada ou algo que pudesse ser de um maior alcance. A única coisa que estava visível e que poderia ajudar era uma das cadeiras que ficavam em volta da piscina. Não pensou muito e logo caminhou para a árvore, carregando uma das cadeiras no ombro. Era aquilo ou deixar pendurado naquela posição durante mais algumas horas e já estava ficando sem paciência com os gritos e reclamações dele.
— O que você acha que eu vou fazer? — resmungou, olhando para a minúscula cadeira que ele estava trazendo. — Você acha que isso vai me aguentar? — ele riu nervoso, não acreditando. — Com todas as possíveis coisas que poderia me ajudar a descer você vem trazendo uma cadeira de plástico?
— Começa a ficar reclamando que eu deixo você em cima dessa árvore o resto da tarde. — ameaçou, levantando a cadeira no alto. — É só você colocar o seu pé de princesa nela e tentar delicadamente descer. Não seja o ogro e solte o peso todo do corpo em cima dela.
— Eu não sou uma princesa. — retrucou ofendido.
— Com esse cabelo você não tem muitos argumentos a seu favor, sinto muito. — riu. — Quando eu contar você vai se virando devagar e tenta encontrar a cadeira com os pés.
— Tudo bem, eu vou tentar. — logo cedeu. No momento não havia outra escolha, seria aquilo ou então ficar ali naquela posição por mais algumas horas. — Você segura quando eu estiver descendo.
— Tudo bem, eu seguro na sua cintura e entrelaço meus braços em volta de você. Para te proteger do perigo. — piscou algumas vezes, tirando onda dele. — Vira homem e desce de uma vez.
— Eu tenho medo de altura, ok? — estremeceu. — Por favor, Senhor, não me deixe nessa hora. — ele começou a rezar baixinho, tremendo de medo. não estava ajudando nada a situação, mas foi um pouco tolerante segurando a cadeira para que ele pudesse descer.
— Vamos logo. — apressou-o quando viu que um dos pés estava quase alcançado a cadeira. —Falta só um pouco mais de vontade da sua parte.
— Quer calar essa maldita boca e deixar eu me concentrar? — alterou a voz em estado de alerta com o perigo de cair. — Eu não vou conseguir, sem chances.
— AH! MAS VAI! — perdeu a paciência e puxou a perna dele com tudo para baixo. perdeu o equilíbrio e as forças das mãos. Em poucos minutos ele estava caído no chão. A queda não foi tão horrível e dolorosa porque antes de cair ele puxou pelo braço e ambos caíram com tudo no chão.
— Que filho da p.... — xingou, se contorcendo no chão. — Maldito...
— Não posso fazer nada. — sorriu, dando um pequeno tapa nele. — Ainda bem que eu tenho amigos para todas as horas.
— Quando eu me levantar daqui você vai se arrepender de ter nascido. — ameaçou, fechando um dos punhos. — Sai logo de cima de mim, não está vendo que estou com dores?
— Acho que entramos na casa errada. — surgiu junto com os outros na mesma hora e viu aquela cena constrangedora dos dois amigos deitados no chão um em cima do outro. — Acho melhor eu nem perguntar o que estava acontecendo.
— Eu escutei o falando que estava morrendo de dores. — olhou suspeito para ambos. — Agora eu definitivamente também não quero saber a causa dessas dores.
— Não sinta ciúmes. — apertou de leve as bochechas de . — Sempre soube que o era suspeito.
— Pelo amor de Deus. — levantou rapidamente, limpando a roupa e estendendo uma das mãos para . — Anda, princesa. O seu príncipe vai ajudar você a sair dessa situação.
— Ah, cala a boca. — irritado empurrou a mão de com força. — O que vocês estão fazendo aqui? E cadê o e o ?
disse que vai encontrar a gente no estúdio e o , bem, o não quis sair do quarto. — foi direto ao ponto, sabendo que iria surtar com aquela informação. não podia abandonar o grupo dessa maneira, já havia passado duas semanas e eles não podiam atrasar mais a gravação do MV.
, não sei realmente o que está acontecendo com o , o que eu sei é que precisamos interferir imediatamente. — aconselhou, sabendo que aquele comportamento não era normal e muito menos para o amigo que nunca foi de se isolar daquela maneira. Ele sempre tinha alguém por perto e depois dessa briga com todos sabiam que o que estivesse acontecendo com ele, lutava sozinho sem a presença de nenhum dos amigos para aconselhar e abraçar.
— Ele não quer falar com ninguém. — abaixou a cabeça, começando a sentir uma fisgada no peito sempre quando pensava em trancado no quarto. Por mais que estivesse morando agora no mesmo apartamento que ele por causa da preocupação em deixá-lo sozinho, não conseguia fazer com que ele saísse do quarto e muito menos que voltasse a viver da maneira que sempre viveu. parecia passar por um luto e uma tristeza sem fim.
Em algum momento achou que perderia o controle da situação e forçaria a porta daquele quarto para que contasse de uma vez o que estava acontecendo. A angústia e o desespero era algo que ele não estava suportando e mesmo sabendo que nada disso adiantaria o coração pelo menos ficaria um pouco tranquilo em saber que levaria um susto e notaria a preocupação dele. Tudo o que queria era que o amigo confiasse nele e que compartilhasse toda essa dor que estava sentindo. Ele apenas queria ser o ombro amigo, o sol e a luz para que não se perdesse em meio a toda aquela escuridão.

apressadamente vestiu qualquer coisa que achou no closet e ao entrar no prédio da Boston Entertainment notou que a roupa estava tão ridícula quanto seria a desculpa dela por ter atrasado dessa maneira. Para variar a segunda-feira de muito frio acordou atrasada e essa era a terceira semana que chegava no escritório com pelo menos meia hora de atraso.
Isso quase virou uma rotina e uma carta de demissão se não fosse pela sua moeda de troca com a secretária da sua nova chefe. Sofie, secretária, puxa saco e chantagista. Descrição certa sobre a mulher de estatura média, de alguns 40 e poucos anos e com um enorme cabelo vermelho amarrado em um rabo de cavalo. Daquela mínima distância só conseguiu sorrir levantando o Mooca da Starbucks que era o preferido de Sofie toda segunda-feira de manhã.
A coisa boa em ser simpática é que você consegue alguns favores, como por exemplo o silêncio de Sofie.
— Claro que você trouxe o meu café, não é mesmo? — Ela perguntou, buscando nas mãos de o seu café habitual de toda segunda-feira. O sorriso no rosto da secretária era o típico sorriso de “nada como um bom café para eu manter o meu silêncio sobre os seus atrasos.”
— Claro, Sofie. — Ela prontamente estendeu a mão, entregando à ela o copo de café da Starbucks de 500ml, além de exigir um café tinha que ser justamente do lugar mais lotado a essa hora em Boston. — Espero que esteja tudo bem com você, com a empresa e com a . — rolou os olhos pelo escritório para ver quem era a nova vítima de , sua nova e insuportável chefe.
— O John Avery já chegou para a sua reunião, e está à sua espera na sala doze. — Ela lançou um olhar misturado com uma piscadinha, que provavelmente foi ignorado por ao se afastar dela e caminhar para a sala de reunião. John Avery era o seu grande e enorme problema, principalmente por ele insistir em marcar um encontro casual com ela em seu apartamento e também por ser indiscreto em seus comentários maliciosos e com intenções que variam de muito desagradável para completamente insuportável.
Com o cachecol ainda em volta do pescoço e um casaco listrado em preto e branco, ela apertou o botão e esperou a vontade do elevador descer para que ela pudesse encontrar o seu querido Avery em uma reunião para discutir como seria o seu nome artístico. Ele insistia que Johnny Napplebee era um nome atraente, chamativo e que todas as garotas iriam morrer de desejo por ele toda vez que pronunciasse o Napplebee com aquele sotaque arrastado de interior. Bom, era isso que ele tinha naquela cabeça lunática e não tentava ir contra por saber que ele ficaria falando sobre isso durante horas e horas e nunca chegariam a um acordo para esse bendito nome artístico.
— Que demora. Depois ficam cobrando os funcionários com os horários extras, nada funciona neste prédio. — Ela resmungou irritada, apertando o botão novamente várias vezes.
— Acho que se você apertar o botão várias vezes não vai fazer com o que o elevador chegue mais rápido. — A voz feminina, irritante e arrogante disse um pouco mais atrás e assustada girou o corpo e encontrou os olhos de exatamente preso ao seu rosto. — O que você disse sobre cobrar os funcionários?
— Hum? — Ela esticou o pescoço, mostrando não escutar direito o que ela havia perguntado. não soube o que de fato chamou a sua atenção, o cabelo roxo, o vestido lilás ou então aquele sorriso de deboche da garota de braços cruzados, olhando ainda para ela. O quê? Essa era a que estava causando essa confusão na empresa? O que ela tinha de estranho? Tirando o cabelo e vários outros detalhes do rosto. — , tudo bom? — O único jeito era disfarçar o embaraço. A boa estratégia era cumprimentar, sorrir e acenar com a cabeça. E se nada desse certo, ela apenas iria embora com o rosto queimando de vergonha e com uma chefe completamente irritada.
— A garota do casaco listrado com esse cachecol brega é a nossa funcionária do mês que sempre chega atrasada toda segunda-feira? — Ela ignorou completamente o cumprimento e agora estava olhando para ela com os braços cruzados diante do corpo. Antes de falar qualquer outra coisa, analisou a garota dos pés até a cabeça para que pudesse soltar o comentário mais afiado e arrogante que ela pudesse suportar. — Sofie é bem esperta em mentir, mas o que ela não sabe é que eu consigo notar tudo o que acontece dentro dessa empresa. E com você não seria diferente, . — sabia o nome dela e também sobre todos os atrasos. O que provavelmente não seria novidade também para todos os outros da empresa. Então, ela estava achando que comprar café para Sofie tinha sido uma boa estratégia? — Eu estou muito bem e você? Indo ver o Avery?
— Avery, com certeza. — Ela rolou os olhos, mostrando o descontentamento. Preferiu ignorar o restante da conversa para não demonstrar o tanto que estava nervosa com aquele comentário sobre o seu lindo e maravilhoso cachecol que tinha ganhado de . — Sofie é um amor.
— É.
— Hum, então tenha um bom dia. — A garota balançou a cabeça procurando não olhar diretamente para ela. Como era possível ser tão arrogante dessa maneira? E aquele cabelo? Ela não tinha cor melhor para usar ao invés de roxo? Isso nem mais é moda.
— Eu irei com você ver o Avery, soube que o nome dele artístico é um problema. — disse, dando alguns passos para frente e segurando com uma das mãos a porta do elevador. Com a outra ela esticou, dando espaço para que entrasse e ela apenas ficou parada observando como daquela distância ela parecia ser bem alta e não teria chances de uma luta corporal com ela caso algo assim um dia surgisse. — ? Querida? Podemos ir?
— Querida? — Ela perdida em pensamentos olhou para o elevador parado e ela na porta esperando que entrasse de uma vez. — Ah sim, claro. Eu estava só… — Ela toda atrapalhada gaguejou, mordendo a língua para não mandar a garota para a puta que pariu com aquele “querida” falso.
— Querida, você é paga para trabalhar e não ficar enrolando. — sorriu tão falso que ganharia de qualquer nota de dois dólares. — Não fique achando que eu sou grossa, é que eu simplesmente gosto muito de um Mooca Late, infelizmente não tenho toda manhã no meu escritório.
— Nossa, querida chefe. — A entonação para o querida foi maior do que todas as outras palavras, com certeza queria que ela notasse essa diferença e não a chamasse mais dessa maneira. — Da próxima vez eu vou me lembrar de trazer um Mooca late, quem sabe assim aquece o seu coração.
— O meu coração aquece e minhas mãos também quando eu estou dirigindo meu porsche. — Ela rebateu e sentiu o tapa vindo bem no meio do seu rosto. Um porsche? Exibida? Nojenta? Nenhum pouco. — Entre, vamos resolver o problema com o Avery.
— Ah, ok. Não posso realmente ir contra um pedido da minha chefe. — Ela sem graça colocou o cabelo atrás da orelha e caminhou até o elevador, entrando de uma maneira que não pudesse nem encostar nela. Só de passar por perto não conseguiu deixar de notar a fragrância daquele perfume enjoativo e a situação só piorou quando o elevador começou a subir. — Por Deus, parece que eu só atraio gente assim. — Ela resmungou com a boca por dentro do cachecol para que não fosse capaz de ouvir. — Qual o meu problema? e agora…
— Não sei, mas você parece que tem vários. Começando com as roupas, os atrasos e começar a falar sozinha desse jeito. — respondeu e tomou um susto achando que não era possível que ela tivesse escutado algo que ela disse tão baixo.
— Olha, não precisa me pressionar desse jeito. Realmente, eu compro o silêncio da Sofie toda segunda-feira. — Ela jogou no ar, fazendo alguns movimentos com os braços. Lidar com pressão não era seu forte. E ficar naquele elevador com essa garota toda hora olhando de relance querendo uma confissão já tava deixando transtornada. — Tudo bem? Na lei eu não estou errada e isso não é motivo de demissão por justa causa.
— Não falei nada.
— E precisa? Olha o jeito que você olha intimidando. — Ela apontou um dedo para o rosto dela. — Agora eu entendo porque o seu contra-cheque é maior que o meu. — Ela fez o gesto mostrando a diferença entre ambas. — Chefe e Funcionária.
— É, eu ganho muito bem, pelo menos consigo manter minha mansão e um porshe na garagem. — Ela gabou, ajeitando o vestido e olhando para o relógio e todos os anéis no dedo.
— Hum? Mansão? Porshe?
— O que tem?
— Você gosta de mulheres ou só de homens?
— Homens. — começou a rir, achando engraçado o comentário da garota. — Interesse?
— Pela mansão e pelo porshe? Claro. — Ela rolou os olhos, agora iniciando uma gargalhada baixa. — Pena que eu também gosto de homens, mas o seu lance com a mansão e o porshe é um belo convite.
— Você não faz meu tipo.
— E nem você o meu. — incomodada começou a tirar o cachecol, sentindo falta de ar e uma quentura subir por todo o seu corpo ao ver a imagem de de cabelo preto bem na sua frente. Era exatamente esse tipo que ela gostava, . Que droga, mesmo longe ela ainda conseguia sentir essa atração e lembrar desse maldito sorriso que foi o começo de todas as suas decepções. — Avery deve quase querer me jogar pela janela com todo esse atraso, logo eu, uma funcionária exemplar que precisa mostrar serviço para sua querida chefe.
— Já contei que meus funcionários além de conseguirem ótimos contratos, são ótimos com mentiras? — Essa provocação cortou o instinto de resposta que surgiu nesse exato momento. Ela abriu a boca para responder e na sequência fechou olhando para o lado oposto de . — ? Você me pareceu que ia falar algo.
— Ah, nossa e chegamos no andar. — Ela abanou a mão, fugindo do assunto e segurou o cachecol dela, impedindo que ela saísse do elevador.
— Não precisa correr, já disse que vou acompanhar essa reunião.
— Então se apresse. — Ela cobrou, girando o corpo para dentro do elevador. — Tenho uma chefe muito chata e preciso entregar um relatório no fim do dia. Sem contar que tenho que fazer o Avery mudar de ideia com o nome artístico, por favor. O meu trabalho é desgastante. — A garota sorriu, pegando a ponta do cachecol da mão dela e enrolando no pescoço novamente. Antes que pudesse sair do elevador o celular tocou em seu bolso e ela discretamente pegou o aparelho e colocou em um dos ouvidos enquanto caminhava para a sala doze. Com o barulho dos saltos escutou ao longe o movimento que fazia com os pés aproximando lentamente dela e aquilo causou um arrepio na sua espinha. Esse número era novo e as únicas pessoas que tinham ele era seu pai e também . Quem mais no mundo estaria acordado às oito da manhã com esse frio congelante?
— Desculpa eu estar te ligando e por pedir o seu número para a , mas precisamos conversar, . — A voz era familiar, o tom e a maneira delicada daquela voz fez o seu coração saltar por sua boca e ela por frações de segundos pensou o quanto estava com saudades de escutar a maneira que ele pronunciava o seu nome. Não conseguiu deixar de ficar feliz e ao mesmo tempo preocupada, ele não quebraria a promessa dessa maneira se algo muito importante não tivesse acontecido.
— Eu estou escutando, . — Ela disse, esperando que ele começasse a falar de uma vez o motivo da ligação.
— O não está bem. — Ele começou, fazendo uma pausa e ao escutar aquilo sentiu suas pernas ficarem fracas e imediatamente ela largou os papéis que estavam em suas mãos, procurando apoio na parede para que não caísse. O choque daquelas palavras fizeram com que seu cérebro ficasse em choque, imaginando algum acidente grave com ele.

— Fisicamente ele está bem, acalme-se. — falou calmo e tranquilo, notando que não tinha usado as palavras certas naquele momento. Imaginou o quanto ela ficou impressionada e chocada apenas com a respiração pesada e o barulho de algo caindo no chão do outro lado. — Desculpa por ligar dessa maneira, não sabia mais a quem recorrer e eu preciso muito da sua ajuda. — A tensão de novamente conversar com ela deixou o seu coração em frangalhos e ele não queria sentir todas essas emoções que lutou durante todas as semanas para esquecer. O contato novamente com a garota era algo que ele sabia que não estava pronto para voltar a viver, ele precisava de mais um tempo longe dela. Longe daquela voz, daquelas sensações e daquela maneira que seu coração batia só de escutar a respiração desigual sempre que ela fazia quando ficava assustada com algo. queria ser capaz de esquecer e desapegar de todos esses detalhes e hoje o único detalhe que queria pensar era como falar com ela sobre a situação de . Como falar e como usar as palavras certas para explicar o que estava acontecendo em Seul nessas últimas duas semanas que ela foi embora para Boston.
— O que tem o ? — Ela perguntou, agora sentindo as mãos de em suas costas. A sua chefa preocupada com a garota largou a bolsa no chão e correu para ajudar ao vê-la cambalear um pouco de lado.
? Tudo bem? — Ela perguntou e apenas balançou a cabeça, mostrando que estava tudo bem.
— Ele sabe de alguma coisa, . Ele sabe sobre a criança. — O impacto daquelas palavras fizeram os joelhos de estremecerem e ele não conseguiu escutar mais nada do outro lado, nenhuma respiração, voz ou o barulho da ligação sendo encerrada. O silêncio, apenas o silêncio. Ele sabia que era errado aborrecer a garota sobre esse assunto, mas ele não tinha ninguém a recorrer a não ser somente ela. podia muito bem guardar mais esse segredo e ele estava pretendendo em não contar para ela sobre como estava nessas semanas, a sua intenção era realmente não ter contato nenhum com a garota. Mas como deixar naquela situação sem fazer nada? Como dormir a noite sabendo que algo não estava bem e que ele não conseguia sair do quarto para nada? Toda a agenda do grupo foi cancelada por sua causa e sentia que esse momento era muito delicado para que ele tentasse uma aproximação do amigo. não iria aceitar e ele também não estava emocionalmente estável para lidar com esses assuntos no momento.
— O que você disse? — Ela perguntou, não conseguindo mais segurar o espasmo que ocorreu por todo o seu corpo imaginando que estava sabendo sobre o filho. Não podia ser verdade e não tinha como ser verdade. não podia saber sobre essa criança, não dessa maneira. Ela, só ela tinha o direito de lhe contar a verdade.
— Só você vai conseguir tirar o dessa angústia. Por favor, eu sei que estou pedindo muita coisa e que você precisa de um tempo. — Ele implorou, sabendo que era errado essa atitude. estava longe de Seul exatamente por um motivo, ela queria que a sua vida começasse a não depender de tratamentos ou então de esperanças vagas em novamente engravidar. Ela procurava por algo, por uma vida diferente e por novas experiências que não fosse frustradas que nem era a sua vida em Seul. E o principal, ela buscava de todas as forças esquecer . — Ele precisa de você, . — completou e aquela frase ecoou pela cabeça da garota que deixou o celular cair no chão levando as mãos para o rosto iniciando um choro desesperado e cheio de sofrimento.


Capítulo 12


Ao escutar o barulho da porta batendo atrás de com violência, a garota começou a rir e logo o silêncio tomou conta do local. estava parado encostado na porta, analisando a maneira que ela estava deitada. Não havia um minuto sequer que não estivesse desejando aquela garota. Naquele exato momento ele queria que ela fosse capaz de entender o quão concentrado estava. Moldando em sua cabeça a noite mais importante de sua vida. mordeu o lábio inferior, perguntando-se quando ele iria vir para a cama. Notou que ele não moveu nenhum músculo do lugar onde estava, talvez essa fosse a hora para provocações. O seu melhor jogo.
Ela moveu as mãos para seu corpo, traçando todas as curvas que seu corpo estava fazendo. Abriu lentamente as pernas, apertando sua coxa direita. A outra mão estava em seu colo, acariciando sua pele. Pontadas de prazer a atravessaram. soltou um gemido enquanto olhava para o movimento que a garota estava fazendo com as mãos. Ele ainda estava parado observando o corpo dela com desejo. A tensão se retorceu dentro dela e rapidamente foi capaz de tirar sua roupa, ficando completamente nua. Ela desejou poder ler a mente dele para saber o que estaria pensando. Ele se contorceu, abrindo os braços para apoiar-se na porta enquanto ela ainda estava deitada na cama, deslizando os dedos pelo corpo.
— Você consegue me deixar maluco. — Ele sorriu e o coração dela acelerou. Ele estava gostando daquilo. Os olhos de fecharam-se e ela sorriu de uma maneira tímida. A respiração de a cada segundo ficava mais pesada. Ele não sabia ao certo quanto tempo iria resistir.
— Não estou fazendo nada. — Ela sussurrou, ainda rindo. O olhar malicioso de a estava deixando perturbada. Esse jogo era dela. Não deixaria que ele ganhasse. Antes que pudesse pensar mais, sentiu o seu corpo contra o dele. — Oi. — Ela conteve a respiração, surpreendida pela ternura de seu beijo. Bruscamente ela tateou procurando os botões da camisa dele. Desabotoou de qualquer maneira e a jogou para o lado sem tirar os olhos de seu rosto.
— Um dia você vai deixar eu amordaçar você e explorar com a boca tudo o que eu quiser? — Ele perguntou, segurando o cabelo dela com força para trás e chupando toda a extensão do seu pescoço. — Quero te morder, chupar e fazer tudo o que você quiser.
— Quero você chupando tudo, exatamente assim! — Agora ele estava exatamente no local que ela queria. A garota roçou sua boca pelos lábios abertos dele, sua língua deslizou para dentro, com suavidade, para acariciá-lo. deu um quente beijo no pescoço e ela estremeceu. Foi um beijo longo e poderoso. ofegou, não contendo mais a vontade que estava ardendo em sua pele. Com uma das mãos segurou o rosto dele e tomou sua boca em um beijo apaixonado e possessivo.


O celular tocou, fazendo um barulho tão grande que acordou um pouco atordoado, não sabendo da onde vinha aquele barulho ensurdecedor. Ele não lembrava de estar atrasado para nenhum compromisso e muito menos esperando receber qualquer ligação. O abatimento em seu rosto era tão visível que rapidamente ele percorreu os olhos pelo quarto no escuro apenas com uma fresta de luz da janela e buscou desesperadamente por na cama.
— Amor? Você está tomando banho? Porque não me esperou. — Ele disse, passando a mão pelo rosto sabendo que não era apenas um sonho e que estava no banheiro depois de uma noite intensa e prazerosa. Com o cabelo bagunçado e em silêncio ele tentou escutar o barulho do chuveiro ligado e seu coração acelerou um pouco ao escutar apenas o silêncio do quarto. O chuveiro estava desligado e a porta do banheiro aberta sem nenhum movimento dentro dele. — Amor? O que você está fazendo? Não consigo te enxergar nessa escuridão. Isso é uma brincadeira? — riu nervoso, sabendo que era capaz de brincar dessa maneira com ele, principalmente sabendo que ele tinha acabado de acordar. — Tudo bem, eu sei que você deve estar trocando de roupa ou então se preparando para mais um dia intenso na cama. — O silêncio ainda era absoluto e ele forçou uma das mãos contra o próprio cabelo. Ela tinha que estar em algum lugar daquele quarto, talvez no closet procurando por um par de sapatos ou então no camarim pessoal dele, arrumando o cabelo. — Amor da minha vida, você acha que eu não consigo saber a distância que você está? — Agora ele riu um pouco mais alto, empurrando o lençol de lado e buscando no chão as pantufas que sempre ficavam na beirada da cama. — Consigo sentir o seu cheiro por todo o quarto e a noite ontem foi tão maravilhosa que tenho certeza que minhas costas estão todas arranhadas por sua causa. — lentamente caminhou até o banheiro e acendeu a luz, procurando por , e o encontrou vazio, sem vestígio nenhum de que ela tivesse usado o banheiro naquela manhã. O desespero e a palpitação por seu corpo começou a surgir neste momento, não conseguindo raciocinar claramente. Ele sabia que adorava ficar na cama durante boa parte da manhã e que não era comum que ela levantasse tão cedo assim. — Por que você acha que precisa vestir alguma coisa? Eu pretendo ficar na cama o dia todo com você. Sabe o tanto que eu senti sua falta e não vou conseguir desgrudar o seu corpo do meu. Amor? Não faça jogos comigo! — Ele, sem perder as esperanças, arrastou os pés para o enorme closet e ao parar de frente para a porta hesitou um pouco ao acender a luz, imaginando que ela pretendia querer assustá-lo. Que brincadeira boba era essa? Ele riu achando engraçado o comportamento dela. — Não tenho medo de escuro. Desista da ideia de me assustar, não vai adiantar, bebê. — Lentamente adentrou o closet e com as mãos começou a buscar pela presença da garota. O escuro era algo tão perturbador e o desespero em seus passos começou a aumentar ao não encontrar nenhuma respiração pesada, riso ou então nenhuma sombra de que pudesse estar ali dentro. — Por favor, eu preciso encontrar você. Onde você está? Não consigo te encontrar. — Ele parou nesse instante buscando um pouco de fôlego. A adrenalina em sua voz e as palpitações começaram a ficar mais fortes com aquela escuridão toda e ele buscou o celular no bolso, iluminando parte do espaço entre as roupas do enorme armário logo mais a frente. — Eu preciso, amor. Eu preciso de você comigo. — deixou o peso do corpo ser mais forte e seus joelhos começaram a ceder. — Onde você se escondeu? O que eu faço? O que você quer que eu faça? Eu estou aqui, esperando por você. Esperando você voltar para a minha vida. — O choro surgiu em sua garganta e tudo o que ele buscou foi controle antes de cair no chão de joelhos. Tudo tinha sido um sonho. A palpitação foi transformando em um pânico e ele não conseguia mais interpretar o que estava sentindo a não ser novamente uma dor absurda invadir seu peito. — Amor, eu não aguento mais viver nessa ilusão e com essa dor que sinto todos os dias. Por favor, não brinca com o meu coração dessa maneira. Eu sei que não foi um sonho, eu sinto você e sinto o seu cheiro por todo esse apartamento. Por que estou vivendo dessa maneira? O que eu preciso fazer para ter você novamente na minha vida? — Ele foi falando sem ao menos importar que era inútil todas aquelas palavras. — Me perdoa por não saber do nosso filho e por não conseguir ficar ao seu lado quando tudo aconteceu. Eu posso ao menos te abraçar e chorar em seu colo? — Outro golpe e outra palpitação dessa vez mais forte e tudo o que foi capaz de fazer naquele momento foi ficar de joelhos, com a cabeça no chão e as mãos cobrindo o rosto. Cada parte do seu corpo tremeu em dor e na escuridão a única coisa que conseguia ouvir era o choro desesperado de alguém não controlando mais o peso e angústia que levava em seu coração.

