Meant To Be

Última atualização: 20/07/2018

I. Tem um Harry Styles no meu café!


O dia começa exatamente do mesmo jeito que têm começado há exatamente 4 anos: acordo, tomo banho, faço café, acaricio minha gata, lhe dou ração e saio pro trabalho exatamente as 7 horas da manhã. No caso, esses 4 anos incluem desde quando o avião pousou aqui, nessa terra chuvosa, friorenta e nublada que é Londres. Ah, e antes que você descubra por si só, devo lhe confessar que sou uma pessoa prolixa (falo pra além dos cotovelos e tenho uma paixão ardente por vírgulas).

No caminho, uma boa dose de hip hop já me é suficiente pra elevar minha confiança. Trabalho numa cafeteria (por mais clichê que seja), de barista, meio período, já que estudo a tarde numa universidade pública daqui. La Provènce é uma cafeteria francesa, que veio pra Inglaterra graças aos Chevalier's, uma família de aristocratas classudos que procuravam manter a tradição e ao mesmo tempo ampliar horizontes (e mercados de consumo). Atualmente, quem gerencia o lugar é o Henry Chevalier, um millenial simpático, de nariz arrebitado, empático e ah, podre de rico. Me contrataram por um acidente, já que a vaga era pra uma outra Isadora Bittencourt, mas acabaram me ligando, e eu, sempre obcecada por liberdade e a independência em quaisquer sejam suas formas, fui. Sem tantas esperanças, mas fui. No dia, a impostora não estava lá, de tão comprometida que era. Mesmo tendo uma das subcategorias de um Complexo de Napoleão (onde compenso a minha falta de caráter e autoconfiança intelectual ao arrebitar o nariz e engrandecer a minha própria história, com mentiras aparentemente — atenção, APARENTEMENTE — verdadeiras), e super tentada a mentir sobre a minha origem e dar uma de Hannah Montana (meus conterrâneos da Geração Z vão entender essa), disse a verdade. Contei a Henry e sua mãe a minha situação, e entre risadas nasaladas, sorrisos genuínos e alguns comentários autodepreciativos, me contrataram e desde então estive 3 (gloriosas) vezes como Funcionária do Mês, e tudo me levou a esse dia gelado, cinzento e ventoso que está sendo o meu dia 16 Setembro.

Avisto os portões metálicos de trás do café, e com pressa, entro. Sou recebida por uma brisa de ar quente, e o cheiro inebriante do café recém—coado. Cumprimento meus colegas, deixo minha mochila no armário com o meu nome, visto o avental de barista e ponho o celular no bolso do mesmo.

— Bom dia, Isa. — diz Jonas, um dos 5 colegas que trabalham no turno da manhã comigo. É um rapaz alto, esguio, de ombros largos. Sua pele é escura, e seus dreads longos estão num coque acima da cabeça. Quando percebo que o coque está frouxo demais, o ajudo para arrumá-lo, recebendo um sorriso lindo de agradecimento.

Começamos o turno tranquilamente, o que é comum para uma quarta-feira (os dias mais movimentados são segunda, quinta e sexta). Entre cafés, chás, frappucinos e muffins, alguns clientes puxam assunto, outros não. Normalmente, visto uma camiseta (ou moletom) com alguma estampa conhecida, o que facilita um início de conversa, o que é chamado carinhosamente pelos londrinos de small talk. Foi durante o preparo de um macchiato de caramelo com canela e nozes (sim, é incrivelmente específico!) que ele apareceu.

Justamente por eu e Jonas estarmos murmurando juntos os primeiros versos de Meet Me In The Hallway, não prestamos atenção no som do sino perto à porta, que nos alerta à chegada de um novo cliente. Ele põe o waffle no prato pequeno, enquanto eu faço os detalhes finais do café. Assim que termino, sinalizo para que Raven leve o pedido até a mesa. Quando Jonas começa a falar sobre como teve um encontro péssimo na noite anterior, alguém pigarreia alto de trás do balcão e nos deixando alerta, e expostos. E como eu estava exposta! Na frente dele, que observava a situação com um semblante calmo. Seu rosto se movimenta tão rápido, que por pouco não consigo identificar um projeto de sorriso em seus lábios rosados. Murmurando palavrões brasileiros pra mim mesma, corrijo minha postura e me posiciono a sua frente, e é como se o meu cérebro parasse (e o meu corpo também). É estranho pensar que os mesmos olhos que me vigiam todos os dias através de um pôster na parede do meu quarto me veem atentamente agora, e uma coisa que eu tenho certeza: as milhões de fotos dele guardadas na minha nuvem definitivamente não capturam a beleza desse homem. De forma resumida, o funcionamento do meu cérebro reproduz somente o som da pane do sistema do Windows XP, repetidamente. O popstar ri, e sinto meu coração derreter. (Sério, se gravarem o som da risada dele agora e postarem no iTunes, eu compro!)

