Última atualização: 07/02/2017
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Prólogo

Envelhecer é bem difícil. A pele vai enrugando, os ossos vão enfraquecendo, a vista vai ficando cansada, a audição prejudicada, aparecem dores em lugares do corpo que antes nem eram notados. Envelhecer também é se despedir das pessoas que vão deixando este mundo antes de nós e plantando em seu lugar a saudade de conversas, abraços, carinhos, sentimentos que não voltarão.
É claro que para não tinha sido tão difícil quanto para a maioria das pessoas. É bem mais fácil levar a vida quando se tem uma família amorosa, na maior parte do tempo, e que se une nos momentos de maior necessidade, como a dele. Além disso, ele era ainda surpreendentemente lúcido para seus noventa e sete anos de idade, e não tinha passado por nenhum problema grave de saúde, ao longo dos anos.
Porém nos últimos dois anos a vida dele tinha ficado mais vazia, e ele tinha começado a flertar com a morte. É claro que poder estar com os filhos, os netos e os bisnetos, ver o sucesso de cada um, as marcas da família se mostrando em cada rosto ou comportamento, novos membros entrando para o clã e o amor, em suas várias formas, sempre presente em sua casa, era magnífico! No entanto, sem , ele já não tinha mais tanta vontade de sorrir como antes, de acordar depois do raiar de cada dia, quando podia continuar simplesmente sonhando com ela.
Ela tinha ido embora e deixado um espaço que nada preenchia, e ele se agarrava à esperança de que houvesse um paraíso, um outro plano qualquer onde ele poderia reencontrá-la. Por isso, não lamentava, nem um pouco, estar naquela cama de hospital, com febres altas, que não cediam, há três dias e meio. Talvez finalmente tivesse chegado a hora do descanso derradeiro e ele torcia por isso, apesar da aflição estampada nos olhos da filha, a quem, enquanto esteve completamente consciente e ligado a esse mundo, afirmou estar preparado para o que a vida lhe reservasse.
Foi quando ele a viu, de pé ao lado da cama, sorrindo, como só para ele ela sorria, não só com a boca, mas com os olhos e o rosto todo se iluminando de alegria. Era sua , seu anjo, e ele começou a chamar o nome dela, sorrindo, e agradecendo por ela ter, finalmente, vindo buscá-lo.
Sua filha chamou o médico, achou que ele estava tendo alucinações por causa da febre, ficou nervosa. Contudo, ele não estava nervoso e não achava que estava tendo qualquer alucinação. Ele sempre soubera que seria assim: que, quando a hora chegasse, um anjo viria lhe buscar, e seria o anjo que tinha cuidado dele a vida toda, a sua . Suas preces tinham sido atendidas e ele estava pronto.
estava sereno, quando fechou os olhos pela última vez. Ele estava indo embora dessa vida com a maior tranquilidade possível, sem mágoas, arrependimentos, dívidas ou sonhos não realizados. Partia como só uma pessoa que foi realmente feliz pode partir desse mundo. E a sua felicidade tinha sido tão grande que, há muito anos, ele já não conseguia mais fazer uma lista dos melhores momentos de sua existência. Não sem correr o risco de esquecer alguns dos momentos chave...

8 de dezembro de 2014

Finalmente o grande dia havia chegado! Seu vestido tinha ficado perfeito, e sua maquiagem e seu cabelo estavam exatamente do jeito que ela queria. Tudo estava pronto e ela estava apenas aguardando que Levvy fosse buscá-la, para conduzi-la até o altar onde um pastor daria a bênção à sua união com o grande amor de sua vida.
se olhou, mais uma vez, no grande espelho da suíte de hotel e viu, ao lado do seu belíssimo reflexo, o da graciosa garota loira que em poucas horas seria oficialmente sua cunhada, posicionada de lado, e alisando e observando a própria barriga. Riu da imagem e, ao perceber que estava sendo observada e que a outra noiva tinha uma expressão divertida no rosto, Dianna também riu.
"Ainda não dá pra ver, não é?" Dianna perguntou, sem jeito por ter sido pega em flagrante.
"Não." riu. "Ainda deve faltar mais ou menos um mês para o meu sobrinho ou sobrinha começar a se mostrar para o mundo. Você não precisa se preocupar... o vestido está caindo perfeitamente bem... e não se diz..."
"Não! Eu não me preocupo com isso! Na verdade, eu contei pra quase todo mundo. Eu acho até que eu queria que estivesse aparecendo. Eu queria que o MUNDO soubesse que o meu filho já está aqui dentro de mim... que eu e o já estamos aumentando a nossa família. Eu tenho vontade de gritar que eu tenho tudo que eu sempre quis, agora... e muito mais, na verdade, porque eu vou me casar com o homem por quem eu sou irremediavelmente apaixonada! Eu tenho TANTA sorte!"
"Somos duas mulheres de sorte nesse casamento, então." observou.
"Muito obrigada, ."
"Obrigada?"
"Não se faz de boba, vai? Obrigada por tudo... por me deixar casar junto com você, por evitar que eu tivesse que passar pelo estresse de organizar um casamento, logo no início da minha gravidez."
"Dizem que os três primeiros meses são aqueles nos quais a gente tem que ter mais cuidado, então eu não fiz nada demais... era o mínimo que eu podia fazer pelo meu sobrinho."
"A vida é muito doida, não é? Eu e o afinal estamos mesmo nos casando na mesma celebração... apenas não um com o outro." Riu. "Quando eu fui pro programa dele..."
"Por favor, Dianna... eu acho melhor não falarmos sobre isso... eu..."
"Não! Por favor! Eu preciso te falar!" Pediu, pegando na mão da futura cunhada. "Não que você precise escutar isso pra saber que eu não represento perigo... já que é mais do que óbvio que o é louco por você. Eu preciso falar pra você saber que eu amo o seu irmão e que eu TAMBÉM não tenho esse tipo de interesse no , assim como ele não tem em mim."
"Ok." disse, ainda meio hesitante.
"Quando eu fui pro programa, eu pensava que ele poderia me dar o que eu precisava: um homem estável, querendo um relacionamento estável. Eu queria segurança, ... uma família, um cara legal que cuidasse de mim... e de quem eu pudesse cuidar também... eu queria filhos." Suspirou. "Eu não queria o , mas a promessa de tranquilidade que ele representava. Apesar de eu ter ficado até o final do programa, isso nunca mudou. Eu nunca tive realmente nenhuma... queda por ele... eu apenas queria ter! O irônico foi que o programa me deu mesmo tudo que eu precisava e muito mais do que eu poderia esperar. Foi só por causa dele que eu pude ir aos camarins e visitar alguns ídolos meus..."
"Você é fã de MMA?" franziu a testa e Dianna riu.
"Eu sei que é engraçado, mas sim. Eu namorei um professor de educação física, que dava aulas de luta e... bom, esse não é o ponto. A questão é que eu tinha tipo uma paixão de fã pelo ... eu já tinha ido até a LA ver uma luta dele com uma prima minha. E quando a minha paixão impossível me chamou pra sair, em menos de quinze minutos de conversa, nos bastidores do campeonato, eu quase surtei! E quando no primeiro encontro nós marcamos o próximo, e depois outro e mais outro, foi como se..."
"Como se finalmente você estivesse em casa!" A morena completou, vendo no olhar da loira o mesmo sentimento que ela tinha pelo marido, a quem iria reafirmar seus votos em alguns minutos.
"Isso. Como se finalmente eu chegasse a um lar... um lar de verdade, sabe? Sem que eu nem mesmo soubesse que eu tinha um." Falou, maravilhada.
"Prontas?" Perguntou Maya, entrando sem aviso prévio. "Seus pais estão aí na porta... e vocês estão lindas!" Falou, emocionada, e abraçou cada uma das noivas.
"Eu vejo lágrimas nos seus olhos, dona Maya?" Questionou Dianna, que tinha passado bastante tempo dentro da mansão com a latina e, depois disso, jamais tinha deixado de ter contato com ela. Nunca considerara a amiga uma pessoa emotiva.
"São os hormônios." Ela disse, dando um sorrisinho de lado sugestivo.
"Não!" levou as mãos ao peito, em um gesto de afeto. "Eu vou ter mais um bebê pra mimar?"
"Eu passei mal quase todos os nossos escassos cinco dias de lua de mel, então eu fui ao médico ontem e... estou de seis semanas." Maya respondeu, abrindo um sorriso que quase não cabia no rosto, e e Dianna deram gritinhos, abraçando a garota ao mesmo tempo e formando um abraço triplo.
"Parem com isso que nós vamos ficar todas amassadas." Maya falou, sacudindo o momento de emoção que não era típico dela. "E eu não quero essa história de mimar meu filho, não, Sra. . Já me basta o Tony que está um babão insuportável." Riu, indo em direção à porta e abrindo a mesma.
As noivas foram imediatamente abraçadas por seus pais, que elogiaram muito aquelas que eles veriam sempre como suas garotinhas, antes de finalmente Maya entregar a cada uma delas seu buquê, e os cinco seguirem para o elevador e, então, para o salão do hotel, onde e esperavam ansiosos, junto com familiares e amigos dos dois casais.
"Uma coisa velha?" Maya perguntou, fazendo a última checagem, dentro do elevador.
"Essa pulseira que foi da minha avó." Respondeu Dianna.
"Os brincos... estão na família há alguns anos." Assegurou .
"Uma coisa nova?"
"Quase tudo... vestido, sapato, lingerie." Disse, ficando nervosa, a morena.
"Idem." Ecoou a loira.
"Emprestada?"
"Minha tiara... a Louise usou no casamento dela." Explicou a já senhora .
"Meus brincos são da minha mãe." Informou a futura Sra. .
"E azul?"
"Lingerie."
"A liga da meia. Além de todas vocês, é claro." riu, apontando a roupa da Sra. Mythe.
"Ótimo!" Maya se deu por satisfeita e deixou as noivas com seus pais, indo se juntar ao cortejo de madrinhas, formado por ela, por , pela melhor amiga de Dianna, com quem ela tinha estudado desde o jardim de infância, e pela melhor amiga de , que tinha ido do Japão para os Estados Unidos especialmente para a cerimônia. Como não tinha feito nenhum convite a nenhuma amiga ainda, quando a celebração que estivera organizando virou um casamento duplo, os quatro haviam concordado que cada um deveria escolher uma garota.
Quando as meninas entraram, vestidas em seus lindos trajes azuis, e se posicionaram ao lado esquerdo do altar montado em uma parte do salão, e já estavam esperando do lado direito do mesmo, junto com seus padrinhos, e Ravid. Depois vieram as crianças. O pequeno Jensen, filho de um primo de Dianna, carregava uma caixinha com os dois pares de aliança, e a graciosa Sally jogava pétalas de rosa pelo caminho em que passariam, enfim, as noivas.
Levvy e Russell entregaram aos noivos suas eternas princesinhas, e se juntaram a Melanie, nova namorada do primeiro, e Judy, esposa do segundo, na primeira fileira de cadeiras, onde também estavam Camile e seu marido, e o pai de com a mulher. Viram, emocionados, o pastor dar sua benção aos casais e o juiz de paz fazer a celebração formal do casamento de e Dianna, e se divertiram e encantaram com os votos feitos pelos apaixonados casais, logo depois da colocação das alianças.
"Minha loirinha linda!" Começou , quando o pastor lhe concedeu a palavra. "Eu não sou bom com palavras... apenas com chutes, socos, chaves de braços e... essas coisas." Falou, fazendo a menina e os convidados rirem. "Mas você sabe o quanto eu te amo... e o quanto eu já amo o nosso filho, que está crescendo aí dentro de você. Você sabe que foi decretado o fim do reinado do grande , no momento em que você pisou naquele camarim... e, graças a Deus, eu já tinha lutado, porque eu não teria nenhuma chance, depois de ter visto você e... falado com você. Você me nocauteou, babe!" Sorriu, secando uma lágrima do rosto de Dianna, que não sabia se ria do jeito palhaço dele ou se chorava por ele estar sendo tão carinhoso, à sua maneira. "Eu te prometo que eu vou cuidar de você... de vocês dois... pelo resto da vida. Que eu vou fazer o que eu puder pra que vocês sejam felizes. Eu te amo... e sou todo seu." Terminou.
"Eu..." Dianna tentava falar, entre lágrimas. "Eu... amo você, . Eu já tinha aquela coisa toda de fã por você, antes de te conhecer... você sabe. Mas eu não imaginava o QUANTO eu poderia amar alguém, na minha vida... querer alguém, como eu quero você." Ele voltou a secar as lágrimas dela, que teimavam em continuar a cair. "Como diz a canção, 'Você é a alegria da minha vida e é por isso que eu sempre vou estar por perto... você é a luz dos meus olhos e estará pra sempre no meu coração. Você deve ter percebido que eu estava só, pois você veio me salvar... e eu sei que isso deve ser o céu. Como pode haver tanto amor dentro de você?' Eu te amo, . Eu sou toda sua!"
"Amor... MEU amor!" sorriu, tomando as mãos de nas suas, quando o pastor indicou ser a sua vez. "Todos os dias, eu te falo o quanto eu te amo... e eu pretendo te dizer e te MOSTRAR isso, a cada dia... pra sempre. Eu não sabia muito bem o que dizer aqui, em público... então eu segui o seu conselho e escolhi algo que eu achasse bonito... significativo. Algo que me lembrasse você." Respirou e continuou, em tom mais solene, subvertendo um pouco as palavras de Elvis Costello. "Você... pode ser o amor, que não pode esperar para durar... pode vir para mim das sombras do passado, de que vou me lembrar até o dia em que eu morrer. Você... pode ser a razão pela qual sobrevivo, o porquê e o motivo de eu estar vivo... a única de quem eu vou cuidar ao longo dos anos, durante as adversidades. Eu vou pegar as suas risadas e as suas lágrimas e farei delas todas as minhas lembranças. Para onde você for, eu tenho que estar lá... pois o sentido da minha vida é... você." Ele encerrou, beijando as costas das mãos dela, que então começou os próprios votos, falando algumas palavras em francês.
"É um trecho da canção La Vie En Rose..." Ela explicou, ao terminar. "...e que dizer 'Noites de amor que não acabam mais... uma grande felicidade que toma seu lugar. Os aborrecimentos e as tristezas se apagam... Feliz, feliz até morrer!' Nós tivemos uma noite de amor em Paris e você me pediu que dissesse algo em francês. Eu te falei que o que eu tinha dito significava alguma coisa relacionada à bebida, se não me falha a memória... mas o que eu tinha realmente falado era que eu não queria que aquele momento chegasse ao fim. Aquela noite chegou ao fim, é claro... mas felizmente você voltou pra minha vida, pra ficar, pouco depois. Nós já tivemos muitas outras noites... e dias maravilhosos... e outros virão... agora eu sei! Uma felicidade sem limites é o que você me faz sentir, ! Eu te amo demais!"
Depois de falar apenas mais algumas palavras, o pastor anunciou a chegada do esperado momento de os casais se beijarem e selarem a união com essa expressão tão única de carinho, que alguns povos acreditam ser também o gesto por meio do qual compartilhamos com alguém parte de nossa alma. Eles cumprimentaram pais e padrinhos, saindo atrás deles para que, no final do corredor acarpetado, fossem cobertos por uma chuva de arroz, conforme a tradição. Conforme Dante explicou a Blaine, enquanto pegavam um saquinho de arroz com a cerimonialista, o costume originou-se com os antigos hindus e chineses, em cujas culturas, o arroz era símbolo de frutificação e prosperidade, por isso acreditava-se que o lançamento de arroz nos noivos era um oferecimento de fertilidade a eles.
Os noivos se dirigiram a uma parte temporariamente isolada do salão de festas, onde tiraram fotografias, por alguns minutos, dentre as quais a da tradicional imagem do casal cortando o bolo junto. Havia um bolo só, mas, como o doce não era cortado de verdade na hora dos cliques, isso não foi um problema. Então vieram os pais, madrinhas e padrinhos, com quem também foram fotografados, e com os quais fizeram o primeiro brinde da noite, antes de os casais serem apresentados pelo DJ e dançarem uma música juntos, abrindo a pista de dança para que os convidados pudessem se divertir, finalmente.
Foi quem escolheu a canção A Thousand Years, de Christina Perri, e os agora Sr. e a sra. e sr. e a sra. dançaram a música inteira, trocando carinhos, beijinhos e juras de amor, até o DJ colocar uma segunda balada, e pedir para que os pais se juntassem eles. teve que dançar com a sogra, apesar da pouca intimidade entre eles, uma vez que a mãe não tinha sido convidada para a festa, por motivos óbvios.
Depois disso, a pista não ficou mais vazia. Acompanhante de , com quem estava saindo havia duas semanas, depois de um encontro completamente casual em um bar, Britney era uma das mais animadas na pista, e tinha quase sempre a companhia de Tina, convidada por ter ficado noiva de Michael, que continuava sendo um dos profissionais de maior confiança de . Agora trabalhando na televisão, ele não era mais um simples fotógrafo, mas diretor de fotografia de alguns dos mais importantes programas da TVZoom no Ar.
A dança foi interrompida apenas para que os dois padrinhos e os pais das noivas falassem algumas palavras. teceu inúmeros elogios ao melhor amigo e a , com quem vinha convivendo muito nos últimos meses, não só por ela ser mulher de , como também em razão de alguns programas que ele dirigia na rede GHShow terem o making of exibido pela TVZoom, o que fazia com que fossem necessárias reuniões semanais dele com a presidente do canal. Ravid falou do irmão mais velho, que sempre tinha sido um exemplo para ele, e elogiou a nova cunhada, a quem agradeceu por ter encomendado à cegonha o seu primeiro sobrinho. Apesar de ser padrinho apenas de , também falou sobre a irmã gêmea, implicando com ela, só para não perder o hábito adquirido na infância, e lembrou algumas histórias divertidas que tinham acontecido com ele e , durante sua adolescência. Russell fez prometer que cuidaria bem de seu bem mais precioso, e Levvy chorou ao lembrar que finalmente seu sonho de anos atrás, de ver sua filha casada com o menino que ele tinha como um filho, estava se realizando.
Já estava na hora de as noivas jogarem seus buquês e os quatro recém-casados se despedirem de todos e irem para sua lua de mel, quando surpreendeu , subindo no palco junto com ela e Dianna, e pegando o microfone. Ele falou alguma coisa com o DJ, rapidamente, agradeceu a presença de todos e tomou um bom gole de seu uísque, antes de pegar um outro microfone e ficar com ele na mão, voltando a usar o seu.
"Antes que as meninas joguem o buquê para as solteiras esperançosas aqui presentes, eu tenho uma surpresinha para a minha linda mulher!" Falou, dando sinais de um pouco de alteração por causa da bebida.
fez um pequeno gesto e o DJ colocou uma música, cuja introdução conheceu imediatamente. Era uma das músicas da década de oitenta, que ela tinha crescido escutando, porque seu pai era fã do grupo Journey. No entanto, não se tratava de uma música qualquer da década em que ela e tinham nascido, mas da primeira música que ela tinha conseguido convencer a cantar junto com ela, usando o karaokê que ela tinha ganhado dos avós.
"Highway run... Into the midnight Sun... Wheels go 'round and 'round... You're on my mind." cantou a primeira parte da música, deixando-a incrédula, porque ele nunca tinha concordado em cantar nada, a não ser quando estavam apenas os dois.
"Restless hearts... Sleep alone tonight... Sendin' all my love along the wire." Ela continuou, àquela altura já com o microfone que ele havia passado às mãos dela. Nenhum dos dois era nenhum cantor profissional, mas eles também não eram desafinados. Além disso, eles tinham cantado aquela música tantas vezes que eles tinham aprendido direitinho não só a letra, mas como controlar a voz para não fazer feio. Cantar juntos tinha aproximado os dois na adolescência, quando o que sentiam um pelo outro ainda era segredo, e, quando eles finalmente viraram um casal, as palavras tinham adquirido significado e Faithfully tinha virado a música dos dois. No entanto, eles ainda não a haviam escutado juntos desde seu reencontro, e aquecia o coração de que ele tivesse se lembrado e estivesse se expondo por ela, vencendo um bloqueio só para declarar, mais uma vez, o seu amor.
Os dois cantaram toda a canção e trocaram um beijo apaixonado, arrancando gritos e aplausos de uma plateia animada pela cena em si e pelo muito álcool consumido. desceu do palco e deixou as protagonistas da festa cumprirem com o último ritual da noite, no qual a namorada de Levvy e uma colega de trabalho de Dianna conquistaram o símbolo da esperança de se casarem em breve.
As malas dos dois rapazes e das duas jovens senhoras já haviam sido enviadas para o aeroporto, então bastou que eles trocassem suas roupas formais por outras mais confortáveis e, em alguns minutos, estavam no carro que os levaria ao aeroporto, enquanto os convidados curtiam a última hora de festa.
Estavam completamente exaustos, mas muito, muito felizes, quando o avião finalmente decolou do aeroporto de Los Angeles rumo ao Brasil.
N/A: As palavras da canção nos votos de Dianna são de "You are the sunshine of my life"; o usou "She”.
N/A do Capítulo: Todos os capítulos começarão com datas e eu deixei neste a data que usei quando escrevi, para não ter que mudar as de todos os outros, ok? Beijinhos a todos!

10 de outubro de 2014

N/A do Capítulo: Não esqueçam que nessa fic o tempo vai e volta. Olho na data!
"?" Blaine entrou no escritório, nitidamente preocupado, fazendo com que desviasse a atenção de um email que estava lendo, para olhar para o rosto dele. "... é... eu nem sei como te dizer isso, mas... é a sua mãe. Ela está na recepção do edifício e quer subir pra falar com você."
"Minha mãe?" Perguntou, incrédula, retoricamente, enquanto o assistente apenas assentia. "Já não era suficiente eu estar completamente estressada porque o e o Ryan não conseguem chegar a um acordo sobre o making off do Detox. Eu ainda vou ter que lidar com... isso?!"
"Eu devo dar uma desculpa...?"
"Não... não, Blaine. Pode autorizar a entrada dela. Mais cedo ou mais tarde, eu ia ter que falar pra ela tudo o que tá aqui, engasgado." Afirmou, apontando a própria garganta.
nem teve tempo de organizar um discurso. Minutos depois, Shely estava sentada em uma cadeira em frente à dela, em seu novo escritório de presidente da TVZoom no ar. Não estranhara a recepção fria da filha, uma vez que tinha sido justamente por ter percebido uma mudança no comportamento dela que a mulher mais velha fora procurar pela garota. Ela nunca havia sido uma mulher de meias palavras, então decidiu ir direto ao assunto.
"O que tá acontecendo, ? Eu deixei Giancarlo em Madri e vim pra cá só pra conversar com você e saber por que você se recusa a atender as minhas ligações e a responder os meus emails há semanas!" tomou um gole do chá que a copeira acabara de servir para ela e a mãe. "Nem mesmo o seu endereço de trabalho eu sabia que tinha mudado, e bati com a cara na porta! Eu só sabia que você estava bem porque o Ravid me disse... mas é claro que ele não quis me dizer por que você resolveu não falar mais com a sua mãe." Shely continuou, sem ligar para chá algum.
A mulher tinha atravessado um oceano e deixado um noivo milionário sozinho, apenas para tentar entender o que estava acontecendo entre a filha e ela. Depois de alguns meses viajando pela África e apenas mandando cartões postais, ao voltar à Europa ela tinha tentado ligar para todos os números de e mandado mensagens para todos os endereços eletrônicos, por dias e dias, jamais conseguindo receber qualquer sinal de vida em troca.
"Eu acho que você não leu nenhuma revista americana ainda, né?" perguntou, com fingida calma. "E nem prestou atenção ao lugar onde está."
"Claro que eu sei onde estou, ." Afirmou, cheia de empáfia e um pouco impaciente. "Lá na redação da revista, anotaram o endereço pra mim e colocaram TVZoom no ar. Eu perguntei à mocinha o que era e ela me explicou que era a emissora parceira da revista, e que você é a presidente do canal. Eu fico feliz com a sua promoção, a propósito... mas o que ela pode ter a ver com você não falando comigo?"
"Realmente, você NÃO prestou atenção ao lugar onde está. Esse prédio não é só da TVZoom no ar, que é realmente uma parceira da revista. Esse prédio abriga as presidências de todas as emissoras do grupo GHShow, ao qual a TVZoom pertence... e também a presidência do grupo." Afirmou, vendo o semblante da mãe mudar, a pele dela empalidecer. "Algum palpite sobre a razão por que eu tenho evitado você, agora?" Questionou com sarcasmo.
"Eu sei a quem pertence a GHShow, é claro. Eu morava nos Estados Unidos até outro dia." Seu jeito de falar já não era tão seguro, mas ela ainda não parecia consciente de toda a situação. "E é claro que, se você trabalha no grupo, você tem contato com ele. Mas eu ainda continuo sem entender o que a convivência com seu ex-namorado pode ter a ver com suas questões comigo." Shely se lembrava muito bem do que tinha feito para separar os dois, mas jamais poderia imaginar que nenhuma das pessoas envolvidas no plano pudesse ter contado um segredo de tantos anos à filha.
"Ele não é meu ex-namorado. é meu MARIDO." esclareceu. "É claro que, se você tivesse lido algumas revistas, você teria visto as fofocas sobre a festa de casamento, que vai acontecer em dezembro, mas... na verdade nós já somos casados no civil." Disse, como se o tópico fosse indiferente, corriqueiro.
"Marido? Ca-casados? Mas... como?"
"Indo a Las Vegas. Você não imagina como é simples!" Debochou. "Eu me casei com o , mãe. Pra valer! Dessa vez eu não ia te dar a oportunidade de estragar tudo."
"É... você..."
"É... eu sei! É claro que eu sei. Você acha que eu me casaria com ele, se eu não tivesse descoberto tudo? Se eu continuasse acreditando que ele tinha dormido com a minha própria prima na véspera do nosso casamento?"
"Eu... é..." Ela engoliu seco, sem saber o que dizer ou fazer. ", minha filha..."
"Que espécie de pessoa você é, mãe?" perguntou, deixando as emoções represadas virem à tona, finalmente. "Aliás, que espécie de pessoa você é, SHELY? Porque mãe... mãe você não deve ser, não é? Mães não fazem o que você fez comigo... não mães de verdade. Você... você só deu à luz e mais nada. Foi a única coisa boa que você fez." As lágrimas corriam pelos rostos das duas mulheres.
"Você não tá sendo justa, . Você não tá sendo justa. Eu fiz parte de toda a sua vida."
"É... você fez. Você fez mesmo! Se você não tivesse feito, eu estaria casada com o há... uns oito anos só." Ironizou.
"É, mas... não seria quem você é hoje... uma grande jornalista, a presidente de uma empresa... porque, por mais que ele fosse seu marido, ele não ia te dar esse cargo tão importante, se..."
"Eu não posso acreditar que você vai ter a coragem de defender o que você fez, mãe! Os fins não justificam os meios... e eu tinha o direito de fazer as MINHAS escolhas."
"Eu sei, minha filha, mas..."
"Não tem 'mais'! Não existe justificativa nenhuma pra manipular os outros. Você fez o acreditar que eu era egoísta... me fez acreditar que ele não me amava, me fez duvidar que alguém pudesse ser fiel, leal. Você quebrou uma coisa dentro de mim, há anos atrás, que só o tá conseguindo recuperar, com o jeito doce dele, com o amor enorme dele por mim... que, graças a Deus, você não conseguiu destruir. Você quebrou uma outra coisa dentro de mim agora, porque eu olho pra você e eu não vejo alguém que eu seja capaz de amar, como uma filha deveria amar uma mãe."
"..." Shely tentou alcançar a mão da menina que estava sobre a mesa, brincando com a asa da xícara, em um gesto nervoso, mas ela se afastou, rapidamente.
"Talvez um dia eu seja capaz de te perdoar... de te amar... de aceitar ou até querer a sua presença na minha vida, mas... não agora. Se você puder ir, agora, eu... não tenho mais nada pra te dizer." A outra mulher fez menção de falar algo, mas foi logo interrompida. "...ou pra ouvir de você. Por favor." Fez um gesto, indicando a porta e se levantou, indo para a janela e dando as costas para a mãe, para não lhe dar o gosto de ver mais lágrimas banhando seu rosto.
Shely foi embora em silêncio. A cabeça baixa, um misto de tristeza e vergonha, por ter sido enxotada do escritório da própria filha, da vida da própria filha. Entendia as razões de e sabia que a garota jamais entenderia suas razões, mas o fato era que ela não acreditava no amor, em devotar a vida a alguém e deixar oportunidades mais sólidas de lado, e fora por causa dessas convicções que ela fizera o que tinha sido necessário. Mesmo sabendo que o seu modo de agir não fora politicamente correto, ela não conseguia se arrepender totalmente.
chorou compulsivamente, após a saída da mãe. Soluçava muito ainda quando a porta do escritório se abriu e surgiu com seu semblante carregado de preocupação. Os dois trocaram um olhar que transmitiu todo o apoio e carinho de que ela precisava, e ela se levantou rapidamente, praticamente se jogando nos braços dele.
O abraço do marido era justamente aquilo de que ela mais necessitava. Entre os braços de ficava o lugar mais seguro que ela conhecia no mundo e, então, ela pode sentir-se realmente livre para chorar e colocar para fora tudo o que estava sentindo, em vez de tentar ser forte. Ao mesmo tempo, ia se acalmando gradativa e verdadeiramente, à medida que ele a segurava forte contra si, e acariciava suas costas, como se assim pudesse tirar de dentro dela todas as dores, protegê-la de todo o mal do mundo.
sabia ser uma pessoa amada. Tinha o amor incontestável do pai, dos irmãos, e de amigos fiéis com os quais nem todo mundo tem o privilégio de contar. No entanto, era, dentre todos, aquele que melhor sabia transmitir o amor nos gestos, usar o amor para tornar tudo mais fácil, para fazer os problemas parecerem menores. Ele sabia como agir e quando se omitir, o que dizer e quando se calar.
só tinha conhecido quando ela já era quase uma adolescente, e depois os dois tinham passado longos oito anos separados, mas ainda assim ele a conhecia como a palma de sua mão, era capaz de lê-la melhor do que ninguém. Ele sabia que a decisão de sua mulher de dar à própria mãe o tratamento do silêncio, enquanto fosse possível, tinha sido dificílima, mas que a conversa que as duas haviam tido, alguns minutos antes, a destruíra ainda mais do que tentar ignorar Shely. Sabia que tinha que estar ao lado dela, naquele momento, e era exatamente o que ele faria, mesmo que ela protestasse.
"O Blaine te avisou, não foi?" Ela perguntou, quando conseguiu se acalmar um pouco.
"Ele pensou em entrar e conversar com você, mas ficou desesperado demais quando ouviu os seus soluços do outro lado da porta." Respondeu.
"Ele não precisava te incomodar, amor." Ela afirmou, exatamente como ele previra.
"Eu o teria demitido, se ele não me chamasse." Brincou. "Qual seria a vantagem de trabalhar na mesma 'torre' que a minha princesa, se quando ela precisasse de mim eu não viesse resgatá-la?"
"Resgatar?" Perguntou, levantando a sobrancelha.
"Eu vou te levar pra casa." Mudou o tom para sério. "Nós vamos tomar um bom banho de banheira, você vai dormir um pouco... ou talvez a gente possa ver um filme, comer pipoca... ou alguma daquelas coisas gostosas todas que você nunca come porque acha que vai engordar."
", eu preciso trabalhar! É quarta-feira... no meio de uma semana caótica..."
"Não!" Ele disse, tocando o rosto dela. "Você precisa de tranquilidade, . Precisa de descanso... ou de um pouco de diversão... o que você preferir. Precisa chorar tudo que tiver pra chorar, numa cama quente ou... escolher alguma coisa que faça simplesmente você se distrair, esquecer... deixar pra trás. Você precisa de carinho, de amor!" Disse, voltando a tomá-la em seus braços. "Você precisa... de mim!" Acrescentou, fazendo-se de pretensioso.
"Quanta modéstia, hum?" Ela riu.
"Eu só queria te ver sorrir." Afirmou, beijando-lhe os lábios.
A garota ainda tentou, mais uma vez, convencer o marido de que podia, e precisava, ficar no escritório até o final do dia, mas ele não mudou de ideia. Então os dois foram para casa, onde se encheram de fast food, refrigerante e chocolates, assistindo a algumas comédias românticas melosas, que serviram como desculpa perfeita para que chorasse tudo o que ainda tinha para chorar, até pegar no sono no colo de .
Ele a carregou para a cama, apagou as luzes, cobriu-a com um edredom macio e beijou sua testa, afetuosamente, antes de ir para a sala e resolver algumas coisas pela Internet e pelo telefone. O dia não tinha sido perfeito, com a aparição inesperada da sogra, que fazia mais jus à fama que as sogras têm, do que qualquer outra que ele conhecia. Os próximos também não seriam perfeitos, porque a ferida que Shely abrira, anos antes, e que ficara escondida por muito tempo, mas tinha sido exposta recentemente, demoraria a cicatrizar.
Eventualmente, no entanto, seria uma pessoa feliz de verdade. E, enquanto isso, ele estaria ao lado dela, tentando fazer com que seus dias fossem tão bons quanto a dor em seu coração lhes permitisse.