Boston - 22:30
Ainda sem sono, sentou na varanda da sacada em silêncio e fitou um ponto no céu, prendendo a sua concentração toda nele. O silêncio da noite surgiu de imediato, fazendo com que seu corpo fosse relaxando a cada minuto. Ela envolveu o seu corpo com os braços como se fosse uma proteção contra alguma coisa ruim que estivesse prestes a acontecer. Delicadamente, ela ajeitou as costas na cadeira, em seguida fechando os olhos e ficando totalmente imóvel e em silêncio. Não queria ouvir nada mais do que sua respiração e o barulho do vento cortando as folhas do seu mini jardim ao lado. Inesperadamente algumas lágrimas começaram a percorrer pelo seu rosto e depois de muito tempo não resistindo a todos aqueles acontecimentos, se deixou levar pelo momento e por todos aqueles sentimentos, caindo desesperadamente em choro.
Como que em uma libertação de algo, ela chorava intensamente, sozinha sentada naquela varanda. Não queria estar perto de ninguém, não queria ao menos ver ninguém. Queria apenas estar sozinha para se libertar de toda aquela angústia que estava sentindo. Somente sozinha teria a chance de pensar em tudo isso. Pensar em como se livrar desse novo problema. O ritmo do seu coração foi aumentando e ela sentia como se perdesse ainda mais o controle do seu corpo e de sua mente. Como ela iria falar com ? Como seria capaz de seguir em frente com tudo isso se a cada minuto que parasse para pensar nisso seu corpo se contorcia de tanta dor e medo. Com o rosto bastante vermelho ela passou uma das mãos pelo cabelo desesperadamente. A essa altura nada mais podia abalar, estava totalmente em pânico. No tempo todo daquela crise de choro ela balançava a cabeça estranhamente como se não estivesse acreditando. Como se quisesse se livrar de tudo e não soubesse uma maneira para aquilo. elevou um pouco a cabeça para cima tentando recuperar o seu fôlego. Respirou fundo inúmeras vezes e nada estava adiantando para voltar ao controle de seus atos. Tudo o que mais queria era somente apagar o que estava acontecendo, apagar o que estava sentindo e a confusão que estava em sua cabeça. Um som agudo saltou de sua garganta e pela primeira vez ela sentiu medo de estar perdendo sua sanidade por completo. Mais ainda assim, o seu maior medo não era aquele. O maior medo de todos era enfrentar e isso não poderia ser daqui há alguns dias. Isso teria que ser imediatamente. Ela retirou o celular do bolso e discou o número conhecido, esperando que ele não tivesse trocado.
— Droga, droga, droga! — Ela xingou, esfregando uma mão na outra. — , mantenha a sua sanidade intacta. Por favor. — Ela estava sozinha naquele lugar. Mas dizia em voz alta para que ela mesma pudesse escutar. — Por favor, por favor. — Ela implorava, deixando que mais inúmeras lágrimas escorressem por seus olhos. — Você precisa pensar muito bem o que vai falar. O precisa saber disso, ele deve saber de uma vez por todas sobre esse filho. — Imediatamente, ela se colocou de pé, limpando os olhos com as costas das mãos quando escutou do outro lado da ligação a voz doce e abafada de .
— Oi, . — A voz dela saiu quase como um sussurro.
— Oi, . — Sua voz fraca e cansada saiu tão baixa que ele não teve forças para aumentar o tom ao reconhecer a dona daquela voz e de imaginar que tudo podia ser novamente um sonho.
— O que aconteceu? — Ela perguntou sentando-se na cadeira direito notando que a voz dele era de choro. — Por que essa voz de choro?
— Você é real? — Ele ignorou a pergunta, não acreditando que dessa vez ele realmente estava falando com a garota. — ? É você?
? O que está acontecendo? — O coração dela acelerou imaginando mil coisas e situações com o garoto. A voz falha, cansada e triste foi o baque que ela sentiu logo quando ele atendeu ao celular. não deu outros detalhes do que tinha acontecido e o pouco que sabia era somente que ele estava afastado de todo o grupo e trancado no quarto por semanas. Ninguém ao menos teve coragem de invadir esse espaço e nem de conversar com ele a respeito do que estava acontecendo. tinha pedido um tempo para os amigos, carreira, grupo e também para a gravação do MV. Algo tão importante como a sua carreira sendo deixada de lado? realmente não estava bem.
— Não...eu... — Ele gaguejou, ajeitando o corpo no chão gelado do closet e encostou a cabeça na parede, controlando a respiração e o choro. A sensação de não ser apenas um sonho trouxe alguns espasmos involuntários para o seu corpo e em seu pensamento a única imagem que se fez foi dela em sua cama deitada coberta por apenas um lençol e o sorriso que era tudo o que ele não conseguia apagar das suas lembranças.
, sou eu…
— Oi, eu sei. — Ele tentava lutar contra os seus pensamentos e nada parecia surtir algum efeito. A necessidade daquela voz era tanta que seu inconsciente parecia estar em estado de choque só de imaginar que realmente era verdade, que dessa vez ela estava do outro lado dessa ligação. — Oi, eu estou te ouvindo. O que foi? O que você quer? — buscou por respostas, não sabendo o que levaria a garota a ligar dessa maneira. Ele não estava pronto para receber essa ligação e muito menos lidar com toda essa complexidade que existia em sua cabeça e em seu coração. Essa crise, essa dor e esse sofrimento por causa do filho, das mentiras e todas as confusões nos últimos meses. O tempo, ele acreditava que somente o tempo era capaz de fazer com o seu coração aceitasse todos esses acontecimentos e que seu coração ficasse mais sossegado por pensar que a distância entre eles era o necessária para apagar por completo esse sentimento de anos. E mesmo sabendo que parte do seu corpo não acreditava nessa distância e nem os seus sentimentos, ele lutou, tentou e estava tentando nesse momento resistir a tudo o que essa garota representava em sua vida.
Todo o seu passado, presente e futuro.
— Eu soube que você não está bem e fiquei preocupada com você. Não tem como eu simplesmente apagar você da minha vida. — Ela quebrou o silêncio do outro lado, sentindo suas pernas ficarem trêmulas. Mesmo sabendo a distância entre Seul e Boston, sabia que não podia esconder o tanto que estava sofrendo com aquela distância e o tanto que gostaria de estar vivendo todos os dias em Seul na presença dos amigos, da família e também por estar mais próxima de . O tempo não havia curado esse amor, o tempo não curou suas cicatrizes e nem foi capaz de colocar uma pessoa em seu caminho para que ela pudesse amar da mesma maneira e intensidade que sempre amou esse garoto. O seu amor, o seu primeiro e talvez o único amor de uma vida. O choro preso em sua garganta foi controlado e ela não sabia mais o que falar e nem como começar o assunto tão importante. — E eu não consegui dormir sem escutar a sua voz, eu sei que é errado eu falar essas coisas.
— Você não devia falar essas coisas, ! — Ele foi tão duro sabendo que mesmo sentindo o coração em pedaços, ele não tinha mais o direito de interferir na vida dela. Sua decisão era tão simples e sua despedida foi tão dolorosa que ele não tinha condições nenhuma para lidar com esse passado. Não era o momento para ter contato com ela e muito menos mentir que tudo estava bem. Sendo que na realidade não estava e ele nem ao menos tinha noção do tempo que levaria para que ele saísse daquele luto. — Você sabe que não devia me ligar. O que precisamos é distância, você precisa viver a sua vida em Boston e esquecer que eu existo. Da mesma maneira que eu to fazendo em Seul.
— Você não está fazendo nada em Seul. — Ela desmentiu, cortando o assunto. — Eu sei que você está há semanas preso dentro do quarto e que não conversa com mais ninguém. — fez uma pausa, limpando um pouco a voz. — Não tente mentir pra mim. Eu te conheço, .
— Mentiras sempre foram o seu forte e o do , né? — Um riso fraco e nervoso surgiu em sua boca. — O que ele quer comigo? Pediu para você ligar e me consolar? Além de um babaca ele quer ficar bem com você demonstrando preocupação? — O amargo na voz foi tanta que não estava sentindo mais nada a não ser uma revolta surgir por todo o seu corpo. E um grito em sua garganta. A vontade de bater em e falar sobre todas as mentiras que ele tanto lutou para esconder durante esses anos. Pela primeira vez ele estava falando com a garota sobre o amigo, sobre todas essas mentiras e ele sabia que não iria conseguir esconder por muito tempo toda a confusão.
— O que está acontecendo? Você e o não estão bem? — Ela perguntou curiosa, sabendo que algo também estava errado.
— O e eu brigamos e meu olho roxo é a prova disso, ele tem um bom soco de direita. — começou a rir, sabendo que aquilo provavelmente era algo que não teve coragem de dizer para ela. Não foi preciso nem escutar a respiração profunda dela para saber que tinha ficado surpresa com aquela revelação. — Parece que tem alguém que não estava sabendo desse detalhe. Melhores amigos não contam segredos? Dividem mentiras?
— O que você sabe, ? Não gosto de jogos! — Nervosa, ela alterou a voz, não gostando da maneira que ele acusava. — O que foi? Fala de uma vez, fala logo o que você quer insinuar!
— O que você quer comigo? — Ele foi direto, agora, sentindo a respiração ficar pesada com o passar dos segundos. — Não quero conversar com você, não quero falar com o e não quero falar com ninguém. Vocês dois precisam me esquecer de uma vez por todas, chega! Chega, eu não aguento mais lidar com tantas mentiras e tantos sentimentos que queimam dentro do meu coração, você e o não entendem? Não sou uma máquina, eu tenho sentimentos e estou tentando me recuperar de um monte de acontecimentos. — O desabafo foi longo e tão doloroso que do outro lado ele apenas escutou o silêncio da voz dela e isso o machucou de uma maneira tão terrível que nem fechando os olhos era capaz de fugir daquela realidade. — Por favor, o que eu estou pedindo é que você me deixe em paz.
— Não fiz nada pra você me tratar dessa maneira…
— Quem fez? Quem mentiu? O que você esconde? O que o esconde de todo mundo? — jogou definitivo todas as perguntas a jogo, querendo acabar de uma vez com todo aquele contato e encerrar aquela ligação. Essa conversa não levaria a lugar nenhum a não ser somente em mais mágoas e sofrimentos.
— Eu escondo coisas de você, . — Ela confessou.
— Eu sei que você esconde, o esconde e eu também escondo muitas coisas de todos.
— Por que você não começa a me contar o que esconde?
— Porque você não começa aceitando que o sempre esteve apaixonado por você? — não sabia mais controlar suas palavras e aquilo foi um tiro tão certeiro que o barulho do outro lado da ligação foi a resposta que ela tinha ficado novamente chocada. — Como você conviveu com isso todos esses anos? Foi fácil pra você ser amada por dois amigos?

— Não fique impressionada porque eu sei que você sabe que ele sempre te amou e todos esses anos só não tentou nada por você ainda me amar. — disparou a falar, não conseguindo abrir espaço para que ela falasse. E tudo isso era verdade, tudo isso também era parte da mentira e ele estava cansado de tudo isso. — Meu amigo, meu melhor amigo de tantos anos escondendo o que sente por minha ex-namorada esse tempo todo. E o pior disso tudo? Ele foi capaz de ficar do seu lado esse tempo escondendo esse sentimento e você fingindo que não sabia disso. Ele foi capaz de mentir pra mim todos esses anos falando que nunca mais tinha tido contato com você e em todas as viagens dele para Boston ou todas as ligações na madrugada escondido era sempre para um primo que estava passando por uma situação complicada. — A gargalhada foi o ápice do nervosismo ao sentir suas mãos fecharam com força em volta do aparelho. — É amor, . Ele sempre te amou em segredo, nunca foi só uma simples amizade. Ele sempre teve sentimentos reais e uma paixão verdadeira e única por você, sempre te desejou e sempre quis ter você nos braços dele todos os minutos. Conheço esse sentimento como amor e não como amizade.
, cala a boca! — Ela suplicou, não conseguindo escutar mais nada do que ele estava falando. O que estava acontecendo para que fosse tão rude e tão direto dessa maneira em todos esses anos? Por que falar assim sobre ? Ele não tinha culpa de nada! — O e eu somos amigos e sempre fomos, antes mesmo de conhecer você. Você não pode falar sobre nossa amizade porque você não entende o que é isso. Nunca entendeu o que ele foi capaz de fazer por mim em todos esses anos e tudo o que eu precisei eu sempre tive o apoio dele, foi o que sempre esteve ao meu lado me apoiando e sendo a melhor companhia quando você me abandonou. — O passado novamente trouxe sensações e uma tristeza em seu coração e ela tentou driblar as lágrimas para que não pudesse perder a oportunidade dessa conversa franca e desse ponto final. — Eu precisei de você, não sabe o quanto eu precisei da sua companhia e o tanto que eu chorei durante muito tempo. As vezes eu ainda choro e sinto meu coração lutando contra esse sentimento e às vezes tudo o que eu quero é estar na sua cama aninhada em seus braços. Essa é minha ilusão e minha dor por saber que não posso me permitir sentir tudo isso novamente. — O tom da sua voz aumentou e chorou mais profundo. Isso era exatamente o que ele tanto queria. Novamente tê-la aninhada e protegida contra todas as maldades do mundo. — Eu tenho cicatrizes desse relacionamento e esse amor que nunca vão ser esquecidas e eu carrego isso comigo todos os dias e tento lidar com esses sentimentos e esse desespero. Se eu não tivesse o ao meu lado no pior momento da minha vida eu não estaria nem aqui lidando com toda essa complexidade e assuntos mal acabados que existem entre nós dois. — triste abaixou a cabeça sentindo, o peso daquela dor surgir novamente em seu corpo e mesmo assim ela sabia que devia continuar falando para o tanto que a amizade dela com o era importante em sua vida. — foi a luz quando eu achei que estivesse me afundando em depressão, angústias, desespero e que nada mais tinha importância na vida. — Ela fez uma pausa, limpando a voz e voltando a sua concentração no presente. — Ele foi minha salvação, minha sanidade e o meu ponto de equilíbrio entre a loucura e a lucidez todas as noites que eu entrava em uma crise quando me trancava em um quarto sozinha. Ele foi meu anjo, meu guia e minha força quando eu estava desistindo de tudo. — Novamente ela buscou forças para conseguir falar sobre e ainda em silêncio escutada tudo muito atento. — , por mais que meu coração precise de você a cada segundo, ele também precisa do . Eu nunca vou ver a nossa amizade com outros olhos e nunca vou ser capaz de aceitar nada, porque não existe nada e nunca existiu nada a não ser uma amizade de anos que eu dou valor acima de qualquer outra coisa. O amor que eu sinto por ele é algo tão sincero e puro que não aceito que você fale dessa maneira. Ele, , só ele sabe o quanto significa na minha vida e o tanto que eu o amo por ser tão maravilhoso todos os dias.
— Então você não precisa de mais ninguém na sua vida a não ser o . — tentou absorver e não ser atingindo ainda mais por todas aquelas palavras. Talvez fosse tarde demais para isso. Tão tarde que agora ele sabia da importância de na vida da garota e por alguns seu coração pareceu ficar em paz e agradecer o amigo por ter sido essa luz na vida dela, ele também não quis pensar na possibilidade que talvez se não fosse por , ela não estaria mais aqui com eles. — Eu entendi tudo o que era para ser entendido e finalmente podemos seguir as nossas vidas sem a sombra do nosso passado. Não quero ver você sofrendo e não quero sentir tudo o que eu ando sentindo, eu desisti de você há três anos. E sabemos que não podemos voltar a ficar juntos porque não existe mais um sentimento saudável em nossos corações. Não existe amor verdadeiro que suporte a mentiras, mágoas e decepções. Nossas vidas tomaram rumos diferentes há muito tempo e só resta aceitar isso e colocar um fim nessa história. — O choro agora percorreu toda a sua garganta e silenciosamente chorou sabendo que talvez esse realmente estivesse sendo o fim desse amor. — Eu não tenho mais coração, não tenho mais condições de sofrer com a nossa história e tudo o que eu preciso é respirar um pouco aliviado e parar de sentir essa culpa que eu ando carregando aqui dentro do peito todas essas semanas. Não vamos ficar presos a esse passado e a esse sentimento que há muito tempo deixou de existir de maneira saudável.
— Vai ser fácil pra você me esquecer assim? Deixar de me amar? — Ela perguntou, não sabendo se esse era o melhor momento para esse tipo de pergunta. O seu coração bateu tão forte que ela não entendeu esse sentimento tão doloroso em forma de despedida.
— Eu consigo te amar quando vou dormir e continuo te amando na mesma intensidade quando acordo. — Outro suspiro do outro lado e não foi preciso de nenhuma outra resposta para que ela notasse a tristeza em suas palavras. — Isso significa que vai ser fácil eu te esquecer? — questionou, sabendo que ela não iria responder. E que nada nesse momento era importante a não ser o fim definitivo daquela ligação. — Eu te amo, garota. — Ele confessou, agora sorrindo. — Se eu tivesse outra oportunidade na vida eu voltaria naquele apartamento e não desistiria de você em nenhum momento. Por muito tempo o que eu sempre desejei foi estar ao seu lado e hoje eu sinto que é o nosso momento de dizer adeus. — Ele fez uma pausa, não conseguindo encontrar forças para terminar a frase. — Hoje eu preciso tanto de você. Eu sinto tanto a sua falta que todas as noites eu tenho sonhado com a sua voz, o seu corpo junto ao meu e as vezes eu consigo até viver na ilusão que você está deitada na cama comigo. Cada segundo do dia parece tão sufocante com essa distância e essa mistura de sentimentos e sensações, tudo é tão estranho e eu não consigo deixar de te amar um só segundo do meu dia. — não conseguia acreditar em todas as coisas que estava falando e mesmo assim não deixou de continuar a falar tudo o que estava em seu peito. — Tudo o que eu preciso é que você seja novamente forte por nós dois e que do fundo do coração me perdoe por ter feito você sofrer e por não estar ao seu lado quando você precisou do meu apoio e do meu carinho. Essa culpa é algo que eu vou carregar durante toda a minha vida e um dia quando formos capazes de abandonar o nosso passado, talvez podemos pensar em um futuro, juntos.
— Eu te amo, . — Ela confessou, sabendo que nada mais era preciso ser dito, esse sentimento era verdadeiro e ela apenas teve a certeza que o assunto só teria um fim quando ela contasse a verdade sobre o filho. — Me perdoa por ser fraca e não conseguir te contar a verdade, . O que eu mais queria era ser capaz de tirar esse peso do meu coração de dividi-lo com você. — Tentou o assunto sabendo que esse não era o momento. — , isso realmente é uma despedida? — Ela perguntou segurando com força o celular contra o rosto.
O silêncio do outro lado foi a resposta para essa pergunta. Finalmente o Adeus.

, acabei de colocar um ponto final no meu passado e meu coração parece que nem consegue bater direito depois desse “adeus”. O choro, a dor e o desespero vem surgindo conforme eu digito essa mensagem e eu sinto que vou perder o controle do meu corpo a qualquer momento. Eu preciso de alguém ao meu lado. Não me deixa sozinho, por favor. - Mensagem enviada


Capítulo 13

Rolando os olhos pelo apartamento depois de retirar o celular do bolso e ler a mensagem, procurou um pouco de coragem para encarar a difícil situação de conversar com o amigo depois de semanas trancafiado dentro daquele quarto. não teve nenhum outro tipo de contato com o mundo a não ser somente o quarto e as vezes o sofá da sala nas madrugadas frias e vazias de Seul. Por diversas noites o escutou chorar tão fraco que o seu coração apertou em tristeza ao saber que ele estava sofrendo por algo tão doloroso que era capaz de soluçar dessa maneira. O choro de era intenso, tão doloroso que o coração de ficava em pedaços com a impotência de não saber nada do que estava acontecendo com ele.

Eu preciso do meu amigo. Preciso de você, . - Mensagem enviada

Estou indo, . - Mensagem enviada

entendia que seria uma conversa muito intensa e que a todo momento ele teria que estar preparado para amparar em qualquer situação e assunto, e ele não sabia se ele sozinho era capaz de segurar essa responsabilidade. Na realidade as vezes ele compreendia a aproximação de e . sempre foi mais próximo, companheiro e em todas as vezes que alguém precisava de um ombro amigo, conselho ou simplesmente desabafar ele era esse amigo, esse ombro e em tudo o que falava tinha sentimento, amor e preocupação. Chegar aos pés de , ou apenas se sentir pressionado daquela maneira por ser esse amigo no momento para , o deixava um pouco nervoso e tenso. Principalmente por não saber nada do que estava acontecendo para que ele ficasse daquela maneira.
A porta do quarto estava aberta e a escuridão do quarto causou um certo desconforto em que não soube nem por onde começar. Não sabia se entrava ou ficava parado ali esperando que surgisse, o convidando a entrar.
— Não se preocupe, não virei um zumbi e nem estou sujo. — Ele surgiu um pouco mais a frente. A luz do quarto acendeu nesse momento e deu um pulo para trás, com as mãos no coração. Por mais que sentisse um peso em seu coração ele não deixou de achar engraçado a maneira que o amigo assustou ao encontrá-lo de repente daquela maneira, parado. com certeza era o mais medroso daquele grupo.
— Cara, acho que preciso ir no banheiro depois desse susto. — começou a sentir o coração acelerar e ao contrário do que ele esperava em encontrar o amigo, estava pleno, tranquilo e com a pele tão brilhante que ele nem imaginou que tudo aquilo era possível. Julgando apenas por tantas lágrimas, noites em claro, falta de comida e a falta da luz do sol. O que tinha se tornado? — O quê? Você ainda toma banho? Como a sua pele está melhor que a minha? Por acaso você virou um vampiro?
— O fato é que eu sou mais bonito que você. — sorriu um pouco, enrolando a toalha no cabelo molhado e sentando na beirada da cama. Sofrer e estar deprimido, ok. Falta de higiene pessoal não era necessário em nenhuma situação. Muito menos deixar o quarto desarrumado. — Minha pele sempre foi melhor que a sua e meu corpo, você sabe, o tanto que o meu corpo é algo que não podemos colocar em pauta. Você me deseja o me deseja e o mundo também me deseja.
— O quê? — abaixou a cabeça, não acreditando que ele estava tão indiferente a todos os acontecimentos. Como ele podia chorar daquela maneira e no outro minuto ficar tão tranquilo assim? Isso era um jogo? Uma brincadeira? O que estava acontecendo?
— Precisamos conversar, . — Ele bateu levemente uma das mãos na cama, buscando a atenção necessária do amigo. Não era preciso ser inteligente ou então não reparar nos olhos preocupados dele e no nervosismo que emanava de ao entrar no quarto e notar que tudo parecia estar dentro dos limites estabelecidos para um quarto humanamente habitável. — Eu sei o tanto que você me viu chorar e a situação que eu fiquei todas essas semanas. — começou o assunto e entrou no quarto, fechando a porta atrás de si e indo para o lado dele na cama. — Você não sabe de nada do que aconteceu e eu preciso muito conversar com alguém. Não aguento mais ficar sofrendo, surtando e chorando sozinho desse jeito. Nada do que eu fizer ou sentir vai mudar esse sentimento, então eu preciso colocar tudo para fora de uma vez e buscar por ajuda antes que eu fique maluco, entre em colapso nervoso e faça alguma besteira.
, eu estou aqui. — preocupado segurou no ombro dele forte, mostrando que mesmo não sabendo de nada ele estaria ali para ajudá-lo no que fosse preciso. Ele não iria embora e não deixaria o quarto mesmo se pedisse aos berros que ele fosse embora. Não teria coragem de virar as costas nesse momento delicado e muito menos iria conseguir continuar convivendo com ele daquela maneira por muito tempo. Todo o grupo estava preocupado e não era somente com o comeback sendo adiado, também por causa da parte emocional sem saber o que estava acontecendo com o amigo. nunca foi de esconder os sentimentos e muito menos chorar e em todas essas semanas o que mais tinha feito era chorar, se isolar e não abrir espaço para ninguém. — Confia em mim, por favor. Tudo o que eu quero é ver você bem e não chorando daquela maneira. Não sabe o tanto que meu coração ficou pesado sabendo que você sofria e eu nem ao menos conseguia te consolar, cara, nós somos irmãos e se você sofrer eu vou sofrer junto.
— Eu te amo por isso, . Consigo imaginar o tanto que você ficou preocupado comigo e sem saber o que fazer, me desculpe por isso. — abaixou os olhos, tentando controlar a vontade de iniciar um choro. ao notar a tristeza nos olhos dele apertou ainda mais forte o seu ombro e ele voltou a olhar diretamente para dentro dos olhos do amigo. — Pra mim é muito difícil dizer em voz alta e também muito doloroso, eu só preciso que você não faça nenhuma pergunta. Apenas me escute e transforme esse carinho que sente por mim em forças. Preciso das suas forças para conseguir sair desse quarto e enfrentar a vida. Enfrentar esse problema e encarar de uma vez essa perda.
— Eu vou ser tudo o que você precisa, . — A determinação na voz dele foi tão intensa que sorriu. tentou não demonstrar a apreensão, o susto e o tanto que seu coração estava batendo desesperado imaginando o que estaria acontecendo para que ele falasse daquela maneira. — Fala comigo. Fala o que aconteceu e o que você anda sentindo. Por que chora dessa maneira? O que você perdeu? Quem você perdeu?
— Quando aconteceu a briga no hospital entre eu e o . — Ele fez uma pausa para reparar que desde de todos os acontecimentos, aquele tinha sido o único momento que realmente tinha pensado em e falado o nome dele de maneira tão despreocupada. — Depois da briga e todos os socos que eu levei no rosto, o médico que cuidou de mim na sala me disse algo… — Outra pausa, dessa vez um flash começou a passar pela cabeça de e lentamente o momento dentro da sala com o médico surgiu diante dos seus olhos. — , eu não sei como falar isso...
— O que ele te disse? — perguntou curioso.
— Ele me disse que todo o tratamento que a teve em Boston é bastante complicado e que por conta desses remédios e injeções o corpo entrou em colapso e ela ficou internada todos esses dias. — disse tão calmo e tranquilo achando que o assunto não levaria mais do que alguns minutos para ser completado. Ele achou que fosse ficar mais emotivo e com a voz falha, mas de algum lugar do seu corpo ele buscava o restante das suas forças e da sua concentração para não desabar em outra crise de choro. — Depois dele me falar desse tratamento eu fiquei me perguntando que tipo de tratamento era, o que de fato estava acontecendo e se ela tinha ficado doente e não queria que ninguém soubesse disso. É bem típico da esconder as coisas, principalmente em relação à saúde. — Ele fez uma pausa, respirando fundo e encarando suas mãos brancas que estavam começando a ficar frias. — Ela vem fazendo um tratamento há três anos e eu nunca soube disso, . Ela nunca me contou e também não foi capaz de me contar nada. — Outra respiração funda e segurou no ombro dele, puxando o amigo para perto do corpo. — Por que eles esconderam isso de mim? Eu tinha o direito de saber. O que eu sinto hoje é uma dor tão insuportável que eu não sei como vou conseguir superar e seguir em frente, não vejo opções, não enxergo soluções e tudo o que eu faço é me afundar nesse quarto e viver em uma ilusão que não existe. — Lágrimas começaram a escorrer por seu rosto e apertou ainda mais os dedos com força. Ele não queria falar nada e atrapalhar o momento de desabafo, mas as lágrimas que começaram a escorrer também por seus olhos demonstravam o tanto que estava triste por escutar todas aquelas revelações.
, eu estou com você…
. — Ele o chamou, agora levantando a cabeça e olhando dentro dos olhos do amigo. — Você pode me abraçar? Bem forte? — pediu com o corpo tremendo, sabendo que outra crise estava começando a surgir por todos os lados. Ele tentava controlar a ansiedade e a dor, mas tudo o que ele buscava era o abraço de uma pessoa que o entendesse e fosse capaz de abraçá-lo tão forte para que ele não sentisse que estava sozinho lutando contra esse luto. — Por favor, preciso de um amigo para dividir esse peso e essa dor que eu venho sentindo essas semanas. E não adianta eu tentar enfrentar tudo isso sozinho, cada vez mais eu me afundo nessa tristeza e eu preciso de ajuda. Preciso de você, preciso de alguém ao meu lado para tirar todos esses pensamentos da minha cabeça. — Ele buscou fôlego, esfregando as mãos uma na outra.
— Sempre, . Sempre! — o puxou pelo braço, envolvendo o corpo dele em um abraço apertado. Nesse momento ele não tinha outro sentimento ou sensação, tudo o que ele queria era de alguma maneira confortá-lo e aquele abraço era o gesto que demonstrava que estaria ali para protegê-lo de qualquer situação ou qualquer pensamento que pudesse prejudicar o seu bem estar. — Eu já disse e não canso de repetir, não vou sair do seu lado e não vou deixar você sozinho, . Tudo o que eu quero é que você confie em mim e me diga o que está acontecendo com você, abra o seu coração e não tenha medo das palavras. Coloque para fora de uma vez por todas o que está escondendo todas essas semanas. — Agora ele alisou as costas dele e afundou o rosto contra o peito de , iniciando um choro longo, triste e carregado de sentimentos. — Chore o que você tem que chorar, sofra o que você tiver que sofrer e se livre de uma vez por todas desses sentimentos que só servem como um gatilho. Livre-se desse fundo de poço e me deixe te puxar para cima.
… — A voz falha de contra o peito do amigo saiu tão baixa que fez silêncio, sabendo que ele estava prestes a contar algo. O som agudo e o tremor por todo o corpo dele fez começar a sentir-se preocupado com o que estava prestes a ficar sabendo.
— Oi…
— Eu perdi um filho… — afundou as unhas contra o braço de , acompanhado por um desespero por toda a parte do seu corpo. — Três anos atrás ela foi embora para Boston e descobriu que estava grávida. — Como um soco ele sentiu toda parte do seu corpo arder em dor e tudo o que conseguia era apenas terminar toda aquela conversa. Essa dor. Essa tristeza estava sendo o seu fim. — Ela perdeu a criança com 12 semanas de gestação. — O choro descompensado e todos os outros espasmos foram atingindo a cada minuto e ele apenas lutou contra o desespero e a falta de ar que começou a atrapalhar sua respiração. — Meu filho, . Meu filho! — O coração parecia bater em um ritmo tão lento que tudo em sua volta começou a ficar em câmera lenta, o som e o cheiro foi ficando cada vez mais longe e quando fechou os olhos viu a imagem de chorando na sala do apartamento dela. — Eu só consigo ter uma pequena parcela do sofrimento que a sentiu todos esses anos com essa perda. Como será que foi pra ela? A última recordação que eu tenho de nós dois como um casal sou eu pedindo para que ela saísse da minha vida. , eu não tive coragem de contar para a minha namorada que eu tinha assinado um contrato milionário e que a única coisa que estava faltando era eu me livrar daquele relacionamento.
, … — tentou absorver todas as informações enquanto sua cabeça dava um giro por todo aquele quarto.
Filho.
Filho.
Como perdeu um filho?
— Não tive coragem de assumi-la para o mundo. Me impor que eu só aceitaria assinar se eu tivesse a liberdade para amar e viver um relacionamento com a mulher que sempre fez o meu coração bater de maneira desigual. — Um suspiro e um choque foi capaz de atingi-lo tão profundamente que perdeu a noção de que estava delirando novamente. — Eu a amo. Com todas as minhas forças e eu fingi esse tempo todo que eu estava bem. Esse tempo todo eu escondi e me obriguei a aceitar essa decisão. Como eu fui capaz de fazer isso com ela? O que teria acontecido se estivéssemos juntos? Uma criança, . Meu filho. E eu simplesmente assinei e não lutei e nem dei importância quando meu coração se despedaçou em todas aquelas linhas.
, eu não consigo pensar em nada no momento. — gaguejou, agora o empurrando um pouco para longe do seu corpo e segurando os ombros de com ambas as mãos. — Por que você não me disse isso antes? , eu não consigo nem falar o que passa pela minha cabeça. — Ele tentava buscar em algum lugar do seu consciente palavras de ajuda. Palavras sensatas e frases que não demonstrassem o tanto que estava em choque. — Meu Deus! E o sabia de tudo isso? Você não pode me falar que o sabia desse segredo o tempo todo e escondeu de você e de todo mundo. , o não pode ter feito isso!
— Ele sempre soube de tudo. — O desprezo percorreu por sua garganta e engoliu um seco, tentando recuperar a lucidez do momento. Pensar em , justamente em naquele momento era transformar toda a sua dor em ódio.
Mágoa.
Decepção.
— Você só pode estar brincando com isso. — soltou uma risada nervosa, passando a mão no cabelo e depois no rosto. — Não é sério. Claro que não é. — A risada foi ficando mais longa e cada segundo mais agitado. — , não pode ser. Claro que não pode ser, como o pôde ser capaz de esconder algo tão grave? Por favor, não vamos misturar os acontecimentos.
. — chamou a atenção do amigo olhando diretamente para os olhos dele. O impacto daquele segredo talvez fosse o estopim para que outra pessoa do grupo ficasse magoado com e por mais que desejasse que sumisse no mundo, ele sabia que não era certo fazer que outra amizade fosse destruída por segredos do passado. Ninguém mais podia ser destruído com esses segredos entre ele, e . — É difícil pra mim no momento conseguir lidar com todos esses sentimentos. O que eu lhe peço é que não julgue o . Precisamos de uma pessoa sensata e que veja todos os lados, não sinta pena de mim e nem ódio do . Nem eu e nem ele merecemos isso. — disse de maneira tranquila, sabendo que não iria ser capaz de destruir outra amizade. não podia só enxergar um lado. Talvez, em algum momento o tivesse tido razões para ter escondido tudo isso durante anos. Em algum momento ele sabia que era errado tudo isso. — Ele sabe que cometeu um erro e eu fui capaz de escutar muitas coisas naquele hospital. E tudo o que eu quero é que você não seja sugado por esse triângulo. O assunto agora é entre eu e o , não existe e nunca mais vai existir a na minha vida. — Ele fez uma pausa, rindo e chorando ao mesmo tempo. — Sabe o quanto me dói falar isso? Sabe o tanto que doeu quando eu liguei pra ela mais cedo colocando um ponto final nesse sentimento? , novamente eu coloquei um ponto final nessa relação e nesse amor. — A tristeza em sua voz era tão amarga que o amigo voltou a segurar em uma das mãos dele. soltou um outro sorriso, agora olhando para cima. — Como podemos ficar juntos depois de todos esses segredos? Como um sentimento consegue sobreviver à tudo isso? Às vezes lutamos por algo que sabemos que chegou ao fim. E tudo o que você precisa dizer é “Adeus”. O meu amor por ela é tão doloroso que eu não consigo me imaginar vivendo sem ela. Não sei se sou capaz de viver sem essa dor. Tudo o que eu me apeguei durante esses anos foi nessa dor de ter desistido da única certeza que eu tinha na minha vida. Ela, ela sempre foi a garota dos meus sonhos.