— Fã? — ele pergunta, sinalizando para o moletom que visto. Ainda desacreditada, engulo em seco e concordo. Percebendo minha situação nada confortável, Jonas acaricia meus ombros, me "acordando", um sinal que desencadeia (felizmente) num relaxamento do meu corpo, como se agora fosse permitido voltar ao normal. Sua expressão é um misto de preocupação e felicidade, conforme meu amigo se aproxima de mim. (Como se perguntasse se eu estou bem, Jonas só se afasta quando Raven o chama, dando continuidade a esse momento constrangedor)

— Nós podemos tirar uma foto após o pedido, pode ser? — Sugere Harry, educadamente, enquanto me olha nos olhos. Percebo que suas orbes verdes transitam dos meus olhos até meus lábios (e ficam ali por uns segundos), pra depois voltar aos meus olhos. Outra vez, apenas concordo, ao passo que ele esclarece o motivo de sua ida ao La Provence, um sorriso largo ainda em seus lábios (lindos). — Eu gostaria de um latte médio de baunilha com creme de caramelo e nozes, por favor. Pra viagem.

Engulo em seco outra vez e conforme me vejo inserir os dados da compra na máquina, percebo que o nervosismo está só no cérebro (e que a. meu piloto automático parece funcionar perfeitamente e b. trabalho relativamente bem sob pressão). As palavras que saem da minha boca são (por surpresa) claras, e calmas.

— São 4 dólares e 15 centavos.

Ele me entrega uma nota de 50 dólares intacta. (A voz dentro de mim diz um 'uou', mas honestamente, não estou supresa. O cara é um popstar multimilionário de 24 anos, pelo amor de Deus!) Assim que tiro o troco do caixa, Harry nega com a cabeça.

— Fique com o troco, você é um amor. — A rouquidão da sua voz combinada com o forte sotaque britânico e o sorriso largo (ainda) estampado em seu rosto me faz lembrar dos motivos pelos quais virei fã de Harry Styles em primeiro lugar. Agradeço pelo elogio calmamente, e mordo meus lábios numa tentativa de manter o meu sorriso dentro de mim. Funciona.

Quando estou prestes a dar início ao pedido dele, Jonas aparece, sorrindo. Começo a fazer o latte, enquanto meu amigo me ajuda.

— Meu Deus, é ele mesmo. — Diz ele, em português. (Esqueci de mencionar, mas Jonas é brasileiro também. E não, não nos conhecíamos antes e não, nem ele nem eu moramos no 'Rio de J'nero' ou em 'Sao Paolo'!) Num aceno leve de cabeça, faço a mistura do latte no copo comprido. Mesmo sabendo que ele não verá, desenho uma árvore com o creme de caramelo em cima da bebida, antes de colocar a tampa. Jonas continua. — Juro, Isa, se eu não tivesse uma namorada tão perfeita quanto a Aislee, definitivamente ficaria com ele.

Sorrio, ao ir em direção a lateral do balcão onde está Harry esperando tranquilamente, quando me dou conta que seu olhar ainda paira sob mim. O sentimento de estar exposta, como nos momentos iniciais desse encontro, volta com tudo, em questão de segundos. Ele sorri, charmoso como sempre.

— Aqui, espero que goste. — Me pronuncio, entregando o pedido em suas mãos, ao passo que ele responde com um educado 'obrigado'. Assim que ele dá um passo em direção a porta, ele comprime o rosto e murmura um 'ah!' para si, como se estivesse se lembrado de alguma coisa. O rapaz volta a sua atenção a mim, pela 5ª vez na manhã (sim, eu estou contando. E caso estiver errado, saiba que é por isso que eu escolhi Ciências Sociais pra cursar), e diz, pausadamente, sorrindo. — Então, uhm, a foto? Bem que eu achei que estava esquecendo algo.

