Capítulo Único
Quando decidira se tornar comissária de bordo, null precisou passar pela resistência dos pais em aceitar que a garota não iria para uma faculdade como o restante dos irmãos, tampouco tentaria um cargo público como os primos. Superada estas questões, ela precisou de todas as suas parcas economias para pagar o curso de comissária de bordo e, se não fosse seu dom de persuasão, duvidava que seu pai a ajudaria a pagar um treinamento que a faria ficar longe de casa na maior parte do ano enquanto viajava ao redor do mundo.
Morar fora para cursar as aulas, passar pelo teste de aeromoça — só sendo aprovada na segunda tentativa — e então participar de vários processos seletivos até ser selecionada para uma boa companhia aérea havia sido um longo caminho a ser percorrido, mas null nunca havia se arrependido da sua escolha. Até aquele momento.
— Isso é tão injusto!
Estava caminhando em direção à pista de voo. Carregava a mala de rodinhas atrás de si enquanto tentava manter os passos curtos por conta da saia justa do uniforme.
— Eu não acredito nisso.
Estava tão irritada com a notícia que recebera na noite anterior que mal conseguia conter seus ânimos, quem diria suas passadas. Até mesmo a brisa da manhã, gélida e refrescante após uma noite de chuva, estava piorando o seu humor já que o lenço que tinha amarrado no pescoço ficava, irritantemente, lhe batendo no rosto.
— Alguém vai ter que me dar alguma boa explicação ao final disso tudo.
O motivo do seu mau humor matinal era muito simples. null havia sido escalada para uma viagem à Paris, nada de muito novo até aí já que ela já havia viajado à Paris outras vezes antes, mas a diferença consistia no fato de que, daquela vez, null ficaria hospedada na cidade mais romântica do mundo por uma semana inteira, a custeio da companhia aérea até que o seu próximo voo saísse com destino à Grécia. E, para fechar o combo de boa sorte de null, a garota tinha não uma, mas duas de suas melhores amigas escaladas junto com ela para a mesma viagem.
Seria a semana perfeita! Se tivessem planejado viajar juntas não teria dado tão certo como aquela coincidência do destino, mas é claro que as coisas não poderiam ser tão fáceis. Não para ela, pelo menos.
— Tenho certeza que devo ter sido uma filha da puta em outra vida e estou pagando os meus pecados nessa.
Na noite anterior, enquanto arrumava sua mala para passar uma semana de curtição com as melhores amigas em Paris, ela recebeu uma ligação da companhia aérea. A verdade era que null não recordava muito bem de como havia sido a conversa, mas se lembrava claramente da mensagem principal da ligação.
"Sua escala foi alterada, você vai participar de uma viagem particular para o Japão. Esteja no aeroporto às nove horas da manhã."
null ainda chegou a perguntar o motivo da mudança repentina, mas apenas lhe foi respondido que a política da empresa lhe permitia mudanças de última hora nas escalas dos funcionários. Sim, ela sabia que aquilo era permitido, mas isso não diminuía sua irritação por não ir mais à Paris, porque teria que participar de uma viagem particular. Estava frustrada.
Respirando fundo, null colocou o seu melhor sorriso simpático no rosto e caminhou até onde o capitão, o copiloto e outra comissária de bordo conversavam, próximos da entrada do jatinho. Apresentou-se ao copiloto e à aeromoça, e cumprimentou o capitão, pois já haviam feito outras viagens juntos.
— Sabe de quem é a viagem? — ela perguntou, curiosa.
Mas ninguém sabia a resposta, tampouco se importavam. Quer dizer, por que se importariam? Provavelmente ninguém ali havia mudado os planos de última hora apenas para trabalhar para um ricaço de meia idade que preferia pagar rios de dinheiro em uma viagem particular à comprar uma passagem de avião como qualquer pessoa normal. Mas quem era ela para julgar?
Já à bordo, null foi até a cabine reservada às aeromoças para deixar sua bagagem e então seguiu até a cozinha. Enquanto Bea passava as instruções acerca do vôo, null passou a preparar aperitivos e bebidas que serviria assim que estivessem no ar, estabilizados. Quando o capitão anunciou que iriam decolar, ela foi até o primeiro assento e colocou o cinto de segurança. Notou que dois passageiros ocupavam os bancos de luxo do jatinho, mas nenhum deles olhava para cima, de modo que null não pôde identificá-los. Não que isso importasse muito, pois ver seus rostos não diminuiria a frustração que sentia por ter suas férias fora de época canceladas.
— Já podem tirar os cintos de segurança. — Bea anunciou.
Na mini cozinha, null estava com o carrinho das bebidas pronto quando Bea anunciou que entraria na cabine para deixar o casaco do uniforme e que logo sairia para ajudá-la.
— Pode dormir, se quiser. — null disse e diante do olhar confuso da colega, explicou. — Será um voo de oito horas, vamos ter que revezar os horários de qualquer forma e eu sei que você está cansada.
— Como você...
null deu um sorrisinho de lado, sem nada responder. Bea imediatamente levou as mãos ao rosto.
— Eu devia ter usado uma maquiagem mais forte para esconder as olheiras.
null riu.
— Pode descansar, eu faço o primeiro turno.
Sem recusar a oferta, Bea foi até a cabine das aeromoças agradecendo pelas próximas horas que teria para colocar o sono em dia. null, por outro lado, arrumou o lenço no pescoço, ajeitou a franja atrás da orelha e alinhou a postura. Colocou seu melhor sorriso simpático e caminhou para fora, empurrando o carrinho com os aperitivos.
Contudo, mal deu dois passos porque ali, sentado na segunda poltrona do lado direito, olhando diretamente para ela, estava a pessoa que null menos esperava encontrar. null.
Com um sorriso divertido, olhos sempre brilhantes e as pernas cruzadas de forma relaxada, ele a olhava como se fizesse um convite silencioso para que null se aproximasse, como se a esperasse para darem início a uma reunião particular que ela não sabia estar marcada, mas que, pela expressão dele, tratava-se de um compromisso muito aguardado.
null estava ansioso pela aproximação de null, aquilo estava claro em sua expressão.
— Ah, sim! Me sirva de whisky, por favor.
Ela precisou piscar algumas vezes para sair da bolha magnética que null havia a envolvido e, como boa profissional que era, incorporar a comissária de bordo e passar a atender o outro passageiro do lugar não foi tão difícil, muito pelo contrário. Dar as costas a null enquanto servia o outro passageiro acabou lhe dando o momento de clareza que precisava e aquilo foi o bastante para que null caminhasse até o rapaz com um sorriso educado nos lábios.
— Posso servi-lo de alguma coisa?
O sorriso divertido dele logo deu lugar a um sorriso quase sensual, lascivo. Em voz alta, ele respondeu:
— Não, obrigado.
Mas em voz baixa, apenas movimentando os lábios, a resposta foi outra.
— Você.
null precisou respirar fundo e engolir em seco para manter a postura profissional.
Maldito. O que ele queria com aquilo, afinal de contas? E como foi que, de todos os voos do mundo, null foi parar logo no que null estava? E um voo de oito horas, ainda por cima! Definitivamente ela estava pagando todos os pecados de uma vida passada que, provavelmente, não tinha feito nada para se orgulhar, não havia outra explicação.
— Se precisarem de alguma coisa, estarei na cozinha. — Informou antes de se afastar, arrastando o carrinho de aperitivos na sua frente.
Fechou a cortina atrás de si de modo que ficasse sozinha, finalmente. null sentiu que precisava apoiar as mãos no balcão já que as pernas, de uma hora para outra, ficaram fracas. Há quanto tempo não via null mesmo? Meses, ela tinha certeza, e mesmo depois de tanto tempo, seu corpo estava reagindo de forma tão vergonhosa na presença dele.
Patético, null.
Bem, pelo menos a garota conseguira disfarçar bem. Sabia que se tinha uma coisa na qual era boa, era em manter as aparências, moldar a expressão facial e conter os sentimentos após anos de experiência trabalhando como comissária de bordo. null podia mexer com ela, mas ele não precisava saber disso. Não que ela fosse conseguir manter o controle por muito tempo.
null sentiu sua presença antes mesmo de vê-lo. Como se tivesse sido atingida por uma descarga elétrica, sentiu o corpo todo responder ao seu menor toque. null chegou por trás dela e ambas as mãos, abertas e espalmadas, abraçaram a cintura da garota. O toque começou leve, mas no momento em que ele começou a subir as mãos pela barriga dela, null sentiu os toques ficarem mais pesados.
null a puxou para trás, chocando as costas dela no seu peito, de modo que conseguisse levar o rosto ao pescoço dela. Primeiro inspirou seu perfume cítrico, forte. Ah, ele sentiu falta daquele cheiro! Em seguida passou a língua por toda a extensão, da base ao maxilar de null, até parar próximo ao seu ouvido, onde sussurrou:
— Enfim sós!
A pele arrepiada da garota apenas serviu como estímulo para null, que voltou a apertar a carne dela contra o seu corpo, esfregando seus quadris, a boca no pescoço e as mãos na barriga.
— Não sabia se daria certo, mas fico feliz que tenha conseguido trocar sua escala.
null estava tão entregue, tão facilmente que, por um segundo, não deu muita importância ao que ouvira e então a voz voltou para sua garganta.
— Como assim?
Ele soltou uma risadinha, soltando o ar pela boca diretamente no pescoço dela.
— Quando soube qual companhia aérea que havia sido contratada para fazer essa viagem, precisei fazer algumas ligações para garantir que você estivesse no voo. Eu precisava ver você, null.
As palavras dele não saíram mais altas que um sussurro e, por mais que null se sentisse um tanto quanto irritada por saber que suas férias em Paris foram frustradas por causa de null, seu corpo traidor não lhe deixou ser tomada pela raiva, não quando tinha a respiração quente e pesada de null batendo contra sua pele, as mãos dele tentando desabotoar sua camisa e seu quadril pressionando-a como estava.
Instintivamente, null levou uma das mãos aos cabelos dele enquanto sentia seu pescoço receber beijos molhados.
— Ah, então você é o culpado.
— Do quê?
null tinha os olhos fechados e a cabeça apoiada no ombro dele. Deus, se eles fossem pegos ali por algum dos tripulantes ou até mesmo pela outra comissária de bordo, estariam em maus lençóis. Mas não era como se ela se importasse muito no momento.
— Da mudança da minha escala. — respondeu lentamente, sentindo que sua mente estava cheia de nuvens. Pensar estava difícil e formar frases se tornara uma tarefa árdua, seu corpo não queria pensar em como montar um diálogo com null, estava mais interessado em se ocupar a fazer outras coisas com ele. — Eu estava programando ficar uma semana em Paris, mas então recebi uma ligação de última hora mudando a minha escala.
