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[ÚNICO]







Único.


Eu nunca fui uma pessoa muito sensata, eu era manipulável e sempre achei que se não fizesse as coisas que meus amigos faziam eu não me encaixaria. O problema era que eu nunca tive os melhores amigos do mundo, eles eram poucos e eram péssimos. Não sei quem é meu pai, porque nem minha mãe mesmo sabe. Ela conheceu um homem em uma festa uma vez, ou melhor, alguns homens. Ela era, e ainda é, o tipo de mulher que gosta bastante de sexo, e foi o que ela fez naquela festa, exatamente, com dois homens, ou melhor, três. Só que o terceiro ela não fazia a mínima ideia de quem fosse, então ela engravidou e não foi atrás de saber quem era meu pai, ela falava para todo mundo que o pai da filha dela não quis saber da mesma e se mandou sabe-se Deus pra onde.

Essa era a história mais típica, não era? Uma mulher ficava com um homem, ela engravidava e o homem não queria saber mais dela, então não foi difícil de acreditar na versão da minha mãe, até minha avó acreditou. A versão original da história da minha vida minha mãe contou somente para mim quando eu tinha… bem, dez anos, ela me fez jurar que eu não contaria para ninguém, ela não queria ficar ainda mais mal falada do que já era. Eu fiquei traumatizada, claro. Por incrível que pareça, minha mãe tentou me poupar de todas as maldades desse mundo. Praticamente minha infância toda eu passei na casa da minha avó, um sítio onde a casa mais próxima ficava há uns seis quilômetros. A coisa funcionou bem até minha mãe se mudar para New York e me levar junto, então a vida começou a me desvirtuar quando eu tinha treze anos.

Sabe aquela fase que os seios já estão proeminentes, que o corpo está se desenvolvendo e os meninos estão com os hormônios à flor da pele? Eu era tão inocente... Claro que eu tinha noção de algumas coisas, mas outras eram quase inexistente para mim. Por isso que quando Collin Dylan me beijou, e apalpou meu corpo, eu deixei. Eu não gostei, é claro, mas achei que se o impedisse eu ia sair como bobona, e dessa forma tudo foi acontecendo. Com quatorze anos eu já estava envolvida com as drogas, e não foi difícil me convencerem a isso. Eles soltaram aquelas frases famosinhas de: “É só um trago”, “Deixa de ser careta”, “Isso é normal”, “Vamos lá, gata, só um pouquinho”... E o “pouquinho” virou vários outros pouquinhos que, de repente, já eram “poucões”. E eu me viciei.

Minha mãe trabalhava, e quando não estava no trabalho estava dando para todo ser que tinha um pênis, então ela não olhava mais para mim, e nesse estágio da minha vida eu já não tinha nenhuma inocência. Era lei eu passar o dia na rua, dormir fora de casa, embebedar-me, dar para Collin e qualquer outro cara que também quisesse. E aquela garotinha doce, que outrora não sabia nada sobre a vida, já não existia mais; e aquela doçura que eu tanto gostava, certamente, nunca mais retornaria. Eu já era um cadáver, tudo que eu fui um dia já havia há muito tempo partido. Não existia mais esperança para mim; não existia mais esperança para a garotinha que habitava no lugar mais escuro do meu ser gritando por socorro. Só… não existia mais esperança.

Mas na vida sempre acontece uma mudança, ninguém pode ficar para sempre no fundo do poço. Há um momento que devemos ser erguidos. Esse momento aconteceu quando eu tinha dezoito anos, e o responsável por isso foi . Ah! Ele era tão doce, sensato, brincalhão... Ele tinha uma coisa. Sabe quando você olha para uma pessoa, troca apenas uma palavra com ela e sente que você tem que levá-la para o resto de sua vida? Que você quer ter aquela pessoa todos os dias, que você precisa dela, precisa do seu sorriso e da sua forma positiva de ver o mundo por mais podre que ele seja? era assim. Eu o conheci em um parque. Eu não estava em um dos meus melhores dias, aliás, eu nunca tinha bons dias, mas daquela vez eu estava péssima. Fazia quarenta e oito horas que eu não dormia, virei a noite em festas, em lugares diferentes me embebedando e fazendo coisas que garotas ajuizadas não fariam, então quando, finalmente, voltei para casa para ter meu merecido sono, o peguete da vez da minha adorável mãe tentou me agarrar. Ele era forte, mas não foi páreo para o chute que recebeu no meio das pernas. Eu estava com meus coturnos pretos e, acreditem, eles eram senhores coturnos. Minha mãe podia esquecer aquele cara, porque seu brinquedinho não entraria mais em nenhum playgroud. Depois do chute sai de casa para dar tempo ao babaca para fazer o mesmo, então fui para o parque mais próximo da minha casa. Eu, com certeza, estava um lixo, mas não me importava nem um pouco com aquilo… Bem, até ver ele. Ele estava brincado com um cachorro Golden Retriever. Deus, ele era tão lindo! Tão lindo... Não, não o cachorro, quer dizer, o cachorro também era, mas seu dono era um puta de um belo colírio.

