Última atualização: 08/06/2018

Prólogo

Meu relógio de pulso marcava 6:45 em ponto quando finalmente cheguei no portão ainda fechado do colégio. Ajeitei minha mochila vermelha nas costas e peguei meu celular no bolso de trás do jeans. Enquanto eu passava rapidamente pela timeline do Instaram, senti alguém se aproximar e levantei meu rosto. Vi um dos amigos de – que eu nunca sequer troquei uma palavra em minha vida – se aproximar. Ele colocou as mãos nos bolsos da calça preta apertada enquanto andava em minha direção.
? – ele chamou quando chegou perto de mim e eu apenas assenti – Tudo bem? – ele finalmente se aproximou e tirou os óculos escuros redondos que usava.
– Tudo... – respondi desconfiada. Por que estava falando comigo? E por que raios ele usava óculos de sol sendo que não eram nem sete da manhã e o sol nem sequer mencionava aparecer?
– Legal... – ele deu um sorrisinho – Queria conversar com você sobre uma coisa... – ele fechou um dos olhos, parecia meio receoso.
– O que? – perguntei apática – Olha, eu não sei o que o te disse, mas eu não sou ótima aluna em nenhuma matéria, por tanto, não posso te ajudar em nada...
Para mim era obvio que ele veio até mim para pedir ajuda em alguma matéria, porém, eu, de fato, não era realmente boa em nenhuma, apenas me esforçava para ter minhas notas.
riu.
– Eu não vim te pedir ajuda com a escola – ele mexeu no cabelo – Pra falar a verdade, nem sabe que eu estou aqui...
– Então é o que? – perguntei receosa e ao mesmo tempo curiosa com o tal motivo.
– Bom... – ele se aproximou mais de mim e olhou de um lado para o outro como se fosse me contar algum segredo – Fiquei sabendo que você gosta do Jason Dawson e...
– Ah, não – respondi claramente irritada revirando os olhos. Até ele que nem me conhecia sabia disso? Eu só queria puxar aqueles cabelos loiros de por ser tão fofoqueiro.
– Hm, você sabe que ele está namorando a Chloe... minha ex, não é? – ele parecia meio incomodado em dizer aquilo. Eu apenas assenti sem animo nenhum – Eu estava pensando então que você poderia me ajudar a... – ele fez uma pausa.
– O que? – cruzei os braços esperando que ele continuasse a falar.
Separar eles – murmurou.
Fiquei um tempo processando a informação. Ele estava mesmo me recrutando para acabar com um namoro?
Eu, de fato, gostava muito de Jason e ver ele com outra – principalmente uma garota arrogante como Chloe – me deixava mal, ainda mais depois de tudo que aconteceu entre nós.
Quando descobri o namoro dos dois – uma semana atrás – fiquei extremamente abalada – e ainda continuo um pouco.
– Você tá falando sério?
– Sim – o garoto confirmou e eu fiquei muda sem saber o que dizer – Mas então, você vai entrar nessa ou não? – perguntou impaciente.
Eu, de fato, sabia que era uma ideia ridícula e egoísta, mas eu não podia negar que queria muito ver os dois separados.
– Eu não sei... – disse receosa – O que você tem em mente?
– Eu sei lá, podemos bolar um plano – o garoto gesticulava com as mãos – Você não quer ficar com o Jason? – ele me encarou e eu soltei um suspiro enquanto balançava a cabeça positivamente – Então... – ele me estendeu a mão, esperando que eu a apertasse e assim confirmasse nosso acordo.
– Tudo bem. – disse rendida apertando a mão do mesmo. O que eu tinha a perder, não é mesmo? – Eu vou te ajudar com isso...
– Legal! – ele soltou minha mão e abriu um largo sorriso que eu nunca tinha visto antes – Me encontre depois das aulas, no terraço – ele deu uma piscadela.
– Tudo bem – concordei enquanto via a imagem de sumir no meio da multidão de alunos que se formou em frente ao portão.
Eu não fazia ideia no que estava me metendo, mas eu estava disposta a descobrir...


Capítulo 1: Before the deal.

Sexta, dia 18 de agosto de 2017 (Dois meses antes do acordo).

Eu estava sentada em um sofá cor creme, bebendo uma cerveja enquanto me questionava o porquê de ter aceitado ir naquela festa. Todos estavam dançando ao som de alguma musicam eletrônica, inclusive minhas amigas, porém eu não estava muito em clima de festa.
– E ai, se divertindo? – Jason sentou-se ao meu lado no sofá de dois lugares.
– Não muito – encarei a lata em minha mão.
– O que houve?
–Nada, só não estou muito em clima de festa – fiz uma careta.
– Quer ir embora? Eu te levo – ele estava mesmo me oferecendo uma carona? Olhei para seu rosto para me certificar de que ele não estava brincando e gelei ao ver que ele estava com sorrisinho um tanto quanto estranho no rosto. Não pude evitar de fantasiar as milhares de coisas que poderiam acontecer enquanto estaríamos a sós - mesmo que a mais provável fosse: nada. Tentei fazer a educada e dizer que não precisava se incomodar por minha causa, porém ele insistiu em me levar e eu acabei aceitando, claro.
Ele me disse que ia pegar a carteira e a chave do carro, aproveitei então para avisar minha amiga. Fui até a pista de dança à procura dela, olhei de um lado para o outro tentando acha-la, até que avistei dançando com Drew Thompson, o melhor amigo de Jason. Ela olhou pra mim e acenou toda sorridente, sorri de volta e fiz um sinal para que ela viesse até onde eu estava. A garota disse algo para o garoto e logo veio até mim.
– Dando uns pegas no Drew Thompson? – perguntei lhe dando sorrisinho malicioso.
– Bem que eu queria – ela suspirou – Mas infelizmente ele é meio lerdo e não vê que eu quero ser mais que amiga dele.
– Olha, eu estou indo embora, avisa o pessoal...
– Vai sozinha? Espera um pouco que eu te levo...
– Não precisa, já arrumei uma carona – eu realmente estava evitando contar com quem, já que ela faria questão de me zoar e ainda contar para os meus amigos.
– Com quem? – ela parecia curiosa.
– Hum... – fiz uma careta – Jason – disse baixo para que ela não ouvisse.
– O que? Jason Dawson? – ela berrou com os olhos arregalados.
– Para de gritar – sussurrei – Sabia que você agiria assim – revirei os olhos.
– Você queria que eu agisse como? Minha amiga vai de carona sozinha com o cara que ela gosta e eu tenho que ficar calma?
– Sim, não vai rolar nada, é só uma carona – dei de ombros.
– Você não sabe – ela sorriu maliciosa – Melhor você ir.
Assenti e virei de costas para ela indo em direção à saída. Logo na porta, avistei Jason encostado em seu volvo prata, ele sorriu quando me viu e eu automaticamente sorri de volta.
– Eu tava te procurando – ele disse quando eu me aproximei.
– Desculpa, eu fui avisar a .
– Tudo bem – ele abriu a porta do passageiro e fez um sinal para que eu entrasse. Sorri lisonjeada já que a maioria dos garotos não faziam isso, murmurei um “obrigada” e entrei.
O caminho todo ele foi ouvindo Maroon 5 e contando histórias engraçadas que passara. De vez em quando, Jason colocava a mão em minha perna, e eu ficava extremamente sem jeito.
Logo chegamos em minha rua e eu lhe mostrei onde exatamente era minha casa, ele parou em frente à casa bege com uma grande janela na frente e uma porta de madeira escura.
– Hum... Muito obrigada pela carona – sorri e fui abrindo a porta do carro, porém ela estava trancada. Me virei para olha-lo e ele estava perto de mais de mim, tanto que podia sentir sua respiração contra meu rosto.
– Você achou mesmo que essa carona iria sair de graça? – Jason brincou com um sorriso no rosto. Senti um arrepio percorrer todo o meu corpo e dei uma risadinha nervosa.
Ele se aproximou ainda mais e eu não pensei em recuar, a única coisa que conseguia pensar era em beijá-lo. Seus lábios finalmente tocaram os meus, meu coração batia descontrolado, ele afagava meu rosto com a mão esquerda e eu matinha a mão direita em seu sedoso cabelo. Depois de uns 2 minutos – não que eu tenha contado – ele quebrou o beijo para respirar. Respirávamos pesadamente e sorrimos um para o outro quando nós distanciamos.
– É melhor eu ir – disse baixo.
– Tudo bem – Jason destrancou as portas do carro – Te vejo depois – ele deu um sorrisinho e eu fiz o mesmo enquanto abria a porta do volvo e saia caminhando até a porta da minha casa.

**

Fiquei o fim de semana todo pensando naquele beijo e fantasiando o que poderia acontecer quando nos encontrássemos de novo.
Finalmente chegou segunda e eu sai de casa mais animada e arrumada do que de costume. Fui de carona com minha mãe e ela foi o caminho todo me questionando o porquê eu tinha acordado tão cedo e entusiasmada, eu apenas dizia que não era nada demais.
Depois de algum tempo, ela finalmente parou o carro na entrada da escola.
– Boa aula – mamãe disse sorridente.
– Obrigada! Bom trabalho – disse enquanto lhe dava um beijo na bochecha.
Sai do carro sorridente e caminhei pelo grande estacionamento que ainda tinha poucos carros, o chão de concreto estava molhado por conta da chuva que havia caído de madrugada. Vi Chloe Kudrow se agarrando com um garoto moreno – o qual eu não vi o rosto – dentro de uma picape azul bebê. Fiz uma careta. Qual era a desse pessoal que ficava nesse pique em plena 7h da manhã? Continuei andando devagar, até que avistei o volvo prata de Jason parado em uma das vagas que ficavam perto da entrada, senti minhas pernas ficarem moles e meu coração começou a acelerar só de pensar em tudo que havia ocorrido naquela sexta à noite.
As primeiras aulas se passaram lentamente e eu praticamente sai correndo da sala quando o sinal tocou. Caminhei pelo refeitório e fui direto para a cantina, enquanto estava na fila, parou logo atrás de mim.
era um dos meus melhores amigos, o conheci através de – que parecia ser amiga da escola inteira – e após conversarmos por uma hora, nunca mais nos desgrudamos. Ele era o tipo de pessoa tão alegre e carismática que era impossível não gostar dele. Sempre me ajudava em tudo, era praticamente meu irmão mais velho.
– ele chamou e eu me virei para olha-lo.
! – exclamei animada e o abracei forte em seguida.
– Como você está? – ele abriu um sorriso.
– Bem e você? – perguntei enquanto pegava uma bandeja para mim e outra para ele.
– Bem... Hm obrigado – ele agradeceu quando pegou a bandeja – Mas então, a me contou que você foi embora com o Jason ontem – ele me lançou um sorrisinho malicioso.
Soltei um suspiro.
– Mas é claro que ela contou – revirei os olhos – Não rolou nada – menti enquanto fingia prestar atenção no meu prato.
– Sei...
Não respondi nada e nem fiz contato visual. Era obvio que sabia que eu estava mentindo, afinal, ele me conhecia muito bem. Até melhor que eu mesma.
– Só vai com calma, você sabe como o Jason é...
Eu sabia muito bem que Jason era o maior conquistador daquela escola, mas o que eu podia fazer se ele era tão encantador?
– Eu to na paz, – dei de ombros enquanto levava minha bandeja até a mesa. Eu sabia que ele estava me alertando, pois não queria me ver passar por uma desilusão amorosa, mas eu realmente não estava botando fé que ia rolar algo entre mim e Jason, por mais que quisesse muito.
– Vou sentar com os garotos – ele olhou para a mesa onde ele costumava sentar com seu grupinho de amigos – Juízo viu, senhorita? – me deu um beijo na bochecha e saiu andando com sua bandeja até a mesa onde estavam seus quatro amigos.
Dos amigos de , eu só conversava com . O conheci, pois ele vivia na casa de – talvez por serem vizinhos – e acabamos nos aproximando. era um cara extremamente vaidoso, porém de um coração enorme, ele era a pessoa mais doce que já conheci em toda minha vida, sempre que precisava, sabia que podia contar com ele.
Vi pegando comida enquanto conversava com um grupinho de garotas que provavelmente eram de sua turma de educação física. Ela sempre foi muito falante e fazia amizade com extrema facilidade.
A garota terminou de pegar sua comida, fez um tchauzinho para as colegas e seguiu andando em minha direção. Ela se sentou à mesa com sua bandeja e me fitou com aquela cara de “E aí?”.
– Conta tudo! – apoiou o rosto nas duas mãos me esperando começar a falar.
– Oi, , como você está? – perguntei ironicamente e ela revirou os olhos.
– Me diz que pelo menos você teve sorte naquele sábado – fez bico.
– Não rolou nada – disse sem fazer contato visual com ela, fingindo estar ocupada com minha comida.
! – disse de um jeito autoritário. Ela sabia que eu estava mentindo.
Soltei um “hã?” enquanto dava a primeira garfada em minha comida.
– Você mente muito mal, mocinha – disse seria enquanto tirava o canudo do plástico.
Será que eu mentia tão mal assim ou meus amigos me conheciam tão bem que sabiam exatamente quando eu estava mentindo? Eu realmente não queria contar sobre o ocorrido no carro de Jason porque sabia que: 1) Ela surtaria; 2) Tentaria me empurrar pra ele a todo custo; 3) Ficaria se iludindo – e me iludindo - achando que só por isso nos casaríamos, teríamos dois filhos e um cachorro.
– Olha, eu vou ser bem sincera com você – olhei para minha melhor amiga que estava sentada de frente para mim – Ele me beijou, mas... – antes que eu pudesse completar ela soltou um gritinho histérico que fez com que todos ali naquele refeitório nos olhassem feio – Meu Deus, para com isso – reclamei enquanto revirava os olhos.
– Desculpa – ela se arrumou no banco – Então você estava dizendo...
– Eu ia dizer que não queria você surtando achando que eu vou me casar com ele...
– Claro que não estou pensando isso – deu de ombros – Mas imagina só que lindo eu casando com o Drew e você com o Jason ao mesmo tempo?! – Ela suspirou sorridente e eu quis dar um tapa nela, mesmo sabendo que ela estava tirando uma com a minha cara.


Sábado, dia 8 de setembro de 2017.

Senti minha mão suar quando cheguei ao shopping, era a terceira vez que saia com Jason depois daquela festa e mesmo assim, toda vez, eu ficava extremamente nervosa. Respirei fundo e caminhei pelo local em direção ao cinema. Iríamos assistir a um filme de terror, estilo de filme que amávamos.
Eu batia meus pés contra o chão enquanto esperava o elevador, que parecia nunca chegar. Quando ele chegou, entrei rapidamente e apertei o terceiro andar. Fitei meu reflexo no espelho, eu estava muito orgulhosa da maquiagem que conseguirá fazer, pela primeira vez me senti realmente bonita.
Abri meu celular apenas para reler uma das ultimas mensagens que Jason havia me mandado.

De: Jason Você é a garota mais linda que eu já conheci ;)
Mal posso esperar para passar um tempo com você amanhã


Sorri feito uma idiota apaixonada enquanto lia. Trocávamos mensagens constantemente e eu estava gostando dele cada vez mais.
A porta do elevador abriu e eu desci. Senti um frio na barriga, mas continuei andando em direção ao cinema. Vi Jason parado em frente a bilheteria mexendo no celular. Abri um sorriso involuntário ao vê-lo, ele estava extremamente bonito todo de preto e eu senti meu coração acelerar.
– Bú! – disse parada bem em frente a ele, em uma tentativa falha de assusta-lo.
– Hey! – ele abriu um sorriso enorme e me abraçou forte.
Andamos abraçados até a bilheteria e compramos nossos ingressos. Jason comprou pipoca, refrigerante e algumas guloseimas para nós antes de entrarmos na sala de cinema.
Eu quase não assisti ao filme, já que não conseguia tirar os olhos de Jason, ele era tão lindo que não parecia ser real.


Domingo, 1 de Outubro de 2017.

Jason havia se distanciado de mim, a primeira desculpa foram as provas, a segunda foi quando ele disse que eu era uma garota muito especial e que merecia alguém muito melhor do que ele e blá blá blá. Tentei discutir. Foi em vão. E por fim, a muito contragosto da minha parte, decidimos ser somente amigos. Eu ainda gostava dele apesar de tudo e me doía muito o fato de que nossa amizade nunca mais fosse a mesma, na real, nós nem nos falamos mais com tanta frequência. Até o Drew, seu melhor amigo, arrumou um jeito de se afastar de .

Era um Domingo à noite quando abri meu Facebook, no computador, pra dar uma stalkeada enquanto fazia um trabalho de historia. Porém, logo que abri dei de cara com algo que preferia nunca ter visto. “Jason Dawson está em um relacionamento sério com Chloe Kudrow”.
– Que porra é essa? – disse para mim mesma enquanto rolava a página e lia os comentários de parabéns dos amigos deles.
Eu havia sido nocauteada por aquela notícia. Quando aquilo tinha acontecido? Por que Jason não mencionou nada para mim? Bom, essa era fácil, nós não nos falávamos mais, ele não me devia nenhum tipo de satisfação.
Peguei meu celular e digitei rapidamente uma mensagem para :

: “Você viu o novo casal?”
: “CARALHO EU NÃO ACREDITO QUE O JASON TA COM A CHLOE”
“A Chloe não namorava aquele amigo do ?”
“ Até semana passada ela estava com ele, WTF?”
“Como você está ?”


Não respondi a mensagem de , eu estava confusa demais pra conseguir pensar em algo, senti meu estômago embrulhar e fechei a página do Facebook rapidamente. Respirei fundo enquanto passava minhas mãos pelos cabelos na tentativa de me acalmar. Eu sabia que não fazia sentido ficar abalada daquele jeito, já que eu mesma me iludi achando que tínhamos algo especial e que ele realmente gostava de mim, mas eu não podia evitar, eu realmente gostava dele... pra valer.