17 de Dezembro de 2014

"É... vamos ser só nós dois mesmo, amor." Disse , ocupando uma cadeira em frente à de , em uma das mesas do restaurante do hotel onde estavam passando aqueles dias de lua de mel. "A Dianna tá muito enjoada pra sair e o vai ficar com ela, claro."
"Eu falei pra ela não comer tanta cocada, ontem." Respondeu , terminando de ler uma notícia em seu iPhone.
"Não tem nada a ver, ! Com cocada ou sem cocada, é normal a Dianna sentir enjoos nesse período da gravidez." Assegurou.
"É... você tem razão, babe." Concordou. "Mas, ainda assim, não precisava comer tanta cocada, né?" Riu.
"O marido dela não me pareceu preocupado." Falou, com certa ironia, mas viu que ele ia responder, então mudou de tom. "Eu não to com ciúmes... antes que você fale. Eu não tenho mais ciúmes. Só é... um pouco estranho, ainda, você ter mais intimidade e saber mais da vida da minha cunhada do que eu... ser mais amigo dela do que eu sou."
"Vocês vão ficar mais amigas... é só questão de tempo. Ainda mais quando o bebe deles nascer... e você ficar babando nele, sem querer sair de perto nunca, como eu sei que vai ser."
"Eu sei." Ela sorriu amplamente com a menção de seu sobrinho. "E nós? Vamos tomar café e sair, ou o senhor pretende ficar mexendo na Internet o dia inteiro?" Brincou.
"Na verdade, eu to louco pra comer aquela coisa... como é mesmo o nome? Bi..."
"Beiju." Respondeu, com dificuldade para pronunciar. "E cuidado, viu? Tá falando da Dianna com as cocadas e vai se encher desse negócio?" Os dois riram, já se encaminhando para a mesa onde estava servido o farto café.
Saíram depois de, mais ou menos, meia hora, pegando um táxi na porta do hotel, e levando com eles uma lista de lugares que tinha achado na Internet como sendo pontos turísticos imperdíveis, ou que algum amigo tinha comentado que eles deveriam conhecer.
O primeiro lugar que visitaram foi a igreja do Nosso Senhor do Bonfim, onde amarraram cada um uma fita colorida no braço, fazendo três pedidos, um para cada nó dado na fita, conforme manda a tradição, explicada a eles por um morador que falava inglês e percebeu a curiosidade do casal, quando observavam algumas pessoas seguindo aquele interessante ritual.
Saindo de lá, foram ao Farol da Barra, de onde puderam apreciar uma vista maravilhosa do mar. Os dois riram muito um do outro, quando um dos vendedores ambulantes os parou, como fazia com todas as pessoas que passavam perto dele, e colocou uma boina de reggae com trancinhas falsas na cabeça de , para que ela tirasse uma foto bem cheia de estilo, e depois insistiu para que fizesse o mesmo.
Depois de passar um tempo abraçados no local, sentindo a brisa gostosa e observando a natureza, deixaram a Barra e fizeram o circuito Barra-Ondina, e depois foram à praia do Rio Vermelho para caminhar um pouco pela areia e molhar os pés no mar. O lugar não estava muito cheio, o que era algo a se estranhar, pois se tratava de uma linda praia e o dia estava bem quente e ensolarado. Comentaram entre eles que talvez ela não fosse tão popular como as praias pelas quais eles tinham passado antes e, de certa forma, até preferiram essa maior tranquilidade.
Foram, em seguida, ao centro histórico da cidade e, quando passaram na frente do Shopping Barra, resolveu que queria conhecê-lo e acabou fazendo algumas compras que não estavam programadas. não se queixou, no entanto, porque, apesar de não achar que ir às compras fosse algo para se fazer durante uma lua de mel, a Sra. ficou linda em cada peça de roupa que vestiu, e havia ainda algumas peças íntimas bem sensuais entre as coisas que ela comprou sem experimentar, o que atiçou a sua imaginação e o fez esquecer o programa chato.
Depois de aproveitarem para almoçar uma bela moqueca em um restaurante dentro do shopping, conheceram o Dique do Tororó, um lago praticamente ao lado do estádio Fonte Nova, ornado com interessantes estatuetas representando orixás. Pegaram um táxi e foram para a parte histórica da cidade, onde passearam pelo Pelourinho, admirando os coloridos imóveis que mantém o estilo de arquitetura antigo, e visitaram a igreja de São Francisco, com todo o seu esplendor dourado.
Viram rodas de capoeira por todos os lugares e alguns componentes do que souberam ser um bloco afro de nome Olodum ensaiando para o carnaval. Enquanto tirava muitas fotos de tudo, se mexia instintivamente ao som do batuque, balançando o quadril de um jeito que não passou despercebido pelo marido, que teve vontade de agarrá-la naquele mesmo momento e grudar o próprio quadril no dela, mas se controlou, por estar no meio de uma rua lotada de baianos e turistas.
Terminaram o passeio turístico descendo pelo elevador Lacerda, e observando a vista da cidade alta, ao lado do elevador, que era simplesmente perfeita. Antes que pudesse tentar protestar, ela agarrou a mão dele e atravessou a rua, correndo para o mercado modelo, onde gastou mais um pouco de dinheiro e tempo, em dois andares de lojas com artesanato de todos os tipos.
"Será que agora que você já me fez ver bolsa, sapato, enfeite pra casa, roupinha de bebê... e comprou uma sacola enorme de lembranças regionais pra metade de Los Angeles, a gente pode sentar um pouco e relaxar... comer alguma coisa... tomar um drink?" quase implorou, ao sair do centro de comércio e encontrar o sol já se recolhendo.
"Claro, meu amor. Nós podemos ir aonde você quiser." Disse, sorrindo, e segurando a mão dele.
"Enquanto você tava pagando, eu liguei pro outra vez, pra... ver se eles queriam nos encontrar e tal, mas acho que eles estão com preguiça." Informou, rindo. "Dianna melhorou, mas ele disse que eles iam ficar por lá mesmo, vendo um filme na TV."
Pegaram um táxi e não pestanejou ao pedir para que ele fosse para a praia do Buracão, no Rio Vermelho, pois tinha visto um bar que lhe parecera bem legal em frente a ela, quando estiveram por lá, mais cedo. Eles entraram no bar, ainda um pouco vazio àquela hora, e foram encaminhados a uma mesa, onde imediatamente pediu um chopp para ele e uma caipifruta de maracujá para a esposa.
Havia um músico tocando e cantando músicas em inglês, conhecidas dos dois, mas em pouco tempo eles perceberam que ele não só não tinha domínio da pronúncia das palavras, como errava muito as letras das canções e acabava por dizer coisas sem qualquer sentido. O casal começou a se olhar e, de repente, estavam os dois aos risos, o que talvez fosse um pouco rude da parte deles, mas era inevitável. ficou aliviado quando, ao conseguir finalmente controlar as risadas, viu que o músico não parecia sequer desconfiar de que eles se divertiam às custas dele. Já comentou estar feliz por eles estarem em um lugar onde podiam rir juntos, livremente, sem ser observados e questionados o tempo todo, o que, infelizmente, acontecia muito com os dois em LA, por serem um tipo de celebridades.
Muitas bebidas e alguns petiscos depois, o músico havia sido substituído por uma banda que tocava canções dançantes. Eram músicas da Bahia, como o gerente do local fez questão de explicar ao casal, em um inglês bem articulado, quando percebeu que eles eram estrangeiros. O ritmo era contagiante e não parava de se mexer na cadeira, até que, depois de ver que havia várias pessoas dançando, resolveu se levantar e aproveitar seu total anonimato e a liberação dada pelo álcool ingerido.
ficou observando os movimentos da mulher, assim como tinha feito mais cedo. Ela era tão sexy e linda, sem precisar fazer força alguma para isso! E era toda dele, o que às vezes ainda era algo difícil de acreditar. Sorriu, quando ela percebeu que ele a estava devorando com os olhos e esticou as mãos, convidando-o para se juntar a ela. Levantou-se e foi, porque não sabia dançar, mas também não sabia dizer 'não', quando ela o olhava com aqueles olhos penetrantes e cheios de intensidade. Além disso, era só juntar o corpo dele no dela e balançar, e aproveitar o simples fato de que ele podia ficar assim com ela em público ali, o que era raro.
"Vamos pagar e... ir embora?" Ele sugeriu, com uma voz sedutora, ao pé do ouvido.
"Embora? Mas eu to me divertindo tanto." Ela praticamente fez bico.
"Eu acho que podemos nos divertir mais ainda sozinhos."
Ela mordeu o lábio inferior e sorriu, concordando, então os dois pagaram a conta e saíram do bar, de mãos dadas. Iam pegar um táxi, mas começaram a trocar beijos e sentiu que sua excitação, que começara com as danças e trocas de carinho, estava ainda maior e mais difícil de controlar. Teve uma ideia que parecia louca e arriscada, mas também muito atraente, e puxou uma confusa e curiosa pelas mãos, atravessando a rua e indo para a praia, onde logo acharam um ponto bem escondido entre algumas pedras.
"Me dá aquela coisa que você comprou... aquele pano grande."
"Minha canga?" Perguntou, confusa.
"É, babe. Você não quer deitar na areia, né?" Disse, impaciente.
"Dei-... Hudosn, o que você tá querendo?" Questionou, rindo.
"Você sabe muito bem o que eu quero, babe." Sussurou no ouvido dela, apertando o corpo dela contra o seu, com as mãos em sua bunda, e começou a beijar seu pescoço.
"Será que tinha algum afrodisíaco, entre essas coisas que você andou experimentando, hein?" Brincou, mas também já estava super excitada e não perdeu tempo em enfiar as mãos dentro da camiseta dele, apertando suas costas.
"Tem uma coisa que é a mais afrodisíaca de todas... e eu tenho experimentado MUITO dela." Assegurou, passando os dedos pela intimidade dela, coberta pela parte debaixo do biquíni que ela usava, e ela gemeu baixinho. "Agora, me dá esse pano, vai." Implorou.
Ela mexeu em uma das sacolas que eles tinham colocado na areia e achou a canga rapidamente, estendendo-a em seguida, com um pouco de dificuldade por causa do vento. Os dois se deitaram e começaram a se beijar com voracidade, enquanto suas mãos trabalhavam com precisão. As dele, tirando a calcinha de biquíni dela, e as dela abrindo o botão e o zíper da bermuda dele.
"Eu prometo que eu faço amor com você, do jeitinho que você merece, lá no hotel." Ele afirmou, puxando a bermuda e a cueca boxer para baixo, apressadamente. "Mas aqui tem que ser uma rapidinha gostosa, babe... ou nós podemos ser pegos em flagrante." Ele riu da inconsequência dos dois.
"Ser pegos, é?" Perguntou, mordendo os lábios, enquanto afastava as pernas e as usava para puxá-lo para mais perto. "Isso é tão excitante."
Quando ela acabou de falar, ele já estava dentro dela, e investia contra seu corpo forte e rápido. Ela rebolava no mesmo ritmo frenético, pressionando seu clitóris contra a pele quente dele, e os dois gemiam e ofegavam, enquanto seus corpos iam ficando gostosamente suados.
"Babe, eu vou... babe... vem comigo, meu amor. Vem." pediu, com dificuldade, não conseguindo segurar mais o próprio prazer, e o corpo de agiu como se nenhum comando dele jamais pudesse ser desobedecido. Os dois gozaram juntos, seus corpos estremecendo com o choque de seus intensos orgasmos e pelo encontro entre a brisa fria do mar e suas peles expostas.
Recolheram tudo, rapidamente, antes que aparecesse alguém e ficasse claro o que eles estiveram fazendo ali, naquele lugar deserto e pouco iluminado. Saíram da praia, abraçados e rindo de sua breve aventura, e pegaram um táxi, seguindo para o hotel.
Porém, naquela noite como em muitas outras, se sentia incapaz de tirar as mãos de ou de parar de beijá-la. Se estivessem em LA, ele jamais a beijaria do jeito que a beijou durante todo o percurso entre a praia e o hotel, e depois dentro do elevador, mas felizmente eles estavam no Brasil, onde seus rostos eram totalmente desconhecidos.
Marido e mulher entraram em seu quarto já se agarrando e se livrando de todas as peças de roupa, como se fossem um casal de adolescentes cheios de hormônio que não transavam há dias, e não dois adultos em lua de mel. pegou no colo e entrou com ela no chuveiro, onde transaram de novo rápido e agressivamente, para só mais tarde, depois de pedir um lanche no quarto e de ver boa parte de um filme, fazerem amor lenta e apaixonadamente.
Tiveram uma ótima noite de sono, depois daquele longo dia, e, na manhã seguinte, foi acordada com beijos suaves em suas costas nuas, e, virando-se, tentou puxar o marido, para que se juntasse a ela na cama novamente. Para sua surpresa e descontentamento, ele não só não se deitou com ela como fez com que ela se levantasse, mesmo protestando muito. Disse que eles precisavam tomar café rápido, pois viajariam logo, e isso a irritou ainda mais, mas a irritação só durou até o momento em que ela entrou na saleta anexa, onde estava servido o café.
Havia na mesa deles praticamente todos os itens que eram servidos no restaurante, até o tal beiju por que tinha se apaixonado e o cuscuz de milho que a vinha tentando desde a manhã anterior. Eram pratos bem variados dos quais, com toda a certeza, eles não comeriam nem a metade, no entanto o que mais chamava a atenção era um cheio de pequenos cupcakes, cada um com uma pequenina vela acesa. Lágrimas brotaram nos olhos de , enquanto ela abraçava e ele lhe desejava um 'feliz aniversário', dizia para que ela fizesse um pedido ao apagar as velas, e lhe entregava um embrulho de presente, entre beijos e um 'eu te amo'.
Ela assoprou as velas, desejando ser sempre tão feliz como estava agora e abriu o presente, que era uma caixinha de música parecida com a de Paris, mas dessa vez tinha o Farol da Barra dentro, porque ele sabia que eles estariam na Bahia no dia do aniversário dela, e mandara fotos para o joalheiro esculpi-la em outro branco e colocar na redoma de cristal. Se pretendia dar a ela uma coleção de caixinhas de música, ela não iria se opor, porque elas eram lindas e tinham todo um significado.
Os dois tomaram café e arrumaram tudo para viajar para uma nova cidade do Brasil e, se antes não tinha gostado muito de saber que eles voariam no dia de seu aniversário, pois julgara cansativo, agora ela tinha certeza que um pouco de cansaço não estragaria seu dia.
Aliás, ela seria capaz de apostar tudo o que tinha, se alguém lhe propusesse. Nada no mundo seria capaz de estragar aquele aniversário!

17 de Julho de 2034

Era uma noite quente de sábado em Malibu e, aproveitando que, com a mansão em Carbon Beach lotada de gente, ninguém nunca sabia exatamente onde cada uma das pessoas estava, Logan e Brianna tinham decidido ir até uma parte mais deserta e escura da praia, e curtir um pouco a companhia um do outro. Estavam lá havia mais ou menos meia hora, quando o rapaz quebrou um silêncio quase absoluto, maculado apenas pelo som das ondas, até então.
"Eu acho que tá na hora de contarmos pros nossos pais, babe." Logan afirmou, sentando-se, depois de minutos seguidos deitado em uma canga, beijando a namorada.
"Sério, Log?" Brianna perguntou, espantada. "Eu não tenho muita certeza, não, amor. Você não tem medo da reação do meu pai?"
"O que o seu pai pode fazer, Brie? Me bater?" Ironizou. "Seu pai é um cara tranquilo e, além do mais, ele gosta de mim. Quem ele poderia achar melhor do que eu pra namorar você?"
"O fato não é você, babe. Ele realmente te adora! Mas é que eu tenho quase certeza que meu pai prefere que eu NÃO namore, sabe?" Fez uma careta.
"Pois eu acho que você pode se surpreender bastante com o seu pai. E, além disso, esse tempo todo, a gente não precisava contar, porque a gente só tava ficando... mas agora a gente tá namorando de verdade, e eu até me espanto que já não tenham percebido ou pego a gente no flagra."
"Você tem razão." Ela disse, sorrindo, e dando um beijo rápido nele. "Meu pai vai ficar com ciúmes, mas, se eu falar com jeitinho, vai ficar tudo bem. É melhor a gente falar do que eles descobrirem. A linguaruda da Marie falou sobre a gente, outro dia, na frente da mãe dela, e eu tive que me virar pra mudar de assunto e disfarçar."
"Você quer contar sozinha ou..."
"Eu conto sozinha... é melhor! Eu peço aos meus pais pra irem ao meu quarto de manhã." Assegurou.
"Ótimo!" Ele disse, entusiasmado, segurando o rosto da menina entre as mãos e beijando seus lábios com carinho.
O beijo quase inocente foi se tornando intenso, ao mesmo tempo em que ela se deitava novamente sobre a canga, puxando o corpo dele para junto do seu. Não era exatamente uma sensação nova, pois, apesar de só terem conversado e decidido namorar, para valer, havia algumas semanas, eles estavam envolvidos havia quase dois anos, e tinham escolhido um ao outro para terem a primeira experiência sexual, que tinha acontecido antes mesmo de colocarem um rótulo na relação.
A verdade é que, em razão da proximidade de suas famílias, eles tinham tido muito medo de começar uma história, e de depois não dar certo e, mesmo assim, eles terem que conviver tanto. Eles tinham lutado contra o desejo, a paixão, o amor que sentiam, desde que tinham deixado de ser crianças, mas, enfim, tinham percebido que era uma luta vã. Não havia como eles não serem um do outro, sem sacrificar uma boa parte de si mesmos.
As mãos de Logan começaram a percorrer o corpo de Brianna, e os dois começaram a ficar excitados, de uma maneira incontrolável para dois jovens de dezesseis anos, cheios de hormônios e descobrindo coisas novas juntos, a cada dia, conhecendo o prazer e testando seus limites, a todo momento.
Na escuridão da noite, se deixaram levar, sem pensar em qualquer consequência, quando ele tirou a camiseta regata dela e o sutiã do biquíni, e quando ela abriu o fecho da bermuda dele, que a tirou, de imediato, ficando só de sunga. O short dela foi a última peça descartada, antes de apertaram seus corpos seminus um contra o outro, se beijando de novo, e trocando carícias e elogios, em meio a gemidos e incentivos lascivos.
"O que é...?" Brianna começou a fazer uma pergunta, mas parou no meio dela, enxergando ela mesma o que era a claridade que, de repente, tinha assaltado seus olhos.
"Merda!" Exclamou Logan, vendo a mesma coisa. Em um reflexo, pegou a primeira peça de roupa que encontrou e jogou para a namorada, ficando na frente dela.
O policial que segurava a lanterna que assustara o casal se aproximou, junto com um colega de corporação, e informou aos jovens que eles teriam que acompanha-los à delegacia. Logan ainda tentou explicar que sua família e a da namorada estavam passando férias, como faziam todos os anos, na casa mais próxima dali, e que eles iriam diretamente para lá, não causando nenhum tipo de problema. Contudo o homem disse que não poderia liberá-los, pois eles eram menores de idade, que tinham sido flagrados cometendo um ato contrário à lei, e o procedimento padrão nestes casos era entregá-los a seus responsáveis.
Brianna jamais tinha sentido tanta vergonha em toda a sua vida e, se antes já tinha receio da reação que o pai teria, ao saber de seu namoro, agora tinha certeza absoluta de que ela e Logan teriam problemas. Há pior jeito para um pai saber que uma filha está namorando do que ir buscar a ela e ao garoto em uma delegacia, porque eles foram pegos quase nus, quando estavam prestes a transar?
Em menos de cinco minutos, o casal estava no posto policial mais próximo, informando os telefones de contato necessários, e, em mais uns quinze, entrava na delegacia feito um foguete, seguido por e Maya, que haviam saído da piscina correndo, para acompanhá-lo, e mal tinham tido tempo de colocar roupas decentes sobre seus biquínis molhados.
"Brianna, princesa, POR FAVOR, me diz que isso foi um mal entendido." O pai disse, mal conseguindo respirar de tão nervoso. "Me diz, PELO AMOR DE DEUS, que você não tava... transando na praia." Falou mais baixo, percebendo que poderia chamar a atenção de outras pessoas que esperavam fora da sala do delegado, onde estava a filha.
"A gente não tava tran-"
"Cala a boca, que com você em vou me entender depois, garoto." não deixou Logan terminar, apontando-lhe um dedo que quase encostava no nariz dele.
"Olha aqui, ." Maya se meteu entre os dois, colocando as mãos nos quadris. "Eu entendo seu nervosismo, mas só quem briga com meu filho sou eu!" Afirmou.
Então, Maya se virou para Logan e apontou ela mesma um dedo para o rosto do filho, gritando coisas em espanhol, que ninguém entendia. Eventualmente, formulava alguma frase em inglês, em que dizia que não tinha criado filho para buscar em delegacia, que ele tinha exposto a família deles e também a de Brianna, que ele teria que responder por seus atos, e que ela pensaria em algum castigo à altura.
ouvia uma coisa ou outra, mas estava mais preocupada em escutar o que conversava com a filha mais velha dos dois. Ela provavelmente nunca tinha visto o marido tão tenso e temia por Brianna. É claro que eles, como pais, iriam ter que tomar algum tipo de providência, mas ela viu que teria que intervir diretamente quando ouviu alguma coisa sobre passar o resto das férias no quarto, o que era bastante desproporcional, na sua humilde opinião de mãe, que deveria, afinal, contar para alguma coisa.
Na volta para casa, e Maya não deram mais uma palavra sequer, e os outros três também não ousaram quebrar o silêncio. colocou a filha no banco da frente, a seu lado, longe daquele que, no momento, era aparentemente o lobo mau da história. A garota secava as lágrimas que molhavam seu rosto, não por causa de raiva do pai ou porque achasse que estava sofrendo uma reprimenda injusta, mas porque não se imaginava nem mesmo um dia longe de Logan, e tinha ameaçado deixar os dois separados durante todo o período de férias, o que significava meses.
"Pai." Brianna chamou por ele, logo depois de adentrarem a sala da mansão, mas nada respondeu, se jogando na poltrona e enterrando o rosto nas mãos.
"Filha, vai pro seu quarto." pediu à menina, secando suas lágrimas com os polegares. "Todos nós precisamos nos acalmar agora, hum? Depois nós vamos conversar, direitinho."
"Você vai pro seu quarto também, mocinho." Maya informou ao filho. "Mas, antes, me dá seu iPhone."
"Mãe!" Ele protestou, mas ela já estava com a mão esticada na direção dele, com a palma para cima, esperando o aparelho.
"É bom você se deitar, e refletir um pouco. Amanhã é outro dia e eu vou decidir o que fazer com você." Avisou a latina.
"O que aconteceu?" Questionou Dianna, que entrara na sala a tempo de ver Brianna sair dali chorando. "Assaltaram a Brie e o Log? Machucaram os dois?"
"Não, mãe. A Brie e o Log foram levados pra delegacia porque estavam se pegando na praia." Foi David quem respondeu, entrando. O filho de quinze anos dos tinha passado pelo amigo no corredor.
"Jura?" Dianna levou as mãos à boca. "Olha... faz todo sentido agora o que a Marie falou outro dia!"
"O que ela te falou?" Perguntou , querendo saber o que a sobrinha sabia sobre o envolvimento de sua filha com o filho dos Mythe.
"Não foi pra mim... foi só na minha frente. Ela disse que estava feliz por eles terem finalmente se entendido."
Depois disso, se instalou um silêncio sepulcral. Todos na sala estavam ponderando sobre que atitude tomar e se perguntando há quanto tempo os dois adolescentes vinham se relacionando bem debaixo de seus narizes, sem que soubessem. disse estar com dor de cabeça, minutos depois, e foi para o quarto, e Maya dirigiu-se ao dela, a fim de ligar para o marido e dividir suas angústias com ele.
"Entra!" Brianna gritou, depois de ouvir duas batidas na porta, e viu a mãe entrar.
"Isso que aconteceu hoje não pode voltar a acontecer, filha. Eu já fui jovem e sei como é, mas vocês foram muito imprudentes!" disse, sentando-se na cama de sua primogênita.
"Eu sei, mãe." Ela respondeu, chorando, culpada. "Mas é que a gente se ama tanto! E quando a gente viu..."
"Foi sobre ISSO que eu vim falar com você, Brie. Eu ainda não sei se você vai ficar de castigo e nem por quanto tempo, porque eu preciso conversar com o seu pai. Mas eu preciso saber! O que você e o Logan são? Há quanto tempo isso tá acontecendo entre vocês?"
"Desculpa, mãe! Me desculpa mesmo. Nem eu, nem ele tínhamos a intenção de esconder nada de ninguém. A gente só não contou nada porque a gente já ficava junto há algum tempo, mas não era sério e... a gente não achava legal envolver todo mundo... toda essa nossa grande família na história." Suspirou. "Não fica chateada com o Logan... ele até queria ter contado antes."
"Tá tudo bem quanto a isso, Brie. Vocês se amam e tão se cuidando, não é?" A filha acenou positivamente."Ótimo. Em relação a isso, acho que nenhum de nós vai ter objeção. O resto... acho que todos vamos precisar de um tempo."
A Sra. estava experimentando um misto de sentimentos. Estava contente pela filha, que parecia muito apaixonada e feliz, e se sentia muito aliviada em saber que a garota estava namorando um rapaz bem educado, e de bom caráter e coração, como Logan. No entanto, estava preocupada com e com a reação dele ao encontro furtivo do casal de adolescentes em lugar público. Não podia tirar a razão do marido, por um lado, mas também não queria que eles fossem hipócritas ao castigar a filha, como se ela tivesse cometido um erro imperdoável, quando eles mesmos já tinham passado por coisas parecidas.
"?" Perguntou baixo, ao entrar no quarto, testando o terreno, e ele abriu os braços para que ela se deitasse em seu peito. "A gente pode conversar?" Voltou a questionar, já aninhada nele.
"Nem precisa, né? Eu já sei que você vai tentar defender a sua filha."
"Agora ela é MINHA FILHA?" Riu, se reposicionando para olhar nos olhos dele.
"Ela é a minha vida, . Vocês quatro são." Afirmou, se referindo à esposa e aos três filhos. "Eu to tão frustrado! Ela não podia ter feito isso..."
"Amor, por favor." Pediu, segurando a mão dele, que tremia. "Se tem uma coisa que você nunca foi, foi hipócrita. E a Brie não fez nada que a gente não tenha feito na idade dela."
"É claro que não, . É completamente diferente!"
"Diferente por que nós somos os pais e ela a filha?" Irritou-se.
"Não! Eu não sou assim. Nós não pensamos assim." Assegurou. "É diferente porque, quando eu e você tínhamos a idade deles, nós éramos dois desconhecidos. E, quando nós éramos mais velhos e já conhecidos, a gente só correu esse tipo de risco em países onde ninguém tinha a menor ideia de quem a gente fosse... onde, se nós fôssemos flagrados, seríamos no máximo notícia local, que não ia chegar aos Estados Unidos."
"Eu sei que nós não somos anônimos..."
"Não somos anônimos, ?" Ele se incomodou que ela não estivesse vendo a dimensão das coisas. "Nós somos uma droga de uma super família de celebridades! Eu e você sozinhos ainda teríamos conseguido manter uma certa privacidade, porque a gente atua atrás das câmeras... mas os Mythe são artistas e os , esportistas conhecidos. A imprensa tá sempre doida pra expor qualquer aspecto da vida de qualquer um de nós... e você deveria saber melhor isso do que ninguém!"
"Eu entendo, . Eu concordo que eles correram um risco realmente muito grande! Eles poderiam ter sido fotografados... filmados. O melhor que poderia ter acontecido era a polícia pegar os dois." Concordou. "Eu acho que a gente tem que repreender, tem que conversar... tem que fazer eles verem tudo isso. Eu só... eu só não quero ser desproporcional e trancar a minha filha num quarto o verão inteiro, por uma coisa que a gente já fez."
"A gente se amava."
"Ela ama o Logan." Ele a olhou, surpreso. "É... eles se amam. Eles estão começando um namoro, pra valer, e eu acho que devemos ser gratos por isso. Quantos pais sabem com quem seus filhos andam hoje em dia, hum?"
"Namoro, é?" Ele coçou a cabeça. "Até que eu gosto da ideia de ter o Log como meu genro. Quem sabe ele não prefere nos ajudar atrás das câmeras, em vez de seguir os passos do pai e do irmão? Um dia nós vamos nos aposentar..." Deu de ombros, vendo o semblante questionador de , e ela, então, relaxou e soltou uma boa gargalhada!

18 de Julho de 2034

"Eu vou lá. Eu preciso ir lá, ver a Brie... eu preciso falar com ela." Logan repetiu pela terceira vez, quase furando o chão do quarto de tanto andar de um lado para o outro, e mais uma vez foi impedido de sair do cômodo pelo corpo de Lauren, que se encostara na porta.
"Eu já disse, Logan! Você não vai sair daqui." Afirmou a irmã gêmea do rapaz, cruzando os braços em frente ao corpo, exatamente do jeito que a mãe deles fazia quando lhes dava ordens. "Se algum dos nossos pais pegar você no quarto da Brianna, você não acha que a situação vai ficar ainda mais feia pra vocês?"
"Ninguém vai aparecer a essa hora... e eu preciso saber como ela tá!" Ele respondeu, nervoso, enterrando as duas mãos em seus cabelos escuros, no alto da cabeça.
"A qualquer hora um dos adultos hospedados nessa casa pode ter vontade de beber água ou comer alguma coisa, ou... sei lá. Eu não vou deixar você arriscar." Ela afirmou, mesmo que já fossem quase três horas da manhã. Estava determinada a proteger o irmão, mais novo do que ela alguns minutos como ela gostava de lembrar, e também a melhor amiga. "Eu já te falei que eu passei por lá, quando eu fui pegar coca, e que ela tava bem! Ela tá preocupada, mas não tá mais chorando nem nada... e a Aubrey tá lá com ela..."
"O que uma pirralha que mal começou o ensino médio pode fazer pra ajudar os pombinhos arrulhantes, Lau?" Interrompeu Patrick, deitado em uma das duas camas do quarto que ele e Logan dividiam, sem tirar os olhos da tela de seu computador pessoal.
"A Aubrey pode ter só quinze anos..." Falou, como se tivesse muito mais do que isso, quando a diferença entre suas idades era de pouco mais de um ano. "...mas ela é irmã da Brie e ninguém conhece a Brie como ela... nem mesmo eu ou o Log. Ela sabe o que fazer pra distrair a minha amiga." Afirmou, revirando os olhos ao ver que o irmão mais velho sequer olhava na direção dela. "Ao contrário de você, Pat, que desde que chegou do estúdio com o papai e ficou sabendo de tudo, não parece muito preocupado em ajudar o nosso irmão."
"Vocês não vão brigar, né?" Logan perguntou, caindo derrotado em sua cama, mas era praticamente um pedido. O dia já tinha sido suficientemente estressante para que ele ainda fosse ter de lidar com praticamente uma mini-Maya e um mini-Tony se enfrentando.
"Você se engana, querida irmãzinha." Patrick deu um sorriso convencido que tinha puxado do pai, o que a fez levantar a sobrancelha, questionadora, como era típico dela e da mãe. "Desde que eu entrei nesse quarto, eu estava procurando uma coisa que eu acho que vai ser perfeita para tirar o foco do Log e da Brie e... eu acabei de achar." Afirmou, dando um sorriso triunfante.
"E o que seria esse verdadeiro milagre?" Foi o irmão quem perguntou, mas não muito confiante.
"Vem ver." O filho mais velho dos Mythe convidou os caçulas a olharem algo em seu laptop, e foi exatamente o que os três fizeram pelos próximos minutos.
"U-au! Parece que os adultos dessa casa tem uma coisinha ou outra pra nos explicar, hein?" Lauren observou, quando o último vídeo finalmente acabou.
"Como você sabia disso?" Logan franziu a testa, intrigado.
"Eu vi isso na sala de edição da GH, outro dia, por acaso... eles tavam selecionando coisas da carreira do nosso pai, pra fazer uma homenagem." Deu de ombros. "Mas o que importa é que a gente vai colocar isso pra todo mundo assistir, amanhã... e esse vai virar o assunto do final de semana, com toda certeza!"
"Não, cara. Não!" Log balançou a cabeça. "Se eu colocar essa parada pra todo mundo ver, é que o tio vai me odiar! E não só ele... a tia , o tio ... não!"
"Relaxa!" Foi a vez de Lauren intervir. "Não vai ser você quem vai fazer isso... e ninguém sequer precisa saber que você sabia." Sorriu, espertamente.
Depois de fazer Patrick garantir que não deixaria Logan cometer a loucura de sair do quarto à procura de Brianna, Lauren foi para o quarto em que dormia, e entrou devagar, para não acordar Marie , que devia estar no décimo quinto sono. Ao contrário dela, que estava indo dormir por pura falta de opção, a menina mais velha tinha sono cedo, porque acordava praticamente junto com o sol para treinar, mesmo que, em tese, estivessem todos de férias e descansando naquela mansão na praia.
Normalmente, Lauren teria acordado tarde, mas naquela manhã ela tinha uma missão, então se levantou junto com Marie e, logo que a loira saiu do banho, compartilhou com ela "seu" plano para ajudar Brianna e Logan. Não foi nada difícil fazer com que a filha mais velha de e Dianna concordasse imediatamente, não só porque adorava a prima, mas porque ela mesma estava curiosa para ver os vídeos e saber o que os pais e tios teriam a dizer sobre eles. Ficou decidido que elas convidariam as três famílias para ir até a sala de TV, depois do almoço.
"Eu quero dormir, Lau! Eu vou trabalhar mais tarde." Tony reclamou, enquanto era empurrado pela morena, que tinha o jeito da mãe e seu tipo físico latino, e apenas os olhos claros dele.
"Pai, deixa de ser chato! Você nem vai pros estúdios hoje... vai gravar um luau praticamente aqui em frente!"
"Que filme foi esse que vocês pegaram, hein, filha?" Perguntou Dianna, sentando-se ao lado de e colocando a mão no joelho do marido, enquanto ele olhava alguma coisa que o filho David lhe mostrava no celular. "Se for comédia romântica, é melhor liberar os homens... eles detestam e depois vão ficar dias falando do quanto nosso gosto é fútil." Riu.
"Eu não sei muito bem se é romântico, porque ainda não assisti, mãe. Mas eu não acho que ninguém vá achar a menor graça." Ironizou, misteriosa, mas a mãe não teve muito tempo de questioná-la.
Maya e Tony já estavam sentados juntos em um sofá, e e em cadeiras dispostas uma ao lado da outra. Logan estava sentado no chão, de um lado da sala, e Brianna, Lauren e Aubrey espalhadas sobre almofadas, do outro. O casal de adolescentes trocava olhares, mas mantinha distância, porque seus pais ainda não tinham conversado com eles e, até segunda ordem, estavam de castigo em seus quartos. Só estavam na sala naquele momento porque tinha pensado que a exibição era justamente um meio de, com todos distraídos, os dois se encontrarem, e preferira ter a filha sob seu atento olhar.
Marie mexeu em seu computador, já conectado à grande TV, e sentou-se ao lado dos dois filhos homens de Maya, assim que Patrick voltou da área dos quartos, aonde tinha ido colocar Derek para dormir. Marie e ele tinham conversado e concluído que o filho temporão dos não tinha idade para saber de certas coisas ainda, muito menos do jeito como eles tinham ficado sabendo e os demais jovens presentes saberiam.
Alguns vídeos curtos, hospedados em um site especializado da Internet, começaram a ser exibidos, e logo foram identificados por todos os adultos que ali se encontravam. Eram velhas cenas do programa de TV que tinha sido responsável por mudar a vida de todos eles, mas que, ao mesmo tempo, nunca tinha sido mencionado aos filhos, por serem as relações propostas dentro do reality muito contrastantes com as relações que aquelas pessoas tinham no presente.
Como e Dianna teriam explicado a seus filhos, primos de sangue por parte de e , que eles um dia tinham trocado o beijo que eles agora, infelizmente, estavam tendo o desprazer de ver na tela? Como ele, Maya e Dianna explicariam que, antes de se tornarem amigas de , as duas mulheres tinham tentado se casar com o marido dela?
E não era estranho só para eles, que tinham participado da atração televisiva. Era desconfortável também para , apesar de as finalistas do programa terem se tornado suas irmãs de coração, ou talvez justamente por isso. Era esquisito para Tony, que tinha se envolvido com a esposa ainda durante as gravações, mesmo que isso tivesse sido superado por com grande facilidade. Era melhor ignorar, na humilde opinião de , porque trazia lembranças do tempo em que ele guardava o segredo que fez a irmã passar por momentos que poderiam ter sido evitados.
Por todas essas razões, tinha parecido muito natural não tocar no assunto, o que hoje parecia, obviamente, um grande erro, uma vez que as imagens falavam por si, nítidas, fortes, vibrantes, coloridas. Tirando os olhos da tela, eles observavam os filhos, que traziam nos semblantes surpresa, confusão, horror, dúvida, decepção. Se é que é possível ler tantas coisas no rosto de pessoas, mas eles eram pais e os conheciam bem, então devia ser possível, sim.
"Então, quem vai começar a falar?" Perguntou Marie, genuinamente chateada, ainda que não tivesse sido uma surpresa o conteúdo do vídeo, que lhe tinha sido narrado por Lauren. "Quem vai me dizer por que eu tive que saber pela Lau que a minha mãe já beijou o tio ?"
"Filha, isso foi há muito tempo!" Dianna respondeu, nervosa, acariciando o braço de sua primogênita.
"É... foi quase numa outra era, filha." Completou o pai.
"Vocês disseram que tinham se conhecido numa luta!" David protestou.
"E foi, meu amor!" A mãe acariciou seu rosto. "Eu conheci seu pai sem saber que ele tinha qualquer relação com a sua tia e, consequentemente, com o seu tio ."
"O programa já tinha acabado." se envolveu na conversa. "O não escolheu nenhuma das duas..."
"Vocês sempre falaram pra gente que vocês se conheceram bem novos! Que vocês se amaram a vida inteira." Brianna interrompeu, chorosa, olhando para o pai.
"E agora a gente vê que você fez um programa pra arrumar uma noiva, pai?" Aubrey questionou, indignada.
Nesse momento, todos os filhos resolveram falar ao mesmo tempo e os pais tentavam contar as suas versões da história, enquanto ia ficando cada vez mais nervoso e irritado porque, não bastasse o fato de aquela verdade um tanto quanto embaraçosa ter vindo a tona de repente, ele não era inocente e sabia que aquilo não tinha surgido de uma hora para a outra sem nenhum propósito. Não podia ser uma simples coincidência!
"Parem!" pediu, em vão. "PAREM! PELO AMOR DE DEUS, PAREM!" Ele, enfim, gritou e conseguiu que todos ficassem em silêncio. "Eu to entendendo o que vocês tão tentando fazer aqui, mocinha!" Disse, se colocando em frente a Brie e fazendo com que ela olhasse nos olhos dele. "Vocês querem desviar o foco pra nós e tirá-lo de você e do Logan... mas isso não vai tirar você do castigo. A gente sempre confiou em você e..."
"Confiar?" Ela questionou, não irritada como ele, mas triste, o que o quebrou mais do que se ela tivesse gritado ou algo assim. "Vocês não contaram a verdade pra gente, sobre a nossa família, pai... e você fala sobre confiar?"
"A gente pode ter errado, mas um erro não justifica o outro e trazer o nosso pra esquecermos o de vocês não é a maneira certa de resolver as coisas, Brianna!"
"Você acha que eu armei isso, pai?" Ela disse, ofendida.
"Foi armação, sim, tio. Mas não foi da Brie... fui eu que tive a ideia de tentar mudar o foco. Eu não achei que ia ser esse drama todo... achei que seria engraçado." Patrick confessou, sincero, entortando os lábios em uma careta. Ele realmente não achou que ninguém sofreria tanto com algo tão antigo e muito menos imaginou que poderia prejudicar ainda mais Brie. Jamais a deixaria levar a culpa!
"A única coisa que eu queria, hoje, era conversar com você, pai... pedir desculpas pela imprudência da gente. Eu nunca usaria uma coisa dessas pra tentar te fazer esquecer." Uma lágrima escorreu pelo rosto de Brianna e respirou profundamente, sentindo-se derrotado.
"Meu amor... me desculpa." Ele disse, secando a maçã do rosto dela e abraçando a garota. "Me desculpa, Brie." Ele quebrou o abraço para olhar nos olhos dela. "Eu só estou preocupado com você... eu sou seu pai!"
sentou Brie na cadeira antes ocupada por e sentou-se de frente para ela, enquanto quem havia se levantado no meio da exaltação geral, e ainda estava de pé, se acomodava outra vez pela sala. Ninguém conversava, no entanto, pois todos estavam interessados naquele diálogo tão importante entre pai e filha.
"Brie, eu conversei com a sua mãe... e ela me falou que você e Log estão namorando." A menina balançou a cabeça, afirmativamente, e Logan fez o mesmo, quando olhou por segundos em sua direção. "Eu e sua mãe não poderíamos querer um namorado melhor pra você e... eu também não vou fingir que tinha qualquer esperança de que você fosse virgem ainda." Esta poderia ser uma conversa embaraçosa, mas depois que o casal tinha sido flagrado quase nu na praia e todos ali sabiam, nenhum dos envolvidos se sentiu desconfortável. "E, se eu tivesse alguma, ela teria terminado umas semanas atrás, quando a sua mãe colocou o nome do seu anticoncepcional na lista das comprar que ela me pediu pra fazer." Riu e todos deram risinhos em volta dele. "Só que vocês tem que ser cuidadosos, Brie. Nossa família é visada... e eu não quero ver fotos ou até um vídeo seu, em um momento de intimidade com o seu namorado, circulando por aí!"
"Eu também não, pai. Me desculpa!" Pediu e os dois se abraçaram e teve que se segurar para não chorar na frente de todos.
"Você não tá mais de castigo no quarto." Ele disse, vendo a menina abrir um enorme sorriso. "Maaaas... vocês dois só saem juntos da casa acompanhados de mais alguém. É melhor prevenir!" Riu, e o casal não protestou, porque sabia que tinha muita sorte só de poder ficar junto dentro da casa. A maior parte dos pais, mesmo em pleno ano de 2032, os deixaria de castigo de verdade, mesmo que só para mostrar autoridade.
"Eu ainda quero saber o que aconteceu com aquele conto de fadas todo de vocês!" Aubrey disse, colocando as mãos na cintura. "Se vocês se conheceram praticamente crianças, o que diabos o meu pai tava fazendo num programa pra arrumar alguém?"
e se entreolharam e começaram a contar toda a história, para toda a grande família que os , e Mythe formavam, apesar de Maya ter questionado se os dois não queriam ficar a sós com as meninas. Eles não tinham nada a esconder dos demais, pois até havia momentos tristes a serem narrados, mas estes os tinham levado até ali, e eles não tinham motivo para se envergonhar ou ressentir de nada.
Nenhum detalhe ficou de fora, porque, mesmo que não tenha sido apresentado de imediato, acabou surgindo depois, uma vez que eles passaram o resto do dia reunidos e, no final, estavam até rindo de algumas coisas e revendo juntos cenas de A chave para o coração.
"Agora eu entendo por que a mamãe ficou tantos anos sem falar com a vovó... e a gente demorou tanto a conhecê-la." Aubrey comentou, se deitando e puxando o edredom sobre si, horas depois, quando foi dado o "toque de recolher".
"É... a vovó mandou super mal mesmo." Brianna lamentou, pensativa. "A mamãe e o papai sofreram pra caramba, né?" Ela também se aninhou nas cobertas e apagou o abajur.
"É." A irmã mais nova concordou e as duas suspiraram, em sincronia. "Mas quer saber?" Fez uma pausa de efeito. "Eu agora to achando a história deles ainda mais bonita!"
Mesmo sem ver o rosto uma da outra, naquela noite as duas irmãs, de temperamentos normalmente tão diferentes, estavam sorrindo como duas bobas, antes de fechar os olhos e sonhar com as suas próprias versões de conto de fadas moderno.