Sarangiran apeugo apeun geot yeah
[O amor é tão doloroso]
Ibyeoriran apeugo deo apeun geot gatae
[Despedidas são ainda mais dolorosas]
Niga eopseumyeon nan andoel geot gata
[Eu não consigo viver, se você não está aqui]


Ele cantou um refrão da música que escreveu para ela e sem ao menos pensar em mais nada fechou os olhos, deixando que os braços do amigo o puxaram novamente para outro abraço.

20:00 - Dwyane's luxury
buscou as chaves do carro que estava em cima da mesa no centro da sala e antes de sair verificou se ainda dormia profundamente. As luzes estavam apagadas e sem ao menos se dar conta, notou que já era de noite e que tinha passado a tarde toda dentro daquele quarto com ele. Parado na porta do quarto ele suspirou algumas vezes, não conseguindo controlar as emoções nem o sentimento que começou a surgir por cada parte do seu corpo. Ele queria que tivesse uma solução para que não sofresse daquela maneira. Algo que pudesse ser feito para que não se sentisse culpado.
Nada.
Nada do que ele havia dito naquela tarde foi de grande ajuda, não deixou de transparecer que estava bastante chocado e chateado ao mesmo tempo com essas revelações e em sua cabeça tentava lutar contra os pensamentos que o único culpado tinha sido .
— Por que você fez tudo isso, ? — Ele questionou baixinho, forçando as mãos contra a chave do carro. — Amizades não são construídas e vividas com mentiras, você não podia ter me decepcionado dessa maneira e ter deixado o seu amigo sofrer assim. O que você acha que vai acontecer com o agora depois de saber isso? Como ele vai ser capaz de conviver com essa dor e essa culpa? O que vai acontecer com todos nós? — Ele deixou algumas lágrimas escorrerem de seus olhos e o seu coração apertou em angústia imaginando quais os motivos que levaria a esconder sobre esse filho. — Era para você, . É você que ele tanto procurou durante essas semanas e tudo o que encontrou foi o silêncio e o vazio, eu não sou você e nunca vou conseguir ser um substituto a altura. A raiva agora começou a surgir atrás de todas aquelas lágrimas e ele sabia que no fundo não iria cumprir a promessa de que deixaria em paz, ele não iria conviver com sabendo de toda a verdade e ele não aceitaria ficar sem todas essas respostas. Olhou de relance para que ainda estava dormindo e nas pontas dos pés caminhou pela escada sem fazer nenhum barulho para que o amigo não despertasse.
, eu estou indo para casa! — Ele disse tão rapidamente que quase não foi possível compreender nenhuma palavra. — Cinco minutos, todo mundo reunido!
, o que aconteceu? — suspeitou de algo, olhando para que estava sentado em um dos sofás com um violão nas mãos. — O que aconteceu com o ?
— Cinco minutos e eu estou em casa! — apertou o botão do painel do elevador e em seguida desligou o celular, não dando chances para que falasse mais nada. — eu só preciso de respostas e de verdades, não posso dormir sabendo que você é esse monstro! — Ele agora bateu com uma das mãos na parede querendo livrar-se de uma vez de todos aqueles pensamentos que estavam deixando sua cabeça atormentada. — Quantas noites você sabe que ele chorou? O que é pra ele perder um filho e saber que o melhor amigo escondeu tudo? Por que você fez tudo isso, ? — Em voz alta ele questionou tudo o que não conseguia compreender. Buscou momentos, situações e tentou focar sua atenção naquele. Ele não podia perder o controle e muito menos agir com o coração, tinha que ter a chance de defesa. — Eu não posso escolher um lado, não posso te julgar e não posso deixar que o fique dessa maneira. — Ele soltou um longo suspiro, encarando a porta do elevador abrir bem diante do seu rosto. — Por favor, não se torne aquilo que eu tanto desprezo em um amigo! — suplicou, abaixando a cabeça sabendo que estava indo para casa colocar um ponto final em todas essas mentiras.

20:30 - Hannam The Hill
estava em pé encostado no balcão da cozinha, sentado no sofá ainda com o violão no colo. ao seu lado mexia no celular e estava parado encostado do lado da janela olhando para a fora, não conseguindo focar sua atenção em outro lugar. Brigas, discussões e provocações sempre surgiam no café da manhã e o dia parecia nunca ter fim quando eram obrigados a conversar sobre projetos futuros e a relação estremecida do grupo com o próximo comeback. Tudo parecia começar a desmoronar e aquela ligação de causou certo desconforto e uma preocupação ao grupo por não entender o que estava acontecendo com do outro lado de Seul.
— O que o quer? Aconteceu alguma coisa? — perguntou preocupado, notando o clima tenso na sala. — Ele não disse nada. — apreensivo encarou ainda do outro lado da sala e percebeu que algo estava para acontecer.
— Não deve ser nada grave. sempre foi estranho, não é novidade!
— Novidade seria se as pessoas começassem a conversar como adultos. — disparou firme, agora também olhando para . O celular em suas mãos foi deixado de lado e agora ele girou o corpo para observá-lo. — O que você acha que seja, ?
— Não sei. — Ele disse seco.
— Não? — soltou uma risada falsa e longa. — Ok. Nós vamos continuar fingindo que não está acontecendo nada? É isso?
— Por que não esperamos o chegar? — cortou o assunto, sabendo que aquela não seria a primeira e nem a última discussão da semana. O clima daquela casa nas últimas semanas estava tão pesado que ele nem ao menos conseguia deixar de ficar desesperado ao pensar no que iria acontecer com o grupo se as coisas não voltassem ao normal.
— Ele chegou! — anunciou, escutando o click da porta abrindo. — Finalmente, fiquei aflito e…
— Começa a falar! — ignorou todos e andou em direção a . , assustado, colocou-se de pé e teve a mesma reação ao ver a maneira transtornada que havia entrado. — Fala, . Fala!
… — , assustado, deu alguns passos para o lado, notando o quanto o amigo estava nervoso. passou as mãos pelo cabelo e começou a rir tão alto que todos em sua volta agora ficaram assustados também com aquele comportamento. — O que foi? O que eu tenho que falar? — Ele questionou, ficando nervoso com a proximidade cada vez maior do amigo. — Não é...
— Ah! Me poupe! — esbravejou, jogando a chaves no chão e apontando o dedo para ele. — Não imagina mesmo o que você tem para falar? Não imagina o que eu sei? Não imagina o que aconteceu hoje a tarde?
— O que aconteceu, ? Cadê o ? — , preocupado, correu para o lado dele, segurando em seu ombro. — Ele ta bem? , onde o está? — Ele perguntou novamente, alterando um pouco a voz em preocupação.
, o que aconteceu? — Foi a vez de questionar ao imaginar a tensão e nervosismo na voz de . Os olhos dele estavam fixos no rosto de e nenhum momento desviou a sua atenção do rosto dele.
— QUE DROGA! — gritou, atirando todas as almofadas no chão. — CANSEI DESSA DROGA TODA! — Ele andou até e , posicionando entre eles. — CHEGA! CHEGA DE TUDO ISSO QUE VOCÊS ESTÃO CAUSANDO COM ESSE GRUPO, COM ESSA AMIZADE E COM O NOSSO FUTURO! — não conseguia mais conter essa frustração em saber que tudo estava indo por água abaixo com toda aquela discussão. Anos de carreira, anos de amizade e situações tão desnecessárias que ele não aguentava mais morar sob o mesmo teto que o restante do grupo. — VAMOS SER ADULTOS!
— Eu concordo! — balançou a cabeça, pela primeira vez se posicionando sobre o assunto. — Não aguento mais conviver em uma casa onde sabemos que alguma coisa de errado vem acontecendo. É frustrante não saber o que realmente aconteceu. Não tem como fingir que tudo está bem, quando na realidade nós temos o trancado em um quarto durante semanas. — Ele fez uma pausa, agora olhando para o rosto de . — E temos você dentro dessa casa vegetando e não conversando com ninguém. Nós precisamos saber o que vem acontecendo com vocês dois! — A súplica em sua voz era tão nítida e verdadeira que abaixou os olhos, não conseguindo mais encarar o grupo que agora ficou em silêncio, esperando por respostas.
, nós somos todos amigos! — falou calmo, mostrando que o momento era exatamente o que todo mundo tanto esperou durante essas semanas. — Por favor, precisamos que você se abra e conte o que aconteceu entre você e o .
— Amigos? — soltou uma gargalhada, colocando as mãos na cintura. — Amigos? — Outra gargalhada um pouco mais alto e agora ele voltou a caminhar em direção ao amigo. — Amigos não escondem segredos. — fechou uma das mãos em raiva, deixando escorrer pelos olhos a dor que estava segurando esse tempo todo. Ele sentiu as lágrimas escorrendo, não sendo capaz de controlá-las. — Amigos não contam mentiras. — Ele fez uma pausa, sustentando o olhar de que agora pareceu entender do que estava falando. — Amigos não são capazes de escolher um amor ao invés de uma amizade. Amigos não são como o
, não! — o empurrou com uma das mãos, tomando distância. — Não, não fala isso. Você não sabe o que está acontecendo…
— FALA, ! FALA! — gritou abrindo os braços em desespero. — FALA DE UMA VEZ POR TODAS O QUE VOCÊ ESCONDEU DE TODO MUNDO! — O aperto em seu peito foi tão forte que ele fechou os olhos, não querendo ser capaz de ver o rosto dele. — Por que você fez isso? Por que você mentiu? Ele merecia saber a verdade.
— O que ele fez? — curioso segurou pelo braço, puxando-o para longe de . — Do que você está falando? O que aconteceu, ? — Ele lançou um olhar surpreso para , que simplesmente desviou o olhar voltando sua atenção para a janela. — , você não pode fugir a sua vida inteira!
— Além de amar a mulher do seu amigo, o que mais você esconde? — foi direto agora, cruzando os braços na frente do peito. O segredo de ainda amar na realidade nunca tinha sido segredo para ninguém.
— Não posso falar…
— Não pode? NÃO pode? — furou as mãos de , partindo para cima de e o segurando pela gola da camisa. Todos os outros ficaram em pés atentos, correndo em direção a que parecia ter perdido a calma. — COMO UM AMIGO! COMO VOCÊ FOI CAPAZ DE ESCONDER TODOS ESSES ANOS QUE O
— CALA A BOCA! CALA A BOCA! — desesperado agarrou também a camisa de , tremendo de medo que ele pudesse realmente estar sabendo de toda a verdade. — NÃO, . NÃO!
— NÃO? VOCÊ AINDA TEM CAPAZ DE FALAR NÃO? — fechou uma das mãos com raiva. — ELE É SEU AMIGO, . O SEMPRE FOI O SEU AMIGO.
— A gente entra no meio? — perguntou para que estava bem ao seu lado.
— Não mesmo! — respondeu ainda de braços cruzados, assistindo a cena desenvolver na sua frente. — Quando ainda estão gritando, logo a verdade aparece e eu quero muito saber o que deixou o nesse estado. Alguma coisa muito importante. — Ele completou baixinho, tentando não desviar a atenção do grupo. — Apenas vamos observar em silêncio. Ninguém vai morrer se levar um soco!
— Cala a boca vocês dois! — resmungou junto com enquanto seguravam a camisa de . — , fique calmo! — tremia em raiva e ainda continuava com os olhos cheios de lágrimas, a dor e o desprezo ao olhar para deixou ambos com o coração acelerado, não sabendo o que estava realmente acontecendo. — Não vamos conversar se vocês dois não pararem com isso.
— Não existe conversa, . — cortou o amigo, agora pressionando ainda mais os dedos contra a camisa de . — O que vocês querem é ficar do lado do . Então por que eu tenho que perder meu tempo falando alguma coisa? Só existe um lado da história e qualquer outra coisa que eu fale não vai adiantar em nada. — Agora ele sorriu nervoso, sabendo que não iria adiantar em nada. — É isso, ? Você também vai ficar do lado dele e não me escutar?
— Eu estou aqui pronto para enfiar a mão na sua cara por ser um babaca! — Ainda com o corpo ardendo em raiva, continuou com uma das mãos fechadas, controlando a vontade de devolver em o soco que ele tinha dado em há semanas no hospital. — Eu só preciso te devolver a mesma dor que ele está sentindo nesse momento. A dor que vocês dois causaram nele e agora estão procurando justificativas para que as pessoas entendam que tiveram motivos! — Ele disparou agora, sabendo que não iria conseguir segurar aquele soco por mais tempo. sentia a dor subindo em suas pernas e em sua garganta uma bola começou a se formar com as palavras engasgadas. — Fala, .
— Não, . Não!
— Como você consegue dormir a noite sabendo que ele está jogado no canto daquele apartamento chorando? — chorou tão profundo e triste que os outros ao seu lado sentiram a intensidade daquelas palavras. tentava não contar para os outros na esperança que criasse ao menos coragem para enfrentar de uma vez por todas essas mentiras. — Sabe o que eu precisei fazer para que ele dormisse? Tive que misturar um calmante no suco dele. — Ele fez uma pausa, buscando forças para continuar falando. — Ele entrou em várias crises e eu me senti tão desesperado sem saber o que fazer. — O choro que agora não conseguiu esconder por muito tempo saiu por sua garganta e abaixou a cabeça, não conseguindo esconder também às lágrimas. — Isso destruiu o . E eu não sei mais o que fazer e nem sei o que nós vamos fazer com tudo isso. — As mãos se afrouxaram da gola da camisa de e lentamente sentiu o corpo ficar pesado. — O que vocês dois fizeram não tem nome e eu não consigo entender porque você foi capaz de tudo isso, . A minha tristeza é saber que justo você escondeu dele esse tempo todo.
eu não posso falar a verdade. Não é minha história e eu não posso simplesmente…
— Você deve falar sempre a verdade. — cortou o assunto, olhando preocupado para . — Não sei o que aconteceu e agora ninguém vai sair dessa casa se isso não for colocado em pratos limpos. Não temos mais capacidade de sermos um grupo se primeiro não formos amigos.
— Por que você defende tanto ela? — , não aguentando o silêncio, perguntou, sabendo que tudo aquilo ainda girava em torno de . — , o que vocês dois escondem? Um relacionamento?
— Não escondemos nada! — disparou, sentindo a respiração ficar mais pesada e as mãos de voltarem a se fechar em volta da gola da sua camisa. — Ela sempre foi minha amiga e o também, o que vocês não entendem é que aconteceram coisas ao longo desses anos e tudo começou a virar uma bola de neve. — Ele pausou por um momento, sabendo que sua cabeça estava tão confusa. — Como vocês podem me julgar sem antes saber o que aconteceu? O que o sente é uma dor que eu também senti e também estou sentindo. É difícil pra ele tudo isso e eu sei que estraguei tudo!
— Você acabou com tudo, . — soltou um suspiro. — Não sei que tipo de monstro você se transformou, na realidade eu nem consigo imaginar os motivos que te levaram a mentir sobre isso. — Agora com as mãos fechadas novamente ele empurrou para a parede. — O que eu devia fazer é enfiar a mão na sua cara e devolver pelo menos isso que você causou no . Essa dor eu posso conseguir devolver, mas a dor da perda é algo que ele vai ter que aprender a conviver todos os dias. — arregalou os olhos, finalmente tendo a certeza do que estava falando. — Ficou assustado? Pois é! Eu sei de tudo e chegou a hora de você começar a falar.
— Não vou falar nada. Não sou obrigado a falar nada com vocês. — Ele empurrou novamente para longe e o ódio nos olhos de fez com que ele voltasse a segurar a camisa de com mais raiva. — Me solta, ! ME SOLTA! VOCÊ NÃO PODE FALAR ISSO PRA NINGUÉM. — exaltado começou a gritar ficando cada vez mais agitado. — NÃO, NÃO PODE. — Ele ergueu uma das sobrancelhas, temendo que fosse capaz de falar sobre o filho de .
— O QUE VOCÊ NÃO QUER QUE EU FALE? — devolveu o olhar e nesse momento todos voltaram a ficar em volta dos dois.
— NÃO, ! — implorou.
— VOCÊ NÃO QUER QUE EU FALE QUE EM TODOS ESSES ANOS VOCÊ ESCONDEU QUE O PERDEU UM FILHO? — jogou aos gritos a verdade que ecoou por todos os lados da casa. caiu sentado no sofá sem reação e o acompanhou sentando no sofá ao lado, não conseguindo expressar nenhuma reação.
— O QUÊ? — sentiu as pernas ficarem bambas e apoiou em por alguns segundos. — O que você disse, ? O quê? Filho?
— Meu Deus! — colocou as mãos na cabeça, não conseguindo pensar em mais nada no momento. O choque em seu rosto era tão nítido que ele precisou focar sua visão para o outro lado da sala para não cair. — Meu Deus! Meu Deus!
— Cala a boca. — implorou novamente, agora com a voz fraca soltando o peso do corpo em cima de . — Cala a boca. Cala a boca. Por favor, cala a boca. — O peso em suas pernas começaram a ficar tão insuportáveis que ele foi escorregando aos poucos para o chão. — Eu mereço que você me bata. — Ele pediu agora não conseguindo reagir. — Tudo o que e fiz durante esses anos foi me esconder com medo de quando tudo isso fosse revelado. Eu implorei que ela contasse a verdade pra ele, noites, dias, anos e semanas. Eu supliquei que ela tirasse esse fardo das minhas costas e hoje eu vejo que não fiz o meu melhor e que o nunca vai me perdoar e agora nem vocês. — O olhar dele passou por entre todos os amigos que agora estavam em choque com aquela revelação. — Por favor, antes de julgar eu só peço que escutem o meu lado. Não estou livre de toda a culpa, apenas preciso que alguém me escute. Não quero compreensão, não preciso que ninguém fique do meu lado. Eu apenas preciso desabafar e tirar daqui de dentro o que eu carrego em todos esses anos. — De joelhos no chão ele implorou que os amigos o escutassem e dessem uma chance para que ele contasse tudo o que estava acontecendo. — A perdeu uma criança, filho do , há três anos e esse segredo é algo que eu carreguei durante esse tempo todo… — Ele pausou, limpando a garganta e os olhos com as costas das mãos. Tudo em sua volta começou a girar e seu coração acelerado não conseguia mais esconder que estava cansado de esconder essa mentira. — Ele nunca soube da morte do filho e eu sou um lixo que nunca tive coragem de contar para ele. Nunca fui homem o suficiente para enfrentar essa situação, sempre tive medo de como ele iria reagir e esse meu medo acabou destruindo a nossa amizade. Agora não restou nada. — A dor em seu peito era a certeza de que finalmente estava falando a verdade que tanto escondeu durante esse tempo. — A grande verdade é que eu destruí minha amizade com o porque sempre tive esperanças que ela pudesse me amar da mesma maneira que sempre amou ele. — O choro alto saltou por sua garganta e agora ele fechou os olhos, não sabendo mais o que fazer com todos aqueles sentimentos. — Eu vivi iludido que um dia pudesse ser amado e eu só tive olhos para esse sentimento, nada do que eu fiz justifica a dor que ele está sentindo nesse momento. E tudo o que eu queria era correr para o apartamento dele e dizer o quanto eu sinto muito por ter sido um babaca. — buscou por fôlego e sentiu seu corpo estremecer cada minuto mais que falava com os amigos sobre o passado. — Tudo o que eu queria nesse momento é abraçar o e dizer que eu sinto muito. Que meu coração também está em pedaços por não compartilhar com ele esse luto. — A frase saiu tão suave e melancólica que todos ficaram em silêncio, não conseguindo sair do estado de choque.
— Eu estou aqui com você, . — caiu de joelhos envolvendo o amigo com os braços. — Eu sempre vou estar com você e com o . — Ele não desejou mais nada nesse momento a não ser abraçá-lo da mesma maneira que tinha feito com . O abraço era a única demonstração de carinho e compreensão que ele conseguia transmitir no momento. E tudo de repente ficou em silêncio e ao longe só escutou o choro desesperado de ao desabar nos braços do amigo.


Capítulo 14

Perdoar não significa
concordar com o ato errado;
Perdoar significa ser
livre de um peso que você
não fez nada para merecer.