Capítulo 2: The Plan

Lá estava eu, no terraço da escola olhando o dia – agora – ensolarado através dos vidros que cercavam todo o lugar. O céu estava extremamente azul, quase não tinha nuvens.
Foi difícil conseguir despistar na saída, já que a mesma insistia que eu fosse embora com ela. Tive de inventar que tinha que pegar um livro na biblioteca e que ia demorar, pois não sabia bem o nome do livro, então teria de procurar em todas as 300 prateleiras do lugar. Ela não pareceu acreditar muito, mas foi embora.
Senti que tinha alguém atrás de mim e por instinto, me virei para ver quem era.
– Está há muito tempo aí? – perguntou enquanto mexia no cabelo.
– Não – menti. Fazia quase meia hora que estava plantada ali esperando aquele otário.
– Que bom – ele parou do meu lado, observando a paisagem.
Ficamos em silêncio por um tempo. Eu me perguntava como Jason e Chloe haviam virado um casal em tão pouco tempo, todos diziam que fazia mais ou menos uma semana desde que ela e haviam terminado o namoro quando ela apareceu namorando Jason. Tudo indicava que ela havia o traído, já que era meio impossível começar um relacionamento com alguém em menos de uma semana.
Eu não sabia se era uma boa ideia perguntar disso para , mas resolvi perguntar mesmo assim:
– Posso te perguntar uma coisa? – virei o pescoço para encara-lo e ele fez o mesmo.
– Sim.
– Você e a Chloe terminaram há quase uma semana, certo? – ele assentiu sem ânimo – Você não acha estranho ela já estar namorando outro? Porque, sei lá, pra mim parece estranho, se ela só estivesse ficando com ele, ok, mas é um namoro, eles colocaram nas redes sociais e tudo...
Eu achava que assumir algo nas redes sociais era realmente sério.
– Você está me perguntando se eu acho que ela me traia com ele? – me perguntou em um tom meio irritado e eu engoli a seco. Ele tinha me pegado.
– Bom...
– Olha, , eu posso parecer um idiota pra você e para todos na escola, mas eu conheço a Chloe como ninguém e ela não faria isso comigo...e além do mais, eu a amo. – o garoto virou a cara e fingiu olhar o céu azul daquela tarde.
tinha ganhado o título de trouxa do ano, definitivamente. Eu me achava otária às vezes, mas ele tinha me superado.
– Mas então, qual o plano? – tentei mudar de assunto e acabar com aquele clima estranho.
– Bom – ele se virou para mim – Eu estava pensando que você poderia se aproximar da Chloe e quando pegasse intimidade com ela...
– Não – disse seca, o interrompendo.
– Por que não? – ele parecia indignado por eu ter negado.
– Eu nem vou com a cara dela, como vou ser amiga dela? – fiz uma careta. Eu, de fato, nunca fui muito com a cara de Chloe, ela sempre me pareceu... Fútil? Eu, de fato, não sabia o que ela me parecia, mas coisa boa não era.
– A conhece ela, não é? – assenti sem animo – Então você aproveita isso e eu te dou umas dicas pra você se tornar amiga dela – ele deu uma piscadela
– Não sei, não...
– Tenta pelo menos – o garoto implorou e eu revirei os olhos – Se não der certo a gente muda de estratégia...
– E você vai fazer o que? – cruzei os braços. Ele iria mesmo deixar o trabalho todo nas minhas costas?
– Vou conversar com o Jason, ele veio se explicar pra mim – revirou os olhos – Vou fingir que desculpo ele...
Eu sabia que era uma péssima ideia e que provavelmente daria errado, mas eu já tinha entrado naquilo, e além do mais, Chloe não era flor que se cheire, então não seria tão errado ser tão cobra quanto ela, não é?
– Tudo bem – concordei meio relutante.
– Ótimo – o garoto abriu um enorme sorriso.
Peguei minha mochila do chão e a coloquei nas costas pronta para ir embora dali, mas segurou meu braço, me fazendo virar e encara-lo.
– Isso vai ficar só entre a gente, beleza?
– Beleza – dei de ombros.
Ele achava mesmo que eu sairia contando para todo mundo que eu e ele havíamos criado todo um plano para acabar com um namoro? O quão ridículo e infantil aquilo soava? Eu podia até imaginar a cara de desaprovação de nossos amigos descobrindo aquilo.
Na verdade, eu não queria pensar muito nisso, porque ia contra todos meus princípios, mas meu lado emocional falava muito mais alto do que meu racional naquele momento. Eu queria muito ver Jason bem longe de Chloe, não achava que ela o merecia. Eu o amava e só queria vê-lo bem e feliz com alguém que o merecesse.

No dia seguinte, para meu azar, tinha faltado e eu teria que passar o intervalo com e seus amigos. Na verdade, eu preferia passar sozinha, mas nunca que e deixariam isso acontecer.
Andei na maior lerdeza em direção à mesa cheia de garotos, parecia que eu estava caminhando para o corredor da morte. Eu não estava receosa porque os amigos de eram más pessoas e sim, porque eu odiava ter que socializar com as pessoas e eu sabia que ele faria de tudo para que eu conversasse com seus amigos.
Os garotos riam enquanto conversavam, o mais alto deles fazia sinais com as mãos, como se estivesse contando uma história muito boa. Aproximei-me da mesa com minha bandeja, e no mesmo instante eles pararam de conversar e me olharam como se eu fosse um extraterrestre.
! – chamou animado dando um espaço entre ele e para que eu sentasse.
Dei um sorrisinho nervoso enquanto colocava minha bandeja na mesa e me sentava entre eles.
– Estou feliz que você esteja aqui – disse de um jeito fofo e me abraçou de lado. o acompanhou me abraçando do outro lado.
Sorri ao sentir o abraço de meus dois amigos. Eles eram as pessoas mais doces que eu conhecia e eu amava estar em volta deles.
Ficamos em silêncio e percebi que os garotos estavam tão desconfortáveis quanto eu. Vi fazer um sinal, quase obrigando seus amigos a socializarem comigo.
– Hey, , eu sou o – o garoto me estendeu a mão com um sorriso amigável no rosto.
– Oi – sorri tímida pegando a mão do mesmo.
– Sou o – ele deu sorriso tímido enquanto acenava para mim.
Todos olharam para esperando que o mesmo tirasse os olhos do celular e falasse algo.
– Yo ! – acertou uma bolinha de papel nele.
– Hã? – o garoto resmungou quando finalmente tirou os olhos do celular.
revirou os olhos impaciente.
– Esse é o – disse colocando uma de suas mãos no ombro do mesmo. acenou com a cabeça para mim, como se nunca tivesse trocado uma palavra comigo.
Os garotos começaram a falar sobre vídeo game – algo que eu não entendia nada – e eu fiquei ali boiando no assunto. Vi distraído com uma feição mista de descontentamento e raiva. Olhei para trás procurando o que ele olhava com aquela cara e me deparei com Chloe e Jason abraçados, rindo na mesa de trás. Me virei para olha-lo de novo, mas ele não estava mais ali.
– Vou pegar mais uma maçã, vocês querem algo? – disse de pé ao lado da mesa. Todos negaram com a cabeça e ele saiu dali em direção à cantina.
– Cara, o tá muito mal – torceu a boca.
– Porque ele quer! Não sei por que ele sofre tanto pela Chloe, ela só soube pisar nele – bufou – Ele pode ter a garota que ele quiser nessa escola, mas vive insistindo nela.
– Cara, deixa ele – disse na maior calma do mundo.
– É, uma hora ele vai ver isso – deu de ombros – Vocês sabem o quanto o é cabeça dura.
Fiquei me perguntando o que Chloe fez de tão ruim pra detesta-la, mas não sabia se devia perguntar ou apenas permanecer muda e fingir que nem estava prestando atenção na conversa. Eu obviamente optei pela primeira opção, já obviamente não me aguentei de curiosidade.
– O que a Chloe fez de tão ruim pra ele? – perguntei receosa com a resposta.
– O que ela fez? – elevou o tom de voz – Ela sempre o tratou mal! Fora que ela traiu ele com o Jason, isso é meio obvio.
tinha acabado de me confirmar o que eu sempre desconfiei. Como Chloe podia fazer isso? Claro que eu nunca pensei que ela fosse uma pessoa maravilhosa, mas trair o namorado com um cara e logo depois aparecer namorando o mesmo era demais. , de fato, não me parecia ser a melhor pessoa do mundo, mas ele não merecia aquilo, ninguém merecia.
Comecei a me questionar se deveria mesmo ajuda-lo com aquilo, já que eu estava praticamente o ajudando a se afundar em um relacionamento péssimo. Porém, após pensar por um tempo cheguei à conclusão de que aquilo não era da minha conta, se ele queria voltar para a ex que fez o fez tanto mal – segundo seus amigos – era problema dele.

***

Eu e estávamos sentadas no chão da quadra de vôlei da escola, exaustas pós-aula de educação física. Bem a nossa frente os amigos de dançavam ao som de Bruno Mars, se exibindo para as garotas de nossa turma que olhavam apaixonadas cada movimento que os cinco garotos faziam.
Revirei os olhos quando um deles tirou a camisa fazendo com que as garotas soltassem gritinhos estridentes. Olhei para que encarava atentamente o garoto sem camisa e nem se quer reparou que eu a encarava.
– chamei.
– Hm? – ela resmungou sem tirar os olhos dos garotos.
– Vou encher minha garrafa, quer que encha a sua?
– Não precisa – ela respondeu ainda sem me olhar.
Suspirei e levantei do chão. “Qual é o problema dessas garotas?” resmunguei enquanto andava em direção aos bebedouros.
Após encher minha garrafa, andei até a quadra de vôlei e dessa vez quem estava dançando era , ao som de Drake. Ele, de fato, dançava muito bem, eu tinha de admitir.
Passei por algumas garotas que babavam por ele e comentavam o quanto ele era lindo, incrível e bla bla bla e me peguei pensando o mesmo que , ele tinha várias garotas bonitas aos pés dele, por que ele insistia tanto na ex-namorada?
Andei até minha melhor amiga e sentei ao seu lado, em seguida bebi um gole de água em silêncio.
– Sabe, , eu acho que devemos andar mais com os amigos do disse sem me olhar.
– É o que? – eu quase cuspi a água.
– Eles são bem bonitos, você não acha? – ela virou o pescoço para me olhar.
– Hã? – eu ainda não tinha processado a informação.
claramente estava interessada em um dos garotos, senti meu estômago embrulhar só de pensar que podia ser , afinal, como eu esconderia aquilo dela se ela estivesse interessada nele? Na verdade, eu também temia por ela, já que era obvio que seria outra desilusão amorosa na vida dela, pois não tinha olhos para outra garota que não fosse Chloe.
– Só me diz que você não está interessada no – fiz uma careta e soltou uma risada.
– Ele é bonitinho, mas não faz meu tipo – ela fez uma careta – Talvez o ou o , não sei ainda – ela deu de ombros e eu ri.
– Bom, eles são bonitos...
– Por que temia que eu estivesse interessada no , hein? – ela me cutucou com o cotovelo e eu revirei os olhos.
– Eu não estou interessada nele, se é o que você está pensando – dei de ombros – É só que ele não supera a ex-namorada e acho que você não precisa de mais uma desilusão amorosa...
– Hm, saquei – ela pareceu pensar um pouco – Não, eu realmente não preciso.


Capítulo 3: Knowing The Enemy.

– A gente pode fazer algo mais tarde – eu dizia no banco do carona do carro de .
– Não vai dá – ela torceu a boca – Tenho treino hoje.
fazia parte do grupo de líderes de torcida do colégio, ela era muito talentosa, do tipo que fazia piruetas no ar, dançava, pulava e tudo mais que uma líder de torcida deveria fazer. O time era composto por várias garotas de diferentes idades e alguns garotos também. A líder era ninguém mais, ninguém menos que Chloe Kudrow, a ex-namorada de e atual namorada de Jason. Chloe estaria no treino, era minha oportunidade de tentar me aproximar dela – e provavelmente falhar.
– Será que eu posso ir? – perguntei e vi tirar os olhos do caminho e me encarar com uma cara estranha.
– Você quer ir ao treino comigo? – perguntou desconfiada e eu assenti – Mesmo com todas aquelas garotas que você não vai com a cara?
– Sim – dei de ombros – Eu vou lá pra ver você brilhar.
Chloe abriu um enorme sorriso.
– Tudo bem! – respondeu animada.
Eu me sentia a pior pessoa do mundo por mentir para , mas eu precisava. Não podia simplesmente contar para ela que estava insistindo em Jason, mesmo ela tendo me dito mil vezes pra sair dessa.
Talvez eu fosse exatamente igual nesse sentindo, cabeça dura.
– Te pego às 15h – a garota me disse antes que eu descesse do carro.
– Combinado – respondi enquanto lhe dava um beijo no rosto e saia de seu carro.
Acenei para enquanto destrancava a porta de casa e entrava.
Deixei minha mochila ao lado do sofá acinzentado da sala e andei até a cozinha em busca de comida. Vi um bilhete pendurado na geladeira e reconheci de cara a letra perfeita de mamãe. “Deixei comida na geladeira. Beijos, te amo” dizia o bilhete pendurado com um imã em formato de coração. Sorri ao ler o bilhete e abri a geladeira.
Eu morava com minha mãe e minha irmã mais velha, Stella. Minha mãe trabalhava praticamente o dia todo, ela era professora de literatura e dava aula em duas faculdades da região. Minha irmã fazia faculdade de direito na parte da manhã e estágio de tarde, então eu passava o dia todo praticamente sozinha. Meus pais eram separados, meu pai morava em outra cidade com minha madrasta e a filha dela, Alexa – que inclusive era outra grande amiga minha.
Coloquei a comida no micro-ondas e enquanto não ficava pronto, pensei em ligar para e lhe perguntar o que fazer quando me encontrasse com Chloe, já que o mesmo me disse que daria dicas para me aproximar dela.
Peguei no bolso da calça o pedaço de papel que ele tinha me dado com seu número e comecei a digitar em meu celular. Após três chamadas, ele finalmente atendeu:
– Alô? – disse com uma voz rouca
?
– Sim, quem é?
– É a ...
– Ah... O que houve?
– Eu estou bem também – disse irônica e pude ouvir a risada dele do outro lado da linha.
– Como você está?
– Bem – comecei a fazer dobraduras no papel com o número de – Bom...
– Você não vai perguntar como estou? – ele me interrompeu.
– Não... – eu podia jurar que nesse momento, ele estava revirando os olhos.
– O que você quer?
– Arranjei um jeito de falar com a Chloe, sobre o que devo falar com ela?
– Bom, ela gostava de uma banda chamada The Vamps – ótimo, eu não sabia nada dessa banda, a não ser que também gostava – Ela também assiste aquela série... Pretty Little Liars – pelo menos uma coisa nós tínhamos em comum, eu também assistia essa série. Eu era fascinada por suspense e em descobrir quem era o vilão por trás de tudo, por tanto, Pretty Little Liars parecia uma boa série para mim.
– Tudo bem...
Continuamos falando mais sobre Chloe até que finalmente parou de falar – ele conseguia falar mais que – e se despediu, desligando o telefone logo em seguida.

***

Eu já estava arrumada na porta de casa quando passou de carro para me pegar. Ela buzinou quando parou o carro em frente ao pequeno jardim que tinha na entrada de casa. Corri até o carro e abri a porta do mesmo.
– Oi – disse quando me acomodei no banco do carona e fechei a porta.
– Você está bonita – a garota me elogiou e eu encarei meu short jeans cintura alta e minha camiseta preta da minha banda favorita.
– Ué, não estou vestindo nada demais – respondi confusa.
– Você quase nunca mostra essas pernas – deu um tapinha em minha coxa. Ela tinha razão, eu sempre estava de calça jeans, mas a verdade era que eu me sentia mais confortável e segura de calça jeans do que de short ou de qualquer coisa que mostrasse demais meu corpo.
– É, você tem razão – concordei – Mas então, senhora líder de torcida, o que vocês vão ensaiar hoje? – perguntei enquanto tentava ligar o radio.
– O de sempre – ela deu de ombros.
– A Chloe vai também?
– Claro – ela riu – Ela é a líder!
– É... faz sentido – respondi enquanto olhava a paisagem pela janela.
– Você não está tramando nada, né? – apertou os olhos desconfiada
– Eu? – apontei para mim mesma de uma forma dramática – Claro que não, só queria dar uma chance para as suas amigas líderes de torcida, talvez eu esteja julgando elas mal... – eu realmente achava que julgava muito as pessoas pelo o que elas aparentavam e eu precisava parar com isso.
– Hm, tentando ser uma pessoa melhor, é? Gostei! – a garota ao meu lado sorriu orgulhosa.
Senti uma pontada de culpa em ouvi-la dizer aquilo, porque no caso, tentar separar um casal me tornava uma pessoa muito pior do que eu já era.
Respirei fundo e balancei a cabeça tentando me livrar dos meus pensamentos. Eu não iria pensar nisso, não agora.