1º de Julho de 2015

O barulho estridente do despertador invadiu os ouvidos de e ele mudou a posição do travesseiro, colocando-o sobre a cabeça, para tentar abafar o ruído, que, no entanto, logo cessou, por ação de sua mulher. Sentiu se mexer a seu lado e recolocou o travesseiro na posição original, ficando de lado e abrindo os olhos para observá-la, mas encontrou-a já sentada na ponta da cama, alongando os braços acima da cabeça.
"Ei! Aonde você pensa que vai?" Perguntou, contrariado, e ela o encarou, sorrindo, mas continuou se espreguiçando. "Eu quero meu beijo de bom dia, Sra. !" Ela riu e, então, parou de se espreguiçar e se levantou.
"Se eu te der um beijo de bom dia, aí na cama, eu sei bem aonde ele vai levar, Sr. . E eu não tenho tempo pra isso agora."
"Como não tem tempo pra isso agora?" Ele perguntou, perplexo, se ajoelhando na cama e se arrastando para sair dela já perto de onde estava a esposa. "Você não inventou alguma dessas aulas matinais, de novo, né, ?" Perguntou, se referindo à yoga que ela andara fazendo bem cedinho, alguns meses antes, mas tinha mudado para outro horário porque fazia questão de sexo matinal e que tomassem café da manhã juntos.
"Não." Ela falou, sentindo os braços dele em volta de si, e se virou de frente para ele. "Mas hoje eu preciso chegar realmente cedo ao escritório, porque eu tenho algumas coisas pra revisar e outras pra assinar... e eu vou levar à Dianna pra maternidade no começo da tarde."
"A Dianna vai ter o bebê hoje? Ela não pode esperar o seu irmão voltar e... o feriado passar, não?" estava fora do país, lutando alguns campeonatos.
", não é assim que as coisas funcionam." Ela riu. "A Dianna já passou dos nove meses e não tem contrações, nem dilatação... então a obstetra dela achou melhor induzir o parto, o quanto antes, e marcou pra hoje. O só vai voltar daqui há dez dias... não vai dar pra esperar."
"E sobrou pra você?" Foi a vez dele de rir. "Você vai entrar na sala de parto e filmar tudo, como seu irmão queria fazer?"
"Qual é o problema, amor? É meu sobrinho... ou sobrinha." Deu um tapinha no ombro dele. "Você acha que eu vou desmaiar ou o que?" Ele riu mais e levou mais um tapa.
"Eu acho que você vai ser uma ótima tia... a começar por hoje." Ele declarou. "Mas, primeiro, você tem que ser uma boa esposa... e voltar comigo pra essa cama... ou meu dia vai ser terrível, por sua culpa!" Usou seu tom mais exagerado.
", eu vou me atrasar." Ela protestou, mas sem muita convicção, porque ele já a estava deitando na cama, enquanto beijava o pescoço dela.
"Meu dia tá tranquilo, hoje... eu assumo parte do seu trabalho, junto com o Blaine." Ele resolveu o assunto, já deitado sobre ela, e erguendo sua camisola de cetim azul bebê com renda branca.
Trocaram beijos apaixonados e começaram a se tocar, e se excitar. Ela usou as mãos e depois os pés para se livrar da samba canção de seda que ele usava para dormir, e ele tirou a calcinha dela em uma velocidade torturantemente lenta, enquanto beijava cada parte do corpo dela pelo qual ia passando, enquanto executava tal tarefa. Quando havia descartado a peça, foi beijando de novo desde os pés até a virilha, e ficou tocando e beijando bem perto da intimidade dela, criando uma antecipação gostosa nos dois.
", quer parar com isso!" Ela pediu, ofegante. "Me dá logo o que eu quero... por favor."
"E o que você tanto quer de mim, Sra. ?" Questionou, de um jeito safado, tocando, finalmente, o sexo dela, mas ainda de forma muito sutil, ainda apenas provocando.
"Me faz gozar, nessa sua boca gostosa. Não é isso que você quer também? Sentir o meu gosto... o gosto... huuuuuuuuuum..." Gemeu, sentindo a língua dele pressionar seu clitóris. "... do meu prazer?" Conseguiu completar.
"Tão gostosa!" Ele afirmou, levantando a cabeça e olhando para ela, antes de continuar, e fazer exatamente o que ela tinha demandado, levando-a ao orgasmo com lambidas e sugadas certeiras. "Sempre tão gostosa, meu amor." Reiterou, voltando a se deitar sobre ela, que o puxou pelos cabelos, provando do próprio gosto em seus lábios.
"É a sua vez."
"Não." Ele negou, encarando os olhos grandes e brilhantes da mulher. "Agora é a vez de nós dois, juntinhos. Que nem ontem! Eu adoro quando a gente goza junto." Declarou, separando as pernas dela, e penetrando sua cavidade, devagar, mas com força, fazendo com que ela gemesse alto. Invadiu o corpo dela assim, mais algumas vezes, até ela ficar impaciente e segurá-lo junto de si, com os calcanhares em seu traseiro.
Os dois conseguiram, mais uma vez, sincronizar seus momentos de ápice, graças ao conhecimento que um tinha do outro, e ao jeito inigualável como os dois sabiam se amar. Então, depois de um começo de dia irretocável como este, tomaram o café da manhã que a governanta da casa já tinha servido para os dois, e seguiram no carro dela para o prédio do grupo GHShow. usaria o automóvel para levar a cunhada para o hospital e a encontraria lá, levado por um carro da empresa, no final do dia.
A Sra. ainda teve tempo de revisar algumas coisas e outras ficaram a cargo de Blaine que, antes de finalizar as mais importantes, as mostraria ao Sr. . Então, no momento em que estava prestes a sair, para passar no apartamento do irmão e ir para o hospital com uma boa margem de tempo, em relação ao horário que tinha sido combinado com a Dra. Daniela, o celular da garota tocou e uma desesperada Maya gritava do outro lado da linha.
" , pelo amor que você tem ao ... pelo amor que você tem aos SEUS futuros filhos... eu preciso de você! Eu preciso que venha até aqui... pelo amor de Deus!" Ela não parecia estar chorando, mas parecia estar ofegante.
"Calma, May. Respira!" Pediu. "Me fala. O que houve? O que tá acontecendo?"
"Eu não sei." Agora, sim, ela começara a chorar. "Eu... acho que são as contrações... dói MUITO!"
"E cadê o Tony? Seus pais?"
"O Tony tá gravando no México... e meus pais chegam na véspera do feriado só. Eu só tenho você e o , ... pelo amor de Deus!" Como a latina não era de Los Angeles, e tinha se mudado depois do casamento apenas, ela não tinha realmente ninguém mais a quem recorrer.
"Tudo bem, Maya. Fica calma, tá? Seu médico é do Cedars-Sinai, não é?"
"É, sim. Por que?"
"A Dianna vai induzir o parto hoje e a médica dela é de lá também. Eu to indo buscá-la... então fica pronta, que eu pego ela primeiro e depois passo por aí, ok?"
"Ok... só não demora, pelo amor de Deus, ... é sério. Essa coisa dói demais!"
fez o que pode, mas quando chegou à casa de Dianna, a loirinha, apesar de não estar em trabalho de parto propriamente dito, estava super nervosa com a proximidade do nascimento de seu primeiro filho, e ficava conferindo as coisas milhões de vezes, sempre resolvendo que precisava levar algo mais consigo. A cunhada precisou ser firme com ela, a uma certa altura, ou não só elas chegariam atrasadas, e deixariam a médica esperando, como Maya e o menino que ela esperava poderiam ter problemas.
"Será possível que tudo meu tem que ser sempre compartilhado? Será que eu nunca vou ter um momento só pra mim?" Dianna falava mais consigo mesma no carro, apesar do tom de voz até mais alto que o normal. "Primeiro foi meu casamento que foi duplo e agora eu vou ter filho no mesmo dia que a Maya!" Soltou, sem pensar, mas não falou nada, apenas continuou dirigindo rumo à casa da amiga. "Me desculpa, . Me... desculpa, por favor. Eu não queria ter falado isso... de verdade! Eu sou muito grata a você pelo lance todo do casamento..."
"Tá tudo bem, cunhada!" falou, sincera. "Você tá nervosa e... realmente, vai ser meio chato, porque você vai ter que comemorar sempre os aniversários do meu sobrinho ou sobrinha junto com o do Patrick... e eu prevejo muita confusão por isso." Riu.
"Tudo bem, né? Paciência! O pior é se for uma menina, porque os temas de aniversário são diferentes e tal." Disse, mais calma. "Eu acho que, no fundo, eu to é com inveja da Maya, e não chateada por ela também ter o filho hoje."
"Inveja, Di? Mas por que você estaria com inveja?"
"Ah! Eu fiz tanta questão de parto normal, de não saber o sexo antes, de deixar tudo ser uma grande surpresa e... olha só pra mim agora! Indo fazer uma cesariana com hora marcada." Declarou, chateada. "Meu marido tá longe..."
"O dela também, se serve de consolo. E vocês duas tão contando igualmente com uma amiga que nem gravidez sabe ainda o que é!"
"É, mas ela que é toda prática... que já deu até nome pro menino dela... é quem deveria estar fazendo com tudo marcadinho, mas... a natureza quis dar esse presente pra ela, que não deu pra mim." Dianna viu olhar para ela pelo retrovisor e se envergonhou. "Viu? Eu disse que tava com inveja... e isso é horrível!" Choramingou.
"Dianna!" colocou a mão para trás, pegando, por alguns segundos, a da cunhada, sem tirar os olhos do caminho. "Tá tudo bem! Você queria que tudo fosse perfeito, no nascimento do seu primeiro filho... é só isso. Mas quer saber? O importante é que ELE... ou ela... vai ser perfeito, saudável... e vai nos dar muito orgulho, muitas alegrias. Quando você olhar pro rostinho do seu bebê, você nem vai se lembrar qual foi o tipo de parto usado."
"Você tem razão." Sorriu. "Olha lá! O que a maluca tá fazendo na calçada, meu Deus?" Surpreendeu-se ao ver que Maya, depois de ter recebido o telefonema delas, minutos antes, já estava em frente à portaria do edifício onde morava, com apenas uma bolsa de itens para maternidade, enquanto ela estava levando duas abarrotadas.
"É... vocês são mesmo diferentes." riu da situação.
A garota parou o carro e colocou mais uma barriguda nervosa no banco de trás. A caminho do hospital, Dianna falava sem parar sobre o erro que tinha sido não saber o sexo do bebê, afinal tudo o que ganhava era verde ou amarelo. Ela já não aguentavam mais nem ver tais cores e a criança ainda nem tinha chegado a esse mundo!
"O que faz as pessoas acharem que devem dar coisas dessas cores quando a gente diz que não sabe se é menino ou menina?"
Maya praticamente urrava de dor e as poucas palavras que ela conseguia formar, aos gritos, acabavam saindo em espanhol, o que, para Dianna e , era quase equivalente aos urros. A Sra. até se surpreendeu por ter conseguido chegar ao hospital com o carro e seus cinco ocupantes inteiros, depois da quantidade de sustos que levou no trajeto.
Cada uma das gestantes foi recebida por seu médico e encaminhada para um quarto, onde foram preparadas por enfermeiras para os procedimentos. A Dra. Daniela, conhecedora da vontade da Sra. de ter seu filho por parto normal, aplicou um medicamento chamado Ocitocina por meio do soro, para provocar contrações, e felizmente a medida foi bem sucedida.
ficava indo de um quarto para outro, para dar apoio às duas amigas, mas ficou em uma situação difícil quando uma enfermeira foi chamá-la no de Maya, avisando que o parto de Dianna iria começar, e a latina, cujas contrações já estavam ocorrendo em um intervalo bem pequeno, indicando a proximidade do próprio parto, agarrou a mão dela, implorando para que ela não a deixasse sozinha.
A garota não queria deixar a amiga, de modo algum, mas, por outro lado, tinha prometido ao irmão, pelo telefone, um dia antes, ao saber que o parto tinha sido agendado, que filmaria tudo. Ficou pensativa por alguns segundos, enquanto a enfermeira a encarava, aguardando que ela a acompanhasse, e Maya apertava a sua mão, chorando de dor. Porém, quanto mais pensava, menos sabia o que fazer. Ela iria magoar alguém de qualquer jeito!
No entanto, como quase sempre foi uma pessoa que pode contar com a sorte, a solução apareceu bem na sua frente. Blaine, que tinha esquecido de dar a ela dois documentos que precisavam ser assinados até o final do dia, entrou no quarto, com os papéis na mão.
", honey, eu esqueci desses dois." Afirmou, entregando-os. "Como elas estão?"
"Elas tão bem... mas eu não! Eu sou uma só, caramba! Eu quero ser uma boa irmã, uma boa cunhada, uma boa amiga... mas não dá! Isso parece impossível, sendo uma só, nesse momento!" Blaine ergueu as sobrancelhas. "Elas vão parir ao mesmo tempo." Explicou, em um sussurro, e ele fez uma careta.
"Caraca!" Exclamou, batendo na testa.
"Mas eu... acho que eu tive uma ideia, pra isso não ser um desastre completo." Ele a olhou questionador, de novo. "Você filma o parto da Dianna, pro meu irmão... e eu fico com a Maya, que já tá agarrada em mim."
"Filmar o parto?" Ele quase gritou. "Mas... será que eu consigo? Eu não lido muito bem com essa coisa de sangue."
"Você pode ficar aqui e eu vou, então." Propôs, mas, nesse momento exato, Maya deu um grito que fez o interior dele estremecer.
"Não... não, não, não... eu vou. Eu vou." Mudou de ideia. "Onde está a câmera?"
"Me dá isso aqui, e pega ali na minha bolsa, enquanto eu assino." Ela pegou os documentos e a caneta que ele tinha no bolso da camisa, e largou Maya apenas tempo suficiente para assiná-los e colocá-los em lugar seguro, enquanto Blaine pegava a filmadora. "Enfermeira, ele vai no meu lugar, ok?" A garota assentiu.
Minutos depois, a Sra. Mythe dava à luz Patrick Mythe, levando às lágrimas. Ela nunca tinha assistido a um parto e a emoção era indescritivelmente grande. Então, enquanto Maya segurava o pequeno garotinho em seus braços, Blaine voltou, devolvendo a câmera, pegando os documentos e informando que tinha uma sobrinha, o que a fez chorar ainda mais, e sair correndo para o quarto da cunhada, depois de dar um beijo no rosto da amiga e se assegurar de que ela ficaria bem.
Encontrou Dianna emocionadíssima, como era de se esperar, e as duas ligaram juntas para , dando as notícias. O marido de uma e irmão da outra perguntou o que ambas achavam sobre batizarem a menininha com o nome Marie, e as duas concordaram que era um belo nome e que, apesar de ele só estar vendo a imagem da pequena pelo aparelho celular, tinha escolhido um nome que combinava com ela perfeitamente, por alguma razão.
entrou em contato com Tony, porque Maya estava muito cansada após o parto e dormira, e, enfim, ligou para o próprio marido, contanto como tudo tinha acontecido e elogiando demais os bebês, que ele mesmo veria, poucas horas depois.
"Deu vontade de ter um também?" perguntou, mais tarde, já pessoalmente, enquanto a esposa ninava Patrick.
"Não agora." Ela respondeu, sorrindo. "A gente ainda vive meio em lua de mel... meio recuperando o nosso tempo perdido... e, além disso, a gente acabou de fundar a emissora... eu to cheia de compromissos. A gente vai ter os nossos, no momento certo."
"Ótimo!" Ele concordou, sorridente. "Não leva a mal... eu... é claro que eu quero muito ter filhos com você. Eu imagino sempre uma miniaturazinha sua, me olhando com esses olhos lindos e tirando o que quiser de mim. Só que..." Ficou sem jeito, mas continuou. "Eu sei que é um pouco egoísta, mas, depois de tudo que a gente passou, eu não to preparado pra dividir o seu amor, ainda. Eu preciso de você só pra mim, por um tempo."
"Tá tudo bem, meu amor!" Ela assegurou. "Eu também me sinto assim. Eu quero ser a única tirando o que quiser de você, por enquanto." Brincou.
Então Dianna, que tinha acordado e recebido o consentimento da médica para se levantar um pouco, contanto que não cometesse excessos, chegou ao quarto de Maya, com Marie nos braços. Antes que qualquer um dos adultos pudesse dizer qualquer coisa, todavia, os dois recém-nascidos começaram a chorar, sem parar, deixando as mães de primeira viagem assustadas e o casal, que sequer estava preparado para ter filhos, mais ainda.
entregou Patrick para Maya, e uma das enfermeiras fez algumas perguntas sobre amamentação, troca de fraldas e outros detalhes, mas não concluiu que houvesse nenhum motivo típico para que as crianças chorassem, então as mães simplesmente ficaram com elas em seus colos, ninando-as, e esperando o que deveria ser uma birra passar.
Dianna caminhou até perto da cama da amiga para conhecer o menino dela e mostrar-lhe a sua pequena loirinha, e foi então que, surpreendendo a todos, os bebês pararam de chorar ao mesmo tempo, exatamente como tinham começado, como se sentissem a presença um do outro.
"Acho que eles já se gostam." comentou baixo com , orgulhosa de ambos os "sobrinhos".
"Coitado do !" respondeu mais baixo ainda. "Não sei se eu ia querer um filho do Tony com a Maya namorando uma filha minha, não." Comentou.
Os quatro adultos ficaram mais algumas horas observando os bebês que seriam por um bom tempo o centro das atenções de todo o grupo.
O que eles nunca poderiam saber era como as histórias das pessoas se escrevem dos jeitos mais inesperados, e como o mundo dá exatamente as voltas que ele tem que dar!

15 de janeiro de 2028

“Obrigada mesmo por ficar com as meninas hoje, May!" agradeceu, se despedindo da amiga, em frente à porta da casa dos Mythe.
"Eu já disse... é um prazer!" Maya assegurou. "Não só porque, quando as suas filhas tão aqui, as mulheres são maioria, como porque eu me divirto muito com a presença delas!" Sorriu. "A Lauren e a Brianna não se desgrudam! Nem parece que estudam juntas todos os dias. E a Aubrey fica toda enciumada, o que é engraçado, mas também acaba sendo muito fofo, porque, por mais que a Brie adore a Lau, ela nunca deixa a irmã de fora pra valer! Além disso, tem o Logan, que implica com as três, o tempo todo, principalmente com a Brie. E aí vem o Patrick e defende as meninas, sempre todo cheio de razão, como um bom irmão mais velho... e como qualquer Mythe, é claro!" Riu.
"Eu ainda acho que ficar com cinco crianças deve ser uma loucura! Pra mim, é sempre mais tranquilo porque, no máximo, eu fico com as quatro meninas... e é bem raro." Comentou, se referindo às suas duas filhas, à de Maya e à sobrinha Marie. "Se você preferir, eu posso..."
"! Por favor, confia em mim! O Tony tá viajando... de novo..." Observou, descontente. "...e ficar com eles vai ser uma ótima distração. Curte sua noite com o ... e aproveita pra dizer a ele pra parar de mandar o meu marido pra longe." As duas riram.
"Eu vou indo, então." disse, finalmente, abraçando a outra.
"Até amanhã... e eu vou querer saber de tudo!" A latina, por sua vez, avisou.
Há muito tempo não tinha uma noite inteira sozinha com o marido. Era super difícil, tendo filhas de dez e nove anos totalmente apaixonadas pelo pai. Porém, graças à ajuda de uma das melhores amigas de ambos, aquela noite seria somente deles, que tinham muita coisa para comemorar.
Após deixar a casa dos Mythe, liberou as empregadas da mansão para onde ela e tinham se mudado havia algum tempo, e começou, ela mesma, a preparar não somente um dos pratos favoritos dele, como também uma das sobremesas. Com tudo bem encaminhado, tomou banho e colocou um vestido preto simples, mas que a fazia sentir-se bonita e sexy, e ficou lendo na sala de estar à espera do Sr. .
"Que cheiro bom é esse?" Ele perguntou, minutos depois, entrando no cômodo, antes de cumprimentá-la com um beijo rápido nos lábios. "É o que eu to pensando?"
"Uhum..." Ela respondeu, sorrindo, e puxando-o pela gravata para colar seus lábios de novo.
"Eu pensei que você quisesse aproveitar que as meninas foram pra Maya e sair pra comemorar num restaurante... Marston's talvez." Comentou.
"Eu prefiro aproveitar pra ficar com você... conversar em paz... relaxar, namorar." Respondeu, soltando a gravata dele, mas sorrindo sugestivamente.
"Por mim, tá perfeito!" Concordou, sorrindo de lado. "Jamais vou reclamar do seu ravióli de camarão, com molho de gorgonzola e nozes... e muito menos de passar um tempo curtindo você. Além disso..." Respirou fundo. "...eu confesso que preciso relaxar, porque o dia foi fantástico pra nós, mas bem exaustivo."
"Toma um banho, que eu vou dar os últimos toques, enquanto isso." Ela informou, já deixando o sofá.
"Okay." Ele lhe deu mais um beijo, enquanto afrouxava a gravata. "Eu ia me esquecendo... isso aqui é pra você." Desistiu de sair da sala e pegou uma sacola que havia colocado sobre a mesa, entregando-a à esposa.
"O que é?" Perguntou, ao mesmo tempo em que olhava. "Ué! Isso é na China... e você já me deu..."
"Não é um presente meu... infelizmente." Ele interrompeu, antecipando o raciocínio dela. "É dos chineses."
"E por que os chineses me mandariam um presente tão caro? E igualzinho aos que o meu marido me dá?" Questionou, confusa, enquanto ele se servia de uma dose de scotch.
"O presente caro é bem óbvio! O negócio que fizemos com eles é muito bom pra nós, mas é ótimo para eles também! Eles querem agradar." Lembrou-a da parceria com os orientais, que era justamente o motivo pelo qual o casal tinha decidido que merecia uma comemoração só deles naquela noite. "Quanto ao fato de eles terem mandado uma caixinha de música, isso aconteceu porque eu comentei, em uma das reuniões, com o Shu-How Lin, que eu sempre te dou caixinhas como essa, quando voltamos de viagens, e que eu queria ter te dado uma com o Templo Shaolin, ao voltarmos da China, mas meu joalheiro não tinha conseguido fazer um protótipo que me agradasse, e eu acabei te dando uma com a Muralha. Eu nem me toquei que ele tinha perguntado tantos detalhes sobre elas!"
"Meu Deus, meu amor! A gente precisa pensar num modo de agradecer!" Preocupou-se.
"Eu já encomendei uma joia para a Sra. Shu-How Lin." Sorriu, vaidoso. "Te vejo em uns dez minutos." Completou, saindo da sala, com sua bebida na mão, e indo tomar banho afinal, enquanto ela foi a seu closet e colocou a nova caixinha de música junto às demais.
Havia um número considerável delas, que correspondia aos muitos lugares do mundo que o casal tinha visitado junto. Todas se pareciam com aquela que ele enviara para ela depois da noite quase clandestina de amor que tinham compartilhado em Paris, muitos anos antes, e que, na época, haviam pensado ser a última. A caixinha nova só não tinha em comum com as demais uma canção que tivesse relação também com a viagem ou com algum momento especial desta, o que fez sorrir, lembrando-se de que uma das muitas coisas que amava em era o fato de ele sempre dar atenção a detalhes que escapavam à maioria das pessoas.
O jantar estava delicioso e, depois dele, o casal aproveitou que aquela estava sendo uma das noites mais frias dos últimos tempos e ficou trocando carinhos e conversando próximo à lareira. Uma música ambiente tocava e eles falavam de seus trabalhos, dos amigos, das famílias e, principalmente, das duas princesas da casa, das quais os dois, mesmo felizes por estarem juntos, não deixavam de estar sentindo um pouco de falta.
"A professora da Brie disse que ela tá tendo um pouco de dificuldade com matemática. Você acha que seria o caso de contratar um professor particular?" perguntou, apreensiva.
"Talvez." O marido respondeu, tranquilo. "Mas talvez seja melhor tentar estudar com ela antes... conversar... pra que ela não se sinta pressionada, logo de cara."
"Você tem razão. Eu só não sou também muito boa em matemática." Riu.
"Nem eu, mas a gente pode dar uma olhada na matéria. Ela só tem dez anos, então talvez não seja uma parte muito complicada pra gente."
"Eu vou fazer isso... e também olhar as redações da Aubrey. A Srta. Wells disse que ela é ótima na gramática, mas objetiva demais. Ela acha que talvez seja necessário colocá-la numa atividade ligada às artes... algo pra exercitar o lado criativo."
"Elas são muito diferentes, não é? Nem parecem ser as duas uma combinação de nós dois!"
"Realmente! Elas são bem diferentes... principalmente no jeito, nos gostos, na personalidade. Maaaaas... são igualmente perfeitas!" Sorriu e ele fez o mesmo, concordando.
"E, graças a Deus, nunca nos deram problemas... sempre foram tranquilas. Isso elas tem em comum." Acrescentou.
"Sim, isso é verdade! Mas, mesmo assim... tranquilas ou não... nós somos pais e, semana que vem, temos duas reuniões pra ir na escola! E eu não sei como vai ser porque também é a semana da estreia do 'Vestindo a série' e eu vou estar toda enrolada." lembrou do novo programa da emissora que ela presidia, sobre os figurinos das séries de época de outros canais do grupo.
"Eu vou. Quais são os dias?"
"Terça e quarta... mas não vai ficar complicado pra você, amor?"
"Eu me viro!" Disse, sorrindo e acariciando o rosto dela, daquele conhecido jeito seu que fazia tudo parecer sempre muito simples.
"Quanto mais o tempo passa, mais eu tenho certeza de que eu não poderia mesmo ter um marido melhor! Além de você me amar como me ama... de me fazer sentir linda, sexy, especial, poderosa, todos os dias... ainda é um pai incrível! Eu nunca soube de um dos meus irmãos ou do Tony se oferecendo pra substituir as mulheres em nenhuma atividade relacionada às crianças... e o Blaine só vai à reunião de pais porque os filhos dele só tem pais!" Riu. "Eu tava esperando a hora em que a gente fosse dormir, pra te mostrar uma coisa... pra gente curtir mais um pouco um ao outro, mas... vem! Eu não quero esperar mais!" Ela se levantou e o puxou pela mão.
Os dois andaram um pouco e chegaram a um dos quartos da casa, que servia, até então, de quarto de hóspedes, onde parou. Sob o olhar confuso dele, ela abriu a porta e revelou um cômodo decorado de forma totalmente diferente da qual ele se lembrava, mas com objetos que ele sabia muito bem de onde tinham saído. Havia miniaturas de carrinhos, trenzinho e caminhões, e havia bolas, lego e videogame. As paredes tinham sido pintadas de azul claro e o berço, o trocador de fraldas, a poltrona e a cômoda, montados no ambiente, eram também dessa mesma cor.
"Um quarto de bebê? De... menino?" perguntou, um pouco nervoso.
"Sim, meu amor. Um quarto de menino... do nosso menino."
"Mas, ..."
"Quando eu insisti tanto em comemorar hoje, eu não estava só me referindo ao contrato com os chineses, . A gente tem outra coisa pra comemorar... a gente vai ter outro filho! A gente conseguiu... eu to grávida!" Contou, emocionada, e ele, depois de alguns segundos sem reação, a abraçou com força e começou a rir de pura felicidade, rodando com ela nos braços.
Durante muitos anos, o assunto filhos tinha sido um verdadeiro tabu entre eles. Como a segunda gravidez de tinha sido de risco, depois do nascimento de Aubrey tinha decidido fingir que as duas filhas eram o suficiente para ele, pois não queria ver a mulher passar por nenhuma restrição de novo ou mais um filho seu chegar ao mundo fraco e precisando de cuidados especiais.
, contudo, sempre imaginara que o marido quisesse mais filhos e, especialmente, que ele quisesse um menino. Quando Dante e Blaine adotaram Clive, ela pode ver em seus olhos o desejo e a dor que ele estava escondendo, mas ele ainda tentou negar. No entanto, não pode mais esconder o que sentia quando, no meio da mudança para a casa nova, a Sra. encontrou algumas caixas com brinquedos e outros itens para garoto que ele guardava, desde sua própria infância, na esperança de passá-los a um filho.
Então tinham começado as inúmeras e longas conversas, algumas terminando até em discussões. Mesmo admitindo que queria ter tido outros filhos, continuava se negando a deixar que parasse de tomar anticoncepcional, porque permanecia na sua cabeça a ideia de que ela poderia ter problemas de novo, e até piores, visto que, além de tudo, agora ela estava mais velha.
, por sua vez, não queria fazer nada às escondidas, e insistia no diálogo. Foi necessário não somente falar muito, como levar o teimoso pai de suas meninas a alguns especialistas para que, enfim, ele entendesse que a gravidez de risco tinha pouquíssima chance de se repetir, pois tinha acontecido por motivos específicos, que, no fundo, ele conhecia (o que talvez fosse até pior, porque ele se sentia culpado) e não por alguma característica de ou do casal.
Agora, meses depois, ali estavam eles, finalmente prestes a ter mais um bebê, e não poderiam estar mais felizes! Mas, mesmo assim, ainda estava receoso com relação a uma coisa.
", meu amor, eu to MUITO feliz!" Ele disse, parando e olhando bem nos olhos dela. "Mas, ainda assim, esse quarto... eu não sei..."
"Nós tínhamos concordado que usaríamos as suas coisas pra decorar o quarto do nosso menininho, não?" Ela falava como se não fosse nada demais.
"Eu sei, mas... , a gente não sabe se é um menino! Eu não quero que você se sinta pressionada... eu nunca quis. Se for outra menina, eu vou amar do mesmo jeito e..."
"? Olha pra mim!" Pediu. "Não há mal nenhum em querer um menino... e eu não vou achar, por isso, que você ama menos as nossas princesas... ou que só vai amar esse aqui..." Disse, colocando a mão dele em seu ventre. "...se ele for um rapazinho. Eu montei esse quarto agora, mesmo sem saber, porque eu SINTO que vai ser menino... e também porque, se não for, eu sei que a gente vai ter amor pra ele E pra um menino. A gente não vai desmontar esse quarto."
"Como assim?" Ele ficou confuso.
"Eu decidi que, se tivermos um garoto, esse será o quarto dele... mas, se não sair um machinho da minha barriga, nós vamos adotar um! O que você acha?" O semblante dele não estava entregando nada, o que a deixou apreensiva, mas, então, depois da pergunta dela, ele sorriu amplamente e voltou a abraçá-la e a rodopiar com ela em seus braços.
"Eu acho que eu sou um cara muito mal acostumado, por você sempre ter a solução perfeita pra tudo, Sra. ! Eu acho que eu sou abençoado por ter você, a Brie, a Aub e esse feijãozinho crescendo aqui na sua barriga! Eu acho... eu SEI que eu te amo por isso e por tudo... e que você faz florescer tanto amor em mim que eu poderia ter mais um time inteiro de filhos e teria muito amor pra todos eles!" Sorriu, genuinamente feliz com sua vida.
"Eu também te amo, . Muito! E, já que o seu lado família tá aflorado, será que eu posso pedir uma coisa?" Ela perguntou, hesitante, com uma careta no rosto, e ele assentiu. "Vamos buscar as meninas? Eu to doida pra contar pra elas e cheia de saudades já. Acho que é meu instinto materno que já tá aumentando." Riu.
Ele esperava ter uma noite romântica e sensual com a esposa, quando chegou em casa, e os planos tinham mudado drasticamente. Entretanto, tinha sido a mudança drástica mais gostosa de todos os tempos! Eles fizeram amor naquela noite, mas só depois de dividir as boas novas com as meninas, que amaram a ideia de ter um irmão como se fossem ganhar um boneco especial, e de colocar as duas na cama.
não queria nutrir esperança demais e nem diria nada a , para que ela não pensasse tê-lo decepcionado, no futuro, se ele estivesse errado. Mas a verdade é que, naquela noite, ele foi dormir com a sensação de que um varão viria ao mundo, e que seria uma linda miniatura dele!