Com a boca ocupada, null apenas soltou um som do fundo da garganta, uma mistura de gemido com incentivo para que ela continuasse falando. Em um movimento, null virou-se de frente para ele e levou as mãos para os ombros largos ao mesmo tempo em que os corpos voltaram a se chocar, dessa vez dando a null uma visão diferente da que estava tendo anteriormente. Seus olhos foram direto para o busto de null, onde os primeiros botões estavam abertos, lhe dando a perfeita visão dos seios dela cobertos pelo sutiã de renda. null acompanhou o olhar dele, surpreendendo-se. Quando foi que aqueles botões foram abertos mesmo?
— Aposto que você ficou chateada — comentou.
— Você não faz ideia.
As mãos dele então desceram, indo parar na lateral das coxas dela, subindo sutilmente enquanto tentavam levar a saia junto.
— Como posso compensar isso?
— Hm... — suspirou. — Não acho que você possa. — Deu de ombros.
null ergueu as sobrancelhas, parando as mãos na altura da bunda da garota. A saia dela estava levantada, enrolada de qualquer jeito e completamente amarrotada. Segurou com força no tecido e puxou o quadril dela em direção ao seu.
— Isso é um desafio?
null prendeu a respiração. Não teve tempo de responder a provocação, no entanto. Ouviram o nome de null ser chamado do outro lado, o que fez com que se separassem imediatamente. null tratou de abaixar a saia e voltar os botões para as devidas casas antes que alguém os flagrasse em uma situação que poderia lhe gerar problemas e, por mais que suas roupas estivessem amassadas, quem mais entregava o que estava acontecendo ali era null.
Com as bochechas coradas, lábios vermelhos, cabelos bagunçados e as calças apertadas, ele deu uma última olhada em null, como se dissesse que o assunto entre eles ainda não havia terminado e passou pela cortina, voltando para seu assento. Só então null pôde voltar a respirar, ou pelo menos tentar, porque seus pulmões lutavam para conseguir oxigênio ao mesmo tempo em que sua mente buscava por clareza em meio aos últimos acontecimentos.
null estava ali, no mesmo voo que ela. Mais do que isso, ele havia providenciado para que ela fosse escalada para trabalhar em uma viagem de oito horas ao seu lado. Mas por quê?
null e null se conheceram meses atrás em uma festa promovida pela empresa que agenciava null e o grupo do qual ele era membro. Por ser prima de um dos funcionários do alto escalão, null aproveitou que teria uma folga entre a escala de viagens e aceitou o convite do primo para ir à comemoração. O interesse entre null e null foi mútuo e quase instantâneo, diga-se de passagem, e por ser bom no que fazia, ela aceitou passar não apenas uma noite com null, mas o restante da sua folga. Durante três dias eles dividiram o quarto do hotel em que a garota estava hospedada, preferindo pedir as refeições no quarto a ter de sair para jantar no restaurante do hotel. Afinal, eles não tinham muito tempo a perder.
Apesar do sexo ser excelente, eles não passaram todo o tempo na cama — na banheira, na sacada do quarto ou no sofá próximo à janela —, mas também aproveitaram para conversar e se conhecer melhor, o que acabou sendo realmente interessante já que null não fazia ideia de quem ele era e null desenvolveu um interesse enorme em ouvir as histórias de viagens dela.
Eles pareciam ter se dado realmente bem em todos os aspectos, sem exceção. Foram três dias insanos, agitados e muito satisfatórios. E depois disso, nada. Silêncio total. Nenhuma notícia dele. Até aquele dia.
E aquilo sim a irritava, não apenas o fato de ter perdido a oportunidade de ficar hospedada em Paris com tudo pago pela companhia aérea, ao lado das amigas, mas de ter sido ignorada por meses e depois chamada, praticamente reivindicada, daquele jeito. Porque era isso que null estava fazendo, chamando-a para ele, exigindo que voltasse para seus braços porque ele decidira, de uma hora para outra, que queria reviver os momentos bons que outrora passaram juntos.
Bem, null não podia negar que a ideia não lhe era de todo mal. O formigamento no meio das pernas e a calcinha molhada eram prova de que a irritação de null não era maior que a sua excitação. Por outro lado, não se deixaria levar tão facilmente, tinha que ser forte, impor-se da mesma forma que ele fizera minutos atrás, deixando-a totalmente a mercê das suas mãos ágeis e desinibidas.
Pensar nas mãos de null percorrendo seu corpo, os dedos longos adentrando o tecido da sua roupa, fez com que a garota quase se perdesse nos pensamentos de novo. Quase, porque no momento seguinte a luz da cozinha acendeu, indicando que algum dos passageiros a chamava. Sabendo que havia apenas dois passageiros a bordo, null já imaginava qual deles estava convocando a sua presença.
Voltou a colocar a expressão simpática no rosto e abriu a cortina, mas o que encontrou a esperando quase fez a garota perder o sorriso que levava consigo.
— Onde está o outro passageiro?
null, que estava sentado no mesmo lugar que outrora, infinitamente mais relaxado que antes, com as longas pernas cruzadas e os braços apoiados no descanso da poltrona, apontou para uma porta atrás de si.
— Dormindo. — E, com um sorriso malicioso, completou: — Agora somos apenas nós dois.
null engoliu em seco. Não precisava perguntar em voz alta o que ele queria dizer com aquilo, seus planos eram bem óbvios. Quer dizer, null havia deixado claro suas intenções com ela minutos atrás, na cozinha. Agora, com ninguém para lhes atrapalhar, a ideia de continuarem de onde pararam dava um frio em sua barriga, mas null não se deixaria levar tão facilmente, não depois da forma como null a dispensara para, meses depois, a procurar de novo, sem mais nem menos.
— Precisa de alguma coisa, Sr. null? — Ela perguntou formalmente, levando as mãos cruzadas à frente do corpo.
— Hm... Você me chamando assim... Não imagina o quão sexy fica.
Mas null continuou a não demonstrar nenhuma reação, pelo menos não externamente, mas sua pele se arrepiava a cada promessa lasciva que seus olhos faziam, assim mesmo, sem precisar usar palavras.
— Bem, se não precisa de nada no momento, vou me retirar. Quando precisar de alguma coisa, estarei na cozinha.
A garota fez menção de se virar, mas foi impedida por uma mão segurando o seu braço.
— Espera.
Era como se uma chama estivesse queimando o local onde ele a segurava.
— Por que está me tratando assim?
— Assim como? Não sei do que está falando.
null, então perdeu a paciência. Estava sendo divertido para ele até o momento em que percebeu que null não estava jogando conforme as suas regras. A malícia deu lugar à dúvida e ele já não se sentava relaxado, estava tenso, preocupado. O que poderia ter feito para ser tratado assim? Pior: seriam todos os seus esforços para se aproximar de null jogados no lixo porque ela não o retribuía mais?
— null... — Ele se levantou, aproximando-se dela, ainda segurando seu braço. — Está mesmo brava comigo porque fiz você perder a sua viagem para Paris? Sabe, eu só fiz isso porque estava com saudades. — Com a ponta dos dedos, desceu o toque até a mão dela. — Muitas saudades. — Então entrelaçou seus dedos. — E essa foi a única forma que encontrei para poder te ver de novo.
null sentiu o estômago se contorcer, precisou se esforçar para não apertar as pernas. Em resposta à fala dele, apenas deu um sorrisinho de lado. A quem ele estava querendo enganar com aquele papinho?
Com a mão livre, null empurrou null pelo peito de modo que ele desse alguns passos para trás até cair sentado de volta na poltrona. Dois podiam jogar aquele jogo, afinal de contas, mas se null iria brincar, seria ela quem ditaria o ritmo.
Foi a vez dele ficar sem reação frente às atitudes da mulher. null soltou a mão que ainda estava entrelaçada à dele apenas para segurar a barra da saia de ambos os lados e subi-la lentamente pelas pernas. Subiu apenas o suficiente para lhe permitir sentar no colo de null, uma perna de cada lado do seu corpo, sem que o tecido do uniforme lhe atrapalhasse os movimentos.
As mãos dele foram para as pernas dela, pesadas, exigentes, desejosas, as pontas dos dedos logo sendo cravadas em sua carne. null se ajeitou, de modo a sentar em cima do volume que se formava debaixo das calças dele. null soltou o ar pesado ao mesmo tempo em que levou os olhos para os seios dela, que estavam quase na direção do seu rosto. Apesar dos botões estarem fechados novamente, null sentiu a boca salivar.
null levou um dedo até o queixo dele e ergueu sua cabeça até que os olhos se encontrassem e o que viu ali poderia facilmente levá-la ao deleite sem o menor esforço. Os olhos dele, antes brilhantes e divertidos, quase inocentes, estavam escuros de tesão, de desejo. Seus olhos lhe faziam promessas que null sabia que ele cumpriria com prazer, sem pestanejar. Mas ainda não era o momento.
— Você sentiu saudades? — ela perguntou baixinho, sussurrando, deixando os lábios se roçarem aos dele.
null sentiu a boca seca. Ergueu a cabeça, tentando se aproximar, querendo juntar as bocas e matar a sede que tinha do gosto dela, mas null se esquivou.
— Sim.
— Hm... — O som saiu do fundo da garganta dela. Levou ambas as mãos para os ombros largos de null, descendo por seus braços rígidos e então voltou para os ombros. — Engraçado. Você diz que sentiu saudades, mas nunca tentou entrar em contato comigo desde a última vez que nos vimos.
— Eu...
null aproveitou para apertar as pernas em volta dele e pressionar suas intimidades. null soltou um gemido sôfrego.
— Você não me ligou, não mandou uma mensagem... — Uma das mãos foi até o pescoço dele, subindo pelo seu rosto e indo parar em meio aos fios de cabelo. null estava tão entregue aos toques que mal demonstrou resistência quando null puxou os fios de sua nuca, forte, provocativa, controladora. — E então, meses depois, você simplesmente decidiu que queria me ver de novo e achou que poderia mexer na minha escala de trabalho. — A outra mão deixou o ombro dele, descendo pelo peito e então pelo abdômen. Ao chegar à barra da calça jeans que usava, não encontrou dificuldades em soltar o botão e abrir o zíper. — Não acha que isso é um pouco... Invasivo demais?
null levou a mão para dentro da calça dele, ainda por cima da boxer, e aquilo já foi o bastante para fazê-lo jogar a cabeça para trás e gemer alto demais para o local em que estavam. Mas ela não queria que ele ficasse de olhos fechados apreciando a massagem que começara a fazer em seu membro. Ah não! null queria que ele a olhasse enquanto pedia explicações.
Segurou seu rosto com força, a mão apoiada no maxilar, e puxou a cabeça dele de forma que null voltasse a olhá-la, ainda que mantivesse os olhos pesados e a boca... Ah, a boca dele. Os lábios rosados, molhados, convidativos. null também sentiu falta daquela boca.