Depois de admirar o pacote maravilhoso que era, comecei a ver tudo por partes. A primeira coisa que reparei minuciosamente foi seu sorriso de causar desmaios. Céus, ele sorria! E aquele sorriso não era brincadeira não... Seus dentes ficavam todos expostos e eles eram todos branquíssimos, ao contrário dos meus. Ele também tinha aqueles buraquinhos nas bochechas e seu lábio inferior era maior que o superior, e eram tão vermelhinhos que meu estômago deu cambalhotas e saltos triplos só de imaginar encostando meus lábios ali. Depois reparei em seus olhos, não dava muito para ver a cor deles, pois eu não estava tão perto assim, mas eles eram bem desenhados e não eram grandes demais e nem pequenos demais. E tinha também aquele nariz. Homens geralmente têm nariz grande, mas não ele. O dele era fininho, não ao ponto de torná-lo parecido com uma mulher, mas sim ao ponto de formar um conjunto lindo naquele rosto maravilhoso.

Seu corpo… Não sei se posso descrevê-lo sem formar uma poça em meus pés. Ele era bronzeado, o que indicava que não era de NY, não mesmo. Seus braços eram definidos e suas pernas pareciam firmes, era essa a impressão que seu short passava. Eu não fazia ideia de como era seu peitoral e barriga, mas, com certeza, era de endoidar um. Eu me senti uma vampira zumbi perto dele, sério. Era como se eu estivesse vindo de outro planeta e fui repelida no lugar errado. De repente eu dei conta de mim; dei conta de mim como há muito tempo eu não fazia. Naquele momento eu queria que meus cabelos fossem menos lisos, e que eles não estivessem tão oleosos em cima e ressecados embaixo. Queria muito que minha pele não tivesse a aparência de uma pessoa que passou quase a vida toda em uma masmorra e que eu não tivesse tão magra, e nem vestida com aquela roupa preta desbotada e fedendo a fumaça e bebida alcoólica. Céus! Senti vontade de cavar um buraco ali e me jogar nele, minhas unhas de bruxa tinham que ter alguma utilidade.

Eu estava tão embasbaca admirando a obra prima que era que não reparei no frisbee que vinha certeiro em minha direção e, de repente, ele chocou-se em minha testa e, então, eu estava no chão jurando que tinha passarinhos amarelos e roxos voando ao redor de minha cabeça. Abri os olhos e Deus só podia ter me levado, pois eu estava vendo a face de um anjo… estava com o rosto pairando sobre o meu, sua expressão era preocupadíssima. Ele tocou levemente na minha testa, o que me causou tremeliques tanto pela dor que senti como pelo contado da mão dele em minha pele. Ele se desculpou, — e se desculpou muito. — mas não dei nem bola, porque estava mais interessada naquela voz maravilhosamente enrouquecida do que em suas palavras. Com certeza, eu estava parecendo uma drogada, não que isso fosse novidade.

Ele me levantou, ressaltou as desculpas e a preocupação. me drogou com seus olhos, que eram de um azul escuro fabuloso. Ele chegou à conclusão que eu não estava realmente bem. Eu deveria está com uma cara muito retardada, mas mal sabia ele que eu nem mais sentia a dor na testa, longe disso, vê-lo me anestesiou, foi como se eu tivesse recebido uma grande dosagem de morfina na veia.

Ele tentou de todas as formas me levar ao hospital, mas eu disse para ele que era bobagem, porém ele era insistente. Azar o dele, pois eu também era. Então chegamos a um impasse de que eu precisaria apenas de um gelo na testa. Ele me deixou sentada na grama, com seu cachorro me fazendo companhia, e me proibiu de fazer qualquer movimento, então foi atrás de gelo e voltou com um saco. Coloquei o gelo na testa e ficamos conversando por duas horas inteiras. Ele me disse seu nome, disse que nasceu na Califórnia, mas tinha se mudado recentemente para New York para continuar a faculdade de arquitetura, e que queria sair da barra da saia de sua mãe. Ele tinha vinte anos, dois irmãos mais velhos, três melhores amigos e estava gostando muito da sua experiência em NY. Eu também falei sobre mim, nada muito revelador, já que eu me sentia imunda ao seu lado. Minha história era basicamente: “ , drogada, dezoito anos que não faz merda nenhuma da vida e transa com caras que não conhece”, mas o que contei foi: “ , dezoito anos, não faria faculdade porque não me interessei por isso, não tenho irmãos, alguns melhores amigos, faz cinco anos que me mudei para New York e fim”.

Depois de se certificar que o galo em minha testa estava bem menor, ele me deixou parar de usar o gelo e fez questão de me levar em casa, apesar de eu ter insistido que não precisava. Mas era só charme, claro que precisava; eu precisava da sua companhia e daquela felicidade toda que ele possuía. Pela primeira vez em muito tempo, eu me sentia bem; me sentia viva. Ele me deixou na frente da minha casa e me passou seu número dizendo para eu ligar ou mandar mensagem para ele informando sobre o estado da minha testa. Eu quase virei manteiga ali na calçada, mas consegui me controlar. Depois de se despedir de mim com um beijo na bochecha — que eu queria muito que ele não tivesse dado, porque certamente meu cheiro não estava bom — eu entrei em casa, então ali eu pude virar manteiga, depois virei manteiga no meu banheiro, esfregando todo meu corpo fortemente com uma bucha para tirar toda a sujeira, e virei uma manteiga em minha cama enquanto dormia e sonhava durante quase minhas dezesseis horas de sono com .

A partir do fatídico dia do parque, vinha em minha mente quando eu acordava, durante todo o meu dia e enquanto eu dormia. tornou-se o centro do meu mundo fodido, e por mais que eu soubesse que deveria deixá-lo bem longe do bagaço de pessoa que eu era, eu não conseguia. Eu simplesmente não conseguia.