Tiro meu celular do bolsão do avental, entregando o dispositivo a Jonas enquanto saía de trás do balcão, parando ao lado do popstar. Hoje (digo isso porque aparentemente, gente rica não repete roupas, ugh), ele veste um sobretudo preto, que cobre uma camiseta lisa branca e calças de alfaiataria (que tenho certeza que são Gucci's por conta da pilha generosa de Vogues em casa), acompanhado por Vans pretos. Conforme me aproximo, percebo a existência de um óculos de grau que descansa por entre as ondas do seu cabelo castanho-escuro.

Sinto meus joelhos cederem quando seu braço envolve meu corpo, num quase abraço (quase porque não estávamos cara a cara, e sim, lado a lado) que foi capturado pela câmera.

— Ficou boa, ou quer tirar outra? — Ele pergunta, e dá um gole no seu café. Passo pelas duas fotos, que ficaram tremidas, e concordamos que uma outra foto seria melhor. Ao refazermos a pose, não contava com o bom humor repentino de Jonas, que faz uma pose estranha a nossa frente, arrancando risos de nós dois.

— Agora sim. Muito obrigada mesmo! — Digo, sorrindo. Dessa vez, nos abraçamos rapidamente.

— Obrigado você, querida. Se cuide. — Ele se pronuncia, e agradece a Jonas por ter tirado a foto. Assim que ele se afasta, deseja-nos um bom dia antes de voltar-se ao frio ventoso de Londres.

— Harry fucking Styles! — Digo, ainda embasbacada, voltando ao trabalho.

— Harry fucking Styles! — Repete Jonas.

— Jo, me diz uma coisa... — Pergunto ao meu amigo, que serve um café na xícara cuidadosamente. Coloco o cupcake no pratinho. — Por que você fez aquela pose estranha durante a foto?

— C'mon, o cara tira fotos com fãs desde os 16 anos, o sorriso quase sempre é falso. Você sonha com ele desde sempre, merece no mínimo uma lembrança boa. Ao fazer ele rir, pelo menos eu sei que o sorriso é de fato real.

Sorrio a sua resposta, e me direciono até a mesa de número 17.

As 3 horas que sucederam esse momento foram relativamente normais (como já disse, alguns clientes conversam, outros não. A interação humana no dia a dia sinceramente é algo que me desperta curiosidade). Quando o ponteiro do relógio acima da máquina de expresso marca meio dia em ponto, eu e meus colegas vamos em direção ao vestiário dos funcionários. Estou tirando o avental quando Raven me aborda.

— Wow. Era ele mesmo. Harry Styles no nosso café! — Diz a garota, tão alegre, que solta um grunhido agudo enquanto pula. Seus cabelos azuis chacoalhando junto com ela, e suas bochechas avermelham.

— Sim, ele foi um cavalheiro. Super educado, meu Deus.

— Não esperava menos de alguém que faz da gentileza seu lema.

— Falou a fã de carteirinha do cara. Isa, você está vestindo o moletom dele, c'mon!

Sorrio com ela, até que Jonas aparece.

— Vamos? Aislee acabou de mandar uma mensagem, já tá lá.

— O.k. Até amanhã, Raven.

— Até, bom almoço pra vocês!

Alguns minutos depois, estamos dentro do restaurante. É um local simples, charmoso e muito bem cuidado. A estrutura é de um casarão antigo, mas o interior é moderno. Sentamos em uma mesa redonda mais ao canto, perto a janela, e fazemos os pedidos.

— Sabe quem foi ao café hoje? Harry fucking Styles.

— Você tá usando a merch dele justamente hoje, que doido!

— Doido mesmo!

— Me conta, como ele é? Tiraram foto?

— Gentil, educado, amável, lindo, fofo... Se eu continuar, vamos ficar aqui a tarde toda!

— Eu imagino! Pelo o que eu sei, o Harry parece ser assim mesmo, sempre sendo gentil com todo mundo, ajudando os fãs e agradecendo como pode. Deve ter sido maravilhoso!

— Foi sim, Ais. E ah, tiramos foto sim, o Jo tirou pra mim.