16 de março de 2026

se despediu da esposa antes que ela saísse do elevador, e subiu mais um andar, chegando à presidência do grupo GHShow, para mais um dia de trabalho. Passou, como sempre, por vários funcionários, cumprimentando-os, animado, e perguntando sobre o filho de um, que tivera febre na semana anterior, a noiva do outro, que estivera se queixando de estar sendo enrolada, o time de futebol americano do seguinte, que tivera uma vitória incrível no final de semana.
"Bom dia, Rose." Desejou à ultima pessoa com quem falaria antes de entrar, finalmente, em sua sala, mas ao invés de simplesmente responder de volta com um sorriso, como fazia diariamente, a secretária levantou-se, colocando-se na frente dele e fazendo com que parasse de caminhar.
"Bom dia, . Quer dizer..." Fez uma pausa, respirando fundo, para tentar se acalmar, o que não surtiu efeito. "Eu temo que seu dia não vá começar tão bem assim, mas, veja bem, eu não tive como impedir e, quando eu soube era tarde e eu já tinha deixado..."
"Calma, Rose." Ele pediu, colocando a mão em um dos ombros da nervosa garota. "Me diz o que aconteceu."
"Há uma mulher sentada na sua sala." Ela disse, um pouco mais lentamente. "Eu deixei entrar porque você sempre recebe todo mundo, e mantém até as portas literalmente abertas. Só depois o Edgar veio até aqui e me disse que acha que é a sua sogra... e que você não fala com a sua sogra. Eu sinto muito!"
"A Shely?????" Ele indagou, e dizer que ele estava surpreso seria minimizar muito o seu estado. Ele não via a mãe de havia mais ou menos vinte anos!
"Sim, foi esse o nome que ela me deu mesmo." A funcionária afirmou, ficando ainda mais preocupada ao ver o semblante do chefe.
"Tá tudo bem, Rose. Você não teve culpa." Assegurou. "A única coisa que eu vou te pedir é que transfira essa senhora para a sala de reuniões e eu estarei lá, daqui a pouco." Ia saindo, mas voltou. "Pede também ao Jim pra levar chá pra gente, depois que eu entrar. Camomila, de preferência, ou outra coisa calmante."
foi ao banheiro e lavou o rosto, mais de uma vez. Alguma coisa muito séria deveria estar acontecendo para que Shely fosse procurar por ele, e o próprio encontro era motivo de preocupação, pois ele não tinha capacidade de prever como se comportaria ao ficar cara a cara com ela. Passou mais ou menos uns dez minutos dentro do banheiro, que lhe pareceram apenas segundos, porque ele queria poder continuar ali e não enfrentar qualquer diálogo com a sogra.
Para Shely, no entanto, os minutos durante os quais esperou o genro pareceram horas! Precisava falar com ele, o mais rápido possível pois demorara muito para decidir procurar pela filha e, ainda mais, para decidir que seria melhor falar com ele primeiro, mas, uma vez tomada a decisão, ansiedade por aquela conversa era a coisa mais forte que conseguia sentir. Havia muita tristeza, vazio, saudades, que eram os sentimentos que tinham levado à própria decisão, mas eles tinham, no momento, a sua força diminuída pelo medo de senti-los para sempre.
"Bom dia." disse, em tom solene, fechando a porta atrás de si.
"Bom dia." A mulher que o aguardava respondeu, baixinho e com a voz trêmula.
"Quantos anos, Shely!" Ele comentou, sentando-se em uma cadeira de frente para a que ela ocupava, observando as próprias mãos, pousadas sobre o colo. Não pode deixar de reparar que ela estava bem diferente da mulher que conhecera tanto tempo antes, não somente pela idade, mas pela sobriedade de suas roupas, pelo rosto praticamente limpo de maquiagem, por estar bem mais magra e até um pouco abatida, e por estar praticamente encolhida na cadeira, parecendo temer olhá-lo. "Eu não gostaria de ser rude, mas não posso deixar de perguntar o que faz aqui."
"É claro, ." Ela levantou os olhos, encontrando os dele, afinal, mas sem o olhar superior e desafiador de outros tempos. Até sorriu de um modo que ele classificaria como tímido, antes de continuar falando. "É óbvio que se surpreende com a minha visita. Não o culpo."
"Eu pedi chá de camomila. Espero que seja do seu gosto." Ele falou, quando foram interrompidos pelo copeiro, e ela acenou positivamente.
"Açúcar ou adoçante?" O funcionário perguntou, servindo-a.
"Açúcar. Obrigada!" Ela respondeu com simpatia e enrugou a testa, mas ela não percebeu, pois tinha os olhos perdidos no líquido que o garoto mexia. ", eu não vou fazer rodeios, porque não quero tomar seu tempo e porque não tenho eu muito tempo também para adiar mais o que vim fazer aqui." Continuou, tomando um gole do chá. "Queria procurar minha filha, mas sei que ela não me receberia. Sei que ela se sentiria traindo você, se me visse, depois de tudo que fiz a vocês dois."
"Você é mãe dela e, se ela quisesse te ver, te perdoar, eu não poderia me sentir traído."
"Você tem certeza?"
"Só não sei se ela quer, Shely. Eu não me sentiria traído por ela, mas não sei se ela quer isso!" Afirmou, sincero.
"Você me deixaria conhecer minhas netas, ? Suas filhas?" Perguntou e ele ficou pensativo. Como nunca falava da mãe, ele nunca havia pensado em, um dia, ter que tomar essa decisão.
"Não acho que eu tenha o direito de impedir, se a mãe delas quiser que você conheça as duas." Decidiu. "Mas você mesma disse que ela não falaria com você e... não acho que esteja muito errada quando diz isso, então..." Deu de ombros.
"Você ajudaria uma pessoa que só te fez mal na vida, ? Me ajudaria, convencendo a falar comigo... a me deixar ver suas filhas, a me deixar participar das festas de família, durante os poucos anos que me restam?" Ele a olhou, incerto sobre o que responder. "Sei que estou te pedindo generosidade demais, sem merecer um pingo dela, ! Nem mesmo quando você e se casaram, eu reconheci que o que tinha feito, anos antes, tinha sido errado, e isso fez de mim uma mãe da pior espécie, uma pessoa da pior espécie! Mas a verdade é que não tenho a quem recorrer. Merecendo ou não, tenho que te pedir... te implorar, para que fale com ela."
"Por que agora? Por que depois de tantos anos?"
"Porque só agora posso pedir perdão a ela... a vocês dois. Porque só agora, velha, fraca, sozinha, eu entendi o sentido da palavra família. Só perdendo o único homem que amei para um câncer devastador como o que Giancarlo teve, eu passei a acreditar em amor, em amor de verdade." Tomou mais um gole de chá, deixando que se misturassem em seus lábios o doce da bebida e o sal das lágrimas que escorriam livremente. nunca tinha pensado em ver aquela mulher tão desarmada! "Gian me deixou muitos bens, sabe? E, no entanto, eu não tenho vontade de estar na mansão da Riviera Francesa, pois cada canto me lembra os olhos dele, o seu sorriso largo. Não tenho vontade de estar no apartamento em Paris, porque escuto a risada dele, como se estivesse no cômodo ao lado e nem de velejar em nosso iate, porque não tenho os braços dele a minha volta, me protegendo do vento."
"Eu sinto muito." falou, com toda a sinceridade, pois não estava nele regozijar-se com o sofrimento alheio, mesmo que a pessoa que o carregava tivesse errado com ele como nenhuma outra.
"Só quando cuidava do meu marido, eu entendi o que minha filha entendeu quando ela ainda era uma adolescente. Quando amamos alguém, amamos pra valer alguém, não há nada que possa nos completar ou ser mais importante do que a presença da pessoa ao nosso lado. Por isso, agora, sei que o que fiz foi errado. Só agora! E só agora posso pedir perdão."
"Entendo." Ele também bebeu chá, tentando ganhar tempo. Não sabia muito bem como lidar com aquilo. "Mas talvez não seja tão simples pra aceitar seu pedido." Escolheu o caminho da honestidade. "Ou talvez ela te perdoe, mas não seja tão simples conviver com você."
"Você pode, pelo menos, dizer a ela que não se opõe, assim como me disse?" Questionou, levantando-se. "E entregar isso a ela?" Deu a ele um envelope e pegou a bolsa que estava a seu lado.
"Isso eu posso fazer." Confirmou e apertou a mão que ela lhe ofereceu, observando a mulher caminhar, cabisbaixa, e deixar a sala de reuniões.
Tentou trabalhar por algumas horas, mas Shely não saía da sua cabeça, então, na hora do almoço, pediu que Rose desmarcasse seus compromissos daquela tarde e foi até a presidência da TVZoom. Entrou na sala da mulher e a encontrou ao telefone, falando animadamente com algum diretor de um dos programas da emissora, mas ela o conhecia tão bem que, ao ver seu semblante carregado, não somente se despediu apressadamente de seu interlocutor, como seu sorriso sumiu, dando lugar a uma testa franzida que denotava preocupação.
"Aconteceu alguma coisa, meu amor?" Perguntou, se aproximando e começando a mexer com os botões da camisa dele.
"Eu preciso conversar com você, . Será que a gente pode almoçar?"
"Eu tenho uma hora, sim, mas é alguma coisa grave? Alguma coisa com as meninas?"
"Não é nada com as meninas e nem grave, mas talvez seja melhor você desmarcar seus compromissos da tarde. Eu desmarquei os meus."
"E não é grave?" Ela riu de nervoso.
"É sério." Ele pegou as mãos dela nas suas, beijando-as. "É um assunto delicado. Mas não é grave, porque não envolve saúde, nenhum acidente, nada disso. Não precisa ficar nervosa."
"Okay." Ela não se convenceu, afinal tinha que ser sério para eles estarem deixando ambos de trabalhar por uma tarde inteira. Fez, no entanto, o que ele disse, pegando sua bolsa e seguindo-o até o carro que ele mesmo fazia questão de dirigir todas as manhãs.
Foram almoçar em um restaurante isolado, onde foram atendidos por um maitre que já os conhecia e que lhes acompanhou até uma mesa também isolada em relação às dos demais clientes. Pediram vinho, água e entradas, pediu ao garçom que lhes desse um pouco mais de tempo para fazer suas escolhas, e o rapaz felizmente entendeu perfeitamente bem o pedido de privacidade.
Então, contou a sobre a visita de sua mãe e sobre a conversa que os dois haviam tido, surpreendendo a esposa, que havia pensado em vários problemas, mas por cuja cabeça não tinha passado nem por um milésimo de segundo a possibilidade da volta de um fantasma como Shely para suas vidas.
"E você me disse que não era grave!" Massageou as têmporas, fechando os olhos. Estava se sentindo mal como há muito tempo não se sentia.
"Eu disse que não era uma questão do tipo vida ou morte, mas que era sério."
"Me dá a tal carta." Pediu, e ele lhe entregou o pedaço de papel.
"Então?" Foi ele quem ficou nervoso, depois de minutos de silêncio com ela olhando o conteúdo do envelope.
"Ela me pede perdão e diz que quer fazer isso pessoalmente, se eu der a chance a ela. Pede pra eu deixar que ela conheça as meninas, e que participe das coisas da família, porque ela está afastada também dos meus irmãos, já que fazemos tudo juntos... as festas e tal."
"Sei que é difícil pensar em conviver com ela, ." Afirmou, segurando a mão dela por cima da mesa. "Mas eu acho que você deve pensar bem! Ela tá velha, sem ninguém, abatida, e você pode se sentir culpada depois, se der as costas pra ela."
"Foi ela quem escolheu isso, ."
"Eu sei. Sei melhor que ninguém! Poderia ter ficado sem você pro resto da minha vida, por causa dela." Lembrou. "Mas você não precisa ser a melhor amiga dela, de uma hora pra outra. Você não precisa ter uma relação de intimidade e cumplicidade com ela. Só deixa ela fazer parte da família... ir aos aniversários dos netos, às comemorações do final do ano."
"Eu não sei se eu quero ela perto das minhas filhas, meu amor."
"Ela não pode mais nos fazer mal, babe. Ela não pode fazer nenhum mal às meninas e, sinceramente, eu nem acho que ela pense mais do jeito como ela pensava antes, pra tentar passar algum valor equivocado pra Brie e pra Aubrey."
trocou um olhar triste com ele, que apertou mais a mão dela, passando segurança. Ela sabia que ele apoiaria qualquer decisão que ela tomasse, mas ainda queria saber como ele se sentia de verdade em relação à presença de Shely. Afinal, ele não tinha qualquer obrigação de parente, e também teria que lidar com ela, se decidisse dar uma chance à mãe.
"Como você se sentiria com ela dentro da sua casa? Como você se sentiria com ela convivendo com as SUAS filhas? Essa decisão não pode ser só minha, quando ela também fez tanto mal pra você."
"Eu vi a fragilidade dela, . Ela PRECISA de você, dos seus irmãos, dos netos. Eu não ficaria com a minha consciência tranquila, se, pra não conviver com ela, eu acabasse me tornando responsável por ela continuar sozinha... passar os últimos anos dela assim." Ele bebeu vinho, mas continuou quando permaneceu em silêncio. "Não é que eu tenha esquecido tudo, e vá me tornar um genro super próximo dela, mas eu tenho compaixão. E as meninas também tem curiosidade pra conhecer a avó. Elas acham que ela mora longe, mas, se souberem que ela voltou pra cá, vão fazer perguntas." Acrescentou.
"Ela diz na carta que tá morando em Nova York. Veio a Los Angeles só pra falar com você mesmo e volta amanhã pra lá. Você acha que poderíamos fazer uma viagem rápida, no fim de semana?" Ele sorriu, apoiando a decisão dela, e disse que não haveria qualquer problema em viajar na sexta-feira. Então os dois almoçaram e só voltaram a tocar no assunto em casa, quando contaram para as meninas que a avó tinha voltado da Europa e queria conhecê-las.
A semana foi super agitada com as duas garotas enchendo os pais de perguntas, e o final de semana começou bastante estranho, porque não tinha vontade alguma de abraçar a mãe, mas também não queria que as meninas desconfiassem de nada e os enchessem ainda mais de questões, o que acabou fazendo com que as duas se cumprimentassem com um abraço rápido e envergonhado. , por sua vez, cumprimentou a sogra com um aperto de mão como o que haviam trocado na empresa, mas isso não chamou a atenção das meninas, porque elas achavam que o pai não conhecia direito a avó por ela ter morado fora por muitos anos.
As meninas, por sua vez, foram super carinhosas com a velha senhora, que, também querendo ser a melhor avó que pudesse, assim que soube que as receberia, providenciou um lanche delicioso e presentes. ficou um pouco irritada com a parte dos presentes e, apesar de Shely não conhecer a filha tão bem quanto poderia ter conhecido, se tivesse dado uma real chance à vida, percebeu o descontentamento e tratou de lidar com ele, quando teve oportunidade.
"Eu não estou tentando comprar suas filhas, ." Disse, quando foi com as meninas pra a mesa do lanche primeiro, deixando as duas mulheres sozinhas. "Eu dei presentes dessa vez, porque é a primeira vez que nos vemos, e eu tinha trazido tudo comigo da França, mesmo sem saber se as veria. Mas será a única vez, eu prometo! Só vou comprar presentes nos aniversários e no Natal e, se for pra gostarem de mim, não será por isso."
"Tudo bem."
"E não precisa se preocupar, porque não vou dar maus conselhos, ou falar mal do pai delas... nada desse tipo. Na verdade, admiro muito seu marido e fico feliz que, apesar de mim, você tenha esse homem que te ama tanto a seu lado. E não diria a elas nada contra o amor, pois foi o amor que me salvou, mesmo que quase no fim da minha vida."
"Sinto pelo que aconteceu com o Giancarlo. Ravid me contou, mas..."
"Tudo bem, minha filha! Eu colhi o que plantei e não merecia a sua preocupação." Shely se aproximou e sentiu o coração disparar dentro do peito. "Eu não espero que a gente consiga ter uma relação de mãe e filha, ou mesmo de grandes amigas, mas eu sou grata pela oportunidade que você está me dando, de estar perto de todos vocês. Será que você aceitaria uma coisa em agradecimento?"
"Não é necessário." Balançou a cabeça negativamente.
"Por favor." Suplicou, tirando de seu pescoço um cordão com um pingente em forma de anjo e colocando no pescoço da filha. "Que esse pequeno anjo te proteja sempre de pessoas negativas, como a que eu fui por toda a minha vida." Sorriu, tristemente. "Vamos lanchar com as minhas netas?" Chamou e a pegou pela mão, levando-a consigo até o outro cômodo.
Naquele momento, teve a certeza de que a relação com sua mãe sempre seria delicada e que elas nunca se sentiriam totalmente à vontade uma com a outra.
Porém, naquele mesmo momento, ela também percebeu o quanto era bom tirar a mágoa do coração e dar lugar a sentimentos positivos, assim como à paz que só o perdão genuíno é capaz de oferecer.

14 de abril de 2018

se recostou no batente da porta, cruzando os braços em frente ao peito, e sorrindo como um bobo, ao observar as duas mulheres que eram as mais importantes da vida dele, junto com sua mãe. estava amamentando Brianna, sentada em uma poltrona verde clara, que ficava próxima ao berço, branco como todos os outros móveis do quarto, incluindo trocador, cômoda e estante, todos no estilo provençal, que dava um ar romântico e delicado ao ambiente.
fizera questão de decorar o quarto da filha pessoalmente e seu bom gosto requintado estava impresso em cada detalhe, desde o papel de parede com pequenas borboletas no mesmo tom de verde pálido da poltrona, até o dossel de voil que pendia do teto e envolvia o berço, passando pelo abajur com babadinhos, colocado sobre uma mesinha de cabeceira que ficava ao lado da poltrona, e pelas bonequinhas e bichinhos de pano e porcelana que enfeitavam as prateleiras.
"Bom dia." Ela disse, sorrindo, ao perceber a presença dele, mesmo sem tirar os olhos da filha.
"Bom dia, meu amor." Respondeu ele, caminhando na direção das duas. "Meus amores." Corrigiu-se, abrindo um largo sorriso, quando a menina soltou o peito da mãe e seguiu o som da voz do pai. "Eu não quis atrapalhar." Afirmou, olhando de novo para a esposa, ao mesmo tempo em que dava um dos dedos para a bebezinha de pouco mais de três meses apertar.
"Tudo bem. Ela já tinha mamado bastante, na verdade." A mulher tranquilizou, colocando a filha na posição vertical e dando alguns leves tapinhas em suas costas.
"Eu só vim me despedir de vocês. Minha primeira reunião é às nove."
"Deixa eu arrumar essa gravata." Riu do nó mal feito dele, levantando-se e colocando Brie no bercinho.
"Eu não gosto de usar isso!" Reclamou, fazendo careta e afrouxando a gravata, como se estivesse se sentindo enforcado. "Só coloquei porque os canadenses são formais." Afirmou, referindo-se a alguns dos parceiros de trabalho com quem estaria ao longo do dia.
"No dia-a-dia, tudo bem ser informal, . Mas pras reuniões tem que ser assim! Você é o presidente!" Assegurou, enquanto refazia o nó. "E você fica tão lindo!" Continuou, sedutora, ajeitando as lapelas do paletó.
"Isso é bom." Comentou, também com voz sensual, se abaixando e colando os lábios nos dela, enquanto colocava uma das mãos na parte baixa das costas dela, puxando-a para si. O que começou com sutileza logo deu lugar a uma explosão de desejo: a outra mão dele agarrando boa parte do cabelo dela e as dela nas costas dele, apertando-o contra seu próprio corpo, enquanto suas línguas iam se enroscando.
"ISSO é bom!" Ela retrucou, sem ar.
"Isso é ÓTIMO!" Ele discordou.
"Pois eu digo que não." Implicou, deixando-o confuso. "Não é ótimo quando você tem que ir embora, e eu, ficar aqui sem você."
"Vou ter que concordar." Fez uma careta, dando em seguida um beijo na testa dela e se afastando. "O ótimo vai ficar pra mais tarde."
"Não esquece que o e a Fabi vem jantar, hum?"
"Ok. Eu vou pedir pra alguém comprar aquelas bombas de chocolate daquela padaria francesa, perto da empresa, que ela queria provar. Você quer mais alguma coisa de lá?"
"Quero umas de pistache." Pediu. "Mas o que eu quero mesmo é que você não fique falando italiano com ela a noite toda, como da última vez. O até entende um pouco, mas eu fico isolada!"
"Você fala francês sempre que encontra a Isaure, . E eu não sei mais que meia dúzia de palavras." Devolveu a reclamação.
"Eu vou tentar não fazer mais isso, mas, de qualquer forma, não se trata só da língua. Até doce vai comprar pra ela!" Cruzou os braços, desafiadora.
", sem ciúmes... por favor! É você quem tem chamado os dois pra jantar aqui toda semana, me fazendo ver a Fabiana mais do que eu vejo a Maya ou até o . É natural que a gente converse muito, principalmente porque você e o nem percebem quando começam a falar de coisas e pessoas relacionadas a quando eram NAMORADOS."
"Quem tá com ciúmes agora, hum?" Debochou, e Brianna resmungou algo, como se sentisse o clima pesar, mas parou logo que recebeu um carinho do pai na barriga.
"Eu não to com ciúmes, meu amor." A voz dele saiu mais doce, depois da pequena pausa, e ele fez questão de acariciar seu rosto enquanto falava. "Não depois de saber que ele te pediu em casamento e você recusou, porque continuava doidinha por mim." Sorriu, se fazendo de pretensioso.
"Seu..." Bufou, dando um tapinha no braço dele. "Nós dois somos uns bobos de sentir ciúmes, sabendo tudo que o nosso amor já enfrentou. Não tem problema você ser amigo da Fabi ou de qualquer pessoa." Deu de ombros. "Só evita o italiano, porque eu não entendo e... eu fico curiosa." Confessou, fazendo uma careta de vergonha e ele riu.
beijou a bochecha da filha e foi levado pela mulher até a porta, onde se despediram com mais alguns beijos, mas sem deixar que eles fossem mais do que o simples toque de seus lábios. Ultimamente, eles estavam facilmente perdendo o controle, depois de terem ficado mais de um mês inteiro sem transar, devido ao período de resguardo da recém mamãe.
passou o dia amamentando a filha ou dormindo, enquanto a menina fazia o mesmo, e deixou a cargo dos empregados preparar o jantar, como na maior parte das vezes. Acordou apenas quando faltavam quarenta e cinco minutos para a hora marcada, e já tinha, inclusive, voltado para casa. Estava sentindo um pouco de dor de cabeça e cólica, mas mesmo assim tomou um banho, se arrumou e recebeu os convidados com o sorriso no rosto habitual.
Durante o jantar, no entanto, enquanto os outros apreciavam a comida e conversavam, ela não conseguiu dar mais que algumas garfadas, pois seu estômago reagiu mal até ao cheiro. Além disso, ficou muito quieta, por estar se sentindo fraca, o que acabou sendo notado, uma vez que ela era sempre muito participativa, independentemente do assunto sobre o qual estivessem falando.
", tá tudo bem?" Foi Fabiana quem perguntou.
"É, meu amor... você tá muito calada. O que houve?" , que estava sentado ao lado dela, olhou em sua direção e segurou sua mão, percebendo-a fria.
"Ela tá bem pálida!" observou.
"E gelada!" acrescentou. "O que você tá sentindo, babe?" Questionou, preocupado.
"Uma fraqueza, um pouco de enjoo." A voz dela também saiu sem força. "Mas eu acho que é porque está começando meu primeiro período depois da gravidez. Eu to também com um pouco de cólica." Acrescentou, convicta de que não era nada demais.
"É melhor ela se deitar um pouco e você cuidar dela, . A gente deixa o jantar pra outro dia." Fabiana disse, delicada.
"Não, gente! Pelo amor de Deus!" A Sra. protestou. "Eu posso muito bem ir me deitar e vocês ficarem aqui, comendo e conversando. Eu aposto que até vou melhorar e me juntar a vocês mais tarde pra um café, já que eu posso um por dia e espero ansiosamente por ele." Brincou, não querendo estragar o jantar de ninguém e acreditando realmente que ficaria bem.
Contudo, ela não deu três passos depois de se levantar, desmaiando perto da cadeira do marido, que correu para ela, assim como os outros dois. , que não estava bebendo justamente por estar de carro, se ofereceu para levar o casal ao hospital, enquanto Fabi e uma empregada ficaram com Brianna, que ainda não tinha uma babá, porque tinha preferido cuidar dela pessoalmente por alguns meses.
Depois de tentar acalmar em vão, a médica pediu que ele ficasse com o amigo, enquanto encaminhava para fazer alguns exames, e, após o que pareceu uma eternidade, ela recebeu o casal em seu consultório, com os resultados em mãos. havia recebido soro fisiológico e medicação adequada, e estava bem mais forte, e recuperara aparentemente a tranquilidade, depois de ter ouvido de que precisaria do apoio e da força dele, independentemente de qual fosse o problema.
", eu fiz todos os exames e você tá bem. Não há nada de errado." Assegurou a Dra. Johan Parker. "Mas como na sua ficha da clínica diz que você é paciente da Naomi, eu tomei a liberdade de chamar por ela, e ela já está vindo."
"Por que a minha ginecologista?" perguntou, confusa. "Essa fraqueza e tudo mais tem alguma coisa a ver com a amamentação... ou com a minha primeira menstruação depois do parto?" Perguntou.
"Não e sim, mas é melhor que ela converse com vocês, não só por ser a sua médica, mas..." A especialista em clínica médica não teve tempo de terminar, pois a Dra. Naomi Bennett chegou naquele mesmo momento.
"... ." Ela cumprimentou os dois com apertos de mão.
"Bem, estão entregues. Felicidades." Sorriu a colega de clínica da recém chegada, acenando para todos e saindo.
"O que a tem, doutora?" perguntou, não contendo mais a ansiedade.
"Não está com nenhum problema de saúde. Vocês podem ficar tranquilos." Garantiu. "Apenas acredito que é bom que estejam sentados... porque creio que vai ser uma surpresa saber que vão ser pais novamente, dentro de mais ou menos sete a oito meses."
"O QUE?" apertou a mão do marido, enquanto ele franzia a testa com força.
"Você engravidou de novo, ." A médica disse com todas as letras, não deixando dúvidas. "Quando termina o resguardo, a mulher volta a ficar fértil e, fazendo sexo sem proteção, pode acontecer, como com qualquer mulher."
"Meu Deus!" A morena sentiu-se tonta de novo, mas agora de puro nervosismo.
"Tá tudo bem, meu amor!" segurou também a outra mão dela, acariciando os nós de seus dedos. "Você não tá doente e ainda vamos ter outro bebê." Sorriu.
"Eu sei, mas... eu nem tinha pensado nisso! Não tinha como ver nenhum sintoma porque eu to amamentando... ainda to um pouco inchada da outra gravidez. Eu até achei que tinha ficado menstruada hoje."
"Pois é, . É sobre isso que precisamos falar." A médica chamou a atenção dos para si. "Pelo que vimos, você está com umas seis a sete semanas, o que significa que você engravidou... umas..."
"Pouco mais de seis semanas depois da Brie nascer." completou.
"Por isso você se sentiu fraca e teve esse pequeno sangramento, . Seu corpo ainda não tava totalmente preparado pra uma nova gravidez. Ele tá frágil."
"Mas eu tava me sentindo tão bem e você tinha me falado que o resguardo variava entre seis e oito, mais ou menos..."
"E eu não deixava ela em paz. A culpa é minha!" interrompeu a mulher, passando a mão ansiosamente pelo rosto. "Me diz que nem ela nem o bebê correm risco por isso, pelo amor de Deus, doutora."
"Não é hora de vocês sentirem nenhum tipo de culpa, . Aconteceu e agora o que a gente tem que fazer é tomar todos os cuidados necessários. Não me parece ser uma gravidez de alto risco... apenas vamos ter que acompanhar, observar se vai acontecer algum outro sangramento, redobrar os cuidados com relação à esforço exagerado e a exposição a situações de estresse... essas coisas, porque existe uma fragilidade maior, sim, do que em uma gravidez... comum, vamos dizer assim."
Depois das recomendações da médica, levou o casal para casa e foi embora com a noiva, deixando os dois sozinhos. Nenhum deles estava falando muito e conseguindo encarar aquela gravidez como um coisa boa ainda, diante da surpresa, dos riscos e das limitações. deixou no quarto, trocando de roupa para dormir, e disse que iria ler e responder, no escritório do apartamento, a alguns emails que ele tinha visto chegarem pelo celular.
Entretanto, muito tempo passou e , que estivera lendo um livro justamente para esperar pelo marido e poder finalmente conversar com ele, resolveu ir ver por que ele estava demorando tanto. Não o encontrou no escritório mas na sala de TV, deitado no sofá, quase na escuridão total, e com uma taça de conhaque na mão.
"Babe, o que você tá fazendo? Você me disse que ia responder emails. Eu tava te esperando."
"Desculpa." Foi só o que ele respondeu, com a voz cansada.
"Desculpa?" Indignou-se. "Desculpa, ? É só isso que você vai me dizer?"
"Eu não sei o que te dizer, ." Falou, colocando a taça no chão e sentando-se no sofá, para que ela se sentasse a seu lado. "Eu não sei o que fazer." Ela percebeu que ele estava segurando o choro e segurou a mão dele.
"E você por acaso achou que ficar aqui e encher a cara ia te ajudar a pensar melhor?"
"Não! Não é isso, babe. Não!" Assegurou, deixando as lágrimas caírem e permitindo que ela o abraçasse. "Eu tava esperando você dormir." Confessou.
"Adiando falar comigo sobre isso?"
"Não há muito o que falar, . É óbvio que esse filho é bem vindo... é amado, muito amado! Ele é até desejado, apesar de não ter sido planejado pra agora. A gente já tinha combinado que esse ano ainda..."
"Eu ia engravidar de novo."
"Isso." Balançou a cabeça. "Só que é uma gravidez de risco e... a médica disse que não é pra gente sentir culpa, mas é culpa minha, sim! Eu não soube esperar e agora... bem feito pra mim! Eu vou ter que esperar muito mais." Bufou.
"Vem pra cama comigo, meu amor." Pediu, dengosa.
"Vai ser tão difícil, !" Lamentou. "Acho que era mais por isso que eu queria encontrar você dormindo." Confessou, envergonhado de seu egoísmo e covardia.
", eu vou precisar de você mais do que nunca agora. Me deixar sozinha e passar a noite toda aqui não é justo."
"Eu sei. Me perdoa!" Implorou, beijando as mãos dela. "Isso não vai nem passar pela minha cabeça de novo, meu amor. Eu vou te dar todo carinho e amor que você merece... e dormir abraçado com você todas as noites, e cuidar de você. Eu vou ter que saber me controlar, como um homem adulto."
"Eu sei que a gente não pode transar, porque eu não posso fazer esforço, pelo menos até a gente saber quanto realmente essa gravidez é ou não de risco. Mas a gente pode fazer várias coisas gostosas, Sr. ." Ele a olhou com uma certa incredulidade, mas ela confirmou com a cabeça. "Você esqueceu como eu fiquei a gravidez da Brianna quase toda, hum? Eu também preciso do meu marido pra me ajudar com isso." Riu, provocativa.
"Você tem certeza?" Ele franziu o cenho, ainda incerto sobre se não deveria manter as mãos longe dela, afinal o seu excesso de vontade tinha causado todo o problema.
"Eu fiz questão de perguntar à Naomi, quando estava me despedindo... e até perguntei sobre hoje, já que o sangramento foi bem mais cedo." Ela assegurou, mordendo o lábio.
"Sendo assim... vamos pro nosso quarto, Sra. . Eu um dia prometi sempre cuidar de você e fazer de tudo pra que você seja a mulher mais feliz do mundo, e eu não pretendo falhar nessa tarefa." Declarou.
Naquela noite, com todo o cuidado, eles trocaram carinhos que tinham aperfeiçoado durante todo o tempo em que estavam juntos, e dormiu aliviado.
Se ele ia poder ter várias noites como aquela nos próximos meses, mesmo não podendo fazer amor de forma plena com sua mulher, ainda não tinha sido dessa vez que a vida tinha lhe dado um castigo verdadeiro por causa de uma de suas mancadas!

3 de dezembro de 2022

"E então? O que falta pra gente sair, ?" perguntou, entrando no quarto de Aubrey.
"Papai, pede pra mamãe deixar eu ir de tênis!" Aubrey pediu, abraçando a perna dele.
"É isso o que falta! Vestir essa duas." falou, frustrada, massageando as têmporas. "Eu comprei roupas lindas pra elas usarem hoje, e uma cismou que tem que ir vestida com fantasia de princesa e a outra de all star!"
"Aubrey, é tão bonita a roupa que a mamãe comprou, meu amor!" Disse, agachando e ficando face a face com a filha.
"Fica bonita na mamãe e na Brie, mas eu não gosto. E também pinica e incomoda na hora de brincar no pula-pula!" Fez bico.
"Por que a gente não faz assim... você veste a roupa, chega bem bonita na festa, e o papai leva o tênis e uma roupa pra trocar na hora de brincar?"
"Mas vai pinicaaaaar!" Repetiu, chorosa.
"Eu desisto!" se irritou e foi em direção à porta, mas o marido a seguiu, parando-a antes que saísse do quarto.
"Meu amor, calma! Eu sei que você comprou as roupas com todo carinho, mas você já deveria ter se acostumado. A Aubrey nunca quer usar esses vestidos mais enfeitados e muito menos sapato!"
"E qual é a explicação pra Brie, hein? O tal vestido de princesa tem muito mais babado do que o que eu comprei pra ela!"
", ela quer ser a Bela. Ela é vaidosa que nem você, mas princesas são a coisa mais linda do mundo pra ela. Até mais do que você e as tias que ela tanto adora imitar."
"E, então, nós devemos deixar que duas meninas de quatro anos escolham tudo o que elas quiserem? Elas vão ficar insuportavelmente mimadas, amor! Cheias de vontade!"
", seja razoável. Eu não to propondo que a gente sempre deixe elas fazerem tudo que quiserem! Mas o fato é que elas não são cheias de vontade, elas tem personalidade, assim como você sempre teve. Eu não vejo mal em deixar elas se vestirem de acordo com o jeito de cada uma. Além do mais, amor, nós já estamos meia hora atrasados pra festa."
"É. E o pior é que o Blaine tinha me pedido muito pra não chegar tarde." Disse, derrotada.
"Então, ? Por que a gente não deixa elas irem vestidas como quiserem dessa vez, e depois você senta com elas e explica que cada ocasião pede um tipo de roupa e tudo mais, hum?"
"Tudo bem, ! Mas é só porque realmente não temos tempo pra lidar com isso agora. Coloca a roupa que a Aubrey quiser nela, que eu vou avisar pra Brie que ela vai de fantasia mesmo." Solicitou, saindo do quarto.
"Se a mamãe for ficar muito triste lá na festa, eu coloco o vestido, papai." Aubrey se ofereceu.
"Não, minha bonequinha! A mamãe vai ficar bem, ok? Vamos ver uma roupa que sirva pra uma festa e dê pra usar com tênis." Avisou, mexendo no armário.
As meninas chegaram felicíssimas à festa de aniversário de Charlize, filha de Dante e Blaine, que estava completando três anos, e também tinha relaxado, ao ver que as filhas podiam não estar vestidas como pequenas cópias dela, com vestidos de grife de que ela tanto gostava, mas estavam lindas e adequadas para a festa. Brianna não era a única menina de fantasia de princesa e Aubrey não era a única de calça legging, chemise xadrez e all star de couro.
As duas pequenas criaturas logo sumiram de perto deles, indo se enturmar com as outras crianças, depois de terem cumprimentado a aniversariante e os pais dela, e e foram encaminhados até a mesa reservada para os dois, ao lado da separada para as famílias Kammel e Anderson. Juntaram-se a eles, mais tarde, e o marido, que ainda não tinham filhos, e o outro principal colaborador de na emissora, Michael, com Tina e Jordan, de pouco menos de dois anos.
Tina perguntou a como estavam Dianna e Maya, com quem mantinha contato desde o programa em que haviam se conhecido, mas a quem não via há algum tempo, porque andava muito caseira depois do nascimento do filho. Infelizmente, elas não iriam à festa porque Dianna tinha viajado com para uma de suas competições no UFC e Maya com Tony, que estava gravando um programa na Flórida. Marie e David estavam com o avô, e Patrick, Logan e Lauren Mythe tinham ido com os pais a Orlando, para aproveitar e conhecer os parques do Walt Disney World.
"Finalmente, eu posso me sentar um pouco. Agora eu acho que não chega mais ninguém." Blaine reclamou, puxando uma cadeira e aproximando-a da mesa em que estavam a chefe e os colegas de trabalho, e seus respectivos cônjuges.
"Já contou a novidade a eles?" Dante se aproximou também, sorridente, ficando atrás da cadeira do marido e apertando os ombros dele.
"Que novidade?" Michael questionou.
"Lembra que eu falei pra vocês que a gente tava pensando em adotar um menino?" Blaine perguntou de volta.
"Claro! Eu até disse pra você me esperar ter pelo menos um filho, porque tá ficando chato pra mim ser tia de tantos!" riu.
"Ih, querida, tarde demais!" Dante observou. "O nosso chega em uns cinco meses, mais ou menos."
"Nós encontramos uma menina que tá grávida de quatro meses, e não quer o bebê." Blaine explicou. "É claro que ela pode desistir..."
"Mas ela não vai." Interrompeu o marido. "Seu já sinto um amor enorme pelo Clive."
"Já tem até nome?" riu.
"Nós o vimos na ultrassonografia e o Dante escolheu o nome na hora."
"O nome veio até mim numa inspiração! Ele quer ser Clive Anderson." Deu de ombros e todos à mesa riram.
"Pensem bem, porque não é fácil ter dois, não." disse, ainda com a experiência de horas antes na cabeça. "Quando você pensa que um te ensinou tudo que você precisa saber sobre filhos, vem o outro, com uma personalidade totalmente diferente, e você falha miseravelmente."
", não exagera! Eles vão pensar que nos arrependemos de ter tido as meninas."
"Não!" Ela quase gritou, assustada com a observação do marido. "Não, gente, por favor! Foi só um desabafo, porque eu tive uma tarde difícil com as meninas hoje. Mas foi completamente infeliz da minha parte! Eu to muito contente por vocês e sei que vão ser ainda mais felizes tendo o Clive. Esqueçam as besteiras que eu falo!" Pediu, arrependida.
"A Brie tá chorando dentro da casinha, pai!" Aubrey chegou, informando, de repente.
"Chorando? Ela se machucou?" Desesperou-se , ficando imediatamente de pé.
"Não. Ela não se machucou, não, mamãe. Ela só tá triste e não quer falar comigo."
"Eu vou falar com ela." se ofereceu e foi em direção à casa de bonecas, sequer esperando resposta. não se aborreceu porque sabia que normalmente tinha mais calma que ela para lidar com as filhas.
Ele teve alguma dificuldade para fazer a menina sair da pequena casa, onde obviamente não cabia, e sentar no colo dele em um banco de madeira, mas quando conseguiu ela pareceu relaxar recostada em seu peito e o choro foi diminuindo. Quando ela já não soluçava mais, ele finalmente arriscou perguntar por que ela estava chorando, e teve que lidar com algo que ele sabia que, um dia, poderia vir a acontecer.
"Um menino disse que eu sou nariguda e feia." Ela disse, visivelmente magoada. "Eu sou, papai? Nariguda e feia?"
"Claro que não, meu amor! Você não é nada feia." Afirmou, sincero. "Você tem o nariz um pouco maior que o meu, por exemplo... ou que o da tia Maya. MAS você tem o nariz igual ao da sua mãe, e eu acho a sua mãe a mulher mais linda que existe."
"Então por que ele me disse isso?" Perguntou, cruzando os braços e fazendo cara feia.
"Ou porque ele queria te chatear, ou porque ele acha mais bonitas as meninas com nariz menor."
"Mas você não disse que meu nariz não é feio? Você tá me confundindo!"
"É, meu amor?" Riu. "O papai vai tentar explicar." Fez uma pausa, pensando em um exemplo bom. "Você não adora roupas de princesa e o seu quarto todo rosa?" Questionou e ela assentiu. "A Aubrey, por outro lado, não gosta de quarto rosa e nem de vestir roupa de princesa. E ela ama tênis e azul, enquanto você só usa tênis pra escola e diz que azul é cor de menino, certo?"
"Certo, mas o que isso tem a ver comigo?"
"Tem a ver que, da mesma forma que a sua irmã pode achar uma coisa legal ou bonita, e você, não, algumas pessoas podem achar uma determinada pessoa bonita, e outras, não. O importante é que sempre vai ter alguém que gosta da gente, e é dessas pessoas que a gente deve gostar também. Se esse garoto não gostou de você, deixa ele pra lá e vai brincar com outras crianças."
Talvez ele estivesse simplificando bastante as coisas, porque muitas vezes gostamos de alguém e só depois descobrimos que não há qualquer chance de esta pessoa gostar da gente, mas o fato é que ele preferia explicar assim do que simplesmente dizer que o garoto era bobo e ela, linda. também não tinha sido uma unanimidade ao longo da vida, por causa do nariz, e ele mesmo, por causa da altura, e provavelmente aquele tal garoto, que ele nem sabia quem era, tinha sido o primeiro, mas não seria o último a falar coisas desagradáveis sobre a aparência de Brie.
A garota parecia ter aceito bem a explicação e agora estava dando, ela mesma, exemplos de coisas e pessoas que ela achava bonitas, mas que nem Aubrey nem Lauren, filha de Maya e sua amiga inseparável, achavam. No entanto, a paz dos dois acabou quando foi chamado pelo marido de , para ajudar com Aubrey, que não estava passando bem.
"O que aconteceu, meu amor?" Ele disse preocupado, vendo sua mais nova no colo da mulher.
"Eu não sei, babe! To achando melhor corrermos pra um hospital."
"Ela tá igualzinha a mim quando tenho alergia." Ele disse, depois de ter escutado sobre os sintomas. "Não sei se alguém colocaria pimenta em salgadinhos numa festa de criança, mas pra mim uma coisinha de nada é suficiente pra ter crise, e a gente nem sabe quantos ela pode ter comido." Falou, coçando a cabeça, nervoso.
"Essa aqui é a Dra. Lena, . Ela é a pediatra da Charli." Dante informou, apresentando uma mulher loira e baixinha.
"Eu poderia examiná-la, se quiserem. Eu sempre ando com minha maleta e me parece mais seguro que sair correndo para um hospital. Você tava falando algo sobre uma alergia?"
"Sim, eu sou alérgico a pimenta e tenho esses sintomas nas crises." Disse, descrevendo o que sentia, em seguida, e a médica concordou que a menina parecia estar passando pelo mesmo que o pai passava, mas mesmo assim levou-a para um lugar mais tranquilo, junto com os pais apenas, para fazer um exame.
"Tia, o que houve com a Auby? Ela vai ficar boa, né?" Brie, que tinha sido entregue à melhor amiga da mãe, questionou, preocupada.
"Ela só precisa ser examinada e tomar um remedinho, minha linda! Ela vai ficar bem, sim. Fica tranquila." A mulher assegurou e ela se acalmou um pouco.
"Parece que era só a alergia mesmo. Ela já tá reagindo à injeção." A médica comentou. "De qualquer forma, eu vou fazer mais uns exames, aproveitando que estamos aqui. Abre a boquinha, querida!" A doutora solicitou à menina, que obedeceu prontamente. "Você tá sentindo dor na garganta, princesa?" Perguntou depois de olhar e a menina, que assentiu, cabisbaixa. "Eu imaginei, porque tem algumas placas aqui. Eu vou receitar remédio pra isso também."
"Placas? Que nem aquelas de 'pare' na rua? Eu posso ver, doutora?"
"Não." A médica riu. "Não são placas como as da rua, são só pontos brancos na sua garganta, porque ela tá dodói."
"Filha, você não falou nada sobre estar com dor de garganta. Você tem que falar essas coisas pra mamãe." reclamou, mas com a voz calma e carinhosa.
"Eu não queria estragar a festa e, quando teve o aniversário do David, e a Lauren ficou doente, ninguém da casa dela foi pra festa." Explicou.
"Tá tudo bem, bonequinha, mas não faz mais isso, tá bom? Quando a gente tem uma dor, tem que cuidar, então precisa contar pro pai ou pra mãe, ok?" O pai pediu e ela concordou.
A doutora auscultou o coração, o pulmão, a barriga, mediu a pressão e, por fim, fez um exame chamado de percussão do abdômen, em que se espalma uma das mãos sobre ele e, com os dedos da outra mão, dá-se leves batidas, prestando atenção ao tipo de barulho que elas fazem. Então a garotinha mostrou, mais uma vez, que podia estar debilitada pela infecção na garganta e pela alergia, mas continuava esperta e espirituosa.
"Eu não sabia que minha barriga era tambor agora!" Exclamou, fazendo os adultos se divertirem junto com ela.
Depois disso, não havia muito clima para a família permanecer na festa, então Blaine e Dante adiantaram um pouco o parabéns, para que eles participassem. e Brie comeram bolo e ficou com Auby no colo, aguardando-os, e depois eles seguiram para seu apartamento. Chegaram ainda cedo, e o antialérgico mantinha Aubrey sonolenta, mas Brianna estava agitada, então os pais resolveram assistir um desenho com ela, até que pegasse no sono.
Algumas horas mais tarde, quando eram eles que já estavam na cama, prestes a ter um merecido descanso, depois de um dia que não fora dos mais fáceis, as meninas apareceram, pedindo para dormir com eles, e os dois não puderam dizer "não".
sorriu, antes de fechar os olhos, abraçada a Brie, enquanto fazia cafuné em Auby. Ela entendera, enfim, que filhos podem ser diferentes em muitas coisas, mas, no fim do dia, o que todos eles precisam é do carinho e do amor dos pais.