Aos poucos as coisas foram acontecendo, ele me chamou para ver um jogo de futebol junto com seus amigos, me diverti a tarde toda ao seu lado e de noite fui deixada em casa por ele. Fui chamada para um parque de diversões, me diverti como uma criança de cinco anos, ganhei um enorme urso dele e no fim da noite fui deixada em casa por ele. Fui chamada para ir a praia com ele e seus amigos, fui com minha bunda magrela e minha cor de papel e passei a tarde e começo da noite me divertindo loucamente e no fim da noite fui deixada em casa por ele. E era sempre assim, e nós sempre nos despedíamos com beijos no rosto. Eu deveria achar aquilo mais que suficiente, ele estava em um lugar seguro, não estava inserido totalmente em minha vida e isso era muito bom, pois eu continuava me drogando, me embebedando e frequentando festas. Eu continuava um trapo de gente, só que eu me sentia um trapo mais ajeitadinho. me queria só como amiga e eu entendia isso, eu via o tanto de garotas maravilhosas que se atiravam para cima dele. O que ele iria querer comigo, pelo amor de Deus?! Mas ele quis. Surpreendentemente, ele quis.

Ele me chamou para sair em um dia, um dia que eu estava com um cigarro de maconha na mão e com outra coisa bem mais forte que isso já preparada para usar, já fazia dois dias que eu não usava nada. Ele me chamou para jantar nossos típicos fast food cheio de queijo e bacon, e muito, muito colesterol. Deixei as drogas de lado porque eu sabia que não poderia estar chapada na presença dele e fui me arrumar. Estava muito calor, tomei um banho bem caprichado, lavei meu cabelo três vezes com um shampoo que a moça da farmácia havia dito que fazia mágica nos cabelos, depois deixei o creme agir por vinte minutos ali, já que queria transformar meu cabelo em algo digno, e não no ninho de rato que ele sempre era. Sai do banho me sentindo muito bem. Hidratei meu corpo com um hidratante que a mulher da farmácia também havia indicado e fui me vestir. Achei uma saia soltinha e florida jogada no fundo mais obscuro do meu armário. Fui no quarto da minha mãe raptar uma camiseta branca. — porque se tinha uma coisa que eu não tinha, essa coisa era roupa branca. Aproveitei e peguei algumas bijuterias dela. Voltei para meu quarto, passei uma maquiagem surpreendentemente leve e calcei sandálias confortáveis. Arrumei meus cabelos e me perfumei. Eu estava pronta quando ouvi a buzina do carro de . Ele estava parado na porta do passageiro do carro, como sempre ficava quando ia me buscar em casa. Vi surpresa refletida no rosto de , o que era normal, porque ele nunca tinha me visto ao natural. nunca andava ao natural. Ele me deu um beijo gostoso na bochecha, beijo esse que fazia coisas estrondosas com meu estômago, me elogiou e abriu a porta do carro para que eu entrasse. Me surpreendi quando ele começou a sair de New York e disse que queria ir à praia; que queria ver o pôr do sol e queria aproveitar a noite quente, e, é claro, eu não me impus a isso.

O céu estava estrelado, o vento estava maravilhoso e e eu estávamos sentados na areia fofinha devorando um mega hambúrguer. Tentando não me engasgar, eu gargalhava das baboseiras que ele dizia. Ele sempre me fazia rir, não importava qual circunstância fosse ou em que lugar estivéssemos, era como se ele soubesse que eu precisava daquilo, daqueles pequenos momentos de felicidade.

Ah... O dia que tudo aconteceu, sem sombras de dúvidas, foi o melhor dia da minha vida. Justamente aquele dia da praia... Já tínhamos acabado de comer e estávamos apenas aproveitando a noite, o barulho do mar, o frescor do vento… continuava a me fazer rir. Então em um momento ele ficou me observando, olhou para o meu rosto todo: olhos, nariz, lábios e bochechas, me estudou e aproximou o rosto do meu. Me senti congelar quando ele segurou os cabelos da minha nuca e os puxou levemente, me arrepiei como nunca. Quase tive uma parada cardíaca quando sua respiração se misturou com a minha e, com toda certeza, eu quase tive uma morte súbita quando aqueles lábios maravilhosos que tanto me tiravam dos eixos encostaram-se aos meus.

Sabe quando você quer mais que tudo descrever algo, mas lhe faltam palavras? É como se não existisse a palavra certa para aquilo que você quer descrever. Me senti exatamente assim com aquele beijo, nunca imaginei que um beijo poderia ser tão bom; nunca imaginei que a pureza pudesse me alcançar novamente. Beijando eu me senti pura. Eu, , a garota estragada, me senti pura depois de anos. Foi uma sensação tão maravilhosa que eu não queria mais desgrudar meus lábios dos dele. Sua língua era suave contra a minha, ela provocava minha língua, a provava, a acariciava… Sua respiração se misturava com a minha como se aquela fosse a coisa mais certa do mundo. Ele mordiscava meu lábio, o acariciava com os seus e voltava a me beijar e eu só… entrava em colapso. Ele partiu o beijo e ficou com a testa encostada contra a minha, estava ofegante, eu também estava. Quando abri os olhos ele já estava com os próprios abertos e sorria. Ah, Deus! Aquele sorriso maravilhoso me tirava da órbita, me dava vontade de agarrar e nunca mais soltá-lo. Ele acariciou minha nuca, me deu um selinho e disse... Ah, ele disse que estava apaixonado por mim! Veja só, por mim; por , a garota sem futuro.