Entramos no enorme ginásio do colégio que estava cheio de garotas, era possível ver três garotos no meio delas também.
andou em direção as garotas mais velhas do time e eu a segui. Ela deu um beijo no rosto de cada uma e em seguida parou ao meu lado – talvez percebendo o quão deslocada eu estava ali.
– Essa é a minha melhor amiga, , ela veio ver o treino – a garota informou com um sorriso no rosto e eu apenas acenei para as garotas com um sorrisinho sem graça no rosto.
Me sentei nas arquibancadas e observei as garotas se organizarem para começar o treino. Vi Chloe cruzar a quadra com seu short curto vermelho de moletom e um cropped de malha canelada cinza. Ela prendeu seus cabelos castanhos ondulados em um coque bem no topo de sua cabeça. Ela era muito bonita e tinha um corpo de dar inveja, eu tinha de admitir. Talvez agora eu entendesse o porquê que queria tanto ela de volta, mesmo ela sendo péssima com ele – como relatou.
As líderes de torcida começaram a dançar ao som de “Worth it”,“ Don’t cha” e “Hollaback Girl”. Entre uma música e outra elas faziam espécie de pontes, onde os garotos ficavam na base – provavelmente por serem mais fortes – e as garotas menores ficavam na ponta.
Eles deram uma pausa para descansar, Chloe andou em minha direção e sentou a centímetros de mim, pegando sua mochila aveludada em um tom azul escuro e tirando uma garrafa de água de dentro.
– Vou beber água, já volto – avisou antes de sair do ginásio acompanhada de algumas garotas.
Eu precisava falar com Chloe, aquela era a chance, era agora ou nunca. Respirei fundo tentando tomar coragem de me aproximar dela.
“Por que eu aceitei isso mesmo?” me perguntei mentalmente diversas vezes antes de me aproximar da garota.
A morena mexia no celular e pude ver que o plano de fundo era uma foto onde Jason estava atrás dela dando um beijo em sua bochecha enquanto ela estava com um sorrisinho no rosto.
– Vocês formam um casal lindo – comentei como quem não queria nada e ela se virou para me encarar.
Meu maior medo era que Jason tivesse contado tudo que aconteceu entre nós e com isso ela saberia minhas reais intenções.
– Obrigada – ela sorriu de um jeito amigável e eu soltei o ar que sequer percebi que segurei.
– Ele é um cara legal...
– Você o conhece? – ela se aproximou mais de mim.
Eu estava desapontada, mas não surpresa por ele nunca ter me mencionado para sua atual namorada. Era obvio que ele não contaria que tivera algo com uma garota duas semanas antes de começar um namoro com ela.
– Sim! Nós éramos amigos – confirmei enquanto encarava meu tênis.
– Ele nunca me falou sobre você – a garota tinha uma feição pensativa e desconfiada ao mesmo tempo.
Por mais que eu soubesse que ele fingiria que nunca me conheceu, aquilo ainda era como um soco no estômago para mim.
– Faz tempo que não nos falamos, então... – dei de ombros.
– Entendi...
Ficamos em silencio por um tempo, até que Chloe surpreendentemente começou a puxar assunto comigo, me perguntando que tipo de música eu gostava e coisas do tipo. Eu, como o planejado, fingi ser super fã de The Vamps e graças ao Google consegui fingir isso muito bem. Conversamos sobre nossa série favorita e ela ficou muito empolgada por termos o mesmo casal favorito.
No fim, Chloe estava me adorando e me chamando para uma festa do pijama em sua casa e eu, como sempre, me senti culpada por estar mentindo. Se ela tivesse se mostrado uma garota fresca, mesquinha e fútil – como eu esperava – tudo seria mais fácil, mas ela tinha se mostrado totalmente o contrário.
– Chloe gostou de você – disse dentro do carro enquanto colocava o cinto.
– Eu sei, eu gostei dela também... As aparências enganam – comentei enquanto olhava pela janela.
– Você não esqueceu que ela é namorada do Jason não, né? – ela me olhou pelo canto do olho.
– Foda-se o Jason! – exclamei e riu.
¬
***

Eu e estávamos lado a lado, debruçados próximo ao vidro que cercava todo o terraço. O vidro, de certa forma, nos atrapalhava para olhar a paisagem, mas era compreensível já que alguém podia tentar se jogar dali ou até jogar alguém dali.
– Então – ele começou virando o pescoço para me fitar – Como foi com a Chloe?
– Bom – olhei para os olhos curiosos do garoto – Descobri que o Jason nunca sequer mencionou algo sobre mim – dei um sorrisinho sínico e ele torceu a boca em desaprovação – Não que eu esperasse que ele tivesse feito, mas...
– Mas você tinha esperança – completou .
– Enfim, seria pior se ele tivesse falado, teria ferrado todo nosso plano – dei de ombros – Conversei com ela sobre a banda favorita dela, sobre a série... E resumindo, ela me adorou e inclusive me chamou para uma festa do pijama na casa dela – riu da última parte e eu o acompanhei – Chloe não é uma péssima pessoa, o que me fez me sentir bem culpada por estar mentindo...
– Você não tem que se sentir culpada – ele colocou as mãos em meus ombros e eu fitei uma de suas mãos, estranhando aquela proximidade.
– Você falou com o Jason? – perguntei mudando de assunto.
– Sim – ele confirmou com a cabeça e suspirou – Ele me pediu desculpas, disse que não tinha planejado aquilo, tinha acontecido de repente, que não queria perder minha amizade e bla bla bla – revirou os olhos – Ele pareceu meio apreensivo quando eu falei sobre você... – o garoto tinha um sorrisinho no rosto e uma de suas sobrancelhas estava arqueada.
– O que você falou sobre mim? – arregalei os olhos surpresa.
– Nada, só disse que tinha te conhecido e que lembrava que vocês andavam juntos – deu de ombros – Ele ficou bem apreensivo, me perguntou se eu estava interessado em você – gargalhou como se fosse algo absurdo. E de fato era, onde que ele estaria interessado em mim e vice e versa? Nós éramos pessoas bem diferentes.
– Você está me falando isso só pra que eu ache que ele tem algum interesse em mim e assim não desista do plano ou... – apertei meus olhos desconfiada e o garoto riu.
– Eu nunca mentiria sobre isso... – ele virou o rosto para os vidros e eu ainda o encarava desconfiada – Bom...Talvez sim, mas eu não estou mentindo agora – confirmou de um jeito firme e eu o analisei procurando algum vestígio de mentira, mas não encontrei, ele parecia estar falando a verdade.


Capítulo 4: Keep your friends close and your enemies closer.

Era uma sexta à noite e eu estava a caminho da casa de Chloe para a tal festa do pijama. A garota insistira para que me levasse para a tal festa e eu aceitei, apenas porque estava curiosa demais para saber a versão dela de todo o drama envolvendo ela, Jason e .
A mãe de havia convencido minha mãe de me deixar ir, já que ela conhecia a família de Chloe. Apesar de tudo, minha mãe parecia animada em me ver fazendo amizade com outras garotas, visto que ela sempre implorava para que eu me divertisse.
Eu e fomos de carona com minha mãe. Elas foram tagarelando o caminho todo enquanto eu tentava lidar com o fato de que dormiria em uma casa estranha, com pessoas estranhas. Por mais que eu parecesse durona, eu me sentia insegura com pessoas novas, tinha medo de não ser aceita.
Quando finalmente chegamos no endereço, pegamos nossas mochilas, nos despedimos de minha mãe e descemos do carro. Logo que desci fiquei boquiaberta com a casa enorme e chique que Chloe morava.
– Tchau tia – acenou para minha mãe.
– Tchau meninas, juízo – ela disse dentro do carro e eu acenei, mandando um beijo no ar logo em seguida.
Cruzamos o grande gramado verde em frente à casa e subimos uma pequena escada até a entrada. A fachada da casa era toda em mdf preto e uma imitação de madeira.
Podíamos ouvir as risadas das garotas quando tocou a campainha. Eu estava nervosa em estar ali cercada de pessoas que não conhecia.
– Oi meninas! – Chloe disse quando abriu a enorme porta de madeira da entrada.
– Oi – cumprimentou dando um abraço na garota.
– Hey – disse tímida e a garota morena me puxou para um abraço meio desajeitado.
A casa era enorme, só a sala de estar cabia todos os alunos do colégio. A decoração era toda “clean”, as paredes eram brancas e os moveis eram de uma madeira bem clara.
Haviam três garotas sentadas no sofá de couro bege, que me apresentou como Tifany, Mia e Makenzie.
A noite foi dividida em comer pizza, assistir a comedias românticas clichês e falar sobre garotos. contou sobre seu interesse em e e todas as garotas concordam que era um ótimo partido. Uma delas confessou que ficaria com e eu a apoiei dizendo o quão legal ele era.
– Mas e você , com quem ficaria? – Chloe disse quando voltou da cozinha com mais uma caixa de pizza.
– Sei lá, nenhum faz muito meu estilo – respondi enquanto assistia a morena sentar no sofá.
– Nem o ? – brincou.
Lancei um olhar furioso para minha melhor amiga. Que merda ela achava que estava fazendo? Insinuando que eu estava interessada no ex da garota? Tudo bem que eu estava interessada no atual dela – o que era bem pior – mas de qualquer modo era algo muito sem noção de se fazer.
– Menos ainda – fiz uma careta e as garotas riram.
– Se você tiver interesse nele não tem nenhum problema – começou Chloe – Não tenho mais nada com ele e nem quero – ela completou fazendo uma cara de nojo que me deu uma leve raiva. achava que o universo girava em torno dele? Sim, mas apesar disso ele não parecia ser má pessoa.
– Ele é um cara legal, só não faz meu estilo mesmo – defendi. Eu odiava injustiça e vê-la falar daquele jeito do garoto que tanto corria atrás dela me deixava irritada.
– De qualquer modo, eu estou com Jason agora...– ela deu de ombros.
Eu apenas dei o sorriso mais verdadeiro que eu conseguia fazer no momento.
Por mais que eu soubesse que Chloe não sabia de Jason e eu, parecia que ela tentava o tempo todo esfregar o namoro deles na minha cara. Às vezes eu só queria expor tudo que aconteceu entre mim e Jason, só pra que ela percebesse que ele não era o namorado perfeito que ela achava.
Meu celular vibrou em cima do sofá e o pegou, analisando a tela do mesmo, provavelmente tentando descobrir quem era.
– Não sei de quem é esse número – disse quando me passou o aparelho.
Analisei a tela e eu também não fazia ideia de quem era, porém atendi mesmo assim.
Alô?
. – reconheci a voz de de primeira e entrei em pânico. Como eu explicaria aquilo?
Oi, mãe. – disse tentando disfarçar quem realmente era.
O ouvi rir do outro lado da linha.
Você está na casa da Chloe?
Sim – respondi enquanto dava um sorrisinho amarelo para as garotas que me encaravam curiosas.
Ótimo! Então, tenta falar de mim pra Chloe...
Quê?
Fala o quanto você me acha legal, bonito e...
– Não – o interrompi. Eu não faria aquilo, não mesmo.
Por que não?
Olha mãe, depois a gente conversa tá? Tchau. – disse antes de desligar o telefone na cara dele.
Guardei o telefone no bolso do jeans e sorri para as garotas.
Que porra achava que estava fazendo me ligando na casa da ex dele? E se eu tivesse salvado o contato dele, como eu explicaria aquilo? Ele só podia estar louco! Até parece que eu falaria aquelas coisas dele. E se era pra eu fazer amizade com Chloe, por que raios eu falaria aquelas coisas dele? Ninguém em sã consciência queria ser amiga de alguém que estivesse interessada no seu ex!
– Era só minha mãe vendo se tava tudo bem – menti para as garotas que ainda me encaravam.

***

Todas as garotas subiram pra dormir, uma dormiria junto com Chloe e as outras duas no quarto de hospedes. Eu e escolhemos dormir no sofá, já que o mesmo parecia bem confortável.
– Vocês tem certeza que está tudo bem dormir ai? – a morena perguntou enquanto nos trazia lençóis, cobertores e travesseiros.
– Não tem problema nenhum, Chloe, de verdade – confirmou .
– Tudo bem então, boa noite meninas! – ela disse antes de subir as escadas.
– Boa noite – respondemos em uníssono.
Minha melhor amiga caiu no sono em menos de 10 minutos e eu fiquei me revirando naquele sofá. Odiava dormir fora, parecia que sempre me batia um pânico e eu simplesmente não conseguia dormir.
Levantei do sofá e decidi ir até a cozinha tomar um pouco de água para ver se eu finalmente conseguia dormir.
Para minha surpresa, a cozinha era tão enorme quanto à sala e era cercada de armários de madeira.
– Droga – sussurrei para mim mesma quando pensei que teria que vasculhar todos aqueles armários até achar um copo.
Eu odiava mexer nas coisas dos outros e mexer nos armários me parecia meio desrespeitoso, apesar de saber que não fazia muito sentido pensar assim.
Abri a porta do primeiro armário e vasculhei o mesmo.
– Procurando um copo? – ouvi uma voz dizer bem atrás de mim e quase morri de coração.
– Meu Deus, que susto! – disse quando me virei, colocando a mão no peito.
Chloe riu.
– Eu pego pra você – a morena sorriu e abriu a porta do segundo armário.
Ela me entregou um copo pesado de vidro e abriu a geladeira, tirando de lá uma jarra de água.
– Sem sono? – perguntou enquanto colocava água no meu copo.
– Sim – admiti.
Nos encostamos na pia de mármore e ficamos em silêncio bebendo água. Chloe parecia distante, como se estivesse com algum problema.
– Ta tudo bem? – perguntei curiosa.
– Sim, só tive uma discussão com o Jason...
– Sei – torci a boca – Vai ficar tudo bem – coloquei uma de minhas mãos em seu ombro, demonstrando apoio.
– Ele anda meio estranho esses dias – ela me encarou – Você bem que podia me ajudar sabe?
– Com o que? – franzi o cenho. O que será que eu tinha que todo mundo queria que eu os ajudasse?
– Ficando de olho nele, afinal, vocês eram amigos, não é?
– Nós éramos, não acredito que possa te ajudar com isso, mas se eu souber de algo...
Nesse momento minha ficha caiu e percebi o porquê Chloe quis se aproximar tanto de mim, ela achava que eu podia ficar de olho em Jason pra ela, queria que eu fosse sua informante, porém, mal sabia ela que eu era a pior pessoa para esse papel.
– Tudo bem, obrigada – ela sorriu fraco.
Eu estava começando a me sentir mal por fazer Chloe realmente acreditar que eu era sua aliada, quando na verdade eu era sua inimiga. Me sentia como aquele espião que traiu o seu país.
– Posso te perguntar algo? – perguntei receosa.
– Claro!
– O que aconteceu entre você e o ? – coloquei meu copo na pia e cruzei meus braços, esperando a resposta de Chloe.
Ela riu de um jeito sarcástico.
– Ele deve falar mal de mim...
– Na verdade não, ele não me disse nada a seu respeito... – dei de ombros e Chloe me olhou surpresa, como quem descobria que não era o centro das atenções.
– Bom, eu e namoramos por seis meses, mas a gente vivia indo e voltando sabe? – ela revirou os olhos e eu assenti – Ele sempre com ciúmes dos meus amigos, me dizendo o que fazer e coisas do tipo, nós brigávamos constantemente – ela fez uma pausa, parecendo pensar em como falar sobre algo – E num desses términos eu conheci o Jason e fiquei com ele em uma festa, mas depois disso eu voltei com o . Jason sempre me dizia pra largar dele, que ele não era bom pra mim, que eu merecia algo melhor e coisas do tipo sabe? – balancei a cabeça positivamente e ela continuou – E então eu segui os conselhos dele e hoje estamos ai...
Segurei o riso quando a ouvir dizer o que Jason dizia para ela. “Ele não é bom para você”, “Você merece algo melhor”, isso era tão a cara de Jason que eu até podia o ouvir dizendo isso em minha mente. Era irônico saber que ele dizia isso para Chloe e para mim dizia que ele não era bom o suficiente e que eu merecia algo melhor do que ele.
Eu não conhecia tanto quando conhecia Jason, mas tinha certeza de que ele era uma pessoa melhor. Mas não podia negar que Chloe e Jason se mereciam!
– Entendi – dei um sorriso que com toda certeza saiu extremamente forçado.
Eu não sabia muito se acreditava em Chloe, já que ela não me pareceu tão verdadeira contando toda aquela história e colocando como vilão, ela como mocinha indefesa e Jason como o herói. sempre me falava o quanto Chloe gostava de se fazer de vítima e exagerar em tudo, talvez fosse mais fácil distorcer toda a história do que assumir seus erros.

***

Logo que cheguei em casa, fui correndo para meu quarto. Joguei minha mochila no chão e me olhei no espelho perto da cômoda. Minha cara estava horrível, era possível ver as olheiras que se formaram em baixo dos meus olhos pela noite mal dormida.
Andei até minha cama e me joguei em cima da mesma com esperanças de conseguir dormir. Fechei meus olhos e tentei relaxar, mas minha cabeça simplesmente não parava de repassar todas as falas de Chloe naquela noite e eu precisava contar tudo aquilo para logo.
Me levantei da cama aceitando que não dormiria até conseguir contar aquilo pessoalmente para .
Tentei ligar no celular dele pra saber onde ele estava, mas o mesmo não atendeu, então tive a brilhante ideia de ligar para , talvez eles estivessem juntos.
– Fala – depois de vários toques o garoto finalmente atendeu.
– Onde você está?
– No parque, por que? – ouvi a voz dos outros garotos de fundo e presumi que eles estavam juntos.
– Tô indo ai – foi a última coisa que disse antes de desligar o telefone na cara de .
Quando passei pela porta avisei minha mãe que estava indo no parque encontrar e em seguida sai porta a fora. Caminhei o mais rápido que consegui até o parque que ficava cerca de dois quarteirões depois da minha casa.
Quando cheguei avistei andando de skate, enquanto os outros quatro garotos jogavam basquete. Ao mesmo tempo em que me aproximava de , vi jogar a bola de um lado para outro, rindo da feição séria de , que tentava pegar a bola. e apenas gargalhavam da situação.
– O gosta de irritar o , né? – comentei quando me aproximei de .
– Pois é – respondeu enquanto olhava em direção aos garotos.
se sentou em seu skate e eu sentei no outro skate que estava lá, o qual eu não sabia quem era o dono.
– Como foi a festa? – ele me olhou com uma expressão engraçada, como se quisesse rir da minha cara e eu bati meu ombro no dele.
– Chata – confessei e ele riu – Não que eu achasse que seria diferente, mas...
– Por que você aceitou ir nisso?
– Sei lá – menti enquanto olhava em direção aos garotos que jogavam – Chloe insistiu que eu fosse...
– Desde quando vocês são próximas? O que eu perdi? – franziu o cenho.
– Nós conversamos uma vez, mas descobri que ela queria se aproximar porque achou que eu poderia ficar no pé do Jason pra ela – ri como se fosse algo absurdo e ele me acompanhou.
– Ela não sabe do seu lance com ele, né? – O garoto me olhou e eu neguei com a cabeça – É claro que não! Por que ela te pediria isso se soubesse? – disse meio que pra si mesmo e eu não respondi.
Avistei se aproximando de nós. Usava apenas uma calça preta da adidas e seu vans surrado. Ele mexeu no cabelo enquanto sorria e por um momento eu o achei extremamente atraente.
Fiquei impressionada ao vê-lo sem camisa, já que na minha cabeça ele era magricelo, mas eu estava enganada, aquele garoto tinha músculos!
– Vai lá jogar no meu lugar, preciso descansar um pouco – o garoto disse para e ele assentiu, levantando do skate e indo em direção ao grupo de meninos.
e acenaram para mim e eu correspondi, apenas fez um sinal de que estava de olho em mim e eu lhe mostrei o dedo do meio, fazendo com que soltasse uma gargalhada.
– E ai – o garoto bateu o ombro no meu.
– Eu tenho tanta coisa pra te contar que não sei nem por onde começar...
– Comece me dizendo como foi – ele riu.
– Meio chato, eu não consegui dormir nada – suspirei – Mas enfim, parece que a Chloe e o Jason estão meio brigados...
– É nossa chance! – vi um brilho que nunca tinha visto no olhar de e suspirei preocupada.
– Você tem certeza que quer voltar pra Chloe? – eu não podia deixa-lo se iludir daquela forma, quando eu sabia que ela não o queria de volta.
– Sim! Por que está perguntando isso? – ele me encarou.
– É só que... Ela não me pareceu querer você de volta – disse meio receosa.
riu e eu fiquei sem entender.
– É claro que ela vai dizer que não quer de volta – ele deu de ombros e eu quis enforca-lo. Que parte do “Ela não te quer de volta” ele não tinha entendido?
, ela não dá à mínima pra você! – quase gritei a última parte.
– Ela só está fazendo charme, afinal, quem não daria a mínima para mim? – deu uma piscadela e eu revirei os olhos.
– Olha, eu não sei se você sabe, mas o mundo não gira em torno de você – dei um sorrisinho cínico e ele riu.
– Se até você que ama o Jason me acha atraente, por que ela, que namorou comigo, não acharia?
Dessa vez quem riu foi eu.
– De onde você tirou que eu te acho atraente?
– Eu vi o jeito que você me olhou agora, quando eu me aproximei – ele piscou e eu senti minhas bochechas queimarem.
– Você é louco! – virei o rosto para a direção dos garotos.
– Você sabe que é verdade... – parecia se divertir com toda a situação.
– Eu não vou discutir com você, pense o que você quiser – dei de ombros.
– Mas você ta brava? – o garoto perguntou e em seguida riu com minha expressão.
Descobri que sabia ser extremamente chato quando queria.
– Eu não vou nem te responder, – disse em um tom sério com a cara fechada.
– Obrigado por me ajudar com isso, sério – ele me encarou e eu apenas o olhei pelo canto do olho – Finalmente conseguiremos! – disse contente me abraçando forte em seguida. Parecia que alguém estava criando muita expectativa...
Não o abracei de volta, fiquei imóvel sem entender o porquê ele tinha me abraçado. Vi que todos os garotos nos observavam confusos com aquela situação. tinha uma expressão desconfiada, enquanto parecia surpreso com a cena. e disseram algo um para o outro e em seguida deram risadinhas.