— Não gosto de ser manipulada assim, null — sussurrou próxima à orelha dele, aproveitando para morder o lóbulo ao final da frase. — Não gosto de ser usada assim, não é divertido, sabe?
null pressionou a intimidade contra a dele e rebolou lentamente, perdendo-se por um segundo na linha de raciocínio quando null finalmente levantou o restante da saia que null usava, embolando todo o tecido na altura da cintura da mulher apenas para que pudesse ter acesso à bunda dela. Ele apertou a carne com tanta força que null tinha certeza que encontraria a marca de dez dedos ali no dia seguinte. Puxou-a para mais perto de si, como se quisesse se fundir a ela, ignorando todas as camadas de roupas que ainda os atrapalhava e escorregou alguns centímetros na poltrona, de modo que ela ficasse levemente inclinada sobre ele, com os seios apoiados em seu peito e a bunda empinada. null ofegou.
Precisou reunir todo o autocontrole que ainda tinha — e também o que não tinha — para não ignorar a sua ideia inicial e simplesmente arrancar as roupas de null. Deus, o que ele estava fazendo com ela? Ele nem precisava se esforçar!
— O que você tem a dizer sobre isso? — perguntou com a voz o mais firme que conseguiu.
null tentou beijá-la novamente, mas foi frustrado quando null afastou a cabeça. A mão da garota não parou os movimentos, muito pelo contrário. Atrevida do jeito que era, puxou o elástico da boxer que ele usava apenas para soltá-la em seguida, provocando-o.
— Nada? Que pena.
null ameaçou tirar a mão das calças dele e foi quando null pareceu recuperar a voz.
— Eu não tinha... Não tinha como — disse entre um suspiro e outro. — Não tinha como contatá-la mesmo que quisesse.
E como num passe de mágica, null sentiu como se um balde de água gelada fosse jogado em cima dela porque aquela, dentre todas as respostas que null poderia lhe dar, foi a pior de todas e a mais errada também — não que houvesse alguma certa —, mas null não aceitaria continuar se esfregando nele, por mais que sua intimidade implorasse por isso, para ser descartada de novo logo em seguida. Merecia mais do que aquilo e null não iria brincar com ela de novo.
Lentamente, porque tinha as pernas bambas e o sexo quase dolorido, null se afastou dele. Primeiro o tronco, depois tirou as mãos do seu corpo e então se levantou, abaixando a saia que estava um desastre de tão amassada. null a olhava com os olhos arregalados e a boca aberta em um "o", sem entender o que tinha falado de errado, sem entender porque o contato entre eles cessou quando, obviamente, ambos desejavam que aumentasse.
— Bem, se isso é tudo o que tem para me dizer, nós encerramos por aqui — ela disse, séria, voltando à postura de comissária de bordo, mesmo que uma com os cabelos bagunçados, a blusa fora de lugar e a saia mais amassada do que quando levava mais roupa que o permitido dentro da mala de viagem, mas ainda assim uma profissional. — Estarei na cozinha. Caso precise de alguma coisa, basta apertar o botão.
— Eu não sabia como encontrá-la, não tinha o seu número! — ele disse quase gritando, levantando-se em um salto, ficando na frente dela. Diante do rolar de olhos da mulher, null se explicou. — Eu fui assaltado, tive meu número clonado e acabei perdendo todo mundo da minha lista de contatos. É sério, null! Isso até saiu na internet na época, foi logo depois que a gente se conheceu. Na semana seguinte, na verdade.
Ainda que null tivesse a mais pura sinceridade nos olhos e suor escorrendo na testa, desesperado para provar que falava a verdade, null mantinha os olhos cerrados, desconfiada demais de sua história. Quer dizer, o quão inocente ela seria se acreditasse naquela ladainha?
— Posso provar!
Meio desajeitado e com as mãos parecendo tremer, null procurou pelo celular nos bolsos da frente e então nos bolsos de trás da calça. Puxou o aparelho, o desbloqueou e digitou rapidamente alguma coisa, virando a tela para que null lesse a notícia que ele havia aberto.
A notícia estava datada de dois meses atrás, exatamente uma semana após terem se conhecido. No título da matéria, "IDOL TEM O CELULAR ROUBADO E NÚMERO CLONADO" e, logo abaixo, uma foto dele. null não precisou ler o restante da notícia, mas ainda que a história dele, por mais absurda que parecesse, fosse verdadeira e ele, de fato, tivesse perdido o número dela, isso não justificava o sumiço, afinal, null tinha outras formas de entrar em contato com ela. Antes mesmo que ela abrisse a boca para falar o que passava na sua mente, ele continuou:
— Você desativou seu Instagram e seu primo saiu da agência. Sei disso porque procurei por ele na tentativa de conseguir seu número de volta, mas me informaram que ele pediu demissão. Cheguei a ligar para a companhia aérea que você trabalha e perguntar por você, mas eles não passam informações de funcionários. null, eu tentei te encontrar de todas as formas que eu pude, mas não consegui. E quando soube qual companhia havia sido contratada para fazer esse voo, bem… Eu tentei uma última vez, colocar você nele. E eu consegui, porque você está aqui.
Por mais que null ainda estivesse com as pernas fracas, o estômago em gelo e o meio das pernas ardendo em desejo, o que predominou naquele momento foram as batidas completamente descompassadas do seu coração.
Maldito!
null não tinha o direito de mexer com ela daquele jeito, não podia! Quer dizer, já não bastava que estivesse impregnado na sua mente, agora queria ocupar lugar no seu coração também?
Ele respirava rápido e pesado, estava tenso. O corpo levemente inclinado em direção à ela, as mãos caídas ao lado do corpo, os dedos formigando por estarem tão longe da pele macia da garota. null sentiu a boca seca e logo à sua frente estava null esperando que ela tivesse uma reação, lhe desse um sinal de que pudesse avançar ou qualquer coisa do gênero, mas null não era boa em dar sinais. Ela era melhor agindo.
Sem pensar duas vezes, null deu os dois passos que a separava de null, abraçando-o pelos ombros largos ao mesmo tempo em que levava a boca até a dele. Ela não sabia que precisava tanto daquele beijo até o momento em que suas línguas se encontraram e começaram uma batalha frenética para descobrir quem tinha mais controle — ou deveria ser descontrole? Beijava-o com tanta força e era beijada com tanto desejo, tanta saudade, que em segundos começou a sentir os lábios doloridos. Não que ela se importasse com isso.
Empurrou null para trás até que ele caísse sentado na poltrona com ela no seu colo. Sem soltá-la, ele encontrou o botão que inclinava o banco em cento e oitenta graus, de modo que pudesse ficar deitado e manter null em cima dele.
A camisa dela logo foi parar no chão. null sabia que poderia desistir de tentar usá-la depois, não apenas por estar amassada, mas pelo som dos botões estourando e saindo do tecido no momento em que null a puxou. Foda-se a camisa, null não queria camisas entre eles, não naquele momento. Levou ambas as mãos até a barra da camiseta dele e a subiu, deixando o corpo desnudo. Enquanto null se livrava na camiseta passando-a pela cabeça, null aproveitou para espalmar as mãos na pele exposta dele. O abdômen rígido e definido ficou arrepiado no instante que a língua quente dela o tocou. null subiu os beijos, sem pressa, até o pescoço dele, onde teve sua boca reivindicada de volta.
— Você não devia me provocar assim.
— E por que não? — ela perguntou com um sorriso esperto, deleitando-se com a expressão de puro desejo de null.
Em resposta, null recebeu um grunhido e uma mordida forte no lábio inferior, fazendo-a gemer. Pensou que ele voltaria a beijá-la, mas null puxou seu corpo para cima, de forma que pudesse alcançar o colo dela. Ele só precisou de uma mão para desabotoar o sutiã da garota e logo a peça também estava perdida em algum lugar sem importância.
Os beijos desceram até os seios de null, molhados, famintos e incansáveis, até que ele sugou primeiro um e depois o outro mamilo. Entre gemidos sofridos, null desceu uma das mãos até a calça dele, adentrando, dessa vez, a boxer. Aquilo o desconcentrou da tarefa de levá-la à loucura. null o envolveu com a mão fechada, apertando-o levemente e fazendo movimentos de sobe e desce na mesma velocidade em que o fazia com o restante do corpo, em uma clara alusão ao que gostaria de estar fazendo.
— Você ainda vai me deixar louco, garota.
null deu uma risadinha.
— Pensei que essa fosse a intenção.
Em resposta, null espalmou a mão da bunda dela. A ardência veio na hora, assim como o gritinho, a mistura perfeita entre dor e prazer. Se null já estava molhada antes, apenas com as provocações e beijos ousados, nada se comparava à forma como tinha acabado de ficar. Ele ergueu o corpo, sentando-se de novo, ainda a segurando contra o corpo. Sem dificuldade nenhuma trocou as posições, deixando null por baixo, deitada, e se levantou.
— O que está fazendo? — Ofegou. Por que ele estava se afastando?
A resposta veio em forma de imagem. Uma das cenas mais eróticas que null já havia presenciado.
null tirou a calça que usava e a jogou para o lado, mas em vez de simplesmente deitar-se sobre o corpo da mulher, ajoelhou-se diante dela, abriu suas pernas e a puxou para mais perto. null pensou que fosse explodir ali mesmo, tamanho calor que estava sentindo. Deslizou a calcinha dela para longe do corpo da mulher e levou as mãos para a parte interna das suas coxas. Empurrou as pernas de null para os lados, deixando-a completamente aberta e a mercê dele, das suas vontades e da sua língua abusada.
null gostava de brincar com as sensações do corpo de null, com as reações que provocava nela, e era por isso que, antes de finalmente começar a beijá-la onde o corpo da mulher mais implorava por atenção, olhou-a intensa e profundamente. Continuou o fazendo quando passou a deslizar a língua por toda a extensão de null, de baixo para cima, e então pelo caminho inverso. Quando a garota fechou os olhos, em deleite com a imagem que se dava à sua frente e o prazer que recebia de null, ele passou a sugar seu clitóris. Primeiro devagar, para que null se contorcesse em seus braços, e depois com mais vigor, fazendo-a arquear as costas e prender a respiração.
— Hm... Você é mais gostosa do que eu me lembrava, null, como isso é possível? — falou com a voz rouca, abafada por ainda estar com a boca contra a pele dela.
null teria respondido alguma coisa se estivesse em condições de falar, mas tudo o que conseguia fazer era gemer e soltar uma ou outra palavra implorando por mais. Mais pressão, mais velocidade, mais contato. Ela só queria mais, mais dele. E então null introduziu um dedo para, em seguida introduzir o segundo. Sem parar com os movimentos de vai e vem e atendendo aos pedidos de null, ele aumentou a pressão e velocidade da sucção. Não demorou muito para que a mulher chegasse ao primeiro orgasmo daquele encontro. Porque sim, se dependesse dele, null teria mais orgasmos como aquele.
Ainda sentindo o corpo estremecer e a mente completamente entorpecida e anuviada, null sentiu null voltar o corpo para cima do dela, tomando o cuidado de apoiar-se na poltrona de modo a não deixar todo o peso cair sobre ela. No entanto, null não queria null longe, não queria que ele fosse cuidadoso, por isso o abraçou com as pernas, puxando-o para mais perto, e o abraçou pelos ombros, sussurrando no seu ouvido:
— Será que você é tão bom quanto eu me lembro, null?