O seu coração bateu tão rápido que não imaginou que fosse aguentar a pressão que sua cabeça estava começando a fazer com todos os amigos ali presentes em silêncio, esperando que ele começasse a falar a verdade e contar de uma vez por todas o que realmente aconteceu para que tudo tivesse chegado a esse ponto. Saber dessa maneira por, , que finalmente estava sabendo sobre o filho trouxe um choque por toda parte do seu corpo e a confusão em sua cabeça parecia não conseguir achar uma maneira de explicar para todos o que de fato aconteceu em todos esses anos. Todas as mentiras, todas as viagens e principalmente os motivos que levaram ele a manter o silêncio.
— Eu nunca quis me envolver dessa maneira e nunca quis ser parte desse triângulo, tudo fugiu do controle e tudo o que eu quero é tirar toda essa confusão da minha cabeça. Não aguento mais viver todos esses anos segurando essa… — Ele interrompeu, agora forçando as mãos no abraço apertado de . — Essa pressão que é guardar um segredo, ser amigo, irmão, confidente e também nutrir esperanças e sentimentos por alguém que nunca vai sentir o mesmo. Esconder a morte de um filho do seu melhor amigo e ainda assim ser integrante de um grupo, ter essas responsabilidades todos os dias em sua vida.
— O que nós podemos fazer no momento é apenas te escutar, . Só que pra isso precisamos que você pare de ficar mentindo, o que precisamos são de verdades e que você conte tudo o que aconteceu pra situação chegar a esse ponto. — passou as mãos nas costas dele, buscando confortá-lo de alguma maneira. — Acredito que é complicado e você deve pensar que está traindo a confiança da , mas é um assunto que não envolve só você, ela ou o . Envolve o nosso grupo, nossa carreira, nossa amizade e eu não quero que tudo isso seja arrastado no meio dessas questões pessoais, por favor. — Ele implorou, sabendo que naquele momento nada mais era importante a não ser a verdade sendo exposta por . Entender o lado de era fácil e simples, mas compreender os motivos que levaram a esconder era outra totalmente oposta. — Eu te amo tanto, cara. Meu coração ficou tão pequeno e apertado imaginando o que você foi capaz de fazer com o . Eu preciso tirar isso do coração pra conseguir olhar dentro dos seus olhos e ainda te amar como meu amigo e irmão. Você não imagina como minha cabeça está confusa e cheia de conflitos, eu não sei mais o que fazer e tudo ficou tão no limite. Todo mundo anda no limite e com medo, medo de vocês dois nesse impasse, medo de acontecer alguma coisa mais grave e ainda medo do grupo chegar ao fim depois de tantos anos de luta e trabalho.
— Não quero ser a pessoa que vai julgar um amigo sem ao menos dar a chance de escutar a verdade. — , de cabeça baixa, disse tão levemente e no mesmo momento olhou para , que ainda estava no chão abraçado com . — Vamos sentar e conversar como adultos. Eu e todo mundo aqui nessa sala te ama muito e não queremos ver você assim, muito menos o . — soube nesse momento que ele não falava sozinho, mas a maioria dos outros ali presentes também concordaram em colocar um ponto final em toda aquela situação. Hoje, não qualquer dia. Tudo tinha que ser resolvido essa noite.
— Eu também amo vocês e amo o . Apesar de estarmos nesse impasse eu nunca deixei de amar aquele garoto como um irmão. O que me machuca é exatamente eu não ter enxergado esse amor antes de ter acontecido tudo. Como eu deixei tudo isso acontecer? Não tem explicação a sequência dos acontecimentos, o que eu preciso é que o me perdoe e eu sei que isso nunca vai acontecer. — O choro em sua garganta saiu tão fraco e pesaroso que a sala ficou em silêncio apenas escutando a maneira que a respiração dele estava acelerada. — É tarde, tarde demais para eu voltar no tempo e impedir todas as decisões erradas.
— Vem, ! — puxou o amigo por uma das mãos e caminhou com ele até o sofá. — Nunca é tarde para começar fazendo o certo, basta você estar disposto a isso.
— Vocês não entendem. O que o disse é verdade, amigos não mentem, amigos não escondem segredos e eu sou um monstro por ainda conseguir olhar no rosto de vocês e pedir para que me escutem. Só que eu preciso contar e tirar isso de dentro do meu peito. Carreguei durante anos esse sentimento e não me levou a lugar nenhum, apenas numa ilusão patética e uma fantasia que nunca existiu e que nunca vai existir. — Ele começou a falar, agora olhando diretamente para os olhos de . — Por que eu fui iludido dessa maneira? Ficou tão claro em Busan. Eu enxerguei e mesmo assim fiquei na esperança que fosse apenas uma coisa passageira. — interrompeu os pensamentos, agora começando a ver a realidade bem diante dos seus olhos.
— O que aconteceu em Busan? — finalmente perguntou, querendo saber se era verdade a teoria que tinha roubado a namorada do amigo. — O realmente sabia dos seus sentimentos e mesmo assim ficou com ela? Por que você e a nunca tentaram algo?
— É o que todos acham e julgamos. — cruzou as pernas, apoiando o queixo com uma das mãos. — Na realidade é o que julgamos ser de onde veio toda essa confusão. roubou a sua garota e no fim você apenas não conseguiu aceitar e isso foi virando uma bola de neve. — Ele olhou para , que começou a balançar a cabeça. — Então conte a verdade. — pediu.
— Eu sempre fui apaixonado por ela e o soube disso na noite que saímos para beber naquele karaokê e ele finalmente conheceu a “amiga” de quem tanto falei durante semanas. — Ele limpou a voz e de cabeça baixa começou a contar como tudo aconteceu naquela noite de inverno em Busan. — Como eu não iria me apaixonar por aquela garota? Meiga, atenciosa, carinhosa, linda e tinha o melhor sorriso de todo o mundo. Quando eu olhava pra ela sentia como se meu coração fosse saltar por minha garganta e nada no mundo tinha importância a não ser aquele sorriso que transformava o meu dia em explosões de alegria e felicidade. — Agora ele sorriu, abrindo e fechando as mãos em nervosismo. Em sua mente a lembrança daquela noite pareceu tão viva que se fechasse os olhos ainda conseguia sentir o cheiro do perfume dela por todo o ambiente. — O meu coração era tão apegado ao dela que durante o dia quando eu estava compondo tudo o que eu imaginava era o que estava fazendo, pensando, sentindo e no fundo o que eu queria era pegar o telefone e passar horas conversando com ela. E eu me controlava durante todas as semanas porque eu sabia que todos os sábados a gente ia se encontrar em algum lugar daquela cidade. E eu também tinha todas as noites a presença dela comigo por mensagens de textos, áudios, gifs e tudo era tão importante e único. — O espaço entre um desabafo e outro conseguia trazer a tona lembranças que ele não imaginava que ainda guardava em seu consciente. Todas as sensações, sentimentos que pela primeira vez estava tendo coragem de colocar para fora do seu peito. — Em um desses finais de semana eu encontrei o e o apresentei para , talvez o dia que eu considero o maior erro da minha vida. — novamente fez uma pausa, recebendo os olhares curiosos dos amigos que estavam sentados, todos em volta dele atentos com aquela história. O olhar de estava baixo e ele sentiu suas pernas ficarem trêmulas. Falar sobre o primeiro contato de com ela era tão difícil que ele tentou não apenas odiar o amigo, mas enxergar o que de fato aconteceu naquela noite. — Só que nem tudo pode ser considerado um erro. Hoje eu entendo isso quando começo a pensar na maneira que ambos se olharam naquele restaurante. A maneira que ela sorriu ao vê-lo foi diferente de todos os sorrisos que eu já tinha recebido ao longo dos dois anos que eu a conhecia. Ela nunca foi capaz de me ver com aqueles olhos e naquela noite além de sorrir, os olhos dela também brilharam ao vê-lo parado do meu lado. Não era outra pessoa, era o e eu senti isso quando olhei para o rosto dele e tinha a mesma expressão que também estava no dela. Foi tudo tão espontâneo e tão intenso que eu precisei me afastar por alguns segundos, em choque por saber que nada mais parecia ocorrer da maneira que eu estava planejando, algo tinha acontecido e eu tinha sido o grande culpado por esse encontro. A minha única esperança era que não fosse capaz de levar isso adiante, afinal, ele sabia o quanto eu era apaixonado por aquela garota.
… — colocou uma das mãos no ombro dele, sentindo o peso de todas aquelas palavras sendo jogadas daquela maneira. A dor, a profundidade e a maneira que ele chorava fez o seu coração acelerar em saber o tanto que ele gostava dela. E por mais que sua cabeça estivesse em conflito por questões de grupo, amizades, segredos e todo o restante que estava no pacote, ele não conseguia deixar de sentir que também estava sofrendo com toda aquela situação. — Você não precisa falar a respeito dos seus sentimentos, nós entendemos o tanto que foi complicado pra você todo esse tempo. Às vezes, vocês se esquecem que somos um grupo e temos uma amizade tão energizada que conseguimos sentir quando um ou outro está passando por uma situação difícil. E eu quero só que você saiba que nós estamos com você em todos os momentos, e que nada do que tenha acontecido há anos vai mudar o que sentimos por você, . Nada, nada vai abalar nossa amizade e eu acredito que o , por mais que esteja machucado dentro dele, ainda queima uma chama e a saudades de tê-lo por perto. — acariciou o ombro do amigo, conseguindo em palavras soltar o que estava sentindo e talvez tenha sido um recado em nome de todos que estavam naquela sala e também de , que dormia profundo em seu apartamento. — O que não conseguimos entender é como você escondeu algo tão grave, entende? Não é simplesmente esconder uma caixa de doce dentro de um guarda-roupa. É esconder durante anos um filho do melhor amigo.
— Ele tinha que entender que você era apaixonado por ela e você não conseguiu entender que ele tinha perdido um filho? — abriu a boca, nesse momento olhando para . Sua expressão era séria e ao mesmo tempo tão serena que ele não parecia estar acreditando ainda que uma mentira daquela proporção tenha sido escondida dessa maneira. — Desculpa, não consigo aceitar uma coisa assim. É algo que eu preciso escutar do começo e entender os motivos que levaram o a esconder do um filho, não consigo imaginar ele me falando que esse motivo era porque estava apaixonado por ela. Se for isso, eu vou me levantar desse sofá e sair por aquela porta e nunca mais quero olhar na cara dele. — ameaçou, apontando o dedo agora para a porta de entrada da casa. Ele não conseguia esconder a indignação e muito emocionar-se com toda aquela história de amor, paixão e esquecer o tamanho que era a mentira de esconder uma morte de um filho. Sua cabeça por mais que estivesse aberta para ouvir o lado da história de , não deixava de pensar na situação que se encontrava naquele apartamento. Lidando com o coração despedaçado, com a morte do filho e com a amizade de anos destruída. Com a mentira do amigo e principalmente com a sensação de ter sido enganado esse tempo todo. Só de imaginar a confusão e o desespero a sua cabeça começou a pesar, querendo ir embora correndo para encontrar o amigo. — Não dá! Não consigo e eu não vou passar a mão na cabeça dele. Eu simplesmente só quero saber de toda a verdade. Então, . Aproveita que esse momento é o único que você vai ter. Escolha bem as palavras e seja sincero em contar de uma vez porque você fez tudo isso. Amor nenhum e sentimento nenhum justifica enganar um amigo durante anos.
— Continue, . — disse, incentivando o amigo a continuar a história e também controlando o lado passivo agressivo de . , por ser um dos mais próximos de , entendia que a necessidade dele em buscar por motivos óbvios por algo tão importante.
— Três meses se passaram e tudo o que eu senti foram os dois aproximando-se mais um do outro. O que antes era um encontro entre amigos passou a ser encontros casuais, cinemas, shoppings, jantares românticos e eu cada vez mais fui deixado de lado, sabendo que realmente o que surgia entre eles nada mais era do que uma grande paixão. E onde ficavam os meus sentimentos? O que eu estava sentindo com tudo isso? Eu fiquei incomodado. Chateado e tão decepcionado com o . Meu melhor amigo iniciando um romance justo com a garota que conseguiu roubar meus pensamentos e sentimentos? — Assumir isso em voz alta trouxe uma tranquilidade em seu peito que há muito tempo ele parecia não sentir. De quem mais ele podia esconder toda a verdade? O que ele mais podia esconder? O seu corpo e sua mente estavam cansados de mentir durante anos e principalmente guardar esse sentimento que ainda existia. Esconder internamente que não era justo sentir nada mais e nem ao menos se permitir sentir algo pela namorada do melhor amigo. — Quatro, cinco, seis meses passaram e o me chamou para conversar. E eu sabia do que se tratava essa conversa. O que mais podia ser? estava apaixonado pela e veio conversar a respeito dos meus sentimentos por ela. — Ele fez agora uma pausa, esfregando uma mão na outra e olhando diretamente para em seguida. — O meu amigo, meu melhor amigo, estava me falando sobre a paixão que estava sentindo pela garota que eu também era apaixonado. — Outro riso nervoso saiu por sua boca e ele parou no tempo, imaginando como teria sido se ele tivesse escondido esses sentimentos. — Conversamos a madrugada toda e eu vi nos olhos dele uma paixão que nunca tinha visto em nenhuma outra pessoa. Ele simplesmente estava irradiando felicidade e eu fui sincero, abrindo o meu coração e falando tudo o que eu sempre senti por ela. Só que já era tarde demais para qualquer coisa, não era só ele que estava apaixonado por ela, também já estava apaixonada e o único que estava sobrando na história era eu.
— O que vocês dois tem na cabeça? Com tanta garota no mundo e vocês dois foram se apaixonar justamente pela mesma? Ah, pelo amor de Deus! — ficou irritado, levando uma das mãos na boca. — Um filho perdido, segredos e mentiras e um grupo perto de uma disband. — Ele balançou a cabeça, não conseguindo acreditar.
— Continue… — pediu enquanto olhava de para . — O que mais aconteceu? O que aconteceu em Boston?
— Os anos passaram e depois do grupo já caminhando para o debut eu a acompanhei à um hospital para alguns exames e foi quando eu soube que estava grávida do . — Ele disse, lembrando exatamente da conversa na sala do consultório e do momento que ela desabou em choro com medo da reação de ao descobrir sobre o filho. Ao falar em alto e claro som sobre a “gravidez”, notou que ficou incomodado com o rumo que a conversa estava tomando. — Nessa mesma noite eu encontrei com o na frente da nossa casa e ele estava tão agitado, andando de um lado para o outro e eu parei o carro preocupado com o que estava acontecendo e tudo o que ele conseguiu me falar era que precisava ir para o apartamento da urgentemente. A única coisa que eu pensei no momento foi em levá-lo e minutos depois ficamos estacionados na entrada do prédio. parecia fora de si e os seus olhos estavam intensos, sua respiração agitada e suas mãos tremendo e eu achei que ele estivesse entrando em uma crise de pânico.
— Essa foi a noite que ele soube do contrato e conversou com a gente sobre aceitar ou ficar com ela, não foi? — perguntou curioso, lembrando vagamente da conversa. — O que nunca entendemos e ele nunca foi capaz de explicar é o porquê da mudança repentina. sempre foi fechado em relação a vida pessoal e ninguém entendeu naquele dia o que tinha acontecido. — Ele pausou o pensamento, respirando fundo e depois olhou para o amigo. — Na realidade eu não sabia que você tinha encontrado com ele nesse dia. O que é uma grande surpresa...
— Eu não tive nada a ver com a mudança dele. — defendeu-se, sabendo que estava falando a respeito dos sentimentos dele pela garota. — Nunca falei para o escolher a carreira ao invés da namorada. — Ele foi direto, cortando o assunto e colocando um ponto final naquela suspeita. — Vocês confundiram os meus sentimentos por ela e o transformam em uma obsessão. Eu não sou assim, nunca me senti obcecado por essa garota e muito menos fui capaz de querer atrapalhar a vida pessoal do . O que eu iria ganhar estragando a vida dela e dele? Às vezes, as coisas que vocês falam e julgam são tão erradas que eu me pergunto se realmente posso ficar em paz, sabendo que em algum lugar do mundo vão existir pessoas que conhecem a intensidade dos meus sentimentos e a maneira que meu coração trabalha. — sentiu a cabeça ficar pesada e novamente seu coração apertar em desespero. Ninguém parecia entender o que realmente aconteceu naquela noite e tudo era tão cansativo que ele buscou forças para continuar contando os detalhes do que realmente aconteceu dentro daquele carro. — Como eu me senti dentro daquele carro? Destruído por saber de um segredo, triste por não saber o que fazer e tão frustrado por estar envolvido entre duas pessoas que tanto amo. Sabem o que foi aquela madrugada? Sabem o quanto eu chorei depois me sentindo um inútil e não conseguindo falar sobre isso com ninguém? — Novamente o choro saiu sem muito esforço e o olhar de que antes estava na defensiva mudou para algo mais sereno e disposto a escutar sem julgamentos. — O naquela noite estava confuso, complexado e travando uma luta interna que ninguém mais podia se intrometer. Ele entrou em uma crise de pânico, começando a falar sobre a carreira, sobre o preconceito que ele enfrentou durante anos para debutar em um grupo. A maneira e a preparação que ele teve ao longo de dez anos e que tudo isso, finalmente depois de passar por tudo isso ele estava com um contrato em mãos e pronto para viver esse sonho. E tudo o que a cabeça dele conseguia pensar era que para ele viver desse sonho teria que desistir do seu grande amor.
— E ele desistiu. — soltou, frustrado agora e ficando em pé. — O em uma crise e você também em outra, duas pessoas dentro de um carro em crise. — Ele riu nervoso, mas não sustentou a risada por mais de alguns segundos. — Ele se preparou anos, foram anos de luta contra a balança, anos de aula de dança e toda a complexidade que existia dentro dele e no exato momento que essa crise apareceu, você… — parou, olhando para o amigo e apontando o dedo. — Também ficou em crise e não contou sobre a gravidez da garota.
— Ela me pediu para não falar nada com o . — tentou, vacilando nas palavras, mas ele no fundo compreendia a complexidade das crises que teve ao longo dos anos. — Era o sonho dele, ele sempre quis fazer parte de um grupo e a vida inteira esperou por isso. Se eu tivesse contado naquele momento eu estaria destruindo tudo o que ele sempre quis. — Vagamente ele foi ficando em silêncio também, lembrando da crise que estava por saber da gravidez e do pânico por achar que aquele filho seria um grande problema para a carreira do amigo. O choro dela e o desespero em suas palavras, implorando para que ele não falasse a respeito disso com e toda a confusão que seu coração estava deixou a sua cabeça ainda mais pesada. — Eu entrei em pânico, o entrou em pânico e tudo o que ele falava eu apenas concordava e eu não consegui reagir, de um lado eu tinha a decisão de contar a verdade e do outro de manter um segredo.
— Meu Deus! — agora colocou-se, em pé andando de um lado para o outro. — O que falta nesse grupo é diálogo. — Ele parou de frente ao amigo, tentando buscar palavras, reações e sentidos. — Olha a complexidade de tudo o que aconteceu? E mesmo assim você carregou isso tudo durante anos? Por que você fez isso, ? O chorou muito pela decisão de escolher a carreira ou a namorada. Ele chorou muito por esconder dela o contrato.
— Ele chorou tanto e eu me senti tão culpado por vê-lo daquele jeito. Eu sabia que o coração dele estava em pedaços e que naquela assinatura ele não pensou só nele. — agora abaixou a cabeça, sentindo um peso em suas costas. Lembrou-se da noite das assinaturas e de como os olhos de estavam vermelhos de tanto chorar. — Ele sabia que se não assinasse aquele papel não iria só interromper o sonho dele como de todos nós. O BTS já tinha acontecido, o grupo já estava formado e ele sabia o quanto todo mundo deu duro para conseguir o seu lugar em meio a todas as barreiras que enfrentamos para debutar.
— Os dois ficaram apaixonados. Você contou para o sobre os seus sentimentos e viu que era tarde porque já não tinha o que ser feito, mas algo dentro de você ainda tinha esperanças que o seu melhor amigo não fosse se envolver com a garota. — recapitulou em voz alta os acontecimentos tentando manter a concentração dos pensamentos. — Ele acabou envolvendo-se com ela e depois de algum tempo de relacionamento ele descobriu que precisava escolher entre ela e o contrato de três anos em um grupo, ok. — De olhos fechados começou a fazer gestos com as mãos, tentando explicar novamente a ordem cronológica. — Os dois ficaram em crise dentro de um carro, ele com medo de perder seu grande sonho e você com medo de estragar tudo e não sabendo se escolhia o amigo ou a amiga. — Novamente ele fez uma pausa, respirando fundo. — O BTS debutou e você recebeu uma ligação meses depois, saiu correndo e foi direto para Boston. — Agora de olhos abertos ele encarou o rosto confuso e sem vida de . — O que aconteceu em Boston? Ela perdeu a criança e depois?
— A me ligou desesperada pedindo que eu fosse para Boston porque a estava internada e precisa de mim urgente. — Ele fez uma pausa, não conseguindo mais abrir os olhos e encarar os amigos. Aquela frase ecoou por toda a sua cabeça e o seu único pensamento foi a imagem de saindo da sala de cirurgia em uma maca. O grito dela por todo o hospital e a crise de choro que deu sequência durante toda a madrugada era algo que ele não conseguia esquecer nem hoje e nem um milhão de anos pra frente. A dor em sua voz, o choro e o desespero em saber que tinha perdido o filho e o momento que ela gritou pedindo para que pudesse trocar de lugar com a criança.
— E você foi e mentiu para o que estava indo viajar para encontrar um primo. — recordou do desespero do manager em conseguir passagens de última hora na madrugada. — Porque nesse momento ao invés de você correr sozinho para Boston… — fechou uma das mãos nervoso e irritado. — Por que você simplesmente não chamou o pai da criança para ir junto? Por que afinal, você não contou para o pai da criança que o filho dele tinha acabado de falecer?
, eu nem ao menos sabia naquela ligação que o bebê tinha falecido. — Aquela palavra saiu de um jeito tão amargo e sofrido pela garganta de que ele não quis novamente falar a palavra “falecido” nessa noite. — Eu só descobri o que aconteceu quando cheguei no hospital e a vi sendo levada para o quarto depois da cirurgia. Tudo o que a me disse no telefone foi de uma emergência e nada mais sobre o bebê. E naquele momento eu nem cheguei a pensar em nada.
— Novamente o momento. — foi para o outro lado da sala e socou a parede que estava bem a frente. — Você mentiu, . Você escondeu e você teve todos os momentos para revelar isso. Como você não pensou em nenhum momento que futuramente ele iria descobrir e te odiar pelo resto da vida? Como achou que nossa carreira iria ficar depois de todas essas mentiras? O clima entre a gente? O carinho, a admiração e a confiança?
— Qualquer coisa que eu tivesse feito naquele momento eu ia acabar sendo um monstro. Hoje, ontem, mês passado ou três anos atrás. — A dor em seus olhos foi a mesma dor que ele sentiu ao ficar parado olhando a garota gritar e chorar dentro do quarto em Boston. — Minha alma, meu coração e minha vida transformaram-se em vários pedaços que eu não sei como reconstruir. Eu estive ao lado do meu melhor amigo em momentos importantes, únicos, verdadeiros e vivendo com ele todos esses sonhos. Estive ao lado dela, juntando os pedaços de um coração partido e de uma morte. Vendo-a sofrer, definhar e cada vez mais se afundar em tratamentos, remédios, complexidades e um fundo de poço. Eu, sempre eu, o grande e único monstro envolvido em um triângulo amoroso. E tudo o que restou pra mim hoje em dia é a culpa, o monstro e a pessoa que aos olhos de outras pessoas fez tudo isso porque não quis aceitar que perdeu a garota para o melhor amigo. — O sorriso fraco em seu rosto foi a única expressão que surgiu no momento. As forças que buscou durante toda a noite aos poucos foi desaparecendo e agora ele não conseguia sentir nada mais a não ser a enorme dor em seu peito. — É isso que vocês acham que eu sou. Um monstro, pior amigo do mundo, egoísta, imaturo e como disse o , um estepe. Então, eu sei de tudo isso e não preciso de ninguém para me destruir, eu fiquei destruído no momento que precisei escolher entre duas amizades. No momento que aceitei guardar um segredo. No momento que eu peguei aquele avião e fui para Boston sem o , no momento que eu entrei em conflito dentro daquele carro. Tudo, errei em tudo. — A voz agora estava um pouco mais alta e tinha os olhos marejados de lágrimas. não era capaz de falar nada e as lágrimas rolaram por toda a extensão do seu rosto. — Não tem explicação do que eu fiz, não tem porque eu não me culpar e não existe nenhuma parte de mim que está completa por saber que o está trancado em um quarto chorando por algo que eu fiz. E isso me mata, me destrói por inteiro. Porque eu só consigo lembrar em como esses dois se amam e deviam estar juntos nesse momento, dividindo esse luto, mas ambos estão separados lutando contra essa perda. Cada um trancado em seu quarto sabendo que nada mais vai ser do mesmo jeito, achando desculpas, segredos e situações para ficarem afastados um do outro. Ela sabe que em algum momento vai precisar contar a verdade e quando acontecer isso é realmente o fim de tudo e de qualquer sentimento que ainda existe entre eles.
— E dessa vez você vai ficar do lado de quem? — quebrou a barreira do silêncio, fazendo a pergunta que todo mundo com certeza queria ter feito. — Dessa vez, . Na mão de quem você vai segurar?
— De ninguém. — Ele disse firme agora, levantando do sofá e indo em direção as escadas. — Hoje eu só preciso que vocês cuidem do e que lutem por ele. O que eu quero é essa promessa de que vocês vão fazer a escolha certa dessa vez, tudo o que ele precisa é saber que não está sozinho e que existe um mundo para ser vivido e que todos os dias ele precisa acordar e ver o quanto é importante que ele continue lutando. — Um sorriso fraco em meio às lágrimas e uma respiração profunda antes de contar os seus planos marcou aquele momento quando todos olharam para ele sem entender. — Eu preciso de um tempo de tudo o que aconteceu. Preciso colocar a minha cabeça no lugar, ficar sozinho em algum lugar do mundo e não me envolver mais entre a e o . Eu não posso ser amigo de ninguém no momento. — Ele foi sincero, recebendo o olhar negativo de . — Depois de anos eu resolvi que não quero mais me envolver em mentiras e eu só preciso sumir no mundo por algum tempo e começar a viver a minha vida sem essa sombra. E depois voltar e pedir perdão para o meu amigo. — O silêncio nesse momento foi tão extenso que ele olhou de relance para o rosto de cada um que estava ali presente naquele momento. — Cuidem do grupo. Cuidem do e de uma vez por todas, me perdoem por eu ter feito escolhas erradas.
— Nós estamos com você, . — levantou o olhar e a tristeza que estava sentindo era tanta que não conseguiu esconder, caindo em choro logo em seguida. — Não vou te julgar e muito menos falar quem foi o errado em toda essa história. Eu só quero que a gente volte a ser um grupo e meu coração ainda existe uma esperança que você e o voltem a conversar. E ainda tenho esperanças que o amor não tenha acabado entre ele e a .
— O amor entre eles ainda não acabou. — sorriu, agora subindo o primeiro lance de escadas. — O que acabaram foram as mentiras e os segredos. — Sustentando o olhar dos amigos ele subiu em direção ao quarto, sabendo que não iria demorar muito para desmoronar em choro. — Arrumem a casa enquanto eu arrumo os meus conflitos! Eu amo vocês. — Ele gritou do andar de cima, sentindo os seus joelhos começarem a falhar e o seu coração acelerar. sabia que era o melhor momento para que ele ficasse longe de todos e buscasse um pouco de paz para o seu coração. Ele não queria mais sentir esse conflito, esse desespero e essa angústia que a cada dia começava a crescer dentro do peito de uma maneira descontrolada e sem limites. Isso o acabaria levando para um caminho escuro e amargo, e ele não conseguia permitir que toda a sua vida fosse resumida em erros. Em algum momento ele sabia que iria retornar e acertar as coisas, ser honesto, sincero e pedir perdão por esse erro. — E , me perdoe por favor. — Ele disse tão baixinho em forma de sussurro. — Eu sei o tanto que eu errei em não contando a verdade e tudo o que eu queria era ficar ao seu lado nesse momento, mas eu não tenho condições. Eu preciso crescer, preciso aprender com esse erro e acima de tudo começar a me perdoar por ter me envolvido entre vocês dois. — retirou o celular do bolso e ainda respirando fundo buscou o número de na agenda de contatos. — Eu só preciso te dizer, até logo.
Encarando o teclado em sua frente ele limpou algumas lágrimas, começando a digitar uma mensagem para o amigo.

“Não deixe que a escuridão tome conta do seu coração. Não deixe que a sua dor seja maior do que a sua esperança e o seu sorriso. ainda precisa brilhar, cantar, sorrir e lutar pelo seu amor. Eu acredito em você, acredito nessa força e acredito no perdão.”

Com os olhos marejados e sem condições de enxergar as teclas, ele encostou-se na parede, buscando forças para terminar a mensagem.

“Eu preciso do meu amigo. Porque tudo o que estou levando comigo nesse momento é a esperança de um dia ainda ser chamado de irmão. Não irmão de qualquer pessoa, mas pelo meu irmão que aprendi a amar. Você, .”


Capítulo 15

Nove meses depois…

Deitado no sofá com as pernas cruzadas uma na outra e com as mãos atrás da cabeça, em silêncio analisava o teto branco do quarto, já cansado de ficar naquela mesma posição durante várias horas do seu dia. Pensar na vida, na carreira e em todas as complicações transformaram os dias mais longos e as noites mais intensas. Onde o silêncio dominava cada cômodo daquele imenso apartamento, apesar de não assumir publicamente, ele estava gostando de ter a presença de morando com ele durante todos esses meses. Saber que existia a companhia do amigo, deixava o seu corpo mais relaxado e também tranquilo. O silêncio não estava deixando o seu coração calmo e nem sua mente descansar durante as noites longas e frias de Seul. Ele passava horas, horas e mais horas naquela mesma posição e nem notou quantos meses passaram depois de tudo o que tinha descoberto e acontecido. Ele não sabia sobre , não sabia sobre sua carreira e muito menos sobre o que estava acontecendo com a garota em Boston. Pensar em era tão perturbador, até mais do que o silêncio da madrugada onde sua mente criava situações e pensamentos que o levavam ao desespero e crises de choro durante a maior parte do tempo. sabia que, mesmo com o fim e com o rompimento de qualquer contato com , em algum momento e em alguma situação ele queria ter a chance de dizer para a garota o tanto que sentia e também como seu coração estava em pedaços com essa perda. Achar que tudo ficaria bem? Que ela o perdoaria? Ele soltou um longo suspiro, sabendo que nada voltaria a ser como antes. E tudo o que ele podia lidar no momento era com as sombras desse passado e torcer para que o tempo estivesse ao seu lado. No tempo ele buscava forças, coragem e a Deus ele pedia que sua vida voltasse a ter um significado.
Uma Luz.
Uma esperança.
Um perdão.
Toda a dor em seu peito e a culpa, surgia em forma de súplica e questionamento sobre “O que teria acontecido se ele não a tivesse deixado naquela noite?”
Talvez, se ele tivesse usado outras palavras ou até mesmo ter pensado em outras soluções para o relacionamento deles. Talvez, novamente o “talvez” e sua cabeça gritou em dor para que ele parasse de pensar na garota e nesse “talvez”.
Talvez, simplesmente talvez, nada pudesse ser feito para garantir a sobrevivência da criança. E tudo, no fim, aconteceria como teria que acontecer. A perda. A culpa e aquele vazio que gritava em seu peito. Hoje, depois de anos, nada mais adiantava. Nada podia ser feito e o que restou foram somente mágoas e mentiras. Dor. Receio. Culpa e um relacionamento doente e fraco. O fim daquela paixão e o ponto final daquele amor.
— O que teria acontecido em nossas vidas se eu não tivesse desistido do nosso amor? — Ele disse em voz baixa, como um sussurro querendo que ninguém mais escutasse a não ser somente ele. fechou os olhos de repente. Não era capaz de controlar o nervosismo que insistiu dominar seu corpo. Ele sentia dor. Uma dor horrível no peito toda vez que a imagem dela formava em sua mente. Tudo estava errado e a maneira que ele estava comportando-se nesse instante também estava errada. Querendo novamente sentir-se confortável, ajeitou algumas almofadas debaixo da cabeça voltando, a ficar na mesma posição que antes. Agora ambas as mãos estavam cruzadas em cima do seu abdômen e ele podia novamente voltar para o silêncio e as lamúrias dos seus pensamentos.
Vida.
Carreira.
Grupo.
Amigos.
Paixão.
Ele soltou um suspiro ao pensar no rosto dela. A única lembrança que estava em sua mente era de quando ela tinha dito que o amava. A forma que os lábios dela mexeram ao dizer essas palavras o levou ao clímax. A vontade incontrolável que surgiu em seus braços e ele a segurou firme contra o seu peito, massageando, beijando e amando cada parte do seu corpo. Escutar da garota o “eu amo você” era a única lembrança que ele sabia que não seria possível esquecer.
— Eu preciso viver. — Ele soltou um longo suspiro, sabendo que tudo o que estava lembrando era errado. — Eu preciso voltar com a minha vida, preciso de alguma maneira sair dessa casa e enfrentar tudo o que aconteceu. — Sozinho, ele tentava buscar uma determinação e coragem para levantar-se daquele sofá e fazer alguma coisa diferente com a sua vida. Ficar ali, sozinho e remoendo o passado estava sendo autodestrutivo e em algum momento ele iria desistir de tudo, ou simplesmente ficar cansado e largar de lado o que lutou durante muito tempo para conquistar. — , você não é mais uma criança e tudo o que aconteceu só é um motivo para que você não faça as mesmas escolhas. Desistir? Você vai desistir novamente? O que restou em sua vida para desistir? Sua carreira? Seus amigos? Sua música? — Ele riu de nervosismo, levantando o corpo e agora sentando direito no sofá. Colocou uma das mãos na nuca e bagunçou um pouco o cabelo, começando a ficar irritado. — Que droga! Você é uma droga, . Um babaca! — Nervoso ele deu um pulo do sofá caminhando de um lado para o outro da sala. Ele estava cansado, triste, machucado e ficar ali sozinho só alimentava o seu coração de tristeza e enchia os seus olhos de lágrimas. Ele precisava sair daquele apartamento, respirar um pouco de ar puro, livrar seus pensamentos dessa solidão e pensar em maneiras diferentes para conseguir conviver com essa culpa. Culpa por ter sido um idiota e ter perdido um filho e a mulher da sua vida. E agora ele precisava não ser o culpado por destruir a carreira dos amigos. , pegou sua jaqueta em cima da poltrona do outro lado, colocou um boné preto na cabeça e determinado, pegou as chaves do carro, não sabendo para onde ir. Se fosse seguir seu coração, provavelmente estaria entrando dentro de um avião e batendo na porta do apartamento de em Boston, mas a sua realidade era bem diferente. Então, ele apenas iria dirigir sem rumo na esperança que a sua cabeça fosse mais forte do que seu coração. E que o frio fosse o suficiente para que seu corpo voltasse a sentir todas as sensações do que era estar vivo. Por mais que seu coração estivesse em pedaços, em algum lugar do mundo existia uma pessoa que ainda sentia esperança que ele fosse capaz de brilhar e também perdoar.

terminou de ajeitar a mochila nas costas e enquanto esperava o elevador, olhou para o celular, notando que mandava mensagens desesperadas avisando que já o estava esperando há mais de quinze minutos. Dormir quase todos os dias na casa da namorada estava sendo quase uma rotina, daqui a pouco ele mesmo começava a acreditar que faltava muito pouco para que os dois morassem juntos. Parte de sua roupa já dominava o closet dela, sua escova de dente, sua mochila e até mesmo a sua caneca preferida já estava sendo parte do dia a dia do casal. O que mais estava faltando para que eles morassem juntos?
Praticamente o detalhe mais crucial e importante.
Assumir um relacionamento.
Ele, Idol e um relacionamento?
Em que mundo isso era possível? Como expor um relacionamento em meio a correria, carreira e tumulto que era sua vida? Como contar ao mundo que estava apaixonado se o mundo não permitia que ele tivesse esse tipo de sentimento? Como contar para a garota que sentia medo desse amor? O que aconteceria com a vida dela e também com a dele caso isso tornasse público?
Segredos. Mentiras.
Relacionamentos.
Carreira.
Tudo se resumia no fim do dia a esconder do mundo a maneira que seu coração batia acelerado por aquela garota. Esconder para o seu bem e para o bem dela esse carinho, esse amor e esse momento único que acontecia toda vez que ele fechava a porta do apartamento e a encontrava parada no sofá com uma xícara de café em mãos, ansiosa, apaixonante e eufórica.
— O que você tanto pensa? Daqui eu consigo enxergar a sua expressão preocupada. — Ela cortou o silêncio, envolvendo os braços em volta do pescoço de e puxando-o para mais perto do seu rosto. — Será que eu consigo deixar você ir embora? O melhor homem do mundo, da nação e da Coréia? — O contato com o corpo dele deixava o seu coração tão acelerado que ela perdeu a noção dos meses que passaram quando deu conta que realmente estava perdida e apaixonada por ele.
— Eu realmente sou o melhor homem desse mundo. — sorriu, puxando-a pela cintura e deixando um pequeno beijo nos lábios da garota. Pensar que ele nunca desejou outra coisa em sua vida a não ser apenas uma carreira de sucesso e agora uma grande paixão? Uma grande paixão não estava em sua lista e aquela benção só podia ter acontecido no melhor momento quando toda a sua vida estava de cabeça para baixo. — Cuidado que eu sou tão apaixonante e maravilhoso que é só eu respirar perto de alguém e essa pessoa cair de amor em questão de segundo. — Sorrindo, ele depositou um beijo no nariz da garota e ela abriu a boca ultrajada com aquele comentário. — Com um suspiro eu sou capaz de muitas coisas, garota!
, não foi exatamente o seu suspiro que me deixou apaixonada. — Ela entortou a boca, deixando que o sorriso invadisse o seu rosto. Estar com ele nos últimos nove meses tinha sido tão marcante que ela não entendia como seu coração batia tão rápido toda vez que ele sorria ou então falava com todas as letras do mundo que ela era a sua paixão. — O que me deixou apaixonada foi exatamente o garoto maravilhoso que você é, sua doçura, seu amor e tudo o que eu sempre busquei em uma pessoa. Confesso que eu relutei durante muito tempo para não sentir nada disso, mas no fim eu sabia que já estava me apaixonando sempre que eu ficava sozinha em casa. No silêncio eu conseguia pensar em você e sentia a sua falta quando encontrava o meu quarto vazio. — Com os lábios ela aproximou do rosto dele, tocando-os levemente em suas bochechas. — Ficar apaixonada por você todos os dias é a parte mais simples, a difícil é quando você vai embora pela manhã. — Ela fez um bico fechando a expressão e jogou a cabeça para trás sorrindo. — Por que você não fica comigo mais um pouco? Faz três semanas que eu não te vejo direito e sinto saudades do meu amor.
— Dengo, não gosto de ir embora. Só que você sabe como a agenda ficou louca com todos esses problemas com o , e o MV. — desculpou-se pela décima, vez explicando como a BH estava louca com os prazos, gravações e ainda o afastamento de não deixou muita escolha para a empresa a não ser usar efeitos e partes do que já estava gravado. — Tudo ficou confuso e agora que o resolveu começar a sair de casa e seguir a agenda de compromisso, sabe? Eu preciso ficar com ele, as coisas estão bem complicadas com o grupo e minha atenção e preocupação é saber se vamos conseguir lançar esse MV em três semanas, o é uma das peças fundamentais e a falta dele é algo que incomoda todo mundo.
— Eu entendo, amor. — Ela encostou o rosto no ombro dele, respirando fundo o cheiro daquele perfume. — Eu sinto a falta do e imagino o tanto que deve ser complicado para o grupo. E como deve ser complicado para o essa situação.
— O grupo ainda é um grupo, mas sentimos muito a falta dele.
— E ele não disse ainda para onde foi? — Ela perguntou curiosa.
— Eu e o sabemos onde ele está por causa do nosso manager que controla os cartões de crédito dele. — explicou, imaginando que essa curiosidade também era de . — Oficialmente ele acha que não temos ideia e acredito que seja melhor assim, ele e o precisam de um tempo.
— Como eles chegaram à isso? O sabia sobre o amor do e eu não entendo porque eles brigaram por isso. — Novamente a voz da garota parecia curiosa e especulando mais a fundo qual os motivos reais que levaram a briga entre os dois. — Não é? É uma coisa simples e eu não entendi porque o foi embora desse jeito.
— Acontece, dengo. — disfarçou, torcendo para que o elevador chegasse logo ao andar. Ele não havia contado para a namorada sobre estar sabendo sobre a gravidez e muito menos sobre a perda da criança, apenas guardou o segredo esperando o momento em que fosse capaz de contar a verdade à todos e principalmente a sobre estar sabendo de toda a verdade. — E esse elevador? O daqui a pouco vai começar a gritar se eu não chegar naquele carro logo.
— Ah, amor. — Ela fez bico, puxando-o. — Será que antes a gente pode fazer alguma coisa no quarto? De repente algo rápido e quente?
— De novo? — afastou o corpo dela, assustado.
— De novo o quê?
— De novo você pensando em sexo!
— Oi? É sério? — Ela cravou as unhas no pescoço dele com vontade. — Quem manda você ter um corpo desses? E essa boca? E essa bunda? Me deixa de fogo.
, eu preciso respirar um pouco…
— Você anda querendo me dispensar? — Ela abriu a boca perplexa.
— Dengo, às vezes eu preciso recuperar o fôlego, sabe? — tentou explicar sem parecer grosseiro e sem dar a entender que ela estava cobrando sexo de novo e não tinha nem doze horas da última vez que eles rolaram pelo tapete da sala do apartamento dela. — Prometo que quando eu voltar à noite…
— Na sacada? — Ela o interrompeu.
— Na sacada.
— Combinado. — Ela comemorou.
O elevador parou no andar e antes de entrar, despediu-se da garota. Deixou um beijo longo e apaixonante em seus lábios e correu apertar o botão para fechar a porta e uma última olhada e um sussurro de “eu te amo” por entre os lábios selou a despedida e finalmente ele estava descendo para encontrar .