Capítulo 5: I’m out!

Eram por volta de 6:50 quando cheguei na porta do colégio, estava tão cansada que parecia um zumbi andando e minha cara provavelmente não estava das melhores. Me sentei no canteiro de flores que tinha ao lado do enorme portão de ferro que ainda estava fechado. Vi no meio da multidão de alunos, ela usava uma calça jeans colada e uma camiseta listrada, seu cabelo estava solto. Ela andou até mim e deu um enorme sorriso quando me viu.
– Olá – disse quando ela se sentou do meu lado – Você está linda!
– Obrigada – minha melhor amiga sorriu animada – Que cara é essa? – ela fez um careta.
– Sono – suspirei – O que houve que você veio toda maquiada hoje, hein? – a cutuquei com o cotovelo e ela riu.
– Bom, eu precisava te contar uma coisa... – ela mordeu o lábio inferior e eu a olhei curiosa – Eu acho que vai rolar alguma coisa entre eu e o ...
– O que? – eu quase gritei – Como assim? O que eu perdi?
– Bom, o me deu o número dele e eu mandei uma mensagem dizendo que tinha interesse nele... – jogou o cabelo para trás e eu abri minha boca surpresa com a notícia.
– Você o que? – arregalei os olhos e comecei a rir logo em seguida. sempre foi muito decidida e não gostava de enrolação.
– Ué, você sabe que eu sou direta – deu de ombros – Não vou ficar enrolando o garoto...
– E o que ele disse? – perguntei curiosa.
– Que me achava bonita e que queria me conhecer melhor – a garota sorriu vitoriosa e eu apenas balancei a cabeça negativamente enquanto gargalhava.

***

Minha primeira aula era de química e infelizmente era da minha turma.
Naquela tarde eu não tinha entendido muito bem o porquê daquele abraço. Ok, ele estava muito feliz, eu sei, mas pra mim não fazia o menor sentido aquela proximidade toda e fora que foi totalmente inadequado para o momento, já que nossos amigos estavam lá vendo tudo. Eles poderiam desconfiar e acabarem descobrindo que nós éramos dois idiotas que estavam tramando coisinhas para acabar com um namoro, só porque não sabemos superar e seguir em frente.
Vi entrar na sala de aula, ele usava uma calça jeans apertada e uma camiseta preta com algumas estampas, sua mochila preta com fivelas caramelo estava apoiada apenas em um ombro.
Ele cumprimentou algumas pessoas pelo caminho, e seguiu andando em direção a minha fileira. Segurei seu braço quando passou ao meu lado.
– O que foi? – o garoto parou ao meu lado e me encarou.
– Senta aí – apontei com a cabeça para a carteira vazia em frente à minha.
Ele analisou minha expressão e em seguida jogou sua mochila sobre a mesa e se sentou na cadeira, de modo que ficasse de frente para mim.
– Que porra você tava pensando quando me abraçou na frente de todo mundo? – sussurrei para que ninguém ouvisse – Na real, por que raios você me abraçou?
– Ah, então foi por isso que você foi embora logo em seguida... – ele tinha um sorrisinho irritante no rosto.
– Não – revirei os olhos – Eu fui embora porque estava cansada – dei de ombros.
– Ah, claro – ele riu irônico – Eu te abracei porque estava feliz com a notícia e também porque achei que você estava prestes a me dar um soco na cara...
– É, eu realmente estava – disse pensativa – Mas se me abraçar de novo, eu vou te dar um soco de verdade, esteja avisado...
– Por que se incomodou tanto com isso? – questionou apoiando os dois braços no encosto da cadeira, como quem estava curioso para saber minha resposta.
– Por que? – fiz uma pausa – Nossos amigos estavam lá, e se eles descobrem tudo sobre o plano? Se eles juntarem os pontos... Pronto, eles descobrem!
– Eles não são tão espertos assim – deu de ombros – A única coisa que eles podem ter achado é que estamos tendo algo...
– Ah, e você acha que tudo bem eles acharem isso? – fiz uma careta.
– Pelo menos assim eles não desconfiam do nosso plano – deu de ombros e eu bufei.
Eu havia decidido algo depois daquela noite na casa de Chloe: não queria mais fazer parte daquele plano. Cheguei à conclusão de que Jason não valia o esforço que eu estava fazendo, no fim, acho que tinha razão, ele era um mentiroso, assim como sua atual namorada.
– Por falar nisso, queria falar com você...
Observei o professor de química adentrar a sala. Ele odiava que conversassem na aula dele, então não conseguiria falar para que estava fora do plano naquele momento.
– O que? – perguntou curioso.
– Depois a gente conversa – disse ainda sem tirar os olhos do professor.
virou a cabeça para trás e viu que o professor acabara de chegar.
– Tudo bem – concordou antes de se levantar e dirigir-se ao seu lugar, no fundo da sala.

***

Era intervalo, fui a primeira a chegar à mesa. Me sentei no canto, furei meu suco de caixinha com o canudo e me preparei para dar a primeira mordida no meu lanche natural.
– E aí? – disse se sentando de frente para mim com um sorriso no rosto.
Ele ia mesmo se sentar perto de mim? O ignorei e voltei minha atenção ao meu lanche, dando uma grande mordida no mesmo.
– O que você queria me falar? – o garoto insistiu enquanto desembalava seu lanche.
– Agora não dá – murmurei antes de beber meu suco de maçã.
– Por que? – ele fez um careta.
Revirei os olhos. Será que ele não percebia que a qualquer momento nossos amigos chegariam? E se eles me pegassem falando sobre o plano? Eu tinha certeza que surtaria quando soubesse que eu ia cair fora.
– Me encontre no telhado, depois da aula – sussurrei percebendo que e se aproximavam da mesa.
me encarou confuso, talvez por eu estar sussurrando. Ele abriu a boca para falar algo, mas foi interrompido pela voz alta de :
– Estão de segredinhos é? – perguntou enquanto sentava ao lado de .
– Que? – me fingi de desentendida.
– A gente viu vocês dois de papinho – disse quando se sentou ao meu lado e eu revirei os olhos.
– Por que vocês não cuidam da vida de vocês? – sugeri com um sorrisinho cínico no rosto e riu de minha expressão.
– Não sei do que vocês estão falando – deu de ombros enquanto bebia seu suco.
– Cheios de abraços né? – provocou e eu o fuzilei com os olhos.
– Ahhh – disse como se lembrasse de algo – Vocês estão assim por causa disso? – ele riu – Eu abracei a porque tiramos a nota máxima no trabalho de química e eu estava precisando muito de nota, nada demais – deu de ombros.
– E desde quando vocês fazem trabalhos juntos? – perguntou desconfiada.
– Desde quando a professora escolhe as duplas – rebati.
Ficamos em silêncio na mesa. começou uma conversa com e , enquanto , e conversavam sobre esporte.
Eu estava distraída demais em meus pensamentos para entrar em alguma conversa. Pensava em como seria a reação de quando soubesse que eu não o ajudaria mais, com toda certeza ele daria um chilique, não entenderia que eu só estava tentando tomar a decisão certa para nós dois. Ele tinha que seguir em frente e deixar aquela garota que tanto fez mal pra trás.
– Hey, estalava os dedos na frente dos meus olhos.
– Terra chamando – disse com uma voz engraçada.
Pisquei algumas vezes, voltando à realidade.
– O que foi?
– Sábado à tarde, reunião na minha casa. – disse .
– E seu eu não quiser ir?
– Eu não estou te perguntando, isso é uma ordem – o garoto disse autoritário e eu dei risada.

Eu odiava matemática, pra mim era a pior aula de todas, mas para meu azar essa era a minha última aula. Para ajudar ainda mais nesse meu ódio por matemática meu professor, o Sr. Mitchell gostava de falar mais do que tudo e de misturar as histórias de seu cotidiano com a explicação da matéria.
Meu rosto estava apoiado na minha mão esquerda e eu tinha perdido a conta de quantas vezes já tinha dado pequenos cochilos naquela aula. Meu celular vibrou em cima da mesa me fazendo despertar de outro mini cochilo. Desbloqueei a tela e abri a nova mensagem que havia recebido.

De:
Terei que ir pra casa direto, minha mãe precisa da minha ajuda.
Na casa do a gente conversa, ou você pode me ligar se quiser...


Bom, parecia que o destino estava adiando que eu lhe contasse a tal notícia...

***

Acordei com o raio solar que entrava pela cortina branca do meu quarto, cocei os olhos e me espreguicei. O relógio que ficava em cima do criado mudo marcava 10:30 da manhã.
Desci as escadas rapidamente quando senti cheiro de panquecas, meu estômago estava roncando de fome. Passei pela sala e fui direto para a cozinha, onde mamãe estava no fogão e Stela sentada na mesa tomando algo em uma xícara, que presumi que fosse café.
– Bom dia – disse quando entrei na cozinha, fazendo com que as duas mulheres ali me olhassem.
– Bom dia, querida – mamãe sorriu.
– Bom dia – Stela resmungou enquanto lia uma folha que estava sobre a mesa.
Me sentei ao lado de minha irmã e estiquei meu pescoço, tentando ler o que dizia em seu papel.
– O que é isso? – perguntei curiosa.
– Matéria da faculdade – deu de ombros.
– Ah...
Mamãe colocou as panquecas na mesa e eu dei um enorme sorriso que fez com que ela desse risada. Me levantei da cadeira e fui em direção aos armários em busca de uma xícara para pôr meu café.
– Seu pai vem jantar hoje – informou minha mãe.
– Serio? – perguntei animada enquanto fechava o armário. Era sempre divertia quando ele vinha.
– Sim, a Alma e a Alexa vem também...
– Legal! – exclamei animada.
Eu me dava muito bem com a minha madrasta no geral. Ela era sempre foi muito carinhosa e extremamente engraçada, era descendente de mexicanos e fazia deliciosas quesadillas.
Alexa era como uma irmã, nós éramos inseparáveis desde os 10 anos – quando meu pai começou a namorar a mãe dela – ela sabia tudo sobre minha vida e eu tudo sobre a dela.
Coloquei café em minha xícara e me sentei a mesa novamente.
– O Noah vem esse final de semana? – perguntei enquanto colocava panquecas em meu prato.
– Sim, já já ele tá ai – Stela respondeu sem me olhar.
Noah era meu cunhado, que mais parecia meu irmão mais velho, eu me dava melhor com ele do que com minha própria irmã. Ele cursava Biologia – minha matéria favorita – em uma das melhores universidades da Flórida e passava alguns finais de semana na minha casa. Se eu sabia tocar violão e guitarra era graças a ele, já que o mesmo tem uma banda – apenas como hobby – com seu melhor amigo.
Sábado tinha tudo para dar certo e ser um dia divertido, já que Noah estaria em casa, papai, Alma e Alexa também.
– Oi – ouvi a voz de bem atrás de mim e me virei para encara-la.
– Oi, meu amor – mamãe respondeu simpática indo abraçar minha melhor amiga.
– Não bate na porta mais? – perguntei irônica e me mostrou a língua – O que tá fazendo aqui essa hora?
– Ué, você não recebeu a mensagem do ? – perguntou confusa. Droga, a tal “reunião” que havia mencionado era hoje.
– Não olhei meu celular – dei uma garfada em minha panqueca.
– Ele marcou pras 10:30, parece que ele tem um aniversario para ir de tarde – deu de ombros enquanto se sentava a mesa.
– Pega panqueca – mamãe passou o prato pra minha melhor amiga.
– Obrigada, tia Lucy – ela sorriu enquanto pegava o prato.
– Eu preciso mesmo ir? É que meu pai vem e tudo mais... – tentei dar uma desculpa.
– Claro que vai, ! – minha mãe disse autoritária – Seu pai só vem de noite.
– É que né, estará cheio de garotos lá... – justifiquei tentando ver se minha mãe me proibiria de ir, por mais que soubesse que não o faria.
– E daí?
– Ei, a senhora é uma mãe muito estranha – resmunguei e ela deu risada – Qualquer mãe proibiria a filha de ficar no meio de vários garotos adolescentes.
– A mãe dele está lá de olho em vocês – deu de ombros. De fato, a mãe de estaria lá.
– Para de dar desculpa pra não ver o me cutucou e eu quis enfiar meu garfo na mão dela. Por que tinha que ser tão boca aberta?
– Quem é ? – mamãe se direcionou a mim.
– Ninguém importante – fingi prestar atenção em meu café – Por que não falamos do ? – sugeri levantando uma de minhas sobrancelhas e quase engasgou.
? – minha mãe estava extremamente confusa.
– É o namorado da , ela quer que eu vá pra ela ter uma desculpa pra vê-lo – sorri vitoriosa quando vi o olhar furioso da garota.
– É mentira dela – fez um careta – Que tal você ir se arrumar, hein mocinha? – disse mudando de assunto.
Eu gostava muito dos garotos, eles eram divertidos, etc, mas eu não estava a fim de sair de casa. Ora, era sábado, eu só queria ver netflix na minha caminha quentinha enquanto comia pipoca.
Obedeci às ordens de - antes que ela me matasse com seu olhar furioso - e fui me arrumar para irmos.
Fui até o banheiro, me despi, prendi meu cabelo em um coque e liguei o chuveiro, coloquei minha mão em baixo da água para me certificar que estava a temperatura certa e entrei. Enquanto me ensaboava, pensava em todo o script que seguiria para dizer para Bradon que estava fora daquele plano maluco. Eu sabia que ele surtaria e tentaria me convencer de continuar, mas eu não cederia, não dessa vez. Ele era bom de lábia, eu sabia disso, mas eu não queria mais mentir para meus amigos e nem me sentir culpada por ser falsa com Chloe – por mais que soubesse que ela merecia.
Sai do banho de toalha, abri meu armário e peguei a primeira calça e camiseta que encontrei. Vesti a calça cinza de moletom e minha camiseta surrada do Coldplay, em seguida coloquei meu All Star vermelho no pé. Passei o primeiro perfume que encontrei na cômoda e escovei os dentes.
Desci as escadas calmamente e dei de cara com e minha irmã conversando no sofá acinzentado da sala de estar.
– Onde você pensa que vai? Na padaria comprar pão? – Stella zombou e eu lhe mostrei a língua.
– Você não vai assim – disse autoritária e eu revirei os olhos. O que eu deveria por? Um vestido longo de festa e um salto?
– O que tem de errado? Nós vamos aqui perto – reclamei.
– Essa roupa tá horrível! – minha melhor amiga foi me empurrando em direção as escadas – Vamos procurar outra coisa.

Me sentei na cama enquanto assistia fuçar meu guarda-roupa e minhas gavetas. Ela tirou de lá um short jeans cintura alta com alguns rasgos e uma camiseta preta com a estampa de alguns heróis da DC.
– Pronto – a garota me entregou as roupas e eu as vesti mesmo que de contra gosto.
– Podemos ir agora?
– Sim, antes deixa eu ajeitar uma coisinha – colocou um pedaço de minha camiseta dentro do shorts e em seguida a puxou um pouquinho para fora – Agora sim – sorriu orgulhosa.

Lá estava eu e paradas em frente a porta da casa de , a garota parecia ansiosa para passar a tarde ao lado de seu mais novo crush, .
– Oi meninas – a mãe de abriu a porta e nos fez um sinal para entrar.
– Oi tia – cumprimentei lhe dando um beijo no rosto e um abraço.
– Oi – a cumprimentou antes de entrar na casa.
– Os meninos estão na sala – avisou e nos duas assentimos.
saiu andando em minha frente, aparentemente apressada e eu tentei conter a risada por vê-la desesperada para encontrar com .
Entramos na sala de estar e demos de cara com , e no sofá maior e na poltrona, eles jogavam algum jogo de guerra, o qual eu não fazia ideia do nome.
– Meu Deus, gritou – Você é muito ruim, já morreu mais de sete vezes, me passa esse controle vai – tentou puxar o controle do garoto.
– Sai fora, – reclamou irritado, puxando o controle de volta - Eu morri porque o cara claramente tá de hack – deu de ombros e gargalhou.
– De hack o caramba, você que não sabe jogar – puxou o controle com tudo e ouvi a gargalhada inconfundível de . Fui um pouco mais para frente e vi que o mesmo estava esparramado no sofá de dois lugares.
– Ei, meninas! – exclamou animado quando nos viu paradas perto do sofá de dois lugares.
– Sentem-se – disse e praticamente correu para se sentar entre e .
Olhei para o único lugar disponível – ao lado de - enquanto o mesmo se ajeitava no sofá, ele deu um tapinha no lugar vazio ao seu lado com aquele sorrisinho irritante no rosto. Revirei os olhos e me sentei sem animo algum.
– Oi – disse sorridente.
– Oi – respondi apática sem olha-lo.
– Você está bonita – ele analisou minha roupa e eu fiz uma careta, estranhando o elogio vindo dele.
– Valeu – respondi desconfiada – Você também está – admiti enquanto segurava a ponta de sua jaqueta.
usava uma calça preta apertada, uma camiseta preta com o símbolo do nirvana, um vans amarelo e uma jaqueta jeans larga.
Ele ficava bem de jeans, eu tinha de admitir.
– Obrigado – ele sorriu meio tímido. “Eu deixei tímido?”
– Sentou do ladinho do , é? – disse para me irritar.
– Pois é, foi o único lugar que me sobrou, já que a praticamente me empurrou para conseguir sentar do lado do – brinquei e vi minha melhor amiga me lançar um olhar furioso, enquanto apenas fingiu que não ouviu o que eu disse.
não queria vir – me entregou. “Filha da mãe”.
– Por que? – perguntou indignado.
– Porque eu queria ficar quietinha na minha casa vendo Netflix – expliquei séria e os garotos riram.
– Você é muito velha – o garoto balançou a cabeça negativamente.