Se null estava esperando por aprovação para prosseguir, ele tinha acabado de conseguir, e por mais que quisesse comê-la ali mesmo — em todos os sentidos do termo —, provocá-la e ver a mulher se contorcer embaixo dele ainda era divertido demais. Por isso levou o rosto até o pescoço dela, apenas roçando o nariz na pele arrepiada da mulher, e brincou com o membro na intimidade dela. Levemente, bateu o órgão uma ou duas vezes na entrada da garota até sentir as unhas de null em suas costas. Ela estava gostando da provocação, mas não era suficiente, ela queria mais e null tinha mais para dar.
Lentamente, introduziu o membro na entrada inchada dela sem encontrar dificuldade nenhuma, já que a mulher estava tão molhada e pronta para recebê-lo. null gemeu e contraiu seu interior, de modo a pressionar o membro dele dentro da sua intimidade.
— Puta merda, null. — Ofegou.
Ele saiu e voltou, ainda fazendo movimentos lentos, de modo que a mulher sentiu cada parte do seu cumprimento e largura. As unhas dela desceram por toda a extensão das costas e a boca da mulher encontrou o ombro de null, largo, forte e rígido, mordendo-o. A partir daí, os movimentos ficaram mais rápidos.
A cabine foi tomada pelos sons de null e null que, apesar de estarem tentando desafiar a lei que dizia que dois corpos não podiam ocupar o mesmo espaço, estavam se esforçando para conter o volume dos seus gemidos. Porém, nada podiam fazer quanto ao som dos corpos se chocando.
null respirava de boca aberta e olhos semicerrados. null levou uma das mãos ao rosto dela, fazendo um leve carinho na face, um contraste absurdo com o ato que estavam praticando. null abriu os olhos, encontrando ele a olhando com um desejo que parecia longe de ser saciado, e então ele levou dois dedos à boca dela — os mesmos que usara outrora para masturbar a mulher.
— Abre a boca.
Ela não contestou e então, junto com o som do membro dele a preenchendo cada vez em intervalos menores, null foi tomado pelo barulho de null chupando seus dedos, sentindo o próprio gosto, e aquilo foi demais para ele. As estocadas passaram a ser mais fortes e menores, o suor lhe escorrendo pela testa, braços e costas. Ele estava chegando ao limite, mas não queria gozar antes de null, não seria justo.
A mulher, por outro lado, apesar de já ter gozado uma vez naquele dia, estava hipersensível. Além dos movimentos do membro de null, ele desceu uma mão, agora molhada pela saliva dela, até o seu clitóris inchado, a boca ocupada em beijar-lhe toda a extensão do pescoço enquanto sussurrava palavras sujas, promessas sexuais às quais null sabia que ele faria questão de cumprir cada uma, a voz rouca e baixa, os dentes roçando na pele logo abaixo do ouvido. Aquilo foi demais para ela.
Agarrou os cabelos dele e os puxou com força a fim de beijar sua boca. O grito que deu ao atingir o segundo orgasmo do dia foi abafado pela língua dele e, ao sentir todo o corpo de null se contrair, o interior dela apertá-lo enquanto ainda a penetrava, curto e forte, fez com que null chegasse ao próprio orgasmo. Um orgasmo que o fez sair de órbita por alguns segundos, perder a noção do tempo e espaço, relaxando todo seu corpo e músculos.
Deixou que o corpo caísse sobre o dela. Como não queria machucá-la e nem deixá-la com falta de ar, null tentou se levantar apoiando os braços na poltrona, mas foi impedido por null, que o agarrou com braços e pernas, puxando-o de volta.
— Eu vou te esmagar assim — falou contra o pescoço dela.
— Que seja! — respondeu, ainda ofegante. — Eu não ligo.
Aquilo o fez rir.
Não porque null lhe contara alguma piada super engraçada, mas porque, de alguma forma, a atmosfera entre eles havia mudado instantaneamente. Se antes estavam em um movimentar de corpos frenético, trocando fluídos e se agarrando um ao outro como se suas vidas dependessem daquilo, agora apenas lutavam para tentar normalizar as respirações. Os toques pesados das mãos foram substituídos por leves carícias e os beijos famintos por roçares de lábios.
null escondeu o rosto na curva do pescoço de null, puxando o máximo de oxigênio que conseguia e – no caminho, inspirando o cheiro dele misturado com o suor pós-sexo — tentando acalmar as batidas do coração.
Ele, por outro lado, por mais que estivesse se sentindo muitíssimo confortável em ter seu corpo junto ao dela, o calor de null se misturando com o seu, achou melhor se afastar. Afinal de contas, eles ainda estavam sobrevoando algum lugar rumo ao Japão, e havia outras pessoas naquele avião. Eles precisavam se recompor. Sob protestos de null, null se levantou lentamente, mas quase teve seus planos frustrados ao observar a figura abaixo de si.
null estava deitada, completamente relaxada, os cabelos que antes estavam perfeitamente arrumados em um coque no topo da cabeça, agora se encontravam espalhados pelo encosto da poltrona. A boca vermelha, lábios inchados, pescoço mostrando as marcas deixadas pela boca dele, corpo ainda úmido pelo suor e mãos procurando por ele, insatisfeita por ter pedido o calor do corpo do rapaz.
— Hm... — Tentou falar alguma coisa, mas lhe faltaram palavras e a voz. A única coisa que estava presente, contudo, era a vontade de voltar para aquela poltrona e para junto de null.
Mas foi naquele momento que a garota pareceu se dar conta de onde estava e do que haviam acabado de fazer. Como em um passe de mágica, null se levantou um pouco rápido demais para suas pernas, que ainda estavam trêmulas, e tratou de tentar se arrumar. A saia estava completamente arruinada, aquilo era fato, mas ainda assim ela conseguiu abaixar a peça pelas pernas. Buscou pelo sutiã e então pela camisa, quase chorando quando se deu conta dos botões arrancados. Olhou para null com os olhos cerrados, pronta para lhe dar uma bronca, mas ele foi mais rápido na desculpa:
— Ah, me desculpe por isso. Não foi a intenção.
Por mais que o rapaz parecesse sincero, null sabia que ele não estava nem um pouco arrependido do que fizera minutos atrás. E quem poderia culpá-lo? Não era como se a própria null estivesse.
— Tudo bem, eu tenho outro uniforme na minha mala. — Comentou. Só precisava entrar no quarto silenciosamente e, sem acordar Bea, buscar por uma muda de roupa que a deixasse mais apresentável. Então as coisas ficariam bem.
null chegou a dar um ou dois passos, mas foi parada por null.
— Ei, espera!
Ela havia conseguido se arrumar da forma que dava, disfarçando os botões faltantes com o lenço que deveria estar amarrado no pescoço. O cabelo, por outro lado, ainda seria uma luta que null não estava pronta para iniciar. null, no entanto, estava completamente vestido, mas de alguma forma parecia infinitamente mais bagunçado do que ela — se é que isso fosse possível.
null precisou engolir em seco, mesmo sabendo o quão errado aquilo era, o quão antiético e em quantas regras havia quebrado em apenas alguns minutos. Tudo que null conseguia sentir era aquele frio na barriga que indicava expectativa, ansiedade. Havia acabado de ficar embaixo de null e tudo o que conseguia pensar era que o queria de novo.
— Sim? — ela perguntou, esforçando-se para voltar à sua posição de aeromoça, o tom formal, posição ereta, feição neutra.
Não que estivesse conseguindo.
— Você ainda está brava comigo?
O fato de null perguntar aquilo, levar a mão até a nuca e então mexer nos cabelos bagunçados, como se realmente estivesse preocupado com a resposta dela, foi o que fez null querer sorrir.
— Não, null, não estou. — Ele relaxou imediatamente. — Talvez devesse ficar por você ter arruinado o meu uniforme, mas nem quero pensar nisso agora.
Ele deu outro sorriso, esse um pouco mais culpado, quase a convencendo. Quase.
— Desculpe.
— Tudo bem.
Mas a expressão de culpa no rosto dele não durou muito.
— Acho que tenho mais um motivo para compensá-la, não é?
null ergueu uma sobrancelha.
— Fiz você perder uma semana mágica em Paris e destruí o seu uniforme. — Ele balançou a cabeça, como se repreendesse a si mesmo. — Preciso recompensar isso.
A mulher virou-se de frente para ele, os braços cruzados embaixo dos seios.
— E como pretende fazer isso?
— Uma semana em Tóquio, comigo. Sei que graças a mim você tem bastante tempo livre e então podemos recuperar o tempo perdido, esses meses em que não consegui te encontrar. — null tinha os olhos cerrados, mal acreditando na proposta dele. — Ah! Falando nisso, me passe o seu número de novo. Prometo que não vou perdê-lo dessa vez.
Apesar de estar meio sem palavras, a mulher acabou digitando seu número no celular dele. Quando devolveu o aparelho, o viu guardá-lo no bolso de trás da calça e ponderou sobre a proposta que recebera.
— Eu nem tenho roupa para ficar uma semana hospedada em outro país, null. Não preparei a minha bagagem pensando nisso.
— Não se preocupe, roupas são o de menos. — Antes que null interpretasse de forma errada as suas palavras, ele completou — Quero dizer que você pode comprar algumas por lá! Isso não é desculpa. Vamos, null, prometo que vai ser divertido! Você sabe que nós somos divertidos e, além disso, não é como se você tivesse outros planos.
null estava pronta para responder à proposta dele quando ouviram um barulho vindo da cozinha. Provavelmente Bea havia acabado de acordar e logo os encontraria ali — null com os cabelos completamente bagunçados e null com as roupas amassadas, ambos com exalando aquele ar satisfatório pós-sexo. Ela tinha que voltar para seu posto e dar um jeito em seu estado antes que eles fossem descobertos.
— Eu preciso ir.
— Antes prometa que vai ficar comigo.
null não fez a promessa que null pediu, tampouco recusou a oferta. Contudo, ao se afastar dele carregando um sorriso de lado e um olhar divertido, null teve a certeza de que os seus próximos dias em Tóquio não seriam resumidos apenas a trabalho. Afinal de contas, depois de tanto tempo sem se verem, era certo que teriam muita coisa para colocar em dia, muitos assuntos para conversar e várias novas descobertas para fazerem um no outro.
E null mal via a hora de descobrir cada um dos lados de null. Em todos os sentidos.
Morar fora para cursar as aulas, passar pelo teste de aeromoça — só sendo aprovada na segunda tentativa — e então participar de vários processos seletivos até ser selecionada para uma boa companhia aérea havia sido um longo caminho a ser percorrido, mas null nunca havia se arrependido da sua escolha. Até aquele momento.
— Isso é tão injusto!
Estava caminhando em direção à pista de voo. Carregava a mala de rodinhas atrás de si enquanto tentava manter os passos curtos por conta da saia justa do uniforme.
— Eu não acredito nisso.
Estava tão irritada com a notícia que recebera na noite anterior que mal conseguia conter seus ânimos, quem diria suas passadas. Até mesmo a brisa da manhã, gélida e refrescante após uma noite de chuva, estava piorando o seu humor já que o lenço que tinha amarrado no pescoço ficava, irritantemente, lhe batendo no rosto.