Frustrada e um tanto acomodada no sofá, tentava compreender os assuntos do coração e de como a vida de era complicada demais para uma garota de apenas 25 anos de idade. Passar pelo processo de gravidez, mudança de país e uma carreira tão complicada que escolheu seguir, não era por menos que ela tivesse crises existenciais e também algumas mechas brancas na cabeça. Só o stress de ter sido ex namorada de um famoso, ter engravidado, perdido a criança, o melhor amigo apaixonado, a melhor amiga uma maluca e ainda passar por tudo isso sem a presença da mãe ao seu lado. Realmente, não tinha como deixar de ficar abalada com uma carga emocional tão pesada e intensa. Sem contar que como não ficar abalada com sendo tão lindo e maravilhoso daquela maneira? Só sendo uma maluca para ver o tanto que ele era sexy e tinha uma boca perfeita.
— Compreensível não querer ninguém…
— O que foi, ? — perguntou, não entendendo nada do que ela tinha resmungando tão baixinho.
— Garota, como em nove meses ainda não conseguimos achar ninguém? — frustrada colocou os pés em cima da mesa de centro do apartamento de e jogou a cabeça para trás, encostando no sofá. — Como você consegue ser tão irritante e não querer apaixonar-se de novo? O que o tem? Membro de ouro? É alguma bruxaria?
, por que sempre temos que falar em ? Você não ajuda e eu já te expliquei em todos esses meses os motivos para não me apaixonar novamente. — surgiu da cozinha com um balde pipoca na mão e um suporte com duas garrafas de cerveja. — Ele é parte do meu passado e não quero mais viver com essa sombra, preciso ser livre!
— Eu entendo a parte que você quer viver e esquecer o seu passado, aliás, eu concordo muito com isso e foi a sua melhor decisão nesses meses. Decisão que você demorou a tomar, respeitei o seu tempo de dor e sofrimento. — Ela balançou a cabeça, concordando, e rapidamente pegando uma das garrafas. — Só que nós sabemos que o seu coração ainda bate acelerado por aquele garoto e o que eu não entendo é porque vocês ainda não estão juntos? Qual é o seu medo? O amor ainda não acabou entre vocês. — O olhar que ela lançou para foi exatamente o mesmo olhar que sozinha de frente para um espelho ela fez ao encarar o seu reflexo depois de longos meses sem saber do que estava acontecendo com , e Seul. Como explicar para ela em poucas palavras que não existia mais qualquer sentimento bom entre eles? Como explicar que em meio a toda essa confusão o que tinha restado em seu coração era só a vontade de voltar para Seul a fim de demonstrar para o seu grande amor que ele era o culpado por tudo o que tinha acontecido de ruim. Que a culpa era dele por ela ter perdido a criança e que também, era o culpado por ter entrado em sua vida daquela maneira e tê-la abandonado sem nenhuma explicação. , seu grande sonho e também seu maior pesadelo. Hoje, nove meses longe de todo esse passado. Ela compreendia que sua volta para Seul transformou a vida de todos em um verdadeiro inferno. E nada ficou diferente, o culpado não tinha sido ele. A única culpada da história toda era somente ela, ela e a sua frustração por ter sido deixada em segundo plano. Ela, por ser a culpada por estar entre uma amizade única e verdadeira. Ela, por ter se apaixonado por e negligenciar todos esses anos os sentimentos que sentia em segredo. Ela, somente ela durante todos esses anos guardando em seu peito uma mágoa e um rancor por . E sua volta para Seul só demonstrou para o seu coração que não importava o tempo, a distância ou a mágoa. ainda fazia o seu coração bater acelerado e suas pernas ficarem fracas. Ele ainda usava o mesmo perfume, tinha o mesmo toque e os seus lábios quentes e úmidos tinham o mesmo gosto. , mesmo com o tempo ainda seria a sua única escolha e não existia outra pessoa no mundo que a tirasse de foco a não ser somente aquele rosto angelical e aquele sorriso que ela viveria uma eternidade toda observando. Ela também viveria uma eternidade na esperança que um dia voltasse para os seus braços e que o seu coração voltasse a amá-lo da maneira certa.
, o que adianta ele bater? Nós chegamos a uma conclusão que precisamos de um tempo e tudo o que eu preciso nesse momento é esse tempo longe desse sentimento. — Ela iniciou a conversa depois de longos minutos em silêncio. não queria mais ficar perdida com toda aquela carga emocional, durante noites ela buscou exatamente o equilíbrio e a coragem necessária para encarar e compreender todos os acontecimentos. E hoje o espaço que estava reservado em seu coração era somente único e exclusivo da sua vida em Boston. — , eu me sinto livre e a única coisa que ainda deixa o meu coração preso ao é esse segredo, e eu sei, que em breve eu vou criar coragem e contar toda a verdade. O que eu fiz foi errado, eu não devia ter escondido sobre a gravidez e muito menos ter envolvido o em toda essa história. Tudo o que eu causei na amizade deles é algo tão deprimente que parte de mim fica em pedaços por saber que eu fui esse monstro, essa idiota e essa infantil que não enxergou que aquilo não era a solução. — Frustrada e irritada com o que tinha acabado de falar ela jogou-se no sofá ao lado da chefe que em tão pouco tempo já estava sendo sua amiga e companheira nos fins de semana. agradeceu por todas as noites no escritório e também por todas as conversas que teve com durante semanas intensas de trabalho. Ficar sozinha em Boston, chorar pela solidão e também por sua vida sentimental eram as únicas coisas que estavam em sua rotina diária. Além do emprego e de vários artistas insuportáveis que ocupavam a maior parte do seu bom humor. Agora com , que vivia em seu apartamento praticamente a semana toda, já era a companhia que buscava para não sentir-se ainda mais sozinha e presa em todos aqueles pensamentos que a não levavam a qualquer lugar. Somente uma dor que não podia existir mais em seu coração.
— Eu ainda acredito em amor verdadeiro. Acredito que é possível um coração voltar a bater acelerado pela mesma pessoa com um simples olhar, uma simples palavra ou uma declaração de amor sincera e verdadeira. — Olhando diretamente para a garota, disse pausadamente e claramente tudo o que ela conseguia enxergar no momento sempre que surgia o assunto sobre o assunto e . — Uma vez quando você encontra a pessoa que consegue deixar o seu coração em chamas é raro, muito raro essa chama apagar com o tempo. Talvez ela mude de cor, talvez ela fique um pouco fria e esquecida, mas jamais apagada. — Bebendo um pouco da cerveja que estava em suas mãos ela voltou a respirar fundo e olhar para a amiga que prestava atenção em cada palavra que saia por sua boca. Noites, noites e semanas em claro buscou fazer com que parasse de chorar e compreendesse tudo o que estava acontecendo em sua volta. Ela reconhecia que não era a melhor fã de e , mas por outro lado conseguia aceitar que todo mundo tem ao menos uma chance na vida de fazer escolhas erradas. E que esse triângulo nada mais era do que um grande erro. Erro por falta de confiança, erro por falta de diálogos e um enorme erro por envolver um filho, uma amizade e dois corações apaixonados pela mesma garota. — Hoje o que você sente é algo totalmente estranho, novo, confuso e é muito natural tudo isso. Com tudo o que aconteceu na sua vida nos últimos anos, não existiu espaço para qualquer sentimento bom pelo . Tudo o que você lembrava dele era exatamente com mágoa, dor e a perda do seu bebê. O na sua cabeça era o grande monstro que chutou você e o seu filho para longe, o monstro que não importou em nenhum momento com os seus sentimentos e com a criança que carregava dentro da sua barriga. Como é possível em meio a tudo isso existir algum sentimento? Algum carinho e amor?
— Tudo o que eu quero hoje em dia com o é ser verdadeira e sincera. Não sei o que ficou no meu coração, não sei que tipo de sentimento é esse…
— E que tipo de sentimento você sempre teve pelo ? — Outra pergunta e dessa vez, notou que ela afastou um pouco as costas do sofá. Tocar em assunto de era tão delicado quanto o assunto sobre o . — O que ele é na sua vida? Porque tantos anos ao seu lado e em nenhum momento foi sua primeira escolha?

.
— Não quero conversar sobre o , pensar nele me deixa… — Ela começou a falar e de repente escutou a campainha da porta tocando e mentalmente agradeceu aos céus por aquela intervenção divina.
— Não pense que você vai escapar dessa. — apontou o dedo para ela, mandando uma piscadinha na sequência. — é um assunto importantíssimo em nossas vidas, quem sabe eu consigo descobrir algo enrustido. Talvez um sentimento, talvez um amor…
— Talvez você calar a boca? — riu, jogando uma almofada nela e indo até a porta. Ao abrir deparou-se com o porteiro com uma caixa embrulhada em um papel preto e seus olhos ficaram surpresos ao vê-lo em pleno sábado trabalhando. — Tudo bem, Brendon? Como está seu fim de semana?
— Tudo ótimo, . — Ele respondeu educadamente, estendendo a caixa em direção ao corpo da garota. — Esqueci de te entregar ontem, essa caixa chegou cedo e como você estava saindo para trabalhar, achei melhor não te incomodar à noite.
— Ah, sem problemas. — Ela acenou com a cabeça e antes de fechar a porta olhou para a caixa estranhando o endereço do remetente. — Desde quando conhecemos alguém no Canadá? — Ela perguntou curiosa, recebendo um olhar ainda mais curioso de .
— Ok. Nós temos inimigos? Eu tenho inimigos? Você tem inimigos? — deixou a garrafa de cerveja em cima da mesinha de centro e caminhou até onde tinha deixado a caixa. — Tudo bem, não temos um nome e não conhecemos ninguém do Canadá. O que mais pode ser estranho na sua vida?
— Abre isso logo.
— Eu não. O apartamento é seu, então essa caixa é sua!
— Droga. — soltou um suspiro, cruzando os braços na frente do corpo. — Pode ser um presente… — Ela ia falando e sem ao menos esperar que ela terminasse de construir a frase e já estava rasgando todo o embrulho. — Gosto de você…
— É do ! — interrompeu novamente, entregando um pedaço de folha dobrada em várias partes. — O nome dele tá bem legível, e eu fiquei apreensiva só de tocar nesse pedaço de papel. Boa sorte. — Ela sorriu, buscando a bolsa em cima do sofá. — Vou buscar uma pizza, sorvete e alguns calmantes. Imagino que a noite vai ser bem longa!
— Eu te odeio! — disse, tremendo muito segurando por entre os dedos o pedaço de papel. O seu coração começou a bater em um ritmo mais acelerado e suas mãos suaram frio, não conseguindo ao menos segurar a folha. — O que aconteceu com você? Por que depois de todos esses meses você faria isso? — Apreensiva e preocupada ela tomou coragem para desdobrar a folha e soltou um longo suspiro lendo as primeiras linhas com muita atenção:

”Quanto tempo faz que você não recebe uma carta? Um bom tempo, não? E sabe quanto tempo faz que eu me preparei para te enviar essa caixa? Quatro, cinco ou até mesmo seis meses depois.
Hoje eu resolvi criar coragem e tomar uma decisão final que há muito tempo eu fingi que não estava acontecendo. E eu preciso compartilhar com você um segredo que eu guardo do , só que eu decidi que não posso apenas contar, você tem que ler e entender o que aconteceu com ele durante o tempo que vocês ficaram separados. Ele consegue ir além, ele consegue ser único, ele consegue mesmo depois de anos surpreender o seu coração. Será que você está pronta para enfrentar mais uma verdade? Será que o é realmente tudo isso que você pensa? Quem é por quem você é perdidamente apaixonada? Ele realmente te ama nessa intensidade? Bom, siga todas as instruções que eu listei e do fundo do coração eu espero que ele te surpreenda mais uma vez!”


Capítulo 16


A campainha tocou inesperadamente e a garota tirou os fones de ouvido, olhando rapidamente para a porta do apartamento assustada com o horário. Não era comum receber visitas, muito menos na madrugada. O frio no estômago surgiu e ela desejou nessas situações morar mais perto da família ou de algum amigo que pudesse ir imediatamente salvá-la de quem pudesse estar atrás daquela porta. Talvez fosse o porteiro, ou então uma pizza que erraram o número da casa? Qualquer situação que não fosse um ladrão ou um psicopata deixava o seu coração tranquilo.
— O que eu faço? — E novamente o barulho da campainha. Ela levantou-se criando coragem e caminhou até a porta, mentalmente também desejou que ali tivesse um olho mágico. — Droga de apartamento. Todo apartamento no mundo tem um olho mágico e eu fui escolher justo um que não tem nada disso? — Ela resmungou segurando na maçaneta. — Ok. Um, dois, três…
A porta foi aberta e a surpresa em seu rosto pareceu desaparecer.
— Confesso que é estranho vê-lo parado na porta dessa maneira. Só fico um pouco assustada, não é muito normal uma pessoa abrir a porta às 2:00 horas da manhã e encontrar parado que nem um fantasma. — Ela falou tão rapidamente ao vê-lo parado daquela maneira e usando aquele boné preto que cobria a maior parte do seu rosto. manteve ainda a cabeça baixa e não respondeu nada, apenas ficou em silêncio esperando ser convidado para entrar. — Entre, .
— Obrigado, . — Ele agradeceu, dando alguns passos para dentro do apartamento da garota. O cheiro do lugar era tão agradável que ele soube nesse momento porque as roupas de sempre chegavam com um cheiro incomum. — Andei praticamente a madrugada toda sem direção, passei por shoppings, praças, lojas e eu não sabia mais para onde ir. Pensei que iria achar paz em algum desses lugares, mas no fim foi tudo estranho. E quando eu estava voltando para casa me lembrei de você, . — Ele fez uma pausa no meio da sala, retirando o boné e olhando tudo atentamente a sua volta. Com os olhos ele buscava algum vestígio ou roupa espalhada pela casa de que estava ali em algum cômodo.
— Estamos sozinhos. — Ela garantiu, andando um pouco mais em direção à ele. Julgando daquela distância e também pelas marcas roxas embaixo dos olhos, logo imaginou que algo estava errado e que não tinha contado toda a verdade sobre o que realmente estava acontecendo com . — Você está bem? Não me parece que você tem uma boa noite de sono há um bom tempo, .
— Não diria que “bem” é a palavra correta. — Ele jogou o cabelo para trás e um sorriso fraco surgiu em seus lábios. Saber que estava ali naquele apartamento com trouxe recordações e sensações que tentou forçar para não surgir em seus olhos em forma de lágrimas. — E você? Como está? O seu apartamento é muito lindo.
— Muito bem. — Ela mordeu o lábio nervosa, achando que algo de errado estava acontecendo com ele. naturalmente era estranho, mas a essa hora da madrugada e com aquela aparência desleixada era algo incomum. — Você está com fome? Vou preparar alguma coisa pra você. Sente-se e fique à vontade, acredito que o não vai dormir aqui hoje.
— Muita fome. — Ele colocou a mão na barriga, notando que já não lembrava mais de quando tinha comido algo saudável pela última vez. — Eu posso ao menos ir ao banheiro lavar as mãos? Posso te ajudar a fazer alguma coisa.
— O que o mundo acharia disso? — Delicada com as palavras pela primeira vez, sentiu que naquele momento ele não buscava alguém que fizesse um interrogatório. queria apenas uma tranquilidade, um mundo paralelo onde pudesse ficar longe do seu próprio mundo. — Encontro você na cozinha. O banheiro é a primeira porta à esquerda. — Ele concordou, afastando-se e indo em direção ao banheiro enquanto suspirava fundo, não sabendo o que iria fazer de comida. Isso se ela ainda tinha algo saudável na dispensa. Ela caminhou de um lado para o outro, caixas, pacotes, latas e tudo o que achou perdido e interessante trouxe para o balcão da cozinha.
— Alguma coisa deve ser interessante...
riu ao surgir na cozinha e ver o desespero de em meio a panelas, pratos, talheres e enormes caixas de bolachas, panquecas, tacos, sushi’s e uma pilha de vários sabores de ramen espalhados pela bancada do fogão. Ela colocou as mãos na cintura e parada naquela posição com as pernas abertas parecia não saber o que estava procurando e muito menos o que iria fazer com toda aquela comida que tinha tirado da dispensa.
— Posso cozinhar e você fica sentada em um local seguro? — Ele perguntou, dobrando a manga da camisa e juntando algumas panelas em um canto do balcão onde não pudesse atrapalhar ninguém. — Aprendi quando viajei para os EUA que uma boa panqueca recheada com queijo é melhor que um churrasco.
— Me impressione, . — cruzou as pernas, sentando-se em um dos bancos que ficava em volta do balcão e com os olhos atentos a maneira que arrumava os ingredientes, ela começou a rir. Ele olhou para ela não entendendo nada. — Desculpa, sabe? É muito surreal você no meu apartamento a essa hora e ainda mais cozinhando. Quem no mundo iria pensar isso? Acho que a … — Ela cortou de repente a frase tampando a boca com uma das mãos. — Desculpa, eu não…
— Fique tranquila, . — Ele não sorriu e nem ao menos levantou a cabeça. Manteve-se na mesma posição e escutar aquele nome saindo pela boca de outra pessoa fez com o seu corpo ficasse congelado por alguns segundos. queria ter o controle e não sentir-se daquela maneira, mas tudo parecia tão intenso e ainda fora da sua realidade que só em escutar aquele nome trouxe um turbilhão de pensamentos e lembranças. E, ele pela primeira vez não sentiu que isso fosse errado. Lembrar-se de era o que ele exatamente estava procurando durante essa madrugada. — É quase impossível a nossa conversa acontecer sem que ela seja mencionada. Talvez… — Ele parou, agora levantando a cabeça e os olhos para o rosto da garota. estava apreensiva e o sorriso pelo canto da boca dele fez com que ela relaxasse um pouco o corpo.
— Talvez? — Ela questionou, levantando os ombros e esperando pela resposta. Já tinha falado o nome da amiga e nessa altura do campeonato não existia nada mais que pudesse evitar o assunto.
— Talvez seja isso que eu esteja procurando. Alguém para conversar e me lembrar de como era a minha vida quando estava com a . Como eu me apaixonei, como é ser do grupo BTS, como é viver nesse mundo complexo de mídia, fãs e escolhas. Como é tudo isso? Como existir um para cada situação? — perdido em meio a todas aquelas frases desconexas, entortou um pouco a cabeça escondendo algumas lágrimas que insistiram em aparecer sem serem convidadas. — Sabe aquela sensação de que seu mundo está de cabeça para baixo? E de repente tudo o que você precisa é saber exatamente como era a sua vida antiga? Eu preciso saber como é me sentir vivo novamente. Apaixonado. Determinado e cheio de sonhos e projetos. Em algum lugar eu preciso encontrar o único que preciso, o que é forte, verdadeiro e que está cheio de sonhos que ainda não conquistou. Eu só preciso dele nesse momento.
— E porque você não começa procurando esse nos pequenos detalhes? Por exemplo, desde quando sabe fazer panquecas de queijo? — perguntou, ainda sentindo-se chocada e ao mesmo tempo emocionada com aquelas palavras. Fez uma pausa antes de continuar falando e olhou para o lado oposto de , buscando algo sensato para falar sobre aquele assunto delicado. — É tão simples eu falar como vocês se apaixonaram. — sorriu, ajeitando mais o banco para perto do balcão e observando a maneira delicada e ágil que manuseava a frigideira. — Eu ainda lembro da ligação dela, os gritos e os suspiros às cinco da manhã. Acho que naquela madrugada foi quando vocês foram no cinema pela primeira vez, não me pergunta como eu sei de todos esses detalhes. Na realidade eu sei de todos os detalhes, principalmente você usando uma jaqueta preta, calças jeans claras e rasgadas no joelho parecendo que tinha acabado de sair de uma briga. — O sorriso inesperado apareceu e ela abaixou a cabeça quando não soube como reagir à todos os detalhes. Ele sabia sobre esse lance de “melhores” amigas conversarem sobre o “crush” e detalhar o primeiro encontro. Só era bastante estranho quando isso não acontecia somente nos filmes e doramas e fosse algo real. Por exemplo, os “detalhes” que provavelmente iria deixá-lo muito sem graça.
— Ela me disse que não esperava encontrar você daquela maneira, mas que o coração dela ficou tão descompensado que nem ligou para as roupas. ficou preocupada com o detalhe que tirou o seu sono durante várias semanas seguintes. — A malícia surgiu em sua voz nesse momento e sentiu suas bochechas começarem a corar. Sabia que agora era o momento que o deixaria totalmente sem graça e sem rumo. — Confesso que me tiraria o sono também. Fiquei do mesmo jeito quando comecei a me envolver com o , às vezes até hoje eu fico sem, dormindo pensando algumas coisas.
— Que detalhe? — Ele perguntou curioso, deixando a frigideira de lado e indo para perto de . Já o que o assunto já tinha chegado a esse ponto, porque não descobrir tudo de uma vez? — Quais? Como? O que deixou ela preocupada?
— Ela queria saber como era beijar o dono daquela voz maravilhosa e daquela boca perfeita, desenhada e tão sexy. — A garota disse imediatamente, não conseguindo deixar de rir com a expressão impactada de ao receber aquela confissão. Os olhos dele ficaram atentos e suas bochechas levemente coradas. Como falar aquilo daquela maneira? Assim? Sem preparação nenhuma? — Ah, . O que foi? Não vai me falar que você não teve os mesmos pensamentos? Você não é nenhum inocente.
— Não sou santo, mas não fiquei imaginando…
— Ficou sim. — o cortou, voltando a cruzar os braços na frente do corpo. — Ficou imaginando tanto que passou duas semanas mandando mensagens para ela. E posso confessar? Você é bem sem vergonha. Quer que eu lembre do conteúdo dessas mensagens?
— E, enfim. — Ele mudou o rumo da conversa, já perdido em meio a todas as massas e recheios, mensagens e tudo o que a garota falava. É claro que ele sabia sobre o conteúdo das mensagens e principalmente do que aconteceu no decorrer dos fins de semana depois delas. Todos os encontros e tudo o que rolou dentro do quarto de hotel. — Acho que estou com muita fome.
— Meses depois, quando chegamos à Seul. Ela me chamou para jantar e eu já sabia que o assunto seria . Óbvio? Claro. Ela estava apaixonada e eu era a melhor amiga para conversar sobre essa paixão. — Ignorando a insinuação e mudança de assunto, ela continuou recordando daquele dia em questão e mesmo depois de anos a imagem de contente e feliz continuava tão viva em suas lembranças. — Eu só precisei olhar dentro dos olhos da minha amiga e saber que esse garoto não era qualquer garoto. Esse “” era diferente, único e que aos olhos dela não existia outra pessoa no mundo para amar a não ser somente ele. — Ela falou tão tranquila e lentamente fechou os olhos para descrever em detalhes todas as expressões e palavras que a amiga usou naquele dia.

“Sabe como eu me sinto quando estou com ele? Como meu coração fica acelerado? Sinto minhas pernas ficarem fracas e tudo parece perder o foco. Eu não consigo controlar todas essas sensações estranhas que surgem sem ao menos serem convidadas. Sinto vontade de sorrir, gritar, pular e tudo o que eu faço é olhar dentro dos olhos dele e encontrar algo que me deixa totalmente aleatória e perdida. O meu mundo parece ficar congelado, meu cérebro parece não responder aos meus comandos e tudo o que faço é sorrir que nem uma boba. Esse é o efeito que o causa nos meus sentimentos e em meu corpo, ele é uma mistura de paixão, conquista, amor e loucura. Com ele consigo saber exatamente como é a sensação de amar e desejar um único homem. Ao lado dele minha pele entra em choque e quando eu sinto os lábios de explorando cada parte do meu corpo, ah. É uma sensação tão prazerosa que nem consigo descrever. A eletricidade e as famosas borboletas no estômago são só algumas das pequenas coisas que eu consigo sentir quando e estou com ele. O é único, complexo, intenso e um amor tão profundo que eu nunca pensei que sentiria isso por outra pessoa. Nele eu busco o meu coração, e em seus olhos eu me vejo a todo momento e suas palavras são tão doces e carinhosas que me deixa sem ar. Ele é todo parte do meu sonho, da minha busca e se realmente existir apenas um amor em toda a nossa vida, , com certeza é o meu amor.”

Respirando fundo depois de descrever palavra por palavra, levantou os olhos para o rosto de e aos poucos sentiu-se péssima por trazer à tona todas aquelas lembranças. A tristeza em seu rosto e a emoção trouxe uma crise de choro que não era intencional da garota. queria apenas que ele soubesse o significado que tinha na vida da garota e mesmo sabendo que tinha feito da maneira correta, não deixava de sentir esse aperto no coração ao vê-lo com as mãos no rosto e o barulho abafado de um choro longo, doloroso e carregado de surpresas e arrependimentos.
— Durante muito tempo eu te julguei sendo o maior culpado por tudo o que aconteceu na vida da minha amiga. E hoje em dia eu vejo que você foi tão vítima quanto ela nessa história toda. — Quebrando o silêncio e a distância, ela deu a volta no balcão, parando exatamente de frente para ele e segurando em seu ombro. — , você não precisa buscar qualquer outro “”. — Sorrindo e mantendo a serenidade nas palavras, ela passou uma das mãos no cabelo do garoto, não acreditando que o destino estava brincando dessa maneira com a sua cara. Quando na vida iria imaginar que estaria em seu apartamento, cozinhando, chorando e ela estaria daquela maneira, preocupada, emotiva e com o coração apertado ao vê-lo daquele jeito? — Não existe uma pessoa no mundo que não fique apaixonada por você. Não falo isso por causa do choro ou pelo meu coração apertado em ver você sofrendo assim. Digo isso na sinceridade. O tanto que você lutou durante os anos para conseguir realizar o sonho de debutar em um grupo? O que você teve que sacrificar por esse sonho? Será que existe outro “” que faria tudo o que esse fez? — Ela perguntou, tentando controlar a emoção e as lágrimas que também começaram a surgir por toda a extensão do seu rosto. Chorar naquele momento estava fora de questão. — Não existe qualquer outra parte sua ou qualquer outro alter ego que tenha lutado e vencido dessa maneira. Nunca vai existir outro que tenha essa determinação, coragem e perseverança. Então, não busque por alguém diferente. — Seguindo a linha dos seus pensamentos e sentimentos ela fez uma pausa, buscando um pouco de coragem para terminar aquela conversa e expressar tudo o que nunca havia consigo dizer para ele em todos esses anos. Era difícil até mesmo para ela aceitar a fragilidade de naquela conversa e nem ao menos sabia se depois de tudo aquilo ele iria ficar bem. Ela apenas não podia ficar em silêncio.
— Eu… — Ele tentou falar e nada saiu.
, o mundo já é apaixonado por sua música, sua voz, seu sorriso e o seu encanto. Não deixe de sorrir, viver, amar e ser feliz. Mesmo que tenha segredos, mentiras, dor e sofrimento no seu passado. Passado é passado. Ele só existe para você viver no presente sendo uma pessoa melhor e diferente. Mudanças são necessárias, chances são dadas e o perdão é a maior prova de que o ser humano é capaz de amadurecer e aprender com os erros. Liberte-se. Perdoe. Lute e busque novamente aquele sorriso que é a sua marca registrada. O mundo precisa desse sorriso. O mundo precisa do seu Idol, volte a ser o e volte a brilhar nos palcos. É tudo o que você precisa para seguir em frente. — A respiração da garota ficou ofegante e ela soube que não era possível mais segurar a emoção nas palavras e nem a sensação de peso em seu coração. Puxou o garoto para um abraço e o choro dele pareceu ficar mais alto e intenso. O corpo estremeceu e ela o envolveu ainda mais com os braços. Em silêncio deixou que aquelas lágrimas fossem a solução que encontrou para tirar do peito o que finalmente o estava impedindo de seguir em frente.

Com as mãos trêmulas e com a respiração desigual, buscou preencher o ar que estava faltando em seu peito e lentamente desdobrou a outra parte, buscando essas instruções que ele havia escrito. Em sua cabeça ela queria ficar pronta para essa verdade, mas algo dentro do seu peito bateu freneticamente assustada com o que iria encontrar. Saber algo sobre , sobre o que ele escondeu todo esse tempo? Será que era realmente necessário? O que aconteceria se ela apenas ignorasse aquela carta e aquela caixa?
— Droga!
O ar no apartamento ficou um pouco mais frio e ela respirou fundo mais uma vez. Ela precisava saber o que estava acontecendo com e também saber porque ele estava disposto a contar essa “verdade”, talvez fosse algo importante. Ela não podia simplesmente fingir e fugir daquela carta. Tudo já tinha chegado ao fim, e nada do que estivesse escrito ali mudaria qualquer situação ou qualquer outro sentimento.
olhou para a caixa e fez novamente uma pausa, controlando algumas lágrimas que surgiram por seus olhos. Ela buscava um autocontrole emocional para essa nova surpresa do seu passado. E se tudo foi uma grande mentira? E se, nunca foi sincero sobre os sentimentos? O papel em sua mão começou a se desdobrar e ela buscou focar a sua atenção e não desistir daquela leitura.