Eu me sentia como se tivesse ganhado na loteria, logo eu que sempre fui tão azarada. Aquela pessoa maravilhosa, o homem mais incrível que eu já havia conhecido, disse que estava apaixonado por mim! Fiquei tão abobalhada que não soube o que dizer por um tempo considerável, e quando vi que sua expressão estava começando a ficar aflita, eu pulei em cima dele fazendo-o deitar na areia e voltei a beijá-lo. E o beijei e o beijei, mais um pouco e um pouco mais — e mais um pouquinho — e disse que também estava apaixonada por ele, que estava caidinha por ele desde a primeira vez que o vi. E ele, todo convencido e dando um de engraçadinho, disse que já sabia disso.

O céu estava estrelado, o vento estava maravilhoso e e eu estávamos sentados na areia fofinha devorando um mega hambúrguer. Tentando não me engasgar, eu gargalhava das baboseiras que ele dizia. Ele sempre me fazia rir, não importava qual circunstância fosse ou em que lugar estivéssemos, era como se ele soubesse que eu precisava daquilo, daqueles pequenos momentos de felicidade.

Ah... O dia que tudo aconteceu, sem sombras de dúvidas, foi o melhor dia da minha vida. Justamente aquele dia da praia... Já tínhamos acabado de comer e estávamos apenas aproveitando a noite, o barulho do mar, o frescor do vento… continuava a me fazer rir. Então em um momento ele ficou me observando, olhou para todo meu rosto: olhos, nariz, lábios e bochechas, me estudou e aproximou o rosto do meu. Me senti congelar quando ele segurou os cabelos da minha nuca e os puxou levemente, me arrepiei como nunca. Quase tive uma parada cardíaca quando sua respiração se misturou com a minha e, com toda certeza, eu quase tive uma morte súbita quando aqueles lábios maravilhosos que tanto me tiravam dos eixos encostaram-se aos meus.

Sabe quando você quer mais que tudo descrever algo, mas lhe faltam palavras? É como se não existisse a palavra certa para aquilo que você quer descrever. Me senti exatamente assim com aquele beijo, nunca imaginei que um beijo poderia ser tão bom; nunca imaginei que a pureza pudesse me alcançar novamente. Beijando eu me senti pura. Eu, , a garota estragada, me senti pura depois de anos. Foi uma sensação tão maravilhosa que eu não queria mais desgrudar meus lábios dos dele. Sua língua era suave contra a minha, ela provocava minha língua, a provava, a acariciava… Sua respiração se misturava com a minha como se aquela fosse a coisa mais certa do mundo. Ele mordiscava meu lábio, o acariciava com os seus e voltava a me beijar e eu só… entrava em colapso. Ele partiu o beijo e ficou com a testa encostada contra a minha, estava ofegante, eu também estava. Quando abri os olhos ele já estava com os próprios abertos e sorria. Ah, Deus! Aquele sorriso maravilhoso me tirava da órbita, me dava vontade de agarrar e nunca mais soltá-lo. Ele acariciou minha nuca, me deu um selinho e disse... Ah, ele disse que estava apaixonado por mim! Veja só, por mim; por , a garota sem futuro.

Eu me sentia como se tivesse ganhado na loteria, logo eu que sempre fui tão azarada. Aquela pessoa maravilhosa, o homem mais incrível que eu já havia conhecido, disse que estava apaixonado por mim! Fiquei tão abobalhada que não soube o que dizer por um tempo considerável, e quando vi que sua expressão estava começando a ficar aflita, eu pulei em cima dele fazendo-o deitar na areia e voltei a beijá-lo. E o beijei e o beijei, mais um pouco e um pouco mais — e mais um pouquinho — e disse que também estava apaixonada por ele, que estava caidinha por ele desde a primeira vez que o vi. E ele, todo convencido e dando um de engraçadinho, disse que já sabia disso. Os dias que se sucederam foram como um mundo encantado. era… Uau! Ele era tão atencioso e se preocupava tanto comigo como há muito tempo ninguém fazia. Quando não podíamos nos encontrar, ele ligava toda noite para saber como eu estava. Me mandava mensagens fofas durante o dia, e eu amava quando ele escrevia que sentia minha falta, que estava pensando em mim... Eu me derretia toda, assim como me derreti no dia que fizemos amor pela primeira vez. Sim, fizemos amor. Pela primeira vez eu fiz amor com um cara e achei muito melhor do que fazer apenas sexo...