Todos estavam na cozinha – já que a mãe de ameaçou nos matar se caísse um farelo sequer em seu sofá – e eu estava sentada no chão da sala, brincando com o gato de . Eu gostava mil vezes mais de animais do que de pessoas.
– Você vai ficar ai brincando com o gato? – perguntou parado ao meu lado.
Levantei minha cabeça para olha-lo, o que doeu um pouco já que ele tinha quase dois metros de altura.
– Sim – dei de ombros – Você é mais legal que ele, não é bebezinho? – perguntei ao gato com uma voz fina e ridícula e ouvi o garoto bufar irritado.
– Levanta logo dai – disse impaciente me estendendo a mão.
Peguei sua mão mesmo a contra gosto e levantei do chão, o seguindo para a cozinha logo em seguida.
– Olha só quem está de volta – disse logo quando entrei na cozinha.
– Cadê o ? – perguntei confusa quando percebi que o garoto não estava ali.
– Foi comprar uns doces – explicou .
– Estava divertido o papo com o gato? – zombou.
– Estava melhor do que aguentar vocês – brinquei enquanto me sentava no banco ao lado dela.
– Você pode acariciar outro gato se quiser – disse jogando sua cabeça para o lado, como um gato pedindo carinho.
– Você está mesmo se chamando de gato? – perguntei com indignação e assentiu sorridente. Que autoestima da porra, hein? – Coitado dele, alguém avisa – disse enquanto afastava a cabeça do garoto de perto de mim e ouvi nossos amigos rirem.
– Qual é a de vocês dois, hein? – perguntou enquanto apoiava o rosto em suas mãos.
– Do que você está falando? – eu estava realmente confusa.
– O que tá rolando entre vocês?
“Hm... me deixa ver, , o que está rolando entre nós é uma parceria para acabar com um namoro de duas pessoas que estão cagando para a gente!”.
– Ódio – confirmei enquanto gargalhava.
– Você me adora ,! – disse convencido e eu lhe mostrei a língua – Não está rolando nada ué...
– Sei – o garoto disse desconfiado apertando os olhos.
– O ódio também é uma forma de amor – disse em um tom filosofo e eu revirei os olhos.
– Ah, não me vem com suas filosofias agora não, ...
– Pega o violão ! – gritou da cozinha e apareceu na porta com o violão em mãos.
Os garotos disseram que cantariam uma música para provar para e eu que sabíamos cantar, já que nos duas duvidamos. Eu sabia que tinha uma voz incrível e às vezes mandava uns rap’s.
– Toca Attention aí – ordenou e obedeceu, começando a dedilhar o violão.
Os garotos começaram a harmonizar juntos e em seguida entrou cantando o primeiro verso.
You've been runnin' round, runnin' round, runnin' round throwin' that dirt all on my name – o garoto cantarolou totalmente afinado.
tinha uma voz meio rouca e incrivelmente afinada. Senti um arrepio percorrer todo o meu corpo quando ele cantou o segundo verso me encarando. “Caralho, que voz, !”.
And now I'm all up on ya, what you expect? cantou com uma voz suave enquanto olhava para . A garota sorriu tímida desviando o olhar.
You just want attention, you don't want my heart – Dessa vez foi quem cantou com sua voz doce.
Eu e nos entreolhamos surpresas com as vozes de nossos amigos, estávamos literalmente boquiabertas. Eu não podia acreditar que além de ótimos dançarinos, eles eram cantores incríveis.
– Eu avisei que éramos bons – se gabou.
– E nos duvidamos... – completei.
– Você acredita que além de lindo e ótimo dançarino eu canto? – disse convencido.
– Um dia eu quero ter a sua autoestima – disse dando um tapinha em seu ombro.
– Um homem desses e a Chloe desperdiçou – disse balançando a cabeça de um lado para o outro.
– Todas essas qualidades e continua insistindo na mesma garota que não te valoriza – disse indignado e eu passei meus olhos dele para , aguardando a treta que daria aquele comentário. Percebi que todos naquela cozinha encaravam o garoto, esperando a resposta atravessada que ele daria para seu melhor amigo.
– Eu sei que parece loucura, mas eu ainda gosto dela, Ed – ele torceu a boca.
fez bico enquanto passava um de seus braços em volta dos ombros do amigo, o sacudindo logo em seguida.
sorriu fraco.
– Eu entend,o – o garoto respondeu calmo.
– É , a gente te entende – disse , colocando a mão no ombro do amigo, mostrando apoio.
– Tá, chega desse clima meloso e vamos jogar! – impaciente.
Todos nós voltamos para a sala de estar. Enquanto nossos amigos se acomodavam nos sofás e pegavam seus controles, segurou meu braço, me impedindo de ir me sentar.
– O que foi? – resmunguei quando me virei para olha-lo.
– Vem comigo – ele me puxou em direção as escadas e eu fiquei sem entender nada.
– Pra onde você vai me levar? – reclamei quando atravessamos o corredor.
– Vamos conversar a sós – respondeu antes de entrar no quarto bagunçado de .
A cama estava uma bagunça, havia roupas jogadas por toda parte e alguns desenhos feitos pelo mesmo pendurados na parede.
– Por aqui – disse enquanto abria a janela e saia para o telhado – Vem!
Olhei receosa para o garoto. E se eu caísse de lá? Será que não podíamos conversar dentro do quarto zoneado de ?
– Se eu cair arrebento sua cara, – ameacei antes de segurar sua mão e pisar nas telhas.
Nos sentamos no telhado lado a lado e observamos a rua movimentada em silêncio. O dia estava meio nublado, mas não parecia que ia chover.
– Sabe, começou a falar e eu virei o pescoço para olha-lo – Notei que não sei quase nada sobre você – ele me olhou – Você é sempre tão fechada.
– Por que quer saber sobre mim? – perguntei desconfiada.
– Ué, somos amigos agora – disse como se fosse obvio.
– Não somos não – neguei com a cabeça e ele fez uma careta para mim.
– Como não? Achei que seriamos padrinhos dos filhos do e da fingiu estar decepcionado e eu soltei uma risada alta.
e estavam só na fase de se conhecer e ele já estava pensando nos filhos que os dois teriam. claramente era aquela pessoa que criava esperanças de mais em tudo.
– O que você quer saber? – perguntei rendida.
– Sei lá, me diga coisas sobre você que eu não sei.
– Deixa eu ver – pensei um pouco – Sei tocar violão, tenho uma irmã mais velha, faço aulas de dança uma vez na semana...
– Que dança? Ballet? – zombou.
– Dança do ventre – disse orgulhosa e o espiei pelo canto do olho, ele estava boquiaberto.
– Você faz mesmo? – assenti – Você podia dançar um dia pra eu ver – deu uma piscadela e eu lhe dei um tapa no braço.
Qual era a dele? Eu tinha duas opções em mente: 1) estava me zoando apenas porque gostava de me irritar; 2) Ele estava realmente dando em cima de mim na cara dura.
Eu tinha certeza que a primeira opção era a correta.
– Nunca, meu anjo – respondi voltando a olhar a rua.
Ficamos em silêncio por um breve momento. Olhei para que parecia distraído demais para perceber que eu o estava encarando. Olhando de perto até que ele era bonito, achava fofo o sorriso dele, mas infelizmente sabia disso. "Por que ele tinha que ser tão insuportável às vezes?".
– O que você queria me falar mesmo? – perguntou curioso me tirando de meus pensamentos.
Aquele era o momento, talvez não fosse o melhor lugar para contar que estava caindo fora do plano, já que ele poderia me jogar dali de cima, mas eu tinha que contar mesmo assim.
– Eu tô fora – disse de uma vez e o garoto me encarou confuso – Do plano, ! Eu tô fora do plano, não quero mais...
– O que? – ele quase gritou – Por quê?
– Eu pensei muito sobre e eu não quero mais saber do Jason, resolvi ter um pouco de amor próprio e acho que você deveria fazer o mesmo...
– O que houve?
– Nada, só cai na real, vi que o Jason foi um filho da puta e que ele e a Chloe se merecem – suspirei – Eu ainda gosto dele, infelizmente não posso simplesmente fazer esse sentimento sumir, mas eu vou superar – dei de ombros.
– Mas ... – ele tentou insistir.
, não – disse firme.
suspirou, passando a mão pelos cabelos.
– A Chloe não vale a pena, segue em frente, você merece algo melhor – foi a última coisa que disse antes de voltar pra dentro do quarto de e deixa-lo ali sozinho.


Capítulo 6: Truth hurts.

Sai batendo o pé em direção ao vestiário, estava emburrada porque o professor não caiu na minha desculpa de que estava com dor no pé e por isso não poderia fazer educação física. Eu odiava educação física, pra mim era a morte ter que fazer qualquer esporte.
Entrei no vestiário e fui em direção ao meu armário, abri o mesmo e tirei meu uniforme de educação física: Shorts vermelho de moletom e a camiseta branca com o símbolo do colégio.
Enquanto vestia o uniforme, ouvi as lideres de torcida fofocar algo sobre Chloe e Jason estarem brigados desde sexta-feira passada, o que não me surpreendeu, já sabia que eles não estavam se dando bem, segundo a própria Chloe.
Caminhei para fora do vestiário e vi sentado nas arquibancadas, ele usava o uniforme de educação física também.
– Hey, – sorri ao vê-lo.
– Oi, – respondeu sorridente – Seu tênis tá desamarrado – disse apontando para meu tênis e eu olhei para baixo.
– Valeu – respondi enquanto me abaixava para amarra-los.
– Preciso te contar uma coisa...
– Me diz que você não fez nenhuma merda, por favor – implorei e ele riu.
– Lembra daquela garota que eu estava ficando? – assenti – Bom, estamos namorando – disse sorridente. Ele ficava tão mais fofo quando estava apaixonado.
– Sério? – perguntei surpresa e ele assentiu – Parabéns, ! – o abracei forte – Estou tão feliz por você.
– Oi, ! – ouvi a voz de bem atrás de mim.
– Hey, ! – respondi enquanto dava um beijo no rosto do mesmo.
– Você soube da fofoca? – ele sussurrou e eu neguei com a cabeça – A Chloe e o Jason estão brigados – o garoto revirou os olhos.
– Ah, eu meio que sabia – dei de ombros – Isso não vai durar muito, você vai ver...
Eu tinha certeza que logo o casal feliz e perfeito estaria junto de novo. Parecia que eles gostavam de ser o assunto do colégio e faziam de tudo para aparecer.
Eu, e andamos lado a lado até a quadra de fora, que era descoberta. Estava um sol de rachar em plena 9h da manhã. De um lado da quadra a sala dos meninos jogava basquete e do outro, minha turma jogava vôlei.
Conversávamos animados sobre o namoro de , quando o olhar de percorreu toda a quadra e parou num ponto fixo.
– Ah, não...Era só o que me faltava – o garoto fez uma cara de nojo.
e eu nos viramos instantaneamente, para ver do que reclamava e demos de cara com sentado no canto da quadra e do seu lado estava ninguém mais ninguém menos que Chloe.
Eles pareciam conversar sobre algo sério, Chloe tinha uma expressão triste e não parava de gesticular com as mãos. Ela deitou a cabeça no ombro do garoto e o mesmo acariciou seu rosto.
– Eu não acredito nisso – reclamei ainda olhando para os dois – Eu já saquei qual é a da Chloe – comecei, agora olhando para os dois garotos que estavam a minha frente – Ela está só se certificando de que ele não a superou...
Me lembrei da cara que ela fez quando lhe disse que nunca tinha me dito nada sobre ela, parecia tão surpresa e ofendida ao mesmo tempo.
Chloe gostava de ser deseja por ele, de vê-lo correr atrás dela, enquanto ela apenas o esnobava. Não queria ficar mais com ele, mas também não queria vê-lo com outra pessoa.
Eu não podia acreditar que ele caiu de novo naquele joguinho doentio dela, não depois de tudo que ela fez pra ele e de todos os conselhos que demos.
– Ela é ridícula – disse balançando a cabeça de um lado para o outro, em sinal de desaprovação.
– Ai, , quanto eu tenho que te pagar pra você conquistar o ? – perguntou e eu gargalhei do comentário.
– Hm – fingi pensar – Pra aguentar o ? Um milhão de dólares, no mínimo – brinquei e o garoto riu fraco.
– Vai ficar ai de papinho até que horas ? – Sr. Maslow, meu professor de Educação física, me gritou da quadra ao lado.
Meu professor de educação física era o próprio demônio e sempre implicava comigo em tudo. Tudo bem que eu odiava fazer Educação Física e sempre fazia corpo mole, mas isso não era motivo pra ele sempre pegar tanto no meu pé.
– Tenho que ir – suspirei – Vejo vocês no intervalo – disse antes de sair andando até a quadra ao lado.
Chamar a Chloe que tá de draminha pra cima do ex, ele não chama, né? Engraçado.
Caminhei rapidamente e com a cara fechada de tanto ódio até a quadra de Vôlei. Passei por meu professor que me esperava de braços cruzados e me juntei ao grupinho de alunos.
O professor dividiu os times e logo começou a partida. Fiquei no fundo, já que sou péssima em qualquer jogo.
As duas quadras eram divididas apenas por um muro baixo, então a bola de vôlei logo escapou pra quadra do lado, indo na direção de e Chloe. Fingi que não vi que a bola foi para o outro lado, mas todos meus colegas me olharam, esperando que eu fosse lá pegar.
Revirei os olhos e sai andando em direção à outra quadra, passei por e lhe lancei um olhar de “socorro” e o mesmo riu.
Quando cheguei perto do “casal”, levantou a cabeça assustado, talvez temendo que eu falasse algo. Chloe apenas me olhou com seus olhos inchados de tanto chorar, sem expressão alguma.
Não disse nada para ambos, apenas peguei a bola enquanto olhava os dois com desprezo e sai andando dali na maior calma.
Não entrava na minha cabeça como podia a deixar manipula-lo daquela forma, eu estava tão irritada quanto por vê-lo ser um fantoche na mão dela.
No sábado, depois da reunião na casa de , voltamos juntos – já que descobrimos que morávamos cerca de três quarteirões de distância um do outro – e eu vim lhe dando conselhos sobre isso, disse que ele precisava urgentemente seguir em frente, mas parece que tudo o que eu disse tinha entrado por um ouvido e saído pelo outro.
– Posso beber água? – perguntei ao professor, eu estava exausta.
– Vai logo, – ele fez um sinal para que eu saísse e eu obedeci.
Caminhei até a porta da quadra e sai para o corredor, andando em direção ao refeitório. Quando cheguei próxima ao bebedouro, vi Jason sentado em uma das mesas sozinho, ele estava com o rosto apoiado em uma das mãos e tinha uma expressão vazia.
Eu não queria falar com ele, não mesmo, mas senti que devia.
Andei relutante até a mesa e me sentei ao lado dele, fazendo com que o mesmo me olhasse surpreso.
?
– Eu mesma – respondi – O que foi que você tá com essa cara?
Ele suspirou.
– Eu e Chloe demos um tempo...Ela é muito ciumenta sabe? – assenti para que ele continuasse a falar – Eu não aguento alguém me controlando e desconfiando de mim o tempo todo – fez uma careta - Tudo isso porque alguém disse que eu era um mulherengo antes de conhecê-la – o garoto franziu o cenho eu engoli a seco.
Eu tinha dito aquilo! Chloe me perguntou como Jason era quando eu o conheci e eu respondi que era mulherengo, mas eu respondi brincando, por mais que fosse verdade...
– Ela te disse quem foi? – perguntei receosa.
– Não – ele suspirou – Obrigado por não ter falado nada sobre o que aconteceu entre nós pra Chloe... Ela teria surtado! – ele riu fraco.
Ri ironicamente. Ele realmente estava me agradecendo por esconder algo da namorada dele?
– Não contei porque não achei apropriado e não porque quis te poupar – respondi séria, fechando a cara logo em seguida.
– Olha, me desculpa por tudo que eu te fiz, fui um otário com você.
– Ainda bem que você sabe... – dei de ombros.
– Eu não planejei me apaixonar pela Chloe...
– Ah, mas planejou me usar como segunda opção – levantei uma de minhas sobrancelhas.
–Não é isso... – Jason tentou explicar.
– Claro que é! Você ficou com ela ao mesmo tempo em que estava ficando comigo, e quando conseguiu que ela largasse o , deu um jeito de se livrar de mim com suas desculpinhas esfarrapadas – eu praticamente cuspi aquelas palavras nele.
– Eu gostava de você, mas me apaixonei pela Chloe, não foi minha culpa – Sério mesmo que ele ainda estava tentando se defender?
– Você deveria ter sido honesto comigo pelo menos – suspirei – E se a Chloe não te quisesse? Você teria ficado comigo mesmo, não é? Já que não teve o que queria, poderia ficar com o prêmio de consolação – sorri cínica e ele ficou calado. Eu tinha pegado ele nessa.
Eu sabia de toda a verdade, que ele apenas tinha me usado pra caso a Chloe não o quisesse, mas vê-lo se calar quando joguei tudo em sua cara, era muito pior.
Senti um nó se formar em minha garganta e meus olhos começaram a ficar embaçados. Eu não queria chorar, não na frente dele.
Me levantei da mesa e sai andando rápido. No meio do caminho encontrei com Chloe, nós apenas nos entreolhamos e seguimos andando em direções opostas.
As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto e eu não conseguia controla-las. Passei pela porta da quadra e vi encostado na parede, olhava para o chão e sua expressão estava fechada, parecia irritado. Ele levantou o rosto e nossos olhares se encontraram. Droga!
! – o ouvi gritar e apertei o passo. Não queria que ele me visse chorando.
Andei o mais rápido que pude, mas ele obviamente me alcançou, segurando meu braço e me fazendo virar para encara-lo.
– O que houve? – perguntou preocupado vendo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto – O Jason te fez algo? Porque se ele fez, eu juro que mato aquele filho da puta – ele ameaçou sair, mas segurei seu braço.
– Para! – reclamei – Ele não me fez nada, só me confirmou o que eu já sabia – disse com uma voz chorosa e me olhou com pena.
Ele me puxou para seu peito e me abraçou forte. Chorei ainda mais. Deu um beijo no topo da minha cabeça e murmurou um “Me desculpa”.
– Não é sua culpa! – disse quando consegui parar de chorar.
– Eu te coloquei nessa, uma parcela da culpa é minha sim – disse firme.
– Eu aceitei porque quis...
– Não quero te ver chorar mais por ele, tá bom? – o garoto disse enquanto segurava meu rosto e limpava minhas lagrimas com o polegar. Eu apenas assenti.
– O que houve com a Chloe? – perguntei enquanto limpava minhas lágrimas.
– Ela veio choramingar pra mim sobre o Jason, mas no fim voltou correndo quando ele mandou uma mensagem pra ela – franziu o cenho.
– Ela só quer atenção, você sabe disso – disse séria e ele suspirou.