18 de setembro de 2032

Era para ser só mais um dia de semana comum. e chegaram à casa, trocaram de roupa e chamaram os filhos para jantar, porque gostavam de fazer pelo menos uma refeição em família, e aproveitar para saber o que estava acontecendo nas vidas de cada um, além de compartilhar sobre as dos dois com as crianças. As meninas já não eram mais tão crianças assim, e isso era mais uma razão para que ouvissem sobre trabalho, responsabilidades, metas, e também pudessem ver que essas coisas não tinham só um lado ruim, principalmente se suas carreiras fossem bem escolhidas e tivessem a ver com suas paixões.
Felizmente, como elas não precisariam ter o sustento como prioridade, graças ao patrimônio herdado e multiplicado pelos pais, teriam a oportunidade rara de escolher realmente de acordo com seus sonhos. Por outro lado, e já tinham tido várias conversas, ao longo dos últimos anos, e concordavam sobre não quererem que elas deixassem de ter profissões e achassem mais interessante apenas gastar dinheiro.
“Eu hoje recebi o roteiro do piloto de um programa para jovens. Talvez vocês queiram ler e me dar uma opinião, meninas?” sugeriu, já saboreando a sobremesa.
“Claro, pai. Eu já fiz todos os meus trabalhos e tava meio entediada mesmo. Veio a calhar.” Brie afirmou animada.
“Cadê os livros que a gente comprou semana passada?” perguntou.
“Já li.” Deu de ombros, apesar do semblante admirado da mãe.
“Eu posso ler depois também, pai.” Aubrey falou, pela primeira vez durante todo o jantar e sem vivacidade alguma.
“Tá tudo bem, meu amor?” Questionou o pai e ela balançou a cabeça afirmativamente apenas, mas, quando a conversa continuou mesmo depois de todos terem terminado seus doces, se manifestou de novo, dizendo estar com dor de cabeça, e perguntou se poderia ir para o quarto, descansar.
não participou mais do descontraído papo entre , Brianna e Derek, pois sua cabeça e seu coração tinham acompanhado Aubrey. Como mãe, ela era capaz de sentir que a filha estava com algum problema e imaginava que a garota estivesse precisando dela, então também pediu licença aos demais e saiu da sala de jantar, indo até o corredor e batendo na porta do segundo quarto.
“Entra!” Ela escutou a voz chorosa da menina e sentiu um aperto no peito ainda maior.
“Meu amor! O que houve?” Perguntou, sentando-se na cama junto com Aubrey e oferecendo seus braços, onde ela não hesitou em se aconchegar, soluçando.
“É esse garoto novo da minha turma, mãe.” Informou, quando conseguiu parar de chorar, saindo do abraço para olhar para o rosto de . “Eu não sei por que, mas eu fico muito triste, com vontade de sair correndo, entrar no banheiro e não sair de lá nunca mais, quando ele passa por mim e não fala comigo ou eu vejo ele conversando com outras meninas! Principalmente, quando eu o vejo com outras meninas.”
“E o que mais?”
“Como assim o que mais, mãe? Não é suficientemente ruim?” Irritou-se.
“É claro, meu bem! É sempre ruim ficar triste e com vontade de chorar, mas, por outro lado, se você se incomoda quando ele não fala com você, é porque é bom quando ele fala, certo?”
“É... é bom quando ele fala. Muito bom! Ele me conta da antiga cidade dele, a gente conversa sobre filmes, séries... música. Ele pergunta sobre Los Angeles, sobre a minha vida. Ele me faz rir e também ri do que eu falo, exatamente quando eu to querendo ser engraçada.”
“Ele é bonito?”
“Mãe!” Repreendeu, sem jeito e riu.
“Foi uma pergunta simples e você não respondeu, porque sabe muito bem o que está te deixando ora muito feliz e ora muito triste, desde que conheceu esse... Como é o nome dele?”
“Henry.”
“Esse Henry.” Sorriu. “O seu coração bate mais rápido, quando ele chega perto. Você não sabe onde colocar suas mãos, nem pra onde olhar. Você quer que o tempo pare, mas ele passa depressa e vocês não podem continuar mais conversando. E depois parece uma eternidade até que você o veja de novo!”
“Isso é o que você sente em relação ao papai, mãe? Isso é... amor?”
“Amor é muito cedo pra dizer, mas você tá apaixonada! Isso foi tudo que eu senti pelo seu pai quando o conheci, exatamente quando tinha a sua idade: treze anos.”
“Você sempre fala que vocês se amam desde novinhos, mas nunca contou direito pra gente!” Reclamou. “Como vocês sempre se amaram? Você não estudou na Inglaterra? Não foi lá que você conheceu o tio e a tia Fabi? A tia também!”
“A tia Fabi eu conheci depois, mas realmente eu estudei na Inglaterra... trabalhei na França. Nós ficamos separados por um tempo, mas isso não quer dizer que não tenhamos nos amado desde muito jovens.” Respondeu, não querendo entrar em detalhes sobre as razões que levaram os dois a ficarem afastados, sabendo que, provavelmente, um dia contariam tudo, mas sem imaginar que isso aconteceria menos de dois anos depois, porque as filhas descobririam sobre o reality show de que tinha participado.
“Vocês ficaram logo juntos?”
“Não!” riu. “Na verdade demorou bastante. Pelo menos na minha opinião.”
“O que é bastante, mãe?” A filha se mostrou impaciente.
“Bom, deixa eu ver...” Pensou. “Quando o foi morar na minha casa, as aulas daquele ano não tinham terminado ainda. A gente se via pouco, porque ele ainda ia pra um colégio distante, e só se aproximou mesmo nas férias de verão, quando meus avós ficaram com pena de manter a gente dentro de casa, e nos levaram pra uma fazenda. Como a sua avó foi, pra cuidar do meu avô, o seu pai também foi, e nós nos divertimos muito.”
“Aí aconteceu?”
“Não. Não foi tão simples assim.” Balançou a cabeça. “A gente ficou amigo e eu voltei das férias sabendo que tava apaixonada por ele. Mas ele era como um príncipe encantado pra mim!”
“Nunca deixou de ser.” Ironizou, porque, nunca tendo sido romântica, como era Brianna, sempre rira do jeito como os pais se comportavam um com o outro, até aquele momento.
“Ele sempre vai ser, é verdade. Mas eu to falando no sentido de ser inacessível, inalcançável. Ele tinha dezesseis anos e eu achava que ele me via como uma pirralha, apesar de conversar comigo e de nós rirmos muito juntos. Eu achava que pra amiga eu servia, até porque ele era educado e gentil demais pra não me dar atenção, mas que ele nunca ficaria com uma menina como eu, quando devia ter um bando de garotas da idade dele, correndo atrás. E essa ideia se reforçou quando as aulas começaram e ele foi estudar no mesmo colégio que eu, porque eu passei a ver as meninas e ele conversando, e a gente mal se falava na escola, pela diferença de idade, apesar de sempre passar um bom tempo juntos em casa, à noite e nos finais de semana, sempre que a gente podia.”
“Ele namorou alguém?” Questionou, com medo da resposta.
“Não namorou, mas ficou. E nunca ficou na minha frente, porque eu não ia às mesmas festas que ele, mas o seu tio falava sobre isso com ele na minha frente, sem saber como eu me sentia, e eu corri muitas vezes pro meu quarto, pra chorar, do mesmo jeito que você tem vontade de correr pro banheiro quando o Henry fala com uma garota.” Assegurou, fazendo um carinho na mão da filha. “Esse sofrimento não durou pouco, aliás. Mesmo depois que eu tomei coragem e dei o meu primeiro beijo nele, eu continuei achando que não tinha chance, pra só muito tempo depois tomar uma iniciativa de novo e, então, saber que ele pensava o mesmo.”
“Foi você quem beijou o meu pai?” Admirou-se.
“Foi! E com a desculpa esfarrapada de que eu precisava beijar alguém embaixo do Mistletoe.” Riu. “Como ele acreditou que eu só o beijei porque ele era a única opção, eu não sei! No entanto, ele realmente acreditou, a ponto de termos passado mais de um ano querendo nos beijar de novo e fingindo que nada estava acontecendo, até que veio o Baile Sadie Hawkins de 2003.”
“Nossa, mãe! Você já tava com dezesseis, então?”
“Não. Eu fiz quinze em dezembro de 2002 e o baile foi em janeiro de 2003.” Suspirou. “Foi um dos melhores bailes do meu tempo de escola, com toda certeza! Sabe quando tudo dá certo e se encaixa perfeitamente? Foi exatamente assim! As meninas tinham que convidar os meninos, mas, como seu pai já tinha saído da escola, eu combinei de ir com o meu melhor amigo, que tinha acabado de brigar com a namorada. Só que o era o único em casa quando a menina chegou lá, aos prantos, dizendo que queria fazer as pazes com o meu amigo, e acabou se oferecendo pra acompanhá-la até lá. Eu aproveitei pra pedir pra ele dançar comigo, já que eu tinha ficado sem par e a gente acabou aos beijos no corredor do colégio.”

Close your eyes, give me your hand, darling
Do you feel my heart beating?
Do you understand?
Do you feel the same?
Am I only dreaming?
Is this burning an eternal flame?
I believe it's meant to be, darling
I watch when you are sleeping
You belong with me
Do you feel the same?
Am my only dreaming?
Or is this burning an eternal flame?


Eternal Flame estava tocando e as palavras que a vocalista do The Bangles cantava, junto com os olhares e sorrisos tímidos trocados, falaram por eles, que finalmente entenderam que não precisavam ter medo do sentimento que nutriam um pelo outro ou de uma possível rejeição. Outra música começou e os casais em volta continuaram dançando, mas deu a mão a e, sem dizer uma palavra, seguiu com ela para longe do baile, adentrando um dos muitos corredores do colégio em que, até pouco tempo, tinha estudado.
De repente, ele parou e ficou de frente para ela, e os dois se encararam. Havia tantas coisas a dizer e, ao mesmo tempo, não era preciso falar nada. Ele acariciou seu rosto e ela sentiu um arrepio gostoso, como aqueles provocados pela brisa no verão, fechando os olhos e respirando profundamente. Acariciou a mão dele, segundos depois, e abriu os olhos, para ver que agora era ele quem mantinha os seus fechados e que um sorriso de puro contentamento curvava os cantos de seus convidativos lábios.
Seus olhos não ficaram fechados muito tempo, no entanto, e seus lábios também tiveram que deixar de sorrir para se ocupar em tocar os dela. Suas mãos seguraram-na pela nuca e as dela repousaram sobre o peito dele, enquanto os lábios se entreabriam e as línguas lentamente se conheciam, em um beijo lento, com sabor de hortelã e coca-cola.
“Eu sou louco por você, .” Declarou, abrindo os olhos em seguida, para saber sua reação, e ficando feliz com o semblante alegre dela. “Eu sou só o filho da...”
“Eu sou completamente louca por você, ! Mas eu vou ficar muito brava com você, se você completar esse raciocínio. Eu não fui criada pra enxergar as pessoas pelo que elas tem, e sim pelo que elas são... e você é uma das melhores pessoas que eu conheço. É isso que eu sei sobre você! É isso o que me interessa sobre você!”
“Então, eu tenho chances reais com você? Eu posso querer ser seu namorado?”
“Isso é um pedido?” Perguntou, mordendo a parte inferior da boca por dentro.
“Se a resposta for sim, é.” Riu.
“Eu não posso te dar uma resposta sobre isso, sem nem saber como você se sairia num encontro.” Brincou.
“Não seja por isso! Temos um encontro amanhã, senhorita!” Embarcou na brincadeira. “Eu espero por um encontro com você desde o dia em que você me beijou na frente de todo mundo, no outro Natal, e eu queria te puxar e te beijar de novo, mas não podia, e nem achava que você iria querer.”
“E eu espero por um beijo de verdade seu desde antes desse dia, mas achava que você nunca ia deixar de me ver como uma irmã mais nova.”
“Eu jamais te vi como uma irmã mais nova, . Ou meus pensamentos teriam sido incestuosos.” Riu e beijou-a de novo, e de novo, e mais uma vez, encostando-a em uma parede cheia de armários, onde ficariam até ser anunciada a última música da festa.

“Aí vocês começaram a namorar?”
“Sim! Aí a gente começou a namorar.”
“Será que eu vou amar o Henry anos assim... e demorar anos pra fazer ele me notar ou ter coragem pra ficar comigo?”
“Tudo isso você só vai saber com o tempo, porque cada pessoa tem uma história, filha. No meu caso, tinha a diferença de idade que hoje não é nada, mas que parecia ser grande coisa na época, e o fato de o seu pai achar que, como filho de uma funcionária, não servia pra mim. Esses obstáculos não existem no seu caso, porque o Henry tem a sua idade ou quase, e provavelmente os pais dele tem uma boa situação econômica, pra ele estudar na sua escola, então ele não vai pensar bobagens sobre isso.”
“Mas será que ele não gosta de mim só como amiga? E se eu amar ele pra sempre, mas ele não me amar?” Desesperou-se, como é comum aos apaixonados.
“Isso nós não temos como saber, mas, como eu disse, cada um tem uma história. Mesmo que hoje você sinta por ele tudo que eu senti pelo seu pai na sua idade, não quer dizer que ele vai ser o amor da sua vida. O seu tio e a Dianna, por exemplo, só se conheceram adultos. A Maya e o Tony também, e eles são super felizes.”
“A vida é tão difícil, mãe! Como é que eu vou saber se o que eu sinto é amor e... mesmo que eu fique com um menino, como eu vou saber se ele me ama? Como eu vou saber se eu devo me entregar... dar meu coração pra ele e...” Engoliu seco.
“E o seu corpo?” Levantou as sobrancelhas.
“É.” Respondeu, envergonhada, sem encarar a mãe. “Como você soube que deveria transar?”
“Isso também não é uma resposta fácil e, filha, você nunca vai estar completamente certa sobre o amor de ninguém... completamente segura. Entregar o coração sem essa segurança é um risco que a gente tem que correr na vida, ou vai viver pela metade.” Levantou o queixo da filha, buscando seus olhos. “Em relação ao sexo, você deve seguir o seu coração. Não existe uma resposta certa, mas, se quer seguir os meus passos, foi isso o que eu fiz.” Sorriu.
“Você pode me contar?” Pediu, timidamente.
“É claro que sim!” Riu. “Eu descobri que seu pai estava me esperando pra perder a virgindade comigo, então, como ele já tinha dezoito anos e amigos pegando no pé dele sem parar, as coisas não demoraram muito a acontecer. Nós namorávamos há quatro meses quando eu disse a ele que estava pronta, e então levou só mais umas duas semanas pra ele preparar uma coisa especial.”
Era final de semana e tinha conseguido uma casa de praia emprestada com os pais de um dos muitos amigos ricos que ele tinha feito no colégio em que os tinham bancado seus estudos. emprestou o carro para que eles fizessem a viagem e, com o salário que estava recebendo em seu primeiro emprego, ele comprara mantimentos e todas as guloseimas que amava.
Planejara fazer um jantar romântico à luz de velas, mas logo que chegaram ao lugar, no começo da noite, acabaram deitando na cama juntos e começaram a trocar carinhos, que foram evoluindo para carícias mais quentes, beijos mais urgentes e pegadas mais fortes, até que tudo acabou acontecendo de forma natural.
Não foi tão prazeroso quanto esperava porque foi dolorido e nem tão bom quanto ele imaginara porque durou muito pouco. Porém, depois de cozinharem juntos, comerem e assistirem filme, eles fizeram tudo de novo, com mais calma, e foi bem melhor que da primeira vez. Depois eles tiveram o final de semana todo para se experimentar, estudar, e aprimorar as coisas e, no final,a experiência como um todo pode ser considerada perfeita.
Era tarde de domingo e já tinha colocado as malas no carro, quando eles se sentaram para ver o por do sol, na varanda. Começaram a se beijar quando o espetáculo da natureza ocorria e, quando perceberam, já estavam sem suas roupas. As mãos dele afastaram as pernas dela e os corpos se encaixaram, espalhados pelo chão.
Ele se moveu, pegando uma camisinha na carteira, e penetrou-a com calma, mas ela usou os calcanhares para fazer com que ele o fizesse mais rápido e forte. Já não havia qualquer resquício de dor, somente prazer. Um prazer que foi crescendo até atingi-la como uma explosão, que ela ia querer que se repetisse pelo resto de sua existência.

“Que lindo, mãe!” Suspirou Aubrey. “Obrigada por conversar comigo, viu? Eu me sinto bem melhor!” A garota garantiu, após o término da história.
“De nada, meu amor.” respondeu, beijando a testa da filha e indo embora para o quarto ao encontro do marido.
Tantas recordações tinham-na deixado com vontade de ter um fim de noite especial. Era hora de estrear a lingerie nova que Dante a tinha feito comprar no final de semana, e explodir, mais uma vez, de desejo e amor!

22 de agosto de 2017

"Bom dia." cumprimentou, entrando no quarto, um que provavelmente acabara de acordar e não parecia pretender sair da cama tão cedo.
"Bom dia, meu amor. Por que você já tá toda arrumada às oito e quinze da manhã de um sábado, hum?"
"Não tinha iogurte grego e eu fui comprar." Ela deu de ombros, tirando os sapatos, o relógio de pulso e um anel, que saiu com alguma dificuldade. "Merda!" Esbravejou.
"O que foi, ?"
"Esse anel! Quase não cabe mais! Aliás, minha aliança também tá apertada." Bufou, mexendo nela.
"Se estiver te machucando, você não precisa usar... é só um símbolo! Ou, se fizer questão, eu posso comprar outra, parecida." Ofereceu.
"Eu não quero andar sem minha aliança, ! E nem quero outra! Eu só queria não estar inchada!" Reclamou, mostrando-se bastante irritada.
"Você já comeu seu iogurte?" Ele perguntou, saindo da cama e indo na direção dela.
"Já." Ela se limitou a responder.
"Então volta pra cama comigo... descansa mais um pouco." Sugeriu, abraçando-a pela cintura.
"Eu não estou cansada." Falou, séria, saindo do abraço dele e andando para o banheiro.
"O que há, babe? Não podem ser só os anéis aper-"
"Eu encontrei o Stones, aquele diretor de arte que..." Começou falando alto, mas parou quando ele encostou no batente da porta, tendo seguido a esposa até o cômodo, e assentiu, deixando claro saber de quem se tratava. "Ele estava com a mulher, que também tá grávida, e ela me achou muito gorda pra quatro meses. Ela também calculou pra quando seria o bebê e ficou com a maior pena do nosso filho, porque ele pode nascer perto do Natal ou do Ano Novo, e nessa época todo mundo viaja, fica com as próprias famílias, e ele nunca vai ganhar uma festa só dele." Falou, sem tomar fôlego. "Eu não tinha pensado nisso, mas ela tem razão! Todas as crianças da nossa família tem festa no dia do aniversário, e ele ou ela, que aliás não quer nos mostrar o sexo, pra que eu possa arrumar o quarto com calma, vai ter que dividir o dia dele com as comemorações do final do ano e isso não é justo!"
", fica calma?" Pediu. "Em primeiro lugar, a gente só fez um exame de ultrassom em que já daria pra ter visto o sexo. Ainda vamos fazer muitos e você vai ter muito tempo pra arrumar o quarto, ok? Em segundo... Natal e Ano Novo são festas lindas, e a gente vai ensinar ele ou ela a achar isso uma coisa boa! E depois, em janeiro, quando todos voltarem do recesso, a gente faz uma festa enorme! A melhor do ano!"
"Não vai ser. No dia. Do aniversário. Dele." Falou, enfática, e colocou de novo a escova de dente, que havia pego para usar, no armário, saindo do banheiro.
"Babe..." Ele foi atrás dela e ficou na sua frente. "Você não pode levar esse tipo de coisa que as pessoas falam tão a sério. É que nem daquela vez em que a mulher do Stuart comentou sobre a prima dela, que quase morreu no parto e, quando ela falou o nome do hospital, você já queria anotar, pra não ir pra lá, de jeito nenhum e..."
"Mas é óbvio!" Quase gritou."Com tantos hospitais na cidade, se eu puder evitar um em que quase morreu uma conhecida, por que não vou?"
"Porque não faz sentido! Ela mesma disse que o hospital era ótimo, quando percebeu suas intenções. A prima dela tinha pressão alta... tinha problemas que você não tem, amor." Ele tentou tocá-la, mas foi repelido.
"Ai, , calma! Você não tem paciência comigo." Falou, mudando o tom de irritada para chorosa. "Você fez esse bebê comigo, mas sou eu quem tem que ficar pesada, inchada, feia, enjoada, indo ao banheiro toda hora, sentindo muito sono, muito calor. E agora também você sem paciência comigo!" Ele teve vontade de revirar os olhos, mas isso, sim, demonstraria perda de paciência e a chatearia mais.
"Amor." Ele se aproximou, pegando a mão dela, que dessa vez permitiu o contato. "Olha nos meus olhos." Pediu e ela o fez. "Vai ficar tudo bem... eu tenho certeza. É normal você se preocupar com tudo, porque você é marinheira de primeira viagem."
"Eu, né? Você sabe tudo!" Debochou, puxando a mão e indo em direção à cama. "Me deixa sozinha, ! Não adianta conversar com você, se você não se esforça pra entender." Praticamente deu uma ordem, deitando-se sob os edredons e sumindo de vista.
Ele passou as mãos pelo rosto, frustrado, vestiu uma camiseta com a calça do pijama e saiu do quarto, como ela demandou. Ainda estava com sono, então foi para o quarto de hóspedes, tentar descansar mais um pouco, decidido a dar um tempo à mulher, antes de tentar conversar com ela novamente. Provavelmente eram os hormônios que estavam deixando mais nervosa e sensível que o normal, como tinha acontecido com Maya e Dianna, segundo contaram Tony e .
Adormeceu e quando acordou sentia um buraco no estômago, visto que não tinha tomado café da manhã e era quase hora do almoço. Levantou-se, indo até a suíte que dividia com , a fim de perguntar se ela queria sair e almoçar em um de seus restaurantes favoritos, para se distrair um pouco, mas encontrou a cama vazia. Achou a morena, pouco depois, no quarto separado para o bebê, ainda sem móveis e nenhuma cor, sentada no chão e encarando o nada.
"..."
"Eu acho que é uma menina. Mais de uma pessoa já me disse que quando o bebê fica com vergonha de mostrar o sexo, é menina." Ela comentou, do nada, e ele riu. "Não é pra você rir, ." Pelo jeito dela, ainda não estava bem, mesmo depois de algumas horas! "Eu quero... eu PRECISO decorar esse quarto! Olhando pra esse vazio, eu sinto como se não fosse ter um bebê em alguns meses e isso me faz mal. Já me disseram que não atrai coisas boas ficar com o quarto vazio, depois do..."
"Supertições, amor!" Revirou os olhos, porque dessa vez ela não podia ver, e sentou-se ao lado dela.
"Você vai mesmo me fazer conversar sobre as coisas que eu sinto com uma das meninas, em vez de com o meu marido?" Questionou, revoltada.
"Não. Me desculpa." Disse, puxando-a para si, e ela deitou em seu ombro, mesmo que hesitante. "Você pode conversar comigo, . Pode falar de tudo que estiver sentindo... eu juro! Eu só não queria que se deixasse levar pela opinião ou pelas histórias de outras pessoas, porque cada pai e cada mãe tem uma experiência diferente... às vezes até o mesmo pai e a mesma mãe tem experiências bem diferentes a cada filho, e, além disso, tem gente que gosta de fazer os comentários mais inoportunos! Lembra daquela mulher que disse que você não deveria ter contado a ninguém, antes de completar três meses, porque a primeira gravidez de muitas mulheres não vinga e elas perdem sempre no primeiro trimestre?"
"Foi uma tia do Blaine." Esclareceu, já bem mais relaxada.
"Você ficou apavorada e... olha pra você! Já tá com mais de quatro meses e todos os exames indicaram que tá tudo perfeitamente bem, tanto com você como com nosso bebê."
"Mas custava ele mostrar o sexo, babe? Eu quero tanto, tanto, arrumar esse quarto!" Falou, fazendo bico, enquanto uma lágrima escorria por seu rosto e molhava o ombro de .
"Se isso é tão importante pra você, por que não arrumamos com um tema e uma cor neutros?" Perguntou, secando o rosto dela com os polegares.
"Eu quero um quarto lindo de princesa, se for uma menina, poxa! Não é pedir tanto assim... é?" Procurou aprovação no semblante dele, que sorriu.
"A gente esperou pelo melhor momento. Planejou esse filho com todo carinho, então... não, . Não é pedir muito." Assegurou. "Só que você não vai poder ter as duas coisas: fazer agora E fazer de menina. A não ser que queira arriscar e, se for um garoto, guardar tudo pra uma próxima." Riu.
"Acho que eu vou esperar." Mudou de ideia, usando o braço dele como apoio para levantar do chão. "Já meu estômago não quer esperar e ele quer salmão a belle meuniere do Crustacean. Vou tomar um banho." Avisou, indo para o banheiro da suíte.
O salmão, no entanto, não quis ficar em seu estômago, e voltou para casa frustrada por ter comido tão bem para logo em seguida passar tão mal. Não conseguira sequer comer a sobremesa pedida, que era uma de suas favoritas, e que não puderam nem se dar ao luxo de levar para casa, porque derreteria no caminho, uma vez que era feita à base de sorvete. sugeriu que eles levassem alguma outra, mas ela tinha ficado de péssimo humor de novo e praticamente nem o deixou falar.
"Eu acho melhor me deitar outra vez." Declarou, quando adentraram o apartamento. "Parece que só dormindo eu me sinto bem, nos últimos dias."
"Quer companhia?" Ele indagou, carinhoso, mas recebeu um seco "não" da morena, que já estava de costas e vários passos à sua frente, ao responder.
Ele entendia que ela estivesse chateada com tantas mudanças em seu corpo, com o constante mal estar e as preocupações. Esta parte, aliás, era compartilhada por ele, que apenas tentava administrá-las, para não deixar que crescessem e se transformassem em paranoias. Ele entendia que era frustrante sair de casa toda arrumada, ir a um restaurante chique, pedir um de seus pratos favoritos e, antes de chegar ao final dele, ter que correr para o banheiro e desperdiçar tudo. Ele realmente compreendia, mas, mesmo assim ou talvez justamente por isso, era difícil não poder ficar perto dela.
Para não ter, ele mesmo, um sábado tão triste, decidiu ficar na sala de TV, assistindo a um jogo qualquer que estava sendo reexibido, e que ele não tinha acompanhado em virtude de sua agenda. Abriu o sofá cama, para ficar deitado de frente para a TV, mas a partida estava monótona e acabou fazendo com que ele adormecesse, mesmo tendo dormido até tarde.
"? ?" Ele despertou, um pouco assustado, com chamando seu nome e puxando sua blusa.
"O-oi." Disse, se ajeitando.
"Eu queria muito comer sorvete com macarrons, mas eu não consegui me lembrar de nenhum lugar em que eu possa comprar. Você lembra?" Perguntou, em um tom quase de desculpas.
"Eu sei de um lugar bem pertinho." Ele sorriu. "Eu vou lá, comprar pra gente."
"Eu posso ir."
"Eu vou." Decidiu, beijando a testa dela, que se sentiu ainda mais culpada, indo em direção à porta e pegando a chave do carro no aparador, antes de sair.
Havia uma loja de doces incrível perto do apartamento, onde ele não somente comprou os macarrons, sorvetes e algumas caldas, mas várias outras coisas de que os dois gostavam e que ela não poderia comer sempre, para não engordar muito na gravidez, mas merecia aproveitar no final daquela semana, que estava sendo tão difícil para ambos, por causa das grandes mudanças de humor que ela vinha experimentando.
"Hum, . Isso tá delicioso!" Falou com a boca cheia, do jeitinho que eles teriam que ensinar o filho que estava chegando a não fazer.
"Realmente combinou colocar calda de framboesa em cima dos macarrons de avelã, como sorvete de chocolate. Eu nunca poderia ter pensado nisso." Riu.
"Nem eu pensaria, se não estivesse grávida." Assegurou. "Mas, se você também gostou, pelo menos não é um daqueles desejos estranhos ainda."
"Espero que você nunca queira colocar calda de chocolate no cheeseburger, que nem a Dianna, ou comer ovos mexidos com leite condensado, como a Maya. Era meio nojento, até pra mim que como de tudo." Ela riu da careta que ele fez.
"Também espero que meus desejos sejam sempre assim normais. Ou de comer as comidas que eu mais amo, ou bem docinhos, como isso aqui... ou então..." Ela parou de repente e olhou para ele, que a olhou de volta, desconfiado. "Ou então como um que me deu agora, de terminar isso lá no quarto, saboreando o meu maridinho junto." Confessou, mordendo os lábios e ele sorriu, largamente.
"Seus hormônios podiam afetar só esse apetite, aumentando bastante ele, que eu não ia reclamar, nem um pouco." Sugeriu, colocando a própria taça, já vazia, sobre a mesa, e pegando no colo, com a dela na mão, tendo ainda mais da metade do conteúdo, pois tinha sido servida novamente.
Ela deu uma gargalhada gostosa, quando foi levantada do chão e isto mostrou que, definitivamente, o dia dos dois iria terminar muito melhor do que tinha começado!