Nós dois estávamos em minha casa, coladinhos no sofá assistindo a um filme. tentava me assustar, já que o filme era de terror, mas eu amava esse tipo de filme e só me assustava realmente na hora do suspense. O filme acabou e coloquei em um programa qualquer. estava acariciando minha coxa, e eu só tive consciência disso depois de um tempo. Comecei a me arrepiar e ele logo percebeu. Foi impossível para ele controlar seu sorriso malicioso e eu ri de sua expressão. Logo ele estava em cima de mim e nós dois estávamos nos beijando, primeiro com doçura, depois com fúria. Ele me pegou no colo e me levou até meu quarto, me deitou devagar na cama, e antes de fazer o mesmo por cima de mim, ele tirou a própria blusa e depois a minha. Não demorou para todas as roupas tomarem um lugar fora de nossos corpos, e quando eu finalmente o senti por inteiro, foi algo intenso. Pode parecer clichê, mas eu realmente nunca senti aquilo com nenhum outro. Ali não era apenas troca de prazer, eu não estava o usando apenas para me saciar e ele também não estava agindo dessa forma. Meu objetivo com homens era somente aquele, mas com não. Com eu me sentia muito bem fazendo aquilo, sentia que nenhum outro levaria aquela importância toda em minha vida. No fim, eu deitei sobre seu peito suado e ele começou a acariciar minhas costas depois de ter beijado minha testa, e ai ele disse que me amava. Ah, como foi bom ouvir aquilo... Tropas de borboletas agitaram-se em meu estômago e me senti uma boba quando meus olhos lacrimejaram-se. O beijei e também disse que o amava, que ele havia sido a melhor coisa que aconteceu em minha vida e ai nos amamos de novo, por toda a tarde.

era o meu sol, meu pequeno ponto de esperança, por ele eu tinha vontade de melhorar, de largar as porcarias que eu usava, de beber menos, de parar de fazer sexo com tantos caras, eu queria fazer isso. A parte do sexo eu já havia dado um jeito, eu estava com e eu não precisava de nenhum outro. Mas as drogas era tão.. difícil. Eu dizia todos os dias que seria a última vez, mas essa última vez nunca chegava. Eu fazia o máximo para esconder isso de , eu tinha duas vidas e não conhecia minha metade escura. Até o dia que ele conheceu...

Eu estava há uns quatro dias sem falar com ele, porque eu estava em festas, curtindo, dançando, saindo fora de mim. Desses quatro dias, os dois primeiros eu passei chapada, completamente, no terceiro eu estava com um mal humor do cão e sentia vontade de socar qualquer um que se atrevesse a falar comigo. No quarto dia eu estava fumando e foi quando apareceu. Ele certamente bateu muito na porta da minha casa, mas eu não escutei. É claro que ele viu todas aquelas garrafas de bebidas no gramado da minha casa, e toda aquela zona, e percebeu que havia acontecido uma festa ali. Eu estava jogada na sala com uma roupa de dois dias de uso. Foi um choque vê-lo, mas apenas uma pequena descarga elétrica, pois eu estava meio doidona. Mas eu lembro da expressão dele, do rosto chocado, depois desacreditado, então decepção e, por último, raiva. Eu estava parecendo uma mendiga e minha casa estava com um odor insuportável, não foi difícil para ele chegar a uma péssima conclusão. Ele não gritou comigo ou discutiu, ele expulsou o resto de gente que estava jogada pelos cantos da minha casa. Ao se certificar que não havia mais ninguém ali, ele trancou a porta e foi até onde eu estava, me pegou no colo e me levou para meu quarto. entrou no meu banheiro e tirou minha roupa. O banho estava frio. Depois que ele me tirou de lá, eu não consigo lembrar de mais nada.

Eu acordei desnorteada, primeiro vi o quarto girando, depois minha visão foi se firmando. Parecia que minha cabeça ia explodir, minha boca estava tão seca que minha língua parecia gigante e com um gosto horrível. Olhei para o lado e avistei um copo de água e alguns comprimidos em um pequeno pires, os tomei sem pensar duas vezes junto com toda a água, sentei-me na cama e prendi meus cabelos em um coque firme. Deus, eu me sentia péssima; destruída. E tudo só pirou quando me dei conta de quem havia me posto ali. Meu coração disparou e eu sai com rapidez da cama sem me importar com a tontura que me assolou. Corri em direção a sala vendo pelo caminho como minha casa estava limpa e com um cheiro bom, logo ela que sempre parecia um lixão. Não tinha ninguém na sala, mas ouvi um barulho na cozinha por isso fui para lá. E lá estava . A cozinha também estava limpa, e pela primeira vez durante muito tempo, na pia não havia nenhuma louça suja se quer. virou-se para mim, sua expressão estava séria, ele perguntou se eu estava bem e eu disse que sim, então ele me mandou sentar e comer. Ele havia feito sanduíches, suco e também tinha frutas. Eu comi tudo porque estava morrendo de fome. Ele ficou o tempo todo encostado na pia atrás de mim. Quando terminei de comer, eu lavei a louça, sequei e aguardei, já que queria ganhar tempo, mas quando esse tempo acabou, eu me encostei ao armário do outro lado da cozinha e olhei para

Eu me lembro muito bem do nosso diálogo.

— Há quanto tempo você se droga?

— Há quatro anos.

— E você, por nenhum minuto, pensou em me falar sobre isso? — perguntou de forma dura e eu engoli seco.

— Eu queria poupá-lo dessa parte da minha vida.

— Eu já desconfiava disso, de que você se drogava. — o olhei surpresa. — Seu humor oscila muito, uma hora você está bem e é a pessoa mais feliz do mundo e em uma outra hora a sensação que dá é que você quer se enfiar em uma caverna e não quer sair dali tão cedo. Você também some constantemente e me dá desculpas idiotas. Você achou mesmo que eu acreditava nelas? — o silêncio predominou, por algum tempo na cozinha. — Você fica com outros caras? Porque sua casa estava cheia deles.

— Não! — respondi com rapidez. — Eu não fiquei com mais ninguém depois que nós começamos a nos envolver. — ele assentiu.