— Alguém vai ter que me dar alguma boa explicação ao final disso tudo.
O motivo do seu mau humor matinal era muito simples. null havia sido escalada para uma viagem à Paris, nada de muito novo até aí já que ela já havia viajado à Paris outras vezes antes, mas a diferença consistia no fato de que, daquela vez, null ficaria hospedada na cidade mais romântica do mundo por uma semana inteira, a custeio da companhia aérea até que o seu próximo voo saísse com destino à Grécia. E, para fechar o combo de boa sorte de null, a garota tinha não uma, mas duas de suas melhores amigas escaladas junto com ela para a mesma viagem.
Seria a semana perfeita! Se tivessem planejado viajar juntas não teria dado tão certo como aquela coincidência do destino, mas é claro que as coisas não poderiam ser tão fáceis. Não para ela, pelo menos.
— Tenho certeza que devo ter sido uma filha da puta em outra vida e estou pagando os meus pecados nessa.
Na noite anterior, enquanto arrumava sua mala para passar uma semana de curtição com as melhores amigas em Paris, ela recebeu uma ligação da companhia aérea. A verdade era que null não recordava muito bem de como havia sido a conversa, mas se lembrava claramente da mensagem principal da ligação.
"Sua escala foi alterada, você vai participar de uma viagem particular para o Japão. Esteja no aeroporto às nove horas da manhã."
null ainda chegou a perguntar o motivo da mudança repentina, mas apenas lhe foi respondido que a política da empresa lhe permitia mudanças de última hora nas escalas dos funcionários. Sim, ela sabia que aquilo era permitido, mas isso não diminuía sua irritação por não ir mais à Paris, porque teria que participar de uma viagem particular. Estava frustrada.
Respirando fundo, null colocou o seu melhor sorriso simpático no rosto e caminhou até onde o capitão, o copiloto e outra comissária de bordo conversavam, próximos da entrada do jatinho. Apresentou-se ao copiloto e à aeromoça, e cumprimentou o capitão, pois já haviam feito outras viagens juntos.
— Sabe de quem é a viagem? — ela perguntou, curiosa.
Mas ninguém sabia a resposta, tampouco se importavam. Quer dizer, por que se importariam? Provavelmente ninguém ali havia mudado os planos de última hora apenas para trabalhar para um ricaço de meia idade que preferia pagar rios de dinheiro em uma viagem particular à comprar uma passagem de avião como qualquer pessoa normal. Mas quem era ela para julgar?
Já à bordo, null foi até a cabine reservada às aeromoças para deixar sua bagagem e então seguiu até a cozinha. Enquanto Bea passava as instruções acerca do vôo, null passou a preparar aperitivos e bebidas que serviria assim que estivessem no ar, estabilizados. Quando o capitão anunciou que iriam decolar, ela foi até o primeiro assento e colocou o cinto de segurança. Notou que dois passageiros ocupavam os bancos de luxo do jatinho, mas nenhum deles olhava para cima, de modo que null não pôde identificá-los. Não que isso importasse muito, pois ver seus rostos não diminuiria a frustração que sentia por ter suas férias fora de época canceladas.
— Já podem tirar os cintos de segurança. — Bea anunciou.
Na mini cozinha, null estava com o carrinho das bebidas pronto quando Bea anunciou que entraria na cabine para deixar o casaco do uniforme e que logo sairia para ajudá-la.
— Pode dormir, se quiser. — null disse e diante do olhar confuso da colega, explicou. — Será um voo de oito horas, vamos ter que revezar os horários de qualquer forma e eu sei que você está cansada.
— Como você...
null deu um sorrisinho de lado, sem nada responder. Bea imediatamente levou as mãos ao rosto.
— Eu devia ter usado uma maquiagem mais forte para esconder as olheiras.
null riu.
— Pode descansar, eu faço o primeiro turno.
Sem recusar a oferta, Bea foi até a cabine das aeromoças agradecendo pelas próximas horas que teria para colocar o sono em dia. null, por outro lado, arrumou o lenço no pescoço, ajeitou a franja atrás da orelha e alinhou a postura. Colocou seu melhor sorriso simpático e caminhou para fora, empurrando o carrinho com os aperitivos.
Contudo, mal deu dois passos porque ali, sentado na segunda poltrona do lado direito, olhando diretamente para ela, estava a pessoa que null menos esperava encontrar. null.
Com um sorriso divertido, olhos sempre brilhantes e as pernas cruzadas de forma relaxada, ele a olhava como se fizesse um convite silencioso para que null se aproximasse, como se a esperasse para darem início a uma reunião particular que ela não sabia estar marcada, mas que, pela expressão dele, tratava-se de um compromisso muito aguardado.
null estava ansioso pela aproximação de null, aquilo estava claro em sua expressão.
— Ah, sim! Me sirva de whisky, por favor.
Ela precisou piscar algumas vezes para sair da bolha magnética que null havia a envolvido e, como boa profissional que era, incorporar a comissária de bordo e passar a atender o outro passageiro do lugar não foi tão difícil, muito pelo contrário. Dar as costas a null enquanto servia o outro passageiro acabou lhe dando o momento de clareza que precisava e aquilo foi o bastante para que null caminhasse até o rapaz com um sorriso educado nos lábios.
— Posso servi-lo de alguma coisa?
O sorriso divertido dele logo deu lugar a um sorriso quase sensual, lascivo. Em voz alta, ele respondeu:
— Não, obrigado.
Mas em voz baixa, apenas movimentando os lábios, a resposta foi outra.
— Você.
null precisou respirar fundo e engolir em seco para manter a postura profissional.
Maldito. O que ele queria com aquilo, afinal de contas? E como foi que, de todos os voos do mundo, null foi parar logo no que null estava? E um voo de oito horas, ainda por cima! Definitivamente ela estava pagando todos os pecados de uma vida passada que, provavelmente, não tinha feito nada para se orgulhar, não havia outra explicação.
— Se precisarem de alguma coisa, estarei na cozinha. — Informou antes de se afastar, arrastando o carrinho de aperitivos na sua frente.
Fechou a cortina atrás de si de modo que ficasse sozinha, finalmente. null sentiu que precisava apoiar as mãos no balcão já que as pernas, de uma hora para outra, ficaram fracas. Há quanto tempo não via null mesmo? Meses, ela tinha certeza, e mesmo depois de tanto tempo, seu corpo estava reagindo de forma tão vergonhosa na presença dele.
Patético, null.
Bem, pelo menos a garota conseguira disfarçar bem. Sabia que se tinha uma coisa na qual era boa, era em manter as aparências, moldar a expressão facial e conter os sentimentos após anos de experiência trabalhando como comissária de bordo. null podia mexer com ela, mas ele não precisava saber disso. Não que ela fosse conseguir manter o controle por muito tempo.
null sentiu sua presença antes mesmo de vê-lo. Como se tivesse sido atingida por uma descarga elétrica, sentiu o corpo todo responder ao seu menor toque. null chegou por trás dela e ambas as mãos, abertas e espalmadas, abraçaram a cintura da garota. O toque começou leve, mas no momento em que ele começou a subir as mãos pela barriga dela, null sentiu os toques ficarem mais pesados.
null a puxou para trás, chocando as costas dela no seu peito, de modo que conseguisse levar o rosto ao pescoço dela. Primeiro inspirou seu perfume cítrico, forte. Ah, ele sentiu falta daquele cheiro! Em seguida passou a língua por toda a extensão, da base ao maxilar de null, até parar próximo ao seu ouvido, onde sussurrou:
— Enfim sós!
A pele arrepiada da garota apenas serviu como estímulo para null, que voltou a apertar a carne dela contra o seu corpo, esfregando seus quadris, a boca no pescoço e as mãos na barriga.
— Não sabia se daria certo, mas fico feliz que tenha conseguido trocar sua escala.
null estava tão entregue, tão facilmente que, por um segundo, não deu muita importância ao que ouvira e então a voz voltou para sua garganta.
— Como assim?
Ele soltou uma risadinha, soltando o ar pela boca diretamente no pescoço dela.
— Quando soube qual companhia aérea que havia sido contratada para fazer essa viagem, precisei fazer algumas ligações para garantir que você estivesse no voo. Eu precisava ver você, null.
As palavras dele não saíram mais altas que um sussurro e, por mais que null se sentisse um tanto quanto irritada por saber que suas férias em Paris foram frustradas por causa de null, seu corpo traidor não lhe deixou ser tomada pela raiva, não quando tinha a respiração quente e pesada de null batendo contra sua pele, as mãos dele tentando desabotoar sua camisa e seu quadril pressionando-a como estava.
Instintivamente, null levou uma das mãos aos cabelos dele enquanto sentia seu pescoço receber beijos molhados.
— Ah, então você é o culpado.
— Do quê?
null tinha os olhos fechados e a cabeça apoiada no ombro dele. Deus, se eles fossem pegos ali por algum dos tripulantes ou até mesmo pela outra comissária de bordo, estariam em maus lençóis. Mas não era como se ela se importasse muito no momento.
— Da mudança da minha escala. — respondeu lentamente, sentindo que sua mente estava cheia de nuvens. Pensar estava difícil e formar frases se tornara uma tarefa árdua, seu corpo não queria pensar em como montar um diálogo com null, estava mais interessado em se ocupar a fazer outras coisas com ele. — Eu estava programando ficar uma semana em Paris, mas então recebi uma ligação de última hora mudando a minha escala.
Com a boca ocupada, null apenas soltou um som do fundo da garganta, uma mistura de gemido com incentivo para que ela continuasse falando. Em um movimento, null virou-se de frente para ele e levou as mãos para os ombros largos ao mesmo tempo em que os corpos voltaram a se chocar, dessa vez dando a null uma visão diferente da que estava tendo anteriormente. Seus olhos foram direto para o busto de null, onde os primeiros botões estavam abertos, lhe dando a perfeita visão dos seios dela cobertos pelo sutiã de renda. null acompanhou o olhar dele, surpreendendo-se. Quando foi que aqueles botões foram abertos mesmo?
— Aposto que você ficou chateada — comentou.
— Você não faz ideia.
As mãos dele então desceram, indo parar na lateral das coxas dela, subindo sutilmente enquanto tentavam levar a saia junto.
— Como posso compensar isso?
— Hm... — suspirou. — Não acho que você possa. — Deu de ombros.
null ergueu as sobrancelhas, parando as mãos na altura da bunda da garota. A saia dela estava levantada, enrolada de qualquer jeito e completamente amarrotada. Segurou com força no tecido e puxou o quadril dela em direção ao seu.
— Isso é um desafio?
null prendeu a respiração. Não teve tempo de responder a provocação, no entanto. Ouviram o nome de null ser chamado do outro lado, o que fez com que se separassem imediatamente. null tratou de abaixar a saia e voltar os botões para as devidas casas antes que alguém os flagrasse em uma situação que poderia lhe gerar problemas e, por mais que suas roupas estivessem amassadas, quem mais entregava o que estava acontecendo ali era null.