— A primeira foto que eu tirei ficou tremida, mas caralho, era o Harry fucking Styles na minha frente, o cara é foda! Enfim, respirei fundo e fiz aquela pose.

— AQUELA POSE? Amor, não, não, não, não! Aquela pose é horrível, JONAAAAS! — Responde Aislee, revirando os olhos, e bufando alto. Aislee Walker-Hall é uma garota de estatura baixa, cujos cabelos loiros longos estão presos num rabo de cavalo alto, que eleva seu rosto, e seu nariz já empinado. Tem olhos castanho-esverdeados, e a pele branca coberta de sardinhas (Jo diz que as sardas de sua namorada pra ele são como estrelas, vistas da terra, onde ele vai conectando umas às outras e nascem constelações! #fofo)

O jeito com que ela o reprime e espreme os olhos me faz dar risada mais alto do que o aceitável socialmente, então tento desesperadamente cobrir a boca (o que piora drasticamente o clima, fazendo os dois rirem de mim, descontrolados) até que a garçonete chega, com três pratos médios equilibrados em seu braço direito, e uma porção de batatas fritas na outra mão. Antes que eu consiga admirar a harmonia no ato, a jovem já está fazendo seu caminho.

— Pelo menos ele deu risada, Ais. E foi verdadeiro que eu sei! — Continua Jonas, e eu assinto. Entre mordidas, goles e um Jonas quase engasgando, terminamos de comer nossos hambúrgueres vinte minutos depois.

— A Ais me contou que vocês têm prova hoje com o Schubert! O cara nem é do meu curso mas me dá medo, caralho. O rosto dele é muito parecido com o Jeffrey Dahmer careca, creepy man.

— Schubert, ugh. — Sem perceber, eu e Aislee respondemos em uníssono, e meu amigo ri.

— Nem sei como você tira nota boa com ele, Ais. O cara me dá arrepios, ugh.

— Ele gosta de mim, não faço a mínima ideia do porquê, mas pelo menos de recuperação não fico!

— Inveja.

— Inveja eu tenho de você, Isa! Toda a galera do primeiro período tá falando dos encontros que você tem com a Elizabeth, do último ano. Ela é linda demais, e...

Antes que Jonas continuasse, Aislee lança um olhar mortal em sua direção, e eu seguro um riso.

— E eu estou muito melhor com essa namorada perfeita.

Num ato de redenção (um tanto quanto fofo), Jonas beija a namorada na bochecha.

— Pois é, e que história e essa de vocês duas?

— Não são encontros, na verdade. Ela só teve a boa vontade de me mostrar Londres no pouco tempo que ela tem, ué!

— Aposto que ela tem sim segundas intenções...

— Comigo? Por favor, Jo. Sou uma estrangeira do primeiro ano, no máximo ela quer alguém pra zoar.

— Ãrrã. — Dizem os dois, em coro novamente.

— Garota, vocês vão fazer um photoshoot hoje! E você sabe como a golden hour é romântica! — Diz Aislee, fazendo sons de beijo. Essa garota não perde uma. (Sinceramente, bem que eu queria! Gosto bastante da Elizabeth, mas como eu já disse e reafirmo, ela tá no último ano, e eu no primeiro. No máximo, ela está me usando pra ganhar um photoshoot de graça)

— Reta final já né?

— Graças a Deus. — Dessa vez, o casal responde em coro, eu rio.

— Falando em reta final, temos que ir já, são 13:20.

Após pagar a conta, fizemos a o caminho diário que leva até a London School of Economics and Political Science. A tarde passa rápido, e termina com o aviso do Prof. Schubert (ugh) alertando sobre as nossas provas finais do semestre. Elizabeth e eu nos encontramos na estátua de um tal de Lord Dowding, comandante-chefe das Forças Aéreas Britânicas durante a Primeira Guerra Mundial.

A estudante de artes plásticas é alta, de corpo esguio, e pernas longas. Suas tranças estão presas num coque apertado à cabeça, e ela possui um semblante tranquilo. Quão mais perto ela chega, mais consigo sentir seu perfume cítrico, inebriante. Vejo também seu rosto maquiado com uma sombra dourada, e um batom vermelho-vinho que cai perfeitamente em seus lábios carnudos.