Todas as instruções estão listadas abaixo. Por isso, preciso da sua atenção:
1- Dentro dessa caixa tem um notebook e a senha dele é o seu nome.
2- Esse notebook é do , não me ligue. Não faça perguntas e muito menos avise o que você está com ele.
3- Na área de trabalho você vai encontrar um arquivo com o seu nome e dentro desse arquivo você vai encontrar uma pasta com a data de 2015.
4- Dentro dessa pasta você vai encontrar outras 12 pastas, cada uma com o título do mês referente.
5- Dentro de cada mês, você vai encontrar a variação de 28, 30 e 31 arquivos diferentes.
6- Não me ligue.
7- Leia tudo.
8- Depois que você ler tudo e ainda existir uma esperança dentro do seu coração. Mostre que esse amor ainda não acabou.
9- Seja feliz, eu te amo e sempre vou te amar.
10- Só existe porque gosto de números pares.

Isso é tudo o que eu posso fazer por vocês dois. Agora eu me retiro desse triângulo e vou ser apenas o amigo que vai estar torcendo para que esse amor tenha resistido ao tempo, à dor e todas as mentiras e escolhas erradas. Eu te amo, garota. E meu amor por você nunca vai ser esquecido ou apagado do mundo. Mas, existe uma pessoa que nasceu para te amar e fazer feliz. O único que tem o poder de transformar as suas lágrimas no mais lindo sorriso e só ele tem a facilidade de fazer o seu coração bater acelerado e suas pernas ficarem fracas apenas com um suspiro. Ele é parte dos seus pensamentos, ele é a sua última lembrança ao dormir e a primeira ao acordar e não existe outra pessoa nesse universo que você queira amar a não ser ele. tem o seu coração e já passou da hora de você reconhecer isso. O mundo precisa de uma segunda chance, todos nós precisamos de perdão e hoje pode ser o dia que você perdoe o . Ele também precisa de uma segunda chance por ter feito escolhas que te deixaram magoada. Hoje, por favor. Esqueça o seu passado, sua vida, suas dores e o seu sofrimento. Lute por esse amor, faça que ele volte a queimar dentro do seu coração. Não deixe que sua mágoa seja maior do que esse sentimento. O que existe entre você e o é algo tão forte que ninguém no mundo consegue compreender, por isso:
Perdoe.
Lute.
Ame.
Viva.
Nesses arquivos você vai encontrar o verdadeiro , e eu espero que dessa vez você tome a decisão certa.
.


Capítulo 17

Se você não pode voltar,
você precisa encontrar a melhor maneira de
seguir em frente.


O notebook de estava ligado e ela não conseguiu entender qual era a necessidade daquele notebook e nem qual importância que continha em todas aquelas pastas. Como havia dito na carta, digitou o seu nome na senha principal e ao terminar de ligar notou a proteção de fundo com uma foto dela deitada na cama do quarto dele em Seul. Sua respiração começou a ficar pesada e ela posicionou o mouse diretamente para a única pasta com o seu nome na área de trabalho. A primeira pasta tinha a data de quando havia terminado com e também da mudança dela para Boston. O tremor surgiu em suas pernas e ela precisou respirar fundo algumas vezes, criando coragem seguindo as instruções. Com um clique a primeira pasta abriu, dando sequência ao mês de janeiro. O primeiro arquivo estava datado em 17 de janeiro de 2015, esse dia que ficou gravado em sua memória como o fim do seu relacionamento com . E mais um clique e o arquivo abriu mostrando um texto longo e tudo em sua volta pareceu sair de foco.

17 de Janeiro de 2015
Oi, amor.
Não sei bem como começar esse e-mail, chega a soar ridículo, porque vou escrever neste bloco de notas e nunca criar coragem de enviar para você. Sabe? É a primeira vez que eu escrevo algo sem ser letra de uma música e sinto que tudo o que preciso é jogar tudo o que eu estou sentindo nesse momento.
Amor? Bebê? Minha paixão?
Não faz nem duas horas que você se foi e eu já consigo me sentir estranho, talvez esteja com medo porque acabei de perder o motivo do meu melhor sorriso. Talvez, o choque e a sensação que percorre o meu corpo esteja mostrando que eu acabei de perder a única certeza que sempre tive em minha vida. A certeza que eu encontrei a mulher ao qual o meu coração bateu de maneira diferente no instante que eu vi parada naquele café. Talvez, eu não tenha mais esperanças sobre o meu futuro. Sobre o nosso futuro. E sobre tudo o que acabou de acontecer em nossas vidas. Sinto que não consigo nem sorrir de maneira sincera e prazerosa. Qual o motivo de sorrir se me sinto incompleto, inseguro e em pânico com a ideia de acordar pela manhã e não encontrar você ao meu lado? A única coisa que eu penso é como vai ser amanhã? Meu celular não vai tocar. O “bom dia” não vai existir. O café vai ficar amargo. A cama vazia e eu não vou criar esperanças e expectativas daquele dia, porque a minha única vontade e razão não vai existir e nem estar ao meu lado, você.


apoiou a cabeça com um dos braços e sem seguida fechou os olhos para que não pudesse enxergar mais nada. Ela não podia deixar que seu coração ficasse eufórico daquela maneira. Ela não podia deixar que aquelas palavras tivessem a força de mudar suas decisões e tirar a sua paz. Sua atenção ainda estava totalmente voltada para as primeiras palavras e ao ler “amor” ela sabia que nada mais ficaria do mesmo jeito, tudo estava prestes a mudar e o que sentiu foi uma falta de ar e uma dor de cabeça ao forçar os olhos para a tela do notebook.
— Ok. — Ela soltou um longo suspiro pelo canto da boca. — O que eu vou encontrar em todos esses textos, ? — Questionando o conteúdo de todas aquelas pastas ela ajeitou-se na cadeira e finalmente estava pronta para abrir os próximos arquivos.

12 de Fevereiro de 2015
Quando vou me acostumar a dormir novamente sozinho? Quando vou me acostumar a olhar para o celular e não ficar ansioso esperando por uma ligação sua? Quantos e-mails vou ser capaz de escrever? Quando vou cair na real? Nada mais vai ser como antes? E o que me restou apenas são esses e-mails e uma saudade que eu não consigo controlar?
Droga.
Eu estou ficando desesperado.
Por mais que eu tenha o mundo ao alcance das minhas mãos, o que me falta, o que me completa já não faz mais parte do meu presente. O que me completa ficou no passado e como eu aceito isso? Como aceitar que eu deixei você? Como aceitar que eu não posso mais te desejar, te amar e nem perder o rumo do meu olhar quando eu encontro o seu?


Ela passou a mão pelo rosto procurando maneiras de digerir todas aquelas sensações e sentimentos que surgiram como ondas de choque por toda a parte do corpo. , simplesmente não podia deixar que voltasse a ser o motivo por trás do seu sorriso. Lentamente abriu os olhos buscando uma razão pela qual ela devia continuar lendo todos aqueles textos, um único motivo que fosse sensato e maduro para reviver novamente todos aqueles acontecimentos. E de repente a carta de começou a surgir em sua cabeça.
pediu para que eu desse uma segunda chance. — Ela resmungou por entre os lábios. O ar de repente começou a faltar em seus pulmões e respirando fundo buscou a coragem necessária para conseguir ler arquivo por arquivo. — Uma única chance, . — Ela só precisava descobrir o que havia acontecido com ele durante todo esse tempo. A chance de saber se ele também sofreu pelo término do relacionamento.

24 de Fevereiro de 2015
O dia acordou frio e pela janela do apartamento eu consegui notar a camada de gelo que cobria a maior parte da rua em Cheongdam. Fiquei sentado na varanda observando a maneira que as crianças brincavam com a neve e como elas ficavam animadas em fazer bonecos usando um cachecol vermelho e uma cenoura na ponta do nariz. Esse boneco não era diferente de outros que eu já tinha visto, principalmente por ele ter dois braços de gravetos e enormes braços. A cena deles correndo de um lado para o outro me deixou concentrado me fazendo ficar naquela posição durante várias horas.
Essa semana a BH deu como descanso e não tive ânimo para acompanhar os meninos na viagem à Daegu para visitar os pais do , então eu fiquei em casa no silêncio querendo usar esse tempo para refletir em todas as coisas que estão acontecendo ao mesmo tempo na minha carreira e também no coração. E adivinha o que aconteceu? Passei o dia todo me lembrando de você e da maneira ridícula que aconteceu o nosso terceiro encontro em Busan.
Amor, lembra do boneco de neve?
O boneco que eu tive a brilhante de ideia de fazer?
Ele foi a minha pior ideia de toda uma vida.
Amor, porque você não me pediu para deixar de ser ridículo? Agora imagino que ao invés de te deixar impressionada com as minhas habilidades musicais eu fui logo mostrando que não tenho habilidade nenhuma de juntar duas bolas de neve e fazer um simples boneco com uma cenoura no nariz. Ele ficou horrível.
Você ficou rindo e aplaudindo durante longos minutos e tudo o que eu senti foi o meu corpo ficar em alerta por saber que aquele sorriso era inteiramente meu. Os seus olhos ficaram presos ao meu e nada mais pareceu existir naquele campo aberto. Lentamente minhas pernas ficaram fracas e eu queria correr em sua direção, pegá-la no colo e gritar bem alto que naquele momento eu estava segurando a mulher que estava mudando o meu coração, meus sentimentos e descobrindo um que nunca tinha sido visto por nenhuma outra pessoa. O que só existia quando nós dois estávamos sozinhos e o meu melhor momento era exatamente esse. Ser o com a liberdade e com o coração aberto para demonstrar que estava ficando apaixonado.
Apaixonado por você, .
Você estava sendo a minha paixão. Dominando meu coração, meus pensamentos, os meus sonhos e todos os desejos que fui capaz de sentir. Eu estava sentindo exatamente o amor surgir a cada segundo que eu te segurava em meus braços e nos instantes que os meus lábios tocavam o seu em um beijo lento, carinhoso e único.


Os minutos que passou lendo esse texto foram tão lentos que ela não tentou acelerar a leitura para não perder nenhuma palavra fora de ordem. Ela estava chateada, triste e agora depois de ler sobre esse terceiro encontro não imaginou o que estava passando pela cabeça dele ao escrever tudo aquilo daquela maneira. detalhou tudo e ainda lembrou de como era a sensação de estar apaixonado, da sensação de ser uma pessoa diferente e do real sentimento que existia por ela. Ele estava sofrendo, estava abatido, triste e em todas essas palavras por mais que não quisesse aceitar, entender, compreender ou manter a luta contra o seu coração, ela teve a certeza que todo esse sentimento que existia entre eles era verdadeiro. Se isso não fosse amor o que mais seria?

22 de Março de 2015
Oi amor, tudo bem?
Acho que entendi porque sempre a pipoca ficava para você fazer. Sabe qual foi a novidade da noite? Pensei em rever pela quinta vez o filme que gostamos e descobri que não sou capaz de exercer nenhuma função na cozinha a não ser um bebê que fica esperando por comida na boca. Não sei o que vamos fazer com a pipoqueira e muito menos com o restante de pipoca que está espalhado pelo chão. E não é qualquer pipoca. É a pipoca queimada de , um inútil na cozinha, na carreira e principalmente na vida sentimental. Qualquer pessoa no mundo consegue fazer uma pipoca. E eu? Bem, quando eu descobri que não consigo fazer uma pipoca sozinho me dei conta que não é somente a pipoca que eu não sei fazer. Não sei assistir ao nosso filme faltando a pessoa mais importante. Você.
Minha companheira de choro e de comentários desnecessários em determinados momentos do filme. Confesso que me senti perdido em meio a toda a história, mesmo sabendo toda a narração do começo ao fim. Me senti triste, estranho. Não foi a mesma sensação de ver com você deitada em meu colo, não deixei de chorar em todas as partes importantes, mas eu sabia que no fundo não estava chorando pelos acontecimentos, na realidade o meu choro era com a sua falta. Sabe do que eu sinto falta?
Sinto falta do seu cheiro.
Sinto falta do seu sorriso.
Sinto falta da sua doçura.
Sinto falta do calor do seu corpo.
Sinto falta de amar você todos os dias.
Sinto tanto a sua falta que não consigo pensar em nada a não ser o tanto que eu te amo e em tudo o que eu perdi quando decidi escolher minha carreira ao invés do meu grande amor.


Esse peso em seu peito pareceu apertar ainda mais e ela sentiu uma vontade descontrolada de gritar nesse momento. Gritar o tanto que sentia a falta dele, gritar para o mundo que ainda sentia o seu coração bater forte toda vez que escutava a voz dele ou apenas gritar que estava com saudades de viver todos os momentos ao seu lado. Gritar e gritar para que ele escutasse tudo em Seul.
— Droga! Eu sinto falta de cada parte do seu corpo, sinto falta da sua voz me acordando, sinto falta de como me sentia única, amada e desejada. Eu sinto a sua falta, . Todos os dias e não consigo negar e esconder que eu ainda sou totalmente apaixonada por você! — Ao menos agora ela podia ser sincera e assumir que nunca existiu outra pessoa em seu coração. tinha sido o seu amor avassalador, complicado e intenso. Em cinco, sete ou até dez anos ela lembraria dessa paixão e de como é a sensação de ainda estar apaixonada por ele.

17 de Abril de 2015
Oi meu grande amor.
Estamos entrando no Nonagésimo e-mail e sabe o que aconteceu?
Sonhei com você, com nós dois e com algo especial.
Quando eu escrevo esses detalhes começo a rir sozinho desse outro lado da tela imaginando como tudo isso foi real e meu coração enche de esperança e não sei qual a razão dessa esperança surgir nesse momento. Consigo sentir uma euforia e uma intensidade naquele sonho que o sorriso bobo que surge é a necessidade em que os nossos destinos estejam cruzados ao longo das nossas vidas. A esperança que agora existe é como eu descrevi na letra de Love Is Not Over, que mesmo distantes o nosso amor não tenha acabado. Será que é errado eu sentir tudo isso de repente? Porque é bom, muito bom. Tudo o que eu consigo é escutar a música que escrevi pra você, tudo o que eu consigo é cantar o único refrão. E tudo o que eu quero e penso é isso:
Este é o meu último esforço e meu desejo.
Você é o meu amor infinito e a minha garota.
Me ame, me ame.
E volte para os meus braços.


— Eu sonho com você quase todos os dias. — Ela confessou. — Todos os dias eu sinto a falta dos seus braços, de ser chamada de sua garota. — completou abrindo um sorriso. — Eu te amo, amo e amo.

30 de Maio de 2015
Hoje eu tive um momento com o e conversamos sobre você. Ele é a única pessoa que converso sobre o que ando sentindo, é o único amigo que consigo ser sincero e contar a verdade sobre como estão as coisas em meu coração. É com ele que eu busco o conforto em dias complicados e quando a saudade fica tão sufocante que preciso gritar e chorar em um ombro amigo. É nos braços dele que suplico para que você volte para o meus braços. É com que eu grito que essa escolha vai ser o meu maior arrependimento.
Amor, posso viver todos os dias de maneiras diferentes, situações diferentes e também em cidades diferente. Em todos esses lugares carrego comigo esse arrependimento.
Não posso culpar o momento, a situação ou o contrato. Não posso fingir que eu estou bem, muito menos posso negar que eu fui um babaca. A única coisa que eu queria conseguir dizer para você é que em toda a minha vida eu busquei realizar um sonho, lutei dia e noite para conseguir viver o grande “debut” e que me sinto em pedaços por ter vivido esse grande momento e não ter compartilhado essa realização com a pessoa que sempre demonstrou apoio, carinho e admiração. Eu nunca soube porque para viver meu grande sonho eu fui obrigado a abandonar o meu grande amor.


— Se você foi obrigado por que não me disse isso? Por que mentiu? Por que não confiou em mim? — Perguntas e mais perguntas sem respostas. — Eu nunca iria pedir para você escolher entre a sua carreira e um amor. Você não me deu em momento nenhuma chance, . — Ela disse nervosa, amarrando o cabelo para cima sentindo uma onda quente por todo o rosto. — Ok, nós temos todo o tempo do mundo para ler todos esses textos! — Um clique no próximo arquivo e a tela surgiu com a data e um texto longo.

03 de Junho de 2015
Não posso ser tão cruel pedindo perdão, nem ao menos consigo imaginar você me perdoando depois de tudo isso. De repente eu sinto a minha realidade surgindo e toda a esperança que existia há poucos meses foi ficando cada vez mais distante. Você não tem ideia de como me sinto um trapo humano por saber que eu não te amei da maneira que você merecia. Que eu não fui homem o suficiente para escolher esse amor. Mesmo que eu sinta essa dor, sei que não posso ir atrás de você e pedir para que fique comigo, que fique ao meu lado e que seja novamente o meu porto seguro. O que me resta é aceitar que tudo chegou ao fim. O que me resta são meses longe de você e todo o arrependimento que aos poucos me consome. Hoje eu sinto que minhas escolhas foram frias ao ponto de machucar e quebras todos os sentimentos que existia entre nós dois. Despedacei o seu coração e o meu, suas lágrimas são as minhas e sei que a grande besteira que fiz na vida foi desistir de você.

A tela ainda estava aberta e mesmo de olhos fechados ela conseguia sentir um choque com todas aquelas palavras. Todo o sentimento, toda essa frustração, toda saudade. Era irracional a maneira que ainda o amava, amava na mesma intensidade e desespero.

09 de Julho de 2015
Todos os dias tento me convencer que estou bem e que essa é a vida que eu sempre quis, mas eu sei que estou me iludindo porque o que na realidade eu sempre quis foi você. O desespero que eu sinto é saber que nunca mais vou conseguir ter o direito de dizer o quanto eu te amo. Meu corpo estremece já cansado de tanto sofrer, minhas esperanças partiram e toda a raiva e derrota estão invadindo meus pensamentos aos poucos. Luto para ter forças o suficiente para não errar novamente, para compensar essa minha escolha. Luto para ser o melhor dançarino, o melhor cantor e o melhor integrante do BTS. Luto pela admiração e pelo orgulho dos meus amigos, dos meus fãs e também da minha família. Eu luto para ser o melhor em tudo e luto todos os dias contra a minha realidade. Porque no mundo eu sei que preciso do seu sorriso, do seu carinho e do seu amor. Sei que sou o culpado e nunca vou me perdoar por ter perdido a pessoa que mais me fez feliz durante todo esse tempo, por isso eu preciso ao menos saber que você está comigo através desses emails que estou escrevendo todos os dias. Mesmo sabendo que não vou ter coragem de enviá-los, um dia quando me sentir pronto eu espero que você saiba de todo esse arrependimento.
Eu te amo, .
Sempre amei e sempre vou amar.
Não me perdoe, não chore, não sofra. Não mereço que você tenha qualquer sentimento por mim. Não fique ao meu lado, não atenda aos meus telefonemas e nem deixe que eu me aproxime de você novamente. Fique longe o máximo que você conseguir. Tudo o que eu mais quero é que você seja feliz.
Amor, você é maravilhosa e eu não tenho o direito nenhum de ter você novamente na minha vida. Por favor, não demore a encontrar alguém que te faça sorrir e que diga olhando dentro dos seus olhos o quanto te ama. Eu posso ficar com ciúmes, mas só de saber que você vai ficar feliz eu consigo suportar essa dor.
Eu te amo, amo e amo.
Você é, sempre será o meu amor.


Como era possível que essas palavras estivessem causando tantas emoções dessa maneira? Como era possível continuar amando enlouquecidamente depois de tudo o que ele havia feito? Por mais que ele tivesse descrevendo a sua loucura, mais louca seria ela por não estar reagindo contra aquele sentimento todo. O certo dessa vez estava parecendo tão errado. O amor teria que estar desaparecendo e não intensificando mais. O seu corpo já cansado de lutar resolveu ceder e a sua mente não conseguia driblar mais escondendo esse sentimento que ainda existia e tudo o que sobrava era aceitar que havia despertado o mais profundo amor e ganhado não somente a sua segunda chance, mas também o seu perdão.


Capítulo 18

O avião fez escala de duas horas e nesse meio tempo foi o único momento que tirou para descansar um pouco na sala reservada do aeroporto. O seu corpo estava exausto e sua cabeça latejando de tanta dor, e tudo o que o seu corpo pedia era um pouco de descanso para recuperar a energia perdida na noite anterior que tinha sido tão complicada. Ela nem ao menos tinha recordação de como foram os acontecimentos sobre a viagem, hospedagem e nem como tinha concordado em acompanhar nessa loucura. Quando ela deu conta do que estava acontecendo, o táxi já havia parado em frente ao apartamento da amiga e o tempo que teve foi somente de pegar a sua bolsa, algumas roupas básicas que já estavam ali e o passaporte. A agência ficou por conta de Lee e toda a sua agenda de compromissos, reuniões e entrevistas foram remarcadas para que pudesse viajar daquela maneira sem a preocupação de esquecer alguma coisa muito importante na empresa. A desculpa de para a agência não tinha sido outra a não ser envolver uma morte drástica para um parente muito distante e o afastamento de uma semana por conta da viagem longa que supostamente iria fazer para o país da família. Como alguém desconfiaria dessa mentira? Uma bela estratégia para essa viagem doida e ainda mais a loucura que ela estava prestes a fazer ao aparecer de surpresa assim.
— Minha cabeça vai explodir. — Ela comentou, segurando com força os dedos da mão direita contra a nuca enquanto ajeitava o corpo naquela cadeira de descanso. Diferente dela , não conseguia descansar um só minuto. Os olhos estavam abertos vidrados do outro lado da sala e sua atenção não era outra a não ser para o enorme televisor que ficava em cima da porta de entrada, mostrando os horários dos vôos. — Será que tem como você descansar um pouco? Não consigo mais ver você parecendo um zumbi. — chamou a atenção dela para as enormes olheiras e o cabelo todo bagunçado jogado no rosto.
— Não começa…
— Não sou sua mãe para ficar me preocupando dessa maneira, mas você vai vê-lo assim? Com esse rosto horrível? Com essa pele marcada e sem vida? — voltou a resmungar sobre o rosto dela e também da maneira que estava vestida, largada naquela poltrona.
, ele nem ao mesmo espera que eu…
— Foda-se! — Curta e grossa.
— Que bocuda! — girou o rosto em direção da amiga. estava de braços cruzados esperando afiada para responder à tudo. — Que necessidade de ser assim? — Ela protestou, sabendo que a preocupação dela era compreensível, afinal, foi que aguentou os surtos e as crises durante toda a madrugada. — Sinto muito. — Resolveu pedir desculpas antes que ela perdesse a calma novamente por estar naquele aeroporto durante toda a noite.
— Já sabe o que vai falar com ele? — Distraída com os pensamentos, pensou por um momento que talvez ela não tivesse raciocinado direito ao correr pegar o primeiro avião e encontrá-lo dessa maneira. — Não quero estragar o momento e nem deixar você mais surtada. Mas não acho que seja uma boa ideia esse contato. Ele… — Ela parou, buscando a palavra certa para a ocasião delicada. — Ele não quer contato com você, amiga.
— Eu sei e talvez…
— Talvez devêssemos voltar? — concluiu.
— Não!
— Que droga! — A garota resmungou, encarando sem muito humor. — Será que realmente é uma boa hora para conversar com ele? Não podem acontecer os mesmos erros de anos atrás, ! — jogou de uma vez toda a frustração daquele momento e percebeu o choque no olhar da amiga ao não moderar as palavras para falar sobre ele.
— Que outro momento é o certo? — tentou manter o tom da voz para não despejar em cima dela tudo o que estava preso em sua garganta durante todo o trajeto da casa até ao aeroporto. — Quantos anos eu vou demorar para criar essa coragem de novo? Eu preciso conversar com ele e acabar com essa mentira.
, eu só acho que é uma péssima ideia essa viagem. Ainda mais com sua instabilidade emocional com os e-mails do . É algo que você precisa entender e ter um momento para digerir toda aquela informação jogada. — Pacífica, ela tentou argumentar para que levasse em consideração a loucura de cruzar essa distância toda para ir ao encontro do garoto que tinha deixado claro todo o momento para deixá-lo em paz. — Não adianta você querer sanar o problema se não está pronta para realmente ser sincera e entender que palavras mal jogadas podem piorar a situação ainda mais. — E dessa vez ela jogou, optando pela realidade dos fatos.
— Eu entendo o que você quer dizer com isso, . — Sem ânimo, ela fechou os olhos, jogando o corpo para trás na poltrona. A dor de cabeça havia voltado e o seu estômago embrulhando com a ansiedade de poucas horas desembarcar naquele aeroporto desconhecido.
— Você entende mesmo? — Calma, compreensiva e um pouco mais atenta aos detalhes na expressão da amiga, levou a mão até o rosto dela, fazendo um pequeno carinho na bochecha da garota. — Entende que para você conseguir seguir em frente precisa deixar esse passado para trás e que às vezes tudo o que vocês três precisam é um pouco mais de diálogo e sinceridade? E que na maioria do tempo nós não temos o direito de decidir ou adivinhar as atitudes do outro? — Ela deprimida com o assunto fechou os olhos, escondendo a vontade de chorar. — Talvez seja errado o que eu vou falar, mas... — Ela parou, balançando a cabeça de um lado para o outro, não querendo parecer insensível. — Você perdeu um filho e aparentemente a sua preocupação ficou em cima de engravidar novamente. Tratamentos, médicos, injeções e o seu psicológico foi para o espaço com cada frustração de um procedimento novo. E então você logo voltou a ficar sozinha lidando com todos esses sentimentos, voltou para a vida do , voltou para a , voltou para o e o restante das suas energias desapareceram no instante que você colocou os pés dentro de Seul. — Sem recobrar o ar dos pulmões, sentiu um aperto no peito enumerando os motivos e as razões que levaram ao equilíbrio psicológico. — Consegue enxergar isso? Consegue entender que não adianta você buscar forças de onde não tem? Consegue entender que a chance de conversar com esse garoto talvez seja única? E que a sua melhor opção é ir de coração aberto e determinada colocar um ponto final em toda essa história e seguir a sua vida.
— Desculpa, não consigo fazer outra coisa a não ser ficar chorando, chorando e chorando. — cobriu o rosto, começando a ficar desesperada com a possibilidade de novamente cometer o mesmo erro e não conseguir falar tudo o que sempre quis falar para ele.
— Não precisa me pedir desculpas, amiga. — Escondendo os olhos marejados de lágrimas, a garota segurou firme em uma das mãos da amiga, desejando que ela tivesse um ótimo momento com ele. — Peça perdão pelo erro e não pela perda. Essa dor é sua e de mais ninguém, você não tem que justificar e ninguém pode julgá-la por isso. Força, coragem e coloque um sorriso nesse rosto maravilhoso. — sorriu para a amiga, colocando o ponto final nos argumentos e conselhos.
— Obrigada por me acompanhar e por manter minha sanidade no lugar. — agradeceu, recebendo um tapa de leve no ombro e uma piscadinha de lado de . O anúncio do vôo apareceu no painel principal, e antes mesmo de esperar o anúncio no auto falante, deu um pulo da poltrona, colocando o corpo em pé e ali na sala de espera alongou o braço de um lado para o outro, sentindo o cansaço e as dores por todo lugar. E ali, sentada, só conseguiu mentalmente agradecer por ter conhecido alguém tão especial em sua vida e por tê-la em Boston durante os meses mais conturbados da sua vida. Talvez sozinha ela não tivesse um desempenho tão positivo com as lembranças, a tristeza e a solidão por ficar tão longe assim do pai e da melhor amiga. não tinha sido somente uma boa chefe, mas a única pessoa capaz de estar fora do assunto e não julgá-la por essa mentira ou por esse passado intenso e cheio de falhas e mágoas. E hoje, nove meses depois do fim, ela procurou forças para buscar o perdão da única pessoa que não merecia estar envolvido nesse sofrimento e muito menos nessa complicação toda. A sua única chance era essa e ela precisava dessa oportunidade para conseguir o perdão da pessoa que foi a sua luz, a sua força e o seu bem mais precioso quando tudo em sua volta parecia um caos de dor e sofrimento. O perdão por ter sido tão egoísta ao ponto de esquecer os sentimentos dele e ter percebido isso quase quatro anos depois.

Depois de longos meses afastados dos estúdios da BH e das obrigações, ficou empolgado ao entrar naquele enorme estúdio branco e encontrar todos os amigos gravando os últimos detalhes do álbum “Her” e o som de “Dimple” com os últimos detalhes sendo finalizado do outro lado pela equipe técnica.
A organização da empresa tinha sido impecável, e por mais que ele fosse o culpado por todo esse atraso em nenhum momento deixaram de demonstrar suporte pessoal para que ele ficasse saudável, tranquilo e que voltasse a ficar a vontade junto com os outros no estúdio e em contato com os fãs que já estavam ficando loucos de saudades pela demora do comeback. A BigHit sempre teve o cuidado para que não fosse exposto pela mídia e nem que descobrissem a crise que passou durante os últimos meses. A compreensão de Bang, o cuidado com a imagem dele, preservando não somente o cantor, mas todo o grupo como um todo. E hoje, meses depois, andava de um lado para o outro com um pedaço de folha na mão, mostrando para e sua criação quando passou todo esse tempo longe trancado dentro do apartamento sem nenhum contato com o restante do mundo.
, particularmente acho que o nome “Best Of Me” soa muito melhor do que “Forget You”. — Animado com mais uma música, passava por todas as folhas escritas e olhava para esperando um comentário sincero sobre o nome escolhido. — , o que mais falta para eu argumentar sobre esse nome? — Frustrado e respirando fundo, questionou o amigo que analisava muito atento todos os acordes, letra e cada anotação que existia em todas aquelas folhas.
, eu gosto de “Best Of Me”. — Ele concordou, pegando as folhas e juntando uma na outra. — Então, além de Love Is Not Over nós temos Best Of Me escrita para a mesma pessoa? — O sorriso que surgiu no rosto do amigo nem precisou que ele respondesse. — “Best Of Me” é muito linda, . Tenho certeza que em algum lugar uma pessoa especial vai ouvir essa música e ficar com o coração acelerado e pensar rapidamente em você, óbvio. — segurou no ombro dele com força, demonstrando carinho e gratidão por vê-lo novamente empolgado com o grupo daquela maneira. tinha um brilho e um sorriso que há muito tempo ficou escondido em meio a olheiras, cansaço e o rosto completamente inchado com as crises de choro nas madrugadas em seu apartamento.
— É, escrevi especialmente para uma pessoa. — sorriu sem graça, abaixando a cabeça. Não queria parecer óbvio demais, mas esconder de um dos motivos principais e também com aquela música que era praticamente uma declaração de amor. — Será que o vai gostar? E o ? E o ? — Ele perguntou ansioso, olhando para a porta na esperança que os amigos voltassem logo da reunião com a equipe de dança. O MV estava programado para ir ao ar dentro de duas semanas, a parte toda do MV foi gravada em chroma key e a equipe só precisou juntar algumas cenas externas que fizeram quando “DNA” estava sendo ensaiado pelo grupo antes das gravações oficiais. Os outros seis integrantes finalizaram as suas sequências, e a brecha de no MV foi finalizada há poucos dias atrás quando sozinho ele gravou algumas cenas para o encaixe final.
Diga que é para sempre... puxou a folha da mão de e observando a letra rabiscada e muito mal escrita dele naquela folha de papel sulfite. — Apenas mais uma vez, quando você diz que me ama, eu só preciso dessas palavras — ele parou, colocando a mão na cintura encarando do outro lado sentado em um enorme puff amarelo. — que nada vai mudar, apenas mais uma vez! — A gargalhada que emergiu da garganta de nem precisou ser interpretada e apenas colocou a mão no queixo, girando o corpo na direção que estava sentado. O olhar maroto de com um misto de felicidade ficou tão nítido que escondeu o rosto com ambas as mãos.
— É isso. — resmungou com o rosto queimando de tanta vergonha. O que eles queriam? Ouvir de uma vez que Best Of Me foi escrita especialmente para ela? Isso parecia tão óbvio que eles não iam conseguir uma confissão a essa altura do campeonato. — Não fiquem me olhando dessa maneira. — Ele sorriu nervoso, agora coçando a ponta do nariz e olhando para que balançava a folha no alto rindo muito dele.
— Certeza que essa letra vai mexer com muitos corações, . — fechou os olhos e depois sorriu com a tranquilidade necessária para falar isso em voz alta. — Muito orgulhoso de você, . — O elogio veio de maneira espontânea deixando ele sem graça e com os olhos pequenos escutando tudo aquilo especial de alguém que tinha admiração.
? — O staff cortou o clima, chamando a atenção do garoto ao entrar na sala.
— Oi? — Ele assustado levantou rapidamente, cumprimentando o homem.
— Bang espera você na sala dele. Junto com todos os outros integrantes. — O homem comunicou a reunião imediata.
— Ok. Obrigado. — respondeu educadamente.
— Ok! — também foi educado, trocando olhares com e depois para . Ambos ficaram com o coração mais apertado sabendo que essa reunião com Bang não tinha outro motivo a não ser o anúncio da volta de para Seul e sobre a assinatura do contrato renovando o grupo para mais três anos com a gravadora.
A BH de alguma maneira precisava de todos os sete integrantes juntos e ninguém nem imaginava o que iria acontecer quando e fossem obrigados a estarem no mesmo ambiente compartilhando informações e a pior parte daquele encontro: A decisão se o grupo seguiria a formação original como OT7 ou se infelizmente transformaria em OT6 com a saída de um dos dois.