Com as bochechas coradas, lábios vermelhos, cabelos bagunçados e as calças apertadas, ele deu uma última olhada em null, como se dissesse que o assunto entre eles ainda não havia terminado e passou pela cortina, voltando para seu assento. Só então null pôde voltar a respirar, ou pelo menos tentar, porque seus pulmões lutavam para conseguir oxigênio ao mesmo tempo em que sua mente buscava por clareza em meio aos últimos acontecimentos.
null estava ali, no mesmo voo que ela. Mais do que isso, ele havia providenciado para que ela fosse escalada para trabalhar em uma viagem de oito horas ao seu lado. Mas por quê?
null e null se conheceram meses atrás em uma festa promovida pela empresa que agenciava null e o grupo do qual ele era membro. Por ser prima de um dos funcionários do alto escalão, null aproveitou que teria uma folga entre a escala de viagens e aceitou o convite do primo para ir à comemoração. O interesse entre null e null foi mútuo e quase instantâneo, diga-se de passagem, e por ser bom no que fazia, ela aceitou passar não apenas uma noite com null, mas o restante da sua folga. Durante três dias eles dividiram o quarto do hotel em que a garota estava hospedada, preferindo pedir as refeições no quarto a ter de sair para jantar no restaurante do hotel. Afinal, eles não tinham muito tempo a perder.
Apesar do sexo ser excelente, eles não passaram todo o tempo na cama — na banheira, na sacada do quarto ou no sofá próximo à janela —, mas também aproveitaram para conversar e se conhecer melhor, o que acabou sendo realmente interessante já que null não fazia ideia de quem ele era e null desenvolveu um interesse enorme em ouvir as histórias de viagens dela.
Eles pareciam ter se dado realmente bem em todos os aspectos, sem exceção. Foram três dias insanos, agitados e muito satisfatórios. E depois disso, nada. Silêncio total. Nenhuma notícia dele. Até aquele dia.
E aquilo sim a irritava, não apenas o fato de ter perdido a oportunidade de ficar hospedada em Paris com tudo pago pela companhia aérea, ao lado das amigas, mas de ter sido ignorada por meses e depois chamada, praticamente reivindicada, daquele jeito. Porque era isso que null estava fazendo, chamando-a para ele, exigindo que voltasse para seus braços porque ele decidira, de uma hora para outra, que queria reviver os momentos bons que outrora passaram juntos.
Bem, null não podia negar que a ideia não lhe era de todo mal. O formigamento no meio das pernas e a calcinha molhada eram prova de que a irritação de null não era maior que a sua excitação. Por outro lado, não se deixaria levar tão facilmente, tinha que ser forte, impor-se da mesma forma que ele fizera minutos atrás, deixando-a totalmente a mercê das suas mãos ágeis e desinibidas.
Pensar nas mãos de null percorrendo seu corpo, os dedos longos adentrando o tecido da sua roupa, fez com que a garota quase se perdesse nos pensamentos de novo. Quase, porque no momento seguinte a luz da cozinha acendeu, indicando que algum dos passageiros a chamava. Sabendo que havia apenas dois passageiros a bordo, null já imaginava qual deles estava convocando a sua presença.
Voltou a colocar a expressão simpática no rosto e abriu a cortina, mas o que encontrou a esperando quase fez a garota perder o sorriso que levava consigo.
— Onde está o outro passageiro?
null, que estava sentado no mesmo lugar que outrora, infinitamente mais relaxado que antes, com as longas pernas cruzadas e os braços apoiados no descanso da poltrona, apontou para uma porta atrás de si.
— Dormindo. — E, com um sorriso malicioso, completou: — Agora somos apenas nós dois.
null engoliu em seco. Não precisava perguntar em voz alta o que ele queria dizer com aquilo, seus planos eram bem óbvios. Quer dizer, null havia deixado claro suas intenções com ela minutos atrás, na cozinha. Agora, com ninguém para lhes atrapalhar, a ideia de continuarem de onde pararam dava um frio em sua barriga, mas null não se deixaria levar tão facilmente, não depois da forma como null a dispensara para, meses depois, a procurar de novo, sem mais nem menos.
— Precisa de alguma coisa, Sr. null? — Ela perguntou formalmente, levando as mãos cruzadas à frente do corpo.
— Hm... Você me chamando assim... Não imagina o quão sexy fica.
Mas null continuou a não demonstrar nenhuma reação, pelo menos não externamente, mas sua pele se arrepiava a cada promessa lasciva que seus olhos faziam, assim mesmo, sem precisar usar palavras.
— Bem, se não precisa de nada no momento, vou me retirar. Quando precisar de alguma coisa, estarei na cozinha.
A garota fez menção de se virar, mas foi impedida por uma mão segurando o seu braço.
— Espera.
Era como se uma chama estivesse queimando o local onde ele a segurava.
— Por que está me tratando assim?
— Assim como? Não sei do que está falando.
null, então perdeu a paciência. Estava sendo divertido para ele até o momento em que percebeu que null não estava jogando conforme as suas regras. A malícia deu lugar à dúvida e ele já não se sentava relaxado, estava tenso, preocupado. O que poderia ter feito para ser tratado assim? Pior: seriam todos os seus esforços para se aproximar de null jogados no lixo porque ela não o retribuía mais?
— null... — Ele se levantou, aproximando-se dela, ainda segurando seu braço. — Está mesmo brava comigo porque fiz você perder a sua viagem para Paris? Sabe, eu só fiz isso porque estava com saudades. — Com a ponta dos dedos, desceu o toque até a mão dela. — Muitas saudades. — Então entrelaçou seus dedos. — E essa foi a única forma que encontrei para poder te ver de novo.
null sentiu o estômago se contorcer, precisou se esforçar para não apertar as pernas. Em resposta à fala dele, apenas deu um sorrisinho de lado. A quem ele estava querendo enganar com aquele papinho?
Com a mão livre, null empurrou null pelo peito de modo que ele desse alguns passos para trás até cair sentado de volta na poltrona. Dois podiam jogar aquele jogo, afinal de contas, mas se null iria brincar, seria ela quem ditaria o ritmo.
Foi a vez dele ficar sem reação frente às atitudes da mulher. null soltou a mão que ainda estava entrelaçada à dele apenas para segurar a barra da saia de ambos os lados e subi-la lentamente pelas pernas. Subiu apenas o suficiente para lhe permitir sentar no colo de null, uma perna de cada lado do seu corpo, sem que o tecido do uniforme lhe atrapalhasse os movimentos.
As mãos dele foram para as pernas dela, pesadas, exigentes, desejosas, as pontas dos dedos logo sendo cravadas em sua carne. null se ajeitou, de modo a sentar em cima do volume que se formava debaixo das calças dele. null soltou o ar pesado ao mesmo tempo em que levou os olhos para os seios dela, que estavam quase na direção do seu rosto. Apesar dos botões estarem fechados novamente, null sentiu a boca salivar.
null levou um dedo até o queixo dele e ergueu sua cabeça até que os olhos se encontrassem e o que viu ali poderia facilmente levá-la ao deleite sem o menor esforço. Os olhos dele, antes brilhantes e divertidos, quase inocentes, estavam escuros de tesão, de desejo. Seus olhos lhe faziam promessas que null sabia que ele cumpriria com prazer, sem pestanejar. Mas ainda não era o momento.
— Você sentiu saudades? — ela perguntou baixinho, sussurrando, deixando os lábios se roçarem aos dele.
null sentiu a boca seca. Ergueu a cabeça, tentando se aproximar, querendo juntar as bocas e matar a sede que tinha do gosto dela, mas null se esquivou.
— Sim.
— Hm... — O som saiu do fundo da garganta dela. Levou ambas as mãos para os ombros largos de null, descendo por seus braços rígidos e então voltou para os ombros. — Engraçado. Você diz que sentiu saudades, mas nunca tentou entrar em contato comigo desde a última vez que nos vimos.
— Eu...
null aproveitou para apertar as pernas em volta dele e pressionar suas intimidades. null soltou um gemido sôfrego.
— Você não me ligou, não mandou uma mensagem... — Uma das mãos foi até o pescoço dele, subindo pelo seu rosto e indo parar em meio aos fios de cabelo. null estava tão entregue aos toques que mal demonstrou resistência quando null puxou os fios de sua nuca, forte, provocativa, controladora. — E então, meses depois, você simplesmente decidiu que queria me ver de novo e achou que poderia mexer na minha escala de trabalho. — A outra mão deixou o ombro dele, descendo pelo peito e então pelo abdômen. Ao chegar à barra da calça jeans que usava, não encontrou dificuldades em soltar o botão e abrir o zíper. — Não acha que isso é um pouco... Invasivo demais?
null levou a mão para dentro da calça dele, ainda por cima da boxer, e aquilo já foi o bastante para fazê-lo jogar a cabeça para trás e gemer alto demais para o local em que estavam. Mas ela não queria que ele ficasse de olhos fechados apreciando a massagem que começara a fazer em seu membro. Ah não! null queria que ele a olhasse enquanto pedia explicações.
Segurou seu rosto com força, a mão apoiada no maxilar, e puxou a cabeça dele de forma que null voltasse a olhá-la, ainda que mantivesse os olhos pesados e a boca... Ah, a boca dele. Os lábios rosados, molhados, convidativos. null também sentiu falta daquela boca.
— Não gosto de ser manipulada assim, null — sussurrou próxima à orelha dele, aproveitando para morder o lóbulo ao final da frase. — Não gosto de ser usada assim, não é divertido, sabe?
null pressionou a intimidade contra a dele e rebolou lentamente, perdendo-se por um segundo na linha de raciocínio quando null finalmente levantou o restante da saia que null usava, embolando todo o tecido na altura da cintura da mulher apenas para que pudesse ter acesso à bunda dela. Ele apertou a carne com tanta força que null tinha certeza que encontraria a marca de dez dedos ali no dia seguinte. Puxou-a para mais perto de si, como se quisesse se fundir a ela, ignorando todas as camadas de roupas que ainda os atrapalhava e escorregou alguns centímetros na poltrona, de modo que ela ficasse levemente inclinada sobre ele, com os seios apoiados em seu peito e a bunda empinada. null ofegou.
Precisou reunir todo o autocontrole que ainda tinha — e também o que não tinha — para não ignorar a sua ideia inicial e simplesmente arrancar as roupas de null. Deus, o que ele estava fazendo com ela? Ele nem precisava se esforçar!
— O que você tem a dizer sobre isso? — perguntou com a voz o mais firme que conseguiu.
null tentou beijá-la novamente, mas foi frustrado quando null afastou a cabeça. A mão da garota não parou os movimentos, muito pelo contrário. Atrevida do jeito que era, puxou o elástico da boxer que ele usava apenas para soltá-la em seguida, provocando-o.
— Nada? Que pena.
null ameaçou tirar a mão das calças dele e foi quando null pareceu recuperar a voz.
— Eu não tinha... Não tinha como — disse entre um suspiro e outro. — Não tinha como contatá-la mesmo que quisesse.