***

Era aula de física, mas eu mal conseguia prestar atenção na aula, só conseguia pensar em minha discussão com Jason.
Vi um dos garotos da minha turma se aproximar da minha carteira, ele tinha algo em mãos que eu não conseguia decifrar o que era.
? – perguntou quando chegou perto de mim.
– Sim – respondi curiosa.
– Me pediram pra te entregar isso – ele me entregou uma embalagem. Eu esperava muito que aquilo não fosse algo de Jason.
– Quem pediu? – perguntei confusa, enquanto encarava a embalagem de chocolate em minhas mãos.
– Um dos garotos que faz química junto com a gente, não me lembro o nome dele – deu de ombros.
– Tudo bem, obrigada – sorri.
Assisti o garoto voltar para seu lugar e em seguida peguei a embalagem, era meu chocolate favorito! Percebi que tinha um post it verde colado atrás.

“Espero que isso faça você se sentir melhor -

Sorri após ler o recado.
Às vezes sabia ser extremamente fofo, mas só às vezes.

***

Era intervalo, todos já estavam sentados na mesa quando cheguei, exceto . Me sentei ao lado de e comecei a abrir a embalagem do canudo.
– Hey, cadê o ? – questionou.
– Apenas atrasado como sempre – respondeu , dando de ombros.
Eu e trocamos olhares, eu só queria o agradecer pelo apoio e principalmente pelo chocolate, mas não podia na frente de todo mundo.
Peguei meu celular dentro do bolso e comecei a digitar uma mensagem para ele.

“Hey, obrigada pelo chocolate, realmente fez eu me sentir melhor.”

“Não foi nada”


– Hey, obrigada pelo chocolate, realmente fez eu me sentir melhor – disse com uma voz fina, claramente olhando enquanto digitava em seu celular.
Eu congelei.
– Sai daqui, disse irritado enquanto puxava o celular para o lado, para que o amigo não olhasse.
– Quem escreveu isso? Se for a Chloe, eu juro que te mato! – ameaçou e eu suspirei.
, você deu chocolate pra Chloe? Depois dela ter te largado lá na quadra e ido atrás do Jason? – o encarou serio – Me diz que você não foi tão otário assim...
– Fui eu – admiti. Todos ficaram em silêncio e me olharam confusos – Eu que digitei a mensagem.
, não precisa tentar defender ele – disse calmo.
– Eu não estou tentando defender ninguém, é a verdade, se quiser pode olhar – mostrei a tela do meu celular para o garoto.
– Eu achei que vocês se odiassem – Provocou .
– Não sabia que inimigos davam chocolate um pro outro e nem que trocavam mensagens – sorriu na tentativa de me irritar.
– Nunca disse que éramos inimigos – dei de ombros.
– O que ta rolando? – perguntou confuso com tudo aquilo.
, eu vou contar a verdade - suspirou teatralmente. E eu temi que ele contasse do plano – Estamos tendo um caso...
Eu gargalhei e ele me acompanhou.
– Sério? – perguntou esperançoso.
– Claro que não né? – disse alto e ele fechou a cara.
– Se vocês não tivessem dado risada, eu teria acreditado – deu de ombros.
– Ah, então na visão de vocês estamos apaixonados só porque me preocupei com ela? – questionou – Somos amigos, eu me preocupo com todos vocês!
– Bom, não é só isso... – começou – Vocês andam cheios de coisinha um com o outro ultimamente...
– Aí, por favor, é tudo brincadeira – revirei os olhos – Nós não temos nada a ver...
Vimos se aproximar da mesa com a cara fechada, ele parecia muito irritado e isso era algo muito raro, já que ele sempre estava de bom humor e sorrindo.
– O que houve? – perguntou quando se sentou ao lado dele.
– Essas garotas são engraçadas né? – começou claramente irritado – Quando você está solteiro ninguém liga pra você, mas quando começa a namorar... Todas vem ficar no seu pé – ele bufou.
– Sempre assim, todo mundo quer o que não pode ter – deu de ombros.
Encarei do outro lado da mesa, ele parecia pensativo, como se tivesse tido uma ideia.


Capítulo 7: Plan B.

Estava na hora da saída, tinha ido embora com – esses dois não se desgrudavam mais – então eu teria de ir embora sozinha, coisa que de fato comemorei, já que gostava de ir andando em silêncio, pensando na vida.
Caminhava pelo grande estacionamento quando percebi que um carro preto andava devagar ao meu lado, me virei para olhar quem era quando o motorista abaixou o vidro.
– Entra aí, te dou uma carona – disse no volante.
– Não precisa – continuei andando.
– Para de graça, moramos perto – insistiu.
– Quero ir andando – dei de ombros. Eu realmente queria ir andando, mas também temia que tentasse me convencer de voltar para aquele plano, e eu não iria, não mesmo!
– Será que terei que te pegar pelo braço e te enfiar dentro do carro? – perguntou já impaciente.
– Acho que isso seria um sequestro – fingi pensar.
– Entra logo, ! – ele gritou e eu revirei os olhos, abrindo a porta do carro e me sentando no banco do carona logo em seguida.
Coloquei o cinto e ele aumentou o volume do rádio. Tocava uma música que identifiquei como sendo do Bruno Mars, mas não fazia ideia do nome.
– Cool jewelry shining so bright, strawberry champagne on ice… Lucky for you, that's what I like, that's what I like – cantarolou enquanto batucava no volante.
– Isso é Bruno Mars? – perguntei.
– Sim, você gosta? – ele tirou os olhos do caminho e me encarou.
– Não muito – admiti.
– Sabe, você tem muito cara daquelas pessoas que falam “Ai essa não, essa é muito mainstream” – tentou imitar minha voz.
– Pra começar, eu não sei nem o que significa “mainstream” – fiz uma careta e ele riu.
Percebi que estava fazendo um caminho diferente e estranhei. “Pra onde esse louco tá me levando?”
– Pra onde você tá me levando? – perguntei curiosa.
– Para o centro, em uma hamburgueria – disse sem me olhar.
– Mas eu não trouxe dinheiro...
– Eu pago – deu de ombros e eu o olhei desconfiada.
Eu sabia que aquele hambúrguer não sairia de graça, não mesmo...

***

A hamburgueria tinha todo um clima meio anos 60, tinha um jukebox no canto que tocava “Twist & Shout” dos Beatles. O chão era quadriculado, parecia um tabuleiro de xadrez gigante, havia várias fotos de artistas espalhadas pelo lugar e todos os funcionários se vestiam como funcionários de uma lanchonete da época. Eu estava me sentindo no filme Grease.
Estávamos sentados em uma daquelas mesas que tem um sofá. olhava atentamente o cardápio e eu apenas o observava desconfiada. Aquilo não estava me cheirando à boa coisa.
– Você gosta dos Beatles? – o garoto perguntou sem tirar os olhos do cardápio, provavelmente reparando que eu batia meus pés contra o chão, no ritmo da música.
– Gosto de algumas músicas – confessei – Meu pai gosta bastante...
– Entendi.
Ficamos em silêncio enquanto líamos o cardápio, mas eu estava mais me questionando o porquê me levou lá do que me perguntando o que ia comer.
– Por que me trouxe aqui? – perguntei já inquieta.
– Por que eu quis – o garoto deu de ombros.
– Você não ia me trazer de graça pra cá, , eu te conheço – levantei uma de minhas sobrancelhas.
– Você acha que eu faço as coisas por interesse? – ele fingiu estar ofendido e eu revirei os olhos.
– Me responde! – insisti.
Ele abriu a boca para falar, porém fomos interrompidos pela garçonete que veio anotar nosso pedido.
– Hm, eu quero esse aqui – ele apontou no cardápio e a moça anotou em uma caderneta – E pra beber um Milk shake de chocolate, por favor.
– Tudo bem – a moça anotou mais alguma coisa – E a senhorita? – ela se voltou a mim.
– Quero esse com Cheddar – disse ainda olhando o cardápio – E uma coca-cola – sorri.
– Tudo bem, já trago pra vocês – a atendente sorriu e nos dois murmuramos um “Obrigado”.
Fiquei encarando , esperando que o mesmo continuasse a falar.
– Bom, eu estava pensando... – o garoto começou. Ih, lá vem...
– Isso não é boa coisa...
– Você vai me deixar falar ou não? – perguntou impaciente e eu assenti.
– Eu acho que você devia dar uma lição no Jason sabe? Fazê-lo correr atrás de você feito um cachorro sem dono.
– Igual você faz com a Chloe? – questionei ironicamente e ele bufou – E qual é o seu plano genial? – apoiei meu rosto em minhas mãos. Eu estava curiosa para saber qual era a ideia péssima que tivera dessa vez.
– Bom – ele respirou fundo, parecendo tomar coragem – Eu podia ser seu namorado de mentira – ele deu um sorrisinho e eu gargalhei.
Ele só podia estar de brincadeira!
– Hoje você tá hilário – disse ainda rindo, mas percebi que o mesmo não me acompanhou – Espera, você tá falando sério?
– Sim, ué – o garoto disse como se fosse obvio.
–Não – respondi enquanto negava com a cabeça.
Que porra tinha na cabeça? Fingir um namoro pra fazer ciúmes pro Jason, desde quando aquele embuste teria ciúmes de mim?
Eu sabia que por trás desse plano ridículo ele só estava tentando ter a escrota da Chloe de volta. Como ele podia ser tão idiota?
– Você não quer dar uma lição naquele otário? – incentivou.
– Eu quero que ele queime no fogo do inferno, só isso – disse calma – Por que você acha que ele sentiria ciúmes de mim? – questionei.
– Meu Deus ! Para de ser insegura uma vez na vida – ele disse um pouco alto – Você é uma garota bonita e interessante, muito mau humorada, mas interessante...
– Então você me acha bonita? – brinquei enquanto lhe dava um sorrisinho tão irritante quanto o dele.
revirou os olhos e eu sorri vitoriosa por tê-lo irritado.
– Não vou entrar em mais nenhum dos seus planos.
– Só queria te ajudar...
– Ah, claro – ri sem humor – Sem nenhuma segunda intenção de fazer ciúmes pra Chloe e assim fazer ela voltar pra você né?
Ele ficou em silêncio. Eu tinha o pegado!
– Eu te ajudo e você me ajuda – ele deu de ombros.
– Não! Eu não vou entrar mais em nenhuma roubada e fim – disse firme – Não vou mais mentir para os nossos amigos.
Estava decidida de que não iria ceder a nenhuma planinho de , com isso não o ajudaria mais a ter a cobra da Chloe de volta, nem ia dar importância para Jason e muito menos ia mentir para meus amigos de novo.
Eu tinha cometido um erro, mas tive a chance de reverte-lo e não erraria outra vez.

***

Estava entrando na quadra para mais uma aula de educação física – felizmente era a última daquela semana – quando vi e Jason frente a frente perto das arquibancadas. Jason parecia brigar com o garoto, enquanto ele apenas ouvia tudo sem abrir a boca. Merda!
Andei em passos apressados na direção dos dois, vi Jason falar algo para e lhe empurrar o ombro, enquanto o mesmo lhe encarava inexpressivo.
Senti meu sangue ferver de ódio. Quem aquele otário achava que era pra sair empurrando o ombro dos outros? Eu estava preparada para dar uma voadora nele quando cheguei próxima de .
– Tá tudo bem, ? – perguntei tentado soar o mais intima possível.
– Aham – o garoto murmurou sem tirar os olhos de Jason.
Olhei feio para Jason, esperando que aquele embuste sumisse da minha frente antes que eu lhe desse um soco – o que eu não faria de verdade, afinal, tinha muitas testemunhas em volta.
– Espero que você tenha entendido – Jason disse para , sem sequer me olhar.
– Entendido o que? – perguntei confusa.
– Nada, respondeu agora me olhando.
– Alias, você tá fazendo o que aqui ainda meu anjo? Tchau – abanei a mão como quem tenta expulsar uma mosquito irritante.
– Foi bom te ver, ! – o garoto disse em um tom irônico, antes de sair andando em direção à quadra de futebol.
– O que ele te disse? – voltei minha atenção a .
– Pra não chegar perto da Chloe – riu – Coitado, mal sabe ele que quem me procurou foi ela – balançou a cabeça em sinal de desaprovação enquanto ria.
– Ninguém quer a vagabun...– comecei a gritar para Jason, mas me interrompeu, tapando minha boca com sua mão.
– Hey! – ele chamou minha atenção, como uma mãe chama atenção de uma criança e eu dei de ombros.
Se tinha uma coisa que eu odiava, essa coisa era injustiça. sempre dizia que eu adorava defender os fracos e oprimidos o que não era mentira, ter corrido para defender – que nem era tão meu amigo assim - era a maior prova disso.
Às vezes eu achava que só corria atrás da ex porque não aceitava perder algo para Jason e não porque realmente gostava dela.
– Já pensou no nosso plano? – perguntou me tirando de meus pensamentos
– Já falei que não serei sua namorada de mentira! – resmunguei, enquanto cruzava os braços.
Comecei a andar em direção a quadra de fora e me seguiu, andando ao meu lado.
– Sábado é aniversario da Chloe, você podia ir comigo – ele piscou.
– Fazer o que lá? Eu odeio ela!
– Jogar na cara do Jason o que ele perdeu? – sugeriu levantando uma das sobrancelhas.
– Se eu for jogar algo na cara dele, será minha mão – sorri cínica.
– Qual é, vamos comigo...Como amigos – ele implorou.
– Não! – disse séria antes de sair andando até , que estava sentada no muro que dividia as duas quadras, provavelmente me esperando para a aula.
Ir a uma festa onde estariam as duas pessoas que eu mais odeio nessa vida? Eu tô fora! Não iria naquela festa nem que ele me levasse amarrada.

***

– Hoje vou ficar pro treino – informou quando saímos da sala de aula, prontas para ir embora.
– Você não está dizendo isso só pra não ir embora de carro comigo não né? – perguntei desconfiada.
sempre dizia que eu dirigia muito mal, o que era mentira. Ter batido o carro no portão e quase atropelado um pipoqueiro não me fazia uma motorista ruim, não é mesmo? Acidentes acontecem.
– Claro que não – a garota negou com a cabeça – Eu até estava super empolgada pra ir embora com você, já que hoje estava a fim de morrer e tal – zombou.
– Ridícula! – lhe dei um tapa no ombro enquanto a mesma ria.
Me despedi de e sai andando junto ao aglomerado de alunos até o grande estacionamento. Enquanto eu procurava a chave do carro de mamãe em minha mochila, senti a presença de alguém bem atrás de mim e me virei para ver quem era.
– O que foi? – perguntei ríspida quando vi que era Jason.
– Você ainda tá brava comigo? – fez bico e eu revirei os olhos. Como ele podia ser tão sem noção?
– O que você quer? – ignorei sua pergunta e me encostei na porta do carro.
– Eu não sei o que tá rolando entre você e o , mas queria te alertar de que ele não é boa coisa – ele disse sério e eu franzi o cenho, indignada com o quão dissimulado ele era.
Jason só podia estar de brincadeira com a minha cara. Quem era ele para dizer um “A” de , sendo que ele era uma das pessoas mais egoístas e ridículas que eu já conheci em toda a minha vida?
Eu queria lhe dizer tanta coisa, falar que quem não era boa coisa era ele, que era um hipócrita, fingido, ridículo, egoísta, etc. Mas eu só consegui gargalhar da cara dele.
– O que foi? – o garoto me encarou confuso. Além de sem noção ele era cínico.
– Esquece eu e o – foi a última coisa que disse antes de abrir a porta do carro e entrar no mesmo.
Coloquei a chave na ignição e girei, fazendo com que o carro ligasse.
Respirei fundo. Estava irritada com Jason, não entrava na minha cabeça como eu tinha conseguido gostar dele, com certeza estava cega, porque não era possível.
Saí com o carro, em direção ao portão de saída. Vi descendo as escadas, que davam para a parte do estacionamento onde eu estava. Parei o carro em frente a ele e buzinei. “Não custa nada dar uma carona pra ele, não é?”
O garoto olhava confuso para o carro. Abaixei o vidro e vi a expressão dele mudar para um sorriso.
– Hey – ele disse se apoiando na porta.
– Entra aí, vou te dar uma carona – ordenei enquanto destrancava as portas.
obedeceu, abrindo a porta logo em seguida e se acomodando no banco do carona.
Pelo canto do olho assisti Chloe, Jason e seu grupinho passar ao lado do carro, eles nos fitavam com desprezo.
– Será que se eu passar por cima deles vou presa? – perguntei enquanto ligava o rádio.
colocou a mão no queixo, fingindo pensar.
– Provavelmente...
Liguei o rádio, conectei meu celular no mesmo e escolhi a música em minha playlist. Quando escutei o começo da mesma, joguei meu celular no colo do garoto.
Escutei a voz do vocalista cantar o primeiro verso e respirei fundo, aquela música me acalmava de alguma forma, por tanto, era um ótimo momento para escutá-la.
– Que música é essa? – franziu o cenho em descontentamento. Eu sabia que ele odiaria.
– Shhh – coloquei meu dedo indicador em sua boca, para que o mesmo fizesse silencio – All by myself, I can lift a car up, I can lift a car up all by myself – cantarolei, enquanto batucava no volante.
! – gritou desesperado quando eu desviei bruscamente de um carro.
– Aí, não foi nada – disse calma.
– Não foi nada – ele repetiu imitando minha voz – Você quase bateu o carro!
– Relaxa, entra na vibe da música – dei tapinhas em meu ombro, sem tirar os olhos do caminho.
Abaixei o volume do rádio e encarei , que olhava distraído pela janela.
– Tá pensando em que? – perguntei curiosa.
– Na festa que você não vai me acompanhar – respondeu antes de virar o pescoço para me olhar.
– Meu Deus, como você é insistente! – reclamei, voltando minha atenção para o trajeto.
– Você não vai me ajudar mesmo? – fez bico.
Aumentei o volume do rádio quase no máximo.
– Hã? O que você disse? Não escutei – me fingi de desentendida e observei pelo canto do olho revirando os olhos.