Le Centre Sheraton - 23:15 horas
Depois de olhar para o relógio no celular, mordeu os lábios mais uma vez, tentando reprimir o suspiro desesperado que ameaçava escapar-lhe nos últimos minutos. Um rápido frio na espinha surgiu, confirmando os seus receios: estava ali esperando há mais de duas horas e nem sinal dele aparecer por entre aquela porta principal e nenhuma outra novidade sobre a sua reserva naquele hotel. E aquilo nem foi a única preocupação da noite. A grande preocupação e certamente o pânico, foi o sumiço de que simplesmente desapareceu e a última recordação de foi a garota avisando sobre procurar um banheiro e resolver os detalhes da hospedagem. E duas horas depois ela não sabia sobre a reserva e nem sobre a amiga.
— Eu vou enlouquecer. — Ela passou a mão no rosto, aflita sem saber o que fazer e nenhuma notícia de , nenhuma mensagem no celular e nenhuma ligação durante todo esse tempo. — E se ela ficou presa em algum lugar? — O desespero começou a dominar a sua mente e ela buscou focar em pensamentos positivos, lembrando que era esperta demais para entrar em uma situação que não conseguisse sair sozinha. Principalmente em um lugar totalmente diferente do habitual. — Tudo bem. Vou ficar esperando em silêncio. Nada de preocupação! — E parada ali, sentada em um dos sofás da enorme recepção, impacientemente olhava para o relógio na esperança que ele não demorasse muito tempo.
O relógio começou a apitar meia noite e o cansaço do seu corpo começou a surgir, fazendo com ela fechasse os olhos inúmeras vezes lutando contra o sono que pareceu chegar de uma vez sem ser convidado. vagamente lembrou da noite anterior e nessas poucas lembranças teve a certeza que em meio ao surto e choro ela não havia descansado e nem dormido o suficiente para que o corpo ficasse relaxado e disposto. Sentia a sua cabeça muito pesada e o estômago ainda embrulhado, provavelmente culpa da enorme esfiha que a obrigou comer antes de saírem de casa para o aeroporto. Sem contar na fraqueza das pernas e do receio de ter viajado tão longe e no final não encontrá-lo mais ali. — Droga! — Ela xingou quando vacilou novamente, deixando que os olhos se fechassem e ao abri-los surpreendeu-se com ele parado olhando fixamente para o seu rosto. Naquele momento tudo em sua volta pareceu ficar lento, a dor em sua cabeça latejou mais forte e as mãos ficaram frias como um cubo de gelo. O olhar dele surpreso foi tão intenso e sufocante que a garota buscou um ponto em qualquer lugar em sua volta para não ser obrigada a olhar diretamente para aquele rosto que estava coberto por uma enorme máscara preta.
— Oi. — Ele quebrou o silêncio, tirando as mãos do sobretudo e levando até o rosto para tirar parte do cabelo que estava cobrindo todo o rosto. O silêncio foi tão constrangedor que nem ao menos conseguiu coragem para levantar o rosto no nível onde ele pudesse olhar dentro dos seus olhos.
— Será que é tarde demais para uma conversa? — Ela perguntou, não demonstrando intenção nenhuma ou qualquer outro movimento com o corpo que pudesse ser interpretado que estava a vontade e que fosse cumprimentá-lo com um abraço.
— Nunca é tarde. — Com o rosto ainda coberto pela máscara e sem expressar qualquer outra reação, foram as únicas palavras que saíram por sua boca em um misto de pensamentos e sentimentos que surgiram com a presença dela ali. Ele queria ser capaz de lutar contra o desespero que seu coração ficou ao vê-la tão linda e o arrepio que começou a percorrer toda a extensão da sua espinha e todas as outras reações involuntárias que seu corpo teve com aquele simples contato.
— Desculpa. — Ela pediu, não conseguindo coragem para levantar o rosto e olhar diretamente para ele. O choque, o desespero e os milhões de sentimentos fizeram com que seu corpo ficasse naquela posição sem qualquer vontade de sair daquele lugar ou então olhar dentro dos olhos dele. — Eu sei que você…
— Tudo bem. — Ele a cortou, colocando as mãos dentro do bolso e mantendo os olhos fixos no rosto dela. Não precisou de muito para saber que ela não estava bem e julgando daquela distância o jeito que escondia o rosto era exatamente também para esconder que havia chorado muito na noite anterior. — Falei para não me procurar. — Ele alertou, lembrando da carta que tinha escrito junto com o pacote do notebook. não esperava que fosse vê-la assim, tão abalada e nem que seu coração fosse ficar daquela maneira por causa dessa garota. Esse sentimento estranho que surgiu com certeza foi o mesmo sentimento que ele lutou durante longos meses para que fosse extinto. — Então esse o momento de anos? Nós vamos conversar a respeito de tudo? — Ele quis saber esperando uma resposta rápida e direta dela.
— Sim, é o momento, . — Ela respondeu, juntando forças o suficiente para levantar a cabeça e olhar para o rosto do amigo. Mesmo com aquela distância e todos esses meses longe, tinha o olhar intenso, vivo e o cabelo preto longo cobria parte do seu rosto, deixando ainda mais fascinante. — É errado eu falar que senti sua falta? — perguntou, começando a levantar devagar para não assustá-lo. O cuidado com as palavras tinha que ser redobrado para que não entrassem em uma situação ainda mais complicada.
— É errado você aqui. — Ele atacou, nervoso.
— Eu sei que você não quer me ver. — Ela abaixou a cabeça, olhando para os próprios pés sem intenção nenhuma de contrariá-lo.
— Vamos para o meu quarto. — chamou, olhando para a enorme mala ao lado de um dos sofás. — Essa é a sua mala? — Ele quis saber, imaginando que daquele tamanho a intenção dela era passar mais do que uma noite ali em Montreal.
— Sim. — Olhou para a enorme mala e depois ao seu redor procurando por algum vestígio da amiga.
— Então vamos para o meu quarto. — balançou a mão no alto chamando alguém da recepção para levar a mala dela para o seu quarto. Ele em todos esses meses já tinha feito amizade com a maioria das pessoas que trabalhavam naquele hotel, exatamente sozinho e sem ninguém ele buscou a solidão e o frio do Canadá para tirar o seu tempo e relaxar um pouco dos acontecimentos na Coréia. Montreal tinha sido sua primeira opção pelo fato de estar muito distante das obrigações, dos olhares curiosos da mídia e da tentação de desistir daquilo tudo e voltar para a sua vida antiga, acabando de vez com todos aqueles segredos, mentiras e desentendimentos causados por ele e .
— Tudo bem. — retirou o celular do bolso, escrevendo uma mensagem direta para esperando que em algum momento ela lesse. Em poucas palavras disse que estava subindo para o quarto de e que dentro de algumas horas entraria em contato quando a conversa fosse encerrada. Mentalmente a garota desejou que ela estivesse bem e que de alguma maneira tivesse a sorte de conseguir um quarto naquele hotel ou então em qualquer outro da região. Ela só precisava de uma cama para descansar um tempo e relaxar daquela viagem estressante e longa.
— Tudo bem? — A pergunta veio no instante que ela trocou um dos pés ao entrar no elevador e quase cair no chão se não fosse por ele ter segurado em seu braço dando apoio e equilíbrio.
— Tudo sim. — Desnorteada, ela balançou a cabeça, com medo que estivesse muito mais baqueada do que o seu cérebro processou de informações para toda parte do seu corpo. — Cansada com a viagem. — Ela completou, apoiando o corpo na parede do elevador enquanto ele subia em direção ao penúltimo andar. Na maior parte do percurso, , manteve o olhar fixo para a porta do elevador e somente desviou a sua atenção para o painel que marcava a numeração dos andares. O silêncio foi tão constrangedor que ela controlou o suspiro que saiu por sua boca com medo que ele pudesse ficar mais nervoso com a presença dela naquele lugar sem ter sido previamente convidada.
— É aqui. — rapidamente deu alguns passos para frente, esperando que a porta abrisse. Parando exatamente no vigésimo andar, a porta abriu de repente e ele gentilmente ficou entre a porta e o andar, esperando que ela passasse com segurança sem tropeçar em nenhum outro lugar. O quarto ficava do lado esquerdo e com uma pulseira de acesso ele passou o pulso na fechadura da porta e imediatamente ela abriu, demonstrando a maravilhosa suíte que estava sendo casa para ele nós últimos meses. — Vou pedir um chocolate quente para você. — ofereceu, reparando na maneira que ela esfregou uma mão na outra com o frio que estava fazendo em Montreal. — Fique a vontade. — sentou no sofá, jogando algumas almofadas de lado para que ela também sentasse e ficasse confortável. Ele tirou a máscara, jogando em cima da mesa de centro e abriu alguns botões do sobretudo para ficar mais à vontade. — E esse é o momento que nós conversamos. — ajeitou um pouco o cabelo e respirou fundo ao sentir a proximidade do corpo dela naquele sofá.
— É estranho… — Ela puxou o assunto, ajeitando o corpo um pouco para não acabar dormindo se ficasse mais à vontade naquele lugar quente e confortável.
— Muito estranho. — Tentou demonstrar um pouco de tranquilidade e aguentar firme as oscilações que seu coração dava com a presença da garota ali em Montreal.
— Preciso de um momento com você, . — Esperançosa que ele fosse escutá-la, ela buscou o rosto dele com uma das mãos e imediatamente o garoto moveu-se, indo para longe dela. — Desculpa. Eu só preciso falar o que devia ter falado há muito tempo. — respirou fundo, sentindo todo o corpo estremecer quando , mesmo distante, ficou atento para os detalhes do rosto e os movimentos dos lábios enquanto ela falava.
— Então, nós temos uma madrugada toda para conversar. — Perdido em tanta informação num curto período de tempo, tentou desligar o seu cérebro para que pudesse prestar atenção no que ela tinha para falar. O seu coração ainda batia acelerado com aquele olhar e isso foi o suficiente para que ele entendesse que a sua melhor decisão de fato tinha sido transformar esse amor confuso, errado e não correspondido em um amor onde não se espera nada em troca. O tipo de amor que não precisa ser cobrado, reprimido e que ele simplesmente é compreendido e sentido entre duas pessoas que às vezes não nasceram para serem almas gêmeas, mas nasceram para ficarem ligadas durante toda uma vida.
— E eu só quero conversar com você e colocar para fora tudo o que sinto. — vacilou alguns segundos, mostrando a exaustão por todo o corpo.
— Tudo bem. — foi paciente, olhando para o rosto dela, iluminado, maravilhoso e cansado. Todo o seu corpo reagiu de maneira estranha, mas ao mesmo tempo igual como sempre ficou na presença dela.
— Por quanto tempo eu fiquei longe, sustentando essa mentira e tudo o que aconteceu de errado na sua vida? Quanto tempo fui capaz de negligenciar que minhas atitudes foram tão erradas que não arrastei somente a minha vida nessa confusão e que acabei magoando muitas pessoas pelo caminho. O quanto eu te magoei fingindo não saber sobre os seus sentimentos? — começou falando logo, esperando que não fosse interrompida por ele. O ar naquele ambiente ficou abafado e os olhos dele ainda estavam fixos para os seus lábios, captando toda a emoção daquela declaração.
— Nós sempre fomos melhores amigos, . Falando desse jeito parece que eu não tive escolha. — Ele explicou, tomando cuidado com as palavras e com as interpretações que elas poderiam causar naquele momento delicado, exatamente por saber que não demonstrava estar emocionalmente bem. E ele imaginou que todos os e-mails de fossem causar essa instabilidade emocional, talvez essa fosse a certeza de que ele buscava para finalmente garantir que estava certo todo esse tempo. Que no fundo ainda existia uma chama acesa para esse sentimento entre os dois. — Não tenho porque falar sobre os meus sentimentos. Nós dois sabemos que ele existe e sabemos muito bem que ele não foi o único motivo para que eu ficasse ao seu lado todo esse tempo. Como você acha que eu fiquei quando recebi aquela ligação sobre o bebê? Eu sabia que você precisava de mim, garota. — Ele disparou agora, afastando-se e indo em direção oposta da sala. O perfume dela ficou tão sufocante para que ele pudesse respirar de maneira simples e rápida que sentiu falta de ar naquele ambiente fechado. — O grande erro nessa história foi o meu silêncio. O segredo não era meu, mas era sobre duas pessoas importantes na minha vida. Então no mínimo eu devia ter pensando nessas duas pessoas, no mínimo você devia ter pensado que ao me contar estaria envolvendo muitas questões e amizades. Envolvendo o meu relacionamento com o , envolvendo os meus sentimentos por você e envolvendo todas as outras questões de grupo e pessoas que não precisavam serem envolvidas nessa confusão. — Atento à todas as frases que falava, ele procurou de uma maneira de expressar também tudo o que estava sentindo sem machucá-la ainda mais com tudo. — Passei anos ao lado do , sorrindo, brincando e sendo o “melhor amigo” mais falso do mundo. Escondendo dele a morte do filho e muitas outras informações sobre a garota por quem ele sofria em silêncio todas as madrugadas. — Falar sobre aquela morte trouxe lembranças que tentou a todo custo manter longe dos seus pensamentos. A emoção e os gritos do amigo dentro do carro, o desespero sobre o contrato e a pressão psicológica naquela noite foi o auge para que ele entrasse em surto querendo desaparecer do mundo e não ser obrigado a fazer essa escolha que estava deixando o seu coração em pedaços. — Essa mentira acabou destruindo minha amizade com o . E hoje não tenho ele na minha vida, não tenho você e nem qualquer outro amigo por perto. Sabe? O meu erro foi ficar em silêncio esse tempo todo. — Ele queria deixar de sentir essa dor no peito. Mas ao falar sobre uma lágrima escorreu por seu rosto, o conhecia tão bem para saber que não existia qualquer chance para o perdão.
— Em algum momento você vai me perdoar por tudo isso, ? — perguntou, juntando forças para continuar a conversa sem desabar em outra crise de choro ao escutar tão claramente a palavra “morte” e toda a dor voltar para o seu corpo como naquele dia no hospital ao descobrir que tinha sofrido um aborto.
— Perdão é uma palavra muito forte e eu não tenho que perdoar você por nada. Minhas escolhas foram erradas e a única pessoa que devemos pedir esse perdão não está aqui no momento. — Sendo direito e sincero. — Talvez seja tarde demais para um de nós, mas eu ainda tenho esperança que você conte a verdade para ele. Não é? Você entende que precisa disso? — Ele lembrou a garota sobre a necessidade dela finalmente colocar um ponto final em toda essa história. — Ele sabe? Você conversou com ele depois de todos os e-mails? — E mais uma vez ele não pensou em outra coisa a não ser questionar a garota sobre o contato com o amigo.

— Ele não sabe. Não é um assunto que quero conversar com ele por telefone. — respondeu baixo, quase um sussurro.
— Imaginei. — preferiu não aprofundar no assunto para que ela não entrasse em choque ao saber que já sabia tudo a respeito da gravidez e do filho.
— Me sinto péssima por isso e não sei como vou conseguir olhar dentro dos olhos dele e contar sobre o filho. Péssima por ser fraca e por ter feito tudo isso entre vocês dois e tudo o que eu quero é que você me perdoe por ter acabado com a sua amizade no momento que foi para Boston atrás de mim. — Aborrecida com o rumo daquela conversa e também do peso nas costas por saber que durante anos agiu desse jeito errado e impulsiva ela deixou que a tristeza começasse a aparecer em forma de lágrimas em seu rosto. — Hoje eu só preciso assumir o meu erro e pedir para que você não me odeie. Sei que errei, sei que fui infantil, sei que não devia deixar você nessa situação. Onde eu estava com a cabeça ao pensar que tudo ficaria bem? — Os olhos dela começaram a ficar marejados de lágrimas, mas tudo era necessário para encerrar aquele passado que a cada dia afastava mais as pessoas umas das outras. — O problema nunca foi o meu relacionamento com o e nem a escolha que ele fez, o problema maior foi usar o seu sentimento para me beneficiar no momento delicado quando perdi o bebê. — O choro saiu mais forte e tirou a atenção da janela para olhar a garota sentada no sofá, que perdeu o fôlego por alguns segundos com a crise.
, tudo bem. — foi firme, escondendo qualquer reação errada que pudesse sair na fragilidade da situação. — Não foi errado você buscar apoio em alguém naquele momento. Você não me ama da mesma maneira que ama o , o seu amor por mim é diferente. — Ele caminhou, agora voltando sentar ao lado da garota. — Todos os momentos que passei segurando a sua mão, controlando a sua crise, arrumando a cama e qualquer outro momento que tivemos juntos foi escolha minha. — Pela primeira vez ele segurou uma das mãos dela, sentindo uma eletricidade percorrer por todo o corpo. — Tudo isso foi necessário para que você ficasse bem. Como eu posso pensar em maldade? Sabe a loucura que eu te encontrei? Sabe como eu fiquei desesperado com os seus gritos nas madrugadas e as crises durante os dias? — O calor das mãos dele aqueceram os dedos gelados e trêmulos da garota que não conseguiu responder nenhuma daquelas perguntas e a única coisa que percebeu foi ela desabar, já não aguentando mais sustentar o próprio peso. — Nunca vou conseguir te odiar, meu anjo. — a puxou para um abraço e aquele contato fez com que ficasse ainda mais sem forças para reagir. — Sabe o que eu precisei aprender durante todos esses meses longe de você? — Ele perguntou, mesmo sabendo que ela não tinha condições para responder.

— Aprendi e entendi que posso amar você como uma amiga e que isso é um amor tão maravilhoso, grandioso e completo. — Trocando calor com o corpo dela e alisando carinhosamente as costas da garota, fechou os olhos, começando a controlar o seu coração para bater de maneira correta. — Meu coração não precisa ser amado de maneira como o é, minha vida não precisa ser completa se você não estiver apaixonada por mim. Tudo o que eu sempre quis e tudo o que sempre tive medo foi de perder você para o e nem ao menos me toquei que isso nunca foi possível e nunca vai ser. — A serenidade e franqueza ao assumir aquilo deixou o seu coração tão leve e com as costas das mãos ele limpou as lágrimas, sabendo que não era mais o momento para chorar. — Você sabe que tem o meu coração e eu sei que tenho o seu coração. Nós somos melhores amigos, não nascemos para amar um ao outro da maneira que eu sempre esperei, mas nascemos para viver amando um ao outro sem nenhuma intenção ou maldade. — As lágrimas que começaram a escorrer ficaram mais intensas e ele pressionou ainda mais o rosto contra os cabelos da garota. — Sinto muito por você perder o seu filho e ter sofrido também por perder o
— Não, eu não perdi o . — Ela afastou um pouco o corpo dele e segurou o rosto do amigo por entre as mãos. — Ele fez a escolha certa e olha o orgulho que eu sinto de vocês dois? O BTS é um sucesso no mundo e a razão ao qual ele fez a escolha foi por um bem muito maior, . — A liberdade em falar daquela maneira deixou a garota mais leve.
— O BTS…
— O BTS precisa de você, eu preciso de você e o também. — Com o coração mais leve, ela deixou ser levada pelo momento abaixando a guarda ao olhar para aquele rosto vermelho de tanto chorar. — O te ama e a única coisa que eu vou lutar nessa vida é que ele volte a ser o nosso , não é você que ele precisa perdoar, sou eu e a dor que vou causar quando contar o que aconteceu com o nosso bebê. — A voz falhou naquele momento e ela travou a mandíbula, controlando o desespero em saber que não existia outra possibilidade a não ser contar a verdade de uma vez para ele e isso não podia demorar outros três anos. — ? Eu te amo, sabia? Amo tudo o que você fez por mim quando minha vida ficou em total escuridão. — As palavras começaram a fluir por sua boca e ela não teve intenção de parar nem quando ele pressionou ainda mais os braços em volta da sua cintura. — Minha luz foi você e eu nem tenho condições de imaginar o que teria acontecido naquele dia se eu não tivesse a sua companhia, se eu não tivesse o seu amor e a sua dedicação para que eu voltasse a viver de não me entregar para a loucura e o desespero. — O sorriso nos lábios dela começaram a formar uma linha de esperança no coração dele que aos poucos foi ficando mais calmo e deixando de chorar para garantir toda a atenção naquele momento único entre eles. — Quando eu acordei naquela cama de hospital e toda a equipe médica ao meu redor eu só consegui chorar sabendo que algo de errado tinha acontecido. Não senti nada da minha cintura pra baixo e quando coloquei a mão na minha barriga não consegui sentir nada também, foi como se eu tivesse anestesiada há tanto tempo e não conseguisse acordar daquele pesadelo e todos os médicos olhando daquela maneira para o meu corpo me deixou em pânico. — Lentamente ela foi falando sobre a sensação ao acordar no quarto do hospital e receber a triste notícia sobre a operação às pressas. sabia a maior parte dessa história, mas não ela por completa. — E então o Dr. Charles segurou na minha mão e me deu a notícia sobre o aborto espontâneo e a situação de risco que passei se não tivessem me encontrado no apartamento naquele momento. Meu mundo desabou e eu senti uma tristeza tão profunda que minha vida acabou ali naquele momento quando descobri que não existia mais o meu bebê dentro de mim. — Um suspiro e a tristeza nos olhos dela foram o suficiente para que sentisse aquela dor novamente por vê-la sofrer pelo filho. Abriu espaço entre eles no sofá e gentilmente colocou uma almofada no colo esperando que ela deitasse e descansasse um pouco. Ele não quis atrapalhar o desabafo, mas de perto reparou a expressão dela ficar mais cansada e os olhos quase não suportarem mais o peso de ficarem abertos. — , quando eu saí daquele hospital e quis me odiar e odiar o mundo por ter acontecido isso comigo. Perdi minhas esperanças, minha vontade de viver e tudo piorou quando recebi os resultados sobre a possibilidade de nunca mais engravidar. Nesse momento eu pensei que nunca mais fosse conseguir viver sem a sombra dessa perda e que tudo na minha vida não tinha mais sentido e eu me entreguei a essa dor. Os dias foram ficando complexos, entediantes e minhas forças foram desaparecendo junto com qualquer outra vontade. E de repente você apareceu me tirando daquela escuridão. — Sentindo o peso do corpo começar a surgir, ela fechou os olhos por alguns segundos, tentando ainda ficar acordada mesmo com o chamego de por seus cabelos. Ela sentia que precisava falar sobre isso com ele, colocar para fora esse desespero para que pudesse descansar pelo menos uma noite em paz sem a sombra dessa culpa que cada dia consumia mais a sua paz. Nunca tinha sido culpa de ou de qualquer outra pessoa, a única culpada por essa perda tinha sido ela e a incapacidade de ficar sozinha sem depender de outras pessoas. — Me perdoe por tudo. — Ela sussurrou, quase não conseguindo mais sustentar o cansaço de seus olhos abertos. — Espero que você fique bem e que encontre uma pessoa maravilhosa que te ame todos os dias. É isso que eu espero para a sua vida, uma pessoa que não apenas ame o do BTS, mas que ame cada parte desse garoto incrível e único. — O esforço dela foi tão espantoso que mesmo quase em transe ela continuou falando e começou a cantar bem baixinho uma música, esperando que isso fosse o suficiente para que ela adormecesse.
— Descanse. — Ele deslizou os dedos pela bochecha da garota, aumentando mais o tom da voz para que ela deixasse envolver com aquela melodia.
? — resmungou, procurando a mão dele imediatamente. — O não consegue viver sem você, . Não existe outro amigo ou outra amizade que ele mais prioriza a não ser a sua, por isso não desista dele. Não desista de vocês dois e nem de tudo o que vocês lutaram juntos para construir e não desista do BTS. O grupo precisa de vocês dois juntos e eu também. — ela falou, segurando forte a mão dele e um sorriso escapou por entre os lábios do garoto sabendo que era difícil a garota pegar no sono quando estava determinada desabafar. O silêncio ficou mais longo e novamente ela voltou a sentir aquela sensação de tê-lo ao seu lado. A voz dele penetrou por entre os ouvidos e ela desligou-se por completo daquele lugar com a certeza que sempre foi parte dela e que ainda existia em seu coração sendo o seu único e avassalador amor.


Capítulo 19

caminhou lentamente até a porta e sem ao menos bater entrou, sem nenhuma vontade. Como esperado, todos estavam na sala. Inclusive que virou bruscamente para encará-lo. Ao contrário do esperado, todos estavam em silêncio olhando diretamente para , que não esboçava nenhuma satisfação ao encontrá-lo.
— O quê? — perguntou, levantando os ombros sem compreender todos aqueles olhares. abriu a boca como se fosse fazer algum comentário, mas em seguida fechou como se tivesse mudado de ideia.
— Você é tão cínico que às vezes consegue me assustar. — Ele disparou, aproximando-se de . — Todo mundo acredita que você é um santo. Pobre , sempre tão sozinho, tão quieto e tão gentil até com uma formiga. — Ele soltou uma risada nervosa.
— Você ficou perturbado, ? — cruzou os braços, também diminuindo a distância entre eles. Qualquer que fosse a intenção daquele comentário era a oportunidade exclusiva que estava esperando para conversar diretamente com . Todos na sala mantiveram o silêncio ao perceber que a conversa era somente entre eles. sentiu seu coração bater mais forte e uma vontade incontrolável de esmurrar aquele rosto patético de com suas próprias mãos estava surgindo por sua cabeça.
— Achei que fosse ficar depois de descobrir o que você escondeu todos esses anos. — sorriu, cruzando também os braços. — E você? Ficou perturbado? Ficando próximo da pessoa que nunca esqueceu? Calor, paixão… — Ele gesticulou com as mãos ao falar. — Tudo o que você sempre quis. Momento único, pessoa certa, amor antigo. — provocou.
— Você só pode estar brincando. — descruzou os braços, alterando um pouco o seu comportamento. Estava cansado daquele assunto e não viajou todas essas horas do Canadá à Seul para ficar escutando o deboche dele. Ainda mais sem ter a chance de conversar e explicar tudo o que realmente aconteceu. ao menos tinha que lhe dar uma chance para uma conversa amigável e tranquila, mas tudo levava para o caminho mais tenso e complicado.
— Por que eu estaria brincando, melhor amigo? — sem paciência apontou um dedo para o rosto dele querendo que esse dedo transformasse em um soco.
— Será que você não consegue conversar direito? — o encarou nervoso. — Qual a novidade em todo mundo saber que eu sempre amei aquela garota? — Ele riu. — Não é novidade para ninguém e nem pra você que já sabia disso em Busan antes de ficar com ela.
— Larga de ser melancolicamente patético. — diminuiu o espaço entre eles, olhando diretamente dentro dos olhos de . — Você vive na esperança que alguém chegue para passar a mão na sua cabeça e dizer como eu fui um filha da puta ignorando os seus sentimentos e ficando com a garota.
— Chega, . — tentou acabar com aquele assunto que estava deixando todos apreensivos. — Ninguém aqui quer ouvir mais nada dessa conversa e você não tem o direito de falar dessa maneira com o . Ele acabou de chegar de viagem.
— É? — virou para , abrindo o braço indignado. — Será então que ele pode nos dizer onde estava? E com quem?
— Não interessa onde eu estava e com quem. — defendeu-se imediatamente. — , deixe que ele fale. Precisamos ter realmente uma conversa e quero muito ouvir o que o tem para falar. Quem sabe dessa vez ele consegue ser homem o suficiente.
— POR QUE VOCÊ NÃO ASSUME DE UMA VEZ QUE ESTAVA COM ELA? — se exaltou, berrando na sala para que todos escutassem. — LARGA VOCÊ DE SER UM POBRE COITADO E VIRE HOMEM PARA ASSUMIR QUE ESTAVA COM ELA. — Ele partiu para cima de com toda violência e força. Ambos caíram em cima do sofá e vários chutes e socos foram dados quando rolaram para o chão da sala. Não dando espaço para o espasmo ou o choque, e correram separar ambos para que nada fosse quebrado.
— MALDITO! EU TE ODEIO! — ainda berrava muito exaltado. Tentava soltar os braços de e que o estavam segurando fortemente. Do outro lado e seguravam para que ele não fosse até . Os óculos do rapaz estavam no chão, jogados e todos despedaçados.
— VOCÊ É UM MALDITO, . — também muito exaltado, levantou o tom da voz e ambos estavam agora berrando na sala.
— POR QUE VOCÊ NÃO DIZ PARA TODOS QUE ESTAVA EM MONTREAL O TEMPO TODO COM ELA? — pulava descontroladamente tentando alcançá-lo. — EU TE ODEIO! EU TE ODEIO! — O clima rapidamente começou a ficar insuportável e foi perdendo os sentidos e um choque começou a deixar os seus nervosos todos travados e uma dor surgiu na sua nuca. Mantendo os olhos fechados e toda aquela dor por cada parte do corpo os gritos de começaram a ficar mais distantes, e então desesperado e chorando muito, forçou os olhos tentando abri-los e na segunda tentativa enxergou o seu quarto de hotel em Montreal.
— Nossa. — passou as mãos pelo rosto, não conseguindo assimilar a realidade daquele sonho. A dor que ainda sentia no rosto o deixou atordoado por alguns segundos até despertar por completo. Estava ainda sentado no sofá, onde na madrugada tinha certeza de estar com no colo, e sua última recordação era de ficar observando o jeito delicado dela em dormir. Não pensou que estivesse tão cansado ao ponto de apagar daquela maneira e nem que seus pensamentos estivessem tão aflorados e preocupados com e os amigos em Seul.
— Bom dia, lindo. — surgiu pela porta do quarto com ambas as mãos para trás e com o cabelo amarrado em um coque frouxo. O olhar surpreso dele deixou a garota curiosa e então caminhando lentamente sentou-se no sofá com todo cuidado antes de falar a próxima frase. — O que aconteceu? Normalmente você acorda com uma cara melhor, mas essa é nova. — Conhecendo-o tão bem tentou disfarçar enquanto deixava sutilmente o celular do amigo por entre as almofadas do sofá.
— Tive um péssimo sonho. — Resmungou, jogando a almofada que estava no colo em cima dela.
— Café da manhã? — ofereceu, ainda discretamente esperando que ele não tivesse sentido falta do aparelho, mas julgando pela aparência perdida e com a bagunça que estava o cabelo e o rosto de , com certeza ele nem tinha acordado direito ainda.
— Preciso resolver alguns problemas. — Desconversou, passando as mãos pelo bolso da calça procurando o celular. Ele correu olhar para a mesa de centro, a mesa na sala de jantar e em lugares propícios e habituais de deixar o aparelho. — Que droga! — bravo parou, agora colocando ambas as mãos na cintura. Ele não tinha usado o celular em nenhum momento da madruga, então onde o aparelho estaria?
— O que foi? — Ela fez de desentendida.
— Não encontro meu celular. — Preocupado ele não acreditou como sobreviveu sozinho todos esses meses com essa sua distração.
— Não deixou no banheiro ou em algum outro lugar do quarto? — Justificando a falta do aparelho em locais óbvios, a garota pensou rápido que o melhor a se fazer no momento era sair de vista de .
— Não. Ontem a noite quando chegamos coloquei ele… — entortou um pouco a cabeça com a vaga lembrança de ter jogado o aparelho no sofá. — Levanta! — Ele puxou a garota pelo braço, começando a jogar as almofadas no chão.
— Enquanto você termina o seu compromisso eu vou procurar a minha amiga perdida. — rapidamente pegou a bolsa e o casaco e antes mesmo que ele pudesse achar o aparelho, já estava do lado de fora do quarto correndo apressadamente para o elevador. não podia ter ido muito longe e ela precisava urgentemente conversar com a garota antes que a situação em Seul ficasse irreversível.