E como num passe de mágica, null sentiu como se um balde de água gelada fosse jogado em cima dela porque aquela, dentre todas as respostas que null poderia lhe dar, foi a pior de todas e a mais errada também — não que houvesse alguma certa —, mas null não aceitaria continuar se esfregando nele, por mais que sua intimidade implorasse por isso, para ser descartada de novo logo em seguida. Merecia mais do que aquilo e null não iria brincar com ela de novo.
Lentamente, porque tinha as pernas bambas e o sexo quase dolorido, null se afastou dele. Primeiro o tronco, depois tirou as mãos do seu corpo e então se levantou, abaixando a saia que estava um desastre de tão amassada. null a olhava com os olhos arregalados e a boca aberta em um "o", sem entender o que tinha falado de errado, sem entender porque o contato entre eles cessou quando, obviamente, ambos desejavam que aumentasse.
— Bem, se isso é tudo o que tem para me dizer, nós encerramos por aqui — ela disse, séria, voltando à postura de comissária de bordo, mesmo que uma com os cabelos bagunçados, a blusa fora de lugar e a saia mais amassada do que quando levava mais roupa que o permitido dentro da mala de viagem, mas ainda assim uma profissional. — Estarei na cozinha. Caso precise de alguma coisa, basta apertar o botão.
— Eu não sabia como encontrá-la, não tinha o seu número! — ele disse quase gritando, levantando-se em um salto, ficando na frente dela. Diante do rolar de olhos da mulher, null se explicou. — Eu fui assaltado, tive meu número clonado e acabei perdendo todo mundo da minha lista de contatos. É sério, null! Isso até saiu na internet na época, foi logo depois que a gente se conheceu. Na semana seguinte, na verdade.
Ainda que null tivesse a mais pura sinceridade nos olhos e suor escorrendo na testa, desesperado para provar que falava a verdade, null mantinha os olhos cerrados, desconfiada demais de sua história. Quer dizer, o quão inocente ela seria se acreditasse naquela ladainha?
— Posso provar!
Meio desajeitado e com as mãos parecendo tremer, null procurou pelo celular nos bolsos da frente e então nos bolsos de trás da calça. Puxou o aparelho, o desbloqueou e digitou rapidamente alguma coisa, virando a tela para que null lesse a notícia que ele havia aberto.
A notícia estava datada de dois meses atrás, exatamente uma semana após terem se conhecido. No título da matéria, "IDOL TEM O CELULAR ROUBADO E NÚMERO CLONADO" e, logo abaixo, uma foto dele. null não precisou ler o restante da notícia, mas ainda que a história dele, por mais absurda que parecesse, fosse verdadeira e ele, de fato, tivesse perdido o número dela, isso não justificava o sumiço, afinal, null tinha outras formas de entrar em contato com ela. Antes mesmo que ela abrisse a boca para falar o que passava na sua mente, ele continuou:
— Você desativou seu Instagram e seu primo saiu da agência. Sei disso porque procurei por ele na tentativa de conseguir seu número de volta, mas me informaram que ele pediu demissão. Cheguei a ligar para a companhia aérea que você trabalha e perguntar por você, mas eles não passam informações de funcionários. null, eu tentei te encontrar de todas as formas que eu pude, mas não consegui. E quando soube qual companhia havia sido contratada para fazer esse voo, bem… Eu tentei uma última vez, colocar você nele. E eu consegui, porque você está aqui.
Por mais que null ainda estivesse com as pernas fracas, o estômago em gelo e o meio das pernas ardendo em desejo, o que predominou naquele momento foram as batidas completamente descompassadas do seu coração.
Maldito!
null não tinha o direito de mexer com ela daquele jeito, não podia! Quer dizer, já não bastava que estivesse impregnado na sua mente, agora queria ocupar lugar no seu coração também?
Ele respirava rápido e pesado, estava tenso. O corpo levemente inclinado em direção à ela, as mãos caídas ao lado do corpo, os dedos formigando por estarem tão longe da pele macia da garota. null sentiu a boca seca e logo à sua frente estava null esperando que ela tivesse uma reação, lhe desse um sinal de que pudesse avançar ou qualquer coisa do gênero, mas null não era boa em dar sinais. Ela era melhor agindo.
Sem pensar duas vezes, null deu os dois passos que a separava de null, abraçando-o pelos ombros largos ao mesmo tempo em que levava a boca até a dele. Ela não sabia que precisava tanto daquele beijo até o momento em que suas línguas se encontraram e começaram uma batalha frenética para descobrir quem tinha mais controle — ou deveria ser descontrole? Beijava-o com tanta força e era beijada com tanto desejo, tanta saudade, que em segundos começou a sentir os lábios doloridos. Não que ela se importasse com isso.
Empurrou null para trás até que ele caísse sentado na poltrona com ela no seu colo. Sem soltá-la, ele encontrou o botão que inclinava o banco em cento e oitenta graus, de modo que pudesse ficar deitado e manter null em cima dele.
A camisa dela logo foi parar no chão. null sabia que poderia desistir de tentar usá-la depois, não apenas por estar amassada, mas pelo som dos botões estourando e saindo do tecido no momento em que null a puxou. Foda-se a camisa, null não queria camisas entre eles, não naquele momento. Levou ambas as mãos até a barra da camiseta dele e a subiu, deixando o corpo desnudo. Enquanto null se livrava na camiseta passando-a pela cabeça, null aproveitou para espalmar as mãos na pele exposta dele. O abdômen rígido e definido ficou arrepiado no instante que a língua quente dela o tocou. null subiu os beijos, sem pressa, até o pescoço dele, onde teve sua boca reivindicada de volta.
— Você não devia me provocar assim.
— E por que não? — ela perguntou com um sorriso esperto, deleitando-se com a expressão de puro desejo de null.
Em resposta, null recebeu um grunhido e uma mordida forte no lábio inferior, fazendo-a gemer. Pensou que ele voltaria a beijá-la, mas null puxou seu corpo para cima, de forma que pudesse alcançar o colo dela. Ele só precisou de uma mão para desabotoar o sutiã da garota e logo a peça também estava perdida em algum lugar sem importância.
Os beijos desceram até os seios de null, molhados, famintos e incansáveis, até que ele sugou primeiro um e depois o outro mamilo. Entre gemidos sofridos, null desceu uma das mãos até a calça dele, adentrando, dessa vez, a boxer. Aquilo o desconcentrou da tarefa de levá-la à loucura. null o envolveu com a mão fechada, apertando-o levemente e fazendo movimentos de sobe e desce na mesma velocidade em que o fazia com o restante do corpo, em uma clara alusão ao que gostaria de estar fazendo.
— Você ainda vai me deixar louco, garota.
null deu uma risadinha.
— Pensei que essa fosse a intenção.
Em resposta, null espalmou a mão da bunda dela. A ardência veio na hora, assim como o gritinho, a mistura perfeita entre dor e prazer. Se null já estava molhada antes, apenas com as provocações e beijos ousados, nada se comparava à forma como tinha acabado de ficar. Ele ergueu o corpo, sentando-se de novo, ainda a segurando contra o corpo. Sem dificuldade nenhuma trocou as posições, deixando null por baixo, deitada, e se levantou.
— O que está fazendo? — Ofegou. Por que ele estava se afastando?
A resposta veio em forma de imagem. Uma das cenas mais eróticas que null já havia presenciado.
null tirou a calça que usava e a jogou para o lado, mas em vez de simplesmente deitar-se sobre o corpo da mulher, ajoelhou-se diante dela, abriu suas pernas e a puxou para mais perto. null pensou que fosse explodir ali mesmo, tamanho calor que estava sentindo. Deslizou a calcinha dela para longe do corpo da mulher e levou as mãos para a parte interna das suas coxas. Empurrou as pernas de null para os lados, deixando-a completamente aberta e a mercê dele, das suas vontades e da sua língua abusada.
null gostava de brincar com as sensações do corpo de null, com as reações que provocava nela, e era por isso que, antes de finalmente começar a beijá-la onde o corpo da mulher mais implorava por atenção, olhou-a intensa e profundamente. Continuou o fazendo quando passou a deslizar a língua por toda a extensão de null, de baixo para cima, e então pelo caminho inverso. Quando a garota fechou os olhos, em deleite com a imagem que se dava à sua frente e o prazer que recebia de null, ele passou a sugar seu clitóris. Primeiro devagar, para que null se contorcesse em seus braços, e depois com mais vigor, fazendo-a arquear as costas e prender a respiração.
— Hm... Você é mais gostosa do que eu me lembrava, null, como isso é possível? — falou com a voz rouca, abafada por ainda estar com a boca contra a pele dela.
null teria respondido alguma coisa se estivesse em condições de falar, mas tudo o que conseguia fazer era gemer e soltar uma ou outra palavra implorando por mais. Mais pressão, mais velocidade, mais contato. Ela só queria mais, mais dele. E então null introduziu um dedo para, em seguida introduzir o segundo. Sem parar com os movimentos de vai e vem e atendendo aos pedidos de null, ele aumentou a pressão e velocidade da sucção. Não demorou muito para que a mulher chegasse ao primeiro orgasmo daquele encontro. Porque sim, se dependesse dele, null teria mais orgasmos como aquele.
Ainda sentindo o corpo estremecer e a mente completamente entorpecida e anuviada, null sentiu null voltar o corpo para cima do dela, tomando o cuidado de apoiar-se na poltrona de modo a não deixar todo o peso cair sobre ela. No entanto, null não queria null longe, não queria que ele fosse cuidadoso, por isso o abraçou com as pernas, puxando-o para mais perto, e o abraçou pelos ombros, sussurrando no seu ouvido:
— Será que você é tão bom quanto eu me lembro, null?
Se null estava esperando por aprovação para prosseguir, ele tinha acabado de conseguir, e por mais que quisesse comê-la ali mesmo — em todos os sentidos do termo —, provocá-la e ver a mulher se contorcer embaixo dele ainda era divertido demais. Por isso levou o rosto até o pescoço dela, apenas roçando o nariz na pele arrepiada da mulher, e brincou com o membro na intimidade dela. Levemente, bateu o órgão uma ou duas vezes na entrada da garota até sentir as unhas de null em suas costas. Ela estava gostando da provocação, mas não era suficiente, ela queria mais e null tinha mais para dar.
Lentamente, introduziu o membro na entrada inchada dela sem encontrar dificuldade nenhuma, já que a mulher estava tão molhada e pronta para recebê-lo. null gemeu e contraiu seu interior, de modo a pressionar o membro dele dentro da sua intimidade.
— Puta merda, null. — Ofegou.
Ele saiu e voltou, ainda fazendo movimentos lentos, de modo que a mulher sentiu cada parte do seu cumprimento e largura. As unhas dela desceram por toda a extensão das costas e a boca da mulher encontrou o ombro de null, largo, forte e rígido, mordendo-o. A partir daí, os movimentos ficaram mais rápidos.