22 de outubro de 2021

"É melhor, não, !" tentava conter o marido, que estava com as duas mãos dentro da camisola dela e beijava seu pescoço. "A porta tá aberta, amor."
"As meninas já dormiram, . Eu preciso de você!" Disse, manhoso, e ela deixou que ele continuasse avançando.
tirou a camiseta de malha que usava para dormir e beijou a esposa na boca, enquanto acariciava seu seio direito e subia pela coxa esquerda. Tocou a intimidade dela, pressionando o clitóris por sobre a calcinha de algodão, e ela moveu o quadril para cima, silenciosamente pedindo por mais. Livrou-se da peça que separava seus dedos daquela pele sensível, quente e úmida, masturbando a morena mais um pouco, mas não estava com muita paciência para preliminares, então arrancou a própria cueca do corpo, ficando sobre ela na cama, pronto para penetrá-la.
Para sua sorte, a esposa o puxou pela nuca, querendo mais um beijo nos lábios, que levou tempo suficiente para que ele não chegasse a se conectar intimamente com ela antes de ouvir uma vozinha infantil vindo da porta do quarto. Aubrey entrara no cômodo, choramingando e chamando pela mãe, sem imaginar o trauma por que poderia ter passado, uma vez que crianças tendem a ver o sexo como uma briga violenta entre os pais.
saiu tão rápido de cima de que se estatelou no chão. Para sua sorte, caiu do lado oposto ao que a filha escolheu para subir no móvel, buscando os braços de , e no mesmo lado em que sua boxer e a camiseta de malha tinham sido jogadas. Apesar de não estar muito claro, foi recolocando tudo, enquanto abraçava a menina, para que ela não o visse bem.
"O que houve, meu amor?" A mãe perguntou, fazendo carinho nos cabelos dela.
"O papai caiu! Você se machucou, papai?" Falou, secando os olhinhos com as mãos.
"Não! O papai só pulou aqui pra pegar uma coisa." Ele disfarçou, já terminando de se vestir.
"Por que você tá chorando, anjinho?" questionou, mais uma vez.
"Eu sonhei que a buxa malvada veio aqui, e deu bolo venenado pa Biana e ela caiu. Eu guitava muito, muito, mas ela não codava, mamãe! Eu fiquei com tanto medo!"
"Foi só um pesadelo, minha linda." assegurou, sentado ao lado das duas. "Tá tudo bem."
"Você pomete que a buxa não vai fazer nada com a Biana, papai?"
"As bruxas só existem nas histórias, filha." explicou, mas era difícil para uma menina de pouco menos de três anos entender.
"Comassim?"
"A bruxa, a Branca de Neve, o príncipe... eles tão todos numa história, que foi inventada por alguém."
"Então, eles existem, ola!" A garotinha cruzou os braços e franziu a testa, revoltada com a mentira dos adultos.
"É, mas eles existem na história, não no nosso mundo. A bruxa não poderia trazer bolo envenenado pra sua irmã."
"Esse mundo da histólia é assim tão longe?" Questionou, curiosa.
"É dentro dos livros, da televisão, do cinema. Eles não saem de lá, entendeu?" tentou usar um argumento que, por ora, satisfaria a filha.
"Que bom, então, poque eu não quero que buxa faça nada com a Biana. Eu amo ela." e sorriram um para o outro, orgulhosos do grande afeto existente entre suas meninas.
"Vem! Eu vou te levar pro seu quarto, agora, e a gente passa no da Brie, pra você ver que a sua irmã tá ótima, dormindo como um anjinho." ofereceu seu colo para a pequena, que se encolheu no da mãe.
"Não! Eu não quelo." Falou, escondendo o rosto no pescoço da Sra. .
"Mas tá tudo bem, meu amor!" garantiu.
"Eu quelia, dormir aqui, po favor! Mesmo que a buxa não venha, eu não quero sonhar com ela de novo." Implorou e os pais se entreolharam.
"Só hoje, tá, filha? Você não tem razão pra ter medo de ficar no seu quarto, ok?" A mãe falou e ela assentiu.
"Obigada, mamãe." Deu um rápido beijo na bochecha dela, saindo de seu colo e abraçando o pai. "Bigada, papai." Sorriu e encheu o rosto dele de beijos, como se tivesse percebido que ele não gostou tanto da ideia.
relaxou, gargalhando junto com , e com a própria Aubrey, quando esta parou de atacá-lo com carinhos. A menina, então, deitou-se entre os pais, coçando os olhos e bocejando, e o casal também se acomodou à sua volta, observando uma das bonequinhas de carne e osso que tinham feito juntos, e que eram motivo de muitas preocupações, mas ainda mais de enorme alegria.
"Papai, me conta uma histólia sem buxa?" Aubrey pediu, de repente, quando pensava que ela já tinha até dormido.
"Sem bruxa? Deixa eu ver se sei alguma." Pensou um pouco.
"Pode ser A Bela e a Fera, filha?" sugeriu.
"Eu adoro!" Ela respondeu entusiasmada, sentando-se na cama. "A xícala pergunta pra mãe dela, que é o outro negocinho de café o que tá acontecendo com a Bela e..."
"É você quem vai contar ou eu?" O pai perguntou, fingindo estar zangado, mas rindo.
"É você, papai. Você vai contar melhor." Ela acomodou-se de novo no travesseiro da mãe.
"Muito bem, então. Era uma vez uma menina que adorava ler..." começou a história e teve que fazer a maior força do mundo para não dormir antes da filha, coisa que a mulher não conseguiu. Ambos estavam cansados, mas, felizmente, eles dormiram pelo resto da noite e começaram a contar com a ajuda da babá logo pela manhã, podendo assim se arrumar e tomar café com calma.
"Eu ontem disse pra você que a gente não devia fazer nada com a porta aberta." reclamou, sentada à mesa. "Imagina se a Aubrey chega minutos depois!"
"Você tem razão, mas eu não sei o que fazer, então. Nós não podemos fechar a porta, porque as meninas são pequenas, e nós não estamos arrumando babá pra dormir. Já tem mais de um mês que a Cloeh foi embora! Eu preciso..." Ele parou, percebendo que tinha aumentado consideravelmente o tom de voz, devido à irritação crescente. "Eu preciso fazer amor com a minha mulher!" Completou, pausadamente e quase sussurrando.
"Você acha que só você sente falta disso, ? Sério... você não acha que eu quero uma babá, pra ontem, pra poder ficar com você, sem preocupações, depois de colocar as meninas na cama?"
"Eu não disse que você não sente, . Eu disse só que eu preciso e que a gente tem que achar uma solução!"
"Então, você acha uma! Porque eu não vejo outra que não seja contratar uma babá, e mesmo oferecendo um valor bem acima do mercado nós... não. Estamos. Conseguindo. Uma!" Falou, secando os lábios com um guardanapo, jogando o mesmo dentro do prato e deixando a mesa.
"... ." Ele chamou, mas ela não voltou.
tomou café chateado, mas não foi atrás de , porque achava que ela tinha exagerado. Ela, por sua vez, mesmo sabendo que sua reação fora extrema, preferiu ficar um pouco afastada e pensar, ao invés de simplesmente pedir desculpas. Então, mais ou menos meia hora depois, os dois se despediram das meninas e, sem ter falado um com o outro de novo, ainda, pegaram o elevador juntos e foram até a garagem. Ambos se ocuparam mexendo em seus celulares e enviando mensagens, até chegarem perto de seus carros.
"Será que a gente pode ir no meu?" Ela acabou com o silêncio.
"Por que razão?"
"Eu vou precisar do carro. Tem problema pra você?" Perguntou, em tom normal, como se não tivessem discutido.
"Não. Tudo bem." Ele também se desarmou, dirigindo-se à porta do carona.
"Você tem alguma reunião hoje?" Ela perguntou, quando já estavam na rua, parados em um sinal vermelho.
"Não. Tá bem tranquilo meu dia, graças a Deus." Respondeu, vendo o sinal ficar verde e entrar para a esquerda na próxima rua. "! Era pra direita, amor!"
"Não o lugar pra onde nós vamos hoje." Ela afirmou, sorrindo. "Manda uma mensagem pros seus assistentes e diz que você não vai. Só não precisa dizer que foi sequestrado pela sua mulher. Pode inventar uma virose, que fica mais discreto." Riu.
"O que aconteceu, babe? A gente vai pra onde?" Ele enrugou o cenho.
"Aconteceu que você tem razão. Nós somos um casal muito jovem pra ficarmos mais de um mês sem uma boa transa. Então, eu concluí facilmente que, se a gente não tem babá à noite, a gente vai ter que aproveitar o dia."
"Se você não tivesse saído como um foguete e me deixado falando sozinho, eu teria sugerido algo, como deixar as meninas com a minha mãe ou seu pai, por algumas horas."
"A gente pode fazer isso outro dia, mas hoje nós vamos pra casa de praia do meu pai. O caseiro já deve estar fazendo algumas compras que eu pedi, nesse momento." Avisou e ele sorriu.
"Se for pedir resgate por mim, será que poderia ser só daqui a uns dias?" Brincou.
"Você fala isso agora, mas eu duvido que não fosse sentir falta das princesinhas do papai mais tarde." Implicou e ele não respondeu, porque, na verdade, não tinha a menor dúvida de que morreria de saudade de Brianna e Aubrey.
Em pouco tempo, eles estavam na casa, que dava para uma praia particular paradisíaca, tomando champagne na varanda sobre uma espreguiçadeira dupla que mais parecia uma cama de tão grande e confortável. Aproveitaram a bebida deliciosa, o barulho gostoso do mar e o vento, abraçados, por um tempo, mas então tirou a taça de cristal da mão de e começou a beijá-la com o mesmo desejo ao qual tentara dar vazão na noite anterior, em vão.
"Eu acho que você e eu estamos vestidos demais para a beira da praia." Comentou, desabotoando a camisa de seda azul que ela vestira quando ainda pretendia ir trabalhar.
"Essa é uma coisa com a qual eu tenho que concordar." Não perdeu tempo e também começou a despi-lo, abrindo sua calça social.
"Eu tenho que te avisar que provavelmente a primeira vai ser rápida como se eu fosse um adolescente." Falou ofegante, enquanto dava mais velocidade à retirada das peças que cobriam seu corpo.
"Se você me recompensar com duas, não tem problema." Negociou, quase completamente nua.
Os beijos e as carícias dessa primeira rodada foram bem rápidos e o orgasmo realmente atingiu com velocidade. Ele podia não ser mais adolescente, mas era um homem sexualmente ativo que tinha acabado de ficar quase um mês praticamente sem tocar de forma mais íntima a esposa. Coisa que, aliás, ele fez com maestria e total entrega, em seguida, garantindo que a mesma gozasse duas vezes, graças a seus dedos e boca brincando com sua intimidade.
O dia estava só começando e, entre um almoço maravilhoso e um lanche não menos divino, momentos de preguiça na varanda, uma caminhada na praia e a exibição de um filme no telão do quarto, eles fizeram amor outras vezes, em busca do tempo perdido. Decidiram juntos que, se não conseguissem uma babá em até cinco dias, deixariam as meninas uma noite por semana com um dos avós e passariam algumas horas juntos, como um homem e uma mulher que se amam e não apenas como pais.
No entanto, eles adoravam ser pais e, aproveitado aquele momento, foi com prazer que eles voltaram para casa, para encontrar suas meninas. Prazer que só aumentou quando cada uma abraçou uma das pernas do pai, querendo atenção, e quando derrubaram a mãe no sofá e subiram juntas no colo dela, sem deixar que ela fosse para o quarto trocar de roupa antes.
"Hoje é a minha vez de dormir no seu quarto, mãe." Brianna apenas informou. "A Aubrey foi ontem e ninguém me chamou."
"A Aubrey dormiu lá porque tava com medo."
"E daí? Eu quero dormir também."
"Pode dormir, princesa." Foi quem respondeu, sentando ao lado delas.
"Eu quero ouvir a história da Pocahontas." Brie declarou, indo do colo de para o dele.
"Eu não sei contar essa, filha. Você não quer a que eu contei pra Aubrey, da Bela?"
"Essa eu já sei! Eu conto melhor que você. Até a Aubrey disse!" Deu de ombros. "A gente pode ver o filme da Pocahontas, aí por hoje a gente só vê filme mesmo, e você aprende, pra me contar outro dia."
"Combinado." Concordou, sorrindo e segurou o rosto dela, dando um beijo estalado, que a fez rir, enquanto Aubrey dava o mesmo beijo na mãe, imitando .
"Eu posso ver a Pocahontas também?" A mais nova perguntou, fazendo bico.
"Você já dormiu lá ontem." A outra falou, mandona, como se tivesse que empatar com a irmã, mas quando viu que ela ficou triste mudou de ideia. "Mas vai ser divertido todo mundo junto. A gente pode fazer pipoca." Animou-se.
"Pipoca na hora de dormir? Nem pensar." A mãe acabou com a festa rapidinho.
"Mas pode ser pipoca doce, como sobremesa, se as duas jantarem direitinho." Complementou o pai. "Aí a gente vê um filme na sala, vocês tomam banho, colocam pijama e a gente vê outro no quarto, antes de dormir. O que acham?"
"Tem que comer tudo!" interferiu e as meninas se olharam, como se estivessem consultando uma a outra sobre se o acordo valia a pena.
"Não tem brócolis, não, né, mãe?" Brianna saiu do colo, puxando a irmã pela mão para irem jantar de uma vez.
"Nem aquela outra árvole que eu não gosto, né?" Aubrey perguntou, torcendo para não encontrar couve-flor no prato.
pegou a mão de e os dois seguiram as filhas, com quem já estavam sozinhos, terminado o turno da única baba que tinham no momento.
Cuidar de crianças não era a tarefa mais fácil de todas, mas naquela noite a tranquilidade e a diversão pareciam estar garantidas.

21 de setembro de 2043

já acordara havia alguns minutos, mas não tinha nada importante para fazer, durante aquele sábado, e ficar embaixo dos lençóis, ao lado de um ainda adormecido, lhe pareceu bem mais convidativo do que se levantar. Abriu os olhos apenas ao escutar alguns passos dentro do quarto, além de risinhos baixos, e sorriu, sentando-se, ao ver quem tinha entrado no cômodo. Imediatamente cutucou o marido, que esfregou os olhos, confuso, até ver os filhos reunidos ao pé da cama, e espelhar o semblante feliz de sua esposa.
"Aconteceu alguma coisa?" A mulher perguntou, de repente se dando conta de que as filhas não tinham avisado que os visitariam naquela manhã.
"Não! A gente precisa estar com algum problema pra vir almoçar com nossos pais?" Questionou Aubrey, fingindo estar ofendida, enquanto abraçava a mãe e beijava seu rosto.
"Claro que não. Eu só fiquei preocupada." Afirmou, devolvendo o carinho.
"Antigamente, eram vocês que nos tiravam da cama no começo da tarde!" Observou Brianna, que já tinha abraçado e beijado o pai, e então subiu na cama, sentando-se entre ele e a mãe.
"Eles chegaram depois de mim!" Observou Derek, que se enfiou entre as pernas da irmã mais velha, enquanto a do meio escolheu ocupar o colo do pai, como se fosse uma menininha, e não uma mulher feita, de quase vinte e cinco anos.
"Ei, rapaz!" chamou a atenção do garoto, atingindo-o com um soco fraco no ombro. "Você nem saiu das fraldas e já acha que pode tomar conta da gente, é?"
"Eu já tenho quinze!" Retorquiu, como se tal número fizesse dele um adulto.
"Nós fomos àquela festa sobre a qual eu falei semana passada." explicou. "Com a Maya lá, acabamos não conseguindo sair cedo, como a gente queria."
"O que é ótimo, mãe! Vocês só tem trabalhado!"
"Foi o que eu disse pra ela." concordou. "Aliás, vocês podem aproveitar e me ajudar a convencê-la a fazer uma viagem, mês que vem."
"Eu não posso e você sabe disso." bufou.
"Você pode delegar funções, ! Eu mesmo delego!"
"Essa briga, não, gente." Aubrey revirou os olhos.
"É. Nada de discutir!" Ecoou Brie. "A gente vai esperar vocês na cozinha, e é bom não demorarem muito, senão a gente come sem vocês." Riu, empurrando de leve o irmão, para poder sair da cama.
Minutos depois, os cinco estavam à mesa, conversando animadamente, como muitas vezes fizeram, antes de as meninas irem para faculdades fora de Los Angeles, e se mudarem para repúblicas de estudantes. Depois da formatura, elas tinham voltado à cidade, mas Aubrey optara por dividir apartamento com duas amigas, e Brianna ficara apenas alguns meses em seu antigo quarto, enquanto cuidava dos preparativos para seu casamento com Logan Mythe. Em pouco tempo, seria a vez de Derek deixar o ninho, mas evitava falar sobre o assunto.
"Família linda do meu coração, eu tenho uma coisa importante pra contar." Brie informou, quando eles se acomodaram na sala de TV, depois do almoço.
"Eu sabia que tinha alguma coisa." sacudiu a cabeça, criticamente.
"Eu só fui convidada pra vir aqui, fazer uma surpresa, mãe." Aubrey se defendeu, levantando as mãos, como quem se rende.
"É verdade, mãe. Eu só falei pra Aubrey que tava com saudades de passar um tempo com vocês. E não era mentira! MAAAAS..." Disse, de um jeito quase cantado, fazendo suspense. "...eu queria contar pra todos vocês juntos que eu vou ter um bebê." Completou, abrindo um sorriso enorme.
"Filha!" foi o primeiro a alcançá-la, demonstrando o quanto estava feliz com um forte abraço. "O Logan devia ter vindo com você pra gente comemorar."
"Você já foi ao médico, meu amor? Tá tudo bem? Ele disse quando você tem que fazer a primeira ultra... falou alguma coisa sobre a sua alimentação?" começou a falar sem parar, enquanto acariciava o rosto da filha, que controlava o riso. "Você tem que comer melhor. Eu sei que você prefere não comer carne, mas..."
"Mãe, que "nóia"!" O filho adolescente censurou.
"É, mãe, pelo amor de Deus! Será que dá pra deixar a gente dar um abraço nela?" Aubrey entrou no meio das duas. "Parece que eu fiquei oficialmente pra titia, hum?" Brincou, apertando a irmã, que, apesar de ser muito diferente dela, sempre seria sua melhor amiga.
"Quem vão ser os padrinhos?" Indagou o irmão da futura mamãe, ao levantá-la do chão com cuidado, como gostava de fazer, somente porque podia. Mesmo dez anos mais novo, havia alguns anos que ele tinha ficado mais alto que as irmãs e tirava proveito disso.
"A gente ainda não escolheu, mas já decidimos que não vai ser ninguém da família. Não dá pra gente escolher entre vocês dois, e a Lauren e o Patrick."
"Seu primo David adora crianças." A mãe sugeriu, puxando-a pela mão para que ocupasse o lugar ao lado dela no sofá.
"E dar ao Logan a chance de escolher uma das amigas dele, mãe?" Fez todos rirem, por saberem que, mesmo sem razão alguma, ela tinha bastantes ciúmes do marido.
"E o médico?" A Sra. voltou a externar suas preocupações, e convidou os outros filhos para irem ao escritório que tinha na mansão, a fim de dar opinião sobre um piloto de série que ele tinha recebido, deixando as duas mulheres terem uma conversa de mãe e filha.
Durante boa parte da tarde, matou as saudades de Aubrey, que sempre foi mais próxima dele que Brianna, por amar esportes, bandas de rock e filmes de ação, enquanto a irmã era mais companheira da mãe, com quem dividia o gosto por moda, romances e belas artes. deu à filha todas as dicas que não chegou a receber da própria mãe, quando ficou grávida pela primeira vez, e acabou convencendo todo mundo a terminar o dia no shopping, fazendo as primeiras compras para o neto, que incluíram um sapatinho vermelho, presente que simboliza proteção e o desejo de boa sorte, saúde e felicidade para o resto da vida.
estava deitado na cama, lendo um livro novo, quando ouviu suspirar, sentada no banquinho que ficava de frente para uma penteadeira antiga linda que eles tinham comprado em uma viagem à Itália. Observou o rosto dela refletivo no espelho e achou que ela não parecia mais tão animada quanto estava até o jantar compartilhado com os filhos, o genro, e a família dele, com quem tinham se encontrado para uma rápida celebração.
"Cansada?" Perguntou, colocando o livro e os óculos de leitura de lado.
"Um pouco. O dia foi bem cheio hoje." A morena parou de escovar o cabelo, apagou a luz do cômodo e andou até a cama, acomodando-se sob as cobertas.
"Mas não é só isso, certo?" Perguntou, desconfiado.
"O seu problema é me conhecer demais e sempre querer saber o que há comigo, quando eu só quero deitar a cabeça no travesseiro, e esperar o dia seguinte chegar e as coisas melhorarem." Reclamou, apagando a luz do abajur que ficava em sua cabeceira e deixando o quarto quase totalmente escuro, não fosse pelo dele ainda aceso.
"Nossa, ! Que palavras dramáticas, depois de um dia que eu pensava ter sido feliz."
"E foi, ! Eu to muito feliz pela nossa filha."
"Mas...?"
"Mas... saber que eu vou ser avó me fez constatar que eu to ficando velha. Nós estamos!"
"Ah, é isso." Ele relaxou, mas ela não gostou do pequeno sorriso que surgiu no rosto dele.
"Era por isso que eu não queria conversar, . Eu sabia que você ia achar ridículo."
"Não, amor. Eu não acho ridículo." Ele assegurou, virando-se na cama e tomando as mãos dela nas suas. "Eu fiquei aliviado que seja isso, porque achei que pudesse estar acontecendo algo com a Brie, que você estivesse relutante em me contar. Mas não, eu não acho ridículo. Eu sei que é muito difícil, pra maioria das pessoas, envelhecer."
"Eu me lembro, como se tivesse sido ontem, da garota espevitada que eu era, indo pro seu quarto às escondidas, no meio da noite. Agora, nem a nossa Brie é pega em flagrante com o namorado mais! Qualquer dia, é o filho dela que a gente vai ter que ensinar a nunca deixar de usar preservativo!"
"Ei, ei!" Riu. "Deixa de ser exagerada! Ela nem tem uma barriga ainda, !"
"O tempo passa muito rápido." Lamentou.
"É verdade! A vida é muito curta! É justamente por isso que você precisa ser menos dramática, a essa altura do campeonato, babe. Você já deveria saber que a vida é muito curta, pra você ser tão séria."
"Mas o que eu posso fazer? Eu já to vendo pequenas rugas surgindo no meu rosto, a pele ficando flácida... eu não sou mais aquela mulher linda e segura, que colocava um vestido ou uma camisola, e conseguia o que quisesse de você, te provocando! Agora, eu vou ser avó e isso não é NADA sexy."
"Isso, sim, é ridículo." Declarou e a viu olhá-lo, indignada. "Eu continuo te achando sexy demais, e não vai ser um neto, que também é meu, gritando 'vovó' pela casa que vai me fazer te desejar menos, ok?"
"Você jura?" Ela implorou confirmação, acariciando o rosto dele.
"Eu juro! Eu também não sou mais aquele cara de trinta, trinta e poucos, que às vezes não precisava nem de descanso e já tava pronto pra uma segunda, ou uma terceira rodada, mas eu continuo querendo você como eu sempre quis. E se, um dia, fisicamente, as coisas ficarem mais difíceis, eu vou procurar um médico, tomar um remédio, e eu vou ter prazer com você! Com a mulher da minha vida... a mulher mais linda de todas pra mim, com ou sem rugas no rosto."
"Eu te amo demais, ! Você sempre acaba dizendo as coisas mais perfeitas, mesmo que eu me esqueça disso, toda vez que eu to chateada com alguma coisa."
"É porque eu conheço e amo você." Sorriu, beijando os lábios dela. "Mas eu tenho mais uma coisa pra dizer." Falou sério.
"O que houve?"
"Eu não desisti daquela viagem! Se você tá achando que o tempo tá correndo, que a gente tá envelhecendo, é mais uma razão pra gente não ficar preso no trabalho e curtir a vida."
"Você acha mesmo que eu devo delegar todo o meu trabalho? Eu tenho medo que..."
'Babe? Eu sou presidente do grupo todo e delego meu trabalho. Vai dar tudo certo!" Ratificou e ela o olhou hesitante por um tempo.
"Eu topo, mas só se a gente for à França."
"Nós sempre teremos Paris." Brincou, fazendo menção ao bilhete deixado por ela, depois daquela noite de tantos anos antes que era referência eterna do reencontro que a vida, felizmente, lhes tinha proporcionado.
"Sempre!" Ela sorriu, genuinamente feliz e certa de que, ao lado dele, poderia ver os anos passarem sem ficar realmente velha.
Eles se amaram naquela noite e, mesmo que tenha sido apenas uma vez, foi com a intensidade que só a cumplicidade adquirida depois daqueles muitos anos juntos, construindo uma família linda, que agora ia aumentar ainda mais, poderiam ter lhes trazido.

05 de novembro de 2017

fechou a porta do apartamento e tirou os sapatos apertados de seus pés inchados, antes de caminhar para o quarto, com eles nas mãos. Adorava seus jantares mensais só para mulheres, com , Maya e Dianna, mas talvez fosse hora de escolherem restaurantes menos sofisticados, para que ela pudesse substituir saltos altos por sapatilhas e sandálias rasteiras. Além do inchaço nas extremidades, havia o peso da barriga de quase sete meses, e, dentro de pouco tempo, ela ia ter que empurrar um carrinho de bebê e carregar uma bolsa a mais, cheia de fraldas, mamadeira e outras coisas infantis, como faziam as amigas, quando não queriam deixar as crianças com os maridos ou as babás.
Tudo estava absolutamente silencioso e ela chegou a pensar que pudesse já ter adormecido, até ver a luz da suíte dos dois acesa. Encontrou-o deitado na cama, mas não envolvido pelas cobertas macias, apesar de estar fazendo um certo frio em Los Angeles. Sobre suas pernas e em volta dele, havia uns dez livros, a maioria deles abertos, parecendo já ter sido consultados, enquanto ele lia atentamente o que estava em suas mãos, com uma capa rosa pink e o título, Uma princesa a caminho, escrito em lilás.
“Cheguei, meu amor.” Ela disse, chamando a atenção dele, enquanto largava os sapatos em um canto.
“Oi, meu amor. Como é que foi lá?” Indagou, sempre mostrando interesse em tudo o que dizia respeito a ela.
“Foi legal.” Respondeu, se aproximando e dando um beijo rápido nos lábios dele. Não parecia, no entanto, tão animada, e ele demonstrou ter percebido. “Talvez a gente devesse ter adiado, já que nos vimos ontem mesmo, e eu to super cansada.” Explicou, indo para o banheiro em seguida.
“A Maya faz falta também, né?” Perguntou, mantendo um diálogo, ainda que seus olhos tenham voltado a percorrer as páginas do livro.
“É verdade.” Concordou. “Nós vamos lá amanhã mesmo?” Perguntou, tirando a maquiagem. No dia anterior, durante uma reunião no apartamento deles, com todos os outros amigos presentes, eles haviam combinado de visitar a garota e seu casal de gêmeos recém-nascidos, que não estavam saindo de casa ainda.
“Aham.” Ele devolveu, sucinto. Queria muito visitar os Mythe, mas também queria absorver a maior quantidade de informações possível sobre o assunto mais importante do momento para ele. A esposa terminou de se preparar para dormir e voltou ao quarto em silêncio, se aproximando da cama e examinando cada publicação, curiosa.
“Como ser pai de uma garota... O que ninguém nunca te falou sobre meninas... A diferença entre meninas e meninos... A menina dos seus olhos... ! Pra que tudo isso?” Ela arregalou os olhos, vendo que os outros livros também tratavam do mesmo tópico.
“Eu preciso saber como agir, . Ela já tá pra chegar e eu não sei nem por onde começar com uma menininha!”
“Uma bebê menina requer os mesmos cuidados que um menino, amor.” Afirmou, afastando alguns livros, para se deitar ao lado do marido. “Você vai trocar fraldas, dar banho, colocar pra dormir. Se chorar e não for fome, sono ou fralda por trocar, pode ser cólica ou uma manhazinha. Se eu parar de amamentar cedo, você também pode me ajudar com mamadeiras, mas é basicamente isso.”
“Os especialistas não parecem pensar assim, ou não haveria tantos livros, hum?” Ele discordou.
“Ok, ok...” Ela aceitou que até poderia haver algumas diferenças entre meninos e meninas. “Mas precisava comprar TODOS os livros sobre o assunto? Não vai dar nem tempo de ler!”
“Eu não sabia quais eram os melhores, e todos eles devem ter alguma coisa que os outros não tem.” Deu de ombros. “Eu posso pedir pros meus assistentes lerem e fazerem anotações.”
“Você tá exagerando, . Como eu, quando não conseguíamos saber o sexo da bebê, ou quando encontrava alguém que comparava detalhes da minha gravidez com as de outras pessoas.” Observou. “Você mesmo tentou me fazer ver que eu tava surtando à toa, e sabe melhor que ninguém que, se eu tivesse te dado ouvidos logo, tinha sido poupada de muito estresse.”
estava surpresa! Tinha percebido que ficara distraído, pensativo e até um pouco isolado dos demais, durante a reunião na cobertura deles, na noite anterior, mas não chegara a se preocupar e imaginara que a razão por trás do comportamento dele era apenas cansaço, exatamente como ele tinha afirmado ao ser questionado.
Ela tinha feito uma surpresa, para revelar o sexo do primeiro filho deles de uma maneira emocionante, uma vez que no dia da ultrassonografia em que, finalmente, o bebê tinha resolvido mostrar-se melhor, não pudera estar presente, em razão de uma viagem de negócios. Comprara algumas plaquinhas, metade azuis e metade rosa, para que as pessoas dessem seus palpites, e um bolo branco por fora que, cortado, revelaria uma massa e um recheio pink. Não imaginara que a notícia o deixaria preocupado, pois ele sempre dissera que amaria o filho, fosse menino ou menina, e que apenas torcia para que este nascesse cheio de saúde.
não estava mentindo sobre isso, mas, quando retirou a primeira fatia do bolo junto com a esposa, ele foi atingido pela realidade indicada pela cor da anilina usada pelo confeiteiro, e imediatamente começou a pensar nas implicações de criar uma menininha, de ser responsável por cuidar dela, educar, proteger e amar. Ela já era a pessoa mais importante de sua vida e ele tinha um medo imenso de decepcioná-la!
“Pra você vai ser mais fácil, .” Avaliou, finalmente fechando os livros e empilhando todos no chão ao lado da cama. “Você vai levá-la com você pra fazer compras, e vocês vão dividir a paixão por sapatos, roupas e um monte de coisas das quais eu não sei nem o nome! Ela vai pintar as unhas pra te imitar, passar batom, e adorar quando você contar todas aquelas histórias de princesa que você ama até hoje e sabe de cor. Você vai ser a melhor amiga dela e eu o chato do pai, que só vai querer que ela namore aos trinta anos!” Disse, como se pudesse ver o futuro e ela deu uma gargalhada, tomando, em seguida, o rosto dele entre as mãos e colando os lábios nos dele, a fim de transmitir todo o amor que só crescia dentro dela, por aquele que ela tinha certeza que seria o melhor pai do mundo.
, meu amor, eu tenho certeza que a nossa filha vai te amar muito, assim como eu te amo e um menino te amaria.” Assegurou. “Ela vai te achar chato, de vez em quando, sim, mas vai me achar chata também, por nós sermos mais velhos, sermos um tipo de autoridade...”
“Mas com um menino eu saberia sobre o que falar! Eu poderia levá-lo comigo pra assistir aos jogos dos meus times, pra treinar uma luta...”
“Eu acho que esses livros não te ajudaram nem um pouco, . Eles trazem estereótipos!” Concluiu e ele levantou as sobrancelhas, não compreendendo. “Uma menina pode ir com você aos jogos e até gostar de luta, sabia? E, mesmo que ela goste de balé e desfiles de moda, ela e você serão melhores amigos, porque ela vai ser a sua bonequinha, a sua coisa mais preciosa, e você, o porto seguro dela, como é o meu. Você vai aprender algumas histórias clássicas e inventar outras, pra ela dormir, e vai assistir, com prazer, aos filmes da Disney, só pra ficar perto dela, e vê-la sorrindo... os olhinhos dela brilhando, enquanto ela descobre o mundo.”
“Será, ?” Perguntou, hesitante. “Eu tenho tanto medo! Mesmo dessa fase em que você diz que é tudo igual pra meninos e meninas, com eles só comendo e dormindo, praticamente. As meninas parecem tão mais frágeis.”
fez carinho no rosto de , o beijou e se aninhou nos braços dele, asseverando que ele não tinha do que ter medo, pois seria um ótimo pai, tanto enquanto a menina fosse só um pingo de gente, como quando viesse a se tornar uma adolescente, despertando os ciúmes dele ao arrumar seu primeiro namorado. Disse que ele poderia até ler os livros, se quisesse, uma vez que estes já estavam ali, mas que tinha convicção de que ele aprenderia muito mais na prática e até verificaria que os chamados especialistas cometiam vários equívocos, pois ignoravam que cada ser humano é único e complexo.
“A gente precisa parar de chamá-la de a bebê. Você não acha?” Ele perguntou, alguns minutos depois.
“Eu pensei em fazermos uma lista de nomes, mas, ao mesmo tempo, acho que talvez seja melhor ver a carinha dela primeiro.” Disse e percebeu que ele ia responder alguma coisa, mas não teve a oportunidade, pois a campainha do apartamento tocou e ambos se levantaram preocupados, por ser um pouco tarde para visitas.
Encontraram atrás da porta principal uma Dianna bastante pálida, com Marie adormecida no carrinho de bebê. A Sra. tinha dado folga à babá, até a manhã seguinte, pois quisera levar a filha com ela para seu jantar com e , e o marido tinha viajado naquele mesmo dia, para participar de um campeonato no final de semana do outro lado do mundo. Sozinha com a filha de dois anos, recebera um telefonema da mãe, que tinha acabado de levar seu pai para o hospital, por causa de náuseas, formigamento no braço e dores no peito.
“Ele enfartou, e a minha mãe tá lá sozinha com ele e...”
“Você vai pra lá, agora, e nós vamos ficar com a Marie.” completou, não esperando qualquer pedido de ajuda.
“Se você achar que precisa de companhia, eu também posso ir com você, e o cuida dela.” ofereceu, ignorando o olhar de desaprovação de . Era a oportunidade perfeita para ele perceber que podia lidar com uma garotinha!
“C-claro.” Ele se viu obrigado a concordar, quando Dianna pareceu aliviada em saber que não teria que ir sozinha ao hospital.
Levou o carrinho de bebê em que a sobrinha dormia para o quarto e colocou-o ao lado da cama, onde deitou-se, puxando o primeiro livro da pilha formada e começando a ler. Recebeu uma mensagem de , pouco depois, em que ela informava que demoraria um pouco, e continuou concentrado na leitura, até que a emissão de alguns sons ainda sem nenhum significado específico fizessem com que percebesse que a pequenina tinha despertado.
“Olha só quem acordou!” Ele se aproximou, sorrindo para ela, que abriu um belo sorriso também.
“Titi !” Ela gritou, dando um leve tapinha no rosto dele.
“Isso mesmo, Marie! Tio .”
“Titi !” Ela repetiu, dessa vez esticando os braços na direção dele, que a pegou no colo. “Titi .” Falou, fazendo o “link” entre ele e a mulher, e querendo saber onde a tia estava. “Mamã...” Perguntou, do seu modo, por fim, e, naquele momento, ele ficou com medo de que ela fosse estranhar a ausência da mãe e chorar.
“A mamãe já vem. Você quer papar alguma coisa? Quer ouvir uma história?” Tentou.
“Tórinha!” Respondeu, animada, não chamando mais pela mãe, e o tio contou sua própria versão da história da chapeuzinho vermelho, enquanto dava banana amassada para a garotinha, depois de ter consultado a Sra. sobre isso, por meio de mensagem.
Colocou a menina, já bastante sonolenta, na cama, distribuindo almofadas em volta dela, por questões de segurança, e ia se retirar, pensando que ela havia pegado no sono, quando sentiu as pequenas mãozinhas alcançarem sua blusa e puxarem-no de volta. Não conseguiu que ela tentasse dormir, enquanto não se deitou ao lado dela, deixando que colocasse a cabecinha em seu peito, e acabou viajando para o mundo dos sonhos também.
Acordou com a menina dormindo entre ele e , e, ao ver que Dianna dormia no quarto de hóspedes, tendo preferido deixar a filha onde estava, soube que fizera um bom trabalho.
Talvez tivesse razão e ele não precisasse ter receio de ser pai de uma menina. Talvez sequer precisasse dos livros e o amor fosse mesmo capaz de ensinar-lhe tudo de que precisava saber.