***

Era por volta de 9h da manhã, Stella estava sentada na mesa da cozinha bebendo seu café e lendo um livro, ao seu lado estava Noah, que comia sua torrada enquanto assistia algum vídeo de humor no Youtube.
Murmurei um “Bom dia” e me arrastei em direção aos armários, peguei uma xícara e coloquei café e leite dentro. Roubei uma torrada do prato de Noah enquanto me sentava de frente para ele.
Eu me questionava se deveria ir naquela festa ou não. Por um lado, não estava a fim de estar num lugar lotado de gente que não gosto, mas por outro não queria que fosse sozinho se misturar com aqueles otários.
Se fossemos juntos ninguém saberia, já que nenhum de nossos amigos gostavam de Chloe, logo não iriam ao aniversário dela. E afinal, seria só uma festa, onde nós dois iríamos apenas como amigos, só isso.
– Noah – chamei e o loiro levantou a cabeça para me olhar – Você iria em uma festa com um amigo só pra mostrar pra uma garota que te fez mal o que ela perdeu? – Noah sempre sabia o que dizer, talvez ele me ajudasse com isso e dissesse que era uma péssima ideia.
– Bom, depende – ele se ajeitou na cadeira e se debruçou sobre a mesa – Você quer minha resposta politicamente correta ou a verdadeira?
– A verdadeira!
– Eu iria, sei que é errado se vingar, mas... – deu de ombros.
– Você deve ir! – exclamou Stella. Eu nem sabia que ela estava prestando atenção em nossa conversa.
– Eu não sei não... – contrai meus lábios, mostrando incerteza.
– Você é adolescente, sua hora de fazer cagada é agora! – minha irmã incentivou.
– Verdade, quando chegar na nossa idade não tem mais essa desculpa – confirmou Noah, fazendo com que eu desse risada.
Talvez eles tivessem razão, era só uma festa.
Peguei meu celular em cima da cômoda, me sentei na cama e cliquei no contato de . O telefone tocou várias vezes, até que ele finalmente atendeu:
? – ouvi o garoto dizer com uma voz rouca, eu provavelmente o tinha acordado.
Eu vou com você... Na festa da Chloe!


Capítulo 8: Happy Birthday, Chloe!

combinou de me buscar às 19h. Já eram 17h e eu observava a pilha de roupa que joguei no chão em busca de algo digno para vestir, sem sucesso já que não encontrei nada, não fazia ideia do que iria vestir.
Me sentei no chão do quarto e suspirei, já estava cogitando desistir de ir. Eu sei que isso parece muito superficial, mas eu realmente não tinha nada que passasse de vestidos floridos, calças jeans, shorts jeans, camisetas básicas e só! Não tinha nada especial para vestir, nada que fizesse com que eu chegasse naquela festa e todos pensassem “Uau!”.
– Hey, tá tudo bem aí? – Stella perguntou quando abriu a porta e me viu sentada no chão entre pilhas de roupas.
– Na verdade não – fiz bico.
– Não tem nada pra vestir? – perguntou enquanto cruzava os braços e escorava a cabeça no batente da porta.
Neguei com a cabeça e ela riu.
– Vem, eu te empresto algo – estendeu a mão para que eu levantasse do chão.
Sorri enquanto pegava a mão de minha irmã e a segui em direção a seu quarto, no final do corredor.
Me sentei em sua cama, enquanto ela vasculhava seu guarda-roupa em busca de algo que eu gostasse.
– O que acha desse? – era o décimo vestido que ela me mostrava.
– Hm. – analisei o vestido preto tomara que caia – Posso provar?
– Deve! – exclamou enquanto me jogava o vestido.
Coloquei o vestido e me olhei no espelho que ficava ao lado da cama. Ele era feito de um tecido mais encorpado que tinha bastante lycra, por tanto, desenhava meu corpo sem ser muito justo. O comprimento dele – até o meio da coxa – era perfeito, porém o fato dele mostrar meu colo mais do que eu gostaria me deixava insegura.
– Hm, não sei se gostei – torci minha boca – Esse decote...
– Aí , para com isso – Stella revirou os olhos e em seguida parou atrás de mim – Você está linda, esse vestido valorizou muito o seu corpo!
Bom, se meu real objetivo era chocar todos daquela festa, principalmente Jason, então eu devia ousar na roupa não é?
– Onde você vai? – mamãe perguntou parada na porta do quarto de Stella, enquanto a mesma me maquiava.
– Aniversário – respondi enquanto fechava os olhos novamente, para que minha irmã continuasse aplicando sombra em minha pálpebra.
– De quem?
– Uma amiga – menti. Não fazia sentido dizer que era de uma inimiga, não é? – Você não conhece... Um amigo vai me dar carona – respondi sabendo que seria a próxima pergunta que ela faria.
– Tudo bem, mas me mantém informada ok? – eu e minha mãe tínhamos uma relação muito boa, eu sempre era sincera com ela, então ela sempre confiava em mim.
– Ok!
– Você passa o rímel? - minha irmã perguntou me mostrando o frasco do mesmo e eu assenti.
Girei no banco de madeira, me virando de frente para o espelho da penteadeira. A maquiagem estava bem leve, porém linda. Parece que minha irmã tinha um novo talento...
Enquanto passava rímel, vi Stella procurando algo em sua nécessaire.
– Achei! – disse vindo em minha direção com um batom em mãos – Acho que esse nude vai ficar bom – me entregou o batom para que eu passasse.
– Achei que você me daria um vermelho – comentei enquanto passava o batom.
– Não seria uma boa ideia, você ficaria toda manchada se fosse beijar alguém... – deu de ombros e eu soltei uma risada.
– Não vou beijar ninguém – informei ainda rindo, enquanto me levantava do banco e sentava na cama, ao lado de minha irmã. Ela faria um penteado em mim.
– Vai que o garoto que foi um otário veja o que ele perdeu... – começou enquanto aplicava spray fixador no meu cabelo.
– Deus que me livre! – franzi o cenho, fazendo com que Stella risse – Eu só quero que ele veja mesmo e fique com esse arrependimento pro resto da vida... Minha intenção não é cometer o mesmo erro de novo.
– É por isso que eu te amo! – disse enquanto penteava meu cabelo para trás e apertou minha bochecha – Bom, mas você ainda tem esse seu “amigo” – fez aspas com os dedos e eu revirei os olhos.
– Nem começa! – exclamei sabendo o que viria depois.
– Ah, mas ele é bonito? – perguntou curiosa com um sorrisinho no rosto.
– Sei lá, Stella. – fui até o espelho e me olhei, tentando mudar de assunto.
Eu tinha plena certeza de que era bonito, oras, era obvio! Só precisava enxergar para saber disso. O problema era que ele sabia disso...
– Como sei lá? – questionou indignada com minha resposta.
– Não importa o que eu acho, ele é só meu amigo e fim – dei de ombros – Amei o cabelo, estou até parecendo aquelas cantoras no tapete vermelho de premiações...
– Coloca esses brincos – ela me deu duas grandes argolas de prata e eu assenti.

***

Escutei uma buzina e me levantei do sofá, abrindo a cortina branca logo em seguida e olhando pela janela.
Avistei o carro preto de parado em frente à minha casa. Peguei minha bolsa tiracolo preta em cima da mesa e fui andando em direção à porta.
– Sem espiar pela janela! – ordenei para os três que estavam sentados no sofá.
– Eu nunca faria isso – mamãe negou com a cabeça.
– Até parece que faríamos isso – disse Stella sem tirar os olhos da TV.
– Quem você pensa que eu sou? – Noah colocou a mão no peito, fingindo estar ofendido.
– Conheço vocês – semicerrei os olhos – Tô indo, tchau! – avisei antes de sair pela porta da sala.
– Tchau amor, boa festa! – ouvi mamãe gritar.
Andei devagar para não cair - por mais que salto de meu sapato fosse baixo – até o carro de , onde o mesmo encontrava-se – agora – encostado na porta do passageiro. O garoto usava uma calça de moletom preta da Nike, uma camiseta branca e seu Vans surrado nos pés. Eu esperava do fundo do meu coração que ele não fosse daquele jeito, afinal, eu não me arrumei toda pra ele ir de calça de moletom!
Enquanto me aproximava vi o garoto acenar sem jeito para alguém, me virei e vi mamãe, Stella e seu namorado na janela. Revirei os olhos e fiz um sinal para que eles saíssem dali. Eu sabia que eles não me obedeceriam!
– Quem é você? A irmã gêmea da ? – murmurou quando me aproximei dele.
– Vai se foder, – cruzei os braços e ele riu – Você não vai assim né? – fiz um careta enquanto o media da cabeça aos pés.
– O que tem? – perguntou enquanto encarava suas vestes.
– Estou usando salto – apontei para meus pés e ele pareceu entender o que eu queria dizer.
– Eu não vou assim – confirmou enquanto ria de minha expressão – Vamos passar na minha casa ainda – informou enquanto abria a porta do passageiro para mim.
Acomodei-me no banco e murmurei um “obrigada”. Ele deu a volta no carro e logo sentou-se no banco do motorista, ligando o carro logo em seguida.
– Gostei do vestido – comentou sem tirar os olhos do caminho.
– Valeu, é da minha irmã...
– Sua irmã parece com você... não, espera, você se parece coma sua irmã – concertou e eu soltei uma risada nasalada.
– É, as pessoas dizem isso – respondi enquanto olhava a paisagem pela janela.
não parava de me olhar de um jeito estranho e aquilo estava começando a me incomodar, me deixando constrangida.
– O que foi? – virei o pescoço para olha-lo.
– O que? – se fez de desentendido.
– Você não para de me olhar...
Ele riu sem jeito.
– É que você está muito bonita – disse sem me olhar – Jason vai ficar louco! – riu baixo.
Senti minhas bochechas queimarem e virei o rosto em direção à janela, para que ele não visse meu rosto corado.
Logo parou em frente a uma casa, a qual a fachada era pintada de um tom meio areia, tinha uma pequena janela e a porta era de uma madeira bem escura.
Desligou o carro e desceu do mesmo, batendo a porta logo em seguida. Abri minha porta e vi parado com a mão estendida, segurei sua mão e desci do carro.
– Você está muito cavalheiro hoje – comentei enquanto o garoto fechava a porta.
– Sempre fui – piscou e saiu andando em direção à porta de entrada.
Ele abriu a porta e me deu passagem para que eu entrasse. Logo que entrei dei de cara com uma enorme escada que provavelmente dava nos quartos, ao lado dela tinha um pequeno corredor.
– Cheguei Mãe! – gritou logo que entrou.
Senti minhas mãos suarem, tinha me esquecido de que os pais dele provavelmente estariam em casa e que eu consequentemente os conheceria.
– Vem aqui – ouvi uma voz feminina gritar de volta e ele revirou os olhos.
– Vem – disse pegando minha mão e me guiando até o pequeno corredor.
Nas paredes haviam alguns retratos de família pendurados. Vi um onde estava e Chloe sorridentes, engoli em seco e continuei andando vendo mais fotos de criança espalhadas pelas paredes brancas.
– Oi – ouvi a mesma voz feminina dizer e virei meu pescoço, agora olhando para frente.
me deu passagem e eu entrei na sala de estar. Havia uma mulher meio ruiva sentada no sofá bege de três lugares e uma garota morena deitada com um livro em mãos no sofá de dois lugares. Nenhuma das duas sequer se pareciam com , talvez ele parecesse mais com pai.
– Oi, Sra. . – respondi sem graça e ela sorriu.
A garota morena abaixou o livro e se sentou no sofá, sorrindo para mim.
– Hey, ! Eu sou a irmã do .
– Oi – acenei sem jeito para a garota.
– Então vocês vão no aniversário da Chloe? – começou Sra. se ajeitando no sofá.
– É...
– Deviam ir dar um banho de tinta naquela otária – a irmã de disse séria e sua mãe a repreendeu com o olhar.
– Não é assim que se resolvem as coisas – Mãe de disse calma – Ela foi ruim para o , mas o que ele tem que fazer é apenas se afastar e seguir em frente, não é? – ela olhou para o filho, que assentiu. Como ele podia ser tão falso?
– É, seguir em frente – a garota repetiu enquanto olhava para a mão de que estava segurando a minha.
Senti minhas bochechas queimarem e soltou minha mão quase que imediatamente. Eu tinha esquecido totalmente que a mão dele estava ali.
– Vem, vamos subir – ele disse sério, enquanto me puxava para o corredor. Murmurei um “foi um prazer” para as duas mulheres, antes de ser arrastada por escada a cima.
Andamos pelo corredor do andar de cima e entramos no primeiro quarto da esquerda. Ele fechou a porta e eu fiquei olhando o quarto enorme que ele tinha.
Havia uma cama de casal perto da janela e em cima dela estavam algumas roupas. Do lado direito estava um grande guarda-roupa de madeira, em frente a cama tinha uma enorme TV e do lado esquerdo estava uma pequena mesa, onde tinha um imac e bem ao lado da mesa havia um teclado.
– Você toca? – perguntei enquanto passava a mão pelo teclado.
– Sim.
– Legal! – sorri enquanto o olhava.
– Bom, eu vou tomar banho, você escolhe qual dessas camisas é melhor - apontou para as roupas jogadas em cima da cama.
– Você vai me deixar escolher sua roupa? – perguntei surpresa e ele assentiu.
saiu do quarto e eu me sentei em sua cama, analisando as camisas que ali estavam.
– Hm, essa não – joguei a camiseta preta cheia de estampas para o lado – Essa menos – fiz uma careta enquanto encarava a camisa com estampa de onça – Essa... Hm eu acho que gostei – comentei enquanto analisava a camisa de manga comprida, ela parecia ser de seda e era toda florida, seu fundo era preto.
Estava deitada na cama, entediada enquanto mexia no celular quando abriu a porta. Ele usava apenas uma toalha em volta da cintura e tinha os cabelos molhados e bagunçados.
Voltei minha atenção ao celular, fingindo não estar intimidada pela imagem de usando apenas uma toalha.
– E aí, você escolheu? – ele se aproximou da cama e eu assenti.
– Essa – balancei a camisa florida em sua direção – Eu não diria pra nenhum homem usa-la, mas achei que talvez ficasse boa em você – dei de ombros ainda olhando para o celular, fingindo estar muito entretida.
–Você está querendo dizer o que com isso? – perguntou confuso enquanto pegava a camisa.
– Que pra usá-la precisa de estilo próprio, e você tem! – admiti e o vi sorrir de um jeito fofo, provavelmente feliz com o elogio.
– Tá, agora sai que eu tenho que me arrumar – ele me puxou pela mão e foi me empurrando em direção à porta.
– Você vai me expulsar mesmo? – perguntei indignada e ele fingiu pensar.
– Sim – foi a última coisa que disse antes de fechar a porta na minha cara.
– Hey, porque você não se trocou no banheiro? – perguntei indignada, não queria ficar plantada em frente à porta do quarto dele - Eu não quero te ver pelado beleza? As amigas da Chloe querem, mas eu não – cruzei os braços e o ouvi rir do outro lado da porta.
Era verdade, me contou que as amigas de Chloe eram loucas para substituírem ela na vida de .
– Entra, vai – disse quando colocou a cabeça pela fresta da porta.
Revirei os olhos e ele abriu a porta por inteiro, revelando que agora vestia uma calça preta apertada no lugar da toalha.
Passei por ele e entrei no quarto, me jogando na cama logo em seguida.
O observei abotoar a camisa e em seguida passar litros de perfume e desodorante. Colocou um tênis branco, um relógio e uma corrente, ambos dourados. Ficou quase uma hora arrumando o cabelo em frente ao espelho – pra no fim ficar a mesma coisa.
– Podemos ir? – eu já estava ficando cansada, se ele demorasse mais 5 minutos eu juro que dormiria ali mesmo.
– Sim – respondeu sorridente quando saiu do banheiro.
– Aleluia! – comemorei.

***

Estávamos em frente à casa de Chloe, dava pra ouvir a música e as vozes dos convidados lá de fora. Respirei fundo, estava nervosa e ansiosa ao mesmo tempo.
Nos entreolhamos em silêncio. pareceu me perguntar mentalmente se eu estava pronta e eu apenas assenti. Ele entrelaçou nossos dedos e em seguida bateu na porta.
A porta se abriu e pude ouvir a música que tocava mais claramente, era "baby girl” da Charli xcx. Mia, uma amiga de Chloe me mediu da cabeça aos pés enquanto ainda segurava a maçaneta da porta.
O grupinho de jogadores de futebol americano parou de conversar e encararam eu e boquiabertos. Olhei para e o vi sorrir vitorioso enquanto acenava com a cabeça para os garotos, o que me fez rir também.
Enquanto andávamos em direção à sala, várias pessoas nos encararam surpresos. As líderes de torcida me olharam de cara feia – provavelmente porque eu estava com o ex da líder delas - e eu segurei uma risada.
Vi o grupinho do jornal da escola, o qual Leah - uma garota que sentava na minha frente na maioria das aulas – fazia parte virarem o pescoço para nos fitar. A garota parou de rir de alguma coisa que eles disseram e arregalou os olhos quando me viu, isso fez eu me lembrar de uma coisa: Há um tempo atrás, enquanto estávamos na aula de química, ela comentou comigo que um garoto de óculos que fazia aquela matéria com a gente era bem gato, eu nunca tinha me tocado, mas esse garoto era !
Ela piscou para mim e mexeu a boca dizendo um “Você é minha heroína!”, provavelmente porque sabia nossa real intenção: afrontar Chloe, a qual ela também odiava.
Algumas garotas que estavam paradas perto da entrada da sala sussurraram coisas umas para as outras e em seguida analisaram com um sorrisinho malicioso no rosto.
– Parece que você faz sucesso entre as garotas – murmurei para que só ele ouvisse.
– Hã? – perguntou confuso.
Apontei com a cabeça para o grupinho de garotas que soltaram risadinhas nervosas quando ele olhou em direção a elas. riu e balançou a cabeça negativamente, puxando minha mão em direção a sua boca, depositando um beijo no dorso da mesma, me fazendo rir sem graça.
Observamos a rodinha mista de amigos de Chloe e amigos de Jason bem no canto da sala, nos entreolhamos com um sorrisinho malicioso nos lábios. Era o nosso momento!
“Finesse” do Bruno Mars começou a tocar enquanto nos aproximávamos da rodinha de pessoas. segurou minha mão com força quando todos se viraram para nos olhar. Chloe franziu o cenho, mas sua expressão mudou para um sorriso forçado. Jason apenas assistiu toda a cena de braços cruzados e uma cara de surpresa.
– Hey Chloe, feliz aniversário – disse sorridente quando se aproximou dela.
– Valeu, ! – disse com um sorrisinho amarelo. Ela o chamou mesmo de ?
– Feliz aniversário! – eu a abracei. Se era pra ser falsa, então eu seria a rainha das falsas!
– Obrigada, ! – ela sorriu quando nos separamos e eu encarei Jason me media da cabeça aos pés.
me puxou pela cintura para perto dele, provavelmente percebendo o olhar de Jason sobre mim. Inalei o perfume amadeirado dele – que por sinal era maravilhoso – e suspirei.
– Vocês estão juntos? – Drew, o melhor amigo de Jason perguntou confuso.
Nos entreolhamos. tinha um olhar sereno enquanto eu estava apavorada com a pergunta.
– Hm, estamos juntos aqui não é? – perguntou como se fosse obvio.
– Você sabe o que ele quis dizer... – Ashley, uma das amigas de Chloe disse enquanto cruzava os braços.
– Estamos nos conhecendo – deu de ombros enquanto dava um beijo no topo de minha cabeça e eu soltei o ar que sequer percebi que tinha prendido, dando um sorriso amarelo em seguida.
– Sei...
– Vocês fazem um casal bonito – Chloe forçou um sorriso e eu reprimi uma risada.
– Valeu – sorriu vitorioso.
– Você está muito bonita – Jason se pronunciou fazendo com que eu quase revirasse os olhos, mas eu tinha que manter a pose!
Dei um sorrisinho falso e ignorei seu comentário desnecessário.
– Hm, , será que podemos beber alguma coisa? – me virei para , que me encarou surpreso por eu lhe chamar pelo apelido.
– Claro babe! – sorriu – Vamos pegar alguma coisa pra beber, a gente se vê – disse antes de entrelaçar nossos dedos e saímos andando na direção oposta.
Começamos a rir no meio do caminho. Como podíamos ser tão bons atores a ponto de fazer Chloe realmente acreditar que estávamos juntos?
– Você é uma ótima atriz, Hollywood está perdendo – disse enquanto bebia um liquido vermelho.
– Você também! Merecia até um Oscar só por ter me puxado pela cintura, fingindo estar com ciúmes do Jason – admiti enquanto cheirava o liquido vermelho que o garoto havia me servido. Aquilo cheirava a álcool puro!
– “Hm, , será que podemos beber alguma coisa?” – tentou imitar a voz fresca que fiz e riu em seguida.
– Inclusive – comecei depois de dar um gole na bebida – Se você me chamar de “Babe” de novo, eu juro que te bato – adverti e ele riu ainda mais.
– Porque babe? Você não gosta que te chamem de babe? Hein babe? – disse com um sorrisinho irritante no rosto.
– Para com isso! – disse irritada.
me puxou pela cintura para mais perto de seu corpo e aproximou seus lábios da minha orelha, sussurrando logo em seguida:
– Babe, babe, babe, babe... – disse repetidamente, sendo interrompido por um beliscão que lhe dei em sua barriga – Aí ! – reclamou alto e eu sorri cínica.
– Eu avisei!