— E é isso mesmo que você quer para a sua vida, ? Passar a maioria do tempo se drogando e ficando fora de si? Viver em uma eterna festa e não se importar nem um pouco com o que possa acontecer com você no futuro?

— Eu não pensava nisso antes de conhecer você e desde então eu venho tentando, venho tentando sair dessa e construir um bom futuro, mas é tão difícil... — minha voz ficou embargada e meus olhos queimaram com as lágrimas contidas. suspirou e descruzou os braços, andou em minha direção e me abraçou, e aquele abraço era tudo que eu precisava. Sentir seu corpo quente contra o meu corpo frio era a melhor forma de me mostrar que ele estava ali para mim. Ele disse que me ajudaria, que estava ali comigo e que eu sairia dessa

Mas eu não sai. Eu via o cansaço no rosto de com o tempo, toda vez que eu dizia que eu conseguiria, eu não conseguia. Ele me disse que eu tinha que me internar, mas aquela ideia era completamente absurda para mim, porque em minha cabeça eu poderia, sim, sair daquele vício por conta própria. Mas os dias se passaram e em vez de largar as drogas eu parecia ainda mais envolvida com elas. Minhas brigas com ficaram constantes, eu me descontrolava e não acreditava muito quando ele dizia que a paciência dele estava indo embora. Até o dia que ela foi. Aquela foi nossa briga mais feia, ele encontrou drogas em minhas coisas, as enfiou em uma lata de lixo e ateou fogo nelas. Eu fiquei furiosa, fora de mim e gritei, gritei muito e lhe disse coisas horríveis, coisas essas que eu me arrependi de ter dito por muitos anos. Sua expressão… naquele momento ele lavou as mãos, disse que tinha tentado, que tentou muito, mas que não aguentava mais, que não suportava mais aquele peso que eu havia me tornado em sua vida, que me amava, mas que nunca achou que amor não fosse suficiente, mas, infelizmente, ele descobriu que não era mesmo. Eu já sentia o impacto daquilo que ele iria fazer e já sentia eu me quebrando aos poucos, então eu o agarrei e pedi com todas as minhas forças que ele não me deixasse, por favor, que ele não me deixasse. Eu precisava dele, havia se tornado meu tudo, eu precisava dele. Eu supliquei para que ele ficasse, eu chorei como uma criancinha, eu disse que eu ia conseguir, que eu ia vencer aquilo, que ele tinha que me ajudar. Mas ele não podia mais, ele segurou meu rosto molhado e disse que não podia mais, que me amava, que queria ficar comigo, mas ele não podia mais. Ele beijou meus lábios com doçura, beijou minha testa e então se foi.

Nos primeiros dias eu fiquei péssima, chorava toda noite, não comia nada, não tomava banho, mal me levantava. Então eu me levantei, tomei banho, devorei tudo que encontrei e disse para mim que não precisava de para ser feliz, que ele era um bacana egoísta e que eu fingiria que ele não existia. Então eu voltei a minha vida de antes, vida de festa, de me drogar, de me embebedar e de fazer muito, muito sexo. E assim o tempo foi se passando e eu fui me destruindo ainda mais. Até o dia que fui atingida por um balde de água fria, não literalmente.

Eu acordei com a luz do sol em meu rosto, xinguei até a décima geração da família de Collin Dylan e lhe dei um tapa. Ele resmungou e virou a cabeça para o outro lado sem se importar por estar totalmente nu e com o corpo descoberto. Levantei-me da cama e me espreguicei sentindo alguns ossos estalarem, um vento fresco passou pelo meu corpo nu e eu olhei as horas. Já passava das duas da tarde de uma terça-feira. Andei pelo quarto e caminhei em direção ao banheiro. Foi quando me deparei com o meu reflexo em um grande espelho que ali havia. Eu estava magra, isso não era novidade, claro, mas eu nunca antes tinha visto os ossos que ficam na altura das minhas bochechas e agora eu conseguia vê-los. Meu corpo estava pálido e com algumas marcas arroxeadas por todo ele. Meu cabelo estava um lixo, o preto dele contrastava de uma forma absurda com minha pele. Minhas unhas estavam sujas, minha maquiagem completamente borrada, meus dentes mais amarelos que o normal, meus olhos estavam vermelhos e a pele do meu rosto manchada. Me assustei, eu parecia um monstro. Abracei meu corpo e me encolhi, vendo meus olhos sendo tomados pelas lágrimas. Corri para o quarto e vesti rapidamente minhas roupas, sai dali e desci as escadas me deparando com o lixão que a casa de Collin estava e com algumas pessoas, umas dormindo outras já se drogando. Corri daquela casa o mais rápido que pude e cheguei até a minha ofegante. Entrei na mesma e fui direto para meu quarto, deitei em minha cama e então chorei; chorei com o restinho de força que havia dentro de mim. Eu era mesmo um lixo e eu nunca conseguiria sair daquela vida sozinha. tinha razão, todo tempo ele tinha razão, eu precisava mesmo de ajuda. Abri a gaveta do meu criado mudo, peguei uma foto que estava lá e olhei atentamente para ela. Aquela foto foi tirada no dia do meu primeiro beijo com , nós estávamos radiantes ali, seu sorriso maravilhoso praticamente ocupava toda fotografia. Levantei-me da cama colocando a foto em meu bolso, abri outra gaveta e tirei dali um saquinho com um pó branco, fiz todo aquele ritual tão conhecido e depois de ter acabado, sai de casa batendo a porta, peguei um ônibus e fui para um lugar que eu sabia onde ficava, entrei na recepção e parei de frente para uma mulher que usava branco. Ela me olhou, abriu levemente a boca e levantou-se.