A cabine foi tomada pelos sons de null e null que, apesar de estarem tentando desafiar a lei que dizia que dois corpos não podiam ocupar o mesmo espaço, estavam se esforçando para conter o volume dos seus gemidos. Porém, nada podiam fazer quanto ao som dos corpos se chocando.
null respirava de boca aberta e olhos semicerrados. null levou uma das mãos ao rosto dela, fazendo um leve carinho na face, um contraste absurdo com o ato que estavam praticando. null abriu os olhos, encontrando ele a olhando com um desejo que parecia longe de ser saciado, e então ele levou dois dedos à boca dela — os mesmos que usara outrora para masturbar a mulher.
— Abre a boca.
Ela não contestou e então, junto com o som do membro dele a preenchendo cada vez em intervalos menores, null foi tomado pelo barulho de null chupando seus dedos, sentindo o próprio gosto, e aquilo foi demais para ele. As estocadas passaram a ser mais fortes e menores, o suor lhe escorrendo pela testa, braços e costas. Ele estava chegando ao limite, mas não queria gozar antes de null, não seria justo.
A mulher, por outro lado, apesar de já ter gozado uma vez naquele dia, estava hipersensível. Além dos movimentos do membro de null, ele desceu uma mão, agora molhada pela saliva dela, até o seu clitóris inchado, a boca ocupada em beijar-lhe toda a extensão do pescoço enquanto sussurrava palavras sujas, promessas sexuais às quais null sabia que ele faria questão de cumprir cada uma, a voz rouca e baixa, os dentes roçando na pele logo abaixo do ouvido. Aquilo foi demais para ela.
Agarrou os cabelos dele e os puxou com força a fim de beijar sua boca. O grito que deu ao atingir o segundo orgasmo do dia foi abafado pela língua dele e, ao sentir todo o corpo de null se contrair, o interior dela apertá-lo enquanto ainda a penetrava, curto e forte, fez com que null chegasse ao próprio orgasmo. Um orgasmo que o fez sair de órbita por alguns segundos, perder a noção do tempo e espaço, relaxando todo seu corpo e músculos.
Deixou que o corpo caísse sobre o dela. Como não queria machucá-la e nem deixá-la com falta de ar, null tentou se levantar apoiando os braços na poltrona, mas foi impedido por null, que o agarrou com braços e pernas, puxando-o de volta.
— Eu vou te esmagar assim — falou contra o pescoço dela.
— Que seja! — respondeu, ainda ofegante. — Eu não ligo.
Aquilo o fez rir.
Não porque null lhe contara alguma piada super engraçada, mas porque, de alguma forma, a atmosfera entre eles havia mudado instantaneamente. Se antes estavam em um movimentar de corpos frenético, trocando fluídos e se agarrando um ao outro como se suas vidas dependessem daquilo, agora apenas lutavam para tentar normalizar as respirações. Os toques pesados das mãos foram substituídos por leves carícias e os beijos famintos por roçares de lábios.
null escondeu o rosto na curva do pescoço de null, puxando o máximo de oxigênio que conseguia e – no caminho, inspirando o cheiro dele misturado com o suor pós-sexo — tentando acalmar as batidas do coração.
Ele, por outro lado, por mais que estivesse se sentindo muitíssimo confortável em ter seu corpo junto ao dela, o calor de null se misturando com o seu, achou melhor se afastar. Afinal de contas, eles ainda estavam sobrevoando algum lugar rumo ao Japão, e havia outras pessoas naquele avião. Eles precisavam se recompor. Sob protestos de null, null se levantou lentamente, mas quase teve seus planos frustrados ao observar a figura abaixo de si.
null estava deitada, completamente relaxada, os cabelos que antes estavam perfeitamente arrumados em um coque no topo da cabeça, agora se encontravam espalhados pelo encosto da poltrona. A boca vermelha, lábios inchados, pescoço mostrando as marcas deixadas pela boca dele, corpo ainda úmido pelo suor e mãos procurando por ele, insatisfeita por ter pedido o calor do corpo do rapaz.
— Hm... — Tentou falar alguma coisa, mas lhe faltaram palavras e a voz. A única coisa que estava presente, contudo, era a vontade de voltar para aquela poltrona e para junto de null.
Mas foi naquele momento que a garota pareceu se dar conta de onde estava e do que haviam acabado de fazer. Como em um passe de mágica, null se levantou um pouco rápido demais para suas pernas, que ainda estavam trêmulas, e tratou de tentar se arrumar. A saia estava completamente arruinada, aquilo era fato, mas ainda assim ela conseguiu abaixar a peça pelas pernas. Buscou pelo sutiã e então pela camisa, quase chorando quando se deu conta dos botões arrancados. Olhou para null com os olhos cerrados, pronta para lhe dar uma bronca, mas ele foi mais rápido na desculpa:
— Ah, me desculpe por isso. Não foi a intenção.
Por mais que o rapaz parecesse sincero, null sabia que ele não estava nem um pouco arrependido do que fizera minutos atrás. E quem poderia culpá-lo? Não era como se a própria null estivesse.
— Tudo bem, eu tenho outro uniforme na minha mala. — Comentou. Só precisava entrar no quarto silenciosamente e, sem acordar Bea, buscar por uma muda de roupa que a deixasse mais apresentável. Então as coisas ficariam bem.
null chegou a dar um ou dois passos, mas foi parada por null.
— Ei, espera!
Ela havia conseguido se arrumar da forma que dava, disfarçando os botões faltantes com o lenço que deveria estar amarrado no pescoço. O cabelo, por outro lado, ainda seria uma luta que null não estava pronta para iniciar. null, no entanto, estava completamente vestido, mas de alguma forma parecia infinitamente mais bagunçado do que ela — se é que isso fosse possível.
null precisou engolir em seco, mesmo sabendo o quão errado aquilo era, o quão antiético e em quantas regras havia quebrado em apenas alguns minutos. Tudo que null conseguia sentir era aquele frio na barriga que indicava expectativa, ansiedade. Havia acabado de ficar embaixo de null e tudo o que conseguia pensar era que o queria de novo.
— Sim? — ela perguntou, esforçando-se para voltar à sua posição de aeromoça, o tom formal, posição ereta, feição neutra.
Não que estivesse conseguindo.
— Você ainda está brava comigo?
O fato de null perguntar aquilo, levar a mão até a nuca e então mexer nos cabelos bagunçados, como se realmente estivesse preocupado com a resposta dela, foi o que fez null querer sorrir.
— Não, null, não estou. — Ele relaxou imediatamente. — Talvez devesse ficar por você ter arruinado o meu uniforme, mas nem quero pensar nisso agora.
Ele deu outro sorriso, esse um pouco mais culpado, quase a convencendo. Quase.
— Desculpe.
— Tudo bem.
Mas a expressão de culpa no rosto dele não durou muito.
— Acho que tenho mais um motivo para compensá-la, não é?
null ergueu uma sobrancelha.
— Fiz você perder uma semana mágica em Paris e destruí o seu uniforme. — Ele balançou a cabeça, como se repreendesse a si mesmo. — Preciso recompensar isso.
A mulher virou-se de frente para ele, os braços cruzados embaixo dos seios.
— E como pretende fazer isso?
— Uma semana em Tóquio, comigo. Sei que graças a mim você tem bastante tempo livre e então podemos recuperar o tempo perdido, esses meses em que não consegui te encontrar. — null tinha os olhos cerrados, mal acreditando na proposta dele. — Ah! Falando nisso, me passe o seu número de novo. Prometo que não vou perdê-lo dessa vez.
Apesar de estar meio sem palavras, a mulher acabou digitando seu número no celular dele. Quando devolveu o aparelho, o viu guardá-lo no bolso de trás da calça e ponderou sobre a proposta que recebera.
— Eu nem tenho roupa para ficar uma semana hospedada em outro país, null. Não preparei a minha bagagem pensando nisso.
— Não se preocupe, roupas são o de menos. — Antes que null interpretasse de forma errada as suas palavras, ele completou — Quero dizer que você pode comprar algumas por lá! Isso não é desculpa. Vamos, null, prometo que vai ser divertido! Você sabe que nós somos divertidos e, além disso, não é como se você tivesse outros planos.
null estava pronta para responder à proposta dele quando ouviram um barulho vindo da cozinha. Provavelmente Bea havia acabado de acordar e logo os encontraria ali — null com os cabelos completamente bagunçados e null com as roupas amassadas, ambos com exalando aquele ar satisfatório pós-sexo. Ela tinha que voltar para seu posto e dar um jeito em seu estado antes que eles fossem descobertos.
— Eu preciso ir.
— Antes prometa que vai ficar comigo.
null não fez a promessa que null pediu, tampouco recusou a oferta. Contudo, ao se afastar dele carregando um sorriso de lado e um olhar divertido, null teve a certeza de que os seus próximos dias em Tóquio não seriam resumidos apenas a trabalho. Afinal de contas, depois de tanto tempo sem se verem, era certo que teriam muita coisa para colocar em dia, muitos assuntos para conversar e várias novas descobertas para fazerem um no outro.
E null mal via a hora de descobrir cada um dos lados de null. Em todos os sentidos.
FIM
Nota da autora: Sem nota.
Outras Fanfics:
Finalizada:
Ainda Lembro de Você
Em andamento:
It's Always Been You
Shortfics:
21 Months ● Accidentally in Love I ● Accidentally in Love II ● Ainda Lembro de Nós ● Another Spellman ● Babá Temporária ● Because of the War ● Café com Chocolate ● Call for You ● Completely in Love ● Elemental ● Give Love a Try ● Little Secret ● Message to You ● Midnight Wind ● My Co-Star ● O Amor da Minha Vida ● O Conto da Sereia ● O Garoto do Metrô ● Reencontro de Natal ● Refrigerante de Cereja ● Rumor ● She Was Pretty ● Sorry Sorry ● Suddenly Love I ● Suddenly Love II ● Welcome to a new word ● When We Met
Série 7 First Dates:
Terrace Night ● Movie Night ● Show Time ● Surprise Date ● Hot Chocolate
Ficstapes:
01. Lullaby ● 02. Cool ● 03. Adore You ● 05. The Man Who Never Lied ● 06. Every Road ● 06. Love Somebody ● 07. Corner of My Mind ● 07. Face ● 09. Those Were The Days ● 09. Who’d Have Known ● <10. Sol Que Faltava ● 10. What If I ● 11. Woke Up in Japan ● 12. Epilogue: Young Forever ● 15. Afterglow ● 15. Does Your Mother Know
MVs:
MV: Change ● MV: Run & Run ● MV: Hola Hola
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.



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Finalizada:
Ainda Lembro de Você
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Ficstapes:
01. Lullaby ● 02. Cool ● 03. Adore You ● 05. The Man Who Never Lied ● 06. Every Road ● 06. Love Somebody ● 07. Corner of My Mind ● 07. Face ● 09. Those Were The Days ● 09. Who’d Have Known ● <10. Sol Que Faltava ● 10. What If I ● 11. Woke Up in Japan ● 12. Epilogue: Young Forever ● 15. Afterglow ● 15. Does Your Mother Know
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