***

tentava me ensinar passos de dança ao som de “dó, ré, mi” do Blackbear, mas eu simplesmente não conseguia acompanha-lo, ele dançava muito e eu nada.
– Eu desisto – disse rendida enquanto ele ria.
If I could go back to that day we met I've probably would just stay in bed – cantamos juntos e rimos da frase logo em seguida. Ela fazia bastante sentido.
Olhei para a multidão de pessoas do outro lado e algo me chamou atenção, um garoto de costas que se parecia muito com .
– Merda! – sussurei e me encarou confuso.
– O que foi? – perguntou e eu apontei com a cabeça em direção a multidão.
– Droga – disse apreensivo.
Estávamos ferrados! Se estava lá isso significava que também estava e o pior, os garotos poderiam estar também.
– Eles nem gostam da Chloe, o que estão fazendo aqui? – reclamei.
– Você também não gosta dela e está aqui... – deu de ombros e eu suspirei. É, ele tinha razão.
– O que vamos fazer? – perguntei aflita.
– Contar a verdade? – sugeriu e eu revirei os olhos. Aquilo estava fora de cogitação no momento.
“Oi, então viemos fingir para nossos ex que superamos eles” – disse com uma voz fina e fechei a cara em seguida.
– Melhor você pensar num plano logo – disse enquanto olhava em outra direção, me fazendo virar o pescoço e ver todos nossos amigos nos encarando surpresos. Droga!
– O que vocês estão fazendo aqui juntos? – perguntou com um sorrisinho no rosto.
– Nem começa – avisei enquanto cruzava os braços.
– Garota... – disse me medindo boquiaberto – Você está linda!
– Ah, obrigada Ed – sorri sem jeito e fez uma careta.
– Está mesmo, nem parece você – disse em uma tentativa de me irritar e eu lhe mostrei o dedo do meio – Alias, o que vocês estão fazendo aqui?
– Ué, estou prestigiando o aniversário da minha grande amiga Chloe – respondi ironicamente e os garotos riram – E o que vocês fazem aqui?
– O mesmo que vocês – deu de ombros – Comemorando essa maravilhosa data que é o aniversário da Chloe – disse irônico e eu gargalhei, era extremamente engraçado ver Ed falando isso!
– Tá, mas o que vocês estão fazendo aqui juntos fez questão de frisar a última palavra.
– O mesmo que vocês, enchendo a cara de graça – deu de ombros.
– Ah, mas as madames vão se fazer de desentendidas agora? – disse enquanto colocava as mãos na cintura.
– Hã? – perguntei confusa.
– Por que vocês estão aqui juntos? – repetiu a pergunta e só assim eu entendi.
Ele queria saber por que estávamos juntos, ah essa era fácil! Nos juntamos em prol de afrontar o casal favorito da escola, oras!
– Aaaah – exclamei entendendo a pergunta – Viemos afrontar a Chloe – brinquei, por mais que fosse a verdade.
– Não acredito, nisso! – disse antes de rir e balançar a cabeça negativamente.
– Desde quando vocês se suportam tanto a ponto de conseguirem passar mais de 5 minutos sem brigar? – questionou . É ele tinha razão, até que tínhamos parado de brigar, né?
– Ele me pagou um lanche, foi isso – dei de ombros e riu.
– Acho que nossa implicância um com o outro passou – explicou – A não é tão ruim assim...
Nossos amigos se entreolharam com um sorrisinho irritante no rosto, eles com toda certeza tinham entendido aquela frase da maneira mais errada possível.
– Vocês entenderam muito bem o que eu quis dizer – disse sério enquanto levantava uma de suas sobrancelhas.
– Que tal a gente parar de questionamentos e ir aproveitar a festa da nossa amiga Chloe? – sugeria enquanto passava meus braços pelo pescoço de e de .

***

Eu já tinha perdido a conta de quantos copos já tinha bebido daquele poncho batizado, mas provavelmente tinha sido mais de três já que me sentia extremamente feliz e animada, coisa que eu não era sóbria. Meus amigos estavam pra lá de bêbados também, a não ser por e que pareciam estar sóbrios.
tentava fazer com que descesse de cima da mesa e parasse de berrar coisas aleatórias. Já contei que ficava extremamente chato bêbado? Pois é, ele fica! conversava com um grupo de garotas em um canto, aquele garoto sabia como conquistar qualquer uma! e estavam provavelmente nos quartos e eu não queria nem pensar o que eles estavam fazendo lá...
Senti as mãos de segurarem minha cintura e ele aproximou seu rosto do meu.
– Hey, vamos sair daqui? – sussurrou em meu ouvido e eu me arrepiei. Ele tinha que parar de sussurrar do nada no meu ouvido!
Olhei para o lado e vi Chloe e Jason se agarrando.
– Ok – concordei entendendo o real motivo pelo qual ele queria sair dali.
segurou minha mão e me guiou entre o aglomerado de pessoas até a porta dos fundos da casa. Se sentou na pequena escada que dava para um jardim e eu me sentei ao seu lado.
– Obrigado por ter vindo comigo – começou segurando minha mão.
– Eu não podia perder a cara da Chloe por nada! – respondi rindo e ele sorriu fraco, parecia meio triste – Olha, o real motivo por eu ter vindo foi porque não queria você sozinho nesse ninho de cobras – disse baixo e ele me olhou pelo canto do olho, um sorriso se formou em seu rosto.
– Então você se preocupa comigo? – ele levantou uma das sobrancelhas
– Às vezes – virei o rosto para o jardim – Você é feito de otário pela Chloe e eu odeio isso! – reclamei agora o olhando.
Ele abaixou a cabeça, como um cachorro que fez algo errado.
– Você fala que eu tenho que ter autoestima e não sei o que, mas e o seu amor próprio, cadê? – continuei irritada e ele nem se moveu o que me deixou com um pouco de dó por ter sido tão sincera – Você é extremamente irritante e eu te odeio às vezes, mas ao mesmo tempo eu gosto de você e eu me preocupo com você! – soltei sem sequer perceber o que tinha dito.
– Sabe – ele levantou a cabeça e me encarou – Os garotos sempre me diziam que você parecia mau humorada, difícil de lidar, sarcástica, meio nem aí pra nada...
– Já acabaram os elogios? – perguntei e ele fez um sinal para que eu ficasse quieta.
– Mas quando você deixava que te conhecessem de verdade, era uma pessoa totalmente oposta e eu estou vendo isso agora! Você é como uma noz, sabe? Que tem uma casca dura que você tem que quebrar pra só então chega na parte que... espera... você entendeu o que eu quis dizer – deu de ombros e eu soltei uma gargalhada, me deitando em seu ombro logo em seguida.
– Você é péssimo fazendo comparações – comentei ainda rindo – Mas eu entendi onde você queria chegar...
– Sabe, você parece ser meio fútil e se acha bastante – comecei e franziu o cenho – Mas no fim, você tem um abdômen legal – completei fazendo com que ele soltasse uma gargalhada e eu o acompanhei, apenas porque a risada dele era engraçada.
– Esperava que você me falasse algo profundo – choramingou – Mas então você gostou de me ver de toalha? – deu um sorrisinho malicioso.
– Estava até pensando em dar uma de “amigas da Chloe” – brinquei e ele ficou sério.
– Eu vou matar o por ter te contado isso!
–Ah, qual problema? As amigas da sua ex só queriam te consolar – dei de ombros – Saber se você precisava de um colo ou que elas sentassem no seu colo...
! – chamou minha atenção e eu comecei a rir.
– É só a verdade – reclamei e ele bateu o ombro no meu enquanto ria.
Ficamos sérios e em silêncio. Estávamos bem próximos e eu analisava todo o rosto do garoto. “É, até que o não era de se jogar fora...”
– Você me acha bonito? – perguntou quebrando o silêncio, com um sorriso brincalhão nos lábios.
– Hmm é, um pouco... – fiz uma careta e dei de ombros. Ele sorriu sem mostrar os dentes.
começou a se aproximar mais e eu gelei, sabendo o que viria em seguida. Minha cabeça estava à milhão naquele momento. Meu lado sensato me falava: “Olha, se afasta, se alguém ver isso, vai dar merda! E além do mais você nem gosta dele...”, mas meu lado impulsivo dizia “Ah, qual o problema? Nada é nada demais, só uma atração física, ninguém vai ver e além do mais depois você pode jogar a culpa no álcool!”.
O garoto colocou a mão em minha nuca, de forma que seu polegar ficasse na minha bochecha, nossos olhares se encontraram e senti um arrepio percorrer todo o meu corpo. Estávamos tão próximos que podia sentir sua respiração quente contra meu rosto e eu não recuei, parecia que o álcool não estava me deixando raciocinar direito. Ele se aproximou mais, disposto a acabar com a distância entre nossas bocas quando ouvimos a porta se abrir...
– Gent... – ouvimos a voz alta e escandalosa de dizer e viramos nossos rostos em direção à porta. Eu estava com o coração disparado e os olhos arregalados. “Merdaaaa!” – Eita, eu não vi nada – disse com uma voz arrastada fechando os olhos com as mãos logo em seguida.
– Nós nunca estivemos aqui – afirmou enquanto puxava e pra dentro da casa.
– Não ta acontecendo nada – mentiu – Só estava limpando uma sujeira na bochecha da – deu de ombros.
– É! – confirmei, mesmo sabendo que era uma desculpa horrível.
– Ah, claro – disse irônico - Antes só me deixa tirar uma foto pra chantagear eles quando estiverem sóbrios – ameaçou tirar o celular do bolso, mas parou quando o repreendeu com o olhar.
deu um sorriso amarelo e puxou os dois garotos para dentro, fechando a porta logo em seguida.
– Merda! – exclamei.
Eu sabia que em minha plena consciência eu nunca teria deixado se aproximar daquele jeito, mas eu estava bêbada e sem noção alguma.
Agora estava tudo ferrado, eles teriam certeza que eu estava tendo algo com e a culpa era toda minha. Para começar nem deveria ter aceitado ir naquela festa...
– Vem, vamos entrar – estava de pé com a mão estendida para mim.
Suspirei e segurei sua mão. Talvez fosse melhor eu apenas ignorar aquele acontecimento.

***

Quando chegamos na sala, Jason e Chloe dançavam colados e se olhavam de um jeito apaixonado, enquanto todos observavam encantados a química do casal.
Revirei os olhos com a cena. Aquele pessoal da escola amava puxar saco daqueles dois falsos, incrível!
Senti as mãos de agarrarem minha cintura, me puxando para perto de seu corpo. Ele sorriu de um jeito malicioso quando viu a minha cara de surpresa. Envolveu minha cintura com seus braços, de modo que eu ficasse colada nele. Será que ele poderia colaborar?
– O que você pensa que está fazendo? – perguntei de cara feia.
– Não sei do que você está falando – deu de ombros.
Se ele achava engraçado me provocar, acharia mais engraçado quando eu começasse a provoca-lo. Já estava tudo ferrado mesmo, então, o que eu perderia me divertindo não é?
Wild toughts começou a tocar. Eu amava aquela musica!
– I don't know if you could take it, know you wanna see me nakey, nakey, naked – cantarolou próximo ao meu ouvido enquanto dançávamos no meio da sala.
– I wanna be your baby, baby, baby – completei sussurrando em seu ouvido e em seguida depositei um beijo na curva de seu pescoço.
Ele riu de um jeito nervoso e eu sorri vitoriosa por tê-lo provocado.
Percebi que o casal perfeito nos fitava e aproveitei pra fazer cena, entrelaçando meus braços no pescoço de .
– When I'm with you, all I get is wild thoughts - cantei, agora olhando nos olhos de , ele mordeu o lábio inferior e sorriu em seguida.
– Você é uma ótima atriz até meio bêbada – sussurrou em meu ouvido.
– Eu sei – me gabei.

***

Estava sentada no sofá bebendo meu quinto copo de poncho enquanto pensava na merda que tudo isso daria no dia seguinte. tinha ido levar para casa, antes que o mesmo desse mais vexame.
se sentou ao meu lado e eu o encarei.
– chamei.
– O que foi?
– Me leva pra casa? – implorei e ele franziu o cenho – Por favor! Antes que eu faça mais alguma coisa que me arrependerei depois...
– O que você fez? – ele me olhou desconfiado. Ótimo agora quem estava se entregando era eu mesma.
– Além de dançar colada com o ? – perguntei e entreabriu a boca.
– Você o que? – ele quase gritou. Imagina se ele soubesse que eu quase o beijei...
– Por favor, – implorei.
– Eu não estou de carro, o está...
Olhei pra trás e vi no canto falando com uma garota, a qual eu jurava que era líder de torcida. Me levantei do sofá e fui andando até o mesmo. Em plena consciência eu não iria lá atrapalhar os esquemas dele, mas eu estava bêbada e sem senso.
– Hey, licença – disse quando me aproximei – me leva pra casa – me voltei para o garoto e ele fez um careta.
– Só um minutinho, Ash – disse sem graça para a garota loira que assentiu.
Ele segurou meu braço, me levando pra longe da garota.
– Que merda você pensa que está fazendo? – disse baixo, porém irritado.
– Eu quero ir embora – choraminguei.
– Eu não vou embora agora – ele olhou para trás, na direção da garota - Espera o ... Inclusive, olha ele ali – o garoto apontou e eu me virei para olhar.
– Hey, , que cara é essa? – franziu o cenho.
Me virei para falar com , mas ele não estava mais lá.
– Preciso falar com você, vem – ele pegou minha mão e me guiou para as escadas.
– Eu quero ir embora – reclamei enquanto subia os degraus.
– Nós já vamos, eu prometo...
abriu a porta do primeiro quarto a direita, espiou lá dentro, provavelmente certificando-se de que não tinha ninguém e fez um sinal para que eu entrasse.
Cruzei os braços e o olhei desconfiada. O que ele queria falar comigo dentro de um quarto?
Ele revirou os olhos quando viu minha expressão e me puxou pelo braço pra dentro do quarto, fechando a porta bem atrás de si.
O quarto era pintado de rosa bebê e os moveis eram todos brancos. Aquele quarto provavelmente era de Chloe.
se sentou na cama enorme e deu um tapinha no espaço ao seu lado, pedindo para que eu me sentasse.
– Vou ficar de pé mesmo – respondi de braços cruzados, me encostando no guarda-roupa – Vai saber o que fizeram nessa cama hoje...
– Nós fomos muito bem hoje – começou me olhando - Você pensou no nosso plano?
– Que plano? – perguntei confusa.
– Sobre o namoro...
– Eu não vou , já disse! – respondi séria.
– Você não quer dar uma lição no Jason? – incentivou.
– Não, eu quero que ele se foda! – dei de ombros – Eu quero saber que porra foi aquilo lá fora...
– O quê?
– Não se faz de tonto , você quase me beijou! – disse alto e ele riu.
– E você não recuou... – deu um sorrisinho de lado.
– Eu tô muito bêbada – retruquei.
, às vezes temos que agir por impulso sabe? Com espontaneidade. Você pensa demais...
– Ah, claro, e depois você faz o que com as consequências?
– Assumo ué – deu de ombros e eu bufei.
– Vou te esperar lá embaixo – resmunguei enquanto mencionava sair do quarto
– Ei, espera – ele me segurou pela mão – Do jeito que você tá vai acabar caindo da escada se for sozinha.
– Eu to bem – dei de ombros, enquanto tentava sair do quarto, porém tropecei no pé de e cai em cima dele, na cama.
Ouvi a porta se abrir e a música alta entrar, duas risadas femininas ecoaram no quarto e eu me virei para ver quem era, dando de cara com Chloe de olhos arregalados e Mia boquiaberta. Ótimo! Era só isso que faltava para completar a noite.




Continua...



Nota da autora: Hey, como vocês estão?
Estão gostando? Espero que sim!
O que estão achando de todo esse acordo?






Outras Fanfics:
Parallel {Outras - Em Andamento}

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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