O barulho de panelas caindo na cozinha era a parte da manhã que detestava. Inúmeras conversas com não havia mudado o jeito errado dele em fazer o café da manhã. Qual pessoa consegue fazer todo aquele barulho apenas fazendo um simples café?
O sol estava já alto quando abriu os olhos, notando que não somente o barulho o estava incomodando. , como toda manhã, abriu a cortina de sua janela para que o sol entrasse. Todos chamam isso de um bom amigo. Já tem outro pensamento sobre esses acontecimentos causados por ele.
Ânimo, era exatamente isso que ele buscava para levantar-se daquela cama. Ele olhou para o relógio que estava na cômoda, notando que ainda não era nem 10:00 hrs.
Definitivamente. Qual era o problema de ?
! — Ele gritou do andar debaixo. — CAFÉ DA MANHÃ NA MESA. — Fazendo mais barulho, ele bateu numa panela.
— Eu mereço. — cobriu o rosto com a mão. O sono começou a surgir novamente e ele atirou-se de costas para a cama, tentando voltar a dormir novamente. Não estava disposto naquela manhã. O barulho era diferente nesse momento. Ele escutou os passos pesados de , subindo as escadas partindo em direção ao seu quarto. O momento exato para sair correndo para o banheiro fingindo estar trocando de roupa. Ou ao menos tomando uma distância considerável dele.
— Eu disse que a está vindo para cá. — Ele bateu forte na porta. — Quero você pronto em menos de dez minutos. — ordenou.
— Tudo bem. — soltou um suspiro, buscando uma roupa. O toque da campainha fez com que não entrasse no quarto do amigo.
—Ah, que ótimo. — praguejou. — CINCO MINUTOS. — Ele gritou ao perceber que já havia chegado.
Ao descer desesperadamente pela escada olhou para o espelho ajeitando o cabelo e antes de abrir a boca, respirou fundo com seu melhor e maior sorriso. Estava morrendo de saudades da namorada e precisava estar maravilhoso e lindo para a garota que tanto amava. Ele girou a maçaneta feliz e encontrou parada do outro lado, sorrindo alegremente para ele.
— Oi, meu nenê. — abriu os braços, fazendo um biquinho quando apressadamente envolveu a sua cintura com uma das mãos. — Que gostoso. Que saudades. — Ela respirou profundamente, deixando aquele perfume tomar conta do ambiente ao seu redor. Não era somente o perfume que a deixou completamente atordoada, mas aqueles braços, aquele pescoço e o jeito que aquele corpo encaixava-se perfeitamente ao dela. era tudo o que seu coração precisava para ficar batendo descompensado e hoje ela o tinha novamente por completo. Com a agenda ocupada e todos os compromissos do grupo, quase não teve tempo nesse mês para dar atenção necessária para ela, mas todas as noites antes de dormir ele não deixava de ligar para a namorada e ficavam conversando durante uma hora antes dele finalmente adormecer ainda com ela na ligação do outro lado. O resmungo, o suspiro do outro lado era a certeza do quanto ele estava esforçando para ficar com a garota nem que fosse por breves momentos ao telefone. Não somente essa atitude, mas as flores, a cesta de café da manhã e todas as mensagens logo cedo a deixavam completamente apaixonada por essa criatura mais maravilhosa e perfeita do mundo.
— Que saudades eu senti do meu amor. — deixou um beijo nos lábios dela com urgência enquanto suas mãos percorriam a pele das costas debaixo da blusa. — Amor, que saudades. Minha vida, minha princesa. — Animado e sem descolar os lábios dela um só segundo, beijava e acariciava o rosto dela morrendo de saudades daquele contato mais íntimo.
— Eu tenho vizinhos! — surgiu tossindo na ponta da escada, atrapalhando o momento romântico entre o casal.
— Não estraga meu momento. — não perdeu a chance de ignorá-lo, voltando a sua atenção para os lábios da namorada. — Eu te amo. Amo. Amo. — Declarou, suspendendo a garota no ar e girando-a de um lado para o outro.
— Eu tenho vizinhos. — Dessa vez falou um pouco mais alto para que ele entendesse direito.
— Cala a boca, ! — tirou os olhos de , olhando feio para . — Qual é? — Perguntou, esmagando o pescoço de com os braços. bocejou, balançando as mãos e indo na direção à cozinha. Sabia que era inútil ficar prestando atenção em e , ainda mais quando a sua barriga estava resmungando por um pouco de comida.
— Amor, como está linda. Ela não é linda? — ainda babava na namorada quando entrou na cozinha, puxando uma cadeira na mesa para que ela ficasse confortável. — Linda, amor. Muito linda, eu te amo. — Não cansava de tecer elogios e suspiros pelo canto da boca.
— Bebê, lindo é você, amor da minha vida. — respondeu com o coração em frangalhos com o olhar aconchegante e cheio de paixão vindos do outro lado da mesa.
— Acho que vou vomitar. — revirou os olhos, colocando a mão na boca fazendo menção de realmente estar enjoado.
, é saudades tudo isso? — Ela tirou a atenção de , agora olhando para que estava cabeludo e com o cabelo completamente preto. — O que aconteceu com você? Parece um homem das cavernas! — Assustou-se com cabelo enorme e fora do padrão usado pelo garoto.
— Comeback daqui alguns dias, então ele resolveu deixar o cabelo crescer e mudou de repente. — disse rápido enquanto olhava para uma mesa farta, composta por carnes, arroz, sopas, vegetais e algumas frituras. — Fome, nem parece que eu tenho esses dotes culinários.
— Nem parece que você comprou pronto na loja da esquina. — resmungou, entregando de uma vez o amigo que parecia querer impressionar a namorada com uma mesa enorme daquelas. — Ah, ok. — Debochado ao extremo ele sacou a olhada de lado de e desconversou.
— Desnecessário, . — sorriu amarelo totalmente envergonhado com aquela exposição desnecessária. não precisava saber realmente da corrida matinal até a loja da esquina e alguns wons gasto nessa bela mesa de café da manhã.
— Bebê, tudo bem. — sorriu com o jeitinho desconfortável e meigo do namorado. — É um trabalho muito difícil retirar de todas as bandejas e colocar em outras. Admiro essa dedicação. — Mandou um coração com as mãos para ele não ficar deprimido.
— Sem coração! — acusou .
— Meu coração no momento não anda batendo muito bem. — pegou um dos potes, trazendo para mais perto e iniciou o café da manhã com uma enorme vasilha de sopa acompanhada por carnes e legumes.
— Por que não anda batendo “muito bem”? — perguntou, preocupada com a maneira que colocou aquela frase em questão. Talvez fosse coisa da sua cabeça, mas algo estava acontecendo e sendo escondido por e . O jeito e o comportamento de nos últimos meses depois que deixou Seul estavam estranhos e não somente ela tinha observado isso, mas os pais também notaram o nervosismo dele quando o assunto rapidamente mudava de rumo falando sobre e depois sobre a vida dela em Boston. Logo o namorado arrumava uma desculpa para ir embora e quando estava presente era sempre uma troca de olhares como se em silêncio pudessem entender o que um e o outro queriam falar com um simples gesto. Estranho. Bastante estranho e isso também era um incômodo muito grande. não teria nenhum motivo para escolher nada dela, principalmente se o assunto fosse sobre a sua melhor amiga.
— De repente, não consigo sentir batendo nada dentro do meu peito. — escondeu a tristeza por trás daquele sorriso, mas depois de tantos anos era difícil ela não identificar quando ele fugia de assuntos, como estava fazendo nesse instante.
— Não consegue senti-lo? — Insistindo, novamente perguntou.
— Não é bem isso. — tentou ajudá-lo na resposta ao vê-lo perdido buscando algo sensato para responder. — vem sofrendo pressão com a BH, então é tudo complicado nessa altura da nossa carreira. — Esperando que a namorada acreditasse nesse esforço e nessa outra mentira, levou a colher até a boca e depois olhou para que estava parado, olhando para a sopa em sua vasilha.
— É real isso, ? — Não sabendo se acreditava no namorado, a garota deixou de lado a sua sopa, agora interessada naquela conversa.
— Claro que é, amor. — ficou nervoso, fazendo uma careta para a garota.
? — Ela o ignorou novamente, buscando que tirasse a atenção da vasilha e olhasse dentro dos seus olhos. — O que vem acontecendo com você?
! — chamou a atenção dela.
— Tudo bem. — colocou o jeokkarak de lado e soltou um longo suspiro pelo canto da boca. Como iria conseguir escapar dessa pergunta se nem ao menos sabia por que tinha dito aquela frase? Talvez precisasse de mais algum tempo. Talvez estivesse deprimido ou então o pesadelo na noite anterior com o filho tivesse mexido novamente com o seu psicológico. — Não me sinto bem com algumas situações, . — Usando da sinceridade com ela sobre o assunto, tentou esconder a tristeza por trás da sua voz e do olhar perdido para o jardim de inverno do apartamento. Sua mente vagou para uma lembrança de e aquilo trouxe uma sensação de aperto para o seu coração, a última conversa no telefone e a maneira como os dois tinham terminado aquele contato. O fim realmente para aquela conversa, mas no fundo, buscava manter a esperança que fosse sincera e corajosa para lhe contar a verdade sobre a perda do filho. Ele não podia simplesmente ignorar isso ou então continuar mentindo sobre o assunto, por mais que a palavra “fim” tenha sido usada entre eles o “fim” realmente não seria usado para sempre. — É complicado, não posso mentir e nem omitir que ainda penso nela. — Ele fez uma pausa, agora abaixando a cabeça para a sua vasilha de sopa. imaginou se seria correto falar com a melhor amiga dela sobre esses sentimentos confusos. Como iria reagir com algumas frases confusas e segredos escondidos? — Mentiras. Falsidades. Amizades destruídas. — Ele disse pausadamente, não deixando de notar a expressão séria de , mas ele provavelmente estava preocupado com a mentira sobre a morte do filho.
— Que mentiras? — Ela fingiu não entender, com medo que ele pudesse estar referindo-se à criança. O que seria impossível, pois nem ela, nem e muito menos tinham contado a respeito do bebê.
— Penso que ainda existem assuntos inacabados entre nós dois. — agora empurrou a vasilha, apoiando os cotovelos na mesa olhando diretamente dentro dos olhos da namorada do amigo. Errado falar aquilo? Provavelmente, mas às vezes esperar a vontade e a coragem da ex-namorada era muito cansativo. Quem sabe jogar algum tipo de indireta? com certeza sabia de todo o assunto, mas tentava de alguma maneira descobrir se ele também sabia de algo. Então, uma indireta não iria fazer mal a nenhum dos envolvidos. — Sabe? parece que esconde alguma coisa muito importante.
— O que ela esconde? — gaguejou um pouco, limpando a boca no guardanapo e depois olhou para que visivelmente estava incomodado com o assunto. — Como é possível ela esconder alguma coisa? — Nervosa com aquela acusação, tentou de alguma maneira desconversar, dando outro rumo para o assunto.
— Por que estamos falando disso? — , irritado com aquela conversa, balançou a cabeça desacreditando que tinha perdido a noção do que estava em jogo. — Não queremos conversar sobre a
— Por que não queremos? — o enfrentou pela primeira vez depois de meses em extremo silêncio sobre o assunto. Prometeu que nunca mais iria tocar no assunto e nem entrar em crise, mas tudo tinha um limite e ele estava por um fio com esse limite. — Quanto tempo vou ficar fugindo disso? Já não bastam todos esses anos que fugi? Quanto mais tenho que esperar, ? Quanto tempo mais eu tenho que viver nessa agonia e nesse desespero? — Ele disparou para cima do amigo, não controlando o nervosismo. — Ela não me procura! Ela nunca vai criar coragem para me contar a verdade? Será que eu não mereço saber disso? O que de errado eu fiz com essa garota para merecer tudo isso? — Desenfreado e com o coração quase saltando pela boca, ele empurrou ainda mais forte as vasilhas para o lado e deixou o peso da cabeça debruçar em cima da mesa de vidro.
! — bateu com força as mãos na mesa, colocando-se em pé. — Cala a boca! — Ordenou, agora com o rosto muito vermelho.
— O que vocês dois estão escondendo? — foi objetiva e rápida na pergunta, quebrando o clima da discussão entre os amigos e logo descobrindo que eles realmente estavam escondendo algo.
— Perdi a fome. — empurrou a cadeira para trás sem tirar os olhos de . — Não é assim que as coisas são resolvidas. Pensei que ao menos tivesse aprendido depois dos últimos meses e de toda a confusão que aconteceu com você, . — Sem condições para continuar naquela sala, sentiu o corpo todo tremer de raiva pela atitude dele. — Como você quer que ela seja corajosa? Agindo assim? Com essa atitude? Com essas emoções fortes? — O clima da sala ficou tão tenso que ele caminhou de um lado para o outro, sendo observado por e por . — Já ouviu falar sobre perdão? Ele existe e é muito usado por diversas pessoas no mundo. — Aconselhamento não estava no roteiro dessa manhã, mas a necessidade de voltar a falar sobre aquele assunto despertou em algo muito importante para dividir com o amigo. — Perdoe aquela garota primeiro e depois coloque dentro do seu coração que por mais que ainda a ame com todas as suas forças, o seu coração está despedaçado, machucado, da mesma maneira que o dela. — O rosto de começou a ficar vermelho com algumas lágrimas insistindo em escorrer pelas bochechas e o pouco que viu deixou o seu coração apertado por vê-lo daquela maneira. — Ainda existe amor entre vocês dois, mas ele nunca mais vai ser o mesmo. Nunca mais vai ser aquele primeiro amor de três anos atrás. Nunca mais vai ser do mesmo jeito. E então, não faça nada e não fale nada que não queira ser interpretado errado. — Deixando aquela distância da mesa ele caminhou até onde o amigo estava sentado, puxando-o para a barriga e rapidamente o envolveu pela cintura, começando a chorar com mais desespero. — Eu estou com você, . Sempre. Mas, não sou eu que tenho o poder de restaurar seu coração. Se eu tivesse em mãos o poder de resolver essa situação, não hesitaria em devolvê-los novamente para a sua vida. — Agora com os olhos marejados também de lágrimas levantou-se da cadeira, pegando a bolsa e correu para o banheiro mais próximo. Ela já não conseguia mais suportar o peso daquele segredo e olhando para o reflexo no espelho buscou o celular na bolsa e antes que pudesse raciocinar direito discou o número da amiga, querendo que ela acabasse de uma vez com todo aquele sofrimento.

ficou nervosa para que o elevador chegasse logo na recepção. Tentou de todos os jeitos ligar e mandar mensagens para e até o momento ela ainda estava desaparecida. nunca foi de sumir dessa maneira ou ficar incomunicável, ainda mais ela que vivia com o celular na mão o tempo inteiro. Tentou afastar os pensamentos ruins e a sua última tentativa era procurar pelo hall do hotel e caso não a encontrasse nessa manhã, ligaria para Boston e em seguida para a polícia local. Quando o elevador apitou parando na recepção a sua atenção passou a ficar mais atenta aos detalhes do lugar e ao sair do elevador rolou os olhos na esperança de encontrar a amiga parada em algum canto.
— Como ela pode desaparecer assim? — Reclamou, esquecendo-se do degrau do elevador. — Que droga é essa? — Ela xingou toda destrambelhada, tentando manter o equilíbrio do corpo.
— Qual é o seu problema? — abriu os braços no meio da recepção ao vê-la tropeçar daquela maneira. — O quê? Tá fugindo? Você não cometeu nenhum crime, né? — Ela estranhou o comportamento assustado dela e a maneira que a respiração estava mais rápida.
— O meu problema? Onde você estava? O que aconteceu? Que crime? — lotou a garota de perguntas, segurando-a no pulso com força.
— Dormindo? Arrumando um lugar confortável para descansar o meu lindo corpinho? — Irônica e com um risada fora de controle a atual chefe e também amiga segurou com a outra mão o pulso de , com a mesma força que ela estava forçando o dela.
— Será que você vai quebrar o meu pulso desse jeito? — Reclamou, sentindo dor no local onde ela segurava. — Dormindo? Você desapareceu e não respondeu nenhuma mensagem! — torceu ainda um pouco o pulso da garota de raiva por ter ficado preocupada atoa.
— Posso ajudá-las? — O senhor alto e elegante da recepção chamou a atenção das garotas.
— Oi. Tudo bom? — sorriu amarelo, deixando o pulso de de lado.
— Bom dia. — O mesmo sorriso amarelo apareceu no rosto de , sentindo-se desconfortável com o jeito dele desconfiado das duas. — Nós estamos… — Ela parou, tentando inventar alguma desculpa. — Nós estamos…
— Hospedadas na suíte máster. — completou, mostrando a pulseira no braço. — Eu queria uma ajuda sobre o café da manhã. Não estou me sentindo disposta e nem a minha amiga. — Ela levou a mão na cabeça e depois olhou para esperando que ela entrasse na encenação.
— Ah, ok. — Ele disse, deixando de ficar desconfiado com ambas as garotas. — Quinze minutos e o café da manhã estará no quarto das senhoritas. — Cordialmente e educadamente o senhor despediu-se, esperando que elas fossem à direção dos elevadores. — Como nós temos um quarto? — perguntou com os braços em volta da cintura dela, cochichando para não chamar a atenção de ninguém novamente naquela recepção.
— Onde você acha que eu dormi? — debochada cruzou os braços, esperando o elevador terminar de abrir a porta por completo. — A pergunta certa é onde a senhorita dormiu.
— No quarto do .
— Hum! No quarto com o
— No quarto do . — repetiu, corrigindo.
— No quarto do , com o . — também repetiu, corrigindo a frase.
— Só no quarto do ! — deu um empurrão em para que ela entrasse logo no elevador. — Não dormi com o , apesar de ter apagado no colo dele. — Ela vagamente lembrou-se de ter pegado no sono enquanto ainda estava conversando com ele.
— Hum! — Um sonoro barulho irritante saiu pela boca da chefa que deixou todo o corpo de com vontade de descer a mão nela ali dentro daquele elevador mesmo. — No quarto do , com o . E para completar no colo do ?
! — perdeu a paciência, dando um beliscão nela.
— Adoro. — Ela riu.
— Precisamos conversar. — Alerta com a mensagem que tinha lido sem querer no celular de , buscou um pouco da atenção de para esse assunto que era realmente muito importante para a carreira do amigo.
— O que aconteceu? — deixou de lado as brincadeiras, entendendo que o assunto era muito importante e sério. A porta do elevador abriu de repente e ela puxou para fora, caminhando ao lado dela para a suíte que tinha reservado na noite anterior quando a garota estava ocupada no quarto de . Seja no quarto do ou dormindo com o . A ordem não alterava os acontecimentos e por sorte e com bons contatos fluentes em Montreal no final não foi difícil reservar essa suíte master.
— Encontrei no celular do uma mensagem do avisando sobre a decisão da BH. — Ela disse, parada em frente à porta do quarto 45. — Não é uma boa notícia, ! — choramingou com medo de ter estragado a carreira de e . A mensagem foi bem clara e para o espanto ainda, completou a mensagem avisando que não podia contar para ninguém que eles estavam em contato um com o outro o tempo todo.
— O que a BH quer? — posicionou a mão na fechadura e ela destrancou automaticamente.
— Eles querem que o volte para Seul e resolva as pendências do grupo. — jogou-se no sofá, cobrindo o rosto com uma das almofadas. — Só que eles querem que essas pendências sejam resolvidas entre ele e o , e caso não entrem em acordo… — Parou, nesse momento buscando a atenção da outra que estava parada de braços cruzados no meio da sala de estar atenta à conversa. —
— Não acredito. — sentou-se na cadeira de descanso perto de uma enorme lareira, cruzando as pernas surpresa com o posicionamento da BH. — Não precisa terminar de falar que eu entendi o que eles querem. — Ela protestou de maneira curta a pressão que a BH estava impondo em cima dos dois integrantes.
— O que eu faço? Não quero que eles briguem por causa das minhas mentiras e dos meus segredos. — deprimida cobriu o rosto, sentindo o mundo desabar diante dos próprios olhos. — É minha culpa toda essa merda acontecendo na vida deles. Maldita hora que eu fui para Seul, maldita hora que eu envolvi o no meio dessa confusão e maldita hora que escolhi amar . — Desesperada com a situação que havia colocado os amigos, ela chorou com o medo que pudesse atrapalhar esse sonho que eles tanto lutaram para virar realidade. O BTS era um grande sonho e um grande sucesso pelo mundo. E agora essa situação? Um ou o outro? Não podia deixar que isso acontecesse. — É minha culpa. Não devia ter pedido nada ao , não devia tê-lo colocado dessa maneira em um assunto tão delicado.
— Comece a arrumar as coisas. — enfrentou aquele acontecimento diferente do que estava pronta para aconselhar à amiga. — O que aprendemos até o momento? — Ela perguntou, querendo que compreendesse o que faltava para terminar aquela história de um jeito confortável para todos. — Aprendemos que mentir não é o melhor caminho. Aprendemos que amizades são destruídas por causa de mentiras. Aprendemos que conversar pacificamente é a melhor solução para todos os problemas no mundo. — Ela foi numerando o acúmulo de dor e sofrimento que essas mentiras causaram na vida das pessoas envolvidas. — O ainda não sabe sobre o filho. Não sabe sobre o envolvimento do com você por causa da perda da criança. — lembrou a amiga desse enorme detalhe importante. — Acredito piamente que a partir do momento que você começar a ser sincera com o e finalmente contar para ele o envolvimento real do nessa história, é quase impossível o julgar o amigo por causa disso. — Confiante nesse julgamento ela manteve o nível da voz no mesmo tom para que não tirasse a atenção dela. — Ele vai entender e perdoar o amigo, mas no momento o que ele deve achar é que vocês dois tiveram um caso esse tempo todo e que ele foi o corno da história.
— Acredita que ele vai entender? — com o rosto já inchado pelo choro procurou naquelas palavras um pouco de coragem para conseguir conversar com sobre o assunto delicado do filho. — Acredita que ele vai ainda me escutar depois da última ligação? — Lembrou-se de como haviam terminado e do grande ”fim” daquela noite.
— Acredito que ele está esperando por ela. — Levantando-se rapidamente, andou para o lado da amiga, sentando-se ali. Explicar com cuidado e sabiamente era um grande papel importante e com certeza nos últimos meses desempenhou muito bem todas essas conversas sábias e necessárias. — Escuta. O sob os seus olhos é um garoto maravilhoso. Por isso, acho difícil ele tomar uma atitude radical. — Julgando o garoto com toda a informação que havia recebido durante aqueles meses em contato com , ela realmente não acreditava na possibilidade de um surto e falta de compreensão do ex-namorado da amiga. — Não aconselho você ir com tudo. Forçando-o a aceitar o amigo e nem começar a conversar jogando a verdade assim. Tente ao menos deixá-lo confortável.
— Eu só quero que ele entenda que a culpa foi minha e não do ! — buscou os braços dela, querendo chorar um pouco mais antes de tomar qualquer decisão precipitada.
— Então você sabe o que tem que ser feito. — Com os braços em volta dela massageou levemente as costas da garota, passando um pouco de força e energia positiva.
— Ligar para a BH? — chorosa afastou-se, pegando o celular que estava no bolso. — Quem eu começo a xingar naquela empresa? Todo mundo? — Querendo esconder o nervosismo ela disparou a falar com as mãos trêmulas no aparelho.
— Liga para o contato que ainda tem um coração na frente do nome. — Ela cortou, deixando com a boca aberta sem reação ou qualquer outro comentário engraçadinho.
— Ok! — Ela tomou distância do sofá caminhando para o quarto onde pudesse ficar sozinha para criar essa coragem necessária para fazer a coisa certa. Pensando claramente, agora sozinha naquele enorme quarto luxuoso, longe da sua casa, longe de Seul, sentiu-se ainda mais culpada por tudo o que a sua mentira tinha causado na amizade de e . Duas pessoas que sempre foram importantes em sua vida, de maneiras diferentes e em momentos diferentes, mas importantes para que ficassem marcadas por uma vida inteira em seu coração. — Desculpa por tudo o que eu causei na vida de vocês dois. — Baixinho, ela pediu desculpas, querendo que a coragem surgisse naquele momento importante. — Será que você é capaz de me dar mais uma chance? — Ela não conseguia sentir as pernas, e por isso, ajeitou-se na cama com o aparelho preso contra o peito. — Preciso que você me escute, amor. — Buscando coragem em meio a todos aqueles pensamentos ela afastou o aparelho do corpo, agora olhando para a tela que estava acesa. Confortavelmente deitada na cama buscou na agenda de contato o nome que ainda deixava o seu coração batendo tão forte ao ponto de ser capaz de sair pela boca. As mãos trêmulas percorreram a tela do aparelho e quando encontrou o nome que tanto procurava respirou fundo algumas vezes, sentindo o estômago revirar de ansiedade. — Tantos meses sem saber de você! — Ela deslizou o dedo pela tela e em segundos a ligação foi completada e agora o toque ficou mais alto, deixando todo o corpo em alerta.
— Alô? — A voz dele foi capaz de atingi-la de uma maneira perturbadora que seu corpo estremeceu de dor ao lembrar-se como era doce e suave até mesmo um simples “alô”. E agora? Não tinha volta! estava esperando por uma resposta e ela precisava falar qualquer coisa antes que ele desligasse.
— Você pode ficar em silêncio se não quiser falar comigo, mas eu preciso da sua atenção por apenas alguns minutos. — Ela disse rapidamente, criando a coragem necessária para iniciar essa conversa. A respiração pesada dele deixou ainda mais o momento delicado e ela precisou respirar fundo, recuperando um pouco o fôlego. — , só preciso saber se ainda é tarde para uma conversa. — O silêncio do outro lado da linha foi tão constrangedor que mentalmente a garota desejou que ele apenas desse essa última oportunidade.
— Como é gostoso ouvir a sua voz depois de tanto tempo. — Ele disse, apoiando a cabeça para trás na parede. O quarto pareceu de repente ficar fora de foco e tudo o que seu cérebro buscou foram imagens e recordações da garota que havia deixado naquela noite. — Será que eu sempre vou me sentir dessa maneira quando escutar a sua voz? Parece que meu coração consegue errar as batidas e meu corpo todo fica em choque. Será que ainda existe a mínima possibilidade de um dia a gente conseguir conversar um com o outro sem sentir tudo isso? — perguntou, começando a sentir o coração ficar acelerado e cada parte do seu corpo gritar na esperança que isso não fosse somente outro sonho ou uma ilusão. Sua garota estava no telefone e tudo o que conseguiu sentir foi o corpo arder de saudades daquele amor.


Continua...

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Nota da autora: O susto foi real, né? Maldade. Não consegui controlar a vontade de pelo menos um soco acontecer entre esses dois. Só que, vamos ser sinceras que ainda não podemos descartar a possibilidade de ser real daqui alguns capítulos. E vamos amar esses personagens secundários que sempre roubam a cena de uma maneira incrível. Hoseok com a amiga, a chefa maravilhosa como sempre.

E...essa ligação no final que me deixou jogada no chão por alguns segundos. Por que eles são assim? Deus! Ansiosa por essa conversa e com muito medo desse contato.

Importante, quem ainda não leu saiu um SPIN OFF DE LOVE IS NOT OVER: BEST OF ME.
FOI ESCRITA ESPECIALMENTE COM O CASAL PRINCIPAL!

O que acharam do capítulo?
Espero que vocês tenham gostado e não deixem de comentar!
Muito obrigada pelo carinho e por todo o surto.
Amo vocês!


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