(Quando ela sorri, tenho quase certeza que estou babando).

É, esse fim de tarde vai ser complicado.

— Isa, oi! Esperou por muito tempo? — Diz a veterana, e, quando dou um passo em direção a ela, meus calcanhares cedem e em milésimos de segundo estou no chão. Literalmente caída aos pés dela. Forço uma risada na tentativa falha de melhorar a situação. Pela posição em que estou, e como meu óculos cai com as lentes na calçada, é chover no molhado.

Por enquanto, estamos a caminho do estúdio artístico dela. O objetivo desse photoshoot é fazer fotos dela num ambiente descontraído, familiar e aconchegante, que é o estúdio pra ela. Retratar essa relação íntima que Elizabeth tem com a Arte.

Durante a fala dela tento absorver os mínimos detalhes por entre as mil expressões que ela faz e desfaz tão agilmente. O jeito com que ela espreme os olhos levemente quando está em dúvida, como sua postura enrijece e o maxilar trava quando ela está indiferente, e as curvas do seu sorriso, como as covinhas se aprofundam quando há um sorriso genuíno, essas coisas.

(Pareço obcecada, né? Em minha defesa, sou uma amante de fotografia, e retratos são a minha especialidade. Quero que sejam verdadeiros)

Elizabeth para a frente de uma porta estreita, no meio de um centro de comércios antigo. Ela abre a porta que dá para uma escada, com uma recepção.

— Boa tarde, Jeremiah. Como está?

(Os britânicos são TÃO cordiais! Se fosse no Brasil, já soltaria um 'e aí seu joão? firmeza?' Mais um dia onde me lembro que realmente, esse não é o meu país, e por mais que eu ame aqui muito, não se compara com estar no meu lugar de origem, muito menos estar em casa! Ugh)

— Bem, bem. Obrigada por perguntar, Ms. Baudelaire. Chegou uma encomenda, o rapaz entregou depois do almoço.

O velho busca por uma caixa média e coloca-a na mesa. Elizabeth agradece e entramos no elevador antigo. Consigo notar que ela segura firmemente a caixa enquanto morde o lábio inferior, como se tivesse algo a falar, mas não quisesse compartilhar agora. Seus pés estão batendo rapidamente contra o piso do elevador antigo, que faz um barulho de "mola" com o impacto. A veterana está ansiosa, e mesmo tendo a minha curiosidade aflorada, não pergunto o que é que está na caixa. Paramos, e ela abre a porta, segura para com que eu passe e eu o faço. Saímos do elevador, e no momento em que a garota transfere a caixa para sua mão esquerda e tenta buscar pela chave, peço permissão e tiro a caixa de sua mão. Assim que Elizabeth abre a porta, o que vejo é tão único que me faz querer não economizar nas palavras.

Por se tratar de um apartamento antigo, é largo, aberto e tem detalhes no encontro das paredes, que me remetem à arquitetura romântica. As paredes do estúdio são todas brancas, os móveis são rústicos (de outras décadas), e em geral, a decoração tem cores pastéis e opacas. Tudo isso cria uma atmosfera sutil, leve. Em contraste, há borrões de tinta, pincéis, telas e cores espirradas em pontos específicos das paredes. Pelo visto, ela é uma pintora ativa, e gosta de movimento. Mais ao fundo do estúdio, uma cortina de pvc divide a "casa" arte.

Dentro da cortina, ficam o quarto e a cozinha do apartamento, ambos divididos por uma parede quebrada que deixa os tijolos visíveis. A cozinha é simples, e o quarto é só uma cama feita de pallets e uma cristaleira antiga que ali assume a função de estante.

O photoshoot começa num divã avermelhado perto de uma das (inúmeras) janelas, e percorre o apartamento, até que a última foto da tarde é feita dela cozinhando. Durante as 3 horas que a fotografei, houveram flertes, trocas de olhares, risadas (ou seja, dei o meu melhor) só para descobrir que ela está a fim da minha amiga (realmente, Elizabeth só queria uma sessão de fotos de graça).

O relógio marca nove e trinta e cinco quando chego na minha casa, e o resto da noite serve pra selecionar e editar as fotos. Quando me dou por conta, caio no sono ao som da abertura clássica de F.R.I.E.N.D.S.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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