22 de novembro de 2052

Aquele não era um dia comum na casa de , que estava recebendo as filhas para partilhar com elas mais um desses momentos bastante especiais e indescritíveis na vida de uma mãe.
“Ai!” Aubrey gritou, pela quarta vez, após mais uma picada de alfinete em sua pele.
“Desculpa, Srta. .” Uma das assistentes de Dante falou, fazendo careta de preocupação.
“Você não para quieta! Assim, as meninas não conseguem terminar isso hoje, darling.” O estilista comentou, antes de dar uma instrução à outra assistente que marcava o lindo vestido nude, confeccionado em tafetá de seda pura, ajustando-o, pela última vez, às medidas da filha do meio dos . No dia seguinte, ele teria que estar finalizado e impecável!
“Eu detesto isso!” Bufou a garota, tentando se manter imóvel, para ver se ao menos aquela última prova do vestido acabava rápido.
“Pois eu amo! Por mim, poderíamos ter uma festa, com direito a um vestido novo feito pelo tio Dante, por semana.” Brianna comentou, enquanto admirava sua própria imagem no espelho, com o vestido de madrinha em cetim negro. Ela não teria escolhida tal cor para um cortejo de casamento, mas tinha que reconhecer que o modelito tinha ficado simplesmente maravilhoso. “E você deveria ficar animada, pelo menos dessa vez, maninha! Afinal de contas, é o seu momento. Você vai ter o seu Felizes para sempre, hum?”
“Ela tá animada, minha filha.” disse, rindo, ao ver que Aubrey estava revirando os olhos para o comentário da irmã. “Mas é a nossa Aubrey! Se ela pudesse se casar usando sapatilhas e um vestidinho de algodão, sem que o Joshua achasse que ela tava fazendo pouco caso, seria assim que ela apareceria na cerimônia amanhã.”
A mãe estava certa, como sempre. Ela estava, sim, animada, afinal ia se casar com Joshua e, pela primeira vez, tinha realmente esperança em relação ao tal Felizes para sempre. Já tinha vivido como se fosse casada por duas vezes, mas ele fora o primeiro homem a convencê-la a assinar proclamas e celebrar a união. Ela não ligava para nada disso e estava fazendo apenas uma concessão, a qual só tinha aceitado fazer por amor e pela quantidade de concessões que ele mesmo tinha feito por ela, como deixar São Francisco para morar em Los Angeles, quando nunca tinha pensado nisso antes, e largar um emprego estável para se aventurar em um trabalho novo.
“Por falar nisso, o que você vai vestir hoje no ensaio?” Brie indagou, preocupada, após a observação perspicaz da mãe sobre Aub.
“Eu nem pensei muito nisso.” Aubrey deu de ombros, sendo espetada por um alfinete de novo, graças ao movimento. “Mas eu trouxe uns vestidos, e nenhum deles é de algodão, então algum deve servir.” Acrescentou, irônica.
“Às vezes eu não acredito no quanto somos diferentes, tendo o mesmo pai e a mesma mãe!” A irmã respondeu, indignada. “Não é só um ensaio! A gente vai pro jantar de ensaio depois! Todo mundo vai estar lá. Vão tirar centenas de fotos de você e do Josh. Vão filmar! Seus filhos vão ver isso um dia, e você vai escolher o que vestir na hora de sair? Entre alguns vestidos que você já tinha?”
“Caramba, Brie! Eu nem gosto de vestidos! Você não pode se contentar com o fato de que eu vou usar um, ao invés de um dos meus jeans?”
respirou fundo. Quando as meninas eram crianças, ou mesmo adolescentes, e discussões como aquela começavam, ela interferia, educava. Agora, porém, elas eram adultas, uma com trinta e quatro anos completos, e a outra a poucos dias de atingir a mesma idade. Do alto dos seus sessenta e quatro anos, ela já se julgava velha e se sentia cansada demais para tentar colocar juízo na cabeça de alguém. Era hora de estragar os netos, isso sim!
Aproveitando que já tinha tirado a roupa que Dante fizera para ela usar no casamento, e que a campainha tocara, no meio do debate sem fim entre suas filhas, a Sra. deixou as duas no quarto de hóspedes com o estilista e amigo, e foi em direção à sala. Chegou pouco depois de ter aberto a porta para o filho Derek, que trazia nos braços sua menininha de três anos, Macy.
“Oi, meu filho!” Disse, se aproximando, e puxando o rapaz para um abraço, logo que pegou a neta no colo, enchendo as bochechas da pequenina de beijos. “E a Emmaline? Cadê?”
“Ela... não pode vir.” Derek respondeu, engolindo em seco, e e trocaram olhares cúmplices.
“Tem beijos pra vovó também?” Questionou, mudando o foco para a neta, e, quando a criança se jogou em seus braços, como ela imaginou que faria, os dois homens mais importantes de sua vida foram deixados estrategicamente a sós. Seria uma estratégia dupla, na verdade, porque também tinha certeza de que a presença de Macy acabaria com a briga boba entre as tias dela, se esta ainda estivesse em curso.
“O que aconteceu, filho?” perguntou ao filho, entrando na cozinha atrás dele.
“Brigamos.” Respondeu, pegando uma cerveja na geladeira, abrindo a garrafa long neck e dando um longo gole. “Maaaais uma vez.” Observou, parecendo soprar as palavras, exausto.
“Deve ter sido muito sério pra ela faltar o ensaio de casamento da sua irmã. Vocês estão no cortejo e, por mais que você possa guiá-la amanhã, do jeito que explicarem lá hoje, vocês são da família! E tem o jantar também.”
“Foi uma coisa besta, pai! Algo sobre o presente de Natal da Macy. Na verdade, pai... eu acho que não vai rolar, sabe?”
Não vai rolar? Como assim?” questionou, franzindo a testa.
“Esse casamento. Não vai dar certo!” Explicou, jogando o restante da bebida que havia na garrafa garganta abaixo.
“Você não pode dizer isso por causa de uma briga, Derek. Ainda mais de uma briga que você mesmo disse ter acontecido por uma coisa besta!”
“Mas não foi uma briga! Foram muitas!” Quase gritou de frustração.
“Casais brigam! Mas, quando eles se amam, depois das brigas eles se entendem. Olha, eu não sou careta, filho. Não acho que você é obrigado a ficar casado, assim como não achei que você tinha que se casar quando a Emmaline engravidou. Eu te disse isso! Mas você me disse que não ia se casar por causa da gravidez e sim porque amava a Ems, e isso é um bom motivo – o melhor motivo! – pra eu achar que você tá errado em dizer que não vai rolar.”
“Mas... e se eu tava só apaixonado pela Ems? E se não era amor? Como eu posso ter certeza com a gente se desentendendo a toda hora?”
“Todo mundo passa por momentos de dúvida...”
“Merda nenhuma, velho! Eu até vi você e a mamãe discutirem algumas vezes, mas vocês nunca tiveram dúvida de que eram o amor da vida um do outro!”
“Você tá me achando um grande hipócrita, então, né? Mas você se esquece que, antes de eu me casar com a sua mãe, nós tivemos um casamento marcado e cancelado, por causa de uma armação da sua avó, ficamos sem nos ver por quase uma década, morando em continentes diferentes... que eu fiz de tudo pra não me aproximar dela de novo e quase escolhi uma outra mulher pra me casar por isso!”
“Imagina? Você casado com a tia Dianna ou a tiaMaya.”
“Pois é. Imagina!” Riu. “O fato é que, quando a gente superou todas essas coisas, quando a gente viu que o amor da gente continuava intacto, guardado lá no fundo da gente, mesmo soterrado por tanta mágoa, não tinha espaço pra dúvida! De outro modo, provavelmente a gente teria tido crises, durante o nosso casamento, como todo mundo.”
Derek abriu a geladeira e pegou duas cervejas dessa vez, oferecendo uma ao pai, que aceitou. Os dois beberam em silêncio por algum tempo. queria dar espaço para o filho pensar no que estava acontecendo e nas coisas que ele tinha acabado de falar. Adoraria que ele continuasse casado, pois gostava bastante de Emmaline, mas, acima de tudo, queria que ele fosse feliz e, se realmente não houvesse amor para sustentar a relação dos dois, apoiaria, caso o rapaz decidisse se separar. Quanto à neta, ele conhecia o filho e não tinha dúvidas de que Derek faria sempre parte da vida da menina, acontecesse o que acontecesse. Isso já era menos um potencial problema!
“Meu Deus! O que eu faço, pai? Como eu descubro?” O homem mais novo quebrou o silêncio, passando uma das mãos pelo queixo, em um gesto nervoso.
“Eu acho que uma maneira é você pensar na sua vida sem ela. Não só sem as brigas, que obviamente você quer eliminar, mas sem tudo dela... sem o sorriso, a risada, o carinho, as conversas. E tentar perceber também se as brigas fazem sentido, se elas acontecem porque vocês não são compatíveis como pensavam, porque não gostam mais de estar junto um do outro, ou se elas são fruto de estresse, de pouco diálogo. Eu me lembro que eu e sua mãe tivemos as brigas mais feias quando sua irmã era pequena. A gente não sabia bem o que fazer, tinha que tomar decisões juntos, mas, ao mesmo tempo, a gente tava num nível de exaustão tão grande que, quando tinha tempo para sentar e conversar, não tinha nenhuma paciência! A gente queria que a solução aparecesse como mágica e, como isso não acontecia, vinha a irritação...”
“Alguma vez a Brie quis um unicórnio de presente?” Derek perguntou, mais pensando alto do que qualquer coisa, mas acabou chamando a atenção de e interrompendo seu discurso, mesmo assim.
“Unicórnio?”
“Aham... A Macy quer que o Papai Noel traga um unicórnio para ela, no Natal. A Ems não quer que eu acabe com as fantasias dela sobre o Papai Noel e nem sobre o Unicórnio, mas – me diz! – como eu vou fazer isso? Eu até tentei levar a história a sério e pensar numa solução. Talvez dizer que o presente de Natal é nosso mesmo e que não conseguimos comprar um unicórnio... ou então manter o lance do Bom velhinho, mas falar que unicórnios só existem nas histórias... sei lá! Só que ela ficou insistindo em conversar sobre isso hoje, disse que eu não ligo em destruir os sonhos de criança da Macy. Eu me irritei! Quando eu vi, já tava ironizando e aí foi ela quem ficou irritada e gritou...”
“Uma briga boba, que aconteceu porque vocês estão cansados.” O pai colocou a mão no ombro dele, dando uma leve apertada. “Vocês vão precisar conversar bastan-”
“VOVÔ!!!” Macy entrou na cozinha, agarrando as pernas de , que parou de falar e voltou toda a atenção para ela. “A titi Aubey tava com o vestido mais lindo que eu já vi! Parecia uma pincesa de desenho! Mas a vovó falou que ela não vai ao baile de caluagem. Poxa, era a minha chance de andar de caluagem!” Reclamou, colocando as mãozinhas na cintura. Lembrava demais Brianna aos três anos, no jeito de falar e nos gostos, apesar de ser uma miniatura de Aubrey, o que não era surpresa pois Derek e ela sempre tinham sido parecidos fisicamente.
“Qualquer dia desses, a vovó te leva pra dar uma volta em uma bem linda, meu amor.” , que tinha ido atrás dela até a cozinha, prometeu, pensando em uma das carruagens usadas em um filme de época que estava sendo rodado nos Estúdios da GHShow.
“A noiva tá se arrumando. Eu e Dante conseguimos convencê-la a usar pelo menos algumas joias suas, com aquele vestido sem graça! Mas ela não me deixou maquiá-la, de jeito nenhum, e dispensou também a ajuda das assistentes dele.” Brie comentou, ao entrar também no cômodo, indo em direção ao irmão e dando-lhe um beijo na bochecha. “Não tem mesmo jeito de fazer a Ems ir ao menos ao jantar?” Indagou, baixinho, enquanto os pais de ambos levavam Macy para à sala, na qual se juntaram a Dante, que já tinha dispensado suas colaboradoras e seguiria com eles para o ensaio.
“Eu vou tentar falar com ela.” Ele garantiu, dando um sorrisinho amarelo. “E os meus sobrinhos, hum? Quebrando a casa toda?”
A pergunta rendeu uma longa conversa, afinal os filhos eram sempre o assunto favorito de Brianna. Derek ficou aliviado em deixar de ser o centro das atenções, mas também contente em ouvir a irmã falar sobre as crianças. Ele mesmo gostava, ainda mais do que demonstrava, das histórias dos gêmeos, que enlouqueciam os vizinhos, fazendo barulho equivalente ao de uns dez meninos “normais”.
Durante o caminho para o salão onde aconteceriam o enlace civil e a festa, Derek tentou ligar para Emmaline, mas ela não atendeu o celular, nem o telefone da casa deles. Imaginou que ela ainda estivesse chateada, e se sentiu culpado e frustrado. Queria poder ao menos pedir desculpas logo, mas não havia chance de se ausentar do ensaio para o casamento da irmã e do jantar que o seguiria. Aubrey tentara disfarçar, mas ele sabia que ela já estava bastante triste por não contar com a presença da cunhada e que ficaria decepcionadíssima se ele não participasse também.
Depois de receber instruções sobre como deveria adentrar o tapete vermelho, com sua mulher, no dia seguinte, o rapaz ficou prestando atenção à filha, que também faria sua participação, levando uma cesta com pétalas de flor que deveria jogar para cima, enquanto passasse entre os convidados. A garotinha ficou reticente de início, mas fez sua caminhada rumo ao “altar”, depois que a avó mostrou-lhe o vestido que o tio Dante e sua equipe tinham feito para ela, e que muito se parecia com o vestido de princesa da tia que ela elogiara um pouco mais cedo.
“Ems!” Escutou, muito de repente, a noiva dizer e, virando-se na direção de Aubrey, que esperava para também seguir rumo ao local em que ela e Joshua fariam seus votos, viu a esposa abraçando sua irmã. Emmaline respondeu algo que ele não conseguiu ouvir e foi em direção a ele, trocando sorrisos com todos com quem cruzou.
“Oi.” Ela falou baixinho, meio sem jeito, e ele retribui o cumprimento, abrindo um sorriso aliviado e segurando a mão dela na dele.
Derek esperou, ansioso, o final do ensaio, tentando demonstrar que estava arrependido de brigar e que desejava que tudo ficasse bem, ao não largar a mão de Emmaline nem por um momento. Somente quando já estavam no restaurante onde a família e amigos do casal de noivos jantaria, ele pode ter um ansiado momento a sós com ela, com a ajuda da mãe, que providenciou para que Macy ficasse com as outras crianças.
“Me desculpa.” Ele disse, fazendo carinho no rosto dela, assim que percebeu que não seriam interrompidos. “Sério, amor! Eu não queria brigar. De verdade. Eu não quero brigar mais! Eu vou tentar ficar mais calmo, pensar duas vezes...”
“Tudo bem, porque eu também não facilitei, né?” Ela balançou a cabeça, nervosa. “A gente não tem que fazer todas as vontades da Macy.”
“Mas ela é muito pequena ainda! A gente também não precisa falar todas as verdades.” Ele ponderou. “Sabe... eu andei pensando. A gente podia dizer que unicórnios são mágicos e só aparecem quando querem, e que o Papai Noel não conseguiu encontrar nenhum, por isso, colocou outra coisa pra ela na árvore de Natal. Assim, ela continua acreditando nos dois, mesmo não tendo como a gente dar a ela um unicórnio.”
“Pode ser uma boa ideia, sim! Até lá a gente decide.” Respondeu, soltando a mão da dele e colocando ambas as mãos em sua nuca. “Por ora, eu só quero que você saiba que eu amo você e que eu também vou tentar ficar mais calma e contar até dez, cem, mil, se for preciso, para gente não brigar!”
“Certo.” Ele concordou, dando um sorriso satisfeito e puxando a mulher pela cintura. “Eu também te amo, Ems! A vida a dois pode ser muito difícil, boa parte do tempo, mas eu prometo lembrar a mim mesmo, daqui pra frente, do quanto eu te amo. Eu não quero te perder, amor. Mesmo!” Afirmou, beijando-lhe o alto da cabeça e aninhando o rosto dela em seu peito.
se aproximou de , devagar, observando o marido que, por sua vez, olhava discretamente para o filho e a nora.
“Bom trabalho, Sr. !” Ela disse, acariciando o braço dele e sorrindo largamente.
“Trabalho?” Ele indagou, distraído, voltando-se para ela.
“Com nosso caçula.” Esclareceu, e ele fez um sinal negativo com a cabeça.
“A Ems veio até aqui e levantou a bandeira branca. Ela facilitou para ele! É como vocês, mulheres, quase sempre fazem com a gente.”
“Mas, pelo que eu conheço do meu filho, ele parece muito inclinado a consertar as coisas! E eu sei, Sr. , que tem dedo seu aí!”
“A gente conversou, sim, mas não foi nada demais. Não é nada difícil acertar com eles, ! Você me deu os melhores filhos.” Afirmou.
“Eu dei a eles o melhor pai!”
Ela enlaçou a cintura dele com o braço direito. Ele envolveu seus ombros com o esquerdo e repetiu o gesto do filho, beijando a esposa no alto da cabeça. Os dois viram juntos o primo de Joshua, que era o principal padrinho dele, bater com um garfo em sua taça cheia de vinho, chamando a atenção de todos, e dar início ao primeiro dos muitos discursos que seriam feitos em homenagem ao casal, durante aquela noite e a seguinte.
Aparentemente, sempre havia muitas e muitas coisas a dizer, quando um membro do clã resolvia se casar!

13 de setembro de 2014

sentiu-se aliviado quando a porta dupla se fechou atrás dele e de , e os dois se viram enfim em um corredor amplo com apenas algumas pessoas, entre atletas, familiares, treinadores, preparadores físicos e representantes de patrocinadores.
Parecera-lhe uma ótima ideia viajar para Las Vegas naquele sábado, para assistir ao UFC, junto com a noiva, uma vez que o Card Principal da noite seria a luta entre o irmão dela e o atual dono do cinturão dos pesos pesados, e que nenhum dos dois via lutar fazia anos. Além disso, por mais que ela estivesse feliz com o recente noivado, sabia que a mulher que amava ainda estava sofrendo em razão da descoberta de tudo que a mãe fizera contra a relação dos dois. Uma distração cairia muito bem!
Não dera atenção, no entanto, ao fato de que ele, que antes apenas saía em algumas colunas sociais, por ser um grande empresário, tinha se tornado uma verdadeira celebridade, após seu reality show. Não pensara no fato de que seu relacionamento com , depois da declaração que ele dera ao vivo, se tornara de enorme interesse da imprensa e de telespectadores que tinham se tornado seus fãs!
Logo que eles saltaram do carro, em frente ao MGM Grand Las Vegas, em cuja arena aconteceria o evento de MMA, o rosto dele foi reconhecido e o casal foi cercado por fotógrafos, repórteres e curiosos. As câmeras continuaram sendo apontadas para eles, e perguntas de todo tipo foram dirigidas aos dois, mesmo quando já se encontravam dentro do local, e foi necessário que alguns seguranças interviessem, levando ambos para o backstage.
“O não está em aquecimento ainda.” Um rapaz da equipe de apoio de , que os recebeu logo que chegaram aos bastidores, falou. “Ele está naquele camarim ali e espera por vocês.” Apontou.
Os dois agradeceram e foram até o local, onde conversaram um pouco com o lutador, que estava mais animado e confiante do que nunca.
"Cara, eu recebo sempre umas gatas aqui no camarim, mas hoje veio uma maravilhosa! Disse que veio só pra me ver ganhar e é claro que eu não vou decepcionar, né?" Disse o rapaz, dando um soquinho no ombro de . Nunca ficara tão encantado com uma garota, assim à primeira vista, quanto com a que tinha sido apresentada a ele por um representante da Bad Boy. O patrocinador dissera algo sobre terem-na escolhido para ser estrela de um comercial de roupas esportivas da marca, depois de sua participação em um reality show de sucesso, mas não conseguira prestar muita atenção à história. Estava hipnotizado por Dianna Cooper! Só conseguira pensar direito o suficiente para pedir o número do telefone dela, que gravara em seu celular.
"Você deveria pensar em recuperar o título, que perdeu justamente por causa de farras com garotas, segundo eu soube. E não em ganhar pra impressionar alguém que você acabou de conhecer e de quem provavelmente não vai nem lembrar amanhã." A irmã repreendeu. Era mais nova, mas sempre tivera mais juízo, e tais conversas eram uma constante.
"Intrigas, mana! Não foi nada disso de farras com garotas. Eu tava era lesionado, mas não deu pra cancelar a luta, por causa de patrocinadores."
"Isso não tá certo! Você tem que se cuidar, em primeiro lugar." Ela disse, chateada, mas ele deu de ombros. Eram ossos do ofício e ele tinha escolhido aquela vida.
"Por falar em patrocínio, eu queria que você me colocasse em contato com alguém com quem eu pudesse tratar de uma parceria. Eu andei tendo algumas ideias que acho que podem ser bem lucrativas." mudou de assunto, pois sabia se cuidar e não precisava de um sermão da irmã caçula sobre os riscos de sua profissão. Já ele estava precisando colocar em prática projetos que vinha desenvolvendo há algum tempo e a ajuda do amigo seria de suma importância. Canais por assinatura especializados eram o próximo passo a ser dado pela GHShow, com certeza, e canais esportivos tinham que fazer parte do pacote!
O casal falou sobre negócios com o atleta, por alguns minutos, mas não demorou muito mais no camarim, sabendo que ele precisava se preparar bem para o combate. Logo os dois aproveitaram que o evento começara e foram discretamente para seus assentos, de onde acompanharam várias lutas, até o momento daquela em que veriam recuperar o cinturão, com um nocaute espetacular.
Aproveitaram que tanto os jornalistas quanto o público estavam envolvidos com a comemoração do campeão, saíram de fininho, já tendo combinado de encontra-lo no dia seguinte, para almoçarem juntos. Sua próxima parada foi em um restaurante, no qual escolheram uma mesa discreta, para apreciar uma deliciosa comida mexicana e beber margaritas.
“A gente devia casar!” Ela falou, algumas horas depois, a voz aguda já mostrando os efeitos da tequila.
“A gente vai casar! Aliás, um brinde a isso... de novo!” Ele falou, batendo sua taça (o garçom acabara de trazer mais duas cheias!) na dela.
“Eu to falando agora mesmo! A gente deveria sair daqui, entrar numa daquelas capelas malucas e casar, agora mesmo! Eu não mereço esperar mais um minuto sequer!” Afirmou, derrubando preciosos goles de bebida, ao gesticular amplamente.
“Não merecemos. Eu topo!” Ele concordou, sem pensar muito, rindo, também um pouco alterado pela bebida.
“Então... apenas vamos!” Levantou-se, decidida, estendendo a mão para ele, que fez sinal para o garçom, pedindo a conta. “Tem uma bem aqui em frente. É essa mesmo que eu quero.”
não conseguiu fazer nem mesmo com que ela esperasse pela conta e teve que colocar uma boa quantia de dinheiro sobre a mesa, para garantir que não estivessem dando um calote, antes de ir atrás dela, que caminhava resoluta para a rua. Alcançou a garota a tempo apenas de lhe dar a mão e atravessar a rua junto com ela.
Entraram na tal “capela” e foram recepcionados por pessoas atenciosas, mas também loucas para arrancar dinheiro deles com todo tipo de detalhes para casamentos relâmpago em Vegas.
Eles tinham opções de alianças, bandas, cantores, djs, buquês, flores para enfeitar o local. Dispunham de fotógrafo, cinegrafista, limusine com motorista para leva-los a um passeio pela cidade ou ao local de sua preferência, bebidas para um brinde, bem casados, cupcakes... Contavam inclusive com pessoas para servirem de testemunhas, sabendo que muitos casais de turistas resolviam se casar enquanto estavam viajando completamente sozinhos.
Tudo aconteceu super rápido e, menos de uma hora depois de deixar o restaurante mexicano, e estavam bebendo de novo, desta vez champagne, no banco de trás de uma limusine prateada.
andava de limusine com alguma frequência, em razão dos eventos de trabalho glamorosos, mas desde a adolescência não viajava em uma com o teto solar aberto e sentia a tentação de ficar de pé no meio do veículo, deixando o vento dar a seus cabelos um ar de rebeldia e a atitude, um quê de ousadia. Então, ela não resistiu e seguiu o impulso, colocando a cabeça para fora.
“EI, VEGAS! Eu me casei com ! EU SOU A MULHER MAIS FELIZ DE TODAAAAS!” Ela gritou, achando que poderia vencer o vento forte batendo em seu rosto e os barulhos da cidade com sua voz, e compartilhar o que estava sentindo.
, não faz isso, amor!” a segurou dentro do carro e tentou repreender, temendo que fossem reconhecidos, mas, no fundo, não podia deixar de achar graça na alegria despreocupada da mulher.
“EU SOU O REI DO MUNDOOOO!” Gritou ela, subindo de novo, ainda mais alto, e jogando os braços para cima.
!!!” Ele a puxou, mais uma vez. “Babe, você nunca seria um rei! E isso é do Titanic! Eles estão em um navio no filme.” Riu, passando o braço em volta da cintura dela, para garantir que ficasse sentada. Do jeito que ela estava, ficar com parte do corpo para fora poderia ser até perigoso.
“Eu sei.” Ela riu também, se aninhando a ele e esfregando, em seguida, o nariz pelo pescoço do marido. “A gente podia ir pra um navio agora!” Falou, enrolando-se um pouco com as palavras.
“Talvez amanhã. Agora, a gente vai pra cama.”
“Também é uma ótima ideia.” Disse, passando a roçar com os lábios o maxilar dele, enquanto acariciava o abdômen, sugestivamente.
Minutos depois, o casal entrava na suíte de hotel em que estavam hospedados. fazia uma espécie de strip-tease meio atrapalhada, mas muito sexy aos olhos de , que a pegou no colo, indo direto para a cama, quando ela ficou só de calcinha e sutiã.
A lingerie era minúscula, deixando pouco para ser imaginado, mas o que o fez parar e olhar fixamente, antes de começar a tirar a própria roupa, foi a ideia absurdamente afrodisíaca de estar prestes a fazer sexo com sua mulher! era sua mulher e ele quase pediu que ela lhe desse um beliscão, para que tivesse certeza de que não estava sonhando, mas havia outras sensações que só alguém bem acordado poderia experimentar, então ele simplesmente tirou a roupa em velocidade recorde e se jogou nos braços dela.
Ambos estavam um pouco bêbados, meio atrapalhados e achando graça em tudo, mas também estavam cheios de desejo um pelo outro, e não demoraram para se conectar do modo mais íntimo e gozar quase em sincronia. Exaustos em razão da viagem, e relaxados pela tequila e pela satisfação sensual, adormeceram, suados, com seus cheiros misturados, suas pernas entrelaçadas.
O celular de tocou por volta de onze da manhã, no dia seguinte, assustando o casal, e ele atendeu a ligação, enquanto fazia uma careta e massageava as têmporas. O rapaz falou com a mãe por pouco mais de cinco minutos, sem se levantar da cama, e acariciando o braço de , que apenas lhe sorriu, sem sequer mudar de posição.
“Bom dia, meu amor!” Ele disse, tocando rapidamente os lábios dela com os seus, ao desligar o telefone.
“Eu não acho que tenha começado muito bem. Parece que tem algum alienígena fazendo força pra sair da minha cabeça!”
“Se chama ressaca e eu também to sentindo.” Falou, coçando os olhos. “Não teria sido mal dormir mais um pouco.”
“Pelo menos, é melhor ter uma mãe que te acorda do que uma que faz o seu noivo dormir.” Disse, irônica.
...” Ele se preocupou. Não queria que ela ficasse triste de novo.
“Ok, eu mudei de assunto. Até porque acho que sarcasmo não ajuda com a dor de cabeça.” Ela respirou fundo, sentindo-se ainda pior ao sentar na cama.
“Talvez uns analgésicos ajudem.” Ele comentou, levantando-se para pegar comprimidos que tinha na mala. Foi também até o frigobar e pegou uma garrafa de água, antes de voltar à cama.
“Então, a gente se casou mesmo, hum?” Ela disse, quando ele voltou a ocupar o lugar a seu lado, contemplando a aliança em seu anelar esquerdo. “Eu me lembro vagamente de um sujeito vestido de Elvis, cantando Love me tender, e de nós dois assinando um livro.”
“Eu até diria que foi um pouco precipitado, se a gente não estivesse esperando pra se casar há tanto tempo que poderia estar no livro dos recordes.” Ele riu, tomando um dos comprimidos e dando dois a ela, que parecia em pior estado.
“Eu acho que gostaria de me lembrar de mais detalhes do meu próprio casamento, mas podia ser pior. Eu podia ter me casado com meu maior rival, ou com um ilustre desconhecido.” Brincou, pois na verdade se lembrava de tudo. A bebedeira da noite anterior só estava causando dor de cabeça mesmo.
“Quem é esse seu rival?” Perguntou, não compreendendo o comentário.
“Eu não tenho um, amor. To falando de Leis da Atração, com o Pierce Brosnan e a Julianne Moore. Os personagens deles são advogados, especializados em divórcio, e vivem às turras, um tentando tirar o máximo de grana possível do cliente do outro. Até que eles vão a um bar juntos, bebem todas, ficam juntos e, quando acordam no dia seguinte, percebem que se casaram.”
“Ah, tá. É um filme.” Ele riu de si mesmo. “Eu não me lembro desse, mas o do desconhecido deve ser aquele com o Ashton Kutcher, certo? Esse eu vi, afinal... Cameron Diaz, né?” Fingiu mais interesse do que realmente tinha na loira, e ela entrou na brincadeira, dando um tapinha no braço dele. “Ainda bem que a gente não ganhou alguns milhões no jogo e você não vai ficar tentando me irritar, até eu desistir e te dar metade do dinheiro, só pra me ver livre de você, né? Você sabe que nada que você fizesse ia me fazer desistir de você de novo.” Ele segurou a mão da mulher na sua, brincando com a aliança em seu dedo.
“E aquela grana toda que o vovô deixou pro netinho?” Ela piscou, travessa, e os dois riram.
“O é que não vai gostar nem um pouco dessa história de casamento relâmpago em Vegas, porque com certeza ele já tá pensando na minha despedida de solteiro como uma boa desculpa pra vir pra cá e beber todas, como se não houvesse amanhã.” Comentou e, pouco depois, deu uma gargalhada que o fez franzir o cenho.
“Desculpa.” Ela pediu, levando a mão à boca e tentando se controlar. “Eu não consegui deixar de pensar no acordando no dia seguinte e descobrindo que perdeu um dente ou... que fez uma tatuagem no rosto, sei lá.”
“Você viu esses filmes?” Indagou, surpreso, se referindo a Se beber não case, partes I e II, nos quais tais coisas acontecem com um dos personagens, justamente durante despedidas de solteiro que saem do controle.
“Uhum.” Ela deu de ombros.
“Certamente com algum namorado, né?” Tirou conclusões e fez uma careta, se mostrando ciumento, o que a fez sorrir e roubar um selinho dele, antes de responder.
“Na verdade, foi a quem me fez ver esses filmes. E até que eu me diverti.” Assumiu. “E ela também não vai gostar muito, e nem o Dante, nem o Blaine. É claro que eles já devem estar pensando em organizar a festa de casamento do ano, a essa altura! E é óbvio que eu lamento decepcioná-los! Mas a verdade é que eu não to nem um pouco arrependida, porque eu nunca fui tão feliz, e eu não podia esperar nem mais um minuto pra ser a Sra. , pra te chamar de marido, viver na mesma casa que você...” Foi a vez dele de não resistir e interrompê-la com um beijo rápido.
“Eu te amo demais, !” Declarou, olhando nos olhos dela e acariciando seu cabelo. “Eu pensei todos esses anos em você, mesmo me odiando por não conseguir ter raiva de você, como eu achava que deveria. Eu também nunca fui tão feliz e, mesmo que eu saiba que a minha mãe vai ficar doida porque o filhinho único dela se casou, e ela só vai ver por fotografias, eu nunca me arrependeria.”
“Eu também te amo. Mais que tudo, !” Ela respondeu, sorrindo. Ele acariciou os cabelos dela, depois os afastou de um dos lados do pescoço e passou o nariz por ele, dando alguns beijos em seguida.
“Que tal um banho gostoso de banheira?” Perguntou e ela gemeu.
“Acho que pra isso eu não me importo de sair da cama.”
“A gente vai ter que sair da cama, de qualquer jeito. Esqueceu que marcamos com seu irmão?”
“Huuuuum...” Ela gemeu de novo, mas dessa vez não foi de contentamento. “Por que a gente fez isso mesmo, hein? Essa cama é tão macia!”
“Porque estamos em Las Vegas, babe, e há muita coisa pra gente fazer aqui! A cama parece boa agora, mas depois de um bom banho essa ressaca vai melhorar, e você bem que vai gostar de jogar um pouco e fazer umas comprinhas.”
riu e saiu da cama em um pulo, desafiando a chegar na banheira antes dela. Tinha planos para o dia, realmente, e alguns que ela queria colocar em prática na própria suíte de hotel, antes mesmo do encontro com .
Antes de contar a todos sobre seu casamento “furtivo” e de aguentar as muitas queixas de pessoas que eles sabiam que, no fundo, estariam felizes por eles, tinham mais algum tempo para aproveitar a Cidade do Pecado.