— Eu posso fazer alguma coisa pela senhorita? — Vi a preocupação em sua expressão, sorri e assenti.

— Eu quero me internar. — e no dia 24 de março de 2006 eu resolvi dar um basta na minha vida e ir atrás de uma vida nova.

[***]

Sorri para a garotinha que corria alegremente pela grama verde e lhe joguei um beijo quando ela fez o mesmo. Há um ano e meio atrás eu resolvi que precisava resolver um mistério da minha vida, talvez o maior dela, então conversei com minha mãe e perguntei sobre os homens que poderia ser meu pai. Ela não disse muita coisa, mas fiz bom uso de suas palavras, investiguei e acabei encontrando Richard Thompson e Jordan Rick, os dois caras que ela se lembrava, o terceiro foi impossível de encontrar, por isso eu torcia muito para que eu não precisasse dele. Foi um choque para Richard e Jordan quando lhes contei sobre minha história, eles lembravam-se de minha mãe e disseram que depois daquela noite nunca mais tinham voltado a vê-la. Eles toparam fazer o exame de DNA. A mulher de Jordan não ficou muito feliz com isso, eles têm três filhos e levavam uma vida boa. Já Richard era viúvo há dois meses, tinha uma filha de dois anos e não fazia a menor ideia de como cuidar da garotinha, eles não tinham nenhum parente. Quando os exames ficaram prontos, nós três fomos pegá-lo. O primeiro que abrimos foi o que tinha o nome de Jordan e a palavra “negativo” estava lá para quem quisesse ver. Ele me pareceu um pouquinho aliviado. Já era menos um, se o de Richard também desse negativo eu voltaria à estaca zero. Mas quando abri o exame lá estava a palavra “positivo”. Confesso que sorri, eu finalmente tinha um pai. Passei vinte e quatro anos da minha vida sem saber quem era ele, mas ele finalmente estava ali na minha frente. Nós dois fomos tomar um café, ele disse que eu era muito bem-vinda em sua vida, que aquilo era uma surpresa para ele, pois não havia pensado na possibilidade do exame dar positivo, mas que não tinha achado de um todo ruim.

Nós fomos nos aproximando aos poucos, depois de alguns meses ele me chamou para morar com ele, e apesar de um pouco apreensiva, eu fui. Minha mãe naquela altura da vida já estava mais ajuizada e tinha ido morar com minha vó, porque ela já não tinha mais idade de viver só. Eu comecei a ver o alívio de Richard por me ter em sua vida nos momentos que eu cuidava de Bella, ela era um doce de criança e me apaixonei por ela no momento que a vi, não era sacrifício nenhum cuidar da garotinha. A hora que eu mais gostava era quando nós três nos sentávamos à mesa as sete horas da noite para o jantar. Richard sentava na ponta, eu me sentava em seu lado esquerdo e Bella sentava-se ao meu lado para que eu pudesse ajudá-la a comer, então nós conversávamos. Richard me perguntava sobre a faculdade e eu perguntava sobre o trabalho dele, ele possuí uma empresa de construção civil que só crescia a cada dia. Aos fins de semana, saíamos nós três e era sempre divertido. Richard era hilário, e apesar de ter perdido a esposa, ele se esforçava para ficar bem.

Estava um belo dia, Bella amava ir ao parque por isso eu a levava sempre. A garotinha correu em minha direção e eu me abaixei para abraçá-la. A abracei bem forte fazendo-a soltar um gritinho e logo depois gargalhar, sorri e a soltei, voltei a me levantar e foi naquele momento que o vi. Eu não acreditava que ele estava ali, achava que meus olhos estavam me enganando, a última notícia que eu havia tido de foi que ele havia voltado para a Califórnia, mas lá estava ele, brincando com Marley, o seu inseparável Golden Retriever. Ah, ele estava tão lindo! — uma pausa para rir. — estava lindo, não Marley. Quer dizer... Marley também estava lindo, mas estava... maduro. Não era mais aquele menino-homem que eu me lembrava. Não sei o porquê, mas ele me parecia maior e seus cabelos estavam curtos, mas seus lábios, nariz e olhos, estavam exatamente do jeito que eu me lembrava. E sabe o que mais me tirou do eixo? Foi o fato dele já está olhando para mim quando o vi, ele estava ali, parado e me olhando com o cenho franzindo com uma expressão de “eu conheço você, mas não tenho certeza se é realmente você”. Eu havia mudado, radicalmente, tinha ganhado peso, meus seios estavam até maiores, o que eu achei fabuloso. Minha pele já não lembrava mais papel e também não era mais manchada, meus olhos não eram mais vermelhos, meus lábios não eram mais rachados, minhas roupas já não eram escuras e meu cabelo grande, preto feito petróleo e oleoso na raiz e seco nas pontas havia dado lugar a um cabelo na altura dos ombros com a parte da frente maior que a de trás, loiro e completamente sedoso. Eu sorri para . E então sua expressão incerta deu lugar a surpresa. Ouvi um latido alto e logo depois a bola de pelo marrom estava voando em minha direção e me derrubando na grama. Marley lambia meu rosto com felicidade enquanto eu tentava afastá-lo, eu ria apesar de estar sufocando com ele em cima de mim, então em um minuto ele não estava mais lá, estava sendo segurado por . Ele me pediu mil desculpas e perguntou se eu estava bem. Ah, aquela voz... Aquela voz maravilhosa que tanto mexia comigo. Durante os anos eu senti a falta de , ele foi o grande amor da minha vida, e, de certa forma, foi a minha salvação. Eu lamentava muito por tê-lo o afastado. Durante minha internação, eu lutei para não procurá-lo, ele não merecia mais o peso que ele mesmo disse que eu era, mas quando eu sai da clínica, eu fui atrás dele, mas quem eu encontrei foi um de seus amigos. Ele me disse que não morava mais em NY, me perguntou se eu queria o numero dele, mas eu disse que não, talvez ele nem se lembrasse mais de mim.

Eu sorri para e disse que não precisaria ir para o hospital. Ele franziu o cenho, mas logo sorriu parecendo lembrar do nosso diálogo de quando nos conhecemos há sete anos atrás e perguntou se eu não precisava nem de gelo, eu ri e disse que também não precisaria disso. Bella estava brincando com Marley e sentou-se ao meu lado. Ele me olhava como se não acreditasse que aquela era realmente eu e eu o olhava não acreditando que ele estava mesmo ali em minha frente. Ri balançando a cabeça em negação e lhe disse:

, vinte e cinco anos, cursando o segundo ano de Designer. Tenho uma irmãzinha de três anos e meio e nenhum melhor amigo. Moro em New York há doze anos. Com dezenove anos me internei em uma clínica de reabilitação e estou limpa desde então. Todo dia é uma luta, mas estou me saindo bem. — sorrindo ele me disse:

— É um prazer conhecê-la, .

[***]

Sorri com carinho ao ver ajoelhado ao lado do berço de nossa filha, ele segurava sua mãozinha gordinha enquanto explicava para ela atentamente que o bicho papão estava colocando a filhinha dele na cama também e iria zelar pelo sono dela a noite toda, por isso não apareceria ali tão cedo. Aos poucos vi a expressão de preocupação dela dando lugar a uma expressão de alívio. Ele beijou sua testa com demora e depois entre seus olhos, nossa menininha sorriu e fechou os olhos não demorando a dormir. saiu do quarto e me abraçou depositando um selinho demorado em meus lábios.

— Você é muito bom com isso.

— Faço tudo para a nossa menininha ser feliz — eu sorri.

— Ela tem muita sorte em tê-lo.

— Ela tem muita sorte por ter a nós dois.

Beijei e ele nos guiou até o quarto, nós entramos no banheiro e nos despimos para que pudéssemos tomar banho... e fazer muito mais que isso.

Fazia sete anos que e eu éramos marido e mulher, e quase dois anos que tínhamos nossa pequena Aurora. e eu não perdemos tempo, nós tínhamos pressa. Liguei para ele na mesma noite do nosso reencontro, marcamos um jantar para o dia seguinte, falamos tudo o que desejávamos falar um para o outro e resolvemos tentar. Ele disse que se lembrou de mim durante todos os anos que se passaram, que temeu muito por mim, ele via constantemente pessoas que se destruíam por conta das drogas e tinha medo de eu nunca tê-las superado. Eu lhe disse que mudei por mim, mas que se ele não tivesse aparecido em minha vida eu não tinha certeza se essa mudança aconteceria. Ele me teve de volta e eu o tive de volta. E meses depois já estávamos casados e eu estava tento os melhores anos da minha vida, nunca pensei que poderia ser tão feliz. Meu Deus! A felicidade era tanta que às vezes parecia que eu iria explodir. E a coisa só melhorou quando eu descobri que Aurora estava a caminho. Ah, minha princesinha, alegrou minha vida e a de desde o primeiro momento que soubemos de sua existência... era todo bobão com a filha e lhe fazia todas as vontades, mesmo eu brigando com ele. Richard também era um vovô babão e Aurora o adorava.

Depois de sairmos do banho nós nos preparamos para dormir, me deitei em minha cama e deitou-se atrás de mim me abraçando e levando sua mão até minha barriga, levei a minha mão até a dele e entrelacei nossos dedos. Tínhamos descoberto a pouco tempo que a família aumentaria, estávamos eufóricos. Depois que conheci eu ansiei por uma família grande, e segundo ele, teríamos quatro bebês fofinhos que depois se transformariam em lindos adultos, e eu não me importava nenhum pouco com isso, eu daria quantos filhos ele quisesse, pois eu também queria.

Eu nunca pensei que seria dona de uma felicidade tão sincera e intensa, quando comecei a me drogar e a me viciar em uma vida errada, eu nunca imaginava que poderia ser alguém, que poderia ter futuro; nunca imaginava que teria uma família que me amasse. Mas ali estava eu, uma mulher realizada tanto profissionalmente quanto na minha vida pessoal. E eu vou lhes dizer uma coisa… Se você quer mesmo algo, por mais impossível que esse algo possa ser, vai fundo, corra atrás, porque no fim qualquer sacrifício vale a pena.



Fim.



Nota da autora: (13/12/2015) Pausa para um suspiro de alivio (...) A ideia dessa fic veio depois que li uma shortfic meio intensa e tipo, eu a escrevi em menos de 24 horas minha gente, tudo pelo celular! E amei escrevê-la porque sai um pouquinho da minha zona de conforto e espero de coração que vocês tenham gostado dela. Vemo-nos por ai ♥

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