13 de janeiro de 2048

desceu do carro, agradeceu ao motorista que segurava a porta aberta para ela e pediu que ele fosse buscá-la no final da tarde, no mesmo local. Caminhou em direção à mansão que ela e tinham alugado em Beverly Hills, para a after party da qual seriam anfitriões, no dia seguinte, observando a movimentação, já intensa, dos muitos profissionais que trabalhavam na organização da festa.
Normalmente, os compareciam aos jantares e bailes comemorativos dados por produtores, diretores e artistas, depois de premiações como o Oscar, o Grammy e tantas outras para as quais eram convidados. Mesmo sendo donos de uma rede de emissoras, que fazia transmissões ao vivo diretamente dos tapetes vermelhos e das cerimônias, nunca tinham feito o seu próprio evento pós-prêmio. Naquele ano, no entanto, produções do grupo GH, formado pelas emissoras de TV, abertas e por assinatura, e pelo canal pago de Internet, tivera um número de indicações tão expressivo ao Golden Globe, que o casal sentira que precisava homenagear os envolvidos, em grande estilo.
tomara a frente de tudo, como sempre fazia, e estava sendo perfeccionista com cada detalhe. não se incomodara, pois sabia que não entendia de festas e que ela, além de ter bom gosto e de saber tudo o que uma recepção elegante e, ao mesmo tempo, descontraída, precisava ter, contaria com o apoio da melhor empresa especializada que pudesse encontrar. Só participou de uma das reuniões da equipe da TVZoom No Ar, na qual deixou claro que fazia questão de que todos pudessem ficar à vontade e se divertir. Câmeras só deveriam ficar ligadas durante os primeiros sessenta minutos e entrevistas deveriam ser realizadas também dentro deste deadline.
Logo no primeiro cômodo da mansão, a Sra. encontrou Paris Milliot, a jovem elegante que chefiava os profissionais que a estavam ajudando a colocar todas as suas ideias em prática.
“Já estamos com boa parte da decoração montada.” Comunicou Milliot, após cumprimentá-la, calorosamente. “No fim do dia, vão estar faltando apenas os arranjos com flores, que vão ser trazidos da estufa poucas horas antes. As câmeras ambientais estão sendo testadas, assim como os telões para projeção de imagens e o som.”
“Ótimo! Eu gostaria de ver um desses testes.” Avisou e a garota concordou. Já estava preparada para uma exigência como esta, depois de meses trabalhando para .
“Ah, ia me esquecendo... a Sra. já chegou. Estava no jardim, há alguns minutos, quando eu tivesse que entrar pra acompanhar a troca de um dos lustres.” Informou e, como se adivinhasse que falavam dela, Dianna surgiu no cômodo. Enquanto ela cumprimentava com um abraço, a outra mulher pedia licença para fazer uma ligação e deixava as duas a sós.
“Tá ficando maravilhoso, . De extremo bom gosto! Eu já andei bastante por aí, e você fez um ótimo trabalho, como sempre.” Elogiou a cunhada.
“Obrigada, Di. E é bom que esteja tudo impecável mesmo, porque essa festa tá sendo planejada há quase um ano! Me deu mais trabalho que muitos programas, e com certeza mais que qualquer festa. Até que o nosso casamento duplo.” Riu, lembrando-se da loucura que tinha sido planejar tudo em tão pouco tempo.
“Ah, mas não deixa de ser um programa, já que a festa vai ser transmitida pela Zoom. E certamente não é só uma festa pra família e amigos, né?” Ponderou. Muita gente importante, conhecida nos quatro cantos do mundo, circularia, na noite da festa, pela enorme propriedade em que agora só estavam as duas, dezenas de trabalhadores do ramo de festas e alguns poucos da indústria do entretenimento, mas apenas do tipo que atua nos bastidores. Elas já estavam acostumadas a frequentar eventos em que esbarravam em celebridades, a ter algumas delas em seu círculo de amizade, até a recebê-las em casa, mas nenhuma das duas jamais havia organizado nada para centenas delas.
“Com certeza, não. No casamento, a gente não teve nem um terço do número de pessoas que vamos ter aqui amanhã.” Concordou . “Mas também vamos ter toda a família e os amigos mais próximos, o que me deixa mais feliz que todo o resto! Já nem me lembro mais quando foi a última vez em que nos reunimos assim. No meu aniversário, a Marie não foi... nem a . No do , o David teve aquele trabalho e o estava em Londres.”
“Realmente vai ser ótimo estar com todo mundo! Alguém mais já chegou?”
“O já chegou. Tá hospedado na casa de uma das exs... acho que a mãe do filho mais velho dele. O até foi encontrá-lo pra jogar squash. Deve almoçar no clube com ele, já que eu disse que você vinha me encontrar e nós duas comeríamos algo por aqui mesmo.”
“E as crianças?” A mulher de ainda chamava os filhos e os sobrinhos assim, apesar de o mais novo deles já ser maior de idade e a mais velha ter passado dos trinta!
“O Derek veio comigo e com o pai, ontem, e eu acho que ia pro clube também. A Aubrey veio no carro dela, hoje cedo. Ela comentou alguma coisa sobre tirar umas fotos...”
“Com licença.” Paris, que acabara de voltar, fez notável sua presença. “Desculpem por interromper, mas eu estou à disposição, quando quiser começar, Sra. .”
“Agora mesmo.” respondeu, convicta. A festa era parte de seu trabalho e ela nunca deixava de levar trabalho a sério.
“Vamos para a área externa, então. É o local menos movimentado no momento.” Respondeu a mulher, fazendo um sinal em direção a uma porta lateral. “Posso oferecer algo a vocês? Champagne talvez?”
“Não, obrigada. Prefiro não beber enquanto trabalho. Um chá gelado seria ótimo. De pêssego, bem gelado, mas sem as pedras de gelo, e adoçado previamente, sem aquela sobrinha de açúcar no final, por favor.” Continuava extremamente exigente, o que fez Dianna olhar para outra direção, segurando o riso.
Paris assentiu e olhou para a Sra. , que aceitou a bebida espumante, afinal estava ali apenas para acompanhar a cunhada. Mais ou menos cinco minutos depois, estavam as três à beira de uma linda piscina, sentadas à mesa, tomando suas bebidas e revendo detalhes sobre a recepção.
“Essa mesa aqui, número vinte e dois. Temos que trocar. Os convidados dela podem ir pra trinta e vice versa. Wyatt Haas está nela e Candace Olmstead, na 23. É proximidade demais.” disse, apontando o mapa de lugares no tablet que Paris segurava. A jovem imediatamente fez a mudança, arrastando as mesas desenhadas de um lado para o outro da tela.
“Problemas no paraíso?” Di ficou curiosa.
“Terminaram. Ele estava flertando com a protagonista da nova série dele.”
“E quanto a Gavin Chappelle, Sra. ? Eu li, essa semana, que ele assumiu namoro com Autumn Voight. Ele tá na 15 e ela na 50, que é em outro salão. Devo trocar?”
“Uhum.” Concordou, sem tirar os olhos de outro tablet em suas mãos, que mostrava a lista dos convidados e restrições, como a alergia de Paige Goree a frutos do mar e a intolerância de Isaiah Bostick a lactose.
Sua concentração era tanta que só percebeu que e Derek estavam de pé, próximo à mesa, quando Di cumprimentou os dois, surpresa. Levantou-se, animada com a presença inesperada deles, e se aproximou primeiro do marido.
“Meu amor, pensei que vocês...” Ela parou, ao observar a fisionomia do filho. tinha aprendido, ao longo dos anos, a manter o semblante neutro, quando necessário, mas Derek nunca sabia disfarçar, se algo estivesse errado. Ela o conhecia muitíssimo bem! “O que aconteceu?” Indagou, preocupada.
, houve um acidente com o Ravid e a Bridget.” O marido respondeu. Sabia que com ela era melhor ir direto ao ponto do que fazer rodeios, e que, se pedisse para ela manter a calma, seria exatamente como incentivar o oposto.
“Meu Deus! Com o avião deles?” Perguntou, alarmada. O irmão e a cunhada continuavam morando em Nova York, mas, com a filha de ambos assumindo a vice presidência da empresa dos , viajavam cada vez mais para a Califórnia, principalmente se houvesse algum tipo de badalação esperando por eles. Estavam vindo para o Globo de Ouro e o vôo deles chegaria naquela manhã.
“Eles... m-morreram?” Dianna questionou, hesitante, e segurou com força o encosto de uma cadeira, fechando os olhos, com medo da resposta.
“Não. Eles estão vivos e a caminho de um hospital, não muito longe daqui. Correu tudo bem no vôo deles. O acidente foi com o carro que eu enviei para buscar os dois no aeroporto de Los Angeles.” Explicou. “O motorista não se machucou e ficou no local, pra prestar esclarecimento à polícia, esperar reboque, essas coisas. Foi ele quem me ligou e, pelo que ele disse, um outro carro atingiu a parte de trás do deles, do lado direito... onde o Ravid estava.”
encarou , procurando nos olhos dele algum sinal de que poderia ficar tranquila, mas não encontrou nenhum. Dianna, por sua vez, olhou para Derek, que preferiu fuçar o arquivo aberto no tablet que a mãe deixara sobre a mesa, para não encará-la.
“É grave.” suspirou. “Ele está vivo, mas é grave, não é?”
“Parece que sim, mas eu também não sei de detalhes, meu amor.” Respondeu , acariciando o rosto dela.
“Vamos pro hospital.” Decidiu a mulher, pegando a própria bolsa, que deixara sobre uma das cadeiras, assim como a de Dianna, que estava junto da dela. “Vamos agora mesmo! Eu preciso saber do meu irmão.”
Avançou em direção à saída da casa, sem parar para falar com ninguém, e foi seguida de perto pela cunhada e pelo filho, enquanto , que conseguia se manter um pouco racional, demorou mais alguns segundos, pedindo desculpas à principal organizadora do evento, que obviamente não se importou com a saída abrupta de . Entendia perfeitamente a necessidade dela de deixar a casa de festas e a completa falta de previsão sobre seu retorno ao local.
Um motorista levara o Sr. e o filho até a casa e também transportou os dois junto com Dianna e até o Cedars-Sinai Medical Center. Dianna tirou o telefone da bolsa e começou a tentar falar com o marido e os filhos, mas ninguém atendeu até que chegassem ao hospital, e batia os pés um contra o outro, nervosamente, enquanto lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. Derek segurou sua mão, durante todo o trajeto, e secou seu rosto várias vezes, repetindo que já estavam quase chegando, desde quando ainda não estavam nem na metade do percurso.
Pararam o mais perto possível da entrada da Emergência, onde os quatro entraram apressados, pedindo notícias no primeiro balcão de informações que viram. A simpática recepcionista logo localizou os registros do Sr. e da Sra. , e informou que Ravid tinha sido levado ao Centro Cirúrgico e Bridget estava fazendo alguns exames de praxe, mas aparentemente tinha sofrido apenas escoriações. Disse, ainda, que um médico logo chegaria à recepção, a fim de conversar com eles e dar mais detalhes sobre o estado do casal.
chorava sem parar, amparada por , que tentava acalmá-la. Ele parecia tranquilo, como se tivesse mesmo certeza de que tudo ficaria bem, exatamente como afirmava, enquanto passava uma das mãos ao longo das costas da esposa. Dianna se afastou um pouco, encolhendo-se no canto de um sofá para chorar baixinho e fazer uma prece, mentalmente, e Derek se ocupou de movimentos sem nenhum propósito, como abrir e fechar várias vezes o zíper do casaco, dar chutes ritmados no rodapé e esfregar as mãos uma na outra.
Aubrey, que fora informada pelo pai, chegou logo depois e, assim como ele, manteve a aparência absolutamente serena, ao abraçar a mãe e perguntar quais eram as informações até o momento.
Em menos de dez minutos, uma médica muito atenciosa apareceu e explicou à família que fora encarregada do atendimento a Bridget e que esta estava bem, mas ficara bastante nervosa ao não poder ver o marido. Em razão disso, terminados os exames, que confirmaram que ela não tinha mais do que alguns arranhões e hematomas, fora sedada e dormiria pelas próximas horas, mas eles poderiam vê-la, se quisessem.
Quanto a Ravid, ele estava aos cuidados do Dr. Choi, e somente alguém da equipe do cirurgião poderia dar informações precisas sobre seu estado. Nenhum dos médicos e enfermeiros que haviam entrado na ala dedicada às cirurgias com Ravid tinha saído ainda, o que fez chorar mais, temendo que a demora significasse o pior.
a tomou nos braços, enquanto Dianna e Aubrey tentavam convencê-la de que as piores notícias eram as que chegavam mais rápido, mas Derek não sabia como agir em uma situação como aquela. Ele observou cada detalhe do local e encontrou um modo de escapar um pouco dali e, ao mesmo tempo, fazer algo pelos demais, quando viu uma placa que indicava a direção do Insomnia Cafe.
“Mãe, quer beber alguma coisa? Um café talvez?” Perguntou, tocando o braço dela.
“Um café seria ótimo, meu filho.” Ela falou, colocando a mão por cima da dele, por alguns segundos. Talvez um chá com propriedades relaxantes fosse mais indicado, mas ela não estava em condições de pensar muito.
“Traz pra todo mundo, Dek.” pediu e ele assentiu, contente por poder ser útil de algum jeito.
Caminhou, seguindo as placas em direção à cafeteria e, entrando em um dos muitos corredores, viu uma menina que parecia ter mais ou menos a idade dele e chorava em silêncio, sentada em um banco.
“Tá tudo bem?” Perguntou, sentando-se ao lado dela, e se arrependeu amargamente logo em seguida. Sabia que a pergunta era de uma tolice ímpar, então, suspirando, apoiou os cotovelos nos joelhos e decidiu tentar se corrigir. “Esquece. É claro que não tá tudo bem. Você tá numa droga de hospital e chorando! A gente pode começar de novo? Porque o que eu queria saber era se eu poderia fazer alguma coisa, ajudar de alguma forma. Só que eu sou um idiota atrapalhado, que não sabe nem começar uma conversa do jeito certo com alguém!” Ela se virou na direção dele e surpreendentemente sorriu.
“Na verdade, você já ajudou.” Declarou, secando o rosto na manga longa do casaco de moletom que usava. “Me fez ter vontade de rir, o que eu não sinto há dias! Obrigada.”
“É?” Indagou, receoso, mas ela confirmou, balançando a cabeça. “Então... de nada.” Ele sorriu também. “O que aconteceu? Algum parente internado aqui?”
“Meu avô. Câncer. Os médicos dizem que ele pode partir a qualquer momento, que será um milagre se durar mais uma semana. E você? Alguém sendo atendido aqui também?”
“Meu tio. Acidente de carro. Mas os médicos ainda não nos deram muitas informações, não.” Fez uma careta de frustração. “Eu sinto muito pelo seu avô.”
“Tudo bem.” Tentou mostrar-se forte. “Ele pelo menos viveu bastante: oitenta e quatro anos! E eu acho que ele foi feliz. Pelo menos julgando pelo fato de que ele fundou uma grande empresa, teve um filho que cuida dela ainda melhor que ele, viajou pra vários lugares, no mundo todo, e teve tantas mulheres que eu perdi a conta!” Riu. “E o seu tio? É jovem?”
“Ele é gêmeo da minha mãe, então... sessenta.” Os irmãos tinham comemorado juntos a significativa data, menos de um mês antes, e Derek lembrava bem da mãe dizendo que resolvera não pintar mais os cabelos e ostentar seus fios grisalhos, pois, segundo afirmara, eles combinavam com uma sexagenária.
“Ele vai ficar bem.” Disse não só para confortá-lo, como por acreditar realmente naquilo. Um dos dois já ia perder um ente querido para a morte. O do outro precisava sobreviver!
“Eu espero que sim, já que, só por ele estar aqui, a minha mãe já tá surtando! Meu pai, minha tia e minha irmã tavam conversando com ela e tentando ajudar, mas eu não sei o que dizer, nessas horas, como você pode reparar. Então eu me ofereci pra ir comprar café pra todo mundo, só pra sair de fininho de lá.” Ele ficava envergonhado de ter agido assim, e ela pode perceber isso no modo como falou e em seu semblante.
“Nem sempre a gente precisa saber o que dizer! Você sentou aqui, conversou comigo, me distraiu... Isso ajudou bastante e o café também deve ter ajudado. Ninguém precisa saber que você só quis escapar um pouco.”
“Na verdade, eu ainda não levei o café. Eu tava indo buscar, quando te vi aqui.” Falou, levantando-se do banco. “Você não quer ir tomar um também? Se não estiverem precisando de você...”
“Somos só eu e o vô. E eu queria poder dizer que ele sabe quando eu não to, mas...” Respirou fundo, levantando-se também e empurrando a vontade de chorar novamente para longe. “Não gosto de café, mas uma coca vai cair muito bem agora.”
Os dois conversaram um pouco na cafeteria, se apresentaram, depois de perceber que não o tinham feito ainda, e ela se ofereceu para ajudá-lo a levar os cafés da família, já que eram quatro e a garçonete não tinha nenhuma bandeja para copos disponível. O rosto dela estava menos inchado e seu semblante bem menos triste, e ele reparou no quanto ela era bonita, com olhos amendoados cuja cor não era muito definida e lábios que pareciam ter sido desenhados, apesar de estarem um pouco pálidos.
Pensou em dizer alguma coisa, mas achou que seria ainda mais patético flertar com a garota no hospital, enquanto o avô dela podia estar passando suas últimas horas na Terra, do que tinha sido abordá-la no corredor, indagando se estava tudo bem. Apenas aceitou sua gentil oferta de ir com ele ao encontro de seus pais, de Dianna e de Aubrey, e ficou grato por não estar sozinho, ao chegar à sala de espera em que eles estavam, considerando que a situação não parecia nada boa.
“...feita uma transfusão de sangue. E, como ele é O negativo, só pode receber de um doador O negativo.” Um jovem médico explicava à preocupada , que tinha o marido atento a seu lado. Dianna estava perto, mas mexia no telefone, dando notícias a , e Aubrey tentava localizar Brie, que ainda não sabia do acidente. Derek aproveitou para entregar um copo de café a cada uma e tirar os outros dois copos das mãos da nova amiga.
“Meu tipo também é O negativo. Eu vou doar.” suspirou, aliviada por poder ajudar o irmão, visto que o nível de evolução alcançado pela medicina, nos anos anteriores, não fora ainda suficiente para acabar por completo com a necessidade de transfusões, em alguns casos. Contudo, o peso em seus ombros só diminuiu por meros segundos.
“Isso é ótimo, é claro. Mas, infelizmente, Sra. , não vai ser suficiente. O Sr. perdeu muito sangue, e nós estimamos que serão necessários em torno de três doadores. Nós normalmente recorremos ao banco de sangue, e pedimos aos parentes e amigos para fazerem doações apenas para reposição, podendo ser de qualquer tipo sanguíneo. Só que estamos sem O negativo em estoque, em razão de vários atendimentos feitos mais cedo às vítimas de um acidente grave de ônibus.” Informou o médico.
olhou em volta, nervosa. Nenhum de seus filhos tinha seu tipo sanguíneo, o marido era AB negativo e ambas as cunhadas, A positivo. Teria que tentar em contato com o resto da família e amigos, mas o tempo estava contra eles, por isso era difícil não temer o pior.
“Eu vou colocar em todas as minhas redes sociais, mãe.” Derek falou, entregando os copos de café que ainda segurava para o pai, para poder pegar o celular no bolso da calça. “Eu tenho certeza que a gente vai conseguir alguém que venha bem rápido.”
“E eu posso doar. Meu sangue é O negativo também e ficaria faltando só mais uma pessoa.” O Rapaz escutou alguém falar, timidamente, a seu lado. Alguém que estava sofrendo com a iminência de perder o avô e, ainda assim, encontrava forças para tentar ajudar um outro ser humano que sequer conhecia. Vendo que a mãe encarava a menina, bastante confusa com a oferta, voltou a colocar o aparelho no bolso.
“Mãe, essa é a Emmaline. A gente se conheceu quando eu fui buscar café e...”
“Você faria mesmo isso? Você doaria sangue pro meu irmão?” interrompeu o filho, dirigindo-se à garota. Normalmente, seria toda sorrisos e simpatia, e prestaria total atenção, se um dos filhos lhe apresentasse alguém, mesmo que tivesse acabado de conhecer a pessoa em questão. Aquele momento, no entanto, não tinha nada de normal! Ela tinha um irmão precisando de sangue e, aparentemente, a jovem à sua frente estava disposta a doá-lo. Era isso que importava!
“É claro! Agora mesmo.” Ems confirmou, olhando para o médico, que fez imediatamente sinal para uma enfermeira ir até o grupo.
“Leve, por favor, a Sra. e a senhorita Emmaline para a sala de coleta, ok?” Pediu à funcionária. “O restante da família deve continuar procurando ao menos mais um doador.” Completou, dirigindo-se a , que assentiu.
Derek observou a mãe e Ems se afastarem, pegou um dos copos da mão do pai, fazendo careta ao beber o café, que já estava quase frio, e digitou uma mensagem, que publicou em todas as suas redes e enviou para todos os seus contatos. Dianna explicava tudo a Marie e David, por mensagens, enquanto Aubrey finalmente dava as notícias à irmã, por meio de videoconferência, e andava de um lado para o outro, deixando a tensão tomar conta de si, agora que não precisava se mostrar forte e otimista para a esposa.
Dentro da sala de coleta, e Emmaline foram colocadas lado a lado. Enquanto eram preparadas e durante o tempo em que tiveram uma pequena parte de seu sangue colhida, puderam finalmente conversar. A mulher mais velha agradeceu demais a ajuda da jovem, e ficou emocionada ao saber que Ems estava no hospital por causa do avô e que tinha conhecido Derek justamente em um momento de maior fragilidade, depois de ter recebido más notícias dos médicos.
conseguiu focar na conversa, mas ainda estava muito nervosa. Só começou a relaxar um pouco quando a enfermeira apareceu com Patrick Mythe, que tinha recebido uma mensagem de Derek e, tendo tipo sanguíneo O negativo, correra para o hospital para doar sangue. Por sorte, o filho de Maya e Tony estava bem perto, ensaiando no Beverly Hilton, onde seria um dos apresentadores do Globo de Ouro.
O alívio pleno para a irmã de Ravid e para toda a família deles só veio, contudo, algumas horas depois, quando o médico informou que todos os procedimentos pelos quais ele precisara passar tinham sido bem sucedidos e que não havia mais risco de morte ou quaisquer sequelas.
Mesmo assim, no final daquele dia difícil, a coisa em que estava menos interessada era em badalações! Não era possível cancelar algo da magnitude do after party do Grupo GH, tão em cima da hora, mas ela estava decidida a não ir, e só o próprio irmão conseguiu convencê-la do contrário, fazendo com que prometesse aproveitar o momento. O acidente tinha sido uma dessas amostras que recebemos, de vez em quando, de que a vida é imprevisível e frágil.
Infelizmente, Ravid e Bridget não estavam na premiação, nem na festa promovida por e , no domingo, já que ele permaneceu em observação no hospital e a esposa quis ficar a seu lado. E Emmaline sequer viu Derek aparecer na TV, que estava ligada no quarto em que o avô permanecia internado, porque, depois de trocar algumas mensagens de texto com o caçula dos , foi vencida pela exaustão, resultante de dias praticamente sem sair do hospital.
Não foi dessa vez que conseguiu reunir todas as pessoas que amava em um evento, mas, ainda assim, foi um momento de comemoração.
Os presentes não esqueceram de fazer um grande brinde ao novo nascimento daquele que costumava ser um dos mais animados em qualquer festa e nem às pessoas que tinham ajudado a tornar este renascimento possível, dando a ele um pouquinho de si mesmas.

11 de fevereiro de 2015

“Você ainda vai precisar de mim?” Blaine perguntou, entrando na sala de , e não queria pressionar a chefe a liberá-lo com isso, mas não conseguiu segurar um bocejo. Tinha chegado ao escritório da Diretoria da TVZoom No Ar antes das sete da manhã, naquele dia, porque a presidente da emissora tinha marcado sua primeira reunião para as nove e queria que ele estivesse com uma documentação pronta, antes disso.
“A copeira já foi?” Questionou ela, sem encará-lo. “Eu preciso de um café bem forte.”
“Será que é uma boa ideia café forte, quase às nove da noite?” Retrucou, franzindo a testa.
“Eu não pretendo dormir cedo.” Foi a resposta que ela lhe deu, enquanto digitava freneticamente uma mensagem de email para um dos produtores com quem trabalhava.
“A Karra já foi. Acho que só tem a gente aqui no nosso andar, agora, pra falar a verdade.” Tanto quanto ele estavam acostumados com o trabalho na revista, onde havia gente dia e noite. Na presidência do canal, os horários eram mais convencionais e eles estavam se adaptando ainda. “Eu pego um café pra você.”
“Ok. Obrigada.” Respondeu, finalmente olhando para o assistente. “E, depois disso, você pode ir.”
Blaine foi até o hall, onde havia uma cafeteira Nespresso, pegou, na bandeja ao lado, uma cápsula do tipo Arpeggio, que sabia ser o que tomava quando queria algo intenso, e introduziu na máquina. Rapidamente, o café ficou pronto, e ele o levou para a garota, colocando a xícara em uma pequena bandeja junto com uma latinha de mini cookies que pegou em sua própria mesa.
“Você vai ficar sozinha aqui, ?” Indagou, pondo a bandeja sobre a mesa dela. “Se você preferir, eu posso esperar.” Ela olhou para ele, levando a xícara até bem perto dos lábios, antes de soltar uma risadinha.
“Você tá um caco!” Disse, testando a temperatura do café nos lábios, com cuidado. Ele não estava tão quente, então tomou um gole, antes de continuar falando. “Vai pra casa. Eu vou ficar bem.”
“Ok, então. Boa noite.” Ele disse, dirigindo-se para a porta.
“Blaine.” Ela chamou, pouco antes de ele chegar lá, e o rapaz se virou, contendo o riso. Desde que se tornara assistente da Srta. , agora Sra. , ir embora do trabalho nunca era algo fácil! “Você falou com a Chyara e o Barry, sobre a mudança no horário da reunião, pessoalmente ou por mensagem?”
“Pessoalmente. Eles estão cientes.” Garantiu. “E eu acho que você não precisa nem se preocupar, porque eles não vão atrasar. Todo mundo morre de medo de você, depois da demissão do Jacob! Você sabe como coisas assim se espalham.”
Ela passou a mão pelo rosto, envergonhada e preocupada. Sabia que Blaine provavelmente tinha razão. Não era porque Chyara e Barry trabalhavam com reportagens para TV que não sabiam das coisas que aconteciam nas demais mídias.
“As pessoas ainda se lembram?” Indagou, mas apenas retoricamente. Fazia menos de um ano, ainda que parecesse ter sido quase em outra era! As coisas tinham mudado muito na vida dela, em pouquíssimo tempo, depois da cena patética em que humilhara o colega de trabalho e praticamente chutara o traseiro dele. “O pior é que ninguém precisa nem exagerar na fofoca, né? Eu era uma pessoa horrível, amargurada, e que achava que seria respeitada, tratando os outros como lixo!” Bufou.
“Você não é mais assim! É fácil de perceber.” Ele tentou animá-la, e não estava mentindo. Talvez as pessoas fossem precisar de um tempo, mas quem tivesse o privilégio de trabalhar com ela logo notaria que era uma ótima pessoa.
“Eu espero que sim.” Comentou. “Mas também não quero que achem que eu deixei de ser exigente! Eu não faria mais as coisas do jeito que fiz no caso do Jacob, mas não abro mão de ter pessoas competentes e comprometidas, trabalhando comigo.”
“É claro.” Blaine assentiu, nem um pouco surpreso. Mesmo tendo se mostrado uma chefe bem mais generosa do que alguém poderia ter imaginado, ela também era perfeccionista e sempre seria. Na realidade, se ela não fosse assim, não a admiraria tanto.
“Boa noite, B. Tira o dia de folga, amanhã, ok? Você tá precisando e a Teri pode me ajudar nas reuniões, já que o material tá todo pronto.”
“Obrigado. Boa noite, cherie.” Despediu-se novamente, finalmente deixando a sala, enquanto ela voltava às suas tarefas.
Os corredores estavam tão silenciosos que ele conseguia ouvir os próprios passos e um dos elevadores se aproximando do andar que a TVZoom ocupava no prédio da GHShow. O presidente do grupo de emissoras o encontrou já no hall, observando a própria imagem em um espelho, e lamentando as olheiras escuras que via em seu rosto.
“Boa noite, Sr. .” Cumprimentou.
“Blaine!” Repreendeu, rindo, o empresário. “Eu já te pedi, algumas vezes, pra me chamar de , hum?”
“Claro.” Ele sorriu também. “.”
“Assim é melhor.” Disse, dando dois tapinhas no braço do rapaz. “Boa noite, Blaine. Bom descanso.”
“Pra você também e... boa sorte pra tirar a daqui.” Brincou, entrando no elevador.
assentiu, rindo, por saber que ia mesmo precisar de boa fortuna. Já tinha enviado três mensagens para a mulher, naquela noite, e ela respondera as duas primeiras, dizendo que precisava de mais um tempo, antes de ir para casa. A terceira simplesmente ficara sem resposta! Ela estava tão concentrada no trabalho que, mesmo com a entrada dele se destacando no ambiente plenamente silencioso em que estavam, só desviou os olhos do computador quando ele chegou bem perto, para cumprimentá-la com um beijo nos lábios.
“Vamos?” Questionou, esperançoso.
“Eu só preciso responder mais alguns e-mails.”
, amor...” Ele suspirou. “Foi assim ontem, anteontem, e no dia anterior também! Ontem, eu nem te vi chegar! Será que não dá pra, um único dia, você ir pra casa comigo?”
“A gente tem um cronograma, babe. Se eu não ficar em cima...”
“Meia hora?” Ele a interrompeu. “Em meia hora, você termina?”
Ela não tinha realmente certeza, mas o encarou e decidiu assentir, aceitando o prazo. Discutir com , naquele exato momento, só atrapalharia o trabalho e, caso precisasse demorar mais de trinta minutos, ela se explicaria em casa. Só não estava imaginando que o marido pegaria uma das edições da TVZoom impressa em uma prateleira, e deitaria no sofá, para ler as reportagens, enquanto esperava por ela, ali mesmo.
“Vinte e oito minutos.” Ela o escutou falar, com o tom de voz mais tranquilo do mundo. Enviou o email que tinha acabado de escrever e olhou para o sofá, onde ele estava lendo a revista, como se sequer tivesse falado algo! Ela não tinha como não admirar a paciência dele. Se estivesse em seu lugar, provavelmente já estaria perguntando se ele estava terminando, exigindo o cumprimento do combinado.
“Só falta uma mensagem.” Ela disse, esperando que a tolerância dele fosse realmente grande. O email que ainda estava sem resposta em sua caixa de entrada era de e poderia esperar, mas no dia seguinte ela receberia outros, que se acumulariam, na medida em que as horas fossem passando, em meio a reuniões e outras atividades.
respirou fundo, frustrado. Ele e estavam casados há apenas alguns meses, e deveriam estar vivendo em uma espécie de lua-de-mel ainda, mas ele a perdia para o trabalho, durante boa parte do tempo. Entendia o empenho dela em mostrar que ele tinha acertado ao dar-lhe a presidência de um de seus canais, mas precisava que ela fosse também sua companheira, amiga, amante. Precisava que ela fosse tudo o que ele esperara anos para ter da mulher que amava tanto.
Pensou em dizer tudo isso a ela, ali mesmo, no escritório. Sentia que tinha que tomar alguma atitude! Não queria, entretanto, provocar uma discussão e estragar de vez a noite.
“Uma mensagem, então?” Perguntou, levantando do sofá e colocando a revista no lugar onde a encontrara.
“Uhum.” Ela praticamente resmungou em resposta, não reparando quando ele foi até a porta e a trancou com a chave. Optara por não usar argumentos, mas estava decidido a ousar tanto quanto fosse necessário para por fim ao expediente do dia.
“Ok.” Fingiu concordar, enquanto ia até ela, parando bem atrás de sua cadeira.
Inclinando-se para a frente, ele começou a passar os lábios pelo pescoço dela, que riu, pedindo para ele esperar. No entanto, ele já tinha aguardado demais para o próprio gosto, e começou a beijar ainda mais intensamente, até fazer com que ela desistisse do que estava digitando e fechasse os olhos, dando um suave gemido.
Ele mordeu a ponta da orelha dela e então desenhou o contorno com a língua, enquanto ela inclinava a cabeça para o lado, permitindo ainda maior acesso. Sentir a resistência dela diminuindo o encorajou, e ele deslizou a mão direita até o primeiro botão fechado da camisa que ela usava, para abri-lo, deixando a peça mais frouxa em seu corpo. Descobriu, assim, parte do ombro direito dela, que atacou com lábios e dentes.
Enquanto as narinas dele se preenchiam do perfume dela, o nariz escorregando desde o ombro até a cavidade atrás do ouvido da mulher, sua mão esquerda descia até o peito dela, abria mais um botão de madrepérola. Tomando o seio em sua palma, usou a outra mão para virar o rosto dela, beijando sua boca, sentindo a língua dela na sua.
Àquela altura, ele já estava bastante excitado e tinha certeza de que ela também, mas, como estava experimentando algo que nunca tinha feito antes, assaltando-a intimamente em pleno escritório, estava disposto a tentar também outras estreias.
Parando de beijá-la, continuou acariciando seu seio, desenhando a auréola com o polegar, distraindo-a ao aumentar a antecipação. Sua outra mão habilmente desfez o nó da gravata que, alguns segundos depois, usou para cobrir os olhos dela.
“O que é isso, ?” inquiriu, surpresa, enquanto ele amarrava o acessório atrás de sua cabeça. “A gente tá na empresa, babe. Pode aparecer alguém! Um funcionário da limpeza, um segurança...”
“Eu tranquei a porta.” Sussurrou, bem próximo ao ouvido dela, o hálito quente fazendo com que se arrepiasse.
Com a mulher privada de um de seus sentidos, ele começou a se esmerar para atiçá-la por meio dos demais. Girou a cadeira e se agachou na frente dela, tirando os sapatos de seus pés e massageando, um de cada vez. Não era um toque erótico, mas ele tinha certeza de que a ajudaria a relaxar e se entregar completamente.
Quando ela murmurou algo ininteligível e jogou a cabeça para trás, ele soube que a tinha exatamente onde queria. Então foi deslizando as mãos por suas pernas, em ritmo dolorosamente lento, subindo pela parte da frente até o joelho, descendo pela panturrilha até o calcanhar. Levantando uma delas, aproximou-a do rosto, mas apenas soprou levemente o mesmo caminho que tinha percorrido com os dedos, e foi como se uma pluma tocasse a pele de , deixando-a louca por mais.
!”
“Quietinha!” Ele mandou. Sua voz estava rouca de excitação, porém firme, cheia de propósito. “Você é toda minha, hoje, pra eu fazer o que eu quiser.”
sabia que ele não faria nada que pudesse deixá-la desconfortável ou machucá-la. Não havia ninguém em quem confiasse tanto! Aquela ameaça de fazer o que tivesse vontade com ela não era do tipo perigosa, era mais como uma promessa maravilhosa de prazer a dois, e o sexo dela se contraiu ao ouvi-la.
queria ir devagar, explorar, mas também precisava avançar um pouco. Finalmente alisou e beijou uma de suas coxas, começando logo acima do joelho e subindo. Empurrou a saia dela para cima, quase até a cintura, para afastar as pernas uma da outra e poder ir com a língua até a virilha, onde lambeu, demoradamente.
A mulher arfou e empurrou o quadril para cima, tentando guiar os movimentos dele na direção de sua intimidade, que ardia. Ele, contudo, ainda prolongou a espera, livrando-a da camisa e do sutiã, e dando a seu abdômen o mesmo tratamento que tinha dado às coxas, antes de tirar a saia e a calcinha de renda, e tocá-la onde estava molhada e latejando.
Dois dedos dele escorregaram pela extensão e para dentro do sexo dela, que mordeu o lábio inferior, evitando que seu gemido saísse muito alto. O indicador e o dedo médio, entrando e saindo, repetidas vezes, aumentaram o tesão, mas foi o polegar, pressionando o clitóris na intensidade certa, que começou a levá-la em direção ao alívio que tanto queria.
“Assim, amor. Bem assim. Exatamente assim!” Ela disse, colocando a mão sobre a dele, e não viu quando ele sorriu, travesso, antes de tirar a mão de onde estava, fazendo o oposto do que ela pedia. quis gritar, dessa vez de frustração.
“Não. Na verdade, não vai ser assim, não.” Ele disse, fingindo seriedade, e ela ficou absolutamente sem reação. nunca tinha sido do tipo dominador na cama, nem quando eles eram jovens, nem durante os últimos meses. Era uma grande mudança de abordagem, e ela não podia negar que estava sendo excitante.
Enquanto a jovem esperava ansiosa, ele abriu espaço na mesa de trabalho dela, empurrando alguns papéis e o celular para uma das pontas. Segurou no colo, colocou-a sentada sobre o móvel e, após pegar a calcinha dela do chão, fez com que pusesse as mãos para trás das costas, amarrando seus punhos unidos com a peça de roupa.
“Que saber de uma coisa? Eu poderia me acostumar com isso.” Disse, após recuar um passo, observando a mulher nua, com as mãos presas e os olhos vendados. “Amarrar uma teimosa como você pode ser mesmo uma boa ideia.” Comentou, brincalhão, enquanto ia tirando a própria roupa. Essa faceta a Sra. conhecia bem, o que a fez sorrir, mesmo que estivesse nervosa com o fato de não saber o que ele estava aprontando ou planejando.
Já despido como ela, ele se aproximou novamente, afastando os joelhos dela para ficar entre suas pernas. Segurando seu rosto entre as mãos, beijou seus lábios bem devagar, puxou o inferior com os dentes, traçou o superior com a língua. Uma de suas mãos foi deixando um rastro de calor, ao percorrer o pescoço e o colo macios, para enfim chegar a um dos seios e sentir o bico endurecendo sob seus dedos.
A boca, até então calma, controlada, tomou a dela com sede, fome, necessidade urgente. A mão que não estava explorando o seio agarrou o quadril, puxou-o na direção do seu, fazendo com que pudesse sentir roçar em sua intimidade o membro rijo, a prova de que ele estava tão afetado quanto ela por aquele jogo sensual.
Porém, se ela imaginou que ele pudesse penetrá-la e acabar com a agonia, estava enganada. Ele ainda tinha forças para brincar um pouco mais e queria fazê-lo.
“Eu preciso que você fique quietinha. A porta tá fechada, mas do outro lado pode ter alguém que esqueceu alguma coisa, um segurança fazendo a ronda, um funcionário da manutenção, aproveitando a noite pra fazer algum conserto.” Falou no ouvido dela, quase sussurrando. “Você consegue, ? Consegue ser silenciosa, enquanto eu levo você ao limite?”
Ela inspirou fundo e soltou o ar devagar, os seios subindo e descendo na frente dele, e tornando a tarefa de continuar privilegiando as sensações dela ainda mais difícil. Quase não a viu assentir, enquanto espalmava um dos seios e sua boca ia ao encontro do outro, mas ouviu muito bem o som que ela fez, trincando os dentes para não gritar quando ele lambeu seu mamilo.
A língua aventurou-se pelos seios e a barriga, sempre provocando, seguindo até o sexo dela em um ritmo tão lento que parecia hesitante. Abrindo mais as pernas de e segurando suas coxas para mantê-la firme na ponta da mesa, agachou-se em frente a ela e desfrutou de seu sabor, enquanto lhe dava prazer, até que o corpo todo dela estremecesse.
O orgasmo dela, para ele, era como o mais forte dos afrodisíacos, então, finalmente, ele se deixou levar pelo próprio desejo e tomou a garota nos braços, beijando-a e penetrando sua intimidade com força. Envolto pelo calor da mulher que amava, aspirando o aroma que se desprendia da pele dela e ouvindo seu corpo bater contra o dela, sentiu uma enorme falta de olhar em seus olhos.
Rapidamente, desfez o nó que dera na gravata, jogou a peça de seda no chão e, quando ela o encarou, encontrou em suas pupilas a mesma paixão que sentia. Movimentando-se junto com ela até o ápice, livrou suas mãos das amarras improvisadas, e ela se agarrou às costas dele, cravando as unhas em sua carne quando gozaram juntos.
“Isso foi... bem louco.” disse, enquanto ele a ajudava a descer da mesa, depois de o casal trocar alguns beijos e carinhos.
“Foi mesmo, né?” riu. “Mas eu acho que você se divertiu, hum?”
“Muito!” Concordou, pegando a calcinha e o sutiã, e indo em direção ao banheiro do escritório, para se recompor. “Eu acho até que vou comprar uns brinquedinhos novos, depois disso.”
“Tipo algemas?” Indagou o Sr. , interessado, também entrando no banheiro. “Eu poderia usá-las pra te prender em casa, se você continuar me trocando pelo trabalho.”
“Você não faria isso.” Afirmou a esposa, rindo. Recebeu, contudo, um olhar ameaçador e acabou ficando em silêncio. Por mais que soubesse que ele nunca a manteria realmente cativa, percebeu que ele falava sério quanto a não estar feliz com os serões dela, ainda que também desejasse o sucesso do negócio que ambos tinham em mãos.
Arrumaram-se em silêncio e foram finalmente para casa, onde passaram mais um tempo juntos, antes de pegar no sono.
, então, pegou o celular e foi para o banheiro, mas dessa vez não acessou a caixa de entrada de sua conta de email, nem abriu o whatsapp para mandar nenhum recado a Blaine. Ao invés disso, abriu o navegador, e encomendou um par de algemas, uma coleira e uma venda de couro, em um site de sex shop.
Não pretendia mais passar boa parte das noites no escritório, tendo um marido como , com quem poderia desfrutá-las, mas talvez pudesse provocá-lo um pouco, fingindo estar envolvida demais com suas tarefas, quando ele fosse buscá-la.
E seria absolutamente perfeito estar melhor preparada para a diversão, quando isso acontecesse!


Continua...


Nota da autora: Olha eu aqui de novo!! Vocês não se pronunciaram muito, mas decidi postar mesmo assim... Ajudaria muito se dessa vez vocês comentassem. Just saying... kkkkkkkkkkk
E que tal vocês me darem sugestões? Sobre que personagem querem saber mais? Que situações da vida dos pps querem ver descritas?
Vou ficar esperando, hein??? kkkk
Beijão!!





Outras Fanfics:
De ficstapes:

03. The guy who turned her down (Memory Lane)
03. Earned it (50 shades of Grey)
05. All You Had To Do Was Stay (1989)
05. Up all night (Up all night)
06. All I have to give (Backstreet boys)
07. Night changes (Four)
07. In your pocket (V)
09. Fire Starter (Demi)
10. Better than revenge (Speak now)
11. This Moment (Prism)
12. I want to write you a song (Made In The A.M.)
14. Blue (Beyoncé)
15. Starlight (Red)
15. Do it (For You)

Outras shorts:

A bruxa tá solta, Insane Mardi Gras e Easter Game (em continuidade)
Corações em pedaços
Fly me to the moon e Moonlight Serenade (continuação)
Nem tudo é relativo
Provocadora gratidão
Season of love

Longas (e médias capituladas):

A Chave Para O Coração e Momentos chave de nossas vidas (continuação)
Dos Tons Pastel Ao Vermelho
Herança De Grego
No teu corpo
Quando nossos corpos falam
Segura, peão
Um (nada) santo remédio e O que não tem remédio (continuação)




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Quer saber quando esta fic irá atualizar? Acompanhe aqui.


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